Você está na página 1de 11

UM OLHAR PARA AS PESQUISAS EM MODELAGEM MATEMÁTICA

NO ESTADO PARANÁ

Jeferson Takeo Padoan Seki – jefersontakeopadoanseki@hotmail.com


Ariel Cardoso da Silva – ariel.c.silva@live.com
Rudolph dos Santos Gomes Pereira – rudolphsantos@uenp.edu.br
Bárbara Nivalda Palharini Alvim Souza Robim – barbara.palharini@uenp.edu.br
Universidade Estadual do Norte do Paraná
Cornélio Procópio – Paraná

Resumo: Neste trabalho, apresentamos um estudo realizado com base nos anais das últimas
três edições do Encontro Paranaense de Educação Matemática (EPREM). Considerado o
evento mais importante da área no estado do Paraná, o EPREM é realizado desde 1989 e
possibilita aos pesquisadores, professores, graduandos e estudantes de pós-graduação
discutirem e divulgarem pesquisas de diferentes temáticas, incluindo a Modelagem
Matemática, foco deste artigo. Na finalidade de explicitar um olhar sobre as pesquisas em
Modelagem Matemática no Estado do Paraná, a pesquisa foi delineada por meio de quatro
momentos. Em um primeiro momento, realizamos um levantamento bibliográfico dos artigos
publicados nos anais da XI, XII e XIII edição do EPREM que continham o termo Modelagem
Matemática no tema. Em um segundo momento, classificamos os autores de acordo com a
quantidade de publicações nos eventos, destacamos os pesquisadores que possuíam o mínimo
de cinco publicações. Em um terceiro momento, olhamos para os níveis de escolaridades
tratados nos artigos. Por último, no quarto momento, elaboramos uma classificação sobre o
que as pesquisas no âmbito da Modelagem Matemática têm tratado. Nesse contexto,
destacamos os rumos que seguem as pesquisas em Modelagem Matemática no estado do
Paraná. Destacam-se pesquisas de caráter bibliográfico, análises, descrições e propostas de
atividades de modelagem matemática, bem como discussões sobre práticas docentes com
modelagem matemática. Por fim, sinalizamos a necessidade de pesquisas com temáticas
relacionadas à Formação Continuada e a Educação Infantil.

Palavras-chave: Educação Matemática, Modelagem Matemática, Cenário Científico, EPREM.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo aborda parte de um conjunto de pesquisas -desenvolvidas pelo Grupo de


