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UFCD 6703

ECONOMIA PORTUGUESA EM CONTEXTO INTERNACIONAL


Objetivos

• Reconhece os conceitos económicos associados à organização económica a nível


mundial.
• Aplica os conceitos económicos de integração e regionalização.
• Utiliza os instrumentos económicos para interpretar a realidade económica portuguesa
e da União Europeia.

Comercio Internacional

O comércio internacional é o conjunto de operações comerciais realizadas entre países e que


são regidas por normas estabelecidas em acordos internacionais. O conceito pode referir-se
quer à circulação de bens e de serviços como ao movimento de capitais.

Fatores de desenvolvimento do comercio internacional


- O mercado, que possibilita o intercâmbio comercial entre consumidores e produtores;
- A procura, decisão de adquirir uma determinada quantidade de um bem ou serviço, por parte
dos consumidores;
- A oferta, que consiste na quantidade de bens que os produtores disponibilizam ao mercado.

As trocas comerciais que se realizam dentro das fronteiras de um país são denominadas de
comércio interno.
Quando as trocas se estabelecem de um país para outros, falamos de comércio externo.

Comércio
interno Comércio
Externo

As relações de troca comercial, a nível internacional, desenvolvem-se, por meio de:


- Importações (aquisição de bens e serviços fora do país);
- Exportações (venda de mercadorias e serviços aos outros países).
Comércio externo e comércio Internacional
Porque existe comércio externo?
- A produção nacional é insuficiente para assegurar o comércio interno;
- O produto não é produzido no país;
- Apesar do produto ser produzido no país, importá-lo é mais benéfico um vez
que é mais barato e de melhor qualidade.

Comércio externo ≠ comércio internacional


Comércio externo: utiliza-se para designar o comércio entre um país e os outros.
Por exemplo: comércio externo português
Comércio internacional: utiliza-se para designar o comércio entre países em
geral.

Troca de bens, serviços e capitais


Com base nas vantagens que cada país dispõe para a produção de certos bens, esta tem
aumentado, dando origem a trocas internacionais que, nas últimas décadas, se têm
desenvolvido em grande escala devido à globalização (expansão da produção e do
comércio a nível mundial) e à defesa do comércio sem fronteiras.
As trocas entre países podem incluir mercadorias, serviços e capitais.

As relações económicas internacionais justificam-se com base nos seguintes fatores:


Divisão internacional do trabalho: os países especializam-se na produção dos bens para
os quais têm vantagens (absolutos ou relativas), em troca de outros em que não
apresentam essas vantagens.
Estratégia de crescimento económico: ao produzirem-se bens, de acordo com as
vantagens de cada país, estes aumentarão a sua produção, o seu rendimento e o seu
bem-estar.
Globalização: o alargamento das relações económicas entre países é um fator
incompatível com o isolamento comercial.

A Balança de Pagamentos
É onde se registam as trocas de bens, serviços e capitais entre uma economia e o Resto
do Mundo. Relativamente a Portugal, este documento é realizado pelo Banco de
Portugal.

Balança Corrente Balança de Mercadorias


Balança Balança de Capital Balança de Serviços
de Balança Financeira Balança de Rendimentos
Pagamentos Erros e Omissões Balança de Transferências
O registo das trocas
Na Balança de Pagamentos apenas se registam os fluxos monetários ou financeiros.
Uma compra ao Resto do Mundo, ou seja, as importações registam-se na coluna
dos débitos.
Uma venda ao Resto do Mundo, ou seja, as exportações, registam-se na coluna
dos créditos.

A Balança Corrente
A Balança Corrente é uma das mais importantes rubricas da Balança de Pagamentos e
resulta do conjunto de quatro balanças: Balança de Mercadorias; Balança de Serviços,
Balança de Rendimentos e Balança de Transferências Correntes.
Na Balança Corrente registam-se os movimentos de entrada e saída de fluxos
monetários correspondentes a mercadorias, serviços, rendimentos de trabalho e
investimento e transferências correntes públicas e privadas.

