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Fazenda Ávila

Sinopse

Bianca, uma professora de ensino infantil


cheia de sonhos, é obrigada a abandonar sua
cidade Natal as pressas para fugir de
fantasmas do passado, que voltaram para a
atormentar.
Desolada, somente com uma mala nas mãos,
chega à fazenda Ávila, onde mora sua
madrinha, para tentar um recomeço.
Ela só não poderia imaginar que em meio ao
caos, conheceria Gustavo Ávila, um homem
cheio de atributos, capaz de fazer qualquer
mulher perder o juízo.
Embora tenha sido avisada que ele não é um
homem de compromisso, vivendo de safadezas
com gestos de bom moço, a carne é fraca...
Será que ela vai resistir?
Para Mai e todas as professoras que me
inspiram...

Para as pequeninas Kalietes Jujuba e


Maricota.
É, este livro vocês só vão poder conhecer
em 2030.
Mas eu amo tanto vocês que desde já
estão em minhas páginas.
Créditos

Título – FAZENDA ÁVILA


2019 – Todos os direitos reservados.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da
imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera
coincidência.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia
autorização dos autores.

A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei nº 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do
Código Penal.

______________________________
Fotos da capa – Stock.adobe.com

Arte da Capa – Liga das Romancistas

Revisão – Miriam Maciel

Registro na Biblioteca Nacional

____________________
1ª. Edição - SETEMBRO 2019
Sumário

Sinopse
Créditos
Sumário
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capitulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Final
Epílogo
Aquele bate papo...
Agradecimentos
Próximos Lançamentos
Outras obras da autora
Contato
Capítulo 1

Bianca Lima

“Estrada das Correntezas, n° 402, cidade Rios


Claros*.”

“— Fique atenta as dicas que eu vou te passar, minha


filha. E assim você não errará. Após passar pela ponte do
Rio Correntezas, em poucos minutos, o ônibus vai parar no
ponto do entroncamento, onde tem o Bar Sete Ventos. É um
local muito conhecido que fica muito antes da rodoviária
da cidade e com apenas cinco minutos de caminhada
subindo a pequena ladeira, você vai chegar lá. Sem nem
perceber, além de todo muro que você vai ver durante a
trajetória, o portão principal da fazenda vai te chamar
atenção, ele é enorme, só vi uma vez, mas me lembro até
hoje. Ele é estilo de coisa de rico e provavelmente tem até
um ou dois porteiros que também são seguranças, eu bem
sei que eles ficam armados, mas são pessoas do bem.
Enfim, não tem erro. Agora vá e ao chegar, peça para
encontrar a sua madrinha. Não é bom que você fique aqui
na cidade depois do retorno daquela pessoa que eu nem
gosto de pronunciar o nome e eu, minha menina, vou para
capital tentar algo para nós. Quem sabe em breve voltamos
a morar juntas? E não esqueça, eu te amo, Bianca.”
As palavras da Ana, minha tia de sangue e mãezinha que a vida me
deu, ainda ecoam em meus pensamentos enquanto caminho seguindo o seu
passo a passo em direção ao local aonde a minha madrinha trabalha há anos,
tendo a esperança de que encontrarei ao seu lado um refúgio temporário e
quem sabe um emprego, pois é o que mais preciso.

* Rios Claros Cidade Fictícia

Após uns dez minutos derretendo, sentindo-me esgotada, puxando uma


mala grande de rodinhas e uma bolsa pequena, exposta ao sol que,
provavelmente, vai me deixar com a pele bastante avermelhada, finalmente
avisto o portão e percebo de imediato que a minha tia em nada exagerou, na
verdade foi até bem discreta.
“Fazenda Ávila”
Por alguns segundos, fico observando o nome dependurado em uma
estrutura de ferro no topo do portão, e apesar do seu peso, ainda assim, noto
que balança um pouquinho por conta do vento forte.
— A moça está perdida por essas bandas? – A voz imponente me
chama atenção e quando me viro na direção, avisto um homem de pele negra,
bastante alto, corpo robusto, de aparentemente cinquenta anos e cabelos
levemente grisalhos.
— Na verdade eu acabo de chegar ao meu destino, senhor. –
Simpático, mesmo que demonstrando curiosidade por causa da minha
presença, esboça um sorriso discreto e caminha até mais próximo do portão.
— Então me tire a curiosidade, o que te traz aqui, menina? – Retira do
bolso uma penca de chaves e segura um pequeno controle, que
provavelmente abrirá as portas da fazenda. — Meu nome é José e o seu? –
Será que ele conhece a minha tia? Enfim, trato de me apressar a responder:
— Eu sou a Bianca e estou procurando a minha madrinha, a Dorinha. –
Mesmo tentando disfarçar, percebo que os seus olhos se iluminam, fato que
me deixa bastante curiosa.
Será que a dinda se casou novamente?
Ou tem um admirador secreto desde a sua viuvez?
— Pois então tu viestes no lugar certo, eu vou te levar até a Dora. – Ele
me dá acesso e após se certificar que o portão está trancado, volta a atenção
para mim.
— Por favor não se incomode, se tu me ensinar as coordenadas, eu
posso ir sozinha ao encontro da minha madrinha. – Me interrompe ao
gargalhar.
Será que falei algum absurdo?
— Deixe de besteira, que daqui até a casa anexo da fazenda, aonde a
sua madrinha mora, você vai caminhar por pelo menos uma hora e lá vai.
Capaz até de empacotá* depois de provavelmente ter passado a noite na
estrada em um sono picado.* – Aponta para um carro enorme, típico de
quem percorre estradas um tanto quanto problemáticas, principalmente em
dias de chuva. — Agora vamos, está perto do horário do almoço e sua
madrinha vai gostar de te ver. – Cavalheiro, recolhe a minha mala e nós
vamos caminhando lentamente até o carro que está estacionado um pouco a
direita. — Dorinha já me falou de você, mas era de um jeito que té acreditei
que tu eras uma criança e não moça feita. – Me divirto com o seu relato.
— Acho que nos corações das mães e madrinhas, sempre será assim, os
filhos não crescem. – Ele concorda enquanto coloca minha bagagem no
banco de trás e parece pensativo.
— Tu tens idade para ser a minha filha. – Isso é verdade. — Quando eu
era jovem, sonhava em ter uma menininha, mas a minha esposa da época teve
complicações e não pudemos realizar tal sonho. – Eu o entendo, acredito que
a falta que sinto de ter um pai, se assemelha a dor do seu sonho frustrado.
O pensamento me faz ficar um pouco emotiva enquanto estou envolta
no cuidado que José tem comigo. Me faz sentir de certa forma protegida,
principalmente depois de caminhar sozinha em uma estrada, ouvindo de
alguns motoristas, cantadas que constrangem qualquer mulher.
*Empacotá – Morrer.
*Sono picado – Não dormiu bem.
Durante os primeiros minutos do trajeto, ao som do forró contagiante
do Falamansa, com a música Xote dos Milagres, minha mente se divide em
dois estados, por um lado, lamento tudo o que deixei para trás em menos de
quarenta e oito horas, inclusive alguns poucos amigos que queria sempre por
perto.
Por outro lado, fico encantada com a paisagem montanhosa verdinha,
as plantações que, de longe, não consigo identificar do que são, as árvores
parecendo bem alinhadas e a calmaria que apenas é quebrada pelo cantar dos
pássaros.
Contudo, o que me chama mais a atenção e na verdade me deixa muito
curiosa, é o micro-ônibus que passa por nós com a logomarca “VTv,” uma
emissora de televisão nacionalmente famosa.
— Nossa! Aconteceu alguma coisa para a TV estar por aqui? – José
abaixa um pouco o som e ainda que prestando atenção na estrada, me olha
rapidamente com um ar de interrogação.
— Bianca, você está na Fazenda Ávila. – Por alguns segundos eu não
entendo a sua resposta, até que minha mente vai clareando, chegando ao
ponto de eu abrir bem meus olhos e minha boca, que rapidamente cubro com
a mão.
— Oh céus! – José se diverte. — Esta é a fazenda onde aquele
engenheiro agrônomo famoso, Gustavo Ávila, grava o seu programa de TV?
– Levanta uma das mãos para o céu, nitidamente fazendo chacota do meu
momento songamonga* como se estivesse agradecendo a Deus por eu me
lembrar da fama do local.
— Enquanto algumas prendas* fazem fila querendo adentrar a fazenda
para conhecer meu patrão, a moça nem se lembrava de tal detalhe antes de
pôr os pés aqui? – Vira um pouco a esquerda. — Você é mesmo desse
mundo? Ou é a primeira que não se importa com o status do senhorzinho? –
Apresso-me em justificar.
— Na verdade, meu esquecimento se dá por estar um pouco cansada,
mas não posso negar que já vi seu patrão na TV. – Pauso um pouco enquanto
um sorriso bobo contorna meus lábios. Ora, o senhorzinho Ávila é lindo, alto,
dono de um corpo invejável, olhos marcantes que parecem atravessar a tela
da TV e boa parte das mulheres que assistem o seu programa, nada entendem
do que ele diz ou das suas dicas, mas os olhos das taradas, inclusive os
meus... Ah, esses com certeza são agraciados pela mais bela espécime de
homem. — Acho que todas as mulheres existentes na face da terra já o viram.
Nossa! Ele é muito lindo. – Minha pele aquece de tanta vergonha pela minha
indiscrição.
Senhor, de onde eu tirei coragem para fazer tal comentário? Estou certa
de que queimei meus neurônios durante a caminhada.
— Pois se mantenha distante dele. – O tom de voz de Zé, muda como
se fosse da água para o vinho. — Ávila chama atenção por sua beleza
exterior, mas o seu coração não é terra para moça direita passear. – Ele
diminui a velocidade como se quisesse ganhar tempo. — Eu tenho o patrão
como filho, pois quando ele nasceu eu era jovem. Entretanto, eu acredito que
a vida o estragou ou ele teve o azar de puxar ao pai. Moças como você são
pura diversão e apesar de te conhecer há dez minutos, tu não me pareces ser
uma garota vivida, se proteja. – De provavelmente vermelha como uma maçã,
sinto que perco a cor. Nunca alguém foi tão direto comigo. — A sua
madrinha, com certeza, concorda comigo.
Santo Deus! Acho melhor nunca mais citar sequer o nome do Sr. Ávila.
— N-não se preocupe, Zé. Patrão não olha para moças como eu. – E eu
não digo isso em nenhum momento para me diminuir, mas é a verdade. Ricos
não olham para meninas humildes. — E por mais que eu o ache bonito, sei
que só devo olhar e com moderação. – José Continua sério enquanto eu
disfarço, observando por uns segundos o painel do carro, cheio de
informações que eu não entendo. Logo percebo que preciso ser mais clara na
minha explicação para o deixar em paz. — Relaxe, eu não vou misturá car co
fumo*. – Ele faz um sinal positivo com um leve balançar de cabeça e me
parece que finalmente acredita no que eu digo e eu, tentando digerir o efeito
do sermão que julgo ser exagerado por eu não ser uma garota iludida, desvio
meu olhar para a paisagem, sem coragem de dizer mais nada.

*Prenda – Moça bonita


*Songamonga – Bobalhona.
*Misturá car co fumo – Confundir as coisas.
Alguns longos minutos desconfortantes se vão, finalmente avisto a
mansão que, por mais que eu já tenha visto pela TV na abertura do programa,
me parece ser extremamente maior e muito mais bonita, é a impressão que eu
tenho quanto mais nos aproximamos. O estilo colonial, com enormes janelas
no tom azul escuro, me encanta. Contudo, por mais que eu queira continuar
olhando, passamos direto.
Penso até em comentar o quanto estou arrebatada pela estrutura, que
até parece coisa de filme.
Mas, e se o Sr. José achar que eu vou ficar de olho no patrão dele?
Melhor ficar quieta, eu não nasci para receber broncas gratuitas, por mais que
sejam bem-intencionadas.
— Agora chegamos aonde a sua madrinha mora. – Uma casa menor,
rodeada de lindas flores, nos fundos da mansão, porém muito linda, apesar da
simplicidade.
— Ahhh! não vejo a hora de a encontrar. – José me observa um pouco
antes de sairmos do automóvel.
— Tu me desculpes o sermão, Bianca. – Ele coloca na cabeça um
chapéu estiloso, típico dos cowboys. — Mas tudo o que te disse foi para o seu
bem e da Dorinha. Ela também ficaria de coração partido por te ver sofrer
pelo patrãozinho e nós já testemunhamos algumas moças desoladas. – Uai!
— Umas, por ele nunca nem olhar e outras, por o terem e se iludirem
esperando algo futuro. Então, quando você o elogiou, fiquei apreensivo. –
Nossa! Pelo o que vejo, o homem é um destruidor de corações, ainda bem
que o meu está protegido.
— Obrigada pelo cuidado Sr. José, acho que muitas moças gostariam
de ser avisadas e eu pelo menos estou sendo. – Passo um sorriso
reconfortante para que Zé se acalme enquanto experimento pela primeira vez
a sensação de uma proteção paterna já que não conheci o meu pai e ele,
parecendo mais tranquilo, se retira do veículo. Eu faço o mesmo, sentindo o
coração um tanto quanto disparado, pois estou ansiosa para ver a dinda.
Quando entramos na casa, encanto-me com os móveis rústicos, os
detalhes da cortina bordada em crochê, um arranjo de lindos girassóis
enfeitando uma mesa de centro, mas o silêncio até incomoda.
— Dora? – José se apressa em chamar. — Aonde tu tá minha prenda?
– Ela não se demora a responder:
— Estou aqui, Zé. No quarto. – Ele parece achar estranho a resposta,
caminha a passos largos na direção da sua voz e eu logo vou atrás. — Caí no
serviço e torci o pé, mas não quis te assustar, esperei você chegar para o
almoço. – Ela olha para ele demonstrando um certo sentimento, que eu acho
lindo, até que me vê e seus lindos olhos azuis ficam marejados.
— Oi dinda. – A emoção e a preocupação por ver o seu estado tomam
conta de mim e eu rapidamente vou ao seu encontro.
— Oh meu Deus, Bianca. – Segura o meu rosto com suas mãos
gordinhas, beija as minhas bochechas, por um momento quase se esquece da
sua dor, até parece que vai se levantar, mas continua acomodada. — Minha
afilhada, que saudade! Eu não te esperava. – Com cuidado, para não a
machucar, só a abraço, sentindo as lágrimas molharem meu rosto. Dorinha,
além de ser minha madrinha, é também a minha tia, até parece o retrato vivo
da minha mãe de tanto que são parecidas. — E logo hoje me machuquei, se
eu soubesse que tu vinhas, pelo menos teria feito uma comidinha melhor
ontem à noite. – Ela continua cuidadosa e amorosa como eu me recordava.
— Não se preocupe, dinda. Eu nem tive tempo de te avisar com
antecedência. – Fico um pouco envergonhada de prosseguir com o assunto na
frente do Sr. José, que nitidamente nota o meu constrangimento e se retira,
alegando que em poucos minutos retornará com o automóvel pessoal para
levar minha madrinha ao médico.
— Agora me conte, o que houve? Tem tempo que não te vejo por conta
da vida corrida, mas o seu olhar de medo, que eu conheço bem desde que tu
eras uma menininha e acordavas com os pesadelos, está presente neste seu
lindo rosto. – Abaixo a cabeça sentindo o gosto amargo que o temor traz e
prossigo:
— O viúvo da minha mãe voltou para cidade depois de tantos anos e
tarde da noite, bateu na porta lá de casa. – Pauso um pouco, buscando
conforto para prosseguir com tal assunto. — Na verdade, tia Ana não fazia
ideia que era o filho do demônio que estava do lado de fora, abriu a porta e
congelou ao notar a sua presença. Ele estava bêbado e bastante agressivo.
Porém, quando me viu paralisou, empurrou a tia e veio em minha direção,
repetindo várias vezes de forma confusa, que eu era igual ao amor da vida
dele.
— Creindeuspai. – Tia Dora perde a cor. — Por que diabos ele foi
atrás de vocês? – Acaricio seu rosto que demonstra uma certa aflição.
— Acusou a tia Ana e a mim pela destruição da família dele, quando
na verdade foi ele quem causou tanta dor ao tirar minha mãe deste mundo por
causa do ciúme. – Ela desvia o seu olhar um pouco para o lado como se
tivesse na verdade escondendo algo de mim. — Pelo menos foi isso que você
e tia Ana me contaram, eu era muito criança e não me lembro de nada. –
Segura a minha mão e a acaricia um pouco, por alguns segundos.
— Te contamos o certo, minha menina. Nada além da realidade. – Fico
com vontade de perguntar mais detalhes, porém tia Dora prossegue: — E me
conte, como foi para você deixar tudo para trás? – Antes mesmo de eu
responder o quanto está sendo complicado, ela movimenta a perna, geme de
dor e assim, tira o foco da conversa. — Ah! Como dói. – Na tentativa de a
confortar, coloco um travesseiro abaixo do seu pé com muito cuidado.
— Vai melhorar, a senhora verá. – Eu realmente espero que isso
aconteça, odeio ver quem eu tanto amo sentindo dor. — Quando Zé te levar
ao médico, o doutor há de passar algum santo remédio. – Se recosta com
mais cuidado na cabeceira da cama.
— E logo hoje que eu tinha tanto para fazer, nem o quarto do
patrãozinho eu arrumei e ele não confia em todo mundo nos seus aposentos. –
A sua aflição por não conseguir efetuar as suas tarefas é quase palpável. —
Na verdade, eu só administro os funcionários da mansão e cuido dos
aposentos do Gustavo. – Percebo que sua relação com o homem que mexe
com a cabeça de tantas mulheres é de bastante confiança e fico tentada a
perguntar sobre ele. Bate uma curiosidade para saber se o Sr. José exagerou
com seus conselhos.
— Se a senhora quiser, eu posso arrumar, tu sabes que jamais meteria
as fuças* aonde não me convém. – Ela se estica um pouco e em um criado
mudo pega uma penca de chaves.
— Eu confio em você, minha filha. E nem posso negar a ajuda, pois
não preparei ninguém para o serviço. – Sem ao menos perceber, faz uma
careta por não estar bem, me deixando ainda mais preocupada. — Mas antes,
você precisa se acomodar no quarto ao lado, tomar um banho e se alimentar,
pois está muito magra. – Eu não entendo muito bem o “muito magra” pois
apesar de ter a cintura fina e seios medianos, minhas outras partes nunca
passam despercebidas.
*Meteria as fuças - Intrometer-se.
***

Com mais alguns minutos de conversa, descubro que minha dinda


agora é uma mulher comprometida com Zé e como as mulheres sempre
divagam sobre vários assuntos ao mesmo tempo, o patrãozinho é citado.
Já sei que não devo ser indiscreta ao encontrar um “brinquedo” usado
em alguns momentos dele espalhado pelo quarto, muito menos se achar
alguma peça íntima feminina abandonada em sua cama.
O fato é que seu conselho me deixa ainda mais alerta e eu constato que
o José realmente não exagerou em absolutamente nada ao me proteger.
Gustavo Ávila é implacável...
Também, com certeza não encontra dificuldades por onde passa, lindo
daquele jeito e famoso, se quiser até deve distribuir senhas.
***

Quando já me encontro sozinha, depois de um banho maravilhoso que


acalma a minha pele, almoço um delicioso cozido cheio de verduras e
legumes e após, me permito descansar por pelo menos uma hora, sentada no
batente da porta, observando as lindas flores. Também aproveito para
conversar com minha mãezinha que já está na cidade grande e se acomodou
em uma quitinete
Por volta das quatorze horas, escovo os dentes e após me trocar,
vestindo um uniforme composto de um vestido azul abotoado na parte da
frente, emprestado por uma das empregadas, seguindo as instruções da dinda,
sigo para mansão Ávila, sentindo-me um pouco tímida e nervosa, pois o local
é totalmente desconhecido.
Ao adentrar pela porta da frente, que só está encostada, no primeiro
passo que dou no ambiente, de imediato o luxo até me constrange, eu
definitivamente nunca nem vi uma casa tão grandiosa de perto, sem falar nos
detalhes que dá para perceber que foram minunciosamente escolhidos.
O piso brilha de tão limpo, as paredes de cor bege são impecavelmente
limpas, e mesmo sem entender de arte, percebo o quanto os belíssimos
quadros expostos devem ser caros, daqueles que eu não teria condições de
comprar. Com certeza gostaria de conhecer o dono ou dona de belas mãos
que são capazes de pintar lindas paisagens.
Por estar sozinha, sinto vontade de ficar observando cada pintura, mas
o serviço me chama e eu também não quero decepcionar a dinda que, pelo
jeito, sempre mantém tudo em ordem.
Depois de buscar o material para limpeza na grande dispensa localizada
ao lado da cozinha que está impecavelmente limpa e vazia, volto para a sala.
Apressada, subo as escadas e quando chego no andar dos quartos, vou para o
final do corredor como fui ensinada para que em hipótese alguma eu me
perca. E sendo assim, sigo mais uma instrução.
“Se a porta estiver destrancada é porque ele não está
no quarto. Pode entrar.”
E é o que constato e estando tranquila, adentro o cômodo segurando o
material de limpeza.
Tentando ser rápida para não ser encontrada, começo a limpar o quarto,
contudo, quando passo a vassoura ao lado da cama e abaixo um pouco para
varrer por baixo do móvel, o meu brinco, que só anda folgado, cai e então eu
vou tentar o encontrar.
Com o quadril empinado para cima, sem nenhuma preocupação por
estar só e a cabeça toda voltada para debaixo do móvel, procuro o objeto, mas
a iluminação não ajuda.
— Quando eu falei que tinha uma fantasia para foder uma mulher com
uniforme de empregada, não imaginei que você levaria tanto a sério. – Pai
amado!
— Moço, eu só estou arrumando o quarto. – Justifico e tento tirar o
meu corpo parcialmente de debaixo da cama e acabo batendo a cabeça de
leve no móvel o que atrasa um pouco a minha saída.
— Eu gosto quando você encarna tão bem o personagem. E que rabo
gostoso você tem. Assim eu não resisto. Agora eu quero te foder aí mesmo. –
Começo a sair de debaixo da cama um tanto quanto desesperada, dizendo a
todo momento que sou apenas a empregada, até que sinto uma aproximação...
— Ahhhh.... – Grito pelo susto de ter mãos enormes levantando a
minha saia, acariciando o meu quadril e por fim dando um tapa forte que vai
me deixar bem vermelha. — Não.... – No impulso, dou um chute no ser
ousado, consigo sair da enrascada, me levantando, quase que trocando as
pernas e sentindo o ardor no lugar. — Como ousa me tocar assim? – Sem
nem o ver, pego a vassoura para meter em suas fuças. — Pior, ainda me deu
um tapa. – Viro-me para o atingir, mas quando eu o olho, só então me lembro
que estou no quarto dele.
O Sr. Gustavo Ávila.
Que no momento está usando um roupão atoalhado branco, levemente
aberto, de um jeito que deixa o seu peitoral bem amostra, com os cabelos
molhados e algo enorme bem visível marcando o tecido.
Meu Deus do céu! Eu não deveria estar olhando isso.
— Quem é você? – Estreita os olhos, que por sinal são mais bonitos
pessoalmente, em minha direção enquanto deveria estar me pedindo mil
desculpas por ele ser extremamente ousado e invasivo.
— Com certeza eu não sou a quenga que você acha que pode foder por
estar apenas limpando o seu quarto. – Tento manter a calma, mas é
impossível. A sua beleza e toda masculinidade não ofusca o meu cérebro. —
Ora, nunca te deram limites? – Eu nem deixo que ele responda. — Se ainda
não, você acaba de conhecer uma mulher que se encaixa no significado desta
palavra. – O deixando sem ação, recolho os itens de limpeza antes de
terminar o serviço e saio do quarto sem olhar para trás.
Eu hein...
Aonde o Sr. Ávila estava com a cabeça? Com certeza no pau.
Como é que tem coragem de levantar a minha saia assim?
Será que não tem medo de ser processado?
Chego ao térreo ainda sofrendo com uma taquicardia, vou em direção a
dispensa aonde se guarda o material da limpeza e só então eu percebo que
além de perder o meu brinco, eu também perdi qualquer chance de conseguir
um emprego na fazenda, ainda que provisório, pois meu sonho é exercer a
minha profissão de pedagoga.
Mas não me arrependo, eu não poderia em hipótese alguma me
permitir ser mais uma na cama do Sr. Gustavo.
Ele que vá procurar outra para suprir suas necessidades.

Capítulo 2

Gustavo Ávila

“Eu sei que estou um pouco atrasada para o nosso


encontro...
Fui ao salão de manhã e os cuidados com os
meus cabelos e pele, demoraram mais que o previsto.
Mas, por uma boa causa.
Eu sempre quero estar linda para você e também
para aparecer em rede nacional.
Enfim Sr. Ávila, deixe a porta do seu
quarto aberta que eu tenho uma surpresa...
Ah! Eu estou ansiosa para matar a saudade de você.
Beijos,
Aonde você quiser...
Vânia.”
Durante o percurso entre a sala de estar e o quarto, leio a mensagem de
texto e um sorriso de quem já sabe que foderá muito durante toda a tarde,
saciando um desejo acumulado de três dias se faz presente, assim como meu
pau que desde já, fica ereto.
Ao adentrar o cômodo, criando todo tipo de expectativa só de imaginar
as possibilidades que a tal surpresa trará, deixo a porta fechada sem passar a
chave, como a gostosa me pediu e sigo para a suíte.
Um tanto cansado, por desde as cinco horas da manhã percorrer as
terras Ávila, sem mais demora, tiro toda a minha roupa, tomo uma
revigorante ducha e assim que termino, antes mesmo de me secar, porque na
verdade gosto da sensação de estar molhado, visto o meu roupão.
Quando estou prestes a ir deitar um pouco na minha cama, meu celular
recebe uma notificação, distraio-me por alguns segundos lendo os e-mails,
mensagens do grupo da família, até que percebo um certo movimento vindo
do quarto e silenciosamente, esperando surpreender Vânia, abro a porta.
O fato é que já havia fodido a Vânia de todas as maneiras, conheço o
seu corpo, mas me surpreendo ao observá-la de forma mais detalhada. A
verdade é que não consigo tirar os olhos do seu traseiro gostoso que hoje, em
especial, está muito mais chamativo, maior, empinado e quase exposto.
A bainha da saia azul do uniforme de empregada praticamente não
cobre a popa da sua bunda.
Porra! Meu pau ansioso lateja de tanto desejo.
Eu não resisto, não tem como e após trocar poucas palavras no qual me
impressiono pelo seu nível de atuação, pelo jeito que encarna a personagem
de uma empregada que finge não gostar da minha investida, acaricio sua
bunda a sentindo ainda mais macia e gostosa.
Também estranho a calcinha rosa com estampa infantil, que deve fazer
parte de toda encenação e me deixa ainda mais empolgado.
Será que ela vai se fazer de virgem?
Dou um tapa para ouvir o seu gritinho de quem está louca para me dar,
contudo, para minha surpresa, recebo um chute próximo da minha virilha que
me faz levantar rapidamente.
Porra! Ouço com mais nitidez uma voz que já não reconheço e em
instantes, a imagem da mulher revoltada é revelada e a bravinha, de
provavelmente um metro e meio, estressada e descabelada, pega uma
vassoura para me agredir.
Mesmo perguntando quem ela é, percebendo mais nitidamente o
quanto o seu rabo me cegou e eu a confundi com uma mulher completamente
diferente, sendo atropelado por seu sermão que não me deixa sequer justificar
a minha ação, fico preso em seu olhar de cor de mel, no seu rosto de menina,
todo conjunto que é a bela e gostosa moça, que na atual circunstância, de tão
nervosa nem percebe que está com as coxas grossas e brancas a mostra por
conta do vestido dobrado.
Prenda linda. E isso é inquestionável.
Quem é essa mulher que mesmo segurando uma vassoura, parecendo
até que quer voar nela de tão irada que está, me chama tanto a atenção?
A observo sem ao menos disfarçar, registro o máximo dos seus
detalhes em poucos segundos e perco-me apreciando o formato dos seus
lábios.
Estressada. Me deixa com vontade de gargalhar, apesar de tudo. Será
que ela não sabe o quando fica gostosa e engraçada toda bravinha?
Corada. A reação que mais me enlouquece quando estou com mulheres
de pele clara. Porra, é excitante as ver mudando de cor por conta de toda
excitação e por este motivo, eu logo a imagino montando no meu pau que
nenhuma mulher ainda adestrou, chorando de prazer me recebendo gostoso e
deixando seu corpo dizer por si o quanto está em êxtase.
Tímida. Me arrependo de estar vestido com um roupão, mesmo que ele
esteja entreaberto. Se ela já ficou toda constrangida com um ar de menina
inocente ao me olhar rapidamente, imagina me vendo nu?
E decidida. Me dá um fora sem ao menos me dizer quem é, e sai do
meu quarto me deixando ainda mais curioso sobre a mulher que há poucos
minutos acariciei o rabo.
E gostei.
Muito.
Bem, eu pelo menos posso afirmar que temos algo em comum, a
determinação. Mesmo que a dela seja usada de forma errada, mais
precisamente para fugir de mim.
Enfim, agora me resta descobrir quem a morena de olhos tão
marcantes, é.
— Gustavo? – A voz que eu agora reconheço, me chama atenção. —
Aconteceu alguma coisa? – Coloca a mão na cintura e curiosa, aguarda a sua
resposta. — Acho que estou aqui há um minuto te chamando. – Vou na
direção da Vânia tentando mudar o foco do meu desejo para ela.
— Está tudo bem. – Passo uma das minhas mãos por baixo dos seus
cabelos e puxo, a forçando me olhar e deixando seus lábios a minha mercê.
— Vai ficar melhor agora. – Ousada, vai abrindo o meu roupão, acariciando
meu peitoral e fazendo o caminho da perdição enquanto tomo seus lábios.
Contudo, somos interrompidos por um objeto que a cortina derruba da
mesa de canto por causa do vento forte e assusta a minha amiga.
Sem querer que tal situação ocorra novamente, deixo Van tirando a
roupa, ansiosa para cavalgar no meu pau, enquanto vou fechar a janela e para
minha surpresa, vejo a moça linda caminhando, com os cabelos longos ao
vento, em direção à casa da Dora. Eu fico a observando.
Puta merda! Mesmo de longe o seu rebolado natural me prende
completamente.
Será que é a sobrinha da Dora? Que eu saiba ela só tem um filho e ele
não mora por aqui.
— Gustavo? – Vânia me traz de volta para a realidade, fecho a janela e
quando eu a olho, ela já está completamente nua, do jeito que sempre gostei.
Mas a verdade é que hoje, eu necessitava vê-la em um vestido azul,
ajoelhada, de quatro e toda empinada ao lado da minha cama, para matar o
desgraçado desejo que está me consumindo.
Contudo, me conformando com o que eu tenho para hoje, tiro o roupão
e depois de me proteger ao colocar o preservativo, a possuo na minha cama
de todas as formas.
Ainda que lutando contra as lembranças recentes de ter a prenda
gostosa nas minhas mãos, sigo saciando, tentando me satisfazer. Faço Vânia
gritar meu nome por pelo menos três vezes, chegando a perder um pouco da
razão e só então gozo bem gostoso.
***

— Eu queria ficar aqui na sua cama por mais tempo. – Vânia me


abraça roçando o corpo no meu depois que volto do banheiro pois tive que
me livrar do preservativo. — Porém, em uma hora temos compromisso com o
trabalho. – Revira os olhos parecendo cansada. — Custava este programa ser
gravado na capital como no início de tudo? – O fato é que Vânia nunca
gostou de pelo menos por um dia ter que conviver na zona rural. — Eu já
chego aqui na Ávila esgotada.
Já eu, me encontro quando estou na fazenda, apesar de gostar de viajar
pelo mundo conhecendo novos costumes, histórias e pessoas.
— Falar sobre o agronegócio sem estar em uma fazenda, deixava o
programa frio. – E é a mais pura verdade. Hoje em dia a audiência supera
todas as programações do mesmo horário, apesar da temática da atração. —
Não faz sentido voltar para o estúdio, a fazenda Ávila é o melhor cenário. Foi
um bom negócio para a emissora e todos nós. – Inconformada, levanta-se e
caminha até a janela desfiando o seu corpo nu.
— Realmente foi para todos, menos para mim. – Volta seus olhos azuis
em minha direção e ajeita os longos cabelos loiros. — Gustavo, você hoje
praticamente manda na emissora, a briga de várias empresas para fazer
merchandise durante alguns momentos do programa é quase épica, fora a
concorrência das grandes indústrias que lutam para aparecer nas propagandas
televisivas do horário que estamos no ar. – Respira fundo. — Sim, foi ótimo
para vocês, mas para mim, não. – Segue para a suíte e para ao se encostar na
porta. — Sem falar que se você estivesse morando na capital, poderíamos
estar juntos de verdade. – Levanto-me e vou em sua direção enquanto
divago.
Será que chegou a hora de ter a tal conversa?
Eu sempre deixo tudo tão claro.
— Van. – Acaricio o seu rosto. — Somos compatíveis na cama, mas
não na vida. – Sem que ela espere, a carrego e levo para debaixo do chuveiro
na intenção de a distrair.
Vânia é linda, considero uma amiga, mas os seus gostos são os opostos
dos meus. Somos como a água e o óleo.
Enquanto os seus olhos brilham por caminhar em um shopping, os
meus ficam felizes em ver o horizonte montanhoso coberto por plantações,
um pôr do sol próximo a cachoeira e apesar de todo dinheiro que tenho, vivo
uma rotina tranquila, trabalhando no que verdadeiramente amo.
O fato é que somos os opostos que não se atraem para algo duradouro e
enquanto eu não acho a mulher certa, apesar de não saber se já quero
encontrar, decido aproveitar de todo jeito.
— Ahhh Gustavo. – Ela aperta o meu braço enquanto recebe carícias,
entretanto me olha de um jeito diferente e seus olhos ficam marejados, me
fazendo parar de imediato.
— Eu te machuquei? – Nega rapidamente e acaricia o meu rosto.
— Meu corpo não. – Me abraça enquanto a água nos molha. — Mas eu
preciso confessar que o meu coração, sim. – Puta merda!
Foder a Vânia e levar uma vida de amigos sem cobrança e vínculo
estava ótimo.
Como ela sabe, eu nem sequer sou fiel a ela. Não me limito a tê-la uma
vez por semana e muito menos me acomodo ficando com o pau de molho no
restante dos dias que ficamos distantes. Apesar de não sair procurando feito
um caçador, se surgir a possibilidade de uma noite de prazer segura, eu não
dispenso. Ela deveria agir da mesma maneira.
— Isso foge de tudo o que combinamos. – Me afasto um pouco
enquanto vejo o rosto de uma mulher que eu jamais quis machucar um pouco
entristecido.
Porra, eu sempre fui claro.
— Eu sei, só que no coração não se manda. – Continua o seu banho
sem olhar para mim. — Mas de qualquer forma, eu não quero conversar
sobre isso. – Termina de se lavar e em menos de um minuto, vai até uma das
gavetas e escolhe uma das toalhas. — Vou me vestir no quarto e nos
encontramos na gravação. – Me deixa para trás enquanto estou
completamente pensativo e sem saber o que fazer.
Porra!
Estava ciente que nossos encontros poderiam ocasionar algo do tipo,
mas eu contava com seu lado racional para limitar seus sentimentos, é nítido
que nunca renunciaríamos o suficiente para vivermos juntos e em paz.
***

Depois de horas gravando o programa para as duas seguintes semanas,


onde o foco principal de ambos foi conscientizar a população sobre a
importância da agropecuária no país e dar dicas para pequenos agricultores
que abastecem o sistema alimentício regional de cada estado, despeço-me da
equipe e da Vânia.
Eu já esperava que o clima entre nós ficaria estranho, então a despedida
foi apenas de longe e após o momento complicado, ela seguiu para a pista de
pouso da fazenda, aonde um avião já estava a sua espera para que ela volte
para a sua vida real.
***

Quando me encontro sozinho e observo o avião, já estando bem


distante, lembro-me da prenda que vi entrando na casa da Dora e como sou
muito amigo da sua aparente anfitriã, quase como parentes, mesmo já
passando das vinte e uma horas, decido ir vê-la, na intenção de encontrar
alguma resposta que mate a minha curiosidade sobre a mulher de língua
afiada que me deu um ultimato.
Ao chegar na frente da casa, toco a campainha torcendo para ser
rapidamente atendido e José, como sempre amigável, após abrir a porta e eu
me acomodar no sofá, me convida para tomar um café. Eu, de imediato
aceito, até porque preciso de respostas. Também não posso negar, que a
possibilidade de ver a mulher de um metro e meio, me deixa bastante
animado.
Como ela vai reagir ao me encontrar novamente? Isso é... Se ela estiver
por aqui.
— Hoje o café que te ofereço não será feito por Dora, meu amigo. Ela
se acidentou no serviço. – De imediato fico em alerta.
— Por que não me avisou? Poderia disponibilizar o helicóptero para a
levar ao hospital, o que aconteceu com Dora? – Porra, eu a considero demais
para não tomar a frente de tal situação.
— A minha madrinha torceu o pé. – Tímida, descalça, usando um
vestido azul com listras brancas na estampa e de cabelos soltos, aparece na
sala justificando a ausência de quem tanto estimo, usando um tom de voz que
até engana. Quem a vê agora, não imagina o quanto ela pode gritar. — Sr.
José, Dora acabou de te chamar. – Acho estranho o seu recado para Zé e
estou certo que a moça deseja ter uma prosa comigo.
Eu gosto disso.
— Me dê a vossa licença, Gustavo. – Concedo. Contudo, antes de Zé
avançar pelo corredor, volta rapidamente para sala. — Bianca te fará sala, ela
é como uma filha para Dorinha. – José analisa a minha reação, que por sinal
está impassível e eu ajo como se nunca a tivesse visto. — Tenho por mim que
não tem problema receber a moça aqui, estou certo? – Eu confirmo com um
leve balançar positivo de cabeça e ele olha para Bianca e lhe passa um sorriso
reconfortante. — Faça um café para o patrão, ele gosta.
— Com certeza eu farei. – Fico a sós com a mulher que no exato
momento está bem mansa e dá um passo ao meu encontro.
— Assim que der eu irei embora, mas por favor, não reclame com a
dinda pelo o que te fiz. – Sussurra, me mostrando o quanto quer que o
equívoco seja algo a ser recordado apenas por nós dois e eu a interrompo ao
me levantar e ir em sua direção.
Eu na verdade gosto da sua indiscrição quando me olha, ela
literalmente fala com os olhos e o corpo todo responde.
— A sua presença não me incomoda, desde que você não volte a tentar
chutar isso aqui. – Aponto para minhas partes só pelo prazer de a ver
corando.
Bianca parece ser tão inocente, mas estou ciente que é esse tipo de
mulher que engana. Até parece moça da igreja que diz que vai casar virgem,
mas quando está entre quatro paredes é uma puta na cama, dona de uma
boceta faminta, insaciável ou no mínimo curiosa para aprender tudo
direitinho.
— A culpa foi sua, o senhor levantou a minha saia e... – Engole em
seco e eu noto a reação da sua excitação nos seus seios. Os mamilos duros a
denunciam. — Acariciou e... – Dou mais um passo em sua direção.
— É, eu acariciei o seu rabo empinado e gostoso, não tive como
resistir. – Abre bem os olhos e se encosta na parede. — Você tem uma bela
traseira, acredito que ela ainda deve estar vermelha, assim como eu sei que
você gostou do tapa. – Tenho vontade de conferir como está a sua pele. —
Mas eu confesso, achava naquele momento que você fosse outra pessoa, eu
jamais avançaria em uma mulher que não estivesse pronta para me dar. Me
perdoe. – Chego ainda mais perto. — E é esse o seu caso, não é? – Sabendo
do efeito que estou causando, praticamente uno os nossos corpos, pois gosto
de ver bem de perto suas tentativas frustradas de se manter imune. — Ou
estou enganado? – Ela me dá um empurrão que nem me abala e sai pela
direita.
— Eu nunca teria algo com você. – Os mamilos continuam a
entregando. — Nunca. – Mente, eu gosto. Muito.
— Nunca o que, Bianca? – José volta para sala e eu me sento,
controlando a porra do meu pau que adora uma mulher difícil, ou aquelas que
pelo menos se fazem.
— N-nunca negaria um café para o seu patrão. – Caminha até a
cozinha, para bem na porta e abre um sorriso, voltado para mim que eu gosto
de ver. — Já volto com o café, Sr. Ávila.
Enquanto Bianca prepara uma das minhas bebidas preferidas, usando o
legitimo grão colhido em minhas terras, converso com José sobre o programa
que acabo de gravar. Por ter confiança nele como amigo próximo e até
mesmo da família, conto sobre a dificuldade da gravação por conta do
emocional da Vânia, os novos patrocinadores que no próximo semestre farão
merchandise e a nossa conversa rende, até que Bia volta, segurando duas
xícaras.
— Eita que eu estava precisando mesmo de um café para me esquentar.
– José comenta animado enquanto segura a sua xícara e prova da bebida.
Chega a fechar os olhos apreciando o sabor. — Agora estou certo que minha
Dora que lhe ensinou a fazer um café muito bom, Bia. – Ela sorri para mim e
estende a mão.
— Espero que o senhor também goste. – Seguro a xícara e de propósito
deixo meus dedos roçarem em sua pele.
Macia.
Cheirosa.
Gostosa. Assim como a sua bunda empinada.
— Tenho certeza que vou. – Degusto o primeiro gole e tenho a certeza
que acabo de beber a porra do café feito em um purgatório.
Salgado de um jeito que quase corta a minha boca. E o que me deixa
ainda mais irado, é que a minha desgraça é testemunhada pelo anjo caído que
agora eu sei que é uma mulher e se chama Bianca.
— Gostou, senhor? – Seus lábios rosados se formam em um sorriso
tentador. Eu ainda os terei unidos aos meus e em outras partes.
— Muito. – Ela abre bem os olhos enquanto deixo a xícara na mesa de
centro. — Eu gosto de sabores diferenciados e o seu, tenho certeza que é. –
Finjo que falei o que não devia e me apresso em ajeitar a frase. — Quis dizer,
o seu café.
— Obrigada. – José se levanta.
— Como somos amigos sei que não preciso de cerimônia, eu tenho que
me recolher Gustavo, o dia foi puxado, achei até que ia empacotá. –
Exagerado quando quer, nos faz dar risada.
— Pois vá, eu sei o caminho de casa, mas não posso deixar de tomar
esse café antes. – Bianca parece congelar percebendo que ficará a sós comigo
novamente.
— Até amanhã, Gustavo e se prepare para visitar o SUL das terras. – O
informo que na verdade até estou ansioso, ele se vai após um aceno e Bianca
se senta na poltrona a minha frente.
Na verdade ela quase desmaia.
— Interessante. – Olho para o café e depois para ela, que no momento
perde a voz. — Umas coariam o meu café na calcinha e você colocou sal. –
Converso enquanto ainda sinto o sabor desgraçado que perdura em minha
boca.
Mas ainda assim, eu gosto do atrevimento da Bianca.
— Desculpa, novamente. Mas você mereceu, sem falar que me
contaram da sua fama, me disseram para ficar longe e quando você levantou a
minha saia e me apalpou, foi bem assustador. – Mesmo toda corada, me
convence.
Hoje à tarde, por um minuto eu realmente vi medo em seus olhos, mas
não me esqueço das reações positivas que seu olhar e mamilos a entregaram
quando notou que eu estava seminu.
— Então, o sal era para me afastar e eu nunca mais levantar a sua saia?
– Ela confirma com gestos e eu vejo a oportunidade de virar o jogo.
O que uma mulher momentaneamente rejeitada seria capaz de fazer
para me levar à loucura? Eu quero muito ver e saberei provocar.
— Bianca, eu já disse e não menti. – Ela presta atenção em cada
detalhe meu e com gestos que demonstram ansiedade e nervoso, aperta os
próprios dedos. — Eu sou um homem e um de verdade não força nada. Eu
confundi o seu rabo com o de outra pessoa que passei a tarde. – Decido ser
sincero. — Na verdade, vocês são muito diferentes, mas a sua bunda gostosa
me cegou. – E como... — Eu não voltarei a fazer algo parecido contigo
enquanto você estiver por aqui. – Levanto-me e vou em direção a porta. —
Até porque, você é afilhada da Dora, pessoa que nunca faria sofrer por fazer
uma maldade com quem ela tanto ama e pelo o que vejo, a moça também já
está ciente de que eu não presto. – Giro a maçaneta. — Estou certo de que
você vai ficar longe de mim, não é?
Não espero a sua resposta e me retiro do lugar, completamente
possuído pelo desejo de ver a santinha perdendo o juízo ao mesmo tempo que
comprovo que o feitiço real não é coar o café em uma calcinha e sim colocar
sal.
Porra! Eu não consigo parar de pensar em foder a mulher mais difícil
que eu já conheci, que mesmo atraída por mim, consegue raciocinar e está
disposta a tentar ser firme em sua decisão de se proteger.
E é disso que eu gosto.
Dificuldade.
Até certo ponto, é um jogo muito bom.

Capítulo 3

Bianca Lima

“Estou certo de que você vai ficar


longe de mim, não é?”
Grosso...
Muito grosso...
Diria até que é um cavalo, mas tenho dó do bichinho fofo.
Eu hein! Como é que me dá um fora desse?
E por qual motivo eu tenho que ficar longe?
Será que acha que eu não resistiria a tanta masculinidade?
Aonde já se viu?
De onde ele tirou isso?
Até parece que vive de ovo travessado*
Pena que ele não me deixou responder o óbvio. Eu queria ter a
oportunidade de o informar em alto e bom tom, que se ele estiver no SUL, é
no NORTE que eu vou ficar e visse versa.
Eu lá estou em condições de ficar recebendo tacada sem nem merecer?
— Foi ele quem me pegou daquele jeito sem ter autorização e me deu
aquele tapa. – Meus mamilos voltam a endurecer e ficam visíveis através do
tecido do vestido só de me lembrar da sensação. Ah meu Deus, será que ele
percebeu? Pois há instantes foi neste estado que eu estava com toda
aproximação.
*Ovo travessado = estar de mau humor
Tenho para mim que perto do Gustavo necessito usar um sutiã com
bojo, que eu não suporto por conta do maldito ferrinho na sua estrutura.
A verdade é que eu me vejo entre a cruz e a espada, no melhor
exemplo de um “deus me livre, mas quem me dera” e pelo menos para mim
eu não preciso negar.
Já fiquei com dois rapazes. Por vezes me permiti a alguns amassos,
apesar de nunca ter feito tudo, mas igual a pegada do Gustavo estou certa de
que nunca experimentei.
Que puxada gostosa.
Fora o calor que aquele tapa espalhou por todo o meu corpo.
Deus, me perdoa por ter gostado daquelas mãos enormes me
envolvendo?
Sentindo falta da paciência para aguardar ouvir a voz do Senhor, com
medo da Sua resposta ou até mesmo da minha consciência me punindo,
decido ir dormir, pois o dia já rendeu demais, eu estou aos cacos e com a
bunda vermelha.
Não me encontro em condições de esquentá a muringa.
Sem falar que na manhã seguinte precisarei procurar emprego, já que a
minha dinda arrumou uma substituta nos afazeres da fazenda e quer me ver
em sala de aula. O seu desejo, de fato coincide com o meu. Eu amo ser
professora.
***

Acordo bem cedo quando o sol ainda está bem tímido, depois de passar
uma noite em um sono picado, terrível por conta dos meus pensamentos
dúbios, que envolvem as mãos do Sr. Ávila e dão pano para manga na minha
imaginação e me pune ao mesmo tempo.
Como combinado na noite anterior, após uma ducha gostosa, me
alimentar e escovar os dentes, corro para o quarto para trocar de roupa.
Vestindo uma calça jeans, blusa branca abotoada na parte da frente, nos pés
um par de sapatilhas e usando pouca maquiagem, apenas para ficar
apresentável, ao soltar meus cabelos e os pentear, sinto-me bem para encarar
um dia cheio de metas.
Faltando vinte minutos para as sete horas da manhã, caminho para
frente da mansão para aguardar Zé, que já deve estar voltando da sua primeira
tarefa do dia e enquanto o espero, por mais que eu tente abstrair dos
pensamentos que envolvem o patrãozinho, observo a enorme mansão
tentando encontrar quem, em hipótese alguma, eu deveria lembrar que existe.
Afinal de contas, ele já disse no bom português, sendo bem claro como
a água, que nunca chegaria perto de mim por causa da dinda e vamos
combinar, ele provavelmente tem alguém, que deve ser do seu mesmo nível
financeiro, situação que foge completamente da minha realidade.
E isso é bom, na verdade me mantém focada nos meus objetivos, eu
não perco tempo apreciando a sua beleza máscula e é disso que eu preciso.
Nos próximos minutos, a espera logo termina. Eu vou com o Sr. José
rumo a cidade e no percurso ele me explica que existem apenas oito escolas
em que eu posso deixar o currículo.
Sendo cinco particulares e três públicas, o que dificulta um pouco, pois
em relação as escolas do governo, só tendo muita sorte para conseguir um
contrato terceirizado ou REDA quase no meio do ano.
— O ensino vai de mal a pior Bia e por essas bandas, tenho para mim
que a politicagem quer que a população fique sem informação mesmo, para
que o povo humilde engula tudo o que dizem em época de eleição. – Ele tem
toda razão, é lamentável e o pior é que a tática é muito boa, pois vem
funcionado há anos.
As pessoas, muitas das vezes, são ingênuas. Acreditam em um abraço
de um político, uma fake news ou algum benefício passageiro, como um
abastecimento de água através do carro pipa.
E isso é muito triste.
A falta de informação, sempre será o verdadeiro vilão da população.
— Eu pensei em ficar no lugar de tia Dora até a sua recuperação, mas
ela, ontem à tardinha, arrumou uma substituta e quer que eu trabalhe na
minha área, a de pedagogia. – Ele avança pela estrada que até então está bem
tranquila por conta do horário.
— A Dorinha tem razão, você estudou, é moça formada, professora e
sendo assim, tem mesmo é que trabalhar no que tanto se dedicou. – Olha
rapidamente para mim e me passa um sorriso reconfortante. — Vai dar tudo
certo, menina. Aqui comigo e com a Dora, você está protegida. – Mais uma
vez me deleito no seu cuidado. Zé, que eu conheci a menos de vinte e quatro
horas, não faz ideia do carinho instantâneo que eu sinto por ele,
principalmente por ele cuidar tanto da minha tia.
— Eu já estava prestes a começar a trabalhar lá na cidade onde eu
morava e tive que sair da noite para o dia parecendo uma fugitiva. – Eu ainda
não me conformo. — Eu estava tão feliz com a conquista do meu primeiro
contrato. – Lamento a lástima da situação que me encontro, pois na verdade
tive que deixar tudo para trás.
Tudo.
Amigos, lugar que amo, livros, objetos pessoais que não couberam na
mala, vínculos que trago em meu coração de pessoas maravilhosas que
conheci desde a infância e até um provável primeiro namorado de porta.
Chego a respirar fundo, segurando a emoção que insiste em fluir em meus
olhos só de me lembrar tudo o que perdi.
— Tenha fé, Bianca. Só Deus pode saber os motivos de te trazer até
aqui. A gente faz planos, minha filha, mas Deus vem com sua canetada e diz
o que vai se concretizar, aquiete a alma. – As suas sábias palavras acalmam
um pouco o meu coração, mas ainda permanece em mim aquela sensação de
estar mais uma vez ocupando um espaço que não é meu, de favor na casa de
uma outra tia. — Você entende, minha filha? – Confirmo com gestos e
seguimos o rumo papeando.
Ao chegarmos, o Sr. José, após me ensinar a localização das escolas
que ficam em quadras próximas, me deixa na lan house Net Fácil, prossegue
para o seu compromisso e eu, entre uma conversa e outra com o atendente,
que é bastante atencioso, aguardo a impressão dos currículos.
Ao sair do estabelecimento, sigo o pequeno mapinha que o atendente
desenhou para reforçar a informação recebida por Zé. De uma em uma escola
vou entregando os currículos, onde consta toda a minha experiência e os
cursos extras-curriculares que já fiz, contudo, só recebo olhares de
lamentação, pedidos de desculpa pela crise que o setor da educação vem
passando e promessas vagas.
O que me deixa completamente desolada e de mãos atadas, pois
infelizmente eu não tenho como fazer surgir um emprego.
Cansada, com um tanto de dor de cabeça, caminho até o ponto de
encontro. Ao chegar, quase quarenta minutos se vão enquanto eu, faminta e
sentada em um banco de praça, continuo aguardando Zé.
Estranho a demora, pois no meu celular, anteriormente eu não recebi
nenhuma mensagem de José me informando que iria se atrasar.
Por conta do horário a fome me aperta parecendo até que vai
estrangular meu estômago. O cheiro dos sanduiches vendidos na praça
invadem as minhas narinas. Faminta, rapidamente abro a bolsa e conto as
moedas, e sabendo que tenho o valor suficiente, não resisto a tentação,
compro um enorme cachorro quente completo e entre uma mordida e um gole
no refresco de caju, que no momento parece ser a melhor refeição do mundo,
recebo uma notificação.
“Bia,
Me desculpe, eu só pude te enviar a mensagem agora.
Não vai dar para voltar até a cidade neste momento.
Houve alguns imprevistos aqui na fazenda.
Pegue o ônibus que passa na “Estrada das
correntezas”
Que eu te encontrarei na portaria.
Zé.”
Santo Deus e eterno Pai, com que dinheiro? Se o que eu tinha acabei
de comprar um lanche? E como eu vou dizer para Zé que me encontro nesta
enrascada? Eu não quero o forçar a largar os seus afazeres para me resgatar.
Será que alguém compraria as minhas três balinhas de menta por um
valor suficiente para eu voltar para casa? Meu cérebro começa a ter sintomas
de desespero.
Pensa, Bianca... Pensa.
Mordo mais um pedaço do cachorro quente enquanto busco uma
solução viável.
Bem, a pessoa mais próxima que me vem na cabeça, que eu conheço, e
é certeza que tem condições de me livrar de tal sufoco, é o atendente da lan
house que fica a pelo menos três quarteirões de onde estou.
E é para lá que eu vou.
Envergonhada, procrastinando os meus passos de tartaruga, caminho
entre as ruas cheias de paralelepípedos, sofrendo desde já, pela cara de pau
que precisarei ter. E quando estou bem próxima, mesmo sabendo que terei
como ressarcir o empréstimo em no máximo um par de dias quando tiver a
oportunidade de regressar a cidade, isso não me consola.
— Você de volta? – Simpático, logo me reconhece e abre um sorriso
enquanto me aproximo. — Não vai me dizer que já precisa de mais
currículos. – Oh Deus! Antes fosse este o motivo da minha presença.
Só que não.
— Na verdade, eu já distribui todos. – Encosto-me no balcão sentindo
minhas mãos suadas, consequência da vergonha que estou sentindo. — E
estou aqui por outro motivo, que desde já adianto, está me deixando bastante
sem jeito. – Ele franze a testa como se estivesse curioso.
— Uma moça bonita como você, não deveria se constranger com nada.
– Sonda a minha reação e como eu continuo séria, prossegue: — Já estamos
nos encontrando pela segunda vez, acho que está na hora de saber qual o seu
nome, não é? Eu me chamo, Isaias. E você? – Nossa! Desde quando fiquei
tão mal-educada?
— Bianca. – Ele não para de me observar, o que me deixa um
bocadinho desconfortável.
— Eu te vi acompanhada do seu esposo mais cedo no carro, mas com
todo respeito, eu preciso comentar... – Passa a mão na sua barba por fazer. —
O seu nome faz jus a sua beleza. – Pelo menos ele não está sendo invasivo.
— Obrigada pelo elogio e sobre aquele senhor que me deixou aqui pela
manhã, ele na verdade é esposo da minha madrinha, é como se fosse um pai
para mim. – Percebo que acabo de dar a informação que Isaias com certeza
desejava ter, ele nem disfarça o ar vitorioso ao descobrir que não tenho um
marido e eu resolvo logo ir direto ao assunto da minha pendência. — Eu hoje
vim aqui na cidade para procurar emprego, não trouxe muito dinheiro porque
estava certa de que voltaria de carona com o Zé para a fazenda Ávila, mas
houve um imprevisto. – Me visto com toda coragem que deve existir no
mundo e continuo: — Será que você poderia me emprestar um certo valor? –
Sinto minhas bochechas pegando fogo de tanta vergonha. — Eu te pagarei no
máximo em dois dias ou melhor, na primeira oportunidade que surgir de uma
carona para que eu retorne aqui. – Ele dá a volta no balcão e vem para o meu
lado.
— Eu não me importo com o dinheiro. – Faz uma breve pausa. —
Sério. – Eu o entendo, um pouco mais de três reais, não vai fazer diferença no
bolso de ninguém. — Contudo, eu posso te oferecer duas alternativas para
você retornar à sua casa. – Me deixa bastante curiosa. — A primeira, é óbvio
que te darei o montante para você pagar a condução e não precisa me
restituir. – Apesar de ficar feliz com a sua resposta, faço questão de informar
que eu vou sim devolver o dinheiro. Ele revira os olhos, aceita a minha
condição e prossegue: — Eu vou para aqueles lados da fazenda Ávila, posso
te dar uma carona. – Eu nunca que teria coragem de aceitar, mas decido ser
educada na explicação.
— Eu realmente prefiro ir de ônibus. – Aceno mais precisamente para
o nada tentando ganhar tempo para explicar a minha recusa óbvia. Eu não
tenho nenhuma referência sobre o moço, não faço ideia de quem ele
realmente é. — Não pense mal de mim, apesar de estar aqui e te pedir esse
dinheiro, eu jamais entraria em um carro com um homem que acabo de
conhecer. – A sinceridade acaba vencendo.
— Eu sei, moça. Juro que reconheço uma mulher quando é direita de
longe, quanto mais de perto. – A brincadeira derruba um enorme muro entre
nós. — Entretanto, me permita explicar o convite. – Olha para a sala ao lado
onde tem uma porta entreaberta e chama uma senhora de longos cabelos
pretos, de vestes simples, parecendo ser bem simpática. — Vou estar
acompanhado por minha mãe, nós trabalhamos aqui mas não moramos nesta
cidade, na verdade temos uma pequena roça ao lado da Ávila. – Me sinto um
pouco mais aconchegada e em instantes sou apresentada a dona Aladilce, que
carrega em si um nome peculiar, que me deixa bastante curiosa para saber a
origem, contudo me conformo em manter a discrição e por sua insistência e
simpatia, acabo aceitando a carona.
Entre uma conversa e outra com a sua mãe, que me conta com humor
que o seu nome é um erro ortográfico cometido no momento do seu registro,
passo uma mensagem para Zé, informando que vou demorar um bocadinho
mais.
Neste caminhar da carruagem, pelo menos umas quatro horas se vão, a
companhia de Isaias e dona Dilce se torna agradável o suficiente para o
período ser bastante animado e só depois do meado da tarde, seguimos para a
estrada das correntezas. O horário não é de todo ruim, pois não quero chegar
tarde em casa e também não vou precisar esperar por Zé debaixo de um sol
quente.
— Tanta conversa e eu nem te perguntei quanto tempo você mora na
Ávila. – Abro a boca para responder, porém, sou interrompida.
— Mãe, deixe de interrogatório, assim a moça vai se assustar. – Acho
graça da repreensão, mas como julgo a pergunta supertranquila, enquanto me
delicio com uma balinha de menta, me apresso em responder:
— Nem dois dias. Na verdade, vim só para passar um tempo com
minha madrinha e quem sabe arrumar um emprego e alugar um espaço para
mim. – Nós avançamos o caminho, porém eu percebo que eles se olham
rapidamente me deixando com uma pulga atrás da orelha. — Vocês
conhecem alguém de lá da fazenda? – Aladilce vira-se rapidamente para trás.
— Claro que não, só através do programa de TV. – Ela não me
convence muito. Como pode ser vizinha da fazenda e não conhecer pelo
menos algumas pessoas? Se tentou me enganar, não deu certo. — Acho que
já avistei o pessoal de longe e já falei com alguns funcionários, sabe? Nada
de muita aproximação, até porque ricos não se misturam com pobres. – Nisso
nós concordamos, de fato somos como a água e o óleo, existe uma fronteira
que por mais que se chegue perto, não se quebra.
***

— Olha só Bia, finalmente chegamos. – Isaias estaciona próximo à


entrada principal e como demonstra ser bastante cavalheiro, após eu me
despedir da sua mãe, descemos do carro e caminhamos até a entrada. —
Agora vou ficar contigo esperando o seu transporte chegar. – Um segurança
logo me avista e vem abrir o portão.
— Muito obrigada, mas não precisa ficar me acompanhando, vou ligar
para o Zé e logo ele vem me buscar. Ficarei o aguardando confortavelmente
sentada ali. – Aponto para um banquinho de madeira.
— Faço questão, até porque eu queria conversar um pouco mais
contigo. – Estico-me um pouco para o lado e observo Aladilce no carro.
— Em hipótese alguma, a sua mãe está cansada e merece chegar em
casa. – Suavizo o meu tom de voz para não demonstrar que quero fugir da
provável conversa. Eu sei que não vem nada bom, pelo menos para mim. —
Eu estou muito agradecida, você salvou meu dia. – Parece ponderar o que eu
digo e finalmente aceita que eu tenho razão.
Obrigada, Deus!
— Tudo bem, eu aceito sua sugestão em prol do bem-estar da minha
mãe, mas me passe o seu contato. – Parece escolher as palavras e dá mais um
passo em minha direção. — Podemos conversar mais e quem sabe um dia
você aceita sair comigo, um encontro nosso, eu conheço lindos lugares nas
redondezas bem reservados para te apresentar. – Eu fico boquiaberta com o
que acabo de ouvir, eu realmente não esperava e só volto a realidade quando
o portão da fazenda é aberto e uma caminhonete gigante, de cor preta, para ao
nosso lado.
— Bianca. – Gustavo diz assim que baixa o vidro. — Boa tarde. – Olha
para Isaias um pouco sério e depois volta a sua atenção para mim. — Vamos
para casa? – Suaviza o olhar. — Estou com vontade de tomar aquele café que
só você faz. – Valei-me meu Deus.
O que ele está fazendo? Me dá até um finiquito*.
— Um momento, Sr. Ávila. – Viro-me em direção a Isaias. – Por favor,
anote o meu número de telefone. – Soletro para ele bem devagarinho, duas
vezes e após um aperto de mão e um abraço que recebo de surpresa, caminho
em direção ao carro, mas sou surpreendida por Gustavo, que rapidamente me
acompanha e abre a porta.
*Finiquito/faniquito. - Tremilique
— Eu te ajudo. – Ele me surpreende e eu confesso para mim mesma
que acho lindo o seu cavalheirismo, apesar de saber que é desnecessário tanto
cuidado.
— Eu sei entrar em um carro. – Me olha de cima abaixo.
— Você só tem um metro e meio e meu carro tem cinquenta
centímetros de altura. – Viro-me para ele e coloco minha mão em seu
peitoral.
No exato momento eu me arrependendo amargamente do gesto, pois
assim, estando tão perto, acabo sentindo coisas que não deveria.
Oh homem gostoso da peste. Oh tentação do inferno.
— Eu tenho um metro e sessenta e um, tamanho de perna suficiente
para subir o degrau do seu automóvel. – Ele tem coragem de rir de mim e
com isso, acaba me mostrando aquele sorriso com dentes perfeitos. Merda!
— Na verdade, não faz muita diferença. – Dá de ombros enquanto
reviro os olhos. Logo depois, viro-me para subir no degrau e sou
surpreendida com suas mãos enormes na minha cintura, que faz meu coração
dar uma batida a mais.
Como se não bastasse ter a lembrança das suas mãos em meu quadril,
agora terei a sensação delas na minha cintura.
— Não precisava. – Disfarçando o seu efeito em mim, tento não perder
a pose ao “reclamar” e Gustavo fecha a porta. — M-mas obrigada. – Ele se
acomoda ao meu lado, no seu assento. — O seu carro realmente é bastante
alto. – Se aproximando ainda mais, com os olhos presos nos meus, me
deixando completamente tensa por senti-lo tão perto, puxa o cinto de
segurança e afivela.
— Agora sim você está segura. – Faz o mesmo com ele e só depois dá
a partida. — E não lá fora conversando com aquele rapaz. – Como assim,
gente? — Ele não presta. – Oi? O que eu perdi?
— Algum homem desta região, presta? – Até eu gargalho da minha
pergunta.
Mas pelo amor de Deus! É o que mais ouço desde ontem, fora que dos
três homens que conheci, tirando Zé, os dois que restam não prestam.
A pequena amostra está bem comprometida.
— Homem de verdade pelo menos não finge ser um cara disposto a se
apaixonar. – Enquanto estou digerindo a sua sinceridade, ele avança o
caminho. — Eu não finjo, sempre fiz questão de mostrar minhas intenções. Já
Isaias, se eu fosse você, teria cuidado. – Eita.
— Eu só estava sendo educada com ele, até porque eu não estou aqui
procurando por homem. – Fico prestes a contar da minha saga pela manhã ao
buscar um emprego, mas isso não é da conta do patrão da minha tia.
— Bianca. – Olha para mim por um breve momento antes de voltar a
sua atenção para a estrada. — Ouça bem, Zé é como se fosse um pai para
mim, Dora mora em meu coração, é como uma tia, é família e se você é a
protegida deles, eu jamais te deixaria na companhia daquele desgraçado. –
Começo a me lembrar que tanto Isaias quanto a mãe negaram conhecer o
pessoal da fazenda e fico tentando entender o motivo para a mentira.
Se Gustavo citou os dois, é porque eles se conhecem, isso me deixa
completamente curiosa, mas quando abro a boca para perguntar, noto que
mudamos o caminho.
— Para aonde vamos? – Ele volta a me olhar, aciona o som e a música
The Last Refugee de Roger Waters toma conta do ambiente. Ah! Gustavo tem
bom gosto musical.
Lie with me now
Under lemon tree skies
Deite-se comigo agora
Sob céus de limoeiro
— Bem, como um pedido de desculpa por te acariciar, vou te mostrar
algo que você vai sempre se lembrar de mim e desse dia. – De tanta
curiosidade até arregalo os olhos e repouso minha mão entre os meus seios.
— Calma, eu juro que não é nada em mim, vou me comportar. – Reviro os
olhos.
Show me the shy, slow smile
you keep hidden by warm brown eyes
Mostre-me o tímido, lento sorriso
que você esconde atrás desses mornos olhos castanhos.
— E por qual motivo você pensou que eu ia imaginar algo do tipo?
Você é muito convencido e eu nunca teria algo contigo, esqueceu? – Ele sobe
uma ladeira na estrada de barro em silêncio e em pouco tempo estaciona.
— Bravinha, eu sei. Somos incompatíveis. Enquanto você é quase uma
anja, eu... – Acaricia a minha bochecha fazendo pequenos movimentos e a
sensação responde em todo o meu corpo. — Bem, você já imagina como sou
e como eu disse, você é quase celestial. – Me deixando sem ação, desce do
veículo, dá a volta e em um piscar de olhos abre a porta e enquanto eu
procuro entender o porquê de estar tão paralisada, ele desafivela o meu cinto
e me carrega.
— Gustavooo. – O repreendo, estando com o corpo colado ao seu e os
lábios próximos ao seu rosto.
Isso é demais para mim.
— Olha, Bianca. – Viro-me na direção indicada enquanto ele dá mais
alguns passos e me coloca em pé, próximo de uma árvore.
O que está acontecendo? Comigo?
Em seguida, ele se senta e estende a mão para mim e eu ainda sem ter a
resposta, entrego-lhe a minha e me acomodo ao seu lado.
— Por que realmente me trouxe aqui? – Ele dá de ombros.
— Você é muito curiosa. – Confirmo com gestos. — Bem, eu confesso
que não foi apenas para pedir desculpas, apesar de já ter planejado te ver mais
tarde e levantar a bandeira da paz. – O seu bom humor me encanta. — Hoje
em especial, já havia programado ver o pôr do sol daqui, mas não imaginava
te encontrar pelo caminho e eu não quis arriscar perder o espetáculo da
natureza, você sabe, o sol não espera. – Bate até uma desilusão.
Eu quase achei que ele havia pensado em algo especial para ver o pôr
do sol ao meu lado.
— Nossa, você nem disfarça. – Nega com gestos e se concentra no
visual enquanto fico perdida em pensamentos.
Gustavo realmente é um homem sincero, não deveria levar o título de
um cara que não presta.
Se ele transa com toda população feminina desta cidade, avisando que
só quer sexo, ele não está iludindo ninguém, mas eu também entendo o outro
lado.
O das moças que não conseguem o esquecer.
Gustavo é um homem lindo, sua altura e porte másculo com músculos
definidos até impressiona. Seus olhos esverdeados são viciantes, os cabelos
de tom castanho, são daqueles que parecem um ímã para as mãos, eu pelo
menos estou aqui no momento, tentada a os acariciar, inebriada por seu
cheiro gostoso.
Se eu pudesse, de certo que já estaria deitada no seu ombro
aproveitando do aroma do pecado.
Sem falar nos seus lábios, que quando se curvam em um sorriso é
hipnotizador. Não é difícil desejar tê-los de encontro com os meus, muito
menos o querer por apenas uma noite que seja.
Tenho pena de quem não resiste e cai nas suas garras. Talvez pelo fato
dele ser tão impossível, de acordo com a fama que carrega, difícil de se
conquistar, deve causar um fio de esperança nas moças que anseiam que suas
chances se tornem especiais e que o solteirão mais cobiçado da cidade ou
país, queira muito mais que uma noite.
Por que o seu coração é inalcançável? Bem, essa definitivamente é uma
pergunta que eu não tenho coragem de fazer. Mas imagino que já deve ter
sofrido, só pode. É o que explica.
Ainda bem que sou uma mulher bem focada, sei das minhas limitações
e que consigo proteger meu coração. Tirando isso, o que me impediria de ser
mais uma? Absolutamente nada.
— Você está muito quieta, moça de um metro e meio. Posso saber o
que se passa em seus pensamentos? – Não, em hipótese alguma e por este
motivo, logo arrumo uma resposta.
— Eu entendo o porquê de você amar este lugar, a vista é linda. – Na
verdade, até parece que foi pintada por um artista renomado. — Obrigada por
me trazer, só vindo aqui eu descobri que você tem uma cachoeira nas suas
terras e que o rio Correntezas corta a fazenda. Em breve eu vou querer
conhecer aquele local. – Respiro fundo de tanto encantamento. — E se esse
lugar que estamos fosse meu, é certo que eu faria uma casa bem aqui, para
todo dia acordar com esta vista espetacular, que cidade nenhuma poderá
competir ou ter. – Com um ar enigmático, fica me olhando. Só falei a
verdade. — Agora é você quem ficou quieto.

Capítulo 4

Gustavo Ávila

Confesso que fico paralisado por alguns segundos e esta é uma


situação muito difícil de acontecer.
Na verdade, para ser ainda mais assertivo, encontro-me surpreso, ao
ouvir da voz suave e gostosa da Bianca, a minha versão de pensamentos
relacionados a este lugar que tem tanto significado para mim.
— E como seria a sua casa? – Tenho vontade de descobrir um pouco
mais sobre os seus desejos, saber o que se passa em seus pensamentos,
mesmo sem ainda fazer ideia do motivo.
— Não entendo muito de construção Sr. Ávila. – Com um ar de
timidez, ajeita os cabelos que o vento, vez ou outra bagunça e com muita
delicadeza, exalando feminilidade, começa a fazer uma trança de lado. —
Mas, é certo que bem desse lado onde estamos, seria a varanda do meu
quarto, no qual eu tomaria café todos os dias. – Seus olhos brilham ao contar
toda sua imaginação. — Ah! Com certeza absoluta a casa seria de madeira,
provavelmente de dois andares. – Fecha os olhos e respira fundo, deixando os
seus seios mais evidentes. — Acho tão linda e combina com o campo. – A
sua empolgação é contagiante. Gosto de ver seus olhos quase que marejados
ao vislumbrar um sonho. — Eu também amaria me sentar embaixo desta
árvore e contar histórias lindas para meus filhos. – Sorri genuinamente como
se estivesse vendo seus bebês, até parece que está em uma sessão de cinema
4D. — Claro, se um dia eu for abençoada com um casamento e a
maternidade. – Bianca parece ficar envergonhada ao expor os seus sonhos.
Enquanto eu, fico ainda mais convicto de que, entre todas as mulheres que eu
já desejei e tive, o coração dela, seria o mais fácil de quebrar caso
expectativas fossem criadas, pois eu até me imagino aquietando algum dia,
mas não tenho vontade de ter filhos.
Eu sei o que é ser uma criança solitária, infelizmente fui criado
praticamente com os empregados e receio um dia ser como os meus pais.
Na verdade, temo ser a cópia do Sr. Ávila, já sou cheio de
compromissos como ele era, meu pai sequer parava em casa e desta forma
não convivia com a sua família.
— O que foi, bravinha? Você nitidamente ficou envergonhada e eu não
vejo motivos para isso. – E é a mais pura verdade, o seu sonho é lindo, ela só
precisa encontrar alguém que se encaixe em seus planos. — Bianca? –
Balbucia um “nada” que não me convence e sua expressão fica um pouco
entristecida.
— Mas... – Tenta disfarçar algo que eu ainda não decifrei e pelo pouco
que a conheço, com certeza vai mudar de assunto. — Eu gostaria de saber o
motivo deste lugar ser especial, acho até que é o seu espacinho preferido
desde a infância, acertei? – Eu tenho que parar de me surpreender com a
moça linda que está ao meu lado, ela definitivamente me decifra.
— Só se você me contar o motivo de ter ficado entristecida. – Me olha,
e quando vai abrir a boca, percebo que está formulando uma resposta
qualquer. — Quero a verdade, Bianca. Você não conseguirá me enganar. –
Revira os olhos e repousa uma mão na grama, próxima a minha.
— Não faz sentido algum planejar uma casa em um lugar que não me
pertence. – De certa forma ela tem razão. — Muito menos sonhar com algo
que parece tão distante. – Acena mais precisamente para o nada como se
estivesse limpando os seus pensamentos. — Principalmente nesta cidade, que
pelo o que vejo, não resta um homem que preste, a começar de você. – A
piada a envergonha, o seu tom de pele fica avermelhado e seus olhos
praticamente dobram de tamanho. Ela sabe que eu entendi a direta. — C-citei
você apenas de brincadeira, o senhor prestando ou não, nunca ficaria com
alguém como eu, somos de mundos diferentes. – Isso tudo é uma puta
mentira, Bianca.
— Não é por isso, eu tenho bastante dinheiro e pouco me importa se a
mulher que eu estiver é rica ou não. – Resolvo parar a minha explicação por
ai, eu não quero contar para ela que entre nós, existe uma incompatibilidade
real e que eu sou completamente anti-família enquanto ela, sonha com isso.
— Vou fingir que acredito, mas agora me conte o motivo de você
gostar tanto daqui. – Seus olhinhos, que parecem tímidos quando me
encaram, brilham de tanta curiosidade.
Nenhuma moça quis saber sobre meu passado, desde a minha
adolescência fui reconhecido nas festas da cidade como o herdeiro da Ávila.
As mulheres que a vida me apresentou, sempre se encantaram pelo o que
posso proporcionar, agora na minha fase adulta, o programa televisivo é o
foco, como se apenas esse meu lado existisse.
As circunstâncias da vida me levaram a tomar a decisão de não assumir
um relacionamento, pois acredito no amor que um dia eu vi nos olhos dos
meus avôs e por esse motivo nunca aceitarei viver uma mentira. Entretanto,
pela primeira vez, o diferencial que existe em Bianca, em querer ver além do
que aparento, me atrai.
Porra! Não deveria.
Até porque prometi a José hoje pela manhã que em você, prenda linda,
eu não tocaria.

***

“— Não me leve a mal, Gustavo. Eu preciso levar uma


prosa contigo. – Recordo-me de José falando neste tom
comigo poucas vezes na minha vida, uma delas foi quando
era ainda adolescente e ele veio me falar sobre prevenção
de doenças sexualmente transmissíveis.
—Pois diga, você sabe que não precisa de rodeios
comigo. – E é verdade.
—Meu filho, eu te conheço desde que usavas fralda e
ontem à noite, eu entendi a indireta que o senhorzinho deu
para Bianca, quando falou sobre o sabor peculiar do café.
– Ele me conhece. — Ela é como uma filha para a Dorinha,
mantenha o seu laço longe daquela menina. – A sua
sinceridade não me surpreende, eu decido também ser e
devolver a minha resposta na mesma moeda, pelo menos
em parte.
Escolho guardar as minhas lembranças
compartilhadas com Bianca, que mais precisamente se
resumem ao fato do meu pau latejar de desejo enquanto eu
acariciava o seu rabo por uns três segundos, o chute quase
assassino que levei e o maldito café salgado.
—Ela é linda, José. – Muito linda, para ser sincero e
dona de um corpo espetacular. — Foi uma surpresa para
mim a conhecer ontem à noite. Mas não se preocupe, da
protegida Bianca, ficarei longe como homem, se precisar
serei até num amigo e desde já, quero deixar claro que ela
pode morar aqui na fazenda o tempo que for necessário. –
Na verdade eu quero Bianca por perto, mesmo ela sendo
uma tentação para mim.”
***

— Então. – Ela balbucia um “finalmente” quando começo a responder.


— Meus pais não eram felizes, Bia. – Sem dizer uma palavra, eu noto que ela
lamenta o que acaba de ouvir. Nitidamente se mostra como uma mulher
romântica que acaba de ser frustrada por saber a realidade de um provável
conto de fadas. — Lembro-me de os ver brigando o tempo todo, a minha casa
era um inferno e eu, ainda criança, ficava bastante assustado. Eu tinha medo
de ver o pior acontecendo. Por isso, muitas vezes vinha até aqui pedalando
em minha bicicleta e ficava olhando esse horizonte. – Observo mais uma vez
o espetáculo que até hoje me traz muita paz. — Eu não sei explicar, mas ao
presenciar esta vista, eu tinha a sensação de que um dia tudo ia ficar bem. –
Decido deitar apoiando minha cabeça em minhas mãos cruzadas, enquanto
continuo sei lá porque, contando a minha história para uma moça que invadiu
a minha vida há um pouco mais de vinte e quatro horas.
Talvez pelo prazer de a ter bem de perto para pelo menos admirar os
seus lábios que eu tenho certeza que devem ser deliciosos, se encaixam
maravilhosamente bem com os meus e certamente com outras partes do meu
corpo.
Ou o meu instinto animal primitivo se deleite em ficar perto do seu
cheiro viciante de mulher.
Bem, prefiro descartar a possibilidade de ter virado um sadomasoquista
que sente prazer em ficar contendo o desejo e se deleita na companhia de
quem não deveria ter.
— Eu nunca ia imaginar que você passou por algo do tipo. – Mesmo
não entrando em detalhes o meu pouco relato a emociona. – A sua vida atual
parece tão perfeita que anulou um pouco nos meus pensamentos algumas
possibilidades tristes. – Eu a entendo, é fácil achar que pessoas afortunadas
ou bem-sucedidas não passam por problemas, entretanto, somos todos seres
humanos, vulneráveis ao lado bom e ruim da vida.
— Meu pai era um homem bastante mulherengo. – Ela sorri e acaba
me divertindo. É obvio que acha que eu sou a sua cópia. — Não pense
besteiras, Bianca. Ao contrário do meu falecido pai, eu jamais enganei uma
mulher me vendendo como bom moço. Já ele, iludia bastante sem ter um
pingo de remorso. Pelo o que sei, sua diversão era dizer para todas as suas
vítimas que ia se separar, mas não fazia. E sendo assim acumulou corações
partidos, a começar com o da minha mãe, uma moça que foi criada para
permanecer sorrindo em um casamento falido. – Curiosa, me questiona sobre
a Sra. Ávila e eu prossigo: — Hoje em dia, ela vive mais na Espanha, temos
familiares por lá, o nome Ávila é de descendência espanhola, Bia.
Nos minutos seguintes a nossa conversa rende.
Bianca fica a par de uma parte do meu passado. Conto sobre o meu pai,
que há mais de dez anos, depois de ficar desaparecido por horas foi
encontrado sem vida em um celeiro aqui na Ávila. Local que é abandonado
na fazenda.
Descobre que com a minha profissão e muito trabalho consegui
resgatar as finanças da família que o Sr. Ávila perdeu pelo caminho por causa
das mulheres que, mesmo não assumindo relação alguma, gostava de bancar
luxos, que hoje eu gerencio a Ávila, que tenho outras propriedades, cada
uma focada em um negócio, fora o programa de TV.
— É uma pena o que aconteceu com o Sr. Ávila, ele se foi bastante
jovem, se ele estivesse aqui, é certo que teria muito orgulho de você. – Parece
escolher o que dizer enquanto enrola as pontas dos cabelos. — Ao contrário
dele, você é um homem admirável. Soube lutar pelo o que queria desde
quando era mais novo. – Bianca me surpreende de tal forma que volto a me
sentar e com isso, os nossos rostos ficam bem próximos.
— Sou? – Ela sem perceber, lubrifica os lábios e a pontinha da sua
língua vem em minha visão como um convite. Porra!
— É sim. – Mesmo eu estando um pouco mais perto, Bia não se afasta.
— E hoje, eu cheguei à conclusão de que você presta sim, a sua sinceridade é
um diferencial. – Em parte, foco a minha atenção em suas palavras, por outro
lado, na sua boca. Gostosa. — T-tudo na verdade, depende da expectativa
que criam em relação a você. – Garota inteligente.
— Você cria alguma, Bianca? – Seu tom de pele cora e a deixa daquele
jeito.
— Nenhuma. – Fico louco para beijá-la enquanto ela se esforça para
mentir. — Sou imune a você, não percebeu? – Acaricio seu rosto durante o
momento que nossos olhares se encontraram e já era a porra da promessa
Talvez seja essa a primeira vez que a minha palavra cairá por terra.
Bianca é tentação demais para mim.
— Não. – Seus lábios ficam entreabertos. — Apesar da maneira
diferente que nos conhecemos onde eu acabei te assustando, ontem à noite eu
tive a certeza que você não é imune a mim e que se lembra muito bem do
meu toque em seu corpo. – Abre a boca para justificar, mas eu a interrompo.
— O seu corpo fala, Bianca. – Vou me aproximando. — Os seus mamilos
tesos, que parecem querer ultrapassar o tecido da sua roupa e atrair a minha
boca, a entregam. – O meu jeito sincero sempre assusta, mas eu sei que é de
maneira positiva. Pois Bianca também é uma mulher de personalidade forte e
não deve ser chegada a meias palavras.
— Você é muito... – Enquanto procura as palavras, a respiração fica
um tanto quanto acelerada e eu sei que ela vai ceder aos desejos, assim como
eu.
— Direto, eu sei. – Sem ter como me conter, esqueço a promessa que
fiz a José e arriscando magoar um coração cheio de sonhos que não posso
realizar, me aproximo mais.
— Gustavo? – Coloca mais uma vez a mão em meu peitoral, e a leve
carícia por cima da camisa, responde em meu pau. — Não podemos. – Eu sei
e na verdade eu acabo de comprovar que talvez para nós, a única forma de
conseguirmos ficar apenas na amizade, é nos mantermos distantes.
Difícil...
Muito difícil.
Foda-se.
— Podemos sim.
— Estava procurando por vocês. – Nos afastamos um pouco ao ouvir a
voz de José, verifico que ele estacionou próximo ao meu carro. Ato que foge
de ser algo discreto por conta do barulho típico do motor de um automóvel e
ainda assim, não percebemos. — Está tudo bem? – José me olha bastante
sério. Eu entendo a sua preocupação, pois ele me conhece.
— Tudo ótimo, Zé. – Bia se apressa em justificar. — Acabo de abusar
da boa vontade do bom moço. Eu fiz o Gustavo me apresentar parte da
fazenda quando cordialmente ele me deu uma carona. – Acumulamos mais
um segredo. — Não se preocupe. – Levanta-se me mostrando o quanto pode
ser sagaz e estende a mão para mim. — O senhor me disse que ele – Me olha
bem nos olhos. — é como se fosse um filho para você, estou quase o
considerando um irmão. – José praticamente volta a respirar ao ouvir a sua
protegida enquanto me levanto e ajo demonstrando tranquilidade.
Ah Bianca.
Vai sonhando!
Meu olhar para você não passa nem um pouco pelos sentimentos
fraternais, mas eu admiro o jeito que você tem de levar o Zé, um homem
bastante experiente em uma simples conversinha.
— Então aproveite e coloque juízo na cabeça deste homem, minha
filha. – Os dois vão caminhando em direção aos carros, eu os sigo enquanto
não consigo deixar de olhar para os contornos da Bianca.
Gostosa.
Curvilínea.
Mulher de verdade.
Uma prenda pequena que leva com certeza ao nocaute um homem com
um metro e noventa como eu.
— Vou tentar, Zé. – Volta a me olhar e me pega no flagra. Motivo que
não a intimida.
Na verdade, tenho a sensação que a sua raiva passou e que agora, ela
gosta do poder que exerce em mim, seja de saia curta ou arrochada no jeans
que até divide disfarçadamente a sua delícia quando estava sentada ao meu
lado.
Bem, pelo o que eu percebo, Bianca chama a minha atenção em
qualquer hipótese.
— Eu já tenho bastante juízo, não se preocupem. – Os faço rir e neste
clima descontraído, nos aproximamos dos veículos e nos despedimos, já que
Bianca decide ir para casa com o José.
Ou melhor, ela não teve escolha.
***

Bianca Lima

O que eu estou fazendo?


