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HISTÓRIA DO COOPERATIVISMO E AS FORMAS DE ORGANIZAÇÕES

DO ASSOCIATIVISMO1 MODERNAS E O SURGIMENTO DO


COOPERATIVISMO NO BRASIL
INTRODUÇÃO As primeiras ideias relacionadas à
Desde a pré-história, a cooperação faz organização de trabalhadores pela via da ajuda
parte da organização das sociedades humanas mútua manifestam-se através da corrente liberal
na luta pela sobrevivência frente às dos socialistas [...] do século XIX e primeira
adversidades de cada época; assim, o metade do século XX, (NAMI, 2004, p. 42).
cooperativismo e o associativismo se fazem Mesmo que seus precursores não tenham
presentes na história e através dos tempos conseguido explicar a natureza do modo de
contribuíram para estruturação das diferentes produção capitalista, desenvolveram uma
organizações sociais. profunda crítica às contradições produzidas por
Os movimentos associativistas ele e influenciaram sobremaneira a criação das
modernos surgiram como forma de minimizar ideias de um modelo de produção baseado na
os impactos da revolução industrial sobre os ajuda mútua (NORONHA, p. 5). [...]
homens, através da luta da nova classe operária Portanto, o cooperativismo surge num
contra os traumas sociais e econômicos que os contexto de afirmação extremada do
afligiam diante das transformações em curso predomínio do interesse privado sobre o
(SCHNEIDER, 1991). coletivo e o comunitário, com todas as
A cada tempo, é possível observar que o consequências em termos de concentração de
desenvolvimento dos princípios cooperativistas poder e de renda, como é próprio do capitalismo
passou por adequações para atender às formas industrial nascente. Tentando superar a
que o capitalismo exigia. Na análise da absolutização do interesse privado e suas
constituição desse modelo de produção no consequências, a cooperação institucional e
Brasil, verifica-se o ajuste das práticas sistemática então emergente se empenhará por
cooperativas e associativas às necessidades do resgatar e reforçar o interesse coletivo e
grande capital, na medida em que seus comunitário. (SCHNEIDER, 1991, p.29).
princípios são revertidos aos objetivos do As primeiras experiências práticas
Estado, representado pela classe dominante. cooperativas se deram ainda no século XVIII .
Verifica-se que o Estado atuou durante A partir do século XIX, as cooperativas se
todo o processo de desenvolvimento do sistema multiplicaram na Europa; só no período de
cooperativista e associativista no território 1826 a 1835, surgiram pelo menos 250
brasileiro, buscando mediar e direcionar as cooperativas de consumo, das quais 50 só em
ações das organizações de produção, Londres, chegando em 1835 a um total de 300
objetivando desarranjar as formas de cooperativas. Esse crescimento foi resultado de
organização, e utilizar as cooperativas e um grande movimento de articulação nacional
associações como uma extensão do Estado no que, nesse período, realizou oito congressos
direcionamento das políticas para o campo. para discussão e formulação dos princípios e
estratégias que nortearam o movimento pelo
mundo (ibid, p.32).
A principal referência do cooperativo
moderno é a cooperativa de Rochdale2 (NAMI,

1 Excerto do artigo “Do pioneirismo de Rochdale ao Revista da Casa da Geografia de Sobral (RCGS), Sobral-CE, v.
cooperativismo/associativismo no capitalismo – uma análise do 14, n. 1, p. 69-80, 2012.
controle do Estado no espaço agrário brasileiro” de Renata 2 Os Pioneiros, ao fundarem a cooperativa em 1844, se

