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POLÍCIA CIVIL DO DISTRITO FEDERAL

PC-DF
Escrivão de Polícia

DZ039-N9
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Proibida a reprodução, total ou parcialmente, sem autorização prévia expressa por escrito da editora e do autor. Se você
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OBRA

Pc-Df - Polícia Civil Do Distrito Federal

Escrivão de Polícia

Edital Nº 1 - Pcdf, De 3 De Dezembro De 2019

AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Língua Inglesa - Profª Katiuska W. Burgos General
Conhecimentos Sobre O Distrito Federal - Profº Heitor Ferreira
Legislação - Profº Fernando Zantedeschi
Atualidades - Profº Heitor Ferreira
Noções De Direito Constitucional - Profº Ricardo Razaboni
Noções De Direito Penal - Profº Rodrigo Gonçalves
Noções De Direito Processual Penal - Profº Rodrigo Gonçalves
Noções De Direitos Humanos - Profº Ricardo Razaboni
Informática - Profº Carlos Quiqueto
Matemática E Raciocínio Lógico - Profº Bruno Chieregatti E Joao De Sá Brasil

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Leandro Filho

DIAGRAMAÇÃO
Renato Vilela
Victor Andrade

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

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SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados................................................................................................... 01


Reconhecimento de tipos e gêneros textuais.................................................................................................................................... 08
Domínio da ortografia oficial..................................................................................................................................................................... 09
Domínio dos mecanismos de coesão textual..................................................................................................................................... 17
Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e de outros elementos de
sequenciação textual.................................................................................................................................................................................... 17
Emprego de tempos e modos verbais................................................................................................................................................... 22
Domínio da estrutura morfossintática do período........................................................................................................................... 22
Emprego das classes de palavras............................................................................................................................................................. 22
Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração......................................................................................... 62
Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração........................................................................................ 62
Emprego dos sinais de pontuação.......................................................................................................................................................... 72
Concordância verbal e nominal............................................................................................................................................................... 75
Regência verbal e nominal. ...................................................................................................................................................................... 83
Emprego do sinal indicativo de crase.................................................................................................................................................... 89
Colocação dos pronomes átonos............................................................................................................................................................ 93
Reescrita de frases e parágrafos do texto............................................................................................................................................. 93
Significação das palavras............................................................................................................................................................................ 93
Substituição de palavras ou de trechos de texto.............................................................................................................................. 93
Reorganização da estrutura de orações e de períodos do texto................................................................................................ 93
Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade.......................................................................................... 93
Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República).................................................... 102

LÍNGUA INGLESA

Compreensão de textos escritos em língua inglesa e itens gramaticais relevantes para o entendimento dos
sentidos dos textos............................................................................................................................................................................................... 01

CONHECIMENTOS SOBRE O DISTRITO FEDERAL E SOBRE A RIDE

Realidade étnica, social, histórica, geográfica, cultural, política e econômica do Distrito Federal e da Região In-
tegrada de Desenvolvimento do Distrito Federal (RIDE) .................................................................................................................. 01
SUMÁRIO

LEGISLAÇÃO

Lei nº 8.112/1990 e suas alterações............................................................................................................................................................. 01


Lei nº 4.878/1965 (Regime Jurídico dos Funcionários Policiais Civis da União e do DF)......................................................... 05
Decreto-Lei nº 2.266/1985 (criação da carreira PCDF, cargos, valores e vencimentos)........................................................... 09
Lei nº 9.264/1996 (desmembramento e reorganização da PCDF, remuneração de seus cargos)....................................... 10
Decreto nº 30.490/2009 (Regimento Interno da PCDF)....................................................................................................................... 11
Lei Orgânica do Distrito Federal. Capítulo V, Seção I ― Da Polícia Civil........................................................................................ 19
Lei nº 13.869/2019. 7 Lei nº 8.429/1992..................................................................................................................................................... 20

ATUALIDADES

Tópicos relevantes e atuais de diversas áreas, tais como segurança, transportes, política, economia, sociedade,
educação, saúde, cultura, tecnologia, energia, relações internacionais, desenvolvimento sustentável e ecologia,
suas inter-relações e suas vinculações históricas.......................................................................................................................... 01

NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Constituição Federal de 1988. Direitos e Garantias Fundamentais................................................................................................ 01


Título V, Capítulo III ― Da Segurança Pública........................................................................................................................................ 11

NOÇÕES DE DIREITO PENAL

Aplicação da lei penal. Princípios. A lei penal no tempo e no espaço. Tempo e lugar do crime. Lei penal excepcional,
especial e temporária. Contagem de prazo. Irretroatividade da lei penal...................................................................................... 01
Crimes contra a pessoa. Crimes contra o patrimônio. Crimes contra a administração pública............................................. 15
Disposições constitucionais aplicáveis ao direito penal......................................................................................................................... 34

NOÇÕES DE DIREITO PROCESSUAL PENAL

Disposições preliminares do Código de Processo Penal...................................................................................................................... 01


Inquérito policial. Histórico, natureza, conceito, finalidade, características, fundamento, titularidade, grau de
cognição, valor probatório, formas de instauração, notitia criminis, delatio criminis, procedimentos investigativos,
indiciamento, garantias do investigado; conclusão............................................................................................................................ 03
Prisão e liberdade provisória........................................................................................................................................................................... 06
SUMÁRIO

Disposições constitucionais aplicáveis ao direito processual penal........................................................................................... 12


Lei nº 9.099/1995................................................................................................................................................................................................. 15

DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA

Teoria geral dos direitos humanos. Conceito, terminologia, estrutura normativa, fundamentação...................................... 01
Afirmação histórica dos direitos humanos.................................................................................................................................................... 01
Direitos humanos e responsabilidade do Estado..................................................................................................................................... 02
Direitos humanos na Constituição Federal................................................................................................................................................... 03
Política Nacional de Direitos Humanos.......................................................................................................................................................... 05
A Constituição brasileira e os tratados internacionais de direitos humanos.................................................................................. 05

INFORMÁTICA

Conceito de internet e intranet. Conceitos e modos de utilização de tecnologias, ferramentas, aplicativos e


procedimentos associados a internet/intranet........................................................................................................................................ 01
Ferramentas e aplicativos comerciais de navegação, de correio eletrônico, de grupos de discussão, de busca, de
pesquisa e de redes sociais.............................................................................................................................................................................. 08
Noções de sistema operacional (ambiente Windows)......................................................................................................................... 12
Acesso à distância a computadores, transferência de informação e arquivos, aplicativos de áudio, vídeo e multimídia.... 24
Edição de textos, planilhas e apresentações (ambientes Microsoft Office)................................................................................. 32
Redes de computadores................................................................................................................................................................................... 59
Conceitos de proteção e segurança. Noções de vírus, worms e pragas virtuais. Aplicativos para segurança (antivírus,
firewall, anti-spyware etc.)................................................................................................................................................................................ 61
Redes de comunicação. Introdução a redes (computação/telecomunicações). Noções básicas de transmissão de
dados. Tipos de enlace, códigos, modos e meios de transmissão................................................................................................. 67
Metadados de arquivos.................................................................................................................................................................................... 97

MATEMÁTICA E RACIOCÍNIO LÓGICO

Princípios de contagem.................................................................................................................................................................................... 01
Razões e proporções.......................................................................................................................................................................................... 02
Regras de três simples...................................................................................................................................................................................... 05
Porcentagens......................................................................................................................................................................................................... 06
Equações de 1º e de 2º graus.......................................................................................................................................................................... 09
Sequências numéricas....................................................................................................................................................................................... 11
SUMÁRIO

Progressões aritméticas e geométricas.................................................................................................................................................... 12


Funções e gráficos. Estruturas lógicas. Lógica de argumentação. Analogias, inferências, deduções e conclusões.
Lógica sentencial (ou proposicional). Proposições simples e compostas. Tabelas-verdade. Equivalências. Leis
de De Morgan. Diagramas lógicos. Lógica de primeira ordem.................................................................................................... 16
Princípios de contagem e probabilidade................................................................................................................................................. 47
Operações com conjuntos............................................................................................................................................................................... 51
Raciocínio logico envolvendo problemas aritméticos, geométricos e matriciais.............................................................. 69
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados................................................................................................... 01


Reconhecimento de tipos e gêneros textuais.................................................................................................................................... 08
Domínio da ortografia oficial..................................................................................................................................................................... 09
Domínio dos mecanismos de coesão textual..................................................................................................................................... 17
Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de conectores e de outros elementos de
sequenciação textual.................................................................................................................................................................................... 17
Emprego de tempos e modos verbais................................................................................................................................................... 22
Domínio da estrutura morfossintática do período........................................................................................................................... 22
Emprego das classes de palavras............................................................................................................................................................. 22
Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração......................................................................................... 62
Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração........................................................................................ 62
Emprego dos sinais de pontuação.......................................................................................................................................................... 72
Concordância verbal e nominal............................................................................................................................................................... 75
Regência verbal e nominal. ...................................................................................................................................................................... 83
Emprego do sinal indicativo de crase.................................................................................................................................................... 89
Colocação dos pronomes átonos............................................................................................................................................................ 93
Reescrita de frases e parágrafos do texto............................................................................................................................................. 93
Significação das palavras............................................................................................................................................................................ 93
Substituição de palavras ou de trechos de texto.............................................................................................................................. 93
Reorganização da estrutura de orações e de períodos do texto................................................................................................ 93
Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade.......................................................................................... 93
Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República).................................................... 102
Compreender significa
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.
TEXTOS DE GÊNEROS VARIADOS. O texto diz que...
É sugerido pelo autor que...
De acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
O narrador afirma...
INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
Erros de interpretação
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e
relacionadas entre si, formando um todo significativo • Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai do
capaz de produzir interação comunicativa (capacidade contexto, acrescentando ideias que não estão no
de codificar e decodificar). texto, quer por conhecimento prévio do tema quer
pela imaginação.
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. • Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se
Em cada uma delas, há uma informação que se liga com atenção apenas a um aspecto (esquecendo que
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para um texto é um conjunto de ideias), o que pode
a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa ser insuficiente para o entendimento do tema
interligação dá-se o nome de contexto. O relacionamento desenvolvido.
entre as frases é tão grande que, se uma frase for retirada • Contradição = às vezes o texto apresenta ideias
de seu contexto original e analisada separadamente, contrárias às do candidato, fazendo-o tirar
poderá ter um significado diferente daquele inicial. conclusões equivocadas e, consequentemente,
errar a questão.
Intertexto - comumente, os textos apresentam
referências diretas ou indiretas a outros autores através Observação: Muitos pensam que existem a ótica do
de citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas
em uma prova de concurso, o que deve ser levado em
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação consideração é o que o autor diz e nada mais.
de um texto é a identificação de sua ideia principal.
A partir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou Coesão e Coerência
fundamentações), as argumentações (ou explicações),
que levam ao esclarecimento das questões apresentadas Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
na prova. relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre
si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de
Normalmente, em uma prova, o candidato deve: um pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um
• Identificar os elementos fundamentais de uma pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o
argumentação, de um processo, de uma época que se vai dizer e o que já foi dito.
(neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre
os quais definem o tempo). eles, está o mau uso do pronome relativo e do pronome
• Comparar as relações de semelhança ou de oblíquo átono. Este depende da regência do verbo;
diferenças entre as situações do texto. aquele, do seu antecedente. Não se pode esquecer
• Comentar/relacionar o conteúdo apresentado com também de que os pronomes relativos têm, cada um,
uma realidade. valor semântico, por isso a necessidade de adequação
• Resumir as ideias centrais e/ou secundárias. ao antecedente.
• Parafrasear = reescrever o texto com outras Os pronomes relativos são muito importantes na
palavras. interpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros
de coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração
Condições básicas para interpretar que existe um pronome relativo adequado a cada
circunstância, a saber:
Fazem-se necessários: conhecimento histórico- que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente,
literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), mas depende das condições da frase.
leitura e prática; conhecimento gramatical, estilístico qual (neutro) idem ao anterior.
(qualidades do texto) e semântico; capacidade de quem (pessoa)
observação e de síntese; capacidade de raciocínio. cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
o objeto possuído.
Interpretar/Compreender
LÍNGUA PORTUGUESA

como (modo)
onde (lugar)
Interpretar significa: quando (tempo)
Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. quanto (montante)
Através do texto, infere-se que... Exemplo:
É possível deduzir que... Falou tudo QUANTO queria (correto)
O autor permite concluir que... Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
Qual é a intenção do autor ao afirmar que... aparecer o demonstrativo O).

1
Dicas para melhorar a interpretação de textos

• Leia todo o texto, procurando ter uma visão geral EXERCÍCIOS COMENTADOS
do assunto. Se ele for longo, não desista! Há
muitos candidatos na disputa, portanto, quanto 1. (EBSERH – Analista Administrativo – Estatística –
mais informação você absorver com a leitura, mais AOCP-2015)
chances terá de resolver as questões.
• Se encontrar palavras desconhecidas, não O verão em que aprendi a boiar
interrompa a leitura. Quando achamos que tudo já aconteceu, novas
• Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas capacidades fazem de nós pessoas diferentes do que
forem necessárias. éramos
• Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma IVAN MARTINS
conclusão).
• Volte ao texto quantas vezes precisar. Sei que a palavra da moda é precocidade, mas eu acredito
• Não permita que prevaleçam suas ideias sobre em conquistas tardias. Elas têm na minha vida um gosto
as do autor. especial.
• Fragmente o texto (parágrafos, partes) para melhor Quando aprendi a guiar, aos 34 anos, tudo se transformou.
compreensão. De repente, ganhei mobilidade e autonomia. A cidade,
• Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado de minha cidade, mudou de tamanho e de fisionomia.
cada questão. Descer a Avenida Rebouças num táxi, de madrugada, era
• O autor defende ideias e você deve percebê-las. diferente – e pior – do que descer a mesma avenida com
• Observe as relações interparágrafos. Um parágrafo as mãos ao volante, ouvindo rock and roll no rádio. Pegar
geralmente mantém com outro uma relação a estrada com os filhos pequenos revelou-se uma delícia
de continuação, conclusão ou falsa oposição. insuspeitada.
Identifique muito bem essas relações. Talvez porque eu tenha começado tarde, guiar me
• Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou seja, parece, ainda hoje, uma experiência incomum. É um ato
a ideia mais importante. que, mesmo repetido de forma diária, nunca se banalizou
• Nos enunciados, grife palavras como “correto” ou inteiramente.
“incorreto”, evitando, assim, uma confusão na Na véspera do Ano Novo, em Ubatuba, eu fiz outra
hora da resposta – o que vale não somente para descoberta temporã.
Interpretação de Texto, mas para todas as demais
Depois de décadas de tentativas inúteis e frustrantes,
questões!
num final de tarde ensolarado eu conquistei o dom
• Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia
da flutuação. Nas águas cálidas e translúcidas da praia
principal, leia com atenção a introdução e/ou a
Brava, sob o olhar risonho da minha mulher, finalmente
conclusão.
consegui boiar.
• Olhe com especial atenção os pronomes relativos,
Não riam, por favor. Vocês que fazem isso desde os
pronomes pessoais, pronomes demonstrativos,
oito anos, vocês que já enjoaram da ausência de peso
etc., chamados vocábulos relatores, porque
e esforço, vocês que não mais se surpreendem com a
remetem a outros vocábulos do texto.
sensação de balançar ao ritmo da água – sinto dizer, mas
SITES vocês se esqueceram de como tudo isso é bom.
Disponível em: <http://www.tudosobreconcursos. Nadar é uma forma de sobrepujar a água e impor-se a
com/materiais/portugues/como-interpretar-textos> ela. Boiar é fazer parte dela – assim como do sol e das
Disponível em: <http://portuguesemfoco.com/pf/09- montanhas ao redor, dos sons que chegam filtrados ao
dicas-para-melhorar-a-interpretacao-de-textos-em- ouvido submerso, do vento que ergue a onda e lança
provas> água em nosso rosto. Boiar é ser feliz sem fazer força, e
Disponível em: <http://www.portuguesnarede. isso, curiosamente, não é fácil.
com/2014/03/dicas-para-voce-interpretar-melhor-um. Essa experiência me sugeriu algumas considerações
html> sobre a vida em geral.
Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/ Uma delas, óbvia, é que a gente nunca para de aprender
cursinho/questoes/questao-117-portugues.htm> ou de avançar. Intelectualmente e emocionalmente,
de um jeito prático ou subjetivo, estamos sempre
incorporando novidades que nos transformam. Somos
geneticamente elaborados para lidar com o novo, mas
não só. Também somos profundamente modificados por
LÍNGUA PORTUGUESA

ele. A cada momento da vida, quando achamos que tudo


já aconteceu, novas capacidades irrompem e fazem de
nós uma pessoa diferente do que éramos. Uma pessoa
capaz de boiar é diferente daquelas que afundam como
pedras.
Suspeito que isso tenha importância também para os
relacionamentos.

2
Se a gente não congela ou enferruja – e tem gente que já e) ser necessário aprender nos relacionamentos, porém
está assim aos 30 anos – nosso repertório íntimo tende a sempre estando alerta para aquilo de ruim que pode
se ampliar, a cada ano que passa e a cada nova relação. acontecer.
Penso em aprender a escutar e a falar, em olhar o outro,
em tocar o corpo do outro com propriedade e deixar- Resposta: Letra A
se tocar sem susto. Penso em conter a nossa própria Ao texto: (...) tudo se aprende, mesmo as coisas simples
frustração e a nossa fúria, em permitir que o parceiro que pareciam impossíveis. / Enquanto se está vivo e
floresça, em dar atenção aos detalhes dele. Penso, relação existe, há chance de melhorar = sempre há
sobretudo, em conquistar, aos poucos, a ansiedade e tempo para boiar (aprender).
insegurança que nos bloqueiam o caminho do prazer, não Em “a”: haver sempre tempo para aprender, para tentar
apenas no sentido sexual. Penso em estar mais tranquilo relaxar e ser feliz nas águas do amor, agindo com
na companhia do outro e de si mesmo, no mundo. mais calma, com mais prazer, com mais intensidade e
Assim como boiar, essas coisas são simples, mas precisam menos medo = correta.
Em “b”: ser necessário agir com mais cautela nos
ser aprendidas.
relacionamentos amorosos para que eles não
Estar no interior de uma relação verdadeira é como estar
se desfaçam = incorreta – o autor propõe viver
na água do mar. Às vezes você nada, outras vezes você
intensamente.
boia, de vez em quando, morto de medo, sente que pode
Em “c”: haver sempre tempo para aprender a ser mais
afundar. É uma experiência que exige, ao mesmo tempo,
criterioso com seus relacionamentos, a fim de que eles
relaxamento e atenção, e nem sempre essas coisas se
sejam vividos intensamente = incorreta – ser menos
combinam. Se a gente se põe muito tenso e cerebral, a
objetivo nos relacionamentos.
relação perde a espontaneidade. Afunda. Mas, largada Em “d”: haver sempre tempo para aprender coisas
apenas ao sabor das ondas, sem atenção ao equilíbrio, a novas, inclusive agir com o raciocínio nas relações
relação também naufraga. Há uma ciência sem cálculos amorosas = incorreta – ser mais emoção.
que tem de ser assimilada a cada novo amor, por cada Em “e”: ser necessário aprender nos relacionamentos,
um de nós. Ela fornece a combinação exata de atenção porém sempre estando alerta para aquilo de ruim que
e relaxamento que permite boiar. Quer dizer, viver de pode acontecer = incorreta – estar sempre cuidando,
forma relaxada e consciente um grande amor. não pensando em algo ruim.
Na minha experiência, esse aprendizado não se fez
rapidamente. Demorou anos e ainda se faz. Talvez porque 2. (TJ-SC – ANALISTA ADMINISTRATIVO – FGV-2018)
eu seja homem, talvez porque seja obtuso para as coisas Observe a charge a seguir:
do afeto. Provavelmente, porque sofro das limitações
emocionais que muitos sofrem e que tornam as relações
afetivas mais tensas e trabalhosas do que deveriam ser.
Sabemos nadar, mas nos custa relaxar e ser felizes nas
águas do amor e do sexo. Nos custa boiar.
A boa notícia, que eu redescobri na praia, é que tudo
se aprende, mesmo as coisas simples que pareciam
impossíveis.
Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de
melhorar. Mesmo se ela acabou, é certo que haverá outra
no futuro, no qual faremos melhor: com mais calma, com
mais prazer, com mais intensidade e menos medo.
O verão, afinal, está apenas começando. Todos os dias se
pode tentar boiar.
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/
noticia/2014/01/overao-em-que-aprendi-boiar.html A charge acima é uma homenagem a Stephen Hawking,
destacando o fato de o cientista:
De acordo com o texto, quando o autor afirma que “Todos
os dias se pode tentar boiar.”, ele refere-se ao fato de a) ter alcançado o céu após sua morte;
b) mostrar determinação no combate à doença;
a) haver sempre tempo para aprender, para tentar relaxar c) ser comparado a cientistas famosos;
e ser feliz nas águas do amor, agindo com mais calma, d) ser reconhecido como uma mente brilhante;
com mais prazer, com mais intensidade e menos e) localizar seus interesses nos estudos de Física.
medo.
LÍNGUA PORTUGUESA

b) ser necessário agir com mais cautela nos Resposta: Letra D


relacionamentos amorosos para que eles não se Em “a”: ter alcançado o céu após sua morte; = incorreto
desfaçam. Em “b”: mostrar determinação no combate à doença;
c) haver sempre tempo para aprender a ser mais criterioso = incorreto
com seus relacionamentos, a fim de que eles sejam Em “c”: ser comparado a cientistas famosos; = incorreto
vividos intensamente. Em “d”: ser reconhecido como uma mente brilhante;
d) haver sempre tempo para aprender coisas novas, Em “e”: localizar seus interesses nos estudos de Física.
inclusive agir com o raciocínio nas relações amorosas. = incorreto

3
Usemos a fala de Einstein: “a mente brilhante que a) tornar ilimitada a produção de dinheiro.
estávamos esperando”. b) proteger os bens dos clientes de bancos.
c) impedir que os bancos fossem à falência.
3. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018) d) permitir o empréstimo de mais dinheiro
e) preservar as economias das pessoas.
Lastro e o Sistema Bancário
[...] Resposta: Letra D
Até os anos 60, o papel-moeda e o dinheiro depositado Ao texto: (...) Com o tempo, os banqueiros se deram
nos bancos deviam estar ligados a uma quantidade de conta de que ninguém estava interessado em trocar
ouro num sistema chamado lastro-ouro. Como esse dinheiro por ouro e criaram manobras, como a reserva
metal é limitado, isso garantia que a produção de dinheiro fracional, para emprestar muito mais dinheiro do que
fosse também limitada. Com o tempo, os banqueiros se realmente tinham em ouro nos cofres.
deram conta de que ninguém estava interessado em Em “a”, tornar ilimitada a produção de dinheiro =
trocar dinheiro por ouro e criaram manobras, como a incorreta
reserva fracional, para emprestar muito mais dinheiro do Em “b”, proteger os bens dos clientes de bancos =
que realmente tinham em ouro nos cofres. Nas crises, incorreta
como em 1929, todos queriam sacar dinheiro para pagar Em “c”, impedir que os bancos fossem à falência =
suas contas e os bancos quebravam por falta de fundos, incorreta
deixando sem nada as pessoas que acreditavam ter suas Em “d”, permitir o empréstimo de mais dinheiro =
economias seguramente guardadas. correta
Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão- Em “e”, preservar as economias das pessoas = incorreta
ouro. Desde então, o dinheiro, na forma de cédulas e
principalmente de valores em contas bancárias, já não 4. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
tendo nenhuma riqueza material para representar, é A leitura do texto permite a compreensão de que
criado a partir de empréstimos. Quando alguém vai até
o banco e recebe um empréstimo, o valor colocado em a) as dívidas dos clientes são o que sustenta os bancos.
sua conta é gerado naquele instante, criado a partir de b) todo o dinheiro que os bancos emprestam é imaginário.
uma decisão administrativa, e assim entra na economia. c) quem pede um empréstimo deve a outros clientes.
Essa explicação permaneceu controversa e escondida d) o pagamento de dívidas depende do “livre-mercado”.
por muito tempo, mas hoje está clara em um relatório do e) os bancos confiscam os bens dos clientes endividados.
Bank of England de 2014.
Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo Resposta: Letra A
é criado assim, inventado em canetaços a partir da Em “a”, as dívidas dos clientes são o que sustenta os
concessão de empréstimos. O que torna tudo mais bancos = correta
estranho e perverso é que, sobre esse empréstimo, Em “b”, todo o dinheiro que os bancos emprestam é
é cobrada uma dívida. Então, se eu peço dinheiro ao imaginário = nem todo
banco, ele inventa números em uma tabela com meu Em “c”, quem pede um empréstimo deve a outros
nome e pede que eu devolva uma quantidade maior clientes = deve ao banco, este paga/empresta a outros
do que essa. Para pagar a dívida, preciso ir até o dito clientes
“livre-mercado” e trabalhar, lutar, talvez trapacear, para Em “d”, o pagamento de dívidas depende do “livre-
conseguir o dinheiro que o banco inventou na conta mercado” = não só: (...) preciso ir até o dito “livre-
de outras pessoas. Esse é o dinheiro que vai ser usado mercado” e trabalhar, lutar, talvez trapacear.
para pagar a dívida, já que a única fonte de moeda é Em “e”, os bancos confiscam os bens dos clientes
o empréstimo bancário. No fim, os bancos acabam com endividados = desde que não paguem a dívida
todo o dinheiro que foi inventado e ainda confiscam os
bens da pessoa endividada cujo dinheiro tomei. 5. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO
Assim, o sistema monetário atual funciona com uma GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) Observe a charge
moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante. abaixo, publicada no momento da intervenção nas
Escassa porque só banqueiros podem criá-la, e abundante atividades de segurança do Rio de Janeiro, em março de
porque é gerada pela simples manipulação de bancos 2018.
de dados. O resultado é uma acumulação de riqueza e
poder sem precedentes: um mundo onde o patrimônio
de 80 pessoas é maior do que o de 3,6 bilhões, e onde
o 1% mais rico tem mais do que os outros 99% juntos.
[...]
LÍNGUA PORTUGUESA

Disponível em https://fagulha.org/artigos/inventando-dinheiro/
Acessado em 20/03/2018

De acordo com o autor do texto Lastro e o sistema


bancário, a reserva fracional foi criada com o objetivo de

4
Há uma série de informações implícitas na charge; NÃO Resposta: Letra A
pode, no entanto, ser inferida da imagem e das frases a Em “a”: a criação de uma dependência tecnológica
seguinte informação: excessiva;
Em “b”: a falta de exercícios físicos nas crianças; =
a) a classe social mais alta está envolvida nos crimes incorreto
cometidos no Rio; Em “c”: o risco de contatos perigosos; = incorreto
b) a tarefa da investigação criminal não está sendo bem- Em “d”: o abandono dos estudos regulares; = incorreto
feita; Em “e”: a falta de contato entre membros da família. =
c) a linguagem do personagem mostra intimidade com incorreto
o interlocutor; Através da fala do garoto chegamos à resposta:
d) a presença do orelhão indica o atraso do local da dependência tecnológica - expressa em sua fala.
charge;
e) as imagens dos tanques de guerra denunciam a 7. (Câmara de Salvador-BA – Assistente Legislativo
presença do Exército. Municipal – FGV-2018-adaptada) “Hoje, esse
termo denota, além da agressão física, diversos tipos
Resposta: Letra D de imposição sobre a vida civil, como a repressão
política, familiar ou de gênero, ou a censura da fala e
do pensamento de determinados indivíduos e, ainda,
o desgaste causado pelas condições de trabalho e
condições econômicas”. A manchete jornalística abaixo
que NÃO se enquadra em nenhum tipo de violência
citado nesse segmento é:

a) Presa por mensagem racista na internet;


NÃO pode ser inferida da imagem e das frases a b) Vinte pessoas são vítimas da ditadura venezuelana;
seguinte informação: c) Apanhou de policiais por destruir caixa eletrônico;
Em “a”, a classe social mais alta está envolvida nos d) Homossexuais são perseguidos e presos na Rússia;
crimes cometidos no Rio = inferência correta e) Quatro funcionários ficaram livres do trabalho escravo.
Em “b”, a tarefa da investigação criminal não está
sendo bem-feita = inferência correta Resposta: Letra C
Em “c”, a linguagem do personagem mostra intimidade Em “a”: Presa por mensagem racista na internet =
com o interlocutor = inferência correta como a repressão política, familiar ou de gênero
Em “d”, a presença do orelhão indica o atraso do local Em “b”: Vinte pessoas são vítimas da ditadura
da charge = incorreta venezuelana = como a repressão política, familiar ou
Em “e”, as imagens dos tanques de guerra denunciam de gênero
a presença do Exército = inferência correta Em “c”: Apanhou de policiais por destruir caixa
eletrônico = não consta na Manchete acima
6. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) Observe Em “d”: Homossexuais são perseguidos e presos na
a charge abaixo. Rússia = como a repressão política, familiar ou de
gênero
Em “e”: Quatro funcionários ficaram livres do trabalho
escravo = o desgaste causado pelas condições de
trabalho

8. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO –


ÁREA JURÍDICA – FGV-2018)

Oportunismo à Direita e à Esquerda


Numa democracia, é livre a expressão, estão garantidos
o direito de reunião e de greve, entre outros, obedecidas
leis e regras, lastreadas na Constituição. Em um regime
de liberdades, há sempre o risco de excessos, a serem
devidamente contidos e seus responsáveis, punidos,
No caso da charge, a crítica feita à internet é: conforme estabelecido na legislação.
LÍNGUA PORTUGUESA

É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos


a) a criação de uma dependência tecnológica excessiva; caminhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo,
b) a falta de exercícios físicos nas crianças; da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados
c) o risco de contatos perigosos; em se beneficiar do barateamento do combustível.
d) o abandono dos estudos regulares; Sempre há, também, o oportunismo político-ideológico
e) a falta de contato entre membros da família. para se aproveitar da crise. Inclusive, neste ano de
eleição, com o objetivo de obter apoio a candidatos. Não
faltam, também, os arautos do quanto pior, melhor, para

5
desgastar governantes e reforçar seus projetos de poder, e permissividade, sem dinamismo próprio; em síntese,
por mais delirantes que sejam. Também aqui vale o que condenada a um vazio, a uma não existência palpável,
está delimitado pelo estado democrático de direito, difícil de se concretizar e de se precisar. Em sua concepção
defendido pelos diversos instrumentos institucionais de positiva, a paz não é o contrário da guerra, mas a prática da
que conta o Estado – Polícia, Justiça, Ministério Público, não violência para resolver conflitos, a prática do diálogo
Forças Armadas etc. na relação entre pessoas, a postura democrática frente à
A greve atravessou vários sinais ao estrangular as vias de vida, que pressupõe a dinâmica da cooperação planejada
suprimento que mantêm o sistema produtivo funcionando, e o movimento constante da instalação de justiça.
do qual depende a sobrevivência física da população. Isso Uma cultura de paz exige esforço para modificar o pensamento
não pode ser esquecido e serve de alerta para que as e a ação das pessoas para que se promova a paz. Falar de
autoridades desenvolvam planos de contingência. violência e de como ela nos assola deixa de ser, então, a
O Globo, 31/05/2018. temática principal. Não que ela vá ser esquecida ou abafada;
ela pertence ao nosso dia a dia e temos consciência disso.
“É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos Porém, o sentido do discurso, a ideologia que o alimenta,
caminhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo, precisa impregná-lo de palavras e conceitos que anunciem
da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados em os valores humanos que decantam a paz, que lhe proclamam
se beneficiar do barateamento do combustível.” Segundo e promovem. A violência já é bastante denunciada, e quanto
esse parágrafo do texto, o que “precisa acontecer” é mais falamos dela, mais lembramos de sua existência em nosso
meio social. É hora de começarmos a convocar a presença da
paz em nós, entre nós, entre nações, entre povos.
a) manter-se o direito de livre expressão do pensamento.
Um dos primeiros passos nesse sentido refere-se à gestão
b) garantir-se o direito de reunião e de greve.
de conflitos. Ou seja, prevenir os conflitos potencialmente
c) lastrear leis e regras na Constituição.
violentos e reconstruir a paz e a confiança entre pessoas
d) punirem-se os responsáveis por excessos.
originárias de situação de guerra é um dos exemplos mais
e) concluírem-se as investigações sobre a greve. comuns a serem considerados. Tal missão estende-se às
escolas, instituições públicas e outros locais de trabalho
Resposta: Letra D por todo o mundo, bem como aos parlamentos e centros
Em “a”: manter-se o direito de livre expressão do de comunicação e associações.
pensamento. = incorreto Outro passo é tentar erradicar a pobreza e reduzir as
Em “b”: garantir-se o direito de reunião e de greve. = desigualdades, lutando para atingir um desenvolvimento
incorreto sustentado e o respeito pelos direitos humanos, reforçando
Em “c”: lastrear leis e regras na Constituição. = incorreto as instituições democráticas, promovendo a liberdade de
Em “d”: punirem-se os responsáveis por excessos. expressão, preservando a diversidade cultural e o ambiente.
Em “e”: concluírem-se as investigações sobre a greve. É, então, no entrelaçamento “paz — desenvolvimento
= incorreto — direitos humanos — democracia” que podemos
Ao texto: (...) há sempre o risco de excessos, a serem vislumbrar a educação para a paz.
devidamente contidos e seus responsáveis, punidos, Leila Dupret. Cultura de paz e ações sócio-educativas: desafios
conforme estabelecido na legislação. / É o que precisa para a escola contemporânea. In: Psicol. Esc. Educ. (Impr.) v. 6, n.º
acontecer... = precisa acontecer a punição dos 1. Campinas, jun./2002 (com adaptações).
excessos.
De acordo com o texto CG1A1AAA, os elementos
9. (PC-MA – DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – “gestão de conflitos” e “erradicar a pobreza” devem ser
CESPE-2018) concebidos como
a) obstáculos para a construção da cultura da paz.
Texto CG1A1AAA b) dispensáveis para a construção da cultura da paz.
A paz não pode ser garantida apenas pelos acordos c) irrelevantes na construção da cultura da paz.
políticos, econômicos ou militares. Cada um de nós, d) etapas para a construção da cultura da paz.
e) consequências da construção da cultura da paz.
independentemente de idade, sexo, estrato social, crença
religiosa etc. é chamado à criação de um mundo pacificado,
Resposta: Letra D
um mundo sob a égide de uma cultura da paz.
Em “a”: obstáculos para a construção da cultura da paz.
Mas, o que significa “cultura da paz”?
= incorreto
Construir uma cultura da paz envolve dotar as crianças e Em “b”: dispensáveis para a construção da cultura da
os adultos da compreensão de princípios como liberdade, paz. = incorreto
justiça, democracia, direitos humanos, tolerância, igualdade Em “c”: irrelevantes na construção da cultura da paz.
e solidariedade. Implica uma rejeição, individual e coletiva,
LÍNGUA PORTUGUESA

= incorreto
da violência que tem sido percebida na sociedade, em seus Em “d”: etapas para a construção da cultura da paz.
mais variados contextos. A cultura da paz tem de procurar Em “e”: consequências da construção da cultura da paz.
soluções que advenham de dentro da(s) sociedade(s), que = incorreto
não sejam impostas do exterior. Ao texto: Um dos primeiros passos nesse sentido
Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado refere-se à gestão de conflitos. (...) Outro passo é tentar
em sentido negativo, quando se traduz em um estado erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades = etapas
de não guerra, em ausência de conflito, em passividade para construção da paz.

6
10. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE a) a violência era comum no passado.
JUSTIÇA AVALIADOR – FGV-2018) b) as pessoas lutam contra a violência.
c) a violência está banalizada.
d) o preço que pagou pela violência foi alto.

Resposta: Letra C
Em “a”: a violência era comum no passado. = incorreto
Em “b”: as pessoas lutam contra a violência. = incorreto
Em “c”: a violência está banalizada.
Em “d”: o preço que pagou pela violência foi alto. =
incorreto
Infelizmente, a personagem revela que a violência está
banalizada, nem há mais “punições” para os agressivos.

12. (PM-SP - ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR


[INTERIOR] – VUNESP-2017) Leia a charge.

O humor da tira é conseguido através de uma quebra de


expectativa, que é:

a) o fato de um adulto colecionar figurinhas;


b) as figurinhas serem de temas sociais e não esportivos; (Pancho. www.gazetadopovo.com.br)
c) a falta de muitas figurinhas no álbum;
d) a reclamação ser apresentada pelo pai e não pelo filho; É correto associar o humor da charge ao fato de que
e) uma criança ajudar a um adulto e não o contrário.
a) os personagens têm uma autoestima elevada e são
Resposta: Letra B otimistas, mesmo vivendo em uma situação de
Em “a”: o fato de um adulto colecionar figurinhas; = completo confinamento.
incorreto b) os dois personagens estão muito bem informados
Em “b”: as figurinhas serem de temas sociais e não sobre a economia, o que não condiz com a imagem
esportivos; de criminosos.
Em “c”: a falta de muitas figurinhas no álbum; = c) o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida dos
incorreto personagens, pois eles demonstram preocupação
Em “d”: a reclamação ser apresentada pelo pai e não com a aparência.
pelo filho; = incorreto d) o aumento dos preços de cosméticos não surpreende
Em “e”: uma criança ajudar a um adulto e não o os personagens, que estão acostumados a pagar caro
contrário. = incorreto por eles nos presídios.
O humor está no fato de o álbum ser sobre um tema e) os preços de cosméticos não deveriam ser relevantes
incomum: assuntos sociais. para os personagens, dada a condição em que se
encontram.
11. (PM-SP - SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR –
VUNESP-2015) Leia a tira. Resposta: Letra E
Em “a”: os personagens têm uma autoestima elevada
e são otimistas, mesmo vivendo em uma situação de
completo confinamento. = incorreto
Em “b”: os dois personagens estão muito bem
LÍNGUA PORTUGUESA

informados sobre a economia, o que não condiz com a


imagem de criminosos. = incorreto
Em “c”: o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida
dos personagens, pois eles demonstram preocupação
com a aparência. = incorreto
(Folha de S.Paulo, 02.10.2015. Adaptado) Em “d”: o aumento dos preços de cosméticos não
surpreende os personagens, que estão acostumados
Com sua fala, a personagem revela que a pagar caro por eles nos presídios. = incorreto

7
Em “e”: os preços de cosméticos não deveriam ser
relevantes para os personagens, dada a condição em RECONHECIMENTO DE TIPOS E GÊNEROS
que se encontram. TEXTUAIS
Pela condição em que as personagens se encontram, o
aumento no preço dos cosméticos não os afeta.
TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL

13. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE A todo o momento nos deparamos com vários textos,
JUSTIÇA AVALIADOR – FGV-2018) sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a presença
do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência daquilo
Texto 1 – Além do celular e da carteira, cuidado com que está sendo transmitido entre os interlocutores. Estes
as figurinhas da Copa interlocutores são as peças principais em um diálogo ou
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018 em um texto escrito.
É de fundamental importância sabermos classificar
A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo os textos com os quais travamos convivência no nosso
uma temperatura muito alta. Preocupados que os mais dia a dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos
afoitos pelos cromos possam até roubá-los, muitos textuais e gêneros textuais.
jornaleiros estão levando seus estoques para casa Comumente relatamos sobre um acontecimento, um
quando termina o expediente. Pode parecer piada, mas fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa
há até boatos sobre quadrilhas de roubo de figurinha opinião sobre determinado assunto, descrevemos algum
espalhados por mensagens de celular. lugar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre
alguém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente
Sobre a estrutura do título dado ao texto 1, a afirmativa nessas situações corriqueiras que classificamos os
adequada é: nossos textos naquela tradicional tipologia: Narração,
Descrição e Dissertação.
a) as figurinhas da Copa passaram a ocupar o lugar do
celular e da carteira nos roubos urbanos; As tipologias textuais se caracterizam pelos
b) as figurinhas da Copa se somaram ao celular e à aspectos de ordem linguística
carteira como alvo de desejo dos assaltantes; Os tipos textuais designam uma sequência definida
c) o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros que pela natureza linguística de sua composição. São
vendem as figurinhas da Copa; observados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais,
d) os ladrões passaram a roubar as figurinhas da Copa relações logicas. Os tipos textuais são o narrativo,
nas bancas de jornais; descritivo, argumentativo/dissertativo, injuntivo e
e) as figurinhas da Copa se transformaram no alvo expositivo.
principal dos ladrões. A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de
ação demarcados no tempo do universo narrado,
Resposta: Letra B como também de advérbios, como é o caso de an-
Em “a”: as figurinhas da Copa passaram a ocupar o tes, agora, depois, entre outros: Ela entrava em seu
lugar do celular e da carteira nos roubos urbanos; = carro quando ele apareceu. Depois de muita conver-
incorreto sa, resolveram...
Em “b”: as figurinhas da Copa se somaram ao celular e B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
à carteira como alvo de desejo dos assaltantes; descrevem características tanto físicas quanto psi-
Em “c”: o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros cológicas acerca de um determinado indivíduo ou
que vendem as figurinhas da Copa; = incorreto objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados
Em “d”: os ladrões passaram a roubar as figurinhas da no presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os
Copa nas bancas de jornais; = incorreto cabelos mais negros como a asa da graúna...”
Em “e”: as figurinhas da Copa se transformaram no C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar
alvo principal dos ladrões. = incorreto um assunto ou uma determinada situação que se
O título do texto já nos dá a resposta: além do celular almeje desenvolvê-la, enfatizando acerca das ra-
e da carteira, ou seja, as figurinhas da Copa também zões de ela acontecer, como em: O cadastramento
passaram a ser alvo dos assaltantes. irá se prorrogar até o dia 02 de dezembro, portan-
to, não se esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o
benefício.
D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de
uma modalidade na qual as ações são prescritas de
LÍNGUA PORTUGUESA

forma sequencial, utilizando-se de verbos expres-


sos no imperativo, infinitivo ou futuro do presente:
Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador
até criar uma massa homogênea.
E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demar-
cam-se pelo predomínio de operadores argumen-
tativos, revelados por uma carga ideológica cons-

8
tituída de argumentos e contra-argumentos que Energia elétrica.
justificam a posição assumida acerca de um deter- A natureza cobra o preço do desperdício.
minado assunto: A mulher do mundo contemporâ- Internet: <www.tjdft.jus.br> (com adaptações)
neo luta cada vez mais para conquistar seu espaço
no mercado de trabalho, o que significa que os gê- Há no texto elementos característicos das tipologias ex-
neros estão em complementação, não em disputa. positiva e injuntiva.

Gêneros Textuais ( ) CERTO ( ) ERRADO

São os textos materializados que encontramos em Resposta: Certo. Texto injuntivo – ou instrucional – é
nosso cotidiano; tais textos apresentam características aquele que passa instruções ao leitor. O texto acima
sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função, apresenta tal característica.
composição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos:
receita culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema,
editorial, piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum, DOMÍNIO DA ORTOGRAFIA OFICIAL.
blog, etc.
A escolha de um determinado gênero discursivo
depende, em grande parte, da situação de produção, ORTOGRAFIA
ou seja, a finalidade do texto a ser produzido, quem são
os locutores e os interlocutores, o meio disponível para A ortografia é a parte da Fonologia que trata da
veicular o texto, etc. correta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som
Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a devem ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma
esferas de circulação. Assim, na esfera jornalística, por língua são grafados segundo acordos ortográficos.
exemplo, são comuns gêneros como notícias, reportagens, A maneira mais simples, prática e objetiva de aprender
editoriais, entrevistas e outros; na esfera de divulgação ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
científica são comuns gêneros como verbete de dicionário familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras
ou de enciclopédia, artigo ou ensaio científico, seminário, é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções
conferência. e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de
etimologia (origem da palavra).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
Regras ortográficas
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010.
A) O fonema S
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática –
São escritas com S e não C/Ç
volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
• Palavras substantivadas derivadas de verbos com
SITE radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/ - pretensão / expandir - expansão / ascender -
redacao/tipologia-textual.htm> ascensão / inverter - inversão / aspergir - aspersão /
submergir - submersão / divertir - diversão / impelir
- impulsivo / compelir - compulsório / repelir -
repulsa / recorrer - recurso / discorrer - discurso /
EXERCÍCIO COMENTADO sentir - sensível / consentir – consensual.

1. (TJ-DFT – CONHECIMENTOS BÁSICOS – TÉCNICO São escritos com SS e não C e Ç


JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – CESPE – • Nomes derivados dos verbos cujos radicais terminem
2015) em gred, ced, prim ou com verbos terminados
por tir ou -meter: agredir - agressivo / imprimir -
Ouro em Fios impressão / admitir - admissão / ceder - cessão /
exceder - excesso / percutir - percussão / regredir
A natureza é capaz de produzir materiais preciosos, - regressão / oprimir - opressão / comprometer -
como o ouro e o cobre - condutor de ENERGIA ELÉTRICA. compromisso / submeter – submissão.
O ouro já é escasso. A energia elétrica caminha para isso. • Quando o prefixo termina com vogal que se junta
Enquanto cientistas e governos buscam novas fontes de com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a +
simétrico - assimétrico / re + surgir – ressurgir.
LÍNGUA PORTUGUESA

energia sustentáveis, faça sua parte aqui no TJDFT:


- Desligue as luzes nos ambientes onde é possível usar a • No pretérito imperfeito simples do subjuntivo.
iluminação natural. Exemplos: ficasse, falasse.
- Feche as janelas ao ligar o ar-condicionado.
- Sempre desligue os aparelhos elétricos ao sair do am- São escritos com C ou Ç e não S e SS
biente. • Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar.
- Utilize o computador no modo espera. • Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó,
Fique ligado! Evite desperdícios. Juçara, caçula, cachaça, cacique.

9
• Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, São escritas com J e não G
uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, • Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
caniço, esperança, carapuça, dentuço. • Palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia,
• Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção / manjerona.
deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção. • Palavras terminadas com aje: ultraje.
• Após ditongos: foice, coice, traição.
• Palavras derivadas de outras terminadas em -te, D) O fonema ch
to(r): marte - marciano / infrator - infração /
absorto – absorção. São escritas com X e não CH
• Palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi,
B) O fonema z xucro.
• Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu,
São escritos com S e não Z lagartixa.
• Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical • Depois de ditongo: frouxo, feixe.
é substantivo, ou em gentílicos e títulos • Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
nobiliárquicos: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, Exceção: quando a palavra de origem não derive de
baronesa, princesa. outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
• Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese,
metamorfose. São escritas com CH e não X
• Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis,
quiseste.  Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
• Nomes derivados de verbos com radicais terminados chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.
em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão /
empreender - empresa / difundir – difusão. E) As letras “e” e “i”
• Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís -
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho. • Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
• Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa. Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
• Verbos derivados de nomes cujo radical termina • Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar são escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue.
– pesquisar. Escrevemos com “i”, os verbos com infinitivo em
-air, -oer e -uir: trai, dói, possui, contribui.
São escritos com Z e não S
• Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de Há palavras que mudam de sentido quando
adjetivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo – substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (superfície),
beleza. ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir)
• Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra / emergir (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de
de origem não termine com s): final - finalizar / estância, que anda a pé), pião (brinquedo).
concreto – concretizar. Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto à
• Consoante de ligação se o radical não terminar com ortografia de uma palavra, há a possibilidade de consultar
“s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP),
Exceção: lápis + inho – lapisinho. elaborado pela Academia Brasileira de Letras. É uma obra
de referência até mesmo para a criação de dicionários,
C) O fonema j pois traz a grafia atualizada das palavras (sem o
significado). Na Internet, o endereço é www.academia.
São escritas com G e não J org.br.
• Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
gesso. Informações importantes
• Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento,
gim. Formas variantes são as que admitem grafias ou
• Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com pronúncias diferentes para palavras com a mesma
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, significação: aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/
bege, foge. quatorze, dependurar/pendurar, flecha/frecha, germe/
Exceção: pajem. gérmen, infarto/enfarte, louro/loiro, percentagem/
porcentagem, relampejar/relampear/relampar/
• Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, relampadar.
LÍNGUA PORTUGUESA

litígio, relógio, refúgio. Os símbolos das unidades de medida são escritos


• Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fugir, sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar
mugir. plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg,
• Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, 20km, 120km/h.
surgir. Exceção para litro (L): 2 L, 150 L.
• Depois da letra “a”, desde que não seja radical
terminado com j: ágil, agente.