Por que eu o elogiei daquela maneira?
Ainda o deixei se aproximar tanto sem me afastar.
Tenho certeza que ele ia me beijar. E eu ia gostar muito.
Oh Bianca, o que se passa por sua cabeça? Vento?
Não...
Eu sei bem a verdade.
Gustavo está fazendo morada desde ontem nos meus devaneios e hoje,
para ser mais assertiva, a situação piorou quando ele parou o carro ao meu
lado demonstrando tanto cuidado em relação a Isaias.
Homens protetores sempre me chamaram atenção. Muita.
Para completar, acabo de o conhecer um pouco mais e ver o seu lado
admirável, família, que não desiste dos seus ideais, me desestabilizou. Eu já
nem sei como aguentar ficar perto dele, talvez o melhor a fazer seja
permanecer distante
— Então Bia, como foi na cidade? – Zé me traz de volta a realidade
enquanto através do retrovisor, vejo o carro do Gustavo logo atrás de nós.
— Foi tudo bem. – Omito sobre a carona de Isaias, não quero o deixar
culpado por não ter voltado para a cidade. — Algumas escolas me pediram
para esperar enquanto outras já me descartaram desde a entrega do currículo.
– O assunto me faz voltar a ver nitidamente a minha situação de
desempregada no mesmo instante. — Não sei se conseguirei trabalho, Zé. E
eu não quero ficar atrapalhando a sua vida com minha tia, sei que vocês estão
acostumados a morar sozinhos. – José me dá uma rápida olhada.
— Eu sei que a vida está um angú de caroço*, mas jamais pense que tu
és um peso para a Dora e eu. – Enquanto ele continua prestando atenção na
estrada, volto a olhar para o retrovisor.
— Me desculpa por este pensamento, ainda está sendo complicada toda
mudança. – Noto que Gustavo pega o caminho a direita. Para aonde ele deve
estar indo?
— Aquieta a alma, Bia. – Ainda sentindo a curiosidade tomando conta
de todas as minhas terminações nervosas, volto a olhar para Zé e agradeço
por suas palavras de consolo. Contudo, eu preciso saber algo sobre a direção
que Gustavo pegou, senão nem terei paz.
— Zé, existe um outro caminho que leva até a casa da fazenda? – Ele
olha pelo retrovisor e até levanta a sobrancelha curioso com o que eu disse.
Deus! Preciso disfarçar. — É só uma curiosidade boba. – Não faço ideia se o
convenço.
— Existe sim, mas eu gosto desse, passa pela frente da mansão e logo
depois chegamos na casa da Dorinha, o outro é mais longo, entretanto tem
uma vista linda. – E eu já sei que o Sr. Ávila adora uma. — O caminho que o
patrãozinho pegou agora, também é um dos que se leva para a pista de voo.
Pode ser que tenha alguém prestes a chegar. – Sorri um pouco de lado. —
Vânia, a prenda dele pode estar vindo lhe visitar. – Como assim?
Fico surpresa com sua resposta, ao mesmo tempo que tento me lembrar
de onde eu conheço alguém com esse nome.
— Quem é ela? – Acabo não contendo a curiosidade e continuo
forçando a minha mente para me recordar de quem conheço que se chama
assim.
*Angú de Caroço = quando as coisas se complicam.

“Eu confundi o seu rabo com o de outra pessoa


que passei a tarde.”
Lembro-me da conversa com Gustavo na noite anterior e chego a
colocar a minha mão na boca. É claro que ele tem alguém e agora eu já sei o
nome.
— Vânia Lopez, Bia. A repórter que apresenta o programa com o
Gustavo, eles não assumem, mas todo mundo aqui sabe que eles têm um
trelêlê. – Fico momentaneamente sem reação e um sentimento estranho muito
ruim me acomete.
Para ser sincera, sinto-me triste.
Por que, meu Paizinho?
A resposta eu até sei.
Por mais que Gustavo tenha sido sincero até em relação ao motivo de,
acidentalmente, me apresentar tão bela vista, criei expectativas movida pela
carência que ter alguém traz, mas ainda assim, eu me recuso a acreditar que
uma mulher decidida como eu a não ser mais uma, acaba justamente ficando
triste por nem sequer ter esta chance.
Ah, qual o problema de se ter algo casual?
Eu sei, nunca vivi isso com um homem de verdade, experiente, com a
diferença de idade de dez anos pelo o que imagino, sem falar que no assunto
que ele com certeza é mestre, eu sou uma simples aluna.
Contudo, mesmo se todos os fatores para que a possibilidade de pelo
menos ter uma noite com fartos beijos e carícias ao lado de Gustavo tivesse
ao meu favor, quem na face da terra pode concorrer com a Srta. Lopez?

*Têm um trelêlê – Um caso.

Pior! Todo meu encantamento com o bom moço do Gustavo acaba de


descer ladeira abaixo. Eu tenho certeza que ele ia me beijar, mesmo sendo um
homem comprometido.
Como pude me esquecer que ele confundiu as minhas partes com o de
outra mulher?
— Estamos chegando. – Tento parecer animada, sequer consigo falar,
mas ainda espero ter sabido disfarçar.
***

Nos minutos seguintes, ao adentrar a casa e me acomodar sentada ao


lado da minha tia no sofá, conto todo o meu dia.
Por culpa de Zé que acaba tocando no assunto do patrãozinho safado,
relato sobre o pôr do sol visto ao lado da tentação, fazendo questão de dar
ênfase ao fato de termos nos comportado.
— Ele é um bom rapaz e eu fico feliz que vocês gostaram de se
conhecer. – Dinda é sempre tão meiga.
Na verdade, eu acredito que ela me vê como uma criança ainda e só por
isso acreditou na minha conversinha inocente. Será?
***

Quando a noite dá seus sinais de vida, sigo para o quarto. No criado


mudo coloco o meu celular para carregar, logo depois busco uma troca de
roupa na gaveta e me arrastando, vou tomar uma ducha ansiando revigorar as
minhas forças.
Durante o jantar, farto-me com um delicioso escondidinho de carne do
sol e aipim, também não resisto a comer banana da terra com um pouco de
manteiga derretida e toda quantidade de comida pesa em meu estômago me
fazendo bocejar.
Com os olhos cansados e as pernas pedindo socorro, após deixar a
cozinha toda arrumada, volto para sala onde acabo testemunhando o carinho
que Zé tem com minha dinda e por alguns segundos fico em silêncio os
observando.
É lindo ver como ele acaricia seus cabelos e parecem apaixonados. Os
olhando, dá até para sonhar por alguns segundos com um amor do tipo.
— É-é, não queria interromper o chamego de vocês, mas preciso avisar
que vou esticar as pernas. – Caminho até eles e dou um beijo na dinda. —
Tenham uma boa noite. – Direciono-me até o corredor.
— Bia. – Minha tia volta a chamar a minha atenção. — Enquanto você
estava na cozinha, me lembrei que tenho uma amiga que trabalha na cozinha
de uma escola que você levou o currículo. Ela me disse que vai dar uma força
para você ser contratada, minha filha. – Ah! Definitivamente é a notícia boa
que eu precisava ter para dormir envolta na esperança de dias melhores. —
Agora vá descansar que Deus está cuidando do seu futuro. – Agradeço tendo
muita fé, mais uma vez agradeço a ajuda e me recolho.
Ao chegar no quarto, depois de trancar a porta e vestir minha camisola,
deito-me entre os meus lençóis, mas antes de pregar os olhos, resolvo ler as
notificações e ao abrir o WhatsApp, deparo-me com três conversas, sendo
duas novas, além das habituais com meus amigos de longa data, e isso me
desperta.
Minha tia Ana, Isaias e ele, Gustavo.
Capítulo 5

Deus do céu!
Grande é meu espanto por causa de tanta requisição, mas entre as três
conversas, eu rapidamente abro a mensagem da minha tia, pois me esqueci de
ligar para ela mais cedo.
Sendo assim, peço mil desculpas, gravo um áudio contando sobre o
meu dia, trocamos algumas mensagens que faz o meu coração ficar
apertadinho de saudade e depois, vou ver o que o Sr. Ávila quer.

“Enquanto você passou o seu contato para aquele


cara
que eu não quero que você se aproxime, anotei seu
número.”

Eu tento... Tento muito não sorrir como uma boba, mas é impossível.
Contudo, logo me lembro da linda Vânia Lopez e volto para realidade.

“Como você é ousado, eu não te dei essa abertura.


PS- Confesso que estou surpresa com sua rapidez,
Gustavo.
Não poderia imaginar que você anotou o meu
número.”

Ele não parece estar online, então vou ver a mensagem de Isaias.

“Oi, Bianca...
Não consegui esquecer o seu sorriso lindo e estou
ansioso para te ver novamente. Topa sair comigo amanhã
à noite?
Diz que sim, moça linda.”

Nossa! Já vi que os homens daqui, além de não prestarem, são diretos.


Então eu também resolvo ser:

“Acho que por enquanto eu prefiro apenas


conversar...
Não está nos meus planos sair.”

Além de precisar economizar o que ganhei no estágio supervisionado,


quantia que suprirá minhas necessidades por pouco tempo, acho muito
recente sair com Isaias. Eu não o conheço muito e o que Ávila falou, me
assustou.
Então eu vejo a notificação de Gustavo e corro para ler.

“Sim, eu sou muito ousado, você não faz ideia.


Mas poderá descobrir.
E sobre o seu número, um homem tem que saber
aproveitar uma oportunidade.
PS- E só para lembrar, bloqueie o contato do
desgraçado que você deu o seu contato. Agora.
Ele não é confiável.”

Uai! Que homem bruto.


Mandão!
Gostoso.
Merda! Eu gosto.

“Não vejo problema em apenas ser amiga de Isaias.


No momento, eu até estou conversando com ele.”

Decido provocar, os segundos passam, mas não aparece que ele está
digitando uma resposta, apesar de estar claro que ele visualizou.

“Isaias me convidou para sair amanhã à noite...”


Nem um segundo passa e percebo que ele está digitando.

“Bianca...
Você é adulta.
Faz o que quiser da sua vida.
Mas depois não diga que eu não te avisei.
Tenha uma boa noite.”
Perco a cor, minhas pernas ficam moles e eu agradeço por estar
deitada. Eu mereci essa resposta, pelo amor de Deus, eu estava esperando
pelo o que?
Que Gustavo se importasse tanto e sentisse ciúme?
Parece que deixei meu cérebro para fora da fazenda desde que eu
cheguei aqui.
“Boa noite, Gustavo...”
***

Acordo com os raios de sol aquecendo a minha perna, viro-me para o


lado para alcançar o meu celular um tanto quanto ansiosa para saber às horas
e espanto-me ao notar que boa parte da manhã se foi e já passa das nove.
Por saber que a minha tia está em recuperação e precisa da minha
ajuda, praticamente me embolo nos lençóis ao me levantar e por imaginar que
Zé já está na peleja, corro para sala. Então, eu a encontro confortavelmente
sentada, assistindo um programa culinário.
— Oh tia, me desculpe, acabei acordando tarde. – Com o seu jeito
simples e acolhedor, dá duas batidinhas no sofá ao seu lado e eu me sento.
— Te deixei descansando, pois ontem o seu dia foi cheio. – Parece um
pouco entristecida, mas antes que a palavra venha a minha boca para lhe
perguntar o motivo, prossegue: — Minha amiga me ligou tem mais ou menos
uma hora e pelo o que ela me disse, a diretora da escola adorou te conhecer,
mas infelizmente as finanças não estão permitindo novas contratações. –
Tento disfarçar o desespero, mas um bolo se faz em minha garganta.
Em hipótese alguma eu posso me encostar aqui na fazenda e não
trabalhar.
Não é certo e muito menos me faz bem, pois eu gosto de ter meu
dinheiro, minha independência.
— Bem, eu posso procurar emprego na cidade vizinha. – Nega a
possibilidade com gestos desesperados com direito a olhos arregalados e
acenos, antes mesmo que eu continue a verbalizar as alternativas.
— O nosso estado está falido, os interiores muito mais, será em vão,
minha filha. – Meus olhos ficam marejados. — Sem falar que a estrada até a
próxima cidade é bastante conturbada, passa por uma BR desgraçada aonde
vários acidentes já aconteceram, não é viável. Esqueça está hipótese. – Na
verdade eu não me esqueço, mas decido poupá-la dos meus pensamentos que
remetem a alternativas desesperadas. — Nada de se desembestiá* por aí, não
tem necessidade. – Através da janela, olha rapidamente para o céu. — Vou
fazer uma campanha de oração, rezarei durante dias e as portas serão abertas.
– Fé, eu tenho e que nunca me falte, mas para algumas coisas parece que só
crer não é o suficiente, a falta de emprego é geral e eu sei que é necessário
buscar alternativas e trabalhar em outras áreas.
— Já que eu ainda sou uma mulher desempregada, que tal um café
gostoso? – Mudo de assunto para poupá-la de quanto estou desesperada e ela
me dá uma piscadela.
— Pois vai lá, mais cedo chegou uma porção torradinha produzida aqui
mesmo, dá maior qualidade.
***

Já a tarde, após um descanso de trinta minutos para o almoço assentar


no estômago, decido caminhar nas terras, mas para a minha surpresa
descubro que existe até um meio de transporte próprio para levar os
funcionários para a área rural da colheita do café.
Curiosa, ao chegar em um ponto que fica a pelo menos cinco minutos
de caminhada da mansão, adentro o micro-ônibus e após um bom tempo
conversando com um senhorzinho que mais parece o jornal local por portar
todas as notícias, sou informada que a colheita na Ávila é mecanizada, mas
ainda assim, por conta da fazenda ter mais de oitenta mil hectares, emprega
centenas de trabalhadores divididos em diversas funções.
— Eu não imaginava que aqui era tão grande. – Um rapaz aparentando
ter um pouco mais de trinta e cinco anos gargalha.
— Esta fazenda é praticamente uma cidade, moça. Na verdade, maior
do que muitas no mundo. – Tira o chapéu de palha e olha um pouco pela
janela. — E eu nun estou de brincadeira. Aqui tem atendimento médico pra
nós, escola para as crias, centro artesanal para nossas muié. – Fico
boquiaberta com a estrutura.
*Desembestiá = Sair correndo.

— O seu patrão é um anjo. – Pelo menos quando ele quer...


— Sim e ele é como se fosse nosso prefeito, é com certeza um homem
que veio dos céus, só sabemos que ele não é celestial, porque tem um defeito
bastante carnal, não se apega a nenhuma muié. – Gargalha, enquanto eu
permaneço com aquela cara de paisagem. — Mas para nós, seus funcionários,
ele é um protetor. O homi num deixa fartar comida na nossa mesa. Aliás, temos
também onde morar. – Ele fala de Gustavo de um jeito que expressa tanta
gratidão que é impossível não admirar o seu patrão, apesar daquele aviso
singelo de que ele não presta para um relacionamento.
Eu quero é novidade.
— Até uma casinha para morar? – Decido focar no que realmente me
deixa curiosa e me encanto com a empolgação do matuto* que balança a
cabeça em afirmativa de forma que até contagia.
— Pois tem, com esse programa dele famoso, o cabra esperto
conseguiu uma parceria com gente grande, sabe? E construiu casas boas, com
dois quartos e quintal, dá até para plantar. – Ele realmente é muito inteligente.
— A menina tem ideia que se não fosse ele, meio mundo de gente, a começar
por mim, estaria sem ter nem um lugar para cair vivo? – Oh se faço! Só que
agora de uma maneira mais ampla. — Olha só, a conversa tá é boa, mas o
ponto azul chegou e eu tenho que ir. – Avisto uma placa toda pintada de azul
com o nome escrito:
ALA SUL
E neste momento eu entendo o porquê de o rapaz se referir ao ponto
pela cor.
Com certeza ele não sabe ler.
Com o passar do tempo, como o micro-ônibus está quase vazio,
levanto-me e vou para perto do motorista, pois por enquanto, ele é a pessoa
mais apta para me dar maiores informações.

*Matuto – Caipira
— Então o senhor está me dizendo que a maioria dos funcionários
localizam o ponto de ônibus pela cor? – Ele confirma.
— Tem muita gente que não sabe ler, moça. – Ideias vão surgindo em
meus pensamentos, soluções maravilhosas para agregar ainda mais benefícios
aos funcionários que ficam na área rural da Fazenda Ávila.
— E a escola daqui? – Faz uma curva para esquerda e uma turma desce
no ponto vermelho, onde na placa tem escrito.
ALA SUL.2
— Na verdade é uma creche para crianças de até quatro anos, as
maiorzinhas frequentam a escola pública da cidade. – Para a nossa segurança,
fecha a porta do veículo antes de dá a partida. — O Sr. Ávila disponibiliza
dois ônibus todos os dias e exige que as crianças estudem. – Fico feliz pelas
crianças e triste comigo, pois me encanto mais um pouco por Gustavo.
E isso não é viável.
— Seria bom se esse pessoal tivesse onde se alfabetizar. – Acabo
sussurrando para mim mesma.
— A moça disse algo? Com esse motor eu não conseguir ouvir direito.
– Nego rapidamente com gestos.
— O senhor vai passar pela escolinha? – Ele confirma, peço para que
me avise quando chegar e enquanto fazemos o caminho pela enorme fazenda
começo a pensar em algumas possibilidades.
***

No início da noite, após os afazeres de casa e deixar pronta uma


sopinha de verduras bem gostosa para o jantar, encontro-me no meu quarto
temporário, sentada confortavelmente na cama, escrevendo em meu caderno
um planejamento bastante detalhado, onde começo explicando o quanto é
importante que os funcionários saibam ler.
Acredito fielmente que levar conhecimento as pessoas têm que ser
prioridade, pois os malefícios da falta de informação vão além do que
podemos imaginar.
Sem falar, que se Gustavo me apoiar, além de ele estar realizando o
sonho de uma singela professora, ainda irá me tirar do desemprego.
***

Passado mais de uma hora, analiso cada item e após estar me sentindo
segura, com o celular em mão, abro o aplicativo do WhatsApp para enviar
uma mensagem para a tentação solicitando uma reunião, tendo fé que minha
ideia dará certo e salvará boa parte da população Avilaense.
Nome carinhoso que acabo de inventar para quem mora nesta cidade
maravilhosa que é esta fazenda. Contudo, no mesmo instante, ouço batidas na
porta da frente, ao deixar meus cadernos de lado corro para ver quem é e ao
abrir, sou surpreendida ao vê-lo.
Ah Gustavo.
Como me faz bem estar perto de você, não sei por que. E hoje, eu
tenho um motivo a mais para amar vê-lo, além de apreciar a sua beleza
máscula.
E bota máscula nisso.
— Eu ia te chamar no WhatsApp agora mesmo. – Gustavo estreita seus
olhos e parece conter um sorriso.
Convencido que só!
Deve estar imaginando mil coisas que com certeza não tem nada a ver.
— Agora você já pode falar pessoalmente, seja o que for. – Passa por
mim sem nenhuma cerimônia, por ter total liberdade na casa da minha tia.
— Eu ainda não me preparei o suficiente para tocar em tal assunto
contigo. – O deixo curioso, é visível nos seus olhos e gostando do resultado
do início da nossa conversa, prossigo: — Mas amanhã à tarde se você tiver
um tempinho, eu posso te explicar tudo. – Fico esperançosa que ele aceite. —
É uma proposta muito bacana para a Ávila. – Passa a mão na barba por fazer
imaginando mil possibilidades.
— Então o nosso encontro está marcado às treze horas. Podemos
almoçar lá em casa e conversar, o que acha? – Só falto dar pulinhos de
alegria, mas me contenho, confirmo e no momento seguinte ouvimos passos
apressados que eu já sei que são do Zé.
— O que te traz aqui, meu filho? – José senta-se a sua frente e aguarda
a resposta, em contrapartida começo a me retirar.
Eu imagino que o motivo da visita, não seja da minha conta.
— Estou aqui para convidar você e sua família para um jantar, naquele
restaurante com música ao vivo que já fomos algumas vezes e Dorinha muito
se agrada. – Paro no meio do caminho e o olho. — Reservei a melhor mesa
para nós.
Ele não queria que eu saísse com Isaias e agora convida a minha
família e eu para um jantar?
Eu me iludo.
Me iludo muito, mas tenho precedentes para isso.
— Você sabe, a Dorinha ainda não se recuperou. – O tom de voz
demonstra o quanto Zé lamenta.
— Eu posso ir com Bianca. – Gustavo é direto ao dar a solução e na
hora Zé olha para mim querendo sondar minha reação.
— Dora ama aquele lugar, capaz de aceitar ir e ficar apenas sentada. –
Tenho vontade de gargalhar com o jeito que José sempre arruma de me
proteger.
— E você, Bianca. Aceita sair? – Gustavo detém toda a minha atenção.
— Em família. – Por Zé não estar me olhando, reviro os olhos em um tom de
divertimento, contudo lembro-me de Vânia e já era a minha alegria.
Será que ela realmente está por aqui? Acho que não, se estivesse, tenho
certeza que o patrãozinho não estaria fora de quatro paredes.
— Só nós quatro? – Gustavo confirma, sinto-me feliz pois desta forma
eu volto a acreditar que ele não tem um compromisso e enquanto seguro um
amplo sorriso, Zé levanta uma sobrancelha ao me observar.
— Então, vocês aceitam? – Gustavo anseia pela resposta, olho para Zé
para que ele responda, mas ele com gestos pede um momento e vai ver a
minha tia, nos deixando a sós.
— Que bom que não saiu com Isaias. – Encosto-me na parede e cruzo
os braços o observando.
— Não foi por causa do seu pedido. – Caminho até perto e sento-me
onde Zé estava. — Acho que ele me queria para algo além de uma amizade e
eu estou focada em outras coisas. – Acredito fielmente que é a melhor
maneira de dizer para Gustavo que eu jamais teria algo com um rapaz que
conheci há pouco tempo.
Ora, Bianca... Você sabe muito bem que o problema relacionado a
Isaias não é cronológico.
A química explica...
A física...
Com Gustavo você nem ia ligar para tempo algum.
— Não importa o motivo, mas eu fico feliz que não tenha ido. – Ele,
como sempre, diz o que pensa sem rodeios, me deixando completamente sem
palavras.
Corada... Feito uma pimenta malagueta, com certeza.
***

Os segundos passam, acredito que uns três, minha língua continua


presa, ajeito meus cabelos para o lado direito sabendo que estou sendo
observada por Gustavo que se diverte com minhas reações e neste momento,
lembro-me de que Isaias e a mãe, negaram conhecer os Ávilas e eu sei que é
a melhor hora para acabar com minha curiosidade e voltar a falar.
— Gustavo, quando peguei carona com os seus vizinhos Isaias e a mãe,
os dois negaram te conhecer e você os conhece tão bem, pelo o que diz. – A
expressão do rosto dele muda, até se levanta e caminha até a janela como se
estivesse buscando um pouco mais de ar.
— Eles moram em uma pequena propriedade que faz fronteira com as
minhas terras e apesar de eu ser generoso e ceder um bom terreno para eles
expandirem a plantação, me processaram, alegando que eu invadi o espaço
deles. – Fico boquiaberta e Gustavo, prossegue: — Enfim, não são
confiáveis, do nada e sem lógica alguma aprontaram essa comigo e sobre
Isaias, bem, a cidade é pequena, as pessoas falam que ele consegue ser dois
em um, e toda fofoca tem um fundo de verdade. – Volta a se sentar e me olha
de cima, abaixo. Só então me lembro que estou basicamente vestida com um
camisão de moletom que parece até um microvestido. — Você fica linda com
esta roupa, mas para aonde vamos, tu deverias cobrir um pouco mais as suas
pernas.
Ou, deixá-las ainda mais em evidência e te provocar?
Tão tentador.
— Ainda não sei se vamos. – Ávila olha em direção ao corredor.
— Se eles não forem, venha comigo. Nós dois, a sós. – Diz um pouco
rápido para não ser pego no flagra e em segundos Zé se aproxima parecendo
empolgado.
— Vai se arrumar, Bianca. Sua madrinha se animou. – Direciona o
olhar para Gustavo que já não está cem por cento satisfeito. Ele com certeza
queria ficar a sós comigo. O que seria de mim? Eu ia gostar de descobrir. —
Mas você vai ter que esperar bastante, meu filho. Duas mulheres não se
arrumam rápido. – Reviro os olhos fingindo protestar e logo depois peço
licença pois preciso me arrumar.
Antes de ir para o meu quarto, lembrando-me de que minha dinda está
com dificuldade para se locomover, decido auxiliá-la e como ela já tomou
banho, eu só a ajudo na escolha do seu vestido.
Quando estou no meu quarto, praticamente desespero-me sem saber o
que usar, contudo, por não ter muitas opções a aflição logo se vai e eu
escolho um, dos dois vestidos mais apropriados para sair que eu trouxe.
Para esta noite, decido ir com um modelo envelope com a saia em um
tecido que causa um certo movimento, em uma estampa onde prevalece a cor
verde escuro e para completar o visual, um par de sandálias de cor nude de
quinze centímetros de altura.
Que Deus ajude que ela não quebre pelo caminho, pois a tenho por
pelo menos dois anos.
***

Já vestida, com minha necessaire em mãos onde guardo minha


maquiagem, de frente para o espelho, depois de preparar a pele de maneira
bem básica para não existir erros por causa da pressa, escolho apenas destacar
os meus olhos com lápis de olho, rímel e nos lábios uso um batom em tom de
rosa que imita a sua cor natural.
Sinto-me bem com o que vejo, acredito que não cometi exageros e para
completar, passo um pouco de perfume nos lugares estratégicos. Nuca, pulso,
colo e joelhos.
— Bianca, está pronta? – Ouço a minha tia e minha pele fica corada de
tanta vergonha. — Não é o dia do seu casório, minha filha. – Senhor, agora
ficou um pouco mais complicado sair deste quarto.
— Um minuto. – Mais uma vez dou uma conferida no visual, ajeito os
cabelos com as mãos os jogando um pouco para os lados para os deixar mais
volumosos e depois de pegar a minha bolsa onde guardo o celular, dou os
meus primeiros passos em direção a sala. — Prontinho, não vou mais atrasar
vocês.

Gustavo Ávila

Por sentir o seu perfume me chamando e me deixando completamente


embriagado com o aroma de mulher, antes de Bianca dizer uma palavra
sequer, direciono o meu olhar para o pequeno corredor da sua casa.
Ao vê-la com um vestido que, apesar de não ser vulgar, deixa em
evidência as suas curvas e suas pernas grossas ainda mais destacadas por
causa do uso do salto alto, de imediato preciso controlar reações que
deveriam ser testemunhadas apenas por ela em quatro paredes e tento ser
imparcial, por conta da presença da Dora e o José.
Eu definitivamente não sei até quando suportarei tanta tentação.
— Bianca, minha filha. Você está linda. – Eu dou toda razão a Dora
enquanto vejo a dona dos meus pensamentos corar por ficar um pouco tímida
e agradecer o elogio.
— Eu preciso concordar, capaz de arrumar até um namorado no
restaurante, Bia. – Definitivamente não, José.
— Mas se alguém te chamar para dançar, precisará ter a minha
autorização. – A sua tia lhe dá uma piscadela e eu fico pensativo.
Será que alguém se ousaria? Mesmo eu estando presente na mesa?
Praticamente em um jantar de casais?
Sim, eu espero que todos presentes pensem isso e não se aproximem da
pequenina.
— Agora precisamos adiantar, caso contrário vão achar que desisti da
reserva. – Zé dá o braço a sua esposa, a apoiando e eu, como um bom
cavalheiro, direciono-me até Bianca. — Você realmente está linda. –
Estendo a minha mão para ela.
— Obrigada. – Sinto o seu toque me estimulando e o leve roçar das
nossas mãos me deixa ansioso por mais.
— Na verdade você fica linda de qualquer jeito. – Por mais que José e
Dora estejam andando devagar, os deixo caminhar bem mais na frente para
ter uma distância segura. — Empinada no meu quarto. – Bianca para de
andar, abre bem os olhos e me fulmina com seus lindos olhos. — Arrochada
em uma calça jeans como ontem à tarde e agora neste vestido. – Levo a
minha mão até o pequeno laço e seguro bem na ponta. — E eu sei que se
puxar esta cordinha... – Bianca põe a sua mão por cima da minha e ficamos
quase que de frente um para o outro.
— Sr. Ávila. – É excitante ser chamado assim. — Tira a mão daí. –
Aos sussurros me repreende, mas eu sei que na verdade ela está sonhando em
ficar comigo entre quatro paredes enquanto tiro o seu vestido ou apenas
levanto a sua saia.
— Por que eu tiraria? – Provoco.
— Vocês estão andando mais devagar que Zé e eu que ainda estou com
o pé machucado. – Bianca, mesmo sem se separar de mim, dá um passo para
trás se afastando.
— E-eu estou contando para o Gustavo que fiz um passeio na Ávila e
que eu adorei saber do seu cuidado com os seus funcionários, do posto de
saúde, escolinha creche para as crianças e as casinhas para uma boa parte da
população Avilaense morar. – Eu gosto do nome inventado, me diverte, e
enquanto eu sorrio, ela volta a me olhar depois de mais uma vez eu encobrir o
que realmente está acontecendo entre nós, é nítido o brilho no seu olhar. —
Até agora estou encantada, os funcionários te veneram. – Acaricio a sua mão
e ela olha para elas que ainda estão unidas. — Você é realmente um homem
admirável. – Voltamos a caminhar, mas na verdade querendo retroceder o
caminho e encontrar um quarto.
— É o seu modo de me ver. – Nos aproximamos um pouco mais de Zé
e Dora.
— Meus olhos sempre têm razão, Gustavo. – Nos separamos, ajudo
meu amigo a acomodar a sua esposa no banco de trás, o convenço a ir ao lado
dela e depois, de forma mais discreta, auxilio Bianca a se acomodar.
Pelo menos por esta noite, eu não me imagino saindo do lado da Bia.
***
Bianca Lima

I had to find you, tell you I need you


Tell you I set you apart
Tinha que te encontrar, dizer que preciso de você
Dizer que te escolhi
Tell me your secrets and ask me your questions
Oh, let's go back to the star
Conte-me seus segredos e faça-me suas perguntas
Oh, vamos voltar para o começo.

Ao som de Coldplay com a música The Scientist que por sinal é uma
das minhas favoritas, envoltos uma conversa gostosa que me mostra o quanto
Gustavo é amigo da minha dinda e Zé, seguimos o nosso caminho rumo ao
tal restaurante que os três falam super bem.
Fico cada vez mais à vontade, consigo disfarçar as olhadas que vez ou
outra Gustavo direciona para as minhas coxas ao mesmo tempo que tento
conter meus pensamentos ao olhar de tão perto suas enormes mãos
envolvendo o volante.
Mas é em vão.
Fazer o que?
Meus pensamentos perversos, que mais precisamente remetem ao
nosso primeiro encontro em seu quarto, em uma espécie de fantasia onde
existe a continuação do primeiro ato onde fui acariciada, persistem de tal
forma que nem o ar condicionado consegue apagar o fogo. Meu Deus.
Fecho os olhos tentando disfarçar.

“— Moço, eu só estou arrumando o quarto. – Justifico


e tento tirar o meu corpo parcialmente de debaixo da cama
e acabo batendo a cabeça de leve no móvel o que atrasa
um pouco a minha saída.
— Eu gosto quando você encarna tão bem o
personagem e que rabo gostoso você tem. Assim eu não
resisto. Agora eu quero te foder aí mesmo. – Começo a sair
de debaixo da cama deixando minha bunda ainda mais
empinada, ansiosa para ser tocada.
— Ahhhh... – Grito de prazer quando minha saia é
levantada e minha pele carente acariciada. — Não
podemos. – Tento ser difícil.
— Podemos sim, Bianca. – Encosto meu corpo no seu.
— Eu quero você Srta. Lima. – Recebo um tapa gostoso na
bunda.
— Eu também, Gustavo, muito mais do que você
ima...”

Quase chorando e não apenas pelos olhos, sou resgatada dos meus
devaneios quando sinto o meu celular vibrando, provavelmente por receber
alguma notificação e eu rapidamente vou ver se é a minha tia, Ana.
Capítulo 6

“Bianca.
Acredita que estou neste exato momento pensando em
você e lamentando a sua escolha de ficar longe de mim?
Eu sinto que poderíamos virar um casal, tenho certeza
que te amar não é difícil.
Você é linda.
Parece ser doce, eu realmente queria te ter para mim.
Nossa noite poderia ser inesquecível.
Beijos,
Isaias”

Vejo a mensagem de Isaias e por alguns segundos fico imaginando.


Como eu posso respondê-lo sem parecer ser grossa ao mesmo tempo que
sincera? No momento, não consigo unir as minhas intenções, não quero
machucar um coração aparentemente carente, então, guardo o celular.
A verdade é que eu começo a me arrepender amargamente de ter
passado o meu contato. Eu não acredito em declarações tão repentinas e acho
demasiadamente exagerado tanto “sentimento” aflorado em menos de setenta
e duas horas.
Se fosse uma mensagem que estivesse focada em desejos carnais, até
entenderia, mas precisava falar de amor?
— Está tudo bem, Bianca? – Observador, Gustavo aguarda a sua
resposta mesmo que ainda concentrado na estrada.
— Tudo sim, só foi uma mensagem sem importância. – A mais pura
verdade.
Eu lamento causar algum desconforto em Isaias, mas quanto a isso, não
tenho muito o que fazer.
***

Ao chegarmos no restaurante Sabor da Roça, que no seu ambiente


consegue misturar a elegância ao rústico, por estarmos com Gustavo,
rapidamente somos encaminhados a uma mesa de canto em um local
reservado, com vista para área onde os músicos se apresentam.
Sentada ao lado do homem que todo mundo avisa para que eu fique
distante, de frente para minha dinda e Zé, tento a todo momento agir de forma
natural, mas sinto-me afetada por mais uma vez ver suas mãos tão de perto e
ao me lembrar aonde elas já estiveram, sinto-me aquecida em uma região que
ele deve saber muito bem como manusear.
“Eu gosto quando você encarna tão bem o
personagem e que rabo gostoso você tem.”
Suas palavras daquela tarde que nos conhecemos vem à tona
novamente e eu, que até então era toda delicada, começo a pensar nas outras
coisas que ele deve ser capaz de dizer naquelas circunstâncias que eu nunca
nem vivi.
— Bianca, tem um prato que é servido aqui que é muito bom, picanha
completa, eu e seus tios sempre pedimos esse. Vem acompanhado de feijão
de corda, purê de batata, arroz, farofa matuta e vinagrete. – Eu gosto do jeito
que ele cuida de mim. Dono de tantas posses, poderia ser arrogante e nem me
perguntar absolutamente nada.
— Estou ansiosa para provar deste prato, se vocês aprovam, eu com
certeza vou. – Ele confirma o pedido com o garçom e para beber, escolho um
suco de limão pois não estou acostumada com bebidas alcoólicas, Gustavo
decide me acompanhar por estar dirigindo e a dinda e Zé não resistem ao
licor de maracujá. Pelo jeito vão enchê o barde.*
— Filha, toda vez que o patrãozinho convida o Zé e eu para jantar aqui,
ele me leva para dançar, acredita que eu funciono quase como uma afastadora
de pretendentes para este menino? – Ela me faz rir só de imaginar a situação.
— As moças da região não gostam de mim. – Como haveriam de gostar?
— Com certeza, não. – Zé completa e direciona o seu olhar para Ávila.
— A única que deve ficar agradecida por minha Dora ser quase que um
repelente para as suas admiradoras, é a Vânia. – Deus do céu.
A imagem da Srta. Lopez vem com tudo em minha cabeça e sem saber
disfarçar, observo a pista de dança. Bem melhor desviar a minha atenção, já
que no meu rosto o descontentamento por ouvir algo do tipo está estampado.
Fazer o que? Às vezes eu me esqueço da belíssima apresentadora do
programa e fico imaginando coisas relacionadas a este ser perfeito ao meu
lado. Por culpa dele.
— Eu nunca tive nada sério com Vânia. – Volto a olhá-lo. — E desde o
último dia que ela esteve aqui, terminamos até com a possibilidade de os
encontros casuais continuarem. – Nossos olhares se encontram, mas
disfarçando ele volta a sua atenção para Zé. — Aparentemente ela criou
algumas expectativas em relação a nós que eu não posso suprir. – Relata de
forma breve que nunca sequer foram exclusivos, sobre o que particularmente
faz feliz aos dois e eu dou razão por ele ter encerrado com qualquer
possibilidade com ela.
O Sr. Ávila é um homem do mundo, mas o seu coração se sente
aconchegado quando está em suas terras.

*Enchê o Barde = Embriagar-se.


Talvez quando ele achar que é o momento de aquietar o coração,
precise de uma mulher que ame essa simplicidade do interior mesmo envolta
de todo luxo que ele pode proporcionar.
— Eu te entendo. – Como estamos sentados no mesmo banco, um ao
lado do outro, repousa a sua mão próximo da minha coxa.
Ele dificulta a minha vida.
Muito!
— Eu sei que sim. – Me dá uma piscadela que me derrete. —
Voltando ao tema que iniciou toda esta conversa, já que Dora não pode me
acompanhar, o que acha de ser você a minha parceira? – Ai senhor! — Por
enquanto que o jantar não chega. – A justificativa é válida. — Vocês
permitem? – Tia e Zé acenam positivamente e eu confesso que estou
surpreendida. — Então, Bianca? – Levanta-se, vem para o meu lado e estende
a mão.
— Eu aceito, faz tempo que eu não danço. – Sequer tenho forças para
resistir ao convite e mais uma vez, de mãos dadas, sentindo que todos ao
redor nos olham, alguns com certeza tentam descobrir quem sou,
caminhamos até em frente a pequena banda, onde mais ou menos cinco casais
dançam um forró pé de serra bem gostoso. – Não me diga que você sabe
dançar?
— Sobrevivo. – Gustavo me puxa pela cintura unindo os nossos
corpos. — Dou um passo de um lado para o outro, apenas. – Me faz rir só de
imaginar o desastre. — Confesso que a minha esperança é que você saiba
dançar. – Oh céus.
— Tentarei dar o melhor de mim, mas não saberei fazer milagre, afinal
de contas, você é o homem e deveria me guiar. – Provoco olhando nos seus
olhos.
— Sem problema. – Dá um passo para direita. — Se Dora não reclama,
você também não vai. – Após se inclinar sussurra tão próximo ao meu ouvido
que involuntariamente eu aperto o tecido da sua camisa, não consigo conter
de forma alguma os arrepios que tomam conta de mim.
Até meus mamilos ficam tesos, de tal forma que o sutiã que não tem
bojo sequer disfarça e ele me gira um pouco para a esquerda.
— Gustavo. – O chamo mais como um pedido de socorro o que o faz
sorrir ao testemunhar o efeito que causa em mim e então continuamos a
dançar.
Quem disse que o tango é uma dança sensual, tem toda razão, mas
deveriam também conhecer o forró.
Ah! O arrasta pé pode ser mais depravado, disfarçado de uma dança
familiar, entre um esfrega e outro, faz qualquer moça quase gozar como se
estivesse a sós entre quatro paredes podendo se tocar.
O roçar das pernas que batem uma na outra, a coxa de Gustavo que
roça na altura das minhas, o corpo colado de forma que é possível que eu
sinta todos os contornos do abdômen que faz qualquer mulher enlouquecer e
a mão enorme do Sr. Ávila que me mantém unida a ele sem nem ter
escapatória para conseguir disfarçar.
E Mesmo sem ele ser um exímio dançarino, faz muito bem o básico.
E se Zé e a Dinda notarem o esfrega?
Tento me afastar dando um passo para trás. É o correto.
Mas ele me traz para mais perto. Isso queima.
Essa dança com certeza vem do inferno.
— Quer mesmo fugir? – Todo pervertido muda o passo, me deixando
de costas para ele e com a mão em meu ventre, me conduz, enquanto sinto
toda sua masculinidade roçando.
Muito gostoso.
Dá para sentir que é grande, grosso.
Sem vergonha até rebolo no ritmo me aproveitando.
Eu gosto.
— Não quero fugir de você, Sr. Ávila. – Respondo quando voltamos a
ficar de frente e eu já sei que nenhum pingo de juízo me resta. Para que
precisaria, né?
Talvez já esteja na hora de ser um pouco inconsequente.
— Que bom. – Me inclina para direita e seus lábios ficam próximos ao
meu. — De qualquer forma eu não ia deixar. – Em um tom de brincadeira
reviro os olhos. Voltamos a dançar, até que a banda começa a cantar a música
“Love à queima roupa” de Marília Mendonça e o ritmo de arrocha toma conta
da pista de dança.

E olha só você tentando andar na linha


E o desejo sempre te empurrando
Frequentemente mente pro subconsciente
Que é só uma saidinha, mas já tá voltando...
Se já estava quase que insuportável a batida de coxas enquanto
dançávamos forró, agora com o arrocha onde não paramos de roçar indo de
um lado para o outro, sinto minha calcinha ficando toda molhada como se
estivéssemos em uma preliminar.

Uma noite apenas vai ser pouca


Tome love à queima roupa
Um remember, hoje vai rolar

— Gustavo. – Clamo quase que desesperada e sua mão desliza um


pouco mais da minha cintura até o alto do meu quadril.

A única roupa vai ser de cama


Porque a sua blusa branca
De champanhe hoje eu vou molhar

— Bianca, eu quero você. – Suas palavras diretas só não me levam ao


chão por conta do quanto estou derretida e excitada porque ele mesmo me
sustenta. — Você com certeza não esqueceu da sensação das minhas mãos
em seu rabo gostoso, sabe o quanto me deixa louco de tesão e já sentiu como
anseio por você. – É óbvio que não me esqueci, e ele me decifra.

Aí 'cê vai ter que tirar


Aí 'cê vai ter que tirar, tirar, tirar

— Vai contrariar, Zé e a dinda? – Me divirto ao trazê-lo de volta para a


realidade. Em contra partida, ele nos posiciona de uma forma que
praticamente me encobre perante os olhos dos nossos conhecidos e acaricia
minhas costas. Chego a acomodar o meu rosto em seu ombro na tentativa de
disfarçar meu estado.
— Pode ser mais um segredo nosso. – Imagino os momentos proibidos,
as fugidinhas que eu gostaria que começassem agora mesmo. — Eu só não
sei se você é capaz de viver apenas os momentos de prazer. – Volto a olhá-lo.
Eu sei, sem sombra de dúvidas, dos riscos que eu corro ao permitir tanta
aproximação, estou ciente de que o meu coração jamais foi testado de tal
maneira e mesmo assim não consigo recuar.
— Eu quero compartilhar mais esse segredo contigo. – Sobe a sua mão
ousada pela lateral do meu corpo, deixando sua marca em mim, até alcançar
minhas bochechas, bem próximo aos meus lábios.
— Eu tinha esperança que seus familiares não aceitassem o convite,
tinha planos de após este jantar, te fazer minha. – Sua frase me faz abrir bem
os olhos.
É certo que eu nem sei como escapar das garras do Sr. Ávila, mas, o
que ele vai pensar ou como vai agir quando descobrir que eu nunca tive tal
experiência?
— Você é bem rápido, mas eu... – Quando estou prestes a pelo menos
dar uma dica sobre minha situação, sinto um esbarrão na lateral do meu corpo
e eu só não caio por me desequilibrar, por estar segura nos braços de
Gustavo.
— Ahhh, parabéns pela PÉSSIMA ESCOLHA. – Ouço aplausos
direcionados a Gustavo e a mim que chamam a atenção de todos. — Agora
eu entendi o porquê de você não querer sair comigo. – Ele aponta o dedo me
deixando ainda mais assustada e Gustavo me protege me colocando para atrás
dele.
— Em Bianca você não toca, desgraçado. – Fico em choque com o tom
de voz usado por Isaias e...

“— Na minha filha você não toca, desgraçado. Bia é


só uma criança. Saia da minha casa, AGORA.”

O presente se confunde com o passado, lembro-me vagamente da


minha mãe, gritos, ando um pouco para trás, me encosto na parede e fecho os
olhos tentando me lembrar de algo mais.
O que foi isso, meu Deus?
— Bianca? – Sinto mãos envolvendo o meu rosto, o toque familiar de
Gustavo me traz de volta para realidade. — O que aconteceu? Você está
pálida. – Como contar que acabo de recordar algo tão triste? — Isaias já foi,
eu tenho certeza que não irá nos importunar mais e que agora deve estar com
a mandíbula bastante dolorida, ele terá dias para lembrar que não se fala
assim com nenhuma mulher, principalmente com você.
Só então percebo que houve praticamente uma pequena briga ao meu
redor e eu sequer percebi.
— Está tudo bem comigo, eu só me assustei, muito. – Me dá a mão e
antes de caminharmos para a mesa eu vejo que está um pouco vermelha por
conta do soco que deu e eu a acaricio. — Se estivéssemos na fazenda eu ia
fazer uma massagem aqui. – Mesmo parecendo preocupado comigo, tenta se
mostrar calmo e sorri me encantando.
— Vou cobrar esta massagem depois, mas agora vamos jantar, eu
realmente não quero te ver passando mal e você ainda está pálida.
Voltamos para os nossos lugares, Zé nos conta que não foi de encontro
a nós dois na hora da confusão por conta de que precisou conter minha tia
que ficou muito assustada, os três me questionam o porquê de ter ficado tão
pálida e assustada, mas eu prefiro desconversar alegando estar com fome.
Em seguida, acabo relatando como Isaias conseguiu o meu número,
minha dinda me pede para eu me afastar e Zé, como um verdadeiro pai, diz
que não permitirá que ele se aproxime.
Agradeço o cuidado de todos, mesmo estando ainda muito confusa
entre as lembranças do passado e o presente, mudo de conversa contando o
quanto o Sr. Ávila dança bem. Desta forma eu consigo equilibrar o clima.
Nos momentos seguintes, nos deliciamos com um verdadeiro banquete
que é de lamber os beiços e eu até tento ser classuda, mas é impossível.
No final do jantar, somos interrompidos por algumas moças que pedem
a Gustavo uma selfie e mesmo ele estando em um momento de lazer, faz
questão de ser bastante educado com todas, mas em nenhum momento age
demonstrando segundas intenções.
Logo depois, ele nos conta sobre o novo método na irrigação do café
que evita o desperdício de água, também em relação ao reaproveitamento de
cascas de verduras e legumes para o feitio do adubo orgânico e é
simplesmente lindo de se ver seus olhos brilhando ao relatar as maravilhas do
agronegócio que tanto ama.
Para a sobremesa, nos deliciamos com dadinhos de tapioca com doce
de leite e por volta de uma hora da manhã, voltamos para casa bastante
saciados.
Durante o caminho, Zé e minha tia dormem por estarem regados em
doses extras de licor, enquanto eu permaneço bem acordada, assustada com
minhas lembranças.
Será que não me contaram tudo?
Eu sinto que falta alguns detalhes que estão encobrindo.
— Bia? – Gustavo repousa a mão em minha coxa me fazendo quase
dar um pulo, mas ao olhar para trás fico um pouco mais calma ao constatar
que meus amores ainda dormem, então me delicio da sensação gostosa do seu
toque. — Me conte o que aconteceu realmente, você estava fora de si,
garanto que nem sequer viu quando Isaias foi retirado do local gritando feito
uma gazela. – De fato eu só acredito que isso tudo aconteceu porque Gustavo
não mente, a sua pele ficou marcada, todos viram a cena assim como Zé e
Dora.
— Em outra oportunidade. – Acaricio a sua mão que ainda está um
pouco avermelhada. — Eu juro. – Olho para trás mais uma vez sentindo o
meu coração quase saindo pela boca. — Você gosta de correr riscos, não é? –
Gustavo me dá uma piscadela antes de continuar prestando atenção na
estrada.

Gustavo Ávila

Correr riscos, apesar de ser excitante, não é bem o motivo de eu estar


neste momento tocando em Bianca e querendo muito mais.
Eu realmente respeito o meu amigo que está presente na minha vida
desde que me entendo por gente, gostaria sinceramente de cumprir com a
palavra de manter minhas partes longe da Bia, mas eu simplesmente não
consigo ficar distante.
O que ela tem de diferente?
Pode ser simplesmente por ela ter tentado chutar o meu pau antes de
cair ajoelhada clamando por uma oportunidade de me proporcionar prazer.
Me dizer um sonoro “não” e me alertar que ela não era qualquer uma
em nenhum momento magoou o meu ego, mas com certeza chamou minha
atenção para a mulher que a cada conversa me surpreende com sua
inteligência, o modo de me decifrar, enxergar o meu verdadeiro eu, sem falar
que é a única que consegue dobrar Zé com meia dúzia de palavras.
Ela é astuta e eu gosto disso.
Entretanto, eu confesso que a nossa dança foi um tanto quanto
insuportável para mim, sentir o seu cheiro bem de perto, testemunhar as suas
reações que são evidentes ao mesmo tempo que discretas por ela ser uma
menina mulher que não deve ter tanta experiência, me deixa ainda mais
viciado.
Quando Isaias apareceu a agredindo com seu modo de falar, a raiva que
senti foi insuportável, a necessidade de proteger Bianca falou mais alto e até
eu, que sou adepto da paz e de resolver as situações da melhor maneira
possível tendendo para uma conversa, me vi o silenciando com uma porra de
um golpe que vai lhe render dores na região da mandíbula por muito tempo.
Mas o susto não parou por aí, ao me virar e vê-la pálida como um
papel, quase cedi a necessidade de a tomar nos braços e a levar para um lugar
que só existisse nós dois. Eu precisava acalmá-la, me perder entre seus beijos
mesmo tendo a consciência pesada de um homem que, apesar de saber que
não é suficiente e estar ciente da nossa grande incompatibilidade, ainda assim
a deseja muito.
Tanto que não consigo mais esperar.
— Já estamos quase chegando. – Bia suspira, fica nítido que lamenta
que a nossa noite de certa forma tenha acabado.
— Sim e você ainda não me respondeu. – Estaciono em frente à casa
da Dora e desafivelo o meu cinto de segurança.
— Sobre correr riscos? – Ela confirma com gestos enquanto me
aproximo. — Eu apenas me arrisco no que vale muito a pena. – Desafivelo o
seu cinto de segurança, me aproveitando, acaricio a sua barriguinha e a
respiração de Bia fica um pouco afetada. Fora os seus seios durinhos, com
mamilos rijos a entregando. — E se você não gosta, deveria acordar os seus
tios, pois eu não vou esperar nem mais um segundo para provar dos seus
lábios. – Minhas palavras a surpreendem e enquanto ela absorve o que acaba
de ouvir, inclino-me por cima do seu delicioso corpo, um pouco de lado por
causa da posição que estou e com a mão em sua nuca, a trago ao meu
encontro.
É gostoso testemunhar sua rendição e excitação.
Quando nossos lábios se encontram e eu sinto a sua maciez viciante,
imediatamente busco por seu sabor. O choque das nossas línguas faz o meu
pau latejar de desejo e a necessidade de a ter se espalha por todo meu corpo.
Eu quero beijar e mapear todos os lugares de Bianca
Por outro lado, ela me abraça ao intercalamos a posição dos nossos
rostos para um melhor encaixe. Enquanto as línguas se provam, um puta
tesão se espalha entre nós dois, sem pudor algum acaricio o seu seio,
sentindo, mesmo com o tecido me limitando, o quanto ele se encaixa na
minha mão. Ansioso por mais, deslizo o meu toque por sua barriga, coxas,
parte interna e quando chego perto da sua boceta, ela aperta o meu braço e
geme baixinho.
O fogo que queima quando estamos perto um do outro, apesar de eu ser
bastante experiente, é de um jeito que eu nunca presenciei.
A química é forte, anula nosso lado racional, tanto que Bia fica tão
louca para me dar e nem lembra mais do perigo que nos envolve.
— Você quer me sentir em sua boceta, Bia? – A safada se abre um
pouco mais e volta a me puxar.
— S-sim. – Volta a me beijar, nós dois praticamente entramos em
combustão e eu sem resistir subo os meus toques, pronto para a levar à
loucura.
— B-Bia... – Minha prenda me dá um empurrão. — C-c-chegamos? –
Para a minha desgraça ser maior, Dorinha acorda.
Por mim, eu continuaria me perdendo nos seus lábios mesmo sendo
testemunhado por nossos amigos, assumindo a responsabilidade, mas Bianca
foge de mim, em segundos abre a porta do carro e desce desesperada.
Até temo que Bia caia ao sair por conta do meu automóvel ser bastante
alto, mas ela sobrevive e ainda abre a porta de trás.
— S-sim, tia. – Vou ao seu encontro, é óbvio que ela não vai conseguir
sustentar Dora e Zé. Os dois estão bêbados e sonolentos.
— E eu dormi tanto assim? – Carrego Dora para evitar que ela tente
andar se esquecendo do estado que está o seu pé.
— Eu não gosto de dar trabalho. – José protesta, Bia o ajuda e mesmo
ele estando bem melhor que Dora, ainda assim, precisa urgentemente de uma
ducha e cama.
— Não precisa esquentá a muringa*, Zé. Não é trabalho algum. – Bia
o consola, chegamos à porta de casa e minha pequenina abre a porta.
Logo depois, os ajudamos a chegar pelo menos no quarto, onde Dora
logo se deita, Zé nos diz que dá conta do recado, praticamente nos expulsa,
então caminhamos para fora e finalmente chega a hora de voltar a ficar a sós
com Bianca.

*Esquentá a Muringa = preocupar-se.

Contudo, assim que fechamos a porta do quarto do casal, meu celular


recebe uma ligação. Por causa do horário, penso que pode ser algum assunto
urgente, então trato de olhar para saber quem pode ser e para o meu
descontentamento, dou de cara com o nome Vânia.
O que ela quer?
Desligo a chamada de imediato, mas então vejo que existem várias
mensagens no WhatsApp, olho rapidamente para ficar tranquilo pois pode ser
alguma pendência do programa. Mas não é.

“Onde você está?


Tenho pelo menos duas horas te esperando aqui no
seu quarto. Estou do jeito que você gosta.”

Que porra é essa?


Vejo que ela está digitando.

“Pela vista da janela, vi que você entrou na casa dos


seus empregados, acho que vou atrás de você.”

Isso definitivamente não pode acontecer, Bianca não vai entender porra
alguma, principalmente depois que afirmei no restaurante que não tenho nada
com Vânia. Eu preciso resolver este problema.
— Bia. – A encosto na parede. — Não esqueça que amanhã temos um
encontro e não marque nenhum compromisso para depois, minha tarde e
noite serão toda sua. – Os olhos de Bianca brilham em tanta expectativa e o
seu sorriso, que evidencia os seus lábios, me chama para muito mais, então
eu os toco, ansioso para a sentir novamente, contudo estou ciente de que um
beijo apenas não é suficiente. — Quando eu te beijar novamente eu não vou
querer parar e agora eu teria pois preciso resolver um problema que eu espero
que desta vez seja de forma definitiva. – Eu nem faço ideia do porquê Vânia
ter feito tal surpresa desgraçada.
— Eu concordo. – Fica na ponta dos pés me provocando. — Meu
corpo está em chamas, Gustavo. – Cora por confessar o quanto me deseja. —
E eu também não vou querer parar. – Bianca dificulta a minha saída.
— Biaaaaa. – Dora, que já deveria estar dormindo, faz a moça linda e
gostosa que está nos meus braços se divertir por causa da entonação da sua
voz de bêbada.
— Até amanhã, Gustavo. – Beija o meu rosto posicionando os lábios
próximos a minha boca enquanto apoia a sua mão no meu abdômen que
lentamente acaricia, achando que eu não noto o quanto se aproveita.
Eu gosto, muito.
Chega a ser insuportável.
Necessito da sua mão em outras partes do meu corpo.
— Até. – Sussurro no seu ouvido e dou um beijo no seu pescoço para
sentir ainda mais o seu cheiro, um pouco da sua pele e de pau duro, despeço-
me necessitando urgentemente entender a Srta. Lopez.
Capítulo 7

Assim que adentro o meu quarto, deparo-me com Vânia usando


apenas um roupão atoalhado, segurando uma taça de vinho, sentada no sofá
com uma expressão de poucos amigos que eu não consigo entender o motivo.
— Vânia, eu não te esperava aqui. – Ela termina de beber o vinho,
recolhe algum pequeno objeto ao seu lado e vem em minha direção.
— Quem é a dona deste brinco desgraçado de pobre? Acabo de o
encontrar em cima do criado-mudo. – O seu tom de voz não me agrada,
muito menos a cobrança, então recolho o pequeno acessório e observo por
alguns segundos, o suficiente para me lembrar a forma que conheci Bianca,
ela provavelmente o estava procurando. — De quem é, Gustavo? – Caminho
até a janela de onde posso avistar a casa da Dora, talvez com um pouco de
esperança em ver Bianca.
— Eu não te devo satisfação. – Volto o meu olhar para Vânia. — Nem
era para você estar aqui sem sequer me comunicar. – Guardo o brinco em
meu bolso. — Eu gosto muito de você e em hipótese alguma vamos manter
uma relação que não tem futuro e que te magoa. – Os seus olhos ficam
marejados e parecendo cansada, senta-se na cama.
— E-eu sei que já conversamos sobre isso, mas eu senti sua falta e
pensei que posso renunciar o meu padrão e me adequar ao seu. – Caminho até
a cama e mantendo uma certa distância sento-me, para que não haja uma má
interpretação por conta dos meus gestos.
— Não existe mais a possibilidade. – Temo magoá-la mais ainda, mas
a mentira com certeza seria muito pior.
— Você com certeza já tem outra, nunca negaria uma noite de sexo. –
Disso ela tem razão, mas...
“Não quero fugir de você, Sr. Ávila...”

As palavras de Bianca afirmando para mim o quanto estamos na


mesma sintonia vem à tona em minha memória e eu começo a pensar que
vale a pena esperar mais um pouco para ter quem tanto eu desejo. A verdade
é que nenhuma outra mulher virou o meu mundo de cabeça para baixo de tal
maneira.
— Eu realmente conheci uma pessoa. – Se eu estivesse no lugar da
Vânia, também ia querer ouvir a verdade.
— Ah meu Deus! – Coloca a mão na boca como se quisesse conter um
grito. — É coisa séria? – Me faz pensar em Bianca.
Por que ela é tão maternal? Se não fosse seria tão fácil me aposentar da
vida que levo. O problema é que realmente não tenho tempo para uma criança
e jamais aceitaria ser como o meu pai.
— Van, se um dia eu tiver ao meu lado uma mulher que receberá o
meu nome, o mundo vai testemunhar, eu não a manterei em segredo, levarei
em todos os eventos e entrarei com ela pela porta da frente segurando a sua
mão. – Ela engole em seco. — Tenha certeza que se esta mulher que estou
conhecendo for a futura Sra. Ávila, você e todos ao meu redor saberão. –
Sentindo-me um pouco cansado, levanto-me e caminho até a porta do meu
quarto. — Por favor, se recolha em um aposento para hóspedes, preciso de
uma noite tranquila de sono, de manhã tenho muitos compromissos e a tarde
eu preciso estar bastante disposto. – É o que mais necessito.
Quero beijar Bianca de forma demorada, sentir o seu corpo junto ao
meu pelo máximo de tempo que eu puder, proporcionar muito prazer e tê-la
de todas as formas que eu já imaginei.
— Eu não acredito que você está me colocando para fora, Gustavo. –
Giro a maçaneta enquanto ela recolhe os seus pertences. — Logo eu que
estou a seu lado desde que você começou na TV. – Se aproxima de mim e o
seu olhar não é de tristeza e sim de muita raiva, então eu a seguro com
cuidado para não a machucar.
— Você quer ter um homem ao seu lado que nunca será o suficiente
para você? Vânia, você não deveria renunciar os seus sonhos e abdicar do seu
estilo de vida por nenhum homem, priorize a sua felicidade. – Porra, será que
é difícil de entender? Ou pensar de forma mais racional?
Enfim, sem me responder e chateada ao extremo, passa por mim como
se fosse um vulto
Quando finalmente estou a sós, ainda com o pensamento na mulher de
um metro e meio, com o celular em mão, antes mesmo de tomar uma ducha,
abro o aplicativo do WhatsApp e envio a foto do seu acessório.

“Por causa deste brinco que você estava toda


empinada no meu quarto?
Devo agradecer a este pequeno objeto
por ter tido tão bela visão?
PS- Como estão Dora e José? ”

Bianca Lima

Divirto-me ao ler a sua mensagem e fico extremamente grata ao


pequeno brinco que até já havia esquecido.

“Deve sim.
Até eu estou agradecida.
Confesso, eu adorei aquele tapa, apesar da minha
reação...
PS- Como foi que eu não
te assustei com a minha personalidade forte?
Você já sabe que eu sei ser uma fera quando se faz
necessário.
PS2- Zé e a dinda estão bem.
Acho que já dormem.
PS3- Resolveu o problema?”

Envio a resposta, deito-me na cama e abraço um travesseiro, enquanto


aguardo o caminhar da nossa conversa.
“Eu gosto de mulheres que impõem limite,
tem que ser assim.
Isso não me assusta, pelo contrário.
Me deixa ainda mais excitado.
PS - Sobre o problema...
Acredito que está tudo certo agora.
PS2 - Eu não esperava que você ainda
estivesse acordada, já tem uma hora que
chegamos.
PS3- Acabo de tomar banho... E você?”

Será que ele não imagina o motivo dos meus olhos não pregarem?

“Gustavo, meu corpo ainda está acesso,


não sei se você me entende.
Ele ainda está dançando aquele arrocha...
Mas precisamente a dança que aconteceu no carro.
Entretanto, agora que tomei uma ducha
e estou aqui já um pouco mais relaxada,
deitada na cama, o sono deve chegar em algum
momento.”

Ou não...
Falando com Gustavo eu só consigo pensar em muito mais do que
tivemos.
Ah, como foi dolorido ter que parar e me conter, é certo que se tia Dora
não acordasse, ele teria me tocado lá e eu ia gozar em sua mão. Só não sei se
saberia ficar em silêncio.

“Você precisa relaxar.


Conheço uma maneira ótima.
Mas como eu não estou aí,
você pode se virar sozinha.”

Meu olhar provavelmente dobra de tamanho.


Meu Deus!

“Gustavooo....”

Ele digita rápido.

“É esse nome mesmo que você vai chamar...


Várias vezes.”

Meu Senhor Jesus!

“Convencido...”

Eu ainda me surpreendo com tanta sinceridade.

“Não sou, juro.


Mas eu sei que estamos
compartilhando do mesmo desejo.
Você está pronta para me dar.
Estou enganado?
Agora me diz, com que roupa você está?
Mas não me responde por mensagem,
atende a minha ligação.”

Eu sequer ganho um minuto para pensar e ele me liga. E agora?


— Oi...
— Oi... Me diz agora, Bianca. – Meu coração acelera por três motivos.
Primeiro por ouvir a sua voz...
Segundo, estamos prestes a fazer sexo por telefone.
Terceiro, por ter que jogar um pouco, me fazer de difícil. Pois eu já
percebi que Gustavo gosta de achar que eu não sou tão alcançável.
Para ele, é um afrodisíaco tentar conseguir algo comigo. Um fetiche, já
que com outras ele beija e trepa na mesma hora.
Bem, jogar é uma alternativa que me agrada muito. Como eu li no site
da vó K, o doce tem que ser dado de forma homeopática, para ir viciando sem
enjoar.
— Agora eu estou deitada, vestindo uma blusa branca bem confortável
e calcinha de cor rosa. – Ouço sua respiração e dá para sentir que ele gostou.
— Algo bem casual, nada sexy.
— Que delícia, Bianca. Eu gosto desta sua versão e sobre a sua
calcinha, me fez lembrar a que você estava usando quando nos conhecemos.
– É, ele é bem detalhista e tem uma ótima memória. — Bia, me imagina
estando aí, acariciando o seu corpo como fiz no carro, beijando os seus
lábios, matando o seu desejo, deslizando as minhas mãos por suas coxas. – A
temperatura do quarto sobe.
— Sr. Ávila, você é um pervertido. Eu não vou imaginar nada. – Na
verdade eu já imagino além, por conta disso até acaricio o meu seio e aperto
um pouco lembrando-me da sua pegada.
— Eu sou um pervertido sim e só para você saber, estou nu. Gosto de
dormir assim. – Fecho os olhos tentando imaginar um pouco mais do que eu
já vi e de como Gustavo é, enquanto deslizo a minha mão entre as minhas
coxas para em seguida acariciar toda minha região que, mesmo por cima da
calcinha, consigo sentir a umidade.
Eu nem acredito que cheguei a esse ponto, logo eu, que tentei ser
recatada e não ser mais uma quenga em sua cama.
Uma grande mentira.
Além de não me esforçar para ser forte o suficiente e escapar, é o que
mais quero no momento. Parece que todo meu fogo que porventura estava
desmaiado, acordou a todo vapor.
— Acho que eu não precisava saber de tal detalhe. – Continuo a
estimular meu clitóris, tentando manter a respiração normal.
— Precisava sim, agora afasta a calcinha, Bianca e imagina meu pau
roçando na sua boceta todinha...
— Gustavo... – O interrompo.
— Está molhadinha? – Acaricio entre os grandes e pequenos lábios
sentindo a minha lubrificação. Nunca sequer fiquei excitada de tal forma.
— Eu não estou fazendo sexo por telefone, pode até parar de tentar me
seduzir. – Minha respiração vai ficando ainda mais forte.
— Mente, eu gosto. – Afasto um pouco o celular de perto da minha
boca e intensifico o movimento. — Bia? – Tento conter meus gemidos
enquanto ele sussurra um pouco ofegante e eu ouço que ele está batendo uma.
— Rebola para mim. – É justamente o que faço. —Eu vou gozar, quer ver?
– Não tenho condições de responder.
— Gustavooo. – Acabo colocando no meu gemido um tom de
repreensão enquanto impulsiono o meu quadril para frente me imaginando
dando para ele.
— Oi, gostosa. – Sua voz me estimula. — Minha pequenina saborosa
do rabo gostoso. – Meu Deus...
— Gustavooo. – A sensação vai aumentando...
— Oi minha delícia. – Aumenta mais um pouco...
Fico prestes a gritar o seu nome e...
Encerro a ligação na mesma hora enquanto chamo o seu nome por mais
algumas vezes, até fecho os olhos o imaginando me fazendo dele e sinto
minha entrada pulsando nos meus dedos no momento que ele retorna à
ligação.
Demoro um pouco para atender pois tenho certeza que ainda não
consigo falar dada a intensidade do orgasmo.
— Oi. – A minha voz me entrega muito, com certeza.
— Me conta, relaxou? – A respiração ainda está normalizando, a razão
volta para o meu cérebro e eu começo a sentir aquele um por cento de
vergonha pelo o que acabo de fazer.
— Apenas cochilei e sem querer acabei derrubando o celular, só isso. –
Ouço a sua risada, aquela típica de quem está ouvindo uma mentira
deslavada. Mas ele gosta.
— Eu gozei gostoso ouvindo você falar o meu nome tantas vezes,
lembrando da nossa dança, dos seus lábios chupando aos meus, da maciez
da sua pele quando se abriu mais para mim e eu estou ainda mais ansioso
por amanhã. – Um sorriso bobo toma conta dos meus lábios, sem falar na
vaidade que acomete até a minha alma.
O lindo, gostoso e disputado Gustavo Ávila caidinho por mim, mesmo
que seja para algo apenas voltado para o prazer, é uma delícia. Minha
autoestima está renovada pela eternidade, pois antes eu sequer me imaginei
ao lado de um homem desses, diferenciado, que exala masculinidade a ponto
de enlouquecer meio mundo de mulheres.
— Só promete que sobre amanhã, apenas me beijará depois da nossa
pequena reunião, o que eu tenho para te mostrar é um assunto muito sério e
requer demais da sua atenção. – Fica um pouco em silêncio ao ouvir meu
pedido.
— Vai ser difícil. – Não só para ele. — Contudo, eu prometo e até
concordo, pois tenha a certeza que depois que eu te beijar eu não vou
conseguir parar até nos saciar. – Eu sei bem o que significa não parar.
Para Gustavo, algo rotineiro, enquanto para mim, uma novidade que eu
até deveria estar com medo, talvez eu fique no momento, entretanto, até
então, eu anseio por esta ocasião de romance proibido que só conheci nos
livros.
— Eu compartilho do mesmo desejo. – Olho rapidamente para o
relógio no celular, me assusto, pois metade da noite se foi, eu preciso acordar
cedo para fazer as coisas em casa, concluir o planejamento e sendo assim...
— Mas para estarmos bastante dispostos amanhã, nós precisamos dormir.
— Por favor, durma bastante, Bia. – Contenho uma risada ao ouvir o
seu conselho cheio de segundas intenções.
— Você também, beijos. – Ah como eu queria que pelo menos agora
eles fossem reais.
Até porque, um único beijo já me viciou...
— Beijos.
***

E o dia amanhece tão lindo, mesmo que eu ainda esteja precisando


dormir por pelo menos umas três horas. Contudo, os afazeres rotineiros, o
planejamento escolar que necessita de mais uma revisão, um banho especial
que envolve alguns reparos e hidratação capilar não podem esperar e por
conta disso, logo me levanto.
Por Zé e a dinda ainda estarem dormindo, com um sorriso persistente
nos lábios que refletem as lembranças da noite anterior, preparo uma rápida
refeição matutina e enquanto aguardo que fique pronta, arrumo a cozinha.
Em seguida, me farto com uma generosa porção do delicioso cuscuz
com ovos mexidos e uma xícara de café de alta qualidade.
Logo mais, durante o tempo que as torradas que a tia ama ainda estão
no forno, ajeito a sala rapidinho e quando volto para cozinha, faço um suco
de laranja natural, sem adição de açúcar ou água, do jeitinho que todos nesta
casa gostam.
Quando os dois acordam, percebo que ainda sentem os efeitos que todo
licor tomado na noite anterior traz, mesmo assim vão se alimentar em busca
de uma melhora e eu sigo para o banheiro social para o lavar.
Depois de lavar o banheiro, passo uma hidratação nos meus cabelos,
com eles presos em um coque, um saco plástico na cabeça os envolvendo e
abafando para que o creme capilar faça efeito, vou para o meu quarto e em
silêncio, leio e releio o planejamento feito.
Como sou perfeccionista, acrescento alguns itens que julgo serem
essenciais e ao concluir, sigo para tomar uma ducha, onde darei uma atenção
especial ao meu corpo, do Oiapoque ao Chuí sem esquecer nem um
pedacinho sequer, pois se o nível de combustão for ao menos como ontem
enquanto nos beijamos, já era Bianca pois não tenho psicológico para
aguentar tal pressão.
— Eita, eita, eita, Bia. Para onde você vai assim que está se arrumando
toda? – Tia nem disfarça ao me ver saindo do banho e eu sei que preciso
contar pelo menos parte dos meus planos para o dia.
— Vou encontrar Gustavo. – Os seus olhos praticamente dobram de
tamanho. — Para pedir um emprego. – Agora eles se estreitam e eu sei bem o
motivo. Minha tia não quer que eu trabalhe fora da minha área e nem eu,
apesar de estar disposta, caso se faça necessário. — Ontem descobri que tem
uma escola aqui na Ávila, fiz algumas anotações de uma ideia que surgiu e a
noite enquanto dançava com Gustavo, marquei um encontro, pois percebi que
preciso conversar com o patrãozinho. – Minha dinda parece gostar do que
digo. — Se ele me aceitar como nova funcionária será uma bênção, também
vou verificar se ele tem uma casa de funcionário ainda disponível para mim,
pois eu...
— Por que, Bianca? – Ela me interrompe. — Não está gostando de
morar comigo e Zé? – Ai meu Deus, tia nem me deixa falar.
— Tia, a senhora é casada, tem toda uma rotina e eu odeio estar
atrapalhando. – Ela fica toda corada. — Ué, Zé pode querer ter algumas
intimidades na sala, cozinha e eu aqui atrapalhando. – Dinda abre bem os
olhos.
— Bianca. – Me repreende, mas em um tom de brincadeira. — Meu
José é bastante viril, mas já estamos em uma idade que na cama é mais
gostoso e evita alguns traumas no corpo. – Agora sou eu que fico sem rumo
de tanta vergonha. — O chão da cozinha me deixou marcas terríveis e meus
joelhos roxos.
— Dinda. – É a minha vez de colocar um freio na conversa. Com
certeza não quero saber de tantos detalhes.
— Ué, você sabe do que estou falando, já teve namorado que eu sei. –
Eu realmente tenho que ter esta conversa, justamente agora? Quando estou
prestes a encontrar Gustavo e posso mudar esta situação? — Ana me disse
que você é virgem, é verdade? – Confirmo com gestos e explico rapidamente
que não tinha me sentido muito a vontade com os ex-namorados que não
duraram nem um mês com cada um. — Juro que achei que você estava
escondendo dela a verdade, por sentir alguma vergonha, o que não deveria. –
Me olha por alguns segundos. — Tu não puxou a minha irmã mesmo. – Falar
sobre minha mãe sempre é muito bom. Então, mesmo sabendo que logo
depois terei que correr para não me atrasar para o encontro, me aproximo um
pouco mais e sento-me para ouvir a história.
Pela primeira vez, de uma maneira mais aberta, dinda me conta o
quanto minha mãe era namoradeira, praticamente sem juízo e filtro.
— Deve ser por isso que nem ela sabia quem era o meu pai. – Dou de
ombros e minha tia confirma.
— Ela vivia intensamente. – Gargalha e por um momento o seu olhar
parece distante, como se estivesse vendo Maria Julia, a minha mãe. —
Beijava quem queria e estivesse ao alcance, não se conformava com pouco
prazer, há anos que o povo era mais preconceituoso, a comparavam com um
homem, de tanto que se atracou nesse mundão a fora, até que engravidou e só
assim sossegou. O universo da MaJu se transformou e para ela só existia
você. – Meus olhos ficam até marejados. — Sabe minha princesa, minha
irmã, apesar de levar uma vida tão doidinha, era um amor, a luz da nossa
família e quando você nasceu, ela se completou. – Tia seca uma lágrima que
molha o seu rosto. — Mas nem assim virou santa. – Eu imagino e até me
divirto pela maneira que a dinda fala. — MaJu era demais, não podia ver um
homem bonito que olhava. – Acho que acabo de encontrar ao menos uma
semelhança enorme com minha mãe. — Até que ela conheceu o desgraçado
que acabou se casando e você já sabe o que aconteceu. – Ela perdeu a vida
por conta de ter se juntado com um homem que tinha ciúme do seu passado e
não acreditava que ela era capaz de ser fiel.
Só que a lembrança que tive ontem à noite não parecia ser bem isso.
— Sei sim. – Levanto-me e olho em direção ao quarto. – É muito bom
conversar sobre minha mãe, tia. Mas agora eu preciso me arrumar. Estou com
fé que vai dar tudo certo e eu vou conseguir um emprego.
E não apenas isso, eu quero muito mais daquele pedaço de bom
caminho.
— Pois vá logo se arrumar, Ávila não dispõe de muito tempo e se te
chamou para este almoço onde irá te ouvir, provavelmente só reservou essa
horinha para você, estarei aqui na torcida, minha menina. – Tia Dora as vezes
é tão inocente.
***

Mais confiante do que nunca, termino de me arrumar, recolho o meu


caderno aonde anotei o planejamento e após me despedir da dinda e Zé, que
ainda sofre com a ressaca, sigo para ver Gustavo. Espero que ele seja pontual,
pois eu não saberei aonde o esperar e ficar confortável naquela mansão
sozinha.

