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PROCESSO DE ENFERMAGEM BASEADO EM: Recuperação de portadora

de Insuficiência Renal Crônica

Maria da Silva Arcanjo de Sousa1

Resumo

O referente trabalho tem por objetivo apresentar um estudo de caso referente a


uma paciente de diagnósticada co insuficiência renal crônica, assim como sua
rotina de hemodíalise e adaptações de sua condição médica. Busca-se discutir
sobre o que é insuficiência renal crônica, as condições de enfermidades que
levam o paciente a fazer parte deste grupo. Ressalta-se as mudanças
ocorridas pelas quais o paciente passa, seja econômicas, social, familiar e sua
qualidade de vida. É um trabalho realizado a partir de estudos bibliográficos
que abordem o tema, contextualizando com o depoimento de uma paciente
diagnosticada e em tratamento de hemodíalise a mais de oito anos, tendo
como fatores que contribuíram para tal comorbidade o estilo de vida, inclusive
com consumo e depêndencia de álcool, diabete, hipertenção e alimentação
inadequada. Tal estudo serve como fonte de análise de paciente e futuros
profissionais da saúde que buscam apronfudarem o conhecimento.

Introdução

A doença renal crônica consiste em uma lesão renal e geralmente perda


progressiva e irreversível da função dos rins. Percebe-se que a doença renal
crônica é um problema sério, que merece um estudo e discussão mais
aprofundada, de forma que tal análise sirva de estudo e alerta na abordagem
do assunto.

1
Aluna do Curso Profissionalizante em Enfermagem pelo IPF - Instituto Paulo Freire - Pólo de
Pires do Rio -GO, Matrícula: 201830716 - Turma: TE150IA18,
email:mariadasilvaenfer@hotmail.com.
Um dos fatores que intensifica a propagação da doença e o
agravamento da mesma é o fato de ser uma enfermidade silenciosa, ou seja,
geralmente o indivíduo apresenta sintomas quando a doença já está avançada,
dificultando, assim, o tratamento e a cura.
Vários são os fatores que levam o indivíduo a manifestar a doença renal
crônica. Ao conhecer os referentes fatores, sabendo que se enquadra no índice
de pacientes de risco, com as devidas divulgações, informação e
aconselhamento, com certeza será mais fácil prevenir-se e até tratar os
primeiros sintomas antes do agravamento da doença.
Diante do exposto, pretende-se abordar o referente tema objetivando a
divulgação do que realmente apresenta uma doença renal crônica e suas
consequências na vida do paciente, abordando os fatores que levam a
aquisição da doença, pois se acredita que ao perceber que se enquadra nos
fatores de risco, possa amenizar a situação.
É necessário aprofundar a reflexão no cotidiano do doente renal crônico,
principalmente no transtorno da hemodiálise, não só no sentido de
amedrontamento, mas de alerta para a gravidade da doença e prevenção para
que a mesma não chegue a este patamar.
Segundo Filho (2008) a qualidade de vida de um doente renal crônico é
afetada, pois o seu cotidiano sofre mudanças contínuas com intermináveis
visitas ao médico, hemodiálise, restrições alimentares, entre outros. Assim,
segundo o autor é difícil falar em qualidade de vida para os pacientes renais
crônicos, no entanto a intervenção do profissional da saúde é de suma
importância, tendo ele o dever de buscar soluções que amenizem as limitações
provocadas por esta enfermidade e pelo árduo tratamento.
Para Duarte (2003) a doença renal crônica tem um impacto negativo
sobre os níveis de energia e vitalidade, fato este que ocasiona a redução e
limitação das interações sociais, causando também problemas relacionados a
saúde mental. Assim, para que um paciente renal crônico possa melhorar a sua
qualidade de vida é necessário que seja realizado uma avaliação do que
representa qualidade de vida, incluindo dados sobre a condição e
funcionamento físico; psicológico e social, além do impacto dos sintomas da
doença e do tratamento.
Duarte (2003) ressalta que por muito tempo a qualidade de vida de
portadores de doenças crônicas era avaliada exclusivamente em termos de
sobrevida e sinais da presença da doença, sem considerar as suas
consequências psicossociais e as do tratamento. Conviver com a doença renal
crônica é um processo difícil que merece um olhar diferenciado, sendo este
conflito tão difícil para o paciente, como para aqueles que convivem com ele.
Não é uma adaptação fácil, pois muitas vezes a tendência daqueles que
está convivendo com o conflito do paciente, principalmente com as mudanças
que ocorrem no seu cotidiano é o de não compreender o que se passa,
tratando muitas vezes o paciente com impaciência ou com excesso de
cuidados, deixando-o em um estado lastimável de ‘piedade’, situações estas
que não auxiliam no tratamento do paciente, mas sim proporciona a ele mais
angústia.
Na perspectiva de Junior (2004) a detecção precoce da doença viabiliza
condutas terapêuticas adequadas que retardam seu progresso, reduzindo
sofrimento e custos financeiros. Para que se chegue a este diagnóstico e os
possíveis encaminhamentos, o paciente que se enquadra nos grupos de
diabéticos e hipertensos devem procurar o serviço de saúde, cabendo ao
médico diagnosticar e encaminhar o paciente.
Júnior (2004) ressalta a importância da capacitação e conscientização
por parte dos médicos e demais profissionais da saúde, principalmente os que
trabalham nas unidades de saúde pública, ressaltando que esta primeira etapa
geralmente é feita por um clínico geral, que após identificar a ocorrência de
vestígios de doença renal encaminha o mesmo ao nefrologista e a instituição
de diretrizes apropriadas para retardar a DRC.

