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CONSIDERANDO O CONTEXTO APRESENTADO EXPLIQUE, DE MANEIRA


FUNDAMENTADA, NO QUE CONSISTE O PODER DE POLÍCIA NO ÂMBITO
DO DIREITO ADMINISTRATIVO BRASILEIRO. JUSTIFIQUE SUA
RESPOSTA

Inicialmente é preciso dizer que o Poder de Polícia nada mais é do que


uma atividade estatal que limita o exercício dos direitos individuais em favor do
interesse coletivo. Seu conceito está fundamentado no artigo 78, do Código
Tributário Nacional na forma como se apresenta:

Art. 78. Considera-se poder de polícia a atividade da administração


pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade,
regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse
público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes,
à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades
econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder
Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos
direitos individuais ou coletivos. (BRASIL, art. 78 Código Tributário
Nacional – CTN)

Em relação ao fato gerador de Taxa em decorrência do Poder de Polícia,


fise-se citar o artigo 145, II, da Constituição Federal, além do artigo 77,
do CTN.

II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela


utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e
divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição.
(BRASIL, art. 145, II, da Constituição Federal de 1988);

As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou


pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm
como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a
utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e
divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição.
(BRASIL, art. 77 – CTN)

O texto do enunciado coloca que “Não há dúvidas a respeito da


importância desse ramo do conhecimento jurídico no momento em que se trata
de disciplinar a resposta do Estado, por meio dos órgãos e entidades que
compõem a Administração Pública, no gerenciamento de uma situação de
emergência que exige ações variadas e coordenadas, com o uso de recursos
públicos e com vistas à proteção do interesse público."
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Fabrício Mota ao escrever estas linhas trouxe um clamor para as


autoridades que compõem a administração pública a fim de que viessem tomar
ações voltadas para o Poder de Polícia – seja de forma preventiva ou
repressiva – a fim de que o distanciamento social e as medidas sanitárias
fossem executadas com mais precisão e eficácia pelos brasileiros (o que de
fato de acordo com a visão do autor não estava acontecendo).
Não menos importante, destaca-se ainda que o Poder de Polícia divide-
se entre os Poderes Legislativo e Executivo, baseando-se no princípio da
legalidade, que limita que a Administração passe a impor obrigações ou
proibições sem previsão legal. Trata-se, tão somente limites de atuação.
Há de se falar ainda do conceito em sentido amplo do Poder de Polícia
ao falar de uma atividade do Estado em trazer condições de liberdade e de
propriedade de acordo os interesses coletivos.
Em relação ao conceito em sentido restrito, o Poder elencado se resume
em intervenções, geral ou abstrata, a exemplo dos regulamentos e de maneira
concreta e específica é preciso citar como exemplo as licenças, as autorização
e até mesmo as injunções.
Em se tratando das áreas de atuação do Poder de Polícia há de se falar
naquela que impede as acoes antissocias – atuação preventiva; e aquelas que
pundem os infratores da legislação penal – atuação repressiva.
O poder de Polícia age também em função da atuação da chamada
Polícia Administrativa, que nada mais é do que aquela que age de acordo com
os órgãos de fiscalização atribuídos pela lei, a exemplo da Saúde, Educação,
Trabalho, Previdência e Assistência social.
Importante deixar registrado que a Polícia Administrativa executa suas
ações preventivamente – de forma preventiva, de maneira a proibir porte de
arma ou direção de veículo automotor com o apoio das polícias, civil e militar.
Age ainda a polícia administrativa repressivamente – de forma
repressiva – ao apreender arma usada de forma indevida ou dispor contra o a
falta da licença do motorista infrator e assim aplica multa.
O poder de Polícia está relacionado também com a atuação da Polícia
Judiciária que executa suas ações preventivamente – de forma preventiva – ou
seja de maneira a evitar que o infrator venha incidir novamente na mesma
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infração, de acordo o interesse geral; além de atuar de repressivamente (de


forma repressiva) ao punir o infrator da lei penal.
Em relação às formas de atuação, o Poder de Polícia executa suas
ações por Atos Normativos sejam eles promovidos pela lei, no qual limita
administrativamente o exercício dos direitos e das atividades individuais, de
forma a estabelecer normas gerais e abstratas às pessoas de forma indistinta e
em situação similar; ou até mesmo quando disciplina a aplicabilidade da lei aos
casos concretos, a exemplo do Poder Executivo, ao baixar normatividade como
Decretos, Resoluções, Portarias... dentre outros.
Além do que foi dito é preciso estar atento que o Poder de Polícia está
voltado para os Atos Administrativos e operações materiais utilizando-se das
medidas preventivas que por sua vez adequa-se ao comportamento individual
à lei, a exemplo da fiscalização, vistoria, ordem, notificação, autorização,
licença; sem deixar de lado ainda as ações envolvendo as medidas
repressivas, que coagem o infrator ao cumprimento da lei ao dissolver uma
reunião, apreender mercadorias deterioradas e até mesmo internar pessoas
com doença contagiosa.
O Poder de Polícia possui Características (atributos) que são inerentes
em sua natureza, quais sejam: Vinculariedade, ou seja a Administração deve
agir conforme os limites previstos em lei, sem qualquer possibilidade de
alternativa (alvará de licença); Discricionariedade, ou seja quando a lei deixa
determinada margem de liberdade de apreciação em relação ao motivo ou o
objeto, de forma que a Administração deve decidir qual o melhor momento de
atuar, o instrumento de ação adequado, qual a sanção cabível previstas na
norma, tendo como exemplo o alvará de autorização.
Outra característica é a Autoexecutoriedade, ou seja o ato de agir da
Administração com os próprios instrumentos, de forma a executar suas
decisões sem necessidade do Poder Judiciário agir. Pelos meios diretos de
coação a Administração compele materialmente o administrado, como no caso
quando existe a dissolução de uma reunião, quando existe a apreensão de
mercadorias e até mesmo interdição de uma fabrica.
(Meirelles, 2004:136) traz outra característica: a Coercibilidade. Nada
mais é do que a imposição coativa das medidas tomadas pela Administração e
também fala o autor da última característica: a Indelegabilidade, ou seja,
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aquela atividade típica do Estado onde somente o Estado pode exercer esta
atividade, tendo em vista o exercício de prerrogativas peculiares do poder
público ( a exemplo da repressão), que por sua vez não pode ser executada
por um particular, salvo se o mesmo estiver investido por meio de cargo público
de forma legal.
Dentre os Limites do Poder de Polícia existem aqueles que são impostos
pela forma da lei, a exemplo do Motivo, da Forma, competência, dos fins
(quando não eliminam direitos individuais), do objeto, da discricionariedade, da
proporcionalidade dos meios aos fins (quando existe a exigência em relação a
limitação ao direito individual e o prejuízo ao ser evitado), sem deixar de lado a
eficácia (forma adequada para impedir dano ao interesse coletivo) e a
necessidade – que tem por objetivo evitar ameaças reais ou pouco prováveis
de ações que perturbem e atinjam diretamente o interesse público.
Por fim e não menos importante, necessário registrar a questão
envolvendo a sanção do Poder de Polícia, cujo prazo prescricional para
aplicação da mesma é de 5 (cinco) anos, mas pode ser suspenso ou
interrompido, a depender do caso em questão (como mostra claramente a Lei
nº. 11.941/09).

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