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Uma

HORTA
à mão
de semear

DECO PROTESTE DIGITAL


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Uma
HORTA
à mão
de semear

DECO PROTESTE DIGITAL


UMA HORTA À MÃO DE SEMEAR

Título do original: Mon Potager Sur Mesure – Techniques et inspirations


© 2016 Association des Consommateurs Test-Achats SCRL
Autor: Nicole Burette
Coordenação editorial: Muriel Hertens

Tradução: Cécile Rodrigues


Revisão técnica: Nuno Mota
Projeto gráfico, capa e paginação: Gonçalo Geirinhas
Formato digital: Alda Mota e Isabel Espírito Santo
Ilustrações: ThinkstockPhotos e Shutterstock
Redação e coordenação editorial: Mariana Sim-Sim David

Diretora e editora de publicações: Cláudia Maia


Coordenador dos guias práticos: João Mendes

© 2017 DECO PROTESTE, Editores, Lda.


Todos os direitos reservados por:
DECO PROTESTE, Editores, Lda.
Av. Eng. Arantes e Oliveira, 13
1900-221 LISBOA
Tel.: 218 410 800

Correio eletrónico: guias@deco.proteste.pt

1.ª edição: outubro de 2017


Versão digital: maio de 2019

Depósito legal n.º 427768/17


ISBN 978-989-737-090-8

Impressão: Agir
Rua Particular, Edifício Agir
Quinta de Santa Rosa
2680-458 CAMARATE

Esta edição respeita as normas do novo Acordo Ortográfico.

Esta publicação, no seu todo ou em parte, não pode ser reproduzida nem
transmitida por qualquer forma ou processo, eletrónico, mecânico ou
fotográfico, incluindo fotocópia, xerocópia ou gravação, sem autorização
prévia e escrita da editora.

deco.proteste.pt/guiaspraticos
Prefácio
É um prazer cozinhar os legumes que cultivamos com as nossas
próprias mãos, condimentar pratos com ervas aromáticas acabadas
de colher ou trincar frutos frescos que plantámos no nosso quintal.
O sabor daquilo que cultivamos e colhemos com as nossas mãos é
incomparável e este pequeno prazer está mesmo à mão de semear;
basta munir-se com algum equipamento e informação.

Neste livro encontrará conselhos, técnicas e fichas práticas indi-


viduais (repartidas entre ervas aromáticas, hortaliças e pequenos
frutos), dedicadas a cerca de cinco dezenas de espécies. Trata-se de
um manual prático, acessível para principiantes, mas útil também
para aqueles que já cultivam uma horta em casa. Destina-se tanto a
pessoas que dispõem de uma grande parcela de terra, como a quem
possui um pequeno canteiro, jardim, terraço, varanda ou apenas o
parapeito de uma janela.

Os temas são abordados de uma forma fácil, traduzindo de modo


pragmático todo o conhecimento científico que está subjacente
a cada assunto. Isto porque o nosso objetivo é que seja capaz de
maximizar a sua experiência enquanto hortelão amador e não
fornecer-lhe um compêndio técnico e teórico completo.

Se se sente tentado a abraçar as lides da horticultura; aventure-se!


O primeiro passo é querer. Deixe que este manual o guie nas etapas
seguintes, da escolha das plantas à composição dos seus pratos.
Pelo caminho, obterá ainda dicas sobre como organizar a horta, que
equipamento escolher, como identificar os diversos tipos de solo e
também o que fazer para os corrigir e enriquecer.

Do que está à espera para pôr as mãos na massa (e na terra)?


9 Porquê cultivar uma horta?

8 razões para pensar e madurar 10


Ideias feitas 13
Regras de ouro 17

21 Criar a sua horta

A localização 22
O formato 26
Passar à ação 40

59 Dicas úteis de jardinagem

Os elementos básicos 60
Abrigos para antecipar as culturas 75
A jardinagem bio 77

91 As aromáticas

Canteiros cheirosos 92
Tipos de ervas aromáticas 93
Onde plantar as ervas aromáticas? 94
A instalação 95
Plantar ou semear? 97
Em vasos: sim ou não? 98
As plantas aromáticas no inverno 98
Duas sugestões culinárias simples 100
Fichas de espécie 102
131 As hortaliças

Tipos de hortaliças e principais características 132


Fichas de espécie 138

205 Pequenos frutos

Regras de ouro para uma plantação (...) 206


Fichas de espécie 210

218 Glossário

220 Índices de espécies

Índice por nome comum 220


Índice por nome científico 222
Capítulo 1

Porquê cultivar
uma horta?
Uma HORTA à mão de semear

8 razões para
pensar e madurar
1
Qualidade e controlo
As vantagens de plantar hortaliças para consumo próprio em casa
são inúmeras e incluem a possibilidade de controlar a cadeia de
produção, servindo assim alimentos de qualidade a toda a família.
Tenha em conta que, para garantir esse nível de excelência, terá de
apostar em fertilizantes naturais e outros produtos inóquos para
a saúde e o ambiente.

2
Frescos mais frescos
Sabendo à partida que a riqueza nutricional das hortaliças (teor de
vitaminas, minerais, etc.) começa a diminuir assim que são arranca-
das da terra, o facto de poder colhê-las à medida das necessidades
permite preservar ao máximo os preciosos benefícios que trazem
para a saúde.

O cultivo de
hortaliças permite
enriquecer as suas
refeições com
produtos plenos de
cor, sabor e qualidade

10
Porquê cultivar uma horta?

3
Uma salada de sabores
Não há gosto como o das ervilhas, das alfaces ou do tomate que
planta com as suas mãos. Para além disso, numa pequena horta
poderá cultivar legumes das suas variedades preferidas, as quais são
por vezes difíceis de encontrar no comércio tradicional por serem
muito específicas ou pouco rentáveis. Há, por exemplo, mais de 500
variedades de tomate no mundo, um número que não tem compa-
ração possível com a reduzida seleção disponível no supermercado.

4
Mente sã em corpo são
Por si só, a jardinagem faz muito bem à saúde: trata-se de uma
atividade ao ar livre que permite ginasticar todos os músculos e
articulações (das mais volumosas, como as ancas ou os joelhos, às
mais pequenas, como os dedos). Apesar do exercício completo que
proporciona, é necessário poupar as costas, sobretudo em tarefas
como carregar pesos ou manusear utensílios de jardinagem.

Por outro lado, passar longas horas em harmonia com a natureza


traz também benefícios inegáveis no plano psicológico. É uma forma
de meditação muito saudável para a mente.

5
Folga para a carteira
Um quilo de tomate comprado no comércio de retalho pode custar
€ 1 ou € 2. Um molho de plantas de tomateiro vende-se num mercado
ou feira pelo mesmo valor. Depois de crescerem, estes tomateiros
permitem colher muitos quilos do fruto, durante várias semanas.
Para tratar de uma horta, terá de fazer um investimento inicial em
ferramentas, que acaba por ser rapidamente amortizado (consulte
mais detalhes sobre este tipo de utensílios no capítulo 3).

11
Uma HORTA à mão de semear

Segundo os cálculos de L. Halsall no livro Le Guide Marabout du


Carré Potager (2012, Marabout, Verviers – Bélgica), uma horta pode
influenciar de forma muito positiva o orçamento familiar de um
agregado de quatro membros. Se comprar frutos, legumes e aromá-
ticas no supermercado, ao fim de um ano esta família somará uma
despesa de cerca de € 1620: € 1490 em legumes, hortaliças e batatas;
€ 100 em pequenos frutos e € 30 em ervas aromáticas. Já se optar
por uma horta caseira, eis o orçamento anual de que necessitará:
€ 45 para sementes, € 56 para plantas e bolbos, € 15 para tubérculos
e/ou plantas de batata, € 15 para cultivo de pequenos frutos e € 20
para ervas aromáticas. No primeiro ano de vida da horta, este agre-
gado familiar terá ainda de investir cerca de € 350 em ferramentas e
utensílios. Feitas as contas, esta segunda opção tem um custo total
estimado de € 500 por ano, permitindo uma poupança de € 1120 face
à primeira alternativa.

A horticultura
beneficia a sua
carteira e o seu
bem-estar físico e
psíquico, entre outras
vantagens

6
Deleite e distração
Tratar de uma horta, ver os legumes plantados com as próprias
mãos a crescer dia após dia, colhê-los e apresentá-los à mesa depois
de confecionados são atividades que podem contribuir para uma
maior satisfação pessoal. Para além disso, os projetos de jardinagem
permitem envolver toda a família e cativam as crianças, que, de
uma forma geral, mostram entusiasmo quando neles são incluídas.

12
Porquê cultivar uma horta?

Pode ainda ser uma forma lúdica de as iniciar numa alimentação


saudável e variada, sobretudo se reservar um pequeno espaço ou
canteiro onde possam fazer as suas próprias experiências e plan-
tações. Um pequeno truque: forneça-lhes legumes que crescem
depressa, como rabanetes e alfaces.

7
Dar uma mãozinha ao ambiente
Consumir produtos colhidos na sua horta ajuda a proteger o ambiente.
Por um lado, contribui para economizar no transporte de frutos e
legumes de países distantes até aos vários pontos de comércio locais,
e por outro representa um esforço que faz para evitar ou até eliminar
totalmente o uso de produtos químicos nocivos no solo onde cultiva.

8
Poesia e nostalgia num canteiro
Um canteiro ou horta oferece um cenário ao mesmo tempo organizado
e bravio e aviva boas memórias de experiências de cultivo anteriores.

Ideias feitas
Rouba muito tempo
É verdade que criar uma horta com uma enorme variedade de
legumes e diversas épocas de plantação e colheita é um projeto
ambicioso, que pode exigir disponibilidade quase total.

Mas o caso muda de figura se optar por organizar a horta aos pou-
cos e lhe der uma dimensão em função do tempo que pode dedicar.

13
Uma HORTA à mão de semear

Planeie a frequência que devota à jardinagem de acordo com a sua


disponibilidade real: muito tempo todos os dias, um bocadinho dia-
riamente ou, de forma mais moderada, um dia por fim de semana.

Ponha de lado a ambição de cultivar “tudo” para impressionar


amigos e familiares; essa não é a melhor abordagem. Numa fase
inicial, exclua os legumes que não aprecia particularmente ou que
a família só consome pontualmente. Esqueça também a ideia de
fazer produções de grande escala, típicas dos tempos de crise ou
pós-guerra. Nada leva a crer que o excedente de tomate demasiada-
mente maduro ou as ervilhas ressequidas por ficarem muito tempo
na terra agradarão aos que lhe são próximos. Comece por plantar
apenas legumes que farão as delícias de todos e, se verificar que
esta atividade continua a ser uma fonte de prazer, vá enriquecendo
progressivamente a horta.

Explore técnicas de jardinagem que permitam poupar tempo. O


empalhamento do solo, ou mulching, que consiste em aplicar palha
ou uma cobertura vegetal seca entre plantações, é um exemplo de
procedimento que contribui para travar o crescimento de ervas
daninhas e reduzir significativamente o tempo de rega necessário.
Utilizar uma enxada para revolver a terra pode perturbar o desen-
volvimento de microrganismos no solo, para além de roubar mais

Numa fase
inicial, opte por
cultivar pequenas
quantidades das
espécies que mais
aprecia

14
Porquê cultivar uma horta?

tempo e energia. É preferível usar um ancinho, menos invasivo e


trabalhoso, para essa tarefa.

É impossível ter férias


É verdade que uma horta pode ser uma prisão se planeia estar fora
durante uma temporada como, por exemplo, as férias do verão, estação
em que muitos dos vegetais plantados na primavera amadurecem. Mas,
mais uma vez, tudo se resolve com uma boa organização. Encontre,
nas linhas que se seguem, algumas soluções que pode adotar.

• Utilize hortaliças que maturem em diferentes estações. Opte


por variedades tardias e precoces (em função da altura do ano
em que deseja fazer a colheita) das espécies que quer cultivar.

• Interrompa as plantações e sementeiras um mês antes da partida.

• Evite criar uma horta demasiado grande.

• Recorra a técnicas que ajudam a preservar a humidade da terra,


como o empalhamento do solo.

• Regue abundantemente na véspera da partida ou instale um


sistema de rega gota a gota.

• Peça a um vizinho que assegure os cuidados mínimos de que


as culturas necessitam, eventualmente oferecendo em troca
um convite para servir-se de alguns legumes ou frutos.

A terra é de má qualidade
Este é um argumento frequente, para o qual os especialistas têm uma
resposta pronta e clara: nenhum solo está eternamente condenado
a ser de má qualidade. Para contornar o problema, pode enriquecer
a terra recorrendo a produtos de compostagem, estrume ou adubos
verdes, entre outros, ou adicionar areia, turfa ou matéria orgânica

Na página seguinte: alfaces e ervas aromáticas são um bom ponto de


partida, já que, por norma, estão entre as espécies mais fáceis de cultivar

15
Uma HORTA à mão de semear

16
Porquê cultivar uma horta?

para corrigir a textura do solo. São raros os terrenos impossíveis


de tratar e há inúmeras soluções para a correção do solo. Se tem
dúvidas sobre como agir, peça uma análise da terra num serviço
agronómico – regra geral, estes exames são devolvidos com infor-
mações sobre os parâmetros padrão a atingir.

Desde que possuam um mínimo de sol e humidade, é possível trans-


formar quase todos os solos em hortas simpáticas.

Mesmo nos casos que parecem perdidos, bastará delimitar a área para
um ou vários canteiros e simplesmente preenchê-la com terra de boa
qualidade. Esta solução é menos “ecológica” do que corrigir o solo,
já que “importar” solo de outras paragens significa retirar potencial
produtivo a essas terras. Esteja ciente de que o solo é um bem precioso.
Os cientistas indicam que a taxa de formação do solo (ou pedogénese)
é muito lenta, sendo frequentemente referidos valores médios de 0,1
a 1,0 mm de espessura de solo criado naturalmente por ano.

Regras de ouro
Sentir satisfação
A sua plantação de hortaliças não sobreviverá se constituir uma fonte
de constrangimento ao invés de prazer. Dê, por isso, prioridade aos
legumes e plantas com que gosta de cozinhar. Cultive com o coração.
Se for um grande apreciador de tomate, plante múltiplas variedades
do fruto, e, se fizer questão de o consumir também no inverno, planeie
por forma a ter quantidade suficiente para congelação. Se tem alma
de colecionador de ervas aromáticas, siga esse instinto. Se adora a
ideia de ter uma horta porque a considera sobretudo um elemento
decorativo, dedique mais tempo a coisas que poderão embelezar o
espaço. Se aprecia contemplar os alimentos que usa nas saladas a
crescer, tente plantar a sua produção num local bem visível (perto
da janela da cozinha, por exemplo). Se gosta de passear ou saltitar
pelo jardim entre canteiros e plantações, coloque lajes no meio dos
talhões ou semeie os legumes de forma dispersa; deixe um trilho
livre para a imaginação e a criatividade!

17
Uma HORTA à mão de semear

De pequenino se faz o caminho


Ao conceber grandes projetos arrisca perder o interesse ou sobre-
carregar a família. Uma horta demasiado grande e trabalhosa para a
sua disponibilidade poderá transformar-se num encargo extra, que
obriga a passar longas horas a cuidar dos trilhos, a encher cestas
de colheita e a cozinhar soluções para conservar os excedentes
no tempo livre que sobra. Resumindo: estreie-se com uma horta
modesta ou mesmo mínima; só tem a ganhar. Comece, por exemplo,
por cultivar algumas ervas aromáticas, um ou dois tomateiros e
algumas alfaces. Ponha mãos à obra numa pequena superfície de
poucos metros quadrados ou compre uma horta elevada de 1 m2 (à
venda nas lojas da especialidade) para aprender a jardinar, treinar
e, eventualmente, desenvolver um projeto maior no ano seguinte.

À medida da disponibilidade
Planeie a sua horta em função do tempo que está disposto a dedicar-
-lhe. Considere recorrer a técnicas que rentabilizam da melhor forma
as tarefas de jardinagem.

Prática e de fácil acesso


Para que a horta seja uma fonte de satisfação, deve ser prática e
acessível em todos os sentidos. Em termos de localização, é conve-
niente que se encontre perto da cozinha (sobretudo se abundar em
ervas aromáticas, que são necessárias com frequência). Ao nível da
organização, tente fazê-la de forma a que todos os legumes sejam
fáceis de colher – plantando as espécies mais pequenas à frente, ou
separando as culturas em canteiros miúdos, ou ainda instalando
tábuas entre cada variedade, para que não tenha de sujar os sapatos
de cada vez que precisar de um ramo de salsa, por exemplo.

Assegure-se também que tem espaço de arrumação para guardar


por perto os utensílios que utiliza com maior frequência e, caso a
dimensão da horta ou dos legumes seja considerável, que o carrinho
de mão consegue circular e aceder a todos os cantos.

18
Porquê cultivar uma horta?

Questões que se deve colocar

• Onde posso fazer uma horta? • Se o espaço estiver exposto ao


vento, poderei fazer algum tipo
• De quanto espaço disponho de abrigo (como uma pequena
para cultivo? sebe) para o proteger?

• Quanto tempo tenho • Se a água tende a estagnar no


disponível? local onde planeio fazer a horta,
ser-me-á possível elevar as
• A horta é facilmente acessível? plantações ou colocá-las numa
parte mais alta do terreno?
• A exposição solar é suficiente?
As hortaliças costumam • Há um ponto de água por perto
apreciar espaços luminosos ou possibilidade de instalar
mas frescos e devem estar algum?
expostas ao sol durante, pelo
menos, metade do dia (de • Qual é o meu objetivo:
preferência de manhã). quero treinar as técnicas
de horticultura com alguns
• A qualidade da terra é produtos simples de cultivar;
satisfatória? O que posso fazer alimentar toda a família e ter
para enriquecê-la? excedentes (nomeadamente
para fazer conservas e
• Disponho de um espaço “à mão congelados) ou dispor de uma
de semear” onde possa arrumar grande variedade de ervas
os utensílios? aromáticas e condimentos
clássicos?
• Tenho área para, no futuro,
fazer novas plantações?

19
Capítulo 2

Criar a sua
horta
Uma HORTA à mão de semear

A localização
Na altura de escolher o local ideal para plantar, não perca de vista
alguns critérios, como a exposição solar ou a distância entre a horta
e a cozinha.

Ao sol
O sol é essencial para o bom desenvolvimento e o amadurecimento da
maioria das hortaliças, que precisam de uma longa exposição solar.
Com exceção de algumas variedades mais sensíveis que preferem
estar à sombra durante o período mais quente do dia, a maioria
precisa de seis a oito horas de sol diárias. Procure, por isso, plantar
numa zona soalheira, onde a luz incida sobretudo de manhã.

Para tirar o melhor partido do sol, siga as sugestões que lhe apre-
sentamos em seguida.

Contra muros ou paredes

Reserve um espaço junto de uma parede exposta ao sol para as horta-


liças características da dieta mediterrânica (como o pimento, o tomate,
a beringela e a curgete) e sobretudo para as ervas aromáticas. Esta
localização apresenta duas vantagens: por um lado, abriga as plan-
tações da agressão do vento e, por outro, do efeito das noites frias, já
que as paredes absorvem o calor durante o dia, libertando-o de noite.

Vasos para os mais ávidos de sol

Se plantar as hortaliças que precisam de muito sol em vasos, isso


permitir-lhe-á que os desloque durante o dia, mantendo a incidência
solar ao longo de toda a jornada. Neste caso, deve tomar atenção
também para não deixar a terra do vaso secar demasiado, pois esta
vai necessitar de regas mais frequentes. Dado o esforço requerido
(no transporte dos vasos e na rega suplementar), esta solução nem
sempre é possível.

22
Criar a sua horta

Uma seleção de hortaliças apropriada

Se o sol só bate no seu quintal durante três ou quatro horas por


dia, privilegie hortaliças que se contentem com menos. Três horas
de exposição solar são suficientes para a alface e o espinafre, mas é
melhor contar com quatro horas para a cenoura, a batata, a pastinaga
e a beterraba, entre outras.

A cenoura necessita
de cerca de quatro
horas de exposição
solar por dia

Próximo da cozinha
Antigamente era habitual instalar a horta longe da vista, mas hoje
a tendência inverteu-se, e as pequenas hortas integradas no jardim
estão na moda. Semear flores como capuchinhas, amores-perfeitos,
rosas ou lavandas no meio da horta ajuda a embelezá-la e também
a aproximá-la da cozinha, não apenas porque a valoriza enquanto
elemento estético, mas sobretudo porque é mais prático ter a alface,
o cebolinho ou o estragão por perto.

Muitas vezes não há como instalar toda a horta junto da cozinha,


mas pode sempre reservar um pequeno canteiro só para as ervas
aromáticas, de modo a tê-las à mão a qualquer momento e assim
consumi-las com toda a sua frescura. Além disso, são decorativas
e libertam aromas muito diferentes.

23
Uma HORTA à mão de semear

Água por perto


Nenhuma horta sobrevive sem umas generosas gotas de água. Se não
tiver uma torneira, um poço, uma mangueira ou um tanque de água
por perto para dar de beber a uma horta de dimensão considerável,
a rega pode rapidamente transformar-se num pesadelo. Verifique,
portanto, se dispõe de uma fonte de água ou se é possível instalar
uma perto do canteiro da horta. Poderá projetar um reservatório
para a recolha das águas pluviais, mas não é certo que essa fonte
seja suficiente, nomeadamente em períodos de seca.

Próximo de um abrigo
Para além da água, também as ferramentas, o saco de composto ou
as sementes, entre outros recursos úteis, devem situar-se nas proxi-
midades. É muito mais agradável dedicar-se às tarefas de jardinagem
se puder alcançar rapidamente o material, sobretudo se os utensílios
em questão forem pesados. Planeie um pequeno abrigo de jardim,
de preferência num local seco, para evitar que as ferramentas se
enferrujem e garantir que as sementes e os bolbos aí armazenados
se mantêm conservados em boas condições. Pondere ainda instalar
uma pequena mesa de trabalho junto deste abrigo, pois é útil, entre
outras situações, na altura das plantações e sementeiras. Caso não
disponha já de um pequeno abrigo de jardim, poderá encontrar
modelos fáceis de montar nas lojas da especialidade. Além disso, se
tiver queda para a bricolagem, considere pôr mãos à obra e construir
o seu próprio abrigo de jardim.

Longe de árvores e arruamentos


Evite instalar a horta perto de uma árvore de grande porte, para
que não fique à sombra e para que as raízes não entrem em con-
corrência direta com as hortaliças plantadas no solo. As planta-
ções junto de estradas ou ruas são também de evitar, por forma
a reduzir a exposição das culturas à poluição dos tubos de escape
dos automóveis.

24
Criar a sua horta

Em zonas inclinadas
Se o terreno disponível para as plantações não for totalmente plano,
não é caso para desesperar e começar a escavar a terra com uma
pá. Na verdade, ao contrário do que muitos defendem, uma horta
não tem de ser plana. A tendência atual é até a de instalar canteiros
em zonas com alguma inclinação.

Por isso, não se preocupe se o terreno for inclinado. Nos espaços


com estas características, as culturas acabam por tirar maior partido
dos raios solares e ficam mais abrigadas do vento. Caso se trate de
uma ribanceira, verifique se tem uma boa orientação solar (a sul),
para que as hortaliças não fiquem numa área à sombra.

Em terrenos especialmente íngremes, a eficácia da rega e da chuva


poderá ficar comprometida. Para evitar o escoamento rápido da
água e a lixiviação (perda de nutrientes) do solo em caso de chuva
torrencial, por exemplo, procure organizar as plantações em socalcos.

Os terrenos com
declive podem ser
um desafio, mas há
soluções alternativas
à sua escavação
ou preenchimento
com terra, como a
criação de socalcos,
tradicional na zona do
Douro

25
Uma HORTA à mão de semear

O formato
Quando se pensa numa horta, a primeira ideia que surge são as
formas quadradas ou retangulares, organizadas como uma pauta
de música, com filas de hortaliças intercaladas por caminhos de
passagem. É frequente dividir o terreno em duas ou quatro áreas,
demarcadas por uma ou duas passadeiras largas, construídas com
materiais rígidos. Esse é o tipo de disposição mais “clássico”.

O jardim de França

A utilização de produtos hortícolas nos jardins (Hortus conclusus)


remonta aos conventos da Idade Média. Já fruto de uma intervenção
renascentista, a região do vale do Loire, junto com os seus castelos,
é conhecida como “o jardim de França”, sendo Património Mundial da
UNESCO desde 2000. Dona de uma paisagem belíssima, é lá que se
localiza, entre outros, o castelo Villandry, conhecido por usar plantas
hortícolas nos canteiros formais do jardim (veja a foto). É um dos expoen-
tes máximos do uso da horta como jardim que se mantém até hoje.

Um canteiro de
couves convive em
harmonia com os
arbustos e sebes que
decoram os jardins
de Villandry

26
Criar a sua horta

Contudo, existem hoje vários tipos originais de hortas caseiras:


redondas, quadradas, instaladas em estruturas de verga, plantadas
em terrenos sobrelevados, em vasos suspensos, etc.

Em todo o caso, e porque uma horta deve ser, além de um espaço


útil, uma fonte de prazer, dê livre curso à sua imaginação e não
hesite em ir fazendo alterações ao longo do tempo e em função
do que vai aprendendo. Passemos em revista os diferentes forma-
tos de horta que é mais comum observar nos tempos que correm.
Evidentemente, nada o impede de criar outro formato que lhe seja
mais conveniente.

No jardim
Atualmente, a tendência é dar azo à criatividade e à experimentação,
por exemplo, transformando a horta num jardim.

Círculo

Trata-se de uma pequena parcela de horta com forma circular. As


plantações podem ser divididas em fatias ou organizadas segundo
a altura, com as mais altas no centro e as mais baixas junto do
rebordo. Como em qualquer terreno, as pequenas parcelas podem
ser delimitadas de modo a separar as diferentes culturas, mas esta
divisão não é indispensável.

A horta circular é um
formato original, que
garante fácil acesso às
culturas

27
Uma HORTA à mão de semear

Prós
Este formato traz um toque de originalidade aos relvados e garante
acesso facilitado às várias áreas do quintal sem ter de sujar os sapa-
tos ou obrigar ao uso de calçado apropriado para a jardinagem.
Trata-se de uma opção que permite ainda aceder às culturas sem
espezinhar a terra à volta.

Contras
O formato circular rouba bastante espaço, já que não aproveita
toda a área dos cantos. Para além disso, não é de fácil instalação,
sobretudo se pretender criar vários canteiros circulares no jardim.

Retângulo com passadeiras de madeira

Trata-se do formato clássico adotado em jardins de grandes dimen-


sões, com duas passadeiras centrais que se cruzam, dividindo a horta
em quatro talhões. As hortaliças são plantadas em filas paralelas e
podem ser alternadas com caminhos feitos de tábuas de madeira
pousadas, que permitem um acesso fácil às plantações sem pro-
vocar estragos.

A horta clássica
é o formato mais
favorável ao cultivo
de hortaliças em
grande quantidade

Prós
Este formato permite a produção de hortaliças em grandes quan-
tidades. É, na verdade, o mais eficaz quando se instala uma horta
com o intuito de preencher as necessidades alimentares da família.

28
Criar a sua horta

Contras
Se não forem instaladas passadeiras de madeira entre as filas
de hortaliças, torna-se necessário revolver regularmente a terra
espezinhada pelas passagens entre canteiros. Por outro lado, pode
ser difícil arranjar tábuas de madeira apropriadas, e estas podem
degradar-se rapidamente.

Quadrado

O conceito consiste em montar uma estrutura de madeira com a


forma de um quadrado e enchê-la com terra vegetal. Depois, a horta
é compartimentada em quadrados mais pequenos com a ajuda de
algumas ripas de madeira ou canas de bambu cortadas, que têm
de ser visíveis à superfície. A estrutura de madeira tanto pode ser
uma simples “moldura”, como algo mais robusto (com um fundo e
paredes), uma solução mais prática caso a ideia seja instalar a horta
em espaços cujo chão não seja de terra.

Este formato permite


cultivar uma grande
variedade num
espaço pequeno,
mas não se adequa a
algumas espécies

Prós
Por ser fácil de instalar, esta estrutura é muito adequada para prin-
cipiantes e prática para quem pretende cultivar ervas aromáticas
perto da cozinha, por exemplo. Se se plantar um tipo diferente de
hortaliça em cada compartimento, o resultado final será uma grande
variedade de produtos, num espaço diminuto e de fácil acesso.

29
Uma HORTA à mão de semear

Contras
Se usar este formato com fundo, pode limitar muito a profundidade
da terra, o que leva a que não seja adequado para todas as hortaliças.
A solução é construir ou adquirir uma estrutura mais alta ou sem
fundo e preenchê-la com terra vegetal. Instalar vários canteiros
deste tipo é uma opção que, muitas vezes, acaba por sair cara.

Estrutura com pés

Trata-se de uma floreira ou uma jardineira de formato semelhante


ao canteiro quadrado, mas cuja estrutura se apoia sobre pés, o que
possibilita elevar as culturas à altura dos utilizadores.

As estruturas com pés


são mais confortáveis,
pois permitem
jardinar sem que
tenha de se curvar

Prós
É útil, sobretudo, em pequenos quintais citadinos. Permite realizar
os trabalhos de jardinagem sem ter de se dobrar, o que se torna
mais confortável e particularmente vantajoso para pessoas de idade
avançada ou com problemas de costas ou joelhos, por exemplo.
Apresenta ainda a vantagem de ser mais transportável do que uma
horta quadrada clássica, já que é mais fácil de mudar de sítio, e
permite que as hortaliças tirem melhor partido do sol e do calor.

30
Criar a sua horta

Contras
Esta opção pode ter um custo mais elevado do que se optar por
uma horta no solo. Poderá adquirir uma solução prefabricada ou
construí-la ao seu gosto. Se for esse o caso, deve instalar um sis-
tema de isolamento e drenagem no fundo da estrutura, para que a
água não estagne nem escoe depressa de mais. É ainda necessário
fertilizar e arejar a terra de vez em quando.

Canteiros sobrelevados

Esta opção consiste em fazer pequenos talhões sobre montículos de


dimensão variável e à medida das necessidades. O solo que rodeia
as plantações nestes canteiros deve ser revestido com palha.

Prós
Este método é útil em solos pesados e mal drenados, pois permite
cultivar plantas que não se desenvolvem bem com as raízes sub-
mersas. A palha em redor reduz os cuidados a ter com a eliminação
de ervas daninhas e outras tarefas de manutenção, e a altura dos
canteiros pode contribuir para tornar os trabalhos de jardinagem
mais confortáveis. Permite ainda dispor de plantações com melhor
exposição solar e mais abrigadas do vento.

Os canteiros
sobrelevados são
montículos de terra
de dimensão variável,
que facilitam a
drenagem do solo

31
Uma HORTA à mão de semear

Contras
Instalar canteiros sobrelevados requer algum trabalho. Para além
disso, podem revelar-se algo inestéticos nalguns jardins ou quintais.

Pequeno jardim de cidade

Trata-se de uma fórmula intermédia entre uma verdadeira horta


plantada na terra e uma cultura de plantas num espaço reduzido
(em floreiras ou vasos numa varanda, por exemplo). Permite obter
uma produção de hortaliças capaz de rivalizar com a de uma horta,
mas num espaço bastante mais reduzido. Assim, a regra é aproveitar
a área disponível e explorar várias formas, consoante as possibili-
dades: cultivo na própria terra (caso seja possível); hortas verticais
nas paredes livres; plantações em vasos de vários tamanhos ou em
sacos de plástico de cultura; tabuleiros quadrados nos solos rígidos;
hortas suspensas ou com espécies trepadeiras sobre pérgulas e
gradeamentos, etc.

Este jardim consiste


numa combinação
de vários formatos,
onde a regra de ouro
é aproveitar o espaço
disponível da melhor
forma

Prós
Estes pequenos logradouros ou jardins de cidade protegidos por
paredes são, geralmente, muito abrigados do vento. Poderá tirar
partido da orientação do seu jardim em termos de luz e de tempe-
ratura, escolhendo as espécies que melhor se adaptam. A berin-
gela, o tomate e o morango, por exemplo, dão-se melhor em hortas
orientadas a sul. Já a alface e a couve preferem espaços orientados
a norte ou a leste.

32
Criar a sua horta

Contras
Pequenos espaços muito expostos e abrigados poderão atingir tem-
peraturas elevadas no verão. Por outro lado, se estiverem expos-
tos a norte, ou rodeados por prédios ou paredes altas, podem ser
demasiado frescos e ter pouca luz, ou poucas horas de sol direto. Há
também que ter o cuidado de não multiplicar formatos de cultivo
e espécies hortícolas em excesso, pois corre-se o risco de transfor-
mar o quintal numa selva. É importante não dar o “monopólio” do
terreno às hortaliças e reservar um espaço mais tranquilo onde a
família possa sentar-se e usufruir de um ambiente calmo.

Num telhado, terraço ou varanda


Sonha cultivar hortaliças, mas só dispõe de um pequeno espaço, como
uma varanda ou uma parcela de telhado/terraço acessível a partir da
janela do seu quarto? Saiba que até numa pequeníssima varanda é
perfeitamente possível cultivar algumas espécies! Há cada vez mais
pessoas a aventurarem-se, com sucesso, neste tipo de “empreitada”,
nomeadamente em plena cidade. Estas experiências revelam-se muito
satisfatórias, mesmo sabendo de antemão que geram uma produção
bastante mais modesta do que o cultivo direto na terra.

Em vasos

Se não há nenhuma parcela de terra no jardim, porque não experi-


mentar o cultivo em vários vasos? Poderá utilizar mais ou menos
vasos, em função do espaço disponível, e escolhê-los em diferen-
tes tamanhos, consoante a quantidade que pretende produzir e as
necessidades específicas de cada espécie. É preciso ter em conta que
estas diferem um pouco das necessidades que apresentam quando
são cultivadas em extensões mais vastas de terra. Entre outras
exigências, as plantas em vasos costumam precisar de mais rega e
menor exposição ao sol.