Metodologia

A doença renal crônica é uma doença grave que traz muito sofrimento
para o doente, assim como seus familiares, exigindo um cuidado especial por
parte dos profissionais da saúde em estarem amenizando o sofrimento do
doente. Na realização do referente estudo utilizou-se como metodologia a
conversa com um paciente com insuficiência reanal crônica, discutindo seus
apontamentos e contextualizando-os com estudos bibliográficos que abordam o
tema, retirados de sites acadêmicos e revistas de enfermagem.
Ao desenvolver um trabalho como este é essencial a busca de
embasamento teórico, na qual a pesquisa bibliográfica é essencial. Neste
estudo foi realizado um estudo qualitativo exploratório e bibliográfico. O Scielo
se caracteriza como uma biblioteca virtual onde estão disponibilizados
periódicos em formato digital.
Segundo Marconi e Lakatos (2006, p. 70) “a pesquisa bibliográfica é um
apanhado geral sobre os trabalhos já realizados, revestidos de importância por
serem capazes de oferecer subsídios importantes ao tema”, portanto ao
escolher o tema é necessário o estudo bibliográfico, tendo como fonte sites,
livros, revistas e artigos acadêmicos.
A coleta de dados foi realizada com as seguintes palavras-chaves:
Enfermagem, Deficiência Renal Crônica e Hemodíalise. Ao interpretar os dados
da pesquisa, para Marconi e Lakatos (2006), pode-se definir esta etapa como
sendo:
A atividade intelectual que procura dar um significado mais amplo as
respostas, vinculando-as a outros conhecimentos. Em geral, a
interpretação significa a exploração do verdadeiro significado do
material apresentado, em relação aos objetivos propostos e ao tema.
(p.35).

A interpretação de dados é uma etapa importante, que possibilita ao


investigador refletir sobre teoria e prática, identificando fatores que possam
contribuir para ampliar a discussão acerca do tema abordado buscando
soluções viáveis a cada caso.

Resultados e discussões

Ao analisar o contexto que envolve a doença renal crônica e a seriedade


que o caso representa na vida do indivíduo, faz-se necessário um estudo
aprofundado do tema, destacando fatores que levam indivíduos a estarem em
situações de risco e como se prevenir antes do agravamento da doença.
Fato ocorrido com a paciente Mariana 2, que declara ter convivido
durante anos com sinais que lhes mostravam que não estava bem, mas não
atentou pelo fato de buscar ajuda profissional para descobrir e tratar
corretamente antes de agravar. Conta que era dependente do álcool, ingerido
'cachaça' em grande quantidade, não se alimentava e nem dormia direito, até
mesmo de sua higiene pessoal descuidava.
Nesta perspectiva, para definir doença renal recorre-se a Júnior (2004):

A doença renal crônica consiste em uma lesão renal e perda


progressiva e irreversível da função dos rins. Em sua fase mais
avançada (chamada fase terminal de insuficiência renal crônica IRC),
os rins não conseguem mais manter a normalidade do meio interno
do paciente. (p. 3)

Até mesmo para um leigo, a concepção da importância dos rins para o


organismo e a saúde é clara. No entanto, mesmo tendo a concepção da
importância dos rins no organismo, a maioria da população não se atenta para
este fato, até o momento em que se encontra dentro do índice de pessoas a
sofrer de doenças dos rins, fato este que, infelizmente, para muitos, não há
muito que ser feito, pois se encontram no índice dos doentes renais crônicos.
Caso este que se enquadra na paciente anlisada, que infelizmente descobriu a
doença quando esta já se encontrava avançada.
Conforme Bartolotto (2008), uma das causas principais que levam a
insuficiência renal crônica está na hipertensão arterial, ressaltando que:
“Hipertensão arterial (HA) e função renal estão intimamente relacionadas,
podendo hipertensão ser tanto a causa como a consequência de uma doença
renal”. Destacando Maria que também apresentava problemas de hipertensão
arterial, mas não dava importância e continuava com alcoolismo, tomando o
remédio de forma irregular.
É lamentável que vários indivíduos não fazem o controle correto e
contínuo da pressão arterial, expondo-se à aquisição de outras enfermidades
causadas pelo descontrole da pressão arterial, entre elas a insuficiência renal
crônica. Assim, ao realizar o controle da PA, mudar o estilo de vida, se

