Você está na página 1de 58

Estrutura Atómica e

Classificação Periódica dos


Elementos
Estrutura Atômica –Modelos
Atômicos
Estrutura atómica do átomo

 Filósofos gregos (por volta do ano 300 a.C)

– Matéria divisível até ao átomo

 John Dalton (primeira década do século XIX)

– Baseou-se em leis fundamentais da química e formulou


uma série de postulados

• A matéria é composta por átomos.

• Estes não podem ser criados, divididos ou destruídos;


Estrutura Atómica (John Dalton)

• Os átomos de um elemento apresentam massa idêntica e


determinadas propriedades que os tornam idênticos entre si,
mas diferentes dos átomos de outros elementos;

• Os átomos combinam-se entre si em proporções cuja razão


é definida por pequenos números inteiros, e os compostos
formados são mantidos como um todo por forças de
afinidade química.
Limitações da teoria de Dalton

• Descoberta da radioactividade

- A criação, divisão e destruição de alguns átomos durante a


ocorrência de reacções nucleares;

• Descoberta da existência de isótopos

- O facto de nem todos os átomos de um elemento serem


exactamente iguais.

- Existem átomos de um elemento que podem diferir


ligeiramente na sua massa.

- Estes átomos têm o nome de isótopos;


Limitações da teoria de Dalton – cont.

O facto de a proporção de combinação de átomos nem sempre


poder ser expressa por pequenos inteiros, como p.ex.

– no caso de alguns óxidos,

– compostos orgânicos e

– sulfuretos de metais de transição

O modelo de Dalton também não conseguia explicar a


capacidade de combinação fixa dos elementos – a valência
Estrutura Atómica (Thomson)
• Partículas negativas,

– de natureza idêntica independentemente do gás usado


nas experiências,

– conhecidas na altura como raios catódicos,

– que foram posteriormente designadas electrões; e

• Partículas positivas

– com uma massa maior que a dos electrões,

– que se diferenciam dependendo do gás usado.


O modelo de Thomson – cont.
A natureza da carga destas partículas (positiva ou negativa) foi
determinada pelo desvio que o feixe de carga sofria sob a
acção de campos eléctricos ou magnéticos.
O modelo de Thomson – cont.

Atomo é uma esfera de carga positiva na qual se


encontram incrustados os electrões.
Estrutura Atómica (Rutherford)

Ernest Rutherford
1871 – 1937

Experiência de Rutherford - Comportamento de partículas α na


colisão com placas finas de um metal
Experiência de Rutherford – cont.

A maior parte destas partículas passa pela placa sem sofrer


desvios ou sofrendo somente ligeiros desvios;

– uma pequena fracção que sofre grandes desvios,

– havendo até o caso de algumas partículas que invertem o


seu sentido,

como se tivessem colidido com um objecto muito maior na


sua trajectória.
Experiência de Rutherford – cont.
Modelo de Rutherford

- O átomo possui um núcleo, no qual estão concentradas a


sua carga positiva e a sua massa.

- Este ocupa uma fracção muita reduzida do átomo.

- A volta do núcleo encontram-se os electrões.


Limitações da teoria de Rutherford

Porque é que o electrão se deve mover numa orbita


bem definida a volta do núcleo?
Segundo a teoria de Maxwell,
– qualquer mudança de velocidade ou direcção
de uma partícula electricamente carregada é
acompanhada por uma emissão de energia,
– o electrão perderia continuamente energia e
cairia no núcleo.
Natureza do neutrão

• James Chadwick em 1932 – bombardeou o átomo de Be


com partículas 

• Surgimento de uma partícula com

– um grande poder penetrante

– não é afectada por campos eléctricos e magnéticos


(partícula sem carga).

• Este partícula é o neutrão


Características das três partículas que
compõem o átomo

Massa
+Carga
Partícula (u.m.a.)

Neutrão 1,00867 0

Electrão 0,000055 -1e-

Protão 1,00723 +1e-


Estrutura Atómico (Bohr)
Bohr toma como base a teoria de quantização da energia
de Planck e formula os seguintes postulados:

– O electrão move-se em determinadas órbitas a volta


do núcleo e somente certas órbitas são permitidas.

– Ao electrão numa certa órbita associa-se uma


quantidade definida de energia.

– O electrão nesta órbita não irradia energia e por isso


não cai para o núcleo.
Modelo atómico de Bohr – cont.
– Um electrão absorve (ou emite) radiação quando passa de
uma órbita permitida para outra.

