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ESTUDO EXPOSITIVO

ECLESIASTES
(Livro Poético e Sabedoria)

Marcio José Mondin


Ministério Crescendo no Conhecimento

2017
ECLESIASTES
Sumário
Pág.
Introdução ........................................................................ 03

Capítulo 1 ......................................................................... 05

Capítulo 2 ......................................................................... 10

Capítulo 3 ......................................................................... 18

Capítulo 4 ......................................................................... 24

Capítulo 5 ......................................................................... 30

Capítulo 6 ......................................................................... 36

Capítulo 7 ......................................................................... 41

Capítulo 8 ......................................................................... 50

Capítulo 9 ......................................................................... 57

Capítulo 10 ....................................................................... 63

Capítulo 11 ....................................................................... 71

Capítulo 12 ....................................................................... 74

Gabarito ........................................................................... 82

Bibliografia ....................................................................... 83

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ECLESIASTES

INTRODUÇÃO
Nenhum livro da Bíblia é tão difamado e mal interpretado quanto Eclesiastes, no
Antigo Testamento. A avaliação mais frequente do livro se resume a termos
negativos como: pessimista, fatalista (pessoa que acredita no destino), cético (pessoa
incrédula), materialista e assim por diante. Esses termos negativos encontrados em
Eclesiastes se tornam muito perturbador para muitos leitores e intérpretes. Mas,
certamente, as assim chamadas avaliações negativas de muitos intérpretes, refletem
uma leitura superficial do livro, pois Eclesiastes é uma unidade; ou seja, um conjunto
sem separações.
O livro também tem termos positivos como: teme a Deus (12.13), lembra-te do teu
Criador (12.1), coma com alegria seu pão (9.7), Desfrute a vida com a mulher que
ama (9.9); Melhor serem dois do que um, isso é valor do companheirismo (4.9,10).

O livro de Eclesiastes em sua maior parte é um retrato da mente humana sem Deus,
para esse homem, tudo na vida são vaidade e vazio. Essa é a avaliação do homem
que não está conectado com Deus.
Eclesiastes - A sabedoria vê a vida do ponto de vista humano. Por isso, usa-se a
expressão debaixo do sol vinte e oito vezes no livro, visando sabedoria humana.
Provérbios - A sabedoria vê a vida do ponto de vista Divino.

Autor: O trecho de Eclesiastes 1.1 atribui o livro a Salomão. Mas Lutero negava a
verdade dessa afirmativa. De modo geral alguns estudiosos liberais concordam com a
avaliação de Lutero, e é seguro dizer que muitos intérpretes conservadores também
o fazem.

Favor da autoria de Salomão


1. Eclesiastes 1.1 atribui o livro a Salomão e 1.12,13 quase certamente também o faz.
2. A sabedoria da Salomão é refletida em vários textos com declarações que mostram
Salomão a falar. Ver (Ec 1.16; 2.3-8).
3. O trecho de Eclesiastes 9.17—10.20; contém muitos provérbios, o que sugere que
o autor do livro de Provérbios (Salomão) também foi o autor de Eclesiastes.
4. Em Eclesiastes 12.9; Salomão faz citação de si mesmo como escritor de muitos
provérbios, indicando que o escritor de Eclesiastes também foi escritor do Livro de
Provérbios.

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ECLESIASTES
‘’ Segundo a tradição judaica, Salomão escreveu Cantares quando jovem; Provérbios,
quando estava na meia idade, e Eclesiastes, no final da vida. O declínio espiritual que
Salomão teve, devido à idolatria e sua vida extravagante; deixou-o por fim desiludido;
com os prazeres desta vida, pois queria viver sem Deus, provavelmente essa
experiência o levou escrever Eclesiastes ‘’.

Contra autoria de Salomão


1. Certas ideias são contrárias à afirmação de que Salomão escreveu o livro de
Eclesiastes. Alguns eruditos simplesmente não podem entender como um homem
com a sabedoria de Salomão, com uma postura judaica ortodoxa, poderia ter escrito
um livro tão pessimista quanto Eclesiastes.
2. Alguns linguistas detectam no livro de Eclesiastes um hebraico posterior, bastante
diferente do hebraico da época de Salomão e mais próprio dos tempos helenistas
(que são povos de idioma e cultura grega).
3. Nos tempos antigos, atribuir um livro a um autor famoso era considerado uma
honra prestada a esse autor, especialmente se algumas de suas ideias estivessem
sendo perpetuadas. Porém, muitas obras antigas eram atribuídas a pessoas bem
conhecidas com o propósito próprio de promover certas ideias ou filosofias e com a
esperança de que o nome vinculado ao livro ajudasse em sua distribuição. Exemplo
são os Livros Pseudepígrafos (falsas alegações de autoria). Tem um tal de Evangelho
de Pedro, mas não foi Pedro quem escreveu, esse é só um exemplo, pois tem vários.

Data: O reinado de Salomão como rei de Israel durou de cerca de 970 AC até cerca
de 930 AC. O livro de Eclesiastes foi provavelmente escrito no final do seu reinado,
em aproximadamente 935 AC.

Título do Livro: O título deste livro no AT hebraico é Koheleth (derivado de Kahal,


“reunir-se”). Literalmente significa, “aquele que reúne uma assembleia e lhe dirige a
palavra”. Este termo ocorre sete vezes no livro (1. 1, 2, 12; 7. 27; 12. 8 – 10) e é
geralmente traduzido por “pregador” ou “mestre”. A palavra correspondente no
grego da septuaginta é ekklesiastes, e dela deriva o título “Eclesiastes” em português.
A obra inteira, portanto, é uma série de ensinos por um orador público bem
conhecido.

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ECLESIASTES

Capítulo 1
V1. Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém. V2. Vaidade de vaidades, diz o
pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade. V3. Que proveito tem o homem, de todo o seu
trabalho, que faz debaixo do sol?

V1. Palavras do Pregador - O autor se apresenta como o Pregador, filho de Davi, rei
de Jerusalém. A palavra “pregador” é interessante e se refere ao termo hebraico
Koheleth, “aquele que chama” ou “aquele que reúne”. O equivalente grego é
ekklesiastes, “aquele que convoca uma assembleia”. Desde essa época, tem sido
interpretada de varias formas, como “convocador, orador, argumentador, porta-voz
e pregador”. O Pregador era filho de Davi. Embora a palavra filho possa, sem dúvida,
se referir a um neto ou outro descendente posterior, o significado direto
provavelmente faz mais sentido. Salomão foi o único descendente de Davi a ser rei
de Israel, em Jerusalém (v. 12). Todos os outros foram reis de Judá.

V2. Vaidades de vaidades - Salomão usa o termo "vaidade" 38 vezes neste livro.
Trata-se da palavra hebraica hebel, que significa "vazio,
futilidade, vapor, névoa". Tudo o que desaparece
rapidamente sem deixar qualquer vestígio pode ser
considerado hebel, vaidade.
Salomão inicia o livro apresentando sua conclusão, de
maneira que o leitor nem precisa ler até o final. Eis o
resultado de suas investigações debaixo do sol: tudo é
vaidade; isto é, a vida é transitória, fútil e vazia de
significado; não há nada na terra que dê significado a
vida humana. Mas será que isso é verdade? Sim, e a Hebraico hebel- vapor, assim é a vida, passageira. (Tg 4.14)
mais pura verdade! Se a vida terrena é tudo o que temos, se de fato a morte
representa o fim da existência humana, então a vida é apenas uma grande ilusão, tão
inconstante e passageiro quanto a névoa. Paulo em Romanos 8.20; diz que a criação
ficou sujeita a vaidade, ou seja, uma vida sem sentido, somente Deus trará sentido.

V3. Que proveito tem o homem do trabalho?- Salomão usa aqui uma expressão
poética, para descrever a monotonia do trabalho. A frágil vida humana está cheia de
trabalho e fadigas, mas aonde chegamos com tudo isso? O ser humano se desgasta
como um moinho que gira continuamente e não chega a lugar nenhum. Se perguntar
as pessoas por que trabalham tanto, provavelmente responderão: “Para ganhar
dinheiro, é claro!‘’. Mas ganhar dinheiro para quê? Para comprar alimentos. E por
que comer? Para ter forças. E ter forças para quê? Para trabalhar e ganhar dinheiro!
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ECLESIASTES
E assim o círculo se fecha. Este verso nos lembra também, a insensatez de correr
atrás de valores terrenos, esquecendo-se do único valor eterno que é Jesus(Lc 12.16).

V4. Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece. V5. Nasce o sol,
e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu. V6. O vento vai para o sul, e faz o
seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos. V7.
Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para
ali tornam eles a correr.

V4. Geração vai, e geração vem - Ilustração da natureza (1.4-7). Salomão usa o ciclo
da natureza, para descrever a transitoriedade e a monotonia do ser humano. Nesta
seção, Salomão aborda o problema como um cientista e examina o "ciclo da
natureza” a seu redor: a terra, o sol, o vento e a água (o que nos faz lembrar-se dos
"elementos” da Antiguidade: terra, ar, fogo e água). O que lhe causou espanto foi o
fato de gerações de pessoas terem passado, enquanto as coisas da natureza
permaneceram inalteradas. A natureza é permanente, enquanto o homem é
transitório e não passa de um peregrino na terra. Sua peregrinação é curta, pois a
morte acaba por levá-lo embora.

‘’Tem pessoas que vivem como se fosse durar para sempre nessa terra; com
atitudes: egoísta, imoral, perversa, invejosa, e achando que é dona do próprio
nariz. Mas esquecem de que a vida acaba e terá que prestar contas ao seu Criador’’.

Mas a terra para sempre permanece - Se não fosse a revelação divina,


imaginaríamos que a terra permanece para sempre, como concluiu Salomão.
Contudo, Pedro afirma que a terra e suas obras serão destruídas no Dia do Senhor
(2Pe 3.10). A revelação de Deus foi progressiva, Salomão não teve revelação como
Pedro.

V5. Nasce o sol, e o sol se põe - Dizemos que o Sol nasce quando ele surge no
horizonte pela manhã e dizemos que o Sol se põe quando ele desaparece no
horizonte à tarde. As palavras nascer e se por, são usados porque os povos antigos
acreditavam que a cada dia nascia um novo Sol, e a tarde ele se punha abaixo do
horizonte para morrer. Hoje sabemos que isso não é verdade, pois ele nasce e se põe
por causa da rotação da Terra, mas por tradição as palavras nascer e por do Sol ainda
são usadas. Salomão aqui descreve a mente do ser humano que não vê sentido na
vida, para ele tudo é monótono, repetitivo, inclusive as coisas da natureza; como: Sol,
vento e rios. Não enxerga beleza em nada, pois seu interior esta vazio de Deus.

‘’Quantas pessoas não enxergam beleza no seu casamento, na comunhão com


filhos, com os pais, em si mesmo. Pessoas assim com certeza estão vazias de Deus’’.

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ECLESIASTES

V6. O vento gira continuamente – Neste versículo Salomão continua descrevendo a


mente do ser humano vazia, para ele que diferença faz aos ventos soprar ou não
soprar, soprar para o sul ou para o norte, ou não soprar de maneira alguma?

V7. Todos os rios vão para o mar - O trabalho cooperativo do sol e do vento
possibilitam a evaporação e o movimento da umidade e, desse modo, mantém a
água “circulando". Mas o mar nunca muda! Os rios e chuvas derramam sua água nos
mares, mas eles permanecem sempre os mesmos. Assim, quer olhemos para terra ou
para o céu, para os ventos ou para as águas, chegamos à mesma conclusão: a
natureza não muda. Esse ciclo causa monotonia para pessoas vazias que não vê
beleza em nada. Pois vemos que Salomão descreveu nesse verso a mente de pessoas
desse tipo. Salomão teve um período de sua vida que estava afastado e vazio de
Deus, pois entregou sua vida a idolatria e as extravagâncias carnais. É natural que
suas busca pela sabedoria seria essa, pois todo homem que não está conectado com
Deus terá esse resultado de busca.

V8. Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de
ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. V9. O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso
se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. V10. Há alguma coisa de que se possa
dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.

V8. Todas as coisas são trabalhosas - A vida na terra é repleta de fadigas. A


linguagem humana é insuficiente para descrever a monotonia e a inutilidade de tudo
isso. As pessoas nunca estão satisfeitas; seus olhos e ouvidos nunca se cansam de
novidades. O ser humano está sempre em movimento frenético à procura de novas
sensações, em busca do desejo fundamental de adquirir novas experiências.
Entretanto, retornam insatisfeito e exausto de suas aventuras. Deus formou o ser
humano de tal modo que nada nesse mundo é capaz de lhe proporcionar satisfação
duradoura. Contudo, não significa que somos um caso perdido. Precisamos apenas
olhar acima do sol, para aquele que “saciou a sede da alma sedenta e fartou de bens
a alma faminta” (SI 107:9).

V9. O que foi, isso é o que há de ser – Salomão em sua busca pelo sentido da vida
não encontra nada de novidade que possa satisfazer, sua alma ainda continua vazia.

V10. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo?- Mas será verdade que
não há nada novo? Até certo ponto, sim. Até mesmo a mais recente descoberta
cientifica são apenas aperfeiçoamentos de princípios embutidos na criação desde o
inicio do universo. Muitas das façanhas que inflam o ego dos homens encontram
contrapartida na natureza. Por exemplo, os pássaros já voavam muito antes de o

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ECLESIASTES
homem ser capaz de criar o avião, e nem mesmo às viagens ao espaço são novidade,
uma vez que Enoque e Elias também foram transportados ao espaço e nem
precisaram levar suprimento de oxigênio! Quem vive a procura de novidades, sem
duvida ficará decepcionado, pois tudo já aconteceu nos séculos que foram antes de
nós.

V11. Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas
não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois. V12. Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em
Jerusalém. V13. E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo
quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para
nela os exercitar.

V11. Já não há lembrança das coisas que precederam (aconteceu antes) - Outro
fator amargo que aflige o ser humano é a rapidez com que esquece e é esquecido.
Não existe fama eterna. Muitos homens se titulam deuses da musica, do governo,
achando que seu domínio é eterno. Em nossa presunção, imaginamos que o mundo
não pode continuar sem nós. No entanto, depois da morte somos rapidamente
esquecidos, e a vida na terra continua normalmente.

V12. Pregador, rei de Israel - O triste filósofo reafirma sua “identidade salomônica”
e assim obtém prestígio para suas declarações. Ele era rei de Israel e operava em
Jerusalém, pelo que não lhe faltavam credenciais. O autor retrata-se como Salomão
considerando suas experiências de vida anteriores, com muitas coisas a dizer.

V13. E apliquei o meu coração a esquadrinhar (Examinar)- Salomão iniciou a busca


da felicidade debaixo do sol e, como ponto de partida, decidiu percorrer a trilha
intelectual, imaginando que seria feliz se adquirisse mais conhecimento. Com isso em
mente, lançou se a um extenso programa de pesquisa e exploração na filosofia.
Todavia, logo se desiludiu com a realização intelectual como fim em si mesma. Na
verdade, confessou que esse trabalho enfadonho era algo de que Deus permite aos
homens se ocuparem, isto é, a busca interior a fim de encontrar sentido para a vida.

‘’ A vida acadêmica não traz realização e, se entendida


como fim em si mesma, pode se tornar um enfado.
Entretanto, não significa que o estudo seja algo sem
importância. A realização intelectual tem seu lugar,
porem esse lugar é aos pés de Cristo. Não deve ser um
fim em si mesmo, mas um meio de glorificar a Deus ‘’.

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ECLESIASTES
V14. Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição
de espírito. V15. Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular.
V16. Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a
todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a
sabedoria e o conhecimento.

V14. Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol - O triste filósofo foi
capaz de obter uma visão panorâmica de todas as obras que os homens fazem
debaixo do sol, e também, presumivelmente, de todas as obras da natureza. Sua
avaliação foi totalmente negativa: tudo não passa de uma baforada de fumaça, de
uma brisa soprada pela vaidade, que é vazia e representa o nada. Sem dúvida,
Salomão tinha acesso a melhor educação disponível em Israel na época. Ou seja, ele
se aprofundou em todas as ciências da época: filosofia, história, artes, literatura,
ciências sociais, religião, psicologia, ética, línguas e muitas outras áreas do saber
humano.

V15. Aquilo que é torto não se pode endireitar - Essas palavras não têm
necessariamente implicações morais, mas compara a sabedoria humana com a
capacidade de solucionar as questões da vida. Um exemplo disso é a ciência, os
cientistas tentam solucionar muitas coisas, mas não conseguem. Outro exemplo é a
psicologia, muitos psicólogos tentam solucionar os problemas da alma, e muitos não
conseguem. Apesar dos maiores esforços do homem, haverá questões tortas que
permanecerão sem serem endireitadas. Nem ainda tudo aquilo que é torto, torcido,
pervertido e virado de cabeça para baixo poderá ser endireitado e colocado em
ordem, apenas com os recursos disponíveis neste mundo. Lembrando que esta é a
visão do homem que só olha debaixo do sol. Agora quem olha para acima do sol
sabe que Deus é capaz de endireitar muitas coisas e pessoas.

V16. Falei com meu coração, e eu me engrandeci - Depois de receber homenagens


por suas conquistas acadêmicas, Salomão faz uma análise de sua situação e se
orgulha de ter alcançado mais sabedoria que todos os outros reis antes dele em
Jerusalém (1Rs 4.29-31; 2Cr 1.12). Sua mente absorveu enorme quantidade de
conhecimento, além de muita sabedoria. Ele aprendeu a aplicar seu conhecimento de
forma prática nos assuntos cotidianos da vida, a proferir julgamentos idôneos e a
tratar as pessoas de forma criteriosa.

V17. E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e


vim a saber que também isto era aflição de espírito. V18. Porque na muita sabedoria há muito
enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.

V17. Apliquei meu coração em conhecer - No versículo 17, o Pregador reafirma seu
esforço para conhecer a sabedoria, mas adiciona uma palavra a respeito de suas

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ECLESIASTES
técnicas de estudos. Ele tentou adquirir sabedoria por meio do conhecimento de
opostos, ou seja, os desvarios (tolices) e loucuras. Esta não foi só uma tentativa para
experimentar todos os fatos. Muitos comentaristas dão a entender que esta foi uma
investigação mais profunda da mente numa busca por princípios pelos quais alguém
pode distinguir a sabedoria dos desvarios e loucuras. Mas Salomão descobriu que
mesmo uma teoria do conhecimento pode ser uma aflição de espírito, pois nunca se
chegará a todo conhecimento porque homem está limitado.

V18. Porque na muita sabedoria há muito enfado – A sabedoria humana não traz
resposta e nem sentido para vida, só traz canseira e dor, porque não mostra
esperança alguma. Mas sabedoria divina é diferente, Davi em Salmos 119.103, ele
diz: que a sabedoria divina é doce para sua alma. Jesus é a Verdade, ou seja, a
sabedoria de Deus, e sua verdade trouxe esperança ao mundo. Sabedoria divina nos
traz saúde e alivio para nossa alma; e não dor e canseira como a sabedoria humana.

Capítulo 2
V1. Disse eu no meu coração: Ora, vem, eu te aprovarei com alegria; portanto, goza o prazer; mas
eis que também isso era vaidade. V2. Do riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta?
V3. Busquei no meu coração como me daria ao vinho (regendo, porém, o meu coração com
sabedoria) e como reteria a loucura, até ver o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem
debaixo do céu, durante o numero dos dias de sua vida.

V1. Propus no meu coração buscar prazeres da vida; V2. Do riso disse isso é loucura;
V3. Resolvi no meu coração dar-me ao vinho - Salomão possuía os meios e a
autoridade para fazer praticamente tudo o que seu coração desejava. Sendo assim,
Salomão iniciou uma campanha em busca dos prazeres desta vida. Decidiu testar o
próprio coração e ver como reagiria a duas experiências comuns da vida: o prazer (v.
1-3) e o trabalho (v. 4-11).
Prazer - O povo de Israel acreditava que Deus havia feito o homem para desfrutar as
bênçãos de sua criação (Sl 104; e ver 1 Tm 6.1 7). Salomão admoesta seus leitores a
gozar as bênçãos de Deus nos anos de sua mocidade, antes que a velhice chegue e o
corpo comece a se degenerar. Em oito ocasiões ao longo de Eclesiastes, Salomão usa
o termo hebraico que significa "prazer"; fica evidente, portanto, que não considerava
Deus um "estraga-prazeres", sempre vigiando para se certificar de que ninguém se
divirta.

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ECLESIASTES
Salomão menciona especificamente o vinho e o riso como fontes de prazer usadas
em seu experimento. Não é preciso ter muita imaginação para ver o rei em seu
suntuoso salão de banquetes (1 Rs 10.21), comendo as mais finas iguarias (1 Rs 4.22,
23), bebendo os melhores vinhos e assistindo aos artistas mais talentosos
apresentando-se para seu divertimento (2:8b). Porem, terminada a festa, o rei
examinou seu coração e constatou que ainda se encontrava insatisfeito e vazio.
‘’ Para aqueles que vivem exclusivamente em função do prazer, a alegria torna-se
cada vez menos intensa, e para experimenta lá novamente, o prazer precisa ser
cada vez maior ‘’.

V4. Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas. V5. Fiz
para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto. V6. Fiz para mim
tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores. V7. Adquiri
servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e
ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.

V4. Empreendi grandes obras; V5. Fiz jardins e


pomares para mim; V6. Fiz para mim açudes; V7.
Comprei servos e servas - Em seguida, Salomão
envolveu-se em diversos projetos, na esperança de
descobrir algo que fizesse valer a pena viver.
Começou com grandes obras. Veja (v.4-11)
Trabalho – Salomão Edificou várias residências para
sua conveniência e plantou vinhedos particulares Jardim – parece até um paraíso
para garantir um bom suprimento de vinho. O homem aumentou a extensão e beleza
de suas propriedades com jardins (pardesim) "paraísos", palavra tomada por
empréstimo do idioma persa. Salomão conseguiu criar um paraíso na face da terra.
Ele tinha alimentos em grande abundância, bebidas e medicamentos em seus
pomares. Para certificar-se de que seus pomares implantados crescessem bem,
mesmo quando não chovesse, o autor sagrado construiu reservatórios para efeito de
irrigação.

Uma multidão de escravos foi adquirida como trabalho barato para cuidar das
propriedades, executar tarefas domésticas e irrigar terras. Além dos escravos
adquiridos, havia aqueles nascidos na “casa” (nas suas propriedades), o que
aumentava ainda mais o número deles. Para aumentar suas riquezas, o autor sagrado
possuía vastos rebanhos de animais domesticados, acima de tudo que jamais fora
criado em Jerusalém.

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ECLESIASTES
V8. Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de
cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a
espécie. V9. E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em
Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria. V10. E tudo quanto desejaram os
meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se
alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho. V11. E olhei
eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu,
trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum
havia debaixo do sol.

V8. Amontoei riquezas - Como se não bastasse, Salomão possuía prata e ouro em
abundância, sem contar os tesouros de reis e de províncias. Essa expressão talvez se
refira a impostos arrecadados de seus súditos, ou talvez a riquezas confiscadas de
territórios conquistados ou ainda a objetos de artes presenteados por dignitários
estrangeiros, como a rainha de Sabá. Salomão também se dedicou a música, que,
segundo dizem, tem o poder de fascinar, e contratou os melhores cantores e
cantoras.
Das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música – Em muitas
versões bíblicas, essa palavra; ‘’e de instrumentos de música’’, não esta dessa forma.
Você encontrará da seguinte forma: (1) mulheres e mulheres, (2) concubinas em
grande número, (3) tive todas as mulheres que um homem pode desejar. Essas são as
formas usadas indicando que Salomão supôs que através do prazer sexual poderia
encontrar a felicidade, pois no seu harém ele tinha setecentas mulheres e trezentas
concubinas (1Rs 11.3).
Quanto ao termo instrumentos de música? Referente às palavras de Salomão, seu
sentido em hebraico assim traduzido tem sido objeto de debates há tempos. Uma
carta egípcia encontrada em Amarna contém esta palavra em acádio como
explicação de uma palavra egípcia que significa concubina.

V9. Fui grande, mais do que os que vieram antes de mim - Salomão conseguiu
ultrapassar todos os seus antecessores na escalada rumo ao prestígio. Mas, apesar de
todas essas experiências e aventuras, ainda assim perseverou em sua sabedoria
humana.

V10. Tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei - Nosso homem nada
negava a si mesmo, pois tinha dinheiro e poder para adquirir qualquer coisa que
atraísse seu olhar. Ele encontrou alegria em suas obras. Mas estava percorrendo um
vasto caminho com tudo isso; parece que suas experiências no campo dos prazeres
tinham provado que o tipo de homem em que ele se transformara era o homem feliz,
donde se conclui que os prazeres conduzem à felicidade. Mas, quando lhe ocorreu o
segundo pensamento sóbrio, tudo se despedaçou (v. 11).

