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MANUAL DE APOIO

Código da Unidade (se aplicável): Carga horária:


4278 25 horas

Curso/Unidade: Formador/a:
Animador – perfil e estatuto profissional Inês Mendes

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ÍNDICE
Introdução ......................................................................................................................................................................4
Objetivos ......................................................................................................................................................................5
Conteúdos programáticos ...........................................................................................................................................5

1. Animador e cultura …………………………………………………….……………………………………………………………………………………………6

1.1.1O que é a animação? ……………………………………………………………………………………….……………………………………………..6

1.1.2O que é o lazer? …………………………………………………………………………………………………………………..………………………….8

2. Animador sociocultural………………………………………………………………………....…………………………………..………………………… 10

2.1.1Perfil do animador…………………………………………………………………………………………………………………………….…………. 14

2.1.2Características do animador ………………………………….………..........................................................................…….16

3. Perspetivas profissionais do Animador Sociocultural……………………………………….....……………………..………………………… 17

4. A formação do Animador Sociocultural como estratégia de valorização e atualização.……………………………….....……… 20

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OBJETIVOS
Objetivos Gerais:
• Reconhecer o papel do animador como facilitador do desenvolvimento de diferentes
competências nos indivíduos/grupos com quem desenvolve o seu trabalho.

• Reconhecer o Estatuto do Animador Sociocultural, categorias profissionais e níveis de


formação (Associação Nacional de Animadores Socioculturais- ANASC).

• Reconhecer a importância da formação contínua por parte do Animador Sociocultural.

Objetivos Específicos:
• O formando deve ser capaz de identificar, sem recurso ao manual de apoio em 10 minutos,
o papel u funções do animador;

• O formando deve ser capaz de identificar, sem recurso ao manual de apoio em 10 minutos,
o perfil de competências do animador;

• O formando deve ser capaz de identificar, sem recurso ao manual de apoio em 10 minutos,
as perspetivas profissionais do animador;

• O formando deve ser capaz de identificar, sem recurso ao manual de apoio em 10 minutos,
a formação como estratégia de valorizaçao para o animador.

Conteúdos programáticos

• Papel e funções do Animador Sociocultural.

• Perfil de competências do Animador Sociocultural.

• Perspetivas profissionais do Animador Sociocultural.

• A formação do Animador Sociocultural como estratégia de valorização e atualização.

• Reflexão individual e grupal: deveres e direitos, aptidão e vocação.

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Introdução

A figura do animador desempenha um papel central no método da animação. É ele quem assume a
responsabilidade de promover a vida do grupo através do uso dos instrumentos que dinamizam as pessoas
envolvidas por este método.
Para que desempenhe eficazmente as suas funções, existem três áreas fundamentais que o animador deve ter
em conta: o ser, o saber e o saber-fazer.
- O ser, é constituído pela sua identidade pessoal
- O saber, refere-se aos conhecimentos que deve possuir para desempenhar convenientemente a sua tarefa
formativa. Além disso, um animador, conforme a área específica do seu desempenho, terá uma formação
consoante o seu sector, o contexto e o conteúdo respectivos.
- O saber-fazer, reporta-se à metodologia que usa para dar vida ao grupo que anima, a qual é sempre o reflexo
do seu ser e do seu saber.
Ao animador, compete dar tempo e espaço para que a vida desabroche nos animandos. Através das suas
atitudes, o animador promove o protagonismo, a liberdade, a responsabilidade e o crescimento do destinatário.
(In Jacinto Jardim- "O ´Método da Animação")

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1. ANIMADOR E CULTURA

"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."