– O valor de energia absorvida (ou emitida) é

∆E = hν

• onde ∆E representa é a diferença de energia do


electrão nos dois níveis em consideração,

• h a constante de Planck e

• ν a frequência da radiação.
Modelo atómico de Bohr – cont.
1 1 1 1 1
∆𝐸 = 𝑅𝑐ℎ 2 − 2 ou = 𝑅 2 − 2
𝑛1 𝑛2  𝑛1 𝑛2

R representa a constante de Rydberg (R = 1,097373.107 m-1)


c a velocidade da luz
h a constante de Planck e
n um número inteiro conhecido como número quântico
principal, o qual pode tomar os valores 1, 2, 3, 4, ... etc.
As duas equações podem ser usadas para calcular

– o comprimento de onda e

– a energia de uma dada transição no átomo.


Espectro do átomo de H
As linhas espectrais do átomo de H podem ser obtidas por
substituição dos valores de n1 e n2 nas equações anteriores

• Se n1 = 1 e n2 = 2, 3, 4, ... temos as séries de Lyman


(ultravioleta),

• se n1 = 2 e n2 = 3, 4, 5, ... temos as séries de Balmer


(visível),

• se n1 = 3 e n2 = 4, 5, 6, ... séries de Paschen (IR próximo),

• se n1 = 4 e n2 = 5, 6, 7 séries de Brackett (IR distante),

• se n1 = 5 e n2 = 6, 7 séries de Pfund (IR distante).


Espectro do átomo de H

Órbitas de Bohr para o átomo de hidrogénio e as respectivas


séries de linhas espectrais
Espectro do átomo de H

Espectro do átomo do H no visível (série de Balmer)


Modelo atómico de Bohr – cont.
• O modelo de Bohr
– explica com exactidão as linhas espectrais do átomo de
H
– formado somente por um protão e um electrão,
– necessitando contudo de modificações para a sua
aplicação aos átomos mais pesados.
• Bohr considera o electrão somente como partícula,
– embora existisse já nessa altura uma certa evidência do
seu carácter ondulatório,
Modelo atómico de Bohr – cont.

• Sommerfeld – dentro de um mesmo nível existem divisões

– Uma órbita circular e outras elípticas

• Os electrões não têm a mesma energia numa mesma órbita


Princípio de Incerteza de Heisenberg
Werner Heisenberg (1901-1976)

Quanto mais exacta for a determinação da posição de um electrão, maior


será a incerteza na determinação da sua velocidade (momento) ou vice-
versa

∆𝑥 ∆ν ≥
4𝜋
– Δx é a incerteza na definição da posição

– Δv a incerteza na definição da velocidade

– h a constante de Planck (6,6262.10-34 Js)

É impossível conhecer simultaneamente e com exactidão a posição e a


velocidade de um electrão
A equação de onda de Schrödinger
• Erwin Schrodinguer (1887 – 1961)
𝜕 2  𝜕 2  𝜕 2  8𝜋 2 𝑚
2
+ 2+ 2+ 2
𝐸−𝑉 =0
𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑧 ℎ
– equação deduzida empiricamente,
– Ψ é a função de onda do electrão,
– m a sua massa,
– E e V a energia total e potencial do electrão
respectivamente,
– h a constante de Planck
– x, y e z as coordenadas cartesianas do electrão
A equação de onda de Schrödinger (cont

• A função de onda não tem um sentido físico palpável


• Ψ2 dx.dy.dz é uma medida da probabilidade de encontrar o
electrão no volume dV=dx.dy.dz
• As diferentes funções de onda Ψ1, Ψ2, Ψ3, etc, que satisfazem
a equação de onda dão valores de energia E1, E2, E3, etc
• Cada uma destas funções de onda é denominada orbital
• No átomo de hidrogénio o único electrão ocupa o nível mais
baixo de energia E1, chamado estado fundamental
• A correspondente função de onda Ψ1 descreve a orbital
(neste caso 1s)
A equação de onda de Schrödinger
(cont.)
• Para um dado átomo, existe uma série de soluções da
função de onda

• Estas soluções descrevem o estado do electrão no


átomo

• Estas soluções são denominadas números quânticos

• Cada electrão é descrito por um conjunto de 4 números


quânticos
Número quântico primário, n
 Indica o nível energético do electrão;
 dá a distância da região onde se encontra o electrão ao
núcleo
 Pode assumir valores de 1, 2, 3, … 7 (teoricamente até )
 Quanto maior for n maior será o conteúdo energético do
nível

n 1 2 3 4 5 6 7
Camada K L M N O P Q
Número quântico secundário ou
azimutal, l
• Indica o subnível energético do electrão
– Electrões num mesmo nível e subníveis diferentes vão
apresentar energias ligeiramente diferentes
• Dá a forma da orbital, a região de maior probabilidade para
encontrar o electrão. Assume valores de l = 0, 1, 2 …. n -1
• Assim para
– l = 0 temos orbital esférica, que é denominada s (sharp)
– l = 1 tem a forma de alteres, é denominada p (principal)
– l = 2 é denominada , d (diffuse)
– l = 3 é denominada f (fundamental)
Número quântico magnético, m

