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AO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE ________ .

________ , ________ , ________ , inscrito no CPF


sob nº ________ , ________ , residente e domiciliado
na ________ , ________ , ________ , ________ ,
________ , vem à presença de Vossa Excelência, propor

AÇÃO INDENIZATÓRIA

em face de ________ , pessoa jurídica de direito privado,


inscrita no CNPJ sob nº ________ , ________ , com
sede em ________ , ________ , ________ ,
________ , ________ , e;

________ , pessoa jurídica de direito privado, inscrita no


CNPJ sob nº ________ , ________ , com sede na
________ , ________ , ________ , ________ ,
________ , pelos motivos e fatos que passa a expor.

DOS FATOS

Em ________ , o Autor efetuou a compra de uma ________ da


marca ________ junto à Loja ________ empresa Ré, com pagamento à vista
no valor de ________ , o que se comprova pela Nota Fiscal em anexo.

No entanto, contrariando qualquer expectativa depositada na


compra, após ________ dias da aquisição, o produto apresentou vícios que
impossibilitaram seu uso, obrigando o Autor a buscar auxílio da empresa Ré
imediatamente. No entanto, ao chegar no estabelecimento comercial, o Autor
obteve a informação de ________ .

O Autor, por não poder contar com a reposição imediata do


produto, nem dinheiro para buscar outro, teve que sofrer o desgaste de ter que
procurar por conta os contatos do fabricante, sem que tivesse igualmente
qualquer êxito.

Ao sentir-se lesado, sem qualquer posicionamento das empresas


Rés, o Autor buscou ajuda no PROCON, porém, até o momento nada foi
resolvido, razão pela qual intenta a presente demanda.

DO ENQUADRAMENTO NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

A norma que rege a proteção dos direitos do consumidor, define,


de forma cristalina, que o consumidor de produtos e serviços deve ser abrigado
das condutas abusivas de todo e qualquer fornecedor, nos termos do art 3º do
referido Código.

No presente caso, tem-se de forma nítida a relação consumerista


caracterizada, conforme redação do Código de defesa do Consumidor:

Lei. 8.078/90 - Art. 3º. Fornecedor é toda pessoa física ou


jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem
como os entes despersonalizados, que desenvolvem
atividades de produção, montagem, criação, construção,
transformação, importação, exportação, distribuição ou
comercialização de produtos ou prestação de serviços.

Lei. 8.078/90 - Art. 2º. Consumidor é toda pessoa física ou


jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como
destinatário final.

Assim, uma vez reconhecido o Autor como destinatário final


dos serviços contratados, e demonstrada sua hipossuficiência técnica,
tem-se configurada uma relação de consumo, conforme entendimento
doutrinário sobre o tema:

"Sustentamos, todavia, que o conceito de consumidor


deve ser interpretado a partir de dois elementos: a) a
aplicação do princípio da vulnerabilidade e b) a
destinação econômica não profissional do
produto ou do serviço. Ou seja, em linha de princípio e
tendo em vista a teleologia da legislação protetiva deve-
se identificar o consumidor como o destinatário final
fático e econômico do produto ou serviço." (MIRAGEM,
Bruno. Curso de Direito do Consumidor. 6 ed. Editora RT,
2016. Versão ebook. pg. 16)

Trata-se de conceito inequívoco, consolidado nos Tribunais:

AGRAVO DE INSTRUMENTO – CÓDIGO


DE DEFESA DO CONSUMIDOR – DESTINATÁRIO
FINAL – VULNERABILIDADE – FACILITAÇÃO DA
PROVA – FORO DE ELEIÇÃO REPELIDO. - Código de
Defesa do Consumidor: plena subsunção das partes à
qualificação trazida pelos artigos 2º e 3º, da Lei
8.078, de 1990; - A cláusula que impõe foro diverso
constitui cláusula abusiva, nula de pleno direito (art. 51,
XV, do Código de Defesa do Consumidor), iterativa
jurisprudência – decisão que reconhece de ofício
incompetência absoluta do Juízo do Foro de Eleição deve
ser mantida; RECURSO IMPROVIDO. (TJ-SP - AI:
22487652820168260000 SP 2248765-
28.2016.8.26.0000, Relator: Maria Lúcia Pizzotti, Data de
Julgamento: 17/05/2017, 30ª Câmara de Direito Privado,
Data de Publicação: 24/05/2017)

O fato de tratar-se de PESSOA JURÍDICA não retira o per se a


qualidade de consumidor, uma vez que enquadrada como destinatária final dos
serviços prestados pela Ré, apresentando-se, na relação jurídica estabelecida,
condição de hipossuficiência técnica.

A VULNERABILIDADE se caracteriza na medida em que,


mesmo sendo pessoa jurídica, não dispõe de condições técnicas para fazer
oposição aos argumentos da parte contrária quanto às impropriedades do
produto comprometedores de seu desempenho.

Afinal o produto adquirido não faz parte da cadeia de produção do


objeto da empresa Autora, tratando-se de verdadeira DESTINATÁRIA
FINAL do produto, conforme pacificado na jurisprudência específica:

APELAÇÃO. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS


MATERIAIS E MORAL. CONSUMIDOR. COMPRA E
VENDA DE PRODUTO REALIZADA PELA INTERNET.
PESSOA JURÍDICA DESTINATÁRIA FINAL DO
PRODUTO. RELAÇÃO DE CONSUMO RECONHECIDA.
PRINCÍPIO DA VULNERABILIDADE. APLICAÇÃO DO
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR (CDC).
POSSIBILIDADE. POSIÇÃO PERFILHADA PELO C.
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ).
ARREPENDIMENTO DO CONTRATO PELA
CONSUMIDORA NO PRAZO DO ART. 49 DO CDC.
DIREITO DE ARREPENDIMENTO ABSOLUTO.
RECURSO NESSA PARTE IMPROVIDO. 1.- Aplica-se ao
caso a legislação consumerista, pois a empresa
adquiriu o produto como destinatária final e não
como insumo. Ademais, verifica-se a situação de
vulnerabilidade da empresa-autora com relação à
fornecedora-ré, que lhe vendeu o produto por sua página
na internet, buscando, assim, restaurar o equilíbrio entre
as partes. 2.- (...). (TJ-SP 10069654120178260564 SP
1006965-41.2017.8.26.0564, Relator: Adilson de Araujo,
Data de Julgamento: 14/10/2017, 31ª Câmara de Direito
Privado, Data de Publicação: 14/10/2017)

Com esse postulado, o Réu não pode eximir-se das


responsabilidades inerentes à sua atividade, dentre as quais prestar a devida
assistência técnica, visto que se trata de um fornecedor de produtos que,
independentemente de culpa, causou danos efetivos a um de seus
consumidores.

DA INDENIZAÇÃO DEVIDA - VÍCIO DO


PRODUTO/SERVIÇO

Ao adquirir um produto ou serviço, o consumidor tem a legítima


expectativa de receber adequado ao uso de acordo com as expectativas geradas
na compra, ou seja, sem a necessidade de qualquer adaptação, e principalmente,
que este não possua nenhum defeito ou algum vício que lhe diminua o valor ou
que o impossibilite de utilizá-lo normalmente.

É sabido que a responsabilidade refere-se a qualquer vício ou


defeito, seja ele de quantidade ou qualidade, nos termos do Código de Defesa do
Consumidor:

Art. 12. O fabricante, o produtor, o


construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador
respondem, independentemente da existência de culpa,
pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos decorrentes de
projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas,
manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus
produtos, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua utilização e riscos.
(...)
Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos
vícios de qualidade que os tornem impróprios ao
consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por
aqueles decorrentes da disparidade com as indicações
constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o
consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:

Assim, constatado vício e não solucionado no prazo legal, exsurge


o direito à substituição do produto ou devolução do valor pago.

No presente caso a diminuição do valor do serviço contratado é


inequívoco, uma vez que contratado serviço de primeira classe e foi obrigado a
voar em classe inferior, fornecido em qualidade reduzida àquela retratada no
momento da compra, gerando o dever de indenizar.

Este posicionamento é pacífico na jurisprudência:

APELAÇÃO - Ação de indenização por danos morais e


materiais – Transporte aéreo – Mudança de classe
durante voo de ida a Miami – Aquisição de
passagem de primeira classe – Substituição da
aeronave – Dois coautores realocados na classe executiva
- Preliminares de ilegitimidade ativa e falta de interesse
processual dos outros dois coautores acolhidas no tocante
à pretensão de indenização por dano moral - Danos morais
devidos somente aos requerentes que foram transferidos à
classe inferior – Dano material a ser calculado sobre a
diferença de valores entre bilhetes de categorias distintas
apenas no que tange a um trecho da viagem –
Inaplicabilidade da Convenção de Montreal – Recurso
parcialmente provido. (TJ-SP - APL:
10193511120158260100 SP 1019351-11.2015.8.26.0100,
Relator: Jonize Sacchi de Oliveira, Data de Julgamento:
27/04/2017, 24ª Câmara de Direito Privado, Data de
Publicação: 26/05/2017)
RESPONSABILIDADE CIVIL - REMANEJAMENTO DE
VOO - Autor que deixou de realizar a viagem
adquirida no tempo e forma devidos - Falha na
prestação dos serviços configurada – Dever de
reparação reconhecido – Conversão da obrigação de
fazer (devolução das milhas), em perdas e danos –
Possibilidade - Dano moral caracterizado - Valor da
reparação – Adequação ao princípio da razoabilidade
Recurso provido em parte. (TJSP; Apelação 1005000-
39.2015.8.26.0292; Relator (a): Henrique Rodriguero
Clavisio; Órgão Julgador: 18ª Câmara de Direito Privado;
Foro de Jacareí - 2ª Vara Cível; Data do Julgamento:
14/06/2016; Data de Registro: 23/06/2016)

Ou seja, trata-se de legítima expectativa do consumidor que fora


nitidamente frustrada, gerando o dever de indenizar.