Sibéria de Oliveira e Josefa de Lisboa Santos, publicado na autodenominaram de “Equitáveis Pioneiros de Rochdale” para
2004, p. 42), fundada em 1844, no subúrbio de havia sido suscitado por Marx ainda no século
Rochdale, distrito de Manchester, na Inglaterra. XIX. [...]
Iniciou suas atividades de maneira modesta e Diante do desenvolvimento e expansão
com poucos recursos, apenas 28 associados do capitalismo, as cooperativas são obrigadas a
“que adquiriram uma modesta quantia de assimilar as características deste sistema e se
farinha, de azeite, de açúcar e outras inserir nos mercados competitivos como forma
mercadorias.” (SCHNEIDER, 1991, p.37) de garantir sua reprodução, revelando seu
Marcio Roberto Palhares Nami confere caráter “híbrido” na sociedade capitalista, que,
aos Pioneiros de Rochdale “o mérito de que por assimilar relações tanto socialistas quanto
souberam organizar, de maneira perfeita, um capitalistas, não se estabelece enquanto
programa completo, unindo os princípios mecanismo de emancipação econômica
teóricos às regras práticas de organização e (LUXEMBURGO, 2000, p. 20). [...]
funcionamento.” (2004, p. 42). A cooperação se Portanto, o fato de muitas cooperativas
processava como forma de promover a de produção, especialmente na Inglaterra, não
socialização de alguns setores da produção, em terem dado certo, desmitifica a ideia da
sua maioria realizados no domínio industrial. “indisciplina” entre os associados, pois no
No espaço rural, a tentativa de modelo de produção, como está estruturado, o
implantação de uma cooperativa agrícola se deu comportamento dos cooperados se assemelha
na Irlanda, na propriedade de Sir Vandaleur, em aos de empresários capitalistas; por isso, a
1830, segundo os preceitos de Owen, reforma socialista baseada no sistema das
introduzindo-lhes algumas modificações para cooperativas põe de lado a luta contra o capital
se adequar às circunstancias; 40 operários de produção, quer dizer, contra o ramo principal
agrícolas, mais ou menos, dispuseram-se a da economia capitalista, e limita-se a dirigir
participar de seus planos, e assim ele formou seus golpes contra um capital comercial e mais
uma sociedade da qual se reservou a direção e a exatamente contra o pequeno e médio capital
fiscalização (KAUTSKY, 1980, P. 144) . As comercial, ela atinge apenas os ramos
regras desta cooperativa, descritas de forma secundários do tronco capitalista
detalhada, encontram-se na obra de Kautsky A (LUXEMBURGO, 2000, p. 22). [...]
questão agrária, onde estão, além das normas do Ao reportar-se ao surgimento das
sistema cooperativista, todas as regras de práticas organizativas no Brasil, verifica-se que
convivência dos associados e seus ofícios. [...] seu maior desenvolvimento se deu no campo.
A influência dos cooperativistas que Trazidas pelos imigrantes europeus, essas
contribuíram para o desenvolvimento de práticas possuem, em sua natureza,
comunidades autogestoras foi bastante características peculiares, construídas em
significativa. Esses atuaram a partir do século consonância com o desenrolar da história do
XVIII se dedicando à organização e orientação país. Sua estreita relação com o capitalismo e o
para a constituição de um modelo econômico impulso maior para sua implantação por meio
social mais justo. [...] do Estado demonstram a disparidade em seus
Essa transformação do sentido da objetivos se comparado aos ideais que as
organização cooperativa, que parte de um ideal fizeram surgir na Europa dos séculos XVIII e
coletivo de mudanças para se constituir em XIX.
mecanismos da própria dominação através do As primeiras organizações de que se
fortalecimento das relações capitalistas, já tem registro são as colônias comunitárias no sul

indicar o espírito que os orientava em seu empreendimento,


baseado numa cooperação equitável
do país que, mesmo não apresentando o formato do Estado no direcionamento desses
de uma cooperativa ou associação, foram movimentos caracteriza sua natureza de
importantes para disseminação dos ideais e para mediador dos conflitos no jogo dos interesses
a formação de movimentos posteriores.3 [...] antagônicos entre as classes. Essa atuação
No campo, as primeiras cooperativas objetivava a manutenção do poder da classe
em atividade foram criadas no sul do país em mais forte economicamente, que observa nesses
regiões de colonização italiana e alemã. A modelos de organização uma ameaça aos seus
“Societá Cooperativa della Convenzioni interesses.
Agricoli Industriali” foi a primeira cooperativa
agropecuária. Em 1902, por iniciativa de O movimento cooperativista no Brasil
Theodor Ambstadt, nasce a primeira Ainda no início da década de 1900, já se
cooperativa de crédito rural “ségun el sistema observava por parte do Estado a preocupação
Raiffeisen, llamada entonces de caixa rural” com os delineamentos que o cooperativismo
(SCHNEIDER, 1987, p. 149). Alguns anos tomava na organização social e econômica do
depois, em 1908, foi fundada a Cooperativa país. Esse cenário levou o Estado a se calçar de
Agrícola de Rio Maior, a Cooperprima, em um aparato judicial para que pudesse realizar
Urussanga Santa Catarina. interferências nesses modelos de organizações.
Dos diversos segmentos cooperativos [...]
implantados, o de maior expressividade no Até os primeiros anos de 1900 era
cenário nacional foi, sem dúvida, aquele necessária uma autorização especial do governo
voltado para o setor agropecuário. As para que essas cooperativas pudessem
cooperativas e associações voltadas para esse funcionar. É nessa década que surgem as
segmento da economia se destacaram primeiras leis regulamentando a organização de
especialmente a partir de políticas voltadas para trabalhadores; entre elas, o Decreto 979, de
o campo que faziam parte do projeto de 1903, possibilitou aos sindicatos a criação de
modernização da agricultara empreendido pelo cooperativas, e em 1907 outro decreto, o 1.637,
país após a década de 1960. “praticamente proporcionou a implantação de
A partir desse período, as cooperativas uma legislação específica sobre o
no campo se multiplicaram em um espaço cooperativismo, vigorando entre 1907 e 1932”
muito curto de tempo; enquanto isso o (CAMPOS Jr., 2000, p. 45).
associativismo ganha destaque na década de A necessidade do controle sobre essa
1980, especialmente a partir de sua inserção em forma de organização por parte do Estado se
programas governamentais. [...] evidenciou a partir da década de 1930, quando
O cooperativismo e o associativismo se estabeleceu no Brasil o Estado Novo, que
tomaram corpo no Brasil como um movimento buscava a centralização dos poderes no governo
de Estado, especialmente após a economia e se caracterizou pelo caráter modernizante e
brasileira fixar suas bases na agricultura. O autoritário no governo de Getúlio Vargas. [...]
Estado passou a ser seu grande financiador, Segundo Schneider, O Estado havia
caracterizando-o como instrumento de definido as cooperativas como uma forma de o
articulação para expansão das áreas agrícolas país enfrentar as dificuldades econômicas
no modo de produção capitalista, que se herdadas da Primeira Guerra Mundial e da
consolidava no país. Essa intensa participação Grande Depressão com a crise de 1929/30. Ele

