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Universidade de Brasília

Faculdade de Tecnologia
Departamento de Engenharia Mecânica

Alunos: Gabriel Julião Mattos de Carvalho - 16/0121175


Gustavo Faber de Almeida Rosa – 16/0123569
Disciplina: Tecnologia Mecânica 2 – Turma A
Laboratório: Conformação por forjamento e metalografia
Data de Realização: Parte 1 - 17/04/2019
Parte 2 - 24/04/2019
Local: SG – 09
1.​ I​ ntrodução Teórica
a. F
​ orjamento

O forjamento é um processo de conformação mecânica no qual modificam-se a


geometria, as dimensões e as propriedades mecânicas de um corpo metálico pela ação de
tensões compressivas diretas, como martelamento e prensagem. Durante esse processo, o
material tende a adquirir o contorno ou perfil da ferramenta de trabalho, que apresenta
superfície plana ou côncava, denominada matriz ou estampo.
As operações de forjamento costumam ser realizadas a quente, mas para peças
pequenas, como parafusos e engrenagens, podem ser a frio. A matéria-prima que sofrerá o
forjamento deve ser previamente fundida ou laminada e, após o processo, deve passar por
operações de acabamento, tanto para se obter as dimensões desejadas (por usinagem) quanto
para atingir as propriedades mecânicas ideais (por tratamento térmico).
O processo de forjamento pode ser classificado de três maneiras:
- quanto a temperatura de trabalho: a quente, a frio ou morno;
- quanto a geometria das matrizes: matriz aberta ou fechada;
- quanto ao equipamento de forja: prensa ou martelo.
O forjamento a frio possibilita a fabricação de peças com grande precisão
dimensional, além de geometrias complexas e com acabamento próximo ao final desejado
para a peça. Como nesse tipo de forjamento não resulta em perda de material, a quantidade de
matéria-prima requerida é menor. Outra vantagem do forjamento a frio é a melhoria das
propriedades mecânicas, como dureza, devido ao encruamento resultante da conformação.
Uma grande desvantagem do forjamento a frio é a necessidade de maquinário pesado e
poderoso, o que leva a materiais de alto custo.
Por outro lado, tem-se o forjamento a quente. Muitos metais e ligas possuem esse
processo como a etapa inicial do forjamento. Como é realizado em altas temperaturas, há o
decréscimo na energia necessária para deformar o material e também o aumento na
capacidade do metal escoar sem que ocorram trincas. O forjamento a quente possui muitas
desvantagens, como grãos finos na superfície enquanto o núcleo apresenta grãos grosseiros.
Além disso, pelo fato da deformação ser maior nas camadas superficiais, peças forjadas a
quente costumam apresentar estrutura e propriedades não uniformes. Outra importante
desvantagem é a perda de material e propriedades que decorrem da descarbonetação e
oxidação, consequências das reações existentes entre a superfície do metal e a atmosfera do
forno.
Em relação a geometria das matrizes, o forjamento pode ser em matriz aberta ou
fechada. No primeiro caso, as matrizes não restringem o movimento lateral do metal que está
sendo comprimido e possuem geometria simples. Já o forjamento em matriz fechada
possibilita maiores complexidade e precisão nas peças produzidas e o metal é deformado
entre duas matrizes, cuja forma é assumida pelo material, havendo restrições ao seu
espalhamento.
No forjamento a lubrificação é uma característica importante, já que é responsável
pela prevenção de defeitos característicos desse processo, além de auxiliar em vários aspectos
do forjamento. Alguns efeitos da lubrificação, principalmente em matriz aberta, são a redução
do atrito entre a matriz e o material; isolante térmico que reduz a troca de calor a fim de
minimizar a variação da temperatura na superfície da matriz; eliminação da carepa e outras
impurezas; ausência de poluentes ou componentes tóxicos e a não produção de fumaça.
Na microestrutura a influência do forjamento depende da temperatura em que ele é
realizado. O forjamento a frio provoca o encruamento do metal, ocasionado pela interação
das discordâncias entre si e com outras barreiras, como contornos de grãos, que impede o seu
movimento através da rede cristalina. A deformação plástica também produz um aumento no
número de discordâncias, que resultam num elevado estado de tensão interna. Esses pontos
proporcionam o aumento da resistência e da dureza e a redução do material.
Já no forjamento a quente os processos de recuperação e recristalização ocorrem
simultaneamente com a deformação, aliviando o encruamento. Além disso, o metal possuirá
grãos recristalizados de menor tamanho na superfície. Esses pontos levam ao aumento da
ductilidade e tenacidade, mas na redução da dureza.