No presente caso a qualidade inferior do serviço contratado é


inequívoco, uma vez que contratado fornecimento de internet com velocidade
________ e fornecido em velocidade inferior àquela retratada no momento da
compra, conforme documentos em anexo, gerando o dever de indenizar.

RECURSO INOMINADO. AÇÃO INDENIZATÓRIA.


CONSUMIDOR. INTERNET E TV POR ASSINATURA.
FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO.
VELOCIDADE INFERIOR. COBRANÇA A MAIOR.
RESTITUIÇÃO EM DOBRO DOS VALORES PAGOS
EM EXCESSO. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO.
DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL. INOCORRÊNCIA
DE LESÃO AOS ATRIBUTOS DA PERSONALIDADE.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (Recurso Cível
Nº 71007188725, Terceira Turma Recursal Cível, Turmas
Recursais, Relator: Luís Francisco Franco, Julgado em
26/10/2017).

CÍVEL. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE REPARAÇÃO


POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. INTERNET.
SOBRESTAMENTO REVOGADO. PLANO DE
INTERNET QUE FORNECIA VELOCIDADE
INFERIOR À CONTRATADA. REPETIÇÃO DE
INDÉBITO DOS VALORES COBRADOS
INDEVIDAMENTE DEVIDA. MA-FÉ POR PARTE DA
EMPRESA RÉ. ABUSO DA PRÁTICA COMERCIAL.
ABORRECIMENTO AO CONSUMIDOR. DANO MORAL
CONFIGURADO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
Ante o exposto, esta 3ª Turma Recursal em Regime de
Exceção resolve, por unanimidade dos votos, em relação
ao recurso de Vilma Gomes da Silva Souza , julgar pelo (a)
Com Resolução do Mérito - (TJ-PR - RI:
001337049201581600180 PR 0013370-
49.2015.8.16.0018/0 (Acórdão), Relator: Renata Ribeiro
Bau, Data de Publicação: 26/04/2017)

Afinal, trata-se de serviço essencial que não pode ser restringido


unilateralmente pela empresa sem aviso prévio ao consumidor.

Sobre a essencialidade deste serviço, a doutrina destaca:

"A prestação dos serviços de


telecomunicações, especialmente da telefonia, merece
especial proteção do direito do consumidor. (...), o fato é
que o serviço de telefonia em si, independente do
modo como é oferecido, deve ser considerado
essencial, dada sua importância decisiva na vida
contemporânea, seja nas relações negociais, ou mesmo
nas demais utilidades da comunicação instantânea. Esta
definição dá causa a série de consequências. Daí porque
a restrição indevida ou discriminatória do acesso
ao serviço deve ser coibida."(MIRAGEM, Bruno.
Curso de Direito do Consumidor, 6ª ed. Editora RT, 2016.
Versão ebook, 5.12. Contratos de serviços de
telecomunicação)

Razão pela qual deve ter especial proteção do judiciário, em


especial em face de situações de notória desproporcionalidade entre as partes
contratantes, evidenciando a vulnerabilidade do Autor frente à empresa Ré.

DA COBRANÇA INDEVIDA - REPETIÇÃO INDÉBITO

Conforme relatado, nos últimos meses, o Autor foi indevidamente


cobrado por um serviço não prestado, configurando cobrança indevida de dívida
prevista no Art. 42 do CDC:

Art. 42. (...) Parágrafo único. O consumidor cobrado em


quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por
valor igual ao dobro do que pagou em excesso,
acrescido de correção monetária e juros legais, salvo
hipótese de engano justificável.

A doutrina, ao lecionar sobre o tema destaca:

"É de perceber que não se exige na norma em destaque, a


existência de culpa do fornecedor pelo equívoco da
cobrança. Trata-se, pois, de espécie de imputação
objetiva, pela qual o fornecedor responde
independente de ter agido ou não com culpa ou
dolo. Em última análise, terá seu fundamento na
responsabilidade pelos riscos do negócio, no qual
se inclui a eventualidade de cobrança de quantias
incorretas e indevidas do consumidor." (MIRAGEM,
Bruno. Curso de Direito do Consumidor - Ed. RT 2016.
Versão e-book, 3.2.2 A cobrança indevida de dívida)

Afinal, demonstrado de forma inequívoca a cobrança indevida por


um serviço não prestado, tem-se configurado o dano refletindo na necessária
repetição de indébito dos pagamentos realizados nos últimos dez anos.

DO VÍCIO OCULTO

No presente caso, o vício do produto caracteriza-se como vício


oculto, uma vez que foi constatado somente quando ________ , não podendo-
se aplicar o prazo decadencial contado da entrega.

Trata-se de vício do produto, que o tornou inadequado para o uso


a que se destinava, perceptível somente no momento do uso, sendo
responsabilidade dos Réus a devida reparação, conforme conceitua

"Vício oculto é aquele que já estava presente quando da


aquisição do produto ou do término do serviço, mas que
somente se manifestou algum tempo depois; ou seja, é
aquele cuja identificação não se dá com simples exame
pelo consumidor."(GARCIA, Leonardo. Código de defesa
do consumidor. Juspodvm. 2017. p.397)
Imputa-se ao fornecedor responsabilidade objetiva pela
impropriedade qualitativa ou quantitativa do produto.

APELAÇÃO – "AÇÃO DE RESTITUIÇÃO DE QUANTIA


CERTA POR VÍCIO DO PRODUTO C.C. INDENIZAÇÃO
POR DANOS MORAIS"– Compra e venda de veículo "zero
quilômetro"– Pleito de restituição da quantia paga,
além de indenização pelos danos morais -
Ilegitimidade passiva da concessionária – Inocorrência –
Todos os fornecedores que compõem a cadeia de produção
e comercialização do produto respondem solidariamente
pelos vícios ocultos – Inteligência do art. 18 do CDC -
Alegação de vício do produto – Defeitos mecânicos, sendo
necessária a substituição de peça importada (corpo de
borboleta) – Demora na troca da peça –
Responsabilidade das rés caracterizada - Dever de
indenizar evidenciado - Restituição integral e
atualizada da quantia paga pelo consumidor –
Inteligência do art. 18, § 1º, II, do CDC – Dano
moral caracterizado - Condenação imposta em 1º grau,
no valor de R$5.000,00, que merece ser mantida –
Honorários advocatícios reduzidos – Sentença reformada
neste ponto – RECURSO DA CORRÉ FORD MOTOR
PARCIALMENTE PROVIDO, DESPROVIDO O RECURSO
REMANESCENTE. (TJ-SP 10146442320138260309 SP
1014644-23.2013.8.26.0309, Relator: Ana Catarina
Strauch, Data de Julgamento: 24/10/2017, 27ª Câmara de
Direito Privado, Data de Publicação: 01/11/2017)

RESPONSABILIDADE CIVIL. ARREMATAÇÃO DE


VEÍCULO. VÍCIO OCULTO. ADULTERAÇÃO DE
VEÍCULO. Decadência do direito de obter redibição ou
abatimento do preço. Inadmissibilidade. Aplicação do § 1º,
do art. 445, do CC. Vício oculto em que o autor teve
ciência apenas com a elaboração do laudo do
Instituto de Criminalística. Veículo que não
poderia ser leiloado por existência de vício oculto
(adulteração). Negócio jurídico anulado.
Restituição do valor recebido e despesas realizadas. Abalo
moral configurado. Montante fixado condizente às
circunstâncias do caso concreto e aos princípios da
razoabilidade e proporcionalidade. Juros e correção
monetária nos termos do decidido pelo C. STF no
julgamento do RE nº 870947/SE (Tema 810). Recursos
conhecidos e não providos, com observação. (TJ-SP
00017291920118260053 SP 0001729-19.2011.8.26.0053,
Relator: Vera Angrisani, Data de Julgamento: 30/11/2017,
2ª Câmara de Direito Público, Data de Publicação:
30/11/2017)

INDENIZAÇÃO - COMPRA E VENDA DE CELULAR -


VÍCIO OCULTO - DANOS MORAIS. É objetiva a
responsabilidade do fabricante pelos vícios
ocultos ou aparentes apresentados pelo produto. É
possível a inversão do ônus da prova em favor do
consumidor, incumbindo ao fornecedor o ônus de
demonstrar a inexistência dos vícios, sob pena de sujeitar-
se a uma das exigências do art. 18, § 1º, CDC. A existência
de vício oculto no produto não é fato suficiente para
caracterizar a ofensa aos sentimentos, honra ou dignidade
do contratante. (TJ-MG - AC: 10284160008975001 MG,
Relator: Evangelina Castilho Duarte, Data de Julgamento:
07/11/0017, Câmaras Cíveis / 14ª CÂMARA CÍVEL, Data
de Publicação: 17/11/2017)

Razão pela qual, devida a indenização pelos danos materiais e


morais sofridos.

