Você está na página 1de 466

Secretaria de Estado de Educação

de Mato Grosso do Sul - SED-MS

Professor - Matemática

Língua Portuguesa
Leitura, compreensão e interpretação de textos. ..........................................................................................................1
Estruturação do texto e dos parágrafos. .........................................................................................................................5
Articulação do texto: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores sequenciais. ................................6
Significação contextual de palavras e expressões. ..................................................................................................... 10
Equivalência e transformação de estruturas. .............................................................................................................. 15
Sintaxe: processos de coordenação e subordinação. ................................................................................................. 17
Emprego de tempos e modos verbais. .......................................................................................................................... 22
Pontuação. ......................................................................................................................................................................... 26
Estrutura e formação de palavras. ................................................................................................................................ 28
Funções das classes de palavras. ................................................................................................................................... 30
Flexão nominal e verbal. ................................................................................................................................................. 43
Pronomes: emprego, formas de tratamento e colocação. ......................................................................................... 48
Concordância nominal e verbal. .................................................................................................................................... 51
Regência nominal e verbal. ............................................................................................................................................. 54
Ortografia oficial. .............................................................................................................................................................. 58
Acentuação gráfica. .......................................................................................................................................................... 65

Conhecimentos Pedagógicos
Fundamentos da Educação .................................................................................................................................................1
Concepções e tendências pedagógicas contemporâneas ........................................................................................... 11
Relações socioeconômicas e político-culturais da educação ..................................................................................... 21
Processo ensino aprendizagem: papel do educador, do educando, da sociedade................................................. 26
Avaliação ............................................................................................................................................................................. 33
Educação inclusiva ............................................................................................................................................................ 42
Educação e Direitos Humanos, Democracia e Cidadania ........................................................................................... 47
A função social da escola .................................................................................................................................................. 50
Inclusão educacional e respeito à diversidade ............................................................................................................ 53
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica ....................................................................................... 59
Didática e organização do ensino ................................................................................................................................... 87
Saberes Escolares, processos metodológicos e avaliação da aprendizagem .......................................................... 93
Novas tecnologias da informação e comunicação e sua contribuição com a prática pedagógica ....................... 96
Currículo: planejamento, seleção e organização dos conteúdos ............................................................................103
Planejamento: a realidade escolar; o planejamento e o projeto pedagógico da escola ......................................115
Lei no 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional .........................................................................124
Lei no 8.069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente .........................................................................................138
Lei no 10.639/03 – História e Cultura Afro Brasileira e Africana ..........................................................................169
Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos - 2007. ...................................................................................170

Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
Conhecimentos Metodológicos
Compreensão das tendências metodológicas para a ciência, levando-se em consideração o atual momento
histórico. ...............................................................................................................................................................................1
Fundamentos técnicos e científicos da abordagem científica para a solução de problemas na área da educação.
.............................................................................................................................................................................................. 10
Análise das relações entre pesquisa em educação e as práticas educativas e enfoques da pesquisa em educação.
.............................................................................................................................................................................................. 14
Características e delimitações do conhecimento científico. ..................................................................................... 22
O conhecimento científico e a questão da verdade. ................................................................................................... 34
Fatos, descrição, leis, teorias, classificação da ciência e modelos de estudo. Processos indutivos e dedutivos na
produção de conhecimento. Pesquisa básica e aplicada. Aspectos fundamentais da investigação científica:
referencial teórico como ponto de partida; delimitação do problema e objetivos; papel das hipóteses; variáveis,
indicadores de variáveis e qualidade dos indicadores; população e amostras. .................................................... 36
Base Nacional Comum Curricular. ................................................................................................................................. 50
Lei no 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. .................................................................................................................. 63

Conhecimentos Específicos
Aritmética e conjuntos: os conjuntos numéricos (naturais, inteiros, racionais, irracionais e reais); operações
básicas, propriedades, divisibilidade, contagem e princípio multiplicativo ..............................................................1
Proporcionalidade............................................................................................................................................................. 17
Álgebra: equações de 1o e 2o graus; funções elementares, suas representações gráficas e aplicações: lineares,
quadráticas, exponenciais, logarítmicas e trigonométricas; progressões aritméticas e geométricas;
polinômios; números complexos; matrizes, sistemas lineares e aplicações na informática ............................... 23
Espaço e forma: geometria plana, plantas e mapas; geometria espacial; geometria métrica; geometria analítica
.............................................................................................................................................................................................. 58
Tratamento de dados: fundamentos de estatística; análise e interpretação de informações expressas em
gráficos e tabelas. Resolução de Problemas ................................................................................................................. 99
História da Matemática ..................................................................................................................................................113
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) ...............................................................................................................121
Base Nacional Comum Curricular ................................................................................................................................131
Lei no 13.415, de 16 de fevereiro de 2017 .................................................................................................................140

Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
A apostila OPÇÃO não está vinculada a empresa organizadora do concurso público a que se destina,
assim como sua aquisição não garante a inscrição do candidato ou mesmo o seu ingresso na carreira
pública.

O conteúdo dessa apostila almeja abordar os tópicos do edital de forma prática e esquematizada,
porém, isso não impede que se utilize o manuseio de livros, sites, jornais, revistas, entre outros meios
que ampliem os conhecimentos do candidato, visando sua melhor preparação.

Atualizações legislativas, que não tenham sido colocadas à disposição até a data da elaboração da
apostila, poderão ser encontradas gratuitamente no site das apostilas opção, ou nos sites
governamentais.

Informamos que não são de nossa responsabilidade as alterações e retificações nos editais dos
concursos, assim como a distribuição gratuita do material retificado, na versão impressa, tendo em vista
que nossas apostilas são elaboradas de acordo com o edital inicial. Porém, quando isso ocorrer, inserimos
em nosso site, www.apostilasopcao.com.br, no link “erratas”, a matéria retificada, e disponibilizamos
gratuitamente o conteúdo na versão digital para nossos clientes.

Caso haja dúvidas quanto ao conteúdo desta apostila, o adquirente deve acessar o site
www.apostilasopcao.com.br, e enviar sua dúvida, que será respondida o mais breve possível, assim como
para consultar alterações legislativas e possíveis erratas.

Também ficam à disposição do adquirente o telefone (11) 2856-6066, dentro do horário comercial,
para eventuais consultas.

Eventuais reclamações deverão ser encaminhadas por escrito, respeitando os prazos instituídos no
Código de Defesa do Consumidor.

É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila, de acordo com o Artigo 184 do Código
Penal.

Apostilas Opção, a opção certa para a sua realização.

Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
LÍNGUA PORTUGUESA

Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

procurando estabelecer as possíveis relações entre palavras


que formam a oração e as orações que formam o período e,
finalmente, entre os vários períodos que formam o texto. Um
texto bem trabalhado sintática e semanticamente resulta num
texto coeso.

Leitura, compreensão e Coerência


interpretação de textos.
A coerência está diretamente ligada à possibilidade de
estabelecer um sentido para o texto, ou seja, ela é que faz com
COMPREENSÃO DO TEXTO que o texto tenha sentido para quem lê. Na avaliação da
coerência será levado em conta o tipo de texto. Em um texto
Há duas operações diferentes no entendimento de um texto. dissertativo, será avaliada a capacidade de relacionar os
A primeira é a apreensão, que é a captação das relações que argumentos e de organizá-los de forma a extrair deles
cada parte mantém com as outras no interior do texto. No conclusões apropriadas; num texto narrativo, será avaliada
entanto, ela não é suficiente para entender o sentido integral. sua capacidade de construir personagens e de relacionar ações
Uma pessoa que conhecesse todas as palavras do texto, mas e motivações.
não conhecesse o universo dos discursos, não entenderia o
significado do mesmo. Por isso, é preciso colocar o texto Tipos de Composição
dentro do universo discursivo a que ele pertence e no interior
do qual ganha sentido. Alguns teóricos chamam o universo Descrição: é representar verbalmente um objeto, uma
discursivo de “conhecimento de mundo”, mas chamaremos essa pessoa, um lugar, mediante a indicação de aspectos
operação de compreensão. característicos, de pormenores individualizantes. Requer
E assim teremos: observação cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser descrito
um modelo inconfundível. Não se trata de enumerar uma série
Apreensão + Compreensão = Entendimento do texto de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir
uma impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é
Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por isso, impõe-se
de leitura, sendo a primeira a informativa e a segunda à de o uso de palavras específicas, exatas.
reconhecimento.
A primeira deve ser feita cuidadosamente por ser o Narração: é um relato organizado de acontecimentos reais
primeiro contato com o texto, extraindo-se informações e se ou imaginários. São seus elementos constitutivos:
preparando para a leitura interpretativa. Durante a personagens, circunstâncias, ação; o seu núcleo é o incidente,
interpretação grife palavras-chave, passagens importantes; o episódio, e o que a distingue da descrição é a presença de
tente ligar uma palavra à ideia central de cada parágrafo. personagens atuantes, que estão quase sempre em conflito. A
A última fase de interpretação concentra-se nas perguntas narração envolve:
e opções de respostas. Marque palavras como não, exceto, - Quem? Personagem;
respectivamente, etc., pois fazem diferença na escolha - Quê? Fatos, enredo;
adequada. - Quando? A época em que ocorreram os acontecimentos;
Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo. - Onde? O lugar da ocorrência;
Leia a frase anterior e posterior para ter ideia do sentido global - Como? O modo como se desenvolveram os
proposto pelo autor. acontecimentos;
Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias - Por quê? A causa dos acontecimentos;
seletas e organizadas, através dos parágrafos que é composto
pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a Dissertação: é apresentar ideias, analisá-las, é estabelecer
conclusão do texto. um ponto de vista baseado em argumentos lógicos; é
A alusão histórica serve para dividir o texto em pontos estabelecer relações de causa e efeito. Aqui não basta expor,
menores, tendo em vista os diversos enfoques. narrar ou descrever, é necessário explanar e explicar. O
Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da raciocínio é que deve imperar neste tipo de composição, e
mudança de linha e um espaçamento da margem esquerda. quanto maior a fundamentação argumentativa, mais brilhante
Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico será o desempenho.
frasal, ou seja, a ideia central extraída de maneira clara e
resumida. Sentidos Próprio e Figurado
Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo,
asseguramos um caminho que nos levará à compreensão do Comumente afirma-se que certas ocorrências de discurso
texto. têm sentido próprio e sentido figurado. Geralmente os
Produzir um texto é semelhante à arte de produzir um exemplos de tais ocorrências são metáforas. Assim, em “Maria
tecido, o fio deve ser trabalhado com muito cuidado para que é uma flor” diz-se que “flor” tem um sentido próprio e um
o trabalho não se perca. Por isso se faz necessária a sentido figurado. O sentido próprio é o mesmo do enunciado:
compressão da coesão e coerência. “parte do vegetal que gera a semente”. O sentido figurado é o
mesmo de “Maria, mulher bela, etc.” O sentido próprio, na
Coesão acepção tradicional não é próprio ao contexto, mas ao termo.
O sentido tradicionalmente dito próprio sempre
É a amarração entre as várias partes do texto. Os principais corresponde ao que definimos aqui como sentido imediato do
elementos de coesão são os conectivos e vocábulos enunciado. Além disso, alguns autores o julgam como sendo o
gramaticais, que estabelecem conexão entre palavras ou sentido preferencial, o que comumente ocorre.
partes de uma frase. O texto deve ser organizado por nexos O sentido dito figurado é o do enunciado que substitui a
adequados, com sequência de ideias encadeadas logicamente, metáfora, e que em leitura imediata leva à mesma mensagem
evitando frases e períodos desconexos. Para perceber a falta que se obtém pela decifração da metáfora.
de coesão, a melhor atitude é ler atentamente o seu texto,

Língua Portuguesa 1
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

O conceito de sentido próprio nasce do mito da existência Na verdade, não existe o leitor absolutamente ingênuo, que
da leitura ingênua, que ocorre esporadicamente, é verdade, se comporte como uma máquina de ler, o que faz do conceito
mas nunca mais que esporadicamente. de leitura imediata apenas um pressuposto metodológico. O
Não há muito que criticar na adoção dos conceitos de que existe são ocorrências eventuais que se aproximam de
sentido próprio e sentido figurado, pois ela abre um caminho uma leitura imediata, como quando alguém toma o sentido
de abordagem do fenômeno da metáfora. O que é passível de literal pelo figurado, quando não capta uma ironia ou fica
crítica é a atribuição de status diferenciado para cada uma das perplexo diante de um oximoro.
categorias. Tradicionalmente o sentido próprio carrega uma Há quem chame o discurso que admite leitura imediata de
conotação de sentido “natural”, sentido “primeiro”. grau zero da escritura, identificando-a como uma forma mais
Invertendo a perspectiva, com os mesmos argumentos, primitiva de expressão. Esse grau zero não tem realidade, é
poderíamos afirmar que “natural”, “primeiro” é o sentido apenas um pressuposto. Os recursos de Retórica são
figurado, afinal, é o sentido figurado que possibilita a correta anteriores a ele.
interpretação do enunciado e não o sentido próprio. Se o
sentido figurado é o “verdadeiro” para o enunciado, por que Sentido Preferencial
não chamá-lo de “natural”, “primeiro”? Para compreender o sentido preferencial é preciso
Pela lógica da Retórica tradicional, essa inversão de conceber o enunciado descontextualizado ou em contexto de
perspectiva não é possível, pois o sentido figurado está dicionário. Quando um enunciado é realizado em contexto
impregnado de uma conotação desfavorável. O sentido muito rarefeito, como é o contexto em que se encontra uma
figurado é visto como anormal e o sentido próprio, não. Ele palavra no dicionário, dizemos que ela está
carrega uma conotação positiva, logo, é natural, primeiro. descontextualizada. Nesta situação, o sentido preferencial é o
A Retórica tradicional é impregnada de moralismo e que, na média, primeiro se impõe para o enunciado. Óbvio, o
estetização e até a geração de categorias se ressente disso. sentido que primeiro se impõe para um receptor pode não ser
Essa tendência para atribuir status às categorias é uma o mesmo para outro. Por isso a definição tem de considerar o
constante do pensamento antigo, cuja índole era resultado médio, o que não impede que pela necessidade
hierarquizante, sempre buscando uma estrutura piramidal momentânea consideremos o significado preferencial para
para o conhecimento, o que se estende até hoje em algumas dado indivíduo.
teorias modernas. Algumas regularidades podem ser observadas nos
Ainda hoje, apesar da imparcialidade típica e necessária ao significados preferenciais. Por exemplo: o sentido preferencial
conhecimento científico, vemos conotações de valor sendo da palavra porco costuma ser: “animal criado em granja para
atribuídas a categorias retóricas a partir de considerações abate”, e nunca o de “indivíduo sem higiene”. Em outras
totalmente externas a ela. Um exemplo: o retórico que tenha palavras, geralmente o sentido que admite leitura imediata se
para si a convicção de que a qualidade de qualquer discurso se impõe sobre o que teve origem em processos metafóricos,
fundamenta na sua novidade, originalidade, imprevisibilidade, alegóricos, metonímicos. Mas esta regra não é geral. Vejamos
tenderá a descrever os recursos retóricos como “desvios da o seguinte exemplo: “Um caminhão de cimento”. O sentido
normalidade”, pois o que lhe interessa é pôr esses recursos preferencial para a frase dada é o mesmo de “caminhão
retóricos a serviço de sua concepção estética. carregado com cimento” e não o de “caminhão construído com
cimento”. Neste caso o sentido preferencial é o metonímico, o
Sentido Imediato que contrapõe a tese que diz que o sentido “figurado” não é o
“primeiro significado da palavra”. Também é comum o sentido
Sentido imediato é o que resulta de uma leitura imediata mais usado se impor sobre o menos usado.
que, com certa reserva, poderia ser chamada de leitura Para certos termos é difícil estabelecer o sentido
ingênua ou leitura de máquina de ler. preferencial. Um exemplo: Qual o sentido preferencial de
Uma leitura imediata é aquela em que se supõe a existência manga? O de fruto ou de uma parte da roupa?
de uma série de premissas que restringem a decodificação tais
como: Questões
- As frases seguem modelos completos de oração da língua.
- O discurso é lógico. 01. (SEDS/PE - Sargento Polícia Militar -
- Se a forma usada no discurso é a mesma usada para MS/CONCURSOS) O preenchimento adequado da manchete:
estabelecer identidades lógicas ou atribuições, então, tem-se, “Pelé afirma que a seleção está bem, ______Portugal e Espanha
respectivamente, identidade lógica e atribuição. também estão bem preparadas.” faz parte de um recurso de:
- Os significados são os encontrados no dicionário. (A) Adequação vocabular.
- Existe concordância entre termos sintáticos. (B) Falta de coesão.
- Abstrai-se a conotação. (C) Incoerência.
- Supõe-se que não há anomalias linguísticas. (D) Coesão.
- Abstrai-se o gestual, o entoativo e editorial enquanto (E) Coerência.
modificadores do código linguístico.
- Supõe-se pertinência ao contexto. 02. (SEDUC/PI - Professor - NUCEP) O sentido da frase:
- Abstrai-se iconias. Equivale dizer, ainda, que nós somos sujeitos de nossa história
- Abstrai-se alegorias, ironias, paráfrases, trocadilhos, etc. e de nossa realidade, considerando-se a palavra destacada,
- Não se concebe a existência de locuções e frases feitas. continuará inalterado, em:
- Supõe-se que o uso do discurso é comunicativo. Abstrai- (A) Equivale dizer, talvez, que nós somos sujeitos de nossa
se o uso expressivo, cerimonial. história e de nossa realidade.
(B) Equivale dizer, por outro lado, que nós somos sujeitos
Admitindo essas premissas, o discurso será indecifrável, de nossa história e de nossa realidade.
ininteligível ou compreendido parcialmente toda vez que nele (C) Equivale dizer, preferencialmente, que nós somos
surgirem elipses, metáforas, metonímias, oximoros, ironias, sujeitos de nossa história e de nossa realidade.
alegorias, anomalias, etc. Também passam despercebidas as (D) Equivale dizer, novamente, que nós somos sujeitos de
conotações, as iconias, os modificadores gestuais, entoativos, nossa história e de nossa realidade.
editoriais, etc. (E) Equivale dizer, também, que nós somos sujeitos de
nossa história e de nossa realidade.

Língua Portuguesa 2
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

03. (TJ/SP - Agente de Fiscalização Judiciária -


VUNESP) (A) próprio, equivalendo a inspiração.
(B) próprio, equivalendo a conquistador.
No fim da década de 90, atormentado pelos chás de cadeira (C) figurado, equivalendo a ave de rapina.
que enfrentou no Brasil, Levine resolveu fazer um (D) figurado, equivalendo a alimento.
levantamento em grandes cidades de 31 países para descobrir (E) figurado, equivalendo a predador.
como diferentes culturas lidam com a questão do tempo. A
conclusão foi que os brasileiros estão entre os povos mais Gabarito
atrasados - do ponto de vista temporal, bem entendido - do 01.D / 02.E / 03.D / 04.E
mundo. Foram analisadas a velocidade com que as pessoas
percorrem determinada distância a pé no centro da cidade, o INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
número de relógios corretamente ajustados e a eficiência dos
correios. Os brasileiros pontuaram muito mal nos dois A leitura é o meio mais importante para chegarmos ao
primeiros quesitos. No ranking geral, os suíços ocupam o conhecimento, portanto, precisamos aprender a ler e não
primeiro lugar. O país dos relógios é, portanto, o que tem o apenas “passar os olhos sobre algum texto”. Ler, na verdade, é
povo mais pontual. Já as oito últimas posições no ranking são dar sentido à vida e ao mundo, é dominar a riqueza de
ocupadas por países pobres. qualquer texto, seja literário, informativo, persuasivo,
O estudo de Robert Levine associa a administração do narrativo, possibilidades que se misturam e as tornam
tempo aos traços culturais de um país. "Nos Estados Unidos, infinitas. É preciso, para uma boa leitura, exercitar-se na arte
por exemplo, a ideia de que tempo é dinheiro tem um alto valor de pensar, de captar ideias, de investigar as palavras… Para
cultural. Os brasileiros, em comparação, dão mais importância isso, devemos entender, primeiro, algumas definições
às relações sociais e são mais dispostos a perdoar atrasos", diz importantes:
o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por
exemplo, revelou que a maioria considera aceitável que um Texto
convidado chegue mais de duas horas depois do combinado a O texto (do latim textum: tecido) é uma unidade básica de
uma festa de aniversário. Pode-se argumentar que os organização e transmissão de ideias, conceitos e informações
brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários de modo geral. Em sentido amplo, uma escultura, um quadro,
porque a infraestrutura não ajuda. Como ser pontual se o um símbolo, um sinal de trânsito, uma foto, um filme, uma
trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no transporte novela de televisão também são formas textuais.
público?
(Veja, 2009.) Interlocutor
É a pessoa a quem o texto se dirige.
Há emprego do sentido figurado das palavras em:
(A) ... os brasileiros estão entre os povos mais atrasados... Texto-modelo
(B) No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar.
“Não é preciso muito para sentir ciúme. Bastam três – você,
(C) Os brasileiros ... dão mais importância às relações
uma pessoa amada e uma intrusa. Por isso todo mundo sente.
sociais...
Se sua amiga disser que não, está mentindo ou se enganando.
(D) Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo...
Quem agüenta ver o namorado conversando todo animado
(E) ... não se pode confiar no serviço público? com outra menina sem sentir uma pontinha de não-sei-o-quê?
(…)
04. (UNESP - Assistente Administrativo -
É normal você querer o máximo de atenção do seu
VUNESP/2016) namorado, das suas amigas, dos seus pais. Eles são a parte
mais importante da sua vida.”
O gavião
(Revista Capricho)
Gente olhando para o céu: não é mais disco voador. Disco
Modelo de Perguntas
voador perdeu o cartaz com tanto satélite beirando o sol e a
1) Considerando o texto-modelo, é possível identificar
lua. Olhamos todos para o céu em busca de algo mais
quem é o seu interlocutor preferencial?
sensacional e comovente – o gavião malvado, que mata
Um leitor jovem.
pombas.
O centro da cidade do Rio de Janeiro retorna assim à
2) Quais são as informações (explícitas ou não) que
contemplação de um drama bem antigo, e há o partido das
permitem a você identificar o interlocutor preferencial do
pombas e o partido do gavião. Os pombistas ou pombeiros
texto?
(qualquer palavra é melhor que “columbófilo”) querem matar
Do contexto podemos extrair indícios do interlocutor
o gavião. Os amigos deste dizem que ele não é malvado tal; na
preferencial do texto: uma jovem adolescente, que pode ser
verdade come a sua pombinha com a mesma inocência com
acometida pelo ciúme. Observa-se ainda , que a revista
que a pomba come seu grão de milho. Capricho tem como público-alvo preferencial: meninas
Não tomarei partido; admiro a túrgida inocência das adolescentes.
pombas e também o lance magnífico em que o gavião se A linguagem informal típica dos adolescentes.
despenca sobre uma delas. Comer pombas é, como diria Saint-
Exupéry, “a verdade do gavião”, mas matar um gavião no ar
09 DICAS PARA MELHORAR A INTERPRETAÇÃO DE
com um belo tiro pode também ser a verdade do caçador. TEXTOS
Que o gavião mate a pomba e o homem mate alegremente 01) Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do
o gavião; ao homem, se não houver outro bicho que o mate,
assunto;
pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em outro 02) Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa
homem.
(Rubem Braga. Ai de ti, Copacabana, 1999)
a leitura;
03) Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto
O termo gavião, destacado em sua última ocorrência no pelo menos duas vezes;
texto – … pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em 04) Inferir;
outro homem. –, é empregado com sentido: 05) Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;

Língua Portuguesa 3
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

06) Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do Alguns dos motivos pelos quais as pessoas aderem à
autor; bicicleta no dia a dia são: a valorização da sustentabilidade,
07) Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor pois as bikes não emitem gases nocivos ao ambiente, não
compreensão; consomem petróleo e produzem muito menos sucata de
08) Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada metais, plásticos e borracha; a diminuição dos
questão; congestionamentos por excesso de veículos motorizados, que
09) O autor defende ideias e você deve percebê-las; atingem principalmente as grandes cidades; o favorecimento
Fonte: http://portuguesemfoco.com/09-dicas-para- da saúde, pois pedalar é um exercício físico muito bom; e a
melhorar-a-interpretacao-de-textos-em-provas/ economia no combustível, na manutenção, no seguro e, claro,
nos impostos.
Não saber interpretar corretamente um texto pode gerar No Brasil, está sendo implantado o sistema de
inúmeros problemas, afetando não só o desenvolvimento compartilhamento de bicicletas. Em Porto Alegre, por
profissional, mas também o desenvolvimento pessoal. O exemplo, o BikePOA é um projeto de sustentabilidade da
mundo moderno cobra de nós inúmeras competências, uma Prefeitura, em parceria com o sistema de Bicicletas SAMBA,
delas é a proficiência na língua, e isso não se refere apenas a com quase um ano de operação. Depois de Rio de Janeiro, São
uma boa comunicação verbal, mas também à capacidade de Paulo, Santos, Sorocaba e outras cidades espalhadas pelo país
entender aquilo que está sendo lido. O analfabetismo funcional aderirem a esse sistema, mais duas capitais já estão com o
está relacionado com a dificuldade de decifrar as entrelinhas projeto pronto em 2013: Recife e Goiânia. A ideia do
do código, pois a leitura mecânica é bem diferente da leitura compartilhamento é semelhante em todas as cidades. Em
interpretativa, aquela que fazemos ao estabelecer analogias e Porto Alegre, os usuários devem fazer um cadastro pelo site. O
criar inferências. Para que você não sofra mais com a análise valor do passe mensal é R$ 10 e o do passe diário, R$ 5,
de textos, elaboramos algumas dicas para você seguir e tirar podendo-se utilizar o sistema durante todo o dia, das 6h às
suas dúvidas. 22h, nas duas modalidades. Em todas as cidades que já
Uma interpretação de texto competente depende de aderiram ao projeto, as bicicletas estão espalhadas em pontos
inúmeros fatores, mas nem por isso deixaremos de contemplar estratégicos.
alguns que se fazem essenciais para esse exercício. Muitas A cultura do uso da bicicleta como meio de locomoção não
vezes, apressados, descuidamo-nos das minúcias presentes está consolidada em nossa sociedade. Muitos ainda não sabem
em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz que a bicicleta já é considerada um meio de transporte, ou
suficiente, o que não é verdade. Interpretar demanda paciência desconhecem as leis que abrangem a bike. Na confusão de um
e, por isso, sempre releia, pois uma segunda leitura pode trânsito caótico numa cidade grande, carros, motocicletas,
apresentar aspectos surpreendentes que não foram ônibus e, agora, bicicletas, misturam-se, causando, muitas
observados anteriormente. Para auxiliar na busca de sentidos vezes, discussões e acidentes que poderiam ser evitados.
do texto, você pode também retirar dele os tópicos frasais Ainda são comuns os acidentes que atingem ciclistas. A
presentes em cada parágrafo, isso certamente auxiliará na verdade é que, quando expostos nas vias públicas, eles estão
apreensão do conteúdo exposto. Lembre-se de que os totalmente vulneráveis em cima de suas bicicletas. Por isso é
parágrafos não estão organizados, pelo menos em um bom tão importante usar capacete e outros itens de segurança. A
maior parte dos motoristas de carros, ônibus, motocicletas e
texto, de maneira aleatória, se estão no lugar que estão, é
caminhões desconhece as leis que abrangem os direitos dos
porque ali se fazem necessários, estabelecendo uma relação ciclistas. Mas muitos ciclistas também ignoram seus direitos e
hierárquica do pensamento defendido, retomando ideias deveres. Alguém que resolve integrar a bike ao seu estilo de
supracitadas ou apresentando novos conceitos. vida e usá-la como meio de locomoção precisa compreender
Para finalizar, concentre-se nas ideias que de fato foram que deverá gastar com alguns apetrechos necessários para
explicitadas pelo autor: os textos argumentativos não poder trafegar. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro,
costumam conceder espaço para divagações ou hipóteses, as bicicletas devem, obrigatoriamente, ser equipadas com
supostamente contidas nas entrelinhas. Devemos nos ater às campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e
ideias do autor, isso não quer dizer que você precise ficar preso nos pedais, além de espelho retrovisor do lado esquerdo.
(Bárbara Moreira, http://www.eusoufamecos.net. Adaptado)
na superfície do texto, mas é fundamental que não criemos, à
revelia do autor, suposições vagas e inespecíficas. Quem lê com 01. De acordo com o texto, o uso da bicicleta como meio de
cuidado certamente incorre menos no risco de tornar-se um locomoção nas metrópoles brasileiras
analfabeto funcional e ler com atenção é um exercício que deve (A) decresce em comparação com Holanda e Inglaterra
ser praticado à exaustão, assim como uma técnica, que fará de devido à falta de regulamentação.
nós leitores proficientes e sagazes. Agora que você já conhece (B) vem se intensificando paulatinamente e tem sido
nossas dicas, desejamos a você uma boa leitura e bons estudos! incentivado em várias cidades.
Fonte: http://portugues.uol.com.br/redacao/dicas-para-uma-boa- (C) tornou-se, rapidamente, um hábito cultivado pela
interpretacao-texto.html maioria dos moradores.
(D) é uma alternativa dispendiosa em comparação com os
Questões demais meios de transporte.
(E) tem sido rejeitado por consistir em uma atividade
O uso da bicicleta no Brasil arriscada e pouco salutar.

A utilização da bicicleta como meio de locomoção no Brasil 02. A partir da leitura, é correto concluir que um dos
ainda conta com poucos adeptos, em comparação com países objetivos centrais do texto é
como Holanda e Inglaterra, por exemplo, nos quais a bicicleta (A) informar o leitor sobre alguns direitos e deveres do
é um dos principais veículos nas ruas. Apesar disso, cada vez ciclista.
mais pessoas começam a acreditar que a bicicleta é, numa (B) convencer o leitor de que circular em uma bicicleta é
comparação entre todos os meios de transporte, um dos que mais seguro do que dirigir um carro.
oferecem mais vantagens. (C) mostrar que não há legislação acerca do uso da bicicleta
A bicicleta já pode ser comparada a carros, motocicletas e no Brasil.
a outros veículos que, por lei, devem andar na via e jamais na (D) explicar de que maneira o uso da bicicleta como meio
calçada. Bicicletas, triciclos e outras variações são todos de locomoção se consolidou no Brasil.
considerados veículos, com direito de circulação pelas ruas e (E) defender que, quando circular na calçada, o ciclista
prioridade sobre os automotores. deve dar prioridade ao pedestre.

Língua Portuguesa 4
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

03. Considere o cartum de Evandro Alves. impedir que este chegue onde precisa.

Afogado no Trânsito Essa é a evolução de pensamento que alguém poderá ter


antes de passar para a ira de trânsito de fato, levando um
motorista a tomar decisões irracionais.
Dirigir pode ser uma experiência arriscada e emocionante.
Para muitos de nós, os carros são a extensão de nossa
personalidade e podem ser o bem mais valioso que possuímos.
Dirigir pode ser a expressão de liberdade para alguns, mas
também é uma atividade que tende a aumentar os níveis de
estresse, mesmo que não tenhamos consciência disso no
momento.
Dirigir é também uma atividade comunitária. Uma vez que
entra no trânsito, você se junta a uma comunidade de outros
motoristas, todos com seus objetivos, medos e habilidades ao
(http://iiiconcursodecartumuniversitario.blogspot.com.br)
volante. Os psicólogos Leon James e Diane Nahl dizem que um
dos fatores da ira de trânsito é a tendência de nos
Considerando a relação entre o título e a imagem, é correto concentrarmos em nós mesmos, descartando o aspecto
concluir que um dos temas diretamente explorados no cartum comunitário do ato de dirigir.
é Como perito do Congresso em Psicologia do Trânsito, o Dr.
(A) o aumento da circulação de ciclistas nas vias públicas. James acredita que a causa principal da ira de trânsito não são
(B) a má qualidade da pavimentação em algumas ruas. os congestionamentos ou mais motoristas nas ruas, e sim
(C) a arbitrariedade na definição dos valores das multas. como nossa cultura visualiza a direção agressiva. As crianças
(D) o número excessivo de automóveis nas ruas. aprendem que as regras normais em relação ao
(E) o uso de novas tecnologias no transporte público. comportamento e à civilidade não se aplicam quando
dirigimos um carro. Elas podem ver seus pais envolvidos em
04. Considere o cartum de Douglas Vieira. comportamentos de disputa ao volante, mudando de faixa
continuamente ou dirigindo em alta velocidade, sempre com
Televisão pressa para chegar ao destino.
Para complicar as coisas, por vários anos psicólogos
sugeriam que o melhor meio para aliviar a raiva era
descarregar a frustração. Estudos mostram, no entanto, que a
descarga de frustrações não ajuda a aliviar a raiva. Em uma
situação de ira de trânsito, a descarga de frustrações pode
transformar um incidente em uma violenta briga.
Com isso em mente, não é surpresa que brigas violentas
aconteçam algumas vezes. A maioria das pessoas está
predisposta a apresentar um comportamento irracional
quando dirige. Dr. James vai ainda além e afirma que a maior
parte das pessoas fica emocionalmente incapacitada quando
dirige. O que deve ser feito, dizem os psicólogos, é estar ciente
de seu estado emocional e fazer as escolhas corretas, mesmo
(http://iiiconcursodecartumuniversitario.blogspot.com.br. Adaptado) quando estiver tentado a agir só com a emoção.
(Jonathan Strickland. Disponível em: http://carros.hsw.uol.com.br/furia-no-
É correto concluir que, de acordo com o cartum , transito1 .htm. Acesso em: 01.08.2013. Adaptado)
(A) os tipos de entretenimento disponibilizados pelo livro
ou pela TV são equivalentes. Gabarito
(B) o livro, em comparação com a TV, leva a uma
imaginação mais ativa. 1. (B) / 2. (A) / 3. (D) / 4. (B)
(C) o indivíduo que prefere ler a assistir televisão é alguém
que não sabe se distrair.
(D) a leitura de um bom livro é tão instrutiva quanto Estruturação do texto e dos
assistir a um programa de televisão. parágrafos.
(E) a televisão e o livro estimulam a imaginação de modo
idêntico, embora ler seja mais prazeroso.

Leia o texto para responder às questões: ESTRUTURAÇÃO DOS TEXTOS E DOS PARÁGRAFOS

Propensão à ira de trânsito Os elementos essenciais para a composição de um texto


são: introdução, desenvolvimento e conclusão1.
Dirigir um carro é estressante, além de inerentemente Analisemos cada uma das partes separadamente:
perigoso. Mesmo que o indivíduo seja o motorista mais seguro
do mundo, existem muitas variáveis de risco no trânsito, como Introdução: apresentação direta e objetiva da ideia
clima, acidentes de trânsito e obras nas ruas. central do texto.
E com relação a todas as outras pessoas nas ruas? Algumas Caracteriza-se por ser o parágrafo inicial.
não são apenas maus motoristas, sem condições de dirigir, mas
também se engajam num comportamento de risco – algumas Desenvolvimento: estruturalmente, é a maior parte
até agem especificamente para irritar o outro motorista ou contida no texto. O desenvolvimento estabelece uma relação

1 https://www.algosobre.com.br/redacao/a-unidade-basica-do-texto-estrutura-
do-paragrafo.html

Língua Portuguesa 5
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

entre a introdução e a conclusão, pois é nesta etapa que as 02. (IF/SC - Professor Português - IF/SC/2017) Leias as
ideias, argumentos e posicionamento do autor vão sendo afirmativas a seguir:
formados e desenvolvidos com o intuito de dirigir a atenção do
leitor para a conclusão. I. O tópico frasal assemelha-se ao lead do texto jornalístico.
Em um bom desenvolvimento as ideias devem ser claras e Pode estar expresso na forma interrogativa e, geralmente, é
capazes de fazer com que o leitor anteceda a conclusão. utilizado no começo do parágrafo, contribuindo com o
desenvolvimento da ideia.
Os três principais erros cometidos durante a elaboração do II. São formas de desenvolvimento de parágrafo:
desenvolvimento são: exploração de aspectos espaciais, citação de exemplos,
1. Distanciamento do texto em relação à discussão inicial. exposição de ideias análogas ou apresentação de razões,
2. Concentrar-se em apenas um tópico do tema e esquecer causas, consequências e efeitos.
os demais. III. Paralelismo semântico e gramatical são vícios de
3. Tecer muitas ideias ou informações e não conseguir linguagem que configuram problemas de coesão textual.
organizá-las ou relacioná-las, dificultando, assim, a linha de IV. No que se refere à coerência textual, a intertextualidade
entendimento do leitor. é um fator importante.

Conclusão: é o ponto de chegada de todas as Assinale a alternativa que apresenta somente as


argumentações elencadas no desenvolvimento, ou seja, é o afirmativas CORRETAS.
fechamento do texto e dos questionamentos propostos pelo (A) II, III
autor. (B) I, II
Na elaboração da conclusão deve-se evitar as construções (C) I, II, IV
padrões como: “Portanto, como já dissemos antes...”, (D) I, III, IV
“Concluindo...”, “Em conclusão, ...”. (E) II, IV

Parágrafo Gabarito
01.E / 02.C
Esteticamente, o parágrafo se caracteriza como um sutil
recuo em relação à margem esquerda da folha;
conceitualmente, o parágrafo completo deve dispor de Articulação do texto:
introdução, desenvolvimento e conclusão.
- Introdução - também denominada de tópico frasal, pronomes e expressões
constitui-se pela apresentação da ideia principal, feita de referenciais, nexos,
maneira sintética de acordo com os objetivos do autor... operadores sequenciais.
- Desenvolvimento - fundamenta-se na ampliação do
tópico frasal, atribuído pelas ideias secundárias, com vistas a
reforçar e conferir credibilidade na discussão.
- Conclusão - caracteriza-se pela retomada da ideia central Pronome
associando-a aos pressupostos mencionados no
desenvolvimento, procurando arrematá-los. É a palavra que acompanha ou substitui o nome,
relacionando-o a uma das três pessoas do discurso. As três
Exemplo de um parágrafo bem estruturado (com pessoas do discurso são:
introdução, desenvolvimento e conclusão): 1ª pessoa: eu (singular) nós (plural): aquela que fala ou
emissor;
(Ideia-núcleo) A poluição que se verifica principalmente 2ª pessoa: tu (singular) vós (plural): aquela com quem se
nas capitais do país é um problema relevante, para cuja fala ou receptor;
solução é necessária uma ação conjunta de toda a sociedade. 3ª pessoa: ele, ela (singular) eles, elas (plural): aquela de
quem se fala ou referente.
(Ideia secundária) O governo, por exemplo, deve rever sua
legislação de proteção ao meio ambiente, ou fazer valer as leis Os pronomes são classificados em: pessoais, de tratamento,
em vigor; o empresário pode dar sua contribuição, instalando possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e
filtro de controle dos gases e líquidos expelidos, e a população, relativos.
utilizando menos o transporte individual e aderindo aos
programas de rodízio de automóveis e caminhões, como já Pronomes Pessoais
ocorre em São Paulo. Os pronomes pessoais dividem-se em:
(Conclusão) Medidas que venham a excluir qualquer um - Retos - exercem a função de sujeito da oração.
desses três setores da sociedade tendem a ser inócuas no - Oblíquos - exercem a função de complemento do verbo
combate à poluição e apenas onerar as contas públicas. (objeto direto / objeto indireto). São: tônicos com preposição
ou átonos sem preposição.
Questões
Pessoas do Retos Oblíquos
Discurso Átonos Tônicos
01. (TRE/PA - Analista Judiciário - IADES) Segundo
Singular 1ª pessoa eu me mim,
Reale (1965, p.9), “o direito é realidade universal. Onde quer 2ª pessoa tu te comigo
que exista o homem, aí existe o direito como expressão de vida 3ª pessoa ele/ela se, o, a, ti, contigo
e de convivência”. No trecho apresentado, o tópico frasal é lhe si, ele,
representado pelo vocábulo. consigo
(A) realidade. Plural 1ª pessoa nós nos nós,
(B) homem. 2ª pessoa vós vos conosco
(C) vida. 3ª pessoa eles/elas se, os, as, vós,
(D) convivência. lhes convosco
si, eles,
(E) direito.
consigo

Língua Portuguesa 6
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

- Colocados antes do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª te+o: (to). Ex.: Dei-te os meus melhores dias. Dei-tos.
pessoa, apresentam sempre a forma: o, a, os, as: Eu os vi saindo lhe+o: (lho). Ex.: Ofereci-lhe flores. Ofereci-lhas.
do teatro. vos+o: (vo-lo). E.: Pedi-vos conselho. Pedi vo-lo.
- As palavras “só” e “todos” sempre acompanham os
pronomes pessoais do caso reto: Eu vi só ele ontem. No Brasil, quase não se usam essas combinações (mo, to,
- Colocados depois do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª lho, no-lo, vo-lo), são usadas somente em escritores mais
pessoa apresentam as formas: sofisticados.
o, a, os, as: se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral:
Encontrei-a sozinha. Vejo-os diariamente. Pronomes de Tratamento
o, a, os, as, precedidos de verbos terminados em: R/S/Z, São usados no trato com as pessoas. Dependendo da
assumem as formas: lo, Ia, los, las, perdendo, pessoa a quem nos dirigimos, do seu cargo, idade, título, o
consequentemente, as terminações R, S, Z. Preciso pagar ao tratamento será familiar ou cerimonioso.
verdureiro. (= pagá-lo); Fiz os exercícios a lápis. (= Fi-los a
lápis) Vossa Alteza - V.A. - príncipes, duques;
lo, la, los, las: se vierem depois de: eis / nos / vos - Eis a Vossa Eminência - V.Ema - cardeais;
prova do suborno. (= Ei-la); O tempo nos dirá. (= no-lo dirá). Vossa Excelência - V.Ex.a - altas autoridades, presidente,
(eis, nos, vos perdem o S) oficiais;
no, na, nos, nas: se o verbo terminar em ditongo nasal: m, Vossa Magnificência - V.Mag.a - reitores de universidades;
ão, õe: Deram-na como vencedora; Põe-nos sobre a mesa. Vossa Majestade - V.M. - reis, imperadores;
lhe, lhes colocados depois do verbo na 1ª pessoa do plural, Vossa Santidade - V.S. - Papa;
terminado em S não modificado: Nós entregamoS-lhe a cópia Vossa Senhoria -V.Sa - tratamento cerimonioso.
do contrato. (o S permanece) - São também pronomes de tratamento: o senhor, a
nos: colocado depois do verbo na 1ª pessoa do plural, senhora, a senhorita, dona, você.
perde o S: Sentamo-nos à mesa para um café rápido. - Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico.
me, te, lhe, nos, vos: quando colocado com verbos
transitivos diretos (TD), têm sentido possessivo, equivalendo Nas comunicações oficiais devem ser utilizados somente
a meu, teu, seu, dele, nosso, vosso: Os anos roubaram-lhe a dois fechos:
esperança. (sua, dele, dela possessivo) Respeitosamente: para autoridades superiores, inclusive
para o presidente da República.
Os pronomes pessoais oblíquos nos, vos, e se recebem o Atenciosamente: para autoridades de mesma hierarquia
nome de pronomes recíprocos quando expressam uma ação ou de hierarquia inferior.
mútua ou recíproca: Nós nos encontramos emocionados.
(pronome recíproco, nós mesmos). Nunca diga: Eu se apavorei. - A forma Vossa (Senhoria, Excelência) é empregada
/ Eu jà se arrumei; Eu me apavorei. / Eu me arrumei. (certos) quando se fala com a própria pessoa: Vossa Senhoria não
- Os pronomes pessoais retos eu e tu serão substituidos compareceu à reunião dos sem-terra? (falando com a pessoa)
por mim e ti após preposição: O segredo ficará somente entre - A forma Sua (Senhoria, Excelência ) é empregada quando
mim e ti. se fala sobre a pessoa: Sua Eminência, o cardeal, viajou para
- É obrigatório o emprego dos pronomes pessoais eu e tu, um congresso. (falando a respeito do cardeal)
quando funcionarem como sujeito: Todos pediram para eu - Os pronomes de tratamento com a forma Vossa (Senhoria,
relatar os fatos cuidadosamente. (pronome reto + verbo no Excelência, Eminência, Majestade), embora indiquem a 2ª
infinitivo). Lembre-se de que mim não fala, não escreve, não pessoa (com quem se fala), exigem que outros pronomes e o
compra, não anda. verbo sejam usados na 3ª pessoa. Vossa Excelência sabe que
- As formas oblíquas o, a, os, as são sempre empregadas seus ministros o apoiarão.
como complemento de verbos transitivos diretos ao passo
que as formas lhe, lhes são empregadas como complementos Pronomes Possessivos
de verbos transitivos indiretos: Dona Cecília, querida amiga, São os pronomes que indicam posse em relação às pessoas
chamou-a. (verbo transitivo direto, VTD); Minha saudosa da fala.
comadre, Nircléia, obedeceu-lhe. (verbo transitivo
indireto,VTI) Masculino Feminino
Singular Plural Singular Plural
- É comum, na linguagem coloquial, usar o brasileiríssimo meu meus minha minhas
a gente, substituindo o pronome pessoal nós: A gente deve teu teus tua tuas
fazer caridade com os mais necessitados. seu seus sua suas
- Chamam-se pronomes pessoais reflexivos os pronomes nosso nossos nossa nossas
vosso vossos vossa vossas
que se referem ao sujeito: Eu me feri com o canivete. (eu- 1ª
seu seus sua suas
pessoa- sujeito / me- pronome pessoal reflexivo)
- Os pronomes pessoais oblíquos se, si e consigo devem ser
Emprego dos Pronomes Possessivos
empregados somente como pronomes pessoais reflexivos e
funcionam como complementos de um verbo na 3ª pessoa,
- O uso do pronome possessivo da 3ª pessoa pode
cujo sujeito é também da 3ª pessoa: Nicole levantou-se com
provocar, às vezes, a ambiguidade da frase. Ex.: João Luís disse
elegância e levou consigo (com ela própria) todos os olhares.
que Laurinha estava trabalhando em seu consultório. O
(Nicole- sujeito, 3ª pessoa / levantou- verbo, 3ª pessoa /
pronome seu toma o sentido ambíguo, pois pode referir-se
se- complemento, 3ª pessoa / levou- verbo, 3ª pessoa /
tanto ao consultório de João Luís como ao de Laurinha. No
consigo- complemento, 3ª pessoa).
caso, usa-se o pronome dele, dela para desfazer a ambiguidade.
- Os pronomes oblíquos me, te, lhe, nos, vos, lhes (formas de
- Os possessivos, às vezes, podem indicar aproximações
Objeto Indireto) juntam-se a o, a, os, as (formas de Objeto
numéricas e não posse: Cláudia e Haroldo devem ter seus
Direto), assim:
trinta anos.
me+o (mo). Ex.: Recebi a carta e agradeci ao jovem, que ma
- Na linguagem popular, o tratamento seu como em: Seu
trouxe.
Ricardo, pode entrar!, não tem valor possessivo, pois é uma
nos+o (no-lo). Ex.: Venderíamos a casa, se no-la exigissem.
alteração fonética da palavra senhor.

Língua Portuguesa 7
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo Emprego dos Pronomes Indefinidos


concorda com o mais próximo. Ex.: Trouxe-me seus livros e
anotações. - O indefinido cada deve sempre vir acompanhado de um
- Usam-se elegantemente certos pronomes oblíquos: me, substantivo ou numeral, nunca sozinho: Ganharam cem
te, lhe, nos, vos, com o valor de possessivos. Vou seguir-lhe os dólares cada um. (inadequado: Ganharam cem dólares cada.)
passos. (os seus passos) - Certo, certa, certos, certas, vários, várias, são indefinidos
- Deve-se observar as correlações entre os pronomes quando colocados antes dos substantivos, e adjetivos quando
pessoais e possessivos. “Sendo hoje o dia do teu aniversário, colocados depois do substantivo: Certo dia perdi o controle da
apresso-me em apresentar-te os meus sinceros parabéns; situação. (antes do substantivo= indefinido); Eles voltarão no
Peço a Deus pela tua felicidade; Abraça-te o teu amigo que te dia certo. (depois do substantivo=adjetivo).
preza.” - Todo, toda (somente no singular) sem artigo, equivale a
- Não se emprega o pronome possessivo (seu, sua) quando qualquer: Todo ser nasce chorando. (=qualquer ser;
se trata de parte do corpo. Ex.: Um cavaleiro todo vestido de indetermina, generaliza).
negro, com um falcão em seu ombro esquerdo e uma espada - Outrem significa outra pessoa. Ex.: Nunca se sabe o
em sua, mão. (usa-se: no ombro; na mão) pensamento de outrem.
- Qualquer, plural quaisquer. Ex.: Fazemos quaisquer
Pronomes Demonstrativos negócios.
Indicam a posição dos seres designados em relação às
pessoas do discurso, situando-os no espaço ou no tempo. Locuções Pronominais Indefinidas: são locuções
Apresentam-se em formas variáveis e invariáveis. pronominais indefinidas duas ou mais palavras que equivalem
ao pronome indefinido: cada qual / cada um / quem quer que
este, esta, isto, estes, estas seja / seja quem for / qualquer um / todo aquele que / um ou
Ex.: outro / tal qual (=certo).
Não gostei deste livro aqui.
Neste ano, tenho realizado bons negócios. Pronomes Relativos
Esta afirmação me deixou surpresa: gostava de química.
São aqueles que representam, numa 2ª oração, alguma
O homem e a mulher são massacrados pela cultura atual,
mas esta é mais oprimida. palavra que já apareceu na oração anterior. Essa palavra da
esse, essa, esses, essas oração anterior chama-se antecedente: Comprei um carro que
Ex.: é movido a álcool e à gasolina. É Flex Power. Percebe-se que o
Não gostei desse livro que está em tuas mãos. pronome relativo que, substitui na 2ª oração, o carro, por isso
Nesse último ano, realizei bons negócios. a palavra que é um pronome relativo. Dica: substituir que por
Gostava de química. Essa afirmação me deixou surpresa. o, a, os, as, qual / quais.
aquele, aquela, aquilo, aqueles, aquelas Os pronomes relativos estão divididos em variáveis e
Ex.: invariáveis.
Não gostei daquele livro que a Roberta trouxe. Variáveis: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja,
Tenho boas recordações de 1960, pois naquele ano realizei
cujas, quanto, quantos;
bons negócios.
O homem e a mulher são massacrados pela cultura atual, Invariáveis: que, quem, quando, como, onde.
mas esta é mais oprimida que aquele.
Emprego dos Pronomes Relativos
- para retomar elementos já enunciados, usamos aquele (e
variações) para o elemento que foi referido em 1º Iugar e este - O relativo que, por ser o mais usado, é chamado de
(e variações) para o que foi referido em último lugar. Ex.: Pais relativo universal. Ele pode ser empregado com referência à
e mães vieram à festa de encerramento; aqueles, sérios e pessoa ou coisa, no plural ou no singular. Ex.: Este é o CD novo
orgulhosos, estas, elegantes e risonhas. que acabei de comprar; João Adolfo é o cara que pedi a Deus.
- dependendo do contexto os demonstrativos também - O relativo que pode ter por seu antecedente o pronome
servem como palavras de função intensificadora ou demonstrativo o, a, os, as. Ex.: Não entendi o que você quis
depreciativa. Ex.: Júlia fez o exercício com aquela calma! dizer. (o que = aquilo que).
(=expressão intensificadora). Não se preocupe; aquilo é uma - O relativo quem refere se a pessoa e vem sempre
tranqueira! (=expressão depreciativa) precedido de preposição. Ex.: Marco Aurélio é o advogado a
- as formas nisso e nisto podem ser usadas com valor de quem eu me referi.
então ou nesse momento. Ex.: A festa estava desanimada; nisso, - O relativo cujo e suas flexões equivalem a de que, do qual,
a orquestra tocou um samba e todos caíram na dança. de quem e estabelecem relação de posse entre o antecedente e
- os demonstrativos esse, essa, são usados para destacar um o termo seguinte. (cujo, vem sempre entre dois substantivos)
elemento anteriormente expresso. Ex.: Ninguém ligou para o - O pronome relativo pode vir sem antecedente claro,
incidente, mas os pais, esses resolveram tirar tudo a limpo. explícito; é classificado, portanto, como relativo indefinido, e
não vem precedido de preposição. Ex.: Quem casa quer casa;
Pronomes Indefinidos Feliz o homem cujo objetivo é a honestidade; Estas são as
São aqueles que se referem à 3ª pessoa do discurso de pessoas de cujos nomes nunca vou me esquecer.
modo vago indefinido, impreciso: Alguém disse que Paulo - Só se usa o relativo cujo quando o consequente é
César seria o vencedor. Alguns desses pronomes são variáveis diferente do antecedente. Ex.: O escritor cujo livro te falei é
em gênero e número; outros são invariáveis. paulista.
Variáveis: algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, - O pronome cujo não admite artigo nem antes nem depois
certo, vários, tanto, quanto, um, bastante, qualquer. de si.
Invariáveis: alguém, ninguém, tudo, outrem, algo, quem, - O relativo onde é usado para indicar lugar e equivale a:
nada, cada, mais, menos, demais. em que, no qual. Ex.: Desconheço o lugar onde vende tudo
mais barato. (= lugar em que)
- Quanto, quantos e quantas são relativos quando usados
depois de tudo, todos, tanto. Ex.: Naquele momento, a querida
comadre Naldete, falou tudo quanto sabia.

Língua Portuguesa 8
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Pronomes Interrogativos Os Emirados Árabes estão investindo em fontes energéticas


São os pronomes em frases interrogativas diretas ou renováveis. Não vão substituir o petróleo, que eles têm de sobra
indiretas. Os principais interrogativos são: que, quem, qual, por mais 100 anos pelo menos. O que pretendem é diversificar e
quanto: poluir menos. Uma aposta no futuro.
- Afinal, quem foram os prefeitos desta cidade? A preocupação com o planeta levou Abu Dhabi a tirar do
(interrogativa direta, COM o ponto de interrogação) papel a cidade sustentável de Masdar. Dez por cento do
- Gostaria de saber quem foram os prefeitos desta cidade. planejado está pronto. Um traçado urbanístico ousado, que
(interrogativa indireta, SEM a interrogação) deixa os carros de fora. Lá só se anda a pé ou de bicicleta. As ruas
são bem estreitas para que um prédio faça sombra no outro. É
Questões perfeito para o deserto. Os revestimentos das paredes isolam o
calor. E a direção dos ventos foi estudada para criar corredores
01. (CRP 2º Região/PE - Psicólogo Orientador - Fiscal - de brisa.
Quadrix/2018) (Adaptado de: “Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a
energia solar”. Disponível
em:http://g1.globo.com/globoreporter/noticia/2016/04/abu-dhabi-constroi-
cidade-do-futuro-com-tudo-movido-energia-solar.html)

Considere as seguintes passagens do texto:


I. E foi exatamente por causa da temperatura que foi
construída em Abu Dhabi uma das maiores usinas de energia
solar do mundo. (1º parágrafo)
II. Não vão substituir o petróleo, que eles têm de sobra por
mais 100 anos pelo menos. (2º parágrafo)
III. Um traçado urbanístico ousado, que deixa os carros de
fora. (3º parágrafo)
IV. As ruas são bem estreitas para que um prédio faça
sombra no outro. (3º parágrafo)

O termo “que” é pronome e pode ser substituído por “o


qual” APENAS em
(A) I e II.
(B) II e III.
(C) I, II e IV.
(D) I e IV.
(E) III e IV.
Em "Mas ele não tinha muitas chances", as palavras
classificam-se, morfologicamente, na ordem em que aparecem, 04. (Pref. Itaquitinga/PE - Assistente Administrativo -
como IDHTEC/2016)
(A) preposição, pronome, advérbio, ação, nome e adjetivo.
(B) conjunção, pronome, advérbio, verbo, pronome e
substantivo.
(C) interjeição, pronome, nome, verbo, artigo e adjetivo.
(D) conector, nome, adjetivo, verbo, pronome e nome.
(E) conjunção, substantivo, advérbio, verbo, advérbio e
adjetivo.

02. (IF/PA - Auxiliar em Administração -


FUNRIO/2016) O emprego do pronome relativo está de
acordo com as normas da língua-padrão em:
(A) Finalmente aprovaram o decreto que lutamos tanto
por ele.
(B) Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo que tenho
O emprego do pronome “aquela” na charge:
direito.
(A) Dá uma conotação irônica à frase.
(C) Eu aprovaria o texto daquele parecer que o relator
(B) Representa uma forma indireta de se dirigir ao casal.
apresentou ontem.
(C) Permite situar no espaço aquilo a que se refere.
(D) Existe um escritor brasileiro que todos os brasileiros
(D) Indica posse do falante.
nos orgulhamos.
(E) Evita a repetição do verbo.
(E) Na política, às vezes acontecem traições onde mostram
muita sordidez.
05. (Pref. Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala -
FEPESE/2016) Analise a frase abaixo:
03. (Eletrobras/Eletrosul - Técnico de Segurança do
Trabalho - FCC/2016)
“O professor discutiu............mesmos a respeito da
desavença entre .........e ........ .
Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a
energia solar
Assinale a alternativa que completa corretamente as
lacunas do texto.
Bem no meio do deserto, há um lugar onde o calor é extremo.
(A) com nós - eu - ti
Sessenta e três graus ou até mais no verão. E foi exatamente por
(B) conosco - eu - tu
causa da temperatura que foi construída em Abu Dhabi uma das
(C) conosco - mim - ti
maiores usinas de energia solar do mundo.
(D) conosco - mim - tu
(E) com nós - mim - ti
Língua Portuguesa 9
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Gabarito - Soberba e humildade.


- Louvar e censurar.
01.B / 02.C / 03.B / 04.C / 05.E - Mal e bem.

A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido


Significação contextual de oposto ou negativo.
Exemplos:
palavras e expressões. - bendizer/maldizer
- simpático/antipático
- progredir/regredir
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS - concórdia/discórdia
- explícito/implícito
O significado das palavras2 é estudado pela semântica, a - ativo/inativo
parte da gramática que estuda não só o sentido das palavras - esperar/desesperar
como as relações de sentido que as palavras estabelecem entre
si: relações de sinonímia, antonímia, paronímia, homonímia... Questões
Compreender essas relações nos proporciona o
alargamento do nosso universo semântico, contribuindo para 01. (MPE/SP – Biólogo – VUNESP) McLuhan já alertava
uma maior diversidade vocabular e maior adequação aos que a aldeia global resultante das mídias eletrônicas não
diversos contextos e intenções comunicativas. implica necessariamente harmonia, implica, sim, que cada
participante das novas mídias terá um envolvimento
Sinônimos gigantesco na vida dos demais membros, que terá a chance de
meter o bedelho onde bem quiser e fazer o uso que quiser das
Trata3 de palavras diferentes na forma, mas com sentidos informações que conseguir. A aclamada transparência da coisa
iguais ou aproximados. Tudo depende do contexto e da pública carrega consigo o risco de fim da privacidade e a
intenção do falante. superexposição de nossas pequenas ou grandes fraquezas
Vale lembrar também que muitas palavras são sinônimas, morais ao julgamento da comunidade de que escolhemos
se levarmos em conta as variações geográficas (aipim = participar.
macaxeira; mexerica = tangerina; pipa = papagaio; aipo = Não faz sentido falar de dia e noite das redes sociais,
salsão...). apenas em número de atualizações nas páginas e na
Exemplos de sinônimos: capacidade dos usuários de distinguir essas variações como
- Brado, grito, clamor. relevantes no conjunto virtualmente infinito das
- Extinguir, apagar, abolir, suprimir. possibilidades das redes. Para achar o fio de Ariadne no
- Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial. labirinto das redes sociais, os usuários precisam ter a
habilidade de identificar e estimar parâmetros, aprender a
Na maioria das vezes não tem diferença usar um sinônimo extrair informações relevantes de um conjunto finito de
ou outro. Embora tenham sentido comum, os sinônimos observações e reconhecer a organização geral da rede de que
diferenciam-se, entretanto, uns dos outros, por nuances de participam.
significação e certas propriedades que o escritor não pode O fluxo de informação que percorre as artérias das redes
desconhecer. sociais é um poderoso fármaco viciante. Um dos neologismos
Com efeito, estes têm sentido mais amplo, aqueles, mais recentes vinculados à dependência cada vez maior dos jovens
restrito (animal e quadrúpede); uns são próprios da fala a esses dispositivos é a “nomobofobia” (ou “pavor de ficar sem
corrente, vulgar, outros, ao invés, pertencem à esfera da conexão no telefone celular”), descrito como a ansiedade e o
linguagem culta, literária, científica ou poética (orador e sentimento de pânico experimentados por um número
tribuno, oculista e oftalmologista, cinzento e cinéreo). crescente de pessoas quando acaba a bateria do dispositivo
Exemplos: móvel ou quando ficam sem conexão com a Internet. Essa
- Adversário e antagonista. informação, como toda nova droga, ao embotar a razão e abrir
- Translúcido e diáfano. os poros da sensibilidade, pode tanto ser um remédio quanto
- Semicírculo e hemiciclo. um veneno para o espírito.
- Contraveneno e antídoto. (Vinicius Romanini, Tudo azul no universo das redes.
- Moral e ética. Revista USP, no 92. Adaptado)
- Colóquio e diálogo.
- Transformação e metamorfose. As expressões destacadas nos trechos – meter o bedelho
- Oposição e antítese. / estimar parâmetros / embotar a razão – têm sinônimos
adequados respectivamente em:
O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se (A) procurar / gostar de / ilustrar
sinonímia, palavra que também designa o emprego de (B) imiscuir-se / avaliar / enfraquecer
sinônimos. (C) interferir / propor / embrutecer
(D) intrometer-se / prezar / esclarecer
Antônimos (E) contrapor-se / consolidar / iluminar

Trata de palavras, expressões ou frases diferentes na 02. (Pref. Itaquitinga/PE – Psicólogo – IDHTEC) A
forma e com significações opostas, excludentes. Normalmente entrada dos prisioneiros foi comovedora (...) Os combatentes
ocorre por meio de palavras de radicais diferentes, com contemplavam-nos entristecidos. Surpreendiam-se;
prefixo negativo ou com prefixos de significação contrária. comoviam-se. O arraial, in extremis, punhalhes adiante,
Exemplos: naquele armistício transitório, uma legião desarmada,
- Ordem e anarquia. mutilada faminta e claudicante, num assalto mais duro que o

2 https://www.normaculta.com.br/significacao-das-palavras/ 3Pestana, Fernando. A gramática para concursos públicos / Fernando Pestana. –


1. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

Língua Portuguesa 10
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

das trincheiras em fogo. Custava-lhes admitir que toda aquela - Cela (pequeno quarto), sela (arreio) e sela (verbo selar).
gente inútil e frágil saísse tão numerosa ainda dos casebres - Censo (recenseamento) e senso (juízo).
bombardeados durante três meses. Contemplando-lhes os - Cerrar (fechar) e serrar (cortar).
rostos baços, os arcabouços esmirrados e sujos, cujos - Paço (palácio) e passo (andar).
molambos em tiras não encobriam lanhos, escaras e - Hera (trepadeira), era (época), era (verbo).
escalavros – a vitória tão longamente apetecida decaía de - Caça (ato de caçar), cassa (tecido) e cassa (verbo cassar =
súbito. Repugnava aquele triunfo. Envergonhava. Era, com anular).
efeito, contraproducente compensação a tão luxuosos gastos - Cessão (ato de ceder), seção (divisão, repartição) e sessão
de combates, de reveses e de milhares de vidas, o apresamento (tempo de uma reunião ou espetáculo).
daquela caqueirada humana – do mesmo passo angulhenta e
sinistra, entre trágica e imunda, passando-lhes pelos olhos, Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na
num longo enxurro de carcaças e molambos... pronúncia.
Nem um rosto viril, nem um braço capaz de suspender uma - Caminhada (substantivo), caminhada (verbo).
arma, nem um peito resfolegante de campeador domado: - Cedo (verbo), cedo (advérbio).
mulheres, sem-número de mulheres, velhas espectrais, moças - Somem (verbo somar), somem (verbo sumir).
envelhecidas, velhas e moças indistintas na mesma fealdade, - Livre (adjetivo), livre (verbo livrar).
escaveiradas e sujas, filhos escanchados nos quadris - Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr).
desnalgados, filhos encarapitados às costas, filhos suspensos - Alude (avalancha), alude (verbo aludir).
aos peitos murchos, filhos arrastados pelos braços, passando;
crianças, sem-número de crianças; velhos, sem-número de Parônimos
velhos; raros homens, enfermos opilados, faces túmidas e
mortas, de cera, bustos dobrados, andar cambaleante. São palavras parecidas na escrita e na pronúncia:
(CUNHA, Euclides da. Os sertões: campanha de Canudos. - coro e couro,
Edição Especial. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980.) - cesta e sesta,
- eminente e iminente,
Em qual das alternativas abaixo NÃO há um par de - degradar e degredar,
sinônimos? - cético e séptico,
(A) Armistício – destruição - prescrever e proscrever,
(B) Claudicante – manco - descrição e discrição,
(C) Reveses – infortúnios - infligir (aplicar) e infringir (transgredir),
(D) Fealdade – feiura - sede (vontade de beber) e cede (verbo ceder),
(E) Opilados – desnutridos - comprimento e cumprimento,
- deferir (conceder, dar deferimento) e diferir (ser diferente,
Gabarito divergir, adiar),
- ratificar (confirmar) e retificar (tornar reto, corrigir),
01.B / 02.A - vultoso (volumoso, muito grande: soma vultosa) e
vultuoso (congestionado: rosto vultuoso).
Homônimos
Questões
Trata de palavras iguais na pronúncia e/ou na grafia, mas
com significados diferentes. Exemplos: 01. (Pref. Lauro Muller/SC – Auxiliar Administrativo –
- São (sadio), são (forma do verbo ser) e são (santo). FAEPESUL) Atento ao emprego dos Homônimos, analise as
- Aço (substantivo) e asso (verbo). palavras sublinhadas e identifique a alternativa CORRETA:
(A) Ainda vivemos no Brasil a descriminação racial. Isso é
Só o contexto é que determina a significação dos crime!
homônimos. A homonímia pode ser causa de ambiguidade, (B) Com a crise política, a renúncia já parecia eminente.
por isso é considerada uma deficiência dos idiomas. (C) Descobertas as manobras fiscais, os políticos irão
O que chama a atenção nos homônimos é o seu aspecto agora expiar seus crimes.
fônico (som) e o gráfico (grafia). Daí serem divididos em: (D) Em todos os momentos, para agir corretamente, é
preciso o bom censo.
Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e diferentes (E) Prefiro macarronada com molho, mas sem estrato de
no timbre ou na intensidade das vogais. tomate.
- Rego (substantivo) e rego (verbo).
- Colher (verbo) e colher (substantivo). 02. (Pref. Cruzeiro/SP – Instrutor de Desenho Técnico
- Jogo (substantivo) e jogo (verbo). e Mecânico – Instituto Excelência) Assinale a alternativa em
- Apoio (verbo) e apoio (substantivo). que as palavras podem servir de exemplos de parônimos:
- Para (verbo parar) e para (preposição). (A) Cavaleiro (Homem a cavalo) – Cavalheiro (Homem
- Providência (substantivo) e providencia (verbo). gentil).
- Pelo (substantivo), pelo (verbo) e pelo (contração de (B) São (sadio) – São (Forma reduzida de Santo).
per+o). (C) Acento (sinal gráfico) – Assento (superfície onde se
senta).
Homófonos Heterográficos: iguais na pronúncia e (D) Nenhuma das alternativas.
diferentes na escrita.
- Acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir). 03. (TJ/MT – Analista Judiciário – Ciências Contábeis –
- Concertar (harmonizar) e consertar (reparar, emendar). UFMT) Na língua portuguesa, há muitas palavras parecidas,
- Concerto (harmonia, sessão musical) e conserto (ato de seja no modo de falar ou no de escrever. A palavra sessão, por
consertar). exemplo, assemelha-se às palavras cessão e seção, mas cada
- Cegar (tornar cego) e segar (cortar, ceifar). uma apresenta sentido diferente. Esse caso, mesmo som,
- Apreçar (determinar o preço, avaliar) e apressar grafias diferentes, denomina-se homônimo heterográfico.
(acelerar).

Língua Portuguesa 11
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Assinale a alternativa em que todas as palavras se encontram gramatical!). Por exemplo, veja os sentidos de “peça”: “peça de
nesse caso. automóvel”, “peça de teatro”, “peça de bronze”, “és uma boa
(A) taxa, cesta, assento peça”, “uma peça de carne” etc.
(B) conserto, pleito, ótico Agora, observe mais estes exemplos:
(C) cheque, descrição, manga Desculpe o bolo que te dei ontem.
(D) serrar, ratificar, emergir Comemos um bolo delicioso na casa da Jéssica.
Tenho um bolo de revistas lá em casa.6
Gabarito
Monossemia é o oposto de polissemia, ou seja, quando a
01.C / 02.A / 03.A palavra tem um único significado.

