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CONTABILIDADE AVANÇADA

Equivalência Patrimonial – Breves Considerações

I – Introdução

O instituto da equivalência patrimonial se deu com o advento do art. 21 do


Decreto-Lei n.º 1.598/77, onde declarava que o contribuinte deveria avaliar em
cada balanço o investimento pelo valor do patrimônio líquido da coligada ou
controlada, conforme disposição do art. 248 da Lei das Sociedades Anônimas
(Lei 6.404/76).

Em outras palavras, a equivalência patrimonial é o método que consiste em


atualizar o valor contábil do investimento ao valor equivalente à participação
societária da sociedade investidora no patrimônio líquido da sociedade
investida, e no reconhecimento dos seus efeitos na demonstração do resultado
do exercício.

Sendo assim, o valor do investimento, será determinado mediante a aplicação


da porcentagem de participação no capital social, sobre o patrimônio líquido de
cada sociedade coligada ou controlada.

I.I - Operações com o Exterior

A IN SRF no 213/2002, art. 7o, § 1o dispõe que os valores relativos ao


resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do
ano calendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de
dezembro do ano calendário para fins de determinação do lucro real e da base
de cálculo da CSLL, já os resultados negativos decorrentes da aplicação do
método da equivalência patrimonial deverão ser adicionados para fins de
determinação do lucro real trimestral ou anual e da base de cálculo da CSLL,
no levantamento dos balanços de suspensão e/ou redução do imposto de
renda e da CSLL.

A pessoa jurídica que estiver no regime de apuração trimestral poderá excluir o


valor correspondente ao resultado positivo da equivalência patrimonial no 1o,
2o e 3o trimestres para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo
da CSLL ou a pessoa jurídica que optar pelo regime de tributação anual não
deverá considerar o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de
determinação do imposto de renda e da CSLL apurados sobre a base de
cálculo estimada; e ainda a pessoa jurídica optante pelo regime de tributação
anual que levantar o balanço e/ou balancete de suspensão e/ou redução
poderá excluir o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de
determinação do imposto de renda e da CSLL.
II - Realização da Equivalência Patrimonial

Equivalência Patrimonial corresponde ao valor do investimento determinado ao


final de cada exercício, mediante a aplicação da porcentagem da participação
da investidora no capital social da coligada ou controlada sobre o patrimônio
líquido de tais investidas.

O valor do patrimônio líquido da investida deverá ser idêntico ao que consta em


seu balanço patrimonial levantado na mesma data do balanço da investidora ou
no máximo dois meses antes dessa data.

No instante em que for realizar a equivalência patrimonial, a investidora deverá


antes de tudo verificar se os critérios contábeis adotados pela coligada ou
controlada são os mesmos por ela adotados, sendo que não ocorrendo a
uniformidade, a participante deverá fazer no balanço da coligada ou controlada
os ajustes necessários para eliminar as diferenças de grau elevado,
decorrentes da diversidade de critérios praticados por ambas.

III- Da relevância da Equivalência Patrimonial

O investimento deve ser relevante e aplicado em empresas controladas e


coligadas. A relevância é dada pelo comprometimento relativo do patrimônio
líquido da investidora nestes investimentos - 10% em cada investida ou 15% no
conjunto das investidas. Todavia, mesmo sendo relevante, tratando-se de
investimento em coligada, há que se observar se: a participação no capital da
investida é igual ou superior a 20%, ou, estando na faixa de 10% a 20%, se a
investidora tem influência na investida. A influência pode decorrer, por
exemplo, da possibilidade de nomeação do diretor presidente.

O dever de avaliar pela equivalência patrimonial, está no artigo 384 do Decreto


no 3.000/99 (RIR/99), onde determina que serão avaliados os investimentos
relevantes:

a) em sociedades controladas;

b) em sociedades coligadas, quando a participação for de 10 a 19,99% do


capital da investida, sendo que se deve ter influência na administração da
investida;

c) em sociedades coligadas, representando 20% ou mais do capital da


investida.

Também previsto no Parecer Normativo CST n.º 78/78, dispondo que os


investimentos relevantes e influentes em sociedades coligadas ou controladas
devem ser avaliados pelo valor de patrimônio líquido:
- nas sociedades anônimas,

- nas demais sociedades quando devam refletir-se no balanço de sociedade


anônima e

- nas sociedades em que o exija lei especial.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) exige das companhias abertas a


obediência a algumas regras particulares, no que se refere à execução da
equivalência patrimonial, conforme consta na Instrução CVM no 247/96.

IV - Da Contabilização do Resultado da Equivalência

O resultado a que se chegar, quer positivo ou negativo, deve ser contabilizado


para efeito de ajuste do valor apresentado na contabilidade da investidora.

Com base em balanço levantado pela empresa da qual se comprou as ações,


preferencialmente na mesma data da compra ou até dois meses antes, apurar
a equivalência patrimonial.

Apurado o valor patrimonial das ações, o contribuinte deverá contabilizá-lo


diretamente contra a conta de Investimentos e a diferença encontrada - ágio ou
deságio - deve ser contabilizada em subconta própria.

