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10º ano

DIMENSAO ESTÉTICA
1- EXPERIÊNCIA ESTÉTICA

Estética- Ocupa-se de todos os problemas e experiências ligados à nossa relação com objetos belos (incluindo
também o sublime e outras categorias estéticas), sejam naturais, sejam artísticos

Filosofia da arte- por uns encarada como uma subdivisão da estética, por outros como uma disciplina diferente,
embora com elementos comuns àquela, ocupa-se do âmbito artístico

Arte- modo de produção de beleza ou, pelo menos, de algo que possa fixar a nossa atenção e a nossa sensibilidade
estética, seja isso considerado belo ou não

Experiência estética- designa tudo o que o sujeito pensa, sente, perceciona na sua relação com o mundo e consigo
próprio

Características da experiência estética


Surge como experiência de uma emoção perante a obra de arte
Não está a serviço de resultados práticos
Refere-se ao contacto formador do eu com as coisas em geral
É marcada pelo desinteresse utilitário
Traduz um prazer puramente contemplativo
Possui uma finalidade e um valor em si mesma

Podemos ter uma experiência estética ao:

- Contemplar os seres e as coisas da


natureza
- Contemplar uma obra de arte
- No processo de criação artística

Uma obra de arte é um dos modos de exprimir a contemplação da beleza natural e, com a sua sensibilidade,
riqueza de emoções, reflexões, imaginação e talento, o artista engendra racionalmente a harmonia e beleza das obras

Kant defende que quando contemplamos a natureza ou uma obra de arte, o prazer daí resultante é desinteressado

2- O JUIZO ESTETICO
Juízo estético- é um juízo de valor ou de apreciação relativamente ao belo, ou às categorias que lhe são afins
ex: Os quadros de Picasso são belos

não deve ser confundido com:

juízos científicos- alusivos a factos e teorias sobre factos ligados à dimensão


lógica, racional e objetiva

juízos práticos- juízos de valor associados às decisões morais


• RELAÇAO DO BELO E AS CATEGORIAS ESTETICAS (O SUBLIME E O HORRIVEL)
Horrível- aquilo que causa medo, que gera repugnância. Sucedem fenómenos da natureza catastróficos que apesar de
horríveis podem ser considerados belos- belo horrível

Sublime- tudo o que possua uma dimensão de certo modo inexprimível, por causa da sua grandeza

Kant

O belo assume um carácter finito

O sublime assume um carácter infinito, incomensurável e inacabado

3- OBJETIVISMO E SUBJETIVISMO ESTÉTICOS


Há filósofos que defendem a ideia de que o belo é independente do sujeito (Objetivismo estético), enquanto por
outro lado há filósofos que acreditam que a beleza depende do sujeito (Subjetivismo estético)

Objetivismo estético Subjetivismo estético


O belo não depende dos gostos ou dos O belo depende dos gostos, preferências e
sentimentos pessoais sentimentos pessoais

O juízo segundo o qual algo é belo baseia-se em O juízo segundo o qual algo é belo decorre
características ou propriedades dos objetos, exclusivamente da sensibilidade do sujeito
efetivamente existentes neles perante um determinado objeto

Apesar de nem todos concordarem Como nem todos concordam relativamente à


relativamente à beleza de algo, existem critérios beleza de algo, então só os critérios subjetivos
objetivos que permitem dizer que algo é belo é que permitem dizer se algo é belo

A beleza está presente nas próprias coisas- o A beleza está nos olhos de quem a vê- o juízo
juízo relativo ao belo é objetivo relativo ao belo subjetivo

Platão e Beardsley Kant e David Hume

• OBJETIVISMO ESTÉTICO

Platão

Doutrina principal:

Teoria das ideias- as ideias são objetos de conhecimento que


permitem avaliar coisas do mundo sensível.

As coisas se são belas apenas o são porque participam da


Beleza em si

O processo de ascensão á beleza faz parte do processo de libertação


da alma. Esta ascensão faz-se através do amor
Para Platão a arte é imitação de uma imitação e assim trata-se de não ser uma boa fonte de
conhecimento moral pois pode constituir um mau guia de conduta.
Para estes filósofos nas obras existem propriedades objetivas que nos permitem dizer que umas são
belas e outras não.