10
Na indicação de horas, minutos e segundos, não MAU / MAL
deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h,
22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se
minutos e trinta e quatro segundos). como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um
O símbolo do real antecede o número sem espaço: mau elemento.
R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma
barra vertical ($). Mal = pode ser usado como
1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”,
Alguns Usos Ortográficos Especiais “logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu.
2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi
POR QUE / POR QUÊ / PORQUÊ / PORQUE mal na prova?
3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou
POR QUE (separado e sem acento) pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal
não compensa.
É usado em:
1. interrogações diretas (longe do ponto de REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
interrogação) = Por que você não veio ontem? SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
que faltara à aula ontem. Cochar - Português linguagens: volume 1. – 7.ª ed. Reform.
3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” = – São Paulo: Saraiva, 2010.
Ignoro o motivo por que ele se demitiu. AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.
POR QUÊ (separado e com acento) CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira
Usos:
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo:
1. como pronome interrogativo, quando colocado no
Saraiva, 2002.
fim da frase (perto do ponto de interrogação) =
Você faltou. Por quê?
SITE
2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por
Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/
quê?
aulas/portugues/ortografia>
PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico)
Hífen
Usos:
1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado
a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na para ligar os elementos de palavras compostas (como ex-
escrita (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até presidente, por exemplo) e para unir pronomes átonos
ponto final) = Compre agora, porque há poucas a verbos (ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente
peças. para fazer a translineação de palavras, isto é, no fim de
2. como conjunção subordinativa causal, substituível uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca-/sa;
por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu compa-/nheiro).
porque se antecipou.
A) Uso do hífen que continua depois da Reforma
PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico) Ortográfica:
1. Em palavras compostas por justaposição que
Usos: formam uma unidade semântica, ou seja, nos termos
1. como substantivo, com o sentido de “causa”, que se unem para formam um novo significado:
“razão” ou “motivo”, admitindo pluralização tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-
(porquês). Geralmente é precedido por artigo = coronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva,
Não sei o porquê da discussão. É uma pessoa cheia arco-íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
de porquês. 2. Em palavras compostas por espécies botânicas e
zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer,
ONDE / AONDE abóbora-menina, erva-doce, feijão-verde.
3. Nos compostos com elementos além, aquém,
LÍNGUA PORTUGUESA

Onde = empregado com verbos que não expressam recém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-
a ideia de movimento = Onde você está? número, recém-casado.
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas
Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos algumas exceções continuam por já estarem
que expressam movimento = Aonde você vai? consagradas pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha,
mais-que-perfeito, pé-de-meia, água-de-colônia,
queima-roupa, deus-dará.

11
5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”:
Rio-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas benfeito, benquerer, benquerido, etc.
combinações históricas ou ocasionais: Áustria-
Hungria, Angola-Brasil, etc. Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e correspondentes átonas, aglutinam-se com o elemento
super- quando associados com outro termo que é seguinte, não havendo hífen: pospor, predeterminar,
iniciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super- predeterminado, pressuposto, propor.
racional, etc. Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccioso,
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex- auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-
diretor, ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito. humano, super-realista, alto-mar.
8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma,
pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, antisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante,
etc. ultrassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus,
9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, autoajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi.
abraça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.
10. Nas formações em que o prefixo tem como REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
segundo termo uma palavra iniciada por “h”: sub- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
hepático, geo-história, neo-helênico, extra-humano, Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
semi-hospitalar, super-homem.
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo
SITE
termina com a mesma vogal do segundo elemento:
Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/
micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, auto-
aulas/portugues/ortografia>
observação, etc.

O hífen é suprimido quando para formar outros


termos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar. EXERCÍCIOS COMENTADOS

#FicaDica 1. (EBSERH – TÉCNICO EM FARMÁCIA- AOCP-2015)


Assinale a alternativa em que as palavras estão grafadas
Ao separar palavras na translineação corretamente.
(mudança de linha), caso a última palavra a
ser escrita seja formada por hífen, repita-o a) Extrovertido – extroverção.
na próxima linha. Exemplo: escreverei anti- b) Disponível – disponibilisar.
inflamatório e, ao final, coube apenas “anti-”. c) Determinado – determinassão.
Na próxima linha escreverei: “-inflamatório” d) Existir – existência.
(hífen em ambas as linhas). Devido à e) Característica – caracterizasão.
diagramação, pode ser que a repetição do
hífen na translineação não ocorra em meus Resposta: Letra D
conteúdos, mas saiba que a regra é esta! Em “a”: Extrovertido / extroverção = extroversão
Em “b”: Disponível / disponibilisar = disponibilizar
Em “c”: Determinado / determinassão = determinação
B) Não se emprega o hífen: Em “d”: Existir / existência = corretas
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo Em “e”: Característica / caracterizasão = caracterização
termina em vogal e o segundo termo inicia-se em
“r” ou “s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas 2. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
consoantes: antirreligioso, contrarregra, infrassom, I – CESGRANRIO-2018) O termo destacado está grafado
microssistema, minissaia, microrradiografia, etc.
de acordo com as exigências da norma-padrão da língua
2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo
portuguesa em:
termina em vogal e o segundo termo inicia-se com
vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação,
a) O estagiário foi mal treinado, por isso não
autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrico,
plurianual, autoescola, infraestrutura, etc. desempenhava satisfatoriamente as tarefas solicitadas
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos pelos seus superiores.
“dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h” b) O time não jogou mau no último campeonato,
apesar de enfrentar alguns problemas com jogadores
LÍNGUA PORTUGUESA

inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc.


4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando descontrolados.
o segundo elemento começar com “o”: cooperação, c) O menino não era mal aluno, somente tinha dificuldade
coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, em assimilar conceitos mais complexos sobre os temas
coedição, coexistir, etc. expostos.
5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram d) Os funcionários perceberam que o chefe estava de
noção de composição: pontapé, girassol, mal humor porque tinha sofrido um acidente de carro
paraquedas, paraquedista, etc. na véspera.

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e) Os participantes compreendiam mau o que estava e) Com coragem, serenidade e lucidez, até o fim,
sendo discutido, por isso não conseguiam formular enfrentou a pena última.
perguntas.
Resposta: Letra A
Resposta: Letra A Em “a”: Descoberta a conspiração, enquanto os outros
Mal = advérbio (antônimo de “bem”) / mau = adjetivo não procuravam outra coisa se não salvar-se (senão se
(antônimo de “bom”). Para saber quando utilizar um salvar) , ele revelou a mais heróica (heroica) força de
ou outro, a dica é substituir por seu antônimo. Se a ânimo, chamando a si toda a culpa.
frase ficar coerente, saberemos qual dos dois deve ser Em “b”: Antes de alistar-se na tropa paga, vivera da
utilizado. Por exemplo: Cigarro faz mal/mau à saúde profissão que lhe valera o apelido = correta
= Cigarro faz bem à saúde. A frase ficou coerente – Em “c”: Não obstante, foi ele talvez o único a
embora errada em termos de saúde! Então, a maneira demonstrar fé, entusiasmo e coragem na aventura de
correta é “Cigarro faz mal à saúde”. 89 = correta
Vamos aos itens: Em “d”: A verdade é que Gonzaga, Cláudio Manuel da
Em “a”: O estagiário foi mal (bem) treinado = correta Costa, Alvarenga eram homens requintados, letrados,
Em “b”: O time não jogou mau (bem)no último a quem a vida corria fácil, ao passo que o alferes
campeonato = mal sempre lutara pela subsistência = correta
Em “c”: O menino não era mal (bom) aluno = mau Em “e”: Com coragem, serenidade e lucidez, até o fim,
Em “d”: Os funcionários perceberam que o chefe enfrentou a pena última = correta
estava de mal (bom) humor = mau
Em “e”: Os participantes compreendiam mau (bem) o 5. (TJ-MG – OFICIAL JUDICIÁRIO – COMISSÁRIO DA
que estava sendo discutido = mal INFÂNCIA E DA JUVENTUDE – CONSULPLAN-2017)
Estabeleça a associação correta entre a 1.ª coluna e a 2.ª
3. (TRANSPETRO – TÉCNICO AMBIENTAL JÚNIOR – considerando o emprego do por que / porque.
CESGRANRIO-2018) Obedecem às regras ortográficas
da língua portuguesa as palavras (1) “Muitas pessoas se perguntam por que há tão poucas
mulheres [...].”
a) admissão, paralisação, impasse (2) “Misoginia é o ódio contra as mulheres apenas porque
b) bambusal, autorização, inspiração são mulheres.”
c) consessão, extresse, enxaqueca
d) banalisação, reexame, desenlace ( ) Faltei _____________ você estava doente.
e) desorganisação, abstração, cassação ( ) Todos sabem _____________ não poderei estar presente.
( ) Não se sabe ____________realizou tal procedimento.
Resposta: Letra A ( ) Este ponto de vista é _________não há manifestação de
Em “a”: admissão / paralisação / impasse = corretas outro pensamento.
Em “b”: bambusal = bambuzal / autorização /
inspiração A sequência está correta em:
Em “c”: consessão = concessão / extresse = estresse / a) 1, 1, 1, 2
enxaqueca b) 1, 2, 1, 2
Em “d”: banalisação = banalização / reexame / c) 2, 1, 1, 2
desenlace d) 2, 2, 2, 1
Em “e”: desorganisação = desorganização / abstração
/ cassação Resposta: Letra C
Faltei porque você estava doente. = conjunção causal
4. (MPU – ANALISTA – ÁREA ADMINISTRATIVA – Todos sabem por que não poderei estar presente. = dá
ESAF-2004-ADAPTADA) Na questão abaixo, baseada para substituir por “a causa pela qual”
em Manuel Bandeira, escolha o segmento do texto que Não se sabe por que realizou tal procedimento. =
não está isento de erros gramaticais e de ortografia, substituir por “a causa”
considerando-se a ortodoxia gramatical. Este ponto de vista é porque não há manifestação de
outro pensamento. = conjunção causal
a) Descoberta a conspiração, enquanto os outros não Teremos: 2, 1, 1, 2
procuravam outra coisa se não salvar-se, ele revelou
a mais heróica força de ânimo, chamando a si toda a 6. (TJ-SC – TÉCNICO JUDICIÁRIO AUXILIAR – FGV-
culpa. 2018) “Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele
LÍNGUA PORTUGUESA

b) Antes de alistar-se na tropa paga, vivera da profissão só usava meias vermelhas”. Nesse segmento do texto 1
que lhe valera o apelido. há um erro gramatical, que é:
c) Não obstante, foi ele talvez o único a demonstrar fé,
entusiasmo e coragem na aventura de 89. a) empregar-se “o cercaram” em lugar de “lhe cercaram”;
d) A verdade é que Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, b) haver vírgula após a expressão “Um dia”;
Alvarenga eram homens requintados, letrados, a c) usar-se “lhe perguntaram” em lugar de “o perguntaram”;
quem a vida corria fácil, ao passo que o alferes sempre d) grafar-se “porque” em vez de “por que”;
lutara pela subsistência. e) escrever-se “só usava” em lugar de “usava só”.

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Resposta: Letra D D) trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi
“Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só totalmente abolido das palavras. Há uma exceção:
usava meias vermelhas” é utilizado em palavras derivadas de nomes
Em “a”: empregar-se “o cercaram” em lugar de “lhe próprios estrangeiros: mülleriano (de Müller)
cercaram”; = está correto, pois o “o” funciona como E) til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam
objeto direto (sem preposição) vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
Em “b”: haver vírgula após a expressão “Um dia”; = está
correto, pois separa o advérbio no início do período Regras fundamentais
Em “c”: usar-se “lhe perguntaram” em lugar de “o
perguntaram”; = está correto (o “lhe” é objeto indireto A) Palavras oxítonas:acentuam-se todas as oxítonas
– perguntaram o que a quem) terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não
Em “d”: grafar-se “porque” em vez de “por que”; do plural(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém.
Em “e”: escrever-se “só usava” em lugar de “usava só”. Esta regra também é aplicada aos seguintes casos:
= correto, pois se invertermos haverá mudança de Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”,
sentido (ele usava só meias, nenhuma outra peça de seguidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há
roupa). Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
A incorreção está no uso de “porque” no lugar de “por seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo
que”, já que se trata de uma pergunta indireta.
B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas
terminadas em:
ACENTUAÇÃO i, is: táxi – lápis – júri
us, um, uns: vírus – álbuns – fórum
Quanto à acentuação, observamos que algumas l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax –
palavras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, fórceps
ora se dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos
outra. Por isso, vamos às regras! ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
não de “s”: água – pônei – mágoa – memória
Regras básicas

A acentuação tônica está relacionada à intensidade #FicaDica


com que são pronunciadas as sílabas das palavras.
Aquela que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que
como sílaba tônica. As demais, como são pronunciadas esta palavra apresenta as terminações das
paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U
com menos intensidade, são denominadas de átonas.
(aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO.
De acordo com a tonicidade, as palavras são
Assim ficará mais fácil a memorização!
classificadas como:
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre
a última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju –
C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona
papel
quando a sua antepenúltima sílaba é tônica
Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima
(mais forte). Quanto à regra de acentuação:
sílaba: útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível
todas as proparoxítonas são acentuadas,
Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúltima independentemente de sua terminação: árvore,
sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus paralelepípedo, cárcere.
Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são Regras especiais
os chamados monossílabos. Estes são acentuados quando
tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó - ré. Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
Os acentos de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
palavras paroxítonas.
A) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a”
e “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas
letras representam as vogais tônicas de palavras FIQUE ATENTO!
como pá, caí, público. Sobre as letras “e” e “o”
LÍNGUA PORTUGUESA

Se os ditongos abertos estiverem em uma


indica, além da tonicidade, timbre aberto: herói – palavra oxítona (herói) ou monossílaba
céu (ditongos abertos). (céu) ainda são acentuados: dói, escarcéu.
B) acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras
“a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre
fechado: tâmara – Atlântico – pêsames – supôs .
C) acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a”
com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles

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Antes Agora Antes Agora
assembléia assembleia bocaiúva bocaiuva
idéia ideia feiúra feiura
geléia geleia Sauípe Sauipe
jibóia jiboia
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
apóia (verbo apoiar) apoia abolido:
paranóico paranoico
Antes Agora
Acento Diferencial
crêem creem
Representam os acentos gráficos que, pelas regras lêem leem
de acentuação, não se justificariam, mas são utilizados vôo voo
para diferenciar classes gramaticais entre determinadas
palavras e/ou tempos verbais. Por exemplo: Pôr (verbo) X enjôo enjoo
por (preposição) / pôde (pretérito perfeito do Indicativo do
verbo “poder”) X pode (presente do Indicativo do mesmo
verbo). #FicaDica
Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas: Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os
terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada, verbos que, no plural, dobram o “e”, mas
mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se, que não recebem mais acento como antes:
para que saibamos se se trata de um verbo ou preposição. CRER, DAR, LER e VER.
Os demais casos de acento diferencial não são Repare:
mais utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo O menino crê em você. / Os meninos creem
(substantivo), pelo (preposição). Seus significados e em você.
classes gramaticais são definidos pelo contexto. Elza lê bem! / Todas leem bem!
Polícia para o trânsito para que se realize a operação Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos
planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, que os garotos deem o recado!
conjunção (com relação de finalidade). Rubens vê tudo! / Eles veem tudo!
Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! /
Eles vêm à tarde!
#FicaDica
Quando, na frase, der para substituir o “por” As formas verbais que possuíam o acento tônico na
por “colocar”, estaremos trabalhando com raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
um verbo, portanto: “pôr”; nos demais casos, “e” ou “i” não serão mais acentuadas:
“por” é preposição: Faço isso por você. /
Posso pôr (colocar) meus livros aqui? Antes Agora
apazigúe (apaziguar) apazigue
Regra do Hiato averigúe (averiguar) averigue
argúi (arguir) argui
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos,
segunda vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira
haverá acento: saída – faísca – baú – país – Luís pessoa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato vêm (verbo vir). A regra prevalece também para os verbos
quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z: conter, obter, reter, deter, abster: ele contém – eles contêm,
Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz ele obtém – eles obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se – eles convêm.
estiverem seguidas do dígrafo nh: ra-i-nha, ven-to-i-nha.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
vierem precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
ba Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
LÍNGUA PORTUGUESA

Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
formando hiato quando vierem depois de ditongo (nas Cochar - Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
paroxítonas): – São Paulo: Saraiva, 2010.

SITE
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/
gramatica/acentuacao.htm>

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4. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO –
CESGRANRIO-2018) A palavra que precisa ser acentuada
EXERCÍCIOS COMENTADOS graficamente para estar correta quanto às normas em
vigor está destacada na seguinte frase:
1. (BANPARÁ – TÉCNICO BANCÁRIO – EXATUS-2015)
Assinale a alternativa em que a palavra é acentuada pela a) Todo escritor de novela tem o desejo de criar um
mesma razão que “Bíblia”: personagem inesquecível.
b) Os telespectadores veem as novelas como um espelho
a) íris. da realidade.
b) estórias. c) Alguns novelistas gostam de superpor temas sociais
c) queríamos. com temas políticos.
d) aí. d) Para decorar o texto antes de gravar, cada ator rele
e) páginas. sua fala várias vezes.
e) Alguns atores de novela constroem seus personagens
Resposta: Letra B fazendo pesquisa.
“Bíblia” = esta é acentuada por ser uma paroxítona
terminada em ditongo. Resposta: Letra D
Em “a”, íris = paroxítona terminada em i(s) Em “a”: Todo escritor de novela tem = singular (não
Em “b”, estórias = paroxítona terminada em ditongo acentuado)
Em “c”, queríamos = proparoxítona Em “b”: Os telespectadores veem = correta - plural
Em “d”, aí = regra do hiato dobra o “e” (perdeu o acento com o Acordo)
Em “e”, páginas = proparoxítona Em “c”: Alguns novelistas gostam de superpor =
correta
2. (BANPARÁ – TÉCNICO BANCÁRIO – FADESP-2018) Em “d”: Para decorar o texto antes de gravar, cada ator
A sequência de palavras cujos acentos são empregados rele = relê (oxítona)
pelo mesmo motivo é Em “e”: Alguns atores de novela constroem = correta
a) público, função, dói. 5. (TJ-SP - ANALISTA EM COMUNICAÇÃO E
b) burocráticos, próximo, século. PROCESSAMENTO DE DADOS JUDICIÁRIO –
c) será, aí, é, está.
VUNESP/2012) Seguem a mesma regra de acentuação
d) glória, exercício, publicação.
gráfica relativa às palavras paroxítonas:
e) hábito, bancário, poética.
a) probatório; condenatório; crédito.
Resposta: Letra B
b) máquina; denúncia; ilícita.
Em “a”, público = proparoxítona / função = o til tem
c) denúncia; funcionário; improcedência.
função de nasalizar (indicar som fechado) / dói =
d) máquina; improcedência; probatório.
monossílabo formado por ditongo aberto
Em “b”, burocráticos = proparoxítona / próximo = e) condenatório; funcionário; frágil.
proparoxítona / século = proparoxítona
Em “c”, será = oxítona terminada em ‘a” / aí = regra do Resposta: Letra C
hiato / é = (verbo) monossílabo tônico terminado em Vamos a elas:
“e” / está = (verbo) oxítona terminada em “a” Em “a”: probatório = paroxítona terminada em ditongo
Em “d”, glória = paroxítona terminada em ditongo / condenatório = paroxítona terminada em ditongo /
/ exercício = paroxítona terminada em ditongo / crédito = proparoxítona.
publicação = o til indica nasalização (som fechado) Em “b”: máquina = proparoxítona / denúncia
Em “e”, hábito = (substantivo) proparoxítona / = paroxítona terminada em ditongo / ilícita =
bancário = paroxítona terminada em ditongo / poética proparoxítona.
= proparoxítona Em “c”: Denúncia = paroxítona terminada em ditongo
/ funcionário = paroxítona terminada em ditongo /
3. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – NÍVEL SUPERIOR – improcedência = paroxítona terminada em ditongo
CONHECIMENTOS BÁSICOS – CESPE-2014) O emprego Em “d”: máquina = proparoxítona / improcedência
do acento gráfico nas palavras “metálica”, “acúmulo” = paroxítona terminada em ditongo / probatório =
e “imóveis” justifica-se com base na mesma regra de paroxítona terminada em ditongo
acentuação. Em “e”: condenatório = paroxítona terminada em
ditongo / funcionário = = paroxítona terminada em
( ) CERTO ( ) ERRADO ditongo / Frágil = paroxítona terminada em “l”
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Errado 6. (TJ-AC – TÉCNICO EM MICROINFORMÁTICA


O emprego do acento gráfico nas palavras “metálica”, - CESPE/2012) As palavras “conteúdo”, “calúnia” e
“acúmulo” e “imóveis” justifica-se com base na mesma “injúria” são acentuadas de acordo com a mesma regra
regra de acentuação. de acentuação gráfica.
metálica = proparoxítona / acúmulo = proparoxítona /
imóveis = paroxítona terminada em ditongo ( ) CERTO ( ) ERRADO

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Resposta: Errado de coesão textual. Na organização de períodos e de
“Conteúdo” = regra do hiato / calúnia = paroxítona parágrafos, um erro no emprego dos mecanismos
terminada em ditongo / injúria = paroxítona terminada gramaticais e lexicais prejudica o entendimento do texto.
em ditongo. Construído com os elementos corretos, confere-se a ele
uma unidade formal.
7. (TRE-AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Entre Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o
as frases que seguem, a única correta é: enunciado não se constrói com um amontoado de
palavras e orações. Elas se organizam segundo princípios
a) Ele se esqueceu de que? gerais de dependência e independência sintática e
b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para distribui- semântica, recobertos por unidades melódicas e rítmicas
lo entre os presentes. que sedimentam estes princípios”.
c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas críticas. Não se deve escrever frases ou textos desconexos
d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações dos – é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que
funcionários. as frases estejam coesas e coerentes formando o texto.
e) Não sei por que ele mereceria minha consideração. Relembre-se de que, por coesão, entende-se ligação,
relação, nexo entre os elementos que compõem a
Resposta: Letra E estrutura textual.
Em “a”: Ele se esqueceu de que? = quê?
Em “b”: Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu Formas de se garantir a coesão entre os elementos
para distribui-lo (distribuí-lo) entre os presentes. de uma frase ou de um texto:
Em “c”: Embora devêssemos (devêssemos), não fomos
excessivos nas críticas. • Substituição de palavras com o emprego de
Em “d”: O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às sinônimos - palavras ou expressões do mesmo
reivindicações dos funcionários. campo associativo.
Em “e”: Não sei por que ele mereceria minha • Nominalização – emprego alternativo entre um
consideração. verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente
(desgastar / desgaste / desgastante).
• Emprego adequado de tempos e modos verbais:
DOMÍNIO DOS MECANISMOS DE COESÃO Embora não gostassem de estudar, participaram da
TEXTUAL. EMPREGO DE ELEMENTOS aula.
DE REFERENCIAÇÃO, SUBSTITUIÇÃO • Emprego adequado de pronomes, conjunções,
preposições, artigos:
E REPETIÇÃO, DE CONECTORES E DE
OUTROS ELEMENTOS DE SEQUENCIAÇÃO O papa Francisco visitou o Brasil. Na capital brasileira,
TEXTUAL. Sua Santidade participou de uma reunião com a Presidente
Dilma. Ao passar pelas ruas, o papa cumprimentava as
pessoas. Estas tiveram a certeza de que ele guarda respeito
COESÃO E COERÊNCIA por elas.
• Uso de hipônimos – relação que se estabelece com
Na construção de um texto, assim como na fala, base na maior especificidade do significado de um
usamos mecanismos para garantir ao interlocutor a deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e móvel
compreensão do que é dito, ou lido. Estes mecanismos (mais genérico).
linguísticos que estabelecem a coesão e retomada do que • Emprego de hiperônimos - relações de um termo
foi escrito - ou falado - são os referentes textuais, que de sentido mais amplo com outros de sentido mais
buscam garantir a coesão textual para que haja coerência, específico. Por exemplo, felino está numa relação
não só entre os elementos que compõem a oração, como de hiperonímia com gato.
também entre a sequência de orações dentro do texto. • Substitutos universais, como os verbos vicários.
Essa coesão também pode muitas vezes se dar de modo
implícito, baseado em conhecimentos anteriores que os Verbo vicário é aquele que substitui outro já utilizado
participantes do processo têm com o tema. no período, evitando repetições. Geralmente é o verbo
Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha fazer e ser. Exemplo: Não gosto de estudar. Faço porque
imaginária - composta de termos e expressões - que preciso. O “faço” foi empregado no lugar de “estudo”,
une os diversos elementos do texto e busca estabelecer evitando repetição desnecessária.
relações de sentido entre eles. Dessa forma, com o A coesão apoiada na gramática se dá no uso de
LÍNGUA PORTUGUESA

emprego de diferentes procedimentos, sejam lexicais conectivos, como pronomes, advérbios e expressões
(repetição, substituição, associação), sejam gramaticais adverbiais, conjunções, elipses, entre outros. A elipse
(emprego de pronomes, conjunções, numerais, elipses), justifica-se quando, ao remeter a um enunciado anterior,
constroem-se frases, orações, períodos, que irão a palavra elidida é facilmente identificável (Exemplo.: O
apresentar o contexto – decorre daí a coerência textual. jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessitar de todas
Um texto incoerente é o que carece de sentido ou as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e,
o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa assim, estabelece a relação entre as duas orações).
incoerência é resultado do mau uso dos elementos

17
Dêiticos são elementos linguísticos que têm a d) redução da poluição / erosão dos monumentos /
propriedade de fazer referência ao contexto situacional banimento da circulação de carros;
ou ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa e) erosão dos monumentos / banimento da circulação de
função de progressão textual, dada sua característica: são carros / redução da poluição.
elementos que não significam, apenas indicam, remetem
aos componentes da situação comunicativa. Resposta: Letra E
Já os componentes concentram em si a significação. “A prefeitura da capital italiana anunciou que vai banir
Elisa Guimarães ensina-nos a esse respeito: a circulação de carros a diesel no centro a partir de
“Os pronomes pessoais e as desinências verbais 2024. O objetivo é reduzir a poluição, que contribui
indicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes para a erosão dos monumentos”.
demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, Primeiro ocorreu a erosão dos monumentos (=1)
bem como os advérbios de tempo, referenciam o momento devido à poluição; optou-se pelo banimento da
da enunciação, podendo indicar simultaneidade, circulação dos carros (=2) para que a poluição diminua
anterioridade ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje, (=3), o que preservará os monumentos.
neste momento (presente); ultimamente, recentemente,
ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de agora em 2. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO –
diante, no próximo ano, depois de (futuro).” CESGRANRIO-2018) A ideia a que o pronome destacado
se refere está adequadamente explicitada entre colchetes
A coerência de um texto está ligada: em:
1. à sua organização como um todo, em que devem
estar assegurados o início, o meio e o fim; a) “Ela é produzida de forma descentralizada por
2. à adequação da linguagem ao tipo de texto. Um milhares de computadores, mantidos por pessoas que
texto técnico, por exemplo, tem a sua coerência ‘emprestam’ a capacidade de suas máquinas para criar
fundamentada em comprovações, apresentação bitcoins” [computadores]
de estatísticas, relato de experiências; um texto
b) “No processo de nascimento de uma bitcoin, que
informativo apresenta coerência se trabalhar com
é chamado de ´mineração´, os computadores
linguagem objetiva, denotativa; textos poéticos, por
conectados à rede competem entre si” [bitcoin]
outro lado, trabalham com a linguagem figurada,
c) “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela
livre associação de ideias, palavras conotativas.
rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa
limitada, que é de até 21 milhões de unidades” [rede]
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
d) “Elas são guardadas em uma espécie de carteira, que
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa.
é criada quando o usuário se cadastra no software.”
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática –
volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. [espécie ]
e) “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha que em
SITE algum momento deve estourar.” [bolha]
Disponível em: <http://www.mundovestibular.com.
br/articles/2586/1/COESAO-E-COERENCIA-TEXTUAL/ Resposta: Letra E
Paacutegina1.html> Em “a”: “Ela é produzida de forma descentralizada por
milhares de computadores, mantidos por pessoas que
(= as quais – retoma o termo “pessoas”)
Em “b”: “No processo de nascimento de uma bitcoin,
EXERCÍCIOS COMENTADOS que é chamado de ‘mineração’ (= o qual - retoma o
termo “processo de nascimento”)
1. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO Em “c”: “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado
GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma
faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades” =
Texto 2 retoma o termo “faixa limitada”
Em “d”: “Elas são guardadas em uma espécie de
“A prefeitura da capital italiana anunciou que vai banir a carteira, que é criada (= a qual – retoma “carteira”)
circulação de carros a diesel no centro a partir de 2024. O Em “e”: “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha
objetivo é reduzir a poluição, que contribui para a erosão que (= a qual) em algum momento deve estourar.”
dos monumentos”. (Veja, 7/3/2018) [bolha] = correta

A ordem cronológica dos fatos citados no texto 2 é: 3. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR –


LÍNGUA PORTUGUESA

CESGRANRIO-2018-ADAPTADA)
a) redução da poluição / banimento da circulação de
carros / erosão dos monumentos; O vício da tecnologia
b) banimento da circulação de carros / erosão dos
monumentos / redução da poluição; Entusiastas de tecnologia passaram a semana com
c) erosão dos monumentos / redução da poluição / os olhos voltados para uma exposição de novidades
banimento da circulação de carros; eletrônicas realizada recentemente nos Estados Unidos.

18
Entre as inovações, estavam produtos relacionados A ideia a que a expressão destacada se refere está
a experiências de realidade virtual e à utilização de explicitada adequadamente entre colchetes em:
inteligência artificial — que hoje é um dos temas que
mais desperta interesse em profissionais da área, tendo a) “relacionados a experiências de realidade virtual e à
em vista a ampliação do uso desse tipo de tecnologia nos utilização de inteligência artificial — que hoje é um dos
mais diversos segmentos. temas que mais desperta interesse em profissionais
Mais do que prestar atenção às novidades lançadas da área” [experiências de realidade virtual]
no evento, vale refletir sobre o motivo que nos leva a b) “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo de
uma ansiedade tão grande para consumir produtos que tecnologia nos mais diversos segmentos” [inteligência
prometem inovação tecnológica. Por que tanta gente se artificial]
dispõe a dormir em filas gigantescas só para ser um dos c) “a compra de uma novidade tecnológica atende a essa
primeiros a comprar um novo modelo de smartphone? última necessidade citada” [segurança]
Por que nos dispomos a pagar cifras astronômicas para d) “O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar
comprar aparelhos que não temos sequer certeza de que o mais novo lançamento tecnológico dispara em
serão realmente úteis em nossas rotinas? nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado
A teoria de um neurocientista da Universidade de Oxford dopamina” [mapeamento cerebral]
(Inglaterra) ajuda a explicar essa “corrida desenfreada” por e) “Ele é liberado quando nosso cérebro identifica algo
novos gadgets. De modo geral, em nosso processo evolutivo que represente uma recompensa.” [impulso cerebral]
como seres humanos, nosso cérebro aprendeu a suprir
necessidades básicas para a sobrevivência e a perpetuação Resposta: Letra B
da espécie, tais como sexo, segurança e status social. Ao texto:
Nesse sentido, a compra de uma novidade tecnológica Em “a”: “relacionados a experiências de realidade
atende a essa última necessidade citada: nós nos sentimos virtual e à utilização de inteligência artificial — que
melhores e superiores, ainda que momentaneamente, hoje é um dos temas que mais desperta interesse
quando surgimos em nossos círculos sociais com um em profissionais da área” [experiências de realidade
produto que quase ninguém ainda possui. virtual]
Foi realizado um estudo de mapeamento cerebral que Nesse caso, a resposta se encontra na alternativa:
mostrou que imagens de produtos tecnológicos ativavam inteligência artificial
partes do nosso cérebro idênticas às que são ativadas Em “b”: “tendo em vista a ampliação do uso desse
quando uma pessoa muito religiosa se depara com um tipo de tecnologia nos mais diversos segmentos”
objeto sagrado. Ou seja, não seria exagero dizer que o [inteligência artificial]
vício em novidades tecnológicas é quase uma religião Texto: Entre as inovações, estavam produtos
para os mais entusiastas. relacionados a experiências de realidade virtual e à
O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o mais utilização de inteligência artificial — que hoje é um
novo lançamento tecnológico dispara em nosso cérebro dos temas que mais desperta interesse em profissionais
a liberação de um hormônio chamado dopamina, da área, tendo em vista a ampliação do uso desse tipo
responsável por nos causar sensações de prazer. Ele de tecnologia nos mais diversos segmentos.= correta
é liberado quando nosso cérebro identifica algo que Em “c”: “a compra de uma novidade tecnológica atende
represente uma recompensa. a essa última necessidade citada” [segurança]
O grande problema é que a busca excessiva por Texto: (...) suprir necessidades básicas para a
recompensas pode resultar em comportamentos sobrevivência e a perpetuação da espécie, tais como
impulsivos, que incluem vícios em jogos, apego excessivo sexo, segurança e status social. / Nesse sentido, a
a redes sociais e até mesmo alcoolismo. No caso do compra de uma novidade tecnológica atende a essa
consumo, podemos observar a situação problematizada última necessidade citada... = status social
aqui: gasto excessivo de dinheiro em aparelhos eletrônicos Em “d”: “O ato de seguir esse impulso cerebral e
que nem sempre trazem novidade –– as atualizações de comprar o mais novo lançamento tecnológico dispara
modelos de smartphones, por exemplo, na maior parte em nosso cérebro a liberação de um hormônio
das vezes apresentam poucas mudanças em relação ao chamado dopamina” [mapeamento cerebral]
modelo anterior, considerando-se seu preço elevado. Em (...) vício em novidades tecnológicas é quase uma
outros casos, gasta-se uma quantia absurda em algum religião para os mais entusiastas. / O ato de seguir esse
aparelho novo que não se sabe se terá tanta utilidade impulso cerebral e comprar
prática ou inovadora no cotidiano. Em “e”: “Ele é liberado quando nosso cérebro identifica
No fim das contas, vale um lembrete que pode ajudar algo que represente uma recompensa.” [impulso
a conter os impulsos na hora de comprar um novo
cerebral]
smartphone ou alguma novidade de mercado: compare
(...) a liberação de um hormônio chamado dopamina,
LÍNGUA PORTUGUESA

o efeito momentâneo da dopamina com o impacto de


responsável por nos causar sensações de prazer. Ele é
imaginar como ficarão as faturas do seu cartão de crédito
liberado = dopamina
com a nova compra.
O choque ao constatar o rombo em seu orçamento pode
ser suficiente para que você decida pensar duas vezes a
respeito da aquisição.
DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan. 2018.
Adaptado.

19
4. (PETROBRAS – ENGENHEIRO(A) DE MEIO 5. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) Todas
AMBIENTE JÚNIOR – CESGRANRIO-2018) as frases abaixo apresentam elementos sublinhados que
estabelecem coesão com elementos anteriores (anáfora);
Texto I a frase em que o elemento sublinhado se refere a um
elemento futuro do texto (catáfora) é:
Portugueses no Rio de Janeiro
a) “A civilização converteu a solidão num dos bens mais
O Rio de Janeiro é o grande centro da imigração portuguesa preciosos que a alma humana pode desejar”;
até meados dos anos cinquenta do século passado, b) “Todo o problema da vida é este: como romper a
quando chega a ser a “terceira cidade portuguesa do própria solidão”;
mundo”, possuindo 196 mil portugueses — um décimo c) “É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de
de sua população urbana. Ali, os portugueses dedicam- viver com alguém que saiba pensar”;
se ao comércio, sobretudo na área dos comestíveis, d) “O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas
como os cafés, as panificações, as leitarias, os talhos, a de uma vela que queima”;
além de outros ramos, como os das papelarias e lojas e) “As pessoas que nunca têm tempo são aquelas que
de vestuários. Fora do comércio, podem exercer as mais produzem menos”.
variadas profissões, como atividades domésticas ou as de
barbeiros e alfaiates. Há, de igual forma, entre os mais Resposta: Letra B
afortunados, aqueles ligados à indústria, voltados para Em “a”: “A civilização converteu a solidão num dos
construção civil, o mobiliário, a ourivesaria e o fabrico de bens mais preciosos que a alma humana pode desejar”
bebidas. = retoma “bens preciosos”
A sua distribuição pela cidade, apesar da não formação de Em “b”: “Todo o problema da vida é este: como romper
guetos, denota uma tendência para a sua concentração a própria solidão” = o pronome se refere ao período
em determinados bairros, escolhidos, muitas das vezes, que virá (= catáfora)
pela proximidade da zona de trabalho. No Centro da Em “c”: “É sobretudo na solidão que se sente a
cidade, próximo ao grande comércio, temos um grupo vantagem de viver com alguém que saiba pensar” =
retoma “solidão”
significativo de patrícios e algumas associações de porte,
Em “d”: “O homem ama a companhia, mesmo que
como o Real Gabinete Português de Leitura e o Liceu
seja apenas a de uma vela que queima” = retoma
Literário Português. Nos bairros da Cidade Nova, Estácio
“companhia”
de Sá, Catumbi e Tijuca, outro ponto de concentração
Em “e”: “As pessoas que nunca têm tempo são aquelas
da colônia, se localizam outras associações portuguesas,
que produzem menos” = retoma “pessoas”
como a Casa de Portugal e um grande número de casas
regionais. Há, ainda, pequenas concentrações nos bairros
6. (MPE-AL - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO –
periféricos da cidade, como Jacarepaguá, originalmente FGV-2018)
formado por quintas de pequenos lavradores; nos
subúrbios, como Méier e Engenho Novo; e nas zonas NÃO FALTOU SÓ ESPINAFRE
mais privilegiadas, como Botafogo e restante da zona
sul carioca, área nobre da cidade a partir da década de A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos.
cinquenta, preferida pelos mais abastados. Mostrou também danos morais.
PAULO, Heloísa. Portugueses no Rio de Janeiro: salazaristas e Aconteceu num mercadinho de bairro em São Paulo.
opositores em manifestação na cidade. In: ALVES, Ida et alii. 450 A dona, diligente, havia conseguido algumas verduras
Anos de Portugueses no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Ofi cina e avisou à clientela. Formaram-se uma pequena fila e
Raquel, 2017, pp. 260-1. Adaptado. uma grande discussão. Uma senhora havia arrematado
todos os dez maços de espinafre. No caixa, outras
“No Centro da cidade, próximo ao grande comércio, temos freguesas perguntaram se ela tinha restaurante. Não
um grupo significativo de patrícios e algumas associações tinha. Observaram que a verdura acabaria estragada.
de porte”. No trecho acima, a autora usou em itálico a Ela explicou que ia cozinhar e congelar. Então, foram
palavra destacada para fazer referência aos ao ponto: caramba, havia outras pessoas na fila, ela não
poderia levar só o que consumiria de imediato?
a) luso-brasileiros “Não, estou pagando e cheguei primeiro”, foi a resposta.
b) patriotas da cidade Compras exageradas nos supermercados, estoques
c) habitantes da cidade domésticos, filas nervosas nos postos de combustível –
d) imigrantes portugueses teve muito comportamento na base de cada um por si.
e) compatriotas brasileiros Cabem nessa categoria as greves e manifestações
LÍNGUA PORTUGUESA

oportunistas. Governo, cedendo, também vou buscar o


Resposta: Letra D meu – tal foi o comportamento de muita gente.
Ainda hoje é o utilizado o termo “patrício” para se Carlos A. Sardenberg, in O Globo, 31/05/2018.
referir aos portugueses. “Patrício” significa “da mesma
pátria”. “A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos.
Mostrou também danos morais”. A palavra ou expressão
do primeiro período que leva à produção do segundo
período é

20
a) a crise. quando está fundamentada no conhecimento. A
b) não trouxe. capacidade de inovação depende da pesquisa, da geração
c) apenas. de conhecimento. É necessário investir em pesquisa
d) danos sociais. para devolver resultados satisfatórios à sociedade. No
e) (danos) econômicos. entanto, os resultados desse tipo de investimento não
são necessariamente recursos financeiros ou valores
Resposta: Letra C econômicos, podem ser também a qualidade de vida
1.º período: A crise não trouxe apenas danos sociais e com justiça social.
econômicos. Luís Afonso Bermúdez. O fermento tecnológico. In: Darcy. Revista
2.º período: Mostrou também danos morais. de jornalismo científico e cultural da Universidade de Brasília,
A expressão que nos dá a ideia de que haverá mais novembro e dezembro de 2009, p. 37 (com adaptações).
informações que complementarão a primeira “tese”
apresentada é “apenas”. Subentende-se da argumentação do texto que o pronome
demonstrativo, no trecho “desse tipo de investimento”,
7. (IBGE – RECENSEADOR – FGV-2017) refere-se à ideia de “fermento do crescimento econômico
e social de um país”.
Texto 3 – “Silva, Oliveira, Faria, Ferreira... Todo mundo
tem um sobrenome e temos de agradecer aos romanos ( ) CERTO ( ) ERRADO
por isso. Foi esse povo, que há mais de dois mil anos
ergueu um império com a conquista de boa parte das Resposta: Errado
terras banhadas pelo Mediterrâneo, o inventor da moda. Ao trecho: (...) É necessário investir em pesquisa
Eles tiveram a ideia de juntar ao nome comum, ou para devolver resultados satisfatórios à sociedade. No
prenome, um nome. entanto, os resultados desse tipo de investimento =
Por quê? Porque o império romano crescia e eles investir em pesquisa / desse tipo de investimento.
precisavam indicar o clã a que a pessoa pertencia ou o
lugar onde tinha nascido”. 9. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015)
(Ciência Hoje, março de 2014)
Texto I
“Todo mundo tem um sobrenome e temos de agradecer
aos romanos por isso”. (texto 3) O pronome “isso”, nesse Na organização do poder político no Estado moderno,
segmento do texto, se refere a(à): à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a
preservação da liberdade humana, de maneira a coibir a
a) todo mundo ter um sobrenome; desordem do estado de natureza, que, em virtude do risco
da dominação dos mais fracos pelos mais fortes, exige
b) sobrenomes citados no início do texto;
a existência de um poder institucional. Mas a conquista
c) todos os sobrenomes hoje conhecidos;
da liberdade humana também reclama a distribuição do
d) forma latina dos sobrenomes atuais;
poder em ramos diversos, com a disposição de meios
e) existência de sobrenomes nos documentos.
que assegurem o controle recíproco entre eles para o
advento de um cenário de equilíbrio e harmonia nas
Resposta: Letra A
sociedades estatais. A concentração do poder em um só
Todo mundo tem um sobrenome e temos de agradecer
órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exercício
aos romanos por isso = ter um sobrenome. da liberdade. É que, como observou Montesquieu, “todo
GABARITO OFICIAL: A homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai até
onde encontra limites. Para que não se possa abusar do
8. (MPU – ANALISTA – ANTROPOLOGIA – CESPE-2010) poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder
Inovar é recriar de modo a agregar valor e incrementar limite o poder”.
a eficiência, a produtividade e a competitividade nos Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza
processos gerenciais e nos produtos e serviços das as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se
organizações. Ou seja, é o fermento do crescimento concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua
econômico e social de um país. Para isso, é preciso separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a forma
criatividade, capacidade de inventar e coragem para de sistema coerente, as consequências de conceitos
sair dos esquemas tradicionais. Inovador é o indivíduo diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu
que procura respostas originais e pertinentes em situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo
situações com as quais ele se defronta. É preciso uma de origem baconiana, não abandonando o rigor das
atitude de abertura para as coisas novas, pois a novidade certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,
é catastrófica para os mais céticos. Pode-se dizer
LÍNGUA PORTUGUESA

refugindo às especulações metafísicas que, no plano da


que o caminho da inovação é um percurso de difícil idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a
travessia para a maioria das instituições. Inovar significa explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
transformar os pontos frágeis de um empreendimento civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos.
em uma realidade duradoura e lucrativa. A inovação Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do Ministério
estimula a comercialização de produtos ou serviços Público em função da proteção dos direitos humanos.
e também permite avanços importantes para toda a Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p. 18-9.
sociedade. Porém, a inovação é verdadeira somente Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).