2
Nome fictício para preservar a identidade da paciente. Tem 53 anos, mãe de 10 filhos,
descobriu a doença no final da última gravidez, a 8 anos atrás, não chegou nem a amamentar a
filha e logo começou o tratamento com hemodíalise.
adequando a uma alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos
pode ser essencial na prevenção da doença renal crônica.
Para Collucci (2011):

Em dez anos, o país registrou um aumento de 38% na taxa de morte


de doentes renais crônicos. Essas pessoas dependem de uma
máquina que substitui a função dos rins (hemodiálise) para
sobreviver. Em 2002, dos 46.547 doentes que faziam diálise, 7000
morreram (15%). Em 2010, o número de doentes tratados foi de 92
mil, com 16.500 mortes (18%). Os dados são de um censo feito pela
SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia) e levado ao Ministério da
Saúde. Foram avaliadas 340 clínicas de diálise, 53 % do total. (p. 1)

Infelizmente, conforme aborda Colluci (2011), houve um relativo


aumento de casos de doentes renais crônicos durante esta última década, no
qual as estáticas de óbitos também aumentaram.
Ao abordar o assunto, Collucci cita o caso de um paciente de 39 anos
que descobriu ser um doente renal crônico ao ter um dos rins paralisado,
falecendo um ano após iniciar a hemodiálise.
Comenta Collucci (2011) que o mesmo, segundo familiares, tinha
constante dores de cabeça, procurava o posto de saúde e receitavam-lhe
analgésicos, no entanto sofria de hipertensão, falha esta gravíssima. Casos
como este, relatado por Collucci, são mais comuns do que presumimos,
aumenta o índice de evolução de outras doenças como a renal crônica.
Falando da paciente analisada, a mesma relata que devido as fortes
ressacas decorrentes do álcool com dores de cabeça e no corpo tomava
muitos remédios por conta própria, aos quais os médicos mais tarde lhe
informaram que estes também contribuíram para que ela tivesse perca grande
da capacidade dos rins enquadrando em paciente crônica.
Segundo Júnior (2007):

Uma série de fatores de risco para o desenvolvimento da DRC tem


sido descrita. Desta forma, os dois mais importantes são a
hipertensão arterial e a diabete millitus. Outros fatores identificados
são: história familiar de hipertensão arterial, diabetes millitus ou de
doença renal, litíase urinária, uropatias, transplante renal e uso de
drogas nefrotóxicas. (p. 183)
Como destacado, vários são os fatores que levam uma pessoa a ser um
doente renal crônico, uns com maiores, outros com menores influência de
aquisição da doença. No entanto, quando diagnosticada e tratada, a doença
dos rins tem menores riscos de chegar a se tornar crônica.
Fato este que hoje Maria tem consciência, principalmente nos dias em
que passa pela hemodiálese, três vezes por semana, não podendo ter falhas.
Destaca que este é um processo difícil, no qual encontra força com outros
pacientes que se tornaram companheiros desta triste caminhada, percorrendo
juntos nas segundas, quartas e sextas-feiras mais de 100 km para receberem o
tratamento, pois vão de Orizona a Goiânia - GO.
Desta forma é essencial a informação, principalmente por parte dos
funcionários da saúde, inclusive o enfermeiro, que poderá atuar de fato junto à
população de risco, prevenindo e combatendo o índice de doentes renais
crônicos.
Em Cesarino e Casagrande (1998), a insuficiência renal crônica e o
tratamento hemodialíco provoca uma sucessão de situações para o paciente,
que compromete o aspecto não só físico, como psicológico, com repercussões
pessoais, familiares e sociais. Na convivência com estes pacientes é essencial
e importante a intervenção da enfermagem, cujo papel fundamental é a busca
de solução nas limitações provocadas pela insuficiência renal crônica e o
tratamento, sendo necessário um reaprender a viver de maneira humana,
inclusive auxiliando outros pacientes a prevenirem a doença.
Na perspectiva de Bastos (2004) o encaminhamento tardio dos
pacientes com doença renal crônica para o acompanhamento nefrológico é
considerado um dos grandes problemas de saúde pública, posto que é evitável,
associa-se com maior risco de morbitalidade e determina impacto financeiro no
sistema de saúde, portanto investir na prevenção e no diagnóstico precoce é a
melhor solução.
Machado e Car (2003) ao analisarem um grupo de doentes renais
crônico afirmam que de maneira geral, os doentes não questionam a sua
doença nem tão pouco percebem o motivo de seu adoecimento. Não existe o
raciocínio de que em razão das baixas condições clínica e que a maneira
insalubre de trabalhar predispõem a doença.
Desta forma, percebe-se que os fatores favoráveis ao desenvolvimento
da doença renal crônica como a diabete e a hipertensão estão interligados a
condição social e econômica do indivíduo, assim como seus hábitos de vida,
sendo que à medida que as pessoas são instruídas e tem condições de terem
suas necessidades básicas supridas, a manifestação de doenças diminui.
Com relação à prática profissional da enfermagem, Machado e Car
(2003), afirma que a necessidade de ir além da prática profissional no exercício
da cidadania é reconhecer que a sofisticação tecnológica é necessária, porém,
insuficiente para lidar com o processo de adoecer. É reconhecer a inadequação
dos recursos para que a sociedade contribua para a integração desses doentes
em atividades laboriosas adequadas as capacidades físicas, mas que
provocam a saúde da humanidade, do homem doente, visto que o dia seguinte
da hemodiálise poderia ser de produtividade física e mental.
Para a National Kidney Foundation (2004), a dieta do paciente com
insuficiência renal crônica é importante para o sucesso do tratamento. A dieta
recomendada pode ser modificada com o tempo se a insuficiência piorar.
Ressalta que a disponibilidade de um nível suficiente de calorias é importante
para a saúde e o bem estar geral do paciente, destacando que as calorias são
encontradas em todos os alimentos. São importantes porque: fornecem energia
ao organismo; ajudam na manutenção de peso saudável; ajudam o corpo a
utilizar proteínas para formar músculos e tecidos.

