Você está na página 1de 9

SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

HISTÓRIA

SERNÍZIA DE ARAÚJO CORREIA


JOSINETE GOMES DE AMORIM LIMA
MAIQUE COELHO DA ROCHA
MARIA BERNADETE DE LIMA TORRES
MARIA FLEDINA CAVALCANTE DA SILVA

A DITADURA MILITAR NO BRASIL


E A MÚSICA COMO RECURSO DE ENSINO

Cruzeiro do Sul
2013
SERNÍZIA DE ARAÚJO CORREIA
JOSINETE GOMES DE AMORIM LIMA
MAIQUE COELHO DA ROCHA
MARIA BERNADETE DE LIMA TORRES
MARIA FLEDINA CAVALCANTE DA SILVA

A DITADURA MILITAR NO BRASIL


E A MÚSICA COMO RECURSO DE ENSINO

Trabalho Interdisciplinar Grupal apresentado a


Universidade Norte do Paraná – UNOPAR – Pólo de
Cruzeiro do Sul/Acre.

Prof. Fabiane Taís Muzardo


Profª. Cyntia Simione França
Prof. Julho Zamariam
Prof. Reinaldo Nishikawa
Prof. Fábio Luiz da Silva
Profª. Taíse F. C.Nishikawa

Cruzeiro do Sul
2013
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...........................................................................................................3

2 DESENVOLVIMENTO...............................................................................................4

3 CONCLUSÃO ......................................................................................................... 7

REFERÊNCIAS ...........................................................................................................8
3

1 INTRODUÇÃO

O regime militar foi um período único da História do Brasil. Um momento


consequente das relações de poder instáveis, foi a partir dele que começaram a
delinear novas situações que marcaram a nação, o povo e suas instituições. É o
entremeio da historiografia brasileira que precisa ser compreendida por todos,
inclusive pelos nossos alunos que retornando no tempo poderão perceber o porquê
de tudo e que “nada acontece por acaso”.
. Este tema aborda um período resultante das condições sócio-políticas do
Brasil da época e revela que apesar da tentativa de silenciar, de reprimir as
liberdades individuais e coletivas houve muita oposição e a luta por eleições diretas
começou a ocorrer neste período.
Durante muito tempo a história oficial ocultou isso e muitos acreditaram
fielmente que este momento histórico tenha sido a época do “chorar em silêncio”,
portanto é possível mostrar que muitos “choraram gritando” e à medida que faziam
assim, acreditavam que “amanhã seria outro dia”.
O ensino de História através da utilização de canções tem o objetivo de
despertar nos educandos a compreensão das contradições, o posicionarem-se de
forma crítica, de modo que, eles possam agir com perseverança na construção da
cidadania, reconhecendo a música como importante fonte história para a produção
do conhecimento histórico.
4

2 DESENVOLVIMENTO

O Regime Militar foi instaurado pelo golpe de Estado de 31 de


março de 1964 e estendeu-se até a abertura política, em 1985. É marcado por
autoritarismo, supressão dos direitos constitucionais, perseguição policial e militar,
prisão e tortura dos opositores e pela censura prévia aos meios de comunicação.
Neste sentido notamos a enorme responsabilidade do professor que
deve conduzir a preparação dos seus alunos através de uma transmissão adequada
e objetiva de conhecimentos e valores. Adequada de modo que tenha relação com
a realidade e objetiva que almeje um fim qualitativo que seja a aprendizagem.
Para chegar a um fim o docente precisa planejar os meios que
possibilitarão um ensino efetivo e eficaz para o sucesso da aprendizagem de todos.
Entre os meios ou recursos para efetivar a aprendizagem destaca-se a observação
e análise de letras de músicas, atentando para a observação de mensagens
implícitas ou explícitas que corrobore o contexto histórico estudado no momento,
neste caso, a Ditadura Militar no Brasil
Neste contexto, a Canção de Chico Buarque: Apesar de Você,
composta no período da Ditadura, apresenta críticas severas ao momento
vivenciado.

