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VERÔNICA BRITO AGUIAR

Responsabilidade social e
desenvolvimento sustentável

1ª Edição

Brasília/DF - 2020
Autores
Verônica Brito Aguiar

Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e
Editoração
Sumário
Organização do Livro Didático........................................................................................................................................5

Introdução...............................................................................................................................................................................7

Capítulo 1
Um olhar sobre a contemporaneidade: contextualizando a discussão.......................................................9

1.1 Contextualizando: a crise como ponto de partida .................................................................................. 10

1.2 O desenvolvimento humano como ferramenta para se conhecer o nosso contexto................... 14

Capítulo 2
Para entender o desenvolvimento sustentável................................................................................................. 19

2.1 A sustentabilidade e suas dimensões .......................................................................................................... 20

2.2 O desenvolvimento sustentável...................................................................................................................... 23

Capítulo 3
Responsabilidade social: primeiras aproximações.......................................................................................... 28

3.1 Os três setores e suas finalidades.................................................................................................................. 30

3.2 O terceiro setor e a sua composição............................................................................................................. 32

3.3 A responsabilidade social: histórico conceitual......................................................................................... 34

3.4 A responsabilidade social e o desafio ético................................................................................................ 39

Capítulo 4
Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades............................................................... 42

4.1 É preciso gestão.................................................................................................................................................... 42

4.2 Os três estágios da responsabilidade social.............................................................................................. 45

4.3 A gestão da responsabilidade social (interna e externa)....................................................................... 47

4.4 Os sistemas de gestão da responsabilidade social nas organizações............................................... 52

Capítulo 5
Educação ambiental e desenvolvimento sustentável.................................................................................... 61

5.1 O que é e para que serve a educação ambiental? .................................................................................. 62

5.2 Fundamentos teóricos e conceituais da gestão ambiental................................................................... 66

5.3 Os âmbitos da educação ambiental.............................................................................................................. 69

5.4 A concepção de cidadania e responsabilidade pela vida....................................................................... 72


Capítulo 6
Responsabilidade social e voluntariado.............................................................................................................. 77

6.1 Responsabilidade social, desenvolvimento sustentável e concepção de cidadania.................... 77

6.2 Voluntariado: contextualização e definições.............................................................................................. 81

6.3 Voluntariado: marco legal e princípios......................................................................................................... 83

6.4 Os benefícios do voluntariado à sociedade ............................................................................................... 86

Referências........................................................................................................................................................................... 89

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Organização do Livro Didático
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em capítulos, de forma didática, objetiva e
coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros
recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também,
fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares.

A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização do Livro Didático.

Atenção

Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a


síntese/conclusão do assunto abordado.

Cuidado

Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.

Importante

Indicado para ressaltar trechos importantes do texto.

Observe a Lei

Conjunto de normas que dispõem sobre determinada matéria, ou seja, ela é origem,
a fonte primária sobre um determinado assunto.

Para refletir

Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa
e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio.
É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus
sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas
conclusões.

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Organização do Livro Didático

Provocação

Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor
conteudista.

Saiba mais

Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões


sobre o assunto abordado.

Gotas de Conhecimento

Partes pequenas de informações, concisas e claras. Na literatura há outras


terminologias para esse termo, como: microlearning, pílulas de conhecimento,
cápsulas de conhecimento etc.

Sintetizando

Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o


entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.

Sugestão de estudo complementar

Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,


discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.

Posicionamento do autor

Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o
aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado.

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Introdução
Como o próprio nome diz, neste Livro Didático, vamos nos dedicar ao estudo, reflexão e
problematização sobre questões ligadas à ética, à responsabilidade social e ao
desenvolvimento sustentável. O que é ética? Por que temos ouvido falar, de forma
recorrente, desse termo? O que está sendo chamado de responsabilidade social? Em
que sentido as discussões sobre ética e responsabilidade social afetam nossa vida
pessoal e/ou profissional? Como podemos inserir os princípios do desenvolvimento
sustentável em nossos processos de gestão? Essas são algumas das principais
reflexões que serão desenvolvidas neste Livro Didático.

Objetivos

Este Livro Didático contribuirá com o desenvolvimento das seguintes competências do


aprendiz:

» Analisar, de modo sistêmico, complexo e crítico, a contemporaneidade e as


questões de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável.

» Identificar as atuais mudanças no mundo do trabalho.

» Correlacionar as transformações contemporâneas aos desafios e possibilidades de


sua área de formação/atuação profissional.

» Compreender as dimensões e discussões relacionadas ao conceito de


desenvolvimento humano e de desenvolvimento sustentável.

» Identificar e diferenciar o que são e como atuam os três setores produtivos.

» Examinar a noção de responsabilidade social no atual mundo do trabalho.

» Aplicar, com visão estratégica, práticas da responsabilidade social nos processos de


gestão.

» Analisar o papel do ser humano como parte do meio ambiente e sua


responsabilidade junto à sua preservação e conservação.

» Empregar a perspectiva da sustentabilidade nos processos de gestão.

» Implementar iniciativas de educação ambiental nos negócios e organizações.

» Compreender e discutir algumas das principais ferramentas de gestão de


voluntariado e sua relação com a responsabilidade social.

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8
CAPÍTULO
UM OLHAR SOBRE A
CONTEMPORANEIDADE:
CONTEXTUALIZANDO A DISCUSSÃO 1
Introdução

Neste capítulo começaremos a contextualizar o modo como os temas Responsabilidade


Social e Desenvolvimento Sustentável atingiram as discussões mais modernas e a
repercussão internacional vigente. Vamos trazer alguns elementos, dados e fatos
históricos que nos ajudem a compreender melhor o porquê de estarmos estudando
esses assuntos. Por isso, é importante, analisar o momento sócio-histórico-cultural
que estamos vivendo e compreender o impacto das ações corporativas no cenário
social contemporâneo.

Objetivos

» Analisar, de modo sistêmico, complexo e crítico, a contemporaneidade e as


questões de responsabilidade social e desenvolvimento sustentável.

» Identificar as atuais mudanças no mundo do trabalho.

» Correlacionar as transformações contemporâneas aos desafios e possibilidades


de sua área de formação/atuação profissional.

» Compreender as dimensões e discussões relacionadas ao conceito de


desenvolvimento humano e de desenvolvimento sustentável.

» Descrever as dimensões do estudo do conceito de desenvolvimento humano


e discutir criticamente questões relacionadas.

» Compreender o impacto das ações corporativas no cenário social contemporâneo.

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CAPÍTULO 1 • Um olhar sobre a contemporaneidade: contextualizando a discussão

1.1 Contextualizando: a crise como ponto de partida

Estamos imersos em uma realidade histórica e, por vezes, não nos damos conta de
que muitas mudanças têm acontecido neste contexto, pois a produção moderna nos
impõe um ritmo acelerado de trabalho e as mudanças tecnológicas acontecem de
modo tão natural e sutil que não podemos notar a proporção que tomam em escala
global.

Por isso, quando queremos conhecer determinado assunto, devemos, de forma


simples, levantar algumas informações sobre o tema e analisar dados de modo
aplicado à realidade. Então, é relevante conhecer o desenvolvimento histórico do
tema de estudo e compreender em que contexto as mudanças de entendimento e
aplicação acontecem.

Logo, ao estudarmos a Responsabilidade Social e o Desenvolvimento Sustentável


é impor tante que possamos compreender suas bases conceituais e os fatores
históricos que levaram a comunidade científica a estudá-los. Após a compreensão
dos fatores sócio-histórico-culturais que abarcam os conceitos citados, trataremos
da definição precisa de cada um deles. E, após essa construção de saberes, você
será capaz de analisar de modo reflexivo e crítico as demandas que a sociedade
moderna impõe às corporações por sustentabilidade.

Saiba mais

A Filosofia nos ensina a importância do exercício de reflexão.

Filosofia é um termo que vem do grego Philos-sophia e significa amizade pela sabedoria. Já o conceito de reflexão
vem do latim reflectere e quer dizer fazer retroceder, voltar atrás, revelar, pensar, espelhar.

Ou seja, o trabalho filosófico-científico que estamos fazendo implica uma reflexão profunda do mundo, que requer
necessariamente o entendimento dos fatos históricos e da conjuntura posta na atualidade.

Isso significa que a Filosofia parte de um entendimento de mundo prévio para a ação pragmática.

A crise como ponto de partida

É muito comum, nos dias de hoje, ouvirmos falar que estamos vivendo um momento de
crise: social, de valores, de identidade, na família, na educação... Entretanto, ao olharmos
ao longo do tempo, de forma mais minuciosa, perceberemos que a noção de crise faz
parte da história da humanidade.

10
Um olhar sobre a contemporaneidade: contextualizando a discussão • CAPÍTULO 1

Importante

Entenda! Crise é um estado em que a dúvida, a incerteza e o declínio se sobrepõem, temporariamente ou não, ao que
estava estabelecido como ordem econômica, ideológica, política etc. Perpassa pela ideia de ausência ou deficiência
de algo; carência, escassez, falta. Ou seja, significa decisão, sentença, juízo, separação, e envolve distintos campos de
análise, tais como Sociologia, Política, Economia, Medicina, Psicopatologia, entre outras.

Vivemos em um mundo de constantes mutações e incertezas. E diante da nossa


incapacidade de controlar absolutamente os fenômenos naturais, percebe-se
imediatamente que a crise acompanha o desenvolvimento humano desde suas
or igens. Por exemplo, a fome, processo biológico humano, é or iunda de um
desequilíbrio entre a energia demandada pelo corpo e o consumo de alimento.
Nesse sentido, há uma “crise” quando o sujeito não é capaz de se nutrir. Do mesmo
modo, fala-se em crise quando faltam insumos básicos para a produção de bens de
consumo. Ou podemos falar em crise ao pensarmos na má distribuição de renda,
na exploração predatória da natureza etc.

Sabe-se, entretanto, que a capacidade reativa humana, em geral, explora a criatividade


para a superação desses momentos de desequilíbrio. E, por isso, soluções são criadas e
mudanças sociais e culturais são incorporadas em nosso padrão comportamental.
Com isso, podemos afirmar que, na história do desenvolvimento humano, todas as
sociedades sempre viveram momentos de crise (MOREIRA, 2006).

Para entender nossa multifacetada crise cultural, precisamos adotar


uma perspectiva extremamente ampla e ver a nossa situação no
contexto da evolução cultural humana. Temos que transferir nossa
perspectiva do final do século XX para um período de tempo que
abrange milhares de anos; substituir a noção de estruturas sociais
estáticas por uma percepção de padrões dinâmicos de mudança. Vista
desse ângulo, a crise apresenta-se como um espaço de transformação.
Os chineses, que sempre tiveram uma visão inteiramente dinâmica
do mundo e uma percepção aguda da história, parecem estar bem
cientes dessa profunda conexão entre crise e mudança. O termo que
eles usam para “crise”, wei-ji, é composto dos caracteres: “perigo” e
“oportunidade”. (CAPRA, 1982, p. 28).

No que tange à responsabilidade social e ao desenvolvimento sustentável, devemos


re f l e t i r s o b re o que caracteriza a crise moderna. Inicialmente, sabe-se que o
meio ambiente e a desigualdade econômica vêm impondo ao modelo produtivo
adaptações e atitudes éticas.

11
CAPÍTULO 1 • Um olhar sobre a contemporaneidade: contextualizando a discussão

Penteado e Fortunato (2010) demonstram especificidades da crise moderna quando


destacam fatores como tragédias ambientais, acidentes oriundos de interferência
humana nas comunidades e crimes praticados no meio social. Os autores afirmam que
a degradação das matas, a poluição dos rios, o extermínio dos animais, o aquecimento
global, a violência nas cidades, entre outros fatores, causam verdadeira necrose nas
relações sociais e demandam soluções imediatas.

Segundo Capra (2006), tudo isso é reflexo de uma crise de percepção que leva o
indivíduo a pensar de forma linear e, assim, acreditar que, para cada ação, há somente
uma reação. Dete modo, o sujeito não compreende as demais consequências oriundas
de seu consumo em massa.

Logo, neste capítulo queremos desenvolver o olhar crítico do aprendiz. Vamos pensar,
em linhas gerais, o que vem gerando as crises sociais e ecológicas nas últimas cinco
ou seis décadas e sensibilizar você para o fato de que ações éticas e responsáveis são
o meio para superar tais questões.

A seguir são apresentados alguns fatores principais que caracterizam o momento


atual e que nos ajudarão a melhor contextualizar o estudo sobre a relação entre ética
e responsabilidade social.

Figura 1. Globo.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/old-globe-on-vintage-map-background-1397061767. Acesso em: 28


abr. 2020.

Os avanços da ciência e da tecnologia aliados às mudanças no mundo econômico


vêm impactando nossas formas de conviver. Sabe-se que a ciência, desde que surgiu,
entre os séculos XVII e XVIII, está diretamente associada às ideias de progresso e
bem-estar. Romano (2019, p. 30) cita que a ética repousa sobre o natural, o correto.
Por isso, em geral, espera-se que o desenvolvimento científico gere necessariamente
desenvolvimento humano. Entretanto, algumas conquistas tecnológicas e científicas
trazem também um caráter, no mínimo, ambivalente – para não dizer paradoxal – pois,

12
Um olhar sobre a contemporaneidade: contextualizando a discussão • CAPÍTULO 1

além do esperado progresso, estão relacionadas a desastres e ameaças ambientais a


ponto de colocar a própria ideia de vida e o futuro da humanidade em risco (KERN;
MORIN, 1995).

Conflitos de diversas ordens compõem, então, o cenário atual, e podem ser,


didaticamente, assim elencados:

» há paradoxos associados aos progressos econômicos e científicos;

» o desenvolvimento é desigual e gera a má distribuição de riquezas e de


conhecimentos;

» a incerteza em relação ao futuro gera “desencantamento” com o mundo e falta de


pensamento ético;

» o aumento do desemprego e da exclusão social geram desequilíbrios sociais;

» as ameaças ambientais e os acidentes tecnológicos colocam os direitos básicos


em risco;

» há complexidade para articular os fatores econômico, social, humano, ecológico ao


desenvolvimento;

» a celeridade dos meios de transporte e de comunicação favorece que os atores


sociais percam as raízes de suas comunidades originárias;

» a globalização tende a abafar a particularidade de cada cultura, de cada indivíduo;

» os riscos e os desafios das tecnologias da informação geram a necessidade de se


adaptar ao novo, mas, também, podem cercear a autonomia ou singularidade
humana;

» as necessidades de soluções em curto prazo podem gerar impactos negativos em


longo prazo;

» a ênfase em processos competitivos pode anular a igualdade de oportunidades, por


vezes necessária. Daí surge a necessidade de se encontrar um equilíbrio possível entre
competição, cooperação e solidariedade;

» a falta de valores morais que balizariam as decisões humanas pode fazer com que os
tomadores de grande decisões desprezem valores de justiça.

13
CAPÍTULO 1 • Um olhar sobre a contemporaneidade: contextualizando a discussão

Sugestão de estudo

Sugerimos, neste ponto, duas leituras complementares que serão fundamentais à ampliação e consolidação desse
panorama inicial apresentado. Uma primeira leitura recomendada é o livro Terra-pátria, de Edgar Morin e Anne
Kern. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/307749/mod_resource/content/1/LIVRO%20-%20
Terra%20P%C3%A1tria%20-%20EDGAR%20MORIN.pdf Acesso em 28 abr. 2020.

Destacamos, ainda, o livro Educação. Um tesouro a descobrir. Relatório para a Unesco da Comissão Internacional
sobre Educação para o século XXI, organizado por Jacques Delors. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/
ark:/48223/pf0000109590_por Acesso em: 28 abr. 2020.

Ambos os livros trazem importantes elementos para auxiliar a nossa compreensão desta virada de século e os
impactos, desafios e perspectivas colocadas.

Salientamos apenas que o segundo tem um foco maior sobre o campo da educação – trata-se, enfim, do Relatório
da Unesco sobre o tema – mas pelas próprias características dessa área e suas múltiplas interfaces com os demais
campos de atuação profissional, acreditamos tratar-se igualmente de uma publicação de grande interesse e
relevância.

1.2 O desenvolvimento humano como ferramenta para se


conhecer o nosso contexto

Entendendo o contexto de crise global vigente e as diversas necessidades humanas


oriundas do novo sistema econômico, é importante definir “desenvolvimento” e frisar
que, apesar das dificuldades elencadas, os ganhos agregados pelo desenvolvimento
humano são enormes, uma vez que permitem que a humanidade implemente em seu
cotidiano qualidade de vida.

Muitas vezes o conceito de desenvolvimento é associado apenas a critérios de


urbanização, industrialização e mecanização. Neste caso, o avanço tecnológico fica
no centro da análise.

Entretanto, é preciso pensar se os atores sociais estão integrados a esta faceta do


“desenvolvimento tecnológico” e se a dignidade humana e a preservação do meio
ambiente acompanham a evolução industrial. Ou seja, a ideia de desenvolvimento
abarca não apenas a ideia estrutural, mas, também, uma noção de aprendizagem e
evolução moral e ética.

14
Um olhar sobre a contemporaneidade: contextualizando a discussão • CAPÍTULO 1

Saiba mais

O desenvolvimento é um processo de transformação social, relacionado a mudanças qualitativas significativas, que


acontecem de forma cumulativa.

No que se trata do caráter da vida humana, alterações no nível de expectativa de vida estão associadas a diversas
oportunidades sociais que são cruciais como serviços de saúde, desempenho educacional, liberdades políticas
que fomentam uma melhor qualidade de vida para a população (VEIGA, 2010). Esse conceito caracteriza o
Desenvolvimento Humano.

Moreira e Carvalho (2018, p. 142), na primeira versão livro didático da Faculdade


Unyleya redigido para esta disciplina, afirmam que:

O desenvolvimento humano, de acordo com o Programa das Nações Unidas


para o Desenvolvimento (PNUD), é aquele que situa as pessoas no centro do
desenvolvimento, promovendo a realização do seu potencial, o aumento de
suas possibilidades e o desfrute da liberdade de viver a vida que elas desejam.

Importante

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, 2007) é uma:

Rede global para ajudar pessoas a satisfazerem suas necessidades de


desenvolvimento e a construírem uma vida melhor. Está presente em 166 países,
trabalhando como um parceiro confiável de governos, da sociedade civil e do
setor privado no auxílio da busca de suas próprias soluções para desafios de
desenvolvimento globais e nacionais.

Segundo Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil(2020) – platafor ma de


consulta de 200 indicadores de demografia, educação, renda, trabalho, habitação
e vulnerabilidade – o desenvolvimento humano deve ter o foco na ampliação do
bem-estar das pessoas. Por isso, o conceito supera a ideia de acúmulo de riqueza,
e trata da capacidade de liberdade de escolha dos sujeitos. Nesse sentido, a renda
não é um fim em si mesmo, mas meio para que as pessoas possam viver uma vida
digna.

Atenção

O crescimento econômico não se traduz necessariamente em qualidade de vida, pois depende que conquistas reais
sejam alcançadas, tais como: promoção de saúde, oferta de educação de qualidade, ampliação da participação
política dos cidadãos, preservação ambiental.

Para maiores detalhes, acesse o site: http://atlasbrasil.o0,rg.br/2013/pt/radar-idhm/.

15
CAPÍTULO 1 • Um olhar sobre a contemporaneidade: contextualizando a discussão

O conceito de desenvolvimento humano, bem como sua medida, o Índice de


De s e n vo l v i m e n t o Hu m a n o ( I D H ) , f o ra m a p re s e n t a d o s e m 1 9 9 0 , n o p r i m e i ro
Relatório d e D e s e n v o l v i m e n t o Hu m a n o d o Pr o g ra m a d a s Na ç õ e s Un i d a s p a r a
o D e s e n v o l v i m e n t o (PNUD).