• Dá o sentido de orientação da orbital no espaço

• Assume valores de - l, 0, + l

• Assim para

– n =1 temos

• l = 0 e m = 0  temos uma única orbital s

– n = 2 temos

• l = 0, 1 e m = 0,

» -1, 0, +1
Número quântico de spin, s ou ms

• Indica o sentido de rotação do electrão

• Acredita-se que numa mesma orbital

– um electrão vai girar sob seu próprio eixo no sentido


horário

– e o outro no sentido anti-horário

• Assume dois números -1/2 e +1/2

• Explica a existência de dupletos nos espectros atómicos


Princípio de exclusão de Pauli

• Wolfgang Pauli (1900 – 1958) - 1925

• Num mesmo átomo não podem existir dois electrões com


todos os 4 números quânticos iguais

• Consequência  numa mesma orbital só podem existir 2


electrões
Números Quânticos Principais
Números quânticos Orbitais Número total
Primário, Secundário, Magnético, m existentes de electrões
n l

1 0 0 1s (1 orbital) 2 electrões

2 0 0 2s (1 orbital) 2 electrões
1 -1 0 +1 2p (3 orbitais) 6 electrões

3 0 0 3s (1 orbital) 2 electrões
1 -1 0 +1 3p (3 orbitais) 6 electrões
2 -2 -1 0 +1 +2 3d (5 orbitais) 10 electrões

4 0 0 4s (1 orbital) 2 electrões
1 -1 0 +1 4p (3 orbitais) 6 electrões
2 -2 -1 0 +1 +2 4d (5 orbitais) 10 electrões
3 -3 -2 -1 0 +1 +2 +3 4f (7 orbitais) 14 electrões
Distribuição por subníveis
Número atómico, Z Elemento Distribuição
1 H 1s1
2 He 1s2
3 Li 1s2 2s1
4 Be 1s2 2s2
5 B 1s2 2s2 2p1 (px1 py pz)
6 C 1s2 2s2 2p2 (px1 py1 pz)
7 N 1s2 2s2 2p3 (px1 py1 pz1)
8 O 1s2 2s2 2p4 (px2 py1 pz1)
9 F 1s2 2s2 2p5
10 Ne 1s2 2s2 2p6
11 Na 1s2 2s2 2p6 3s1 ou [Ne] 3s1
12 Mg [Ne] 3s2
……
Diagrama de Pauling
Classificação Periódica dos Elementos
• Döbereiner (1782 – 1849)

– grupos de três elementos com propriedades químicas


semelhantes têm massas atómicas tais,

– Onde MA é a massa atómica do elemento E

- Lei das Tríades


Classificação Periódica dos Elementos
– Lítio - Sódio - Potássio
– Cálcio - Estrôncio – Bário
– Cloro - Bromo – Iodo
• Newlands (1864) – Lei das oitavas
Elementos conhecidos forem ordenados por ordem crescente
das suas massas atómicas, o oitavo elemento apresentará
propriedades semelhantes as do primeiro.
Classificação Periódica dos
Elementos (cont.)

• Mendeleev (1869) - (1834 – 1907)

– estudou a relação entre as massas atómicas e


propriedades dos elementos;

– concluiu que as propriedades dos elementos


mostram uma dependência periódica das respectivas
massas atómicas.
Classificação Periódica dos
Elementos (cont.)
• Lothar Meyer –
– observou a variação do volume atómico dos elementos
em função da massa atómica
– construiu um gráfico “volume atómico versus massa
atómica”
– o gráfico mostra a ocorrência de elementos com um
comportamento químico semelhante em posições
similares da curva, p.ex. os elementos do grupo I
aparecem nos picos da curva
Classificação Periódica dos
Elementos (cont.)
• Mendeleev é visto como a base que levou ao
desenvolvimento da actual tabela periódica.
– escreveu os nomes dos elementos por ordem crescente
das suas massas atómicas
– constatou que as propriedades dos elementos, com
pequenas modificações, se repetem em determinados
intervalos.
– Os elementos com propriedades semelhantes foram
colocados numa mesma coluna, construindo-se desta
forma uma tabela.
Classificação Periódica dos
Elementos (cont.)
– a tabela apresentava muitos lugares vazios,
– declarou que viriam a ser ocupados posteriormente por
elementos a ser descobertos mais tarde.
– conseguiu prever algumas propriedades dos elementos
ainda em falta na sua tabela