Estudo e Pesquisa em Educação Matemática – GEPIEEM, no intuito de investigar, sob
diferentes óticas, as discussões sobre Modelagem Matemática presentes nas produções
científicas dos últimos anos.
Pesquisas de caráter bibliográfico podem trazer contribuições no mapeamento de pesquisas
produzidas em determinada temática, bem como no indicativo dos rumos que a área segue e da
carência de pesquisas em determinadas linhas de pesquisa. Nesse contexto Silveira (2007),
Klüber e Burak (2012), Klüber (2012), Seki, Silva e Pereira (2016), são pesquisas desse caráter
que abordam a Modelagem Matemática. Em sua dissertação, Silveira (2007) mapeou as teses e
dissertações produzidas no período de 1976 a 2005 no Brasil, e se propôs a discutir os relatos
dos pesquisadores a respeito da Modelagem Matemática e da Formação de Professores. O artigo
de Klüber e Burak (2012) buscou evidenciar alguns aspectos relacionados a pesquisa qualitativa
em Modelagem Matemática no âmbito da Educação Matemática no Brasil, com base nos
trabalhos publicados no III Seminário Internacional de Pesquisa em Educação Matemática –
SIPEM, realizado no ano de 2006. Na tese de Klüber (2012), o autor aborda a interrogação: “O
que é isto: a Modelagem Matemática na Educação Matemática?”, para isso o mesmo apoiou-se
na visão fenomenológico-hermenêutica de pesquisa e analisou trabalhos de oitos autores
relevantes na academia. O artigo de Seki, Silva e Pereira (2016) apresenta uma análise dos
artigos publicados nos anais de quatro eventos importantes para a Educação Matemática, que
possuíam foco temático na Modelagem Matemática e Formação Continuada de Professores.
Neste artigo, apresentamos um olhar sobre as pesquisas que abordam a Modelagem
Matemática publicadas nos anais das XI, XII e XIII edições do Encontro Paranaense de
Educação Matemática (EPREM). A Modelagem Matemática é um dos eixos temáticos para
submissão de artigos do EPREM, o que possibilita aos pesquisadores, professores e estudantes
de pós-graduação discutirem e apresentarem pesquisas produzidas em torno desta temática.
O EPREM é considerado um evento importante para a Educação Matemática no estado do
Paraná e é realizado desde 1989, em diferentes sedes com diversos temas. O histórico do evento
conta com treze edições. As primeiras edições I, II e III foram realizadas de forma independente
nos anos de 1989, 1990 e 1995. Já da IV à XIII edição o evento contou com o apoio da
Sociedade Brasileira de Educação Matemática, regional Paraná (SBEM-PR), sendo que o IV e
V evento ocorreram na cidade de Curitiba, nos anos 1996 e 1999 respectivamente, e as edições
de VI a XIII, nas cidades de Londrina – 2000, Foz do Iguaçu – 2002, Ponta Grossa – 2004,
Assis Chateubriand – 2007, Guarapuava – 2009, Apucarana – 2011, Campo Mourão – 2014 e
Ponta Grossa em 2015 (SBEM-PR, 2015).
Nas seções que se segue, iniciaremos apresentando alguns debates em Modelagem
Matemática, bem como seus diferentes entendimentos e a discussões atuais. Em seguida,
abordamos os quatros momentos, no qual encaminhou nossa pesquisa. Por fim, efetuamos
algumas considerações de ordem teórica, embasadas nos artigos publicados.