Para quem vive numa casa sem varandas, uma alternativa possível é
fazer culturas minimalistas de flores, ervas aromáticas e hortaliças
num ou vários vasos e fixá-los nos parapeitos das janelas. Nesses
casos, é mais aconselhável escolher espécies que ocupem pouco
espaço e que possam estar juntas umas das outras. Outra boa prática

33
Uma HORTA à mão de semear

é associar plantas com necessidades comparáveis em termos de


rega e de tipo de terra (mais informação sobre os diferentes solos a
partir da página 44). Esta solução com vasos também é compatível
e aplicável em telhados planos e esteticamente desinteressantes.

O cultivo em
vasos é ideal para
espaços pequenos e
desprovidos de um
canteiro de terra

Prós
O cultivo em vasos é uma ótima solução para quem não dispõe
de um jardim. Selecionar hortaliças decorativas (como o tomate, a
beringela em miniatura ou a pimenta-malagueta) e misturá-las com
tipos de flores compatíveis (por exemplo, neste caso, com dálias,
capuchinhas e tagetes), permite compor quadros com belas cores.
Outra opção é plantar espécies comuns, de dimensão normal, em
vasos que a elas se adequem. Face às hortas clássicas, este modo de
cultivo é menos trabalhoso em tarefas de manutenção tais como
remover as ervas daninhas, e também mais flexível, pois permite
multiplicar e associar variedades de produtos facilmente. Para
além disso, quando o frio chega, é possível recolher os vasos para
dentro de casa ou abrigá-los numa estufa, o que permite usufruir
das culturas por mais tempo.

Contras
Cultivar em vasos gera colheitas menos fartas e dificilmente per-
mite obter uma produção que alimente a família durante todo
o ano. É uma opção que visa sobretudo proporcionar pequenos

34
Criar a sua horta

prazeres ocasionais e partilhá-los com os amigos. Também a esco-


lha de espécies fica algo limitada, dado que este tipo de cultivo é
sobretudo conveniente para plantas com raízes pouco profundas
(tomate, alface, morango, salsa, tomilho, manjericão, etc.). As plantas
que requeiram uma maior quantidade de terra, como o pepino ou
a abóbora, poderão não ser indicadas para varandas, porque exi-
gem vasos muito grandes e pesados. Este tipo de horta necessita
de regas mais frequentes, porque a terra nos vasos tende a secar
mais depressa. Poderá ser útil montar um sistema automático de
rega gota a gota (muito fácil de instalar, consiste num tubo tipo
mangueira com gotejadores integrados e que passa pelos vários
vasos, debitando gotas de água em cada um de acordo com um
programador elétrico ou a pilhas).

A horta vertical

Consiste em fazer as plantações em altura, sobrepondo floreiras


ou jardineiras na parede, em estantes ou cestos suspensos, por
exemplo. Há cada vez mais soluções para este tipo de plantação e
a preços muito variados: módulos empilháveis de madeira ou de
plástico, colunas para plantações, jardineiras verticais que podem
ser suspensas ou estruturas compartimentadas para fixar na parede.

A horta vertical quase


não rouba espaço
ao chão e embeleza
qualquer parede livre

35
Uma HORTA à mão de semear

Usar uma palete é uma boa ideia para cultivar plantas aromáticas
ou algumas alfaces, por exemplo. Fixe-a na vertical, com o fundo
contra a parede. Pregue uma tábua dentro da palete para a com-
partimentar, revista os espaços com uma tela geotêxtil, que poderá
adquirir em lojas da especialidade, e preencha-a com terra fértil/
substrato. Para dar um toque decorativo à estrutura, pode sempre
aplicar umas pinceladas de cor na face visível das tábuas e escrever
o nome das plantas, por exemplo.

Prós
Muito na moda, esta forma de cultivo é uma ótima solução para
quem tem pouco espaço no chão mas dispõe de uma parede livre.
Existe uma vasta gama de materiais e produtos de bricolagem que
ajudam a transformar qualquer varanda ou terraço num elemento
decorativo, sobretudo se se combinar o cultivo de hortaliças com
o de flores que sejam compatíveis (como capuchinhas, tagetes,
petúnias, etc.).

Contras
Tendo em conta a profundidade limitada deste tipo de floreiras ou
jardineiras, não se trata da solução mais adequada para todas as
espécies. Deve privilegiar aquelas que crescem depressa, têm raízes
menos profundas e ocupam pouco espaço, como a alface, a cenoura
e a curgete em miniatura, o rabanete, o morango (oferece uma pro-
dução mais limitada, mas duradoura) ou ainda pequenas plantas
aromáticas, como a salsa, o cebolinho, o tomilho, o manjericão e os
orégãos. Neste tipo de plantação, a rega tem de acontecer com maior
regularidade, pois a terra tende a secar mais depressa em vasos e
floreiras. Note que estas pequenas hortas verticais não se dão bem
em qualquer parede. Escolha uma que goze de boa exposição solar.

Os sacos de cultivo

Estes sacos devem ser pousados no chão com os pequenos furos


virados para cima. Neles poderá plantar espécies como a alface,
o morango ou a salsa. Também é possível cortar o saco de modo
a obter duas metades verticais, as quais são compatíveis com o
cultivo de cenoura ou de outras hortaliças de raiz que requeiram
mais espaço.

36
Criar a sua horta

Embora pouco
estéticos, os sacos
de cultivo são das
soluções mais
práticas e baratas

Prós
Esta opção sai mais barata do que cultivar em vasos e é também
mais simples, pois dispensa qualquer tipo de manutenção. É ideal
para principiantes em busca de uma atividade lúdica, mais do que
propriamente para obter colheitas abundantes. Os sacos de cul-
tivo mantêm um bom nível de humidade sem necessitar de regas
constantes. Há que ter cuidado para não exagerar na quantidade
de água e assim evitar que esta estagne no saco.

Contras
Os sacos de cultivo são sobretudo adequados para hortaliças que
não requeiram grandes exigências, com raízes pouco profundas e
que seja possível colher facilmente. Do ponto de vista estético, esta
solução não é propriamente apelativa.

A torre de batatas

Este é um modo muito simples de cultivo, específico para a batata.


Para o pôr em prática, é necessário um recipiente vertical, cilíndrico
ou quadrado, que deverá ser preenchido com camadas sucessivas
e pode ser instalado em qualquer lugar – inclusive numa varanda.
No início da primavera, preencha o fundo com uma camada de
terra e plante aí algumas batatas. Quando a folhagem atingir cerca
de 15 centímetros, volte a cobrir com terra, de modo a deixar as
extremidades dos raminhos à vista. A partir dos ramos enterra-
dos desenvolver-se-ão novos tubérculos – ou seja, mais batatas.

37
Uma HORTA à mão de semear

Repita esta operação ao longo de toda a primavera, aumentando


progressivamente o nível de terra. No fim do verão, quando as folhas
começarem a ficar amareladas, é sinal de que pode colher as batatas.
As batatas de variedades tardias são mais aconselháveis para este
tipo de cultivo, porque desenvolvem novos tubérculos durante um
período mais longo do que as variedades precoces.

A torre de batatas
pode ser cultivada
em recipientes de
materiais e formas
diversos, como por
exemplo sacos de
cultivo

Prós
Trata-se de uma forma de cultivo ideal para principiantes e pessoas
que disponham de pouco espaço. A produção destas torres está
longe de ser modesta: cada uma gera 10 a 20 quilos de batatas. Nas
lojas da especialidade é possível encontrar torres feitas de materiais
variados, como madeira, verga e pedra natural. Também pode criar
estruturas mais simples, como uma torre formada por três pneus
sobrepostos, um cilindro feito de arame ou simplesmente um saco
de composto, previamente furado no fundo.

Contras
Estas estruturas nem sempre são agradáveis à vista. De resto, não
apresentam grandes inconvenientes – a menos que se pretenda
produzir o suficiente para alimentar a família durante todo o ano,
o que implicará instalar três ou quatro torres deste tipo.

38
Criar a sua horta

No interior e sem terra

Se não dispuser de um jardim, de um pequeno pátio ou varanda,


não há razão para desistir de criar uma horta caseira. É sempre
possível cultivar algumas plantas aromáticas, alface ou até tomate
em miniatura instalando uma jardineira no parapeito de uma janela.

Existe outro método, denominado windowfarm – um sistema de


cultivo urbano desenvolvido no ano de 2009 em prédios de grande
altitude em Nova Iorque. Este invento tratou-se, antes de mais, de
uma criação artística e, embora continue a ser um método de cultivo
pouco divulgado entre nós, tem ganho adeptos junto de alguns
moradores de prédios nas grandes cidades. Para criar o windowfarm,
a americana Britta Riley partiu do princípio de que, mesmo que não
se disponha de uma pequena parcela de terra, tudo pode crescer
em casa, desde que esta goze de uma boa exposição solar.

Na verdade, trata-se de uma espécie de horta vertical, montada com


pequenos recipientes suspensos ao longo de uma janela (para os
mais ecologistas, estes recetáculos podem ser feitos reutilizando
garrafas de plástico, por exemplo). Cada recipiente destina-se a uma
espécie diferente e é alimentado por um líquido nutritivo, que passa
através dos vários vasos ou potes graças a um sistema de bomba
de ar. Este método ecológico de cultivo urbano está muito em voga
e já conquistou uma verdadeira comunidade de adeptos que se
renderam aos seus bons resultados.

Usar embalagens
recicladas como vasos
constitui uma das
formas possíveis de
criar uma horta no
parapeito de uma
janela

39
Uma HORTA à mão de semear

Embora o princípio da windowfarm seja relativamente simples de


perceber, não é fácil explicá-lo. Se deseja experimentar ou saber
mais sobre este sistema, saiba que:

– existem kits completos à venda para instalar uma windowfarm


(incluem estrutura vertical com potes e com uma bomba de ar
integrada);
– caso pretenda montar um sistema destes com as suas próprias
mãos, encontrará na internet tutoriais bastante fáceis de aplicar
que o guiarão nesta empreitada.

Prós
É uma forma muito original de expor as hortaliças e de dispor de
um sistema quase automático de produção biológica.

Contras
Fabricar um sistema deste tipo é algo trabalhoso, e os kits à venda
não são propriamente baratos. Para além disso, este sistema não
é compatível com alguns produtos hortícolas que necessitam de
muita terra para se desenvolverem.

Passar à ação
Depois de escolher a localização e o formato ideal para a sua horta,
chega o momento de passar das ideias aos atos: munir-se de uma
boa terra, solta e fértil, para que as hortaliças possam usufruir das
melhores condições.

A preparação do solo
Instalar uma horta num terreno onde exista um prado ou relvado,
num terreno baldio ou com depósitos de terra de má qualidade após
umas obras, por exemplo, não é tarefa fácil. Por outro lado, criar
uma horta de raiz não é complicado, e são raras as situações em

40
Criar a sua horta

que tal é mesmo impossível. Trata-se de uma boa notícia, já que a


probabilidade de herdar uma horta com terra de boa qualidade e
pronta a usar é mínima.

Terrenos com
características
específicas, como
relvados e baldios,
necessitam de
preparação antes de
acomodar uma horta

Um solo virgem

Se decidir fazer plantações em vasos ou numa horta pequena, terá


a vantagem de poder preenchê-los à partida com a terra mais ade-
quada. Já se optar pela permacultura (cujos princípios promovem
a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em
equilíbrio e harmonia com a natureza), a terra virgem não será
uma preocupação, porque este tipo de horta ecológica aproveita
toda a terra existente. Se, pelo contrário, pretender criar uma horta
num terreno delimitado, eis como deve proceder nos diferentes
cenários e condições.

1. Sobre um relvado ou um prado existente. Por vezes, pensamos


que é simples, mas erradicar totalmente a relva e as raízes do relvado
para instalar um canteiro para cultivo de hortaliças é das tarefas
mais complicadas.

Eliminar a camada de relva. O primeiro reflexo é remover a camada


de relva por faixas; trata-se de um método muito trabalhoso e por
isso não o aconselhamos. Para além de correr o risco de ver as ervas
daninhas a desenvolverem-se novamente, estará a remover a camada
de terra mais rica em húmus. Contudo, se pretende instalar uma

41
Uma HORTA à mão de semear

horta pequena ao nível do solo, cave um buraco com 20 a 30 centí-


metros de profundidade e encha-o com terra especial para hortas
ou com uma mistura de composto com a terra de origem.

Mais simples: uma camada de cartão. Neste caso, em vez de desbas-


tar a camada superficial de relvado, pode abafá-la de forma ecoló-
gica. Cubra com cartão toda a área que escolheu para as plantações
(usando caixas velhas de cartão rígido, por exemplo), de forma a
que os pedaços de cartão fiquem bem sobrepostos. Para impedir
que o cartão levante voo e melhorar um pouco o aspeto estético,
coloque algumas pedras e cubra tudo com uma boa camada (de 10 a
15 centímetros de altura) de aparas de relva. Depois, terá de aguardar
algum tempo – conte com três meses, no mínimo. Quando levantar
o cartão, descobrirá que toda a relva desapareceu.

Truque: uma lona para piscina ou um tapete velho. Para abafar a


relva, pode também cobri-la com um tapete antigo ou uma lona para
tapar piscinas. Deixe passar algum tempo (no mínimo, três meses)
e vá desenrolando a lona ou o tapete à medida que for cultivando
o terreno. Descobrirá uma terra de boa qualidade, proporcionada
pelo trabalho das minhocas que entretanto se desenvolveram.

2. Num terreno danificado por trabalhos de construção. Criar


uma horta no prolongamento de uma moradia acabada de cons-
truir é uma ideia de sonho. Porém, nos locais que recebem este tipo
de trabalhos é frequente encontrar terra muito compacta ou com
restos de materiais de construção, ou seja, normalmente imprópria
para acolher uma horta.

Instalar um ou vários canteiros em estruturas de madeira é uma


solução viável para os primeiros tempos. Encha os canteiros com
terra e pode começar a cultivar! Semeie relva no espaço restante e
deixe que o tempo faça o seu trabalho.

3. Num terreno baldio. As ervas daninhas que invadem o terreno


parecem indomáveis e impossíveis de arrancar com uma enxada, mas
pode resolver o problema com a ajuda de algumas técnicas simples.

Triturar e empalhar (mulching). A solução que recomendamos


consiste em cortar, ceifar e triturar toda a vegetação selvagem e
espalhar uma boa camada sobre o terreno que pretende usar para
as plantações. Para além de abafar as ervas daninhas, contribuirá

42
Criar a sua horta

para nutrir o terreno. Procure realizar esta operação no verão, para


que o terreno fique pronto no ano seguinte.

Em canteiros sobrelevados. Plantar em montículos é outra opção


viável, sobretudo para quem quer dispor de pequenas parcelas de
terra cultivável no imediato. Neste caso, deverá munir-se de terra
de boa qualidade para criar os montículos. Espalhe a mistura de
resíduos e de vegetação cortados à volta dos seus canteiros para
manter os caminhos e os acessos limpos.

4. Alternativas todo-o-terreno. Há soluções à altura de todos os


solos, mesmo dos mais difíceis de cultivar.

Fazer um canteiro com fardos de palha, por exemplo, é uma boa


solução para quem tem facilidade em arranjar alguns fardos de palha
retangulares e dá bons resultados em solos dificilmente cultiváveis.

Disponha os fardos de modo a formar um retângulo vazio no cen-


tro. Tome as seguintes dimensões como referência para esta área:
comprimento equivalente a dois ou três fardos e largura de um
fardo. Encha o fundo do retângulo com terra (30 a 40 centímetros
de altura são suficientes), e está pronto a plantar!

Este é um paraíso para as hortaliças, que assim ficam abrigadas dos


roedores, das lesmas e do vento e podem usufruir de um microclima
ligeiramente mais quente. Este tipo de estrutura só funciona por um
ano, porque a palha tende a perder volume e a desfazer-se. Quando
isso acontecer, bastará espalhar tudo para passar a dispor de uma
terra de excelente qualidade.

Uma terra de boa qualidade

As hortaliças apreciam boa terra, ou seja, com profundidade, rica


em nutrientes, sem pedras e que não fique rapidamente ressequida
nem demasiado encharcada. É a chamada terra “franca”, a preferida
dos jardineiros.

Se dispõe de um solo perfeito à partida, tanto melhor. Se não for


esse o caso, não desespere, pois são raras as situações sem solução:
é quase sempre possível corrigir o solo em termos de textura e
riqueza. Adicionar areia ou turfa ajuda a aligeirar solos de textura

43
Uma HORTA à mão de semear

muito compacta, ao passo que acrescentar argila contribui para


tornar mais compactos os terrenos demasiado ligeiros. Já o com-
posto fertilizante ou o estrume enriquecem qualquer tipo de solo. O
ideal é adicionar uma dose todos os anos, de preferência no outono,
para que a terra tenha tempo de assimilar os elementos nutritivos
e assim evitar a acidez excessiva.

Independentemente da natureza do solo da sua futura horta, será


seguramente vantajoso se, antes de começar a plantar, misturar
composto fertilizante na terra de origem e a deixar repousar durante
alguns meses. É aconselhável fazer este tratamento antes do inverno
para poder começar a plantar na primavera.

1. Os quatro tipos de solo. As informações que se seguem são noções


elementares que qualquer pessoa que tome gosto pela jardinagem
deve ter e que ajudam a compreender alguns termos e expressões
da “gíria”, nomeadamente o significado de dizer que:
– o tomate ou o pepino crescem melhor em terrenos ácidos, ao
contrário de outras hortaliças;
– quase todas as hortaliças se dão bem em terra franca;
– uma terra preta, naturalmente muito rica, normalmente não exige
a adição de composto ou estrume.

Neste livro propomos a classificação do solo em quatro tipos distin-


tos: argiloso, arenoso, calcário e humífero. Tal como o nome indica,
cada um desses solos contém uma mistura de areia, argila, calcário e
húmus. Aquilo que os diferencia é a proporção em que estas quatro
substâncias se concentram.

Solo argiloso. Tem uma coloração cinza-amarelada ou avermelhada,


é lamacento no inverno e tende a ficar muito rígido e quebradiço
no verão.

• Pontos fortes: é um terreno fértil e que se mantém relativa-


mente fresco no verão.

• Pontos fracos: é mais difícil de trabalhar, sobretudo no verão,


quando fica muito ressequido e endurece, tornando-se prati-
camente impermeável e acumulando demasiada água quando
chove. Adicionar composto ou estrume ajuda a tornar este tipo
de solo mais “solto”. Se a terra for excessivamente argilosa, pode
ser tratada com cal.

44
Criar a sua horta

Conheça as
características dos
diferentes tipos
de solo

• Hortaliças que o apreciam: alcachofra, brócolos, couve, tomate,


espinafre, feijão-verde e ervilha, entre outros.

• Hortaliças que não o apreciam: todas as hortaliças que se desen-


volvem debaixo do solo – como a cenoura, a pastinaga ou a
batata – não se dão bem nestes solos “asfixiantes”.

Solo arenoso. Distingue-se pela grande leveza. Trata-se de um ter-


reno com boa drenagem, mas pobre, porque perde os nutrientes
mais rapidamente.

• Pontos fortes: é fácil de trabalhar e aquece depressa na prima-


vera – ideal para as hortaliças temporãs, também chamadas
"primores" (variedades que se desenvolvem mais rápido e que
produzem antes do tempo).

• Pontos fracos: deve ser regado e enriquecido com fertilizantes


periodicamente. Os solos arenosos exigem um tratamento regu-
lar (no mínimo uma vez por ano, a cada outono) com composto
fertilizante de boa qualidade, estrume, etc. O empalhamento
também é útil porque ajuda a manter a humidade.

• Hortaliças que o apreciam: as hortaliças de raiz, ou caules sub-


terrâneos (como a cenoura, a batata, o nabo, o rabanete e o
aipo, por exemplo), crescem de forma harmoniosa neste tipo de
terreno leve. É também indicado para espécies como o espargo,

45
Uma HORTA à mão de semear

o alho, a chalota, o feijão, o morango, a alface, o cebolinho, o


estragão e os coentros.

• Hortaliças que não o apreciam: todas as espécies que se dão


bem em terra fértil podem crescer neste tipo de solo, desde que
seja adicionada uma boa matéria orgânica ou um composto
fertilizante de boa qualidade à terra de origem.

Solo calcário. Tem uma cor esbranquiçada característica. Embora


seja leve como o solo arenoso, retém melhor os nutrientes, o que o
torna mais “apetitoso” para as hortaliças.

• Pontos fortes: aquece depressa na primavera, podendo ser


semeado mais cedo do que os restantes solos. Além disso, é
relativamente fértil, já que o calcário favorece a decomposição
das matérias orgânicas.

• Pontos fracos: esta terra friável abre fendas com facilidade


e, frequentemente, contém pedras. Uma vez que retém mal
a água, este tipo de solo deve ser regado com frequência e
enriquecido anualmente com matéria orgânica perfeitamente
decomposta.

• Hortaliças que o apreciam: a maioria das plantas aromáti-


cas, assim como as hortaliças de raiz, ou caules subterrâneos
(cenoura, rabanete, batata, etc.), a couve, a chalota, o alho, o
feijão, a ervilha e a alface, entre outros.

• Hortaliças que não o apreciam: as mais “gulosas” em termos


de nutrientes, como a abóbora (veja a página 138), a beringela
(página 156), as couves (página 170) e o tomate (página 202).

Solo humífero (geralmente ácido). Distingue-se por ser muito escuro,


quase preto. Este solo parece perfeito pela sua textura grumosa e
riqueza em nutrientes. Além disso, aquece depressa na primavera e
absorve bem a água, podendo assim suprir perfeitamente as neces-
sidades de todas as plantas.

• Pontos fortes: as plantas “gulosas”, mais exigentes em termos


de nutrientes, desenvolvem-se bem neste tipo de solo e, se a
acidez não for excessiva, é ideal para a maioria das hortaliças,
tornando-as até mais saborosas.

46
Criar a sua horta

• Pontos fracos: adquire acidez excessiva com facilidade, o que


trava a assimilação de certos nutrientes em algumas plantas.
Por norma, dispensa a adição de matéria orgânica. Em caso de
acidez excessiva, esta pode ser corrigida adicionando cinzas.

• Hortaliças que o apreciam: as cucurbitáceas (como a curgete


e a abóbora), assim como o pimento, a beringela e o pepino,
sentem-se "como peixes na água" neste tipo de solo, ideal para
o seu bom crescimento. Desde que não apresente níveis exces-
sivos de acidez, também é ideal para o cultivo de alho-francês,
tomate, aipo e batata.

• Hortaliças que não o apreciam: todas as que não exijam solos


ricos em nutrientes ou que não apreciem solos ácidos, como
algumas plantas aromáticas mediterrânicas (os orégãos ou o
tomilho, por exemplo).

2. Terra franca: o compromisso perfeito. Todos os solos são uma


mistura de vários elementos. Uma terra franca apresenta um bom
equilíbrio entre esses elementos, na dose certa: cerca de 65 por cento
de areia, 20 por cento de argila, 10 por cento de calcário e 5 por cento
de húmus. É a terra de cultivo ideal para todas as hortaliças, mas
é raro encontrá-la.

3. A análise do solo. É muito provável que consiga ter uma ideia


sobre a natureza de um solo através da sua simples observação.
Pegue num punhado de terra e analise-a:
– se se colar à mão e for pedregosa e esbranquiçada, trata-se de
terra calcária;
– se for facilmente moldável com a mão e mantiver a forma quando
a deixa cair sobre uma superfície dura, é argilosa;
– se a terra for arenosa, terá uma cor acinzentada, desfaz-se na mão
e escorrega entre os dedos;
– se se tratar de terra humífera, será escura e fácil de compactar na
mão, mas parte-se em torrões quando cai no chão.

É aconselhável dedicar algum tempo e meios à análise cuidada do solo.


O método é simples e contribui para evitar que enriqueça a terra com
substâncias que esta já contenha e que, por isso, são desnecessárias.
Em Portugal, poderá pedir uma análise pedológica num serviço de
apoio agronómico e solicitar uma análise de terra e indicações sobre
o respetivo modo de correção.

47
Uma HORTA à mão de semear

Tratar o solo com


antecedência é a
chave para o sucesso
das suas plantações
e colheitas no ano
seguinte

Preparar o solo no outono

Se pretende avançar com um projeto de horta, lembre-se de que é


importante preparar o solo no outono anterior. Na verdade, o mais
provável é que tenha de fazer algumas correções à terra, por forma
a melhorar a sua textura e/ou a enriquecê-la. Tratar previamente
o terreno no outono permite que a terra goze do tempo necessário
para assimilar as substâncias nutritivas que lhe adicionar, sem as
quais arriscaria ter excesso de acidez. Para além disso, na estação
seguinte, as geadas do inverno ajudam a desfazer os torrões e con-
tribuem para tornar o solo mais leve e solto. Este procedimento
não é, obviamente, necessário caso opte por instalar uma horta
pequena e a encha com substrato pronto a usar.

Algumas sugestões
Já nos debruçámos sobre os vários formatos de horta e as diferen-
tes técnicas de cultivo. Agora contemplemos mais alguns detalhes
técnicos e explicações complementares que contribuirão para o
maior sucesso da sua horta.

Como se deve preparar?

A preparação do espaço e a compra de utensílios são o ponto de


partida para obter os melhores resultados.

48
Criar a sua horta

Um corta-relva e um carrinho de mão. Não se esqueça de reservar


espaço para circular com o carrinho de mão ou o corta-relva. Tenha
sempre esta regra em mente, inclusive em cenários específicos, como
a instalação de canteiros para a sua horta ou a criação de caminhos
junto a uma sebe ou a um abrigo de jardim.

Um acesso fácil às hortaliças. Independentemente do tipo de horta


(clássica, circular, quadrada, etc.), lembre-se de que precisará de lhe
aceder regularmente, seja por questões de manutenção ou para
colher algumas ervas aromáticas e hortaliças à medida das neces-
sidades. Aqui ficam algumas dicas para evitar sujar os sapatos de
cada vez que a visitar:
– seja qual for o formato dos canteiros (circulares, quadrados ou
retangulares), instale em seu redor uma superfície rígida, com gra-
vilha, cascas de árvores ou madeira triturada, ou ainda palha, caso
pretenda dar-lhe um toque rústico;
– crie um caminho limpo entre a cozinha e a horta, como por exem-
plo um trilho bem arranjado ou uma passadeira de gravilha sobre
o relvado.

A forma como projeta


e dispõe os caminhos
condiciona de forma
decisiva o acesso às
culturas e o trabalho
na horta

A horta clássica

É muito importante projetar devidamente a disposição da horta e


dos respetivos caminhos de acesso.

49
Uma HORTA à mão de semear

Utilize tábuas. Para facilitar o acesso a todas as hortaliças, alterne


filas paralelas de plantações com caminhos para passar entre elas.
A fórmula mais clássica consiste em plantar hortaliças numa faixa
de 1,20 metros de largura, na qual deve dispor três filas de hortali-
ças e trilhos de passagem com cerca de 30 centímetros de largura
entre cada uma delas. Pode, inclusive, instalar tábuas de madeira
ao longo desses trilhos, ou simplesmente cobri-los com palha. Claro
que tudo depende e tem de ser ajustado às espécies que escolher.

Projete caminhos com lógica. Neste tipo de horta, a regra é ter, pelo
menos, um caminho central que atravessa toda a área cultivada
de uma ponta à outra. As hortas de maior dimensão, por norma,
têm um segundo caminho no sentido inverso. Mais do que bonito,
o espaço deve ser organizado de forma prática, para evitar traba-
lhos inúteis e o desperdício de espaços que se tornam inacessíveis.
Estes caminhos devem ser fáceis de usar e requerer o mínimo de
manutenção possível. Recomenda-se, por uma questão de conforto,
uma largura de 1,20 metros. Poderá até cobrir essas passagens com
relva. Nesse caso, preveja uma largura equivalente a três passagens
com o corta-relva (recupere as aparas de relva e espalhe-as sobre
as fileiras de hortaliças). Caso opte por serradura, recomenda-se
uma camada de cinco centímetros.

Alternativa: copie a técnica da horta em tabuleiros ou canteiros.


Pode optar por instalar uma horta no solo, mas dando-lhe um formato
quadrado e uma dimensão mais pequena (área máxima de três por
três metros) e dividir o seu interior em pequenos compartimentos
quadrados. Desta forma, dispensa as instalações com faixas de hor-
taliças e tábuas acima referidas. Aqui, a fonte de inspiração são as
hortas quadradas (sobre as quais encontrará mais dicas na página 29
e também no seguimento deste capítulo); são a melhor opção para
jardineiros amadores.

A horta quadrada

Comece de forma modesta, instalando um só ou, no máximo, dois


canteiros.

Dimensão. Idealmente, este tipo de horta não deve exceder os 1,20


por 1,20 metros, por forma a garantir o acesso a todas as cultu-
ras esticando o braço apenas. Porém, nada o impede de optar por

50
Criar a sua horta

Se é principiante,
não seja demasiado
ambicioso: comece
com uma ou duas
hortas quadradas

construir uma mais pequena (de 60 por 60 ou 90 por 90 centímetros,


por exemplo).

Deixe para o(s) ano(s) seguinte(s) a decisão de expandir a área de


cultivo e de se lançar em novas experiências. Caso opte por vários
canteiros quadrados, considere dispô-los seguindo uma linha ima-
ginária (uma reta ou curva) que se ajuste de forma harmoniosa ao
seu jardim ou quintal.

Construção. Para fazer um canteiro destes são necessárias quatro


tábuas com a mesma dimensão, que devem ser unidas nos cantos.
É aconselhável que a estrutura tenha cerca de 20 centímetros de
altura, de modo a garantir que a terra possui profundidade suficiente.
Para a construir, utilize algumas pranchas de madeira com 20 cen-
tímetros de largura e dois de espessura. No momento de instalar o
canteiro, confirme com um nível que o quadro está perfeitamente
horizontal. A menos que planeie instalar o canteiro sobre um rel-
vado, é preferível não colocar fundo nestas estruturas, por forma
a estimular a circulação natural com a terra do próprio jardim.

Compartimentos interiores. Divida a estrutura em compartimentos


mais pequenos, com 30 centímetros de lado, para separar bem as
variedades hortícolas. Estas separações só precisam de ser visíveis à
superfície. Para as demarcar, use uma corda sólida, enrolada à volta
de pregos espetados na estrutura e separados por 30 centímetros
de distância. Alternativamente, pode utilizar canas de bambu finas,
sobrepondo-as sobre a área do canteiro de modo a formar um axa-
drezado e fixando as suas extremidades na estrutura.

51
Uma HORTA à mão de semear

A periferia. Para facilitar o acesso à horta sem se sujar, considere


revestir o solo que a rodeia com um material à sua escolha (lajes,
gravilha, estrado feito de ripas, etc.).

A terra. Se pretende pousar a estrutura do canteiro sobre o relvado,


será preferível colocar um fundo, para evitar que as ervas surjam
à superfície. Nesse cenário, evite lonas e materiais impermeáveis.
Opte antes por uma camada de cartão ondulado, que é biodegra-
dável e favorece as trocas entre o solo do seu quintal e a terra da
horta novinha em folha.

Encha o canteiro com terra. O ideal é misturar um pouco de terra


do seu jardim com terra adubada, substrato ou composto. A terra
adubada pura, por si só, não é o tipo de solo que as hortaliças mais
apreciam. Um pequeno truque: se optar por cavar um trilho ao
redor da sua horta quadrada, guarde essa terra e ponha-a dentro
da estrutura de madeira. Se não for esse o caso, misture a terra
adubada ou o substrato com turfa ou fibra de coco. Os especialis-
tas recomendam que adicione vermiculita (um mineral vendido
em lascas, geralmente usado como isolante) para assegurar uma
drenagem eficaz

A horta em vasos

Quem opta por este tipo de horta tem à disposição uma grande
variedade de recipientes: desde os vasos mais clássicos, de barro,
às jardineiras ou potes suspensos, sacos tecidos ou bolsas murais.
Caso estas opções não sejam suficientes, pode-se até recorrer a
velhas bandejas de zinco (geralmente encontradas em feiras de
velharias), baldes, paletes, pipas antigas de madeira revestidas de
plástico, etc. Apesar da liberdade de escolha, é aconselhável ter
alguns cuidados nos aspetos que se seguem.

Dimensão. O tamanho dos recipientes que usa deve variar em fun-


ção das necessidades das plantas. As espécies de raiz curta, como a
alface e o cebolinho, contentam-se com uma jardineira ou um vaso
pouco profundo. As hortaliças de maior porte, como as couves, a
batata ou as plantas aromáticas que crescem como arbustos (por
exemplo, o alecrim e a salva), precisam de vasos com, pelo menos,
30 centímetros de profundidade e de diâmetro. Até as pequenas
árvores de fruto podem ser cultivadas desta forma e depositadas

52
Criar a sua horta

num terraço luminoso, por exemplo. Nestes casos, e enquanto estão


em fase de crescimento, as plantas têm de ser reenvasadas todos os
anos, na primavera. Os vasos para os quais são transplantadas têm
de ter 30 centímetros de profundidade, no mínimo, e uma largura
que, de ano para ano, deve aumentar dez centímetros. Quando estas
árvores atingem a maturidade, deixa de ser necessário trocar o vaso,
mas é essencial renovar anualmente a terra à superfície (até dez
centímetros de profundidade) também na primavera.

Peso. Antes de transformar a varanda numa horta, é importante


ter informação sobre o peso que esta pode suportar.

Furos de drenagem. Qualquer que seja o recipiente usado como


vaso, deverá possuir furos de drenagem no fundo (nem que tenha
de usar um berbequim para os fazer) e repousar sobre uma base
ou um prato para vasos.

Exposição solar. As plantas em vasos secam mais depressa. Idealmente,


devem ser dispostas em locais com muita luz, mas não debaixo de
um sol abrasador. É ainda aconselhável proteger estas culturas do
vento, já que este também contribui para secar a terra. Por vezes,
basta aproximar os vasos uns dos outros para proteger as plantas
do excesso de vento ou de sol.

