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DESBASTANDO A PEDRA BRUTA

Ir.'. Paulo Sergio Mathias Henrique, ARLS Sagrado Tibete, 1898.


Oriente do Méier, Rio de Janeiro, RJ.

Prancha apresentada em Setembro de 2004.

Na Era das cavernas, a capacidade intelectiva do Homem era quase


inexistente. Não tinha consciência das suas potencialidades e suas
ações eram basicamente instintivas, sem valer-se de suas faculdades
mentais. Quando ingressamos na Maç.˙. Simbólica, podemos ser
comparados como aquele Homem primitivo: ainda não temos plena
consciência de todas as nossas faculdades mentais e continuamos
precisando evoluir nosso espírito humano. E para a Maç.˙. o início da
evolução do espírito humano está representado num bloco de granito
de formas imprecisas, chamado Pedra Bruta. Essa pedra tosca é
conservada no Templo para simbolizar a idade primitiva, quando o
homem sem instrução, ignorante e rude, apegava-se
demasiadamente à matéria.

A Pedra Bruta (símbolo inicial do Apr.˙.) representa a natureza


humana ainda não trabalhada e sem a instrução dos mistérios
Maçônicos. Também simboliza a imperfeição. O Apr.˙. decidido a
evoluir precisará trabalhar sua alma com humildade, dedicação e
perseverança. Essa atividade primordial no aprendizado Maçônico
chama-se: Desbastar a Pedra Bruta. Este trabalho começa, quando
recém iniciados, somos levados até o local onde está depositada a
Pedra Bruta, junto ao 1º Vig.˙., e, nela, desferimos três golpes em
sua superfície. Este ato marca o momento em que devemos começar
a descobrir nossos defeitos, nossas fraquezas, nossos deslizes e as
nossas vaidades, pois é tomando consciência de nossas imperfeições
que começamos a lapidar o nosso Ego.

A Pedra Bruta é o ponto de partida para a grande transformação a ser


feita no espírito do Apr.˙. M.˙.; que tem como tarefa precípua,
trabalhar e estudar, a fim de adquirir todo o conhecimento simbólico
do seu grau, até que se transforme em Pedra Polida (significado
alegórico e moral, que o homem deve trabalhar incessantemente
sobre si mesmo para aproximar-se da perfeição exigida pela
divindade), construindo o Templo interior que cada Homem carrega
dentro de si. E esse processo de aprendizagem deve ser feito sem
alarde, sem ostentação, pois o silencio faz parte do sagrado.

O tempo, a paciência e a perseverança nos capacitam realizar todas


as coisas e o Apr.˙. deve adquirir a capacidade de trabalhar com o
Malho da experiência e o Cinzel da boa vontade. O esforço individual
é condição sine qua non nesse processo. O Aprendiz não deve se
contentar em receber com passividade as idéias e teorias que lhe são
apresentadas. Mas, com humildade, acima de tudo, precisa trabalhar
esse material para, assim, tomar opinião própria sobre ele.

Ser um Aprendiz ativo que se esforça em seguir em direção à Luz da


Verdade e da Virtude, praticando a doutrina iniciática contida no
simbolismo do grau, é melhor do que ostentar graus mais elevados,
porém permanecendo na ignorância dos sublimes princípios e fins da
Maç.˙..

Estar na condição de Apr.˙. faz referência a nossa eterna capacidade


de aprender. Mas somente seremos Aprendizes enquanto nos
fizermos receptivos e nos abrirmos interiormente, dirigindo nosso
empenho no sentido de aproveitarmos construtivamente todas as
nossas experiências de vida; assim como todos os ensinamentos que
nos são transmitidos das mais variadas formas. E nos abrirmos
interiormente significa dizer: libertarmos-nos do preconceito e dos
dogmas adquiridos.

O Desbaste da Pedra Bruta é um trabalho que exige a virtude da


paciência, que, por sua vez, está subordinada à fortaleza da alma, e
consiste na capacidade constante de suportar as adversidades. É
resignação, de um lado, perseverança tranqüila, do outro. Esta idéia
é semelhante àquela expressa pelos filósofos herméticos e
mencionada pelos alquimistas: “O trabalho da Pedra Filosofal é um
trabalho de paciência, tendo em vista a duração do tempo e de labor
necessário para levá-lo à perfeição.” Muitos abandonam este trabalho
por desânimo, outros por ansiedade. Na verdade, o trabalho que
requer o Desbaste da Pedra Bruta, para torná-la Pedra Polida, é um
trabalho de muita perseverança. E este é um dos objetivos mais
importantes da Maç.˙., senão o principal. Os impacientes e os que
procuram interesses espúrios ou tolas vaidades não conseguem
realizar este objetivo.

O Desbaste da Pedra Bruta é, para o M.˙., um trabalho que nunca


termina, mesmo alcançando os mais altos cargos e graus. Muitos
pensam que o M.˙. seja um Homem que já tenha atingido a
perfeição. No entanto é preciso que nunca se deixe esquecer que o
M.˙. é, antes de tudo, um ser humano e traz consigo as moléculas
inerentes a essa natureza; mas que, porém, seu mérito consiste em
estar lutando continuadamente, de forma firme e resoluta, para
vencer suas paixões.

O diamante em seu estado natural é uma pedra grosseira, sem brilho


e cheia de arestas imperfeitas. Muitas vezes sequer é reconhecida
como uma pedra de diamante, mas depois que é polida transforma-
se numa pedra de altíssimo valor. Assim é o Apr.˙. dentro da
simbologia Maçônica: uma pedra que precisa ser polida para alcançar
seu valor. Em nossa evolução nunca devemos deixar de nos lembrar
a cada instante que jamais deixaremos de ser Aprendizes, e que
precisamos nos policiar para que não voltemos à Pedra Bruta. Não
devemos nunca nos esquecer que somos os Obreiros de um mundo
melhor.

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