Gustavo Ávila

Após uma manhã visitando a Ala Norte da fazenda, observando de


perto os meus funcionários e conversando com muitos deles para saber como
estão, volto para casa sentindo uma ansiedade que me faz lembrar a
adolescência.
Depois de uma ducha, visto uma calça flanelada, camisa de malha
típica de quem quer passar uma tarde bem aconchegado em uma prenda e
após me perfumar, caminho até a cozinha para verificar se o almoço está
pronto. Entretanto, sem me preocupar, pois logo cedo conversei com minha
cozinheira, avisei que teria uma visita e pedi que ela caprichasse colocando
no prato escolhido o sabor da Ávila. Bem caseiro.
— Já está com fome, meu filho? – Nita coloca a mão na cintura
enquanto que com a outra, segura uma colher.
— Para ser sincero, estou aqui apenas para ver o caminhar do almoço,
por causa da visita que vou receber, a Bianca. – Ela se aproxima parecendo
que quer até fazer uma fofoca.
— Ah, eu estava curiosa para saber quem seria a sua convidada, ela é a
sobrinha da Dora que você levou para jantar ontem? – As fofocas já
ultrapassaram todas as fronteiras da Ávila e do mundo com certeza.
— Sim, ela mesma. – Empolgada, pede para as suas ajudantes
terminarem de colocar a mesa e volta a cuidar da sobremesa.
— Ela é linda. – Me dá uma piscadela. — E eu vi um vídeo de vocês
dois arrochando em um Instagram de fofoca. – Gargalha e volta a se
aproximar. — Você até que enrola bem, mas a mocinha sabe balançar a
rabeta, rebolou de um jeito que eu diria que ela estava gostando do arrocha e
você também estava, sua cara de safado não negou, na minha época uma
dança daquela seria proibida, é quase uma preliminar. – Eu preciso
concordar, ter Bianca se esfregando em mim não foi fácil e me deixou com o
pau duro, a sorte é que a sua própria aproximação encobria.
— Eu nem sei como Dora e Zé permitiram. – Se ela soubesse como os
dois beberam, talvez entenderia. — Mas o que mais me impressionou, foi
quando você a defendeu daquele moço que chegou fazendo um barraco,
Gustavo você fica lindo todo protetor, meu filho. – Filmaram tudo, eu sei.
— Eu jamais poderia deixar aquele rapaz gritando com Bianca. –
Enquanto Nita romantiza a minha frase, fico a pensar na minha assessoria. É
um milagre eu ainda não ter recebido uma ligação, pois a direção não gosta
que eu me envolva em polêmicas. Bem, talvez a cúpula tenha achado que o
meu ato foi heroico.
— Mas me conte, não rolou nada? – Não consigo conter uma risada.
— José me fez prometer que não terei nada com sua linda protegida. –
Coloca a mão na boca contendo uma gargalhada.
— Eu sei que você é um homem de palavra, mas em relação a aquela
moça eu acho que está complicado, não é? – E como. — Me conte, Zé
acreditou na sua promessa? – Confirmo com gestos e decido conversar um
pouco com quem tanto confio.
— Ontem nos beijamos quando chegamos aqui na fazenda e foi
insuportável ficar apenas no beijo. – Os olhos de Nita dobram de tamanho. —
Bianca me atrai, de forma que eu nem sei explicar o quanto e este sentimento
é compartilhado por nós dois, é fato que hoje nosso contato mais íntimo
acontece. – Chega a se sentar ao ouvir o meu relato.
— Eita, como vocês vão esconder todo esse fogo? – Levanto-me e vou
para o seu lado.
— Vamos nos conhecer melhor, por hora decidimos não contar para
ninguém, sem falar que somos adultos e tudo o que acontecer será de comum
acordo. – Ela parece aceitar bem o meu argumento. — Vou precisar da sua
ajuda, Nita. – Fica bastante curiosa. — Caso José ou Dora perguntem algo
para ti hoje à tarde, se aparecerem, diga que fomos passear, tudo bem? – Fico
aguardando a sua resposta enquanto ela parece ficar me analisando.
— Vai magoar a moça? – Nego com gestos. — Ela está ciente que
entre vocês dois poderá apenas ser algo passageiro? – Confirmo com um leve
balançar positivo de cabeça.
— Com pouca conversa que tivemos, percebi que a Bianca sonha com
algumas coisas que eu não sei se seria apto para realizar, então, por hora,
seremos apenas amantes. – Nita se mostra um tanto quanto desapontada e
revira os olhos.
— Caramba, Gustavo. E eu aqui achando que finalmente tu ias
aquietar o facho, monopolizar as partes. – Muito cedo para saber.
— Ainda não posso afirmar nada do tipo, mas tenha certeza que
quando eu for fisgado, você logo ficará ciente da minha escolha, eu nunca
que vou esconder uma prenda que eu amar. – Coloca as mãos para cima
agradecendo aos céus enquanto balbucia um “Amém” e conclui a arrumação
da sobremesa que de forma breve guarda na geladeira.
— Sr. Ávila. – Somos interrompidos por uma das garotas que ajudam a
manter a casa em ordem. — A Srta. Bianca acaba de chegar, para aonde devo
a encaminhar? – Agradeço a informação e aviso que eu mesmo irei ao seu
encontro.
Capítulo 8

Ao chegar no rol de entrada da minha casa, mais precisamente


próximo da escada, a vejo de costas, ajeitando os cabelos que o vento forte
bagunçou, concentrada olhando um dos quadros que foi pintado por minha
mãe e o seu encantamento chega a ser palpável, mas não mais do que o meu.
Paro por alguns segundo a admirando, o jeito que seus cabelos caem
nas suas costas, o corpo desenhado na malha do vestido longo de cor clara, a
cintura ganhando destaque por causa do seu quadril largo, a calcinha que,
pela pequena marca que mostra, parecer ser muito menor do que a primeira
que a vi vestida e o perfume gostoso de mulher que me atrai.
— Você vestida assim ficou muito difícil adiar os meus desejos para
depois do nosso almoço. – Bianca se vira ao me ouvir e eu não disfarço o
olhar e a devoro por completo.
O tecido da sua roupa funciona quase como uma segunda pele do seu
corpo, não sobra muito para imaginação e eu gosto, pelo menos enquanto
estamos aqui, a sós. Contudo, na rua, deveria ser proibido.
Ao olhar para o seu rosto, noto que parece ainda mais iluminado, seus
lábios rosados como na noite anterior me chamam cada vez mais, entretanto,
não é difícil desviar o olhar um pouco mais para baixo e apreciar os seus
seios marcados no vestido. O sutiã provavelmente é de um tecido fino.
Conto os segundos para descobrir cada detalhe do seu corpo.
— Você também dificulta a minha vida. – Me aproximo e envolvo a
sua cintura, logo depois devoro os seus lábios que mais uma vez se encaixam
perfeitamente com os meus e me deixa em um estado de quase combustão.
Puta merda. O beijo de Bianca é uma delícia, uma amostra do quanto ela deve
ser deliciosa. — Por favor, aguente. – Sorri lindamente quando nos afastamos
para respirar. — A proposta que eu tenho para te apresentar é muito
importante para você. – Balança um caderno chamando a minha atenção,
provavelmente deve ser aonde as suas anotações devem estar. — Para muitos
dos seus funcionários e para mim. – Detém ainda mais a minha atenção, o
que será que Bia tem a me propor? — Eu não posso me distrair tanto. – Me
olha sem pudor e com a mão livre acaricia o meu peitoral. — Mais do que já
estou. – Eu a entendo, estamos na mesma sintonia.
Então, em busca da respostas e inebriado, apenas lhe ofereço a mão.
— Venha almoçar, quero descobrir o que você tem a me dizer, pois em
no máximo uma hora vamos nos deliciar da sobremesa em meu quarto. – A
respiração de Bia parece que vai fazer os seus seios ultrapassarem o decote e
o seu rosto fica um pouco corado. Diria que está até um pouco tímida e eu
ainda nem sussurrei o que quero fazer pertinho do seu ouvido. — E mais
tarde, você vai me contar o que houve ontem à noite, eu não me esqueci
quando tu perdeu a cor na hora que Isaias apareceu. – Ela confirma e de mãos
dadas caminhamos até a sala de jantar. Como pedido anteriormente aos
funcionários, ficamos a sós e entre uma garfada e outra nos deliciosos pratos
caipiras, começamos a conversar.
— Gustavo, um dia depois de ter chegado aqui na fazenda, fui até a
cidade em busca de emprego na minha área, contudo, em nenhuma escola da
região tem vaga para professora. – Gosto de conhecê-la um pouco mais, saber
que tem uma formação.
— A educação foi deixada de lado pelo governo, algumas escolas
fecharam, o povo sofre com isso tudo, mas infelizmente apoiaram políticos
errados que só pensam neles. – Ela bebe um pouco de suco enquanto presta
atenção em minhas palavras.
— Justamente, e por esse motivo pensei em procurar trabalho na
cidade vizinha, mas minha tia não acha bom, por conta da estrada que é um
tanto quanto conturbada. – Demais, alto índice de acidentes.
— Eu concordo com sua tia, você não precisa se arriscar desta forma. –
Sua mão toca a minha e de leve, acaricia um pouco, porém logo se afasta,
parece ter receio de ter avançado demais.
— Eu não nasci para ficar encostada na dinda, muito menos morando
aqui sem serventia, por isso, até pensei em morar na cidade grande. – Não
gosto de ouvir a possibilidade, eu não quero Bianca longe de mim. —
Contudo, na tarde de ontem eu descobri um jeito de trabalhar no que eu amo.
– Corto um pedaço do assado e me alimento enquanto ela prossegue. —
Lembra que eu te disse que conheci um pouco da Ávila? – Confirmo com
gestos. — Então, até fiz um bom passeio no ônibus que faz o transporte dos
funcionários, nele conheci homens que verdadeiramente te admiram e foi
assim que percebi que muitos deles são analfabetos. – Infelizmente ainda é
uma realidade existente no país.
— Estou gostando muito da sua linha de raciocínio, por favor,
prossiga, Bianca. – Fico surpreso mais uma vez por ver o quanto somos
parecidos. Bia se importa com as pessoas.
— Quando eles chegam no ponto, não dizem o nome da ala e sim a cor
da placa, então eu pensei, será que o Sr. Ávila não apoiaria uma professora
cheia de sonhos a alfabetizar os seus funcionários? – Repousa as duas mãos
na mesa, esquecendo de se alimentar. — Creche escola você já tem, o espaço
fica ocupado até as dezoito horas, então eu pensei, em dar aula lá, claro que
será tudo custeado por ti. Inclusive o meu salário. – Dá de ombros de um jeito
divertido. — O que acha? – Volta a comer, com certeza tentando disfarçar a
ansiedade para ouvir minha resposta e eu gosto disso, pois pelo menos por
agora está se alimentando.
— Primeiro vamos terminar de almoçar e depois te dou a resposta. –
Revira os olhos. Ainda assim, aceita os meus termos. Aproveitando que já
terminei, leio todo planejamento, observo que ela é detalhista pois incluiu
todo material escolar, de higiene para limpeza diária do ambiente, fez
também um calendário com datas prováveis para eventos educativos,
quantidade de funcionários que precisará no centro de ensino, descrição do
método de ensino Paulo Freire, que será usado para que meus funcionários
tenham um melhor rendimento. — Este método de ensino é aquele que utiliza
as palavras geradoras para que os alunos tenham mais facilidade? – Confirma
animada.
— Sim, é muito melhor usar as palavras que eles estão acostumados
para que aprendam a língua portuguesa. – Seus olhos brilham de tanta
animação. — Para facilitar o aprendizado, eu pensei em fazer alguns
joguinhos, com palavras como, Ávila, café, colheita, campo, cavalo, galinha,
eles já são familiarizados com elas. – Fica ainda mais linda por ser tão
inteligente.
Enquanto ela prossegue, conto sobre a escola que oferecia ensino para
adultos na cidade que foi fechada, em seguida, usando um lápis que estava
entre as páginas do caderno, começo a fazer algumas anotações pertinentes e
sem pedir autorização lapido a sua ideia inicial, até que ela termina de
almoçar.
—Agora sim podemos conversar, prenda linda. – Sorrindo com os
olhos, bebe todo o suco.
— Por favor, não me deixe ainda mais ansiosa. – Toca novamente em
minha mão e dessa vez eu que a acaricio e seguro.
— Fiz umas melhorias na sua proposta, para não comprometer o
ambiente existente que é completamente voltado para as crianças. –
Expressiva, abre bem os olhos. — Eu proponho construir uma escola de
alfabetização próxima da creche, contendo algumas salas, pois futuramente
podemos usar outras para quem sabe um pré-vestibular, curso de inglês,
também precisaremos de sanitários e área em comum para futuras atividades.
– Bianca fica com os olhos marejados. — É claro que eu aceito a sua
proposta e estarei ao seu lado na realização deste lindo sonho. – Ela coloca a
mão na boca como se quisesse conter um grito. — Vamos precisar de um
tempo para legalizar e construir a escola, mas isso eu consigo bem rápido. –
Dou uma piscadela para ela. — E você também será muito bem remunerada,
de um jeito que toda professora deveria ser.
— Ah Gustavo. – Uma lágrima molha o seu rosto, mas eu sei que é de
alegria. — Obrigada. – Com cuidado seco sua bochecha e Bia chega a fechar
os olhos sentindo o meu toque. — Seria demais pedir uma casinha para eu
morar? Daquelas que você disponibiliza para os seus funcionários? – Me
surpreende com o pedido.
— Você está morando com Dora e Zé, não está feliz assim? – Eu não
entendo a sua necessidade.
— Está maravilhoso e sim, eu fico muito feliz, mas não é minha casa. –
Olha um pouco para baixo parecendo tímida. — Tia tem os costumes dela, há
pouco tempo casou com Zé e eu estou lá atrapalhando. – Eu a entendo, mas
não quero Bianca morando longe.
— Bia, você não atrapalha os seus tios com certeza, mas verei o que
posso fazer para te deixar ainda mais feliz. – É a resposta mais rápida que
consigo para ganhar tempo para pensar sobre a questão. Jamais a colocarei a
quilômetros de distância, rodeada por pessoas que ela não conhece.
— Jura que vai? – Confirmo, ela se levanta toda animada e como
minha cadeira está um pouco afastada da mesa, senta-se em meu colo e me
abraça, pegando-me de surpresa.
— Obrigada, de verdade. – Eu já tinha passado por todo tipo de
tentação ao tê-la perto em outras ocasiões, mas Bianca sentada no meu colo, é
insuportável, e meu pau que com certeza ela sente bem, pulsa de tanto desejo.
Envoltos no mesmo desejo, deslizo a minha mão do alto do seu quadril
até a sua nuca arrancando gemidos, minha outra mão acaricia a sua coxa
através da abertura lateral da sua roupa e quando a imobilizo segurando seus
cabelos e estou prestes a beijá-la, a porta da sala de jantar é aberta, de forma
violenta chamando a nossa atenção. Bianca só não se levanta por eu a
segurar.
— Desculpa interromper. – Vânia, pessoa que eu tinha certeza que já
havia ido embora, aparece para atrapalhar o nosso momento.
— O que você quer, Vânia? – Bianca tenta levantar, mas eu a seguro.
— Na verdade, o que ainda faz por aqui? – Ela se aproxima e olha para
Bianca de cima a baixo. Com certeza nota a minha mão que a envolve.
— Esta é mulher que você saiu ontem à noite, não é? Eu vi a merda do
vídeo e ela provavelmente é a dona daquele brinco vagabundo. Estou
enganada? – Ao ouvir o questionamento, Bia sente tanta raiva que consegue
se desvencilhar dos meus braços.
— Sou e o que você tem a ver com isso e com o preço do meu
acessório? – Coloca a mão na cintura.
Ela é esquentada como eu gosto.
— Nada, querida. – Vânia volta a olhar para mim e eu me aproximo de
Bianca. — Gu, você pode por favor abrir o seu quarto? Eu esqueci a minha
calcinha ontem à noite por lá. – Bianca me olha estreitando os olhos,
demonstra o quanto está chateada, e volta a atenção para Vânia.
— Piranha sem sal e açúcar dos infernos, sai da minha frente. – Me
olha quase que soltando fumaça entre as narinas. — Eu disse para você que
eu não seria mais uma quenga em sua cama e não vou, esqueça o que
aconteceu entre nós. – Se mostra valente, mas eu sei que está magoada.
Muito.
— Bianca, não é o que você está pensando. – Volta a olhar para mim e
os seus olhos ficam marejados, mas dessa vez não é por estar emocionada
positivamente.
— Boa tarde, Gustavo. – Eu a seguro.
— Deixe-me te explicar. – Toca em meu peitoral me limitando.
— Ela esteve no seu quarto ontem à noite? – Vânia gargalha.
— É claro que sim, fiquei esperando-o chegar da rua, para uma
surpresa. – Bianca volta a se desvencilhar enquanto fulmino Vânia. Por que
diabo ela está fazendo uma desgraça dessa?
— Vânia esteve aqui ontem à noite sim, Bia. Mas você lembra que,
quando trocamos mensagens eu te contei que resolvi um problema? Eu não
tive nada com ela. – Por um instante parece ficar bastante pensativa e acaricia
a testa.
— Lembro sim, e agora, em que me recordo o quanto você é sincero
comigo, eu acredito em você. – Sua voz já soa um pouco mais tranquila. —
Me desculpa por te gritar, eu fiquei com muito... – Pausa a fala e cora, mas
não o suficiente para encobrir o ciúme. Se fosse ao contrário também não
ficaria confortável. — Bem, mas aparentemente você ainda não resolveu o
problema, né? – Olha para Vânia. — E a prova, é que ela está aqui. –
Caminha até a saída da sala. — Depois conversamos, Gustavo. – Insisto em a
manter ao meu lado e Bianca chega a respirar fundo. — Por favor, dê-me
espaço, está tudo bem. – Olha para Vânia e a ignora. — Vou para a casa da
minha dinda, porque preciso que, no momento que eu voltar a te ver, as
coisas entre nós fiquem melhor do que já estavam e eu sei que você vai
resolver as suas pendências de dois metros de altura. – E se vai levando com
ela toda minha esperança de ter uma tarde ao seu lado.
Mas não a tiro da sua razão, eu também não ia gostar de estar no clima
que rondava nós dois e sem prévio aviso ter que lidar com o meu passado.
Irado, sentindo-me traído por Vânia, pessoa que eu considerava uma
amiga e que julgava que era adulta para aceitar a minha decisão, caminho ao
seu encontro precisando urgentemente de uma resposta e a vejo provando um
pouco da salada, usando o meu prato, como se absolutamente nada tivesse
acontecido.
— Que desgraça foi essa que você fez? – Debochada, dá de ombros e
continua se alimentando. — Qual é o sentido de uma porra dessa? – Vânia
revira os olhos.
— Ela não é para você, vi o vídeo no Instagram e essa mulher é uma
baixa astral que ficou se esfregando em ti, está na cara que é uma golpista,
não tem classe e um dia ainda ouvirei de você um agradecimento por isso o
que fiz. – Eu não consigo acreditar no que ouço.
— Você não está apta a dizer o que é bom para a minha vida e muito
menos falar sobre Bianca, eu a proíbo. – Me olha, mas parece não acreditar
nas minhas palavras, a impressão que dá é que Vânia se sente segura ou acha
que eu sou apaixonado por ela e Bianca é um passa tempo.
— Por Deus, Gustavo. – Se levanta e vem em minha direção. — Não
exagere, se você realmente a quer comer e agora tem tara por mulheres
baixinhas e cheias de carne, mate o seu desejo, se lambuze, mas não precisa
investir tanto até chamando para almoçar. – Guardo cada palavra desgraçada
que ela me diz e com isso mostra a sua verdadeira face. — Mulheres como
esta garota, você tem que pegar no mato e não trazer para dentro da sua casa.
– É inacreditável o que ouço.
— De onde você tirou que é melhor ou mais especial que Bianca? –
Abre a boca para responder, mas eu a interrompo: — Saia agora da fazenda e
só volte quando tiver gravação, apenas neste momento será permitida a sua
presença por aqui. – Abre bem os olhos, finalmente percebe a gravidade do
que fez. — Eu não permito que você e nem outras pessoas decidam a minha
vida, nunca lhe dei tal espaço e não começarei agora. – Vânia perde a cor.
— Por favor Gustavo, não faça isso. – Clama desesperada. — Eu fiquei
com ciúme, por isso nem pensei no que estava dizendo. – Tarde demais.
— Vou para o gabinete agora, pedirei para um motorista te levar para a
pista de voo em meia hora e lembre-se, só volte no dia de gravação e vá
direto para o local onde temos nosso camarim. Nesta casa, você não entra
mais.
Deixo Vânia para trás e antes de ir para o meu escritório, busco meu
celular para fazer algumas ligações.
Já no gabinete, primeiro ligo para o piloto que está de plantão em
prévio aviso para solicitar os seus serviços.
Segundo, para o motorista que levará Vânia em poucos minutos até a
pista de voo.
E terceiro, após definitivamente solucionar o problema e ver minha
antiga amiga saindo da minha casa, ligo para Bia, porém após diversas
chamadas a ligação é direcionada para a caixa de mensagens.
Ela está chateada, assim como eu, a nossa tarde tinha tudo para ser
maravilhosa e a desgraça aconteceu. Sem falar que Vânia tentou humilhar
Bianca em minha residência e isso é inadmissível.
Do que adianta estar adornada com joias caras e ter uma porra de um
coração tão mesquinho? O ciúme descabido nunca será motivo suficiente
para tal ação.
Porra. Necessito encontrar Bianca e mais uma vez me desculpar por tal
situação, eu jamais poderia imaginar que Vânia ainda estava em minha casa,
que por ser tão enorme a escondeu tão bem.
Também não achei necessário, ao amanhecer, me certificar que ela já
tinha ido embora, Vânia nunca se demorou em minhas terras e até então eu
julgava que ela era uma mulher madura.
***

Depois de ligar para Bianca umas cinco vezes, resolvo dar um tempo,
pelo menos até o início da noite, meu prazo máximo para ir ao seu encontro
com uma desculpa qualquer, disposto a trazê-la para o meu quarto até mesmo
que carregada sob o olhar da Dora e José.
Contudo, como fico à tarde em casa, entro em contato com o setor
administrativo para informar que em meia hora estarei lá para analisar alguns
documentos que necessitam da minha atenção. Não posso perder o dia.
***

Ao sair do escritório quase no final da tarde, noto que o tempo está


mais frio, as nuvens um pouco mais carregadas e pela minha experiência, é
certo que a noite será chuvosa. O que é muito bom para a plantação, claro que
jamais em doses exageradas.
Bem, eu sempre tenho sorte por conta do clima da região, que até conta
com uma temperatura mais fria durante o inverno, contudo, não enfrentamos
chuvas torrenciais durante toda estação. Somente uma vez ou outra.
***

Já na frente da minha residência, ao estacionar, vejo José pela primeira


vez no dia, e com muito humor ao sair do carro, vou ao seu encontro, pronto
para zombar do seu estado da noite anterior e também para ter notícias da
Bianca que ainda não me atendeu, mas ao me aproximar, noto que ele está
bastante preocupado.
— Gustavo, você sabe por onde está Bianca? – Sua pergunta de
imediato me deixa alarmado. — Bia não aparece em casa desde depois do
almoço e eu jurava que ela estava contigo, conversando até agora sobre o
planejamento.
Puta merda!
— Bia me disse que estava indo para casa e isso foi por volta das
quatorze horas. – José parece pensativo.
— Não tenho como saber se ela foi, minha prenda e eu estávamos... –
Parece ponderar o que vai dizer. — Você sabe, e quando saímos do quarto há
poucos minutos depois de uma soneca, não a encontramos e ela está com o
celular, mas não atende e agora aparentemente o aparelho está desligado. –
Lembro-me perfeitamente bem da Bianca com seu vestido segunda pele, do
caderno em sua mão, mas ela não estava com o celular.
— Ela passou em casa, com certeza. – Zé me passa um olhar
interrogatório e eu prossigo: — No almoço ela não estava com o celular, eu
teria notado se estivesse.
Me preocupo instantaneamente pelo sumiço da Bianca, principalmente
por saber que eu não sou o motivo, ela é uma mulher equilibrada, não fugiria
da fazenda apenas por ver Vânia, é fato que ela se abalou, mas não o
suficiente para fazer alguma besteira.
Puta merda, o que pode ter acontecido?
Eu definitivamente não gosto quando alguém some na Ávila, a última
vez que aconteceu isso, os funcionários ficaram horas procurando por meu
pai e o encontraram sem vida.
“Vou para a casa da minha dinda, porque preciso
que, no momento que eu voltar a te ver, as coisas entre nós
fiquem melhor do que já estavam e eu sei que você vai
resolver as suas pendências de dois metros de altura.”

— Ávila, aconteceu algo no almoço? – O que houve com certeza não


foi o motivo.
— O almoço correu bem. – É a verdade, pelo menos até Vânia fazer a
cena. — Vamos fazer o seguinte, vou ligar para o administrativo e a partir de
lá, entraremos em contato com as saídas, motoristas, setores. Alguém com
certeza viu a Bianca. – E assim eu faço. Com José ao meu lado, mais de meia
hora se passa enquanto aguardamos a resposta de diversos setores, contudo
absolutamente ninguém sabe aonde a Bianca está.
O que nos conforta é saber que ela está na Ávila, por não haver registro
nas câmeras nas saídas. Porém, apenas tal informação não é o suficiente para
me deixar em paz.
Aflito e sem entender que porra aconteceu, caminho até a janela onde
avisto as nuvens carregadas. É certo que a noite cheia de armadilhas, logo
hoje vai chegar com mais rapidez.
Então lembro-me que fomos ver o pôr do sol e Bianca se sentiu bem no
lugar. Será que Bia foi até lá?
— Dora não para de me ligar, ela está muito aflita e eu não sei mais o
que falar para a consolar. – Caminho até meu amigo de longa data já com
meu celular em mão.
— Vá ficar ao lado da Dora em sua casa, apesar de ter mais de dez
equipes procurando Bianca em todas as alas da fazenda, eu também vou atrás
dela com o Pegasus, acredito que posso encontrá-la cortando alguns
caminhos que com o carro não é possível. – Zé retira o chapéu.
— Traga esta moça para casa Gustavo, se acontecer algo com ela
enquanto está sob os cuidados da minha patroa, ela não há de resistir. – Eu
consigo imaginar a sua aflição pois compartilho da mesma.
— Vou trazer. – Respondo usando toda a fé que eu possa ter. — Agora
vá ver sua esposa. – José se vai, ligo para solicitar que selem o meu cavalo
para duas pessoas e assim que desligo, encontro Nita que vem ao meu
encontro exibindo um olhar curioso que eu conheço bem.
— O que tu aprontou que a sobremesa do almoço não vingou? – É
óbvio que Nita não está ciente sobre Vânia, contudo, por estar apressado,
informo que no momento não tenho como contar os detalhes por estar
preocupado com a Bianca. — Pera aí homi. – Impede que eu me vá. — Eu vi
sua prenda mais cedo, quando estava voltando da pequena horta aqui atrás,
por isso eu sei que o almoço não vingou.
— Aonde ela está? Para aonde foi? – Praticamente a atropelo com a
minha pergunta e um fio de esperança surge.
— Ela estava pedalando, usando fones de ouvido rumo à entrada
principal. – Tenho ainda mais certeza de que Bia está no meu lugar especial.
— Arrume rapidamente uma bolsa com algum alimento. – Se ela
pedalou tanto, pode estar faminta.
— Pode deixar, meu menino. – Através da janela, vejo que em minutos
com certeza começará a chover.
— Por favor também coloque algumas mantas, do jeito que o tempo
está, é capaz de eu encontrar Bianca toda molhada, pode até ficar doente por
causa dos fortes ventos. – Parecendo preocupada, confirma e caminha
apressada em direção a cozinha. — Sairei em cinco minutos.
***

Com mais de dez minutos cavalgando entre minhas terras, apressado,


cortando os caminhos tradicionais, chego em meu local favorito, torcendo
para que toda ventania leve a provável tempestade para longe, pois não
encontro Bianca e através do celular, recebo mais algumas notificações da
administração me atualizando sobre a ala norte e nordeste.
— Aonde você está, Bia? – Minha mente dá mil voltas em direções e
pensamentos diferentes, até mesmo me recordo do desgraçado do Isaias, mas
eu sei que em minhas terras ele não pisou, pois, nenhuma câmera instalada
nas fronteiras o flagrou.
E para piorar, o telefone da linda moça que toma conta dos meus
pensamentos, continua fora de área e isso me deixa ainda mais aflito.
Porra!
Eu não vou me perdoar se uma desgraça acontecer.

“Eu também amaria me sentar embaixo desta árvore e


contar histórias lindas para meus filhos.”

Lembro-me de um momento nosso tão particular em que a conheci um


pouco mais, me encantei com o seu coração sonhador e fico olhando para a
vista que sempre me acalmou, com exceção de hoje.
“Obrigada por me trazer, só vindo aqui eu descobri que você tem uma
cachoeira nas suas terras e que o rio Correntezas corta a fazenda. Em breve
eu vou querer conhecer aquele local.”

A aflição que eu já sentia é multiplicada pelo menos por dez vezes


mais, ao imaginá-la em um lugar tão perigoso.
E se Bia decidiu se refrescar?
E se não souber nadar?
Parto em disparada, cavalgando até chegar à estrada principal, para
depois seguir a direita, pelo caminho que leva até a cachoeira e nesse
instante, sinto as primeiras gotas de água.
Capítulo 9

Bianca Lima

Apesar de saber que Gustavo não estava mentindo por estar


ciente que ele sempre é muito sincero, tenho vontade de chorar.
Muito na verdade.
Por conta de uma mistura de sentimentos que incluem a raiva, mais
uma enorme dose de algo, que não quero pronunciar nem em pensamento.
Afinal de contas, não somos nada um do outro e temos apenas a
possibilidade de termos uma relação sexual entre um patrão e a sua
funcionária. Detalhe, proibida perante a tia e o Zé.
Por que logo no momento que eu escolho para viver um pouquinho,
fechar os olhos para tudo ao redor, a quenga Mór que provavelmente já o teve
tanto, aparece para atrapalhar?
Eu não quero acreditar que isso foi um livramento dos céus, não seria
justo e eu acredito que Deus respeita as escolhas humanas.
Enquanto caminho para casa da minha tia, chego a fechar os olhos
lembrando-me mais uma vez da sensação dos seus lábios em mim quando me
encontrou e de estar em seu colo.
Ah como foi bom sentir a sua mão me envolvendo, me matando de
desejo e testemunhando com um tesão retado no olhar o quanto eu o quero.
Sem falar daquilo lá embaixo, dava até a impressão que ia ultrapassar as
pequenas camadas dos tecidos que estavam nos separando de um contato
mais íntimo.
Saudosa pelos momentos vividos recentemente e ainda incrédula pelo o
que acaba de acontecer, adentro a casa da minha tia em silêncio pois imagino
que ela e Zé provavelmente estão dormindo por conta da ressaca.
***

Depois de passar no banheiro e escovar os dentes, ao chegar no meu


quarto, tranco a porta e antes de me deitar, verifico as notificações. Dentre
todas, um número desconhecido me chama atenção.
“Oi, Bianca.
Desculpe-me a ousadia de te enviar uma mensagem.
Por favor perdoe o meu filho por conta de ontem à
noite.
Ele é um bom rapaz, mas vive a fazer merda quando
coloca a cachaça maldita na boca.
Para ele foi um tanto difícil te
ver nos braços do Sr. Ávila.
Afinal de contas, ele é um concorrente
desleal por conta de toda sua fama e dinheiro.
Um beijo, menina linda.
Aladilce.”

Eu fico com dó de Isaias por saber que uma pessoa tão gentil sofre com
tal vicio e espero de coração que ele se cuide para sair dessa. Por outro lado,
não consigo engolir o que sua mãe escreveu em relação a minha saída com
Gustavo.
Não gosto de ser julgada e eu não fui para o jantar com ele por conta
das suas posses, eu não sou assim, sem falar que estávamos em família.
“Eu estimo melhoras para o seu filho.
Com toda minha sinceridade eu espero que ele se
cuide.
Quem sabe fazer um acompanhamento?
Com alcoolismo não se brinca.
Fiquem com Deus,
Bianca.”

Escolho passar por cima de tal julgamento e apenas respondo de


maneira educada. Pois independente de todo susto que ele me fez passar na
noite anterior, realmente desejo o bem para o rapaz que já me foi bastante
solicito juntamente com a sua mãe.
Em seguida, deito-me por literalmente não ter nada o que fazer a não
ser esperar a tempestade momentânea passar, leio algumas notícias, até que
ouço um gritinho que quase me faz dar um pulo da cama, mas eu logo
reconheço a voz.
— Zé, isso lá é jeito de me acordar cheio das segundas intenções? –
Congelo na mesma hora. — Esqueceu que não moramos mais sozinhos? –
Volto a me sentar sentindo-me péssima por os deixar em tal situação, aonde
eles apenas deveriam estar curtindo o romance sem restrições dentro da sua
residência.
— Eu sei que você gosta assim, minha deliciosa. Bianca não está em
casa agora, aproveita minha prenda e vamos matar a saudade daquele jeito
que a gente gosta. Precisamos aproveitar por alguns minutos esta
privacidade. – Meu mundo desaba, meus olhos ficam marejados de tanto
remorso e tristeza que sinto por estar aqui.
Fora a vergonha. Chega a doer.
— Então venha que agora eu quero te ter sem pudor. – É só uma
conversa intima de um casal que quer aproveitar o momento, eles não falam
nada que demonstra que me querem longe, mas eu me sinto péssima,
entristecida e angustiada por os limitar.
Aflita, decido caminhar um pouco. Como companhia, levo um casaco
já que o dia está ligeiramente mais frio, apesar do sol aparecer entre as
nuvens, meu celular e fones de ouvidos para ficar ouvindo algumas músicas
pela Ávila até mais tarde onde precisarei ter coragem para voltar para casa.
Ao sair em silêncio, olho para os lados tentando encontrar uma direção
viável para um longo passeio, quem sabe ter a sorte de estar no horário em
que o ônibus dos funcionários passa, mas nada acontece nos próximos cinco
minutos. Então eu vejo uma bicicleta encostada em uma árvore o que chama
muito a minha atenção e mesmo sem saber de quem é e enfrentando o vento
que está um pouco forte, decido pegá-la emprestada, para assim pedalar para
bem distante com a intenção de ficar um bom tempo sozinha com os meus
pensamentos.
Contudo, a pergunta que não quer calar, é: Como eu vou me sentir à
vontade na casa da minha tia depois de tal situação? Infelizmente eu acho que
nunca mais, mas estou ciente que a necessidade me dará a coragem suficiente
e me trará de volta.
***

Ouvindo uma seleção de músicas nacionais e internacionais que eu


amo, sigo através das trilhas bem divididas entre as plantações de café que
são altas, sem perceber o tempo passar. Entretanto, tenho ciência que estou
um pouco distante, pois acabo localizando a cachoeira que eu pude ver com
Gustavo no dia que ele me apresentou o seu lugar preferido e me encantou
com a sua maneira de ser.
Por não estar acostumada a fazer exercícios, paro por um momento
para descansar as pernas, sento-me próximo a cachoeira debaixo de uma
árvore de tronco bastante largo para me proteger do vento e sozinha,
precisando refletir em tudo o que tem acontecido de forma acelerada desde
que o ex-marido da minha mãe retornou, com as mãos cobrindo o meu rosto,
faço uma prece pedindo aos céus que iluminem o meu caminho.
Por conta de falar abertamente o que venho sentindo, tendo a natureza
como única testemunha, deixo as lágrimas rolarem no meu rosto, elas
refletem os sentimentos que vez ou outra me acometem.
Sinto não pertencer a algum lugar de verdade e pior, eu sou um peso
para quem decidiu me amar e cuidar.
Sem exageros ou drama, é isso que eu sou. Um peso.
Primeiro para tia Ana que cuidou de mim desde que a minha mãe se foi
assumindo o seu lugar. Ela é uma mãe para mim, a minha vida no corpo de
outra pessoa e eu sempre serei grata, mas algumas coisas eu só entendi com o
tempo.
Quando era criança, várias vezes a ouvia conversando com as suas
amigas, justificando a escolha de ser sozinha. Convicta e cheia de amor,
alegava que tia solteira não poderia colocar homem em casa, pois precisava
proteger a sua filha sobrinha. Enfatizava que o amor de mãe era superior a
qualquer necessidade de ter alguém.
Lembro-me que quando era criança eu amava ter a tia Ana só para
mim, apenas na adolescência que comecei a perceber que ela renunciou muito
para me ter em sua vida e foi aí que percebi o outro lado da moeda.
Agora a dinda. Eu sinto e sei que sou amada, nunca duvidarei disso,
mas a verdade é que ela está acostumada a viver apenas com o Zé e essa
intimidade faz bem para os dois.
A fase dela de ser mãe presencial já não existe tanto, pois o meu primo
é um homem independente e mora na cidade grande. Por esta questão eu sei
que não é justo que eu caia de paraquedas mais uma vez na vida de alguém e
atrapalhe.
Se ao menos concursos públicos tivessem abertos, eu teria uma chance
de ser independente, mas nem isso ultimamente está existindo, nem uma
fumaça de um edital aparece.
Enfim, sem querer ser dramática, mas a verdade é que eu não consigo
ver em nenhuma área da minha vida, uma luz, e por isso, pelo menos por um
tempo, decido permanecer sentada, acalmando a alma, ouvindo uma música
bem baixinha e olhando para água que cai com toda força, pois o cenário que
seria digno de ser pintado em uma tela, é algo que me acalma, muito.

***

Ao ter a sensação de um pingo de água estar entrando em contato com


a minha pele, abro os olhos ainda sonolenta sem acreditar que estava
adormecida. Ao olhar para cima, percebo que já está escurecendo e pior, as
nuvens estão carregadas, muito para ser mais assertiva.
É certo que o vento de mais cedo trouxe a chuva para as terras e isso
não é nada bom, pelo menos para mim.
Meu Deus, como foi que eu dormi tanto?
Enquanto enrolo o fio dos meus fones de ouvidos, lembro-me dos
motivos. Não tem como não estar cansada depois de uma noite onde arrochei
com Gustavo e ainda varei a madrugada conversando com ele, fazendo o que
não devia enquanto o ouvia.
Abstraindo das lembranças que, mesmo defronte ao caos, me distraem,
levanto-me rapidamente tentando conter a aflição que a escuridão logo vai
trazer, mas em vão. O desespero toma conta de mim pois eu não sei se será
possível chegar em casa a tempo e para piorar, não faço ideia se me lembro
do caminho.
Eu fiz várias curvas entre os cafezais e pedalei por pelo menos uns
trinta minutos ou mais.
— Ai meu Deus. – Nesse instante, olho meu celular, vejo que ele está
descarregado e isso me aflige, pois o aparelho poderia me servir de lanterna.
Apressada, depois de o guardar entre os meus seios, busco rapidamente
a bicicleta cujo o dono já deve estar desesperado ou achando que foi roubado.
Em seguida, direciono o meu olhar um pouco para os lados tentando me
lembrar em qual entrada devo ir, mas é em vão e para piorar, o pingo que até
então era discreto, começa a cair cada vez mais forte, o que me faz voltar
para debaixo da árvore.
Ficar à deriva pelas terras durante o dia, é encantador e eu amo, mas a
noite, é motivo de ter muito medo. É o momento que os animais que rastejam
e muitos outros que temo, aparecem.
Desespero, é o meu nome no momento, pedalar com a terra molhada
não vai ajudar e quando eu tento por alguns metros, o solo escorregadiço não
ajuda.
Correr com certeza será mais fácil e por conta desta minha decisão,
abandono a bicicleta e sigo apressada protegendo o local aonde guardei meu
celular com as mãos, não posso ficar sem o aparelho, pois comprar outro
significa gastar uma parte das minhas economias.
Chuva forte, quase escuridão, vento frio, a incerteza de estar no
caminho certo, medo, muito para ser sincera, pouca visibilidade, são só
algumas coisas que sou acometida, sem falar que vez ou outra, escorrego por
conta do calçado inapropriado.
Mas eu não posso desistir de chegar em casa ou pelo menos na estrada
principal, entretanto, depois de correr por pelo menos uns dez minutos sou
forçada a parar um pouquinho para reestabelecer o fôlego e bem nesse
momento, ouço um relinchar bem alto e quando levanto o olhar vejo um
cavalo enorme, negro, que acaba me assustando. Termino caindo sentada e
com medo de ser atropelada, me encolho.
— Bianca. – A voz máscula, grossa e levemente rouca que eu
reconheço bem me chama a atenção e quando abro os olhos, sinto o meu
corpo sendo puxado. — O que diabo você veio fazer aqui tão longe? –
Gustavo parece nervoso, segura o meu rosto, mas eu ainda estou em choque
pelo susto, porém aliviada por finalmente me considerar a salvo, então eu só
o abraço e começo a chorar. É como se meu corpo estivesse liberando uma
descarga elétrica.
— D-desculpa. – Somos surpreendidos por um trovão, que me deixa
estremecida e ele me abraça ainda mais forte.
— Vem Bianca, precisamos de um abrigo, urgente. – Me carrega como
se eu fosse uma pena me auxiliando a montar o que faz o meu vestido subir
todo em minhas coxas, em seguida senta-se atrás de mim. Com o corpo todo
alinhado ao meu, a mão em meu ventre e a outra segurando a rédea, segue
para um caminho completamente diferente.
— Para aonde estamos indo? – Grito para que ele possa me ouvir,
enquanto permaneço um pouco de olhos fechados pois não enxergo muita
coisa por conta da chuva.
— Confie em mim, precisamos ficar seguros. – Com sua enorme mão
me segurando, de corpos completamente colados, molhados e uma das
minhas mãos repousando por cima da sua, seguimos cavalgando de uma
maneira tão rápida que me mata de medo, temo cair, mas confio em Gustavo
e no seu cavalo, até que chegamos em uma casa relativamente próxima de
onde estávamos. — Vem, Bianca. – Me ajuda a descer, depois de me puxar
pela mão, chegamos em uma varanda e ele, com um chute forte, abre a porta
que não parece ser muito nova.
Após mandar que eu entre, liga uma lanterna a prova de água que
estava em seu bolso e a acomoda em cima de um baú. Desta forma, ajuda a
iluminar o espaço, em seguida, deixa uma mochila enorme próximo a porta e
volta a caminhar para a varanda.
— Para aonde você vai? – O seguro pelo braço e pelo o seu olhar, dá
para sentir o quanto ele ainda está chateado.
— Buscar o Pegasus, ele não pode dormir molhado, não faz bem. –
Nos segundos que ele se afasta, olho ao redor e percebo que estamos em uma
casa que provavelmente já foi habitada há anos, fica nítida a circunstância do
imóvel por conta de ter vários móveis cobertos de lençol. Eu rapidamente vou
recolhendo alguns e em seguida vou ver Gustavo. — O que você está fazendo
aqui fora, Bianca? Molhada deste jeito, você pode ficar doente. – Mostro para
ele os lençóis.
— Você disse que o Pegy. – Me olha de um jeito engraçado por conta
do apelido que eu acabo de dar para o seu cavalo. — Bem, ele não pode
dormir molhado, então estou aqui para o ajudar a secá-lo. – Olha para mim
demonstrando estar pensativo.
— Obrigado – Recolhe os lençóis da minha mão. — Nem você deveria
ficar encharcada. – Passa a mão por seus cabelos. — Volte para dentro da
casa, e livre-se desta roupa molhada, trouxe mantas para te aquecer caso fosse
necessário, e é. – Permaneço parada tentando entender o que está
acontecendo, mas ao me colocar no seu lugar, imagino o quanto ele deveria
estar preocupado, tia Dora então nem se fala. Eu espero de verdade que sua
pressão arterial não fique alta.
Sabendo de como ele está, respeitando o seu momento, fico de longe o
observando cuidar do seu animalzinho gigante de estimação, como sinto um
pouco de frio, tiro o meu casaco, ao me recordar do meu celular que está
entre meus seios, rapidamente percebo que com certeza acabo de o perder,
mas é o de menos.
Depois desse dia catastrófico, o meu dano material não é nada se
comparado ao que estou fazendo minha tia e todos passar.
Mesmo triste, decido não lamentar em voz alta a minha perda. Logo
depois, curiosa, abro a mochila para ver o que Gustavo trouxe e deparo-me
com vasilhas com alimento e pelo menos umas quatro mantas.
— Já vi que você encontrou as coisas. – Levanto-me e me aproximo.
— Você trouxe muita comida. – Gustavo olha para mim, percorre o
olhar por meu corpo e quando eu mesma me olho, o entendo.
O vestido de tecido claro que já era colado, fica ainda mais chegando
ao ponto dos meus mamilos estarem além de desenhados, ainda mais visíveis
por conta da transparência. Meu sutiã é fino demais para encobrir qualquer
coisa.
— Nita na verdade, ela arrumou tudo. – Olha para mochila. — Vou
cuidar um pouco mais do Pegasus e logo volto. – Entristeço-me por estar
recebendo tal tratamento tão frio, mas resolvo me livrar logo das minhas
vestes e me cobrir com uma das mantas.
Como Gustavo demora minutos consideráveis e eu constato que a
chuva não vai acabar tão cedo. Depois de recolher todos os lençóis do local,
pedindo a Deus para não ser surpreendida por um bicho horrendo, cubro o
sofá de couro com vários deles e por fim, uma manta limpinha.
Em uma mesinha de centro de madeira, coloco as vasilhas uma ao lado
da outra, acho também alguns guardanapos na mochila e ao terminar, quando
me viro para chamar Gustavo para ele também se secar, o vejo em pé,
encostado na porta me olhando.
Bastante sério.
Ai meu Deus!
— Não queria te deixar preocupado, ninguém na verdade, eu só
precisava sair de casa e quando encontrei aquele lugar lindo, me sentei
olhando a cachoeira, ouvindo música, nisso acabei dormindo, só acordei
quando a chuva começou a cair. – Minha explicação sai um pouco mais
rápida do que deveria por estar muito aflita, e Ávila vem em minha direção.
— Por que você precisou sair de casa? – Abaixo um pouco a cabeça,
pois eu não quero falar o motivo. — Bianca? – Com a mão no meu queixo, o
levanta com cuidado, me fazendo o olhar. — Eu sei que não foi por causa de
Vânia que você saiu pedalando pela fazenda. O que foi?
O seu tom de voz fica um pouco mais imponente.
— E-eu prefiro não comentar. – Gustavo dá dois passos para trás,
depois observa a tempestade por uns segundos através de uma janela, por ter
tocado na madeira empoeirada, lava as mãos na chuva e quando volta o seu
olhar para mim, apesar da pouca iluminação, eu consigo sentir o quem vem
pela frente.
— Você não quer falar? Vai deixar todos sem uma porra de
explicação? Isso é o mínimo que eu mereço ouvir. – Como é que se conta que
estava atrapalhando algo tão íntimo da sua tia e esposo?
— Não, é coisa minha. – Gustavo fica irado.
— VOCÊ tem ideia da porra da aflição que eu passei? Da preocupação
que a sua tia está? Você SOZINHA, perdida nas minhas terras, sujeita a toda
sorte de perigos, sem falar nos funcionários que eu não sei do que são
capazes de fazer ao encontrar uma prenda linda como você à deriva. – Fico
um pouco constrangida.
— Calma, Gustavo. – Ele vem em minha direção.
— A última vez que uma pessoa sumiu nesta fazenda, foi encontrado
sem vida horas depois. – O seu tom de voz oscila, também me lembro do que
ele me contou em relação ao seu pai, então eu me aproximo e o
surpreendendo com um abraço.
— Depois eu te conto o que houve. – Gustavo não diz nada, apenas me
abraça forte, fazendo com que a manta que está ao redor do meu corpo fique
ligeiramente molhada por causa dele que ainda está encharcado. — Está tudo
bem comigo. Lentamente sobe sua mão por minhas costas deixando-me toda
arrepiada, alcança a minha nuca e com os dedos entre os meus cabelos
molhados, os puxa me deixando a sua mercê.
— Se não tivesse, eu estaria louco. – Sussurra em meu ouvido e sua
voz percorre todas as minhas terminações nervosas me deixando excitada. —
Jamais – Nossos olhares se encontram e a intensidade que ele transmite
praticamente me despe. — Me perdoaria por deixar você sair do meu lado. —
Me puxa, de forma voraz, une os nossos lábios e a sensação de voltar a ser
dele queima por todo o meu corpo. Durante o tempo que o nosso beijo é
aprofundado, as nossas línguas se deliciam uma com a outra, de um jeito que
faz o fôlego quase faltar, apenas nos afastamos para respirar, Ávila não se
separa de mim, distribui beijos ousados em meu pescoço e enquanto
desabotoo a sua camisa, ele tira a manta que me cobre. — Bianca. – Toco em
seu abdômen, deslizando a minha mão em seu corpo que desde a primeira
vez que o vi, desejei tocar. — Se você não quiser trepar comigo neste sofá
velho, me diga agora, pois em minutos eu vou te foder gostoso e só vou parar
quando te ver gozando várias vezes com o meu nome nos seus lábios.– O
local começa a ser o mais ideal possível.
Há quem imagine a sua primeira vez em um hotel chique, quem sabe
até um castelo, ou um ambiente cheio de pétalas de rosas espalhadas pelo
quarto e na cama, mas eu só consigo pensar em uma coisa que não pode
faltar. Gustavo.
— O lugar parece ideal, Sr. Ávila. – Entre mãos cheias de desejos,
beijos intermináveis, quentes que queimam, enlouquecem e gestos ousados
que despem, boa parte das vestes de Gustavo vão parar no chão.
Com ele vestido apenas com uma boxer preta, sou carregada e então,
cruzo minhas pernas em seu quadril sentindo o seu pau duro e gostoso
roçando em mim e agarrados um ao outro, ele se senta comigo em seu colo.
— Você é linda. – Passa a mão por minhas costas, encontra o fecho do
sutiã e o tira me fazendo sentir um misto de sensações.
É gostoso estar quase nua e ser apreciada com tanto tesão, mas ao
mesmo tempo é algo novo que me deixa um pouco envergonhada, mas nada
que me faça querer parar, principalmente quando sinto suas mãos me
acariciando e os seus lábios me chupando.
— Ahhh Gustavo. – Provoca meu mamilo com sua língua enquanto
aperta minha bunda bem forte, carícia cheia de pegada que me deixa ainda
mais molhada. — Ahh. – E me faz gritar de tesão no momento em que eu
roço no seu pau.
— Geme, minha gostosa. Me chama que eu gosto. – Depois de deixar
meus seios sensíveis por conta de todo prazer, levanta-se comigo em sua
posse, me coloca no sofá e em seguida tira a minha micro calcinha. — Me
mostra essa boceta gostosa, se abre para mim, Bia. – Ficando cada vez mais
excitada, por além de todo estímulo de seus toques, presenciar o desejo que
Gustavo tem por mim, eu me abro como ordenado e ele vem ao meu
encontro.
Seguro-me no sofá tentando controlar o tesão que toma conta do meu
corpo, mas nada em absoluto é o suficiente, a intensidade que só agora estou
sendo acometida é algo inimaginável. Eu jamais poderia estar tão preparada
para as ondas de prazer que cada chupada e passada de língua de Gustavo me
dão.
Eu quero ser dele.
Anseio.
Meu corpo clama por mais e mais.
Perco a vergonha o chamando... Rebolando.
Imagino o seu pau me rasgando e só então me lembro que ainda
preciso contar algo.
— Gustavo... – No momento, provoca meu clitóris de maneira
incansável. O prazer é tanto que eu tenho vontade de fechar as pernas, mas
ele me mantém bem aberta com os joelhos flexionados, segurando uma perna
de cada lado e provavelmente me marcando com sua pegada. — Gustavooo.
– Ele não para de me enlouquecer e excitar. — Não para. Ahhh não para. –
Acaricio seus cabelos o mantendo com a boca lá, até que me desfaço em seus
lábios, chamando o seu nome várias vezes.
Ahhhh como é bom... Na verdade maravilhoso.
— Linda. – Ajoelhado, me puxa um pouco mais ao seu encontro e me
beija fazendo com que eu prove do meu sabor. — Gostosa. – Acaricia lá e
começa a deslizar um dedo entre os pequenos e grandes lábios deixando tudo
quentinho e muito molhado, até que vai se aproximando da entradinha e...
— Gustavo. – Seguro a sua mão e meu coração acelera. — Eu nunca
transei antes. – Estreita os olhos para mim, parecendo incrédulo ou pensativo.
— Você pode ir um pouco devagar? – Seu olhar suaviza enquanto ele
acaricia minhas coxas.
Capítulo 10

Confessar o quanto sou inexperiente, apesar de ser muito


permissiva com ele, poderia me deixar constrangida, contudo, ao continuar
sendo o foco de um olhar tão faminto e gestos ousados, fico ainda mais
excitada.
Isso com certeza é bom.
De tudo o que eu sei sobre as primeiras vezes, o que me parece mais
importante é justamente desejar demais o ato e ficar tranquila e isso eu tiro de
letra. Ora, eu nunca quis tanto alguém quanto o quero, a verdade é que
Gustavo, no dia que me deu aquele tapa, provavelmente acordou uma Bianca
que nem eu sabia que existia.
— Eu te quero tanto, mas esse não é o lugar para se perder a
virgindade. Acredito que toda mulher sonha com pelo menos um pouco de
romantismo e no momento eu não posso te oferecer nada além desse sofá
velho. – Eu acho lindo o seu cuidado, tanto que o puxo e começo a beijá-lo.
Ele, além de corresponder, acaricia as minhas costas, aperta a minha bunda e
não parece assustado ou chateado pelo o que acaba de descobrir. — Eu posso
te proporcionar em um outro momento uma primeira vez a sua altura, prenda
linda. – O seu cuidado me derrete, deixando-me com a certeza de que estou
nutrindo muitos sentimentos por este homem diferenciado.
Assim como também espero que para ele não seja apenas uma noite.
Sonhar não custa nada.
— Eu acredito que o lugar ideal é onde você está. – Soa mais
romântico do que eu queria, mas logo o meu leve constrangimento é
embalado com toques ousados que me deixa arrepiada e eu, em contrapartida,
acaricio o seu pau por cima da cueca boxer. — Eu quero que seja com você,
não precisa ser em um palácio. – Atrevida, coloco a minha mão por dentro da
boxer e o estimulo. Ah meu Deus, parece ainda maior do que eu percebi
quando dançamos e momentos atrás quando roçava sentada na direção, sem
falar nas veias que sinto na ponta dos meus dedos e isso me deixa louca de
desejo. — E não ouse parar, Sr. Ávila. Estou com um fogo desgraçado. – Me
puxa para mais um beijo quente, com sua força máscula deita-me no sofá, tira
a cueca boxer, após alcançar a sua calça que está no braço do móvel, na
carteira pega um preservativo, veste o delicioso instrumento e deita-se
parcialmente entre minhas pernas.
Na verdade Gustavo faz milagre, pois ele é muito alto para caber
deitado em um móvel com assento para três lugares, e ainda assim, é uma
delícia.
— Bia. – Sussurra no meu ouvido enquanto roça o pau por fora
algumas vezes, quase me levando à loucura e me deixando toda molhada. —
Prometo que vai ficar gostoso. – Sinto um ardor, ao mesmo tempo tenho a
sensação de estar sendo aberta ao meio e os meus olhos ficam marejados.
Em contrapartida, aperto os seus braços, ele acaricia minha coxa, volta
a me beijar e entre um encostar de lábios e outro, sussurra coisas tão quentes,
que o local que estava doendo um pouco, começa a esquentar muito mais.
— Ai, ai, ai Gustavo. – Ele coloca mais um pouco.
— Gemendo assim eu fico ainda mais cheio de tesão por você. – Vai
mais um pouquinho. — Que boceta gostosa, Bianca, estou louco para te foder
bem rápido. – Tira um pouco. — Você quer o meu pau, Bianca? – Coloca um
pouco mais.
— S-simm. – Vai tirando e colocando bem devagarinho, deixando o
meu corpo se adaptar durante alguns minutos e vai no meu tempo.
Contudo, quando nota que meus gemidos estão mais voltados para o
prazer, começa a aumentar a velocidade gruindo de tanto tesão, fazendo-me
sua, me deixando enlouquecida pedindo mais, até me fazer gozar pela
segunda vez na noite.
Ainda assim, ele não para.
Gustavo, insaciável, muda a posição, fica ajoelhado entre as minhas
pernas, me mantém aberta segurando em uma das coxas, com muita energia
continua metendo, me chamando por alguns nomes que me faz sentir ser a
mulher mais desejada, faminto por meus lábios vez ou outra inclina-se e se
perde entre eles nos deixando completamente unidos.
— Deliciosa. – Enquanto a chuva cai sem parar e relâmpagos iluminam
o ambiente, Gustavo transforma o desconforto em prazer, a dor em arrepios
deliciosos que percorrem toda a minha pele, e eu, Bianca, que momentos
atrás era uma virgem, acabo de virar uma sem vergonha que já nem sabe
como ficará sem o seu beijo, pegada e carícias daqui para frente.
— Ahhh Gustavo. – Estimula o meu clitóris enquanto vai se perdendo
em mim, a sensação gostosa toma conta de nós dois e enquanto chamo o seu
nome diversas vezes, ele também goza.
Depois de alguns segundos em que ele fica acariciando o meu ventre,
ainda ajoelhado, vai se retirando, livra-se do preservativo que amarra e joga
ao lado do sofá, para em seguida deitar-se entre minhas pernas sem colocar
muito o peso sobre mim e começa a me beijar. Sendo completamente
diferente do que eu imaginava.
O homem a quem eu temia ser a sua quenga, jamais se importaria com
uma mulher depois de a ter e é isso que me deixa ainda mais inclinada a me
envolver em sentimentos.
— Você é muito linda. – Passa um braço por baixo de mim e sem
prévio aviso, me coloca por cima dele.
— Você só é muito gostoso. – Nos divertimos com a minha
brincadeira. — Na verdade você é lindo e transformou essa noite assustadora
em uma que jamais vou querer esquecer. – Beijo rapidamente os seus lábios,
tenho a intensão de me afastar em seguida para não parecer grudenta demais,
porém Gustavo me puxa de volta e aprofunda o nosso beijo. Ah! Ele dificulta
a minha vida e minha mente romântica desta forma se apega um pouco mais.
— Obrigada por me encontrar, eu não sei o que seria de mim sem você. –
Suas mãos percorrem por minhas costas, como se estivesse massageando e é
incrível que mesmo eu sabendo que não aguentaria mais uma vez em tão
pouco tempo, sinto o meu corpo reagindo.
— Acredite, eu é que agradeço por te encontrar. – Envolta de
sentimentos novos, me aconchego em seu abraço e é tão gostosa a sensação
que a pele na pele causa, o efeito que tira qualquer vergonha, contudo, apesar
do fogo, ficamos apenas trocando carícias e beijos quentes.
***
Durante a madrugada, depois de nos alimentarmos e não deixarmos
mais nada para quando amanhecer, cobertos por uma manta, foi impossível
ficarmos apenas aos beijos, aliás, eu já estava certa de que eu gosto mesmo é
de namorar sem roupa e só após mais uma entrega, sinto meus olhos pesando
e deitada nos braços de Gustavo, me deixo levar pelo sono.
***

Um vento frio percorre o meu corpo, por conta disso aos poucos abro
os olhos percebendo que o dia está nascendo, mas para o meu desespero,
encontro-me sozinha e o susto que eu tomo é tanto que meus olhos ficam
marejados.
— Gustavo? – Ele não responde. — Ávila, tu tá aí? – Tento o
encontrar mais uma vez quando me levanto sentindo um pouco de dor, a
sensação me faz lembrar de quando eu fiz muitos exercícios de musculação
nas pernas sem ter muito preparo. — Ai meu Deus. – Será que ele me
abandonou? Impossível, este não é o homem que venho conhecendo desde
que cheguei aqui.
Em busca de uma resposta, depois de me cobrir, caminho até a
varanda, constato que o Pegy não está mais no local e neste momento,
praticamente desabo olhando a linda vista da fazenda.
— Bia? – Meu coração até acelera, então viro-me rapidamente e
quando ele me vê, logo vem ao meu encontro e me abraça. — O que foi,
prenda linda? – Acaricia os meus cabelos bem devagarinho enquanto olha-me
nos olhos.
— Acordei e não te vi. – Carrega-me sem prévio aviso e sem se
importar por eu ter acabado de acordar, me dá um beijo.
Bem gostoso.
Deveria ser lei acordar sempre assim.
— Despertei muito cedo. – Pausa um pouco a fala me observando. —
Para ser sincero, não dormi. Precisava vigiar o seu sono. – Acaricio o seu
rosto enquanto o ouço. — Assim que o sol deu o seu primeiro sinal, olhei a
casa e vi que nenhum risco existia para você, então me vesti e cavalguei até a
mansão. Chegando lá, deixei o Pegasus sob os cuidados de um funcionário e
voltei de carro para te pegar. – E eu achando que fui abandonada. —
Cavalgar seria muito doloroso para você. – Me dá uma piscadela e minha
pele fica corada no mesmo instante. — Além de você pedalar durante
minutos ontem à tarde, a noite você até chorou, mas não saiu de cima do meu
pau, foi uma delícia, mas isso causa dor.
— Gustavo. – Finjo o repreender, mas ele diz a mais pura verdade. Na
madrugada eu literalmente o ataquei e não quis sair de cima do gostoso. —
Obrigada pelo cuidado, minhas partes baixas agradecem. – Em resposta,
apenas me leva para parte de dentro da casa, depois de me colocar em pé,
todo cavalheiro, ajuda a me vestir apenas com o vestido que secou por conta
do vento, depois guardo minhas peças intimas sujas em sua mochila, assim
como o meu celular que eu não sei se tem jeito.
Quando fico pronta, todo cuidadoso me envolve em uma manta por
causa do tempo que ainda está frio e de mãos dadas, até parecendo que somos
namorados, lentamente caminhamos para o carro.
A realidade me abraça e isso não é bom, fora que neste momento sinto
o meu coração um pouquinho apertado, por conta de dois motivos.
Primeiro, terei que voltar para a casa da minha tia e ainda me sinto uma
intrusa.
Segundo, apesar de toda circunstância, foi maravilhoso passar a noite
com Gustavo, mas infelizmente acabou e eu não sei se um dia se repetirá.
Estou ciente de que ele tem várias mulheres ao seu dispor, inclusive a
quenga Lopez, dona de pelo menos dois metros de perna.
— Bia, o que foi? – Fica de frente para mim e acaricia meu rosto. —
Você está quieta demais. – Ele tem toda razão.
—Essa casa que passamos a noite, bem que você poderia me emprestar
para eu morar, ela é linda e só precisa de uns reparos. – É uma forma de
esconder os motivos reais e ainda assim, tentar conseguir um espaço.
— Bia, não é seguro. – É direto na sua resposta e quando penso em
abrir a boca, ele prossegue: — Minha mãe usou esta pequena residência
algumas vezes na vida quando inventava de passar dois ou três dias
concentrada em pintar as suas telas, de qualquer forma, ela nunca estava
sozinha, além de Nita que sempre a acompanhou, tinha os seus seguranças.
Enfim esta residência está fechada há um bom tempo apesar de se manter
preservada. – É nítido que alguém sempre limpa o local. — Porém, ninguém
ousaria fazer algo contra ela quando estava reclusa, já você, é uma prenda
linda que necessita estar em toda segurança possível, os tempos mudaram e
eu não confio em quase ninguém para montar uma equipe segura e te manter
a salvo. – Chego a respirar fundo.
— Tudo bem. – Minha voz sai tão baixa que até eu estranho.
Talvez seja o efeito de acordar de um sonho que foi à noite.
— Não está tudo certo, você ainda não me contou o que te fez sair de
casa pedalando pelas terras, muito menos o que houve contigo quando Isaias
te gritou. – É, eu ando fugindo de contar certas coisas. — Os seus beijos que
me deixaram bem distraído na madrugada, não irão funcionar agora. – Eu sei
que realmente não vão, mas só porque não estamos entre quatro paredes.
Caso contrário...
— Vou contar por partes. – Parecendo satisfeito com a minha
promessa, volta a me dar a mão e continuamos a caminhar em direção ao
veículo. —Eu era muito pequenina quando minha mãe faleceu, estava com
quatro aninhos, não me lembro dos fatos obviamente, mas me contaram
quando eu já era adolescente, que o seu esposo tirou a sua vida por causa do
ciúme excessivo. – Gustavo se mostra abalado com o meu relato. — Tia Ana,
minha mãezinha que me criou como filha e me deu todo amor do mundo
juntamente com a dinda que mesmo sendo casada, arrumava um jeito de estar
presente, elas sempre me contaram o quanto a minha mãe era bonita, que
chamava a atenção de vários homens por onde passava e por causa disso, em
uma briga, o pior aconteceu. – Tentando conter o choro, olho para o lado e
depois de respirar fundo, prossigo: — Só que quando Isaias chegou me
gritando, eu tive um flashback de minha mãe me protegendo, em uma briga
horrível. – Paramos um pouco a caminhada e Gustavo me envolve em seus
braços, ele parece adivinhar quando necessito de um chamego a mais para me
tranquilizar. — Eu tenho certeza que foi uma lembrança, por isso fiquei
daquele jeito, fora de mim. – Nos seus braços, aos poucos eu vou me
acalmando.
— E por onde anda este desgraçado? – Lembro-me dele invadindo a
casinha que eu morava, e conto para Ávila, só assim ele entende o motivo de
eu aparecer sem prévio aviso na sua fazenda.
— Tia Ana tem muito medo dele e quando ela presenciou o desgraçado
me comparando com minha mãe, me fez rapidamente arrumar as malas e em
pouco espaço de tempo eu já estava na rodoviária comprando a passagem
para Rios Claros, e tia para a cidade grande, ela tem aonde ficar em uma
quitinete de uma prima, mas não tinha espaço para mim pois o lugar não é
dos melhores.
Percebendo que é muito para mim tocar em tal assunto, ele me dá
espaço, não cobra o motivo de eu sair pela fazenda e em silêncio,
caminhamos até o carro.
Já acomodados, contudo, ainda parados, resolvo desabafar sobre o
outro assunto, aquele que me faz sentir um peso na vida das pessoas e é um
dos meus incentivos para eu trabalhar em busca do meu espaço.
— Eu te entendo, Bia. – Liga o som do carro onde as notícias estão
passando. – Mas, não leve em consideração o que você por acidente ouviu,
até pais biológicos chamam os seus filhos de “empata foda”, é normal certas
conversas. – Faz movimentos circulares em minha coxa e mesmo por cima do
tecido é uma delícia de sentir.
— Sim, mas eu nem sequer sou filha adotiva, eu literalmente caí de
paraquedas na fazenda e até agora estou procurando uma explicação do
destino, um motivo para me trazer até aqui. – Viro-me em sua direção e lhe
dou um beijo rápido. — Será que foi apenas para me mostrar que eu também
sou mais uma quenga qualquer do Sr. Ávila? – Enquanto eu me divirto
fazendo piada da minha situação. Ele fica bastante sério e dá a partida.
— Você não é uma quenga e eu quero muito mais de você, esta noite
não foi o suficiente, Bia. – Que Gustavo gosta de surpreender eu já sei, mas
por essa eu realmente não esperava.
Porém, também não me sinto à vontade para perguntar um “Como
assim?” ou ao menos pedir para ele deixar mais claro a sua afirmativa, mas
eu acredito que ele está apenas querendo me comer novamente.
Bem, nisso estamos de acordo.
Não tenho forças para rejeitar seus beijos e seu corpinho.
Benza Deus!
— Quero só ver como tia Dora e Zé sempre vão ficar de olho em nós. –
Me dá uma piscadela.
— Eu vou te mostrar como e você vai gostar, o proibido é mais
gostoso. – Mais uma vez, noto que estamos em completa sintonia e
envolvidos uma conversa matinal gostosa, chegamos em frente a sua casa.
O que me faz estranhar, pois eu moro mais adiante.
— Eu tenho que ir para casa. – É como se eu não dissesse
absolutamente nada, Ávila apenas desafivela o cinto de segurança e vai abrir
a porta, mas eu o impeço.
— Bia, eu quero te levar para você tomar um banho de banheira,
depois te acomodar na minha cama, solicitar um farto café da manhã e deixar
você dormir de verdade, enquanto isso, pedirei a alguém para avisar na sua
casa que eu a encontrei e você está segura. – Meu olho dobra de tamanho.
— Gu, eu agradeço e adoraria passar a manhã contigo, mas eu preciso
ir para casa, sem falar que se eu dormir aqui, vai ficar mais difícil de
esconder qualquer coisa entre nós. – Ahhh e eu preciso ser sincera. — Não
pode vir a público nossos encontros, se você falou sério ontem na nossa
reunião, eu serei professora de uma parte dos seus funcionários, eu não quero
que eles saibam que nós nos pegamos, eu preciso ser respeitada. – Pondera as
minhas palavras, por fim, acaba me dando razão e sendo assim, seguimos
para a casa da Dinda.
Até preparo-me mentalmente para o que vou ter que ouvir.
***

Depois de um beijo gostoso, envoltos no perigo de sermos pegos, após


Gustavo me deixar na porta de casa, adentro a pequena sala e o que vejo faz
meu coração ficar partido ao meio.
Tia Dora encolhida no sofá, aparentemente desmaiada e segurando um
lenço.
Deve ter chorado tanto.
— Dinda. – Acaricio o seu rosto e ela vai acordando, na mesma hora
Zé sai da cozinha com uma xicara de café na mão.
— Por onde você estava minha filha. – A abraço, depois recebo um
carinho de Zé e começo a explicar o acontecido.
Dando ênfase ao fato de não imaginar que pegaria no sono, muito
menos que uma tempestade ia me alcançar.
— Foi nesta hora que Ávila te achou? – Chega a hora difícil, aquela em
que eu preciso esconder o que realmente aconteceu. Não por ser algo errado,
mas por saber que tanto minha tia quanto Zé não estão preparados para a
verdade.
— Fui acometida a uma ventania forte, achei até que ia voar e
empacotá. – Fica um pouco “novela mexicana” demais e eu tento amenizar.
— Raios e trovões nos cercaram, seria perigoso demais voltar para casa. –
Até aí é verdade. — Então, Gustavo cavalgou até chegar em uma casinha,
aonde a sua mãe vez ou outra fugia da realidade e se entregava ao seu hobby.
– Aqui também. — Por sorte o lugar é bastante preservado, então
encontramos um sofá, nos sentamos e foi assim que passamos a noite,
conversando. – Com sussurros no ouvido um do outro, ouvindo palavras
sacanas e gemidos gostosos. — Sem perceber dormimos. – Eu me lembro de
estar quase desmaiando em seus braços depois de ser acometida por tanto
prazer. — Hoje pela manhã, assim que acordamos, voltamos. – Fico olhando
para os dois tentando sondar se fui bem na explicação.
— Você me deu um baita susto, Bianca. – Sento-me e abraço minha tia
sem tirar a manta de cima do meu corpo, vai que ela percebe que estou sem
sutiã e calcinha? — O que te fez sair ontem à tarde pedalando por aí? – Eu
jamais contarei a verdade.
— Almocei e conversei com Gustavo, ele aceitou me apoiar na escola
para alfabetizar os seus funcionários, quando eu saí de lá, passei aqui
rapidinho, a casa estava em silêncio. – Faço questão de contar este detalhe.
— Mesmo sabendo que fui apoiada, fiquei um pouco ansiosa para ver as
coisas caminhar, então peguei meu celular, os fones e saí para passear. – Zé
continua me olhando com um ar de interrogação. — Vejo que você fez um
ótimo café, Zé e estou bastante faminta, mas necessito tomar uma ducha. – É
a maneira mais rápida que eu encontro de sair da frente dos olhos cheios de
perguntas.
— Pois vá, tendo fé que você estava prestes a chegar, preparei um
revigorante café da manhã. – Peço licença aos dois, entretanto, no momento
que me levanto, sinto novamente aquela dorzinha nas pernas. — Tá sentindo
o que, minha filha? – Meus olhos dobram de tamanho.
— Pedalei muito, tia. – Me apresso em sair do ambiente, pois o sorriso
que está em meu rosto com certeza me entrega.
Grande foi o esforço físico.
Ao chegar no banheiro já com minha toalha de banho em mão, assim
que tiro o vestido, olho-me no espelho e ainda que de forma disfarçada, a
vermelhidão ainda se encontra presente em meu corpo, nos seios, coxas e
bunda.
“— É assim que você gosta, Bianca? – Ouço o
estralar da sua mão em minha bunda e em segundos o
ardor percorre todo meu corpo.
— Simmm. – Bate mais uma vez me deixando quase
em combustão enquanto apenas me provoca roçando o pau
na minha entrada.
Para em seguida me preencher enquanto puxa os
meus cabelos para trás, de forma que alcança os meus
lábios mesmo quando estou toda empinada, de quatro e me
beija.”
Ao tocar os lugares, recordo-me do momento exato que adquiri as
marquinhas que logo não vão mais existir e sinto-me desejosa por mais.
Da mesma forma quando a água cai em meu corpo. Cavalgar junto com
Gustavo, sentindo os nossos corpos molhados, foi maravilhoso, experiência
única.
E eu só posso pensar em mais.
***

Meia hora depois, devidamente vestida, com o corpo nos lugares certos
cobertos, praticamente ataco a cozinha em busca dos pratos matinais
preparados por José e reponho parte da energia.
Cansada e sem pernas para sequer arrumar a casa, dando a desculpa de
que dormi de mal jeito, após tomar um analgésico, deito-me na minha
caminha confortável e neste momento sinto falta de Gustavo, tenho vontade
de descobrir o que ele está fazendo, mas sem celular fica impossível.
Além dele estar molhado, ainda me esqueci dentro de sua mochila.
Enfim, acabo me conformando em apenas o imaginar e com o coração
disparado por conta das lembranças, vou fechando os olhos e o cansaço vai
fazendo efeito.
Capítulo 11

Gustavo Ávila

Eu simplesmente não quero que ela se vá, uma noite


apenas é pouco demais.
Estou certo de que ainda não tive o suficiente de Bianca, poderíamos
ter uma manhã produtiva após um descanso, é extremamente normal duas
pessoas adultas demonstrarem que estão apenas curtindo o momento.
Contudo, colocando-me em seu lugar, entendo os seus termos e aceito o seu
desejo de ir para a casa da Dorinha.
Já percebi que com Bia, será sempre assim. Um momento de prazer as
escondidas e depois cada um para o seu lado, o que é estranho para mim, pois
gosto de ficar na companhia de quem me agrada e eventualmente saciar os
desejos que se renovam entre quatro paredes.
De fato, me acompanhar até os meus aposentos, depois de tanto tempo
desaparecida, seria o mesmo que assumir que estamos tendo um caso.
Por Bianca ser muito nova e inexperiente, Zé, Dora e os demais
funcionários poderiam imaginar além do que está acontecendo entre nós, ou
saírem na defesa da Bianca achando que estou me aproveitando, quando na
verdade, em comum acordo, só estamos nos deliciando do prazer que
podemos proporcionar um ao outro.
É apenas isso.
Foda boa.
Beijo quente.
Desejos sendo supridos.
E como diz a minha prenda, um fogo desgraçado que não parece
apagar ou que pelo menos renasce a cada instante em que estamos juntos.
Um fato que me intriga. Nós só nos conhecemos há dias e eu percebo
que desde então, me divido entre dois homens.
Antes de ter a Bianca, um momento a dois encerrado para mim, mesmo
que eu ainda estivesse necessitado de mais, sempre virou passado, fumaça,
porém essa noite em especial, ainda perdura em meus pensamentos e nos
mínimos detalhes.
Puta merda! E Bianca era virgem.
Será que eu estou me sentindo especial por ser o escolhido para tal
tarefa prazerosa onde marquei aquela boceta apertada e suas lembranças para
sempre?
Apenas me viciei naquele rabo gostoso que minhas mãos adoram
envolver?
Ou é o conjunto Bianca que me agrada por demais?
Ela é uma prenda linda, definitivamente é muito mais que um corpo
bonito, suas características me cativam, e o pior, sinto que estou sendo
adestrado na porra de um laço viciante, na encoxada das suas pernas grossas
e nos seus lábios gostosos de chupar até ao amanhecer.
Ser domado por Bianca e monopolizar meu pau todinho para ela não
seria ruim, mas então lembro-me dos seus sonhos e ideais e por isso, me
esforço para me conter.
Infelizmente, em uma questão, não nos encaixamos. Como a longo
prazo podemos dar certo? Como farei feliz uma mulher que teria algo tão
importante completamente podado por estar ao meu lado?
É impossível, até foda boa com a mulher que tem o encaixe perfeito
cansa, quando não se tem o mesmo propósito.
O que complica é que Bianca é a mulher mais linda que eu já tive nos
braços e o beijo mais gostoso que jamais poderei esquecer. E eu não estou
exagerando.
— Eita, eita, eita. Posso saber qual é o motivo desse sorriso no rosto? –
Quando chego na cozinha, Nita se aproxima e me passa aquele olhar cheio de
curiosidade enquanto segura um saco cheio de pães. — Não que eu queira
sapeá* a sua vida. – Divirto-me, pois eu sei bem que ela quer.
— Por sorte encontrei Bianca ontem no final da tarde, uns dez minutos
depois da tempestade começar. – Abre bem os olhos enquanto coloco a
mochila no balcão e abro para tirar alguns itens. — Por conta dos riscos que
nos cercavam, a levei para aquela casa em que a minha mãe as vezes se
refugiava contigo para se distrair.
Entre os itens, encontro as peças intimas da Bianca. Fica claro para
mim que ela escolheu as peças pensando em tirar, pois a calcinha é
completamente diferente da que ela usava quando nos conhecemos.
— E? – Percebe que estou segurando as peças e coloca a mão na boca.
— Vocês? – Confirmo com gestos. — Ai meu DEUS! – Comemora
parecendo que eu acabo de contar que vou me casar.
— Obviamente que não entrarei em detalhes contigo, minha amiga. –
Levanta uma sobrancelha. — Mas posso adiantar que quero muito mais,
daquela prenda. – Animada, Nita bate palminhas parecendo até uma criança.
— Ela é linda, muito. – Faz uma dancinha que eu sequer compreendo de qual
ritmo se trata.
— Não precisa entrar em detalhes, o seu olhar já diz tudo, Gustavo. –
Nem me deixa justificar e prossegue com o discurso empolgado: — Já te vi
em uma manhã depois de dormir com a Srta. Lopez, a filha do vereador da
cidade, a tal atriz de novela que se acha a maior estrela da galáxia e até
aquela cantora de forró que eu não consigo gostar, mas com nenhuma delas
você ficou assim, parecendo estar apaixonado. – É, Nita presenciou boa parte
das moças que já conheceram o meu quarto, mas receio que em relação ao
que sinto, ela está exagerando.
*Sapeá - intrometer-se.
— Não se empolgue tanto. – Revira os olhos enquanto recolhe algumas
vasilhas da mochila e chama a minha atenção para o aparelho de celular da
Bianca, onde a tela por dentro, está completamente comprometida por conta
da água. — Vou ter que providenciar um celular para ela, o meu iPhone além
de ser resistente a água, a calça jeans protegeu um pouco mais. – Começo a
me retirar da cozinha já pensando para quem devo ligar pois preciso
conseguir um aparelho o mais rápido possível. Necessito me comunicar com
Bia.
— Gustavo. – Me chama de volta. — Deixe essa calcinha e sutiã
comigo, depois colocarei na gaveta do seu quarto. – A ideia parece boa e
sendo assim, entrego as peças. — Outra perguntinha. Você não quer se
alimentar antes de providenciar um celular para Bia, se a noite foi boa
naquela casinha de um vão, você deve estar com muito sono e um caco. –
Concordo com gestos.
— De fato estou realmente cansado, mas antes de ir para o meu quarto,
vou providenciar o celular. – É prioridade. — Por favor, em no máximo trinta
minutos, leve até mim, no meu aposento, uma farta refeição. – Dou uma
piscadela. — Preciso repor as energias. – Ficamos de acordo e eu sigo o
caminho.
Ao chegar no gabinete, a minha primeira ação é ligar para a maior loja
da cidade, a única que poderá suprir minha necessidade. Segundos depois sou
atendido e por ser conhecido, não encontro dificuldade para fazer o
pagamento online e instantes depois, confirmo a encomenda, mantendo o seu
número original e no plano que os meus funcionários da administração
usufruem.
— Podemos entregar no horário do almoço. Tudo bem, Sr. Ávila? –
Fico satisfeito. É uma espera confortável.
— Ótimo, aguardarei vocês. – Despeço-me e em seguida ligo para
minha fornecedora, Moema. Ela tem os melhores produtos, acessórios
sexuais e sempre se encontra atualizada com o que há de melhor no mercado.
— Sr. Ávila, quanto tempo, confesso que achei que tinha me trocado
por outra fornecedora. – Divirto-me com seu jeito simpático de sempre e
conversamos sobre as novidades. — Se o senhor está me dizendo que gosta
de ver a sua prenda, que é um pouco inexperiente chegando ao ápice do
prazer e que ela fica linda chamando o seu nome, eu tenho algo aqui que
será maravilhoso e vai lhe render um espetáculo. – Moema me explica os
mínimos detalhes do produto e sendo discreta, não me pergunta a quem tanto
quero agradar.
— Vou querer, assim como aqueles óleos que você sabe que eu gosto,
algumas pomadas e lubrificantes. – Fica em silêncio por alguns segundos e eu
deduzo que está fazendo as anotações.
— Deseja comprar algum plug? – Me anima pensar naquele rabo
enorme adornado com algo que, se usado no tempo certo, depois de um
treino, pode proporcionar tanto prazer. – Temos em três tamanhos para ela ir
se acostumando. — A ideia é muito boa, entretanto, além de querer um plug
mais elaborado e com uma joia de valor para Bianca, também necessito ir no
seu tempo.
Antes de tudo, descobrir se ela gostaria de tal experiência. A decisão
será toda dela, eu apenas apresentarei a alternativa de uma forma bastante
prazerosa.
— Não, obrigado. – Nos despedimos e em instantes faço o pagamento
através de um link online e aproveitando que o cansaço ainda não me venceu,
entro em contato com a administração da fazenda.
Primeiramente, para informar sobre o novo centro de estudo que a
Ávila terá e peço que agilizem o processo para a legalização, que inclui desde
a reunião com um engenheiro até se preciso for, uma prosa com o secretário
de educação do estado.
Quando encontro-me no meu quarto, depois de tomar uma ducha
revigorante, recebo o meu café da manhã. Em seguida, já alimentado, resolvo
descansar pelo menos um par de horas pois breve as responsabilidades vão
me chamar, mas antes de fechar os olhos, lembro-me da Bianca e pelo menos
para mim, eu não preciso esconder.
Eu queria que ela estivesse aqui.
***