V - Registro do Resultado da Equivalência Patrimonial (REP)

D - Participação na Empresa "A" (Investimento - Não Circulante)


C - Equivalência Patrimonial Positiva (Receita)

Histórico: Contabilização do Resultado da Equivalência Patrimonial realizada


com base no Patrimônio Líquido de 31.12.XX da coligada "A"

VI – Legislação do Imposto de Renda

O artigo 389 do RIR/99 (Decreto n. 3.000/99) afirma que o ajuste contábil


decorrente da equivalência patrimonial não será computado na determinação
do lucro real, ou seja, se o resultado da equivalência for negativo (Despesa),
não será aceito como dedutível do Imposto de Renda, devendo ser adicionado
na Parte A do LALUR - Livro de Apuração do Lucro Real, e se, ao contrário, o
resultado da equivalência for positivo (Receita), não será considerado como
receita tributável, devendo em relação a este valor excluir na Parte A do
LALUR para efeito de base de cálculo do Imposto de Renda.

No que tange aos lucros e dividendos, o Parecer Normativo CST n.º 16/83
dispõe que quando distribuídos pela coligada ou controlada somente devem
ser diminuídos do valor de permanente da empresa investidora, quando nesse
valor estiverem computados em virtude de avaliação pelo método da
equivalência patrimonial.

Não há impedimento na legislação fiscal relativamente e apropriação contábil


de lucros ou dividendos pela investidora, mediante a constituição de provisão
para sua distribuição pela investida, quando analisamos dispositivos legais,
como o artigo 177 da Lei n.º 6.404/76 o artigo 389 e ss., do RIR/99 (Decreto
3000/99).

VII - Amortização do Ágio e Deságio da Equivalência Patrimonial

A amortização do ágio ou deságio na aquisição do investimento não é


computável na determinação do lucro real do período-base da amortização,
qualquer que tenha sido o fundamento econômico na constituição.

Será computado na apuração do lucro real no período-base da alienação ou


baixa do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração
comercial, salvo os computados na determinação do lucro dos exercícios
financeiros de 1979 e 1980, conforme art. 391 do RIR/99 (Decreto 3000/99).

Quando o contribuinte amortizar o ágio ou deságio na escrituração comercial,


sem que o investimento tenha sido alienado ou baixado deverá controlar o
montante amortizado no livro de apuração do lucro real (LALUR).

O ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência


patrimonial, não decorrente da diferença entre o valor de mercado de parte ou
de todos os bens do ativo da coligada e controlada, bem como o não
decorrente de expectativa de resultado futuro, deverá ser reconhecido
imediatamente como perda, no resultado do exercício, esclarecendo-se as
razões de sua existência.

Nos casos de extinção de investimento avaliado pelo método da equivalência


patrimonial, a baixa há que ser precedida do ajuste da equivalência.

As alterações procedidas pelos arts. 10 e 11 da Lei n° 9.718/98, suprimiram o


limite temporal de 10 anos para a amortização do ágio, inicialmente previsto no
art. 7°, inciso III, da Lei n° 9.532/97.

O ágio resultante do desdobramento do custo de aquisição de participação


societária avaliada pelo Patrimônio Líquido deve estar precisamente
fundamentado. As contrapartidas da amortização do ágio de que trata o art.
385 do RIR/99, decorrente de desdobramento do custo de aquisição de
participação societária avaliada pelo Patrimônio Líquido, não serão
computadas na apuração do lucro real e na apuração da base de cálculo da
contribuição social sobre o lucro líquido.
VIII – REGRAMENTO PREVISTO A PARTIR DE 01.01.2008

Por força da Lei no. 11.638/2007, a partir de 01.01.2008, a obrigatoriedade de


avaliar pelo método da equivalência patrimonial atinge os investimentos em
coligadas sobre cuja administração tenha influência significativa, ou de que
participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas
e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob
controle comum.

Para as sociedades de capital aberto, a Comissão de Valores Mobiliários –


CVM, regula a sistemática para este tipo societário através da Instrução CVM
no. 469/2008, cujas principais alterações elencamos a seguir:

a) os saldos das Reservas de Capital extintas oriundas de prêmio recebido na


emissão de debêntures e de doações e subvenções para investimento, que
poderão ser mantidos nas respectivas contas;

b) a manutenção do saldo da Reserva de Reavaliação até a sua efetiva


realização ou estorno, devendo, no caso de estorno, retroagir ao início do
exercício social;

c) destinação do saldo da conta de lucros acumulados para reservas de lucro


e/ou distribuição de dividendos;

d) proceder o ajuste a valor presente, aplicado às operações de longo prazo,


em qualquer situação, e às operações de curto prazo, quando houver efeitos
relevantes, com base em taxas de desconto específicas aos riscos dos ativos e
passivos;

e) efetuar a divulgação em nota explicativa das remunerações baseadas em


ações nas informações trimestrais e nas demonstrações financeiras, enquanto
não for emitida norma específica sobre sua contabilização; e,

f) conforme já mencionado, a mudança nos critérios para cálculo da


equivalência patrimonial de coligadas, que passa a considerar o percentual de
20% ou mais do capital votante em lugar de 20% do capital total, como na
regra anterior.