DO VÍCIO DE INFORMAÇÃO

No presente caso, o Autor não atingiu seu objetivo na compra por


falhas graves nas informações do produto. Afinal, bastava constar no anúncio
________ que o dano seria evitado.

O Código de Defesa do Consumidor, em seu Art. 6º, dispõe


expressamente o dever de informação, dentre os direitos do consumidor "a
informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade,
tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem".

No entanto, contrariando qualquer expectativa depositada na


compra, ao utilizar o produto, sem a correta informação de ________ o que
impossibilitou o seu uso.

O professor Bruno Miragem ao disciplinar sobre a matéria,


esclarece:

"O vício de informação caracteriza-se como sendo o


originário direito de informação do consumidor
que termina atingindo a finalidade legitimamente
esperada por um determinado produto ou serviço.
Assim o é, por exemplo, no caso de um aparelho elétrico
cuja voltagem, não informada adequadamente na
embalagem (...). Em todos estes casos, existe violação ao
dever de informar do fornecedor e, portanto vício do
produto qualificado como vício de informação (...)" (in
Curso de Direito do Consumidor, 6ª ed. Editora RT, 2016.
p.660)

No presente caso, ao adquirir o serviço oferecido recebeu


informações claras de que ________ , gerando esta legítima expectativa, mas
recebeu serviço muito inferior ao contratado, gerando o dever de indenizar,
conforme precedentes sobre o tema:

APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR


DANOS MORAIS E MATERIAIS – RELAÇÃO DE
CONSUMO - DEFEITO NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO
DE FORNECIMENTO DE INTERNET – INVIABILIDADE
TÉCNICA - VÍCIO DE INFORMAÇÃO E PROPAGANDA
ENGANOSA – DANOS MORAIS - CARACTERIZADOS -
(...) Constatada a falha na prestação do serviço,
consubstanciada em propaganda enganosa e
ausência de informação adequada e clara ao
consumidor, cabe ao fornecedor responder pelos
danos morais experimentados pelo autor, que
transbordam o mero aborrecimento. O fornecedor
deveria ter verificado a compatibilidade da instalação do
serviço de internet antes de oferecê-lo ao consumidor,
sendo que, não o fazendo, deve arcar com o ônus de sua
conduta. Para a fixação do quantum da indenização pelo
dano moral causado, o julgador deve aproximar-se
criteriosamente do necessário a compensar a vítima pelo
abalo sofrido e do valor adequado ao desestímulo da
conduta ilícita, atendo sempre ao princípio da
razoabilidade e proporcionalidade. (...) (TJ-MS - APL:
08372838920158120001 MS 0837283-89.2015.8.12.0001,
Relator: Des. Eduardo Machado Rocha, Data de
Julgamento: 14/03/2017, 3ª Câmara Cível, Data de
Publicação: 15/03/2017)

Razão pela qual, devida a condenação dos réus a indenização por


vício na informação.

DAS PERDAS E DANOS

No presente caso, não apenas o valor deve ser ressarcido, bem


como os prejuízos devem ser devidamente indenizados, especialmente por que a
negligência do Réu que causou ________ , expondo o Autor a um
constrangimento ilegítimo, gerando o dever de indenizar, conforme preconiza o
Código de Defesa do Consumidor:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão


voluntária, negligência ou imprudência, violar
direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um


direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente
os limites impostos pelo seu fim econômico ou
social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

Nesse mesmo sentido, é a redação do art. 402 do Código Civil que


determina: “salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e
danos devidas ao credor abrangem, além do que efetivamente
perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar”.
No presente caso, toda perda deve ser devidamente indenizada,
especialmente por que a negligência do Réu causou ________ , assim
especificado:

________ - R$ ________

________ - R$ ________

A reparação é plenamente devida, conforme leciona a doutrina


sobre o tema:

"Reparação de dano.A prática do ato


ilícito coloca o que sofreu o dano em posição de
recuperar, da forma mais completa possível, a satisfação
de seu direito, recompondo o patrimônio perdido ou
avariado do titular prejudicado. Para esse fim, o devedor
responde com seu patrimônio, sujeitando-se, nos limites
da lei, à penhora de seus bens." (NERY JUNIOR, Nelson.
NERY, Rosa Maria de Andrade. Código Civil Comentado.
12 ed. Editora RT, 2017. Versão ebook, Art. 1.196)

Trata-se do dever de reparação ao lesado, com o objetivo de


viabilizar o retorno ao status quo ante à lesão, como pacificamente doutrinado:

"A rigor, a reparação do dano deveria consistir na


reconstituição específica do bem jurídico lesado, ou seja,
na recomposição in integrum, para que a vítima
venha a encontrarse numa situação tal como se o
fato danoso não tivesse acontecido." (PEREIRA,
Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Vol II -
Contratos. 21ª ed. Editora Forense, 2017. Versão ebook,
cap. 283)

Motivos pelos quais devem conduzir à indenização ao danos


materiais sofridos, bem como aos lucros cessantes.

DOS LUCROS CESSANTES

Dispõe o Código Civil, nos termos do art. 395, que responde o


devedor pelos prejuízos decorrentes da negligência do Réu.

No presente caso, o nexo causal é perfeitamente configurado, na


medida em que há plena demonstração da relação de causa e efeito entre a
conduta praticada pela empresa Ré e o dano suportado pelo Autor.

Afinal, caso o ________ ________ , resultando em mais renda


ao Autor.

Os lucros cessantes são indenizáveis conforme clara redação do


art. 402 do Código Civil que determina:

“salvo as exceções expressamente previstas em lei, as


perdas e danos devidas ao credor abrangem, além do que
efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de
lucrar”.
Assim, necessária a compensação pela privação injusta da posse da
coisa dotada de expressão econômica, conforme predomina nos Tribunais:

RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.


RECURSO DA RÉ. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE
PROVAS DOS LUCROS CESSANTES. INSUBSISTÊNCIA.
VEÍCULO QUE REALIZAVA TRANSPORTE DE
CARGAS. EVIDENTE QUE DEIXOU DE AUFERIR
RENDA EM DECORRÊNCIA DO ACIDENTE.
LUCROS CESSANTES DEVIDOS. VALOR DO
RENDIMENTO MÉDIO MENSAL INFORMADO. PROVA
SUFICIENTE E ADEQUADA PARA O CÁLCULO DA
INDENIZAÇÃO DEVIDA. VALOR DO DESCONTO
RELATIVO AOS CUSTOS OPERACIONAIS A SER
APURADO EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA.
POSSIBILIDADE. RECURSO CONHECIDO E
DESPROVIDO. (TJSC, Apelação Cível n. 0023072-
32.2012.8.24.0008, de Blumenau, rel. Des. Saul Steil,
Terceira Câmara de Direito Civil, j. 10-04-2018)

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. COMPRA DE


IMÓVEL NA PLANTA. AÇÃO INDENIZATÓRIA POR
LUCROS CESSANTES. ASSESSORIA DE
FINANCIAMENTO CONTRATADA PELA
CONSTRUTORA E INCORPORADORA. AUTOR QUE
NÃO CONCLUIU O FINANCIAMENTO A TEMPO POR
FALHA NA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR PARTE
DA INTERMEDIADORA. RESPONSABILIDADE
SOLIDÁRIA. LUCROS CESSANTES QUE
CONFIGURAM, NO CASO, DANOS MATERIAIS
DECORRENTES DO ATRASO NA ENTREGA DO
IMÓVEL, POR ALUGUEIS PAGOS OU NÃO
RECEBIDOS. INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO N.
71005404025 DAS TURMAS RECURSAIS CÍVEIS.
SENTENÇA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.
(Recurso Cível Nº 71006595474, Quarta Turma Recursal
Cível, Turmas Recursais, Relator: Luis Antonio
Behrensdorf Gomes da Silva, Julgado em 14/09/2017).

COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA - ATRASO NA


ENTREGA DO IMÓVEL. Mora da ré que se estende do
término do prazo de tolerância de 180 dias, até a entrega
efetiva das chaves aos adquirentes. Aplicação das Súmulas
160 e 161 do TJSP - Responsabilidade das rés pelo
pagamento de lucros cessantes em 0,5% ao mês.
Valor dos lucros cessantes corretamente fixados -
Comissão de Corretagem e Taxa SATI – Recurso Especial
no. 1.551.951 e 1.599.511 – (...) Recurso da ré parcialmente
provido. (TJ-SP 00657667420128260100 SP 0065766-
74.2012.8.26.0100, Relator: Marcus Vinicius Rios
Gonçalves, Data de Julgamento: 28/11/2017, 2ª Câmara
de Direito Privado, Data de Publicação: 28/11/2017)

A doutrina ao confirmar este entendimento, esclarece:

"Quando os efeitos atingem um patrimônio


atual, acarretando a sua diminuição, as perdas e danos
denominam-se “emergentes”, ou damnum emergens; se
a pessoa deixa de obter vantagens em
consequência de certo fato, vindo a ser privada
de um lucro, temos as perdas e danos
“cessantes”, ou lucrum cessans." (RIZZARDO,
Arnaldo. Contratos. 16 ed. Editora Forense, 2017. Versão
kindle, p 21232)
"As perdas e danos incluem os prejuízos efetivos e os
lucros cessantes por efeito direto e imediato da
inexecução (CC 402 e 403). (…) Lucros cessantes
consistem naquilo que o lesado deixou
razoavelmente de lucrar como consequência
direta do evento danoso (CC 402)." (NERY JUNIOR,
Nelson. NERY, Rosa Maria de Andrade. Código Civil
Comentado. 12 ed. Editora RT, 2017. Versão ebook, Art.
402 )

Razão pela qual, requer a condenação da Ré ao pagamento dos


lucros cessantes devidos pelo lucro previsto e não efetivado em decorrência da
falha da empresa Ré.

DA RESTITUIÇÃO DA QUANTIA PAGA

Diante da demonstração inequívoca do defeito e tentativa de sanar


sem êxito junto aos réus, o Código de Defesa do Consumidor assegura, em seu
artigo 18, que:

“§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta


dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à
sua escolha:

I - a substituição do produto por outro da mesma espécie,


em perfeitas condições de uso;

II - a restituição imediata da quantia paga,


monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais
perdas e danos;

III - o abatimento proporcional do preço.”

Portanto, demonstrado que findo o referido prazo, sem que o


fornecedor tenha efetuado qualquer reparação aos danos gerados, dever que foi
negado, cabe ao consumidor a escolha de qualquer das alternativas acima
mencionadas.

A doutrina é uníssona nesse sentido:

“Não pode o fornecedor se opor à escolha pelo


consumidor das alternativas postas. É fato que ele, o
fornecedor, tem 30 dias. E, sendo longo ou não, dentro
desse tempo, a única coisa que o consumidor pode fazer é
sofrer e esperar. Porém, superado o prazo sem que o
vício tenha sido sanado, o consumidor adquire,
no dia seguinte, integralmente, as prerrogativas
do § 1º ora em comento. E, como diz a norma,
cabe a escolha das alternativas ao consumidor.
este pode optar por qualquer delas, sem ter de
apresentar qualquer justificativa ou
fundamento. Basta a manifestação de vontade, apenas
sua exteriorização objetiva. É um querer pelo simples
querer manifestado. (NUNES, Rizzatto. Curso de direito
do Consumidor, Ed. Saraiva. 2005, p. 186)”

Nesse mesmo sentido é o entendimento da jurisprudência sobre o


tema:
APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR
DANOS MATERIAIS E MORAIS - VÍCIO DO PRODUTO -
APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO
CONSUMIDOR - VÍCIO CONSTATADO - ALEGAÇÃO DE
MAU USO - AUSÊNCIA DE PROVA - SUBSTITUIÇÃO DO
PRODUTO DEVIDA - DANOS MORAIS -
CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO - DESCASO COM O
CONSUMIDOR - REPARAÇÃO DEVIDA. I -
Incontroverso o defeito do produto e ausente
prova de que o vício decorreu de mau uso pela
consumidora, mesmo após determinada a
inversão do ônus da prova, mostra-se acertada a
condenação do fornecedor/vendedor a substituir
o bem por outro similar ou restituir os valores
pagos, devidamente corrigidos. II - Sem desconhecer
do entendimento de que o mero descumprimento
contratual não gera obrigação de reparar por danos
morais, não se pode olvidar de que, uma vez requerida
indenização a esse título, devem ser considerados os
desdobramentos da inadimplência, a fim de se aferir a
existência (ou não) de lesão à honra de um dos
contratantes. III - A inércia na solução do vício do produto
relatado pela consumidora, idosa de 85 anos, mesmo após
diversas tentativas de solução da pendência junto às
fornecedoras, que incluem acionamento junto ao PROCON
e Juizado Especial, enseja reparação por danos morais, vez
que as situações vivenciadas vão além de meros
aborrecimentos cotidianos. IV - Ausentes parâmetros
legais para fixação do dano moral, mas consignado no art.
944 do CC/02 que a indenização mede-se pela extensão do
dano, o valor fixado a este título deve assegurar reparação
suficiente e adequada para compensação da ofensa
suportada pela vítima e para desestimular-se a prática
reiterada da conduta lesiva pelo ofensor. (TJ-MG - AC:
10016160025710001 MG, Relator: João Cancio, Data de
Julgamento: 16/05/2017, Câmaras Cíveis / 18ª CÂMARA
CÍVEL, Data de Publicação: 05/06/2017)

Desta forma, diante do desgaste ocasionado na relação de


consumo com os réus, tem-se por devida a restituição imediata da quantia
despendida, corrigida e atualizada monetariamente, com fulcro no disposto no
inciso II do § 1º do artigo 18, do diploma consumerista.

DA NECESSÁRIA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Por tratar-se de matéria que envolve ________ , indispensável o


acesso a ________ . Todavia, trata-se de prova de difícil obtenção, pois
________ , inviabilizando o amplo acesso ao judiciário por parte do Autor.

A inversão do ônus da prova é consubstanciada na impossibilidade


ou grande dificuldade na obtenção de prova indispensável para a ampla defesa,
sendo amparada pelo princípio da distribuição dinâmica do ônus da prova
implementada pelo Novo Código de Processo Civil:

Art. 373. O ônus da prova incumbe:


I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo,
modificativo ou extintivo do direito do autor.
§ 1º Nos casos previstos em lei ou diante de
peculiaridades da causa relacionadas à
impossibilidade ou à excessiva dificuldade de
cumprir o encargo nos termos do caput ou à
maior facilidade de obtenção da prova do fato
contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova
de modo diverso, desde que o faça por decisão
fundamentada, caso em que deverá dar à parte a
oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi
atribuído.

No presente caso a HIPOSSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA fica


caracteriza diante da ________ .

Trata-se da efetiva aplicação do Princípio da Isonomia, segundo o qual,


todos devem ser tratados de forma igual perante a lei, observados os limites de
sua desigualdade, conforme bem delineado pela doutrina:

"O texto normativo indicou, timidamente,


tendência em adotar a inversão do ônus da prova pela
técnica do ônus dinâmico da prova: terá o ônus de
provar aquele que estiver, no processo, em
melhor condição de fazê-lo, conforme inversão
determinada por decisão judicial fundamentada.
(...). Na verdade o direito brasileiro prescinde dessa
exceção, na medida em que existem situações justificáveis
onde a distribuição diversa da convencional (v.g.CDC 6.º
VIII e 38)." (NERY JUNIOR, Nelson. NERY, Rosa Maria
de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 17ª ed.
Editora RT, 2018. Versão ebook, Art. 373)

"De outro lado, o ônus da prova pode ser atribuído de maneira


dinâmica, a partir do caso concreto pelo juiz da causa, a fim de atender à
paridade de armas entre os litigantes e às especificidades do direito material
afirmado em juízo, tal como ocorre na previsão do art. 373, § 1.º, CPC. (...) À
vista de determinados casos concretos, pode se afigurar insuficiente, para
promover o direito fundamental à tutela jurisdicional adequada e efetiva, uma
regulação fixa do ônus da prova, em que se reparte prévia, abstrata e
aprioristicamente o encargo de provar. Em semelhantes situações, tem o
órgão jurisdicional, atento à circunstância de o direito
fundamental ao processo justo implicar direito fundamental à
prova, dinamizar o ônus da prova, atribuindo-o a quem se encontre
em melhores condições de provar." (MITIDIERO, Daniel. ARENHART,
Sérgio Cruz. MARINONI, Luiz Guilherme. Novo Código de Processo Civil
Comentado - Ed. RT, 2017. e-book, Art. 373)

Nesse sentido, a jurisprudência orienta a inversão do ônus da prova para


viabilizar o acesso à justiça:

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE E


INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS – ALEGAÇÃO
DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA – SERVIÇO
DE TELEFONIA – NEGATIVAÇÃO DO NOME DO
CONSUMIDOR – RELAÇÃO CONSUMERISTA
EVIDENCIADA – HIPÓTESE EM QUE A INVERSÃO
DO ÔNUS DA PROVA SE MOSTRA PRESENTE –
ÔNUS PROBATÓRIO QUE INCUMBIA À
EMPRESA NO TOCANTE À REGULARIDADE DA
CONTRATAÇÃO - OCORRÊNCIA DE FRAUDE
PRATICADA POR TERCEIROS QUE NÃO PODE SER
SUPORTADA PELO CONSUMIDOR – CONFIGURAÇÃO
DOS DANOS MORAIS EM RAZÃO DE INDEVIDA
NEGATIVAÇÃO DE SEU NOME – CRITÉRIOS PARA
SUA FIXAÇÃO BEM DELINEADOS – SENTENÇA
MANTIDA – No caso em tela, tratando-se de relação de
consumo, a inversão do ônus da prova se mostra
necessária pois incumbia à fornecedora, com muito
mais facilidade, provar que o consumidor de fato
contratou seus serviços de telefonia. Ainda que
tenha havido fraude praticada por terceiros, as
consequências danosas daí decorrentes não podem ser
suportadas pela parte hipossuficiente desta relação, de
modo que, se a empresa aufere os bônus, deve suportar os
ônus da atividade que desenvolve. Ônus probatório do
qual não se desincumbiu a Telefônica, de modo a
caracterizar a irregularidade da inscrição do nome da
autora em cadastro de inadimplentes. Desnecessidade
quanto à produção de prova pericial, já que os documentos
constantes dos autos, aliados à inversão ônus probatório,
evidenciam a ocorrência da fraude. Dano moral
presumido, despicienda prova quanto à sua ocorrência.
Critérios bem delineados quanto ao dano moral, que deve
considerar as condições das partes, sua função punitiva e
pedagógica. (TJSP; Recurso Inominado 1000984-
55.2017.8.26.0653; Relator (a): Bruna Marchese e Silva;
Órgão Julgador: Turma Recursal Cível e Criminal; Foro de
Santos - 12ª. Vara Cível; Data do Julgamento:
25/04/2018; Data de Registro: 25/04/2018)

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DISTRIBUIÇÃO


DINÂMICA DO ÔNUS DA PROVA. PARTE COM
MAIOR CONDIÇÃO DE PRODUÇÃO. (..) DECISÃO
FUNDAMENTADA. POSSIBILIDADE. I ? O § 1º do art.
373 do CPC consagrou a teoria da distribuição
dinâmica do ônus da prova ao permitir que o juiz
altere a distribuição do encargo se verificar,
diante da peculiaridade do caso ou acaso previsto
em lei, a impossibilidade ou excessiva dificuldade
de produção pela parte, desde que o faça por decisão
fundamentada, concedendo à parte contrária a
oportunidade do seu cumprimento. II Negou-se
provimento ao recurso. (TJ-DF 07000112620178070000
0700011-26.2017.8.07.0000, Relator: JOSÉ DIVINO DE
OLIVEIRA, Publicado no PJe : 02/05/2017 )
Assim, diante da inequívoca e presumida hipossuficiência, uma
vez que disputa a lide com uma empresa de grande porte, indisponível
concessão do direito à inversão do ônus da prova, que desde já requer.

DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA CADEIA DE


FORNECIMENTO

Toda cadeia de fornecimento, envolvendo o fabricante e o


comerciante, respondem solidariamente nos exatos termos do artigo 18 do
Código de Defesa do Consumidor:

Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis


ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de
qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou
inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes
diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da
disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da
embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária,
respeitadas as variações decorrentes de sua natureza,
podendo o consumidor exigir a substituição das partes
viciadas.

A mens legis traduz a finalidade de solução do feito em amparo ao


consumidor, sem espaço para disputa de responsabilidade. Assim, todos os
níveis da relação entre o fabricante do produto e sua entrega ao consumidor são
responsáveis pela solução do feito. Cabe ao consumidor escolher se quer acionar
o comerciante ou o fabricante.

Ademais, inquestionável a responsabilidade objetiva da requerida,


a qual independe do seu grau de culpabilidade, uma vez que incorreu em uma
falha, gerando o dever de indenizar, nos termos do Código de Defesa do
Consumidor em seu artigo 14:

Art. 14. O fornecedor de serviço responde,


independentemente da existência de culpa, pela reparação
dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua
fruição e riscos.

Trata-se de entendimento pacificado na jurisprudência:

APELAÇÃO CÍVEL. CONSUMIDOR. AÇÃO DE


OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM
INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. GELADEIRA.
VÍCIO DO PRODUTO NÃO SANADO PELA
ASSISTÊNCIA TÉCNICA AUTORIZADA DO
FABRICANTE NO PRAZO LEGAL. DIREITO DO
CONSUMIDOR À SUBSTITUIÇÃO DO PRODUTO. ART.
18, § 1º, I, DO CDC. FALHA NA PRESTAÇÃO DO
SERVIÇO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO
FABRICANTE E DA ASSITÊNCIA TÉCNICA. DANO
MORAL CONFIGURADO. SITUAÇÃO QUE SUPLANTA O
MERO ABORRECIMENTO DO COTIDIANO. QUANTUM
INDENIZATÓRIO QUE MERECE REDUÇÃO PARA
MELHOR ATENDIMENTO DOS PARÂMETROS DO
MÉTODO BIFÁSICO. SENTENÇA PARCIALMENTE
REFORMADA. 1. A assistência técnica autorizada e o
fabricante, que mantém relação comercial,
respondem solidariamente por eventual vício do
serviço prestado ao consumidor; 2. "Art. 18. Os
fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não
duráveis respondem solidariamente pelos vícios de
qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou
inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes
diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da
disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da
embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária,
respeitadas as variações decorrentes de sua natureza,
podendo o consumidor exigir a substituição das partes
viciadas. § 1º Não sendo o vício sanado no prazo máximo
de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente
e à sua escolha: (..) I - a substituição do produto por outro
da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;(...)".
(Código de Defesa do Consumidor); 3. In casu, verificado
vício no produto, o autor solicitou visita técnica da
assistência autorizada do fabricante para realização do
reparo, sem que o vício fosse sanado. Nova solicitação de
reparo foi realizada e não atendida, procedendo o
consumidor à abertura de procedimento administrativo
perante o PROCON, sem que o problema fosse resolvido.
Descaso das empresas envolvidas na cadeia de
solidariedade que não auxiliaram o consumidor e sanaram
o vício no produto, obrigando-o ao ajuizamento de
demanda judicial; 4. Constatado vício no produto, não
solucionado no prazo legal, exsurge o direito à substituição
do produto; 5. Dano moral configurado. Fatos que
ultrapassam os limites dos meros aborrecimentos do dia a
dia. Bem de uso essencial adquirido em 2012, de cuja
utilização restou o autor privado até o momento, havendo
frustração da legítima expectativa do consumidor.
Quantum indenizatório que deve ser reduzido ao patamar
de 4.000,00 (quatro mil reais), valor que mais se adequa
aos parâmetros do método bifásico, nos limites da
razoabilidade e proporcionalidade. Em consonância com
os parâmetros homogeneamente adotado por esta Corte.
Precedentes; 6. Recurso parcialmente provido, nos termos
do voto do Relator.(TJ-RJ - APL: 02629925420138190001
RIO DE JANEIRO CAPITAL 14 VARA CIVEL, Relator:
LUIZ FERNANDO DE ANDRADE PINTO, Data de
Julgamento: 05/04/2017, VIGÉSIMA QUINTA CÂMARA
CÍVEL CONSUMIDOR, Data de Publicação: 06/04/2017)

Ao doutrinar sobre a matéria, o doutrinador Bruno Miragem


disciplina:

"Todos os fornecedores que integram a cadeia de


fornecimento são responsáveis solidariamente,
perante o consumidor, pelos vícios dos produtos e
serviços que introduziram ou participaram de sua
introdução no mercado de consumo. Esta solidariedade
dos fornecedores tem em vista a efetividade da proteção
do interesse do consumidor, permitindo o alcance mais
amplo possível ao exercício das opções estabelecidas em
lei, pelo consumidor." (in Curso de Direito do
Consumidor, 6ª ed., p.660)

Imperativo, portanto, que o requerente seja indenizado pelos


danos causados em decorrência do ato ilícito, em razão de ter sido vítima de
completa e total negligência da demandada, assim como seja indenizado pelo
abalo moral em decorrência do ato ilícito.

DO DANO MORAL

Conforme demonstrado pelos fatos narrados e prova que junta no


presente processo, a empresa ré deixou de cumprir com sua obrigação primária
de cautela e prudência na atividade, causando constrangimentos indevidos ao
Autor.
Não obstante ao constrangimento ilegítimo, as reiteradas
tentativas de resolver a necessidade do Autor ultrapassa a esfera dos
aborrecimentos aceitáveis do cotidiano, uma vez que foi obrigado a buscar
informações e ferramentas para resolver um problema causado pela
empresa contratada para lhe dar uma solução.

