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Atividade #6 de Evolução da Física: Capítulo 2 de “A estrutura das revoluções

científicas” de Thomas S. Kuhn.


Roberto José Carvalho Junior
• Trecho 1:
Pode-se metaforizar um paradigma como uma lanterna. Ela ilumina bem, ainda
que só até uma certa distância, mas ainda assim, no meio do caminho podem
aparecer “pontos escuros” (talvez por alguma impureza na sua película refletora). A
função dos cientistas individual e coletivamente é aprimorar essa lanterna, seja
limpando as impurezas que causam as regiões escuras, ou desenvolvendo baterias
mais potentes que farão a lanterna iluminar até mais longe. É uma metáfora simplista,
porém efetiva no que se propõe. De forma mais direta então, os cientistas possuem
como ocupação majoritária de suas carreiras o aprimoramento e a articulação do
paradigma vigente, seja aplicando-o a fenômenos naturais para explicá-los ou
precisando seu escopo de atuação.

• Trecho 2:
A confiança no paradigma faz com que seja desnecessário reestabelecer as
bases da ciência a cada novo trabalho, o que liberta o cientista desse trabalho
extenuante, mas fundamental. Ao definir um “chão” sobre o qual pode-se construir, o
trabalho científico tem maior liberdade e maior tempo para dedicar-se ao escrutínio de
elementos mais profundos e particulares da ciência. Não seria possível para um
humano praticante da ciência redesenhar todo o conhecimento básico do universo no
percurso de sua vida para então dedicar-se a aspectos mais recônditos.

• Trecho 3:
Não apenas de exploração de fenômenos conhecidos e articulação de teorias
é feita a ciência, o desenvolvimento de aparelhos e métodos que possibilitem o acesso
a novos fenômenos e novas formas de analisá-los possui igual importância para o
progresso científico, pois aumenta o escopo de aplicações de um paradigma (faz a
lanterna iluminar até mais longe).

• Trecho 4:
Existe sempre uma certa quantidade de incerteza entre os modelos teóricos e
a realidade. Nas áreas mais matemáticas, essa discrepância se dá frequentemente
pela razão explicada por William Boyce e Richard DiPrima no primeiro capítulo de
“Equações Diferenciais Elementares e problemas de valores de contorno” em que
explicam o processo de criação dos tão importantes modelos matemáticos. A
incerteza nesse ramo (e suponho que seja extensível até certo ponto a outras áreas)
se sintetiza no trecho: “Sempre há uma troca entre precisão e simplicidade. Ambas
são desejáveis, mas um ganho em uma envolve, em geral, uma perda na outra”.
Tendo isso em vista, frequentemente, nos primórdios de um paradigma, os
fenômenos são demasiadamente simplificados e causam, em certo sentido, uma
ruptura com a experiência. No entanto, considero importante ressaltar que esse
processo de simplificação não constitui uma falha no método científico, ao contrário,
ilustra um caminho naturalmente gradativo ao estudante, explorando aspectos mais
básicos e acrescentando complexidade e precisão com o tempo.

• Trecho 5:
As constantes da natureza assumem papéis muito importantes nas principais
teorias e leis que desenvolvemos para entender o desenvolvimento desta. Tendo isso
em vista, é de capital importância suas determinações com maior precisão possível a
fim de reduzir a disparidade entre a teoria e a prática.

• Trecho 6:
Um outro aspecto fundamental da ciência normal consiste na expansão dos
fatos e ampliação das relações entres estes através da exploração de problemas
similares não incluídos inicialmente na formulação do paradigma, isto é, tentar explicar
ou aumentar o entendimento sobre um fenômeno utilizando as concepções e métodos
definidos por um (ou mais) paradigma que já possui eficácia comprovada em um certo
escopo de conhecimentos. Seria como estudar as ondas do mar ou do som aplicando
o conhecimento sobre ondas numa corda, são fenômenos relacionados em algum
sentido, mas que em princípio, só sabemos que a teoria ondulatória é válida para o
último.

• Trecho 7:
A ruptura entre os modelos teóricos e a natureza, como fora discutida no trecho
4 acima, faz parte do processo científico, andamos sempre numa corda bamba entre
a simplicidade e a precisão, tendo de sacrificar uma para ganhar mais da outra. Esse
aspecto basilar é vivenciado tanto para aqueles que se ocupam dos ofícios
experimentais quanto por aquele que o fazem com os teóricos.
Os cientistas normais (como diz Kuhn) experimentadores se deparam com essa
ruptura uma vez que seus aparelhos – ou seus sentidos – não produzem dados e
medidas coerentes com a previsão feita pelo paradigma. Os teóricos, na outra ponta,
veem o peso da responsabilidade da corda bamba agindo sobre si de maneira mais
direta visto que eles que produzem os modelos utilizados na comparação e previsão
de fenômenos.

• Trecho 8:
Em geral, os cientistas que se dedicam à tarefa de articular o paradigma lidam
tanto com o lado experimental quanto com o teórico e se utilizam do paradigma para
projetar seus equipamentos e teorias que resultarão no melhoramento deste mesmo.
Não há razão alguma (ou quase) para o desenvolvimento de um novo aparelho,
método ou teoria se não há um grupo de problemas delimitados por um paradigma
para se resolver.