Acordo com uma chamada. Por julgar ser importante, ainda deitado e
sonolento, estico o meu braço até o criado mudo, quando alcanço o celular,
além de ver que a ligação é da produção do programa, também percebo que já
passou quase duas horas que adormeci.
— Fala, Fonseca. – Sento-me, por saber que quando este meu amigo
me liga, a conversa rende.
— Ávila, que porra você fez com Vânia? – Já esperava esta pergunta,
contudo, quando vou responder, ele prossegue: — Acabo de falar com ela,
conversei sobre o programa especial de São João que vamos gravar em um
pouco mais de um mês, a comuniquei que ela será a noiva caipira, você o
noivo, mas Lopez não aceitou, disse que não quer te ver tão cedo, que vai te
aturar apenas nas gravações do programa, mas que, se vestir de noivinha
romântica, mesmo de brincadeira, é demais. – Se ela não se sente bem, o que
posso fazer?
— Nossa relação casual, que você sabia que existia, acabou. – Fonseca
xinga praticamente em várias línguas. — Não tínhamos futuro e ela estava
criando vínculos demais. – Ouço mais alguns xingamentos que eu
particularmente acho até engraçados.
— Eu sabia que essa porra ia acabar refletindo no programa, que por
sinal já está todo organizado, temos convidados confirmados, como Jorge e
Mateus, Matheus e Kauan e até Sandy e Junior que ressuscitaram a
adolescência da nossa época vão participar e nós precisamos de uma noiva
neste arraiá. – Resmunga mais uma vez. — Porra, não dá para um
programa extra da emissora, divertido, extremamente planejado e lucrativo,
ficar justamente sem a noiva. – Até ouço quando ele respira fundo. — Dá
para você ligar para Vânia e pedir que ela ceda esta ordem?
— Não. – Em hipótese alguma, vai que ela se ilude? — Jamais pedirei
a Vânia em casamento, mesmo que seja para o programa.
— Porra, Ávila, você não vai facilitar? A convença a contracenar, o
público vai adorar. Já especulavam sobre vocês. – Isso não será possível.
— Eu não quero mais esta especulação rondando a minha vida, sem
falar que eu não sou babá de uma mulher adulta, meu amigo. Vânia deveria
lembrar das suas responsabilidades perante o programa e não confundir vida
pessoal com o trabalho. Se ela se recusa eu não irei correr atrás. – Se eu
consigo ser profissional depois do que ela fez com Bianca e ser ridícula após
tramar aquela porra de confusão, por que diabo ela não pode?
— Eu concordo, mas estou de mãos atadas, não posso mudar o
planejamento e preciso de uma noiva, alguma sugestão? – Minha mente não
consegue pensar em ninguém mais, além da mulher que está tomando posse
dos meus pensamentos. Acredito que pensaria em Bianca mesmo que o
programa fosse culinário. Aliás, esse tema combina muito com a minha
prenda. Tão gostosa.
— Tenho uma, bastante interessante...
— Qual? – Ele praticamente me atropela com sua pergunta e
permanece em silêncio enquanto aguarda o pronunciamento que nem eu
estou acreditando que vou fazer.
— Bianca Lima. – Ele permanece mudo. — Você deve ter visto um
vídeo meu dançando com ela e também a defendendo de um desgraçado há
dois dias. – Aguardo alguns segundos para Fonseca se recordar.
— Lembro, o vídeo até deu uma viralizada, mas como você não postou,
para todo efeito ela é uma garota que você puxou na tal ocasião para dançar
e filmaram, o assunto caiu em esquecimento. Na verdade, as fofocas da
semana, incluindo o divórcio dos Camargo, tiraram um pouco o foco. – Ouço
sua risada. — Mas enfim, essa garota não tem importância para o programa,
não vai trazer ibope suficiente. – Ele está enganado. — Ainda assim, preciso
comentar meu camarada. Que mulher linda e gostosa. – Eu não gosto do que
ouço, até me levanto e começo a caminhar pelo quarto. — Me conte, você já
ficou com ela? – A sua pergunta me pega de surpresa.
— Você não precisa saber os detalhes. – Nunca contei pormenores das
mulheres que fiquei por uma noite, não é sobre a Bianca que eu farei um
relato. — E voltando ao assunto do programa, Bia tem importância sim, vai
render um bom bate papo. Ela é mentora de um puta projeto aqui na Ávila
sobre alfabetização dos funcionários da área rural e em relação ao equívoco
sobre a postagem no meu Instagram, agora mesmo eu posso ajeitar esta
situação e farei um repost. Vai por mim, ela logo será a melhor escolha para
ser esta noiva.
— Então está fechado, vamos trabalhar a imagem desta moça e a
deixar interessante para o quadro, confesso que agora até eu estou ansioso
por conhecer a Bia. — Foda-se.
Quem deu a porra da ousadia?
— Bianca, o nome dela é esse. – Fonseca gargalha.
— Okay, já entendi. – Fico satisfeito que sim.
— Então estamos acertados. Porém, eu tenho um pedido para fazer.
Não quero que Vânia saiba sobre a possibilidade da Bia ser a noiva, na
verdade essa é uma exigência minha. – O telefone fica um pouco mudo.
— Horas antes ela vai descobrir. – Que seja. Desta forma será
obrigada a engolir a infantilidade.
— Sem problemas. Vânia saberá lidar com tal circunstância, contudo,
sinta-se avisado, se ela descobrir antes, vai te infernizar. – Ficamos acertados
e nos minutos seguintes discutimos sobre algumas gravações prévias que
poderão ser feitas para que no dia do bate papo com Bianca, nós tenhamos
boas chamadas. — Vai ser emocionante mostrar a importância da
alfabetização, a emoção dos meus funcionários que finalmente saberão ler e
escrever, será um exemplo para vários fazendeiros prósperos deste país. –
Ouço a empolgação de Fonseca.
— Esse programa vai ser ainda mais especial do que eu poderia
imaginar, sem falar que arrebatará os corações das mulheres românticas
que o assistem. – Pausa um pouco a fala. — E eu já prevejo o shipper
nascendo entre a professorinha e você. Será que vai ser #GuBi? – Gargalho
ao ouvir o nome formado. — Bem, eu vou lançar essa hashtag assim que for
oportuno.
***

Vestindo uma calça, camisa de manga três quartos abotoada na frente,


um par de botas de couro agrícola, sinto-me confortável para uma tarde de
trabalho e sendo assim, com a chave do carro em mão, sigo para a porta da
frente pois tenho uma tarde cheia de reuniões e desafios.
— Gustavo, meu filho. – A voz de Nita me chama atenção. — Suas
encomendas acabaram de chegar, o que eu faço? – Vejo que ela segura duas
sacolas, uma da loja aonde comprei o celular para Bianca e outra, bastante
discreta, feita de papel pardo, sem nenhum nome e grampeada para impedir
que curiosos vejam o conteúdo.
— Por favor, Nita, deixe no meu quarto. Quando eu chegar, irei
verificar os itens. – Dou um beijo em sua testa e começo a caminhar.
— Tu já vais trabalhar? A comida nem assentou no seu estômago,
menino. Isso não faz bem. – Me passa aquele sermão materno que, apesar de
gostar muito, acho sempre muita graça.
— A digestão já está sendo feita, minha amiga. Eu já estou atrasado,
tenho uma rápida reunião com os engenheiros e depois tenho que ir até a Ala
Norte C. – Como não tem muito o que fazer, sabe que não é capaz de me
impedir de sair, apenas me deseja um bom trabalho e eu sigo o meu caminho.
***

Na administração da fazenda, em uma sala reservada, converso com os


engenheiros que me passam relatórios, dentre eles alguns que foram feitos
hoje pela manhã contendo informações das últimas horas e eu leio um a um.
Por conta da tempestade da noite anterior, foi necessário verificar se o
nosso sistema de drenagem artificial, que utilizamos em algumas poucas
áreas, estava funcionando e como previsto, sim. Desta forma, o plantio não
foi prejudicado e a qualidade do grão preservada.
— Sacramento, mantenha o olho aberto na região do plantio de café
orgânico, a umidade pode acarretar alguns problemas e por lá não poderemos
utilizar dos agrotóxicos para conter seja qual for a inconveniência. – Ele
confirma com gestos e eu encerro a reunião.
Entretanto, antes de ir para o meu próximo compromisso, passo na sala
de Zé para o encontrar e quem sabe, ter alguma notícia da minha prenda.
— Ávila, desde cedo que estou ansioso para ter uma prosa com você.
– O seu tom de voz me mostra que ele está desconfiado e eu já sei sobre qual
assunto se trata. — Como foi a noite ao lado da Bianca? – Tento me mostrar
impassível mesmo querendo contar sem entrar em detalhes que estou
gostando muito de conhecer a moça cheia de personalidade, mas apenas
sento-me na cadeira a sua frente.
— Conversamos bastante, nos alimentamos com o lanche que Nita
preparou caso a encontrasse faminta e depois de algum tempo observando a
chuva cair, adormecemos. – Em parte é verdade, houve bastante conversa
entre os beijos, amassos e entrega, que o meu corpo clama por mais a cada
segundo.
— Ela não te contou o porquê de ter ido para tão distante? – Eu não
gosto de mentir para Zé, ele é como se fosse um pai para mim, mas não posso
trair a confiança de Bianca e por conta disso, informo que foi apenas um
passeio.
Contudo, sinto a necessidade de arrumar um jeito de descobrir qual o
seu verdadeiro pensamento ao ter Bia em sua vida de uma hora para outra.
Ele e Dora com certeza não estavam preparados psicologicamente para
ter uma hóspede.
— Mudando um pouco o rumo da nossa prosa, eu preciso comentar. –
Conto o quanto estou impressionado com o projeto da minha pequenina e que
aceitei a ajudar. — Ela me surpreendeu por sua inteligência. – É um
afrodisíaco. — Fiz alguns complementos no seu planejamento e no final do
almoço, ela até me perguntou se eu tinha uma casa de funcionário disponível.
– Zé se levanta parecendo surpreso e caminha até a janela.
— E por qual motivo Bianca quer morar sozinha? Ela tem a Dora e eu,
temos um quarto para ela, não existe a necessidade. – Eu concordo com ele
que prossegue: — Bia é uma menina meiga, atenciosa, ela traz luz para
aquela casa. Dora então, ama a sua companhia e eu, pela primeira vez, tenho
a sensação de ter uma filha. – Olha para mim. — Eu já sei o que é ter um
filho, você. – Vou ao seu encontro e o abraço meio que de lado.
— E eu um pai, é isso o que você é para mim. – Dou duas batidinhas
nas suas costas. — Fique tranquilo que Bia é muito feliz ao seu lado e da
Dorinha. – Sondo sua reação e percebo que ele está conformado com a
explicação. — Agora preciso ir para o compromisso, não posso atrasar. –
Retiro-me da sua sala e sigo até onde deixei o meu carro.
***

Ao chegar no local marcado com o engenheiro Lacerda, enquanto


caminho pelas terras, vou lendo os relatórios sobre o preparo do solo local.
Verifico que a limpeza, primeiro passo onde se faz necessário retirar a
vegetação rasteira, assim como as raízes que dificultam o trabalho de
demarcação, já está okay.
Da mesma forma, a amostragem do solo que tem que ser feito pelo
menos noventa dias antes do plantio, pois precisamos saber da qualidade da
terra.
— Foi verificado o PH do solo? – Lacerda confirma enquanto leio um
pouco mais as anotações para ter certeza que foi feito o que ele diz. No
terceiro passo para preparar as terras, foi necessário se fazer a calagem, um
procedimento que promove a neutralização do alumínio e manganês tóxico.
De acordo com os resultados que eu leio, confirmo que são favoráveis e
sendo assim, podemos seguir adiante. — Já podemos avançar para a próxima
fase. – Ele aprova o que digo, depois continuamos conversando sobre o
rodízio de lotes que fazemos na Ávila para sempre manter as condições para
o plantio da melhor maneira. E por fim, me despeço.
— Te vejo mais tarde na festa da Santinha que está rolando na cidade?
– Não seria uma má ideia, aliás, é um convite que se encaixa perfeitamente
bem com minha rotina, porém.
— Hoje não será possível, tenho um compromisso inadiável. – Lacerda
me passa um olhar curioso enquanto eu percebo o quanto eu necessito ver a
bravinha.
Como ela está depois de uma noite tão intensa e de novidade para ela?
— Meu amigo, tu tá enrabichado*? – Eu não seria tão romântico, mas
diria que ainda não tive o suficiente daquela prenda gostosa e linda.
O tipo de mulher que eu gosto, tanto que atrai o meu olhar e me detém.
— Não. – Olho um pouco para o horizonte ainda perdido em meus
devaneios.
— Se tu dizes que não, eu finjo acreditar, mas o Ávila que eu conheço
não perde uma noite cheia de promessas, estou certo que tem rabo de saia
nesta história, mas vou aguardar para ver. – Gargalha zombando do meu
estado. Depois de me despedir, sigo para o meu carro, assim que me
acomodo, coloco o cinto de segurança, então recebo uma notificação da
administração confirmando uma reunião para o próximo dia, às quatorze
horas com uma equipe responsável pela construção e legalização da escola.
Enfim, mais um motivo para ir ver a minha prenda. Ela precisa saber as
novidades.
***

*Enrabichado – Apaixonado.
Já em casa, durante o tempo que me alimento e tomo uma ducha, deixo
o celular da Bianca carregando, assim como o outro presente e ao terminar de
me arrumar, recolho os presentes e sigo para casa de Zé e Dora.
Estou certo de que eles provavelmente vão estranhar a minha visita,
mas dessa vez, sei que tenho um álibi real que me será muito útil.
***

— O que te traz aqui, meu filho? – Zé, como sempre, me dá a


passagem e de prontidão me convida para jantar, contudo, eu agradeço, mais
não aceito por já ter me alimentado.
— São dois motivos. – Preparo-me para ser discreto. — Primeiro,
como eu sei que na tempestade Bianca perdeu o celular, encontrei um entre
os meus pertences que posso lhe ceder para que ela não fique sem
comunicação. – Ele parece aceitar bem a desculpa. Eu omito que o aparelho
na verdade é novo, para evitar qualquer desconfiança, já que Bianca decidiu
nos manter em segredo. — Também tenho alguns assuntos para tratar com
ela, sobre o seu projeto relacionado à escola. – Parece ficar feliz com o que
ouve.
— Isso é muito bom, na verdade será de grande feito aqui na Ávila,
não sei como não pensamos nisso antes. – Caminhamos até o sofá onde nos
acomodamos.
— Na verdade a cidade oferecia ensino para os adultos, mas com esta
porra de crise que estamos vivendo, as verbas para a educação foram cortadas
e como sempre a população é que sofre. – Ele concorda, trocamos mais
algumas palavras, até que Dora lhe chama e pelo o que percebo, a minha
amiga está na cozinha.
— Eu tenho que atender a Dorinha, mas antes vou chamar Bianca. –
Caminha até o corredor. — Espero que ela ainda esteja acordada. – Ah, eu
também e quando penso que ele vai avançar o caminho, volta a me olhar. —
Ela dormiu boa parte do dia, aquela maluquice de sair pedalando por aí, lhe
rendeu uma bela dor nas juntas. – Puta merda, não era para nos render aos
desejos durante a madrugada, tínhamos que esperar ela se recuperar da
primeira vez. Mas não resistimos.
— Ela logo ficará bem. – Ele acena positivamente e só então segue o
caminho.
Um minuto depois, me avisa que Bia já está vindo e segue para
cozinha, me deixando a sós com a minha expectativa que até foge do meu
controle.
Ah Bianca, como eu te quero novamente, na verdade eu preciso dos
seus lábios nos meus e me fundir novamente entre suas pernas.
***
Capítulo 12

— Oi, Gu. – Para o meu deleite, à minha espera não demora


muito e logo sou agraciado por mais uma vez ouvir a sua voz tão próxima.
Fico louco para a ter nos meus braços, perco o controle do meu pau
quando a observo mais de perto pois a vejo usando uma saia curta de malha,
blusa de alça, que mais parece ser de uma roupa de dormir, e os cabelos
soltos que encobrem os deliciosos seios que eu gosto de chupar.
— Já está recuperada da surra de pau que levou? – Meu tom de voz,
ainda que baixo e regado de muito bom humor, a faz rir enquanto a puxo e
uno os nossos corpos. Ela me inebria com o seu cheiro doce.
Eu gosto do efeito de quando estamos juntos. Bia é pequenina,
curvilínea, tem carne nos lugares certos e se encaixa muito bem comigo,
apesar da diferença de altura, ela é a mulher que definitivamente me atrai.
Ainda envoltos em um clima gostoso, depois de olhar rapidamente em
direção a cozinha, percebendo que estamos seguros, não dou espaço para que
ela responda. Ao me inclinar, encosto os meus lábios nos seus de forma lenta,
aproveitando e saboreando toda a maciez, até que o beijo vai ganhando outra
proporção.
A sala, que até então era bastante ventilada, fica quente. Ansioso por
mais, peço passagem com a minha língua e o encontro com a sua, dá um
choque gostoso que reflete em sinais de entrega e o quanto nos desejamos.
Bianca mexe com a minha estrutura, me testa e leva-me ao limite. O
toque das suas mãos deixam um rastro quente em minha pele, sinto todos os
pelos arrepiados.
— Ah Gustavo. – Desejosa, sussurra o meu nome. Ainda assim,
recobrando a razão, fica um pouco preocupada quando nos separamos, olha
em direção a cozinha, mas logo percebe que o bate papo do meu amigo e sua
esposa, é uma prosa que vai render, e demonstra que eles não estão nem aí
para nós.
— Estou aqui, minha prenda. – Levanta uma sobrancelha enquanto me
olha.
— Sua? – Confirmo com gestos. — Desde quando? – Revira os olhos e
eu volto a beijá-la, no mesmo instante que deslizo a minha mão por sua
coluna, até alcançar o rabo gostoso. Logo eu o aperto. — Gustavo. – Sua voz
sai mais como um gemino safado e eu a imagino toda molhadinha.
— Já quer mais? – Minha gostosa acaricia meu peitoral e vai fazendo
o caminho.
— Ainda sinto que fui atravessada por um trem danado de bom e que
me desmontei com você entre as minhas pernas, mas... – Acaricia o meu pau
por cima da calça flanelada e até lubrifica os lábios... — Você me deixa com
um fogo desgraçado, homem. – Eu gosto disso, muito. — Eu nem me
reconheço e esse perigo de sermos pegos está me deixando toda molhada. –
Ela não faz ideia do quanto eu gosto desta situação. — Eu já me imagino
sentada em seu colo te recebendo e você me fazendo chamar o seu nome
diversas vezes, mesmo que seja na minha imaginação.
Ah Bianca, é o que mais quero.
É quente.
Excitante.
Quem nunca trepou correndo riscos de ser pego, nem pela vida passou.
— Então vamos dar um jeito, eu posso apagar o seu fogo agora. – Ela
abre bem os olhos.
— C-Como? – Demonstra muita excitação por conta da circunstância,
me deixando certo sobre duas coisas. Primeiro, eu sei que sua boceta está
pronta para levar a noite toda e segundo, se José ver algo vai querer me capar,
mas ainda assim, eu vou matar a fome da minha prenda.
Sem mais delongas, a encaminho até a poltrona que fica de frente para
o sofá e de certa forma protege a visão de qualquer coisa que eu venha a fazer
e quando nos aproximamos, dou as coordenadas, pois eu já percebi que ela
gosta. Bia é uma mulher cheia de personalidade e se um homem não souber
domar, no mínimo ela perde o interesse.
Bem, comigo isso não vai acontecer.
— Fique de quatro e apoie as suas mãos no encosto. – Com Bianca de
costas para mim, sussurro em seu ouvido enquanto acaricio todo o seu corpo.
— Gustavo. – Sua voz saindo quase como um gemido baixinho, me
enlouquece. — É tão perigoso, tem certeza? – Você não imagina o quanto.
— Vai ser gostoso e rápido, só fique em silêncio. – Apoia os joelhos na
cadeira, inclino seu corpo para que fique bem empinada e ela se segura.
Estou ciente que temos pelo menos uns cinco minutos por conta do tom
de empolgação de Zé e Dora na conversa, então me apresso para a satisfazer.

Bianca Lima

Gustavo, acrescido por muitas doses de perigo...


Essa definitivamente é a combinação que me deixa fora de mim e
ousada de uma maneira que até mesmo me desafia. Quando eu poderia
imaginar que aceitaria tal sugestão?
Nenhum dos rapazes que eu troquei alguns beijos tomou tanta
iniciativa como Ávila. Eu admito, não é todo homem que conseguiria tal
proeza.
— Eu sei que vai. – Enquanto sinto a minha saia sendo levantada e os
seus dedos roçando em minha pele, seguro o gemido só de imaginar o que ele
está prestes a fazer.
— Gustavo. – Sussurro bem baixinho, ele encosta o seu corpo todo no
meu, me faz sentir o quanto o seu pau está duro e se inclina por cima do meu
corpo.
— Oi. – A sua voz percorre todas as minhas terminações nervosas
enquanto o sinto afastar a calcinha. — Silêncio, Bianca. – Passa o dedo entre
os grandes e pequenos lábios quase me fazendo gozar só por ser ele a me
tocar. Chego a cravar as minhas unhas no tecido da poltrona e fecho os olhos
absorvendo toda plenitude dos seus toques. — Abra os olhos, Bia. –
Praticamente balbucia ao me olhar um pouco de lado. — E lembre-se, Zé e
Dora estão na cozinha.
Volto para realidade, ao mesmo tempo que sou transportada para um
ambiente só nosso, principalmente quando se ajoelha atrás de mim, com suas
enormes mãos me abre todinha, me mantém toda exposta usando a sua
pegada mais forte e na medida certa. Eu quase grito quando Gustavo pincela
a língua por toda a minha extensão.
Cada chupada me leva ao êxtase, suas mãos me apertando causam um
certo ardor que percorre por todo meu corpo, louca de desejo, pedindo por
mais, totalmente despida de qualquer resquício de vergonha, empino mais
ainda e para completar, rebolo em sua boca enquanto o pingo de consciência
que me resta, clama aos anjos protetores dos amantes, que eu tenha tempo
para pelo menos gozar.
Desejo esse que não se demora a virar realidade. O fogo desgraçado me
consome, minha entrada começa a contrair e em segundos eu me desfaço em
sua boca enquanto cubro a minha com a mão para abafar meus gemidos.
Respiro fundo uma vez...
Duas...
Três, e só então olho para trás para testemunhar um olhar cheio de
tesão me fitando.
— Você é louco. – Me passa um sorriso safado ao testemunhar minha
rendição, enquanto eu ainda estou imóvel, sentindo as pernas tremendo.
— Somos. – Me carrega e senta-se no sofá comigo em seu colo. —
Estava com saudade desse rabo gostoso. – Sem querer, faço uma careta
enorme e um bico sem fim. — De você também, é claro. – Me derrete toda e
por conta disso o beijo, sentindo mais uma vez o meu sabor em seus lábios e
enquanto as nossas línguas roçam uma na outra, nossos corpos pedem por
muito mais.
Será que nunca é o suficiente?
— Será que você reconheceria meu rabo no meio de outros? Ou não?
Lembro bem o que aconteceu quando nos conhecemos. Você me confundiu
com aquela apresentadora azeda, não é? – Acaricia a lateral do meu corpo.
— Eu sei que tudo começou por um engano e que eu fiquei cego
quando vi tanta beleza em minha frente. Outra vertente em minha defesa, é
que nenhum empregado entra no meu quarto quando estou por lá, a não ser
que eu peça e momentos antes, eu havia recebido no meu celular uma
promessa de uma boa foda, eu já estava pensando com as partes de baixo. –
A sua sinceridade me faz rir, e muito. — O seu corpo tem carne nos lugares
certos, o seu rabo é redondo, empinado, e tem um sinal que o deixa ainda
mais lindo, mas não é por isso que te reconheceria, Bia. – Me puxa para mais
perto. — O seu cheiro é inconfundível, as reações da sua pele quando recebe
meu toque é único e eu já te mapeei todinha. Igual a você não existe, garota
de um metro e meio. – Meu coração acelera ao ouvir a sua declaração, que
ainda que seja totalmente carnal, parece tão romântica.
Fico por alguns segundos sem ter o que dizer e quando vou abrir a boca
para declarar que eu o reconheceria também em qualquer lugar, ouço as
cadeiras da cozinha se arrastando.
— Vamos esticar as pernas, Zé? – A voz da minha tia faz a gente se
afastar e eu me sento ao seu lado, um pouco recolhida no cantinho para não
ficar muito na cara o que estava acontecendo, enquanto Gustavo coloca uma
sacola em seu colo. — Ora, desde quando você chega aqui em casa e não vai
falar comigo, meu filho? – Assumindo um controle invejável, Gustavo, que
até então estava com o pau duro, ainda segurando a sacola para encobrir a
barraca que não está completamente desarmada, vai até a dinda e dá um
abraço nela.
Usando as mãos que estavam me dando tanto prazer e para completar a
minha angústia, conversa de pertinho e lhe dá um beijo na testa.
Santo Deus! Eu gozei em sua boca não tem nem dez minutos.
— Me perdoe a falta de educação Dora, mas me empolguei tanto para
contar as novidades sobre o projeto da Bia que me passei. – Olha para mim.
— Ainda temos mais alguns assuntos para discutir, mas prometo que não vou
demorar. – Zé olha em minha direção.
— Está tudo bem, Bia? Você pode ficar sozinha com o patrãozinho ou
prefere que eu lhe faça companhia? – Seguro um sorriso na mesma hora.
Ah Zé! Inocente José.
— Está sim. Não esquente a muringa. O Sr. Ávila não ficará muito
tempo por aqui, só precisamos tratar alguns detalhes. – Ele acena
positivamente com a cabeça. — E a senhora, minha tia, trate de dormir, eu sei
que na noite anterior tu não pregou os olhos. – Ela concorda, manda um
beijinho para mim com gestos e se vai com o seu amado, deixando-me ao
lado da tentação em forma de homem. — Então, agora me conte, além de
mais uma vez me levar à loucura, o que te traz aqui? – Olha para sacola, e
ainda a segurando, senta-se ao meu lado praticamente de frente para mim.
— Vários motivos, o primeiro você acertou, eu precisava te ver
gozando. – Reviro os olhos em um tom de brincadeira. — Eu vi o seu celular
todo estragado na minha mochila e te trouxe outro para que você não fique
sem comunicação. – Abre uma caixa e me entrega o presente, deixando meus
olhos arregalados.
Santo Deus e eterno Pai... O que estou vendo é real?
— Gustavo, eu não posso aceitar, a não ser que você divida o valor
deste celular em pelo menos quarenta e oito vezes. Pelo o que vi nos sites,
este iPhone é um lançamento. – Parece não se importar com o que eu digo. —
Ávila. – Mudo o meu tom de voz, coloco minha mão na cintura e ele
finalmente percebe que estou em pânico.
— Bia. – Acaricia meu rosto com bastante cuidado. – É feio negar
presente, sabia? – Fico tentada a sorrir, mas ainda assim, permaneço séria. —
Aceite o meu presente. – Pausa por um momento e demonstra estar
escolhendo as palavras e eu o entendo, antes mesmo que ele volte a falar.
— Eu sei que para você, o valor deste iPhone é irrisório, mas para
mim, é algo do outro mundo, surreal, entende? – Toca em meus lábios.
— É um presente meu para você. Na verdade, pouco me importa o
valor, Bianca. Somos feitos da mesma matéria e não ligo para essa coisa de
mundos diferentes. – Me puxa para mais perto. — Apenas me faz feliz, saber
o benefício que este aparelho vai te proporcionar. – Volta a olhar para a
sacola. — O outro aparelho que tenho guardado aqui também.
Estando ciente de que não vencerei a guerra e me sentindo confortável
com o presente por conta da sua explicação e significado que tem para ele,
dou-lhe um beijo rápido.
— Muito obrigada. – Ele me mostra a outra caixa, abre e quando eu
vejo os itens que estão nela, sinto minha pele aquecida e tenho a certeza que
estou vermelha como uma pimenta. — Meu Deus.
— Não é bem esse o nome que você vai chamar quando usar esses
itens. – Me dá uma piscadela. — Chamar por Deus, será até pecado e eu
tenho certeza que vai ser o meu. – Vejo alguns lubrificantes que tem a
promessa de esquentar, pulsar, esfriar e fico louca para experimentar cada
um, mas o que mais me chama atenção é um vibrador um pouco diferente e
quando vou percebendo do que se trata, meus olhos dobram de tamanho,
assim como a minha expectativa.
— Você sabe que, obviamente eu nunca usei nada do tipo, nem sequer
um estimulador clitoriano, apesar de já ter pesquisado sobre. – Aceno para os
itens. — Mas deve ser bom tudo isso. – Acho que falei um pouco demais e
desvio meu olhar tentando fugir de Gustavo, mas ele segura o meu rosto e
com cuidado me força a olhá-lo.
— Esse seu fogo de iniciante é uma delícia, Bianca. – Com o polegar,
acaricia a minha bochecha. — Eu gosto e quero te ensinar todas as formas de
sentir prazer. – Sua voz grossa sussurrada me deixa ainda mais molhada. —
Esses produtos vão nos ajudar a ter sensações únicas e sobre esse vibrador,
quando você o usar, eu que vou controlar a intensidade através de um
aplicativo, seja lá de onde eu estiver. – Ele definitivamente quer ser o dono
do meu prazer, mesmo quando não puder estar presente. E eu gosto. Mais do
que deveria. — Mas, você vai me prometer algo.
— O-o que? – Coloca a caixa onde estão todos os itens no chão,
escolhe um frasquinho e abre a tampinha.
— Quando você o estiver usando, eu quero ver através de uma
chamada de vídeo. – Enquanto derrama um pouco do lubrificante em sua
mão, tento dizer um NÃO por ter medo de cair na rede, contudo ele
prossegue: — Eu gosto de te ver gozando. Você fecha os olhos, morde os
lábios tentando conter os gemidos, vez ou outra se mostra tímida para depois
os deixar fluir em alto e bom som, me aperta, e chama o meu nome várias
vezes, como chamará novamente em instantes. – Desliza a alça da minha
blusa me deixando com o seio direito exposto e o abocanha me fazendo
inclinar a cabeça para trás buscando o ar.
Enquanto recupero o fôlego e fico olhando para o corredor pedindo aos
céus para Zé e tia Dora continuarem no quarto, ele abre as minhas pernas,
afasta a minha calcinha e me deixa toda meladinha com o lubrificante que
rapidamente começa a esquentar, me fazendo praticamente jorrar.
— G-Gustavo... Ah. – Com uma mão em minha nuca, me puxa ao seu
encontro, silencia meus lábios com os seus, o encontro das nossas línguas me
faz delirar, fico louca para avançar e o sentir lá dentro apagando meu fogo e
quando menos percebo, já estou sentada em seu colo, com uma perna de cada
lado, de frente para ele, tirando a sua camisa. — Gostoso. – Liberta o pau o
deixando fora da sua calça flanelada. — Muito gostoso. – Busca rapidamente
o preservativo em seu bolso, abre o pacotinho e logo o veste.
— Senta, Bianca. Cavalga em meu pau. – Excitada, fora de mim, com
a saia toda embolada em minha cintura, a micro calcinha puxada para o lado,
melada no unguento do inferno que me queima todinha, vou sentando, o
sentindo me rasgando, sensação que me mostra o quanto sou novata no
assunto, mas nem assim, estando com os olhos marejados por causa do leve
incomodo, eu paro.
Pois está gostoso.
Quente.
E é Gustavo. Oh homem bom demais da conta, meu Deus.
— Me chama daquelas coisas, Gu. – Com meus cabelos envoltos em
sua mão, me imobiliza e olhando nos meus olhos começa a me provocar.
A cada palavra dita, sento mais forte, tendo uma força nas pernas que
eu nem fazia ideia que tinha, vou aumentando a velocidade gradativamente,
em alguns momentos minha mente me leva para um mundo onde só Gustavo
e eu existimos, até me esqueço por alguns instantes que podemos ser pegos e
curto cada segundo do nosso encontro.
— Bianca. – Se levanta comigo em sua posse, entrelaço minhas mãos
em seu pescoço, Gustavo envolve o meu quadril com seus toques, me aperta
e continua ditando o movimento no meio da sala, me fazendo quase que
perder a consciência, até que mentalmente, eu grito o seu nome enquanto o
beijo, sentindo um prazer ainda mais forte do que no dia anterior.
A verdade é que o sexo só melhora.
Como é que se conforma em viver sem o prazer que Gu proporciona?
— Nós estamos correndo muito risco. – Olho para o corredor enquanto
ajeito a minha blusa e Gustavo me levanta para se retirar de mim.
— Você não me deixa raciocinar direito. – Me passa um sorriso safado
e quando me coloca em pé no chão, rapidamente eu me sento, pois ainda
sinto minhas pernas tremendo, mas ainda assim meus olhos o fitam
centímetro por centímetro enquanto retira o preservativo, dá um nó e guarda
em seu bolso.
Eu entendo de imediato a sua ação, até o dou razão pois muitas
mulheres se matariam por uma gotinha do seu esperma. Mas eu não sou
como elas, contudo, eu sei que ele ainda não sabe disso.
— Será que agora você pode me falar sobre o outro motivo de estar
aqui? – Veste a camisa e vem para o meu lado, mas antes de abrir a boca, me
envolve em seus braços mais uma vez, me surpreendendo em um pós sexo
maravilhoso. Cheio de carinho que me deixa... Apaixonada.
— Marquei uma reunião com o engenheiro, arquiteto e demais pessoas
que estão envolvidas na obra da sua escola. – Ah, ele sabe como fazer uma
mulher feliz. — E eu quero que você me acompanhe. – Ai meu Deus.
— Eu vou adorar. – Acaricio a sua mão que repousa em meu ventre e
faz pequenos movimentos circulares.
— Que bom. – Dá um beijo em minha têmpora. — Ainda tem outro
assunto, Bia. – Detém toda a minha atenção e em minutos me conta sobre o
programa especial que irá ao ar em um pouco mais de trinta dias e da minha
participação para tal momento.
— Gustavo, eu tenho vergonha. – Às vezes pode não parecer, a
verdade é que estou acostumada a falar em público, mas algo na TV, é
novidade. — Ainda mais que será ao vivo. – Ele dá uma risada gostosa e eu
volto à o olhar nos olhos.
— Não tenha nenhum medo, eu vou estar perto de você o tempo todo,
ainda mais que eu serei o noivo e você a noiva do arraiá. – Meu coração
romântico dá uma batida a mais e eu tento controlar minhas expectativas.
É óbvio que é cedo demais idealizar um casamento com Gustavo que
só quer sexo. Porém, me imaginar sendo a sua noiva caipira quase enche a
minha cabeça de sonhos infundados, que eu faço rapidamente questão de os
varrer para longe.
Sexo...
Descobertas...
Prazer, é só isso o que vocês têm.
— Você pode me contar como conseguiu a proeza de indicar uma
desconhecida para participar de algo tão requisitado? – Ele parece ponderar a
minha pergunta, ou está escolhendo as palavras corretas. — Quero a verdade,
Sr. Ávila. – Volta a me aninhar.
— A noiva seria a Vânia, mas ela não aceitou. – O nome me causa
arrepios, não gosto nem um pouco da sensação e agradeço não estar de frente
para Gustavo, eu não saberia disfarçar o bico enorme. — O produtor me
pediu para a convencer, mas eu não aceitei e foi assim que dei a sugestão de
ser você. – Ele me conta sobre o vídeo que está na internet e nós dois estamos
dançando, que ele repostou e para completar, me pede para aderir à rede
social.
Eu não me sinto tão bem em me expor tanto, não sou artista.
— Você está lidando com uma professora que leva a vida pessoal de
uma maneira bem discreta. – Me explica que o projeto tem que ser visto pelo
mundo e que eu posso usar as redes para postar questões da língua portuguesa
e o caminhar da obra. Ele faz com que eu veja o lado bom disso tudo.
— E eu agradeceria se você repostasse a minha publicação. – Dou-me
por vencida e aceito, — Agora você percebe o quanto é interessante para a
programação? A Ávila está expandindo a sua responsabilidade social e você é
a mentora, você faz parte da evolução deste lugar, Bianca. – Pausa por alguns
segundos. — E eu não a incluiria em nenhum projeto meu, ou nesta fazenda
se eu não acreditasse em você. – Fico mais do que convencida. — Eu me
importo com o meu pessoal. – Acho tão lindo o seu cuidado.
— Então tudo bem, eu vou confiar em você, principalmente que não
me deixará sozinha. – Me explica que durante os próximos dias algumas
matérias serão gravadas comigo e nesse clima gostoso de conversa, ficamos
conversando até pelo menos uma hora da manhã entre beijos e carícias
deliciosas.
Até parece que temos algo mais.
Só que não.
— Agora eu tenho que ir, Bia. – Apesar de saber que este momento iria
chegar, sou pega de surpresa, pensei que a noite poderia se estender mais um
pouco.
Sem falar que eu me conheço e eu estou certa de que o fato dele ter que
ir embora me incomoda, eu gostei, na verdade eu adorei passar a noite
anterior em seus braços, mas tento disfarçar.
— Tudo bem, eu já estava prestes a te colocar para correr, estou certa
de que ultrapassamos a cota dos riscos. – Nos levantamos, caminhamos até a
porta onde mais uma vez nos beijamos e eu tento absorver o máximo que eu
posso dele.
— Venho te pegar para reunião depois do almoço, prepare-se para
passar a tarde fora. – Confirmo com gestos e ele se vai, enquanto eu fico
observando Gustavo caminhando até o perder de vista.
A sensação é estranha.
— Merda, você não pode estar com saudade e não deve idealizar
absolutamente nada. Deus já te abençoou demais lhe dando um emprego,
realizando o seu sonho e futuramente tendo uma casinha só sua para morar e
o melhor, ganhando bem, tendo o salário dos sonhos de qualquer professora.
– Me repreendo, ponho em mim freios mentais, mas eu sei que não é
anormal querer dormir abraçadinha com quem se acaba de transar.
Sentindo-me um pouco cansada, fecho a porta, mas antes de seguir
para o meu quarto para guardar debaixo de sete chaves os presentes cheios de
segundas intenções, observo se a sala não está com alguma prova que possa
nos entregar e por julgar que o cheiro de sexo impera no ambiente, trato de
deixar uma janela aberta para que o vento me livre de todo constrangimento.
Já no meu quarto, deixo o meu novo celular na cama, guardo os
lubrificantes, pomadinhas e vibrador na última gaveta, debaixo de várias
roupas, escolho uma camisola folgadinha e vou para o banheiro pois preciso
de uma ducha.
Depois de me deliciar com um maravilhoso banho, que de certa forma
acalma a minha pele, abro a porta do banheiro e meu coração quase sai pela
boca ao encontrar a minha tia e o pior, notar que ela tomou o mesmo susto
que eu.
— O que tu estás fazendo ainda acordada, Bia? – Olha-me de cima
abaixo. — Banho? Agora? – Dou de ombros. — Está com fogo na preciosa?
– Abro bem os olhos. Será que ela está percebendo algo?
Capítulo 13

Valei-me meu Pai Amado.


— Senti um pouco de calor. E a senhora, o que faz acordada? – Mesmo
andando com dificuldade, me oferece a mão e me leva até a cozinha. —
Culpa do Zé. – Dá de ombros e a sua pele fica toda corada, dá até medo de
ouvir o que vem pela frente. — Meu homão das bolas firmes gosta de
namorar, muito e isso me dá uma fome retada. – Morro de vergonha por ficar
a par de tal intimidade enquanto seguro o riso e sem ter para aonde correr, me
sinto uma intrusa. — Praticamente todas as madrugadas, estou por aqui,
atacando a cozinha. Como é que emagrece assim? – Nos divertimos enquanto
percebo que Gustavo e eu quase fomos pegos. Ora, existiam dois casais
atracados na mesma residência e pelo o que noto, durante o mesmo período.
— Me acompanha em um lanche, minha filha? – Confirmo com gestos pois
estou com o estômago colado.
— Com certeza, tia. – Ela abre a geladeira, tira uma jarra de suco e nos
serve, enquanto eu, tomo a frente para fazer dois sanduiches.
— Me conte sobre a reunião junto com o patrãozinho. – Deus do céu. E
lá vai eu mais uma vez fazer cara de paisagem, tendo que pular várias partes.
— Foi tudo bem, conversamos bastante sobre a futura escola para
adultos da Ávila, mas vamos concluir amanhã depois do almoço. – A observo
para sondar as suas reações.
— Minha menina, tem tempo que eu quero comentar e me esqueço, eu
sabia da existência da creche, assim como estava ciente que não tinha vaga
para professoras, por isso não te falei. Mas eu fico feliz que a partir do
momento que você soube, pensou em uma alternativa e Gustavo aceitou. –
Passa a mão pela cabeça e parece que está ficando sonolenta.
— Foi uma verdadeira bênção ser acolhida pelo Sr. Ávila. – Falar o seu
nome simplesmente me faz sorrir. Meu Deus, eu tenho que disfarçar. — Ah,
um dos assuntos que conversamos hoje à noite, é que eu serei uma convidada
no seu programa televisivo. – Os olhos da dinda dobram de tamanho. — Por
conta do meu projeto de alfabetização. – Mesmo assim ainda parece
espantada com a notícia e eu decido prosseguir. — Será no especial de São
João e eu serei a noivinha caipira, enquanto o seu patrão, o noivo. – Ela ainda
parece completamente espantada.
— O que estou perdendo, Bia? – Se levanta, coloca as mãos na cintura
e realmente parece muito assustada. Eu não poderia imaginar que até um
provável pensamento de algo acontecer entre nós dois a deixaria tão
temerosa. — Você será mais uma iludida nos braços de Gustavo? – Nego
rapidamente com gestos.
— Não, claro que não, estou ciente de que ele não presta. – Isso é tão
controverso, porque eu agora o conheço melhor e entendo boa parte das suas
atitudes. Eu não consigo mais pronunciar tal frase e ficar bem. — Na verdade
eu acho que ele é um ótimo homem. – Volta a se sentar parecendo assustada
com o que ouve. — Passei uma noite conversando com Gustavo, sei da sua
história desde que ele era uma criança, do quanto é um batalhador,
responsável e todos os empregados da fazenda o veneram. – Com gestos, me
pede para continuar a falar. — O fato dele ser namorador, talvez seja porque
ele não encontrou a mulher ideal, não é pecado ter uma ou outra mulher,
principalmente quando se deixa claro as suas intenções, sem falar que as
garotas não são obrigadas a irem para a cama com ele, é um comum acordo. –
Só então volto a respirar de maneira mais tranquila e estou certa de que
exagerei na defesa. — A senhora não concorda comigo? – Estendo o prato
para ela que logo se serve.
— Ávila sabe que ganhou uma advogada? – Com a boca cheia, reviro
os olhos em um tom de brincadeira. — De qualquer forma, eu te dou razão,
minha filha. E para ser sincera, – Bebe um pouco do seu suco. — até entendo
as moças que não resistem a tanta masculinidade, Gustavo é um belo rapaz. –
Sinto-me um pouco mais consolada.
— Eu também entendo, tia. – Dou de ombros enquanto ela segura uma
risada. — O seu patrão é lindo de viver, pena que nunca olhará para moças
que não estão no seu nível social. – Minha Dorinha parece lamentar.
— Eu concordo e azar o dele, existem moças lindas aqui na vida real, a
começar por você. – Começo a corar e ao invés de prosseguir com a prosa,
mordo mais um pedaço do sanduiche. — Mas contigo o romance não ia
vingar, mesmo que tu fosses rica, Gustavo não combina com você. – Olha
para porta da cozinha assumindo uma postura de quem quer contar um
segredo. — Gu não quer ter filhos, eu sei disso pois ele conversou com Zé,
enquanto você nunca escondeu o quanto quer ser mãe. – Fico completamente
sem palavras, tia segue me contando que finalmente em poucos dias voltará
no médico para ver se estará liberada para as atividades, mas a verdade é que
o assunto para mim morreu e eu começo a querer entender a escolha de
Gustavo.
Acredito que a sua família triste o traumatizou e certamente ele não
quer ser como o pai.
Ele nunca seria como o pai, ele já não é.
Nos minutos seguintes, disfarço uma tristeza que nem sei explicar, fico
com vontade de dizer a Gustavo que ele tem todo direito de não querer ter
filhos, mas que se for por conta das suas lembranças tristes, tal escolha não
tem fundamento.
Será que ele não percebe que é um homem de verdade e
completamente diferente? Ou acha que tal comportamento é hereditário?
— Ah tia, esse lanche caiu do céu, eu estava muito faminta. – Mordo o
último pedaço e termino de beber o suco. — Mas agora eu tenho que dormir.
– Ela concorda, nos despedimos e após escovar os dentes, já no meu quarto
deito-me na cama, como o sono evaporou, vou bisbilhotar para ver o
funcionamento do novo aparelho e quando estou no WhatsApp agradeço
mentalmente a Gustavo por permanecer com o mesmo número.
Dentre as mensagens recebidas, encontro algumas de uns amigos da
cidade que eu vivia, vejo minha mãezinha online, aproveito para contar as
novidades e pelos áudios enormes, percebo o quanto ela fica feliz.
— Deus me ouviu, Ele é fiel. – Tia Ana fica emocionada. — Tenho
saudade de você, Bia. Das nossas conversas tarde da noite, nossos passeios...
Daria tudo para estar perto de você, minha menininha. – Ouço quando
respira fundo. — Sobre a minha pessoa, as coisas aqui na cidade estão um
pouco mais difíceis do que eu poderia imaginar, mas com fé em Deus, eu
conseguirei algo.
Minha consciência fica pesada, não quero imaginar que a mãe que o
Papai do céu me deu, esteja passando sufoco e sozinha. Tia Ana sempre
esteve ao meu lado e morando em uma cidade pequena, tenho muito medo
que ela sofra algo por não saber lidar com a novidade da capital.
— E se eu conseguir um emprego para a senhora aqui na Ávila? No
meu projeto, precisarei de funcionárias para escola e melhor secretária não
há. – Eu nem espero sua resposta. — Amanhã mesmo, eu vou falar com o
patrão.
Ela manda uma chuva de emojis que demonstram emoção e felicidade.
— Vai ser um sonho, minha filha. Mas será que seu patrão vai ceder
ao seu pedido? Vocês já se conhecem tanto assim?
Por sermos muito amigas, decido contar um pouco sobre o Sr. Ávila.
— Ele vai sim, ele é maravilhoso e... – Pauso um pouco a fala
enquanto escolho as palavras corretas para não ficar ainda mais entregue. —
E é dono de um coração enorme.
— Você fala deste homem de uma forma que até parece que está
apaixonada, Bianca. – Não. É só fogo na preciosa. Certeza.
— Eu o admiro, a sua história é linda, mas somos de mundos opostos,
mesmo assim o Sr. Ávila é um homem que os seus funcionários o veneram.
Ele é um protetor para os seus funcionários apesar do seu jeito bruto. – E que
jeito. Oh tentação.
Assumindo o posto de uma mãe, tenta sondar sobre cada segundinho
dos meus dias na Ávila, mas logo eu alego ter sono e nos despedimos, mas
antes de abandonar o meu novo celular ostentação, vejo uma mensagem de
Aladilce.
“Oi Bia,
Como vai?
Me desculpa por estar enviando esta mensagem.
Eu não quero incomodar.
Apenas queria te falar que Isaias resolveu se cuidar e
por sua causa.
Ele percebeu o que se pode perder por conta da
bebida.
Outra questão, eu o noto muito agitado as vezes, acho
que para ele seria muito bom ter algo para ocupar a mente,
você me indica algum livro?
Desculpa estar te importunando, sou só uma mãe
tentando ajudar o seu filho e não tenho com quem
conversar para pedir ajuda. Só conheço pessoas na cidade,
aqui na roça, fica complicado, você é a mais próxima.
Eu também queria te encontrar para falar sobre um
assunto delicado, mas vai ser por aqui mesmo. Quando
você me perguntou se conhecíamos alguém na fazenda, eu
disse que não, mas foi por conta da vergonha, uma certa
feita a minha família brigou com os Ávila por causa de um
pedaço de terra.
Isso foi um vexame e é algo que eu quero esquecer.
Espero que me entenda e me desculpe a omissão.
Ah, eu vi uma postagem no Instagram do Sr. Ávila de
vocês dois dançando. Felicidades.
Beijos.”
Sem querer, ela me lembra de que eu preciso me conectar à rede social
e antes de a responder, acesso o Instagram. Quando me cadastro através do
Facebook, em um piscar de olhos acho o Gustavo, vejo o post aonde
aparecemos dançando e leio a legenda:
“Dançando com ela...”
Deus! Olho o vídeo umas três vezes, está na cara que eu me aproveitei,
que ele gostou e eu fico mais iludida nos assistindo, testemunhando o homão
praticamente me possuindo em público.
Passado um pouco mais da minha ilusão, depois de alguns segundos,
descubro como se faz um repost, compartilho, mas acrescento uma legenda
que responde a sua...
“Dançando com ele...”
Então tiro um print, envio para Gu através do WhatsApp, para que ele
veja que eu compartilhei e volto para a conversa de Dilce.
Meu coração fica partido quando releio a mensagem, percebo que
apesar do que aconteceu entre Isaias, sua mãe e Gustavo, eles não devem ser
pessoas tão horripilantes, mesmo existindo a mentira. Bem, talvez eu possa
ajudar, pelo menos com a indicação dos livros.
Eu só não entendo o motivo da Dilce sempre afirmar algo sobre
Gustavo e eu.
Enfim... Pode ser apenas curiosidade.
Eu também teria, mas não tocaria no assunto.

“Oi, Dilce.
Fico feliz com a notícia.
Isaías é um bom rapaz, só precisa se cuidar.
Sobre as indicações, a senhora sabe me dizer qual é o
gosto literário dele?
Fica um pouco difícil indicar livros quando se está no
escuro, mas se ele curte fantasia, Harry Potter, a saga
Divergente, Senhor dos Anéis ou até mesmo Game of
Thrones são sempre bem aceitos.
Contudo, eu posso tentar encontrar alguns livros mais
específicos se você me der alguma dica.
Em relação ao passado, fico feliz que tenha confiado
em mim para me contar, mas é melhor esquecermos.
Beijos e se cuida.”
Preparo-me finalmente para dormir, mesmo estando com a cabeça tão
longe. Mais precisamente em Gustavo e na nova informação que eu tenho.
Entretanto, me vem à memória o fato de não estar ao meu alcance fazer
absolutamente nada, então decido sossegar.
***
Abro os olhos para um novo dia tendo a necessidade de pelo menos
adormecer por no mínimo um par de horas, mas as responsabilidades me
chamam.
Tenho que lavar na máquina umas peças de roupa.
Arrumar a casa, que sempre precisa de um socorro em algum cômodo.
Preparar o almoço e só então me arrumar para a tal reunião com os
engenheiros e Gustavo. Homem que só de pensar me faz abrir um sorriso e a
preciosa até bate palminhas.
Me divertindo com a circunstância, alcanço o meu celular para conferir
a hora, abro o aplicativo de mensagens e logo vejo a mensagem mais
esperada.
“Bom dia, minha prenda.
Já viu como está o seu Instagram?
Acredito que hoje, demos ao mundo da fofoca
vários motivos para especularem.
É o suficiente para a sua presença no programa
ser a mais esperada do ano.
Te vejo após o almoço.
Beijos,
G. Ávila.”
Curiosa, abro o aplicativo e espanto-me ao notar que já ganhei mais de
dois mil seguidores e que o comentário de Gustavo, que na verdade é um
emoji dando uma piscadela, foi curtido por mais de oitocentas pessoas.
Eita gota.
Curiosa, passeio o meu olhar sobre os comentários e começo a manhã
rindo para caramba e me iludindo.
“Ai meu Deus! Ávila não é mais solteiro.... #Deprimi”

“Ele demorou, mas arrasou na escolha. Olha o


#Rabetão da prenda linda.”

“#BiGu ou #GuBi? Só sei que já estou shippando


MUITO”

“Lindos, lindos, lindos... Quando será que ela vai ao


programa dele?”
“LINDAAAAAAAAA....”

A maioria das pessoas já acham que somos um casal, muitos me


elogiam e ainda o parabenizam pela escolha... Contudo....

“Que homem.”

“Se eu fosse ela, ia passar a vida me esfregando


nele...”

“Lindo, gostoso, tudo de maravilhoso...”


“É impressão minha ou ela é gordinha?”

Gostosa... Sou gostosa... É, nem tudo são flores e eu ainda me sinto


acanhada ao ver o quanto ele é paquerado.
Okay...
Okay...
Eu concordo que não tem como não o elogiar e sendo assim, abstraio o
maldito ciúme.
***

Depois de trabalhar três horas sem parar entre os afazeres de casa que
incluem colocar roupa para lavar, arrumar a casa e preparar a comida, guardo
o suco de laranja na geladeira e quando viro-me para ir tomar um belo banho
que seja capaz de tirar o cheiro de temperos e detergente de mim, dou de cara
com minha tia.
Puta merda!
— Você está esgotada, minha filha. – Senta-se na mesinha e fica me
olhando. — Mas está com um sorriso no rosto gigante. – Como tenho ainda
alguns minutinhos, decido fazer um pouco de companhia.
— Não estou cansada, faz bem trabalhar e sobre o sorriso, é
gratificante para mim saber que Gustavo está me apoiando e eu vou realizar o
sonho de ensinar. – Acredito que a minha resposta a convence, até porque
uma enorme parcela do meu estado de espírito, é por conta da minha
realização profissional.
— Se você está falando, eu acredito. – Dinda se distrai com Zé, que
todo animado chega contando sobre uma nova contratação na Ávila e eu
aproveito para olhar o WhatsApp, pois havia deixado o celular na mesa.
“Ah, Bianca.
Você não imagina o quanto é difícil.
Eu tenho praticamente dois filhos em um.
E você conhece as duas versões dele, mas pelo menos
para mim, a parte complicada não anula o quanto ele é
bom e um ótimo filho.
Zai, desde novo teve que assumir muitas
responsabilidades, principalmente quando o seu pai nos
deixou fazendo questão de dizer para ele, que meu menino
não era o seu filho, por conta disso Isaias ficou deprimido
e se entregou a bebida.
Enfim, Bia Sobre os livros, eu não faço ideia, mas ele
gosta muito de alguns filmes com acontecimentos
estranhos, tipo gente com poder, voando...”

Fantasia. É com certeza esse o gênero literário que ele gosta.

“Então fique tranquila que vou procurar umas


indicações de livros. Quem sabe na biblioteca da cidade
não tenha alguns exemplares?
E sobre o tratamento.
Eu creio que dará tudo certo.
O primeiro passo, Isaias deu e foi se cuidar.
Estou na torcida...”

Como estou acompanhada por pessoas confiáveis, acabo comentando


sobre os vizinhos da Ávila e eu percebo que causo duas reações.
Zé, como eu já sabia, não gosta mesmo dos vizinhos e me conta o
mesmo que Gustavo, já a minha tia, morre de dó de Isaias por conta do seu
vício.
— Ele nem sempre foi um menino ruim, Zé. – Repreende o seu amado.
— Eu pedi para Bianca se afastar porque eu tenho medo do outro lado, quem
não tem? – Eu a compreendo. — Dizem que ele ficou assim depois que o seu
pai foi embora, o deixando ainda adolescente. – Percebo que Aladilce não
mentiu. — Tem gente que não sabe lidar com abandono. – Zé parece um
pouco pensativo.
— Eu tenho dó do menino, é uma má sorte desgraçada esse vício, mas
não confio na família dele. Dona Dilce poderia impedir aquele auê todo sem
fundamento para conseguir mais terras, para ser sincero, eu nunca nem
entendi o porquê do tio do menino processar Gustavo. – Volta a olhar para
mim. — Continue distante. – Eu resolvo ser sincera e aprofundo o assunto.
— Venho trocando mensagens com a dona Dilce, ela está me pedindo
ajuda sobre algumas indicações de livros porque nota Isaias agitado, ainda
mais agora que ele começou a se tratar. Eu não vejo nada demais nisso. Por
este motivo, comecei a conversar com vocês sobre os vizinhos. – Tia Dora
toca em minha mão.
— Você pode ajudar a Aladilce indicando livros. Eu acredito que ela
também precisa ter alguém para conversar, pois as pessoas sem perceberem
se afastam das famílias que sofrem por ter um membro viciado. – Olha para
Zé e ele confirma com um breve acenar positivo de cabeça me deixando mais
tranquila.
Logo depois, apreço-me para não perder a hora com Gustavo e estando
com a consciência tranquila, sigo com a minha rotina.
***

Ao terminar de tomar banho, almoçar e escovar os dentes, ainda com


os cabelos molhados, procuro algo para vestir enfrentando mais uma vez a
saga de ter trazido apenas uma mala de roupas que permitem poucas
combinações. Estou certa de que assim que receber meu salário, precisarei
comprar algumas peças chaves, incluindo umas duas calças jeans, pois a
única que trouxe acabei de lavar.
Olhando o tempo passar, no desespero, lembro-me do vestido que usei
há alguns dias para sair com Gustavo e mesmo sem querer, estando focada na
reunião, pensamentos sacanas percorrem o meu juízo pervertido.
“— Na verdade você fica linda de qualquer jeito.
Empinada no meu quarto. Arrochada em uma calça jeans
como ontem à tarde e agora neste vestido. E eu sei que se
puxar esta cordinha...
— Sr. Ávila. Tira a mão daí.”
Lembro de estar louca para sentir ele puxando a cordinha bandida e
deixando cair o vestido nos meus pés. Nem sei aonde arrumei forças para o
repreender enquanto queria ser possuída, como fui uma noite após nosso
primeiro beijo.
É, eu vou de vestido.
***

Depois de receber uma mensagem de Gustavo que me avisa que em


cinco minutos passará para me buscar, olho-me mais uma vez no espelho, e
com o celular na bolsa e segurando uma agendinha, já que deixei meu
caderno na mansão, sigo para frente da residência da minha dinda.
— Como você está linda, minha filha. – Ah, eu realmente queria estar,
mas não tive muito tempo para me arrumar, mas mesmo assim, agradeço
aquele elogio que faz muito bem.
Com alguns minutos agoniantes de espera, Gustavo estaciona
praticamente na minha frente, como sempre vem ao meu encontro me
deixando doidinha para lhe dar um beijo, mas por medo de ser pega no flagra,
fico quieta.
— Esse vestido... – Ele gosta do que vê. Na verdade, eu consigo o
efeito que tanto queria. — Assim eu não aguento. – E nem é para aguentar...
Eu já penso em mil possibilidades quando ele abre a porta do veículo.
— E se eu te contar que... – Quando olho para parte interna do carro,
congelo. Ai meu Deus. Não estamos a sós.
— O que foi, minha prenda? – Sussurra me deixando toda molhada.
— E-eu me esqueci algo lá no quarto, você espera um minutinho? –
Gustavo estreita os olhos, e fecha a porta provavelmente para que os três
rapazes que estão presentes não nos ouçam.
— O que? – Ponho-me na ponta dos pés e ao olhar rapidamente para os
lados e constatar que ninguém nos observa...
— Estou sem calcinha e sem sutiã. – Ávila envolve a minha cintura no
mesmo instante e me puxa unindo os nossos corpos.
— Bia. – Me repreende, mas eu sei que o seu pau deve estar latejando
de desejo, louco para tirar minha roupa dentro do carro que deveria estar
vazio. — Volte para o quarto e coloque as suas peças íntimas, eu não posso
nem pensar na desgraça que vai acontecer se o vento levantar a sua saia. – O
seu cuidado, alinhado com tanta posse, me deixa ainda mais excitada. —
Rabo de prenda minha não fica exposto para outros cabras e eu não vou
correr riscos. – Sem pudor, acaricio a sua barba por fazer.
— Eu gosto quando você diz que eu sou sua, acreditando que o
significado seja apenas carinhoso, sobre as minhas partes, não sinto a
necessidade de sair por aí compartilhando, contanto que seu pau não visite
nenhuma quenga. – Com um ar de diversão, me dá uma piscadela. — Ué,
Gustavo, direitos iguais. – Coloco a mão no laço do vestido e o movimento,
chamando a sua atenção. Ele rapidamente segura o tecido.
— Não vai, eu juro. – Sorri safadamente. — Agora vai colocar uma
calcinha, eu te espero. – Me divertindo com tudo isso, corro para dentro de
casa, entro apressada por não querer atrasar a reunião, contudo, encontro tia
Dora conversando no celular de frente para a porta do meu quarto.
E agora?
Como vou pegar a peça intima?
— Bia, esqueceu algo? – Sem jeito, apenas procuro por um batom que
está na minha necessaire e guardo na bolsa.
— Só isso, tia. – E volto para o carro, estando certa que Ávila não vai
gostar do que acaba de acontecer.
Mas além de eu não ter o que fazer para ajeitar a situação, vou me
divertir muito o vendo com um pouquinho de ciúme.
Mesmo que ele nunca assuma.
Capítulo 14

Gustavo Ávila

Enquanto vejo Bia correndo em direção a sua casa, exibindo


feminilidade, segurando delicadamente a saia para que não suba com o
movimento e a exponha, fico a pensar no que acabamos de dizer um para o
outro.
Ainda que em tom de brincadeira, envoltos em uma situação
engraçada, conversamos sobre fidelidade, fiz questão de deixar claro que
muito me agrada que ela seja só minha e em contra partida, ela fez o mesmo.
É justo. Sinto que apesar de nos conhecermos em poucos dias estamos na
mesma sintonia e queremos mais um do outro.
Contudo, isso é novo para mim.
Ainda que em silêncio, me assusto ao me imaginar apresentando meus
lugares favoritos no mundo para Bia, tenho vontade de acordar ao lado da
minha prenda, sem falar que vê-la dormindo também me faz bem.
Como eu poderia esquecer a nossa primeira noite juntos naquele sofá
minúsculo e improvisado?
Desde aquela madrugada em que velei o seu sono, me encantei com o
modo que ela se encolhe quando sente um pouco de frio, o jeito que procura
o meu abraço buscando conforto e como entrelaçou a sua perna com a minha.
O que está acontecendo comigo?
Desde quando observei tantos detalhes?
O que eu vou fazer com aquela incompatibilidade enorme que existe
entre nós?
Eu já fui mais racional na vida, nunca sequer cogitei mudar os meus
planos e decisões por uma mulher. E para ser sincero, ainda não penso de
forma esclarecedora sobre isso.
Estou certo de que é muito cedo para Bianca pensar em filhos, ainda
estamos nos conhecendo, mas eu sei que preciso conversar com ela. Nunca,
em hipótese alguma, posso iludi-la sobre quem sou e o meu modo de pensar,
não quero magoá-la.
— Parabéns, Ávila. A moça é muito linda. – Quando baixa o vidro do
carro, Heitor, o engenheiro civil, me tira dos meus devaneios ao fazer o
comentário e eu o olho bem sério. — Com todo respeito. – Aceno
positivamente aceitando o seu pedido de desculpa disfarçado, entretanto, não
entro em detalhes sobre o que tenho com Bia.
— Eu os vi em um vídeo no Instagram, na ocasião vocês estavam
dançando um forró, isso há um par de dias se não me engano, mas confesso
que aquelas imagens não foram o suficiente para me fazer acreditar que você
aposentou, mas o vendo agora com a moça, já não tenho o que duvidar. –
Abreu, o arquiteto, não perde a oportunidade de se posicionar. — É bom te
ver tomando um rumo, eu sou casado e compromisso não é ruim. – Às vezes
é divertido testemunhar como as pessoas acham que ser solteiro é estar sem
rumo.
— Faço das palavras dos meus amigos, as minhas. – Lourenço, o
engenheiro eletricista, como sempre, é o mais discreto da equipe ao emitir sua
opinião.
— Fico agradecido a vocês, meus amigos. – Permaneço sem entrar em
detalhes, mas a prosa logo se encerra quando Bia vem em nossa direção, um
pouco tímida demais para a mulher que eu conheço. Aí tem.
— Boa tarde. – Saúda os meus amigos, eles educadamente respondem,
eu abro a porta do carro para que ela entre e sigo para o meu lado. —
Desculpa não falar com vocês antes, eu tinha me esquecido algo muito
importante, então retornei para casa, mas... – Me olha no momento em que
dou a partida. — Eu não encontrei o que fui procurar. – Fecho os olhos por
uma fração de segundos sem ter o que fazer e odiando a circunstância. Aqui
na fazenda venta muito, Bianca só deveria ficar sem calcinha em um encontro
mais protegido.
Mas eu aprecio a sua vontade de me surpreender, mulheres também
podem e devem mostrar o quanto querem um homem.
— É algo que pode te prejudicar? – Abreu parece realmente
preocupado, ele não faz ideia de como eu estou e sendo assim, sigo o rumo,
vez ou outra olhando para as pernas da Bianca para me certificar que o
vestido não está subindo sequer um centímetro.
— Não, de forma alguma. Apesar da importância do objeto, a vida
sempre força a gente a se adaptar. – Ela não faz ideia do quanto estou
tentando me ajustar mesmo sabendo de tal situação.
— Mudando de assunto... – Heitor dar o ar da graça. — Meus amigos e
eu, ficamos curiosos para saber como vocês se conheceram, pois nunca
testemunhamos Ávila enrabichado. O caso é recente? – Bia aguarda por uns
segundos que eu me pronuncie, provavelmente espera que eu desminta os
meus amigos, mas ao invés disso, apenas a observo e dou uma piscadela.
Esperta, percebe na hora a minha intenção e parece animada ao se divertir
confabulando as suas respostas.
— Nos conhecemos assim que cheguei na fazenda. Gustavo me
encantou com o seu jeito cavalheiro de ser à primeira vista. – Dá um
sorrisinho e só eu sei qual a sua verdadeira lembrança.
— Já Bia, me chamou atenção por conta da sua delicadeza, uma prenda
que parecia muito tímida e que eu tive dificuldade para me aproximar. –
Delícia de mulher brava, que parecia que ia me bater e eu quero que a
lembrança seja só minha. — E na mesma noite que a conheci, bebi o melhor
café da minha vida. – Bia cobre a boca com a mão, em seguida se vira um
pouco para atrás movimentando as pernas.
Parece até que esquece que está desprotegida.
— Eu fiz um café especial para o Gu e na mesma noite fiquei sabendo
que ele é como um filho para o esposo da minha tia, por conta deste motivo,
acabamos nos aproximando e... – Fica calada por alguns segundos, dá a
impressão que ela está escolhendo as palavras certas.
— Se apaixonaram? – Lourenço, aquele amigo que faz do silêncio um
companheiro, por conta desta característica é bastante observador, acaba de
jogar em Bia um questionamento que a deixa sem palavras. A mim também.
Eu posso afirmar que o mulherengo Gustavo Ávila já sabe o que é o
amor à primeira vista de um rabo gostoso, para ser sincero, estou ciente de
que não é apenas o seu corpo que me chama atenção, pois a minha mente só
consegue pensar em Bianca como um todo e por conta disso, decido
responder.
— Estamos nos conhecendo. – Toco na coxa grossa e muito gostosa da
minha prenda. — Entretanto, vamos manter em segredo por um tempo o que
existe entre nós, a pedido da Bianca. – Minha bravinha repousa a sua mão por
cima da minha e a acaricia.
— É verdade, eu preferi assim, ainda mais que serei professora dos
funcionários, não quero que inicialmente eles me vejam como uma extensão
do Gustavo, é interessante criar o vínculo apenas de professora e alunos. –
Meus amigos parecem entender e neste clima bom prosseguimos o rumo.
***

Assim que chegamos na administração da Ávila, minha secretária vem


ao nosso encontro para me informar que a sala de reunião já está arrumada.
De imediato, peço para que ela encaminhe a equipe para o local e quando Bia
vai dar seus passinhos acompanhando os meus amigos, a seguro.
— Você vem comigo. – Me olha cheia de expectativa e eu posso
garantir que ela está esperando uma foda gostosa na minha sala, mas por
enquanto, infelizmente para nós dois, não será possível.
— Zé não está por perto? – Adentramos o ambiente, tranco a minha
sala, de imediato desafivelo o meu cinto, desabotoo a minha calça e desço o
zíper. Bia, em contrapartida, morde os lábios sem perceber, na expectativa de
tomar uma surra de pau que eu queria muito dar. Mas...
— Não vamos transar. – Faz um biquinho. No mesmo instante que
respira fundo ainda lamentando, eu tiro a minha calça, a cueca boxer e coloco
as peças no sofá enquanto aprecio a minha gostosa. Ela fica linda quando faz
suas caras e bocas. — Por enquanto, não teremos tempo, apesar de eu estar
pronto. – Aponto para as minhas partes e ela coloca a mão na boca fingindo
ser recatada.
— Você está sempre pronto e é lindo de se ver. – Dá um passo em
minha direção. — Eu queria. – Olha para meu pau e o acaricia delicadamente
contornando as veias, me deixando louco para a satisfazer. — Colocá-lo em
minha boca. – Puta merda. — Contornar essas veias com a minha língua. –
Lubrifica os lábios quando volta a me olhar e estimula o meu pau bem
devagarinho, me deixando com um puta tesão. — Eu nunca fiz isso, apesar
de já ter visto em alguns vídeos, não sei se saberei ser como você deve gostar.
– Puxo Bianca para próximo do meu corpo e ela geme com a pegada que
envolve a sua cintura.
— Vai saber sim e eu vou adorar foder sua boquinha. – Balbucia a
palavra “safado” enquanto a carrego e levo até o sofá onde me sento com ela
em meu colo. — Não é só a sua boca que eu quero foder, Bianca. – Sem
prévio aviso, a movimento até que ela fique de bruços, deitada em meu colo,
com o meu pau entre suas pernas e com o vestido suspenso me dando uma
bela visão do seu rabo.
— Por favor me conte. O que mais seria? – A safada roça sentindo o
comprimento, pela primeira vez pele na pele e logo depois eu acaricio entre
os grandes e pequenos lábios, até chegar atrás, onde faço movimentos
circulares na entrada, usando a lubrificação da sua boceta. — Ai, Gustavo. –
Crava as unhas no forro do sofá, leva um tapa bem gostoso que deixa a sua
carne avermelhada e em seguida volto a acariciar o que eu tanto quero.
— Você quer me dar? – Empina para mim. — Bem isso aqui? – Bia
rebola.
— Ahhh sim. – A sua resposta é música para os meus ouvidos. — Não
vai doer? – Ah minha prenda, não tema.
— Vamos bem aos poucos e você sabe. – Olho para o relógio e
percebo que já estamos chamando bastante atenção, pois o nosso tempo de
duração na sala passa de cinco minutos. — Eu faço gostoso. – Rendida ao seu
desejo e confiando em quem, em pouco tempo, já lhe levou ao êxtase, me dá
o aval para a iniciar em mais uma forma de sentir prazer.
— Eu confio em você. — Ela não faz ideia do quando me faz bem
ouvir o seu pronunciamento. Logo depois, passo minhas mãos por debaixo da
barriga da Bia e levanto-me a trazendo nos meus braços para em seguida a
colocar em pé. — Agora vou te passar a minha boxer para você vestir. –
Arregala bem os olhos.
— Nunca me imaginei usando uma cueca boxer. – Sorri lindamente
enquanto eu explico que só ficarei em paz se ela estiver protegida. — Tudo
bem, mas eu estou toda molhadinha, preciso urgentemente ir ao banheiro e
depois pode ter certeza que eu aceito a sua sugestão, mas com uma condição.
– Dá um passo em minha direção me provocando, com os mamilos marcando
o vestido. — Você vai ter que vestir esta cueca em mim. – Ela sabe como me
provocar assim como também gosta de usar o seu tom de ordem comigo. Mas
eu também sei me aproveitar e não tardo com as minhas intenções.
Depois que ela volta do banheiro, a encosto na parede, ajoelho-me na
sua frente e antes de a vestir, levanto a sua saia dobrando o tecido, apreciando
cada pedaço da sua pele macia que vai ficando exposta, até ver de perto
novamente a boceta que está me adestrando mesmo sem saber.
O seu cheiro gostoso de mulher me atrai e eu fico louco para lhe dar
prazer, entretanto, disposto a provocar Bianca que me deixa enlouquecido de
tanto desejo, suspendo uma das suas pernas fazendo com que ela se apoie em
meu ombro, de antemão peço que ela faça silêncio e sentindo o quanto sou
desejado, começo a distribuir beijos na parte interna das suas coxas.
Excitada, Bia fecha os olhos, lubrifica os lábios com a língua bem
devagarinho quando chego perto de tudo o que quero, entretanto mais uma
vez me contenho por saber que o tempo não é o nosso amigo.
Apesar de ser adepto de rapidinhas, eu preciso de muito mais do que
tivemos na noite anterior e começar a trepar com o tempo certo para parar,
não dá.
— Gostosa. – Quando eu olho para cima, presencio a minha prenda
com os olhos dilatados, a pele corada, demonstrando aquele puta desejo que é
capaz de me levar à loucura.
— Gustavo. – Volta a fechar os olhos quando beijo no alto da sua
boceta e distribuo beijos até encostar os meus lábios no seu clítoris. Logo
depois, com a cueca em mão, levanto as suas pernas, uma de cada vez, coloco
a minha boxer nela e a visto. De tão rabuda que Bia é, fica parecendo que está
usando um micro shortinho todo colado. — É tão injusto não matarmos esse
desejo que está nos consumindo. – Toca em meu peitoral. — Quanto mais eu
te tenho, eu quero. – Confessa inebriada de tanto tesão.
— Mais tarde, Bia. Agora não podemos, sem falar que José está na sala
ao lado, participará da reunião e a qualquer momento pode querer me chamar
aqui. Nós já temos dez minutos trancados, dando pano para manga dos
fofoqueiros – Lamenta durante o momento em que visto a minha calça e
depois acaricio os seus lábios. — Eu juro que ainda hoje teremos um tempo
só nosso. – Fica na ponta dos pés e me dá um beijo depois de entrelaçar as
mãos em meu pescoço.
— Tudo bem, eu entendo. – Nos beijamos, desta vez de forma mais
lenta, apreciando o sabor um do outro, sentindo o calafrio que o encontro das
nossas línguas espalha sobre nós, até que nos afastamos e após alguns
segundos em que me concentro para ficar apresentável em público, seguimos
para a sala. — Você tirou o meu batom todinho. – Sussurra baixinho. —
Ainda bem que José não me viu quando chegamos. Ele, apesar de ser
homem, poderia perceber. – Bem capaz.
— Mas eles continuam rosados de tanto que foram chupados e são
lindos. – Abro a porta da sala e eu noto que só faltava nós dois.
Porra, nem eu acreditaria em uma desculpa nossa.
— Já ia procurar por vocês. – Zé logo se pronuncia e eu informo que
fomos olhar umas fotos da fazenda. — Enfim, ainda bem que chegaram. –
Olha para a minha prenda. — Sente-se aqui, Bia. – Zé a chama e eu vou para
o meu lugar de praxe.
***

No início da reunião, Heitor nos apresenta a planta e o projeto a meu


ver, é bastante funcional.
Contendo três salas, sendo elas direcionadas para o pré-vestibular,
alfabetização e artesanato. As mulheres já alfabetizadas vão poder aprender a
fazer algumas artes utilizando matéria encontrada na Ávila e a venda será
feita através de um site das mulheres empreendedoras Avilaenses. Nome
escolhido por Bia. O valor arrecadado será distribuído para as próprias
famílias.
Vamos contar também com alguns espaços direcionados para
coordenação e diretoria.
Banheiros para os alunos e professores.
Cozinha, aonde vamos servir toda noite um lanche gratuito e área em
comum para socialização e futuros eventos. Uma boa parte do entretenimento
e alimento será patrocinado por empresas que fazem merchandising no
programa televisivo.
— É assim que a senhora imaginava que seria a instituição? – Heitor
direciona a pergunta para Bia, que provavelmente acha estranha a forma que
está sendo chamada, pois de forma discreta franze a testa.
— Na verdade está muito melhor do que eu poderia imaginar. – Me
olha e eu vejo aqueles olhos marejados que estão prestes a transbordar de
tanta felicidade. — Muito obrigada, Sr. Ávila. – Quase mandando um foda-se
para o nosso segredo, dou uma piscadela e prosseguimos conversando sobre a
quantidade de alunos e os funcionários para que o centro educacional siga o
seu caminho com sucesso. — Gustavo. – Todos olham para Bia. — Eu tenho
uma indicação para secretária. – Peço para que ela prossiga. — Ana, a minha
tia e mãe, ela tem bastante experiência na área e é formada em secretariado
executivo. – Sorri para mim. — Eu vou ficar muito feliz se for possível. – Ela
ainda acha que não será? Além da Ana ser a sua mãe, ainda é preparada para
o cargo.
— Por favor, José. Chame a Ana para uma entrevista. – Zé confirma e
eu noto o quanto a minha prenda está feliz e animada. Eu gosto de vê-la
assim.
— Obrigada. – Ela praticamente balbucia.
Damos continuidade falando sobre o paisagismo externo do local para
que seja um ambiente agradável. Em seguida, em relação ao sistema de
transporte que precisaremos ter para facilitar a ida e vinda dos alunos e
durante quase três horas aprovamos plantas, detalhes sobre cor, piso ideal e
finalizamos quando eu informo para Bia que a quero na diretoria no segundo
semestre de inicialização das atividades. Ela fica bastante surpresa.
— Você é a mentora, eu não consigo imaginar uma outra pessoa para
ocupar este cargo em um curto prazo. – Todos ao redor concordam com a
minha escolha, pois sabemos que as exigências feitas na rede pública para
Bia assumir o cargo não serão problema em uma escola independente e sendo
assim, acertamos o prazo para a entrega do prédio em um mês. Tempo
suficiente para uma grande equipe levantar uma construção simples de dois
andares. — Enquanto isso, montaremos aqui na administração, uma sala
provisória para que as matrículas dos alunos sejam feitas. – Eu quero Bia por
perto.
— É uma ótima alternativa. – José concorda. — Proponho que uma
equipe de pelo menos três pessoas seja direcionada para uma visitação na
casa dos funcionários fazendo o convite, explicando como será o
funcionamento das aulas. — Concordo e peço para que José selecione as
pessoas que farão a abordagem.
***

Esperançoso para finalmente ficar a sós com Bianca, acreditando que já


trabalhei demais desde as cinco horas da manhã, direciono-me até a minha
sala para buscar a chave do carro enquanto Bia liga para Ana, a sua mãe, para
contar a novidade. Contudo, antes mesmo de chegar na porta da sala, a minha
secretaria me lembra que Mendonça, o responsável pela área de secagem
mecânica dos grãos de café, já está me esperando no seu polo de trabalho
para a reunião que eu tinha confundido as datas.
— Tudo bem, eu já vou resolver esta questão. – Situação essa que eu
sei que vai demorar. Quando Mendonça e eu nos encontramos, somos
detalhistas, o setor requer bastante atenção, pois é a secagem do grão que vai
ditar a qualidade da safra. — Bia. – A chamo assim que adentro a sala de
reunião aonde ela ainda está com Zé. — Não poderei te levar em casa agora,
tenho uma reunião há mais ou menos vinte e cinco minutos de distância
daqui, na área se secagem do café. Por um momento eu estava achando que
seria amanhã. – A lamentação inaudível de Bia é quase palpável.
— Não tem problema. – Me passa um sorriso reconfortante mesmo
estando contrariada. Esse jeito de ser da minha prenda, tão compreensível, me
cativa, ela não pensa apenas nela. – Eu posso ir com você e... – Zé dá um
passo em nossa direção e acaba nos interrompendo.
— Vai trabalhar em paz, meu filho. Eu levo Bianca para casa. – Ela
chega a respirar fundo.
— Eu agradeço, Zé. Não precisa sair do trabalho mais cedo por minha
causa. – Ele a interrompe com gestos.
— Não tem problema, meu horário é até as dezessete horas, estou certo
de que posso sair uma hora antes. – Olha para mim. — O patrãozinho não
voltará por agora. – Eu confirmo, nos despedimos e Bia segue com Zé
enquanto eu vou trabalhar mais um pouco.

Bianca Lima
Dezenove horas. E apesar de ter um início de noite cheio de afazeres
que brotam dentro de uma casa, vez ou outra verifico o meu celular e nele
não há nem sequer uma mensagem de Gustavo.
Por onde ele anda?
Vinte horas. Com a dinda e o José sentados ao meu lado, nos
alimentamos enquanto animados conversamos sobre a minha mãezinha que
aceitou trabalhar na Ávila e melhor ainda, sobre a casa mobiliada que ela terá
disponível.
Eles não sabem, mas eu quero muito ir morar com ela, não por ser mal-
agradecida, apenas por querer demais devolver para eles a privacidade.
Vinte e uma horas. Encontro-me sozinha no banheiro tomando uma
ducha gostosa, que até tenta apagar o fogo desgraçado que estou sentindo
desde que Gustavo acariciou as minhas partes de trás, depois de pincelar com
os seus dedos a minha preciosa, mas é em vão pois quando fecho os olhos,
lembro-me da sensação e só penso nele me atravessando, beijando, possuindo
e me levando à loucura.
Meia hora depois, vou para o quarto já usando a minha roupa de dormir
enquanto o casal encontra-se na sala, assistindo um filme, sentados no sofá
que, na noite anterior, serviu para outras coisas.
Já deitada, volto a olhar as notificações no celular e para a minha
alegria, encontro uma mensagem dele.
Ahhh finalmente.
“Acabei de jantar e tomar uma ducha.
Quero te ver.
Para ser sincero, eu preciso.”
Vejo que a mensagem já tem cerca de quinze minutos, então apresso-
me em responder.
“Estava te esperando.
Eu também preciso... Muito”
Fico aguardando a resposta e quando vejo que Gustavo está digitando,
meu coração até acelera e eu volto a me sentar.
“Chego aí em cinco minutos.”
Desespero-me.
O que a dinda e Zé vão falar ou pensar? Qual desculpa Gustavo vai
dar?
Capítulo 15

“Meus tios estão na sala...”