Se a sua ideia é
plantar uma pequena
horta em vasos,
encontrará um
grande número de
formatos e soluções
disponíveis

53
Uma HORTA à mão de semear

Rega. Este aspeto é de grande importância, já que as hortaliças não


gostam de ter sede, e o substrato vendido para os vasos seca mais
depressa do que a terra. Opte por regar as plantas de manhã ou ao
fim do dia, para que a base ou o prato do vaso conserve o máximo
de água possível. Em alternativa, considere adquirir um sistema de
rega gota a gota programável (trata-se de um tubo flexível furado
que deve ser instalado de modo a passar pelos vários recipientes,
assegurando assim toda a humidade de que as plantas necessitam).

Existem kits prontos a montar, que são muito fáceis de instalar e


cujo preço não é excessivamente elevado.

O substrato. As plantas não têm todas as mesmas necessidades.


Jogue pelo seguro, misturando um terço de terra do jardim com
dois terços de substrato. Desta forma, assegurará um bom aporte
de nutrientes e uma boa retenção de água.

A estética. Se costuma passar muito tempo no seu pátio ou na sua


varanda, aposte em plantas aromáticas e/ou decorativas: pimento-
-amarelo, acelga de caule vermelho, manjericão-púrpura, etc. Há ainda
variedades de hortaliças em miniatura, por norma encantadoras:
tomate, beringela e pimento, pequenos morangueiros com flores
cor-de-rosa, etc. Também os alpendres e/ou os parapeitos das janelas
podem ser decorados com plantas trepadeiras (como feijoeiros ou
ervilheiras), cujas flores são muito bonitas. Não hesite em salpi-
car os canteiros de hortaliças com espécies de flores compatíveis,
muitas delas comestíveis (como é o caso dos amores-perfeitos e das
calêndulas, entre outras).

Na cobertura. Mesmo quando são instaladas em coberturas pla-


nas, ou em terraços, as hortas em vasos respeitam, grosso modo,
as mesmas regras de cultivo. A principal diferença é garantir que
mantém um acesso fácil à zona e que é possível movimentar-se
nela sem a danificar.

Tente adquirir um rolo de tela plástica preta pitonada como as


que se utilizam na construção civil. Este tipo de revestimento é
muito resistente, impermeável e ideal, porque não se estraga, para
além de permitir o bom escoamento da água. Para fixar o plástico
ao chão, disponha alguns blocos de madeira por cima (vendem-se
em qualquer loja de bricolagem). Deste modo, consegue obter um
bom revestimento por pouco dinheiro.

54
Criar a sua horta

Como recipientes, utilize vasos, caixas de sementeiras, floreiras,


jardineiras... Qualquer recipiente que recupere servirá, desde que
tenha furos no fundo.

Um sistema de rega gota a gota programável, que circule por todos


os vasos, jardineiras ou potes, é um investimento inteligente e não
sai muito caro.

O investimento mais significativo poderá ser a criação de acessos.


Entre outros exemplos, pode verificar-se a necessidade de substituir
janelas por portas ou janelas até ao chão, ou de instalar degraus
para facilitar o acesso ao telhado. Noutros casos, as adaptações
necessárias são mínimas e permitem, com muito pouco dinheiro,
criar um pequeno refúgio de paz.

Escolher as primeiras culturas


Imagine que chegou o momento de começar a plantar e semear,
e que é um principiante nesta matéria – é provável que não saiba
que hortaliças escolher, quais as mais indicadas para se iniciar e
como organizar toda a empreitada.

Vale a pena refletir um pouco antes de “se atirar de cabeça”. Que


hortaliças proporcionam um sabor incomparável quando cultivadas
em casa? De quais não prescinde? Não hesite em fazer uma lista ou
um pequeno esboço, se isso ajudar a tomar decisões.

Fique também com algumas dicas que o ajudarão a desbravar terreno.

Comece pelas aromáticas. Se for completamente inexperiente, é


boa ideia começar por cultivar algumas ervas aromáticas no pri-
meiro ano, para ir ganhando habilidade. É quase impossível falhar
no cultivo de salsa, tomilho, cebolinho, alecrim, óregãos, salva e
estragão, entre outras plantas. Para além de proporcionar satisfação,
vão dar-lhe confiança para se aventurar noutro tipo de plantações
nos anos seguintes.

De pequenino é que se torce o pepino. Nunca é de mais repetir


que, no primeiro ano, é preferível gerir e tirar o máximo proveito
de apenas um pequeno canteiro. Proporciona maior satisfação e

55
Uma HORTA à mão de semear

confiança do que lançar-se logo no cultivo de dois canteiros que


deem resultados a meio gás. Comece por plantar os seus legumes
preferidos. Se não sobrar espaço para algumas plantas aromáticas,
selecione apenas as mais básicas (por exemplo, salsa, cebolinho,
manjericão e tomilho) e semeie-as numa pequena jardineira na
varanda, ou num vaso sobre o parapeito da janela da cozinha.

Comida rápida. Para começar, privilegie as hortaliças que crescem


depressa, pois é mais gratificante poder colher sem grandes demo-
ras o resultado dos seus esforços. Alguns exemplos: alface, rúcula,
feijão-verde, rabanete, nabo, beldroega, etc.

Top de hortaliças. Se o espaço disponível para cultivo for muito


limitado, encurte a seleção de espécies, elaborando uma lista que
tenha em conta os seguintes critérios:
– quais lhe proporcionariam maior prazer pelo facto de, através do
cultivo caseiro, serem incomparavelmente mais saborosas do que
quando produzidas em massa? Alguns dos campeões neste domínio
incluem o tomate, a alface, o rabanete, a curgete, a cenoura-baby e
também o morango;
– quais as que mais gostaria de ter sempre à disposição? Por serem
utilizadas com frequência, as plantas aromáticas, como a salsa, o
cebolinho e o manjericão, estão entre as escolhas mais óbvias;
– quais não monopolizam o espaço por muito tempo? Tendo um
espaço algo limitado, é preferível optar pela rotação de culturas.
Por exemplo: certamente preferirá degustar batatas novas que se
desfazem na boca, em vez de variedades tardias que têm de per-
manecer na terra por mais tempo. Deve aplicar esta mesma lógica
à plantação de outras espécies, como por exemplo a couve-roxa,
que monopolizam o espaço por muito tempo, para no fim fornecer
apenas um tipo de hortaliça (para além disso, o sabor de uma couve
cultivada em casa não difere assim tanto do de uma couve vendida
num mercado por um preço relativamente baixo).

Cultivar ou comprar? Reparta as suas hortaliças preferidas em


duas colunas, traçadas num papel. Na primeira (“Cultivar”), dispo-
nha as espécies que é útil ter sempre à mão, as mais caras, as que
considera mais suculentas quando cultivadas numa horta caseira
e as que mais aprecia consumir frescas (acabadas de colher). Na
coluna “Comprar”, coloque as variedades baratas, as mais volumo-
sas, as que são fáceis de encontrar nos supermercados e cujo sabor
não fica atrás, bem como as que apenas consome ocasionalmente.

56
Criar a sua horta

Plantar ou semear? Para quem está a começar, comprar logo as


plantas é um bom plano, pois permite dividi-las, transplantá-las e
assim colher rapidamente a sua produção. Porém, esta técnica não
funciona com todas as espécies: caso pretenda saborear cenouras-
-baby ou rabanetes crocantes, por exemplo, terá de os semear. O
tempo e a experiência farão com que, progressivamente, passe das
plantações para as sementeiras. Voltaremos a este assunto no pró-
ximo capítulo (veja a página 65).

Casamentos felizes. Algumas espécies hortícolas beneficiam-se


mutuamente quando estão próximas – há, por exemplo, hortaliças
que repelem os pulgões que outras atraem. Chamamos a este tipo
de caso uma “boa associação”.

Outras espécies, pelo contrário, concorrem umas com as outras e


não podem ser vizinhas, sob pena de se prejudicarem (por exemplo,
hortaliças que absorvem quase todas as substâncias nutritivas da
terra, lesando outras espécies que precisam desses nutrientes para
sobreviver). Na gíria dos jardineiros, diz-se que são “más associações”.

Por este motivo, nas fichas que apresentamos nos capítulos 4, 5 e 6,


dedicadas a espécies concretas, indicamos as hortaliças que podem
conviver harmoniosamente no mesmo canteiro (culturas comple-
mentares) e as que, pelo contrário, são rivais.

Atenção ao calendário! É importante ter noção da época de colheita


de cada hortaliça, para não correr o risco de obter uma grande pro-
dução à disposição de uma só vez, ou, pelo contrário, ficar uma
grande temporada sem colheitas. Defina como objetivo programar
as plantações, de modo a tirar o máximo proveito da sua horta ao
longo de todo o ano.

As ervas aromáticas
são ideais para
quem se inicia na
agricultura (saiba
mais sobre o seu
cultivo no capítulo 4)

57
Capítulo 3

Dicas úteis de
jardinagem
Uma HORTA à mão de semear

Os elementos
básicos
Para obter os melhores resultados, deve munir-se de ferramentas
e de sistemas de tratamento do solo consistentes.

Ferramentas e utensílios
Invista em material de qualidade e procure adquirir apenas os
utensílios realmente indispensáveis. Tenha em conta que estas
necessidades variam muito consoante o tipo de horta que cultiva
e a sua extensão. Avalie a utilidade de adquirir instrumentos como
os apresentados no quadro seguinte.

Instrumento Para que serve Aspeto

Regador resistente, Para regar normalmente e também de forma


equipado com cabeça mais delicada, tipo chuveiro (aconselhável para
plantas com folhas jovens).

Sacho* Para escavar covas para as plantações.

Enxada* Para revolver o solo e eliminar rapidamente as


ervas daninhas.

60
Dicas úteis de jardinagem

Carrinho de mão* Para transportar composto, sacos de substrato,


ferramentas, ramagens e aparas de relva.

Corda Para ajudar a plantar em linha reta.

Luvas de jardinagem Para proteger as mãos e manipular, com toda a


(resistentes e arejadas) segurança, plantas e ramagens.

Forquilha* Para mudar as plantas de sítio (transplantar),


escavar zonas de terra mais compactas, colher
batatas e integrar adubos orgânicos.

Forquilha do tipo Para revolver a terra à superfície com menor


broadfork* esforço.

Pá* Para deslocar e espalhar terra ou composto.

Plantador Para fazer buracos cilíndricos para as


plantações.

61
Uma HORTA à mão de semear

Ancinho* Para trabalhar a terra, alisá-la depois de


revolvida ou remover as pedras.

Tesoura de poda Para cortar as plantas.


adaptada à sua mão

Tutores ou estacas Para sustentar as plantas que precisam.

Mangueira e/ou uma Para regar ou encher o regador.


fonte de água no
jardim

Transplantador ou Para desfazer torrões de menor dimensão, cavar


pequena pá covas para as plantações, desterrar ou voltar a
plantar.

* Os utensílios marcados com asterisco são necessários apenas para hortas mais extensas. Revelam-se
dispensáveis (e por vezes até supérfluos) em hortas urbanas de menores dimensões, instaladas em
pequenas estruturas ou dominadas pela cultura em vasos.

62
Dicas úteis de jardinagem

Poderíamos alongar a lista com utensílios como um triturador,


um escarificador, uma enxada-sacho, godês, pequenos vasos de
plantação ou sementeiras, armações de suporte, etc. Porém, e por
norma, nenhum destes instrumentos é necessário ou urgente para
quem está a dar os primeiros passos como “hortelão”. Vá adquirindo
este material à medida que a paixão pela jardinagem aumenta e a
necessidade surge.

Regar
É preciso regar regularmente os legumes, a menos que disponha de
um sistema de irrigação que assegure um nível de humidade cons-
tante (um luxo raramente usado) ou de um sistema programável.
A rega faz parte das atividades rotineiras dos jardineiros e deve ser
feita de manhã ou ao serão – nunca durante as horas mais quentes
do dia. Considere reciclar a água de uso doméstico (como a que é
utilizada para lavar os legumes, por exemplo) e instalar recipientes
para recolher a água da chuva.

A rega é uma
necessidade comum
a todas as espécies
vegetais, embora a
regularidade possa
variar bastante

63
Uma HORTA à mão de semear

Numa horta sobre o solo

Nos períodos de seca é preferível regar abundantemente a cada


dois ou três dias do que fazê-lo diariamente de forma superficial.
Tal permite que a água penetre em profundidade na terra e as
raízes se cravem nela para saciar a sede. Se a textura do solo for
leve, integre nele matéria orgânica decomposta, a qual desempe-
nhará a função de esponja, ajudando a reter a água.

Em vasos

Os legumes secam mais depressa quando são cultivados em vasos.


Para evitar que sofram por falta de água, aposte em incorporar
cristais de água na terra durante a fase da plantação (encontra
este produto à venda nas lojas da especialidade). Antes de partir
de férias, concentre os vasos num tabuleiro com água ou peça a
um vizinho ou a um familiar o favor de se ocupar da rega durante
a sua ausência. Outro truque para manter um fluxo de humidade
consiste em reunir os vasos ao redor de um grande reservatório
cheio de água e enterrar um pedaço de corda em cada um deles,
mergulhando a outra extremidade no reservatório.

Escavar
Se for necessário sachar a terra, opte pela primavera para o fazer
e utilize uma forquilha de desaterro, para poupar as costas. A fase
seguinte consiste em usar um ancinho ou um escarificador para
alisar e desfazer os torrões de terra. Os adeptos desta prática defen-
dem que sachar a terra areja os solos muito compactos e permite
incorporar adubos ou fertilizantes, eliminar ervas daninhas per-
sistentes, pragas e predadores.

Contudo, há cada vez mais aficionados da “jardinagem moderna”


que estão contra esta tradicional prática agrícola. Conforme argu-
mentam estes opositores, a ação de sachar perturba os microrganis-
mos e quebra a estrutura natural do solo, enterrando a sua camada
superficial, que, segundo defendem, deveria manter-se à superfície
para alimentar a vegetação. Apontam ainda, como ponto negativo,
que revolver a terra solta as sementes das ervas daninhas que se

64
Dicas úteis de jardinagem

encontravam enterradas no solo, sendo uma tarefa que representa


um esforço físico “inútil”. Para estes jardineiros é preferível usar uma
forquilha do tipo broadfork, uma alternativa à pá que consiste numa
forquilha direita com dois cabos. Muito utilizada nas plantações
biológicas, esta forquilha permite arejar a terra sem a revolver, com
a vantagem adicional de requerer menos esforço para as costas.

Plantar ou semear?
Pode escolher entre semear alfaces ou adquirir as suas plântulas
para transplante. O mesmo é válido para a beterraba, o aipo, o tomate
e as diferentes couves, entre outras espécies. Já no caso de legumes
como a cenoura ou o rabanete, a única possibilidade é semear. Para
decidir por onde começar e qual a melhor opção, siga as dicas que
apresentamos já de seguida.

O plantio é mais
simples e, portanto,
mais indicado para
principiantes, mas a
sementeira é a melhor
forma de obter certas
espécies

Privilegie as plântulas para começar

Se for principiante, é mais compensatório e fácil visitar mercados ou


horticultores e trazer para casa as plântulas prontas para o trans-
plante. Deste modo, terá legumes para colher mais rapidamente.
Não hesite em pedir aconselhamento junto dos profissionais.

65
Uma HORTA à mão de semear

Passe para a sementeira mais tarde

Com a prática, e depois de ganhar confiança como jardineiro, pode,


se tiver tempo disponível, aproveitar as vantagens de semear. Para
além de dar acesso a uma maior variedade de hortaliças, as sementes
saem mais baratas e é muito gratificante vê-las germinar poucos
dias depois de serem semeadas.

Caso opte por plantar


Verifique a época de plantação de cada hortaliça: algumas não resis-
tem às últimas geadas, mas outras sim. Se, apesar disso, decidir
iniciar as plantações um pouco mais cedo do que o aconselhável,
proteja a plântula com uma garrafa de plástico enquanto houver
risco de geadas.

Minhocas: as suas melhores aliadas!


Por um lado, poupam o trabalho de sachar a terra; por outro, ajudam
a nutrir o solo. Ao cavarem múltiplas galerias, as minhocas tornam a
terra mais leve e arejada e mantêm-na mais friável. Para além disto, a
atividade dos pequenos vermes contribui para manter os bons níveis
de acidez e humidade do solo. São também responsáveis por transfor-
mar os resíduos orgânicos em húmus. Apresentam ainda a vantagem
de fornecer uma quantidade incrível de nutrientes ao solo. Os seus
minúsculos excrementos contêm cinco vezes mais azoto, sete vezes
mais fosfato, três vezes mais magnésio, onze vezes mais potássio e
o dobro do cálcio do que a terra comum. As minhocas são, aliás, as
melhores produtoras de composto (consulte a página 70 para mais
informação).

66
Dicas úteis de jardinagem

Mergulhe na água o vaso até pararem de surgir bolhas à superfície.


Entretanto, cave uma cova um pouco maior do que o grande torrão
que envolve todas as raízes. Tire a planta do vaso, pressionando-o
a partir do exterior para não danificar o torrão. Coloque o torrão
na cova, de modo que a sua superfície fique ao nível do solo. Tape
bem os espaços vazios, calque a terra com os dedos e regue abun-
dantemente, para garantir que o torrão fica em contacto com a
terra circundante.

Regue a cada dois ou três dias junto ao pé da planta, para não molhar
as folhas. Existem pequenos torrões à venda nas lojas. São plantas
muito jovens, ainda bebés, fornecidas em caixas de modo a estarem
bem protegidas. Produzidas nas melhores condições e, por norma,
resistentes, adaptam-se bem ao nosso clima, sendo uma opção mais
barata do que as plantas já “adolescentes”.

Se preferir semear
Respeite a época da sementeira indicada para a planta. Cave um rego
pouco profundo (a profundidade varia em função do tamanho das
sementes) e espalhe as sementes. Cubra-as com uma fina camada
de terra e calque ligeiramente. Regue regularmente de forma deli-
cada em modo chuveiro, só para manter o substrato húmido, sem
deslocar a terra.

A época e os
procedimentos da
sementeira variam
consoante a espécie;
informe-se antes de
pôr as mãos na terra

67
Uma HORTA à mão de semear

Deve reservar espaço


para circular na sua
horta, mas também
garantir que a
distância entre as
plantas é adequada

Espaçar

Uma vez que não é fácil espalhar a quantidade certa de sementes


no rego, quando germinarem deverá arrancar algumas plantas para
evitar que fiquem muito próximas umas das outras e possam assim
crescer sem constrangimentos.

Aqui ficam algumas dicas para semear a quantidade certa.

1. Colocar as sementes na palma da mão e pegar nelas uma a uma.

2. Mais simples – misturar as sementes com areia e dispersar


esta mistura no rego.

3. Um truque especialmente eficaz para manter a distância certa


entre rabanetes é passar o ancinho sobre o rego e depositar
uma semente em cada traço marcado na terra.

Escalonar

Se semear a totalidade das sementes de rabanete e de cenoura ao


mesmo tempo, perceberá rapidamente que fez asneira quando todas
as plantas começarem a germinar ao mesmo tempo. Durante a época
da sementeira, o melhor método é ir semeando, de 15 em 15 dias,
pequenos troços de um ou dois metros. Desta forma, terá legumes
disponíveis e na dose certa durante mais tempo.

68
Dicas úteis de jardinagem

Alternativas à sementeira

Existem no mercado “fitas” de sementes prontas a usar. São tiras de


papel biodegradável onde as sementes foram depositadas já com a
distância ideal. Só precisa de as colocar sobre o solo. Nada o obriga
a semear em filas: pode perfeitamente espalhar as sementes num
canteiro quadrado destinado a alfaces, por exemplo.

Legumes semeados em covas

No caso de sementes de maior dimensão, como o feijão, é preferível


semear em covas mais profundas e espaçadas. Deposite duas ou
três sementes em cada cova, para garantir que pelo menos uma
irá germinar. Assim que as plantas começarem a brotar, mantenha
apenas a mais viçosa em cada cova.

Manutenção da horta
Os menos entendidos na matéria questionam-se frequentemente
sobre se uma horta exige muitas tarefas de manutenção. Se optar
por uma horta de grandes dimensões que vise alimentar toda a
família, a resposta é afirmativa. Contudo, as plantações em hor-
tas urbanas, em pequenos canteiros ou em vasos requerem menos
trabalho. Para além de regar e arrancar as plantas em excesso de
modo a manter uma boa distância entre elas, há outros aspetos a
controlar durante toda a época do cultivo. Passamo-los em revista
de seguida.

Controlar as ervas daninhas

Algumas hortaliças (sobretudo as folhosas, como a alface, o espinafre,


os canónigos, etc.) não apreciam a concorrência das ervas daninhas,
porque sorvem os nutrientes do solo. Não se esqueça de controlar
este aspeto e eliminar essas ervas indesejáveis, arrancando-as de
vez em quando (faça-o quando a terra não estiver demasiado seca,
para que as raízes não fiquem no solo) ou sachando a terra à volta
das plantações.

69
Uma HORTA à mão de semear

A técnica do apertão

Algumas plântulas, como por exemplo o tomate, a beringela e a


curgete, tendem a crescer de modo descontrolado, espalhando-se
e prejudicando o desenvolvimento dos frutos. Para travar esse pro-
cesso, deve podá-las regularmente, fazendo estalar as extremidades
dos rebentos entre o polegar e o indicador.

A rotação das culturas


O princípio é simples: não se deve cultivar duas vezes consecuti-
vas a mesma espécie no mesmo espaço. Isto porque as hortaliças
não se alimentam todas dos mesmos nutrientes. Quando replanta
hortaliças da mesma família no mesmo pedaço de terra, arrisca-se
a não as nutrir da melhor forma. Por isso, é importante alternar os
legumes, pois tal permite que o solo se regenere.

No espaço onde inicialmente plantou leguminosas (ervilhas,


feijão, lentilhas, favas, etc.), poderá cultivar, no ano seguinte,
hortaliças folhosas (alface, aipo, espinafre, etc.), depois frutos
hortícolas ou legumes com bolbo (tomate, beringela, curgete,
pimento, melão, alho, cebola, chalota, etc.) e mais tarde usar este
espaço para outras hortaliças enterradas, como cenoura, batata,
alho-francês, etc.

Quem cultiva de forma contínua e intensiva pode optar por fazer


duas rotações na mesma época: alface depois de colher as ervilhas,
couve no lugar do feijão, etc.

Corrigir e fertilizar o solo


“Corrigir” significa melhorar a qualidade de um solo, seja alterando
a estrutura (se for demasiado leve ou excessivamente pesado), seja
melhorando o seu valor agronómico (adicionar-lhe, por exemplo, cal,
estrume ou composto). "Fertilizar” consiste em adicionar adubos,
sejam eles naturais ou químicos. Em linguagem comum usamos
ambos os termos de forma indiscriminada para nos referirmos aos
cuidados de que o solo poderá necessitar.

70
Dicas úteis de jardinagem

Fertilizantes como
adubos sintéticos
e composto são as
principais opções
de que dispõe para
nutrir a terra

É aconselhável adubar a terra, porque as hortaliças são gulosas e,


quando concentradas numa pequena área, precisam de grandes
quantidades de nutrientes e esgotam o solo. Numa pequena horta,
bastará incorporar composto a cada outono.

O composto é a melhor opção, porque é rico em nutrientes e ajuda


a estruturar o solo. Porém, esta “matéria orgânica decomposta”
pode não ser fácil de adquirir para muita gente e nem sempre é
a opção mais prática – sobretudo se a cultura for feita em vasos.
Felizmente, existem outros tipos de adubos.

Por norma, só é preciso corrigir o solo uma vez por ano, salvo em
casos mais difíceis, como terras arenosas que não retêm bem os
nutrientes. Em caso de dúvida, considere encomendar uma análise
ao solo (veja a página 47).

71
Uma HORTA à mão de semear

Conforme constatará, alguns adubos são sobretudo ricos em azoto


ou potássio. A nossa cábula ajuda-o no momento de escolher.

• As hortaliças de raiz, como a cenoura, precisam de adubos ricos


em fósforo.

• Todas as hortaliças folhosas, como a alface, são estimuladas


pelo azoto.

• As flores e os frutos, como o tomate, precisam sobretudo de


potássio para se desenvolverem. Assim, se alimentar a terra
das suas floreiras com um resto de adubo azotado para legu-
mes, arrisca ficar com plantas que produzem uma quantidade
anormal de folhas e muito poucas flores.

Lutar contra as lesmas


Não há nada pior do que encontrar as suas alfaces e outros legu-
mes folhosos destruídos pela passagem das lesmas, que começam a
pôr ovos em abril – uma média de 400 ovos por animal! Não é fácil
eliminá-las, sobretudo se se recusar a recorrer a produtos tóxicos
para a terra e os legumes. Aqui ficam alguns conselhos com bons
resultados.

• Favorecer a biodiversidade, recorrendo a predadores de lesmas,


como tordos, melros, sapos, toupeiras, ouriços, pássaros jovens,
algumas aranhas e... galinhas.

• Instalar obstáculos, nomeadamente com cascas de ovos, gra-


vilha ou cinzas.

• Barrar o caminho com cheiros que as lesmas não suportam,


como salva, tomilho, chagas, etc.

• Cercar os canteiros com alfazema também dá bons resultados.

• Criar armadilhas com cerveja. As lesmas são atraídas pelo


cheiro da levedura; capture-as dispondo taças de cerveja nos
canteiros dos legumes;

72
Dicas úteis de jardinagem

• Pousar folhas de ruibarbo à frente das alfaces. As lesmas apro-


veitarão para aí repousar e tenderão a ficar agarradas a elas.
No dia seguinte, basta apanhar as folhas e servir o petisco às
galinhas.

Para além destes truques, e se tiver alma de “caçador”, pode igual-


mente pôr mãos à obra e apanhar as lesmas com as suas próprias
mãos. Passe à ação quando escurecer e estiver húmido – ou seja, de
noite ou ao serão, altura em que os pequenos moluscos aparecem.

Caso estas medidas se revelem insuficientes, passe ao plano seguinte:


os granulados. Antes de mais, assegure-se de que escolhe um pro-
duto biológico, isento de riscos para os outros hóspedes do jardim
(como os ouriços), e espalhe o granulado à volta das plantas que
pretende proteger.

Ameaças como as
lesmas e o vírus
do mosaico podem
inutilizar os produtos
hortícolas e obrigar
ao seu arranque

Colher, armazenar, congelar


É provável que surjam alturas em que tem excedentes de produ-
tos e não os queira desperdiçar ou deitar fora. A boa notícia é que
pode guardá-los para o inverno. Sem entrar em grandes detalhes,
relembremos de seguida as principais técnicas de conservação que
pode utilizar com as suas hortaliças.

73
Uma HORTA à mão de semear

A congelação

Para que se conservem melhor, adote a técnica do branqueamento


dos legumes em água a ferver durante dois minutos. Deixe-os arre-
fecer antes de guardar no congelador.

As conservas

Confecionar compotas e geleias e fazer conservas em vinagre ou


caldas são técnicas que permitem usufruir dos produtos estivais
durante o inverno.

A secagem

O alho e a cebola conservam-se durante todo o inverno se os deixar


suspensos em tranças num local seco e ao abrigo das geadas.

O armazenamento

A cenoura, a batata e a pastinaga, entre outras hortaliças, podem


conservar-se em boas condições durante muito tempo se as man-
tiver a uma pequena distância entre si (não se podem tocar), num
local seco, bem ventilado e abrigado das geadas.

Após a colheita, pode


preservar alguma da
sua produção, através
de técnicas como a
congelação

74
Dicas úteis de jardinagem

Abrigos para
antecipar as
culturas
À partida, poderá pensar-se que esta técnica se destina a jardinei-
ros “profissionais” ou especialistas que investiram num jardim de
inverno ou estufa. No entanto, é simples de implementar, mesmo
para principiantes, e particularmente útil para quem possui um
pequeno espaço cultivável. O principal objetivo da utilização destas
estruturas é prolongar o período de produção para maximizar as
colheitas.

Em condições normais, só é possível começar a sementeira e o plantio


da maioria das espécies a partir da primavera, quando deixa de haver
ameaça de geadas. Porém, se semear em estufas pode antecipar a
época do cultivo para meados de fevereiro. Resultado: assim que
chegar a época de transplantar os legumes para o exterior, estes
atingirão mais depressa a maturidade. Resumindo, antecipará em
algumas semanas a época das colheitas.

Por outro lado, reutilizar estes abrigos no outono permite acelerar


a germinação das sementeiras de fim de estação e proteger as cul-
turas mais frágeis (como, por exemplo, o manjericão) dos picos de
frio de outono, prolongando a fase das colheitas.

Com abrigos transparentes, para além de ficarem protegidas do frio,


as plantas beneficiam da luz e do calor dos raios solares.

A estufa é a melhor opção para jardineiros experientes, pois oferece


as condições ideais para iniciar as sementeiras mais cedo. Contudo,
existem outras formas de proteger as culturas do frio.

Estruturas cobertas e miniestufa

O princípio é simples: trata-se de uma pequena estrutura (como


um quadro de madeira, tijolo ou outro material) pousada no chão

75
Uma HORTA à mão de semear

e coberta por um vidro que se pode entreabrir. Existem estruturas


deste tipo à venda a bom preço, embora sejam relativamente simples
de construir (um vidro velho faz perfeitamente o papel de “telhado”).
Esta miniestufa deverá ser arejada para evitar a condensação no
interior, podendo ter aberturas maiores para melhorar a ventilação
em dias de maior calor e para facilitar o acesso ao interior.

Véu hortícola

Trata-se de um pano fino e ventilado, muito útil para cobrir superfícies


quase planas, como hortas em tabuleiros ou pequenos canteiros, e
acabadas de semear. Procure prendê-lo com pedras ou ramos, para
evitar que levante voo, e utilize tutores ou arames para evitar que
toque nas folhas. Se necessário, disponha várias camadas de véu.
Remova-o assim que a época das geadas terminar.

Túnel e campânula

Os túneis plastificados transparentes destinam-se a proteger as filas


de sementeiras e/ou a aquecer a terra antes de semear. O princípio
da campânula é o mesmo, mas visa proteger as plantas individual-
mente. Em ambos os casos deverão existir orifícios para melhorar
a ventilação e evitar a condensação excessiva.

Parapeito da janela e garrafas de plástico

A solução de “estufa” mais económica de todas (gratuita, na verdade)


está dentro de sua casa! Experimente semear em floreiras instaladas
nos parapeitos das janelas (na parte interior) e verá como, graças à
temperatura ambiente, as suas plantas germinarão precocemente.

Outra experiência que pode fazer é semear dentro de uma caixinha,


colocada no lado exterior do parapeito de uma janela orientada a
sul e protegida do vento. Rode a caixa regularmente para evitar que
as plantas, sempre em busca de luz, cresçam tortas. As garrafas de
plástico (grandes, de preferência) também cumprem perfeitamente
esta missão: corte-lhes o fundo, retire a tampa e pouse a garrafa
sobre a futura planta (como se fosse uma campânula) até que o
risco de geada desapareça.

76
Dicas úteis de jardinagem

A jardinagem bio
As boas práticas da jardinagem biológica impõem-se cada vez mais,
pelas vantagens que apresentam para todos nós. Com efeito, a agri-
cultura biológica tem como modelo de inspiração o funcionamento
da natureza, algo que permite obter colheitas mais saudáveis, mas
também economizar tempo e dinheiro.

O composto é um exemplo dessa poupança, já que permite reduzir


os resíduos e poupar na compra de substrato e adubos. Mas há
outras opções que, embora menos divulgadas, contribuem também
para este resultado.

• Associar corretamente as espécies hortícolas, de modo a refor-


çarem-se mutuamente.

• Recorrer à técnica do empalhamento (consulte a página 82),


que permite poupar na água da rega e no esforço para eliminar
as ervas daninhas.

• Utilizar uma forquilha do tipo broadfork, um utensílio da


agricultura biológica que torna a terra mais solta em menos
tempo e exige menor esforço físico do que uma pá, para além
de preservar melhor a riqueza do solo.

O composto
A compostagem nem sempre goza de boa reputação, sobretudo
junto daqueles que nunca a experimentaram e temem que seja
inestética, mal-cheirosa e atraia os ratos. Porém, se cumprir algumas
regras simples, nenhum destes problemas se verificará: conseguirá
manter o seu composto arejado, húmido, livre de predadores e de
maus cheiros, libertando apenas um odor simpático e natural.

Pode incluir resíduos frescos, como ervas daninhas, cascas, flores


murchas, frutos e legumes estragados e aparas de relva, bem como
resíduos secos – cinzas de todo o tipo, borras de café, saquetas de
chá, folhas secas e ramos triturados.

77
Uma HORTA à mão de semear

Deve evitar colocar matérias que possam atrair gatos, roedores e cães,
tais como ossos, areias para gatos, penas, óleos e outras gorduras,
restos de carne, mas também restos de citrinos, que demoram muito
tempo a decompor-se (a menos que os corte em pedaços pequenos).
Evite também restos de comida cozinhada, porque o sal prejudica
a decomposição e a qualidade do composto final.

A receita

1. Alterne finas camadas verdes com finas camadas secas, como se


fosse um mil-folhas (as camadas espessas de matérias frescas ten-
dem a apodrecer e a tornar-se asfixiantes para os microrganismos).

2. Regue uma vez por outra, pois toda a pilha de composto deve
manter-se húmida.

3. Misture e remexa os resíduos uma vez por mês, para arejar.


Os microrganismos vão deliciar-se e transformar todo esse
pequeno universo de resíduos em composto. A mistura inicial é
vulgarmente conhecida como “composto jovem”. Quando este
fica reduzido a uma matéria semelhante ao substrato, passa a
designar-se “composto bem curtido”.

Quanto tempo demora a compostagem


completa?

O composto leva, habitualmente, seis a dez meses a ficar pronto.