O IDH surgiu como medida para apurar o grau de desenvolvimento humano de


um país, em alternativa ao Produto Interno Bruto (PIB) puro. O sucesso da nova
medida adotada pelo PNUD deu-se em razão de este não ser apenas um número
cego que expressa o acúmulo de riqueza de uma nação, mas, sim, a reunião de
três dos requisitos mais importantes para a expansão das liberdades das pessoas:
a oportunidade de se levar uma vida longa e saudável – saúde –, de ter acesso ao
conhecimento – educação – e de poder desfrutar de um padrão de vida digno –
renda. Na medida, cada um desses aspectos possui igual importância e é avaliado
a partir de uma escala que varia entre 0 e 1:

» Padrão de vida decente: incluindo a análise da Renda Nacional Bruta (RNB) per
capita e corrigindo o poder de compra da moeda de cada país pela Paridade de
Poder de Compra (PPC);

» Saúde: aferindo a expectativa de vida da população ao nascer;

» Conhecimento: articulando principalmente as variáveis “anos médios de estudo”


(que mede o número médio de anos de educação recebidos pelas pessoas que têm
25 anos ou mais) e “anos esperados de escolaridade” (que mede o número de anos
de escolaridade que uma criança na idade de entrar na escola pode esperar receber).

Figura 2. O IDH.

Expectativa de
Saúde
Vida

Anos Médios de
Escolaridade
Novo IDH Conhecimento
Anos Esperados
de Escolaridade

Padrão de Vida
decente RNB pc

Fonte: Nota técnica de Apoio ao Lançamento do Relatório de Desenvolvimento Humano 2010 –“A verdadeira riqueza das
nações”.

16
Um olhar sobre a contemporaneidade: contextualizando a discussão • CAPÍTULO 1

A partir desse conceito, é possível analisar dimensões da sociedade moderna, a fim


de sanar questões e conflitos de interesses de modo moderado e com ganhos para a
comunidade, o ambiente e o produtor/prestador de serviços.

Oriundo, dessa análise, está o fato histórico de 27 de novembro de 2007 o PNUD ter
incluído o Brasil, pela primeira vez, no grupo de países de Alto Desenvolvimento
Humano. Essa notícia veio com a divulgação do Relatório de Desenvolvimento
Humano (RDH) 2007/2008.

Tal documento permite a compreensão de que entre 1990 e 2018, o Brasil apresentou
um crescimento de 24% no seu IDH e, atualmente, se mantém no grupo de países
com Alto Desenvolvimento Humano. Em 2018, sua posição no ranking de 189 países
é a 79ª, juntamente com a Colômbia (PNUD, 2020).

No entanto, é possível notar que a nação brasileira ainda apresenta grandes


médias d e d e s i g u a l d a d e e c o n ô m i c o - s o c i a l . D i a n t e d o s a l a r m e s l e v a n t a d o s
p e l o s re l a t ó r i o s d e I D H , o Bra s i l i d e n t i f i c o u c a r ê n c i a s e p o d e a g i r n o c o m b a t e
à f o m e e n a d i s s e m i n a ç ã o d e c o n d i ç õ e s d i g n a s d e v i d a a o s b ra s i l e i r o s , m a s
e s s e a i n d a é u m p r o c e s s o l o n g o q u e d e m a n d a d a s c o r p o ra ç õ e s e d a p o p u l a ç ã o
g r a n d e e s f o r ç o e c o m p r o m i s s o.

Injustiças sociais precisam ser combatidas e é preciso posicionar-se e trazer a realidade


social para nosso campo de trabalho, de forma ética e socialmente responsável.

A esta altura, é provável que você esteja se perguntando: “o que eu tenho a ver com
tudo isso? Por que tenho que estudar essas ‘coisas’”?

Para refletir

Apenas com esse olhar as sociedades podem falar de um desenvolvimento real, em que a concepção humana
é plenamente respeitada e as condições mínimas de sobrevivência e de sustentabilidade são respeitadas. E, em
breve, será sua oportunidade, como profissional no mercado de trabalho, de agir, ainda que em escolhas pontuais e
regionais, de modo a sanar demandas sociais por dignidade e ética corporativa!

O mais importante para nossa reflexão, neste momento, é pensar sobre as consequências e
desdobramentos dos dados coletados.

Os estudos mais recentes sobre o Brasil apontam que crianças e adolescentes, entre cinco e 17
anos, recebem incentivos de políticas públicas para o acesso e frequência às escolas. No
entanto, brechas de acesso ainda são observadas nos níveis finais dos ensinos fundamental
e médio.

17
CAPÍTULO 1 • Um olhar sobre a contemporaneidade: contextualizando a discussão

Observe a lei

É importante lembrar que o Artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece:
Toda pessoa tem direito à educação (...) A educação terá por finalidade o pleno
desenvolvimento da personalidade humana e o fortalecimento do respeito aos
direitos humanos e às liberdades fundamentais; favorecerá a compreensão, a
tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos étnicos ou religiosos...
(ASSEMBLEIA GERAL DA ONU, 1948).

As informações compiladas entre 2012 e 2017 revelam, ainda, uma desigualdade racial:
Comparando os dados do IDH para a população branca e negra no Brasil, sabe-se que
o IDH dos negros em 2010 se equiparou ao IDHM dos brancos em 2000. Ou seja, a
diferença entre o IDH de negros e brancos reduziu-se significativamente. Além disso,
em 2017 o IDH dos negros apresentou mais um avanço, apesar de ainda estar 10%
menor que o IDH da população branca. (ATLAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO
NO BRASIL, 2020).

Diante desses fatos, entre outros pontos a desenvolver indicados nestes relatórios,
é importante pensar “até quando nossa sociedade poderá suportar esses alarmantes
índices de desigualdade social?”. Por isso, para o aprendiz, profissional em formação e
futuro gestores, é preciso a formação de consciência e sensibilização para a importância
da ação ética e socialmente responsável.

Por isso, neste primeiro capítulo, não nos propusemos a dar respostas, mas, sobretudo
a exercitar reflexões. Encerramos, assim, essa primeira etapa de nossos estudos: cheios
de questões e esperançosos por plantar boas sementes para os frutos dos capítulos que
virão.

Sintetizando

Vimos até agora:

» Algumas aproximações em direção à importância de se estudar a relação entre ética, responsabilidade social e
desenvolvimento sustentável.

» A importância de desenvolvermos uma prática reflexiva, desnaturalizando e contextualizando nossos campos de


estudo e trabalho.

» Buscamos ainda compreender que as noções de crise e de mudança fazem parte da própria história da
humanidade e devem, assim, ser incorporadas à análise que fazemos da realidade.

» Alguns dados e informações atuais que nos ajudam a compreender, de forma mais ampliada, o atual contexto em
que estamos vivendo.

» A noção de Desenvolvimento Humano, apontando como essa perspectiva amplia o entendimento sobre o que é
desenvolvimento, indo além do critério econômico.

18
CAPÍTULO
PARA ENTENDER O
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 2
Introdução

A partir dos desafios e controvérsias que caracterizam a contemporaneidade, neste


capítulo avançaremos sobre a definição de “desenvolvimento”, com ênfase no conceito
de desenvolvimento sustentável.

Assim, examinar o conceito de desenvolvimento e, particularmente, alguns de seus


modelos ora mais sintonizados, ora mais distantes da temática ambiental é o principal
objetivo deste capítulo.

Associados à ideia de desenvolvimento, outros conceitos como crescimento e progresso


são examinados em profundidade relacionados à atual realidade de crise ambiental.

Leia, reflita e tire suas próprias conclusões.

Objetivos

» Analisar de forma aprofundada cada uma das seis principais dimensões da


sustentabilidade, consciente de que não existe hierarquia entre elas e que estas
estão inter-relacionadas.

» Conhecer alguns dos principais autores, bem como práticas e estratégias


relacionadas a cada uma dessas dimensões.

» Refletir sobre os desafios de uma sustentabilidade real e concreta a partir do


compromisso da sociedade em âmbito planetário.

» Entender que a construção da sociedade sustentável é uma necessidade que não


pode esperar pelo outro, mas deve começar por nós mesmos.

19
CAPÍTULO 2 • Para entender o desenvolvimento sustentável

2.1 A sustentabilidade e suas dimensões

Um dos maiores desafios que as nações do mundo têm enfrentado na contemporaneidade é a


conquista da sustentabilidade.

A sustentabilidade é um conceito complexo que abarca várias dimensões, estratégias


e processos com reflexos em diferentes áreas. Este ideal não pode ser alcançado por
meio de projetos mirabolantes e propostas gestadas nos gabinetes e escritórios dos
grandes chefes de Estado. Pequenas vitórias alçadas nessa área têm mostrado que
sem a participação da sociedade civil organizada, incluindo nessa esfera a atuação de
ONGs, comunidades, empresas, instituições diversas, bem como as universidades e a
imprensa, não será possível alcançá-la. Em outras palavras, é importante esclarecer
desde já que a sustentabilidade é fruto de uma conquista coletiva, em que todos
precisam se ajudar se quisermos de fato torná-la uma realidade viável.

Figura 3. Dimensões da sustentabilidade.

Desenvolvimental Econômica

Social

Fonte: própria autora, s.d.

O conceito de sustentabilidade considera vinculações com temas como responsabilidade


social, pobreza, meio ambiente, desenvolvimento, globalização e outros. Por isso, é
importante o entendimento da temática e da necessidade da reflexão humana para
que o desenvolvimento respeite a manutenção da vida e da saúde do planeta. Logo,
este é, sem dúvida, o principal objetivo deste estudo: auxiliar a compreensão e o
entendimento do que seja sustentabilidade. A partir daí, sensibilizar os que a ela
tiverem acesso a serem também um de seus agentes promotores, fazendo a sua parte
para que, paulatinamente, esta possa vir a ter chances de se concretizar.

20
Para entender o desenvolvimento sustentável • CAPÍTULO 2

Su s t e n t a b i l i d a d e d e n o m i n a a “t e n d ê n c i a d o s e c o s s i s t e m a s à e s t a b i l i d a d e,
à h o m e o s t a s e , a o e q u i l í b r i o d i n â m i c o, b a s e a d o n a i n t e r d e p e n d ê n c i a e
complementaridade das formas vivas diversificadas” (HERCULANO, 2013). Existem
diversas definições de sustentabilidade, contribuindo sensivelmente para uma
dificuldade operacional do conceito. Assim sendo, examinemos suas origens.

Importante

O conceito de sustentabilidade é complexo e pode ser desmembrado em seis dimensões: social, ecológica, espacial,
cultural, político-institucional e econômica. Vale ressaltar que existe uma íntima relação entre elas, de maneira que
ao promover intervenções em uma, estamos ajudando na promoção da outra.

Quando o conceito surgiu, algumas críticas foram dirigidas à ideia de uma sustentabilidade
como “manutenção” de ecosistemas e de modelos socioeconômicos. Assim sendo, lutar pela
sustentabilidade social implicaria lutar para manter o quadro social atual em que os países
ricos continuam cada vez mais ricos e os países pobres, cada vez mais pobres. Surgiu, assim,
a necessidade de explicitar os diferentes sentidos do termo e as dimensões a ele atreladas.
Comecemos pelo estudo de suas dimensões:

» Sustentabilidade social: tal dimensão está pautada nos princípios da equidade


na distribuição de renda, da igualdade de direitos à dignidade humana e da
solidariedade dos laços sociais. Almeja-se que todas as pessoas tenham
condições iguais de acesso a bens e serviços necessários para uma vida digna.

» Sustentabilidade ecológica: está ancorada no princípio da solidariedade com o


planeta. Esta dimensão exige o entendimento de que o ser humano nada mais é
do que apenas uma das partes que compõem o ecossistema. Por isso, deve fazer
uso controlado e sustentável dos recursos naturais, respeitando sua capacidade
de renovação.

» Sustentabilidade econômica: nessa dimensão estão englobados fatores como


geração de trabalho, distribuição de renda, promoção do desenvolvimento das
potencialidades locais, assim como das atividades econômicas. Isso implica não
apenas a necessidade de manter fluxos regulares de investimentos, mas, também,
uma gestão produtiva eficiente e que respeite o meio ambiente.

» Sustentabilidade espacial: norteada pelo alcance de uma equanimidade nas relações


inter-regionais e na distribuição populacional entre o meio rural e o urbano. A
conquista desta dimensão implica um uso adequado e planejado do território
onde todas as pessoas tenham condições de viver de forma digna, tendo acesso à
infraestrutura básica de moradia e de habitação (saneamento, água, coleta de lixo)
sem agressões ao meio ambiente.

21
CAPÍTULO 2 • Para entender o desenvolvimento sustentável

» Sustentabilidade político-institucional: implica a sensibilização e a mobilização das


pessoas, de modo a ampliar sua cidadania. A ideia central dessa dimensão repousa
na promoção da compreensão dos problemas e oportunidades locais para que se
possa superar as práticas e políticas de exclusão.

» Sustentabilidade cultural: baseia-se no respeito aos costumes locais, aos regionais


e nacionais. Há a tentativa de preservar e divulgar as tradições e os valores
regionais. Sachs (2002) acrescenta que esta dimensão se dedica a promover
o respeito às diferentes culturas e às suas contribuições para a construção de
modelos de desenvolvimento apropriados às especificidades de cada ecossistema,
de cada cultura e de cada local.

Sugestão de estudo

Em sua obra, Vilson Carvalho analisa a importância da cultura local como elemento fundamental para a valorização
da memória local e, consequentemente, da identidade daqueles que vivem ali, bem como para a mobilização
de forças em prol de uma causa comum. A valorização de elementos culturais representa mais do que a mera
preservação do passado, mas a possibilidade de construir um futuro valorizando o que as gerações passadas fizeram
e evitando cometer com elas os mesmos erros.

Confira em: CARVALHO, V. Educação ambiental urbana. RJ: WAK, 2008.

Saiba mais

Sobre Ignacy Sachs

Figura 4. Ignacy Sachs.

Fonte: http://amazonia.org.br/2012/07/ignacy-sachs-desenvolvimento-sustent%C3%A1vel-s%C3%B3-%C3%A9-
poss%C3%ADvel-com-interven%C3%A7%C3%A3o-do-estado-no-mercado/. Acesso em: 5 abr. 2020.

Sachs foi pioneiro ao pensar as diferentes dimensões da sustentabilidade. Original da Polônia e naturalizado francês,
Ignacy Sachs é um dos sociólogos mais respeitados da atualidade. O estudioso foi Assessor especial da ONU, durante
a Rio-92, e atua, hoje, como professor da École des Hautes Études Sociales de Paris.

Convém citar que das seis dimensões adotadas pelo Ministério do Meio Ambiente brasileiro, cinco delas foram
propostas por Sachs, tendo sido incluída apenas a dimensão político-institucional.

22
Para entender o desenvolvimento sustentável • CAPÍTULO 2

Vale reforçar que todas as dimensões da sustentabilidade citadas atuam de forma


inter-relacionada, de modo que a promoção de uma delas auxilia a conquista da outra,
assim como os obstáculos ao alcance de uma afetam o sucesso da outra.

2.2 O desenvolvimento sustentável

A palavra desenvolver significa literalmente “desenrolar”. Apesar de o termo


desenvolvimento possuir muitos conceitos e diferentes significados, durante décadas,
predominou a ideia de crescimento ou avanço econômico. Segundo Moreira e Carvalho
(2018), “podemos definir desenvolvimento como o processo de promoção da melhoria
qualitativa das condições de vida da população de um país, de uma região ou de um
local específico”.

Além disso, embora alguns autores achassem que os termos desenvolvimento e


sustentabilidade fossem contraditórios, uma vez que desenvolvimento traz a ideia
de expansão e sustentabilidade de manutenção, é importante notar que a concepção
de equilíbrio afasta a noção de que o sistema econômico precise estar estagnado para
que a sociedade e o meio ambiente sejam preservados. Ou seja, o desenvolvimento
sustentável requer sucessivas ações para se manter o movimento e o equilíbrio.

Em seus estudos, Tarté (1995, p. 49) indica que: “a ideia de sustentabilidade induz a
uma ótica de desenvolvimento por si só, uma vez que trata de dimensões econômicas
e sociais orientadas a satisfazer as necessidades e aspirações humanas essenciais”.

Neste sentido, se a sustentabilidade, em sua concepção original, significa “a possibilidade


de se obterem condições iguais, ou superiores de vida, para um grupo de pessoas e seus
sucessores em um dado ecossistema” (CAVALCANTI, 1995, p. 165), o desenvolvimento
sustentável refere-se a uma limitação para o progresso desenfreado. Para o equilíbrio,
em que se faz necessária a adoção de políticas e estratégias para garantir que o homem
mantenha o suporte à vida digna.

Dando força à noção de que “desenvolvimento sustentável” não é uma ideia moderna,
pois os fatos históricos, citados por Meadows et al. (1972, p. 98), demonstram que
“o Clube de Roma, em 1972, já havia utilizado o termo sustentável, ao defender a
importância do desenvolvimento de um sistema mundial sustentável capaz de satisfazer
as necessidades materiais básicas de todos os habitantes do planeta”.

23
CAPÍTULO 2 • Para entender o desenvolvimento sustentável

Importante

Entenda! O Clube de Roma é um grupo que se reúne para debater assuntos relacionados a política, economia
internacional, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Tal grupo tornou-se mais conhecido a partir de 1972,
ao publicar o relatório “Os Limites do Crescimento” ou “Relatório do Clube de Roma” ou “Relatório Meadows”.

Esse documento trata de problemas cruciais para o futuro desenvolvimento da humanidade, tais como energia,
poluição, saneamento, saúde, ambiente, tecnologia e crescimento populacional. Após publicado, vendeu mais de 30
milhões de cópias em 30 idiomas, tornando-se o livro sobre ambiente mais vendido da história.

Além do grupo citado, outra instituição de relevância na história do tema é o Conselho de desenvolvimento
sustentável (CDS) – da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa comissão foi criada em 1992, visando assegurar
continuidade da Conferência das Nações Unidas para Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). Por isso, é
responsável por acompanhar o processo de implementação da Agenda 21 e a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento.

A Comissão encontra-se, atualmente, sediada em Nova Iorque e, de dois em dois anos, reúne líderes mundiais e
organizações não governamentais para tentar trazer soluções para a degradação ambiental.

Desenvolvimento sustentável: fim ou meio?

Quando se pensa em desenvolvimento sustentável, existem duas visões cuja diferença


diz respeito à forma como entendemos o que este seja e qual a sua real importância.

A primeira entende o desenvolvimento sustentável como um fim em si mesmo, enquanto


a segunda vê o desenvolvimento sustentável como um meio para se alcançar uma
série de conquistas como, por exemplo, a equidade social e o equilíbrio ecológico.

Gómez (1998) assinala que o desenvolvimento sustentável, quando entendido como a


finalidade em si, só será de fato alcançado se houver melhor distribuição de renda e
preservação dos recursos naturais. Todavia, quando o conceito passa a ser considerado
um meio de promoção de equidade, é responsável por criar condições para atingir
uma sociedade mais igualitária ou menos injusta.

Saiba mais

E você, como se posiciona? Seria o desenvolvimento sustentável um meio ou um fim?

Para saber mais, leia o artigo de Gómez, W.: “Desenvolvimento Sustentável, Agricultura e Capitalismo” (p. 95-116) no
livro de BECKER, D. Desenvolvimento sustentável: necessidade e/ou possibilidade. Santa Cruz do Sul: EDUNISC,
1999.

O desenvolvimento sustentável deve ser encarado como um programa de ação.


Seu ideal é reformar a economia global e regional, de modo a criar meios para
gerir o processo de desenvolvimento econômico e fazer com que não se destruam

24
Para entender o desenvolvimento sustentável • CAPÍTULO 2

os ecossistemas e os sistemas comunitários (ICLEI, 1996). No âmbito local, o


desenvolvimento sustentável requer que a economia apoie a vida e o poder da
comunidade, usando os talentos e os recursos regionais.

Atenção

Entenda que o desenvolvimento sustentável deve estar aportado no seguinte tripé:

Figura 5. Sustentabilidade.

O Tripé da Sustentabilidade

Ambiente Social Economia

Energia Transparência contábil


Políticas públicas Social
Água Investimento comunitário Governança corporativa
Gases do efeito estufa Condições de trabalho Performance econômica
Emissões Saúde/nutrição Objetivos financeiros
Reeducação de Diversidade
Sustentabilidade
desperdício/lixo Direitos Humanos
Reciclagem Investimento social
Reprocessamento/reuso responsável Ambiente Economia
Limpeza verde Anticorrupção e suborno
Agricultura/alimentos Segurança
orgânicos
Biodiversidade

Fonte: https://projetobatente.com.br/o-que-e-sustentabilidade/tripe-sustentabilidade/. Acesso em: 9 abr. 2019.