De tão ansiosa que eu fico, até me levanto e caminho pelo quarto
tomando cuidado para não esbarrar em nada e fazer um barulho enorme.
“Abre a janela, Bia.”
Por sorte estou perto da cama, pois no exato momento que eu leio a
mensagem, minhas pernas até falham e o colchão me abraça.
— Meu Deus, quanto risco. – Sorrio por gostar da ideia e vivo no
mesmo instante uma mistura de sensações.
Fico excitada. E além de estar um pouco molhada, meus mamilos
ficam duros.
Meu coração dispara. No ritmo que ele sempre bate desde que eu
conheci Ávila.
A expectativa de o ver e tê-lo de forma mais íntima, me faz
internamente dar pulinhos de alegria. Ora, eu amo a sua companhia e a cada
dia mais descobrir o quanto ele é maravilhoso.
E por fim, arrumo coragem de caminhar lentamente até a janela e
depois de abri-la, fico esperando o homem que não sai dos meus
pensamentos.
Gustavo Oliveira Ávila. Nome completo que eu descobri hoje na
reunião.
Envolta em toda ansiedade, passo os próximos cinco minutos mais
longos da minha vida, clamando aos anjos que aprovam um bom romance
para rogar por nós dois, também peço para me acalmar, pois sinto todos os
tipos de medo de sermos flagrados por José e minha tia, até que ele surge na
esquina e lindo como sempre, vem direto em minha direção.
— Minha prenda, que saudade. – Iluminados apenas pelo luar, com a
mão em minha nuca, Gustavo me puxa ao seu encontro antes mesmo de pular
a janela e une os nossos lábios de uma forma voraz que me faz esquecer de
tudo ao redor.
É incrível o poder que ele detém sobre mim, em cada toque possessivo
que faz minha pele inteira ficar arrepiada, encaixe de lábios molhados, o
roçar das línguas e carícias ousadas.
Ávila simplesmente me deixa em total rendição e sempre querendo
mais.
Por outro lado, eu também o envolvo, passeio minhas mãos em seu
peitoral, até que as entrelaço em seu pescoço e de leve, faço movimentos
circulares na região.
— Entre logo, homem. – Peço desesperada, pois o meu corpo necessita
de muito mais. — Pois se alguém nos interromper, eu até mato. – Gu sorri tão
de perto que detém toda a minha atenção, mas logo me afasto um pouco lhe
dando passagem e ele pula a janela.
Fico inebriada por seu cheiro gostoso e também ao vê-lo mais próximo.
Ávila fica ainda mais lindo vestindo uma camisa de malha de cor branca que
desenha os seus músculos e uma calça flanelada preta que não disfarça o
pacote de gostosura que ele carrega e logo estará em mim.
— E eu enterro o cabra que nos atrapalhar. – Ele me faz rir, volta a me
ter em sua posse e com uma mão em minha nuca e outra em minha cintura,
me beija mais uma vez. — Como eu estava louco para matar o desejo do seu
sabor, minha linda. – Me sustentando em seus braços me deita na cama e
logo depois se encaixa entre as minhas pernas. Eu deliro só por sentir as
nossas partes roçando. Toda aproximação chega a ser insuportável. — Foi
aqui nesta cama que você gozou pensando em mim quando estávamos
naquela ligação, não é? – Apesar da pouca iluminação, percebo que os seus
olhos brilham e ele me passa aquele sorriso cheio de muitas intenções.
Deus da minha vida, o que será que este homem vai aprontar?
— Eu não posso negar, a vergonha que um dia eu tive e que me faria
lhe esconder algo do tipo, evaporou desde que você me fez sua. – Roço meus
lábios nos seus. — Foi aqui sim. – Acaricio o seu rosto e passeios lentamente
os meus dedos em seus cabelos que eu adoro afagar. — Eu estava louca para
te sentir, o meu corpo pedia o que jamais havia experimentado, até tive que
desligar o celular para poder controlar os meus gemidos. – Ele me dá mais
beijos molhados, em seguida, bem devagar, agracia o meu pescoço com o
toque dos seus lábios que me estimulam e faz crescer a expectativa sobre a
noite que está chegando.
— Me mostra como foi, Bia. Naquela noite fiquei louco de tesão
imaginando como seria você alcançando o seu prazer sozinha, até que eu
gozei. – Sinto a minha pele aquecendo ainda mais por conta do rumo da
conversa sussurrada. — Eu tive que me virar sozinho, havia anos que eu não
sabia o que era isso. – A voz grossa de Gustavo um tanto ofegante por estar
no limite do desejo, me enlouquece. — Você fica muito linda quando goza,
Bia. – Ai meu Deus. — Primeiramente tu fechas os olhos, morde os lábios,
inclina a cabeça para trás e sempre me chama. Repetidas vezes.
— Gustavo. – Finjo o repreender e ele me silencia tocando em meus
lábios.
— Me mostra como foi naquela noite. – Meu coração falha uma batida.
— Eu quero ver, preciso. – Gu para por um momento como se estivesse
pensando em algo. — Podemos usar aquele vibrador que eu te dei, tenho
certeza que você vai me oferecer um espetáculo, toda abertinha para mim
enquanto está sendo estimulada. – O fogo sobe e a ideia de me mostrar para
ele começa a ficar bastante aceitável. Pois eu adoro o seu olhar faminto em
minha direção. — Eu vou comandar o seu prazer, você só precisará ficar em
silêncio, afinal de contas, os seus familiares estão na sala e a sua escolha é
nos manter escondidos. – Ávila passa a mão por debaixo da minha camisola,
lentamente afasta a calcinha e acaricia tão gostoso que eu tenho a impressão
de que estou me desfazendo em seus dedos e lábios que me silencia. —
Rebola essa boceta para mim. – Do jeito que fico enlouquecida ao receber
seus toques e o ouvir tão de perto, aceito me exibir em um ato solo e
Gustavo, com um enorme desejo estampado em sua face, começa a me
despir.
***

Quando já estou completamente nua, Gu me posiciona no meio da


cama, vai buscar o brinquedinho aonde eu o informei que guardei. Depois de
encontrar, fecha a janela e antes de voltar ao meu encontro, acende a luz. Ai
meu Deus!
Será que a iluminação da lua já não era suficiente?
— Apaga, Gustavo. – Peço, primeiramente por ter um pouco de
vergonha em um ambiente tão claro e também para não chamar a atenção dos
meus tios, fora que alguém pode passar fora de casa e sei lá, notar alguma
movimentação.
— Não, eu quero ver cada detalhe. – Me devora com os olhos. — Você
é gostosa demais para ficar encoberta entre quatro paredes e no escuro. –
Senta-se ao meu lado, desembala o aparelho, me conta que antes de me
entregar o presente o carregou na energia e com seu jeito de homem que sabe
tomar a direção, sem meios termos, abre as minhas pernas, pinga algumas
gotinhas de um lubrificante com cheiro de frutas vermelhas e com toques
ousados o distribui em toda a minha região me fazendo delirar com a
sensação gostosa de esquentar.
Quando já estou completamente rendida, segurando-me nos lençóis,
Gustavo começa a colocar o vibrador com um movimento devagar de tirar e
colocar, até que o encaixa por completo.
De tão excitada que estou, durante o curto período que Gu se afasta,
ansiosa por sentir mais prazer, eu mesma começo a estimular meu clitóris,
então ele senta-se em um banquinho de frente para a cama e após me
observar por completo e me passar aquele sorriso safado de molhar a
calcinha, com o celular em mão, começa a comandar o meu prazer através do
aparelho conectado ao wifi .
A minha primeira reação ao sentir a vibração, é colocar uma mão na
boca para conter um gritinho e logo depois, fecho as pernas por não saber
lidar com a nova forma de sentir prazer. Ávila, quando vê meu estado,
diminui a intensidade para que eu me acostume um pouco.
Logo depois, estando mais controlada, Gustavo muda a intensidade,
então recosto-me na cabeceira da cama, me abro e o olhando nos seus olhos,
deslizo a minha mão até alcançar o clítoris onde faço movimentos circulares e
impulsiono o meu quadril para frente.
Com as pernas trêmulas, continuo me tocando. Ele, mestre em
proporcionar prazer, percebe quando vou gozar e querendo prolongar ainda
mais o que estou sentindo, diminui a velocidade, deixa assim por alguns
segundos e começa a me oferecer um espetáculo enquanto começa a se
despir.
— Gustavo. – O chamo a primeira vez, ele tira a camisa, a calça e por
estar sem cueca me deixa delirando de tanto desejo ao olhar o seu pau. —
Ávila. – Aumenta a intensidade, chego a me deitar enquanto me toco.
A sensação gostosa vai chegando cada vez mais, me abro o máximo
que posso lhe saciando o desejo de me ver e com uma mão na boca, gozo tão
forte que me sinto toda molhada.
Quando penso que Gu vai parar, ele muda o modo de vibração, que
apesar de ser forte tem um pequeno intervalo, vem em minha direção,
ajoelha-se ao meu lado e começa a me acariciar, dificultando todo o meu
esforço para ficar em silêncio.
— Assim vão nos ouvir, Bia. – Ele sabe que eu não vou aguentar ficar
sem sequer dar um grito.
— Gustavo. – Clamo por misericórdia, ele me mantém no meio de suas
pernas ainda me tocando, posiciona o pau próximo da minha boca, eu não
resisto e o segurando com uma mão começo a passar a língua em todo
comprimento, fazendo meu gostoso ir à loucura.
— Vou foder a sua boquinha minha prenda. – Chupo lentamente a
cabeça e círculo a língua pela região enquanto vejo Gustavo fechando os
olhos apreciando a sensação.
— Fode, Gu. – Quando volta a me olhar, sorrindo de um jeito safado,
entrelaça meus cabelos em sua mão e como prometido, começa a meter
gostoso em minha boca sempre observando se eu estou bem e com a mão
livre volta a me tocar.
Enlouqueço.
Perco a linha.
E antes, eu que já me achava uma sem vergonha na cama, atinjo níveis
ainda maiores da safadeza pois me impulsiono colocando minhas partes em
sua mão enorme e chupo tão gostoso que até me surpreende.
Eu nem sei como o seu pau cabe todo em minha boca, mas é bom, uma
delícia.
— Quer provar meu sabor, Bia? – Ele retira o pau e me espera
responder, mas gulosa, volto a chupá-lo e quando me desfaço em sua mão, o
sinto na minha boca, o líquido descendo por minha garganta e só quando ele
derrama a última gotinha, se retira. — Gostosa. – Sussurra no meu ouvido. —
Eu quero mais, minha pequenina.
Sem acreditar no que acabo de ouvir, Gu se levanta demonstrando estar
ainda com bastante disposição. Depois de buscar um preservativo no bolso da
sua calça, se ajoelha no chão próximo da cama, me puxa pelas pernas, e me
mantendo toda aberta, com as pernas apoiadas em seus ombros, tira o
vibrador, começa a me chupar enquanto soca dois dedos em mim e
rapidamente, por eu estar bastante sensível, durante o momento em que estou
apertando os meus seios, mais uma vez eu gozo contendo os meus gemidos.
Ele sequer me deixa recuperar, veste o seu pau que já está todo duro
novamente, me puxa para o seu colo e comigo encaixada, com nossos lábios
unidos, continuamos a nos movimentar em benefício do nosso prazer.
— Gustavo. – Clamo quando nos separamos para respirar, mas logo ele
volta a me beijar, com as mãos segurando o meu quadril, dita o movimento,
mete tão fundo que sinto seus testículos nos limitando e me faz por alguns
segundos perder a razão quando mais uma vez chego ao ápice do prazer.
— Como você é toda linda, Bianca. – Sem ao menos perceber, sou
deitada na cama, mesmo com os olhos pesados o vejo se livrando do
preservativo, apagando a luz e vindo deitar-se ao meu lado.
— Você vai ficar? – Me aninha alguns segundos enquanto acaricia o
meu rosto.
— Não vou conseguir ir embora. Eu quero passar a noite contigo,
como na nossa primeira vez. – Me aconchego em seus braços, sinto-me
inebriada por seu cheiro e envolta de tantas sensações novas, fecho os olhos.
— Eu também quero. – Beija suavemente a minha têmpora. — Muito,
Gu.
***

— Bia. – Ouço batidas na porta, aos poucos vou abrindo os olhos, mas
logo volto a fechá-lo, pois ainda preciso dormir por pelo menos duas horas.
— Minha filha, já acordou? – Percebendo que não estou em um sonho, volto
a olhar na direção da porta, contudo, quando vou falar algo, sinto a enorme
mão de Gustavo levantando a minha perna e logo depois, seu pau deslizando
devagarinho, eu rapidamente noto que ele já está protegido, com certeza
acordou antes de mim já na vontade.
Oh Deus, se nos pegarem, vamos estar na roça.*

*Estar na roça. – Com problemas.

— Bom dia, minha prenda. – Sussurra bem baixinho enquanto coloca,


tira, quase como uma tortura, enquanto acaricia os meus seios e os aperta,
tudo na medida certa. Proporcionando muito prazer.
— Bianca ainda dorme, Dorinha? – Ouvimos José na hora que
Gustavo começa a me beijar. — Acredita que ele atrasou hoje de manhã? O
danado nunca perde um compromisso, nem por um rabo de saia. – Aumenta
gradativamente a velocidade me dando o melhor bom dia que uma mulher
pode ter.
— Deve de estar com alguma quenga que o pegou de jeito. – Gu mete
mais forte, mais rápido e me deixando ainda mais louca de tesão, acaricia a
minha intimidade.
— Pois então vamos adiantar, você tem revisão com o médico. –
Agradeço aos céus que vamos ficar a sós e enquanto eles conversam...
***

— Já estou pronta Zé, vou até deixar um bilhete para Bia, não quero
que a minha menina se preocupe. – Já não tenho como me segurar, tremo
toda na posse do meu gostoso chegando ao ápice do prazer e quando ouvimos
a porta da casa sendo fechada, sem eu ao menos renovar as minhas forças, Gu
me coloca de quatro toda empinada e vem com força total enterrando o seu
pau em mim, entre um tapa gostoso e outro.
Do jeito que eu gosto.
—Ahhh, ahhh, ai Gustavo. – Mete mais vezes me dando mais um
orgasmo que me deixa trêmula e goza chamando meu nome, dentre outros
que me deixa bastante excitada.
***
— Então, quer dizer que você passou a noite com uma quenga? – Me
puxa para que eu fique por cima do seu corpo e me dá beijos gostosos, sem
pressa alguma.
E eu que achei que poderia separar o desejo dos sentimentos, a cada
minuto ao lado do Sr. Ávila me apaixono mais um pouco. Ele sabe ser um
homem que me leva a loucura na cama, mas cuida de mim no pós sexo de um
jeito tão doce que me detém. Eu nunca poderia imaginar que Gustavo, que
carregava tal fama, poderia ser tão maravilhoso.
E ele é assim desde a nossa primeira vez.
Será que ele era assim com todas?
— Por mim, desde que nos beijamos, que estávamos passando todas as
noites juntos, eu gosto desse seu jeito quenga como você mesma diz, entre
quatro paredes. Bia, você parece uma santinha para os outros, mas me come
como nenhuma outra. – Volta a me beijar e como somos reais, no mesmo
instante a minha barriga dá sinais de vida. Nós dois acabamos nos divertindo.
— Muita fome, hein? – Confirmo com gestos, ele me coloca deitada de
barriga para cima e a acaricia. — Vamos então encher esta barriguinha linda.
– E distribui beijos por ela me fazendo imaginar coisas que eu sei que entre
nós não serão possíveis. Ah meu Deus! Mudo rapidamente os meus
pensamentos.
— Você literalmente me esgotou, Gu. – Me dá uma piscadela
parecendo satisfeito. — Mas eu também te cansei e por conta disso, acho que
merecemos um banho revigorante e um café da manhã bem gostoso.
***

Gustavo Ávila

Em uma manhã completamente atípica em minha vida, além de acordar


com minha menina de um metro e meio nos braços, nos saciar logo ao
amanhecer e tomar um banho gostoso cheio de carícias em um banheiro um
pouco apertado para dois, encontro-me no exato momento a observando.
Com os cabelos molhados, usando um short de tecido leve que deixa o
seu corpo ainda mais em evidência e uma blusa branca de alça, toda rápida
prepara um café que exala o seu aroma pela cozinha e dessa vez, para a
minha satisfação, sem a porra do sal.
Mesmo querendo ficar só a observando, mudo minha atenção para a
tarefa que recebi, corto uns pedaços de cuscuz de milho e tapioca para nós
dois, entretanto, vez ou outra, eu mapeio o corpo que já é todo meu.
— Gu, você gosta de café com leite ou sem leite? – Se vira para mim e
mais uma vez me pega no flagra. — Jura que você está de olho em mim? –
Aponta para o quadril e eu confirmo me divertindo. — Olha lá hein, não vai
perder as pontas dos dedos, homem. – Dou-lhe uma piscadela.
— É que a sua roupa não facilita a minha vida. – Bia vem em minha
direção segurando duas canecas de café e depois de as colocar na mesa,
senta-se em meu colo.
— Vesti para te provocar, eu confesso. – Ela realmente sabe como. —
Não uso para ficar desfilando em casa, só para dormir. – Eu cada vez mais
me envolvo com Bia, ela tem bom senso e eu gosto disso em uma mulher. —
E sobre o café, Gu? Você ainda não me respondeu. – Conto que prefiro puro.
Bia me conta que o dela sempre tem mais leite, espero que ela termine de
preparar uma das minhas bebidas preferidas acrescentando um pouco de
açúcar e ainda grudados um no outro, nos alimentamos. Contudo, o nosso
clima gostoso é quebrado quando Bia recebe uma mensagem e eu acabo
vendo de quem é através da tela do seu celular que está bem próximo de nós.
É impossível não ver, até porque ela abre na minha frente.

“Oi menina linda.


Ah Bia, essa noite eu passei em claro chorando
com saudade do meu filho.
Ele me faz muita falta, sabe?
Zai quando está sóbrio me enche de amor,
carinho e ficar longe dele está sendo terrível.
Todo dia estou rezando muito para que tudo isso
passe
e minha vida volte ao normal.”

— Pelo o que vejo, você ainda tem contato com Aladilce. – Respira
fundo e por já ter se alimentado, deixa o celular na mesa e me abraça,
repousando a sua cabeça na curvatura do meu ombro.
— Eles erraram no passado, você me contou e a Aladilce também. Até
me pediu desculpa por ter omitido que te conhecia. – Mesmo sem concordar
ouço atentamente o que minha prenda tem a falar. — Isaias é alcoólatra e por
conta do vício maldito me tratou daquele jeito quando estávamos dançando,
ele é um viciado, você sabia? – Estava ciente do seu mal hábito de enganar
mulheres, principalmente as que moram nas roças e não tem muita
informação, entretanto não sabia do vício maldito.
— Eu sinto muito que um homem tão jovem como ele, carregue um
peso desgraçado como esse. – Bia acaricia as minhas costas.
— Aladilce, por conta disso tudo, desenvolveu pelo o que percebo,
uma depressão, não tem com quem conversar e me pediu ajuda para escolher
uns livros para o filho que, no momento, encontra-se internado em uma
clínica. – Bianca me cativa ainda mais por ter tanto cuidado com as pessoas
ao seu redor, porém, no momento, penso apenas em sua mãe, que agora está
morando em um sítio praticamente sozinha, sem o filho. — Você consegue
entender o motivo que me faz ser pelo menos simpática? – Passando as mãos
por suas costas, alcanço a nuca e acaricio bem de leve, lhe arrancando um
gemido gostoso.
— Entendo sim, Bia. Acredito que agiria da mesma maneira que você e
por ver esses exemplos de filhos, como Isaias, é que eu penso em não ser pai,
não quero deixar herdeiros nesta terra. – Sinto quando ela respira fundo. —
Vai lá saber o que desencadeou este vício. E se foi a porra de uma criação
errada? Eu poderia ter escolhido o caminho do vício, não só de bebidas
alcoólicas, poderia ter feito tanta merda por conta das facilidades que a vida
me deu, não tive nenhuma orientação do meu pai, a minha mãe era deprimida
e infelizmente ficou anos mergulhada em seu sofrimento, apenas o José, que
mesmo muito jovem me orientava, ele praticamente substituiu o Sr. Ávila
desde que me entendo por gente. – Bia acaricia o meu peitoral, logo depois se
afasta e me olha nos olhos.
— Eu respeito a sua escolha de não querer ter filhos, mas se você
pensou nesta alternativa por conta do pai que teve, saiba que você já não é
como ele. – Bia se levanta, recolhe as canecas, os pratos e leva até a pia. —
Você é um homem maravilhoso, Gustavo. Tu se preocupa com as pessoas,
seus funcionários o veneram. – Volta a olhar para mim. — Como acha que
seria uma derrota sendo pai? – Nem me deixa responder e prossegue: —
Isaias seria um homem de sorte se tivesse um Gustavo como amigo, quem
dirá um homem com seus princípios como pai. – Volta para perto de mim. —
Ainda assim, se Isaias tivesse toda a melhor orientação do mundo, ele ainda
poderia ter escolhido ou simplesmente ter caído neste caminho. Respira
fundo. — O que eu quero dizer é que mesmo uma criança tendo todo suporte,
chegará a fase da vida em que terá que fazer escolhas. Os milagres não estão
apenas nas mãos dos pais. Vai por mim, eu sou professora e sei o que estou
falando. – Apenas aceno positivamente terminando o assunto e puxo Bianca,
que dá um gritinho por conta da surpresa, a carrego e com ela nos meus
braços, caminho para sala, estando no momento com a consciência tranquila
por ter mostrado quem eu sou e o melhor, apesar dos seus argumentos, vejo
que ela respeita a minha escolha.
Talvez Bia não esteja pensando no futuro ao meu lado, apenas em
momentos gostosos e isso explica a aceitação com o tema.
Contudo, eu não tenho a certeza que vou encontrar uma mulher que se
encaixe tão bem na minha vida. Com Bianca eu sou eu e não o que tenho.
Bem, por hora eu decido não tocar mais no assunto que envolve a
paternidade e resolvo focar em quem realmente precisa de ajuda,
independente do motivo que o levou para o vício.
— Bravinha que me conhece tão bem em pouco tempo, de todos os
seus argumentos ao meu favor, eu concordo que realmente me importo com o
próximo e por conta disso, eu proponho fazer uma visita a vizinha juntamente
com você. Pelo o que entendi, como Isaias está internado, não sei se ela está
abrindo a lan house, como irá se sustentar? – Bia fica com os olhos
marejados, transbordando gratidão e em seguida me envolve em seus braços
acolhedores e me beija.
Porra, eu com certeza passaria a manhã em seus braços, abraços,
pernas, curtindo o encaixe perfeito que existe entre nós, mas o trabalho me
chama.
Na verdade eu já estou extremamente atrasado.
***
Capítulo 16

Uma semana depois

— Três, dois, um. Gravando. – Fonseca dá a ordem e eu


fico em silêncio observando Bia, que como combinado, deverá falar sobre a
importância da alfabetização, do conhecimento e de levar a educação para
pessoas que tanto precisam.
— A verdade é que nós que sabemos ler e escrever, não fazemos ideia
da angústia que um cidadão analfabeto passa dia após dia. Ações simples
como olhar uma etiqueta de uma roupa, assistir um filme legendado, fazer a
leitura de uma bula de remédio e até mesmo saber escolher o transporte
corretor, torna-se uma saga pois o mundo é preparado para quem sabe,
deixando os demais à mercê de verdadeiras armadilhas. Imagina uma mãe
medicar o seu bebê com a dose errada de um determinado remédio por
esquecer a orientação médica falada e não poder ler a prescrição? – Ela se
comporta maravilhosamente bem em frente a câmera, mesmo quando mostra
a sua emoção. É como se Bia se colocasse no lugar das pessoas necessitadas.
— Imagina ter apenas uma passagem de ônibus, escolher o transporte errado
e parar em um bairro completamente desconhecido? – Todos permanecem em
silêncio a observando. — Parece algo inacreditável de se acontecer, porém
mais de sete por cento da população brasileira ainda está nesta situação e na
grande maioria, não é porque eles querem, a vida provavelmente os empurrou
para esta circunstância, os forçando a trabalhar desde muito cedo. Muitos
sequer tiveram infância. – Respira fundo e os olhos ficam mais uma vez
marejados. — A situação da educação é triste, muito para ser mais assertiva,
mas com pequenas ações, nós podemos mudar o rumo de muitas famílias. –
Me olha por uma fração de segundos. — Ao chegar aqui na Ávila, por estar
curiosa, eu busquei verificar um pouco mais da sua rotina, conheci alguns
funcionários bastantes simpáticos que fazem parte deste porcentagem de
pessoas analfabetas e quando descobri um pouco mais sobre o Gustavo, no
exato momento, percebi que ele seria o homem ideal para levar o meu sonho
adiante, eu não estava enganada. Bem, nós esperamos que esta iniciativa seja
literalmente copiada pelos grandes empresários da área rural. – Fonseca faz o
sinal de “corte” e juntamente comigo, caminha até Bianca a aplaudindo, sem
disfarçar todo encantamento.
— Bianca Lima, estou procurando as palavras corretas para poder
expressar o quanto estou emocionado com o seu relato, eu confesso que
nunca havia me colocado no lugar desse povo. – Se para as pessoas humildes
que tiveram acesso a estudos já é difícil ter empatia, imagina para um homem
que já nasceu privilegiado como o Fonseca? — Se você não fosse professora,
poderia até ser advogada, pois tocou em todos os pontos possíveis para
sensibilizar os telespectadores. – Me posiciono atrás da minha pequenina e
por estar apenas cercado de algumas pessoas do programa, a abraço.
— Obrigada mesmo, acho que depois do programa ir ao ar, muitas
pessoas vão entender os problemas com a educação que o nosso país
enfrenta. – Em trio, conversamos mais um pouco. Logo depois, Fonseca lhe
estende a mão, eles se cumprimentam, nos despedimos e Bia direciona o seu
olhar para mim. — Acha mesmo que fui bem? – Eu acaricio o seu rosto
enquanto confirmo com um aceno positivo.
— Muito, até parece que está acostumada a ficar à frente das câmeras.
– Dá de ombros e fica nas pontas dos pés. — Na verdade eu estava
imaginando uma sala de aula, por isso deu certo. – Sussurra bem baixinho
próxima ao meu ouvido e por conta disso, me deixa ainda mais excitado e de
pau duro.
— Quer ser minha professora agora? Lá na minha sala? Eu te deixo no
controle hoje, quero você me dando uma lição – Seus olhos brilham em
expectativa.
— Jura? – Confirmo com gestos. — Por favor, Gu. Leve-me agora e
vou logo adiantando, se você errar alguma questão, ficará de castigo. – Eu
gosto. Muito.
Várias possibilidades rondam os meus pensamentos e sendo assim,
imagino as próximas horas ao lado de quem, a cada dia, ganha mais espaço
em minha vida por completo, de forma bastante prazerosa.

Dias depois
Bianca Lima

Como tia Dora já está a ativa nas suas atividades, ainda que de forma
mais lenta por não estar cem por cento recuperada, encontro-me sozinha na
calmaria da sua casa, mas logo o silêncio é quebrado por batidas na porta e
para a minha alegria, recebo a visita da Alana, a responsável pelo figurino do
programa do Gustavo.
Eu confesso que estava ansiosa para fazer a prova do vestido de noiva
caipira, entretanto, além da peça que eu já estava esperando, ela invade a sala
acompanhada por dois rapazes, que sem demora vão até o meu quarto e
deixam quatro malas próximas da cama. Eu fico completamente paralisada
assistindo eles saírem.
— Uai, o que significa tudo isso? – Toda despojada, senta-se na minha
cama, acena mais precisamente para o nada, então com o seu celular em mão
acessa o Instagram e me mostra alguns vídeos em que eu apareço.
— Ah, Bia. Depois que você tem marcado presença nos stories dos
bastidores das gravações, tudo quanto é grife tem enviado roupas, sapatos e
acessórios para você, na esperança de que a futura Sra. Ávila use as peças. –
Abro bem os olhos e sento-me ao seu lado.
— Mas eu e o Gustavo não somos... – Dá três tapinhas de leve em
minha coxa me interrompendo.
— Por Deus, não gaste a saliva comigo, vocês podem não assumir, mas
é cada olhada que dão que até arrepia. O relacionamento pode até ser recente,
mas quem os vê de perto, percebe que o sentimento entre vocês é forte. –
Fico boquiaberta enquanto ela prossegue a conversa me dizendo que conhece
Gustavo há anos, que nunca o viu tão rendido e sem rodeios, chama a minha
dinda e o Zé de cegos. — Vai por mim, os seus familiares apenas caem na
sua lábia angelical por conta do seu rosto fofinho, mas ao público e a mim,
vocês não enganam. – Já não tenho o que falar. — Olha, mudando de
assunto, preciso te contar, você ganhou muito mais roupas, mas eu confesso
que trouxe apenas essas quatro malas porque não gostei de tudo o que recebi
na emissora, nem você ia, pelo o que te conheço e pode confiar, as minhas
escolhas vão valorizar o seu lindo corpo. – Fico ansiosa para olhar cada item,
mas Alana me apressa pois preciso provar o vestido, que apesar de ser todo
enfeitado com os temas da época junina, está lindo de viver.
***

— Adorei. Você arrasa, Alana. – Sorri para mim, vem até o meu lado e
fica me observando no espelho.
— A modelo contribui bastante para o sucesso da peça. – Logo depois,
me ajuda a tirar o vestido e sabendo que logo mais irei gravar uma entrevista
aonde aparecerei conversando com alguns matutos, me auxilia na escolha da
roupa.
Uma calça jeans lindíssima, que ao vestir abraça todas as minhas
curvas e por ser cintura, alta evidência ainda mais o meu quadril. Um par de
botas cano longo, uma blusa de alça preta com detalhes em renda e para
completar, uma outra que visto por cima, amarrada na frente, com uma
estampa xadrez super estilosa em tons de vermelho e preto.
— Agora, apesar de eu não ser maquiadora, posso te ajudar fazendo o
básico, para quando você encontrar Gustavo, já estar toda linda. – Eu nem
consigo disfarçar o sorriso que brota dos meus lábios.
— Obrigada, nós vamos realmente nos encontrar mais cedo para visitar
uma conhecida antes da gravação. – Animada, assumindo sem saber o papel
de uma fada madrinha, faz uma maquiagem em mim maravilhosa que realça
meus traços fortes sem ser muito forte por conta de ainda ser de dia e para
finalizar, passa um batom em um tom que imita os meus lábios.
— Ah, se Vânia pudesse te ver agora, ia surtar. – O comentário me
surpreende. Pelo jeito eu não sou a única a ter ranço* da patricinha.
— Você não gosta da Srta. Lopez? – Rapidamente acena
negativamente. Quase que desesperada.
— Ela quando quer, é simpática, mas na maioria das vezes não. – Olha
para o vestido que está em minha cama. — Estou contando os dias para te ver
usando o vestido de noiva no programa, ela já deu um verdadeiro piti* por
você ser convidada, imagina quando souber que é a noivinha do especial
junino? – Para ser sincera eu não gostaria de pagar para ver, pois também sou
esquentada. Contudo, peço a Deus para que ela não me faça nenhum mal.
— Eu espero que ela se comporte, eu não vou envergonhar o Gustavo
em um programa ao vivo, isso em hipótese alguma, seja lá o que Vânia fizer,
ficará feio para ela, não para mim. – Alana me dá razão, depois de mais
alguma prosa despede-se de mim e eu fico esperando Gustavo, já com a
sacola de livros que compramos pela internet na mão para presentear Isaias.
***

*Ranço – um repúdio, um abuso, algo que você não quer ver nem pintado de ouro.
*Piti - Ataque histérico.

Com aproximadamente dez minutos de espera, Gustavo estaciona na


frente da casa da minha dinda, como acha que estou com muito peso vem ao
meu encontro, mas quando me vê, acaba me levando para dentro de casa para
poder matar o seu desejo de me beijar e entre um encostar de lábios e outro,
repete o quanto estou linda.
Sem perder o costume que é característico do seu jeito protetor, brinca
ao reclamar da minha roupa, que aos seus olhos mostra minhas curvas e sem
perceber, além de manter a chama de desejo entre nós sempre acesa por me
fazer sentir uma mulher apreciada, ainda me diverte.
— Você é tão ciumento. – Se apressa em me dizer que nunca foi.
— Eu tenho é muito cuidado com você. – Ôh cuidado bom da gota. —
Sempre terei.
— Eu gosto. – Dou-lhe uma piscadela, mas rapidamente voltamos a
namorar e com o roçar dos nossos lábios e o vai e vem das línguas, leva-me
para outra dimensão deliciosa, até que ouvimos aplausos que fazem o meu
coração parar.
Ah meu Deus!
Não era assim que minha madrinha ou José deveriam descobrir.
— Lindos e pelo o que vejo, estão despreocupados. Finalmente vão
assumir o namoro? – Enquanto recupero o fôlego por conta do susto que
acabo de levar, Nita adentra a casa segurando uma mochila que eu não faço
ideia do que tem em seu conteúdo e Gustavo, ao me passar aquele olhar que
eu já conheço bem e demonstrar a sua insatisfação com a situação, conta para
a sua amiga que infelizmente ainda não pode me assumir por estar apenas
respeitando a minha escolha.
— É que eu realmente não quero que as aulas comecem comigo sendo
a professora e ao mesmo tempo carregando nas costas à sombra de estar com
um Ávila. – Nita revira os olhos, não parece feliz com a minha opção, mas
diz que me entende.
— Eu também compreendo todos os argumentos da Bianca, mas faço
questão de repetir que eu não sei até quando aguento esse esconde esconde
todo. Por mim realmente não teria problema algum. – Gu me dá uma olhada
enquanto Nita o aplaude.
— Esse é o meu garoto. – Parece ficar toda orgulhosa sobre como
Gustavo está se comportando e volta a sua atenção para mim. — Ainda quer
manter o segredo depois de ouvir tal declaração? – Confirmo com gestos. É a
minha intenção, pelo menos até o primeiro mês de aula. — Eu entendo o lado
gostoso do proibidão. – Olha para nós dois enquanto Gu toma a posse da
mochila. — Quando eu tinha a sua idade Bia, era muito mais interessante me
atracar com meu par essas terras do que na cama, ia ser sem graça com os
meus pais sabendo do compromisso. – É realmente muito empolgante, não
posso negar. — Eu só não quero estar na pele de vocês quando a Dora e o Zé
descobrirem. – Eu realmente tento evitar de pensar no assunto, enquanto
Gustavo mais uma vez afirma que por ele, já teria me assumido.
***

Depois de guardar a mochila e os livros no banco de trás do carro,


durante cerca de meia hora entre uma conversa gostosa no qual Gu fala que
em aproximadamente vinte dias conhecerei a sua mãe, seguimos o rumo até o
sítio da Aladilce.
Ao chegar no local, talvez por morar na Ávila que demonstra em sua
estrutura tanto cuidado e remete muita proteção, estranho a moradia da
pessoa que a cada dia ganha mais espaço em meu coração.
A residência fica completamente desprotegida, o portão quase não se
tem um cadeado, pelo que percebo o vizinho mais próximo está a uns três
quilômetros e Dilce está morando sozinha, pois Isaias ainda está em
tratamento.
— Ahhh, vocês realmente estão aqui. – Olha para Gustavo parecendo
bem tímida. — Senhorzinho Ávila, eu realmente não esperava que tu
realmente vinhas, depois daquilo tudo o que aconteceu entre as nossas
famílias. – Gustavo parece se compadecer, mas ainda assim, por eu o
conhecer, noto que ele mantém uma certa distância.
— Nós estamos aqui para te ajudar. Bianca tem me passado
informações sobre o seu filho e a senhora e independente do passado, eu não
lhe desejo nada de ruim. – Demonstrando estar mais confortável com a
presença do Gustavo, nos convida para entrar e oferece um café. — Por favor
senhora, não se incomode, Bia e eu temos um compromisso em no máximo
uma hora, não vamos conseguir ficar aqui de prosa por muito tempo. – Eu
confirmo e enquanto Gu vai buscar os livros no carro, puxo uma boa
conversa.
— Dilce, quem está tomando conta da lan house? – O seu semblante
muda na mesma hora, de prontidão começa a me explicar que alugou o ponto
comercial para um conhecido por um salário mínimo e que ainda terá alguma
participação nos lucros.
— E no mais eu tenho vendido na estrada saquinhos de tomate, outros
dias, sachês de chás e também os artesanatos que eu faço. Com fé em Nossa
Senhora, eu vou conseguir pagar a internação do meu menino e também as
minhas contas. – Meu coração fica partido ao testemunhar tão de perto o que
o alcoolismo faz. Ele é devastador, não apenas para quem sofre, mas também
para os que o cercam.
— Qual o artesanato que a senhora faz? – Me fala sobre as toalhas
bordadas, porta celular, organizador de sacos plásticos, fósforo e vários
artigos delicados que exigem bastante talento manual.
Gustavo ouve tudo atentamente, se solidariza com o que testemunha e
para a minha alegria, oferece um emprego na Ávila. Assim, Aladilce poderá
ser professora de artesanato, duas vezes na semana, já que cada dia será uma
aula diferente.
— O senhorzinho está falando sério? Deus misericordioso, é o que eu
mais preciso, moço. – Os olhos ficam marejados e ela abraça Gustavo já sem
controlar a sua emoção. — S-sem falar que pelo menos nesses dois dias eu
terei com quem conversar e isso é uma bênção, aqui na roça eu fico sozinha,
ao Deus dará. – Gu avisa que enviará um carro para a buscar nos próximos
dias pois será necessário que ela faça um treinamento no setor de RH para
facilitar a sua comunicação com as alunas e também para acertar a sua
remuneração. Em seguida, mais uma vez agradece, conta que irá levar os
livros para Isaias, Gu faz questão de comprar todos os pacotinhos de tomate
que ela estava prestes a vender na estrada, nos despedimos e seguimos
caminhando em direção ao carro. — Bia. – Chama a minha atenção.
— Oi Dilce. – Vem até a mim, me abraça e olha para Gustavo.
— Com todo respeito senhorzinho, mas um dia ainda quero ver meu
menino com uma moça como a sua. – Segura a minha mão com todo carinho.
— Foi Deus que te trouxe na minha vida, minha menina. – Olha para
Gustavo. — Cuide bem dela, moço. – Ele acena de forma positiva.
— Fique tranquila, senhora. – Segura a minha mão e ao me olhar
suaviza sua expressão. — Eu sempre vou cuidar da minha prenda. – Ela
parece emocionada enquanto eu me aproximo e o abraço carinhosamente.
— O senhor sim é um Ávila de verdade. – Meu lindo estreita o olhar
para Aladilce. Eu também, pois ela acaba de nos despertar a curiosidade e
percebe. — Não levem a mal o que eu acabo de dizer, o falecido seu pai não
era como o senhor, sem querer, acabei fazendo a comparação. – Olha para a
cerca que divide as terras. — Depois daquilo tudo, ele jamais me ajudaria e
deixaria eu me aproximar mais uma vez. – Nisso, com certeza eu concordo,
Gustavo também e finalmente vamos nos encontrar com Fonseca e equipe.
***

— Três, dois, um. Gravando. – Fonseca dá a ordem e eu, estando de


frente a construção da escola que já está bastante avançada, sentada em um
banco de madeira, começo a conversar com um matuto que trabalha na
secagem do café e sua esposa, mãe de quatro crianças.
— Lembro-me bem do dia que conheci vocês. Naquela manhã, onde eu
fui juntamente com a equipe de divulgação da escola visitar a sua casa e
jamais irei me esquecer do sorriso no rosto que presenciei na senhora
Francisca e a emoção que fluiu do seu olhar, Tonho. A reação positiva de
vocês me deu uma enorme dose de combustível para eu ficar ainda mais
apaixonada pela minha profissão e por conta disso, convidei os dois para uma
prosa. Eu quero que todo o Brasil testemunhe a emoção e a receptividade
com que eu fui agraciada. – Um pouco tímido, Tonho ajeita o chapéu.
— Pró, eu não imaginava que nessa artura da minha vida, ia receber
uma bença do tipo, sabe? Desde muito novo eu fui trabaiar, e eu confesso
que o meu sonho mesmo era estudar, eu achava chique demais uma criança
da mesma idade minha lendo uma placa, sabendo se localizar e agora ter essa
chance, nem tem preço. Eu vou contar os dias, um a um até a inauguração da
escola. – Dona Francisca abraça o esposo de lado e toda envergonhada, toma
a palavra:
— Tu nem tem noção do quanto é difícil viver no mundo e ao mesmo
tempo fora dele, nas pequeninas coisas a gente sofre. Uma receita de bolo ou
tu tem a quantidade dos itens na cabeça ou nunca fará um, pior ainda é saber
dar um remédio paras as crias. Ô tarefa difícil de ruim. – Ela para por um
momento e parece viajar no tempo. — Assim como o meu Tonho, eu também
queria estudar, mas tive que ajudar a minha mãe a lavar roupa de ganho,
nisso a vida foi passando, de filha virei mãe e apesar de todo sufoco, eu dou
graças a Deus, pois todas as minhas crias estudam e com fé no Grandioso,
vão formar e ter uma profissão, assim como a dona que é toda chique. – Ahhh
quem me dera, na verdade, eu que necessito agradecer a Deus todos os dias
por estar empregada aqui na Ávila, sem falar que ainda serei bem
remunerada.
Quantos professores estão à míngua neste mundão ou sobrevivendo
com salários tão baixos? Logo a minha categoria que deveria ser mais bem
remunerada.
***

Mais um dia de gravação se vai. Fonseca, todo simpático, me elogia


pela naturalidade na gravação das matérias que irão ao ar, fazemos uma foto
para ele postar no seu Instagram, entretanto, antes de ir embora, sem perceber
me joga um balde de água fria, ao lembrar a Gustavo que no próximo dia,
terá gravação de um programa e que ele encontrará Vânia.
Deus do céu, aonde fica o botão que faz o ciúme maldito evaporar e os
olhos se controlarem? É impossível não os revirar e respirar fundo.
Eu até me afasto disfarçadamente e caminho em direção ao carro,
fingindo que recebi uma notificação no celular.
— Você não me engana, minha prenda. – Gustavo se aproxima e
literalmente, jogando um foda-se para o mundo que ainda tem dúvida sobre o
que acontece entre nós dois, me dá um abraço por trás que estremece a minha
alma. Deus! Os músculos deste homem quando se chocam com meu corpo,
fora a roçada, me enlouquece. — Eu também não estou feliz por ter que ver
Vânia, eu a considerava demais como amiga, contudo, depois que ela tentou
te humilhar e aprontou aquela puta sacanagem que não consigo vê-la como
uma pessoa boa. – Eu o entendo e também lá no fundo, compreendo o
desespero da Vânia por ver Gustavo escapando da sua vida, mas nada
justifica os seus atos, eu jamais seria tão louca como ela foi. — Não precisa
ficar com ciúmes. – Ele diz a palavrinha que me deixa como um tomate.
— É difícil. – Confesso e reviro os olhos.
— Vem comigo que eu vou te levar em um lugar e vamos aproveitar
esse dia ensolarado. – Abre a porta do carro, sem perder o costume me ajuda
a subir e já ao meu lado, dirige para uma localização que eu ainda não
conheço.
***

— Para aonde vamos? – Gu me olha rapidamente.


— Ver o Pegasus, ele vai nos acompanhar hoje. – Lembro-me da
sensação de estar sentada com o corpo colado ao seu, montando naquele
cavalo lindo super alto que me traz tão boas lembranças.
— Ah, eu estava com saudade do Pegy. – Acaricia a minha coxa e
quando eu o olho, noto o seu divertimento.
— Bia, Pegy é um apelido que não combina muito bem com um frísio.
– Ele se refere a raça do seu lindo e enorme cavalo negro e eu reviro os olhos.
— Será sempre o meu Pegy, porque ele até mostra que é bravo e dá
medo, mas é como o pai, lindo por dentro, por fora e tem um coração enorme,
sem falar que ele me salvou naquela noite assustadora. – Gargalhamos nos
divertindo com a conversa e Gustavo se defende dizendo que ele sim me
salvou. — Bem, não posso negar que vocês fazem uma boa dupla. Pegy e
Guby. – Gu me olha rapidamente e abre bem os olhos.
— Como? – A minha resposta inicial é uma gargalhada.
— Sim, tipo uma dupla sertaneja, é fato que se eu te conhecesse há
anos, ainda criança, te apelidaria assim. – O provoco, porque eu até amo o
seu lado bravo, meio fechadão que impõe tanto respeito, mas fico também
apaixonada ao testemunhar o seu modo leve de levar a vida.
— Então pela primeira vez devo agradecer ao destino por não ter ti
trazido antes para a minha vida? – Com um tom de humor, ele aguarda que
eu responda. Mas, em contrapartida, prefiro tentar descobrir algumas pistas
sobre os seus pensamentos.
— Você queria que fosse antes, então? – Abaixo a cabeça e acaricio a
minha testa. — Lá quando eu tinha uns quinze anos? – Volto a o olhar,
quando ele estaciona em frente a um grande estabulo. — Você seria o
primeiro homem a me beijar. – Ah eu ia gostar, mas eu duvido, muito para
ser sincera, que ele realmente ia querer isso, me conhecer desde mais jovem.
Ora e o que seria da sua vida libertina? Será que Gustavo Ávila trocaria
anos de experiência por mim?
Meu coração até acelera em expectativa.
— Bia. – Ele toca em minha perna e a acaricia. O jeans não é o
suficiente para me deixar imune ao seu toque. — Quando você tinha quinze
anos, a nossa diferença de idade poderia me complicar, mas aos seus dezoito,
se fosse o caso, eu gostaria sim de ser o seu primeiro beijo. – Enquanto estou
boquiaberta, ele passa a mão pelos cabelos, como se estivesse escolhendo o
que falar. — Vamos? Eu quero aproveitar a tarde toda com você.
Capítulo 17

Gustavo Ávila

Eu queria sim, Bia.


Muito.
A verdade é que apesar de termos apenas duas semanas juntos e
estarmos vivendo às escondidas, eu trocaria com certeza todas as mulheres
que eu já tive por ela.
Bia é a minha calmaria em um olhar.
É a paixão que queima e me detém por completo.
O desejo que nunca parece ser cem por cento saciado.
A mulher que me entende e compreende de todas as formas.
Uma prenda linda que valoriza e vê beleza na simplicidade.
Minha prenda é maravilhosa, se comporta da mesma maneira quando
usa as suas vestimentas do dia a dia, assim como agora que está adornada de
caríssimas roupas que eu conheço bem as marcas por conta do programa.
Bianca Lima, uma menina mulher, que teve uma vida difícil e regrada
quando mais nova, não age como uma deslumbrada ou só pensa no que eu
posso proporcionar. Ela me vê, apenas eu.
Porra! Isso definitivamente me ganha. Cresci em uma família aonde eu
fui deixado de lado e por conta disso, ser notado em minha essência, me
ganha.
Sem falar do quanto Bia é sensível e se importa com as pessoas. Ela é
igual a mim.
— É aqui que Pegy mora, senhor caladão? – Com a sua voz suave, me
traz de volta a realidade.
— Sim, ele e sua família. – Bia se derrete com o que ouve,
romantizando a vida do Pegasus. Toda ansiosa, adentra o estabulo e logo o
vê. — Oi Pegy, você se lembra de mim? – Pegasus a observa enquanto
Carlos, um funcionário de longa data, está penteando a sua crina. Meu frísio,
assim como faz comigo, abaixa um pouco a cabeça para receber um carinho.
Será possível que Bia já o conquistou? — Ahhh que saudade de você. –
Acaricia os contornos do meu amigo de quatro patas, segura o seu rosto e
encosta a sua bochecha nele. — Olha Gu, acho que Pegy gosta de mim. –
Disso eu tenho certeza.
— Na verdade eu acho que ele se apaixonou. – Carlos nem disfarça o
sorriso ao me ouvir. Eu prefiro não comentar. — Ele. – Aponto para o
Pegassus e viro-me para o meu funcionário. — Já está pronto? – Carlos
confirma, mesmo assim faço questão de verificar se a sela para duas pessoas
está bem presa pois preciso evitar acidentes e em seguida ajudo Bianca a
montar.
— A dona monta muito bem. – Eu não tenho como discordar e por
saber que Carlos é um homem de família, que respeita a sua esposa, aceito de
bom grado o elogio. Ele realmente não foi dado com segundas intenções. —
E o Pegasus não aceita qualquer pessoa, na verdade, só o patrãozinho e eu
que diariamente faço algum passeio com ele. – Olha para Bia e depois para
mim. — Mas dizem que os cavalos têm coração puro, visão apurada e eles
até leem a alma de quem os cerca. Acredito eu que o baita sentimento que
ronda vocês dois já foi percebido pelo Pegy. – É, no momento eu tenho duas
certezas. A primeira é que o apelido dado por Bia ao Pegasus agradou e
segundo, apenas o José e a Dora não perceberam o que acontece entre a
Bianca e eu.
— Pois é, meu amigo. Eu sabia que o Pegasus era inteligente, mas não
fazia ideia do quanto. – Aceno para ele já com a mochila nas costas, monto,
seguro a sela com uma mão e com a outra repouso na barriga da minha
prenda. — Até mais tarde, Carlos. – Ele acena para nós dois e seguimos rumo
à tarde especial planejada por mim.
— Você agora vai me contar para aonde vamos? – Gargalho ao
presenciar a curiosidade da minha prenda.
— Não, mas logo você vai descobrir.
***

Depois de cavalgar por pelo menos vinte minutos em uma velocidade


média, segurando Bia pela cintura e jogando conversa fora enquanto o sol nos
bronzeia a pele e o vento a acalma, chegamos na cachoeira onde tudo de
verdade começou para mim.
No exato local aonde eu agradeci aos céus e ao universo por tê-la
encontrado. Naquele instante, ao contrário de agora, eu nem fazia ideia do
quanto eu ia apreciar a presença da Bia em minha vida.
— Não acredito que você nos trouxe aqui. – Ela observa o espaço e
parece maravilhada. — Este paraíso está mais bonito hoje, o sol deixa a
grama ainda mais verdinha. – Olha um pouco para trás e me passa aquele
olhar que eu conheço bem. Bianca está feliz. — A companhia ajuda muito
também. – Como sempre muito sincera e direta.
— Eu estou muito feliz que você tenha gostado da minha escolha. –
Sussurro em seu ouvido e em seguida desço do cavalo e com Bia ainda
montada, conduzo Pegasus até debaixo de uma árvore um pouco afastada da
que vamos realmente ficar.
— Você ainda tem dúvidas, Gu? – Sem esforço, alcanço a sua cintura.
— Não tenho. E apesar de não ser um cara muito romântico, me
lembrei do momento em que ficamos olhando o pôr do sol e você me disse
que queria conhecer este lugar. Naquele instante eu pensei em te trazer aqui e
alimentei um desejo louco de te ter, tendo a natureza como testemunha.
Contudo moça de um metro e meio, apesar de desejar muito o seu corpo junto
ao meu, eu quero passar um tempo contigo sem pensar se vamos ser pegos. –
Não deixo que os seus pés alcancem o chão, em seguida a sustento em meu
braços, logo Bia cruza as pernas em meu quadril e eu a beijo lentamente.
Curtindo todo o seu sabor e apreciando as suas reações.
Sentindo os seus mamilos tesos.
O gemido que sai abafado quando sente cada passada de língua e
apalpada em seu quadril.
Do seu jeito safado de roçar em meu pau demonstrando o quanto
estamos em sintonia e queremos muito mais um do outro.
— Ahhh Gustavo. – Sem pudor algum, me chama e eu caminho com
ela em minha posse, apalpando o seu quadril em direção a árvore que
ficaremos. — Eu estou curiosa, o que você preparou para nós? – Algo
simples que eu espero que ela goste, porém inédito para mim.
— Primeiro, preciso me livrar dessa mochila. – A coloco em pé ao meu
lado e enquanto tiro uma esteira de palha e uma manta da parte interna da
bolsa, prossigo conversando: — Com este encontro, eu também quero te
lembrar que Vânia é apenas a minha colega de trabalho, eu não esqueci que
você ficou com ciúmes hoje no final da gravação. – Bia fica um pouco
envergonhada e eu sei o motivo.
— Esquece isso, Gu. – Ela não gosta de demonstrar e viver em
insegurança, mas segurança é definitivamente algo que eu posso
proporcionar. Em breve Bia descobrirá.
***

Bia me ajuda a colocar por cima da grama a esteira e a manta. Logo


depois, distribuo algumas vasilhas aonde a Nita guardou algumas frutas como
uvas e morangos e sento-me próximo de Bia. Minha prenda logo se deita
cruzando os braços atrás da cabeça.
É impossível ter um olhar imparcial para ela.
— Hoje faz quinze dias que estamos juntos. – Deito-me ao seu lado
com o rosto próximo ao dela. — Você não lembrou? – Bianca acaricia a
minha face e com a mão em minha nuca, em um ato delicado, me puxa em
sua direção.
— Sim, eu contei cada dia, só não imaginava que você estava fazendo
o mesmo. – Roça os lábios nos meus. — Homens geralmente são desatentos.
– Mudo de posição, deito-me entre as suas pernas segurando o meu peso para
que não a machuque e me apoio nos meus braços.
— Eu não sou qualquer homem, aliás, eu sei que você já sabe disso. –
Nossos olhares se encontram e por um instante percebo que ela está um
pouco preocupada. — O que foi, Bianca? – Respira fundo e eu mudo de
posição, a deixando por cima.
—Você definitivamente, apesar da sua fama, não é um homem comum.
– Os seus olhos ficam marejados. — Naquela noite que nós dançamos, você
me ofereceu momentos de prazer e vem cumprindo com a sua promessa de
um jeito maravilhoso. Logo depois, me disse que fazia questão de mostrar
que está comigo porque é normal no seu mundo todos saberem quando um
casal está ficando sem pensar em maiores compromissos. Contudo, jamais
me falou sobre sentimentos e eu não estou conseguido segurar. – Desvia o
olhar, mais precisamente para o nada. — Eu não consigo e tenho medo de te
afastar da minha vida por confessar que eu... – Ela respira fundo e eu bem sei
o que está acontecendo.
— Eu estou apaixonado por você Bianca. – A surpreendo e ela volta a
me olhar com os olhos marejados. — Eu realmente te ofereci apenas prazer,
era algo que eu já estava acostumado, mas eu não sabia que cada segundo ao
seu lado ia me deixar com vontade de ter muito mais.
— Ávila. – Toco em seus lábios para a silenciar e sento-me com Bia
em meu colo, com as pernas uma de cada lado, de frente para mim. —
Quando eu digo que quero te assumir eu não estou brincando. Eu nunca vivi
algo tão forte e eu só tenho vontade de mergulhar no que estou sentindo cada
vez mais. – Abre a boca para falar, mas eu mais uma vez prossigo: — Bia, eu
te fiz tal proposta voltada apenas para o prazer apesar de já perceber desde
aquela época que você é uma mulher diferente, por causa da nossa
incompatibilidade, aquela de você querer ter filhos enquanto eu temo ser
como os meus pais. Eu não odeio as crianças, na verdade amo, mas realmente
eu receio ser um fracasso. – O assunto deixa Bianca um pouco triste, mas eu
realmente preciso mais uma vez me despir na sua frente ao relatar meus
sentimentos para que não haja dúvidas. — Só que agora, eu já não sei o que
fazer com isso, pois eu te quero cada vez mais na minha vida. – Ela contorna
a minha barba por fazer.
— Eu também estou apaixonada por você, chega a doer pensar em me
afastar e sobre a nossa incompatibilidade, é bom saber que ela existe, contudo
talvez seja cedo demais para nos preocuparmos, só temos quinze dias juntos,
quando eu penso em ter filhos não significa que quero os ter no próximo ano.
– Eu me preocupo com as suas expectativas.
— E se eu nunca mudar o meu pensamento? – Bia sorri tão linda que
os seus lábios agem como um ímã.
— E se você quiser e eu deixar de querer? – É uma possibilidade. — E
se nós dois quisermos? Eu tenho certeza que você será um ótimo pai. –
Pensamentos podem mudar, quem sabe? Isso é completamente humano e o
que eu digo hoje, poderá não ser a minha verdade absoluta de amanhã. —
Gu, eu não quero me preocupar à toa. – Olha um pouco para o céu e depois
novamente para mim. — Eu quero aproveitar essa tarde linda ao lado do
homem que é apaixonado por mim e eu por ele. – Começa a tirar a minha
camisa acariciando cada contorno do meu abdômen, deixando o meu pau
latejando de desejo.
— Eu concordo, minha prenda. – Após Bianca tirar a minha camisa, eu
desamarro a sua blusa de estampa xadrez. Em seguida, a olhando nos olhos,
tiro a outra blusa de alça, entre beijos quentes, o sutiã e como minha gostosa
está no meu colo e consequentemente um pouco mais alta, chupo
demoradamente cada seio, provocando os seus mamilos rosados com a
língua. — Gostosa. – Uno os seus deliciosos peitos com as minhas mãos,
continuo os chupando, provocando, vez ou outra falando as palavras que ela
adora ouvir e a deixo em ponto de gozar.
Ansioso pelo sabor da sua boceta, com cuidado a deito na manta e
depois de tirar as suas botas, rapidamente a livro da sua calça juntamente com
a micro calcinha que já está toda meladinha e perco-me chupando, saciando a
minha vontade.
Mantendo-a aberta em pleno ar livre, intercalo provocando o seu
clítoris, passeando a minha língua entre os pequenos e grandes lábios, até
sentir suas pernas tremendo e Bianca me dando o seu sabor.
— Ahhh Gustavo. – Geme, rebola a boceta na minha boca querendo
prolongar ainda mais o prazer, entretanto resolvo a saciar de outra forma e
por conta disso, tiro a minha roupa, coloco o preservativo e segurando as suas
mãos no alto da sua cabeça, a mantendo a minha mercê, começo a meter bem
gostoso.
Rápido.
Foda quente, boa, que a faz gemer bem alto me recebendo todo.
Completamente rendida em minha posse.
Até que eu sinto sua carne quentinha me apertando ainda mais, meu
nome sendo pronunciado de forma repetitiva e sua boceta me molhando todo
por conta do forte orgasmo.
Só que eu quero mais.
Muito.
— Está na hora de empinar esse rabo gostoso para mim, Bia. – Me
retiro e logo depois a ajudo a se manter firme toda de quatro e eu segurando
em seu quadril, vez ou outra dando tapas que só dão muito prazer e a fodo de
forma incansável, vez ou outra acariciando atrás, lugar em que Bia é bastante
sensível e gosta de ser tocada. — Isso minha prenda, empina. – Ela vai e vem
enquanto a seguro pelos longos cabelos, em chamas por conta de tanto
prazer, crava suas unhas na manta, me chama e goza me levando junto.
Porra.
— Ahh delícia. – Ainda dentro, acaricio o quadril e pernas para a
acalmar enquanto ele treme toda.
Só depois me retiro devagarinho, tiro o preservativo, deito-me ao seu
lado e a puxo para os meus braços onde permaneço por alguns minutos a
acariciando e repetindo no seu ouvido o quanto eu a quero. Só ela.
— Agora você prefere comer algo ou tomar um banho? – Ajeita os
cabelos suados, olha para a cachoeira, para as vasilhas onde estão as frutas e
depois para mim.

Bianca Lima

Ahh dúvida cruel.


Saciar a minha fome?
Ou o meu fetiche de ter Gustavo na cachoeira?
— Banho. – Dou-lhe uma piscadela, de prontidão Gu se levanta,
envolve-me em seus braços fortes que eu tanto amo e após possuir meus
lábios espalhando tanto desejo e o fogo por todas as minhas terminações
nervosas, me leva em direção a cachoeira enquanto eu sinto o cheiro gostoso
da sua pele. — Ahhh que frio. – A água ligeiramente fria entra em contato
com o meu corpo que ainda está bem quente. — Não vamos para o fundo, eu
não sei nadar direito. – A minha confissão o diverte.
— Pois deveria, você tem apenas um metro e meio de altura, é bom
saber nadar. – Ainda me segurando, Gu mergulha e quando voltamos a
emergir, muda a minha posição, eu acabo o abraçando entrelaçando as
minhas mãos em seu pescoço e ao cruzar as pernas em seu quadril, sinto o
seu pau duro e grosso roçando em toda minha extensão. Chego a fechar os
olhos por o sentir sem a camisinha. — Eu quero te ter sem usar preservativo.
– Gustavo me surpreende. — Jamais tive alguém nessas circunstâncias, eu
não sei o que é transar sem proteção e eu sou saudável, sei que você também.
– Confirmo que estou ciente que ele jamais me colocaria em risco e acabo me
aproveitando sentindo a cabeça enorme roçando bem na entrada, fico louca
para impulsionar meu corpo para baixo, mas então lembro-me do seu medo
de ter filhos, sei que lá na frente é algo que devemos decidir juntos e me
afasto rapidamente. Por uma fração de segundos até me esqueço que estamos
no fundo.
— Gu. – Rapidamente ele volta a me puxar e no seu rosto uma
interrogação enorme se faz, eu o entendo, também ia querer saber o motivo
do meu quase ataque de pânico. — Eu não faço uso de nenhum contraceptivo
e nós sabemos que você não quer ter filhos, vai arriscar? Não podemos. – Ele
se diverte comigo. — Uai, vai que milagrosamente eu engravido mesmo
estando na água? – Me puxa ao seu encontro e com uma mão de cada lado da
minha bunda, me excita movimentando o meu corpo, deixando tudo bem
quentinho e vai metendo bem gostoso.
— Eu vou gozar fora, minha delícia. – Então nem três segundos se
passam e eu o sinto todo em mim.
— Ahhh gostoso. – O fato é que Gustavo é quente até debaixo da água.
E sendo assim, pela primeira vez, começamos a namorar de forma mais
lenta.
Pele na pele.
Puxadas atrevidas.
Pegadas que enlouquecem.
Gemidos que estimulam.
Um pau gostoso que me atravessa todinha me fazendo chamar o seu
nome a cada estocada e beijos que nos conectam completamente.
A impressão que eu tenho é que pela primeira vez, apesar do local,
estamos fazendo amor.
— Goza, Bia. – Sussurra em meu ouvido. — Me chama minha safada,
enquanto recebe gostoso o meu pau, vai. – Gustavo aproveita que estou
completamente a sua mercê e além de me foder gostoso, acaricia atrás com
uma mão enquanto que com outra, segura-me pelos cabelos deixando meus
lábios na direção certa para o seu deleite.
— Ahh, Gu. – Une nossos lábios enquanto prolonga o meu prazer, em
seguida, retira o pau de mim e goza repetindo o meu nome por várias vezes,
me deixando ainda mais rendida e apaixonada. — Gustavo. – Seus olhos
esverdeados praticamente penetram o meu corpo. — Fico me perguntando o
que você vai fazer quando fizermos um mês. Que delícia de tarde meu a... –
Coloca o dedo em meus lábios e acaricia.
— Amor? – Me surpreende ao me decifrar e não parece chateado por
ser chamado assim. — Pode me chamar assim, eu gosto.
— Eu só tenho que ter cuidado para não falar essa palavrinha na frente
de outras pessoas. – Puta merda.
— Eu quero contar para todos que você é minha namorada, te levar
para minha casa e em paz poder dormir e acordar ao seu lado. – Ah, é o que
mais quero. — Até porque foder escondido é bom, mas é melhor ainda não
ter restrições. – Ai meu Deus! Que homem. — E o meu prazo máximo para
viver tal circunstância com você é de no máximo um mês.
Eu fico momentaneamente sem palavras e um filme gostoso se passa
em meus pensamentos. Eu nunca poderia imaginar que ao colocar os pés na
fazenda Ávila, eu também ia encontrar um homem tão especial quanto Gu.
— Eu quero viver isso tudo com você e eu aceito o prazo. Terei pelo
menos duas semanas para ganhar a confiança dos alunos. – Ele aceita o
argumento, logo depois, saímos da cachoeira e como viemos ao mundo,
caminhamos até debaixo da árvore onde nos alimentamos.
Entre beijos deliciosos, intercalados com uvas e morangos, Gu chama a
minha atenção ao pegar na mochila uma caixa de cor prata com um laço de
fita camurçada na cor vermelha e todo feliz me entrega.
Meu Deus, o que pode ser?
— Eu comprei algo para nós. – Seguro o presente.
— Gu, eu não comprei nada. – Com um sorriso discreto nos lábios,
acaricia o meu rosto.
— Como eu disse, é algo para nós. – Sua expressão fácil muda e o
olhar daquele homem que me enlouquece na cama se sobressai e me penetra.
— Na verdade, tem algo que você pode usar em público. – Me deixa ainda
mais curiosa, por conta disso, sem tardar puxo o laço e abro a caixa.
— Gustavo. – Meus olhos dobram de tamanho quando eu vejo um
belíssimo colar de pérolas intercalando com outras pedras que brilham tanto
que parecem cristais. Entretanto, por imaginar que pode ser uma joia
verdadeira que jamais eu poderia comprar, quase dou um grito, mas antes que
eu possa falar uma palavra, Gustavo recolhe o colar da caixa e coloca em
meu pescoço.
— É-é lindo, mas eu... – Inclina o rosto em minha direção.
— Linda é você. Esse colar só realçou a sua beleza. – Tento mais uma
vez falar. — Bia, como eu disse antes, esse colar é para nós, quando saírmos
e você decidir usá-lo, eu vou saber que você quer me proporcionar algo muito
especial. Nas próximas noites você vai descobrir o que este acessório pode
fazer por nós dois. – Volta o olhar para a caixa. — Ainda tem algo aí. Não
vai ver?
Ele tem razão.
Pois a embalagem é dividida em duas partes e por eu ser curiosa, logo a
abro. Senhor!
— Gu. – Minha pele aquece por saber que estou olhando para três
plugs anais de tamanhos diferentes, porém do mesmo formato, meio oval. Eu
já fico louca quando ele acaricia atrás e penetra o dedo me ensinando outras
formas de prazer.
Mas os plugs, parecem sem bem maiores, e largos.
— Eu sei, parecem grandes, mas para te preparar para receber meu pau,
esse método é muito bom e pode confiar em mim, eu faço gostoso. – Vejo
brilho nos seus olhos, Gu sente prazer em ser meu professor em tal matéria,
pois para ele é algo completamente novo, todas as suas parceiras eram bem
experientes.
— Eu sei que faz, muito na verdade. Eu quero aprender esses novos
métodos. – Deixando a caixa de lado, ousadamente sento-me em seu colo e
entre beijos deliciosos e muito mais entrega, assistimos ao pôr do sol.
***
Capítulo 18

Uma semana depois.

— Ávila, por favor, olha os meus cabelos, estão arrumados? –


Enquanto abotoo a minha blusa, ainda sentada em seu colo, em pleno carro
me preocupo com a minha aparência pós sexo e por conta de um motivo.
Depois de um orgasmo múltiplo completamente intenso, entre um beijo
e outro, recebemos a notificação de que a minha Ana acaba de chegar na
Ávila.
— Bianca. – Continuo me arrumando. — Fica calma, amor. – Ele
parece se divertir ao testemunhar o meu sofrimento.
— Você não entende? Tia Ana é a mãe que Deus me deu, assim que
ela nos ver, vai perceber que estávamos juntos. Trepando. – Ah meu Deus. —
Eu sei que não é motivo de vergonha, já sou maior de idade, responsável e
ainda assim, preferia que ela soubesse de tudo em uma conversa e não de
surpresa.
— Eu tento, mas não entendo muito, você sabe, eu amo a minha mãe,
mas infelizmente ela não notava muitas coisas. – Acaricio o seu lindo rosto e
dou um beijinho na ponta do nariz. Como se com o gesto eu pudesse o
acalantar. — O José era um pouco mais observador. – Olha para o horizonte.
— Bem, ele você dobrou com suas desculpas convincentes. – Realmente, eu
tenho usado toda a minha cota de criatividade. — Então minha prenda, eu
vou ficar na torcida para que a Ana ao nos observar não note o que está
acontecendo. – Me levanta nos separando e quando vou para o meu assento,
depois de colocar a calcinha no lugar, ajeito a minha saia.
— Meu amor lindo, mulheres são diferentes, fora esse cheiro de sexo
que está entre nós. – Despreocupado após se livrar da camisinha, guarda o
seu delicioso pau, ajeita a roupa e volta a dirigir para a estrada principal.
— Fica tranquila, minha princesa. – Coloca a playlist Fazenda Ávila
para tocar e mantém as janelas abertas. — O vento agirá em nosso favor. –
Ah, eu acredito que não.
— Só um milagre para nós dois, os nossos perfumes estão misturados.
– Por estarmos perto, nem cinco minutos se passam e logo Gu estaciona em
frente à casa da dinda. Nos apressamos em entrar e já na sala,
cumprimentamos minha tia e Zé. — Uai, por onde anda a tia Ana? Recebi a
mensagem de que ela havia chegado. – Dorinha vai até a cozinha para tirar
uns biscoitos do forno enquanto Zé nos conta que o engenheiro Sacramento
estava fazendo o favor de trazer a minha tia, já que ele estava chegando na
Ávila no mesmo horário.
Sem mais delongas, Gustavo e eu nos sentamos para esperar.
— Mas me digam, como foi a gravação hoje? – Fico instantaneamente
animada.
— Zé, foi lindo demais. A escola já está quase pronta e hoje gravamos
mostrando as salas, cadeiras, enfim, a estrutura do local. Tu tinhas que
presenciar a alegria do pessoal que visitou as instalações. – Rapidamente olho
para Gustavo. — Eu definitivamente estou vivendo um sonho e nem tenho
como agradecer a Deus por tantas bênçãos. Mas ao Sr. Ávila, agradecerei
todos os dias. – Tento disfarçar meu olhar de moça apaixonada.
— O seu sonho se tornou meu também, Bia. – OMG! — Eu sempre fui
muito atento à população que habita nas minhas terras e eu acredito que você
chegou para complementar ainda mais, acredite dona professora, eu
realmente estou feliz por demais. – Eu bem sei.
— Eu vejo paixão nos olhos dos dois. – Engulo em seco e olho para
José, enquanto Gustavo se mostra calmo, sereno e tranquilo. Ora, eu bem sei,
o maior desejo dele é ter aquela prosa direta com meu tio aonde contará o que
acontece entre nós. — Quando falam sobre a escola. – Volto a ter batimentos
cardíacos.
— É realmente muita paixão que nos envolve. – Ávila me passa aquela
olhada que me derrete e ao mesmo tempo me tira a capacidade de sequer
abrir a boca e falar algo, entretanto, o silêncio um tanto quanto estranho é
interrompido com batidas na porta, então eu corro para abrir e quando vejo
minha tia Ana, logo a abraço.
— Que saudade mãezinha. – Ah, quanto medo eu tive de não te ver tão
cedo. Perder contato com quem se conviveu a vida toda é assustador.
— Nem me fale, Bia. – Me olha de cima abaixo. — Como você está
linda, minha princesa. – Eu disse que ela ia notar algo.
— São seus olhos cheios de amor. – Aperta as minhas bochechas como
se eu ainda fosse uma criança.
— Eu te amo tanto. – Por termos o mesmo tamanho, inclino-me um
pouco e acomodo a minha cabeça na curvatura do seu ombro.
— Eu também minha boneca de porcelana. – Ainda parcialmente
abraçada com tia Ana, finalmente adentramos a casa, porém um barulhinho
me chama atenção e quando olho para trás, presencio um homem alto,
bastante forte, moreno claro, muito bonito, aparentando ter uns quarenta
anos, segurando a mala da minha tia.
— Sacramento, espero que você tenha recebido bem a mãe da Bianca.
– Eu noto tia Ana um pouco envergonhada ao mesmo tempo que encantada
ao olhar para o belo homem. — Meu nome é Gustavo Ávila, é um prazer tê-
la aqui na fazenda, seja bem-vinda. – Toda educada o cumprimenta, diz que
já o conhecia por causa do programa de televisão e agradece o convite para o
trabalho, mas logo volta a olhar para o homem que lhe deu a carona.
Eu acredito que devo agradecer a ele sobre a distração no olhar da
minha melhor amiga da vida. Só assim para ela não me decifrar.
— Sobre o Sr. Sacramento, ele me recebeu muito bem, é um
verdadeiro cavalheiro. – Eles continuam se olhando, apenas são
interrompidos por Zé e a dinda que logo vem os cumprimentar e eu caminho
até o meu homem.
— Gu, você está vendo o que eu vejo? – Sussurro bem baixinho
olhando os quatro conversarem. — Será que rolou uma palpitação a mais
quando se conheceram? – Instantaneamente e por achar que Sacramento é
uma boa pessoa, pois é amigo de Gustavo, começo a torcer por um sim. —
Ele não é casado? Diz que não. – Gu fica um pouco pensativo.
— Já foi, Sacramento é pai de uma menina linda, mas a vida da sua
esposa foi ceifada em uma viagem. O motorista do ônibus que ela estava,
cochilou e por conta disso o pior aconteceu. – Gustavo olha para minha
mãezinha e Sacramento enquanto eu fico imaginando o quão difícil foi passar
por tal perda. — Apesar do casamento dos dois não estar bem e estarem à
beira de um divórcio, o meu amigo ficou devastado, quem sabe a vida agora
está dando a chance de reiniciar? – A hipótese me deixa bastante empolgada
e desde já na torcida. Quem sabe? — Bem, depois que eu te conheci, eu fico
na torcida para que os meus amigos tenham a mesma sorte que eu.
Meu coração dispara ao ouvir a declaração.
— Sortuda sou eu por te ter, Ávila. – Faço questão de mostrar como
estamos caminhando para a mesma direção e disfarçando, volto a olhar para
minha tia.
Em relação a eles, estou ciente que posso até parecer muito romântica,
mas eu acho que eles fariam um belo casal.

Uma semana depois

“Bom dia, minha prenda.


Passar as noites com você é uma delícia, entretanto,
posso afirmar que necessito viver as manhãs ao seu lado.
Estou contando os minutos para isso.
Hoje meu dia está cheio, vou te esperar no “altar”
Por favor, diga sim para mim.
Beijos.”
Leio a mensagem várias vezes, ainda deitada, abraço um travesseiro e
sentindo falta do seu abraço, digito a resposta.
“Você ainda tem dúvidas?
Eu também estou contando os segundos para este dia.
Beijos amor meu.”
Com um sorriso no rosto que não me cabe, resolvo olhar as outras
mensagens e deparo-me com uma de Aladilce.
“Oi Bia.
Sei que talvez eu vá te ver hoje à noite
na festa junina após o programa da Fazenda Ávila,
mas eu estava ansiosa para te contar
e também desabafar.
Zai já está em casa.
E eu estou péssima ao mesmo
tempo que acalentada por sua presença,
com certeza o meu cantinho fica mais
alegre quando ele está por perto.
Porém, minha filha eu ando com tanto medo
que minhas pernas até tremem
e minha pressão sobe.
Eu tenho receio do meu menino achar
o esconderijo aonde guardo o dinheiro para
o nosso sustento e sair para beber.
Medo dele surtar e fazer uma besteira, sabe?
Eu durmo com um olho aberto,
outro fechado e ontem quando fomos na
cidade fazer umas compras, sofri por estar
em um simples mercado e evitei o máximo
o local aonde as bebidas estão
disponíveis para compra.
Olha, longe de mim querer chorá pitanga*, visse?
Mas tu sabes que só tenho a ti
para conversar sobre meus problemas.
Então Bia, tu fiques desde já sabendo
que se eu não der as caras hoje à noite
é por conta do medo que me ronda.
PS- Isaias já leu boa parte dos livros que ganhou
do senhorzinho e da senhora.
Mais uma vez, obrigada.
Beijos.”
*Chorá pitanga - lamuriar-se.
O meu coração fica partido, mesmo em um dia que eu tenho todos os
motivos para sorrir, afinal de contas, hoje serei a noivinha caipira do Sr.
Ávila no programa ao vivo onde todas as matérias gravadas durante o mês
que passou serão exibidas, fora a festa inaugural da escola que acontecerá
logo depois.
Entretanto, mesmo envolta de tanta alegria, não deixo de me preocupar
e não tardo a responder.
“Oi Dilce,
Deixe de preocupação,
você sabe que pode sempre contar comigo.
Sobre a festa, não deixe de comparecer.
Além de você ser uma das professoras
de artesanato, ainda lhe fará muito
bem distrair o juízo.
No mais, traga Isaias.
Não teremos bebida alcóolica por lá
a pedido do Gustavo.
Ele deseja fielmente que esta festa
seja bem familiar e curta, pois ele bem
sabe que os funcionários quando têm
a oportunidade, gostam de enchê o barde.
Encontro com vocês após a gravação.
Beijos.”

Como Dilce parece estar offline, levanto-me, e para a minha surpresa,


desespero e quase um infarto, quando olho o lençol vejo uma mancha
redonda de esperma por conta do preservativo que Gu esqueceu de dar o nó e
acabou vazando o conteúdo.
Também, eu até nos entendo, ontem definitivamente ficamos esgotados
depois de Gustavo me ensinar novas formas de sentir prazer.
Aliás, cada descoberta é única.
Ainda com um pouco de sono, sento-me novamente e passo
delicadamente a mão nos lençóis que são testemunhas dos nossos momentos,
enquanto divago sobre a minha vida. Como ela mudou, como eu mudei.
Volto a pensar que foi a pouco mais de um mês, mais precisamente na
noite em que tia Ana e eu perdemos o chão e o susto tomou conta das nossas
almas com o retorno do desgraçado que tirou a minha mãe desse mundo.
Lembro-me de passar as primeiras três horas de viagem, quando estava
vindo para Ávila, chorando, lamentando o fato de ter saído às pressas sem
nem me despedir de alguns amigos, até o momento de agora.
Como eu poderia imaginar que um tapa na bunda poderia me trazer um
amor?
Sim, pois é esta posição que Gustavo ocupa em meu coração, mas ele
ainda não sabe.
Nesse tempo em que estamos juntos, eu conheci o seu lado menino,
que cresceu assombrado pelo abandono mesmo tendo os pais vivos durante a
sua infância, um homem que poderia escolher a mesma direção do pai,
contudo desviou o caminho, um ser humano único que dá valor as pequenas
coisas, ama o que faz e não é arrogante com os menos favorecidos.
Como não me apaixonar?
A cada beijo, abraço, afago, troca de olhares, o homem que carregava a
fama de mulherengo, me fez sentir única e me ganhou de corpo e alma com
toda a sua sinceridade.
É possível não o amar? Pelo menos para mim, não.
Esse mesmo homem, dono de posses que eu nem sou capaz de calcular,
é ovacionado por seus funcionários que ele cuida e trata de igual para igual.
Na área da moradia do seu pessoal, quando uma criança corre ao seu
encontro, ele não se importa em se sentar no chão com suas roupas caríssimas
e brincar com os pequeninos.
Fez questão de ir juntamente comigo e uma equipe conversar com os
matutos e explicar tudo direitinho para eles aderirem a ideia da escola e
finalmente estudarem.
É até engraçado quando ele se comunica usando as gírias que nem
sequer faz parte do seu vocabulário, mas usa de bom grado para se fazer
entender.
Como não o admirar?
Um pouco mais de um mês com Gustavo parece uma vida, nós já nos
conhecemos tanto e a cada dia eu quero mais. Em todos os sentidos.
Divirto-me com o duplo pensamento, que me traz de volta a realidade e
por conta disso, recolho o preservativo, dou um nó e logo depois começo a
dobrar os lençóis pois precisam ser lavados.
Assim que saio do quarto, livro-me da maior prova do que aconteceu
durante a madrugada no vaso sanitário e só após verificar que a descarga
funcionou, sigo para o quintal, para colocar mais algumas provas para serem
lavada.
— Uai, Bia. – A voz de tia Dora me assusta. — Já vai colocar os
lençóis para serem lavados? Não trocamos ontem? – Sinto minha pele
aquecendo de tanta vergonha e temendo que ela queira realmente verificar se
está sujo ou não, abro a máquina e os jogo dentro.
— É verdade, mas eu sou uma desastrada. – Pensa, pensa, pensa,
Bianca. — Ontem de madrugada eu senti fome, peguei um copo de leite e
acabei derramando um pouco. – Jura, Bia? Leite? É, pelo menos não estou
mentindo. A lembrança me deixa com vontade de gargalhar, mas logo fico
séria quando a mulher que me conhece em detalhes, se aproxima.
— Eita fazenda que faz bem, até deixou minha menina mais feliz ao
amanhecer. – Jesus, ela sabe. Tenho certeza que ela já percebeu algo toda vez
que me vê ao lado do Gustavo, mas está respeitando o meu momento.
— Ora, eu posso dizer o mesmo não é Aninha? – Tia Dora coloca a
mão na boca contendo uma gargalhada. — Eu venho te observando desde
quando a senhora chegou na fazenda ao lado de Sacramento, os seus olhos
brilharam. – Ana cobre o rosto e senta-se no batente da porta. — E ontem
vocês conversaram bastante quando fomos visitar a escola. – Disso eu sou
testemunha.
— Misericórdia, será possível que eu não soube disfarçar em nenhum
momento? – Dinda e eu negamos. — É que ele é um homão lindo, chamou
muito a minha atenção, não só pela beleza, mas pela simpatia, contudo, estou
certa de que ele é muita areia para um caminhão que já está com trinta e nove
anos e que não tem um homem à anos, já até me acho meio virgem. – Minha
consciência fica pesada, é difícil ver o efeito que eu causei em sua vida. Deus
do céu, boa parte da sua juventude toda anulada por causa de mim.
Eu preciso vê-la realizada.
— A senhora é linda, tia. – Penso em me aproximar e lhe dar um
abraço, mas como ainda estou com o cheiro de Gustavo entranhado em meu
corpo, decido manter uma distância de segurança. — E Sacramento com
certeza também acha, afinal de contas, o que ele foi fazer lá na escola sendo
que ele é um engenheiro agrônomo? – Eu tenho a impressão que Gustavo deu
a dica... — E outra coisa, se ele não se aproximar de tu, é porque é um
frouxo. – Dou a minha opinião sincera.
— Será que realmente foi por minha causa? – Ahhh, os olhinhos da
minha mãezinha brilham.
— Vou perguntar para Gu, ele saberá me responder. – Dou-lhe uma
piscadela, mas em resposta...
— Gu? Já tem apelido fofo? – Ah, Ana. Como tu és implacável. Mas
hoje não tenho tempo de te contar nada.
— Desde quando o patrãozinho ganhou este apelido? – Tia Dora entra
na jogada disposta a descobrir absolutamente tudo.
— Ué, desde quando ele virou o meu noivo. – As faço rir, pois sabem
do casamento no programa que acontecerá hoje, desta forma, escapo de mais
algumas perguntas, elas comentam que estão empolgadas para participarem
da plateia e em seguida eu corro para casa, pois só tenho apenas duas horas
para estar na Mansão, pois antes do programa ser gravado, terei que fazer
umas fotos para o Instagram da Alana mostrando o lindo vestido que ela fez.
***

Quando estou caminhando para a casa do Gustavo, sentindo o meu


coração acelerado por conta do horário da gravação que está se aproximando,
resolvo relaxar ouvindo as músicas de Sandy e Junior que a Ana me
apresentou desde quando eu era adolescente, também para relembrar as letras
que eu tanto amo, pois hoje eles vão estar na gravação e eu não quero passar
vergonha.
A calmaria da música “Quando você passa” me faz praticamente
flutuar até a entrada principal, porém, ao ser recebida por Nita que não sabe
disfarçar um certo pânico, eu até congelo. Deus da minha vida.
— Nita, está tudo bem? – Apenas me dá a mão. — Aconteceu alguma
coisa com Gustavo? – Só de imaginar algo o chão parece que vai se abrir.
— Não. – Apressada, volta a me puxar e enquanto fazemos o caminho
para o primeiro andar, me pede para que eu fique calma.
— O seu pedido não está ajudando, o que houve? – Ela abre a porta do
quarto aonde eu conheci o Gustavo e eu dou de cara com Alana sentada na
cama, chorando, segurando pedaços de tecidos na cor branca, florzinhas
coloridas repicadas e eu logo entendo o que acaba de acontecer. — Meu
Deus! Como isso é possível?
— Bia, fique calma. – Alana tenta me consolar, mas é difícil. — Tudo
indica que Vânia descobriu que você será a noivinha e destruiu o vestido. –
Eu não tenho nem forças para xingá-la em pensamentos e apenas me sento e
toco nos retalhos.
— Isso não pode estar acontecendo. – Meus olhos ficam marejados. —
Que mulher cruel. – É impossível não chorar. — E-e agora? – Alana me
mostra a tela do seu celular.
— Solicitei todos os vestidos de noiva que já foram usados em algumas
novelas da emissora, mas nada parece bom o suficiente, sem falar que vai
demorar horas para alguma peça chegar até aqui. – Eu sei que era só um
casamento de mentirinha, mas eu já havia me iludido tanto. Eu queria viver a
ilusão de me vestir de noiva e mais ainda, poder falar do meu projeto em rede
nacional. — Acho que a sua participação no programa terá que ser cancelada.
– Fico sem chão e Gustavo nem está por perto para me consolar.
— Isso não. – Nita finalmente encontra a voz e eu noto que ela estava
conversando no WhatsApp. — Daqui até a gravação que será no pôr do sol,
ainda temos um pouco mais de cinco horas. – Olha para mim. — Ainda hoje,
tu casas com o Ávila ou eu não me chamo Nita. – Volta o seu olhar para
Alana. — Pois traga a equipe para cuidar da Bianca, façam as fotos dos
bastidores do programa e me aguardem, em um par de horas, adentrarei este
quarto com a solução, Gustavo vai me ajudar. – Vem até mim e segura o meu
rosto. — Ele me pediu para te dizer que vai ficar tudo bem. – Me dá um beijo
na testa e segue o caminho.
Eu não sei de onde ela e Gu tiram tanta fé, mas mesmo estando tensa
aceito a sugestão, Alana me acompanha com os seus pensamentos positivos e
seguimos o fluxo do dia.
***

Com uma maquiagem de noiva pronta, um penteado meio preso e


bastante elegante, mesmo com o pequeno toque divertido feito com fitas no
tom rosa, começo a fazer as fotos usando o roupão do programa e até um
storie ao vivo fazemos e nada de Nita chegar.
— Será que consegui disfarçar a preocupação nas fotos e vídeo? –
Alana segura a minha mão.
— Muito, você tem uma inteligência emocional muito forte. – Eu
tento. — E eu também tenho fé que vai dar tudo certo, é justo você falar
sobre o projeto que nasceu em seu coração. – Olha rapidamente para os lados
para se certificar que pode prosseguir com a conversa. — Ao vivo e
juntamente com Gustavo. – Acho correto também, nós nos envolvemos
demais durante toda preparação.
— E por falar no Gustavo, ainda não o vi hoje e nem trocamos uma
mensagem. – Alana se levanta e caminha até a janela.
— É bom assim, noivo não pode ficar ao lado da noiva no grande dia,
muito menos ficar de conversinha. – Me faz gargalhar e eu a lembro que não
vamos nos casar de verdade. — Eu sei, juro. Mas confesso que quero ver a
surpresa do Gustavo ao te ver ainda mais linda. – Volta a se lembrar que não
temos ainda um vestido e o seu semblante fica entristecido. — Eu espero que
Vânia pague por isso que fez e que a produção lhe passe um bom corretivo. –
Abro a boca para lhe responder, contudo, no mesmo instante a porta do
quarto do Gu se abre e Nita aparece segurando uma enorme capa de vestido,
juntamente com um rapaz que tem em sua posse uma caixa que parece ser
pesada e uma senhora com uma fita métrica dependurada em seu ombro.
— Eu disse que ia arrumar uma solução e arrumei. – Apressada vem
em minha direção. — Na verdade, Gustavo e eu fizemos uma rápida viagem
a cidade vizinha, agora que chegamos, ele está até atrasado para alguns
compromissos, mas disse que moveria o mundo para você brilhar hoje à
noite. – Ah Sr. Ávila, assim o meu coração não aguenta.
Logo depois que eu a agradeço e prometo que vou agradar Gustavo
mais tarde, ela abre a capa e nos mostra um vestido lindo. Muito mais lindo
do que o anterior, sendo que um pouco mais curto na frente, decote coração,
mas precisamente acima das minhas coxas e a parte de trás longa.
— Ele é perfeito, só não é caipira. – Eu fico encantada e Alana vibra ao
ver o modelo.
— Mas vai ficar. – O observa bem de perto. — Principalmente quando
Bia estiver usando as botas brancas com a liga de coxa aparecendo. –
Segurando em minha mão, me levanta rapidamente e enquanto Nita conta
que comprou o vestido em uma loja da cidade pago por Gustavo, Alana me
auxilia a vestir para ver como está em meu corpo.
O tamanho fica ideal, principalmente porque o espartilho da parte de
cima é de amarrar, então modela bastante a minha cintura. Porém, por eu ser
baixinha, se faz necessário fazer uma bainha na parte de trás, procedimento
necessário que não levará muito tempo.
***

Enquanto Alana, Nita e a costureira focam no preparo do vestido,


digito uma mensagem para Gu agradecendo pelo o que ele fez, conto que
estou com saudade e sua resposta não tarda a chegar.