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V11. Minhas grandes obras, não passaram de vaidade - Conforme diziam os gregos:
“Pensamentos sóbrios tornam-se, de alguma maneira, ainda mais sóbrios”. A
sabedoria do autor sagrado ergueu-se e gritou para ele: “Toda essa vida que você
está levando é vaidade”. E ele sabia que essa era a avaliação correta. O homem
passou em revista todas as suas propriedades; todos os seus luxos; visitou seu vasto
harém; revisou e classificou suas obras magníficas, mas, como já havia constatado,
“tudo era como seguir após o vento". Ele não tinha sido capaz de reter o vento em
suas mãos, embora tivesse se esforçado para tanto. Lamentavelmente, a felicidade o
tinha iludido novamente.

V12. Então passei a contemplar a sabedoria, e a loucura e a estultícia. Pois que fará o homem que
seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram. V13. Então vi eu que a sabedoria é mais excelente
do que a estultícia, quanto a luz é mais excelente do que as trevas. V14. Os olhos do homem sábio
estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas; então também entendi eu que o mesmo lhes
sucede a ambos. V15. Assim eu disse no meu coração: Como acontece ao tolo, assim me sucederá
a mim; por que então busquei eu mais a sabedoria? Então disse no meu coração que também isto
era vaidade.

V12. Então comecei a pensar no que é ser sábio, ser tolo ou sem juízo - Conclusão
desanimadora de sua investigação levou Salomão a considerar se de fato era melhor
ser sábio que insensato. Com isso em mente, decidiu explorar a questão.

V13. Então vi que a sabedoria é mais proveitosa do que a tolice - Salomão concluiu
o seguinte: a sabedoria é melhor que a tolice na mesma proporção em que a luz é
melhor que as trevas. O sábio anda na luz e assim consegue enxergar os perigos do
caminho. O tolo, em contrapartida, anda no escuro e cai em todos os buracos e
armadilhas.

V14. Os olhos do homem sábio estão na sua cabeça - Contudo, mesmo admitindo
essa vantagem que os olhos do sábio enxergam o caminho por onde deve andar no
final das contas, isso faz alguma diferença? Tanto o sábio quanto o louco estão
fadados a morrer, e nenhuma quantidade de sabedoria é suficiente para evitar esse
encontro com a sepultura. Ambos estão condenados ao mesmo destino.

‘’ A sabedoria humana leva-nos a ter esse pensamento, que na sepultura tudo acaba
e não haverá punição para os maus e nem recompensas para os justos. Em
contrapartida a sabedoria Divina trás outro pensamento. Vale a pena viver na
sabedoria Divina porque o final não é o mesmo para os tolos que a rejeitou. Para os
que aceitaram, salvação e recompensas; para os que rejeitarão, punições e
sofrimentos ‘’.

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ECLESIASTES
V15. Aí então pensei assim - Salomão começou a se questionar por que gastou tanto
tempo e esforço buscando sabedoria. A única característica proveitosa que ela traz é
iluminar o caminho por onde anda o indivíduo. Fora isso, não há nenhuma vantagem
em ser sábio. Assim, adquirir sabedoria também é um grande desperdício de esforço.
Já pensou se todo mundo pensasse assim? O mundo estaria pior ainda, e a
imoralidade estaria em uma situação desenfreada e o respeito para com o próximo
estaria em extinção.

V16. Porque nunca haverá mais lembrança do sábio do que do tolo; porquanto de tudo, nos dias
futuros, total esquecimento haverá. E como morre o sábio, assim morre o tolo! V17. Por isso odiei
esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e aflição de
espírito. V18. Também eu odiei todo o meu trabalho, que realizei debaixo do sol, visto que eu
havia de deixá-lo ao homem que viesse depois de mim. V19. E quem sabe se será sábio ou tolo?
Todavia, se assenhoreará de todo o meu trabalho que realizei e em que me houve sabiamente
debaixo do sol; também isto é vaidade. V20. Então eu me volvi e entreguei o meu coração ao
desespero no tocante ao trabalho, o qual realizei debaixo do sol.

V16. Não durará para sempre, a memória do sábio e nem do tolo – Salomão
prossegue com a ideia no versículo 16. Depois de sepultados, tanto o sábio quanto o
insensato são esquecidos em pouco tempo. Após uma ou duas gerações, será como
se nunca tivessem existido. Nomes e rostos que hoje parecem tão importantes,
amanhã cairão no esquecimento. No que diz respeito à fama duradoura, o sábio não
leva maior vantagem que o tolo. A percepção de que a celebridade é temporária e as
pessoas são rapidamente esquecidas depois de mortas levou Salomão a odiar a vida.

Interpretação diferente – Outros comentaristas tem uma posição diferente em


relação a esse texto, para eles quando Salomão fala em não restar lembrança do
sábio, mais do que a do tolo, não está considerando meramente se outros se
lembrarão dele ou não. Ele se referia à consciência. Não há mais lembrança porque o
sábio cessou de existir, em sentido absoluto. O registro das memórias é
completamente apagado e sua sabedoria deixou de existir, então o sábio não tem
tanta vantagem assim sobre o tolo. Lembrando a interpretação mais popular entre os
comentaristas é a primeira mencionada.

V17. Por isso odiei a vida; V18. Odiei meus trabalhos – No versículo 17, Salomão se
aborrece em saber que a recompensa de todo seu esforço resultou em canseira e
sofrimento. Já no verso 18, uma das maiores injustiças que incomodavam Salomão
era o fato de não poder desfrutar a riqueza que havia acumulado, pois não viveria
para sempre neste mundo. Além disso, Salomão teria de deixar tudo para seu
herdeiro.

14
ECLESIASTES
V19. Meu herdeiro será sábio ou tolo? - Salomão se incomodava com a possibilidade
de que seu herdeiro não fosse um homem sábio, mas um esbanjador, um tolo, um
“mauricinho” ou um desocupado. Independentemente do caráter do herdeiro, este
ficaria com todo o reino e teria a disposição de enormes riquezas que não havia
conquistado nem tinha trabalhado para ajuntar. Esse pensamento deixava Salomão
muito irritado.

V20. Entreguei meu coração ao desespero - A perspectiva de deixar os frutos de seu


trabalho a um sucessor indigno levou o Pregador a cair em depressão. Esse
pensamento o fez sentir como se todos os seus esforços tivessem sido em vão.

V21. Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, conhecimento, e destreza; contudo
deixará o seu trabalho como porção de quem nele não trabalhou; também isto é vaidade e
grande mal. V22. Porque, que mais tem o homem de todo o seu trabalho, e da aflição do seu
coração, em que ele anda trabalhando debaixo do sol? V23. Porque todos os seus dias são dores,
e a sua ocupação é aflição; até de noite não descansa o seu coração; também isto é vaidade.

V21. Porção do trabalho - Porção. É todo o legado de uma vida que o homem precisa
deixar para trás na morte. Salomão angustiou-se com a ideia de um individuo, após
adquirir riquezas por meio de investimentos sábios, ser obrigado, na hora da morte, a
deixar tudo para alguém que nunca se preocupou, nem sequer moveu um dedo para
adquirir algo. Salomão achou isso um absurdo.

V22. O que ganhei com todo meu trabalho? - Salomão conclui que o homem nada
obtém de valor duradouro em consequência de todo o seu trabalho e de suas fadigas
debaixo do sol. O ser humano se esforça, labuta, desgasta-se e se irrita. E tudo isso
para que? Que diferença fará cinco minutos após a morte? Se não fosse a revelação
de Deus, sem dúvida chegaríamos à mesma conclusão. Contudo, a Palavra do Senhor
nos mostra que podemos viver eternamente para ele, pois todo esforço feito para
Deus será recompensado. No Senhor, nosso trabalho não é vão (1Co 15.58).

V23. Porque todos os dias são dores - Salomão chega conclusão que uma vida
dedicada totalmente às riquezas deste mundo, resultarão só em fadigas,
preocupações e noites de sono perdidas.

V24. Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer com que sua alma goze do
bem do seu trabalho. Também vi que isto vem da mão de Deus. V25. Pois quem pode comer, ou
quem pode gozar melhor do que eu? V26. Porque ao homem que é bom diante dele, dá Deus
sabedoria e conhecimento e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte, e
amontoe, para dá-lo ao que é bom perante Deus. Também isto é vaidade e aflição de espírito.

15
ECLESIASTES
V24. Não há nada melhor que comer e beber - Portanto, a filosofia mais lógica para
o individuo cuja perspectiva de vida se restringe apenas a vida debaixo do sol é
encontrar alegria na comida, na bebida e em seu trabalho. O Pregador não se está
referindo à glutonaria e a embriaguez, mas incentivando as pessoas a encontrarem
satisfação, sempre que possível, nas coisas simples da vida. Salomão descobriu que
até isso vem das mãos de Deus, isto é, o fato de o homem ter capacidade de se
alegrar com as bênçãos comuns da vida: provar boa comida, boa bebida e desfrutar a
satisfação que provém de trabalho honesto. Enfim, o ser humano não tem em si
mesmo o poder de se alegrar, a menos que essa capacidade seja concedida por Deus.
‘’ Mais tarde, o apóstolo Paulo, confirmou esse ponto de vista, afirmando que, se
de fato os mortos não ressuscitam, então só resta comer e beber ‘’ (1Co 15.32).

V25. Quem pode desfrutar das comidas melhor do que eu? - Salomão acrescenta
que conseguiu desfrutar essas coisas mais que qualquer outra pessoa. Pois no seu
palácio tinha, as melhores comidas e bebidas que um ser mortal podia desejar.

Interpretação diferente - Quem pode comer e pode se deleitar longe dele (Deus)? –
A primeira versão a ser traduzido o Antigo Testamento foi a Septuaginta, que
traduziu do hebraico para o grego. O verso 25 foi traduzido da seguinte forma:
“Quem pode comer e pode se deleitar longe dele?” Tal interpretação conecta os
versículos 24 e 26 de maneira significativa. Sabemos que toda dádiva vem de Deus
(Tg 1.17). É ele quem deu o apetite, a habilidade para sentir o gosto e a capacidade
para aproveitar a vida.
Então como já vimos, à versão antiga, faz mais sentido no contexto do assunto do
que a versão mais moderna.

V26. O justo recebe de Deus: sabedoria, conhecimento e alegria - No final do


capítulo, o Pregador observa um princípio geral na vida: Deus recompensa o justo e
castiga o pecador. Ao homem que agrada a Deus, o Senhor concede sabedoria,
conhecimento e prazer; porém, ao pecador rebelde, Deus faz que trabalhe
arduamente para acumular riquezas, apenas para ao final vê-lo entregar todo o
resultado de seu trabalho a outra pessoa a quem o Senhor escolheu. Porventura
haverá maior frustração e inutilidade que isso?

16
ECLESIASTES

Questionário
ASSINALE COM ‘’X’’ A ALTERNATIVA CORRETA
CAPÍTULO 1
1.01 - A palavra ‘’ Pregador ’’ vem do termo hebraico Koheleth, o que significa?
___a) aquele que faz acontecer
___b) aquele que tem chamado
___c) aquele que chama ou reúne.

1.02 - Salomão usa quantas vezes o termo ‘’Vaidade’’ em Eclesiastes?


___a) 27 ___b)17 ___c)38.

1.03 - A palavra vaidade no hebraico é ‘’Hebel ’’, qual é o seu significado?


___a) força e poder ___b) cuidado exagerado da aparência
___c) vazio, futilidade, vapor e névoa.

CAPÍTULO 2
2.01 – Salomão inicia uma campanha em busca dos prazeres, decidi testar o coração
como reagiriam as duas experiências da vida: prazer e o trabalho, mas qual foi o
resultado de sua busca?
___a) pura emoção ___b) encontrou satisfação de viver
___c) vida espiritual fortalecida ___d) insatisfação e vazio.

2.02 – No versículo 14 diz: ‘’ Os olhos do homem sábio estão na sua cabeça ‘’, o que
isso quer dizer?
___a) homem sábio possui mais olhos ___b) nenhuma das alternativas
___c) olhos do sábio enxerga o caminho por onde anda.

17
ECLESIASTES

2.03 – No versículo 21; o que significa a porção do trabalho?


___a) honra ___b) amor
___c) todo legado de uma vida (riquezas conquistadas).

Capítulo 3
V1. Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. V2. Há tempo
de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; V3. Tempo de
matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; V4. Tempo de chorar, e tempo de rir;
tempo de prantear, e tempo de dançar; V5. Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo
de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; V6. Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar,
e tempo de lançar fora; V7. Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
V8. Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

V1. Tudo tem seu tempo determinado - Não é preciso ser filósofo para saber que os
"tempos e as estações" são uma parte normal da vida onde quer que a pessoa se
encontre. Se as "leis naturais" determinadas por Deus não fossem confiáveis, a
ciência e a vida diária seriam caóticas, para não dizer impossíveis. Não apenas este
mundo possui tempos e estações como também há uma providência que prevalece
em nossa vida. Desde antes de nosso nascimento até o momento de nossa morte,
Deus esta realizando seus propósitos, mesmo que nem sempre sejamos capazes de
entender o que está fazendo.

Tempo para todo o propósito - “Propósito” é tradução da palavra hebraica


cheephetz, “desejo”, “inclinação”, “desígnios”, “intenções humanas” governadas
pelos desígnios da providência divina. Paulo traz uma ideia sobre isso em Filipenses
2.13.

V2. Tempo de nascer e tempo de morrer – A ciência diz através da teoria de Darwin
que o ser humano é resultado de uma evolução de um ser vivo simples e pequeno,
que ao longo do tempo se multiplica até se tornar ser humano. Mas sabemos que o
nascimento de uma vida é um milagre, ou seja, obra do Criador. Muitos cientistas se
gabam quando fazem fertilização in vitro, achando que tem poder de trazer a vida. O
que os cientistas e os homens (pais) fazem, é o mesmo que os agricultores fazem; só
lançam as sementes, mas quem vai dar o nascimento dos filhos e das plantas é Deus.

18
ECLESIASTES
Morrer - Como diz o ditado popular: ‘’Se é uma coisa que temos certeza, é que um
dia morreremos’’. Davi em Salmos 139.16; ele quer dizer que Deus traz homem ao
mundo com um propósito, e seus dias estão contados por Deus, ou seja, tempo de
nascer e tempo de morrer. Mas se agirmos com imprudência podemos apressar a
morte em nossa vida.

Tempo de plantar e tempo de arrancar - Com essa frase, Salomão parece se referir a
toda à agricultura, atividade intimamente relacionada às estações do ano (Gn 8.22).
Desconsiderar a época certa de plantar e colher resulta em desastre. Arrancar pode
está se referindo ‘’tirar pela raiz’’, indicando fim para aquele vegetal, como a morte.

V3. Tempo de matar e tempo de curar – Há dois pontos de vista sobre este versículo:
1- Comentaristas bíblicos fazem de tudo para explicar que Salomão não se esta
referindo a cometer assassinato, mas a guerra, a pena de morte e a legítima defesa.
Entretanto, precisamos lembrar que as observações de Salomão se baseavam em
conhecimento puramente humano. Uma vez que não tinha revelação divina,
enxergava a vida como um açougue, um campo de batalha. Curar pode está se
referindo tratamento das feridas causadas pela guerra.
2- E provável que não se trate de uma referencia a guerra (v. 8) ou a autodefesa, mas
sim aos resultados de uma peste na terra (1Sm 2.6). Deus permite que alguns
morram e que outros sejam curados. Isso não significa que devamos recusar cuidados
médicos, pois Deus pode usar os meios humanos e também os milagres para realizar
seus propósitos (Is 38).

Tempo de derrubar e tempo de edificar - A equipe de demolição é encarregada de


derrubar edifícios ultrapassados ou inadequados para que os construtores possam
construir prédios modernos e renovar a área que estava envelhecida pelo tempo.

V4. Tempo de chorar e tempo de rir – A vida parece um ciclo no campo das
emoções, certas situações nos leva a chorar e em outras somos levado há nos
alegrarmos.

Tempo de prantear e tempo de dançar – A momentos que as pessoas participam de


um velório de um ente querido, e a tristeza há conduz a prantear (chorar muito).
Essas mesmas pessoas que participam de um velório, logo depois são convidadas a
participarem de uma festa, aonde tem músicas e danças, e com isso se alegram.

V5. Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras - Parece estar em vista à
edificação. Um homem seleciona seu material e se desfaz das pedras que não
prestam para a construção de paredes e casas. Outro significado poderia ser a
limpeza de um terreno, eliminando-se as pedras soltas, para o preparo dos campos
19
ECLESIASTES
de cultivo. Ver Is 5.2; 62.10; 2 Reis 3.19,25. E, então, ocorre o tempo para juntar
pedras. As pedras certas são escolhidas para a construção. A referência é literal.

Tempo de abraçar e tempo de se afastar – Pode estar se referindo uma situação


conjugal. Pensando na lei antiga, o casal se abraçava, mas no tempo onde a mulher
ficava impura (menstruada) teria que se afastar (Lv 15.19); ou uma traição, aonde se
separava. Também pode ser uma referência a uma amizade, onde amigos se abraçam
e ao se despedir se afastam, ou uma traição na amizade onde ambos se afastam.

V6. Tempo de buscar e tempo de perder – Esse versículo pode estar se referindo a
uma transação comercial, onde uns ganham e outros perdem. Também pode estar se
referindo situações da vida, onde há momentos que obtemos vantagens e momentos
onde há desvantagens. Tem pessoas que não aceita este ciclo, só quer obter
vantagens em tudo e em todos, por isso, muitos entram em depressão.

Tempo de guardar e tempo de lançar fora - A maior parte das donas de casa está
familiarizada com esse padrão curioso: durante meses e anos entulham os armários
com coisas. Porém, um belo dia, num grande impulso de organização, decide limpar
os armários e jogam tudo fora ou doam a uma instituição de caridade.

V7. Tempo de rasgar e tempo de costurar - Quando alguém recebia má noticias, era
costume rasgar as próprias vestes para demonstrar a dor (2 Sm 13.31). Quando
findava a situação desagradável, era possível costurar de novo a vestimenta.

Tempo de estar calado e tempo de falar – Essa deve ser a atitude de uma pessoa
sábia, pois sabemos que uma pessoa nervosa se não calar-se pode fazer um estrago,
no casamento, trabalho, amizades etc. Há momentos que se deve falar, agir, se não
será um fantoche na mãos dos outros. Resumindo, temos que ser equilibrados.

V8. Tempo de amar e tempo de odiar – Alguns estudiosos acham que Salomão esteja
falando de nações, que há momentos que fazem aliança e há momentos que se
guerreiam, eles deduzem isto por causa do final do verso guerra e paz. Mas alguns
acham que ele está falando do ser humano em geral que oscila em amor e ódio.

Tempo de guerra e tempo de paz – Em toda história da humanidade existiu


momentos de guerra e momentos de paz, houve momentos de guerra que Deus usou
nações para disciplinar Israel, mas houve momento que Israel viveu em paz. Mas em
tudo isso, Deus está no controle de tudo e exercendo seus propósitos na terra.

20
ECLESIASTES
V9. Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha? V10. Tenho visto o trabalho que
Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar. V11. Tudo fez formoso em seu tempo;
também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez
desde o princípio até ao fim. V12. Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que
alegrar-se e fazer bem na sua vida; V13. E também que todo o homem coma e beba, e goze do
bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus.

V9. Que proveito tem o trabalhador do seu trabalho? - A pergunta que rondava a
mente de Salomão era: “Que proveito duradouro tem o trabalhador em resultado de
seu trabalho árduo?”. Para todo trabalho construtivo, ha uma obra destrutiva; cada
elemento positivo traz consigo seu oposto negativo. A lista de catorze elementos
positivos e cancelada por catorze elementos negativos, de modo que o resultado da
matemática da vida são catorze menos catorze, ou seja, zero. Tudo o que o homem
recebe por seu esforço equivale a nada no final das contas.

V10. Deus deu o trabalho ao homem para sua ocupação - Salomão conduziu uma
investigação exaustiva de todas as atividades, projetos e ocupações que Deus
concedeu ao homem para ocupar o tempo. Os versículos 2-8 compõem um catálogo
dessas atividades.

V11. Deus fez tudo formoso no seu devido tempo - Tudo na criação de Deus é
formoso. A mensagem neste versículo é que Deus faz tudo ser assim em seu tempo.
Da perspectiva divina, não há feiura nos acontecimentos de nossa vida (Ec 3.1-8).

Pôs o mundo no coração do homem – Em versões mais antigas está: ‘’Pôs a


eternidade no coração do homem’’. A expressão o mundo no coração do homem, se
refere ao impulso profundamente enraizado e compulsivo no homem de ultrapassar
sua mortalidade e descobrir o sentido e o destino do mundo. Como somos feitos a
imagem de Deus, possuímos uma vontade inquiridora inata a respeito de realidades
eternas. Só encontramos a paz quando conhecemos nosso Criador.
Sem descobrir a obra que Deus fez desde o princípio; Salomão quer dizer que
mesmo que haja desejo de conhecer coisas eternas e muito mais, Deus não revelará
tudo o que fez, como diz Paulo: ‘’Conhecemos somente por parte’’ (1Co 13.12).

V12. Sei que nada há melhor para o homem - Considerando que a vida do ser
humano é governada por certas leis inflexíveis e que todas as atividades do homem
parecem indicar que este está sempre voltando ao ponto de partida, Salomão decidiu
que a melhor coisa a fazer é ser feliz e desfrutar a vida tanto quanto possível.

V13. Comer, beber e desfrutar é dom de Deus - Salomão não está dizendo que
devemos nos entregar a orgias, embriaguez, imoralidades ou libertinagens. Em vez
disso, declara que Deus deu ao ser humano o dom de se alegrar com comidas e
21
ECLESIASTES
bebidas e encontrar satisfação em seu trabalho diário. Trata-se de um ponto de vista
bastante inferior se comparado ao contexto cristão, mas devemos nos lembrar de
que, Salomão enxergava a vida somente da perspectiva humana e terrena.
Quando olhamos a vida da perspectiva divina, sabemos que encontramos satisfação
não só nas coisas terrena (comer e beber), mas também nas coisas espirituais, da
qual Deus deixou para aqueles que o ama.

V14. Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada
se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele. V15. O que é, já foi; e o que há
de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou. V16. Vi mais debaixo do sol que no lugar
do juízo havia impiedade, e no lugar da justiça havia iniquidade. V17. Eu disse no meu coração:
Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo o propósito e para toda a obra.
V18. Disse eu no meu coração, quanto à condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria,
para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais.

V14. Sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente – O Pregador percebeu,
acertadamente, que os decretos divinos são imutáveis, isto é, o que Deus decidiu
ninguém pode mudar, seja por acréscimo, seja por subtração. É tolice a criatura se
opor a ordem estabelecida pelo Criador. É melhor respeitar os desígnios do Senhor e
se sujeitar a seu governo. Portanto, faça como os filósofos estoicos (filósofos gregos)
e aceite tudo e, então, sem importar se prosperar ou sofrer, você estará cumprindo a
vontade de Deus. Exemplo disso como sabemos é Jó, que prosperou e sofreu, mas
aceitou o bem e o mal sabendo que Deus estava no governo de sua vida.

V15. O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi - Vemos nos versículos 2-8
desse contexto, que há um ciclo repetitivo do que acontece na vida. A expressão
‘’Deus pede conta do que passou‘’, em versões mais antigas diz: ‘’Deus renova o que
passou’’, indicando que Deus traz o ciclo novamente dos versos 2-8, para outras
gerações. Resumindo, os acontecimentos atuais são apenas repetições de coisas
passadas, e nada acontecerá que já não tenha acontecido antes, é claro que isto se
baseia nos versículos 2-8.

V16. Vi ainda debaixo do sol que no lugar do juízo reinava a maldade - Outra coisa
que incomodava o Pregador era a maldade e a injustiça. Salomão percebeu que havia
perversidade nos tribunais, lugares onde o juízo deveria reinar, e desonestidade na
esfera governamental, na qual a justiça deveria ser aplicada.

V17. Então disse comigo: Deus julgará o justo e o perverso - Como é possível Deus
estar no controle quando há tanta perversidade em nosso mundo, quando os ímpios
prosperam em seu pecado e os justos sofrem em sua obediência? “Salomão não foi o
22
ECLESIASTES
primeiro a fazer essa pergunta nem será o ultimo”. Porém, mais uma vez, se consolou
com duas certezas: Deus tem um tempo para todas as coisas, inclusive o julgamento
(ver 8:6, 11).