Ainda, cumpre esclarecer que a conversão das demonstrações contábeis de


empresas sediadas no exterior para a moeda de apresentação das
demonstrações contábeis no País, tem seu tratamento delineado no
Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) no.
02 – Mudanças das Taxas de Câmbio, bem como o IAS 21 (IASB) – The
Effects of Changes in Foreign Exchange Rates, relativamente às Normas
Internacionais de Contabilidade.
As Leis de no.s 11.638/2007 e 11.941/2009 (conversão da MP 449/2008)
trazem a necessidade que sejam observadas as novas redações concedidas
aos artigos 183, inciso II; 197, parágrafo 1º, inciso I; caput do 247 e seu
parágrafo único; 248 e incisos; e art. 256, incisos I e II “b”, todos da Lei no.
6.404/76.
Portanto, de acordo com a nova Lei 11.638/2007, foi eliminada a exigência do
critério de relevância para cálculo da equivalência patrimonial. Assim deverá
ser utilizado o método da equivalência patrimonial em cada controlada direta ou
indireta e nas coligadas caso tenha influência significativa.

IX - Influência Significativa

Considera-se que há influência significativa quando a investidora detém ou


exerce o poder de participar nas decisões das políticas financeira ou
operacional da investida, sem controlá-la.

É presumida influência significativa quando a investidora for titular de 20% ou


mais do capital votante da investida, sem controlá-la.

Deverão ainda ser avaliados pelo método da equivalência patrimonial os


investimentos em sociedades coligadas ou em controladas que façam parte do
mesmo grupo ou que estejam sob controle comum, ou seja, os investimentos
controlados por uma mesma pessoa jurídica ou física, ou por um conjunto de
pessoas físicas

Por fim, o resultado negativo de equivalência patrimonial terá como limite o


valor contábil do investimento, que compreende o custo de aquisição mais a
equivalência patrimonial, o ágio e o deságio não amortizados e a provisão para
perdas

X - LUCROS OU DIVIDENDOS DISTRIBUÍDOS PELA SOCIEDADE


COLIGADA OU CONTROLADA

Os lucros ou dividendos distribuídos pela sociedade coligada ou controlada


deverão ser registrados pela sociedade investidora como diminuição do valor
do patrimônio líquido do investimento e não influenciarão as contas de
resultado (§ 1º do art. 388 do RIR/99).

Assim, quando a sociedade investidora recebe lucros ou dividendos da


sociedade coligada ou controlada, a contrapartida do valor recebido será a
própria conta de investimentos da sociedade investidora.

XI - CONTRAPARTIDA DO AJUSTE DO VALOR DO INVESTIMENTO EM


SOCIEDADE COLIGADA OU CONTROLADA COM SEDE NO EXTERIOR
Os resultados da avaliação dos investimentos em sociedade coligada ou
controlada com sede no Exterior, pelo método da equivalência patrimonial
deverão ser computados na determinação do lucro real (art. 25 da Lei nº
9.249/95).

De igual forma se aplica, à contrapartida da amortização do ágio ou deságio na


aquisição e os ganhos de capital derivados de investimentos, em sociedades
coligadas ou controladas com sede no Exterior.

Destaque-se que os prejuízos e perdas decorrentes dessas operações não


poderão ser compensados com os lucros auferidos no Brasil (§ 4º do art. 25 da
Lei nº 9.249/95).

XII – JURISPRUDÊNCIA

AVALIAÇÃO DE INVESTIMENTOS EM SOCIEDADES CONTROLADAS


DEVER DE AVALIAR PELO VALOR DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO - À luz do
artigo 258, inciso I, do RIR/80, os investimentos em sociedades controladas
devem ser avaliados pelo valor do patrimônio líquido (método da equivalência
patrimonial), incorreto o procedimento do contribuinte que corrigiu o
investimento pelo valor de aquisição com base no artigo 349, § 3º do RIR/80. 1º
Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 103-20.306 em
06.06.2000. Recurso parcialmente provido. Publicado no DOU em: 11.08.2000.

EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL - ERRO POR INOBSERVÂNCIA DO


PERCENTUAL DE PARTICIPAÇÃO NO PATRIMÔNIO LÍQUIDO DA
COLIGADA – O erro na apuração da equivalência patrimonial por
inobservância da relação percentual no patrimônio líquido da coligada tem
efeitos tributários. Se o erro acarretou exclusão do lucro líquido, para apuração
do lucro real, maior que a devida, a diferença deve ser adicionada. 1º Conselho
de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101-92.967 em 27.01.2000 -
Publicado no DOU em: 14.03.2000.

AJUSTE CONTÁBIL DO VALOR DO INVESTIMENTO – Lucros ou dividendos


não nascem de ajuste da equivalência patrimonial para se creditarem à conta
de investimentos, se antes não tiverem constado da última avaliação do
patrimônio líquido da coligada ou controlada (Ac. 1º CC 101-79.258/89 -
Resenha Tributária, IR - Jurisprudência Administrativa 12.6, pág. 49).

Prof. Ideraldo Pires da Costa