( Cora Coralina )

A palavra animação vem do latim “animus”, alma, isto é, o acto de Animar – segundo
referem os dicionários – é dar vida, dar alma, imprimir movimento, transmitir força e
energia, dar impulso a um empreendimento.
Segundo Torraylle (citado por Ferreira, 1999:162), “Animar é aceitar apegar-se, pôr-se em
relação e desenvolver os feixes da comunicação e informação, (…). Animar é despertar os
outros, respeitando-os e considerando-os, desde o primeiro contacto, como pessoas a quem
se dá, mas de quem já muito se recebeu. (…) Animar é antes de tudo e para além de um
conjunto de técnicas, uma atitude interior e um estado de espírito.”
Animar é mais do que trabalhar para as pessoas, trabalhar com as pessoas. Assim, podemos
conceber a Animação como um recurso importantíssimo que mobiliza o esforço de todos,
com vista à sua evolução para uma vida saudável.
A animação como conceito de intervenção social surgiu nos anos 60/70 e teve um
papel marcante, nomeadamente em França e na Bélgica. O seu objectivo de base é a
democratização da cultura, procurando numa cultura viva, tecida nas relações com o
quotidiano, contribuir para a qualidade de vida, numa perspectiva de desenvolvimento
participado. A UNESCO define a animação sócio-cultural como o “conjunto de práticas sociais
que visam estimular a iniciativa e a participação das populações no seu próprio
desenvolvimento e na dinâmica global da vida socio-política em que estão integradas”.
A partir deste conceito de animação começaram a surgir outras modalidades de
animação: animação de bairro, animação pedagógica, animação desportiva, entre outras.
De acordo com Breda Simões “a animação só poderá erguer-se de uma relação que
pressuponha da parte de animadores e animados – disponibilidade, compreensão,
afectividade e comunicabilidade situadas”.
As actividades de animação têm como grande objectivo o fruir. Nestas actividades é
muito importante o grau de envolvimento e satisfação das crianças do que a existência de
um produto. Basicamente, é mais importante o prazer de estar e conviver do que a
preocupação com o desenvolvimento e aprendizagem. As actividades têm sobretudo um
cariz socializante e interligado aos contextos sociais e naturais. É desejável incentivar a vinda

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de pessoas da comunidade que queiram partilhar este tempo de convívio, das mais variadas
formas: jogar às cartas, cantar, dançar, ouvir música, trocar jogos tradicionais, contar
histórias para um grande ou pequeno grupo.
A troca de jogos tradicionais e histórias têm grande importância na integração da
regra, elaboração do desejo e fortalecimento do sentido de pertença, sendo estes conteúdos
privilegiados para estes tempos. A tradição é um património colectivo que pode criar redes
de comunicação e partilha entre diferentes gerações.
O uso de actividades lúdicas permite estabelecer o contacto com o outro, ou seja,
favorece a auto expressão e auto percepção, aumentando a energia e a confiança em si
mesmo. É neste contexto que a criatividade compreende o campo da Escrita (pensamentos
escritos), o campo da Expressão Plástica (colagens, barro, madeira) e, por último, o campo
da Expressividade Comunicacional (encontros onde se privilegia a abertura, a relação, a
confiança e o colocar-se no lugar do outro).

1.1 O que é a animação?

Segundo o dicionário (Porto editora, 2005) a palavra animação significa dar vida, dar
ânimo, a vitalização, dar movimento ao que está parado, motivar. Animação é acção, é vida.
• Motivar para uma acção/actividade
• Aceitar uma iniciativa
• Respeitar o projecto individual definido por cada um
• Ajudar a pessoa a afirmar-se
• Apoiar não substituir
• Dar movimento a uma situação onde reina a imobilidade, o aborrecimento.
A animação proporciona uma resposta de qualidade à busca de vida animada, quando
é entendida como método de intervenção social, cultural e formativa. Para animar não é
necessário estar constantemente a fazer rir ou fazer palhaçadas, animar é motivar para
todas as experiências boas da vida e retirar delas os aspectos positivos.

