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EDUCAÇÃO AMBIENTAL

EDUCAÇÃO AMBIENTAL E
LEGISLAÇÃO

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Olá!
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:

1.Reconhecer a Política Nacional do Meio Ambiente e seus Sistemas e Institutos.

2. Identificar a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei 9.795/99).

1 Introdução
Sabe-se que as democracias foram designadas para lidar principalmente com problemas isolados de curto prazo.

Mas o que é democracia e política afinal? Segundo Miller Júnior (2007):


• Política é o processo pelo qual indivíduos e grupos influenciam ou controlam as políticas e ações dos
governos nos níveis local, estadual, nacional e internacional. A política está preocupada com quem tem
poder sobre a distribuição de recursos e quem recebe o quê, quando e como. Muitas pessoas pensam em
política no âmbito nacional, mas o que afeta diretamente a maioria das pessoas é o que acontece nas
comunidades locais.
• Democracia é o governo das pessoas por meio de delegados ou políticos e representantes eleitos. Em
uma democracia constitucional, a constituição fornece a base de autoridade governamental, limita o
poder do governo ordenando eleições livres e garantias de liberdade de expressão.
• Aprovando leis, desenvolvendo orçamentos e formulando regulamentações, os representantes eleitos e
nomeados pelo governo devem lidar com a pressão de muitos grupos competitivos de interesse especial.
• Para o bem-estar da sociedade e a preservação do meio ambiente, a partir dessas decisões políticas, as
pessoas que compõem estes grupos políticos precisam de educação ambiental.

2 Política
Segundo Sorrentino et al. (2005), a palavra política origina-se do grego e significa limite. Dava-se o nome de

polis ao muro que delimitava a cidade do campo; só depois se passou a designar polis o que estava contido no

interior dos limites do muro. O resgate desse significado, como limite, talvez nos ajude a entender o verdadeiro

significado da política, que é a arte de definir os limites, ou seja, o que é o bem-comum (Gonçalves, 2002, p. 64).

Para Arendt (2000), a pluralidade é a “condição pela qual” (conditio per quam) da política, implica e tem por

função a conciliação entre pluralidade e igualdade.

Quando entendemos política a partir da origem do termo, como limite não falamos de regulação sobre a

sociedade, mas de uma regulação dialética sociedade-Estado que favoreça a pluralidade e a igualdade social e

política.

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Por sua vez, o ambientalismo coloca-nos a questão dos limites que as sociedades têm na sua relação com a

natureza, com suas próprias naturezas como sociedades. Assim, resgatar a política é fundamental para que se

estabeleça uma ética da sustentabilidade resultante das lutas ambientalistas (Sorrentino et al., 2005).

Munidos desses preceitos, entenderemos melhor o histórico das políticas públicas de meio ambiente em nosso

país (não que a mesma seja justificável em seus erros e acertos, mas está hoje da forma como se apresenta por

determinantes históricos).

3 Política ambiental – Brasil


Até o início do século XX, o campo político e institucional brasileiro não se sensibilizava com os problemas

ambientais, embora não faltassem problemas e nem vozes que os apontassem. A abundância de terras férteis e

de outros recursos naturais, enaltecida desde a Carta de Caminha ao rei de Portugal, tornou-se uma espécie de

dogma que impedia enxergar a destruição que vinha ocorrendo desde os primeiros anos da colonização.

A degradação de uma área não era considerada um problema ambiental pela classe política, pois sempre havia

outras a ocupar com o trabalho escravo. As denúncias sobre o mau uso dos recursos naturais não encontravam

ecos na esfera política dessa época, embora muitos denunciantes fossem políticos ilustres, como José Bonifácio,

Joaquim Nabuco e André Rebouças.

Nenhuma legislação explicitamente ambiental teve origem nas muitas denúncias desses políticos, que podem ser

considerados os precursores dos movimentos ambientalistas nacionais e que, já nas suas origens, apresentavam

uma tônica socioambiental dada pela luta contra a escravatura, a monocultura e o latifúndio.

Somente quando o Brasil começa a dar passos firmes em direção à industrialização, inicia-se o esboço de uma

política ambiental. A adesão do Brasil aos acordos ambientais multilaterais das primeiras décadas do século XX,

praticamente não gerou nenhuma repercussão digna de nota na ordem interna do país. Tomando como critério a

eficácia da ação pública e não apenas a geração de leis, pode-se apontar a década de 1930 como o início de uma

política ambiental efetiva (Barbieri, 2010).

Conforme Barbieri (2010), uma data de referência é o ano de 1934, quando foram promulgados os seguintes

documentos relativos à gestão de recursos naturais:

• Código de Caça;

• Código Florestal;

• Código de Minas;

• Código de Águas.