Balança de Mercadorias
Na rubrica Mercadorias registam-se os fluxos correspondentes às exportações e
importações de mercadorias.
As exportações de bens serão sempre a crédito e as importações de bens serão sempre
a débito.
Saldo superavitário: quando a diferença entre os créditos e os débitos é positiva, ou seja,
o valor das exportações é superior ao valor das importações.
Saldo deficitário: quando a diferença entre os créditos e os débitos é negativa, ou seja,
o valor das importações é superior a valor das exportações.
Saldo nulo: quando o valor das importações é igual ao valor das exportações.
A Balança de Mercadorias Portuguesa apresenta um défice crónico. Alguns fatores
justificativos são:
- a necessidade de importar bens
- o fraco crescimento da procura externa
- a exportação de grande percentagem de bens de pouco VA
- a deterioração dos termos de troca, associada à subida dos preços
internacionais do petróleo.

Taxa de cobertura
Taxa de cobertura: permite avaliar a capacidade de uma economia pagar as suas
importações com o valor das suas exportações.

Este indicador está relacionado com o saldo da Balança de Mercadorias.


Quanto maior for a taxa de cobertura, menor défice apresentará o saldo da Balança de
Mercadorias do país.
A situação ideal é aquela em que a taxa de cobertura é superior a 100% pois todas as
importações são pagas pelas exportações e ainda sobram divisas.
Operações de Câmbio
Divisa: moeda aceite como meio de pagamento nas trocas internacionais.
Ao efetuarem trocas comercias, os pagamentos são efetuados em moeda que seja
aceite pelos intervenientes.
Isto deve-se ao facto de nem todas as moedas nacionais serem aceites nas trocas
comerciais, por estarem sujeitas a flutuações frequentes ou à instabilidade das
respetivas economias.
Existem divisas fortes no mercado internacional como o dólar, a libra esterlina e o euro.

Câmbio
Taxa de câmbio: quantidade de moeda nacional que é necessário pagar por uma
unidade de moeda estrangeira.
A relação de troca entre as diversas moedas depende de inúmeros fatores, de entre os
quais destacamos o processo de inflação ou a política de desvalorização da moeda.

A desvalorização da moeda e a taxa de câmbio


Desvalorização da moeda: estratégia usada pelos governos para tornar mais
competitivas as exportações.
Desvalorização e depreciação da moeda: enquanto a desvalorização é uma medida
(protecionista) tomada intencionalmente pelos governos, a depreciação é uma
consequência (não desejada) resultante, por exemplo, da inflação.

Balança de Serviços
Nesta rubrica registam-se as trocas de serviços entre um país e o Resto do Mundo,
destacando-se, para Portugal, o turismo como fonte importante de receitas.
Também se registam os direitos de utilização, as trocas relativas a seguros, transportes,
saúde, etc.

Balança de Rendimentos
Nesta rubrica registam-se as entradas e saídas de fluxos relativos aos rendimentos do
trabalho e do investimento.

Balança de Transferências Correntes


Nas relações entre um país e o Resto do Mundo também se estabelecem relações
económicas, que se traduzem em fluxos monetários, de entrada e saída, os quais não
têm qualquer contrapartida real, isto é, não resultam de qualquer pagamento ou
recebimento (por exemplo: as remessas dos emigrantes, os fundos comunitários, ...)
A Balança de Transferências Correntes é constituída por duas componentes:
Nas Transferências Públicas registam-se as transferências em que um dos intervenientes
é o Estado Português. Ex: Fundo Social Europeu.
Nas Transferências Privadas registam-se as transferências entre particulares. Ex:
Remessa de emigrantes.
O excedente das transferências correntes registado na Balança portuguesa, em
percentagem do PIB, tem baixado devido à diminuição das remessas dos emigrantes e
ao aumento das remessas dos imigrantes.
Integração Económica

Noção de integração económica

Consiste num processo de abolição das barreiras comerciais entre dois ou mais mercados
nacionais (países), anteriormente separados e de dimensões unitárias consideradas pouco
adequadas, unem-se para formar um só́ mercado, de dimensão mais adequada e com
características próprias.

Vantagens da integração económica

• Uma maior eficiência na afetação dos recursos de cada economia;


• Uma maior possibilidade de alcançar o pleno emprego dos fatores de produção;
• Uma maior possibilidade de garantir o crescimento económico;
• Um aumento da produção devido à divisão do trabalho e à especialização efetuada;
• Uma maior circulação da inovação e dos avanços tecnológicos.

