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Texto para as questões 1 a 3 completa alteração, ou que o nosso cérebro esteja


Paranoia ou Mistificação? em "pane" por virtude de alguma grave lesão (7).
Monteiro Lobato Enquanto a percepção sensorial se fizer
normalmente no homem, através (8) da porta
Há duas espécies de artistas. Uma comum dos cinco sentidos, um artista diante de um
composta dos que veem (1) normalmente as coisas gato não poderá "sentir" senão um gato, e é falsa
e em consequência disso fazem arte pura, a "interpretação" que do bichano fizer um "totó",
guardando os eternos ritmos (2) da vida, e um escaravelho, um amontoado de cubos
adotados para a concretização das emoções transparentes.
estéticas, os processos clássicos dos grandes Estas considerações são provocadas pela
mestres. Quem trilha por esta senda, (3) se tem exposição da Sra. Malfatti, onde se notam
gênio, é Praxíteles na Grécia, é Rafael na Itália, é acentuadíssimas tendências (9) para uma atitude
Rembrandt na Holanda, é Rubens na Flandres, é estética forçada no sentido das extravagâncias de
Reynolds na Inglaterra, é Leubach na Alemanha, é Picasso e companhia. Essa artista possui um
Iorn na Suécia, é Rodin na França, é Zuloaga na talento vigoroso, fora do comum. Poucas vezes,
Espanha. Se tem apenas talento, vai engrossar a através de uma obra torcida para má direção, se
plêiade de satélites que gravitam em torno notam tantas e tão preciosas qualidades latentes.
daqueles sóis imorredouros. A outra espécie é Percebe-se de qualquer daqueles quadrinhos
formada pelos que veem anormalmente a como a sua autora é independente (10), como é
natureza, e interpretam-na à luz de teorias original, como é inventiva, em que alto grau possui
efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas um sem-número de qualidades inatas e adquiridas
rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da das mais fecundas para construir uma sólida
cultura excessiva. São produtos do cansaço e do individualidade artística. Entretanto, seduzida
sadismo de todos os períodos de decadência: são pelas teorias do que ela chama arte moderna,
frutos de fins de estação, bichados ao nascedouro. penetrou nos domínios dum impressionismo
(4) Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais discutibilíssimo, e põe todo o seu talento a serviço
das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo duma nova espécie de caricatura.
nas trevas do esquecimento. Embora eles se deem Sejamos sinceros: futurismo, cubismo,
como novos precursores duma arte a vir (5), nada impressionismo e tutti quanti não passam de
é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: outros tantos ramos da arte caricatural. É a
nasceu com a paranoia e com a mistificação. De há extensão da caricatura a regiões onde não havia
muito já que a estudam os psiquiatras em seus até agora penetrado. Caricatura da cor, caricatura
tratados, documentando-se nos inúmeros da forma - caricatura que não visa, como a
desenhos que ornam as paredes internas dos primitiva, ressaltar uma ideia cômica, mas sim
manicômios. A única diferença reside em que nos desnortear, aparvalhar o espectador. A fisionomia
manicômios esta arte é sincera, produto ilógico de de quem sai de uma dessas exposições é das mais
cérebros transtornados pelas mais estranhas sugestivas(11). Nenhuma impressão de prazer, ou
psicoses; e fora deles, nas exposições públicas, de beleza(12), denunciam as caras; em todas,
zabumbadas pela imprensa e absorvidas por porém, se lê o desapontamento de quem está
americanos malucos, não (6) há sinceridade incerto, duvidoso de si próprio e dos outros,
nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo incapaz de raciocinar, e muito desconfiado de que
mistificação pura. o mistificam habilmente. Outros, certos críticos
Todas as artes são regidas por princípios sobretudo, aproveitam a vaza para épater les
imutáveis, leis fundamentais que não dependem bourgeois. Teorizam aquilo com grande dispêndio
do tempo nem da latitude. As medidas de de palavrório técnico, descobrem nas telas
proporção e equilíbrio, na forma ou na cor, intenções e subintenções inacessíveis ao vulgo,
decorrem do que chamamos sentir. Quando as justificam-nas com a independência de
sensações do mundo externo transformam-se em interpretação do artista e concluem que o público
impressões cerebrais, nós "sentimos"; para que é uma cavalgadura e eles, os entendidos, (13) um
sintamos de maneira diversa, cúbica ou futurista, é pugilo genial de iniciados da Estética Oculta. No
forçoso ou que a harmonia do universo sofra