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Outras iniciativas governamentais importantes desse período foram: criação do Parque Nacional de Itatiaia, o

primeiro do Brasil e a organização do patrimônio histórico e artístico nacional.

As políticas públicas dessa fase procuram alcançar efeitos sobre os recursos naturais por meio de gestões

setoriais (água, florestas, mineração, etc), para as quais foram sendo criados órgãos específicos, como o

Departamento Nacional de Recursos Minerais, Departamento Nacional de Água e Energia Elétrica e outros.

Os problemas relativos à poluição só seriam sentidos em meados da década de 1960, quando o processo de

industrialização já havia se consolidado. No início dessa fase, na década de 1930, o rio Tietê, por exemplo, era

usado para lazer de muitos paulistanos, e que se tornaria inviável algumas décadas depois. Até meados da

década de 1970, a poluição industrial ainda era vista como um sinal de progresso e, por isso, muito bem-vinda

para muitos políticos e cidadãos.

Propaganda política de divulgação da evolução da política ambiental no Brasil.

Enquanto isso ocorria no Brasil, no mundo iniciava-se uma política de comando e controle (Command and

Control Policy), que assumiu duas características muito definidas, segundo Lustosa, Cánepa e Young (2003):
• A imposição pela autoridade ambiental, de padrões de emissão incidentes sobre a produção final (ou
sobre o nível de utilização de um insumo básico) do agente poluidor.
• A determinação da melhor tecnologia disponível para abatimento da poluição e cumprimento do padrão
de emissão.
• A razão de ser dessa política é perfeitamente compreensível. Dado o elevado crescimento das economias
ocidentais no pós-guerra, com a sua também crescente poluição associada, é necessária uma intervenção
maciça por parte do Estado. Este não pode mais se apoiar simplesmente na disputa em tribunais, caso a
caso (esfera do Direito Civil), sendo necessário dispor de instrumentos vinculados ao Direito
Administrativo.
Entretanto, essa política “pura” de comando e controle apresenta uma série de deficiências, como a morosidade

na sua implementação, segundo os mesmos autores.

4 Política mista de comando e controle


Tentando solucionar os problemas, de certo modo acumulados e agravados ao longo do tempo, os países

desenvolvidos encontram-se hoje numa terceira etapa da política ambiental e que, a falta de melhor nome,

poderíamos chamar de política “mista” de comando e controle.

Nessa modalidade de política ambiental, os padrões de emissão deixam de ser meio e fim da intervenção estatal

e passam a ser instrumentos, dentre outros, de uma política que usa diversas alternativas e possibilidades para a

consecução de metas acordadas socialmente.

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Temos assim, a adoção progressiva dos padrões de qualidade dos corpos receptores como metas de política e a

adoção de instrumentos econômicos – em complementação aos padrões de emissão – no sentido de induzir os

agentes a combaterem a poluição e a moderarem a utilização dos recursos naturais, ainda conforme Lustosa,

Cánepa e Young (2003).

Voltando ao Brasil, após a Conferência de Estocolmo de 1972, quando as preocupações ambientais se tornam

mais intensas, embora nessa ocasião o governo militar brasileiro não reconheceu a gravidade dos problemas

ambientais e defendeu sua ideia de desenvolvimento econômico, na verdade um mal desenvolvimento, em razão

da ausência de preocupações com o meio ambiente e a distribuição de renda.

Porém, os estragos ambientais mais do que evidentes e a colocação dos problemas ambientais em dimensões

planetárias exigiram do poder público uma nova postura. Em 1973, o Executivo Federal cria a Secretaria

Especial do Meio Ambiente e diversos estados criaram suas agências ambientais especializadas, como a Cetesb

no Estado de São Paulo e a Feema no Estado do Rio de Janeiro (Barbieri, 2010).

O mesmo autor também mostra que, em matéria ambiental, o Brasil também seguiu uma tendência observada

em outros países. Onde os problemas ambientais são percebidos e tratados de modo isolado e localizado. Só no

início da década de 1980 é que passariam a ser considerados problemas generalizados e interdependentes, que

deveriam ser tratados mediante políticas integradas.

Repartindo o meio ambiente em solo, ar e água, e mantendo a divisão dos recursos naturais: águas, florestas,

recursos minerais e outros.

A legislação federal sobre matéria ambiental nessa fase procurava atender problemas específicos, dentro de uma

abordagem segmentada do meio ambiente e percebe-se isso através dos textos legais abaixo:

Decreto-lei 1.413 de 14/8/1975 sobre medidas de prevenção da poluição industrial;

Lei 6.453 de 17/10/1977 sobre responsabilidade civil e criminal relacionada com atividades nucleares;

Lei 6.567 de 24/9/1978 sobre regime especial para exploração e aproveitamento das substâncias minerais;

Lei 6.766 de 19/12/1981 sobre o parcelamento do solo urbano;

Lei 6.902 de 27/4/1981 sobre a criação de estações ecológicas e áreas de proteção ambiental.