3 O movimento cooperativista começou a ser conhecido por Tereza Cristina, fundada pelo médico Jean Maurice Faivre;
volta de 1841 por intermédio do francês Benoit Julis de Mure, significou a chegada dos ideais e princípios cooperativistas no
que na cidade de Palmital-SP tentou formar uma colônia Brasil.
comunitária de produção e consumo, em 1847, a colônia Santa
ressalta ainda que, nesse período, os governos conseguiram sobreviver (SIQUEIRA 2001, p.
dos estados brasileiros, em especial do 52).
Nordeste “han fomentado la fundación y el O que dificultou as condições dos
desarrollo de cooperativas agropecuárias, de produtores, nesse período, foi o fato de o Estado
crédto y de consumo” (1987, p. 149). [...] desenvolver um sistema de implementação de
Observa-se, então, que a partir da modernas técnicas agrícolas em favor da
década de 1970, com a Política Nacional do expansão do capitalismo via endividamento dos
Cooperativismo, o Estado já vinha produtores. Daí, a fragilidade das entidades e as
incrementando a industrialização e a dificuldades de se manterem sem o suporte do
modernização do setor agrícola. Para tanto, governo.
adotou medidas que iam desde a prestação de Como as cooperativas são constituídas,
assistência técnica até o financiamento de em sua maioria, de pequenos produtores, a crise
crédito necessário à produção. [...] generalizada tornou o sistema cooperativista
Para Siqueira (2001, p. 48), as inviável do ponto de vista econômico para eles.
cooperativas apresentaram um crescimento e Sobressaíram, apenas, algumas instituições que
uma modernização consideráveis a partir de conseguiram se enquadrar no novo contexto de
1960, quando evoluíram de estruturas reestruturação produtiva, após o final da década
produtivas similares a de pequenos depósitos e de 1980. [...]
armazéns para formas empresariais complexas,
após o Estado repassar a elas a tarefa de O ASSOCIATIVISMO E AS CONTRADIÇÕES
“aperfeiçoar, organizar e estimular a DO MODELO DE GESTÃO E
concorrência para possibilitar a ocorrência de PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO NO
uma economia de mercado”. [...] CAMPO
No entanto, a partir do final da década Assim como se deu a apropriação do
de 1970, verifica-se também o decréscimo no Estado aos movimentos cooperativistas como
número de instituições. Fatores que incidiram forma de controle social, seus desígnios foram
ao mesmo tempo encadearam um processo também impostos pelos movimentos
contínuo de crise sobre as bases produtivas no associativistas, especialmente no campo,
Brasil. A crise do petróleo em 1979, combinada cenário de protestos e lutas reivindicatórias
a altas taxas de juros e os baixos preços nas sobre as condições de vida, a estrutura política
exportações permitiram o mergulho do país em e o modelo socioeconômico, que não oferecia
uma grave crise econômica, que incidiu sustentação ao trabalhador rural. O
diretamente sobre o campo e, associativismo foi estimulado pelos governos e,
consequentemente, sobre o sistema em muitos casos, era a condição para
cooperativo. [...] participação em projetos governamentais.
Durante a década de 1980, a situação se Esse modelo de organização ganha
agravou diante das alterações na política força na década de 1980, porém desde a década
econômica internacional. A política creditícia de 1940, seus delineamentos já vinham sendo
do governo brasileiro mudou, e a partir daí as discutidos e inseridos nos planos de ação dos
cooperativas ficaram com dificuldade de governos internacionais, como os Estados
liquidez, não conseguindo refinanciar suas Unidos, que tinham a preocupação com a
dívidas com o aporte de novos recursos e juros propagação dos ideais socialistas e a formação
baixos. Observou-se a retirada de muitas de grupos revolucionários, sobretudo nos países
cooperativas e um decréscimo considerável no da América Latina. [...]
número dessas instituições. Muitas delas A necessidade dos países capitalistas em
faliram ou foram incorporadas por outras que garantir a ordem social e seu comando no
direcionamento das políticas nos países Produtor Rural – PAPP – foi um importante
subdesenvolvidos frente aos conflitos e veículo de disseminação do ideário de
agitações do PósGuerra – momento em que se participação, planejamento e gestão
verifica a força da atuação de duas potências democrática. Seu objetivo era estimular a
mundiais e a necessidade de suas influências organização dos pequenos produtores rurais
pelo mundo – fez surgir projetos com a formação de associações que seriam o
governamentais que foram disseminados pelos mecanismo de viabilização de investimentos e
Estados Unidos via Banco Mundial e financiamentos para o setor agrícola. [...]