Animação tem uma dupla origem, assente no latim


. ANIMA – vida; sentido
. ANIMUS – Movimento; Dinamismo; Acção

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A ASC, evidencia-se na Europa em meados dos anos 60 do século XX e, em particular
em Portugal, a partir da segunda metade dos anos 70.
A Animação contempla duas vertentes: a Sociocultural e a Socioeducativa, embora não
existam grandes diferenças de conceitos e metodologias, porque “cultura” também é
“educação”.
Segundo Lobrot (1977), “animar implica acção dinâmica, exercida de forma directa,
que produz movimento, vida, actividade, induzindo a propostas e sugestões que orientem,
seduzam, solicitem, despertem e influenciem a imaginação, sem qualquer coercibilidade.”
A animação pode especificar-se nas seguintes modalidades:
Cultural: Surge como entidade criadora de um produto cultural, artístico ou criativo.
Educativa: Surge como promotora da educação e formação inicial e ao longo da vida.
Económica: Na dimensão económica a animação surge como actividade geradora de
recursos económicos e financeiros, como sejam a criação de emprego e as receitas de
actividades de animação.
Social: Na sua dimensão social a animação surge como um meio de superar as
desigualdades sociais e como alavanca de promoção da pessoa e da comunidade
A animação pode organizar-se em quatro categorias:

Difusão cultural:
Incentivar o gosto
pela cultura, ciência
e pelo
conhecimento

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Actividades sociais:
Promover a
participação das
pessoas nos
movimentos cívicos,
sociais, políticos ou
económicos.

Actividades artísticas não


profissionais:
Desenvolver as capacidades
artísticas e criativas das
pessoas através da prática

1.2 O que é o lazer?

Segundo a etiologia Lazer significa: vagar, descanso, passatempo.


No contexto da animação podemos dizer que o lazer é a ocupação desses tempos de
descanso através de estímulos agradáveis de emoções combinados com um elevado grau de
escolha individual.
O lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre
vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para
desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária

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ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações
profissionais, familiares e sociais.» (Dumazedier, 1976, apud Oleias)
Pode ser entendido por:
. Atitude
. Tempo livre
. Actividade recreativa
A palavra "lazer" pode ser interpretada por vários significados, com base em
interpretações da moral, da religião, da filosofia e do senso comum, contendo também, um
sistema de pensamento que indica uma condição de felicidade e de liberdade. (Santini,
1993).
Para Dumazedier, lazer é: “ (...) um conjunto de ocupações, às quais o indivíduo pode
entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para se divertir, recrear e se entreter
ou, ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua livre
capacidade criadora, após livrar-se ou das obrigações profissionais, familiares e sociais"
(Dumazedier, apud Santini, 1993:17).
Também é comum o uso, do termo recreação para nomear algo parecido ao lazer
porém, com alguns elementos que os diferenciam. Recreação é entendida como " (...)
actividade física ou mental que o indivíduo é naturalmente arrastado para satisfazer as
necessidades físicas, psíquicas ou sociais, de cuja realização lhe advém prazer" (Santini,
1993:18).
Desta forma, a diferença entre recreação e lazer reside na escolha das actividades a
serem exercidas. Enquanto no lazer, por ser um termo mais amplo, o indivíduo possui graus
de liberdade para sua escolha, e na recreação, as actividades são impulsionadas
naturalmente por motivos interiores, relacionado a necessidade física, psicológico ou social.
Segundo Andrade (2001), deve-se superar a manutenção do hábito de considerar-se o
lazer como o não-trabalho em situação individual e colectiva de quem se afastava de suas
actividades sistemáticas. (Trabalho produtivo e trabalho lúdico).
A ideia de que, a partir de determinada idade, certas actividades não devem ser
desfrutadas, é uma concepção que tende a ser superada em relação às constantes
modificações sociais, uma vez que, actualmente, a expectativa de vida das pessoas, tem
aumentado muito e com isso, a necessidade de se repensar as questões que envolvem a
qualidade de desfrutar do tempo livre.

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A experiência da prática de lazer aumenta o processo de integração entre as pessoas,
sejam estas jovens ou idosas, sem diferenciar, portanto a idade do indivíduo que a vivência.
Entretanto, muitos valores destruídos e até mesmos preconceituosos, tendem a guiar as
concepções de lazer dentro da própria comunidade idosa interferindo de forma negativa.
Lazer é sinónimo de maior qualidade de vida para população idosa.
É necessária a identificação das necessidades de lazer, facilidade e dificuldade
encontrada pela pessoa da terceira idade, assim será possível elaborar e propor actividades
de lazer que atenda e satisfação do grupo.