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fundo, riem-se uns dos outros, o artista do crítico, Rubens, Reynolds, Leubach, Iorn, Rodin e Zuloaga
o crítico do pintor, e o público de ambos. a capacidade positiva de alta sugestão nos
Há de ter essa artista ouvido numerosos elogios à visitantes de suas exposições (ref. 11). Já aos
(14) sua nova atitude estética. Há de irritar-lhe (15) representantes da “outra espécie” à qual ele se
os ouvidos, como descortês impertinência, esta refere no primeiro parágrafo, atribui a sensação de
voz sincera que vem quebrar a harmonia de um “nenhuma impressão de prazer ou de beleza” (ref.
coro de lisonjas. Entretanto, se refletir um bocado, 12).
verá que a lisonja mata e a sinceridade salva. O 3 – Depreende-se do texto que, segundo o autor, a
verdadeiro amigo de um artista não é aquele que o arte, para estimular os sentidos de quem a vê, deve
entontece de louvores e sim o que lhe dá uma trabalhar com os mesmos estímulos do mundo
opinião sincera, embora dura, e lhe traduz real. Interpretar a natureza de maneira diversa à
chãmente, sem reservas, o que todos pensam dele natural seria atitude própria daqueles que Lobato
por detrás. Os homens têm o vezo de não tomar a caracteriza como “estrelas cadentes”.
sério as mulheres. Essa é a razão de lhes darem 4 – Monteiro Lobato afirma que a arte da Sra.
sempre amabilidades quando pedem opiniões. Tal Malfatti não possui admiradores reais e que sua
cavalheirismo é falso, e sobre falso, nocivo. crítica negativa apenas traz à tona o sentimento de
Quantos talentos de primeira água se não todos os seus observadores, embora estes não o
transviaram arrastados por maus caminhos pelo traduzam em palavras por “amabilidade” ou
elogio incondicional e mentiroso? Se víssemos na “cavalheirismo”, mas por trás, riem tanto da artista
Sra. Malfatti apenas "uma moça que pinta", como quanto dos críticos que analisam positivamente
há centenas por aí, sem denunciar centelha de sua obra.
talento, calar-nos-íamos, ou talvez lhe (16)
déssemos meia dúzia desses adjetivos "bombons", Questão 2
que a crítica açucarada tem sempre à mão em se
tratando de moças. Julgamo-la, porém, A respeito das construções linguísticas do texto,
merecedora da alta homenagem que é tomar a analise as seguintes afirmativas:
sério o seu talento dando a respeito da sua arte
uma opinião sinceríssima, e valiosa pelo fato de ser 1 – O uso da expressão “através” (ref. 8) constitui
o reflexo da opinião do público sensato, dos uma impropriedade vocabular se considerada
críticos, dos amadores, dos artistas seus colegas exclusivamente sua aplicação recomendada pelos
e... dos seus apologistas. Dos seus apologistas sim, princípios da normatividade. Para torná-la
porque também eles pensam deste modo... por adequada, deveria ser substituída por “por meio”.
trás. 2 – A expressão “acentuadíssimas tendências” (ref.
9) exerce, sintaticamente, a função de objeto
Questão 1 direto do verbo “notar” e refere-se à atitude falsa
de interpretação descrita no parágrafo anterior,
Da leitura do texto “Paranoia ou Mistificação”, decorrente, segundo o autor, de alguma alteração
pode-se afirmar corretamente: completa na harmonia do universo.
3 – Para se respeitar a correção gramatical do
1 – Ao traçar um paralelo entre a dita “nova arte” período, seria necessário acrescentar um ponto e
e as produções pictóricas realizadas por loucos vírgula antes da conjunção “e” no trecho “e eles, os
internos, o autor considera que ambas são entendidos” (ref. 13)
desprovidas de realidade artística, sendo 4 – O acento grave indicativo de crase em “à sua”
produzidas apenas para satisfação própria ou para (ref. 14) pode ser suprimido sem qualquer prejuízo
ser alvo da “mistificação pura” da imprensa e de para a correção gramatical e para o correto
“americanos malucos”. entendimento do período. Com tal supressão,
2 – Em sua constante oposição semântica entre os estaria omissa a preposição “a”, restando, na
ditos verdadeiros gênios da arte e os precursores sentença, apenas o artigo feminino determinando
da arte moderna, representados, no caso da o substantivo “atitude estética”.
produção do texto, pela Sra. Malfatti, Monteiro
Lobato associa a Praxíteles, Rafael, Rembrandt,

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Questão 3 Questão 4
A partir das estruturas A partir das relações sintático-
morfossintáticas exploradas no texto, julgue em C semânticas exploradas pelo poema, classifique os
ou E as seguintes assertivas: itens que seguem:

1 – A vírgula utilizada logo após o substantivo 1 – No poema apresentado, o autor se vale da


