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Aluna: Lyvia Christine Wetterling dos Santos

Matrícula: 18213120222
Curso : Letras
Polo : São Francisco
Disciplina: Literaturas Africanas I

1.

Vimos no material didático que o fim do séc. XIX e início do XX as colônias portuguesas na África
tiveram um aumento considerável de pessoas vindas de Portugal e com isso houve também uma produção
acentuada de jornais e periódicos com a inauguração do Boletim Oficial, mas este ficava adstrito ao controle
da elite letrada e de europeus. Note que apenas em meados do século XIX, com auxílio do jornalismo, que a
cultura e conhecimento angolanos foram sendo registrados através de escrito, pois anteriormente valiam-se
apenas da tradição oral.
Como no decorrer do séc XX a vida nas colônias africanas foram se desenvolvendo, foi surgindo a
necessidade de melhores condições de vida para os descendentes de portugueses – os assimilados (p. 52).
Nesse período havia uma oferta pequena de jornais.
De acordo com o material didático, já no início do século XX temos a presença de 3 movimentos
importantíssimos - o nativismo, o pan-africanismo e a negritude que continham ideias que subsidiaram
posteriores lutas anticoloniais. O nativismo traz as luzes para cultura africana anterior à colonização. O pan-
africanismo defendia a união entre os povos africanos e negritude que traz a ideia de que africamos e povos
com ascendência africana possuem um ponto em comum, ou seja, seu patrimônio cultural. Esses
movimentos vão influenciando os escritores, como os Intelectuais de Angola que surgem posteriormente,
depois da Conferência de Berlim, constituindo a primeira geração crítica ao colonialismo.
Com o passar do tempo, na primeira metade do séc XX e com a tomada de consciência do negro,
surgiram questionamentos acerca da superioridade unilateral da civilização ocidental sobre os povos não
ocidentais (p. 56). Esses questionamentos emergiam conforme ia se tendo contato com outras culturas.
Nesse sentido, através de uma elite letrada, majoritariamente constituída por estudantes da Casa dos
Estudantes do Império e também devido a congressos pan-africanistas sediados na Europa, os povos
africanos tinham contato com essas ideias progressistas que a cada dia mais fomentavam questionamentos
sobre a práxis colonial (p. 57), causando consequências nos colonizadores e seus impérios, o que resulta
mais a frente numa guerra pela independência das colônias africanas de língua portuguesa, pondo fim
somente após 13 anos de embates com o império português.
Em 1940, alguns escritores se destacam com um discurso crítico ao colonialismo angolano. Nessa
mesma década a revista literária Mensagem surge estrelada por nobres escritores e mais a frente, e surge
em 1950 o jornal Cultura.
Nessa perspectiva, Geraldo Bessa Víctor situa-se nessa fase de críticas ferrenhas ao colonialismo
em Angola. Escritor angolano, escreveu para jornais de Angola e fez parte da revista Mensagem, registrando
em seus escritos sua solidariedade com os irmãos de mesma cor nos versos de sua poesia, como “Soneto ao
mar africano”.
O poema em questão se refere ao período de colonização europeia e escravidão no século XX onde
observamos a dor, o sofrimento e a luta do negro africano nesse processo de exploração.
Logo no início do soneto nos deparamos com o trecho “Ó grande Mar, que banhas estas
plagas/africanas, em ti ouço recados” onde vislumbramos um mar, um mar de choro dos africanos
explorados, um mar de tormento, de sofrimento, de “prantos”, de “orações e pragas”. Com a expansão
europeia buscou-se a expansão da fé e de seu império – a imposição da fé, do cristianismo, e imposição da
coroa portuguesa e suas diretrizes no solo africado através do mar, que se tornou um símbolo desse
processo escravocrata e da onde ressoavam gritos de dor, de submissão, de achatamento de princípios, fé,
costumes.
A segunda estrofe contextualiza um tempo de lamúrias do poema ao destacar a escravidão do
século 19, que embora tenha sido abolida, os “Negros” permaneciam ainda subjugados às suas fronteiras.
Retrata-se o mar com tom dramático através de suas ondas, que ecoam o sofrimento e luta dos
antepassados escravizados.
Mais a frente no soneto em questão, a valentia do português é exaltada em “Na tua voz eu ouço o
Branco bravo,/que semeou Portugal nestes recantos” em que entendemos o português sendo retratado como
alguém dotado de coragem, de bravura, colonizando a África (“nestes recantos africanos”), mas interpretamos
ainda um movimento também no sentido da existência de um intercâmbio cultural entre esses dois povos –
africanos e portugueses, como vemos em “semeou Portugal nesses recantos africanos”, além da questão da
exploração escravocrata. Enxergamos ainda a austeridade do colonizador ao ser caracterizado com o
adjetivo “bravo”. Ademais, o “Branco bravo”, ou seja, o português colonizador que empurrou goela abaixo dos
africanos seus interesses.
Além disso, na terceira estrofe há a indicção do “Branco bravo”, o colonizador, que “ainda” era
temido pelo povo africano, sendo o africano tido como “Negro escravo” ainda, mesmo após a abolição da
escravatura.
No trecho “regou com seu sangue e com seus prantos/a semente fecunda do Brasil”, depreendemos
o negro escravo que foi arrancado de sua terra natal e trazido para a América, para o Brasil, pois nosso país
era um destino dos povos escravizados e por isso se estabelecia uma ligação cultural com os povos africanos
e com seu labor emoldurado pelo seu esforço maçante, seu sangue, sua tristeza. Nessa perspectiva, pode-se
dizer inclusive que atualmente o Brasil é o país que tem mais descendentes negros fora do continente
africado, onde estamos e estaremos sempre ligados à cultura africana que está presente em nosso cotidiano.

Materiais consultados:

- Material Didático disponível na Plataforma.


- Geraldo Bessa Víctor; União dos Escritores Angolanos. Disponível em
https://www.ueangola.com/bio-quem/item/63-geraldo-bessa-v%C3%Adctor . Acesso em 26/03.
- Aires,Tiago. Tanto mundo de água para mudar o destino»: representação do mar na obra de Manuel Rui.
Disponível em https://www.citcem.org/encontro/pdf/new_02/TEXTO%20-%20Tiago%20Aires.pdf. Acesso em
26/03.
- Vargas, Nathalia Ferrarini. O mar mítico e sonante de Caymmi. Disponível em
http://repositorio.roca.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/8593/1/PB_COLET_2017_1_10.pdf. Acesso em 26/03

- Geraldo Bessa-Victor na Wikipédia. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Geraldo_Bessa-Victor .


Acesso em 26/03.

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