Hiperonímia e Hiponímia É possível perceber que alguns desses contextos passaram


a fazer sentido por questões sociais, culturais ou históricas
Partindo do princípio de que as palavras estabelecem adquiridas ao longo do tempo. Vale ressaltar, no entanto, que
entre si uma relação de significado, observe este enunciado4: o sentido original descrito no dicionário é o que prevalece,
Fomos à feira e compramos maçã, banana, abacaxi, melão... sendo os demais atribuídos pela analise contextual.
Nossa! Como estavam baratas, pois são frutas da estação.
Atenção aos vocábulos “maçã”, “banana”, “abacaxi”, Polissemia e Homonímia
“melão” e também “frutas”, perguntamo-nos: existe alguma Não confunda polissemia e homonímia. Polissemia remete
relação entre eles? Toda, não é verdade? Desse modo, ao a uma palavra que apresenta diversos significados que se
observar o conceito de hiperonímia e hiponímia, chegaremos encaixam em diversos contextos, enquanto homonímia refere-
à conclusão pretendida. Note: se as duas ou mais palavras que apresentam origens e
significados distintos, mas possuem grafia e fonologia
Hiperonímia5 - como o próprio prefixo já nos indica, esta idênticas.
palavra confere-nos uma ideia de um todo, sendo que deste Por exemplo, “manga” é uma palavra que representa um
todo se originam outras ramificações, como é o caso de frutas. caso de homonímia. O termo designa tanto uma fruta quanto
Palavras e expressões de sentido mais geral. uma parte da camisa. Não se trata de uma polissemia por que
os dois significados são próprios da palavra e têm origens
Hiponímia - demarcando o oposto do conceito da palavra diferentes. Por esse motivo, muitos especialistas defendem
anterior, podemos afirmar que ela representa cada parte, cada que a palavra “manga” deveria possuir duas entradas distintas
item de um todo, no caso: maçã, banana, abacaxi, melão. Sim, no dicionário.
essas são palavras hipônimas. Palavras e expressões com
sentido mais restrito, mas estão associadas ao conjunto maior Polissemia e Ambiguidade
que são as frutas. Tanto a polissemia quanto a ambiguidade são elementos
da linguagem que podem provocar confusões na interpretação
Questões de frases. No caso da ambiguidade, geralmente, o enunciado
apresenta uma construção de palavras que permite mais de
01. Os vocábulos destacados em “Na banca da feira da uma interpretação para a frase em questão.
vinte e cinco, havia cupuaçu, bacuri, taperebá e outras frutas Nem sempre se trata de uma palavra que tenha mais de um
regionais.”, têm relação entre si por possuírem o mesmo significado, mas de como as palavras estão dispostas na frase,
campo semântico, isto é, todos são frutas inclusive típicas da permitindo que as informações sejam interpretadas de mais
Amazônia. de uma maneira. Ex. Jorge criticou severamente a prima de sua
Tais termos destacados, em relação à palavra “fruta”, são amiga, que frequentava o mesmo clube que ele. Nesse caso, o
designados como: pronome que pode estar referindo-se a amiga ou a prima.
(A) hiperônimos. Já no caso da polissemia, por uma mesma palavra possuir
(B) hipônimos. mais de um significado, ela pode fazer com que as pessoas não
(C) cognatos. compreendam o sentido usado no primeiro contato com a
(D) polissêmicos. frase e interpretem o enunciado de uma maneira diferente do
(E) parônimos. que ele era intencionado. Neste caso, para que isso não ocorra,
é importante que fique claro qual é o contexto em que a
02. “O caminhão atravessou a pista e bateu na mureta de palavra foi usada.
proteção, o veículo ficou totalmente destruído”. Na frase acima
a palavra “veículo” representa um caso de: Questão
(A) polissemia;
(B) antonímia; 01. (SANEAGO/GO - Agente de Saneamento - CS/2018)
(C) hiponímia;
(D) hiperonímia; Predestinação
(E) heteronímia.
Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago.
Gabarito Pois chamava-se Mário Lago.
Viu a luz sob o signo de Piscis.
01.B / 02.D Brilhava no céu a constelação de Aquário.
Veio morar no Rio.
Polissemia Quando discutia, sempre levava um banho.
Pois era um temperamento transbordante.
A palavra polissêmica é aquela que, dependendo do Sua arte preferida: água-forte.
contexto, muda de sentido (mas não muda de classe Seu provérbio predileto: "Quem tem capa, escapa".

4 https://portugues.uol.com.br/gramatica/hiperonimia-hiponimia.html 6 PESTANA, Fernando. A gramática para concursos. Elsevier. 2013.


5 https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/gramatica/hiperonimia-hiponimia.htm

Língua Portuguesa 12
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Sua piada favorita: "Ser como o rio: Considerando-se a representação semântica da palavra
seguir o curso sem deixar o leito". “vendo” no contexto da tirinha abaixo, é CORRETO afirmar
Pois estudava: engenharia hidráulica. que ocorre:
Quando conheceu uma moça de primeira água. (A) Denotação.
Foi na onda. (B) Conotação.
Teve que desistir dos estudos quando (C) Homonímia.
já estava na bica para se formar. (D) Homofonia.
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes. (E) Sinonímia.
Donde desceu até ser leiteiro.
Encarregado de pôr água no leite. 04. (Pref. Videira/SC - Agente Administrativo -
Ficou noivo e deu à moça uma água-marinha. ASSCONPP/2016) Observe as frases abaixo:
Mas ela o traiu com um escafandrista. I. A mãe vela pelo sono do filho doente.
E fugiu sem dizer água vai. II. O barco à vela foi movido pelo vento.
Foi aquela água.
Desde então ele só vivia na chuva A palavra vela presenta vários sentidos, esta propriedade
Virou pau de água. das palavras é denominada:
Portanto, com hidrofobia. (A) Homonímia;
Foi morar numa água-furtada. (B) Polissemia;
Deu-lhe água no pulmão. (C) Sinonímia;
Rim flutuante. (D) Antonímia;
Água no joelho. (E) Nenhuma das alternativas anteriores.
Hidropsia.
Bolha d’água. 05. (Pref. Fronteira/MG - Contador - MÁXIMA/2016)
Gota.
Catarata.
Morreu afogado.
FERNANDES, Millôr. Trinta anos de mim mesmo. Editora
Círculo do Livro: São Paulo, 1975.

O humor do texto é construído por meio do jogo entre


palavras denotativas e conotativas. O principal recurso de A mensagem dessa tirinha apoia-se no duplo sentido de
sentido usado, portanto, foi a: uma palavra através de um recurso:
(A) polissemia. (A) Vida - homonímia;
(B) ironia. (B) Balanço - polissemia;
(C) intertextualidade. (C) Balanço - sinonímia;
(D) ambiguidade. (D) Vida - polissemia.
02. (SEDUC/PI - Professor Temporário - Língua Gabarito
Portuguesa - NUCEPE/2018)
01.D / 02.B / 03.C / 04.B / 05.B

Sentido Próprio e Sentido Figurado

As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou


no sentido figurado. Exemplos:
O efeito de humor, na tirinha, é explorado pelo recurso - Construí um muro de pedra. (Sentido próprio).
semântico da: - Ênio tem um coração de pedra. (Sentido figurado).
(A) Sinonímia. - As águas pingavam da torneira. (Sentido próprio).
(B) Polissemia - As horas iam pingando lentamente. (Sentido figurado).
(C) Contradição.
(D) Antonímia. Denotação e Conotação
(E) Ambiguidade.
Denotação é o sentido da palavra interpretada ao pé da
03. (SAMAE de Caxias do Sul/RS - Assistente de letra, isto é, de acordo com o sentido geral que ela tem na
Planejamento - OBJETIVA/2017) maioria dos contextos em que ocorre. É o sentido próprio da
palavra, aquele encontrado no dicionário. Exemplo: “Uma
pedra no meio da rua foi a causa do acidente.”
A palavra “pedra” aqui está usada em sentido literal, ou
seja, o objeto mesmo.

Conotação é o sentido da palavra desviado do usual, isto é,


aquele que se distancia do sentido próprio e costumeiro.
Exemplo: “As pedras atiradas pela boca ferem mais do que as
atiradas pela mão.”
“Pedras”, nesse contexto, não está indicando o que
usualmente significa, mas um insulto, uma ofensa produzida
pelas palavras.

Língua Portuguesa 13
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Ampliação de Sentido próprio termo “velhice" já pede sinônimos politicamente


Fala-se em ampliação de sentido quando a palavra passa a corretos, como “terceira idade", “melhor idade", “maturidade",
designar uma quantidade mais ampla de significado do que o entre outros.
seu original. Uma característica do politicamente correto é que, quando
“Embarcar”, por exemplo, que originariamente era usada ele se manifesta num uso linguístico específico, é porque esse
para designar o ato de viajar em um barco, ampliou uso se refere a um conceito já considerado como algo ruim. A
consideravelmente o sentido e passou a designar a ação de marca essencial do politicamente correto é a hipocrisia
viajar em outros veículos. Hoje se diz, por ampliação de articulada como gesto falso, ideias bem comportadas.
sentido, que um passageiro: Voltando à velhice. Minha leitora entendeu que eu dizia
- embarcou em um trem. que idosos devem se afundar na doença, na solidão e no
- embarcou no ônibus das dez. abandono, e não procurar ser felizes. Mas, quando eu dizia que
- embarcou no avião da força aérea. eles estão fugindo da condição de avós, usava isso como
- embarcou num transatlântico. metáfora da mentira (politicamente correta) quanto ao medo
que temos de afundar na doença, antes de tudo psicológica,
“Alpinista”, na origem, era usado para indicar aquele que devido ao abandono e à solidão, típicos do mundo
escala os Alpes (cadeia montanhosa europeia). Depois, por contemporâneo. Minha crítica era à nossa cultura, e não às
ampliação de sentido, passou a designar qualquer tipo de vítimas dela. Ela cultua a juventude como padrão de vida e está
praticante de escalar montanhas. intimamente associada ao medo do envelhecimento, da dor e
da morte. Sua opção é pela “negação", traço de um dos
Restrição de Sentido sintomas neuróticos descritos por Freud.
Ao lado da ampliação de sentido, existe o movimento Walter Benjamim, filósofo alemão do século XX, dizia que
inverso, isto é, uma palavra passa a designar uma quantidade na modernidade o narrador da vida desapareceu. Isso quer
mais restrita de objetos ou noções do que originariamente. É o dizer que as pessoas encarregadas, antigamente, de narrar a
caso, por exemplo, das palavras que saem da língua geral e vida e propor sentido para ela perderam esse lugar. Hoje os
passam a ser usadas com sentido determinado, dentro de um mais velhos querem “aprender" com os mais jovens (aprender
universo restrito do conhecimento. a amar, se relacionar, comprar, vestir, viajar, estar nas redes
A palavra aglutinação, por exemplo, na nomenclatura sociais). Esse fenômeno, além de cruel com o envelhecimento,
gramatical, é bom exemplo de especialização de sentido. Na é também desorganizador da própria juventude. Ouço
língua geral, ela significa qualquer junção de elementos para cotidianamente, na sala de aula, os alunos demonstrarem seu
formar um todo, porém em Gramática designa apenas um tipo desprezo por pais e mães que querem aprender a viver com
de formação de palavras por composição em que a junção dos eles.
elementos acarreta alteração de pronúncia, como é o caso de Alguns elementos do mundo moderno não ajudam a
pernilongo (perna + longa). combater essa desvalorização dos mais velhos. As ferramentas
Se não houver alteração de pronúncia, já não se diz mais de informação, normalmente mais acessíveis aos jovens,
aglutinação, mas justaposição. A palavra Pernalonga, por aumentam a percepção negativa dos mais velhos diante do
exemplo, que designa uma personagem de desenhos acúmulo de conhecimento posto a serviço dos consumidores,
animados, não se formou por aglutinação, mas por que questionam as “verdades constituídas do passado". A
justaposição. própria estrutura sobre a qual se funda a experiência moderna
Em linguagem científica é muito comum restringir-se o – ciência, técnica, superação de tradição – agrava a
significado das palavras para dar precisão à comunicação. invisibilidade dos mais velhos. Em termos humanos, o passado
A palavra girassol, formada de gira (do verbo girar) + sol, (que “nada" serve ao mundo do progresso) tem um nome:
não pode ser usada para designar, por exemplo, um astro que idoso. Enfim, resta aos vovôs e vovós ir para a academia ou
gira em torno do Sol, seu sentido sofreu restrição, e ela serve para as redes sociais.
para designar apenas um tipo de flor que tem a propriedade (Luiz Felipe Pondé, Somma, agosto 2014, p. 31. Adaptado)
de acompanhar o movimento do Sol.
Há certas palavras que, além do significado explícito, O termo empregado com sentido figurado está em
contêm outros implícitos (ou pressupostos). Os exemplos são destaque na seguinte passagem do texto:
muitos. É o caso do adjetivo outro, por exemplo, que indica (A) Mas o fato de ela ter me entendido mal, o que acontece
certa pessoa ou coisa, pressupondo necessariamente a com frequência quando se discute o tema da velhice…
existência de ao menos uma além daquela indicada. (segundo parágrafo).
Prova disso é que não faz sentido, para um escritor que (B) O motivo da sua pergunta era eu ter dito, em uma de
nunca lançou um livro, dizer que ele estará autografando seu minhas colunas, que hoje em dia não existiam mais vovôs e
outro livro. O uso de outro pressupõe necessariamente ao vovós… (primeiro parágrafo).
menos um livro além daquele que está sendo autografado. (C) Walter Benjamim, filósofo alemão do século XX, dizia
que na modernidade o narrador da vida desapareceu.
Questões (Penúltimo parágrafo).
(D) A própria estrutura sobre a qual se funda a experiência
01. (PC/CE – Delegado de Polícia Civil – VUNESP) moderna – ciência, técnica, superação de tradição – agrava a
invisibilidade dos mais velhos. (Último parágrafo).
A morte do narrador (E) Minha leitora entendeu que eu dizia que idosos devem
se afundar na doença, na solidão e no abandono… (quarto
Recentemente recebi um e-mail de uma leitora parágrafo).
perguntando a razão de eu ter, segundo ela, uma visão tão dura
para com os idosos. O motivo da sua pergunta era eu ter dito, 02. (PC/CE – Escrivão de Polícia Civil – VUNESP)
em uma de minhas colunas, que hoje em dia não existiam mais
vovôs e vovós, porque estavam todos na academia querendo Ficção universitária
parecer com seus netos.
Claro, minha leitora me entendeu mal. Mas o fato de ela ter Os dados do Ranking Universitário publicados em
me entendido mal, o que acontece com frequência quando se setembro de 2013 trazem elementos para que tentemos
discute o tema da velhice, é comum, principalmente porque o desfazer o mito, que consta da Constituição, de que pesquisa e

Língua Portuguesa 14
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

ensino são indissociáveis. É claro que universidades que fazem Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos
pesquisa tendem a reunir a nata dos especialistas, produzir encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou.
mais inovação e atrair os alunos mais qualificados, tornando- Há muitas flores belas no mundo, e a flor do meu pé de milho
se assim instituições que se destacam também no ensino. não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical,
O Ranking Universitário mostra essa correlação de forma beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho
cristalina: das 20 universidades mais bem avaliadas em vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma
termos de ensino, 15 lideram no quesito pesquisa (e as demais coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de
estão relativamente bem posicionadas). Das 20 que saem à milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre
frente em inovação, 15 encabeçam também a pesquisa. Daí não homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou
decorre que só quem pesquisa, atividade estupidamente cara, um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.
seja capaz de ensinar. (Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas, 2001)
O gasto médio anual por aluno numa das três
universidades estaduais paulistas, aí embutidas todas as Assinale a alternativa em que, nas duas passagens, há
despesas que contribuem direta e indiretamente para a boa termos empregados em sentido figurado.
pesquisa, incluindo inativos e aportes de Fapesp, CNPq e (A) ... beijado pelo vento do mar... (3º §) / Meu pé de milho
Capes, é de R$ 46 mil (dados de 2008). Ora, um aluno do é um belo gesto da terra. (3º §)
ProUni custa ao governo algo em torno de R$ 1.000 por ano em (B) Mas ele reagiu. (1º §) / ... na verdade aquilo era capim.
renúncias fiscais. (1º §)
Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber (C) Secaram as pequenas folhas... (1º §) / Sou um
que o país não dispõe de recursos para colocar os quase sete ignorante... (2º §)
milhões de universitários em instituições com o padrão de (D) Ele cresceu, está com dois metros... (2º §) / Tinha visto
investimento das estaduais paulistas. E o Brasil precisa centenas de milharais... (2º §)
aumentar rapidamente sua população universitária. Nossa (E) ... lança as suas folhas além do muro... (2º §) / Há muitas
taxa bruta de escolarização no nível superior beira os 30%, flores belas no mundo... (3º §)
contra 59% do Chile e 63% do Uruguai.
Isso para não mencionar países desenvolvidos como EUA 04. (IF/SC – Técnico de Laboratório)
(89%) e Finlândia (92%). Em vez de insistir na ficção Assinale a opção em que NÃO há palavra usada em sentido
constitucional de que todas as universidades do país precisam conotativo.
dedicar-se à pesquisa, faria mais sentido aceitar o mundo (A) Tuas atitudes são o espelho do teu caráter.
como ele é e distinguir entre instituições de elite voltadas para (B) Regras podem ser estabelecidas para uma convivência
a produção de conhecimento e as que se destinam a difundi-lo. pacífica.
O Brasil tem necessidade de ambas. (C) Pipocavam palavras no texto, como se fossem rabiscos
(Hélio Schwartsman,: http://www1.folha.uol.com.br, 2013.) coloridos do próprio pensamento
(D) Choviam risadas naquela peça de humor.
Assinale a alternativa em que a expressão destacada é (E) A sabedoria abre as portas do conhecimento.
empregada em sentido figurado.
(A) ... universidades que fazem pesquisa tendem a reunir a 05. (FAPESE - Assistente em Administração -
nata dos especialistas... UFS/2018) No período “Tomara que a revolta que eu e muitos
(B) Os dados do Ranking Universitário publicados em sentiram não morra nas redes sociais”, a forma verbal “morra”
setembro de 2013... (do verbo morrer) é:
(C) Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber (A) usada em sentido denotativo;
que o país não dispõe de recursos... (B) 3ª. pessoa do singular do pretérito perfeito, do modo
(D) ... das 20 universidades mais bem avaliadas em termos indicativo;
de ensino... (C) uma flexão regular da 3ª. pessoa do singular, do
(E) ... todas as despesas que contribuem direta e pretérito imperfeito, do modo subjuntivo;
indiretamente para a boa pesquisa... (D) a flexão de 3ª. pessoa do singular, do futuro do
pretérito, do modo indicativo;
03. (TJ/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP) (E) usada em sentido conotativo.
Leia o texto para responder a questão.
Gabarito
Um pé de milho
01.D / 02.A / 03.A / 04.B / 05.E
Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra
trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um
pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Equivalência e
Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa.
Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele transformação de estruturas.
reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo, veio um
amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era
capim. Quando estava com dois palmos veio outro amigo e EQUIVALÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO DE ESTRUTURAS
afirmou que era cana.
Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu A equivalência e transformação de estruturas consiste em
tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas saber mudar uma sentença ou parte dela de modo a que fique
folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho. Já viu o gramaticalmente correta. Um exemplo muito comum em
leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto provas de concursos é o enunciado trazer uma frase no
centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho singular, por exemplo, e pedir que o aluno passe a frase para o
sozinho, em um anteiro, espremido, junto do portão, numa plural, mantendo o sentido. Outro exemplo é o enunciado dar
esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser vivo a frase em um tempo verbal, e pedir que o aluno a passe para
e independente. Suas raízes roxas se agarra mão chão e suas outro tempo. Ou ainda a reescritura de trechos, mantendo a
folhas longas e verdes nunca estão imóveis. correção semântica e sintática.

Língua Portuguesa 15
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Paralelismo Sintático e Paralelismo Semântico - Não só... mas também


“O respeito às leis de trânsito representa segurança não só
O paralelismo sintático é um conceito que trata de um para o motorista, mas também para o pedestre.”
encadeamento ou de uma repetição de estruturas Tal construção, além de expressar a ideia de adição, ainda
sintáticas semelhantes (termos ou orações), em uma retrata um enfoque especial ao se referir aos pedestres
sequência ou enumeração. Tal conceito está diretamente (representada pela conjunção “mas também”).
ligado ao conceito de coordenação. Termos coordenados entre
si são aqueles que desempenham a mesma função sintática - Quanto mais... (tanto) mais
dentro do período. “Atualmente, quanto mais nos aperfeiçoamos, mais temos
Orações coordenadas são aquelas sintaticamente condições de ser bem sucedidos.”
semelhantes e independentes uma da outra. Normalmente há As estruturas paralelísticas denotam o sentido de
conectivos ligando tais termos ou orações. progressão entre os elementos.
Segundo o gramático Manoel Pinto Ribeiro, neste processo
de encadeamento de termos ou orações, há elementos - Tanto... quanto
gramaticais, principalmente conectivos coordenativos, que ”O tabagismo é prejudicial tanto para os fumantes ativos,
são utilizados com frequência.7 quanto para os passivos.”
A coerência é um dos pontos importantes nesta temática. Aqui, tais estruturas, além de expressarem adição, ainda
Desta forma, para que toda interlocução se materialize de acrescentam uma ideia de equiparação ou equivalência.
forma plausível, antes de tudo, as ideias precisam estar
dispostas em uma sequência lógica, clara e precisa, pois, se por - Primeiro... segundo
um motivo ou outro houver uma quebra desta sequência, o “Há dois procedimentos a realizar: primeiro você diz toda
discurso certamente estará comprometido. a verdade; segundo, pede desculpas pelo erro cometido.”
Mediante este aspecto, vale dizer que determinados Constatamos que os elementos utilizados se relacionam à
elementos revelam sua parcela de contribuição para que tais ideia de uma enumeração, evidenciados de forma sequencial.
pressupostos se tornem efetivamente concretizados, o que é
garantido, muitas vezes, pelo paralelismo sintático e pelo - Não... e não / nem
paralelismo semântico. “Não obteve um bom resultado neste ano, nem no
Esses se caracterizam pelas relações de semelhança que anterior.”
determinadas palavras e expressões apresentam entre si. Tais Tal recurso foi empregado no sentido de evidenciar uma
relações de similaridade podem se dar no campo morfológico sequência negativa em relação aos fatos.
(quando as palavras integram a mesma classe gramatical), no
semântico (quando há correspondência de sentido) e no - Seja... seja / quer...quer / ora... ora
sintático (quando a construção de frases e orações se “Quer você apareça, quer não, iremos ao cinema.”
apresenta de forma semelhante). O emprego das estruturas paralelísticas está relacionado à
Assim, analisemos um caso no qual podemos constatar a noção de alternância no que se refere às ações.
ausência de paralelismo de ordem morfológica:
- Por um lado... por outro
“A tão inesperada decisão é fruto resultante de “Se por um lado as obras garantem o emprego de todos,
humilhações, mágoas, concepções equivocadas e agressores por outro, desagradam aos moradores.”
por parte de colegas que almejavam ocupar sua função.”
Tempos Verbais
Constatamos uma nítida ruptura relacionada a fatores de Oberve o exemplo:
ordem gramatical, demarcada pela exposição de um adjetivo “Se todos comparecessem, o evento ficaria mais animado.”
(agressores) em detrimento ao substantivo “agressões”. “Se todos comparecerem, o evento ficará mais animado.”

Ausência de Paralelismo de Ordem Semântica Constatamos que o emprego do pretérito imperfeito do


Oberve o exemplo: “Marcela amou-me durante quinze subjuntivo (comparecessem) na oração subordinada
meses e onze contos de réis” (Machado de Assis). condicional requisita o emprego do futuro do pretérito
(ficaria) na oração principal.
Detectamos que houve uma quebra de sentido com relação Já o emprego do futuro do subjuntivo (comparecerem) na
à ideia expressa pelo tempo, ao associá-lo com a noção de oração subordinada pede o emprego do futuro do presente
quantidade, valor. (ficará) na principal.8

Ausência de Paralelismo de Ordem Sintática Questões


Oberve o exemplo: “O respeito às leis de trânsito não
representa segurança somente para o motorista e é para o 01. (UFMT - Administração - UFMT)
pedestre.”
Tal ocorrência manifesta-se por intermédio do uso do
conectivo “e” em detrimento a outro, que também integra a Quem descobriu Cuiabá
classe das conjunções aditivas, representado pela expressão
“mas também.” Não houve dúvida, a riqueza estava no sertão. E os
Assim, no intento de reformularmos o discurso, paulistas se movimentaram descendo o rio Tietê, estrada que
obteríamos: “O respeito às leis de trânsito não representa anda e que facilitou a penetração, pois ele não é como a maioria
segurança somente para o motorista, mas também para o dos rios que correm para o mar. Ele é um rio bem brasileiro,
pedestre.” corre para o interior, por isso, graças ao Tietê, os Bandeirantes
vieram à Cuiabá.
Vejamos outros casos que representam esta dualidade E foi assim, chegaram, acharam ouro e ficaram. Mas, para
paralelística: chegar, subiram o rio e esse rio não tinha nome e daí vem a

7 PESTANA, Fernando. A gramática para concursos. Elsevier. 2013. 8 classroombr.blogspot.com.br/2014/07/equivalencia-e-transformacao-de.html

Língua Portuguesa 16
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

lenda de que um moço português que fazia parte da bandeira, Quero que você aprenda. (Período composto.)
indo beber água no rio, levou consigo uma cuia [...]. No
momento em que a enchia, a cuia lhe escapou das mãos e, em Existe uma maneira prática de saber quantas orações há
seu sotaque lusitano, gritou para os companheiros vendo a num período, e para isso basta contar os verbos ou locuções
cuia descer rolando água abaixo: cuia que ba, querendo dizer verbais. Num período haverá tantas orações quantos forem os
que se vá. verbos ou as locuções verbais neles existentes. Exemplos:
Mas, isto é lenda.
Pegou fogo no prédio. (um verbo, uma oração)
Assinale a alternativa que NÃO apresenta ideias Quero que você aprenda. (dois verbos, duas orações)
sintaticamente coordenadas. Está pegando fogo no prédio. (uma locução verbal, uma
(A) Não houve dúvida, a riqueza estava no sertão. oração)
(B) Ele é um rio bem brasileiro, corre para o interior, por Deves estudar para poderes vencer na vida. (duas
isso, graças ao Tietê, os Bandeirantes vieram à Cuiabá. locuções verbais, duas orações)
(C) E foi assim, chegaram, acharam ouro e ficaram.
(D) E os paulistas se movimentaram descendo o rio Tietê, Há três tipos de período composto: por coordenação, por
estrada que anda e que facilitou a penetração, pois ele não é subordinação e por coordenação e subordinação ao mesmo
como a maioria dos rios que correm para o mar. tempo (também chamada de período misto).

02. (Pref. de Mangaratiba/RJ - Assistente Social - 2016) Período Composto por Coordenação – Orações
O paralelismo sintático foi desobedecido na seguinte frase: Coordenadas

(A) “Sucesso é conseguir o que você quer e felicidade é Considere, por exemplo, este período composto:
gostar do que você conseguiu”. (Dale Carnegie) Passeamos pela praia, / brincamos, / recordamos os
(B) “Para o otimista todas as portas têm maçanetas e tempos de infância.
dobradiças, para o pessimista todas as portas têm trincos e 1ª oração: Passeamos pela praia
fechaduras”. (William Arthur Ward) 2ª oração: brincamos
(C) “Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não 3ª oração: recordamos os tempos de infância
houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, As três orações que compõem esse período têm sentido
valeu a intenção da semente”. (Henfil) próprio e não mantêm entre si nenhuma dependência
(D) “É barato construir castelos no ar e bem cara a sua sintática: elas são independentes. Há entre elas, é claro, uma
destruição”. (F. Mauriac) relação de sentido, mas, como já dissemos, uma não depende
(E) “Um acontecimento vivido é finito. Um acontecimento da outra sintaticamente.
lembrado é ilimitado”. (Walter Benjamin) As orações independentes de um período são chamadas de
orações coordenadas (OC), e o período formado só de
03. (TJM/MG - Técnico Judiciário - FUMARC) Assinale a orações coordenadas é chamado de período composto por
alternativa em que se verifique FALTA de paralelismo coordenação.
semântico.
As orações coordenadas são classificadas em assindéticas
(A) Preferimos ir a algum lugar mais próximo, numa e sindéticas.
escapada de fim de semana, a longas e demoradas viagens - As orações coordenadas são assindéticas (OCA) quando
internacionais. não vêm introduzidas por conjunção. Exemplo:
(B) Há uma enorme discrepância entre os poucos Os torcedores gritaram, / sofreram, / vibraram.
candidatos até agora inscritos e as vagas a serem preenchidas, OCA OCA OCA
cujo número passa de mil.
(C) As recomendações dos peritos apontavam para a “Inclinei-me, apanhei o embrulho e segui.” (Machado de
necessidade de aumentar os dispositivos de combate a Assis)
incêndio bem como de que se fornecesse treinamento aos “A noite avança, há uma paz profunda na casa deserta.”
funcionários encarregados da segurança. (Antônio Olavo Pereira)
(D) Naquelas circunstâncias, não se podiam adotar “O ferro mata apenas; o ouro infama, avilta, desonra.”
medidas populistas, e que pusessem em risco a segurança da (Coelho Neto)
população.
- As orações coordenadas são sindéticas (OCS) quando
Gabarito vêm introduzidas por conjunção coordenativa. Exemplo:
01.D / 02.D / 03.D O homem saiu do carro / e entrou na casa.
OCA OCS

Sintaxe: processos de As orações coordenadas sindéticas são classificadas de


acordo com o sentido expresso pelas conjunções
coordenação e subordinação. coordenativas que as introduzem. E podem ser:

- Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não


Período só... mas também, não só... mas ainda.
Saí da escola / e fui à lanchonete.
Toda frase com uma ou mais orações constitui um período, OCA OCS Aditiva
que se encerra com ponto de exclamação, interrogação ou
reticências. Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma
O período de uma oração pode ser: simples quando só traz conjunção que expressa ideia de acréscimo ou adição com
uma oração, também conhecida como oração absoluta; ou referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção
composto quando traz mais de uma oração. Exemplo: coordenativa aditiva.
Pegou fogo no prédio. (Período simples, oração absoluta.)

Língua Portuguesa 17
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

O menino comprou pães e um leite. (B) explicação


As crianças não gritavam e nem choravam. (C) conclusão
Os celulares não somente instruem mas também (D) proporção
divertem. (E) comparação

- Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, 03. “Entrando na faculdade, procurarei emprego”, oração
porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto. sublinhada pode indicar uma ideia de:
(A) concessão
Estudei bastante / mas não passei no teste. (B) oposição
OCA OCS Adversativa (C) condição
(D) lugar
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma (E) consequência
conjunção que expressa ideia de oposição à oração anterior, ou
seja, por uma conjunção coordenativa adversativa. 04. Assinale a sequência de conjunções que estabelecem,
entre as orações de cada item, uma correta relação de sentido.
O aluno é estudioso, porém, suas notas são baixas. 1. Correu demais, ... caiu.
“É dura a vida, mas aceitam-na.” (Cecília Meireles) 2. Dormiu mal, ... os sonhos não o deixaram em paz.
3. A matéria perece, ... a alma é imortal.
- Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, 4. Leu o livro, ... é capaz de descrever as personagens com
por isso, pois, logo. detalhes.
5. Guarde seus pertences, ... podem servir mais tarde.
Ele me ajudou muito, / portanto merece minha gratidão.
OCA OCS Conclusiva (A) porque, todavia, portanto, logo, entretanto
(B) por isso, porque, mas, portanto, que
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma (C) logo, porém, pois, porque, mas
conjunção que expressa ideia de conclusão de um fato (D) porém, pois, logo, todavia, porque
enunciado na oração anterior, ou seja, por uma conjunção (E) entretanto, que, porque, pois, portanto
coordenativa conclusiva.
05. Reúna as três orações em um período composto por
Vives mentindo; logo, não mereces fé. coordenação, usando conjunções adequadas.
Não tenho dinheiro, portanto não posso pagar.
Os dias já eram quentes.
- Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou... ou, A água do mar ainda estava fria.
ora... ora, seja... seja, quer... quer. As praias permaneciam desertas.

Seja mais educado / ou retire-se da reunião! Respostas


OCA OCS Alternativa
01. Ouviu-se o som da bateria e os primeiros foliões
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma surgiram.
conjunção que estabelece uma relação de alternância ou Não durma sem cobertor, pois a noite está fria.
escolha com referência à oração anterior, ou seja, por uma Quero desculpar-me, mas consigo encontrá-los.
conjunção coordenativa alternativa.
02. E\03. C\04. B
Cale-se agora ou nunca mais fale.
Ora colocava a luca, ora a retirava. 05. Os dias já eram quentes, mas a água do mar ainda
estava fria, por isso as praias permaneciam desertas.
- Orações coordenadas sindéticas explicativas: que,
porque, pois, porquanto. Período Composto por Subordinação
Vamos andar depressa / que estamos atrasados. Observe os termos destacados em cada uma destas
OCA OCS Explicativa orações:
Observe que a 2ª oração é introduzida por uma conjunção Vi uma cena triste. (adjunto adnominal)
que expressa ideia de explicação, de justificativa em relação à Todos querem sua participação. (objeto direto)
oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa Não pude sair por causa da chuva. (adjunto adverbial de
explicativa. causa)

Não comprei o carro, porque estava muito caro. Veja, agora, como podemos transformar esses termos em
Cumprimente-a, pois hoje é o seu aniversário. orações com a mesma função sintática:
Vi uma cena / que me entristeceu. (oração subordinada
Questões com função de adjunto adnominal)
Todos querem / que você participe. (oração subordinada
01. Relacione as orações coordenadas por meio de com função de objeto direto)
conjunções: Não pude sair / porque estava chovendo. (oração
(A) Ouviu-se o som da bateria. Os primeiros foliões subordinada com função de adjunto adverbial de causa)
surgiram.
(B) Não durma sem cobertor. A noite está fria. Em todos esses períodos, a segunda oração exerce uma
(C) Quero desculpar-me. Não consigo encontrá-los. certa função sintática em relação à primeira, sendo, portanto,
subordinada a ela. Quando um período é constituído de pelo
02. Em: “... ouviam-se amplos bocejos, fortes como o menos um conjunto de duas orações em que uma delas (a
marulhar das ondas...” a partícula como expressa uma ideia de: subordinada) depende sintaticamente da outra (principal), ele
(A) causa é classificado como período composto por subordinação.

Língua Portuguesa 18
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

As orações subordinadas são classificadas de acordo com a “Quando os tiranos caem, os povos se levantam.”
função que exercem: adverbiais, substantivas e adjetivas. (Marquês de Maricá)
Enquanto foi rico, todos o procuravam.
Orações Subordinadas Adverbiais (OSA)
São aquelas que exercem a função de adjunto adverbial da - Finais: expressam a finalidade ou o objetivo do que foi
oração principal (OP). São classificadas de acordo com a enunciado na oração principal. Conjunções: para que, a fim de
conjunção subordinativa que as introduz: que, porque (=para que), que.
Abri a porta do salão / para que todos pudessem entrar.
- Causais: expressam a causa do fato enunciado na oração OP OSA Final
principal. Conjunções: porque, que, como (= porque), pois que,
visto que. “O futuro se nos oculta para que nós o imaginemos.”
Não fui à escola / porque fiquei doente. (Marquês de Maricá)
OP OSA Causal Aproximei-me dele a fim de que me ouvisse melhor.
“Fiz-lhe sinal que se calasse.” (Machado de Assis) (que =
O tambor soa porque é oco. para que)
Como não me atendessem, repreendi-os severamente. “Instara muito comigo não deixasse de frequentar as
Como ele estava armado, ninguém ousou reagir. recepções da mulher.” (Machado de Assis) (não deixasse =
“Faltou à reunião, visto que esteve doente.” (Arlindo de para que não deixasse)
Sousa)
- Consecutivas: expressam a consequência do que foi
- Condicionais: expressam hipóteses ou condição para a enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como
ocorrência do que foi enunciado na principal. Conjunções: se, (= porque), pois que, visto que.
contanto que, a menos que, a não ser que, desde que. A chuva foi tão forte / que inundou a cidade.
Irei à sua casa / se não chover. OP OSA Consecutiva
OP OSA Condicional
Fazia tanto frio que meus dedos estavam endurecidos.
Deus só nos perdoará se perdoarmos aos nossos “A fumaça era tanta que eu mal podia abrir os olhos.”
ofensores. (José J. Veiga)
Se o conhecesses, não o condenarias. De tal sorte a cidade crescera que não a reconhecia mais.
“Que diria o pai se soubesse disso?” (Carlos Drummond As notícias de casa eram boas, de maneira que pude
de Andrade) prolongar minha viagem.
A cápsula do satélite será recuperada, caso a experiência
tenha êxito. - Comparativas: expressam ideia de comparação com
referência à oração principal. Conjunções: como, assim como,
- Concessivas: expressam ideia ou fato contrário ao da tal como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado
oração principal, sem, no entanto, impedir sua realização. com menos ou mais).
Conjunções: embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais Ela é bonita / como a mãe.
que, mesmo que. OP OSA Comparativa
Ela saiu à noite / embora estivesse doente.
OP OSA Concessiva A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o
Admirava-o muito, embora (ou conquanto ou posto que ferro.” (Marquês de Maricá)
ou se bem que) não o conhecesse pessoalmente. Ela o atraía irresistivelmente, como o imã atrai o ferro.
Embora não possuísse informações seguras, ainda Os retirantes deixaram a cidade tão pobres como vieram.
assim arriscou uma opinião. Como a flor se abre ao Sol, assim minha alma se abriu à
Cumpriremos nosso dever, ainda que (ou mesmo luz daquele olhar.
quando ou ainda quando ou mesmo que) todos nos
critiquem. Obs.: As orações comparativas nem sempre apresentam
Por mais que gritasse, não me ouviram. claramente o verbo, como no exemplo acima, em que está
subentendido o verbo ser (como a mãe é).
- Conformativas: expressam a conformidade de um fato
com outro. Conjunções: conforme, como (=conforme), segundo. - Proporcionais: expressam uma ideia que se relaciona
O trabalho foi feito / conforme havíamos planejado. proporcionalmente ao que foi enunciado na principal.
OP OSA Conformativa Conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que,
quanto mais, quanto menos.
O homem age conforme pensa. Quanto mais reclamava / menos atenção recebia.
Relatei os fatos como (ou conforme) os ouvi. OSA Proporcional OP
Como diz o povo, tristezas não pagam dívidas.
O jornal, como sabemos, é um grande veículo de À medida que se vive, mais se aprende.
informação. À proporção que avançávamos, as casas iam rareando.
O valor do salário, ao passo que os preços sobem, vai
- Temporais: acrescentam uma circunstância de tempo ao diminuindo.
que foi expresso na oração principal. Conjunções: quando,
assim que, logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal Orações Subordinadas Substantivas
(=assim que). As orações subordinadas substantivas (OSS) são
Ele saiu da sala / assim que eu cheguei. aquelas que, num período, exercem funções sintáticas
OP OSA Temporal próprias de substantivos, geralmente são introduzidas pelas
conjunções integrantes que e se. Elas podem ser:
Formiga, quando quer se perder, cria asas.
“Lá pelas sete da noite, quando escurecia, as casas se
esvaziam.” (Carlos Povina Cavalcânti)

Língua Portuguesa 19
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: é Meu maior desejo agora é que me deixem em paz.
aquela que exerce a função de objeto direto do verbo da oração Não sou quem você pensa.
principal. Observe: O grupo quer a sua ajuda. (objeto direto)
O grupo quer / que você ajude. - Oração Subordinada Substantiva Apositiva: É aquela
OP OSS Objetiva Direta que exerce a função de aposto de um termo da oração
principal. Observe: Ele tinha um sonho a união de todos em
O mestre exigia que todos estivessem presentes. (= O benefício do país. (aposto)
mestre exigia a presença de todos.) Ele tinha um sonho / que todos se unissem em benefício
Mariana esperou que o marido voltasse. do país.
Ninguém pode dizer: Desta água não beberei. OP OSS Apositiva
O fiscal verificou se tudo estava em ordem.
Só desejo uma coisa: que vivam felizes. (Só desejo uma
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: é coisa: a sua felicidade)
aquela que exerce a função de objeto indireto do verbo da Só lhe peço isto: honre o nosso nome.
oração principal. Observe: Necessito de sua ajuda. (objeto “Talvez o que eu houvesse sentido fosse o presságio disto:
indireto) de que virias a morrer...” (Osmã Lins)
Necessito / de que você me ajude. “Mas diga-me uma cousa, essa proposta traz algum
OP OSS Objetiva Indireta motivo oculto?” (Machado de Assis)
As orações apositivas vêm geralmente antecedidas de
Não me oponho a que você viaje. (= Não me oponho à sua dois-pontos. Podem vir, também, entre vírgulas, intercaladas à
viagem.) oração principal. Exemplo: Seu desejo, que o filho
Aconselha-o a que trabalhe mais. recuperasse a saúde, tornou-se realidade.
Daremos o prêmio a quem o merecer.
Lembre-se de que a vida é breve. Observação: Além das conjunções integrantes que e se, as
orações substantivas podem ser introduzidas por outros
- Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: é aquela conectivos, tais como quando, como, quanto, etc. Exemplos:
que exerce a função de sujeito do verbo da oração principal. Não sei quando ele chegou.
Observe :É importante sua colaboração. (sujeito) Diga-me como resolver esse problema.
É importante / que você colabore.
OP OSS Subjetiva Orações Subordinadas Adjetivas
As orações subordinadas Adjetivas (OSA) exercem a
A oração subjetiva geralmente vem: função de adjunto adnominal de algum termo da oração
- Depois de um verbo de ligação + predicativo, em principal. Observe como podemos transformar um adjunto
construções do tipo é bom ,é útil ,é certo ,é conveniente, etc. adnominal em oração subordinada adjetiva:
Ex.: É certo que ele voltará amanhã. Desejamos uma paz duradoura. (adjunto adnominal)
- Depois de expressões na voz passiva, como sabe-se, conta- Desejamos uma paz / que dure. (oração subordinada
se, diz-se, etc. Ex.: Sabe-se que ele saiu da cidade. adjetiva)
- Depois de verbos como convir, cumprir, constar, urgir,
ocorrer, quando empregados na 3ª pessoa do singular e As orações subordinadas adjetivas são sempre
seguidos das conjunções que ou se. Ex.: Convém que todos introduzidas por um pronome relativo (que , qual, cujo, quem,
participem da reunião. etc.) e podem ser classificadas em:

É necessário que você colabore. (= Sua colaboração é - Subordinadas Adjetivas Restritivas: são restritivas
necessária.) quando restringem ou especificam o sentido da palavra a que
Parece que a situação melhorou. se referem. Exemplo:
Aconteceu que não o encontrei em casa. O público aplaudiu o cantor / que ganhou o 1º lugar.
Importa que saibas isso bem. OP OSA Restritiva

- Oração Subordinada Substantiva Completiva Nesse exemplo, a oração que ganhou o 1º lugar especifica
Nominal: É aquela que exerce a função de complemento o sentido do substantivo cantor, indicando que o público não
nominal de um termo da oração principal. Observe: Estou aplaudiu qualquer cantor mas sim aquele que ganhou o 1º
convencido de sua inocência. (complemento nominal) lugar. Exemplo:
Estou convencido / de que ele é inocente.
OP OSS Completiva Nominal Pedra que rola não cria limo.
Os animais que se alimentam de carne chamam-se
Sou favorável a que o prendam. (= Sou favorável à prisão carnívoros.
dele.) Rubem Braga é um dos cronistas que mais belas páginas
Estava ansioso por que voltasses. escreveram.
Sê grato a quem te ensina. “Há saudades que a gente nunca esquece.” (Olegário
“Fabiano tinha a certeza de que não se acabaria tão Mariano)
cedo.” (Graciliano Ramos)
- Subordinadas Adjetivas Explicativas: são explicativas
- Oração Subordinada Substantiva Predicativa: é quando apenas acrescentam uma qualidade à palavra a que se
aquela que exerce a função de predicativo do sujeito da oração referem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem
principal, vindo sempre depois do verbo ser. Observe: O restringi-lo ou especificá-lo. Exemplo:
importante é sua felicidade. (predicativo) O escritor Jorge Amado, / que mora na Bahia, / lançou um
O importante é / que você seja feliz. novo livro.
OP OSS Predicativa OP OSA Explicativa OP
Seu receio era que chovesse. (Seu receio era a chuva.)
Minha esperança era que ele desistisse. Deus, que é nosso pai, nos salvará.

Língua Portuguesa 20
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Valério, que nasceu rico, acabou na miséria. Qual é a diferença entre as orações coordenadas
Ele tem amor às plantas, que cultiva com carinho. explicativas e as orações subordinadas causais, já que ambas
Alguém, que passe por ali à noite, poderá ser assaltado. podem ser iniciadas por que e porquê? Às vezes não é fácil
Observação: As explicativas são isoladas por pausas, que estabelecer a diferença entre explicativas e causais, mas como
na escrita se indicam por vírgulas.9 o próprio nome indica, as causais sempre trazem a causa de
algo que se revela na oração principal, que traz o efeito.
Orações Reduzidas Note-se também que há pausa (vírgula, na escrita) entre a
Observe que as orações subordinadas eram sempre oração explicativa e a precedente e que esta é, muitas vezes,
introduzidas por uma conjunção ou pronome relativo e imperativa, o que não acontece com a oração adverbial causal.
apresentavam o verbo na forma do indicativo ou do Essa noção de causa e efeito não existe no período
subjuntivo. Além desse tipo de orações subordinadas há composto por coordenação. Exemplo:
outras que se apresentam com o verbo numa das formas Rosa chorou porque levou uma surra. Está claro que a
nominais (infinitivo, gerúndio e particípio). Exemplos: oração iniciada pela conjunção é causal, visto que a surra foi
sem dúvida a causa do choro, que é efeito.
Ao entrar na escola, encontrei o professor de inglês. Rosa chorou, porque seus olhos estão vermelhos. O
(infinitivo) período agora é composto por coordenação, pois a oração
Precisando de ajuda, telefone-me. (gerúndio) iniciada pela conjunção traz a explicação daquilo que se
Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário. revelou na coordena anterior. Não existe aí relação de causa e
(particípio) efeito: o fato de os olhos de Elisa estarem vermelhos não é
causa de ela ter chorado.
As orações subordinadas que apresentam o verbo numa
das formas nominais são chamadas de reduzidas. Ela fala / como falaria / se entendesse do assunto.
Para classificar a oração que está sob a forma reduzida, OP OSA Comparativa OSA Condicional
devemos procurar desenvolvê-la do seguinte modo:
colocamos a conjunção ou o pronome relativo adequado ao Questões
sentido e passamos o verbo para uma forma do indicativo ou
subjuntivo, conforme o caso. A oração reduzida terá a mesma 01. Na frase: “Maria do Carmo tinha a certeza de que
classificação da oração desenvolvida. estava para ser mãe”, a oração destacada é:
(A) subordinada substantiva objetiva indireta
Ao entrar na escola, encontrei o professor de inglês. (B) subordinada substantiva completiva nominal
Quando entrei na escola, / encontrei o professor de (C) subordinada substantiva predicativa
inglês. (D) coordenada sindética conclusiva
OSA Temporal (E) coordenada sindética explicativa
Ao entrar na escola: oração subordinada adverbial
temporal, reduzida de infinitivo. 02. “Na ‘Partida Monção’, não há uma atitude inventada. Há
reconstituição de uma cena como ela devia ter sido na
Precisando de ajuda, telefone-me. realidade.” A oração sublinhada é:
Se precisar de ajuda, / telefone-me. (A) adverbial conformativa
OSA Condicional (B) adjetiva
Precisando de ajuda: oração subordinada adverbial (C) adverbial consecutiva
condicional, reduzida de gerúndio. (D) adverbial proporcional
(E) adverbial causal
Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário.
Assim que acabou o treino, / os jogadores foram para o 03. “Esses produtos podem ser encontrados nos
vestiário. supermercados com rótulos como ‘sênior’ e com
OSA Temporal características adaptadas às dificuldades para mastigar e para
Acabado o treino: oração subordinada adverbial temporal, engolir dos mais velhos, e preparados para se encaixar em seus
reduzida de particípio. hábitos de consumo”. O segmento “para se encaixar” pode ter
sua forma verbal reduzida adequadamente desenvolvida em
Observações: (A) para se encaixarem.
- Há orações reduzidas que permitem mais de um tipo de (B) para seu encaixotamento.
desenvolvimento. Há casos também de orações reduzidas (C) para que se encaixassem.
fixas, isto é, orações reduzidas que não são passíveis de (D) para que se encaixem.
desenvolvimento. Exemplo: Tenho vontade de visitar essa (E) para que se encaixariam.
cidade.
- O infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem 04. A palavra “se” é conjunção integrante (por introduzir
orações reduzidas quando fazem parte de uma locução verbal. oração subordinada substantiva objetiva direta) em qual das
Exemplos: orações seguintes?
Preciso terminar este exercício. (A) Ele se mordia de ciúmes pelo patrão.
Ele está jantando na sala. (B) A Federação arroga-se o direito de cancelar o jogo.
Essa casa foi construída por meu pai. (C) O aluno fez-se passar por doutor.
- Uma oração coordenada também pode vir sob a forma (D) Precisa-se de operários.
reduzida. Exemplo: (E) Não sei se o vinho está bom.
O homem fechou a porta, saindo depressa de casa.
O homem fechou a porta e saiu depressa de casa. (oração 05. “Lembro-me de que ele só usava camisas brancas.” A
coordenada sindética aditiva) oração sublinhada é:
Saindo depressa de casa: oração coordenada reduzida de (A) subordinada substantiva completiva nominal
gerúndio. (B) subordinada substantiva objetiva indireta

9 CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004.

Língua Portuguesa 21
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

(C) subordinada substantiva predicativa Flexões Verbais


(D) subordinada substantiva subjetiva Flexão de número e de pessoa: o verbo varia para indicar
(E) subordinada substantiva objetiva direta o número e a pessoa.
- eu estudo – 1ª pessoa do singular;
Respostas - nós estudamos – 1ª pessoa do plural;
01.B \ 02.A \ 03.D \ 04.E \ 05.B - tu estudas – 2ª pessoa do singular;
- vós estudais – 2ª pessoa do plural;
- ele estuda – 3ª pessoa do singular;
Emprego de tempos e - eles estudam – 3ª pessoa do plural.
modos verbais.
- Algumas regiões do Brasil, usam o pronome tu de forma
diferente da fala culta, exigida pela gramática oficial, ou seja,
Verbo tu foi, tu pega, tu tem, em vez de: tu fostes, tu pegas, tu tens.
- O pronome vós aparece somente em textos literários ou
É a palavra que indica ação, movimento, fenômenos da bíblicos.
natureza, estado, mudança de estado. Flexiona-se em: - Os pronomes: você, vocês, que levam o verbo na 3ª
- número (singular e plural); pessoa, é o mais usado no Brasil.
- pessoa (primeira, segunda e terceira);
- modo (indicativo, subjuntivo e imperativo, formas Flexão de tempo e de modo: os tempos situam o fato ou a
nominais: gerúndio, infinitivo e particípio); ação verbal dentro de determinado momento; pode estar em
- tempo (presente, passado e futuro); plena ocorrência, pode já ter ocorrido ou não. Essas três
- e apresenta voz (ativa, passiva, reflexiva). possibilidades básicas, mas não únicas, são: presente,
pretérito e futuro.
De acordo com a vogal temática, os verbos estão agrupados
em três conjugações: O modo indica as diversas atitudes do falante com relação
1ª conjugação – ar: cantar, dançar, pular. ao fato que enuncia. São três os modos:
2ª conjugação – er: beber, correr, entreter. - Modo Indicativo: a atitude do falante é de certeza,
3ª conjugação – ir: partir, rir, abrir. precisão. O fato é ou foi uma realidade. Apresenta presente,
pretérito perfeito, imperfeito e mais que perfeito, futuro do
O verbo pôr e seus derivados (repor, depor, dispor, presente e futuro do pretérito.
compor, impor) pertencem a 2ª conjugação devido à sua - Modo Subjuntivo: a atitude do falante é de incerteza, de
origem latina poer. dúvida, exprime uma possibilidade. O subjuntivo expressa
uma incerteza, dúvida, possibilidade, hipótese. Apresenta
Elementos Estruturais do Verbo presente, pretérito imperfeito e futuro. Ex: Tenha paciência,
As formas verbais apresentam três elementos em sua Lourdes; Se tivesse dinheiro compraria um carro zero;
estrutura: radical, vogal temática e tema. Quando o vir, dê lembranças minhas.
Radical: elemento mórfico (morfema) que concentra o - Modo Imperativo: a atitude do falante é de ordem, um
significado essencial do verbo. Observe as formas verbais da desejo, uma vontade, uma solicitação. Indica uma ordem, um
1ª conjugação: contar, esperar, brincar. Flexionando esses pedido, uma súplica. Apresenta imperativo afirmativo e
verbos, nota-se que há uma parte que não muda, e que nela imperativo negativo.
está o significado real do verbo.
cont é o radical do verbo contar; Emprego dos Tempos do Indicativo
esper é o radical do verbo esperar; - Presente do Indicativo: para enunciar um fato
brinc é o radical do verbo brincar. momentâneo. Ex.: Estou feliz hoje. Para expressar um fato que
ocorre com frequência. Ex.: Eu almoço todos os dias na casa de
Se tirarmos as terminações ar, er, ir do infinitivo dos minha mãe. Na indicação de ações ou estados permanentes,
verbos, teremos o radical desses verbos. Também podemos verdades universais. Ex.: A água é incolor, inodora, insípida.
antepor prefixos ao radical: desnutrir / reconduzir. - Pretérito Imperfeito: para expressar um fato passado,
não concluído. Ex.: Nós comíamos pastel na feira; Eu cantava
Vogal Temática: é o elemento mórfico que designa a qual muito bem.
conjugação pertence o verbo. Há três vogais temáticas: 1ª - Pretérito Perfeito: é usado na indicação de um fato
conjugação: a; 2ª conjugação: e; 3ª conjugação: i. passado concluído. Ex.: Cantei, dancei, pulei, chorei, dormi...
- Pretérito Mais-Que-Perfeito: expressa um fato passado
Tema: é o elemento constituído pelo radical mais a vogal anterior a outro acontecimento passado. Ex.: Nós cantáramos
temática. Ex.: contar - cont (radical) + a (vogal temática) = no congresso de música.
tema. Se não houver a vogal temática, o tema será apenas o - Futuro do Presente: na indicação de um fato realizado
radical (contei = cont ei). num instante posterior ao que se fala. Ex.: Cantarei domingo
no coro da igreja matriz.
Desinências: são elementos que se juntam ao radical, ou - Futuro do Pretérito: para expressar um acontecimento
ao tema, para indicar as flexões de modo e tempo, desinências posterior a um outro acontecimento passado. Ex.: Compraria
modo temporais e desinências número pessoais. um carro se tivesse dinheiro

Contávamos 1ª Conjugação: -AR


Cont = radical Presente: danço, danças, dança, dançamos, dançais,
a = vogal temática dançam.
va = desinência modo temporal Pretérito Perfeito: dancei, dançaste, dançou, dançamos,
mos = desinência número pessoal dançastes, dançaram.
Pretérito Imperfeito: dançava, dançavas, dançava,
dançávamos, dançáveis, dançavam.

Língua Portuguesa 22
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Pretérito Mais-Que-Perfeito: dançara, dançaras, dançara, 3ª conjugação – IR


dançáramos, dançáreis, dançaram. Presente: que eu parta, que tu partas, que ele parta, que
Futuro do Presente: dançarei, dançarás, dançará, nós partamos, que vós partais, que eles partam.
dançaremos, dançareis, dançarão. Pretérito Imperfeito: se eu partisse, se tu partisses, se ele
Futuro do Pretérito: dançaria, dançarias, dançaria, partisse, se nós partíssemos, se vós partísseis, se eles
dançaríamos, dançaríeis, dançariam. partissem.
Futuro: quando eu partir, quando tu partires, quando ele
2ª Conjugação: -ER partir, quando nós partirmos, quando vós partirdes,
Presente: como, comes, come, comemos, comeis, comem. quando eles partirem.
Pretérito Perfeito: comi, comeste, comeu, comemos,
comestes, comeram. Emprego do Imperativo
Pretérito Imperfeito: comia, comias, comia, comíamos, Imperativo Afirmativo
comíeis, comiam. - Não apresenta a primeira pessoa do singular.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: comera, comeras, comera, - É formado pelo presente do indicativo e pelo presente do
comêramos, comêreis, comeram. subjuntivo.
Futuro do Presente: comerei, comerás, comerá, - O Tu e o Vós saem do presente do indicativo sem o “s”.
comeremos, comereis, comerão. - O restante é cópia fiel do presente do subjuntivo.
Futuro do Pretérito: comeria, comerias, comeria,
comeríamos, comeríeis, comeriam. Presente do Indicativo: eu amo, tu amas, ele ama, nós
amamos, vós amais, eles amam.
3ª Conjugação: -IR Presente do subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele
ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem.
Presente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem.
Imperativo afirmativo: (X), ama tu, ame você, amemos
Pretérito Perfeito: parti, partiste, partiu, partimos,
nós, amai vós, amem vocês.
partistes, partiram.
Pretérito Imperfeito: partia, partias, partia, partíamos,
Imperativo Negativo
partíeis, partiam.
- É formado através do presente do subjuntivo sem a
Pretérito Mais-Que-Perfeito: partira, partiras, partira,
primeira pessoa do singular.
partíramos, partíreis, partiram.
- Não retira os “s” do tu e do vós.
Futuro do Presente: partirei, partirás, partirá, partiremos,
partireis, partirão. Presente do Subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele
Futuro do Pretérito: partiria, partirias, partiria, ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem.
partiríamos, partiríeis, partiriam. Imperativo negativo: (X), não ames tu, não ame você, não
amemos nós, não ameis vós, não amem vocês.
Emprego dos Tempos do Subjuntivo
- Presente: é empregado para indicar um fato incerto ou Além dos três modos citados (Indicativo, Subjuntivo e
duvidoso, muitas vezes ligados ao desejo, à suposição. Ex.: Imperativo), os verbos apresentam ainda as formas nominais:
Duvido de que apurem os fatos; Que surjam novos e honestos infinitivo – impessoal e pessoal, gerúndio e particípio.
políticos.
- Pretérito Imperfeito: é empregado para indicar uma Infinitivo Impessoal10
condição ou hipótese. Ex.: Se recebesse o prêmio, voltaria à Quando se diz que um verbo está no infinitivo impessoal,
universidade. isso significa que ele apresenta sentido genérico ou indefinido,
- Futuro: é empregado para indicar um fato hipotético, não relacionado a nenhuma pessoa, e sua forma é invariável.
pode ou não acontecer. Quando você fizer o trabalho, será Assim, considera-se apenas o processo verbal. Ex.: Amar é
generosamente gratificado. sofrer.
Podendo ter valor e função de substantivo. Ex.: Viver é
1ª Conjugação –AR lutar. (= vida é luta); É indispensável combater a corrupção. (=
Presente: que eu dance, que tu dances, que ele dance, que combate à)
nós dancemos, que vós danceis, que eles dancem. O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente
Pretérito Imperfeito: se eu dançasse, se tu dançasses, se (forma simples) ou no passado (forma composta). Ex.: É
ele dançasse, se nós dançássemos, se vós dançásseis, se eles preciso ler este livro; Era preciso ter lido este livro.
dançassem. Observe que, embora não haja desinências para a 1ª e 3ª
Futuro: quando eu dançar, quando tu dançares, quando ele pessoas do singular (cujas formas são iguais às do infinitivo
dançar, quando nós dançarmos, quando vós dançardes, impessoal), elas não deixam de referir-se às respectivas
quando eles dançarem. pessoas do discurso (o que será esclarecido apenas pelo
contexto da frase). Ex.: Para ler melhor, eu uso estes óculos.
2ª Conjugação -ER (1ª pessoa); Para ler melhor, ela usa estes óculos. (3ª pessoa)
Presente: que eu coma, que tu comas, que ele coma, que
nós comamos, que vós comais, que eles comam. O infinitivo impessoal é usado:
Pretérito Imperfeito: se eu comesse, se tu comesses, se ele
comesse, se nós comêssemos, se vós comêsseis, se eles - Quando apresenta uma ideia vaga, genérica, sem se
comessem. referir a um sujeito determinado. Ex. Querer é poder.
Futuro: quando eu comer, quando tu comeres, quando ele Fumar prejudica a saúde. É proibido colar cartazes neste
comer, quando nós comermos, quando vós comerdes, muro.
quando eles comerem. - Quando tem valor de Imperativo. Ex. Soldados,
marchar! (= Marchai!) Esquerda, volver!
- Quando é regido de preposição (geralmente
precedido da preposição “de”) e funciona como

10 https://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf69.php

Língua Portuguesa 23
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

complemento de um substantivo, adjetivo ou verbo da O guarda fez sinal para os motoristas pararem.
oração anterior. Ex.: Eles não têm o direito de gritar assim.
As meninas foram impedidas de participar do jogo. Eu os - Quando se quiser indeterminar o sujeito (utilizado na
convenci a aceitar. terceira pessoa do plural). Exs.:
No entanto, na voz passiva dos verbos "contentar", Faço isso para não me acharem inútil.
"tomar" e "ouvir", por exemplo, o Infinitivo (verbo auxiliar) Temos de agir assim para nos promoverem.
deve ser flexionado. Exs.: Ela não sai sozinha à noite a fim de não falarem mal da sua
Eram pessoas difíceis de serem contentadas. conduta.
Aqueles remédios são ruins de serem tomados.
Os jogos que você me emprestou são agradáveis de serem - Quando apresentar reciprocidade ou reflexibilidade
jogados. de ação. Exs.:
Vi os alunos abraçarem-se alegremente.
- Nas locuções verbais. Ex.: Queremos acordar bem cedo Fizemos os adversários cumprimentarem-se com
amanhã. Eles não podiam reclamar do colégio. Vamos pensar gentileza.
no seu caso. Mandei as meninas olharem-se no espelho.
- Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo do verbo da
oração anterior. Ex. Eles foram condenados a pagar pesadas Gerúndio
multas. Devemos sorrir ao invés de chorar. Tenho ainda alguns Pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Ex.: Saindo de
livros por (para) publicar. casa, encontrei alguns amigos. (Função de advérbio); Nas ruas,
havia crianças vendendo doces. (Função adjetivo)
Observação: quando o infinitivo preposicionado, ou não, Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso;
preceder ou estiver distante do verbo da oração principal na forma composta, uma ação concluída. Ex.: Trabalhando,
(verbo regente), pode ser flexionado para melhor clareza do aprenderás o valor do dinheiro; Tendo trabalhado, aprendeu o
período e também para se enfatizar o sujeito (agente) da ação valor do dinheiro.
verbal. Exs.:
Na esperança de sermos atendidos, muito lhe Particípio
agradecemos. Quando não é empregado na formação dos tempos
Foram dois amigos à casa de outro, a fim de jogarem compostos, o particípio indica geralmente o resultado de uma
futebol. ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Ex.:
Para estudarmos, estaremos sempre dispostos. Terminados os exames, os candidatos saíram. Quando o
Antes de nascerem, já estão condenadas à fome muitas particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação
crianças. temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo
(adjetivo verbal). Ex.: Ela foi a aluna escolhida para
- Com os verbos causativos "deixar", "mandar" e representar a escola.
"fazer" e seus sinônimos que não formam locução verbal
com o infinitivo que os segue. Ex.: Deixei-os sair cedo hoje. 1ª Conjugação –AR
- Com os verbos sensitivos "ver", "ouvir", "sentir" e Infinitivo Impessoal: dançar.
sinônimos, deve-se também deixar o infinitivo sem flexão. Infinitivo Pessoal: dançar eu, dançares tu; dançar ele,
Ex.: Vi-os entrar atrasados. Ouvi-as dizer que não iriam à dançarmos nós, dançardes vós, dançarem eles.
festa. Gerúndio: dançando.
Particípio: dançado.
Infinitivo Pessoal
É o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 2ª Conjugação –ER
1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta desinências, Infinitivo Impessoal: comer.
assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona- Infinitivo pessoal: comer eu, comeres tu, comer ele,
se da seguinte maneira: comermos nós, comerdes vós, comerem eles.
2ª pessoa do singular: radical + ES. Ex.: teres (tu)
Gerúndio: comendo.
1ª pessoa do plural: radical + mos. Ex.: termos (nós)
Particípio: comido.
2ª pessoa do plural: radical + dês. Ex.: terdes (vós)
3ª pessoa do plural: radical + em. Ex.: terem (eles)
3ª Conjugação –IR
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa Infinitivo Impessoal: partir.
colocação. Infinitivo pessoal: partir eu, partires tu, partir ele,
partirmos nós, partirdes vós, partirem eles.
Quando se diz que um verbo está no infinitivo pessoal, isso Gerúndio: partindo.
significa que ele atribui um agente ao processo verbal, Particípio: partido.
flexionando-se.
O infinitivo deve ser flexionado nos seguintes casos: Questões
- Quando o sujeito da oração estiver claramente
expresso. Exs.: 01. (UNEMAT - Psicólogo - 2018)
Se tu não perceberes isto...
Convém vocês irem primeiro.
O bom é sempre lembrarmos (sujeito desinencial, sujeito
implícito = nós) desta regra.
- Quando tiver sujeito diferente daquele da oração
principal. Exs.:
O professor deu um prazo de cinco dias para os alunos Disponível
estudarem bastante para a prova. https://www.facebook.com/tirasamandinho/photos/a.488361671209144.11396
3.
Perdoo-te por me traíres. 488356901209621/1568398126538821/?type=3&theater.
O hotel preparou tudo para os turistas ficarem à vontade. Acesso em: fev.2018.

Língua Portuguesa 24
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Na tirinha, Fê conversa com Camilo sobre o que ela realizado em Dorinha constatou a existência de _______ em seu
considera ser machismo na cerimônia de casamento, enquanto corpo. A versão da legítima defesa era ______ .
Pudim diz a Armandinho que tudo aquilo que a garota (Luiza Nagib Eluf, A paixão no banco dos réus. Adaptado)
questiona é algo natural.
Nas falas atribuídas à menina, o verbo ter aparece em Tem As expressões verbais empregadas em tempo que exprime
casamentos [...] (quadro 1) e em [...] essas coisas têm a ideia de hipótese são:
significados! (quadro 2). (A) seria e teria.
(B) foi e seria.
Em relação a esses empregos do verbo ter, assinale a (C) teria e ter sido.
alternativa correta. (D) foi e constatou.
(A) Em ambos, o verbo é impessoal. (E) ter sido e passou.
(B) Ambos estão na terceira pessoa do plural do presente
do modo indicativo. 04. (Pref. Itaquitinga/PE - Assistente Administrativo -
(C) Ambos estão na terceira pessoa do singular do presente IDHTEC/2016) Morto em 2015, o pai afirma que Jules Bianchi
do modo indicativo. não __________culpa pelo acidente. Em entrevista, Philippe
(D) Ambos estão no presente do modo indicativo, embora Bianchi afirma que a verdade nunca vai aparecer, pois os
o primeiro esteja na terceira pessoa do singular e o segundo na pilotos __________ medo de falar. "Um piloto não vai dizer nada
terceira pessoa do plural. se existir uma câmera, mas quando não existem câmeras,
(E) Ambos estão no presente do modo subjuntivo, embora todos __________ até mim e me dizem. Jules Bianchi bateu com
o primeiro esteja na terceira pessoa do singular e o segundo na seu carro em um trator durante um GP, aquaplanou e não
terceira pessoa do plural. conseguiu __________para evitar o choque.
(http://espn.uol.com.br/noticia/603278_pai-diz-que-pilotos-da-f-1-
temmedo-de-falar-a-verdade-sobre-o-acidente-fatal-de-bianchi)
02. (PC/SP - Escrivão de Polícia - VUNESP/2018)
Complete com a sequência de verbos que está no tempo,
O drama dos viciados em dívidas
modo e pessoa corretos:
(A) Tem – tem – vem - freiar
Apesar dos sinais de recuperação da economia, o número
(B) Tem – tiveram – vieram - frear
de brasileiros endividados chegou a 61,7 milhões em fevereiro
(C) Teve – tinham – vinham – frenar
passado – o equivalente a 40% da população adulta. O número
(D) Teve – tem – veem – freiar
é alto porque o hábito de manter as contas em dia não é apenas
uma questão financeira decorrente do estado geral da (E) Teve – têm – vêm – frear
economia – pode ser uma questão comportamental. Por isso,
05. (Prefeitura Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala -
há grupos especializados que promovem reuniões semanais
com devedores, com a finalidade de trocar experiências sobre FEPESE/2016) Assinale a alternativa em que está correta a
correlação entre os tempos e os modos verbais nas frases
consumo impulsivo e propensão a viver no vermelho. Uma
abaixo.
dessas organizações é o Devedores Anônimos (DA), que
(A) A entonação correta ao falarmos colabora com o
funciona nos mesmos moldes do Alcoólicos Anônimos (AA).
entendimento que o outro tem do assunto tratado e reforçaria
Pertencer a uma classe social mais alta não livra ninguém
do problema. As pessoas de maior renda são justamente as que a nossa persuasão.
(B) Para falar bem em público, organize as ideias de acordo
têm maior resistência em admitir a compulsão. Pior. É comum
com o tempo que você terá e, antes de falar, ensaie sua
que, diante dos apuros, como a perda do emprego, algumas
tentem manter o mesmo padrão de vida em lugar de cortar apresentação.
(C) A capacidade de os adolescentes virem a falar em
gastos para se encaixar na nova realidade. Pedir um
público, teria dependido dos bons ensinamentos da escola.
empréstimo para quitar outra dívida é um comportamento
(D) Quem vier a comparar a fala dos jovens de hoje com os
recorrente entre os endividados.
da geração passada, haveria de concluir que os jovens de hoje
Para sair do vermelho, aceitar o vício é o primeiro passo.
leem muito menos.
Uma vez que o devedor reconhece o problema, a próxima
(E) O contato visual também é importante ao falar em
etapa é se planejar.
(Felipe Machado e Tatiana Babadobulos, Veja, 04.04.2018. Adaptado) público. Passa empatia e envolveria o outro.