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2. ANIMADOR SOCIOCULTURAL

"Semeie um acto, e você colhe um hábito.


Semeie um hábito, e você colhe um carácter.
Semeie um carácter, e você colhe um destino. "
( Charles Reade )

O Animador Sociocultural é o profissional qualificado apto a promover o


desenvolvimento sociocultural de grupos e comunidades, organizando, coordenando e/ou
desenvolvendo actividades de animação de carácter cultural, educativo, social, lúdico e
recreativo.
É aquele que realiza tarefas e actividades de animação, estimulando o público-alvo para uma
determinada acção. É um mediador, um intermediário, um companheiro e um elo de ligação
entre um objectivo e um grupo alvo.

Profissionais

“De passagem” Animadores Eventuais

Voluntários

O animador desempenha um papel central na animação, pois ele é o responsável por


promover a dinamização do grupo através do uso dos mais variados instrumentos.

Segundo Ander-Egg o animador tem como funções:


. Facultar apoio técnico de forma que o utente satisfaça as suas necessidades e se
capacite para organizar e conduzir as suas próprias actividades.
. Contribuir para que os utentes envolvidos nas actividades de animação sistematizem
e implementem as práticas de animação.
. Animar, vitalizar e impulsionar as potencialidades inerentes às pessoas e grupos.

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. Propor e desenvolver actividades em conjunto com todo o tipo de equipa.
. Implementar as decisões tomadas em equipa, prestar apoio técnico com carácter
social e recreativo,
. Promover, apoiar e acompanhar as actividades a desenvolver em quaisquer espaços
físicos
. O animador tem que flexibilidade para se adaptar a todas as situações. O Animador
trabalha em conjunto com o Educador Social, Assistente Social, Sociólogo, Professor, para
desenvolver actividades específicas em função de um trabalho de equipa.

As actividades principais a desempenhar por este técnico são:


. Diagnosticar e analisar, em equipas técnicas multidisciplinares, situações de risco e
áreas de intervenção sob as quais actuar, relativas ao grupo alvo e ao seu meio envolvente;
. Planear e implementar em conjunto com a equipa técnica multidisciplinar, projectos
de intervenção sócio-comunitária;
. Planear, organizar, promover e avaliar actividades de carácter educativo, cultural,
desportivo, social, lúdico, turístico e recreativo, em contexto institucional, na comunidade
ou ao domicilio, tendo em conta o serviço em que está integrado e as necessidades do grupo
e dos indivíduos, com vista a melhorar a sua qualidade de vida e a qualidade da sua inserção
e interacção social;
. Promover a integração grupal e social;
. Fomentar a interacção entre os vários actores sociais da comunidade;
. Acompanhar as alterações que se verifiquem na situação dos clientes/utilizadores
que afectem o seu bem-estar;
. Articular a sua intervenção com os actores institucionais nos quais o grupo
alvo/indivíduo se insere;
. Elaborar relatórios de actividades.

A figura do animador desempenha um papel central no método da animação. É ele


quem assume a responsabilidade de promover a vida do grupo ou do indivíduo, através do
uso dos instrumentos que dinamizam as pessoas envolvidas por este método. Para que
desempenhe eficazmente as suas funções, existem três áreas de competências
fundamentais, que o animador deve ter em conta:
. O saber - saber

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. O saber ser
. O saber - fazer

O ser, é constituído pela identidade pessoal, pelas nossas características próprias, ou