Integração económica formal: quando esta é definida formalmente através do estabelecimento


de acordos entre dois ou mais países.

Integração económica informal: quando dois ou mais países estreitam as relações comerciais
entre si, sem que tenha sido estabelecido qualquer acordo escrito entre as partes.
FORMAS DE INTEGRAÇÃO ECONÓMICA

Sistema de preferências aduaneiras

Corresponde à forma mais simples de integração económica, em que dois ou mais países
concedem apenas entre si um conjunto de vantagens aduaneiras, que não são extensíveis a
países terceiros. (Commonwealth).

Zona de Comércio Livre

Trata-se de um acordo em que os países membros decidem eliminar entre si todas as barreiras
às trocas comerciais. No entanto, cada país mantém as suas próprias tarifas no que respeita ao
comércio com países terceiros, ou seja, na Zona de Comércio Livre não há́ uma pauta exterior
comum relativamente a países terceiros. (EFTA – European Free Trade Association e NAFTA –
North Atlantic Free Trade Association).

União Aduaneira

Nesta forma de integração, para além da abolição das barreiras aduaneiras e restrições
quantitativas à transação de produtos no interior da área, como na Zona de Comércio Livre, os
países membros ficam ainda obrigados à aplicação da mesma pauta tarifária no que respeita ao
comércio com países terceiros. (CEE – Comunidade Europeia Económica e BENELUX).

Mercado Comum

Constitui uma forma de integração mais profunda do que a união aduaneira, pois para além das
característicasdesta, não existem restrições à livre circulação de capitais, pessoas e serviços Este
estabelecimento da livre circulação de bens, pessoas e capitais entre os membros de um
mercado comum implica a adoção de políticas comuns, de forma a harmonizar os vários espaços
económicos e sociais e a minimiar os impactos da livre circulação. (Mercado Único criado pelo
Ato Único Europeu em 1987).
UNIÃO ECONÓMICA

Integração Económica Total

É constituída pelas mesmas características que o Mercado Comum, acrescida da implementação


de um conjunto de políticas económicas e sociais comuns, de forma a fazer desaparecer as
diferenças existentes entre os vários Estados-membros. (a CEE, com a assinatura do Tratado de
Maastricht, tornou-se um exemplo desta forma de integração – União Europeia).

Pressupõe que a união económica unifique também as políticas económicas, monetárias, fiscais,
sociais, cambiais, etc. Estas políticas comuns, coordenadas por instituições supranacionais,
passam a substituir as políticas nacionais, que veem assim reduzido o seu campo de ação. Esta
forma de integração introduz ainda uma moeda única para o espaço económico. (a União
Europeia é o exemplo que mais se aproxima deste caso).

O processo de integração na Europa

No final da 2ª Guerra Mundial, a Europa encontrava-se completamente destruída, pelo que era
urgente e necessária a sua recuperação. Os EUA ofereceram a sua ajuda financeira através do
Plano Marshall, que consistiu na atribuição de um conjunto de capitais, a taxas de juro muito
baixas e em bens de equipamento necessários à reconstrução da indústria e de todo a aparelho
produtivo. Para coordenar e administrar a atribuição deste vasto conjunto de capitais foi criada
a OECE – Organização Europeia de Cooperação Económica, que para além de ter administrado
a ajuda americana, mostrou também que era possível a existência de uma Europa unida, pela
via da paz e da cooperação.

Em 1951, com a assinatura do Tratado de Paris, é criada a CECA – Comunidade Europeia do


Carvão e do Aço, formada por 6 países: Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Itália, França e RFA
(República Federal da Alemanha). A ideia era colocar dois bens fundamentais à reconstrução da
Europa sob uma gestão comum, tendo como objetivo principal liberalizar as trocas destes dois
produtos entre os países signatários do Tratado. Esta era uma instituição supranacional, ou seja,
independente, política e financeiramente, dos governos.

A CECA abriu caminho para a futura constituição da CEE – Comunidade Económica Europeia e
para a criação da EURATOM – Comunidade Europeia da Energia Atómica, ambos instituídos
com a assinatura do Tratado de Roma em 1957.