“Estrelas cadentes” (ref. 4) fere um dos princípios quebra das estruturas paradigmáticas e
básicos da gramática normativa (“não se utiliza sintagmáticas convencionais como recurso
vírgula entre o sujeito e o verbo”), mas não se expressivo para enfatizar o sentido estabelecido
torna impertinente seu uso no texto, já que, neste, pelos versos que o compõem.
Monteiro Lobato se vale de outras marcas de 2 – Ao utilizar-se de versos sem qualquer ligação
oralidade e recursos expressivos, como vírgulas e semântica entre si, o poeta exclui totalmente a
pontos meramente enfáticos. coerência do poema, representando
2 – O verbo “haver” (ref. 6) poderia, sem prejuízo linguisticamente a fragmentação também
para o entendimento do texto ou para sua desconexa do eu-lírico.
correção gramatical, ser substituído pelos verbos 3 – O paradoxo representado no início do texto é
“existir” ou “ter”. Nos três casos, o verbo retomado no seu verso final, enfatizando o conflito
permaneceria no singular, apesar de, no texto interno vivenciado pelo eu-lírico, desenvolvido ao
original, o sintagma “sinceridade nenhuma” longo do poema.
exercer função sintática de Objeto Direto e, nas 4 – O autor se vale de referências temporais,
duas substituições propostas, passar à função de sensitivas e sentimentais, todas elas expressas
sujeito simples. linguisticamente no texto com a utilização de
3 – Uma correta reescrita para o trecho “Embora verbos, advérbios, adjetivos e substantivos
eles se deem como novos precursores duma arte a utilizados estilisticamente no decorrer dos versos.
vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou
teratológica” (ref. 5) seria: “A arte anômala ou
monstruosa é anterior a tudo, posto que esses
artistas se autodenominem como vanguardistas de Texto para as questões 5 a 7
uma arte póstera.” Valores ocidentais
4 – Os termos em destaque em “há de irritar-lhe os Quando o discurso político alcança seu
ouvidos” (ref. 15) e em “ou talvez lhe déssemos nível mais raso, os "valores ocidentais" aparecem.
meia dúzia desses adjetivos” (ref. 16), embora Normalmente, eles são utilizados para expor
pertençam à mesma classe de palavras, exercem "aquilo pelo qual lutamos", aquilo que
funções sintáticas distintas, sendo este um Objeto pretensamente faria a diferença e a superioridade
Indireto e aquele um Adjunto Adnominal. moral de nossa forma de vida – esta que
encontraria sua melhor realização no interior das
sociedades democráticas liberais.
Texto para a questão 4 Nesse sentido, mesmo quando criticamos
Ando muito completo de vazios. nossas sociedades ocidentais, não seríamos
Meu órgão de morrer me predomina. capazes de sair do horizonte normativo que define
Estou sem eternidades. o conjunto de seus valores.
Não posso mais saber quando amanheço ontem. Pois se, por exemplo, criticamos a falta de
Está rengo de mim o amanhecer. liberdade e a injustiça social, seria sempre em
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha. nome de valores que ainda não se realizaram, mas
Atrás do ocaso fervem os insetos. a respeito dos quais nós, ocidentais, saberíamos, de
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu antemão, seu sentido.
[destino. Para aqueles que impostam a voz na hora
Essas coisas me mudam para cisco. de falar em nome dos valores ocidentais, não há
A minha independência tem algemas conflitos a respeito do que liberdade, justiça e
(Manoel de Barros) autonomia significam.