seja, saber ser e saber estar, diante das mais diferentes situações. É reagir de forma
assertiva e com uma postura exemplar às situações difíceis.
O saber, refere-se aos conhecimentos que deve possuir para desempenhar
convenientemente a sua tarefa formativa. Além disso, um animador, conforme a área
específica do seu desempenho, terá uma formação consoante o seu sector, o contexto e o
conteúdo respectivos.
O saber - fazer, reporta-se à metodologia que usa para dar vida ao grupo que anima,
a qual é sempre o reflexo do seu ser e do seu saber.
Tendo em conta que a animação socioeducativa/sociocultural abrange várias áreas de
intervenção, o animador tem também ele mesmo várias áreas de intervenção, logo a sua
definição vai ser também muito vaga.
Seguindo este fio condutor, ligado à acção cultural, temos o animador que se dedica
essencialmente aos acontecimentos e actividades culturais. O animador que abarca as suas
actividades ao extra-escolar, está ligado à actividade de formação, por fim o animador que
tem como objectivos as causas sociais, está presente na animação/acção social.
O animador aparece como um elemento chave, básico e fundamental. É a força
dinamizadora, catalizador e protagonista da mudança. O animador trabalha no domínio
social, promovendo a participação activa dos indivíduos. Portanto, o animador sociocultural
está relacionado com o processo de mentalização, sensibilização e actuação de carácter
social, cultural e educativo.
O Animador tem, no seu dia-a-dia que desempenhar papéis diferenciados:
. Designa quem realiza as tarefas e as actividades de animação.
. Promover a unidade do grupo, levando a criar laços de amizade entre todos os seus
membros, levando a resolver os conflitos que possam surgir;
. Estimular o grupo, levando-o a fazer coisas, actividades com ele;
. Facultar ao grupo o acesso a fontes de informação e documentação que permitam
uma auto-formação continuada.
. O Animador é ainda o promotor da comunicação inter-grupos, favorecendo o confronto
de pontos de vista e de resultados, tendo em vista uma abertura cada vez maior da

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comunidade em que trabalha.
. Promover o diálogo entre todos, ou seja, servir de moderador para que todos os
indivíduos do grupo participem no diálogo ou na actividade evitando o isolamento da pessoa;
. Deve saber gerir os recursos humanos e materiais necessários e geri-los de acordo
com o tempo.
. O animador tem como objectivos proporcionar momentos de alegria, tem que intervir,
respeitar, amar, ser bom comunicador, bom ouvinte entre outras qualidades.
. O Animador tem que ter capacidade de se modificar conforme as situações que lhe
vão aparecendo, não pode reagir da mesma maneira com grupos diferentes.
. O Animador por vezes ressuscita algo que se perdeu, como por exemplo uma tradição.
. O Animador poderá dizer-se que é um actor.
. O animador deve ser uma pessoa coerente nos seus actos, e crer naquilo que diz e
no que faz, transmitindo uma certa segurança ao grupo;
. Deve desenvolver e realizar gestões vinculadas às actividades que se levam a cabo à
vida associativa e aos serviços sociais existentes;
. O animador sabe controlar e avaliar economicamente e administrativamente as suas
acções;
. Controla e medir resultados.

2.1 Perfil do animador

. Animador é uma pessoa dinâmica.


. Responsável
. Sociável
. Trabalhar em equipa.
. É aberto à mudança e sabe ouvir sem manipular as ideias dos outros.
. É um interveniente a nível social e cultural que sabe descobrir e estimular as
potencialidades individuais e colectivas.
. Capacidade de entrega ao trabalho
. Mentalidade aberta e visão do conjunto
. Compreensão e abertura
. Espírito de organização e trabalho sistemático
. Capacidade de comunicação com diferentes grupos

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. Conhecimento das técnicas, metodologia, planificação, dinâmicas e avaliação
. Equilíbrio psicológico
. Resistência psicológica
. Necessidade de formação permanente
. Vocação e trabalho por gosto
. Capacidade de motivação
. Superar situações de conflito
. Forte para vencer as dificuldades
. Ser Responsável
. Ser Organizado
. Ter Espírito inovador, critico e criativo
. Que saiba falar (usar termos correctos na hora certa), ou seja ser assertivo
. Ter iniciativa
. Ser bem disposto
. Capaz de proporcionar trocas recíprocas de experiências e aprendizagens, de forma
a evitar o isolamento e aumentar o contacto com o exterior;
. Ser uma pessoa que não impõe, mas que lança propostas e ajuda a concretizar

2.2 Características do animador

Técnico de Prevenção Educativa


. Estimula
. Conhece
. Estabelece uma relação com o indivíduo.