Assinale a alternativa em que os verbos estão conjugados Gabarito


de acordo com a norma-padrão, em substituição aos trechos
destacados na passagem – É comum que, diante dos apuros, 01.D / 02.C / 03.A / 04.E / 05.B
como a perda do emprego, algumas tentem manter o mesmo
padrão de vida. Locução Verbal
(A) Poderia acontecer que ... mantêm
(B) Pôde acontecer que ... mantessem Uma locução verbal11 é a combinação de um verbo
(C) Podia acontecer que ... mantivessem auxiliar e um verbo principal. Esses dois verbos, aparecendo
(D) Pôde acontecer que ... manteram juntos na oração, transmitem apenas uma ação verbal,
(E) Podia acontecer que ... mantiveram desempenhando o papel de um único verbo. Exemplo:
- estive pensando
03. (PC/SP - Escrivão de Polícia - VUNESP/2018) A vida - quero sair
de Dorinha Duval foi, ____ . O processo ainda não havia ido a - pode ocorrer
Júri quando a tese da defesa foi mudada. Não seria mais - tem investigado
violenta emoção, mas legítima defesa. Ela não teria atirado no - tinha decidido
marido por ter sido ___ e chamada de velha, mas ______ o marido
passou a agredi-la. De fato, o exame pericial de corpo de delito Função dos verbos auxiliares nas locuções verbais
Apenas o verbo auxiliar é flexionado. Verbo auxiliar é o
que perdendo significado próprio, é utilizado para auxiliar na

11 https://www.conjugacao.com.br/locucao-verbal/

Língua Portuguesa 25
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

conjugação de outro, o verbo principal. Assim, o tempo, o


modo, o número, a pessoa e o aspecto da ação verbal são
indicados pelo verbo auxiliar.

Os auxiliares mais comuns são: “Ter, Haver, Ser e Estar”.


Contudo, outros verbos também atuam como verbos auxiliares
nas locuções verbais, como os verbos poder, dever, querer,
começar a, deixar de, voltar a, continuar a, entre outros.

Função dos verbos principais nas locuções verbais Qual forma verbal substituiria, sem causar alteração de
Nas locuções verbais o verbo auxiliar aparece conjugado e sentido, a locução verbal "vou ter", que aparece no primeiro
o principal numa das formas nominais: no gerúndio, no quadrinho?
infinitivo ou no particípio. (A) "terei".
Locução verbal com verbo principal no gerúndio (B) "teria".
Ex.: Estou escrevendo (C) "tivera".
verbo auxiliar flexionado: estou (D) "tenha".
verbo principal no gerúndio: escrevendo (E) "tinha".

Locução verbal com verbo principal no infinitivo 03. (Pref. João Pessoa/PB - Professor Língua
Ex.: Quero sair Portuguesa - FGV) Uma locução verbal é o conjunto formado
verbo auxiliar flexionado: quero por um verbo auxiliar + um verbo principal, este último
verbo principal no infinitivo: sair sempre em forma nominal. Nas frases a seguir as formas
verbais sublinhadas constituem uma locução verbal, à exceção
Locução verbal com verbo principal no particípio de uma. Assinale‐a.
Ex.: Tinha decidido (A) Todos podem entrar assim que chegarem.
verbo auxiliar flexionado: tinha (B) Se os grevistas querem trabalhar menos, não vou
verbo principal no particípio: decidido atendê‐los.
(C) Deixem entrar todos os atrasados.
Em todos os exemplos a ideia central é expressa pelo verbo (D) Elas não sabem cozinhar como antigamente.
principal, os verbos auxiliares apenas indicam flexões de (E) A plantação foi‐se expandindo para os lados
tempo, modo, pessoa, número e voz. Sem os verbos principais,
os auxiliares não teriam sentido algum. Gabarito

Questões 01.C / 02.A / 03.C

01. (CISSUL/MG - Condutor Socorrista - IBGP/2017)


Pontuação.

PONTUAÇÃO

Os sinais de pontuação são marcações gráficas que servem


para compor a coesão e a coerência textual além de ressaltar
especificidades semânticas e pragmáticas. Vejamos as
principais funções dos sinais de pontuação conhecidos pelo
uso da língua portuguesa.12
Assinale a alternativa que contém uma locução verbal
extraída do cartum. Ponto
(A) Não terão.
(B) Como andar. 1) Indica o término do discurso ou de parte dele.
(C) Vai chegar. Ex.: Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em
(D) Todos terão. que se encontra. / Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga
e leite.
02. (CRQ 4ª REGIÃO/SP - Fiscal - QUADRIX)
2) Usa-se nas abreviações.
Ex.: V.Exª (Vossa Exelencia) , Sr. (Senhor), S.A (Sociedade
Anonima).

Ponto e Vírgula

1) Separa várias partes do discurso, que têm a mesma


importância.

12 http://tudodeconcursosevestibulares.blogspot.com/2013/04/pontuacao-
resumo-com-questoes.html

Língua Portuguesa 26
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Ex.: “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo 2) Entre o verbo e seus objetos.
pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; O trabalho custou sacrifício aos realizadores.
os de nenhum espírito dão pelo pão a alma...” V.T.D.I .O.D .O.I.
(Vieira)
2) Separa partes de frases que já estão separadas por 3) Entre nome e complemento nominal; entre nome e
vírgulas. adjunto adnominal.
Ex.: Alguns quiseram verão, praia e calor; outros A surpreendente reação do governo contra os sonegadores
montanhas, frio e cobertor. despertou reações entre os empresários.
adj. adnominal nome adj. adn. Compl. nominal
3) Separa itens de uma enumeração, exposição de motivos,
decreto de lei, etc. Ex.: Usa-se a Vírgula
- Ir ao supermercado; 1) Para marcar intercalação:
- Pegar as crianças na escola; a) Do adjunto adverbial: O café, em razão da sua
- Caminhada na praia; abundância, vem caindo de preço.
- Reunião com amigos. b) Da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
Dois Pontos c) Das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias
não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem
1) Antes de uma citação. abrir mão dos lucros altos.
Ex.: Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:...
2) Para marcar inversão:
2) Antes de um aposto. a) Do adjunto adverbial (colocado no início da oração):
Ex.: Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas.
tarde e calor à noite. b) Dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
3) Antes de uma explicação ou esclarecimento. c) Do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio
Ex.: Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, de 1982.
vivendo a rotina de sempre.
3) Para separar entre si elementos coordenados (dispostos
4) Em frases de estilo direto. Ex.: em enumeração): Era um garoto de 15 anos, alto, magro. / A
Maria perguntou: ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais.
- Por que você não toma uma decisão?
4) Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós queremos
Ponto de Exclamação comer pizza; e vocês, churrasco.
1) Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, susto, 5) Para isolar:
súplica, etc. a) O aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira,
Ex.: - Sim! Claro que eu quero me casar com você! possui um trânsito caótico.
b) O vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
2) Depois de interjeições ou vocativos.
Ex.: - João! Há quanto tempo! Questões

Ponto de Interrogação 01. Assinale a alternativa em que a pontuação está


corretamente empregada, de acordo com a norma-padrão da
Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres. língua portuguesa.
“Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
(Artur Azevedo)
embora, experimentasse, a sensação de violar uma intimidade,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo
Reticências
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
(B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e,
1) Indica que palavras foram suprimidas.
embora experimentasse a sensação, de violar uma intimidade,
Ex.: Comprei lápis, canetas, cadernos...
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
2) Indica interrupção violenta da frase.
(C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
Ex.: Não... quero dizer... é verdade... Ah!
embora experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo
3) Indica interrupções de hesitação ou dúvida
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
Ex.: Este mal... pega doutor?
(D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e,
embora experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
4) Indica que o sentido vai além do que foi dito
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo
Ex.: Deixa, depois, o coração falar...
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
(E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
Vírgula
embora, experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo
Não se usa Vírgula
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
Separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam-
se diretamente entre si:
02. Assinale a opção em que está corretamente indicada a
ordem dos sinais de pontuação que devem preencher as
1) Entre sujeito e predicado.
lacunas da frase abaixo:
Todos os alunos da sala foram advertidos.
sujeito predicado
Língua Portuguesa 27
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

“Quando se trata de trabalho científico ___ duas coisas (D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega
devem ser consideradas ____ uma é a contribuição teórica que o primeiro às, areias do Guarujá.
trabalho oferece ___ a outra é o valor prático que possa ter. (E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o telefone
(A) dois pontos, ponto e vírgula, ponto e vírgula de quem a encontrou e informar um ponto de referência
(B) dois pontos, vírgula, ponto e vírgula;
(C) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula; Respostas
(D) pontos vírgula, dois pontos, ponto e vírgula; 1.C / 2.C / 3.B / 4.D / 5.E
(E) ponto e vírgula, vírgula, vírgula.

03. Os sinais de pontuação estão empregados Estrutura e formação de


corretamente em: palavras.
(A) Duas explicações, do treinamento para consultores
iniciantes receberam destaque, o conceito de PPD e a
construção de tabelas Price; mas por outro lado, faltou falar ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
das metas de vendas associadas aos dois temas.
(B) Duas explicações do treinamento para consultores Observe as seguintes palavras:
iniciantes receberam destaque: o conceito de PPD e a escol-a
construção de tabelas Price; mas, por outro lado, faltou falar escol-ar
das metas de vendas associadas aos dois temas. escol-arização
(C) Duas explicações do treinamento para consultores escol-arizar
iniciantes receberam destaque; o conceito de PPD e a sub-escol-arização
construção de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar
das metas de vendas associadas aos dois temas. Percebemos13 que há um elemento comum a todas elas: a
(D) Duas explicações do treinamento para consultores forma escol-. Além disso, em todas há elementos destacáveis,
iniciantes, receberam destaque: o conceito de PPD e a responsáveis por algum detalhe de significação. Compare, por
construção de tabelas Price, mas, por outro lado, faltou falar exemplo, escola e escolar: partindo de escola, formou-se
das metas de vendas associadas aos dois temas. escolar pelo acréscimo do elemento destacável: ar.
(E) Duas explicações, do treinamento para consultores Por meio desse trabalho de comparação entre as diversas
iniciantes, receberam destaque; o conceito de PPD e a palavras que selecionamos, podemos depreender a existência
construção de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar de diferentes elementos formadores. Cada um desses
das metas, de vendas associadas aos dois temas. elementos formadores é uma unidade mínima de significação,
um elemento significativo indecomponível, a que damos o
04. Assinale a alternativa em que o período, adaptado da nome de morfema.
revista Pesquisa Fapesp de junho de 2012, está correto quanto
à regência nominal e à pontuação. Classificação dos Morfemas
(A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapidamente,
seu espaço na carreira científica ainda que o avanço seja mais Radical: há um morfema comum a todas as palavras que
notável em alguns países, o Brasil é um exemplo, do que em estamos analisando: escol-.
outros. É esse morfema comum - o radical - que faz com que as
(B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam consideremos palavras de uma mesma família de significação.
rapidamente seu espaço na carreira científica; ainda que o - Nos cognatos o radical é a parte da palavra responsável
avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um por sua significação principal.
exemplo!, do que em outros.
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam Afixos: como vimos, o acréscimo do morfema - ar - cria
rapidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o uma nova palavra a partir de escola. De maneira semelhante, o
avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um acréscimo dos morfemas sub e arização à forma escol
exemplo, do que em outros. criou subescolarização. Esses morfemas recebem o nome de
(D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam afixos.
rapidamente seu espaço na carreira científica, ainda que o Quando são colocados antes do radical, como acontece
avanço seja mais notável em alguns países - o Brasil é um com sub, os afixos recebem o nome de prefixos. Quando, como
exemplo - do que em outros. arização, surgem depois do radical os afixos são chamados
(E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapidamente, de sufixos.
seu espaço na carreira científica, ainda que, o avanço seja mais - Prefixos e Sufixos, além de operar mudança de classe
notável em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em gramatical, são capazes de introduzir modificações de
outros. significado no radical a que são acrescentados.

05. Assinale a alternativa em que a frase mantém-se Desinências: quando se conjuga o verbo amar, obtêm-se
correta após o acréscimo das vírgulas. formas como amava, amavas, amava, amávamos, amáveis,
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na amavam. Essas modificações ocorrem à medida que o verbo
pulseira instruções para que envie, uma mensagem eletrônica vai sendo flexionado em número (singular e plural) e pessoa
ao grupo ou acione o código na internet. (primeira, segunda ou terceira). Também ocorrem se
(B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de onde o modificarmos o tempo e o modo do verbo (amava, amara,
código foi acionado. amasse, por exemplo).
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados, Assim, podemos concluir, que existem morfemas que
recebem automaticamente, uma mensagem dizendo que a indicam as flexões das palavras. Esses morfemas sempre
criança foi encontrada. surgem no fim das palavras variáveis e recebem o nome de
desinências, no qual podem ser divididos em:

13
http://www.brasilescola.com/gramatica/estrutura-e-formacao-de-palavras-
i.htm

Língua Portuguesa 28
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

a) Desinências nominais: indicam o gênero e o número facilita a emissão vocal da palavra. Outros exemplos:
dos nomes. Para a indicação de gênero, o português costuma gasômetro, alvinegro, tecnocracia, paulada, cafeteira, chaleira,
opor as desinências -o/-a: garoto/garota; menino/menina. tricota.
Para a indicação de número, costuma-se utilizar o
morfema –s, que indica o plural em oposição à ausência de Processos de Formação de Palavras
morfema, que indica o singular: garoto/garotos;
garota/garotas; menino/meninos; menina/meninas. Composição
No caso dos nomes terminados em –r e– z, a desinência de Haverá composição quando se juntarem dois ou mais
plural assume a forma -es: radicais para formar nova palavra. Há dois tipos de
mar/mares; composição: justaposição e aglutinação.
revólver/revólveres; a) Justaposição: ocorre quando os elementos que formam
cruz/cruzes. o composto são postos lado a lado, ou seja, justapostos. Por
exemplo: Corre-corre, guarda-roupa, segunda-feira, girassol.
b) Desinências verbais: em nossa língua, as desinências
verbais pertencem a dois tipos distintos. Há aqueles que b) Aglutinação: ocorre quando os elementos que formam
indicam o modo e o tempo (desinências modo-temporais) e o composto se aglutinam e pelo menos um deles perde sua
aquelas que indicam o número e a pessoa dos verbos integridade sonora. Por exemplo: Aguardente (água +
(desinência número-pessoais): ardente), planalto (plano + alto), pernalta (perna + alta),
cant-á-va-mos vinagre (vinho + acre)
cant-á-sse-is
cant: radical Derivação por Acréscimo de Afixos
cant: radical É o processo pelo qual se obtêm palavras novas
-á-: vogal temática (derivadas) pela anexação de afixos à palavra primitiva. A
-á-: vogal temática derivação pode ser: prefixal, sufixal e parassintética.

-va-: desinência modo-temporal(caracteriza o pretérito a) Prefixal (ou prefixação): a palavra nova é obtida por
imperfeito do indicativo). acréscimo de prefixo.
-sse-: desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito In------ --feliz des----------leal
imperfeito do subjuntivo). Prefixo radical prefixo radical
-mos: desinência número-pessoal (caracteriza a primeira
pessoa do plural). b) Sufixal (ou sufixação): a palavra nova é obtida por
-is: desinência número-pessoal (caracteriza a segunda acréscimo de sufixo.
pessoa do plural). Feliz---- mente leal------dade
Radical sufixo radical sufixo
Vogal Temática: observe que, entre o radical cant- e as
desinências verbais, surge sempre o morfema– a. c) Parassintética: a palavra nova é obtida pelo acréscimo
Esse morfema, que liga o radical às desinências, é chamado simultâneo de prefixo e sufixo (não posso retirar o prefixo nem
de vogal temática. Sua função é ligar-se ao radical, constituindo o sufixo que estão ligados ao radical, pois a palavra não
o chamado tema. É ao tema (radical + vogal temática) que se “existiria”). Por parassíntese formam-se principalmente
acrescentam as desinências. Tanto os verbos como os nomes verbos.
apresentam vogais temáticas. En-- -----trist- ----ecer
Prefixo radical sufixo
Vogais Temáticas Nominais: são -a, -e, e -o, quando
átonas finais, como em mesa, artista, busca, perda, escola, en----- ---tard--- --ecer
triste, base, combate. Nesses casos, não poderíamos pensar que prefixo radical sufixo
essas terminações são desinências indicadoras de gênero, pois
a mesa, a escola, por exemplo, não sofrem esse tipo de flexão. Outros Tipos de Derivação
É a essas vogais temáticas que se liga a desinência indicadora Há dois casos em que a palavra derivada é formada sem
de plural: que haja a presença de afixos. São eles: a derivação regressiva
mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes terminados em vogais e a derivação imprópria.
tônicas (sofá, café, cipó, caqui, por exemplo) não apresentam
vogal temática. a) Derivação regressiva: a palavra nova é obtida por
redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo, na formação
Vogais temáticas verbais: são -a, -e e- i, que caracterizam de substantivos derivados de verbos.
três grupos de verbos a que se dá o nome de conjugações. Por exemplo: A pesca está proibida. (pescar). Proibida a
Assim, os verbos cuja vogal temática é -a pertencem à primeira caça. (caçar)
conjugação; aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à
segunda conjugação e os que têm vogal temática -i pertencem b) Derivação imprópria: a palavra nova (derivada) é
à terceira conjugação. obtida pela mudança de categoria gramatical da palavra
primitiva. Não ocorre, pois, alteração na forma, mas tão
primeira conj. segunda conj. terceira conj. somente na classe gramatical. Por exemplo:
govern-a-va estabelec-e-sse defin-i-ra Não entendi o porquê da briga. (o substantivo porquê
atac-a-va cr-e-ra imped-i-sse deriva da conjunção porque)
realiz-a-sse mex-e-rá g-i-mos Seu olhar me fascina! (o verbo olhar tornou-se, aqui,
substantivo)
Vogal ou consoante de ligação: as vogais ou consoantes
de ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos, Outros processos de formação de palavras
ou seja, para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de uma - Hibridismo: é a palavra formada com elementos
determinada palavra. Temos um exemplo de vogal de ligação oriundos de línguas diferentes.
na palavra escolaridade: o - i - entre os sufixos- ar- e -dade automóvel (auto: grego; móvel: latim)

Língua Portuguesa 29
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

sociologia (socio: latim; logia: grego)


sambódromo (samba: dialeto africano; dromo: grego) Funções das classes de
palavras.
- Abreviação vocabular: cujo traço peculiar manifesta-se
por meio da eliminação de um segmento de uma palavra no
intuito de se obter uma forma mais reduzida, geralmente Caro(a) Candidato(a), alguns assuntos como Pronome e
aquelas mais longas. Vejamos alguns exemplos: Verbo já foram abordados nos tópicos anteriores, então neste
metropolitano – metrô tópico abordaremos os outros assunto relacionados ao
extraordinário – extra Classes de Palavras.
otorrinolaringologista – otorrino
telefone – fone CLASSES DE PALAVRAS
pneumático – pneu
Em Classes de Palavras, estudaremos artigo, substantivo,
- Onomatopeia: consiste em criar palavras, tentando adjetivo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição,
imitar sons da natureza ou sons repetidos. Por interjeição e conjunção. E dentro de cada uma, abordaremos
exemplo: zum-zum, cri-cri, tique-taque, pingue-pongue, blá- seu emprego e quando houver, sua flexão.
blá-blá.
Artigo
- Siglas: as siglas são formadas pela combinação das letras
iniciais de uma sequência de palavras que constitui um nome. É a palavra que acompanha o substantivo, indicando-lhe o
Por exemplo: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e gênero e o número, determinando-o ou generalizando-o. Os
Estatística); IPTU (Imposto Predial, Territorial e Urbano). artigos podem ser:
As siglas escrevem-se com todas as letras maiúsculas, a não Definidos: o, a, os, as; determinam os substantivos, trata de
ser que haja mais de três letras e a sigla seja um ser já conhecido; denota familiaridade: “A grande reforma
pronunciável sílaba por sílaba. do ensino superior é a reforma do ensino fundamental e do
Por exemplo: Unicamp, Petrobras. médio.”
Indefinidos: um, uma, uns, umas; Trata-se de um ser
Questões desconhecido, dá ao substantivo valor vago: “...foi chegando
um caboclinho magro, com uma taquara na mão.” (A. Lima)
01. Assinale a opção em que todas as palavras se formam
pelo mesmo processo: Usa-se o artigo definido:
A) ajoelhar / antebraço / assinatura - com a palavra ambos: falou-nos que ambos os culpados
B) atraso / embarque / pesca foram punidos.
C) o jota / o sim / o tropeço - com nomes próprios geográficos de estado, país, oceano,
D) entrega / estupidez / sobreviver montanha, rio, lago: o Brasil, o rio Amazonas, a Argentina, o
E) antepor / exportação / sanguessuga oceano Pacífico. Ex.: Conheço o Canadá mas não conheço
Brasília.
02. A palavra “aguardente” formou-se por: - depois de todos/todas + numeral + substantivo: Todos
A) hibridismo os vinte atletas participarão do campeonato.
B) aglutinação - com o superlativo relativo: Mariane escolheu as mais
C) justaposição lindas flores da floricultura.
D) parassíntese - com a palavra outro, com sentido determinado: Marcelo
E) derivação regressiva tem dois amigos: Rui é alto e lindo, o outro é atlético e
simpático.
03. Que item contém somente palavras formadas por - antes dos nomes das quatro estações do ano: Depois da
justaposição? primavera vem o verão.
A) desagradável - complemente - com expressões de peso e medida: O álcool custa um real
B) vaga-lume - pé-de-cabra o litro. (=cada litro)
C) encruzilhada - estremeceu
D) supersticiosa - valiosas Não se usa o artigo definido:
E) desatarraxou - estremeceu - antes de pronomes de tratamento iniciados por
possessivos: Vossa Excelência, Vossa Senhoria. Ex.: Vossa
04. “Sarampo” é: Alteza estará presente ao debate?
A) forma primitiva - antes de nomes de meses: O campeonato aconteceu em
B) formado por derivação parassintética maio de 2002.
C) formado por derivação regressiva - alguns nomes de países, como Espanha, França,
D) formado por derivação imprópria Inglaterra, Itália podem ser construídos sem o artigo,
E) formado por onomatopeia principalmente quando regidos de preposição. Ex.: “Viveu
muito tempo em Espanha.”
05. As palavras são formadas através de derivação - antes de todos / todas + numeral: Eles são, todos
parassintética em quatro, amigos de João Luís e Laurinha.
A)infelizmente, desleal, boteco, barraco. - antes de palavras que designam matéria de estudo,
B)ajoelhar, anoitecer, entristecer, entardecer. empregadas com os verbos: aprender, estudar, cursar,
C)caça, pesca, choro, combate. ensinar. Ex.: Estudo Inglês e Cristiane estuda Francês.
D)ajoelhar, pesca, choro, entristecer.
O uso do artigo é facultativo:
Gabarito - antes do pronome possessivo: Sua / A sua incompetência
01.B / 02.B / 03.B / 04.C / 05.B é irritante.
- antes de nomes próprios de pessoas: Você já visitou
Luciana / a Luciana?

Língua Portuguesa 30
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

- “Daqui para a frente, tudo vai ser diferente.” (Para a No segundo quadrinho, correspondem, respectivamente, a
frente: exige a preposição) substantivo, pronome, artigo e advérbio:
(A) “guerra”, “o”, “a” e “por que”.
Formas combinadas do artigo definido: Preposição + o = ao (B) “mundo”, “a”, “o” e “lá”.
/ de + o, a = do, da / em + o, a = no, na / por + o, a = pelo, pela. (C) “quando”, “por que”, “e” e “lá”.
(D) “por que”, “não”, “a” e “quando”.
Usa-se o artigo indefinido: (E) “guerra”, “quando”, “a” e “não”.
- para indicar aproximação numérica: Nicole devia ter uns
oito anos. 03. (SESAP/RN - Técnico em Enfermagem -
- antes dos nomes de partes do corpo ou de objetos em COMPERVE/2018)
pares: Usava umas calças largas e umas botas longas.
- em linguagem coloquial, com valor intensivo: Rafaela é Nas décadas subsequentes, vários estudos
uma meiguice só. correlacionaram os hábitos dos pacientes como fatores de
- para comparar alguém com um personagem célebre: Luís risco para doenças cardiovasculares. Sedentarismo,
August é um Rui Barbosa. tabagismo, obesidade, entre outros, aumentam drasticamente
as chances de enfarte.
O artigo indefinido não é usado:
- em expressões de quantidade: pessoa, porção, parte, Com relação à quantidade de artigos no trecho, há
gente, quantidade. Ex.: Reservou para todos boa parte do lucro. (A) cinco.
- com adjetivos como: escasso, excessivo, suficiente. Ex.: (B) três.
Não há suficiente espaço para todos. (C) quatro.
- com substantivo que denota espécie. Ex.: Cão que ladra (D) dois.
não morde.
04. (Prefeitura Tanguá/RJ - Técnico de Enfermagem -
Formas combinadas do artigo indefinido: Preposição de e MS Concursos/2017) Considere as afirmações sobre artigo e
em + um, uma = num, numa, dum, duma. numeral e assinale a alternativa correta:
I - Algumas palavras que atendem o substantivo, como um,
O artigo (o, a, um, uma) anteposto a qualquer palavra em “um dia”, podem modificar-lhe o sentido. Podemos
transforma-a em substantivo. O ato literário é o conjunto do entender a expressão como “um dia qualquer” e também como
ler e do escrever. “um único dia.” Na primeira situação, a palavra um é artigo; na
segunda, um é numeral.
Questões II - Artigo é a palavra que antecede o substantivo,
definindo-o ou indefinindo-o. Numeral é a palavra que
01. (Banestes - Analista Econômico Financeiro - Gestão expressa quantidade exata de pessoas ou coisas, ou lugar que
Contábil - FGV/2018) A frase abaixo em que o emprego do elas ocupam numa determinada sequência.
artigo mostra inadequação é: III - Os numerais classificam-se em: cardinais (designam
(A) Todas as coisas que hoje se creem antiquíssimas já uma quantidade de seres); ordinais (indicam série, ordem,
foram novas; posição); multiplicativos (expressam aumento proporcional a
(B) Cuidado com todas as coisas que requeiram roupas um múltiplo da unidade); fracionários (denotam diminuição
novas; proporcional a divisões, frações da unidade).
(C) Todos os bons pensamentos estão presentes no IV - O numeral pode referir-se a um substantivo ou
mundo, só falta aplicá-los; substituí-lo; no primeiro caso, é numeral substantivo; no
(D) Em toda a separação existe uma imagem da morte; segundo, numeral adjetivo.
(E) Alegria de amor dura apenas um instante, mas
sofrimento de amor dura toda a vida. (A) Apenas II, III e IV estão corretas.
(B) Apenas I, III e IV estão corretas.
02. (IF/AP – Auxiliar em Administração – (C) Apenas I, II e III estão corretas.
FUNIVERSA/2016) (D) Apenas I, II e IV estão corretas.

Gabarito

01.D / 02.E / 03.C / 04.C

Substantivo

É a palavra que dá nomes aos seres. Inclui os nomes de


pessoas, de lugares, coisas, entes de natureza espiritual ou
mitológica: vegetação, sereia, cidade, anjo, árvore, respeito,
criança.

Classificação
- Comuns: nomeiam os seres da mesma espécie. Ex.:
menina, piano, estrela, rio, animal, árvore.
- Próprios: referem-se a um ser em particular. Ex.: Brasil,
América do Norte, Deus, Paulo, Lucélia.
- Concretos: são aqueles que têm existência própria; são
independentes; reais ou imaginários. Ex.: mãe, mar, água, anjo,
alma, Deus, vento, saci.
- Abstrato: são os que não têm existência própria; depende
Internet: <http://educacaoepraxis.blogspot.com.br>.
sempre de um ser para existir. Designam qualidades,

Língua Portuguesa 31
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

sentimentos, ações, estados dos seres: dor, doença, amor, fé, formicida, o herpes, o sósia, o telefonema, o saca-rolha, o
beijo, abraço, juventude, covardia. Ex.: É necessário alguém ser plasma, o estigma.
ou estar triste para a tristeza manifestar-se.
São femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a aluvião, a
Formação análise, a cal, a gênese, a entorse, a faringe, a cólera (doença),
- Simples: são aqueles formados por apenas um radical: a cataplasma, a pane, a mascote, a libido (desejo sexual), a rês,
chuva, tempo, sol, guarda. a sentinela, a sucuri, a usucapião, a omelete, a hortelã, a fama,
- Compostos: são os que são formados por mais de dois a Xerox, a aguardente.
radicais: guarda-chuva, girassol, água-de-colônia.
- Primitivos: são os que não derivam de outras palavras; Número (plural/singular)
vieram primeiro, deram origem a outras palavras. Ex.: ferro, Acrescentam-se:
Pedro, mês, queijo. - S – aos substantivos terminados em vogal ou ditongo:
- Derivados: são formados de outra palavra já existente; povo, povos / feira, feiras / série, séries.
vieram depois. Ex.: ferradura, pedreiro, mesada, requeijão. - S – aos substantivos terminados em N: líquen, liquens /
- Coletivos: os substantivos comuns que, mesmo no abdômen, abdomens / hífen, hífens. Também: líquenes,
singular, designam um conjunto de seres de uma mesma abdômenes, hífenes.
espécie. Ex.: - ES – aos substantivos terminados em R, S, Z: cartaz,
cartazes / motor, motores / mês, meses. Alguns terminados em
Álbum de fotografias Colmeia de abelhas R mudam sua sílaba tônica, no plural: júnior, juniores / caráter,
Alcateia de lobos Concílio
de bispos em caracteres / sênior, seniores.
assembleia - IS – aos substantivos terminados em al, el, ol, ul: jornal,
de textos jornais / sol, sóis / túnel, túneis / mel, meles, méis. Exceções:
Antologia Conclave de cardeais
escolhidos
mal, males / cônsul, cônsules / real, réis.
Arquipélago ilhas Cordilheira de montanhas
- ÃO – aos substantivos terminados em ão, acrescenta S:
cidadão, cidadãos / irmão, irmãos / mão, mãos.
Reflexão do Substantivo
Os substantivos apresentam variações ou flexões de gênero Trocam-se:
(masculino/feminino), de número (plural/singular) e de grau
- ão por ões: botão, botões / limão, limões / portão, portões
(aumentativo/diminutivo).
/ mamão, mamões.
- ão por ãe: pão, pães / charlatão, charlatães / alemão,
Gênero (masculino/feminino) alemães / cão, cães.
Na língua portuguesa há dois gêneros: masculino e - il por is (oxítonas): funil, funis / fuzil, fuzis / canil, canis /
feminino. A regra para a flexão do gênero é a troca de o por a,
pernil, pernis.
ou o acréscimo da vogal a, no final da palavra: mestre, mestra. - por eis (paroxítonas): fóssil, fósseis / réptil, répteis /
projétil, projéteis.
Formação do Feminino
- m por ns: nuvem, nuvens / som, sons / vintém, vinténs /
O feminino se realiza de três modos:
atum, atuns.
- Flexionando-se o substantivo masculino: filho, filha /
- zito, zinho - 1º coloca-se o substantivo no plural: balão,
mestre, mestra / leão, leoa; balões. 2º elimina-se o S + zinhos.
- Acrescentando-se ao masculino a desinência “a” ou um
Balão – balões – balões + zinhos: balõezinhos.
sufixo feminino: autor, autora / deus, deusa / cônsul,
Papel – papéis – papel + zinhos: papeizinhos.
consulesa / cantor, cantora / reitor, reitora. Cão – cães - cãe + zitos: Cãezitos.
- Utilizando-se uma palavra feminina com radical
diferente: pai, mãe / homem, mulher / boi, vaca / carneiro,
Alguns substantivos terminados em X são invariáveis
ovelha / cavalo, égua.
(valor fonético = cs): os tórax, os tórax / o ônix, os ônix / a fênix,
as fênix / uma Xerox, duas Xerox / um fax, dois fax.
Substantivos Uniformes
- Epicenos: designam certos animais e têm um só gênero,
Substantivos terminados em ÃO com mais de uma forma
quer se refiram ao macho ou à fêmea. – jacaré macho ou fêmea
no plural:
/ a cobra macho ou fêmea. aldeão, aldeões, aldeãos;
- Comuns de dois gêneros: apenas uma forma e designam verão, verões, verãos;
indivíduos dos dois sexos. São masculinos ou femininos. A
anão, anões, anãos;
indicação do sexo é feita com uso do artigo masculino ou guardião, guardiões, guardiães;
feminino: o, a intérprete / o, a colega / o, a médium / o, a
corrimão, corrimãos, corrimões;
pianista. ancião, anciões, anciães, anciãos;
- Sobrecomuns: designam pessoas e têm um só gênero
ermitão, ermitões, ermitães, ermitãos.
para homem ou a mulher: a criança (menino, menina) / a
testemunha (homem, mulher) / o cônjuge (marido, mulher). Metafonia - apresentam o “o” tônico fechado no singular e
aberto no plural: caroço (ô), caroços (ó) / imposto (ô),
Alguns substantivos que mudam de sentido, quando se
impostos (ó).
troca o gênero:
o lotação (veículo) - a lotação (efeito de lotar); Substantivos que mudam de sentido quando usados no
o capital (dinheiro) - a capital (cidade); plural: Fez bem a todos (alegria); Houve separação de bens.
o cabeça (chefe, líder) - a cabeça (parte do corpo);
(Patrimônio); Conferiu a féria do dia. (Salário); As férias foram
o guia (acompanhante) - a guia (documentação). maravilhosas. (Descanso).
São masculinos: o eclipse, o dó, o dengue (manha), o
Substantivos empregados somente no plural: Arredores,
champanha, o soprano, o clã, o alvará, o sanduíche, o clarinete, belas-artes, bodas (ô), condolências, cócegas, costas, exéquias,
o Hosana, o espécime, o guaraná, o diabete ou diabetes, o tapa,
férias, olheiras, fezes, núpcias, óculos, parabéns, pêsames,
o lança-perfume, o praça (soldado raso), o pernoite, o viveres, idos, afazeres, algemas.

Língua Portuguesa 32
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Plural dos Substantivos Compostos Plural das siglas, acrescenta-se um s minúsculo: CDs /
DVDs / ONGs / PMs / Ufirs.
Somente o segundo (ou último) elemento vai para o plural:
Grau (aumentativo/diminutivo)
- palavra unida sem hífen: pontapé = pontapés / girassol Os substantivos podem ser modificados a fim de exprimir
= girassóis / autopeça = autopeças. intensidade, exagero ou diminuição. A essas modificações é
- verbo + substantivo: saca-rolha = saca-rolhas / arranha- que damos o nome de grau do substantivo. Os graus
céu = arranha-céus / bate-bola = bate-bolas / guarda-roupa = aumentativos e diminutivos são formados por dois processos:
guarda-roupas / guarda-sol = guarda-sóis / vale-refeição =
vale-refeições. - Sintético: com o acréscimo de um sufixo aumentativo ou
- elemento invariável + palavra variável: sempre-viva = diminutivo: peixe – peixão; peixe-peixinho; sufixo inho ou
sempre-vivas / abaixo-assinado = abaixo-assinados / recém- isinho.
nascido = recém-nascidos / ex-marido = ex-maridos / auto-
escola = auto-escolas. - Analítico: formado com palavras de aumento: grande,
- palavras repetidas: o reco-reco = os reco-recos / o tico- enorme, imensa, gigantesca (obra imensa / lucro enorme /
tico = os tico-ticos / o corre-corre = os corre-corres. carro grande / prédio gigantesco); e formado com as palavras
- substantivo composto de três ou mais elementos não de diminuição (diminuto, pequeno, minúscula, casa pequena,
ligados por preposição: o bem-me-quer = os bem-me-queres / peça minúscula, saia diminuta).
o bem-te-vi = os bem-te-vis / o sem-terra = os sem-terra / o
fora-da-lei = os fora-da-lei / o João-ninguém = os joões-ninguém - Sem falar em aumentativo e diminutivo alguns
/ o ponto-e-vírgula = os ponto e vírgulas / o bumba meu boi = substantivos exprimem também desprezo, crítica, indiferença
os bumba meu bois. em relação a certas pessoas e objetos: gentalha, mulherengo,
- quando o primeiro elemento for: grão, grã (grande), bel: narigão, gentinha, coisinha, povinho, livreco.
grão-duque = grão-duques / grã-cruz = grã-cruzes / bel-prazer - Já alguns diminutivos dão ideia de afetividade: filhinho,
= bel-prazeres. Toninho, mãezinha.
- Em consequência do dinamismo da língua, alguns
Somente o primeiro elemento vai para o plural: substantivos no grau diminutivo e aumentativo adquiriram
um significado novo: portão, cartão, fogão, cartilha, folhinha
- substantivo + preposição + substantivo: água de colônia (calendário).
= águas-de-colônia / mula-sem-cabeça = mulas-sem-cabeça / - As palavras proparoxítonas e as palavras terminadas em
pão-de-ló = pães-de-ló / sinal-da-cruz = sinais-da-cruz. sílabas nasal, ditongo, hiato ou vogal tônica recebem o sufixo
- quando o segundo elemento limita o primeiro ou dá zinho(a): lâmpada (proparoxítona) = lampadazinha; irmão
ideia de tipo, finalidade: samba-enredo = sambas-enredo / (sílaba nasal) = irmãozinho; herói (ditongo) = heroizinho; baú
pombo-correio = pombos-correio / salário-família = salários- (hiato) = bauzinho; café (voga tônica) = cafezinho.
família / banana-maçã = bananas-maçã / vale-refeição = vales- - As palavras terminadas em s ou z, ou em uma dessas
refeição (vale = ter valor de, substantivo+especificador) consoantes seguidas de vogal recebem o sufixo inho: país =
paisinho; rapaz = rapazinho; rosa = rosinha; beleza =
Os dois elementos ficam invariáveis quando houver: belezinha.
- Há ainda aumentativos e diminutivos formados por
- verbo + advérbio: o ganha-pouco = os ganha-pouco / o prefixação: minissaia, maxissaia, supermercado,
cola-tudo = os cola-tudo / o bota-fora = os bota-fora minicalculadora.
- os compostos de verbos de sentido oposto: o entra-e-sai
= os entra-e-sai / o leva-e-traz = os leva-e-traz / o vai-e-volta Questões
= os vai-e-volta.
01. Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da
Os dois elementos, vão para o plural: mesma forma que “balão” e “caneta-tinteiro”:
(A) vulcão, abaixo-assinado;
- substantivo + substantivo: decreto-lei = decretos-leis / (B) irmão, salário-família;
abelha-mestra = abelhas-mestras / tia-avó = tias-avós / (C) questão, manga-rosa;
tenente-coronel = tenentes-coronéis / redator-chefe = (D) bênção, papel-moeda;
redatores-chefes. (E) razão, guarda-chuva.
- substantivo + adjetivo: amor-perfeito = amores-
perfeitos / capitão-mor = capitães-mores / carro-forte = 02. Assinale a alternativa em que está correta a formação
carros-fortes / obra-prima = obras-primas / cachorro-quente do plural:
= cachorros-quentes. (A) cadáver – cadáveis;
- adjetivo + substantivo: boa-vida = boas-vidas / curta- (B) gavião – gaviães;
metragem = curtas-metragens / má-língua = más-línguas / (C) fuzil – fuzíveis;
- numeral ordinal + substantivo: segunda-feira = (D) mal – maus;
segundas-feiras / quinta-feira = quintas-feiras. (E) atlas – os atlas.

Composto com a palavra guarda só vai para o plural se 03. A palavra livro é um substantivo
for pessoa: guarda-noturno = guardas-noturnos / guarda- (A) próprio, concreto, primitivo e simples.
florestal = guardas-florestais / guarda-civil = guardas-civis / (B) comum, abstrato, derivado e composto.
guarda-marinha = guardas-marinha. (C) comum, abstrato, primitivo e simples.
(D) comum, concreto, primitivo e simples.
Plural dos nomes próprios personalizados: os Almeidas
/ os Oliveiras / os Picassos / os Mozarts / os Kennedys / os 04. Assinale a alternativa em que todos os substantivos são
Silvas. masculinos:
(A) enigma – idioma – cal;
(B) pianista – presidente – planta;

Língua Portuguesa 33
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

(C) champanha – dó(pena) – telefonema; - biformes: troca-se a vogal “o” pela vogal “a” ou com o
(D) estudante – cal – alface; acréscimo da vogal “a” no final da palavra: ator famoso = atriz
(E) edema – diabete – alface. famosa / jogador brasileiro = jogadora brasileira.

05. Sabendo-se que há substantivos que no masculino têm Os adjetivos compostos recebem a flexão feminina apenas
um significado; e no feminino têm outro, diferente. Marque a no segundo elemento: sociedade luso-brasileira / festa cívico-
alternativa em que há um substantivo que não corresponde ao religiosa / são – sã.
seu significado: Às vezes, os adjetivos são empregados como substantivos
(A) O capital = dinheiro; ou como advérbios: Agia como um ingênuo. (adjetivo como
A capital = cidade principal; substantivo: acompanha um artigo). A cerveja que desce
(B) O grama = unidade de medida; redondo. (adjetivo como advérbio: redondamente).
A grama = vegetação rasteira;
(C) O rádio = aparelho transmissor; Número
A rádio = estação geradora;
(D) O cabeça = o chefe; O plural dos adjetivos simples flexiona de acordo com o
A cabeça = parte do corpo; substantivo a que se referem: menino chorão = meninos
(E) A cura = o médico. chorões / garota sensível = garotas sensíveis.
O cura = ato de curar.
- quando os dois elementos formadores são adjetivos, só o
Gabarito segundo vai para o plural: questões político-partidárias, olhos
castanho-claros, senadores democrata-cristãos.
01.C / 02.E / 03.D / 04.C / 05.E - composto formado de adjetivo + substantivo referindo-se
a cores, o adjetivo cor e o substantivo permanecem invariáveis,
Adjetivo não vão para o plural: terno azul-petróleo = ternos azul-
petróleo (adjetivo azul, substantivo petróleo); saia amarelo-
É a palavra variável em gênero, número e grau que canário = saias amarelo-canário (adjetivo, amarelo;
modifica um substantivo, atribuindo-lhe uma qualidade, substantivo canário).
estado, ou modo de ser: laranjeira florida; céu azul; mau tempo. - as locuções adjetivas formadas de cor + de + substantivo,
Os adjetivos classificam-se em: ficam invariáveis: papel cor-de-rosa = papéis cor-de-rosa /
- simples: apresentam um único radical, uma única palavra olho cor-de-mel = olhos cor-de-mel.
em sua estrutura: alegre, medroso, simpático. - são invariáveis os adjetivos raios ultravioleta / alegrias
- compostos: apresentam mais de um radical, mais de duas sem-par, piadas sem-sal.
palavras em sua estrutura: estrelas azul-claras; sapatos
marrom-escuros. Grau
- primitivos: são os que vieram primeiro; dão origem a
outras palavras: atual, livre, triste, amarelo, brando. O grau do adjetivo exprime a intensidade das qualidades
- derivados: são aqueles formados por derivação, vieram dos seres. O adjetivo apresenta duas variações de grau:
depois dos primitivos: amarelado, ilegal, infeliz, comparativo e superlativo.
desconfortável.
- pátrios: indicam procedência ou nacionalidade, referem- O grau comparativo é usado para comparar uma
se a cidades, estados, países. Amapá: amapaense; Amazonas: qualidade entre dois ou mais seres, ou duas ou mais
amazonense ou baré; Anápolis: anapolino; Angra dos Reis: qualidades de um mesmo ser. Pode ser de igualdade, de
angrense; Aracajú: aracajuano ou aracajuense; Bahia: baiano. superioridade e de inferioridade:

Pode-se utilizar os adjetivos pátrios compostos, como: - de igualdade: iguala duas coisas ou duas pessoas: Sou
afro-brasileiro; Anglo-americano, franco-italiano, sino- tão alto quão / quanto / como você. (As duas pessoas têm a
japonês (China e Japão); Américo-francês; luso-brasileira; mesma altura)
nipo-argentina (Japão e Argentina); teuto-argentinos
(alemão). - de superioridade: iguala duas pessoas / coisas sendo que
uma é mais do que a outra: Minha amiga Manu é mais
Locução Adjetiva: é a expressão que tem o mesmo valor elegante do que / que eu. (Das duas, a Manu é mais) Podem
de um adjetivo. É formada por preposição + um substantivo. ser:
Vejamos algumas locuções adjetivas: Analítico: mais bom / mais mau / mais grande / mais
pequeno: O salário é mais pequeno do que / que justo (salário
Angelical de anjo Etário de idade pequeno e justo). Quando comparamos duas qualidades de um
Abdominal de abdômen Fabril de fábrica mesmo ser, podemos usar as formas: mais grande, mais mau,
Apícola de abelha Filatélico de selos mais bom, mais pequeno.
Aquilino de águia Urbano da cidade Sintético: bom, melhor / mau, pior / grande, maior /
pequeno, menor: Esta sala é melhor do que / que aquela.
Flexões do Adjetivo
Como palavra variável, sofre flexões de gênero, número e - de inferioridade: um elemento é menor do que outro:
grau: Somos menos passivos do que / que tolerantes.

Gênero O grau superlativo apresenta característica intensificada.


Pode ser absoluto ou relativo:
- uniformes: têm forma única para o masculino e o
feminino. Funcionário incompetente = funcionária - Absoluto: atribuída a um só ser; de forma absoluta. Pode
incompetente. ser:

Língua Portuguesa 34
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Analítico: advérbio de intensidade muito, intensamente, libera adrenalina, aumentando os batimentos cardíacos e a
bastante, extremamente, excepcionalmente + adjetivo (Nicola é pressão arterial”.
extremamente simpático). (O Estado de São Paulo, 09/06/2012, caderno suplementar, p. 6)
Sintético: adjetivo + issimo, imo, ílimo, érrimo (Minha
comadre Mariinha é agradabilíssima). Nas frases “ele é superimportante” e “Ele realmente bate
mais rápido quando uma pessoa está apaixonada”, há dois
- o sufixo -érrimo é restrito aos adjetivos latinos exemplos de variação de grau.
terminados em r; pauper (pobre) = paupérrimo; macer
(magro) = macérrimo; Sobre essas variações, assinale a afirmativa correta.
- forma popular: radical do adjetivo português + íssimo (A) Apenas na primeira frase há uma variação de grau de
(pobríssimo); adjetivo.
- adjetivos terminados em vel + bilíssimo: amável = (B) Nas duas ocorrências ocorre o superlativo de adjetivos.
amabilíssimo; (C) Apenas na segunda ocorrência ocorre o grau
- adjetivos terminados em eio formam o superlativo comparativo do adjetivo.
apenas com i: feio = feíssimo / cheio = cheíssimo. (D) Na primeira ocorrência, a variação de grau ocorre por
- os adjetivos terminados em io forma o superlativo em meio de um sufixo.
iíssimo: sério = seriíssimo / necessário = necessariíssimo / (E) Apenas na primeira frase há variação de grau.
frio = friíssimo.
03. (Banestes - Técnico Bancário - FGV/2018) O
Usa-se também, no superlativo: adjetivo ilimitado corresponde à locução “sem limites”; a
locução com igual estrutura que NÃO corresponde ao adjetivo
- prefixos: maxinflação / hipermercado / abaixo destacado é:
ultrassonografia / supersimpática. (A) Os turistas ficaram inertes durante a ação policial /
- expressões: suja à beça / pra lá de sério / duro que nem sem ação;
sola / podre de rico / linda de morrer / magro de dar pena. (B) O turista incauto ficou assustado com a ação policial /
- adjetivos repetidos: fofinho, fofinho (=fofíssimo) / sem cautela;
linda, linda (=lindíssima). (C) O vocalista da banda saiu ileso do acidente / sem
- diminutivo ou aumentativo: cheinha / pequenininha / ferimento;
grandalhão / gostosão / bonitão. (D) O presidente da Coreia passou incógnito pela França /
- linguagem informal, sufixo érrimo, em vez de íssimo: sem ser percebido;
chiquérrimo, chiquetérrimo, elegantérrimo. (E) O novo livro do autor estava ainda inédito / sem editor.

- Relativo: ressalta a qualidade de um ser entre muitos, 04. (Banestes - Analista Econômico Financeiro - Gestão
com a mesma qualidade. Pode ser: Contábil - FGV/2018) Na escrita, pode-se optar
De Superioridade: Wilma é a mais prendada de todas as frequentemente entre uma construção de substantivo +
suas amigas. (Ela é a mais de todas) locução adjetiva ou substantivo + adjetivo (esportes da água =
De Inferioridade: Paulo César é o menos tímido dos filhos. esportes aquáticos).

Questões O termo abaixo sublinhado que NÃO pode ser substituído


por um adjetivo é:
01. (COMPESA - Analista de Gestão - Advogado - (A) A indústria causou a poluição do rio;
FGV/2016) A substituição da oração adjetiva por um adjetivo (B) As águas do rio ficaram poluídas;
de valor equivalente está feita de forma inadequada em: (C) As margens do rio estão cheias de lama;
(A) “Quando você elimina o impossível, o que sobra, por (D) Os turistas se encantam com a imagem do rio;
mais improvável que pareça, só pode ser a verdade”. / restante (E) Os peixes do rio são bem saborosos.
(B) “Sábio é aquele que conhece os limites da própria
ignorância”. / consciente dos limites da própria ignorância. 05. (Pref. Paulínia/SP - Engenheiro Agrônomo -
(C) “A única coisa que vem sem esforço é a idade”. / FGV/2016) “O povo, ingênuo e sem fé das verdades, quer ao
indiferente menos crer na fábula, e pouco apreço dá às demonstrações
(D) “Adoro a humanidade. O que não suporto são as científicas.” (Machado de Assis)
pessoas”. / insuportável
(E) “Com o tempo não vamos ficando sozinhos apenas No fragmento acima, os dois adjetivos sublinhados
pelos que se foram: vamos ficando sozinhos uns dos outros”. / possuem, respectivamente, os valores de
falecidos (A) qualidade e estado.
(B) estado e relação.
02. (SEPOG/RO - Técnico em Tecnologia da Informação (C) relação e característica.
e Comunicação - FGV/2018) Temos uma notícia triste: o (D) característica e qualidade.
coração não é o órgão do amor! Ao contrário do que dizem, não (E) qualidade e relação.
é ali que moram os sentimentos. Puxa, para que serve ele,
afinal? Calma, não jogue o coração para escanteio, ele é Gabarito
superimportante. “É um órgão vital. É dele a função de
bombear sangue para todas as células de nosso corpo”, explica 01.C / 02.A / 03.E / 04.A / 05.E
Sérgio Jardim, cardiologista do Hospital do Coração.
O coração é um músculo oco, por onde passa o sangue, e Numeral
tem dois sistemas de bombeamento independentes. Com essas
“bombas” ele recebe o sangue das veias e lança para as Os numerais exprimem quantidade, posição em uma série,
artérias. Para isso contrai e relaxa, diminuindo e aumentando multiplicação e divisão. Daí a sua classificação,
de tamanho. E o que tem a ver com o amor? “Ele realmente respectivamente, em:
bate mais rápido quando uma pessoa está apaixonada. O corpo

Língua Portuguesa 35
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

- Cardinal - indica número, quantidade: um, dois, três, - os numerais ordinais variam em número: As segundas
quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, colocadas disputarão o campeonato.
catorze ou quatorze, quinze, dezesseis, vinte..., trinta..., cem..., - os numerais multiplicativos são invariáveis quando
duzentos..., oitocentos..., novecentos..., mil. usados com valor de substantivo: Minha dívida é o dobro da
sua. (Valor de substantivo – invariável)
- Ordinal - indica ordem ou posição: primeiro, segundo, - os numerais multiplicativos variam quando usados como
terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, adjetivos: Fizemos duas apostas triplas. (Valor de adjetivo –
décimo primeiro, vigésimo..., trigésimo..., quingentésimo..., variável)
sexcentésimo..., septingentésimo..., octingentésimo..., - os numerais fracionários variam em número,
nongentésimo..., milésimo. concordando com os cardinais que indicam números das
partes.
- Fracionário - indica uma fração ou divisão: meia, metade, - Um quarto de litro equivale a 250 ml; três quartos
terço, quarto, décimo, onze avos, doze avos, vinte avos..., trinta equivalem a 750 ml.
avos..., centésimo..., ducentésimo..., trecentésimo..., milésimo.
Grau
- Multiplicativo - indica a multiplicação de um número: Na linguagem coloquial é comum a flexão de grau dos
dobro, triplo, quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo, óctuplo, numerais: Já lhe disse isso mil vezes. / Aquele quarentão é um
nônuplo, décuplo, undécuplo, duodécuplo, cêntuplo. “gato”! / Morri com cincão para a “vaquinha”, lá da escola.

Os numerais que indicam conjunto de elementos de Emprego dos Numerais


quantidade exata são os coletivos: - para designar séculos, reis, papas, capítulos, cantos (na
poesia épica), empregam-se: os ordinais até décimo: João Paulo
BIMESTRE: período de dois meses II (segundo), Canto X (décimo), Luís IX (nono); os cardinais
CENTENÁRIO: período de cem anos para os demais: Papa Bento XVI (dezesseis), Século XXI (vinte
DECÁLOGO: conjunto de dez leis e um).
DECÚRIA: período de dez anos - se o numeral vier antes do substantivo, usa-se o ordinal.
DEZENA: conjunto de dez coisas O XX século foi de descobertas científicas. (vigésimo século)
LUSTRO: período de cinco anos - com referência ao primeiro dia do mês, usa-se o numeral
MILÊNIO: período de mil anos ordinal: O pagamento do pessoal será sempre no dia primeiro.
MILHAR: conjunto de mil coisas - na enumeração de leis, decretos, artigos, circulares,
NOVENA: período de nove dias
portarias e outros textos oficiais, emprega-se o numeral
QUARENTENA: período de quarenta dias
ordinal até o nono: O diretor leu pausadamente a portaria 8ª
QUINQUÊNIO: período de cinco anos
RESMA: quinhentas folhas de papel
(portaria oitava); emprega-se o numeral cardinal, a partir de
SEMESTRE: período de seis meses dez: O artigo 16 não foi justificado. (artigo dezesseis)
TRIÊNIO: período de três anos - enumeração de casa, páginas, folhas, textos,
TRINCA: conjunto de três coisas apartamentos, quartos, poltronas, emprega-se o numeral
cardinal: Reservei a poltrona vinte e oito. / O texto quatro está
Algarismos na página sessenta e cinco.
Arábicos e Romanos, respectivamente: 1-I, 2-II, 3-III, 4-IV, - se o numeral vier antes do substantivo, emprega-se o
5-V, 6-VI, 7-VII, 8-VIII, 9-IX, 10-X, 11-XI, 12-XII, 13-XIII, 14-XIV, ordinal. Paulo César é adepto da 7ª Arte. (sétima)
15-XV, 16-XVI, 17-XVII, 18-XVIII, 19-XIX, 20-XX, 30-XXX, 40- - não se usa o numeral um antes de mil: Mil e duzentos
XL, 50-L, 60-LX, 70-LXX, 80-LXXX, 90-XC, 100-C, 200-CC, 300- reais é muito para mim.
CCC, 400-CD, 500-D, 600-DC, 700-DCC, 800-DCCC, 900-CM, - o artigo e o numeral, antes dos substantivos milhão,
1.000-M. milhar e bilhão, devem concordar no masculino:
- emprega-se, na escrita das horas, o símbolo de cada
Flexão dos Numerais unidade após o numeral que a indica, sem espaço ou ponto:
Gênero 10h20min – dez horas, vinte minutos.
- os numerais cardinais um, dois e as centenas a partir de
duzentos apresentam flexão de gênero: Um menino e uma Questões
menina foram os vencedores. / Comprei duzentos gramas de
presunto e duzentas rosquinhas. 01. Marque o emprego incorreto do numeral:
- os numerais ordinais variam em gênero: Marcela foi a (A) século III (três)
nona colocada no vestibular. (B) página 102 (cento e dois)
- os numerais multiplicativos, quando usados com o valor (C) 80º (octogésimo)
de substantivos, são variáveis: A minha nota é o triplo da sua. (D) capítulo XI (onze)
(Triplo – valor de substantivo) (E) X tomo (décimo)
- quando usados com valor de adjetivo, apresentam flexão
de gênero: Eu fiz duas apostas triplas na loto fácil. (Triplas 02. Indique o item em que os numerais estão corretamente
valor de adjetivo) empregados:
- os numerais fracionários concordam com os cardinais (A) Ao Papa Paulo seis sucedeu João Paulo primeiro.
que indicam o número das partes: Dois terços dos alunos foram (B) após o parágrafo nono, virá o parágrafo dez.
contemplados. (C) depois do capítulo sexto, li o capítulo décimo primeiro.
- o fracionário meio concorda em gênero e número com o (D) antes do artigo décimo vem o artigo nono.
substantivo no qual se refere: O início do concurso será meio- (E) o artigo vigésimo segundo foi revogado.
dia e meia. (Hora) / Usou apenas meias palavras.
03. (Pref. Chapecó/SC - Procurador Municipal -
Número IOBV/2016) Quanto à classificação dos numerais, os que
- os numerais cardinais milhão, bilhão, trilhão, e outros, indicam o aumento proporcional de quantidade, podendo ter
variam em número: Venderam um milhão de ingressos para a valor de adjetivo ou substantivo são os numerais:
festa do peão. / Somos 180 milhões de brasileiros. (A) Multiplicativos.

Língua Portuguesa 36
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

(B) Ordinais. escondidas, à noite, à tarde, às vezes, ao acaso, de repente, de


(C) Cardinais. chofre, de cor, de improviso, de propósito, de viva voz, de
(D) Fracionários. medo, com certeza, por perto, por um triz, de vez em quando,
sem dúvida, de forma alguma, em vão, por certo, à esquerda, à
04. (Pref. Barra de Guabiraba/PE - IDHTEC/2016) direta, a pé, a esmo, por ali, a distância.
Assinale a alternativa em que o numeral está escrito por - De repente o dia se fez noite.
extenso corretamente, de acordo com a sua aplicação na frase: - Por um triz eu não me denunciei.
(A) Os moradores do bairro Matão, em Sumaré (SP), - Sem dúvida você é o melhor.
temem que suas casas desabem após uma cratera se abrir na
Avenida Papa Pio X. (décima) Graus dos Advérbios: o advérbio não vai para o plural, são
(B) O acidente ocorreu nessa terça-feira, na BR-401 palavras invariáveis, mas alguns admitem a flexão de grau:
(quatrocentas e uma) comparativo e superlativo.
(C) A 22ª edição do Guia impresso traz uma matéria e teve
a sua página Classitêxtil reformulada. (vigésima segunda) Comparativo de:
(D) Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem Igualdade - tão + advérbio + quanto, como: Sou tão feliz
ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em quanto / como você.
erro, mediante artifício, ardil. (centésimo setésimo primeiro) Superioridade - Analítico: mais do que. Ex.: Raquel é mais
(E) A Semana de Arte Moderna aconteceu no início do elegante do que eu.
século XX. (século ducentésimo) - Sintético: melhor, pior que. Ex.:
Amanhã será melhor do que hoje.
05. (MPE/SP - Oficial de Promotoria I - VUNESP/2016) Inferioridade - menos do que: Falei menos do que devia.

O SBT fará uma homenagem digna da história de seu Superlativo Absoluto:


proprietário e principal apresentador: no próximo dia 12 Analítico - mais, muito, pouco,menos: O candidato
[12.12.2015] colocará no ar um especial com 2h30 de duração defendeu-se muito mal.
em homenagem a Silvio Santos. É o dia de seu aniversário de Sintético - íssimo, érrimo: Localizei-o rapídíssimo.
85 anos.
(http://tvefamosos.uol.com.br/noticias) Emprego do Advérbio
- Na linguagem coloquial, familiar, é comum o emprego do
As informações textuais permitem afirmar que, em sufixo diminutivo dando aos advérbios o valor de superlativo
12.12.2015, Sílvio Santos completou seu sintético: agorinha, cedinho, pertinho, devagarinho,
(A) octogenário quinquagésimo aniversário. depressinha, rapidinho (bem rápido). Exs.: Rapidinho chegou
(B) octogésimo quinto aniversário. a casa; Moro pertinho da universidade.
(C) octingentésimo quinto aniversário. - Frequentemente empregamos adjetivos com valor de
(D) otogésimo quinto aniversário. advérbio: A cerveja que desce redondo. (redondamente)
(E) oitavo quinto aniversário. - Bastante - antes de adjetivo, é advérbio, portanto, não vai
para o plural; equivale a muito / a: Aquelas jovens são bastante
Gabarito simpáticas e gentis.
01.A / 02.B / 03.A / 04.C / 05.B - Bastante - antes de substantivo, é adjetivo, portanto vai
para o plural, equivale a muitos / as: Contei bastantes estrelas
Advérbio no céu.
- Não confunda mal (advérbio, oposto de bem) com mau
É a palavra invariável que modifica um verbo (Chegou (adjetivo, oposto de bom): Mal cheguei a casa, encontrei-a de
cedo), um outro advérbio (Falou muito bem), um adjetivo mau humor.
(Estava muito bonita). - Antes de verbo no particípio, diz-se mais bem, mais mal:
Ficamos mais bem informados depois do noticiário notumo.
De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio - Em frase negativa o advérbio já equivale a mais: Já não se
pode ser de: fazem professores como antigamente. (=não se fazem mais)
Tempo: ainda, agora, antigamente, antes, amiúde - Na locução adverbial a olhos vistos (=claramente), o
(=sempre), amanhã, breve, brevemente, cedo, diariamente, particípio permanece no masculino plural: Minha irmã Zuleide
depois, depressa, hoje, imediatamente, já, lentamente, logo, emagrecia a olhos vistos.
novamente, outrora. - Dois ou mais advérbios terminados em mente, apenas no
Lugar: aqui, acolá, atrás, acima, adiante, ali, abaixo, além, último permanece mente: Educada e pacientemente, falei a
algures (=em algum lugar), aquém, alhures (= em outro lugar), todos.
dentro, defronte, fora, longe, perto. - A repetição de um mesmo advérbio assume o valor
Modo: assim, bem, depressa, aliás (= de outro modo ), superlativo: Levantei cedo, cedo.
devagar, mal, melhor, pior, e a maior parte dos advérbios que
termina em mente: calmamente, suavemente, rapidamente, Palavras e Locuções Denotativas: São palavras
tristemente. semelhantes a advérbios e que não possuem classificação
Afirmação: certamente, decerto, deveras, efetivamente, especial. Não se enquadram em nenhuma das dez classes de
realmente, sim, seguramente. palavras. São chamadas de denotativas e exprimem:
Negação: absolutamente, de modo algum, de jeito Afetividade: felizmente, infelizmente, ainda bem. Ex.: Ainda
nenhum, nem, não, tampouco (=também não). bem que você veio.
Intensidade: apenas, assaz, bastante, bem, demais, mais, Designação, Indicação: eis. Ex.: Eis aqui o herói da turma.
meio, menos, muito, quase, quanto, tão, tanto, pouco. Exclusão: exclusive, menos, exceto, fora, salvo, senão,
Dúvida: acaso, eventuamente, por ventura, quiçá, sequer: Ex.: Não me disse sequer uma palavra de amor.
possivelmente, talvez. Inclusão: inclusive, também, mesmo, ainda, até, além disso,
de mais a mais. Ex.: Também há flores no céu.
Locuçoes Adverbiais: são duas ou mais palavras que têm Limitação: só, apenas, somente, unicamente. Ex.: Só Deus é
o valor de advérbio: às cegas, às claras, às toa, às pressas, às perfeito.

Língua Portuguesa 37
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Realce: cá, lá, é que, sobretudo, mesmo. Ex.: Sei lá o que ele Gabarito
quis dizer!
Retificação: aliás, ou melhor, isto é, ou antes. Ex.: Irei à 01.B / 02.C / 03.D / 04.B / 05.B
Bahia na próxima semana, ou melhor, no próximo mês.
Explicação: por exemplo, a saber. Ex.: Você, por exemplo, Preposição
tem bom caráter.
É a palavra invariável que liga um termo dependente a um
Questões termo principal, estabelecendo uma relação entre ambos. As
preposições podem ser: essenciais ou acidentais.
01. Assinale a frase em que meio funciona como advérbio:
(A) Só quero meio quilo. As preposições essenciais atuam exclusivamente como
(B) Achei-o meio triste. preposições. São: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em,
(C) Descobri o meio de acertar. entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás. Exs.: Não dê
(D) Parou no meio da rua. atenção a fofocas; Perante todos disse, sim.
(E) Comprou um metro e meio.
As preposições acidentais são palavras de outras classes
02. Só não há advérbio em: que atuam eventualmente como preposições. São: como (=na
(A) Não o quero. qualidade de), conforme (=de acordo com), consoante, exceto,
(B) Ali está o material. mediante, salvo, visto, segundo, senão, tirante. Ex.: Agia
(C) Tudo está correto. conforme sua vontade. (= de acordo com)
(D) Talvez ele fale.
(E) Já cheguei. - O artigo definido a que vem sempre acompanhado de um
substantivo, é flexionado: a casa, as casas, a árvore, as árvores,
03. Qual das frases abaixo possui advérbio de modo? a estrela, as estrelas. A preposição a nunca vai para o plural e
(A) Realmente ela errou. não estabelece concordância com o substantivo. Ex.: Fiz todo o
(B) Antigamente era mais pacato o mundo. percurso a pé. (não há concordância com o substantivo
(C) Lá está teu primo. masculino pé)
(D) Ela fala bem. - As preposições essenciais são sempre seguidas dos
(E) Estava bem cansado. pronomes pessoais oblíquos: Despediu-se de mim
rapidamente. Não vá sem mim.
04. Classifique a locução adverbial que aparece em
"Machucou-se com a lâmina". Locuções Prepositivas: é o conjunto de duas ou mais
(A) modo palavras que têm o valor de uma preposição. A última palavra
(B) instrumento é sempre uma preposição. Veja quais são: abaixo de, acerca de,
(C) causa acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, dentro de,
(D) concessão embaixo de, em cima de, em frente a, em redor de, graças a,
(E) fim junto a, junto de, perto de, por causa de, por cima de, por trás
de, a fim de, além de, antes de, a par de, a partir de, apesar de,
05. (PC/SP - Investigador de Polícia - VUNESP/2018) através de, defronte de, em favor de, em lugar de, em vez de,
Nos EUA, a psicanálise lembra um pouco certas seitas – as (=no lugar de), ao invés de (=ao contrário de), para com, até a.
ideias do fundador são institucionalizadas e defendidas por - Não confunda locução prepositiva com locução adverbial.
discípulos ferrenhos, mas suas instituições parecem não Na locução adverbial, nunca há uma preposição no final, e sim
responder às necessidades atuais da sociedade. Talvez porque no começo: Vimos de perto o fenômeno do “tsunami”.
o autor das ideias não esteja mais aqui para atualizá-las. (locução adverbial); O acidente ocorreu perto de meu atelier.
Freud era um neurologista, e queria encontrar na Biologia (locução prepositiva)
as bases do comportamento. Como a tecnologia de então não - Uma preposição ou locução prepositiva pode vir com
lhe permitia avançar, passou a elaborar uma teoria, criando a outra preposição: Abola passou por entre as pernas do
psicanálise. Cientista que era, contudo, nunca se apaixonou por goleiro. Mas é inadequado dizer: Proibido para menores de até
suas ideias, revisando sua obra ao longo da vida. Ele chegou a 18 anos; Financiamento em até 24 meses.
afirmar: “A Biologia é realmente um campo de possibilidades
ilimitadas do qual podemos esperar as elucidações mais Combinações e Contrações
surpreendentes. Portanto, não podemos imaginar que Combinação: ocorre quando não há perda de fonemas:
respostas ela dará, em poucos decêndios, aos problemas que a+o, os= ao, aos / a+onde = aonde.
formulamos. Talvez essas respostas venham a ser tais que Contração: ocorre quando a preposição perde fonemas:
farão o edifício de nossas hipóteses colapsar”. Provavelmente, de+a, o, as, os, esta, este, isto = da, do, das, dos, desta, deste,
é sua frase menos citada. Por razões óbvias. disto.
(Galileu, novembro de 2017. Adaptado) - em+ um, uma, uns, umas, isto, isso, aquilo, aquele, aquela,
aqueles, aquelas = num, numa, nuns, numas, nisto, nisso,
Nos trechos – … Talvez porque o autor das ideias não esteja naquilo, naquele, naquela, naqueles.
mais aqui… – ; – … nunca se apaixonou por suas ideias… – ; – A - de+ entre, aquele, aquela, aquilo = dentre, daquele,
Biologia é realmente um campo de possibilidades ilimitadas… daquela, daquilo.
– e – Provavelmente, é sua frase menos citada. –, os advérbios - para+ a = pra.
destacados expressam, correta e respectivamente, A contração da preposição a com os artigos ou pronomes
circunstância de: demonstrativos a, as, aquele, aquela, aquilo recebe o nome de
(A) lugar; tempo; modo; afirmação. crase e é assinalada na escrita pelo acento grave ficando assim:
(B) lugar; tempo; afirmação; dúvida. à, às, àquele, àquela, àquilo.
(C) lugar; negação; modo; intensidade.
(D) afirmação; negação; afirmação; afirmação.
(E) afirmação; negação; modo; dúvida.

Língua Portuguesa 38
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Valores das Preposições Perante (posição anterior): Permaneceu calado perante


todos.
A
(movimento=direção): Foram a Lucélia comemorar os Por (percurso, espaço, lugar): Caminhava por ruas
Anos Dourados. desconhecidas.
Modo: Partiu às pressas. Causa: Por ser muito caro, não compramos um pendrive
Tempo: Iremos nos ver ao entardecer. novo.
Apreposição a indica deslocamento rápido: Vamos à praia. Espaço: Por cima dela havia um raio de luz.
(ideia de passear)
Sem (ausência): Eu vou sem lenço sem documento.
Ante
(diante de): Parou ante mim sem dizer nada, tanta era a Sob (debaixo de / situação): Prefiro cavalgar sob o luar.
emoção. Viveu, sob pressão dos pais.
Tempo (substituída por antes de): Preciso chegar ao
encontro antes das quatro horas. Sobre
(em cima de, com contato): Colocou as taças de cristal
Após (depois de): Após alguns momentos desabou num sobre a toalha rendada.
choro arrependido. Assunto: Conversávamos sobre política financeira.