2 SOBRE OS DEBATES EM MODELAGEM MATEMÁTICA

Ao falar sobre Modelagem Matemática é preciso fazer uma distinção entre Modelagem
Matemática enquanto método de pesquisa científica e Modelagem Matemática quando utilizada
com fins educacionais. Originalmente a modelagem matemática surge no primeiro contexto e
posteriormente passa a ser reconhecida no segundo contexto.
Segundo Bassanezi (2002) como método científico a Modelagem Matemática é utilizada
pelas ciências naturais com a finalidade de desenvolver modelos matemáticos explicativos,
descritos e prescritivos ao modelar fenômenos físicos, biológicos, químicos, entre outros. Ainda
para o autor, “nesta área a matemática tem servido como base para modelar, por exemplo, os
mecanismos que controlam a dinâmica de populações, a epidemiologia, a ecologia, a
neurologia, a genética e os processos fisiológicos” (BASSANEZI, 2002, p. 19).
As discussões em torno da Modelagem Matemática na Educação Matemática,
internacionalmente, começam a ganhar corpo a partir da década de 1960, em consonância com
o movimento “utilitarista”1. Nesta época, diversos eventos e grupos de pesquisa começam a
evidenciar o tema como foco de estudo. Dentre os eventos, podemos citar o International
Conference on the Teaching of Mathematical Modelling and Applications – ICTMA, congresso
realizado bianualmente. Em relação aos grupos de pesquisa, vale ressaltar Instituto para
Desenvolvimento de Educação Matemática – IOWO, liderado por Hans Freudenthall, com sede
na Holanda, e outro, coordenado por Bernhelm Boos e Mogens Niss, na Dinamarca
(BIEMBENGUT, 2009).
Nacionalmente, a Modelagem Matemática na Educação Matemática começa a ganhar
destaque, quase ao mesmo tempo que no âmbito internacional, principalmente devido a
esforços dos professores Ubiratan D’ Ambrosio, Rodney C. Bassanezi, João Frederico Mayer,
Marineuza Gazzetta e Eduardo Sebastiani, que a divulgaram por todo Brasil, permitindo o início
do que viria a ser uma das linhas de pesquisa no âmbito da Educação Matemática, isto porque,
nas últimas três décadas, a Modelagem Matemática têm sido tema de diversas dissertações e
teses, além das inúmeras publicações em periódicos e eventos (idem, 2009).
Na Educação Matemática, diferentes entendimentos sobre Modelagem Matemática são
veiculados. Para Barbosa (2001, p. 31), a Modelagem Matemática “é um ambiente de
aprendizagem no qual os alunos são convidados a indagar e/ou investigar, por meio da
matemática, situações com referência na realidade”. Para Burak (1992, 2004), a Modelagem
Matemática pode ser entendida com uma metodologia de ensino para a Matemática, na qual a
escolha do tema parte do interesse dos alunos. Almeida, Silva e Vertuan (2012, p. 17)
consideram a Modelagem Matemática como “uma alternativa pedagógica na qual fazemos uma
abordagem, por meio da Matemática, de uma situação-problema não essencialmente
Matemática”.
A Modelagem Matemática quando utilizada para fins educacionais (SPINA, 2002,
FERRUZZI, 2003, SILVA, 2008, ALMEIDA; BRITO, 2005, VERTUAN, 2007, entre outros)
possui diversas contribuições para os processos de ensino e de aprendizagem, tais como as
possibilidades de os alunos estabelecerem relações entre a Matemática e outras áreas do
conhecimento (SPINA, 2002, SILVA, 2008), construírem conceitos matemáticos (FERRUZZI,
2003) e participarem mais ativamente durante as aulas (VERTUAN, 2007).
No que diz respeito as discussões atuais em Modelagem Matemática, pesquisas como a de
Scheller, Bonotto e Biembengut (2015), Bisognin e Bisognin (2012) e Barbosa (2004)
sinalizam uma tendência de refletir sobre a Modelagem Matemática e formação de professores
(inicial ou continuada). Outras pesquisas, como a de Kaiser e Sriraman (2006) e Galbraith
(2012), trazem reflexões sobre as perspectivas e os gêneros da Modelagem Matemática.
Na próxima seção relataremos os procedimentos utilizados nesta pesquisa, como os
critérios de seleção de dados, a sistematização dos dados e algumas discussões sobre os
principais autores e os níveis de escolaridade aos quais foram desenvolvidas as pesquisas
publicadas nos anais dos EPREM.

3 O DELINEAR DA PESQUISA

Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa (BOGDAN;


BIKLEN, 1994) na medida em que se propõe a compreender significados e características de
determinado objeto de estudo, preservando suas complexidades e peculiaridades. De acordo
com Bogdan e Biklen (1994) uma das características dessa abordagem metodológica é que o
ambiente natural é a fonte direta de dados e o pesquisador constitui-se como instrumento
fundamental na pesquisa. Em decorrência disso, a pesquisa foi desenvolvida em quatro
momentos.

1
Definido como aplicação prática dos conhecimentos matemáticos para a ciência e a sociedade que impulsionou
a formação de grupos de pesquisadores sobre o tema (BIEMBENGUT, 2009, p. 8).
Em um primeiro momento, selecionamos os artigos publicados nas modalidades
comunicação científica, relato de experiência e pôster dos anais do XI, XII e XIII EPREM que
possuíam como foco principal aspectos relacionados a Modelagem Matemática no âmbito da
Educação Matemática. Para isto, utilizamos como critério de seleção os trabalhos que possuíam
em seus títulos pelo menos um dos termos “modelagem matemática”, “modelação” e “modelo
matemático”. A quantidade de dados foi organizada no Tabela 1.