A proposta do desenvolvimento sustentável é endossada como aquela que implica um


processo em que a exploração de recursos, a direção dos investimentos, as mudanças
institucionais e a orientação do desenvolvimento tecnológico se harmonizariam para
reforçar os potenciais no presente e futuro e garantir a satisfação das necessidades
e aspirações futuras da humanidade, compreendendo um duplo comprometimento
com os seres humanos e a ambiência destes. Logo, para o alcance do desenvolvimento
sustentável ações graduais são importantes, uma vez que se trata de mudança na ordem
econômica posta. Assim, sua aplicabilidade e consequente possibilidade de sucesso
não são tarefas fáceis, uma vez que requerem, segundo a Comissão Brundtland, uma
complexa sustentação de diferentes sistemas interligados e dependentes:

Um sistema político que assegure a efetiva participação dos cidadãos no


processo decisório; um sistema econômico capaz de gerar excedentes
e know-how técnico em bases confiáveis e constantes; um sistema
social que possa resolver as tensões causadas por um desenvolvimento
não equilibrado; um sistema de produção que respeite a obrigação de
preservar a base ecológica do desenvolvimento; um sistema tecnológico

25
CAPÍTULO 2 • Para entender o desenvolvimento sustentável

que busque constantemente novas soluções e um sistema administrativo


flexível capaz de autocorrigir-se. (BRUNDTLAND, 1991, p. 70).

Desenvolvimento sustentável: concepções modernas

Na sequência dos fatos históricos e dos avanços na gestão do desenvolvimento


sustentável, é importante citar os anos de 2012 e de 2015 como novos marcos de avanço
das discussões globais sobre o tema. Mais especificamente, no ano de 2012 rememora-
se a realização da Rio+20 – Conferência da ONU realizada no Rio de Janeiro, Brasil
– para traçar uma agenda de desenvolvimento pós-2015. Nesse contexto, governos,
sociedade civil e outros parceiros trabalharam para definir ações estratégicas e
objetivos sustentáveis a serem alcançados até o ano de 2030.

Foi deliberado, assim, que entre 2015 e 2030, haverá um esforço internacional para
dar fim à pobreza e à fome. Além disso, nos países signatários visam-se combater
as desigualdades; construir sociedades pacíficas, justas e inclusivas; proteger os
direitos humanos e promover a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres
e meninas; e assegurar a proteção duradoura do planeta e seus recursos naturais.
Segundo a ONU (2015), a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável “é um
plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade. Ela também
busca fortalecer a paz universal com mais liberdade”.

Saiba mais

Para conhecer todos os objetivos elencados pela Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável visite o site da
ONU: https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/.

É importante citar que, além das questões sobre a dignidade humana, os países
participantes da Rio+20 demonstraram preocupação com a produção e o consumo
sustentável. Segundo Pimenta e Nardelli (2015), foi adotado, então, um quadro de
programas sobre produção e consumo sustentável estabelecido com o objetivo de guiar
os países nos próximos dez anos para tornar seus padrões mais sustentáveis. Além
disso, há um incentivo ao fortalecimento de pesquisas sobre as melhores tecnologias
para uma produção mais limpa.

Esse momento reflete a realidade dos esforços implementados sobre o desenvolvimento


sustentável e promove a reflexão sobre como podemos auxiliar o mundo nesse sentido.

26
Para entender o desenvolvimento sustentável • CAPÍTULO 2

Com essa reflexão encerramos mais este capítulo. Em breve nos aprofundaremos
sobre as ações que podemos tomar, como gestores e colaboradores institucionais,
para colaborar e para ancorar nossas atuações em um padrão ético e responsável.

Sintetizando

Vimos até agora:

» O desenvolvimento sustentável propõe a conciliação entre desenvolvimento socioeconômico, gerando riquezas,


conforto, emprego etc., aliado conjuntamente ao conservacionismo e que esta proposta leva em consideração o
uso racional dos recursos naturais, pois, afinal de contas, não seremos a última geração da Terra, então é necessária
a preservação para as futuras gerações.

» O desenvolvimento sustentável possui seis aspectos prioritários que devem ser entendidos como metas: 1) a
satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, lazer); 2) a solidariedade para
com as gerações futuras (preservação da realidade ambiente para elas); 3) a participação da população envolvida
(conscientização da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal); 4) a
preservação dos recursos naturais (água, oxigênio); 5) a elaboração de um sistema social garantindo emprego,
segurança social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações
oprimidas como, por exemplo, os índios); 6) a efetivação dos programas educativos (viabilização de sua criação e
continuidade).

» Para aplicação, pelo menos parcial, de uma política de desenvolvimento sustentável, é preciso que diferentes
setores se comprometam com sua aplicabilidade no cotidiano.

27
CAPÍTULO
RESPONSABILIDADE SOCIAL:
PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES 3
Introdução

Neste capítulo, vamos nos aprofundar um pouco mais. Para isso, vamos reunir
alguns conceitos e discutir os vieses de cada definição sob os prismas da ética e da
responsabilidade social. Vale dizer que vamos fazer essa análise sempre de forma
contextualizada.

Logo, em um primeiro momento, vamos conhecer a definição de cada um dos setores


produtivos para, em seguida, compreender como surgiu a noção de responsabilidade
social e como cada um destes setores pode colaborar com a efetiva sustentabilidade.

Objetivos

» Identificar e diferenciar o que são e como atuam os três setores.

» Compreender a noção de responsabilidade social no atual mundo do trabalho.

» Identificar, de forma crítica, práticas de responsabilidade social.

Nos primeiros capítulos, reconhecemos o valor da responsabilidade social para o


desenvolvimento da humanidade. Além disso, falamos de como o tema vem tomando
maiores proporções de importância nas ações globais e como o contexto atual demanda
o apoio dos gestores das corporações modernas na busca pela sustentabilidade.

Discutimos, também, a noção de crise e entendemos como ela é necessária à


transformação social. Agora sabemos que as mudanças são inerentes à humanidade
e são definidas a partir de uma realidade complexa de elementos que interagem
entre si, tais quais evolução cultural, direitos trabalhistas, nível de educação e grau
de inclusão social, entre outros.

Como vimos anteriormente, o progresso científico e o avanço tecnológico não são elementos
suficientes para assegurar o bem-estar e o desenvolvimento social. Por isso, é necessária a

28
Responsabilidade social: primeiras aproximações • CAPÍTULO 3

formação de uma consciência ética e responsável da sociedade como um todo e em


especial dos líderes e gestores das corporações modernas.

Na contextualização dos estudos sobre responsabilidade social, compreendemos


ainda que decisões políticas, sociais e econômicas contribuíram para um crescente
cenário de desigualdade e exclusão social que precisa ser enfrentado nos dias de hoje.
E ao aproximar nosso olhar da realidade brasileira, percebemos que o País vive uma
história muito recente de democratização e de formação cidadã.

Importante

Figura 6. Ditadura.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/vector-propaganda-poster-obey-style-follow-1102336421.
Acesso em: 29 abr. 2020.

Entenda o que foi a Ditadura no Brasil!

Entre 1o de abril de 1964 e 15 de março de 1985, a nação viveu sob comando de governos militares, de caráter
autoritário. Esse regime assumiu as diretrizes do poder através de um golpe, com o discurso de que faria uma
intervenção breve em prol do desenvolvimento do País. Entretanto, mediante o empoderamento de classes
favorecidas, o regime antidemocrático pôs em prática vários Atos Institucionais e afastou o processo democrático de
mudança de governo.

Diante disso, a redemocratização só teve início em 1985 e atingiu seu ponto alto com a Constituição de 1988, quando
foi devolvido aos cidadãos direitos e liberdades civis e passaram a combater as injustiças e desigualdades sociais.

Com a promulgação da Carta Magna de 1988, a população readquiriu direitos básicos


incluindo direitos individuais (ex.: locomoção, manifestação de ideiais, propriedade
privada), sociais (ex.: trabalho e associação) e políticos (ex.: voto). Condição que
interpôs mudanças nas trocas econômicas e no mundo do trabalho.

29
CAPÍTULO 3 • Responsabilidade social: primeiras aproximações

Assim, a edição de direitos trabalhistas e as respectivas mutações nas relações


contratuais mudaram completamente a forma como o setor produtivo atua, pois, a
partir desse momento, foi exigido que o Estado, a iniciativa privada e a sociedade
civil se unissem na busca do desenvolvimento social do Brasil.

3.1 Os três setores e suas finalidades

O movimento da responsabilidade social das empresas brasileiras tomou força entre


os anos 1980 e 1990, diante da compreensão de que as próprias corporações precisam
de uma sociedade economicamente equilibrada e de um ambiente saudável para que
sejam prósperas.

A nova legislação prevê que, além do Estado, a iniciativa privada também deve assumir
um papel ativo no desenvolvimento social. Assim, a sociedade civil e as empresas do
mercado produtivo estão imbuídas de responsabilidades no que tange à manutenção
e à promoção da responsabilidade social, conjuntamente, do desenvolvimento.

Essa postura vai ao encontro dos achados de Oliveira (1984, p. 205), um dos primeiros
estudiosos do tema responsabilidade social no Brasil, que afirmam que há uma
“capacidade da empresa de colaborar com a sociedade, considerando seus valores,
normas e expectativas para o alcance de seus objetivos” e que ao aplicar práticas
de responsabilidade social, empresas e sociedade podem atingir seus objetivos com
maior efetividade.

De modo complementar, os estudos de Reis (2007, p. 1) afirmam:

Assim como as empresas têm responsabilidade pelos problemas sociais,


também têm capacidade de utilizar ferramentas empresariais para seu
enfrentamento. Ou seja, confirma-se a relevância da contribuição da
iniciativa privada no desenvolvimento nacional.

Entretanto, é preciso compreender que o mercado produtivo é um grupo heterogêneo


composto por diferentes atores econômicos. Por isso, alguns teóricos defendem que
a organização da sociedade pode ser dividida em três grandes setores:

O primeiro setor: o Estado

Atua como fonte de políticas públicas e regulador de ações privadas, e orienta o destino
econômico e desenvolvimentista da nação na busca do bem-estar de todos. Para tanto,
em nome da finalidade pública e com respeito aos princípios da universalização e da
impessoalidade, interfere no meio social a partir de recursos públicos.

30
Responsabilidade social: primeiras aproximações • CAPÍTULO 3

Por isso, o setor primário está relacionado aos recursos naturais, uma vez que estes
pertencem a todos os cidadãos da nação.

O segundo setor: a iniciativa privada

São os geradores de riquezas. Para tanto, usam recursos privados para fins privados.
Neste setor estão as indústrias que compram recursos naturais para transformá-los em
produtos.

Pelo fato de conhecimentos tecnológicos estarem agregados aos produtos do setor


secundário, há valor agregado na produção e o lucro obtido na comercialização é expressivo.

Isso significa que países com bom grau de desenvolvimento possuem uma expressiva base
econômica concentrada no setor secundário.

O terceiro setor: a sociedade civil organizada

Neste setor estão as instituições que não são públicas, por não pertencerem à
Administração direta estatal, nem privada, por não visarem essencialmente ao lucro.
Em outros termos, nesse grupo estão as organizações com capital privado que possuem
objetivos sociais ou públicos.

Ou seja, tal ramo de atuação é composto pelas organizações com fins não econômicos
que trabalham pela transformação social e buscam beneficiar grupos ou coletividades.
São as organizações não governamentais (ONGs), as associações comunitárias,
os movimentos sociais, as entidades filantrópicas, as fundações e os institutos
empresariais.

Atenção

Para compreender melhor a diferença entre os três setores, observe a tabela comparativa a seguir:

Tabela 1. Comparação entre os três setores.

SETOR ENTE CORPORATIVO RECURSOS FINS


1o Estado Públicos Públicos
2o Empresas Privados Privados
3 o
Sociedade Civil Organizada Privados e Públicos Públicos

Fonte: própria autora, s.d.

A figura a seguir exemplifica as fontes dos recursos que financiam o terceiro setor.

31
CAPÍTULO 3 • Responsabilidade social: primeiras aproximações

Figura 7. Fontes de recursos para o terceiro setor.

Financiam o
Terceiro Setor

Fonte: própria autora, s.d.

3.2 O terceiro setor e a sua composição

Entenda que os três setores coexistem e são complementares entre si. O Estado
organiza, a iniciativa privada produz riquezas e o terceiro setor apoia a sociedade
em demandas não alcançadas pela mão ampla do estado. Logo, não há que se pensar
em oposição entre surgimento do terceiro setor e o Governo ou a iniciativa privada.
Pois a organização da sociedade civil, sem fins econômicos, surge dos movimentos
sociais e populares e vem complementar e fortalecer estratégias desenvolvidas pelo
Poder Público e pelas empresas. Assim, segundo Moreira e Carvalho (2018, p. 35), são
reunidas “iniciativas e possibilidades de participação de toda a sociedade em ações
coletivas de transformação social”, o que “inclui e oportuniza a participação de todos
os cidadãos e cidadãs na construção de uma ‘sociedade livre, justa e solidária’.”

Porém, vale destacar a importância do terceiro setor, uma vez que as instituições
que o integram compõem um híbrido de interesses entre o bem-estar social e o
desenvolvimento econômico. Além disso, enquanto o primeiro setor abarca políticas
amplas e extensivas a todos, o terceiro setor tem a oportunidade de estar próximo
das comunidades, e, assim, pode direcionar esforços para transformar realidades
específicas. Um exemplo são as ONGs que trabalham com a recuperação de jovens
nas comunidades carentes do Brasil. Estas instituições possuem grande capacidade de
recuperação desses adolescentes, pois podem mitigar as desigualdades promovendo
saúde mental e educação nas esferas em que o Estado é ausente em cada uma das
comunidades.

32
Responsabilidade social: primeiras aproximações • CAPÍTULO 3

Isso não significa eximir o governo de suas responsabilidades, mas


reconhecer que a parceria com a sociedade permite a formação de
uma sociedade melhor. Portanto, o Terceiro Setor não é, e não pode ser
substituto da função do Estado. A ideia é de complementação e auxílio
na resolução de problemas sociais. (BRANDÃO et al., 2014).

Vale explicar que a expressão terceiro setor sugere uma forma de propriedade que se
encontra entre a natureza privada e a estatal; é a terceira via da gestão organizacional.
Essa terminologia sociológica inclui as iniciativas privadas de utilidade pública.
Segundo Brandão et al. (2014), delimitar o vasto espectro de atuação do terceiro
setor não é tarefa fácil. Parte das dificuldades reside no fato de que a divisão da
realidade social em três setores distintos, é artifício precário. Até porque suas ações
são customizadas a cada região que atendem.

Segundo Peter Drucker (1994), o terceiro setor é, atualmente, o setor que mais cresce,
gerando emprego e mobilizando recursos de forma progressiva. No Brasil, segundo
dados do IBGE de 2018, o terceiro setor já gera mais de 2 milhões de empregos e se
distribui nas seguintes atividades:

Figura 8. Dados do IBGE.

Ações de Assessoramento e Defesa e Garantia de Direitos Benefícios Eventuais


Outras ofertas Serviços de Proteção Social Básica
Serviços de Proteção Social Especial de Alta Complexidade Serviços de Proteção Social Especial de Média Complexidade

9%

9%

36%

25%

6%
15%

Fonte: https://mapaosc.ipea.gov.br/dados-indicadores.html. Acesso em: 22 abr. 2020.

Há de se considerar o caráter prático da proliferação das organizações do terceiro


setor em virtude da autonomia de ação frente às comunidades que apoiam a solução
de problemas socioeconômicos. Essa autonomia advém do fato de as instituições do
terceiro setor não possuírem os entraves burocráticos do primeiro, e, ainda assim,
voltarem-se ao fim público.

33
CAPÍTULO 3 • Responsabilidade social: primeiras aproximações

Por não trabalharem com recursos públicos, a prestação de contas das organizações
sociais é simplificada. Portanto, essas instituições são mais ágeis do que as organizações
públicas no atendimento às demandas sociais, fator que as colocam como ferramentas
aplicadas na promoção de desenvolvimento.

Além disso, não há dúvida de que o serviço social brasileiro avançou muito nas últimas
décadas. As ONGs, com o objetivo de diminuir as vulnerabilidades e de providenciar
uma vida social mais satisfatória se profissionalizaram. Suas atuações, atualmente,
contribuem para a formatação de uma ordem social, política e econômica menos
desigual. Segundo Brandão et al. (2014, p. 9), as organizações sociais “são muito mais
do que pessoas unidas em prol de uma causa, são organizações dispostas a transformar
realidades, dar novas oportunidades, mudar paisagens”.

É importante pensar como o País pode se fortalecer com a aliança e o equilíbrio


na atuação dos três setores, por isso nossos estudos chamam tanta atenção para a
atuação ética e responsável do mercado privado, que visa lucro. Uma vez que, tendo
gestores conscientes e ações geradoras de renda implementada, todos ganham: há
desenvolvimento nacional e fortalecimento do comércio e da corporação.

3.3 A responsabilidade social: histórico conceitual

É difícil precisar exatamente quando surge a noção de responsabilidade social. Até


porque esse modo de atuação emana da ética e da reflexão humana sobre seus legados
à sociedade. Entretanto, é possível perceber que a reflexão sobre o modo predatório
de atuação da iniciativa privada tornou-se mais frequente a partir das primeiras
décadas do século XX.

Reis (2007) aponta que o movimento institucionalizado da responsabilidade social


nas empresas iniciou-se nos anos 1960, nos Estados Unidos e na Europa. Entretanto,
definir um marco formal dos estudos sobre o tema é difícil, uma vez que no início
do século XIX já era possível identificar cientistas que recriminavam a atuação
predatória das empresas em busca de lucros. Outra fonte de questionamento da falta
de compromisso das instituições com o bem-estar de seus funcionários pôde ser
notada nos movimentos sociais e nas ações dos sindicatos em busca de formas mais
equilibradas de gestão após as revoluções industriais.

Segundo Moreira e Carvalho (2018, p. 37):

O escopo da responsabilidade social abrange projetos e programas


sociais, ações de mobilização e organização comunitária e também
as diversas relações entre cidadãos e organizações, incluindo aí o

34
Responsabilidade social: primeiras aproximações • CAPÍTULO 3

tratamento que as empresas dedicam a seus funcionários, a forma como


tratam seus clientes internos e externos, as condutas em relação ao seu
entorno ou meio ambiente, os valores que pautam as ações.

Importante

Entenda que a ideia de responsabilidade social se distingue da concepção de filantropia.

O Dicionário Online de Português assim define filantropia: Caridade; demonstração de generosidade; tendência
para ajudar os mais necessitados.

Isso significa que as ações sociais filantrópicas são pautadas pelo assistencialismo e pela abnegação.

No que tange à responsabilidade social há uma ação estratégica corporativa no sentido de apropriar-se do seu
potencial para promover uma ação estratégica na qual a instituição e a comunidade sejam beneficiadas. Neste caso, o
foco está na cidadania e não na caridade.

No Brasil, no decorrer das últimas décadas, a responsabilidade social ganhou visibilidade e


importância através de algumas instituições, são elas:

Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase)

Foi pioneira ao propor a noção de Balanço Social, um relatório anual que reúne
informações sobre os projetos, benefícios e ações sociais dirigidas aos empregados,
investidores, analistas de mercado, acionistas e à comunidade.

Considera-se que esse instrumento estratégico “teve como principal função tornar
pública a responsabilidade social empresarial, construindo maiores vínculos entre a
empresa, a sociedade e o meio ambiente” (IBASE, 2020). E, além disso, a ferramenta
serviu de base publicitária relevante para multiplicar o exercício da responsabilidade
social corporativa.

Figura 9. Logo do Balanço Social.

Fonte: https://ibase.br/pt/balanco-social/. Acesso em: 28 jul. 2020.

35
CAPÍTULO 3 • Responsabilidade social: primeiras aproximações

Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social (Ethos)


Instituição com a missão de “mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus
negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de
uma sociedade justa e sustentável”. (ETHOS, 2020).

Figura 10. Logo do Ethos.

Fonte: https://www.ethos.org.br/conteudo/o-instituto/. Acesso em: 23 abr. 2020.

