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UMUM

Isabel Tomas Segredo

Licenciatura em Ciências da Educação

Reflexão sobre o Filme os escritores da Liberdade

Universidade Metodista Unida de Moçambique


Morrumbene - Cambine
2019
Reflexão sobre o Filme os escritores de Liberdade

O filme traduz de forma real e coerente a problemática da escola pública americana


para adolescentes em situação de risco. Enfocando de forma sucinta os problemas
sociais como a violência nas ruas, violência doméstica, preconceito racial,
intolerância e acima de tudo o desprezo dos profissionais da área de educação nas
instituições.

Em um país como os Estados Unidos, aparentemente a terra da liberdade, o que


existe, na verdade, são territórios restritos, demarcados por cada etnia aí
representada, compondo um caldeirão étnico-cultural em constante ebulição. Todas
as tribos acalentam a ilusão de ter que lutar contra o outro; sempre há um inimigo à
espreita, o alvo de perseguições do momento.

Portanto, o filme conta uma história duma professora que assume uma turma de
alunos problemáticos de uma escola que não esta nem um pouco disposta a investir e
nem acreditar naqueles jovens oriundos de famílias desestruturadas, vítimas de
abandono e descaso. Alunos que na sala de aula, dividem-se naturalmente em grupos
étnicos, os negros só interagem com os negros, os latinos andam com os latinos, os
brancos conversam com os brancos. Nesta classe do primeiro ano colegial, brancos,
negros, hispânicos e asiáticos são obrigados a conviver no mesmo espaço. Na própria
sala de aula, eles criam pequenos guetos, com fronteiras bem estabelecidas.

Previsivelmente, ela é recepcionada por uma realidade completamente diferente do


que imaginava, aí ela não encontra activistas sociais, mas sim uma juventude
completamente marginalizada e um universo preconceituoso resistente. A própria
disciplina que lhe cabe leccionar, a língua e a literatura inglesa é considerada
estrangeira por eles e, mais que isto, um instrumento de manipulação política.

No inicio da relação entre professora e alunos, não foi muito boa. Pois a professora é
vista como representante do domínio dos brancos. Logo na sua primeira aula, ela
percebe o obstáculo que terá pela frente. São alunos mal dispostos, que ignoram a
sua presença, a desrespeitam, agridem uns aos outros e fazem pouco caso do material
escolar. Mas, a partir do momento em que uma caricatura desenhada por um dos
alunos, com o objectivo de humilhar um dos estudantes negros, vai parar em suas
mãos, ela inicia uma nova trajectória de descobertas e revelações.

A docente fica simultaneamente perplexa e sem reacção diante daquilo que vê. Logo
percebe que aquilo que ela planejava para os alunos não encontra eco na plateia. Os
adolescentes, cada vez mais desinteressados nos estudos, fazem com que a professora
reveja a sua metodologia de ensino.

Motivada com a sua profissão e genuinamente interessada em encontrar soluções para


cativar os seus alunos, ela busca novas alternativas. Aos poucos, os jovens se abrem e
passam dar interesse ao trabalho desta professora.

Além dos obstáculos encontrados em sala de aula, a professora ainda precisa lidar
com o marido pouco compreensivo que a espera em casa e com a directora do
colégio, uma senhora conservadora que se opõe ao trabalho por ela proposto. As
alterações curriculares sugeridas pela professora visavam a aproximação dos alunos.
Preferencialmente, a professora desejava alterar a dinâmica vertical da relação entre
professor e aluno.

Satisfeita com os resultados que vai percebendo no dia-a-dia, decide ir além e


investiga a vida pessoal dos jovens. Aos poucos, a professora vai ganhando a confiança
dos alunos, eles começam a falar de si próprios, da violência quotidiana e da família
problemática que quase todos têm.

Ela convida a cada aluno a escrever um e diário livre. A ideia é registar o quotidiano,
desde as relações travadas com os amigos e com a família até as ideologias pessoais e
as leituras que estão fazendo, fizeram ou gostariam de fazer. Convence os jovens de
que o preconceito transcende todo tipo de barreira e pode atingir pessoas pela cor da
pele, pela origem étnica, pela religião ou até mesmo pela classe social. Leva os
alunos para conhecerem o Museu do Holocausto. Uma curiosidade interessante surge
na cena do filme em que os alunos estão no jantar, no hotel, após a viagem ao museu
do holocausto.

Educação e cultura

A cultura surge do vocábulo inglês “culture” e abrange os conhecimentos, crenças,


arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra habilidade ou tradição adquirido pelo
homem, tal como vemos (Machado, 2002).

Educação e monocultura

Esta educação levava a uma inculturação, pois impunha uma cultura dominante e
desconceituava a diversidade. Os alunos são impelidos a se adaptar a escola, quando
deveria ser a escola a se adaptar a todos os alunos.

Educação multicultural

Multiculturalismo descreve as características sociais e os problemas de


governabilidade apresentados por qualquer sociedade na qual diferentes comunidades
culturais convivem e tentam construir uma vida em comum, ao mesmo tempo em que
retêm algo da sua identidade original.

A educação multicultural implica o respeito pelo desenvolvimento pessoal dos alunos,


assim como a intervenção dos pais nos programas escolares e utilização dos materiais
educativos não culturalmente tendenciosos.

Educação intercultural

Surge principalmente a partir do vazio deixado pelo multiculturalismo e visa a


superação do horizonte da tolerância e das diferenças culturais e a transformação das
culturas pelo processo de interacção.
Portanto está claro que a partir do filme assistido são envolvidos todos processos de
culturas aqui definidos. No inicio o filme ilustra a adopção de uma única cultura, a
dos brancos o que provoca conflitos entre etnias pelo desprezo em que outras etnias
sofriam. A professora ao perceber que existem fronteiras na sala que iam de acordo
com as etnias, adopta uma metodologia em que envolve todas as culturas. E por fim
cria formas interactivas que levam os alunos a igualdade.

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