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Centro Universitário de Ciências e Tecnologia do Maranhão – UNIFACEMA

Disciplina: Direito Processual do Trabalho


Professora: Gianne Guimarães Bastiani
Turma: 8º Período Noturno

Dávilla Yanca Sousa De Queiroz Oliveira


Matricula: 17205124

Peça Processual 02

CAXIAS- MA
2021
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA 2 ª VARA
DO TRABALHO DE CAXIAS – MA.

PROCESSO Nº: XXXXXXXX

RECORRENTE: SOCIEDADE EMPRESÁRIA ALPHA LTDA.

RECORRIDO: CRISTIANO RONALDO.

SOCIEDADE EMPRESÁRIA ALPHA LTDA, devidamente qualificado nos


autos da Reclamação Trabalhista movida por CRISTIANO RONALDO, vem,
por sua advogada infra-assinado, tempestivamente, inconformado(a) com a
sentença proferida na fase de conhecimento, com base no art. 895, I da CLT,
interpor:

 
RECURSO ORDINÁRIO

Para o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região. 

Tendo promovido o pagamento das custas processuais devidas,


bem como efetuado o depósito recursal, conforme comprovam as guias
anexas, requer seja o presente acolhido e devidamente remetido ao Tribunal
Regional do Trabalho.

Requer ainda, que as publicações sejam expedidas em nome da


Dr(a). .........................., OAB/.... nº .................., sob pena de nulidade.

Termos em que,

Pede Deferimento.

09 de junho de 2021 / Caxias- Ma.

Nome Advogado(a)
OAB/.... nº .............
RAZÕES DE RECURSO ORDINÁRIO AO EGRÉGIO TIBUNAL
REGIONAL DA 16° REGIÃO

Recorrente: Sociedade Empresária ALPHA LTDA.

Recorrido: Cristiano Ronaldo

Processo: nº XXXXXXXX   – 2 ª Vara


 

Egrégio Tribunal

Colenda Turma
Eméritos Julgadores

1. RESUMO DOS FATOS.

Foi ajuizada reclamação trabalhista em face do recorrente


condenando-a novamente ao pagamento da parcela no qual rejeitou
preliminar suscitada e desconsiderou que a empresa havia feito um
acordo em outro processo movido pelo mesmo empregado, homologado
em juízo, no qual pagou o prêmio de assiduidade.
E pleiteando o pagamento de danos morais, em virtude de uma
suposta doença profissional adquirida no curso da relação laboral, além
de horas extras.
Não obstante, a respeitável Vara de Trabalho julgou a ação
procedente, determinando a condenação da reclamada de forma
subsidiária nas verbas supra citadas.
O magistrado rejeitou a preliminar suscitada pela empresa e
determinou o recolhimento do INSS relativo ao período trabalhado mês a
mês, para fins de aposentadoria, já que restou comprovado que a
empresa descontava a cota previdenciária, mas não a repassava ao
INSS.
O juízo também deixou de considerar a preliminar com relação às
diárias postuladas, o autor tinha, comprovadamente, outra ação em
curso com o mesmo tema, que se encontrava em grau de recurso,
extinguiu o feito sem resolução do mérito em relação a um pedido de
devolução de desconto, porque não havia causa de pedir, não acolheu
a prescrição parcial porque ela foi suscitada pelo advogado em razões
finais, afirmando o magistrado que deveria sê-lo apenas na
contestação, tendo ocorrido preclusão, deferiu a reintegração do ex-
empregado, Cristiano Ronaldo, porque ele foi presidente da
Associação de Antigos jogadores, entidade criada pelos próprios
empregados. Deferiu o pagamento da participação nos lucros prevista
na convenção coletiva da categoria, nos anos de 2018 e 2019, pois
confessadamente não havia sido paga, deferiu o pagamento da
diferença de férias, porque o empregado não fruiu 30 dias úteis no ano
de 2019, como garante a lei.
A sociedade empresária apresenta ficha de registro de
empregados do reclamante, na qual se verifica que ele havia trabalhado
de 15/05/2011 a 20/10/2020, sendo que, nos anos de 2018 e 2019,
permaneceu afastado em benefício previdenciário de auxílio-doença
comum (código B-31), a ficha financeira mostra que o empregado
ganhava 5 salários mínimos mensais e exercia a função de treinador de
equipes juvenis, fazendo eventuais viagens para jogos da equipe.

2. DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO ORDINÁRIO.

A decisão proferida na Vara do Trabalho trata-se de uma


sentença, dessa forma encerrando a atividade jurisdicional do Douto
Juízo de primeira instância.
Neste contexto, o reexame da decisão supra citada só poderá ser
feita através de Recurso Ordinário, conforme preceitua o artigo 895,
alínea "a" da CLT. Dessa forma, preenchido os pressupostos de
admissibilidade requer o devido processamento do presente recurso.
Cumpre ressaltar que segue a cópia das custas e depósito
recursal devidamente recolhidas, além do presente recurso ter sido
interposto tempestivamente.
Portanto, preenchidos os pressupostos de admissibilidade,
requer seja o presente recurso processado e seu mérito apreciado.

3. DA OBRIGATORIEDADE DO PREPARO.

Cumpre ressaltar que segue cópia das custas e depósito recursal


devidamente recolhidas, além do presente recurso ter sido interposto no
actínio legal. Dessa forma, preenchido os pressupostos de
admissibilidade requer o devido processamento do presente recurso.

4. PRELIMINARMENTE

Das Preliminares dispostas no CPC que pretendem a reforma da


sentença:
 
 A preliminar de incompetência absoluta em relação ao
recolhimento do INSS porque naquele aspecto a sentença não tem
cunho condenatório, A justiça do trabalho só será competente quanto à
execução das contribuições previdenciárias somente quando for de
sentenças condenatórias em pecúnia que proferir valores, objeto de
acordo homologado, que integrem o salário de contribuição. Sendo
assim a sentença não tem cunho condenatório pois não compete a
justiça do trabalho de modo que a Justiça do Trabalho não tem
competência material, conforme a Súmula Vinculante 53 do STF, a
Súmula 368, inciso I, do TST e o artigo 876, parágrafo único, da CLT.
Súmula vinculante 53
A competência da Justiça do Trabalho
prevista no art. 114, VIII, da Constituição
Federal alcança a execução de ofício das
contribuições previdenciárias relativas ao
objeto da condenação constante das
sentenças que proferir e acordos por ela
homologados.
Súmula 368 - I - A Justiça do Trabalho é
competente para determinar o recolhimento
das contribuições previdenciárias e fiscais
provenientes das sentenças que proferir.
129/2005 - DJ 20, 22 e 25/04/2005).
Art. 876 - As decisões passadas em julgado
ou das quais não tenha havido recurso com
efeito suspensivo; os acordos, quando não
cumpridos; os termos de ajuste de conduta
firmados perante o Ministério Público do
Trabalho e os termos de conciliação firmados
perante as Comissões de Conciliação Prévia
serão executadas pela forma estabelecida
neste Capítulo. 
Parágrafo único. A Justiça do Trabalho
executará, de ofício, as contribuições sociais
previstas na alínea a do Inciso I e no inciso II
do caput do art. 195 da Constituição Federal,
e seus acréscimos legais, relativas ao objeto
da condenação constante das sentenças que
proferir e dos acordos que homologar.  

 A preliminar de coisa julgada, Antes do ajuizamento da reclamação


trabalhista em 30/10/2020, houve um acordo judicial onde o adicional de
assiduidade foi objeto de acordo devidamente homologado em outro
processo, em preliminar a recorrente teve seu pedido rejeitado, pois em
síntese foi desconsiderado o acordo feito em outro processo,
condenando novamente ao pagamento dessa parcela, pelo que tem a
força de decisão irrecorrível, porque o prêmio assiduidade foi objeto de
acordo devidamente homologado em outro processo, pelo que tem a
força de decisão irrecorrível, conforme o Art. 831, parágrafo único, da
CLT, 337, VII e §§ 1º e 4º do CPC, art. 502 do CPC e art. 485, V, do
CPC.
Art. 831 - A decisão será proferida depois de
rejeitada pelas partes a proposta de
conciliação.
Parágrafo único. No caso de conciliação, o
termo que for lavrado valerá como decisão
irrecorrível, salvo para a Previdência Social
quanto às contribuições que lhe forem
devidas. (Redação dada pela Lei nº 10.035,
de 2000)

 A preliminar de litispendência quanto às diárias porque este


pedido já está sendo apreciado pelo Poder Judiciário em outro
processo, pelo que não pode ser novamente julgado, conforme o
Art. 337, inciso VI, do CPC, 337, § 1º, do CPC e 337, § 3º do CPC
e art. 485, V, do CPC.
Art.337 Incumbe ao réu, antes
de discutir o mérito, alegar:
VI- Litispendência
§ 1° Verifica-se a litispendência
ou a coisa julgada quando se
reproduz ação anteriormente
ajuizada
§3° Há litispendência quando se
repete ação que está em curso.