• Durante o desenvolvimento posterior do sistema de


classificação periódica dos elementos foram introduzidas
algumas correcções
Classificação Periódica dos
Elementos (cont.)
Moseley (1913) – descobriu a existência de uma
propriedade fundamental dos átomos, que caracterizava as
suas propriedades – o número atómico

• As propriedades químicas dos elementos são


determinadas pelo número de electrões na última
camada
Versão moderna da Tabela Periódica
Classificação Periódica dos
Elementos (cont.)

• Arrumação na tabela periódica:

– em grupos - elementos com uma distribuição


electrónica semelhante na sua última camada

– Em períodos – elementos que preenchem o mesmo


nível
Estudo de grupos

• Metais alcalinos - apresentam na sua camada externa a


configuração ns1.

– é frequentemente chamado grupo I.

• Metais alcalino-terrosos com configuração ns2, também


chamado grupo II.

• Os dois grupos mencionados compõem o chamado bloco


s
Estudo de Grupos (cont.)
• Os elementos com configuração ns2np1 [ns2 …np1] até
ns2np6 [ns2 …np6] são chamados, em função do número
de electrões presentes nas orbitais ns e np, de grupos III,
IV, V …
• são nomeados ainda em função do nome do primeiro
elemento do grupo
– P.ex. o grupo do Alumínio (grupo III),
– o grupo do Carbono (grupo IV),
– o grupo do Nitrogénio (grupo V), etc.
Estudo de Grupos (cont.)
• São considerados como fazendo parte do bloco p

– O grupo VII é conhecido como grupo dos halogéneos

– O grupo VIII (também chamado grupo 0) como o grupo


dos gases raros ou inertes

• Os elementos cujo último electrão ocupa uma orbital d ou f


são chamados

– elementos de transição (ou elementos do bloco d) e

– elementos de transição interna (bloco f)


H e He

• O hélio, apesar de não ter configuração ns2np6, é colocado


naturalmente no grupo dos gases raros, devido a
semelhança de propriedades com os gases raros

• O hidrogénio, com configuração 1s1 e formando


normalmente iões com carga +1

– é colocado no grupo I apesar de não ter propriedades de


metal alcalino
• Por lhe faltar 1 electrão para completar a sua última e única
camada (hidrogénio tem covalência 1 e forma aniões com
carga -1),

• Houve especulações para a sua inserção no grupo dos


halogéneos,

• Fracassaram pelo facto de as suas propriedades não serem


semelhantes as dos halogéneos
• A posição do elemento na tabela periódica
determina ainda a valência desse elemento

• Esta pode ser igual ao número do grupo, para os


elementos dos grupos I a IV

• Então ser igual a oito menos o número do grupo,


para os elementos dos grupos V a VI.
Propriedades periódicas

• Energia de ionização - energia necessária para remover


um electrão do respectivo átomo no estado gasoso
K(g) → K+(g) + 1 e-1 Eion = + 418 kJ/mol
– 1ª energia de ionização ou simplesmente energia de
ionização.
• A energia de ionização diminui no grupo de cima para baixo,
– essencialmente devido ao aumento do tamanho dos
átomos,
– o que facilita a retirada do electrão externo
Propriedades periódicas (Eion -
cont.)

• No período, a energia de ionização aumenta da


esquerda para a direita

– devido ao aumento da carga nuclear


Tamanho dos átomos

O volume - tem uma relação de proporcionalidade com o raio


atómico

– Aumenta de cima para baixo, a medida que os


electrões vão ocupando níveis cada vez maiores

– Diminui ao longo do período da esquerda para a direita,

• devido ao aumento das forças de atracção


Electronegatividade

• Capacidade do átomo de atrair numa ligação o par de


electrões

• Átomos pequenos apresentam uma maior capacidade de


atrair os electrões que os átomos grandes

– diminui de cima para baixo e

– aumenta da esquerda para a direita


Carácter Metálico

• Diminui da esquerda (metais) para a direita (não-metais)

• No grupo o carácter metálico aumenta de cima para baixo


Carácter acídico dos óxidos

• No período - aumenta da esquerda para a direita

• No grupo – diminui de cima para baixo

Você também pode gostar