O grupo realiza pesquisas anuais e atua em áreas como a redução da desigualdade


e empoderamento de grupos minoritários; promoção da ética no desenvolvimento
e c o n ô m i c o ; a u x í l i o a o g ov e r n o n a re d u ç ã o d o a q u e c i m e n t o g l o b a l ; a p o i o a
e m p re s a s para a implementação da gestão sustentável.

Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife)


Associação de investidores sociais do Brasil (institutos, fundações ou empresas)
i n t e re s s a d o s e m “g e ra r c o n h e c i m e n t o a p a r t i r d e a r t i c u l a ç õ e s e m re d e p a ra
aperfeiçoar o ambiente político institucional do investimento social e ampliar a
qualidade, legitimidade e relevância da atuação dos investidores sociais privados”
(GIFE, 2020).

Figura 11. Logo da Gife.

Fonte: https://gife.org.br/quem-somos-gife/. Acesso em: 23 abr. 2020.

O grupo realiza capacitações e reuniões com o objetivo de debater questões do campo


social, realiza pesquisas e contribui para a promoção do desenvolvimento sustentável
do Brasil e presta suporte aos investidores sociais privados.

Importante

Note que nos últimos tempos a economia mundial opera integrada em um contexto mundial. Portanto, há integração
de mercados e queda das barreiras comerciais que favorecem as trocas comerciais e aceleram o fluxo produtivo. Essa
revolução tecnológica e de perspectiva comercial exige das corporações uma competição por insumos e clientela em
escala mundial. Portanto, essas instituições precisam ser reativas às mudanças e estar preparadas para adaptar suas
estratégias de negócio e seus padrões gerenciais para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades decorrentes
da ampliação de seus mercados potenciais.

36
Responsabilidade social: primeiras aproximações • CAPÍTULO 3

Diante do conhecimento da realidade do País, da evolução dos estudos, investimentos em


responsabilidade social e do contexto econômico global é preciso que as corporações
trabalhem suas imagens e sejam cuidadosas com as ações gerenciais que tomam, uma
vez que serão cobradas, de modo sistêmico, pelo Estado em que operam, pela
população que atendem, por seus funcionários e pelo equilíbrio econômico. Portanto,
a legitimidade de suas ações deve estar no foco das estratégicas institucionais.

Além disso, mediante a interação integrada entre os setores produtivos, alteram-se


as propostas políticas e os modos de ação dos Estados nacionais, das empresas e das
pessoas. Uma vez que agora todos devem agir, previamente, na solução de medidas
de redução da desigualdade e do bem-estar social. Portanto, redefine-se a noção de
cidadania. A qual, em tempos remotos seria exercida de modo ativo pelo governante
de um país e agora deve ser promovida por todos que integram a comunidade. Por
exemplo, quando nos deparamos com notícias de que uma empresa explora seus
trabalhadores ou quando sabemos que alguns produtos destroem economias locais
ou recursos ambientais deixamos de consumi-lo imediatamente. Entretanto, quando
sabemos que algum recurso da instituição será destinado a alguma causa de saúde
ou em ajuda a necessitados, muitas vezes damos preferência ao consumo através
daquela marca. Todos nós conhecemos esses exemplos de ações negativas e positivas
e já discutimos sobre isso com nossos familiares e amigos, não é verdade?

Também se constituem modalidades inovadoras de defesa dos direitos coletivos, tais quais
os diversos modos de cuidado com o meio ambiente – exercidos pelo consumo consciente
e pelos modelos de reflorestamento de biomas – ou as defesas dos grupos LGBT – incluindo
representatividade em publicidades. Há, também, o fortalecimento do terceiro setor,
por meio de mídias sociais e pela disseminação de informações e da cultura de
corresponsabilidade.

Na evolução natural e como modo de adaptação, as empresas passam a investir em


qualidade. Esse investimento inicia-se na entrega de bons produtos, evolui para o
cuidado com os processos internos e pode vir a tomar tamanha importância que
passa a abranger a relação da corporação com a comunidade em geral: empregados,
fornecedores, clientes, cidadãos em geral e meio ambiente.

37
CAPÍTULO 3 • Responsabilidade social: primeiras aproximações

Saiba mais

Apresentamos aqui dois casos de empresas-modelo em responsabilidade socioambiental:

Bradesco

A instituição bancária lançou o projeto no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro, com a proposta de levar educação
financeira à população carente e reduzir o endividamento. Além disso, a corporação foi a primeira a oferecer seguro
residencial a moradores dessa comunidade. O cuidado com o programa inclui os preços da apólice em valores
populares e as indenizações chegam a R$10 mil. Além disso, o Banco investe em uma parceria com a Fundação
Amazônia Sustentável e contribui para a preservação de milhões de hectares de mata.

Natura

A corporação voltada à produção de cosméticos educa trabalhadores locais para extração sustentável de óleos
vegetais, evitando queimadas. A ação, além de favorecer a comunidade local, preserva um bioma rico e deixa de
derrubar milhares de palmeiras amazonenses. Além disso, é pago às famílias extratoras de matérias-primas uma
espécie de royalty pelo conhecimento local sobre plantas que favorecem a cultura e os valores dos povos ribeirinhos.

Vale lembrar que as ações de responsabilidade social e os próprios estudos do tema


são recentes e, além disso, estão se desenvolvendo junto com as mudanças econômicas
e sociais. Por isso, e pelo fato de a responsabilidade social ser uma ação estratégica
que deve estar alinhada aos valores de cada corporação, não há como definir ações
específicas e fechadas que devem ou não ser implementadas nas instituições, mas
certamente há diretrizes e orientações que podem ser implementadas por gestores,
como por exemplo: Redução do impacto ambiental; oferta de ações educativas para
os colaboradores, fornecedores, parceiros e, até, para o público-alvo; e alianças com
instituições sociais do terceiro setor.

O mesmo acontece no terceiro setor, ao nos aproximarmos, percebemos que as


instituições definem responsabilidade social com base nas suas experiências e recortes
de pesquisas e intervenções no meio em que operam. Por exemplo, segundo Moreira
e Carvalho (2018, p. 38-39):
o Gife trabalha com ideia de “Investimento Social Privado” (ISP)
definindo-o como o “uso planejado, monitorado e voluntário de recursos
privados – provenientes de pessoas físicas e jurídicas – em projetos sociais
de interesse público”, ou seja, trata-se de recursos privados voltados
para fins públicos, com vistas a beneficiar comunidades e grupos. Já
o Ethos trabalha com a noção de Responsabilidade Social Empresarial
(RSE) que implica a utilização de recursos privados voltados para fins
também privados, pois se trata de ações éticas voltadas ao negócio.

Perceba que, para o Ethos, responsabilidade social é um meio de conduzir os negócios


da empresa para que ela se torne parceira e corresponsável pelo desenvolvimento.

Ao lado desses posicionamentos, poderemos encontrar diversos modos de definir


e t ra b a l h a r c o m a re s p o n s a b i l i d a d e s o c i a l e o d e s e n vo l v i m e n t o s u s t e n t á ve l .

38
Responsabilidade social: primeiras aproximações • CAPÍTULO 3

Tais conceitos, em geral, determinam o olhar e o modo de atuação estratégico


a ser tomado. Mas não se pode negar que sempre há a centralidade da ética, na
cidadania e no cuidado com o meio social que abordam. Por isso, neste momento,
vamos ampliar nosso entendimento sobre o tema e analisá-lo, também, como um
conjunto de valores e relações.

Melo Neto e Froes (2001) afirmam que a responsabilidade social pode ser compreendida por
diversas acepções, entre elas:

» Atitude e comportamento empresarial ético e responsável;

» Conjunto de valores morais;

» Estratégia (de relacionamento; de marketing; de recursos humanos; de


desenvolvimento social etc.);

» Exercício da consciência ecológica;

» Instrumento de promoção da cidadania;

» Ferramenta de integração social;

» Diretriz de capacitação;

» Meio para valorização de produtos/serviços e, até, imagem.

Entretanto, é importante que a corporação defina claramente sob que viés entende a
responsabilidade social. Para isso, é necessário definir o foco e as estratégias de atuação,
além de explicar o seu papel social dentro desta visão. A partir de então, é possível
desenhar as ações a serem implementadas e os resultados esperados. Para isso, são
essenciais a capacitação e a colaboração dos gestores e da equipe do trabalho.

Por isso a importância de você estudar o tema!

3.4 A responsabilidade social e o desafio ético

Ao tratarmos do desenvolvimento humano e da sustentabilidade já abordamos de


modo amplo a relevância da ação ética das corporações. Além disso, no decorrer da
análise do conceito de responsabilidade social compreendemos que o valor ético é
indissociável da ação reta. Esse padrão de reflexão e produção deve compor a reflexão
e a prática diária das corporações. Mais do que isso, a ética deve ser uma busca
estratégica de uma instituição vinculada à responsabilidade social.

Entretanto, além das diversas acepções conceituais do quem vem a ser a responsabilidade
social, é relevante compreender que a ética também não é uma ideia pronta e fechada,

39
CAPÍTULO 3 • Responsabilidade social: primeiras aproximações

pois sua implementação depende de uma análise conjuntural, a qual inclui fatores
como cultura local, condições situacionais, impactos oriundos das ações etc.

Destaca-se que no universo das ações éticas é básico, antes de mais nada, conhecer
a intenção de uma ação. Logo, no caso do exercício laboral, a motivação de cada
organização para desenvolver ações sociais é um primeiro ponto de análise para que
possamos discutir a perspectiva ética.

Quando tratamos de responsabilidade social e de ética, precisamos pensar que ambos


os termos incluem uma análise subjetiva e exclusiva das condições sociais e da
tomada de decisões. Isso significa que as corporações, ao se estabelecerem em
determinada comunidade ou em determinado contexto, consideram as conjunturas
produtivas e escolhem entre os modelos de práticas que podem ser mais ou menos
prejudiciais à sociedade de modo geral. Tudo isso está conectado com os valores
da instituição, com os objetivos estratégicos a serem alcançados, com o modelo
de negócios estabelecido e com o viés adotado pelos gestores. Ou seja, há uma
dimensão subjetiva inegável tanto na ação de responsabilidade social como na
prática da ética.

Nesse sentido, mais uma vez cresce o valor do terceiro setor como modulador entre
o enrijecimento estatal e a prática da iniciativa privada com fins lucrativos, pois
a organização social, próxima à sociedade, gera conhecimento regionalizado e
especializado que pode contribuir com o próprio repensar da atuação dos demais
setores.

O que nos importa nesse instante é salientar a intrínseca relação que deve haver
entre responsabilidade social e ética. Além disso, é importante pensar a ética em
uma conjuntura aplicada antes de pesar o valor da ação social, uma vez que cada
momento socioeconômico conta com demandas próprias e capacidades de respostas
institucionais distintas.
Figura 12. Ética.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/ethics-business-concept-colorful-wooden-blocks-1108182914.
Acesso em: 1o mai. 2020.

40
Responsabilidade social: primeiras aproximações • CAPÍTULO 3

Falar em ética implica a busca do bem coletivo, por meio da análise do menor
dano e maior ganho para todos. O equilíbrio entre a ação econômica e o emprenho
socioambiental deve ser a meta maior. Assim sendo, Moreira e Carvalho (2018, p. 42)
defendem que:

A organização que desenvolva ações de responsabilidade social deve,


continuamente e de maneira integrada, ter a ética como princípio
em tudo que faz, perpassando a relação com sua equipe técnica, com
seus diretores ou acionistas, junto a seus parceiros, fornecedores,
beneficiários ou mesmo concorrentes; frente à comunidade, entorno
ou meio ambiente no qual se situa, seja local ou globalmente.

Essa ideia de integralidade na ação, tanto em nível micro quanto no contexto global,
remete à própria concepção de ética de que o bem é seguramente desejável quando
interessa a um único sujeito. Mas seu valor se reveste de um caráter ainda mais belo,
mais profundo e mais divino quando interessa a um povo ou a um estado inteiro.

Ou seja, A ética, de modo geral, exige articulação permanente e respeito necessário


à transparência e à própria noção de responsabilidade social.

Sintetizando

Vimos até agora:

» Um pouco mais o contexto de surgimento da noção de responsabilidade social.

» As definições de primeiro, segundo e terceiro setores e as finalidades de cada um.

» Quanto é amplo e complexo o nosso tema de estudos, conhecendo algumas das principais visões que se têm
atualmente de responsabilidade social.

» A importância de articular as questões éticas ao campo da responsabilidade social.

41
CAPÍTULO
GESTÃO DE RESPONSABILIDADE
SOCIAL: ESTRATÉGIAS E
POSSIBILIDADES 4
Introdução

Após entender o contexto em que se desenvolveu a responsabilidade social e entender


os limites conceituais do termo e do campo de estudo e prática, vamos voltar
nossa atenção a algumas das principais tendências e ferramentas de gestão da
responsabilidade social.

A ideia central é aprender o caminho para implementar uma ação ética e respeitosa.
Agora, nossa proposta é acompanhar algumas práticas de responsabilidade social,
reunindo ferramentas, estratégias e possibilidades de gestão.

Esperamos que este capítulo seja inspirador de novas reflexões e de novas práticas,
pautadas pelo exercício da ética e da responsabilidade social.

Objetivos

» Discriminar os passos necessários para a implementação de ações de responsabilidade


social.

» Desenvolver olhar estratégico frente aos potenciais da corporação, de modo a ser capaz
de definir ações de responsabilidade social nos processos de gestão.

» Analisar e desenvolver iniciativas e estratégias de gestão da responsabilidade social


interna e externa.

4.1 É preciso gestão

Para ampliar nossa trajetória no campo do saber, apontaremos algumas das principais
tendências na gestão da responsabilidade social atuais. Já sabemos que a proposta
da responsabilidade social difere das práticas assistencialistas e caritativas e requer
planejamento, avaliação e resultados.

42
Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades • CAPÍTULO 4

Além disso, a perspectiva atual de corporação cidadã extrapola as demandas passivas,


as quais delegam apenas ao estado a competência para agir. Mas também é importante
citar que é necessário mais que “boa vontade” para garantir soluções e alternativas
efetivas. Isso significa que é preciso analisar, de fato, as demandas conjunturais, antes
das intervenções de responsabilidade social. Afinal de contas, o bem-estar maior deve
ser almejado e as consequências de cada ação institucional devem ser ponderadas
de modo a garantir benefícios além dos interesses da empresa, mas que atendam às
demandas reais da comunidade.

Por isso, não há como negar que a responsabilidade social exige gestão. E essa gestão
deve ser consciente e competente. Logo, nosso ponto de partida deve ser compreender
o que vem a ser gestão.

A gestão não é uma prática moderna, muito pelo contrário. Fazer gestão é prática
intrínseca a ação humana, uma vez que a manutenção da vida depende do controle
de recursos. Além disso, a vida coletiva dos nossos ancestrais favoreceu a manutenção
da espécie. Logo, a figura do líder sempre foi necessária e instintiva.

Porém, o formato de gestão customizado às práticas laborais e conforme as teorias


da Administração é um viés moderno e que favoreceu o desenvolvimento social e
industrial expressivamente. Além disso, o campo de estudos sobre a gestão tomou
força expressiva após a Primeira Revolução Industrial e mediante os estudos dos
tempos e movimentos na produção desenvolvidos por Taylor.

Após Taylor, a Administração voltou seu olhar à gestão e aos modelos de liderança, de
modo a impactar o comportamento dos trabalhadores de modo a alcançar o melhor
potencial da corporação. Entre os estudos da temática, podemos destacar algumas
definições de gestão:

» conjunto de processos sociais no qual a ação gerencial se desenvolve por meio de


uma ação negociada entre seus atores, perdendo o caráter burocrático em função
da relação direta entre o processo administrativo e a múltipla participação social
e política. O que se busca, dessa forma, é o atendimento das atuais necessidades
e desafios da administração quanto à democracia e à cidadania participativa,
aplicando-se técnicas de gestão que consideram o intercâmbio dos vários atores
envolvidos nos processos administrativos, estimulando o convívio e o respeito às
diferenças. (TENÓRIO, 1998, p. 7).

» está relacionada com o alcance [pelo gestor de uma organização] de objetivos


por meio dos esforços de outras pessoas. (SILVA, 2013, p. 5).

43
CAPÍTULO 4 • Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades

» função gerencial que objetiva o relacionamento entre as pessoas que atuam nas
empresas em busca dos objetivos das organizações e dos indivíduos. (GIL, 2009,
p. 17).

Importante

Figura 13. Gestão.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/image-tangram-puzzle-blocks-people-icons-1149593039.
Acesso em: 1o mai. 2020.

A gestão define o modo como os diálogos são conduzidos e gerenciados dentro de uma instituição. Refere-se à
direção em que os trabalhos se organizam e às metas que se deseja alcançar. Essa prática inclui todos os processos
relevantes ao trabalho: divisão de tarefas, atribuição de responsabilidades, planejamento do tempo, modelo de
produção e prioridades de ação.

Com relação à responsabilidade social e a partir da leitura dos capítulos anteriores,


percebemos que a gestão social vai além do caráter meramente administrativo ou
mesmo gerencial. Gerir práticas de responsabilidade social requer a gestão do contexto
institucional, mas, também, a ponderação dos resultados a serem alcançados no nível
das comunidades envolvidas e da própria sustentabilidade dessas ações sociais.

Assim, no movimento da gestão da responsabilidade social, é importante, antes de


mais nada, que a corporação defina o foco de sua atuação, as estratégias que serão
utilizadas e o seu papel social nessa perspectiva. Esse foco de atuação será definido
tanto pelas características da corporação (estratégia do negócio, sistema produtivo,
tipos de insumos consumidos e produtos entregues, potencial de danos socioambientais
ou de colaboração com o meio social). Deste modo, é possível que esse processo de
gestão ocorra de maneira sistemática e organizada e paulatinamente.

Esse passo rompe com o modelo de atuação retrógrado que as empresas brasileiras
vinham adotando, uma vez que as instituições, no âmbito de colaborar socialmente,

44
Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades • CAPÍTULO 4

começaram a repassar recursos para pequenas ações ou campanhas comunitárias,


sem a preocupação de acompanhar como os recursos estavam sendo empregados ou
mesmo se os objetivos iniciais haviam sido atingidos, o que não se estruturava em
uma ação de responsabilidade deliberada e efetiva, mas, de todo modo, demostravam
a boa intenção das empresas em colaborar.

Para refletir

É importante pensar que uma empresa que não possui ações de responsabilidade social não se torna necessária e
automaticamente irresponsável.

A implementação de ações de responsabilidade social demanda uma maturidade institucional ou podem acontecer
em um modelo de cumprimento às leis.

Outro fator a ser ponderar é que, por vezes, a finalidade de algumas instituições não impacta negativamente o
ambiente e a sociedade, por isso a postura ativa quanto a programas de redução de danos ou impulsão social não é
essencial.

Porém, as relações de consumo modernas e o mercado globalizado desvelam a interdependência das corporações
com o sistema econômico internacional. Por isso, é muito razoável pensar a vantagem estratégica através da
responsabilidade social, da ética e do desenvolvimento sustentável.

Deste modo, convém conhecer como acontece a evolução da responsabilidade social dentro
das instituições.

4.2 Os três estágios da responsabilidade social

De forma didática, Melo Neto (2011, p. 80 e ss.) propõe a existência de três estágios
contínuos e sucessivos na gestão da responsabilidade social empresarial:

Primeiro estágio – gestão social interna

Esses são os passos iniciais da prática da responsabilidade social, quando a empresa


começa a discutir e implementa pequenas ações voltadas ao público interno.

Segundo a teoria, neste nível, estão compreendidas todas as ações e processos


internos da orga niza ç ão: a t ivid a d e s re gu la re s d e fu ncio na me nt o d a e mp re sa,
saúde e a segurança ocupacional, assistência social, educação corporativa,
benefícios concedidos aos funcionários e demais cuidados na gestão de pessoas.
Pr áti cas com o m onitoram ento d o clima o rga niz a cio na l e p ro j e t o s d e inclu são
da di ve r sidade t a m bém devem s e r co ns id e ra d o s.

45
CAPÍTULO 4 • Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades

Segundo estágio – gestão social externa

Neste momento, o olhar da empresa já passa a considerar o seu entorno e passa a


abranger parceiros e a comunidade local. Neste nível, inclui-se inclusive a prestação
do ser viço ou a venda de produtos com qualidade e segurança ao consumidor.
Algumas corporações, ainda, contam com o apoio de universidades corporativas
para disseminar conhecimentos e valores éticos à sociedade, em apoio às demandas
sociais inerentes ao negócio da corporação.