Objetivos da EURATOM:

• Estimular a cooperação no campo da energia atómica;


• Assegurar a sua utilização para fins pacíficos;
• Participar para a diminuição da dependência energética da Europa Ocidental
Objetivos da CEE:

• Criação de uma união aduaneira


• Construção de um mercado comum
• Adoção de políticas comuns
• Instituição de um Banco Europeu de Investimentos

Nos anos 70 as economias dos países-membros começam a dar alguns sinais de abrandamento
e de crise, devido a fatores como:

• Crise petrolífera que atingiu fortemente a Europa, dada a sua dependência energética;
• Intensificação da concorrência mundial, em particular dos países do Sudoeste Asiático;
• Pouca flexibilidade do mercado de trabalho dos países-membros;
• Menor capacidade de resposta às alterações da conjuntura internacional.

O ATO ÚNICO

Com vista a relançar e aprofundar o processo de integração, e num cenário mundial de


recuperação económica e aumento da concorrência internacional, é criado o Ato Único Europeu
(entrou em vigor em 1987 com a revisão do Tratado de Roma).

Objetivos

• Concretização da criação de um mercado único, abolição de todas as barreiras físicas, técnicas


e fiscais existentes entre os Estados-membros de forma a instituir o Mercado Único Europeu em
1993, prevendo-se a livre circulação de mercadorias, pessoas, serviços e capitais;

• Reforço da coesão económica e social, de forma a reduzir as desigualdades entre


regiões através da aplicação de fundos estruturais (FEOGA, FEDER, FSE);
• Reforço da cooperação em matéria monetária, através do Sistema Monetário Europeu,
com vista à União Monetária;
• Harmonização das regras relativas às condições de trabalho, higiene e segurança;
• Reforço da investigação e desenvolvimento (I&D), de forma a aumentar a
competitividade da indústria europeia;
• Proteção do ambiente, através de ações de prevenção e de legislação comunitária;
• Reforço das instituições comunitárias, através da criação do Conselho Europeu, do
reforço dos poderes do Parlamento Europeu e do alargamento das competências da
Comissão Europeia.
Vantagens (previstas) da criação do Mercado Único

• A obtenção de economias de escala devido ao aumento da capacidade produtiva das


empresas e diminuição dos custos de produção (graças à introdução de novos processos
de gestão e de produção resultantes do I&D);
• A redução dos preços devido não só́ ao aumento da concorrência, mas também aos
efeitos decorrentes da abolição das fronteiras (deixarias de haver custos alfandegários
e monopólios nacionais);
• O aumento do investimento devido à liberalização dos serviços financeiros
(crescimento de empresas e criação de emprego);
• O aumento das importações extracomunitárias, principalmente dos países em
desenvolvimento (melhoria do comércio externo).

Custos e desafios da criação do Mercado Único

• Necessidade de adaptação das empresas aos novos contextos competitivos;


• Necessidade de regras de funcionamento de mercado comuns e de uma harmonização
fiscal;
• O agravamento das disparidades regionais, o que deveria ser combatido pelo reforço
dos fundos estruturais

• Aumento dos custos sociais decorrentes do aumento da concorrência (precarização do


trabalho ou menores regalias sociais dos trabalhadores);
• Prioridade do crescimento económico em detrimento da proteção ambiental.
O Tratado de Maastricht ou Tratado da União Europeia

Com a assinatura deste tratado, em 1992 (entrou em vigor em 1993), abandona-se a lógica da
integração apenas centrada na questão económica, para se introduzir também a via da
integração política e social. A então CEE passou a chamar-se Comunidade Europeia.

Este Tratado tinha fundamentalmente dois objetivos:


A criação de uma União Política
A criação de uma União Económica e Monetária.