21
No trecho “controle recíproco entre”, o pronome “eles” faz Classificação dos morfemas
referência a “ramos diversos”.
A) Radical, lexema ou semantema – é o elemento
( ) CERTO ( ) ERRADO portador de significado. É através do radical que
podemos formar outras palavras comuns a um
Resposta: Certo grupo de palavras da mesma família. Exemplo:
Ao período: (...) reclama a distribuição do poder pequeno, pequenininho, pequenez. O conjunto de
em ramos diversos, com a disposição de meios que palavras que se agrupam em torno de um mesmo
assegurem o controle recíproco entre eles para o radical denomina-se família de palavras.
advento de um cenário de equilíbrio e harmonia.
B) Afixos – elementos que se juntam ao radical antes
10. (PC-PI – AGENTE DE POLÍCIA CIVIL – 3.ª CLASSE (os prefixos) ou depois (sufixos) dele. Exemplo:
– NUCEPE-2018 - ADAPTADA) Alguém apaixonado beleza (sufixo), prever (prefixo), infiel (prefixo).
sempre atrai novas oportunidades, se destaca do grupo,
é promovido primeiro, é celebrado quando volta de C) Desinências - Quando se conjuga o verbo amar,
férias, é convidado para ser padrinho ou madrinha e obtêm-se formas como amava, amavas, amava,
para ser companhia em momentos prazerosos. Quanto amávamos, amáveis, amavam. Estas modificações
melhor vivemos, mais motivos surgem para vivermos ocorrem à medida que o verbo vai sendo
bem. A prosperidade é um ciclo que se retroalimenta. O flexionado em número (singular e plural) e pessoa
importante é decidir fazer parte dele. (primeira, segunda ou terceira). Também ocorrem
Em: O importante é decidir fazer parte dele, a palavra se modificarmos o tempo e o modo do verbo
Dele retoma, textualmente, (amava, amara, amasse, por exemplo). Assim,
podemos concluir que existem morfemas que
a) ciclo. indicam as flexões das palavras. Estes morfemas
b) Alguém. sempre surgem no fim das palavras variáveis e
recebem o nome de desinências. Há desinências
c) padrinho.
nominais e desinências verbais.
d) grupo.
e) apaixonado.
C.1 Desinências nominais: indicam o gênero e o
número dos nomes. Para a indicação de gênero,
Resposta: Letra A
o português costuma opor as desinências -o/-a:
Voltemos ao período:
garoto/garota; menino/menina. Para a indicação
A prosperidade é um ciclo que se retroalimenta. O
de número, costuma-se utilizar o morfema –s,
importante é decidir fazer parte dele. que indica o plural em oposição à ausência de
morfema, que indica o singular: garoto/garotos;
garota/garotas; menino/meninos; menina/meninas.
EMPREGO DE TEMPOS E MODOS VERBAIS. No caso dos nomes terminados em –r e –z, a
DOMÍNIO DA ESTRUTURA desinência de plural assume a forma -es: mar/
MORFOSSINTÁTICA DO PERÍODO. mares; revólver/revólveres; cruz/cruzes.
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS
C.2 Desinências verbais: em nossa língua, as
desinências verbais pertencem a dois tipos
distintos. Há desinências que indicam o modo e
ESTRUTURA DAS PALAVRAS o tempo (desinências modo-temporais) e outras
que indicam o número e a pessoa dos verbos
As palavras podem ser analisadas sob o ponto de vista (desinência número-pessoais):
de sua estrutura significativa. Para isso, nós as dividimos
em seus menores elementos (partes) possuidores de cant-á-va-mos:
sentido. A palavra inexplicável, por exemplo, é constituída cant: radical / -á-: vogal temática / -va-: desinência
por três elementos significativos: modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do
In = elemento indicador de negação indicativo) / -mos: desinência número-pessoal (caracteriza
Explic – elemento que contém o significado básico da a primeira pessoa do plural)
palavra
Ável = elemento indicador de possibilidade cant-á-sse-is:
cant: radical / -á-: vogal temática / -sse-:desinência
Estes elementos formadores da palavra recebem o
LÍNGUA PORTUGUESA

modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do


nome de morfemas. Através da união das informações subjuntivo) / -is: desinência número-pessoal (caracteriza
contidas nos três morfemas de inexplicável, pode-se a segunda pessoa do plural)
entender o significado pleno dessa palavra: “aquilo que
não tem possibilidade de ser explicado, que não é possível D) Vogal temática
tornar claro”. Entre o radical cant- e as desinências verbais, surge
Morfemas = são as menores unidades significativas sempre o morfema –a. Este morfema, que liga
que, reunidas, formam as palavras, dando-lhes sentido. o radical às desinências, é chamado de vogal

22
temática. Sua função é ligar-se ao radical, Derivação por Acréscimo de Afixos
constituindo o chamado tema. É ao tema (radical + É o processo pelo qual se obtêm palavras novas
vogal temática) que se acrescentam as desinências. (derivadas) pela anexação de afixos à palavra primitiva. A
Tanto os verbos como os nomes apresentam vogais derivação pode ser: prefixal, sufixal e parassintética.
temáticas. No caso dos verbos, a vogal temática
indica as conjugações: -a (da 1.ª conjugação = A) Prefixal (ou prefixação): a palavra nova é obtida
cantar), -e (da 2.ª conjugação = escrever) e –i (3.ª por acréscimo de prefixo.
conjugação = partir). In feliz / des leal
Prefixo radical prefixo radical
D.1 Vogais temáticas nominais: São -a, -e, e -o,
quando átonas finais, como em mesa, artista, B) Sufixal (ou sufixação): a palavra nova é obtida
perda, escola, base, combate. Nestes casos, não por acréscimo de sufixo.
poderíamos pensar que essas terminações são Feliz mente / leal dade
desinências indicadoras de gênero, pois mesa e Radical sufixo radical sufixo
escola, por exemplo, não sofrem esse tipo de flexão.
É a estas vogais temáticas que se liga a desinência C) Parassintética: a palavra nova é obtida pelo
indicadora de plural: mesa-s, escola-s, perda-s. Os acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo. Por
nomes terminados em vogais tônicas (sofá, café, parassíntese formam-se principalmente verbos.
cipó, caqui, por exemplo) não apresentam vogal
temática. En trist ecer
Prefixo radical sufixo
D.2 Vogais temáticas verbais: São -a, -e e -i, que
caracterizam três grupos de verbos a que se dá o En tard ecer
nome de conjugações. Assim, os verbos cuja vogal prefixo radical sufixo
temática é -a pertencem à primeira conjugação;
aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à Há dois casos em que a palavra derivada é formada
segunda conjugação e os que têm vogal temática sem que haja a presença de afixos. São eles: a derivação
-i pertencem à terceira conjugação. regressiva e a derivação imprópria.

E) Interfixos Derivação
São os elementos (vogais ou consoantes) que se
intercalam entre o radical e o sufixo, para facilitar ou • Derivação regressiva: a palavra nova é obtida por
mesmo possibilitar a leitura de uma determinada palavra. redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo,
Por exemplo: na formação de substantivos derivados de verbos.
Vogais: frutífero, gasômetro, carnívoro. janta (substantivo) - deriva de jantar (verbo) / pesca
Consoantes: cafezal, sonolento, friorento. (substantivo) – deriva de pescar (verbo)

Formação das Palavras • Derivação imprópria: a palavra nova (derivada) é


Há em Português palavras primitivas, palavras obtida pela mudança de categoria gramatical da
derivadas, palavras simples, palavras compostas. palavra primitiva. Não ocorre, pois, alteração na
A) Palavras primitivas: aquelas que, na língua forma, mas somente na classe gramatical.
Não entendi o porquê da briga. (o substantivo
portuguesa, não provêm de outra palavra: pedra,
“porquê” deriva da conjunção porque)
flor.
Seu olhar me fascina! (olhar aqui é substantivo, deriva
B) Palavras derivadas: aquelas que, na língua
do verbo olhar).
portuguesa, provêm de outra palavra: pedreiro,
floricultura.
C) Palavras simples: aquelas que possuem um só
radical: azeite, cavalo. #FicaDica
D) Palavras compostas: aquelas que possuem mais A derivação regressiva “mexe” na estrutura
de um radical: couve-flor, planalto. da palavra, geralmente transforma verbos
em substantivos: caça = deriva de caçar,
As palavras compostas podem ou não ter seus saque = deriva de sacar
elementos ligados por hífen.

Processos de Formação de Palavras


LÍNGUA PORTUGUESA

A derivação imprópria não “mexe” com a palavra,


Na Língua Portuguesa há muitos processos de apenas faz com que ela pertença a uma classe
formação de palavras. Entre eles, os mais comuns são a gramatical “imprópria” da qual ela realmente, ou melhor,
derivação, a composição, a onomatopeia, a abreviação e costumeiramente faz parte. A alteração acontece devido
o hibridismo. à presença de outros termos, como artigos, por exemplo:
O verde das matas! (o adjetivo “verde” passou a
funcionar como substantivo devido à presença do artigo
“o”)

23
Composição Locução adjetiva
Haverá composição quando se juntarem dois ou mais
radicais para formar uma nova palavra. Há dois tipos de Locução = reunião de palavras. Sempre que são
composição: justaposição e aglutinação. necessárias duas ou mais palavras para falar sobre a
A) Justaposição: ocorre quando os elementos que mesma coisa, tem-se locução. Às vezes, uma preposição
formam o composto são postos lado a lado, ou + substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a
seja, justapostos: para-raios, corre-corre, guarda- Locução Adjetiva (expressão que equivale a um adjetivo).
roupa, segunda-feira, girassol. Por exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem
B) Composição por aglutinação: ocorre quando os freio (paixão desenfreada).
elementos que formam o composto aglutinam-
se e pelo menos um deles perde sua integridade Observe outros exemplos:
sonora: aguardente (água + ardente), planalto
(plano + alto), pernalta (perna + alta), vinagre de águia aquilino
(vinho + acre).
de aluno discente
Onomatopeia – é a palavra que procura reproduzir de anjo angelical
certos sons ou ruídos: reco-reco, tique-taque, fom-fom.
de ano anual
Abreviação – é a redução de palavras até o limite
permitido pela compreensão: moto (motocicleta), pneu de aranha aracnídeo
(pneumático), metrô (metropolitano), foto (fotografia). de boi bovino
Abreviatura: é a redução na grafia de certas palavras,
de cabelo capilar
limitando-as quase sempre à letra inicial ou às letras
iniciais: p. ou pág. (para página), Sr. (para senhor). de cabra caprino
Sigla: é um caso especial de abreviatura, na qual de campo campestre ou rural
se reduzem locuções substantivas próprias às suas
letras iniciais (são as siglas puras) ou sílabas iniciais de chuva pluvial
(siglas impuras), que se grafam de duas formas: IBGE, de criança pueril
MEC (siglas puras); DETRAN ou Detran, PETROBRAS ou de dedo digital
Petrobras (siglas impuras).
Hibridismo: é a palavra formada com elementos de estômago estomacal ou gástrico
oriundos de línguas diferentes: automóvel (auto: grego; de falcão falconídeo
móvel: latim); sociologia (socio: latim; logia: grego); de farinha farináceo
sambódromo (samba: dialeto africano; dromo: grego).
de fera ferino
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS de ferro férreo
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa de fogo ígneo
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza de garganta gutural
Cochar. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. de gelo glacial
– São Paulo: Saraiva, 2010.
de guerra bélico
AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000. de homem viril ou humano
de ilha insular
SITE
de inverno hibernal ou invernal
Disponível em: http://www.brasilescola.com/
gramatica/estrutura-e-formacao-de-palavras-i.htm de lago lacustre
de leão leonino
CLASSES DE PALAVRAS de lebre leporino
de lua lunar ou selênico
1. ADJETIVO de madeira lígneo
É a palavra que expressa uma qualidade ou de mestre magistral
característica do ser e se relaciona com o substantivo, de ouro áureo
concordando com este em gênero e número.
LÍNGUA PORTUGUESA

de paixão passional
As praias brasileiras estão poluídas.
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos de pâncreas pancreático
(plural e feminino, pois concordam com “praias”). de porco suíno ou porcino
dos quadris ciático
de rio fluvial

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de sonho onírico Grécia greco- / Filmes greco-romanos
de velho senil Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
de vento eólico Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
de vidro vítreo ou hialino Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
de virilha inguinal Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros
de visão óptico ou ótico
Flexão dos adjetivos
Observação:
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo O adjetivo varia em gênero, número e grau.
correspondente, com o mesmo significado: Vi as alunas
da 5ª série. / O muro de tijolos caiu. Gênero dos Adjetivos

Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática): Os adjetivos concordam com o substantivo a que se


referem (masculino e feminino). De forma semelhante
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função aos substantivos, classificam-se em:
dentro de uma oração) relativas aos substantivos,
atuando como adjunto adnominal ou como predicativo A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o
(do sujeito ou do objeto). masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau
e má.
Adjetivo Pátrio (ou gentílico) Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no
feminino somente o último elemento: o moço norte-
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. americano, a moça norte-americana.
Observe alguns deles: Exceção: surdo-mudo e surda-muda.

Estados e cidades brasileiras: B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o


masculino como para o feminino: homem feliz e
mulher feliz.
Alagoas alagoano Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável
Amapá amapaense no feminino: conflito político-social e desavença político-
social.
Aracaju aracajuano ou aracajuense
Amazonas amazonense ou baré Número dos Adjetivos
Belo Horizonte belo-horizontino
A) Plural dos adjetivos simples
Brasília brasiliense
Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo
Cabo Frio cabo-friense com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos
Campinas campineiro ou campinense substantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e
ruins, boa e boas.
Adjetivo Pátrio Composto Caso o adjetivo seja uma palavra que também
exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja,
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro se a palavra que estiver qualificando um elemento for,
elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma
erudita. Observe alguns exemplos: primitiva. Exemplo: a palavra cinza é, originalmente, um
substantivo; porém, se estiver qualificando um elemento,
funcionará como adjetivo. Ficará, então, invariável. Logo:
África afro- / Cultura afro-americana camisas cinza, ternos cinza.
germano- ou teuto-/Competições Motos vinho (mas: motos verdes)
Alemanha
teuto-inglesas Paredes musgo (mas: paredes brancas).
américo- / Companhia américo- Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
América
africana
belgo- / Acampamentos belgo- B) Adjetivo Composto
Bélgica
franceses É aquele formado por dois ou mais elementos.
LÍNGUA PORTUGUESA

China sino- / Acordos sino-japoneses Normalmente, esses elementos são ligados por hífen.
Espanha hispano- / Mercado hispano-português Apenas o último elemento concorda com o substantivo
a que se refere; os demais ficam na forma masculina,
Europa euro- / Negociações euro-americanas singular. Caso um dos elementos que formam o adjetivo
franco- ou galo- / Reuniões franco- composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo
França composto ficará invariável. Por exemplo: a palavra “rosa”
italianas
é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver

25
qualificando um elemento, funcionará como adjetivo. Sou menos passivo (do) que tolerante.
Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um
adjetivo composto; como é um substantivo adjetivado, o B) Superlativo
adjetivo composto inteiro ficará invariável. Veja: O superlativo expressa qualidades num grau muito
Camisas rosa-claro. elevado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou
Ternos rosa-claro. relativo e apresenta as seguintes modalidades:
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar. B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. qualidade de um ser é intensificada, sem relação com
outros seres. Apresenta-se nas formas:
Observação: • Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
invariáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, • Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
vestidos cor-de-rosa. exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois
elementos flexionados: crianças surdas-mudas. Observe alguns superlativos sintéticos:

Grau do Adjetivo
benéfico beneficentíssimo
Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a bom boníssimo ou ótimo
intensidade da qualidade do ser. São dois os graus do comum comuníssimo
adjetivo: o comparativo e o superlativo.
cruel crudelíssimo
A) Comparativo difícil dificílimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica doce dulcíssimo
atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais
características atribuídas ao mesmo ser. O comparativo fácil facílimo
pode ser de igualdade, de superioridade ou de fiel fidelíssimo
inferioridade.
B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de
No comparativo de igualdade, o segundo termo da seres. Essa relação pode ser:
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto • De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
ou quão. todas.
• De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de todas.
Superioridade
O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
Inferioridade antepostos ao adjetivo.
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob duas
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de formas: uma erudita - de origem latina – e outra popular
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. - de origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo
São eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/ radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo
superior, grande/maior, baixo/inferior. ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo; a popular é
constituída do radical do adjetivo português + o sufixo
Observe que: -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
• As formas menor e pior são comparativos de Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
superioridade, pois equivalem a mais pequeno e com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os
mais mau, respectivamente. terminados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo,
• Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas cheio – cheíssimo.
(melhor, pior, maior e menor), porém, em
comparações feitas entre duas qualidades de um REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
mesmo elemento, deve-se usar as formas analíticas CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
mais bom, mais mau,mais grande e mais pequeno.
LÍNGUA PORTUGUESA

Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.


Por exemplo:
– São Paulo: Saraiva, 2010.
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
elementos.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
Português: novas palavras: literatura, gramática,
duas qualidades de um mesmo elemento.
redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de
Inferioridade

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SITE Classificação dos Advérbios
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
secoes/morf/morf32.php> De acordo com a circunstância que exprime, o
advérbio pode ser de:
2. ADVÉRBIO A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá,
atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto,
Compare estes exemplos: aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte,
O ônibus chegou. nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures, aquém,
O ônibus chegou ontem. embaixo, externamente, a distância, à distância de,
de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda,
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o ao lado, em volta.
sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente,
do próprio advérbio. antes, doravante, nunca, então, ora, jamais,
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei agora, sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve,
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio constantemente, entrementes, imediatamente,
(bem) primeiramente, provisoriamente, sucessivamente,
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de
adjetivo (claros) vez em quando, de quando em quando, a qualquer
momento, de tempos em tempos, em breve, hoje em
Quando modifica um verbo, o advérbio pode dia.
acrescentar ideia de: C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior,
Tempo: Ela chegou tarde. depressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às
Lugar: Ele mora aqui. claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
Modo: Eles agiram mal. poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em
Negação: Ela não saiu de casa. geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
Dúvida: Talvez ele volte. vão e a maior parte dos que terminam em “-mente”:
calmamente, tristemente, propositadamente,
Flexão do Advérbio pacientemente, amorosamente, docemente,
escandalosamente, bondosamente, generosamente.
D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto,
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não
efetivamente, certo, decididamente, deveras,
apresentam variação em gênero e número. Alguns
indubitavelmente.
advérbios, porém, admitem a variação em grau. Observe:
E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
A) Grau Comparativo
F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente,
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo
provavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por
modo que o comparativo do adjetivo:
certo, quem sabe.
• de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em
Renato fala tão alto quanto João. excesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto,
• de inferioridade: menos + advérbio + que (do quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo,
que): Renato fala menos alto do que João. nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo,
• de superioridade: extremamente, intensamente, grandemente, bem
(quando aplicado a propriedades graduáveis).
A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão,
fala mais alto do que João. somente, simplesmente, só, unicamente. Por
A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato exemplo: Brando, o vento apenas move a copa das
fala melhor que João. árvores.
I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente,
B) Grau Superlativo também. Por exemplo: O indivíduo também
O superlativo pode ser analítico ou sintético: amadurece durante a adolescência.
B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por
Renato fala muito alto. exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer
muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio aos meus amigos por comparecerem à festa.
de modo
LÍNGUA PORTUGUESA

B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala Saiba que:


altíssimo. Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se
ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei
Observação: o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são tarde possível.
comuns na língua popular. Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente,
Maria mora pertinho daqui. (muito perto) em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu
A criança levantou cedinho. (muito cedo) calma e respeitosamente.

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Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais
mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio:
Há palavras como muito, bastante, que podem Essa matéria é mais bem interessante que aquela.
aparecer como advérbio e como pronome indefinido. Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso!
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é
advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito. advérbio: Cheguei primeiro.
Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo
e sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros. Quanto a sua função sintática: o advérbio e a
locução adverbial desempenham na oração a função
de adjunto adverbial, classificando-se de acordo com as
#FicaDica circunstâncias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou
ao advérbio. Exemplo:
Como saber se a palavra bastante é Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto
advérbio (não varia, não se flexiona) ou adverbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
pronome indefinido (varia, sofre flexão)? Se Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de
der, na frase, para substituir o “bastante” por intensidade e de tempo, respectivamente.
“muito”, estamos diante de um advérbio; se
der para substituir por “muitos” (ou muitas), REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
é um pronome. Veja: CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio – São Paulo: Saraiva, 2010.
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
(estudei muitos capítulos) = pronome literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
indefinido SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

Advérbios Interrogativos SITE


Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como? secoes/morf/morf75.php>
por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referentes
às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja: 3. ARTIGO

Interrogação Direta Interrogação Indireta O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-
se como o termo variável que serve para individualizar ou
Como aprendeu? Perguntei como aprendeu generalizar o substantivo, indicando, também, o gênero
Onde mora? Indaguei onde morava (masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as
Por que choras? Não sei por que choras
variações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
Aonde vai? Perguntei aonde ia “uma”[s] e “uns]).
Donde vens? Pergunto donde vens
A) Artigos definidos – São usados para indicar seres
Quando voltas? Pergunto quando voltas
determinados, expressos de forma individual: O
concurseiro estuda muito. Os concurseiros estudam
Locução Adverbial
muito.
B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres
Quando há duas ou mais palavras que exercem
de modo vago, impreciso: Uma candidata foi
função de advérbio, temos a locução adverbial, que
aprovada! Umas candidatas foram aprovadas!
pode expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam
ordinariamente por uma preposição. Veja:
Circunstâncias em que os artigos se manifestam:
A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto,
para dentro, por aqui, etc.
Considera-se obrigatório o uso do artigo depois
B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc.
do numeral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal
C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão,
conteúdo.
em geral, frente a frente, etc.
Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos)
D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde,
admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de
LÍNGUA PORTUGUESA

hoje em dia, nunca mais, etc.


Janeiro, Veneza, A Bahia...
Quando indicado no singular, o artigo definido pode
A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo,
indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
o adjetivo e outro advérbio:
No caso de nomes próprios personativos, denotando
Chegou muito cedo. (advérbio)
a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
Joana é muito bela. (adjetivo)
do artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O
De repente correram para a rua. (verbo)
Pedro é o xodó da família.

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No caso de os nomes próprios personativos estarem Morfossintaxe da Conjunção
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias,
os Incas, Os Astecas... As conjunções, a exemplo das preposições, não
exercem propriamente uma função sintática: são
Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a) conectivos.
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”. Classificação da Conjunção
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
Toda classe possui alunos interessados e desinteressados. De acordo com o tipo de relação que estabelecem, as
(qualquer classe) conjunções podem ser classificadas em coordenativas e
subordinativas. No primeiro caso, os elementos ligados
Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é pela conjunção podem ser isolados um do outro. Esse
facultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. isolamento, no entanto, não acarreta perda da unidade
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma de sentido que cada um dos elementos possui. Já no
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve segundo caso, cada um dos elementos ligados pela
ter é uns vinte anos. conjunção depende da existência do outro. Veja:
O artigo também é usado para substantivar palavras Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o Podemos separá-las por ponto:
porquê de tudo isso. / O bem vence o mal. Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.

Há casos em que o artigo definido não pode ser Temos acima um exemplo de conjunção (e,
usado: consequentemente, orações coordenadas) coordenativa
– “mas”. Já em:
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas Espero que eu seja aprovada no concurso!
conhecidas: O professor visitará Roma.
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
presença do artigo será obrigatória: O professor visitará a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
a bela Roma. principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período
temos uma oração subordinada substantiva objetiva
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria direta (ela exerce a função de objeto direto do verbo da
sairá agora? oração principal).
Exceção: O senhor vai à festa?
Conjunções Coordenativas
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações:
Esse é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o São aquelas que ligam orações de sentido completo
candidato cuja nota foi a mais alta. e independente ou termos da oração que têm a mesma
função gramatical. Subdividem-se em:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
– São Paulo: Saraiva, 2010. não), não só... mas também, não só... como também,
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: bem como, não só... mas ainda.
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. A sua pesquisa é clara e objetiva.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Não só dança, mas também canta.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras,
Cochar - Português linguagens: volume 1– 7.ª ed. Reform. expressando ideia de contraste ou compensação.
– São Paulo: Saraiva, 2010. São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
no entanto, não obstante.
SITE Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/
gramatica/artigo.htm> C) Alternativas: ligam orações ou palavras,
expressando ideia de alternância ou escolha,
4. CONJUNÇÃO indicando fatos que se realizam separadamente.
LÍNGUA PORTUGUESA

São elas: ou, ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer,
Além da preposição, há outra palavra também seja... seja, talvez... talvez.
invariável que, na frase, é usada como elemento de Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.
ligação: a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou
duas palavras de mesma função em uma oração: D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
O concurso será realizado nas cidades de Campinas e que expressa ideia de conclusão ou consequência.
São Paulo. São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
A prova não será fácil, por isso estou estudando muito. conseguinte, por isso, assim.

29
Marta estava bem preparada para o teste, portanto
não ficou nervosa. #FicaDica
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.
Você deve ter percebido que a conjunção
E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração condicional “se” também é conjunção
que a explica, que justifica a ideia nela contida. São integrante. A diferença é clara ao ler as
elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto. orações que são introduzidas por ela. Acima,
Não demore, que o filme já vai começar. ela nos dá a ideia da condição para que
Falei muito, pois não gosto do silêncio! recebamos um telefonema (se for preciso
ajuda). Já na oração: Não sei se farei o
Conjunções Subordinativas concurso. = Não há ideia de condição
alguma, há? Outra coisa: o verbo da oração
São aquelas que ligam duas orações, sendo uma principal (sei) pede complemento (objeto
delas dependente da outra. A oração dependente, direto, já que “quem não sabe, não sabe
introduzida pelas conjunções subordinativas, recebe o algo”). Portanto, a oração em destaque
nome de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já exerce a função de objeto direto da oração
tinha começado quando ela chegou. principal, sendo classificada como oração
O baile já tinha começado: oração principal subordinada substantiva objetiva direta.
quando: conjunção subordinativa (adverbial temporal)
ela chegou: oração subordinada
D) Conformativas: introduzem uma oração que
As conjunções subordinativas subdividem-se em exprime a conformidade de um fato com outro.
integrantes e adverbiais: São elas: conforme, como (= conforme), segundo,
consoante, etc.
Integrantes - Indicam que a oração subordinada O passeio ocorreu como havíamos planejado.
por elas introduzida completa ou integra o sentido
da principal. Introduzem orações que equivalem E) Finais: introduzem uma oração que expressa
a substantivos, ou seja, as orações subordinadas a finalidade ou o objetivo com que se realiza a
substantivas. São elas: que, se. oração principal. São elas: para que, a fim de que,
Quero que você volte. (Quero sua volta) que, porque (= para que), que, etc.
Toque o sinal para que todos entrem no salão.
Adverbiais - Indicam que a oração subordinada
exerce a função de adjunto adverbial da principal. De F) Proporcionais: introduzem uma oração que
acordo com a circunstância que expressam, classificam- expressa um fato relacionado proporcionalmente
se em: à ocorrência do expresso na principal. São elas: à
medida que, à proporção que, ao passo que e as
A) Causais: introduzem uma oração que é causa da combinações quanto mais... (mais), quanto menos...
ocorrência da oração principal. São elas: porque, (menos), quanto menos... (mais), quanto menos...
que, como (= porque, no início da frase), pois que, (menos), etc.
visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde O preço fica mais caro à medida que os produtos
que, etc. escasseiam.
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios.
Observação:
B) Concessivas: introduzem uma oração que expressa São incorretas as locuções proporcionais à medida
ideia contrária à da principal, sem, no entanto, em que, na medida que e na medida em que.
impedir sua realização. São elas: embora, ainda
que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por G) Temporais: introduzem uma oração que
mais que, posto que, conquanto, etc. acrescenta uma circunstância de tempo ao fato
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo. expresso na oração principal. São elas: quando,
enquanto, antes que, depois que, logo que, todas as
C) Condicionais: introduzem uma oração que indica vezes que, desde que, sempre que, assim que, agora
a hipótese ou a condição para ocorrência da que, mal (= assim que), etc.
principal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, A briga começou assim que saímos da festa.
a não ser que, desde que, a menos que, sem que, etc.
Se precisar de minha ajuda, telefone-me. H) Comparativas: introduzem uma oração que
LÍNGUA PORTUGUESA

expressa ideia de comparação com referência à


oração principal. São elas: como, assim como, tal
como, como se, (tão)... como, tanto como, tanto
quanto, do que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem,
que (combinado com menos ou mais), etc.
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.

30
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
a consequência da principal. São elas: de sorte que, puxa: interjeição; tom da fala: decepção
de modo que, sem que (= que não), de forma que, de
jeito que, que (tendo como antecedente na oração As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
principal uma palavra como tal, tão, cada, tanto, A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo
tamanho), etc. alegria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do interessante!
exame. B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da
minha frente.
FIQUE ATENTO! As interjeições podem ser formadas por:
Muitas conjunções não têm classificação • simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô
única, imutável, devendo, portanto, ser • palavras: Oba! Olá! Claro!
classificadas de acordo com o sentido que • grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu
apresentam no contexto (destaque da Zê!). Deus! Ora bolas!

Classificação das Interjeições


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Comumente, as interjeições expressam sentido de:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Atenção! Olha! Alerta!
Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
– São Paulo: Saraiva, 2010. C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
Ânimo! Adiante!
SITE F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
secoes/morf/morf84.php> H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih!
Francamente! Essa não! Chega! Basta!
5. INTERJEIÇÃO I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá!
Queira Deus!
Interjeição é a palavra invariável que exprime J) Desculpa: Perdão!
emoções, sensações, estados de espírito. É um recurso da K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena!
linguagem afetiva, em que não há uma ideia organizada L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê!
de maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus!
sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz!
decorrente de uma situação particular, um momento ou N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios!
um contexto específico. Exemplos: Puxa! Pô! Ora!
Ah, como eu queria voltar a ser criança! O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!
Hum! Esse pudim estava maravilhoso! Viva! Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me,
hum: expressão de um pensamento súbito = Deus!
interjeição Q) Silêncio: Psiu! Silêncio!
R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa!
O significado das interjeições está vinculado à maneira
como elas são proferidas. O tom da fala é que dita o Saiba que:
sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não
em que for utilizada. Exemplos: sofrem variação em gênero, número e grau como os
nomes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto
Psiu! e voz como os verbos. No entanto, em uso específico,
contexto: alguém pronunciando esta expressão algumas interjeições sofrem variação em grau. Não se
na rua ; significado da interjeição (sugestão): “Estou te trata de um processo natural desta classe de palavra, mas
chamando! Ei, espere!” tão só uma variação que a linguagem afetiva permite.
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.


Psiu!
contexto: alguém pronunciando em um hospital; Locução Interjetiva
significado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça
silêncio!” Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus!
puxa: interjeição; tom da fala: euforia

31
Toda frase mais ou menos breve dita em tom As palavras anterior, posterior, último, antepenúltimo,
exclamativo torna-se uma locução interjetiva, final e penúltimo também indicam posição dos seres,
dispensando análise dos termos que a compõem: mas são classificadas como adjetivos, não ordinais.
Macacos me mordam!, Valha-me Deus!, Quem me dera!
1. As interjeições são como frases resumidas, C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade,
sintéticas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava ou seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois
por essa!) / Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe) quintos, etc.
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
é o seu tom exclamativo; por isso, palavras de dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
outras classes gramaticais podem aparecer como foi aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
interjeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) /
Fora! Francamente! (Advérbios) Flexão dos numerais
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-
frase” porque sozinha pode constituir uma Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
mensagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/
Silêncio! Fique quieto! duzentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão,
imitativas, que exprimem ruídos e vozes. Por variam em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais
exemplo: Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! cardinais são invariáveis.
Tique-taque! Quá-quá-quá!, etc.
5. Não se deve confundir a interjeição de apelo Os numerais ordinais variam em gênero e número:
«ó» com a sua homônima «oh!», que exprime
admiração, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa
depois do «oh!» exclamativo e não a fazemos primeiro segundo milésimo
depois do «ó» vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! primeira segunda milésima
ó mãe piedosa e pura!” (Olavo Bilac)
primeiros segundos milésimos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS primeiras segundas milésimas
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do
- Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática esforço e conseguiram o triplo de produção.
– volume único – 3.ª Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses
SITE triplas do medicamento.
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
secoes/morf/morf89.php> número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
duas terças partes.
6. NUMERAL Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
Numeral é a palavra variável que indica quantidade É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização
pessoas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa de sentido. É o que ocorre em frases como:
determinada sequência. “Me empresta duzentinho...”
Os numerais traduzem, em palavras, o que os números É artigo de primeiríssima qualidade!
indicam em relação aos seres. Assim, quando a expressão O time está arriscado por ter caído na segundona. (=
é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se trata de segunda divisão de futebol)
numerais, mas sim de algarismos.
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem Emprego e Leitura dos Numerais
a ideia expressa pelos números, existem mais algumas
palavras consideradas numerais porque denotam Os numerais são escritos em conjunto de três
quantidade, proporção ou ordenação. São alguns algarismos, contados da direita para a esquerda, em
exemplos: década, dúzia, par, ambos(as), novena. forma de centenas, dezenas e unidades, tendo cada
conjunto uma separação através de ponto ou espaço
Classificação dos Numerais correspondente a um ponto: 8.234.456 ou 8 234 456.
LÍNGUA PORTUGUESA

Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar


A) Cardinais: indicam quantidade exata ou exagero intencional, constituindo a figura de linguagem
determinada de seres: um, dois, cem mil, etc. conhecida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
Alguns cardinais têm sentido coletivo, como por
No português contemporâneo, não se usa a
exemplo: século, par, dúzia, década, bimestre.
conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em
B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém
mil novecentos e noventa e dois.
ou alguma coisa ocupa numa determinada
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.
sequência: primeiro, segundo, centésimo, etc.

32
Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
décimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua
utilização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


Um Primeiro -
Dois Segundo Dobro, Duplo Meio
Três Terceiro Triplo, Tríplice Terço
Quatro Quarto Quádruplo Quarto
Cinco Quinto Quíntuplo Quinto
Seis Sexto Sêxtuplo Sexto
Sete Sétimo Sétuplo Sétimo
Oito Oitavo Óctuplo Oitavo
Nove Nono Nônuplo Nono
Dez Décimo Décuplo Décimo
Onze Décimo Primeiro - Onze Avos
Doze Décimo Segundo - Doze Avos
Treze Décimo Terceiro - Treze Avos
LÍNGUA PORTUGUESA

Catorze Décimo Quarto - Catorze Avos


Quinze Décimo Quinto - Quinze Avos
Dezesseis Décimo Sexto - Dezesseis Avos
Dezessete Décimo Sétimo - Dezessete Avos
Dezoito Décimo Oitavo - Dezoito Avos

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Dezenove Décimo Nono - Dezenove Avos
Vinte Vigésimo - Vinte Avos
Trinta Trigésimo - Trinta Avos
Quarenta Quadragésimo - Quarenta Avos
Cinqüenta Quinquagésimo - Cinquenta Avos
Sessenta Sexagésimo - Sessenta Avos
Setenta Septuagésimo - Setenta Avos
Oitenta Octogésimo - Oitenta Avos
Noventa Nonagésimo - Noventa Avos
Cem Centésimo Cêntuplo Centésimo
Duzentos Ducentésimo - Ducentésimo
Trezentos Trecentésimo - Trecentésimo
Quatrocentos Quadringentésimo - Quadringentésimo
Quinhentos Quingentésimo - Quingentésimo
Seiscentos Sexcentésimo - Sexcentésimo
Setecentos Septingentésimo Septingentésimo
Oitocentos Octingentésimo Octingentésimo
Nongentésimo ou
Novecentos Nongentésimo
Noningentésimo
Mil Milésimo Milésimo
Milhão Milionésimo Milionésimo
Milhão Bilionésimo Bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php>

7. PREPOSIÇÃO

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece,
normalmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes
na estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a
compreensão do texto.

Tipos de Preposição

A) Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com,
contra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições, ou seja,
formadas por uma derivação imprópria: como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma
(preposição): abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em
LÍNGUA PORTUGUESA

frente a, ao redor de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

A preposição é invariável, no entanto pode unir-se a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em gênero
ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + a = pela.
Essa concordância não é característica da preposição, mas das palavras às quais ela se une.
Esse processo de junção de uma preposição com outra palavra pode se dar a partir dos processos de:

34
• Combinação: união da preposição “a” com o artigo SITE
“o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, aos. Disponível em: <http://www.infoescola.com/
Os vocábulos não sofrem alteração. portugues/preposicao/>
• Contração: união de uma preposição com outra pa-
lavra, ocorrendo perda ou transformação de fone- 8. PRONOME
ma: de + o = do, em + a = na, per + os = pelos, de
+ aquele = daquele, em + isso = nisso. Pronome é a palavra variável que substitui ou
• Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposi- acompanha um substantivo (nome), qualificando-o de
ção + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal alguma forma.
do pronome “aquilo”). O homem julga que é superior à natureza, por isso o
homem destrói a natureza...
O “a” pode funcionar como preposição, pronome Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é
pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a” superior à natureza, por isso ele a destrói...
seja um artigo, virá precedendo um substantivo, servindo Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de
para determiná-lo como um substantivo singular e termos (homem e natureza).
feminino: A matéria que estudei é fácil!
Grande parte dos pronomes não possuem significados
Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação
termos e estabelece relação de subordinação entre eles. dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar
Irei à festa sozinha. a referência exata daquilo que está sendo colocado
Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é por meio dos pronomes no ato da comunicação. Com
artigo; o segundo, preposição. exceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os
demais pronomes têm por função principal apontar para
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o as pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando-
lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude
lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a
dessa característica, os pronomes apresentam uma forma
apostila. = Nós a trouxemos.
específica para cada pessoa do discurso.
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada.
Relações semânticas (= de sentido) estabelecidas
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala]
por meio das preposições:
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se
Destino = Irei a Salvador.
fala]
Modo = Saiu aos prantos. A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
Lugar = Sempre a seu lado. [dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem
Assunto = Falemos sobre futebol. se fala]
Tempo = Chegarei em instantes.
Causa = Chorei de saudade. Em termos morfológicos, os pronomes são palavras
Fim ou finalidade = Vim para ficar. variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em
Instrumento = Escreveu a lápis. número (singular ou plural). Assim, espera-se que a
Posse = Vi as roupas da mamãe. referência através do pronome seja coerente em termos
Autoria = livro de Machado de Assis de gênero e número (fenômeno da concordância) com
Companhia = Estarei com ele amanhã. o seu objeto, mesmo quando este se apresenta ausente
Matéria = copo de cristal. no enunciado.
Meio = passeio de barco. Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da
Origem = Nós somos do Nordeste. nossa escola neste ano.
Conteúdo = frascos de perfume. [nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância
Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso. adequada]
Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais. [neste: pronome que determina “ano” = concordância
adequada]
Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas [ele: pronome que faz referência à “Roberta” =
locuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução concordância inadequada]
prepositiva por trás de.
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos,
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
LÍNGUA PORTUGUESA

Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Pronomes Pessoais
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. São aqueles que substituem os substantivos,
– São Paulo: Saraiva, 2010. indicando diretamente as pessoas do discurso. Quem fala
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: ou escreve assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se os
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar a
quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer
referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala.

35
Os pronomes pessoais variam de acordo com as
funções que exercem nas orações, podendo ser do caso FIQUE ATENTO!
reto ou do caso oblíquo. Os pronomes o, os, a, as assumem formas
especiais depois de certas terminações
A) Pronome Reto verbais:
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na
sentença, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos 1. Quando o verbo termina em -z, -s ou
flores. -r, o pronome assume a forma lo, los, la
Os pronomes retos apresentam flexão de número, ou las, ao mesmo tempo que a terminação
gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa verbal é suprimida. Por exemplo:
última a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do fiz + o = fi-lo
discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é fazeis + o = fazei-lo
assim configurado: dizer + a = dizê-la
1.ª pessoa do singular: eu
2.ª pessoa do singular: tu 2. Quando o verbo termina em som nasal,
3.ª pessoa do singular: ele, ela o pronome assume as formas no, nos, na,
1.ª pessoa do plural: nós nas. Por exemplo:
2.ª pessoa do plural: vós viram + o: viram-no
3.ª pessoa do plural: eles, elas repõe + os = repõe-nos
retém + a: retém-na
Esses pronomes não costumam ser usados como tem + as = tem-nas
complementos verbais na língua-padrão. Frases como
“Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu
até aqui”- comuns na língua oral cotidiana - devem B.2 Pronome Oblíquo Tônico
ser evitadas na língua formal escrita ou falada. Na Os pronomes oblíquos tônicos são sempre
língua formal, devem ser usados os pronomes oblíquos precedidos por preposições, em geral as preposições a,
correspondentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, para, de e com. Por esse motivo, os pronomes tônicos
“Trouxeram-me até aqui”. exercem a função de objeto indireto da oração. Possuem
acentuação tônica forte.
Frequentemente observamos a omissão do pronome Lista dos pronomes oblíquos tônicos:
reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias 1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo
formas verbais marcam, através de suas desinências, as 2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo
pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos 3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela
boa viagem. (Nós) 1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
B) Pronome Oblíquo 3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
sentença, exerce a função de complemento verbal Observe que as únicas formas próprias do pronome
(objeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. tônico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa
(objeto indireto) (ti). As demais repetem a forma do pronome pessoal do
caso reto.
Observação: As preposições essenciais introduzem sempre
O pronome oblíquo é uma forma variante do pronomes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome
pronome pessoal do caso reto. Essa variação indica do caso reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o
a função diversa que eles desempenham na oração: uso da língua formal, os pronomes costumam ser usados
pronome reto marca o sujeito da oração; pronome desta forma:
oblíquo marca o complemento da oração. Os pronomes Não há mais nada entre mim e ti.
oblíquos sofrem variação de acordo com a acentuação Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
tônica que possuem, podendo ser átonos ou tônicos. Não há nenhuma acusação contra mim.
Não vá sem mim.
B.1 Pronome Oblíquo Átono
São chamados átonos os pronomes oblíquos que Há construções em que a preposição, apesar de
não são precedidos de preposição. Possuem acentuação surgir anteposta a um pronome, serve para introduzir
tônica fraca: Ele me deu um presente. uma oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos,
Lista dos pronomes oblíquos átonos o verbo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um
LÍNGUA PORTUGUESA

1.ª pessoa do singular (eu): me pronome, deverá ser do caso reto.


2.ª pessoa do singular (tu): te Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe Não vá sem eu mandar.
1.ª pessoa do plural (nós): nos
2.ª pessoa do plural (vós): vos
3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes

36
A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!” C) Pronomes de Tratamento
está correta, já que “para mim” é complemento de “fácil”. São pronomes utilizados no tratamento formal,
A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil cerimonioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor
para mim! (portanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na
terceira pessoa. Alguns exemplos:
A combinação da preposição “com” e alguns pronomes Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
originou as formas especiais comigo, contigo, consigo, Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais
conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e
frequentemente exercem a função de adjunto adverbial de religiosos em geral
companhia: Ele carregava o documento consigo. Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente superior
à de coronel, senadores, deputados, embaixadores,
A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas: professores de curso superior, ministros de Estado
Ela veio até mim, mas nada falou. e de Tribunais, governadores, secretários de Estado,
Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de presidente da República (sempre por extenso)
inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de
prova, até eu! (= inclusive eu) universidades
Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores
As formas “conosco” e “convosco” são substituídas Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, oficiais
por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais até a patente de coronel, chefes de seção e funcionários
são reforçados por palavras como outros, mesmos, de igual categoria
próprios, todos, ambos ou algum numeral. Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes
Você terá de viajar com nós todos. de direito
Estávamos com vós outros quando chegaram as más Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento
notícias. cerimonioso
Ele disse que iria com nós três. Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus

B.3 Pronome Reflexivo Também são pronomes de tratamento o senhor,


São pronomes pessoais oblíquos que, embora a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora”
funcionem como objetos direto ou indireto, referem- são empregados no tratamento cerimonioso; “você”
se ao sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são
recebe a ação expressa pelo verbo. largamente empregados no português do Brasil; em
algumas regiões, a forma tu é de uso frequente; em
Lista dos pronomes reflexivos: outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito
1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.
lembro disso.
2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo. Observações:
3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo =
Guilherme já se preparou. 1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes
Ela deu a si um presente. de tratamento que possuem “Vossa(s)” são
Antônio conversou consigo mesmo. empregados em relação à pessoa com quem
falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro,
1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio. compareça a este encontro.
2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
com esta conquista. 2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito
3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram
conheceram. / Elas deram a si um dia de folga. que Sua Excelência, o Senhor Presidente da
República, agiu com propriedade.

#FicaDica 3. Os pronomes de tratamento representam uma


forma indireta de nos dirigirmos aos nossos
O pronome é reflexivo quando se refere interlocutores. Ao tratarmos um deputado por
à mesma pessoa do pronome subjetivo Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos
(sujeito): Eu me arrumei e saí. endereçando à excelência que esse deputado
É pronome recíproco quando indica supostamente tem para poder ocupar o cargo que
reciprocidade de ação: Nós nos amamos. /
LÍNGUA PORTUGUESA

ocupa.
Olhamo-nos calados.
O “se” pode ser usado como palavra 4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à
expletiva ou partícula de realce, sem ser 2.ª pessoa, toda a concordância deve ser feita
rigorosamente necessária e sem função com a 3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes
sintática: Os exploradores riam-se de suas possessivos e os pronomes oblíquos empregados
tentativas. / Será que eles se foram? em relação a eles devem ficar na 3.ª pessoa.

37
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das 3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa
reconhecidos. Excelência trouxe sua mensagem?

5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos 4. Referindo-se a mais de um substantivo, o


ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, possessivo concorda com o mais próximo: Trouxe-
ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhida me seus livros e anotações.
inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos
a chamar alguém de “você”, não poderemos usar 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais
“te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
terceira pessoa. seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)

Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos 6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu,
teus cabelos. (errado) próprio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-
lo, para que não ocorra redundância: Coloque tudo
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos nos respectivos lugares.
seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
Pronomes Demonstrativos
ou
São utilizados para explicitar a posição de certa
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos palavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação
teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular pode ser de espaço, de tempo ou em relação ao discurso.
Pronomes Possessivos A) Em relação ao espaço:
Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da
São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
pessoa que fala:
(possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo
Este material é meu.
(coisa possuída).
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da
singular)
pessoa com quem se fala:
Esse material em sua carteira é seu?
Número Pessoa Pronome
Singular Primeira Meu(s), minha(s) Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está
distante tanto da pessoa que fala como da pessoa com
Singular Segunda Teu(s), tua(s)
quem se fala:
Singular Terceira Seu(s), sua(s) Aquele material não é nosso.
Plural Primeira Nosso(s), nossa(s) Vejam aquele prédio!
Plural Segunda Vosso(s), vossa(s)
B) Em relação ao tempo:
Plural Terceira Seu(s), sua(s) Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em
relação à pessoa que fala:
Note que: Esta manhã farei a prova do concurso!
A forma do possessivo depende da pessoa gramatical
a que se refere; o gênero e o número concordam com o Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado,
objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição porém relativamente próximo à época em que se situa
naquele momento difícil. a pessoa que fala:
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso!
Observações:
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um
1. A forma “seu” não é um possessivo quando resultar afastamento no tempo, referido de modo vago ou como
da alteração fonética da palavra senhor: Muito tempo remoto:
obrigado, seu José. Naquele tempo, os professores eram valorizados.
2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se falará
LÍNGUA PORTUGUESA

posse. Podem ter outros empregos, como: ou escreverá):


A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer
B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40
fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se
anos.
falará:
C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática,
lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
ortografia, concordância.

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Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou: plantadas.
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais
desejamos! Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma
Este e aquele são empregados quando se quer fazer imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser
referência a termos já mencionados; aquele se refere ao humano que seguramente existe, mas cuja identidade é
termo referido em primeiro lugar e este para o referido desconhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em:
por último:
A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres
Paulo; este está mais bem colocado que aquele. (= este na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano,
[São Paulo], aquele [Palmeiras]) beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
ou Algo o incomoda?
Quem avisa amigo é.
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São
Paulo; aquele está mais bem colocado que este. (= este B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um
[São Paulo], aquele [Palmeiras]) ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s),
Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou certa(s).
invariáveis, observe: Cada povo tem seus costumes.
Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), Certas pessoas exercem várias profissões.
aquela(s).
Invariáveis: isto, isso, aquilo. Note que:
Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora
Também aparecem como pronomes demonstrativos: pronomes indefinidos adjetivos:
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito,
• o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e muitos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum,
puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), nenhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s),
aquilo. qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal,
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.) tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s),
Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te vários, várias.
indiquei.) Menos palavras e mais ações.
Alguns se contentam pouco.
• mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s):
variam em gênero quando têm caráter reforçativo: Os pronomes indefinidos podem ser divididos em
Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem. variáveis e invariáveis. Observe:
Eu mesma refiz os exercícios.
• Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco,
Elas mesmas fizeram isso.
vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda,
Eles próprios cozinharam.
muita, pouca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer,
Os próprios alunos resolveram o problema.
quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos,
vários, tantos, outros, quantos, algumas, nenhumas,
• semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.
todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quantas.
• Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada,
• tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.
algo, cada.
1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. *Qualquer é composto de qual + quer (do verbo
(ou então: este solteiro, aquele casado) - este se querer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra
refere à pessoa mencionada em último lugar; cujo plural é feito em seu interior).
aquele, à mencionada em primeiro lugar.
2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação Todo e toda no singular e junto de artigo significa
irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor? inteiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de, Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
em com pronome demonstrativo: àquele, àquela, Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
LÍNGUA PORTUGUESA

deste, desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no


que estava vendo. (no = naquilo) Trabalho todo dia. (= todos os dias)

Pronomes Indefinidos São locuções pronominais indefinidas: cada qual,


cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer
São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discurso, (que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal
dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma
quantidade indeterminada. ou outra, etc.