Estão neste nível inseridas, também, ações para minimizar os impactos de degradação
ambiental e para contribuir para a garantia do exercício de direitos pelas comunidades
locais. Além disso, atos como a contratação de mão de obra local e promoção cultural
favorecem o exercício da cidadania do público-alvo. A responsabilidade social,
então, extrapola o ambiente interno da empresa e incorpora o ambiente externo e
suas múltiplas variáveis.

Terceiro estágio – gestão social cidadã

Este é o estágio mais amplo e complexo de atuação da responsabilidade social


empresarial. Aqui, o compromisso estabelecido ultrapassa o micro e o mesocontexto
(dos funcionários e da comunidade diretamente envolvida com a corporação). O alvo
expande, abrangendo a sociedade como um todo, de forma cidadã e plena. Logo,
a busca é por políticas públicas que reduzam desigualdades e danos ambientais
e a promoção de ações, que integrem estado e iniciativa privada, destinadas ao
desenvolvimento nacional e à promoção da justiça e equidade.

Entende-se, assim, a sociedade como um todo integrado à corporação. Logo, uma


sociedade equilibrada colabora com a prática empresarial eficiente, coesa e correta.
Por isso, o foco da campanha de responsabilidade social é o bem-estar de todos.

Figura 14. Estágios da responsabilidade social.

Foco da ação social da empresa

1º Estágio 2º Estágio 3º Estágio

Tempo
Gestão Social Gestão Social Gestão Social
Interna Externa Cidadã

Fonte: Melo Neto (2011, p. 81).

46
Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades • CAPÍTULO 4

Cuidado

Ao tratarmos de responsabilidade social aplicada, as ações são implementadas de acordo com os modelos de gestão
e os interesses da instituição. Por isso não podemos falar em um padrão ideal ou determinar a implementação de
programas específicos como fatores necessários e essenciais de sucesso.

Há instituições que começam seus trabalhos pelos cuidados com a comunidade no entorno, de modo a influenciar os
valores e atitudes cidadãs de seus próprios funcionários, através do exemplo dado pela empresa. Ou seja, a atuação
pode, sem restrições, ser efetiva, mesmo tendo início no mesocontexto, desde que seja estruturada para isso. O
que queremos salientar é que não há um “caminho” mais correto, mas, sim, que mais se adéqua às reflexões e às
demandas oriundas da conjuntura social vigente.

4.3 A gestão da responsabilidade social (interna e externa)

Como estudamos, entre as fases do desenvolvimento da responsabilidade social


institucional são perceptíveis dois movimentos: o cuidado interno aos limites
corporativos e o trabalho que expande fronteiras e alcança a comunidade local
e, até o contexto global em geral.

Por isso vamos nos aprofundar na diferenciação entre a responsabilidade social interna
e externa.

Responsabilidade Social Interna

Empresas que adotam ações de responsabilidade social interna desenvolvem um


olhar cuidadoso para seu corpo funcional, pois reconhecem em seus funcionários um
potencial de transformação social. Ou seja, o trabalho interno educa os colaboradores
e os tornam atores sociais capazes de influenciar a própria vida da organização e da
comunidade ou, ainda mais amplamente, da sociedade. Logo, valores e atitudes dos
funcionários dessas empresas podem, assim, ser entendidos como reflexos da própria
imagem e cultura organizacional.

Atenção

Os talentos internos de uma empresa são considerados seu capital intelectual. O conjunto de saberes e
comportamentos dos colaboradores são diretamente influenciados pelas normas internas e padrões de trabalho
da empresa. Mas, também, agregam diferencial e soluções criativas, o que gera diferencial estratégico e maior
possibilidade nas ações da instituição.

Por isso, é extremamente relevante que os funcionários se sintam parte das ações de responsabilidade social e sejam
incentivados a apresentarem comportamentos colaborativos, éticos e transparentes.

47
CAPÍTULO 4 • Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades

As organizações que operam na responsabilidade social interna esperam que o


investimento na cidadania individual gere, junto a seus funcionários, uma imagem
positiva sobre a organização em que trabalham, contribuindo para a elevação da
autoestima de todos os envolvidos na proposta de empresa-cidadã.

Assim, é esperado que os empregados se sintam valorizados e motivados. O que


pode, além de gerar o sentimento de humanidade, aumentar a produtividade e a
eficiência. Estudos sobre a gestão de pessoas neste sentido afirmam, ainda, que outros
resultados podem ser evidenciados, como fidelidade e compromisso, o que promove a
redução da rotatividade e do absenteísmo entre os funcionários, a melhoria do clima
organizacional, da satisfação e da integração interna.

Ou seja, a prioridade nesta forma de intervenção são ações e ofertas de benefícios


voltados à comunidade interna – sobretudo os funcionários e, até seus familiares –
buscando fortalecer prioritariamente a relação empresa-empregados.

Saiba mais

Você pode estar se perguntando que tipo de ação pode alcançar os familiares e parentes de um colaborador, quando
o tema é responsabilidade social interna. Conheça alguns exemplos:

» Creche no ambiente corporativo: este tipo de espaço permite que as recém mães e pais possam trabalhar com
mais tranquilidade e estar mais assíduos no contexto de trabalho. Atrasos são reduzidos. Além disso, é promovida
uma oportunidade de interação entre funcionários de diferentes níveis na hierarquia da empresa.

» Ações para receber os familiares na empresa em um dia comemorativo: ao conhecer o ambiente e a importância
de cada trabalhador, os familiares podem apoiar a corporação e divulgar o trabalho desenvolvido internamente.
Além disso, os trabalhadores se sentem acolhidos e desenvolve-se um sentimento de reconhecimento.

Segundo Pontes et al. (2016), ações que visam à adoção de sistemas de remuneração,
benefícios e carreiras se apresentam como um dos principais mecanismos para
efetivar o vínculo produtivo entre a organização e seu público interno.

Moreira e Car valho (2018, p. 48) afir mam que ao tratar mos de responsabilidade
social interna, há de se considerar a gestão de benefícios nas áreas de
a l i m e n t a ç ã o, s a ú d e, s e g u r i d a d e s o c i a l – t a n t o n o q u e c o n c e r n e à a s s i s t ê n c i a
c o m o e m p re v i d ê n c i a s o c i a l – t ra n s p o r t e, c u l t u ra , l a z e r, e s p o r t e, a s s i m c o m o
os investimentos em qualificação e formação profissional. Esses autores
a f i r m a m , a i n d a , q u e, c o n f o r m e o s a c h a d o s d e Me l o Ne t o ( 2 0 1 1 ) , a a v a l i a ç ã o
do alcan ce e da qua l idade da res p o ns a b ilid a d e s o cia l p re s t a d a d e ve co ns id e rar
a s s e g u i n t e s e s f e ra s :

48
Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades • CAPÍTULO 4

Figura 15. Esferas da Gestão Interna.

Gestão de benefício Gestão de relevância


Gestão do social da vida no
e remuneração trabalho trabalho

Gestão de direito dos Gestão do trabalho e


empregados Avaliação do exercício da
responsabilidade social espaço total de vida

Gestão do crescimento e Gestão de relevância


desenvolvimento pessoal social da vida no
dos empregados trabalho

Fonte: Melo Neto (2011, p. 112).

Para que fique claro, a tabela a seguir detalha cada um dos indicadores de gestão citados:

Tabela 2. Eixos de avaliação da responsabilidade social interna.

Indicador de responsabilidade social interna O que pode ser considerado?


» Quantidade e qualidade de benefícios concedidos.
Gestão de benefícios e remuneração » Abrangência dos benefícios (entre empregados e familiares).
» Sistema de remuneração.
» Qualidade de gerenciamento.
» Condições de trabalho: jornada, carga horária, organização das
Gestão do trabalho
atribuições.
» Desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes.
» Qualidade de gerenciamento: cultura e clima organizacional.
Gestão do ambiente de trabalho » Ergonomia, instalações e ambiente físico.
» Condicionantes físicos, sociais e psíquicos.
» Percepção dos colaboradores sobre a imagem organizacional.
Gestão da relevância social da vida no trabalho » Avaliação dos empregados sobre a proposta de responsabilidade
social da empresa.
» Equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional dos empregados.
Gestão do trabalho e espaço total de vida
» Cuidado e preparação para a aposentadoria.
» Direitos trabalhistas.
Gestão dos direitos dos empregados » Privacidade pessoal e liberdade de expressão.
» Garantia de tratamento imparcial.
» Qualidade de gerenciamento.
Gestão de crescimento e desenvolvimento dos
» Programas de capacitação e de desenvolvimento.
empregados
» Modelo de gestão da segurança no emprego.

Fonte: Adaptada de Moreira e Carvalho (2018, p. 49).

49
CAPÍTULO 4 • Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades

Cuidado

Saiba que a gestão da responsabilidade social interna abrange uma complexidade de ações e objetivos que extrapola
os limites da gestão de pessoal pura. É importante pensar que se trata de uma tentativa de promover cidadania
e perpetuar a mentalidade de apoio social, por isso é mais amplo que pensar nas condições de trabalho ou no
desenvolvimento profissional.

É importante citar que para que se torne realmente efetiva, a responsabilidade social
interna exige uma sensibilização de toda a organização e, necessariamente, uma
aquisição de compromisso de seus dirigentes com a proposta. Para que, em sequência,
os colaboradores apreendam esse ideal e passem a replicar essas ações e esse cuidado
social em diversos outros meios. A proposta é ampliar a rede de operação para que o
meio se torne mais equânime e as ações internas possam ter a maior dispersão possível.

França (2009) afirma que o ser humano é o principal fator no desempenho organizacional.
Por isso, ao se comprometer com a proposta de responsabilidade social, adiciona um
olhar desperto e inovador à produção e à redução de danos ambientais, propiciando
uma vantagem competitiva para organização, por isso, a importância da valorização
dos esforços. A autora afirma ainda, que, apesar da variedade de componentes de um
sistema de recompensas (promoções, oportunidades de capacitação, entre outros), o
mais relevante é a remuneração.

No mesmo sentido aponta o Instituto Ethos (2013) que a valorização das competências
dos funcionários abarca planos de remuneração e desenvolvimento profissional justos
e adequados.

Responsabilidade social externa

Nesta frente de ação há um olhar para o exterior dos limites institucionais. O foco está
voltado, assim, para a relação empresa-comunidade. Entretanto, há de se ressaltar que
também há a expectativa de que propiciem elevação da autoconfiança dos funcionários
e favoreçam a postura de cidadania corporativa.

No caso da ação voltada ao contexto externo, a equipe empresarial desenvolve


integrações com a comunidade, e possui oportunidade de desenvolver um olhar no
colaborador para a importância de práticas solidárias. Outro objetivo a ser ressaltado
é a melhoria da relação entre a empresa e a comunidade.

Na gestão da responsabilidade social externa estão compreendidas ações como:


doações de recursos, apoio a projetos comunitários, além do incentivo a programas
de voluntariado. A seguir estão detalhadas as esferas de ação que podem ser avaliadas
no caso da responsabilidade social externa:

50
Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades • CAPÍTULO 4

Figura 16. Esferas da Gestão Interna.


Avaliação do foco Avaliação do alvo
da relação de relação

Processo de Avaliação da
Avaliação do tipo
certificação social natureza das
e da natureza da
relação relações

Avaliação do
Avaliação do
escopo da relação
impacto das ações
Fonte: Melo Neto (2011, p. 124).

A Tabela 3 a seguir detalha cada um dos indicadores de gestão citados.

Tabela 3. Indicadores da Gestão da Responsabilidade Social.


Indicador de responsabilidade social externa O que pode ser considerado?
» Modo de inter-relação entre empresa e comunidade (doações,
Tipo da relação empresa-comunidade apoio a projetos, promoção do bem-estar, cuidado com o
ambiente).
» Como são trabalhadas as demandas de responsabilidade social:
Foco da relação empresa-comunidade sem foco, na solução de problemas emergenciais, emergentes
ou secundários.
» A que nicho se destinam as ações: comunidade, população em
Alvo das ações sociais desenvolvidas geral, ou segmentos populacionais emergentes (maior risco ou
carência).
» Como as ações são desenvolvidas: por voluntariado, com
Natureza das ações sociais fomento ao desenvolvimento social, ou pela inserção na
comunidade.
» Qual é o escopo de relação.
Escopo da relação empresa-comunidade » Se há parcerias estratégicas.
» Quantas unidades recebem investimentos.
» Se há impacto oriundo das ações sociais na melhoria
Impacto das ações sociais da qualidade de vida ou no desenvolvimento social da
comunidade.
Fonte: Adaptada de Moreira e Carvalho (2018, p. 49).

É importante notarmos que algumas empresas conseguem construir uma atuação


bastante sistemática e organizada, condição que demonstra a maturidade nos
trabalhos de responsabilidade social. Neste nível de desenvolvimento, é possível notar
a incorporação das seguintes ferramentas no contexto organizacional:

» Código de Ética;

» Normativos e Ações de Responsabilidade Social;

» Programa de Voluntariado.

51
CAPÍTULO 4 • Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades

Algumas corporações, em um nível mais profundo e dedicado de atuação, promovem


também a criação de Institutos e Fundações especializados com o fim estratégico
de se dedicarem à responsabilidade social. Essas instituições conexas focam a
atenção exclusivamente no trabalho de responsabilidade social corporativo e
fazem um trabalho alinhado à estratégia da corporação matriz.

4.4 Os sistemas de gestão da responsabilidade social nas


organizações

Outras instituições, ainda, com base na gestão transparente, buscam o registro de


certificados sociais para que a comunidade esteja ciente do compromisso corporativo.
Assim, os gestores buscam modelos de gestão que possam auxiliar no desenvolvimento
de práticas orientadas e estruturadas, que, de fato, atendam à responsabilidade social
e proporcionem ganhos à sociedade.

Saiba mais

Certificado social é um processo em que a corporação busca uma avaliação de terceira parte (a empresa
certificadora), com o intuito de comprovar que o sistema de gestão atende aos princípios da responsabilidade
social. A função maior desse atestado é comprovar à sociedade que a corporação atende aos requisitos. Além disso, a
própria preparação para a aquisição do certificado abarca linhas de condutas que guiam os objetivos institucionais e
promovem a melhoria dos processos.

Existem também, atualmente, algumas diretrizes e normatizações específicas para


a área de responsabilidade social que orientam e regulam o campo de atuação.
Apresentamos alguns:

Balanço social (Ibase)


Trata-se de um conjunto de informações, o qual demonstra atividades de uma entidade
destinadas à sociedade. A proposta é divulgar o modelo de gestão econômico-social,
apresentando o resultado de sua responsabilidade social.

Lançado nos anos 90, o Balanço Social Ibase teve como principal função
tornar pública a responsabilidade social empresarial, construindo
maiores vínculos entre a empresa, a sociedade e o meio ambiente.
Publicado anualmente pelas organizações que escolhem esse modelo,
o Balanço Social reúne um conjunto de informações sobre os projetos,
benefícios e ações sociais dirigidas aos empregados, investidores, analistas
de mercado, acionistas e à comunidade. É também um instrumento
estratégico para avaliar e multiplicar o exercício da responsabilidade
social corporativa. (IBASE, s/d)

52
Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades • CAPÍTULO 4

Esse demonstrativo compila dados sobre projetos, benefícios e ações sociais dirigidas aos
empregados e demais parceiros da instituição sob análise. É também um instrumento
estratégico para avaliar, direcionar e ampliar o exercício da responsabilidade social.

Vale ressaltar que esses demonstrativos tornam públicas as ações de responsabilidade social
empresarial, construindo um compromisso da corporação e uma ferramenta de apoio e
controle social.

Saiba mais

É importante ressaltar que o Ibase, além de gerar um compromisso público com a sociedade, serve também como
base para a boa gestão e para a produção responsável. Logo, ser uma empresa que apesenta bons resultados no
Balanço Social auxilia:

» Na afirmação da ética como um valor corporativo importante: e esse modelo de ação promove justiça interna e a
certeza de que está agindo pelo bem de si e da sociedade;

» A agregar valor, uma vez que a imagem da empresa é valorizada e associada a boas práticas;

» Atrai investidores;

» Reduz os riscos e instabilidades do mercado ao colocar a instituição em evidência para o modelo de consumo
consciente;

» Na modernização da gestão;

» No controle dos processos internos e melhoria da qualidade dos serviços e produtos oferecidos ao mercado;

» Na avaliação de analistas de mercado, investidores e órgãos de financiamento, que podem vir a fazer aportes e
conceder fomentos à empresa;

» Na inovação, transformação e adaptação.

Além disso, o Balanço Social favorece todos que interagem com a empresa (interna
ou externamente), pois fornece informações úteis aos dirigentes que amparam a
tomada de decisões; estimula a participação dos funcionários nas ações e projetos
sociais e os sensibiliza para a importância do trabalho ético e cuidadoso; fortalece a
comunicação entre dirigentes e o corpo funcional. Além disso, informa aos fornecedores
e investidores, o modo como a corporação faz a gestão de recursos humanos e dos
recursos ambientais; demonstra aos consumidores a postura dos dirigentes frente
à qualidade do produto ou serviço oferecido; e ajuda o Estado na identificação de
demandas da sociedade e formulação de políticas públicas.

O Balanço Social é a fonte básica para a emissão do Selo Balanço Social Ibase/Betinho.
O selo é uma marca visual, conferida anualmente a todas as empresas que publicam
o Balanço Social e cumprem a metodologia e os critérios propostos.

53
CAPÍTULO 4 • Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades

Através deste selo, as empresas podem gerar materiais publicitários e comprovar


que investem em áreas como a educação, a saúde, a cultura, os esportes e o meio
ambiente. Além disso, fica demonstrada a intenção da empresa em ser reconhecida
como empresa-cidadã, comprometida com a qualidade de vida dos funcionários, da
comunidade e do meio ambiente.

Entre os dados que o Ibase trabalha para gerar esse relatório estão fatores como:

» Indicadores sociais internos. A exemplo de benefícios em geral e oportunidades de


capacitação e de acesso à cultura;

» Indicadores sociais externos, como somatório dos investimentos na comunidade


e dos impostos pagos;

» Indicadores ambientais, tais quais os valores investidos em programas ambientais


e os resultados de cumprimento de metas ambientais;

» Indicadores do corpo funcional, tipo o número de negros contratados ou de


acidentes de trabalho e a diferença entre as remunerações.

Indicadores Ethos de responsabilidade social

Em 2020, já com duas décadas de existência, os Indicadores Ethos são considerados


a maior contribuição do Instituto para o desenvolvimento da responsabilidade social
por parte das empresas. Esse modelo de avaliação institucional funciona como uma
métrica de análise da maturidade da responsabilidade social das empresas.

Logo, essa é uma ferramenta de gestão que tem por objetivo apoiar as empresas
na condução efetiva das ações de sustentabilidade e de responsabilidade social
empresarial. Ou seja, tais indicadores permitem um diagnóstico corporativo, por
meio do qual é possível fazer o planejamento e a gestão de metas para o avanço
da gestão.

A ferramenta é composta por quatro dimensões de análise, dentre as quais o gestor pode
escolher para avaliar sua instituição. São as dimensões: Visão e Estratégia, Governança
e Gestão, Social e Ambiental. Os resultados do questionário selecionado permitem
que a instituição desenhe objetivos e metas conforme a gestão e estratégica e,
assim, possa acompanhar o desenvolvimento das ações de responsabilidade social
da corporação.

54
Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades • CAPÍTULO 4

Saiba mais

Figura 17. Indicadores Ethos – “Questionário principal”.

Fonte: https://www.ethos.org.br/conteudo/indicadores-ethos- publicacoes/#.WXkBCoQrKUl. Acesso em 7


mai. 2020.

Sugestão de estudo

Para saber mais sobre os indicadores Ethos e, inclusive, se informar sobre como a corporação pode responder ao
questionário, acesse o site do Instituto e explore:

https://www.ethos.org.br/conteudo/indicadores-ethos-publicacoes/#.WXkBCoQrKUl.