Regra geral, é aconselhável criar duas pilhas separadas e deixar que
numa se faça a curtição completa primeiro (basta não a alimentar
constantemente com novos resíduos).

Um compostor ou uma simples pilha?

Cabe-lhe a si avaliar a melhor decisão. Uma simples pilha de com-


posto deixada ao ar livre é mais fácil de misturar e beneficia da água
da chuva. Porém, ocupa mais espaço, é mais visível e acessível para
a bicharada (cães, gatos, pombos, pegas, etc.), havendo, portanto, o
risco de se espalhar ao invés de manter a forma original. É mais
indicada para jardins de grandes dimensões.

78
Dicas úteis de jardinagem

O compostor, por seu lado, tem uma capacidade limitada, é menos


prático de misturar e tem de ser regado mais vezes. Porém, revela-
-se mais fácil de instalar e fica ao abrigo dos animais que apreciam
minhocas e insetos. É o mais adequado para jardins de pequenas
dimensões e jardins urbanos.

Como utilizar?

Nunca use o composto puro, porque é riquíssimo em nutrientes.


Deve ser misturado na terra do jardim para lhe dar corpo (se esta
for demasiado arenosa) e/ou para adubar o solo no outono. É útil
tanto para flores como para hortaliças. Se utilizar composto urbano
vendido nas estações de compostagem, seja prudente: muitos reco-
mendam a sua aplicação apenas em plantas não comestíveis, já que,
por vezes, inclui metais pesados.

Onde instalar?

Por uma questão lógica, junto da horta, mas também perto da cozi-
nha, pois é provável que o vá alimentar diariamente com resíduos
orgânicos.

O composto é a
melhor solução para
fertilizar a terra e
permite aproveitar
muitos resíduos do
seu lixo doméstico

79
Uma HORTA à mão de semear

Em que difere do estrume?

O estrume é uma mistura de palha com excrementos de animais de


estábulo, muito rica em azoto. Não é fácil de adquirir, mas, se morar
perto de um picadeiro ou de uma quinta, não hesite em espalhar
uma boa camada de estrume sobre o seu relvado ou jardim antes
do inverno. Por norma, aconselha-se estrume de cavalo e de ovelha
para melhorar a qualidade dos solos argilosos e estrume de gados
bovino e ovino para solos pobres em nutrientes e de textura mais
leve. Tenha atenção: não é aconselhável utilizar o estrume quando
está fresco. Deve deixá-lo curtir primeiro, espalhando-o ao sol, e só
depois usá-lo em misturas com o solo.

As associações
Também na jardinagem, há “casamentos” que funcionam melhor
do que outros. Conheça as boas e as más associações antes de levar
a cabo a escolha das espécies para a sua plantação.

Algumas espécies
vegetais convivem
muito bem – é o caso
das couves e das
ervas aromáticas, por
exemplo

Boas associações

Esta noção é cada vez mais defendida pelos adeptos da jardinagem


natural, que pesquisa e opta pelas soluções que a natureza disponi-
biliza em detrimento das químicas. A couve e o aipo, por exemplo,
dão-se muito bem e entreajudam-se: o cheiro do aipo protege a couve

80
Dicas úteis de jardinagem

da borboleta-branca-da-couve. Por sua vez, o sistema radicular da


couve defende o aipo da doença da ferrugem. Outro “casamento
feliz” é proporcionado pelo espinafre, que produz uma substância
que favorece o crescimento das brássicas (couve, nabo, agrião, etc.),
além de afastar as pragas. O manjericão, por sua vez, é um grande
aliado do tomate: para além de melhorar o seu sabor, estimula o
seu crescimento e afasta os insetos nocivos.

Más associações

Alguns legumes podem tornar-se nocivos entre si, pelo que mais
vale manter uma “distância de segurança”. As ervilhas e o feijão são
exemplo disso: as raízes das primeiras segregam uma substância
química que crispa o feijão e inibe o seu crescimento.

Flores amigas

Algumas flores são excelentes companhias para as hortaliças. As


tagetes, por exemplo, afastam os nemátodos e as chagas constituem
uma verdadeira armadilha para os pulgões.

Os adubos verdes
Trata-se de plantas herbáceas de crescimento célere que cobrem
rapidamente o solo, armazenando assim o azoto do ar. Denominam-se
“adubos verdes” pelo facto de constituírem uma alternativa à cor-
reção e fertilização do solo, sobretudo durante o inverno, quando
o jardim está em repouso.

Como funcionam

Depois de semear a superfície que pretende “adubar”, calque com


um rolo, regue e deixe as plantas crescer seguindo as instruções da
embalagem. Depois das plantas desenvolvidas, corte rente com um
corta-relva ou algo que triture as plantas e incorpore esses pedaços
no solo com um ancinho ou qualquer outro utensílio que permita
esgravatar a terra.

81
Uma HORTA à mão de semear

Os adubos verdes mais conhecidos incluem a mostarda, o tremoço e


a tremocilha, a faveira e os espinafres, entre outros. Dica útil: plante
sementes de espinafres sempre que uma parcela de terra ficar livre.
Depois, triture as folhas rente ao chão e deixe-as decompor-se como
se fosse empalhamento.

Outras vantagens

1. Os adubos verdes favorecem a proliferação de minhocas, as


quais arejam e tornam os solos mais soltos e estimulam a fauna
microbiana ao nível das raízes.

2. O seu sistema radicular melhora a estrutura do solo em


profundidade.

3. Protegem o solo da lixiviação dos nutrientes arrastados pela


chuva.

4. Protegem também o solo do excesso de calor e de frio.

5. Uma vez enterrados no solo, restituem-lhe o húmus e os elemen-


tos nutritivos que acumularam durante a fase de crescimento,
o que beneficia as culturas subsequentes.

Empalhamento ou mulching
Este tipo de técnica está cada vez mais na moda e consiste em cobrir
o solo (entre as filas de legumes ou junto do pé das plantas) com
uma camada de matérias vegetais diversas, geralmente trituradas.

Essa camada visa proteger o solo do frio, preservar a humidade


em alturas de maior calor e impedir o crescimento de ervas dani-
nhas. Tem ainda uma função secundária importante, que é pro-
teger os minúsculos habitantes do solo das alterações bruscas
de temperatura. Para além disso, ao decomporem-se, as matérias
orgânicas transformam-se em húmus. O princípio assemelha-se
ao que acontece nas florestas, onde todos os anos uma camada
de folhas e galhos secos se acumula sobre o solo, acabando por
se decompor em húmus.

82
Dicas úteis de jardinagem

Que materiais usar?

Por norma são aproveitados os desperdícios do jardim (aparas de


relva e de sebes, madeira triturada, cascas de árvores, etc.) já secos
– também podem ser aplicados quando ainda estão “tenros”, desde
que sejam espalhados em finas camadas, por forma a facilitar a
secagem. À exceção das plantas doentes, podem aplicar-se todos os
resíduos vegetais desde que não sejam muito volumosos. Atenção:
esta cobertura é espalhada à superfície; não pode ser incorporada
no solo enquanto não estiver totalmente decomposta.

Estilha ou madeira triturada


Segundo as estimativas, o rendimento e a qualidade das hortaliças
obtidas com esta técnica de empalhamento com madeira estilha-
çada são incomparáveis.

A aplicação de
madeira triturada
como empalhamento
potencia o
crescimento, vigor e
sabor das hortaliças

A receita

Para esta técnica deverá utilizar ramos verdes de árvores e arbustos


(com exceção dos carvalhos, das nogueiras e das árvores resinosas),
guardando apenas aqueles que possuem diâmetro inferior a sete
centímetros. Depois de triturar estes galhos, espalha-se uma camada
de três centímetros sobre a terra da horta, previamente sachada
e enriquecida com composto. A terra fica a repousar durante todo
o inverno. Na primavera, antes de cultivar, a camada de estilha é
incorporada no solo, esgravatando a superfície com um ancinho
ou ancinho-escarificador.

83
Uma HORTA à mão de semear

Resultados

A terra da horta fica particularmente rica e equilibrada graças à


lenhite da madeira, sendo que precisa de menos rega porque a capa-
cidade de retenção de água é maximizada.

A forquilha em vez da pá
A forquilha do tipo broadfork é uma ferramenta importada da
agricultura biológica que tem vindo a relegar para segundo plano
a forquilha tradicional. Quer use uma forquilha de desaterro ou
uma broadfork, o princípio é o mesmo: uma forquilha larga com
três a cinco dentes oblíquos e dois cabos. É fácil de manusear, não
sobrecarrega tanto as costas e areja o solo, trabalhando-o à super-
fície sem o desestruturar.

A prática de sachar para revolver a terra, como se fazia tradicional-


mente, é cada vez mais posta em causa porque quebra a estrutura
do solo e enterra em profundidade a camada de terra que deveria
ficar na superfície. É um processo que “cansa” o solo inutilmente.

A permacultura
Este é um modo de cultivo biológico levado ao extremo. Nada o
obriga a segui-lo, mas vale a pena conhecer os seus princípios. A
permacultura inspira-se diretamente na natureza e, tal como ela, não
deixa nenhum espaço de terra livre. Embora resulte em plantações
com um aspeto algo selvagem, a verdade é que este modo de cultivo
é muito produtivo e poupa na carga de trabalho, na frequência de
rega e na eliminação de ervas daninhas.

Regras para ser bem-sucedido

1. Não sachar nunca a terra, para garantir que a camada super-


ficial do solo se mantém no exterior e cumpre a sua missão de
nutrir as plantas. Revolvê-la fragiliza o solo.

84
Dicas úteis de jardinagem

2. Nenhuma parcela de terra deve ficar desocupada. Até as alfa-


ces são transplantadas para o meio das ervas, sendo aplicada
uma linha de palha junto do pé. Se houver risco de sufocar
as plantações, prepare uma fileira suficientemente larga para
passar com o corta-relva.

3. Não elimine nada e confie na natureza. Deixe o jardim abrigar


toda a cadeia de predadores, de modo a permitir que encontre
o seu equilíbrio naturalmente.

4. Diversifique ao máximo as variedades, porque essa riqueza é


característica da natureza.

5. Crie microclimas alternando plantas altas e sebes para abrigar


do vento e concebendo zonas mais à sombra e outras mais
quentes e soalheiras.

6. Observe a natureza para tirar as devidas ilações. Por exemplo,


se as urtigas se começarem a desenvolver numa zona, isso sig-
nifica que essa terra é fértil – ou seja, é um espaço ideal para
plantar couves!

7. Nunca é necessário regar. O solo conserva permanentemente


um nível de humidade constante.

Para potenciar os
bons resultados,
utilize compassos
de plantação
adequados para cada
espécie e opte por
promover associações
favoráveis de duas
ou mais espécies no
mesmo canteiro

85
Uma HORTA à mão de semear

Os remédios e os fortificantes
naturais

As infusões de alfazema são um bom inseticida e as de alho fun-


cionam como fungicidas. O chorume de confrei e de urtigas (veja
de seguida) formam adubos inigualáveis. Não nos é possível, neste
livro, descrever todas as receitas naturais e fáceis de preparar para
responder às necessidades das plantas (combater doenças e pragas,
necessidade de adubos, etc.), mas apresentamos-lhe de seguida algumas
dicas úteis. Caso pretenda aprofundar os seus conhecimentos a este
respeito, encomende o nosso Guia Verde das Hortas e dos Jardins.

Receita de chorume de urtigas

Deixe um quilo de urtigas macerar em dez litros de água. Misture de


modo que todas as plantas fiquem submersas. Instale este preparado
num espaço parcialmente à sombra e cubra-o com um pano velho,
para evitar a invasão de insetos. Mexa-o, pelo menos, uma vez por
dia. Ao fazê-lo, verificará que se formam pequenas bolhas. Quando
isso deixar de acontecer (ao fim de oito a dez dias), a solução estará
pronta a usar. Filtre-a e aplique sem tardar – o chorume demora
apenas 15 dias a entrar em putrefação e começa a exalar um cheiro
desagradável. Nessa fase ainda poderá diluí-lo e usá-lo para regar
o pé das árvores de fruto. Pulverize as plântulas ainda jovens e os
legumes com uma diluição de cinco por cento (por exemplo, uma
mistura de 5 ml para cada 95 ml de água). O seu elevado teor de
azoto, sais minerais e oligoelementos é um excelente estimulante
na primavera. Pode também ser usado para regar (diluição de dez
por cento, ou seja, uma parte de chorume para cada nove de água):
permite fortalecer as plântulas quando começam a renascer, assim
como as plantas pouco viçosas e as roseiras atacadas pela clorose.
Este chorume também ajuda as plantações a recuperar das geadas.
Pode usar o que sobrar para reforçar o composto.

A arte de aproveitar os restos

Qualquer tipo de cinza constitui um fertilizante gratuito e uma boa


barreira contra as lesmas. As preparações com leite fora de prazo
são ótimas para despertar a vida microbiana do solo depois do

86
Dicas úteis de jardinagem

inverno e algumas são muito fáceis de “cozinhar”. Pode, por exemplo,


misturar meio litro de leite com 4,5 litros de água e pulverizar o solo
de manhã e ao serão. Pincelar as folhas com leite ajuda a eliminar
o oídio. A borra de café misturada com água também constitui um
bom fortificante.

A reciclagem
Os adeptos da reutilização de materiais encontrarão inúmeras
soluções originais e possibilidades de praticar uma jardinagem
mais poupada. Poderá iniciar sementeiras a partir de uma mala
velha, por exemplo – basta recortar uma janela longitudinalmente
num dos lados e cobri-la com plástico transparente ou um vidro.
Se utilizar a mesma técnica em embalagens tetra pak e garrafas de
plástico grandes, poderá aproveitá-las para fins semelhantes. Pode
ainda aproveitar os rolos de papel higiénico e as caixas de ovos
em cartão para usar como copinhos biodegradáveis para semear
e depois transplantar.

Garrafas de plástico,
embalagens tetra pak
e malas antigas são
alguns dos recipientes
que pode reaproveitar
e transformar em
canteiros

Na página seguinte: ter excedentes de produção e vizinhos que também


são "agricultores" é o cenário perfeito para trocar ideias e hortaliças

87
Uma HORTA à mão de semear

88
Dicas úteis de jardinagem

Mais alternativas interessantes


Existe mais um trio de ideias amigas do ambiente e da carteira que
pode experimentar.

As trocas

Se tem vizinhos também com o “bichinho” da jardinagem, troque


com eles ideias, experiências, sementes, excedentes, utensílios,
colheitas, etc.

As feiras

São, por excelência, os sítios para fazer descobertas, multiplicar


variedades, trocar sementes ou plântulas... Em suma, para enriquecer
o seu património de legumes ao desbarato. Para ter a certeza de que
adquire plântulas saudáveis e descobrir várias espécies robustas,
saborosas ou caídas no esquecimento, privilegie os produtores de
agricultura biológica ou que tenham adotado a agricultura inte-
grada (baseada em métodos de proteção integrada, que articulam
algumas técnicas da agricultura biológica com o uso consciente e
sustentável de fitofármacos)

As hortas e os jardins coletivos

Não possui jardim privado, mas tem uma enorme vontade de cultivar
os seus próprios legumes? Há cada vez mais jardins partilhados e
hortas sociais à disposição, sobretudo nas cidades, embora também
seja possível encontrá-los no campo. Além de fomentarem o prazer
por sabores incomparáveis e pelo contacto com a natureza, são um
modo de partilhar e conhecer gente.

89
Capítulo 4

As aromáticas
Uma HORTA à mão de semear

Canteiros
cheirosos
Neste livro designamos por “plantas aromáticas” ou “plantas condi-
mentares” todas as ervas que usamos na culinária para temperar e
realçar o sabor dos pratos. Algumas são também plantas medicinais,
utilizadas há séculos pelas suas virtudes curativas.

Para aqueles que têm gosto pela jardinagem e pela horticultura,


as ervas aromáticas são um elemento básico incontornável. São
também ideais para quem dispõe de um espaço reduzido.

Na verdade, estas ervas de que falamos podem provir de espécies


herbáceas (como a salsa), arbustivas (como o alecrim), ou de árvo-
res (como o loureiro, ou a tília); contudo, chamamos-lhes sempre
"ervas". A maioria ocupa pouco espaço e pode ser cultivada em
qualquer lugar: em vasos ou floreiras instalados num terraço ou
nos parapeitos das janelas (tanto no interior como no exterior), ou
ainda diretamente na terra, num pequeno canteiro, numa encosta,
junto a uma ribanceira, entre lajes, etc. Muitas delas são pratica-
mente insensíveis a doenças, pragas e parasitas. Salvo exceções
pontuais, é possível juntar várias espécies no mesmo espaço, já
que, por norma, se dão bem entre si. Crescem de forma continuada
– isto é, produzem novas folhas e rebentos à medida que os seus
ramos vão sendo cortados. A diversidade de sabores que oferecem
potencia o seu uso. São plantas a que recorremos no dia-a-dia para
realçar uma sopa, perfumar um molho, temperar batatas bravas,
aromatizar um mojito ou chá marroquino, entre muitas outras
possibilidades deliciosas.

Para além da utilidade, a maioria dá um toque decorativo a qualquer


canteiro, jardineira ou floreira, graças a folhagens (cinza, verde-vivo,
púrpura, etc.) e inflorescências muito apelativas. Algumas, como
o alecrim e a salva, adquirem a forma de arbustos magníficos se
não forem podadas.

A cereja no topo: a maioria atrai insetos, oferecendo um espetáculo


de dança contínuo entre borboletas, abelhas e zangões, por exemplo.
Resumindo, só trazem benefícios para a biodiversidade!

92
As aromáticas

Tipos de ervas
aromáticas
Nem todas as ervas aromáticas têm a mesma durabilidade. Algumas
têm de ser plantadas anualmente, outras bianualmente e todas
exigem um ou outro cuidado.

Anuais
Manjericão, coentros, salsa e cerefólio, entre outras, são plantas
anuais, ou seja, que não suportam ou aguentam mal o inverno e
que, portanto, deverá voltar a semear ou plantar no ano seguinte.
Note que a salsa e o cerefólio são casos especiais: são bianuais (ou
seja, acabam por morrer no segundo ano), pelo que é preferível
tornar a lançá-los à terra todas as primaveras.

Vivazes
Cebolinho, alecrim, tomilho, salva, hortelã e louro são alguns exemplos
de plantas que resistem ao inverno, conservando-se vivas de ano para
ano. Embora também se integre no grupo das vivazes, a manjerona
pode não sobreviver a temperaturas excessivamente baixas.

A folhagem de algumas é caduca, ou seja, cai no inverno, mas volta


a crescer na primavera (é o caso do cebolinho, do estragão e da
hortelã). Já ervas como a salva, o alecrim, o tomilho e o louro –
todas elas particularmente preciosas no inverno – conservam a
folhagem todo o ano.

Nestas plantas é aconselhável soltar o torrão à volta da raiz a cada


dois ou três anos, para que se tornem mais viçosas. A operação
consiste em arrancar da terra a planta com as raízes, separar os
rebentos laterais mais vigorosos e transplantá-los, de preferência,
para outro local. O resto da planta e das raízes inaproveitadas pode
ser despejado na pilha de composto.

93
Uma HORTA à mão de semear

Algumas aromáticas são denominadas "mediterrânicas", por serem


comuns e se adaptarem ao nosso clima. Estas plantas são reco-
nhecíveis pela folhagem mais acinzentada, seca e perfumada, que
liberta aromas a alecrim, tomilho, verbena, salva, etc. São muito
resistentes e cultivadas como as restantes.

O manjericão resiste
mal às temperaturas
baixas, pelo que é
necessário tornar a
plantá-lo anualmente

Onde plantar as
ervas aromáticas?
Perto da cozinha e ao sol! Mantenha uma tesoura de jardinagem ou
de podar por perto. O solo deve ser leve e ter boa drenagem. Estas
plantas têm de ser regadas regularmente, mas com moderação. Tenha
cuidado, porque detestam água em excesso e solos muito pesados.
Também não apreciam temperaturas muito baixas e correntes de ar
(esta regra é particularmente válida para o manjericão). Se for o caso,
corrija o solo com húmus ou turfa antes de avançar para as plantações.

Resumindo: o ideal é plantá-las perto da cozinha, sobre um muro


ou junto a uma parede que goze de boa exposição solar e ao
abrigo do vento.

94
As aromáticas

A instalação
Coloque as anuais à frente e as vivazes atrás; as mais pequenas mais
perto e as maiores ao fundo. Se pretende cultivar hortelã, por exem-
plo, coloque-a num vaso, pois as suas raízes invadem rapidamente
o terreno; o mesmo é válido para a erva-cidreira. Se faz questão de
plantar estas variedades na terra juntamente com outras plantas
aromáticas, enterre-as com o vaso.

Numa roda de carroça


Pouse uma roda de carroça no chão e disponha em cada “fatia” uma
planta diferente. Este tipo de estrutura permite delimitar bem as
espécies e dá-lhes uma disposição muito prática, porque facilita o
acesso e as tarefas de manutenção. Mesmo que não tenha como
recorrer a uma roda de carroça, pode igualmente criar um canteiro
redondo de ervas aromáticas. O princípio é igual, só que terá de
delimitar as áreas com lajes, seixos ou objetos como gargalos de
garrafas, por exemplo. Para instalar o canteiro sobre um relvado,
cubra o solo com cartão antes de preencher os compartimentos
com substrato.

Numa manta de retalhos


Esta técnica consiste em aplicar a lógica da roda de carroça, com
a diferença de que as plantações são organizadas em quadrados
ou retângulos, subdivididos em formas geométricas distintas (em
fila, em quadriculado ou em losango), ou ainda recriando motivos,
como numa tapeçaria.

Entre lajes e azulejos


Os espaços que sobejam entre as lajes ou azulejos que desenham
caminhos também podem servir para cultivar. Há quem opte por

95
Uma HORTA à mão de semear

deixá-los um pouco mais largos do que é habitual, para aí plantar


tomilho ou orégãos, por exemplo. Estas culturas podem ser cortadas
como se fossem relvado.

Há também quem opte por um sistema axadrezado num cantinho do


pátio. Para o fazer, é necessário eliminar alguns azulejos ou lajes (de
forma aleatória ou reproduzindo um tabuleiro de xadrez). Desde que
os espaços sem azulejo disponham de terra em condições, poderão
acolher as plantações, dando um toque poético ao quintal.

Os vasos são a
melhor opção
para plantar ervas
aromáticas invasoras,
como a hortelã e a
erva-cidreira

Numa pequena horta urbana


Pode instalar uma pequena horta urbana no chão de um jardim ou
de um pátio, ou, se tiver uma estrutura com pés, criar uma horta
elevada. A estrutura pode ser feita a partir de materiais como tábuas,
ramos de salgueiro entrelaçados ou ainda tela geotêxtil. As lojas de
jardinagem comercializam estruturas de tela geotêxtil apropriadas
para plantas; assemelham-se a grandes sacos e são ideais para pousar
no canto de um pátio. Para dar um toque rústico à sua plantação
de ervas aromáticas, utilize troncos para delimitar uma área com
a forma de um quadrado e preencha-a com vasos.

Outras possibilidades que pode


explorar incluem…

• Fazer uma composição com vasos de diferentes tamanhos


num pátio.

96
As aromáticas

• Aproveitar as aromáticas para fins decorativos, associando, por


exemplo, num tanque ou noutro recipiente de grande dimensão,
alecrim, calêndulas, salva, tomilho, borragem, erva-cidreira e
funcho (cujas sementes formam a conhecida erva-doce, uma
especiaria bastante usada na nossa culinária).

• Optar pelo cultivo vertical, usando paletes ou vasos adequados.

• Trazer as aromáticas para dentro de casa. A salsa, o manjericão,


os orégãos, o cerefólio, o cebolinho e o tomilho dão-se bem se
forem agrupados numa floreira instalada na cozinha.

• Plantar nos buracos de um velho muro ou parede.

• Instalar um canteiro só para estes condimentos a um canto ou


junto ao caminho do jardim.

• Misturar com outros tipos de plantações para obter um belo


canteiro variado.

• Criar um pequeno jardim de cheiros – ou seja, reunir num can-


teiro várias plantas perfumadas.

• Implementar um jardim medieval, destinado apenas a ervas


aromáticas e medicinais.

Plantar ou
semear?
No caso das aromáticas vivazes, é preferível optar por comprar as
plântulas em pequenos vasos. Já as anuais podem ser semeadas.
Contudo, se o que pretende é ter apenas uma ou duas espécies, torna-
-se mais prático comprá-las já em vasos. Escolha plantas viçosas e
com um ar saudável.

97
Uma HORTA à mão de semear

Em vasos:
sim ou não?
Prós
• Ideais para instalar plantas condimentares num pátio, pequeno
quintal, terraço, varanda ou pequeno jardim sobre o telhado.
• A melhor opção para as espécies invasoras, como a hortelã e
a erva-cidreira.
• Boa solução para as plantas friorentas, como a manjerona, pois
permite abrigá-las dentro de casa no inverno.

Contras
• O substrato aquece mais depressa nos vasos. Por esse motivo,
torna-se necessário redobrar os cuidados com a rega e manter
uma vigilância atenta.
• O fundo de cada vaso deve ser preparado de modo a permitir
um bom escoamento, já que, por norma, as raízes destas plantas
não gostam de ficar submersas.
• Algumas plantas necessitam de transplantações anuais.

As plantas
aromáticas no
inverno
No inverno pode proceder ao empalhamento generoso junto do pé
das plantas vivazes para proteger as raízes. Para o fazer, privilegie
folhas mortas, palha ou fetos, pois não tendem a ficar impregnados
de água. Em invernos rigorosos, é aconselhável aplicar também um
véu em torno das variedades de folhagem persistente.

98
As aromáticas

A colheita deve acontecer de manhã cedo. Selecione as folhas e


os ramos novos; passe-os por água corrente e sacuda-os antes de
congelar ou secar.

Na congelação é aconselhável colocar as folhas trituradas dentro


de um saco ou caixa de plástico, de modo que seja simples servir-se
delas sempre que precisar. Aproveite a ocasião para fazer o mesmo
com as favas, as folhas de aipo, o feijão-verde, etc., pois dar-lhe-á
muito jeito tê-los prontos e à mão para as sopas no inverno.

A secagem é feita numa divisão arejada, com bastante sombra e uma


temperatura ambiente de cerca de 20°C. Una os ramos e folhas em
pequenos molhos virados para baixo, ou espalhe as folhas num pano
leve e pouse-o sobre uma grelha. Quando as folhas estiverem bem
secas (devem apresentar-se quebradiças quando lhes toca), guarde-
-as em frascos hermeticamente fechados, de preferência num local
escuro. Também pode secar as folhas no micro-ondas. Caso pretenda
arrumar os frascos numa estante, fixe as tampas com parafusos por
baixo da prateleira, para tornar o uso mais prático. Sempre que precisar
de servir-se dos condimentos, bastará desatarraxar os frascos. Para
tornar os frascos mais decorativos, dê-lhes umas pinceladas com tinta
e utilize giz para os rotular com os nomes das plantas que contêm.

Legenda dos pictogramas

Plantar Época

Semear Exposição solar

Empalhamento/mul- Plantar ou semear


ching (espalhar uma cober-
tura vegetal seca ou palha Colher
entre as plantações)
Boas associações
Regar
Más associações
Corrigir (melhorar a
qualidade do solo) Inimigos e pragas

99
Uma HORTA à mão de semear

Duas sugestões
culinárias simples
Não é difícil colher inspiração nos perfumes de um jardim de aro-
máticas e levá-los para a cozinha. Em todo o caso, damos “uma
mãozinha”...

Aprenda a fazer um
bouquet garni e a
potenciar o sabor dos
seus cozinhados

O bouquet garni
O bouquet garni (que podemos traduzir como “ramo de cheiros”)
é composto por um conjunto de ervas aromáticas e usado para
temperar pratos e molhos, conferindo-lhes um sabor incomparável.

100
As aromáticas

O princípio resume-se a fazer um ramalhete de diferentes plantas


aromáticas, unidas com um cordel, e colocá-lo no tacho para dar
sabor aos cozinhados sem deixar que as ervas se espalhem. Deve
ser introduzido no tacho desde que se inicia a cozedura e é retirado
imediatamente antes de servir.

O bouquet garni clássico é composto por um raminho de tomilho,


dois de salsa e uma folha de louro seca. Porém, todas as inovações
são possíveis: acrescentar um ramo de aipo e uma tira de alho-
-francês ou de salva, de alecrim, etc.

Para fazer um ramo de cheiros mais elaborado, prepare dois ramos


de salsa, um mais pequeno de aipo, uma folha de louro, dois ramos
de tomilho, um de alecrim, duas tiras de alho-francês e um pedaço
de fita ou cordel que possa ser utilizado em cozinhados. Pouse todos
os ingredientes sobre uma das tiras de alho-francês e cubra-os com
a outra tira. Enrole o ramo de cima a baixo com o cordel e corte as
plantas que sobejarem por fora das folhas de alho-francês.

É preferível usar ramos de cheiros frescos. Contudo, por uma


questão prática, há quem prefira preparar vários de uma vez
para congelação.

O vinagre de estragão
Para o confecionar, necessitará de um litro de vinagre de vinho
branco, cinco molhos de estragão fresco e duas colheres de sopa de
grãos de mostarda. Ponha o vinagre a ferver. Amachuque o estragão,
por forma a conseguir introduzi-lo numa garrafa, e junte o vinagre
quente; feche a garrafa apenas quando este tiver arrefecido. Deixe
repousar durante duas semanas ao abrigo da luz e do calor. Findo
esse período, filtre o vinagre enquanto o despeja noutra garrafa e
acrescente os grãos de mostarda, bem como alguns ramos de estra-
gão fresco, antes de a fechar.

Para preparar vinagre com alho e manjericão, o processo é semelhante.


Nesse caso, deve utilizar vinagre de vinho tinto e deixar macerar
quatro dentes de alho cortados e algumas folhas de manjericão,
filtrando o vinagre um mês após a confeção.

101
Uma HORTA à mão de semear

Alecrim
Rosmarinus officinalis

Características
Esta planta mediterrânica é extremamente fácil de cultivar e adapta-
-se bem à maioria dos jardins e hortas. É muito resistente ao frio,
aguentando temperaturas de até -10°C. Tanto pode ser cultivada
em vasos, como na terra do jardim.

Trata-se, na verdade, de um arbusto capaz de atingir 1 a 1,5 metros de


altura na fase adulta, sendo que pode sempre podá-lo se pretender
limitar o seu crescimento. É apreciado em alguns cozinhados e também
pelo efeito decorativo que, com as suas flores azuis, proporciona.

É valioso na horta enquanto repelente de insetos como a mosca-


-do-feijão e a mosca-da-cenoura.

As suas folhas muito aromáticas são um ótimo condimento para


grelhados, peixes, legumes e molhos. É, juntamente com o louro
(páginas 116-117), a salsa (páginas 124-125) e o tomilho (páginas 128-129),
um dos elementos de base dos ramos de cheiros (aprenda a confecioná-
-los nas páginas 100-101).

Cultivo
Tal como a maioria das plantas mediterrânicas, o alecrim precisa de
sol. O tipo de solo predileto é leve e pouco rico, mas adapta-se muito
bem a solos normais. A única coisa que esta planta não aprecia é
ter as raízes mergulhadas na água. O alecrim pode ser plantado no
outono ou na primavera. Quando atinge a fase adulta, é aconselhável
podar os ramos mortos para estimular o crescimento. Esta prática
torna-se necessária se pretender reduzir a sua envergadura. Se for
o caso, faça-o na primavera, após a floração.

102
As aromáticas

O empalhamento não é necessário, mas poderá revelar-se útil em


invernos muito rigorosos.

Regue pouco, pois o alecrim não gosta de humidade.

Os solos muito ricos em nutrientes prejudicam o perfume do ale-


crim. Não aplique fertilizantes.

O alecrim propaga-se
com facilidade, pelo
que é fácil multiplicá-
-lo para obter novas
plantas. A parte
enterrada desen-
volve raízes e novas
plantas. Na primavera
seguinte, basta cortar
com uma pá a ligação
entre a planta-mãe e
os novos rebentos.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Brócolos e outras variedades de couve, cenoura, ervilha, feijão, nabo e salsa

Abóbora, batata, curgete, melão e pepino

Excesso de humidade e falta de sol

103
Uma HORTA à mão de semear

Cebolinho
Allium schoenoprasum

Características
Fácil de cultivar, saboroso, decorativo graças às suas folhas de cor
verde-viva e flores lilases, o cebolinho é uma aromática soberba. Esta
“erva todo-o-terreno” tanto se dá no parapeito de uma janela como
num pátio ou numa horta. Também pode instalá-la num canteiro
de flores ou nos rebordos do jardim.

É uma planta rústica, que resiste a temperaturas muito baixas (até


-20°C), garantindo folhas delicadas desde a primavera até novembro.
Generosa e resistente, possui folhas que, depois de serem cortadas,
voltam a crescer. Esta folhagem desaparece no inverno, mas torna
a surgir no ano seguinte.

Faz boa companhia aos legumes e rosas, pois protege-os dos pulgões
e da doença das manchas negras (um fungo). Rico em vitamina K e
em sais minerais, é um elemento indispensável na gastronomia. O
seu sabor pronunciado é usado para condimentar queijos, mantei-
gas, alfaces e outras hortaliças cruas, molhos, sopas, omeletes, etc.

Cultivo
O cebolinho aprecia solos frescos (mas não excessivamente húmidos),
férteis e soltos, expostos ao sol ou a meia-sombra. A sementeira
faz-se de abril a maio, em sulcos com um ou dois centímetros de
profundidade. Caso adquira mudas de cebolinho em pequenos vasos
de plástico, molhe bem o torrão de terra da raiz antes de o trans-
plantar para o jardim. A cada três anos, desenterre a planta e separe
as várias pequenas plântulas, de modo a garantir plantas viçosas.

104
As aromáticas

O empalhamento não é indispensável, mas desejável, já que o cebo-


linho aprecia solos frescos. Além disso, ajuda a neutralizar as ervas
daninhas.