“Desde quando te fiz o convite


para participar do programa,
te prometi que ficaria ao seu lado. E eu vou.
Eu moveria seja lá o que fosse necessário par te ter ao
meu lado, presenciando o sucesso do seu projeto.
Eu que tenho muito a te agradecer, eu sinto que ao seu
lado, a Ávila vai a cada dia fazendo mais sentido em minha
vida.
Eu jamais quis ser um homem com posses que passa
pela vida sem fazer diferença na vida das pessoas.
PS- Minha prenda, hoje o meu dia está completamente
cheio, tanto que estou almoçando agora.
Logo depois irei para a área onde será a exibição do
programa, pois sequer li o planejamento para logo mais.
Estou ansioso para te ver.
Beijos,
G Ávila.”
Capítulo 19

Meu coração se enche de amor, gratidão e admiração e a


expectativa por logo mais, me deixa bastante ansiosa.
— Bia? – Nita se aproxima e apesar de demonstrar um pouco de
cansaço, parece animada. — Está na hora de se arrumar de verdade. – E me
estende a mão.
— Mais uma vez, obrigada por tudo. – Me dá um abraço sincero e me
olha por alguns segundos.
— Me agradeça cuidando do patrãozinho. – Eu acho graça porque o
tom da conversa, faz parecer que o casamento que está prestes a acontecer é
real. — Eu não estou falando do casamento de mentira e sim do sentimento
verdadeiro que existe entre vocês. – Olha por alguns segundos a vista pela
janela. — Eu tenho a impressão que depois de hoje, algo vai mudar nesta
fazenda. – Fica pensativa. — Deve de ser intuição de quem já ama muito ver
vocês juntos. – Fico emocionada por suas palavras, a abraço, entretanto a
nossa conversa é cortada por Alana que se aproxima segurando o vestido e lá
vou eu me arrumar.
***

— Uau, você está linda! – Olho-me no espelho enquanto Nita bate


palmas e eu me sinto uma verdadeira noiva, apesar do modelo um pouco
mais diferenciado.
— Tenho que concordar, você está perfeita. – Como o vestido não é
mais da Alana, fazemos as fotos onde os créditos serão dados ao verdadeiro
estilista, até que chega a hora que tenho que ir para a gravação e o frio que
percorre a minha barriga quase me mata de ansiedade.
— Eu não vou com o Gustavo? – Alana nega rapidamente.
— Não, ele provavelmente já deve estar no local da gravação e só vai
te ver na hora da sua participação, mais precisamente no penúltimo e último
bloco. – Me lembra que vamos bater um papo sobre a educação, intercalado
com vídeos da obra, que teremos a presença de Sandy e Junior, assim como
dos cantores Jorge e Mateus, Matheus e Kauan e depois de tentar me
tranquilizar, retocar a maquiagem, o perfume, caminhamos para o carro.
Apesar de me sair muito bem nas gravações, tenho medo de falar uma
besteira ao vivo.
Receio de encontrar Vânia e ela perder a linha.
Do turu turu que literalmente está bombardeando o meu peito por
querer ver meu noivo caipira e principalmente de não saber disfarçar o
sentimento que transborda no meu peito e que eu ainda nem contei a Gustavo
o que sinto.
***

Com um pouco mais de vinte minutos de estrada, chegamos ao local


aonde o programa é gravado e me encanta a estrutura montada.
Vários trailers que devem funcionar como camarins estão por perto,
uma torre bem alta que deve ser do canal da TV, ainda de dentro do carro, eu
posso ver as quatro arquibancadas onde a plateia formada pelo pessoal
Avilaense estão sentados.
Mais ao lado, Vânia conversando com Fonseca cheia de gestos.
E Gustavo um pouco mais afastado lendo um livreto... Bem, ele está
lindo e mais gostoso do que nunca.
Usando uma camisa três quartos xadrez em tons de preto e cinza que
contorna os seus músculos, uma calça jeans escura que não disfarça suas
coxas grossas, bota masculina e apenas uma flor de girassol presa na camisa,
por conta da caracterização exigida.
— Meu Deus. – O meu pensamento sai em voz alta e por conta disso,
Alana dá dois tapinhas em minha coxa direita, me fazendo quase dar um
pulo.
— Que casal lindo vocês formam. – Parece ponderar suas palavras. —
Na verdade eu queria dizer é que vocês são quentes, é o que penso. Só de
olhar, até eu que sou recatada, já imagino besteiras. – Sei! — Não, eu preciso
ser sincera. Fugi a aula aonde se ensina ser comportada e adoro ver um casal
transando, é um fetiche. – Abro a boca fingindo estar assustada. — Nunca
ouviu falar sobre pessoas que curtem um voyeurismo? – Para a tranquilizar,
lhe passo um sorriso acolhedor. Não é porque algo não é a minha praia, que
eu devo ser preconceituosa.
— Já sim, só não é algo que me enche os olhos. – Alana gargalha.
— Você não sabe o que está perdendo. – Começa a me contar as
situações aonde ela foi em alguns clubes, o quanto é excitante a prática e de
como está louca para o final de semana chegar e finalmente poder matar a
vontade acumulada.
Ouvindo as suas experiências, o tempo passa sem que a gente perceba,
até que ouvimos batidas na janela do carro.
— Bianca, prepare-se. – Desço o vidro. — Vamos entrar em dez
minutos. – Meu coração dispara, minhas mãos ficam um pouco frias, e
vestindo uma coragem que só deve vir dos céus, abro o carro e dou os meus
primeiros passos juntamente com Fonseca em direção ao local da gravação.
Que Deus me proteja das garras de quem não me quer bem.

“Esse turu, turu, turu aqui dentro


Que faz turu, turu, quando você passa
Meu olhar decora cada movimento
Até seu sorriso me deixa sem graça

Se eu pudesse te prender
Dominar seus sentimentos
Controlar seus passos
Ler sua agenda e pensamento
Mas meu frágil coração
Acelera o batimento
E faz turu, turu, turu, turu, turu, turu tu

Enquanto Sandy e Junior cantam uma das músicas do seu enorme


repertório que mais amo, encontro-me atrás de uma das arquibancadas para
no momento certo caminhar até aonde Gustavo e Vânia estão para fazer parte
da entrevista e assim como a letra da música, estou com o coração disparado
a cada segundo que passa.
Se é amor, sei lá
Só sei que sem você parei de respirar
E é você chegar
Pra esse turu, turu, turu, turu vir me atormentar”

— Bia, é agora. Tudo bem? – Sem condições de falar, apenas aceno


positivamente. Enquanto a música termina, Vânia caminha até a dupla que
mora em meu coração e trocam algumas palavras.
Se Sandy e Junior soubessem dos bastidores, nem perto da vara de tirar
caju ficavam.
— Dando continuidade ao nosso programa especial de São João,
vamos agora falar sobre um tema que foge um pouco dos assuntos que
estamos acostumados a tratar por aqui, contudo, é algo muito importante,
pois tal situação aflige boa parte da população brasileira e ainda assim,
infelizmente vem sendo deixado de lado pelos responsáveis. – Gustavo se
aproxima dela e eu até reviro os olhos.
— Justamente, mas não aqui na Ávila, aonde prezamos pelo bem-estar
dos nossos funcionários. – Ele caminha um pouco próximo da plateia e eu
acredito que ele ainda não me vê, pois estou o observando por um pequeno
espaço que tem entre uma pessoa e outra. — Vocês que estão sempre por
dentro de tudo o que acontece aqui na Fazenda, provavelmente viram nos
stories do Instagram algumas fotos e vídeos gravados no último mês. – A
plateia reage ao que o Gustavo diz de forma positiva. — Pois então, está na
hora, de vocês conhecerem mais de perto a mentora de todo projeto que eu fiz
questão de abraçar. – Olha para o pequeno corredor de onde eu vou aparecer.
— Recebam com aplausos, Bianca Lima. – Respiro fundo e com um sorriso
nos lábios, acenando para as pessoas que se viram para me olhar, caminho até
Gustavo que, sem disfarces, demonstra encantamento e passeia o olhar por
mim. Deus! Se ele tivesse poderes eu já estaria despida. — Bem-vinda,
Bianca. – Com os nossos olhares presos um no outro, ele estende a mão para
mim, quando eu o toco, acaricia de leve e não me solta mais.
— Obrigada. – Ele se vira para plateia e eu logo identifico as minhas
tias, Zé, Sacramento, Dilce e Isaias.
Ai meu Deus! Agora já perceberam tudo.
— É a noiva mais linda que vocês já viram, não é? – Todos confirmam,
inclusive os convidados famosos, dentre eles a dupla Jorge e Mateus que já
estão devidamente vestidos a caráter de um casamento caipira e sentados no
sofá em L prontos para o bate papo sobre educação.
Contudo, é nítido o descontentamento de Vânia ao me ver. Bem, ela
não esperava que depois de tudo, eu ainda viria vestida de noiva.
— Eita que eu acho que hoje o mundo dos solteiros será abalado e o
Gustavo se casa. – Jorge comenta com aquele sotaque típico que todos
adoram.
— Eu concordo, a noivinha está linda. – Sandy toda meiga dá o ar da
graça.
— Justamente, se eu soubesse que o casório seria real tinha chamado
um padre de verdade. – Junior brinca com o fato do Mateus está usando uma
batina de fantasia.
— É, a conversa está maravilhosa, mas programa ao vivo não se pode
ter atrasos, então, vamos começar a entrevista, Bianca? – Vânia corta a
brincadeira e Gustavo me encaminha para o meu lugar e como me prometeu,
fica ao meu lado.
— A minha colega Vânia tem razão. – Ele olha para a azeda. —
Precisamos passar a matéria, mas antes eu tenho que responder aos amigos
presentes. – Olha para mim sem disfarçar. — Quando eu me casar de
verdade... – Desvia o olhar para os amigos. — Vocês todos estarão
convidados, tenham certeza.
***

Durante o bate papo sobre educação e sua importância, as matérias são


passadas, alguns convidados me perguntam como a ideia surgiu e sendo
bastante sincera, conto sobre a situação de desemprego que eu me
encontrava, o desespero por não estar inserida no ambiente de trabalho e
como eu identifiquei que os funcionários da Ávila precisavam de tal
oportunidade.
— Sabe, Bia eu cresci inserida neste mundo rural maravilhoso. Apesar
de desde criança estar fazendo shows pelo Brasil, amava estar cercada das
pessoas simples que sabem quais são os verdadeiros valores da vida, já fiz
juntamente com a minha família, várias ações sociais e estou maravilhada
com a sua iniciativa. Acredito que os grandes fazendeiros deveriam aderir ao
modelo de escola da Ávila. – Sandy olha para o irmão que concorda com
gestos com o que ela diz.
— E nós com certeza vamos querer ser os primeiros a copiar esta ideia.
O nosso pessoal merece e nós sabemos, ainda mais agora, com muita clareza
o quanto é importante fazer com que a educação seja acessível. – Eu fico
emocionada ao ouvi-los.
— Sem falar que hoje eu posso afirmar que já sei o que é sentir a dor
de estar no lugar das pessoas que não foram alfabetizadas. – Mateus dá a sua
emocionante opinião.
— Justamente, pois antes sabíamos que o nosso país ainda peca muito
neste quesito, porém agora os meus olhos se abriram e eu concordo com o
que você diz, o mundo está preparado para quem sabe. – Jorge olha para
mim. — Parabéns, professora Bianca.
Eu agradeço com muito carinho o apoio de todos sem me prolongar
muito pois corro o risco de a qualquer momento chorar.
Em seguida, Jorge e Mateus cantam a música Como não me apaixonar
e mesmo durante o intervalo, eles continuam animando os presentes.
“E as minhas melhores risadas
Somente você consegue arrancar
Como não me apaixonar?
Como não me apaixonar?
Tenho a certeza e aquela incerteza
Não existe mais, ficou pra trás
O meu pensamento, vive e pensa a todo tempo
E me pede mais, eu vou atrás
Tenho o que quero e preciso
E as briguinhas comigo, eu deixo pra lá
Quem sabe é o seu jeito de amar”

— Como estou me saindo? – Os convidados são servidos com água,


alguns retoques de maquiagem são feitos e no meio disso tudo Gustavo
segura a minha mão e a acaricia.
— Você ainda tem dúvidas? – Aceno positivamente. — A câmera te
ama com certeza, minha prenda. – Toca em meu queixo com cuidado e fita os
meus lábios. — Você fala com muita segurança sobre a escola. – Me olha de
cima abaixo. — Bianca, aquele comentário sobre a noiva não é mentira, você
já é linda, mas hoje está ainda mais. – Olha para liga de perna. — Só não
deveria estar mostrando o que é só meu. – Suas palavras e toque me atraem e
eu me aproximo dele ansiosa por seus lábios.
— Vamos recomeçar em dois minutos, é o último bloco onde teremos
o casório de mentira e a dupla Matheus e Kauan vão participar. – Fonseca nos
interrompe e eu até agradeço. O que eu ia fazer?
— Bia, deixe-me retocar este batom. – Uma assistente se aproxima
juntamente com Alana.
— Eu nem ia comentar, mas não me aguento. –Fica empolgada
parecendo uma criança que acaba de ganhar um doce. — Vocês estão
bombando no Twitter e Instagram, já criaram até uma hashtag que está entre
as toptrends. – Fico boquiaberta enquanto Gustavo me olha parecendo gostar
muito do que ouve.
— Qual a hashtag? – Ela nos conta que somos o casal #LoveGuBi, que
vários vídeos onde estamos nos olhamos sem disfarçar estão circulando e ela
deixa que a gente leia alguns comentários.
“OMG. “A noiva mais linda” G. Ávila nem disfarça.”
“Arrume uma pessoa que olhe para você, como
Gustavo olha para Bianca. #LoveGuBi”
“Alguém aí sentiu o turu turu com eles? Estou
apaixonada.”
“Gente do céu. É impressão minha ou a Vânia está
morrendo de ciúmes?”
“Morta com farofa com esse casalsão. Shippo muito.
#LoveGuBi.”

Imediatamente olho para plateia para ver a minha família, percebo que
José está bastante sério, enquanto minha mãezinha e tia Dora conversam e
Nita se diverte.
Ao lado, Isaias parece estar triste recebendo o carinho da sua mãe e
conversam.
— Fica tranquila, amor. – Gu sussurra no meu ouvido. Segundos
depois, o programa reinicia com Vânia comentando o quanto está amando a
programação demonstrando uma falsidade que merece até ganhar o Oscar.
Gustavo, que por um momento sai do meu lado, anuncia que vamos ter mais
um pequeno vídeo a ser apresentado e quando a plateia pede o casamento na
roça, ele confirma que terá.

“—É, quando me pediram para dizer a pró o que eu


achei de toda essa novidade da escola, as ideias até
fugiram da cabeça, mas eu sei que tenho é que agradecer
por demais, uai. Quando eu olho para pró e o senhorzinho
é como se eu estivesse de olho no casamento perfeito. Cês
tem condições, mas não deixam de apreciar as coisas
simples e boas da vida né? Sem falar que olham para nós,
povo simples pé no chão da terra, que não tem muito a
oferecer. Ôcês tão mudando nossa vida e das crias que um
dia poderão até virar doutores e ficarem chiques. Muito
obrigada, este é um agradecimento meu e de toda
população Avilaense.”

Meus olhos ficam marejados e uma lágrima molha a minha face.


Gustavo, todo carinhoso e atento como sempre, a enxuga, em seguida
me oferece a mão, lentamente me encaminha até o cenário que lembra uma
igreja e anuncia em tom de brincadeira que é hora de casar fazendo todos
comemorarem.
No palco, os convidados que estavam faltando se posicionam próximos
de nós dois, um deles vestido de padre caipira nos dá a benção e os demais
brincam que é hora de beijar a noiva.
— Uai, casamento sem beijo não pode. – Junior comenta e me
surpreendendo, Gustavo me puxa ao seu encontro, alinhando os nossos
corpos.
Eu fico em choque. Mas de uma forma boa.
O tempo parece parar.
E todos ficam em silêncio, em expectativa.
— Ávila. – Toco em seu peitoral enquanto ele envolve o meu corpo
com o seu abraço.
— Eu não quero mais te esconder. – Sobe uma das mãos por minha
cintura até alcançar a minha nuca por debaixo dos cabelos. — Meus
funcionários já te respeitam pela mulher que você é e não pelo homem que
tem do lado e eu te garanto que eles aprovam o nosso relacionamento. – Toca
em meus lábios enquanto eu ainda nem tenho voz. — Eu não sabia que era
capaz de comportar tanto sentimento em mim até te conhecer, minha prenda.
– Gustavo continua a se declarar ao vivo. — Eu não fazia ideia do que estava
acontecendo comigo, apesar de gostar por demais do sentimento que eu fui
acometido. – Passeia a sua mão da minha cintura até a nuca, deixando-me
completamente arrepiada. — Bia, eu te amo. – Subo as minhas mãos por seu
peitoral sentindo todos os contornos e ficando na ponta dos pés, as entrelaço
no seu pescoço.
— Nesse último mês em que eu fui te conhecendo, foi inevitável não te
dar o meu coração, eu sou encantada e admiro todas as suas versões, Sr.
Ávila. Eu também te amo, muito. – Ele quase não deixa que eu complete a
frase e me puxa unindo os nossos lábios de forma voraz, espalhando um
arrepio gostoso por meu corpo, ao vivo para todo o Brasil e mais alguns
países.
Sem vergonha alguma ou sem temer julgamentos, em pleno pôr do sol,
Gu posiciona a sua cabeça um pouco para esquerda enquanto eu inclino a
minha para direita e ao som de aplausos e da música “Te assumi pro Brasil”
nos beijamos provando e aprovando da mistura que só o nosso sabor tem.
“Ser feliz pra mim não custa caro
Se você 'tá do lado, eu me sinto tão bem
Você sempre me ganha na manha
Que mistério 'cê tem”
Achando pouco, Gustavo desliza as mãos acariciando as minhas costas,
com elas contornando a minha bunda, me suspende e então eu cruzo as
pernas no seu quadril e entre um beijo e outro continuamos a nos declarar. Eu
nem acredito que algo do tipo está acontecendo comigo, com a gente.

“Porque te amo eu não sei


Mas quero te amar cada vez mais
O que na vida ninguém fez
Você fez em menos de um mês”
— Até o próximo programa e não se esqueçam, breve vamos dar dicas
para você ter a sua horta em casa. – A voz de Vânia nos traz de volta à
realidade, até cessamos o beijo delicioso que ainda me deixa em chamas, mas
não separamos os nossos corpos.
As pessoas ao redor não ligam muito para o que ela diz e mesmo após
o final da exibição do programa, continuam animados a comemorar o que
presenciaram, entretanto já em pé e de mãos dadas com Gu, procuro por
minha família na arquibancada e não encontro. Apenas Dilce que parece
animada e Isaias um pouco perdido.
— Acho que meus tios estão chateados. – Eu não gosto da sensação de
os enganar e quero muito ter a oportunidade de relatar que as coisas entre
Gustavo e eu aconteceram aos poucos e que não é apenas o fogo que queima
entre nós que fez com que ficássemos juntos.
Tenho que contar para eles que nós nos completamos apesar das
diferenças. Mas qual casal não tem alguma? Eles também precisam conhecer
o Gustavo que eu conheço. O homem que definitivamente qualquer pai ia
querer ao lado da sua filha.
— Fique tranquila, minha prenda. Hoje eu não quero que você pense
em nada disso e amanhã conversarei com José, Dora e Ana. Eles vão saber
que não estou brincando com você. – Acaricia o meu rosto. — E que só você
me deixa tranquilo para pensar no futuro e em algumas possibilidades. –
Ávila mais uma vez me deixa sem palavras. Será que ele já pensa em ter uma
família mesmo que em um futuro distante?
— Como assim? – Em resposta, apenas me dá um beijo suave e ainda
de mãos dadas comigo, conversamos brevemente com os convidados e em
seguida Fonseca nos chama.
Ele, como sempre muito simpático, nos elogia, conta o quanto o ibope
estava alto, as reações no Brasil a fora, do nosso beijo que apesar dele julgar
um pouco exagerado agradou demais. Para completar, me diz que em breve
quer o meu retorno e só depois nos despedimos.
Damos alguns passos em direção ao carro do Gu, mas infelizmente
encontramos com Vânia que não demonstra estar feliz. Qual a novidade?
— Vocês vão mesmo ficar na minha frente? – Vejo nos seus olhos uma
raiva que até assusta.
— Uai, não quer nos ver, dê a volta. – Minha língua afiada dá sinal de
vida, mas em um tom bem tranquilo para não assustar as pessoas que estão
por perto.
— Pois é isso o que eu vou fazer. – Se afasta um pouco de nós dois e
eu fico sem acreditar que tem mulheres que se prestam a certos serviços. Eu
hein. — Gustavo. – Chama a nossa atenção. — Eu realmente tentei te livrar
desta garota que chegou de mansinho e te fez virar um cachorrinho. – Ela fica
vermelha de tanta raiva que guarda no peito. — Quando essa palhaçada
acabar e Bianca conseguir sugar os seus bens, quero que saiba que eu não
estarei disponível para te consolar, eu me amo e a partir de agora eu só te
vejo para gravar o programa.
Enquanto ela se afasta, constato que a confusão criada por Vânia não
tira o encanto da noite e sem mais preocupações, caminhamos entre algumas
paradinhas para conversar com os funcionários do Gu, até que nos
acomodamos no seu carro.
— Já que de certa forma nos casamos, que tal pularmos para a lua de
mel? – O safado me dá uma piscadela.
— E como vamos fugir da inauguração da escola? – Ele dá de ombros.
— Agora, mais que antes, devem estar ansiosos nos aguardando. – Apesar de
amar a ideia da inauguração, eu realmente quero ficar ao lado de quem acaba
de me declarar tanto amor.
— Posso saber quais os pensamentos? Se forem desejos, eu farei o
possível para os realizar. – Olho para o céu que a cada minuto fica mais
escuro deixando as estrelas sobressaírem.
Fazendo um verdadeiro convite para os amantes.
— Pode. – Como ainda não estou com o cinto afivelado, vou para o seu
colo e sento-me de lado, de uma forma em que os nossos rostos ficam bem
perto. — Eu adoraria fazer amor com você no meio dos cafezais, sendo
testemunhados pelas estrelas. – Gustavo apalpa a minha coxa aonde está a
liga, depois, mesmo por cima do vestido, sobe os seus toques por minha
barriga.
— O seu desejo, é uma ordem, minha prenda. – Eu amo o seu lado
amoroso. — Contanto que você venha para minha casa após a festa. – Eu
aceito. — Não quero mais dormir longe de ti.
— Nem eu.
Capítulo 20

Parecendo dois fugitivos, fazendo o caminho contrário da festa


de inauguração da escola, Gustavo dirige na estrada principal, logo a diante
faz uma leve curva a esquerda e rapidamente encontra os cafezais.
A verdade é que desde que começamos a ficar as escondidas, esta
fantasia rondava os meus pensamentos e agora que está prestes a acontecer,
sinto o meu coração disparando por conta da expectativa da sua realização.
Eu só não entendo o porquê dele ainda não ter parado.
— Um pouco mais à diante, é o final dessa linha de plantação, na
verdade de várias. – Dirige um pouco mais e vai diminuindo a velocidade. —
E neste ponto. – Aponta para frente. — Nós estamos exatamente no centro do
cafezal. – Estaciona, antes de descer do carro me pede para esperar, no banco
de trás pega uma manta, verifica a área de forma minuciosa e segue para a
caçamba. Alguns segundos depois retorna, deixa apenas os faróis de neblina
ligados e se direciona para o meu lado. — Vem minha pequenina, eu vou
realizar o seu desejo. – Me passa aquele olhar que já se encontra no modo
safado. — E o meu também.
Não deixa que eu coloque os pés no chão, no caminho carrega-me,
entre beijos deliciosos, cheios de desejo, provoca-me com sua língua faminta
e por consequência sinto que perdi a calcinha pois fico toda molhada.
— Ah Gustavo. – Me coloca sentada na caçamba da caminhonete, que
já está coberta em parte com a manta, e se encaixa entre as minhas pernas.
— Quando você me chama gemendo assim, me deixa louco para
possuir a sua boceta e mais uma vez te fazer minha. – Como uma tortura,
roçando os dedos em minha pele, vai levantando o meu vestido, o prende no
meu decote, volta a me beijar e quando passa os dedos lá, ainda me
acariciando por cima da calcinha, eu vou me abrindo ainda mais. — Gulosa.
– E se demora circulando meu clítoris inchado de tanto tesão.
— Isso é bom, pois você também é. – O seu pau gostosão fica bem
aparente na calça e passo a mão contornando toda a delícia.
— É impossível não te querer toda hora. – Depois de tirar a sua camisa
e distribuir beijos molhados em seu peitoral, abro a sua calça e ele afasta a
minha calcinha. — Tão molhada. – Liberto o seu pau. — Pronta para mim. –
Passeia a cabeça em toda a minha extensão, entre os grandes e pequenos
lábios.
— Aiii Ávila. – Me provocando, coloca um pouco, tira, roça, volta a
colocar, me deixa louca para sentar e não mais sair de cima. — Me faz perder
o juízo bem aqui... Ahhh. – Enterra gostoso e com precisão começa a me
enlouquecer a cada investida.
Com muita maestria, deita-me, encaixado em minhas pernas continua a
me possuir e entre beijos e sussurros safados me leva a chamar o seu nome
várias vezes.
— Agora, senta no meu pau, Bianca. – Muda de posição, me colocando
por cima, ainda cheia de energia me faz cavalgar e quando as minhas pernas
se cansam, me puxa ao seu encontro, segura em meu quadril com suas mãos
enormes me mantendo bem aberta e se movendo, começa a meter bem
rápido. — Delícia. – Ele não para.
— Ahhh.... Ahhhh Gustavo. – Incansável vai mais rápido, me fazendo
chorar no pau de tanto tesão. — Eu, eu, ahhhh Gu. – Sinto a minha carne
contraindo, ele vai fundo, fecho os olhos parecendo estar fora do meu corpo,
minhas pernas tremem e quando levo um tapa que espalha um ardor
contagiante e prazeroso, gozo delirando, o chamando.
Mas ele não para, mete ainda mais, prolongando o meu prazer
múltiplo, até que sinto o esperma quente em mim.
Oh céus. Que delícia.
— Minha prenda. – Toma meus lábios e no vai e vem das nossas
línguas, vai me acalmando. — Como eu te amo, Bianca. – Volta a me beijar
suavemente, me deixando emocionada. Eu não consigo conter as lágrimas,
pois pela primeira vez, eu me vejo pertencendo a um lugar e construindo algo
realmente meu, juntamente com Gu. — Não chora. – Seca minhas lágrimas,
deita-me ao seu lado e acaricia as minhas costas.
— É de emoção, por estar com você. Eu comecei a te amar logo
quando senti tanto cuidado vindo de ti, mas eu tinha medo de não ser
correspondida em tal sentimento de tanta entrega e agora eu tenho a certeza
que não estou sozinha. – Respiro fundo e acaricio o seu rosto. — Eu também
te amo e não é pouco, Sr. Ávila. – Permanecemos deitados, abraçados e a lua
crescente vai nos iluminando, sem falar na beleza das estrelas que formam
um lindo espetáculo e testemunham o nosso amor.
Entre uma conversa gostosa e carícias, ficamos perdidos observando a
beleza que só a noite traz, até que sinto os meus olhos ficando pesados e
mesmo tentando os manter abertos, os fecho por alguns segundos.
***

— Bia. – Tomo um susto quando ouço Gustavo e meu corpo é


levemente sacudido. — Logo estaremos em casa e você descansa, mas por
agora, precisamos pelo menos ir para a inauguração da escola e ficar por
alguns minutos. – A palavra “escola” me desperta enquanto recebo em
minhas costas, carícias deliciosas.
— Dormi muito? – Gu se diverte ao me ouvir.
— Eu te cansei muito, minha pequenina. – Olha rapidamente para o
relógio. —Só uns vinte minutos. – Senta-se com cuidado, me puxa ao seu
encontro e começa a ajeitar os meus cabelos.
Se até ele está me arrumando, eu com certeza devo estar virada do
avesso.
— Estou completamente amarrotada. – Segura o meu queixo e me faz
o olhar.
— Parece apenas que acabou de trepar com o homem que ama e é
correspondida. – Me dá um beijo leve, mais como um roçar de lábios. —
Você é a minha primeira namorada. – Sua declaração é música para os meus
ouvidos.
— Bem, pelo menos nisso somos iguais. – Senta-se e usando um lenço,
me ajuda a limpar um pouco do esperma, em seguida desce da caçamba que é
bem alta, me auxilia ajeitando o vestido para logo depois irmos para o carro e
é lá que eu vejo o desastre que estou.
Já era o penteado.
Por conta disso, resolvo deixar meus cabelos soltos e engulo a
vergonha por saber que todos vão perceber o que acaba de acontecer.
***

Quando chegamos à festa, dou meus primeiros passos no salão


procurando de imediato os meus tios, mas só encontro a minha mãezinha ao
lado de Sacramento, os dois rapidamente vêm ao nosso encontro, assim como
Alana que me devolve o meu celular que eu havia deixado com ela antes do
programa, mas logo se vai pois está sendo muito requisitada.
Sobre a minha mãe, como eu imaginava, ela nos parabeniza, diz que
percebeu no primeiro instante que nos viu que éramos muito mais que amigos
e nos deseja toda felicidade.
— E sobre a dinda e Zé? Não me diga que eles estão muito chateados.
– Sem vergonha de Sacramento, faço a pergunta e Gu, para nos dar liberdade,
pede licença a nós duas e chama o amigo para que eles possam cumprimentar
o prefeito da cidade, mas antes beija a minha têmpora com muito carinho.
— Eu não sei a gravidade da situação, minha menina, mas eles não
quiseram comparecer à festa. – Fico com vontade de chorar ao ouvi-la.
Apesar de amar a surpresa do Gustavo me beijando de verdade ao vivo no
programa e não querer mudar em absolutamente em nada o passado desde
que cheguei na Ávila, entristeço.
— Eu achei que eles poderiam ficar chateados ao descobrirem que eu e
Gu estamos juntos, mas depois daquela declaração linda, aonde Gustavo
deixou claro os seus sentimentos e que me leva a sério, pensei que
entenderiam. – Como eu sou iludida.
— Bia. – Segura a minha mão. — Vai ficar tudo bem, o importante é
que você está feliz, eu aprovo a união, imagino que é difícil não ceder à
tentação quando um homem que te atrai se aproxima sem nenhum pudor. –
Eu começo a achar que ela já não está falando do Gustavo e eu. — É sério, eu
te entendo. – Uau!
— Eu sei que escondi algo de você, mas eu quero saber tudo, o
Sacramento está gostando da senhora? – Ela cora e fica parecendo um
tomate. Deus do céu! Até parece comigo.
— Eu ainda não sei, mas outras intenções com certeza ele tem, eu só
estou com vergonha, eu com a idade que tenho ainda sou bastante
inexperiente. – Abaixo um pouco a cabeça, mas logo sinto o seu toque
familiar no meu queixo. — Bia. – Volto a olhá-la e meus olhos ficam
marejados.
— Me desculpa, eu sei que te privei de muita coisa. – Recebo aquele
abraço acolhedor que eu amo e que esteve comigo a vida toda. Era ela que me
abraçava quando eu ia bem na escola ou me feria quando acabava caindo ao
andar de bicicleta.
— Minha filha, você é o melhor presente da minha vida, te criar, ficar
ao seu lado em cada passo foi e é um privilégio, eu não me arrependo de tudo
o que renunciei em prol do seu bem-estar. Ser mãe é renunciar, independente
se o filho é biológico ou nasce do coração, nunca se sinta culpada por conta
da minha solteirice. – Da risada. — Eu também não encontrei ninguém que
me inspirasse confiança para levar até a nossa casa. – Acaricia a minha
bochecha. — Para ser sincera, tive uns namoricos escondidos. – Finjo estar
chocada enquanto ela se diverte com o relato.
— E eu pensando que a senhora está há mais de dezesseis anos sem
revirar os olhinhos enquanto vê estrelas. – Nega rapidamente.
— Só não eram homens o suficiente para ganharem o meu coração a
ponto de ter algo bastante sério, mas eu fiquei com Antônio. – Senhor, o
padeiro da cidade. — Não escapei do Matheus. – Jesus amado! O sobrinho do
padre. — Mas o que eu mais gostei, foi o Rogério. – Meu Deus, ele é um
galinha. — Com certeza o que menos prestava, mas sabia o que fazer. – Eu
não duvido. — Então, Bia não se culpe, tudo bem? – Confirmo com gestos.
— Obrigada por me contar. – Segura a minha mão na hora que
Gustavo nos chama. — Então, parece que não era só a minha mãe que tinha
muito fogo no parquinho. – Começamos a caminhar até Gustavo e
Sacramento.
— Em hipótese alguma, o sangue Lima que corre nas nossas veias tem
esse DNA único. – Disso eu não posso discordar.
Nos instantes seguintes, Gu faz um breve discurso de inauguração
bastante emocionante, aonde ele narra que depois da minha chegada na sua
vida, o seu olhar se abriu ainda mais para o povo que o ajuda a prosperar e
que tudo o que ele faz é uma forma de gratidão.
Logo depois, é a minha vez de mostrar o quanto estou feliz com o
sonho que se realizou, desejo uma boa festa para todos, não esqueço de dizer
que os encontrarei na próxima noite, para o início das atividades e Aladilce
vai se aproximando.
— É, eu gostaria de falar umas coisinhas. – Parece um pouco tímida e
me olha. — Eu posso Bia? – Confirmo e parecendo emocionada, prossegue:
— E-eu não sou muito de falar em público, mas como serei professora de
artesanato nesta escola a partir de amanhã, resolvi treinar agora mesmo, para
agradecer na frente de todos, o que esse casal tem feito por minha família. –
Olha para Isaias demonstrando muito amor, mas vejo que o medo de que ele
volte a fazer algo, ainda está estampado em sua face. — Essa escola para
mim, significa uma segunda chance. Só Nossa Senhora sabe o quanto que
minha vida estava virada às avessas, até receber a visita de vocês. – Olha para
Gustavo e eu. — Naquele momento eu vi todas as minhas preces sendo
atendidas, pois sabia que estava à beira de uma depressão e sozinha. Vocês
me salvaram, me fizeram ver que sou útil como mulher e eu nunca poderei
agradecer o suficiente. – Somos pegos de surpresa e ela nos abraça. — Muito
obrigada, de verdade.
Nós a agradecemos, Gu pede que a equipe do buffet continue servindo,
uma pequena banda de forró pé de serra dos funcionários da fazenda animam
o ambiente e então eu recebo o convite que eu tanto queria, o de ir para sua
casa.
Hoje, definitivamente, o dia foi cheio de emoções e precisamos, ainda
que seja depois de namorar um bocado, descansar.
***

Como estamos a uma distância considerável da mansão, ainda na área


que temos cobertura do 4g, aproveito a calmaria para acessar o meu
Instagram e assusto-me com a quantidade de seguidores que ganhei em
poucos dias.
— Já passou de setecentos mil seguidores, minha prenda? – Assustada,
muito para ser sincera, em um momento rápido, o mostro a tela do meu
celular. — Já podemos pedir a confirmação da sua conta. – Deus do céu.
— Gu, acho que não precisa. – Ele acaricia a minha coxa.
— Precisa sim. – Conto para ele que não tenho vontade de viver como
uma pessoa famosa. Em seguida, com segurança, para o carro no meio do
nada, vira-se para mim e segura o meu rosto com as duas mãos. — Você é a
minha mulher e ao meu lado, acabou ganhando fama. – Oh homem, não me
fale assim não que me dá vontade de sentar e eu estou até cansada. — E
como prenda minha eu tenho que te proteger. – Me convence ao falar que
quando confirmo a minha conta, eu posso evitar que as ações dos perfis fakes
sejam levadas a sério e só com essa prosa, já me ganha.
— Tudo bem, eu entendo e aceito a sua sugestão. – Aliviado, volta a
dirigir e enquanto conversamos sobre a repercussão do programa, observo as
postagens aonde a hashtag LoveGubi prevalece.
Verificando as imagens postadas fica tão claro as olhadas que Gu e eu
não disfarçamos, gestos com total entrega e por coincidência, no meio de
várias postagens, eu vejo Dinda e Zé conversando, pois eles estavam
próximos ao centro do palco. Dá para ver a surpresa deles. Eu fico de coração
partido, mas não comento nada, pois já está certo que conversaremos ao
amanhecer.
Então, eu decido aproveitar o momento deitando a minha cabeça no
ombro de Gustavo enquanto ele dirige e fecho os olhos viajando na letra da
música This Is My Now da linda Jordin Sparks que há alguns dias adicionei
na playlist da Fazenda Ávila.
I had to decide
Was I gonna play it safe
Eu tive que decidir.
Eu ia jogar no seguro?
Acabo me lembrando do início de tudo, aonde aquele tapa bandido
apenas deveria me fazer fugir, mas me encantei com o olhar do senhorzinho.
Or look somewhere deep inside, try to turn the tide?
Find the strength to take that step of faith?
Ou olhar em algum lugar profundo, tentar mudar a
maré?
Achar a força para dar aquele passo de fé?
E eu tinha medo de não segurar as pontas e me apaixonar como
aconteceu. Hoje eu vejo que valeu muito a pena dar um passo à frente mesmo
sem saber aonde ia chegar.
This is my now
And I am breathing in the moment
Isto é meu agora,
E eu estou respirando o momento.
Eu sinto que Gustavo e eu somos para sempre e apesar de ainda não
saber como, confio que a pequena diferença que existe entre nós, será o nosso
maior desejo, sem forçar.
Eu nunca vou o obrigar a viver algo que ele não sonha.
As I look around
I can't believe the love I see
My fear's behind me
Quando dou uma olhada a minha volta eu,
Eu não posso acreditar o amor que eu vejo.
Meu medo está atrás de mim.
E sendo assim, continuo me deliciando da conversa entre nós dois e a
música.

Gone are the shadows and doubt


That was then
This is my now
As sombras e a dúvida se foram
Isso era antes.
Isto é meu agora.
***

— Bia. – Sinto o meu corpo sendo levantado e abro os olhos estando


um pouco assustada. — Bem-vinda a mansão. – Meu Deus do céu, eu
apaguei. Constato enquanto subimos as escadas.
— Uau, hoje eu estou realmente me sentindo uma noiva, sendo
carregada até o seu quarto. – Ele chega no primeiro andar e começa a
caminhar para o lado contrário do que eu já conheço. — Gustavo, para onde
estamos indo? – Pausa o andar bem de frente a uma porta, a última do
corredor.
— Abre para mim, Bia. – Assim eu faço e por sorte estou em seus
braços, senão seria capaz de cair.
— Gu, que quarto lindo. – Muito maior do que o seu e quando ele se
aproxima da janela, vejo que a vista também nem se compara. — Eu estou
emocionada com esse jardim. – E é a mais pura verdade. Com uma
iluminação perfeita, mesmo durante a noite, consigo ver a beleza das flores.
— Este é o nosso quarto, Bia. – Fico boquiaberta. Logo depois me
coloca no chão, e de mãos dadas me encaminha até uma pequena mesa para
duas pessoas aonde uma refeição maravilhosa está posta. — Desde quando
declaramos um ao outro a paixão que estava sendo compartilhada, eu pedi
para o verdadeiro quarto principal ser preparado e hoje, eu sabia que não ia
resistir a te beijar no programa, Então pedi este jantar, pois imaginei que você
voltaria com muita fome e sendo assim, duas funcionárias que ficaram aqui
em casa neste dia festivo, prepararam algo para nós. – Como sempre,
Gustavo está um passo à frente.
— Estou mesmo, com o estômago mais que colado, porém. – Eu odeio
interromper o seu planejamento, contudo eu preciso falar. — Minhas pernas
estão me matando, essas botas apertam as minhas panturrilhas grossas e... –
Nem me deixa terminar de falar, logo sinto o meu corpo sendo carregado e eu
sou levada até a enorme cama, aonde ele me coloca sentada.
— Vamos resolver isso agora. – Ajoelhado próximo de mim, como em
uma tortura, desliza o zíper, tira a bota e massageia meu pé e perna direita,
por cima da meia branca.
— Gustavo. – Ele repete o procedimento, fica massageando e quando
desliza a meia, a cada pedaço de pele que vai ficando exposta, distribui beijos
molhados.
— Oi. – Olha para mim, penetrando os seus olhos esverdeados na
minha alma. Meu Deus. — O que você quer, Bia? – Ah safado. — Tenho
duas alternativas. – Tira a outra meia provocando sempre a minha pele.
— Pois me conte quais são. – Na escola da libertinagem, ele com
certeza está me treinando.
— Gustavo na banheira, alimentando Bia de outra maneira, envoltos
em uma água morna com uma boa fragrância ou risoto de camarão, com
sobremesa de dadinhos de tapioca com doce de leite. – Minha barriga até
escolhe o risoto, mas o fogo nem tem dúvidas.
— Me leve para banheira, homem e apague esse fogo desgraçado que
me consome toda vez que estou ao seu lado. – Ele gosta, adora na verdade
alimentar seu pau grosso com minha carne quentinha.
— Boa escolha, minha prenda. – Tira a minha calcinha e quando
estamos de pé, enquanto ele vai desamarrando o vestido, eu vou tirando a sua
camisa e a cada olhada para os gominhos, o pau duro gostoso, o cheiro de
homem possuído pela luxuria, eu fico ainda mais molhada e a fome só
aumenta. Aonde está a Bia de quarenta dias atrás? — Vem, delícia. – Me
carrega e antes de ir para o banheiro, já enterra algumas vezes e para não
gritar de tanto prazer, acabo mordendo o seu ombro. — Bianca. – Sobe a
mãozona por minhas costas e depois de entrelaçar meus cabelos em sua mão,
os puxa.
— Oi. – Me dá uma piscadela.
— Grita, geme alto, agora a gente pode foder sem restrição. – Ele me
encosta na parede do quarto e literalmente me faz gritar de prazer enquanto
me sacia.
E ainda vai ter mais na banheira. Promessa é dívida.
O fato é que foder escondido é bom, muito... Mas trepar sem restrições
é melhor ainda.
***
Abro os olhos por conta da minha barriga que ronca de tanta fome e
quando me viro, vejo que estou sozinha, entretanto, encontro um bilhete no
travesseiro de Gustavo, que eu não tardo a ler, mesmo que os meus olhos
ainda estejam quase que colados.
“Bom dia, minha prenda.
Eu tinha que verificar o início dos trabalhos na Ala
Noroeste, por volta das nove horas da manhã, estarei de
volta.
Lembro-me de ter deixado o celular no seu carro, até porque eu dormi,
porém, logo encontro um relógio de pulso abandonado no criado mudo, vejo
que ainda tenho uma hora para me arrumar e volto a ler o bilhete.
Prepare-se, precisaremos ir até a casa do Zé e
Dorinha conversar com eles, antes de sair para o meu
compromisso pedi a um funcionário para os avisar, pois
não consegui através do WhatsApp.
Senhor amado.
Meu coração até erra uma batida, será que já não perceberam que o Gu
não está de brincadeira comigo e até desligaram o celular?
Outra vertente, eu já havia pedido a Alana que sabe
de todas as suas medidas e gostos, um favor pessoal e ela
comprou algumas peças de roupas para você e as colocou
no meu closet.
Meu Deus!
Corro até o local e deparo-me com a metade dos armários, contendo
roupas femininas, sapatos, lindas sapatilhas, botas e pelo menos umas três
gavetas enormes cheias de lingerie.
Ele me faz rir quando eu encontro algumas na cor rosa com estampas
um tanto quanto bem adolescente, tipo unicórnios, corações e florezinhas.
Safado, ele não esquece a forma que nos conhecemos e deve estar louco para
me ver empinada ao lado da sua cama. Eu não vou me esquecer disso.
Só tem o básico, pois eu quero que você
mesma faça as suas compras.
Jesus amado. Tem roupa para uma vida neste armário.
Não me aguarde para tomar o café da manhã.
Nita está te esperando na sala de jantar ou cozinha.
Te amo, minha prenda.
G. Ávila.”
— Eu também te amo, Gu. – Sendo assim, vou me arrumar e logo
depois, quando chego na cozinha, antes de me alimentar, peço a Nita para
solicitar na farmácia uma pílula do dia seguinte, pois transamos algumas
vezes desde ontem a noite sem estarmos protegidos.
— E tu corre risco de emprenhar? – Nita coloca a mão na cintura. —
Ele não colocou para fora não? – Me diverte com o seu jeito direto.
— Acho que não corro riscos, até porque minha menstruação acabou
tem dois dias, mas é melhor eliminar toda possibilidade. – Sirvo-me com uma
torrada de pão molhadinha na manteiga. — E agora que toda agonia passou,
vou ao ginecologista, preciso de um método contraceptivo, mas Gu quer me
levar na cidade grande, vamos ver um dia. – Ela me serve uma caneca de
café, daquelas grandes, sem frescura, que cabe um balde da minha bebida
preferida e sendo assim, continuamos a conversar esperando Gustavo.
A verdade é que a cada segundo que passa, fico mais ansiosa para ver a
dinda e o Zé. Os empatadores de foda super do bem oficiais da galáxia.
Capítulo 21

Gustavo Ávila

Sentindo a mão da Bianca, que está cruzada com a minha,


praticamente gelada, caminhamos em direção à casa da Dora, tendo a certeza
de que encontrarei um José um tanto quanto furioso.
E o motivo eu sei bem.
Não cumpri com a minha palavra, o decepcionando, porque somos
mais que amigos. Contudo, só eu sei que não manter a minha promessa nunca
esteve nos meus planos, entretanto em nenhum momento me arrependo de tal
fato.
Bianca Lima é o acerto da minha vida, a mulher que me enxerga como
eu sou, a que pela primeira vez me faz pensar em um futuro a dois e merece
todo o meu amor.
— Fique tranquila, seus tios vão nos entender. – Para por um instante,
fica de frente a mim, me abraça e acomoda a sua cabeça em meu peitoral. Eu
aproveito nosso momento para afagar os seus cabelos macios.
— Eu sei, ainda assim, estou envergonhada, não por estar com você,
mas por omitir deles. – Beijo sua cabeça algumas vezes sentindo o aroma de
frutas vermelhas que muito combina com a minha pequenina.
— Confia em mim. – Bia me olha nos olhos.
— Eu confio e apesar de tudo, mesmo que eu pudesse voltar atrás, eu
não te tiraria da minha vida. – Passeio os meus dedos por sua bochecha, a
olhando de perto, sendo chamado por seus lábios, mas o celular da minha
prenda vibra e nos distrai. — Será que é a minha tia? – Desbloqueia
rapidamente a tela e nós damos de cara com uma mensagem de áudio de
Aladilce.
“— E-eu queria te pedir orações, Bia.
Isaias desde ontem à noite está muito agitado, tudo
indica que quer beber e eu não sei o que fazer.
Já me pediu também para ir à cidade, mas aonde foi
que achei confiança para deixar?
Escondi a chave do carro e estou presa dentro do meu
quarto para evitar brigas.
Uma hora ele vai se cansar de aporrinhar.
Até a noite, Bia.”

Ela fica preocupada, me compadeço da situação pois ontem à noite


Isaias parecia estar bastante redimido, mas pelo o que eu vejo, o vício
desgraçado continua infernizando.
— Vou mandar alguém de confiança os visitar. – Bia me agracia com o
seu lindo sorriso.
— Obrigada, meu amor. Eu não esperaria nada diferente de você. – Eu
realmente me importo e antes de prosseguir com o caminho, ligo para Carlos
que é um homem de família bastante discreto e lhe peço o favor. Sem falar
que ele está até mais próximo.
Depois de ouvir a resposta positiva de quem tanto tenho apreço, volto a
caminhar com Bianca até a casa da sua madrinha, ouvindo uma enorme
reclamação.
Tudo por causa das roupas que eu pedi para Alana comprar para ela,
mas com todo cuidado a lembro de que são apenas presentes e aos poucos
vou domando a ferinha que habita nela.
Eu cuido de quem eu amo e com Bia jamais será diferente. Sem falar
que os fornecedores de grandes marcas estão praticamente doando as roupas
para que ela use.
— Entendeu, minha bravinha? – O apelido que remete ao nosso início
não passa despercebido e ela revira os olhos com um certo tom de humor.
— Sim. – Paramos em frente da casa da Dora. — Obrigada. – De
prontidão ela gira a maçaneta e lentamente abre a porta.
— Vamos logo, eu tenho que pedir a sua mão. – Nem bem entramos,
ouvimos passos e ao olhar em direção a cozinha, ficamos de frente para Dora
e José. Os dois não demonstram um pingo de simpatia.
— Estava contando os minutos para vocês aparecerem. – Dora olha
para Bianca de cima a baixo. Já percebeu as roupas novas, certeza.
— Tia, me desculpe. – Com gestos, Zé pede para Bia parar de falar.
— Não existe desculpas, Bianca. Você, juntamente com – Pausa a fala
e me olha. — Gustavo, homem que meu coração escolheu como filho, nos
enganaram. – Bia fica com os olhos marejados, mas em nenhum instante se
afasta de mim, pelo contrário, ainda segura a minha mão de uma maneira
mais forte.
— José. – Chamo a sua atenção. — Dora. – Ela me fulmina. — Amo
Bianca como jamais amei alguma mulher e vocês são testemunhas do meu
passado, o que os dois presenciaram ontem na gravação do programa, não foi
exibicionismo, foi amor na sua maior plenitude, amor de quem quer gritar
para todos os lados, que encontrou a prenda da sua vida. – Mantenho-me
firme e cheio de argumentos para uma prosa longa se necessário for, contanto
que fiquemos em paz, em família como sempre fomos.
— Isso tudo o que Gustavo falou é verdade, nós nos amamos de
verdade. – Ela me olha. — Eu nem me vejo mais sem este homem. – Vira-se
de frente para mim.
— Nem eu sem ter você. – Por um momento, mesmo diante de uma
tempestade, ficamos perdidos um no olhar do outro, até que ouvimos
aplausos que nos trazem de volta para realidade.
— Viu, Zé? Eu disse que eles iam se apaixonar. – Nos surpreendendo e
parecendo aliviada, Dora senta-se no sofá e abraça uma almofada.
— Tu tiveste razão o tempo todo, minha patroa. – Zé senta-se ao seu
lado. — Quando eu te levei ao médico por conta do seu pé torcido e fomos
conversando sobre os nossos filhos do coração, acertamos em cheio na
aposta. – Bianca e eu, nos sentamos também.
É isso mesmo o que estou entendendo?
— V-vocês planejaram tudo? – Bia demonstra ainda estar em outra
galáxia.
— Sim. – Zé e Dora respondem ao mesmo tempo.
— Ah minha sobrinha, foi tão divertido fingir que não sabíamos de
nada. – Dora segura a mão do Zé e ele quase gargalhando, confirma.
— E não foi difícil. Quando eu te dei carona e notei o quanto a moça
achava o patrãozinho bonito, já pensei no estrago, eu também estou ciente de
qual tipo de mulher meu filho gosta. – Ele prossegue explicando que a
combinação foi baseada mais precisamente em os dois serem quase como uns
putos empatadores de foda. — A gente deixava Bia com você, tempo o
suficiente para alguma conversa acontecer. – José testemunha minha prenda
e eu paralisados e Dorinha prossegue:
— Bem assim. Contudo, no momento oportuno, estávamos
interrompendo vocês. – Puta merda, será que viram o nosso primeiro beijo?
— A gente adorou tirar o doce da boca de vocês. – Bia pergunta
desesperada se eles viram o nosso primeiro beijo. Eu espero que não. Aquilo
não foi só um beijo e as coisas que eu falei...
— Não vi o início. – Bia e eu voltamos a respirar com dignidade. —
Mas quando fui acordando dei de cara com vocês se beijando, eu não sabia se
pulava de alegria ou dava um grito de felicidade, só que então eu me lembrei
do meu plano juntamente com Zé e fiz aquela voz de bêbada. Veja bem, eu
nem bebi o suficiente para aquilo tudo. – Bia coloca a mão na boca e abre
bem os olhos.
É inacreditável.
— Tia, tu és uma atriz. – Olha para Zé. — E o senhor, hein? Sabia
realmente como atrapalhar as coisas. – Gargalham as nossas custas enquanto
permanecemos um pouco sérios. — E ontem, por que não ficaram na festa? –
Com muita diversão, Dora levanta a mão como se estivesse em uma sala de
aula pedindo autorização para falar.
— Depois daquela declaração, sabíamos que seria inevitável segurar a
honra da Bianca por mais uma noite. – Vejo que não são tão espertos. Bia já é
minha há mais de um mês, assim como sou completamente dela. — Então,
decidimos dar mais um empurrão. – Zé segura a mão da esposa.
— Sabíamos que se estivéssemos na festa, quebraríamos o clima de lua
de mel entre os dois e viemos para casa. – José me olha todo sério. — E eu
também te conheço, meu filho. – Suaviza o olhar. — E eu sei que se você
assumiu Bianca para todo Brasil e até mesmo o mundo, é porque a coisa é
séria, ainda mais depois da noite que se passou. – Olha para Bia que mais
parece uma plantação de tomate inteira. — Fique tranquila, minha filha, este
jovem ao seu lado, presta e muito. Vai assumir por ter te levado para outros
caminhos. – Ela balbucia um “eu sei” e logo depois, como em toda casa
típica do interior, somos convidados para nos fartar com um café da manhã.
O segundo na verdade.
Bia até reclama das suas medidas, no qual eu sou viciado, mas ainda
assim, não dispensa a comida da tia e continuamos conversando.
— Vocês sabem aonde está a minha mãe? – Dora e Zé se olham e
começam a sorrir. — Ela não passou por aqui hoje? – Bia come um pedaço
de bolo de milho e até fecha os olhos sentindo o delicioso sabor.
— Eu tenho para mim que esta fazenda ontem a noite testemunhou o
amor das mulheres Lima. – Bia se ilumina através do olhar.
— Eu fico feliz por isso. Quando eu vejo o Sacramento ao lado dela, dá
para ver que ali tem coisa boa, minha mãezinha precisa ser feliz. – A sua
madrinha revira os olhos como se estivesse com ciúmes, Bia nota e gargalha.
— Assim como a senhora é, Dinda. Não fica com ciúmes. – Dora bebe um
pouco de café.
— Eu não sou, nunca fui. – É, pelo o que vejo as Limas não gostam de
demonstrar o maldito ciúme, mas elas sentem.
***

Bianca Lima

Eu não deveria estar tão ansiosa por ter que encarar a sala de aula, mas
desta vez, em especial, estou.
Não sinto medo de ser um fracasso na frente dos meus alunos, mas por
estar ciente do nível de ansiedade que os primeiros quinze a serem
alfabetizados estão, meu coração até dispara.
— Preparada, professora? – Gu me abraça por trás enquanto seleciono
o material didático dos alunos, incluindo alguns livros que vamos usar
durante toda alfabetização, além de caligrafias e uma caixa de lápis.
— Estou. – Deixo as pastas na mesa e viro-me. — Na verdade
encontro-me empolgada, ansiosa e quero muito que todos gostem da aula. –
Respiro fundo enquanto faço um carinho no meu namorado oficial. — Na
verdade, eles precisam amar a aula, eu sei que a permanência deles por aqui,
depois de um longo dia de trabalho, só será atrativa se este ambiente for
bastante prazeroso. – Gu afaga os meus cabelos.
— Tenho certeza que será, não se preocupe, minha prenda. – Eu
admiro de verdade a sua fé e o jeito lindo de me incentivar e eu o agradeço.
— Boa noite. – Minha mãezinha adentra a sala e fica um pouco
constrangida por nos interromper. — Desculpa, filha. – Olha para Gu. – E
genro. – Meus olhos dobram de tamanho. Ela tinha mesmo que o chamar
desta maneira? De um jeito tão formal que remete a compromisso?
— Não tem problema, minha sogra. – Além de não se importar com o
que ouve, ainda entra na brincadeira.
Benefício para mim, nada melhor do que ver meus amores tornando-se
amigos.
— Então, eu estou aqui para te avisar que os alunos já chegaram e
estão aparentemente bastante entusiasmados. – Se aproxima de mim e segura
o meu rosto com as duas mãos. — Vai ser lindo, Bia. – É ou não é uma mãe
coruja? — Se eu não tivesse o que fazer por aqui – Aponta para o
computador que está em uma outra mesa. — É certo de que eu mesma iria
assistir a sua aula. – Me dá um abraço apertado.
— Obrigada por todo apoio de sempre. – Coloca as mãos na cintura.
— Ora pois, nem precisa agradecer. – Abre a porta para se retirar,
contudo, logo volta a nos olhar. — As alunas da Aladilce também chegaram,
hoje vão aprender ponto de cruz. – Fico feliz que Dilce tenha conseguido
comparecer mesmo depois daquela loucura que foi o seu dia por conta de
Isaias e quando volto a ficar a sós com Ávila, trato de virar-me de frente para
ele e o abraçar.
— Quero um beijo de boa sorte. – Ele se inclina um pouco, até encosta
o seu nariz no meu.
— Um é pouco. – Roça os lábios enquanto acaricia as minhas costas,
até que sua mão encontra a minha nuca, me mantém a sua mercê e me
arrebata em um beijo de enlouquecer.
Com encaixe de lábios perfeito.
Línguas que se encontram em um vai e vem tentador que responde em
todas as partes do corpo.
Carícias que deixam os nossos corpos pedindo muito mais em um tesão
compartilhado que só muita entrega e orgasmos deliciosos serão capazes de
abrandar.
— Gu. – Coloco a minha mão em seu peitoral. — Eu tenho que dar
aula, mas desta forma você não facilita. – Verifico o relógio que está na
parede. — E eu só tenho cinco minutos. – Olho para o seu pau marcado na
calça, todo duro, só para mim. — E é pouco demais. – Ele pondera as
minhas palavras.
— Eu te faço gozar em cinco minutos, é só levantar esta saia. – Vai
levantando o tecido de forma lenta, fazendo uma verdadeira tortura. — Te
colocar sentada ali. – Aponta para mesa. — E te chupar. – Já era aminha
calcinha. — Mas, eu amo mesmo é te ter a noite toda, sem pressa. – Ah, eu
concordo. — E também sem conter os gemidos. – Me dá mais um puxão,
volta a me beijar de uma maneira mais lenta, entretanto não se demora, pois
realmente tenho compromisso.
Como Gustavo é todo cavalheiro, me ajuda a colocar o material no
pequeno carrinho, nos despedimos rapidamente e marcamos de nos encontrar
no final da aula, mais precisamente no momento em que os alunos estarão
fazendo um lanche.
Assim que adentro a sala, deparo-me com pessoas um tanto quanto
tímidas, em vestes simples, alguns alunos homens ainda usando o chapéu
típico do interior, mesmo sendo a noite e outros que eu já conheço, acenam
para mim.
— Boa noite, gente. Espero que estejam bem. – Deixo o carrinho com
o material ao lado da minha mesa enquanto todos animados me respondem a
saudação. Em seguida caminho até a frente da mesa, para ficar mais próxima
e iniciar o bate papo. — Então, como vocês já sabem, o meu nome é Bianca
Lima e eu serei a professora de vocês e isso é maravilhoso para mim. Mas a
aula, não se trata apenas sobre mim, eu quero conhecer vocês ainda mais e
por conta disso, eu proponho que cada um se apresente e me conte qual a
função de vocês na Ávila. Tudo bem? – Todos concordam e as apresentações
começam a ser feitas.
Conheço Anete, uma jovem de vinte e cinco anos, mãe de três filhos
que trabalha em um dos refeitórios, cortando diariamente frutas e legumes.
O senhor Bezerra, com quarenta e nove anos, quatro filhos, dois netos e
que trabalha na secagem do café, olhando diariamente se tem alguma
impureza entre os grãos.
Nos demais casos, vejo histórias muito semelhantes.
— Fessora. – Uma aluna me chama a atenção e como ela se apresentou
a pouco tempo, a chamo por seu nome e peço para que ela prossiga: — Eu
posso vestir o que quiser para comparecer a aula? – O “que quiser” parece ser
tão perigoso...
— Eu já ia comentar sobre as nossas regrinhas. – Converso com eles
sobre a importância de não perderem o horário do ônibus, que toda noite
passará em alguns pontos estratégicos. Em relação as roupas, para que evitem
decote, ou vestimentas curtas que possam mudar o foco da aula e por fim,
explico que muita conversa paralela pode prejudicar quem tanto tem vontade
de aprender. — Tudo bem? – Todos acenam positivamente e eu prossigo com
a dinâmica da primeira aula. — Eu já conheço vocês, agora é a hora que
vocês podem me fazer algumas perguntas para me conhecerem melhor, quem
será o primeiro? – Umas três mãos se levantam ao mesmo tempo, até me
divirto com a empolgação.
— Pró, quando a senhora decidiu que queria ensinar? – A pergunta me
faz voltar no tempo. Então, pacientemente, conto para a turma sobre a
primeira vez que me imaginei na sala de aula. Mas precisamente na época em
que eu tive, por conta da situação financeira que enfrentava em minha casa,
dar reforço escolar. Foi bem naquele momento que eu vi a dúvida dando
lugar para o conhecimento e desta forma, a realização tomou conta de mim.
Eu percebi que apesar de não ser uma carreira fácil e que não deixa alguém
rico, era bem ali que estava o meu coração. Aquele coração enorme que é tipo
de mãe, que acolhe e ama contribuir com a educação de tantas pessoas. — Na
época eu tinha um pouco mais de doze anos. – É, já faz um tempinho bom.
— Não quero parecer intrometido, pró. Mas o seu nome é apenas
Bianca Lima? – Disfarçadamente suspiro. Eu não me sinto à vontade com o
assunto, mas nem por isso não responderei.
— Sim, meu nome é apenas Bianca Lima. – Percebo que o aluno ainda
está curioso.
— E-eu perguntei por que o meu nome também é assim, pequeno, mas
eu não tenho um pai, sabe. – Confirmo com gestos e conto que eu também
não.
— Mas logo o seu nome vai crescer, pró e vai ficar lindo. – A aluna
abre um sorrisão. — Bianca Lima Ávila. – Ai meu Deus.
Eu nem consigo conter o sorriso bobo que entrega mais uma vez o
quanto eu amo o Gustavo.
— Olha, agora que pensei no meu sobrenome junto com o do patrão de
vocês, confesso que gostei, mas ainda nem tenho uma data para saber quando
que essa mudança irá acontecer. – Dou uma piscadela, olho para o terceiro
aluno que mesmo antes de sequer abrir a boca começa a rir. — O que foi? –
Ele gargalha.
— Ora, pró, eu ia perguntar justamente sobre a data do casório, mas a
dona já me respondeu. – Acaba divertindo a todos e nós damos
prosseguimento a prosa gostosa.
***

— Então, agora que já nos conhecemos bem, vou falar um pouco sobre
o que vamos ver na sala de aula. – Explico para eles como é o método de
ensino que teremos, de forma básica apenas para que todos fiquem
familiarizados e para concluir o primeiro dia, proponho uma brincadeira. —
Nós já conversamos sobre as palavras geradoras e agora vamos brincar.
Seguindo a ordem dos assentos, a começar da primeira fila, daremos início. –
Explico para eles que o primeiro aluno vai nos dizer uma palavra que ele
conhece do seu cotidiano e ao terminar a rodada, precisarei ter exatamente
quinze palavras anotadas.
Eles parecem empolgados com a questão proposta, felizes por poderem
participar de algo e eu sei que aos poucos a sensação de não pertencer a lugar
algum, logo irá passar.
— Posso começar, pró? – Aceno positivamente e começamos.
“Café... Comida... Terras... Patrão.... Casa... Cavalo...
Plantação... Almoço... Escola... Amor... Professora...
Esperança... Frutas... Trabalho e....”
A última aluna levanta a mão e parece emocionada.
— Aqui tem família, pró. – Meus olhos ficam marejados — Quando
cheguei aqui com minha família a tristeza tinha tomado conta, sabe? Fartava
comida, antes té morava de favor e todo povo da Ávila recebeu meu marido,
minhas crias e eu tão bem que eu posso te contar, aqui tem família. – Seca
uma lágrima que molha o seu rosto que, apesar de parecer cansado, está feliz.
— E agora vai realizar um sonho que eu tenho desde menina.
É, eu sei. Graças a Deus e ao homem que tenho do lado.
***

Passado o momento cheio de emoção, distribuo os materiais entre os


alunos e os convido para comparecerem ao refeitório, aonde vamos servir um
café gostoso, com direito a bolos, milho assado e mingau de tapioca em
comemoração à nossa aula.
Depois de ser abraçada por todos, recolho os meus pertences e quando
vou em direção a porta, vejo Gustavo me observando. Então, caminho até ele
e depois de um beijo rápido, que é mais um roçar de lábios, seguimos até a
sala dos professores.
Enquanto guardo o meu material, Gu e eu ficamos um pouco na
companhia de Aladilce que se mostra bastante feliz por ter adorado dar aula e
da minha tia que conversa com ela toda animada.
— Vocês não vão para o café? – Tia Ana confirma que sim.
— Eu também vou, mas eu tinha que contar a alguém como estou feliz.
– Olha para Gustavo e eu. — Vocês nem imaginam a animação das alunas. –
Ela precisa ver a dela, até parece ser uma nova mulher, pelo menos aqui ela é,
e eu sei o motivo. Está completamente distraída e se sentindo útil. —
Adiantem o lado de ôces. – Aponta para nós dois. — Irei guardar as minhas
coisas e juntamente com a Ana, vou para o refeitório, confesso que até estou
faminta, falei demais da conta, cês não tem noção. – Ah eu tenho, mas evito
prolongar a prosa por também estar com fome e louca para me esbaldar no
mingau de tapioca.
***

Já no final do horário do lanche, depois de conversar com vários alunos


que logo vão para as suas residências, o cheiro do bolo de milho invade as
minhas narinas de tal forma que nem ouso querer ser chique e como vejo que
ainda existe bastante fartura, me sirvo logo com dois pedaços.
Ué, dar aula cansa e muito.
— Uau. – Gustavo olha para mim e no momento estou com a boca
cheia. — Isso, amor. Se alimente bastante, teremos uma noite longa. – E por
saber que ele cumpre com o que diz, não tardo em deixar minha barriguinha
bem cheia. — Você quer outro copo de mingau? – Ele termina de se
alimentar.
— Ah, eu acho que sim. – Ávila se diverte.
— Já volto, minha pequenina. – Me dá um beijo na bochecha e se
afasta, quando me viro para esquerda avisto Dilce se servindo. A minha
mãezinha, que logo acena para mim e quando ela está vindo em minha
direção, para pôr um momento e começa a perder a cor.
— O que foi? – Nem bem termino de perguntar e sinto uma mão
pesada no meu ombro, por conta do susto acabo derrubando o prato.
Penso primeiramente que é Isaias em alguma recaída, preparo-me para
o ajudar se necessário for, mas o que vejo ao me virar, me deixa
completamente sem ação.
Capítulo 22

— O-o que você faz aqui? – Será que estou tendo


um pesadelo? — Como me encontrou? – Dou dois passos para trás, minha
mãezinha me dá a mão que se encontra trêmula, logo Gustavo me abraça e eu
o conto de quem se trata.
O ódio que Gu sente é quase que palpável.
— Saia daqui desgraçado. – Gustavo olha para alguns amigos
funcionários que se aproximam.
— Eu vou, mas antes eu tenho que ter uma prosa com Bianca. –
Comigo? Já não foi suficiente tirar a minha mãe do mundo? Será que agora
resolveu pedir perdão? — Faz dias que eu te achei, afinal de contas, você
agora é famosa, não é difícil. – Ele consegue controlar o tom de voz, apesar
de demonstrar que bebeu um pouco. — Mas eu confesso que foi difícil por
demais conseguir me aproximar de você, esta fazenda é uma fortaleza. – E eu
não entendo como ele achou a oportunidade de se aproximar.
Pois o que não falta na Ávila é segurança.
— Você não tem direito de falar porra nenhuma, vai ser indiciado por
esta invasão e vai pagar pelo resto da sua vida desgraçada por se aproximar
da minha mulher – O infeliz tira um lenço branco do bolso e balança, como
se quisesse mostrar que está em paz.
Mas eu não me engano, um demônio nunca fica, apenas tenta enganar
os desavisados.
— Deixe-nos viver em paz, não basta você ter tirado a vida da minha
irmã? – O desgraçado em formato de gente, gargalha.
— Ana, quando eu saí do presídio, eu disse que ia me vigar de você. –
Ele aponta para minha mãe, Gustavo me passa para trás e dá um passo em
sua direção. — Contar a verdade para Bianca e acabar com a alegria de
vocês. – Como assim? — Então, a oportunidade de sair do escuro, é agora,
Bia. Ou você quer viver ao lado de uma mentirosa? – Eu não acredito que
estou ouvindo algo do tipo, muito menos Gustavo, que perde a paciência e
lhe acerta um soco que o deixará com um belo hematoma.
— Não fale assim da minha mãe. – Gu olha para mim e por eu estar
trêmula, volta em minha direção, me envolve em seus braços enquanto dá
ordem para que os funcionários o tirem a força.
— Acabar não diga que eu não tentei te contar a verdade. – Começam a
tirá-lo do local. — Foda-se, agora você vai saber. – Ela praticamente berra.
— Cala a merda da sua boca. – Ana ordena e ele gargalha.
— Eu vou, mas só depois de contar a Bianca que ela e você são as
verdadeiras culpadas pela morte da Maria Julia. – Mesmo já na saída olha
para nós duas. — Agora eu volto a respirar em paz pôr a ter perdido. – Como
assim? — Você nunca vai contar para Bianca o que realmente aconteceu,
Ana?
— Eu era uma criança de quatro anos, isso não faz sentido algum. –
Antes de ser arrastado porta afora, me olha de cima abaixo.
— E já era muito linda. – A sua frase me enoja, sinto meu estômago
embrulhar, por um momento a minha pressão até fica baixa e por conta disso
sinto um mal-estar terrível, mas consigo me manter em pé.
Ele acabou mesmo de elogiar uma criança? Que tipo de monstro é
esse?
— B-Bia, fique calma. – Minha mãezinha chora sem parar. — Nós não
somos culpadas, jamais seremos. Ele que é um doente desgraçado. – Lembro-
me das lembranças que eu tive quando Isaias gritou comigo, e mesmo
estando na frente de umas dez pessoas, tirando os mais próximos, Gu, Dilce e
Sacramento, atrevo-me a perguntar:
— O que me falta saber? – Ana olha para Sacramento e Gustavo
praticamente pedindo socorro. — Me conta. – Eu não consigo mais conter a
emoção e meu coração fica apertado, a cada segundo que se passa, a agonia
cresce e a sensação de perder o chão só piora.
— Vamos para sala, precisamos de um lugar reservado. – Me dá a mão
e nós duas, acompanhadas por Gustavo e Sacramento, seguimos até a sala
dos professores. Ao chegarmos, de prontidão, minha tia começa a contar.

Ana Lima

Dizem que a verdade é sempre a melhor escolha, mas como contar para
uma menina tão sonhadora e amorosa, que a sua mamãe foi embora deste
mundo a protegendo de algo que poderia ser tão terrível?
— Por favor, não demore. Meu coração está prestes a sair pela boca. –
O meu, com certeza, já saiu e parou de bater.
Tem coisas que eu jamais gostaria de revelar.
A verdade pode machucar de formas irreversíveis.
— Nunca foi a sua culpa e nem a minha. – Eu não consigo ver a minha
filhinha chorando e eu sei que o sofrimento se intensificará. — Houve uma
fase bem curta, de duas semanas, que eu precisei morar junto com a sua mãe,
você e o desgraçado. – Abaixo a cabeça e em segundos, de olhos fechados, eu
peço a Deus força para contar algo tão triste. — Na casa, não tinham portas
nos quartos, usávamos cortinas. Maria Julia tinha o costume de deixar a
lâmpada da cozinha acessa durante a madrugada e por conta disso, eu
conseguia ver os movimentos por trás da cortina do quartinho que eu estava e
foi assim, por ter um pouco de insônia, percebi que por volta das duas horas
da manhã o seu padrasto acordava e ia em direção à sala, até aí tudo bem. –
Eu não sei se tenho condições de contar mais alguma coisa.
— Por favor, continue. – Gustavo segura a mão da Bianca e
Sacramento acaba fazendo o mesmo comigo. Eu aprecio o seu cuidado, mas
ainda assim, eu não consigo sentir força o suficiente. — Me diz. – A voz da
minha princesa sai baixinha e um pouco rouca.
— Um dia, além de o ouvir quando ele foi em direção à sala, ouvi
quando ele gemeu um pouco e assustada eu fui ver o que se tratava, já o
encontrei no corredor, suado e a cortina do seu quarto balançando.
— Não, não, por favor não me diga que... – Toco em sua coxa.
— Bia, na noite seguinte eu fiquei mais atenta, depois de cinco minutos
que ele passou pelo quarto que eu estava, fui atrás dele em silêncio e foi aí
que eu o encontrei te olhando dormir e se tocando. Eu fiquei fora de mim,
tive vontade de o estrangular, o primeiro objeto que eu vi foi um crucifixo
enorme de madeira que enfeitava a parede da sua casa, eu estava pronta para
o matar se necessário fosse e foi nesse momento que a MaJu veio em minha
direção, sem saber o que estava acontecendo ou até mesmo achando que a
casa estava sendo invadida, tomou o objeto da minha mão e avançou.
Continuo contando como a minha irmã gritava feito louca quando
ainda o viu exposto, o desgraçado ficava tão fora de si que nem sequer parava
de te olhar e praticar o ato. Quando ela o empurrou só então que ele revidou.
Você, com apenas quatro aninhos, acordou chorando, eu praticamente pulei
na sua caminha e a protegi. Ela falava o tempo todo que em você ele não
tocava, logo depois ouvi o som de algo pesado caindo como se estivesse
quebrando e só então percebi o que tinha acontecido. Era irreversível.
— Meu Deus. – Bia não consegue parar de chorar.
— MaJu bateu a cabeça com muita força em uma bancada de mármore
e se foi, te protegendo. – Minha garganta fica fechada. — Bia, desde aquela
noite que o desgraçado nos culpa por ter acabado com a vida dele, ele é um
demônio tão desgraçado que achava normal sentir prazer em olhar crianças,
era apenas esse o prazer dele, não em tocar. Ainda assim ele jurava amar a
sua mãe e pelo o que vejo, nos culpa, principalmente a mim por toda
desgraça. – Mesmo muito abalada e chorando muito, me olha demonstrando
muito amor.
— Eu entendo o porquê de tu nunca me falar a verdade e agora eu já
sei o verdadeiro motivo da senhora não levar um homem para dentro da nossa
casa. – Bia vai em cheio no motivo principal do porquê eu evitar de ter algum
relacionamento sério.
— Eu não conseguia confiar em nenhum homem. – Seco um pouco as
minhas lágrimas. — Eu tinha medo de levar um infeliz para a nossa família.
Nenhum desgraçado desse vem com o aviso de que vai aprontar uma dessas.
Para sociedade, ele e a minha irmã eram perfeitos juntos, algumas senhoras
religiosas, até diziam que ele tinha sido enviado por Deus e olha o que
aconteceu.