Conselheiro Técnico
. Orientação
. Resposta ajuda
. “Condução” desenvolvimento de potencialidades/ capacidades.

Técnico especialidades/actividades socioculturais


. Elaborar actividades
. Desenvolver actividades

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. (Re) Avaliar actividades

No fundo um animador deve ter sempre em consideração os seguintes critérios:


. Ser um educador, que pretende provocar a mudança;
. Ser um agente social, quando a acção implica um acção em conjunto e não tem em
conta apenas o individuo;
. Um relacionador capaz de estabelecer uma comunicação positiva entre pessoas,
comunidades e instituições;
. Proporcionar um ambiente de confiança em si próprio;
. Promover actividades tendo em conta o interesse das pessoas;
. Considerar o outro na sua complexidade e totalidade;
. Não invadir a liberdade do outro.

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3. Perspetivas profissionais do Animador Sociocultural

É neste quadro de grande complexidade que o profissional de animação sociocultural é chamado


a construir a sua própria identidade. Se, por um lado, a instabilidade, que decorre das alterações
e reconfigurações das organizações sociais, promove a emergência de novos enquadramentos
que podem facilitar a identificação de novas necessidades e de novas profissões, por outro lado,
essa mesma instabilidade gera a imprevisibilidade e a consequente falta de marcos de referência
que orientem a afirmação de identidades profissionais emergentes, ou em construção.
Caride Gómez , citando Wilensky, identifica quatro etapas no processo de delimitação histórica
do objecto específico de uma profissão e no seu reconhecimento pela sociedade. Essas etapas
não correspondem, no pensamento do autor, a fases históricas que se sucedem e substituem no
tempo, mas a “sequências em que se mostra como se produz a transição da ocupação para a
profissionalização” (Caride Gómez, 2008, p. 157), isto é, a processos que se vão sobrepondo no
sentido da afirmação gradual de uma profissão socialmente reconhecida como tal.
São eles:
• O estabelecimento de diversos procedimentos de formação e seleção.
• A constituição de uma ou várias associações profissionais
• para estabelecer modelos e normas de ocupação, e para
• orientar as relações com outros grupos competitivos.
• A consecução do reconhecimento público em forma de apoio
• legal para controlar o acesso à profissão e ao seu exercício.
• A elaboração de um código ético.
Neste processo de reconhecimento social, a congruência entre o que fazem os profissionais e o
que a sociedade espera deles desempenha um papel fundamental na atribuição de legitimidade
social à profissão e aos profissionais.
Geneviève Poujol, em 1989, situava a ASC num quadro mais vasto da animação, em que o
animador seria aquele que desenvolve a sua acção no e sobre o tempo livre dos outros (Poujol,
1989, p. 78 e 153). Embora explicitando muitas reservas mentais, Poujol propõe uma tipologia
da animação em três categorias, consoante a perspectiva e o método utilizado:
• O animador cultural seria aquele que, assumindo uma perspectiva cultural, se