Norma Social Accountability – SA 8000

Esse certificado permite que empresários possam verificar se os processos internos


implementados no campo da responsabilidade social de fato asseguram os direitos
humanos de seus funcionários. Ou seja, seu foco está voltado às condições de trabalho
oferecidas à equipe institucional. Além disso, são consideradas a importância da
melhoria contínua nas relações de trabalho e as relações éticas no trabalho.

Essa normatização segue o padrão das normas ISO 9000 e ISO 14000 (que são
certificações de gestão de qualidade e de gestão ambiental, respectivamente). Isso
porque as normas ISO já são amplamente utilizadas no Brasil e seguem um padrão
de análise confiável. Logo, essa condição facilita a adesão das empresas que já se
amparam em tais guias de gestão.

55
CAPÍTULO 4 • Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades

A AS 8000 está ancorada nos princípios e normas da Organização das Nações Unidas
(ONU) e das convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT ) e, por isso,
reúne nove diretrizes principais:

» Combate ao trabalho infantil;

» Combate ao trabalho forçado;

» Combate à discriminação;

» Combate ao uso de práticas disciplinadoras (emocional ou fisicamente violentas);

» Priorização da segurança e da saúde do trabalhador;

» Respeito à jornada de trabalho regulamentada;

» Garantia da liberdade de associação e negociação coletivas;

» Garantia da remuneração justa e adequada;

» Garantia de um sistema de gestão que assegure o efetivo cumprimento das demais


diretrizes.

Norma Accountability 1000 – AA 1000

A AA 1000 é um parâmetro para que organizações regulem as práticas de gestão e


comunicação da responsabilidade social. Por isso, prioriza as opiniões e as necessidades
dos stakeholders e demanda que as metas organizacionais respeitem também os
interesses da comunidade, dos parceiros, dos fornecedores e investidores.

A norma é regulada pelo Institute of Social and Ethical Accountability e demanda que
as organizações definam seus valores, suas metas e seus procedimentos em torno
da ética e da transparência. Para tanto, são avaliados oito princípios de qualidade,
agrupados em três grandes blocos, quais sejam:

Escopo e natureza do processo:

» Completude: analisa se a prestação de contas sobre o desempenho social e ético da


organização é imparcial e trata os dados de modo global, integrado e transparente.

» Materialidade: abarca a exigência de que a empresa não omita informações sobre


suas áreas de atuação, assim como os impactos gerados em decorrência de seu
ciclo produtivo.

» Regularidade e oportunidade: levanta dados sobre a tempestividade das respostas


institucionais aos problemas de responsabilidade social, uma vez que a orientação

56
Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades • CAPÍTULO 4

é para os processos permanentes e contínuos de diálogo, monitoramento das


demandas e ação proativa e célere.

Significação da informação:

» Garantia de qualidade dos dados: aponta para a confiabilidade e a significância


do processo de certificação em si. Ou seja, auditores externos são incluídos na
comunicação entre a corporação e a comunidade para afirmar tanto os resultados
institucionais levantados como a validade da certificação.

» Acessibilidade: analisa se a comunicação é apropriada e efetiva para as partes


interessadas na organização, pois processos de contabilidade, auditoria,
desempenho social e ética devem estar à disposição para serem acessados por
todas as partes interessadas.

Qualidade da informação:

» Gestão de processo contínuo: impõe que a avaliação seja periódica, e os resultados


institucionais estejam sempre condizentes com os valores da responsabilidade
social.

» Integração de sistemas: avalia se as políticas e normas corporativas de


responsabilidade social alcançam de fato os processos internos e a prática laboral.

» Melhoria contínua: aponta para a necessidade de monitoramento e


acompanhamento constante de todas as etapas a fim de contribuir com a
melhoria contínua tanto do processo quanto do resultado inerentes ao
sistema de qualidade da empresa.

Global compact

O Pacto Global é uma iniciativa desenvolvida pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi


Annan, a qual visa mobilizar a comunidade empresarial de todo o globo para a adoção,
nas práticas de negócios, de valores de direitos humanos no que tange às relações de
trabalho, ao meio ambiente e ao combate à corrupção.

Para isso, congrega dez princípios, derivados da Declaração Universal de Direitos


Humanos, da Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios
e Direitos Fundamentais no Trabalho, da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento e da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção.

O Pacto Global não é um instrumento regulatório, um código de conduta


obrigatório ou um fórum para policiar as políticas e práticas gerenciais.
É uma iniciativa voluntária que fornece diretrizes para a promoção

57
CAPÍTULO 4 • Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades

do crescimento sustentável e da cidadania, por meio de lideranças


corporativas comprometidas e inovadoras. (PACTO GLOBAL REDE
BRASIL, 2020).

Os princípios citados estão organizados em temas centrais e concernem em orientações,


tais quais:

Tabela 4. Princípios do Global Compact.

Direitos Humanos

As empresas devem apoiar e respeitar a proteção de direitos humanos


reconhecidos internacionalmente.

Assegurar-se de sua não participação na violação destes.

Trabalho

As empresas devem apoiar a liberdade de associação e o reconhecimento efetivo


do direito à negociação coletiva.

A eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou compulsório.

Abolição efetiva do trabalho infantil.

Eliminar a discriminação no emprego.

Meio Ambiente

As empresas devem apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais.

Desenvolver iniciativas para promover maior responsabilidade ambiental.

Incentivar o desenvolvimento e a difusão de tecnologias ambientalmente


amigáveis.

Fonte: https://www.pactoglobal.org.br/10-principios. Acesso em: 7 de mai. 2020.

É importante ressaltar que todas as normas e certificações citadas são amplamente


reconhecidas e aplicadas no mercado brasileiro. Cada uma possui um enforque e

58
Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades • CAPÍTULO 4

uma especificidade de análise. Mas todas convergem para a responsabilidade social


e a gestão ética.

Todas podem ser usadas como parâmetros de melhoria institucional e aferem


visibilidade à corporação, mediante a publicação de resultados e compromissos
sociais. A escolha da norma que melhor atente à corporação deve ser analisada caso
a caso, conforme a demanda institucional e maturidade das ações implementadas.

Para facilitar a comparação e promover uma visão global das normas apresentadas,
Moreira e Carvalho (2018, p. 66) elaboraram um quadro esquemático que compila os
dados de cada sistema de avaliação e controle da responsabilidade social e discrimina
seus focos de análise. A compreensão desse quadro facilita, na prática de atuação, a
escolha do melhor modelo a ser aplicado na corporação:

Tabela 5. Comparativo entre normas e certificações.

FERRAMENTA FOCO PRINCIPAL


“Explicitar e medir a preocupação da empresa com as pessoas e a vida no planeta”
(Ibase).

BALANÇO SOCIAL Abrange seis indicadores sociais principais: internos, externos, ambientais, do corpo
funcional, informações relevantes quanto ao exercício da cidadania empresarial e
outras informações. Além disso, dá publicidade aos valores monetários investidos em
responsabilidade social.
Busca homogeneizar conceitos de Responsabilidade Social Empresarial,
possibilitando uma autoavaliação das empresas.
Permite ainda a comparação com outras empresas (e o posicionamento
INDICADORES ETHOS DE
organizacional) identificando pontos fortes e oportunidades. É formado por um
RESPONSABILIDADE SOCIAL conjunto de sete indicadores principais: valores, transparência e

governança; público interno; meio ambiente; fornecedores; consumidores e clientes;


comunidade; governo e sociedade.
Melhoria das condições de trabalho. Abrange direitos trabalhistas e tem como base a
ISO 9000 e ISO 14000. É composta por nove indicadores principais: trabalho infantil;
NORMA SOCIAL trabalho forçado; saúde e segurança; liberdade de associação e direito à negociação
ACCOUNTABILITY – SA 8000 coletiva; discriminação; práticas disciplinares; horas de trabalho; remuneração;
sistema de gestão.

Visa servir de parâmetro às organizações no gerenciamento e na comunicação da


responsabilidade social.
NORMA ACCOUNTABILITY Prioriza o enfoque nas opiniões e necessidades dos stakeholders e o estabelecimento
1000 de metas organizacionais que respeitem os interesses de cada parte interessada.
Utiliza oito indicadores principais: completude;
– AA 1000 materialidade; regularidade e oportunidade; garantia de qualidade dos dados;
acessibilidade; gestão de processo contínuo; integração de sistemas; melhoria
contínua.
Tem como finalidade traçar um conjunto de valores que balizem o relacionamento
institucional, tendo a transparência e o diálogo como princípios de gestão
GLOBAL COMPACT
empresarial. É formada por três indicadores principais: direitos humanos, trabalho e
meio ambiente.

Fonte: Adaptada de Moreira e Carvalho (2018, p. 66).

59
CAPÍTULO 4 • Gestão de responsabilidade social: estratégias e possibilidades

Diante do amplo conteúdo apresentado, encerramos os estudos sobre as estratégias


de implementação de ações de responsabilidade social nas corporações.

Sintetizando

Vimos até agora:

» A relação entre responsabilidade social e ética: conhecendo e discutindo algumas das principais tendências e
ferramentas de gestão na área.

» O trabalho na área da responsabilidade social corporativa necessita de gestão.

» Os estágios de desenvolvimento da responsabilidade social corporativa.

» As principais tendências na gestão da responsabilidade social interna e externa, incluindo normas e diretrizes
modernas.

60
CAPÍTULO
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 5
Introdução

Neste capítulo, você poderá refletir sobre a Educação Ambiental como uma dimensão
essencial e inseparável da gestão corporativa, uma vez que esse é um campo de
estudo de impacto em toda esfera social, inclusive nos programas de capacitação
das instituições.

Além disso, você aprenderá um pouco mais sobre os níveis de ensino da Educação
Corporativa: Formal, Não Formal e Informal. Finalmente, estudaremos juntos sobre
algumas ideias conexas à educação ambiental como sustentabilidade, cuidado, ética
e cidadania planetária.

Objetivos

» Definir o que é educação ambiental a partir da ideia de que toda educação não deixa
de ser, também, ambiental.

» Compreender os diferentes âmbitos de atuação da educação ambiental, suas


características e práticas a estes associadas.

» Entender como a educação ambiental atua no sentido de despertar no ser humano


uma consciência ecológica que o ajuda a se enxergar como parte integrante do
ambiente que o cerca.

» Analisar o papel do ser humano como parte do meio ambiente e sua


responsabilidade junto à sua preservação e conservação.

» Entender o que é cidadania planetária e suas implicações na adoção de atitudes


sustentáveis.

61
CAPÍTULO 5 • Educação ambiental e desenvolvimento sustentável

5.1 O que é e para que serve a educação ambiental?

Antes de iniciarmos o aprofundamento no tema do capítulo, precisamos entender a


relação entre a gestão, a educação e a sustentabilidade. Logo, podemos dar ênfase à
educação ambiental.

Figura 18. Educação.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/education-global-world-graduation-cap-on-793972774. Acesso em:


26 mai. 2020.

Kupper (2020) cita que a educação, por si mesma, é o “processo pelo qual se procura
desenvolver as potencialidades da pessoa e integrá-la na comunidade à qual pertença”.
Carvalho (2008, p. 36) também contribui com a reflexão ao dizer que a educação,
quando desconexa da dimensão ambiental, “perde parte de sua essência e pouco
pode contribuir para a continuidade da vida humana”. Importante notar que o
objetivo primário da educação é o desenvolvimento humano e olhar para o contexto
social no qual os sujeitos estão inseridos.

Por isso, ao olhar para a concepção de responsabilidade social e traçar planos


corporativos, o corpo de líderes essencialmente deve primar por iniciativas de
capacitações que sensibilizem e despertem nos colaboradores e parceiros potencial
criativo para pensar a solução de problemas e a busca pela atuação ética e zelosa.
Nesse sentido, percebemos que é função da gestão conduzir a equipe para a aquisição
de conhecimento, e, mais do que isso, adoção de posturas condizentes com o bem-
estar de todos e a atuação reta.

Saiba mais

Paulo Freire (1997, p. 61) defende que:

Não há educação fora das sociedades humanas e não há homens isolados (...) o
homem é um ser de raízes espaço-temporais. A instrumentação da educação (...)
depende da harmonia que se consiga entre a vocação (...) e as condições especiais
desta temporalidade e desta situacionalidade.

62
Educação ambiental e desenvolvimento sustentável • CAPÍTULO 5

Essa ideia converge, inclusive, com as acepções de gestão nos ambientes escolares, a
qual pressupõe a uma análise da realidade com foco na interatividade social. (LÜCK,
2007, p. 55). Isso significa que, mesmo nos ambientes profissionais, a educação é o
meio de interferir no cotidiano para mudar as relações de comunicação, economia
e cidadania.

Logo, não devemos pensar a educação ambiental como uma modalidade dissociada
do processo educacional global, pois a educação já é o meio pelo qual se confere
dignidade e formação de pensamento crítico aos sujeitos, o que naturalmente requer
a reflexão ambiental. Assim, não há que se faze recortes, ou assumir uma visão
compartimentalizada referente a conteúdos ambientais (BRÜGGER, 1994), mas,
sim, enfatizar dimensões que já se encontram presentes na educação em geral
(GADOTTI, 1993).

Logo, a educação foi e continua sendo pensada pelas políticas municipais e estaduais
de ensino, em que mal se consegue preparar o cidadão para o pleno exercício de
sua cidadania, quanto mais permitir que esse exercício seja acompanhado de uma
consciência ambiental. Tanto a educação ambiental como a educação geral (formal
e informal) são formas educativas que surgiram justamente pelos inúmeros vazios
deixados pelo sistema educacional clássico em não conseguir cumprir esse papel
básico que lhe cabia.

Saiba mais

É notável que a temática da educação socioambiental tomou importância nos últimos anos. Porém, saiba que o
tema ganhou proporção, não apenas em razão de reflexos alarmantes no ambiente em si, mas, também, pela própria
crise da modernidade em que o homem, num processo de individualismo cada vez mais intenso, se isolou do meio e
tornou-se indiferente frente a situações de extrema pobreza, marginalidade e corrupção. (CARVALHO, 2008).

Figura 19. Isolamento.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/woman-quarantine-coronavirus-wearing-protective-
mask-1660879444. Acesso em: 26 mai. 2020.

63
CAPÍTULO 5 • Educação ambiental e desenvolvimento sustentável

Por isso, vale pensar a educação como um dos meios pelos quais a gestão corporativa pode
se valer para transformar a consciência social e promover o desenvolvimento humano,
uma vez que a educação explora, necessariamente, pensamentos sobre a interferência
humana no contexto socioambiental e permite que os aprendizes correlacionem
questões profissionalizantes diversas à responsabilidade socioambiental.

Fazendo com que pensemos nossa atuação no meio profissional de modo mais
estratégico e direcionado, cabe definir educação ambiental:

Os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem


valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências
voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do
povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. (Política
Nacional de Educação Ambiental – Lei n o 9.795 art. 1 o ). (BRASIL, 1999).

A educação ambiental é uma dimensão da educação, é atividade


intencional da prática social, que deve imprimir ao desenvolvimento
individual um caráter social em sua relação com a natureza e com os
outros seres humanos, visando potencializar essa atividade humana com
a finalidade de torná-la plena de prática social e de ética ambiental.
(Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, art. 2°).
(BRASIL, 2010).

Importante

Já sabemos que a proposta da responsabilidade social difere das práticas assistencialistas e caritativas e requer
planejamento, avaliação e resultados. Segundo Melo Neto e Froes (2001), o exercício da responsabilidade social tem
dois eixos: os projetos sociais e as ações comunitárias. Diante dos projetos sociais, a empresa programa ações que
contribuam para o desenvolvimento da comunidade e a formação de um meio equilibrado. São pensadas ações que
atendam diretamente às necessidades da comunidade e dos parceiros envolvidos diretamente com a corporação.

Figura 20. Filantropia.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/invest-fund-concept-businessman-hand-holding-338731004.
Acesso em: 26 mai. 2020.

64
Educação ambiental e desenvolvimento sustentável • CAPÍTULO 5

Já ao participar de ações comunitárias, a empresa adere a programas e campanhas realizadas pelo governo ou
por entidades filantrópicas ou comunitárias. Logo, empresas fazem doações, ações de apoio e sensibilizam seus
empregados para o trabalho voluntário. Ou seja, na filantropia, a participação institucional se dá de forma indireta.
Por isso, não são feitas ações de comunicação e marketing. E, em geral, há um retorno de natureza tributária para a
empresa que colabora. (MELO NETO; FROES, 2001).

No primeiro caso, a educação corporativa com viés ambiental e estratégica é necessária para o sucesso do programa,
pois requer mudança de postura da equipe de trabalho. Já no segundo caso, a educação ambiental serve apenas de
meio sensibilizador para que as pessoas façam adesão à caridade.

Note que ao pensar a educação ambiental fala-se da formação de uma consciência


cidadã. Por isso, a educação ambiental é apenas um dos vieses de ensino da
educação global, pois a educação é um direito inalienável, que visa não apenas
à utilização racional dos recursos naturais, mas, também, à par ticipação nas
decisões que lhe dizem respeito, desenvolvendo uma nova razão que não seja
sinônimo de autodestruição.

Loureiro (1996), de modo complementar, declara que um dos maiores problemas


da prática de Educação Ambiental moderna é o fato de ela enfocar apenas a área da
Ecologia (Biologia), mas não fazer correlação desse campo de estudo com a Educação
de modo mais amplo, incluindo direitos, deveres, meio social, desenvolvimento
econômico, entre outros saberes.

Assim, entenda que a educação ambiental abarca a reflexão sobre culturas, sobre
o papel da mulher na sociedade e sobre os direitos humanos. Ramos et al. (2020)
acrescenta, ainda, que o tema permeia todas as disciplinas e deve ser contextualizado
com a realidade da comunidade. Para isso, é papel do educador promover uma visão
holística, ou seja, integral do mundo em que o aprendiz vive e interage.

Na medida em que a educação ambiental procura dar conta desse amplo universo
biossocial, integrando diferentes disciplinas e estratégias de trabalho na busca por
uma aproximação mais equilibrada entre homem e meio ambiente, ela pode,
também, contribuir para um exercício mais consciente e efetivo da cidadania e
possibilitar ao educando a utilização dos conteúdos aprendidos em seu cotidiano,
visando melhorar sua qualidade de vida.

Para ampliar nossa visão sobre a aplicação dos saberes no campo prático, em breve,
apontaremos algumas das principais tendências na gestão da responsabilidade
social atuais.

65
CAPÍTULO 5 • Educação ambiental e desenvolvimento sustentável

5.2 Fundamentos teóricos e conceituais da gestão


ambiental

É preciso saber exatamente como a educação ambiental pode auxiliar no processo de


gestão da responsabilidade social institucional, uma vez que o projeto estratégico requer
direção e presume resultados válidos tanto para a instituição quanto para a população
em geral. Por isso, vamos nos aprofundar na relação de ensino e aprendizagem , em
seguida, tratarmos mais especificamente da gestão aplicada.

Segundo Moreira e Carvalho (2018, p. 84):

A Educação Ambiental pode ser entendida como um processo crítico


transformador capaz de promover um questionamento mais profundo
sobre a realidade ambiental na qual o homem se integra, levando-o a
assumir uma nova mentalidade ecológica, pautada no respeito mútuo
para com o meio ambiente e os que dele fazem parte.

Figura 21. Educação ambiental.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/eco-friendly-recyclation-concept-3d-rendering-1090075589.
Acesso em: 26 mai. 2020.

Diante de tal definição, podemos pensar os desdobramentos críticos dessa forma de


ensino:

A educação (ambiental) é um processo!

A ideia de processo implica que o ciclo de ensino requer um período de tempo para a
transmissão e a assimilação dos conhecimentos. Além disso, diversas outras variáveis
devem ser consideradas, tais quais: as origens e culturas de cada aluno, a gradação no
ensino formal, a idade, o material didático a ser trabalhado etc. O que torna complexo
o controle da aquisição do conhecimento, uma vez que alguns fatores não dependem
apenas da qualidade do ensino, mas da predisposição do aluno para aprender.

66
Educação ambiental e desenvolvimento sustentável • CAPÍTULO 5

Em geral, o trabalho do educador é ensinar o aluno a pensar criticamente, ao indicar


o caminho das leituras e das práticas de exercícios.

É preciso desenvolver o olhar crítico!