39
Cada um escolheu o vinho desejado. Existem pessoas cujas ações são nobres.
(antecedente) (consequente)
Pronomes Relativos
São aqueles que representam nomes já mencionados Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do
anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem pronome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui!
as orações subordinadas adjetivas. (referiu-se a)
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
um grupo racial sobre outros. “Quanto” é pronome relativo quando tem por
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre antecedente um pronome indefinido: tanto (ou variações)
outros = oração subordinada adjetiva). e tudo:

O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema” Emprestei tantos quantos foram necessários.
e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra (antecedente)
“sistema” é antecedente do pronome relativo que.
O antecedente do pronome relativo pode ser o Ele fez tudo quanto havia falado.
pronome demonstrativo o, a, os, as. (antecedente)
Não sei o que você está querendo dizer.
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre
expresso. precedido de preposição.
Quem casa, quer casa. É um professor a quem muito devemos.
(preposição)
Observe:
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os “Onde”, como pronome relativo, sempre possui
quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas, antecedente e só pode ser utilizado na indicação de
quantas. lugar: A casa onde morava foi assaltada.
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
Na indicação de tempo, deve-se empregar quando
Note que: ou em que: Sinto saudades da época em que (quando)
O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, morávamos no exterior.
sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser
substituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando Podem ser utilizadas como pronomes relativos as
seu antecedente for um substantivo.
palavras:
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual)
• como (= pelo qual) – desde que precedida das
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os
palavras modo, maneira ou forma:
quais)
Não me parece correto o modo como você agiu semana
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (=
passada.
as quais)

O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente • quando (= em que) – desde que tenha como
pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamente antecedente um nome que dê ideia de tempo:
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” Bons eram os tempos quando podíamos jogar
(que podem ter várias classificações) são pronomes videogame.
relativos. Todos eles são usados com referência à
pessoa ou coisa por motivo de clareza ou depois de Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
determinadas preposições: Regressando de São Paulo, numa só frase.
visitei o sítio de minha tia, o qual me deixou encantado. O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste
O uso de “que”, neste caso, geraria ambiguidade. Veja: esporte.
Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que = O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
me deixou encantado (quem me deixou encantado: o
sítio ou minha tia?). Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de
dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas gente que conversava, (que) ria, observava.
utiliza-se o qual / a qual)
O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, Pronomes Interrogativos
e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas São usados na formulação de perguntas, sejam
LÍNGUA PORTUGUESA

deixou de ser poeta, que era a sua vocação natural. elas diretas ou indiretas. Assim como os pronomes
O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda indefinidos, referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo
com o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual
consequente (o ser possuído, com o qual concorda (e variações), quanto (e variações).
em gênero e número); não se usa artigo depois deste Com quem andas?
pronome; “cujo” equivale a do qual, da qual, dos quais, Qual seu nome?
das quais. Diz-me com quem andas, que te direi quem és.

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O pronome pessoal é do caso reto quando tem • Quando o verbo estiver precedido de palavras que
função de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso atraem o pronome para antes do verbo. São elas:
oblíquo quando desempenha função de complemento. A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém,
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar. jamais, etc.: Não se desespere!
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia B) Advérbios: Agora se negam a depor.
lhe ajudar. C) Conjunções subordinativas: Espero que me
expliquem tudo!
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao esforçou.
caso reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a
função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo. oportunidade.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso. F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito.
O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta
para a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não • Orações iniciadas por palavras interrogativas: Quem
sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe). lhe disse isso?
• Orações iniciadas por palavras exclamativas: Quanto
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou se ofendem!
tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, • Orações que exprimem desejo (orações optativas):
diferentemente dos segundos, que são sempre Que Deus o ajude.
precedidos de preposição. • A próclise é obrigatória quando se utiliza o pronome
A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o
que eu estava fazendo. material amanhã. / Tu sabes cantar?
B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para
mim o que eu estava fazendo. Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do
verbo. A mesóclise é usada:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Quando o verbo estiver no futuro do presente ou
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. futuro do pretérito, contanto que esses verbos não
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza estejam precedidos de palavras que exijam a próclise.
Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. Exemplos: Realizar-se-á, na próxima semana, um grande
– São Paulo: Saraiva, 2010. evento em prol da paz no mundo.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: Repare que o pronome está “no meio” do verbo
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. “realizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, alguma palavra que justificasse o uso da próclise, esta
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira prevaleceria. Veja: Não se realizará...
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
São Paulo: Saraiva, 2002. nessa viagem.
(com presença de palavra que justifique o uso de
SITE próclise: Não fossem os meus compromissos, EU te
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ acompanharia nessa viagem).
secoes/morf/morf42.php>
Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo.
Colocação Pronominal A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos • Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
pronomes oblíquos átonos na frase. Quando eu avisar, silenciem-se todos.
• Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: Não
era minha intenção machucá-la.
#FicaDica • Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não se
inicia período com pronome oblíquo).
Pronome Oblíquo é aquele que exerce a Vou-me embora agora mesmo.
função de complemento verbal (objeto). Por Levanto-me às 6h.
isso, memorize:
OBlíquo = OBjeto! • Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo
LÍNGUA PORTUGUESA

no concurso, mudo-me hoje mesmo!


• Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a
Embora na linguagem falada a colocação dos proposta fazendo-se de desentendida.
pronomes não seja rigorosamente seguida, algumas
normas devem ser observadas na linguagem escrita. Colocação pronominal nas locuções verbais

Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo. • Após verbo no particípio = pronome depois do
A próclise é usada: verbo auxiliar (e não depois do particípio):

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Tenho me deliciado com a leitura! • sentimentos: amor, saudade
Eu tenho me deliciado com a leitura! • estados: alegria, tristeza
Eu me tenho deliciado com a leitura! • qualidades: honestidade, sinceridade
• ações: corrida, pescaria
• Não convém usar hífen nos tempos compostos e
nas locuções verbais: Morfossintaxe do substantivo
Vamos nos unir!
Iremos nos manifestar. Nas orações, geralmente o substantivo exerce funções
diretamente relacionadas com o verbo: atua como núcleo
• Quando há um fator para próclise nos tempos do sujeito, dos complementos verbais (objeto direto
compostos ou locuções verbais: opção pelo uso ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda,
do pronome oblíquo “solto” entre os verbos = funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
Não vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do objeto
preocupar”). ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
substantivos como núcleos de adjuntos adnominais
Emprego de o, a, os, as e de adjuntos adverbiais - quando essas funções são
desempenhadas por grupos de palavras.
• Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os
pronomes: o, a, os, as não se alteram. Classificação dos Substantivos
Chame-o agora.
Deixei-a mais tranquila. A) Substantivos Comuns e Próprios

• Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes Observe a definição:


finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
(Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho. Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa. casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil,
• Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em, toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma
ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se para cidade (em oposição aos bairros).
no, na, nos, nas.
Chamem-no agora. Qualquer “povoação maior que vila, com muitas
Põe-na sobre a mesa. casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será
chamada cidade. Isso significa que a palavra cidade é um
substantivo comum.
#FicaDica
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
significa “antes”! Pronome antes do verbo! homem, mulher, país, cachorro.
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ Estamos voando para Barcelona.
(end, em Inglês – que significa “fim, final!).
Pronome depois do verbo! O substantivo Barcelona designa apenas um ser da
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do espécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio –
verbo aquele que designa os seres de uma mesma espécie de
forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS B) Substantivos Concretos e Abstratos


SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. o ser que existe, independentemente de outros
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza seres.
Cochar - Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010. Observação:
Os substantivos concretos designam seres do mundo
SITE real e do mundo imaginário.
Disponível em: <http://www.portugues.com.br/ Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra,
gramatica/colocacao-pronominal-.html> Brasília.
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água,
LÍNGUA PORTUGUESA

9. SUBSTANTIVO fantasma.

Substantivo é a classe gramatical de palavras B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres
variáveis, as quais denominam todos os seres que existem, que dependem de outros para se manifestarem ou
sejam reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e existirem. Por exemplo: a beleza não existe por si
fenômenos, os substantivos também nomeiam: só, não pode ser observada. Só podemos observar
• lugares: Alemanha, Portugal a beleza numa pessoa ou coisa que seja bela. A

42
beleza depende de outro ser para se manifestar. frota navios mercantes, ônibus
Portanto, a palavra beleza é um substantivo
abstrato. girândola fogos de artifício
Os substantivos abstratos designam estados, horda bandidos, invasores
qualidades, ações e sentimentos dos seres, dos quais
médicos, bois, credores,
podem ser abstraídos, e sem os quais não podem existir: junta
examinadores
vida (estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade
(sentimento). júri jurados
legião soldados, anjos, demônios
• Substantivos Coletivos
leva presos, recrutas
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha,
outra abelha, mais outra abelha. malfeitores ou
malta
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas. desordeiros
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. manada búfalos, bois, elefantes,

Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi matilha cães de raça
necessário repetir o substantivo: uma abelha, outra molho chaves, verduras
abelha, mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram- multidão pessoas em geral
se duas palavras no plural. No terceiro, empregou-se
um substantivo no singular (enxame) para designar um insetos (gafanhotos,
nuvem
conjunto de seres da mesma espécie (abelhas). mosquitos, etc.)
O substantivo enxame é um substantivo coletivo. penca bananas, chaves
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, pinacoteca pinturas, quadros
mesmo estando no singular, designa um conjunto de
seres da mesma espécie. quadrilha ladrões, bandidos
ramalhete flores
Substantivo coletivo Conjunto de: rebanho ovelhas
assembleia pessoas reunidas peças teatrais, obras
repertório
alcateia lobos musicais
acervo livros réstia alhos ou cebolas
trechos literários romanceiro poesias narrativas
antologia
selecionados revoada pássaros
arquipélago ilhas sínodo párocos
banda músicos talha lenha
desordeiros ou tropa muares, soldados
bando
malfeitores turma estudantes, trabalhadores
banca examinadores vara porcos
batalhão soldados
cardume peixes Formação dos Substantivos
caravana viajantes peregrinos A) Substantivos Simples e Compostos
cacho frutas Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a
cancioneiro canções, poesias líricas terra.
O substantivo chuva é formado por um único
colmeia abelhas elemento ou radical. É um substantivo simples.
concílio bispos
congresso parlamentares, cientistas A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um
único elemento.
atores de uma peça ou Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc.
elenco
filme Veja agora: O substantivo guarda-chuva é formado por
esquadra navios de guerra dois elementos (guarda + chuva). Esse substantivo é
LÍNGUA PORTUGUESA

composto.
enxoval roupas
falange soldados, anjos A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por
fauna animais de uma região dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-
flor, passatempo.
feixe lenha, capim
flora vegetais de uma região

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B) Substantivos Primitivos e Derivados • Existem certos substantivos que, variando de gênero,
B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva variam em seu significado:
de nenhuma outra palavra da própria língua o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça
portuguesa. O substantivo limoeiro, por exemplo, é (líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro)
derivado, pois se originou a partir da palavra limão. e a capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origina (cabeleira, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de
de outra palavra. aumento); o moral (estado de espírito) e a moral (ética;
conclusão); o praça (soldado raso) e a praça (área pública);
Flexão dos substantivos o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora).

O substantivo é uma classe variável. A palavra é Formação do Feminino dos Substantivos Biformes
variável quando sofre flexão (variação). A palavra menino,
por exemplo, pode sofrer variações para indicar: Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo: - aluna.
meninão / Diminutivo: menininho • Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a
ao masculino: freguês - freguesa
A) Flexão de Gênero • Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino
Gênero é um princípio puramente linguístico, não de três formas:
devendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
respeito a todos os substantivos de nossa língua, quer se 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
refiram a seres animais providos de sexo, quer designem 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
apenas “coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa. Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão -
Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e sultana
feminino. Pertencem ao gênero masculino os substantivos
que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns. Veja • Substantivos terminados em -or:
estes títulos de filmes: acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
O velho e o mar troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
Um Natal inesquecível
Os reis da praia • Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa:
cônsul - consulesa / abade - abadessa / poeta
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que
- poetisa / duque - duquesa / conde - condessa /
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
profeta - profetisa
A história sem fim
• Substantivos que formam o feminino trocando o -e
Uma cidade sem passado
final por -a: elefante - elefanta
As tartarugas ninjas
• Substantivos que têm radicais diferentes no
masculino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
• Substantivos que formam o feminino de maneira
1. Substantivos Biformes (= duas formas): especial, isto é, não seguem nenhuma das regras
apresentam uma forma para cada gênero: gato – anteriores: czar – czarina, réu - ré
gata, homem – mulher, poeta – poetisa, prefeito -
prefeita Formação do Feminino dos Substantivos
Uniformes
2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única
forma, que serve tanto para o masculino quanto Epicenos:
para o feminino. Classificam-se em: Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.

A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo Não é possível saber o sexo do jacaré em questão.
se faz mediante a utilização das palavras “macho” Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma
e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré forma para indicar o masculino e o feminino.
macho e o jacaré fêmea. Alguns nomes de animais apresentam uma só forma
B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes para designar os dois sexos. Esses substantivos são
a pessoas de ambos os sexos: a criança, a chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando
testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, houver a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se
o indivíduo. palavras macho e fêmea.
A cobra macho picou o marinheiro.
LÍNGUA PORTUGUESA

C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros:


indicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
colega e a colega, o doente e a doente, o artista e
a artista. Sobrecomuns:
Entregue as crianças à natureza.
Substantivos de origem grega terminados em ema
ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o
sintoma, o teorema.

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A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo Gênero e Significação
masculino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse
caso, nem o artigo nem um possível adjetivo permitem Muitos substantivos têm uma significação no
identificar o sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: masculino e outra no feminino. Observe:
A criança chorona chamava-se João. o baliza (soldado que, que à frente da tropa, indica os
A criança chorona chamava-se Maria. movimentos que se deve realizar em conjunto; o que vai à
frente de um bloco carnavalesco, manejando um bastão),
Outros substantivos sobrecomuns: a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite ou
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (parte do
boa criatura. corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a cisma
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzenta),
Marcela faleceu a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro),
a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
Comuns de Dois Gêneros: (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado
na administração da crisma e de outros sacramentos),
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? a crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco),
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma a cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. estepe (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que
A distinção de gênero pode ser feita através da guia outras), a guia (documento, pena grande das asas
análise do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o das aves), o grama (unidade de peso), a grama (relva),
substantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; o caixa (funcionário da caixa), a caixa (recipiente, setor
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa; de pagamentos), o lente (professor), a lente (vidro de
repórter francês - repórter francesa aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade, bons
costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a
A palavra personagem é usada indistintamente nascente (a fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva
nos dois gêneros. Entre os escritores modernos nota- a vapor), maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o
se acentuada preferência pelo masculino: O menino pala (poncho), a pala (parte anterior do boné ou quepe,
descobriu nas nuvens os personagens dos contos de anteparo), o rádio (aparelho receptor), a rádio (emissora),
carochinha. o voga (remador), a voga (moda).
Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino:
O problema está nas mulheres de mais idade, que não B) Flexão de Número do Substantivo
aceitam a personagem. Em português, há dois números gramaticais: o
singular, que indica um ser ou um grupo de seres, e o
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo plural, que indica mais de um ser ou grupo de seres. A
fotográfico Ana Belmonte. característica do plural é o “s” final.

Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó Plural dos Substantivos Simples


(pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o
maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
proclama, o pernoite, o púbis. “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural).
Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, Exceção: cânon - cânones.
a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a
libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa). Os substantivos terminados em “m” fazem o plural
em “ns”: homem - homens.
São geralmente masculinos os substantivos de origem Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural
grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilograma, pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes.
o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema, Atenção:
o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o O plural de caráter é caracteres.
tracoma, o hematoma.
Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc. Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam-
se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais;
LÍNGUA PORTUGUESA

Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exceções, caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males,
nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro Preto. / cônsul e cônsules.
A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Alegre. / Uma Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de
Londres imensa e triste. duas maneiras:
Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre. 1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.

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Observação: substantivo + preposição clara + substantivo = água-
A palavra réptil pode formar seu plural de duas de-colônia e águas-de-colônia
maneiras: répteis ou reptis (pouco usada). substantivo + preposição oculta + substantivo =
cavalo-vapor e cavalos-vapor
Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de substantivo + substantivo que funciona como
duas maneiras: determinante do primeiro, ou seja, especifica a função ou
1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o o tipo do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave,
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-rã,
2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam peixe-espada - peixes-espada.
invariáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus.
D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
de três maneiras. verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os
1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações saca-rolhas
2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães
3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos Casos Especiais

Observação: o louva-a-deus e os louva-a-deus


Muitos substantivos terminados em “ão” apresentam
dois – e até três – plurais: o bem-te-vi e os bem-te-vis
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos ancião – o bem-me-quer e os bem-me-queres
anciões/anciães/anciãos
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
charlatão – charlatões/charlatães corrimão –
corrimãos/corrimões
Plural das Palavras Substantivadas
guardião – guardiões/guardiães vilão – vilãos/
vilões/vilães
As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
classes gramaticais usadas como substantivo, apresentam,
Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis:
no plural, as flexões próprias dos substantivos.
o látex - os látex.
Pese bem os prós e os contras.
O aluno errou na prova dos noves.
Plural dos Substantivos Compostos
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
A formação do plural dos substantivos compostos
Observação:
depende da forma como são grafados, do tipo de
Numerais substantivados terminados em “s” ou “z”
palavras que formam o composto e da relação que
não variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos
estabelecem entre si. Aqueles que são grafados sem
seis e alguns dez.
hífen comportam-se como os substantivos simples:
aguardente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/
Plural dos Diminutivos
pontapés, malmequer/malmequeres.
O plural dos substantivos compostos cujos elementos
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s”
são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas
final e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
e discussões. Algumas orientações são dadas a seguir:

A) Flexionam-se os dois elementos, quando pãe(s) + zinhos = pãezinhos


formados de: animai(s) + zinhos = animaizinhos
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
botõe(s) + zinhos = botõezinhos
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-
perfeitos chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis- farói(s) + zinhos = faroizinhos
homens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras tren(s) + zinhos = trenzinhos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas
B) Flexiona-se somente o segundo elemento, flore(s) + zinhas = florezinhas
quando formados de:
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas mão(s) + zinhas = mãozinhas
LÍNGUA PORTUGUESA

palavra invariável + palavra variável = alto-falante e papéi(s) + zinhos = papeizinhos


alto-falantes nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas
palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-
recos funi(s) + zinhos = funizinhos
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
C) Flexiona-se somente o primeiro elemento,
pai(s) + zinhos = paizinhos
quando formados de:

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pé(s) + zinhos = pezinhos as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
pé(s) + zitos = pezitos singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade,
bom nome) e honras (homenagem, títulos).
Plural dos Nomes Próprios Personativos Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas
com sentido de plural: Aqui morreu muito negro.
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas
sempre que a terminação preste-se à flexão. improvisadas.
Os Napoleões também são derrotados.
As Raquéis e Esteres. C) Flexão de Grau do Substantivo
Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
Plural dos Substantivos Estrangeiros as variações de tamanho dos seres.

Substantivos ainda não aportuguesados devem ser Classifica-se em:


escritos como na língua original, acrescentando-se “s” 1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho
(exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os considerado normal. Por exemplo: casa
shorts, os jazz. 2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de do ser. Classifica-se em:
acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os Analítico = o substantivo é acompanhado de um
chopes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os adjetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
garçons, os réquiens. Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo
Observe o exemplo: Este jogador faz gols toda vez que indicador de aumento. Por exemplo: casarão.
joga.
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa. 3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho
do ser. Pode ser:
Plural com Mudança de Timbre Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo
que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
Certos substantivos formam o plural com mudança Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo
de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um indicador de diminuição. Por exemplo: casinha.
fato fonético chamado metafonia (plural metafônico).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Singular Plural SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Corpo (ô) Corpos (ó)
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Esforço Esforços Cochar. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
Fogo Fogos – São Paulo: Saraiva, 2010.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Forno Fornos
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Fosso Fossos Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
Imposto Impostos São Paulo: Saraiva, 2002.
Olho Olhos SITE
Osso (ô) Ossos (ó) Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
Ovo Ovos secoes/morf/morf12.php>
Poço Poços 10. VERBO
Porto Portos
Posto Postos Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número,
tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o
Tijolo Tijolos nome de conjugação (por isso também se diz que verbo
é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenômeno
bolsos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).
etc.
LÍNGUA PORTUGUESA

Estrutura das Formas Verbais


Observação:
Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar
molho (ó) = feixe (molho de lenha). os seguintes elementos:

Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o A) Radical: é a parte invariável, que expressa o
norte, o leste, o oeste, a fé, etc. significado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei;
Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames, fal-ava; fal-am. (radical fal-)

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B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que
indica a conjugação a que pertence o verbo. Por #FicaDica
exemplo: fala-r. São três as conjugações:
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática Observe que, retirando os radicais, as
- E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir). desinências modo-temporal e número-
pessoal mantiveram-se idênticas. Tente fazer
C) Desinência modo-temporal: é o elemento que com outro verbo e perceberá que se repetirá
designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo: o fato (desde que o verbo seja da primeira
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo) conjugação e regular!). Faça com o verbo
/ falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo) “andar”, por exemplo. Substitua o radical
“cant” e coloque o “and” (radical do verbo
D) Desinência número-pessoal: é o elemento que andar). Viu? Fácil!
designa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o
número (singular ou plural):
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca
(indica a 3.ª pessoa do plural.) alterações no radical ou nas desinências: faço, fiz,
farei, fizesse.
FIQUE ATENTO! Observação:
O verbo pôr, assim como seus derivados Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas
(compor, repor, depor), pertencem à 2.ª para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/
conjugação, pois a forma arcaica do verbo corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais
pôr era poer. A vogal “e”, apesar de haver alterações não caracterizam irregularidade, porque o
desaparecido do infinitivo, revela-se em fonema permanece inalterado.
algumas formas do verbo: põe, pões,
põem, etc. C) Defectivos: são aqueles que não apresentam
conjugação completa. Os principais são adequar,
precaver, computar, reaver, abolir, falir.
Formas Rizotônicas e Arrizotônicas D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito
e, normalmente, são usados na terceira pessoa do
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura singular. Os principais verbos impessoais são:
dos verbos com o conceito de acentuação tônica,
percebemos com facilidade que nas formas rizotônicas o 1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer,
acento tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, realizar-se ou fazer (em orações temporais).
amo, por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia =
tônico não cai no radical, mas sim na terminação verbal Existiam)
(fora do radical): opinei, aprenderão, amaríamos. Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
Classificação dos Verbos Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)

Classificam-se em: 2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)


Faz invernos rigorosos na Europa.
A) Regulares: são aqueles que apresentam o radical Era primavera quando o conheci.
inalterado durante a conjugação e desinências Estava frio naquele dia.
idênticas às de todos os verbos regulares da
mesma conjugação. Por exemplo: comparemos os 3. Todos os verbos que indicam fenômenos da
verbos “cantar” e “falar”, conjugados no presente natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear,
do Modo Indicativo: trovejar, amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém,
se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo
Canto Falo “amanhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo
impessoal, empregado em sentido figurado, deixa
Cantas Falas de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá
Canta Falas conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
Cantamos Falamos
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
LÍNGUA PORTUGUESA

Cantais Falais Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)

4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando


tempo: Já passa das seis.

5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição


“de”, indicando suficiência:

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Basta de tolices.
Chega de promessas.

6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem referência
a sujeito expresso anteriormente (por exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso, classificar o sujeito como
hipotético, tornando-se, tais verbos, pessoais.

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?

E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
São unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais
(cacarejar, cricrilar, miar, latir, piar).

Os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.
O que é que aquela garota está cacarejando?

Principais verbos unipessoais:

• Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):


Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

• Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que,
além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é
empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

Particípio Particípio
Infinitivo
Regular Irregular
Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
LÍNGUA PORTUGUESA

Misturar Misturado Misto


Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto

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Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/dito,
escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois,
fui) e ir (fui, ia, vades).

H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo
principal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é
expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Vou espantar todos!


(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

Pret. mais-que- Fut. do


Presente Pret. Perfeito Pret. Imp. Fut.do Pres.
perf. Pretérito
Sou Fui Era Fora Serei Seria
És Foste Eras Foras Serás Serias
É Foi Era Fora Será Seria
Somos Fomos Éramos Fôramos Seremos Seríamos
Sois Fostes Éreis Fôreis Sereis Seríeis
São Foram Eram Foram Serão Seriam

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo


LÍNGUA PORTUGUESA

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

50
SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo



Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres Fut.do Preté
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR Modo Subjuntivo – Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
LÍNGUA PORTUGUESA

hás houveste havias houveras haverás haverias


há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

51
HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
LÍNGUA PORTUGUESA

• Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a
reflexibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela
mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula
integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de
reforço da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e
respectivos pronomes):

52
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às
Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do
arrependem singular, não apresenta desinências, assumindo a
mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-
• Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos se da seguinte maneira:
em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre 2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
o objeto representado por pronome oblíquo da 1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma 2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
ação que recai sobre ele mesmo. Em geral, os 3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.
indiretos podem ser conjugados com os pronomes
mencionados, formando o que se chama voz B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como
reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava. adjetivo ou advérbio. Por exemplo:
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de
pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota advérbio)
penteou-me. Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação
oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
função sintática. Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Há verbos que também são acompanhados Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.
de pronomes oblíquos átonos, mas que não são
essencialmente pronominais - são os verbos reflexivos. Quando o gerúndio é vício de linguagem
Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do
encontrarem na pessoa idêntica à do sujeito, exercem gerúndio:
funções sintáticas. Por exemplo: 1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me futebol.
(objeto direto) – 1.ª pessoa do singular 2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!

Modos Verbais Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada,


pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no
Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas momento da outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que
pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro. a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um
Existem três modos: futuro em andamento, exigindo, no caso, a construção
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu “verificarei” ou “vou verificar”.
estudo para o concurso.
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: C) Particípio: quando não é empregado na formação
Talvez eu estude amanhã. dos tempos compostos, o particípio indica,
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: geralmente, o resultado de uma ação terminada,
Estude, colega! flexionando-se em gênero, número e grau. Por
exemplo: Terminados os exames, os candidatos
Formas Nominais saíram.
Quando o particípio exprime somente estado, sem
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a
formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, função de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida
adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas pela turma.
nominais. Observe:

A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de
modo vago e indefinido, podendo ter valor e
função de substantivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)
LÍNGUA PORTUGUESA

(Ziraldo)
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente
(forma simples) ou no passado (forma composta). Por Tempos Verbais
exemplo:
É preciso ler este livro. Tomando-se como referência o momento em que
Era preciso ter lido este livro. se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em
diversos tempos.

53
A) Tempos do Modo Indicativo
Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado:
Ele estudou as lições ontem à noite.
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele
pudesse, estudaria um pouco mais.

B) Tempos do Modo Subjuntivo


Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse
o jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)
No próximo final de semana, faço a prova!
faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

Tabelas das Conjugações Verbais

Modo Indicativo

Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
LÍNGUA PORTUGUESA

cantoU vendeU partiU U


cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

54
Pretérito mais-que-perfeito

3.ª conjugação
1.ª conjugação 2.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
LÍNGUA PORTUGUESA

cantarIAM venderIAM partirIAM

55
Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

Desinên. Pessoal Des. tem


1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.poral
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

Des.temporal
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

Des.temporal
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
LÍNGUA PORTUGUESA

cantaREM vendeREM partiREM R EM

56
C) Modo Imperativo Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito
oracional, correspondendo à construção: parece gostarem
Imperativo Afirmativo de você).

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do • O verbo pegar possui dois particípios (regular e
presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a irregular):
segunda pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. Elvis tinha pegado minhas apostilas.
As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do Minhas apostilas foram pegas.
subjuntivo. Veja:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Presente do Imperativo Presente do SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Indicativo Afirmativo Subjuntivo Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Eu canto - Que eu cante Cochar - Português linguagens: volume 2. – 7.ª ed. Reform.
Tu cantas CantA tu Que tu cantes – São Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.] - Português: novas palavras:
Ele canta Cante você Que ele cante
literatura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis SITE
Disponível em: http://www.soportugues.com.br/
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem
secoes/morf/morf54.php
Imperativo Negativo
Vozes do Verbo
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar
Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a
a negação às formas do presente do subjuntivo.
ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar
Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três
Que eu cante - as vozes verbais:
Que tu cantes Não cantes tu A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a
Que ele cante Não cante você ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
Que nós cantemos Não cantemos nós sujeito agente ação objeto (paciente)
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo
a ação expressa pelo verbo:
• No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª O trabalho foi feito por ele.
pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois sujeito paciente ação agente da passiva
uma ordem, pedido ou conselho só se aplicam
diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo,
razão, utiliza-se você/vocês. agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
• O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: O menino feriu-se.
sê (tu), sede (vós).

Infinitivo Pessoal #FicaDica


Não confundir o emprego reflexivo do verbo
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação com a noção de reciprocidade:
CANTAR VENDER PARTIR Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Nós nos amamos. (um ama o outro)
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir Formação da Voz Passiva
LÍNGUA PORTUGUESA

cantarMOS venderMOS partirMOS


A voz passiva pode ser formada por dois processos:
cantarDES venderDES partirDES analítico e sintético.
cantarEM venderEM partirEM
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte
• O verbo parecer admite duas construções: maneira:
Elas parecem gostar de você. (forma uma locução Verbo SER + particípio do verbo principal. Por
verbal) exemplo:

57
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: o sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo
os alunos pintarão a escola) ativo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho) tempo.
Os mestres têm constantemente aconselhado os
Observações: alunos.
Os alunos têm sido constantemente aconselhados
• O agente da passiva geralmente é acompanhado pelos mestres.
da preposição por, mas pode ocorrer a construção Eu o acompanharei.
com a preposição de. Por exemplo: A casa ficou cer- Ele será acompanhado por mim.
cada de soldados.
Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não
• Pode acontecer de o agente da passiva não estar haverá complemento agente na passiva. Por exemplo:
explícito na frase: A exposição será aberta amanhã. Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir,
• A variação temporal é indicada pelo verbo auxi- acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou reflexiva,
liar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a porque o sujeito não pode ser visto como agente,
transformação das frases seguintes: paciente ou agente paciente.

Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
perfeito do Indicativo, assim como o verbo principal da Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
voz ativa) CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
char - Português linguagens: volume 2. – 7.ª ed. Reform.
Ele faz o trabalho. (presente do indicativo) – São Paulo: Saraiva, 2010.
O trabalho é feito por ele. (ser no presente do AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
indicativo) literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.

Ele fará o trabalho. (futuro do presente) SITE


O trabalho será feito por ele. (futuro do presente) Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
secoes/morf/morf54.php>
• Nas frases com locuções verbais, o verbo SER as-
sume o mesmo tempo e modo do verbo principal
da voz ativa. Observe a transformação da frase se-
guinte: EXERCÍCIOS COMENTADOS
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio) 1. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO –
CESGRANRIO-2018)
B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética -
ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª O ano da esperança
pessoa, seguido do pronome apassivador “se”. Por
exemplo: O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos
Abriram-se as inscrições para o concurso. desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás
Destruiu-se o velho prédio da escola. do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações
de amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o
Observação: dinheiro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava,
O agente não costuma vir expresso na voz passiva com a consciência de que era uma doação. A situação
sintética. foi piorando. Os argumentos também. No início era para
pagar a escola do filho. Depois vieram as mães e avós
Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva doentes. Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso.
Ajudava um rapaz, que não conheço pessoalmente.
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar Mas que sofreu um acidente e não tinha como pagar a
substancialmente o sentido da frase. fisioterapia. Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas
internações, remédios. A situação piorando, eu já estava
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa) encomendando missa de sétimo dia. Falei com um amigo
Sujeito da Ativa objeto Direto médico, no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso
LÍNGUA PORTUGUESA

gratuitamente. Surpresa! O doente não aparecia para


A apostila foi comprada pelo concurseiro. a consulta. Até que o coloquei contra a parede. Ou se
(Voz Passiva) consultava ou eu não ajudava mais.
Sujeito da Passiva Agente da Passiva Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita
de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca
conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o

58
emprego após o suposto acidente. Foi por isso que me e) Uma vultosa multa é, muitas vezes, o estímulo mais
deixei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde eficaz para que adote-se a conduta correta em relação
também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As à reputação das celebridades.
pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a
indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar. Resposta: Letra C
Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos Em “a”: Os jornais noticiaram que alguns países
aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão surgir. mobilizam-se = se mobilizam
Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça Em “b”: Para criar leis eficientes no combate aos
de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova boatos, sempre deve-se = sempre se deve
consciência para votar. Como? Num mundo em que as Em “c”: Entre os numerosos usuários da internet,
notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites constata-se um sentimento = correta
servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram Em “d”: Uma nova lei contra as fake news promulgada
cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. na Alemanha não aplica-se = não se aplica
Já inventaram casos de amor, tramas nas novelas que Em “e”: Uma vultosa multa é, muitas vezes, o estímulo
escrevo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por mais eficaz para que adote-se = que se adote
que isso ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei
a trama. Respondo: — Nunca foi para acontecer. Era 3. (ALERJ-RJ – ESPECIALISTA LEGISLATIVO –
mentira da internet. ARQUITETURA – FGV-2017-ADAPTADA) Se
Duvidam. Acham que estou mentindo. substituíssemos os complementos dos verbos abaixo por
CARRASCO, W. O ano da esperança. Época, 25 dez. 2017, p.97. pronomes pessoais oblíquos enclíticos, a única forma
Adaptado. INADEQUADA seria:

No trecho “perde-se o dinheiro e o amigo”, a colocação a) impregna a vida cotidiana / impregna-a;


do pronome átono em destaque está de acordo com a b) entender os debates / entendê-los;
norma-padrão da língua portuguesa. O mesmo ocorre c) ganha destaque / ganha-o;
d) supõe um conhecimento / supõe-lo;
em:
e) marcaram sua história / marcaram-na.
a) Não se perde nem o dinheiro nem o amigo.
Resposta: Letra D
b) Perderia-se o dinheiro e o amigo.
Em “a”: impregna a vida cotidiana / impregna-a =
c) O dinheiro e o amigo tinham perdido-se.
correta
d) Se perdeu o dinheiro, mas não o amigo.
Em “b”: entender os debates / entendê-los = correta
e) Se o amigo que perdeu-se voltasse, ficaria feliz.
Em “c”: ganha destaque / ganha-o = correta
Em “d”: supõe um conhecimento / supõe-lo = supõe-
Resposta: Letra A no
Em “a”: Não se perde = correta (advérbio atrai o Em “e”: marcaram sua história / marcaram-na = correta
pronome = próclise)
Em “b”: Perderia-se = verbo no futuro do pretérito: 4. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL –
perder-se-ia (mesóclise) VUNESP-2014) Considerando-se o uso do pronome e
Em “c”: O dinheiro e o amigo tinham perdido-se = a colocação pronominal, a expressão em destaque no
tinham se perdido trecho – ... que cercam o sentido da existência humana...
Em “d”: Se perdeu = não se inicia período com – está corretamente substituída pelo pronome, de
pronome oblíquo/partícula apassivadora (Perdeu-se) acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, na
Em “e”: Se o amigo que perdeu-se = o “que” atrai o alternativa:
pronome (próclise): que se perdeu
a) ... que cercam-lo...
2. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – b) ... que cercam-no...
CESGRANRIO-2018) Segundo as exigências da norma- c)... que o cercam...
padrão da língua portuguesa, o pronome destacado foi d) ... que lhe cercam...
utilizado na posição correta em: e) ... que cercam-lhe...

a) Os jornais noticiaram que alguns países mobilizam-se Resposta: Letra C


para combater a disseminação de notícias falsas nas Correções à frente:
redes sociais. Em “a”: que cercam-lo = o “que” atrai o pronome (que
b) Para criar leis eficientes no combate aos boatos, o cercam)
LÍNGUA PORTUGUESA

sempre deve-se ter em mente que o problema de Em “b”: que cercam-no = que o cercam (“no” está
divulgação de notícias falsas é grave e muito atual. correta – caso não tivéssemos o “que”, pois, devido a
c) Entre os numerosos usuários da internet, constata-se sua presença, teremos próclise, não ênclise)
um sentimento generalizado de reprovação à prática Em “c”: que o cercam = correta
de divulgação de inverdades. Em “d”: que lhe cercam = a posição está correta, mas
d) Uma nova lei contra as fake news promulgada na o pronome está errado (“lhe” é para objeto indireto =
Alemanha não aplica-se aos sites e redes sociais com a ele/ela)
menos de 2 milhões de membros. Em “e”: que cercam-lhe = que o cercam

59
5. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2014) 8. (TRT 23.ª REGIÃO-MT - ANALISTA JUDICIÁRIO -
Considerando apenas as regras de regência e de colocação ÁREA ADMINISTRATIVA- FCC-2016)
pronominal da norma-padrão da língua portuguesa, a ... para quem Manoel de Barros era comparável a São
expressão destacada em – Ainda assim, 60% afirmam que Francisco de Assis...
raramente ou nunca têm informações sobre o impacto
ambiental do produto ou do comportamento da empresa. O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
– pode ser corretamente substituída por frase acima está em:

a) ... nunca informam-se sob o impacto... a) Dizia-se um “vedor de cinema”...


b)... nunca se informam o impacto... b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no
c) ... nunca informam-se ao impacto... espaço...
d) ... nunca se informam do impacto... c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e
e)... nunca informam-se no impacto... Charles Baudelaire.
d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de
Resposta: Letra D Barros na literatura...
Por eliminação: o advérbio “nunca” atrai o pronome, e) ... para depois casá-las...
teremos próclise (nunca se). Ficamos com B e D. Agora
vamos ao verbo: quem se informa, informa-se sobre Resposta: Letra A
algo = precisa de preposição. A alternativa que tem “Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do
preposição presente é a D (do = de+o). Teremos: Indicativo. Procuremos nos itens:
nunca se informam do impacto. Em “a”, Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo
Em “b”, Porque não seria = futuro do pretérito do
6. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL Indicativo
– VUNESP-2013) Considerando a substituição da Em “c”, Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfeito
expressão em destaque por um pronome e as normas da do Indicativo
Em “d”, Quase meio século separa = presente do
colocação pronominal, a oração – … que abrem a cabeça
Indicativo
… – equivale, na norma-padrão da língua, a:
Em “e”, para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar
elas)
a) que abrem-a.
b) que abrem-na.
9. (TRT 20.ª REGIÃO-SE - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC-
c) que a abrem.
2016)
d) que lhe abrem.
Precisamos de um treinador que nos ajude a comer...
e) que abrem-lhe. O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o
sublinhado acima está também sublinhado em:
Resposta: Letra C
Primeiramente: o “que” atrai o pronome oblíquo, a) ... assim que conseguissem se virar sem as mães ou as
então teremos que + pronome. Resta-nos identificar amas...
se o pronome é objeto direto (a) ou indireto (lhe). b) Não é por acaso que proliferaram os coaches.
Voltemos ao verbo: abrir. Quem abre, abre algo... abre c) ... país que transformou a infância numa bilionária
o quê? Sem preposição! Portanto: objeto direto = que indústria de consumo...
a abrem. d) E, mesmo que se esforcem muito...
e) Hoje há algo novo nesse cenário.
7. (TST - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA APOIO
ESPECIALIZADO - ESPECIALIDADE MEDICINA DO Resposta: Letra D
TRABALHO – FCC/2012) Aos poucos, contudo, fui que nos ajude = presente do Subjuntivo
chegando à constatação de que todo perfil de rede Em “a”, que conseguissem = pretérito do Subjuntivo
social é um retrato ideal de nós mesmos. Em “b”, que proliferaram = pretérito perfeito (e
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra também mais-que-perfeito) do Indicativo
alteração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser Em “c”, que transformou = pretérito perfeito do
substituído por: Indicativo
Em “d”, que se esforcem = presente do Subjuntivo
a) ademais. Em “e”, há algo novo nesse cenário = presente do
b) conquanto. Indicativo
c) porquanto.
d) entretanto.
LÍNGUA PORTUGUESA

10. (TRT 23.ª REGIÃO-MT - Técnico Judiciário – FCC-


e) apesar. 2016) Empregam-se todas as formas verbais de acordo
com a norma culta na seguinte frase:
Resposta: Letra D
Contudo é uma conjunção adversativa (expressa a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento
oposição). A substituição deve utilizar outra de mesma não poderia receber qualquer tipo de retificação.
classificação, para que se mantenha a ideia do período. b) Os documentos com assinatura digital disporam de
A correta é entretanto. algoritmos de criptografia que os protegeram.

60
c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam 12. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL –
contar com a proteção de uma assinatura digital. VUNESP-2014) Assinale a alternativa em que a palavra
d) Quem se propor a alterar um documento criptogra- em destaque na frase pertence à classe dos adjetivos
fado deve saber que comprometerá sua integridade. (palavra que qualifica um substantivo).
e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem
comprometer a integridade dos documentos. a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de
eutanásia...
Resposta: Letra E b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte...
Em “a”, Para que se mantesse (mantivesse) sua c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar
autenticidade, o documento não poderia receber a morte.
qualquer tipo de retificação. d) Ela é proibida por lei no Brasil,...
Em “b”, Os documentos com assinatura digital e) E como seria a verdadeira boa morte?
disporam (dispuseram) de algoritmos de criptografia
que os protegeram. Resposta: Letra E
Em “c”, Arquivados eletronicamente, os documentos Em “a”, Existe grande confusão = substantivo
poderam (puderam) contar com a proteção de uma Em “b”, o médico ou alguém causa ativamente a
assinatura digital. morte = pronome
Em “d”, Quem se propor (propuser) a alterar Em “c”, prolonga o processo de morrer procurando
um documento criptografado deve saber que distanciar a morte = substantivo
comprometerá sua integridade. Em “d”, Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo
Em “e”, Não é possível fazer as alterações que Em “e”, E como seria a verdadeira boa morte? =
convierem sem comprometer a integridade dos adjetivo
documentos = correta
13. (PROCESSO SELETIVO INTERNO DA SECRETARIA
11. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - DE DEFESA SOCIAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO-PE
SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP/2017) Considere – SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR - FM-2010)
as seguintes frases:
Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos.
Segundo, não memorize apenas por repetição.
Terceiro, rabisque!

Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos


empregados nessas frases está em destaque em:

a) ... o acesso rápido e a quantidade de textos fazem


com que o cérebro humano não considere útil gravar
esses dados...
b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem-
número de informações.
c) ... após discar e fazer a ligação, não precisamos mais
dele...
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em
que morou quando era criança?
e) É o que mostra também uma pesquisa recente Disponível em: http://www.acharge.com.br/index.htm (acesso:
conduzida pela empresa de segurança digital 03/03/2010)
Kaspersky...
A palavra “oposição”, da charge, é classificada
Resposta: Letra D morfologicamente como:
Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperativo
(expressam ordem). Vamos aos itens: a) Substantivo concreto.
Em “a”, ... o acesso rápido e a quantidade de textos b) Substantivo abstrato.
fazem = presente do Indicativo c) Substantivo coletivo.
Em “b”, Na internet, basta um clique = presente do d) Substantivo próprio.
Indicativo e) Adjetivo.
Em “c”, ... após discar e fazer a ligação, não precisamos
LÍNGUA PORTUGUESA

= presente do Indicativo Resposta: Letra B


Em “d”, Pense rápido: = Imperativo O termo “oposição” é classificado – morfologicamente
Em “e”, É o que mostra também uma pesquisa = – como substantivo abstrato, pois não existe por si só
presente do Indicativo – depende de outro ser para “se concretizar”.

61
Chove.
RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO ENTRE A existência é frágil.
ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO. Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso.
RELAÇÕES DE SUBORDINAÇÃO ENTRE
ORAÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO Período composto é aquele constituído por duas ou
mais orações:
Cantei, dancei e depois dormi.
Quero que você estude mais.
FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO Termos da Oração
TERMOS DA ORAÇÃO
COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO Termos essenciais

Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para O sujeito e o predicado são considerados termos
estabelecer comunicação. Normalmente é composta essenciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis
por dois termos – o sujeito e o predicado – mas não para a formação das orações. No entanto, existem
obrigatoriamente, pois há orações ou frases sem sujeito: orações formadas exclusivamente pelo predicado. O
Trovejou muito ontem à noite. que define a oração é a presença do verbo. O sujeito é o
termo que estabelece concordância com o verbo.
Quanto aos tipos de frases, além da classificação O candidato está preparado.
em verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e Os candidatos estão preparados.
nominais (sem a presença de verbos), feita a partir de seus
elementos constituintes, elas podem ser classificadas a Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”.
partir de seu sentido global: “Candidato” é a principal palavra do sujeito, sendo, por
A) frases interrogativas = o emissor da mensagem isso, denominada núcleo do sujeito. Este se relaciona
formula uma pergunta: Que dia é hoje? com o verbo, estabelecendo a concordância (núcleo no
B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou singular, verbo no singular: candidato = está).
faz um pedido: Dê-me uma luz! A função do sujeito é basicamente desempenhada
C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um por substantivos, o que a torna uma função substantiva
estado afetivo: Que dia abençoado! da oração. Pronomes, substantivos, numerais e quaisquer
D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A outras palavras substantivadas (derivação imprópria)
prova será amanhã. também podem exercer a função de sujeito.
Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo,
Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo substantivo)
(oração) são estruturadas por dois elementos essenciais: Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no
sujeito e predicado. exemplo: substantivo)
O sujeito é o termo da frase que concorda com o
verbo em número e pessoa. É o “ser de quem se declara Os sujeitos são classificados a partir de dois elementos:
algo”, “o tema do que se vai comunicar”; o predicado é o de determinação ou indeterminação e o de núcleo do
a parte da frase que contém “a informação nova para sujeito.
o ouvinte”, é o que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao
tema, constituindo a declaração do que se atribui ao Um sujeito é determinado quando é facilmente
sujeito. identificado pela concordância verbal. O sujeito
Quando o núcleo da declaração está no verbo (que determinado pode ser simples ou composto.
indique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo A indeterminação do sujeito ocorre quando não
significativo), temos o predicado verbal. Mas, se o é possível identificar claramente a que se refere a
núcleo estiver em um nome (geralmente um adjetivo), concordância verbal. Isso ocorre quando não se pode
teremos um predicado nominal (os verbos deste tipo de ou não interessa indicar precisamente o sujeito de uma
predicado são os que indicam estado, conhecidos como oração.
verbos de ligação): Estão gritando seu nome lá fora.
O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação Trabalha-se demais neste lugar.
(predicado verbal)
A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o O sujeito simples é o sujeito determinado que
núcleo é “fácil” (predicado nominal) apresenta um único núcleo, que pode estar no singular
ou no plural; pode também ser um pronome indefinido.
LÍNGUA PORTUGUESA

Quanto ao período, ele denomina a frase constituída Abaixo, sublinhei os núcleos dos sujeitos:
por uma ou mais orações, formando um todo, com Nós estudaremso juntos.
sentido completo. O período pode ser simples ou A humanidade é frágil.
composto. Ninguém se move.
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma
Período simples é aquele constituído por apenas derivação imprópria, tranformando-o em substantivo)
uma oração, que recebe o nome de oração absoluta. As crianças precisam de alimentos saudáveis.