Bianca Lima
Eu não me sinto bem, nem psicologicamente falando, muito menos
fisicamente.
Meu corpo ainda treme como em uma descarga emocional, minha
cabeça dói, meu estômago fica embrulhado, sem falar na pressão que está
com certeza desregulada.
Por outro lado, eu não sei como tentar melhorar meu físico, já que
meus pensamentos não param.
Tenho nojo do desgraçado que tocou o meu ombro, sinto tristeza por
minha mãe ter vivido, mesmo que em pouco tempo, um casamento de
mentira, por ela ter morrido depois de sofrer tão grave decepção e para me
proteger vestida de toda raiva possível que uma mãe normal sentiria.
Eu também agiria da mesma forma para defender um filho, mesmo que
tal atitude me levasse a morte e ainda assim, eu me sinto culpada.
— As aparências enganam a todo momento, ninguém poderia imaginar
que aquele homem, cujo a alma deve ser do demônio, tinha tal prática durante
as madrugadas. – Minha mãezinha me olha ainda muito triste e eu sei que
preciso consolá-la. — Se não fosse a senhora, talvez nunca saberíamos o que
estava acontecendo e apesar de tudo, – Lágrimas abundantes descem sem
controle em meu rosto. — ela com certeza está bem e é a nossa anjinha que
cuida muito de nós. – Levanto me sentindo mal e abraço minha mãezinha
com todo carinho, declaro meu amor incondicional e quando ela está mais
calma, despeço-me. Sacramento fica ao seu lado e eu, com a companhia do
Gustavo, vamos para a frente da escola.
Durante o caminho, ainda em silêncio, noto que restam apenas dois
funcionários, quando entramos no carro, Ávila faz algumas ligações e depois
conversamos um pouco.
— Bia. –Gu toca em minha coxa me fazendo o olhar. — Um dos meus
homens de confiança tomou de certa forma a frente do caso e o desgraçado
vai para cadeia. Nunca mais ele vai te importunar, eu prometo. – É
impossível. — Ele vai responder por invadir as minhas terras, também.
— Amor, eu acho que ele vai me assombrar todos os dias da minha
vida sim. – Como ainda estamos parados, vou para o seu colo e me aninho
em seu abraço, que afaga até mesmo a minha alma.
— Não vai, tenha certeza, tudo passa, mesmo que no momento pareça
impossível. – Eu sei, mas...
— Eu agora te entendo, o mundo é realmente assustador para se pensar
em ter filhos. Imagina só uma criança vulnerável a isso? – Ele segura em meu
rosto e com cuidado me leva em sua direção.
— O mundo é sim, não tenho como argumentar em relação a isso, eu
só quero te lembrar que quando temos pessoas ao lado que inspiram
confiança real, tudo fica mais fácil. – Ele me acalanta com palavras. — Bia,
eu vou repetir o discurso que você um dia fez para mim. Você pode e deve
escolher o que quer do seu futuro, se nesta barriguinha – Me acaricia
carinhosamente. — um dia terá um bebê, você decide, mas não mude os seus
sonhos por causa das desgraças que existem, você é a mulher que pela
primeira vez na vida me fez pensar além e a longo prazo nesta hipótese. – Gu
respira fundo. — E este meu pensamento só existiu, por ser você a mulher
que tenho ao meu lado, eu jamais pensaria sequer na hipótese com outra. – A
sua declaração me pega de surpresa, bem no momento que estou em total
conflito. Mas de uma coisa eu tenho certeza...
— Só com você também. – Ele me passa o sorriso mais lindo.
— Então podemos combinar de daqui a dez anos, conversarmos sobre
o assunto? – Ele, na casa dos quarenta enquanto eu com um pouco mais de
trinta anos. É, isso definitivamente me agrada.
— Combinado. – Me puxa e me beija bem devagar.
— Então... – Continua distribuindo beijos deliciosos. — Vamos
aproveitar bastante esse fogo gostoso que nós temos, namorar muito,
conhecer vários lugares primeiro. Não precisamos nos preocupar
antecipadamente com as desgraças do mundo. Tudo bem? – Confirmo com
um aceno positivo, mesmo sabendo que pelo menos por hoje e nos próximos
dias, eu não conseguirei me desvencilhar do que acabo de ouvir.
***

Ao chegarmos na mansão, ainda no rol de entrada, nos deparamos com


tia Dora que se encontra desesperada por ter me escondido a verdade,
juntamente com Zé que lhe passa bastante força.
As mesmas palavras que usei com minha mãezinha, passo para a minha
dinda a confortando, mesmo ainda me sentindo despedaçada por dentro.
Eu cresci acreditando que minha mãe foi vítima do ciúme excessivo
que o desgraçado tinha, a versão dessa história já era terrível e me deixava
inconformada, só que agora eu sei que ela foi a minha heroína, me salvou de
um dia ser abusada fisicamente, pois eu acredito que o infeliz poderia querer
ultrapassar o só me observar para algo mais carnal.
E sobre minha Ana, ela definitivamente é um anjo que Deus enviou no
momento certo, qual seria o meu destino se ela não estivesse presente? Ele
poderia querer me matar depois de ver no que a queda da minha mãe
resultou. Penso também em várias alternativas que não me consolam, em
nenhuma delas o final poderia ser menos sofrível.
***

— Gu, não vem dormir? – Encolho-me entre os lençóis e logo o vejo


saindo do closet, usando apenas um roupão atoalhado me lembrando muito o
dia em que o conheci, segurando um envelope grande, de cor preta, com selo
prateado. Quando ele vai se aproximando, noto que é a logomarca da VTv, a
emissora que transmite o seu programa.
— Vou sim, mas antes, eu tenho um convite para te fazer. – Senta-se
ao meu lado e rapidamente abre o envelope. — Nosso programa está
concorrendo a alguns prêmios, dentre eles, de Inovação, Benefício para a
população e Responsabilidade social. – Nossa! Até me sento para o ouvir. —
E pelo o que soube, Fonseca, desde que ouviu sobre a ideia da escola,
participou a novidade da Ávila para os organizadores e é este projeto que está
concorrendo. – Eu fico emocionada e sem palavras para descrever o quanto é
lindo ver que algo que nasceu no meu coração, pode ganhar proporções tão
gigantescas. — Então, Bia, esse projeto não é apenas meu, é nosso e eu te
quero ao meu lado daqui a vinte dias, na festa do Prêmio TV Social. – Eu, em
uma ocasião tão aclamada?
— Gu, é um ambiente muito chique e eu não estou acostumada com
tanto luxo. – Ele toca carinhosamente em meus lábios.
— Que bom, eu também não, mas nós podemos conviver com algo do
tipo por uma noite, outras noites e depois voltar para o nosso paraíso
particular. – Eu gosto do que ouço.
— A proposta é tentadora. – Começo a imaginar algumas
possibilidades. — E te ver usando um smoking é tentador. – Muito, na
verdade. Eu já o vi em uma revista, mas na época ele ainda era inalcançável.
— Pode ser interessante, principalmente se você estiver usando um
vestido preto que me faça querer te despir. – E adornada em um colar de
pérolas? Eu quero, com certeza.
São tantas as possibilidades.
— Eu aceito viver esta noite mágica com você. – Me dá uma piscadela
e deixa o envelope no criado-mudo.
— Que bom, vamos discursar juntos. – COMO ASSIM? – Me
distraindo da noite que tinha tudo para ser perfeita, mas foi interrompida pelo
infeliz, Gu tenta fazer minha cabeça para realmente participar de tudo e nessa
conversa, meus olhos começam a ficar pesados, até que eu sinto os seus
lábios praticamente roçando nos meus. — Durma bem, meu amor. Estou aqui
com você. – Logo depois, vem o abraço que meu corpo se sente
aconchegado.
***

Gustavo Ávila.

Cinco horas da manhã, como sempre os meus olhos se abrem para um


novo dia bem cedo, ao me movimentar com cuidado na cama, observo Bia
por alguns segundos, depois de constatar que ela está calma, levanto-me para
tomar uma ducha, pois apesar de não ser o horário comercial na cidade
grande, nas minhas terras, já estamos a todo vapor.
Depois de uma ducha rápida que me deixa ainda mais acordado e com
muito ânimo para resolver algumas situações, enquanto encaminho-me para a
sala, envio uma mensagem para Alana avisando que Bia vai me acompanhar
na premiação e quando eu chego, de prontidão, mesmo sem eu ter marcado
hora, encontro José e mais um par de homens da minha confiança.
Eles com certeza serão responsáveis por fazerem uma verdadeira
varredura na Ávila, até encontrar quem foi o culpado por deixar o desgraçado
do padrasto da Bianca adentrar as minhas terras.
— Não poupem esforços. Ontem eu demonstrei calma mas por dentro
eu só pensava em enviar aquele infeliz para o além e hoje, ainda não estou
bem. – Zé, que compartilha o mesmo sentimento que o meu, me conta que
durante a noite o filho da puta foi preso e uma das acusações que ele carrega
nas costas, é por ter adentrado um território particular sem ter a porra da
autorização.
— Dona Aladilce testemunhou contra ele ontem à noite enquanto
vocês conversavam na sala, ela que assistiu tudo teve informações suficientes
para garantir que o desgraçado pague. – Lembro-me de em breve, ligar para
Dilce e agradecer.
— Eu não posso admitir que aqui na Ávila tenha invasões desta
categoria. Já pensou se a porra deste homem estivesse armado? – Sofro só de
imaginar. — Ou eu estaria largado em um canto sofrendo por não ter mais
Bianca ao meu lado ou eu estaria com ela em outra dimensão, mas é certo que
eu o enviaria para o inferno. – Seria muito injusto perder a quem tanto me
completa tão breve e para que eu não corra riscos em relação a isso, atitudes
de segurança terão que ser tomadas para que eu possa proporcionar segurança
para a minha mulher, que já sofreu demais, assim como os seus familiares.
— Não fale asneiras, meu filho. – Zé se aproxima e me abraça de lado.
— Uma má sorte dessa não há de pegar em vocês que estão começando uma
vida. – Ele olha para os nossos amigos. — Agora venham comigo para o
gabinete do patrão, vou traçar um planejamento minucioso. – Por ter total
liberdade em minha casa, segue o rumo.
Enquanto eu vou para cozinha, recebo uma ligação de Sacramento e
por saber que ele não é de me ligar sempre, rapidamente atendo.
— Bom dia, Ávila. – O seu tom de voz está mais baixo que o normal, é
fato que está tentando ser silencioso.
— Fala, Gael. Dia. – Ele não demora a prosseguir.
— Estou aqui com a Ana. – É definitivamente uma informação que me
faz bem ouvir. — Ela ainda está dormindo e Paloma ao seu lado. – Sua
menininha deve estar muito feliz ao conhecer alguém tão doce quanto a
minha sogra. — Ela demorou a dormir, definitivamente aquela situação de
ontem mexeu com o seu sistema nervoso. – Pausa por alguns segundos. —
Eu a conheço há dias e nunca a vi tão triste, isso me quebrou. – Ouço quando
respira fundo. — Eu sinto uma necessidade absurda de proteger esta mulher.
– Eu sei como é, por conta disso o tranquilizo informando que providências
já foram tomadas e que o infeliz pagará pelo o que fez.
Depois de encerrar a chamada, encontro-me com Nita, que apesar de
demonstrar preocupação, me recebe com um enorme sorriso no rosto e me
serve um café farto.
Ao terminar, peço para que ela fique de olho em Bianca, pois tenho que
ir para o meu primeiro compromisso do dia.
— Chego em tempo da minha prenda acordar para o café, mas de
qualquer forma, não esqueça de ir lá no quarto. Bia não teve uma noite fácil.
– Confirma depois de me dar um abraço e eu vou até o banheiro social
escovar os dentes, para em seguida trabalhar.
***

Um par de horas depois da minha chegada na administração da Ávila,


quando estou prestes a voltar para casa para ver Bianca e a acompanhar no
seu café da manhã, lembro-me de ligar para dona Dilce e a agradecer pelo o
que ela fez ontem à noite, contudo, assim que ela atende, percebo que está
com a voz um pouco trêmula e abatida.
Preocupado, pergunto o que aconteceu, ela evita falar, tento a segunda
vez, entretanto, só na terceira, ela me conta o que se passou.
Puta merda, é lamentável que Isaias mais uma vez tenha caído na
tentação de beber até cair.
— Ele precisa se internar em uma boa clínica e por mais tempo, o grau
de vício que ele se encontra, mesmo sem eu ser da área de saúde, ouso a
afirmar que pelo menos uns cento e oitenta dias serão necessários. – A ouço
fungar, como se estivesse contendo um choro.
— E-eu não tenho como, Sr. Ávila, dá outra vez eu acabei com minhas
economias de anos. – Eu imagino que algo do tipo não seja barato. — Sem
falar que Isaias tem que querer também, da outra vez ele tinha esperança, mas
agora eu não sei, ele fica arrasado quando passa a ressaca. – Percebo que
mais uma vez, tenta segurar o choro. — Se o meu marido não tivesse me
abandonado juntamente com o meu Zai, nada disso teria acontecido, meu
menino nunca aceitou a rejeição do homem que ele chamava de pai. – Eu
bem sei como é ter uma figura que deveria ser tão importante na vida,
ausente.
— Eu vou conversar com Isaias. Em no máximo um par de horas estou
aí. – Lembro-me de lhe pedir algo. — Por favor, não conte para Bianca o que
houve, ela precisa descansar hoje. – Ela confirma e nos despedimos e na
saída do meu escritório, encontro José a quem eu passo as últimas
informações. Ele se oferece para me acompanhar na visita e logo depois
envio uma mensagem para Bia informando que por imprevistos não poderei
comparecer ao café da manhã.
***
Capitulo 23

Quando eu chego na casa de Isaias, a situação é lastimável.


Janela quebrada, dona Dilce tentando ajeitar o que pode,
completamente abatida quando a comparo com a mulher que na noite anterior
estava radiante no seu primeiro dia de trabalho e Isaias, um homem bem
formado, forte, completamente desgastado por conta do seu próprio vício,
envelhecido pelo menos uns cinco anos, sentado no canto do sofá, com o
olhar perdido.
— Vamos prosear? – Ele me olha meio de lado.
— Converse com o senhorzinho, meu filho. – Aladilce tenta o animar e
por ele se sentir um pouco à vontade, aceita.
A prosa não começa fácil, eu tento o incentivar a falar, nos sentamos na
varanda e só após longos minutos olhando para o céu que, em pleno inverno
brasileiro está bastante azul, começa:
— Há um pouco mais de um mês você me deu um murro e ainda
assim, eu quero conversar contigo, grande Ávila. Eu só não sei por quê. –
Sorri um pouco de lado. — Coloquei o primeiro copo de bebida na minha
boca ainda muito novo, mais precisamente na mesma semana que meu pai
saiu por aquele portão. – Aponta para frente. — Gritando para todos ouvirem
que a minha mãe era uma filha da puta maldita e que eu não era o seu filho.
Aquilo me acabou e a dor que eu senti foi tão grande que parecia que eu
estava quebrando todos os meus ossos. – A porra da falta de amor,
verdadeiramente causa esta dor. — Eu chorei sem vergonha alguma de
mostrar meus sentimentos, até que o álcool me abraçou. No terceiro copo o
meu corpo já estava mais leve, era bom. Eu, ao invés de chorar, ria feito um
louco e sendo assim, bebi até literalmente ser trazido para casa carregado.
Minha mente ficava fora de mim, e então eu escolhi viver pelas emoções
fabricadas pelo vício e esquecer a vida real. O problema cara, é que eu
mesmo não querendo beber, sabendo que a merda vai acontecer, eu
simplesmente não aguento e enfim, você já sabe o que acontece, tenho até
medo de acabar com o coração da minha mãe. – Entristecido, cobre o rosto
com as mãos. — Eu já estava melhor, mas há uns dois meses, minha mãe me
confessou que realmente o homem que eu cresci acreditando que não era o
meu pai, não mentiu. Mas ela também nunca confessa quem é, por alegar que
anos já se passaram e que não existe mais jeito.
— Não tem mais jeito? – Ele me olha, depois abaixa a cabeça e passa
as mãos pelos cabelos.
— Por meu pai já ter partido dessa para uma melhor. – É, em relação a
isso realmente não se tem o que fazer.
— Mas você está vivo e precisa sair dessa. – Como não estou falando
com uma criança, decido ser direto. — Se você continuar, provavelmente vai
morrer e não terá a oportunidade de gozar da vida. O seu pai biológico, eu
nem sei se soube da sua existência, o homem que você acreditou ser, é uma
porra que não foi capaz te amar e você não pode perder a sua vida por eles.
Vai por mim, eu sei o que estou falando e por conta de rejeição e falta de
amor, eu poderia estar como você ou pior. – Penso na fazenda que é próspera,
dos meus funcionários que eu de certa forma ajudei a mudar a vida, em
Bianca e de uma coisa eu tenho certeza. — Cara, vale a pena lutar para
permanecer sóbrio, para você ter ideia, eu que nem sequer tinha fé no amor,
hoje eu tenho. – Percebo que falar de Bianca o deixa constrangido.
— Eu assustei a sua prenda. – Me olha sondando a minha reação. —
Ela é linda por demais, e quando eu a vi, sei lá por que, achei que com ela eu
poderia esquecer dos meus problemas e ser feliz, devo tê-la assustado. –
Gargalha da sua própria má sorte. — Será que existe uma outra moça por aí
que seria capaz de me curar? – Bem, pelo o que eu saiba, sexo não cura
nenhum vício.
— Que tal você aceitar se internar na cidade grande, em uma clínica
altamente preparada, se cuidar e deixar para viver este amor depois que você
for uma boa companhia para uma prenda? – Ele pondera as minhas palavras e
sorri.
— Eu até que gostaria, mas... – O interrompo com gestos.
— Você vai, ainda esta semana e não quero que se preocupe com
gastos e nem com a sua mãe que estará amparada aqui em Rios Claros. –
Isaias se põe a chorar como se fosse uma criança e diz que não merece a
minha ajuda, pois ainda olha para Bia com outros olhos. — Passe por cima
disso e logo você terá a sua mulher, como eu tenho a minha. – Levanto-me e
estendo a mão. — Estamos acertados? – Confirma com gestos, voltamos para
dentro de casa e eu conto a novidade para dona Aladilce que deverá se
preparar para viajar em no máximo um par de dias, no final de semana, para a
capital para ver aonde o filho vai ficar e depois retornar.
A notícia a faz sorrir apesar de mostrar ainda aquele olhar perdido,
típico de uma pessoa que sofre de depressão.
Bem, tenho certeza que logo ela vai ficar bem, principalmente quando
ver o filho em um estado melhor.

Uma semana depois


Bianca Lima

Depois de uma tarde provando o vestido que usarei na premiação, em


seguida correr para dar aula, retornar para casa quase sem voz pois
prazerosamente passei um tempo com meus alunos, estar ao lado da tentação
da minha vida que a cada dia fica mais gostoso, estando ansiosa para subir as
escadas e o levar para o quarto, assim que coloco os meus pés na entrada da
mansão, viro-me para Gu e faço questão de dizer o que quero hoje à noite.
— Eu preciso te sentir em todos os lugares, eu definitivamente estou
com aquele fogo desgraçado que você conhece. – Gu sempre reagiria a tal
declaração me olhando com aquele tesão de arrepiar, mas em contra partida
ele continua olhando para frente. Deus do céu, o que eu perdi?
— Mãe. – Ai meu Deus! Será que fingir desmaio é uma boa
alternativa?
Bem, eu não sei e sem recuperar a dignidade por conta da vergonha
que acabo de passar, dou de cara com uma linda senhora que nem precisaria
abrir a boca para me dizer quem é.
Ela é definitivamente a cópia feminina do meu amor, com mais alguns
anos pela frente.
— Surpresa, meu filho. – Nós a esperamos há uns dias, mas ela teve
um imprevisto e não conseguiu viajar. Então, eu não tinha como saber que
logo agora, a sogrinha estaria presente.
Obviamente que não tenho nada contra a sua presença, sinto-me feliz
por ver meu lindo nos braços da sua mãe, contudo, ainda estou morrendo de
vergonha e por conta disso, os meus pés quase não se movem.
— Que bom te ver, já faz algum tempo, Sra. Ávila. – Ela lamenta a
ausência.
— Você sabe, este paraíso não me faz muito bem. – Me olha e
nitidamente vê a oportunidade de mudar de assunto. — Eu não disse? Para ti
sempre funcionou. – Aponta para mim e me chama. — Não vai me apresentar
a sua linda e fogosa namorada, filho? – Como já estou próxima a ela, cubro o
meu rosto com minhas mãos para descontrair e ela gargalha. — Não precisa
ter vergonha, na idade de vocês, o desejo sempre está a todo vapor.
— Claro que vou. – Gu me olha e acaricia o meu rosto. — Dona Clara
Ávila, esta é Bianca, a mulher da minha vida. – Bate palmas parecendo uma
criança.
— Agora senti firmeza e já vejo além dos sininhos da igreja tocando,
crianças correndo por esta casa. – Me puxa sendo bastante acolhedora e me
dá um abraço gostoso que eu compartilho.
Eu tinha medo de conhecer uma mulher tão importante, cheia de posses
e meu receio maior era sofrer preconceito por conta da minha classe social,
mas logo eu vejo a quem Gustavo puxou na simplicidade.
— Quem sabe um dia, Sra. Ávila. – Me olha carinhosamente e segura a
minha mão.
— Pois é. – Olha para o filho. — Eu sei que vocês estão loucos para
subir até o quarto e matarem a saudade, mas eu fiz uma paella com frutos do
mar que vocês vão adorar, por favor, me acompanhem. – Como é que se nega
tal pedido?
***

Entre uma conversa animada, aonde eu descubro várias coisas sobre a


infância do meu amor, noto que dona Clara, vez ou outra, se perde em suas
memórias e isso a incomoda. De fato, não deve ser fácil perceber depois de
tanto tempo que não conhece muito o filho.
— Na verdade eu gostava mais de macarrão, mãe. – Gu lhe passa um
sorriso reconfortante e ela com cuidado, deixa os talheres ao lado do prato, é
como se o seu apetite evaporasse, enquanto eu, mesmo presenciando um
constrangimento, não quero deixar nem um grão de arroz no prato.
— Me perdoe por eu ter sido tão desatenta. – Meu coração fica partido
ao observá-la. — A tristeza me tirou diversas vezes a vontade de viver e por
mais que eu te amasse, meu menino, eu não conseguia sair daquele buraco
em que eu estava imersa. – Como estou perto dela, toco em sua mão.
— Fique tranquila, sogrinha. – Observo meu amor que me dá uma
piscadela. — Ainda está em tempo para descobrir todos os gostos do seu
lindo filho e se de quebra quiser conhecer os meus também, fique à vontade,
eu vou amar tê-la em minha vida e Gustavo, com certeza, também. – Ela me
passa um olhar amoroso que tanto lembra o do Gustavo até na cor, enquanto
ele entrelaça a mão com a dela.
— Bia tem toda razão mãe, não fique esquentando a muringa com isso.
– Ele beija a mão da Sra. Ávila. — Agora vamos continuar a jantar, eu amo o
seu tempero e preciso ficar forte para as próximas horas. – Me deixa como
uma plantação inteira de tomates enquanto se diverte junto com a mãe.

Dias depois

Noite de sexta feira, por volta das vinte e uma horas, depois de me
despedir dá minha sogra que decidiu passar um tempo na fazenda, mãezinha
o seu namorado Sacramento, tia Dora e Zé, Gu e eu, seguimos para a pista de
pouso da fazenda onde o avião juntamente com sua pequena tripulação, já
nos espera para em poucos minutos levantar voo.
O problema é que a cada segundo que se passa, meu coração fica mais
apertado, pois eu nunca viajei nas alturas e pelo o que percebo, tenho um
certo medo.
— Vai ficar tudo bem, é seguro e em poucas horas chegaremos ao
nosso destino. – Como estamos sentados no banco do carona, acomodo
minha cabeça em seu ombro.
— Acho que vou aproveitar para dormir. – Gu me dá um beijo na testa.
— Tudo bem, amor. Eu te faço companhia na cama da cabine
privativa. – Volto à o olhar e meu coração medroso vai dando lugar a umas
batidas bem mais empolgantes e quentes.
— Acho que não quero mais dormir. – Sussurro em seu ouvido para
que o motorista não nos ouça e em contra partida, Gustavo se inclina para
bem perto de mim e roça os lábios nos meus.
— Que bom, esse era o meu plano, manter você bastante acordada e te
fazer esquecer aonde estamos.
***

Noite do sábado, faltando um pouco mais de quarenta minutos para o


horário marcado em que precisaremos ir para o evento, Deni, um cabelereiro
e maquiador enviado pela emissora para me arrumar, me dá os últimos
retoques na maquiagem e para completar, quando eu me levanto ajeita o
longo vestido preto que remete a muito luxo, bom gosto e sensualidade.
Com a parte de cima até as mangas em um tecido que causa uma certa
transparência e aplicações em tule de cor preta em locais estratégicos que
escondem o suficiente e mostra mais um pouco, por conta do tom da minha
pele, forma um belíssimo conjunto de contraste, já a saia é formada por um
tecido que traz uma certa leveza quando caminho por conta da fenda.
— Você está uma diva. – Me faz dar uma volta, logo depois peço para
que ele coloque em mim o colar de pérolas com diamantes que Gustavo me
deu e depois de passar um delicioso perfume, despeço-me de Deni que ainda
vai arrumar a sua maleta.
Em seguida, caminho até meu amor, que já está no térreo me
esperando.
— Estou pronta. – Chamo a sua atenção quando ainda estou no topo da
escada da sua cobertura duplex e Gu me olha sem pudor algum.
— Você está maravilhosa. – Vou descendo os degraus até descansar a
minha mão sobre a sua, que repousava no corrimão.
— Obrigada. São os seus olhos. – Gu vem para a minha frente e
acaricia o meu rosto, parecendo adorar cada contorno.
— Eles sempre falam a verdade. – Usa uma frase que eu já usei em
uma outra conversa nossa e me dá uma piscadela. Contudo, quando passeia o
olhar por meu corpo, franze um pouco a testa e quando volta a me observar, o
ciúme está estampado em seu olhar. — Já vi que não posso me afastar de
você nem um minuto, assim como eu vou contar as horas para estar de volta
em casa. – Passeia os dedos pelas pérolas do colar. — Bia. – Lembra-se da
primeira vez que usamos o objeto para o nosso prazer. — Nós temos mesmo
que sair? – Me envolve pela cintura.
— Temos, pois eu tenho certeza que você vai ganhar e eu quero estar
ao seu lado para o parabenizar. – É a minha vez de o olhar bem de perto. Um
verdadeiro atentado aos meus pensamentos puros que este homem é. — A
propósito, eu também terei que ficar de olho em você. – E eu nem estou
exagerando, a roupa do meu amor, apesar de ser como todo smoking, parece
que acentua ainda mais os seus músculos e ele fica extremamente gostoso.
***

Quando chegamos à frente do Teatro Vilas Boas, depois de enfrentar


uma fila enorme de carros, através da janela eu vejo uma quantidade
considerável de repórteres que estão cobrindo o evento e um tapete vermelho
por onde nós dois devemos chegar e provavelmente faremos algumas fotos e
passar por ele todo com um sorriso no rosto.
Eu me sinto um peixe fora d’água e tenho a certeza que só Gustavo
para me fazer passar por tal formalidade.
Mas a verdade é que por estar ao seu lado, até o pequeno fardo se torna
leve, suportável, apesar de saber que não é algo que quero para a minha
rotina. A fazenda sim é maravilhosa e traz muita paz.
— Vamos? – Confirmo com gestos, um rapaz abre a porta e após
Gustavo sair, ele me dá a mão e mesmo um pouco nervosa, consigo me
manter firme ao seu lado. Ah! E os flashes disparam em nossa direção. —
Bia? – Antes de caminharmos ele me chama e encosta os lábios nos meus. —
Finge que estamos caminhando no jardim da Ávila ou entre os cafezais, só
nós dois e assim vai ficar tudo bem. – Ele me leva de volta a alguns
momentos nossos no qual eu nunca me esquecerei.
— Pode deixar, já estou sentindo até o cheiro gostoso do café. – Só de
pensar acabo salivando. Ai meu Deus! Preciso muito.
Entre fotos intermináveis, somos convidados para uma pequena
recepção que está acontecendo em um dos andares do teatro, com direito a
muitos comes e bebes em porções minúsculas que em hipótese alguma
podem me saciar, ainda assim, decido fazer a fina juntamente com Gu.
Jamais o colocarei em uma posição constrangedora.
— Bianca. – Adriana, uma cantora bem famosa que eu jamais achei
que ia falar comigo, se aproxima. — Tem duas semanas em média que o
programa onde você casou com o Gustavo foi ao ar. Me conta, já se
acostumou com a fama? – Se ela está falando dos meus milhares de
seguidores, da sensação estranha de eu mesma ter que revisar o meu próprio
texto umas cinquenta vezes por ter medo de na pressa trocar uma letra e a
partir daí começarem a desconfiar da minha capacidade de ensinar? Não.
Nem um pouco, mas...
— Sim, na verdade estou no caminho, ainda é um pouco estranho, mas
como moro na fazenda, de certa forma fico protegida de tudo. – Ela parece
que gosta da minha resposta.
— Pelo menos você pode fugir, já eu nem tanto, mas eu gosto de toda
essa badalação. – Uma pessoa distante a chama e ela se despede de mim com
um abraço. Logo depois, Alana se aproxima.
— Ahhhh, você está linda. – Rapidamente observa se Ávila está
prestando atenção em nossa conversa, quando constata que não, se aproxima
como se quisesse fazer uma fofoca. — Hoje, você e o Gustavo estão ainda
mais lindos, seria um sonho tê-los lá no clube aonde eu assisto alguns casais
no ato. – Fico ainda mais corada e ela me dá um beijo no rosto. — Mas isso é
só um sonho. – Logo se afasta por ser requisitada por um outro grupo de
pessoas famosas.
— Bia, você não está comendo nada. – É, ele tem razão. Mas como eu
vou dizer que a aparência da maioria dos pratos não me agrada? Muito
enfeitados, pequenos e aparentemente com excesso de temperos. É tudo
muito diferente, o aroma não me agrada.
— Eu prefiro jantar quando chegarmos em casa. – Um cheiro forte de
alguma carne defumada invade as minhas narinas, eu chego a fechar os olhos
e disfarçadamente cubro a minha boca e nariz. Meu Deus, que enjoo. — Gu,
eu preciso ir ao banheiro. – Estreita os olhos para mim.
— Você está bem? – Confirmo com gestos, mas rapidamente lhe dou
as costas sem esperar que ele prossiga a investigação.
Tenho medo de começar a salivar e em segundos colocar tudo para
fora. Eu preciso urgentemente respirar em um ambiente mais neutro.
Assim que chego ao banheiro, sento-me em um puff branco e agradeço
aos céus por estar sozinha, pois não quero que ninguém testemunhe o meu
estado.
Estando mais calma, fecho os olhos, encosto a minha cabeça na parede
e começo a respirar fundo, a sensação começa a melhorar.
— Ora, ora, ora. – Ouço a porta se abrindo e a voz que eu odeio ouvir,
vem acompanhada por aplausos cheios de sarcasmo. — É ou não é a
personificação do golpe da barriga que está em minha frente? – Eu não me
sinto bem para revidar e em resposta apenas abro os olhos. — Agora ficou
muda? – Ai Deus, por que esta mulher ainda me persegue?
— Vânia, por favor. – Paro por um momento pois mesmo estando
sentada o ambiente parece rodar. — Não fale besteiras a uma hora dessas,
supere o final do seu relacionamento ou seja lá o que você e o Gu, tinham. –
Ela se aproxima e a dois passos de mim, para.
— Eu já superei, Bianca. – Coloca as mãos na cintura. — É sério. – A
observo por alguns segundos e sem aguentar a luz que parece que me deixa
ainda mais indisposta, fecho e abro os olhos diversas vezes. — Eu só quero
ver como Gustavo vai agir quando finalmente vocês perceberem que vão ser
pais, que eu saiba, ele não quer ter filhos. – Abro a boca para conversar, mas
ela me interrompe. — Ora, você não notou que os seus seios estão maiores? –
O decote realmente evidência algo, eu posso apenas ter engordado por culpa
da Nita, até porque eu menstruei.
— Vânia. Não crie tanta fantasia e me deixe viver em paz. – Ela respira
fundo.
— Okay, eu pelo menos contei. – Vira-se de costas para mim, dá
alguns passos para fora do banheiro, contudo, quando bate a porta, ouço um
trinco que me assusta.
— Vânia? – Levanto-me, mesmo tendo um pouco de dificuldade
caminho até a saída e quando tento abrir a porta, percebo que está trancada.
— Vaca sem sal dos infernos. – Volto até o puff aonde está a minha pequena
bolsa de mão para buscar o celular e finalmente ter contato com Gu.
Porém, quando passo pelo espelho a minha imagem me chama atenção
e eu começo a perceber que a leve mudança na minha aparência, pode não ser
apenas de comida.
Meu Deus!
Mas eu menstruei...
Pensa, Bianca. Pensa... Você está com algum sintoma a mais?
Tudo bem, venho sentindo mais sono, fome, apetite sexual aguçado
e....Volto a respirar fundo.
Gu e eu sempre nos protegemos, tirando a vez que transamos na
cachoeira, e no máximo dois dias depois da minha última menstruação.
É, com certeza não é nada, só maluquice da cabeça de Vânia, mas por
via das dúvidas, resolvo visitar o Dr. Google.
“É possível menstruar estando grávida?
Com os dedos trêmulos faço a pesquisa e a primeira informação que
aparece do site “médico responde”, é:
“O que pode acontecer durante a gravidez,
principalmente no início, é o sangramento vaginal que
lembra a menstruação e ocorre no período esperado por
ela. Porém, normalmente esse sangramento costuma ter um
aspecto diferente do sangramento da menstruação e tende
a ser mais curto, em menor quantidade.”
Volto a me sentar por me sentir um pouco tonta, sintoma que é mais
uma evidência do que está acontecendo e começo a chorar.
Quando foi que engravidei?
Será que realmente estou?
Eu sempre quis ser mãe, mas depois do que descobri do meu passado
estou com tanto medo.
Que mundo é esse para uma criança viver?
E Gustavo? Ele me disse que pensava, mas foi bem claro quando deu
um belo prazo que muito me agradou, dez anos.
Não foi apenas dez dias.
E agora, o que eu faço?
Nem controlar minhas lágrimas estou conseguindo, como terei
emocional para ser mãe?
Oh Deus, esse meu emocional aflorado é mais um sintoma.
Acaricio a minha barriga morrendo de medo de passar os meus
sentimentos do momento e ansiedade para o bebê que eu nem faço ideia se
realmente existe e com o celular na outra mão, com as mãos trêmulas,
escrevo uma mensagem para Gu.
Enquanto aguardo o seu retorno, medo é o que eu sinto. Eu e Gustavo
ainda não temos sequer dois meses, como ele vai reagir?
No momento eu não tenho psicológico para ser rejeitada.
Que merda você está pensando, Bianca?
O homem que você tem ao lado, mesmo que estivesse na fase em que
não pensava em ter uma família, jamais te magoaria.
É como Dilce diz. Gustavo é completamente diferente do Sr. Ávila pai,
o seu é um homem de verdade.
Se o homem que você ama é capaz de cuidar de pessoas desconhecidas
e prover tantos benefícios, você acha que com você e o fruto deste amor será
diferente? Definitivamente não.
Eu confio em você, Gu. Em nós.
Capítulo 24

— Gustavo Ávila, meu amigo posso saber por onde anda


a sua prenda? – Verifico no relógio e noto que tem pelo menos dez minutos
desde que Bia foi ao banheiro e informo para Alana. — Ah, a saída é recente,
mas nem se preocupa, alguma mulher com certeza encontrou a Bia e estão
papeando, é normal. – Praticamente banhada no champagne gargalha e quase
que acena para todos os lados em uma verdadeira chuva de gestos.
— Eu acredito em você. – Sirvo-me com uma taça e depois de Alana se
afastar para conversar com mais algumas celebridades, caminho para a
varanda. Ao chegar, contemplo um pouco a noite da cidade grande e observo
as estrelas que da minha fazenda ficam ainda mais lindas, até que sinto meu
braço sendo acariciado e não é por Bianca. Eu já conheço o seu jeito de me
tocar. — Vânia. – Viro-me e a encaro.
Que porra ela quer?
Lopez definitivamente não tem filtro ou amor próprio.
— Te vi sozinho e não resisti, fiquei com saudade de provar os seus
lábios. – Afasto-me, estando completamente incrédulo e sequer tenho
vontade de a responder. — Você nem vai falar comigo, Gu? – Volto-me para
sua direção.
— Vânia, nós estamos no passado e para ser sincero, eu não consigo
acreditar que você está aqui, é lamentável o seu comportamento. – Ela se
mostra bastante ofendida e cobre a boca com a mão. — Não temos mais o
que conversar e agora eu já vou. – Poderia ser tudo diferente se Vânia fosse
madura. — Sabe, há dias eu descobri que a vida é muito valiosa para ficar ao
lado de pessoas que não aceitam as minhas escolhas, eu definitivamente não
perco mais o meu tempo com o que não me traz felicidade. – Começo a
caminhar para parte interna da recepção. — Tente fazer o mesmo. – Dou
mais alguns passos quando Vânia me chama, mais uma vez.
— Espero que ter um filho te deixe bastante feliz, pois pelo o que
fiquei sabendo, a sua realidade vai mudar bem rápido e a tua nova vida, vai te
levar bastante tempo. – Se aproxima de mim enquanto estou tentando
entender o que ela acaba de me dizer. — Você vai se tornar o que sempre
temeu. Parabéns, papai. – Antes mesmo de ter tempo para pensar, deparo-me
com uma notificação da minha prenda.
“Estou presa no banheiro, Vânia me trancou...
Me ajuda, Gu. Não demora.
Estou com muito medo...”

— Que desgraça você fez com a minha mulher? – Seguro Vânia pelo
braço, contudo, ela se afasta gargalhando, achando graça da porra que fez e
eu ligo para Bianca que rapidamente me atende. — Em qual banheiro você
está?
— P-próximo de onde estávamos, eu não consegui abrir a porta. – A
sua voz sai baixa e eu percebo a respiração um pouco cansada. — E-eu entrei
no primeiro corredor a direita. – Faço rapidamente o mesmo caminho e
mesmo com uma certa distância, avisto a porta do banheiro aonde um aviso
informando que o local está em manutenção, encontra-se dependurado na
porta. Hoje a desgraçada ficará desempregada.
— Já estou aqui, meu amor. – Guardo o meu celular no bolso, depois
de tirar a trava da porta, ao abrir, deparo-me com Bia parecendo preocupada,
mas quando me vê, sem ao menos segurar o longo vestido e se lembrar que
está de saltos altos, minha prenda corre ao meu encontro, me abraça e depois
de cruzar as mãos em meu pescoço, se acomoda em meu peitoral.
Deus!
Se eu entendi direito o que Vânia me disse e Bia estiver grávida, não
deveria correr assim.
— Ainda bem que você me encontrou. – Percebendo que o seu corpo
está trêmulo, ainda envolvendo Bia com um braço, tranco a porta e só depois,
sem prévio aviso, a carrego e com minha mulher em minha posse, sento-me
no puff.
— É claro que eu ia te encontrar, em qualquer lugar. – Me olha por
alguns segundos e os seus olhinhos estão ainda menores por ter chorado
bastante. — Em qualquer circunstância, minha prenda. Eu te amo. – Me
passa um sorriso singelo e toca em minha mão. — E nenhuma novidade que
aconteça para nós dois, vai diminuir o meu amor por você. – Bia suspira,
segura em minha mão e leva até a sua barriguinha que eu tanto amo distribuir
beijos.
— Mesmo se um certo planejamento para daqui a dez anos chegar
adiantado em nossas vidas? – Abaixa a cabeça rapidamente fugindo das
minhas vistas.
— Bia. – A faço me olhar novamente. — Mesmo assim. Não dizem
que o amor multiplica? – Ela confirma com gestos. — Então, vamos ter que
comprovar isso agora. – Me dá um abraço tão sentido, como se estivesse me
segurando enquanto acaricio as suas costas para a acalmar.
— E-eu ainda não tenho certeza, nos protegemos, eu também
menstruei, enfim, pode não ser e... – Respira fundo. — Ainda tenho medo do
mundo que estamos, existem pessoas tão ruins, eu fui vítima de um monstro,
enlouqueceria se... – Faço com que ela me olhe e por conta disso, acabo a
interrompendo.
— Eu protejo vocês e não esqueça minha, prenda, também sinto medo
de seguir um modelo de homem que quase me fez desacreditar no amor e que
eu seria capaz de um dia ter uma família, é só você que me passa essa
segurança. – Eu não sei se realmente já estamos formando uma família, mas a
sensação, ao contrário de tudo o que já imaginei do momento, me faz bem, é
emocionante, preenche a alma em um patamar que é impossível de medir e
por conta disso, eu, Gustavo Ávila, que não sou de demonstrar muita emoção,
deixo algumas lagrimas escaparem.
— Só você também me passa essa segurança, meu amor. – Com suas
mãos delicadas, seca as minhas lágrimas, une seus lábios aos meus e neste
momento, mesmo sem ter a comprovação médica, minha mente, corpo e alma
confirmam para mim que já não somos mais só dois.
O nosso beijo é aprofundado e como sempre, o resultado de tanta
aproximação me dá um puta tesão, sinto necessidade de ter Bianca de todas
as formas, de amar o seu corpo que em breve sofrerá mudanças, aquecer o
seu coração, contudo o meu celular recebe uma notificação que me faz voltar
para realidade e eu me lembro de onde estamos.
“Ávila, a premiação vai começar em meia hora.
Eu não encontro você e a Bianca para fazermos
algumas fotos.
Por Deus, mais tarde vocês transam”
Bia se diverte lendo a mensagem e eu rapidamente corro para
responder.
“Estamos no banheiro
No andar da recepção, no corredor a direita.
Alana, precisamos da sua ajuda.
Venha aqui, agora. Por favor.”
Não se passa nem cinco minutos, Alana já me liga estando na porta do
banheiro que rapidamente eu abro.
— Santo Deus, o que aconteceu? – Olha para Bia e mesmo sem saber o
motivo, a abraça.
— Fique calma, Alana. – Observa a futura Sra. Ávila.
— Você estava chorando, definitivamente algo não está bem. – Me
olha rapidamente. — Qual dos dois vai me contar? – Acaba nos divertindo e
eu, sabendo que teremos a sua discrição, relatamos sobre a provável gravidez
e o que Vânia fez. —Ahhh parabéns. – Abraça a minha prenda que ainda está
fora do ar. — Você será uma grávida linda, mas agora precisa de um retoque
de maquiagem urgente, ainda bem que só venho para esses eventos preparada
com um profissional que possa nos socorrer. – De prontidão, Alana faz uma
ligação e Bia volta a se sentar enquanto eu solicito o atendimento médico de
plantão, para que ela seja atendida. Sempre exigindo muita discrição.
Depois de vinte minutos, tendo a certeza que a minha mulher está bem,
durante o momento em que o profissional retoca a sua maquiagem e eu
termino de entrar em contato com uma médica de confiança, Alana me puxa
de forma discreta para próximo a porta do banheiro para provavelmente me
falar algo que não quer que Bia ouça.
— Pode falar, Bia pode ouvir tudo. – Confirma com um leve aceno
positivo de cabeça.
— Sei que sim, mas não quero pronunciar o nome da cobra perto dela.
– Olha para Bianca e eu aprovo a sua decisão sábia. — Gustavo, Vânia já
destruiu um vestido, sei que anteriormente tentou humilhar a Bia e agora fez
isso aqui no banheiro. Até quando ela vai permanecer no programa? Todo
mundo sabe que ela ainda está porque anda suprindo as necessidades de um
dos sócios da emissora. – Isso é verdade, as pessoas falam.
— Confie em mim, de hoje ela não escapa. – Alana, em um modo
pleno de curiosidade, coloca a mão na boca.
— Música para os meus ouvidos, Ávila. – Finge bater palminhas. —
Vou contar os segundos, já está mais do que na hora dela se afastar. – Volta a
olhar para Bia. — Não faz bem para uma gestante ter que conviver com uma
energia tão negativa. – Dá o seu veredito e mesmo Bia estando pronta, ainda
permanecemos um pouco no local para evitarmos muita conversa do lado de
fora.
***

Como em toda premiação, o clima é bastante festivo e regado a


ansiedade. Vários programas premiados recebem os seus prêmios e como
previsto, nós acabamos ganhando pela inovação, fidelidade do público,
melhor programa do horário e responsabilidade social e cabe a mim fazer o
discurso.
Antes de começar a discursar, faço fotos com a equipe de produtores
que está no palco, juntamente com Vânia que, exibida, faz várias fotos com
os troféus em sua posse e é chegada a minha hora de colocar um ponto final
em várias questões.
— Boa noite. – A plateia formada de várias personalidades importantes
para sociedade e celebridades prestam atenção em mim. — É com muita
gratidão que estou aqui hoje. Quando há anos o programa Fazenda Ávila
começou, ainda em um formato tímido, apesar de ser ambicioso e querer que
ele alcançasse cada vez mais o público, eu jamais poderia imaginar que
chegaríamos a este patamar. Afinal de contas é um programa de agronegócio,
um assunto que não chama muito a atenção de muitas pessoas. Bem, esse era
o meu pensamento inicial, contudo já comprovamos que estávamos errados.
Com as dicas que damos em todo programa sobre plantação residencial,
recebemos diariamente centenas de fotos e vídeos de pequenas hortas que são
plantadas até mesmo em apartamentos. É lindo de se ver crianças empolgadas
colhendo um tomate cereja e hortaliças. – Olho para Bianca. — E não
paramos por aí, trazendo mais benefícios para a população Avilaense. – Bia
se diverte quando me vê falando um termo inventado por ela. — Há poucos
dias implantamos a escola na Ávila, que atuara diretamente na alfabetização
de adultos e em cursos que vão gerar valor para as mulheres que moram no
local.
— É verdade, eu estou muito orgulhosa. – Vânia, fingindo ser a melhor
pessoa, por um segundo inclina-se até o microfone tentando aparecer um
pouco mais.
— E realmente você tem que ficar, minha colega. – Sorri para mim e
até coloca a mão entre os seios, fingindo estar surpresa com o que digo. Bem,
prepare-se. — Principalmente porque, como todos da produção já sabem,
você está se despedindo deste programa hoje e em breve alcançará novos
horizontes. – Ela paralisa, abre bem os olhos, mas volta abrir um sorriso
elegante para não demonstrar que está sendo demitida por mim na frente de
tanta gente, assim como Fonseca que já percebeu que na verdade estou
dizendo. “Ou ela ou eu”. — Eu estou grato a você por ter me feito companhia
todos esses anos. – Vânia empalidece. — Ah, não fique paralisada, logo você
poderá fazer o seu discurso de despedida diante de todos, mas antes disso, eu
preciso chamar aqui uma pessoa, que deve ser a dona deste troféu
Responsabilidade Social. Por favor Bianca Lima Ávila, venha aqui. – É, o
seu nome definitivamente fica muito lindo junto com o meu sobrenome e sem
mais delongas, sendo cuidadosa e bastante elegante, Bia caminha até mim e
quando chega perto, ganha um beijo rápido, mais como um roçar de lábios.
— Esse prêmio é todo seu, professora Bianca. – Seus olhinhos ficam
marejados enquanto balbucia um “obrigada”.
— Eu só tenho a agradecer por você aceitar me ouvir e fazer do meu
sonho o seu. – Simples como sempre nas palavras e dona de um coração
enorme.
— Eu que sempre serei grato por aquele dia. – Ela sabe tudo o que
aquele dia significa para nós dois. O início. Então, no momento viro-me para
Vânia já estando de mãos dadas com Bianca. — Agora minha colega, você já
pode fazer o seu discurso de despedida. – E sendo assim, me afasto um pouco
com a minha mulher e fazemos algumas fotos.
— Eu não acredito que você a demitiu em pleno evento. – Ela mereceu.
— E eu amei, Gu. – Sussurra discretamente entre uma foto e outra. Vê-la
feliz, definitivamente me faz ser um homem ainda mais realizado. —
Confesso que esse seu jeito decidido me deixa com um fogo desgraçado, já
podemos ir para casa? – O discurso de Vânia, que eu sequer prestei atenção,
acaba e quando Bia pensa que vamos voltar para o nosso lar, eu a puxo para
lateral do palco onde entregamos o troféu a Alana para que ela guarde. —
Aqui, Gu? – Ela tem esperanças de foder gostoso nos bastidores, eu adoraria,
porém...
— Vou te dar uma surra de pau em casa, matar nosso desejo, mas por
agora, temos uma consulta médica em meia hora, enquanto você estava
retocando a maquiagem, eu marquei com uma doutora de confiança da
família. – Os olhos da minha prenda brilham de tanta expectativa.
— Ah meu Deus. – Segura o vestido longo com a mesma mão em que
segura a pequena bolsa. — Vamos ver nosso bebê? – Confirmo com gestos.
— Então vamos logo. – Bia praticamente corre me puxando. Deus, será que
tenho que lembrar que ela está de saltos altos?
— Você não pode correr o risco de se machucar, Bia. – Para um pouco
e me olha daquele jeito debochado e cheio de humor.
— Eu não vou, estou com você. Tenho certeza que tu não me deixas
cair. – Me dá uma piscadela e sem prévio aviso, eu a carrego. — Gustavo. –
Finge reclamar.
— É cuidado, amor. Apenas cuidado.
***

Depois de caminharmos em plena madrugada pelos corredores do


hospital Aliança, somos encaminhados para a sala da doutora Monique, que
mesmo aparentando ter acordado a pouco tempo para o nosso atendimento,
nos recebe com toda simpatia que eu já conheço bem.
— Ávila, só você para me tirar de casa a uma hora dessa. – Ela olha
para Bia por alguns segundos. — Que futura mamãe linda. – Com gestos,
pede que a gente se sente e me observa. — Depois eu quero saber da Clara,
nunca mais a vi, contudo vejo que os dois estão ansiosos e vamos resolver
esta situação agora.
Durante os cinco primeiros minutos de conversa, ela pergunta sobre a
data da última menstruação da Bianca, qual método contraceptivo já usou,
colhe informações sobre seu tipo sanguíneo, idade, se faz atividade física, se
segue alguma dieta restrita, se usa alguma medicação diária, enfim, toda uma
pesquisa sobre a vida da minha pequenina.
Em seguida, depois de perguntar os primeiros sintomas que a minha
prenda apresentou, pede para que ela troque o vestido por um roupão do
hospital, tarefa que eu faço questão de ajudar, entretanto ela chama uma
assistente e fica me orientando desde já, caso a gravidez seja confirmada.
— O sexo então está liberado? – Ela confirma a minha pergunta um
tanto quanto idiota, pois eu sei que grávidas mantém a vida sexual ativa.
— Na verdade você quer saber sobre a intensidade do ato, não é? –
Rapidamente respondo que sim. — É bom evitar posições que possam causar
acidentes, lugares arriscados, apenas isso. No mais, fiquem à vontade. Sexo
faz muito bem para mulheres grávidas, na verdade elas ficam até mais
sensíveis. – Mais? Será que Bia é capaz de ficar ainda mais sensível ao meu
toque e disposta?
— Voltei. – Mesmo em uma porra de roupão, fica linda.
— Agora sente-se nesta maca, Bia. A enfermeira vai colher algumas
amostras de sangue para que possamos fazer alguns exames. – De prontidão,
levanto-me e ajudo a minha mulher, assim como permaneço ao seu lado
durante todo procedimento. — Bem, como nós ainda não sabemos o tempo
da gravidez e nem temos como saber do resultado do exame de sangue de
imediato, vamos fazer agora a ultrassonografia e caso não seja possível ver o
saco gestacional, iremos recorrer ao teste básico de farmácia, apenas para
termos um diagnóstico ainda hoje. Geralmente a futura mamãe faz o teste
antes de vir para o consultório. – É, mas eu nem pensei sobre isso. — Vou
começar o exame, tudo bem? – Bia me olha quando se acomoda na maca e
segura a minha mão direita bem forte.
— Tudo bem. – Ela parece muito ansiosa, enquanto eu apenas disfarço
o quanto estou. Contudo, eu só aguardo a confirmação, é impossível que o
meu coração tenha se enganado em relação a não sermos apenas dois.
Depois de passar uma leve camada de gel, a doutora liga a tela da
máquina e começa a verificar. Eu definitivamente não entendo nada, mas
como bom observador, vejo quando a doutora abre bem os olhos, parece
medir o que vê, nos olha por alguns segundos, parece que vai falar algo,
permanece olhando para tela e sorri.
— Bia, você me disse que menstruou, não é? – Minha mulher
confirma.
— Sim, apesar de achar o ciclo um pouco menor. – Sem perceber,
aperta ainda mais a minha mão.
— Então, Bia, o que você teve, foi um sangramento, causado pela
acomodação do saco gestacional, contudo – Vira a tela para nós dois e com o
cursor, nos mostra literalmente duas bolinhas. — vocês conseguem ver?
Existem dois sacos gestacionais em você, Bia. – Fico sem palavras,
completamente paralisado, mas eu não estou triste. É uma sensação nova e
muito diferente, não sei como explicar.
— Gêmeos? – Eu preciso perguntar, apenas para ter certeza de que não
estou sonhando. Em contra partida, Bia me olha com os olhos marejados e eu
vejo que preciso falar algo para que ela perceba o quanto eu estou bem.
Porra, na verdade eu estou muito bem e é isso que está me deixando quase
que mudo, nunca imaginei que seria assim, eu ainda nem vi os meus filhos e
eles já chegaram mudando minha vida por completo. — Nosso amor
multiplicou mais um pouco, mulher da minha vida. – Mesmo sendo discreto,
beijo seus lábios e como em uma descarga emocional por me ver muito bem,
Bia deixa a sua emoção fluir.
— T-tem certeza, doutora? – Monique até acha graça de nós dois. — É
que eu já estou imaginando as minhas meninas correndo pelo lindo jardim
que temos na fazenda e no momento eu só consigo ver isso, não pode ser um
engano, pois o meu sonho está lindo. – Duas meninas? Duas miniaturas da
mamãe? É, acho que terei de comprar uma pistola. Mas se realmente forem
duas princesas, eu já sei qual serão os nomes e com certeza Bia vai aprovar.
— Não é sonho, Bia. É a mais pura verdade, vocês vão ser pais de
gêmeos e apesar de terem procurado o médico apenas agora, seus bebês que
ainda não podemos ver o sexo, já tem aproximadamente um mês e meio.
Estou explicando em meses por ser mais fácil, contudo, a gravidez é medida
em semanas. – Então nossos filhos ou filhas foram feitos nas nossas primeiras
vezes ou primeira.
— Uau. – Bia me olha. — Quando fomos na cachoeira e fizemos
dentro da água. – Fica corada por conta da presença da médica, mas
prossegue. — Eu já estava grávida. – Dou-lhe uma piscadela.
— Minha prenda, é certo que o preservativo não aguentou nós dois e
eu acredito que foi quando fizemos pela primeira vez. – Puta merda.
— Gu. – Me passa aquele olhar que com certeza está lembrando do
mesmo que eu. — Ainda estamos na consulta. – Passa a mão pelo colar que
ainda está usando e eu entendo o recado.
— Então. – A doutora nos chama a atenção. — O importante é que
aparentemente está tudo bem com a mamãe e os bebês, mas será necessário o
acompanhamento médico rigoroso, pois estamos tratando de uma gestação
gemelar. – Algo me preocupa.
— Nós moramos a duas horas da cidade, Bia poderá viajar de avião
durante esse período, ou precisamos nos mudar para cá urgentemente? –
Minha prenda demonstra está preocupada.
— Calma. Bia terá um pouco mais de desconforto, carregará mais peso
pois são dois bebês, o parto será um pouco antes do que a gravidez de apenas
um bebê, precisará seguir uma dieta mais rigorosa pois não poderá engordar
muito, descansar bastante, manter a atividade física e sobre as viagens, depois
do sexto mês, vocês já vão precisar estar aqui na cidade. Preparem-se para
morar aqui por pelo menos seis meses, pois depois do nascimento, várias são
as visitas que os bebês farão ao pediatra. – Ficamos entendidos, a consulta
que ultrapassa uma hora e meia, além de ser esclarecedora é discreta pois
com certeza não fomos vistos por curiosos, apenas funcionários do hospital
que precisam manter sigilo por amor ao emprego, pois pacientes não podem
ser filmados ou fotografados.
Depois de nos despedirmos da doutora Monique, que nos acompanhará
em toda a gestação, para o nosso conforto, um carro com o motorista já nos
aguardava e de prontidão vamos para casa.
Capítulo 25

Bianca Lima

Enquanto, através da janela do carro, observo as ruas da


cidade em que estou vindo pela primeira vez, apesar de me encantar com os
prédios altíssimos que eu só via em filmes e novelas, eu constato que é da
calmaria da Ávila que eu amo, contudo, agora que estou esperando dois
bebês, percebo que necessito me acostumar com os dois cenários, afinal de
contas terei que morar aqui por um tempo.
Porém, Gu trabalha na fazenda, será que vamos ficar distantes? O leve
questionamento me deixa emotiva e eu obviamente coloco a culpa nos
hormônios.
— Posso saber o que se passa por seus pensamentos, amor? –Com o
braço direito Gu me abraça ainda mais e com a mão esquerda acaricia a
minha barriguinha que nem sequer deu sinal de uma gravidez, afinal de
contas eu nunca fui barriga chapada.
— Só estou observando o cenário que agora vai fazer parte das nossas
vidas e eu confesso que estou um pouco angustiada com isso. – Mesmo
usando o cinto de segurança, viro-me para ficar um pouco de frente para o
meu amor, mas ao me lembrar da presença do motorista, perco a coragem de
falar.
— Pode falar, minha prenda, com o Silva contamos com total
discrição. – Sinto-me um pouco mais confortável e prossigo:
— Nós vamos morar longe um do outro durante o tempo que eu tiver
que ficar aqui na cidade? – Ele acaricia o meu rosto e quando está prestes a
responder, o atropelo. — Eu vou entender, na Fazenda é o seu trabalho, assim
como o meu, mas eu acho que meu patrão vai me dar uma licença, não é? –
Gu apenas aproxima o seu rosto do meu e me dá um beijo leve, gostoso,
como se estivesse querendo me confortar.
— Claro que não. Na minha ausência, José é o patrão, em hipótese
alguma eu ficarei longe de você, da nossa família. – Eu já tinha certeza que
Gu não era como o pai, entretanto, achei que pelo menos ficaríamos entre
viagens para ele não sumir dos seus compromissos. — Sobre o programa, eu
vou tentar deixar tudo organizado, boa parte pode ser gravado com
antecedência, vai ficar tudo bem para nós. – Sinto-me completamente
confortada com suas palavras.
— Você é um papai maravilhoso. – Em resposta ele apenas me abraça
e sussurra:
— Por vocês, eu serei.
***

Ao chegar na sala, passamos por um enorme espelho e de imediato


paro de caminhar e fico observando nós dois juntinhos, conto a Gu que desde
já estou imaginando quais traços mais fortes de nós dois nossos bebês vão
puxar, entretanto, a minha análise é interrompida por minha barriga que ronca
anunciando a fome.
— Vou fazer um jantar delicioso para vocês três. – Fico boquiaberta
com o pronunciamento. — Não duvide de mim, apenas vamos para cozinha,
em no máximo dez minutos, estaremos saciados, afinal de contas não
jantamos. – Lembro-me que perdemos a festa toda e quando chegamos na
cozinha, comento:
— Eu jurava que hoje nós íamos dançar muito, estava ansiosa por isso.
– Tira o terno, dobra as mangas da camisa branca as deixando estilo manga
três quartos e deixa a gravata borboleta aberta.
— Nós podemos continuar a festa depois de jantarmos. – Lava as mãos
me lembrando que eu tenho que fazer o mesmo, mas antes tiro os saltos altos
e fico arrastando o vestido mais lindo que eu já vesti no chão, por conta do
meu tamanho.
Enquanto Gu seleciona uns ingredientes, higienizo as minhas mãos e
como encontro algumas laranjas decido fazer um suco.
Ora, se eu viver minha vida todinha nesta rotina, eu nem tenho o que
reclamar.
— Eu prefiro sem açúcar, você também? – Antes de Gu responder,
começo a gargalhar. Ele para por um momento de cortar uns tomates por
minha causa e me olha com um ar de interrogação retado. — Amor, eu já sei
muita coisa sobre você, mas achei engraçado não saber se você gosta de suco
sem açúcar enquanto carrego dois bebês seus. – Entendendo o que se passa
por minha cabeça, acaba se divertindo também.
— Sem açúcar. – Me dá um beijo na bochecha. — E isso é bom, ainda
temos muito o que descobrir um do outro, já era a nossa vida monótona. – Me
dá uma piscadela. — Mas acredite, você ainda não sabia disso, apesar de já
morarmos juntos, por conta da Nita. – É verdade, ela comanda a cozinha e
eu, só engordo.
Nos próximos cinco minutos ficamos conversando, descubro várias
particularidades sobre o meu lindo, ele também descobre sobre mim e depois,
segurando uma bandeja com seis sanduiches e uma jarra de suco, vamos para
sala, pois sei lá por qual motivo, tenho vontade de comer sentada no tapete,
entre várias almofadas.
***

Quando já estamos saciados, um pouco descansados, mas igualmente


acordados, provavelmente por conta da adrenalina da descoberta,
aproveitando o local, Gu coloca na TV um musical clássico da diva Etta
James e ao se levantar, já descalço e com a camisa para fora da calça, estende
sua mão para mim, me pegando de surpresa.
— Uau. – Entrego-lhe a minha mão e ele me ajuda a levantar.
— Dança comigo, amor? – Nós começamos a nos balançar no ritmo,
de um lado para o outro.
At last
My love has come along
My lonely days are over
And life is like a song
Enfim
Meu amor chegou
Acabaram meus dias de solidão
E a vida é como uma canção
— Eu amo dançar com você. – Até que Gu me surpreende ao me girar
o corpo, me mantém de costas para ele e envolve a minha barriga com as
duas mãos.
Ohh yeah yeah
At last
The skies above are blue
My heart was wrapped up in clovers
The night I looked at you
Ohh sim sim
Enfim
O céu está azul
Meu coração embrulhado em trevos da sorte
Na noite em que eu olhei pra você

— É a nossa primeira dança em família. – Coloco as minhas mãos por


cima das dele, recosto-me um pouco mais no seu corpo e observando a
cidade em plena madrugada, através da janela da sala que toma toda uma
parede, fecho os olhos apenas querendo o sentir.
I found a dream, that I could speak to
A dream that I can call my own
Eu encontrei um sonho, que eu posso contar
Um sonho que posso chamar de meu

— Eu estou amando dançar a quatro com você. – Volta a me


posicionar de frente para ele. — Nunca mais me esquecerei da letra desta
música, At last.
Ohh yeah yeah
You smile, you smile
Oh and then the spell was cast
And here we are in heaven
For you are mine at last
Ohh sim sim
Você sorriu, você sorriu
Oh, e assim o encanto foi lançado
— Não é para esquecer, minha bravinha. – Me gira a esquerda e inclina
o meu corpo, o seu rosto fica próximo ao meu. — E aqui estamos nós no
paraíso, pois você é minha enfim. – Canta a última frase da música em meu
ouvido, me olha bem nos olhos e ao som da música A Sunday Kind Of Love,
toma os meus lábios.
Ahh Gustavo.
O encaixe das nossas bocas famintas me arrepia por completo. Por
conta da fenda que tem em meu vestido, ele logo encontra a minha coxa,
passa as sua mãos para a minha bunda e apalpando gostoso o meu rabo, me
levanta para que eu fique com as pernas cruzadas em seu quadril.
Como estamos próximos ao sofá, senta-se comigo em seu colo, com
uma perna de cada lado e faminto, me beija daquele jeito voraz que eu sou
apaixonada, contudo, eu tenho outros planos.
Me afasto dos seus lábios viciantes, com cuidado deslizo por seu corpo,
ajoelho-me no chão entre as suas pernas e como em uma tortura para quem já
está com o pau bem duro e latejando de desejo, desabotoo a sua camisa e
deixando-a apenas aberta, distribuo beijos em seu peitoral.
Em seguida, tiro o cinto, deslizo o zíper ainda o torturando e por fim, o
livro da calça com a sua ajuda. Eu amo ver os seus pelos das coxas
completamente arrepiados quando recebe o meu toque e da ansiedade que
tem para me alimentar de outras maneiras, pois quando a minha boca chega
pertinho do seu pau, ele o impulsiona para frente.
Mas, decidida leva-lo a loucura, apenas tiro o meu colar de pérolas,
envolvo o seu pau gostoso dando algumas voltas com o colar e depois vou o
estimulando, fazendo a massagem que o faz fechar os olhos, me chamar e
clamar por mais.
— Tão gostoso, Gu. – Chupo a cabeça passeando a língua ao redor.
— Bianca. – Me olha com intensidade enquanto continuo passando a
língua e chupando. — Eu preciso trepar com você, assim eu não vou
aguentar. – Chupo mais uma vez enquanto ele me chama daquelas coisas que
me deixa ainda mais molhada e em seguida me levanto para o satisfazer.
Mas antes de lhe entregar o que tanto quer, tiro o meu vestido
lentamente o deixando cair aos meus pés, em seguida a micro calcinha que,
para ser bem sincera, não cobre absolutamente nada e sento-me em seu colo
onde sou possuída por Gustavo que me faz cavalgar, até gozar e quase perder
a razão.
***

Dois meses depois

“— Bia. – Sinto uma carícia no meu rosto e mesmo


ainda com sono, vou abrindo os olhos para ver o meu
amor, porém, para a minha surpresa, ao meu lado na
cama, vejo duas bandejas contendo um farto café da
manhã e ao olhar para o quarto, noto que ele está lotado
de rosas vermelhas.
— Amor, que lindo. – Senta-se próximo e como
sempre, me beija me dando o melhor bom dia.
— Você merece muito mais. – Como um novo hábito
desde a descoberta dos bebês, inclina-se e beija a minha
barriga que ainda é bem pequenina. — Minha prenda,
quando viajamos para a cidade por conta do programa, eu
já havia encomendo algo para você. – Fico completamente
curiosa com o seguimento da prosa. — Estou ciente que
muitos vão dizer que o motivo de eu ter tomado tal decisão,
é por conta da gravidez. – Tira uma caixinha aveludada de
cor branca do bolso. — Mas eu já havia decidido te ter em
minha vida por completo, desde que te assumi para o
Brasil e o mundo, eu só precisei aguardar a minha
encomenda ficar pronta, porque essa sim é muito especial.
– Meus olhos ficam marejados. — Ontem no final da tarde,
eu recebi e agora estou aqui um pouco ansioso. – Ele abre
a caixinha aonde contém um anel em ouro branco, cheio de
pedrinhas de diamantes e elas formam uma flor bem no
centro, uma verdadeira perfeição. Mas o que mais me
encanta é a parte interna, aonde tem desenhado um sol,
que com certeza significa o nosso primeiro encontro; uma
nota musical que é para lembrar o dia que dançamos pela
primeira vez; uma casinha, para recordar nossa primeira
noite; uma câmera que marca o dia que nos assumimos e
para completar, o símbolo do infinito.
— G-Gustavo. – Eeu quase não consigo falar
enquanto ele segura a minha mão e beija os meus dedos,
cada toque dos seus lábios em minha pele me enlouquece.
— Você quer se casar comigo, minha prenda? – Viro
uma cachoeira humana de tantas lágrimas que saem dos
meus olhos, mas são de pura felicidade.
— Sim, claro que sim, eu quero passar todos os dias
da minha vida ao seu lado. – Desliza o anel no meu dedo e
sorri emocionado, até parece que acaba de ganhar o
melhor presente. Bem, eu realmente ganhei.”
***

— Bia? – Ouço batidas na porta e reconheço bem a voz, com certeza é


Dilce, mais uma amiga que a vida me deu. — Acho que tenho mais de um
minuto-te chamando. – Sorrio feito boba, pois realmente estava no mundo da
lua.
— O tempo está voando, não é? Outro dia que descobri a gravidez,
agora já estou prestes a me casar. – Percebo que ela fica um pouco pensativa.
— Me desculpe não te responder antes, eu realmente estava envolta de
lembranças maravilhosas. – Se apressa em me dizer que eu não preciso me
preocupar com isso, mas eu noto que ela não está bem. — Por favor, me
conte. O que aconteceu? – Parece ponderar e olha as horas.
— Eu não quero te atrasar. – Trato de a informar que uma prosa de
cinco minutos não irá. — Eu só estou com saudade do meu filho e... – Me
olha por alguns segundos. — Eu queria ver o meu filho feliz, casando com
uma moça linda como você, mas esse sonho meu eu não sei se vou realizar. –
Afasta o olhar de mim e eu toco em sua mão.
— Você vai sim. – Dilce respira fundo.
— Para nós, seres mortais, realizar sonhos é um pouco difícil, mas
você tem um Ávila de verdade ao lado. – Coloca a mão na testa. — Eu quis
dizer que você tem um homem de verdade ao lado. – Observa todo o quarto.
— Mas fique tranquila, Bia. Hoje é o seu dia. – Me conta que os convidados
já chegaram e me pergunta se pode avisar para o pequeno cortejo começar.
Eu imediatamente confirmo e agradeço a gentileza. — Não precisa agradecer,
o que você e Gustavo tem feito por mim e o meu filho, que ainda está
internado, nem tenho como pagar, o que faço por vocês é o mínimo. Eu estou
extremamente feliz por vê-la tão bem. – Ahh, me deixa emocionada.
— Chegarei na sala em dois minutos, só vou me olhar mais uma vez no
espelho. – Ela segue o caminho e eu fico me observando.
No rosto, estou com uma maquiagem suave, os lábios adornados em
um tom de rosa bem natural e os cabelos em um penteado meio preso
deixando alguns fios ondulados caírem até os meus seios.
Apesar de estar com um pouco mais de três meses de gestação, uma
barriga enorme que mais parece que já estou no quarto mês, usando um
vestido longo que destaca os meus seios por conta do decote e transparência,
de cor off White, todo aplicado com belíssimas rendas, pérolas e calçando um
par de peep toes levemente altas com dez centímetros, sinto-me linda,
confortável e encontro-me pronta para o nosso pequeno casamento íntimo
para cem convidados.
A verdade é que mesmo sem a cinturinha que eu amava destacar, nos
meus trajes, eu ainda me acho sexy. Isso só pode ser por culpa do Gustavo
que não cansa de elogiar.
A minha silhueta de mamãe também me faz muito feliz.
***

Se existe céu
Você sempre será
Inesquecível para amar...
Ao contrário dos casamentos tradicionais, por Gu e eu já estarmos
morando juntos e casados, por uma escolha que vai muito além da assinatura
de um contrato, logo no início da pequena cerimônia, ao som de Inesquecível
de Sandy e Junior, sob os olhares atentos de queridos convidados, entramos
juntos, de mãos dadas pela sala que está lindamente ornamentada com lírios
de cor branca e rosas no tom rosa bebê.
Como nós dois não frequentamos nenhuma igreja, para o nosso dia
mais que especial, escolhemos Zé como celebrante, pois ele é como o nosso
pai. As nossas mães, Clara e Ana, vestidas com um vestido de cor azul bebê,
estão cada uma de um lado e tia Dora, Nita e Alana, usando o tom rosa bebê
ficam próximas e atrás de nós, formando discretamente uma meia lua.
Gu e eu, desta forma, permanecemos no centro deles, pessoas que
verdadeiramente nos amam em qualquer circunstância e torcem pela nossa
felicidade.
As palavras de amor proferidas por Zé em um discurso pequeno de um
pouco mais de dez minutos aproximadamente, aquecem ainda mais os nossos
corações apaixonados, rendidos um ao outro e que transborda amor.
Sem nenhum ensaio rigoroso a ser seguido, minha mãezinha que está
muito feliz por agora também ter a sua família ao lado de Sacramento e
minha irmã de quatro aninhos do coração, não deixa de nos desejar um
casamento feliz e faz questão de enfatizar o quanto nos ama.
Quando estamos prontos para declarar os nossos votos e receber a
aliança, acabamos sendo pegos de surpresa pela Sra. Clara Ávila que mesmo
sendo um pouco tímida, nos últimos dois meses que tem estado conosco na
fazenda, a cada dia se mostra uma mãe maravilhosa e próxima do seu filho.
Ela nos encanta com suas palavras de amor e finalmente é chegado o nosso
momento.
My first, my last, my everything.
You're the answer to all my dreams.
You're my sun, my moon, my guiding star.
My kind of wonderful, that's what you are
Minha primeira, minha última, minha tudo.
Você é a resposta de todos os meus sonhos
Você é o meu sol, minha lua, minha estrela guia.
Minha maravilha, é isso que você é.

O som instrumental do piano de calda, nos embala com a música


You're The First, The Last, My Everything de Barry White, tocada em um
ritmo mais lento. No mesmo instante a Paloma, filha de Sacramento,
lindamente vestida parecendo uma princesa, se aproxima segurando as
alianças em uma cestinha cheia de flores e adornadas com pérolas.
Primeiro, Gu recolhe a minha aliança e segurando a minha mão,
começa a se declarar para mim.
— O que dizer para a mulher que literalmente chegou em minha vida
me mostrando um novo sabor? Bia, para muitos eu era visto como um
homem incapaz de amar e que só queria diversão, quando na verdade eu não
estava conformado em viver com pouco e de forma superficial. Quando em
alguns momentos antes de te conhecer eu pensava no futuro, a minha vida
parecia ser tão vazia que a única coisa que preenchia o meu coração era
trabalhar e fazer o melhor para o meu povo. Bem, eu continuo gostando
demais de executar esta tarefa diariamente, mas o que eu realmente amo, é
voltar para casa e ver você. – Abaixa as vistas e toca em minha barriga com
muito carinho. — Vocês. – Pegando-me de surpresa Gu inclina-se, beija a
minha barriga e começa a conversar com os nossos filhos. — Quando vocês
nascerem e conhecerem ainda mais a mamãe, vão entender o que digo, a mãe
de vocês é espetacular, é a mulher que faz eu me apaixonar por ela todos os
dias. Ela tem fé em mim, vê sempre o meu melhor e está comigo dia após dia
para me incentivar e me ensinar a ser um bom pai. Bem, eu amo vocês e
quero muito ter vocês em meus braços. – Volta a olhar para mim. — Eu
prometo ser fiel e você sabe, nos meus olhos, pensamento, corpo e alma só
existe você. Prometo estar contigo em todas as circunstâncias e eu
verdadeiramente tenho fé que esta vida continue em alguma outra dimensão,
porque só essa, parece muito pouco, eu ainda quero estar contigo por muito
mais tempo, pois o que temos, vai além do que os olhos podem ver. Eu te
amo minha esposa.
Sem condições de me manter distante, depois que ele coloca a aliança
junto com o anel de noivado que já está do lado esquerdo, dou um passo em
sua direção.
É chegada a minha vez de segurar a sua aliança e mesmo estando muito
emocionada, focando apenas em nós dois e olhando em seus lindos olhos,
declaro os meus votos:
— Eu não imaginava que quando eu coloquei os meus pés aqui na
Ávila a minha vida ia mudar tanto. Naquele momento, apesar de sorrir por
fora, meu coração estava entristecido por demais e logo eu te conheci.
Quando pela primeira vez ficamos a sós e vislumbramos aquele lindo pôr do
sol, eu fui mergulhando na imensidão que você é e mesmo sem admitir, eu
comecei a me apaixonar. Eu tentei fugir, contudo eu só pensava em você.
Sendo assim, foi impossível não o querer do meu lado para sempre. Com
você eu me sinto amada, cuidada e aquele vazio que eu tinha de ainda não ter
um amor para eu chamar de meu, passou. Eu quero estar contigo quando o
seu rosto mudar, os seus cabelos que eu amo acariciar ficarem branquinhos e
eu concordo com você meu amor, preciso que exista um plano novo para nós
dois, pois é certo que o nosso encontro é de almas. – Respiro fundo. — Eu
prometo ser fiel, estar contigo em todos os momentos, até o algo a mais que
eu tenho fé que o destino vai nos proporcionar. Eu te amo, meu esposo.
Depois que eu coloco a sua aliança, Gu acaricia o meu rosto, em
seguida alcança a minha nuca me deixando ansiosa por seus lábios, mas
como Zé ainda não disse a frase famosa para liberar o nosso momento, nós
dois o olhamos enquanto ele parece se divertir.
— Eu não posso negar que ainda sinto um leve prazer em empatar
vocês. – Diverte a todos os convidados, assim como a nós dois. — Mas, eu
agora também me sinto feliz por os abençoar e... – Ai, eu respiro fundo quase
enlouquecendo de tanto desejo. — Meu filho. – Chama a atenção de Gu. —
Agora já pode beijar a sua esposa.
De olhos fechados, sendo testemunhados por amigos super
selecionados, Gustavo une os lábios aos meus e buscando um encaixe ainda
mais intenso, intercalamos entre a direita e esquerda provando do sabor
maravilhoso que só a nossa mistura faz.
Aquecendo os nossos corpos que buscam um no outro ainda mais
prazer, ouvimos aplausos que nos trazem para realidade, sendo assim, nos
afastamos e como combinado anteriormente vamos até o jardim da mansão
aonde ao lado e ao ar livre será a nossa recepção.
Ao som dos mesmos cantores que estavam no programa de TV que Gu
me assumiu perante a todos, de um jeito mais acústico, na voz e violão,
dançamos, brindamos o nosso amor, até que a equipe do buffet contratado
vem trazendo o nosso bolo tão aguardado.
Na verdade, ele é mais especial do que todos o que já vi, pois além de
toda beleza singela dos seus três andares contornados de rosas brancas
comestíveis e perolas lindíssimas, nós sabemos que quando o partimos,
vamos descobrir se vamos ter um casal, meninos lindos como o Gustavo ou
princesinhas. Bem, o meu coração já afirmou para mim, contudo, ainda assim
fico completamente curiosa.
Sob os olhos de todos, Gu e eu seguramos a espátula e assim que
cortamos, a cor rosa é revelada e eu já até ouço gritinhos pela casa, bonecas
lindas, fantasias de princesas para todos os lados e muitos unicórnios.
— Vamos ter duas princesas, meu amor. – Viro-me para o meu esposo
que logo me abraça e parece emocionado com a descoberta.
— E eu já tenho a sugestão para o nome das duas. – Uau, que papai
rápido. Mas a verdade é que eu também já pensei nos nomes, contudo eu
deixo que ele prossiga. — Maria e Julia, como a sua mãe, minha prenda. –
Pronto, mais uma vez fica difícil controlar a emoção até por quê...
— Eu tinha pensado nesses mesmos nomes e para as duas eu já tenho
até os apelidos. – Ansioso, me pede para contar. — Maricota e Jujuba. – Ele
gargalha.
— Acho que essas duas vão aprontar muito. – Minha barriga dá uma
roncadinha que eu espero que ninguém tenha ouvido.
— E vão sentir muita fome, pois eu já estou...
Capítulo 26

Meses depois

— Eita, eita, eita, como você parece cansada, minha


menina. – Nita sem querer piora a minha situação com Gu que me passa um
olhar de reprovação por eu ainda estar trabalhando prestes a fazer sete meses
de gestação.
No caminho para casa, ele e eu já discutimos por causa do assunto e
por hora, o tema havia se encerrado.
— Acabamos de conversar sobre isso. – Ai Deus.
— Gu, Nita, vocês têm razão, eu realmente estou esgotada. – Nem
tenho como negar. — Mas é até amanhã, na aula especial que começa mais
cedo por sinal, é só mais um dia. – Lavo as minhas mãos e quando volto para
mesa, Gu puxa uma cadeira para que eu me sente.
— Ainda bem, ou eu teria que te levar carregada até a cidade. Depois
de amanhã é o prazo máximo que a doutora nos deu para você viajar em
segurança. – Sem nem me perguntar se estou faminta, meu lindo começa a
me servir com um maravilhoso grelhado de salmão, muita salada e uma
pequena porção de arroz sete grãos. Pelo menos todo o esforço está sendo
super válido, pois engordei apenas o mínimo saudável.
— Não será necessário amor, eu juro. – O lembro que as nossas
pequenas malas já estão prontas e que todo enxoval das meninas e quartos já
estão montados. — Eu também prezo pela nossa saúde. – Repouso a mão na
minha barriga. — E estou realmente precisando relaxar e curtir este barrigão
ao seu lado, pois em breve ele vai sumir. – Enquanto mastigo um pouco da
minha refeição, Gu acaricia a minha barriga e a impressão que eu tenho é que
as meninas sentem cócegas, pois se movem de um lado para o outro quando
escutam a voz dele.
— Seus alunos vão sentir saudades e ainda bem que eu viajarei com
vocês, essa fazenda vai perder a graça por demais. – Nita nem esconde o
quanto está feliz por nos acompanhar.
E sobre meus queridos alunos, eu também sentirei falta deles, pois
nesses meses que se passaram, acompanhar a evolução de cada um foi
maravilhoso, fora que não tem preço testemunhar o sorriso no rosto que fica
estampado quando eles assinam os seus nomes pela primeira vez.
Ainda lembrando da minha classe, recordo-me de alguns momentos em
particular de hoje à noite e sem aguentar guardar as suspeitas só para mim, eu
decido comentar.
— Hoje na aula eu percebi que os alunos estavam um pouco mais
agitados e várias vezes eu os vi cochichando sobre alguma coisa que eu não
faço ideia do que seja, será que estão preparando alguma surpresa? – A
curiosidade me corrói.
— Eu não duvido. Eles te amam, minha prenda. – Gu me dá uma
piscadela. — Mais que a mim. – Como sempre se esbalda quando quer no seu
bom humor.
— Eu também os amo. – Gu volta a me olhar e parece conter uma
risada.
— Mais que a mim? – Como estamos próximos, dou-lhe um belo tapa
de leve e voltamos a comer.
***

Apenas por ser o dia da despedida da fazenda que eu tanto amo, entre
alguns afazeres o tempo simplesmente voa e as dezessete horas, horário
especial para a aula do dia, chega. É o momento de dizer um “até logo”, pois
levarei meses sem ver os alunos.
Um tanto quanto emotiva, de carona com Zê que tem se mostrado
desde já ser um maravilhoso avô, chego na escola que me emociona desde
que eu pensei na sua existência e como sempre, sou recebida por minha
mãezinha que já vive com Sacramento e a sua princesa.
— O coração da minha menina está bem, não é? Pois eu tenho para
mim que os alunos estão preparando algo, eu os vi de conversinha pelos
quatro cantos da escola desde ontem. – Me dá o braço e sendo assim,
caminhamos juntas.
— Ele está aqui batendo a todo vapor. Feliz, porque viajar para a
cidade significa que está perto do momento em que eu verei as minhas
princesas, porém não posso negar que desde já estou sofrendo de tanta
saudade. – Adentramos a área em comum e após acenar para alguns alunos
vamos para a sala dos professores. Lugar que Gu e eu já inauguramos em
uma certa noite depois de uma aula.
“— Hoje quem vai te dar uma lição, sou eu. – Com
cuidado me coloca sentada na mesa feita de madeira
maciça que é muito forte e não corre o risco de quebrar.
— O que eu fiz de errado, professor? – Abre minhas
pernas, encaixa-se entre elas e começa a acariciar me
deixando ainda mais molhadinha.
— Fica me tentando a cada aula, rebolando este rabo
gostoso na minha frente, vez ou outra morde e lubrifica os
lábios e me deixa o tempo todo de pau duro. Vai ter que me
saciar, Bianca. – Afasta a minha calcinha e com o olhar
penetrante fica presenciando a minha rendição ainda nos
seus dedos.
— Mesmo com essa barriga enorme, professor? – Me
beija de forma voraz enquanto soca em mim com dois
dedos.
— Ficou ainda mais gostosa carregando nossas
bebês...”
— Bia? – Dilce me tira dos meus devaneios enquanto deslizo os meus
dedos na mesa que, por sorte, é só um objeto e não pode falar.
—Por um momento fiquei perdida nas lembranças boas deste lugar. –
Recebo um abraço e ela balança uma sacolinha na minha frente.
—Espero que você goste, é simples, mas é de coração. – De imediato
abro a embalagem e fico encantada com os dois gorrinhos de cor rosa feitos
de crochê.
— Que lindo, muito obrigada. – As peças são tão perfeitas que na
verdade eu já acho que serão daquelas que guardarei quando não forem mais
uteis e mostrarei as minhas princesas quando estiverem maiorzinhas. A
delicadeza dos gorrinhos me encanta. — Tenho certeza que a Jujuba e a
Maricota ficarão ainda mais lindas ao usarem o seu presente. – É, eu já
imagino que serão lindas como o pai. – Verifico o relógio e vejo que está na
minha hora e sendo assim, vou para a aula.
***

“Surpresa pró Bia!!! Nós te amamos.”