V18. Então disse comigo: Deus provaria o homem - Nos versículos finais do capítulo
3, o Pregador fala sobre a morte e a considera uma inflexível desmancha-prazeres
que põe fim a todas as ambições, empenhos e divertimentos do ser humano.
Salomão encarava a morte exatamente como faríamos se não tivéssemos a Bíblia
para nos iluminar. Observe o segmento: “Então, disse comigo”. Ou seja, Salomão fala
de coisas que percebeu por meio de seu próprio raciocínio debaixo do sol, não de
informações reveladas por Deus. Em essência, Salomão está dizendo que Deus prova
os homens para mostrar a fragilidade e transitoriedade do ser humano. Nesse
sentido, a vida humana e exatamente como os animais. Entretanto, Salomão não
afirma que o homem é um animal.

V19. Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes
sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a
vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. V20. Todos
vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó. V21. Quem sabe que o
fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra? V22. Assim
que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa
é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?

V19. Porque o que sucede aos filhos dos homens, sucede aos animais - De fato, o
homem não e um animal. Contudo, em sentido específico, o ser humano não tem
nenhuma vantagem sobre os animais, uma vez que a morte atinge a ambos. Todos
têm o mesmo fôlego de vida e, na hora da morte, esse fôlego é retirado. Desse
modo, a vida é vazia tanto para o homem quanto para outras criaturas inferiores.

V20. Todos vão para o mesmo lugar - Todos os seres vivos vieram do mesmo lugar, o
pó, e se dirigem ao mesmo destino, à sepultura. Obviamente, Salomão presume que
o ser humano é apenas corpo físico. Entretanto, sabemos que isso não é verdade,
pois o corpo consiste apenas numa habitação onde mora o espírito. Salomão,
todavia, não tinha como conhecer a verdade completa sobre a estrutura espiritual do
homem.

V21. Talvez o fôlego do homem vá para cima e dos animais para baixo - A pergunta
de Salomão torna evidente sua ignorância quanto ao que acontece no momento da
morte. “Quem sabe se o fôlego de vida dos filhos dos homens se dirige para cima e o
dos animais para baixo, para a terra?”. Não estamos diante de um fato doutrinário.

23
ECLESIASTES
Em lugar disso, trata-se de questionamento humano, não de revelação divina. O NT
informa que, na ocasião da morte, o corpo do cristão desce à sepultura (At 8.2),
porem o espírito e a alma vão habitar com Cristo (2Co 5.8; Fp 1.23). Já os animais a
bíblia não menciona nada. Porém alguns acreditam que o homem morre tanto corpo
quanto a parte espiritual, a pessoa fica no túmulo esperando a volta de Cristo. Trato
esse assunto melhor em Eclesiastes 9.5.

V22. Não há coisa melhor do que se alegrar nas obras - Refletindo sobre o que sabia
acerca da morte e levando em consideração o que não sabia, Salomão concluiu que o
melhor caminho para o ser humano é desfrutar o resultado de seus afazeres diários.
Essa é, afinal, a única recompensa nesta vida, de modo que é melhor cooperar com o
inevitável. Em outras palavras, o indivíduo precisa encontrar satisfação em aceitar o
que não pode ser alterado. Mas, acima de tudo, deve desfrutar a vida como ela se
apresenta agora, pois ninguém pode lhe dizer o que acontecerá na terra depois de
sua morte.

Capítulo 4
V1. Depois voltei-me, e atentei para todas as opressões que se fazem debaixo do sol; e eis que vi
as lágrimas dos que foram oprimidos e dos que não têm consolador, e a força estava do lado dos
seus opressores; mas eles não tinham consolador. V2. Por isso eu louvei os que já morreram, mais
do que os que vivem ainda. V3. E melhor que uns e outros é aquele que ainda não é; que não viu
as más obras que se fazem debaixo do sol. V4. Também vi eu que todo o trabalho, e toda a
destreza em obras, traz ao homem a inveja do seu próximo. Também isto é vaidade e aflição de
espírito.

V1. Vi ainda todas as opressões que se fazem debaixo do sol; V2. Por isso louvei os
que já morreram; V3. Melhor era nem ter nascido – Salomão agora volta seu olhar
para as injustiças que se há no meio da sociedade. Salomão testemunhou três coisas
trágicas: (1) A opressão e exploração nos tribunais; (2) A dor e a tristeza na vida de
pessoas inocentes; (3) O descaso daqueles que poderiam tê-las confortado. Salomão
ficou tão arrasado com o que viu que decidiu que era melhor estar morto do que
viver oprimido. Salomão conclui no v.3, melhor ainda era nem ter nascido, pois assim
não haveria como ver a perversidade do ímpio.

V4. Salomão descobriu porque as pessoas buscam o sucesso no trabalho - Nada


mais natural do que Salomão encontrar primeiro um homem que trabalhava com
afinco. Afinal, o próprio rei havia exaltado as virtudes do trabalho árduo em
Provérbios 10.4. Esse homem não apenas estava ocupado, como também se
24
ECLESIASTES
mostrava habilidoso em seu trabalho e competente em tudo o que fazia. Havia
dominado as técnicas de seu ofício. A habilidade e a competência dizem respeito a
suas mãos; mas e quanto a seu coração? Foi nesse ponto que Salomão sofreu a
próxima decepção. O objetivo dessas pessoas ao aperfeiçoar suas aptidões e
trabalhar com tanto afinco era competir com outros e ganhar vantagens sobre eles.

O propósito de seu trabalho não era produzir coisas uteis e belas nem ajudar
pessoas, mas se manter a frente da competição e garantir seu sustento e sua posição
de ser melhor que seu próximo e assim satisfazer seu ego.

‘’Se não vigiarmos podemos cair no mesmo erro, e sofrer aflição, como diz Salomão’’.

V5. O tolo cruza as suas mãos, e come a sua própria carne. V6. Melhor é a mão cheia com
descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho, e aflição de espírito. V7. Outra vez me
voltei, e vi vaidade debaixo do sol. V8. Há um que é só, e não tem ninguém, nem tampouco filho
nem irmão; e contudo não cessa do seu trabalho, e também seus olhos não se satisfazem com
riqueza; nem diz: Para quem trabalho eu, privando a minha alma do bem? Também isto é
vaidade e enfadonha ocupação.

V5. O tolo cruza os braços, e come sua própria carne - Em contraste ao indivíduo
motivado pela inveja e por recompensas, encontra-se o tolo, isto é, aquela pessoa
estúpida, grosseira e preguiçosa que cruza os braços e sobrevive somente daquilo
que consegue obter com o mínimo esforço, Salomão usa uma expressão muito forte
para essas pessoas ‘’come sua própria carne ‘’, ou seja, está se destruindo. Salomão
achou o tolo mais sábio que o ganancioso, cuja vida é impulsionada por inveja e
cobiça.

V6. Melhor uma mão cheia com descanso do que ambas as mãos cheias com
trabalho e aflição de espírito - Enquanto as outras pessoas trabalham em um
ambiente de competição frenética, o tolo pensa: Melhor é um punhado de descanso
do que ambas as mãos cheias de trabalho e correr atrás do vento. Ou, conforme a
paráfrase de H. C. Leupold: “Prefiro minha tranquilidade no pouco a adquirir mais
coisas e ter de lidar com os aborrecimentos decorrentes de tê-las”. Salomão aqui não
esta apoiando o preguiçoso, em sua tese natural ele viu que o ganancioso sofre mais.

V7. Então considerei outra vaidade debaixo do sol; V8. Homem independente, sem
filhos e nem irmão – No versículo 7, vemos que o Salomão não desiste de suas
investigações, continua observando os acontecimentos debaixo do sol. Já no
versículo 8 Salomão observou um homem solitário, trabalhando com grande
empenho, e foi conversar com ele. O rei descobriu que o homem não tinha parentes
nem sócios para ajudá-lo em seu negócio e que não desejava ajuda. Queria todo o
25
ECLESIASTES
lucro para si. No entanto, estava sempre tão ocupado que não tinha tempo de gozar
os frutos de seu trabalho. Se morresse, não tinha para quem deixar sua riqueza. Em
outras palavras, todo o seu trabalho era em vão. Como disse Sócrates, o filosofo
grego: "A vida impensada não e digna de ser vivida".

Mas o homem independente nunca parava tempo suficiente para se perguntar para
quem estava labutando tanto e por que se privava dos prazeres da vida só para
juntar mais dinheiro. O homem trabalhador pelo menos gerava empregos para
outros, e o homem desocupado desfrutava algum lazer, mas o homem
independente não fazia nem uma coisa nem outra. ‘’Bem aventurados são os
equilibrados ’’.

V9. Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. V10. Porque se um
cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro
que o levante. V11. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se
aquentará? V12. E, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três
dobras não se quebra tão depressa.

V9. Melhor ser dois do que um; V10. Porque se um cair o outro ajuda levantar - A
experiência de Salomão com o homem independente o fez refletir sobre a
importância da amizade e o valor de as pessoas fazerem coisas juntas. Talvez tenha
se lembrado do provérbio hebraico: "Um homem sem amigos é como a mão
esquerda sem a mão direita”. É possível que o rei tenha observado alguns
trabalhadores ajudando um ao outro e chegado à conclusão de que "melhor é serem
dois do que um". No verso 10 Salomão mostra porque é melhor ser dois do que um,
imagine se um trabalhador cair de uma escada e vier quebrar um membro do corpo e
não conseguir levantar e nem andar, mas se tiver um para socorrer o prejuízo será
menor. Levando em conta o lado emocional, sabemos que quando estamos com
autoestima baixa se tivermos um amigo ele pode nos ajudar a levantar nosso ânimo.

“Nenhum homem é uma ilha”. Esta famosa frase do filósofo inglês Thomas Morus,
ajuda-nos a compreender que a vida humana é convívio. Para o ser humano viver é
conviver.

V11. Dois juntos esquenta mais do que um sozinho – Esta passagem sempre foi
direcionada pelos pregadores para se referir um casal onde ambos se aquecem
juntos, mas observando os versos 8,9,10 e 12; começando no verso 8 onde fala do
trabalhador independente, vemos que Salomão esta falando de amizade entre
amigos, assim também no verso 12, onde dois amigos resiste melhor se houver
algum salteador e o cordão três dobras(3 amigos) é mais forte ainda, ou seja, resiste

26
ECLESIASTES
melhor os salteadores. Então esta palavra não foi direcionada ao casamento e sim
amizade em geral, era um conselho contra aquele homem independente, pois não
vale apena estar só.

Dormir juntos se aquecerão – Parece estranho essa expressão falando a respeito de


amizade, soa mais para um casal. Essa linguagem se refere aos viajantes da época, ao
longo do caminho teriam que acampar para descansar, no acampamento quanto
mais gente próxima mais havia calor é como você entrar em um ônibus lotado, o
corpo humano tem em média 36 C e 37,5 C, esse calor passa para quem estiver
perto. As noites no deserto são muito frias, um viajante sozinho sofreria um pouco
mais de frio, porque em sua volta não teria o calor humano.

Lembrete – Não há problema algum usar esse texto para falar de casamento, pois
sabemos que desde a criação Deus falou que não era bom que homem ficasse só,
pois o plano de Deus sempre foi que homem tivesse uma companheira. Mas nunca
podemos ignorar o pensamento do autor que escreveu o texto.

V12. Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão – Continuando o
raciocínio de Salomão, a vantagem de serem dois se torna menos perigoso ao ataque
de salteador pelas estradas. Um exemplo a ser tomado é aquele homem espancado
na parábola do bom samaritano (Lc 10.30-37). Aquele caminho de Jerusalém para
Jericó era conhecido como ‘’ Caminho de Sangue ‘’ por causa da presença frequente
de salteadores que se escondiam nas cavernas. Podemos ver que aquele homem da
parábola estava só, se ele estivesse com um amigo poderia resistir o salteador, agora
se ele estivesse em três pessoas poderia fazer como um cordão de três dobra, difícil
de quebrar como disse Salomão, a resistência contra inimigo seria maior.

V13. Melhor é o jovem pobre e sábio do que o rei velho e insensato, que não se deixa mais
admoestar. V14. Porque um sai do cárcere para reinar; enquanto outro, que nasceu em seu reino,
torna-se pobre. V15. Vi todos os viventes andarem debaixo do sol com o jovem, o sucessor, que
ficará no seu lugar. V16. Não tem fim todo o povo, todo o que ele domina; tampouco os
descendentes se alegrarão dele. Na verdade que também isto é vaidade e aflição de espírito.

V13. Melhor o jovem sábio do que o rei velho que não aceita conselhos – A jovens
que são rebeldes e imorais, mas a jovens que preferem a sabedoria, esses jovens são
melhores do que os velhos insensatos. A velhice para uns faz bem, pois tem homens
que deixa ser levado pela sabedoria e pelo amadurecimento. Em contra partida, tem
homens que se deixa ser levado pela insensatez, ou seja, perde o juízo totalmente.
Esse homem não aceita conselho, acha que é o dono da verdade e esta sempre com a

27
ECLESIASTES
razão, se um jovem lhe der conselho é como o fim do mundo para o velho.
Infelizmente está cheio de pessoas assim que são escravas do orgulho.
V14. O Pobre saiu do cárcere para reinar, e o rei se tornou pobre – Não sabemos ao
certo de onde Salomão tirou esse pensamento do versículo, se foi de uma situação
que ele presenciou pois ele conhecia os reis da época e suas histórias, ou ele criou
esse pensamento como uma parábola onde você cria uma história fictícia para
ensinar uma lição, ou ele tinha em pensamento a história de José no Egito onde saiu
da prisão para reinar juntamente com Faraó sendo o primeiro ministro do rei. Mas a
lição que Salomão quis passar é a seguinte, se uma pessoa que se comporta com
humildade e der ouvido para sabedoria ela pode ir muito alto independente de sua
classe social, ou seja, pode ser pobre. Agora, se a pessoa não for humilde e não der
ouvido a conselhos da sabedoria ela pode estar no alto que ela terá uma queda livre.
V15. O povo estava agora com o jovem pobre que subiu ao trono - Ao que parece, o
rapaz saiu da prisão e subiu ao trono por aclamação publica. "Vi todos os viventes
que andam debaixo do sol com o jovem sucessor, que ficará em lugar do rei
insensato”. Tudo indicava que as coisas não podiam ser melhores para o rapaz. O
momento que ele estava vivendo agora era de glória e poder, mas será que isso
durará para sempre?

V16. Era sem conta todo o povo que ele dominava, mas a próxima geração não se
alegrou com seu domínio - O rei que saiu “da prisão para o trono”, durante algum
tempo, desfrutou autoridade sobre as massas e caminhou por altos escalões. Mas as
massas vão e vêm, e a nova multidão não favorecia o homem. Ele não tinha mais
razão para continuar a regozijar-se com sua riqueza e poder. Na realidade, tudo
terminou em vaidade e perseguição. Os homens vêm e vão, dançando e saltitando no
palco da vida, como se tivessem de serem reis da “terra”, para sempre. Porém, assim
que a maré do tempo os leva embora, ficam demonstradas quão fúteis e vãs são as
suas vantagens temporárias. Tudo era apenas uma farsa, pois estavam somente
perseguindo o vento.

Um exemplo simples do que Salomão falou podemos observar hoje, vimos cantor do
passado que arrastavam multidões com suas canções, levavam fãs a loucuras, mas
vindo uma nova geração despreza esse cantor e sua fama é levada embora pela maré
do tempo. Aqui fica a dica de Salomão para os que desejam o sucesso, a única glória
que permanece é somente do nosso Criador Jesus Cristo, que dura para sempre.

28
ECLESIASTES
Questionário
ASSINALE COM ‘’X’’ A ALTERNATIVA CORRETA
CAPÍTULO 3
3.01 – No versículo 11, o que Salomão quis se referir ‘’pôs o mundo no coração do
homem ‘’?
___a) toda sabedoria esta no coração do homem
___b) desejo para conhecer coisas eternas
___c) capaz em conhecer toda natureza da terra.

3.02 – No versículo 13, ‘’comer, beber e desfrutar é dom de Deus’’, o que isso quer
dizer segundo o que estudamos?
___a) se entregar a embriaguez, glutonaria e orgias
___b) Deus deu ao ser humano o dom de se alegrar com comidas e bebidas
___c) nenhuma das alternativas.

3.03 – No versículo 19, ‘’porque o que sucede aos filhos dos homens, sucede aos
animais’’, o que Salomão estava pensando ao dizer estas palavras?
___a) que o homem é um animal
___b) os dois tem o mesmo valor
___c) a morte atinge tanto os homens como os animais.

CAPÍTULO 4
4.01 – No versículo 4, segundo a análise de Salomão, porque o homem busca tanto
sucesso no trabalho?
___a) para ser melhor que seu próximo e satisfazer seu ego
___b) para ganhar mais e ajudar seu próximo
___c) para agradar seu chefe.

29
ECLESIASTES
4.02 – No versículo 5, ‘’o tolo cruza os braços, e come sua própria carne’’, o que
significa comer sua própria carne segundo o que estudamos?
___a) açoitar o próprio corpo ___b) destruindo a si mesmo
___c) nenhuma das alternativas.

4.03 – No versículo 12, o que significa o cordão de três dobras no raciocínio de


Salomão?
___a) cordão grosso composto de três fios ___b) três amigos
___c) nenhuma das alternativas.

Capítulo 5
V1. Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do
que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. V2. Não te precipites com a tua
boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus
está nos céus, e tu estás sobre a terra; assim sejam poucas as tuas palavras. V3. Porque, da
muita ocupação vêm os sonhos, e a voz do tolo da multidão das palavras. V4. Quando a Deus
fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-
o. V5. Melhor é que não votes do que votares e não cumprires.

V1. Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; melhor ouvir do que ser
hipócrita - Guarda o teu pé ou tenha cuidado. Traduzida literalmente, esta frase
exige prudência ao adorar a Deus. Significa comportar-se bem com temor. A ideia de
agir com honradez é comentada mais a frente com as palavras mas tu, teme a Deus
(Ec 5.7). Salomão aqui não esta invalidando os sacrifícios que Deus havia ordenado
para o povo na verdade ele estava alertando aqueles que achavam que estava
enganando Deus com suas hipocrisias, ofereciam os melhores animais, mas não
ofereciam o melhor do seu caráter. Jesus repreendeu muitos desses hipócritas
quando pregava o evangelho.

Salomão diz que é melhor chegar sem sacrifício e sentar-se para ouvir os ministros do
templo, do que chegar com sacrifício e ter uma vida de hipocrisia. Pois quem sabe
numa dessas pregações o hipócrita se converte para uma vida de sinceridade.

V2. Não te precipite (apresse) com sua boca e nem com seu coração - Orar é algo
muito sério, não deve ser considerado de modo imprudente ou desatento, mas com
sobriedade e temor do Senhor. Se você e eu tivéssemos o privilégio de expressar
30
ECLESIASTES
nossas necessidades e pedidos ao governante de nosso país, sem dúvida,
prepararíamos nossas palavras com cuidado e teríamos um comportamento
apropriado. Aproximar-se do trono do Deus Todo-Poderoso é infinitamente mais
importante que qualquer governo humano, e por isso devemos chegar de forma
prudente e não sair falando qualquer coisa para impressionar quem esta perto
demonstrando querer ser mais espiritual.

John Bunyan, autor de O Peregrino, escreveu: "Na oração, é melhor ter sinceridade
sem palavras do que palavras sem sinceridade".

V3. Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos e a voz do tolo sai muitas palavras
com tolices – O versículo 3 apresenta uma analogia: A mente que muito pensa com
frequência imagina todo tipo de fantasias; de modo semelhante, a boca que muito
fala produz torrentes de palavras tolas, inclusive durante a oração. Alexander Pope
escreveu: “Palavras são como folhas; onde há muitas, raramente há frutos de bom
senso por trás delas”. A intenção de Salomão no versículo 3 é dizer que assim como a
mente produz várias fantasias e imaginações, assim também a boca do tolo produz
muitas palavras de tolices.

V4. Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; V5. Melhor é que
não votes do que votes e não cumpras - Não se deve tentar subornar Deus com um
voto impensado. A primeira parte do versículo 4 é quase idêntica a Deuteronômio
23.21. Veja o exemplo posterior da mentira de Ananias e Safira que não cumpriu o
voto com sinceridade (At 5.1-11). Já no verso 5, se não há intenção de cumprir o
voto, é melhor não fazê-lo. O Pregador estava ciente da propensão do ser humano
para barganhar com Deus em momentos de desespero. “Senhor, se tu me ajudares a
sair dessa eu prometo que vou te servir para sempre”. Entretanto, a tendência é
esquecer rapidamente a promessa depois que a crise passa e acaba abandonando a
comunhão com Deus.

Infelizmente o que vemos mais hoje são os pastores incentivando o máximo dos
membros a fazerem votos financeiros em troca de milagres e prosperidade, tentando
com isso barganhar a Deus, ou seja, fazer uma troca. Mas no fundo sabemos que os
interesses de alguns pastores é tirarem aproveito disse para se enriquecer.

31
ECLESIASTES
V6. Não consintas que a tua boca faça pecar a tua carne, nem digas diante do anjo que foi erro;
por que razão se iraria Deus contra a tua voz, e destruiria a obra das tuas mãos? V7. Porque,
como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu teme a
Deus. V8. Se vires em alguma província opressão do pobre, e violência do direito e da justiça, não
te admires de tal procedimento; pois quem está altamente colocado tem superior que o vigia; e
há mais altos do que eles. V9. O proveito da terra é para todos; até o rei se serve do campo. V10.
Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca se fartará da
renda; também isto é vaidade.

V6. Não deixe que a palavra de sua boca o faça pecar - Como regra geral, portanto,
não deixe que sua boca o faça pecar por meio da quebra de seus votos. Não tente se
justificar diante do anjo de Deus, dizendo tratar-se de descuido de sua parte, nem
pense que oferecer a Deus sacrifícios ritualísticos fará expiação pela negligencia em
seus votos, vemos a aqui que a coisa era muito séria naquela época.

Nem diga diante do anjo - A expressão “diante do anjo” pode se referir ao sacerdote,
uma vez que a quebra de votos deveria ser confessada a ele (Lv 5:4-6). Em Malaquias
2.7 os sacerdotes também recebiam a expressão ‘’anjo do Senhor’’.

Destruiria a obra das tuas mãos? – O homem que não agisse de uma forma sincera
diante de Deus poderia atrair maldição no seu trabalho e ficar miserável.

V7. Como na multidão dos sonhos há vaidade - Assim como uma multidão de sonhos
traz vaidades à mente humana, também o muito falar, na formação de votos, leva
um homem ao nada, conforme explicado nos comentários sobre o versículo anterior.
Salomão aconselha deixar de lado as aparências falsas e as hipocrisias e partir para
uma vida sincera e cheia de temor no Senhor, pois isso é sabedoria.

V8. Se vires à opressão dos pobres - Salomão sai do templo e vai para a prefeitura,
onde, mais uma vez, vê os políticos oprimindo os pobres (3.16, 17; 4.1-3). O Pregador
volta a tratar da opressão aos pobres e da perversão do direito e da justiça. O
Pregador aconselha a não nos espantarmos com esse tipo de crueldade. Afinal, existe
uma hierarquia governamental por meio da qual os superiores exploram os
subordinados. O sistema de corregedoria do governo com frequência falha, e todos
os níveis de funcionalismo aproveitam para obter vantagens e fazer politicagem.
Nessas horas, a única esperança dos justos é saber que Deus é maior que as
autoridades terrenas e algum dia o Senhor exigirá prestação de contas de todos.

V9. O proveito da terra é para todos - Esse é um dos versículos mais enigmáticos de
Eclesiastes, por causa da dificuldade de tradução do original (a NVI traduz: “Mesmo
assim, é vantagem à nação ter um rei que a governe e que se interesse pela
agricultura”). A ideia geral parece indicar que até mesmo as autoridades superiores
32
ECLESIASTES
dependem da produção dos campos e, portanto, estão sujeitas a providência divina.
No fim, todos dependeram de Deus e temos de prestar contas a ele.

V10. Quem ama o dinheiro, jamais dele se fartará – As autoridades que explora e
oprime os pobres como vimos no verso 8, essas atitudes esta relacionada ao querer
se enriquecer ilegalmente em cima dos menos favorecidos. Mas Salomão deixa aqui
bem claro para autoridades e todo tipo de pessoas gananciosas, quem ama o
dinheiro jamais conseguirá estar saciável, porque o dinheiro não conseguiu
preencher o vazio que sua ambição causou-lhe, então a sensação é que nunca está
satisfeito.

"O amor ao dinheiro aumenta, na proporção em que o próprio dinheiro aumenta”.