62
O sujeito composto é o sujeito determinado que • os verbos que indicam fenômenos da natureza:
apresenta mais de um núcleo. Amanheceu.
Alimentos e roupas custam caro. Está trovejando.
Ela e eu sabemos o conteúdo.
O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda. • os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam
fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao
Além desses dois sujeitos determinados, é comum a tempo em geral:
referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o Está tarde.
“antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo Já são dez horas.
do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido Faz frio nesta época do ano.
pela desinência verbal ou pelo contexto. Há muitos concursos com inscrições abertas.
Abolimos todas as regras. = (nós)
Falaste o recado à sala? = (tu) Predicado é o conjunto de enunciados que contém a
informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas
Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia
primeira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado
segunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os é aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com
pronomes não estejam explícitos. exceção do vocativo - que é um termo à parte - tudo
Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implícito o que difere do sujeito numa oração é o seu predicado.
na desinência verbal “-mos” Chove muito nesta época do ano.
Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na Houve problemas na reunião.
desinência verbal “-ais”
Em ambas as orações não há sujeito, apenas
Mas: predicado. Na segunda oração, “problemas” funciona
Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós como objeto direto.
Vós cantais bem! = sujeito simples: vós
As questões estavam fáceis!
O sujeito indeterminado surge quando não se quer - Sujeito simples = as questões
ou não se pode - identificar a que o predicado da oração Predicado = estavam fáceis
refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso
contrário, teríamos uma oração sem sujeito. Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento.
Na língua portuguesa, o sujeito pode ser Sujeito = uma ideia estranha
indeterminado de duas maneiras: Predicado = passou-me pelo pensamento

A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que Para o estudo do predicado, é necessário verificar
o sujeito não tenha sido identificado anteriormente: se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado
Bateram à porta; nominal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se
Andam espalhando boatos a respeito da queda do considerar também se as palavras que formam o
ministro. predicado referem-se apenas ao verbo ou também ao
sujeito da oração.
Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples
ou composto: Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres
Os meninos bateram à porta. (simples) de opinião.
Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto) Predicado

B) com o verbo na terceira pessoa do singular, O predicado acima apresenta apenas uma palavra
acrescido do pronome “se”. Esta é uma que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se
construção típica dos verbos que não apresentam ligam direta ou indiretamente ao verbo.
complemento direto: A cidade está deserta.
Precisa-se de mentes criativas.
Vivia-se bem naqueles tempos. O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere-
Trata-se de casos delicados. se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como
Sempre se está sujeito a erros. elemento de ligação (por isso verbo de ligação) entre o
sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta =
LÍNGUA PORTUGUESA

O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice predicativo do sujeito).


de indeterminação do sujeito.
O predicado verbal é aquele que tem como núcleo
As orações sem sujeito, formadas apenas pelo significativo um verbo:
predicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. Chove muito nesta época do ano.
A mensagem está centrada no processo verbal. Os Estudei muito hoje!
principais casos de orações sem sujeito com: Compraste a apostila?

63
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem A) com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam referentes a pessoas:
processos. Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.
(o objeto é direto, mas como há preposição,
O predicado nominal é aquele que tem como núcleo denomina-se: objeto direto preposicionado)
significativo um nome; este atribui uma qualidade ou
estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes
do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a outro de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero
nome da oração por meio de um verbo (o verbo de cansar a Vossa Senhoria.
ligação).
Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise.
isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao (sem preposição, o sentido seria outro: O povo
predicativo, indicando circunstâncias referentes ao prejudica a crise)
estado do sujeito: Os dados parecem corretos.
O verbo parecer poderia ser substituído por estar, O objeto indireto é o complemento que se liga
andar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como indiretamente ao verbo, ou seja, através de uma
elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele preposição.
relacionadas. Gosto de música popular brasileira.
Necessito de ajuda.
A função de predicativo é exercida, normalmente, por
um adjetivo ou substantivo. Objeto Pleonástico

O predicado verbo-nominal é aquele que apresenta É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos.
dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No Normalmente, as frases em que ocorrem objetos
predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir pleonásticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o
ao sujeito ou ao complemento verbal (objeto). objeto, antecipado para o início da oração; em seguida,
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre ele é repetido através de um pronome oblíquo. É à
significativo, indicando processos. É também sempre por repetição que se dá o nome de objeto pleonástico.
intermédio do verbo que o predicativo se relaciona com
o termo a que se refere. “Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçalves
O dia amanheceu ensolarado; Dias)
As mulheres julgam os homens inconstantes.
objeto pleonástico
No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de
ligação. Este predicado poderia ser desdobrado em dois: Ao traidor, nada lhe devemos.
um verbal e outro nominal.
O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado. O termo que integra o sentido de um nome chama-
se complemento nominal, que se liga ao nome que
No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona o completa por intermédio de preposição:
complemento homens com o predicativo “inconstantes”. A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a
palavra “necessária”
Termos integrantes da oração Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”

Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o Termos acessórios da oração e vocativo


complemento nominal são chamados termos integrantes
da oração. Os termos acessórios recebem este nome por serem
Os complementos verbais integram o sentido explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o
dos verbos transitivos, com eles formando unidades adjunto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o
significativas. Estes verbos podem se relacionar com vocativo – este, sem relação sintática com outros temos
seus complementos diretamente, sem a presença da oração.
de preposição, ou indiretamente, por intermédio de
preposição. O adjunto adverbial é o termo da oração que indica
uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
O objeto direto é o complemento que se liga sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função
LÍNGUA PORTUGUESA

diretamente ao verbo. adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais


Houve muita confusão na partida final. exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei
Queremos sua ajuda. a pé àquela velha praça.

O objeto direto preposicionado ocorre O adjunto adnominal é o termo acessório que


principalmente: determina, especifica ou explica um substantivo. É uma
função adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções

64
adjetivas que exercem o papel de adjunto adnominal na Estou comprando um protetor solar, depois irei à
oração. Também atuam como adjuntos adnominais os praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas
artigos, os numerais e os pronomes adjetivos. orações)
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar
amigo de infância. um protetor solar. (Período Composto = três verbos, três
orações).
O adjunto adnominal se liga diretamente ao
substantivo a que se refere, sem participação do verbo. Há dois tipos de relações que podem se estabelecer
Já o predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de entre as orações de um período composto: uma relação
um verbo. de coordenação ou uma relação de subordinação.
O poeta português deixou uma obra originalíssima. Duas orações são coordenadas quando estão juntas
O poeta deixou-a. em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
adjunto adnominal) ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
O poeta português deixou uma obra inacabada. (Período Composto)
O poeta deixou-a inacabada. Podemos dizer:
(inacabada precisou ser repetida, então: predicativo 1. Estou comprando um protetor solar.
do objeto) 2. Irei à praia.

Enquanto o complemento nominal se relaciona a um Separando as duas, vemos que elas são independentes.
substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se Tal período é classificado como Período Composto por
relaciona apenas ao substantivo. Coordenação.
Quanto à classificação das orações coordenadas,
O aposto é um termo acessório que permite ampliar, temos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um Sindéticas.
termo que exerça qualquer função sintática: Ontem,
segunda-feira, passei o dia mal-humorado. A) Coordenadas Assindéticas
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de São orações coordenadas entre si e que não são
tempo “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ligadas através de nenhum conectivo. Estão apenas
ao termo que se relaciona porque poderia substituí-lo: justapostas.
Segunda-feira passei o dia mal-humorado. Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci.
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu
valor na oração, em: B) Coordenadas Sindéticas
A) explicativo: A linguística, ciência das línguas Ao contrário da anterior, são orações coordenadas
humanas, permite-nos interpretar melhor nossa entre si, mas que são ligadas através de uma conjunção
relação com o mundo. coordenativa, que dará à oração uma classificação. As
B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas orações coordenadas sindéticas são classificadas em
coisas: amor, arte, ação. cinco tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas
C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e e explicativas.
sonho, tudo forma o carnaval.
D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção!
fixaram-se por muito tempo na baía anoitecida.
• Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas
O vocativo é um termo que serve para chamar, principais conjunções são: e, nem, não só... mas
invocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, também, não só... como, assim... como.
não mantendo relação sintática com outro termo da Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
oração. A função de vocativo é substantiva, cabendo Comprei o protetor solar e fui à praia.
a substantivos, pronomes substantivos, numerais e
palavras substantivadas esse papel na linguagem. • Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas:
João, venha comigo! suas principais conjunções são: mas, contudo,
Traga-me doces, minha menina! todavia, entretanto, porém, no entanto, ainda,
assim, senão.
Períodos Compostos Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
LÍNGUA PORTUGUESA

Li tudo, porém não entendi!


Período Composto por Coordenação
• Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas:
O período composto se caracteriza por possuir mais suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora;
de uma oração em sua composição. Sendo assim: quer...quer; seja...seja.
Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
oração)

65
• Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: O garoto perguntou qual seu nome.
suas principais conjunções são: logo, portanto, Oração Subordinada Substantiva
por fim, por conseguinte, consequentemente, pois
(posposto ao verbo). Não sabemos quando ele virá.
Passei no concurso, portanto comemorarei! Oração Subordinada Substantiva
A situação é delicada; devemos, pois, agir.
Classificação das Orações Subordinadas
• Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: Substantivas
suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a
saber, na verdade, pois (anteposto ao verbo). Conforme a função que exerce no período, a oração
Não fui à praia, pois queria descansar durante o subordinada substantiva pode ser:
Domingo.
Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos. 1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do
verbo da oração principal:
Período Composto Por Subordinação
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Quero que você seja aprovado! Sujeito
Oração principal oração subordinada
É fundamental que você compareça à reunião.
Observe que na oração subordinada temos o verbo Oração Principal Oração Subordinada
“seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular Substantiva Subjetiva
do presente do subjuntivo, além de ser introduzida por
conjunção. As orações subordinadas que apresentam
verbo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo FIQUE ATENTO!
do indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas Observe que a oração subordinada
por conjunção, chamam-se orações desenvolvidas ou substantiva pode ser substituída pelo
explícitas. pronome “isso”. Assim, temos um período
simples:
Podemos modificar o período acima. Veja:
É fundamental isso ou Isso é
fundamental.
Quero ser aprovado.
Oração Principal Oração Subordinada
Desta forma, a oração correspondente a
“isso” exercerá a função de sujeito.
A análise das orações continua sendo a mesma:
“Quero” é a oração principal, cujo objeto direto é a
oração subordinada “ser aprovado”. Observe que a
oração subordinada apresenta agora verbo no infinitivo Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na
(ser). Além disso, a conjunção “que”, conectivo que unia oração principal:
as duas orações, desapareceu. As orações subordinadas
cujo verbo surge numa das formas nominais (infinitivo, • Verbos de ligação + predicativo, em construções
gerúndio ou particípio) são chamadas de orações do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece
reduzidas ou implícitas (como no exemplo acima). certo - É claro - Está evidente - Está comprovado
É bom que você compareça à minha festa.
Observação:
As orações reduzidas não são introduzidas por • Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube-
conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi
eventualmente, introduzidas por preposição. anunciado, Ficou provado.
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.
A) Orações Subordinadas Substantivas
A oração subordinada substantiva tem valor de • Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar -
substantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção importar - ocorrer - acontecer
integrante (que, se). Convém que não se atrase na entrevista.

Não sei se sairemos hoje. Observação:


Oração Subordinada Substantiva Quando a oração subordinada substantiva é subjetiva,
o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa do
LÍNGUA PORTUGUESA

Temos medo de que não sejamos aprovados. singular.


Oração Subordinada Substantiva
2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto
Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também do verbo da oração principal:
introduzem as orações subordinadas substantivas, bem
como os advérbios interrogativos (por que, quando, onde, Todos querem sua aprovação no concurso.
como). Objeto Direto

66
Todos querem que você seja aprovado. (Todos Predicativo do Sujeito
querem isso)
Oração Principal Oração Subordinada Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso
Substantiva Objetiva Direta desejo era isso)
Oração Subordinada
As orações subordinadas substantivas objetivas Substantiva Predicativa
diretas (desenvolvidas) são iniciadas por:
• Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e 6. Apositiva = exerce função de aposto de algum
“se”: A professora verificou se os alunos estavam termo da oração principal.
presentes. Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
• Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às Aposto
vezes regidos de preposição), nas interrogações
indiretas: O pessoal queria saber quem era o dono Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
do carro importado. Oração subordinada
• Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às substantiva apositiva reduzida de infinitivo
vezes regidos de preposição), nas interrogações
indiretas: Eu não sei por que ela fez isso. (Fernanda tinha um grande sonho: isso)

3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )
do verbo da oração principal. Vem precedida de
preposição. B) Orações Subordinadas Adjetivas
Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui
Meu pai insiste em meu estudo. valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale.
Objeto Indireto As orações vêm introduzidas por pronome relativo e
exercem a função de adjunto adnominal do antecedente.
Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste
nisso) Esta foi uma redação bem-sucedida.
Oração Subordinada Substantiva Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)
Objetiva Indireta
O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo
Observação: “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na construção, a qual exerce exatamente o mesmo papel:
oração.
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora. Esta foi uma redação que fez sucesso.
Oração Subordinada Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva
Substantiva Objetiva Indireta
Perceba que a conexão entre a oração subordinada
4. Completiva Nominal = completa um nome adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é
que pertence à oração principal e também vem feita pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou
marcada por preposição. relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha
uma função sintática na oração subordinada: ocupa o
Sentimos orgulho de seu comportamento. papel que seria exercido pelo termo que o antecede (no
Complemento Nominal caso, “redação” é sujeito, então o “que” também funciona
como sujeito).
Sentimos orgulho de que você se comportou. (=
Sentimos orgulho disso.)
Oração Subordinada FIQUE ATENTO!
Substantiva Completiva Nominal Vale lembrar um recurso didático para
reconhecer o pronome relativo “que”: ele
As orações subordinadas substantivas objetivas sempre pode ser substituído por: o qual -
indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto a qual - os quais - as quais
que orações subordinadas substantivas completivas Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta
nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno
uma da outra, é necessário levar em conta o termo o qual estuda.
LÍNGUA PORTUGUESA

complementado. Esta é a diferença entre o objeto indireto


e o complemento nominal: o primeiro complementa um
verbo; o segundo, um nome. Forma das Orações Subordinadas Adjetivas

5. Predicativa = exerce papel de predicativo do Quando são introduzidas por um pronome


sujeito do verbo da oração principal e vem sempre relativo e apresentam verbo no modo indicativo ou
depois do verbo ser. subjuntivo, as orações subordinadas adjetivas são
Nosso desejo era sua desistência. chamadas desenvolvidas. Além delas, existem as

67
orações subordinadas adjetivas reduzidas, que não modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando
são introduzidas por pronome relativo (podem ser desenvolvida, vem introduzida por uma das conjunções
introduzidas por preposição) e apresentam o verbo numa subordinativas (com exclusão das integrantes, que
das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio). introduzem orações subordinadas substantivas).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou. Classifica-se de acordo com a conjunção ou locução
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar. conjuntiva que a introduz (assim como acontece com as
coordenadas sindéticas).
No primeiro período, há uma oração subordinada
adjetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome Durante a madrugada, eu olhei você dormindo.
relativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito Oração Subordinada Adverbial
perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração
subordinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há A oração em destaque agrega uma circunstância de
pronome relativo e seu verbo está no infinitivo. tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada
adverbial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos
Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas acessórios que indicam uma circunstância referente, via
de regra, a um verbo. A classificação do adjunto adverbial
Na relação que estabelecem com o termo que depende da exata compreensão da circunstância que
caracterizam, as orações subordinadas adjetivas podem exprime.
atuar de duas maneiras diferentes. Há aquelas que Naquele momento, senti uma das maiores emoções de
restringem ou especificam o sentido do termo a que minha vida.
se referem, individualizando-o. Nestas orações não Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de
há marcação de pausa, sendo chamadas subordinadas minha vida.
adjetivas restritivas. Existem também orações que realçam
um detalhe ou amplificam dados sobre o antecedente, No primeiro período, “naquele momento” é um
que já se encontra suficientemente definido. Estas orações adjunto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal
denominam-se subordinadas adjetivas explicativas. “senti”. No segundo período, este papel é exercido
pela oração “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma
Exemplo 1: oração subordinada adverbial temporal. Esta oração é
desenvolvida, pois é introduzida por uma conjunção
Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que
subordinativa (quando) e apresenta uma forma verbal do
passava naquele momento.
modo indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo).
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
Seria possível reduzi-la, obtendo-se:
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de
No período acima, observe que a oração em destaque
minha vida.
restringe e particulariza o sentido da palavra “homem”:
trata-se de um homem específico, único. A oração limita
A oração em destaque é reduzida, apresentando uma
o universo de homens, isto é, não se refere a todos os
homens, mas sim àquele que estava passando naquele das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não
momento. é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por
uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”).
Exemplo 2:
Observação:
O homem, que se considera racional, muitas vezes A classificação das orações subordinadas adverbiais
age animalescamente. é feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela
oração.
Agora, a oração em destaque não tem sentido
restritivo em relação à palavra “homem”; na verdade, Classificação das Orações Subordinadas Adverbiais
apenas explicita uma ideia que já sabemos estar contida
no conceito de “homem”. A) Causal = A ideia de causa está diretamente
ligada àquilo que provoca um determinado fato,
Saiba que: ao motivo do que se declara na oração principal.
A oração subordinada adjetiva explicativa é separada Principal conjunção subordinativa causal: porque.
da oração principal por uma pausa que, na escrita, Outras conjunções e locuções causais: como
é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a (sempre introduzido na oração anteposta à oração
pontuação seja indicada como forma de diferenciar as principal), pois, pois que, já que, uma vez que, visto
LÍNGUA PORTUGUESA

orações explicativas das restritivas; de fato, as explicativas que.


vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não. As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito
forte.
C) Orações Subordinadas Adverbiais Já que você não vai, eu também não vou.
Uma oração subordinada adverbial é aquela que
exerce a função de adjunto adverbial do verbo da oração
principal. Assim, pode exprimir circunstância de tempo,

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A diferença entre a subordinada adverbial causal e Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse /
a sindética explicativa é que esta “explica” o fato que embora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
aconteceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela
apresenta a “causa” do acontecimento expresso na E) Comparativa= As orações subordinadas adverbiais
oração à qual ela se subordina. Repare: comparativas estabelecem uma comparação com
1. Faltei à aula porque estava doente. a ação indicada pelo verbo da oração principal.
2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos. Principal conjunção subordinativa comparativa:
como.
Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa) Ele dorme como um urso. (como um urso dorme)
que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o fato de Você age como criança. (age como uma criança age)
estar doente impediu-me de ir à aula. No exemplo 2, a
oração sublinhada relata um fato que aconteceu depois, • geralmente há omissão do verbo.
já que primeiro ela chorou, depois seus olhos ficaram
vermelhos. F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado
B) Consecutiva = exprime um fato que é consequência, para a execução do que se declara na oração
é efeito do que se declara na oração principal. São principal. Principal conjunção subordinativa
introduzidas pelas conjunções e locuções: que, conformativa: conforme. Outras conjunções
de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas conformativas: como, consoante e segundo (todas
estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que. com o mesmo valor de conforme).
Principal conjunção subordinativa consecutiva: que Fiz o bolo conforme ensina a receita.
(precedido de tal, tanto, tão, tamanho) Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou direitos iguais.
concretizando-os.
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que
Reduzida de Infinitivo) se declara na oração principal. Principal conjunção
subordinativa final: a fim de. Outras conjunções
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe finais: que, porque (= para que) e a locução
como necessário para a realização ou não de conjuntiva para que.
um fato. As orações subordinadas adverbiais Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas.
condicionais exprimem o que deve ou não ocorrer Estudarei muito para que eu me saia bem na prova.
para que se realize - ou deixe de se realizar - o fato
expresso na oração principal. H) Proporcional = exprime ideia de proporção,
Principal conjunção subordinativa condicional: se. ou seja, um fato simultâneo ao expresso na
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, oração principal. Principal locução conjuntiva
desde que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, subordinativa proporcional: à proporção que.
sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo). Outras locuções conjuntivas proporcionais: à
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, medida que, ao passo que. Há ainda as estruturas:
certamente o melhor time será campeão. quanto maior...(maior), quanto maior...(menor),
Caso você saia, convide-me. quanto menor...(maior), quanto menor...(menor),
quanto mais...(mais), quanto mais...(menos), quanto
D) Concessiva = indica concessão às ações do menos...(mais), quanto menos...(menos).
verbo da oração principal, isto é, admitem uma À proporção que estudávamos mais questões
contradição ou um fato inesperado. A ideia de acertávamos.
concessão está diretamente ligada ao contraste, À medida que lia mais culto ficava.
à quebra de expectativa. Principal conjunção
subordinativa concessiva: embora. Utiliza-se I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao fato
também a conjunção: conquanto e as locuções expresso na oração principal, podendo exprimir
ainda que, ainda quando, mesmo que, se bem que, noções de simultaneidade, anterioridade ou
posto que, apesar de que. posterioridade. Principal conjunção subordinativa
Só irei se ele for. temporal: quando. Outras conjunções
A oração acima expressa uma condição: o fato de subordinativas temporais: enquanto, mal e
“eu” ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita. locuções conjuntivas: assim que, logo que, todas as
Compare agora com: vezes que, antes que, depois que, sempre que, desde
LÍNGUA PORTUGUESA

Irei mesmo que ele não vá. que, etc.


Assim que Paulo chegou, a reunião acabou.
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando
irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida. terminou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial
concessiva.
Observe outros exemplos:
Embora fizesse calor, levei agasalho.

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Orações Reduzidas 2. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE
LEGISLATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) “Ou seja,
As orações subordinadas podem vir expressas como foi usada para criar uma desigualdade social...”; se
reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas modificarmos a oração reduzida de infinitivo por uma
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem oração desenvolvida, a forma adequada seria:
conectivo subordinativo que as introduza.
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo a) para a criação de uma desigualdade social;
É preciso que se estude = oração desenvolvida b) para que se criasse uma desigualdade social;
(presença do conectivo) c) para que se crie uma desigualdade social;
d) para a criatividade de uma desigualdade social;
Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam e) para criarem uma desigualdade social.
“desenvolvidas” – como no exemplo acima.
É preciso estudar = oração subordinada substantiva Resposta: Letra B
subjetiva reduzida de infinitivo Em “b”: para que se criasse uma desigualdade social;
É preciso que se estude = oração subordinada Em “c”: para que se crie uma desigualdade social;
substantiva subjetiva Desenvolvida = tem conjunção. Ambas têm. A
diferença é o tempo verbal. A ação aconteceu (foi
Orações Intercaladas usada para criar): Ou seja, foi usada para que se criasse
uma desigualdade social.
São orações independentes encaixadas na sequência
do período, utilizadas para um esclarecimento, um 3. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO
aparte, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou – FGV-2017) Uma manchete do Estado de São Paulo,
travessões. 10/04/2017, dizia o seguinte: “Atentados contra cristãos
Nós – continuava o relator – já abordamos este matam 44 no Egito e país decreta emergência”. As duas
assunto. orações desse período mantêm entre si a seguinte
relação lógica:
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa a) causa e consequência;
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. b) informação e comprovação;
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, c) fato e exemplificação;
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira d) afirmação e explicação;
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – e) tese e argumentação.
São Paulo: Saraiva, 2002.
Resposta: Letra A
SITE Atentados contra cristãos matam 44 no Egito e país
Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/ decreta emergência = devido aos atentados (causa),
aulas/portugues/frase-periodo-e-oracao> o país decretou emergência (consequência).

4. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO


– FGV-2017) “Com as novas medidas para evitar a
EXERCÍCIOS COMENTADOS abstenção, o governo espera uma economia vultosa no
Enem”. A oração reduzida “para evitar a abstenção” pode
1. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) ser adequadamente substituída pela seguinte oração
“Talvez um dia seja bom relembrar este dia”. (Virgílio) A desenvolvida:
forma de oração desenvolvida adequada correspondente
à oração sublinhada acima é: a) para que se evitasse a abstenção;
b) a fim de que a abstenção fosse evitada;
a) relembrarmos este dia; c) para que se evite a abstenção;
b) a relembrança deste dia; d) a fim de evitar-se a abstenção;
c) que relembremos este dia; e) evitando-se a abstenção.
d) que relembrássemos este dia;
e) uma nova lembrança deste dia. Resposta: Letra C
Em “a”: para que se evitasse a abstenção;
Resposta: Letra C Em “b”: a fim de que a abstenção fosse evitada;
Em “c”: que relembremos este dia; Em “c”: para que se evite a abstenção;
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “d”: que relembrássemos este dia; Desenvolvida tem conjunção. O período traz “para
Em uma oração desenvolvida há a presença de evitar a abstenção” = hipótese. A forma correta é: “com
conjunção. Ambos os itens têm, mas temos que fazer as novas medidas para que se evite a abstenção”.
a correlação verbal com o período da oração reduzida
(o verbo nos dá uma hipótese – talvez seja bom
relembrar). Portanto, a forma correta é: Talvez um dia
seja bom que relembremos este dia.

70
5. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO – Resposta: Letra B
ÁREA JURÍDICA – FGV-2018) Assinale a opção em que A expressão destacada exerce a função de aposto
o termo sublinhado funciona como sujeito. – uma informação a mais sobre o termo citado
anteriormente (no caso, Minas Gerais). É um termo
a) “Em um regime de liberdades, há sempre o risco de acessório, podendo ser retirado do período sem
excessos”. prejudicar a coerência.
b) “Sempre há, também, o oportunismo político-
ideológico para se aproveitar da crise”. 8. (TRF-1.ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
c) “Não faltam, também, os arautos do quanto pior, INFORMÁTICA – FCC-2014)
melhor, ...”. Em 1980, um gigabyte de dados armazenados ocupava
d) “A greve atravessou vários sinais ao estrangular as uma sala...
vias de suprimento que mantêm o sistema produtivo O verbo que exige complemento tal como o sublinhado
funcionando”. acima está em:
e) “Numa democracia, é livre a expressão”.
a) A capacidade de computação duplicou a cada 18 me-
Resposta: Letra C ses nos últimos 20 anos ...
Em “a”: há sempre o risco de excessos = objeto direto b) ... que deriva da informação.
Em “b”: “Sempre há, também, o oportunismo político- c) ... que reduz as barreiras ao acesso.
ideológico = objeto direto d) ... do que era nos anos 70.
Em “c”: “Não faltam, também, os arautos do quanto e) ... atualmente, 200 gigabytes cabem no bolso de uma
pior, melhor = sujeito camisa.
Em “d”: que mantêm o sistema produtivo funcionando
= objeto direto Resposta: Letra C
Em “e”: é livre a expressão = predicativo do sujeito “Ocupava uma sala” = transitivo direto
Em “a”: A capacidade de computação duplicou =
6. (TJ-PE – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FUNÇÃO verbo intransitivo
JUDICIÁRIA – IBFC-2017 - ADAPTADA) “A resposta que Em “b”: que deriva da informação = transitivo indireto
lhe daria seria: ‘Essa estória não aconteceu nunca para Em “c”: que reduz as barreiras = transitivo direto
que aconteça sempre... ’” O pronome destacado cumpre Em “d”: do que era nos anos 70 = verbo de ligação
papel coesivo, mas também sintático na oração. Assim, Em “e”: atualmente, 200 gigabytes cabem = verbo
sintaticamente, ele deve ser classificado como: intransitivo

a) adjunto adnominal. 9. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) “Tenho


b) objeto direto. comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da
c) complemento nominal. internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação
d) objeto indireto. específica que coíba não somente os usos mas os abusos
e) predicativo. deste importante e eficaz veículo de comunicação”. Sobre
as ocorrências do vocábulo que, nesse segmento do
Resposta: Letra D texto, é correto afirmar que:
O verbo “dar” é bitransitivo (transitivo direto e indireto):
Quem dá, dá algo (direto) a alguém (indireto). No a) são pronomes relativos com o mesmo antecedente;
caso: resposta (objeto direto) / lhe (objeto indireto = b) exemplificam classes gramaticais diferentes;
a ele[a]) c) mostram diferentes funções sintáticas;
d) são da mesma classe gramatical e da mesma função
7. (TRE-AC – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA sintática;
ADMINISTRATIVA – AOCP-2015) Em “Ele diz que vota e) iniciam o mesmo tipo de oração subordinada.
desde os 18, quando ainda era jovem e morava em Minas
Gerais, sua terra natal...”, a expressão em destaque Resposta: Letra D
“Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas,
a) exerce função de vocativo e não pode ser excluída da os usos da internet, que (= a qual) se ressente ainda da
oração por tratar-se de um termo essencial. falta de uma legislação específica que (= a qual) coíba
b) exerce função de aposto e pode ser excluída da oração não somente os usos mas os abusos deste importante
por tratar-se de um termo acessório. e eficaz veículo de comunicação” = ambos podem
c) exerce função de aposto e não pode ser excluída da ser substituídos por “a qual”, portanto são pronomes
LÍNGUA PORTUGUESA

oração por tratar-se de um termo essencial. relativos (pertencem à mesma classe gramatical); o 1.º
d) exerce função de adjunto adnominal, portanto é um inicia uma oração subordinada adjetiva explicativa; o
termo acessório. 2.º, adjetiva restritiva.
e) exerce função de adjunto adverbial, portanto é um
termo acessório.

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10. (TRE-RJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA Principais funções dos sinais de pontuação
ADMINISTRATIVA – CONSULPLAN-2017) Analise as
afirmações apresentadas a seguir. A) Ponto (.)

I. Em “Existe alguma hora que não seja de relógio?”, a • Indica o término do discurso ou de parte dele,
oração sublinhada é uma oração subordinada adjetiva encerrando o período.
explicativa.
II. Em “[...] tem surgido, cada vez mais frequente, o • Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia.
diminutivo do gerúndio.”, a expressão destacada atua (Companhia). Se a palavra abreviada aparecer em
como sujeito da locução verbal “ter surgido”. final de período, este não receberá outro ponto;
III. “Não pense que para por aí [...]”, a oração sublinhada neste caso, o ponto de abreviatura marca, também,
é uma oração subordinada substantiva objetiva direta. o fim de período. Exemplo: Estudei português,
IV. Em “[...] se te chamarem de ‘queridinho’, querem é matemárica, constitucional, etc. (e não “etc..”)
que você exploda.”, a oração destacada é uma oração
subordinada adverbial causal. • Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do
ponto, assim como após o nome do autor de uma
Estão corretas apenas as afirmativas citação:
Haverá eleições em outubro
a) I e II. O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napoleão
b) II e III. Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
c) III e IV.
d) I, II e IV. • Os números que identificam o ano não utilizam pon-
to nem devem ter espaço a separá-los, bem como
Resposta: Letra B os números de CEP: 1975, 2014, 2006, 17600-250.
Em “I” - “Existe alguma hora que não seja de relógio?”,
B) Ponto e Vírgula (;)
a oração sublinhada é uma oração subordinada
adjetiva explicativa = substituindo “que” por “a qual”,
• Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
continua com sentido, então é pronome relativo –
importância: “Os pobres dão pelo pão o trabalho;
presente nas adjetivas, mas no período em questão
os ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos
temos uma restritiva = incorreta
generosos dão pelo pão a vida; os de nenhum
Em “II” - tem surgido, cada vez mais frequente, o
espírito dão pelo pão a alma...” (VIEIRA)
diminutivo do gerúndio.”, a expressão destacada
atua como sujeito da locução verbal “ter surgido” = • Separa partes de frases que já estão separadas
correta por vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor;
Em “III” - “Não pense que para por aí [...]”, a oração outros, montanhas, frio e cobertor.
sublinhada é uma oração subordinada substantiva
objetiva direta = correta • Separa itens de uma enumeração, exposição de
Em “IV” - se te chamarem de ‘queridinho’, a oração motivos, decreto de lei, etc.
destacada é uma oração subordinada adverbial causal Ir ao supermercado;
= adverbial condicional (“se”) = incorreta Pegar as crianças na escola;
Caminhada na praia;
Reunião com amigos.
EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO. C) Dois pontos (:)

• Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio


PONTUAÇÃO Coutinho trata este assunto:
• Antes de um aposto = Três coisas não me agradam:
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.
servem para compor a coesão e a coerência textual, além • Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas. estava a deplorável família: triste, cabisbaixa,
Um texto escrito adquire diferentes significados quando vivendo a rotina de sempre.
pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação
depende, em certos momentos, da intenção do autor do • Em frases de estilo direto
discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamente Maria perguntou:
LÍNGUA PORTUGUESA

relacionados ao contexto e ao interlocutor. - Por que você não toma uma decisão?

D) Ponto de Exclamação (!)

• Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera,


susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me
casar com você!

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• Depois de interjeições ou vocativos 4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós
Ai! Que susto! queremos comer pizza; e vocês, churrasco.
João! Há quanto tempo!
5. Para isolar:
E) Ponto de Interrogação (?) A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole
brasileira, possui um trânsito caótico.
• Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres. B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur
Azevedo) Observações:
Considerando-se que “etc.” é abreviatura da
F) Reticências (...) expressão latina et coetera, que significa “e outras coisas”,
seria dispensável o emprego da vírgula antes dele.
• Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lápis, Porém, o acordo ortográfico em vigor no Brasil exige
canetas, cadernos... que empreguemos etc. predecido de vírgula: Falamos de
• Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero política, futebol, lazer, etc.
dizer... é verdad... Ah!” As perguntas que denotam surpresa podem ter
• Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este combinados o ponto de interrogação e o de exclamação:
mal... pega doutor? Você falou isso para ela?!
• Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa,
depois, o coração falar... Temos, ainda, sinais distintivos:
• a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014),
G) Vírgula (,) separação de siglas (IOF/UPC);
• os colchetes ([ ]) = usados em transcrições
Não se usa vírgula feitas pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como
Separando termos que, do ponto de vista sintático, primeira opção aos parênteses, principalmente na
ligam-se diretamente entre si: matemática;
• o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a uma
1. Entre sujeito e predicado: nota de rodapé ou no fim do livro, para substituir
Todos os alunos da sala foram advertidos. um nome que não se quer mencionar.
Sujeito predicado
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
2. Entre o verbo e seus objetos: CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
O trabalho custou sacrifício aos realizadores. Cochar - Português linguagens: volume 3. – 7.ª ed. Reform.
V.T.D.I. O.D. O.I. – São Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Usa-se a vírgula:
SITE
1. Para marcar intercalação:
Disponível em: <http://www.infoescola.com/
A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua
portugues/pontuacao/>
abundância, vem caindo de preço.
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/
B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos.
gramatica/uso-da-virgula.htm>
Estão produzindo, todavia, altas quantidades de
alimentos.
C) das expressões explicativas ou corretivas: As
indústrias não querem abrir mão de suas vantagens, EXERCÍCIOS COMENTADOS
isto é, não querem abrir mão dos lucros altos.
1. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
2. Para marcar inversão: O enunciado em que a vírgula foi empregada em
A) do adjunto adverbial (colocado no início da desacordo com as regras de pontuação é
oração): Depois das sete horas, todo o comércio está
de portas fechadas. a) Como esse metal é limitado, isso garantia que a
B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos produção de dinheiro fosse também limitada.
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma. b) Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão-
C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de ouro.
maio de 1982.
LÍNGUA PORTUGUESA

c) Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo


é criado assim, inventado em canetaços a partir da
3. Para separar entre si elementos coordenados concessão de empréstimos.
(dispostos em enumeração): d) Assim, o sistema monetário atual funciona com uma
Era um garoto de 15 anos, alto, magro. moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante.
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e e) Escassa porque só banqueiros podem criá-la, e
animais. abundante porque é gerada pela simples manipulação
de bancos de dados.

73
Resposta: Letra E Em “b”, destacar os sistemas onde se originaram os
O enunciado pede a alternativa em desacordo: regimes trabalhista e previdenciário = correta
Em “a”, Como esse metal é limitado, isso garantia Em “c”, criticar o atraso político de alguns sistemas da
que a produção de dinheiro fosse também limitada História = incorreta
= correta Em “d”, condenar nossos regimes trabalhista e
Em “b”, Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o previdenciário por serem muito antigos = incorreta
padrão-ouro = correta Em “e”, exemplificar alguns dos nossos erros do
Em “c”, Praticamente todo o dinheiro que existe no passado = incorreta
mundo é criado assim, inventado em canetaços a
partir da concessão de empréstimos = correta 3. (BADESC – ANALISTA DE SISTEMA – BANCO DE
Em “d”, Assim, o sistema monetário atual funciona DADOS – FGV-2010) Assinale a alternativa em que a
com uma moeda que é ao mesmo tempo escassa e vírgula está corretamente empregada.
abundante = correta
Em “e”, Escassa porque só banqueiros podem criá- a) O jeitinho, essa instituição tipicamente brasileira pode
la, (X) e abundante porque é gerada pela simples ser considerado, sem dúvida, um desvio de caráter.
manipulação de bancos de dados = incorreta - a b) Apareciam novos problemas, e o funcionário embora
vírgula pode ser utilizada antes da conjunção “e”, competente, nem sempre conseguia resolvê-los.
desde que haja mudança de sujeito, por exemplo (o c) Ainda que os níveis de educação estivessem avançando,
que não acontece na questão) o sentimento geral, às vezes, era de frustração.
GABARITO OFICIAL: E d) É claro, que se fôssemos levar a lei ao pé da letra,
muitos sofreriam sanções diariamente.
2. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO e) O tempo não para as transformações sociais são
GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) urgentes mas há quem não perceba esse fato, que é
evidente.
Texto 1
Resposta: Letra C
Em artigo publicado no jornal carioca O Globo, 19/3/2018, Indiquei com (X) os lugares inadequados e acrescentei
com o nome Erros do passado, o articulista Paulo a pontuação que faltou:
Guedes escreve o seguinte: “Os regimes trabalhista e Em “a”, O jeitinho, essa instituição tipicamente
previdenciário brasileiros são politicamente anacrônicos, brasileira , pode ser considerado, sem dúvida, um
economicamente desastrosos e socialmente perversos. desvio de caráter.
Arquitetados de início em sistemas políticos fechados Em “b”, Apareciam novos problemas , (X) e o funcionário
(na Alemanha imperial de Bismarck e na Itália fascista , embora competente, nem sempre conseguia resolvê-
de Mussolini), e desde então cultivados por obsoletos los.
programas socialdemocratas, são hoje armas de Em “c”, Ainda que os níveis de educação estivessem
destruição em massa de empregos locais em meio à avançando, o sentimento geral, às vezes, era de
competição global. Reduzem a competitividade das frustração.= correta
empresas, fabricam desigualdades sociais, dissipam em Em “d”, É claro , (X) que se fôssemos levar a lei ao pé da
consumo corrente a poupança compulsória dos encargos letra, muitos sofreriam sanções diariamente.
recolhidos, derrubam o crescimento da economia e Em “e”, O tempo não para , as transformações sociais
solapam o valor futuro das aposentadorias”. (adaptado) são urgentes , mas há quem não perceba esse fato,
que é evidente.
No texto 1, os termos inseridos nos parênteses – na
Alemanha imperial de Bismarck e na Itália fascista de 4. (BANCO DO BRASIL – ESCRITURÁRIO –
Mussolini – têm a finalidade textual de: CESGRANRIO-2018) De acordo com a norma-padrão
da língua portuguesa, a pontuação está corretamente
a) enumerar os sistemas políticos fechados do passado; empregada em:
b) destacar os sistemas onde se originaram os regimes
trabalhista e previdenciário; a) O conjunto de preocupações e ações efetivas, quando
c) criticar o atraso político de alguns sistemas da História; atendem, de forma voluntária, aos funcionários e
d) condenar nossos regimes trabalhista e previdenciário à comunidade em geral, pode ser definido como
por serem muito antigos; responsabilidade social.
e) exemplificar alguns dos nossos erros do passado. b) As empresas que optam por encampar a prática da
responsabilidade social, beneficiam-se de conseguir
Resposta: Letra B uma melhor imagem no mercado.
LÍNGUA PORTUGUESA

Arquitetados de início em sistemas políticos fechados c) A noção de responsabilidade social foi muito utilizada
(na Alemanha imperial de Bismarck e na Itália em campanhas publicitárias: por isso, as empresas
fascista de Mussolini) = os termos entre parênteses precisam relacionar-se melhor, com a sociedade.
servem para se referir aos sistemas políticos fechados, d) A responsabilidade social explora um leque abrangente
exemplificando-os. de beneficiários, envolvendo assim: a qualidade de
Em “a”, enumerar os sistemas políticos fechados do vida o bem-estar dos trabalhadores, a redução de
passado = incorreta impactos negativos, no meio ambiente.

74
e) Alguns críticos da responsabilidade social defendem a) acrescem às informações precedentes comentários
a ideia de que: o objetivo das empresas é o lucro e que lhes ampliam o sentido.
a geração de empregos não a preocupação com a b) sintetizam as ideias centrais das informações
sociedade como um todo. precedentes.
c) apresentam informações que se opõem às informações
Resposta: Letra A precedentes.
Assinalei com (X) as inadequações e destaquei as d) retificam as informações precedentes, dando-lhes o
inclusões: correto matiz semântico.
Em “a”: O conjunto de preocupações e ações efetivas, e) estabelecem certas restrições de sentido às informações
quando atendem, de forma voluntária, aos funcionários precedentes.
e à comunidade em geral, pode ser definido como
responsabilidade social = correta Resposta: Letra A
Em “b”: As empresas que optam por encampar a É uma situação que contrasta com outros lugares
prática da responsabilidade social, (X) beneficiam-se de Barcelona, uma cidade que vive hoje em duas
de conseguir uma melhor imagem no mercado. dimensões. De um lado, há a Barcelona dos turistas,
Em “c”: A noção de responsabilidade social foi muito utilizada que se cotovelam nos pontos turísticos da cidade
em campanhas publicitárias: (X) ; por isso, as empresas Os períodos destacados acrescentam informações aos
precisam relacionar-se melhor, (X) com a sociedade. termos citados anteriormente.
Em “d”: A responsabilidade social explora um leque
abrangente de beneficiários, envolvendo , assim: (X) ,
a qualidade de vida , o bem-estar dos trabalhadores, CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL.
(X) e a redução de impactos negativos, (X) no meio
ambiente.
Em “e”: Alguns críticos da responsabilidade social CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL
defendem a ideia de que: (X) o objetivo das empresas é
o lucro e a geração de empregos , não a preocupação Os concurseiros estão apreensivos.
com a sociedade como um todo. Concurseiros apreensivos.
5. (PC-SP - Investigador de Polícia – Vunesp-2014) No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra
na terceira pessoa do plural, concordando com o seu
sujeito, os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo
“apreensivos” está concordando em gênero (masculino)
e número (plural) com o substantivo a que se refere:
concurseiros. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa,
número e gênero se correspondem. A correspondência
de flexão entre dois termos é a concordância, que pode
ser verbal ou nominal.
(Folha de S.Paulo, 03.01.2014. Adaptado)

Concordância Verbal
De acordo com a norma-padrão, no primeiro quadrinho,
na fala de Hagar, deve ser utilizada uma vírgula,
obrigatoriamente, É a flexão que se faz para que o verbo concorde com
seu sujeito.
a) antes da palavra “olho”.
b) antes da palavra “e”. Sujeito Simples - Regra Geral
c) depois da palavra “evitar”.
d) antes da palavra “evitar”. O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo
e) depois da palavra “e”. em número e pessoa. Veja os exemplos:

Resposta: Letra C A prova para ambos os cargos será aplicada às 13h.


“Não posso evitar doutor” = no diálogo, Hagar fala com 3.ª p. Singular 3.ª p. Singular
o doutor (vocativo); portanto, presença obrigatória de
vírgula após o verbo “evitar”. Os candidatos à vaga chegarão às 12h.
3.ª p. Plural 3.ª p. Plural
6. (TJ-RS – JUIZ DE DIREITO – SUBSTITUTO –
Casos Particulares
LÍNGUA PORTUGUESA

VUNESP-2018) No trecho do primeiro parágrafo


do texto – Nas escolas da Catalunha, a separação da
Espanha tem apoio maciço. É uma situação que contrasta A) Quando o sujeito é formado por uma expressão
com outros lugares de Barcelona, uma cidade que vive partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de,
hoje em duas dimensões. De um lado, há a Barcelona metade de, a maioria de, a maior parte de, grande
dos turistas, que se cotovelam nos pontos turísticos da parte de...) seguida de um substantivo ou pronome
cidade, … –, empregam-se as vírgulas para separar as no plural, o verbo pode ficar no singular ou no
expressões destacadas porque elas plural.

75
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia. E) Quando o sujeito é formado por uma expressão
Metade dos candidatos não apresentou / apresentaram que indica porcentagem seguida de substantivo, o
proposta. verbo deve concordar com o substantivo.
25% do orçamento do país será destinado à Educação.
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos 85% dos entrevistados não aprovam a administração
dos coletivos, quando especificados: Um bando de do prefeito.
vândalos destruiu / destruíram o monumento. 1% do eleitorado aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova.
Observação:
Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a • Quando a expressão que indica porcentagem não
unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque é seguida de substantivo, o verbo deve concordar
aos elementos que formam esse conjunto. com o número.
25% querem a mudança.
B) Quando o sujeito é formado por expressão que 1% conhece o assunto.
indica quantidade aproximada (cerca de, mais
de, menos de, perto de...) seguida de numeral e • Se o número percentual estiver determinado por
substantivo, o verbo concorda com o substantivo. artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-
Cerca de mil pessoas participaram do concurso. se-á com eles:
Perto de quinhentos alunos compareceram à Os 30% da produção de soja serão exportados.
solenidade. Esses 2% da prova serão questionados.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas
últimas Olimpíadas. F) O pronome “que” não interfere na concordância;
já o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa
Observação: do singular.
Quando a expressão “mais de um” se associar a verbos Fui eu que paguei a conta.
que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório: Mais Fomos nós que pintamos o muro.
de um colega se ofenderam na discussão. (ofenderam um És tu que me fazes ver o sentido da vida.
ao outro) Sou eu quem faz a prova.
Não serão eles quem será aprovado.
C) Quando se trata de nomes que só existem no
plural, a concordância deve ser feita levando-se G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve
em conta a ausência ou presença de artigo. Sem assumir a forma plural.
artigo, o verbo deve ficar no singular; com artigo Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais
no plural, o verbo deve ficar o plural. encantaram os poetas.
Os Estados Unidos possuem grandes universidades. Este candidato é um dos que mais estudaram!
Estados Unidos possui grandes universidades.
Alagoas impressiona pela beleza das praias. • Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
As Minas Gerais são inesquecíveis. dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira. singular:
Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.
D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou Nem uma das que me escreveram mora aqui.
indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos,
muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou • Quando “um dos que” vem entremeada de
“de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro substantivo, o verbo pode:
pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o 1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atravessa
pronome pessoal. o Estado de São Paulo. (já que não há outro rio que
Quais de nós são / somos capazes? faça o mesmo).
Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso? 2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões poluídos (noção de que existem outros rios na
inovadoras. mesma condição).

Observação: H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o


Veja que a opção por uma ou outra forma indica a verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural.
inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém Vossa Excelência está cansado?
diz ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada Vossas Excelências renunciarão?
LÍNGUA PORTUGUESA

fizemos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso


não ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se
tudo e nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia. de acordo com o numeral.
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido Deu uma hora no relógio da sala.
estiver no singular, o verbo ficará no singular. Deram cinco horas no relógio da sala.
Qual de nós é capaz? Soam dezenove horas no relógio da praça.
Algum de vós fez isso. Baterão doze horas daqui a pouco.

76
Observação: Casos Particulares
Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino,
torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito. • Quando o sujeito composto é formado por núcleos
O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas. sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no
Soa quinze horas o relógio da matriz. singular.
Descaso e desprezo marca seu comportamento.
J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum A coragem e o destemor fez dele um herói.
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do
singular. São verbos impessoais: Haver no sentido • Quando o sujeito composto é formado por núcleos
de existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que dispostos em gradação, verbo no singular:
indicam fenômenos da natureza. Exemplos: Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um
Havia muitas garotas na festa. segundo me satisfaz.
Faz dois meses que não vejo meu pai.
Chovia ontem à tarde. • Quando os núcleos do sujeito composto são unidos
por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no plural,
Sujeito Composto de acordo com o valor semântico das conjunções:
Drummond ou Bandeira representam a essência da
A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao poesia brasileira.
verbo, a concordância se faz no plural: Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.

Pai e filho conversavam longamente. Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de


Sujeito “adição”. Já em:
Juca ou Pedro será contratado.
Pais e filhos devem conversar com frequência. Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima
Sujeito Olimpíada.