A União Política

No âmbito da União Política são estabelecidos os seguintes objetivos:

• Criação de uma Política Externa e de Segurança Comum (PESC);


• Reforço de cooperação nos domínios da Justiça e Assuntos Internos;
• Instauração de uma cidadania europeia;
• Construção de uma Europa social;
• Novos campos de ação comunitária;
• Reforço da legitimidade democrática.
A União Económica e Monetária (UEM)

Para além da abolição de todas as fronteiras, era necessário derrubar outro obstáculo que agora
se colocava à livre circulação, a existência de diferentes moedas dos países-membros. Nesse
sentido, foi estabelecido como meta a alcançar a prazo, o estabelecimento de uma união
monetária e a adoção de uma moeda única em todo o espaço da comunidade. Foi então
adotado um plano para a concretização da UEM, composto por 3 etapas:

• 1ª Etapa: iniciou-se em 1990 e caracterizava-se pela adoção pela coordenação de


políticas económicas e monetárias tendentes à livre circulação de capitas e a atribuição
de fundos estruturais para corrigir os desequilíbrios estruturais.
• 2ª Etapa: iniciou-se 4 anos depois (1994) e envolvia a criação do Instituto Monetário
Europeu (IME), que visava a coordenação das políticas económicas e monetárias, a
garantia de estabilidade dos preços e a preparação para o nascimento do Banco Central
Europeu (BCE). Nesta fase foram também definidos os países aptos a passar à 3ª etapa
da UEM, os quais deveriam cumprir todos os critérios de convergência nominal.
• 3ª Etapa: deveria ter início em 1998 e marca a entrada em funcionamento da UEM, é
criada a moeda única e o BCE que substituiria o Instituto Monetário Europeu, passando
a ser responsável pela política monetária.
• As moedas nacionais seriam então substituídas pelo euro, a circulação do euro como
moeda física veio então a acontecer em janeiro de 2002.

Critérios de convergência nominal

Para poderem passar à 3ª etapa ou fase foram definidos um conjunto de critérios que os países
teriam de cumprir:

• Estabilidade de preços: a taxa de inflação média não poderia ultrapassar 1.5% da taxa
de inflação média verificada nos 3 países com melhores resultados em termos de
estabilidade de preços, ou seja, com menor inflação.
• Défices orçamentais: os défices de cada país não poderiam exceder 3% do PIB
(deveriam ser inferiores a 3% do PIB).
• Dívida Pública: não poderia ser superior a 60% do PIB.
• Estabilidade de cotações: a moeda nacional de cada país não poderia ter tido grandes
flutuações nos últimos dois anos, mantendo-se dentro da margem de flutuação prevista
pelo Sistema Monetário Europeu.
• Taxas de juro: as taxas de juro a longo prazo não poderiam exceder em mais de 2% a
média da taxa de juro a longo prazo dos 3 países com as taxas mais baixas.

A Zona Euro

É o espaço comum europeu onde circula a mesma moeda – o euro. É constituída atualmente
por 19 países, que utilizam o Euro como moeda nacional e que estão sujeitos às políticas cambial
e monetária determinadas pelo BCE.

Desafios da União Europeia na atualidade

As alterações ocorridas nas últimas décadas têm provocado profundas alterações em todo o
mundo: a globalização, o desenvolvimento das novas tecnologias da informação e comunicação
e o desmoronamento do bloco de Leste após a queda do Muro de Berlim.
Por um lado, com a abertura do bloco de Leste, a nova vaga de alargamentos tem causado
diversos problemas e exigido vário reestruturações. Para além do processo de alargamento, tem
vindo a colocar-se também o aprofundamento, não só como resposta inevitável ao
alargamento, mas também ao próprio evoluir da UE a formas cada vez mais exigentes, o que
implica um funcionamento mais democrático e mias próximo do cidadão.

Coloca-se a questão da OPERACIONAL do funcionamento das instituições da União Europeia,


estas dificuldades derivaram principalmente do grande aumento do número de Estados-
membros. Com 27 países, cada vez menos se têm vindo a tomar decisões com a exigência de
unanimidade de votos, passando apenas a ser necessária uma maioria qualificada.

Há também a questão da DEMOCRÁTICA que está relacionada com o princípio da igualdade dos
Estados-membros, o qual é posto em causa devido à diferente dimensão dos países membros e
do número de pessoas que os compõem, havendo países mais populosos do que outros.