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Não passa pela cabeça deles que talvez acolhe estruturas que, do ponto de vista
estejamos diante de palavras que não têm semântico, são equivalentes.
conteúdo normativo específico, mas são algo como 2 –Em um sentimento que Freud bem definiu como
significantes vazios, disputados por interpretações mal-estar, ou seja, um sofrimento indefinido que
divergentes próprias a uma sociedade marcada por nos lembra a fragilidade de toda normatividade
antagonismos fundamentais. social extremamente prescritiva, o segmento
Por isso, se há algo que determina o que há introduzido por ou seja faz uma indicação mais
de mais importante na tradição ocidental é acurada acerca da palavra que se acabou de
exatamente a ideia de que não temos clareza a apresentar, constituindo a ordem dos elementos
respeito do que nossos valores significam. Pois o conectados pela expressão uma questão de
que nos leva a criticar aspectos fundamentais de escolha, determinada pela direção que se quer dar
nossa sociedade não é um déficit a propósito da ao encadeamento lógico das ideias.
realização de valores, mas um sentimento que 3 – No processo de argumentação, as situações
Freud bem definiu como mal-estar, ou seja, um trazidas ao texto pela referência a Sófocles e pela
sofrimento indefinido que nos lembra a fragilidade referência a Ulisses representam circunstâncias
de toda normatividade social extremamente contraditórias e igualmente insatisfatórias, o que
prescritiva. motiva a referência final a Nietzche, cujas palavras
Isso talvez nos explique por que os gregos, nenhuma conexão estabelecem com o que se tem
estes que teriam inventado a democracia ocidental tanto na primeira, quanto na segunda menção.
com seus valores, na verdade, legaram-nos apenas 4 – No trecho “sair do horizonte normativo que
um valor fundamental: a suspeita de si. define o conjunto de seus valores” (2º parágrafo),
Uma suspeita que se manifesta por meio há uma relação de subordinação introduzida pelo
da exigência de saber acolher o que nos é estranho, pronome relativo que, na oração, exerce valor de
o que não porta mais nossa imagem, o que não tem sujeito sintático. Estrutura frasal semelhante pode
mais a figura de nossa humanidade. ser encontrada no trecho “Para aqueles que
Quem leu as tragédias de Sófocles sabe impostam a voz na hora de falar em nome dos
como sua questão fundamental é o que ocorre valores ocidentais” (4º parágrafo)
quando a polis não sabe mais acolher o que ainda
não tem lugar no interior de nossas formas de vida. Questão 6
Por outro lado, quando Ulisses, o herói de Considerando os aspectos
Homero, perdia-se em sua errância sem fim, suas morfossintáticos e semânticos dos fragmentos
palavras para os habitantes de outras terras eram apresentados, classifique como C ou E as
sempre a exigência de abrigar o estrangeiro. afirmativas abaixo:
Por isso, o melhor que temos a fazer diante
dos que sempre pregam os valores ocidentais é 1 – As aspas em "valores ocidentais" (1º parágrafo)
lembrá-los das palavras de Nietzche: "Muitas sinalizam tanto que a expressão constitui uma
vezes, é necessário saber se perder para poder citação, quanto que foi referida com ironia no
encontrar-se". discurso político.
(Vladimir Safatle. Folha de S.Paulo, opinião, terça- 2 –A partir do trecho “na verdade, legaram-nos
feira, 13 de dez. de 2011. p. 2) apenas um valor fundamental: a suspeita de si.” (7º
parágrafo), estaria em conformidade com o padrão
Questão 5 culto escrito esta redação alternativa à do
Considerando a estrutura textual, a segmento destacado: "o motivo dos gregos nos
consistência argumentativa e as estruturas legarem apenas um valor fundamental".
linguísticas do texto, julgue (C ou E) os itens que 3 – As referências a Sófocles e Ulisses ilustram e
se seguem. definem a busca por “aquilo pelo qual lutamos” (1º
1 – A sequência Uma suspeita que se manifesta por parágrafo), termo até então não esclarecido
meio da exigência de saber acolher o que nos é integralmente pelo autor.
estranho, o que não porta mais nossa imagem, o 4 – A forma verbal “explique” (7º parágrafo),
que não tem mais a figura de nossa humanidade utilizada na forma do subjuntivo, evidencia o
caráter hipotético da sentença, reforçado pelo uso

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do advérbio “talvez”. A sua substituição pela forma Então as palmeiras