V11. Onde os bens se multiplicam, ali se multiplicam também os que deles comem; que mais
proveito, pois, têm os seus donos do que os ver com os seus olhos? V12. Doce é o sono do
trabalhador, quer coma pouco quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir. V13. Há um
grave mal que vi debaixo do sol, e atrai enfermidades: as riquezas que os seus donos guardam
para o seu próprio dano; V14. Porque as mesmas riquezas se perdem por qualquer má ventura, e
havendo algum filho nada lhe fica na sua mão. V15. Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu
tornará, indo-se como veio; e nada tomará do seu trabalho, que possa levar na sua mão.

V11. Onde os bens se multiplicam, também se multiplicam os que deles comem –


Salomão aqui explica o que acontece quando o homem obtém muitas riquezas, é que
ele nunca atinge o prazer total. Apenas obtêm mais tribulações internas (na
ansiedade, procurando conservar e aumentar o que possuem), e também externas
(mediante os ataques de indivíduos gananciosos). Parte do significado do versículo
pode ser a de que o homem rico também aumenta suas despesas, mediante uma
família numerosa, muitas propriedades para cuidar e muitos servos que ele põe a
trabalhar. Em suma, embora tenha muito mais dinheiro, ele também tem muito
maiores despesas do que quando era pobre. O nosso triste homem também viu o
dinheiro passando diante dos seus olhos. Ele não conseguiu poupar muito para seu
próprio uso.
V12. Doce é o sono do trabalhador pobre - O trabalhador pobre pelo menos pode
dormir bem à noite. Ele ganha aquilo de que necessita dia após dia, e não tem
grandes responsabilidades sobre os próprios ombros. Mas o rico, que vive
sobrecarregado de dinheiro, também fica sobrecarregado com toda a espécie de
cuidados e ansiedades. O rico nem ao menos pode obter uma boa noite de sono.
Enquanto isso, o pobre pode desfrutar dos seus sonhos, que compensam sua
pobreza. Mas o rico só tem sonhos de ansiedade, nem ao menos tem uma vida
agradável de sonhos. Sendo rico, provavelmente ele também é opressor, pelo que
33
ECLESIASTES
poderá haver crimes em sua mente, ferindo-lhe a consciência. A menos que haja
riqueza na sua alma, onde pratica bondade com o seu próximo, sendo assim o sono
pode ser melhor.
V13. Riquezas acumuladas para sua própria destruição; V14. Não sobra nem
herança para o filho – A homens gananciosos e egoístas que acumulam riquezas sem
ajudar o seu próximo, mas em algum momento da vida ele pega essa riqueza e se
arrisca em algum investimento na esperança de multiplicar suas riquezas. Mas o
resultado de seus investimentos o surpreende com o saldo negativo, ou seja, perde
tudo o que anos havia acumulado com seu trabalho. Essa situação como disse
Salomão, atrai enfermidades causando o seu próprio dano. E por fim no verso 14,
não resta nem herança para o filho do ganancioso, pois perdeu tudo arriscando em
negócios que não deram lucros. Há um provérbio árabe que diz: ‘’Deus tem
castigados a muitos, permitindo que eles adquiram riquezas’’. Esse provérbio faz
sentido o que Salomão disse sobre os que acumulam riquezas para seu próprio dano.
V15. Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu voltará - Finalmente, o homem é
reduzido ao nada absoluto, à nudez, o estado em que ele veio ao mundo. Assim,
quando morrer, sairá daqui nu, como chegou. Uma história que nos traz um grande
exemplo disso é a de Alexandre o Grande, ele foi o imperador da Grécia considerado
pela profecia de Daniel (Dn 7.6) o mais veloz em suas conquistas, ele foi comparado
segundo a profecia com leopardo um dos animais mais veloz que existe. Depois de
conquistar o mundo não havendo mais nada a conquistar segundo a história diz que
ele chorou muito. Mas aos 32 anos Alexandre o Grande é tomado por uma doença,
quando à beira da morte, Alexandre convocou os seus generais e relatou seus três
últimos desejos:
1 - que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos melhores da época;

2 - que fossem espalhados no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados
(prata, ouro, pedras preciosas...);

3 - e que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista
de todos.

Um dos seus generais, admirado com esse desejo anormal, perguntou a Alexandre
quais as razões.
Alexandre explicou:

1 - Quero que os melhores médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles
NÃO têm poder de cura perante a morte;

34
ECLESIASTES
2 - Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam
ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
3 – Quero que minhas mãos balancem ao vento, para que as pessoas possam ver que
de mãos vazias viemos, de mãos vazias partimos.
Essa história traz sentido sobre o que Salomão diz no verso para os gananciosos que
foca sua vida e toda sua força nas riquezas desse mundo. Que o conselho de Salomão
e a história de Alexandre o Grande nos sirva de lição para não nos apegarmos nas
riquezas desse mundo, mas focar nossa vida e força naquilo que trará peso eterno
que é o reino Deus.

V16. Assim que também isto é um grave mal que, justamente como veio, assim há de ir; e que
proveito lhe vem de trabalhar para o vento, V17. E de haver comido todos os seus dias nas
trevas, e de haver padecido muito enfado, e enfermidade, e furor? V18. Eis aqui o que eu vi, uma
boa e bela coisa: comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, em que
trabalhou debaixo do sol, todos os dias de vida que Deus lhe deu, porque esta é a sua porção.
V19. E a todo o homem, a quem Deus deu riquezas e bens, e lhe deu poder para delas comer e
tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus. V20. Porque não se lembrará
muito dos dias da sua vida; porquanto Deus lhe enche de alegria o seu coração.

V16. Trabalhou para o vento - Salomão considera isso um grave mal. Em vez de
utilizar a riqueza para fins construtivos, o individuo morre de mãos vazias, sem
nenhum fruto para apresentar, apesar de todo trabalho e esforço. No fim, perece
trabalhando para o vento. As pessoas que trabalham visando às coisas somente da
terra, na verdade esta trabalhando para o vento, elas somente verão que
trabalharam para o vento quando, na morte, elas descobrirem que o lucro do seu
trabalho se foi, foi embora como o vento, elas não sabem para onde se foi.

V17. Nas trevas comeu em todos os seus dias - Cada dia que aquele homem vive é
como uma noite escura igual ao próprio alimento que ele consome: é a sua porção
diária de tristeza, dor e ressentimento. Seria difícil alguém inventar declaração mais
pessimista. O homem vivia uma morte em vida. Sua vida era intolerável. O sol
brilhava no firmamento, mas em seu coração fazia-se noite. Ele comia refeições em
abundância, mas tudo se parecia com uma noite tenebrosa. “Ele passava os seus dias
em trevas e em tristeza”. Assim é a vida dos gananciosos.

V18. Eis o que eu vi: boa e bela coisa é comer e beber - Nesse sentido, a melhor
estratégia é desfrutar as alegrias comuns da vida diária: comer, beber e trabalhar. Se
o individuo fizer isso, nenhuma circunstancia da vida será capaz de apagar os
prazeres que já desfrutou. Na pior das hipóteses, a vida é curta; portanto, por que
não aproveita-la enquanto é possível? Agora tem pessoas que é tão gananciosa que
35
ECLESIASTES
não separa tempo para desfrutar o que já conquistou, quando ela se der conta já esta
velha e doente demais para desfrutar, o que resta é somente o remorso de não ter
aproveitado o que havia conquistado, porque nunca estava contente com o que
tinha.

V19. Quanto ao homem, a quem Deus conferiu riquezas e bens, aproveite -


Salomão acrescenta outra ideia importante: a capacidade de desfrutar as bênçãos da
vida também é uma dádiva de Deus. O Pregador desenvolve esse conceito no
capítulo seguinte e trata da infelicidade das pessoas que possuem riquezas, mas não
são capazes de desfrutá-las. Agradecemos a Deus os alimentos, mas também
devemos agradecer-lhe o paladar saudável e um sistema digestivo que funciona
corretamente, tornando assim as refeições mais prazerosas.

V20. Você não sentirá o tempo passar, pois Deus encherá o seu coração de alegria –
Deus sabe que o ser humano passará por muitas tribulações nesta vida, por isso Ele
concede ao homem alegria de viver através do desfrutar das coisas belas que o
Senhor nos deixou, vemos isso versículo 18, que é falado do prazer de comer e beber.
Com isso o tempo passa e as tribulações são superadas a ponto de até esquecermos,
lembrando que esse ponto de vista era do Salomão, pois foi essa impressão que ele
teve ao olhar as circunstâncias em sua volta, pois sua visão estava focada somente
no aspecto natural. Aprofundando mais, sabemos que Deus deixou a comida e a
bebida para nos alegrarmos, mas essa alegria só satisfaz o aspecto natural do homem
e isso não é suficiente para manutenção da vida, o homem também é um ser
espiritual, comida e bebida não pode satisfazer o homem por completo, na lei de
Moisés já tinha essa informação em Deuteronômio 8.3 e depois foi confirmada por
Jesus.

Jesus, porém, afirmou-lhe: Está escrito: ‘’Nem só de pão viverá o homem, mas de
toda a palavra que sai da boca de Deus’’(Mt 4.4).

Capítulo 6
V1. Há um mal que tenho visto debaixo do sol, e é mui frequente entre os homens: V2. Um
homem a quem Deus deu riquezas, bens e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma
deseja, e Deus não lhe dá poder para daí comer, antes o estranho lho come; também isto é
vaidade e má enfermidade. V3. Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos
seus anos forem muitos, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura,
digo que um aborto é melhor do que ele. V4. Porquanto debalde (inútil) veio, e em trevas se vai, e
de trevas se cobre o seu nome. V5. E ainda que nunca viu o sol, nem conheceu nada, mais
descanso tem este do que aquele. V6. E, ainda que vivesse duas vezes mil anos e não gozasse o
bem, não vão todos para um mesmo lugar?
36
ECLESIASTES
V1. Há um mal que vi debaixo do sol; V2. Um homem que Deus deu riquezas, mas
não pode desfrutá-la – Há uma ironia cruel na vida que aborrece o ser humano:
quando o homem a quem Deus conferiu tudo que seu coração desejou em termos de
riquezas, bens e honra não recebe a capacidade de desfrutar essas coisas, porque
provavelmente é tomado por uma doença degenerativa (incurável). Observe que
Salomão culpa Deus por não permitir que esse homem desfrute suas riquezas. Essa é
uma questão que não esta no alcance do nosso entendimento, nem adianta
questionar Deus por isso, jamais entenderemos seus desígnio e propósitos.

V3. Se alguém gerar cem filhos, e viver muitos anos, mas não desfrutar do que
adianta viver? - Ainda que alguém gere uma família grande e viva até idade
avançada, essas coisas nada significam se o individuo não puder desfrutar a vida ou
se não tiver uma sepultura decente para morrer. Nesse caso, até um aborto é mais
feliz do que ele. Salomão pega pesado com os que não sabem gerenciar sua vida.

V4. É inútil a vinda dessa criança, porque ela desaparece na escuridão; V5. Não
chega ver a luz do dia, nem a saber como é a vida – Continuando o raciocínio do
versículo 3, o feto nasce em trevas, ou seja, nem vê a luz do sol, mas logo quando
morre desaparece para sempre e seu nome é esquecido, por isso fala que sua vinda é
inútil. No versículo 5, Embora nunca tenha visto o sol, nem haja conhecido coisa
alguma, o feto tem mais descanso que o avarento, pois foi poupado de experimentar
as loucuras perversas da vida.

V6. Ainda que aquele vivesse duas vezes mil anos (2.000) - Ainda que o avarento
viva duas vezes mil anos, que vantagem há se não pode desfrutar as coisas boas da
vida? No final, seu destino é o mesmo de um feto, a sepultura. Acredito que se o
homem tivesse a vida prolongada por 2.000 anos, ele iria cair no mesmo erro que um
homem de 80 anos, porque ele iria viver em função de querer multiplicar sua riqueza
e nunca sobraria tempo para desfrutar o que conquistou, isso é vaidade.

V7. Todo o trabalho do homem é para a sua boca, e contudo nunca se satisfaz o seu apetite. V8.
Porque, que mais tem o sábio do que o tolo? E que mais tem o pobre que sabe andar perante os
vivos? V9. Melhor é a vista dos olhos do que o vaguear da cobiça; também isto é vaidade e aflição
de espírito. V10. Seja qualquer o que for, já o seu nome foi nomeado, e sabe-se que é homem, e
que não pode contender com o que é mais forte do que ele. V11. Na verdade que há muitas coisas
que multiplicam a vaidade; que mais tem o homem de melhor? V12. Pois, quem sabe o que é bom
nesta vida para o homem, por todos os dias da sua vida de vaidade, os quais gasta como sombra?
Quem declarará ao homem o que será depois dele debaixo do sol?

V7. Todo trabalho do homem é para a sua boca - O principal motivo para o ser
humano trabalhar é suprir alimento para si e sua família. Apesar disso, é curioso
37
ECLESIASTES
observar que o indivíduo nunca está satisfeito. Quanto mais sua renda aumenta, mais
coisas quer comprar. A boca pode ser também uma metáfora não só para comida,
mas também para outros tipos de desejos como: casa, carro e outros itens. Um
exemplo do que Salomão diz sobre nunca satisfazer o apetite é quando o homem
compra um carro e fica feliz, mas na outra semana já está sonhando com outro
melhor. Então vemos aqui que o apetite da alma nunca está satisfeita.

V8. Pois que vantagem tem o sábio sobre o tolo? Que vantagem há para o pobre
saber se comportar na vida? - Com respeito à busca inútil por riquezas e satisfação,
o sábio não tem maior vantagem sobre o tolo. E, mesmo que o pobre tenha mais
capacidade de lidar com as circunstancias da vida, nem por isso está em melhor
situação. Resumindo, independente se é sábio ou experiente em lidar com situações
difíceis da vida, se querer buscar satisfação nas riquezas desse mundo não
encontrará, pois é como estar correndo atrás do vento.

V9. É melhor estar satisfeito, do que estar sempre querendo mais - O versículo 9 é a
versão de Salomão para o conhecido ditado: "Melhor um pássaro na mão do que dois
voando", provérbio que existe há um bom tempo. O biógrafo grego Plutarco (46-120
D.C) escreveu: "Insensato é aquele que deixa escapar o pássaro que tem em sua mão
para pegar o que se encontra no arbusto". Salomão está dizendo que é melhor ter
poucas coisas e desfrutá-las do que sonhar com muitas coisas sem nunca obtelas. Os
sonhos podem se tornar pesadelos se não lidarmos com a realidade.

V10. A tudo quanto há de vir já se lhe deu o nome - Independentemente do que a


pessoa é rica ou pobre, sabia ou tola, velha ou jovem, já se lhe deu o nome de
homem. Nessa passagem, a palavra “homem” se refere ao termo hebraico Adam e
significa “argila ou pó da terra”. Ninguém pode mudar esse fato: viemos do pó e para
o pó voltaremos. Ainda que recebesse outro nome, o "homem" continuaria a ser
feito de pó e, mais cedo ou mais tarde, voltará ao pó. No final do versículo Salomão
diz que não adianta discutir com Deus sobre esse fato, pois ele é o Criador. Há muitos
homens que se acham superior do que os outros, mas no final, todos irão para o pó.

V11. Que mais tem o homem de melhor? - Que mais tem o homem de melhor? A
palavra traduzida como melhor é sinônimo do termo mais comum em Eclesiastes
traduzido como proveito (hb. yitrôn). O pregador não quis dizer que o homem não
significa nada, mas sim que, ao disputar com Deus (v. 10), o que ganhará? Este
versículo expande a vã argumentação dos homens e o amontoado de palavras vazias,
na tentativa de disputar com Deus. Quanto mais palavras um homem conseguir
amontoar, mais vaidade estará gerando, pelo que é melhor manter-se calado e
aceitar o poder absoluto do nosso Criador. Vemos muitos dizerem que se Deus ama o
mundo porque acontecem tragédias, e muitos outros questionamentos, querem com
38
ECLESIASTES
isso diminuir a crença de muitos em Deus, quando não, querem ensinar a Deus
administrar o universo, tudo isso como diz Salomão só multiplica a vaidade.

V12. Pois quem sabe o que é bom para o homem durante os poucos dias da sua
vida?; Alguém conhece o futuro? – Só Deus sabe o que é bom para o homem! Essas
coisas que nós julgamos bons são muitas vezes mal. E aqueles que pensam mal são
geralmente bons. Tão ignorantes somos nós, que corremos o maior risco em fazer
uma escolha. Um exemplo básico para entendermos é de uma criança, que acha que
suas escolhas estão certas, mas o pai logo há mostra que aquela escolha pode trazer
grandes consequências, a criança no momento faz birra, mas logo depois
compreende que o pai está certo. Assim somos nós, precisamos entender que Deus
sabe o que é bom para nós. Alguém conhece o futuro? (v. 12b). Apesar do que os
astrólogos, videntes e cartomantes dizem, ninguém conhece o futuro a não ser Deus.
É inútil especular. Deus nos da informações suficientes para nos encorajar, mas não
satisfaz a nossa curiosidade. Uma coisa é certa: a morte está a caminho, e devemos
fazer o melhor uso possível das oportunidades do presente. Esse é um dos principais
temas de Eclesiastes.

Questionário
ASSINALE COM ‘’X’’ A ALTERNATIVA CORRETA
CAPÍTULO 5
5.01 – No versículo 01, ‘’Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus’’, o que
estava se referindo o autor com essas palavras?
___a) tirar as sandálias na presença de Deus
___b) proteger os pés, para outros não pisarem e com isso vim há se machucar
___c) prudência ao adorar a Deus.

5.02 – No versículo 02, ‘’Não precipite com sua boca e nem com seu coração’’, o que
podemos entender com essas palavras, segundo o que já estudamos?
___a) é fazer oração em voz alta ___b) não orar falando rápido
___c) orar é algo muito sério, não deve ser considerado de modo imprudente ou
desatento.

39
ECLESIASTES

5.03 – No versículo 06, ‘’Não deixe que a palavra de sua boca o faça pecar’’, o que
Salomão queria dizer com esse conselho? Responda baseado no contexto do Cap.05.
___a) não falar palavrão ___b) usar desculpas para justificar a quebra do voto
___c) usar a boca para dizer falso testemunho.

CAPÍTULO 6
6.01 – No versículo 07, ‘’Todo trabalho do homem é para sua boca, e contudo nunca
se satisfaz o seu apetite’’, o que podemos entender com esse versículo?
___a) está se referindo uma metáfora, onde os desejos humanos nunca se satisfaz
___b) quando o homem come, seu estômago nunca se enche
___c) nenhuma das alternativas.

6.02 – No versículo 08, ‘’Pois que vantagem tem o sábio sobre o tolo?’’, segundo o
raciocínio do autor, o que esse conselho queria ensinar para o povo em sua época?
___a) que não adianta buscar sabedoria, não vale a apena
___b) se ambos, tanto o sábio como o tolo, querer buscar satisfação nas riquezas
desse mundo não encontrarão, então não há diferença entre os dois nesse aspecto
___c) nenhuma das alternativas.

6.03 – No versículo 09, ‘’ È melhor estar satisfeito, do que estar sempre querendo
mais’’, o que Salomão estava dizendo com esse ensinamento?
___a) Salomão está dizendo que é melhor ter poucas coisas e desfrutar, do que
sonhar com muitas coisas sem nunca obtê-las.
___b) Salomão está dizendo que nunca podemos correr atrás dos sonhos
___c) Salomão está dizendo que o progresso é inútil.

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ECLESIASTES
Capítulo 7
V1. Melhor é a boa fama do que o melhor unguento, e o dia da morte do que o dia do nascimento
de alguém. V2. Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque
naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração. V3. Melhor é a
mágoa do que o riso, porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração. V4. O coração dos
sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria. V5. Melhor é ouvir a
repreensão do sábio, do que ouvir alguém a canção do tolo. V6. Porque qual o crepitar dos
espinhos debaixo de uma panela, tal é o riso do tolo; também isto é vaidade. V7.
Verdadeiramente que a opressão faria endoidecer até ao sábio, e o suborno corrompe o coração.
V8. Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas; melhor é o paciente de espírito do que o
altivo de espírito.

V1. Melhor é a boa fama do que o unguento precioso - O capítulo 6 conclui em tom
amargurado, que o ser humano não sabe o que é melhor para si. Entretanto,
Salomão tem algumas ideias sobre o que há de bom e de melhor na vida debaixo do
sol e as relata no capítulo 7. As palavras “melhor” e “boa” ocorrem mais vezes nesse
capítulo que em qualquer outra passagem do AT. Em primeiro lugar, Salomão declara
que boa fama é melhor que o unguento precioso. Nesse caso, boa fama significa
“bom caráter”, e unguento precioso se refere a tudo que é caro e perfumoso. Em
outras palavras, nem mesmo o perfume mais caro se iguala ao valor de uma vida
honrosa.

O dia da morte melhor que o dia do nascimento – Continuando o raciocínio sobre a


reputação do nome. Salomão não está contrastando o nascimento com a morte, nem
sugerindo que é melhor morrer do que nascer, pois não se pode morrer sem antes
ter nascido. Seu contraste se refere a dois dias importantes da existência humana: o
dia em que uma pessoa recebe seu nome e o dia que esse nome aparece no
obituário. A vida que transcorre entre esses dois acontecimentos determina se esse
nome deixara para trás um aroma agradável ou um mau cheiro insuportável. "Isso
não esta cheirando bem..." é uma frase meio rude, mas da o recado. Se uma pessoa
morre com um bom nome, sua reputação esta selada, e a família não têm com que se
preocupar.

Nesse sentido, o dia da morte é melhor que o dia do nascimento. A vida chega ao fim
e a reputação esta definida (Salomão parte do pressuposto de que não ha escândalos
a serem revelados depois de sua morte). De acordo com um antigo ditado, "Todo
homem tem três nomes: aquele que recebeu dos pais, aquele pelo qual os outros o
chamam e aquele que ele próprio faz para si”, ou seja, sua reputação será conforme
aquilo que viveu. "A memória do justo é abençoada, mas o nome dos perversos cai
em podridão" (Pv 10.7)

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ECLESIASTES
V2. Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete - Em seguida,
Salomão declara que ir a um funeral é melhor que se entupir de comida em uma
festa. A morte é o fim de todos os homens, de modo que, quando a encaramos face a
face, somos obrigados a parar e refletir sobre nosso destino final. Resumindo, o
funeral arrebata a nossa mente para a reflexão da vida, já á festa, eleva nosso
pensamento a viver somente o presente sem se preocupar com o destino final.

V3. Melhor é a mágoa do que o riso - Salomão ensina que há uma lição a ser
aprendida com a tristeza, e um trabalho a ser realizado por ela, a tristeza nos leva ao
tribunal de nossa consciência para julgar se nossas atitudes estão sendo sábias ou
tolas. Por outro lado, aquele que leva uma vida insensata, irresponsável e só sabe
zombar das coisas sérias, nunca será levado ao tribunal de sua consciência, mas será
levado a uma vida de tolice, onde no final terá grandes consequências de seus atos.
Resumindo, o sábio aproveita os dias de tristeza, já o tolo nem isso sabe aproveitar,
pois despreza o ensino que a tristeza proporciona.

V4. O pensamento dos sábios está na casa do luto; enquanto os tolos só pensam
em divertir – Um homem sábio gosta de aproveitar até os momentos de luto para
tirar algum ensinamento que o fará crescer em sabedoria e ser uma pessoa melhor;
em contrapartida os tolos só pensam em divertir achando que a vida é um parque de
diversões. Infelizmente hoje, vemos pessoas se afundando no álcool, drogas,
prostituição e achando que com isso está se divertindo, mas as consequências dessas
atitudes são desastrosas. Os tolos tem que voltar seus pensamentos para casa do
luto, ou seja, para reflexão da vida e analisar se suas atitudes não está sendo
desperdiçada nas vaidades deste mundo. Agora, se o tolo não voltar seu pensamento
para reflexão, ele continuará correndo atrás do vento.

V5. É melhor a ouvir repreensão do sábio; do que ouvir elogios de um tolo – Nós ser
humanos tem a inclinação de querer receber só elogios, a bíblia não é contra elogios
vemos que o apostolo Paulo gostava de elogiar os irmãos no inicio de suas cartas,
mas o que a bíblia não apoia é elogios falsos, por exemplo: dizer a uma pessoa
orgulhosa e arrogante que ela é humilde e simpática sendo que não condiz com seu
caráter. Salomão tinha muita experiência com isso, pois o que não faltava em seu
palácio eram pessoas o bajulando para quererem ser promovidos em algum cargo ou
posição privilegiada. O conselho de Salomão neste versículo é para nós não se iludir
com os elogios falsos, pois isso só faz crescer há arrogância e o orgulho, mas dê
ouvido a repreensão, que faz crescer em nós a humildade e o bom caráter.