B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam
gramaticais diferentes, a concordância ocorre da no singular.
seguinte maneira: a primeira pessoa do plural (nós)
prevalece sobre a segunda pessoa (vós) que, por • Com as expressões “um ou outro” e “nem um
sua vez, prevalece sobre a terceira (eles). Veja: nem outro”, a concordância costuma ser feita no
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão. singular.
Primeira Pessoa do Plural (Nós) Um ou outro compareceu à festa.
Nem um nem outro saiu do colégio.
Tu e teus irmãos tomareis a decisão.
Segunda Pessoa do Plural (Vós) • Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural ou
no singular: Um e outro farão/fará a prova.
Pais e filhos precisam respeitar-se.
Terceira Pessoa do Plural (Eles) • Quando os núcleos do sujeito são unidos por “com”,
o verbo fica no plural. Nesse caso, os núcleos
Observação: recebem um mesmo grau de importância e a
Quando o sujeito é composto, formado por um palavra “com” tem sentido muito próximo ao de
elemento da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), “e”.
é possível empregar o verbo na terceira pessoa do plural O pai com o filho montaram o brinquedo.
(eles): “Tu e teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar O governador com o secretariado traçaram os planos
de “tomaríeis”. para o próximo semestre.
O professor com o aluno questionaram as regras.
C) No caso do sujeito composto posposto ao
verbo, passa a existir uma nova possibilidade de Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se
concordância: em vez de concordar no plural com a ideia é enfatizar o primeiro elemento.
a totalidade do sujeito, o verbo pode estabelecer O pai com o filho montou o brinquedo.
concordância com o núcleo do sujeito mais O governador com o secretariado traçou os planos
próximo. para o próximo semestre.
Faltaram coragem e competência. O professor com o aluno questionou as regras.
LÍNGUA PORTUGUESA

Faltou coragem e competência.


Compareceram todos os candidatos e o banca. Com o verbo no singular, não se pode falar em
Compareceu o banca e todos os candidatos. sujeito composto. O sujeito é simples, uma vez que as
expressões “com o filho” e “com o secretariado” são
D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a adjuntos adverbiais de companhia. Na verdade, é como
concordância é feita no plural. Observe: se houvesse uma inversão da ordem. Veja:
Abraçaram-se vencedor e vencido. “O pai montou o brinquedo com o filho.”
Ofenderam-se o jogador e o árbitro.

77
“O governador traçou os planos para o próximo
semestre com o secretariado.” #FicaDica
“O professor questionou as regras com o aluno.”
Para saber se o “se” é partícula apassivadora
Casos em que se usa o verbo no singular: ou índice de indeterminação do sujeito, ten-
te transformar a frase para a voz passiva. Se
Café com leite é uma delícia! a frase construída for “compreensível”, esta-
O frango com quiabo foi receita da vovó. remos diante de uma partícula apassivadora;
se não, o “se” será índice de indeterminação.
Quando os núcleos do sujeito são unidos por Veja:
expressões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não Precisa-se de funcionários qualificados.
somente”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”, Tentemos a voz passiva:
o verbo ficará no plural. Funcionários qualificados são precisados (ou
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se”
Nordeste. destacado é índice de indeterminação do
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a sujeito.
notícia. Agora:
Vendem-se casas.
Quando os elementos de um sujeito composto são Voz passiva: Casas são vendidas. Constru-
resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância ção correta! Então, aqui, o “se” é partícula
é feita com esse termo resumidor. apassivadora. (Dá para eu passar para a voz
Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da passiva. Repare em meu destaque. Percebeu
apatia. semelhança? Agora é só memorizar!).
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante
na vida das pessoas.
O Verbo “Ser”
Outros Casos
A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo
O Verbo e a Palavra “SE” e o sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa
concordância pode ocorrer também entre o verbo e o
Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há predicativo do sujeito.
duas de particular interesse para a concordância verbal:
A) quando é índice de indeterminação do sujeito; Quando o sujeito ou o predicativo for:
B) quando é partícula apassivadora.
A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo
Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se” SER concorda com a pessoa gramatical:
acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos Ele é forte, mas não é dois.
e de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na Fernando Pessoa era vários poetas.
terceira pessoa do singular: A esperança dos pais são eles, os filhos.
Precisa-se de funcionários.
Confia-se em teses absurdas. B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro no
plural, o verbo SER concordará, preferencialmente,
Quando pronome apassivador, o “se” acompanha com o que estiver no plural:
verbos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e Os livros são minha paixão!
indiretos (VTDI) na formação da voz passiva sintética. Minha paixão são os livros!
Nesse caso, o verbo deve concordar com o sujeito da
oração. Exemplos: Quando o verbo SER indicar
Construiu-se um posto de saúde.
Construíram-se novos postos de saúde. • horas e distâncias, concordará com a expressão
Aqui não se cometem equívocos numérica:
Alugam-se casas. É uma hora.
São quatro horas.
Daqui até a escola é um quilômetro / são dois
quilômetros.
LÍNGUA PORTUGUESA

• datas, concordará com a palavra dia(s), que pode


estar expressa ou subentendida:
Hoje é dia 26 de agosto.
Hoje são 26 de agosto.

78
• Quando o sujeito indicar peso, medida, quantidade • Adjetivo anteposto aos substantivos:
e for seguido de palavras ou expressões como O adjetivo concorda em gênero e número com o
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER substantivo mais próximo.
fica no singular: Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso. Encontramos caída a roupa e os prendedores.
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido. Encontramos caído o prendedor e a roupa.
Duas semanas de férias é muito para mim.
Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de
• Quando um dos elementos (sujeito ou predicativo) parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
for pronome pessoal do caso reto, com este As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
concordará o verbo. Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
No meu setor, eu sou a única mulher.
Aqui os adultos somos nós. • Adjetivo posposto aos substantivos:
O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
Observação: ou com todos eles (assumindo a forma masculina plural
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) se houver substantivo feminino e masculino).
representados por pronomes pessoais, o verbo concorda A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
com o pronome sujeito. A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
Eu não sou ela. A indústria oferece localização e atendimento perfeitos.
Ela não é eu. A indústria oferece atendimento e localização perfeitos.

• Quando o sujeito for uma expressão de sentido Observação:


partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza,
plural, o verbo SER concordará com o predicativo. pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos
A grande maioria no protesto eram jovens. dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado
O resto foram atitudes imaturas. no plural masculino, que é o gênero predominante
quando há substantivos de gêneros diferentes.
O Verbo “Parecer” Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o
O verbo parecer, quando é auxiliar em uma adjetivo fica no singular ou plural.
locução verbal (é seguido de infinitivo), admite duas A beleza e a inteligência feminina(s).
concordâncias: O carro e o iate novo(s).

• Ocorre variação do verbo PARECER e não se flexiona C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:
o infinitivo: As crianças parecem gostar do desenho. O adjetivo fica no masculino singular, se o substantivo
não for acompanhado de nenhum modificador: Água é
• A variação do verbo parecer não ocorre e o infinitivo bom para saúde.
sofre flexão: O adjetivo concorda com o substantivo, se este
As crianças parece gostarem do desenho. for modificado por um artigo ou qualquer outro
(essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho determinativo: Esta água é boa para saúde.
aas crianças)
D) O adjetivo concorda em gênero e número com
Com orações desenvolvidas, o verbo PARECER fica no os pronomes pessoais a que se refere: Juliana
singular. Por exemplo: As paredes parece que têm ouvidos. encontrou-as muito felizes.
(Parece que as paredes têm ouvidos = oração subordinada
substantiva subjetiva). E) Nas expressões formadas por pronome indefinido
neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição
Concordância Nominal DE + adjetivo, este último geralmente é usado
no masculino singular: Os jovens tinham algo de
A concordância nominal se baseia na relação entre misterioso.
nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se
ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem
adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se: função adjetiva e concorda normalmente com o
normalmente, o substantivo funciona como núcleo de um nome a que se refere:
termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adnominal. Cristina saiu só.
LÍNGUA PORTUGUESA

A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as Cristina e Débora saíram sós.


seguintes regras gerais:
A) O adjetivo concorda em gênero e número quando Observação:
se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou
denunciavam o que sentia. “apenas”, tem função adverbial, ficando, portanto,
B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos, invariável: Eles só desejam ganhar presentes.
a concordância pode variar. Podemos sistematizar
essa flexão nos seguintes casos:

79
Bastante - Caro - Barato - Longe
#FicaDica Estas palavras são invariáveis quando funcionam
como advérbios. Concordam com o nome a que se
Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. referem quando funcionam como adjetivos, pronomes
Se a frase ficar coerente com o primeiro, adjetivos, ou numerais.
trata-se de advérbio, portanto, invariável; se As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
houver coerência com o segundo, função de Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho.
adjetivo, então varia: (pronome adjetivo)
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
Ele está só descansando. (apenas As casas estão caras. (adjetivo)
descansando) - advérbio Achei barato este casaco. (advérbio)
Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)

Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula depois de Meio - Meia


“só”, haverá, novamente, um adjetivo: A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo,
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi
descansando) meia porção de polentas.
Quando empregada como advérbio permanece
G) Quando um único substantivo é modificado por invariável: A candidata está meio nervosa.
dois ou mais adjetivos no singular, podem ser
usadas as construções:
• O substantivo permanece no singular e coloca-se o
artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura #FicaDica
espanhola e a portuguesa. Dá para eu substituir por “um pouco”, assim
• O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo saberei que se trata de um advérbio, não
antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e de adjetivo: “A candidata está um pouco
portuguesa. nervosa”.
Casos Particulares
Alerta - Menos
É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É
Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem
permitido
sempre invariáveis.
• Estas expressões, formadas por um verbo mais Os concurseiros estão sempre alerta.
um adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a Não queira menos matéria!
que se referem possuir sentido genérico (não vier
precedido de artigo). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
É proibido entrada de crianças. CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Em certos momentos, é necessário atenção. Cochar. Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform.
No verão, melancia é bom. – São Paulo: Saraiva, 2010.
É preciso cidadania. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Não é permitido saída pelas portas laterais. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
• Quando o sujeito destas expressões estiver literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
determinado por artigos, pronomes ou adjetivos,
tanto o verbo como o adjetivo concordam com ele. SITE
É proibida a entrada de crianças. Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
Esta salada é ótima. secoes/sint/sint49.php>
A educação é necessária.
São precisas várias medidas na educação.

Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso - EXERCÍCIOS COMENTADOS


Quite
Estas palavras adjetivas concordam em gênero e 1. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO –
número com o substantivo ou pronome a que se referem. CESGRANRIO-2018) A forma verbal em destaque está
LÍNGUA PORTUGUESA

Seguem anexas as documentações requeridas. empregada de acordo com a norma-padrão em:


A menina agradeceu: - Muito obrigada.
Muito obrigadas, disseram as senhoras. a) Atualmente, comercializa-se diferentes criptomoedas
Seguem inclusos os papéis solicitados. mas a bitcoin é a mais conhecida de todas as moedas
Estamos quites com nossos credores. virtuais.
b) A especulação e o comércio ilegal, de acordo com
alguns analistas, pode tornar as bitcoins inviáveis.

80
c) As notícias informam que até hoje, em nenhuma parte Em “e”: Profissionais dedicados e pesquisas constantes
do mundo, se substituíram totalmente as moedas precisam ser estimuladas (estimulados) para que se
reais pelas virtuais. avance na cura de algumas doenças.
d) De acordo com as regras do mercado financeiro,
criou-se apenas 21 milhões de bitcoins nos últimos 3. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR
anos. – CESGRANRIO-2018) A concordância do verbo
e) O valor dos produtos comercializados seriam destacado foi realizada de acordo com as exigências da
determinados por uma moeda virtual se a real fosse norma-padrão da língua portuguesa em:
abolida.
a) Com a corrida desenfreada pelas versões mais atuais
Resposta: Letra C dos smartphones, evidenciou-se atitudes agressivas e
Em “a”: Atualmente, comercializam-se diferentes violentas por parte dos usuários.
criptomoedas mas a bitcoin é a mais conhecida de b) Devido à utilização de estratégias de marketing,
todas as moedas virtuais. desenvolveu-se, entre os jovens, a ideia de que a
Em “b”: A especulação e o comércio ilegal, de posse de novos aparelhos eletrônicos é garantia de
acordo com alguns analistas, podem tornar as bitcoins sucesso.
inviáveis. c) É necessário que se envie a todas as escolas do país
Em “c”: As notícias informam que até hoje, em nenhuma vídeos educacionais que permitam esclarecer os
parte do mundo, se substituíram totalmente as jovens sobre o vício da tecnologia.
moedas reais pelas virtuais. = correta d) É preciso educar as novas gerações para que se reduza
Em “d”: De acordo com as regras do mercado os comportamentos compulsivos relacionados ao uso
financeiro, criaram-se apenas 21 milhões de bitcoins das novas tecnologias.
e) Nos países mais industrializados, comprovou-se
nos últimos anos.
os danos psicológicos e o consumismo exagerado
Em “e”: O valor dos produtos comercializados seria
causados pelo vício da tecnologia.
determinado por uma moeda virtual se a real fosse
abolida.
Resposta: Letra B
Em “a”: Com a corrida desenfreada pelas versões mais
2. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
atuais dos smartphones, evidenciou-se (evidenciaram-
I – CESGRANRIO-2018) A concordância da palavra
se) atitudes agressivas e violentas por parte dos
destacada atende às exigências da norma-padrão da
usuários.
língua portuguesa em: Em “b”: Devido à utilização de estratégias de
marketing, desenvolveu-se, entre os jovens, a ideia de
a) Alimentos saudáveis e prática constante de exercícios que a posse de novos aparelhos eletrônicos é garantia
são necessárias para uma vida longa e mais de sucesso = correta
equilibrada. Em “c”: É necessário que se envie (enviem) a todas as
b) Inexistência de esgoto em muitas regiões e falta de escolas do país vídeos educacionais que permitam
tratamento adequado da água são causadores de esclarecer os jovens sobre o vício da tecnologia.
doenças. Em “d”: É preciso educar as novas gerações para que
c) Notícias falsas e boatos perigosos não deveriam se reduza (reduzam) os comportamentos compulsivos
ser reproduzidas nas redes sociais da forma como relacionados ao uso das novas tecnologias.
acontece hoje. Em “e”: Nos países mais industrializados, comprovou-
d) Plantas da caatinga e frutos pouco conhecidos se (comprovaram-se) os danos psicológicos e o
da Região Nordeste foram elogiados por suas consumismo exagerado causados pelo vício da
propriedades alimentares. tecnologia.
e) Profissionais dedicados e pesquisas constantes
precisam ser estimuladas para que se avance na cura 4. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO –
de algumas doenças. FGV-2017) Observe os seguintes casos de concordância
nominal retirados do texto 1:
Resposta: Letra D
Em “a”: Alimentos saudáveis e prática constante de 1. A democracia reclama um jornalismo vigoroso e
exercícios são necessárias (necessários) para uma vida independente.
longa e mais equilibrada. 2. A agenda pública é determinada pela imprensa
Em “b”: Inexistência de esgoto em muitas regiões e tradicional.
LÍNGUA PORTUGUESA

falta de tratamento adequado da água são causadores 3. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de
(causadoras) de doenças. conteúdo independentes.
Em “c”: Notícias falsas e boatos perigosos não
deveriam ser reproduzidas (reproduzidos) nas redes A afirmação correta sobre essas concordâncias é:
sociais da forma como acontece hoje.
Em “d”: Plantas da caatinga e frutos pouco conhecidos a) os dois adjetivos da frase (1) referem-se,
da Região Nordeste foram elogiados por suas respectivamente a ‘democracia’ e ‘jornalismo’;
propriedades alimentares = correta

81
b) os adjetivos da frase (1) deveriam estar no plural por diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu
referirem-se a dois substantivos; situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo
c) na frase (2), a forma de particípio ‘determinada’ se de origem baconiana, não abandonando o rigor das
refere a ‘imprensa’; certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,
d) na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ está refugindo às especulações metafísicas que, no plano da
corretamente no plural por referir-se a ‘empresas’; idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a
e) na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ deveria estar explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
no singular por referir-se ao substantivo ‘conteúdo’. civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos.
Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do
Resposta: Letra D Ministério Público em função da proteção dos direitos
1. A democracia reclama um jornalismo vigoroso e humanos. Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p.
independente. 18-9. Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).
2. A agenda pública é determinada pela imprensa
tradicional. A flexão plural em “eram identificadas” decorre da
3. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de concordância com o sujeito dessa forma verbal: “as
conteúdo independentes. esferas de abrangência dos poderes políticos”.
Em “a”: os dois adjetivos da frase (1) referem-se,
respectivamente a ‘democracia’ e ‘jornalismo’; ( ) CERTO ( ) ERRADO
A democracia reclama um jornalismo vigoroso e
independente = apenas a “jornalismo” Resposta: Certo
Em “b”: os adjetivos da frase (1) deveriam estar no (...) Até Montesquieu, não eram identificadas com
plural por referirem-se a dois substantivos; clareza as esferas de abrangência dos poderes
A democracia reclama um jornalismo vigoroso e políticos = passando o período para a ordem direta
independente = a um substantivo (jornalismo) (sujeito + verbo), temos: Até Montesquieu, as esferas
Em “c”: na frase (2), a forma de particípio ‘determinada’ de abrangência dos poderes políticos não eram
se refere a ‘imprensa’; identificadas com clareza.
A agenda pública é determinada pela imprensa
tradicional = refere-se ao termo “agenda pública” 6. (PC-RS – ESCRIVÃO e Inspetor de Polícia –
Em “d”: na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ está Fundatec-2018 - adaptada) Sobre a frase “Esses alunos
corretamente no plural por referir-se a ‘empresas’; que são usuários constantes de redes sociais têm um risco
Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de 27% maior de desenvolver depressão”, avalie as assertivas
conteúdo independentes = correta que seguem, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
Em “e”: na frase (3), o adjetivo ‘independentes’
deveria estar no singular por referir-se ao substantivo ( ) Caso os termos ‘Esses alunos’ fosse passado para o
‘conteúdo’ = incorreta (refere-se a “empresas”) singular, outras quatro palavras deveriam sofrer ajustes
para fins de concordância.
5. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015) ( ) Mais da metade dos alunos que usam redes sociais
podem ficar deprimidos.
Texto I ( ) O risco de alunos usuários de redes sociais
desenvolverem depressão constante extrapola o índice
Na organização do poder político no Estado moderno, dos 27%.
à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a
preservação da liberdade humana, de maneira a coibir a A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de
desordem do estado de natureza, que, em virtude do risco cima para baixo, é:
da dominação dos mais fracos pelos mais fortes, exige
a existência de um poder institucional. Mas a conquista a) V – V – V.
da liberdade humana também reclama a distribuição do b) F – V – F.
poder em ramos diversos, com a disposição de meios c) V – F – F.
que assegurem o controle recíproco entre eles para o d) F – F – V.
advento de um cenário de equilíbrio e harmonia nas e) F – F – F.
sociedades estatais. A concentração do poder em um só
órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exercício Resposta: Letra C
da liberdade. É que, como observou Montesquieu, “todo Esses alunos que são usuários constantes de redes sociais
homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai até têm um risco 27% maior de desenvolver depressão
onde encontra limites. Para que não se possa abusar do Em: ( ) Caso os termos ‘Esses alunos’ fosse passado
LÍNGUA PORTUGUESA

poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder para o singular, outras quatro palavras deveriam sofrer
limite o poder”. ajustes para fins de concordância.
Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza Esse aluno que é usuário constante de redes sociais
as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se tem um risco 27% maior de desenvolver depressão
concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua = (verdadeira = haveria quatro alterações)
separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a forma Em: ( ) Mais da metade dos alunos que usam redes
de sistema coerente, as consequências de conceitos sociais podem ficar deprimidos.

82
= falsa (o período em análise não nos transmite tal A) Verbos Intransitivos
informação, apenas afirma que usuários constantes Os verbos intransitivos não possuem complemento. É
têm um risco 27% maior que os demais) importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
Em: ( ) O risco de alunos usuários de redes sociais aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.
desenvolverem depressão constante extrapola o
índice dos 27%. Chegar, Ir
= Falsa (“depressão constante” altera o sentido do Normalmente vêm acompanhados de adjuntos
período) adverbiais de lugar. Na língua culta, as preposições
usadas para indicar destino ou direção são: a, para.

Fui ao teatro.
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL. Adjunto Adverbial de Lugar

Ricardo foi para a Espanha.


REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL Adjunto Adverbial de Lugar

Dá-se o nome de regência à relação de subordinação Comparecer


que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um nome O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido
(regência nominal) e seus complementos. por em ou a.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o
Regência Verbal = Termo Regente: VERBO último jogo.

A regência verbal estuda a relação que se estabelece B) Verbos Transitivos Diretos


entre os verbos e os termos que os complementam Os verbos transitivos diretos são complementados por
(objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição
(adjuntos adverbiais). Há verbos que admitem mais para o estabelecimento da relação de regência. Ao
de uma regência, o que corresponde à diversidade empregar esses verbos, lembre-se de que os pronomes
de significados que estes verbos podem adquirir oblíquos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses
dependendo do contexto em que forem empregados. pronomes podem assumir as formas lo, los, la, las (após
formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos,
A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar, nas (após formas verbais terminadas em sons nasais),
contentar. enquanto lhe e lhes são, quando complementos verbais,
A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar objetos indiretos.
agrado ou prazer”, satisfazer. São verbos transitivos diretos, dentre outros:
abandonar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar,
Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de acusar, admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar,
“agradar a alguém”. auxiliar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar,
defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir,
O conhecimento do uso adequado das preposições prejudicar, prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar,
é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência ver, visitar.
verbal (e também nominal). As preposições são capazes Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente
de modificar completamente o sentido daquilo que está como o verbo amar:
sendo dito. Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Amo aquela moça. / Amo-a.
Cheguei ao metrô. Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Cheguei no metrô. Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.

No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no Observação:


segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos
A voluntária distribuía leite às crianças. adnominais):
A voluntária distribuía leite com as crianças. Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua
Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi empregado carreira)
LÍNGUA PORTUGUESA

como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau
(objeto indireto: às crianças); na segunda, como transitivo humor)
direto (objeto direto: crianças; com as crianças: adjunto
adverbial). C) Verbos Transitivos Indiretos
Para estudar a regência verbal, agruparemos os Os verbos transitivos indiretos são complementados
verbos de acordo com sua transitividade. Esta, porém, por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos
não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de exigem uma preposição para o estabelecimento da
diferentes formas em frases distintas. relação de regência. Os pronomes pessoais do caso

83
oblíquo de terceira pessoa que podem atuar como Informar
objetos indiretos são o “lhe”, o “lhes”, para substituir Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
pessoas. Não se utilizam os pronomes o, os, a, as como indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
complementos de verbos transitivos indiretos. Com os Informe os novos preços aos clientes.
objetos indiretos que não representam pessoas, usam-se Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os
pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) novos preços)
em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes.
Na utilização de pronomes como complementos, veja
Os verbos transitivos indiretos são os seguintes: as construções:
Consistir - Tem complemento introduzido pela Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos
preposição “em”: A modernidade verdadeira consiste em preços.
direitos iguais para todos. Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou
sobre eles)
Obedecer e Desobedecer - Possuem seus
complementos introduzidos pela preposição “a”: Observação:
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais. A mesma regência do verbo informar é usada para os
Eles desobedeceram às leis do trânsito. seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.

Responder - Tem complemento introduzido pela Comparar


preposição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as
indicar “a quem” ou “ao que” se responde. preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento
Respondi ao meu patrão. indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com o) de
Respondemos às perguntas. uma criança.
Respondeu-lhe à altura.
Pedir
Observação: Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente
O verbo responder, apesar de transitivo indireto na forma de oração subordinada substantiva) e indireto
quando exprime aquilo a que se responde, admite voz de pessoa.
passiva analítica:
O questionário foi respondido corretamente. Pedi-lhe favores.
Todas as perguntas foram respondidas Objeto Indireto Objeto Direto
satisfatoriamente.
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio.
Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus Objeto Indireto Oração Subordinada
complementos introduzidos pela preposição “com”. Substantiva Objetiva Direta
Antipatizo com aquela apresentadora.
Simpatizo com os que condenam os políticos que A construção “pedir para”, muito comum na
governam para uma minoria privilegiada. linguagem cotidiana, deve ter emprego muito limitado
na língua culta. No entanto, é considerada correta
D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos quando a palavra licença estiver subentendida.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em
Os verbos transitivos diretos e indiretos são casa.
acompanhados de um objeto direto e um indireto.
Merecem destaque, nesse grupo: agradecer, perdoar Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz
e pagar. São verbos que apresentam objeto direto uma oração subordinada adverbial final reduzida de
relacionado a coisas e objeto indireto relacionado a infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa).
pessoas.
Preferir
Agradeço aos ouvintes a audiência. Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto
Objeto Indireto Objeto Direto indireto introduzido pela preposição “a”:
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
Paguei o débito ao cobrador. Prefiro trem a ônibus.
Objeto Direto Objeto Indireto
Observação:
O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado
LÍNGUA PORTUGUESA

com particular cuidado: sem termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil
Agradeci o presente. / Agradeci-o. vezes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo
Agradeço a você. / Agradeço-lhe. prefixo existente no próprio verbo (pre).
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.

84
Mudança de Transitividade - Mudança de Chamar no sentido de denominar, apelidar pode
Significado apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere
Há verbos que, de acordo com a mudança de predicativo preposicionado ou não.
transitividade, apresentam mudança de significado. O A torcida chamou o jogador mercenário.
conhecimento das diferentes regências desses verbos é A torcida chamou ao jogador mercenário.
um recurso linguístico muito importante, pois além de A torcida chamou o jogador de mercenário.
permitir a correta interpretação de passagens escritas, A torcida chamou ao jogador de mercenário.
oferece possibilidades expressivas a quem fala ou
escreve. Dentre os principais, estão: Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal:
Como você se chama? Eu me chamo Zenaide.
Agradar
Agradar é transitivo direto no sentido de fazer Custar
carinhos, acariciar, fazer as vontades de. Custar é intransitivo no sentido de ter determinado
Sempre agrada o filho quando. valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial:
Aquele comerciante agrada os clientes. Frutas e verduras não deveriam custar muito.

Agradar é transitivo indireto no sentido de causar No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo
agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração
introduzido pela preposição “a”. reduzida de infinitivo.
O cantor não agradou aos presentes.
O cantor não lhes agradou. Muito custa viver tão longe da família.
Verbo Intransitivo Oração Subordinada
O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indireto: Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo
O cantor desagradou à plateia.
Custou-me (a mim) crer nisso.
Aspirar Objeto Indireto Oração Subordinada
Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo
(o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
A Gramática Normativa condena as construções que
Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por
ter como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. pessoa: Custei para entender o problema.
(Aspirávamos a ele) = Forma correta: Custou-me entender o problema.

Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pessoa, Implicar


as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”. A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes
Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (= implicavam um firme propósito.
Aspiravam a ela) B) ter como consequência, trazer como consequência,
acarretar, provocar: Uma ação implica reação.
Assistir
Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar Como transitivo direto e indireto, significa
assistência a, auxiliar. comprometer, envolver: Implicaram aquele jornalista em
As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos. questões econômicas.
As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
No sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo
Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, indireto e rege com preposição “com”: Implicava com
presenciar, estar presente, caber, pertencer. quem não trabalhasse arduamente.
Assistimos ao documentário.
Não assisti às últimas sessões. Namorar
Essa lei assiste ao inquilino. Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois
anos.
No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é
intransitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial Obedecer - Desobedecer
de lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos Sempre transitivo indireto:
LÍNGUA PORTUGUESA

numa conturbada cidade. Todos obedeceram às regras.


Ninguém desobedece às leis.
Chamar
Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem
solicitar a atenção ou a presença de. “lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas.
Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá
chamá-la.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.

85
Proceder
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa
segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto adverbial de modo.
As afirmações da testemunha procediam, não havia como refutá-las.
Você procede muito mal.

Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposição “de”) e fazer, executar (rege complemento introduzido pela
preposição “a”) é transitivo indireto.
O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito.

Querer
Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade de, cobiçar.
Querem melhor atendimento.
Queremos um país melhor.

Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, estimar, amar: Quero muito aos meus amigos.

Visar
Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
O gerente não quis visar o cheque.

No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.

Esquecer – Lembrar
Lembrar algo – esquecer algo
Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)

No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem complemento com a preposição “de”. São, portanto,
transitivos indiretos:
Ele se esqueceu do caderno.
Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.

Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve
alteração de sentido. É uma construção muito rara na língua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos
clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
Não lhe lembram os bons momentos da infância? (= momentos é sujeito)

Simpatizar - Antipatizar
São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
Não simpatizei com os jurados.
Simpatizei com os alunos.

Importante:
A norma culta exige que os verbos e expressões que dão ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
LÍNGUA PORTUGUESA

Cláudia desceu ao segundo andar.


Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.

86
Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse
nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em
conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de
um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os
nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será
completiva nominal (subordinada substantiva).

Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Observação:
LÍNGUA PORTUGUESA

Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a;
paralelamente a; relativa a; relativamente a.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar - Português linguagens: volume 3. – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.

87
SITE a) Podemos esperar para um futuro melhor
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ b) Podemos esperar com um futuro melhor
secoes/sint/sint61.php> c) Podemos esperar um futuro melhor
d) Podemos esperar porquanto um futuro melhor
e) Podemos esperar todavia um futuro melhor

EXERCÍCIOS COMENTADOS Resposta: Letra C


Em “a”: Podemos esperar para um futuro melhor = po-
1. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – CES- demos esperar o quê?
GRANRIO-2018) Em “b”: Podemos esperar com um futuro melhor = po-
demos esperar o quê?
O ano da esperança Em “c”: Podemos esperar um futuro melhor = correta
Em “d”: Podemos esperar porquanto um futuro me-
O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos lhor = sentido de “porque”
desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás Em “e”: Podemos esperar todavia um futuro melhor =
do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de conjunção adversativa (ideia contrária à apresentada
amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinhei- anteriormente)
ro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a A única frase correta – e coerente - é podemos esperar
consciência de que era uma doação. A situação foi pio- um futuro melhor.
rando. Os argumentos também. No início era para pagar
a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes. 2. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES-
Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava GRANRIO-2018) Considere a seguinte frase: “Os lança-
um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que so- mentos tecnológicos a que o autor se refere podem re-
freu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia. sultar em comportamentos impulsivos nos consumidores
desses produtos”. A utilização da preposição destacada
Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações,
a é obrigatória para atender às exigências da regência
remédios. A situação piorando, eu já estava encomen-
do verbo “referir-se”, de acordo com a norma-padrão da
dando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico,
língua portuguesa. É também obrigatório o uso de uma
no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamen-
preposição antecedendo o pronome que destacado em:
te. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até
que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu
a) Os consumidores, ao adquirirem um produto que qua-
não ajudava mais.
se ninguém possui, recém-lançado no mercado, pas-
Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita sam a ter uma sensação de superioridade.
de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca b) Muitos aparelhos difundidos no mercado nem sempre
conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter trazem novidades que justifiquem seu preço elevado
caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o em- em relação ao modelo anterior.
prego após o suposto acidente. Foi por isso que me dei- c) O estudo de mapeamento cerebral que o pesquisador
xei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde realizou foi importante para mostrar que o vício em
também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As novidades tecnológicas cresce cada vez mais.
pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a d) O hormônio chamado dopamina é responsável por
indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar. causar sensações de prazer que levam as pessoas a se
Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos sentirem recompensadas.
aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão sur- e) As pessoas, na maioria das vezes, gastam muito mais
gir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça do que o seu orçamento permite em aparelhos que
de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova elas não necessitam.
consciência para votar. Como? Num mundo em que as
notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites Resposta: Letra E
servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram Em “a”: Os consumidores, ao adquirirem um produto que
cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já (= o qual) quase ninguém possui, recém-lançado no mer-
inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escre- cado, passam a ter uma sensação de superioridade.
vo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso Em “b”: Muitos aparelhos difundidos no mercado nem
ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama. sempre trazem novidades que (= as quais) justifiquem
Respondo: — Nunca foi para acontecer. Era mentira da seu preço elevado em relação ao modelo anterior.
internet. Em “c”: O estudo de mapeamento cerebral que (= o
Duvidam. Acham que estou mentindo. qual) o pesquisador realizou foi importante para mos-
trar que o vício em novidades tecnológicas cresce
LÍNGUA PORTUGUESA

CARRASCO, W. O ano da esperança. Época, 25 dez. 2017, p.97.


Adaptado. cada vez mais.
Em “d”: O hormônio chamado dopamina é responsá-
Considere o trecho “Podemos esperar por um futuro me- vel por causar sensações de prazer que (= as quais)
lhor”. Respeitando-se as regras da norma-padrão e con- levam as pessoas a se sentirem recompensadas.
servando-se o conteúdo informacional, o trecho acima Em “e”: As pessoas, na maioria das vezes, gastam mui-
está corretamente reescrito em: to mais do que o seu orçamento permite em apare-
lhos de que (= das quais) elas não necessitam.

88
3. (MPU – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE-2010) 5. (TJ-SP – ADVOGADO - VUNESP/2013 - ADAPTADA)
A pobreza é um dos fatores mais comumente respon- Na passagem – ... e ausência de candidatos para preen-
sáveis pelo baixo nível de desenvolvimento humano chê-las. –, substituindo-se o verbo preencher por concor-
e pela origem de uma série de mazelas, algumas das rer e atendendo-se à norma-padrão, obtém-se:
quais proibidas por lei ou consideradas crimes. É o caso
do trabalho infantil. A chaga encontra terreno fértil nas a) … e ausência de candidatos para concorrer a elas.
sociedades subdesenvolvidas, mas também viceja onde b) … e ausência de candidatos para concorrer à elas.
o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem, obriga c) … e ausência de candidatos para concorrer-lhes.
crianças e adolescentes a participarem do processo de d) … e ausência de candidatos para concorrê-las.
produção. Foi assim na Revolução Industrial de ontem e) … e ausência de candidatos para lhes concorrer.
e nas economias ditas avançadas. E ainda é, nos dias de
hoje, nas manufaturas da Ásia ou em diversas regiões do Resposta: Letra A
Brasil. Enquanto, entre as nações ricas, o trabalho infantil Vamos por exclusão: “à elas” está errada, já que não
foi minimizado, já que nunca se pode dizer erradicado, temos acento indicativo de crase antes de pronome
ele continua sendo grave problema nos países mais po- pessoal; quando temos um verbo no infinitivo, po-
bres. demos usar a construção: verbo + preposição + pro-
Jornal do Brasil, Editorial, 1.º/7/2010 (com adaptações). nome pessoal. Por exemplo: Dar a eles (ao invés de
“dar-lhes”).
O emprego de preposição em “a participarem” é exigido
pela regência da forma verbal “obriga”.

( ) CERTO ( ) ERRADO EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE


CRASE.
Resposta: Certo
(...) o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem,
obriga crianças e adolescentes a participarem = CRASE
quem obriga, obriga alguém (crianças e adolescentes –
objeto direto) a algo (a participarem – objeto indireto: A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais
com preposição – no caso, uma oração com a função idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a”
de objeto indireto). com o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente
aos pronomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s),
4. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2013) aquilo e com o “a” pertencente ao pronome relativo a
Considerando as regras de regência verbal, assinale a al- qual (as quais). Casos estes em que tal fusão encontra-se
ternativa correta. demarcada pelo acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele,
àquilo, à qual, às quais.
a) Ao ver a quantidade excessiva de prateleiras, o amigo O uso do acento indicativo de crase está condicionado
comentou de que o livro estava acabando. aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal e
b) Enquanto seu amigo continua encomendando livros nominal, mais precisamente ao termo regente e termo
de papel, o autor aderiu o livro digital. regido. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome -
c) Álvaro convenceu-se de que o melhor a fazer seria sair que exige complemento regido pela preposição “a”, e o
para jantar. termo regido é aquele que completa o sentido do termo
d) As estantes que o autor aludiu foram projetadas para regente, admitindo a anteposição do artigo a(s).
armazenar livros e CDs. Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela
e) O único detalhe do apartamento que o amigo se ateve contratada recentemente.
foi o número de estantes. Após a junção da preposição com o artigo (destacados
entre parênteses), temos:
Resposta: Letra C Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela
Em “a”: Ao ver a quantidade excessiva de prateleiras, o contratada recentemente.
amigo comentou de (X) que = comentou que
Em “b”: Enquanto seu amigo continua encomendando O verbo referir, de acordo com sua transitividade,
livros de papel, o autor aderiu o = aderiu ao classifica-se como transitivo indireto, pois sempre
Em “c”: Álvaro convenceu-se de que o melhor a fazer nos referimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da
seria sair para jantar = correta preposição a + o artigo feminino (à) e com o artigo
Em “d”: As estantes que o autor aludiu = às quais/a feminino a + o pronome demonstrativo aquela (àquela).
que
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “e”: O único detalhe do apartamento que o amigo Observações importantes:


se ateve = ao qual/ a que Alguns recursos servem de ajuda para que possamos
confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns:

• Substitui-se a palavra feminina por uma masculina


equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a
crase está confirmada.

89
Os dados foram solicitados à diretora. Casos passíveis de nota:
Os dados foram solicitados ao diretor.
• A crase é facultativa diante de nomes próprios
• No caso de nomes próprios geográficos, substitui-se femininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.
o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso resulte na • Também é facultativa diante de pronomes
expressão “voltar da”, há a confirmação da crase. possessivos femininos: O diretor fez referência a
Faremos uma visita à Bahia. (à) sua empresa.
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada) • Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja
ficará aberta até as (às) dezoito horas.
Não me esqueço da viagem a Roma. • Constata-se o uso da crase se as locuções prepositivas
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos à moda de, à maneira de apresentarem-se
jamais vividos. implícitas, mesmo diante de nomes masculinos:
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à
moda de Luís XV)
FIQUE ATENTO! • Não se efetiva o uso da crase diante da locução
Nas situações em que o nome geográfico adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana,
se apresentar modificado por um adjunto observamos a queima de fogos a distância.
adnominal, a crase está confirmada. Entretanto, se o termo vier determinado, teremos
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O
de suas praias. pedestre foi arremessado à distância de cem metros.
Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ;
vou A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: • De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade
Vou a Campinas. = Volto de Campinas. -, faz-se necessário o emprego da crase.
(crase pra quê?) Ensino à distância.
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!) Ensino a distância.

• Em locuções adverbiais formadas por palavras


Quando o nome de lugar estiver especificado, repetidas, não há ocorrência da crase.
ocorrerá crase. Veja: Ela ficou frente a frente com o agressor.
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo Eu o seguirei passo a passo.
que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
Irei à Salvador de Jorge Amado. Casos em que não se admite o emprego da crase:

A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s), Antes de vocábulos masculinos.


aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
regente exigir complemento regido da preposição “a”. Esta caneta pertence a Pedro.
Entregamos a encomenda àquela menina.
(preposição + pronome demonstrativo) Antes de verbos no infinitivo.
Ele estava a cantar.
Iremos àquela reunião. Começou a chover.
(preposição + pronome demonstrativo)
Antes de numeral.
Sua história é semelhante às que eu ouvia quando O número de aprovados chegou a cem.
criança. (àquelas que eu ouvia quando criança) Faremos uma visita a dez países.
(preposição + pronome demonstrativo)
Observações:
A letra “a” que acompanha locuções femininas • Nos casos em que o numeral indicar horas –
(adverbiais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento funcionando como uma locução adverbial
grave: feminina – ocorrerá crase: Os passageiros partirão
• locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às às dezenove horas.
pressas, à vontade... • Diante de numerais ordinais femininos a crase
• locuções prepositivas: à frente, à espera de, à está confirmada, visto que estes não podem ser
procura de... empregados sem o artigo: As saudações foram
• locuções conjuntivas: à proporção que, à medida direcionadas à primeira aluna da classe.
que. • Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando
LÍNGUA PORTUGUESA

essa não se apresentar determinada: Chegamos


Cuidado: quando as expressões acima não exercerem todos exaustos a casa.
a função de locuções não ocorrerá crase. Repare: Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto
Eu adoro a noite! adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos todos
Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer exaustos à casa de Marcela.
objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não
preposição.

90
• Não há crase antes da palavra “terra”, quando Em “c”, tinha um comportamento indiferente à
essa indicar chão firme: Quando os navegantes qualquer influência = a qualquer (antes de pronome
regressaram a terra, já era noite. indefinido)
Contudo, se o termo estiver precedido por um Em “d”, refere-se à uma maneira = a uma (antes de
determinante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá artigo indefinido)
crase. Em “e”, O personagem revelou à pessoa com quem
Paulo viajou rumo à sua terra natal. conversava que jogava o tempo fora = revelou o quê?
O astronauta voltou à Terra. que jogava o tempo fora; revelou a quem? à pessoa
(objeto indireto, com preposição) = correta.
• Não ocorre crase antes de pronomes que requerem
o uso do artigo. 2. (PM-SP - SOLDADO DE 2.ª CLASSE – VUNESP-2017)
Os livros foram entregues a mim. Assinale a alternativa que preenche, correta e
Dei a ela a merecida recompensa. respectivamente, as lacunas do texto a seguir.
Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de
• Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos atendimento _____ presos da Casa de Detenção, em São
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, Paulo, o médico oncologista Drauzio Varella chega ao
o uso da crase está confirmado no “a” que os fim de uma trilogia com o livro “Prisioneiras”. Depois de
antecede, no caso de o termo regente exigir a “Estação Carandiru” (1999), que mostra ________ entranhas
preposição. daquela que foi ________maior prisão da América Latina,
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia. e de “Carcereiros” (2012), sobre os funcionários que
trabalham no sistema prisional, Varella agora faz um
• Não ocorre crase antes de nome feminino utilizado retrato das detentas da Penitenciária Feminina da Capital,
em sentido genérico ou indeterminado: também na capital paulista, onde cumprem pena mais de
Estamos sujeitos a críticas. duas mil mulheres.
Refiro-me a conversas paralelas. (https://oglobo.globo.com. Adaptado)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS a) à … às … a
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa b) a … as … a
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. c) a … às … a
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza d) à … às … à
Cochar. Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform. e) a … as … à
– São Paulo: Saraiva, 2010.
Resposta: Letra B
SITE
Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de
Disponível em: <http://www.portugues.com.br/
atendimento a (preposição – regência nominal de
gramatica/o-uso-crase-.html>
“atendimento”, mas sem acento grave por estar diante
de palavra masculina) presos da Casa de Detenção,
em São Paulo, o médico oncologista Drauzio Varella
EXERCÍCIOS COMENTADOS chega ao fim de uma trilogia com o livro “Prisioneiras”.
Depois de “Estação Carandiru” (1999), que mostra as
1. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - (objeto direto do verbo “mostrar”) entranhas daquela
SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP/2017) O acento que foi a (artigo definido) maior prisão da América
indicativo de crase está empregado corretamente em: Latina, e de “Carcereiros” (2012), sobre os funcionários
que trabalham no sistema prisional, Varella agora faz
a) O personagem evita considerar à internet responsável um retrato das detentas da Penitenciária Feminina da
por suas atitudes. Capital, também na capital paulista, onde cumprem
b) O personagem reconheceu que já tinha uma propensão pena mais de duas mil mulheres.
à jogar o tempo fora. Teremos: a / as / a.
c) O personagem tinha um comportamento indiferente à
qualquer influência da internet. 3. (CÂMARA MUNICIPAL DE DOIS CÓRREGOS-SP
d) O personagem refere-se à uma maneira de se portar - OFICIAL DE ATENDIMENTO E ADMINISTRAÇÃO –
com relação ao tempo. VUNESP-2018) Assinale a alternativa em que o acento
e) O personagem revelou à pessoa com quem conversava indicativo de crase está empregado corretamente.
que jogava o tempo fora.
a) Algumas pessoas com supermemória chegam à sofrer
LÍNGUA PORTUGUESA

Resposta: Letra E com dores de cabeça.


Aos itens: b) Há lembranças tão vivas que nos fazem voltar à
Em “a”, evita considerar à internet = a internet (objeto episódios de nosso passado.
direto) c) Lembrar-se do passado pode ser uma tarefa muito
Em “b”, tinha uma propensão à jogar = a jogar (sem difícil à determinadas pessoas.
acento grave indicativo de crase antes de verbo no d) Ela referiu-se à vontade de esquecer completamente
infinitivo) os momentos dolorosos.