Organização das Nações Unidas para a A necessidade da articulação de uma
obtenção do maior controle. O proposta de organização, não como forma
Desenvolvimento de Comunidades – DC foi reivindicativa daqueles que vivenciam o
uma das propostas difundidas por esses países processo de exclusão, mas partindo da esfera
que fizeram surgir os conceitos de gestão governamental como requisito para obtenção de
democrática e planejamento participativo com investimentos, evidenciava que o Estado
o intuito de ocultar a unilateralidade das precisava conter a insatisfação popular que, na
decisões dos governos. [...] década de 1980, foi marcada pela estagnação
A primeira proposta de DC no Brasil foi econômica e pela recessão no Brasil, resultado
criada em Minas Gerais, com a Associação de de crises que se deram em escala mundial.
Crédito e Assistência Rural – ACAR Nessa década, tratada por estudiosos da
patrocinada por um organismo estadunidense. economia brasileira como a década perdida
Josefa Lisboa (2001, p. 224) observa que a quando se aborda a situação econômica do país,
implementação do DC no Brasil, sobretudo no foi também o período da intensa participação
meio rural, foi apreendida pelo capital e sua popular que reivindicava melhores condições
característica no país foi a combinação de de vida e uma maior atenção nas ações e
elementos desfavoráveis ao trabalhador decisões do governo e nas políticas
brasileiro aliados à disponibilidade do grande direcionadas à população como um todo. A
capital em se projetar. partir desse período, a postura do Estado frente
A necessidade de conter tais protestos, ao momento de crise econômica e, ao mesmo
assim como a ameaça das forças socialistas, tempo, de maciços protestos contra o modelo
fizeram os Estados Unidos, na década de 1960, político vigente e sua falta de atenção com as
realizar alianças com o Brasil para promover o classes menos favorecidas da sociedade, foi
progresso no Nordeste com propostas investir em uma remodelação das bases de
efetivadas por meio dos programas de ação produção e na sua relação com a classe dos
comunitária dirigidos pela SUDENE, que trabalhadores e camponeses.
promoveu a integração das comunidades Foi o momento em que se verificou um
nordestinas em projetos de planejamento social maior desenvolvimento do associativismo no
até 1965 (Ibid., p. 226). Brasil, principalmente no campo, haja vista que
Posteriormente, outros programas a obtenção de recursos e uma maior
foram criados e implantados no Nordeste, participação nas instâncias governamentais
estimulados por recursos internacionais. O estavam atreladas à articulação dos produtores
Projeto Nordeste, criado em 1985, trazia as em organizações do tipo associações.
propostas de planejamento participativo para
essa região, que passou a ser o principal CONSIDERAÇÕES FINAIS
instrumento metodológico na sua prática (Ibid.,
p. 229). Uma das linhas de ação do Projeto A cada tempo, é possível observar que o
Nordeste, o Programa de Apoio ao Pequeno desenvolvimento dos princípios do
cooperativismo passou por adequações para Coopermota (1980-1995). Marília: UNIMAR; São
Paulo: Arte & Ciência, 2000.
atender as formas que o capitalismo exigia,
chegando a concentrar-se tão somente no KAUTSKY, Karl. A questão agrária. Proposta Editorial,
atendimento das necessidades básicas. Assim, 1980.
esse modelo de organização foi sendo LISBOA, Josefa Santos. A trajetória do discurso do
capturado e teve que reconfigurar seus desenvolvimento para o Nordeste: políticas publicas na
(dis)simulação da esperança. Tese (doutorado). Aracaju,
objetivos adaptando-os aos interesses do
2007.
momento da acumulação.
As propostas de Rochdale que ______. Associativismo no campo: das relações em redes
ao espaço da socialização política (um estudo da
nortearam uma relação de cumplicidade e coopertreze e das associações comunitárias em Lagarto e
solidariedade humana entre os associados Salgado). In MENEZES, Ana Virgínia Costa; PINTO,
foram se firmando a partir da livre adesão, da Josefa Eliane S. de S. Linhas Geográficas. Programa
Editorial NPGEO/UFS, 2001.
democracia, da neutralidade política, religiosa,
ou seja, do respeito aos princípios do LUXEMBURGO, Rosa. As cooperativas. In:
NAMORADO, Rui. Caderno das experiências históricas
movimento. Entretanto, o avanço do da cooperação nº 2. O cooperativismo no pensamento
capitalismo, sobremodo no espaço agrário, marxista (Marx, Rosa, Karl, Lênin, Mao). Org. Adalberto
levou a mudanças no interior das organizações. Martins. CONCRAB, São Paulo, 2000.
Muitos dos princípios foram sendo modificados MACHADO, Eduardo Paes (Org.). Poder e participação
para dar margem ao caráter competitivo que as política no campo. CERIFA CAR/CEDAP-CENTRU,
organizações iam tomando. 1987.

