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Agentes de reticulação

Uma das grandes vantagens dos termoplásticos é sua


possibilidade de se fundirem repetidas vezes – o que torna possível
a reciclagem destes materiais. Este, inclusive, é o motivo pelo qual
estes materiais, dentro do mundo dos polímeros, são os mais
expressivos em termos comerciais, quando comparados aos
termofixos – apelo ambiental.

Agora, algumas vezes, queremos fazer exatamente o oposto


– criar ligações cruzadas num termoplástico, exatamente como num
termofixo. A questão é: Por quê? Por que modificar um material
justamente em uma de suas principais propriedades e que, além de
tudo, ainda influencia todas as outras propriedades e seu impacto
ambiental?

Para começar a dar esta resposta, primeiramente é preciso


entender as diferentes características entre termoplásticos e
termofixos.

Termoplásticos x Termofixos
Na Figura 1 você pode ver uma representação da estrutura de
ambos os materiais. À esquerda a estrutura dos materiais
termoplásticos. As moléculas representadas pelas correntes
possuem dois tipos de ligação química: a ligação entre os elos da
corrente, representa as ligações covalentes entre os átomos de
carbono. Ligações fortes e difíceis de romper.

Figura 1 - Estrutura de um material termoplástico (à esquerda) e de um material termofixo (à direita)


Quebrar estas ligações significa reduzir o tamanho da
molécula e, portanto, degradar o material, diminuindo suas
propriedades. O segundo tipo de ligação é, na verdade, uma
interação físico química intermolecular. Uma força de atração que
mantém a coesão do material. Existem vários tipos para esta
interação como Força de Van der Waals, Ligações de Hidrogênio etc.

Este segundo tipo é o que nos interessa. São ligações que


podem ser desfeitas com a aplicação de energia (na forma de calor)
e reconstruídas com a retirada de energia (resfriamento). Este
processo pode ser repetido várias vezes – o que ilustra o
processamento dos polímeros e sua reciclagem.

Além disso, este tipo de interação molecular também permite


uma série de combinações de propriedades muito interessantes aos
termoplásticos como um melhor balanço entre rigidez e tenacidade
e boas características de alongamento. Contudo a resistência
térmica está limitada pelo ponto de fusão do material.

Já os materiais termofixos localizados à direita da Figura 1


possuem ligações covalentes entre as moléculas principais. Estas
ligações são formadas devido à presença de pontos reativos nas
moléculas do material que possuem as claras desvantagens
ambientais e em suas propriedades mecânicas (muito rígidos porém
pouco tenazes). Contudo, a resistência térmica dos termofixos é
excepcional. Como seria poder combinar as características de
ambos?

Agentes de reticulação
É exatamente a isso que se propõem os agentes de
reticulação. Prover uma estrutura de ligações cruzadas em
materiais termoplásticos de forma a combinar as propriedades
mecânicas interessantes desses materiais, expandindo os limites de
temperatura para, eventualmente, acima do ponto de fusão dos
mesmos.

A forma de realizar isto é criando pontos reativos nas


macromoléculas dos termoplásticos e, posteriormente, realizando a
ligação entre estas moléculas com ligações covalentes de mesma
natureza das ligações entre os átomos de carbono.

Existem diversos tipos de agentes de reticulação como


peróxidos, agentes de vulcanização como enxofre e até mesmo
radiação. Estes aditivos são incorporados aos materiais e, durante o
processo de moldagem ou num processo complementar (como no
caso da radiação) as ligações cruzadas são formadas.

Materiais e Aplicações
Dentre os materiais termoplásticos comumente reticuláveis
estão alguns elastômeros e o principal representante sendo o
polietileno. A aplicação mais usual de polietileno reticulado é o
recobrimento de fios e cabos elétricos para altas temperaturas.

Nestas aplicações, o polietileno mantém suas excelentes


propriedades de isolação elétrica e ainda ganha margem de uso sob
temperaturas mais elevadas do que as usuais para o PE não
reticulado.

Conclusões
Mesmo tendo uma das características mais valorizadas
atualmente – a reciclabilidade – os polímeros termoplásticos, vez ou
outra precisam passar pelo processo de reticulação com o objetivo
de expandir suas propriedades térmicas. Os aditivos chamados
agentes de reticulação são usados para esta finalidade e constituem
mais uma categoria importante de modificadores para polímeros.

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