91
e) Ao nos atermos à uma experiência ruim, Para os autores do documento, a primeira Era Dourada
desconsideramos o que ela traz de bom. aconteceu entre 1870 e 1910. Segundo eles, a atual
começou em 1980 e deve se estender pelos próximos 10
Resposta: Letra D a 20 anos, prolongada pelo desempenho econômico da
Aos itens: Ásia e de negócios ligados ________ tecnologia.
Em “a”, chegam à sofrer = a sofrer (antes de verbo no (IstoÉ, 15.11.2017. Adaptado)
infinitivo não se usa acento grave)
Em “b”, que nos fazem voltar à episódios = a episódios Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do
(palavra masculina e no plural) texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Em “c”, pode ser uma tarefa muito difícil à determinadas
= a determinadas (palavra no plural e presença só da a) a … a … a
preposição) b) à … à … à
Em “d”, Ela referiu-se à vontade = correta (quem se c) a … à … à
refere, refere-se a algo ou a alguém) d) à … à … a
Em “e”, Ao nos atermos à uma experiência = a uma e) a … a … à
(antes de artigo indefinido)
Resposta: Letra E
4. (IPSM-SP - ASSISTENTE DE GESTÃO MUNICIPAL - Vamos aos trechos:
VUNESP-2018) De acordo com a norma- -padrão, o a rápida industrialização nos Estados Unidos deu
acento indicativo da crase está corretamente empregado origem a algumas das maiores fortunas = antes de
em: pronome indefinido
e passaram a ostentar sua riqueza = antes de verbo
a) O leitor aludiu à escrita como se ela fosse questão de no infinitivo
talento: quem não tem, não vai nunca aprender. e de negócios ligados à tecnologia = regência nominal
de “ligados” pede preposição
b) A escrita deve levar o texto à uma riqueza, marcada
pela clareza e precisão, afastando o leitor da confusão
6. (CÂMARA MUNICIPAL DE COTIA-SP – CONTADOR -
ou tédio.
VUNESP-2017) Assinale a alternativa correta quanto ao
c) De parte à parte, o texto precisa organizar-se como um
emprego do acento indicativo da crase.
tecido coeso e claro, instigando, assim, o leitor.
d) Existem aquelas pessoas que chegam à conclusões
a) A circulação instantânea das notícias falsas, as quais
semelhantes, no entanto elas seguem pelo lado
chegam à um grande público devido à rapidez
oposto. da internet, é favorável à formação de ondas de
e) Também não estamos falando só de correção credulidade.
gramatical e ortográfica. Estamos nos referindo à b) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais
pensamento. chegam à muitas pessoas devido a rapidez da internet,
favorece que se formem ondas de credulidade.
Resposta: Letra A c) A circulação instantânea das notícias falsas, as quais
Em “a”, O leitor aludiu à escrita = correta (regência do chegam a muitas pessoas devido à rapidez da internet,
verbo “aludir” pede preposição) é favorável à formação de ondas de credulidade.
Em “b”, A escrita deve levar o texto à uma riqueza = a d) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais
uma (antes de artigo indefinido) chegam a um grande número de pessoas devido à
Em “c”, De parte à parte = parte a parte (entre palavras rapidez da internet, é favorável as ondas de credulidade
repetidas) que se formam.
Em “d”, Existem aquelas pessoas que chegam à e) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais
conclusões = a conclusões (antes de palavra no plural chegam a muitas pessoas devido a rapidez da internet,
e o “a” está “sozinho” = somente preposição) favorece à formação de ondas de credulidade.
Em “e”, Estamos nos referindo à pensamento = a
pensamento (palavra masculina) Resposta: Letra C
Acertos entre parênteses:
5. (PREFEITURA MUNICIPAL DE MOGI DAS CRUZES- Em “a”, as quais chegam à um (a um) grande público
SP - AUXILIAR DE APOIO ADMINISTRATIVO - devido à rapidez (ok) da internet, é favorável à
VUNESP-2018) formação (ok)
No começo do século 20, a rápida industrialização nos Em “b”, às quais (as quais) chegam à muitas (a muitas)
Estados Unidos deu origem _______ algumas das maiores pessoas devido a rapidez (à rapidez) da internet
fortunas que o mundo já viu. Famílias como os Vanderbilt Em “c”, as quais chegam a muitas pessoas devido à
LÍNGUA PORTUGUESA

e os Rockefeller investiram em ferrovias, petróleo e rapidez da internet, é favorável à formação = correta


aço, obtendo um grande retorno, e passaram _________ Em “d”, às quais (as quais) chegam a um (ok) grande
ostentar sua riqueza. O período ficou conhecido como número de pessoas devido à rapidez (ok) da internet,
Era Dourada. A desigualdade nunca foi tão grande – até é favorável as ondas (às ondas)
agora. É o que mostra um relatório da UBS, companhia de Em “e”, às quais (as quais) chegam a muitas (ok)
serviços financeiros, feito em parceria com a consultora pessoas devido a rapidez (à rapidez) da internet,
PwC. favorece à formação (a formação)

92
Observação: quanto à regência verbal de “favorecer” ocorreu de maneira perfeita e o sentido está claro para
= pede complemento verbal direto (favorece o quê? receptores de língua portuguesa inteirados da situação
favorece quem?); já a regência nominal de “favorável” econômica e cultural do mundo atual.
pede preposição (favorável a quem? a quê?).
A Ordem dos Termos na Frase

COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS. Leia novamente a frase contida no item 2. Note
que ela é organizada de maneira clara para produzir
sentido. Todavia, há diferentes maneiras de se organizar
“Prezado Candidato, o tópico acima foi abordado gramaticalmente tal frase, tudo depende da necessidade
na íntegra em: Emprego de tempos e modos verbais. ou da vontade do redator em manter o sentido, ou
Domínio da estrutura morfossintática do período. mantê-lo, porém, acrescentado ênfase a algum dos seus
Emprego das classes de palavras.” termos. Significa dizer que, ao escrever, podemos fazer
uma série de inversões e intercalações em nossas frases,
conforme a nossa vontade e estilo. Tudo depende da
REESCRITA DE FRASES E PARÁGRAFOS DO maneira como queremos transmitir uma ideia, do nosso
TEXTO. SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS. estilo. Por exemplo, podemos expressar a mensagem da
SUBSTITUIÇÃO DE PALAVRAS OU DE frase 2 da seguinte maneira:
TRECHOS DE TEXTO No Brasil e na América Latina, a globalização está
REORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA DE causando desemprego.
ORAÇÕES E DE PERÍODOS DO TEXTO
Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma,
REESCRITA DE TEXTOS DE DIFERENTES
apenas mudamos a ordem das palavras para dar ênfase
GÊNEROS E NÍVEIS DE FORMALIDADE. a alguns termos (neste caso: No Brasil e na A. L.). Repare
que, para obter a clareza tivemos que fazer o uso de
vírgulas.
REESCRITA DE TEXTOS/EQUIVALÊNCIA DE Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado
ESTRUTURAS e o que mais nos auxilia na organização de um período,
pois facilita as boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja,
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase a vírgula ajuda-nos a não “embolar” o sentido quando
leva-nos a refletir sobre a organização das ideias em um produzimos frases complexas. Com isto, “entregamos”
texto. Significa dizer que, antes da redação, naturalmente frases bem organizadas aos nossos leitores.
devemos dominar o assunto sobre o qual iremos tratar e, O básico para a organização sintática das frases é
posteriormente, planejar o modo como iremos expô-lo, a ordem direta dos termos da oração. Os gramáticos
do contrário haverá dificuldade em transmitir ideias bem estruturam tal ordem da seguinte maneira:
acabadas. Portanto, a leitura, a interpretação de textos e SUJEITO + VERBO+ COMPLEMENTO VERBAL+
a experiência de vida antecedem o ato de escrever. CIRCUNSTÂNCIAS
Obtido um razoável conhecimento sobre o que A globalização + está causando+ desemprego + no
iremos escrever, feito o esquema de exposição da Brasil nos dias de hoje.
matéria, é necessário saber ordenar as ideias em frases
bem estruturadas. Logo, não basta conhecer bem um Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem
determinado assunto, temos que o transmitir de maneira todas contêm todos estes elementos, portanto cabem
clara aos leitores. algumas observações:
O estudo da pontuação pode se tornar um valioso
aliado para organizarmos as ideias de maneira clara A) As circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.)
em frases. Para tanto, é necessário ter alguma noção normalmente são representadas por adjuntos
de sintaxe. “Sintaxe”, conforme o dicionário Aurélio, é a adverbiais de tempo, lugar, etc. Note que, no mais
“parte da gramática que estuda a disposição das palavras das vezes, quando queremos recordar algo ou
na frase e a das frases no discurso, bem como a relação narrar uma história, existe a tendência a colocar os
lógica das frases entre si”; ou em outras palavras, sintaxe adjuntos nos começos das frases:
quer dizer “mistura”, isto é, saber misturar as palavras “No Brasil e na América…” “Nos dias de hoje…” “Nas
de maneira a produzirem um sentido evidente para os minhas férias…”, “No Brasil…”. e logo depois os verbos
receptores das nossas mensagens. Observe: e outros elementos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil
1. A desemprego globalização no Brasil e no na está existe…”
Latina América causando.
LÍNGUA PORTUGUESA

2. A globalização está causando desemprego no Brasil Observações:


e na América Latina. Tais construções não estão erradas, mas rompem com
a ordem direta;
Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma É preciso notar que em Língua Portuguesa, há muitas
frase, as palavras estão amontoadas sem a realização frases que não têm sujeito, somente predicado. Por
de “uma sintaxe”, não há um contexto linguístico nem exemplo: Está chovendo em Porto Alegre. Faz frio em
relação inteligível com a realidade; no caso 2, a sintaxe Friburgo. São quatro horas agora;

93
Outras frases são construídas com verbos intransitivos, A globalização causa, caro leitor, desemprego no
que não têm complemento: Brasil…
O menino morreu na Alemanha. (sujeito +verbo+ Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o
adjunto adverbial) seu complemento.
A globalização nasceu no século XX. (idem)
Há ainda frases nominais que não possuem verbos: A globalização causa desemprego, e isto é lamentável,
cada macaco no seu galho. Nestes tipos de frase, a no Brasil…
ordem direta faz-se naturalmente. Usam-se apenas os Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não
termos existentes nelas. pertence ao assunto: globalização, da frase principal,
tal oração é apenas um comentário à parte entre o
Levando em consideração a ordem direta, podemos complemento verbal e os adjuntos).
estabelecer três regras básicas para o uso da vírgula:
Se os termos estão colocados na ordem direta não Observação:
haverá a necessidade de vírgulas. A frase 2 é um exemplo A simples negação em uma frase não exige vírgula:
disto: A globalização não causou desemprego no Brasil e na
A globalização está causando desemprego no Brasil e América Latina.
na América Latina.
C) Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo-a,
Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da oração tal quebra torna a vírgula necessária. Esta é a regra n.º 3
por três vezes ou mais, então é necessário usar a vírgula, da colocação da vírgula.
mesmo que estejamos usando a ordem direta. Esta é a No Brasil e na América Latina, a globalização está
regra básica n.º1 para a colocação da vírgula. Veja: causando desemprego…
A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira” No fim do século XX, a globalização causou desemprego
causam desemprego… no Brasil…
(três núcleos do sujeito)
Nota-se que a quebra da ordem direta frequentemente
A globalização causa desemprego no Brasil, na América se dá com a colocação das circunstâncias antes do
Latina e na África. sujeito. Trata-se da ordem inversa. Estas circunstâncias,
(três adjuntos adverbiais) em gramática, são representadas pelos adjuntos
adverbiais. Muitas vezes, elas são colocadas em orações
A globalização está causando desemprego, insatisfação chamadas adverbiais que têm uma função semelhante a
e sucateamento industrial no Brasil e na América Latina. dos adjuntos adverbiais, isto é, denotam tempo, lugar,
(três complementos verbais) etc. Exemplos:
Quando o século XX estava terminando, a globalização
B) Em princípio, não devemos, na ordem direta, começou a causar desemprego.
separar com vírgula o sujeito e o verbo, nem o Enquanto os países portadores de alta tecnologia
verbo e o seu complemento, nem o complemento desenvolvem-se, a globalização causa desemprego nos
e as circunstâncias, ou seja, não devemos separar países pobres.
com vírgula os termos da oração. Veja exemplos de Durante o século XX, a Globalização causou
tal incorreção:
desemprego no Brasil.
O Brasil, será feliz.
A globalização causa, o desemprego.
Observação:
Quanto à equivalência e transformação de estruturas,
Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre
um exemplo muito comum cobrado em provas é
os termos da oração, cabe isolar tal termo entre vírgulas,
o enunciado trazer uma frase no singular e pedir a
assim o sentido da ideia principal não se perderá. Esta é
passagem para o plural, mantendo o sentido. Outro
a regra básica n.º 2 para a colocação da vírgula. Dito em
outras palavras: quando intercalamos expressões e frases exemplo é a mudança de tempos verbais.
entre os termos da oração, devemos isolar os mesmos
com vírgulas. Vejamos: SITE
A globalização, fenômeno econômico deste fim de Disponível em: <http://ricardovigna.wordpress.
século XX, causa desemprego no Brasil. com/2009/02/02/estudos-de-linguagem-1-estrutura-
Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o frasal-e-pontuacao/>
sujeito e o verbo.
SIGNIFICADO DAS PALAVRAS
LÍNGUA PORTUGUESA

Outros exemplos:
A globalização, que é um fenômeno econômico e
cultural, está causando desemprego no Brasil e na América Semântica é o estudo da significação das palavras
Latina. e das suas mudanças de significação através do tempo
Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada. ou em determinada época. A maior importância está em
As orações adjetivas explicativas desempenham distinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia)
frequentemente um papel semelhante ao do aposto e homônimos e parônimos (homonímia / paronímia).
explicativo, por isto são também isoladas por vírgula.

94
Sinônimos (substantivo) e ouço (verbo), sede (substantivo
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto e/ou verbo “ser” no imperativo) e cede (verbo),
- abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - comprimento (medida) e cumprimento (saudação),
abolir. autuar (processar) e atuar (agir), infligir (aplicar
Duas palavras são totalmente sinônimas quando pena) e infringir (violar), deferir (atender a) e
são substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto diferir (divergir), suar (transpirar) e soar (emitir
(cara e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas som), aprender (conhecer) e apreender (assimilar;
quando, ocasionalmente, podem ser substituídas, apropriar-se de), tráfico (comércio ilegal) e
uma pela outra, em deteminado enunciado (aguadar e tráfego (relativo a movimento, trânsito), mandato
esperar). (procuração) e mandado (ordem), emergir (subir à
superfície) e imergir (mergulhar, afundar).
Observação:
A contribuição greco-latina é responsável pela Hiperonímia e Hiponímia
existência de numerosos pares de sinônimos: adversário e Hipônimos e hiperônimos são palavras que pertencem
antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo; a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo
contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diálogo; o hipônimo uma palavra de sentido mais específico; o
transformação e metamorfose; oposição e antítese. hiperônimo, mais abrangente.
O hiperônimo impõe as suas propriedades ao
Antônimos hipônimo, criando, assim, uma relação de dependência
São palavras que se opõem através de seu significado: semântica. Por exemplo: Veículos está numa relação de
ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - censurar; hiperonímia com carros, já que veículos é uma palavra de
mal - bem. significado genérico, incluindo motos, ônibus, caminhões.
Veículos é um hiperônimo de carros.
Observação: Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em
A antonímia pode se originar de um prefixo de quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A
sentido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; utilização correta dos hiperônimos, ao redigir um texto,
simpático e antipático; progredir e regredir; concórdia e evita a repetição desnecessária de termos.
discórdia; ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista
e anticomunista; simétrico e assimétrico. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Homônimos e Parônimos Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
• Homônimos = palavras que possuem a mesma Cochar - Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
grafia ou a mesma pronúncia, mas significados – São Paulo: Saraiva, 2010.
diferentes. Podem ser AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua
diferentes na pronúncia: Portuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000.
rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher
(subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.) SITE
e denuncia (verbo); providência (subst.) e providencia Disponível em: <http://www.coladaweb.com/
(verbo). portugues/sinonimos,-antonimos,-homonimos-e-
paronimos>
B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e
diferentes na escrita: Polissemia
acender (atear) e ascender (subir); concertar Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir
(harmonizar) e consertar (reparar); cela (compartimento) multiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de
e sela (arreio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra,
(palácio) e passo (andar). mas que abarca um grande número de significados
dentro de seu próprio campo semântico.
C) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo
perfeitas): São palavras iguais na escrita e na pro- percebemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade
núncia: de algo. Possibilidades de várias interpretações levando-
caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e se em consideração as situações de aplicabilidade. Há
LÍNGUA PORTUGUESA

cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo). uma infinidade de exemplos em que podemos verificar a
ocorrência da polissemia:
• Parônimos = palavras com sentidos diferentes, O rapaz é um tremendo gato.
porém de formas relativamente próximas. São O gato do vizinho é peralta.
palavras parecidas na escrita e na pronúncia: cesta Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
(receptáculo de vime; cesta de basquete/esporte) Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua
e sesta (descanso após o almoço), eminente sobrevivência
(ilustre) e iminente (que está para ocorrer), osso O passarinho foi atingido no bico.

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Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras,
computadores e rede elétrica, por exemplo, temos em mas duas seriam:
comum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido
de “entrelaçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”, Corte e coloração capilar
que pode ser utilizada representando “tecido”, “prisão” ou
ou “jogo” – o sentido comum entre todas as expressões Faço corte e pintura capilar
é o formato quadriculado que têm.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Polissemia e homonímia CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante Cochar. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
comum. Quando a mesma palavra apresenta vários – São Paulo: Saraiva, 2010.
significados, estamos na presença da polissemia. Por SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
outro lado, quando duas ou mais palavras com origens Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
e significados distintos têm a mesma grafia e fonologia,
temos uma homonímia. SITE
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode Disponível em: <http://www.brasilescola.com/
significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não gramatica/polissemia.htm>
é polissemia porque os diferentes significados para a
palavra “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma Denotação e Conotação
palavra polissêmica: pode significar o elemento básico
do alfabeto, o texto de uma canção ou a caligrafia de Exemplos de variação no significado das palavras:
um determinado indivíduo. Neste caso, os diferentes Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido
significados estão interligados porque remetem para o literal)
mesmo conceito, o da escrita. Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido
figurado)
Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)
Polissemia e ambiguidade
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto
As variações nos significados das palavras ocasionam
na interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado
o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo
pode ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma
(conotação) das palavras.
interpretação. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à
colocação específica de uma palavra (por exemplo, um
A) Denotação
advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase: Uma palavra é usada no sentido denotativo quando
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada apresenta seu significado original, independentemente
frequentemente são felizes. do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significado
Neste caso podem existir duas interpretações mais objetivo e comum, aquele imediatamente
diferentes: reconhecido e muitas vezes associado ao primeiro
As pessoas têm alimentação equilibrada porque significado que aparece nos dicionários, sendo o
são felizes ou são felizes porque têm uma alimentação significado mais literal da palavra.
equilibrada. A denotação tem como finalidade informar o receptor
da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo um
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, caráter prático. É utilizada em textos informativos, como
ela pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma jornais, regulamentos, manuais de instrução, bulas de
interpretação. Para fazer a interpretação correta é muito medicamentos, textos científicos, entre outros. A palavra
importante saber qual o contexto em que a frase é “pau”, por exemplo, em seu sentido denotativo é apenas
proferida. um pedaço de madeira. Outros exemplos:
Muitas vezes, a disposição das palavras na construção O elefante é um mamífero.
do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo, As estrelas deixam o céu mais bonito!
comicidade. Repare na figura abaixo:
B) Conotação
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando
apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes
interpretações, dependendo do contexto em que esteja
inserida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que
vão além do sentido original da palavra, ampliando sua
significação mediante a circunstância em que a mesma
LÍNGUA PORTUGUESA

é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico.


Como no exemplo da palavra “pau”: em seu sentido
conotativo ela pode significar castigo (dar-lhe um pau),
reprovação (tomei pau no concurso).
A conotação tem como finalidade provocar
(http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto-cabelo-e- sentimentos no receptor da mensagem, através da
pinto. Acesso em 15/9/2014). expressividade e afetividade que transmite. É utilizada

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principalmente numa linguagem poética e na literatura, 2. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE
mas também ocorre em conversas cotidianas, em letras LEGISLATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) “Na verdade,
de música, em anúncios publicitários, entre outros. todos os anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis
Exemplos: números da violência no país”. O vocábulo “inaceitáveis”
Você é o meu sol! equivale ao “que não se aceita”. A equivalência correta
Minha vida é um mar de tristezas. abaixo indicada é:
Você tem um coração de pedra!
a) tinta indelével / que não se apaga;
b) ação impossível / que não se possui;
#FicaDica c) trabalho inexequível / que não se exemplifica;
d) carro invisível / que não tem vistoria;
Procure associar Denotação com Dicionário: e) voz inaudível / que não possui audiência.
trata-se de definição literal, quando o termo
é utilizado com o sentido que consta no Resposta: Letra A
dicionário. Em “a”: tinta indelével / que não se apaga = correta
Em “b”: ação impossível = que não é possível
Em “c”: trabalho inexequível = que não se executa
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Em “d”: carro invisível = que não se vê
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Em “e”: voz inaudível = que não se ouve
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto 3. (MPU – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE-2010)
Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – A pobreza é um dos fatores mais comumente responsáveis
São Paulo: Saraiva, 2010. pelo baixo nível de desenvolvimento humano e pela
origem de uma série de mazelas, algumas das quais
SITE proibidas por lei ou consideradas crimes. É o caso do
http://www.normaculta.com.br/conotacao-e- trabalho infantil. A chaga encontra terreno fértil nas
denotacao/ sociedades subdesenvolvidas, mas também viceja onde
o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem, obriga
crianças e adolescentes a participarem do processo de
produção. Foi assim na Revolução Industrial de ontem
EXERCÍCIOS COMENTADOS e nas economias ditas avançadas. E ainda é, nos dias de
hoje, nas manufaturas da Ásia ou em diversas regiões do
1. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) Um Brasil. Enquanto, entre as nações ricas, o trabalho infantil
ex-governador do estado do Amazonas disse o seguinte: foi minimizado, já que nunca se pode dizer erradicado,
“Defenda a ecologia, mas não encha o saco”. (Gilberto ele continua sendo grave problema nos países mais
Mestrinho) O vocábulo sublinhado, composto do radical- pobres.
logia (“estudo”), se refere aos estudos de defesa do meio Jornal do Brasil, Editorial, 1.º/7/2010 (com adaptações).
ambiente; o vocábulo abaixo, com esse mesmo radical,
que tem seu significado corretamente indicado é: A palavra “chaga”, empregada com o sentido de ferida
social, refere-se, na estrutura sintática do parágrafo, a
a) Antropologia: estudo do homem como representante “pobreza”.
do sexo masculino;
b) Etimologia: estudo das raças humanas; ( ) CERTO ( ) ERRADO
c) Meteorologia: estudo dos impactos de meteoros sobre
a Terra; Resposta: Errado
d) Ginecologia: estudo das doenças privativas das (...) É o caso do trabalho infantil. A chaga encontra
mulheres; terreno = refere-se a “trabalho infantil”.
e) Fisiologia: estudo das forças atuantes na natureza.
4. (MPU – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA O CARGO
Resposta: Letra D 33 – TÉCNICO ADMINISTRATIVO - Nível Médio –
Em “a”: Antropologia: Ciência que se dedica ao estudo CESPE-2013)
do homem (espécie humana) em sua totalidade Há um dispositivo no Código Civil que condiciona a
Em “b”: Etimologia: Ciência que investiga a origem edição de biografias à autorização do biografado ou
das palavras procurando determinar as causas e descendentes. As consequências da norma são negativas.
circunstâncias de seu processo evolutivo
LÍNGUA PORTUGUESA

Uma delas é a impossibilidade de se registrar e deixar


Em “c”: Meteorologia: Estudo dos fenômenos para a posteridade a vida de personagens importantes
atmosféricos e das suas leis, principalmente com a na formação do país, em qualquer ramo de atividade.
intenção de prever as variações do tempo. Permite-se a interdição de registros de época, em
Em “d”: Ginecologia: estudo das doenças privativas das prejuízo dos historiadores e pesquisadores do futuro.
mulheres = correta Dessa forma, tem sido sonegado, por exemplo, o relato da
Em “e”: Fisiologia: Ciência que trata das funções vida do poeta Manoel Bandeira e dos escritores Mário de
orgânicas pelas quais a vida se manifesta Andrade e Guimarães Rosa. Tanto no jornalismo quanto

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na literatura não pode haver censura prévia. Publicada a FIGURA DE LINGUAGEM, PENSAMENTO E
reportagem (ou biografia), os que se sentirem atingidos CONSTRUÇÃO
que recorram à justiça. É preciso seguir o padrão existente
em muitos países, em que há biografias “autorizadas” e
“não autorizadas”.
Reclamações posteriores, quando existem, são
encaminhadas ao foro devido, os tribunais.
O alegado “direito à privacidade” é argumento frágil
para justificar o veto a que a historiografia do país seja
enriquecida, como se não bastasse o fato de o poder
de censura concedido a biografados e herdeiros ser um
atentado à Constituição.
O Globo, 23/9/2013 (com adaptações). Disponível em: <http://www.terapiadapalavra.com.br/figuras-
de-linguagem-na-escrita-literaria/> Acesso abr, 2018.
A palavra “sonegado” está sendo empregada com o
sentido de reduzido, diminuído. A figura de palavra consiste na substituição de uma
palavra por outra, isto é, no emprego figurado, simbólico,
( ) CERTO ( ) ERRADO seja por uma relação muito próxima (contiguidade), seja
por uma associação, uma comparação, uma similaridade.
Resposta: Errado São construções que transformam o significado das
(...) Permite-se a interdição de registros de época, em palavras para tirar delas maior efeito ou para construir
prejuízo dos historiadores e pesquisadores do futuro. uma mensagem nova.
Dessa forma, tem sido sonegado, por exemplo, o
relato da vida do poeta Manoel Bandeira e dos Tipos de Figuras de Linguagem
escritores Mário de Andrade e Guimarães Rosa = o
sentido é o de “impedido”. Figuras de Som

5. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2014) O Aliteração - Consiste na repetição de consoantes


termo destacado na passagem do primeiro parágrafo – como recurso para intensificação do ritmo ou como
Mesmo com tantas opções, ainda há resistência na hora efeito sonoro significativo.
da compra. – tem sentido equivalente a Três pratos de trigo para três tigres tristes.
Vozes veladas, veludosas vozes... (Cruz e Sousa)
a) impetuosidade. Quem com ferro fere com ferro será ferido.
b) empatia.
c) relutância. Assonância - Consiste na repetição ordenada de
d) consentimento. sons vocálicos idênticos: “Sou um mulato nato no sentido
e) segurança. lato mulato democrático do litoral.”

Resposta: Letra C Onomatopeia - Ocorre quando se tentam reproduzir


Mesmo com tantas opções, ainda há resistência na na forma de palavras os sons da realidade: Os sinos
hora da compra. faziam blem, blem, blem.
Em “a”: impetuosidade (força) = incorreto
Em “b”: empatia = incorreto Paranomásia – é o uso de sons semelhantes em
Em “c”: relutância (resistência). palavras próximas: “A fossa, a bossa, a nossa grande
Em “d”: consentimento (aceitação) = incorreto dor...” (Carlos Lyra)
Em “e”: segurança = incorreto
A substituição que manteria o sentido do período é Figuras de Palavras ou de Pensamento
“ainda há relutância”.
Metáfora
Consiste em utilizar uma palavra ou uma expressão
em lugar de outra, sem que haja uma relação real, mas
em virtude da circunstância de que o nosso espírito as
associa e percebe entre elas certas semelhanças. É o
emprego da palavra fora de seu sentido normal.
LÍNGUA PORTUGUESA

Observação:
Toda metáfora é uma espécie de comparação
implícita, em que o elemento comparativo não aparece.
Seus olhos são como luzes brilhantes.
O exemplo acima mostra uma comparação evidente,
através do emprego da palavra como.

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Observe agora: Seus olhos são luzes brilhantes. Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua. (= Alguns
Neste exemplo não há mais uma comparação (note a astronautas foram à Lua).
ausência da partícula comparativa), e sim símile, ou seja, Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá
qualidade do que é semelhante. para teu lado. (= A justiça ficará do teu lado).
Por fim, no exemplo: As luzes brilhantes olhavam-me.
Há substituição da palavra olhos por luzes brilhantes. Catacrese
Esta é a verdadeira metáfora. Trata-se de uma metáfora que, dado seu uso contínuo,
cristalizou-se. A catacrese costuma ocorrer quando, por
Outros exemplos: falta de um termo específico para designar um conceito,
“Meu pensamento é um rio subterrâneo.” (Fernando toma-se outro “emprestado”. Assim, passamos a
Pessoa) empregar algumas palavras fora de seu sentido original.
Neste caso, a metáfora é possível na medida em que Exemplos: “asa da xícara”, “batata da perna”, “maçã do
o poeta estabelece relações de semelhança entre um rio rosto”, “pé da mesa”, “braço da cadeira”, “coroa do abacaxi”.
subterrâneo e seu pensamento (pode estar relacionando
a fluidez, a profundidade, a inatingibilidade, etc.). Perífrase ou Antonomásia
Trata-se de uma expressão que designa um ser
Minha alma é uma estrada de terra que leva a lugar através de alguma de suas características ou atributos,
algum. ou de um fato que o celebrizou. É a substituição de um
Uma estrada de terra que leva a lugar algum é, nome por outro ou por uma expressão que facilmente o
na frase acima, uma metáfora. Por trás do uso dessa identifique:
expressão que indica uma alma rústica e abandonada A Cidade Maravilhosa (= Rio de Janeiro) continua
(e angustiadamente inútil), há uma comparação atraindo visitantes do mundo todo.
subentendida: Minha alma é tão rústica, abandonada A Cidade-Luz (=Paris)
(e inútil) quanto uma estrada de terra que leva a lugar O rei das selvas (=o leão)
algum.
Observação:
A Amazônia é o pulmão do mundo. Quando a perífrase indica uma pessoa, recebe o
Em sua mente povoa só inveja. nome de antonomásia. Exemplos:
O Divino Mestre (= Jesus Cristo) passou a vida
Metonímia (ou sinédoque) praticando o bem.
É a substituição de um nome por outro, em virtude de O Poeta dos Escravos (= Castro Alves) morreu muito
existir entre eles algum relacionamento. Tal substituição jovem.
pode acontecer dos seguintes modos: O Poeta da Vila (= Noel Rosa) compôs lindas canções.
Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis. (=
Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis). Sinestesia
Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo. (= Consiste em mesclar, numa mesma expressão, as
As lâmpadas iluminam o mundo). sensações percebidas por diferentes órgãos do sentido.
Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da É o cruzamento de sensações distintas.
cruz. (= Não te afastes da religião). Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito =
Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso auditivo; áspero = tátil)
Havana. (= Fumei um saboroso charuto). No silêncio escuro do seu quarto, aguardava os
Efeito pela causa: Sócrates bebeu a morte. (= Sócrates acontecimentos. (silêncio = auditivo; escuro = visual)
tomou veneno). Tosse gorda. (sensação auditiva X sensação tátil)
Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu
trabalho. (= Moro no campo e como o alimento que Antítese
produzo). Consiste no emprego de palavras que se opõem
Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo. (= quanto ao sentido. O contraste que se estabelece serve,
Bebeu todo o líquido que estava no cálice). essencialmente, para dar uma ênfase aos conceitos
Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones envolvidos que não se conseguiria com a exposição
foram atrás dos jogadores. (= Os repórteres foram atrás isolada dos mesmos. Observe os exemplos:
dos jogadores). “O mito é o nada que é tudo.” (Fernando Pessoa)
Parte pelo todo: Várias pernas passavam O corpo é grande e a alma é pequena.
apressadamente. (= Várias pessoas passavam “Quando um muro separa, uma ponte une.”
apressadamente). Não há gosto sem desgosto.
LÍNGUA PORTUGUESA

Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem


nesse mundo. (= Os homens pensam e sofrem nesse Paradoxo ou oximoro
mundo). É a associação de ideias, além de contrastantes,
Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir contraditórias. Seria a antítese ao extremo.
às ruas na luta por seus direitos. (= As mulheres foram Era dor, sim, mas uma dor deliciosa.
chamadas, não apenas uma mulher). Ouvimos as vozes do silêncio.
Marca pelo produto: Minha filha adora danone. (=
Minha filha adora o iogurte que é da marca Danone).

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Eufemismo O objetivo do narrador é mostrar a expressividade
É o emprego de uma expressão mais suave, mais dos olhos de Joana. Para chegar a este detalhe, ele se
nobre ou menos agressiva, para comunicar alguma coisa refere ao céu, à terra, às pessoas e, finalmente, a Joana e
áspera, desagradável ou chocante. seus olhos. Nota-se que o pensamento foi expresso em
Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao ordem decrescente de intensidade. Outros exemplos:
Senhor. (= morreu) “Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu
O prefeito ficou rico por meios ilícitos. (= roubou) amor”. (Olavo Bilac)
Fernando faltou com a verdade. (= mentiu) “O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu,
Faltar à verdade. (= mentir) colheu-se.” (Padre Antônio Vieira)

Ironia Elipse
É sugerir, pela entoação e contexto, o contrário Consiste na omissão de um ou mais termos numa
do que as palavras ou frases expressam, geralmente oração e que podem ser facilmente identificados, tanto
apresentando intenção sarcástica. A ironia deve ser muito por elementos gramaticais presentes na própria oração,
bem construída para que cumpra a sua finalidade; mal quanto pelo contexto.
construída, pode passar uma ideia exatamente oposta à A catedral da Sé. (a igreja catedral)
desejada pelo emissor. Domingo irei ao estádio. (no domingo eu irei ao
Como você foi bem na prova! Não tirou nem a nota estádio)
mínima.
Parece um anjinho aquele menino, briga com todos Zeugma
que estão por perto. Zeugma é uma forma de elipse. Ocorre quando é feita
O governador foi sutil como um elefante. a omissão de um termo já mencionado anteriormente.
Ele gosta de geografia; eu, de português. (eu gosto de
Hipérbole português)
É a expressão intencionalmente exagerada com o Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só
intuito de realçar uma ideia. modernos. (só havia móveis)
Faria isso milhões de vezes se fosse preciso. Ela gosta de natação; eu, de vôlei. (gosto de)
“Rios te correrão dos olhos, se chorares.” (Olavo Bilac)
O concurseiro quase morre de tanto estudar! Silepse
A silepse é a concordância que se faz com o termo
Prosopopeia ou Personificação que não está expresso no texto, mas, sim, subentendido.
É a atribuição de ações ou qualidades de seres É uma concordância anormal, psicológica, porque se faz
animados a seres inanimados, ou características humanas com um termo oculto, facilmente identificado. Há três
a seres não humanos. Observe os exemplos: tipos de silepse: de gênero, número e pessoa.
As pedras andam vagarosamente.
O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um Silepse de Gênero - Os gêneros são masculino
cego que guia. e feminino. Ocorre a silepse de gênero quando a
A floresta gesticulava nervosamente diante da serra. concordância se faz com a ideia que o termo comporta.
Chora, violão. Exemplos:

Figuras de Construção ou de Sintaxe A) A bonita Porto Velho sofreu mais uma vez com o
calor intenso.
Apóstrofe Neste caso, o adjetivo bonita não está concordando
Consiste na “invocação” de alguém ou de alguma coisa com o termo Porto Velho, que gramaticalmente pertence
personificada, de acordo com o objetivo do discurso, ao gênero masculino, mas com a ideia contida no termo
que pode ser poético, sagrado ou profano. Caracteriza- (a cidade de Porto Velho).
se pelo chamamento do receptor da mensagem, seja ele
imaginário ou não. A introdução da apóstrofe interrompe B) Vossa Excelência está preocupado.
a linha de pensamento do discurso, destacando-se assim O adjetivo preocupado concorda com o sexo da
a entidade a que se dirige e a ideia que se pretende pôr pessoa, que nesse caso é masculino, e não com o termo
em evidência com tal invocação. Realiza-se por meio do Vossa Excelência.
vocativo. Exemplos:
Moça, que fazes aí parada? Silepse de Número - Os números são singular e
“Pai Nosso, que estais no céu” plural. A silepse de número ocorre quando o verbo da
Deus, ó Deus! Onde estás? oração não concorda gramaticalmente com o sujeito da
LÍNGUA PORTUGUESA

oração, mas com a ideia que nele está contida. Exemplos:


Gradação (ou clímax) A procissão saiu. Andaram por todas as ruas da cidade
Apresentação de ideias por meio de palavras, de Salvador.
sinônimas ou não, em ordem ascendente (clímax) ou O povo corria por todos os lados e gritavam muito alto.
descendente (anticlímax). Observe este exemplo:
Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Joana
com seus olhos claros e brincalhões...

100
Note que nos exemplos acima, os verbos andaram Observação:
e gritavam não concordam gramaticalmente com os O pleonasmo só tem razão de ser quando confere
sujeitos das orações (que se encontram no singular, mais vigor à frase; caso contrário, torna-se um pleonasmo
procissão e povo, respectivamente), mas com a ideia que vicioso:
neles está contida. Procissão e povo dão a ideia de muita Vi aquela cena com meus próprios olhos.
gente, por isso que os verbos estão no plural. Vamos subir para cima.
Ele desceu pra baixo.
Silepse de Pessoa - Três são as pessoas gramaticais:
eu, tu e ele (as três pessoas do singular); nós, vós, eles Anáfora
(as três do plural). A silepse de pessoa ocorre quando há É a repetição de uma ou mais palavras no início
um desvio de concordância. O verbo, mais uma vez, não de várias frases, criando, assim, um efeito de reforço
concorda com o sujeito da oração, mas sim com a pessoa e de coerência. Pela repetição, a palavra ou expressão
que está inscrita no sujeito. Exemplos: em causa é posta em destaque, permitindo ao escritor
O que não compreendo é como os brasileiros valorizar determinado elemento textual. Os termos
persistamos em aceitar essa situação. anafóricos podem muitas vezes ser substituídos por
Os agricultores temos orgulho de nosso trabalho. pronomes.
“Dizem que os cariocas somos poucos dados aos jardins Encontrei um amigo ontem. Ele me disse que te
públicos.” (Machado de Assis) conhecia.
“Tudo cura o tempo, tudo gasta, tudo digere, tudo
Observe que os verbos persistamos, temos e somos acaba.” (Padre Vieira)
não concordam gramaticalmente com os seus sujeitos
(brasileiros, agricultores e cariocas, que estão na terceira Anacoluto
pessoa), mas com a ideia que neles está contida (nós, os Consiste na mudança da construção sintática no meio
brasileiros, os agricultores e os cariocas). da frase, ficando alguns termos desligados do resto do
período. É a quebra da estrutura normal da frase para a
Polissíndeto / Assíndeto introdução de uma palavra ou expressão sem nenhuma
Para estudarmos as duas figuras de construção é ligação sintática com as demais.
necessário recordar um conceito estudado em sintaxe Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.
sobre período composto. No período composto por Morrer, todo haveremos de morrer.
coordenação, podemos ter orações sindéticas ou Aquele garoto, você não disse que ele chegaria logo?
assindéticas. A oração coordenada ligada por uma
conjunção (conectivo) é sindética; a oração que não A expressão “esses alunos da escola”, por exemplo,
apresenta conectivo é assindética. Recordado esse deveria exercer a função de sujeito. No entanto, há
conceito, podemos definir as duas figuras de construção: uma interrupção da frase e esta expressão fica à
A) Polissíndeto - É uma figura caracterizada pela parte, não exercendo nenhuma função sintática. O
repetição enfática dos conectivos. Observe o anacoluto também é chamado de “frase quebrada”, pois
exemplo: O menino resmunga, e chora, e grita, e corresponde a uma interrupção na sequência lógica do
ninguém faz nada. pensamento.
B) Assíndeto - É uma figura caracterizada
pela ausência, pela omissão das conjunções Observação:
coordenativas, resultando no uso de orações O anacoluto deve ser usado com finalidade expressiva
coordenadas assindéticas. Exemplos: em casos muito especiais. Em geral, evite-o.
Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família.
“Vim, vi, venci.” (Júlio César) Hipérbato / Inversão
É a inversão da estrutura frásica, isto é, a inversão da
Pleonasmo ordem direta dos termos da oração, fazendo com que o
Consiste na repetição de um termo ou ideia, com as sujeito venha depois do predicado:
mesmas palavras ou não. A finalidade do pleonasmo é Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O
realçar a ideia, torná-la mais expressiva. amor venceu ao ódio)
O problema da violência, é necessário resolvê-lo logo. Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria:
Eu cuido dos meus problemas)
Nesta oração, os termos “o problema da violência”
e “lo” exercem a mesma função sintática: objeto direto.
Assim, temos um pleonasmo do objeto direto, sendo o #FicaDica
LÍNGUA PORTUGUESA

pronome “lo” classificado como objeto direto pleonástico.


Outro exemplo: O nosso Hino Nacional é um exemplo de
Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas. hipérbato, já que, na ordem direta, teríamos:
Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto “As margens plácidas do Ipiranga ouviram o
brado retumbante de um povo heroico”.
Neste caso, há um pleonasmo do objeto indireto,
e o pronome “lhes” exerce a função de objeto indireto
pleonástico.

101
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. EXERCÍCIOS COMENTADOS
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Cochar. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. 1. (PRF – POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL – FUNRIO
– São Paulo: Saraiva, 2010. – 2009) Observe o trecho de “O Cortiço”, de Aluísio
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, de Azevedo: “Eram cinco horas da manhã e o cortiço
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira acordava, [...]. Um acordar alegre e farto de quem dormiu
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – de uma assentada sete horas de chumbo.” Seu autor
São Paulo: Saraiva, 2002. utiliza o seguinte recurso estilístico:

SITES a) eufemismo.
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ b) gradação.
secoes/estil/estil8.php> c) comparação.
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ d) antítese.
secoes/estil/estil5.php> e) personificação.
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
secoes/estil/estil2.php> Resposta: Letra E
Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, [...].
Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma
assentada sete horas de chumbo = dar características
humanas a seres inanimados é a figura de
pensamento da Personificação – também conhecida
por Prosopopeia.

2. (PRF – POLICIAL RODOVIÁRIO FEDERAL – FUNRIO


– 2009) O hino do América F.C., composto por Lamartine
Babo, diz: “Hei de torcer, torcer, torcer... Hei de torcer
até morrer, morrer, morrer... Pois a torcida americana é
toda assim, a começar por mim.” O recurso linguístico
que enfatiza o compromisso entoado pelo hino é

a) o uso das reticências.


b) a repetição da estrutura sintática.
c) o emprego do verbo auxiliar “haver”.
d) a presença da palavra “torcida”.
e) a autorreferência do pronome “mim”.

Resposta: Letra C
Em “a”, o uso das reticências = incorreta
Em “b”, a repetição da estrutura sintática = incorreta
Em “c”, o emprego do verbo auxiliar “haver”.
Em “d”, a presença da palavra “torcida” = incorreta
Em “e”, a autorreferência do pronome “mim” =
incorreta
O uso do verbo “haver” (hei de ... hei de ...) reforça o
compromisso do torcedor com o time.
LÍNGUA PORTUGUESA

102
4. (ALERJ-RJ – ESPECIALISTA LEGISLATIVO – ARQUI-
TETURA – FGV-2017-ADAPTADA) Entre as palavras
HORA DE PRATICAR! abaixo, retiradas dos textos 1 e 2, aquela que só existe
com acento gráfico é:
1. (CAMAR - CURSO DE ADAPTAÇÃO DE MÉDICOS DA
AERONÁUTICA PARA O ANO DE 2016) “Os astrônomos a) história;
eram formidáveis. Eu, pobre de mim, não desvendaria os b) evidência;
segredos do céu. Preso à terra, sensibilizar-me-ia com his- c) até;
tórias tristes [...]”. Nas alternativas a seguir, os vocábulos d) país;
acentuados do trecho anterior foram colocados em pares e) humanitárias.
com palavras também acentuadas graficamente. Dentre
os pares formados, indique o que apresenta igual justifi- 5. (CAMAR - CURSO DE ADAPTAÇÃO DE MÉDICOS
cativa para tal evento. DA AERONÁUTICA PARA O ANO DE 2016) De acordo
com seu significado, o conjunto de características for-
a) céu / avô mais e sua posição estrutural no interior da oração, as
b) astrônomos / álibi palavras podem pertencer à mesma classe de palavras
c) histórias / balaústre ou não. Estabeleça a relação correta entre as colunas a
d) formidáveis / ínterim seguir considerando tais aspectos (considere as palavras
em destaque).
2. (MINISTÉRIO DA DEFESA COMANDO DA AERO-
NÁUTICA ESCOLA DE ESPECIALISTAS DE AERONÁU- (1) advérbio
TICA EXAME DE ADMISSÃO AO CFS-B 1-2/2014) Rela- (2) pronome
cione as colunas quanto às regras de acentuação gráfica, (3) conjunção
sabendo que haverá repetição de números. Em seguida, (4) substantivo
assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) “Não há prisão pior [...]”
(1) Põe-se acento agudo no i e no u tônicos que formam ( ) “O lugar de estudo era isso.”
hiato com a vogal anterior. ( ) “E o olho sem se mexer [...]”
(2) Acentua-se paroxítona terminada em i ou u seguidos ( ) “Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, [...]”
ou não de s. ( ) “Emília respondeu com uma pergunta que me espan-
(3) Todas as proparoxítonas devem ser acentuadas. tou.”
(4) Oxítona terminada em e ou o, seguidos ou não de s,
é acentuada. A sequência está correta em

( ) íris a) 1 – 4 – 2 – 3 – 2
( ) saída b) 2 – 1 – 3 – 3 – 4
( ) compraríamos c) 3 – 4 – 1 – 3 – 2
( ) vendê-lo d) 4 – 2 – 4 – 1 – 3
( ) bônus
( ) viúvo 6. (EBSERH – TÉCNICO EM FARMÁCIA- AOCP-2015)
( ) bisavôs Assinale a alternativa em que o termo destacado é um
pronome indefinido.
a) 2 – 1 – 3 – 4 – 2 – 1 – 4
b) 1 – 2 – 3 – 4 – 1 – 1 – 4 a) “Ele não exige fatos...”.
c) 4 – 1 – 1 – 2 – 2 – 3 – 2 b) “Era um ídolo para mim.”.
d) 2 – 2 – 3 – 4 – 2 – 1 – 3 c) “Discordo dele.”.
d) “... espécie de carinho consigo mesmo.”.
3. (TRANSPETRO – TÉCNICO AMBIENTAL JÚNIOR – e) “O bom humor está disponível a todos...”.
CESGRANRIO-2018) Em conformidade com o Acordo
Ortográfico da Língua Portuguesa vigente, atendem às 7. (EBSERH – TÉCNICO EM FARMÁCIA- AOCP-2015)
regras de acentuação todas as palavras em: Em “Mas o bom humor de ambos os tornava parecidos.”,
os termos destacados são, respectivamente,
a) andróide, odisseia, residência
b) arguição, refém, mausoléu a) artigo e pronome.
LÍNGUA PORTUGUESA

c) desbloqueio, pêlo, escarcéu b) artigo e preposição.


d) feiúra, enjoo, maniqueísmo c) preposição e artigo.
e) sutil, assembléia, arremesso d) pronome e artigo.
e) preposição e pronome.

103
8. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO c) O branco está preocupado que não chove mais em
– FGV-2017) alguns lugares.
d) Gravou 15 fitas em que narrou também sua própria
Texto 1 - “A democracia reclama um jornalismo vigo- trajetória.
roso e independente. A agenda pública é determinada e) Não sabia o que me atrapalhava o sono.
pela imprensa tradicional. Não há um único assunto rele-
vante que não tenha nascido numa pauta do jornalismo 12. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – NÍVEL SUPERIOR
de qualidade. Alguns formadores de opinião utilizam as – CONHECIMENTOS BÁSICOS – CESPE-2014-ADAP-
redes sociais para reverberar, multiplicar e cumprem as- TADA)
sim relevante papel mobilizador. Mas o pontapé inicial é
sempre das empresas de conteúdo independentes”. A busca de uma convenção para medir riquezas e trocar
(O Estado de São Paulo, 10/04/2017) mercadorias é quase tão antiga quanto a vida em so-
ciedade. Ao longo da história, os mais diversos artigos
O texto 1, do Estado de São Paulo, mostra um conjunto foram usados com essa finalidade, como o chocolate,
de adjetivos sublinhados que poderiam ser substituídos entre os astecas, e o bacalhau seco, entre os noruegue-
por locuções; a substituição abaixo que está adequada é: ses, tendo cabido aos gregos do século VII a.C. a criação
de uma moeda metálica com um valor padronizado pelo
a) independente = com dependência; Estado. “Foi uma invenção revolucionária. Ela facilitou o
b) pública = de publicidade; acesso das camadas mais pobres às riquezas, o acúmulo
c) relevante = de relevância; de dinheiro e a coleta de impostos – coisas muito difíceis
d) sociais = de associados; de fazer quando os valores eram contados em bois ou
e) mobilizador = de motivação. imóveis”, afirma a arqueóloga Maria Beatriz Florenzano,
da Universidade de São Paulo. A segunda grande revo-
9. (PC-SP - AUXILIAR DE NECROPSIA – VUNESP-2014) lução na história do dinheiro, o papel-moeda, teve uma
Considerando que o adjetivo é uma palavra que modifica origem mais confusa. Existiam cédulas na China do ano
o substantivo, com ele concordando em gênero e núme- 960, mas elas não se espalharam para outros lugares e
ro, assinale a alternativa em que a palavra destacada é caíram em desuso no fim do século XIV.
um adjetivo. As notas só apareceram na Europa – e daí para o mundo
– em 1661, na Suécia. Há quem acredite que cartões de
a) ... um câncer de boca horroroso, ... crédito e caixas eletrônicos em rede já representam uma
b) Ele tem dezesseis anos... terceira revolução monetária. “Com a informática, o di-
c) Eu queria que ele morresse logo, ... nheiro se transformou em impulsos eletrônicos invisíveis,
d) ... com a crueldade adicional de dar esperança às fa- livres do espaço, do tempo e do controle de governos e
mílias. corporações”, afirma o antropólogo Jack Weatherford, da
e) E o inferno não atinge só os terminais. Faculdade Macalester, nos Estados Unidos da América.
Internet: <http://super.abril.com.br> (com adaptações).
10. (TRE-AC – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMI-
NISTRATIVA – AOCP-2015) Assinale a alternativa cujo A expressão “essa finalidade” refere-se ao trecho “para
“que” em destaque funciona como pronome relativo. medir riquezas e trocar mercadorias”.

a) «É uma maneira de expressar a vontade que a gente ( ) CERTO ( ) ERRADO


tem. Acho que um voto pode fazer a diferença”.
b) “Ele diz que vota desde os 18...”. 13. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE LE-
c) “Acho que um voto pode fazer a diferença”. GISLATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) “Por outro lado,
d) “... e acreditam que um voto consciente agora pode nas sociedades complexas, a violência deixou de ser uma
influenciar futuramente na vida de seus filhos e netos”. ferramenta de sobrevivência e passou a ser um instrumen-
e) “O idoso afirma que sempre incentivou sua família a to da organização da vida comunitária. Ou seja, foi usada
votar”. para criar uma desigualdade social sem a qual, acreditam
alguns teóricos, a sociedade não se desenvolveria nem se
11. (TRF-1.ª Região – ANALISTA JUDICIÁRIO – INFOR- complexificaria”. A utilização do termo “ou seja” introduz:
MÁTICA – FCC- 2014-ADAPTADA) No período O livro
explica os espíritos chamados ‘xapiris’, que os ianomâmis a) uma informação sobre o significado de um termo an-
creem serem os únicos capazes de cuidar das pessoas e teriormente empregado;
das coisas, a palavra grifada tem a função de pronome b) a explicação de uma expressão de difícil entendimen-
relativo, retomando um termo anterior. Do mesmo modo to;
LÍNGUA PORTUGUESA

como ocorre em: c) uma outra maneira de dizer-se rigorosamente a mes-


ma coisa;
a) Os ianomâmis acreditam que os xamãs recebem dos d) acréscimo de um esclarecimento sobre o que foi dito
espíritos chamados “xapiris” a capacidade de cura. antes;
b) Eu queria escrever para os não indígenas não acharem e) a ênfase de algo que parece importante para o texto.
que índio não sabe nada.