Tabela 1 - Quantidade de artigos encontrados

Edição do Evento Modalidades de publicação Quantidade Total


Comunicação Científica 8
XI EPREM Relato de experiência 6 14
Pôster 0
Comunicação Científica 15
XII EPREM Relato de Experiência 8 25
Pôster 2
Comunicação Científica 20
XIII EPREM Relato de Experiência 8 29
Pôster 1
Fonte – Os autores

Podemos observar uma predominância das comunicações científicas nas três edições do
evento. Outra observação, é que no período de realização das três edições houve um aumento
das publicações em Modelagem Matemática, o que mostra sua ascensão como tema de interesse
dos pesquisadores.
No segundo momento, selecionamos os pesquisadores que possuíam no mínimo cinco
publicações, totalizadas nas três edições. Esta categorização mostra a área de concentração das
pesquisas em Modelagem Matemática no estado do Paraná e também os autores com maiores
quantidades de publicações no EPREM.
Neste contexto, destacam-se pesquisadores dos grupos de pesquisa: Grupo de Pesquisa
sobre Modelagem Matemática e Educação Matemática (GRUPEMMAT/UEL); Grupo de
Estudo e Pesquisa em Educação Matemática (GEPIEEM/ UENP); Grupo de Pesquisa e Ensino
em Educação Matemática (GEPEEM/UNICENTRO); Grupo de Estudo e Pesquisa em
Aprendizagem da Matemática (GEPAM/UEPG); Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação
Matemática (UEPG); Grupo de Estudo e Pesquisa em Ensino e Aprendizagem de Matemática
(GEPEAM/UTFPR); Grupo da Fronteira de Ensino e Pesquisa em Educação Matemática
(GFEPEM/UFMS); Grupo de Pesquisa em Educação Matemática, Tecnologias e Ensino de
Ciências (GPEMTEC/UEM); Grupo Interdisciplinar de Estudos em Modelagem na Educação
Matemática (GIEMEM/UEM); Grupo de Pesquisa e Ensino em Educação Matemática
(GEPEEM/UNICENTRO).
As instituições de Ensino Superior (IES) dos grupos de pesquisa apresentados podem
nos mostrar quais regiões no Estado do Paraná, concentraram maiores quantidades de pesquisas
produzidas, em relação a Modelagem Matemática, publicadas nos anais do EPREM. Tais
universidades possuem campus, localizados no Norte, Noroeste, Centro e Centro-Oeste do
Paraná. Entretanto, vale destacar que outras regiões além destas podem estar desenvolvendo
pesquisas sobre a temática.
No terceiro momento de nossa pesquisa, categorizamos os artigos obtidos de acordo com
as categorias: Educação Infantil, Educação Básica, Ensino Superior, Formação Continuada e
Estudos Teóricos, conforme o Tabela 2.
Tabela 2 – Categorização

Modalidade de publicação
Categorias Comunicação Relato de Total
Pôster
Científica experiência
Educação Infantil e Anos Iniciais
2 1 0 3
do Ensino Fundamental
Educação Básica 14 13 0 27
Ensino Superior 14 4 1 19
Formação continuada 5 4 0 9
Diferentes níveis de escolaridade 1 0 0 1
Estudos teóricos independente
7 0 2 9
dos níveis de escolaridade
Total 44 22 3 68
Fonte – Os autores

No Tabela 2 é possível visualizar maior quantidade de artigos publicados no âmbito da


Educação Básica e do Ensino Superior. Outro aspecto observado, é a tímida quantidade de
trabalhos realizados com enfoque na Educação Infantil e Formação Continuada. Em uma
pesquisa feita por Martens e Klüber (2016), os autores sinalizam a necessidade de novos estudos
em relação a formação inicial e continuada de professores da Educação Infantil
No quarto momento, após uma leitura cuidadosa dos artigos os classificamos de acordo
com seus focos temáticos (Tabela 3).