V6. As risadas dos tolos são como os estalos de espinhos no fogo; não quer dizer
nada- A risada dos tolos é como os estalos dos espinhos debaixo de uma panela, ou
seja, riem exageradamente, mas nada acrescentam. Os espinhos estalam e estouram
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ECLESIASTES
quando jogados ao fogo, mas produzem pouco calor; por isso, a fogueira se apaga
rapidamente. O insensato produz muita agitação, mas pouco resultado; muitas
palavras, mas poucas atitudes boas.

V7. Verdadeiramente a opressão faz endoidecer até o sábio - Se um homem sábio


for oprimido o bastante, pode ficar irado e passar a agir como um insensato. Isso
também pode deixá-lo enlouquecido e, então, ele começará a fazer coisas insensatas
que mancharão sua reputação. Por igual modo (Salomão faz uma comparação), um
suborno corrompe a mente daquele que o recebe, e ele terminará por fazer coisas
que normalmente não faria. Resumindo, se um sábio for oprimido pela uma situação
difícil ele pode ter reações que nem ele acreditaria que teria, um exemplo simples:
imagine um homem sábio e muito educado, ele prepara ano todo para fazer uma
viagem e chega no dia ao sair de viagem no caminho seu carro quebra, mas está tão
nervoso, ou seja, oprimido pela situação que da um soco no vidro da porta onde se
quebra e faz um grande machucado em suas mãos comprometendo toda a viagem,
logo o carro vai para conserto e descobre que era algo simples de resolver que não
comprometeria a viagem e depois poderia seguir em diante. Mas opressão na mente
do sábio o fez endoidecer a ponto de comprometer a viagem toda.

‘’ Temos que tomar cuidado com os momentos difíceis, para não agirmos com
insensatez ‘’.

V8. Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas – Salomão parece que está
dizendo algo contraditório, mas não está, geralmente nós consideramos que o
começo é melhor; porque no começo nós temos a juventude a nosso favor, temos
forças, temos vigor, temos metas a serem alcançadas, estamos chegando ao topo,
subindo ao pódio sendo aplaudido e vitorioso. É preciso entender que o começo é
apenas uma preparação, um treinamento, um amadurecimento; para que no fim
sejamos completos e tenhamos o privilégio de desfrutarmos de toda a boa
semeadura que fizemos no começo. É no fim que comemoramos a vitória, nos
tornamos mais experientes e maduros, e desfrutamos das nossas conquistas. É no
fim que, realmente, nos tornamos vencedores.

Para um alpinista, o topo da montanha é melhor do que o início da escalada. Pois é lá


em cima, que os recordes são quebrados, a vitória é celebrada e o objetivo é
alcançado.

Para o maratonista o melhor não é aquele que começa bem a corrida, e sim o que
chega ao final e cruza em primeiro lugar a faixa de chegada.

43
ECLESIASTES
V9. Não te apresses no teu espírito a irar-te, porque a ira repousa no íntimo dos tolos. V10. Nunca
digas: Por que foram os dias passados melhores do que estes? Porque não provém da sabedoria
esta pergunta. V11. Tão boa é a sabedoria como a herança, e dela tiram proveito os que vêem o
sol. V12. Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência
do conhecimento é que a sabedoria dá vida ao seu possuidor. V13. Atenta para a obra de Deus;
porque quem poderá endireitar o que ele fez torto? V14. No dia da prosperidade goza do bem,
mas no dia da adversidade considera; porque também Deus fez a este em oposição àquele, para
que o homem nada descubra do que há de vir depois dele. V15. Tudo isto vi nos dias da minha
vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há ímpio que prolonga os seus dias na sua maldade.

V9. Não te apresses em irar-te - O homem que facilmente perde o próprio controle
mostra a atitude própria de um insensato cheio de má vontade e pouca paciência. A
ira é um fogo no peito que o sábio já aprendeu a apagar; mas os insensatos com
frequência nela são consumidos, com a boca flamejando ofensas. Muitas são as
vítimas queimadas pela ira dos insensatos que não sabe controlar o fogo que queima
da ira dentro de si. Comenta-se que é possível julgar o caráter de alguém pela
facilidade com que a pessoa se descontrola. Os que cultivam rancor e ressentimento
expõem a si mesmos como insensatos. Pessoas inteligentes não arruínam a vida com
comportamentos indecentes.

V10. Nunca pergunte: Porque será que antigamente tudo era melhor? Essa
pergunta não é sábia - Outra atitude insensata é viver do passado. Mencionar
constantemente os “bons e velhos tempos” e desejar que retorne, isso parece indicar
que a pessoa está procurando escapar da realidade. Pessoas que estão querendo
fugir da realidade não esta com o coração voltado para sabedoria e sim para uma
vida vazia que está desprezando a sabedoria de Deus. Lembrando, Salomão não é
contra se ter lembrança dos bons momentos do passado que tivemos com nossos
familiares e amigos, até porque se esquecermos estamos com a doença do
esquecimento, mas o seu conselho é para aqueles que querem se teletransportar
para passado e fugir da realidade presente, esse tipo de comportamento demonstra
que a pessoa é fraca e nela não repousa a sabedoria.

Exemplo: O povo de Israel no deserto desejou viver o passado no Egito onde comiam
carnes, peixes, melões e pepinos, mas esqueceram de que eram açoitados e
escravizados. Por essa atitude de quere viver do passado e não encarar a realidade
presente pereceu no deserto e muitos não alcançaram a promessa que estava
proposta.

V11. A sabedoria é tão boa como uma herança - A sabedoria é melhor que uma
herança generosa. O dinheiro pode perder seu valor ou ser roubado, mas a
verdadeira sabedoria conserva seu valor e não pode ser perdida, a menos que nos
tornemos insensatos e que a abandonemos deliberadamente. A pessoa rica sem
44
ECLESIASTES
sabedoria desperdiça sua fortuna, mas o sábio é capaz de obter riquezas e de usa-las
corretamente.

V12. A sabedoria protege como protege o dinheiro - A sabedoria se parece com o


dinheiro no sentido de que ambos fornecem proteção e segurança. O dinheiro
protege contra danos físicos e perdas financeiras, ao passo que a sabedoria protege
contra danos morais e espirituais. A sabedoria, portanto, é superior ao dinheiro, pois
protege a vida de seu possuidor, não apenas seus bens materiais. O valor superior da
sabedoria se torna óbvio ao lembrarmos que Cristo é a sabedoria de Deus e oferece
vida aos que o encontram. Em Cristo estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e
do conhecimento (Cl 2.3). Resumindo, a sabedoria ajuda o ser humano como lhe dar
com as tribulações da vida e como permanecer de pé perante as difíceis situações.

V13. Atenta para as obras de Deus - Os sábios atentam para o governo soberano de
Deus sobre o mundo, pois quem poderá endireitar aquilo que o Senhor torceu? Em
outras palavras, quem poderá revogar aquilo que Deus determinou? Os decretos
divinos são irrevogáveis e não está sujeitos a manipulação humana. Há momentos da
vida que não entendemos certas situações difíceis que nos acontece, mas sabemos
que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus. Um exemplo foi José no
Egito, Deus criou uma situação torta, mas no fim ele entendeu aquela situação torta
que Deus havia criado em sua vida e o fez vitorioso. Antes de questionar a Deus,
lembra-se dessas palavras de Salomão.

V14. No dia da prosperidade goza do bem; mas também aceite o dia da


adversidade que nos sobre vem – Prosperidade e adversidade. A sabedoria dá a
perspectiva correta para não desanimarmos quando os tempos são difíceis e para
não ficarmos arrogantes quando as coisas estão indo bem. É preciso um bocado de
espiritualidade para aceitar tanto a prosperidade quanto a adversidade, pois, muitas
vezes, a prosperidade causa mais estragos (Fp 4.10-13). Jó lembrou sua esposa dessa
verdade quando ela lhe disse para amaldiçoar a Deus e morrer: "Temos recebido o
bem de Deus e não receberíamos também o mal?" (Jó 2.10). Antes disso, Jó havia
declarado: "o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!" (Jó
1.21). Deus confere equilíbrio a nossa vida, dando- nos bênçãos suficientes para nos
manter felizes e fardos suficientes para nos manter humildes. Se tivéssemos apenas
bênçãos em nossas mãos, tombaríamos para frente, de modo que Deus equilibra
essas dádivas com fardos em nossas costas.

Isso ajuda a nos mantermos firmes, e, ao nos sujeitarmos ao Senhor. Por que Deus
determinou que nossa vida deve funcionar dessa maneira? A resposta é simples: para
nos impedir de pensar que sabemos tudo e que podemos cuidar de nossa vida sem
ajuda alguma, e, “Para que o homem nada descubra do que ha de vir depois dele”.
45
ECLESIASTES
Quando pensamos em ter uma explicação para as coisas, Deus muda situação, e
nossa fórmula não funciona mais.

V15. Tudo isto vi nos dias da minha vaidade; justo que perece e ímpio que prolonga
seus dias com suas maldades - Se há um problema na vida que exige uma
perspectiva madura é a pergunta: "Por que os justos sofrem e os ímpios prosperam?"
Pessoas boas morrem jovens, enquanto os perversos parecem desfrutar uma vida
longa, algo que nos dá a impressão de ser contrario a justiça e a Palavra de Deus.
Afinal, Deus não disse a seu povo que os obedientes terão vida longa (Ex 20.12; Dt
4.40) e que os desobedientes perecerão (Dt 4.25, 26; Sl 55.23)? Há dois fatos que
devem ser observados. Por certo, Deus prometeu abençoar Israel em sua terra se
obedecessem a sua lei, mas não deu essa mesma promessa aos cristãos de hoje que
vivem sob a nova aliança. Francis Bacon (1561-1626) escreveu: "A benção do Antigo
Testamento é a prosperidade; a benção do Novo Testamento é a adversidade". Jesus
não começou o sermão da montanha dizendo: "Bem-aventurados os ricos de
substancia", mas sim: "Bem-aventurados os humildes de espírito" (Mt 5.3; e ver Lc
6.20).

Em segundo lugar, os ímpios só parecem prosperar quando consideramos as coisas


em curto prazo. Foi essa a lição que Asafe registrou no Salmo 73 e que Paulo reforçou
em Romanos 8.18 e 2 Coríntios 4.16-18. 16, os ímpios podem ganhar o mundo
inteiro, mas perderão a própria alma. Esse é o destino de todos os que seguem seu
exemplo e que sacrificam as coisas eternas em troca das coisas temporárias.

V16. Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti
mesmo? V17. Não sejas demasiadamente ímpio, nem sejas louco; por que morrerias fora de teu
tempo? V18. Bom é que retenhas isto, e também daquilo não retires a tua mão; porque quem
teme a Deus escapa de tudo isso. V19. A sabedoria fortalece ao sábio, mais do que dez poderosos
que haja na cidade. V20. Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e
nunca peque. V21. Tampouco apliques o teu coração a todas as palavras que se disserem, para
que não venhas a ouvir o teu servo amaldiçoar-te. V22. Porque o teu coração também já
confessou que muitas vezes tu amaldiçoaste a outros.

V16. Não sejas demasiadamente justo, nem exageradamente sábio - Não sejas
demasiadamente justo. Poucos versículos em Eclesiastes são mais inclinados à
interpretação errada do que estes (v. 16-18). Não se trata do chamado “caminho do
meio”, que aconselha: “não seja santo demais nem perverso demais; peque
moderadamente”. Nesta passagem, o pregador alerta contra a falsa religiosidade e as
formas exibicionistas de adoração. No hebraico, o verbo que significa ser sábio
poderia ser traduzido como se achar sábio, e ser demasiadamente justo significaria
ser justo a seus próprios olhos (Pv 3.7).

46
ECLESIASTES
V17. Não sejas demasiadamente ímpio (maldoso), nem sejas louco - Não sejas
demasiadamente ímpio, nem sejas louco. Talvez isso fosse melhor traduzido como
“não expanda a sua maldade e não seja louco; por que morrer antes de sua hora
chegar?”, ou seja, aquele que multiplica a maldade pode ter uma morte precoce e
seus dias poderá ser curto nesta vida.

V18. Bom é que retenhas isto, e também daquilo não retires a tua mão - No
versículo 18, Salomão diz que é bom que os homens retenham “isto”, a saber, a
verdadeira sabedoria que provém do temor a Deus, em vez de agarrar “aquilo”, a
saber, a maldade e a loucura dos tolos. A melhor proteção contra ambos os absurdos
é o temor a Deus. Nem a loucura do homem nem uma justiça presunçosa e forçada
servirão de guia, ou de roupagem, para disfarçar a verdadeira necessidade dos
homens maus. Eles devem aprender a temer há Deus. Essa é a verdadeira sabedoria.
Porque a sabedoria humana só nos leva a injustiça, por isso não podemos
negligenciar justiça divina, que provém da sabedoria de Deus. Resumindo, bom é que
retenhas isto (fala de adquirir sabedoria divina); e também daquilo não retires a tua
mão (fala de não desprezar a justiça e o temor a Deus).

V19. A sabedoria fortalece ao sábio - Salomão acreditava que a sabedoria fornece


mais força e proteção ao indivíduo que dez poderosos a uma cidade. Em outras
palavras, a sabedoria é mais valiosa que a força. Deus não esta necessariamente ao
lado de quem tem o exército mais numeroso e sim dos que buscam sua sabedoria.

V20. Não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e que nunca peque - Todos
precisam dos benefícios da sabedoria, pois todos são imperfeitos. Não existe
ninguém absolutamente justo que faça o bem e nunca peque. De modo geral,
entende-se que o versículo 20 demonstra a universalidade do pecado. Devemos ter
atitude como a de Davi, ‘’ Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar
contra ti ‘’ (Sl 119.11). Davi entendia que a melhor forma do homem se afastar do
pecado era se apegar com a sabedoria divina.

V21. Não apliques o teu coração a todas as palavras que se dizem - A pessoa sábia
não presta atenção às fofocas em circulação, pois tem coisas mais importantes a
fazer. Charles Spurgeon dizia aos alunos de seminário que o pastor devia ser cego de
um dos olhos e surdo de um dos ouvidos. "Não podemos deter a língua das pessoas",
dizia, de modo que, o melhor a fazer, é deter os próprios ouvidos e não dar atenção
ao que é dito. Há um mundo repleto de conversa fiada aí fora, e aquele que dá
ouvido a tudo sempre sofrerá mais.

V22. Pois tu sabes que muitas vezes tu mesmo tens amaldiçoado a outros -
Devemos sempre lembrar que somos culpados do mesmo pecado, pois muitas vezes
47
ECLESIASTES
também amaldiçoamos a outros em nosso coração. Portanto, não e razoável esperar
que os outros ajam de forma correta quando nos também estamos muito distantes
da perfeição. O perfeccionista se frustra o tempo todo ao exigir perfeição em tudo e
em todos, pois vivemos em um mundo imperfeito, e nem mesmo ele consegue
alcançar o ideal de perfeição que estabelece para os outros. Esse é um conselho
muito sábio que Salomão nos dá, pois muita das vezes ficamos magoados e até de
mal com aquele que fez fofoca de nós, mas esquecemos que muitas das fezes
fazemos o mesmo. Então antes de sair brigando com alguém que falou mal de você,
pense e veja se você já não fez o mesmo com aquela pessoa.

V23. Tudo isto provei-o pela sabedoria; eu disse: Sabedoria adquirirei; mas ela ainda estava longe
de mim. V24. O que já sucedeu é remoto e profundíssimo; quem o achará? V25. Eu apliquei o
meu coração para saber, e inquirir, e buscar a sabedoria e a razão das coisas, e para conhecer que
a impiedade é insensatez e que a estultícia é loucura. V26. E eu achei uma coisa mais amarga do
que a morte, a mulher cujo coração são redes e laços, e cujas mãos são ataduras; quem for bom
diante de Deus escapará dela, mas o pecador virá a ser preso por ela. V27. Vedes aqui, isto achei,
diz o pregador, conferindo uma coisa com a outra para achar a razão delas; V28. A qual ainda
busca a minha alma, porém ainda não a achei; um homem entre mil achei eu, mas uma mulher
entre todas estas não achei. V29. Eis aqui, o que tão somente achei: que Deus fez ao homem reto,
porém eles buscaram muitas astúcias.

V23. Tudo isto experimentei-o pela sabedoria - Até mesmo Salomão, com toda a
sabedoria que havia recebido de Deus, não conseguia compreender tudo o que há no
mundo, como Deus controla todas as coisas e os propósitos que tem em mente.
Salomão procurou o "juízo [razão] de tudo", mas não encontrou uma resposta
definitiva a suas perguntas. Porém, o sábio esta ciente de sua falta de conhecimento,
e isso contribuem para sua sabedoria! Tem pessoas que adquiri um pouco de
conhecimento, já se acha o rei da sabedoria, vemos aqui que até o rei da sabedoria
porque digo rei da sabedoria? Porque a bíblia diz que ele estava no topo do homem
mais sábio da terra, mesmo assim ele foi humilde de reconhecer que esta longe de
adquirir toda sabedoria. Que essa humildade nos sirva de lição para nós.

V24. O que está longe e muito profundo, quem o achará? - A solução definitiva para
os fatos da vida esta longe, sendo inacessível e muito profundo. O universo se
encontra repleto de enigmas, e o desconhecido permanece inexplorado. O ser
humano vive em um mundo de mistérios e de perguntas sem resposta. Deus nos
revela somente o essencial para vivermos nesta vida e para nossa salvação.

V25. Apliquei meu coração para buscar resposta para minhas perguntas - Apesar de
não ter encontrado as respostas que buscava, Salomão prosseguiu obstinado em seu
desejo de adquirir mais sabedoria para encontrar a solução para o enigma da
48
ECLESIASTES
existência humana. O Pregador queria entender por que a perversidade é insensatez
e a insensatez, loucura, isto é, por que as pessoas se entregam a devassidão e as
praticas vergonhosas.

V26. Eu achei uma coisa mais amarga do que a morte – O que é mais amargo que a
morte? Salomão se refere uma mulher imoral, uma prostituta que enreda os homens
e os conduz à morte. O próprio Salomão havia caído nas armadilhas de várias
mulheres estrangeiras que o seduziram para longe do Senhor e que o levaram a
adorar seus deuses pagãos (1 Rs 11.3-8). A maneira de escapar da mulher perversa é
temer a Deus e procurar lhe agradar.

V27. Eis o que descobri diz o pregador; V.28 um homem entre mil achei eu, mas
uma mulher entre todas estas não achei - Os versículos 27-29 parecem expressar a
decepção de Salomão com o ser humano em geral. O Pregador cultivava grandes
expectativas quando se encontrava com as pessoas, mas, após conhecê-las um
pouco melhor, suas esperanças evaporavam. Ninguém estava à altura de suas
imaginações. Quando encontrava uma pessoa agradável, provavelmente imaginava
que seria bom conhecê-la melhor para desenvolver uma amizade. Contudo, quanto
mais conhecia o indivíduo, mais se decepcionava. Salomão descobriu que não
existem pessoas perfeitas e que a familiaridade gera desprezo. Refletindo sobre as
pessoas que conheceu, o Pregador decidiu contar quantas alcançavam alguma
medida de suas expectativas. Quantos poderiam ser considerados seus “amigos do
peito”? Embora buscasse seres humanos perfeitos, Salomão nunca encontrou
ninguém; todos tinham algum defeito ou fraqueza de caráter. Após muito procurar,
descobriu um homem entre mil que se aproximava de seu ideal, isto é, alguém que
fosse leal e confiável.

Entretanto, não conseguiu encontrar nem sequer uma mulher entre mil que se
aproximasse razoavelmente dos ideais da excelência. Esse tipo de preconceito
masculino é incompreensível e ofensivo a nossa sensibilidade contemporânea.
Contudo, esse choque ocorre porque nossos ideais atualmente estão baseados em
princípios e valores cristãos. Para o judeu ortodoxo que agradece a Deus todos os
dias por não ter nascido mulher e para homens que vivem em culturas nas quais as
mulheres são consideradas escravas ou objetos de posse, esse tipo de comentário
não causa nenhum espanto.

Muitos comentaristas realizam ginásticas interpretativas para suavizar o impacto de


passagens como essa. Contudo, embora bem-intencionado, o esforço é mal
orientado. A verdade é que Salomão provavelmente tinha intenção de dizer o que
disse, e suas conclusões ainda são aceitas ao redor do mundo por homens de
perspectiva terrena e carnal. Quando Salomão escreve Provérbios do ponto de vista
49
ECLESIASTES
divino ele valoriza a mulher (Pv 31.10-31), mas sabemos desde o inicio que
Eclesiastes é um livro escrito mais na perspectiva terrena do que divina, é por isso
que muitos tem dificuldade de entender este livro,mas agora, se partirmos do
pressuposto que este livro contém mais pensamento humanos e sabedoria humana
do que sabedoria divina então conseguiremos entender melhor.

V29. Eis o que tão somente achei - À medida que medita sobre sua decepção com as
pessoas, o Pregador conclui, corretamente, que o ser humano decaiu de sua
condição original. Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, porém este se
meteu em muitas astúcias pecaminosas e distorceu a imagem divina que refletia.
Mesmo em sua condição decaída, o ser humano ainda nutre o desejo ardente de
perfeição, como se percebe em sua busca por um cônjuge perfeito, o trabalho
perfeito, objetos perfeitos etc. Contudo, não consegue encontrar perfeição nos
outros, nem em si mesmo. O problema está no fato de sua busca pela perfeição se
restringir ao mundo debaixo do sol. Somente uma pessoa viveu de modo perfeito
neste planeta: o Senhor Jesus Cristo, que agora esta acima do sol, exaltado à direita
de Deus. O desejo de perfeição do ser humano encontra satisfação plena em Cristo
somente nele e ninguém mais.

Capítulo 8
V1. Quem é como o sábio? E quem sabe a interpretação das coisas? A sabedoria do homem faz
brilhar o seu rosto, e a dureza do seu rosto se muda. V2. Eu digo: Observa o mandamento do rei, e
isso em consideração ao juramento que fizeste a Deus. V3. Não te apresses a sair da presença
dele, nem persistas em alguma coisa má, porque ele faz tudo o que quer. V4. Porque a palavra do
rei tem poder; e quem lhe dirá: Que fazes? V5. Quem guardar o mandamento não experimentará
nenhum mal; e o coração do sábio discernirá o tempo e o juízo. V6. Porque para todo o propósito
há seu tempo e juízo; porquanto a miséria do homem pesa sobre ele. V7. Porque não sabe o que
há de suceder, e quando há de ser, quem lho dará a entender?

V1. Quem é como o sábio? E quem sabe a interpretação das coisas? - Apesar de
Salomão não ter encontrado respostas por meio da sabedoria humana, ainda assim
admirava o sábio acima de todas as outras pessoas. Ninguém estava qualificado para
encontrar as respostas para todas as perguntas. Mas, para o Pregador, a sabedoria
era capaz de mudar a expressão facial de quem a demonstrava, tornando o rosto
radiante e suavizando a dureza da face. Já os tolos, sua face demonstra rebeldia,
impaciência, insatisfação (reclama todo momento) e desprezo pelas coisas justas.

V2. Eu te digo: Observa o mandamento do rei - A sabedoria ensina o indivíduo a se


comportar na presença do rei, quer se trate de um monarca humano, quer do
50
ECLESIASTES
próprio Deus. Antes de tudo, a sabedoria aconselha a obediência. A palavra
juramento se refere à promessa de obediência ao governo ou ao próprio Deus, que
autoriza os reis a governar sobre a terra, ou seja, obedecendo ao rei estará
obedecendo a Deus, por isso Apostolo Paulo pede para que sejamos submissos as
autoridade.

V3. Não te apresse a sair da presença do rei - No versículo 3, pode ser interpretado
como um conselho para não sair apressadamente da presença do rei em atitude de:
raiva, desobediência, desrespeito ou abandonando o cargo; antigamente a rebeldia
para com autoridade do rei levava até o ponto de execução do indivíduo, por isso
conselho de Salomão é, obedeça as autoridades e jamais desafie o rei, pois ele faz o
que bem entende. Lembrando, a submissão às autoridades deve ser até o ponto que
não fere as ordens de Deus. Na bíblia vemos várias pessoas que desobedeceram as
autoridades porque feriam ordem divina, exemplos: as parteiras no Egito, que
desobedeceram as ordens do rei que era para matar os meninos que nascessem no
parto, mas elas preferiram temer a Deus, mesmo que lhe custasse suas vidas. Outro
exemplo foi os apóstolos, que eram desafiados pelas autoridades a se calarem e não
pregar o evangelho, antes preferiu obedecer a Deus que os homens, por isso eles
foram martirizados na época.

‘’ Então esse conselho de Salomão se aplica a obedecer sim às autoridades, mas,


desde quando não nos leva a desobedecer a Deus ‘’.