No deslinde do processo de conhecimento, realizado no âmbito


do juízo aquo, especificamente em alegações finais, foi arguido pelo
reclamado a prescrição parcial do objeto da demanda apresentada pelo
reclamante. Entretanto, tal alegação não foi acolhida pelo Douto Juiz
aquo, sob alegação de preclusão temporal, já que a prescrição teria de
ser suscitada em contestação.
Contudo, tal decisão merece reforma, pelos seguintes motivos:
Como se aduz no âmbito constitucional foi erigido o prazo
prescricional para os direitos que derivam da relação de trabalho, nos
termos do art. 7º, inciso XXIX:
7º, inciso XXIX da Constituição Federal:
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes
das relações de trabalho, com prazo
prescricional de cinco anos para os
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de
dois anos após a extinção do contrato de
trabalho; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 28, de 2000)
Nesta perspectiva, vale ressaltar que o reclamante foi contratado
em 15/05/2011, tendo mantido vínculo contratual até 20/10/2020. Logo
após a ruptura do contrato, especificamente no dia 30/10/2020, o
reclamante apresentou reclamação trabalhista ao juízo aquo, exigindo
as verbas rescisórias referentes a todo o período de vigência do contrato
de trabalho.
Todavia, conforme demonstrado anteriormente, a pretensão do
reclamante deve permanecer adstrita à aos 5 anos que antecedem a
data de ajuizamento da ação, sendo, portanto, exigível por meio de
reclamação trabalhista as verbas rescisórias do período de 30/10/2015
até 30/10/2020, sendo imperioso o reconhecimento da prescrição parcial
do objeto da demanda.
Nesse sentido, vale colacionar o que dispõe a súmula 308 do
Tribunal Superior do Trabalho:

Súmula nº 308 do TST

PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL (incorporada a


Orientação Jurisprudencial nº 204 da SBDI-1)
- Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.04.2005

I. Respeitado o biênio subsequente à


cessação contratual, a prescrição da ação
trabalhista concerne às pretensões
imediatamente anteriores a cinco anos,
contados da data do ajuizamento da
reclamação e, não, às anteriores ao
quinquênio da data da extinção do contrato.
(ex-OJ nº 204 da SBDI-1 - inserida em
08.11.2000)
II. A norma constitucional que ampliou o prazo
de prescrição da ação trabalhista para 5
(cinco) anos é de aplicação imediata e não
atinge pretensões já alcançadas pela
prescrição bienal quando da promulgação da
CF/1988. (ex-Súmula nº 308 - Res. 6/1992,
DJ 05.11.1992)

5. PRESCRIÇÃO

Em relação à prescrição, o instituto pode ser alegado, com sucesso, em


razões finais, já que o processo ainda se encontra em instância ordinária,
conforme preconiza a Súmula 153 do TST e o artigo 193 do CCB.

 Súmula 153/TST prevê que o momento processual


oportuno para a arguição da prescrição é na instância
ordinária, ou seja, até razões de RO, último instante em
que o pleno contraditório é assegurado quanto a arguições
novas.

Art. 193 CC “ A prescrição pode ser alegada em qualquer


grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita.”
 


 

6. QUANTO AO MÉRITO

Não merece prosperar a respeitável sentença, pelas razões a seguir


expostas.

 À REINTEGRAÇÃO
É indevida porque o autor não foi eleito dirigente de sindicato,
mas de associação interna da empresa, o que não lhe assegura
estabilidade, conforme o Art. 543, § 3º, da CLT e Art. 8º, VIII,
da CF/88.