Beardsley

para avaliarmos uma obra de arte esteticamente devemos adotar o ponto de vista
estético. Há outros pontos de vista moral, social, político, etc… irrelevantes na
avaliação das obras de arte

• SUBJETIVISMO ESTÉTICO

David Hume

o que interessa na arte é a sua agradabilidade, ligada a um


sentimento e não a qualquer propriedade da obra

Existe uma grande diversidade de indivíduos e cultura logo


existe uma grande diversidade de gostos individuais

Apesar da diversidade e da arte ser relativa, existe um


padrão de gosto.

Padrão de gosto- princípios gerais relativos áquilo


que, no âmbito da arte, é digno de aprovação e aquilo
que o não é.

Kant

o juízo estético é um juízo subjetivo pois depende da maneira como o sujeito


sente o objeto que perceciona e aprecia e é por ele afetado

Porém não devemos confundir o belo com o agradável

Agradável- refere-se àquilo que causa uma sensação de bem-estar (a beleza


pode ou não estar presente)

Beleza- quando dizemos que algo é belo ou feio não nos estamos a referir ao
seu interesse pratico, mas sim pela satisfação que nos dá ou desprazer.
Logo algo belo algo apraz ou que agrada universalmente sem conceito

O juízo estético não se reduz a uma simples inclinação pessoal. Só dizemos


que algo é belo se achamos que tem direito e mérito

Kant e Hume negam que o belo exista como uma ideia separada ou como uma propriedade inerente ás coisas
4- TEORIAS DA ARTE
Diversos filósofos tentam responder a perguntas como “o que é a arte” procurando encontrar critérios ou
parâmetros

Teorias essencialistas- teorias que defendem a existência de propriedades essenciais (ou intrinsecas) comuns a todas
as obras de arte

Teorias não essencialistas- teorias que defendem a impossibilidade de definir a arte a partir de um conjunto de
propriedades essenciais, apresentando relações baseadas em propriedades relacionais (ou extrínsecas)

• TEORIA DA ARTE COMO IMITAÇAO


Filósofos- Aristóteles e Platão

Platão

a imitação é uma mera criação de imagens o artista produz algo que


copia um determinado objeto, o que por sua vez é uma aparência.

Visto que a verdadeira essência do objeto se encontra no mundo inteligível (mundo


de ideias), sendo o objeto, situado no mundo sensível, uma imitação da sua essência
o artista está então a imitar uma imitação.

Aristóteles

As artes distinguem-se entre si pelos meios usados para pintar, pelos objetos que
imitam, e pelo modo de imitação desses objetos

Segundo esta conceção o propósito da arte é imitar e reproduzir os objetos, as pessoas e as ações tal como
estas existem

Críticas
• Segundo Hegel esta teoria reduz a arte a uma caricatura da vida, que não serve de
produto criativo pois limita-se a mostrar habilidade técnica
• Muitos objetos e criações humanas não se reduzem a meras imitações, pois há quadros,
poemas etc… que não se limitam a copiar o real por isso ou excluímos esta teoria ou
excluímos esses objetos como sendo arte

• Há autores que dizem que a arte não é uma imitação da natureza, mas tem de ser uma
transfiguração do real, o artista tem de deixar a sua marca pessoal criando novas formas
por ex.

• Inevitavelmente acaba-se por inferiorizar o belo artístico relativamente ao belo natural.

Há filósofos que consideram que a arte mais que uma imitação é uma representação. Se toda a imitação é
representação, nem toda a representação é imitação. O conceito de teoria da representação engloba toda a arte que a
teoria da imitação exclui

Objeção: há obras que para alem de não serem uma imitação também não são uma representação
• TEORIA DA ARTE COMO EXPRESSAO

O valor da arte reside no prazer que ela proporciona e que a


sua natureza reside na expressão da emoção

Mas o ato de uma obra de arte provocar emoção no espectador não é prova de
que ela exprime a emoção do artista, no entanto esta forma de encarar a arte
como expressão de emoções denomina-se de expressionismo

A verdadeira arte é aquela que:


- É um meio de comunicação e relação entre pessoas
- É um meio de transmitir emoções pelo que pressupõe que elas estejam presentes no artista.
Exige-se que haja clareza de expressão na transmissão de sentimentos e emoções.
- Leva o espectador a experimentar sentimentos e emoções idênticos àqueles que o artista
experimentou e que transmite na sua obra

- autenticidade e sinceridade por parte do artista na expressão dos seus sentimentos


(sentimentos individuais que contagiam o recetor)

Através da arte o artista corporiza as suas emoções e transmite-as ao público para provocar-lhes estas mesmas
emoções.