Pulverize com água durante a sementeira ou a plantação. A seguir,


regue apenas nos períodos de seca.

Caso plante numa horta, adicione estrume ou composto no outono.

Se vai fazer cultivo


em vasos num pátio,
transplante as plân-
tulas compradas em
copinhos para vasos
maiores, com 20 cen-
tímetros de diâmetro,
preenchidos com uma
mistura de terra do
jardim e substrato.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Cenoura, groselha, morango e pepino

105
Uma HORTA à mão de semear

Cerefólio
Anthriscus cerefolium

Características
As lesmas não toleram o cheiro do cerefólio. É por isso que as horta-
liças preferidas dos gastrópodes, como as couves, apreciam tanto a
companhia do cerefólio. Este condimento é ainda eficaz a proteger
as plantações do míldio. Assim, também as hortaliças vulneráveis
a este fungo (sobretudo o tomate) gostam da sua vizinhança. Por
estes motivos, os adeptos da jardinagem natural recomendam a
plantação de cerefólio ao redor dos canteiros de legumes.

Esta erva de sabor subtil e delicioso é muitas vezes usada nas sopas
(junte uma mão-cheia de cerefólio fresco picado no fim da cozedura
das sopas verdes). É também um ótimo condimento para saladas,
carnes, peixes e grelhados.

Cultivo
À semelhança da salsa (planta que pertence à mesma família), o
cerefólio dá-se bem em solos ricos em húmus, soltos, frescos e com
boa drenagem. Gosta da exposição solar, mas no pico do verão é
preferível arranjar-lhe um lugar com alguma sombra. Semeie em
sulcos com dois centímetros de profundidade. Calque ligeiramente
a terra e regue por aspersão. Quando as plântulas despontarem e
apresentarem algumas folhas, elimine parte delas, de modo a espaçá-
-las. Corte os caules com flores assim que começarem a florir, para
que as folhas brotem de forma mais viçosa e para impedir que as
sementes se espalhem de modo descontrolado.

Adicionar uma camada de empalhamento ajuda a manter a terra


fresca. Caso opte por não recorrer a esta técnica, procure eliminar

106
As aromáticas

regularmente as ervas daninhas, para que não absorvam os nutrien-


tes de que o cerefólio necessita.

Regue regularmente, pois o cerefólio aprecia terras húmidas.

Incorpore um pouco de composto na terra.

As loções à base desta


aromática são ótimos
tónicos para o rosto
e pode prepará-las
em casa: basta colo-
car uma infusão com
três colheres de sopa
de cerefólio em água
a ferver.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Alface, cenoura, couves, rabanete e tomate

107
Uma HORTA à mão de semear

Coentro
Coriandrum sativum

Características
Também denominado “salsa marroquina” em alguns países, o coentro
é uma planta aromática de aspeto semelhante à salsa. Cultiva-se
sem dificuldade, tanto em floreiras, como em caixas de sementeira
e na terra.

Os coentros são ricos em antioxidantes e apreciados pelo seu toque


exótico tanto na gastronomia asiática e oriental, como na indiana e
sul-americana. O sabor fresco muito característico leva a que sejam
muito apreciados por uns e totalmente rejeitados por outros. As
folhas e as sementes podem ser usadas tanto em preparações quentes
como em saladas. No caso dos cozinhados, as folhas só devem ser
adicionadas no fim, porque a cozedura elimina o seu sabor.

Cultivo
Os coentros devem ser semeados e não plantados, pois têm as raízes
muito frágeis e não suportam a transplantação. Escolha um local
quente e abrigado das correntes de ar, e uma terra de textura leve
e humífera. Com o calor, a planta tende a desenvolver sementes a
bom ritmo. Deve ser regada regularmente durante o crescimento.
Procure escalonar a sementeira, por forma a prolongar a fase da
colheita. Corte as folhas antes que se desenvolvam as sementes,
podando os caules de forma rente ao chão, ou colha as sementes.
Para evitar o desperdício, pode congelar ou secar estas folhas. Em
caso de invasão de pulgões, pulverize os coentros com uma mistura
de água com sabão negro.

O empalhamento não é indispensável, mas há a necessidade de


desbastar as ervas daninhas com frequência.

108
As aromáticas

Regue regularmente durante o tempo seco.

Não se deve corrigir o solo com estrume ou adubos orgânicos na


altura da sementeira, porque os coentros não se dão bem em solos
ricos em azoto.

Os coentros libertam
um cheiro peculiar
que alguns insetos não
toleram. Afugentam
os doríforos (espé-
cie de besouros) dos
jardins e funcionam
também como repe-
lentes dos piolhos no
cabelo. Para o efeito,
basta colocar algumas
gotas de óleo essencial
de coentros atrás das
orelhas.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Batata, cebola, cenoura, couve-de-bruxelas e couve-flor

Funcho

Pulgão

109
Uma HORTA à mão de semear

Erva-cidreira
Melissa officinalis

Características
Esta erva é da família da hortelã, mas exibe sabor e cheiro seme-
lhantes aos do limão.

Muito fácil de cultivar, dá-se bem tanto em vasos como na terra. As


suas florinhas amarelas e folhagem verde ornamentam na perfeição
a orla dos caminhos, e basta passar o corta-relva para controlar o
seu crescimento.

É uma ótima companhia para todas as hortaliças, assim como para


as roseiras, para as árvores de fruto e até para os seres humanos, pois
exala um cheiro a limão que repele mosquitos, moscas e pulgões.

Cultivo
Aprecia solos férteis, de textura leve e argilosa. Embora se adapte
a qualquer tipo de terreno, esta planta prefere uma mistura de
substrato com terra do jardim e areia, sobretudo se se destinar à
cultura em vaso. A sua única exigência é ser cortada, rente à terra,
duas vezes por ano: em março, para eliminar os caules antigos, e em
julho, para que se torne mais viçosa. Volta a crescer muito depressa.

Não necessita de empalhamento.

Só necessita de rega nos primeiros dois meses após a plantação.

Adicione um pouco de composto na cova da plantação.

110
As aromáticas

A erva-cidreira é
uma planta inva-
sora. Cultive-a em
vasos ou na orla do
jardim, num canto
onde possa contorná-
-la facilmente ao
passar com o corta-
-relva. Para evitar que
a planta se propague,
corte as flores mal
apareçam.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Fava, feijão, frutos e roseira

111
Uma HORTA à mão de semear

Estragão
Artemisia dracunculus

Características
Depois de ser bem instalado, o estragão é muito fácil de cultivar.
É uma planta generosa, que produz folhas desde a primavera até
ao final do verão. Adapta-se bem ao cultivo em vasos, podendo ser
instalado em pátios e varandas.

O estragão é rico em antioxidantes, vitamina K, ferro e manganésio.


Empresta um aroma agradável a molhos, carnes de aves, saladas
e vinagres, entre outros.

Cultivo
Compre o estragão em vasos, mas não tarde a transplantá-lo para
vasos maiores, porque as raízes necessitam de espaço. Esta planta
requer um solo saudável, com boa profundidade e textura leve
(não necessariamente rico em nutrientes), para que as raízes se
possam desenvolver à vontade. Se o terreno for muito compacto,
procure aligeirá-lo com areia. Renove a plantação a cada três a
cinco anos.

O estragão é friorento. No início do inverno, corte a planta muito


curta, proteja os tufos com terra e cubra-os com empalhamento
seco. No verão, o empalhamento também é útil, pois evita que a
terra fique ressequida.

É importante regar regularmente o estragão nos primeiros tempos


após a plantação, para favorecer o crescimento das raízes (evite
exageros, para que estas não apodreçam). Durante a fase de cres-
cimento, esgravate a terra em torno do estragão com uma enxada,
para afastar a concorrência das ervas daninhas e o efeito “crosta”.

112
As aromáticas

No momento da plantação, incorpore um bom composto na terra.

O estragão é uma
planta algo capri-
chosa. O solo não
pode ser nem dema-
siado húmido, nem
excessivamente seco e
deve ter uma textura
leve (se for compacto,
arrisca-se a asfixiar
a planta). O espaço
escolhido para plan-
tar deverá ser, prefe-
rencialmente, enso-
larado, mas abrigado
do vento. Uma vez
reunidas estas con-
dições, desenvolve-se
muito bem.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Beringela, malagueta e pimento

Alcachofra, alface e endívia

Ferrugem (rara), oídio e pulgão

113
Uma HORTA à mão de semear

Hortelã
Mentha spicata

Características
Existem muitas espécies semelhantes de hortelã (do género Mentha),
sendo a mais comum a Mentha spicata. A hortelã comum é uma planta
resistente ao frio, muito apreciada pelo seu aroma fresco e tónico.

Fácil de cultivar, requer pouca manutenção. É feliz tanto no jardim,


como em vasos, devendo, neste último caso, ser cultivada individual-
mente por se tratar de uma planta invasora. Repele vários insetos,
assim como pulgões e formigas, o que a torna uma excelente com-
panhia para os legumes da horta.

As folhas secam facilmente e podem ser conservadas em frascos


para consumir no inverno. A hortelã é um excelente digestivo, con-
tém antioxidantes e vitamina K. Nos cozinhados é apreciada pelo
sabor intenso que confere a molhos, cocktails, sobremesas, chás
e infusões, pratos de carne ou de peixe ou ainda saladas de fruta.

Cultivo
Deve ser plantada na primavera. Aprecia solos frescos, ricos e
pesados, em locais a meia sombra e ao abrigo do vento. A hortelã é
extremamente fácil de cultivar e cresce como as ervas daninhas: as
suas raízes rastejantes espalham-se rapidamente, transformando-
-a numa planta invasora. Por esse motivo, é costume aconselhar
o seu isolamento num vaso. Mesmo que a queira colocar na terra
do jardim, deve fazer o transplante mantendo a planta dentro do
vaso, pois ajuda a delimitar a expansão das raízes. Pode igualmente
plantar num cantinho do relvado e contrariar o crescimento, pas-
sando o corta-relva com regularidade. Em novembro, corte os caules,
deixando-os com uma altura de poucos centímetros acima do solo.

114
As aromáticas

Em caso de geadas fortes, pondere proteger a planta com uma boa


dose de empalhamento.

Regue os vasos. Se plantar diretamente na terra de um jardim, regue


apenas quando o tempo estiver seco, mas sem exageros.

Não é preciso adicionar fertilizantes.

Tal como a alfa-


zema, tem um aroma
intenso que afasta
os insetos (nomea-
damente as traças),
pelo que é útil colocá-
-la nos armários.
Também pode ter
bom uso nos sótãos,
pois ajuda a afugentar
os roedores.

Meia-sombra

J F M A M J J A S O N D

Brócolos e outras variedades de couve, camomila, ervilha, nabo, rabanete e tomate

Cenoura, milho, pepino e pepino-miniatura

Oídio

115
Uma HORTA à mão de semear

Louro
Laurus nobilis

Características
O loureiro é um arbusto de grande porte que pode crescer até ao
tamanho de uma pequena árvore. Chega a atingir os dez metros de
altura quando é plantado individualmente. Porém, graças à sua bela
folhagem, pode também ser plantado em fila e tratado de modo a
formar sebes. Se o colocar num canteiro de ervas aromáticas, deverá
podá-lo regularmente para travar o crescimento. O mesmo é válido
para o cultivo em vasos, mesmo no interior de casa, no parapeito
de uma janela. Resiste a temperaturas negativas extremas, de até
-18°C, e trata-se de uma planta de folha persistente, pelo que poderá
usufruir do aroma das folhas de louro ao longo de todo o ano.

Esta espécie é um dos elementos básicos dos ramos de cheiros (reveja


algumas “receitas” de combinações possíveis nas páginas 100-101).
As folhas de louro também podem ser utilizadas isoladamente para
condimentar vários tipos de cozinhados e molhos.

Cultivo
Esta planta mediterrânica aprecia espaços soalheiros e cresce em
qualquer tipo de terreno (inclusive em solos áridos e pobres). Porém,
como é gulosa, prefere terras com boa profundidade, ricas em nutrien-
tes e frescas. Plante-a no início da primavera, numa cova profunda,
com 50 centímetros de diâmetro e de profundidade, adicionando
estrume ou um bom composto à terra. Terá de esperar um ou dois
anos até que a planta se desenvolva. Caso opte pelo cultivo em
vasos, troque o vaso e a terra a cada dois a três anos.

Apesar da resistência às temperaturas muito baixas, é aconselhável


proteger o loureiro durante o inverno, nomeadamente através do

116
As aromáticas

empalhamento na zona do pé. Caso o inverno seja muito rigoroso,


é boa ideia cobrir a planta com um véu.

Só precisa de rega quando faz muito calor. Se o cultivar em vaso,


evite as águas estagnadas.

Adicione adubo orgânico durante a primavera. Caso opte por plan-


tar em vasos, junte um pouco de fertilizante para plantas verdes
(orgânico, de preferência) uma vez por mês.

Não deposite folhas


de louro murchas
na pilha de com-
posto, pois contêm
substâncias tóxicas
para as minhocas.
Atenção: não con-
funda o louro com o
loendro (também cha-
mado sevadilha) ou
com o louro-cerejo (ou
loureiro-real), pois são
ambos tóxicos para
os humanos.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Alecrim e tomilho

Vinha

117
Uma HORTA à mão de semear

Manjericão
Ocimum basilicum

Características
Uma planta aromática anual que produz folhas tenras com sabor
pronunciado e está fortemente associada aos cozinhados de verão.
Relativamente fácil de cultivar, o manjericão é ideal para quem dá
os primeiros passos na jardinagem. Tanto pode ser cultivado em
vasos, como na terra, no exterior ou no interior.

Para além de afugentar os mosquitos, é um bom companheiro para


diversos legumes, pois repele também os pulgões e as moscas-da-
-cenoura. O manjericão é ainda antioxidante.

Pode ser consumido cru ou cozido, pelo que tanto serve para aro-
matizar pratos de vegetais “ao natural”, como refogados de legu-
mes, massas ou azeites. É um condimento básico para aromatizar
especialidades como a famosa salada de tomate com mozarela e o
molho pesto.

Cultivo
Semeie o manjericão a partir de março/abril, em pequenos vasos
que deve pousar no parapeito de uma janela, no interior de casa.
Transplante-o para vasos de maiores dimensões ou diretamente
para a terra do jardim nos meses de maio ou junho. O manjericão
aprecia locais soalheiros, mas não excessivamente escaldantes, e
solos leves, ricos e humíferos. Deve ser podado com regularidade.
Apare o caule principal quando atingir dez centímetros. Não o deixe
florescer, a menos que pretenda recuperar sementes. Nesse caso,
deixe apenas um caule crescer. Evite instalá-lo junto de uma rua,
pois corre o risco de não se desenvolver.

118
As aromáticas

O manjericão necessita de sol e de terra fresca. O empalhamento


é importante pois permite manter as raízes abrigadas das tempe-
raturas elevadas.

Regue diariamente em épocas de muito calor. O manjericão não


suporta terras muito secas, mas também não aprecia que estejam
excessivamente molhadas.

Se cultivar em vasos, é aconselhável adicionar adubo orgânico algumas


semanas após a sementeira, quando a terra começa a perder nutrientes.

Se comprar mudas
de manjericão em
pequenos vasos, trans-
plante-as para vasos
de maior dimensão,
com uma camada de
gravilha ou leca para
drenagem no fundo,
e pode-as até que
fiquem com metade
do tamanho. Assim
terão plena saúde
e voltarão a crescer
com mais vigor.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Alecrim, camomila, cucurbitáceas, funcho, tomate e tomilho

Oídio e podridão cinzenta (em casos raros)

119
Uma HORTA à mão de semear

Manjerona
Origanum majorana

Características
Pertence à família dos orégãos, e há quem confunda as duas plantas,
mas, na verdade, a manjerona liberta um perfume mais intenso.
Tanto pode ser plantada em vasos, como diretamente na terra
do jardim. É uma planta soalheira. Contenta-se com solos secos
e pobres, pelo que, tal como o tomilho, adapta-se perfeitamente
em zonas rochosas, sobre muros ou entre lajes. Para conservar as
folhas, deve secá-las primeiro, uma técnica que permite conservar
a maioria das suas propriedades.

Tal como o tomilho, a manjerona entra frequentemente na com-


posição dos ramos de cheiros (veja as páginas 100-101) e de outras
misturas de ervas aromáticas. É usada para condimentar diversas
especialidades culinárias (molhos, carnes, recheios, manteigas aro-
matizadas, etc.), devendo ser adicionada apenas no final da cozedura
para preservar todo o aroma.

Cultivo
Escolha um espaço quente e abrigado do vento e uma terra de tex-
tura leve. Para favorecer a formação de folhas, corte as flores assim
que os botões brotarem. Se podar a planta de modo a limitá-la a
15-20 centímetros de altura no final do verão, ajudará a estimular
o crescimento de novos rebentos.

Trata-se de uma planta vivaz. Contudo, como não resiste bem ao


frio, muitas vezes torna-se necessário voltar a plantá-la anualmente.
Não perde nada em tentar que sobreviva às temperaturas baixas
do inverno: plante-a sobre um montículo e proteja-a com empalha-
mento ou uma campânula.

120
As aromáticas

A manjerona não aprecia ter as raízes banhadas em água. Regue


apenas quando o tempo estiver muito seco.

É inútil e até nefasto corrigir o solo com fertilizantes ou adubos.

Quando arrancar as
flores, não as deite
fora. Como são comes-
tíveis, pode usá-las
para decorar saladas.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Todos os legumes

121
Uma HORTA à mão de semear

Orégão
Origanum vulgare

Características
Muito fácil de cultivar, o orégão, também apelidado “manjerona
selvagem” (não confundir com a manjerona, à qual dedicamos as
páginas 120-121), resiste bem às doenças e aos insetos nefastos (à
exceção das aranhas-vermelhas).

Pode ser cultivado na terra ou em vasos. Adapta-se a todo e qual-


quer espaço, mas adquire um sabor mais intenso se beneficiar de
uma boa dose de sol. É uma planta vivaz, com a vantagem adicional
de exalar um aroma agradável, muito apreciado. É também muito
elegante: possui pequenas folhas verdes e flores cor-de-rosa que
o tornam bastante decorativo e perfeitamente integrável em can-
teiros de flores.

Faz boa companhia à maioria das hortaliças e é também útil para


as árvores de frutos, porque atrai os insetos forrageadores, como
as abelhas. É uma planta muito melífera.

Na culinária, os orégãos, cujas folhas são consumidas secas, consti-


tuem a erva aromática por excelência das pizas, podendo também
ser usados para condimentar pratos à base de tomate, grelhados,
vinagre, etc.

Cultivo
Escolha um local com boa exposição (quente e protegido do vento)
e uma terra de textura leve, fértil e com boa drenagem. Depois de
atingir um estado avançado de desenvolvimento, esta planta vive
de forma quase autónoma. Bastará podar os caules secos no fim
do inverno (em fevereiro ou março) para favorecer o crescimento.

122
As aromáticas

Embora suporte bem o frio, uma boa camada de empalhamento é


bem-vinda para ajudar a enfrentar os dias de inverno mais rigorosos.

Se plantar orégãos no exterior, regue-os quando o tempo estiver


seco. Faça-o com maior regularidade se plantar em vasos, mas sem
deixar acumular água estagnada na base.

Não é necessário corrigir o solo.

As folhas e sobretudo
as inflorescências
do orégão são ricas
em óleos essenciais.
Colha as flores assim
que brotarem e
ponha-as a secar de
pés para o ar.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Abóbora, couve, feijão e vinha

Tomilho

Aranha-vermelha

123
Uma HORTA à mão de semear

Salsa
Petroselinum crispum

Características
Esta é outra planta indispensável na nossa gastronomia e, por sinal,
muito simples de cultivar. É pouco exigente, pelo que tanto a pode
instalar diretamente na terra, como em vasos, num pátio ou mesmo
num espaço interior, junto a uma janela.

Seja crua ou cozinhada, a salsa constitui um dos elementos essen-


ciais dos ramos de cheiros (reveja-os nas páginas 100-101), sendo
também usada para temperar saladas, carnes, legumes, molhos,
etc. Combina maravilhosamente bem com alho e manteiga para
condimentar cogumelos, grelhados e marisco. A salsa lisa tem um
pouco mais de sabor do que a frisada.

É de fácil digestão, riquíssima em vitaminas C e K, e contém também


muito ferro e magnésio.

Cultivo
Embora se trate uma planta bianual, o seu canteiro ou vaso de salsa
será mais viçoso se a voltar a semear todos os anos; pode fazê-lo
entre março e agosto. Escolha um solo fértil, humífero e com boa
drenagem, e um local soalheiro ou com pouca sombra. Cubra o
sulco da plantação com substrato peneirado. A salsa demora algum
tempo (três semanas) a despontar. Desbaste a plantação quando os
rebentos apresentarem três ou quatro folhas. Procure escalonar
a sementeira de modo a ter salsa à disposição durante uma longa
temporada. Se a comprar já em vasos, deverá transplantá-la em
abril. Caso se destine a ser cultivada num pátio, considere instalá-la
num vaso grande, porque as raízes precisarão de espaço.

124
As aromáticas

Esta tenra planta aromática não aprecia a concorrência das ervas


daninhas e prefere os solos frescos. O empalhamento é, por isso,
precioso. Em alternativa, pode optar por sachar a terra regularmente.

Mantenha a terra sempre húmida, mas não muito molhada.

Não plante salsa numa terra recentemente misturada com estrume.


Esta espécie aprecia solos ricos em nutrientes, mas não ácidos.

Para acelerar o pro-


cesso de germinação,
demolhe as sementes
em água na noite
anterior à sementeira.
Depois de as colocar
na terra, cubra o sulco
com folhas de jornal
durante duas sema-
nas para favorecer o
crescimento.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Alecrim, beringela, espargo, rabanete e tomate

Aipo, alcachofra, alface, alfazema, alho-francês, cenoura, endro, ervilha e feijão

125
Uma HORTA à mão de semear

Sálvia
Salvia officinalis

Características
As suas grandes folhas aveludadas verde-acinzentadas, o facto de
se desenvolver sob a forma de um pequeno arbusto e de formar
hastes com flores roxo-azuladas fazem da sálvia não só um precioso
condimento na cozinha, como um elemento decorativo no jardim.
Cuidado, contudo, ao escolher a planta: existem muitas variedades
de sálvia, umas puramente ornamentais e outras mais ou menos
arbustivas. A Salvia officinalis é a que pode utilizar como condi-
mento na cozinha.

Fácil de cultivar, tanto em vasos como na terra, esta planta cresce


ano após ano, exibindo uma folhagem cada vez mais frondosa.
Apresenta ainda a vantagem de ser muito resistente a pragas,
doenças e parasitas.

É extremamente preciosa para os jardineiros, porque, para além de


melífera (atrai os insetos desejáveis), é repulsiva para a borboleta-
-branca-da-couve, responsável pela destruição de couves (como a
couve-flor), nabos, chagas, etc. É um excelente tempero para molhos,
carnes, sopas, legumes e produtos de charcutaria.

Cultivo
Escolha um espaço com boa exposição solar e uma terra relativa-
mente fértil e dotada de boa drenagem. Apesar destas recomen-
dações, um solo seco e pobre em nutrientes não impede a sálvia de
se desenvolver. Para uma cultura em vasos, escolha um recipiente
relativamente grande (20 a 30 centímetros de diâmetro), para que
as raízes tenham espaço para se desenvolverem. Para assegurar
a drenagem da água, reserve uma camada no fundo do vaso com

126
As aromáticas

pequenos seixos rolados, ou gravilha, envoltos em geotêxtil. Deve


podar os caules no fim do inverno, de modo a não se distanciarem
mais de 20 centímetros do chão.

Quando está muito frio, o empalhamento ajuda a proteger as raízes.

Regue o suficiente, de modo a evitar que a planta murche. Em todo


o caso, convém deixar que a terra seque entre regas.

Aprecia solos férteis. Para fertilizar a terra, adicione adubo natural


(composto ou estrume bem decomposto) no fim do outono ou no
início da primavera.

A sálvia tem inúmeras


qualidades. Os seus
ramos afugentam
as lesmas, pelo que
podem ser usados
para empalhamento
nas plantas vulnerá-
veis a estes gastrópo-
des (como as couves
e as alfaces).

Sol

J F M A M J J A S O N D

Alecrim, chaga, couve, couve-flor, morango, nabo e tomate

Alho, alho-francês, brócolos, cebola e pepino

127
Uma HORTA à mão de semear

Tomilho
Thymus vulgaris

Características
Esta planta vivaz possui um aroma muito agradável e quase não
requer cuidados de manutenção. Resiste às geadas desde que o solo
não esteja excessivamente húmido. Se colocadas entre as lajes do
jardim, as variedades trepadeiras podem perfeitamente substituir
parte do relvado e ser aparadas com o corta-relva.

A bonita e prolongada floração do tomilho (de março a agosto) faz


dele uma planta decorativa. Desempenha bem o seu papel quer
como elemento ornamental (numa ribanceira, em vasos, ao longo
dos caminhos do jardim, etc.), quer como condimento.

Apresenta ainda a vantagem de manter os insetos à distância,


pelo que é um precioso vizinho para os legumes vulneráveis à
borboleta-branca-da-couve.

As suas folhas são ricas em óleos essenciais e usadas na culinária


para condimentar grelhados, caldos, ramos de cheiros (como os das
páginas 100-101), marinadas, legumes, etc.

Cultivo
Instale o tomilho ao sol, numa terra de textura leve e pobre em
nutrientes, que pode até ser pedregosa. Para cultivar em vasos,
escolha uma terra não argilosa e porosa e adicione gravilha ao fundo
para assegurar uma boa drenagem. Uma vez instalado, o tomilho
não requer qualquer tipo de manutenção, a não ser uns pequenos
e ocasionais cortes para que a folhagem forme um tufo compacto.
Renove as plântulas a cada três anos, sob pena de os ramos se tor-
narem lenhosos e as folhas perderem o aroma.

128
As aromáticas

Com tempo quente e seco, é aconselhável adicionar empalhamento


junto do pé da planta, de modo a manter o solo ligeiramente húmido.

Basta humedecer ligeiramente a terra, mas só quando ficar resse-


quida, porque a humidade em excesso favorece o desenvolvimento
de fungos que matam as raízes.

Não se deve corrigir o solo.

Muito melífero, o
tomilho atrai as
abelhas como um
íman. Por favorecer
este processo, é pre-
ferível não o instalar
muito perto de casa.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Brócolos e outras variedades de couve

Fungos

129
Capítulo 5

As hortaliças
Uma HORTA à mão de semear

Tipos de hortaliças
e principais
características
Hortaliças de raiz, cucurbitáceas, leguminosas, etc. É importante
conhecer os vários tipos de hortaliças, já que, geralmente, partilham
os mesmos modos de cultivo e necessidades, assim como épocas
de colheita e qualidades nutricionais semelhantes.

Nas páginas que se seguem encontrará fichas dedicadas a uma


panóplia de hortaliças relativamente fáceis de agricultar, mesmo
por principiantes, e que vale a pena ter no seu jardim. Muitas delas
podem ser cultivadas em terraços ou varandas, seja em vasos ou em
pequenas hortas urbanas. Acima de tudo, procure fazer escolhas em
função das suas preferências e do tempo disponível, e avance neste
empreendimento de forma progressiva, aumentando as variedades
de hortaliças à medida que for ganhando confiança.

Leguminosas,
cucurbitáceas,
liliáceas e crucíferas
são apenas alguns
exemplos de tipos de
hortaliças

132
As hortaliças

Frutos hortícolas
Tomate, pimento, beringela e malagueta, entre outros, são frutos
que consumimos como se fossem hortaliças. Desenvolvem-se no
mesmo tipo de planta e necessitam de ser podados para evitar que
cresçam de forma desordenada. Precisam de bastante sol e calor, de
um solo rico em potássio e, se possível, de proteção contra a chuva,
para evitar o desenvolvimento do míldio (para saber mais detalhes
sobre esta doença, consulte o glossário). Estes legumes são, por
norma, muito saborosos, ricos em vitaminas, fibras e pigmentos
anticancerígenos.

Leguminosas
Este tipo de hortaliça abarca espécies como a ervilha, o feijão, a
fava, o grão-de-bico e a lentilha. Por norma, desenvolvem flores
e vagens de forma contínua e necessitam de colheitas frequentes
para garantir uma produção abundante ao longo de todo o verão.
Estão disponíveis nas “versões” miniatura e trepadeira (neste último
caso é necessário providenciar suportes de apoio). As leguminosas
apreciam solos ricos em nutrientes e muito férteis, e as suas raízes
gostam de ambientes com alguma humidade e frescura. Possuem
reconhecidas qualidades nutricionais, sendo ricas em minerais,
fibras, proteínas, ferro e magnésio, entre outras.

Hortaliças de raiz
À exceção da batata, que pode ser plantada porque, na verdade, é um
caule subterrâneo e não uma raiz, as restantes hortaliças deste tipo
necessitam de ser semeadas. São produtos hortícolas básicos em
qualquer cozinha e compreendem, entre outras espécies, a cenoura,
a pastinaga, o nabo, o rabanete e a beterraba.

A maioria destas espécies desenvolve-se bastante depressa. Para


quase todas recomenda-se o cultivo em pequenas filas (de dois
metros cada), espaçando a sementeira por períodos de 15 dias, de
modo a escalonar as colheitas e a usufruir da produção de legumes
por mais tempo. Durante o período de crescimento, estas filas devem

133
Uma HORTA à mão de semear

ser desbastadas, ou arralentadas, um procedimento que consiste


em retirar o excesso de plantas germinadas, deixando apenas as
mais viçosas. Todas estas espécies temem as mesmas pragas, tais
como os pulgões e a mosca-da-cenoura, e entram em conflito com as
ervas daninhas, pelo que deve eliminá-las regularmente ou impedir
o seu crescimento recorrendo ao empalhamento. Quando colhidas
e consumidas ainda novas, as hortaliças de raiz oferecem um sabor
e textura muito refinados. Uma vez atingida a maturidade, quase
todos os produtos desta família podem ser conservados durante o
inverno, dentro de caixas onde são misturados com areia. Apreciam
solos frescos, profundos e com boa drenagem.

Hortaliças folhosas
Grupo composto por uma grande diversidade de plantas muito
apreciadas pelas suas folhas tenras, como a alface, os canónigos, os
espinafres, a acelga e a chicória. Se escalonar as sementeiras e variar
as espécies, poderá colher estes vegetais ao longo de quase todo o
ano. Estas hortaliças são vulneráveis às lesmas e aos caracóis, mas
pode protegê-las criando barreiras naturais (plantando alfazema
em redor, por exemplo). Com alguma tolerância à sombra, gostam
de solos normais que conservem bem a humidade, e necessitam
de regas frequentes nas estações quentes. São ricas, por exemplo,
em minerais e oligoelementos (micronutrientes essenciais), com
a vantagem adicional de conterem muita água e poucas calorias.

Liliáceas
As hortaliças desta família destacam-se por exalarem aromas intensos
e abrangem espécies como o alho, a cebola, a chalota e o alho-francês.
Geralmente, são plantadas (e não semeadas), sendo aconselhável
deixar algum espaço entre cada planta (cerca de um palmo).

À medida que for ganhando experiência, poderá lançar-se nas semen-


teiras, pois terá uma maior variedade de espécies à escolha. Pouco
exigentes no que toca ao tipo de solo, estas hortaliças dão-se bem
em terrenos “leves”, que não sejam demasiado arenosos e possuam
boa drenagem. O alho, a cebola e a chalota conservam-se em boas

134
As hortaliças

condições durante o inverno se forem suspensos em tranças. Ricas


em antioxidantes, vitaminas e minerais, as espécies desta família
são benéficas para a saúde, pois atuam na prevenção de cancros e
doenças cardiovasculares, entre outras.

Brassicáceas (ou crucíferas)


Com sabores inconfundíveis e facilmente identificáveis, as hortaliças
deste grupo incluem o repolho, a couve-roxa, a couve-lombarda, a
couve-de-bruxelas, a couve-flor e os brócolos. Têm uma certa prefe-
rência por solos frescos, profundos, húmidos e ricos em nutrientes.
Apreciam uma terra bem enriquecida com fertilizantes e devem ser
regadas com abundância quando o tempo está seco. A borboleta-
-branca-da-couve/lagarta-da-couve, assim como os pombos, são os
inimigos mais temidos. Por esse motivo, é aconselhável cobrir estas
culturas com uma rede mosquiteira. Ricas em vitaminas, antioxidantes,
serotonina, fibras e cálcio, as brassicáceas (em especial os brócolos)
são frequentemente citadas pelas suas virtudes anticancerígenas.

O repolho (na
imagem) pertence
à família das
brassicáceas

135
Uma HORTA à mão de semear

Os cogumelos,
como as endívias,
são cultivados
em ambientes
escuros, e, por isso,
chamados hortaliças
subterrâneas

Cucurbitáceas
As abóboras (grandes ou pequenas), a curgete, o pepino e o pepino-
-miniatura são algumas das espécies que formam este grupo. As suas
plantas desenvolvem folhas e flores amarelas grandes, de aspeto
muito semelhante; são vigorosas e alastram depressa, ocupando
vários metros no solo. Garantem uma produção generosa durante
longo tempo. Para controlar o crescimento destes legumes, deve
podá-los, uma prática que serve também para os fortalecer. São
fáceis de cultivar, desde que o faça num solo muito fértil (ao qual
pode adicionar composto que ainda não esteja totalmente decom-
posto) e que colha os seus frutos com relativa regularidade. No
caso das espécies que tocam no solo (como as abóboras), coloque
uma ardósia, tábua ou qualquer outro tipo de suporte seco por
baixo, para evitar que apodreçam devido ao contacto com a terra.