No processo de aprendizagem, despertamos nossa consciência ingênua para a inter-relação


dos eventos. Por isso, há um pensar reflexivo sobre os impactos das ações humanas
no contexto social e do meio ambiente. Para isso, é necessário ensinar sobre os ciclos
fundamentais da natureza, os grandes biomas do planeta, os animais em risco de
extinção, o perigo dos agrotóxicos, dos transgênicos, a degradação promovida pelo
homem em seu habitat. E mais do que isso, pensa-se em políticas e nos impactos do
mercado produtivo no mercado de consumo, na comunidade local e no desenvolvimento
nacional como um todo.

O aprendizado possibilita transformações!

O conhecimento nos torna não apenas conscientes – o que, por si só, já representa
uma mudança de postura frente a uma realidade – mas, também, nos torna mais
responsáveis sobre o objeto de estudo.

Ao desvelar a relação de causa e efeito entre a ação humana e uma resposta


socioambiental, é possível que o aprendiz reflita e mude comportamentos que
anteriormente não eram compreendidos como prejudiciais. Além disso, conhecer as
causas de desgastes ambientais e sociais torna as pessoas mais responsáveis por suas
escolhas de produção e consumo.

O ser humano é parte do meio ambiente!

A sensação de que o sujeito não é parte do problema o afasta das necessidades de


solução. Entretanto, ao compreender que o ser humano sofre diretamente os impactos
ambientais e não pode se libertar dos desequilíbrios que gera o indivíduo toma
consciência de que sofrerá diretamente as consequências e passa a se preocupar.

A compreensão de que todos nós, homens e mulheres, adultos e crianças, pobres ou


ricos, compomos juntos o meio ambiente com seus riscos e complexos ecossistemas
é uma das lições mais valiosas da educação ambiental, pois, ao destruir o planeta,
não estamos destruindo apenas o nosso lar, mas a nossa sobrevivência.

Diante dessas reflexões sobre a amplitude da educação ambiental e a necessidade


de disseminar esse saber, é possível refletirmos que a crise socioambiental atual é
também uma grave crise de ética.

67
CAPÍTULO 5 • Educação ambiental e desenvolvimento sustentável

Há um afastamento da população e das corporações, em geral, sob suas reais


responsabilidade pelo que geram ao planeta e, por isso, há uma parcela de
responsabilidade por omissão. Mas, na maioria dos casos, essas ações danosas são
oriundas da falta do saber.

No Brasil, percebemos que as lideranças políticas e econômicas estão pouco


engajadas na melhoria das bases de ensino nacional e isso desconecta a população
da responsabilização com o bem coletivo (os direitos sociais, o ambientene, os direitos
humanos, a igualdade entre gêneros etc.).

Saiba mais

A palavra ética é oriunda do grego ethos e significa costume ou caráter. Trata-se da disciplina da Filosofia que
investiga os princípios que motivam, disciplinam ou orientam o comportamento humano.

É a reflexão sobre a essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social em
busca do bem-comum. Pode, ainda, ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a qualidade desta
conduta.

Figura 22. Ética.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/compass-needle-pointing-word-ethics-conceptual-509699569.
Acesso em: 26 mai. 2020.

Vale destacar, segundo Moreira e Car valho (2018), que o objetivo da educação
ambiental não se resume a disseminar infor mações sobre o meio ambiente e
sensibilizar para a importância do tema. Há de se promover uma mudança de
postura diante da vida, na qual o ser humano se responsabilize por seus atos. Essa
postura ética deve se dedicar não apenas a situações referentes ao esgotamento e
deterioração dos recursos naturais pela poluição ou a extinção de espécies, mas
pela igualdade social e o respeito a outras espécies. Trata-se, ainda, de uma nova
postura diante das injustiças sociais, do empobrecimento sociocultural, e da má
distribuição de renda (CARVALHO, 2008).

68
Educação ambiental e desenvolvimento sustentável • CAPÍTULO 5

Entenda que a educação ambiental não é a única ferramenta que pode ser utilizada
p e l a s c o r p o ra ç õ e s e p e l a s i n s t i t u i ç õ e s d e e n s i n o p a ra m u d a r a re a l i d a d e d o
ambiente ou da humanidade, mas esse certamente é um instrumento de mitigação
da degradação gerada. Além disso, a disseminação desse conhecimento requer
rigor com a verdade para não gerar falsas interpretações ou um estado de alarme
irreal. É preciso que a ciência seja tratada com respeito e credibilidade para que
não sir va de massa de manobra para a população escolher entre determinados
produtos, empresas ou governos. Ou seja, mais uma vez, é preciso uma formação
ética profunda, inclusive no que se trata dos formadores de opinião.

Sugestão de estudo

Para se aprofundar mais sobre o tema, assista ao vídeo de Leonardo Boff, teólogo, escritor, filósofo e professor
universitário brasileiro, conhecido internacionalmente por sua defesa dos direitos dos pobres e excluídos. Disponível
em: https://www.youtube.com/watch?v=kzrfKd0FE7c.

Conheça, também, o trabalho da ONG Grupo de Defesa Ecológica (Grude) e da Rede Brasileira de Educação
Ambiental. Disponível em: http://www.grude.org.br – ONG Grude

http://www.redea.org.br – Rede Brasileira de Educação Ambiental.

A educação ambiental possui um conjunto de características próprias e singulares,


uma vez que trata do processo de despertar a atenção dos cidadãos e povos do
mundo para problemas comuns, tanto no âmbito local quanto no âmbito global.

A característica maior da Educação Ambiental está no fato de este saber promover a


concepção do meio ambiente em sua totalidade. Há uma relação de interdependência
entre a humanidade e os eventos naturais, além das respostas econômicas e
sociais, que colocam nas mãos de todos a prudência e o cuidado com o próximo.
Por isso, é preciso a adoção de “uma nova postura ética solidária”, que valorize o
exercício da cidadania e se caracterize por atitudes participativas e adequadas à
constituição de um meio ambiente equilibrado e saudável ( WAEHNELDT, 1996;
RODRIGUES, 2006).

5.3 Os âmbitos da educação ambiental

Devido à importância que a Educação Ambiental alcança hoje, no País, o tema é parte
do ensino fundamental e médio do programa de ensino nacional. Compõe, assim, a
grade do ensino formal de educação. Dias (2004) afirma que as diretrizes do ensino
das questões ambientais tiveram grande impulso com os seguintes eventos:

69
CAPÍTULO 5 • Educação ambiental e desenvolvimento sustentável

» A criação da Política Nacional do Meio Ambiente: Lei no 6.938, de 1981;

» A elaboração do Programa Nacional de Meio Ambiente, em 1991;

» A criação do Ministério do Meio Ambiente em 1992;

» A elaboração da Agenda 21 durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio


Ambiente e Desenvolvimento, também em 1992.

Além disso, podemos citar que em 1994 houve a criação do Programa Nacional de
Educação Ambiental e, em 1999, a elaboração e sanção da Política Nacional de
Educação Ambiental (Lei n o 9.795/1999).

Todas essas questões mostraram para a sociedade brasileira a importância de tratar


o assunto com seriedade e a necessidade de nos comprometermos com o tema em
todas as camadas sociais. Por isso, é preciso perceber que esse tema não se esgota
nas mãos do estado. Logo, as corporações privadas junto com o terceiro setor vêm
desempenhando um papel primordial na oferta de conhecimento e na propulsão de
mudanças comportamentais humanas.

Além disso, vale destacar que o Programa Nacional de Meio Ambiente (BRASIL,
1999) determinou os âmbitos da educação ambiental e a segmentou em três níveis
operacionais, são eles:

Figura 23. Âmbitos da Educação Ambiental.

Formal

Educação
Ambiental

Não
Informal
Formal

Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/meioambiente/0049.html. Acesso em: 26 mai. 2020.

70
Educação ambiental e desenvolvimento sustentável • CAPÍTULO 5

Educação formal (ou institucional)

É aquela que se processa no âmbito escolar oficial. Neste nível, a Educação Ambiental
é repassada em um modelo planejado de ensino, no qual há diretrizes e programas
didáticos organizados com fins específicos. Ou seja, trata-se da educação de “sala de
aula”.

Neste nível de transmissão do conhecimento existe um currículo estruturado com uma


intenção particular bem definida. Há, ainda, mecanismos de avaliação da apreensão
dos conhecimentos por parte dos alunos, além de sequências lógicas e temporais
de transmissão de informações. Em geral, é um processo conduzido na instituição
escolar, abrangendo oito níveis de ensino (CÓRDULA, 2014):

I. Educação Básica;

II. Educação Infantil;

III. Ensino Fundamental;

IV. Ensino Médio;

V. Educação Superior;

VI. Educação Especial;

VII. Educação Profissional;

VIII. Educação de Jovens e Adultos.

A transmissão desses conteúdos se efetiva entre os professores e os alunos dentro de


uma visão interdisciplinar, que valoriza a participação do aluno, pois é voltada para
os problemas objetivos da realidade do aprendiz.

Educação não formal

Refere-se aos processos de sensibilização que ocorrem no âmbito não formal, nos
cursos planejados pelas próprias comunidades e corporações. São:

Ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade


sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na
defesa da qualidade do meio ambiente. (BRASIL, 1999, p. 2).

Este nível de sistematização do ensino dos temas ambientais é também conhecido


como a “educação libertadora ou popular”, pois está presente nos contextos de trabalho,
nos espaços comunitários e, ainda, nas unidades de ensino do mercado. Refere-se a
uma forma de transmissão de conteúdo menos estruturada.

71
CAPÍTULO 5 • Educação ambiental e desenvolvimento sustentável

Ne s s e â m b i t o, o p ro c e s s o d e e n s i n o n ã o e s t á e s t r u t u ra d o n a s a va l i a ç õ e s o u
no progresso sistematizado do aprendiz. Trata-se de uma sér ie de atividades
desenvolvidas como a promoção de campanhas, palestras, encontros, congressos,
reuniões etc.

Educação informal

Segundo Silva e Joia (2008), esse nível de ensino é exercido nos mais diversos espaços
da vida social (grupos de amigos, reuniões temáticas, pensamentos filosóficos,
discussões em redes sociais, repasse de informações eletrônicas, entre outros). As
informações permeiam e confundem-se com o cotidiano. Por exemplo, os meios de
comunicação escrita e falada têm enfatizado atualmente os temas ambientais, mas
com objetivo informativo.

Po r i s s o, n ã o n e c e s s a r i a m e n t e e s s e n í v e l d o p r o c e s s o e d u c a c i o n a l p o s s u i
compromisso com a sua continuidade ou com uma formação seriada. A proposta
é utilizar as mídias para sensibilizar a população em uma escala macro, por meio
de anúncios, programas televisivos, reportagens etc. Abordagens implementadas
pelo setor privado e público (federal, estadual, municipal).

Córdula (2014) afirma que para que os educadores possam atuar na temática é
preciso que conheçam e dominem as concepções e os níveis da educação ambiental.
Deste modo, é possível aliar a teoria à prática. Portanto, é necessário ampliar
conhecimentos, buscar informações diversificadas e evoluir ao longo do tempo
frente às novas problemáticas que surgem.

5.4 A concepção de cidadania e responsabilidade pela vida

Partindo da ideia de que a educação ambiental é o meio para a formação de cidadãos


éticos, é preciso compreender o que vem a ser a cidadania em si. Em uma concepção
clássica cartesiana, a cidadania é um conjunto de direitos e deveres que um sujeito
possui para com a sociedade da qual faz parte. Esse conceito está relacionado à
concepção jurídico-legal, no qual cidadão é aquele que possui vínculo com o Estado.

Marshall (2002, p. 24) define o conceito como o “status concedido àqueles que são
membros integrais de uma comunidade. Todos aqueles que possuem o status são
iguais”. Coutinho (2005), de modo conexo, define cidadania como o direito conquistado
por alguns indivíduos de se apropriarem dos bens sociais que permitam a expressão
dos potenciais humanos.

72
Educação ambiental e desenvolvimento sustentável • CAPÍTULO 5

Ao falar de direitos entendemos rapidamente que a cidadania engloba os direitos


humanos. Mas devemos pensar que esse conceito abarca, ainda, as dimensões política,
civil e social e visa à dignidade. Ou seja, o cuidado com a concepção de cidadania
requer leis estatais que primem pelas liberdades e igualdades.

E podemos dizer que Constituição Federal de 1988, que assume a característica de


ser dirigente, incorporou essa nova dimensão da cidadania, em seu art. 1 o, ao
afirmar que vivemos em um Estado Democrático de Direito. O que significa que
o Governo será submetido à vontade popular.

Figura 24. Brasil.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/brazilian-flag-shines-above-golden-sunset-295534262. Acesso em:


28 jul. 2020.

Diante desse contexto é mister que a educação nacional assuma também a formação
dos sujeitos para a preservação da vida pelo intermédio da ética. Para isso, a educação
ambiental visa fundamentalmente “fazer um resgate do que é inerente ao homem”,
devolvendo-lhe “a consciência de sua unidade com o meio ambiente ao mesmo tempo
em que o conscientiza, sensibilizando para o direito à vida” (MATTOS, 1997, p. 5).

Va l e c i t a r q u e m u i t a s d e n o s s a s a ç õ e s v ã o i m p a c t a r c o n s e q u ê n c i a s d e l o n g o
prazo, por isso, é basilar que a educação ambiental de fato gere um compromisso
comportamental que promova significativas respostas por parte da comunidade
sensibilizada.

73
CAPÍTULO 5 • Educação ambiental e desenvolvimento sustentável

Saiba mais

A relação entre o homem e a natureza foi se conformando ao longo da história, mas não se pode negar a importância
da evolução animal neste processo, pois a partir do momento em que o homem deixou de ser movido apenas por
seus instintos e tomou consciência de sua racionalidade foi possível pensar e ponderar o modo como o sujeito
humano se coloca no ambiente e na relação com outros animais.

Logo, o desenvolvimento da autoconsciência traz conjuntamente o conflito, já que a espécie humana deve refletir se
é ou não superior às outras espécies animais, se sua alimentação, ou sua cultura explora o meio, se suas ações geram
a degradação de outros humanos etc.

Esse paradoxo é parte inerente à existência humana e será tratada na filosofia por meio da ética e da moral.

Por tanto, cabe à educação ambiental auxiliar o ser humano a se reintegrar à


natureza. Uma vez que dos recursos naturais provém sua existência. Ou seja, é
necessário revelar ao homem que é possível se inter-relacionar com o ambiente
sem necessariamente se colocar em uma posição de espécie superior. Ou seja, é
possível conciliar propostas de desenvolvimento sem necessariamente destruir
o ambiente para atingir tal objetivo.

A proposta central da sensibilização da comunidade para as questões socioambientais


coloca-se na implementação de ações e projetos que protejam a todos e preservem
os recursos naturais globais. Ou seja, o grande desafio está na superação do contexto
de consumo vigente para que a vida, em todos os seus sentidos, seja valorizada e
novos padrões comportamentais sejam estabelecidos, tanto no âmbito do indivíduo
quanto no âmbito social.

Tais características, aliadas aos princípios de interatividade e de articulação do


homem com a natureza, explicam por que a educação ambiental tem sido considerada
a educação do 3 o milênio, por promover uma revisão de nossos valores e por nos
convidar a adotar novas posturas frente ao mundo que nos rodeia.

74
Educação ambiental e desenvolvimento sustentável • CAPÍTULO 5

Saiba mais

Você conhece a geração dos Millennials ou geração Y?

É a população mundial nascida entre o período da década de 1980 até o começo dos anos 2000, a qual se desenvolveu
em uma época de extremo desenvolvimento tecnológico e presenciaram as mudanças econômicas oriundas da
internet.

Além disso, diante do fácil acesso a informações e da educação reflexiva, esses atores sociais passaram a ter
consciência do impacto do consumo individual no meio ambiente. Por isso, consomem menos, pesquisam o
custo-benefício e preferem adquirir experiências a acumular patrimônio. Ainda, acreditam que a vida e o trabalho
devem ter significado.

Esses jovens adultos vêm revolucionando as práticas de consumo e ensinando ao mundo valores éticos que podem
salvar o planeta.

Perceba na figura a seguir os reais motivadores de consumo da geração:

Figura 25. Motivadores de consumo dos Y.

Fonte: http://reporterunesp.jor.br/2018/05/07/consumo-consciente-dos-millennials/. Acesso em: 27 mai. 2020.

É preciso entender que a educação ambiental deve ser compreendida como uma educação politizada, que reivindica
e prepara os cidadãos para exigir justiça social, e cidadania planetária, além da ética. O anseio deve ser ao meio
ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à qualidade de vida do homem.

Logo, a proposta de toda essa reflexão e da promoção da consciência ambiental pelo estado e palas corporações
centra-se no fato de que é relevante criar a concepção de cidadãos planetários: responsáveis pela manutenção da
vida desta e das próximas gerações.

75
CAPÍTULO 5 • Educação ambiental e desenvolvimento sustentável

Sintetizando

Vimos até agora:

» A educação ambiental procura dar conta de um amplo universo biossocial e integra diferentes disciplinas e
estratégias de trabalho, na busca por uma aproximação mais equilibrada entre homem e meio ambiente.

» A educação ambiental contribui para um exercício mais consciente e efetivo da cidadania.

» O homem é parte do ambiente e precisa dele para sobreviver. Por isso, é preciso refletir sobre as práticas humanas
que degradam o meio ambiente e social.

» A educação ambiental pode ser entendida como um processo crítico transformador capaz de promover um
questionamento e mudança de comportamentos.

» A busca da educação ambiental é o respeito mútuo para com o meio ambiente do qual os seres humanos fazem
parte.

» A crise socioambiental com a qual o homem se depara em pleno século XXI é, também, um reflexo de uma grave
crise de ética.

» A educação ambiental possui três níveis operacionais: formal, não formal e informal.

» A educação ambiental é um processo de conscientização ambiental amplo que se concretiza por meio de projetos
e programas realizáveis de educação, visando aproximar o homem do meio ambiente em busca de melhores
condições de vida, devendo estar intimamente ligado aos processos de gestão.

76
CAPÍTULO
RESPONSABILIDADE SOCIAL E
VOLUNTARIADO 6
Introdução

Estamos nos aproximando do encerramento de nossa disciplina. Nosso trabalho


começou a partir de um convite para o exercício de reflexão crítica e contextualização
do campo de estudos sobre ética e responsabilidade social. A seguir, daremos um
passo adiante, aproximando-nos de alguns marcos conceituais importantes nesta área.

No capítulo passado, aprofundamos o nosso estudo, conhecendo e refletindo sobre


algumas práticas de responsabilidade social, reunindo ferramentas, estratégias e
possibilidades de gestão.

Neste capítulo, vamos enfocar um aspecto de extrema relevância sobre o assunto em


pauta: a inserção do voluntariado no campo da responsabilidade social. Pretendemos
circunscrever o que é o trabalho voluntário, conhecendo a legislação específica sobre
o assunto e discutindo algumas ferramentas de gestão nesta proposta.

Objetivos

» Definir o que é trabalho voluntário.

» Conhecer a Lei do Voluntariado.

» Compreender e discutir os princípios e benefícios do voluntariado.

6.1 Responsabilidade social, desenvolvimento sustentável


e concepção de cidadania

Iniciamos a leitura deste material contextualizando o olhar da ética às questões de


responsabilidade social. Logo, identificamos que é preciso ampliar nosso olhar sobre
nossas relações econômicas e sociais. E, além disso, é preciso que tenhamos um
olhar crítico e responsável por nossas ações no mundo, uma vez que somos parte de
um conjunto de fatores e certamente ganhamos com o equilíbrio social, ambiental

77
CAPÍTULO 6 • Responsabilidade social e voluntariado

e econômico. Esse olhar zeloso permeia todas as nossas esferas de vida: pessoal,
social, de consumo e profissional.

Logo, é importante e, mais do que isso, necessário que as corporações modernas


estejam engajadas com o tema “Responsabilidade Social”. Uma vez que essas
instituições, como conglomerados de pessoas, agem no meio em busca de objetivos
humanos e resultados de produtividade que impactam diretamente na for ma
como nos relacionamos com o mundo. Neste sentido, é importante olhar para os
impactos de produção e, como atores sociais relevantes, as corporações ganham
estrutura e representatividade para apoiarem o desenvolvimento humano.