Tentativas de solucionar estas questões:

Tratado de Nice

É assinado em 2001 (entrando em vigor em 2003) e teve como objetivo preparar a reforma das
instituições para os alargamentos aos países do Leste e do Sul da Europa, ocorridos em 2004 e
2007. Teve como objetivo a preparação das estruturas e do funcionamento da UE, de forma a
adaptar-se a um número mais alargado de membros, sem perder a eficiência e a
democraticidade.
Tratado de Lisboa

Assinado em 2007, e em vigor a partir de 2009, teve como objetivo modificar o Tratado da EU e
o Tratado de Roma, dotando a UE de personalidade jurídica que lhe confere o poder necessário
para assinar acordos a nível internacional. Neste Tratado, na tentativa de resolver os problemas
que se colocavam à EU, fui incluída uma dupla maioria, na tomada de decisões, exigindo a
participação de um número mínimo de Estados e, simultaneamente, um número mínimo de
cidadãos.

Agenda 2000

Constituiu um programa de ação sobre as questões de operacidade das duas últimas vagas de
alargamentos (2004 e 2007), pois a adesão de mais 12 membros implicava um conjunto de
reestruturações quer no funcionamento das instituições e nas políticas comunitárias, quer em
termos de ajudas financeiras.

Alargamentos:
Processo de adesão

Para prosseguirem o seu processo de adesão até à fase de assinatura final do Tratado de Adesão,
os países tiveram que cumprir um conjunto de critérios, conhecidos como Critérios de
Copenhaga. Estes estabelecem então os princípios que os países candidatos têm de adotar para
que possam constituir-se como membros de pleno direito.

Vantagens do alargamento
• Aumento do número de consumidores (de cerca de 370 milhões para cerca de 490
milhões);
• Reforço do crescimento económico e criação de novos empregos, tanto nos novos
países como na UE;
• Melhoria da qualidade de vida da população devido aos esforços na defesa do
ambiente, criminalidade, tráfico de droga, etc.;
• Reforço do papel da EU e aumento da sua área de influência no plano internacional,
como a segurança externa e a defesa;
• Reforço da paz, da estabilidade e da prosperidade na Europa, o que contribui para a
segurança de todas as populações;
• Reforço das jovens democracias implantadas nos PECO (Países da Europa Central e
Oriental), após a sua descolagem do bloco de leste.

Desafios do alargamento

Em primeiro lugar, o alargamento de uma união a 15 para 27 membros aumentou a superfície


geográfica e a população, no entanto, as disparidades regionais também aumentaram, uma vez
que grande parte dos novos Estados-membros integra as regiões mais pobres da Europa, com
rendimentos inferiores à média europeia. Para responder a este desafio é necessário proceder
ao reajustamento das políticas da União e dos fundos estruturais.

Em segundo lugar, o alargamento exige que as instituições se adaptem a este aumento do


número de membros e que criem mecanismos operacionais de funcionamento com base na
democracia o que irá implicar a reforma das instituições da União.

Reajustamento das políticas da União e dos fundos estruturais

Os novos membros da UE são, na sua maioria, países que estão a fazer ainda o processo de
transição para a economia de mercado e a reestruturar as suas economias, tendo por isso
necessidades em todas as áreas económicas e sociais ainda muito significativas.

É por isso, necessário modernizar as indústrias, equipar os países com redes de transportes
eficazes e eficientes, reforçar a defesa do ambiente, modernizar a agricultura, apostar na
formação dos recursos humanos, combater as desigualdades socias entre as zonas rurais e
urbanas e combater o desemprego e exclusão social.
É portanto preciso dotar as populações destes países das mesmas oportunidades e níveis de
bem-estar que os das restantes populações da UE usufruem. Para que isto aconteça é
importante reforçar os fundos estruturais de apoio à agricultura com vista a apoiar a
modernização e reestruturação que estes países estão a efetuar neste setor, o que implica
reajustamentos na PAC (Política Agrícola Comum).

É também necessário reajustar todas as políticas estruturais e de desenvolvimento regional:

• Fundos estruturais: visam auxiliar os países mais carenciados ao nível do desenvolvimento


regional (FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) e dos problemas
relacionados com o emprego (FSE – Fundo Social Europeu);

• Fundo de Coesão: criado especificamente para promover a coesão económica e social de


todos os países, fazendo com que os seus níveis de desenvolvimento se aproximem cada vez
mais.