Até Trás (situação posterior; é preposição fora de uso. É


(aproximação): Correu até mim. substituída por atrás de, depois de): Por trás desta carinha
Tempo: Certamente teremos o resultado do exame até a vê-se muita falsidade.
semana que vem.
Atenção: Se a preposição até equivaler a inclusive, será Questões
palavra de inclusão e não preposição. Os sonhadores amam
até quem os despreza. (inclusive) 01. (PC/SP - Papiloscopista Policial - VUNESP/2018)

Com (companhia): Rir de alguém é falta de caridade;


deve-se rir com alguém.
Causa: A cidade foi destruída com o temporal.
Instrumento: Feriu-se com as próprias armas.
Modo: Marfinha, minha comadre, veste-se sempre com
elegância.

Contra
(oposição, hostilidade): Revoltou-se contra a decisão do
tribunal.
Direção a um limite: Bateu contra o muro e caiu.

De (origem): Descendi de pais trabalhadores e honestos.


Lugar: Os corruptos vieram da capital.
Causa: O bebê chorava de fome.
Posse: Dizem que o dinheiro do povo sumiu.
Assunto: Falávamos do casamento da Mariele.
Matéria: Era uma casa de sapé.
A preposição de não deve contrair-se com o artigo, que
precede o sujeito de um verbo. É tempo de os alunos
estudarem. (e não: dos alunos estudarem)

Desde No 3º quadrinho, nas três ocorrências, o sentido da


(afastamento de um ponto no espaço): Essa neblina vem preposição “sem” e o das expressões que ela forma são,
desde São Paulo. respectivamente, de
Tempo: Desde o ano passado quero mudar de casa. (A) negação e causa.
(B) adição e condição.
Em (C) ausência e modo.
(lugar): Moramos em Lucélia há alguns anos. (D) falta e consequência.
Matéria: As queridas amigas Nilceia e Nadélgia moram em (E) exceção e intensidade.
Curitiba.
Especialidade: Minha amiga Cidinha formou-se em Letras. 02. (Pref. Itaquitinga/PE - Técnico em Enfermagem -
Tempo: Tudo aconteceu em doze horas. IDHTEC/2016)
Entre (posição entre dois limites): Convém colocar o vidro MAMÃ NEGRA (Canto de esperança)
entre dois suportes.
Tua presença, minha Mãe - drama vivo duma Raça, Drama
Para de carne e sangue Que a Vida escreveu com a pena dos séculos!
Direção: Não lhe interessava mais ir para a Europa. Pelo teu regaço, minha Mãe, Outras gentes embaladas à voz da
Tempo: Pretendo vê-lo lá para o final da semana. ternura ninadas do teu leite alimentadas de bondade e poesia
Finalidade: Lute sempre para viver com dignidade. de música ritmo e graça... santos poetas e sábios... Outras
A preposição para indica permanência definitiva. Vou gentes... não teus filhos, que estes nascendo alimárias
para o litoral. (ideia de morar) semoventes, coisas várias, mais são filhos da desgraça: a

Língua Portuguesa 39
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

enxada é o seu brinquedo trabalho escravo - folguedo... Pelos abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A
teus olhos, minha Mãe Vejo oceanos de dor Claridades de sol- maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam
posto, paisagens Roxas paisagens Mas vejo (Oh! se vejo!...) mas crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune
vejo também que a luz roubada aos teus [olhos, ora esplende injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos
demoniacamente tentadora - como a Certeza... cintilantemente direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação
firme - como a Esperança... em nós outros, teus filhos, gerando, indébita.
formando, anunciando -o dia da humanidade. No fundo, é um problema técnico que os avanços da
(Viriato da Cruz. Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império) informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição
dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me
Em qual das alternativas o acento grave foi mal valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-
empregado, pois não houve crase? história.
(A) “Milena Nogueira foi pela primeira vez à quadra da Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na
escola de samba Império Serrano, na Zona Norte do Rio.” internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e
(B) "Os relatos dos casos mostram repetidas violações dos escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos
direitos à moradia, a um trabalho digno, à integridade cultural, ou deformados que circulam por aí e que não podem ser
a vida e ao território." desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou
(C) “O corpo de Lucilene foi encontrado próximo à ponte revista é processado se publicar sem autorização do autor um
do Moa no dia 11 de maio.” texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em
(D) “Fifa afirma que Blatter e Valcke enriqueceram às caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de
custas da entidade.” falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a
(E) “Doriva saiu e Milton Cruz fez às vezes de técnico até a desmentir e dar espaço ao contraditório.
chegada de Edgardo Bauza no fim do ano passado.” Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do
cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão
03. (TJ/AL - Analista Judiciário - Oficial de Justiça de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira
Avaliador - FGV/2018) liberdade. (Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado)

Além do celular e da carteira, cuidado com as figurinhas O segmento do texto em que o emprego da preposição EM
da Copa indica valor semântico diferente dos demais é:
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018
(A) “Tenho comentado aqui na Folha em diversas
crônicas”;
A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo (B) A maioria dos abusos, se praticados em outros meios”;
uma temperatura muito alta. Preocupados que os mais afoitos
(C) “... seriam crimes já especificados em lei”;
pelos cromos possam até roubá-los, muitos jornaleiros estão
(D) “...a comunicação virtual está em sua pré-história”;
levando seus estoques para casa quando termina o expediente. (E) “...ainda que em citação longa e sem aspas”.
Pode parecer piada, mas há até boatos sobre quadrilhas de
roubo de figurinha espalhados por mensagens de celular.
Gabarito
No texto aparecem três ocorrências da preposição DE.
01.C / 02.E / 03.E / 04.C / 05.D
1. “troca-troca de figurinhas”;
2. “roubo de figurinha”;
Interjeição
3. “mensagens de celular”.
É a palavra invariável que exprime emoções, sensações,
Sobre o emprego dessa preposição nesses casos, é correto
estados de espírito ou apelos.
afirmar que:
(A) os termos precedidos da preposição DE indicam
Locução Interjetiva: é o conjunto de duas ou mais
pacientes dos vocábulos anteriores;
palavras com valor de uma interjeição: Muito bem! Que pena!
(B) os termos precedidos da preposição DE indicam
Quem me dera! Puxa, que legal!
agentes dos termos anteriores;
(C) os termos “de figurinha” e “de celular” são
Classificaçao das Interjeições e Locuções Interjetivas
complementos dos termos anteriores;
(D) os termos “de figurinhas” e “de celular” são adjuntos
As intejeições e as locuções interjetivas são classificadas de
dos vocábulos precedentes;
acordo com o sentido que elas expressam em determinado
(E) os termos “de figurinhas” e “de figurinha” são
contexto. Assim, uma mesma palavra ou expressão pode
complementos dos vocábulos precedentes.
exprimir emoções variadas.
Admiração ou Espanto: Oh!, Caramba!, Oba!, Nossa!, Meu
04. Assinale a alternativa em que a preposição destacada
Deus!, Céus!
estabeleça o mesmo tipo de relação que na frase matriz: Advertência: Cuidado!, Atenção!, Alerta!, Calma!, Alto!,
Criaram-se a pão e água. Olha lá!
(A) Desejo todo o bem a você. Alegria: Viva!, Oba!, Que bom!, Oh!, Ah!;
(B) A julgar por esses dados, tudo está perdido.
Ânimo: Avante!, Ânimo!, Vamos!, Força!, Eia!, Toca!
(C) Feriram-me a pauladas.
Aplauso: Bravo!, Parabéns!, Muito bem!
(D) Andou a colher alguns frutos do mar. Chamamento: Olá!, Alô!, Psiu!, Psit!
(E) Ao entardecer, estarei aí. Aversão: Droga!, Raios!, Xi!, Essa não!, lh!
Medo: Cruzes!, Credo!, Ui!, Jesus!, Uh! Uai!
05. (TJ/AL - Técnico Judiciário - FGV/2018) Pedido de Silêncio: Quieto!, Bico fechado!, Silêncio!,
Chega!, Basta!
Ressentimento e Covardia
Saudação: Oi!, Olá!, Adeus!, Tchau!
Concordância: Claro!, Certo!, Sim!, Sem dúvida!
Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os
Desejo: Oxalá!, Tomara!, Pudera!, Queira Deus! Quem me
usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma
dera!
legislação específica que coíba não somente os usos mas os

Língua Portuguesa 40
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Observe na relação acima, que as interjeições muitas vezes Mas ainda


são formadas por palavras de outras classes gramaticais: Senão
Cuidado! Não beba ao dirigir! (cuidado é substantivo).
Exemplos:
Questões Viajamos e descansamos.
Eu não só estudo, mas também trabalho.
01. Assinale o par de frases em que as palavras destacadas
são substantivo e pronome, respectivamente: 2. Adversativas (posição contrária)
(A) A imigração tornou-se necessária. / É dever cristão
praticar o bem. Mas
(B) A Inglaterra é responsável por sua economia. / Havia Porém
muito movimento na praça. Todavia
(C) Fale sobre tudo o que for preciso. / O consumo de Entretanto
drogas é condenável. No entanto
(D) Pessoas inconformadas lutaram pela abolição. /
Pesca-se muito em Angra dos Reis. Exemplos:
(E) Os prejudicados não tinham o direito de reclamar. /
Ela era explorada, mas não se queixava.
Não entendi o que você disse.
Os alunos estudaram, no entanto não conseguiram as
notas necessárias.
02. Assinale o item que só contenha preposições:
(A) durante, entre, sobre 3. Alternativas (alternância)
(B) com, sob, depois
(C) para, atrás, por
Ou, ou
(D) em, caso, após
Ora, ora
(E) após, sobre, acima
Quer, quer
03. Observe as palavras grifadas da seguinte frase: Já, já
“Encaminhamos a V. Senhoria cópia autêntica do Edital nº
19/82.” Elas são, respectivamente: Exemplos:
(A) verbo, substantivo, substantivo Ou você vem agora, ou não haverá mais ingressos.
(B) verbo, substantivo, advérbio Ora chovia, ora fazia sol.
(C) verbo, substantivo, adjetivo
(D) pronome, adjetivo, substantivo 4. Conclusivas (conclusão)
(E) pronome, adjetivo, adjetivo Logo
Portanto
04. Assinale a opção em que a locução grifada tem valor Por conseguinte
adjetivo: Pois (após o verbo)
(A) “Comprei móveis e objetos diversos que entrei a
utilizar com receio.” Exemplos:
(B) “Azevedo Gondim compôs sobre ela dois artigos.” O caminho é perigoso; vá, pois, com cuidado!
(C) “Pediu-me com voz baixa cinquenta mil réis.” Estamos nos esforçando, logo seremos recompensados.
(D) “Expliquei em resumo a prensa, o dínamo, as serras...”
(E) “Resolvi abrir o olho para que vizinhos sem 5. Explicativas (explicação)
escrúpulos não se apoderassem do que era delas.” Que
Porque
05. O "que" está com função de preposição na alternativa: Porquanto
(A) Veja que lindo está o cabelo da nossa amiga! Pois (antes do verbo)
(B) Diz-me com quem andas, que eu te direi quem és.
(C) João não estudou mais que José, mas entrou na Exemplos:
Faculdade. Não leia no escuro, que faz mal à vista.
(D) O Fiscal teve que acompanhar o candidato ao banheiro. Compre estas mercadorias, pois já estamos ficando sem.
(E) Não chore que eu já volto.
Conjunções Subordinativas
Gabarito
Ligam uma oração principal a uma oração subordinativa,
01.E / 02.A / 03.C / 04.E / 05.D com verbo flexionado.

Conjunções 1. Integrantes: iniciam a oração subordinada substantiva


– Que / Se / Como
Exercem a função de conectar as palavras dentro de uma
oração. Desta forma, elas estabelecem uma relação de Exemplos:
coordenação ou subordinação e são classificadas em: Todos perceberam que você estava atrasado.
Conjunções Coordenativas e Conjunções Subordinativas. Aposto como você estava nervosa.

Conjunções Coordenativas 2. Temporais (Tempo) – Quando / Enquanto / Logo que /


Assim que / Desde que
1. Aditivas (Adição) Exemplos:
E Logo que chegaram, a festa acabou.
Nem Quando eu disse a verdade, ninguém acreditou.
Não só... Mas também

Língua Portuguesa 41
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

3. Finais (Finalidade) – Para que / A fim de que (A) comparação.


Exemplo: (B) finalidade.
Foi embora logo, a fim de que ninguém o perturbasse. (C) consequência.
(D) conclusão.
4. Proporcionais (Proporcionalidade) – À proporção que (E) concessão.
/ À medida que / Quanto mais ... mais / Quanto menos... menos
Exemplos: 02. (Prefeitura Trindade/GO - Auxiliar Administrativo
À medida que se vive, mais se aprende. - FUNRIO/2016)
Quanto mais se preocupa, mais se aborrece.
OMS recomenda ingerir menos de cinco gramas de sal
5. Causais (Causa) – Porque / Como / Visto que / Uma vez por dia
que
Exemplo: Como estivesse doente, não pôde sair. Se você tem o hábito de pegar no saleiro e polvilhar a
comida com umas pitadas de sal, é melhor pensar duas vezes.
6. Condicionais (Condição) – Se / Caso / Desde que A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou esta
Exemplos: quinta-feira que um adulto consuma por dia menos de dois
Comprarei o livro, desde que esteja disponível. gramas de sódio – ou seja, menos de cinco gramas de sal – para
Se chover, não poderemos ir. reduzir os níveis de pressão arterial e as doenças
cardiovasculares.
7. Comparativas (Comparação) – Como / Que / Do que / Pela primeira vez, a OMS faz recomendações também para
Quanto / Que nem as crianças com mais de dois anos de idade, para que as
Exemplos: doenças relacionadas com a alimentação não se tornem
Os filhos comeram como leões. crônicas na idade adulta. Neste caso, a OMS diz que os valores
A luz é mais veloz do que o som. devem ainda ser mais baixos do que os dois gramas de sódio,
devendo ser adaptados tendo em conta o tamanho, a idade e
8. Conformativas (Conformidade) – Como / Conforme / as necessidades energéticas.
Segundo Teresa Firmino Adaptado de publico.pt/ciencia
Exemplos:
As coisas não são como parecem. Em para reduzir os níveis de pressão arterial e as doenças
Farei tudo, conforme foi pedido. cardiovasculares, a palavra para expressa o seguinte
significado:
9. Consecutivas (Consequência) – Que (precedido dos (A) oposição
termos: tal, tão, tanto...) / De forma que (B) finalidade
Exemplos: (C) causalidade
A menina chorou tanto, que não conseguiu ir para a escola. (D) comparação
Ontem estive viajando, de forma que não consegui (E) temporalidade
participar da reunião.
03. (SEDUC/PA - Professor Classe I - Português -
10. Concessivas (Concessão) – Embora / Conquanto / CONSULPLAN/2018)
Ainda que / Mesmo que / Por mais que
Exemplos: Coisas & Pessoas
Todos gostaram, embora estivesse mal feito.
Por mais que gritasse, ninguém o socorreu. Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas.
Tia Tula, que achava que mormaço fazia mal, sempre gritava:
Questões “Vem pra dentro, menino, olha o mormaço!”. Mas eu ouvia o
mormaço com M maiúsculo. Mormaço, para mim, era um velho
01. (PC/SP - Papiloscopista Policial - VUNESP/2018) que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje, quando
leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo
com estes olhos o Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de
preto, brandindo um guarda-chuva, com um gogó
protuberante que se abaixa e levanta no excitamento da
perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia
contar uns trinta anos, quando me fui, com um grupo de
colegas, a ver o lançamento da pedra fundamental da ponte
Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com os
presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim que
fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse
a Prefeitura, com os demais jornalistas do Brasil e Argentina.
Era como um alojamento de quartel, com breve espaço entre
as camas e todas as portas e janelas abertas, tudo com os
alegres incômodos e duvidosos encantos, um vulto junto à
minha cama, senti-me estremunhado e olhei atônito para um
tipo de chiru, ali parado, de bigodes caídos, pala pendente e
chapéu descido sobre os olhos. Diante da minha muda
interrogação, ele resolveu explicar-se, com a devida calma:
– Pois é! Não vê que eu sou o sereno…
Na fala do personagem no segundo quadrinho “Apesar da E eis que, por milésimo de segundo, ou talvez mais, julguei
aparência, sou um homem ultramoderno!”, a expressão que se tratasse do sereno noturno em pessoa. [...]
destacada estabelece entre as informações relação de sentido (Mário Quintana. Caderno H. 5. ed. São Paulo: Globo, 1989, p. 153-154.)
de

Língua Portuguesa 42
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Após a leitura do texto e considerando seu conteúdo, pode- 4) Palavras terminadas em IL:
se afirmar quanto ao emprego da conjunção em relação à a) átono: trocam IL por EIS. Ex.: fóssil – fósseis.
titulação do texto que o sentido produzido indica b) tônico: trocam L por S. Ex.: funil – funis.
(A) compensação de um elemento em relação ao outro.
(B) acrescentamento de um elemento em relação ao outro. 5) Palavras terminadas em EL:
(C) sobreposição do último elemento em detrimento do a) átono: plural em EIS. Ex.: nível – níveis.
primeiro. b) tônico: plural em ÉIS. Ex.: carretel – carretéis.
(D) estabelecimento de uma relação de um elemento para
com o outro. 6) Palavras terminadas em X são invariáveis.
Ex.: o clímax − os clímax.
04. (IF/PE - Técnico em Enfermagem - 2016)
7) Há palavras cuja sílaba tônica avança.
Crônica da cidade do Rio de Janeiro Ex.: júnior – juniores / caráter – caracteres.
Observação: a palavra caracteres é plural tanto de
No alto da noite do Rio de Janeiro, luminoso, generoso, o caractere quanto de caráter.
Cristo Redentor estende os braços. Debaixo desses braços os
netos dos escravos encontram amparo. 8) Palavras terminadas em ÃO, ÃOS, ÃES e ÕES.
Uma mulher descalça olha o Cristo, lá de baixo, e Fazem o plural, por isso veja alguns muito importantes:
apontando seu fulgor, diz, muito tristemente: a) Em ões: balões, corações, grilhões, melões, gaviões.
- Daqui a pouco não estará mais aí. Ouvi dizer que vão tirar b) Em ãos: pagãos, cristãos, cidadãos, bênçãos, órgãos.
Ele daí.
- Não se preocupe – tranquiliza uma vizinha. – Não se Observação: os paroxítonos, como os dois últimos,
preocupe: Ele volta. sempre fazem o plural em ÃOS.
A polícia mata muitos, e mais ainda mata a economia. Na
cidade violenta soam tiros e também tambores: os atabaques, c) Em ães: escrivães, tabeliães, capelães, capitães, alemães.
ansiosos de consolo e de vingança, chamam os deuses d) Em ões ou ãos: corrimões/corrimãos, verões/verãos,
africanos. Cristo sozinho não basta. anões/anãos
(GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre: L&PM Pocket, e) Em ões ou ães: charlatões/charlatães,
2009.)
guardiões/guardiães, cirugiões/cirurgiães.
f) Em ões, ãos ou ães: anciões/anciãos/anciães,
Na construção “A polícia mata muitos, e mais ainda mata a ermitões/ermitãos/ermitães.
economia”, a conjunção em destaque estabelece, entre as
orações,
9) Plural dos diminutivos com a letra Z
(A) uma relação de adição. Coloca-se a palavra no plural, corta-se o S e acrescenta-se
(B) uma relação de oposição.
zinhos (ou zinhas). Exemplo:
(C) uma relação de conclusão.
Coraçãozinho → corações → coraçõe → coraçõezinhos.
(D) uma relação de explicação.
Azulzinha → azuis → azui → azuizinhas.
(E) uma relação de consequência.
10) Plural com metafonia (ô → ó)
Gabarito
Algumas palavras, quando vão ao plural, abrem o timbre
01.E / 02.B / 03.D / 04.B
da vogal o; outras, não. Veja a seguir.

Com metafonia singular (ô) e plural (ó)


Flexão nominal e verbal. coro - coros
corvo - corvos
destroço - destroços
forno - fornos
FLEXÃO NOMINAL E VERBAL fosso - fossos
poço - poços
FLEXÃO NOMINAL rogo - rogos
Flexão de número Sem metafonia singular (ô) e plural (ô)
Os nomes (substantivo, adjetivo etc.), de modo geral, adorno - adornos
admitem a flexão de número: singular e plural. bolso - bolsos
Ex.: animal – animais. endosso - endossos
esgoto - esgotos
Palavras Simples estojo - estojos
1) Na maioria das vezes, acrescenta-se S. gosto - gostos
Ex.: ponte – pontes / bonito – bonitos.
11) Casos especiais:
2) Palavras terminadas em R ou Z: acrescenta-se ES. aval − avales e avais
Ex.: éter – éteres / avestruz – avestruzes. cal − cales e cais
Observação: o pronome qualquer faz o plural no meio: cós − coses e cós
quaisquer. fel − feles e féis
mal e cônsul − males e cônsules
3) Palavras oxítonas terminadas em S: acrescenta-se ES.
Ex.: ananás – ananases. Palavras Compostas
Observação: as paroxítonas e as proparoxítonas são Quanto a variação das palavras compostas:
invariáveis. Ex.: o pires − os pires / o ônibus − os ônibus.
1) Variação de dois elementos: neste caso os compostos

Língua Portuguesa 43
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

são formados por substantivo mais palavra variável (adjetivo, Flexão de gênero
substantivo, numeral, pronome). Ex.:
amor-perfeito − amores-perfeitos Os substantivos e as palavras que o acompanham na frase
couve-flor − couves-flores admitem a flexão de gênero: masculino e feminino. Ex.:
segunda-feira − segundas-feiras Meu amigo diretor recebeu o primeiro salário.
Minha amiga diretora recebeu a primeira prestação.
2) Variação só do primeiro elemento: neste caso quando A flexão de feminino pode ocorrer de duas maneiras.
há preposição no composto, mesmo que oculto. Ex.:
pé-de-moleque − pés-de-moleque 1) Com a troca de o ou e por a. Ex.: lobo – loba / mestre –
cavalo-vapor − cavalos-vapor (de ou a vapor) mestra.

3) A palavra também irá variar quando o segundo 2) Por meio de diferentes sufixos nominais de gênero,
substantivo determina o primeiro (fim ou semelhança). Ex.: muitas vezes com alterações do radical. Veja alguns femininos
banana-maçã − bananas-maçã (semelhante a maçã) importantes:
navio-escola − navios-escola (a finalidade é a escola) ateu − ateia
bispo − episcopisa
Observações: conde − condessa
- Alguns autores admitem a flexão dos dois elementos, duque − duquesa
porém é uma situação polêmica. frade − freira
Ex.: mangas-espada (preferível) ou mangas-espadas. ilhéu − ilhoa
judeu − judia
- Quando apenas o último elemento varia: marajá − marani
a) Quando os elementos são adjetivos. Ex.: hispano- monje − monja
americano − hispano-americanos. pigmeu − pigmeia
Observação: a exceção é surdo-mudo, em que os dois
adjetivos se flexionam: surdos-mudos. Alguns substantivos são uniformes quanto ao gênero, ou
b) Nos compostos em que aparecem os adjetivos GRÃO, seja, possuem uma única forma para masculino e feminino. E
GRÃ e BEL. Ex.: grão-duque − grão-duques / grã-cruz − grã- podem ser divididos em:
cruzes / bel-prazer − bel-prazeres. a) Sobrecomuns: admitem apenas um artigo, podendo
c) Quando o composto é formado por verbo ou qualquer designar os dois sexos. Ex.: a pessoa, o cônjuge, a testemunha.
elemento invariável (advérbio, interjeição, prefixo etc.) mais b) Comuns de dois gêneros: admitem os dois artigos,
substantivo ou adjetivo. Ex.: arranha-céu − arranha-céus / podendo então ser masculinos ou femininos. Ex.: o estudante
sempre-viva − sempre-vivas / super-homem − super-homens. − a estudante, o cientista − a cientista, o patriota − a patriota.
d) Quando os elementos são repetidos ou onomatopaicos c) Epicenos: admitem apenas um artigo, designando os
(representam sons). Ex.: reco-reco − reco-recos / pingue- animais. Ex.: O jacaré, a cobra, o polvo.
pongue − pingue-pongues / bem-te-vi − bem-te-vis.
Observações:
Observações: - O feminino de elefante é elefanta, e não elefoa. Aliá é
- Como se vê pelo segundo exemplo, pode haver alguma correto, mas designa apenas uma espécie de elefanta.
alteração nos elementos, ou seja, não serem iguais. - Mamão, para alguns gramáticos, deve ser considerado
- Se forem verbos repetidos, admite-se também pôr os dois epiceno. É algo discutível.
no plural. Ex.: pisca-pisca − pisca-piscas ou piscas-piscas. - Há substantivos de gênero duvidoso, que as pessoas
costumam trocar. Veja alguns que convém gravar.
4) Quando nenhum elemento varia. Masculinos - Femininos
- Quando há verbo mais palavra invariável. Ex.: o cola-tudo champanha - aguardente
− os cola-tudo. dó - alface
- Quando há dois verbos de sentido oposto. Ex.: o perde- eclipse - cal
ganha − os perde-ganha. formicida - cataplasma
- Nas frases substantivas (frases que se transformam em grama (peso) - grafite
substantivos). Ex.: O maria-vai-com-as-outras − os maria-vai- milhar - libido
com-as-outras. plasma - omoplata
soprano - musse
Observações: suéter - preá
- São invariáveis arco-íris, louva-a-deus, sem-vergonha, telefonema
sem-teto e sem-terra.
Ex.: Os sem-terra apreciavam os arco-íris. - Existem substantivos que admitem os dois gêneros. Ex.:
diabetes (ou diabete), laringe, usucapião etc.
- Admitem mais de um plural:
pai-nosso − pais-nossos ou pai-nossos Flexão de grau
padre-nosso − padres-nossos ou padre-nossos
terra-nova − terras-novas ou terra-novas Por razões meramente didáticas, incluo, aqui, o grau entre
salvo-conduto − salvos-condutos ou salvo-condutos os processos de flexão.
xeque-mate − xeques-mates ou xeques-mate
Grau do substantivo
- Casos especiais: palavras que não se encaixam nas regras. 1) Normal ou positivo: sem nenhuma alteração. Ex.:
o bem-me-quer − os bem-me-queres chapéu.
o joão-ninguém − os joões-ninguém
o lugar-tenente − os lugar-tenentes 2) Aumentativo:
o mapa-múndi − os mapas-múndi a) Sintético: chapelão;
b) Analítico: chapéu grande, chapéu enorme etc.

Língua Portuguesa 44
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

3) Diminutivo: c) a gravidez − as gravidezes


a) Sintético: chapeuzinho; d) o caráter − os caráteres
b) Analítico: chapéu pequeno, chapéu reduzido etc.
Obs.: Um grau é sintético quando formado por sufixo; 3) Assinale o item em que todas as palavras são
analítico, por meio de outras palavras. masculinas.
a) dinamite, pijama, eclipse
Grau do adjetivo b) grafite, formicida, omoplata
1) Normal ou positivo: João é forte. c) grama (peso), dó, telefonema
d) suéter, faringe, clã
2) Comparativo:
a) De superioridade: João é mais forte que André. (ou do 4) Marque a opção em que todas as palavras são femininas.
que); a) agravante, aguardente, libido
b) De inferioridade: João é menos forte que André. (ou do b) milhar, alface, musse
que); c) cataplasma, lança-perfume, champanha
c) De igualdade: João é tão forte quanto André. (ou como); d) cal, soprano, laringe

3) Superlativo: Respostas
a) Absoluto 1.B/ 2.D /3.C /4.A
Sintético: João é fortíssimo.
Analítico: João é muito forte. (bastante forte, forte demais FLEXÃO VERBAL
etc.)
1) Número: singular ou plural
b) Relativo: Ex.: ando, andas, anda → singular
De superioridade: João é o mais forte da turma. andamos, andais, andam → plural
De inferioridade: João é o menos forte da turma.
2) Pessoas: são três.
Observações: a) A primeira é aquela que fala; corresponde aos pronomes
a) O grau superlativo absoluto corresponde a um aumento eu (singular) e nós (plural).
do adjetivo. Pode ser expresso por um sufixo (íssimo, érrimo Ex.: escreverei, escreveremos.
ou imo) ou uma palavra de apoio, como muito, bastante,
demasiadamente, enorme etc. b) A segunda é aquela com quem se fala; corresponde aos
pronomes tu (singular) e vós (plural).
b) As palavras maior, menor, melhor e pior constituem Ex.: escreverás, escrevereis.
sempre graus de superioridade. Ex.:
O carro é menor que o ônibus. (menor - mais pequeno = c) A terceira é aquela acerca de quem se fala; corresponde
comparativo de superioridade.) aos pronomes ele ou ela (singular) e eles ou elas (plural).
Ele é o pior do grupo. (pior - mais mau = superlativo Ex.: escreverá, escreverão.
relativo de superioridade.)
3) Modos: são três.
c) Alguns superlativos absolutos sintéticos também podem a) Indicativo: apresenta o fato verbal de maneira positiva,
apresentar dúvidas. indubitável. Ex.: vendo.
acre − acérrimo
amargo − amaríssimo b) Subjuntivo: apresenta o fato verbal de maneira
amigo − amicíssimo duvidosa, hipotética. Ex.: que eu venda.
antigo − antiquíssimo
cruel − crudelíssimo c) Imperativo: apresenta o fato verbal como objeto de uma
doce − dulcíssimo ordem. Ex.: venda!
fácil − facílimo
feroz − ferocíssimo 4) Tempos: são três.
fiel − fidelíssimo a) Presente: falo
geral − generalíssimo
humilde − humílimo b) Pretérito:
magro − macérrimo - Perfeito: falei
negro − nigérrimo - Imperfeito: falava
pobre − paupérrimo - Mais-que-perfeito: falara
sagrado − sacratíssimo
sério − seriíssimo Obs.: O pretérito perfeito indica uma ação extinta; o
soberbo – superbíssimo imperfeito, uma ação que se prolongava num determinado
ponto do passado; o mais-que-perfeito, uma ação passada em
Questões relação a outra ação, também passada. Ex.:
Eu cantei aquela música. (perfeito)
1) Assinale a alternativa que apresenta erro de plural. Eu cantava aquela música. (imperfeito)
a) o balãozinho – os balõezinhos, o júnior – os juniores Quando ele chegou, eu já cantara. (mais-que-perfeito)
b) o lápis – os lápis, o projetil − os projéteis
c) o arroz – os arrozes, o éter – os éteres c) Futuro:
d) o mel – os meles, o gol – os goles - Do presente: estudaremos
- Do pretérito: estudaríamos
2) Está mal flexionada em número a palavra:
a) o paul − os pauis Obs.: No modo subjuntivo, com relação aos tempos
b) o látex − os látex simples, temos apenas o presente, o pretérito imperfeito e o

Língua Portuguesa 45
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

futuro (sem divisão). Os tempos compostos serão estudados Tempos Primitivos e Tempos Derivados
mais adiante. 1) O presente do indicativo é tempo primitivo. Da primeira
pessoa do singular sai todo o presente do subjuntivo.
5) Vozes: são três. Ex.: digo → que eu diga, que tu digas, que ele diga etc.
a) Ativa: o sujeito pratica a ação verbal. dizes
Ex.: O carro derrubou o poste. diz
Obs.: isso não ocorre apenas com os poucos verbos que
b) Passiva: o sujeito sofre a ação verbal. não apresentam a desinência o na primeira pessoa do singular.
- Analítica ou verbal: com o particípio e um verbo auxiliar. Ex.: eu sou → que eu seja.
Ex.: O poste foi derrubado pelo carro. eu sei → que eu saiba.

- Sintética ou pronominal: com o pronome apassivador se. 2) O pretérito perfeito é tempo primitivo. Da segunda
Ex.: Derrubou-se o poste. pessoa do singular saem:

Obs.: Estudaremos bem o pronome apassivador (ou a) o mais-que-perfeito.


partícula apassivadora) na sétima lição: concordância verbal. Ex.: coubeste → coubera, couberas, coubera, coubéramos,
coubéreis, couberam.
c) Reflexiva: o sujeito pratica e sofre a ação verbal; aparece
um pronome reflexivo. Ex.: O garoto se machucou. b) o imperfeito do subjuntivo.
Ex.: coubeste → coubesse, coubesses, coubesse,
Formação do Imperativo coubéssemos, coubésseis, coubessem.
1) Afirmativo: tu e vós saem do presente do indicativo
menos a letra s; você, nós e vocês, do presente do subjuntivo. c) o futuro do subjuntivo.
Ex.: Imperativo afirmativo do verbo beber Ex.: coubeste → couber, couberes, couber, coubermos,
Bebo → beba couberdes, couberem.
bebes → bebe (tu) bebas
bebe beba → beba (você) 3) Do infinitivo impessoal derivam:
bebemos bebamos → bebamos (nós)
bebeis → bebei (vós) bebais a) o imperfeito do indicativo.
bebem bebam → bebam (vocês) Ex.: caber → cabia, cabias, cabia, cabíamos, cabíeis, cabiam.
Reunindo, temos: bebe, beba, bebamos, bebei, bebam.
b) o futuro do presente.
2) Negativo: sai do presente do subjuntivo mais a palavra Ex.: caber → caberei, caberás, caberá, caberemos, cabereis,
não. caberão.
Ex.: beba
bebas → não bebas (tu) c) o futuro do pretérito.
beba → não beba (você) Ex.: caber → caberia, caberias, caberia, caberíamos,
bebamos → não bebamos (nós) caberíeis, caberiam.
bebais → não bebais (vós)
bebam → não bebam (vocês) d) o infinitivo pessoal.
Assim, temos: não bebas, não beba, não bebamos, não Ex.: caber → caber, caberes, caber, cabermos, caberdes,
bebais, não bebam. caberem.

Observações: e) o gerúndio.
a) No imperativo não existe a primeira pessoa do singular, Ex.: caber → cabendo.
eu; a terceira pessoa é você.
f) o particípio.
b) O verbo ser não segue a regra nas pessoas que saem do Ex.: caber → cabido.
presente do indicativo. Eis o seu imperativo:
- Afirmativo: sê, seja, sejamos, sede, sejam. Tempos Compostos
- Negativo: não sejas, não seja, não sejamos, não sejais, não Formam-se os tempos compostos com o verbo auxiliar (ter
sejam. ou haver) mais o particípio do verbo que se quer conjugar.

c) O tratamento dispensado a alguém numa frase não pode 1) Perfeito composto: presente do verbo auxiliar mais
mudar. Se começamos a tratar a pessoa por você, não podemos particípio do verbo principal.
passar para tu, e vice-versa. Ex.: tenho falado ou hei falado → perfeito composto do
Ex.: Pede agora a tua comida. (tratamento: tu) indicativo tenha falado ou haja falado → perfeito composto do
Peça agora a sua comida. (tratamento: você) subjuntivo.

d) Os verbos que têm z no radical podem, no imperativo 2) Mais-que-perfeito composto: imperfeito do auxiliar
afirmativo, perder também a letra e que aparece antes da mais particípio do principal.
desinência s. Ex.: tinha falado → mais-que-perfeito composto do
Ex.: faze (tu) ou faz (tu) indicativo.
dize (tu) ou diz (tu) tivesse falado → mais-que-perfeito composto do
subjuntivo.
e) Procure ter “na ponta da língua” a formação e o emprego
do imperativo. É assunto muito cobrado em concursos 3) Demais tempos: basta classificar o verbo auxiliar.
públicos. Ex.: terei falado → futuro do presente composto (terei é
futuro do presente).

Língua Portuguesa 46
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Verbos Irregulares Comuns em Concursos 11) Mobiliar:


É importante saber a conjugação dos verbos que seguem. a) presente do indicativo: mobílio, mobílias, mobília,
Eles estão conjugados apenas nas pessoas, tempos e modos mobiliamos, mobiliais, mobíliam.
mais problemáticos.
1) Compor, repor, impor, expor, depor etc.: seguem b) presente do subjuntivo: mobílie, mobílies, mobílie,
integralmente o verbo pôr. mobiliemos, mobilieis, mobíliem.
Ex.: ponho → componho, imponho, deponho etc.
pus → compus, repus, expus etc. 12) Polir, no presente do indicativo: pulo, pules, pule,
polimos, polis, pulem.
2) Deter, conter, reter, manter etc.: seguem integralmente
o verbo ter. 13) Passear, recear, pentear, ladear (e todos os outros
Ex.: tivermos → contivermos, mantivermos etc. terminados em ear)
tiveste → retiveste, mantiveste etc. a) presente do indicativo: passeio, passeias, passeia,
passeamos, passeais, passeiam.
3) Intervir, advir, provir, convir etc.: seguem b) presente do subjuntivo: passeie, passeies, passeie,
integralmente o verbo vir. passeemos, passeeis, passeiem.
Ex.: vierem → intervierem, provierem etc.
vim → intervim, convim etc. Observações:
- Os verbos desse grupo (importantíssimo) apresentam o
4) Rever, prever, antever etc.: seguem integralmente o ditongo ei nas formas risotônicas, mas apenas nos dois
verbo ver. presentes.
Ex.: vi → revi, previ etc. - Os verbos estrear e idear apresentam ditongo aberto.
víssemos → prevíssemos, antevíssemos etc. Ex.: estreio, estreias, estreia; ideio, ideias, ideia.

Observações: 14) Confiar, renunciar, afiar, arriar etc.: verbos regulares.


- Como se vê nesses quatro itens iniciais, o verbo derivado Ex.: confio, confias, confia, confiamos, confiais, confiam.
segue a conjugação do seu primitivo. Basta conjugar o verbo
primitivo e recolocar o prefixo. Há outros verbos que dão Observações:
origem a verbos derivados. Por exemplo, dizer, haver e fazer. - Esses verbos não têm o ditongo ei nas formas risotônicas.
Para eles, vale a mesma regra explicada acima.
Ex.: eu houve → eu reouve (e não reavi, como normalmente - Mediar, ansiar, remediar, incendiar, odiar e intermediar,
se fala por aí). apesar de terminarem em iar, apresentam o ditongo ei.
Ex.: medeio, medeias, medeia, mediamos, mediais,
- Requerer e prover não seguem integralmente os verbos medeiam, medeie, medeies, medeie, mediemos, medieis,
querer e ver. Eles serão mostrados mais adiante. medeiem.

5) Crer, no pretérito perfeito do indicativo: cri, creste, creu, 15) Requerer: só é irregular na 1ª pessoa do singular do
cremos, crestes, creram. presente do indicativo e, consequentemente, em todo o
presente do subjuntivo.
6) Estourar, roubar, aleijar, inteirar etc.: mantém o ditongo Ex.: requeiro, requeres, requer
fechado em todos os tempos, inclusive o presente do requeira, requeiras, requeira
indicativo. Ex.: A bomba estoura. (e não estóra, como requeri, requereste, requereu
normalmente se diz).
16) Prover: conjuga-se como verbo regular no pretérito
7) Aderir, competir, preterir, discernir, concernir, impelir, perfeito, no mais-que-perfeito, no imperfeito do subjuntivo, no
expelir, repelir: futuro do subjuntivo e no particípio; nos demais tempos,
a) presente do indicativo: adiro, aderes, adere, aderimos, acompanha o verbo ver.
aderimos, aderem. Ex.: Provi, proveste, proveu; provera, proveras, provera;
provesse, provesses, provesse etc.
b) presente do subjuntivo: adira, adiras, adira, adiramos, provejo, provês, provê; provia, provias, provia; proverei,
adirais, adiram. proverás, proverá etc.

Obs.: Esses verbos mudam o e do infinitivo para i na 17) Reaver, precaver-se, falir, adequar, remir, abolir,
primeira pessoa do singular do presente do indicativo e em colorir, ressarcir, demolir, acontecer, doer são verbos
todas do presente do subjuntivo. defectivos. Estude o que falamos sobre eles na lição anterior,
no item sobre a classificação dos verbos. Ex.: Reaver, no
8) Aguar, desaguar, enxaguar, minguar: presente do indicativo: reavemos, reaveis.
a) presente do indicativo: águo, águas, água; enxáguo,
enxáguas, enxágua. Questões

b) presente do subjuntivo: águe, águes, águe; enxágue, 1) Marque o erro de flexão verbal.
enxágues, enxágue. a) Teus amigos só veem problemas na empresa.
b) Eles vêm cedo para o trabalho.
9) Arguir, no presente do indicativo: arguo, argúis, argúi, c) Se nós virmos a solução, a brincadeira perderá a graça.
arguimos, arguis, argúem. d) Viemos agora tentar um acordo.

10) Apaziguar, averiguar, obliquar, no presente do 2) Assinale a única forma verbal correta.
subjuntivo: apazigúe, apazigúes, apazigúe, apaziguemos, a) Tudo que ele contradizer deve ser analisado.
apazigueis, apazigúem. b) Se o guarda retesse o trânsito, haveria enorme
engarrafamento.

Língua Portuguesa 47
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

c) Carlos preveu uma desgraça. - Major - Senhoria - Ilmo. Sr. Major;


d) Eu não intervinha no seu trabalho. - Marechal - Excelência - Emo. Sr. Marechal;
- Ministro - Excelência - Exmo. Sr. Ministro;
3) Aponte a frase sem erro no que toca à flexão verbal. - Monsenhor - Reverendíssima - Revmo. Sr. Mons.;
a) Os funcionários reporam a mercadoria. - Padre - Reverendíssima - Revmo. Sr. Padre;
b) Se ele manter a calma, poderá ser aprovado. - Papa - Santidade (Santíssimo Padre), Beatitude - A Sua
c) Quando eu revesse o processo, acharia o erro. Santidade Papa (Ao Beatíssimo Padre);
d) Àquela altura, já tínhamos intervindo na conversa. - Patriarca - Excelência, Reverendíssima e Beatitude -
Exmo. E Revmo. Dom (Ao Beatíssimo Padre);
4) Assinale a frase com erro de flexão verbal. - Prefeito - Excelência - Exmo. Sr. Prefeito;
a) Eu já reouve meu relógio. - Presidente de Estado - Excelência - Exmo. Sr.
b) Isso não condizeria com meus ideais. Presidente;
c) Enquanto depúnhamos, ele procurava novas provas. - Príncipe, Princesa - Alteza (Sereníssimo Senhor,
d) Quando contiverdes as emoções, sereis felizes. Sereníssima Senhor) - A Sua Alteza Príncipe (ou Princesa);
- Rei, Rainha - Majestade (Senhor, Senhora) - A Sua
5) Assinale a opção que apresenta um verbo que não é Majestade Rei (ou Rainha);
defectivo. - Reitor (de Universidade) - Magnificência (Magnífico
a) polir, abolir Reitor) - Exmo. Sr. Reitor;
b) adequar, falir - Reitor (de Seminário) - Reverendíssimo - Revmo. Sr. Pe.;
c) acontecer, doer - Secretário de Estado - Excelência - Exmo. Sr. Secretário;
d) precaver, reaver - Senador - Excelência - Exmo. Sr. Senador;
- Tenente Coronel - Senhoria - Ilmo. Sr. Ten. Cel.;
Respostas - Vereador - Excelência - Ilmo. Sr. Vereador;
1.D / 2.D / 3.B / 4.A / 5.B - Demais autoridades, oficiais e particulares, chefes de
seção, presidentes de bancos, órgãos de segundo escalão
do governo - Senhoria - Ilmo. Sr.;
Pronomes: emprego,
Abreviatura das Formas de Tratamento
formas de tratamento e
colocação. A forma por extenso demonstra maior respeito,
geralmente é a mais utilizada, principalmente em
correspondência dirigida ao Presidente da República.
PRONOMES DE TRATAMENTO No entanto, qualquer forma de tratamento pode ser escrita
por extenso.
Os pronomes de tratamento são expressões usadas para as
pessoas com quem se fala. Pronomes de 2ª pessoa, Pronomes de Tratamento mais usados nas Redações
empregados com verbo na 3ª pessoa. Estes pronomes são Oficiais
formas de reverência a pessoas pelas suas qualidades ou
cargos que ocupam. 1- Autoridades de Estado

- Abade, prior, superior, visitador de ordem religiosa - Civis


Paternidade - Revmo. Dom (Padre); Pronome de
Abreviatura Usado para
- Abadessa - Caridade - Revma. Madre; tratamento
- Almirante - Excelência - Exmo. Sr. Almirante;
Presidente da República,
- Arcebispo - Excelência e Reverendíssima - Exmo. e
Senadores da República,
Revmo. Dom;
Ministro de Estado,
- Arquiduque - Alteza - A Sua Alteza Arquiduque;
Vossa Governadores, Deputados
- Bispo - Excelência e Reverendíssima - Exmo. E Revmo. V. Ex.ª
Excelência Federais e Estaduais, Prefeitos,
Dom;
Embaixadores, Vereadores,
- Brigadeiro - Excelência - Exmo. Sr. Brigadeiro;
Cônsules, Chefes das Casas
- Cardeal - Eminência e Reverendíssima - Emmo. E Revmo.
Civis e Casas Militares
Cardeal Dom;
- Cônego - Reverendíssima - Revmo. Sr. Côn.; Vossa
V. Mag.ª. Reitores de Universidade
- Cônsul - Senhoria (Vossa Senhoria) - Ilmo. Sr. Cônsul; Magnificência
- Coronel - Senhoria - Ilmo. Sr. Cel.; Diretores de Autarquias
- Deputado - Excelência - Exmo. Sr. Deputado; Vossa
V. S.ª Federais, Estaduais e
-Desembargador - Excelência - Exmo. Sr. Desembargador; Senhoria
Municipais
- Duque - Alteza (Sereníssimo Senhor) - A Sua Alteza
Duque;
- Embaixador - Excelência - Exmo. Sr. General; Judiciárias
- Frade - Reverendíssima - Revmo. Sr. Fr.; Pronome de
Abreviatura Usado para
- Freira - Reverendíssima - Revma. Ir.; tratamento
- General - Excelência - Exmo. Sr. General; Desembargador da Justiça,
-Governador de Estado - Excelência - Exmo. Sr. Vossa Excelência V. Ex.ª
curador, promotor
Governador;
- Imperador - Majestade (Senhor) - A Sua Majestade Meritíssimo Juiz M. Juiz Juízes de Direito
Imperador;
- Irmã (Madre, Sóror) - Reverendíssima - Rema. Ir.
(Madre, Sóror);
- Juiz - Excelência (Meritíssimo Juiz) - Exmo. Sr. Dr.;

Língua Portuguesa 48
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Militares 02. (BAHIAGÁS - Analista de Processos


Pronome de Organizacionais - IESES/2016) Assinale a sequência correta
Abreviatura Usado para das pessoas para as quais são usados os seguintes pronomes
tratamento
de tratamento: Vossa Majestade; Vossa Excelência; Vossa
Oficiais generais (até Reverendíssima; Vossa Magnificência; Vossa Santidade.
Vossa Excelência V. Ex.ª
coronéis) (A) Reis e rainhas; religiosos em geral, sem cargo
Vossa Senhoria V. S.A. Outras patentes militares específico; bispos e arcebispos; reitores de universidades; o
Papa.
(B) Papa; cidadãos especiais; reitores de universidades;
2. Autoridades Eclesiásticas
altas autoridades e detentores de cargo eletivo; reis e rainhas.
Pronome de (C) Príncipes, princesas, duques e arquiduques; cidadãos
Abreviatura Usado para
tratamento comuns; bispos e arcebispos; reitores de universidade;
Vossa Santidade V. S. Papa religiosos em geral, sem cargo específico; o Papa.
(D) Reis e rainhas; altas autoridades e detentores de
Vossa Eminência V. Em.ª Cardeais, arcebispos e
mandato eletivo; religiosos em geral, sem cargos específicos;
Reverendíssima Revm.ª bispos
reitores de universidade; o Papa.
Abades, superiores de (E) Reitores de universidades; bispos e arcebispos;
Vossa conventos, outras religiosos em geral sem cargos específicos; reis e rainhas; o
V. Revmª
Reverendíssima autoridades eclesiásticas Papa.
e sacerdotes em geral
03. (IF/BA - Auxiliar em Administração -
3. Autoridades Monárquicas FUNRIO/2016) Nas comunicações oficiais a serem mantidas
com uma instituição de ensino cujo cargo máximo é o de
Pronome de tratamento Abreviatura Usado para
Reitor, deve-se atribuir a ele a seguinte forma de tratamento:
Vossa Majestade V. M. Reis e Imperadores (A) Sua Senhoria.
Vossa Alteza V. A. Príncipes (B) Vossa Reitoria.
(C) Sua Eminência.
(D) Vossa Reverência.
4. Outros Títulos (E) Vossa Magnificência.
Pronome de tratamento Abreviatura Usado para
Vossa Senhoria V. S.ª Dom 04. (TJ-MT - Analista Judiciário - UFMT/2016) Leia
abaixo partes de um ofício encaminhado ao reitor de uma
Doutor Dr. Doutor universidade pelo coordenador de atividades de ensino
Comendador Com. Comendador direcionadas a cidades do interior.
Professor Prof. Professor Temos o prazer de encaminhar a Vossa Excelência o
http://www.pucrs.br/manua Relatório de Atividades da Universidade do Estado de
XXXXXXX relativo ao ano de 2015.
Na Correspondência Pública, costuma-se usar V.Sª para Tomamos a liberdade de chamar vossa atenção para o
pessoa de categoria igual ou inferior, e V. Exª para pessoa de programa de interiorização desenvolvido pela universidade,
categoria superior. que cumpre, assim, na plenitude, a finalidade primeira de uma
Consultor geral, Chefe de Estado, Chefe de gabinetes instituição universitária de caráter estadual.
Legislativo e demais autoridades recebem como pronome de
tratamento Vossa Senhoria. Como vocativo - quando se dirige Atenciosamente,
a autoridade (forma adequada ao Cargo): Usa-se “Senhor”.
Todos os tratamentos podem aparecer na forma oblíqua, Sobre aspectos da redação desse ofício, analise as
após dirigir-se a uma autoridade. Podemos, sem temor de erro, afirmativas.
dizer: “Formulamos-lhe”, “pedimos-lhe”, vemos na sua I - Por tratar-se de ofício ao reitor de uma universidade, o
pessoa”, em vez de formulamos a V. Sª., ou a V.Exª., etc. pronome no trecho vossa atenção está correto.
II - O espaçamento entre as linhas deve ser simples e entre
Questões parágrafos deve haver uma linha em branco, corretamente
observado no ofício acima.
01. (ANP - Técnico em Regulação de Petróleo – III - A finalização do ofício deve vir centralizada, logo acima
CESGRANRIO/2016) O pronome de tratamento está do nome do remetente, assim o Atenciosamente está em local
empregado de acordo com a norma-padrão em: impróprio.
(A) Vossa Excelência, que é assim tratado por ser IV - A forma Atenciosamente não cabe, pois quem envia é
presidente desta empresa, deveria proporcionar cursos de coordenador e o destinatário é pessoa de respeito pelo cargo,
aperfeiçoamento aos seus funcionários interessados no deveria ser Respeitosamente.
mercado digital. V - O pronome de tratamento correto para reitores é Vossa
(B) As medidas para a prevenção de doenças cardíacas Magnificência, assim o usado no ofício está incorreto.
foram acatadas por Sua Excelência, o Ministro da Saúde, com
muita propriedade.
(C) Senhor Bispo, solicitamos que Vossa Senhoria Estão corretas as afirmativas
apresente os dados relativos ao encontro internacional da (A) I, III e IV, apenas.
juventude, realizado no Brasil em 2014. (B) II, IV e V, apenas.
(D) Os funcionários da Universidade não aceitaram a (C) I, II, III e V, apenas.
posição de Sua Eminência, o Reitor, sobre o período destinado (D) II, III, IV e V, apenas.
às férias escolares.
(E) Sua Excelência Reverendíssima, o padre, pediu que os Gabarito
coordenadores das atividades da paróquia comparecessem 01.B / 02.D / 03. E / 04.B
pontualmente à reunião.

Língua Portuguesa 49
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

COLOCAÇÃO DOS PRONOMES OBLÍQUOS Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma
ÁTONOS proposta a você).

De acordo com as autoras Rose Jordão e Clenir Bellezi14, a Questões


colocação pronominal é a posição que os pronomes pessoais
oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao verbo a que se 01. Considerada a norma culta escrita, há correta
referem. substituição de estrutura nominal por pronome em:
São pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, os, a, as, lhe, (A) Agradeço antecipadamente sua Resposta // Agradeço-
lhes, nos e vos. lhes antecipadamente.
O pronome oblíquo átono pode assumir três posições na (B) do verbo fabricar se extraiu o substantivo fábrica. // do
oração em relação ao verbo: verbo fabricar se extraiu-lhe.
1. Próclise: pronome antes do verbo; (C) não faltam lexicógrafos // não faltam-os.
2. Ênclise: pronome depois do verbo; (D) Gostaria de conhecer suas considerações // Gostaria
3. Mesóclise: pronome no meio do verbo. de conhecê-las.
(E) incluindo a palavra ‘aguardo’ // incluindo ela.
Próclise
A próclise é aplicada antes do verbo quando temos: 02. Caso fosse necessário substituir o termo destacado em
- Palavras com sentido negativo: Nada me faz querer sair “Basta apresentar um documento” por um pronome, de acordo
dessa cama. / Não se trata de nenhuma novidade. com a norma-padrão, a nova redação deveria ser

- Advérbios: Nesta casa se fala alemão. / Naquele dia me (A) Basta apresenta-lo.
falaram que a professora não veio. (B) Basta apresentar-lhe.
(C) Basta apresenta-lhe.
- Pronomes relativos: A aluna que me mostrou a tarefa não (D) Basta apresentá-la.
veio hoje. / Não vou deixar de estudar os conteúdos que me (E) Basta apresentá-lo.
falaram.
03. Em qual período, o pronome átono que substitui o
- Pronomes indefinidos: Quem me disse isso? / Todos se sintagma em destaque tem sua colocação de acordo com a
comoveram durante o discurso de despedida. norma-padrão?

- Pronomes demonstrativos: Isso me deixa muito feliz! / (A) O porteiro não conhecia o portador do embrulho –
Aquilo me incentivou a mudar de atitude! conhecia-o
(B) Meu pai tinha encontrado um marinheiro na praça
- Preposição seguida de gerúndio: Em se tratando de Mauá – tinha encontrado-o.
qualidade, o Brasil Escola é o site mais indicado à pesquisa (C) As pessoas relatarão as suas histórias para o registro
escolar. no Museu – relatá-las-ão.
(D) Quem explicou às crianças as histórias de seus
- Conjunção subordinativa: Vamos estabelecer critérios, antepassados? – explicou-lhes.
conforme lhe avisaram. (E) Vinham perguntando às pessoas se aceitavam a ideia
de um museu virtual – Lhes vinham perguntando.
Ênclise
A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta não 04. De acordo com a norma-padrão e as questões
aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos átonos. A gramaticais que envolvem o trecho “Frustrei-me por não ver o
ênclise vai acontecer quando: Escola”, é correto afirmar que
- O verbo estiver no imperativo afirmativo: Amem-se uns
aos outros. / Sigam-me e não terão derrotas. (A) “me” poderia ser deslocado para antes do verbo que
acompanha.
- O verbo iniciar a oração: Diga-lhe que está tudo bem. / (B) “me” deveria obrigatoriamente ser deslocado para
Chamaram-me para ser sócio. antes do verbo que acompanha.
(C) a ê nclise em “Frustrei‐me” é facultativa.
- O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da (D) a inclusã o do advé rbio Nã o, no inı́cio da oraçã o
preposição “a”: Naquele instante os dois passaram a odiar-se. “Frustrei‐me”, tornaria a pró clise obrigató ria.
/ Passaram a cumprimentar-se mutuamente. (E) a ê nclise em “Frustrei‐me” é obrigató ria.

- O verbo estiver no gerúndio: Não quis saber o que 05. A substituição do elemento grifado pelo pronome
aconteceu, fazendo-se de despreocupada. Despediu-se, correspondente foi realizada de modo INCORRETO em:
beijando-me a face.
(A) que permitiu à civilização = que lhe permitiu
- Houver vírgula ou pausa antes do verbo: Se passar no (B) envolveu diferentes fatores = envolveu-os
vestibular em outra cidade, mudo-me no mesmo instante. / Se (C) para fazer a dragagem = para fazê-la
não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas. (D) que desviava a água = que lhe desviava
(E) supriam a necessidade = supriam-na
Mesóclise
A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado no Respostas
futuro do presente ou no futuro do pretérito:
A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (= ela se 01.D/02.E/03.C/04.D/05.D
realizará).

14 http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf42.php http://www.brasilescola.com/gramatica/colocacao-pronominal.htm

Língua Portuguesa 50
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.


Concordância nominal e É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A entrada
verbal. é proibida.

h) Muito, pouco, caro


CONCORDÂNCIA NOMINAL 1- Como adjetivos: seguem a regra geral.
Comi muitas frutas durante a viagem. / Pouco arroz é
Concordância nominal é que o ajuste que fazemos aos suficiente para mim.
demais termos da oração para que concordem em gênero e
número com o substantivo. Teremos que alterar, portanto, o 2- Como advérbios: são invariáveis.
artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome. Além disso, temos Comi muito durante a viagem. / Pouco lutei, por isso perdi
também o verbo, que se flexionará à sua maneira. a batalha.

Regra geral: o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome i) Mesmo, bastante


concordam em gênero e número com o substantivo. 1- Como advérbios: invariáveis
A pequena criança é uma gracinha. / O garoto que encontrei Preciso mesmo da sua ajuda.
era muito gentil e simpático. Fiquei bastante contente com a proposta de emprego.

Casos especiais: veremos alguns casos que fogem à regra 2- Como pronomes: seguem a regra geral.
geral mostrada acima. Seus argumentos foram bastantes para me convencer.
Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou.
a) Um adjetivo após vários substantivos
1- Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o j) Menos, alerta
plural ou concorda com o substantivo mais próximo. Em todas as ocasiões são invariáveis.
Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui. / Irmão Preciso de menos comida para perder peso. / Estamos alerta
e primo recém-chegados estiveram aqui. para com suas chamadas.

2- Substantivos de gêneros diferentes: vai para o k) Tal Qual


plural masculino ou concorda com o substantivo mais “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda com o
próximo. consequente.
Ela tem pai e mãe louros. / Ela tem pai e mãe loura. As garotas são vaidosas tais qual a tia. / Os pais vieram
fantasiados tais quais os filhos.
3- Adjetivo funciona como predicativo: vai
obrigatoriamente para o plural. l) Possível
O homem e o menino estavam perdidos. / O homem e sua Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “melhor” ou
esposa estiveram hospedados aqui. “pior”, acompanha o artigo que precede as expressões.
A mais possível das alternativas é a que você expôs.
b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos Os melhores cargos possíveis estão neste setor da empresa.
1- Adjetivo anteposto normalmente concorda com o mais As piores situações possíveis são encontradas nas favelas da
próximo. cidade.
Comi delicioso almoço e sobremesa. / Provei deliciosa fruta
e suco. m) Meio
2- Adjetivo anteposto funcionando como predicativo: 1- Como advérbio: invariável.
concorda com o mais próximo ou vai para o plural. Estou meio (um pouco) insegura.
Estavam feridos o pai e os filhos. / Estava ferido o pai e os
filhos. 2- Como numeral: segue a regra geral.
Comi meia (metade) laranja pela manhã.
c) Um substantivo e mais de um adjetivo
1- antecede todos os adjetivos com um artigo. Falava n) Só
fluentemente a língua inglesa e a espanhola. 1- apenas, somente (advérbio): invariável.
2- coloca o substantivo no plural. Falava fluentemente as Só consegui comprar uma passagem.
línguas inglesa e espanhola.
2- sozinho (adjetivo): variável.
d) Pronomes de tratamento Estiveram sós durante horas.
Sempre concordam com a 3ª pessoa. Vossa Santidade
esteve no Brasil. Questões

e) Anexo, incluso, próprio, obrigado 01. Indique o uso INCORRETO da concordância verbal ou
Concordam com o substantivo a que se referem. nominal:
As cartas estão anexas. / A bebida está inclusa. (A) Será descontada em folha sua contribuição sindical.
(B) Na última reunião, ficou acordado que se realizariam
f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a) encontros semanais com os diversos interessados no assunto.
Após essas expressões o substantivo fica sempre no (C) Alguma solução é necessária, e logo!
singular e o adjetivo no plural. (D) Embora tenha ficado demonstrado cabalmente a
Renato advogou um e outro caso fáceis. / Pusemos numa e ocorrência de simulação na transferência do imóvel, o pedido
noutra bandeja rasas o peixe. não pode prosperar.
(E) A liberdade comercial da colônia, somada ao fato de D.
g) É bom, é necessario, é proibido João VI ter também elevado sua colônia americana à condição
Essas expressões não variam se o sujeito não vier de Reino Unido a Portugal e Algarves, possibilitou ao Brasil
precedido de artigo ou outro determinante. obter certa autonomia econômica.

Língua Portuguesa 51
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

02. Aponte a alternativa em que NÃO ocorre silepse (de 4) No caso de o sujeito ser representado por expressões
gênero, número ou pessoa): aproximativas, representadas por “cerca de, perto de”, o verbo
(A) “A gente é feito daquele tipo de talento capaz de fazer concorda com o substantivo determinado por elas: Cerca de
a diferença.” vinte candidatos se inscreveram no concurso de piadas.
(B) Todos sabemos que a solução não é fácil.
(C) Essa gente trabalhadora merecia mais, pois acordam às 5) Em casos em que o sujeito é representado pela
cinco horas para chegar ao trabalho às oito da manhã. expressão “mais de um”, o verbo permanece no singular: Mais
(D) Todos os brasileiros sabem que esse problema vem de de um candidato se inscreveu no concurso de piadas.
longe... Observação: no caso da referida expressão aparecer
(E) Senhor diretor, espero que Vossa Senhoria seja mais repetida ou associada a um verbo que exprime reciprocidade,
compreensivo. o verbo, necessariamente, deverá permanecer no plural: Mais
de um aluno, mais de um professor contribuíram na campanha
03. A concordância nominal está INCORRETA em: de doação de alimentos. / Mais de um formando se
(A) A mídia julgou desnecessária a campanha e o abraçaram durante as solenidades de formatura.
envolvimento da empresa.
(B) A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa 6) O sujeito for composto da expressão “um dos que”, o
desnecessária. verbo permanecerá no plural: Paulo é um dos que mais
(C) A mídia julgou desnecessário o envolvimento da trabalhar.
empresa e a campanha.
(D) A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa 7) Quanto aos relativos à concordância com locuções
desnecessárias. pronominais, representadas por “algum de nós, qual de vós,
quais de vós, alguns de nós”, entre outras, faz-se necessário
04. Complete os espaços com um dos nomes colocados nos nos atermos a duas questões básicas:
parênteses. - No caso de o primeiro pronome estar expresso no plural,
(A) Será que é ____ essa confusão toda? (necessário/ o verbo poderá com ele concordar, como poderá também
necessária) concordar com o pronome pessoal: Alguns
(B) Quero que todos fiquem ____. (alerta/ alertas) de nós o receberemos. / Alguns de nós o receberão.
(C) Houve ____ razões para eu não voltar lá. (bastante/ - Quando o primeiro pronome da locução estiver expresso
bastantes) no singular, o verbo também permanecerá no singular: Algum
(D) Encontrei ____ a sala e os quartos. (vazia/vazios) de nós o receberá.
(E) A dona do imóvel ficou ____ desiludida com o inquilino.
(meio/ meia) 8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo
pronome “quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa do
05. Quanto à concordância nominal, verifica-se ERRO em: singular ou poderá concordar com o antecedente desse
(A) O texto fala de uma época e de um assunto polêmicos. pronome: Fomos nós quem contou toda a verdade para ela. /
(B) Tornou-se clara para o leitor a posição do autor sobre Fomos nós quem contamos toda a verdade para ela.
o assunto.
(C) Constata-se hoje a existência de homem, mulher e 9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela
criança viciadas. palavra “que”, o verbo deverá concordar com o termo que
(D) Não será permitido visita de amigos, apenas a de antecede essa palavra: Nesta empresa somos nós
parentes. que tomamos as decisões. / Em casa sou eu que decido tudo.

Respostas 10) No caso de o sujeito aparecer representado por


01.D / 02.D / 03.B / 04. a) necessária b) alerta c) expressões que indicam porcentagens, o verbo concordará
bastantes d) vazia e) meio / 05. C com o numeral ou com o substantivo a que se refere essa
porcentagem: 50% dos funcionários aprovaram a decisão da
CONCORDÂNCIA VERBAL diretoria. / 50% do eleitorado apoiou a decisão.
Observações:
Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos nos - Caso o verbo aparecer anteposto à expressão de
referindo à relação de dependência estabelecida entre um porcentagem, esse deverá concordar com o numeral:
termo e outro mediante um contexto oracional. Aprovaram a decisão da diretoria 50% dos funcionários.
- Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no
singular: 1% dos funcionários não aprovou a decisão da
Casos Referentes a Sujeito Simples
diretoria.
1) Sujeito simples, o verbo concorda com o núcleo em - Em casos em que o numeral estiver acompanhado de
número e pessoa: O aluno chegou atrasado. determinantes no plural, o verbo permanecerá no plural: Os
50% dos funcionários apoiaram a decisão da diretoria.
2) O verbo concorda no singular com o sujeito coletivo do
singular, o verbo permanece na terceira pessoa do 11) Quando o sujeito estiver representado por pronomes
singular: A multidão, apavorada, saiu aos gritos. de tratamento, o verbo deverá ser empregado na terceira
Observação: no caso de o coletivo aparecer seguido de pessoa do singular ou do plural: Vossas
adjunto adnominal no plural, o verbo permanecerá no singular Majestades gostaram das homenagens. Vossas Excelência agiu
ou poderá ir para o plural: Uma multidão de pessoas saiu aos com inteligência.
gritos. / Uma multidão de pessoas saíram aos gritos.
12) Casos relativos a sujeito representado por substantivo
3) Quando o sujeito é representado por expressões próprio no plural se encontram relacionados a alguns aspectos
partitivas, representadas por “a maioria de, a maior parte de, a que os determinam:
metade de, uma porção de, entre outras”, o verbo tanto pode - Diante de nomes de obras no plural, seguidos do verbo
concordar com o núcleo dessas expressões quanto com o ser, este permanece no singular, contanto que o predicativo
substantivo que a segue: A maioria dos alunos resolveu ficar. também esteja no singular: Memórias póstumas de Brás
/ A maioria dos alunos resolveram ficar. Cubas é uma criação de Machado de Assis.

Língua Portuguesa 52
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

- Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo também tomar decisões sem medir suas consequências.
permanece no plural: Os Estados Unidos são uma potência (D) A toda decisão tomada precipitadamente ......
mundial. (costumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas.
- Casos em que o artigo figura no singular ou em que ele (E) Diante de uma escolha, ...... (ganhar) prioridade,
nem aparece, o verbo permanece no singular: Estados Unidos recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor
é uma potência mundial. humana.

Casos Referentes a Sujeito Composto 03. Em um belo artigo, o físico Marcelo Gleiser, analisando
1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas a constatação do satélite Kepler de que existem muitos
gramaticais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, estando planetas com características físicas semelhantes ao nosso,
relacionado a dois pressupostos básicos: reafirmou sua fé na hipótese da Terra rara, isto é, a tese de que
- Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre as a vida complexa (animal) é um fenômeno não tão comum no
demais: Eu, tu e ele faremos um lindo passeio. Universo.
- Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexionar na Gleiser retoma as ideias de Peter Ward expostas de modo
2ª ou na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. / Tu e ele são primos. persuasivo em “Terra Rara”. Ali, o autor sugere que a vida
microbiana deve ser um fenômeno trivial, podendo pipocar até
2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer em mundos inóspitos; já o surgimento de vida multicelular na
anteposto (antes) ao verbo, este permanecerá no plural: O pai Terra dependeu de muitas outras variáveis físicas e históricas,
e seus dois filhos compareceram ao evento. o que, se não permite estimar o número de civilizações extra
terráqueas, ao menos faz com que reduzamos nossas
3) No caso em que o sujeito aparecer posposto (depois) ao expectativas.
verbo, este poderá concordar com o núcleo mais próximo ou Uma questão análoga só arranhada por Ward é a da
permanecer no plural: Compareceram ao evento o pai e seus inexorabilidade da inteligência. A evolução de organismos
dois filhos. Compareceu ao evento o pai e seus dois filhos. complexos leva necessariamente à consciência e à
inteligência?
4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém com Robert Wright diz que sim, mas seu argumento é mais
mais de um núcleo, o verbo deverá permanecer no singular: matemático do que biológico: complexidade engendra
Meu esposo e grande companheiro merece toda a felicidade do complexidade, levando a uma corrida armamentista entre
mundo. espécies cujo subproduto é a inteligência.
Stephen J. Gould e Steven Pinker apostam que não. Para
5) Casos relativos a sujeito composto de palavras eles, é apenas devido a uma sucessão de pré-adaptações e
sinônimas ou ordenado por elementos em gradação, o verbo coincidências que alguns animais transformaram a capacidade
poderá permanecer no singular ou ir para o plural: Minha de resolver problemas em estratégia de sobrevivência. Se
vitória, minha conquista, minha premiação são frutos de meu rebobinássemos o filme da evolução e reencenássemos o
esforço. / Minha vitória, minha conquista, minha premiação é processo mudando alguns detalhes do início, seriam grandes
fruto de meu esforço. as chances de não chegarmos a nada parecido com a
inteligência.
Questões
(Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, 2012.)