136
As hortaliças

Legumes vivazes
De entre as muitas espécies que integram a vasta família das horta-
liças, algumas são vivazes ou perenes. Há também quem lhes chame
“legumes para preguiçosos”, porque, uma vez plantados, produzem
espontaneamente por vários anos. O espargo está entre os que gozam
de maior longevidade, sendo capaz de produzir deliciosos caules
ao longo de 15 ou 20 anos. Estas hortaliças, que incluem também a
alcachofra e o ruibarbo, por exemplo, são muito práticas e crescem
sem requerer grandes cuidados de manutenção.

Outras hortaliças subterrâneas


A endívia e o cogumelo são hortaliças que, habitualmente, não cul-
tivamos em casa. Porém, são muito fáceis de agricultar! O modo de
cultivo é atípico: faz-se em caixas de madeira ou sementeiras, num
espaço interior e escuro. Por essa razão, também merecem que lhes
reservemos um lugar neste livro.

Legenda dos pictogramas

Plantar Época

Semear Exposição solar

Empalhamento/mul- Plantar ou semear


ching (espalhar uma cober-
tura vegetal seca ou palha Colher
entre as plantações)
Boas associações
Regar
Más associações
Corrigir (melhorar a
qualidade do solo) Inimigos e pragas

137
Uma HORTA à mão de semear

Abóbora
Cucurbita maxima

Características
Cor de laranja, vermelha, amarela, verde ou mesmo azulada, a abó-
bora é tão suculenta quanto decorativa. A par das cores, também
os seus formatos podem variar muito: tanto a encontramos no for-
mato clássico, como em forma de pera, ou cabaça, com uma coroa,
achatada, etc.

O seu cultivo é muito simples, desde que disponha de um terreno


fértil. Se a colocar diretamente numa pilha de composto, por exem-
plo, para além de a embelezar, a abóbora sente-se como peixe na
água. A produção é tão abundante, que pode até tornar-se invasora.

A abóbora contém sais minerais (potássio), vitaminas (sobretudo


A) e fibras. Pode ser usada em especialidades salgadas (como sopas,
purés e gratinados), mas também doces (bolos e compotas).

Cultivo
Semeie em meados de maio ou junho, quando a terra está bem
quente. Coloque duas ou três sementes em covas separadas por,
no mínimo, um metro de distância. Guarde apenas a planta mais
viçosa que nascer em cada uma. O solo deve ser especialmente
rico em azoto. Os caules da abóbora começarão a trepar, atingindo
rapidamente uma envergadura de vários metros. Com uma tesoura
de podar, corte o caule principal por cima da segunda folha e os
caules secundários por cima da segunda folha que surgir acima
de cada fruto.

É aconselhável aplicar uma boa camada de empalhamento (com


aparas de relva seca, por exemplo) para manter o solo fresco e livre

138
As hortaliças

de ervas daninhas. Instale uma tábua ou uma ardósia por baixo


de cada abóbora, para evitar o apodrecimento devido ao contacto
com o solo.

Assegure-se de que a terra está sempre fresca e húmida.

Não é necessário corrigir o solo.

Se forem colhidas
maduras, as abóboras
conservam-se durante
todo o ano. O sinal de
que estão maduras
é dado pela cor do
pedúnculo, que ganha
um tom acastanhado
ou amarelo-claro.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Capuchinha, girassol e qualquer legume

Rabanete

Oídio

139
Uma HORTA à mão de semear

Agrião
Nasturtium officinale

Características
O agrião é uma planta muito fácil de cultivar em casa ou na sua horta,
desde que garanta que não lhe falta água. Trata-se de uma planta
aquática ou semi-aquática, que se desenvolve com frequência nas
margens dos cursos de água e terrenos encharcados. O agrião pode
crescer até um metro de altura e é muito apreciado pelo sabor picante
das suas folhas em sopas e saladas. As flores também são comestíveis.

Cultivo
Esta planta adapta-se bem a climas amenos, pois cresce mal e flo-
resce depressa com muito sol e calor. Contudo, se for cultivada
em climas mais frios, deve beneficiar de uma boa exposição solar.

Pode iniciar o cultivo destas plantas por sementeira ou plantação.


É muito fácil obter pés de agrião para plantar: muitos dos molhos
de agrião fresco à venda possuem alguns pés ainda com raízes.
Pode aproveitá-los para a sua cultura, visto que esta planta pega
facilmente.

A colheita ocorre cerca de dois meses após a sementeira, ou pouco


mais de um mês após a plantação. Por norma, são colhidas as folhas
maiores, mantendo-se a planta no solo para que continue a pro-
duzir folhas.

O empalhamento não se aplica a esta espécie.

O solo deve estar sempre húmido. Para o garantir, pode manter os


agriões “mergulhados” numa camada de água a um ou dois centíme-
tros acima do solo. Contudo, tenha especial cuidado com a água que

140
As hortaliças

utiliza nesta cultura: deve garantir que está sempre limpa e fresca
e evitar as águas paradas, visto que o agrião poderá facilmente
transformar-se num portador de patogenias que estejam na água.

O solo argiloso e fértil é o ideal; não deve estrumá-lo.

Pelas suas caracte-


rísticas de cultivo, o
agrião é uma planta
que se adapta bem à
hidroponia (tipo de
culturas feitas apenas
com água e nutrientes
essenciais – ou seja,
sem uso de terras e
substratos).

Sol ou meia-sombra

J F M A M J J A S O N D

141
Uma HORTA à mão de semear

Aipo
Apium graveolens

Características
É, por excelência, um legume de fim de verão e de inverno. Para
além das vitaminas C e B6, é rico em fibras.

Divide-se em duas variedades: o aipo-de-folhas, ou apenas aipo, cujos


caule e folhas são ambos aproveitados, e o aipo-rábano, do qual só
se come a raiz. Apesar destas diferenças, o modo de cultivo é igual.

O sabor pronunciado do aipo é um dos seus principais atributos e


ajuda a realçar o gosto das sopas. O aipo-de-folhas pode, por exem-
plo, ser usado em gratinados e recheios, ao passo que o aipo-rábano
costuma ser cozido ou ralado. Este legume é fácil de congelar, pelo
que não há desculpa para não o consumir durante todo o ano!

Cultivo
Não é possível cultivar aipo em vasos, pois requer água em abun-
dância. Terminada a época das geadas, pode ser plantado num ter-
reno com uma textura leve e rico em nutrientes, mas sem tardar
muito, pois este legume demora a desenvolver-se. Antes de iniciar
as plantações, incorpore uma boa camada de estrume ou composto
na terra. Para garantir que o caule do aipo-de-folhas se mantém
branco, procure abrigá-lo da luz, seja fazendo plantações muito
próximas umas das outras, seja envolvendo a rama com cartão ou
plástico opaco antes da colheita.

Uma vez que o aipo precisa de solos muito húmidos, é boa ideia
aconchegar os caules com palha.

142
As hortaliças

O aipo aprecia o sol, mas também os terrenos húmidos. Deve ser


regado abundantemente nos dias mais quentes.

É um legume ávido de matérias orgânicas, pelo que deve consi-


derar adicionar-lhe adubo próprio para hortas durante a fase das
plantações.

Findo o outono, poderá


deixar o aipo na terra e
colher à medida que for
precisando (recorrendo
ao empalhamento para
o proteger das geadas),
ou armazená-lo na cave
usando a mesma téc-
nica de conservação
aconselhada para as
cenouras (leia mais
sobre ela na página 163).

Sol

J F M A M J J A S O N D

Abóbora, acelga, alho-francês, couve, ervilha, feijão, funcho e tomate

Alface, milho e salsa

Pulgão

143
Uma HORTA à mão de semear

Alcachofra
Cynara cardunculus

Características
A alcachofra é um cardo que foi sendo selecionado para produzir
grandes inflorescências. O seu aspeto, em forma de flor, torna-a
muito atraente e decorativa e a sua planta impressiona pela dimen-
são, podendo atingir até 1,5 metros de altura. Assim, tanto a pode
usar enquanto separador/elemento vertical, como destinar-lhe um
espaço ao fundo de um canteiro ou num cantinho da horta.

As inflorescências constituem a parte consumível da alcachofra.


Porém, se se sentir cativado pela beleza selvagem destas grandes
flores azuis, pode sempre optar por deixar que uma ou duas per-
maneçam nos caules, aumentando o seu efeito decorativo.

Cultivo
A propagação da alcachofra por sementeira é desaconselhada, por-
que as plantas tendem a perder as características das plantas que
lhes dão origem. Recomenda-se, por isso, a propagação por divisão
de tufos a partir da planta-mãe. A técnica consiste, neste caso, em
separar os novos rebentos que vão nascendo na base da planta-mãe
e plantá-los como se fossem uma planta nova. Por norma, a divisão
de tufos é de fácil aplicação na alcachofra e os rebentos reagem bem.
A divisão de tufos é feita no verão. Os rebentos novos que surgem
nessa época devem ser retirados com cuidado, cavando ao redor
da planta e separando-os com a ajuda de uma pequena pá ou uma
faca. Estes rebentos selecionados para transplante devem estar bem
desenvolvidos e ser retirados com raízes. A colheita da alcachofra
decorre também no verão.

Se consome alcachofras ocasionalmente, três a quatro plântulas

144
As hortaliças

serão suficientes. Cada uma produzirá quatro a seis alcachofras


no primeiro ano e oito a dez no ano seguinte. Reserve 1,5 metros
de distância entre cada planta. Divida as plantas a cada três ou
quatro anos, separando os rebentos.

Deve preparar a alcachofra para os dias mais gélidos, visto que


não é muito resistente ao frio. Antes da chegada do inverno, corte
os caules e proteja as cepas com uma boa camada de palha, casca
de árvore ou fetos.

Necessita de um fornecimento regular de água durante a fase de


criação de raízes. Ultrapassada a fase de desenvolvimento, deixa
de ser tão exigente em termos de rega.

Esta espécie deve ser plantada na primavera e precisa de um terreno


profundo, rico em nutrientes e com boa drenagem.

A alcachofra é muito
usada com fins medi-
cinais, como, por
exemplo, para baixar
o colesterol. Na ima-
gem: duas flores de
cardo azul, que darão
origem a alcachofras.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Alface, calêndula, cravo-túnico

145
Uma HORTA à mão de semear

Alface
Lactuca sativa

Características
As alfaces dividem-se em dois tipos: as repolhudas e com forma de
bola (de que é exemplo a alface-iceberg) e as de folhas soltas, cujas
folhas são mais fáceis de separar (como, por exemplo, as alfaces
das variedades vermelha, frisada e de folhas lisas).

O cultivo da alface é muito simples. Esta espécie também se adapta


perfeitamente aos vasos e sacos de cultivo. Escalonar a sementeira
ou plantações no tempo permite produzir alfaces ao longo de todo o
ano, desde que tenha o cuidado de protegê-las num túnel ou estufa
transparente durante a época das geadas.

Rica em minerais, oligoelementos e fibras, esta hortaliça é também


pouco calórica, já que 95% da sua composição é água. São-lhe ainda
atribuídas propriedades calmantes. Por norma, é consumida crua,
em saladas, mas em caso de produção excessiva pode perfeitamente
ser incorporada em sopas.

Cultivo
O leque de variedades sob a forma de sementes é mais vasto, motivo
pelo qual é preferível semear em vez de plantar. Para além disso, a
sementeira facilita o escalonamento do cultivo. As alfaces crescem
em solos normais, que conservem bem a humidade, e em locais a
meia-sombra, pois o excesso de luminosidade faz com que cres-
çam demasiado em altura. Semeie pequenas quantidades de cada
vez, mas faça-o de forma regular; dessa forma, obterá colheitas ao
longo de todo o ano. Inicie o cultivo por volta de março ou abril,
num espaço abrigado, e encerre a época de sementeira em outubro,
privilegiando nessa altura as variedades de inverno, como a batavia.

146
As hortaliças

Embora não seja indispensável, o empalhamento é muito útil para


impedir invasões de ervas daninhas e conservar a humidade do solo.

Regue regularmente as alfaces, sobretudo na época de tempo quente.

Não é necessário adubar o solo, a menos que o terreno seja muito


pobre em nutrientes. Neste caso, acrescente um fertilizante bas-
tante tempo antes de iniciar a sementeira; os estrumes frescos são
demasiado ácidos para as alfaces.

As lesmas e os cara-
cóis são os principais
inimigos das alfaces.
Crie barreiras, de
preferência usando
elementos natu-
rais, como gravilha
ou plantações de
alfazema.

Meia-sombra

J F M A M J J A S O N D

Quase tudo

Salsa

Caracol e lesma

147
Uma HORTA à mão de semear

Alho
Allium sativum

Características
É fácil de cultivar, nomeadamente em vasos, e requer pouca manutenção.
É também simples de conservar para o inverno: depois de secar as
cabeças de alho ao sol, faça tranças com cinco a sete dessas cabeças,
sendo que pode usar as próprias folhas da planta para entrançar.
Ao guardar estas tranças, deve garantir que ficam abrigadas da
geada. Outra técnica de conservação que pode utilizar é guardar os
dentes de alho em azeite, aromatizado com um pouco de segurelha,
estragão e sementes de coentros.

Rico em antioxidantes, o alho traz vários benefícios para a saúde,


nomeadamente ao nível do sistema cardiovascular.

É ainda um excelente condimento para a maioria dos pratos sal-


gados, crus ou cozinhados, e realça o sabor da maioria das plantas
aromáticas. Pode também consumir-se a planta ainda jovem, altura
em que se assemelha a um pequeno alho-francês. É deliciosa, mesmo
fumada!

Cultivo
O alho adapta-se a qualquer tipo de solo, desde que tenha uma textura
leve mas não seja arenoso e possua boa drenagem. Se o terreno for
demasiado pesado, pode sempre preparar-lhe um canteiro sobrele-
vado. Plante apenas os bolbos maiores, com as pontas viradas para
cima, em covas com cerca de três centímetros de profundidade, e
mantendo uma distância de aproximadamente dez centímetros
entre eles. As variedades de outono (as mais comuns) devem ser
plantadas entre outubro e dezembro e as primaveris entre meados
de fevereiro e o fim de março.

148
As hortaliças

O empalhamento é útil para impedir as invasões de ervas daninhas.


Uma forma alternativa de as eliminar é esgravatar ocasionalmente
a terra com uma enxada.

O alho só necessita de rega em períodos de seca.

Não adicione estrume (nem outro tipo de fertilizante com matérias


orgânicas) à terra no ano anterior ao das plantações, sob pena de
os bolbos apodrecerem.

Não se deve plantar


alho dois anos con-
secutivos no mesmo
sítio, nem após plan-
tações de outras espé-
cies da mesma família
(como, por exemplo,
cebola, alho-francês
ou chalota), sob pena
de esgotar os nutrien-
tes do solo.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Batata, cenoura e morango

Cebola

Mosca-do-alho e podridão/bolores brancos

149
Uma HORTA à mão de semear

Alho-francês
Allium ampeloprassum

Características
É uma hortaliça preciosa e pode ser colhida ao longo de todo o
inverno e à medida das necessidades.

Rico em vitaminas (A, B, C e E), potássio, fibras e antioxidantes e


pobre em sódio, o alho-francês é benéfico para o sistema digestivo
e o trânsito intestinal, para além de diurético.

O seu sabor, simultaneamente pronunciado e delicado, faz mara-


vilhas na cozinha. É um legume delicioso ao natural, em sopas,
gratinados e também alourado na frigideira, se for colhido ainda
jovem. Se deseja obter versões miniatura do alho-francês, plante-os
muito juntos uns dos outros.

Cultivo
Semeie no início da primavera ou no fim do inverno, se já não
houver geadas nem chover, pois nesse momento a terra será mais
maleável. Deposite as sementes a pouca profundidade, interva-
ladas por um centímetro. Tape-as com terra e calque. Quando
os alhos-franceses atingirem a dimensão de um lápis (em junho
ou julho), arranque-os delicadamente da terra e transplante-os
de forma a que fiquem intervalados por 15 centímetros entre si.

Atenção: antes de voltar a plantar, corte as extremidades das raí-


zes e mergulhe-as numa mistura de água e terra. Com a ajuda de
um pau ou plantador, faça buracos com dois a três centímetros
de diâmetro no solo, encha-os com água e deposite uma planta
em cada um. Utilize o plantador para empurrar a terra à volta
do alho-francês, de modo a que fique bem aconchegado, e regue.

150
As hortaliças

Forme um montículo à volta do pé do alho-francês. Mantenha uma


distância de cerca de 30 centímetros entre cada fila. Durante a
fase de crescimento, procure retocar os montículos regularmente,
para que o alho-francês mantenha a coloração branca na base.
Esta hortaliça aprecia solos maleáveis, frescos e humíferos.

Aplique empalhamento no fim da primavera para preservar a


humidade do solo.

Regue abundantemente no verão.

Não é necessário corrigir o solo, mas terá de esperar quatro anos


antes de voltar a plantar alho-francês no mesmo terreno. Aproveite
para fazer rotação de culturas, alternando, por exemplo, com legu-
minosas (reveja algumas delas na página 133).

Deixe alguns alhos-


-franceses florescer.
Formam bolas de flo-
res decorativas que
os insetos adoram.
Depois de secarem, no
outono, poderá apro-
veitar as sementes
para as sementeiras
seguintes.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Aipo, alface, canónigos, cebola, cenoura, funcho, morango e tomate

Acelga, beterraba, couve, ervilha e salsa

Míldio, oídio, pulgão, minhoca e mosca-do-alho-francês

151
Uma HORTA à mão de semear

Batata
Solanum tuberosum

Características
Não é difícil plantar este tubérculo em casa. Se não dispuser de um
jardim, pode servir-se de um caixote, um saco de plástico (perfurado)
ou mesmo três pneus sobrepostos, preenchidos com terra fértil.
Há muitas variedades de batata: precoces, semi-precoces, da época
ou para armazenar, com polpa firme ou farinhentas, etc. Ou seja, há
batatas para todo o ano e todas as ocasiões. Se forem cultivadas em
casa, ganham um sabor incomparável face às de produção industrial.

Erradamente considerada como sendo “pobre”, a batata é, na ver-


dade, rica em amido e fibras (se consumida com casca), vitaminas
B e C, sais minerais, etc.

Cultivo
A batata é plantada e não semeada, porque se trata de um caule
e não de uma semente. Aprecia uma terra de boa qualidade, rica,
húmida e solta. Pelo mês de fevereiro, adquira tubérculos certifica-
dos que ainda não tenham germinado e coloque-os num local seco,
luminoso e ao abrigo das geadas, com os olhos (ou seja, os pontos
marcados na casca, de onde sairão os rebentos) virados para cima –
pode organizá-los em caixas de ovos feitas de cartão, por exemplo.

Alternativamente, pode também comprar plântulas já germinadas.


Uma vez afastado o risco de geada, plante as batatas germinadas a 15
centímetros de profundidade, espaçadas por intervalos de 25 centí-
metros. Durante a fase de crescimento, considere fazer montículos,
acrescentando terra na base de cada planta, de modo a não deixar
mais de dez centímetros de folhagem à superfície. Para proteger a
plantação do míldio, trate-a duas vezes por ano com calda bordalesa

152
As hortaliças

(um fungicida). A batata nova deve ser colhida dois a três meses
após a plantação. Para as restantes variedades, deve esperar que a
folhagem fique amarelada, mas não demasiado seca.

É aconselhável o empalhamento junto do pé de cada planta.

Regue nos dias quentes, ao serão.

A terra deve ser enriquecida com composto ou estrume antes da


plantação.

Fazer montículos à
volta da planta per-
mite evitar que as
batatas fiquem esver-
deadas por estarem
expostas à luz, algo
que as torna tóxicas.
Também por esse
motivo deve guardar
as batatas num local
escuro.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Abóbora, aipo, alho, calêndula, capuchinha, coentros, couve, ervilha, feijão e tomate

Beringela, cebola, girassol, milho e pepino

Míldio

153
Uma HORTA à mão de semear

Batata-doce
Ipomoea batatas

Características
A batata-doce é uma planta trepadeira com uma raiz tuberosa, que
acumula nutrientes e é particularmente apreciada pelo seu sabor doce.
Contrariamente à batata, cujo interesse está nos caules subterrâneos,
ou tubérculos, na batata-doce o interesse está na raiz, à semelhança
do que acontece com espécies como a cenoura ou beterraba.

Existem muitas variedades de batata-doce tanto em termos da cor


(branca, cor de laranja, cor-de-rosa, etc.), como de sabor (este pode
ser mais ou menos intenso ou adocicado), como da forma (mais ou
menos estreita e/ou longa). Embora tenha sido, em tempos anteriores,
muito usada para alimentação de animais, hoje em dia é bastante
reputada entre nutricionistas, ocupando um lugar de destaque na
gastronomia portuguesa.

Cultivo
É uma planta típica de climas mais tropicais, embora também se
dê muito bem em Portugal em climas amenos. Prefere solos leves,
com bastante matéria orgânica, húmidos e sem pedras.

A batata-doce pode ser semeada ou plantada. No caso da plan-


tação, a propagação a partir da planta-mãe tanto pode ser feita
aproveitando uma das suas raízes, como enterrando um dos seus
raminhos – é a chamada “propagação por estaca”. No caso da propa-
gação a partir da raiz, utiliza-se, por norma, raízes mais pequenas,
ou pedaços cortados de raízes maiores (à semelhança do que se
faz com a batateira). Caso opte pela propagação por estaca, deve
utilizar hastes com, pelo menos, oito nós (pontos dos quais brotam
folhas), e enterra-las até meio.

154
As hortaliças

O empalhamento é uma técnica muito útil para evitar o crescimento


de plantas invasoras.

Mantenha o solo bem humedecido.

Enriqueça a terra com doses generosas de composto ou outras


matérias orgânicas.

As batatas-doces
podem ser cultivadas
em casa, usando vasos
com pelo menos 35
centímetros de diâme-
tro e de profundidade.
Pode colocar uma
batata doce dentro
de uma jarra ou de
um recipiente com
água e servir-se dessa
técnica para provo-
car a rebentação de
raminhos, criando
um efeito decorativo
muito peculiar.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Hortelã-branca e menta

Batata, cenoura e feijão

Besouro, broca das raízes, fungos e nemátodes

155
Uma HORTA à mão de semear

Beringela
Solanum melongena

Características
Muito fácil de cultivar, a beringela faz parte do leque de hortaliças
indispensáveis no verão. Pode plantá-la quer em hortas, quer em
terraços ou varandas. Para além de dar sabor, é um legume que
alegra os seus pratos.

Ostenta cores bonitas: lilás, roxo muito escuro (quase preto), branco,
bege com riscas roxas, etc. Também existe na versão miniatura. Rica
em antioxidantes, potássio e vitamina B, contém muitas fibras e
por isso estimula o trânsito intestinal.

A sua textura delicada é apreciada sob várias confeções: salteada,


recheada, frita e gratinada. É também um ingrediente protagonista
em pratos típicos apreciados por diversas culturas, como o ratatouille
(mistura de legumes refogados com molho de tomate) e a moussaka
(prato tradicional em países como a Grécia, que consiste numa espécie
de empadão muito condimentado, à base de beringela e carne picada).

Cultivo
Tal como o tomate, o pimento e a curgete, a beringela precisa de
ambientes soalheiros, luminosos e abrigados do vento. Dá-se bem
em terrenos ricos em húmus, com boa profundidade, frescos e bem
drenados. Procure fazer o transplante para o exterior quando a terra
estiver bastante quente. Não enterre a planta totalmente, nunca
abaixo do nível da base do caule (ou seja, do colo da planta). Antes
de o fazer, deve eliminar as pequenas folhas que se formam na base.

Para obter uma boa colheita, é necessário podar a planta. Corte


o caule cerca de dois centímetros acima da segunda flor. Quando

156
As hortaliças

se desenvolverem ramagens laterais, corte também os seus caules


acima da segunda flor.

O empalhamento é útil neste tipo de plantação, pois trava o cresci-


mento de ervas daninhas, cujas raízes poderiam entrar em conflito
com as raízes pouco profundas das beringelas.

O solo deve ter uma boa dose de humidade, pelo que se recomenda
regar, a cada três ou quatro dias, à volta do pé da planta, sem molhar
as folhas.

Fertilize a terra com um adubo rico em potássio a cada 15 dias.

A beringela atinge a
maturidade quando
deixa de crescer
e apresenta uma
casca ligeiramente
reluzente, mas tam-
bém pode ser colhida
jovem, quando a pele
é ainda muito fina.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Ervilha, estragão, feijão, pimento, salsa, tomate e tomilho

Batata e cebola

Doríforo, míldio e oídio

157
Uma HORTA à mão de semear

Beterraba
Beta vulgaris

Características
A beterraba possui grande rendimento e dá-se bem em qualquer
lugar. Pode ser consumida ao longo de todo o ano e conserva-se em
boas condições numa cave durante o inverno.

É uma hortaliça bastante polivalente. Pode ser colhida ainda jovem


ou após atingir maior volume. Tanto as folhas como o tubérculo são
consumíveis em saladas e noutros pratos. Para além das variedades
em miniatura, existem beterrabas de várias cores: vermelho-escura,
escarlate, branca com estrias rosa...

Graças à sua riqueza em fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes,


este legume traz inúmeros benefícios para a saúde. As folhas são
igualmente ricas em vitamina A.

Quando colhidas ainda jovens e consumidas no próprio dia da colheita,


as beterrabas são deliciosas, mesmo cruas. Outros usos culinários
incluem assar, ralar ou incorporar em sopas e bolos.

Cultivo
A beterraba prefere solos profundos, soltos, leves e neutros (isto
é, nem demasiado calcários, nem excessivamente argilosos, nem
muito húmidos). Pode adquirir plântulas em pequenos vasos e
transplantá-las para a terra durante toda a primavera. Pode ainda
semeá-la entre abril e maio, em estufas ou sob um túnel de plástico.
Deixe um intervalo de 30 a 40 centímetros entre cada planta.

O empalhamento é facultativo.

158
As hortaliças

A beterraba resiste bem à seca, mas ficará mais tenra se tiver o


cuidado de manter o solo húmido.

Antes de cultivar, adicione composto ou estrume à terra.

Considere escalo-
nar as plantações
ou sementeiras, por
forma a ter beterrabas
também no inverno.
Conserve os exceden-
tes de produção em
paletes de madeira
forradas com folhas
de jornal e preencha
o espaço entre cada
camada de beterra-
bas com areia de rio.
Desenterre-as antes
das primeiras geadas.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Aipo, alface, cebola, coentros, couve e pastinaga

Alho-francês, espargo, feijão e tomate

Áltica, oídio e pulgão

159
Uma HORTA à mão de semear

Cebola
Allium cepa

Características
As cebolas são extremamente fáceis de cultivar: simples de plantar,
requerem poucos ou nenhuns cuidados e não apresentam exigências
especiais em termos de solo, rega ou adubação. Uma vez colhidas e
bem secas, poderá conservá-las facilmente em paletes de madeira,
num local seco e ao abrigo das geadas, ou suspensas em tranças.

A cebola possui elevado teor de potássio, fósforo e cálcio. Reduz o


risco de doenças cardiovasculares e é eficaz como descongestionante
das vias respiratórias.

As variedades mais comuns incluem a cebola-branca e a cebola-roxa.

É um elemento indispensável nas preparações culinárias de todos


os dias, que pode ser usado como condimento ou legume tanto em
pratos de carne, como em sopas e refogados de legumes, ou ainda
servido em molhos, recheado ou confitado, entre outros.

Cultivo
É mais fácil plantar cebolas do que semeá-las. Este legume planta-se
cedo, pelo fim de fevereiro. Contenta-se com um solo comum, pouco
profundo, e não requer fertilizantes. Garanta uma boa repartição
das plantações (isto é, um espaçamento adequado entre os bolbos
e entre as linhas de plantação). Plante os bolbilhos com a raiz para
baixo e a ponta para cima, empurrando-os com os dedos para que
entrem na terra, de modo a que o topo da cebola fique enterrado um
centímetro abaixo do solo. Não faça covas para as plantações, pois
não devem ficar espaços vazios entre as cebolas e a terra. Quando
a ramagem ganhar um tom amarelado e murchar, pode colher as

160
As hortaliças

cebolas. Escolha um dia soalheiro para fazer a colheita, porque dessa


forma poderá deixar as cebolas secarem bem sobre o solo antes de
as levar para dentro de casa.

Não se deve aplicar empalhamento, sob pena de as cebolas apodrecerem.

Não é preciso regar.

Não é necessário corrigir o solo.

Reserve um espaço
para o cultivo de
cebolinhas brancas,
para consumir, de pre-
ferência, enquanto são
novas. Cultivam-se de
forma igual às cebolas
comuns, embora exi-
jam um pouco mais de
minúcia. Estas ceboli-
nhas podem ser colhi-
das oito a dez sema-
nas após a plantação
e são para consumo
imediato porque não
se conservam.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Alface, beterraba, cenoura, cucurbitáceas, morango, pastinaga e tomate

Batata, couve, ervilha e feijão

Mosca-da-cebola

161
Uma HORTA à mão de semear

Cenoura
Daucus carota

Características
De textura crocante e sabor adocicado, a cenoura agrada a quase
todos. Dá-se bem tanto na terra como em vasos. É rica nas vitaminas
A, B, E e K, assim como em minerais. Além de benéfica para a vista,
é útil para a regularização do trânsito intestinal.

É possível ter cenouras à disposição durante quase todo o ano: desde


a cenoura-baby no início da primavera, até às variedades da época,
que se conservam durante parte do inverno.

As cenouras podem ser consumidas de muitas maneiras: cozidas


ou cruas, como aperitivo ou acompanhamento, ao natural ou em
molhos, sumos, purés, macedónias de legumes, sopas e até na con-
feção de sobremesas.

Cultivo
A cenoura é semeada e não plantada. Para o fazer, prepare sulcos
com um centímetro de profundidade num solo bem drenado, pre-
dominantemente arenoso, mas sem pedras, para que as cenouras
não cresçam com deformações. Para evitar que as plantas fiquem
muito próximas umas das outras, misture as sementes com areia.
Deverá desbastar as culturas em dois momentos: quando as plân-
tulas atingirem três centímetros, e mais tarde, aos dez centímetros.
Semeie, por mês, uma fila de cenouras com cerca de dois metros,
por forma a poder escalonar as colheitas.

O empalhamento é útil para travar o crescimento de ervas daninhas


e a evaporação de água do solo.

162
As hortaliças

Regue com regularidade em períodos de seca, mas sem exageros,


para que a ramagem não se desenvolva mais do que a própria raiz.

Antes de semear, enriqueça o solo com um adubo biológico especial


para hortas. Não utilize estrume fresco, pois é demasiado ácido
para este tipo de legume.

Para ter cenouras


durante o inverno,
arranque-as da terra
num dia seco, antes
do início da época
das geadas. Deixe-as
repousar durante
dois dias sobre o
solo até que percam
a humidade. Depois,
armazene-as numa
palete com areia, num
espaço abrigado dos
roedores e da geada.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Alface, alho-francês, cebola, ervilha, pastinaga, rabanete, tomate e a maioria


das plantas aromáticas

Beterraba-roxa

Mosca-da-cenoura

163
Uma HORTA à mão de semear

Chalota
Allium ascalonicum

Características
Trata-se de um dos legumes mais fáceis de cultivar e requer muito
pouca manutenção.

Uma vez colhida, e se tiver a pele bem seca, a chalota conserva-se


durante longos meses.

Tal como a cebola, é rica em potássio, fósforo e cálcio. Tem a reputa-


ção de contribuir para reduzir o risco de doenças cardiovasculares
e descongestionar as vias respiratórias.

O sabor agradável da chalota faz dela um condimento insubstituível


nas nossas cozinhas, seja na preparação de pratos cozinhados, seja
como ingrediente de molhos para saladas.

Cultivo
Não é hábito semear chalotas, porque estas produzem poucas semen-
tes. A plantação pode ser feita no outono, no início da primavera e
até em pleno inverno, desde que a terra não esteja excessivamente
molhada. Opte por uma terra de boa qualidade: fértil, solta e leve.
Caso a drenagem seja deficiente, não hesite em plantar em cantei-
ros sobrelevados, pois este legume não aprecia banhar as raízes na
água. Cada planta produzirá três ou quatro chalotas, unidas num
bolbo, mas fáceis de separar.

Para uma plantação equilibrada, pouse os bolbos sobre o solo com


intervalos de 40 centímetros entre si. De seguida, empurre-os com
as mãos para que fiquem enterrados (com as raízes para baixo e a
parte bicuda para cima). Deixe uma ponta do bolbo à superfície.

164
As hortaliças

Quando as folhas murcharem e secarem, é altura de colher as chalotas.


Para não as danificar, retire-as delicadamente com uma forquilha.

O empalhamento é útil no inverno, pois protege a planta das geadas.

Não regue as chalotas, a menos que haja uma situação de seca pro-
longada durante a época em que os bolbos se estão a desenvolver.
Nesse caso, bastará regá-las uma só vez.

Evite a adição de fertilizantes, estrume ou composto.

Para conservar as
chalotas, espalhe-
-as ao sol de modo
a que fiquem bem
secas. Depois, guarde-
-as numa palete de
madeira com bom
arejamento, ou dis-
ponha-as em tranças
suspensas em supor-
tes, num local seco e
ao abrigo das geadas.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Aipo, alface, cenoura e morango

Couve, ervilha e feijão

Míldio e mosca-da-cebola

165
Uma HORTA à mão de semear

Chicória
Cichorium intybus

Características
A chicória é uma alface temporã. A sua época de colheita tem início
no mês de julho e prolonga-se até pleno inverno. Existem, essen-
cialmente, duas espécies: a frisada e a escarola.

A escarola é muito resistente à geada (esta até realça o seu sabor).


Pode ser cozida e consumida como tal ou integrada em sopas. A
versão frisada, pelo contrário, é a alface que menos resiste às geadas.

Esta espécie dá-se bem em qualquer terreno, mas demora mais a


desenvolver-se do que as alfaces comuns. A chicória é particular-
mente rica em fibras, sais minerais e vitaminas A, C e E.

Cultivo
Adapta-se a qualquer tipo de solo, mas prefere uma terra rica, solta,
fresca e algo pesada. Semeie em sulcos de um centímetro, cubra
com terra e regue. Procure espaçar as sementeiras (semeie um troço
a cada duas semanas, por exemplo) para prolongar as colheitas.