V4. Porque a palavra do rei tem poder; e quem pode reclamar o que ele faz? - A
palavra do rei é autoridade suprema e não pode ser contestada por seus
subordinados, ou seja, Deus institui reis para que houvesse ordem sobre a terra. A
rebeldia comprometi os propósito de Deus, que é colocar ordem sobre os habitantes
da terra, se não houvesse autoridades os homens iriam multiplicar suas maldades.
Por isso não se pode rebelar contra o rei, mas por outro lado, se o rei não agir
conforme a justiça divina ele será julgado pelo próprio Deus e receberá sua
recompensa como vemos vários exemplos na bíblia de reis que se deram mal por
suas injustiças.

V5. Quem guarda o mandamento não experimenta nenhum mal – Continuando o


conselho acerca de obedecer ao rei, enquanto os súditos do rei lhe obedecer suas
ordens nenhum mal lhe acontecerá. O súdito (servo) sábio saberá como agir diante
do rei.

V6. Porque para todo o propósito há seu tempo e juízo (julgamento); V7. Porque
não sabe o que há de acontecer – Se Salomão estiver falando sobre o rei e seu
súdito, podemos entender que existe um tempo certo e um modo certo de agir
51
ECLESIASTES
conforme as ordens do rei. O súdito que for desobediente sofrerá punição severa do
rei, por isso a sua miséria (desobediência) pesará sobre ele. Já outros estudiosos
acreditam que Salomão esteja falando acerca de que Deus colocou tempo certo para
todas as coisas nesta vida, e o homem que agir de forma insensata será punido no dia
do julgamento, porque a miséria de seu pecado pesará sobre ele naquele dia. Já no
versículo 7, Salomão diz que é um mistério o que vai acontecer no futuro com os
homens, somente Deus conhece o futuro e o que ocorrerá com ser humano. Ao
longo do tempo surgiram muitos charlatões querendo prevê o futuro e fazer papel
que só cabe a Deus saber.

V8. Nenhum homem há que tenha domínio sobre o espírito, para o reter; nem tampouco tem ele
poder sobre o dia da morte; como também não há licença nesta peleja; nem tampouco a
impiedade livrará aos ímpios. V9. Tudo isto vi quando apliquei o meu coração a toda a obra que
se faz debaixo do sol; tempo há em que um homem tem domínio sobre outro homem, para
desgraça sua. V10. Assim também vi os ímpios sepultados, e eis que havia quem fosse à sua
sepultura; e os que fizeram bem e saíam do lugar santo foram esquecidos na cidade; também isso
é vaidade. V11. Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos
filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal. V12. Ainda que o pecador faça o
mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, contudo eu sei com certeza que bem sucede aos que
temem a Deus, aos que temem diante dele. V13. Porém o ímpio não irá bem, e ele não
prolongará os seus dias, que são como a sombra; porque ele não teme diante de Deus.

V8. Nenhum homem tem domínio sobre seu espírito, e nem impedir que saia do
seu corpo no dia da morte – O homem não tem poder de impedir que seu espírito
volte para Deus na sua morte (Ec 12.7). Já outros traduzem o espírito como vento,
então o sentido ficaria assim: ‘’Nenhum homem tem poder sobre o vento para conter
o vento’’. E nem tampouco o homem tem poder de conter sua própria morte, pois
quando chegar sua hora ele não pode fazer nada, pois não tem poder para impedir
que a morte o domine. Nessa peleja da vida contra a morte, não ha tréguas. E lançar-
se a perversidade não trará nem sequer um único momento de alívio. Este é um
conselho de Salomão para aqueles que se acham poderosos e se entregam em suas
perversidades, mas esquecem de que sua morte uma hora chega e com isso depois
virá o juízo de Deus, ninguém pode escapar desta situação.

V9. Eu vi tudo isso quando pensei nas coisas que acontecem neste mundo - Essas
coisas observou o Pregador enquanto investigava o mundo debaixo do sol, lugar
onde as pessoas se agridem mutuamente e onde um homem domina sobre outro
homem, para arruiná-lo. Isso só demonstra que a maldade domina o homem ímpio.

V10. Assim também vi os perversos quando os sepultavam – A maior parte da vida é


formada de situações sem sentido: o perverso morre e recebe sepultura e seu funeral
é cheio de honrarias e discursos de elogio para o morto ímpio, porém o justo que
52
ECLESIASTES
frequentava o templo (lugar santo) é esquecido na cidade onde praticou o bem e seu
funeral costuma ser mais simples. Hoje não é diferente, vemos muitos missionários
que praticam o bem levando o amor de Deus para os carentes e alguns são mortos
pelos radicais muçulmanos nem se quer é lembrado, enquanto muitos políticos
corruptos em seus funerais recebem discursos eloquentes e honrarias pelo povo. Isso
é vaidade.

V11. Porque será que as pessoas cometem crimes com tanta facilidade? É porque
os criminosos não são castigados logo - A demora dos tribunais em julgar e punir os
criminosos acaba incentivando a criminalidade e o desprezo pelo poder judiciário.
Embora seja importante garantir que todos tenham um julgamento justo, não tem
cabimento superproteger o criminoso diante de seu crime. Julgamentos rápidos,
justos são dispositivos eficazes para impedir o avanço do crime.

V12. Ainda que o pecador faça o mal cem vezes... contudo eu sei com certeza que
bem sucede aos que temem a Deus - “Temer” aparece três vezes em 8.12-13 para
denotar aqueles que, de modo verdadeiro e habitual, temem a Deus e o
reverenciam. Haverá um dia, como Malaquias 3.18 também declara, quando seremos
capazes de discernir a diferença entre aqueles que temem a Deus e aqueles que se
recusam a temê-lo. Então, uma justiça muito exigente será aplicada. Os ímpios
podem parecer ficar impunes de suas maldades (“cem vezes”, v. 12), mas esse
pecado aparentemente sem punição será finalmente julgado pelo Deus vivo.

V13. Mas o perverso não irá bem, nem prolongará os seus dias - O Pregador estava
convencido de que o perverso não terminara bem; visto que não tem o temor de
Deus, condena a si mesmo a uma vida curta e transitória como a sombra.

V14. Ainda há outra vaidade que se faz sobre a terra: que há justos a quem sucede segundo as
obras dos ímpios, e há ímpios a quem sucede segundo as obras dos justos. Digo que também isto
é vaidade. V15. Então louvei eu a alegria, porquanto para o homem nada há melhor debaixo do
sol do que comer, beber e alegrar-se; porque isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da sua
vida que Deus lhe dá debaixo do sol. V16. Aplicando eu o meu coração a conhecer a sabedoria, e
a ver o trabalho que há sobre a terra (que nem de dia nem de noite vê o homem sono nos seus
olhos); V17. Então vi toda a obra de Deus, que o homem não pode perceber, a obra que se faz
debaixo do sol; por mais que trabalhe o homem para a descobrir, não a achará; e, ainda que diga
o sábio que a conhece, nem por isso a poderá compreender.

V14. Ainda há outra vaidade sobre a terra - Salomão parece alternar entre regras
gerais e exceções evidentes: às vezes, os justos parecem sofrer punição como se
fossem perversos; em outras ocasiões, os maus parecem receber recompensas como
53
ECLESIASTES
se fossem bons. Essas situações levaram o Pregador a se aborrecer com a vaidade da
vida. È claro que isso esta relacionado com as injustiças que os poderosos fazem com
os menos favorecidos na sociedade, mas também pode estar relacionado com os
propósitos de Deus, porque tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus
(Rm 8.28). José no Egito foi um exemplo vivo, o seu sofrimento o conduziu para que
cumprisse o propósito divino.

V15. Então exaltei eu a alegria, porque a melhor coisa a fazer nesta vida é: comer,
beber e se alegrar - Na opinião de Salomão, ou seja, na sua visão terrena e não
divina, a única solução lógica era aproveitar a vida enquanto estamos vivos, pois
nenhuma coisa há melhor debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se. Essa é a
única recompensa que o indivíduo recebe por todo o seu trabalho nos dias da vida
que Deus lhe da neste mundo. Alguns estudiosos acham que o Pregador não
acreditava no paraíso celeste. Para ele, o paraíso era aqui e agora. Salomão visava
recompensa somente na terra, enquanto Deus revelou que haverá recompensa
também no paraíso celeste.

V16. Dediquei o meu coração para conhecer a sabedoria e entender o que acontece
no mundo - Determinado a encontrar a solução para todas as questões da vida,
Salomão aplicou-se ao estudo da filosofia com o objetivo de compreender a essência
das atividades humanas, sua ansiedade foi tanto que perdia até o sono, mas sua
busca para a resposta de tudo que acontece nesta vida foi em vão; pois o homem
está limitado no que diz respeito a entender os mistérios da vida.

V17. Então vi toda a obra de Deus, que o homem não pode descobrir o que
acontece no mundo, por mais que tente alcançar a resposta não achará - Salomão
descobriu que Deus criou o mundo de tal maneira que o homem não consegue juntar
as peças do quebra-cabeça. E, por mais que se esforce e adquira inteligência, jamais
conseguirá descobrir as respostas para todas as questões. O ser humano jamais
poderá romper o limite que Deus colocou no que diz respeito a entender os mistérios
sobre a vida. Então o melhor a fazer é ficar com o conselho que Deus nos dá em sua
palavra: "As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas
nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumprirmos todas as
palavras desta lei" (Dt 29.29).

54
ECLESIASTES

Questionário
ASSINALE COM ‘’X’’ A ALTERNATIVA CORRETA
CAPÍTULO 7
7.01 – No versículo 1, ‘’melhor é a boa fama do que unguento precioso’’, o que
significa esse conselho de Salomão?
___a) temos que fazer de tudo para ser famoso
___b) ser famoso e reconhecido significa que somos abençoados
___c) simplesmente a ‘’boa fama’’, significa a pessoa ter um bom caráter.

7.02 – No versículo 8, ‘’melhor é o fim das coisas do que o princípio delas’’, o que
significa esse ensinamento?
___a) é melhor quando tudo acaba
___b) o fim é melhor, porque as lutas pelas conquistas foram cessada e com isso vem
o descanso
___c) é no fim que realmente nos tornamos vencedores.

7.03 – No versículo 10, ‘’nunca pergunte: porque será que antigamente tudo era
melhor?’’, o que estava se referindo o autor com estas palavras?
___a) devemos esquecer o passado de vez
___b) as coisas antigas podem influenciar o nosso presente
___c) há pessoas que querem viver do passado porque quer escapar da realidade
presente(problemas), pessoas assim demonstram ser fracas e não esta voltada para
sabedoria.

55
ECLESIASTES
CAPÍTULO 8
8.01 – No versículo 3, ‘’não te apresse ao sair da presença do rei”, o que isto
significa?
___a) não ficar impaciente diante do rei
___b) não te envergonhar da presença do rei e logo querer sair
___c) isso pode ser interpretado como um conselho para não sair apressadamente da
presença do rei em atitude de: raiva, desobediência, desrespeito ou abandonando o
cargo.

8.02 – No versículo 15, ‘’então exaltei eu a alegria, porque a melhor coisa a fazer
nesta vida é: comer, beber e se alegrar’’, o que Salomão tinha em mente ao dizer
isto?
___a) o negócio é festejar e o resto não tem importância
___b) festas e banquetes seria a melhor coisa para homem investir
___c) Salomão tinha em mente que: comer, beber e se alegrar é única recompensa
que o indivíduo recebe por todo seu trabalho nos dias da vida que Deus lhe da neste
mundo.

8.03 – No versículo 17, ‘’então vi toda obra de Deus, que o homem não pode
descobrir o que acontece no mundo, por mais que tente alcançar a resposta não
achará’’, o que o autor queria dizer com essas palavras?
___a) Salomão quer dizer que Deus não vai se revelar ao homem
___b) Salomão descobriu que Deus criou o mundo de tal maneira que o homem não
consegue juntar todas as peças do quebra cabeça, ou seja, o homem jamais
conseguirá descobrir respostas para todas as questões
___c) nenhuma das alternativas.

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ECLESIASTES
Capítulo 9
V1. Deveras todas estas coisas considerei no meu coração, para declarar tudo isto: que os justos,
e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus, e também o homem não conhece nem o
amor nem o ódio; tudo passa perante ele. V2. Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede
ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não
sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. V3. Este é
o mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol; a todos sucede o mesmo; e que também o
coração dos filhos dos homens está cheio de maldade, e que há desvarios no seu coração
enquanto vivem, e depois se vão aos mortos. V4. Ora, para aquele que está entre os vivos há
esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto). V5. Porque os vivos sabem que hão
de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas
a sua memória fica entregue ao esquecimento.

V1. Eu pensei bastante, e me esforcei para entender tudo isso: que os justos, e os
sábios estão nas mãos de Deus – Muitos pensam que o mundo está como um navio
sem comandante e sem destino, ou seja, sem ninguém para controlar. Salomão ao
observar as questões da vida chegou à conclusão que Deus está no controle de tudo.
Amor e ódio - Ninguém pode dizer se uma pessoa é alvo do amor ou da ira de Deus
(sofrimento que ele envia) só pela maneira como ele a tratou. Também não devemos
concluir que Deus odeia aqueles a quem envia adversidades e ama aqueles que
recebem prosperidade. Uma vez que os crentes devem andar pela fé, haverá
ocasiões em que as aparências externas e os fatos serão difíceis de explicar no
momento. É cruel aumentar o sofrimento de pessoas oprimidas sugerindo que elas
definitivamente são alvo do juízo de Deus. Apostolo Paulo sofreu muito em suas
missões, mas isso não quer dizer que Deus o odiava. Resumindo, ninguém conhece a
mente de Deus e suas intenções.

V2. Tudo sucede igualmente a todos (morte); tanto justo como ao ímpio - Percebe-
se esse enigma no fato de que o mesmo sucede ao justo e ao perverso; ao bom, ao
puro e ao impuro; ao adorador e ao incrédulo. Ou seja, todos terminarão no mesmo
lugar: a sepultura. No que diz respeito à morte, o bom não tem nenhuma vantagem
sobre o pecador, e o que jura esta na mesma situação do que teme o juramento.

V3. Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol; a todos sucede o
mesmo - Este é o grande mal da vida: a morte atinge a todos os seres humanos,
independentemente de as pessoas viverem na loucura e praticarem todo tipo de
maldade. Ora, se a morte é o fim de tudo, trata-se de uma grande injustiça na mente
de Salomão, porque o que praticou bem está na sepultura e o que praticou o mal
também está no mesmo lugar. É claro que Salomão está usando a visão terrena e
humana, ou seja, debaixo do sol. Como já vimos antes Salomão usa sabedoria

57
ECLESIASTES
humana para descrever suas experiências, já a sabedoria divina é muito além desse
ponto de vista que Salomão usa.

V4. Para o que está entre os vivos há esperança – Para Salomão era mais vantagem
estar vivo do que morto, porque a pessoa viva poderia desfrutar do comer, beber e
se alegrar, ele usa muito essa expressão em Eclesiastes para descrever a melhor
forma de se viver nesta vida. Salomão usa um provérbio que diz: ‘’melhor é o cão
vivo do que o leão morto’’. Embora o “cão” fosse uma criatura tão vulgar e
desprezível (do ponto de vista da mentalidade do antigo Oriente Médio, os cães se
alimentavam de carniça no lixo abandonado da cidade), ainda assim era muito
melhor ser um cão vivo do que um “leão” poderoso, majestoso e exaltado – porém
morto. Vida! Esse é o item precioso!

V5. Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa
nenhuma - Os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa
alguma que se passa no mundo. Alguns pregadores utilizam com frequência esse
versículo para ensinar que a alma permanece em estado de dormência após a morte
e a consciência deixa de existir. Entretanto, não é possível construir uma doutrina
sobre o além baseada apenas nesse ou em qualquer outro versículo de Eclesiastes.
Como ressaltamos repetidas vezes, o livro apresenta conclusões fundamentadas
em raciocínio humano “debaixo do sol”, isto é, em conclusões deduzidas com base
na lógica, crença antiga e na observação, não na revelação divina. São conclusões a
que poderíamos chegar por nós mesmos se não tivéssemos a Bíblia como referência.
Um indivíduo observando o corpo de um amigo sendo baixado à sepultura poderia
pensar: “É o fim da linha; a partir desse momento, ele nada saberá do que acontece
na terra (pois está como dormindo) e em breve ninguém se lembrará dele”.

Resumindo, quando Salomão se refere que a memória é entregue ao esquecimento


simplesmente ele está usando a crença do povo de Israel antiga, que acreditavam
que quando alguém morria essa pessoa ficava dormindo e sua memória estaria
desligada. Vemos essa crença no livro de: Salmos 94.17; 115.17; Jó 14.10-12, Daniel
12.2. É claro que a revelação bíblica ela é progressiva, ou seja, até aquele momento o
que Salomão sabia era isso e nada mais. O Novo Testamento já traz uma visão um
pouco mais ampla sobre esse assunto.

Opiniões diferentes – Os Adventistas do Sétimo dia e alguns teólogos tem a mesma


opiniões que os Israelitas tinham sobre a vida após a morte, para eles este versículo
defende a ideia que quando morre ficamos no estado de dormência e a consciência
deixa de existir, eles baseia não só neste versículo mas também em outros, veremos
quais são:
58
ECLESIASTES

Antigo Testamento
a) Gêneses 2.17 –... certamente morrerás, neste versículo Deus fala que se comer da
árvore do conhecimento do bem e do mal o homem morre. Os adventistas baseados
nesta passagem defendem que quando o homem morre ele morre por inteiro, ou
seja, tanto a parte física como espiritual morre. Eles não acreditam que uma parte
morre e outra continue existindo fora do corpo, essa era a forma que os Israelitas
também acreditavam.

b) Daniel 12.2 - E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão..., Eles usam
também esta passagem para defender que na morte o homem esta dormindo
esperando a ressurreição um dia, pois o homem morreu por inteiro e não uma parte
morre e outra continua vivendo.

Novo Testamento
a) Atos 2.27-34 – Pedro em seu discurso fala sobre a ressurreição de Cristo, no
versículo 27 ele usa Salmos 16.10, quando Davi diz que o Senhor não deixará sua
alma no Hades. Pedro quer dizer que essas palavras não estavam dizendo que Davi
seria ressuscitado, mas sim, Cristo seria ressuscitado dentre os mortos. No versículo
34, Pedro deixa claro que Davi não subiu, pois permanece dormindo, quem subiu ao
céu foi somente Cristo. Esse é a passagem que adventistas e alguns teólogos
defendem.

b) 2 Coríntios 4.14 – Paulo fala aos coríntios que eles se reencontrariam somente no
dia da ressurreição, e aquele que ressuscitou Cristo também iria ressuscitar eles e os
levariam juntos na presença dele. Os adventistas defendem que o encontro com
Jesus e com os irmãos que morreram só será possível na ressurreição, que antes não
será possível, pois os irmãos estão dormindo.

Opinião mais aceita – A opinião mais aceita entre os teólogos e cristãos em geral é
que quando morremos iremos direto para céu com o Senhor, veremos quais são as
passagens que se baseiam:

a) Mateus 16.18 - As portas do hades (mundo dos mortos) não prevaleceram contra
igreja, ou seja, depois da morte não ficará no hades e sim irá para céu.

b) Lucas 23.43 – Hoje estará comigo no paraíso, este versículo é defendido que o
ladrão foi para o céu.

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ECLESIASTES
c) 2 Coríntios 5.8 - Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para
habitar com o Senhor. Baseia se neste versículo para dizer que não ficaremos
dormindo e sim iremos para céu.

d) Filipenses 1.23 - Tendo desejo de partir, e estar com Cristo, Paulo diz que seu
desejo era partir e estar com Cristo no céu. Versículo muito usado para os que
defendem ida para o céu depois da morte.

Conclusão: Este assunto sobre a vida após a morte é muito complicado definir o qual
ponto de vista está certo, se colocarmos em quantidade de passagens bíblicas, tanto
do Antigo como Novo testamento, você terá uma quantidade maior de passagens
que defende que quando morremos nós dormiremos e ficamos esperando volta de
Cristo, pois você verá muito a expressão ‘’ dormir ‘’, nas cartas de Paulo. Lembrando,
o objetivo desse estudo não é defender o lado A ou B, e sim apresentar pontos de
vista diferentes para que o estudante tenha a liberdade de escolher qual ponto de
vista irá seguir. Os dois pontos de vista tem seus argumentos fortes, mais qual está
certo? A resposta só saberemos quando experimentarmos a morte.

V6. Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para
sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. V7. Vai, pois, come com alegria o teu pão
e bebe com coração contente o teu vinho, pois já Deus se agrada das tuas obras. V8. Em todo o
tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça. V9. Goza a vida com a
mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias
da tua vaidade; porque esta é a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo
do sol. V10. Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na
sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria
alguma.

V6. Amor, ódio e inveja para os mortos já pereceram - Salomão acreditava que, após
a morte, as pessoas não tinham como demonstrar amor, ódio, inveja, nem outras
emoções humanas. Nunca mais o falecido teria parte em coisa alguma do que
acontece na vida debaixo do sol. Para Salomão devemos tirar proveito até das
emoções por que depois da morte nem isso se podem aproveitar.

V7. Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe com coração contente o teu vinho-
Esse é um dos temas recorrentes de Salomão (2.24; 3.12-15,22; 5.18-20; 8.1 5), sobre
o qual ainda voltará a falar (11.9, 10). Sua admoestação: "Vai, pois", significa: "Não
fique sentado se lamentando! Levante-se e viva!" É verdade que a morte está a
caminho, mas Deus nos dá boas dádivas para nosso prazer, portanto, desfrute-as!

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ECLESIASTES
V8. Que suas vestes sejam brancas e sua cabeça nunca falte o óleo – Manter as
roupas brancas naquela época era muito difícil devido às ruas não pavimentadas,
mas as roupas mais limpas, ou seja, as brancas eram usadas para as festas, por isso
Salomão diz usar roupas brancas, que era sinônimo de pureza mais também de
alegria e festividade. Tem pessoas que só usam vestes de luto, passa todo momento
triste e se lamentando a vida. Óleo também era sinônimo de festa, quando alguém
fosse visitar um amigo para um banquete ungia se com óleo a cabeça antes da
refeição. Então nesse contexto Salomão não esta falando de unção espiritual e
santidade quando se refere vestes brancas e o óleo, mas está falando de viver uma
vida alegre e aproveitar as coisas boas que Deus nos deixou. Salomão queria que
toda ocasião fosse especial não somente em dias de festas, mas todos os dias.

V9. Goza a vida com a mulher que amas – Muitas pessoas casam-se e depois querem
viver uma vida independente e imoral no casamento achando que estará
aproveitando a vida. Ao passar do tempo o casamento chega ao final, devido tanto a
infidelidade. A pessoa que levava a vida independente no casamento agora se
arrepende e fica deprimida a ponta de alguns até se matar, chega-se à conclusão que
perdeu a pessoa amada e não valorizou o companheirismo e o amor. Salomão
aconselha a valorizar o relacionamento e tirar o máximo de aproveito possível, pois
no amor se encontra muita felicidade, agora os que querem viver um casamento
independente e imoral só restarão para essa pessoa amargura e lamentações.

V10. Tudo o que você tiver de fazer faça o melhor que puder – Desfrute do trabalho.
Salomão via prazer não só no casamento, mas também no trabalho, para ele o
trabalho proporciona prazer, satisfação e onde se podem desenvolver nossas
capacidades. No trabalho interagimos com pessoas, amadurecemos e adquirimos
experiências e com isso nos tornamos mais sábios. Para Salomão tudo isso deveria
ser aproveitado porque como ele diz: ‘’porque na sepultura, para onde tu vais, não
há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma’’.
É possível que o apóstolo Paulo tivesse este versículo em mente ao escrever: e, tudo
quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens (Cl
3.23).

61
ECLESIASTES
V11. Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha,
nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos
entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos. V12. que também o
homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como
os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no
mau tempo, quando cai de repente sobre eles. V13. Também vi esta sabedoria debaixo do sol,
que para mim foi grande: V14. Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens, e veio
contra ela um grande rei, e a cercou e levantou contra ela grandes baluartes; V15. E encontrou-se
nela um sábio pobre, que livrou aquela cidade pela sua sabedoria, e ninguém se lembrava
daquele pobre homem. V16. Então disse eu: Melhor é a sabedoria do que a força, ainda que a
sabedoria do pobre foi desprezada, e as suas palavras não foram ouvidas. V17. As palavras dos
sábios devem em silêncio ser ouvidas, mais do que o clamor do que domina entre os tolos. V18.
Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, porém um só pecador destrói muitos bens.