Tabela 3 - Focos temáticos

Focos temáticos Quantidade


Pesquisas de caráter bibliográfico 17
Análises de atividades de modelagem matemática sob diferentes
21
óticas
Descrições e propostas de atividades de modelagem matemática 17
Discussões sobre práticas docentes com Modelagem Matemática 13
Fonte – Os autores

Os focos temáticos destacados na Tabela 3 podem nos apresentar os rumos que seguem as
pesquisas em Modelagem Matemática no EPREM. Neste viés, apresentaremos, na próxima
seção, um olhar sobre os dados coletados.

4 UM OLHAR PARA OS DADOS

4.1 Pesquisas de caráter bibliográfico

Os dezessetes trabalhos de caráter bibliográfico apresentam de alguma maneira reflexões


a partir de mapeamentos sobre anais de eventos, publicações em periódicos e produções de
teses e dissertações. Por exemplo Tortola, Silva e Almeida (2011) abordam uma análise sobre
os trabalhos publicados nos anais do IV Encontro Paranaense de Modelagem Matemática em
Educação Matemática (EPMEM) à luz das perspectivas elencadas por Kaiser e Sriraman
(2016).
Já Tambarussi e Klüber (2014) olham para diferentes características de teses e dissertações
produzidas em torno da temática Formação Continuada de professores em Modelagem
Matemática.
Essas pesquisas de caráter bibliográfico, assim como outras aqui classificadas, buscam
efetuar considerações sobre um conjunto de pesquisas em Modelagem Matemática e viabilizam
mapear a área de Modelagem Matemática na Educação Matemática, seja com vistas ao futuro,
seja com vistas à organização do que já tem produzido.

4.2 Análises de atividades de modelagem matemática sob diferentes óticas

Os artigos selecionados no segundo foco temático abordam o desenvolvimento de


atividades de modelagem matemática no contexto escolar e já propostas na literatura da área.
Do primeiro caso, podemos citar Mendes, Palharini e Pereira (2015) que analisaram os
diferentes tipos de pensamento algébrico revelados por alunos de diferentes níveis de
escolaridade no desenvolvimento de uma atividade de modelagem matemática. Do segundo
caso, Oliveira e Almeida (2015) buscam olhar para os aspectos epistemológicos, embasado na
perspectiva socioepistemológica, no desenvolvimento de uma atividade apresentada em um
livro didático.
Ao nomearmos o segundo foco temático como “Análises de atividades de Modelagem
Matemática sob diferentes óticas” o termo “ótica” é utilizado para deferir os diferentes tópicos
analisados pelos artigos, tais óticas evidenciadas nos dados foram: a realidade, aspectos
epistemológicos, dialética ferramenta-objeto, registros de representação semiótica,
procedimentos em atividades de modelagem matemática, contribuições da Modelagem
Matemática para o processo de aprendizagem de conceitos matemáticos, conflitos cognitivos,
filosofia da linguagem, invariantes operatórios, mapas conceituais, constituição de identidade,
pensamento algébrico, concepções de Matemática, modos de inferência, ciclos de Modelagem
Matemática, uso das tecnologias de informação.

4.3 Descrições e propostas de atividades de modelagem matemática

No terceiro foco temático, os artigos descrevem e/ou propõem o desenvolvimento de