Art. 543. O empregado eleito para cargo de


administração sindical ou representação
profissional não poderá, por motivo de serviço,
ser impedido do exercício das suas funções,
nem transferido sem causa justificada, a juízo da
Comissão Nacional de Sindicalização, para lugar
ou mister que lhe dificulte ou torne impossível o
desempenho da comissão ou mandato.
(Redação dada pelo Decreto-lei nº 8.740, de
19.1.1946, com vigência suspensa pelo Decreto-
lei nº 8.987-A, de 1946)
§ 3º - Fica vedada a dispensa do empregado
sindicalizado ou associado, a partir do momento
do registro de sua candidatura a cargo de
direção ou representação de entidade sindical
ou de associação profissional, até 1 (um) ano
após o final do seu mandato, caso seja eleito
inclusive como suplente, salvo se cometer falta
grave devidamente apurada nos termos desta
Consolidação. (Redação dada pela Lei nº 7.543,
de 2.10.1986).
Conforme exposto, requer a reforma da sentença para que não
considere o recorrido com estabilidade e por consequência que mantenha a
demissão.

 AO DANO MORAL
Em relação ao dano moral é indevida. A análise do período, que
vai do atraso salarial até a inserção do nome no cadastro, mostra
que a negativação é muito anterior, não havendo então o nexo
causal a justificar a responsabilidade desejada, na forma do Art.
186 e do Art. 927, ambos do Código Civil.

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão


voluntária, negligência ou imprudência, violar
direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.
A sentença não merece ser mantida, pois o atraso se deu somente nos
últimos 3 meses do contrato de trabalho, ou seja, no ano de 2019, entretanto o
documento apresentado para comprovar o dano foi do ano de 2020. Conclui-se
que o documento apresentado não poderá ser usado para apontar o dano haja
vista a divergência de período e a não comprovação do prejuízo.

 CARTA DE REFERÊNCIA

A sentença deferiu a entrega de uma carta de referência para


facilitar ao recorrido a obtenção de nova colação no mercado de
trabalho. Conforme o Art. 5º, inciso II, da CRFB/88, é indevida a
sua entrega porque isso não é obrigação prevista em Lei, daí
porque o empregador não se vincula ao desejo do empregado.

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem


distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:
II - Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de
fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

 FÉRIAS
Conforme o Art. 130, I, da CLT, por Lei elas não são contadas
em dias úteis, mas em dias corridos.
Art. 130. Após cada período de 12 (doze) meses
de vigência do contrato de trabalho, o
empregado terá direito a férias, na seguinte
proporção:
I - 30 (trinta) dias corridos, quando não houver
faltado ao serviço mais de 5 (cinco) vezes.

Conforme visto o artigo 130 em seu inciso I deixa claro que as férias não
são fruídas em dias úteis e sim em dias corridos.
Diante do exposto, requer a reforma da sentença para que julgue
improcedente o pedido de pagamento de férias em dias úteis.
 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS
A sentença deferiu o pagamento da participação nos lucros prevista na
convenção coletiva da categoria nos anos de 2018 e 2019, pois
confessadamente não havia sido paga.  É indevida, porque seu contrato estava
suspenso no período de referência em razão de doença ou indevida, porque
ele não colaborou para a lucratividade por estar afastado
Vejamos o que diz na Súmula o TST:
Súmula nº 451 do TST
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E
RESULTADOS. RESCISÃO CONTRATUAL
ANTERIOR À DATA DA DISTRIBUIÇÃO DOS
LUCROS. PAGAMENTO PROPORCIONAL AOS
MESES TRABALHADOS. PRINCÍPIO DA
ISONOMIA. (conversão da Orientação
Jurisprudencial nº 390 da SBDI-1) – Res.
194/2014, DEJT divulgado em 21, 22 e
23.05.2014.
Requer a reforma da sentença para que julgue improcedente o pedido
de participação dos lucros conforme demonstrado acima.

7. DO PEDIDO

A) REQUER ADMISSIBILIDADE/ CONHECIMENTO DO


RECURSO

B) CONSEQUENTE PROVIMENTO E REFORMA DA DECISÃO


Diante do exposto, requer sejam acolhidas as preliminares
formuladas e os autos sejam remetidos à Vara de origem para a regular
instrução processual e, alternativamente, seja conhecido e provido o
presente Recurso para que, no mérito, seja reformada a decisão nos
termos aduzidos julgando improcedente os pedidos citados nestas
Razões de Recurso como medida da mais lídima JUSTIÇA.

Dar-se à valor da causa em R$...

Termos em que,
Pede Deferimento.

Local e data.

Advogado(a)
OAB/.... nº .............

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