Letra da Música: Apesar de Você (Chico Buarque)

Hoje você é quem manda Esqueceu-se de inventar


Falou, tá falado O perdão
Não tem discussão Apesar de você
A minha gente hoje anda Amanhã há de ser
Falando de lado Outro dia
E olhando pro chão, viu Eu pergunto a você
Você que inventou esse estado Onde vai se esconder
E inventou de inventar Da enorme euforia
Toda a escuridão Como vai proibir
Você que inventou o pecado Quando o galo insistir
Em cantar
5

Água nova brotando Sem lhe pedir licença


E a gente se amando E eu vou morrer de rir
Sem parar Que esse dia há de vir
Quando chegar o momento Antes do que você pensa
Esse meu sofrimento
Apesar de você
Vou cobrar com juros, juro
Amanhã há de ser
Todo esse amor reprimido
Outro dia
Esse grito contido
Você vai ter que ver
Este samba no escuro
A manhã renascer
Você que inventou a tristeza
E esbanjar poesia
Ora, tenha a fineza
Como vai se explicar
De desinventar
Vendo o céu clarear
Você vai pagar e é dobrado
De repente, impunemente
Cada lágrima rolada
Como vai abafar
Nesse meu penar
Nosso coro a cantar
Apesar de você Na sua frente
Amanhã há de ser
Apesar de você
Outro dia
Amanhã há de ser
Inda pago pra ver
Outro dia
O jardim florescer
Você vai se dar mal
Qual você não queria
Etc. e tal
Você vai se amargar
La, laiá, la laiá, la laiá
Vendo o dia raiar

A música composta por Chico Buarque em 1970 apresenta uma


crítica implícita à ditadura militar, tendo sido censurada e posteriormente liberada
após oito anos. Esta música Chico Buarque a fez pensando no general Médici, e sua
figura repressora após a implantação do AI 5 que proibia todo tipo de liberdade de
expressão. É possível observar uma estreita relação entre o ritmo da música e a sua
letra, através do tom usado em ritmo de desabafo sendo mais elevado a cada
repetição, como a desejar usar a liberdade de expressão e manifestação de ideias e
opiniões. Ao analista atento a observação da letra associada ao ritmo utilizado
traduzirá a manifestação de revolta e insatisfação com o contexto vivido,
6

demonstrado claramente a intencionalidade da letra e canção.


Em alguns trechos é possível perceber críticas à política ou a
sociedade da época, como: “Hoje você é quem manda, falou tá falado, não tem
discussão”, referindo a situação política da época e dirigindo ao ditador em questão,
fazendo veemente contestação de forma implícita, mas bastante clara para as
pessoas na época, dirigindo ao General como “você”. Ainda na estrofe, “apesar de
você amanhã há de ser outro dia”, retratando a esperando de toda a sociedade da
época que lutava pelo direito a expressar-se e pelas diretas já.
As críticas estão descritas implicitamente, no entanto, a canção foi
reprovada pela censura que a vetou de publicação.
A utilização da canção para o protesto na época deve-se ao fato da
criação do AI 5 pelo presidente Emílio Garrastazu Médici, que proibia qualquer
liberdade de expressão.
A Ditadura Militar no Brasil tem estreita relação com a Guerra fria no
cenário internacional. Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos, do sistema
capitalista, temia o crescimento do seu principal inimigo, a União Soviética,
socialista. Como solução, o governo estadunidense resolveu implantar ditaduras
militares na América Latina, a fim de impedir o socialismo nos países. Porém, no
Brasil não foi diferente: houve o golpe militar, seguido da ditadura, todos apoiados
pelo país Americano.
7

CONCLUSÃO

O trabalho aqui concluído cujo tema foi a realização da análise de


uma fonte histórica do período da Ditadura Militar no Brasil, teve o objetivo de
perceber a canção como fonte história para análise de um período histórico,
entender os principais acontecimentos do período da Ditadura Militar e desenvolver
relações entre o contexto histórico brasileiro e internacional, associando o período
da ditadura com a Guerra Fria, fazendo ainda, uma reflexão sobre a prática de
ensino de história e as relações de poder e cidadania presentes no momento
histórico relacionado.
A utilização de canções para documentos históricos que revelam
situações vivenciadas no período, seja de crítica, protesto ou mesmo como forma
de compactuar com a situação, é extremamente relevante no ambiente de sala de
aula, pois proporciona a leitura de mundo do contexto vivenciado, a interpretação e
análise a partir do conhecimento já apreendido pelo educando.
A atividade aqui realizada foi imensuravelmente relevante por nos
adentrar na “poesia” da história construída através da vivencia da própria História do
Brasil.

.
8

REFERÊNCIAS

DEMO, Pedro. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 1999.

CASA GRANDE JÚNIOR, Dirceu. História do Brasil IV. São Paulo: Pearson Prentice
Hall, 2010.

JÚNIOR, Alfredo Boulos. História, Sociedade & Cidadania – 9º ANO. São Paulo:
FTD, 2009.

NISHIKAWA, Taise Ferreira da Conceição. Metodologia da pesquisa Científica.


São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Biblioteca Central. Normas para


apresentação de trabalhos. 2. ed. Curitiba: UFPR, 1992. v. 2.

VICENTINO, Cláudio. História Projeto Radix – 9º ano. São Paulo: Scipione, 2010

Você também pode gostar