atividades de modelagem matemática, destacando os possíveis conceitos matemáticos que
podem ser trabalhos, bem como sugerem níveis de escolaridade para o uso de tais atividades.
Nessa categoria, Kazulle, Gomes e Silva (2011) propõe uma atividade de modelagem
matemática no intuito de contribuir para a conscientização dos alunos frente aos problemas
ambientais. Estes os autores sinalizam possíveis conteúdos matemáticos do Ensino Médio que
podem ser abordados na atividade, tal como a função exponencial. Outro exemplo, Butcke e
Tortola (2015) relatam a experiência com uma atividade de modelagem matemática
desenvolvida por alunos do 5º ano de Ensino Fundamental, em que os mesmos foram
convidados a investigar o quanto de água gastam em ações rotineiras como larvar a mão e
escovar os dentes.
Nos outros artigos, com este foco temático, os níveis de escolaridade envolvidos foram:
Ensino Fundamental: Anos Iniciais, Ensino Fundamental: Anos Finais, Ensino Médio, Ensino
Superior e Formação Continuada.
No que diz respeito aos conceitos matemáticos sugeridos pelos autores podemos citar:
diferentes tipos de funções, relações trigonométricas no triângulo retângulo, sistemas de
equações, conceitos geométricos, assíntotas, álgebra. Estes conceitos matemáticos em
atividades de modelagem matemática podem ser construídos e não somente utilizados
(FERRUZZI, 2003).
Notamos os seguintes temas das atividades propostas ou desenvolvidas: meio ambiente,
consumo de água, altura de objetos inacessíveis na escola, tabagismo, trajetória de uma
catapulta, área de praças públicas, projeções do Ideb do Ensino Médio, lavagem de um
automóvel, presença da ritalina no organismo. Aids, mobilidade urbana. Os diferentes temas
envolvidos nas atividades corroboram para os apontamentos de Spina (2002) e Silva (2008),
em que uma das contribuições da Modelagem Matemática colocadas pelas autoras é a de
possibilitar aos alunos tecerem relações entre a Matemática e outras áreas do conhecimento.

4.4 Discussões sobre práticas docentes com Modelagem Matemática

No quarto foco temático, selecionamos os artigos que apresentavam discussões sobre


práticas docentes com Modelagem Matemática. De modo geral, tais artigos trazem
investigações sobre as dificuldades e contribuições manifestadas por professores que utilizaram
a Modelagem Matemática em suas práticas docentes.
A pesquisa de Kaviatkovski e Burak (2011), categorizada neste foco temático, apresenta
algumas dificuldades e contribuições no uso da Modelagem Matemática enquanto metodologia
de ensino nos anos iniciais. Para isso, os autores coletaram depoimentos de professores
participantes de um curso de formação continuada em Modelagem Matemática. As dificuldades
manifestadas foram: falta de embasamento teórico, grande quantidade de conteúdos
matemáticos a serem trabalhados durante o ano letivo, insegurança por parte dos professores e
alunos. Já as contribuições ressaltadas nas falas dos professores foram: caráter interdisciplinar
da Modelagem Matemática, propicia o interesse dos alunos, desenvolve a criatividade dos
alunos.
Para além dos dados, outras pesquisas também sinalizam algumas dificuldades encontradas
pelos professores ao tentar inserir a Modelagem Matemática em suas práticas docentes
(ALMEIDA; SILVA; VERTUAN, 2012, BISOGNIN; BISOGNIN, 2012, BARBOSA, 2004,
entre outros). Segundo Almeida, Silva e Vertuan (2012) uma das dificuldades é a transição de
uma “zona de conforto” para uma “zona de risco” o que pode gerar certa insegurança ao
professor. Bisognin e Bisognin (2012) destacam a grande quantidade de conteúdos que o
professor precisa cumprir, o que diminui a quantidade de tempo para trabalhar com atividades
do tipo. De acordo com Barbosa (2004) uma das dificuldades está associada com a
imprevisibilidade ao utilizar a Modelagem Matemática em sala de aula.
As contribuições da Modelagem Matemática apresentadas pelo artigo vão ao encontro das
pesquisas de Spina (2002), Ferruzzi (2003), Silva (2008), Almeida e Brito (2005) e Vertuan
(2007).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na finalidade de apresentar um olhar sobre as pesquisas em Modelagem Matemática no