V11. Vi ainda debaixo do sol que não é dos ligeiros o prêmio e nem sempre são os
soldados valentes que ganham as batalhas - Gostaríamos de pensar que o melhor
sempre vence, que quem tem mérito sempre é recompensado. Mas nossas
experiências demonstram que essas expectativas nem sempre se realizam. Os termos
ligeiros, valentes, sábios, prudentes e inteligentes consistem em cinco qualidades que
eram prezadas pelas pessoas. No entanto, ainda que alguns planejassem e
confiassem em seus atributos, era Deus quem, no fim, determinava seu destino.
Exemplo: o atleta mais veloz na sua volta final para terminar a corrida pode torcer o
tornozelo e comprometer sua chegada e o que estava atrás vencerá a corrida. Muitos
orgulhosos que se acham o melhor podem se dar mal. Lembrando, Jesus disse:
porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si
mesmo se humilha será exaltado (Lc 18.14). A bíblia também tem muitos exemplos
de valentes que se deram mal por causa de seu orgulho e prepotência (abuso do
poder), e achavam que nunca perderia as batalhas, mais no final se davam mal.
Salomão aqui traz um alerta para os que confiam em suas forças e habilidades.

V12. Pois o homem não sabe a hora de sua tragédia – Continuando o raciocínio dos
que confiam em suas forças no versículo 11, portanto, ninguém sabe quando a sorte
ou o azar baterão a porta. Como os peixes que se apanham com a rede ou os
passarinhos que se prende com o laço, o ser humano é surpreendido pelo azar e
inclusive pela morte. Ninguém sabe o que o aguarda no futuro.

V13. Também vi este exemplo de sabedoria debaixo do sol, que para mim foi
grande; V14, 15. A Parábola da Pequena Cidade - Outro motivo de aborrecimento
para Salomão é perceber que a sabedoria nem sempre é valorizada. Para ilustrar essa
verdade, Salomão comenta o caso de uma pequena cidade habitada por poucas
pessoas e, portanto, indefesa. Certo dia, um rei poderoso a sitiou com artilharias com
a finalidade de conquistá-la. A situação parecia perdida quando um homem pobre,
62
ECLESIASTES
porém sábio, propôs um plano para salvar a cidade. Naquele momento, o sujeito se
tornou um herói, mas pouco tempo depois caiu no esquecimento. Salomão se
entristece com aqueles que desprezam os sábios e a sabedoria.

V16. Então disse eu: Melhor é a sabedoria do que a força - O Pregador se angustiava
com o fato de que, embora a sabedoria tenha sido melhor que a força, tão logo a
cidade se viu livre do perigo, o conselho daquele homem pobre passou a ser
desprezado, e ninguém se interessou por ele. Porque para Salomão a sabedoria é
melhor que a força? Para ele do que adianta ter um bom exército, boas armas, bons
cavalos, mas se não houver um planejamento, ou seja, uma boa estratégia toda essa
força (armas,soldados,cavalos) podem ser desperdiçados. Resumindo, antes de agir
usando a força, pense primeiro usando a sabedoria. Jesus nos seus ensinos diz: Pois
qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas
dos gastos, para ver se tem com que a acabar?(Lc 14.28). Jesus ensina que primeiro
use a sabedoria calculando e depois usa a força para construir.

V17. Devemos dar ouvidos as palavras calmas dos sábios do que os gritos de um
chefe entre os tolos - As palavras dos sábios, ouvidas em silêncio, valem mais que os
gritos de um tirano que governa entre tolos. Salomão aconselha-nos a inclinar nossos
ouvidos às palavras de sabedoria e não dar ouvido para as tolices.

V18. Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra - A sabedoria tem mais poder
que armas de guerra. Em 2 Samuel 20.14-22, lemos a historia da mulher sábia que
salvou a cidade de Abel-Bete-Maaca do ataque de Joabe. Entretanto, um único
pecador estúpido é capaz de destruir muitas coisas boas que o sábio realizou. A
sabedoria escolhe o caminho pacificador e em contrapartida as armas busca somente
o caminho das guerras e destruições.

Capítulo 10
V1. Assim como as moscas mortas fazem exalar mau cheiro e inutilizar o unguento do
perfumador, assim é, para o famoso em sabedoria e em honra, um pouco de estultícia. V2. O
coração do sábio está à sua direita, mas o coração do tolo está à sua esquerda. V3. E, até quando
o tolo vai pelo caminho, falta-lhe o seu entendimento e diz a todos que é tolo. V4. Levantando-se
contra ti o espírito do governador, não deixes o teu lugar, porque a submissão é um remédio que
aplaca grandes ofensas. V5. Ainda há um mal que vi debaixo do sol, como o erro que procede do
governador. V6. A estultícia está posta em grandes alturas, mas os ricos (pessoas de valor) estão
assentados em lugar baixo. V7. Vi os servos a cavalo, e os príncipes andando sobre a terra como
servos.

63
ECLESIASTES
V1. Assim como as moscas mortas estraga um frasco de perfume, assim também
um ato de tolice pode fazer a sabedoria perder o valor - Tanto os homens quanto as
mulheres usavam perfumes nos dias bíblicos. Esses perfumes eram feitos de
especiarias de vários tipos e pétalas de flores esmagadas. Os elementos básicos eram
misturados com azeite, e o produto final era conservado em garrafas feitas de pedra.
No entanto, se penetrassem moscas em um vaso de perfume e elas morressem, todo
o unguento precioso se corromperia e já não prestaria para nada. Salomão
considerou que seria prudente lembrar seus ouvintes, mais uma vez, a importância
da sabedoria e do perigo da insensatez. No versículo 1, o rei apresenta o princípio
básico de que a insensatez cria problemas para os que a pratica. Numa passagem
anterior, Salomão comparou a boa reputação a um bom perfume (7:1), e aqui volta a
usar essa imagem. As moscas mortas são para o perfume o mesmo que a tolice é
para a reputação do sábio. Segue-se, pela lógica, que as pessoas sábias mantêm
distância da tolice! A forma de fugirmos da tolice é se apegar a sabedoria de Deus.

V2. O coração do sábio está à sua direita, mas o coração do tolo está à sua
esquerda – Salomão aqui não está se referindo ao órgão físico do corpo, pois, com
exceção daqueles que sofrem de algum defeito congênito (nascença), o coração de
todos fica no mesmo lugar. Além disso, o órgão físico não tem relação alguma com a
sabedoria ou com a tolice. Salomão está se referido a essência da vida humana, ao
"controle geral" dentro de nós que governa as "fontes da vida" (Pv 4:23). No mundo
antigo, o lado direito era o lugar de poder e de honra, enquanto o lado esquerdo
representava fraqueza e rejeição (Mt 25:33, 41). Muita gente associa o lado
esquerdo ao "azar" (o termo "sinistro" vem de uma palavra em latim, que significa
"esquerdo"). Uma vez que o tolo não possui sabedoria em seu coração, é atraído
para as coisas erradas (o lado esquerdo) e se envolve em problemas. As pessoas
tentam dar conselho ao homem tolo, mas ele não dá ouvido e prefere ficar do lado
do mal (esquerdo).

V3. Quando o tolo vai pelo caminho, falta-lhe o entendimento – Salomão pode estar
aqui se referindo com essas palavras que as ações e palavras dos tolos revelam sua
tolice. Se for assim, essa revelação é feita de que forma? a) por falar demais e pensar
de menos; b) por julgamentos precipitados sem considerar os fatos; c) por ter
opiniões firmes e rápidas para cada assunto (demonstrando saber demais); e d) por
agir como se sempre estivesse correto e os outros sempre estivessem errados. Essas
atitudes mencionadas podem revelar a tolice do tolo.

V4. Se uma autoridade se zangar com você e lhe tratar mal, não perca a paciência -
Se um governante é orgulhoso, pode dizer e fazer coisas insensatas que o levam a
perder o respeito daqueles que o cercam. Vemos aqui o retrato de um governante
orgulhoso, que se irrita com facilidade e que desconta sua raiva nos servos a seu
64
ECLESIASTES
redor. É evidente que esse homem não tem controle sobre si mesmo. Salomão
aconselha que o servo não bata de frente com sua autoridade, mas espere que ele se
acalme para depois conversar, porque se bater de frente no momento da raiva, a
autoridade pode lhe punir com severas punições como até a pena de morte, pois
naquela época existiam muitas essas punições. Isso também serve de lição para nós
hoje, devemos saber lidar com nossos encarregados e ter paciência com eles no
momento que estiverem nervosos devido à carga de responsabilidades sobre eles.

V5. Vi debaixo do sol uma injustiça que é cometida pelos que governam; V6. Eles
colocam pessoas tolas em altos cargos e deixam de lado pessoas de valor - Outra
contradição que incomodava Salomão era o erro que procede do governador. Com
frequência, pessoas incompetentes assumem cargos que exigem qualificação,
enquanto que pessoas qualificadas desperdiçam seus talentos em tarefas comuns.

V7. Vi os servos a cavalo, e os príncipes andando a pé – Continuando o raciocínio do


versículo 6, os servos que Salomão aqui fala são as pessoas tolas ou de pouca
capacidade para exercer certo cargo que foi colocada pelo governador. Essa pessoa
que está andando a cavalo que é símbolo de honrárias naquela época, merecia andar
a pé como um servo, e encontra partida, a pessoa capacitada que merecia a honra de
um príncipe estava andando a pé. Essa inversão de valores continua até hoje, pessoas
corruptas liderando e governando ao passo que pessoas honestas não conseguem ter
oportunidade para governar.

V8. Quem abrir uma cova, nela cairá, e quem romper um muro, uma cobra o morderá. V9. Aquele
que transporta pedras, será maltratado por elas, e o que racha lenha expõe-se ao perigo. V10. Se
estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então se deve redobrar a força; mas a sabedoria
é excelente para dirigir. V11. Seguramente a serpente morderá antes de estar encantada, e o
falador não é melhor. V12. Nas palavras da boca do sábio há favor, porém os lábios do tolo o
devoram. V13. O princípio das palavras da sua boca é a estultícia, e o fim do seu falar um
desvario péssimo. V14. O tolo multiplica as palavras, porém, o homem não sabe o que será; e
quem lhe fará saber o que será depois dele?

V8. Quem abre uma cova, nela cairá - Quem abre uma cova para machucar os outros
cairá vitima de sua própria malícia. A maldade costuma se voltar contra o ofensor.
Quem rompe um muro, seja para causar dano, seja para entrar ilegalmente, será
mordido por uma cobra ou sofrerá outras consequências desagradáveis.

V9. Aquele que transporta pedras, será maltratado por elas - Também temos o caso
do homem que trabalha nas pedreiras. Um dia, ele sai ferido ou mesmo esmagado
por uma das pedras que estava cortando, ou seja, ele destrói a si próprio. A mesma
tragédia pode acontecer ao madeireiro que é esmagado por dois troncos entre os
65
ECLESIASTES
quais descia corredeira abaixo. Ou, então, o lenhador pode ferir-se com o próprio
machado. A ideia aqui é que o tolo que trabalha na autoconfiança desprezando a
segurança uma hora pode se dar mal, vemos muitas pessoas que se julgam muito
experiente no que faz e por isso não trabalha com segurança e acaba morrendo de
acidente no trabalho. O sábio tem cautela independente de sua experiência.

V10. Se você deixa o machado perder o corte e não afia, terá de trabalhar muito
mais - O versículo 10 retrata um trabalhador ignorante "por excelência", um homem
que tenta rachar madeira com um machado cego. O trabalhador sábio faria uma
pausa em suas tarefas e afiaria a ferramenta. Como diz uma propaganda: "Não
trabalhe com mais esforço, trabalhe com mais inteligência!"

V11. Não adianta nada você saber encantar cobras se deixar que uma delas o
morda - Os encantadores de serpentes ofereciam uma forma comum de
entretenimento naquela época (Sl 58.4, 5 e Jr 8.17). As serpentes não possuem
ouvidos externos; captam as ondas sonoras principalmente por meio da estrutura
óssea da cabeça e por vibrações. O que chama a atenção da serpente e a mantém
sobcontrole não é tanto a música que o encantador toca, mas sim seus gestos
disciplinados (balançar de um lado para o outro e olhar fixamente para o animal e
também colocam urina de rato na ponta da flauta o que atiça o faro cobra). Trata-se,
de fato, de uma arte. Salomão descreve um encantador picado pela serpente antes
de conseguir "encantá-la". Além de arriscar a vida, o homem não recebeu nenhum
dinheiro de seus espectadores e se tornou motivo de riso. Foi tolo, pois agiu como se
a serpente estive sob seu controle. Desejava recolher o dinheiro rapidamente para
poder apresentar se em outro lugar.

Quanto mais apresentações fizessem, mais dinheiro ganharia. Em vez de ficar rico,
ficou sem nada. Alguns encantadores levavam consigo um mangusto (animal que
come cobra) que "pegava" a serpente na hora certa e "salvava" o homem de ser
picado. Se, por algum motivo, o mangusto não agisse, a serpente poderia atacar o
encantador e por fim a apresentação. De uma forma ou de outra, esse homem
mostrou-se insensato. Ao que parece, todos esses "trabalhadores tolos"
apresentam como elemento em comum a arrogância. Por causa de sua confiança
excessiva, acabaram ferindo-se ou dificultando seu trabalho.

V12. As palavras da boca do sábio - Cada coisa que procede dele é decente e
ordenada, honrosa para si mesmo, e aceitável para aqueles que o ouvem. Mas os
lábios do tolo, que falam cada coisa indecente, e não tem controle sobre si, são
desagradáveis para os outros, mas muitas vezes destrutiva para si mesmo.

66
ECLESIASTES
V13. As primeiras palavras da boca do tolo são tolice - Em contraste com o uso
sensato das palavras por parte do sábio (vs. 12), o insensato começa e termina com
puras bobagens. Assim que começa, já se percebe que ele está derramando tolices
de sua boca. Talvez ele esteja falando sobre os deleites dos prazeres, sobre a sua
maneira de viver; talvez esteja tentando imitar um sábio e dizer coisas de peso. Sua
fala, entretanto, resulta somente em loucura. Se ele tiver falado sobre a solução de
problemas, suas sugestões serão destrutivas e inúteis. Ele chega a aconselhar seus
semelhantes a fazer coisas moralmente erradas e isso demonstra que o tolo além de
trilhar o caminho torto quer levar consigo também seu próximo em suas tolices.

V14. O tolo não para de falar - Embora cheio de palavras que parecem levar à
destruição, o tolo nunca desiste. Ele aumenta mais e mais suas declarações,
multiplica suas palavras, mas é fraco em suas atitudes. Ele chega a predizer “o que
provavelmente acontecerá”, embora sem real discernimento. Nenhum ser humano
sabe o que o futuro lhe reserva, especialmente o tolo que é um grande pretensioso.
Nenhum homem pode afirmar, com confiança, o que acontecerá depois que ele for
embora, quem governará, quem será derrubado, quem prosperará, quem sofrerá
perda. Um insensato fingirá conhecer tudo sobre o presente e o futuro, mas nem um
sábio conhece muitas coisas em nenhuma dessas áreas.

V15. O trabalho dos tolos a cada um deles fatiga, porque não sabem como ir à cidade. V16. Ai de
ti, ó terra, quando teu rei é uma criança, e cujos príncipes comem de manhã. V17. Bem-
aventurada tu, ó terra, quando teu rei é filho dos nobres, e teus príncipes comem a tempo, para
se fortalecerem, e não para bebedice. V18. Por muita preguiça se enfraquece o teto, e pela
frouxidão das mãos a casa goteja. V19. Para rir se fazem banquetes, e o vinho produz alegria, e
por tudo o dinheiro responde. V20. Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei, nem
tampouco no mais interior da tua recâmara (quarto) amaldiçoes ao rico; porque as aves dos céus
levariam a voz, e os que têm asas dariam notícia do assunto.

V15. O trabalho do tolo o fatiga, pois nem sabe ir à cidade - Vemos nesta passagem
um toque de humor. O tolo fica se gabando de seus planos para o futuro e cansa as
pessoas ao redor com sua conversa, mas nem sequer consegue achar o caminho para
a cidade. Nos tempos bíblicos, as estradas para as cidades eram bem sinalizadas, de
modo que qualquer viajante poderia se localizar; mas o tolo em questão esta tão
ocupado falando do futuro que se perde no presente. É provável que essas palavras
"nem sabe ir à cidade" fossem um provérbio antigo sobre a estupidez, como se
disséssemos hoje: "ele e tão bobo que não consegue achar a saída do elevador".

V16. Ai de ti, ó terra, quando teu rei é uma criança - Salomão se volta do mal geral
do homem que é tolo para falar a respeito de uma tragédia mais profunda: as
pessoas cujos líderes e governantes são indignos e infantis. Ai de ti ó terra, isso é uma
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ECLESIASTES
forma de maldição às vezes encontrada na literatura da sabedoria (Ec 4.10), e muitas
vezes nos livros dos profetas (Is 5.8-23; Jr 50.27). Cujo rei é criança foi interpretado
literalmente, e o significado dessas palavras é que os governantes agiam de forma
irresponsável como uma criança. Festejar de manhã significa transformar o dia em
confusão ( Is 5.11), e colocar o prazer pessoal acima do dever oficial. De manhã era o
horário em que a justiça nas cortes do Oriente geralmente era executada (Jr 21.12).
Assim como era uma maldição o líder ser infantil para o povo, na igreja Novo
Testamento o Apostolo Paulo aconselha que os que desejam ser líder sejam maduros
e aptos para ensinarem (1 Tm 3.1-7), porque se o líder for infantil também podem ser
uma maldição para a igreja.

V17. Bem-aventurada tu, ó terra, quando teu rei é filho dos nobres - A terra
abençoada é aquela na qual o rei apresenta caráter e nobreza e os outros líderes
demonstram domínio próprio e retidão, sentando-se a mesa apenas para refazerem
as forças e não para bebedice. Salomão aconselha para que todos os que governam
venha ser uma benção para o povo e não uma maldição.

V18. Se por preguiça você deixar de consertar o telhado da sua casa, ele acabará
ficando cheio de goteiras, e a casa cairá – Salomão usa essa comparação do homem
preguiçoso que não se preocupa com a manutenção de sua própria casa, e que logo
pode desabar por não ter feito manutenção. Ele compara esse homem com os que
governam que são preguiçosos e só sabem viver uma vida de bebedeiras, festas e
negligenciam as responsabilidades e seus deveres, por isso o governo pode também
desmoronar como uma casa que não foi feita a manutenção por negligencia e
preguiça do dono.

V19. Para rir se fazem banquetes, e o vinho produz alegria, e por tudo o dinheiro
responde - As refeições são momentos de alegria, o vinho adiciona alegria à vida e o
dinheiro atende a tudo. Será que Salomão acreditava que o dinheiro é a solução para
todos os problemas? Talvez estivesse apenas mostrando que o dinheiro pode suprir
qualquer necessidade humana de alimentação, ou talvez estivesse se referindo aos
governantes bêbados advertidos, no versículo 16, acerca dos resultados da falta de
moderação (v. 18). De fato, o dinheiro pode comprar muitas coisas, exceto a alegria
verdadeira e a entrada no céu. A vida do ser humano não equivale à abundância dos
bens que possui (Lc 12:15).

V20. Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes ao rei – Devido os versículos 16 e


18, que fala da irresponsabilidade e imaturidade dos que governam e que só sabem
fazer festas e banquetes e nem se preocupa com o povo. Essas atitudes dos que
governam podem deixar alguns revoltados a ponto de ficar falando mal do rei e seus
ministros. O problema é que essa revolta pode chegar aos ouvidos do rei, através de
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ECLESIASTES
alguém que quer se aparecer e ganhar crédito com o rei. O que pode acontecer é,
que a pessoa pode ser punida até com a morte ou ser confiscada seus próprios bens
que possui. Por isso tenha cuidado com as aves do céu (que se referem pessoas
fofoqueiras) que podem prejudicar aqueles que falam mal do rei. Isso serve para
nossos dias atuais, se ficarmos falando mal do encarregado para alguém, ele pode
nos dedurar e com isso podemos perder até nosso emprego.

Questionário
ASSINALE COM ‘’X’’ A ALTERNATIVA CORRETA
CAPÍTULO 9
9.01 – No versículo 1, ‘’não conhece nem amor e nem ódio, tudo passa perante ele’’,
o que se pode entender com essas palavras?
___a) não conseguimos entender a mente de Deus e suas intenções
___b) não sabemos discernir o que é amor e nem ódio
___c) nenhuma das alternativas.

9.02 – No versículo 5, onde Salomão tira a conclusão que a memória dos mortos são
entregue ao esquecimento?
___a) essa conclusão é baseada na revelação divina
___b) essa conclusão são baseadas na lógica, crença antiga e na observação no
momento do sepultamento
___c) nenhuma das alternativas.

9.03 – No versículo 8,‘’que suas vestes sejam brancas e sua cabeça nunca falte o
óleo’’, o que significa essa expressão no contexto do capítulo 9?
___a) santidade e unção
___b) Salomão com essa expressão está se referindo viver uma vida alegre e
aproveitar as coisas boas que Deus nos deixou
___c) nenhuma das alternativas.

69
ECLESIASTES
CAPÍTULO 10
10.01 – No versículo 1, o que significa para Salomão a expressão: ‘’mosca morta
estraga um frasco de perfume’’.
___a) o perfume perderá seu cheiro
___b) o perfume estragará a ponto de exalar mau cheiro pelo ar
___c) Salomão usa essa expressão para dizer que as moscas mortas são para o
perfume o mesmo que a tolice é para a reputação dos sábios.

10.02 – No versículo 2, ‘’o coração do sábio está a sua direita, mas o coração do tolo
está a sua esquerda’’, o que Salomão quis dizer com essas palavras?
___a) as pessoas sabias seu coração fica do lado direito do peito ao ponto que ao tolo
o coração fica do lado esquerdo
___b) Salomão não está se referindo ao órgão físico , e sim a essência da vida
humana, ou seja, o controle geral dentro de nós
___c) nenhuma das alternativas.

10.03 – No versículo 16, ‘’ai de ti, ó terra, quando teu rei é uma criança’’, o que
Salomão está advertindo com essas palavras?
___a) ele está advertindo que uma criança não pode se assentar no trono
___b) ele está advertindo contra homens que governam de forma irresponsável e
infantil e que pode ser uma maldição para o povo
___c) nenhuma das alternativas.

70
ECLESIASTES
Capítulo 11
V1. Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. V2. Reparte com
sete, e ainda até com oito, porque não sabes que mal haverá sobre a terra. V3. Estando as nuvens
cheias, derramam a chuva sobre a terra, e caindo a árvore para o sul, ou para o norte, no lugar
em que a árvore cair ali ficará. V4. Quem observa o vento, nunca semeará, e o que olha para as
nuvens nunca segará. V5. Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se
formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que
faz todas as coisas.

V1. Lança o teu pão sobre as águas – Lançar pão sobre as águas para nós esse termo
parece muito estranho, imagine você pegando um pedaço de pão e jogando no rio ou
no lago e ficar esperando que isso vá multiplicar, para nós parece não fazer sentido.
O que então Salomão quis dizer com essas palavras? Um dos sentidos da palavra
hebraica traduzida por ‘’pão’’ é o grão usado para fazer o pão. A referência aqui pode
ser ao costume egípcio de espalhar sementes ou grãos sobre as águas que
inundavam suas terras anualmente, quando o rio Nilo transbordava. Parecia que
aqueles grãos ficavam soterrados e esquecidos, mas no devido tempo surgia à
colheita. Salomão aconselha com essas palavras que devemos viver de uma forma
sábia que pensa não só no hoje mais também no amanhã.

V2. Reparte com sete, e ainda até com oito - Repartir com sete e ainda com oito
sugere agirmos com generosidade ilimitada, a ideia aqui é demonstrar bondade sem
limites enquanto há tempo, pois a calamidade e a desgraça podem sobrevir
repentinamente, e não haverá mais possibilidade de ser generoso. Aprendemos com
esse conselho que é melhor viver uma vida de generosidade do que viver uma vida
de egoísmo. Esse conselho é bem enfatizado por Jesus em suas mensagens.

V3. Estando as nuvens cheias, derramam a chuva sobre a terra - O versículo 3


prossegue o pensamento proposto no versículo anterior, em especial em relação a
calamidade imprevisível que nos pode atingir. Para Salomão, as desgraças da vida são
inevitáveis e fatais em suas manifestações. Semelhantes às nuvens que derramam
aguaceiro sobre a terra, os problemas e tribulações sobrevém aos filhos dos homens.
E o destino da árvore, depois de caída, é permanecer tombada para sempre. Seu
destino esta selado. Assim também pode acontecer com os homens, uma situação
ruim pode selar para sempre seu destino e não se levantar mais como a árvore.