Foi com o advento da Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente,

que conhecemos uma definição legal e passamos a ter uma visão global de proteção ao meio ambiente. Ela foi

editada com o fito de estabelecer a política nacional do meio ambiente, seus fins, mecanismos de formulação,

aplicação, conceitos, princípios, objetivos e penalidades devendo ser entendida como um conjunto de

instrumentos legais, técnicos, científicos, políticos e econômicos destinados à promoção do desenvolvimento

sustentado da sociedade e da economia brasileira.

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Embora tenha sido editada no início da década de 1980, continua sendo de fundamental importância para o meio

ambiente (Funiber, 2009).

Temos assim, a adoção progressiva dos padrões de qualidade dos corpos receptores como metas de política e a

adoção de instrumentos econômicos – em complementação aos padrões de emissão – no sentido de induzir os

agentes a combaterem a poluição e a moderarem a utilização dos recursos naturais, ainda conforme Lustosa,

Cánepa e Young (2003).

5 Princípios da PNMA - Política Nacional de Meio Ambiente


O artigo 2º. Da referida lei, estabeleceu que a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental

propiciem à vida, visando assegurar no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da

segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios, segundo

Funiber (2009):

I. Equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como patrimônio público.

II. Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;

III. Planejamento e fiscalização do uso dos recursos naturais;

IV. Proteção dos ecossistemas;

V. Controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras;

VI. Incentivo ao estudo e à pesquisa de tecnologias voltadas para o uso racional e à proteção dos

recursos ambientais;

VII. Acompanhamento do estado da qualidade ambiental;

VIII. Recuperação de áreas degradadas;

IX. Proteção de áreas ameaçadas de degradação; e

X. Educação ambiental em todos os níveis de ensino.

A Lei da PNMA foi em quase todos os seus aspectos, recepcionada pela Constituição Federal de 1988, pois,

valoriza a dignidade humana, a qualidade ambiental propícia à vida e ao desenvolvimento socioeconômico e tem

uma abrangência grandiosa. A preservação referida na lei tem sentido de perenizar, de perpetuar, de

salvaguardar, os recursos naturais.

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Já a melhoria do meio ambiente significa dar-lhe condições mais adequadas do que aquelas que se apresentam. O

art. 3º da lei em comento, considerou o meio ambiente como sendo o conjunto de condições, leis influências e

interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas

(Funiber, 2009).

“Meio Ambiente” é a expressão incorporada à língua portuguesa para indicar, segundo o Aurélio, o conjunto de

condições naturais e de influências que atuam sobre os organismos vivos e os seres humanos.

José Afonso da Silva (segundo Funiber, 2009), observou que a palavra “ambiente” indicando a esfera, o círculo, o

âmbito que nos cerca, em que vivemos, em certo aspecto, já contém o sentido da palavra “meio”.

Justifica o uso, na língua portuguesa, pela necessidade de reforçar o sentido significante de determinados termos

diante do enfraquecimento no sentido a destacar ou, porque sua expressividade é mais ampla e mais difusa. E

afirmou, o meio constitui uma unidade que abrange bens naturais, e culturais e que compreende a interação do

conjunto de elementos naturais, artificiais e culturais que propiciam o desenvolvimento equilibrado da vida

humana.

Importante também saber que, a Lei 6.938/81 instituiu o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama),

responsável pela proteção e melhoria do ambiente e constituído por órgãos e entidades da União, dos Estados,

do Distrito Federal e dos Municípios.

Espelhando-se no Sisnama, os estados criaram os seus Sistemas Estaduais do Meio Ambiente para integrar as

ações ambientais de diferentes entidades públicas nesse âmbito. Outra inovação foi o conceito de

responsabilidade objetiva do poluidor. O poluidor fica obrigado, independente da existência de culpa, a indenizar

ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados por suas atividades (Barbieri, 2010).

Observação: Embora aprovada em 1981, a implementação da Lei 6.938/81 só deslanchou efetivamente ao final

desta década de 1980, principalmente a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988.

O que vem na próxima aula


Na próxima aula, você vai estudar:
• Indicadores de meio ambiente: impactos ambientais.
• Estudo de impactos ambientais e relatório de impacto de meio ambiente.

CONCLUSÃO
Nesta aula, você:
• Reconheceu a Política Nacional do Meio Ambiente e seus Sistemas e Institutos.

• Identificou a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei N0 9.795/99).

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• Identificou a Política Nacional de Educação Ambiental (Lei N0 9.795/99).

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