D i a n t e d e s s e o l h a r, f o i p o s s í v e l t r a t a r m o s d a s f e r r a m e n t a s d e g e s t ã o d a
responsabilidade social. Deste modo, é possível que as instituições alcancem
re s u l t a d o s s o c i o a m b i e n t a i s, c o m m a i o r e f i c i ê n c i a , m e n o s c u s t o s e m e l h o re s
resultados. Ou seja, as empresas podem organizar suas ações e impulsionar o
fortalecimento social para que, conjuntamente, cresçam.

Sabe-se que o trabalho de responsabilidade social se diferencia do paradigma


assistencialista e requer gestão. Isso significa que a responsabilidade social não se
limita a doações, mas requer compromisso, objetivos e engajamento. Logo, mais uma
vez, a gestão da responsabilidade social se faz relevante em seus diversos níveis:
internos e externos.

Além dos modelos de gestão mais praticados no mercado, vamos tratar das ferramentas
que as corporações podem se valer para promover a consciência da comunidade e de
seus trabalhadores. Uma delas, falamos no capítulo anterior, é a educação ambiental,
e outra é o trabalho voluntário, sobre o qual nos aprofundaremos nesta leitura que se
segue.
Figura 26. Coletivo.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/large-diverse-group-people-seen-above-394199542. Acesso


em: 1o jun. 2020.

78
Responsabilidade social e voluntariado • CAPÍTULO 6

E, antes de nos dedicarmos inteiramente à concepção de voluntariado e suas formas


de aplicabilidade, convém notarmos o quanto a educação ambiental e o trabalho de
doação de tempo e esforço promovem o contato humano com a empatia e com as
demandas do planeta, de modo global. Ou seja, a educação ambiental sensibiliza o
indivíduo para os impactos de suas ações no mundo e o trabalho voluntário o coloca
frente a frente com a solução dos problemas sociais e do meio ambiente.

Assim, vale dizer que ambas as ferramentas não são um fim em si mesmas, mas um
meio de formar o olhar crítico de educandos, trabalhadores, parceiros, consumidores
e comunidade em geral para a importância do papel de cada um na construção de
um mundo melhor e para a necessidade de continuidade das práticas éticas fora dos
limites das corporações.

Importante

Saiba que quando uma empresa decide desenvolver um Programa de Voluntariado, ela pode promover ações sociais
e convidar seus colaboradores para apoiar voluntariamente. Além disso, a corporação pode apoiar ou fomentar
práticas já articuladas por iniciativas dos próprios colaboradores.

São modelos de ações sociais que podem ser praticadas:

» Ações promovidas e executadas pela empresa, dentro ou fora do horário de trabalho. Estas ações podem ou não
contar com a participação de parentes e amigos convidados pelos colaboradores;

» Concessão do horário de trabalho, para que os funcionários executem ações sociais (planejadas pela própria
organização ou pelos próprios colaboradores);

» Concessão de apoio institucional (financeiro, de logística etc.) para a realização de ações promovidas pelos
colaboradores. Essas práticas podem acontecer dentro ou fora do horário de trabalho ou do ambiente corporativo.

Mas observe que ações voluntárias promovidas e organizadas pelos colaboradores que não contem com nenhum
apoio da empresa, mas com a mera consciência dos trabalhadores, não podem ser consideradas como ações de
promoção do trabalho voluntário. Essas ações podem, no máximo, serem avaliadas como resultados desenvolvidos
pela educação ambiental e a formação ética dos trabalhadores.

É importante citar que o programa de voluntariado é pensando conforme uma relação


“ganha-ganha-ganha”. Pois:

» Os voluntários têm a oportunidade de construir relações humanas profundas, de


ampliar conhecimentos sobre outras realidades, de viver novas experiências e de
sentir satisfação pela utilidade e significado do trabalho.

» A sociedade e, em especial, os beneficiários das ações, podem adquirir novos


conhecimentos e transformar a realidade presente.

79
CAPÍTULO 6 • Responsabilidade social e voluntariado

» As empresas inserem valores de responsabilidade, ética e cidadania no ambiente de


trabalho. Além de reafirmarem seu compromisso ético com a sociedade e firmar
relações e trocas de confiança e apoio mútuo.

Ou seja, as virtudes cívicas de todos se fortalecem e favorecem o estabelecimento de


laços de solidariedade, que os protegem em tempos de crises. E o voluntariado promove
a formação da consciência de senso de unidade com a vida e com a humanidade, na
busca do bem comum.

Saiba mais

Há instituições do terceiro setor especializadas em fornecer apoio à implementação de projetos de trabalho


voluntário. Uma delas é a “Parceiros Voluntários”.

Conheça o trabalho realizado por eles. Disponível em: http://www.parceirosvoluntarios.org.br/.

Figura 27. Parceiros e Voluntários.

Fonte: http://www.parceirosvoluntarios.org.br/. Acesso em 28 jul. 2020.

A empresa oferece apoio para voluntários interessados, governo e empresas privadas. Neste último caso, há até o
compromisso em avaliar o programa corporativo para propor soluções e sugestões de gestão eficiente.

É importante ressaltar que o voluntariado nasce do encontro entre a solidariedade


com a cidadania, mas sua prestação de serviço não substitui a necessidade de ação do
Estado, tampouco ocupa o espaço do trabalho remunerado. O que se percebe é que
essa é a oportunidade que a sociedade civil possui para assumir responsabilidades e
se esforçar na construção de estratégias e canais de comunicação para enfrentamento
dos problemas sociais.

80
Responsabilidade social e voluntariado • CAPÍTULO 6

Para refletir

No ano de 2020 vivemos uma grande crise mundial, na qual milhares de humanos em diversos países do mundo
foram vitimados pelo Coronavírus. E, no Brasil, diversas instituições se dedicaram a fortalecer a sociedade e colaborar
com o combate à doença e diversas outras mazelas nacionais.

Um grande exemplo de atuação veio das lojas Magazine Luiza que implementaram as entregas a custo zero e
lançaram um programa de apoio às vítimas de violência doméstica:

Figura 28. Magalu.

Ei, moça!
Finja que vai fazer
compra no APP Magalu.
Lá tem um botão para
denunciar a violência
contra a mulher.

Fonte: https://www.naomekahlo.com/o-app-da-magalu-e-eficaz-no-combate-a-violencia-domestica/. Acesso em: 4


jun. 2020.

É importante que você entenda que essas ações colocaram a empresa em posição de destaque nas mídias sociais e
aproximaram a comunidade e os consumidores.

Por isso, é importante pensarmos que tipo de ações tomaríamos como líderes corporativos para apoiar a comunidade
em tempos de crise salvando empregos e vidas.

6.2 Voluntariado: contextualização e definições

Mas, afinal, o que o voluntariado?

Conceituar o que é trabalho voluntário enriquece nossos estudos, uma vez que nos
p e r m i t e c o n h e c e r a s o r i e n t a ç õ e s p a ra c o m a s q u a i s o e s f o r ç o s e g u i a . A l é m
d i s s o, é p o s s í v e l d e t e r m i n a r o s l i m i t e s d o s e j a o v o l u n t a r i a d o e d o q u e é
t r a b a l h o f i l a n t r ó p i c o e m s e n t i d o m a i s a m p l o. O t e r m o p o d e s e r c o n c e i t u a d o
de di ve r sas m a neiras, a dep end e r d o e nfo q u e co m o q u a l s e p re t e nd a t ra b a l h ar
n o m e i o s o c i a l . D e t o d o m o d o, a p re s e n t a m o s a s d e f i n i ç õ e s q u e i n s t i t u i ç õ e s
d e re f e r ê n c i a u s a m :

81
CAPÍTULO 6 • Responsabilidade social e voluntariado

Segundo a Organização das Nações Unidas,

Voluntário é o jovem ou adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu


espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a
diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem-estar social ou
outros campos. (ONU).

Segundo a Associação Internacional de Esforços Voluntários (International Association for


Volunteer Efforts – IAVE):

Trata-se de um serviço comprometido com a sociedade e alicerçado


na liberdade de escolha. O voluntariado promove um mundo melhor e
torna-se um valor para todas as sociedades. (IAVE, 2020).

Figura 29. Voluntariado.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/volunteer-voluntary-volunteering-aid-assisstant-
concept-380682880. Acesso em: 2 jun. 2020.

Na legislação brasileira, o trabalho voluntário é definido pela Lei n o 9.608, de 1998,


como uma atividade não remunerada, prestada por pessoa física a uma entidade,
que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de
assistência social, inclusive mutualidade.

Porém, segundo a norma, para ser considerado voluntariado, o trabalho deve ter as
características a seguir:

» Ser livremente dedicado. Isso significa que deve partir da intenção do trabalhador
em doar as horas e o labor em si. Ou seja, não pode ser imposto ou exigido como
contrapartida de algum benefício concedido pela entidade ao indivíduo ou à sua
família;

» Ser gratuito;

» Ser prestado pelo indivíduo, isoladamente, e não como uma representação de


alguém ou de alguma entidade subcontratante;

82
Responsabilidade social e voluntariado • CAPÍTULO 6

» Ser prestado para uma entidade governamental ou privada sem fins lucrativos e
com objetivos públicos.

O importante é compreender que o voluntário é alguém que contribui com suas


habilidades, competências e anseios para o fortalecimento da equipe de uma
instituição ou causa. Sua contribuição não deve substituir as atribuições de um
funcionário contratado, mas agregar valor. Além disso, sua colaboração deve estar
limitada a atividades complementares, ampliando o alcance do ser viço.

De modo complementar, o Akatu – organização não governamental que trabalha pela


conscientização e mobilização para o consumo consciente – afirma que o trabalho
voluntariado:

Não é doação, é troca [...]

O campo social poderá ter nos “voluntários profissionais” difusão de


seus saberes de forma regular, devido ao pragmatismo de que está
imbuído o voluntariado promovido junto à responsabilidade social de
empresas [...]

O trabalho voluntário tende a contribuir para a consolidação de parcerias


entre organizações e indivíduos no atendimento de carências sociais,
podendo conformar uma sociedade civil com maior capacidade de
auto-organização frente ao controle estatal. (AKATU)

Ou seja, a responsabilidade social pressupõe um compromisso da corporação com


toda a cadeia produtiva, pois apoia-se na premissa de interdependência mútua
(SCHOMMER, 1999). Por isso, inter venções concretas tomam uma perspectiva
estratégica, de racionalidade empresarial e funcionalidade com mercado.

Paes de Carvalho e Oliveira (s/d) afirmam que é necessário entender que o voluntariado
não se trata apenas de trabalho assistencial aos grupos mais vulneráveis, pois inclui
as múltiplas iniciativas nas áreas de educação, saúde, cultura, meio ambiente e lazer.
O trabalho voluntário é um fim em si mesmo, pois promove a generosidade, mas,
também, a troca de conhecimento e a solidez na confiança entre as partes envolvidas.

6.3 Voluntariado: marco legal e princípios

Diante de tantas reflexões e da ciência dos ganhos oriundos do trabalho voluntário,


é preciso compreender a realidade do Brasil para pensar estratégias de atuação.
Vamos lembrar que o trabalho voluntário tem sua fonte de atuação na ética e no ganho
social. Então essa forma laboral não remunerada não tem como princípio ocupar o

83
CAPÍTULO 6 • Responsabilidade social e voluntariado

e s p a ç o d e t ra b a l h a d o re s d e s e m p re g a d o s e m a n t e r o d e s e q u i l í b r i o e c o n ô m i c o.
Pe l o contrário, a ideia é acumular conhecimentos, formar os que já trabalham e
agregar competências e laços sociais.

Por isso, o voluntariado exige gestão, isso significa que sua atuação deve ser planejada
e acompanhada, de forma integrada à política, programa e projetos institucionais
(Ethos, 2012). O Instituto Ethos afirma, ainda:

O rol de interações esperadas entre programa de voluntariado e Gestão


de Pessoas se estende por inúmeras situações no cotidiano da empresa,
passando pela democratização do direito de exercer o voluntariado a todo
o corpo de colaboradores, pela inclusão de informações a esse respeito
nos processos de indução de novos funcionários, pela orientação das
chefias para conduzir questões referentes ao voluntariado. (ETHOS).

Deste modo, entenda que não há a substituição da equipe técnica ou do poder estatal.
O processo de cidadania visa complementar essas esferas de atuação em prol do
bem maior.

Figura 30. Cidadania no Brasil.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/brazilian-italian-passport-on-wooden-
table-1528857314. Acesso em: 4 jun. 2020.

Toda essa concepção é oriunda do produto histórico no qual se desenvolveu e


articulou o trabalho voluntário. Entende-se que a realidade contemporânea é fruto
de uma evolução do pensamento, permeada pela generosidade e pela vontade
de justiça. Entretanto, tudo se idealizou a partir da década de 1990, quando o
voluntário passou a ser percebido como o cidadão que entrega seu talento de modo
espontâneo e não remunerado, em prol de causas de interesse social e comunitário.

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Responsabilidade social e voluntariado • CAPÍTULO 6

Logo, em 1998 foi promulgada a Lei n o 9.608, que define o trabalho voluntário (não
re m u n e ra d o e c o m f i n s s o c i a i s ) e e s t a b e l e c e l i m i t a ç õ e s n o v í n c u l o e n t re a s
corporações e a equipe voluntariada. Isso significa que direitos e liberdades dos
trabalhadores devem ser respeitados, mas, também, não há que se falar em vínculo
e m p re g a t í c i o o u a ç õ e s a n t i é t i c a s p o r p a r t e d a q u e l e s q u e d e c i d e m t ra b a l h a r
n e s s e s projetos.

A mesma lei informa que o serviço voluntário não pode ser considerado uma forma
de estágio. Logo, as empresas não estão autorizadas a oferecer certificados para esses
fins. Ou seja, não é possível que o serviço prestado componha o currículo escolar
(de qualquer nível) daquele que faz a doação de seu tempo, pois a entrega deve ser
totalmente em razão das causas da comunidade e, além disso, essa regulamentação
defende as vagas de estágio vigentes no mercado.

De todo modo, é inegável que, para o recém-formado, essa é uma oportunidade de


que suas competências sejam praticadas e convites possam surgir com base nessa
experiência.

Atenção

Saiba que a Lei no 9.608, citada, autoriza o ressarcimento de despesas feitas pelo voluntário.

Além disso, essa mesma lei orienta que as corporações firmem um contrato, por escrito, o “Termo de Adesão ao
Serviço Voluntário”, para que ambas as partes (instituição e cidadão) sejam preservados. Neste caso, é importante
que se estabeleçam a carga horária a ser prestada; o grau de compromisso e as entregas esperadas; e os deveres e
responsabilidades de cada parte. Assim, há transparência na gestão e potencial de maior respeito e valorização do
serviço prestado.

De modo complementar à legislação, o Instituto Ethos (2001) afirma que é importante


conhecermos os princípios inerentes à filosofia do voluntariado, uma vez que essas
são a base significativa ao trabalho desenvolvido. São eles:

» Igualdade entre os homens e mulheres;

» Respeito à dignidade humana;

» Justiça social: reconhecimento do direito humano a uma vida digna;

» Democracia como for ma de convivência social, que confere a todos à


participação e à possibilidade de tomar decisões;

» Ajuda recíproca;

» Compromisso.

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CAPÍTULO 6 • Responsabilidade social e voluntariado

Atenção

Citamos os princípios que guiam o trabalho voluntário, mas, de modo prático, como isso se traduz em atitudes e
desempenhos esperados?

» Perceber e apreciar a cultura, os valores dos outros;

» Estabelecer comunicação, diálogo;

» Ser persistente, responsável e disciplinado;

» Ter entusiasmo, iniciativa, otimismo;

» Cooperar e trabalhar em equipe;

» Estar aberto a aprender e ensinar ao mesmo tempo;

» Adquirir a formação e o treinamento necessários;

» Estar disposto ao crescimento pessoal.

É relevante destacar que se o programa de voluntariado estiver bem estruturado,


firmado e pautado sobre as normas legais e os princípios citados, é possível que a gestão
das capacidades e potencialidades torne as ações mais eficientes e direcionadas às
finalidades definidas ao programa. Deste modo, há grande potencial de a comunidade
ser efetivamente transformada e o contexto social se desenvolver de modo equilibrado
e justo.

6.4 Os benefícios do voluntariado à sociedade

Diante de todo o conteúdo apresentado, convém explicitar os benefícios do trabalho


voluntário como forma de reforço e de propulsão desse ideal no mundo corporativo.
Logo, o estudo realizado pela Ação Social para Igualdade das Diferenças (ASID, 2020)
cita como vantagens aos voluntários melhora em diversas áreas, tais como:

» Capacidade de trabalho em equipe;

» Aperfeiçoamento da habilidade de organização;

» Desenvolvimento da proatividade;

» Melhoria na comunicação;

» Aprimoramento das formas de relacionamentos interpessoais;

» Aquisição de conhecimentos para desenvolver planejamentos.

O trabalho voluntário também pode ser considerado fator de promoção da saúde


física e mental, uma vez que o voluntário vivencia um sentimento de satisfação

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Responsabilidade social e voluntariado • CAPÍTULO 6

que ajuda na diminuição do estresse. Deste modo, o voluntariado pode ajudar no


combate à depressão e prevenir problemas do coração.

Figura 31. Apoio.

Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/tourism-travel-people-leisure-teenage-concept-384284506. Acesso


em: 3 jun. 2020.

É importante citar que o trabalho voluntário proporciona benefícios para todas as


partes envolvidas. Ou seja, as corporações conseguem, por meio dessa ferramenta,
m o t i va r s e u s f u n c i o n á r i o s a d e s e n v o l v e re m h a b i l i d a d e s e a d q u i r i re m n ov o s
conhecimentos.

Empresas com projeto de voluntariado percebem em seus colaboradores, ainda,


resultados como:

» Aumento do senso de pertencimento;

» Maior admiração e comprometimento;

» Capacidade de melhor gestão do tempo;

» Fortalecimento dos relacionamentos;

» Melhoria na imagem institucional;

» Melhor potencial de atração e retenção de talentos, que impacta diretamente em


diferencial estratégico;

» Melhoria no clima organizacional;

» Redução dos afastamentos.

Além disso, programas de capacitação podem ser implementados e ganhar maior


adesão em razão das demandas da comunidade, mas, de todo modo, a instituição
ganha com a expertise profissional daqueles que se preparam para a realização da

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CAPÍTULO 6 • Responsabilidade social e voluntariado

atividade. Também é possível citar, além do reforço com o compromisso ético por
parte dos colaboradores e do compromisso com a comunidade.

O voluntariado empresarial não se trata apenas de um conjunto de ações e projetos


voltados à comunidade. Mas centra-se na efetivação da responsabilidade social e
seus ganhos em si. Ou seja, as questões sociais alinhadas à estratégia do negócio
permitem o fortalecimento de toda a comunidade e do contexto de produção
operando como fator promotor de sobrevivência e crescimento institucional.

Vale citar, por fim, que voluntários possuem a oportunidade de conhecer ainda
mais de per to os valores das corporações e operam como disseminadores do
consumo dos produtos e serviços gerados no mercado econômico pela instituição
que colabora com o meio social. Assim, todas as empresas que se empenham em
criar estratégias para estruturar o voluntariado dentro de suas equipes percebem os
resultados em diversos âmbitos. Dessa forma, lucratividade, reputação e melhora
no ambiente de trabalho são apenas alguns dos benefícios.

Assim encerramos nossos estudos! Esperamos que você tenha compreendido a


importância da Responsabilidade Social e do Desenvolvimento Sustentável em
todos os âmbitos de sua vida e que, como profissional e futuro gestor, paute suas
ações nos valores discutidos, uma vez que esse modelo de atuação pode fazer do
Brasil um lugar melhor!

Sintetizando

Vimos até agora:

» Um aspecto específico da gestão da responsabilidade social: o voluntariado e sua atuação cidadã.

» Conhecemos algumas definições de voluntário e uma breve contextualização histórica desta proposta no Brasil.

» Discutimos alguns dos princípios do voluntariado.

» Conhecemos o marco legal que dispõe sobre o serviço voluntário.

» Identificados os princípios do trabalho voluntário.

» Reafirmamos a necessidade de se gerir o voluntariado e os ganhos instrucionais ao implementá-lo como


ferramenta de Responsabilidade Social.

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