A reforma das instituições

O alargamento da União a um elevado número de membros exige que se efetuem


reajustamentos ao nível do funcionamento das instituições, para garantir um funcionamento
democrático desta e a representação de todos os membros de forma equitativa, fazendo ao
mesmo tempo aproximar cada vez mais os cidadãos das instituições comunitárias. Com os
Tratados de Nice e de Lisboa estas instituições sofreram diversas alterações como o
alargamento do número de deputados, a diminuição do número de comissários da Comissão
Europeia e o aumento do número de membros de cada Conselho da UE (1 representante por
cada Estado-membro), apresentando agora a seguinte forma:

• Conselho europeu (cimeira): é composto pelos Chefes de Estado ou de Governo dos


países membros da União, juntamente com o Presidente da Comissão Europeia;
• Parlamento Europeu: diretamente eleito, que representa todos os cidadãos da UE;

Conselho da União Europeia

Anteriormente denominado Conselho de Ministros, é o principal órgão legislativo e de tomada


de decisão na UE. Representa os Estados-membros;

• Comissão Europeia: representa e defende os interesses da União como um todo;


• Tribunal de Justiça: assegura o cumprimento da legislação europeia, a que todos os
Estados-membros estão sujeitos;
• Tribunal da Contas: fiscaliza o financiamento das atividades da União Europeia, ou seja,
controla a legalidade e a regularidade da gestão do orçamento da UE;
• Comité Económico e Social: representa a sociedade civil, os empregadores e os
trabalhadores;
• Comité das Regiões: representa as autoridades regionais e locais;
• Banco Central Europeu (BCE): é responsável pela política monetária europeia. A sua
principal missão é preservar o poder de compra do euro, assegurando assim a
estabilidade de preços na Zona Euro;
• Provedor da Justiça: investiga as queixas dos cidadãos sobre a má administração das
instituições e órgãos da UE;
• Banco Europeu de Investimentos: financia projetos de investimento da UE e ajuda
pequenas empresas através do Fundo Europeu de Investimento.
• Há ainda uma série de agências especializadas, que foram criadas para assumirem
certas missões técnicas, científicas ou de gestão.

O aprofundamento da União Europeia

A questão do aprofundamento tem acompanhado o processo de integração pretendendo-se


que a UE caminhe no sentido de uma “Europa dos cidadãos”. De forma a aproximar a Europa
dos seus cidadãos e aprofundar a democracia participativa, foram tomadas algumas medidas:

• Reforço dos poderes do Parlamento Europeu, visto que este é o órgão que representa
diretamente os cidadãos;
• Simplificação dos tratados e dos procedimentos, de modo a torna-los mais acessíveis e
de mais fácil compreensão ao cidadão;
• Reforço dos fundos estruturais, de forma a garantir a coesão económica e social.

A afirmação externa da União Europeia

Atualmente a UE desempenha um importante papel no contexto internacional a par de outros


blocos, sendo o maior bloco comercial do mundo. O processo de alargamento e de
aprofundamento que a União tem percorrido desde a sua origem tem permitido a sua
reafirmação como potência mundial, competindo com o Japão e EUA.

O mais recente alargamento (2007) trouxe maior peso à UE, o que lhe permitirá obter uma
posição mais favorável nas negociações com os seus parceiros mundiais, juntos das organizações
do comércio mundial, como a OMC.

Portugal no contexto da União Europeia


Com o alargamento da União Europeia a Leste, o nosso país também enfrenta a diminuição dos
apoios comunitários, nomeadamente, nas áreas respeitantes à agricultura e à pesca. Assim é
importante promover a produtividade e a eficiência de Portugal:
• Criando condições para atrair investimento estrangeiro, através da aplicação de
reformas fiscais e laborais, da desburocratização dos processos administrativos e de
melhorias ao nível da justiça;
• Apoiando a formação dos cidadãos numa perspetiva de longo prazo (formação para a
vida), para melhorar a produtividade e, simultaneamente, combater o desemprego;
• Reforçar a investigação e desenvolvimento (I&D) nas áreas que podem permitir o
aumento da competitividade, o surgimento de novas oportunidades de negócio e o
desenvolvimento de projetos de maior valor acrescentado.

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