Enquanto transbordo emoção e sequer consigo falar, constato que


como eu já desconfiava, os alunos prepararam uma festinha de “até logo”
linda, com direito a bolas de assoprar na cor rosa enfeitando toda a sala, bolo
amarelinho com o formato de um vestidinho de menina, pasteis, pão delícia,
pão de queijo, fora os docinhos tentadores como o beijinho e brigadeiro.
— Nós vamos ficar com sardade, pró. – Olho para Gabriela, uma
jovem de trinta anos que parecendo até uma criança, cobre o rosto. —
SaUdade. – Logo ela mesma se corrige e capricha na entonação da letra U,
me enchendo de orgulho.
— E-eu também vou sentir muito a falta de tudo isso aqui. Esses
últimos meses convivendo com vocês, foi maravilhoso, sem exceção, eu os
considero como família. – Sem mais prosa, rapidamente me sevem com as
tentações que eu deveria evitar e entre uma mordida e outra, mais surpresas
acontecem.
Para a minha alegria, recebo várias cartinhas escritas por eles, muitas
com uma ou duas frases, as letras ainda precisando de um capricho maior,
fato que me faz lembrar que tenho que solicitar novas cartilhas de caligrafia,
mas o conteúdo com certeza irei guardar para sempre, como lembrança da
minha primeira turma.
Passado o momento de mais emoção em que converso com eles
falando desde já porque não poderei retornar muito rápido, percebo que
mesmo depois da surpresa os cochichos continuam, mas não são fofoquinhas
paralelas normais em uma turma, se trata com certeza de algo que me
envolve, pois vez ou outra algumas mulheres me olham e parecem
entristecidas.
Já os homens, nem parecem perceber o que está acontecendo ao redor e
só comem.
Movida pela curiosidade, levanto-me para me aproximar do grupo e
finalmente perguntar o que está acontecendo, mas quando eu me aproximo,
elas vão congelando.
— Olha a pró. – Tentam disfarçar e uma aluna que estava de costas
para mim, quando se vira, perde a cor.
— Tem alguma coisa acontecendo que eu preciso saber? – Não deixo
que elas respondam e prossigo. — Vocês sabem, eu sou muito observadora e
desde ontem que noto uma certa movimentação muito suspeita e eu sei que é
algo comigo. – Eu vejo o desespero as acometendo.
— Não é nada, não esquente a muringa. – Algumas delas concordam,
contudo, apenas Janice se mantém imóvel e puxa um pequeno envelope de
cor parda da mão de outra colega.
— Se eu fosse a pró, ia querer saber. – Do que? — Aqui. – Me entrega
o envelope e impaciente, eu o abro e vejo a foto de um casal montando, cada
um em seu cavalo, parecendo felizes.
E logo eu sorrio com o que vejo.
— É a minha mãe, eu acho que nesta época eu nem tinha nascido. –
Mas eu gosto de vê-la, tão linda e parecendo estar muito feliz.
— Nós sabemos que é ela, no dia do seu casório que teve uma festa à
parte para nós, passou no telão para a gente uma foto dela naquele vídeo que
a senhora e o patrãozinho gravaram para exibirem na festa. – Nossa, elas têm
uma ótima memória fotográfica.
— Aonde vocês encontraram esta foto? – Uma delas me diz que achou
o envelope na noite anterior antes da aula começar na área em comum, em
uma das cadeiras. — Eu vou perguntar a minha mãezinha se foi ela que
esqueceu por lá. – Mas ainda assim, eu não faço ideia do porquê as alunas
estarem me escondendo a foto. — Algo mais que eu precise saber sobre
como vocês encontraram o envelope? – Negam rapidamente e reafirmam a
história anterior, então eu peço licença para ir ver a minha tia.
— Mas a pró sabe quem é o moço? – Quando eu volto a prestar a
atenção no rapaz que eu acabei ignorando, um frio até percorre o meu corpo,
de tal forma que eu acabo me sentando na cadeira que está próxima.
— É o Sr. Ávila? – Janice se abaixa ao meu lado.
— Sim, essa foto deve ter uns vinte e dois anos, eu ainda era uma moça
na época. – Mas porque a minha mãe está acompanhada do meu sogro? — E
tem mais uma coisa pró. – Pega a fotografia e segura por um tempo. — Na
verdade, eu acho que é melhor a senhora ligar para o patrãozinho. – Meu
Deus, que aflição.
— Janice, por favor, me diga, o que está acontecendo? Eu já estou em
choque aqui. E-eu não imaginava que a minha mãe conhecia o pai do meu
esposo e... – Ela segura a minha mão, aparentemente fica bastante
preocupada e ainda assim, vira a fotografia e nela existe uma anotação.
“Eu e você para sempre”
Fora a data, um ano anterior ao meu nascimento.
Eu já não sei o que pensar, não quero entrar em desespero, nem me
permitir a viajar em possibilidades que possam me afetar juntamente com as
minhas filhas.
— A gente tá achando que a senhora e o patrãozinho, são irmãos. –
Movida por uma força que eu nem sei de onde vem, levanto-me segurando a
imagem.
— Não, não é possível. – Janice, muito preocupada, me ampara e sem
nem olhar para trás, apenas pego a minha bolsa e banhada em lágrimas que
traduzem o desespero que estou vivendo, caminho até a sala dos professores e
para a minha surpresa, quando eu a abro, encontro minha mãezinha e
Gustavo.
— Bia, o que foi? – Ana toma um susto tão grande que deixa um copo
de água cair ao chão.
— Bianca. – Gustavo assustado corre em minha direção, me carrega e
leva-me até a o pequeno sofá para duas pessoas. — Minha prenda, você está
sentindo alguma coisa? – Sinto uma dor que vem da alma, como se estivesse
sendo rasgada ao meio.
— O-olha isso. – Com medo de perder meu marido, sentada em seu
colo eu o abraço tão forte que provavelmente o tecido da camisa até aperta a
sua pele. — Como você sabe, ela é a minha mãe e olha o que tem escrito no
verso da foto. – Gu olha a imagem, acaricia as minhas costas tentando me
acalmar, tia Ana, apesar de tentar se mostrar calma, com as mãos trêmulas
olha a fotografia e sem ação, senta-se em uma cadeira próxima a nós dois.
— Meu Deus. – Olho para ela na esperança de ouvir alguma
explicação.
— Mãe, as alunas estão achando que Gustavo e eu somos... – A palavra
“irmãos” fica presa em minha garganta e quase enlouqueço ao mesmo tempo
que tento me controlar por conta das princesas.
Elas não deveriam sentir o que eu estou sentindo.
Eu não estou conseguindo as proteger da sensação de medo.
Mas eu tenho muito medo, muito.
— Ana, por favor nos diga algo em relação a esta foto, quem é o pai da
minha esposa? – E se fomos irmãos? Nós nos amamos, casamos, e vamos ter
duas filhas.
— Eu não me lembro a data certa, mas a MaJu viajou, parecia
enamorada por algum homem e pouco tempo depois que voltou, nos contou
que estava grávida, porém, sempre afirmava que você era apenas dela, ela
não nos contou quem era o pai, disse que nem sabia, mas a gente desconfiava
que ela tinha medo dele descobrir e te levar... E agora olhando esta foto...
— NÃO pode ser. – Tento levantar, mas Gu me segura. — Não pode
ser. – Toco em seu rosto que eu tanto amo acariciar e passei os últimos meses
tentando descobrir quais traços as nossas filhas vão ter.
— Bia. – Gu segura o meu rosto com as duas mãos. — Por favor meu
amor, fique calma. – Como? Meu corpo todo treme quase como um ataque de
pânico. — Nós não somos irmãos, eu sinto que não somos, eu não consigo
pensar em outra possibilidade. – Começa a me aninhar na intenção de me
acalmar, mas nada parece adiantar.
— E-eu não posso viver sem você, sem a nossa família, eu prefiro,
prefiro... – Me silencia com um beijo, que ainda que tranquilo, me acalma um
pouco.
— Não se desespere, por favor. – Encosta a sua testa na minha, em
seguida a acomoda em seu ombro e continua me acariciando enquanto pede a
sogra para ligar para a Dra. Monique. — Isso é só um pesadelo, minha
prenda, nós não somos irmãos. – Aos poucos eu vou acalmando apenas o
meu corpo, mas a tristeza que eu sinto é tanta que o meu chão parece sair
debaixo de mim e minha alma definitivamente está dilacerada.
— E-e se for verdade? – A minha voz sai baixinho e no mesmo
instante sinto uma dorzinha que me paralisa e eu aperto Gustavo.
— Bianca? – Gu acaricia a minha barriga bem devagarinho. — O que
você sentiu? – Eu fico verdadeiramente com medo até de respirar e prejudicar
nossas filhas.
— Acho que foi uma contração. – Minha mãezinha até se levanta da
cadeira e pelo o que vejo, conta para a médica o que acaba de acontecer.
— Vai passar, amor. Nossas filhas ainda precisam ficar mais tempo
guardadinhas.
Após o final da ligação, aonde a doutora nos tranquiliza que
provavelmente eu tive uma contração de treinamento, pede que eu me acalme
tomando um pouco chá de camomila e libera que a gente viaje como
programado. Contudo, quer que assim que a gente chegue na cidade, vá para
o hospital.
Sem tempo e cabeça para mais nada, uma hora e meia depois do susto,
levantamos voo, mas dessa vez viajamos acompanhados por Nita que já
estava certa que viajaria conosco, minha mãezinha que não consegue me
deixar e alega que eu precisarei do seu colo. Zé também nos acompanha,
provavelmente para dar suporte ao meu amor, pois eu sei que ele mesmo se
mostrando forte, está aos cacos por dentro.
Na cidade, a minha sogra que ainda não sabe o que está acontecendo,
nos espera no nosso apartamento.
— Promete que em qualquer circunstância, você não vai sair do meu
lado, da minha vida? – Fecho os olhos quando me aconchego no seu peitoral
que todas as noites eu durmo abraçada.
— Eu estarei contigo em todos momentos, minha menina de um metro
e meio. – Beija a minha cabeça eu o olho e nossos olhares se encontram. —
Eu te amo minha prenda. – Mesmo sentindo muito medo, escolho no
momento esquecer as possibilidades e encosto os meus lábios nos seus.
— Eu também te amo. – Sussurro antes de o abraçar, fechar os olhos e
seguir no efeito do chá.

Gustavo Ávila

Eu tenho que ser forte, na verdade eu preciso, pois eu não posso deixar
a minha esposa ainda mais nervosa por conta das dúvidas que estão nos
cercando. Contudo, assim que Bia adormece, chamo minha sogra para que
ela fique no meu lugar, a cubro com uma manta para que se aqueça e depois
de me certificar de que ela está segura, vou até a cabine privativa que Bia e
eu usamos muito na nossa lua de mel.
Apesar de acreditar em Deus, eu nunca fui muito religioso, mas até
mesmo sem perceber, eu me pego fazendo uma prece, pois eu no momento
preciso de uma intervenção divina para não entrar em colapso, pois se a porra
da suspeita se confirmar, eu nem sei como lidar. Apenas estou certo de que
longe da minha esposa eu não ficarei.
— Ávila. – José vem me fazer companhia e senta-se ao meu lado na
cama. — Seja forte, meu filho e não sofra por antecipação. MaJu, assim
como o seu pai, tiveram vários parceiros sexuais, vocês não serão irmãos, eu
creio. – Viro-me para o homem que verdadeiramente fez parte de toda a
minha criação.
— Quando nós viajamos para a Europa na lua de mel, eu fiz questão de
declarar meu amor por Bianca em todas as partes que passamos, combinamos
de fazer isso e ela toda romântica e sonhadora, dizia no momento que nós
precisávamos deixar dicas para as nossas próximas vidas. Em Roma, na ponte
Milvio, deixamos um cadeado com o nosso nome gravado e uma dica atrás. –
Zé não precisa saber, mas escrevemos. “Café com sal é a receita do amor”. —
Ainda na Itália, na Casa de Julieta, deixamos outro cadeado com o nosso
nome e os nomes das nossas filhas, na Alemanha, na Ponte de Hohenzollern,
mais um outro, sendo que atrás colocamos o nome Pegy e assim, seguimos a
cada destino deixando a nossa marca, com sede e vontade de viver a bênção
de ter encontrado um ao outro de uma maneira bastante intensa e agora, uma
porra dessa acontece. – Zé me abraça um pouco de lado.
—Não pode ser o que estamos pensando, o destino não pode acabar
com tudo. – Só que pode, eu já testemunhei várias merdas acontecendo.
— Eu não vou me separar da minha mulher, da nossa família. – Eu
tenho a consciência de que estou pensando em algo humanamente falando,
terrível. Mas, ainda assim, viver longe da minha doce Bianca e filhas está
fora de cogitação.
— Se acalme, meu filho. – Olha para o relógio rapidamente. — Em
menos de uma hora estaremos no hospital, as amostras de sangue serão
colhidas e em alguns dias o resultado do exame de DNA sairá. – O assunto
me faz lembrar que o tipo sanguíneo de nós dois é o mesmo, o O positivo e a
recordação me deixa ainda mais aflito.
— Eu estou tentando, mas ver uma foto em que meu pai, um homem
que vivia sem regras, sem respeitar o casamento está ao lado da mãe da
Bianca que vivia livremente pela vida até antes de casar, não está ajudando,
muito menos por conta da declaração na parte de trás da foto e a data. Bate
com a data do nascimento da minha prenda. – José acaricia a barba por fazer
e fica pensativo, com certeza muito abalado assim como eu só por pensar na
possibilidade.
Sem ter palavras o suficiente para me consolar, permanecemos quietos
até que escuto Bia me chamando e rapidamente vou ao seu encontro, porém,
ao chegar ao seu lado, constato que ela está acordando de uma porra de um
pesadelo.
— Gu. – O desespero dela é tanto que ao me abraçar já começa a
chorar.
— Eu estou aqui. – Ficamos abraçados nos minutos restantes da
viagem. Ao seu lado eu sou forte e por conta disso, permaneço firme secando
suas lágrimas que vez ou outro molham o seu rosto lindo, até que pousamos.
No caminho para o hospital, percebo que Bia entra em um estado de
choque e praticamente fica paralisada.
Ao chegarmos no consultório, por conta das suspeitas, até a Dra.
Monique que sempre foi muito calma, fica ligeiramente abalada e solicita
exames urgentes.
Com medo das reações que Bia pode ter, ou sofrer um ataque de
pânico, decide interná-la pelo menos por uma noite, para que possa a
observar melhor.
***

Quando minha esposa linda dorme, por volta do meado da madrugada,


durante o momento que já estamos sozinhos no quarto, ouço batidas discretas
na porta e quando eu a abro, dou de cara com a minha mãe que parece estar
um pouco abalada, provavelmente Ana e Zé contaram o que aconteceu.
— Como está a minha nora? E as minhas netinhas? – Ainda que
sussurrando, ela demonstra bastante preocupação e eu informo que Bia está
bem, apesar de tudo, assim como as meninas que estão no momento sendo
monitoradas por um aparelho que está sobreposto em sua barriga. — E-eu
fiquei sabendo de tudo o que houve e tenho que conversar com você, meu
filho. – Olha para Bia. – Com os dois, eu preciso contar algo que os acalmará.
– Ela parece um pouco nervosa e pensativa. O que está acontecendo aqui? —
Acorde a sua esposa, é por uma boa causa. Me obedeça por favor, o que
preciso contar não é fácil.
Capítulo 27

— Mãe, Bia passou as últimas quatro horas chorando, com o corpo


trêmulo, sem conseguir controlar o medo que ronda os seus pensamentos, ao
mesmo tempo que se sente até mesmo culpada por estar passando uma alta
dose de ansiedade para as nossas filhas. Como eu vou acordá-la agora? –
Olho para o rosto da minha amada que ainda está um pouco vermelho.
— Eu te entendo e eu amo ver o quanto cuidadoso você é com Bianca.
– Não conseguiria ser diferente. — Você me lembra tanto o seu pai. – Ela
detém toda a minha atenção, pois eu jamais lembraria um homem que nem
com a família ficava e que não conseguia manter o pau assossegado em
respeito ao seu casamento.
— A senhora sabe que não, nós somos o oposto um do outro. – Com
gestos, me chama para que eu me sente em uma poltrona e senta-se em um
sofá de frente para mim.
— Estou falando do seu verdadeiro pai. – Eu poderia ficar chateado,
inconformado, ou querer acusar a minha mãe pelos seus atos do passado, mas
eu apenas sinto alívio. Primeiro, por saber que Bianca e eu não somos irmãos
e por não ter tido um pai tão sacana. Fico verdadeiramente tentado a acordar
minha esposa, mas por saber que ela está bem e precisa repousar por conta
das últimas horas, permaneço sentado, esperando mais detalhes sobre a
minha história. — Eu prometi a mim mesma que jamais te contaria isso,
ninguém sabe o que aconteceu comigo e como eu acabei engravidando de
você, eu tinha medo de ser julgada. – Fica emocionada e as lágrimas molham
o seu rosto, de prontidão, vou para o seu lado e a consolo.
— A senhora é humana e foi casada com um homem que jamais a
respeitou. – Ainda parecendo envergonhada, prossegue:
— A nossa família Ávila, na Espanha, sempre foi e é dona de muitas
posses, o seu avô era dono da maior plantação de oliveiras do país, porém
como era muito ambicioso, quis estender os seus negócios para outros países
e foi assim que conhecemos os Oliveira. Naquela época, as terras da família
do homem que eu fui obrigada a casar, estavam em baixa, o meu pai viu uma
grande oportunidade, investiu e como em um contrato, o Sr. Oliveira casou o
seu filho comigo, eu fui colocada neste casamento apenas para ser os olhos
do meu pai aqui no Brasil. O dinheiro era nosso e mesmo em uma época em
que um homem não usava o nome da esposa, ele usou depois de mexermos os
pauzinhos para que isso fosse possível. O nome Oliveira estava desgastado
no mercado brasileiro, e o meu pai, jamais arriscaria em investir em uma terra
que carregasse este nome e foi assim que o império Ávila passou a existir
aqui.
Nos minutos seguintes, ela me conta que mesmo sendo um casamento
de negócios, chegou a se apaixonar pelo esposo que era um verdadeiro
amante na cama e a enlouquecia por proporcionar tanto prazer e por saber
falar as palavras certas que a iludiam.
— Eu te entendo, mãe. – Mesmo assim ela ainda parece bastante
envergonhada.
— Ele me jurava amor, quando voltava de alguma viagem era sempre
me presenteando com algo que, mesmo sendo simples, ganhava o meu
coração, contudo, aos poucos a verdade foi aparecendo. – Suspira e
prossegue com o relato. — Encontrei peças íntimas de mulheres em sua mala,
bilhetes e como celular ainda não existia, as amantes começaram a ligar para
a nossa casa e assim eu fui colecionando lágrimas, tristeza, comecei a ser
rejeitada, meu psicológico cada vez mais abalado, fiquei louca para voltar a
Espanha e em meio a esse caos todo, conheci o seu pai.
Ela me conta que ele era um homem gentil, apesar de ser amigo do
meu pai se mostrava ser completamente diferente, quando estava por perto
sempre foi cuidadoso com ela, como o meu pai viajava demais a negócios e
também para viver a sua vida libertina foram se aproximando, até que se
envolveram.
Nesse momento a sua emoção demonstrada não é de arrependimento e
sim de saudade.
— Vocês se apaixonaram de verdade. – Ela confirma.
— O meu esposo já estava fora de casa há mais de quarenta e cinco
dias. José, mesmo ainda sendo muito jovem tocava aquela fazenda, enquanto
o Miguel, o seu pai e eu estávamos indo além de uma simples paixão. Nós
fizemos planos, estava pronta para contrariar a todos, me divorciar e ser feliz,
mas infelizmente o helicóptero que o meu verdadeiro amor estava caiu e o
levou de mim, eu perdi a vontade de viver. – Olha para mim. — Aí eu
descobri que estava grávida e voltei a viver. Te ver nascer foi o meu melhor
presente, para o meu esposo que nem sequer te olhava direito, foi fácil dizer
que você era prematuro e assim eu fui seguindo a vida. Contudo, eu sempre
tive depressão, é uma doença e por mais que eu tenha meus momentos de
alegria, até hoje, vez ou outra, sinto-me triste. – Eu sei. — Me perdoe por não
ter te contado antes, eu sabia que o momento ia chegar pois não existe
mentira que fique encoberta, eu só não fazia ideia de que seria desta forma. –
Olha para Bia. — Se eu prejudicar as minhas netas, eu nunca vou me perdoar.
– Seguro em sua mão.
— Não vai, as meninas são como a mamãe, fortes e elas três juntas, são
capazes de superar qualquer obstáculo.
Passamos os próximos minutos conversando, ainda curiosos para saber
como a mãe da Bia conheceu o homem que poderá ser o seu pai e eu divido
com a Sra. Ávila a minha maior preocupação no momento.
Primeiro, até hoje os investigadores particulares e a polícia não sabem
como o desgraçado do padrasto da Bia entrou na fazenda sem ser visto e
segundo, como a tal foto foi aparecer na escola?
Enquanto eu não descobrir, não me sentirei seguro no meu lugar
preferido do mundo.

Bianca Ávila
“Enquanto os meus colegas da faculdade fazem
milhares de fotos na ponte Milvio, que fica em Roma,
curiosa que sou, fico olhando os milhares de cadeados
espalhados e alguns me chamam bastante atenção.
— Café com sal é a receita do amor. – Meu Deus, de
onde tiraram isso? – Viro o lado e vejo os nomes Gustavo e
Bianca. Eu definitivamente divirto-me com a criatividade
do casal que provavelmente nem deve existir mais por
conta da data e como a apaixonada da época tem o meu
mesmo nome, resolvo fotografar a peça dos dois lados.
— Bia, vamos? Dio santo, menina, não podemos
perder o trem para Verona. – Não mesmo, pois estou
ansiosa para visitar a Casa de Julieta.
Depois de algum tempo em uma viagem de trem,
chegamos em Verona, contudo, como acabei dormindo, sei
que necessito urgentemente tomar um café para renovar
minhas energias e só então mais uma vez, ficar olhando os
cadeados e a enorme parede repleta de cartas de amor.
Depois de pedir o café, fico aguardando sentada em
uma mesa para dois lugares, na verdade a última
disponível já que o lugar está lotado e depois de ser
servida, entre um gole e outro, percebo quando um rapaz
lindo, alto, dono de intensos olhos, para bem ao meu lado.
Eu praticamente perco a voz ao vê-lo.
— Será que posso me sentar aqui com você? – Ele
olha para todo ambiente enquanto eu ainda estou
praticamente sem palavras ao comtemplar tanta beleza e
masculinidade. — O local está lotado. – Ficamos por
alguns segundos presos um no olhar do outro, eu até fico
envergonhada.
— Claro que sim. – Ele se senta e repousa a sua
xicara de café na mesa.
— Você poderia por favor me passar o açúcar? –
Obviamente e por conta disso, logo o entrego a cestinha
aonde estão os sachês, porém, quando ele olha, abre um
sorriso lindo, de ponta a ponta. — Você me passou o sal. –
Minhas bochechas ficam coradas na mesma hora.
— Nossa, me desculpe. – Entrego-lhe a cestinha
correta e lembro-me do cadeado que eu vi em Roma. —
Acho que isso é culpa de uma frase que eu vi hoje. –
Mostro para ele a foto do cadeado.
— Café com sal, é definitivamente um sabor peculiar.
– Seus olhos encontram os meus mais uma vez. — Você
também gosta de olhar os cadeados dos outros, pequenina?
– Ora, nem bem me conhece e já está zombando do meu
tamanho? É certo que mereceu o sal.
— Não sou tão pequena e respondendo a sua
pergunta, eu gosto sim. – Ele começa a olhar algumas fotos
no celular.
— Eu também, olha esse que interessante. – Eu
rapidamente leio.
“Bianca e Gustavo....”
Do outro lado...
“Maricota e Jujuba...”
— É o meu nome, me chamo Bianca e os apelidos,
devem ser das filhas do casal. – O lindo rapaz que está a
minha frente me observa de um jeito completamente
enigmático.
— Que coincidência, o meu nome é Gustavo e ontem
eu prometi para o meu irmão que quando eu encontrasse a
minha Bianca, eu finalmente largaria o prazer de ser
solteiro, me casaria com ela e teria duas filhas. – Jogo do
destino ou não a nossa conversa começa a render. — E
com todo respeito, você é tão linda, que me fez te olhar
desde que eu cheguei aqui. – Eu fico por alguns segundos
sem nem ter o que falar, quando me lembro de um
detalhe...
— Os nomes no cadeado que eu te mostrei o verso,
também são Gustavo e Bianca. – Se inclina um pouco para
frente, em minha direção.
— Você quer me acompanhar até a Casa de Julieta? –
Ousado, toca em minha mão e o seu toque, mesmo que de
leve, é tão intenso que percorre todo o meu corpo...
Meu Deus, o que está acontecendo comigo? ”
— Gustavo. – Ainda sentindo uma adrenalina que vem de outro
mundo, abro os olhos e o vejo vindo em minha direção. — Amor, eu tenho
algo para te dizer. – Ele nem espera que eu diga uma palavra e me beija com
tanta vontade, pegada, do jeito que gosto e me enlouquece, que se
estivéssemos a sós é fato que a cama hospitalar seria o nosso refúgio.
— Você não é a minha irmã. – Encosta a testa na minha.
— Eu sei, eu tive um sonho lindo que me mostrou que sempre seremos
um do outro. – Conto rapidamente o quão lindo foi, minha sogra afirma que
já sabia que somos almas gêmeas e logo depois faz um resumo sobre o
passado, me deixando boquiaberta, mas eu não a julgo, não saberia lidar com
o tipo de casamento que ela teve, obviamente que nos tempos de hoje, me
separaria, porém antes, eu sei que seria muito complicado.
***
Ao amanhecer, a Dra. Monique nos libera, porém recomenda repouso
absoluto para os próximos quarenta e cinco dias.
Cada minuto que eu conseguir manter as meninas dentro da minha
barriga é lucro, para diminuir o risco de uma internação depois do parto.
O Natal passa ao meu redor...
Um novo ano chega enquanto o sofá me abraça...

A necessidade de ter meu esposo entre as minhas pernas me fazendo


sua já subiu para a minha cabeça e ele só não está pior, por eu ser louca por
lhe dar prazer com a boca, entretanto, como não posso realmente fazer
esforço, fujo até de um orgasmo causado por dedinhos famintos, pois tenho
medo de respirar e a bolsa estourar.
A minha paternidade é confirmada ao fazer um exame de DNA com
um irmão do Sr. Oliveira, eu realmente sou filha do homem que Gustavo
acreditou ser seu pai e não soube dar amor a ele. Como ele já não está entre
nós e desde o casamento Gu me incluiu em todos os negócios e herança,
resolvemos manter a informação apenas para nós mesmos e deixando o
segredo em família, seguimos a vida...

E os dias vão passando

Como a escola da Ávila está de férias, Dilce, minha mãezinha, o seu


noivo e filhinha, tia Dora e Zé, chegam à cidade para acompanharem o parto
que está marcado para acontecer em uma semana e entre um almoço gostoso
e conversa jogada fora, Aladilce nos conta que Isaias, na próxima manhã,
será liberado e por conta disso, já planejou voltar para a sua vida, juntamente
com ele.
Eu não sei bem o porquê, mas eu me sinto feliz em ver aquele rapaz
simpático, educado e cheio de vida que me ajudou no início de tudo tendo
uma segunda chance na vida. Eu espero fielmente que ele saiba aproveitar as
bênçãos que o destino lhe deu.
A tarde, enquanto me alimento com uma deliciosa salada de frutas,
Paloma, minha irmãzinha emprestada, se diverte fazendo vários desenhos,
enquanto isso, Gustavo, Zé e Sacramento ficam assistindo um jogo de
futebol.
As demais mulheres decidem ficar na cozinha conversando, eu não
faço ideia do que tanto tricotam e a verdade é que eu queria estar por lá, mas
preciso ficar de repouso.
Meus olhos começam a ficar pesados, sinto vontade de ir para cama e
dormir por um bom tempo, porém, recebo uma notificação no WhatsApp que
me chama a atenção.
“Bia, Gustavo...
Por favor, ouçam a mensagem abaixo quando
estiverem em um lugar discreto.
Abraço, Isaias.”
Como os fones de ouvido estão pertos de mim, resolvo finalmente
descobrir do que se trata.
“— Bianca, Gustavo, eu sei que já disse e vou repetir,
nunca terei como agradecer por tudo o que vocês fizeram
por mim. Hoje eu sou um novo homem e em primeira mão,
quero contar para vocês. Encontrei a minha prenda em um
amor construído nos últimos meses. Bem, esse áudio não é
apenas para agradecer tudo o que fizeram por mim, pois
tem um lado triste. Ontem, eu voltei para o sítio,
acompanhado da minha Elaine, ela é nutricionista da
clínica que fiquei internado. Enfim, eu queira apresentá-la
para a minha mãe, eu tinha me esquecido que ela vez ou
outra fica com vocês e ao entrar no quarto da minha coroa
eu encontrei algumas coisas que seriam mais do que
suficientes para me deixar com a muringa esquentada e me
jogar no vício novamente, mas para a minha sorte, eu
tenho uma mulher do lado que me amparou e me deu
forças para ser correto, mesmo quando eu estou sem chão.
Eu tenho muitas coisas para mostrar, já estou aqui na
cidade, próximo de vocês. A foto que eu envio é só uma
amostra. Por favor, permaneçam discretos, eu mesmo
quero cuidar da minha mãe...”
Rapidamente corro para olhar a foto e deparo-me com a imagem dos
meus pais, a mesma que foi encontrada na escola.
Na verdade, uma cópia.
Como assim?
O que está acontecendo?
— Gu. – Ele olha para mim e todo preocupado, vem para o meu lado.
— Sentiu algo? – Eu acho graça que até o meu respirar ultimamente o
assusta.
— Não, está tudo bem, eu só recebi uma mensagem. – Olho para os
lados e como Dilce não está por perto, mostro a meu amor o que é, ele de
imediato muda o olhar.
— Que porra está acontecendo aqui? – Toco em seus lábios para que
ele não chame a atenção dos demais e peço que ele escute o áudio. — Eu
necessito de respostas, Bia. – De imediato, ele autoriza a chegada do Isaias e
a sua mulher, pede para os seguranças discretamente subirem e exige que a
portaria recolha os seus documentos na entrada.
Logo depois, me dá um beijo rápido, eu envio a mensagem para Isaias
pedindo para que ele rapidamente venha e ficamos aguardando.
Enquanto a rotina da casa continua na sua normalidade, quatro
seguranças chegam. Dois ficam na nossa enorme varanda, um na entrada
próximo ao elevador que já abre na sala e mais um, perto das escadas que dão
acesso aos quartos.
A ansiedade toma conta de mim, porém eu me controlo fazendo a
leitura de um romance no kindle.
Com mais alguns minutos, o elevador se abre e para a nossa surpresa, a
dona Clara, minha sogra, chega juntamente com Isaias que tem em sua mão
um classificador vermelho e está com uma ótima aparência.
Nem tenho como comparar com a última vez que o vi. A sua namorada
também parece ser muito simpática e linda.
Eu fico curiosa para saber como se conheceram e engataram um
romance proibido pela clínica aonde Isaias estava internado.
— Oi, sejam bem-vindos. – Levanto-me com um certo esforço e logo
sou abraçada por minha sogra que, como sempre, já chega trazendo presentes
para as netinhas.
— Isaias, Elaine, sintam-se à vontade. – Gustavo como sempre
bastante cordial, pede para que eles se sentem, entretanto, a movimentação na
sala, chama a atenção de todos que estão na cozinha. O ambiente rapidamente
fica lotado.
— Filhooo. – Dilce, que é a última a chegar, parece assustada ao ver
Isaias, ao invés de estar pulando de alegria. — Eu ia te encontrar amanhã para
a gente voltar para Rios Claros e agora eu te encontro aqui. – Olha para o
classificador vermelho. — Você esteve lá em casa? – Ele se levanta e eu
percebo que está bastante entristecido.
— Sim mãe, eu queria fazer uma surpresa e viajei com a Elaine, a
minha prenda. – Elaine acena para Dilce que nem presta atenção na menina.
— Porém, ao chegar lá, quando eu fui te procurar no quarto, eu encontrei esta
pasta na sua cama e você sabe, eu sou curioso, acabei abrindo. – Aladilce
aparentemente fica em pânico.
—Vamos conversar sobre isso em casa, eu já vou buscar as minhas
coisas. – Isaias olha para Guatavo, eu e os demais.
—Vai ser aqui mãe, pois eu sou um alcoólatra que no momento está
com o vício controlado e não quero correr o risco de parecer que sou seu
cúmplice ou que estou tendo uma crise de abstinência e por conta disso, estou
falando besteiras. – Meu Deus, o que está acontecendo aqui? Gu se certifica
de que eu esteja bem, Isaias nos olha como se tivesse pedindo autorização
para continuar falando e assim prossegue: — Quando abri esta pasta
encontrei cartas que a senhora trocou com o Sr. Ávila há anos, um diário
aonde tu mãe, escreveu como vocês se envolveram em uma festividade da
igreja, da sua gravidez, que o homem que eu acreditava ser meu pai assumiu
sem saber, de como a senhora odiava o Sr. Ávila. Encontrei também cartas
que a senhora tem trocado com o desgraçado do padrasto da Bianca. Em uma
delas, ele pergunta se a foto em que a mãe da Bia está ao lado do pai do
Gustavo teve o efeito que a senhora esperava, e se Bianca havia perdido os
bebês. Como a senhora teve coragem de fazer tudo isso? E se juntar com um
cara doente daquele? Ela está grávida e nos ajudou tanto. – Ele olha para meu
amor. — Eu acho que sou seu irmão, cara. Pois o seu pai é o meu, mas eu não
estou aqui revelando isso tudo por causa do dinheiro, é por causa de vocês
dois. – Me olha parecendo envergonhado. — Mesmo depois de tudo o que
fiz, vocês acreditaram em mim, não desistiram e hoje eu sou outro homem,
eu estou feliz com o rumo que a minha vida está tomando e planejo seguir
aqui ao lado da Elaine. – Coloco a mão na boca e realizando o que pode
realmente estar acontecendo, trato logo de lhe dar a notícia.
— Acho que você não é irmão do Gustavo, Zai. – De imediato fica
entristecido e repete que não quer nada de Gustavo. — Não é isso, é que você
não é irmão do Gu, é o meu irmão. – Isaias faz uma careta.
— Caramba, é sério isso? – Confirmo com gestos e digo para ele que a
longa história eu conto depois. — Merda e eu te achei gata. – Volta a se
sentar e coloca as mãos na cabeça.
— Uê, eu sou uma irmã gata. – Ele revira os olhos e nessa pequena
distração, Dilce tenta sair do apartamento, contudo, o segurança barra a sua
tentativa de escapar.
— Por que diabos você quis prejudicar tanto a minha filha? – Ana vira
uma leoa, assim como a minha sogra e dinda. Já eu, permaneço no sofá
vivendo um misto de sensações. Eu tenho tanta raiva de Aladilce que evito
olhar para ela. Pois preciso me manter, mesmo em meio ao caos, em paz. Por
outro lado, é bom ter um irmão.
— Conte logo. Por que quis nos prejudicar tanto? – Zé, assim como
todos presentes, exige uma explicação.
— Eu ainda preciso explicar? Eu fui seduzida por um Ávila
desgraçado, ele me iludiu, dizia que me amava, que ia se separar da Clara, me
engravidou e ameaçou me tirar o meu filho se um dia eu abrisse a boca. Eu,
como era uma idiota, senti remorso por enganar o meu marido durante anos,
um dia contei, Isaias já era adolescente, por conta disso ele nos deixou e eu
fiquei sozinha sem aparo algum, mas superei. – Ela olha para mim. — Aí
você chegou Bianca, depois de anos eu vi o meu menino com um brilho no
olhar, daí veio um outro Ávila e tirou a alegria da única pessoa que eu amo. –
Olha para o filho. — O que eu fiz, foi por você. Eu achei que você não
deveria ver Bianca feliz.
Oh Deus, o mundo com certeza é um pesadelo, me ajuda a proteger
minhas filhas.
— Minha prenda, você não precisa ouvir mais nada, vamos acionar as
autoridades e Aladilce irá pagar. – Ele acaricia a minha barriga e eu repouso a
minha mão por cima da dele.
— Eu estou bem, estamos. – Olho para a desgraçada, pessoa que eu
quis apoiar o tempo todo. — O que mais você fez? Conta, já não é mais
necessário tanto fingimento. – Dá de ombros e toda debochada volta a falar:
— O seu padrasto, um outro bêbado infeliz, depois de ser rejeitado na
portaria da Ávila começou a procurar entradas alternativas, achou o meu sítio
e foi aí que eu tive a brilhante ideia. – Parece se divertir com o que diz. — O
fato é que depois que Gustavo se declarou para você em pleno programa,
meu menino piorou, mas eu facilitei a sua piora, deixei uma bebida em um
dos lugares que ele sempre procurava, ele tomou todas e eu enviei a
mensagem dizendo que estava desesperada e com medo do meu filho. – Olha
para meu amor que está com sangue nos olhos. — Gustavo enviou um
funcionário para ver como eu estava e enquanto eu recebia o coitado, o seu
padrasto entrou na caminhonete e se cobriu com feno, foi o único jeito dele
entrar na Ávila e te contar a verdade, mas nem aquilo te abalou Bianca, você
ficou triste, mas ao lado de Gustavo, em pouco tempo já estava forte. A única
coisa boa que este homem deixou de bom lá em casa, foi a foto da sua mãe
com o Sr. Ávila e sendo assim, esperei o melhor momento para atacar, jurava
que você ia perder as suas filhas e enterrá-las com os gorros que eu dei.
Enfim, eu não me conformava com a sua alegria enquanto o meu filho estava
internado.
— CHEGA. – Isaias cobre o rosto depois de me pedir desculpa
algumas vezes. — Se você citar as minhas filhas, eu mesma estando prestes a
parir, prometo que você vai sentir o peso da minha mão. – Gustavo ordena
que os seguranças a tirem da sala, deito-me em seu ombro e minutos depois,
recebemos a notícia que na recepção, ela foi presa.
***
Passado todo sufoco, converso um pouco com Isaias, que mais uma vez
me diz que não quer o dinheiro que pertence aos Oliveira e ainda assim
decidimos o ajudar para que ele viva em segurança financeira e usufrua de
tudo o que a vida tinha lhe tirado.
—Agora eu acho que entendo o porquê de nunca ter desistido de você,
eu sabia que tu eras um bom homem e agora eu sei que é meu irmão. Não se
esqueça que eu sou a sua família e que você agora vai ter duas sobrinhas. –
Ele chora, ainda parece fragilizado.
— E-eu tenho vergonha de tudo, do passado, de quando eu o te ataquei
quando estava bêbado e pior, ainda nem sabemos se somos realmente irmãos.
– Gustavo nos diz que pode resolver isso rapidamente fazendo um exame,
mas de qualquer forma sempre será grato por ele ter entregue a própria mãe,
o que não deve ser algo fácil. — Realmente não é, mas apesar de a amar eu
nunca poderia compactuar com algo do tipo. Eu não sei no que minha mãe se
transformou. – Minha sogra se aproxima de nós.
— Isaias, nada justifica o que a sua mãe fez, mas não deve ter sido fácil
para ela ser enganada, o meu falecido marido tinha uma lábia desgraçada que
levava qualquer mulher para cama. Ela infelizmente escolheu o caminho de
ódio, eu poderia ter sido igual, entretanto eu escolhi ir vivendo os dias, até
que ele se foi, vítima de uma morte súbita cardíaca. – Isaias olha para mim.
— Eu sei disso tudo o que a sua sogra me disse, mas você e o Gustavo
não mereciam isso. – Levanta-se e dá a mão a Elaine. — Eu agora tenho que
ir, minha cabeça está explodindo. – Sua namorada lhe dá um abraço
reconfortante.
— Até mais e... – Paro por um minuto tentando escolher as palavras
corretas. — Eu vou gostar de ter um irmão. – Ele me dá um abraço meio de
lado.
— Eu também, Bia. – Olha para minha barriga. — Sobrinhas e
cunhado. – Gu mais uma vez o abraça, até que ele se vai.
Final

“— Vocês nem desconfiam porque nós os


chamamos aqui? – Tia Dora balança a cabeça em negativa
e olha para a minha mão.
— Você já nos contou que ficou noiva. Então, já
marcaram a data? – Tenta adivinhar e erra feio. Na
verdade, nós até já sabemos a data, mas esse não é o
motivo.
— Resolveram fazer outra viagem? – Zé passa ainda
mais longe.
— Ou esse é um almoço normal de família? – Minha
sogra dá o parecer dela... Bem, é sim uma reunião gostosa
de família, mas tem algo a mais e minha mãezinha já sabe
com certeza, pois está com os olhos marejados.
— Por favor, minha filha. Conte logo para todos pois
eu quero te dar um abraço. – Gustavo me abraça por trás e
acaricia a minha barriguinha, a atitude dele faz todos
ficarem boquiabertos.
— Nós estamos grávidos. – Tia Dora dá um pulo, Zé
nos olha estando bem sério, sogrinha e a mamãe vem
rapidamente nos abraçar e Sacramento dá as boas-vindas
a Gustavo, lhe informando que ele vai transbordar de tanta
felicidade.
— Vai ser um dos melhores dias da sua vida, irmão.
– Ele olha para mim. — Parabéns, Bia.
— Já sabem o tempo a gravidez? – Zé faz a pergunta
que paralisa toda a mesa. Meu Deus do céu. A resposta vai
acabar com o nosso álibi. Eles achavam que só dormimos
juntos depois do programa ao vivo.
— Boa pergunta. – Tia Dora coloca a mão na
cintura enquanto Gustavo e eu nos olhamos. Senhor
amado, nos ajude.
— Ahhh e tem mais uma novidade. – Mais uma vez
contornamos a situação, pelo menos por enquanto.
— Pois é, temos mesmo, pois estamos esperando dois
bebês. – A euforia toma novamente conta de todos que já
especulam se serão duas meninas, meninos ou um casal.
— Se já sabem que estão esperando gêmeos, é
porque... – Tia Dora que indaga desta vez e não temos
mais para aonde correr e então contamos o tempo. — Meu
Deus! Gustavo e Bianca, aonde vocês estavam fazendo os
bebês que Zé e eu não notamos? – Ahhh tia... Nem queira
saber, Gustavo e eu já conhecemos a fazenda todinha, nem
o celeiro escapou.
— Então o nosso plano de atrapalhar os dois só
durou uma semana? – Zé fica bastante curioso.
— Eu me encantei por Gustavo assim que o vi,
quando ficamos olhando o pôr do sol, percebemos que
tínhamos muito em comum e não demorou muito para as
coisas acontecerem e o destino nos presentear. – Tento
amenizar toda libertinagem que rondou o nosso primeiro
mês juntos. Deus do céu, nem parecia que eu era virgem,
que fogo desgraçado.
— Foi isso, mas o que importa é que agora estamos
juntos, Bia e eu seremos pais, vocês tios, avós e a nossa
família vai crescer. – Zé continua nos olhando e eu já sei
que lá vem coisa.
— Filhos, amor, declarações, noivado, mas eu quero
é saber da data do casamento. – Eita, ele é das antigas...”
— Está sentindo alguma dor, amor? Está tão quieta. – Mesmo o parto
sendo com data e hora marcada, por não ser viável que eu entre em trabalho
de parto, Gustavo a todo momento verifica como eu estou.
— Confesso que me perdi em devaneios, mais precisamente do dia que
contamos a família que estávamos grávidos e da alegria banhada a
constrangimento que foi. – Ele se diverte com a lembrança. — E sobre a dor,
só a minha coluna não me pertence mais e eu estou muito ansiosa, pois quero
ver as meninas e descobrir se elas se parecem comigo ou você. – Pensar nisso
me faz lembrar de algo. Eu não conversei com Gustavo sobre eventuais
complicações que podem acontecer em um parto e eu preciso. — Já você,
está bem preocupado, estou percebendo uma linha de preocupação aqui. –
Toco em sua testa. — E os seus olhos estão estreitos. – Ele tenta disfarçar,
mas nós nos conhecemos demais e eu não vou cair na sua lábia. — Vai ficar
tudo bem, vamos entrar os quatro no hospital e iremos voltar para casa
juntinhos. – Eu seguro a sua mão por alguns segundos me preparando para a
tal conversa que teremos nos próximos minutos. — Gu, amor da minha vida.
– Suaviza o olhar e aperta a minha bochecha.
— O que foi, minha prenda? – Eu amo quando ele me chama assim.
— Você sabe que toda cirurgia tem seus riscos, não é? E apesar de ter
certeza que vamos voltar para casa, caso seja necessário que você faça uma
escolha... – Ele me silencia encostando os lábios nos meus.
— Minha prenda, por favor, eu já estou nervoso o suficiente só por
saber que você vai ser cortada, conversar sobre isso é doloroso, sem falar que
eu te conheço demais, já sei o que você vai me pedir. – Os seus olhos ficam
marejados. — Eu também daria a vida por nossas filhas, mas eu não quero
viver nem um dia dessa vida sem você. – O carro encosta na frente da
maternidade. — O mundo é uma merda, pessoas que fingem ser boas nos
rondam o tempo todo querendo nos sugar, as notícias no telejornal são
assustadoras, a miséria vem crescendo ao nosso redor e com você, só por te
ter comigo, tudo parece melhorar. – Ao invés de sair, eu peço um tempo ao
motorista e vou para o colo do meu esposo lindo. — Você é o sol da nossa
família e nossas princesas precisam de você. Então Sra. Ávila, tu vais entrar
no centro cirúrgico ao meu lado e vai ficar tudo bem. – Me deixa emocionada
e é impossível não chorar, mas de alegria.
— Eu sou a mulher mais feliz deste mundo e muito segura, eu tenho o
melhor esposo, amante, amigo e pai para as nossas crias. – Gustavo sobe
aquela mão enorme por minhas costas e nem o tecido da roupa me deixa
imune ao seu toque que eu tenho tanta saudade. —Ai amor, vamos logo para
o parto, o resguardo precisa passar logo, pois eu estou em uma seca
desgraçada. – Ele gargalha.
— Eu também, minha prenda. – Me dá uma piscadela. — Mas eu vou
aguardar, porque esperar você sempre vale a pena.
***

Já no quarto, desfrutamos da bênção de sermos abençoados por Deus e


definitivamente protegidos por todos os anjos que guardam o nosso amor.
Gustavo e eu, durante vários minutos ficamos presos um no olhar do
outro como se pudemos conversar através dos pensamentos.
Assim o tempo vai passando, mesmo estando ansiosa, conseguimos nos
manter calmos, focados e pensando positivamente.
Eu sei que já deu tudo certo... Tudo certo.
Em uma cirurgia tranquila orquestrada pela doutora Monique e equipe,
Gustavo continua ao meu lado, a todo momento segurando a minha mão e a
gente nem vê o tempo passar.
— Mamãe Bianca e papai Gustavo, estão prontos para conhecer as suas
filhas? – A pergunta faz o meu coração dar uma batida a mais, sinto o meu
corpo sendo um pouco repuxado e segundos depois, ao olhar para Gustavo
que tem uma visão mais ampla do centro cirúrgico já o vejo chorando e nos
seus olhos dá para ver que ele já está vendo a nossa primeira filha... E um
chorinho alto, gostoso de se ouvir invade o meu corpo e aquece a minha
alma.
— Jujuba nasceu, amor. – Ele, que um dia teve medo da paternidade,
chora como uma criança e observa as enfermeiras cuidado da nossa Julia.
— Agora está na hora da irmãzinha. – Os choros se misturam como
uma sinfonia que traduz o resultado da nossa união e as lágrimas se
multiplicam.
Modificando o protocolo de uma sala de cirurgia, Gu se inclina
parcialmente por cima de mim, retira a máscara e beija os meus lábios.
Em seguida, rebemos nossas princesas, que ao serem acomodadas
próximas dos meus seios que estão inchados de tanto leite, sessam o choro e
se movimentam um pouco em direção a voz de Gustavo, que assim como
fazia quando eu estava à espera delas, começa a cantar uma música que as
acalmava, Presente de Deus de Sérgio Saint.

Gustavo Ávila

Sim elas são um presente de meu Deus


Prometo amar e cuidar
Seus olhinhos nos revelam
O poder do Seu amor
Te peço bom Deus sabedoria
Pois meu caminhar dedico a Ti
Te agradeço pelo presente que nos deu
Te agradeço, pois, as nossas menininhas nasceram...
E assim eu me sinto o homem mais completo que pode existir.
Assim como sortudo.
Como eu fui escolhido para ser tão abençoado? Eu não sei. Bia me diz
que tudo de bom que tem acontecido comigo é a lei do retorno por ser um
homem que mesmo quando vivia apenas focado no prazer, era sincero e que
sempre escolheu ajudar os que precisaram.
Mas mesmo assim, neste momento em que eu olho para Bianca e as
minhas filhas acomodadas em seus seios e atraídas por minha voz, eu vejo
que eu sou realmente um homem de sorte e que se eu passar toda a minha
vida agradecendo, ainda não será o suficiente.
— Bianca, Maricota e Jujuba vocês são a minha vida e sempre vão
estar em primeiro lugar, estou certo de que eu posso perder tudo, menos
vocês.
— E você é a nossa vida, papai lindo que eu tanto amo. – Mais uma
vez nos beijamos e emocionados, fazemos uma foto para eternizar o
momento em que nos completamos.
***

Um tempo depois

Bia até já tirou os pontos, mas como está esgotada por conta do esforço
que é amamentar duas menininhas que só pensam em comer, enquanto ela
dorme depois de horas se revezando entre as nossas princesas, levanto-me
sem me movimentar muito para não a acordar e vou para o quarto das
meninas segurando a babá eletrônica.
— Pensei que tu ias dormir, meu filho. – Minha mãe fica surpresa ao
me ver. — Você sabe que eu estou aqui com minhas netas, não é? Não
precisa se preocupar. – Se apressa em mostrar serviço e com isso acaba me
divertindo.
— Eu sei e melhor vovó, não há. – Penso em minha sogra e apresso-me
em arrumar a minha frase. — A senhora e a Ana são maravilhosas com a
Maricota e a Jujuba, mas pai de primeira viagem é assim mesmo. – E eu não
estou exagerando. — Eu fecho os olhos e penso nas meninas, tentei dormir,
porém acho que até ouvi um chorinho, então decidi ficar por perto e as olhar
dormindo. – Minha mãe levanta-se e vem em minha direção.
— Eu sei como é isso, quando você nasceu eu ficava observando para
ver se tu estavas respirando. – Me dá um abraço acolhedor. — Vou te deixar
com as minhas netinhas e qualquer coisa, me chama. – Olha para as fofinhas
que até parecem anjinhas silenciosas quando estão dormindo. — Você é um
pai exemplar filho e ainda se importa com sua esposa, você está certo, Bia
precisa descansar. – Com certeza, sou pai há poucos dias, mas estou certo que
uma sala de aula não cansa tanto a minha prenda como as nossas crias.
Sento-me, por também estar cansado e fecho os olhos por alguns
segundos, quando ouço de verdade um choro, ao abrir os olhos eu vejo que é
a Julia. Rapidamente vou ao seu encontro, a carrego e tento fazê-la dormir
novamente, porém é em vão e para completar, ela acorda a Maria que fica se
movimentando, eu já sei o que é.
— Fralda suja, só pode. – Como elas ainda são bem pequenininhas,
para não correr o risco de deixar alguma escapar, rapidamente busco o
carrinho de bebê para gêmeas, deixo Jujuba em segurança, coloco Maria ao
lado e em uma corrida de menos de cinco segundos, alcanço o trocador de
fraldas que por ser bastante largo e seguro, dá para acomodar as duas. —
Agora eu preciso ver qual é a situação mais grave. – Vejo que a Maricota fez
o número dois em abundância, enquanto a Julia só o número um. — Filhas
vocês precisam se acalmar que papai já vai cuidar de tudo. – Com bastante
precisão, socorro a Maria, que parece se divertir quando está limpinha e fica
sacudindo as pernas grossas como se quisesse escapar da fralda. Mas é
vencida por minha habilidade. Em seguida, faço o mesmo com a Jujuba que
deixou para o papai a tarefa mais tranquila. Ainda bem, pois eu sinto que os
últimos cinco minutos foram mais difíceis do que administrar a Ávila.
— Uau, amor. Vejo que você está se saindo muito bem. – Vestida em
uma camisola branca que deixa os seus seios enormes em evidência, Bia se
aproxima de mim, me abraça e me enlouquece só com o seu cheiro gostoso.
Puta merda.
Foca nas suas filhas Gustavo. – É o que mais preciso fazer. Vocês
ainda não podem trepar.
— Pois é Sra. Ávila, aqui está tranquilo. – Carrega Maria que, toda
dengosinha, acomoda a cabeça entre os seios da mamãe enquanto eu termino
o processo com a minha Julinha.
Assim que termino, aninho a princesinha enquanto a distraio e fico
observando Bianca amamentando, minha esposa definitivamente fica linda
em qualquer circunstância. Contudo, a bela visão é interrompida quando eu
sinto algo quente em minha barriga e um cheiro não muito agradável
invadindo todo ambiente, fora a gargalhada da Bianca.
— Meu Deus do céu, papai Gu, você consegue ficar lindo até assim. –
Jujuba me olha com aquele rostinho de menina sapequinha, mesmo tendo
apenas dias de vida e eu acabo acompanhando Bianca no riso. Bem, ficar
todo sujo faz parte da paternidade, certeza.
— Bia, você me desconcentrou quando entrou no quarto usando esta
camisola colada aos seus fartos seios. – Ela respira fundo.
— Ai homem, quando você repara em mim assim, me deixa com um
fogo desgraçado. – Oh céus... Faltam quantos dias mesmo para apagar este
fogo?
***

Dias depois
“Patrãozinho,
Estou certa de que o senhor pediu os meus serviços
no seu quarto e eu estou ansiosa para deixar tudo as
ordens como eu sei que você gosta.
Porém eu preciso da sua aprovação.
Por favor não se demore, você sabe, a qualquer
momento a minha presença pode ser requisitada.”
Assim que chego no nosso apartamento após uma reunião sobre o
programa de TV aonde fui sondado se Bianca deseja me fazer companhia na
programação, recebo um bilhete das mãos de Nita que faz o meu coração
acelerar. Puta merda.
— Como estão as gêmeas? –Nita se diverte eu não sei por quê.
— Estão ótimas, papai. Mas agora você vai ser aquele Ávila que
Bianca está precisando. Ah, ela deixou leite o suficiente para as próximas
horas, agora suba e vá encontrá-la. Sua mãe e eu tomaremos conta das
gêmeas. – Dou-lhe uma piscadela e subo as escadas de dois em dois degraus.
O que Bia está aprontando? Porra... Meu pau lateja de tanto tesão,
então rapidamente sigo até a porta do nosso quarto e quando a abro, paraliso
por poucos segundos, o suficiente para percorrer o meu olhar por suas curvas
que a cada dia sou mais apaixonado.
Bia, encontra-se sentada no tapete do nosso quarto, de lado, usando um
par de sapatos de saltos altos de cor branca, meias que vão até o meio das
suas coxas evidenciando a delícia que ela é, o mesmo vestido que eu a
conheci, com os cabelos um pouco mais volumosos jogados para o lado e
com gestos me chama.
— Minha prenda. – Sorri com um ar de safada.
— Perdi um anel por aqui, Sr. Ávila. – De um jeito completamente
sensual, modifica a posição ficando de quatro. Os seus cabelos estão tão
longos que arrastam no chão, como um convite para serem puxados. E em
relação ao seu rabo, a gravidez definitivamente fez muito bem. — O senhor
pode me ajudar?
Bianca gosta.
Fica excitada testemunhando o meu pau marcando a calça e
provavelmente está toda molhada pronta para ser fodida.
— Será um prazer te ajudar. – De prontidão, retiro os meus sapatos e
enquanto vou me livrando da minha roupa, Bia senta-se em suas próprias
pernas, desliza a mão por suas coxas internas e começa a se tocar.
Chega a fechar os olhos sentindo prazer.
— Ahh Sr. Gustavo. – Geme gostoso.
— Quer uma surra de pau, Bianca? – Volta a ficar de quatro.
— Por favor, Gu. – Levanto a sua saia bem devagar, ela delira sentindo
o tecido roçando em sua pele e desde já se segura no tapete, contudo, sou eu
que necessito me segurar para não a machucar por conta do tempo que
estamos sem. Principalmente quando vejo o seu rabo nu e um plug adornando
a parte de trás.
Porra!
Ela me surpreende.
— É um prazer, Sra. Ávila. – Vejo que ela deixa um lubrificante
próximo ao tapete, então derramo uma quantia considerável e começo a roçar
em toda extensão, sentindo o efeito de esquentar, deixar Bia jorrando e com
sua boceta gostosa, me chamando.
Até que meto, devagarinho lhe arrancando um gritinho e gemidos
gostosos.
Entro...
Saio...
Vou mais uma vez e por sentir que Bia já me recebe todo e pede por
mais, vou aumentando a velocidade da penetração, puxando os seus cabelos
para a deixar a minha mercê, levando pau como gosta e gritando meu nome.
***
— Ahhh Gustavo. – Grita a primeira vez quando sua boceta me aperta
lhe proporcionando tanto prazer e enquanto suas pernas gostosas tremem, tiro
o plug, melo o meu pau com bastante lubrificante e a faço gozar botando
atrás e penetrando sua boceta com dois dedos.
Puta merda.
Como é quente, gostosa, apertada em todos os lugares.
— Goza, minha prenda. – Dou-lhe um tapa gostoso enquanto aumento
a velocidade.
— Ahhh Gustavo. – Geme. — Gustavo, não para. – Tarada, empina o
rabo ainda mais e leva outro tapa que a deixa toda vermelha e no momento
me molha todinho com o seu intenso orgasmo e acaba me levando junto.
Logo depois deito-me ao seu lado e a puxo para se acomodar entre os
meus braços.
— Te amo. –Entrelaça os braços em meu pescoço e me beija bem
devagar, então permanecemos assim, até irmos para o banheiro aonde entre
um banho de banheira e muitas carícias, nos entregamos mais uma vez.
***
Dois meses depois.
Bianca Ávila.
Intensidade.
Essa é a palavra que eu escolheria para traduzir os últimos meses.
Intensidade no amor.
Nas responsabilidades.
No aprendizado.
Na entrega, não apenas como pais, mas também como um casal.
Ao lado de Gustavo e das nossas filhas eu tenho aprendido tanto ao
mesmo que estou apaixonada pela minha vida que palavras sequer poderiam
explicar o quanto sinto-me grata ao destino que apesar de todas as
circunstâncias ruis, me levaram até Gustavo.
Ao seu lado eu descobri o que é ter algo meu de verdade e realizei o
meu sonho de saber o que é pertencer.
— Eu já te disse que te amo, hoje? – Pego Gustavo de surpresa
enquanto o avião sobrevoa a Ávila e está prestes a pousar no nosso lugar,
naquela simplicidade gostosa que verdadeiramente enche os nossos olhos.
— Já, mas eu adoro ouvir isso, assim como amo me declarar. – Ele me
dá um beijo gostoso e em seguida o comandante nos avisa que estamos
prestes a pousar. — Preparada para rever a Ávila? – Meu coração até dispara
quando eu respondo, então logo em seguida seguramos as nossas filhas e nos
preparamos para o pouso que como sempre é muito leve, pois contamos com
um dos melhores pilotos do Brasil.
Quando descemos do avião, percebo que dois carros nos esperam. Em
um, colocam as nossas bagagens, Nita se despede de nós dois e segue o rumo,
me deixando apenas com Gustavo, nossas filhas e as bolsas delas.
— Ué, por qual motivo Nita se despediu de nós? – Pelo o que sei
estamos indo para a mesma casa.
— Vai entender amor, deve ser costume. – É, nisso eu concordo.
Logo depois, acomodamos as meninas nas suas cadeirinhas, um
funcionário entrega a chave do carro para Gu e depois dele me ajudar a nos
acomodar, senta-se ao seu lado e seguimos o caminho, porém eu noto que
estamos em uma rota diferente.
— Vamos passar na administração? – Mesmo prestando atenção na
estrada, me dá uma olhada rápida, nega com gestos me deixando curiosa e eu
coloco uma das músicas que eu amo da playlist para tocar. Chances de
Backstreet Boys. — Gu, não me deixa curiosa. – Me dá uma piscadela.
What if I never run into you?
What if you never smiled at me?
What if I hadn't noticed you too?
And you never showed up where I happened to be?
E se eu nunca tivesse esbarrado você?
E se você nunca tivesse sorrido pra mim?
E se eu também não tivesse notado você?
E você nunca tivesse aparecido onde eu estava?
— Confia em mim, amor. – Faz uma curva para esquerda.
— Eu confio, mas esse caminho acho que nunca pegamos. – Gu se
diverte ao ouvir minhas especulações.
What are the chances that we'd end up dancing?
Like 2 in a million, like once in a life
I could have found you, put my arms around you
Like 2 in a million, like once in a life
What are the chances?
Quais são as chances de acabarmos dançando?
Tipo 2 em um milhão, tipo uma vez na vida
Eu poderia ter te encontrado, colocar meus braços
ao seu redor
Tipo 2 em um milhão, tipo uma vez na vida
Quais são as chances?
— Não, minha esposa de um metro e meio. – Me faz revirar os olhos
em um tom de brincadeira.
— Eu gosto de ser sua pequenina. – Repousa uma mão em minha coxa
que deixa tudo aquecido.
— Eu amo que você seja. – Sobe uma ladeira considerável e durante o
caminho que avança começo a avistar o sol que está prestes a se pôr.
Is it love? Is it fate?
Who am I? Who's to say?
Don't know exactly what it means
Isso é amor? É destino?
Quem eu sou? Quem vai dizer?
Não sei exatamente o que isso significa
— Eu sei. – Viro-me para trás para observar as meninas que estão
quietinhas apesar de estarem acordadas e quando volto a olhar para frente,
avisto uma enorme casa de dois andares que a cada metro que avançamos e
fica mais visível vou me encantando mais.
Ah meu Deus. É o meu desejo.
“É certo que eu faria uma casa bem aqui, para todo
dia acordar com esta vista espetacular, que cidade
nenhuma poderá competir ou ter...”
Ele avança mais um pouco, faz uma curva leve e para em frente à casa
que é simplesmente espetacular. Eu fico imóvel dentro do carro, de forma que
só percebo que Gustavo não está mais ao meu lado por ele abrir a porta para
mim.
— Venha comigo, Sra. Ávila. – Estende a mão e eu lhe entrego a
minha. — Você sabe, o pôr do sol não nos espera e eu ainda quero apresentar
para vocês três a nossa nova casa.
Em seguida me ajuda a descer e nós pegamos as meninas que
espertinhas e parecendo gostar do novo local, com seus olhinhos que
lembram os do papai, observam tudo atentamente.
Is it love? Is it fate?
Where it leads, who can say?
Maybe you and I were meant to be
Isso é amor? É destino?
Onde leva, quem pode dizer?
Talvez você e eu estivéssemos predestinados.
— É a casa dos meus sonhos, no seu lugar preferido. – Lágrimas de
felicidade e muita emoção molham o meu rosto.
“Com certeza absoluta a casa seria de madeira,
provavelmente de dois andares... Acho tão linda e combina
com o campo.”
— É que realizar os seus sonhos se tornou a minha prioridade, Sra.
Ávila. – Subimos os degraus da varanda e de lá avistamos a cachoeira. —
Desde que me apaixonei por você. – Viro-me para ficar de frente para ele e
com a sua mão livre, acaricia o meu rosto e eu beijo a palma quando ela
passeia próximo da minha boca.
— Eu também quero realizar todos os seus. – Nos aproximamos mais
ainda.
— Você já realiza. – Inclina-se e beija os meus lábios, aprofundando o
beijo, me dando o prazer de provar o seu sabor delicioso.
— Eu te amo, Gustavo Ávila.
— Eu também te amo, Bianca Ávila. – Olha para as nossas filhas e
beija a cabecinha das duas. — E o que me tornei com você.

Fim.
Epílogo

Cinco anos depois


Bianca Ávila

Tudo começou quando o príncipe papai estava passeando com


o seu cavalo Pegy. – As duas ficam me olhando animadas.
— Pegy é o cavalinho mais lindo. — Minha Maria abraça os próprios
bracinhos ao lembrar do amigão que vez ou outra o papai traz para perto de
casa para elas brincarem com ele.
— Eu queria que ele fosse um unicórnio. – Jujuba não pode ver um
cavalo que já o quer transformar, não polpa nem o Pegy e sendo assim, eu
prossigo.
— Então o papai encontrou a mamãe e a levou para um castelo.
Chegando lá, a noite estava tão fria, que a mamãe fez um delicioso café com
sal, uma porção que só funciona com os pais de vocês. – As duas fazem
caretinhas e Jujuba coloca a mão na boca.
— Não ficou legal, porque café só é bom doce. – É, disso a minha
bochechuda tem toda razão.
— E o papai plincipe gostou? – Maricota abre bem os olhos esperando
a resposta. — Conta, conta. – Ansiosa, não aguenta esperar nem alguns
segundos.
— Ele amou e o amor entre a mamãe e o papai só cresceu. – Em
hipótese alguma eu posso contar a verdade, nem quando minhas filhas forem
adultas pois eu bem sei que foi o tapa na minha bunda que deu o pontapé
inicial.
— Eu não quelo café com sal. – Julia faz uma caretinha.
— Nem eu. Ecaaa, mamãe. Tadinho do papai. – Maria faz um
biquinho.
— Mas só depois da porção que eles se apaixonaram. – Elas ficam
super curiosas.
— E depois teve casamento no castelo? – Sim e vocês nem imaginam a
correria que foi.
— O príncipe chamou toda a sua comitiva de confiança e organizou a
mais linda celebração onde brindaram o amor e fizeram juras eternas. Conta a
lenda que o amor entre eles é tão grande, tipo gigantão que nunca vai acabar,
ao contrário, só multiplica. – Olho para minha barriguinha que apesar de
ninguém saber, já guarda mais um herdeiro. Bem, está na hora das princesas
saberem. — Tanto que vocês minhas princesas, vão ter um irmãozinho. – As
duas ficam me olhando.
— E isso é bom, mamãe? – Julia é o ciúme em pessoa.
— E se o papai e a mamãe só blincarem com o neném novo? –
Maricota, super apegada a irmã, dá a mãozinha para Ju e elas ficam me
olhando literalmente temendo a novidade.
Então eu abro os meus braços para as acolherem, todas as duas se
sentam em meu colo, cada uma de um lado e acomodam as cabecinhas
próximas dos meus seios.
— Jamais o papai e eu vamos esquecer vocês. Não tem como, nós as
amamos muito, minhas filhas. – Elas foram extremamente desejadas. Sem
falar na redenção e a cura do seu papai, fora à luta que foi nos últimos
momentos cruciais, dia após dia, minuto a minuto e Gustavo sempre ao meu
lado. — O neném que vai chegar em alguns meses é só mais um pouquinho
de amor multiplicado e eu tenho absoluta certeza que vocês vão o amar e
brincar muito com ele.
Elas ficam conformadas, contudo, desde já sentindo que a atenção
ficará mais dividida no futuro, permanecem quietinhas, até que ouvimos o
barulho de um carro chegando e quando elas percebem que é do papai, me
abandonam e saem correndo.
— Papaiiii....Papai... – Eu fico sozinha debaixo da árvore, a do pôr do
sol inesquecível, até fico levemente emocionada ao me lembrar do meu
desejo falado para Gu naquele dia que é a minha realidade hoje.
Eu estou certa que a palavra tem poder e quero continuar proferindo
sonhos lindos para os viver.
Em seguida, atraída por Gustavo, levanto-me e vou ver o meu amor
que a cada ano que passa fica ainda mais lindo, gostoso, cheiroso, protetor,
com aquela pegada que me enlouquece. Tanto, que quando eu me aproximo,
de prontidão recebo um beijo bem gostoso.
Porém, como as meninas estão em seus braços, nos comportamos,
ainda assim, como sabem que é a hora do beijinho dos pais, as duas cobrem
os olhinhos.
— Minha prenda, decidi vir mais cedo para casa e pelo o que vejo, as
visitas ainda não chegaram. – Confirmo com gestos e aviso que as meninas já
estão sabendo sobre o bebê. — Reagiram bem? – Conto que foi como a gente
já esperava e durante a pequena prosa, deslizo minha mão em seu peitoral e
abdômen todo trincado.
Pai Amado. Que delícia de homem.
Eu definitivamente nunca vou enjoar.
— Elas são inteligentes, puxaram a nós dois. – Ele me dá uma
piscadela que me derrete toda, daquele jeito. — Está fazendo um calor
absurdo. O que você acha de... – Seguro na fivela da sua calça.
—Vamos tomar um banho? – Chega respiro fundo quando ele diz as
quatro palavrinhas que viraram o nosso código, usado para quando as
meninas estão por perto, mas na verdade a gente quer trepar bem gostoso.
— Preciso muito, Sr. Ávila. – Me dá uma piscadela, depois coloca as
meninas em pé no chão e seguimos para a cozinha, aonde Nita está
juntamente com a nossa nova ajudante que auxilia nas tarefas com as
crianças. — Vocês podem ficar de olho nas princesas por pelo menos meia
hora? – Nita me dá uma piscadela.
— Claro, Bia. Por favor, não se avexe em pedir.
— Filhas, o papai precisa da ajuda da mamãe em algo muito
importante, vão para a sala de TV com tia Nita que já voltamos. Tudo bem? –
Apesar de adorarem ficar juntinhas conosco, aceitam a oferta, porém por
estarem na cozinha, logo pedem uma fruta.
São duas boquinhas nervosas.
É incrível, elas não podem ver a cozinha que sentem fome.
Não sei a quem puxaram que são tão fominhas.
Será que Gustavo era assim? Bem, não tenho tempo de responder e
logo sou praticamente carregada para o quarto com isolamento acústico, onde
Gu e eu podemos ser nós dois, bem na íntegra.
Com o desejo à flor da pele que a cada dia só aumenta.
Com aquele fogo desgraçado que me faz molhar várias calcinhas
quando estou por perto.
Uma entrega sem nenhum pudor onde já sabemos bem como agradar.
E amor, muito. Esse é definitivamente é o ingrediente que alinhado a
todos os outros, nos mantém unidos e apaixonados em qualquer fase.
— Ahh Gustavo. – Depois de apenas levantar o meu vestido e me
deitar na cama, fica acariciando a preciosa de um jeito tão gostoso e com
pegada brutal que me deixa encharcada.
É tanto tesão que antes de sentir o seu pau me saciando, gozo em sua
mão, satisfazendo o seu fetiche de me fazer gozar e neste ritmo vamos nos
amando.
Muito.
Até ficarmos com vontade de dormir após foda... Porém...
— Temos visitas em casa, com certeza já chegaram. – Ele me lembra e
eu já não tenho o que fazer, a não ser realmente tomar uma ducha e nos
arrumar para recebermos as visitas.
***
Gustavo Ávila

O “banho” que deveria durar apenas meia hora, passa de uma e mesmo
sabendo que chegaremos atrasados no almoço marcado na nossa própria casa,
de mãos dadas seguimos para sala de estar, aonde provavelmente as nossas
visitas estão. Contudo, paramos um pouco distantes e ficamos os observando.
No canto próximo de um tapete emborrachado que as meninas gostam
de Brincar, Paloma entretém as nossas filhas e a Sarinha, sua irmã de um
pouco mais de três anos. O destino foi maravilhoso para a minha sogra e
Sacramento, eles ainda parecem hipnotizados ao observarem as filhas.
Na poltrona, o meu cunhado Isaias, que há anos controla o vício e refez
a sua vida, está sentado com o seu filho de um ano no colo e a sua esposa,
Elaine ajoelhada, tentando alimentar o bebê com uma papinha que parece não
agradar.
Bem, eu me lembro que a Maricota e a Jujuba adoravam, não por ser
algo gostoso e sim por elas serem verdadeiramente comilonas.
Dora e Zé como sempre, fazem sala para todos e para completar a
minha mãe, que encontrou o amor ainda na casa dos cinquenta anos. É bom
vê-la tão bem.
— A nossa família cresceu, hein Gu? – E como, sem falar que é um
ambiente maravilhoso para as nossas crianças crescerem. Elas se sentem
amadas com certeza.
— E agora vão descobrir que mais um membro está a caminho. – Viro-
me para a minha prenda. — Bia, quer anunciar a gravidez agora? – Ela fica
um pouco pensativa, vira-se para ficar de frente para mim e eu acaricio o seu
rosto.
— É uma boa ideia minha, vida. – Beijo-lhe os lábios de um jeito bem
discreto. — Nós vamos os pegar de surpresa novamente, pois estávamos nos
protegendo. – E é a mais pura verdade. Da primeira vez, tudo indica que o
preservativo furou e agora o DIU.
— Pois é, parece que quando um Ávila quer nascer, nada impede. –
Nós gargalhamos com o fato e adentramos a sala de estar, contudo, todos
rapidamente começam a nos parabenizar, nos deixando sem ação.
— A Jujuba e a Maricota contaram que a princesa mamãe está grávida,
é verdade? – Nós nem temos mais como negar a pergunta da minha sogra,
apenas confirmamos.
— Pois é, o amor multiplicou. – Abraço Bia por trás e acaricio a sua
barriga.
— E nós vamos ter um menino que vai se chamar, Miguel. – Mesmo
estando a minha frente, vira-se um pouco para me olhar. — Em homenagem
a seu verdadeiro pai. – Ela me pega de surpresa.
— Obrigado por pensar em tudo, Bia. Eu definitivamente gostei muito
da escolha. O nosso príncipe Miguel, vai chegar para completar a nossa
família. – A abraço demonstrando todo meu carinho e amor. — Eu te amo,
minha prenda.
— Eu também te amo, Sr. Ávila. – Ficamos nos olhando por alguns
segundos, até que Bia sente o vestido sendo puxado por duas princesinhas
lindas.
— Nós também amamos vocês. – Julia se declara pelas duas. A
verdade é que a cada dia nos apaixonamos mais por nossas filhas.
— Mas agora, nós queremos almoçar. – Qual a novidade, Maricota?
Gargalhamos com elas e nos sentindo muito bem com as nossas escolhas e
vida, voltamos para nossa rotina gostosa na Fazenda Ávila.

Fim de verdade...
Aquele bate papo...

Oiê, Gatas...
Eu gosto deste bate papo gostoso aqui no final do livro.
Quando a Fazenda Ávila surgiu em meus pensamentos, eu tinha a certeza de
que além de todo romance quente vivido em um cenário completamente novo
entre meus livros, eu queria passar algumas lições para a vida. Vou
conversar apenas sobre algumas...
Bianca e sua paixão pela educação. Eu espero de verdade que vocês tenham
conseguido se colocar no lugar das pessoas menos favorecidas, foi a minha
intenção. Fazer olhar ao redor e ter mais empatia com tudo o que acontece
na nossa porta.
Dilce. Eu tenho aprendido que pessoas mal-intencionadas se aproximam de
nós sem nenhum prévio aviso e literalmente nos abraçam querendo o nosso
fim. Parece coisa de novela, mas não é.
Família. Vai além do biológico, é aonde a gente se sente bem.
Isaias. Ninguém deveria ser julgado por ter errado em alguma coisa apenas.
E tantas outras....
Eu espero de coração que o casal #GuBi esteja presente na memória de
vocês, guardados com muito carinho.
Com carinho,
Kalie Mendez.
Agradecimentos

E 2019 chegou cheio de desafios e eu que já deveria estar lançando o


terceiro livro do ano, estou no segundo.
É, as vezes imprevistos acontecem, confesso que achei que ia até empacotá
na literatura, contudo, o Papai do céu me cercou por pessoas maravilhosas
que não me deixaram cair.
KALIETES, que FORÇA vocês têm. Eu me orgulho da nossa família todos os
dias. Sem vocês... Frita estou. Amo muito.
Minhas moderadoras, amigas, companheiras para a vida toda. Lu, Line, Dai,
Kira e Ju. Se eu existo é por causa de vocês. Obrigada. Eu amo vocês.
Mai, eu estou levando a sério a sua ameaça de me visitar para me dar uns
cascudos (risos). Você é com certeza minha pró/super inspiração, o seu amor
pela educação me moveu nesse livro todinho... Te amo... Obrigada.
Vizinho, a parceria que a gente tem é um presente lindo, o seu apoio é muito
importante para mim.
Garotas superpoderosas, vocês têm aquele lugar guardado no meu coração e
ninguém tira. Minha garota invisível. ILY.
Beijinhos,
Kalie Mendez

Próximos Lançamentos

Senhora Borges
Livro único e independente da Série Amores Proibidos.
Previsão - 2019
Livro 4 da série Amores Proibidos – Vai contar a história da Bruna, irmã do
Advogado (Livro 1) e Paulo.
Previsão - 2019


Outras obras da autora

Sinopse - Carla é uma moça pobre, que vive sozinha desde que sua mãe
faleceu. Após procurar emprego, teve como única solução, ser empregada
doméstica. Sua vida tinha tudo para melhorar tendo um serviço estável, mas
o contrário acontece e ela só desce a ladeira sofrendo humilhação e sendo
pressionada por todos os lados.
Até que, em um dia aleatório, sua patroa te pede um favor que pode mudar a
sua vida.
Obs. - Este livro faz parte de uma série onde os personagens se conhecem,
porém é livro único, não tem continuação.
Aline é uma garota batalhadora em uma pacata cidade do interior cheia de
planejamentos para um futuro melhor, até que uma notícia na TV muda
completamente o rumo de sua vida.
Desolada e ao mesmo tempo motivada a prosseguir, apesar das
circunstâncias, ela viaja até a cidade grande onde, ao mesmo tempo em que
investe nos estudos para prestar vestibular, aplica seus dons culinários na
intenção de ganhar um extra e se sustentar.
Com doces, suspiros, sensualidade, criatividade e muito bom humor, Aline
nem imaginava que seus bombons diferenciados a levariam para diretoria,
colocando mais uma vez seus planos em risco.
Nota:
- O Diretor faz parte da série Amores Proibidos. Uma série envolvente que
traz livros com histórias independentes.
Entretanto, personagens chave da trama podem fazer aparições especiais em
outros volumes.
Os livros podem ser lidos em qualquer ordem, mas se você estiver curioso
para saber a ordem, o primeiro livro é O Advogado
Vítima das decisões e atos incorretos de sua família, Patrícia, que sempre foi
habituada ao glamour e ao luxo, perde tudo e chega ao fundo do poço.
Agora, sozinha, sua situação de desespero vai além, quando começa a sofrer
ameaças da pessoa que sempre julgou ser um protetor. Mas, a vida a
presenteia com uma segunda chance e ela agarra essa oportunidade para
recomeçar, trilhando o seu próprio destino.
O Chefe faz parte da série Amores Proibidos. Uma série envolvente que traz
livros com histórias independentes.
Entretanto, personagens chave da trama podem fazer aparições especiais em
outros volumes.
Os livros podem ser lidos em qualquer ordem, mas se você estiver curioso
para saber a ordem, o primeiro livro é O Advogado e o segundo O Diretor.
Elisa é uma garota de origem humilde que teve seus sonhos interrompidos
aos vinte anos.
Agora, além de ter uma criança para criar, ela vive uma vida cheia de
desafios para conseguir seguir adiante.
Gabriel é um homem bem sucedido, dono de uma rede de restaurantes
bastante famosa, solitário e com o coração fechado para o amor.
Mas, sem aviso prévio, o destino resolve trazer uma surpresa para sua vida e
apresenta pessoas muito diferentes das que fazem parte de seu convívio
social, tudo isso através de uma compra.
Livro único + 18
Amigos de longa data acostumados a relacionamentos casuais se veem pegos
em uma deliciosa armadilha, a do compromisso. Só que o inesperado
acontece e isso vai colocar à prova o amor de Marcos por Jamile.

Nota:
Os personagens Jamile e Marcos fazem parte da série Amores Proibidos e
aparecem no livro O Diretor.
Os livros, inclusive este conto, podem ser lidos em qualquer ordem, mas se
você estiver curioso para saber a ordem, o primeiro livro é O Advogado.
Seguindo as regras de uma família tradicional e de bons costumes, vivendo
sob as regras de sociedade e dos preconceitos dos anos 80, Maria conta os
dias para os seus dezoito anos, em busca da tão sonhada liberdade.

Só que a vida dos bons costumes não parece ser tão generosa com a nossa
impetuosa mocinha e ela percebe que para viver e ser feliz, precisará se
arriscar um pouco mais, principalmente quando se encanta por Paulo e tudo
pode mudar por causa de uma tumultuada tarde...

Será mesmo Maria uma anja?

Nota:
- A personagem Maria, faz parte da série Amores Proibidos. Neste romance,
você vai conhecer o passado de quem tanto encantou no livro O Advogado.
Os livros podem ser lidos em qualquer ordem, mas se você estiver curioso
para saber a ordem, o primeiro livro é O Advogado.
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