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encarregaria da difusão junto de grupos sociais específicos;
• O animador social seria aquele que, assumindo uma perspctiva comunitária, se dedicaria
a associar grupos sociais a um projeto social;
• O animador sociocultural seria aquele que, assumindo uma perspetiva educativa,
promoveria a apropriação por grupos sociais dos meios para o seu desenvolvimento
cultural (Poujol, 1989, p. 78).
Não há nesta tipologia nada que a afaste de uma perspetiva mais global de humanização, a não
ser precisamente o facto desnecessário de afastar o animador sociocultural do animador social e
do animador cultural. Com efeito, a ideia que atravessa todas as categorias de animador é a ideia
de uma necessidade fundamental, seja de acesso à informação, seja de participação num projeto
social, seja de apropriação de meios para o desenvolvimento cultural. Assim, pelo contrário, esta
“tipologia” da animação deve ser vista como correspondendo a três eixos fundamentais da ASC.
Do mesmo modo, parece fazer sentido agrupar na denominação de ASC alguns dos perfis
profissionais que Mario Viché refere nos âmbitos da educação familiar, educação escolar e
educação comunitária: educadores de rua, animadores de tempo livre, animadores
socioeducativos, animadores culturais, animadores socioculturais (Viché, 2006).
Numa tentativa de encontrar a identidade profissional dos animadores socioculturais é
fundamental que tenhamos em consideração aquilo que é a realidade atual, mas ficaremos,
seguramente, num impasse, se não formos capazes de perspetivar o futuro e propor as mudanças
necessárias para participarmos, como grupo profissional, na sua construção. Um dos aspetos
mais importante para o reconhecimento da ASC pelas comunidades é a sua capacidade para dar
resposta a novas necessidades e exigências sociais, muitas delas emergentes numa sociedade
qualificada como pós-moderna, pós-industrial, da informação, do conhecimento, em rede, do
ócio, etc.. Referindo-se ao reconhecimento académico da Educação Social, Caride Gómez
defende que “estas novas necessidades obrigam a repensar a natureza e o alcance da educação
como uma prática que pode estar presente em qualquer tempo e espaço da vida das pessoas
(Caride Gómez, 2008, p. 122). Ora, é esta precisamente a perspectiva que devemos assumir para
a ASC.
No entanto, num primeiro momento, há que encontrar um consenso sobre o agrupamento de
perfis profissionais que pode caber na designação Animação Sociocultural, ou em outra que,

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sendo mais clara, a possa substituir. Numa sociedade fragmentada, a intervenção social não
pode dispersar-se, constituindo-se como um factor potenciador dessa fragmentação. Tem de a
ter em conta, tem mesmo de saber respeitá-la, mas tem de apresentar-se com um sentido, um
significado social que seja compreensível para as comunidades.

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4. A formação do Animador Sociocultural como estratégia de valorização e
atualização.

Por ser uma “função que existe para além de uma profissão e que, enquanto profissão,
possui um reconhecimento social “ (Lopes, 2006, p. 459) encontrar um modelo de formação para
animadores foi um processo complexo e que se estendeu ao longo dos anos.
Assistiu-se ao longo de 25 anos (1974-1999) a cíclicos debates, fóruns e discussões sobre
questões que se prendem com o conferir a esta função reconhecimento oficial através da criação
de uma carreira, um estatuto profissional e um quadro deontológico (Ibidem).
Durante os anos 70, esta discussão esteve assente nas diferenças entre animadores profissionais
e voluntários e na dúvida da possibilidade de cooperação entre ambos. Relativamente ao modelo
de formação de animadores, a questão central foi se este deveria ser feito exclusivamente através
da prática ou a partir da teoria tendo sido levantadas também, no Relatório da Divisão de
Formação Técnica (DFT) (1976, p.5 citado por Lopes, 2006, p. 460) documento II do FAOJ,
questões como: Porquê formar animadores? Formar que animadores? Escolher que formadores?
Formar de que maneira? Formar em que quadro institucional? A formação de animadores em
Portugal nos anos 70 teve duas fases, uma primeira baseada em métodos experienciais e
vivenciais e uma segunda em ações formativas de curta duração realizadas no país ou em França
(resultantes de um acordo Luso-Francês de formação de animadores). Os primeiros formadores
de animação sociocultural em Portugal tinham formação teórica nas mais variadas áreas de
conhecimento como letras, teatro, sociologia, psicologia, história, filosofia, entre outras que não
a animação sociocultural. O método utilizado, segundo Lopes (2006), era o debate de ideias,
baseado na dicotomia do mundo entre direita e esquerda, bem e mal ou politicas fascistas e
antifascistas.
Os relatórios da DFT do FAOJ sobre formação nesta área (Garcia, 1975 Lopes 2006), defendiam
que os animadores teriam que ser pessoas flexíveis e abertas de modo a que com o aumentar
da sua formação encontrassem o seu próprio perfil. Estes relatórios lançaram também uma série
de pontos a ser considerados no recrutamento de animadores:
Empenhamento num trabalho de âmbito cultural;
visão progressista, apartidária na sua intervenção relativamente ao grupo
comunidade ou população;