principal evento de Educação Matemática no Estado do Paraná, configurou-se como objeto de
estudo os anais do XI, XII, XIII edições do EPREM, realizados nos anos de 2011, 2014 e 2015.
Com base no terceiro momento, destacamos a necessidade de esforços de pesquisadores e
professores, na busca de novos olhares para a Educação Infantil e anos iniciais do Ensino
Fundamental, como já destacado por Martens e Klüber (2016) e também para formação
continuada, como também evidenciado por Seki, Silva e Pereira (2016). Visto a tímida
quantidade de publicações nestas categorias.
Os focos temáticos apresentados no quarto momento ressaltam os rumos que seguem as
pesquisas em Modelagem Matemática no EPREM. As pesquisas de caráter bibliográfico podem
clarear caminhos e apresentar informações sobre o andamento de determinadas linhas de
pesquisa. Os artigos que apresentam análises de atividades de modelagem matemática podem
contribuir para compreender aspectos específicos envolvidos no fazer Modelagem Matemática
sob diferentes óticas. Os artigos que se propõem descrever ou propor atividades de Modelagem
Matemática podem auxiliar o professor no planejamento de aulas de Modelagem Matemática,
com o desenvolvimento de atividades e indicativos sobre os níveis de escolaridade para o seu
uso e possiveis conceitos matemáticos a serem trabalhados. Por fim, em relação aos artigos que
apresentam discussões sobre práticas docentes com Modelagem Matemática ressaltam, de
maneira geral, as contribuições e dificuldades relatadas por professores ao integrar a
Modelagem Matemática em suas práticas docentes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, L. M. W.; BRITO, D. Atividades de modelagem matemática: que sentido os


alunos podem lhe atribuir? Ciência & Educação, Bauru, v. 11, n. 3, p.483-497, 2005.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ciedu/v11n3/10.pdf>. Acesso em: 02 jun. 2015.

_________________; SILVA, K. P.; VERTUAN, R. E. Modelagem Matemática na


Educação Básica. São Paulo: Contexto, 2012.

ARAÚJO, J. L. Brazilian research on modelling in mathematics education. The


International Journal on Mathematics Education, v.42, n.3, p.337-348, 2010.

BARBOSA, J. C. Modelagem Matemática: concepções e experiências de futuros


professores. 2001. 254 f. Tese (Doutorado) - Curso de Educação Matemática, Geociência e
Ciência Exata, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2001b.

______________. As relações dos professores com a Modelagem Matemática. In:


ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA, 8, 2004, Recife. Anais...
Recife: SBEM, 2004. CD-ROM.

BASSANEZI, R. C. Ensino-aprendizagem com modelagem matemática. 1. ed., São Paulo:


Editora Contexto, 2002.

BIEMBENGUT, M. S. 30 Anos de Modelagem Matemática na Educação Brasileira: das


propostas primeiras às propostas atuais. Alexandria: Revista de Educação em Ciência e
Tecnologia, Florianópolis, v. 2, n. 2, p.7-32, jul. 2009.

BISOGNIN, E.; BISOGNIN, V.; Percepções de Professores sobre o Uso da Modelagem


Matemática em Sala de Aula. Boletim de Educação Matemática, Rio Claro, v. 26, n. 43,
p.1049-1079, ago. 2012.

BOGDAN, R., BIKLEN, S. K. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à


teoria e aos métodos. Portugal: Editora Porto, 1991.

BURAK, D. Modelagem matemática: ações e interações no processo de ensino-


aprendizagem. 1992. 130 f. Tese (Doutorado) – Programa de pós-graduação em educação,
Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1992.

__________. Modelagem Matemática e a sala de aula. In: Encontro Paranaense de


Modelagem em Educação Matemática, 1., 2004, Londrina. Anais. Londrina: UEL, 2004. p. 1-
10, 2004.

FERRUZZI, E. C. A Modelagem Matemática como estratégia de ensino e aprendizagem


do Cálculo Diferencial e Integral nos Cursos Superiores de Tecnologia. 2003. 154 f.
Dissertação (Mestrado) - Curso de Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção e
Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.