É aconselhável um empalhamento generoso, pois ajuda a preservar


a humidade do solo e a contrariar o crescimento de ervas daninhas.

Durante o tempo seco, deve regar as chicórias de forma regular e


abundante (sem molhar as folhas), para manter a terra húmida e
impedir a floração, uma vez que a formação de flores consome muita
da energia da planta. Para rentabilizar o espaço e a rega, plante a
chicória entre couves-flor, pois partilham das mesmas necessidades
nas mesmas alturas.

166
As hortaliças

A chicória aprecia solos ricos em nutrientes. Adicione composto


ou estrume no outono.

Dica para branquear


as folhas e torná-las
menos amargas: 15
dias antes da colheita,
coloque a chicória
sob uma campânula
opaca (de barro, por
exemplo). Tape o
furo de drenagem e
instale um calço por
baixo para manter a
circulação do ar.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Calêndula, espinafre e rúcula

Couve, espargo e nabo

Caracol, lesma e pulgão

167
Uma HORTA à mão de semear

Cogumelo
Agaricus bisporus

Características
O cogumelo é rico em sais minerais, vitamina B e fibras (as quais
podem causar flatulência). Os resultados da produção são genero-
sos e motivadores, porque rapidamente nascem e crescem novos
cogumelos. Cultivá-los em casa permite consumi-los frescos, quando
ainda conservam todo o seu sabor e elevado valor nutricional. Este
delicioso legume de textura rara pode ser degustado cru ou cozido,
recheado ou finamente laminado, integrar molhos e sopas ou guar-
necer tostas.

Cultivo
A cultura de cogumelo pode ser feita em vários tipos de suporte
(cepos, restos de troncos, etc.). Porém, o mais aconselhável para
hortelãos principiantes é comprar um kit de cultura de cogumelo
(por exemplo de cogumelo de Paris, mas existem várias espécies
diferentes à venda), o qual inclui todo o material necessário. Precisa
de um pequeno espaço interior (uma cave, subsolo, garagem ou
dispensa), que seja arejado mas sem correntes de ar e tenha uma
temperatura ambiente estável, de 16-18°C.

Os kits de cultura são, por norma, compostos por uma caixa com
uma tampa, dois sacos de substrato para a cobertura e micélio já
instalado na própria caixa (trata-se de um ingrediente vegetal que
origina a produção de novos cogumelos).

Comece por colocar a caixa com o micélio num espaço aquecido


e deixe-a aberta durante três dias. Perfure levemente os sacos de
substrato e submerja-os num balde com água durante 30 minutos.
Reparta esta terra húmida pela caixa, garantindo que cobre o micélio,

168
As hortaliças

e calque-a levemente; tape a caixa. Uma semana depois, retire a


tampa, regue ligeiramente a cultura e instale a caixa numa divisão
com uma temperatura entre 16°C e 18°C. Passados dez dias, surgirão
os primeiros cogumelos. Será então altura de servir-se dos maiores.
Vá repetindo as colheitas à medida que os outros cogumelos se vão
desenvolvendo e renovando.

O empalhamento não é necessário.

Humedeça bem o substrato antes de principiar a cultura.

O substrato é o solo ideal para o cultivo de cogumelos.

Há muitas varie-
dades de cogumelo
(Portobello, de Paris,
etc.), mas as formas de
cultivo são bastante
semelhantes.

Escuridão

J F M A M J J A S O N D

Hortelã e manjericão

Besouros e larvas de insetos

169
Uma HORTA à mão de semear

Couves
Brassica oleracea

Características
Rica em vitaminas (A, B1, B9 e C), antioxidantes e fibras, a couve tem
muitas variedades diferentes, todas elas cultiváveis em vasos. Para
obter couves em miniatura, plante-as muito próximas umas das outras.
As couves são de fácil cultivo e permitem múltiplas utilizações. A
couve-galega é a maior de todas, sendo costume deixá-la crescer até
mais de um metro de altura e colher as suas folhas ao longo do ano.
As couves repolho, lombardo, coração-de-boi e roxa têm caracterís-
ticas de cultivo semelhantes. Por norma, são colhidas pela base e
utilizadas inteiras, mas também é possível fazer o corte de forma a
deixar algumas folhas maiores na base e ir aproveitando os peque-
nos rebentos que surgem no caule durante as semanas seguintes.

A diversidade característica desta espécie faz com que seja possível


plantar e colher couves ao longo de todo o ano:
• couve-repolho (frisada ou lisa) – semear entre fevereiro e agosto
para colher entre a primavera e o outono;
• brócolos – plantação ou sementeira entre fevereiro e setembro,
e colheitas ao longo de todo o ano;
• couve-de-bruxelas – plantação entre março e agosto, com colhei-
tas no inverno e na primavera;
• couve-portuguesa – muito usada nos cozinhados de Natal, é
plantada no outono e consumida durante o inverno e a primavera.
• couve-flor – variedade que pode ser plantada e colhida em
qualquer estação do ano.

A couve tem muitos usos culinários. Pode ser degustada em saladas,


sopas, estufada ou ao natural com molho branco, entre outras confe-
ções. Pode ainda consumir os espigos, ou seja, as inflorescências que
vão surgindo na época de floração. São muito apreciados pelo seu
sabor e tenrura. Há no mercado variedades de couves selecionadas
de propósito para produção abundante de espigos.

170
As hortaliças

Cultivo
As couves apreciam solos frescos, com boa profundidade, húmidos
e ricos em nutrientes. Pondere cobrir as filas de plantações com
uma rede à prova de predadores como as lagartas e os pombos.

Faça um bom empalhamento, que permita manter a humidade.

No verão necessita de água em abundância. Regue as couves regu-


larmente, mas com moderação e cuidado para não molhar as folhas.

As couves apreciam fertilizantes ricos, como compostos húmicos com


algas. Caso tenham de enfrentar o inverno, opte por adubos azotados.

Cuidado: todas as
variedades de couve
contêm enxofre, pelo
que podem causar dis-
túrbios digestivos e
flatulência. Poderá
ser um aspeto a ter
em conta quando ela-
borar os seus menus.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Abóbora, aipo, alface, batata, beterraba, canónigos, capuchinha, ervas aromáticas,


feijão, flores perfumadas e tomate

Alho, alho-francês, cebola, escarola, funcho, morango e rabanete

Borboleta-branca-da-couve e pulgão

171
Uma HORTA à mão de semear

Curgete
Cucurbita pepo

Características
Muito simples de cultivar, este legume é ideal para jardineiros
principiantes. É também bastante rentável: bastam duas ou três
plantas para produzir o suficiente e alimentar toda a família. Pouco
calórica e rica em sais minerais, vitaminas e fibras, é uma hortaliça
muito fácil de digerir.

Cozida, salteada, recheada, ou até crua em finas tirinhas, desde que


cresça de forma saudável, quase todas as partes da curgete podem
ser aproveitadas – até a pele é comestível! As flores ficam deliciosas
tanto fritas, como delicadamente recheadas e passadas na frigideira.

Cultivo
Pode comprar pés de curgete em vasos para transplantação, mas
será mais simples se optar por semear (uma vantagem adicional é
o facto de, dessa forma, ter mais variedades à disposição). Deposite
duas ou três sementes numa cova diretamente na terra ou num
vaso. Depois de as plantas brotarem, selecione apenas a mais viçosa.
Reserve uma área com, pelo menos, 1 m2 para cada planta. Escolha
um dia soalheiro para fazer as plantações, por forma a garantir que
a terra estará bem quente.

O empalhamento é útil para preservar a humidade da terra, evitar o


apodrecimento dos frutos quando tocam no solo e proteger do oídio.

A curgete precisa de muita água e não aprecia a secura. Regue-a


com abundância, tendo o cuidado de não molhar as folhas.

É importante dispor de um solo rico em húmus, com bom escoamento

172
As hortaliças

da água e leve. A curgete adora composto, pelo que deve colocar


uma porção na cova da plantação ou ao redor do pé da planta. Em
alternativa, pode plantar diretamente numa pilha de composto.

Procure colher as
curgetes quando são
jovens e pequenas (15
a 20 centímetros).
Assim são mais sabo-
rosas e não produzem
desperdícios (se as
deixar crescer muito,
o núcleo ganhará
sementes grandes e
difíceis de digerir, e
um sabor e textura
menos agradáveis).
Esta planta produz
rapidamente novas
curgetes: quantas
mais colher, mais
produtiva será.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Aipo, alface, batata, couve, espargo, feijão e manjericão

Rabanete

Caracol e oídio

173
Uma HORTA à mão de semear

Endívia
Cichorium endivia

Características
A endívia é uma chicória que se desenvolve na escuridão. Foi des-
coberta por acaso, por um camponês de Schaerbeek (uma comuna
de Bruxelas), que, por volta de 1830, percebeu que as raízes velhas
da chicória produziam folhas delicadas e brancas (witloof) quando
cobertas de terra.

Hoje, esta espécie é produzida em massa e ao longo de todo o ano,


geralmente através de técnicas como a hidroponia (uma forma de
cultura em que, em vez de se desenvolverem no solo, as plantas
crescem com as raízes mergulhadas numa solução aquosa nutritiva).
Porém, as melhores endívias continuam a ser as cultivadas segundo
as regras tradicionais: na terra e durante o inverno.

Rica em vitamina B9 e fibras, a endívia é diurética e tanto pode


ser consumida crua, em saladas, como cozida a vapor, grelhada,
gratinada, enrolada com fiambre, etc.

Cultivo
Para cultivar endívias, necessita de uma caixa de madeira ou plás-
tico, ou um balde; um saco de terra de textura leve (turfa, lodo ou
areia); raízes de endívia com “rizomas”, que são os caules subterrâ-
neos (pode obtê-los em algumas lojas de horticultura ou junto de
produtores) e um espaço escuro, que não seja demasiado húmido,
com uma temperatura relativamente estável (cerca de 15°C).

Comece por cortar as folhas dos rizomas, deixando-as com apenas


um centímetro de colo, e corte os rizomas, dando a todos o mesmo
tamanho: cerca de 20 centímetros. Para obter uma plantação direita

174
As hortaliças

e em boas condições, pouse a caixa (ou balde) no chão e encha-a de


forma alternada: ora com finas camadas de terra, ora com camadas
de plântulas dispostas horizontalmente; garanta que estas camadas
ficam bem apertadas. Depois, levante as plântulas (ou seja, disponha-
-as de forma vertical) e preencha com terra os espaços que entretanto
ficaram vazios. Verifique regularmente a humidade da terra e o pro-
gresso do crescimento. A endívia leva o seu tempo (várias semanas
ou até meses), pelo que não deve adiar muito o início das plantações.

É aconselhável cobrir a caixa com uma fina camada de empalha-


mento e de cartão, para melhor preservar a humidade e a escuridão,
respetivamente.

Regue com moderação (não muito).

Não é necessário adicionar substrato, pois as raízes são ricas em


nutrientes.

Para prolongar a fase


da colheita, prepare as
caixas de plantação
com intervalos de
duas ou três semanas.

Escuridão

J F M A M J J A S O N D

Botrytis, caracol e lesma

175
Uma HORTA à mão de semear

Ervilha
Pisum sativum

Características
A cultura de ervilhas é fácil, mas tem de ser feita no solo – as versões
miniatura são exceções a esta regra, porque se adequam à cultura
em vaso. Nas ervilhas-tortas, tudo se aproveita (tanto as ervilhas,
como as vagens). Esta variedade da família das ervilhas partilha o
mesmo método de cultivo e é semeada entre abril e maio.

A planta cresce depressa e gera uma produção generosa. Colher as


vagens de forma contínua, assim que atingem a maturidade, estimula
a produção. Porém, a colheita não deve acontecer demasiado cedo,
para que as ervilhas não sejam muito pequenas, nem demasiado
tarde, sob pena de se tornarem farinhentas.

A colheita é, por si só, um momento divertido: as crianças adoram


abrir as vagens e provar as primeiras ervilhas com sabor adocicado.
Ricas em minerais, proteínas, fibras e nas vitaminas A, B, C e E, tanto
podem ser congeladas, como conservadas em frascos.

Cultivo
Existem duas variedades de ervilhas: as lisas e as enrugadas, que
são um pouco mais doces. Verifique as indicações no pacote de
sementes ou aconselhe-se com o seu fornecedor. As ervilhas lisas são
semeadas a partir de fevereiro e as enrugadas após o fim da época
das geadas (entre maio e julho). Prepare um solo rico em nutrientes,
fresco, com bom escoamento da água e abrigado do sol escaldante.
Deposite entre três e cinco sementes em pequenas covas com três a
cinco centímetros de profundidade, espaçadas por intervalos de 20
a 30 centímetros. Instale estacas junto das plantas. As estruturas
de suporte são úteis até para as versões miniatura – no caso destas,

176
As hortaliças

bastará espetar pequenos galhos ramificados junto de cada planta.


Nas variedades mais altas, disponha uma rede ou gradeamento ao
longo da plantação. Para dar um toque mais decorativo a este tipo
de instalação, e porque as folhas e as flores das ervilhas são muito
bonitas, pode optar por instalar três ou quatro estacas por planta,
unidas no topo como a estrutura de uma tenda de índio.

O empalhamento ajuda a manter o solo fresco e impede invasões


de ervas daninhas.

Não se deve regar demasiado no início, para estimular a floração.


Na fase seguinte, é aconselhável a rega abundante e frequente, para
assegurar o bom desenvolvimento das ervilhas.

Não é necessário adubar ou corrigir o solo.

No caso das varieda-


des mais altas, colo-
que estacas ou uma
rede para a planta
trepar e se agarrar.
As folhas, flores e
vagens da ervilheira
são muito decorativas.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Aipo, batata, cenoura, couve-rábano, nabo e rabanete

Alho, alho-francês, cebola, chalota, salsa e tomate

Lagarta-da-ervilha, míldio e oídio

177
Uma HORTA à mão de semear

Espargo
Asparagus officinalis

Características
Há vários tipos de espargo, cuja coloração é determinada pelo modo
de cultivo. Se for cobrindo a planta com terra à medida que esta
cresce, obterá espargos-brancos, como resultado de se terem desen-
volvido na escuridão. Já se os deixar crescer ao ar livre e à luz do
sol, ganharão tons verdes. Estes últimos são, por isso, mais fáceis
de cultivar e adaptam-se a praticamente qualquer tipo de solo.

Cultivo
A terra deve repousar durante, pelo menos, dez anos entre culturas
de espargos. Antes de se lançar no cultivo, certifique-se que o espaço
escolhido não teve nenhuma plantação de espargos recentemente.

Cultivar espargos não é complicado, mas requer paciência, visto


que, após a plantação, é necessário aguardar três anos para os poder
colher. Contudo, a espera compensa: concluída a fase de desen-
volvimento das plantas, estas garantem a produção de espargos
durante 15 a 20 anos.

Plante os rizomas na primavera, reservando uma distância de 20


centímetros entre cada um. A partir do terceiro ano, a época de
colheita acontece anualmente, ao longo de dez semanas, entre
meados de abril e o fim do mês de junho. A partir do quarto ano, a
colheita rende até 500 gramas de espargos por planta.

Nos primeiros dois anos de vida, é necessário revolver frequente-


mente a terra com uma enxada e também eliminar as ervas daninhas.

Regue abundantemente durante os dois primeiros anos.

178
As hortaliças

O primeiro biénio de vida dos espargos é fulcral para o sucesso da


plantação. Durante esse período de tempo, abasteça a plantação
de composto a cada outono.

Para obter espargos


brancos, basta proce-
der ao cultivo subter-
râneo de asparagus
officinalis.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Alcachofra, alho-francês, ervilha, manjericão, salsa e tomate

Alho, beterraba e cebola

Alguns afídios, ferrugem do espargo, mosca-do-espargo e rosca

179
Uma HORTA à mão de semear

Espinafre
Spinacia oleracea

Características
Esta hortaliça temporã deve ser semeada no início da temporada o
quanto antes e cresce depressa. Se tudo correr bem, poderá sabo-
rear o seu espinafre cerca de um mês e meio depois de o semear.
Esta espécie é resistente ao frio, suportando temperaturas muito
baixas (até -10°C). Pode ser cultivada na terra, bem como em vasos
dispostos num terraço ou numa varanda.

Colher regularmente as folhas favorece o crescimento de novos reben-


tos. Se for semeando pequenas filas com alguma regularidade, poderá
usufruir de espinafres frescos desde o início do verão até ao inverno.

O espinafre é um verdadeiro tesouro para a saúde, sendo particular-


mente rico em provitamina A, vitamina C e sais minerais.

Cozidas, as folhas constituem um excelente acompanhamento tanto


para pratos de carne como de peixe. Pode também incorporá-las em
folhados, tartes, pratos de massa, recheios e outras confeções. As folhas
mais jovens e tenras (muitas vezes comercializadas com a designação
baby) podem ser consumidas cruas e ficam deliciosas nas saladas.

Cultivo
Tenha em atenção que o espinafre não se dá bem com a secura e as
temperaturas muito elevadas. Se pretende cultivá-lo no verão, faça-
-o num espaço fresco e com sombra. Este legume folhoso aprecia
solos argilosos, ricos e húmidos. Semeie diretamente na terra, em
regos com dois centímetros de profundidade, que deve regar bem
antes de tapar. Depois, cubra-os com dois a três centímetros de
terra e termine o trabalho com um ancinho. Quando os espinafres

180
As hortaliças

começarem a despontar, desbaste a terra de modo a guardar apenas


uma planta a cada 15 centímetros.

O empalhamento é importante para preservar a humidade do solo.


Como o espinafre precisa de um solo rico, privilegie materiais como
as cascas de cacau ou de linhaça na confeção desta cobertura.

A terra nunca deve secar completamente entre as regas. Assegure


a irrigação regular do solo, sobretudo nos dias quentes.

O espinafre é um legume guloso, pelo que é recomendável enriquecer


a terra com uma boa dose de composto ou estrume antes do cultivo.

Se as folhas adqui-
rirem várias tonali-
dades, é sinal de que
foram atingidas pelo
“vírus do mosaico”.
Nesse caso, só há uma
resolução a tomar:
arrancar toda a planta
afetada e desfazer-se
dela.

Meia-sombra

J F M A M J J A S O N D

Aipo, alface, couve, fava, morango, nabo e rabanete

Acelga e beterraba

Calor e “vírus do mosaico”

181
Uma HORTA à mão de semear

Fava
Vicia faba

Características
A fava é uma semente que se desenvolve nas vagens da faveira,
uma planta pertencente à família das leguminosas, como a ervilha
ou o feijão. É altamente nutritiva e possui um sabor único, muito
apreciado em estufados, sopas e petiscos.

Existem variedades de faveira que crescem até 30 centímetros, sendo


mais indicadas para culturas em vasos, e outras que atingem altu-
ras de mais de um metro. Existem ainda variedades forrageiras,
indicadas apenas para alimentação animal e para adubação do solo.

Cultivo
É uma planta de climas frios, embora suporte temperaturas mode-
radas. Prefere solos ligeiramente ácidos, bem drenados, férteis e
ricos em matéria orgânica. Apesar disso, aguenta também solos
com alta salinidade.

A sementeira faz-se no tempo frio, a uma profundidade de três a


cinco centímetros. O espaçamento recomendado depende da varie-
dade que cultivar. Porém, podem dar-se como valores de referência:
cerca de um palmo entre sementes de uma mesma linha e meio
metro a um metro de distância entre linhas.

A colheita é feita no início do verão. Findo esse período, mantenha


as plantas na terra para que prossigam o processo de adubação
natural. A faveira é ótima para fixar azoto atmosférico no solo,
sendo muito utilizada nas práticas culturais de rotação de culturas
e favorecendo as culturas subsequentes, que assim beneficiam com
terras azotadas). Quando as plantas secarem, incorpore-as no solo.

182
As hortaliças

Recorra ao empalhamento para limitar o crescimento de outras


plantas que competem pelos mesmos nutrientes.

Durante o período de desenvolvimento da planta, a rega deve ser


insistente, mas sem encharcar.

Corrija o solo com composto ou outras matérias orgânicas.

Depois de remover a
fava da vagem, pode
retirar a casca desta
semente, o que a torna
mais suave e cremosa.
Para ter favas ao longo
de todo o ano, opte
pelas técnicas de con-
servação por secagem
ou congelação. No caso
desta última, as favas
devem ser escaldadas,
rapidamente passadas
por água gelada e só
depois congeladas,
para a ficarem mais
tenras.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Alface, batata, beterraba, cenoura, couve, espinafre, morango, nabo, pepino,


rabanete e tomate

Batata, cebola, ervilha e feijão

Ferrugem, míldio e piolho-negro (Aphis fabae)

183
Uma HORTA à mão de semear

Feijões
Phaseolus vulgaris

Características
“Feijão” é o nome vulgar para um conjunto de cultivares da espécie
Phaseolus vulgaris. Cultivado em quase todo o mundo, é apreciado
pelas qualidades nutritivas das suas sementes – os feijões, que,
por norma, são utilizados secos na nossa culinária. O feijão-verde,
também muito apreciado, mais não é do que as vagens que contêm
as sementes ainda verdes ou imaturas. Simples de cultivar, é ideal
para principiantes. Existe nas variedades trepadeira e miniatura
(a mais indicada para cultivo em vasos). De produção generosa,
pode ser consumido por longas temporadas num estado tenro e
crocante, já que a colheita regular das vagens estimula a formação
de novos rebentos. O ideal é ir colhendo a cada dois ou três dias. Se
escalonar a sementeira, poderá dispor de feijão-verde durante todo
o verão. Qualquer que seja a espécie que semeie, o feijão-verde que
daí resulta é todo mais ou menos igual.

Se preferir o feijão seco, só tem de deixar prosseguir o desenvolvimento


das vagens até engrossarem e secarem. Os resultados poderão ser
bem diferentes em tamanho e gosto, consoante a espécie semeada.
Há feijão-branco, feijoca, feijão-frade, etc. Para conservar feijão para
o inverno, tanto o pode esterilizar, como escaldar (e passar por água
fria) e congelar, no caso do feijão-verde, ou secar, no caso do feijão
seco. As plantações de feijão são um excelente adubo verde, pelo que
terá todo o interesse em deixar as raízes no solo após as colheitas.

Cultivo
O feijão precisa de sol e calor, mas aprecia fixar raízes num terreno
fresco, rico em nutrientes e fértil. Inicie a plantação após o fim das
geadas. Caso se trate de feijão da variedade trepadeira, prepare um

184
As hortaliças

suporte com estacas atadas no topo. A sementeira é feita em regos.


Quando as plantas despontarem, desbaste o solo de modo a espaçar
os feijoeiros e a eliminar as ervas daninhas. Alternativamente à
sementeira em regos, pode depositar três ou quatro sementes em
pequenas covas separadas por um palmo de distância.

O empalhamento é dispensável. Caso opte por não o fazer, lembre-


-se de arrancar regularmente as ervas daninhas.

Só é preciso regar no verão, na fase de florescimento do feijoeiro.

O feijão é naturalmente rico em azoto, pelo que se desaconselha


a mistura de estrume na terra. Caso pretenda enriquecer o solo,
adicione um composto friável e bem decomposto no outono.

Na Antiguidade, o fei-
jão de trepar, o milho
e a abóbora eram cha-
mados “os três irmãos”,
porque o milho faz de
suporte para o feijão,
a abóbora preserva a
humidade do solo e
o feijão fornece um
adubo natural à terra.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Abóbora, alface, beringela, cenoura, ervilha, espinafre e milho

Acelga, alho, beterraba, chalota, cebola, funcho e tomate

Antracnose

185
Uma HORTA à mão de semear

Funcho
Foeniculum vulgare

Características
É um legume associado aos países quentes e muito fácil de cultivar
também nos nossos quintais. Depois de atingir a maturidade, pode
ser conservado numa cave, dentro de paletes de madeira com areia
(trata-se da mesma técnica usada para as cenouras, que pode rever
na página 163).

Rico em vitaminas (A, B9, C, etc.), ferro e sais minerais (como o mag-
nésio e o cálcio), o funcho é particularmente interessante do ponto
de vista nutricional. Por conter muitas fibras, é de fácil digestão,
mesmo para pessoas mais sensíveis.

É apreciado pelo sabor anisado e pela polpa, que, consoante o nível


de cozedura, pode ser mais crocante ou desfazer-se na boca. Trata-se
de um ótimo acompanhamento tanto para pratos de peixe, como
de marisco. Tudo se aproveita no funcho: o bolbo, mas também as
folhas, cujo sabor lembra o endro, e as sementes, que poderá usar
para realçar os seus cozinhados ou molhos para saladas.

Cultivo
Opte por um espaço soalheiro e um solo fértil e profundo, mas de
textura leve. A época da sementeira decorre entre maio e julho
(ou mais cedo, se fizer o cultivo num espaço abrigado), devendo
plantar algumas sementes intervaladas entre si por distâncias de
20 centímetros. Guarde apenas as plantas mais viçosas. Durante a
fase de crescimento, vá cobrindo o bolbo com terra, para que man-
tenha a característica cor branca. O funcho pode ser consumido
em praticamente qualquer fase de desenvolvimento: desde que tem

186
As hortaliças

apenas cinco centímetros até ao triplo do tamanho. As folhas tam-


bém podem ir sendo colhidas regularmente, para servir de tempero.

O empalhamento é útil, porque preserva a humidade do solo e dis-


pensa da necessidade de enxadar.

O funcho necessita de humidade durante todas as fases do cres-


cimento, sob pena de se tornar fibroso e desenvolver sementes.

O funcho aprecia solos férteis, enriquecidos com húmus ou estrume.

Aromatize a flor de
sal com sementes
colhidas das flores
do funcho; fica deli-
ciosa! Estas semen-
tes são comumente
conhecidas pelo
nome erva-doce, uma
especiaria muito utili-
zada para aromatizar
pães, doces, castanhas
cozidas e outros
alimentos.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Aipo, alface, alho-francês, nabo e pepino

Abóbora, chalota, coentros, couve, feijão e tomate

Pulgão

187
Uma HORTA à mão de semear

Grão-de-bico
Cicer arietinum

Características
O grão-de-bico faz parte da grande família das leguminosas. É uma
semente que cresce em vagens (cada uma tem, em média, três a quatro
grãos), sendo normalmente consumida seca, como o feijão. O arbusto
que dá origem ao grão-de-bico pode atingir até um metro de altura.

Como alimento é extremamente nutritivo, rico em proteínas, sais


minerais, vitaminas, fibras e amido.

Cultivo
O cultivo desta espécie é relativamente simples. Poderá proceder
à sementeira num terreno exterior pelo fim do inverno. Também é
possível iniciá-la um pouco mais cedo num espaço interior. Tenha
em conta que as plantas são muito sensíveis ao transplante, pelo
que será sempre preferível semeá-las no local definitivo. Assim, se
a sua opção for iniciar o cultivo “dentro de casa”, faça-o em vasos
biodegradáveis, que possam ser enterrados no exterior juntamente
com as mudas (sem necessidade de transplante). O grão-de-bico
demora cerca de 100 dias a ficar pronto para a colheita.

O empalhamento não é fundamental. Caso não o faça, lembre-se


de arrancar regularmente as ervas daninhas.

Não regue demasiado, pois a água da chuva deverá ser suficiente.


Em caso de seca prolongada, regue duas vezes por semana. Quando
a planta começar a secar, pare de regar, por forma a favorecer a
secagem, a qual é necessária para a colheita do grão.

188
As hortaliças

O solo deve ser fofo, bem drenado e previamente tratado com


matéria orgânica (não use estrume mal curtido, porque reduzirá
o rendimento da planta). Evite semear em solos muito argilosos e
áreas sombrias.

A provável origem do
grão-de-bico estará no
Médio Oriente – há
registos do seu cultivo
pelo homem na bacia
do Mediterrâneo
desde há 5000 anos!

Sol

J F M A M J J A S O N D

Aipo, alface, alho, batata, cenoura, couve, nabo e pepino

Alho, alho-francês, batata, cebola, ervilhas, feijão e outras leguminosas

Ácaros, afídeos, cigarrinhas e fungos

189
Uma HORTA à mão de semear

Milho-doce
Zea mays

Características
É fácil de cultivar, desde que beneficie de sol e humidade. Garante
uma produção muito generosa e adapta-se perfeitamente a hortas
pequenas.

Dá um toque original aos jardins. Pode atingir dois a três metros


de altura e, como tal, servir para criar alguma sombra, fazer de
barreira de separação entre duas zonas ou ainda de “estrutura” de
suporte para plantas trepadeiras.

O milho apresenta numerosas virtudes nutricionais: é antioxidante,


rico em fibras, magnésio, vitaminas B e C, etc. De textura estaladiça
e sabor adocicado, é delicioso tanto cozido no vapor e barrado com
manteiga derretida, como assado no churrasco. Procure consumi-lo
pouco tempo depois da colheita, pois o seu teor de açúcar diminui
rapidamente.

Cultivo
O milho exige solos profundos, frescos, ricos em húmus e de tex-
tura leve. Procure semeá-lo quando a terra estiver bem quente (no
mínimo 10 a 12°C), dispondo um par de sementes em covas com dois
centímetros de profundidade cada, intervaladas por 30 centímetros
de distância. Regue bem durante os períodos de floração e de forma-
ção das espigas. Colha as espigas assim que ficarem maduras – ou
seja, quando as barbas começarem a acastanhar e o milho estiver
bem amarelo, mas ainda tenro e leitoso. Caso pretenda cultivar
apenas algumas plantas de milho, opte por instalá-las num canteiro
quadrado e não em linha, para favorecer a polinização.

190
As hortaliças

O milho aprecia solos ricos em nutrientes, pelo que é aconselhável


espalhar uma fina camada de aparas de relva junto do pé e repetir
regularmente este procedimento.

Regue com frequência durante o tempo seco.

Considere enriquecer a terra com estrume, composto ou outro tipo


de fertilizante para hortas na fase da plantação.

Para evitar o des-


perdício de espaço,
plante, junto aos
pés de milho, uma
espécie trepadeira
de uma hortaliça com
exigências semelhan-
tes em termos de solo,
como por exemplo a
abóbora. Nesse caso,
redobre a quantidade
de água da rega.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Alho-francês, cucurbitáceas, ervilha e feijão

Caracol e lesma

191
Uma HORTA à mão de semear

Nabo
Brassica rapa var. rapa

Características
Faz parte do leque de hortaliças mais antigas que têm ganho impor-
tância renovada na gastronomia moderna, nomeadamente pela mão
de grandes chefes de cozinha que vêm redescobrindo a sua textura
delicada e o sabor adocicado e ligeiramente picante. Se colhido ainda
jovem (cerca de seis semanas após a sementeira), o nabo revela-se
uma hortaliça extremamente refinada.

É possível colher nabos em qualquer estação do ano. Para o garantir,


deve escalonar a sementeira e recorrer a diferentes variedades –
algumas delas rústicas (isto é, resistentes o suficiente para sobre-
viver ao inverno).

O nabo é especialmente rico em ferro e cálcio. Pode ser consumido


em sopas, pratos de cuscuz, salteado, em puré ou até, no caso das
variedades mais tenras, cozido no vapor e mesmo cru, em farripas.

Cultivo
O período ideal para a sementeira é de abril a setembro (ou mais
cedo, se quiser iniciar o cultivo num espaço abrigado). O solo deve
ser fértil, profundo, fresco e bem adubado. Evite solos calcários e
secos, pois tornam as raízes muito fibrosas. Deposite as sementes
em regos com dois centímetros de profundidade, depois calque
ligeiramente a terra e regue. É boa ideia cobrir a plantação com
uma rede, para protegê-la da áltica (mosca-da-couve). Quando os
nabos começarem a brotar, arranque parte deles, de forma a garan-
tir uma distância de dez centímetros entre cada planta. Não deite
fora os rebentos, pois pode aproveitá-los para saladas, estufados
ou outros cozinhados.

192
As hortaliças

O nabo é extremamente guloso. Evite a concorrência das ervas


daninhas, arrancando-as delicadamente ou recorrendo ao empa-
lhamento para travar o seu crescimento.

O nabo não se dá nada bem com a seca e precisa de humidade, pelo


que deve ser regado regularmente, com cuidado para não molhar
as folhas (que designamos como “nabiças”).

Procure enriquecer o solo com adubo azotado em granulado mesmo


antes da sementeira. Não hesite em acrescentar fertilizantes durante
toda a fase de crescimento.

Os nabos estivais
desenvolvem-se
depressa e devem
ser consumidos
quando jovens e
pequenos, sob pena
de ficarem fibrosos.
Já as variedades de
outono podem ganhar
volume sem prejuízo
para o seu sabor e
características.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Alface, ervilha, espinafre e feijão

Áltica-das-couves

193
Uma HORTA à mão de semear

Pepino
Cucumis sativus

Características
Esta hortaliça crocante é um fruto e um elemento essencial nas
saladas estivais. Rico em água e pouco calórico, refrescante e hidra-
tante, o pepino contém muitas vitaminas A, C e sais minerais.

Embora seja diurético, pode revelar-se difícil de digerir. Quando


consumido com casca é uma boa fonte de antioxidantes. Se cultivar
variedades de pepinos em miniatura, poderá usá-los para preparar
pickles caseiros para o inverno, conservando-os em vinagre.

Cultivo
Embora estejam disponíveis jovens plantas de pepino em vasos
para transplantação, a sementeira constitui o modo mais simples de
cultivo deste legume. Deposite uma a três sementes numa cova na
terra ou num vaso. O pepino é friorento, pelo que deve transplantá-
-lo a partir de meados de maio, altura em que o termómetro não
desce abaixo de 10°C. Este legume dá-se bem em espaços quentes
e abrigados do vento; prefere solos soltos, profundos, humíferos e
dotados de boa drenagem. Colha os pepinos com alguma frequência,
pois a planta deixa de produzir se ficar sobrecarregada. Em caso
de ameaça ou invasão de gastrópodes (como lesmas e caracóis),
deposite cinzas ao redor da planta (tendo o cuidado de renovar a
dose depois de chover) ou Ferramol (um repelente biológico). Plante
capuchinhas (flores também conhecidas pelo nome “chagas”) perto
das culturas de pepino para afastar os pulgões.