“explica” não manteria, portanto, a correção ao fogo do dia,
gramatical do período. em verde tumulto,
pareciam marchar
carregando bandeiras.
Questão 7
A partir da observação das estruturas Depois veio a Noite
linguísticas do texto, julgue as seguintes e os morros soturnos
afirmativas: levavam estrelas
por vales e rochas
1 – No trecho “a respeito dos quais nós, ocidentais” como uma silente
(3º parágrafo), a preposição “de” que antecede o corrida de tochas...
pronome relativo é regida pelo verbo “saber”,
conjugado na primeira pessoa do plural do Futuro
do Pretérito do Indicativo. Questão 8
2 – Ao utilizar o termo “significante” (5º parágrafo), Em relação ao trabalho expressivo
o autor fundamentou-se em seu conceito realizado pelo poeta por meio das Figuras de
denotativo, de um elemento da linguagem que, ao Linguagem, classifique em C ou E as afirmativas a
ser associado a um significado, passa a compor o seguir:
signo linguístico. 1 – O recurso anafórico utilizado pelo poeta no
3 – No trecho “é exatamente a ideia de que não início das estrofes reforça o sentido geral do
temos clareza a respeito do que nossos valores poema, agindo como elemento coesivo conotando
significam” o “que”, em suas duas ocorrências, o encadear da notícia se espalhando entre os
exerce a mesma função morfossintática. elementos da natureza.
4 – No trecho “não seríamos capazes de sair do 2 – Na primeira estrofe, a repetição do verbo
horizonte normativo que define o conjunto de seus “bater” constitui uma anadiplose, encadeando
valores” (2º parágrafo), o sujeito sintático do verbo semanticamente os dois versos nos quais ele
“definir” é o sintagma “o horizonte normativo”, aparece a partir de sua repetição enfática.
anterior a ele. 3 – Para compor o plano imagético do texto, o
autor induz o leitor a recriar a cena descrita por
meio de recursos como a personificação e a
onomatopeia.
Texto para as questões 8 e 9 4 – A expressão “verde tumulto” (3º verso, 3ª
estrofe) constitui, considerando-se o contexto em
A notícia que está inserida, uma hipálage, reforçando,
(Cassiano Ricardo) conotativamente, a ligação semântica entre os
termos “palmeiras” e “tumulto”.
Então o vento
lá dentro da serra,
Questão 9
onde apenas havia A partir dos aspectos linguísticos
o barulho insensato do texto, julgue os itens a seguir:
das coisas sem nome,
começou a bater 1 – As palavras “saíram” e “notícia”, ambas na
a bater rataplã terceira estrofe, foram acentuadas segundo as
no tambor da manhã. mesmas regras de acentuação gráfica.
2 – O pronome “onde” (1ª estrofe, 3º verso)
Então os ecos poderia, mantendo-se a correção gramatical, ser
saíram das grutas substituído pelas formas “no qual” ou “na qual”.
levando a notícia Cada uma dessas opções, porém, acarretaria uma
por todos os lados. significação diferente para o período.

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3 – A locução verbal “pareciam marchar” concorda compreensão íntima” e o pronome oblíquo “lhe”,
no plural com seu sujeito simples “as palmeiras”. classificado como Objeto Indireto.
Seria possível, mantendo-se a correção gramatical 2 – É possível identificar no trecho marcas do
do período, optar pela forma “parecia Discurso Indireto Livre, possuindo o narrador
marcharem”, alterando, porém, a estruturação conhecimento dos pensamentos e desejos do
sintática do período. personagem.
4 – A forma verbal “veio” (4ª estrofe, 1º verso) 3 – A partir de elementos linguísticos, a narradora
possui sujeito composto “a Noite e os morros sugere o pressuposto de que não é comum
noturnos”, entretanto sua concordância não fere estudantes de interessarem por Arqueologia.
os princípios da gramática normativa, uma vez que 4 – O verbo “haver” (ref. 7) está utilizado como
é legítima a possibilidade de, havendo um sujeito verbo auxiliar, concordando com termo “esses
composto posposto ao verbo, este concordar mesmos homens”, sujeito sintático da locução
apenas com o seu núcleo mais próximo. verbal “haviam sucedido”.

Texto para a questão 10 ESPAÇO LIVRE


Ele é agora gerente de uma loja de sapatos.
Não porque escolheu, mas foi o que (1) lhe restou.
Perguntava-se sempre: onde está o meu erro? O
erro em relação a (2) seu destino, queria ele (3)
dizer. Não há grandes motivos a procurar no fato
de alguém ser gerente numa loja de sapatos. (4)
Mas uma vez que ele mesmo se pergunta e
estende sapatos como se não pertencesse a esse
mundo ― o motivo da indagação aparece. Por que
realmente? Fora, por exemplo, o melhor aluno de
História e até por Arqueologia se interessava. Mas
o que parecia lhe faltar (5) era cultura histórica ou
arqueológica, ele tinha apenas a erudição, (6)
faltava-lhe a compreensão íntima de que fora
neste mundo e com esses mesmos homens que (7)
haviam sucedido os fatos, que fora na terra em (8)
que ele pisava que houvera um dia habitantes e
que os peixes que se haviam transformado em
anfíbios eram aqueles mesmos que ele comia. E até
hoje é como um erudito que ele estende sapatos ―
como se não fosse em contato com esta áspera
terra que as solas se gastam.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de
Janeiro: Rocco, 1999, p.233. GABARITO

1– E E C C
Questão 10 2– C E C E
A respeito das construções 3– E E C C
linguísticas do texto, analise as seguintes 4– C E C C
afirmativas: 5– C C E C
6– E E E C
1 – O verbo “faltar” (ref. 6) é classificado 7– E C E E
sintaticamente, no contexto em que aparece, 8– C CC C
como verbo transitivo direto e Indireto, tendo 9– E C C E
como complementos os sintagmas “a 10 – E C C E

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