GALBRAITH. Models of Modelling: Genres, Purposes or Perspectives. Journal of


Mathematical Modelling and Application, vol. 1, n. 5, 3-16, 2012.
KAISER, G.; B. SRIRAMAN. A global survey of international perspectives on modelling in
mathematics education. ZDM, 38, 3, 302-310, 2006.

KLÜBER, T. E.; BURAK, D. Sobre a pesquisa qualitativa na modelagem matemática em


educação matemática. Rio Claro: Bolema – Boletim de Educação Matemática, v.26, n.43,
p.111-133, ago. 2012.

KLÜBER, T. E. UMA METACOMPREENSÃO DA MODELAGEM MATEMÁTICA


NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA. 2012. 396 f. Tese (Doutorado) - Curso de Programa de
Pós-graduação em Educação Científica e Tecnológica, Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis, 2012.

SCHELLER, M.; BONOTTO, D. L.; BIEMBENGUT, M. S. Formação Continuada e


Modelagem Matemática: Percepções de Professores. Educação Matemática em
Revista, Sbem, v. 20, n. 46, p.16-24, set. 2015.

SEKI, J. T. P.; SILVA, A. C.; PEREIRA, R. S. G. FORMAÇÃO CONTINUADA E


MODELAGEM MATEMÁTICA: UM ESTUDO DOS ANAIS DE EVENTOS DA
EDUCAÇÃO MATEMÁTICA. In: Encontro Nacional de Educação Matemática, 13., 2016,
São Paulo. Anais... São Paulo: UNICSUL, 2016. p. 1–13.

SILVEIRA, E. Modelagem matemática em educação no Brasil: entendendo o universo de


teses e dissertações. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal do Paraná,
Curitiba, 2007.

SILVA, K. A. P. da. Modelagem matemática e semiótica: algumas relações. 2008. 225 f.


Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática) – Universidade
Estadual de Londrina, Londrina, 2008.

SPINA, C. de O. C. Modelagem matemática no processo ensino e aprendizagem do


cálculo diferencial e integral para o ensino médio. 2002. 162 f. Dissertação (Mestrado) -
Curso de Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Campus de Rio Claro, Universidade
Estadual Paulista, Rio Claro, 2002.

VERTUAN, R. E. Um olhar sobre a modelagem matemática à luz da teoria dos registros


de representação semiótica. 2007. 140 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado em
Ensino de Ciências e Educação Matemática, Universidade Estadual de Londrina, Londrina,
2007.
A LOOK FOR RESEARCH IN MATHEMATICAL MODELLING FROM
PARANÁ

Abstract: In this paper, we present a study based in the annals of the last three editions of the
Mathematics Education Paranaense Meeting (EPREM). Considered the most important event
of the area in the Paraná state, EPREM has been conducted since 1989 and enables
researchers, professors, undergraduates and graduate students to discuss and disseminate
research different topics including Mathematical Modeling, focus of this article. To clarify a
view on Mathematical Modeling research in Paraná state the research was developed in four
moments. At first, we conducted a literature review of papers published in the annals edition of
XI, XII and XIII EPREM that containing the term Mathematical Modeling in the subject. In a
second moment, we classified the mainly authors of the event according to the number of
publications in the event editions, we considered the researchers who possessed the minimum
of five papers. In a third moment, we focused in the education levels treated in the analyzed
papers. Finally, during the fourth moment, we create a classification emphasizing what
research regarding Mathematical Modeling showed over the last EPREM editions. In this
context, we highlight the paths that follow the research in Mathematical Modeling in the
Paraná state. Stand out bibliographical research, the analysis, descriptions and proposals for
mathematical modeling activities, and discussions about teaching practices with Mathematical
Modeling. Finally, we signaled research necessities on issues related to Continuing Education
and Early Childhood Education.

Keywords: Mathematics Education, Mathematical Modeling, Scientific Scenario, EPREM.

Você também pode gostar