Instale uma boa camada de ervas secas junto à base da planta para
preservar a humidade do solo e impedir que os legumes apodreçam
quando em contacto com a terra.

194
As hortaliças

O pepino consome muita água. Regue-o bem na fase da plantação


e depois com alguma regularidade, tendo o cuidado de não molhar
as folhas.

O pepino é um legume “guloso”, pelo que lhe deverá fornecer, fre-


quentemente, adubos especiais para tomate ou chorume de urtigas
(aprenda a fazer este preparado na página 86).

A planta do pepino
tende a espalhar-se no
solo, ocupando uma
grande superfície
(até quatro metros
quadrados). Se só
dispuser de uma área
restrita para planta-
ção, instale estacas, às
quais as gavinhas se
irão agarrar, levando
a planta a crescer na
vertical.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Aipo, alface, capuchinha, cebolinho, coentros, couve, ervilha, manjericão,


milho, orégãos e rabanete

Batata e tomate

Caracol, lesma, míldio, oídio e pulgão

195
Uma HORTA à mão de semear

Pimento
Capsicum annuum

Características
Este delicioso legume de verão é fácil de cultivar tanto numa horta na
terra, como em vasos. Possui cores vivas que dão um efeito decorativo
ao jardim: começa por ser verde, mas, dependendo da variedade,
torna-se depois amarelo, laranja ou vermelho.

É muito rico em vitamina C, provitamina A e antioxidantes (sobretudo


o vermelho). Contém ainda vitaminas B e E, para além de sais minerais.

Seja misturado em saladas, grelhados, recheado ou combinado com


outros legumes, o pimento ajuda a realçar o sabor de inúmeros
pratos. Para torná-lo mais fácil de digerir, basta tirar-lhe a pele.
Passe-o no grelhador por breves instantes para facilitar a tarefa.

Cultivo
Prepare um espaço bem quente, com boa luminosidade e abrigado
do vento. O solo deve ser fértil e possuir boa drenagem. Quando
as temperaturas médias atingirem os 20°C, é tempo de passar as
plantações de pimento para o exterior. Prepare um suporte com
estacas para as apoiar e limite o seu crescimento: com a tesoura de
podar, corte o caule principal acima da primeira flor, assim como
as ramificações secundárias (acima da terceira flor, neste caso).
Procure não ultrapassar uma dúzia de pimentos por planta.

O empalhamento é útil para manter o solo fresco.

O pimento deve ser regado com regularidade durante toda a fase


de crescimento (sempre com cuidado, para não molhar as folhas).
Coloque junto de cada planta uma garrafa de plástico (sem fundo

196
As hortaliças

e com o bocal tapado, com um pequeno furo e virado para baixo)


e encha-a com água, por forma a proporcionar-lhe uma rega dimi-
nuta, mas contínua.

O pimento é guloso e necessita de uma camada generosa de composto


durante a plantação, assim como do enriquecimento do solo ao
longo de todo o crescimento, com chorume de urtigas, por exemplo,
ou adubo biológico especial para pimentos.

É possível produzir
pimento a partir das
sementes que encon-
tra no seu interior.
Neste caso, poderá
ter de esperar cerca
de dois meses até
que a planta comece
a desenvolver-se, mas
valerá a pena.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Alho, beringela, cebola, cenoura, couve, curgete, manjericão, tomate e tomilho

Batata

Míldio

197
Uma HORTA à mão de semear

Rabanete
Raphanus sativus

Características
É um dos legumes mais fáceis e rápidos de cultivar. Dá-se bem em
vasos e também plantado diretamente na terra. Como existem muitas
variedades de rabanete, pode escalonar a sementeira e, como tal,
ir colhendo durante uma grande parte do ano, desde a primavera
até ao início do inverno.

O rabanete é rico em antioxidantes e nas vitaminas A, B e C. A


rama deste legume também pode ser aproveitada para confecionar
sopas deliciosas.

Cultivo
Escolha solos normais, mas leves. Se receia a ameaça de geadas,
cubra cuidadosamente a área das plantações com um véu. Procure
escalonar a sementeira (de 15 em 15 dias), para garantir que tem
rabanetes sempre ao dispor, mas não em excesso. Semeie a pouca
profundidade, calcando bem a terra de seguida. Quatro a seis sema-
nas depois, as plantas começarão a brotar. Para escapar ao ataque
da áltica, pode pulverizar as folhas com água e/ou rodear o canteiro
dos rabanetes com uma barreira constituída por plantas protetoras
(agrião, capuchinha, etc.), e/ou espetar ramos de giestas entre as
filas de plantações.

Esgravate regularmente a terra entre as filas de plantações com


um ancinho, para evitar a formação de uma crosta e a competição
com as ervas daninhas. O empalhamento surte o mesmo efeito,
mas somente em solos pouco densos.

198
As hortaliças

Regue regularmente os rabanetes, sobretudo no verão, sob pena


de ficarem ocos e fibrosos.

O rabanete aprecia solos ricos em húmus e leves.

O rabanete gosta de
espaço; não aprecia
plantações muito
fechadas. Marque
pequenos sulcos em
cada fila que pretende
semear, espaçados por
cerca de 15 centíme-
tros, e deposite uma
semente em cada um.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Agrião, alface, capuchinha, espinafre, feijão, pepino e tomate

Abóbora, couve e curgete

Áltica e sementeira cerrada

199
Uma HORTA à mão de semear

Rúcula vivaz
Diplotaxis tenuifolia

Características
Não confunda a rúcula vivaz selvagem (Diplotaxis tenuifolia), que
tem folhas mais estreitas e serrilhadas, com a rúcula anual (Eruca
sativa). Deve ser semeada entre abril e agosto, a meia-sombra ou ao
sol, e, depois de se desenvolver plenamente, ser-lhe-á “fiel”, voltando
a produzir folhas durante anos a fio. São muito tenras e brotam
de forma constante após cada corte, o que torna possível a sua
colheita continuada ao longo de quase todo o ano. O seu sabor é
mais estimulante e picante do que o da rúcula anual.

Cultivo
A rúcula aprecia solos frescos, humíferos, férteis e bem lavrados.
Para prevenir que se semeie de forma espontânea e invasora, corte
os caules nos quais vir flores brotar. Semeie a rúcula vivaz entre
abril e agosto e colha nos meses de verão e outono.

A aplicação de uma camada de empalhamento permite preservar


a humidade e afastar o inseto que representa a maior ameaça para
a espécie – a áltica.

É importante manter o solo húmido, para evitar o desenvolvimento


de sementes.

A correção do solo só é necessária se este não for suficientemente


rico e fresco.

200
As hortaliças

Para além de “apimen-


tar” os sabores das
saladas e equilibrar
o paladar dos enchi-
dos, a rúcula fresca
fica deliciosa sobre
uma pizza acabada
de sair do forno.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Brócolos, couve, nabo e rabanete

Áltica

201
Uma HORTA à mão de semear

Tomate
Solanum lycopersicum

Características
Existem numerosas variedades de tomate (pelo menos 500), com
cores, formas e sabores muito diversos. As versões miniatura ou
pendentes dão-se bem em vasos e em plantações suspensas. O tomate
é fácil de cultivar, desde que haja sol e esteja abrigado do vento, e
rico em minerais, provitamina A, vitamina C e B9. Estima-se ainda
que o licopeno (pigmento do tomate) contribui para uma boa visão
e pode reduzir o risco de cancro da próstata.

Cultivo
Enterre boa parte do caule a uma profundidade considerável, para
que as raízes tenham condições para se desenvolver. Aproveite tam-
bém o momento das plantações para instalar estacas. Ao invés de
plantar, pode optar por semear tomate. Nesse caso, terá à disposição
um leque mais vasto de espécies.

Considere abrigar os tomateiros da chuva, por forma a protegê-los


do míldio (uma simples cobertura de plástico transparente é sufi-
ciente). Controle o crescimento da planta para obter frutos mais
bonitos: colha os tomates que se desenvolvem nas dobras entre as
ramagens e o caule principal, e pode este caule por cima do quarto ou
quinto ramo de flores. Se se tratar de tomate-cereja, não deve podar.

O empalhamento é útil, porque mantém a terra fresca.

Regue junto ao pé da planta, porque as folhas são muito sensíveis à


humidade. Não regue em demasia, para evitar a formação de fungos.

202
As hortaliças

O tomate aprecia uma terra leve e rica em húmus. Alimente-o com


um adubo orgânico especial para tomate ou chorume caseiro (leia
uma receita de chorume de urtigas na página 86). Também é boa
ideia espalhar urtigas trituradas no rego das plantações.

Se um tomate cair
quando ainda está
verde, deixe-o ama-
durecer em casa num
local quente. Para
acelerar o processo,
coloque uma maçã
ou banana na mesma
cesta ou contentor.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Algumas plantas aromáticas (manjericão, salsa, etc.), cenoura e tagete

Batata, couve, ervilha, feijão, funcho e girassol

Míldio

203
Capítulo 6

Pequenos
frutos
Uma HORTA à mão de semear

Regras de
ouro para uma
plantação
bem-sucedida
Quando se toma o gosto pela horticultura, seja ela feita em grande
escala, num pequeno canteiro ou até numa varanda, é normal que
depressa se lhe junte também a vontade de plantar alguns moran-
gueiros. Porque não aproveitar o balanço e lançar-se também na
cultura de outros pequenos frutos, como framboesas, groselhas e
maracujás?

Para além de serem bastante menos volumosos do que espécies


como a maçã e a laranja, estes frutos são fáceis de cultivar em caixas
e floreiras, assim como diretamente na terra. A sua grande riqueza
em vitaminas e cores, aliada ao prazer que os seus sabores propor-
cionam, merecem que lhes dedique um pequeno espaço na horta.

Tal como acontece com a maioria das plantações, o outono é a melhor


época para iniciar o cultivo destes frutos, embora também os possa
plantar na primavera, contanto que tenha o cuidado de regá-los
abundantemente durante o período de enraizamento.

No caso dos frutos vermelhos, como as framboesas e as groselhas


(também frequentemente denominados “frutos silvestres”), quase
todos necessitam de ser podados anualmente, para eliminar os ramos
mais antigos, arejar os arbustos e, assim, favorecer a produção.

Caso opte pelo cultivo destas espécies diretamente na terra, tenha


em conta algumas regras que se podem revelar decisivas para o
seu bom desenvolvimento. Confira também, nas páginas 210-217,
alguns conselhos e instruções específicos para o cultivo de groselha,
framboesa, mirtilo e morango.

206
Pequenos frutos

• A maioria dos “frutos silvestres” aprecia locais com boa expo-


sição solar a meia-sombra, bem como uma terra fértil, fresca,
com boa drenagem e, tanto quanto possível, isenta de calcário.

• Para obter um solo nas condições ideais, misture terra, substrato


e areia, e adicione um pouco de composto ou adubo orgânico.

• O empalhamento durante a primavera permite preservar a


humidade do solo e travar a concorrência das ervas daninhas.

• No verão, a rega deve ocorrer se o tempo estiver quente e seco.

• No outono ou na primavera, adicione junto do pé de cada planta


uma boa camada de composto ou estrume bem decomposto. Os
adubos indicados para a cultura de tomate (reveja os conselhos
de cultivo desta espécie na página 202) também favorecem a
produção destes pequenos frutos (sobretudo da framboesa).

Já se fizer a cultura em vasos, há cuidados redobrados a ter para


garantir o sucesso.

• Evite colocar os vasos em locais excessivamente quentes, como


junto a paredes ou muros orientados a sul.

O bom
desenvolvimento
dos frutos
vermelhos costuma
estar associado a
práticas como o
empalhamento, a rega
generosa e a poda
anual

Na página seguinte: a groselha pode ser cultivada em vasos, desde que


observe alguns cuidados

207
Uma HORTA à mão de semear
Pequenos frutos

• Privilegie o uso de recipientes com uma dimensão generosa


(por exemplo, vasos com capacidade superior a 30 litros no
caso das framboesas e groselhas; no caso dos morangos, poderá
usar um vaso de cinco litros por cada pé), para que as plantas
se possam desenvolver sem constrangimentos, e instale uma
boa camada de drenagem no fundo, recorrendo a materiais
como gravilha não calcária ou leca.

• Nos primeiros anos, as plantas devem ser reenvasadas anual-


mente, durante a primavera, à medida que vão crescendo. Com
o tempo, a periodicidade desta prática muda, sendo necessária
a cada dois ou três anos apenas.

• Não descuide a rega, porque, nos vasos, o substrato seca rapi-


damente. No verão é preciso regar quase todos os dias.

• Fertilize o solo. Para além de uma camada de composto junto do


pé, aplique adubo próprio para frutos ou para tomate durante
a primavera.

Legenda dos pictogramas

Plantar Época

Semear Exposição solar

Empalhamento/mul- Plantar ou semear


ching (espalhar uma cober-
tura vegetal seca ou palha Colher
entre as plantações)
Boas associações
Regar
Más associações
Corrigir (melhorar a
qualidade do solo) Inimigos e pragas

209
Uma HORTA à mão de semear

Groselha
Ribes rubrum

Características
Embora seja comumente conhecida como uma pequena baga de cor
vermelha, a groselha pode também possuir uma coloração branca
em algumas variedades. Deve, se possível, misturar várias espécies,
pois estimulará a produção. Considere, por exemplo, integrar uma
variedade branca, mais adocicada, e/ou groselhas espinhosas, de
maior dimensão, pelo deleite de multiplicar os sabores.

De gosto doce e forte, a groselha é frequentemente usada como base


para xaropes e refrescos muito adocicados. Este fruto é também
usado em compotas e sobremesas.

Cultivo
As groselheiras são bastante resistentes ao frio, mas desenvolvem-se
bem em locais soalheiros e sem geadas. O solo deve ser bem drenado
e de pH neutro ou ligeiramente ácido, visto que a groselha não é
uma espécie adequada para terrenos calcários fortemente alcalinos.
Durante os meses frios, as plantas perdem as folhas e entram em
dormência. Faça uma fertilização do solo rica em potássio, pois
esta favorece a produção.

Adquira as plântulas e passe-as para a terra no fim do outono/


inverno, quando a planta está em dormência. Na época estival, a
groselheira tende a dobrar-se por causa do peso dos cachos, pelo
que pode auxiliar o seu desenvolvimento colocando-a junto de uma
estrutura de suporte, como uma treliça ou um conjunto de estacas.

A produção de groselhas variará consoante o tamanho e a idade da


planta. Importa saber que só os ramos com um, dois ou três anos

210
Pequenos frutos

produzem quantidades interessantes. Deve podar os ramos maiores


e em excesso para equilibrar a planta. A poda não só estimula a
produção, como elimina os ramos doentes ou infestados e ajuda a
prevenir doenças como o míldio. As groselhas devem ser colhidas
em cacho e não individualmente.

Proceda ao empalhamento na base da planta, para evitar o cresci-


mento de ervas daninhas.

Regue com moderação, nunca encharcando demasiado o solo.

Evite solos muito alcalinos. Poderá humificar bem o solo, por forma
a baixar o pH, ou usar um substrato ácido.

Este fruto não cresce


nos ramos mais
jovens, que brotaram
no ano em curso, e
desenvolve-se mal
nos mais antigos.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Aranhiço-vermelho, lagarta, míldio, podridão ou mancha da folha e pulgão

211
Uma HORTA à mão de semear

Framboesa
Rubus idaeus

Características
A framboeseira é um arbusto rústico, que produz deliciosos fru-
tos de cor vermelha ou amarela e desenvolve-se em praticamente
qualquer lugar. Tal como o morangueiro, divide-se em dois tipos de
variedades: as “não-trepadeiras”, que produzem frutos em grande
quantidade num curto período de tempo, e as trepadeiras, que pro-
duzem durante um longo período de tempo mas de forma mais
escassa. Estas últimas fornecem frutos até às primeiras geadas.

Delicada e dona de um sabor equilibrado em doçura e acidez, a fram-


boesa é saborosa ao natural, mas também integrada em iogurtes,
batidos, gelados, bolos e outras sobremesas.

Cultivo
A framboesa aprecia espaços soalheiros e dá-se em qualquer solo,
desde que não seja excessivamente calcário. Porém, necessita de frio
para produzir frutos, e é sensível ao vento. É uma planta relativamente
parecida com as silvas, algo que deverá ter em conta no momento
de escolher a localização da(s) sua(s) framboeseira(s) – deve evitar
situá-la(s) nas bordas dos caminhos, por exemplo. Um erro frequente
é exagerar na quantidade de plantas cultivadas, arriscando obter um
número excessivo de framboesas, impossível de consumir em tempo
útil. Bastará plantar dois ou três pés para obter uma quantidade
satisfatória. É ainda aconselhável misturar variedades trepadeiras
e não-trepadeiras, de modo a escalonar as colheitas. Para além dos
conselhos válidos para todos os pequenos frutos, deve podar o arbusto
no fim do verão, cortando os caules ressequidos que já deram frutos.
A poda permitirá controlar a forma e o desenvolvimento da planta e
favorecerá o aparecimento de frutos de tamanho maior.

212
Pequenos frutos

O empalhamento é benéfico junto ao colo da planta, pois impede


o crescimento de ervas daninhas.

A rega deve ser frequente, em especial na época seca, mas nunca


em demasia, porque a framboesa não gosta de solos encharcados.

O solo deve ser ácido, pelo que se aconselha a correção do solo


com um substrato com pH entre 5,5 e 6,2. Caso o pH seja abaixo de
5, corrija adicionando calcário. O solo deve ser fértil, dispensando
assim grandes cuidados com a adubação.

Este fruto será tanto


mais doce, quanto
mais intensa for a sua
cor e maduro estiver.
A colheita é mais fácil
pela fresca da manhã.
Consuma as framboe-
sas logo depois de as
apanhar. Também
podem ser armaze-
nadas no frigorífico
por alguns dias, ou
congeladas.

Sol

J F M A M J J A S O N D

Batata, beringela, pimentão, tomate e rosa

Afídeos, cancro das raízes (Agrobacterium tumefaciens), larva, podridão dos frutos
(Botrytis cinérea) e pulgão

213
Uma HORTA à mão de semear

Mirtilo
Vaccinium myrtillus

Características
O mirtilo é uma baga de sabor excecional, colhida na natureza pelo
homem há séculos. Para além de delicioso, é rico em substâncias
com um grande poder antioxidante, motivo pelo qual é chamado
“fruta da longevidade”. Existem dois tipos de mirtilo: o europeu
(Vaccinium myrtillus), que cresce em pequenos arbustos com 25 a
60 centímetros de altura e é composto por pequenas bagas azula-
das, e o americano (Vaccinium corymbosum), cujo arbusto chega a
atingir 1,5 a 2 metros de altura e produz bagas maiores. A primeira
variedade é mais comum, embora também seja possível encontrar
exemplares da segunda à venda.

Cultivo
O mirtilo está quase tão difundido quanto a framboesa nas grandes
superfícies comerciais, sendo até possível encontrar, ocasionalmente,
jovens mirtileiros à venda em supermercados. O mirtileiro europeu
dá-se bem em locais a meia-sombra, ao passo que o americano exige
sol. Ambos apreciam terras ácidas e frescas, de preferência arenosas.
Procure utilizar terra com um pH ácido, entre 4,5 e 5,5, como a que
se usa para os rododendros e azáleas. Escolha um local de plantação
abrigado dos ventos e das geadas fortes. Esta planta necessita de
frio no período de dormência, para depois produzir frutos, mas não
gosta de geadas. É sensível a temperaturas demasiado altas no verão.

A poda estimula a floração e aumenta a frutificação. Elimine os


ramos antigos e secos no fim do inverno. Mantenha as ramagens
recém-nascidas tal como se apresentam e encurte as restantes.
Cuidado com o abuso de fertilizantes e a presença de herbicidas
químicos por perto; o mirtilo não os suporta.

214
Pequenos frutos

Como é uma planta com raízes pouco profundas, há necessidade


de manter o terreno limpo de outras plantas infestantes, pois, para
além de competirem com os mirtilos pelo abastecimento de nutrien-
tes e água, podem alojar insetos e doenças. O empalhamento é um
método eficaz para garantir essa limpeza e conserva a humidade
superficial do solo. Crie a camada de empalhamento com palha,
caruma, lascas de madeira e/ou casca de pinheiro. Verifique se o
material que escolheu não contém sementes de ervas daninhas.

Na estação seca, a rega deve ser frequente e curta, para manter o


solo húmido à superfície sem o encharcar. Se quer cultivar algu-
mas filas de arbustos, pondere instalar um sistema de rega gota
a gota, que permitirá abastecer a quantidade necessária de água
sem preocupações.

Poderá usar folhas, turfa e outra matéria vegetal em decomposi-


ção para acidificar o solo. Se o solo for muito pesado ou argiloso,
misture areia não calcária.

Se tem vontade de
misturar variedades,
não pense duas vezes,
pois só tem ganhar
com essa diversidade,
que muito favorece a
produção.

Sol ou meia-sombra

J F M A M J J A S O N D

Botrytis, ferrugem, mosca-da-fruta, podridão agárica, podridão da raiz


e outras doenças causadas por fungos

215
Uma HORTA à mão de semear

Morango
Fragaria vesca

Características
O morangueiro tem origem na espécie Fragaria vesca, que corres-
ponde ao morangueiro silvestre europeu, o qual produz um fruto
pequeno, mas muito apreciado pelo seu sabor intenso. As espécies
que se encontram no mercado foram desenvolvidas em função das
melhores características dos frutos, como o tamanho, a resistência
a doenças, ou a época de produção.

Ao contrário dos restantes pequenos frutos deste capítulo, o moran-


gueiro não é arbustivo. Trata-se de uma planta herbácea (isto é, de
caule mole, que não produz madeira) rasteira. Existem dois tipos
de variedades de morangueiro: as não-trepadeiras, que produzem
frutos em quantidade generosa, mas só durante algumas semanas
(entre fins de maio e início de julho), e as variedades trepadeiras, que
dão morangos de forma mais espaçada, entre meados de junho e
outubro, fazendo uma pausa durante o período de calor mais intenso.

Cultivo
Os morangueiros precisam de sol e de uma terra rica, arejada e
ligeiramente ácida. Deve estar limpa, livre da ameaça e “concorrên-
cia” das ervas daninhas. O fim do verão (entre meados de agosto
e setembro) é o momento ideal para a plantação, pois favorece o
bom desenvolvimento das raízes, permitindo que os morangueiros
sejam produtivos na primavera. Também é possível plantar durante
a primavera, mas os resultados serão menos impressionantes.

Para além dos conselhos válidos para todos os pequenos frutos em


aspetos como a rega, o empalhamento, e a correção do solo, deve
proceder-se ao corte regular de folhas murchas e frutos. Pelo fim

216
Pequenos frutos

do inverno, impõe-se uma operação de limpeza: cortar as folhas e


os estolhos (morangueiros bebés que se desenvolvem à volta da
planta-mãe, à qual estão agarrados), deixando quase só as raízes.
Voltarão a desenvolver-se sem problema. Os morangueiros esgotam-
-se depressa. É necessário renovar as plantações a cada dois ou três
anos. Para o efeito, recupere os estolhos. Basta cortar a ligação com
uma enxada para obter novos morangueiros.

Proceda ao empalhamento com palha, caruma, lascas de madeira


e/ou casca de pinheiro, para proteger a planta das ervas daninhas.

Faça uma rega frequente, mas curta, para não alagar as raízes.

Enriqueça o solo com adubo especial para morangueiros.

As plantas velhas
e secas dos moran-
gueiros que sobe-
jarem após as ope-
rações de limpeza
(anual) e renovação
(trianual) podem ser
adicionadas à pilha
de composto.

Meia-sombra ou sol

J F M A M J J A S O N D

Alface, alho, alho-francês, beterraba, cebola, couve, espinafre, feijão, rabanete,


rábano e tomilho

Repolho

Afídeos, aranhiço-vermelho, caracol, lesma, mosca-da-fruta, oídio e traça

217
Uma HORTA à mão de semear

Glossário árvore, ou subterrâneo, como os tubérculos da batateira


(que são as batatas) ou os rizomas do gengibre. Pode
ainda ser aquático.

Chorume. Preparado líquido usado como fertilizante,


Adubo. Produto fertilizante de origem natural/orgânica fortificante ou protetor (aprenda a fazer chorume de
ou química/artificial, utilizado para fornecer nutrientes urtigas na página 86).
essenciais ao solo. Frequentemente associamos o termo
“adubo” a um produto sintetizado, normalmente com uma Colo. A base do caule de uma planta.
proporção dos três nutrientes principais para as plan-
tas, denominada “NPK” – nitrogénio, fósforo e potássio, Compostagem. Produção de composto, ou seja, de matéria
também conhecidos como “macronutrientes”. O estrume orgânica decomposta, que pode ser gerada domesticamente
de origem animal e os produtos de compostagem são a partir de alguns resíduos orgânicos, tais como ervas
adubos orgânicos. daninhas, restos de hortaliças, cascas de ovos, cascas de
alguns frutos e borras de café. Estes resíduos vão sendo
Afídios. Pequenos insetos que se alimentam da seiva processados por minhocas e outros microorganismos
de plantas, onde se incluem os pulgões e os piolhos das do solo, que os transformam numa substância de cor e
plantas. Ver pulgão. aspeto terrosos, muito útil para corrigir e fertilizar o solo.

Áltica. É um pequeno inseto que, em estado adulto ou Compostor. Recipiente próprio para produzir composto.
larvar, se alimenta das folhas ou rebentos de algumas
hortaliças. Existem centenas de espécies de áltica, que Desbastar. Cortar algumas ramas em arbustos e árvores
se alimentam de espécies vegetais diferentes. com muitas ramificações. Também pode ser sinónimo de
limpar o solo, arrancando as ervas daninhas.
Antracnose. Praga normalmente provocada por fungos, que
se revela através do aparecimento de manchas castanhas Doríforo. Vulgarmente conhecido como escaravelho-da-
ou negras bem delimitadas em caules, folhas e frutos. -batata, é uma espécie de besouro que ataca espécies
como a batata, a beringela e a acelga.
Arralentar. Procedimento feito após a germinação de
um grande número de sementes, que consiste em retirar Empalhamento. Também designado mulching, trata-se
o excesso de plantas germinadas, deixando apenas as uma técnica que consiste em aplicar uma camada de palha
mais viçosas. ou matéria orgânica seca, normalmente à superfície, junto
ao pé da planta, com o objetivo de preservar a humidade
Borboleta-branca-da-couve. Praga que ataca espécies do solo e impedir o crescimento de ervas daninhas.
como a couve e o nabo. Esta mariposa possui asas brancas
com manchas negras nas partes superiores (as fémeas Erva daninha. Erva indesejada que prejudica o crescimento
possuem ainda dois círculos escuros na parte anterior de de outras plantas por competir em alimento com elas.
cada asa). A lagarta que a origina também é perniciosa.
Estrume. Fertilizante orgânico que, por norma, consiste
Botrytis. Fungo que provoca o surgimento da doença popu- numa mistura bem curtida de excrementos de animais
larmente conhecida como podridão cinzenta nas plantas. com palha e ramagens. O melhor estrume é o proveniente
do gado cavalar e bovino, mas também podem ser usa-
Caule. É o órgão das plantas responsável por conduzir a dos como fonte outros animais de capoeira, ou ovinos e
seiva entre as raízes e os ramos/folhas/flores. Pode ser caprinos. É muito rico em azoto, mas não pode ser usado
aéreo, como uma pequena haste de milho ou um tronco de fresco (só é útil quando está bem compostado).

218
Glossário

Ferrugem do espargo. É um fungo que ataca os espargos germinada está aglomerada, e do fechamento da cova.
e manifesta-se pelo aparecimento de manchas de cor Período de dormência. Espaço de tempo durante o qual
acastanhada em toda a planta. uma espécie vegetal suspende ou reduz a sua atividade
metabólica, não havendo crescimento visível das estru-
Fertilizante. Produto que fornece nutrientes e outros turas da planta, sejam elas raízes, caules, flores ou frutos.
elementos necessários para o bom desenvolvimento das Normalmente coincide com períodos de tempo em que
plantas. Os adubos, orgânicos ou sintéticos, são fertili- as condições climatéricas são mais adversas – outono e
zantes do solo. inverno, no caso de Portugal.

Húmus. Trata-se da camada superior do solo e consiste Plantio. O mesmo que plantação ou cultivo.
numa mistura de partículas minerais do solo arável com
matéria orgânica vegetal e animal fermentada e decom- Plântula. Tanto pode designar um embrião vegetal (gér-
posta. Possui uma coloração negra. men) na fase inicial da germinação, como uma planta
muito jovem.
Inflorescência. É aquilo a que vulgarmente chamamos
flor, mas que tecnicamente pode ser uma inflorescên- Podar. Cortar os ramos/ramas inúteis de uma planta/
cia – ou seja, um conjunto de flores. O malmequer, por árvore, ou podar a ponta dessas ramificações, por forma
exemplo, é na verdade um conjunto de flores, mas esta a fortalecer e estimular o florescimento e frutificação.
noção de aglomerado é mais evidente em espécies como
a hortênsia. Há vários tipos de inflorescências, consoante Pulgão. Pequeno inseto que vive de forma parasitária
o tipo e a forma como as flores estão dispostas. em vários vegetais, de cujas seivas se alimenta, podendo
provocar danos imensos. Um exemplo deste tipo de praga
Mosaico. Praga devida à introdução de um vírus na planta é a filoxera, que na década de 1860 arruinou numerosas
por uma mosca. Visualiza-se pela dispersão de pequenas vinhas em França e Portugal.
manchas amarelas pela superfície das folhas, que ficam
como que salpicadas. Ramagem. Conjunto de ramos e folhas.

Míldio. Doença provocada por pequenos parasitas, Rego. Tanto pode referir-se a um sulco marcado no solo
vulgarmente designados “fungos”, por norma visível por um arado ou enxada, como a uma pequena vala para
através do aparecimento de manchas esbranquiçadas, escoamento da água.
semelhantes a bolor.
Sementeira. Designa o ato ou o momento de semear, ou
Mudas. São plantas desenvolvidas em viveiro ou noutro seja, a colocação de sementes na terra para posterior
local, para posteriormente serem plantadas numa loca- germinação e desenvolvimento de plantas.
lização definitiva (terreno, vaso, etc.).
Substrato. Mistura de terra e matéria orgânica de natureza
Oídio. Doença causada por um fungo com o mesmo nome, diversa, que pode ser adquirida em lojas e usada para
que se caracteriza pela formação de manchas brancas e enriquecer e/ou corrigir o solo.
pulverulentas nas folhas.
Torrão. Porção de terra e raiz que está agarrada à planta.
Plantação. Ato de plantar, ou seja, colocar uma pequena
planta já germinada e minimamente desenvolvida na terra Transplantação. Ato de mudar uma planta de lugar.
onde se irá estabelecer e desenvolver até à fase adulta. Consiste em abrir uma cova à volta da raiz de uma planta
Normalmente consiste na abertura de uma cova, seguida existente, arrancar a planta com o torrão incluído e plantá-
da colocação (na cova) de um torrão ao qual essa planta -la noutro local.

219
Uma HORTA à mão de semear

Índice Abóbora 138

por nome
Agrião 140

Aipo 142

comum Alcachofra 144

Alecrim 102

Alface 146

Alho 148

Alho-francês 150

Batata 152

Batata-doce 154

Beringela 156

Beterraba 158

Cebola 160

Cebolinho 104

Cenoura 162

Cerefólio 106

Chalota 164

Chicória 166

Coentro 108

Cogumelo 168

Couves 170

220
Índice por nome comum

Curgete 172 Orégão 122

Endívia 174 Pepino 194

Erva-cidreira 110 Pimento 196

Ervilha 176 Rabanete 198

Espargo 178 Rúcula vivaz 200

Espinafre 180 Salsa 124

Estragão 112 Sálvia 126

Fava 182 Tomate 202

Feijões 184 Tomilho 128

Framboesa 212

Funcho 186

Grão-de-bico 188

Groselha 210

Hortelã 114

Louro 116

Manjericão 118

Manjerona 120

Milho-doce 190

Mirtilo 214

Morango 216

Nabo 192

221
Uma HORTA à mão de semear

Índice Agaricus bisporus 168

por nome
Allium
ampeloprassum 150

científico Allium ascalonicum 164

Allium cepa 160

Allium sativum 148

Allium
schoenoprasum 104

Anthriscus
cerefolium 106

Apium graveolens 142

Artemisia
dracunculus 112

Asparagus
officinalis 178

Beta vulgaris 158

Brassica oleracea 170

Brassica rapa var.


rapa 192

Capsicum annuum 196

Cicer arietinum 188

Cichorium endivia 174

Cichorium intybus 166

Coriandrum
sativum 108

222
Índice por nome científico

Cucumis sativus 194 Pisum sativum 176

Cucurbita maxima 138 Raphanus sativus 198

Cucurbita pepo 172 Ribes rubrum 210

Cynara Rosmarinus
cardunculus 144 officinalis 102

Daucus carota 162 Rubus idaeus 212

Diplotaxis Salvia officinalis 126


tenuifolia 200
Solanum
Foeniculum vulgare 186 lycopersicum 202

Fragaria vesca 216 Solanum


melongena 156
Ipomoea batatas 154
Solanum
Lactuca sativa 146 tuberosum 152

Laurus nobilis 116 Spinacia oleracea 180

Melissa officinalis 110 Thymus vulgaris 128

Mentha spicata 114 Vaccinium


myrtillus 214
Nasturtium
officinale 140 Vicia faba 182

Ocimum basilicum 118 Zea mays 190

Origanum
majorana 120

Origanum vulgare 122

Petroselinum
crispum 124

Phaseolus vulgaris 184

223
Uma HORTA à mão de semear

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