01. A concordância realizou-se adequadamente em qual


A frase em que as regras de concordância estão
alternativa?
(A) Os Estados Unidos é considerado, hoje, a maior plenamente respeitadas é:
(A) Podem haver estudos que comprovem que, no passado,
potência econômica do planeta, mas há quem aposte que a
as formas mais complexas de vida - cujo habitat eram oceanos
China, em breve, o ultrapassará.
ricos em nutrientes - se alimentavam por osmose.
(B) Em razão das fortes chuvas haverão muitos candidatos
(B) Cada um dos organismos simples que vivem na
que chegarão atrasados, tenho certeza disso.
natureza sobrevivem de forma quase automática, sem se
(C) Naquela barraca vendem-se tapiocas fresquinhas, pode
valerem de criatividade e planejamento.
comê-las sem receio!
(C) Desde que observe cuidados básicos, como obter
(D) A multidão gritaram quando a cantora apareceu na
energia por meio de alimentos, os organismos simples podem
janela do hotel!
preservar a vida ao longo do tempo com relativa facilidade.
(D) Alguns animais tem de se adaptar a um ambiente cheio
02. Uma pergunta
de dificuldades para obter a energia necessária a sua
sobrevivência e nesse processo expõe- se a inúmeras ameaças.
Frequentemente cabe aos detentores de cargos de
(E) A maioria dos organismos mais complexos possui um
responsabilidade tomar decisões difíceis, de graves
sistema nervoso muito desenvolvido, capaz de se adaptar a
consequências. Haveria algum critério básico, essencial, para
amparar tais escolhas? Antonio Gramsci, notável pensador e mudanças ambientais, como alterações na temperatura.
político italiano, propôs que se pergunte, antes de tomar a
decisão: - Quem sofrerá? 04. De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa,
a concordância verbal está correta em:
Para um humanista, a dor humana é sempre prioridade a
(A) Ela não pode usar o celular e chamar um taxista, pois
se considerar.
(Salvador Nicola, inédito) acabou os créditos.
(B) Esta empresa mantêm contato com uma rede de táxis
O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no que executa diversos serviços para os clientes.
singular para preencher adequadamente a lacuna da frase: (C) À porta do aeroporto, havia muitos táxis disponíveis
(A) A nenhuma de nossas escolhas ...... (poder) deixar de para os passageiros que chegavam à cidade.
corresponder nossos valores éticos mais rigorosos. (D) Passou anos, mas a atriz não se esqueceu das calorosas
(B) Não se ...... (poupar) os que governam de refletir sobre lembranças que seu tio lhe deixou.
o peso de suas mais graves decisões. (E) Deve existir passageiros que aproveitam a corrida de
(C) Aos governantes mais responsáveis não ...... (ocorrer) táxi para bater um papo com o motorista.

Língua Portuguesa 53
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Respostas Verbos Transitivos Diretos


01.C / 02.C / 03.E / 04.C Os verbos transitivos diretos são complementados por
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição para
o estabelecimento da relação de regência. Ao empregar esses
verbos, devemos lembrar que os pronomes oblíquos o, a, os,
Regência nominal e verbal. as atuam como objetos diretos. Esses pronomes podem
assumir as formas lo, los, la, las (após formas verbais
terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após formas
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e lhes são,
quando complementos verbais, objetos indiretos.
Regência Verbal São verbos transitivos diretos: abandonar, abençoar,
aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, admirar, adorar,
A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, castigar,
os verbos e os termos que os complementam (objetos diretos condenar, conhecer, conservar, convidar, defender, eleger,
e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais). estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar,
O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nossa proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar, dentre
capacidade expressiva, pois oferece oportunidade de outros.
conhecermos as diversas significações que um verbo pode Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente como
assumir com a simples mudança ou retirada de uma o verbo amar:
preposição. Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Observe: Amo aquela moça. / Amo-a.
A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar, Amam aquele rapaz. / Amam-no.
contentar. Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
A mãe agrada ao filho. -> agradar significa "causar agrado
ou prazer", satisfazer. Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos
Logo, conclui-se que "agradar alguém" é diferente de adnominais).
"agradar a alguém". Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua carreira)
Saiba que: Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau humor)
O conhecimento do uso adequado das preposições é um
dos aspectos fundamentais do estudo da regência verbal (e Verbos Transitivos Indiretos
também nominal). As preposições são capazes de modificar Os verbos transitivos indiretos são complementados por
completamente o sentido do que se está sendo dito. Veja os objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exigem uma
exemplos: preposição para o estabelecimento da relação de regência. Os
Cheguei ao metrô. pronomes pessoais do caso oblíquo de terceira pessoa que
Cheguei no metrô. podem atuar como objetos indiretos são o "lhe", o "lhes", para
substituir pessoas. Não se utilizam os pronomes o, os, a,
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no segundo as como complementos de verbos transitivos indiretos. Com os
caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A oração objetos indiretos que não representam pessoas, usam-se
"Cheguei no metrô", popularmente usada a fim de indicar o pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em
lugar a que se vai, possui, no padrão culto da língua, lugar dos pronomes átonos lhe, lhes.
sentido diferente. Aliás, é muito comum existirem Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
divergências entre a regência coloquial, cotidiana de alguns a) Consistir - tem complemento introduzido pela
verbos, e a regência culta. preposição "em".
A modernidade verdadeira consiste em direitos iguais para
Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos de todos.
acordo com sua transitividade. A transitividade, porém, não é
um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de diferentes b) Obedecer e Desobedecer - possuem seus complementos
formas em frases distintas. introduzidos pela preposição "a".
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
Verbos Intransitivos Eles desobedeceram às leis do trânsito.
Os verbos intransitivos não possuem complemento. É
importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos c) Responder - tem complemento introduzido pela
aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los. preposição "a". Esse verbo pede objeto indireto para indicar "a
a) Chegar, Ir; quem" ou "ao que" se responde.
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adverbiais Respondi ao meu patrão.
de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para Respondemos às perguntas.
indicar destino ou direção são: a, para. Respondeu-lhe à altura.
Fui ao teatro. Obs.: o verbo responder, apesar de transitivo indireto
Adjunto Adverbial de Lugar quando exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva
analítica. Veja: O questionário foi respondido corretamente. /
Ricardo foi para a Espanha. Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamente.
Adjunto Adverbial de Lugar
d) Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complementos
b) Comparecer; introduzidos pela preposição "com".
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido Antipatizo com aquela apresentadora.
por em ou a. Simpatizo com os que condenam os políticos que governam
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o último para uma minoria privilegiada.
jogo.

Língua Portuguesa 54
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Verbos Transitivos Diretos e Indiretos 2) A construção "dizer para", também muito usada
Os verbos transitivos diretos e indiretos são popularmente, é igualmente considerada incorreta.
acompanhados de um objeto direto e um indireto. Merecem
destaque, nesse grupo: Preferir
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto
Agradecer, Perdoar e Pagar indireto introduzido pela preposição "a". Por Exemplo:
São verbos que apresentam objeto direto Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
relacionado a coisas e objeto indireto relacionado a pessoas. Prefiro trem a ônibus.
Veja os exemplos: Obs.: na língua culta, o verbo "preferir" deve ser usado sem
Agradeço aos ouvintes a audiência. termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil vezes, um
Objeto Indireto Objeto Direto milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo existente
no próprio verbo (pre).
Cristo ensina que é preciso perdoar o pecado ao pecador.
Objeto Direto Objeto Indireto Mudança de Transitividade versus Mudança de
Paguei o débito ao cobrador. Significado
Objeto Direto Objeto Indireto Há verbos que, de acordo com a mudança de
transitividade, apresentam mudança de significado. O
- O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com conhecimento das diferentes regências desses verbos é um
particular cuidado. Observe: recurso linguístico muito importante, pois além de permitir a
Agradeci o presente. / Agradeci-o. correta interpretação de passagens escritas, oferece
Agradeço a você. / Agradeço-lhe. possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Dentre os
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a. principais, estão:
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as. Agradar
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes. - Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos,
acariciar.
Informar Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada
- Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto quando o revê.
indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa. Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. /
Informe os novos preços aos clientes. Cláudia não perde oportunidade de agradá-lo.
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos - Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agrado
preços) a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento introduzido
pela preposição "a".
- Na utilização de pronomes como complementos, veja as O cantor não agradou aos presentes.
construções: O cantor não lhes agradou.
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou sobre Aspirar
eles) - Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar
(o ar), inalar.
Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada para os Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir. - Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter
como ambição.
Comparar Aspirávamos a melhores condições de vida. (Aspirávamos a
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as elas)
preposições "a" ou "com" para introduzir o complemento Obs.: como o objeto direto do verbo "aspirar" não é pessoa,
indireto. mas coisa, não se usam as formas pronominais átonas "lhe" e
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma "lhes" e sim as formas tônicas "a ele (s)", " a ela (s)". Veja o
criança. exemplo:
Aspiravam a uma existência melhor. (= Aspiravam a ela)
Pedir
Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na Assistir
forma de oração subordinada substantiva) e indireto de - Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar
pessoa. assistência a, auxiliar. Por Exemplo:
Pedi-lhe favores. As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
Objeto Indireto Objeto Direto As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
- Assistir é transitivo indireto no sentido de ver,
Pedi-lhe que mantivesse em silêncio. presenciar, estar presente, caber, pertencer.
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva
Objetiva Direta
Exemplos:
Saiba que: Assistimos ao documentário.
1) A construção "pedir para", muito comum na linguagem Não assisti às últimas sessões.
cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua culta. No Essa lei assiste ao inquilino.
entanto, é considerada correta quando a Obs.: no sentido de morar, residir, o verbo "assistir" é
palavra licença estiver subentendida. intransitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
lugar introduzido pela preposição "em".
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa. Assistimos numa conturbada cidade.

Observe que, nesse caso, a preposição "para" introduz uma Chamar


oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo - Chamar é transitivo direto no sentido de convocar,
(para ir entregar-lhe os catálogos em casa). solicitar a atenção ou a presença de.

Língua Portuguesa 55
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Por gentileza, vá chamar sua prima. / Por favor, vá chamá- Ele quer bem à linda menina.
la. Despede-se o filho que muito lhe quer.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
- Chamar no sentido de denominar, apelidar pode Visar
apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere - Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar,
predicativo preposicionado ou não. fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
A torcida chamou o jogador mercenário. O homem visou o alvo.
A torcida chamou ao jogador mercenário. O gerente não quis visar o cheque.
A torcida chamou o jogador de mercenário. - No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como
A torcida chamou ao jogador de mercenário. objetivo, é transitivo indireto e rege a preposição "a".
O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Custar Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar
- Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor público.
ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial.
Frutas e verduras não deveriam custar muito. Regência Nominal
- No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo ou
transitivo indireto. É o nome da relação existente entre um nome (substantivo,
adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome. Essa
Muito custa viver tão longe da família. relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo
Verbo Oração Subordinada Substantiva Subjetiva da regência nominal, é preciso levar em conta que vários
Intransitivo Reduzida de Infinitivo nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de
que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa, nesses
Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela atitude. casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva -
Subjetiva Reduzida de Infinitivo
exemplo: Verbo obedecer e os nomes correspondentes: todos
regem complementos introduzidos pela preposição "a". Veja:
Obs.: a Gramática Normativa condena as construções que Obedecer a algo/ a alguém.
atribuem ao verbo "custar" um sujeito representado por Obediente a algo/ a alguém.
pessoa. Observe o exemplo abaixo:
Custei para entender o problema. Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da
Forma correta: Custou-me entender o problema. preposição ou preposições que os regem. Observe-os
atentamente e procure, sempre que possível, associar esses
Implicar nomes entre si ou a algum verbo cuja regência você conhece.
- Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
a) dar a entender, fazer supor, pressupor Substantivos
Suas atitudes implicavam um firme propósito. Admiração a, por
b) Ter como consequência, trazer como consequência, Devoção a, para, com, por
acarretar, provocar Medo a, de
Liberdade de escolha implica amadurecimento político de Aversão a, para, por
um povo. Doutor em
Obediência a
- Como transitivo direto e indireto, significa comprometer, Atentado a, contra
envolver Dúvida acerca de, em, sobre
Implicaram aquele jornalista em questões econômicas. Ojeriza a, por
Obs.: no sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo Bacharel em
indireto e rege com preposição "com". Horror a
Implicava com quem não trabalhasse arduamente. Proeminência sobre
Capacidade de, para
Proceder Impaciência com
- Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter Respeito a, com, para com, por
cabimento, ter fundamento ou portar-se, comportar-se,
agir. Nessa segunda acepção, vem sempre acompanhado de Adjetivos
adjunto adverbial de modo. Acessível a
As afirmações da testemunha procediam, não havia como Diferente de
refutá-las. Necessário a
Você procede muito mal. Acostumado a, com
- Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a Entendido em
preposição" de") e fazer, executar (rege complemento Nocivo a
introduzido pela preposição "a") é transitivo indireto. Afável com, para com
O avião procede de Maceió. Equivalente a
Procedeu-se aos exames. Paralelo a
O delegado procederá ao inquérito. Agradável a
Escasso de
Querer Parco em, de
- Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter Alheio a, de
vontade de, cobiçar. Essencial a, para
Querem melhor atendimento. Passível de
Queremos um país melhor. Análogo a
- Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, Fácil de
estimar, amar. Preferível a
Quero muito aos meus amigos. Ansioso de, para, por

Língua Portuguesa 56
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Fanático por 03. (Agente de Defensoria Pública - FCC)


Prejudicial a ... constava simplesmente de uma vareta quebrada em partes
Apto a, para desiguais...
Favorável a O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o
Prestes a grifado acima está empregado em:
Ávido de (A) Em campos extensos, chegavam em alguns casos a
Generoso com extremos de sutileza.
Propício a (B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado nos
Benéfico a troncos mais robustos.
Grato a, por (C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados desorientam,
Próximo a não raro, quem...
Capaz de, para (D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho na
Hábil em serra de Tunuí...
Relacionado com (E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o
Compatível com gentio, mestre e colaborador...
Habituado a
Relativo a 04. (Agente Técnico - FCC)
Contemporâneo a, de ... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça...
Idêntico a O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o da
Satisfeito com, de, em, por frase acima se encontra em:
Contíguo a (A) A palavra direito, em português, vem de directum, do
Impróprio para verbo latino dirigere...
Semelhante a (B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das
Contrário a sociedades...
Indeciso em (C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado pela
Sensível a justiça.
Curioso de, por (D) Essa problematicidade não afasta a força das aspirações
Insensível a da justiça...
Sito em (E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o
Descontente com sentimento de justiça.
Liberal com
Suspeito de 05. Leia a tira a seguir.
Desejoso de
Natural de
Vazio de

Advérbios
- Longe de;
- Perto de.

Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a seguir


o regime dos adjetivos de que são formados: paralela à;
paralelamente a; relativa a; relativamente a.15

Questões

01. (Administrador - FCC)


... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras
ciências ...
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o
grifado acima está empregado em:
(A) ...astros que ficam tão distantes...
(B) ...que a astronomia é uma das ciências...
Considerando as regras de regência da norma-padrão da
(C) ...que nos proporcionou um espírito...
língua portuguesa, a frase do primeiro quadrinho está
(D) ...cuja importância ninguém ignora...
corretamente reescrita, e sem alteração de sentido, em:
(E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro...
(A) Ter amigos ajuda contra o combate pela depressão.
(B) Ter amigos ajuda o combate sob a depressão.
02. (Agente de Apoio Administrativo - FCC)
(C) Ter amigos ajuda do combate com a depressão.
...pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos filhos
(D) Ter amigos ajuda ao combate na depressão.
do sueco.
(E) Ter amigos ajuda no combate à depressão.
O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de
complementos que o grifado acima está empregado em:
06. (Escrevente TJ SP - VUNESP) Assinale a alternativa
(A) ...que existe uma coisa chamada EXÉRCITO...
em que o período, adaptado da revista Pesquisa Fapesp de
(B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra?
junho de 2012, está correto quanto à regência nominal e à
(C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia...
pontuação.
(D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro...
(A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapidamente,
(E) O delegado apenas olhou-a espantado com o
seu espaço na carreira científica ainda que o avanço seja mais
atrevimento.

15 www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

Língua Portuguesa 57
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

notável em alguns países, o Brasil é um exemplo, do que em (D) sob a


outros. E) sobre a
(B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam
rapidamente seu espaço na carreira científica; ainda que o Respostas
avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um 1.D / 2.D / 3.A / 4.A / 5.E / 6.D / 7.A / 8.C / 9.A / 10.C
exemplo!, do que em outros.
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam
rapidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o
avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um
Ortografia oficial.
exemplo, do que em outros.
(D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam
rapidamente seu espaço na carreira científica, ainda que o ORTOGRAFIA
avanço seja mais notável em alguns países - o Brasil é um
exemplo - do que em outros. Alfabeto
(E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapidamente,
seu espaço na carreira científica, ainda que, o avanço seja mais O alfabeto da língua portuguesa é formado por 26 letras. A –
notável em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em B–C–D–E– F–G–H– I–J–K–L–M –N–O–P–Q–R–S–
outros. T – U – V – W – X – Y – Z.

07. (Papiloscopista Policial - VUNESP) Assinale a Observação: emprega-se também o “ç”, que representa o
alternativa correta quanto à regência dos termos em destaque. fonema /s/ diante das letras: a, o, e u em determinadas palavras.
(A) Ele tentava convencer duas senhoras a assumir a
responsabilidade pelo problema. Emprego das Letras e Fonemas
(B) A menina tinha o receio a levar uma bronca por ter se
perdido. Emprego das letras K, W e Y
(C) A garota tinha apenas a lembrança pelo desenho de Utilizam-se nos seguintes casos:
um índio na porta do prédio. 1) Em antropônimos originários de outras línguas e seus
(D) A menina não tinha orgulho sob o fato de ter se derivados. Exemplos: Kant, kantismo; Darwin, darwinismo;
perdido de sua família. Taylor, taylorista.
(E) A família toda se organizou para realizar a procura à
garotinha. 2) Em topônimos originários de outras línguas e seus
derivados. Exemplos: Kuwait, kuwaitiano.
08. (Analista de Sistemas - VUNESP) Assinale a
alternativa que completa, correta e respectivamente, as 3) Em siglas, símbolos, e mesmo em palavras adotadas como
lacunas do texto, de acordo com as regras de regência. unidades de medida de curso internacional. Exemplos: K
Os estudos _______ quais a pesquisadora se reportou já (Potássio), W (West), kg (quilograma), km (quilômetro), Watt.
assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem
corporal e a exposição a imagens idealizadas pela mídia. Emprego do X
A pesquisa faz um alerta ______ influência negativa que a Se empregará o “X” nas seguintes situações:
mídia pode exercer sobre os jovens. 1) Após ditongos.
(A) dos … na Exemplos: caixa, frouxo, peixe.
(B) nos … entre a Exceção: recauchutar e seus derivados.
(C) aos … para a
(D) sobre os … pela 2) Após a sílaba inicial “en”.
(E) pelos … sob a Exemplos: enxame, enxada, enxaqueca.
Exceção: palavras iniciadas por “ch” que recebem o prefixo
09. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças “en-”. Ex.: encharcar (de charco), enchiqueirar (de chiqueiro),
Públicas - VUNESP) Considerando a norma-padrão da língua, encher e seus derivados (enchente, enchimento, preencher...)
assinale a alternativa em que os trechos destacados estão
corretos quanto à regência, verbal ou nominal. 3) Após a sílaba inicial “me-”.
(A) O prédio que o taxista mostrou dispunha de mais de Exemplos: mexer, mexerica, mexicano, mexilhão.
dez mil tomadas. Exceção: mecha.
(B) O autor fez conjecturas sob a possibilidade de haver
um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé. 4) Se empregará o “X” em vocábulos de origem indígena ou
(C) Centenas de trabalhadores estão empenhados de criar africana e em palavras inglesas aportuguesadas.
logotipos e negociar. Exemplos: abacaxi, xavante, orixá, xará, xerife, xampu,
(D) O taxista levou o autor a indagar no número de bexiga, bruxa, coaxar, faxina, graxa, lagartixa, lixa, lixo, puxar,
tomadas do edifício. rixa, oxalá, praxe, roxo, vexame, xadrez, xarope, xaxim, xícara,
(E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor xale, xingar, etc.
reparasse a um prédio na marginal.
Emprego do Ch
10. (Assistente de Informática II - VUNESP) Assinale a Se empregará o “Ch” nos seguintes vocábulos: bochecha,
alternativa que substitui a expressão destacada na frase, bucha, cachimbo, chalé, charque, chimarrão, chuchu, chute,
conforme as regras de regência da norma-padrão da língua e cochilo, debochar, fachada, fantoche, ficha, flecha, mochila,
sem alteração de sentido. pechincha, salsicha, tchau, etc.
Muitas organizações lutaram a favor da igualdade de
direitos dos trabalhadores domésticos. Emprego do G
(A) da Se empregará o “G” em:
(B) na 1) Substantivos terminados em: -agem, -igem, -ugem.
(C) pela Exemplos: barragem, miragem, viagem, origem, ferrugem.

Língua Portuguesa 58
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Exceção: pajem. Observação - também se emprega com a letra “S” os


seguintes vocábulos: abuso, asilo, através, aviso, besouro, brasa,
2) Palavras terminadas em: -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio. cortesia, decisão, despesa, empresa, freguesia, fusível, maisena,
Exemplos: estágio, privilégio, prestígio, relógio, refúgio. mesada, paisagem, paraíso, pêsames, presépio, presídio,
querosene, raposa, surpresa, tesoura, usura, vaso, vigésimo,
3) Em palavras derivadas de outras que já apresentam “G”. visita, etc.
Exemplos: engessar (de gesso), massagista (de massagem),
vertiginoso (de vertigem). Emprego do Z
Se empregará o “Z” nos seguintes casos:
Observação - também se emprega com a letra “G” os 1) Palavras derivadas de outras que já apresentam Z no
seguintes vocábulos: algema, auge, bege, estrangeiro, geada, radical.
gengiva, gibi, gilete, hegemonia, herege, megera, monge, Exemplos: deslize – deslizar / razão – razoável / vazio –
rabugento, vagem. esvaziar / raiz – enraizar /cruz – cruzeiro.

Emprego do J 2) Nos sufixos -ez, -eza, ao formarem substantivos abstratos


Para representar o fonema “j’ na forma escrita, a grafia a partir de adjetivos.
considerada correta é aquela que ocorre de acordo com a Exemplos: inválido – invalidez / limpo – limpeza / macio –
origem da palavra, como por exemplo no caso da na palavra jipe maciez / rígido – rigidez / frio – frieza / nobre – nobreza / pobre
que origina-se do inglês jeep. Porém também se empregará o “J” – pobreza / surdo – surdez.
nas seguintes situações:
3) Nos sufixos -izar, ao formar verbos e -ização, ao formar
1) Em verbos terminados em -jar ou -jear. Exemplos: substantivos.
Arranjar: arranjo, arranje, arranjem Exemplos: civilizar – civilização / hospitalizar –
Despejar: despejo, despeje, despejem hospitalização / colonizar – colonização / realizar – realização.
Viajar: viajo, viaje, viajem
4) Nos derivados em -zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita.
2) Nas palavras de origem tupi, africana, árabe ou exótica. Exemplos: cafezal, cafezeiro, cafezinho, arvorezinha, cãozito,
Exemplos: biju, jiboia, canjica, pajé, jerico, manjericão, Moji. avezita.

3) Nas palavras derivadas de outras que já apresentam “J”. 5) Nos seguintes vocábulos: azar, azeite, azedo, amizade,
Exemplos: laranja –laranjeira / loja – lojista / lisonja – buzina, bazar, catequizar, chafariz, cicatriz, coalizão, cuscuz,
lisonjeador / nojo – nojeira / cereja – cerejeira / varejo – proeza, vizinho, xadrez, verniz, etc.
varejista / rijo – enrijecer / jeito – ajeitar.
6) Em vocábulos homófonos, estabelecendo distinção no
Observação - também se emprega com a letra “J” os contraste entre o S e o Z. Exemplos:
seguintes vocábulos: berinjela, cafajeste, jeca, jegue, majestade, Cozer (cozinhar) e coser (costurar);
jeito, jejum, laje, traje, pegajento. Prezar (ter em consideração) e presar (prender);
Traz (forma do verbo trazer) e trás (parte posterior).
Emprego do S
Utiliza-se “S” nos seguintes casos: Observação: em muitas palavras, a letra X soa como Z.
1) Palavras derivadas de outras que já apresentam “S” no Como por exemplo: exame, exato, exausto, exemplo, existir,
radical. Exemplos: análise – analisar / catálise – catalisador / exótico, inexorável.
casa – casinha ou casebre / liso – alisar.
Emprego do Fonema S
2) Nos sufixos -ês e -esa, ao indicarem nacionalidade, título Existem diversas formas para a representação do fonema “S”
ou origem. Exemplos: burguês – burguesa / inglês – inglesa / no qual podem ser: s, ç, x e dos dígrafos sc, sç, ss, xc, xs. Assim
chinês – chinesa / milanês – milanesa. vajamos algumas situações:

3) Nos sufixos formadores de adjetivos -ense, -oso e –osa. 1) Emprega-se o S: nos substantivos derivados de verbos
Exemplos: catarinense / palmeirense / gostoso – gostosa / terminados em -andir, -ender, -verter e -pelir.
amoroso – amorosa / gasoso – gasosa / teimoso – teimosa. Exemplos: expandir – expansão / pretender – pretensão /
verter – versão / expelir – expulsão / estender – extensão /
4) Nos sufixos gregos -ese, -isa, -osa. suspender – suspensão / converter – conversão / repelir –
Exemplos: catequese, diocese, poetisa, profetisa, repulsão.
sacerdotisa, glicose, metamorfose, virose.
2) Emprega-se Ç: nos substantivos derivados dos verbos ter
5) Após ditongos. e torcer.
Exemplos: coisa, pouso, lousa, náusea. Exemplos: ater – atenção / torcer – torção / deter – detenção
/ distorcer – distorção / manter – manutenção / contorcer –
6) Nas formas dos verbos pôr e querer, bem como em seus contorção.
derivados.
Exemplos: pus, pôs, pusemos, puseram, pusera, pusesse, 3) Emprega-se o X: em casos que a letra X soa como Ss.
puséssemos, quis, quisemos, quiseram, quiser, quisera, Exemplos: auxílio, expectativa, experto, extroversão, sexta,
quiséssemos, repus, repusera, repusesse, repuséssemos. sintaxe, texto, trouxe.

7) Em nomes próprios personativos. 4) Emprega-se Sc: nos termos eruditos.


Exemplos: Baltasar, Heloísa, Inês, Isabel, Luís, Luísa, Exemplos: acréscimo, ascensorista, consciência, descender,
Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás. discente, fascículo, fascínio, imprescindível, miscigenação,
miscível, plebiscito, rescisão, seiscentos, transcender, etc.

Língua Portuguesa 59
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

5) Emprega-se Sç: na conjugação de alguns verbos. 1) Inicial, quando etimológico.


Exemplos: nascer - nasço, nasça / crescer - cresço, cresça / Exemplos: hábito, hesitar, homologar, Horácio.
Descer - desço, desça.
2) Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh, nh.
6) Emprega-se Ss: nos substantivos derivados de verbos Exemplos: flecha, telha, companhia.
terminados em -gredir, -mitir, -ceder e -cutir.
Exemplos: agredir – agressão / demitir – demissão / ceder – 3) Final e inicial, em certas interjeições.
cessão / discutir – discussão/ progredir – progressão / Exemplos: ah!, ih!, eh!, oh!, hem?, hum!, etc.
transmitir – transmissão / exceder – excesso / repercutir –
repercussão. 4) Em compostos unidos por hífen, no início do segundo
elemento, se etimológico.
7) Emprega-se o Xc e o Xs: em dígrafos que soam como Ss. Exemplos: anti-higiênico, pré-histórico, super-homem, etc.
Exemplos: exceção, excêntrico, excedente, excepcional,
exsudar. Observações:
1) No substantivo Bahia, o “h” sobrevive por tradição. Note
Atenção - não se esqueça que uso da letra X apresenta que nos substantivos derivados como baiano, baianada ou
algumas variações. Observe: baianinha ele não é utilizado.
1) O “X” pode representar os seguintes fonemas:
“ch” - xarope, vexame; 2) Os vocábulos erva, Espanha e inverno não possuem a letra
“cs” - axila, nexo; “h” na sua composição. No entanto, seus derivados eruditos
“z” - exame, exílio; sempre são grafados com h, como por exemplo: herbívoro,
“ss” - máximo, próximo; hispânico, hibernal.
“s” - texto, extenso.
Questões
2) Não soa nos grupos internos -xce- e -xci-
Exemplos: excelente, excitar. 01. (FIOCRUZ – Assistente Técnico de Gestão em Saúde
– FIOCRUZ/2016)
Emprego do E O FUTURO NO PASSADO
Se empregará o “E” nas seguintes situações:
1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -oar, -uar 1 Poucas previsões para o futuro feitas no passado se
Exemplos: magoar - magoe, magoes / continuar- continue, realizaram. O mundo se mudava do campo para as cidades, e
continues. era natural que o futuro idealizado então fosse o da cidade
perfeita. Mas o helicóptero não substituiu o automóvel
2) Em palavras formadas com o prefixo ante- (antes, particular e só recentemente começou-se a experimentar
anterior). carros que andam sobre faixas magnéticas nas ruas, liberando
Exemplos: antebraço, antecipar. seus ocupantes para a leitura, o sono ou o amor no banco de
trás. As cidades não se transformaram em laboratórios de
3) Nos seguintes vocábulos: cadeado, confete, disenteria, convívio civilizado, como previam, e sim na maior prova da
empecilho, irrequieto, mexerico, orquídea, etc. impossibilidade da coexistência de desiguais.
2 A ciência trouxe avanços espetaculares nas lides de
Emprego do I guerra, como os bombardeios com precisão cirúrgica que não
Se empregará o “I” nas seguintes situações: poupam civis, mas não trouxe a democratização da
1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -air, -oer, -uir. prosperidade antevista. Mágicas novas como o cinema
Exemplos: prometiam ultrapassar os limites da imaginação.
Cair- cai Ultrapassaram, mas para o território da banalidade
Doer- dói espetaculosa. A TV foi prevista, e a energia nuclear intuída,
Influir- influi mas a revolução da informática não foi nem sonhada. As
revoluções na medicina foram notáveis, certo, mas a
2) Em palavras formadas com o prefixo anti- (contra). prevenção do câncer ainda não foi descoberta. Pensando bem,
Exemplos: anticristo, antitetânico. nem a do resfriado. A comida em pílulas não veio - se bem que
a nouvelle cuisine chegou perto. Até a colonização do espaço,
3) Nos seguintes vocábulos: aborígine, artimanha, chefiar, como previam os roteiristas do “Flash Gordon”, está atrasada.
digladiar, penicilina, privilégio, etc. Mal chegamos a Marte, só para descobrir que é um imenso
terreno baldio. E os profetas da felicidade universal não
Emprego do O/U contavam com uma coisa: o lixo produzido pela sua visão.
A oposição o/u é responsável pela diferença de significado Nenhuma previsão incluía a poluição e o aquecimento global.
de algumas palavras. Veja os exemplos: comprimento 3 Mas assim como os videntes otimistas falharam, talvez o
(extensão) e cumprimento (saudação, realização) soar (emitir pessimismo de hoje divirta nossos bisnetos. Eles certamente
som) e suar (transpirar). falarão da Aids, por exemplo, como nós hoje falamos da gripe
- Grafam-se com a letra “O”: bolacha, bússola, costume, espanhola. A ciência e a técnica ainda nos surpreenderão.
moleque. Estamos na pré-história da energia magnética e por fusão
- Grafam-se com a letra “U”: camundongo, jabuti, Manuel, nuclear fria.
tábua. 4 É verdade que cada salto da ciência corresponderá a um
passo atrás, rumo ao irracional. Quanto mais perto a ciência
Emprego do H chegar das últimas revelações do Universo, mais as pessoas
Esta letra, em início ou fim de palavras, não tem valor procurarão respostas no misticismo e refúgio no tribal. E
fonético. Conservou-se apenas como símbolo, por força da quanto mais a ciência avança por caminhos nunca antes
etimologia e da tradição escrita. A palavra hoje, por exemplo, sonhados, mais leigo fica o leigo. A volta ao irracional é a birra
grafa-se desta forma devido a sua origem na forma latina hodie. do leigo.
Assim vejamos o seu emprego: (VERÍSSIMO. L. F. O Globo. 24/07/2016, p. 15.)

Língua Portuguesa 60
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

“e era natural que o futuro IDEALIZADO então fosse o da Tal como ocorre com “interpretaÇÃO ” e “dissimulaÇÃO”,
cidade perfeita.” (1º §) O vocábulo em destaque no trecho grafa-se com “ç” o sufixo de ambas as palavras arroladas em:
acima grafa-se com a letra Z, em conformidade com a norma (A) apreenção do menor - sanção legal.
de emprego do sufixo–izar. (B) detenção do infrator - ascenção ao posto.
(C) presunção de culpa - coerção penal.
Das opções abaixo, aquela em que um dos vocábulos está (D) interceção do juiz - contenção do distúrbio.
INCORRETAMENTE grafado por não se enquadrar nessa (E) submição à lei - indução ao crime.
norma é:
(A) alcoolizado / barbarizar / burocratizar. 04. (UFAM – Auxiliar em Administração – COMVEST-
(B) catalizar / abalizado / amenizar. UFAM/2016) Foi na minha última viagem ao Perú que entrei
(C) catequizar / cauterizado / climatizar. em uma baiúca muito agradável. Apesar de simples, era bem
(D) contemporizado / corporizar / cretinizar frequentada. Isso podia ser constatado pelas assinaturas (ou
(E) esterilizar / estigmatizado / estilizar. simples rúbricas) dispostas em quadros afixados nas paredes
do estabelecimento, algumas delas de pessoas famosas. Insisti
02. (Pref. De Biguaçu/SC – Professor III – Inglês/2016) com o garçom para também colocar a minha assinatura,
De acordo com a Língua Portuguesa culta, assinale a registrando ali a minha presença. No final, o ônus foi pesado: a
alternativa cujas palavras seguem as regras de ortografia: conta veio muito salgada. Tudo seria perfeito se o tempo ali
(A) Preciso contratar um eletrecista e um encanador para passado, por algum milagre, tivesse sido gratuíto.
o final da tarde.
(B) O trabalho voluntário continua sendo feito Assinale a alternativa que apresenta palavra em que a
prazerosamente pelos alunos. acentuação está CORRETA, de acordo com a Reforma
(C) Ainda não foram atendidas as reinvindicações dos Ortográfica em vigor:
professores em greve. (A) gratuíto
(D) Na lista de compras, é preciso descriminar melhor os (B) Perú
produtos em falta. (C) ônus
(E) Passou bastante desapercebido o caso envolvendo um (D) rúbricas
juiz federal. (E) baiúca

03. (PC/PA – Escrivão de Polícia Civil – FUNCAB/2016) 05. (Pref. De Quixadá/CE – Agente de Combate às
Dificilmente, em uma ciência-arte como a Psicologia- Endemias – Serctam/2016) Marque a opção em
Psiquiatria, há algo que se possa asseverar com 100% de que TODOS os vocábulos se completam com a letra “s”:
certeza. Isso porque há áreas bastante interpretativas, sujeitas (A) pesqui__a, ga__olina, ali__erce.
a leituras diversas, a depender do observador e do observado. (B) e__ótico, talve__, ala__ão.
Porém, existe um fato na Psicologia-Psiquiatria forense que é (C) atrá__, preten__ão, atra__o.
100% de certeza e não está sujeito a interpretação ou a (D) bati__ar, bu__ina, pra__o.
dissimulação por parte de quem está a ser examinado. E (E) valori__ar, avestru__, Mastru__.
revela, objetivamente, dados do psiquismo da pessoa ou, em
outras palavras, mostra características comportamentais Gabarito
indissimuláveis, claras e objetivas. O que pode ser tão exato,
em matéria de Psicologia-Psiquiatria, que não admite 01.B / 02.B / 03.C / 04.C / 05.C
variáveis? Resposta: todos os crimes, sem exceção, são como
fotografias exatas e em cores do comportamento do indivíduo. Emprego das Iniciais Maiúsculas e Minúsculas
E como o psiquismo é responsável pelo modo de agir, por
conseguinte, tem os em todos os crimes, obrigatoriamente e Inicial Maiúscula
sempre, elementos objetivos da mente de quem os praticou. Utiliza-se inicial maiúscula nos seguintes casos:
Por exemplo, o delito foi cometido com multiplicidade de 1) No começo de um período, verso ou citação direta.
golpes, com ferocidade na execução, não houve ocultação de
cadáver, não se verifica cúmplice, premeditação etc. Registre- Disse o Padre Antônio Vieira: “Estar com Cristo em qualquer
se que esses dados já aconteceram. Portanto, são insimuláveis, lugar, ainda que seja no inferno, é estar no Paraíso.”
100% objetivos. Basta juntar essas características
comportamentais que teremos algo do psiquismo de quem o “Auriverde pendão de minha terra,
praticou. Nesse caso específico, infere-se que a pessoa é Que a brisa do Brasil beija e balança,
explosiva, impulsiva e sem freios, provável portadora de Estandarte que à luz do sol encerra
algum transtorno ligado à disritmia psicocerebral, algum As promessas divinas da Esperança…”
estreitamento de consciência, no qual o sentimento invadiu o (Castro Alves)
pensamento e determinou a conduta.
Em outro exemplo, temos homicídio praticado com um só 2) Nos antropônimos, reais ou fictícios.
golpe, premeditado, com ocultação de cadáver, concurso de Exemplos: Pedro Silva, Cinderela, D. Quixote.
cúmplice etc. Nesse caso, os dados apontam para o lado do
criminoso comum, que entendia o que fazia. 3) Nos topônimos, reais ou fictícios.
Claro que não é possível, apenas pela morfologia do crime, Exemplos: Rio de Janeiro, Rússia, Macondo.
saber-se tudo do diagnóstico do criminoso. Mas, por outro
lado, é na maneira como o delito foi praticado que se 4) Nos nomes mitológicos.
encontram características 100% seguras da mente de quem o Exemplos: Dionísio, Netuno.
praticou, a evidenciar fatos, tal qual a imagem fotográfica
revela-nos exatamente algo, seja muito ou pouco, do momento 5) Nos nomes de festas e festividades.
em que foi registrada. Em suma, a forma como as coisas foram Exemplos: Natal, Páscoa, Ramadã.
feitas revela muito da pessoa que as fez.
PALOMBA, Guido Arturo. Rev. Psique: n° 100 (ed. comemorativa), p. 82. 6) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais.
Exemplos: ONU, Sr., V. Ex.ª.

Língua Portuguesa 61
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

7) Nos nomes que designam altos conceitos religiosos, História do Brasil ou história do Brasil
políticos ou nacionalistas. Arquitetura ou arquitetura
Exemplos: Igreja (Católica, Apostólica, Romana), Estado,
Nação, Pátria, União, etc. Questões

Observação: esses nomes escrevem-se com inicial 01. (Câmara de Maringá/PR – Assistente Legislativo
minúscula quando são empregados em sentido geral ou – Instituto)
indeterminado.
Exemplo: Todos amam sua pátria. Longe é um lugar que existe?

Emprego Facultativo da Letra Maiúscula Voamos algum tempo em silêncio, até que finalmente ele
1) No início dos versos que não abrem período, é facultativo disse: "Não entendo muito bem o que você falou, mas o que
o uso da letra maiúscula, como por exemplo: menos entendo é o fato de estar indo a uma festa."
— Claro que estou indo à festa. — respondi. — O que há de
“Aqui, sim, no meu cantinho, tão difícil de se compreender nisso?
vendo rir-me o candeeiro, Enfim, sem nunca atingir o fim, imaginando-se uma
gozo o bem de estar sozinho Gaivota sobrevoando o mar, viajar é sentir-se ainda mais
e esquecer o mundo inteiro.” pássaro livre tocado pelas lufadas de vento, contraponto, de
uma ave mirrada de asas partidas numa gaiola lacrada,
2) Nos nomes de logradouros públicos, templos e edifícios. sobrevivendo apenas de alpiste da melhor qualidade e água
Exemplos: Rua da Liberdade ou rua da Liberdade / Igreja do filtrada. Ou ainda, pássaros presos na ambivalência
Rosário ou igreja do Rosário / Edifício Azevedo ou edifício existencial... fadado ao fracasso ou ao sucesso... ao ser livre ou
Azevedo. viver presos em suas próprias armadilhas...
Fica sob sua escolha e risco, a liberdade para voar os ventos
Inicial Minúscula ascendentes; que pássaro quer ser; que lugares quer
Utiliza-se inicial minúscula nos seguintes casos: sobrevoar; que viagem ao inusitado mais lhe compraz. Por
1) Em todos os vocábulos correntes da língua portuguesa. mais e mais, qual a serventia dessas asas enormes, herança
Exemplos: carro, flor, boneca, menino, porta, etc. genética de seus pais e que lhe confere enorme envergadura?
Diga para quê serve? Ao primeiro sinal de perigo, debique e
2) Depois de dois-pontos, não se tratando de citação direta, pouse na cerca mais próxima. Ora, não venha com desculpas
usa-se letra minúscula. esfarrapadas e vamos dona Gaivota, espante a preguiça, bata
Exemplo: “Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: as asas e saia do ninho! Não tenha medo de voar. Pois, como é
ouro, incenso, mirra.” (Manuel Bandeira) de conhecimento dos "Mestres dos ares e da Terra", longe é um
lugar que não existe para quem voa rente ao céu e viaja léguas
3) Nos nomes de meses, estações do ano e dias da semana. e mais léguas de distância com a mochila nas costas, olhar no
Exemplos: janeiro, julho, dezembro, etc. / segunda, sexta, horizonte e os pés socados em terra firme.
domingo, etc. / primavera, verão, outono, inverno. Longe é a porta de entrada do lugar que não existe? Não
deve ser, não; pois as Gaivotas sacodem a poeira das asas,
4) Nos pontos cardeais. limpam os resquícios de alimentos dos bicos e batem o toc-toc
Exemplos: “Percorri o país de norte a sul e de leste a oeste.” lá.
/ “Estes são os pontos colaterais: nordeste, noroeste, sudeste, <http://www.recantodasletras.com.br/contosdefantasia/6031227>
sudoeste.”
O uso do termo “Gaivota” sempre com letra maiúscula ao
Observação: quando empregados em sua forma absoluta, longo do texto se deve ao fato de que
os pontos cardeais são grafados com letra maiúscula. (A) o autor busca, com isso, fazer uma conexão mais
Exemplos: Nordeste (região do Brasil) / Ocidente (europeu) próxima entre o leitor e o animal.
/Oriente (asiático). (B) o autor quis dar destaque ao termo, apesar de não
haver importância da referência ao animal para o texto.
Emprego Facultativo da Letra Minúscula (C) há uma mudança no texto, em que, no início, as
1) Nos vocábulos que compõem uma citação bibliográfica. personagens eram duas pessoas e, a partir do segundo
Exemplos: parágrafo, é uma gaivota.
Crime e Castigo ou Crime e castigo (D) o texto faz uma reflexão sobre a ação humana de viajar,
Grande Sertão: Veredas ou Grande sertão: veredas porém comparando os seres humanos com gaivotas.
Em Busca do Tempo Perdido ou Em busca do tempo perdido (E) o autor utiliza o termo “Gaivota” como símbolo de
imponência, o que se relaciona à forma como os seres
2) Nas formas de tratamento e reverência, bem como em humanos são tratados no texto.
nomes sagrados e que designam crenças religiosas.
Exemplos: 02. (MGS – Todos os Cargos de Nível Fundamental
Governador Mário Covas ou governador Mário Covas Completo – IBFC/2017)
Papa João Paulo II ou papa João Paulo II
Excelentíssimo Senhor Reitor ou excelentíssimo senhor Estranhas Gentilezas
reitor (Ivan Angelo)
Santa Maria ou santa Maria
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as
c) Nos nomes que designam domínios de saber, cursos e pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.
disciplinas. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos
Exemplos: ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de
Português ou português espera, nos embates familiares, e depois economizam com a
Línguas e Literaturas Modernas ou línguas e literaturas gente.
modernas

Língua Portuguesa 62
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns Acerca de: Falávamos acerca de uma solução melhor. (a
dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já respeito de)
captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de Há cerca de: Há cerca de dias resolvemos este caso. (faz
asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo tempo)
estranho tomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um
vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o Ao encontro de: Sua atitude vai ao encontro da verdade.
engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e (estar a favor de)
que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a De encontro a: Minhas opiniões vão de encontro às suas.
amizade, mas a inimizade morria ali. (oposição, choque)
Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de
algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em A fim de: Vou a fim de visitá-la. (finalidade)
meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até Afim: Somos almas afins. (igual, semelhante)
pessoas distantes. E as próximas?
Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem Ao invés de: Ao invés de falar começou a chorar. (oposição,
motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que ao contrário de)
estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um Em vez de: Em vez de acompanhar-me, ficou só. (no lugar
número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com de)
acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem
transitáveis nas ruas dos Jardins1. Num restaurante caro, o A par: Estamos a par das boas notícias. (bem informado,
maître2, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos ciente)
à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um Ao par: O dólar e o euro estão ao par. (de igualdade ou
homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me equivalência entre valores financeiros – câmbio)
cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca
na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal Aprender: O menino aprendeu a lição. (tomar
chegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite. conhecimento de)
[...] Apreender: O fiscal apreendeu a carteirinha do menino.
Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é (prender)
este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
Aguardo, meio apreensivo, meio feliz. Baixar: os preços quando não há objeto direto; os preços
Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, funcionam como sujeito: Baixaram os preços (sujeito) nos
desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em supermercados. Vamos comemorar, pessoal!
cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de Abaixar: os preços empregado com objeto direto: Os postos
entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam (sujeito) de combustível abaixaram os preços (objeto direto)
meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher, da gasolina.
saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando
a vida entre bólidos3 , um caminhão joga-me água suja de uma Bebedor: Tornei-me um grande bebedor de vinho. (pessoa
poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no que bebe)
apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a Bebedouro: Este bebedouro está funcionando bem.
sonhar com gentilezas. (aparelho que fornece água)

Vocabulário: Bem-Vindo: Você é sempre bem-vindo aqui, jovem.


1 bairro Jardim Paulista, um dos mais requintados de São (adjetivo composto)
Paulo Benvindo: Benvindo é meu colega de classe. (nome
2 funcionário que coordena agendamentos entre outras próprio)
coisas nos restaurantes
3 carros muito velozes Câmara: Ficaram todos reunidos na Câmara Municipal.
(local de trabalho)
Em “nas ruas dos Jardins1" (4º§), a palavra em destaque Câmera: Comprei uma câmera japonesa. (aparelho que
foi escrita com letra maiúscula por se tratar de: fotografa)
(A) um erro de grafia.
(B) um destaque do autor Champanha/Champanhe (do francês): O
(C) um substantivo próprio. champanha/champanhe está bem gelado.
(D) um substantivo coletivo.
Cessão: Foi confirmada a cessão do terreno. (ato de doar)
Gabarito Sessão: A sessão do filme durou duas horas. (intervalo de
01.D / 02.C tempo)
Seção/Secção: Visitei hoje a seção de esportes. (repartição
Palavras ou Expressões que geram dificuldades pública, departamento)

Algumas palavras ou expressões costumam apresentar Demais: Vocês falam demais, caras! (advérbio de
dificuldades colocando em maus lençóis quem pretende falar intensidade)
ou redigir português culto. Esta é uma oportunidade para você Demais: Chamaram mais dez candidatos, os demais devem
aperfeiçoar seu desempenho. Preste atenção e tente aguardar. (equivale a “os outros”)
incorporar tais palavras certas em situações apropriadas. De mais: Não vejo nada de mais em sua decisão. (opõe-se a
“de menos”)
A anos: Daqui a um ano iremos à Europa. (a indica tempo
futuro) Descriminar: O réu foi descriminado; pra sorte dele.
Há anos: Não o vejo há meses. (há indica tempo passado) (inocentar, absolver de crime)
Atenção: Há muito tempo já indica passado. Não há Discriminar: Era impossível discriminar os caracteres do
necessidade de usar atrás, isto é um pleonasmo. documento. (diferençar, distinguir, separar)

Língua Portuguesa 63
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Descrição: A descrição sobre o jogador foi perfeita. Questão


(descrever)
Discrição: Você foi muito discreto. (reservado) 01. (TCM/RJ – Técnico de Controle Externo –
IBFC/2016) Analise as afirmativas abaixo, dê valores
Entrega em domicílio: Fiz a entrega em domicílio. (lugar) Verdadeiro (V) ou Falso (F) quanto ao emprego do acento
Entrega a domicílio: Enviou as compras a domicílio. (com circunflexo estabelecido pelo Novo Acordo Ortográfico.
verbos de movimento) ( ) O acento permanece na grafia de 'pôde' (o verbo
conjugado no passado) para diferenciá-la de 'pode' (o verbo
Espectador: Os espectadores se fartaram da apresentação. conjugado no presente).
(aquele que vê, assiste) ( ) O acento circunflexo de 'pôr' (verbo) cai e a palavra terá
Expectador: O expectador aguardava o momento da a mesma grafia de 'por' (preposição), diferenciando-se pelo
chamada. (que espera alguma coisa) contexto de uso.
( ) a queda do acento na conjugação da terceira pessoa do
Estada: A estada dela aqui foi gratificante. (tempo em algum plural do presente do indicativo dos verbos crer, dar, ler, ter,
lugar) vir e seus derivados.
Estadia: A estadia do carro foi prolongada por mais
algumas semanas. (prazo concedido para carga e descarga) Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de
cima para baixo.
Fosforescente: Este material é fosforescente. (que brilha (A) V F F
no escuro) (B) F V F
Fluorescente: A luz branca do carro era fluorescente. (C) F F V
(determinado tipo de luminosidade) (D) F V V

Haja: É preciso que não haja descuido. (verbo haver – 1ª 02. (Detran/CE – Vistoriador – UCE-CEV/2018) Na frase
pessoa singular do presente do subjuntivo) “... as penalidades são as previstas pelo bom senso...”, a palavra
Aja: Aja com cuidado, Carlinhos. (verbo agir – 1ª pessoa destacada é homônima de censo. Assinale a opção em que o
singular do presente do subjuntivo) emprego dos homônimos destacados está adequado.
(A) O reitor da faculdade solicitou que todos os
Houve: Houve um grande incêndio no centro de São funcionários participassem do censo anual para verificar
Paulo. (verbo haver - 3ª pessoa do singular do pretérito quem realmente está na ativa.
perfeito) (B) Foi pedido para que todos os motoristas respondessem
Ouve: A mãe disse: ninguém me ouve. (verbo ouvir - 3ª ao senso, a fim de se obter o número real de carros no pátio da
pessoa singular do presente do indicativo) universidade.
(C) Os infratores são penalizados com a “multa moral” por
Mal: Dormi mal. (oposto de bem) não demonstrarem censo crítico.
Mau: Você é um mau exemplo. (oposto de bom) (D) Se o infrator tiver censo, saberá o que dizer na hora da
punição.
Mas: Telefonei-lhe mas ela não atendeu. (ideia contrária)
Mais: Há mais flores perfumadas no campo. (opõe-se a Gabarito
menos)
01.A / 02.A
Nem um: Nem um filho de Deus apareceu para ajudá-la.
(equivale a nem um sequer) Emprego do Porquê
Nenhum: Nenhum jornal divulgou o resultado do concurso.
(oposto de algum) Orações Interrogativas Exemplo:
(pode ser substituído Por que devemos nos
Onde: Onde fica a farmácia mais próxima? (lugar em que se por: por qual motivo, por preocupar com o meio
está) qual razão) ambiente?
Aonde: Aonde vão com tanta pressa? (ideia de movimento) Por
Que
Exemplo:
Por ora: Por ora chega de trabalhar. (por este momento) Equivalendo a “pelo Os motivos por que não
Por hora: Você deve cobrar por hora. (cada sessenta qual” respondeu são
minutos) desconhecidos.

Senão: Não fazia coisa nenhuma senão criticar. (caso Exemplos:


contrário) Você ainda tem coragem de
Se não: Se não houver homens honestos, o país não sairá Por Final de frases e seguidos
perguntar por quê?
desta situação crítica. (se por acaso não) Quê de pontuação
Você não vai? Por quê?
Não sei por quê!
Tampouco: Não compareceu, tampouco apresentou
qualquer justificativa. (Também não) Exemplos:
A situação agravou-se porque
Tão pouco: Encontramo-nos tão pouco esta semana. Conjunção que indica
ninguém reclamou.
(intensidade) explicação ou causa
Ninguém mais o espera,
Porque porque ele sempre se atrasa.
Trás ou Atrás: O menino estava atrás da árvore. (lugar)
Traz: Ele traz consigo muita felicidade. (verbo trazer) Conjunção de Finalidade Exemplos:
– equivale a “para que”, Não julgues porque não te
Vultoso: Fizemos um trabalho vultoso aqui. (volumoso) “a fim de que”. julguem.
Vultuoso: Sua face está vultuosa e deformada. (congestão
no rosto)

Língua Portuguesa 64
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Exemplos:
(C) Qual o porquê de sentirmos calafrios?
Função de substantivo – (D) Sentimos calafrios porque precisamos defender nossa
Não é fácil encontrar o
vem acompanhado de audição.
Porquê porquê de toda confusão.
artigo ou pronome (E) Sentimos calafrios por quê?
Dê-me um porquê de sua
saída.
Gabarito
1. Por que (pergunta);
2. Porque (resposta); 01.D / 02.B
3. Por quê (fim de frase: motivo);
4. O Porquê (substantivo).
Acentuação gráfica.
Questões

01. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - VUNESP)


Que mexer o esqueleto é bom para a saúde já virou até ACENTUAÇÃO
sabedoria popular. Agora, estudo levanta hipóteses sobre
........................ praticar atividade física..........................benefícios Acentuação Tônica
para a totalidade do corpo. Os resultados podem levar a novas
terapias para reabilitar músculos contundidos ou mesmo para Implica na intensidade com que são pronunciadas as
.......................... e restaurar a perda muscular que ocorre com o sílabas das palavras. Aquela que se dá de forma mais
avanço da idade. acentuada, conceitua-se como sílaba tônica. As demais, como
(Ciência Hoje, março de 2012) são pronunciadas com menos intensidade, são denominadas
de átonas.
As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e res- De acordo com a tonicidade, as palavras são classificadas
pectivamente, com: como oxítona, paroxítona e proparoxítonas, independente de
(A) porque … trás … previnir levar acento gráfico:
(B) porque … traz … previnir
(C) porquê … tras … previnir Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a
(D) por que … traz … prevenir última sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel
(E) por quê … tráz … prevenir
Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica se
02. Pref. de Salvador/BA - Técnico de Nível Médio II – evidencia na penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque –
FGV/2017) retrato – passível

Por que sentimos calafrios e desconforto ao ouvir certos Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tônica se
sons agudos – como unhas arranhando um quadro-negro? evidencia na antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara –
tímpano – médico – ônibus
Esta é uma reação instintiva para protegermos nossa
audição. A cóclea (parte interna do ouvido) tem uma Como podemos observar, mediante todos os exemplos
membrana que vibra de acordo com as frequências sonoras mencionados, os vocábulos possuem mais de uma sílaba, mas
que ali chegam. A parte mais próxima ao exterior está ligada à em nossa língua existem aqueles com uma sílaba somente, no
audição de sons agudos; a região mediana é responsável pela qual são os chamados de monossílabos, que quando
audição de sons de frequência média; e a porção mais final, por pronunciados apresentam certa diferenciação quanto à
sons graves. As células da parte inicial, mais delicadas e frágeis, intensidade.
são facilmente destruídas – razão por que, ao envelhecermos, Tal diferenciação só é percebida quando os pronunciamos
perdemos a capacidade de ouvir sons agudos. Quando em uma dada sequência de palavras. Assim como podemos
frequências muito agudas chegam a essa parte da membrana, observar no exemplo a seguir:
as células podem ser danificadas, pois, quanto mais alta a
frequência, mais energia tem seu movimento ondulatório. Isso, “Sei que não vai dar em nada, seus segredos sei de cor.”
em parte, explica nossa aversão a determinados sons agudos,
mas não a todos. Afinal, geralmente não sentimos calafrios ou Os monossílabos em destaque classificam-se como
uma sensação ruim ao ouvirmos uma música com notas tônicos; os demais, como átonos (que, em e de).
agudas.
Acentos Gráficos
Aí podemos acrescentar outro fator. Uma nota de violão
tem um número limitado e pequeno de frequências – Acento agudo (´) – colocado sobre as letras “a”, “i”, “u” e
formando um som mais “limpo”. Já no espectro de som sobre o “e” do grupo “em” - indica que estas letras representam
proveniente de unhas arranhando um quadro-negro (ou de as vogais tônicas de palavras como Amapá, caí, público,
atrito entre isopores ou entre duas bexigas de ar) há um parabéns.
número infinito delas. Assim, as células vibram de acordo com
muitas frequências e aquelas presentes na parte inicial da Acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”, “e”
cóclea, por serem mais frágeis, são lesadas com mais e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado. Ex.: tâmara –
facilidade. Daí a sensação de aversão a esse sons agudos e Atlântico – pêssego – supôs
“crus”.
Ronald Ranvaud, Ciência Hoje, nº 282. Acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com
artigos e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles
Assinale a frase em que a grafia do vocábulo sublinhado
está equivocada. Trema)¨( – de acordo com a nova regra, foi totalmente
(A) Por que sentimos calafrios? abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado em palavras
(B) A razão porque sentimos calafrios é conhecida.

Língua Portuguesa 65
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

derivadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.: mülleriano (de Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quando
Müller) seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z: Ra-ul, ru-im, con-
tri-bu-in-te, sa-ir, ju-iz
Til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vogais
nasais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se estiverem
seguidas do dígrafo nh: ra-i-nha, ven-to-i-nha.
Regras Fundamentais
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem
Palavras oxítonas - acentuam-se todas as oxítonas precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do plural(s):
Pará – café(s) – cipó(s) – armazém(s). As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz,
com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”
Essa regra também é aplicada aos seguintes casos: não serão mais acentuadas. Ex.:

Monossílabos tônicos - terminados em “a”, “e”, “o”, Antes Agora


seguidos ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há apazigúe (apaziguar) apazigue
argúi (arguir) argui
Formas verbais - terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
seguidas de lo, la, los, las. Ex.: respeitá-lo – percebê-lo – compô- O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi abolido.
lo Ex.:
Antes Agora
Paroxítonas - acentuam-se as palavras paroxítonas crêem creem
terminadas em: vôo voo
- i, is
táxi – lápis – júri - Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos
- us, um, uns que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais
vírus – álbuns – fórum acento como antes: CRER, DAR, LER e VER.
- l, n, r, x, ps
automóvel – elétron - cadáver – tórax – fórceps Repare:
- ã, ãs, ão, ãos 1) O menino crê em você
ímã – ímãs – órfão – órgãos Os meninos creem em você.
2) Elza lê bem!
Dica: Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que essa Todas leem bem!
palavra apresenta as terminações das paroxítonas que são 3) Espero que ele dê o recado à sala.
acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará Esperamos que os dados deem efeito!
mais fácil a memorização! 4) Rubens vê tudo!
Eles veem tudo!
- ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de
“s”. Ex.: água – pônei – mágoa – jóquei Cuidado! Há o verbo vir:
Ele vem à tarde!
Regras Especiais Eles vêm à tarde!

Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa do
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento de plural de:
acordo com a nova regra, mas desde que estejam em palavras ele tem – eles têm
paroxítonas. ele vem – eles vêm (verbo vir)
Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma
palavra oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são A regra prevalece também para os verbos conter, obter,
acentuados. Mas caso não forem ditongos perdem o acento. reter, deter, abster.
Ex.: ele contém – eles contêm
ele obtém – eles obtêm
Antes Agora
ele retém – eles retêm
assembléia assembleia
ele convém – eles convêm
idéia ideia
jibóia jiboia
Não se acentuam mais as palavras homógrafas que antes
apóia (verbo apoiar) apoia
eram acentuadas para diferenciá-las de outras semelhantes
(regra do acento diferencial). Apenas em algumas exceções,
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos,
como:
acompanhados ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca
Pôde (terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do
– baú – país – Luís
indicativo).
Pode (terceira pessoa do singular do presente do
Observação importante: Não serão mais acentuados “i” e
indicativo). Ex.:
“u” tônicos, formando hiato quando vierem depois de
Ela pode fazer isso agora.
ditongo. Ex.:
Elvis não pôde participar porque sua mãe não deixou.
Antes Agora
O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da
bocaiúva bocaiuva
preposição por. Ex.:
feiúra feiura
Faço isso por você.
Posso pôr (colocar) meus livros aqui?

Língua Portuguesa 66
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Questões

01. “Cadáver” é paroxítona, pois:


(A) Tem a última sílaba como tônica.
(B) Tem a penúltima sílaba como tônica.
(C) Tem a antepenúltima sílaba como tônica.
(D) Não tem sílaba tônica.

02. Indique a alternativa em que todas as palavras devem


receber acento.
(A) virus, torax, ma.
(B) caju, paleto, miosotis.
(C) refem, rainha, orgão.
(D) papeis, ideia, latex.
(E) lotus, juiz, virus.

03. Em “O resultado da experiência foi, literalmente,


aterrador.” a palavra destacada encontra-se acentuada pelo
mesmo motivo que:
(A) túnel
(B) voluntário
(C) até
(D) insólito
(E) rótulos

04. Analise atentamente a presença ou a ausência de


acento gráfico nas palavras abaixo e indique a alternativa em
que não há erro:
(A) ruím - termômetro - táxi – talvez.
(B) flôres - econômia - biquíni - globo.
(C) bambu - através - sozinho - juiz
(D) econômico - gíz - juízes - cajú.
(E) portuguêses - princesa - faísca.

05. Todas as palavras abaixo são hiatos, EXCETO:


(A) saúde
(B) cooperar
(C) ruim
(D) creem
(E) pouco

Gabarito
1.B / 2.A / 3.B / 4.C / 5.E

Anotações

Língua Portuguesa 67
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Língua Portuguesa 68
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS

Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

intenção interventiva, intencionando mudar situações


individuais ou sociais previamente dadas. Implica uma eficácia
construtiva e realiza-se numa necessária historicidade e num
contexto social. Tal prática é constituída de ações mediante as
quais os agentes pretendem atingir determinados fins
relacionados com eles próprios, ações que visam provocar
transformações nas pessoas e na sociedade, ações marcadas
por finalidades buscadas intencionalmente. Pouco importa
que essas finalidades sejam eivadas de ilusões, de ideologias
ou de alienações de todo tipo: de qualquer maneira são ações
Fundamentos da Educação intencionalizadas das quais a mera descrição objetivada
obtida mediante os métodos positivos de pesquisa não
consegue dar conta da integralidade de sua significação. O lado
visível do agir educacional dos homens fica profundamente
Fundamentos sócio históricos e Políticos da Educação1
marcado por essa construtividade e historicidade da prática
humana e, como tal, escapa da normatividade nomotética e de
A constituição histórico-antropológica da espécie, foi se
qualquer outra forma de necessidade, seja ela lógica, seja
dando inicialmente, de forma quase que instintiva,
biológica, física ou mesmo social, se tomado este último
prevalecendo o processo de imitação dos indivíduos adultos
aspecto como elemento de pura objetividade. Os fenômenos de
pelos indivíduos jovens, nos mais diferentes contextos
natureza política e educacional não se determinam por pura
pessoais e grupais que tecem a malha da existência humana.
mecanicidade, ou melhor, só a posteriori ganham objetividade
No entanto, com a ‘complexificação’ da vida social, foram
mecânica, transitiva, mas, a essa altura, já perderam sua
implementadas práticas sistemáticas e intencionais
significação especificamente humana. É que eles se dão num
destinadas a cuidar especificamente desse processo,
fluxo de construtividade histórica, construção está
instaurando-se então instituições especializadas encarregadas
referenciada a intenções e finalidades que comprometem toda
de atuar de modo formal e explícito na inserção dos novos
a logicidade nomotética de seu eventual conhecimento.
membros no tecido sociocultural. Nasceram então as escolas.
O caráter práxico da educação, ou seja, sua condição de
A formalização cada vez maior da interação educativa
prática intencionalizada, faz com que ela fique vinculada a
decorre da própria natureza da atividade humana, que é
significações que não são da ordem da fenomenalidade
sempre intencionalmente planejada, sempre vinculada a uma
empírica dessa existência e que devem ser levadas em conta
finalidade. Desse modo, todos os agrupamentos sociais,
em qualquer análise que se pretenda fazer dela, exigindo
quanto mais se tornaram complexos, mais desenvolveram
diferenciações epistemológicas que interferem em seu perfil
práticas formais de educação, institucionalizando-as
cognoscitivo. Educação é prática histórico-social, cujo
sistematicamente.
norteamento não se fará de maneira técnica, conforme ocorre
Desde sua gênese mais arcaica, essa inserção sociocultural
nas esferas da manipulação do mundo natural, como, por
envolve sempre uma significação valorativa, ainda que o mais
exemplo, naquelas da engenharia e da medicina.
das vezes implícita nos padrões comportamentais do grupo e
inconsciente para os indivíduos envolvidos, pois se trata de um
No seu relacionamento com o universo simbólico da
compartilhamento subjetivamente vivenciado de sentidos e
existência humana, a prática educativa revela-se, em sua
valores. A cultura, como conjunto de signos objetivados, só é
essencialidade, como modalidade técnica e política de
apropriada mediante um intenso processo de subjetivação.
expressão desse universo, e como investimento formativo em
O existir histórico dos homens realiza-se objetivamente
todas as outras modalidades de práticas. Como modalidade de
nas circunstâncias dadas pelo mundo material (a natureza
trabalho, atividade técnica, essa prática é estritamente
física) e pelo mundo social (a sociedade e a cultura) como
cultural, uma vez que se realiza mediante o uso de ferramentas
referências externas de sua vida. No entanto, essa condição
simbólicas. Desse modo, é como prática cultural que a
objetiva de seu existir concreto está intimamente articulada à
educação se faz mediadora da prática produtiva e da prática
vivência subjetiva, esfera constituída de diferentes e
política, ao mesmo tempo que responde também pela
complexas expressões de seus sentimentos, sensibilidades,
produção cultural. É servindo-se de seus elementos de
consciência, memória, imaginação.
subjetividade que a prática educativa prepara para o mundo
Esses processos colocam em cena a intervenção subjetiva
do trabalho e para a vida social2. Os recursos simbólicos de que
dos homens no fluxo de suas práticas reais, marcando-as
se serve, em sua condição de prática cultural, são aqueles
intensamente. Mas, ao mesmo tempo, as referências objetivas
constituídos pelo próprio exercício da subjetividade, em seu
condicionantes da existência atuam fortemente na gestação,
sentido mais abrangente, sob duas modalidades mais
na formação e na configuração dessa vivência. Daí falar-se do
destacadas: a produção de conceitos e a vivência de valores.
processo de subjetivação, modo pelo qual as pessoas
Conceitos e valores são as referências básicas para a
constituem e vivenciam sua própria subjetividade.
intencionalização do agir humano, em toda a sua abrangência.
A percepção dos valores integra esse processo tanto
O conhecimento é a ferramenta fundamental de que o homem
quanto a intelecção lógica dos conceitos. Esse processo de
dispõe para dar referências à condução de sua existência
subjetivação é que permite aos homens atribuir significações
histórica. Tais referências se fazem necessárias para a prática
aos dados e situações de sua experiência do real, o que eles
produtiva, para a política e mesmo para a prática cultural.
fazem sempre de forma plurivalente, pois essa atribuição de
Ser eminentemente prático, o homem tem sua existência
significações não leva a sentidos unívocos, porém, o mais das
definida como um contínuo devir histórico, ao longo do qual
vezes, plurais e mesmo equívocos.
vai construindo seu modo de ser, mediante sua prática. Essa
prática coloca-o em relação com a natureza, mediante as
A educação como prática histórico-social
atividades do trabalho; em relação com seus semelhantes,
Falar de fundamentos éticos e políticos da educação
mediante os processos de sociabilidade; em relação com sua
pressupõe assumi-la na sua condição de prática humana de
própria subjetividade, mediante sua vivência da cultura
caráter interventivo, ou seja, prática marcada por uma

1SEVERINO, A. J. Fundamentos Ético-Políticos da Educação no Brasil De Hoje. 2 SEVERINO, A. J. Educação, Sujeito e História. São Paulo: Olho d’Água, 2001.
Fundamentos da Educação Escolar do Brasil Contemporâneo.