V4. Quem fica observando o tempo e não toma uma atitude, nunca plantará - Existe
o perigo do excesso de cautela. Quem vive a espera de condições ideais nunca
realizara nada, pois sempre haverá vento e nuvens; quem espera o vento acalmar
nunca conseguira semear no campo; quem espera para colher depois da chuva verá
sua plantação apodrecer. O indivíduo que deseja ter certeza absoluta antes de

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ECLESIASTES
realizar seus projetos ficará esperando para sempre. Resumindo, temos que ser
cautelosos, mas na dosagem certa, o excesso pode nos levar ao prejuízo.

V5. Não sabemos o caminho do vento e nem como se forma uma pessoa no ventre
da mãe - Uma vez que não sabemos todas as coisas, precisamos trabalhar com as
informações que temos. Não compreendemos o movimento do vento, nem como se
formam os ossos no ventre da mulher grávida. Da mesma forma, não sabemos como
Deus trabalha, nem os motivos que o impulsionam.

V6. Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual
prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas. V7. Certamente suave é a luz,
e agradável é aos olhos ver o sol. V8. Porém, se o homem viver muitos anos, e em todos eles se
alegrar, também se deve lembrar dos dias das trevas, porque hão de ser muitos. Tudo quanto
sucede é vaidade. V9. Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da
tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém,
que por todas estas coisas te trará Deus a juízo. V10. Afasta, pois, a ira do teu coração, e remove
da tua carne o mal, porque a adolescência e a juventude são vaidade.

V6. Pela manhã plante a tua semente - Um agricultor tem de ser ativo pela manhã e
à tarde, semeando e efetuando os atos normais envolvidos na agricultura. O que o
agricultor fizer pode dar certo; todas as suas esperanças podem estar de acordo com
aquilo que Deus já determinou, mas também podem dar errado devido ao mal tempo
que pode estragar a plantação. Seja como for, ele continua trabalhando e esperando
pelo melhor. O agricultor continua cumprindo a sua parte, deixando todas as coisas
nas mãos de Deus. Este ensinamento nos serve para nos alertar acerca de nossas
responsabilidades, tanto no trabalho secular como na obra de Deus.

V7. Como é agradável a luz do dia, e como é bom ver a luz do sol - A luz pode se
referir aos dias alegres da juventude. É muito bom ser jovem, saudável, forte e cheio
de vigor. Por isso devemos aproveitar o máximo de nossa juventude fazendo boas
obras, porque um dia as forças vão se acabando.

V8. Porém, se o homem viver muitos anos, também se deve lembrar dos dias das
trevas, porque hão de ser muitos - Nossa vida presente deve ser alegre, tão
agradável aos olhos como o sol nascente na luz do amanhecer (11.7), mas com a
consciência de que devemos prestar contas a Deus por nossa vida em sua
totalidade. E se vivermos muitos anos, o versículo 8 nos aconselha a desfrutar de
todos eles. Contudo, nossos olhos devem ser direcionados para aqueles dias
inevitáveis de enfermidade e morte, em que seremos sepultados e então nos

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ECLESIASTES
encontraremos com nosso Criador e Juiz inspetor de frutos. Resumindo, devemos
viver com responsabilidade sabendo que iremos prestar conta um dia com Deus.

V9. Jovem aproveita a tua mocidade; mas lembre de uma coisa, Deus o julgará por
tudo o que fizer - O versículo 9 tem sido interpretado de duas maneiras diferentes. A
primeira interpretação entende a expressão “anda pelos caminhos do teu coração”
como sendo uma contradição direta de Números 15.39b: “não seguireis os desejos
do vosso coração, nem os dos vossos olhos”. No entanto, o versículo 9 não contradiz
Números 15:39b nem constitui um convite a uma vida de pecado no prazer sensual.
A segunda interpretação de 11.9 deve ser preferida. Ela afirma que o versículo é um
convite aos jovens para que aproveitem toda a satisfação e alegria que puderem
obter da felicidade inocente.

Sim, goze tudo o que contemplar ou desejar, mas anote bem e, no meio do seu gozo,
lembre-se que Deus examinará até mesmo a qualidade dos seus prazeres e a maneira
na qual você se diverte. O versículo 9 não é nenhuma carta branca nem uma
estação de caça na qual vale tudo. Portanto, não abuse dessa bênção com confortos
e prazeres prejudicial, que não oferecem verdadeira alegria. A vida deve ser vivida
levando-se em conta os valores da eternidade. Sua vida neste mundo em breve
passará, e somente aquilo que é feito para Cristo e com os olhos fixos em Cristo
permanecerá. Portanto, divirta-se! Alegre-se e sinta prazer na excitação de viver.
Contudo, acrescente um tom prudente aos seus passos, lembrando-se que o dia de
hoje reaparecerá no futuro, quando nos apresentarmos àquele que conhece o certo
e o errado.

V10. Afaste a tristeza de seu coração, poupa o sofrimento do seu corpo, porque a
juventude e adolescência dura pouco - Tendo mostrado, em 11.7-9, que a
verdadeira felicidade consiste simultaneamente em desfrutar do presente e olhar
para o futuro, Salomão agora nos diz como ajustar nossa vida a essa perspectiva.
Para desfrutarmos da verdadeira felicidade, devemos remover toda ansiedade,
tristeza e melancolia da nossa mente, pois a juventude e a própria vida são
“transitórias”, ou “passageiras”. Acabe com toda tristeza, lamento e melancolia
sombria. As pessoas devem estar livres desses danos ao homem interior que tão
rapidamente paralisam a alegria da vida.

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ECLESIASTES
Capítulo 12
V1. Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias,
e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; V2. Antes que se
escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; V3. No
dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os
moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas; V4. E as portas da
rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as
filhas da música se abaterem. V5. Como também quando temerem o que é alto, e houver
espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite;
porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; V6.
Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro
junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, V7. E o pó volte à terra, como o era, e o espírito
volte a Deus, que o deu. V8. Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade.

V1. Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade - Salomão não esta
sugerindo um mero reconhecimento da pessoa de Deus; usando termos bíblicos
reforçados, ele convoca o homem aos atos adequados que acompanham esse
reconhecimento. Por exemplo, quando o Senhor se lembrou de Ana (1 Sm 1.19), Ele
fez mais do que simplesmente trazê-la a memória; Ele agiu em seu favor, e ela
concebeu um filho. Ao lembrarmo-nos dele, isso sugere não só em pensamentos,
mas em palavras e principalmente nas ações.

Criador – Para quem não sabe esta palavra ‘’criador’’ no hebraico é boreicha, que
significa criadores, então no original está assim: ‘’ Lembra-te dos teus criadores ’’.
Como os estudiosos interpretam está passagem? Eles sugerem duas interpretações,
veremos quais são:
1- Alguns estudiosos interpretam está passagem sugerindo que o autor esteja
falando de seus pais, que sustentaram e cuidaram do jovem nos dias de sua
mocidade, ou seja, valorize o amor que seus pais lhe deram.

2- Já outros intérpretes, vê essa passagem na pluralidade de pessoas no ser único de


Deus, ou seja, está passagem numa forma oculta está se referindo a trindade,
Pai,Filho e Espírito Santo, que é revelado somente no Novo Testamento. Essa
interpretação é a mais aceita entre os teólogos, já a outra anterior é pouca aceita.
Há outras passagens também que de forma oculta aponta para a trindade:

a) Em Gênesis 1.26, DEUS toma a iniciativa de fazer e diz: Façamos. Essa forma plural
aponta para a trindade.

b) Em Gênesis 11.7, DEUS toma a iniciativa de descer e diz: Desçamos.

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ECLESIASTES
Como os rabinos que não crê na trindade tratam este assunto da pluralidade nessas
passagens bíblicas apresentadas aqui no estudo?
O rabino Abraão ibn Ezra (1089-1167 d.C), elaborou uma explicação acerca da razão
pela qual Deus se pronuncia de forma plural em várias ocasiões na bíblia, na sua
perspectiva o uso plural na referência a Deus é, segundo ele o ‘’plural de majestade’’,
que os reis e nobres usavam costumeiramente nas expressões de tratamento. Em
termos simples e claros, Deus faz referência a Si mesmo de forma plural com o
objetivo de se exaltar.

Essa explicação não faz sentido porque não há nenhuma passagem bíblica que diz
que um rei fez referência a si mesmo usando o ‘’plural de majestade’’, e nem que
algum servo lhe tratou com plural de majestade, não vemos essa situação nem no
Antigo Testamento, como também não há no Novo Testamento. A verdade é que os
rabinos não querem aceitar a revelação do Novo Testamento onde explica essa
pluralidade que estava oculta, mas que veio a ser revelada em Cristo. Sabemos que
essa pluralidade nada mais é que a trindade divina, que foi revelada em Cristo.

V2. Antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas do brilho da tua vida - O
escurecimento do sol, da lua e das estrelas, no versículo 2, embora mais difícil de
traduzir do que praticamente todos os demais versículos nessa comparação, talvez
represente aqueles primeiros sinais de declínio na memória, na compreensão, na
vontade, nas afeições e imaginações de uma pessoa.

V3. No dia em que tremerem os guardas da casa - Os versículos 3-6 listam as


enfermidades que vão aparecendo na pessoa à medida que ela envelhece,
prejudicando-a no ato de servir a Deus.
Tremerem os guardas da casa - Os guardas da casa representam os braços e as mãos.
Anteriormente fortes e alertas, agora tremem enrugados e curtidos pelo tempo.

Se curvarem os homens fortes - Os homens fortes representam as pernas e coxas.


Anteriormente vigorosas e de aparência atlética, agora andam tortas como dois
sinais de parênteses encurvados pelo peso do corpo.

Cessarem os moedores, por serem poucos - A expressão cessarem os moedores


refere-se aos dentes, que, cada vez mais raros e fracos, não conseguem mastigar a
comida tão bem quanto antigamente.

Se escurecerem os que olham pelas janelas - Os olhos começam a perder a visão, e


as pupilas ficam dilatadas e mais limitadas.

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ECLESIASTES
V4. E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura – A
linguagem figurada em as duas portas da rua se fecharem é semelhante a que foi
empregada no livro de Jó para designar as mandíbulas do leviatã como as portas do
seu rosto (Jó 41.14). Sendo assim, também é possível que neste versículo o autor se
refira a lábios e mandíbulas. Dando continuidade a essa ideia, o termo baixo ruído
da moedura ilustra o pouco ou nenhum barulho feito ao mastigar alimentos macios
na velhice, depois da perda ou do enfraquecimento dos dentes. Para concluir as
metáforas desta passagem, as vozes do canto se baixarem remete a audição que já
está ficando fraca; portanto, a capacidade de deleitar-se com a música diminui.

V5. Como também quando temerem o que é alto - Os idosos desenvolvem


acrofobia, ou seja, medo de lugares altos. Temem subir escadas, observar a vista no
topo de prédios altos ou mesmo embarcar em aviões. Por causa da perda da
confiança, espantam-se no caminho, isto é, temem sair sozinhos ou à noite.
E florescer a amendoeira – Se você observar uma amendoeira na fase que está
florescendo verá que as flores são brancas e de longe a árvore de amendoeira fica
esbranquiçada. Assim é homem na velhice, seus cabelos ficam brancos mostrando
assim que a idade da velhice já chegou.

E o gafanhoto for um peso - O gafanhoto pode ser interpretado de duas maneiras:


trata-se de um peso, no sentido de que até os objetos mais leves são pesados para os
idosos carregarem, ou então consiste na imagem de um idoso andando encurvado e
torcido, movendo-se de modo irregular.

E perecer o apetite - O apetite natural diminui ou desaparece completamente: os


alimentos perdem o gosto ou o sabor, e o apetite sexual também vai perecendo.

Porque o homem se vai à sua casa eterna e as pessoas choram pelas ruas – Aqui
Salomão se refere à morte do homem que foi se acabando aos poucos e agora é
chegada a hora do seu sepultamento e envolta pessoas chorando pela sua morte.
Assim será o fim de todos os ser humano em geral.

V6. Antes que se rompa o cordão de prata - Em vista desses fatos, o Pregador
aconselha as pessoas a se lembrarem do Criador antes que se rompa o cordão de
prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se
desfaça a roda junto ao poço. E difícil atribuir significado exato a essa figura de
linguagem. O cordão de prata pode ser usado para suspender uma taça preciosa ou
outro objeto de decoração. Se esse cordão se romper, então o enfeite se
despedaçará no chão, tornando-se inútil. Provavelmente essa comparação se refere à
delicada ruptura da vida quando o espírito (fôlego de vida) deixa o corpo.

76
ECLESIASTES
O copo de ouro tem sido interpretado como representação da cavidade craniana,
cujo sentido poético se refere à cessação da atividade mental no momento da morte.

O versículo também descreve um poço com uma roda usada para puxar um jarro
cheio de água. Um dia, a roda se quebra, o jarro se despedaça e chega o fim. A fonte
de água é uma imagem de vida. Quando os mecanismos da vida param, a água deixa
de fluir. O coração para de bombear, o sangue para de circular e vem à morte. O
espírito deixa o corpo (Tg 2.26), o corpo começa a se deteriorar e, há seu tempo, se
transforma em pó.

Crenças antigas sobre cordão de prata – Acreditam-se desde antigamente que existe
um cordão de prata que liga parte física com espiritual, ou seja, um tipo de cordão
umbilical que liga o corpo com a alma e que através desse cordão mantém contato
do corpo com a alma. Quando romper esse cordão a pessoa morre, pois não há mais
ligamento do corpo com a alma. De onde vem essa crença? Alguns comentam
dizendo que essa crença vem de experiências de pessoas que quase morreram e
viram um cordão de prata que ligava corpo com a alma. É claro que isso é só uma
crença e não sabemos se é verdade. Será que Salomão ao se referir o cordão de prata
estava baseado nessa crença? Eu acredito que não, o cordão que ele fala era
simplesmente o que seguravam os objetos de decoração, que com o tempo se
rompiam e despedaçavam os objetos que estavam pendurados. Ele compara essa
situação com a vida, que com o tempo se acaba.

Medula espinhal – Alguns estudiosos acreditam que o cordão


de prata seja a medula espinhal (tipo de chicote) que liga o
cérebro aos nervos que é pálida e de aspecto prateado.
Quando a pessoa morre a comunicação do cérebro aos
nervos se desliga, assim não manda mais informação para as
funções do corpo.

V7. E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus – Com essas palavras
Salomão esta fazendo uma ligação com Gênesis 2.7, que fala que Deus fez homem do
pó da terra e soprou o fôlego de vida; e também com Gênesis 3.19, que diz que
homem retornará para o pó da terra. Este versículo tem sido interpretado por duas
formas, veremos quais são:
1- Para os que acreditam que o espírito sobrevive fora do corpo, eles interpretam
essa passagem da seguinte forma: homem morre volta para o pó da terra e seu
espírito volta a Deus, ou seja, uns para o céu e outras para o hades esperando o
julgamento. Atualmente essa interpretação é mais aceita e a mais popular.
77
ECLESIASTES
2- Para os que acreditam que o espírito não sobrevive fora do corpo, interpretam
essa passagem da seguinte forma: para eles a palavra ‘’espírito’’ está traduzida da
forma incorreta, se este versículo faz uma ligação com Gênesis 2.7, o certo seria
traduzir ‘’fôlego de vida’’ ou ‘’hálito animador’’ que Deus soprou sobre o homem e,
quando ele morre esse fôlego de vida volta a Deus. Para os que defendem essa
interpretação, eles alegam que o povo judeu da época não acreditava na
sobrevivência do espírito fora do corpo e então Salomão estava se referindo
simplesmente o fôlego de vida que volta a Deus.

Curiosidades – Baseado em Gênesis 3.19, que diz que homem volta ao pó, os judeus
não praticam a cremação no morto, para eles o corpo tem que se desfazer
naturalmente até se torna pó da terra. Eles dizem que a cremação é um desrespeito à
ordem de Deus, que o homem volte naturalmente ao pó da terra.

V8. Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade - Pela ultima vez em seu
discurso, o Pregador diz: "vaidade de vaidade tudo é vaidade" O livro encerra onde
começou (1.2), enfatizando a futilidade da vida sem Deus. Quando olhamos para a
vida "debaixo do sol", tudo parece fútil. Mas, quando temos Jesus Cristo como nosso
Salvador, "no Senhor, o nosso trabalho não e vão" (1 Co 15:58).

V9. E, quanto mais sábio foi o pregador, tanto mais ensinou ao povo sabedoria; e atentando, e
esquadrinhando, compôs muitos provérbios. V10. Procurou o pregador achar palavras
agradáveis; e escreveu-as com retidão, palavras de verdade. V11. As palavras dos sábios são
como aguilhões, e como pregos, bem fixados pelos mestres das assembleias, que nos foram dadas
pelo único Pastor. V12. E, demais disto, filho meu, atenta: não há limite para fazer livros, e o
muito estudar é enfado da carne. V13. De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e
guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. V14. Porque Deus há de
trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau.

V9. O Pregador, além de sábio, ainda ensinou ao povo o conhecimento - Pregador,


além de sábio, também compartilhava seu conhecimento com o povo. Após
cuidadoso exame sobre as questões da vida, Salomão gostava de transmitir suas
descobertas sob a forma de provérbios.

V10. Procurou o Pregador achar palavras agradáveis - Ele escolhia as palavras com
cuidado para combiná-las em um provérbio agradável, encorajador e verdadeiro.
Tratava-se de uma obra de arte, como um chefe preparando um prato belíssimo e
nutritivo, decorado com um ramo de salsa. Isso nos traz um grande ensinamento,
quando fizermos alguma coisa que façamos como Salomão, bem feito com qualidade
e bem organizado como seus provérbios.

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ECLESIASTES
V11. As palavras dos sábios são como aguilhões, e como pregos... que nos foram
dadas pelo único Pastor. – As sábias palavras da verdade, que foram dadas aos
sábios, pelo único Pastor divino agem: como aguilhão (varas de madeira com pontas
de ferro, usadas para estimular o boi à ação ou a um passo mais apressado ou
direcionar o boi no caminho certo), Salomão usa esta figura para dizer que a verdade
nos conserva no caminho certo; e a palavra é como os pregos, para fixar a verdade
em nossa mente. Devemos então estar sempre atentos à palavra de Deus, para que
não venhamos a nos desviar do caminho certo.

V12. E, demais disto, filho meu, presta atenção - Sem dúvida, Salomão não tinha
intenção de esgotar o assunto. Poderia ter escrito muito mais se quisesse, porém
adverte seus leitores de que a conclusão seria a mesma. Não há limite para escrever
e publicar livros, e lê-los todos seria um trabalho desgastante. Por que se dar ao
trabalho, se tudo o que revelariam no final é a vaidade da vida?

V13. De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus
mandamentos - A conclusão final de Salomão pode dar a impressão de que o
Pregador conseguiu se elevar acima do sol, pois escreve: “Teme a Deus e guarda os
seus mandamentos, porque isto é o dever de todo homem”. Salomão em sua
maratona pela busca da felicidade e respostas sobre as questões da vida cruza a linha
de chegada. Nessa maratona ele percorreu todas as áreas da vida e viu que nada é
mais valioso e precioso do que o relacionamento entre o homem e seu Criador.
Temer e guardar os mandamentos só são possíveis quando relacionamento do
homem está estreito com Deus. Infelizmente muitos hoje deixam de se relacionar
com Deus para se relacionar com as riquezas desse mundo, mas como Salomão disse
o homem só encontrará a vaidade, ou seja, o vazio e a infelicidade.

‘’ Que possamos aprender com esse conselho de Salomão, que recebeu do único
Pastor, que é Deus ‘’.

V14. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto-
Tanto as obras dos homens como os seus segredos, isto é, seus pensamentos, serão
julgados por Deus. A atitude do coração é coisa importante diante de Deus, como
também as atitudes públicas. Na realidade o autor não diz nada mais nestes últimos
versículos além do que disse em todo o livro, desfrute da vida enquanto pode. Isto só
pode ser feito temendo a Deus; pois Deus está no controle e dele se espera que
recompense a justiça e castigue o mal.

79
ECLESIASTES
Questionário
ASSINALE COM ‘’X’’ A ALTERNATIVA CORRETA
CAPÍTULO 11
11.01 – No versículo 1, ‘’lança teu pão sobre as águas’’, o que poderia estar se
referindo essa passagem?
___a) lançar pedaço de pão no rio, como forma de atrair a sorte para quem a lançou
___b) lançar o pão se refere pregar a palavra
___c) lançar o pão pode estar se referindo a um costume antigo, que era lançar grãos
sobre as águas que inundavam as terras, e devido ao tempo estas sementes
brotavam.

11.02 – No versículo 7, ‘’como é agradável a luz do dia, e como é bom ver a luz do
sol’’, qual é a explicação para esse versículo?
___a) Salomão está apreciando a beleza do sol e a luz do dia
___b) Salomão está comparando a luz com os dias alegres da juventude
___c) nenhuma das alternativas.

11.03 – No versículo 9, ‘’jovem aproveita a tua mocidade’’, como entender este


conselho?
___a) Salomão está sugerindo uma carta branca para os jovens aproveitarem o
máximo dos prazeres da vida
___b) este conselho é para os jovens viver uma vida com os prazeres saudáveis que
Deus concedeu, e não viver uma vida de prazeres prejudiciais do qual o levará para o
juízo eterno
___c) viver uma vida da forma que quiser.

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ECLESIASTES

CAPÍTULO 12
12.01 – No versículo 1, ‘’ lembra-te do teu Criador’’, o que seria esse lembrar?
___a) em todo momento da vida precisamos lembrar que Deus existe
___b) lembrar de Deus é uma forma de atrair bênçãos
___c) lembrar de Deus sugere não só em pensamentos, mas em palavras e
principalmente em ações.

12.02 – No versículo 3, ‘’no dia em que temerem os guardas da casa’’, o que significa
essas palavras que Salomão se referiu?
___a) os guardas que vigiam a casa também podem tremer diante dos inimigos
___b) essas palavras é uma figura para representar os braços e as mãos tremulas da
pessoa quando ficar velha
___c) nenhuma das alternativas.

12.03 – Ainda no versículo 3, ‘’se curvarem os homens fortes’’, o que significa essa
expressão no raciocínio de Salomão?
___a) até os homens poderosos e fortes se curvarão diante de Deus
___b) homens fortes também se curvam diante de situações difíceis da vida
___c) Salomão está usando essa expressão figurada para se referir pernas e coxas
que se curvam por causa da velhice.

81
ECLESIASTES

GABARITO
CAPÍTULO 1 - 1.01-C 1.02-C 1.03-C
CAPÍTULO 2 - 2.01-D 2.02-C 2.03-C
CAPÍTULO 3 - 3.01-B 3.02-B 3.03-C
CAPÍTULO 4 - 4.01-A 4.02-B 4.03-B
CAPÍTULO 5 - 5.01-C 5.02-C 5.03-B
CAPÍTULO 6 - 6.01-A 6.02-B 6.03-A
CAPÍTULO 7- 7.01-C 7.02-C 7.03-C
CAPÍTULO 8 - 8.01-C 8.02-C 8.03-B
CAPÍTULO 9 - 9.01-A 9.02-B 9.03-B
CAPÍTULO 10 - 10.01-C 10.02-B 10.03-B
CAPÍTULO 11 - 11.01-C 11.02-B 11.03-B
CAPÍTULO 12 - 12.01-C 12.02-B 12.03-C

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ECLESIASTES
BIBLIOGRAFIA (fontes de consulta)
Russell Norman Champlin, O Antigo Testamento interpretado versículo por versículo.
William Mac Donald, Comentário Bíblico Popular Antigo Testamento.
Warren W . Wiersbe, Comentário Bíblico Expositivo Antigo Testamento.
Matthew Henry, Comentário Bíblico Antigo Testamento, Volume 3, Poético.

Milo L. Chapman, Comentário Bíblico Beacon.

Earl D. Radmacher, O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento.

Walter C. Kaiser Jr., Comentários do Antigo Testamento, Eclesiastes.

John H. Walton, Victor H. Matthews, Mark W. Chavalas, Comentário Bíblico Atos,


Antigo Testamento.

Adam Clarke, Eclesiastes.

Sociedade Bíblica do Brasil, Bíblia de Estudo MacArthur.

Donald C. Stamps, Bíblia de Estudo Pentecostal.

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ESTUDOS BÍBLICOS # SALMOS 23 (2ªparte vers. por vers.) # MARCIO JOSÉ MONDIN
ESTUDOS BÍBLICOS # CANTO DO GALO # MARCIO JOSÉ MONDIN
ESTUDOS BÍBLICOS # EUNUCO # (MARCIO JOSÉ MONDIN)
ESTUDOS BÍBLICOS # ADIVINHAÇÃO (1,2e3parte) # Marcio José Mondin
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