b. ​Metalografia
Utilizam-se ensaios metalográficos para analisar as características tanto de estrutura
quanto de constituição de elementos de metal e de suas ligas, com o objetivo de relacioná-los
a suas propriedades químicas, mecânicas e físicas.
O ensaio de dureza Brinell consiste na perfuração do material com uma esfera de aço
ou metal duro (para metais muito duros, pode ser utilizado uma esfera de carboneto de
tungstênio), com 2,5 mm de diâmetro, com uma carga de 62500 N, mas que pode ser
reduzida de acordo com o material. Nesse teste, a carga total é aplicada durante um certo
tempo (10 a 15 segundos no caso de ferro fundido ou aço e no mínimo 30 segundos para
outros materiais) e a determinação da dureza é feita com base no diâmetro da impressão, que
é medido com base em duas leituras tomadas em ângulo reto.
Esse método de dureza baseia-se na norma NBR NM 187 e apresenta algumas
vantagens em relação aos outros ensaio de dureza. Ele possibilita uma medição bem precisa,
por abranger uma porção maior de material, e é o melhor método para a medição da dureza
macro-dureza de um material, especialmente para materiais com estruturas heterogêneas.
Para a análise metalográfica, uma amostra tem que passar por etapas de preparação.
Inicialmente, ela é cortada e embutida em uma resina de poliéster ou baquelite. Em seguida, a
superfície da amostra é lixada com lixas com granulometrias que aumentam gradativamente e
polida com pasta de diamante ou solução de óxido de alumínio. Então, realiza-se um ataque
com reagente químico, com o objetivo de desobstruir a visão das fases e evidenciar a
microestrutura presente. Por fim, a amostra tem sua microestrutura analisada com o auxílio
de um microscópio óptico antes e depois da realização do ensaio da dureza Brinell.
2.​ P
​ rocedimento Experimental

a. Forjamento do alumínio comercial em matriz aberta


Inicialmente foram medidas as dimensões do corpo de prova, diâmetro e altura, antes
do processo de conformação. Então, a matriz foi lubrificada e o corpo de prova instalado na
prensa. Realizou-se a aplicação de carga e as dimensões foram novamente medidas, com a
repetição da medição do diâmetro, com o intuito de observar sua irregularidade devido ao
abaulamento. O mesmo processo foi repetido, porém sem lubrificar a matriz.
b. ​Forjamento manual do vergalhão de aço CA 50
Para o forjamento manual foram utilizados dois vergalhões de aço CA 50 como corpo
de prova. O primeiro foi forjado a frio e o outro a quente.
No forjamento a frio foram aplicadas repetidas cargas com uma martelo até que o
corpo fosse deformado. Já no forjamento a quente, aqueceu-se o corpo de prova com um
maçarico com chama oxiacetilênica a uma temperatura acima de 800 ºC (temperatura de
recristalização). Então, as cargas foram aplicadas até a deformação do vergalhão, mantendo a
temperatura acima de 800 ºC. Ao final do processo, o corpo de prova foi resfriado à
temperatura ambiente.
Medidas:

c. ​Análise metalográfica
Como já detalhado anteriormente, as amostras são cortadas, embutidas em resinas,
lixadas e passam por um ataque químico, para então sofrerem a perfuração que possibilitará a
medição da dureza. Por fim, com o intuito de analisar a microestrutura, a amostra é colocada
em um microscópio óptico, que possibilita a observação dos grãos tanto antes quanto depois
da aplicação de carga.
3.​ R
​ esultados e Discussão

a. Dados Experimentais
Medidas iniciais do cilindro de alumínio:

imagem 1
Medidas após o forjamento com graxa:

​imagem 2
Medidas após o forjamento sem graxa:

​ imagem 3
Análise metalográfica dos metais
Aço sem deformação:

Aço deformado a quente, em 500x:

Aço deformado a frio, em 500x:


Alumínio deformado a frio:

b. Análise dos Resultados e Discussão

Foram analisadas o forjamento em matriz aberta do alumínio com a utilização sem


graxa e com graxa. Percebe-se, pelos dados obtidos, que parte da energia utilizada na
compressão sem graxa do alumínio é convertida para vencer a força de atrito, devido a
rugosidade. Por este motivo, o centro do alumínio fica mais abaulado.
Com relação a deformação do aço, percebe-se que os grãos cristalinos ficam
achatados mais perto do local onde foram sofridas as compressões a frio. Além disso, por
aumentar as discordâncias, percebe-se um aumento da dureza, efeito conhecido por
encruamento.
Para o cálculo da pressão média necessária, foi utilizada a seguinte equação:

[( ) ( ) ],
μD
h 2 h
p = 2Y . μD . eh − 1 − μD

onde:
p = pressão média
Y = limite de escoamento
h = altura do cilindro
D = diâmetro do cilindro
μ = coeficiente de atrito entre a matriz e o metal.
Como limite de escoamento, foi utilizado o valor do alumínio comercial 3003-H112,
igual a 41 MPa. A altura é de 20,9 milímetros e o diâmetro de 24,4 milímetros. Assumiu-se,
também, um coeficiente de atrito de 0,1, próximo do valor da graxa, que foi utilizada como
lubrificante. O resultado da pressão média é:
p = 43, 68 M P a .
Pelas imagens tiradas do microscópio, é possível perceber que o aço deformado a frio
possui grãos mais alongados, enquanto o forjado a quente apresenta grãos menores. Como foi
citado na ​imagem 1,​ o aço deformado a frio apresenta maior dureza, igual a 213,4 HB,
enquanto o deformado a quente possui dureza de 133,8 HB. Isso decorre da diferença no
tamanho e formato dos grãos na microestrutura do material, que variam de acordo com a
temperatura na qual o processo é realizado.
4.​ C
​ onclusão

A partir da análise dos resultados, pode-se concluir que o experimento alcança as


expectativas e apresenta o que se esperava. O forjamento a frio, a partir do encruamento no
corpo de prova, resulta no aumento da dureza, enquanto o forjamento a quente apresenta a
redução dessa característica.
Existem outros pontos que podem ser ressaltados, como, por exemplo, o maior
esforço que deve ser aplicado no martelamento a frio em comparação ao martelamento a
quente. Além disso, é possível notar que, durante o martelamento a frio, a peça apresentou
um aumento na temperatura. Isso é resultado da energia de deformação, que é utilizada para
deformar e, em seguida, é dissipada em forma de calor.
5.​ R
​ eferências Bibliográficas

[​1​]
VICENTE CHIAVERINE ​Tecnologia Mecânica. ​4ª Ed, Vol, I, II, III. São Paulo:
McGraw-Hill, 1986
[​2​]
ETTORE BRESCIANI F. et al. ​Conformação Plástica dos Metais. ​2ª Ed. Vol. I e II. São
Paulo: Unicamp, 1985.
[​3​]
SEROPE KALPAKJIAN STEVEN R. SCHMID ​Manufacturing Engineering and
Technology. ​4ª Ed. New York: Prentice-Hall, 2000.

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