Conhecimentos Pedagógicos 1
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

simbólica. Mas a prática dos homens não é uma prática forças superiores à vontade pessoal. Mas permitem ver
mecânica, transitiva, como o é a dos demais seres naturais; ela igualmente mais claro o alcance da vontade e o nível de
é uma prática intencionalizada, marcada que é por um sentido, arbítrio de que se dispõe quando se tem de escolher entre
vinculado a objetivos e fins, historicamente apresentados. várias alternativas, assim como a possibilidade de saber qual a
Além disso, a intencionalização de suas práticas também se ‘melhor’ opção cabe em cada caso. Pode-se falar então da
faz pela sensibilidade valorativa da subjetividade. O agir consciência moral, fonte de sensibilidade aos valores que
humano implica, além de sua referência cognoscitiva, uma norteiam o agir humano, análoga à consciência epistêmica, que
referência valorativa. Com efeito, a intencionalização da permite ao homem o acesso à representação dos objetos de
prática histórica dos homens depende de um processo de sua experiência geral, mediante a formação de conceitos.
significação simultaneamente epistêmico e axiológico. Daí a Assim, como tem uma consciência sensível aos conceitos, tem
imprescindibilidade das referências éticas do agir e da igualmente uma consciência sensível aos valores. Do mesmo
explicitação do relacionamento entre ética e educação. modo que a filosofia sempre se preocupou em discutir e buscar
compreender como se formam os conceitos, como se pode
A prática educacional como prática ético-política acessá-los, o que os funda, ela procura igualmente
Na esfera da subjetividade, a vivência moral é uma compreender como se justifica essa sensibilidade aos valores.
experiência comum a todos nós. Pelo que cada um pode Desenvolveu então uma área específica de seu campo de
observar em si mesmo e pelo que se pode constatar pelas mais investigação, no âmbito da axiologia, para conduzir essa
diversificadas formas de pesquisas científicas e de discussão: a ética.
observações culturais, todos os homens dispõem de uma Cabe aqui um breve esclarecimento semântico. Moral e
sensibilidade moral, mediante a qual avaliam suas ações, ética não são propriamente dois termos sinônimos, apesar da
caracterizando-as por um índice valorativo, o que se expressa etimologia análoga, em latim e em grego, respectivamente. É
comumente ao serem consideradas como boas ou más, lícitas certo que, na linguagem comum do dia-a-dia, já não se
ou ilícitas, corretas ou incorretas. Hoje se sabe, graças às distingue um conceito do outro. Mas, a rigor, moral refere-se à
contribuições das diversas ciências do campo antropológico, relação das ações com os valores que a fundam, tais como
que muitos dos padrões que marcam o nosso agir derivam de consolidados num determinado grupo social, não exigindo
imposições de natureza sociocultural, ou seja, os próprios uma justificativa desses valores que vá além da consagração
homens, vivendo em sociedade, acabam impondo uns aos coletiva em função dos interesses imediatos desse grupo. No
outros determinadas normas de comportamento e de ação. caso da ética, refere-se a essa relação, mas sempre precedida
Mas a incorporação dessas normas pressupõe uma espécie de de um investimento elucidativo dos fundamentos, das
adesão por parte das pessoas individualmente, ou seja, é justificativas desses valores, independentemente de sua
preciso que elas vivenciem, no plano de sua subjetividade, a aprovação ou não por qualquer grupo. Por isso, fala-se de ética
força do valor que lhe é, então, imposto. Os usos, os costumes, em dois sentidos correlatos: de um lado, frisa-se a
as práticas, os comportamentos, as atitudes que carregam sensibilidade aos valores justificados mediante uma busca
consigo essas características e que configuram o agir dos reflexiva por parte dos sujeitos; de outro, convencionou-se
homens nas mais diferentes culturas e sociedades constituem chamar igualmente de ética a disciplina filosófica que busca
a moral. A moralidade é fundamentalmente a qualificação elucidar esses fundamentos.
desses comportamentos, aquela ‘força’ que faz com que eles
sejam praticados pelos homens em função dos valores que Mas de onde vem o valor dos valores? Onde se funda a
essa qualificação subsume. Podemos constatar que é em consciência moral? Se o homem é um ser histórico em
função desses valores que as várias culturas, nos vários construção, em devir, sem vinculação determinante com a
momentos históricos, vão constituindo seus códigos morais de essência metafísica e a natureza física, naquilo que lhe é
ação, impondo aos seus integrantes um modo de agir que específico, onde ancorar a referência valorativa de sua
esteja de acordo com essas normas. Porém, por mais que se consciência moral? O valor fundador dos valores que fundam
encontre premido por essas normas, o homem defronta-se a moralidade é aquele representado pela própria dignidade da
com a experiência insuperável de que participa pessoalmente pessoa humana, ou seja, os valores éticos fundam-se no valor
da decisão que o leva a agir dessa ou daquela maneira; sente- da existência humana. É em função da qualidade desse existir,
se responsável por sua ação e muitas vezes bem ciente das delineado pelas características que lhe são próprias, que se
consequências dela. Assim, a norma moral tem um caráter pode traçar o quadro da referência valorativa, para se definir
imperativo que o impressiona. Os valores morais impõem-se o sentido do agir humano, individual ou coletivo. O próprio
ao homem com força normativa e prescritiva, quase que homem já é um valor em si, nas suas condições contingenciais
ditando como e quando suas ações devem ser conduzidas. de existência, na sua radical historicidade, facticidade,
Quando não as segue, tem a impressão de estar fazendo o que corporeidade, incompletude e finitude.
não devia fazer, embora continue com um nível proporcional Assim, a filosofia, por meio da ética, busca dar conta dos
de liberdade para não fazer como e quando a norma parece lhe possíveis fundamentos desse nosso modo de ‘vivenciar’ as
impor. coisas, tendo sempre em vista que é necessário ir além das
justificativas imediatistas, espontaneístas e particularistas das
Se toda e qualquer ação do homem dependesse morais empíricas de cada grupo social. A ética coloca-se numa
deterministicamente de fatores alheios à sua vontade livre, perspectiva de universalidade, enquanto a moral fica sempre
então não seria o caso de se sentir responsável por elas; mas presa à particularidade dos grupos e mesmo dos indivíduos.
ocorre que, apesar de toda a gama de condicionamentos que o Mas é possível encontrar um fundamento universal para os
cercam e o determinam, há margem para a intervenção de uma valores éticos? A filosofia ocidental, como mostra sua história
avaliação de sua parte e para uma determinada tomada de milenar, sempre o procurou e continua a procurá-lo, dada a
posição e de decisão. Goza, por isso, de um determinado campo permanência das demandas da consciência ética.
de liberdade, de vontade livre, de autonomia, não podendo
alegar total determinação por fatores externos à sua decisão. A educação brasileira: determinação histórica e
Hoje, os conhecimentos objetivos da realidade humana, subjetivação valorativa
proporcionados pelas ciências humanas, de modo especial a A presença da educação formal e institucionalizada é traço
psicologia, a sociologia, a economia, a etologia, a psicanálise, a marcante das sociedades ocidentais, com destaque para a
antropologia e a história, permitem identificar com bastante sociedade europeia. No caso do Brasil, em que pese sua ainda
precisão aquelas atitudes que são tomadas por imposição de pequena trajetória na era moderna da sociedade ocidental e a

Conhecimentos Pedagógicos 2
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

lentidão de seu desenvolvimento nos três primeiros séculos de garantir a qualidade moral da sociedade. Mas o caráter
sua inserção histórica nessa sociedade, ela não ocorreu de idealizado dessas referências comprometia sua eficácia
forma diferente. O Brasil conta com uma já bastante visível histórica, pois esta dependeria da causalidade da vontade,
experiência de educação formal, experiência esta herdeira da insuficiente para mover a realidade social. Daí transformar-se
experiência europeia, forjada sob a marca da perspectiva numa ideologia, atuando apenas como ideologia. É o que
cristã, mas tributária igualmente das circunstâncias históricas explica sua incapacidade de impedir a prática da escravidão,
próprias do contexto local. apesar de, no plano teórico, tratar-se de prática incompatível
Instaurada então nos idos da fase colonial sob a concepção com os valores apregoados.
escolástica da formação humana, a educação no Brasil nasce Mas a ideologia católica dos primeiros séculos de formação
como obra do trabalho missionário dos jesuítas, fundada sob da sociedade brasileira foi perdendo aos poucos sua
uma perspectiva ideológica católica, de origem na hegemonia em decorrência da mudança socioeconômica pela
Contrarreforma, e operacionalizada pedagogicamente sob o qual o país igualmente sofreu em decorrência da lenta, extensa
modelo da escolástica. Em que pese a pequena expressão de e intensa expansão do capitalismo. Embora a imersão do Brasil
um aparelho escolar nesse período, a cultura brasileira dos no capitalismo não tivesse ocorrido com características
períodos colonial e imperial foi impregnada pelo catolicismo. idênticas ao que havia acontecido na Europa e na América do
Com seus conceitos e valores, o catolicismo marcou a vida Norte, não se podendo nem mesmo falar de uma revolução
social e cultural do país, contribuindo significativamente para burguesa que o implantasse em nossas paragens, o país não
um forte processo de subjetivação de seus habitantes, sob a podia escapar à influência dessa expansão comandada
representação dos dogmas doutrinários católicos. inicialmente pelos ingleses e, posteriormente, pelos
No que concerne às relações entre a educação e a ideologia americanos. Assim, a sociedade brasileira, embora
católica, fundada, de um lado, na teologia cristã e, de outro, na conservando muitos elementos de sua fase escravista,
metafísica da escolástica tomista, prevalece a postulação de incorporou as forças produtivas do modo de produção
uma ética essencialista, articulada ao voluntarismo moral. A capitalista e as consequentes configurações no plano político e
dimensão política não tem autonomia como dinâmica de cultural. Da mesma forma, novos valores passaram a marcar a
pulsão de valores propriamente sociais. Toda a defesa dos subjetividade das pessoas, dando nova fisionomia à vida da
valores cristãos é baseada na crença do poder da vontade sociedade. Com o capitalismo, a oligarquia rural e o
individual para a condução da vida, uma vez que da postura campesinato perderam poder social, emergindo uma
ética de todas as pessoas decorreria necessariamente uma burguesia urbano-industrial, as camadas médias e o
vida coletiva harmoniosa, independentemente das condições proletariado, que se tornaram os novos sujeitos a conduzir a
contextuais, da hierarquização das pessoas e da arbitrariedade vida nacional, impondo alterações significativas no perfil da
das ações dos mais fortes. Não sem razão, durante todo esse vida político-social do país. Em que pesem suas reconhecidas
longo período de Colônia e Império, a evolução do sistema limitações, o processo republicano espelhou essa nova
educacional do país, tanto do ponto de vista organizacional realidade, ligando-se a novas referências ideológicas,
como do ponto de vista de sua função social, foi pouco decorrentes de outros paradigmas filosóficos, como o
significativa, uma vez que a finalidade da escola encontrava-se iluminismo, o liberalismo, o laicismo, o positivismo.3
na continuidade da finalidade evangelizadora e pastoral da
Igreja, não se podendo falar de referências políticas para a A nova ideologia que se configurou entrou em conflito com
configuração da ética. Visava-se a uma ética fundada na a ideologia conservadora do catolicismo, embora se trate de
vontade individual das pessoas, o que podia se realizar conflito que não chegou a gerar uma ruptura radical na coesão
preferencialmente na esfera privada, não se atribuindo à da sociedade, em função das peculiaridades da própria
educação a contribuição para a instauração de um espaço configuração das classes sociais do país. A Revolução de 1930
público de vida. Desse modo, o pouco que houve de é um marco representativo desse novo momento vivido pela
institucionalização de educação escolar serviu de reforço para sociedade brasileira, referendando-o e dando-lhe maior
a reprodução da ideologia dominante e das condições identidade. O processo se consolidou com o fim da Segunda
econômico-sociais, marcadas pela degradação, pela opressão e Guerra Mundial, quando o capitalismo, sob a égide americana,
pela alienação da maioria da população em relação às se instalou de forma irreversível. Com a Revolução de 1964,
situações de trabalho, de participação política e de vivência esse ciclo se completou, mediante uma estruturação
cultural. O modelo econômico era o agrário exportador, tecnocrática, inserindo de vez a economia do país no fluxo do
voltado para a produção agrícola destinada à exportação aos capitalismo mundial.
países centrais. Todo o aparato político da época visava dar Essa modernização econômica e cultural do país levou à
sustentação aos segmentos dominantes, que, além de paulatina substituição da ideologia religiosa do catolicismo
possuírem os meios de produção e até a força de trabalho por uma ideologia laica, de inspiração liberal e republicana.
(detinham a posse da terra, a força escrava, a renda Nesse novo ambiente de desenvolvimentismo e modernização,
financeira), utilizavam o controle ideológico pela divulgação e a educação institucionalizada teve seu papel extremamente
‘inculcação’ da concepção cristã do mundo. Assim, ao lado da revalorizado, uma vez que lhe cabiam então tarefas
alienação objetiva em que as pessoas se encontravam lançadas importantes não só na formação cultural das pessoas mas
pelas condições socioeconômicas, ocorria o reforço de uma também na profissionalização dos trabalhadores para as
percepção enviesada dessas condições pela consciência, que indústrias e para os diversos serviços. Além disso, as camadas
instaura então uma alienação subjetiva. Coube ao ideário médias viam na educação um dos principais caminhos para a
católico exercer esse papel, funcionando então como ideologia ascensão social, o que suscitou forte demanda pela educação.
adequada ao momento histórico. Esta deveria ser fornecida por um sistema público, laico,
imune às interferências de cunho religioso. À educação cabia
Pode-se afirmar que o cristianismo, a par de seus então cuidar da preparação de mão-de-obra para a expansão
princípios teológicos, apresentava igualmente uma ética industrial e dos serviços, bem como da oferta de cultura e
individual, da qual decorreram as referências também para o status social. Este passava a ser o perfil do novo cidadão,
convívio social, dada a suprema prioridade da pessoa sobre a imbuído de espírito público e identificado com a construção de
sociedade. É a qualidade moral dos indivíduos que devia sua pátria nacional.

3 SEVERINO, A. J. Educação, Ideologia e Contra Ideologia. São Paulo: EPU,


1986.

Conhecimentos Pedagógicos 3
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Todo o complexo conjunto de valores, de forte inspiração poucas conquistas econômicas, sociais e culturais, aí incluída a
iluminista e liberal, passou a ganhar contornos específicos, educação, que sequer se universalizou em seus níveis iniciais.
constituindo uma nova hegemonia ideológica. O modelo Apesar de o atendimento das necessidades do povo fazer
academicista, literário e humanístico da educação cristã foi parte explícita do discurso político oficial, como se fosse o
considerado alienado em relação aos problemas sociais do objetivo primordial das políticas públicas, na realidade, no
país e não tinha condições de superar os desafios do atraso tecido socioeconômico, não ocorreram mudanças
nacional. Só um humanismo lastreado no conhecimento significativas, nem quanto à quantidade nem quanto à
científico e expresso mediante valores liberais poderia levar o qualidade. É o que mostram a injusta distribuição não só da
país a seu verdadeiro destino. E a educação pública era o renda como também dos bens culturais e os índices da
grande instrumento de que dispunha a sociedade para desigualdade social, que permanecem até hoje.5
alcançar esse objetivo. Pública, laica, obrigatória e gratuita, a Agregou-se a essa ideologia liberal a crença no caráter
nova educação, nascida no bojo de uma reconstrução redentor e equalizador da educação, que, se fosse difundido
educacional, seria a única via para a reconstrução social. São universalmente, eliminaria os conflitos de classe, promoveria
apregoados os valores ligados ao espírito científico, à ordem o progresso econômico e social e asseguraria a condição de
democrática, às metodologias renovadas de ensino, à esfera cidadania a todas as pessoas.6
pública, à cidadania e ao desenvolvimento econômico e social Com o regime militar autoritário que se estabelece no país
do país. em 1964, os elementos básicos dessa concepção
socioeducacional foram mantidos tecendo a política
Mas esse novo projeto encontrou dois obstáculos educacional, mas agregando agora um referencial a mais, que
insuperáveis que fizeram com que esses novos valores é aquele do valor técnico especializado da educação. Essa
continuassem sendo apenas valores ideológicos. De um lado, a peculiaridade dará às políticas públicas do período e, em
ideologia religiosa do catolicismo, embora não mais particular, às políticas educacionais um feitio explicitamente
hegemônica no plano oficial, continuou impregnando, tecnicista sob uma perspectiva ideológica tecnocrática. Foi
capilarmente, a vida cultural brasileira, da qual constitui, na característica do movimento conduzido pela elite empresarial
verdade, uma camada arcaica da subjetivação das massas, e pelo estamento militar a ideia-força de que o
arraigada que era no espírito do povo – e, como tal, impôs desenvolvimento tecnológico é a grande matriz de todo
resistência à recepção das novas referências. Por isso, o desenvolvimento econômico, desde que possa ocorrer num
impacto da nova ideologia, do lado da subjetivação, foi muito clima de total harmonia político-social. Daí ser a educação
lento e superficial. De outro lado, o modo de produção chamada a implementar uma vocação eminentemente
capitalista tem suas exigências férreas, suas cláusulas pétreas, dedicada à formação profissional, visando à preparação de
e não atua nos termos dos valores que apregoa. As políticas mão-de-obra técnica bem qualificada de cidadãos ordeiros e
educacionais e culturais efetivamente implementadas não pacíficos. Foi imbuído desse espírito que o próprio mote do
foram necessariamente coerentes, em seu caráter radical, com novo sistema de gerenciamento da nação se expressou,
os valores declarados. Com isso, não se nega o efetivo retomando o anacrônico lema comtiano ‘ordem e progresso’,
desenvolvimento ocorrido no país, mas ele não aconteceu por que então passou a ser ‘desenvolvimento e segurança’.
força da realização dos novos valores; ao contrário, ocorreu Politicamente, o regime levou aos estertores as últimas
muito mais pela violência das determinações do capitalismo veleidades do discurso liberal populista, sufocando, inclusive
em sua incansável busca da acumulação, com sensibilidade pela repressão violenta, todas as iniciativas atreladas ao
mínima às necessidades objetivas da maioria da população. ideário libertário do período anterior, pondo fim ao populismo
De qualquer modo, é correto afirmar que a ideologia que sob todas as suas expressões. Ao mesmo tempo, o atrelamento
prevaleceu como elemento aglutinador da constituição da da economia nacional ao capitalismo internacional se
subjetividade social brasileira desse segundo período da consolidou definitivamente, mediante uma política de
trajetória sociopolítico-educacional do país foi a ideologia associação e de dependência. A função do Estado nacional se
liberal burguesa, laicizada, modernizada e modernizadora, redefine, gerando um Executivo forte e centralizador, com
com pretensão de ser fundada na ciência e no reconhecimento poder de controle político-policial, modernizando e
da liberdade e da igualdade humanas. Impôs-se assim uma centralizando a administração pública e repelindo
concepção liberal do mundo, da cultura e da educação. Essa brutalmente toda contestação. Trata-se de um regime
ideologia atendia aos interesses da burguesia nacional urbano tecnoburocrático, assumidamente autoritário e repressor.
industrial e justificava a modernização de todos os setores da
vida social. Na verdade, estava lançando raízes para um Valores proclamados, seja pela ideologia católica, seja pela
projeto que deveria consolidar cada vez mais o capitalismo ideologia liberal, são reenquadrados nas coordenadas da
monopolista, a serviço do qual deveria ser colocado o próprio ideologia tecnocrática, que passa a ser o critério de sua
Estado.4 validade e sobrevivência no novo contexto social. Suas
contribuições só são aproveitadas quando não se contrapõem
No entanto, assim como a ideologia católica, a ideologia aos novos interesses, não provocando interferências e
liberal não conseguiu implementar uma educação questionamentos nos negócios de Estado da nova ordem
efetivamente voltada para a emancipação de toda a população, político-social. Ao mesmo tempo, o governo militar apoiava,
como pressupunha o ideário republicano, liberal e iluminista, incentivava e induzia iniciativas, em todos os campos da vida
limitando-se a exercer apenas seu papel ideológico, ou seja, social, que concretizassem os valores de sua nova política
proclamar, como se fossem universais, valores que são plenamente em sintonia com o capitalismo. Assim, no campo
realizados apenas para atender a interesses particulares de educacional e cultural, favoreceu e incentivou a privatização,
grupos privilegiados. Enquanto as camadas dominantes uma vez que a educação deve ser entendida e praticada como
mantiveram e ampliaram seus privilégios e as camadas médias um serviço, no seio de um mercado livre. A demanda por
usufruíram de algumas conquistas, vendo atendidas algumas educação, tão cara às camadas médias da população, deverá
de suas reivindicações, graças a seu poder de negociação e de ser atendida pela oferta do mercado dos serviços educacionais.
aliança, os segmentos populares alcançaram objetivamente Trata-se de uma política de expansão pela privatização.

4 BRESSER PEREIRA, L. C. Desenvolvimento e Crise no Brasil: 1939-1967. Rio 6 XAVIER, M. E. S. P. Políticas educacionais, modelos pedagógicos e

de Janeiro: Zahar, 1968. movimentos sociais. In: MIGUEL, M. E. B. & CORRÊA, L. T. (Orgs.). A Educação
5 IBGE. PNAD: Relatório 2004. Brasília: IBGE, 2005. Escolar em Perspectiva Histórica. Campinas: Autores Associados, Capes, 2005.
p.283-291. (Memória da educação)

Conhecimentos Pedagógicos 4
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Ademais, o Estado pós-64 tem uma visão instrumentalista da grande capital. A política interna dos países, por sua vez, é
educação, organizada em função do crescimento econômico.7 forçada a esse ajuste econômico, impondo a queda dos salários
O conteúdo do ensino deve ser técnico, sem conotação política reais, o crescimento do desemprego estrutural, a estatização
de cunho crítico. Visa-se à maior produtividade possível, a da dívida externa e a elevação da taxa de juros. Isso implica
baixo custo, mediante o preparo de uma mão-de-obra também a ruptura do esquema de financiamento do setor
numerosa, com qualificação puramente técnica, disciplinada e público.8
dócil, adequada ao atendimento das necessidades do sistema Assim como nas fases anteriores, também agora
econômico. A ideologia tecnocrática do período pratica um desencadeia-se um processo ideológico para justificar o
autoritarismo disciplinar intrínseco ao processo de modelo imposto, apresentando-o como o único capaz de
engenharia social que deve comandar todos os aspectos da realizar os objetivos emancipatórios da sociedade e, nesse
vida da sociedade. Alicerçada epistemologicamente no mesmo sentido, superando os anteriores. Mais uma vez, tem-se um
cientificismo positivista, que se julga legitimado pela sua conjunto articulado de valores que são proclamados, mas não
eficácia tecnológica, opera a modernização da sociedade pelo realizados. Uma retórica, que não deixa de encontrar apoios
uso da sofisticação técnico-informacional, ao mesmo tempo estratégicos em formulações teóricas do pensamento pós
que, investindo pesado nos meios de comunicação, desenvolve moderno, se torna insistentemente presente em todas as
um intenso programa de indústria cultural destinado à frentes do debate social, fazendo sua cerrada defesa. Ao
formação da opinião pública, banalizando ainda mais os mesmo tempo, por meio da legislação e das medidas
conteúdos do conhecimento disponibilizado para as massas. programáticas, o governo passa a aplicar políticas públicas que
Após 25 anos de autoritarismo exacerbado, o regime, no vão efetivando as diretrizes neoliberais, mais uma vez adiando
início da década de 1980, começa a dar sinais de exaustão. e talvez inviabilizando uma educação que possa ser mediação
Devorando seus próprios filhos, não mais satisfazia aos da libertação, da emancipação e da construção da cidadania.
interesses capitalistas que pretendiam se universalizar mundo Não sem razão, o ceticismo e a desesperança constituem a
afora. Considerou-se superada essa fase da imposição conclusão de estudiosos da questão educacional brasileira. Ao
tecnocrática, entendendo-se que os 25 anos foram suficientes falar da escola brasileira, em conclusão a seus estudos
para aplainar o terreno para uma nova etapa, agora não mais históricos sobre a educação escolar, conclui Xavier: 9
baseada na repressão violenta pela força, mas pela
impregnação sutil da subjetivação ideológica por si mesma. Ela parece ser uma instituição, se não dispensável,
Nos últimos trinta anos, o país vivencia então uma nova fase secundária para o funcionamento da sociedade brasileira, tal
marcada pela implementação da agenda neoliberal, nova como se encontra estruturada. Entretanto, é fundamental, para
proposta do capitalismo internacional. o controle das insatisfações populares e a neutralização dos
movimentos sociais contestatórios e reivindicatórios, alimentar
Os desafios da educação no contexto da sociabilidade a crença no caráter redentor da educação escolarizada. Daí a
neoliberal ênfase no discurso pedagógico, nos debates e na elaboração de
A partir dos anos 1980, o Brasil, como de resto todo o projetos educacionais e a falta de pressa em realizá-los.
Terceiro Mundo, é instado a inserir-se no novo processo de
desenvolvimento econômico e social do capitalismo em Para essa autora, ocorre uma mitificação da escola,
expansão. De preferência isso deveria ser feito sem o uso da mitificação que atua como um dos pilares da doutrina liberal
violência física de regimes repressivos. Ao contrário, deveria produzida na transição capitalista e que penetrou cedo em
acontecer num ambiente político-social de redemocratização. nossa sociedade como parte da ideologia do colonialismo. E
Nessa linha, os grandes agentes desse capitalismo quanto mais o capitalismo avançou no país, mais se solidificou
internacional sem pátria especificam, além de cobrar, via essa crença. O poder se concentrava, a riqueza crescia e
mecanismos propriamente econômicos, a adoção de suas supostamente não se distribuía porque a expansão da escola
práticas produtivas, monetárias e financeiras, não acompanhava o crescimento populacional, ou sua
comprometendo todos os países por meio de acordos qualidade não atendia às demandas sociais. “A escola não
mundiais, passando a exigir também adequações nos campos revoluciona ou transforma a sociedade que a produz e à qual
político e cultural. A meta continua sendo aquela da plena serve; ela apenas consolida e maximiza as transformações em
expansão do capitalismo, agora sem concorrências ideológicas curso quando a aparelhamos para tanto”.
significativas e numa perspectiva declarada de globalização.
Fala-se então da agenda neoliberal, ou seja, de uma retomada Essa forma atual de expressão histórica do capitalismo, sob
dos princípios do liberalismo clássico, mas com a devida predomínio do capital financeiro, conduzido de acordo com as
correção de seus desvios humanitários. O que está em pauta é regras de um neoliberalismo desenfreado, num momento
a total liberação das forças do mercado, a quem cabe a efetiva histórico marcado por um irreversível processo de
condução da vida das nações e das pessoas. Daí a pregação do globalização econômica e cultural, produz um cenário
livre-comércio, da estabilização macroeconômica e das existencial em que as referências ético-políticas perdem sua
reformas estruturais necessárias, em todos os países, para que força na orientação do comportamento das pessoas, trazendo
o sistema tenha alcance mundial e possa funcionar descrédito e desqualificação para a educação. Ao mesmo
adequadamente. Opera-se então severa crítica ao Estado do tempo que, pelas regras da condução da vida econômica e
Bem-Estar Social, propondo-se um estado mínimo, em seu social, instaura um quadro de grande injustiça social,
papel e funções. A iniciativa política deve dar prioridade à sonegando para a maioria das pessoas as condições objetivas
iniciativa econômica dos agentes privados. Graças às mínimas para uma subsistência num patamar básico de
impressionantes inovações tecnológicas, mormente na esfera qualidade de vida, interfere profundamente na constituição da
da informática, mudam-se igualmente as relações industriais, subjetividade, no processo de subjetivação, manipulando e
o sistema do trabalho e o gerenciamento da produção. Os desestabilizando valores e critérios. Prevalece um espírito de
mercados financeiros são liberados e expandidos. Os Estados niilismo axiológico, de esvaziamento de todos os valores, de
nacionais tornam-se reféns das políticas internacionais do fim das utopias e metanarrativas e da esperança de um futuro

7 MARTINS, C. B. Ensino Privado, um Retrato sem Retoques. São Paulo: Global, 9 XAVIER, M. E. S. P. Políticas educacionais, modelos pedagógicos e

1981. movimentos sociais. In: MIGUEL, M. E. B. & CORRÊA, L. T. (Orgs.). A Educação


8 IANNI, O. O cidadão do mundo. In: LOMBARDI, J. C.; SAVIANI, D. & Escolar em Perspectiva Histórica. Campinas: Autores Associados, Capes, 2005.
SANFELICE, J. L. (Orgs.). Capitalismo, Trabalho e Educação. 2.ed. Campinas: p.283-291. (Memória da educação)
Autores Associados, 2004. p.27-34

Conhecimentos Pedagógicos 5
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

melhor, de incapacidade de construir projetos. A eficiência e a desqualificadas. O ceticismo e o relativismo generalizados se


produtividade são os únicos critérios válidos. Com bem impõem, sob alegação de seus compromissos com
sintetiza Goergen, “generaliza-se nesse processo para toda a metanarrativas infundadas.
cultura um aspecto da ordem econômica: a eficiência torna-se Nesse contexto, prospera uma ética hedonista baseada no
padrão do bom comportamento exigido pela sociedade”.10 individualismo, de traço narcísico, que vê o homem como se
Configura-se então uma sociabilidade típica desse fosse um átomo solto, vivendo em torno de si mesmo, numa
contexto neoliberal, que se constitui atrelada a profundas sensibilidade ligada apenas ao espetáculo. Puro culto ao
mudanças provocadas pelas injunções dessa etapa da prazer que se pretende alcançar pelo consumo compulsivo e
economia capitalista na esfera do trabalho, da cidadania e da desregrado dos bens do mercado. Essa lógica fundada na
cultura. Desse modo, constata-se a ocorrência de situações de exacerbada valorização de uma suposta autonomia e
degradação, no mundo técnico e produtivo do trabalho; de suficiência do sujeito individual, no apelo ao consumo
opressão, na esfera da vida social; e de alienação, no universo desenfreado, compromete o reconhecimento e a reafirmação
cultural. Essas condições manifestam-se, em que pesem as dos valores universais da igualdade, da justiça e da equidade,
alegações em contrário de variados discursos, como referências necessárias para uma concepção mais consistente
profundamente adversas à formação humana, o que tem da humanidade, alicerçada no valor básico da dignidade
levado a um crescente descrédito quanto ao papel e à humana.
relevância da educação, como processo intencional e Coagida pela pressão das determinações objetivas, de um
sistemático. lado, e pelas interferências subjetivas, de outro, a educação é
Nesse contexto da história real, a educação é interpelada presa fácil do enviesamento ideológico, que manipula as
pela dura determinação dessa realidade, no que diz respeito às intenções e obscurece os caminhos, confundindo objetivos
condições objetivas da existência. Numa profunda inserção com interesses. Tal situação aumenta e agrava o desafio que a
histórico-social, a educação é serva da história. Aqui se paga educação enfrenta em sua dialética tarefa de, simultânea e
tributo a nossa condição existencial de seres encarnados e, contraditoriamente, inserir os sujeitos educandos nas malhas
como tais, profundamente predeterminados – esfera dos a culturais de sua sociedade e de levá-los a criticar e a superar
priori existenciais. Uma lógica perversa compromete o esforço essa inserção; assim como de fazer um investimento na
da humanização. São adversas as condições para se assegurar conformação das pessoas a sua cultura ao mesmo tempo que
a qualidade necessária para a educação. Em que pese a precisa levá-las a se tornarem agentes da transformação dessa
existência, nas esferas do Estado brasileiro, de um discurso cultura.
muito elogioso e favorável à educação, a prática real da Como a educação tem papel fundamental no processo de
sociedade política e das forças econômicas desse atual estágio subjetivação, embora não seja ela o único vetor desse
histórico não corresponde ao conteúdo de seu discurso. Esse processo, já que essa subjetivação se dá também por outras
discurso se pauta em princípios e valores elevados, mas que vias, seja no âmbito da vivência familiar, seja pelos meios de
não são sustentados nas condições objetivas para sua comunicação de massa, seja ainda por interações informais
realização histórica no plano da realidade social. das pessoas no seio da sociedade civil, ela sofre o impacto
No plano da subjetividade, utilizando-se de diferentes dessas forças geradas no bojo da dinâmica da vida social e
modalidades de intervenções ideológicas, particularmente cultural do capitalismo contemporâneo.
através dos meios de comunicação, o sistema atua fortemente
no processo da subjetivação humana. Numa frente, opera a O horizonte do compromisso ético-político da educação:
subversão do desejo, deturpando a significação do prazer, não em busca de uma nova sociabilidade
se investindo adequadamente no aprimoramento da No contraponto dessa situação de degradação, de opressão
sensibilidade estética. Açulam-se os corpos no sentido de fazer e de alienação, a educação é interpelada pela utopia, ou seja,
deles fogueiras insaciáveis de prazer que jamais será satisfeito. por um télos que acena para uma responsabilidade histórica
Ocorre total regressão do estético. Embora prometa a de construção de uma nova sociedade também mediante a
felicidade, não gera condições para sua efetiva realização por construção de uma nova sociabilidade. Isso decorre da
todas as pessoas. Subverte também a vontade, impedindo o condição dos homens como sendo também seres teleológicos,
exercício de sua liberdade, não deixando que o homem dispondo da necessidade e da capacidade de estabelecer fins
pratique sua condição de igualdade: não investe na formação para sua ação. É isso que ocorre com a educação; ela precisa
do cidadão, ou seja, aquele que pode agir livremente na ter intencionalidades, buscar a realização de fins previamente
sociedade de iguais. Propaga a ideia de uma democracia estabelecidos.
puramente formal. Não tem por meta o cidadão, mas o Levando em conta o seu papel no processo de subjetivação
contribuinte, o socícola, aquele que habita o locus social mas e tendo em vista que o conhecimento é a única ferramenta que
não compartilha efetivamente de sua constituição, não cabe ao educador utilizar para enfrentar esses desafios, há que
compartilha das decisões que instauram o processo político- se entender a educação como processo que faz a mediação
social. No fundo mantém-se a servidão... que até se torna entre os seus resultados e as práticas reais, pelas quais os
voluntária... Toda essa pedagogia, em vez de levar os sujeitos a brasileiros devem conduzir sua história. Assim, cabe à
entender-se no mundo, mistifica o mundo, manipulando-o educação ter em seu horizonte três objetivos intrínsecos:
para produzir a ilusão da felicidade. Prosperidade prometida
mas nunca realizada. Leva ao individualismo egoísta e 1) Desenvolver ao máximo o conhecimento científico e
narcísico, simulacro do sujeito autônomo e livre. tecnológico em todos os campos e dimensões; superar o
Essa pedagogia subverte ainda a prática do conhecimento, amadorismo e apropriar-se da ciência e da tecnologia
eliminando o seu processamento como construção dos objetos disponíveis para alicerçar o trabalho de intervenção na
que são conhecidos. Torna-se mero produto e não mais realidade natural e social.
processo, experiência de criatividade, de criticidade e de 2) Desenvolver ao máximo a sensibilidade ética e estética
competência. É literalmente tecnicizado, objetivado, buscando delinear o télos da educação com sensibilidade
empacotado. A própria ciência é vista como conhecimento profunda à condição humana; sentir a razão de ser da existência
eminentemente técnico, o que vem a ser um conceito e a pulsação da vida.
autocontraditório. Todas as demais formas de saber são

10 LOMBARDI, J. C.; SAVIANI, D. & SANFELICE, J. L. (Orgs.). Capitalismo,

Trabalho e Educação. 2.ed. Campinas: Autores Associados, 2004

Conhecimentos Pedagógicos 6
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

3) Desenvolver ao máximo sua racionalidade filosófica educação, como sua tarefa essencial, a construção da
numa dupla direção: numa frente, esclarecer epistemicamente o cidadania. A educação já se deu outrora como objetivo a busca
sentido da existência, e, noutra, afastar o ofuscamento da perfeição humana, idealizada como realização da essência
ideológico dos vários discursos; construir uma contra ideologia do homem, de sua natureza; mais recentemente, essa
como ideologia universalizante que apresenta os produtos do perfeição foi concebida como plenitude da vida orgânica, como
conhecimento para atender aos interesses da totalidade dos saúde física e mental. Hoje, no entanto, as finalidades
homens. perseguidas pela educação dizem respeito à instauração e à
consolidação da condição de cidadania, pensada como
Pela sua própria natureza, a educação tende a atuar como qualidade específica da existência concreta dos homens,
força de conformação social, mas precisa atuar também como lembrando-se sempre que essa é uma teleologia
força de transformação social. A conformação nasce da historicamente situada.
necessidade de conservação da memória cultural da espécie, Com efeito, a educação só se compreende e se legitima
força centrípeta, apelo da imanência, enquanto que a enquanto for uma das formas de mediação das mediações
transformação, força centrífuga, apelo da transcendência, existenciais da vida humana, se for efetivo investimento em
busca um avanço, a criação do novo, gerando elementos que busca das condições do trabalho, da sociabilidade e da cultura
respondam pela criação de nova cultura. simbólica. Portanto, só se legitima como mediação para a
A educação conforma os indivíduos, inserindo-os na sua construção da cidadania. Por isso, enquanto investe, do lado do
sociedade, fazendo-os compartilhar dos costumes morais e de sujeito pessoal, na construção dessa condição de cidadania, do
todos os demais padrões culturais, com o fito de preservar a lado dos sujeitos sociais estará investindo na construção da
memória cultural; porém, ao transformar, impele à criação de democracia, que é a qualidade da sociedade que assegura a
nova cultura, reavaliando seus estágios anteriores de todos os seus integrantes a efetivação coletiva dessas
subjetivação. Cabe-lhe questionar os estágios vigentes de uma mediações.
perspectiva crítica, desconstruindo para reconstruir, pois o À educação cabe, como prática intencionalizada, investir
que não se transforma se petrifica. nas forças emancipatórias dessas mediações, num
É pela mediação de sua consciência subjetiva que o homem procedimento contínuo e simultâneo de denúncia,
pode intencionar sua prática, pois essa consciência é capaz de desmascaramento e superação de sua inércia de entropia, bem
elaborar sentidos e de se sensibilizar a valores. Assim, ao agir, como de anúncio e instauração de formas solidárias de ação
o homem está sempre se referenciando a conceitos e valores, histórica, buscando contribuir, com base em sua própria
de tal modo que todos os aspectos da realidade envolvidos especificidade, para a construção de uma humanidade
com sua experiência, todas as situações que vive e todas as renovada. Ela deve ser assumida como prática
relações que estabelece são atravessados por um coeficiente simultaneamente técnica e política, atravessada por uma
de atribuição de significados, por um sentido, por uma intencionalidade teórica, fecundada pela significação
intencionalidade, feita de uma referência simultaneamente simbólica, mediando a integração dos sujeitos educandos
conceitual e valorativa. Desse modo, as coisas e situações nesse tríplice universo das mediações existenciais: no
relacionam-se com nossos interesses e necessidades, por meio universo do trabalho, da produção material, das relações
da experiência dessa subjetividade valorativa, atendendo, de econômicas; no universo das mediações institucionais da vida
um modo ou de outro, a uma sensibilidade que temos, tão social, lugar das relações políticas, esfera do poder; no
arraigada quanto aquela que nos permite representar as coisas universo da cultura simbólica, lugar da experiência da
e conhece-las mediante os conceitos. identidade subjetiva, esfera das relações intencionais. Em
Com efeito, a ética só pode ser estabelecida por meio de um suma, a educação só se legitima intencionalizando a prática
processo permanente de decifração do sentido da existência histórica dos homens.
humana, tal como ela se desdobra no tecido social e no tempo Com efeito, se se espera que a educação seja de fato um
histórico, não mais partindo de um quadro atemporal de processo de humanização, é preciso que ela se torne mediação
valores, abstratamente concebidos e idealizados. Essa que viabilize, que invista na implementação dessas mediações
investigação é inteiramente compromissada com as mais básicas, contribuindo para que elas se efetivem em suas
mediações históricas da existência humana, não tendo mais a condições objetivas reais. Ora, esse processo não é automático,
ver apenas com ideais abstratos, mas também com referências não é decorrência mecânica da vida da espécie. É verdade que
econômicas, políticas, sociais, culturais. Nenhuma ação que ao superar a transitividade do instinto e, com ela, a
provoque a degradação do homem em suas relações com a univocidade das respostas às situações, a espécie humana
natureza, que reforce sua opressão pelas relações sociais, ou ganha em flexibilidade, mas simultaneamente torna-se vítima
que consolide a alienação subjetiva, pode ser considerada fácil das forças alienantes, uma vez que todas as mediações são
moralmente boa, válida e legítima. ambivalentes: ao mesmo tempo que constituem o lugar da
É por isso que, na perspectiva do modo atual de se personalização, constituem igualmente o lugar da
conceber a ética, ela se encontra profundamente entrelaçada desumanização, da despersonalização. Assim, a vida
com a política, concebida esta como a área de apreensão e individual, a vida em sociedade, o trabalho, as formas culturais,
aplicação dos valores que atravessam as relações sociais que as vivências subjetivas, podem estar levando não a uma forma
interligam os indivíduos entre si. Mas a política, por sua vez, mais adequada de existência, da perspectiva humana, mas
está intimamente vinculada à ética, pelo fato de não poder se antes a formas de despersonalização individual e coletiva, ao
ater exclusivamente a critérios técnico-funcionais, caso em império da alienação. Sempre é bom não perdermos de vista a
que se transformaria numa nova forma de determinismo ideia de que o trabalho pode degradar o homem, a vida social
extrínseco ao homem, à sua humanidade. Isso quer dizer que pode oprimi-lo e a cultura pode aliená-lo, ideologizando-o.
os valores pessoais não são apenas valores individuais; eles É por isso que, ao lado do investimento na transmissão aos
são simultaneamente valores sociais, pois a pessoa só é educandos dos conhecimentos científicos e técnicos, impõe-se
especificamente um ser humano quando sua existência garantir que a educação seja mediação da percepção das
realiza-se nos dois registros valorativos. Assim, a avaliação relações situacionais, que ela lhes possibilite a apreensão das
ética de uma ação não se refere apenas a uma valoração intrincadas redes políticas da realidade social, pois só a partir
individual do sujeito; é preciso referi-la igualmente ao índice daí eles poderão se dar conta também do significado de suas
do coletivo. atividades técnicas e culturais. Cabe ainda à educação, no
É assim que, à luz das contribuições mais críticas da plano da intencionalidade da consciência, desvendar os
filosofia da educação da atualidade, impõe-se atribuir à mascaramentos ideológicos de sua própria atividade, evitando

Conhecimentos Pedagógicos 7
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

assim que ela se instaure como mera força de reprodução Assim, a ética contemporânea entende que o sujeito
social e se torne força de transformação da sociedade, humano se encontra sob as injunções de sua realidade natural
contribuindo para extirpar do tecido desta todos os focos da e histórico-social, que até certo ponto o conduz, determinando
alienação.11 seu comportamento, mas que é também constituída por ele,
A análise crítica da experiência histórica da educação por meio de sua prática efetiva. Ele não é visto mais como um
brasileira mostra que ela desempenhou, em cada um dos seus sujeito substancial, soberano e absolutamente livre, nem como
cenários temporais, a função de reprodução da ideologia, um sujeito empírico puramente natural. Existe concretamente
mediante o que contribuiu para a reprodução das relações nos dois registros, na medida mesma em que é um sujeito
sociais vigentes a cada momento. Mas isso não compromete histórico-social, um sujeito cultural. É uma entidade natural
seu outro papel fundamental, que é aquele de transformar histórica, determinada pelas condições objetivas de sua
essas relações sociais, contribuindo para a elaboração de uma existência, ao mesmo tempo que atua sobre elas por meio de
contra ideologia que possa identificar-se com os interesses e sua práxis.
objetivos da maioria da população, fazendo com que os
benefícios do conhecimento possam atingir o universo da A necessidade do espaço público para um projeto
comunidade humana a que se destina. educacional comprometido com a emancipação humana: a
Esse compromisso ético político da educação para com a escola pública e a cidadania
condução do destino da sociedade não pode, no entanto, ser O ético-político incorpora a sensibilidade aos valores da
concebido nos parâmetros da ética essencialista, de fundo convivência social, da condição coletiva das pessoas. A relação,
metafísico, ou de uma ética funcionalista, de fundo a inter-relação, a dependência recíproca entre as pessoas, é
fenomenista. Trata-se de entender sua concepção e prática também um valor ético – a eticidade que se apoia na dignidade
com base num enfoque praxista. Isso decorre de um modo humana. Essa dignidade não se referencia apenas à existência
igualmente novo de pensar o homem. Embora continue sendo social, mas também à coexistência social.
entendido como ser natural e dotado de uma identidade É a partir dessa exigência que se pode compreender a
subjetiva, que lhe permite projetar e antever suas ações, ele importância da escola para a construção da cidadania. Com
não é visto mais nem como um ser totalmente determinado efeito, para que a prática educativa real seja uma práxis, é
nem como um ser inteiramente livre. Ele é simultaneamente preciso que ela se dê no âmbito de um projeto. A escola é o
determinado e livre. Sua ação é sempre um compromisso, em lugar institucional de um projeto educacional. Isso quer dizer
equilíbrio instável entre as injunções impostas pela sua que ela deve instaurar-se como espaço-tempo, como instância
condição de ser natural e a autonomia de sujeito capaz de social que sirva de base mediadora e articuladora dos outros
intencionalizar suas ações, a partir da atividade de sua dois projetos que têm a ver com o agir humano: de um lado, o
consciência. projeto político da sociedade e, de outro, os projetos pessoais
Por práxis, entende-se a prática real do homem, dos sujeitos envolvidos na educação.
atravessada pela intencionalização subjetiva, ou seja, pela Todo projeto implica uma intencionalidade, assim como
reflexão epistêmica elucidativa e esclarecedora, que delineia suas condições reais, objetivas, de concretização, já que a
os fins e o sentido dessa ação. existência dos homens se dá sempre no duplo registro da
O que está em pauta, pois, na reflexão filosófica objetividade/subjetividade, de modo que estão sempre
contemporânea, é a radical historicidade humana. O homem lidando com uma objetividade subjetivada e com uma
concebido como ser histórico perde tanto sua fusão com a subjetividade objetivada. Configura-se aqui a complexa e
totalidade metafísica como com a natureza física do mundo. intrincada questão das relações do processo educativo com o
Desse ponto de vista, ele só é especificamente humano quando, processo social que o envolve por todos os lados. É o que vem
em que pesem suas amarras ao mundo objetivo, é capaz de ir sendo apresentado sob o enfoque da teoria do reprodutivismo
construindo-se efetivamente mediante sua ação real. Ora, a da educação, segundo a qual a escola nada mais faria do que
ética só tem a ver com sua dimensão especificamente humana, reproduzir as relações de dominação presentes no tecido
e é nessa especificidade que ela pode encontrar suas social na medida em que, como instância que lida com os
referências. instrumentos simbólicos, reproduziria os valores
Esse é o sentido da historicidade da existência humana, ou hegemônicos da sociedade, inculcando-os nas novas gerações.
seja, o homem não é a mera expressão de uma essência A escola é vista então como privilegiado aparelho ideológico
metafísica predeterminada, nem o mero resultado de um do Estado que, por sua vez, não é um representante dos
processo de transformações naturais que estaria em evolução. interesses universais da sociedade, mas tão-somente de
Ao contrário, naquilo em que o faz especificamente humano, o grupos privilegiados e, consequentemente, dominantes.
homem é um ser em permanente processo de construção, em Reapresenta-se então a questão da dialética
ininterrupto devir. Nunca está pronto e acabado, nem no plano objetividade/subjetividade. Em se tratando de processo que
individual, nem no plano coletivo, como espécie. Por sobre um lida fundamentalmente com ferramentas simbólicas, a
lastro de uma natureza físico-biológica prévia, mas que é pré- educação é ambígua, ambivalente, uma vez que a subjetividade
humana, compartilhada com todos os demais seres vivos, ele é lugar privilegiado de alienação. Trata-se ainda de múltiplas
vai se transformando e se reconstruindo como ser subjetividades envolvidas, o que potencializa a força da
especificamente humano, como ser ‘cultural’. E isso não alienação em relação aos dados da objetividade circundante.
apenas na linha de um necessário aprimoramento, de um Com efeito, a prática da educação pressupõe mediações
aperfeiçoamento contínuo ou de progresso. Ao contrário, subjetivas, a intervenção da subjetividade de todos aqueles
essas mudanças transformativas, decorrentes de sua prática, que se envolvem no processo. Dessa forma, tanto no plano de
podem até ser regressivas, nem sempre sinalizando para uma suas expressões teóricas como naquele de suas realizações
eventual direção de aprimoramento de nosso modo de ser. O práticas, a educação implica a própria subjetividade e suas
que é importante observar é que seu modo de ser vai se produções. Mas a experiência subjetiva é também uma
constituindo por aquilo que ele efetivamente faz; é sua ação riquíssima experiência das ilusões, dos erros e do falseamento
que o constitui, e não seus desejos, seus pensamentos ou suas da realidade, ameaçando assim, constantemente,
teorias... comprometer sua própria atividade. Não sem razão, pois, o
exercício da prática educativa exige, da parte dos educadores,

11 ALTHUSSER, L. Ideologia e Aparelhos Ideológicos de Estado. Lisboa, São SEVERINO, A. J. Educação, Ideologia e Contra Ideologia. São Paulo: EPU, 1986.
Paulo: Presença, Martins Fontes, s.d -SEVERINO, A. J. Educação, Ideologia e Contra
Ideologia. São Paulo: EPU, 1986.

Conhecimentos Pedagógicos 8
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

uma atenta e constante vigilância diante dos riscos da sua história. O que se impõe é a adequada exploração do
ideologização de sua atividade, seja ela desenvolvida na sala conhecimento, poderosa estratégia do homem para se nortear
de aula, seja em qualquer outra instância do plano no espaço social e no tempo histórico. Daí a relevância do
macrossocial do sistema de educação da sociedade. conhecimento em suas dimensões científica e filosófica,
O procedimento da consciência, no seu desempenho âmbitos nos quais há a possibilidade efetiva de se assegurar a
subjetivo, não tem a inflexibilidade mecânica e linear dos competência e a criticidade necessárias no caso de utilização
instintos. Ao representar e ao avaliar os diversos aspectos da de nossa subjetividade.
realidade, a consciência facilmente os falseia. A representação A escola se caracteriza, pois, como a institucionalização das
simbólica da realidade, que lhe cabia fazer, perde então seu mediações reais para que uma intencionalidade possa tornar-
caráter objetivo e se impregna de significações que não mais se efetiva, concreta, histórica, para que os objetivos
correspondem à realidade, e a visão elaborada pelo sujeito fica intencionalizados não fiquem apenas no plano ideal, mas
falseada. Na sua atividade subjetiva, a consciência deveria ganhem forma real.
visar e dirigir-se à realidade objetiva, atendo-se a ela. No Assim sendo, a escola se dá como lugar do
entanto, quanto mais autônoma e livre em relação à entrecruzamento do projeto político coletivo da sociedade
transitividade dos instintos, mais frágil se torna em relação à com os projetos pessoais e existenciais de educandos e
objetividade e mais suscetível de sofrer interferências educadores. É ela que viabiliza que as ações pedagógicas dos
perturbadoras. À consciência subjetiva pode ocorrer de se educadores se tornem educacionais, na medida em que se
projetar numa objetividade não-real, apenas projetada, impregna das finalidades políticas da cidadania que interessa
imaginada, ideada. É como se estivesse imaginando um mundo aos educandos. Se, de um lado, a sociedade precisa da ação dos
inventado, invertido. E assim a consciência, alienando-se em educadores para a concretização de seus fins, de outro os
relação à realidade objetiva, constrói conteúdos educadores precisam do dimensionamento político do projeto
representativos com os quais pretende explicar e avaliar os social para que sua ação tenha real significado como mediação
vários aspectos da realidade e que apresenta como sendo da humanização dos educandos. Estes encontram na escola um
verdadeiros e válidos, aptos não só a explicá-los mas também dos espaços privilegiados para a vivificação e a efetivação de
a legitimá-los. Porém, alienada, a consciência não se dá conta seu projeto.
de que tais conteúdos nem sempre estão se referindo A escola se faz necessária para abrigar e mediatizar o
adequadamente ao objeto. Na verdade, tais conteúdos – ideias, projeto educacional, imprescindível para uma sociedade
representações, conceitos, valores – são ideológicos, ou seja, autenticamente moderna. A especificidade do trabalho
têm obviamente um sentido, um significado, mas descolado do pedagógico exige uma institucionalização de meios que
real objetivo, pois referem-se de fato a um outro aspecto da vinculem educadores e educandos. A escola não pode ser
realidade que, no entanto, fica oculto e camuflado. Ocorre um substituída pelos meios de comunicação de massa; toda
falseamento da própria apreensão pela consciência, um relação pedagógica depende de um relacionamento humano
desvirtuamento de seu proceder, decorrente sobretudo da direto. Toda situação de aprendizagem, para ser educacional,
pressão de interesses sociais que, intervindo na valoração da não basta ser tecnicamente operativa; precisa ser pedagógica,
própria subjetividade, altera a relação de significação das ou seja, relacionar pessoas diretamente entre si. Aliás, a
representações. fecundidade didática dos meios técnicos já é dependente da
Esses interesses/valores que intervêm e interferem na incorporação de significados valorativos pessoais.
atividade cognoscitiva e valorativa da consciência nascem das Para que se possa falar de um projeto impregnado por uma
relações sociais de poder, das relações políticas, que tecem a intencionalidade significadora, impõe-se que todas as partes
trama da sociedade. É para legitimar determinadas relações de envolvidas na prática educativa de uma escola estejam
poder que a consciência apresenta como objetivas, universais profundamente integradas na constituição e no vivenciamento
e necessárias, portanto supostamente verdadeiras, algumas dessa intencionalidade. Do mesmo modo que, num campo
representações que, na realidade social, referem-se de fato a magnético, todas as partículas do campo estão imantadas, no
interesses de grupos particulares, em geral grupos âmbito de um projeto educacional todas as pessoas envolvidas
dominantes, detentores do poder no interior da sociedade. precisam compartilhar dessa intencionalidade, adequando
A força do processo de ideologização é, sem dúvida, um dos seus objetivos parciais e particulares ao objetivo abrangente
maiores percalços da prática educativa, porque ela atua no seu da proposta pedagógica decorrente do projeto educacional.
âmago. Mas a possibilidade da interferência da ideologia não Mas, para tanto, impõe-se que toda a comunidade escolar seja
invalida nem inviabiliza a escola. O simples fato do efetivamente envolvida na construção e na explicitação dessa
reconhecimento do poder ideologizador da educação mesma intencionalidade. É um sujeito coletivo que deve
testemunha igualmente o valor da subjetividade, seu poder de instaurá-la; e é nela que se lastreiam a significação e a
doação de significações. O que cabe, no entanto, à escola, na legitimidade do trabalho em equipe e de toda
sua auto constituição como centro de um projeto educacional, interdisciplinaridade, tanto no campo teórico como no campo
é ter presente essa ambivalência de sua própria condição de prático.
agência educativa e investir na explicitação e na crítica desses Ao investir na constituição da cidadania dos indivíduos, a
compromissos ideológicos, etapas preliminares para que educação escolar está articulando o projeto político da
possa tornar seu projeto elemento que transforma a escola em sociedade – que precisa ter seus membros como cidadãos – e
lugar também de elaboração de um discurso contra ideológico os projetos pessoais desses indivíduos que, por sua vez,
e, consequentemente, de instauração de uma nova consciência precisam do espaço social para existir humanamente.
social e até mesmo de novas relações sociais. A educação pode Em sociedades históricas passando por momentos de
se tornar também uma força transformadora do social, determinação alienadora, de opressão e de exploração,
atuando portanto contra ideologicamente. implementando projeto político voltado para interesses
Educar contra ideologicamente é utilizar, com a devida egoísticos de grupos particulares hegemônicos, como é o caso
competência e criticidade, as ferramentas do conhecimento, as de nossa sociedade brasileira atual, fica ainda mais fragilizada
únicas de que efetivamente o homem dispõe para dar sentido a força da instituição escolar nesse seu trabalho de construção
às práticas mediadoras de sua existência real. Por mais da cidadania, uma vez que o projeto educacional autêntico
ambíguos e fragilizados que sejam esses recursos da estaria necessariamente em conflito com o projeto político da
subjetividade, eles são instrumentos capazes de explicitar sociedade que, ao oprimir a maioria dos indivíduos que a
verdades históricas e de significar, com um mínimo de integram, compromete até mesmo a possibilidade de o
fidelidade, a realidade objetiva em que o homem desenvolve educador construir seu projeto pessoal. Esbarra-se aí nos

Conhecimentos Pedagógicos 9
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

limites impostos pela manipulação, pela expropriação e pela publica), mediante a qual poderia assegurar a todos os
alienação dos seres humanos. Muitas vezes, investir na integrantes da sociedade o acesso e o usufruto dos bens
construção de um projeto educacional é pura prática de humanos, garantindo a todos, com o máximo de equidade, o
resistência. compartilhamento do bem comum. No entanto, essa
No entanto, mesmo nesse caso, a escola se torna ainda mais expectativa tende a frustrar-se continuamente, tal a
necessária, impondo-se um investimento sistemático com fragilidade do direito em nossa sociedade. A experiência
vistas a sua sustentação e ao desenvolvimento de um projeto histórica da sociedade brasileira foi e continua sendo marcada
educacional eminentemente contra ideológico, ou seja, pela realidade brutal da violência, do autoritarismo, da
desmascarando, denunciando, criticando esse projeto político, dominação, da injustiça, da discriminação, da exclusão, enfim,
não se conformando com ele, não o aceitando passivamente. da falta do direito. É assim que o nosso não tem sido um Estado
Com as armas fornecidas pelo conhecimento, devendo realizar de direito; ele sempre foi, sob as mais variadas formas, um
seu trabalho educacional no contexto de uma sociedade Estado de fato, no qual as decisões são tomadas e
opressiva, os educadores precisam pautar-se num público de implementadas sob o império da força e da dominação. Não é
educação, concebido e articulado em instituições que gerem um agenciador dos interesses coletivos e muito menos dos
um espaço público aberto à totalidade social, sem qualquer interesses dos segmentos mais fracos da população que
tipo de restrição. constitui sua sociedade civil. Na verdade, as relações de poder
Após duas décadas sob a tutela de um Estado autoritário e no interior da sociedade brasileira continuam moldadas nas
autocrático, no qual a dimensão pública se reduzira à relações de tipo escravocrático que a fundaram, aquelas
expressão meramente tecnoburocrática do estatal, relações do tipo ‘casa-grande e senzala’, metáfora que é, na
mergulhada na voracidade consumista do momento verdade, descrição científica.
neoliberal, o sentido do público acaba deslizando para uma Desse modo, o direito acaba desvirtuado pelo seu próprio
mera identificação do civil ao mercadológico, ou seja, a enviesamento ideológico. Se, de um lado, ele é visto pelos que
sociedade civil não é mais a comunidade dos cidadãos, mas a dele dependem como meio para contar com o usufruto do bem
comunidade dos produtores e dos consumidores em relação comum, de outro ele é usado por aqueles que dele pouco
de mercado. Toda a vida social passa a ser medida e marcada precisam para salvaguardar seus privilégios. No campo
pelo compasso das transações comerciais, do que não escapa específico da educação, a legislação passa a ser então
nenhum setor da cultura, nem mesmo a educação. O dilema estratagema ideológico, prometendo exatamente aquilo que
que vivemos hoje se expressa exatamente por essa não pretende conceder. Por isso mesmo, na medida em que
ambiguidade, pela qual a dimensão pública se esvazia, grupos com interesses diferentes e opostos podem lutar por
impondo a minimização do Estado na condução das políticas eles, acabam travando uma luta ideológica, ou seja, buscam
sociais, que ficam dependentes apenas das leis do mercado, servir-se da legislação como um instrumento da garantia
tido como dinâmica própria da esfera do privado. Daí o ímpeto desses direitos. Nessa luta sem tréguas, o caráter público da
privatizante que varre a sociedade e a cultura do Brasil nas educação vai sendo, cada vez mais, comprometido.
últimas três décadas, sob o sopro incessante e denso dos É por isso mesmo que, de acordo com o atual modelo, o
ventos ideológicos do neoliberalismo. A oferta de educação, processo fundamental da história humana deve ser conduzido
assim como dos demais chamados serviços públicos, é um pelas forças da própria sociedade civil, e não mais pela
dentre outros empreendimentos econômico-financeiros a administração via aparelho do Estado. Entende-se que o motor
serem conduzidos nos termos das implacáveis leis do da vida social é o mercado, e não a administração política. As
mercado. leis gerais são aquelas da economia do mercado, e não as da
Em todas as situações de ambiguidade que as atravessam, economia política. E o mercado se regula por forças
as categorias de público e de privado padecem de uma concorrenciais, nascidas dos interesses dos indivíduos e
limitação congênita que compromete sua validade político- grupos, que se ‘vetorizam’ no interior da própria sociedade
educacional, impondo aos atuais teóricos e práticos da civil – donde a proposta do Estado mínimo e os elogios à
educação uma inconclusa tarefa de redimensioná-los com fecundidade da livre iniciativa, à privatização generalizada etc.
vistas a assegurar-lhe eficácia e legitimidade. Para tanto, é Dessa situação decorrem igualmente os profundos
preciso ter presente a historicidade da construção dessas equívocos que vêm atravessando a política educacional
categorias. Assim, é necessário reconhecer a procedência da brasileira das últimas décadas, ao estender a privatização
universalidade do bem comum, mas que deve ser entendida exacerbada e sem critérios também aos assim chamados
como uma possibilidade histórica a ser realizada no fluxo do ‘serviços educacionais’, atendendo apenas às diretrizes da
tempo. Impõe-se ainda reconhecer a rica contribuição do agenda econômica neoliberal. Trata-se de prática duplamente
iluminismo liberal na construção do estado de direito como perversa. De um lado, desconhece a incapacidade econômica
tentativa de instauração de uma determinada ordenação do da maioria da população brasileira de se integrar no processo
social. Como se sabe, o direito nasceu na civilização humana produtivo de uma economia de mercado, que pressupõe um
como forma de organizar as relações entre os homens, de patamar mínimo de condições objetivas para que os agentes
modo a garantir um mínimo de simetria nessas relações, possam dela participar. Abaixo desse nível, essa participação
assegurando assim a justiça, ou seja, que um mínimo de se situará necessariamente numa esfera de marginalidade
equidade nelas reinasse. No entanto, tão logo conseguiu econômico-social. De outro lado, a perversidade do sistema se
apreender-se como uma coletividade a que se impunha uma manifesta igualmente no fato da precária qualidade de
convivência em comum, a humanidade percebeu, com base em educação que sobra para a população que dela mais precisa,
sua experiência empírica, que o tecido social não se constituía tanto nas escolas/empresas quanto nas escolas públicas ainda
como uma teia de membros iguais. O tecido social era todo mantidas pelo Estado, ou seja, tal educação ofertada não
marcado por forte hierarquização estratificada, em que ocorre habilitará essa população a ponto de lhe viabilizar a ruptura
grande desequilíbrio das forças em presença, em que alguns do círculo de ferro de sua opressão. Apenas uma elite
indivíduos ou grupos não só se opunham uns aos outros como vinculada aos segmentos dominantes dispõe de uma educação
dominavam os indivíduos ou grupos mais fracos. Uma intensa qualificada, sem dúvida alguma capaz de habilitá-la para
luta de interesses colocava esses elementos em situação de continuar no exercício da dominação.
conflito, geradora de muitas formas de violência e de opressão. O sentido do público é aquele abrangido pelo sentido do
É íntima a aproximação que os teóricos modernos fizeram bem comum efetivamente universal, ou seja, que garanta ao
entre democracia e o caráter público da atuação do Estado universo dos sujeitos o direito de usufruir dos bens culturais
(por isso mesmo, deveria ser preferencialmente uma res da educação, sem nenhuma restrição. A questão básica não é a

Conhecimentos Pedagógicos 10
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

da referência jurídica de manutenção dos subsistemas de (A) dispersão regional do poder econômico.
ensino, mas a do seu efetivo envolvimento com o objetivo da (B) polarização acentuada da disputa partidária.
educação universalizada. (C) orientação radical dos movimentos populares.
As instituições particulares de ensino também não podem (D) condução eficiente das ações administrativas.
eximir-se de um comprometimento que leve em conta um (E) sustentação ideológica das desigualdades existentes.
projeto político-social identificado com as necessidades
objetivas do todo da população. O equívoco radical está em se 02. Educação é prática histórico-social, cujo norteamento
entenderem e, sobretudo, em se vivenciarem apenas como se fará de maneira técnica, conforme ocorre nas esferas da
instâncias do mercado, em que os bens simbólicos da cultura manipulação do mundo natural.
transformam-se em bens puramente econômicos, esvaziados ( ) Certo ( ) Errado
de todo conteúdo humano e humanizador.
03. A discussão dos fundamentos ético-políticos da
Pistas e recomendações:12 educação, objeto desta reflexão, envolve necessariamente a
- A Educação ao longo de toda a vida baseia-se em quatro esfera da subjetivação, uma vez que implica referência a
pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a valores.
viver juntos, aprender a ser. ( ) Certo ( ) Errado
- Aprender a conhecer, combinando uma cultura geral,
suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em 04. Quanto à escola, ela visa buscar o mundo real, suas
profundidade um pequeno número de matérias. O que necessidades, saindo ideologia e colocando em prática as reais
também significa: aprender a aprender, para beneficiar-se das necessidades.
oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a ( ) Certo ( ) Errado
vida.
- Aprender a fazer, a fim de adquirir, não somente uma Respostas
qualificação profissional mas, de uma maneira mais ampla,
competências que tornem a pessoa apta a enfrentar 01. E. / 02. Errado. / 03. Certo. / 04. Certo. A
numerosas situações e a trabalhar em equipe. Mas, também,
aprender a fazer, no âmbito das diversas experiências sociais
ou de trabalhos que se oferecem às pessoas, quer
espontaneamente, fruto do contexto local ou nacional, quer Concepções e tendências
formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino alternado pedagógicas contemporâneas
com o trabalho.
- Aprender a viver juntos desenvolve a compreensão do
outro e a percepção das interdependências – realizar projetos
comuns e preparar-se para gerir conflitos – no respeito pelos Tendências Pedagógicas13
valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz.
- Aprender a ser, para melhor desenvolver a sua Neste texto adaptado de Luckesi14, vamos tratar das
personalidade, é estar à altura de agir com cada vez maior concepções pedagógicas propriamente ditas, ou seja, vamos
capacidade de autonomia, discernimento e responsabilidade abordar as diversas tendências teóricas que pretenderam dar
pessoal. Para isso, não negligenciar, na educação, nenhuma das conta da compreensão e da orientação da prática educacional
potencialidades de cada indivíduo: memória, raciocínio, em diversos momentos e circunstâncias da história humana.
sentido estético, capacidades físicas, aptidão para comunicar- Genericamente, podemos dizer que a perspectiva
se. redentora se traduz pelas pedagogias liberais e a perspectiva
- Numa altura em que os sistemas educativos formais transformadora pelas pedagogias progressistas. Essa
tendem a privilegiar o acesso ao conhecimento, em detrimento discussão tem uma importância prática da maior relevância,
de outras formas de aprendizagem, importa conceber a pois permite a cada professor situar-se teoricamente sobre
educação como um todo. Essa perspectiva deve, no futuro, suas opções, articulando-se e autodefinindo-se.
inspirar e orientar as reformas educativas, tanto em nível da
elaboração de programas quanto na definição de novas Assim vamos organizar o conjunto das pedagogias em dois
políticas pedagógicas. grupos:

Questões
Pedagogia Liberal Pedagogia Progressista
01. (ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio – INEP)
- Tradicional - Libertadora
Existe uma cultura política que domina o sistema e é
- Renovada Progressivista - Libertária
fundamental para entender o conservadorismo brasileiro. Há
- Renovada Não Diretiva - Crítico-Social dos
um argumento, partilhado pela direita e pela esquerda, de que
- Tecnicista Conteúdos
a sociedade brasileira é conservadora. Isso legitimou o
conservadorismo do sistema político: existiriam limites para
transformar o país, porque a sociedade é conservadora, não É evidente que tanto as tendências quanto suas
aceita mudanças bruscas. Isso justifica o caráter vagaroso da manifestações não são puras nem mutuamente exclusivas o
redemocratização e da redistribuição da renda. Mas não é que, aliás, é a limitação principal de qualquer tentativa de
assim. A sociedade é muito mais avançada que o sistema classificação. Em alguns casos as tendências se
político. Ele se mantém porque consegue convencer a complementam, em outros, divergem. De qualquer modo, a
sociedade de que é a expressão dela, de seu conservadorismo. classificação e sua descrição poderão funcionar como um
NOBRE, M. Dois ismos que não rimam. instrumento de análise para o professor avaliar a sua prática
A característica do sistema político brasileiro, ressaltada de sala de aula.
no texto, obtém sua legitimidade da

12 DELORS, Jacques (org.). Educação um tesouro a descobrir – Relatório para 13 LIBÂNEO,José Carlos. Democratização da Escola Pública. A pedagogia

a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Editora crítico-social dos conteúdos. Edições Loyola.
Cortez, 7ª edição, 2012 14 LUCKESI C. Tendências Pedagógicas na Prática escolar

Conhecimentos Pedagógicos 11
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Pedagogia Liberal absorvida; em consequência, a disciplina imposta é o meio


A Pedagogia Liberal é voltada para o sistema capitalista e mais eficaz para assegurar a atenção e o silêncio.
esconde a realidade das diferenças entre as classes sociais.
Nessa pedagogia, a escola tem que preparar os indivíduos para Pressupostos de aprendizagem - a ideia de que o ensino
a sociedade, de acordo com as suas aptidões individuais, por consiste em repassar os conhecimentos para o espírito da
isso os indivíduos precisam aprender a se adaptar aos valores criança é acompanhada de uma outra: a de que a capacidade
e às normas vigentes na sociedade de classes através do de assimilação da criança é idêntica à do adulto, apenas menos
desenvolvimento da cultura individual. desenvolvida. Os programas, então, devem ser dados numa
progressão lógica, estabelecida pelo adulto, sem levar em
A ênfase no aspecto cultural esconde a realidade das conta as características próprias de cada idade. A
diferenças de classes, pois, embora difunda a ideia de aprendizagem, assim, é receptiva e mecânica, para o que se
igualdade de oportunidades, não leva em conta a desigualdade recorre frequentemente à coação. A retenção do material
de condições. Historicamente, a educação liberal iniciou-se ensinado é garantida pela repetição de exercícios sistemáticos
com a pedagogia tradicional e, por razões de recomposição da e recapitulação da matéria. A transferência da aprendizagem
hegemonia da burguesia, evoluiu para a pedagogia renovada depende do treino; é indispensável a retenção, a fim de que o
(também denominada Escola Nova ou Ativa), o que não aluno possa responder às situações novas de forma
significou a substituição de uma pela outra, pois ambas semelhante às respostas dadas em situações anteriores.
conviveram e convivem na prática escolar.
Avaliação - se dá por verificações de curto prazo
- Tendência Liberal Tradicional (interrogatórios orais, exercício de casa) e de prazo mais longo
Na Tendência Liberal Tradicional, a pedagogia liberal se (provas escritas, trabalhos de casa). O esforço é, em geral,
caracteriza por acentuar o ensino humanístico, de cultura negativo (punição, notas baixas, apelos aos pais); às vezes, é
geral, no qual o aluno é educado para atingir, pelo próprio positivo (emulação, classificações).
esforço, sua plena realização como pessoa. Os conteúdos, os
procedimentos didáticos, a relação professor-aluno não têm Manifestações na prática escolar - a pedagogia liberal
nenhuma relação com o cotidiano do aluno e muito menos com tradicional é viva e atuante em nossas escolas, predominante
as realidades sociais. É a predominância da palavra do em nossa história educacional.
professor, das regras impostas, do cultivo exclusivamente
intelectual. - Tendência Liberal Renovada
A Tendência Liberal Renovada acentua, igualmente, o
Papel da escola - consiste na preparação intelectual e moral sentido da cultura como desenvolvimento das aptidões
dos alunos para assumir sua posição na sociedade. O individuais. A educação é a vida presente, é a parte da própria
compromisso da escola é com a cultura, os problemas sociais experiência humana. A escola renovada propõe um ensino que
pertencem à sociedade. O caminho cultural em direção ao valorize a autoeducação (o aluno como sujeito do
saber é o mesmo para todos os alunos, desde que se esforcem. conhecimento), a experiência direta sobre o meio pela
Assim, os menos capazes devem lutar para superar suas atividade; um ensino centrado no aluno e no grupo.
dificuldades e conquistar seu lugar junto aos mais capazes.
Caso não consigam, devem procurar o ensino mais A Tendência Liberal Renovada apresenta-se, entre nós, em
profissionalizante. duas versões distintas:

Conteúdos de ensino - são os conhecimentos e valores - a Renovada Progressivista, ou Pragmatista,


sociais acumulados pelas gerações adultas e repassados ao principalmente na forma difundida pelos pioneiros da
aluno como verdades. As matérias de estudo visam preparar o educação nova, entre os quais se destaca Anísio Teixeira
aluno para a vida, são determinadas pela sociedade e (deve-se destacar, também a influência de Montessori, Decroly
ordenadas na legislação. Os conteúdos são separados da e, de certa forma, Piaget);
experiência do aluno e das realidades sociais, valendo pelo
valor intelectual, razão pela qual a pedagogia tradicional é - a Renovada Não Diretiva orientada para os objetivos de
criticada como intelectualista e, às vezes, como enciclopédica. auto realização (desenvolvimento pessoal) e para as relações
interpessoais, na formulação do psicólogo norte-americano
Métodos - baseiam-se na exposição verbal da matéria e/ou Carl Rogers.
demonstração. Tanto a exposição quanto a análise são feitas
pelo professor, observados os seguintes passos: Tendência Liberal Renovada Progressivista
- Preparação do aluno (definição do trabalho, recordação Papel da escola - a finalidade da escola é adequar as
da matéria anterior, despertar interesse); necessidades individuais ao meio social e, para isso, ela deve
- Apresentação (realce de pontos-chaves, demonstração); se organizar de forma a retratar, o quanto possível, a vida.
- Associação (combinação do conhecimento novo com o já Todo ser dispõe dentro de si mesmo de mecanismos de
conhecido por comparação e abstração); adaptação progressiva ao meio e de uma consequente
- Generalização (dos aspectos particulares chega-se ao integração dessas formas de adaptação no comportamento.
conceito geral, é a exposição sistematizada); Tal integração se dá por meio de experiências que devem
- Aplicação (explicação de fatos adicionais e/ou resoluções satisfazer, ao mesmo tempo, os interesses do aluno e as
de exercícios). exigências sociais. À escola cabe suprir as experiências que
permitam ao aluno educar-se, num processo ativo de
A ênfase nos exercícios, na repetição de conceitos ou construção e reconstrução do objeto, numa interação entre
fórmulas na memorização visa disciplinar a mente e formar estruturas cognitivas do indivíduo e estruturas do ambiente.
hábitos.
Relacionamento professor-aluno - predomina a autoridade Conteúdos de ensino - como o conhecimento resulta da ação
do professor que exige atitude receptiva dos alunos e impede a partir dos interesses e necessidades, os conteúdos de ensino
qualquer comunicação entre eles no decorrer da aula. O são estabelecidos em função de experiências que o sujeito
professor transmite o conteúdo na forma de verdade a ser vivencia frente a desafios cognitivos e situações
problemáticas. Dá-se, portanto, muito mais valor aos

Conhecimentos Pedagógicos 12
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

processos mentais e habilidades cognitivas do que a conteúdos Tendência Liberal Renovada Não Diretiva
organizados racionalmente. Trata-se de “aprender a Papel da escola - formação de atitudes, razão pela qual deve
aprender”, ou seja, é mais importante o processo de aquisição estar mais preocupada com os problemas psicológicos do que
do saber do que o saber propriamente dito. com os pedagógicos ou sociais. Todo esforço está em
estabelecer um clima favorável a uma mudança dentro do
Método de ensino - a ideia de “aprender fazendo” está indivíduo, isto é, a uma adequação pessoal às solicitações do
sempre presente. Valorizam-se as tentativas experimentais, a ambiente. Rogers15 considera que o ensino é uma atividade
pesquisa, a descoberta, o estudo do meio natural e social, o excessivamente valorizada; para ele os procedimentos
método de solução de problemas. Embora os métodos variem, didáticos, a competência na matéria, as aulas, livros, tudo tem
as escolas ativas ou novas (Dewey, Montessori, Decroly, muito pouca importância, face ao propósito de favorecer à
Cousinet e outros) partem sempre de atividades adequadas à pessoa um clima de autodesenvolvimento e realização pessoal,
natureza do aluno e às etapas do seu desenvolvimento. Na o que implica estar bem consigo próprio e com seus
maioria delas, acentua-se a importância do trabalho em grupo semelhantes. O resultado de uma boa educação é muito
não apenas como técnica, mas como condição básica do semelhante ao de uma boa terapia.
desenvolvimento mental. Os passos básicos do método ativo
são: Conteúdos de ensino - a ênfase que esta tendência põe nos
- Colocar o aluno numa situação de experiência que tenha processos de desenvolvimento das relações e da comunicação
um interesse por si mesma; torna secundária a transmissão de conteúdos. Os processos de
- O problema deve ser desafiante, como estímulo à ensino visam mais facilitar aos estudantes os meios para
reflexão; buscarem por si mesmos os conhecimentos que, no entanto,
- O aluno deve dispor de informações e instruções que lhe são dispensáveis.
permitam pesquisar a descoberta de soluções;
- Soluções provisórias devem ser incentivadas e Métodos de ensino - os métodos usuais são dispensados,
ordenadas, com a ajuda discreta do professor; prevalecendo quase que exclusivamente o esforço do
- Deve-se garantir a oportunidade de colocar as soluções à professor em desenvolver um estilo próprio para facilitar a
prova, a fim de determinar sua utilidade para a vida. aprendizagem dos alunos. Rogers explicita algumas das
características do professor “facilitador”: aceitação da pessoa
Relacionamento professor-aluno - não há lugar privilegiado do aluno, capacidade de ser confiável, receptivo e ter plena
para o professor; antes, seu papel é auxiliar o desenvolvimento convicção na capacidade de autodesenvolvimento do
livre e espontâneo da criança; se intervém, é para dar forma ao estudante. Sua função restringe-se a ajudar o aluno a se
raciocínio dela. A disciplina surge de uma tomada de organizar, utilizando técnicas de sensibilização onde os
consciência dos limites da vida grupal; assim, aluno sentimentos de cada um possam ser expostos, sem ameaças.
disciplinado é aquele que é solidário, participante, respeitador Assim, o objetivo do trabalho escolar se esgota nos processos
das regras do grupo. Para se garantir um clima harmonioso de melhor relacionamento interpessoal, como condição para o
dentro da sala de aula é indispensável um relacionamento crescimento pessoal.
positivo entre professores e alunos, uma forma de instaurar a Relacionamento professor-aluno - propõe uma educação
“vivência democrática” tal qual deve ser a vida em sociedade. centrada no aluno, visando formar sua personalidade através
da vivência de experiências significativas que lhe permitam
Pressupostos de aprendizagem - a motivação depende da desenvolver características inerentes à sua natureza. O
força de estimulação do problema e das disposições internas e professor é um especialista em relações humanas, ao garantir
interesses do aluno. Assim, aprender se torna uma atividade o clima de relacionamento pessoal e autêntico. “Ausentar-se” é
de descoberta, é uma autoaprendizagem, sendo o ambiente a melhor forma de respeito e aceitação plena do aluno. Toda
apenas o meio estimulador. É retido o que se incorpora à intervenção é ameaçadora, inibidora da aprendizagem.
atividade do aluno pela descoberta pessoal; o que é
incorporado passa a compor a estrutura cognitiva para ser Pressupostos de aprendizagem - a motivação resulta do
empregado em novas situações. desejo de adequação pessoal na busca da auto realização; é,
portanto um ato interno. A motivação aumenta, quando o
Avaliação - é fluida e tenta ser eficaz à medida que os sujeito desenvolve o sentimento de que é capaz de agir em
esforços e os êxitos são prontos e explicitamente reconhecidos termos de atingir suas metas pessoais, isto é, desenvolve a
pelo professor. valorização do “eu”. Aprender, portanto, é modificar suas
próprias percepções; daí que apenas se aprende o que estiver
Manifestações na prática escolar - os princípios da significativamente relacionado com essas percepções. Resulta
pedagogia progressivista vêm sendo difundidos, em larga que a retenção se dá pela relevância do aprendido em relação
escala, nos cursos de licenciatura, e muitos professores sofrem ao “eu”, ou seja, o que não está envolvido com o “eu” não é
sua influência. Entretanto, sua aplicação é reduzidíssima, não retido e nem transferido.
somente por falta de condições objetivas como também
porque se choca com uma prática pedagógica basicamente Avaliação - perde inteiramente o sentido, privilegiando-se
tradicional. Alguns métodos são adotados em escolas a autoavaliação.
particulares, como o método Montessori, o método dos centros
de interesse de Decroly, o método de projetos de Dewey. O Manifestações na prática escolar - o inspirador da
ensino baseado na psicologia genética de Piaget tem larga pedagogia não diretiva é C. Rogers, na verdade mais psicólogo
aceitação na educação pré-escolar. Pertencem, também, à clínico que educador. Suas ideias influenciam um número
tendência progressivista muitas das escolas denominadas expressivo de educadores e professores, principalmente
“experimentais”, as “escolas comunitárias” e mais orientadores educacionais e psicólogos escolares que se
remotamente (década de 60) a “escola secundária moderna”, dedicam ao aconselhamento. Menos recentemente, podem-se
na versão difundida por Lauro de Oliveira Lima. citar também tendências inspiradas na escola de Summerhill
do educador inglês A. Neill.