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conhecimento o mais profundo possível da área onde vai desenvolver a
ação;
elevado grau de abertura ao nível intelectual, emocional e relacional;
personalidade maleável, não impondo pontos de vista nem tentando ser líder (uma vez que
esta posição deve pertencer a um elemento do grupo);
facilidade de comunicação e de trabalho em grupo;
nível razoável de cultura geral;
natureza inquieta e fundamentalmente insatisfeita;
desenvolvimento de capacidades como intuição, imaginação, reflexão, criatividade e
imaginação.
Neste relatório, Garcia (1975, citado por Lopes 2006) dava conta da dificuldade que seria
encontrar pessoas com estas características defendendo que essa busca deveria ser feita em
indivíduos que já tivessem desenvolvido trabalho na área da intervenção cultural e por isso já
tivessem experimentado o trabalho de animadores.
Relativamente à questão: formar animadores voluntários ou profissionais, o mesmo relatório
concluía que a formação deveria ser dada a ambos pois o trabalho de um pode complementar o
de outro e vice-versa. Se por um lado nos animadores voluntários há sempre o risco de abandono
da profissão devido ao desgaste do acumular da vida profissional com a animação sociocultural
estes também têm um campo de ação mais diversificado, podendo ser uma mais-valia para o
trabalho mais especializado e mais continuado dos animadores profissionais.

Durante os anos 70 discutiu-se ainda se a formação de animadores deveria ser mais polivalente
ou mais específica e se deveria ser pensada para animadores socioculturais ou para animadores
socioeducativos.

De modo a perceber o caminho escolhido, importa analisar as definições destes conceitos à época

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Garcia (1976, no Relatório da DFT – Documento II citado por Lopes 2006) defende que deve ser
dada primazia à formação em animação sociocultural, por ser mais ampla e abranger mais
pessoas a nível da tomada de consciência da ação, considerando a formação em animação
socioeducativa mais específica a nível de metodologias e técnicas. Apelava ainda a que a
formação fosse mais polivalente e de caráter básico de modo a que depois evoluísse para uma
formação de caráter mais específico.
É nos anos 70 que o estado considera e regula pela primeira vez a formação de animadores com
o Despacho Normativo nº. 112/77 dando resposta às propostas apresentadas no Conselho da
Europa que recomendavam a realização de seminários de formação de animadores integrados
numa politica global de animação sociocultural e de implementação da democracia cultural. O
referido despacho normativo contemplava que a Secretaria de Estado da Cultura, a Secretaria de
Estado da Juventude e dos Desportos e a Secretaria de Estado da Orientação Pedagógica
deveriam organizar em conjunto esses seminários, bem como cursos e ações de formação de
animadores socioculturais.Os modelos de formação de animadores trazidos dos anos 70, de curta
e média duração e baseados na prática e experiência de formadores e formandos,
vigoraram ainda durante os anos 80 em que
A formação de animadores foi percorrendo um trajeto relacionado

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com as questões da prática da animação, formação investigação,
formação instrumental, formação em serviço, formação
complementar, de que resultou a criação de um corpo crescente
de novos profissionais sem estatuto fixo e com alguma tendência
para exercerem a função de forma provisória (Lopes, 2006,
p.467).

Na primeira metade dos anos 80, o FAOJ assume a necessidade de se formarem animadores
capazes de intervir nos domínios económico, social, cultural, educativo e politico, de modo a
desenvolverem programas com o objetivo último de contribuir para a autonomia das pessoas.
Nos anos 80, Gelpi (citado por Lopes 2006) defende que a formação de animadores não deve
ser destinada a jovens uma vez que estes não têm a experiencia de vida necessária para “educar
adultos” promovendo-lhes a autonomia (ibidem).
Para Lopes (2006), foi difícil teorizar a história da animação sociocultural e a formação dos
animadores pois esta aparece desfasada da ação dos animadores. A teoria produzida tem
contributos profissionais das áreas que até então têm assegurado a formação de animadores,
como a psicologia, a história e a antropologia e não de animadores que até esta data foram
incapazes de produzir teoria a partir da prática.

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Bibliografia
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