Conclusão

Como foi destacado, o tratamento e o cotidiano da vida de um doente


renal crônico não é fácil, existem situações conflitantes e difíceis de superar.
Não há como negar que conviver com a doença renal crônica exige muito do
paciente e daqueles que convivem com ele, buscando da melhor forma
amenizar a situação e ter qualidade de vida, mesmo com todas as dificuldades
e mudanças que a nova situação impõe ao paciente.
A paciente a qual foi realizado o estudo de caso deixa claro os fatores
que contribuíram para que seu diagnóstico chegasse ao de um doente com
insuficiência renal crônica, necessitando mudar a rotina de sua vida, conviver
com outras realidades, passar por dificuldades que envolvem muita disciplina, o
que nunca teve antes da doença.
Portanto é necessário ressaltar que a doença renal crônica pode ser
evitada e o profissional da saúde, principalmente o enfermeiro que acompanha
de perto o atendimento nas unidades de saúde, que se relaciona no dia-a-dia
como a comunidade em geral tem o dever de criar mecanismo de
conscientização para o alerta dos primeiros sintomas de doenças que levam a
doença renal crônica, assim como aqueles que se enquadra em fatores de
risco.

Referências

BORTOLOTTO, Luis Aparecido. Hipertensão arterial e insuficiência renal


crônica. Revista Bras. Hipertensão V. 15 p. 152-155, 2008

CESARINO, Cláudia Bernadi; CASAGRANDE, Lisete Dinis Ribas. Paciente


com insuficiencia renal crônica em tratamento hemodialítico: atividade
educativa do enfermeiro. Rev Latino Am. Enfermagem v. 6 n. 4, Ribeirão
Preto, out. 1998.

COLLUCCI, Cláudia. Mortes por doença renal crônica crescem 38% no


Brasil. Jornal Folha de São Paulo 16/06/2011

DUARTE, Priscila Silveira. Tradução e adaptação cultural do instrumento


de avaliação de qualidade de vida para paciente renais crônicos. Rev.
Assoc. Med. Bras. 2003.

FILHO, Maurício Marcelino da Silva. Qualidade de vida de pacientes renais


crônicos em tratamento hemodialítico na 25ª região de saúde do estado
da Bahia. 2008

JUNIOR, João Egídio Romão. Doença renal Crônica: Definição,


Epidemiologia e Classificação. JbrasNefrol voime XXVI – nº 3. Supl.1 –
agosto, 2004

MACHADO, Leise Rodrigues Corrijo: CAR, Márcia Regina. A dialética da vida


cotidiana de doentes com insuficiência renal crônica: entre o inevitável e
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NATIONAL KIDNEY FOUDATION. Nutrição e insuficiência renal crônica.
2004.

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