15 ROGERS, Carl. Liberdade para aprender.

Conhecimentos Pedagógicos 13
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

- Tendência Liberal Tecnicista é conseguir o comportamento adequado pelo controle do


A tendência Liberal Tecnicista subordina a educação à ensino; daí a importância da tecnologia educacional.
sociedade, tendo como função a preparação de “recursos
humanos” (mão-de-obra para a indústria). A sociedade A Tecnologia Educacional é a “aplicação sistemática de
industrial e tecnológica estabelece (cientificamente) as metas princípios científicos comportamentais e tecnológicos a
econômicas, sociais e políticas, a educação treina (também problemas educacionais, em função de resultados efetivos,
cientificamente) nos alunos os comportamentos de utilizando uma metodologia e abordagem sistêmica
ajustamento a essas metas. abrangente”17.
No tecnicismo acredita-se que a realidade contém em si
suas próprias leis, bastando aos homens descobri-las e aplicá- Qualquer sistema instrucional (há uma grande variedade
las. Dessa forma, o essencial não é o conteúdo da realidade, deles) possui três componentes básicos: objetivos
mas as técnicas (forma) de descoberta e aplicação. A instrucionais operacionalizados em comportamentos
tecnologia (aproveitamento ordenado de recursos, com base observáveis e mensuráveis, procedimentos instrucionais e
no conhecimento científico) é o meio eficaz de obter a avaliação.
maximização da produção e garantir um ótimo funcionamento
da sociedade; a educação é um recurso tecnológico por As etapas básicas de um processo de ensino e de
excelência. aprendizagem são:
Ela “é encarada como um instrumento capaz de promover, - Estabelecimento de comportamentos terminais, através
sem contradição, o desenvolvimento econômico pela de objetivos instrucionais;
qualificação da mão-de-obra, pela redistribuição da renda, - Análise da tarefa de aprendizagem, a fim de ordenar
pela maximização da produção e, ao mesmo tempo, pelo sequencialmente os passos da instrução;
desenvolvimento da ‘consciência política’ indispensável à - Executar o programa, reforçando gradualmente as
manutenção do Estado autoritário”16. Utiliza-se basicamente respostas corretas correspondentes aos objetivos.
do enfoque sistêmico, da tecnologia educacional e da análise
experimental do comportamento. O essencial da tecnologia educacional é a programação por
passos sequenciais empregada na instrução programada, nas
Papel da escola - a escola funciona como modeladora do técnicas de microensino, multimeios, módulos etc. O emprego
comportamento humano, através de técnicas específicas. À da tecnologia instrucional na escola pública aparece nas
educação escolar compete organizar o processo de aquisição formas de: planejamento em moldes sistêmicos, concepção de
de habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, úteis e aprendizagem como mudança de comportamento,
necessários para que os indivíduos se integrem na máquina do operacionalização de objetivos, uso de procedimentos
sistema social global. Tal sistema social é regido por leis científicos (instrução programada, audiovisuais, avaliação etc.,
naturais (há na sociedade a mesma regularidade e as mesmas inclusive a programação de livros didáticos).
relações funcionais observáveis entre os fenômenos da
natureza), cientificamente descobertas. Basta aplicá-las. A Relacionamento professor-aluno - são relações
atividade da “descoberta” é função da educação, mas deve ser estruturadas e objetivas, com papéis bem definidos: o
restrita aos especialistas; a “aplicação” é competência do professor administra as condições de transmissão da matéria,
processo educacional comum. conforme um sistema instrucional eficiente e efetivo em
A escola atua, assim, no aperfeiçoamento da ordem social termos de resultados da aprendizagem; o aluno recebe,
vigente (o sistema capitalista), articulando-se diretamente aprende e fixa as informações. O professor é apenas um elo de
com o sistema produtivo; para tanto, emprega a ciência da ligação entre a verdade científica e o aluno, cabendo-lhe
mudança de comportamento, ou seja, a tecnologia empregar o sistema instrucional previsto. O aluno é um
comportamental. Seu interesse imediato é o de produzir indivíduo responsivo, não participa da elaboração do
indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho, programa educacional. Ambos são espectadores frente à
transmitindo, eficientemente, informações precisas, objetivas verdade objetiva. A comunicação professor-aluno tem um
e rápidas. sentido exclusivamente técnico, que é o de garantir a eficácia
A pesquisa científica, a tecnologia educacional, a análise da transmissão do conhecimento. Debates, discussões,
experimental do comportamento garantem a objetividade da questionamentos são desnecessários, assim como pouco
prática escolar, uma vez que os objetivos instrucionais importam as relações afetivas e pessoais dos sujeitos
(conteúdos) resultam da aplicação de leis naturais que envolvidos no processo de ensino e de aprendizagem.
independem dos que a conhecem ou executam.
Pressupostos de aprendizagem18 - as teorias de
Conteúdos de ensino - são as informações, princípios aprendizagem que fundamentam a pedagogia tecnicista dizem
científicos, leis etc., estabelecidos e ordenados numa que aprender é uma questão de modificação do desempenho:
sequência lógica e psicológica por especialistas. É matéria de o bom ensino depende de organizar eficientemente as
ensino apenas o que é redutível ao conhecimento observável e condições estimuladoras, de modo a que o aluno saia da
mensurável; os conteúdos decorrem, assim, da ciência situação de aprendizagem diferente de como entrou. Ou seja,
objetiva, eliminando-se qualquer sinal de subjetividade. O o ensino é um processo de condicionamento através do uso de
material instrucional encontra-se sistematizado nos manuais, reforçamento das respostas que se quer obter. Assim, os
nos livros didáticos, nos módulos de ensino, nos dispositivos sistemas instrucionais visam ao controle do comportamento
audiovisuais etc. individual face objetivos preestabelecidos.
Trata-se de um enfoque diretivo do ensino, centrado no
Métodos de ensino - consistem nos procedimentos e controle das condições que cercam o organismo que se
técnicas necessárias ao arranjo e controle nas condições comporta. O objetivo da ciência pedagógica, a partir da
ambientais que assegurem a transmissão/recepção de psicologia, é o estudo científico do comportamento: descobrir
informações. Se a primeira tarefa do professor é modelar as leis naturais que presidem as reações físicas do organismo
respostas apropriadas aos objetivos instrucionais, a principal

16 KUENZER, Acácia A; MACHADO, Lucília R. S. “Pedagogia Tecnicista”, in 17AURICCHIO, Lígia O. Manual de tecnologia educacional, p.25.
Guiomar N. de MELLO (org.), Escola nova, tecnicismo e educação compensatória, 18AURICHIO, Lígia de. Manual de Tecnologia Educacional;
p. 34. OLIVEIRA, J.G.A. Tecnologia Educacional teorias da instrução.

Conhecimentos Pedagógicos 14
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

que aprende, a fim de aumentar o controle das variáveis que o A pedagogia progressista tem-se manifestado em três
afetam. tendências:
Os componentes da aprendizagem - motivação, retenção, - a libertadora, mais conhecida como pedagogia de Paulo
transferência - decorrem da aplicação do comportamento Freire;
operante. Segundo Skinner, o comportamento aprendido é - a libertária, que reúne os defensores da autogestão
uma resposta a estímulos externos, controlados por meio de pedagógica;
reforços que ocorrem com a resposta ou após a mesma: “Se a - a crítico-social dos conteúdos que, diferentemente das
ocorrência de um (comportamento) operante é seguida pela anteriores, acentua a primazia dos conteúdos no seu confronto
apresentação de um estímulo (reforçador), a probabilidade de com as realidades sociais.
reforçamento é aumentada”. Entre os autores que contribuem
para os estudos de aprendizagem destacam-se: Skinner, As versões libertadora e libertária têm em comum o
Gagné, Bloon e Mager. antiautoritarismo, a valorização da experiência vivida como
base da relação educativa e a ideia de autogestão pedagógica.
Manifestações na prática escolar19 - a influência da Em função disso, dão mais valor ao processo de aprendizagem
pedagogia tecnicista remonta à 2ª metade dos anos 50 grupal (participação em discussões, assembleias, votações) do
(PABAEE - Programa Brasileiro-americano de Auxílio ao que aos conteúdos de ensino. Como decorrência, a prática
Ensino Elementar). Entretanto foi introduzida mais educativa somente faz sentido numa prática social junto ao
efetivamente no final dos anos 60 com o objetivo de adequar o povo, razão pela qual preferem as modalidades de educação
sistema educacional à orientação político-econômica do popular “não-formal”.
regime militar: inserir a escola nos modelos de racionalização
do sistema de produção capitalista. A tendência da pedagogia crítico-social dos conteúdos
Quando a orientação escolanovista cede lugar à tendência propõe uma síntese superadora das pedagogias tradicional e
tecnicista, pelo menos no nível de política oficial; os marcos de renovada, valorizando a ação pedagógica enquanto inserida na
implantação do modelo tecnicista são as leis 5.540/68 e prática social concreta. Entende a escola como mediação entre
5.692/71, que reorganizam o ensino superior e o ensino de 1º o individual e o social, exercendo aí a articulação entre a
e 2º graus. transmissão dos conteúdos e a assimilação ativa por parte de
A despeito da máquina oficial, entretanto, não há indícios um aluno concreto (inserido num contexto de relações
seguros de que os professores da escola pública tenham sociais); dessa articulação resulta o saber criticamente
assimilado a pedagogia tecnicista, pelo menos em termos de reelaborado.
ideário. A aplicação da metodologia tecnicista (planejamento,
livros didáticos programados, procedimentos de avaliação - Tendência Progressista Libertadora22
etc.) não configura uma postura tecnicista do professor; antes, Papel da escola - não é próprio da pedagogia libertadora
o exercício profissional continua mais para uma postura falar em ensino escolar, já que sua marca é a atuação “não-
eclética em torno de princípios pedagógicos assentados nas formal”. Entretanto, professores e educadores engajados no
pedagogias tradicional e renovada. ensino escolar vêm adotando pressupostos dessa pedagogia.
Assim, quando se fala na educação em geral, diz-se que ela é
Pedagogia Progressista uma atividade onde professores e alunos, mediatizados pela
realidade que apreendem e da qual extraem o conteúdo de
“Formulação de inspiração marxista que influenciou aprendizagem, atingem um nível de consciência dessa mesma
diversos pedagogos brasileiros em fins de 1970. Trabalha com realidade, a fim de nela atuarem, num sentido de
a educação na perspectiva da luta de classes, ou seja, a escola transformação social.
pode e deve servir na luta contra o sistema capitalista, visando Tanto a educação tradicional, denominada “bancária” - que
a construção do socialismo. Dessa forma, sua metodologia tem visa apenas depositar informações sobre o aluno, quanto a
inspiração na teoria do conhecimento marxista, pela dialética educação renovada - que pretenderia uma libertação
materialista, pelo movimento de continuidade e ruptura. psicológica individual - são domesticadoras, pois em nada
Na sala de aula, parte-se da necessidade e aspirações dos contribuem para desvelar a realidade social de opressão. A
estudantes, com seu cotidiano, com o objetivo de estimular educação libertadora, ao contrário, questiona concretamente
rupturas, sair do imediato e chegar ao teórico e abstrato. a realidade das relações do homem com a natureza e com os
Depois desse movimento, espera-se um retorno ao real com outros homens, visando a uma transformação - daí ser uma
uma nova visão que possibilite uma nova ação sobre ele. educação crítica.

Foi proposta pelo educador francês Georges Snyders20 em Conteúdos de ensino - denominados “temas geradores”, são
pelo menos quatro de suas obras: Pedagogia progressista, Para extraídos da problematização da prática de vida dos
onde vão as pedagogias não-diretivas? Alegria na escola e educandos. Os conteúdos tradicionais são recusados porque
Alunos felizes. cada pessoa, cada grupo envolvido na ação pedagógica dispõe
em si próprio, ainda que de forma rudimentar, dos conteúdos
Opõe-se ao ensino tecnicista, de linha autoritária, adotado necessários dos quais se parte. O importante não é a
por volta de 1970, em que professores e alunos executam transmissão de conteúdos específicos, mas despertar uma
projetos elaborados em gabinetes e desvinculados do contexto nova forma da relação com a experiência vivida. A transmissão
social e político. Ou seja, a pedagogia progressista procura de conteúdos estruturados a partir de fora é considerada como
formar cidadãos conscientes e participativos na vida da “invasão cultural” ou “depósito de informação” porque não
sociedade, que leve o aluno a refletir, a desenvolver o espírito emerge do saber popular. Se forem necessários textos de
crítico e criativo e a relacionar o aprendizado a seu contexto leitura estes deverão ser redigidos pelos próprios educandos
social.”21 com a orientação do educador.

19 FREITAG, Barbara. Escola, Estado e Sociedade; GARCIA, Laymert G. S. Educabrasil. São Paulo: Midiamix, 2001.
Desregulagens - Educação, planejamento e tecnologia como ferramenta social; http://www.educabrasil.com.br/pedagogia-progressista/
CUNHA, Luis A. Educação e desenvolvimento social no Brasil. 22 FREIRE, Paulo. Ação Cultural para a Liberdade; Pedagogia do Oprimido e
20 SNYDERS, Georges. Pedagogia progressista. Lisboa, Ed. Almedina. Extensão ou Comunicação?
21 MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos. Verbete

pedagogia progressista. Dicionário Interativo da Educação Brasileira -

Conhecimentos Pedagógicos 15
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Em nenhum momento o inspirador e mentor da pedagogia transfere, em termos de conhecimento, é o que foi incorporado
libertadora Paulo Freire, deixa de mencionar o caráter como resposta às situações de opressão - ou seja, seu
essencialmente político de sua pedagogia, o que, segundo suas engajamento na militância política.
próprias palavras, impede que ela seja posta em prática em
termos sistemáticos, nas instituições oficiais, antes da Manifestações na prática escolar - a pedagogia libertadora
transformação da sociedade. Daí porque sua atuação se dê tem como inspirador e divulgador Paulo Freire, que tem
mais a nível da educação extraescolar. O que não tem aplicado suas ideias pessoalmente em diversos países,
impedido, por outro lado, que seus pressupostos sejam primeiro no Chile, depois na África. Entre nós, tem exercido
adotados e aplicados por numerosos professores. uma influência expressiva nos movimentos populares e
sindicatos e, praticamente, se confunde com a maior parte das
Métodos de ensino – “Para ser um ato de conhecimento o experiências do que se denomina “educação popular”. Há
processo de alfabetização de adultos demanda, entre diversos grupos desta natureza que vêm atuando não somente
educadores e educandos, uma relação de autêntico diálogo; no nível da prática popular, mas também por meio de
aquela em que os sujeitos do ato de conhecer se encontram publicações, com relativa independência em relação às ideias
mediatizados pelo objeto a ser conhecido” (...) “O diálogo originais da pedagogia libertadora. Embora as formulações
engaja ativamente a ambos os sujeitos do ato de conhecer: teóricas de Paulo Freire se restrinjam à educação de adultos
educador-educando e educando-educador”. ou à educação popular em geral, muitos professores vêm
Assim sendo, a forma de trabalho educativo é o “grupo de tentando colocá-las em prática em todos os graus de ensino
discussão a quem cabe autogerir a aprendizagem, definindo o formal.
conteúdo e a dinâmica das atividades. O professor é um
animador que, por princípio, deve descer ao nível dos alunos, - Tendência Progressista Libertária23
adaptando-se às suas características ao desenvolvimento Papel da escola - a pedagogia libertária espera que a escola
próprio de cada grupo. Deve caminhar ‘junto’, intervir o exerça uma transformação na personalidade dos alunos num
mínimo indispensável, embora não se furte, quando sentido libertário e autogestionário. A ideia básica é introduzir
necessário, a fornecer uma informação mais sistematizada. modificações institucionais, a partir dos níveis subalternos
que, em seguida, vão “contaminando” todo o sistema. A escola
Os passos da aprendizagem - codificação-decodificação, e instituirá, com base na participação grupal, mecanismos
problematização da situação - permitirão aos educandos um institucionais de mudança (assembleias, conselhos, eleições,
esforço de compreensão do “vivido”, até chegar a um nível reuniões, associações etc.), de tal forma que o aluno, uma vez
mais crítico de conhecimento e sua realidade, sempre através atuando nas instituições “externas”, leve para lá tudo o que
da troca de experiência em torno da prática social. Se nisso aprendeu.
consiste o conteúdo do trabalho educativo, dispensam um Outra forma de atuação da pedagogia libertária, correlata
programa previamente estruturado, trabalhos escritos, aulas a primeira, é - aproveitando a margem de liberdade do sistema
expositivas assim como qualquer tipo de verificação direta da - criar grupos de pessoas com princípios educativos
aprendizagem, formas essas próprias da “educação bancária”, autogestionários (associações, grupos informais, escolas
portanto, domesticadoras. Entretanto admite-se a avaliação da autogestionários). Há, portanto, um sentido expressamente
prática vivenciada entre educador-educandos no processo de político, à medida que se afirma o indivíduo como produto do
grupo e, às vezes, a auto avaliação feita em termos dos social e que o desenvolvimento individual somente se realiza
compromissos assumidos com a prática social. no coletivo.
A autogestão é, assim, o conteúdo e o método; resume
Relacionamento professor-aluno - no diálogo, como método tanto o objetivo pedagógico quanto o político. A pedagogia
básico, a relação é horizontal, onde educador e educandos se libertária, na sua modalidade mais conhecida entre nós, a
posicionam como sujeitos do ato de conhecimento. O critério “pedagogia institucional”, pretende ser uma forma de
de bom relacionamento é a total identificação com o povo, sem resistência contra a burocracia como instrumento da ação
o que a relação pedagógica perde consistência. Elimina-se, por dominadora do Estado, que tudo controla (professores,
pressuposto, toda relação de autoridade, sob pena de esta programas, provas etc.), retirando a autonomia.
inviabilizar o trabalho de conscientização, de “aproximação de
consciências”. Trata-se de uma “não diretividade”, mas não no Conteúdos de ensino - as matérias são colocadas à
sentido do professor que se ausenta (como em Rogers), mas disposição do aluno, mas não são exigidas. São um
que permanece vigilante para assegurar ao grupo um espaço instrumento a mais, porque importante é o conhecimento que
humano para “dizer sua palavra” para se exprimir sem se resulta das experiências vividas pelo grupo, especialmente a
neutralizar. vivência de mecanismos de participação crítica.
“Conhecimento” aqui não é a investigação cognitiva do real,
Pressupostos de aprendizagem - a própria designação de para extrair dele um sistema de representações mentais, mas
“educação problematizadora” como correlata de educação a descoberta de respostas às necessidades e às exigências da
libertadora revela a força motivadora da aprendizagem. A vida social. Assim, os conteúdos propriamente ditos são os que
motivação se dá a partir da codificação de uma situação- resultam de necessidades e interesses manifestos pelo grupo e
problema, da qual se toma distância para analisá-la que não são, necessária nem indispensavelmente, as matérias
criticamente. “Esta análise envolve o exercício da abstração, de estudo.
através da qual procuramos alcançar, por meio de
representações da realidade concreta, a razão de ser dos Método de ensino - é na vivência grupal, na forma de
fatos”. autogestão, que os alunos buscarão encontrar as bases mais
Aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta, satisfatórias de sua própria “instituição”, graças à sua própria
isto é, da situação real vivida pelo educando, e só tem sentido iniciativa e sem qualquer forma de poder. Trata-se de “colocar
se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade. O que é nas mãos dos alunos tudo o que for possível: o conjunto da
aprendido não decorre de uma imposição ou memorização, vida, as atividades e a organização do trabalho no interior da
mas do nível crítico de conhecimento, ao qual se chega pelo escola (menos a elaboração dos programas e a decisão dos
processo de compreensão, reflexão e crítica. O que o educando exames que não dependem nem dos docentes, nem dos

23 LOBROT, Michel. Pedagogia instotucional, la escuela hacia la autogestión.

Conhecimentos Pedagógicos 16
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

alunos)”. Os alunos têm liberdade de trabalhar ou não, ficando o trabalho de C. Freinet, que tem sido muito estudado entre
o interesse pedagógico na dependência de suas necessidades nós, existindo inclusive algumas escolas aplicando seu método.
ou das do grupo. Entre os estudiosos e divulgadores da tendência libertária
pode-se citar Maurício Tragtenberg, apesar da tônica de seus
O progresso da autonomia, excluída qualquer direção de trabalhos não ser propriamente pedagógica, mas de crítica das
fora do grupo, se dá num “crescendo”: primeiramente a instituições em favor de um projeto autogestionário.
oportunidade de contatos, aberturas, relações informais entre
os alunos. Em seguida, o grupo começa a se organizar, de modo - Tendência Progressista “Crítico Social dos
que todos possam participar de discussões, cooperativas, Conteúdos”24
assembleias, isto é, diversas formas de participação e Papel da escola - a difusão de conteúdos é a tarefa
expressão pela palavra; quem quiser fazer outra coisa, ou primordial. Não conteúdos abstratos, mas vivos, concretos e,
entra em acordo com o grupo, ou se retira. No terceiro portanto, indissociáveis das realidades sociais. A valorização
momento, o grupo se organiza de forma mais efetiva e, da escola como instrumento de apropriação do saber é o
finalmente, no quarto momento, parte para a execução do melhor serviço que se presta aos interesses populares, já que
trabalho. a própria escola pode contribuir para eliminar a seletividade
social e torná-la democrática.
Relação professor-aluno - a pedagogia institucional visa Se a escola é parte integrante do todo social, agir dentro
“em primeiro lugar, transformar a relação professor-aluno no dela é também agir no rumo da transformação da sociedade.
sentido da não diretividade, isto é, considerar desde o início a Se o que define uma pedagogia crítica é a consciência de seus
ineficácia e a nocividade de todos os métodos à base de condicionantes histórico-sociais, a função da pedagogia “dos
obrigações e ameaças”. Embora professor e aluno sejam conteúdos” é dar um passo à frente no papel transformador da
desiguais e diferentes, nada impede que o professor se ponha escola, mas a partir das condições existentes.
a serviço do aluno, sem impor suas concepções e ideias, sem Assim, a condição para que a escola sirva aos interesses
transformar o aluno em “objeto”. O professor é um orientador populares é garantir a todos um bom ensino, isto é, a
e um catalisador, ele se mistura ao grupo para uma reflexão em apropriação dos conteúdos escolares básicos que tenham
comum. ressonância na vida dos alunos. Entendida nesse sentido, a
Se os alunos são livres frente ao professor, também este o educação é “uma atividade mediadora no seio da prática social
é em relação aos alunos (ele pode, por exemplo, recusar-se a global”, ou seja, uma das mediações pela qual o aluno, pela
responder uma pergunta, permanecendo em silêncio). intervenção do professor e por sua própria participação ativa,
Entretanto, essa liberdade de decisão tem um sentido bastante passa de uma experiência inicialmente confusa e fragmentada
claro: se um aluno resolve não participar, o faz porque não se (sincrética) a uma visão sintética, mais organizada e unificada.
sente integrado, mas o grupo tem responsabilidade sobre este Em síntese, a atuação da escola consiste na preparação do
fato e vai se colocar a questão; quando o professor se cala aluno para, o mundo adulto e suas contradições, fornecendo-
diante de uma pergunta, seu silêncio tem um significado lhe um instrumental, por meio da aquisição de conteúdos e da
educativo que pode, por exemplo, ser uma ajuda para que o socialização, para uma participação organizada e ativa na
grupo assuma a resposta ou a situação criada. No mais, ao democratização da sociedade.
professor cabe a função de “conselheiro” e, outras vezes, de
instrutor-monitor à disposição do grupo. Em nenhum Conteúdos de ensino - são os conteúdos culturais universais
momento esses papéis do professor se confundem com o de que se constituíram em domínios de conhecimento
“modelo”, pois a pedagogia libertária recusa qualquer forma relativamente autônomos, incorporados pela humanidade,
de poder ou autoridade. mas permanentemente reavaliados face às realidades sociais.
Embora se aceite que os conteúdos são realidades exteriores
Pressupostos de aprendizagem - as formas burocráticas das ao aluno, que devem ser assimilados e não simplesmente
instituições existentes, por seu traço de impessoalidade, reinventados eles não são fechados e refratários às realidades
comprometem o crescimento pessoal. A ênfase na sociais. Não basta que os conteúdos sejam apenas ensinados,
aprendizagem informal, via grupo, e a negação de toda forma ainda que bem ensinados, é preciso que se liguem, de forma
de repressão visam favorecer o desenvolvimento de pessoas indissociável, à sua significação humana e social.
mais livres. A motivação está, portanto, no interesse em Essa maneira de conceber os conteúdos do saber não
crescer dentro da vivência grupal, pois supõe-se que o grupo estabelece oposição entre cultura erudita e cultura popular, ou
devolva a cada um de seus membros a satisfação de suas espontânea, mas uma relação de continuidade em que,
aspirações e necessidades. progressivamente, se passa da experiência imediata e
Somente o vivido, o experimentado é incorporado e desorganizada ao conhecimento sistematematizado. Não que
utilizável em situações novas. Assim, o critério de relevância a primeira apreensão da realidade seja errada, mas é
do saber sistematizado é seu possível uso prático. Por isso necessária a ascensão a uma forma de elaboração superior,
mesmo, não faz sentido qualquer tentativa de avaliação da conseguida pelo próprio aluno, com a intervenção do
aprendizagem, ao menos em termos de conteúdo. professor.

Outras tendências pedagógicas correlatas - a pedagogia A postura da pedagogia “dos conteúdos” - ao admitir um
libertária abrange quase todas as tendências antiautoritárias conhecimento relativamente autônomo - assume o saber como
em educação, entre elas, a anarquista, a psicanalista, a dos tendo um conteúdo relativamente objetivo, mas, ao mesmo
sociólogos, e também a dos professores progressistas. Embora tempo, introduz a possibilidade de uma reavaliação crítica
Neill e Rogers não possam ser considerados progressistas frente a esse conteúdo. Como sintetiza Snyders, ao mencionar
(conforme entendemos aqui), não deixam de influenciar o papel do professor, trata-se, de um lado, de obter o acesso do
alguns libertários, como Lobrot. Entre os estrangeiros aluno aos conteúdos, ligando-os com a experiência concreta
devemos citar Vasquez y Oury entre os mais recentes, Ferrer y dele - a continuidade; mas, de outro, de proporcionar
Guardia entre os mais antigos. Particularmente significativo é elementos de análise crítica que ajudem o aluno a ultrapassar

24 SAVIANI, Dermeval, Educação: do senso comum à consciência filosófica, MELLO, Guiomar N de, Magistério de 1° grau. p.24;
p.120; CURY, Carlos R. J. Educação e contradição: elementos. p.75.

Conhecimentos Pedagógicos 17
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

a experiência, os estereótipos, as pressões difusas da ideologia A não diretividade abandona os alunos a seus próprios
dominante - é a ruptura. desejos, como se eles tivessem uma tendência espontânea a
Dessas considerações resulta claro que se pode ir do saber alcançar os objetivos esperados da educação. Sabemos que as
ao engajamento político, mas não o inverso, sob o risco de se tendências espontâneas e naturais não são “naturais”, antes
afetar a própria especificidade do saber e até cair-se numa são tributárias das condições de vida e do meio. Não são
forma de pedagogia ideológica, que é o que se critica na suficientes o amor, a aceitação, para que os filhos dos
pedagogia tradicional e na pedagogia nova. trabalhadores adquiram o desejo de estudar mais, de
progredir: é necessária a intervenção do professor para levar
Métodos de ensino - a questão dos métodos se subordina à o aluno a acreditar nas suas possibilidades, a ir mais longe, a
dos conteúdos: se o objetivo é privilegiar a aquisição do saber, prolongar a experiência vivida.
e de um saber vinculado às realidades sociais, é preciso que os
métodos favoreçam a correspondência dos conteúdos com os Pressupostos de aprendizagem - por um esforço próprio, o
interesses dos alunos, e que estes possam reconhecer nos aluno se reconhece nos conteúdos e modelos sociais
conteúdos o auxílio ao seu esforço de compreensão da apresentados pelo professor; assim, pode ampliar sua própria
realidade (prática social). Assim, nem se trata dos métodos experiência. O conhecimento novo se apoia numa estrutura
dogmáticos de transmissão do saber da pedagogia tradicional, cognitiva já existente, ou o professor provê a estrutura de que
nem da sua substituição pela descoberta, investigação ou livre o aluno ainda não dispõe. O grau de envolvimento na
expressão das opiniões, como se o saber pudesse ser aprendizagem dependa tanto da prontidão e disposição do
inventado pela criança, na concepção da pedagogia renovada. aluno, quanto do professor e do contexto da sala de aula.
Aprender, dentro da visão da pedagogia dos conteúdos, é
Os métodos de uma pedagogia crítico-social dos conteúdos desenvolver a capacidade de processar informações e lidar
não partem, então, de um saber artificial, depositado a partir com os estímulos do ambiente, organizando os dados
de fora, nem do saber espontâneo, mas de uma relação direta disponíveis da experiência. Em consequência, admite-se o
com a experiência do aluno, confrontada com o saber trazido princípio da aprendizagem significativa que supõe, como
de fora. O trabalho docente relaciona a prática vivida pelos passo inicial, verificar aquilo que o aluno já sabe. O professor
alunos com os conteúdos propostos pelo professor, momento precisa saber (compreender) o que os alunos dizem ou fazem,
em que se dará a “ruptura” em relação à experiência pouco o aluno precisa compreender o que o professor procura dizer-
elaborada. Tal ruptura apenas é possível com a introdução lhes. A transferência da aprendizagem se dá a partir do
explícita, pelo professor, dos elementos novos de análise a momento da síntese, isto é, quando o aluno supera sua visão
serem aplicados criticamente à prática do aluno. parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora.
Em outras palavras, uma aula começa pela constatação da Resulta com clareza que o trabalho escolar precisa ser
prática real, havendo, em seguida, a consciência dessa prática avaliado, não como julgamento definitivo e dogmático do
no sentido de referi-la aos termos do conteúdo proposto, na professor, mas como uma comprovação para o aluno de seu
forma de um confronto entre a experiência e a explicação do progresso em direção a noções mais sistematizadas.
professor. Vale dizer: vai-se da ação à compreensão e da
compreensão à ação, até a síntese, o que não é outra coisa Manifestações na prática escolar25 - o esforço de elaboração
senão a unidade entre a teoria e a prática. de uma pedagogia “dos conteúdos” está em propor modelos de
ensino voltados para a interação conteúdos-realidades sociais;
Relação professor-aluno – se o conhecimento resulta de portanto, visando avançar em termos de uma articulação do
trocas que se estabelecem na interação entre o meio (natural, político e do pedagógico, aquele como extensão deste, ou seja,
social, cultural) e o sujeito, sendo o professor o mediador, a educação “a serviço da transformação das relações de
então a relação pedagógica consiste no provimento das produção”. Ainda que a curto prazo se espere do professor
condições em que professores e alunos possam colaborar para maior conhecimento dos conteúdos de sua matéria e o
fazer progredir essas trocas. O papel do adulto é insubstituível, domínio de formas de transmissão, a fim de garantir maior
mas acentua-se também a participação do aluno no processo. competência técnica, sua contribuição “será tanto mais eficaz
Ou seja, o aluno, com sua experiência imediata num contexto quanto mais seja capaz de compreender os vínculos de sua
cultural, participa na busca da verdade, ao confrontá-la com os prática com a prática social global”, tendo em vista (...) “a
conteúdos e modelos expressos pelo professor. democratização da sociedade brasileira, o atendimento aos
Mas esse esforço do professor em orientar, em abrir interesses das camadas populares, a transformação estrutural
perspectivas a partir dos conteúdos, implica um envolvimento da sociedade brasileira”.
com o estilo de vida dos alunos, tendo consciência inclusive
dos contrastes entre sua própria cultura e a do aluno. Não se Tendências Pedagógicas Pós-LDB 9.394/9626
contentará, entretanto, em satisfazer apenas as necessidades e Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de
carências; buscará despertar outras necessidades, acelerar e n.º 9.394/96, revalorizam-se as ideias de Piaget, Vygotsky e
disciplinar os métodos de estudo, exigir o esforço do aluno, Wallon. Um dos pontos em comum entre esses psicólogos é o
propor conteúdos e modelos compatíveis com suas fato de serem interacionistas, porque concebem o
experiências vividas, para que o aluno se mobilize para uma conhecimento como resultado da ação que se passa entre o
participação ativa. sujeito e um objeto. De acordo com Aranha27, o conhecimento
Evidentemente o papel de mediação exercido em torno da não está, então, no sujeito, como queriam os inatistas, nem no
análise dos conteúdos exclui a não diretividade como forma de objeto, como diziam os empiristas, mas resulta da interação
orientação do trabalho escolar, por que o diálogo adulto-aluno entre ambos.
é desigual. O adulto tem mais experiência acerca das
realidades sociais, dispõe de uma formação (ao menos deve
dispor) para ensinar, possui conhecimentos e a ele cabe fazer
a análise dos conteúdos em confronto com as realidades
sociais.

25 SAVIANI, Demerval. Escola e democracia, p.83. LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública. São Paulo: Loyola,
26 SILVA, Delcio Barros da. As Principais Tendências Pedagógicas na Prática 1990.
Escolar Brasileira e seus Pressupostos de Aprendizagem. 27 ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. São Paulo:

Editora Moderna, 1998.

Conhecimentos Pedagógicos 18
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Para citar um exemplo no ensino da língua, segundo essa perspectiva interacionista, a leitura como processo permite a
possibilidade de negociação de sentidos em sala de aula. O processo de leitura, portanto, não é centrado no texto, ascendente, bottom-
up, como queriam os empiristas, nem no receptor, descendente, top-down, segundo os inatistas, mas ascendente/descendente, ou seja,
a partir de uma negociação de sentido entre enunciador e receptor. Assim, nessa abordagem interacionista, o receptor é retirado da
sua condição de mero objeto do sentido do texto, de alguém que estava ali para decifrá-lo, decodificá-lo, como ocorria,
tradicionalmente, no ensino da leitura.

As ideias desses psicólogos interacionistas vêm ao encontro da concepção que considera a linguagem como forma de atuação sobre
o homem e o mundo e das modernas teorias sobre os estudos do texto, como a Linguística Textual, a Análise do Discurso, a Semântica
Argumentativa e a Pragmática, entre outros.

De acordo com esse quadro teórico de José Carlos Libâneo, deduz-se que as tendências pedagógicas liberais, ou seja, a tradicional,
a renovada e a tecnicista, por se declararem neutras, nunca assumiram compromisso com as transformações da sociedade, embora, na
prática, procurassem legitimar a ordem econômica e social do sistema capitalista. No ensino da língua, predominaram os métodos de
base ora empirista, ora inatista, com ensino da gramática tradicional, ou sob algumas as influências teóricas do estruturalismo e do
gerativismo, a partir da Lei 5.692/71, da Reforma do Ensino.
Já as tendências pedagógicas progressistas, em oposição às liberais, têm em comum a análise crítica do sistema capitalista. De base
empirista (Paulo Freire se proclamava um deles) e marxista (com as ideias de Gramsci), essas tendências, no ensino da língua,
valorizam o texto produzido pelo aluno, a partir do seu conhecimento de mundo, assim como a possibilidade de negociação de sentido
na leitura.
A partir da LDB 9.394/96, principalmente com a difusão das ideias de Piaget, Vygotsky e Wallon, numa perspectiva sócio histórica,
essas teorias buscam uma aproximação com modernas correntes do ensino da língua que consideram a linguagem como forma de
atuação sobre o homem e o mundo, ou seja, como processo de interação verbal, que constitui a sua realidade fundamental.

QUADRO SÍNTESE DAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS

Nome da
tendência Papel da escola Conteúdos Métodos Professor x Aluno Aprendizagem Manifestações
pedagógica

São
conhecimentos e
A aprendizagem
Preparação valores sociais Exposição e Nas escolas que
Autoridade do é receptiva e
intelectual e acumulados demonstração adotam
Tendência professor que mecânica, sem
moral dos alunos através dos verbal da filosofias
Liberal exige atitude se considerar as
para assumir seu tempos e matéria e /ou humanistas
Tradicional receptiva do características
papel na repassados aos por meio de clássicas ou
aluno. próprias de
sociedade. alunos como modelos. científicas.
cada idade.
verdades
absolutas.

Os conteúdos são
estabelecidos a Por meio de É baseada na Montessori,
A escola deve
Tendência partir das experiências, O professor é motivação e na Decroly,
adequar as
Liberal experiências pesquisas e auxiliador no estimulação de Dewey, Piaget,
necessidades
Renovada vividas pelos método de desenvolvimento problemas. O Cousinet, Lauro
individuais ao
Progressivista alunos frente às solução de livre da criança. aluno aprende de Oliveira
meio social.
situações problemas. fazendo. Lima.
problema.

Educação
centralizada no
aluno; o professor
Tendência Baseia-se na
Método deve garantir um Aprender é Carl Rogers,
Liberal busca dos
Formação de baseado na clima de modificar as “Sumerhill”,
Renovada Não conhecimentos
atitudes. facilitação da relacionamento percepções da escola de A.
Diretiva pelos próprios
aprendizagem. pessoal e realidade. Neill.
(Escola Nova) alunos.
autêntico,
baseado no
respeito.

Relação objetiva
É modeladora do Procedimentos em que o
São informações Skinner, Gagné,
Tendência comportamento e técnicas para professor Aprendizagem
ordenadas numa Bloon, Mager.
Liberal humano através a transmissão e transmite baseada no
sequência lógica Leis 5.540/68 e
Tecnicista de técnicas recepção de informações e o desempenho.
e psicológica. 5.692/71.
específicas. informações. aluno deve fixá-
las.

Conhecimentos Pedagógicos 19
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Não atua em
Valorização da
escolas, porém
experiência
visa levar
vivida como
professores e Temas geradores
base da relação
Tendência alunos a atingir retirados da A relação é de
Grupos de educativa.
Progressivista um nível de problematização igual para igual, Paulo Freire.
discussão. Codificação-
Libertadora consciência da do cotidiano dos horizontalmente.
decodificação.
realidade em que educandos.
Resolução da
vivem na busca
situação
da transformação
problema.
social.

Lobrot, C.
Também prima
Freinet, Miguel
Transformação pela valorização
É não diretiva, o Gonzales,
Tendência da personalidade As matérias são Vivência grupal da vivência
professor é Vasquez, Oury,
Progressivista num sentido colocadas, mas na forma de cotidiana.
orientador e os Maurício
Libertária libertário e não exigidas. autogestão. Aprendizagem
alunos livres. Tragtenberg,
autogestionário. informal via
Ferrer y
grupo.
Guardia.

O método parte
Conteúdos Makarenko, B.
Tendência de uma relação Papel do aluno
culturais Baseadas nas Charlot,
Progressivista direta da como
universais que estruturas Suchodolski,
“Crítico-social Difusão dos experiência do participador e do
são incorporados cognitivas já Manacorda, G.
dos conteúdos conteúdos. aluno professor como
pela humanidade estruturadas Snyders
ou histórico- confrontada mediador entre o
frente à realidade nos alunos. Demerval
crítica” com o saber saber e o aluno.
social. Saviani.
sistematizado.

Questões

01. (SEDUC/RO – Professor de História – FUNCAB) Na tendência tradicional, a Pedagogia Liberal se caracteriza por:
(A) subordinar a educação à sociedade, tendo como função a preparação de recursos humanos por meio da profissionalização.
(B) valorizar a autoeducação, a experiência direta sobre o meio pela atividade e o ensino centrado no aluno e no grupo.
(C) acentuar o ensino humanístico, de cultura geral, através do qual o aluno deve atingir pelo seu próprio esforço, sua plena
realização.
(D) considerar a educação um processo interno, que parte das necessidades e dos interesses individuais.
(E) focar no aprender a aprender, ou seja, é mais importante o processo de aquisição do saber do que o saber propriamente.

02. (INSS – Analista – Pedagogia – FUNRIO) A ênfase em um ensino funcional ou ativo, baseado nos interesses naturais das
crianças e no trabalho em grupo ou em comunidade, para criar o hábito da cooperação e incentivar a relação entre a escola e a vida.
Essas são características de uma pedagogia baseada
(A) na teoria crítico-social dos conteúdos.
(B) na naturalização das práticas pedagógicas.
(C) nos princípios escolanovistas.
(D) na utilização de técnicas motivacionais.
(E) em aprendizagens de abordagem behaviorista.

03. (TJ/DF – Analista Judiciário – Pedagogia – CESPE) A partir das concepções pedagógicas, julgue o item seguinte: As
experiências de alfabetização de jovens e adultos inspiradas nas ideias do educador Paulo Freire são exemplo da concepção liberal
renovada progressista.
( ) Certo ( ) Errado

04. (TJ/DF – Analista Judiciário – Pedagogia – CESPE) A partir das concepções pedagógicas, julgue o item seguinte: Manacorda
é um dos autores que retratam em suas obras os pressupostos da concepção progressista libertadora.
( ) Certo ( ) Errado

05. (TJ/DF – Analista Judiciário – Pedagogia – CESPE) A partir das concepções pedagógicas, julgue o item seguinte: As escolas
que utilizam o método montessoriano são consideradas uma manifestação da concepção liberal tradicional.
( ) Certo ( ) Errado

Respostas

01. C. / 02. C. / 03. Errada. / 04. Errada. / 05. Errada.

Conhecimentos Pedagógicos 20
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

cultura e história próprias, igualmente valiosas e que em


conjunto constroem, na nação brasileira, sua história;
Relações socioeconômicas e - ao conhecimento e à valorização da história dos povos
político-culturais da educação africanos e da cultura afro-brasileira na construção histórica e
cultural brasileira;
- à superação da indiferença, injustiça e desqualificação
com que os negros, os povos indígenas e também as classes
Diversidade socioeconômica e cultural populares às quais os negros, no geral, pertencem, são
comumente tratados;
A escola pública possui em sua grande maioria alunos - à desconstrução, por meio de questionamentos e análises
provenientes de uma classe socioeconômica cultural críticas, objetivando eliminar conceitos, ideias,
desfavorecida, de famílias que possuem uma condição de vida comportamentos veiculados pela ideologia do
desfavorável e que, na maioria, possuem dificuldades de branqueamento, pelo mito da democracia racial, que tanto mal
aprendizagem. São alunos filhos da classe trabalhadora, cujo fazem a negros e brancos;
pais permanecem a maior parte do dia fora de casa - à busca, da parte de pessoas, em particular de professores
trabalhando como empregados em indústrias, lojas, casas de não familiarizados com a análise das relações étnico-raciais e
família, em trabalhos sazonais como boias-frias na zona rural, sociais com o estudo de história e cultura afro-brasileira e
cortadores de cana, pedreiros, garis, empregadas domésticas, africana, de informações e subsídios que lhes permitam
etc., e muitos pais encontram-se até desempregados. formular concepções não baseadas em preconceitos e
construir ações respeitosas;
Esses alunos que compõem a maioria na escola pública - ao diálogo, via fundamental para entendimento entre
atende e que precisa dar conta, oportunizando condições de diferentes, com a finalidade de negociações, tendo em vista
aprendizagem, num processo de qualidade. São alunos que objetivos comuns, visando a uma sociedade justa.
estão à margem da sociedade, e que muitas vezes passam por
diversas circunstâncias perversas, como a fome, situações de Fortalecimento de identidades e de direitos
violência, problemas com alcoolismo e drogas, situações de - o desencadeamento de processo de afirmação de
abandono, entre outros, e esses são os verdadeiros excluídos identidades, de historicidade negada ou distorcida;
da sociedade que estão na escola clamando por ajuda. E as - o rompimento com imagens negativas forjadas por
condições socioeconômicas e culturais é um dos fatores que diferentes meios de comunicação, contra os negros e os povos
podem interferir, e muito, no desempenho escolar dos alunos. indígenas;
- o esclarecimento a respeito de equívocos quanto a uma
O desafio da escola é de possibilitar a essa grande maioria identidade humana universal;
o acesso à escola, mas garantindo-lhes permanecer e ter - o combate à privação e violação de direitos;
sucesso no processo de ensino e aprendizagem, pois o acesso - a ampliação do acesso a informações sobre a diversidade
ao conhecimento historicamente elaborado é que poderá dar da nação brasileira e sobre a recriação das identidades,
a esses alunos, muitas vezes excluídos do sistema e da provocada por relações étnico-raciais;
sociedade, condições para transformar suas vidas e - as excelentes condições de formação e de instrução que
possibilitar uma maior inserção na comunidade, podendo precisam ser oferecidas, nos diferentes níveis e modalidades
atuar como cidadãos, capazes de transformá-la. de ensino, em todos os estabelecimentos, inclusive os
localizados nas chamadas periferias urbanas e nas zonas
O sistema escolar e os professores precisam reconhecer rurais.
nesses alunos os seres humanos que ali estão e clamam por
uma oportunidade, que sonham com uma perspectiva de vida Cultura, Diversidade Cultural28
melhor e que querem ter seus direitos de cidadãos garantidos.
É preciso destruir o histórico de exclusão e desigualdade do Que entendemos pela palavra cultura? Talvez seja útil
sistema escolar público, reconhecendo em cada aluno suas esclarecermos, inicialmente, como a estamos concebendo, já
potencialidades e precisa se preocupar em oferecer um ensino que seus sentidos têm variado ao longo dos tempos,
público de maior qualidade, que possa compensar, pelo menos particularmente no período da transição de formações sociais
parcialmente, as dificuldades de aprendizagem. É preciso que tradicionais para a modernidade. Acreditamos que tal
se fique claro que as crianças que vivem em ambientes esclarecimento pode subsidiar a discussão das relações entre
desfavoráveis também podem ter um nível de aprendizagem currículo e cultura29e30.
satisfatória. E cabe à escola oportunizar essas condições, O primeiro e mais antigo significado de cultura encontra-
oferecendo o apoio necessário aos alunos em condições se na literatura do século XV, em que a palavra se refere a
socioeconômicas e culturais desfavoráveis, ajudando-os a cultivo da terra, de plantações e de animais. É nesse sentido
superar as dificuldades e carências do contexto onde vivem, que entendemos palavras como agricultura, floricultura,
procurando destruir o histórico de exclusão e desigualdade do suinocultura.
sistema escolar público. O segundo significado emerge no início do século XVI,
ampliando a ideia de cultivo da terra e de animais para a mente
A diversidade cultural e o Fortalecimento de humana. Ou seja, passa-se a falar em mente humana cultivada,
identidades e de direitos como princípio educativo afirmando-se mesmo que somente alguns indivíduos, grupos
ou classes sociais apresentam mentes e maneiras cultivadas e
Consciência política e histórica da diversidade que somente algumas nações apresentam elevado padrão de
- à igualdade básica de pessoa humana como sujeito de cultura ou civilização. No século XVIII, consolida-se o caráter
direitos; classista da ideia de cultura, evidente na ideia de que somente
- à compreensão de que a sociedade é formada por pessoas as classes privilegiadas da sociedade europeia atingiriam o
que pertencem a grupos étnico-raciais distintos, que possuem nível de refinamento que as caracterizaria como cultas. O

28http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Ensfund/indag3.pdf 30 CANEN, A. e MOREIRA, A. F. B. Reflexões obre o multiculturalismo na escola


29 BOCOCK, R. The cultural formations of modern society. In: HALL, S. e e na formação docente. In: CANEN, A. e MOREIRA, A. F. B. (Orgs.) Ênfases e omissões
GIEBEN, B. (Orgs.). Formations of modernity. Cambridge: Polity Press/The Open no currículo. Campinas: Papirus, 2001.
University, 1995.

Conhecimentos Pedagógicos 21
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

sentido de cultura, que ainda hoje a associa às artes, tem suas portanto, o conjunto de práticas por meio das quais
origens nessa segunda concepção: cultura, tal como as elites a significados são produzidos e compartilhados em um grupo.
concebem, corresponde ao bem apreciar música, literatura, São os arranjos e as relações envolvidas em um evento que
cinema, teatro, pintura, escultura, filosofia. Será que não passam, dominantemente, a despertar a atenção dos que
encontramos vestígios dessa concepção tanto em alguns de analisam a cultura com base nessa quinta perspectiva, passível
nossos atuais currículos como em textos que se escrevem de ser resumida na ideia de que cultura representa um
sobre currículo? Para alguns docentes, o estudo da literatura, conjunto de práticas significantes. Não será pertinente
por exemplo, ainda tende a se restringir a escritores e livros considerarmos também o currículo como um conjunto de
vistos como clássicos. Para alguns estudiosos da cultura e da práticas em que significados são construídos, disputados,
educação, os grandes autores, as grandes obras e as grandes rejeitados, compartilhados? Como entender, então, as relações
ideias deveriam constituir o núcleo central dos currículos de entre currículo e cultura? Quando um grupo compartilha uma
nossas escolas. cultura, compartilha um conjunto de significados, construídos,
Já no século XX, a noção de cultura passa a incluir a cultura ensinados e aprendidos nas práticas de utilização da
popular, hoje penetrada pelos conteúdos dos meios de linguagem. A palavra cultura implica, portanto, o conjunto de
comunicação de massa. Diferenças e tensões entre os práticas por meio das quais significados são produzidos e
significados de cultura elevada e de cultura popular acentuam- compartilhados em um grupo.
se, levando a um uso do termo cultura que se marca por Se entendermos o currículo, como propõe Williams31,
valorizações e avaliações. Será que algumas de nossas escolas como escolhas que se fazem em vasto leque de possibilidades,
não continuam a fechar suas portas para as manifestações ou seja, como uma seleção da cultura, podemos concebê-lo,
culturais associadas à cultura popular, contribuindo, assim, também, como conjunto de práticas que produzem
para que saberes e valores familiares a muitos (as) estudantes significados. Nesse sentido, considerações de Silva32 podem
sejam desvalorizados e abandonados na entrada da sala de ser úteis. Segundo o autor, o currículo é o espaço em que se
aula? Poderia ser diferente? Como? concentram e se desdobram as lutas em torno dos diferentes
Um terceiro sentido da palavra cultura, originado no significados sobre o social e sobre o político. É por meio do
Iluminismo, a associa a um processo secular geral de currículo que certos grupos sociais, especialmente os
desenvolvimento social. Esse significado é comum nas ciências dominantes, expressam sua visão de mundo, seu projeto
sociais, sugerindo a crença em um processo harmônico de social, sua “verdade”. O currículo representa, assim, um
desenvolvimento da humanidade, constituído por etapas conjunto de práticas que propiciam a produção, a circulação e
claramente definidas, pelo qual todas as sociedades o consumo de significados no espaço social e que contribuem,
inevitavelmente passam. Tal processo acaba equivalendo, por intensamente, para a construção de identidades sociais e
“coincidência”, aos rumos seguidos pelas sociedades culturais. O currículo é, por consequência, um dispositivo de
europeias, as únicas a atingirem o grau mais elevado de grande efeito no processo de construção da identidade do(a)
desenvolvimento. estudante.
Há ainda reflexos dessa visão no currículo? Parece-nos que Não se mostra, então, evidente a íntima relação entre
sim. Em alguns cursos de História, por exemplo, as referências currículo e cultura? Se, em uma sociedade cindida, a cultura é
se fazem, dominantemente, às histórias dos povos um terreno no qual se processam disputas pela preservação ou
“desenvolvidos”, o que nos aliena dos esforços e dos rumos pela superação das divisões sociais, o currículo é um espaço
seguidos na maioria dos países que formam o chamado em que esse mesmo conflito se manifesta. O currículo é um
Terceiro Mundo campo em que se tenta impor tanto a definição particular de
Em um quarto sentido, a palavra “culturas” (no plural) cultura de um dado grupo quanto o conteúdo dessa cultura. O
corresponde aos diversos modos de vida, valores e currículo é um território em que se travam ferozes
significados compartilhados por diferentes grupos (nações, competições em torno dos significados. O currículo não é um
classes sociais, grupos étnicos, culturas regionais, geracionais, veículo que transporta algo a ser transmitido e absorvido, mas
de gênero etc) e períodos históricos. Trata-se de uma visão sim um lugar em que, ativamente, em meio a tensões, se
antropológica de cultura, em que se enfatizam os significados produz e se reproduz a cultura. Currículo refere-se, portanto,
que os grupos compartilham, ou seja, os conteúdos culturais. a criação, recriação, contestação e transgressão33.
Cultura identifica-se, assim, com a forma geral de vida de um Como todos esses processos se “concretizam” no
dado grupo social, com as representações da realidade e as currículo? Pode-se dizer que no currículo se evidenciam
visões de mundo adotadas por esse grupo. A expressão dessa esforços tanto por consolidar as situações de opressão e
concepção, no currículo, poderá evidenciar-se no respeito e no discriminação a que certos grupos sociais têm sido
acolhimento das manifestações culturais dos (as) estudantes, submetidos, quanto por questionar os arranjos sociais em que
por mais desprestigiadas que sejam. essas situações se sustentam. Isso se torna claro ao nos
Finalmente, um quinto significado tem tido considerável lembrarmos dos inúmeros e expressivos relatos de práticas,
impacto nas ciências sociais e nas humanidades em geral. em salas de aulas, que contribuem para cristalizar
Deriva da antropologia social e também se refere a significados preconceitos e discriminações, representações estereotipadas
compartilhados. Diferentemente da concepção anterior, e desrespeitosas de certos comportamentos, certos estudantes
porém, ressalta a dimensão simbólica, o que a cultura faz, em e certos grupos sociais. Em Conselhos de Classe, algumas
vez de acentuar o que a cultura é. Nessa mudança, efetua- se dessas visões, lamentavelmente, se refletem em frases como:
um movimento do que para o como. Concebe-se, assim, a “vindo de onde vem, ele não podia mesmo dar certo na
cultura como prática social, não como coisa (artes) ou estado escola!”.
de ser (civilização). Ao mesmo tempo, há inúmeros e expressivos relatos de
Nesse enfoque, coisas e eventos do mundo natural existem, práticas alternativas em que professores (as) desafiam as
mas não apresentam sentidos intrínsecos: os significados são relações de poder que têm justificado e preservado privilégios
atribuídos a partir da linguagem. Quando um grupo e marginalizações, procurando contribuir para elevar a
compartilha uma cultura, compartilha um conjunto de autoestima de estudantes associados a grupos
significados, construídos, ensinados e aprendidos nas práticas subalternizados. O currículo é um campo em que se tenta
de utilização da linguagem. A palavra cultura implica, impor tanto a definição particular de cultura de um dado grupo

31WILLIAMS, R. The long revolution. Harmondsworth: Penguin Books, 1984 33 MOREIRA, A. F. B. e SILVA, T. T. (Orgs.). Currículo, cultura e sociedade. São
32SILVA, T. T. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do Paulo: Cortez, 1994
currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.

Conhecimentos Pedagógicos 22
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

quanto o conteúdo dessa cultura. O currículo é um território conveniência de resgatar manifestações culturais de
em que se travam ferozes competições em torno dos determinados grupos cujas identidades se encontram
significados. Ou seja, no processo curricular, distintas e ameaçadas, para a importância da participação de todos no
complexas têm sido as respostas dadas à diversidade e à esforço por tornar o mundo menos opressivo e injusto, para a
pluralidade que marcam de modo tão agudo o panorama urgência de se reduzirem discriminações e preconceitos.
cultural contemporâneo. O objetivo maior concentra-se, cabe destacar, na
Cabe também ressaltar a significativa influência exercida, contextualização e na compreensão do processo de construção
junto às crianças e aos adolescentes que povoam nossas salas das diferenças e das desigualdades. Nosso propósito é que os
de aula, pelos “currículos” por eles “vividos” em outros espaços currículos desenvolvidos tornem evidente que elas não são
socioeducativos (shoppings, clubes, associações, igrejas, meios naturais; são, ao contrário, “invenções/construções” históricas
de comunicação, grupos informais de convivência etc), nos de homens e mulheres, sendo, portanto, passíveis de serem
quais se fazem sentir com intensidade muitos dos complexos desestabilizadas e mesmo transformadas. Ou seja, o existente
fenômenos associáveis ao processo de globalização que hoje nem pode ser aceito sem questionamento nem é imutável;
vivenciamos. Nesses outros espaços extraescolares, os constitui-se, sim, em estímulo para resistências, para críticas e
currículos tendem a se organizar com objetivos distintos dos para a formulação e a promoção de novas situações
currículos escolares, o que faz com que valores como pedagógicas e novas relações sociais.
padronização, consumismo, individualismo, sexismo e
etnocentrismo possam entrar em acirrada competição com Contribuições para o Estudo da Pluralidade Cultural no
outras metas, visadas por escolas e famílias. Vale perguntar: Âmbito da Escola34

Como temos, nas salas de aula, reagido a esse “confuso” Para informar adequadamente a perspectiva de ensino e
panorama em que a diversidade se faz tão presente? aprendizagem é importante esclarecer o caráter
Como temos nos esforçado para desestabilizar privilégios e interdisciplinar que constitui o campo de estudos teóricos da
discriminações? Como temos buscado neutralizar influências Pluralidade Cultural. A fundamentação ética, o entendimento
“indesejáveis”? de preceitos jurídicos, incluindo o campo internacional,
Como temos, na escola, dialogado com os “currículos” desses conhecimentos acumulados no campo da História e da
outros espaços? Geografia, noções e conceitos originários da Antropologia, da
Em resumo, o complexo, variado e conflituoso cenário Linguística, da Sociologia, da Psicologia, aspectos referentes a
cultural em que estamos imersos se reflete no que ocorre em Estudos Populacionais, constituem uma base sobre a qual se
nossas salas de aula, afetando sensivelmente o trabalho opera tal reflexão que, ao voltar-se para a atuação na escola,
pedagógico que nelas se processa. Voltamos a perguntar: deve ter cunho eminentemente pedagógico.
Acrescenta-se a essa evidente complexidade o fato de que
Como as diferenças derivadas de dinâmicas sociais como muitos grupos humanos, de que trata o tema Pluralidade
classe social, gênero, etnia, sexualidade, cultura e religião têm Cultural, têm produzido um saber rico e profundo acerca de si
“contaminado” nosso currículo, tanto o currículo formal quanto mesmos, particularmente no âmbito de movimentos sociais e
o currículo oculto? de suas organizações comunitárias. Assim, abre-se à escola a
Como temos considerado, no currículo, essa pluralidade, esse possibilidade de empreender, em seu cotidiano, uma reflexão
caráter multicultural de nossa sociedade? que integra, de maneira ímpar, teoria e prática, reflexão e ação.
Como articular currículo e multiculturalismo?
Que estratégias pedagógicas podem ser selecionadas? Ensino e Aprendizagem na Perspectiva da Pluralidade
Temos, professores e gestores, reservado tempo e espaço Cultural
suficientes para que essas discussões aconteçam nas escolas?
Como nossos projetos político-pedagógicos têm incorporado O tema Pluralidade Cultural propõe que sejam revistas e
tais preocupações? transformadas práticas arraigadas, inaceitáveis e
Como temos atendido ao que determina a Lei nº inconstitucionais, enquanto se ampliam conhecimentos acerca
10.639/2003, que torna obrigatório, nos estabelecimentos de das gentes do Brasil, suas histórias, trajetórias em território
ensino fundamental e médio, o ensino sobre História e Cultura nacional, valores e vidas. O trabalho volta-se para a eliminação
afro-brasileira? de causas de sofrimento, de constrangimento e, no limite, de
De que modo os professores se têm inteirado das lutas e exclusão social da criança e do adolescente. Além disso, o tema
conquistas dos negros, das mulheres, dos homossexuais e de traz oportunidades pedagogicamente muito interessantes,
outros grupos minoritários oprimidos? motivadoras, que entrelaçam escola, comunidade local e
sociedade: ampliando questões do cotidiano para o âmbito
Sem pretender oferecer respostas prontas a serem cosmopolita e vice-versa, colocando-se assim,
aplicadas em quaisquer situações, move-nos a intenção de simultaneamente, como objetivo e como meio do processo
apresentar alguns princípios que possam nortear a construção educacional.
coletiva, em cada escola, de currículos que visem a enfrentar Para os alunos, o tema da Pluralidade Cultural oferece
alguns dos desafios que a diversidade cultural nos tem trazido. oportunidades de conhecimento de suas origens como
Fundamentamo-nos, nesse propósito, em estudos, pesquisas, brasileiro e como participante de grupos culturais específicos.
práticas e depoimentos de docentes comprometidos com uma Ao valorizar as diversas culturas que estão presentes no Brasil,
escola cada vez mais democrática. Nossa intenção é convidar o propicia ao aluno a compreensão de seu próprio valor,
profissional da educação a engajar- se no instigante processo promovendo sua autoestima como ser humano pleno de
de pensar e desenvolver currículos para essa escola. dignidade, cooperando na formação de autodefesas a
Desejamos, com os princípios que vamos sugerir, expectativas indevidas que lhe poderiam ser prejudiciais. Por
intensificar a sensibilidade do (a) docente e do gestor para a meio do convívio escolar possibilita conhecimentos e
pluralidade de valores e universos culturais, para a vivências que cooperam para que se apure sua percepção de
necessidade de um maior intercâmbio cultural no interior de injustiças e manifestações de preconceito e discriminação que
cada sociedade e entre diferentes sociedades, para a

34Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares

nacionais: pluralidade cultural, orientação sexual / Secretaria de Educação


Fundamental.