Em relação às associações a atuação do MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política –


Estado no seu fomento já indica que não se livro 01. 24. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
2006.
constituem espaços de sociabilidade
autônomos. A criação das associações como _____. A cooperação no capitalismo. In: NAMORADO,
instrumentalizadoras de políticas públicas, Rui. Caderno das experiências históricas da cooperação
nº 2. O cooperativismo no pensamento marxista (Marx,
disseminação de financiamentos etc. via Rosa, Karl, Lênin, Mao). Org. Adalberto Martins.
projetos mostra como o Estado, subordinado a CONCRAB, São Paulo, 2000.
instâncias maiores, como o Banco Mundial,
MATTOSINHO, Cynthia Marise dos Santos; FREIRE,
tem o propósito de viabilizar a reprodução do Poliana Pionório; CARVALHO, Michelle Caroline
capital no espaço agrário, ao tempo em que Varjão de. O empreendedorismo no âmbito das
associações rurais de incentivo governamental. In:
expõe seu interesse no controle das CONGRESSO SOCIEDADE BRASILEIRA DE
organizações. ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E SOCIOLOGIA
Dessa maneira, o ajuste das práticas RURAL, 48. (anais...), 2010.
cooperativas e associativas às necessidades do NAMI, Marcio Roberto Palhares. Viabilidade das
grande capital, com a inversão dos princípios e Cooperativas Abertas: um estudo de caso da Cooperativa
de Crédito de Mendes Ltda. Seropédica, RJ. Outubro de
mudanças nas formas de organização, levou
2004. Dissertação (mestrado).
estas organizações a comporem projetos
governamentais em atendimento ao modelo NETO, Wenceslau Gonçalves. A Ação do Estado: Estado
e Agricultura no Brasil políticas Agrícolas e
econômico definido para a agricultura, no que Modernização Econômica Brasileira 1960-1980, São
diz respeito à adequação das práticas dos Paulo, Hucitec, 1997.
pequenos produtores às diretrizes do mercado.
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Labur Edições, 2007. 1. Quando surgiu a cooperação, como ajuda
mútua, na história? Descreva o cenário social,
ONOFRE, Gisele Ramos; SUZUKI, Júlio César. econômico e político da época.
Embates e debates sobre o cooperativismo rural. 2009.
Disponível em 2. Quando e onde surgiu a primeira cooperativa no
<http://www.fecilcam.br/nupem/anais_iv_epct/PDF/cie mundo? Quais os objetivos na formação dessa
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