Críticas
• Parece estabelecer a priori que a produção artística tem origem na experiência emocional,
quando talvez existam outros fatores e condições causais que levam à criação de obras de
arte. (inclusive alguns artistas negaram que a emoção comandasse os seus trabalhos)

• mesmo que se admita que a emoção está na base da criação o momento em que o artista
cria a sua obra não coincide com o do estado emocional que a motivou (o artista é um
fingidor)

• esta teoria parece admitir que a qualidade das obras decorre das condições emocionais
que as originam, quando o mérito da obra está sobretudo na harmonia interna

• Uma obra de arte pode suscitar todo o tipo de emoções mesmo que tal emoção não seja
a emoção que o artista queria transmitir

• TEORIA FORMALISTA DA ARTE

Esta teoria assenta na ideia de que a emoção estética desencadeada no espectador pelas
verdadeiras obras de arte decorre de uma qualidade que tais obras possuem: forma significante

Esta qualidade diz respeito á relação existente entre as partes

Existe uma qualidade comum ás obras de arte

Segundo esta teoria todas as verdadeiras obras de arte são dotadas de uma forma
significante que lhe confere um determinado estatuto. Esta forma significante é
indefinível, sendo reconhecida pelos críticos mais sensíveis
Críticas
• Esta teoria parece assentar num argumento circular- refere que a emoção estética resulta
de uma propriedade destinada a desencadear essa emoção no espectador sendo
esta diferente da emoção experimentada diante a beleza natural

• A não possibilidade de refutação caso uma pessoa, por exemplo, disser que não sente
emoção estética perante uma obra de arte, neste caso os defensores da teoria diriam que
a pessoa está enganada;

• TEORIA INSTITUCIONAL DA ARTE

Esta teoria considera que existem dois aspetos comuns a


todas as obras de arte sendo eles:

Todas as obras são artefactos, isto Todas as obras de arte possuem o


é, sofrem manipulação por parte de estatuto de obras de arte porque
alguém. Uma simples exposição de este lhes é conferido por pessoas
qualquer objeto pode ser um passo (ligadas á esfera artística) que
para considerar esse objeto uma detêm autoridade
obra de arte

ser artefacto é uma condição necessária para que algo seja considerado obra de
arte, mas não suficiente (pois assim todos os artefactos eram obras de arte)

Críticas
• Esta teoria não permite distinguir a boa ou má arte, pois afirma que algo é arte apenas
através da classificação sem avançar qualquer apreciação valorativa.

• Trata-se de uma teoria circular, uma vez que defende que arte é só aquilo que um grupo
restrito decide considerar como tal

• Deve haver razoes para se escolher um artefacto e não outros. Se há razoes são essas a
definir o que é arte ou não, dispensando esta teoria.

• TEORIA HISTÓRICA DA ARTE

Esta teoria sublinha que a arte é um fenômeno inteiramente dependente da sua


história

A definição de arte que Levinson pretende atribuir é feita com base nas propriedades
não visíveis das obras de arte

Condições necessárias e conjuntamente suficientes para algo ser considerado obra de arte:
- Direito da propriedade sobre o objeto: o objeto é nosso ou temos o direito de o usar como tal. Assim nem tudo é
uma obra de arte
- a intenção seria ou não passageira que um objeto seja visto como obra de arte: que sejam vistas como são as
obras de arte do passado.
Críticas
• É discutível que a condição de direito de propriedade seja uma condição necessária se
admitirmos que um artista tiver pintando um quadro, mas não tiver pago as tintas, aí
coloca-se em questão se estamos ainda perante uma obra de arte

• A condição relativa á intenção também pode não ser necessária. Por exemplo, há artistas
que não tiveram a intenção que as suas obras fossem vistas como obras de arte.

• Esta teoria não responde á questão do que é que muda no objeto quando este se
transforma em obra de arte

• CONCLUSAO
A própria arte não pode ser definida pois não é possível estabelecer as condições necessárias e suficientes para
que tal aconteça

É um erro procurar-se um denominador comum em obras de arte. O conceito de arte é um conceito aberto que
se encontra em sintonia com a criatividade artística

Privilegia-se a ideia de parecença familiar.

Objeção: se existe parecença familiar então já há um denominador comum ás obras de arte

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