Conhecimentos Pedagógicos 23
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

recaiam sobre si mesmo, ou que venha a testemunhar - e para experiência pessoal e intransferível, que permite um oportuno
que desenvolva atitudes de repúdio a essas práticas. e rico trabalho de Língua Portuguesa. Assim também o
No âmbito instrumental, o tema permite a explicitação dos exercício efetivo do diálogo, voltado para a troca de
direitos da criança e do adolescente referentes ao respeito e à informações sobre vivências culturais e esclarecimentos
valorização de suas origens culturais, sem qualquer acerca de eventuais preconceitos e estereótipos é componente
discriminação. Exige do professor atitudes compatíveis com fortalecedor do convívio democrático.
uma postura ética que valoriza a dignidade, a justiça, a O cotidiano da escola permite viver algo da beleza da
igualdade e a liberdade. Exige, também, a compreensão de que criação cultural humana em sua diversidade e multiplicidade.
o pleno exercício da cidadania envolve direitos e Partilhar um cotidiano onde o simples “olhar-se” permite a
responsabilidades de cada um para consigo mesmo e para com constatação de que são todos diferentes traz a consciência de
os demais, assim como direitos e deveres coletivos. Traz, para que cada pessoa é única e, exatamente por essa singularidade,
os conteúdos relevantes no conhecimento do Brasil, aquilo que insubstituível.
diz respeito à complexidade da sociedade brasileira: sua O simples fato de os alunos serem provenientes de
riqueza cultural e suas contradições sociais. diferentes famílias, diferentes origens, assim como cada
Ao mostrar as diversas formas de organização social professor ter, ele próprio, uma origem pessoal, e os outros
desenvolvidas por diferentes comunidades étnicas e auxiliares do trabalho escolar terem também, cada qual,
diferentes grupos sociais, explicita que a pluralidade é fator de diferentes histórias, permite desenvolver uma experiência de
fortalecimento da democracia pelo adensamento do tecido interação “entre diferentes”, na qual cada um aprende e cada
social que se dá, pelo fortalecimento das culturas e pelo um ensina. O convívio, aqui, é explicitação de aprendizagem a
entrelaçamento das diversas formas de organização social de cada momento: o que um gosta e o outro não, o que um aprecia
diferentes grupos. e o outro, talvez, despreze.
Esse tema necessita, portanto, que a escola, como Aprender a posicionar-se de forma a compreender a
instituição voltada para a constituição de sujeitos sociais e ao relatividade de opiniões, preferências, gostos, escolhas, é
afirmar um compromisso com a cidadania, coloque em análise aprender o respeito ao outro. Ensinar suas próprias práticas,
suas relações, suas práticas, as informações e os valores que histórias, gestos, tradições, é fazer-se respeitar ao dar-se a
veicula. Assim, a temática da Pluralidade Cultural contribuirá conhecer.
para a vinculação efetiva da escola a uma sociedade Para o aluno, importa ter segurança da aceitação de suas
democrática. características, ter disponível a abertura para que possa dar-
se a conhecer naquelas que sejam experiências particulares
Ensinar Pluralidade Cultural ou viver Pluralidade suas ou do grupo humano a que se vincule e receber incentivo
Cultural? para partilhar com seus colegas a vivência que tenha fora do
Pela educação pode-se combater, no plano das atitudes, a mundo da escola, mas que possa ali ser referida, como
discriminação manifestada em gestos, comportamentos e contribuição sua ao processo de aprendizagem. Resumindo,
palavras, que afasta e estigmatiza grupos sociais. Contudo, ao trata-se de oferecer à criança, e construir junto com ela, um
mesmo tempo em que não se aceita que permaneça a atual ambiente de respeito, pela aceitação; de interesse, pelo apoio
situação, em que a escola é cúmplice, ainda que só por omissão, à sua expressão; de valorização, pela incorporação das
não se pode esquecer que esses problemas não são contribuições que venha a trazer.
essencialmente do âmbito comportamental, individual, mas É claro que aquilo que se apresenta para o aluno é idêntico
das relações sociais, e como elas têm história e permanência. ao que se apresenta para o professor e demais funcionários da
O que se coloca, portanto, é o desafio de a escola se constituir escola: uma organização escolar que saiba estar atenta às
um espaço de resistência, isto é, de criação de outras formas singularidades dos profissionais que ali atuam, respeitando
de relação social e interpessoal mediante a interação entre o suas características próprias, entendendo que esse respeito é
trabalho educativo escolar e as questões sociais, a base para a atuação profissional, e tal respeito não é
posicionando-se crítica e responsavelmente perante elas. incompatível com o respeito às normas institucionais, embora
Assim, cabe à escola buscar construir relações de confiança possa, às vezes, exigir flexibilidade em sua aplicação (por
para que a criança possa perceber-se e viver, antes de mais exemplo, os feriados religiosos).
nada, como ser em formação, e para que a manifestação de Tal atuação não é simples e exige por parte do professor a
características culturais que partilhe com seu grupo de origem consciência de que ele mesmo estará aprendendo, uma vez que
possa ser trabalhada como parte de suas circunstâncias de nessa área a prática do acobertamento é muito mais frequente
vida, que não seja impeditiva do desenvolvimento de suas que a prática do desvelamento.
potencialidades pessoais. A prática do acobertamento é a mais usual, porque assim
É possível identificar no cotidiano as muitas manifestações se estabeleceu no campo social. Vive-se numa realidade na
que permitem o trabalho sobre pluralidade: os fatos da qual a simples menção da palavra discriminação assusta, uma
comunidade ou comunidades do entorno escolar, as notícias vez que se convencionou aceitar sem discussões a ideia de que
de jornal, rádio e TV, as festas das localidades, estratégias de no Brasil todos se entendem e são cordiais e pacíficos (o “mito
intercâmbio entre escolas de diferentes regiões do Brasil, e de da democracia racial”). Mais ainda, muitas vezes a ideia de
diferentes municípios de um mesmo Estado. aceitar que o preconceito existe gera tanto o medo de ser
A escola deve trabalhar atenta às limitações éticas. Assim, acusado de ser preconceituoso como o medo de ser vítima de
quando se fala de alguma comunidade, é preciso ter certeza de preconceito. Essa atitude é o que se chama, popularmente, de
que se referem a conhecimentos reconhecidos por essas “política de avestruz”, na qual, por se fazer de conta que um
comunidades como verdadeiros. Então, como conseguir problema não existe, tem-se a expectativa de que ele deixe, de
informações? Nesse sentido, a prática de intercâmbio escolar fato, de existir.
e da consulta a órgãos comunitários e de imprensa, inclusive Na escola, a prática do acobertamento se dá quando se
das próprias comunidades, é instrumento pedagógico procura diluir as evidências de comportamento
privilegiado. Com isso, será possível transformar a discriminatório, com desculpas muitas vezes evasivas. Um
possibilidade de obter informações das comunidades em fator professor pode ter tratado um aluno mal “porque estava
de corresponsabilização social pelos rumos da discussão, da nervoso”, ou a ofensa de uma criança contra outra é tratada
formação de crianças e adolescentes. como se fosse um simples descuido, uma distração.
É importante abrir espaço para que a criança e o A prática do desvelamento, que é decisiva na superação da
adolescente possam manifestar-se. Viver o direito à voz é discriminação, exige do professor informação, discernimento

Conhecimentos Pedagógicos 24
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

diante de situações indesejáveis, sensibilidade ao sentimento Assim, a problemática que envolve a discriminação étnica,
do outro e intencionalidade definida na direção de colaborar cultural e religiosa, ao invés de se manter em uma zona de
na superação do preconceito e da discriminação. sombra que leva à proliferação da ambiguidade nas falas e nas
A informação deverá permitir um repertório básico atitudes, alimentando com isso o preconceito, pode ser trazida
referente à pluralidade étnica suficiente tanto para identificar à luz, como elemento de aprendizagem e crescimento do grupo
o que é relevante para a situação escolar como para buscar escolar como um todo.
outras informações que se façam necessárias.
O discernimento é indispensável, de maneira particular, Ensinar a pluralidade ou viver a pluralidade?
quando ocorrem situações de discriminação no cotidiano da Sem dúvida, pluralidade vive-se, ensina-se e aprende-se. É
escola. Enfrentar adequadamente o ocorrido, significa tanto trabalho de construção, no qual o envolvimento de todos se dá
não escapar para evasivas quanto não resvalar para o tom de pelo respeito e pela própria constatação de que, sem o outro,
acusação. Se o professor se cala, ou trata do ocorrido de nada se sabe sobre ele, a não ser o que a própria imaginação
maneira ambígua, estará reforçando o problema social; se fornece.
acusa, pode criar sofrimento, rancor e ressentimento. Assim,
discernir o ocorrido, no convívio, é tratar com firmeza a ação Questões
discriminatória, esclarecendo o que é o respeito mútuo, como
se pratica a solidariedade, buscando alguma atividade que 01. (Prefeitura de Itaquitinga - Pedagogo IDHTEC -
possa exemplificar o que diz, com algo que faça, junto com seus 2016) A Lei nº 10.639/2003, torna obrigatório o estudo da
alunos. História e Cultura Afro Brasileira e Africana:
Aqui se coloca a sensibilidade em relação ao outro. (A) Nos estabelecimentos oficiais de ensino e nas
Compreender que aquele que é alvo da discriminação sofre de comunidades indígenas e quilombolas.
fato, e de maneira profunda, é condição para que o professor, (B) Na Educação infantil e ensino fundamental de escolas
em sala de aula, possa escutar até mesmo o que não foi dito. públicas.
Como a história do preconceito é muito antiga, muitos dos (C) Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio,
grupos vítimas de discriminação desenvolveram um medo públicos e privados.
profundo e uma cautela permanente como reação. O professor (D) Nas escolas confessionais e de movimentos populares.
precisa saber que a dor do grito silenciado é mais forte do que (E) Em todos os níveis e modalidades de ensino através da
a dor pronunciada. Poder expressar o que sentiu diante da criação de uma nova disciplina curricular.
discriminação significa a chance de ser resgatado da
humilhação, e de partilhar com colegas seus sentimentos. Ou 02. (UNIRIO - Pedagogo - CESGRANRIO/2016) Os
seja, trata-se de ensinar a dialogar sobre o respeito mútuo, currículos têm uma estreita relação com a história e a
num gesto que pode transformar o significado do sofrimento, sociedade, refletindo questões sociais de um determinado
ao fazer do ocorrido ocasião de aprendizagem. A sensibilidade, momento. Os currículos são produtores de sujeitos dotados de
aqui, exige a atenção para a reação que a criança esteja classe, etnia e gênero. Nessa perspectiva, o papel do pedagogo
apresentando, para sua maior ou menor disposição para tratar na instituição de ensino deve ser o de:
do assunto exatamente no momento ocorrido, ou em situação (A) Premiar os docentes que cumpram o cronograma
posterior. estabelecido.
A intencionalidade se faz necessária como produto de uma (B) Separar os alunos pelas diferenças no seu ritmo de
reflexão que permita ao professor perceber o papel que aprendizagem.
desempenha nessa questão. É também a capacidade de (C) Treinar os professores segundo aulas-padrão.
perceber que tem o que trabalhar em si mesmo, e isso não o (D) Incrementar a competição entre as diferentes
impede de trilhar, junto com seus alunos, o caminho da disciplinas do currículo.
superação do preconceito e da discriminação. Trata-se de ter a (E) Promover a discussão docente sobre o significado dos
certeza de que cada um de seus gestos pode fazer a diferença conteúdos do currículo.
entre o reforço de atitudes inadequadas e a chance de abrir
novas possibilidades de diálogo, respeito e solidariedade. 03. Segundo SILVA (1999), o currículo é o espaço em que
A prática do desvelamento exige perspicácia para os diferentes significados sobre o social e político fazem
responder adequadamente a diferentes situações que serão, sentido. Isso só é possível mediante a um currículo...
na maioria das vezes, imprevisíveis. Devido a essa (A) que tem como cerne os elementos do processo de
imprevisibilidade, a forma de desenvolver tal perspicácia é ensino e aprendizagem, principalmente a didática e a
preparando-se com leituras, buscando informações e avaliação.
vivências, estando atento aos gestos do cotidiano, explicitando (B) no qual possamos identificar grupos prioritários,
valores, refletindo coletivamente na equipe de professores. evidenciando o potencial de um todo.
Desenvolve-se, assim, como uma forma de procurar entender (C) que determinados grupos sociais, expressam sua visão
a complexidade da vida e do comportamento humano. de mundo, seu projeto social, na qual sua representação se dá
Essa informação deve ser buscada de maneira intencional através de um conjunto de práticas que favorecem a produção,
e pode se fazer de maneira lúdica: conhecer os cantos, as evidenciando a construção de identidades sociais e culturais.
lendas, as danças, as peculiaridades nas quais uma criança (D) onde é possível torná-lo em um espaço de crítica
pode ensinar a outra aquilo que é característico do grupo cultural, abrindo as portas, na escola, às diferentes
humano do qual participa. manifestações da cultura popular.
Esse conhecimento recíproco respeitoso é mais que verbal. (E) cuja organização e gestão, as abordagens disciplinares,
Deverá incluir linguagens diversificadas, bem como a pluridisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar possuem
possibilidade de o aluno assumir o papel de educador naquilo papel secundário.
que lhe seja próprio. Nesse sentido, o professor deverá
cooperar, ao mesmo tempo em que aprende com o restante da 04. (ESAF - MF – Pedagogo) Do ponto de vista cultural, a
classe. Observe-se que essa vivência, em si, será extremamente diversidade pode ser entendida como a construção histórica,
importante, por trazer para o aluno a possibilidade de cultural e social das diferenças. As diferenças são também
constatar que a sociedade se apresenta, em sua complexidade, construídas pelos sujeitos sociais ao longo do processo
como um constante objeto de estudo e aprendizagem, onde histórico e cultural, nos processos de adaptação do homem e
todos sempre têm a aprender. da mulher ao meio social e no contexto das relações de poder.

Conhecimentos Pedagógicos 25
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

Sendo assim, mesmo os aspectos tipicamente observáveis, que disposição do aluno, além do empenho do professor no
aprendemos a ver como diferentes desde o nosso nascimento, contexto da sala de aula.
só passaram a ser percebidos dessa forma, porque nós, seres A visão da pedagogia dos conteúdos desenvolve nos alunos
humanos e sujeitos sociais, no contexto da cultura, assim os a capacidade de processar informações e transformar a
nomeamos e identificamos. realidade em que vive. Assim, o professor precisa
Em relação ao conceito de diversidade e sua relação com o compreender seus alunos, o que eles dizem ou pensam e os
currículo, assinale a opção incorreta. alunos precisam fazer o mesmo em relação a ele. Essa
(A) A diversidade é permitida na Lei de Diretrizes e Bases transferência de aprendizagem só se realiza no momento da
da Educação Nacional – LDB n. 9.394/96 em função da operação mental, isto é, quando o aluno supera sua visão
possibilidade de intervenção das regiões e suas parcial e confusa e adquire uma visão mais nítida e ampla.
especificidades na criação do currículo escolar. Ao fim do processo, o aluno já deve estar preparado para o
(B) Conviver com as diferenças é construir relações de mundo adulto de modo a praticar todo o aprendizado
respeito e de interpelações que irão contribuir para um espaço adquirido com a ajuda do professor, como a democracia, a
hierarquicamente diferenciado entre os participantes. liderança, a iniciativa e a responsabilidade, assim como ter
(C) A presença da parte diversificada no currículo das formação ética no sentido de pensar valores, a saber,
escolas acaba por ocupar lugar menor na relação hierárquica competências do pensar no âmbito da educação moral da
com os demais conhecimentos. tomada de decisões.
(D) A diversidade, presente em boa parte dos currículos, 2. O PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM
aparece nos documentos como um tema, deixando de ser um Para Fernández35, as reflexões sobre o estado atual do
eixo central de orientação curricular. processo ensino e aprendizagem nos permite identificar um
(E) A forma como a diversidade é colocada na LDB, apesar movimento de ideias de diferentes correntes teóricas sobre a
de importante, ainda é insuficiente em relação às necessidades profundidade do binômio ensino e aprendizagem.
do tema e sua relevância social. Entre os fatores que estão provocando esse movimento
podemos apontar as contribuições da Psicologia atual em
05. (IF/PE - Assistente de Alunos -2016) Temos, no Brasil, relação à aprendizagem, que nos leva a repensar nossa prática
uma grande diversidade cultural e racial. Descendentes de educativa, buscando uma conceptualização do processo
povos africanos e de índios brasileiros, de imigrantes ensino e aprendizagem.
europeus, asiáticos e latino-americanos compõem o cenário As contribuições da teoria construtivista de Piaget, sobre a
brasileiro. Por conta disso, podemos que afirmar que: construção do conhecimento e os mecanismos de influência
(A) atualmente, o termo “pluralidade cultural” não se educativa têm chamado a atenção para os processos
aplica ao Brasil por causa da Globalização. individuais, que têm lugar em um contexto interpessoal e que
(B) a mistura de todas estas raças e etnias não caracteriza procuram analisar como os alunos aprendem, estabelecendo
a identidade do povo brasileiro. uma estreita relação com os processos de ensino em que estão
(C) o Brasil é um país dotado de uma ampla “pluralidade conectados.
cultural”, ou seja, diferentes culturas foram e são produzidas Os mecanismos de influência educativa têm um lugar no
pelos grupos sociais que fazem parte da nossa história. processo de ensino e aprendizagem, como um processo onde
(D) a diversidade cultural e racial não interfere nas formas não se centra atenção em um dos aspectos que o
com que os habitantes do Brasil organizaram sua vida social e compreendem, mas em todos os envolvidos.
política. Se analisarmos a situação atual da prática educativa em
(E) ações racistas e discriminatórias não existem na nossas escolas identificaremos problemas como:
sociedade brasileira por causa da grande diversidade cultural A) A grande ênfase dada a memorização, pouca
e racial do país. preocupação com o desenvolvimento de habilidades para
reflexão crítica e auto crítica dos conhecimentos que aprende;
Respostas B) As ações ainda são centradas nos professores que
determinam o quê e como deve ser aprendido e a separação
01. C. / 02. E. / 03. C. / 04. B. / 05. C entre educação e instrução.

A solução para tais problemas está no aprofundamento de


Processo ensino- como os educandos aprendem e como o processo de ensinar
aprendizagem: papel do pode conduzir à aprendizagem, assim o processo de ensino e
aprendizagem tem sido historicamente caracterizado de
educador, do educando, da formas diferentes, que vão desde a ênfase no papel do
sociedade professor como transmissor de conhecimento, até as
concepções atuais que concebem o processo de ensino e
aprendizagem com um todo integrado que destaca o papel do
PROCESSOS PEDAGÓGICOS – ENSINO E educando.
APRENDIZAGEM Nesse último enfoque, considera-se a integração do
cognitivo e do afetivo, do instrutivo e do educativo como
1. PRESSUPOSTOS PARA O PROCESSO DE ENSINO E requisitos psicológicos e pedagógicos essenciais.
APRENDIZAGEM A concepção defendida aqui é que o processo de ensino e
Através do seu próprio interesse, o aluno busca nos aprendizagem é uma integração dialética entre o instrutivo e o
conteúdos apresentados pelo professor, fazer relação com sua educativo que tem como propósito essencial contribuir para a
realidade, para assim tornar sua experiência mais rica. Dessa formação integral da personalidade do aluno.
forma, o novo conhecimento se apoia numa construção O instrutivo é um processo de formar homens capazes e
cognitiva que já existe, ou o professor auxilia na construção inteligentes. Entendendo por homem inteligente quando,
conhecimento no qual o discente ainda não dispõe. O nível de diante de uma situação problema ele seja capaz de enfrentar e
envolvimento na aprendizagem depende do interesse e resolver os problemas, de buscar soluções para resolver as
situações. Ele tem que desenvolver sua inteligência e isso só

35 Texto adaptado de FERNÁNDEZ. F. A., 1998.

Conhecimentos Pedagógicos 26
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

será possível se ele for formado mediante a utilização de G) Avaliação - elemento regulador, sua realização oferece
atividades lógicas. informação sobre a qualidade do processo de ensino
Já o educativo, se logra com a formação de valores, aprendizagem, sobre a efetividade dos outros componentes e
sentimentos que identificam o homem como ser social, das necessidades de ajuste, modificações que o sistema deve
compreendendo o desenvolvimento de convicções, vontade e usufruir.
outros elementos da esfera volitiva e afetiva que junto com a
cognitiva permitem falar de um processo de ensino e A integração de todos os componentes forma o sistema,
aprendizagem que tem pôr fim a formação multilateral da neste caso o processo de ensino e aprendizagem. As reflexões
personalidade do homem. sobre o caráter sistêmico dos componentes do processo de
A eficácia do processo de ensino e aprendizagem está na ensino e aprendizagem e suas relações são importantes em
resposta em que este dá à apropriação do conhecimento, ao função do caráter bilateral da comunicação entre professor-
desenvolvimento intelectual e físico do estudante, à formação aluno; aluno-aluno, grupo-professor, professor-professor.
de sentimentos, qualidades e valores, que alcancem os
objetivos gerais e específicos propostos em cada nível de 3. O PROCESSO DE APRENDIZAGEM ORGACIONAL
ensino de diferentes instituições, conduzindo a uma posição A questão da aprendizagem tem sido amplamente
transformadora, que promova as ações coletivas, a discutida, ocupando um espaço considerável em discussões
solidariedade e o viver em comunidade. educacionais e profissionais da atualidade; porém não se trata
Todo ato educativo obedece determinados fins e de algo totalmente novo, nem mesmo em ambientes
propósitos de desenvolvimento social e econômico e em organizacionais.
consequência responde a determinados interesses sociais, As empresas aprendem a operar a produção e vão
sustentam-se em uma filosofia da educação, adere a melhorando os seus processos a partir de suas próprias
concepções epistemológicas específicas, leva em conta os experiências, alimentadas por informações advindas do
interesses institucionais e, depende, em grande parte, das mercado e da concorrência. De acordo com Bell (1984)36, este
características, interesses e possibilidades dos sujeitos tipo de aprendizado é passivo, automático e não implica
participantes, alunos, professores, comunidades escolares e custos adicionais, sendo porém limitado.
demais fatores do processo. A visão tradicional do processo Há, entretanto, outras formas de aprendizagem, que
ensino e aprendizagem é que ele é um processo neutro, exigem determinação e postura ativa, envolvendo
transparente, afastado da conjuntura de poder, história e considerável esforço e investimento. São os processos de
contexto social. O processo ensino e aprendizagem deve ser aprendizagem por meio da mudança, da análise do
compreendido como uma política cultural, isto é, como um desempenho, do treinamento, da contratação e da busca,
empreendimento pedagógico que considera com seriedade as detalhados a seguir:
relações de raça, classe, gênero e poder na produção e
legitimação do significado e experiência. A) A introdução de novas tecnologias ou qualquer outro
Tradicionalmente, este processo tem reproduzido as elemento que aponte a necessidade de mudança, estrutural ou
relações capitalistas de produção e ideologias legitimadoras processual, impele as organizações à aprendizagem. As
dominantes ao ignorarem importantes questões referentes às experiências e conhecimentos, positivos ou negativos,
relações entre conhecimento x poder e cultura x política. O adquiridos ao longo de processos de mudança são
produto do processo ensino e aprendizagem é o extremamente enriquecedores, conferindo à organização um
conhecimento. Partindo desse princípio, concebe-se que o plus que todos os processos de aprendizagem oferecem.
conhecimento é uma construção social, assim torna-se B) A análise do desempenho da organização em termos
necessário examinar a constelação de interesses econômicos, produtivos também irá conduzir à aprendizagem, não só em
políticos e sociais que as diferentes formas de conhecer podem função da apreciação do comportamento de determinados
refletir. Para que o processo ensino e aprendizagem possa índices que indicarão a necessidade de manutenção do
gerar possibilidades de emancipação é necessário que os processo produtivo ou sua correção, mas também como
professores compreendam a razão de ser dos problemas que decorrência da necessidade de se buscarem índices de
enfrentam e assuma um papel de sujeito na organização desse desempenho confiáveis e expressivos.
processo. As influências sócio-político econômicas, exercem
sua ação inclusive nos pequenos atos que ocorrem na sala de 4. O CONTEXTO ORGANIZACIONAL ATUAL E O
aula, ainda que não sejam conscientes. Ao selecionar algum IMPERATIVO DE UMA NOVA DINÂMICA DE
destes componentes para aprofundar deve-se levar em conta APRENDIZAGEM
a unidade, os vínculos e os nexos com os outros componentes. De fato as tendências do mundo atual têm influenciado as
O componente é uma propriedade ou atributo de um organizações na busca da aprendizagem. A rápida
sistema que o caracteriza; não é uma parte do sistema e sim disseminação de informações e a própria renovação do
uma propriedade do mesmo, uma propriedade do processo conhecimento, impulsionadas pelo avanço constante da
docente-educativo como um todo. Identificamos como ciência e da tecnologia, têm forçado as pessoas a renovar e a
componente do processo de ensino e aprendizagem: adquirir novos conhecimentos, sob pena de se tornarem
obsoletas.
A) Aluno - devem responder a pergunta: "quem?" A necessidade de aquisição e renovação dos
B) Problema – elemento que é determinado a partir da conhecimentos é percebida de modo individual e também
necessidade do aprendiz. organizacional. As pessoas estão dispostas a desenvolver e
C) Objetivo – deve responder a pergunta: "Para que aumentar seus estoques de conhecimento, porque percebem
ensinar?" as potenciais ameaças do ambiente sobre a passividade
D) Conteúdo - deve responder a pergunta: "O que intelectual, abalando principalmente questões de segurança
aprender?" profissional.
E) Métodos - deve responder a pergunta: "Como As organizações precisam de capacidade criativa e de
desenvolver o processo?" competências para se tornarem mais ágeis. Não só em termos
F) Recursos - deve responder a pergunta: "Com o quê?"

36 ALPERSTEDT, Cristiane. Universidades corporativas: discussão e proposta

de uma definição. Rev. adm. Contemp. Curitiba, v. 5, n. 3, p. 149-165, Dec. 2001.

Conhecimentos Pedagógicos 27
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

de capacidade de resposta às mudanças, mas também em precisa ser atualizado. O ensino será centrado no professor. O
termos de capacidade para estar à frente delas. aluno apenas executa prescrições que lhe são fixadas por
Baseados na necessidade de transformar as organizações autoridades exteriores.
em organizações de aprendizagem, uma série de autores,
recomendam diferentes práticas para a promoção do - Homem: O homem é considerado como inserido num
aprendizado organizacional, todas destacando o papel da mundo que irá conhecer através de informações que lhe serão
mudança e inovação organizacional. fornecidas. É um receptor passivo até que, repleto das
Esta competência para mudar e inovar implica a informações necessárias, pode repeti-las a outros que ainda
necessidade de a organização possuir maior expertise. não as possuam, assim como pode ser eficiente em sua
Segundo Drucker “as dinâmicas do conhecimento implicam profissão, quando de posse dessas informações e conteúdos.
num imperativo claro: cada organização precisa embutir o
gerenciamento das mudanças em sua própria estrutura”. É, - Mundo: A realidade é algo que será transmitido ao
portanto, responsabilidade de cada organização tornar esta indivíduo principalmente pelo processo de educação formal,
expertise disponível. Em outras palavras, além das pessoas além de outras agências, tais como família, Igreja.
estarem forçosamente motivadas a aprender, é papel das
organizações contribuir e operacionalizar o aprendizado. - Sociedade/Cultura: O objetivo educacional
normalmente se encontra intimamente relacionado aos
5. AS ABORDAGENS DO PROCESSO DE ENSINO valores apregoados pela sociedade na qual se realiza. Os
O Conhecimento humano, dependendo dos diferentes Programas exprimem os níveis culturais a serem adquiridos
referencias, é explicado diversamente em sua gênese e na trajetória da educação formal. A reprovação do aluno passa
desenvolvimento, o que condiciona conceitos diversos de a ser necessária quando o mínimo cultural para aquela faixa
homem, mundo, cultura, sociedade, educação, etc. Dentro de não foi atingido, e as provas e exames são necessários a
um mesmo referencial, é possível haver abordagens diversas, constatação de que este mínimo exigido para cada série foi
tendo em comum apenas os diferentes primados: ora do adquirido pelo aluno. O diploma pode ser tomado como um
objeto, ora do sujeito, ora da interação de ambos. Diferentes instrumento de hierarquização. Dessa forma, o diploma iria
posicionamentos pessoais deveriam derivar diferentes desempenhar um papel mediador entre a formação cultural e
arranjos de situações ensino aprendizagem e diferentes ações o exercício de funções sociais determinadas. Pode-se afirmar
educativas em sala de aula, partindo-se do pressuposto de que que as tendências englobadas por esse tipo de abordagem
a ação educativa exercida por professores em situações possuem uma visão individualista do processo educacional,
planejadas de ensino-aprendizagem é sempre intencional. não possibilitando, na maioria das vezes, trabalhos de
Subjacente a esta ação, estaria presente – implícita ou cooperação nos quais o futuro cidadão possa experimentar a
explicitamente, de forma articulada ou não – um referencial convergência de esforços.
teórico que compreendesse conceitos de homem, mundo,
sociedade, cultura, conhecimento, etc. - Conhecimento: Parte-se do pressuposto de que a
O estudo acerca das diferentes linhas pedagógicas, inteligência seja uma faculdade capaz de acumular/armazenar
tendências ou abordagens, no ensino brasileiro podem informações. Aos alunos são apresentados somente os
fornecer diretrizes à ação docente, mesmo considerando que a resultados desse processo, para que sejam armazenados.
elaboração que cada professor faz delas é individual e Evidencia-se o caráter cumulativo do conhecimento humano,
intransferível. De acordo com Mizukami (1986)37, algumas adquirido pelo indivíduo por meio de transmissão, de onde se
abordagens apresentam claro referencial filosófico e supõe o papel importante da educação formal e da instituição
psicológico, ao passo que outras são intuitivas ou escola. Atribui-se ao sujeito um papel insignificante na
fundamentadas na prática, ou na imitação de modelos. A elaboração e aquisição do conhecimento. Ao indivíduo que
complexidade da realidade educacional deve ser considerada está "adquirindo" conhecimento compete memorizar
para não ser tratada de forma simplista e reducionista. definições, anunciando leis, sínteses e resumos que lhes são
Nesse estudo, deve-se ter em mente seu caráter parcial e oferecidos no processo de educação formal.
arbitrário, assim como as limitações e problemas decorrentes
da delimitação e caracterização (necessárias) de cada - Educação: Entendida como instrução, caracterizada
abordagem. A professora assim, não incluiu em seus estudos a como transmissão de conhecimentos e restrita à ação da
abordagem escola novista, introduzida no Brasil através do escola. Às vezes, coloca-se que, para que o aluno possa chegar,
Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (Anísio Teixeira, e em condições favoráveis, há uma confrontação com o
Gustavo Capanema e outros), a partir da década de 1930. Ela modelo, é indispensável uma intervenção do professor, uma
justifica sua opção por considerar que essa abordagem pode orientação do mestre. Trata-se, pois, da transmissão de ideias
ser tomada como didaticista, por suas atribuições aos aspectos selecionadas e organizadas logicamente.
didáticos, e por possuir diretrizes incluídas em outras
abordagens. Argumenta ainda que, as demais abordagens, - Escola: A escola, é o lugar por excelência onde se realiza
apresentadas por ela, apresentam justificativas teóricas ou a educação, a qual se restringe, a um processo de transmissão
evidências empíricas. Mas reconhece que trata-se de uma de informações em sala de aula e funciona como uma agência
abordagem com possível influência na formação de sistematizadora de uma cultura complexa. Considera o ato de
professores no Brasil. aprender como uma cerimônia e acha necessário que o
professor se mantenha distante dos alunos. Uma escola desse
A) Abordagem Tradicional tipo é frequentemente utilitarista quanto a resultados e
Trata-se de uma concepção e uma prática educacionais que programas preestabelecidos. As possibilidades de cooperação
persistem no tempo, em suas diferentes formas, e que entre pares são reduzidas, já que a natureza da grande parte
passaram a fornecer um quadro diferencial para todas as das tarefas destinadas aos alunos exige participação individual
demais abordagens que a ela se seguiram. Como se sabe, o de cada um deles.
adulto, na concepção tradicional, é considerado como homem
acabado, "pronto" e o aluno um "adulto em miniatura", que

37 MIZUKAMI, Maria da Graça. Ensino as abordagens do processo. São Paulo:

EPU, 1986.

Conhecimentos Pedagógicos 28
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

- Ensino/Aprendizagem: A ênfase é dada às situações de Qualquer ambiente, físico ou social, deve ser avaliado de
sala de aula, onde os alunos são "instruídos" e "ensinados" pelo acordo com seus efeitos sobre a natureza humana. A cultura, é
professor. Os conteúdos e as informações têm de ser representada pelos usos e costumes dominantes, pelos
adquiridos, os modelos imitados. Seus elementos comportamentos que se mantém através dos tempos.
fundamentais são imagens estáticas que progressivamente
serão "impressas" nos alunos, cópias de modelos do exterior - Conhecimento: O conhecimento é o resultado direto da
que serão gravadas nas mentes individuais. Uma das experiência, o comportamento é estruturado indutivamente,
decorrências do ensino tradicional, já que a aprendizagem via experiência.
consiste em aquisição de informações e demonstrações
transmitidas, é a que propicia a formação de reações - Educação: A educação está intimamente ligada à
estereotipadas, de automatismos denominados hábitos, transmissão cultural. A educação, pois, deverá transmitir
geralmente isolados uns dos outros e aplicáveis, quase conhecimentos, assim como comportamentos éticos, práticas
sempre, somente às situações idênticas em que foram sociais, habilidades consideradas básicas para a manipulação
adquiridos. O aluno que adquiriu o hábito ou que "aprendeu" e controle do mundo /ambiente.
apresenta, com frequência, compreensão apenas parcial.
Ignoram-se as diferenças individuais. É um ensino que se - Escola: A escola é considerada e aceita como uma agência
preocupa mais com a variedade e quantidade de educacional que deverá adotar forma peculiar de controle, de
noções/conceitos/informações que com a formação do acordo com os comportamentos que pretende instalar e
pensamento reflexivo. manter.

- Professor/Aluno: O professor/aluno é vertical, sendo - Ensino/Aprendizagem: É uma mudança relativamente


que (o professor) detém o poder decisório quanto a permanente em uma tendência comportamental e ou na vida
metodologia, conteúdo, avaliação, forma de interação na aula mental do indivíduo, resultantes de uma prática reforçada.
etc. O professor detém os meios coletivos de expressão. A
maior parte dos exercícios de controle e dos de exames se - Professor/Aluno: Aso educandos caberia o controle do
orienta para a reiteração dos dados e informações processo de aprendizagem, um controle científico da
anteriormente fornecidos pelos manuais. educação, o professor teria a responsabilidade de planejar e
desenvolver o sistema de ensino aprendizagem, de forma tal
- Metodologia: Se baseia na aula expositiva e nas que o desempenho do aluno seja maximizado, considerando-
demonstrações do professor a classe, tomada quase como se igualmente fatores tais como economia de tempo, esforços
auditório. O professor já traz o conteúdo pronto e o aluno se e custos.
limita exclusivamente a escutá-lo a didática profissional quase
que poderia ser resumida em dar a lição e tomar a lição. No - Metodologia: Nessa abordagem, se incluem tanto a
método expositivo como atividade normal, está implícito o aplicação da tecnologia educacional e estratégias de ensino,
relacionamento professor - aluno, o professor é o agente e o quanto formas de reforço no relacionamento professor-aluno.
aluno é o ouvinte. O trabalho continua mesmo sem a
compreensão do aluno somente uma verificação a posteriori é - Avaliação: Decorrente do pressuposto de que o aluno
que permitirá o professor tomar consciência deste fato. progride em seu ritmo próprio, em pequenos passos, sem
Quanto ao atendimento individual há dificuldades pois a classe cometer erros, a avaliação consiste, nesta abordagem, em se
fica isolada e a tendência é de se tratar todos igualmente. constatar se o aluno aprendeu e atingiu os objetivos propostos
quando o programa foi conduzido até o final de forma
- Avaliação: A avaliação visa a exatidão da reprodução do adequada.
conteúdo comunicado em sala de aula. As notas obtidas
funcionam na sociedade como níveis de aquisição do C) Abordagem Humanista
patrimônio cultural. Nesta abordagem é dada a ênfase no papel do sujeito como
principal elaborador do conhecimento humano. Da ênfase ao
B) Abordagem Comportamentalista crescimento que dela se resulta, centrado no desenvolvimento
O conhecimento é uma "descoberta" e é nova para o da personalidade do indivíduo na sua capacidade de atuar
indivíduo que a faz. O que foi descoberto, porém, já se como uma pessoa integrada. O professor em si não transmite
encontrava presente na realidade exterior. Os o conteúdo, dá assistência sendo facilitador da aprendizagem.
comportamentalistas consideram a experiência ou a O conteúdo advém das próprias experiências do aluno o
experimentação planejada como a base do conhecimento, o professor não ensina: apenas cria condições para que os
conhecimento é o resultado direto da experiência. alunos aprendam.

- Homem: O homem é uma consequência das influências - Homem: É considerado como uma pessoa situada no
ou forças existentes no meio ambiente a hipótese de que o mundo. Não existem modelos prontos nem regras a seguir mas
homem não é livre é absolutamente necessária para se poder um processo de vir a ser. O objetivo do ser humano é a auto
aplicar um método científico no campo das ciências. O homem realização ou uso pleno de suas potencialidades e capacidades
dentro desse referencial é considerado como o produto de um o homem se apresenta como um projeto permanente e mau
processo evolutivo. acabado.

- Mundo: A realidade para Skinner, é um fenômeno - Mundo: O mundo é algo produzido pelo homem diante de
objetivo; O mundo já é construído e o homem é produto do si mesmo. O mundo teria o papel fundamental de crias
meio. O meio pode ser manipulado. O comportamento, por sua condições de expressão para a pessoa, cuja tarefa vital consiste
vez, pode ser mudado modificando-se as condições das quais no pleno desenvolvimento do seu potencial inerente. A ênfase
ele é uma função, ou seja, alterando-se os elementos é no sujeito mais uma das condições necessárias para o
ambientais. O meio seleciona. desenvolvimento individual é o ambiente. Na experiência
pessoal e subjetiva o conhecimento é construído no decorrer
- Sociedade/Cultura: A sociedade ideal, para Skinner, é do processo de vir a ser da pessoa humana. É atribuída ao
aquela que implicarias um planejamento social e cultural. sujeito papel central e primordial na elaboração e criação do

Conhecimentos Pedagógicos 29
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

conhecimento. O conhecimento é inerente à atividade humana. este posicionamento, variam de grupo para grupo, de acordo
O ser humano tem curiosidade natural para o conhecimento. como o nível mental médio das pessoas que constituem o
- Educação: Trata-se da educação centrada na pessoa, já grupo.
que nessa abordagem o ensino será centrado no aluno. A
educação tem como finalidade primeira a criação de condições - Conhecimento: O conhecimento é considerado como
que facilitam a aprendizagem de forma que seja possível seu uma construção contínua. A passagem de um estado de
desenvolvimento tanto intelectual como emocional seria a desenvolvimento para o seguinte é sempre caracterizada por
criação de condições nas quais os alunos pudessem tornar-se formação de novas estruturas que não existiam anteriormente
pessoas de iniciativas, de responsabilidade, autodeterminação no indivíduo.
que soubessem aplicar-se a aprendizagem no que lhe servirão
de solução para seus problemas servindo-se da própria - Educação: O processo educacional, consoante a teoria de
existência. Nesse processo os motivos de aprender deverão ser desenvolvimento e conhecimento, tem um papel importante,
do próprio aluno. Autodescoberta e autodeterminação são ao provocar situações que sejam desequilibradoras para o
características desse processo. aluno, desequilíbrios esses adequados ao nível de
desenvolvimento em que a criança vive intensamente
- Escola: A escola será uma escola que respeite a criança (intelectual e afetivamente) cada etapa de seu
tal qual é, que ofereça condições para que ela possa desenvolvimento.
desenvolver-se em seu processo possibilitando a autonomia
do aluno. O princípio básico consiste na ideia da não - Escola: Segundo Piaget, a escola deveria começar
interferência com o crescimento da criança e de nenhuma ensinando a criança a observar. A verdadeira causa dos
pressão sobre ela. O ensino numa abordagem como esta fracassos da educação formal, diz, decorre essencialmente do
consiste num produto de personalidades únicas, respondendo fato de se principiar pela linguagem (acompanhada de
as circunstâncias únicas num tipo especial de desenhos, de ações fictícias ou narradas etc.) ao invés de o
relacionamentos. A aprendizagem tem a qualidade de um fazer pela ação real e material.
envolvimento pessoal.
- Ensino/Aprendizagem: Um ensino que procura
- Professor/Aluno: Cada professor desenvolverá seu desenvolver a inteligência deverá priorizar as atividades do
próprio repertório de uma forma única, decorrente da base sujeito, considerando-o inserido numa situação social.
percentual de seu comportamento. O processo de ensino irá
depender do caráter individual do professor, como ele se - Professor/Aluno: Ambos os polos da relação devem ser
relaciona com o caráter pessoal do aluno. Assume a função de compreendidos de forma diferente da convencional, no
facilitador da aprendizagem e nesse clima entrará em contato sentido de um transmissor e um receptor de informação.
com problemas vitais que tenham repercussão na existência Caberá ao professor criar situações, propiciando condições
do estudante. Isso implica que o professor deva aceitar o aluno onde possam se estabelecer reciprocidade intelectual e
tal como é e compreender os sentimentos que ele possui. O cooperação ao mesmo tempo moral e racional.
aluno deve responsabilizar-se pelos objetivos referentes a
aprendizagem que tem significado para eles. As qualidades do - Metodologia: O desenvolvimento humano que traz
professor podem ser sintetizadas em autenticidade implicações para o ensino. Uma das implicações fundamentais
compreensão empática, aceitação e confiança no aluno. é a de que a inteligência se constrói a partir da troca do
organismo como o meio, por meio das ações do indivíduo. A
- Metodologia: Não se enfatiza técnica ou método para ação do indivíduo, pois, é centro do processo e o fator social ou
facilitar a aprendizagem. Cada educador eficiente deve educativo constitui uma condição de desenvolvimento.
elaborar a sua forma de facilitar a aprendizagem no que se
refere ao que ocorre em sala de aula é a ênfase atribuída a - Avaliação: A avaliação terá de ser realizada a partir de
relação pedagógica, a um clima favorável ao desenvolvimento parâmetros extraídos da própria teoria e implicará verificar se
das pessoas que possibilite liberdade para aprender. o aluno já adquiriu noções, conservações, realizou operações,
relações etc. O rendimento poderá ser avaliado de acordo
- Avaliação: Só o indivíduo pode conhecer realmente sua como a sua aproximação a uma norma qualitativa pretendida.
experiência, só pode ser julgada a partir de critérios internos
do organismo. O aluno deverá assumir formas de controle de E) Abordagem Sócio Cultural
sua aprendizagem, definir e aplicar os critérios para avaliar até Pode-se situar Paulo Freire com sua obra, enfatizando
onde estão sendo atingidos os objetivos que pretende, com aspectos sócio-político-cultural, havendo uma grande
responsabilidade. As relações verticais impostas por relações preocupação com a cultura popular, sendo que tal
EU - TU e nunca EU - ISTO; As avaliações de acordo com preocupação vem desde a II Guerra Mundial com um aumento
padrões prefixados, por auto avaliação dos alunos. crescente até nossos dias.
Considerando-se pois o fato de que só o indivíduo pode
conhecer realmente a sua experiência, está só pode ser julgada - Homem/Mundo: O homem está inserido no contexto
a partir de critérios internos do organismo. histórico. O homem é sujeito da educação, onde a ação
educativa promove o próprio indivíduo, como sendo único
D) Abordagem Cognitivista dentro de uma sociedade/ambiente.
A organização do conhecimento, processamento de
informações estilos de pensamento ou estilos cognitivos, - Sociedade/Cultura: O homem alienado não se relaciona
comportamentos relativos à tomada de decisões, etc. com a realidade objetivo, como um verdadeiro sujeito
pensante: o pensamento é dissociado da ação.
- Homem/Mundo: O homem e mundo serão analisados
conjuntamente, já que o conhecimento é o produto da - Conhecimento: A elaboração e o desenvolvimento do
interação entre eles, entre sujeito e objeto. conhecimento estão ligados ao processo de conscientização.

- Sociedade/Cultura: Os fatos sociológicos, pois, tais - Educação: Toda ação educativa, para que seja válida,
como regras, valores, normas, símbolos etc. De acordo com deve, necessariamente, ser precedida tanto de uma reflexão

Conhecimentos Pedagógicos 30
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

sobre o homem como de uma análise do meio de vida desse que é o que a autora chama de seguir cegamente a teoria
homem concreto, a quem se quer ajudar para que se eduque. ignorando a prática.
Um curso de professores deveria possibilitar confronto
- Escola: Deve ser um local onde seja possível o entre abordagens, quaisquer que fossem elas, entre seus
crescimento mútuo, do professor e dos alunos, no processo de pressupostos e implicações, limites, pontos de contraste e
conscientização o que indica uma escola diferente de que se convergência. Ao mesmo tempo, deveria possibilitar ao futuro
tem atualmente, coma seus currículos e prioridades. professor a análise do próprio fazer pedagógico, de suas
implicações, pressupostos e determinantes, no sentido de que
- Ensino/Aprendizagem: Situação de ensino- ele se conscientizasse de sua ação, para que pudesse, além de
aprendizagem deverá procurar a superação da relação interpretá-la e contextualizá-la, superá-la constantemente.
opressor-oprimido. A estrutura de pensar do oprimido está Alguns dados revelam que são preferidas pelos
condicionada pela contradição vivida na situação concreta, professores as abordagens cognitivista e sociocultural
existencial em que o oprimido se forma. Resultando deixando as abordagens tradicional e comportamentalista em
consequências tais como: segundo plano. E também que a abordagem que mais faz
A) Ser ideal é ser mais homem. sucesso neste momento histórico é a cognitivista. Na
B) Atitude fatalista abordagem cognitivista piagetiana e a preferida pelos
C) Atitude de auto desvalia professores, desde que o aluno se encontre em um ambiente
D) O medo da liberdade ou a submissão do oprimido. que o solicite devidamente, e que tenha sido constatada a
ausência de distúrbios biológicos ligados
- Professor/Aluno: A relação entre o professor e o aluno preponderantemente à atividade cerebral, ele terá condições
é horizontal. Professor empenhado na prática transformadora de chegar ao estágio das operações formais. Não se justificam
procurará desmitificar e questionar, junto com o aluno. nem se legitimam, por esta abordagem, desigualdades
baseadas nas potencialidades de cada um, tal como poderia
- Metodologia: Os alunos recebem informações e analisam decorrer dos princípios escola novistas. Estaria neste detalhe,
os aspectos de sua própria experiência existencial, utilizando talvez de grande importância, já que o determinismo biológico
situações vivenciais de grupo, em forma de debate Paulo Freire age mais em função de determinar desenvolvimento, do que
delineou seu método de alfabetização. de determinar máximos de desenvolvimento para cada sujeito,
Características: a ideia que despertaria maior interesse para um trabalho
A) Ser ativa realizado por um profissional com as idiossincrasias de um
B) Criar um conteúdo pragmático próprio educador.
C) Enfatiza o diálogo crítico De forma genérica tanto o cognitivismo, humanismo e
comportamentalismo apresentam aspectos escola novistas
6. AS ABORDAGENS DO PROCESSO DE ENSINO, que os colocam contra a escola tradicional. Um outro elemento
APRENDIZAGEM E O PROFESSOR a ser considerado é a ligação entre o desenvolvimento
Segundo Mizukami, a partir de análises feitas sobre as intelectual e os ideais apregoados pelo ensino tradicional
diferentes abordagens do processo ensino aprendizagem elaborado através dos séculos. Concluindo, de todas as
pôde-se constatar que certas linhas teóricas são mais abordagens analisadas obteve-se quase plenamente
explicativas sobre alguns aspectos em relação a outros, preferência dos professores pela abordagem cognitivista por
percebendo-se assim a possibilidade de articulação das que esta abordagem se baseia numa teoria de
diversas propostas de explicação do fenômeno educacional. desenvolvimento em grande parte válida, e também a
Ela procura fazer uma sistematização válida de conceitos do abordagem sociocultural que complementa o
fenômeno estudado. Mesmo com teorias incompletas por desenvolvimento humano e genético com aspectos
estarem ainda em fase de elaboração ou reelaboração, faltando socioculturais e personalistas. Sendo que a abordagem
validação empírica ou confronto com o real. Lembrando ainda sociocultural está impregnada de aspectos humanistas
as teorias não são as únicas fontes de resposta possíveis e característicos das primeiras obras de Paulo Freire. O ideário
incorrigíveis, pois (...) elas são elaboradas para explicar, de pedagógico de alguns professores não segue nenhuma das
forma sistemática, determinados fenômenos, e os dados do abordagens, e são classificados como tendência indefinida
real é que irão fornecer o critério para a sua aceitação ou não, dentre as demais abordagens.
instalando-se, assim, um processo de discussão permanente
entre teoria e prática. 7. A EDUCAÇÃO PARA ALÉM DO CAPITAL
Mizukami ainda critica a formação de professores A educação para além do capital é um texto publicado a
colocando que o aprendido pelos professores nada tinha a ver partir da conferência pronunciada por István Mészáros38, por
com a prática pedagógica e seu posicionamento frente ao ocasião da abertura do Fórum Mundial de Educação, realizado
fenômeno educacional. A experiência pessoal refletiria um em Junho de 2004, em Porto Alegre.
comportamento coerente por parte do educador, pondo fim O texto, partindo de três epígrafes atribuídas pelo autor a
assim ao permanente processo de discussão entre teoria e Paracelso, pensador do Século XVI, a José Martí, político, poeta
prática. Uma possível solução seria repensar os cursos de e pensador cubano, e a Marx, em Teses sobre Feuerbach, traz
formação de professores, voltando as atenções principalmente a análise com vistas à urgente necessidade de se instituir uma
para as disciplinas pedagógicas que analisam as abordagens mudança que nos leve para além do capital, “no sentido
do processo ensino aprendizagem, procurando articulá-los à genuíno e educacionalmente viável do termo”.
prática pedagógica. Também é discutida uma forma de O exame discute as relações íntimas entre processos
aproximar cada vez mais as opções teóricas existentes educacionais e processos sociais amplos de reprodução do
analisando e discutindo as vivências na prática e à partir da capital em quatro aspectos básicos: Primeiro, no embate
prática, se pudesse discutir e criticar as opções teóricas entre os parâmetros estruturais do capital – que se colocam
confrontando com a mesma prática. É tentar criar teorias com uma lógica irreversível e incontestável – e a necessidade
através da prática, analisando o cotidiano e questionando, de romper com essa lógica para a criação de uma alternativa
evitando-se assim a utilização de Receituários pedagógicos, educacional diferente, mediante a natureza irreformável do

38 MÉSZAROS, István. A educação para além do capital. São Paulo: Boi

Tempo Editorial, 2006 (Mundo do Trabalho).

Conhecimentos Pedagógicos 31
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

capital como totalidade reguladora sistêmica; Segundo, na e sua conduta ao estipulado pela ordem estabelecida, insere-
clareza de que as possíveis soluções não podem ser formais, se como instrumento que conforma a totalidade das práticas
apenas como alterações superficiais, mas devem atingir o sociais, entre elas, a educação, ao interesse do capital.
patamar de mudança essencial, abarcando a totalidade das Romper com a lógica do capital na área de educação
práticas educacionais da sociedade e seus processos de equivale, portanto, a substituir as formas onipresentes e
internalização dos parâmetros reprodutivos gerais do sistema profundamente enraizadas de internalização mistificadora
do capital; Terceiro, na compreensão de que apenas uma por uma alternativa concreta abrangente. (MÉSZAROS,
ampla concepção de educação pode assegurar a luta pelo 2008)39.
objetivo de mudança radical requerida e a aquisição de A tarefa acima requerida aparece na terceira seção,
instrumentos de pressão capazes de provocar o rompimento condicionada ao fortalecimento de uma concepção de
com a lógica mistificadora do capital; Quarto, na defesa de que educação ampla e mais profunda, nos moldes de Paracelso,
o papel da educação é estratégico tanto para a mudança das vendo a “aprendizagem como nossa própria vida”.
condições objetivas de reprodução quanto para a auto Neste rumo, o autor se coloca, a exemplo de Gramsci,
mudança dos indivíduos envolvidos na luta pela construção de contra a visão tendenciosamente elitista e estreita de educação
uma nova ordem social metabólica radicalmente diferente. que pleiteia o domínio da instituição educacional formal como
Na primeira seção do texto, evidencia-se a ideia de que as único espaço de educação e define a educação e a atividade
reformulações que possam acontecer na educação são intelectual como possibilidade apenas dos que são designados
inconcebíveis sem a transformação também no quadro social. para “educar” e para governar, em detrimento da maioria, à
O autor recusa a noção de reforma que se proponha apenas a qual é reservado o papel de objeto de manipulação. Mészáros
correções marginais, mantendo intactas as estruturas assevera a posição profundamente democrática de Gramsci
fundamentais da sociedade e conformando-se às exigências da como o caminho mais claro para a concepção ampla de
lógica do capital. Para Mészáros, esta modalidade utiliza-se das educação, na qual todo ser humano contribui para a formação
reformas educacionais para apenas remediar os efeitos de uma concepção de mundo ao mesmo tempo em que pode
desastrosos da ordem produtiva, mas não elimina os contribuir para manter ou mudar esta concepção. A educação,
“fundamentos causais e profundamente enraizados”. Para o reconhecida, no seu entendimento amplo, é um processo
autor, “limitar uma mudança educacional radical às margens contínuo de aprendizagem. “Temos de reivindicar uma
corretivas interesseiras do capital significa abandonar de uma educação plena para toda a vida, para que seja possível colocar
só vez, conscientemente ou não, o objetivo de uma em perspectiva a sua parte formal, a fim de instituir, também
transformação social qualitativa”. (MÉSZAROS, 2008). aí, uma reforma radical”. A reforma significa, segundo o autor,
Exemplificando: Mészáros examina a experiência de Adam desafiar as formas atualmente dominantes de internalização
Smith, economista político, e de Roberto Owen, reformador existentes no sistema educacional formal, pôr em execução
social educacional utópico. Sobre Smith, atesta que mesmo que urgentemente uma atividade de “contra internalização”
este ilustre iluminista reconheça o impacto negativo do coerente e sustentada na direção da criação de uma alternativa
sistema sobre a classe trabalhadora, sua análise atribuindo ao ao que já existe. Significa que a educação formal precisa
“espírito comercial” a causa do problema é incapaz de se desatar-se do revestimento da lógica do capital e mover-se em
dirigir às causas reais, reduzindo seu esforço de expressar sua direção a práticas educacionais mais abrangentes O bem
preocupação humanitária a um círculo vicioso de apontar sucedido processo de redefinição da tarefa da educação formal
apenas “os efeitos condenados”, dando assim prevalência aos num espírito orientado para a construção de uma alternativa
limites objetivos da lógica do capital. Ao tratar da posição de hegemônica à ordem existente irá contribuir para romper com
Robert Owen, reconhece sua posição de denúncia da a lógica do capital não somente em seu campo, mas em toda a
exploração e instrumentalização do empregado pelo sociedade.
empregador, mas condena no seu discurso – com marcas de No quarto tópico, Mészáros trata a educação como uma
parcialidade, gradualismo e circularidades – sinais de “transcendência positiva da auto alienação do trabalho”. A
conformação aos debilitantes limites do capital. análise atesta as condições desumanizantes da alienação em
Neste caso, Mészáros observa que Owen “não pode escapar que vivemos e afirma que, para a mudança dessa condição,
à auto imposta camisa de força das determinações causais do exige-se uma intervenção consciente em todos os domínios e
capital”. Numa conclusão ao tópico, o autor lembra que “[...] o níveis da existência individual e social, “em toda a nossa
sentido da mudança educacional radical não pode ser senão o maneira de ser”. O autor considera que estando na raiz de
rasgar da camisa de força da lógica incorrigível do sistema”. todos os tipos de alienação a historicamente revelada
A persecução de estratégias de rompimento com o alienação do trabalho, torna-se possível superar a alienação
controle exercido pelo capital é explicitada na segunda seção com a reestruturação radical de nossas condições de vida
do texto com a defesa de que as soluções devem ser buscadas estabelecida até então, já que o processo histórico se constitui
não apenas na dimensão formal, mas no que é essencial. O pelo próprio trabalho. Mas isso não pode ser apenas uma
autor reconhece que a educação institucionalizada serviu, nos questão de negação. Para Mészáros, “a tarefa histórica que
últimos 150 anos para fornecer condições técnicas e humanas temos de enfrentar é incomensuravelmente maior que a
à expansão do capital, ao mesmo tempo em que contribuiu negação do capitalismo”40. Ir para além do capital significa a
para instalar valores que legitimam os interesses dominantes realização de uma ordem social metabólica sem nenhuma
e que negam alternativas possíveis a esse modelo. relação nem ranços com a ordem anteriormente hegemônica.
Distanciando-se de uma posição reprodutivista, Assim advoga Por essa razão,
que não basta simplesmente reformar o sistema escolar formal O papel da educação é soberano, tanto para a elaboração
estabelecido, porque isso traduziria apenas uma mudança de estratégias apropriadas e adequadas para mudar as
institucional isolada. “O que precisa ser confrontado é todo o condições objetivas de reprodução, como para a auto mudança
sistema de internalização, com todas as suas dimensões, consciente dos indivíduos chamados a concretizar a criação de
visíveis e ocultas”. A internalização, entendida como o esforço uma ordem social metabólica radicalmente diferente
do capital em fazer com que cada indivíduo incorpore como Para esse fim, a universalização da educação e a
suas as metas de reprodução do sistema, legitimando sua universalização do trabalho são peças fundamentais, sem as
posição na hierarquia social e conformando suas expectativas quais não pode haver solução para a auto alienação do

39 Mészàros –A educação para além do capital, 2ª. ed Boitempo, 2008 40 RABELO, C. D. Educação Para Além do Capital. Revista Resenha: A

Eletrônica Arma da Crítica. N.º 4. 2012.

Conhecimentos Pedagógicos 32
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

trabalho. Tal realização pressupõe necessariamente a trabalho escolar e, portanto, legitimador do fracasso,
igualdade verdadeira – substancial e não apenas formal – de ocupando mesmo o papel central nas relações que
todos os seres humanos. Apenas na perspectiva de ir além do estabelecem entre si os profissionais da educação, alunos e
capital essa universalização e igualdade podem ser vistas, pais.
porque a educação para além do capital almeja uma ordem Os métodos de avaliação ocupam, sem dúvida espaço
social qualitativamente diferente. relevante no conjunto das práticas pedagógicas aplicadas ao
No nosso dilema histórico definido pela crise estrutural do processo de ensino e aprendizagem. Avaliar, neste contexto,
capital global, época onde se evidencia uma condição histórica não se resume à mecânica do conceito formal e estatístico; não
de transição, define-se também um espaço histórico e social é simplesmente atribuir notas, obrigatórias à decisão de
aberto à ruptura com a lógica do capital e à elaboração de avanço ou retenção em determinadas disciplinas.
planos estratégicos na direção de uma educação para além do Para Oliveira42, devem representar as avaliações aqueles
capital. Nesse ambiente, a tarefa educacional é uma tarefa de instrumentos imprescindíveis à verificação do aprendizado
transformação social, ampla e emancipadora. A educação deve efetivamente realizado pelo aluno, ao mesmo tempo que
ser articulada e redefinida no seu inter-relacionamento com as forneçam subsídios ao trabalho docente, direcionando o
condições cambiantes e as necessidades da transformação esforço empreendido no processo de ensino e aprendizagem
social emancipadora e progressiva em curso. de forma a contemplar a melhor abordagem pedagógica e o
mais pertinente método didático adequado à disciplina – mas
Questões não somente -, à medida que consideram, igualmente, o
contexto sócio-político no qual o grupo está inserido e as
01. Pode-se afirmar que: “O processo de ensino e condições individuais do aluno, sempre que possível.
aprendizagem não é uma integração dialética entre o A avaliação da aprendizagem possibilita a tomada de
instrutivo e o educativo que tem como propósito essencial decisão e a melhoria da qualidade de ensino, informando as
contribuir para a formação integral da personalidade do ações em desenvolvimento e a necessidade de regulações
aluno”. constantes.
( ) Verdadeiro ( ) Falso
As avaliações a que o professor procede enquadram-se
02. Sobre a abordagem comportamentalista, é correto em três grandes tipos: avaliação diagnostica, formativa e
afirmar que: “A organização do conhecimento, processamento somativa.
de informações estilos de pensamento ou estilos cognitivos,
comportamentos relativos à tomada de decisões, etc.”. Evolução da avaliação
( ) Verdadeiro ( ) Falso A partir do início do século XX, a avaliação vem
atravessando pelo menos quatro gerações, conforme Guba e
03. (CEFET/RJ – Pedagogo – CESGRANRIO) O trecho Lincoln43 são elas: mensuração, descritiva, julgamento e
indica amplos desafios para a prática docente. “Um curso de negociação.
professores deveria possibilitar confronto entre abordagens, 1 – Mensuração – não distinguia avaliação e medida. Nessa
quaisquer que fossem elas, entre seus pressupostos e fase, era preocupação dos estudiosos a elaboração de
implicações, limites, pontos de contraste e convergência. Ao instrumentos ou testes para verificação do rendimento
mesmo tempo, deveria possibilitar ao futuro professor a escolar. O papel do avaliador era, então, eminentemente
análise do próprio fazer pedagógico, de suas implicações, técnico e, neste sentido, testes e exames eram indispensáveis
pressupostos e determinantes, no sentido de que ele se na classificação de alunos para se determinar seu progresso.
conscientizasse de sua ação, para que pudesse, além de 2 – Descritiva – essa geração surgiu em busca de melhor
interpretá-la e contextualizá-la, superá-la constantemente”. entendimento do objetivo da avaliação. Conforme os
(MIZUKAMI, Maria da Graça Nicoletti. Ensino: as abordagens estudiosos, a geração anterior só oferecia informações sobre o
do processo. São Paulo: EPU, 1986. p. 109.) aluno.
Sobre as diferentes abordagens pedagógicas, aquela que Precisavam ser obtidos dados em função dos objetivos por
considera a relação professor-aluno como não imposta, que parte dos alunos envolvidos nos programas escolares, sendo
permite que o educador se torne educando e a aprendizagem necessário descrever o que seria sucesso ou dificuldade com
seja favorecida pela mediação é a: relação aos objetivos estabelecidos.
(A) tradicional Neste sentido o avaliador estava muito mais concentrado
(B) humanista em descrever padrões e critérios. Foi nessa fase que surgiu o
(C) comportamentalista termo “avaliação educacional”.
(D) ambientalista 3 – Julgamento – a terceira geração questionava os testes
(E) sócio-histórico-cultural padronizados e o reducionismo da noção simplista de
avaliação como sinônimo de medida; tinha como preocupação
Respostas maior o julgamento.
Neste sentido, o avaliador assumiria o papel de juiz,
01. Falso. / 02. Falso. / 03. E. incorporando, contudo, o que se havia preservado de
fundamental das gerações anteriores, em termos de
mensuração e descrição.
Assim, o julgamento passou a ser elemento crucial do
Avaliação processo avaliativo, pois não só importava medir e descrever,
era preciso julgar sobre o conjunto de todas as dimensões do
objeto, inclusive sobre os próprios objetivos.
A avaliação41, tal como concebida e vivenciada na maioria 4 – Negociação – nesta geração, a avaliação é um processo
das escolas brasileiras, tem se constituído no principal interativo, negociado, que se fundamenta num paradigma
mecanismo de sustentação da lógica de organização do construtivista. Para Guba e Lincoln é uma forma responsiva de
enfocar e um modo construtivista de fazer.

41 Texto adaptado de KRAEMER, M. E. P. 43 FIRME, Tereza Penna. Avaliação: tendências e tendenciosidades. Avaliação
42 OLIVEIRA, I. B. Currículos praticados: entre a regulação e a emancipação. v Políticas Públicas Educacionais, Rio de Janeiro,1994.
Rio de Janeiro: DP & A, 2003.

Conhecimentos Pedagógicos 33
Apostila Digital Licenciada para TIAGO SANTOS ARRUDA - arrudatiago@live.com (Proibida a Revenda) - www.apostilasopcao.com.br
APOSTILAS OPÇÃO

A avaliação é responsiva porque, diferentemente das Pode ser chamada também de função creditativa. Também
alternativas anteriores que partem inicialmente de tem o propósito de classificar os alunos ao final de um período
variáveis, objetivos, tipos de decisão e outros, ela se situa e de aprendizagem, de acordo com os níveis de aproveitamento.
desenvolve a partir de preocupações, proposições ou
controvérsias em relação ao objetivo da avaliação, seja ele A avaliação somativa pretende ajuizar do progresso
um programa, projeto, curso ou outro foco de atenção. Ela realizado pelo aluno no final de uma unidade de
é construtivista em substituição ao modelo científico, que aprendizagem, no sentido de aferir resultados já colhidos
tem caracterizado, de um modo geral, as avaliações mais por avaliações do tipo formativa e obter indicadores que
prestigiadas neste século. permitem aperfeiçoar o processo de ensino. Corresponde a
Neste sentido, Souza diz que a finalidade da avaliação, de um balanço final, a uma visão de conjunto relativamente a
acordo com a quarta geração, é fornecer, sobre o processo um todo sobre o qual, até aí, só haviam sido feitos juízos
pedagógico, informações que permitam aos agentes escolares parcelares.
decidir sobre as intervenções e redirecionamentos que se
fizerem necessários em face do projeto educativo, definido Objetivos da avaliação
coletivamente, e comprometido com a garantia da Na visão de Miras e Solé, os objetivos da avaliação são
aprendizagem do aluno. Converte-se, então, em um traçados em torno de duas possibilidades: emissão de “um
instrumento referencial e de apoio às definições de natureza juízo sobre uma pessoa, um fenômeno, uma situação ou um
pedagógica, administrativa e estrutural, que se concretiza por objeto, em função de distintos critérios”, e “obtenção de
meio de relações partilhadas e cooperativas. informações úteis para tomar alguma decisão”.
Para Nérici, a avaliação é uma etapa de um procedimento
Funções do processo avaliativo maior que incluiria uma verificação prévia. A avaliação, para
As funções da avaliação são: de diagnóstico, de verificação este autor, é o processo de ajuizamento, apreciação,
e de apreciação. julgamento ou valorização do que o educando revelou ter
Função diagnóstica - A primeira abordagem, de acordo aprendido durante um período de estudo ou de
com Miras e Solé44, contemplada pela avaliação diagnóstica desenvolvimento do processo ensino/aprendizagem.
(ou inicial), é a que proporciona informações acerca das Para outros autores, a avaliação pode ser considerada
capacidades do aluno antes de iniciar um processo de como um método de adquirir e processar evidências
ensino/aprendizagem, ou ainda, segundo Bloom, Hastings e necessárias para melhorar o ensino e a aprendizagem,
Madaus, busca a determinação da presença ou ausência de incluindo uma grande variedade de evidências que vão além
habilidades e pré-requisitos, bem como a identificação das do exame usual de ‘papel e lápis’.
causas de repetidas dificuldades na aprendizagem. É ainda um auxílio para classificar os objetivos
A avaliação diagnóstica pretende averiguar a posição do significativos e as metas educacionais, um processo para
aluno face a novas aprendizagens que lhe vão ser propostas e determinar em que medida os alunos estão se desenvolvendo
a aprendizagens anteriores que servem de base àquelas, no dos modos desejados, um sistema de controle da qualidade,
sentido de obviar as dificuldades futuras e, em certos casos, de pelo qual pode ser determinada etapa por etapa do processo
resolver situações presentes. ensino/aprendizagem, a efetividade ou não do processo e, em
Função formativa - A segunda função á a avaliação caso negativo, que mudança devem ser feitas para garantir sua
formativa que, conforme Haydt, permite constatar se os alunos efetividade.
estão, de fato, atingindo os objetivos pretendidos, verificando
a compatibilidade entre tais objetivos e os resultados Modelo tradicional de avaliação x modelo mais
efetivamente alcançados durante o desenvolvimento das adequado
atividades propostas. Gadotti diz que a avaliação é essencial à educação, inerente
Representa o principal meio através do qual o estudante e indissociável enquanto concebida como problematização,
passa a conhecer seus erros e acertos, assim, maior estímulo questionamento, reflexão, sobre a ação.
para um estudo sistemático dos conteúdos. Entende-se que a avaliação não pode morrer, ela se faz
Outro aspecto é o da orientação fornecida por este tipo de necessária para que possamos refletir, questionar e
avaliação, tanto ao estudo do aluno como ao trabalho do transformar nossas ações.
professor, principalmente através de mecanismos de O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada
feedback. histórica, sendo que seus fantasmas ainda se apresentam
Estes mecanismos p