Você está na página 1de 2

Atividade #7 de Evolução da Física: Capítulo 3 de “A estrutura das revoluções

científicas” de Thomas S. Kuhn.


Roberto José Carvalho Junior

A pesquisa científica dentro da ciência normal caracteristicamente não


ambiciona novas descobertas. Em geral, uma parcela significativa dos resultados já é
esperada de antemão, restando ao experimento (ou a pesquisa teórica) em si a
exploração de um ou outro detalhe mais recôndito que escapa às expectativas iniciais.
Por vezes as expectativas delineadas são frustradas pela realidade.
Outras tantas vezes, o paradigma coetâneo restringe aquilo que é relevante
para a área e somente em retrospecto, em posse de um outro paradigma, podemos
reavaliar as escolhas passadas e reestruturar o conjunto de aspectos relevantes ou
não à pesquisa.
A razão pela qual muitos seres humanos despendem anos de suas vidas no
ofício científico e na exploração de seus aspectos mais esotéricos pode estar explícita
na natureza dos problemas explorados e no próprio processo de exploração. Mesmo
que uma parcela grande dos resultados da pesquisa normal já seja esperada, os
meios para que se chegue a estes não é nada trivial; nas palavras do autor Thomas
Kuhn: “Resolver um problema da pesquisa normal é alcançar o antecipado de uma
nova maneira”. O estímulo dado pela dificuldade do processo é uma parte importante
da motivação desses cientistas. Nesse sentido o fazer científico pode ser tomado
como a seleção de um número de quebra-cabeças e resolvê-los é o papel do cientista.
Os quebra-cabeças científicos são entendidos como aqueles problemas que
desafiam a engenhosidade, intelecto e capacidade de articulação daqueles que se
propõem a resolvê-los. O que atrai a atenção neles não é a informação que contém,
mas a certeza de uma única solução. Essa certeza é definida pelo paradigma ao qual
o grupo que busca resolvê-los está imbricado, visto que ao aderir a um paradigma,
este define uma gama de problemas que devem ser averiguados e assegura solução
destes últimos. Os problemas que o paradigma demarca, em geral, são aqueles que
“somente a sua falta de engenho pode impedir de resolver”.
Uma outra característica que corrobora com a analogia com os jogos é a
existência de um tipo de regra que delimita os tipos de soluções aceitáveis e os
métodos para se chegar a tais. Uma forma de restrição de soluções é o imbricamento
intrínseco entre a teoria e as medições, ou de forma mais abrangente, entre o
paradigma e o que se estuda. Nesse sentido, essas relações escolhem um conjunto
de fatores que são relevantes para o experimento em questão e excluem um outro
conjunto ainda maior de fatores como irrelevantes, como num experimento de
determinação da aceleração gravitacional, em que elementos como o tempo de queda
e a altura são de altíssima importância e outros como a cor e marca do aparelho
utilizado ou mesmo a identidade do experimentador não são relevantes para o
experimento.
Em diversas áreas científicas, onde há leis, enunciados e conceitos (arrisco
dizer que todas têm em maior ou menor quantidade alguma dessas coisas), estes
comportam-se como agentes na delimitação dos problemas cabíveis e suas soluções
subsequentes. Entretanto, essas não são as únicas formas de fazer a demarcação
dessas características, um outro importante fator, porém mais individual e simples, é
a preferência por determinados tipos de equipamentos e métodos. Outras regras de
caráter mais etéreo são os compromissos que todo cientista deve fazer de ampliar a
precisão e aplicação do paradigma em que se encontra ligado e, em casos de desvios
entre a teoria e a natureza, articular esta e aprimorar os equipamentos, por exemplo.
Por fim, o reconhecimento e aderência a esses conjuntos de regras revela ao
praticante da ciência a natureza do mundo e desfaz a necessidade de refazer as bases
da área de pesquisa a cada trabalho novo. No entanto, como enfatizado pelo autor,
essas regras não resumem em si todo o fazer científico, pois podem existir práticas
científicas sem regras comuns que avançam apenas com a existência do paradigma.

Você também pode gostar