Assim, no presente caso não se pode analisar isoladamente o


constrangimento sofrido, mas a conjuntura de fatores que obrigaram o
Consumidor a buscar a via judicial. Ou seja, deve-se considerar o grande
desgaste do Autor nas reiteradas tentativas de solucionar o ocorrido sem êxito,
gerando o dever de indenizar, conforme precedentes sobre o tema:

APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DECLARATÓRIA DE


NULIDADE DE NEGÓCIO JURÍDICO C/C REPETIÇÃO
DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS –
(...). CONTRATO NÃO APRESENTADO PELA
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA – DANOS MORAIS
CONFIGURADOS – QUANTUM INDENIZATÓRIO
(DANOS MORAIS) MAJORADOS PARA R$ 10.000,00 –
REPETIÇÃO DE INDÉBITO NA FORMA DOBRADA –
MÁ-FÉ DEMONSTRADA – DA COMPENSAÇÃO DE
CRÉDITO – IMPOSSIBILIDADE – RECURSO
IMPROVIDO. (...). A instituição financeira ré,
descuidando-se de diretrizes inerentes ao desenvolvimento
regular de sua atividade, não comprovou que os contratos
foram, de fato, celebrados pelo consumidor, tampouco
tenha sido ele o beneficiário do produto dos mútuos
bancários. Não basta para elidir a responsabilização da
pessoa contratada a alegação de suposta fraude. À
instituição ré incumbia o ônus de comprovar que
agiu com as cautelas de praxe na contratação de
seus serviços, até porque, ao consumidor não é possível
a produção de prova negativa (CDC, art. 6, VIII c/c CPC,
art. 373, II). Inafastáveis os transtornos sofridos
pela idosa que foi privada de parte de seu
benefício de aposentadoria, por conduta ilícita
atribuída a instituição financeira, concernente à
falta de cuidado na contratação de empréstimo
consignado, situação apta a causar
constrangimento de ordem psicológica, tensão e
abalo emocional, tudo com sérios reflexos na
honra subjetiva. Levando-se em consideração a situação
fática apresentada nos autos, a condição
socioeconômica das partes e os prejuízos
suportados pela parte ofendida, evidencia-se que
o valor do quantum fixado pelo juízo a quo deve
sofrer majoração para R$ 10.000,00 (dez mil
reais), quantia que se mostra adequada e
consentâneo com as finalidades punitiva e
compensatória da indenização. (...) (TJMS. Apelação
n. 0801609-05.2015.8.12.0016, Mundo Novo, 4ª Câmara
Cível, Relator (a): Des. Claudionor Miguel Abss Duarte, j:
25/04/2018, p: 26/04/2018)

Trata-se da necessária consideração dos danos causados pela


perda do tempo útil (desvio produtivo) do consumidor.

DOS DANOS PELO DESVIO PRODUTIVO

Conforme disposto nos fatos iniciais, o Consumidor teve que


desperdiçar seu tempo útil para solucionar problemas que foram causados pela
empresa Ré que não demonstrou qualquer intenção na solução do
problema, obrigando o ingresso da presente ação.
Este desgaste fica perfeitamente demonstrado por meio de
________ .

Este transtorno involuntário é o que a doutrina denomina de


DANO PELA PERDA DO TEMPO ÚTIL, pois afeta diretamente a rotina do
consumidor gerando um desvio produtivo involuntário, que obviamente causam
angústia e stress.

Humberto Theodoro Júnior leciona de forma simples e didática


sobre o tema, aplicando-se perfeitamente ao presente caso:

"Entretanto, casos há em que a conduta desidiosa do


fornecedor provoca injusta perda de tempo do
consumidor, para solucionar problema de vício
do produto ou serviço. (...) O fornecedor, desta forma,
desvia o consumidor de suas atividades para “resolver
um problema criado” exclusivamente por aquele. Essa
circunstância, por si só, configura dano indenizável no
campo do dano moral, na medida em que ofende a
dignidade da pessoa humana e outros princípios
modernos da teoria contratual, tais como a boa-fé
objetiva e a função social: (...) É de se convir que o
tempo configura bem jurídico valioso,
reconhecido e protegido pelo ordenamento
jurídico, razão pela qual, “a conduta que
irrazoavelmente o viole produzirá uma nova espécie de
dano existencial, qual seja, dano temporal” justificando a
indenização. Esse tempo perdido, destarte, quando viole
um “padrão de razoabilidade suficientemente assentado
na sociedade”, não pode ser enquadrado noção de mero
aborrecimento ou dissabor." (THEODORO JÚNIOR,
Humberto. Direitos do Consumidor. 9ª ed. Editora
Forense, 2017. Versão ebook, pos. 4016)

Bruno Miragem, no mesmo sentido destaca:

"Por outro lado, vem se admitindo crescentemente, a


partir de provocação doutrinária, a concessão de
indenização pelo dano decorrente do sacrifício
do tempo do consumidor em razão de
determinado descumprimento contratual, como
ocorre em relação à necessidade de sucessivos e
infrutíferos contatos com o serviço de atendimento do
fornecedor, e outras providências necessárias à
reclamação de vícios no produto ou na prestação de
serviços." (MIRAGEM, Bruno. Curso de Direito do
Consumidor - Editora RT, 2016. versão e-book, 3.2.3.4.1)

Nesse sentido:

"Então, a perda injusta e intolerável do tempo útil


do consumidor provocada por desídia,
despreparo, desatenção ou má-fé (abuso de
direito) do fornecedor de produtos ou serviços deve
ser entendida como dano temporal (modalidade de dano
moral) e a conduta que o provoca classificada como ato
ilícito. Cumpre reiterar que o ato ilícito deve ser
colmatado pela usurpação do tempo livre,
enquanto violação a direito da personalidade,
pelo afastamento do dever de segurança que deve
permear as relações de consumo, pela
inobservância da boa-fé objetiva e seus deveres anexos,
pelo abuso da função social do contrato (seja na fase pré-
contratual, contratual ou pós-contratual) e, em último
grau, pelo desrespeito ao princípio da dignidade da
pessoa humana." (GASPAR, Alan Monteiro.
Responsabilidade civil pela perda indevida do tempo útil
do consumidor. Revista Síntese: Direito Civil e Processual
Civil, n. 104, nov-dez/2016, p. 62)

A jurisprudência, no mesmo sentido, ancora o posicionamento de


que o desvio produtivo ocasionado pela desídia de uma empresa deve ser
indenizada, conforme predomina a jurisprudência:

RELAÇÃO DE CONSUMO – DIVERGÊNCIA DO


PRODUTO ENTREGUE – OBRIGAÇÃO DE FAZER
CONSISTENTE NA ENTREGA DO PRODUTO
EFETIVAMENTE ANUNCIADO PELA RÉ E ADQUIRIDO
PELO CONSUMIDOR – INDENIZAÇÃO POR DANO
MORAL – RECONHECIMENTO. (...) Caracterizados
restaram os danos morais alegados pelo Recorrido
diante do "desvio produtivo do consumidor", que
se configura quando este, diante de uma situação
de mau atendimento, é obrigado a desperdiçar o
seu tempo útil e desviar-se de seus afazeres à
resolução do problema, e que gera o direito à
reparação civil. E o quantum arbitrado (R$ 3.000,00),
em razão disso, longe está de afrontar o princípio da
razoabilidade, mormente pelo completo descaso da Ré, a
qual insiste em protrair a solução do problema gerado ao
consumidor. 3. Recurso conhecido e não provido.
Sentença mantida por seus próprios fundamentos, ex vi do
art. 46 da Lei nº 9.099/95. Sucumbente, arcará a parte
recorrente com os honorários advocatícios da parte
contrária, que são fixados em 20% do valor da condenação
a título de indenização por danos morais. (TJSP; Recurso
Inominado 0003780-72.2017.8.26.0156; Relator (a):
Renato Siqueira De Pretto; Órgão Julgador: 1ª Turma
Cível e Criminal; Foro de Jundiaí - 4ª. Vara Cível; Data do
Julgamento: 12/03/2018; Data de Registro: 12/03/2018)

APELAÇÃO – AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO C.C.


INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS – CONSUMIDOR
DEMANDANTE INDEVIDAMENTE COBRADO, POR
DÉBITO REGULARMENTE SATISFEITO – Completo
descaso para com as reclamações do autor –
Situação em que há de se considerar as angústias
e aflições experimentadas pelo autor, a perda de
tempo e o desgaste com as inúmeras idas e vindas
para solucionar a questão – Hipótese em que tem
aplicabilidade a chamada teoria do desvio
produtivo do consumidor – Inequívoco, com efeito, o
sofrimento íntimo experimentado pelo autor, que foge aos
padrões da normalidade e que apresenta dimensão tal a
justificar proteção jurídica – Indenização que se arbitra na
quantia de R$ 5.000,00, à luz da técnica do desestímulo.
(...) (TJSP; Apelação 1027480-84.2016.8.26.0224; Relator
(a): Ricardo Pessoa de Mello Belli; Órgão Julgador: 19ª
Câmara de Direito Privado; Foro de Guarulhos - 8ª Vara
Cível; Data do Julgamento: 05/03/2018; Data de Registro:
13/03/2018)

RELAÇÃO DE CONSUMO – VÍCIO OCULTO NO


PRODUTO(SOFÁ) – OBSERVÂNCIA DO CRITÉRIO DA
VIDA ÚTIL DO BEM DURÁVEL –DESVIO PRODUTIVO
DO CONSUMO – INDENIZAÇÃO POR DANOS
MATERIAIS E MORAIS – RECONHECIMENTO. 1. (...)
Caracterizados restaram, ainda, os danos morais
asseverados pelo Recorrido diante do "desvio
produtivo do consumidor", que se configura
quando este, diante de uma situação de mau
atendimento, é obrigado a desperdiçar o seu
tempo útil e desviar-se de seus afazeres, e que
gera o direito à reparação civil. E o quantum
arbitrado (R$ 2.000,00), em razão disso, longe está de
afrontar o princípio da razoabilidade, mormente pelo
completo descaso da Ré, loja de envergadura nacional,
para com o seu cliente. 3. Recurso conhecido e não
provido. Sentença mantida por seus próprios
fundamentos, ex vi do art. 46 da Lei nº 9.099/95.
Sucumbente, arcará a parte Recorrente com os honorários
advocatícios da parte contrária, que são fixados em 20%
do valor total da condenação. (TJSP; Recurso Inominado
1000711-15.2017.8.26.0156; Relator (a): Renato Siqueira
De Pretto; Órgão Julgador: 1ª Turma Cível e Criminal;
Foro de Ribeirão Preto - 2ª. Vara Cível; Data do
Julgamento: 05/02/2018; Data de Registro: 05/02/2018)

Trata-se de notório desvio produtivo caracterizado pela perda do


tempo que lhe seria útil ao descanso, lazer ou de forma produtiva, acaba
sendo destinado na solução de problemas de causas alheias à sua
responsabilidade e vontade.

A perda de tempo de vida útil do consumidor, em razão da falha da


prestação do serviço não constitui mero aborrecimento do cotidiano, mas
verdadeiro impacto negativo em sua vida, devendo ser INDENIZADO.
DO DESCASO E DO DEVER DE ASSISTÊNCIA E
SUPORTE

A Responsabilidade Civil do Fornecedor esta intimamente ligado o


serviço oferecido ao público, a sua expectativa e principalmente na sua
disposição e eficiência ao sanar eventuais vícios.

No entanto, no presente caso, a manifesta indiferença com o


consumidor o desprezo com sua obrigação de suporte e com as normas do CDC.
James Marins, em sua obra, destaca sobre o direito do Consumidor à reparação
de qualquer dano sofrido:

"A par de restar cediçamente consagrado, quer na


doutrina quer na jurisprudência a indenizabilidade do
dano moral e da expressa menção constitucional a sua
reparabilidade, o art. 6º, do Código de Proteção e
Defesa do Consumidor, assegura como direito
básico do consumidor 'a efetiva prevenção e
reparação de danos patrimoniais e morais'.
Segundo observa com propriedade Nélson Nery Júnior,
neste dispositivo quer o legislador assegurar não só o
critério genérico - que, segundo pensamos, poderá
comportar mitigações - de observância da
responsabilidade objetiva, ao utilizar-se da expressão
'efetiva prevenção e reparação', como também deixar
imbúbite a possibilidade de cumulação entre o dano
moral e patrimonial (ao utilizar-se justamente da
partícula conjuntiva 'e'), matéria outrora objeto de sérias
controvérsias." (MARTINS, James. Responsabilidade da
empresa pelo fato do produto: os acidentes de consumo no
Código de Proteção e Defesa do Consumidor, ed. RT, 1993,
p. 143)
Assim, diante da evidência do descaso, resta configurado o dever
de indenizar, conforme entendimento dos tribunais:

RECURSO INOMINADO. SERVIÇOS DE


TELECOMUNICAÇÃO. INTERNET. VELOCIDADE
INFERIOR A CONTRATADA. PRÁTICA ABUSIVA.
VIOLAÇÃO A LEGISLAÇÃO CONSUMERISTA.
DANO MORAL CONFIGURADO. VALOR FIXADO DE
ACORDO COM O CASO CONCRETO. CARÁTER
PUNITIVO E PEDAGÓGICO DA CONDENAÇÃO.
SENTENÇA REFORMADA. Recurso conhecido e provido.
Em que pese o entendimento do juiz sentenciante, sendo
incontroversa a redução de velocidade da internet, resta
por comprovado o descumprimento contratual e o
descaso e desrespeito ao consumidor, sendo
devida a indenização por danos morais, diante da
violação da legislação consumerista. Para a fixação
do valor, deve-se observar o princípio da razoabilidade,
levando-se em conta as peculiaridades do caso concreto,
como a situação econômica do autor, o porte econômico da
ré, o grau de culpa e a atribuição do efeito sancionatório e
seu caráter pedagógico. Por tais razões, conclui-se que o
valor dos danos morais deve ser fixado em R$3.000,00
(três mil reais), levando-se em consideração o caso
descrito nos autos; aliado aos critérios acima mencionados
e aos parâmetros desta Colenda Turma Recursal. (...)
(TJPR - 3ª Turma Recursal - DM92 - 0000500-
90.2016.8.16.0129/0 - Paranaguá - Rel.: FERNANDA DE
QUADROS JORGENSEN GERONASSO - - J. 09.03.2017)

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. VÍCIO DO PRODUTO.


INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. CABIMENTO.
FIXAÇÃO. CARÁTER PEDAGÓGICO. - Deve o
fornecedor indenizar o consumidor, a título de
dano moral, pelo sofrimento e pelos transtornos
causados por aquisição de produto defeituoso. - A
fixação do valor da indenização por dano moral fica ao
prudente arbítrio do Julgador, que deve analisar as
circunstâncias do caso concreto, arbitrando um valor que
seja razoável para a reparação do ofendido e para que o
caráter pedagógico da medida seja alcançado. (TJ-MG -
AC: 10319150005274001 MG, Relator: Luiz Carlos Gomes
da Mata, Data de Julgamento: 05/10/2017, Câmaras
Cíveis / 13ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação:
18/10/2017)

COMPRA E VENDA. APARELHO TELEVISOR. VÍCIO DO


PRODUTO. Legitimidade passiva do vendedor
reconhecida. Vício não reparado no prazo de 30 dias.
Direito da consumidora à substituição do bem
reconhecido. Recusa do réu em efetuar a troca.
Transtornos decorrentes da conduta do réu que
ultrapassaram o mero aborrecimento. Danos
morais configurados. Indenização fixada em
R$1.500,00, em atenção aos princípios da razoabilidade e
da proporcionalidade. Recurso parcialmente provido. (TJ-
SP - APL: 00275799420118260564 SP 0027579-
94.2011.8.26.0564, Relator: Milton Carvalho, Data de
Julgamento: 16/12/2016, 36ª Câmara de Direito Privado,
Data de Publicação: 16/12/2016)

CONSUMIDOR. VÍCIO NO PRODUTO AÇÃO


INDENIZATÓRIA. geladeira com defeito. vício não
solucionado. devolução do valor pago na forma do art. 18,
§ 1º, INCISO II, do cdc já OCORRIDA. hipótese de
descumprimento contratual. DANOS MORAIS
EXCEPCIONALMENTE CONFIGURADOS PELO
DESCASO E DESCONSIDERAÇÃO DO
FABRICANTE Para com o CONSUMIDOR e pela
privação de uso de bem essencial. RECURSO
PARCIALMENTE PROVIDO. (TJRS Nº 71005435326 - Nº
CNJ: 0014634-83.2015.8.21.9000)

Trata-se de condenação devida para repor o transtorno sofrido,


bem como para servir com reprimenda a novas condutas semelhantes.

DO QUANTUM INDENIZATÓRIO

O quantum indenizatório deve ser fixado de modo a não só


garantir à parte que o postula a recomposição do dano em face da lesão
experimentada, mas igualmente deve, servir de reprimenda àquele que efetuou
a conduta ilícita, como assevera a doutrina:

“Com efeito, a reparação de danos morais exerce função


diversa daquela dos danos materiais. Enquanto estes se
voltam para a recomposição do patrimônio ofendido, por
meio da aplicação da fórmula “danos emergentes e lucros
cessantes” (CC, art. 402), aqueles procuram oferecer
compensação ao lesado, para atenuação do sofrimento
havido. De outra parte, quanto ao lesante,
objetiva a reparação impingir-lhe sanção, a fim
de que não volte a praticar atos lesivos à
personalidade de outrem.” (BITTAR, Carlos Alberto.
Reparação Civil por Danos Morais. 4ª ed. Editora Saraiva,
2015. Versão Kindle, p. 5423)

Neste sentido é a lição do Exmo. Des. Cláudio Eduardo Regis de


Figueiredo e Silva, ao disciplinar o tema:

"Importa dizer que o juiz,ao valorar o dano


moral,deve arbitrar uma quantia que, de acordo com o
seu prudente arbítrio,seja compatível com a
reprovabilidade da conduta ilícita, a intensidade
e duração do sofrimento experimentado pela
vítima, a capacidade econômica do causador do
dano, as condições sociais do ofendido, e outras
circunstâncias mais que se fizerem presentes"
(Programa de responsabilidade civil. 6. ed., São Paulo:
Malheiros, 2005. p. 116). No mesmo sentido aponta a
lição de Humberto Theodoro Júnior: [...] "os parâmetros
para a estimativa da indenização devem levar em conta
os recursos do ofensor e a situação econômico-social do
ofendido, de modo a não minimizar a sanção a tal ponto
que nada represente para o agente, e não exagerá-la,
para que não se transforme em especulação e
enriquecimento injustificável para a vítima. O bom senso
é a regra máxima a observar por parte dos juízes" (Dano
moral. 6. ed., São Paulo: Editora Juarez de Oliveira,
2009. p. 61). Complementando tal entendimento, Carlos
Alberto Bittar, elucida que"a indenização por danos
morais deve traduzir-se em montante que
represente advertência ao lesante e à sociedade
de que se não se aceita o comportamento
assumido, ou o evento lesivo
advindo.Consubstancia-se, portanto, em importância
compatível com o vulto dos interesses em conflito,
refletindo-se, de modo expresso, no patrimônio do
lesante, a fim de que sinta, efetivamente, a resposta da
ordem jurídica aos efeitos do resultado lesivo produzido.
Deve, pois, ser quantia economicamente significativa, em
razão das potencialidades do patrimônio do
lesante"(Reparação Civil por Danos Morais, RT, 1993, p.
220). Tutela-se, assim, o direito violado. (TJSC, Recurso
Inominado n. 0302581-94.2017.8.24.0091, da Capital -
Eduardo Luz, rel. Des. Cláudio Eduardo Regis de
Figueiredo e Silva, Primeira Turma de Recursos - Capital,
j. 15-03-2018)

Ou seja, enquanto o papel jurisdicional não fixar condenações que


sirvam igualmente ao desestímulo e inibição de novas práticas lesivas,
situações como estas seguirão se repetindo e tumultuando o judiciário.

Portanto, cabível a indenização por danos morais, E nesse sentido,


a indenização por dano moral deve representar para a vítima uma satisfação
capaz de amenizar de alguma forma o abalo sofrido e de infligir ao causador
sanção e alerta para que não volte a repetir o ato, uma vez que fica evidenciado
completo descaso aos transtornos causados.

DA JUSTIÇA GRATUITA

O Requerente atualmente trabalha como ________ , tendo sob


sua responsabilidade a manutenção de sua família, razão pela qual não poderia
arcar com as despesas processuais.

Para tal benefício o Requerente junta declaração de hipossuficiência e


comprovante de renda, os quais demonstram a inviabilidade de pagamento das
custas judicias sem comprometer sua subsistência, conforme clara redação do
Código de Processo Civil de 2015:

Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser


formulado na petição inicial, na contestação, na petição
para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.

§ 1º Se superveniente à primeira manifestação da parte na


instância, o pedido poderá ser formulado por petição
simples, nos autos do próprio processo, e não suspenderá
seu curso.

§ 2º O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver


nos autos elementos que evidenciem a falta dos
pressupostos legais para a concessão de gratuidade,
devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a
comprovação do preenchimento dos referidos
pressupostos.

§ 3º Presume-se verdadeira a alegação de


insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa
natural.

Assim, por simples petição, sem outras provas exigíveis por lei, faz
jus o Requerente ao benefício da gratuidade de justiça:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA.


INDEFERIMENTO DA GRATUIDADE PROCESSUAL.
AUSÊNCIA DE FUNDADAS RAZÕES PARA AFASTAR A
BENESSE. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. CABIMENTO.
Presunção relativa que milita em prol da autora que alega
pobreza. Benefício que não pode ser recusado de
plano sem fundadas razões. Ausência de indícios
ou provas de que pode a parte arcar com as custas
e despesas sem prejuízo do próprio sustento e o de
sua família. Recurso provido. (TJ-SP
22234254820178260000 SP 2223425-
48.2017.8.26.0000, Relator: Gilberto Leme, Data de
Julgamento: 17/01/2018, 35ª Câmara de Direito Privado,
Data de Publicação: 17/01/2018)

AGRAVO DE INSTRUMENTO.
GRATUIDADE DA JUSTIÇA. CONCESSÃO. Presunção
de veracidade da alegação de insuficiência de
recursos, deduzida por pessoa natural, ante a
inexistência de elementos que evidenciem a falta
dos pressupostos legais para a concessão da
gratuidade da justiça. Recurso provido. (TJ-SP
22259076620178260000 SP 2225907-66.2017.8.26.0000,
Relator: Roberto Mac Cracken, 22ª Câmara de Direito
Privado, Data de Publicação: 07/12/2017)

A assistência de advogado particular não pode ser parâmetro ao


indeferimento do pedido:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. PEDIDO DE


GRATUIDADE DE JUSTIÇA. CONCESSÃO DO
BENEFÍCIO. HIPOSSUFICIÊNCIA. COMPROVAÇÃO DA
INCAPACIDADE FINANCEIRA. REQUISITOS
PRESENTES. 1. Incumbe ao Magistrado aferir os
elementos do caso concreto para conceder o benefício da
gratuidade de justiça aos cidadãos que dele efetivamente
necessitem para acessar o Poder Judiciário, observada a
presunção relativa da declaração de hipossuficiência. 2.
Segundo o § 4º do art. 99 do CPC, não há
impedimento para a concessão do benefício de
gratuidade de Justiça o fato de as partes estarem
sob a assistência de advogado particular. 3. O
pagamento inicial de valor relevante, relativo ao contrato
de compra e venda objeto da demanda, não é, por si só,
suficiente para comprovar que a parte possua
remuneração elevada ou situação financeira abastada. 4.
No caso dos autos, extrai-se que há dados capazes de
demonstrar que o Agravante, não dispõe, no momento, de
condições de arcar com as despesas do processo sem
desfalcar a sua própria subsistência. 4. Recurso conhecido
e provido. (TJ-DF 07139888520178070000 DF 0713988-
85.2017.8.07.0000, Relator: GISLENE PINHEIRO, 7ª
Turma Cível, Data de Publicação: Publicado no DJE :
29/01/2018)

Assim, considerando a demonstração inequívoca da necessidade


do Requerente, tem-se por comprovada sua miserabilidade, fazendo jus ao
benefício.

Cabe destacar que o a lei não exige atestada miserabilidade do


requerente, sendo suficiente a "insuficiência de recursos para pagar as custas,
despesas processuais e honorários advocatícios"(Art. 98, CPC/15), conforme
destaca a doutrina:

"Não se exige miserabilidade, nem estado de


necessidade, nem tampouco se fala em renda familiar ou
faturamento máximos. É possível que uma pessoa
natural, mesmo com bom renda mensal, seja merecedora
do benefício, e que também o seja aquela sujeito que é
proprietário de bens imóveis, mas não dispõe de liquidez.
A gratuidade judiciária é um dos mecanismos de
viabilização do acesso à justiça; não se pode
exigir que, para ter acesso à justiça, o sujeito
tenha que comprometer significativamente sua
renda, ou tenha que se desfazer de seus bens,
liquidando-os para angariar recursos e custear o
processo." (DIDIER JR. Fredie. OLIVEIRA, Rafael
Alexandria de. Benefício da Justiça Gratuita. 6ª ed.
Editora JusPodivm, 2016. p. 60)

Por tais razões, com fulcro no artigo 5º, LXXIV da Constituição


Federal e pelo artigo 98 do CPC, requer seja deferida a gratuidade de justiça ao
requerente.

DO PEDIDO

Ante o exposto, requer:

1. A concessão da Gratuidade Judiciária nos termos do


art. 98 do Código de Processo Civil;

2. A citação do réu, na pessoa de seu representante


legal, para, querendo responder a presente
demanda;

3. A procedência do pedido, com a condenação do


requerido ao ressarcimento imediato das quantias
pagas, no valor de R$ ________ , bem como à
indenização de danos materiais no valor de R$
________ e lucros cessantes no valor de R$
________ , acrescidas ainda de juros e correção
monetária,
4. Seja o requerido condenada a pagar ao requerente
um quantum a título de danos morais não inferior o
________ , considerando as condições das partes,
principalmente o potencial econômico-social da
lesante, a gravidade da lesão, sua repercussão e as
circunstâncias fáticas;

5. A condenação do requerido em custas judiciais e


honorários advocatícios;

6. Protesta provar o alegado por todos os meios de


prova em direito admitidas e cabíveis à espécie,
especialmente pelos documentos acostados;

7. Por fim, manifesta que ________ na audiência


conciliatória, nos termos do Art. 319, inc. VII do
CPC.

Termos em que, pede deferimento.

Valor da causa R$ ________

________ , ________ .

________ ,
________

ANEXOS
1. Comprovante de renda

2. Declaração de hipossuficiência

3. Prova do comprometimento da renda

4. Documentos de identidade do Autor (RG e CPF)

5. Comprovante de residência

6. Procuração

7. Prova da compra

8. Prova dos defeitos/vícios

9. Provas da solicitação do consumidor

10. Provas da negativa de solução

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