104
14. (BANCO DO BRASIL – ESCRITURÁRIO – CESGRAN- afortunados, aqueles ligados à indústria, voltados para
RIO-2018) De acordo com as exigências da norma-pa- construção civil, o mobiliário, a ourivesaria e o fabrico de
drão da língua portuguesa, o verbo destacado está cor- bebidas.
retamente empregado em: A sua distribuição pela cidade, apesar da não formação
de guetos, denota uma tendência para a sua concentra-
a) No mundo moderno, conferem-se às grandes metró- ção em determinados bairros, escolhidos, muitas das ve-
poles importante papel no desenvolvimento da eco- zes, pela proximidade da zona de trabalho. No Centro da
nomia e da geopolítica mundiais, por estarem no topo cidade, próximo ao grande comércio, temos um grupo
da hierarquia urbana. significativo de patrícios e algumas associações de por-
b) Conforme o grau de influência e importância interna- te, como o Real Gabinete Português de Leitura e o Liceu
cional, classificou-se as 50 maiores cidades em três Literário Português. Nos bairros da Cidade Nova, Estácio
diferentes classes, a maior parte delas na Europa. de Sá, Catumbi e Tijuca, outro ponto de concentração
c) Há quase duzentos anos, atribuem-se às cidades a da colônia, se localizam outras associações portuguesas,
responsabilidade de motor propulsor do desenvolvi- como a Casa de Portugal e um grande número de casas
mento e a condição de lugar privilegiado para os ne- regionais. Há, ainda, pequenas concentrações nos bairros
gócios e a cultura. periféricos da cidade, como Jacarepaguá, originalmente
d) Em centros com grandes aglomerações populacionais, formado por quintas de pequenos lavradores; nos subúr-
realiza-se negócios nacionais e internacionais, além bios, como Méier e Engenho Novo; e nas zonas mais pri-
de um atendimento bastante diversificado, como jor- vilegiadas, como Botafogo e restante da zona sul carioca,
nais, teatros, cinemas, entre outros. área nobre da cidade a partir da década de cinquenta,
e) Em todos os estudos geopolíticos, considera-se as ci- preferida pelos mais abastados.
dades globais como verdadeiros polos de influência PAULO, Heloísa. Portugueses no Rio de Janeiro: salaza-
internacional, devido à presença de sedes de grandes ristas e opositores em manifestação na cidade. In: ALVES,
empresas transnacionais e importantes centros de Ida et alii. 450 Anos de Portugueses no Rio de Janeiro. Rio
pesquisas. de Janeiro: Ofi cina Raquel, 2017, pp. 260-1. Adaptado.

15. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL O texto emprega duas vezes o verbo “haver”. Ambos es-
I – CESGRANRIO-2018) A palavra destacada atende às tão na 3.ª pessoa do singular, pois são impessoais. Esse
exigências de concordância da norma-padrão da língua papel gramatical está repetido corretamente em:
portuguesa em:
a) Ninguém disse que os portugueses havia de saírem
a) Atualmente, causa impacto nas eleições de vários paí- da cidade.
ses as notícias falsas. b) Se houvessem mais oportunidades, os imigrantes fi-
b) A recomendação de testar a veracidade das notícias cariam ricos.
precisam ser seguidas, para não prejudicar as pessoas. c) Haveriam de haver imigrantes de outras procedências
c) O propósito de conferir grandes volumes de dados re- na cidade.
sultaram na criação de serviços especializados. d) Os imigrantes vieram de Lisboa porque lá não haviam
d) Os boatos causam efeito mais forte do que as notícias empregos.
reais porque vem acompanhados de títulos chamati- e) Os portugueses gostariam de que houvesse mais ofer-
tas de trabalho.
vos.
e) Os resultados de pesquisas recentes mostram que
17. (TRANSPETRO – TÉCNICO AMBIENTAL JÚNIOR
67% das pessoas consultam os jornais diariamente.
– CESGRANRIO-2018) A concordância da forma verbal
destacada foi realizada de acordo com as exigências da
16. (PETROBRAS – ENGENHEIRO(A) DE MEIO AM-
norma-padrão da língua portuguesa em:
BIENTE JÚNIOR – CESGRANRIO-2018)
a) Com o crescimento da espionagem virtual, é necessá-
Texto I
rio que se promova novos estudos sobre mecanismos
de proteção mais eficazes.
Portugueses no Rio de Janeiro b) O rastreamento permanente das invasões cibernéticas
de grande porte permite que se suspeitem dos hac-
O Rio de Janeiro é o grande centro da imigração portu- kers responsáveis.
guesa até meados dos anos cinquenta do século passa- c) Para atender às demandas dos usuários de celulares, é
do, quando chega a ser a “terceira cidade portuguesa do preciso que se destinem à pesquisa tecnológica mui-
mundo”, possuindo 196 mil portugueses — um décimo
LÍNGUA PORTUGUESA

tos milhões de dólares.


de sua população urbana. Ali, os portugueses dedicam- d) Para detectar as consequências mais prejudiciais da
-se ao comércio, sobretudo na área dos comestíveis, guerra virtual pela informação, necessitam-se de es-
como os cafés, as panificações, as leitarias, os talhos, tudos mais aprofundados.
além de outros ramos, como os das papelarias e lojas e) Se o crescimento das redes sociais assumir uma pro-
de vestuários. Fora do comércio, podem exercer as mais porção incontrolável, é aconselhável que se estabele-
variadas profissões, como atividades domésticas ou as de ça novas restrições de utilização pelos jovens.
barbeiros e alfaiates. Há, de igual forma, entre os mais

105
18. (PC-AP – DELEGADO DE POLÍCIA – FCC-2017) As 21. (BADESC – ANALISTA DE SISTEMA – BANCO DE
normas de concordância e a adequada articulação entre DADOS – FGV-2010) Na frase “é ingênuo creditar a pos-
tempos e modos verbais estão plenamente observadas tura brasileira apenas à ausência de educação adequa-
na frase: da” foi corretamente empregado o acento indicativo de
crase.
a) É comum que se assinale numa crônica os aspectos do
cotidiano que o escritor resolvesse analisar e interpre- Assinale a alternativa em que o acento indicativo de cra-
tar, apesar das dificuldades que encerram tal desafio. se está corretamente empregado.
b) Se às crônicas de Rubem Braga viessem a faltar sua
marca autoral inconfundível, elas terão deixado de a) O memorando refere-se à documentos enviados na
constituir textos clássicos desse gênero. semana passada.
c) Caso um dia venham a surgir, simultaneamente, ta- b) Dirijo-me à Vossa Senhoria para solicitar uma audiên-
lentos à altura de um Rubem Braga, esse gênero terá cia urgente.
alcançado uma relevância jamais vista. c) Prefiro montar uma equipe de novatos à trabalhar com
d) Não seria fácil, de fato, que venha a se equilibrar, na pessoas já desestimuladas.
cabeça de um jovem cronista de hoje, os valores de d) O antropólogo falará apenas àquele aluno cujo nome
sua experiência pessoal com os de sua comunidade. consta na lista.
e) Tanto uma padaria como um banheiro poderiam ofe- e) Quanto à meus funcionários, afirmo que têm horário
recer matéria para uma boa crônica, desde que não flexível e são responsáveis.
falte ao cronista recursos de grande imaginação.
22. (BADESC – TÉCNICO DE FOMENTO A – FGV-2010)
19. (PC-BA – DELEGADO DE POLÍCIA – VUNESP-2018) De acordo com as regras gramaticais, no trecho “a exor-
A concordância está em conformidade com a norma-pa- bitante carga tributária a que estão submetidas as empre-
drão na seguinte frase: sas”, não se deve empregar acento indicativo de crase,
devendo ocorrer o mesmo na frase:
a) São comuns que a adaptação de livros para o cinema
suscitem reações negativas nos fãs do texto escrito. a) Entregue o currículo as assistentes do diretor.
b) Cabem aos leitores completar, com a imaginação, as b) Recorra a esta empresa sempre que precisar.
lacunas que fazem parte da estrutura significativa do c) Avise aquela colega que chegou sua correspondência.
texto literário. d) Refira-se positivamente a proposta filosófica da com-
c) Aos esforços envolvidos na leitura soma-se a imagina- panhia.
ção, a que a linguagem literária apela constantemente. e) Transmita confiança aqueles que observam seu de-
d) Algumas pessoas mantém o hábito de só assistirem à sempenho.
adaptação de uma obra depois de as terem lido, para
não ser influenciadas. 23. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO –
e) Há livros que dispõe de uma infinidade de adaptações CESGRANRIO-2018) De acordo com a norma-padrão da
para o cinema, as quais tende a compor seu repertório língua portuguesa, o sinal grave indicativo da crase deve
de leituras. ser empregado na palavra destacada em:

20. (FUNDASUS-MG – ANALISTA EM SERVIÇO PÚBLI- a) A intenção da entrevista com o diretor estava relacio-
CO DE SAÚDE - ANALISTA DE SISTEMA – AOCP-2015) nada a programação que a empresa pretende desen-
Observe o excerto: “Entre os fatores ligados à relação do volver.
aluno com a instituição e com os colegas, gostar de ir à b) As ações destinadas a atrair um número maior de
escola (...)” e assinale a alternativa correta com relação clientes são importantes para garantir a saúde finan-
ao emprego do acento utilizado nos termos destacados. ceira das instituições.
c) As instituições financeiras deveriam oferecer condi-
a) Trata-se do acento grave, empregado para indicar a ções mais favoráveis de empréstimo a quem está fora
supressão do advérbio “a” com o pronome feminino do mercado formal de trabalho.
“a” que acompanha os substantivos “relação” e “es- d) As pessoas interessadas em ampliar suas reservas fi-
cola”. nanceiras consideram que vale a pena investir na nova
b) Trata-se do acento agudo, empregado para indicar a moeda virtual.
nasalidade da vogal “a” que acompanha os substanti- e) Os participantes do seminário sobre mercado financei-
vos “relação” e “escola”. ro foram convidados a comparar as importações e as
c) Trata-se do acento circunflexo, empregado para assi- exportações em 2017.
nalar a vogal aberta “a” que acompanha os substanti-
LÍNGUA PORTUGUESA

vos “relação” e “escola”. 24. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO –


d) Trata-se do acento agudo, empregado para indicar a CESGRANRIO-2018) O emprego do acento indicativo
supressão da preposição “a” com o artigo feminino “a” de crase está de acordo com a norma-padrão em:
que acompanha os substantivos “relação” e “escola”.
e) Trata-se do acento grave, empregado para indicar a a) O escritor de novelas não escolhe seus personagens
junção da preposição “a” com o artigo feminino “a” à esmo.
que acompanha os substantivos “relação” e “escola”. b) A audiência de uma novela se constrói no dia à dia.

106
c) Uma boa história pode ser escrita imediatamente ou 28. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE LE-
à prazo. GISLATIVO MUNICIPAL – FGV-2018)
d) Devido à interferências do público, pode haver mu-
danças na trama. Texto 1 – Guerra civil
e) O novelista ficou aliviado quando entregou a sinopse Renato Casagrande, O Globo, 23/11/2017
à emissora.
O 11.º Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pú-
25. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES- blica, mostrando o crescimento das mortes violentas no
GRANRIO-2018) De acordo com a norma- -padrão Brasil em 2016, mais uma vez assustou a todos. Foram
da língua portuguesa, o acento grave indicativo da crase 61.619 pessoas que perderam a vida devido à violência.
deve ser empregado na palavra destacada em: Outro dado relevante é o crescimento da violência em
alguns estados do Sul e do Sudeste.
a) Os novos lançamentos de smartphones apresentam, Na verdade, todos os anos a imprensa nacional destaca
em geral, pequena variação de funções quando com- os inaceitáveis números da violência no país. Todos se
parados a versões anteriores. assustam, o tempo passa, e pouca ação ocorre de fato.
b) Estudantes do ensino médio fizeram uma pesquisa Tem sido assim com o governo federal e boa parte das
junto a crianças do ensino fundamental para ver como demais unidades da Federação. Agora, com a crise, o ar-
elas se comportam no ambiente virtual. gumento é a incapacidade de investimento, mas, mesmo
c) O acesso dos jovens a redes sociais tem causado enor- em períodos de economia mais forte, pouco se viu da im-
mes prejuízos ao seu desempenho escolar, conforme plementação de programas estruturantes com o objetivo
o depoimento de professores. de enfrentar o crime. Contratação de policiais, aquisição
d) Os consumidores compulsivos sujeitam-se a ficar ho- de equipamentos, viaturas e novas tecnologias são medi-
ras na fila para serem os primeiros que comprarão os das essenciais, mas é preciso ir muito além. Definir metas
novos lançamentos. e alcançá-las, utilizando um bom método de trabalho,
e) As pessoas precisam ficar atentas a fatura do cartão deve ser parte de um programa bem articulado, que per-
mita o acompanhamento das ações e que incentive o
de crédito para não serem surpreendidas com valores
trabalho integrado entre as forças policiais do estado, da
muito altos.
União e das guardas municipais.
26. (PC-SP - INVESTIGADOR DE POLÍCIA – VU-
O segmento do texto 1 em que a conjunção E tem valor
NESP-2014)
adversativo (oposição) e NÃO aditivo (adição) é:
A cada ano, ocorrem cerca de 40 mil mortes; segundo
especialistas, quase metade delas está associada _____
a) “...crescimento da violência em alguns estados do Sul
bebidas alcoólicas. Isso revela a necessidade de um com- e do Sudeste”;
bate efetivo _____ embriaguez ao volante. b) “Todos se assustam, o tempo passa, e pouca ação de-
As lacunas do trecho devem ser preenchidas, correta e corre de fato”;
respectivamente, com: c) “Tem sido assim com o governo federal e boa parte
das demais unidades da Federação”;
a) às … a d) “...viaturas e novas tecnologias”;
b) as … à e) “Definir metas e alcançá-las...”.
c) à … à
d) às … à 29. (ALERJ-RJ – ESPECIALISTA LEGISLATIVO – AR-
e) à … a QUITETURA – FGV-2017) “... implica poder decifrar as
referências cristãs...”; a forma reduzida sublinhada fica
27. (PC-SP - AGENTE DE POLÍCIA – VUNESP-2013) De convenientemente substituída por uma oração em forma
acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, o desenvolvida na seguinte opção:
acento indicativo de crase está corretamente empregado
em: a) a possibilidade de decifrar as referências cristãs;
b) a possibilidade de decifração das referências cristãs;
a) A população, de um modo geral, está à espera de que, c) que se pudessem decifrar as referências cristãs;
com o novo texto, a lei seca possa coibir os acidentes. d) que possamos decifrar as referências cristãs;
b) A nova lei chega para obrigar os motoristas à repensa- e) a possibilidade de que decifrássemos as referências
rem a sua postura. cristãs.
c) A partir de agora os motoristas estarão sujeitos à puni-
ções muito mais severas. 30. (COMPESA-PE – ANALISTA DE GESTÃO – ADMI-
LÍNGUA PORTUGUESA

d) À ninguém é dado o direito de colocar em risco a vida NISTRADOR – FGV-2018) “... mas já conhecem a brutal
dos demais motoristas e de pedestres. realidade dos desaventurados cuja sina é cruzar fronteiras
e) Cabe à todos na sociedade zelar pelo cumprimento da para sobreviver.” A forma reduzida de “para sobreviver”
nova lei para que ela possa funcionar. pode ser nominalizada de forma conveniente na seguin-
te alternativa:

a) para que sobrevivam.


b) a fim de que sobrevivessem.

107
c) para sua sobrevida. Desde que se mudou para o formato tradicional, Na-
d) no intuito de sobreviverem. gele já ouviu colegas do setor de tecnologia dizerem
e) para sua sobrevivência. sentir falta do estilo de trabalho do escritório fechado.
“Muita gente concorda – simplesmente não aguentam o
31. (MPU – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA O CAR- escritório aberto. Nunca se consegue terminar as coisas e
GO 33 – TÉCNICO ÁREA ADMINISTRATIVA - NÍVEL é preciso levar mais trabalho para casa”, diz ele.
MÉDIO – CESPE-2013) É improvável que o conceito de escritório aberto caia
O Ministério Público é fruto do desenvolvimento do es- em desuso, mas algumas firmas estão seguindo o exem-
tado brasileiro e da democracia. A sua história é marcada plo de Nagele e voltando aos espaços privados.
por processos que culminaram na sua formalização insti- Há uma boa razão que explica por que todos ado-
tucional e na ampliação de sua área de atuação. ram um espaço com quatro paredes e uma porta: foco.
No período colonial, o Brasil foi orientado pelo direito A verdade é que não conseguimos cumprir várias tarefas
lusitano. Não havia o Ministério Público como instituição. ao mesmo tempo, e pequenas distrações podem desviar
Mas as Ordenações Manuelinas de 1521 e as Ordena- nosso foco por até 20 minutos.
ções Filipinas de 1603 já faziam menção aos promotores Retemos mais informações quando nos sentamos em
de justiça, atribuindo a eles o papel de fiscalizar a lei e um local fixo, afirma Sally Augustin, psicóloga ambiental
de promover a acusação criminal. Existiam os cargos de e design de interiores.
procurador dos feitos da Coroa (defensor da Coroa) e de (Bryan Borzykowski, “Por que escritórios abertos
procurador da Fazenda (defensor do fisco). podem ser ruins para funcionários.” Disponível em:<-
A Constituição de 1988 faz referência expressa ao Mi- www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 04.04.2017. Adap-
nistério Público no capítulo Das Funções Essenciais à tado)
Justiça. Define as funções institucionais, as garantias e as
vedações de seus membros. Isso deu evidência à institui- 32. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ-
ção, tornando-a uma espécie de ouvidoria da sociedade DIO - VUNESP – 2017) Segundo o texto, são aspectos
brasileira. desfavoráveis ao trabalho em espaços abertos compar-
Internet: <www.mpu.mp.br> (com adaptações). tilhados

No período “A sua história é marcada por processos que a) a impossibilidade de cumprir várias tarefas e a restri-
culminaram”, o termo “que” introduz oração de natureza ção à criatividade.
restritiva. b) a dificuldade de propor soluções tecnológicas e a
transferência de atividades para o lar.
( ) CERTO ( ) ERRADO c) a dispersão e a menor capacidade de conservar con-
teúdos.
(TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉDIO d) a distração e a possibilidade de haver colaboração de
- VUNESP – 2017 - ADAPTADA) Leia o texto, para res- colegas e chefes.
ponder às questões a seguir: e) o isolamento na realização das tarefas e a vigilância
constante dos chefes.
Há quatro anos, Chris Nagele fez o que muitos execu-
tivos no setor de tecnologia já tinham feito – ele transfe- 33. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ-
riu sua equipe para um chamado escritório aberto, sem DIO - VUNESP – 2017) Assinale a alternativa em que a
paredes e divisórias. nova redação dada ao seguinte trecho do primeiro pará-
Os funcionários, até então, trabalhavam de casa, mas grafo apresenta concordância de acordo com a norma-
ele queria que todos estivessem juntos, para se conec- -padrão: Há quatro anos, Chris Nagele fez o que muitos
tarem e colaborarem mais facilmente. Mas em pouco executivos no setor de tecnologia já tinham feito.
tempo ficou claro que Nagele tinha cometido um grande
erro. Todos estavam distraídos, a produtividade caiu, e a) Muitos executivos já havia transferido suas equipes
os nove empregados estavam insatisfeitos, sem falar do para o chamado escritório aberto, como feito por Ch-
próprio chefe. ris Nagele.
Em abril de 2015, quase três anos após a mudança b) Mais de um executivo já tinham transferido suas equi-
para o escritório aberto, Nagele transferiu a empresa pes para escritórios abertos, o que só aconteceu com
para um espaço de 900 m² onde hoje todos têm seu pró- Chris Nagele fazem mais de quatro anos.
prio espaço, com portas e tudo. c) O que muitos executivos fizeram, transferindo suas
Inúmeras empresas adotaram o conceito de escritório equipes para escritórios abertos, também foi feito por
aberto – cerca de 70% dos escritórios nos Estados Unidos Chris Nagele, faz cerca de quatro anos.
são assim – e até onde se sabe poucos retornaram ao
LÍNGUA PORTUGUESA

d) Devem fazer uns quatro anos que Chris Nagele trans-


modelo de espaços tradicionais com salas e portas. feriu sua equipe para escritórios abertos, tais como foi
Pesquisas, contudo, mostram que podemos perder transferido por muitos executivos.
até 15% da produtividade, desenvolver problemas graves e) Faz exatamente quatro anos que Chris Nagele fez o
de concentração e até ter o dobro de chances de ficar que já tinham sido feitos por outros executivos do se-
doentes em espaços de trabalho abertos – fatores que tor.
estão contribuindo para uma reação contra esse tipo de
organização.

108
34. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ- 38. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
DIO - VUNESP – 2017) É correto afirmar que a expressão I – CESGRANRIO-2018) O grupo em que todas as pala-
– até então –, em destaque no início do segundo pará- vras estão grafadas de acordo com a norma-padrão da
grafo, expressa um limite, com referência língua portuguesa é:

a) temporal ao momento em que se deu a transferência a) admissão, infração, renovação


da equipe de Nagele para o escritório aberto. b) diversão, excessão, sucessão
b) espacial aos escritórios fechados onde trabalhava a c) extenção, eleição, informação
equipe de Nagele antes da mudança para locais aber- d) introdução, repreção, intenção
tos. e) transmissão, conceção, omissão
c) temporal ao dia em que Nagele decidiu seguir o exem-
plo de outros executivos, e espacial ao tipo de escri- 39. (MPE-AL - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO –
tório que adotou. FGV-2018) “A crise não trouxe apenas danos sociais e
d) espacial ao caso de sucesso de outros executivos do econômicos”; se juntarmos os adjetivos sublinhados em
setor de tecnologia que aboliram paredes e divisórias. um só vocábulo, a forma adequada será
e) espacial ao novo tipo de ambiente de trabalho, e tem-
poral às mudanças favoráveis à integração. a) sociais-econômicos.
b) social-econômicos.
35. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ- c) sociais-econômico.
DIO - VUNESP – 2017) É correto afirmar que a expressão d) socioeconômicos.
– contudo –, destacada no quinto parágrafo, estabelece e) socioseconômicos.
uma relação de sentido com o parágrafo
40. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
a) anterior, confirmando com estatísticas o sucesso das I – CESGRANRIO-2018) O sinal de dois-pontos (:) está
empresas que adotaram o modelo de escritórios aber- empregado de acordo com a norma-padrão da língua
tos. portuguesa em:
b) posterior, expondo argumentos favoráveis à adoção
do modelo de escritórios abertos. a) A diferença entre notícias falsas e verdadeiras é maior
c) anterior, atestando a eficiência do modelo aberto com no campo da política: é menor nas publicações rela-
base em resultados de pesquisas. cionadas às catástrofes naturais.
d) anterior, introduzindo informações que se contra- b) A explicação para a difusão de notícias falsas é que
põem à visão positiva acerca dos escritórios abertos. os usuários compartilham informações com as quais
e) posterior, contestando com dados estatísticos o for- concordam: pois não verificam as fontes antes.
mato tradicional de escritório fechado. c) As informações enganosas são mais difundidas do que
as verdadeiras: de acordo com estudo recente feito
36. (EBSERH – ANALISTA ADMINISTRATIVO – ESTA- por um instituto de pesquisa.
TÍSTICA – AOCP-2015) Assinale a alternativa correta em d) As notícias falsas podem ser desmascaradas com o
relação à ortografia dos pares. uso do bom senso: mas esperar isso de todo mundo é
quase impossível.
a) Atenção – atenciozo. e) As revistas especializadas dão alguns conselhos: não
b) Aprender – aprendizajem. entre em sites desconhecidos e não compartilhe notí-
c) Simples – simplissidade. cias sem fonte confiável.
d) Fúria – furiozo.
e) Sensação – sensacional. 41. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
I – CESGRANRIO-2018) A vírgula está empregada cor-
37. (BADESC – TÉCNICO DE FOMENTO A – FGV-2010) retamente em:
As palavras jeitinho, pesquisa e intrínseco apresentam
diferentes graus de dificuldade ortográfica e estão corre- a) A divulgação de histórias falsas pode ter consequên-
tamente grafadas. Assinale a alternativa em que a grafia cias reais desastrosas: prejuízos, financeiros e cons-
da palavra sublinhada está igualmente correta. trangimentos às empresas.
b) As novas tecnologias, criaram um abismo ao separar
a) Talvez ele seje um caso de sucesso empresarial. quem está conectado de quem não faz parte do mun-
b) A paralização da equipe técnica demorou bastante. do digital.
c) O funcionário reinvindicou suas horas extras. c) As pessoas tendem a aceitar apenas as declarações que
LÍNGUA PORTUGUESA

d) Deve-se expor com clareza a pretenção salarial. confirmam aquilo que corresponde, às suas crenças.
e) O assessor de imprensa recebeu o jornalista. d) Os jornalistas devem verificar as fontes citadas, cruzar
dados e checar se as informações refletem a realidade.
e) Os consumidores de notícias não agem como cientis-
tas porque não estão preocupados em conferir, pon-
tos de vista alternativos.

109
42. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES- 44. (TJ-SP - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – MÉ-
GRANRIO-2018) A vírgula foi plenamente empregada DIO - VUNESP – 2017) Assinale a alternativa em que
de acordo com as exigências da norma-padrão da língua a substituição dos trechos destacados na passagem – O
portuguesa em: paulistano, contudo, não é de jogar a toalha – prefere es-
tendê-la e se deitar em cima, caso lhe concedam dois
a) A conexão é feita por meio de uma plataforma especí- metros quadrados de chão. – está de acordo com a nor-
fica, e os conteúdos, podem ser acessados pelos dis- ma-padrão de crase, regência e conjugação verbal.
positivos móveis dos passageiros.
b) O mercado brasileiro de automóveis, ainda é muito a) prefere mais estendê-la do que desistir – põe à dis-
grande, porém não é capaz de absorver uma presença posição.
maior de produtos vindos do exterior. b) prefere estendê-la à desistir – ponham a disposição.
c) Depois de chegarem às telas dos computadores e ce- c) prefere estendê-la a desistir – põe a disposição.
lulares, as notícias estarão disponíveis em voos inter- d) prefere estendê-la do que desistir – põem a disposi-
nacionais. ção.
d) Os últimos dados mostram que, muitas economias e) prefere estendê-la a desistir – ponham à disposição.
apresentam crescimento e inflação baixa, fazendo
com que os juros cresçam pouco. 45. (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO - SP – FARMA-
e) Pode ser que haja uma grande procura de carros im- CÊUTICO - SUPERIOR - VUNESP – 2017 - adaptada)
portados, mas as montadoras vão fazer os cálculos e Leia as frases.
ver, se a importação vale a pena. As previsões alusivas ............. aumento da depressão são
alarmantes.
43. (MPU – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE-2010) Os sentimentos de tédio ou de tristeza são inadequada-
Para a maioria das pessoas, os assaltantes, assassinos e mente convertidos .......... estados depressivos.
traficantes que possam ser encontrados em uma rua es- Qualquer situação que possa ser um obstáculo ............ feli-
cura da cidade são o cerne do problema criminal. Mas os cidade é considerada doença.
danos que tais criminosos causam são minúsculos quan-
do comparados com os de criminosos respeitáveis, que Para que haja coerência com a regência nominal estabe-
vestem colarinho branco e trabalham para as organiza- lecida pela norma-padrão, as lacunas das frases devem
ções mais poderosas. Estima-se que as perdas provoca- ser preenchidas, respectivamente, por:
das por violações das leis antitrust — apenas um item de
uma longa lista dos principais crimes do colarinho bran- a) ao … com … na
co — sejam maiores que todas as perdas causadas pelos b) ao … em … à
crimes notificados à polícia em mais de uma década, e c) do … com … na
as relativas a danos e mortes provocadas por esse crime d) com o … em … para
apresentam índices ainda maiores. A ocultação, pela in- e) com o … para … à
dústria do asbesto (amianto), dos perigos representados
por seus produtos provavelmente custou tantas vidas 46. (TRE/MS - ESTÁGIO – JORNALISMO - TRE/MS –
quanto as destruídas por todos os assassinatos ocorridos 2014) Assinale a assertiva cuja regência verbal está cor-
nos Estados Unidos da América durante uma década in- reta:
teira; e outros produtos perigosos, como o cigarro, tam-
bém provocam, a cada ano, mais mortes do que essas. a) Ela queria namorar com ele.
James William Coleman. A elite do crime. 5.ª ed., São b) Já assisti a esse filme.
Paulo: Manole, 2005, p. 1 (com adaptações). c) O caminhoneiro dormiu no volante.
d) Quando eles chegam em Campo Grande?
Não haveria prejuízo para o sentido original do texto e) A moça que ele gosta é aquela ali.
nem para a correção gramatical caso a expressão “a cada
ano” fosse deslocada, com as vírgulas que a isolam, para 47. (TRE/MS - ESTÁGIO – JORNALISMO - TRE/MS –
imediatamente depois de “e”. 2014) A regência nominal está correta em:

( ) CERTO ( ) ERRADO a) É preferível um inimigo declarado do que um amigo


falso.
b) As meninas têm aversão de verduras.
c) Aquele cachorro é hostil para com desconhecidos.
d) O sentimento de liberdade é inerente do ser humano.
e) Construiremos portos acessíveis de qualquer navio.
LÍNGUA PORTUGUESA

110
48. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL 50. (MPU – TÉCNICO – SEGURANÇA INSTITUCIONAL
I – CESGRANRIO-2018) E TRANSPORTE – CESPE-2015)

Na internet, mentiras têm pernas longas TEXTO II

Diz o velho ditado que “a mentira tem pernas curtas”, A partir de uma ação do Ministério Público Federal
mas nestes tempos de internet parece que a situação se (MPF), o Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF2)
inverteu, pelo menos no mundo digital. Pesquisadores determinou que a Google Brasil retirasse, em até 72 ho-
mostram que rumores falsos “viajam” mais rápido e mais ras, 15 vídeos do YouTube que disseminam o preconcei-
to, a intolerância e a discriminação a religiões de matriz
“longe”, com mais compartilhamentos e alcançando um
africana, e fixou multa diária de R$ 50.000,00 em caso de
maior número de pessoas, nas redes sociais, do que in-
descumprimento da ordem judicial. Na ação civil pública,
formações verdadeiras. a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC/
Foram reunidos todos os rumores nas redes sociais RJ) alegou que a Constituição garante aos cidadãos não
- falsos, verdadeiros ou “mistos”. Esses rumores foram apenas a obrigação do Estado em respeitar as liberdades,
acompanhados, chegando a um total de mais de 4,5 mi- mas também a obrigação de zelar para que elas sejam
lhões de postagens feitas por cerca de 3 milhões de pes- respeitadas pelas pessoas em suas relações recíprocas.
soas, formando “cascatas” de compartilhamento. Para a PRDC/RJ, somente a imediata exclusão dos ví-
Ao compararem os padrões de compartilhamento deos da Internet restauraria a dignidade de tratamento,
dessas milhares de “cascatas”, os pesquisadores obser- que, nesse caso, foi negada às religiões de matrizes afri-
varam que os rumores “falsos” se espalharam com mais canas. Corroborando a visão do MPF, o TRF2 entendeu
rapidez, aumentando o número de “degraus” da casca- que a veiculação de vídeos potencialmente ofensivos e
ta - e com maior abrangência do que os considerados fomentadores do ódio, da discriminação e da intolerância
verdadeiros. contra religiões de matrizes africanas não corresponde
A tendência também se manteve, independentemen- ao legítimo exercício do direito à liberdade de expressão.
te do tema geral que os rumores abordassem, mas foi O tribunal considerou que a liberdade de expressão não
mais forte quando versavam sobre política do que os de- se pode traduzir em desrespeito às diferentes manifesta-
mais, na ordem de frequência: lendas urbanas; negócios; ções dessa mesma liberdade, pois ela encontra limites no
próprio exercício de outros direitos fundamentais.
terrorismo e guerras; ciência e tecnologia; entretenimen-
Internet: <http://ibde.org.br> (com adaptações).
to; e desastres naturais.
Uma surpresa provocada pelo estudo revelou o perfil No trecho “adulterar ou destruir dados”, a palavra “adul-
de quem mais compartilha rumores falsos: usuários com terar” está sendo empregada com o sentido de alterar
poucos seguidores e novatos nas redes. prejudicando.
— Vivemos inundados por notícias e muitas vezes
as pessoas não têm tempo nem condições para verificar ( ) CERTO ( ) ERRADO
se elas são verdadeiras — afirma um dos pesquisado-
res. Isso não quer dizer que as pessoas são estúpidas. As 51. (ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR DO BARRO
redes sociais colocam todas as informações no mesmo BRANCO-SP – TECNÓLOGO DE ADMINISTRAÇÃO PO-
nível, o que torna difícil diferenciar o verdadeiro do falso, LICIAL MILITAR – VUNESP-2010) Analise a charge.
uma fonte confiável de uma não confiável.
BAIMA, Cesar. Na internet, mentiras têm pernas lon-
gas. O Globo. Sociedade. 09 mar. 2018. Adaptado.

No trecho “independentemente do tema geral que os ru-


mores abordassem”, a palavra que pode substituir rumo-
res, por ter sentido equivalente, é:

a) assuntos
b) boatos
c) debates
d) diálogos
e) temas

49. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) O (www.arionaurocartuns.com.br)


período abaixo em que os dois termos sublinhados NÃO
A palavra só, presente na fala do personagem, tem o
LÍNGUA PORTUGUESA

podem trocar de posição é:


mesmo sentido em:
a) A arte é a mais bela das mentiras;
b) O importante na obra de arte é o espanto; a) Só vence quem concorre.
c) A forma segue a emoção; b) Mariana veio só, infelizmente.
d) A obra de arte: uma interrupção do tempo; c) Pedro estava só, quando cheguei.
e) Na arte não existe passado nem futuro. d) A mulher, por estar só, sentiu-se amedrontada.
e) O marujo, só, resolveu passear pela praia.

111
43 CERTO
GABARITO 44 E
45 B
1 B 46 B
2 A 47 C
3 B 48 B
4 E 49 C
5 A 50 CERTO
6 E 51 A
7 A
8 C
9 A
10 A
11 D
12 CERTO
13 D
14 C
15 E
16 E
17 C
18 C
19 C
20 E
21 D
22 B
23 A
24 E
25 E
26 D
27 A
28 B
29 D
30 E
31 CERTO
32 C
33 C
34 A
35 D
36 E
37 E
LÍNGUA PORTUGUESA

38 A
39 D
40 E
41 D
42 C

112
ÍNDICE

LÍNGUA INGLESA

Compreensão de textos escritos em língua inglesa e itens gramaticais relevantes para o entendimento dos
sentidos dos textos................................................................................................................................................................................................ 01
nos, para que estes trabalhem disciplinadamente a re-
COMPREENSÃO DE TEXTOS ESCRITOS EM lação de atividades proposta. Com essa metodologia de
LÍNGUA INGLESA E ITENS GRAMATICAIS ensino, conforme Aiub (2010), em uma de suas pesquisas
RELEVANTES PARA O ENTENDIMENTO DOS relacionadas ao ensino de LI, afirma que a escola cria o
SENTIDOS DOS TEXTOS imaginário:

[...] de que para aprender uma língua estrangeira é


O ensino de língua, na escola, seja Língua Portugue- indispensável não sair do roteiro, isto é, torna-se obriga-
sa, ou Língua Estrangeira, apresenta semelhanças, pois tório seguir as etapas – as fases –, não se pode ir além do
acontece a partir do estudo de aspectos estruturais da que foi solicitado em um dado exercício, muito menos
língua. Essa concepção de ensino, portanto, remete aos escrever palavras não (pre)vistas com estruturas linguís-
pressupostos teóricos da Linguística Textual, que apare- ticas ainda não trabalhadas em sala de aula. (2010, p. 82).
ce, neste caso, como disciplina balizadora das práticas
de ensino de língua no âmbito escolar. Indursky (2006), Nesta perspectiva, entendemos que o roteiro de en-
pesquisadora na área da Análise do Discurso (AD), bus- sino estabelecido na escola determina quais conteúdos
cou, em uma de suas pesquisas, refletir sobre a categoria devemos ou não ensinar naquele dado ano letivo. Esse
texto. Para a autora, “O sentido do texto muda de acordo roteiro, no entanto, limita as construções dos alunos,
com o aparato teórico de que nos cercamos para con- pois os impede de utilizar palavras e/ou estruturas lin-
cebê-lo” (2006, p. 35). Assim, ao tomar o texto a partir guísticas que já têm conhecimento em detrimento do
dos fundamentos da Linguística Textual (LT), Indursky nível de ensino em que se encontram. Melhor dizendo,
(2006) afirma que ele “é concebido como uma unidade roteiros de conteúdos isolam o que o aluno aprendeu do
pragmático-comunicativa, isto é, o autor tem certas in- que ele ainda não aprendeu e não permitem que ele vá
tenções comunicativas que se fazem presentes no texto além daquilo que está previsto. Assim, os sentidos tam-
sob a forma de instruções [...]” (2006, p. 49) e, assim, cabe bém são contidos à medida que os exercícios adminis-
ao leitor aluno decifrá-las, pois, segundo Indursky, nes- tram até onde o aluno pode ir.
ta concepção teórica, estamos lidando com “uma língua Podemos dizer que os roteiros direcionam o processo
transparente, sem opacidades. Em suma, a língua é um de ensino e de aprendizagem de Língua Inglesa (LI) a um
código” (2006, p. 49). único modo de conceber a língua, por meio de atividades
É possível afirmar, com isso, que essa proposta de tradução e produção textual, exercícios de gramática
teórica redunda em exercícios de repetição, pois se a e interpretação, em tese, regidos por regras específicas
língua é considerada um código, entendemos, conforme de construção.
Pfeiffer (2003), que “[...] o aluno é apenas um observador Nessa perspectiva, quando um texto é traduzido, por
da linguagem, não lhe cabe interferir nela, ele só deve exemplo, o professor geralmente questiona, de forma
organizá-la de acordo com uma organização a priori e breve, o que os alunos entenderam, porém não estende
externa a ele” (2003, p. 97). Assim, em atividades de leitura a discussão, de modo a fazê-los realmente argumentar
e produção textual, por exemplo, o aluno interpreta e/ sobre o tema tratado no texto. Assim, ele se fixa exclusi-
ou constrói o seu texto regido por esse processo de vamente na superfície textual, perdendo a oportunidade
decodificação. Nesse âmbito, cabe ressaltar que quanto de convocar os alunos para um trabalho de interpreta-
mais próximo o aluno chegar da interpretação desejada ção, para explorar a trama de sentidos que se forma em
pelo professor, melhor, pois assim estará reproduzindo sala de aula quando eles são convidados a dialogar, com-
fielmente o modelo proposto, que atende ao que o partilhar ideias e expor pontos de vista.
professor prescreve como certo. Pfeiffer (2003), nesse Assim também acontece quando as aulas de (LI) fo-
entendimento, destaca que “[...] o bom-leitor é aquele cam apenas em exercícios gramaticais, pois, embora se-
que sabe encontrar a verdade o mais rápido possível” jam importantes para compreendermos a estrutura da
(2003, p. 97), ou seja, aquele que entra nesse jogo de língua, quando desvinculados de práticas mais significa-
decifração e assume prontamente o sentido que se busca tivas e fora de um contexto, ou retirados de um texto
apreender no texto. Nesse intuito, conforme afirma apenas para serem classificados, eles representam ape-
Pfeiffer, “[...] a imagem do aluno, por parte do livro (da nas modelos prontos que devem ser copiados/reprodu-
escola, do professor e – por que não (?) – da sociedade), zidos.
[é] de que este é incapaz de e não deve interpretar por si Com base nisso, a autoria, algo tão reclamado em sala
só os enunciados dos exercícios, necessitando assim de de aula, acaba se resumindo a atividades de repetição,
modelo [...]” (2003, p. 93). Ou seja, nesse meio, o aluno é memorização, tradução e reprodução de conteúdo. Ser
direcionado a um sentido ideal perante o texto, pois não autor, nesse sentido, significa traduzir eficazmente um
se quer que ele, na escola, trabalhe na possibilidade de texto, passar corretamente as frases para os tempos ver-
outras construções na língua. bais indicados, memorizar uma sequência de palavras de
Ao abordar essas questões, que remetem à decodifi- um determinado vocabulário e/ou entender um diálogo
LÍNGUA INGLESA

cação do texto, como centrais ao ensino, a escola adota entre personagens presente no livro didático.
um esquema programático para atuar bem neste pro- Nesse sentido, ao discutir o movimento de autoria
cesso. Assim, organiza um roteiro de ensino, distribuindo nas aulas de LI na escola, percebendo como acontece a
os conteúdos que cada série deve dominar, geralmen- produção do aluno, nos propomos, aqui, a pensar novas
te compatíveis com os do livro didático, incumbindo ao possibilidades de ensino que propiciem ao aluno ser au-
professor, neste caso, a tarefa de transmiti-los aos alu- tor de suas produções pedagógicas.

1
Entendemos que o ensino de língua, seja materna ou Neste entendimento, segundo Orlandi, a linguagem é
estrangeira, como é de nosso interesse discutir, não deve incompleta ou inacabada, ou seja, os sentidos e os sujei-
acontecer mecanicamente, de modo que os professores tos não são definitivos, concluídos, compostos terminan-
leiam as verdades do livro didático e os alunos as vene- temente, o que faz com que, conforme a autora, um dizer
rem em sala de aula, quando interpretam ou produzem esteja/seja sempre “aberto”, pois:
um texto, por exemplo. São em atividades assim que se
resumem as aulas de LI na escola, cópia, repetição, entre- [...] há uma relação importante entre a incompletude
tanto, esse tipo de exercício ocasiona alguns problemas e a interpretação. Devo aqui realçar o fato de que esta
no contexto escolar, pois muitos alunos deixam a escola incompletude não deve ser pensada em relação a algo
dizendo que não sabem nada de Inglês, que não conse- que seria (ou não) inteiro, mas antes em relação a algo
guem construir um texto no idioma, que não compreen- que não se fecha. (1996, p. 11).
dem uma conversação ou não conseguem expressar-se
na língua. Nesta perspectiva, para Orlandi (1996, p. 13), a incom-
A maneira como o ensino de LI está sendo conduzi- pletude é atingida pela condição infindável da lingua-
do, nesse sentido, deve ser repensada, pois, assim como gem, um sistema de significação aberto. E este processo
afirma Pfeiffer (2003), “[...] para nós a interpretação não é gerenciado por dois eixos que organizam o movimento
pode ser vista como mera decodificação [...]. Deste modo, de “significação entre repetição e a diferença”, conside-
não há como entender que ao aluno – ao leitor – basta rados pela autora como polissemia e paráfrase (1996, p.
ir à palavra capturar o sentido que lá está” (2003. p. 102). 13).
Pfeiffer, em sua fala, alude a uma prática discursiva da Orlandi (2001, p. 20), tratando do modo como a lín-
língua, que vai de encontro, mais uma vez, aos pressu- gua produz sentido, define o processo parafrástico como
postos da LT, pois estudar a língua no nível do discurso aquele que permite a produção do mesmo sentido sob
não permite que visualizemos um aluno “acomodado”, várias de suas formas (matriz de linguagem); e o proces-
“preso”, “fechado” para outros dizeres e outros sentidos so polissêmico como o responsável pelo fato de que são
possíveis, mas um ser pensante, que lê, interpreta e pro- sempre possíveis sentidos diferentes, múltiplos (fonte de
duz sentidos, frente à variedade de usos que a língua linguagem).
pode proporcionar. Trazendo essa discussão para a sala de aula, verifi-
camos que o aluno, neste caso, ao interpretar um texto,
1. A Língua Inglesa pensada a partir da AD: movi- retorna aos mesmos dizeres, geralmente fazendo uso da
mentos de autoria paráfrase, ou seja, numa troca de palavras, ele retoma um
mesmo sentido, podendo ser este sentido aquele que a
Conforme temos observado, o ensino de LI, na escola, escola, o LD, o professor pressupõe como verdadeiro e
tem se estruturado na perspectiva teórica da LT, que tra- único ou, ainda, um sentido atribuído com base em seu
balha com o objeto texto entendido como um produto conhecimento de mundo. Para Lima (2009), “Nesse caso,
da língua, dotado de intenções que, em sala de aula, de- existe o risco de que a leitura seja apenas uma decodifi-
vem ser assimiladas pelo aluno, para que o ato da comu- cação e não o descortinar do mundo que se abre a partir
nicação não seja falho, ou seja, para que o aluno consiga do texto” (2009, p. 51).
captar eficazmente a mensagem do autor, sem qualquer Isso não significa, no entanto, que a paráfrase não
problema de interlocução. seja significativa para o processo de ensino e de apren-
Verificamos, no entanto, que num trabalho como esse, dizagem de LI, afinal o aluno não estará, em sala de aula,
concentrado na decifração do código linguístico, a escola sempre fundando sentidos novos, diferentes e originais,
ensaia movimentos de decodificação das ideias que um ou seja, produzindo no eixo polissêmico da língua. O alu-
texto pode conter. O aluno não estaria, neste caso, in- no, enquanto sujeito, teoricamente concebido pela AD
terpretando, pois na base teórica da AD, a interpretação como aquele que existe socialmente, interpelado pela
vai muito mais além que a decifração do que já está dito, ideologia, encontra-se em meio a essas duas formas dis-
pois submete o trabalho dos sentidos às determinações tintas de produção de sentidos e é dessa forma que se
da exterioridade. Sendo assim, não buscamos, do ponto constitui autor.
de vista da interpretação discursiva, o que o texto quer Na perspectiva da AD, a noção de sujeito deixa de
dizer, mas como ele significa nas condições em que apa- ser uma noção idealista, imanente; o sujeito da lingua-
rece. Neste entendimento, para Orlandi (2001), gem não é o sujeito em si, ou seja, conforme ressalta
Os dizeres não são, como dissemos, apenas mensa- Brandão (1994), o sujeito não é a origem, a fonte abso-
gem a ser decodificadas. São efeitos de sentidos que são luta do sentido, porque na sua fala outras falas se dizem
produzidos em condições determinadas e que estão de (1994, p. 92). Pensando nisso, acreditamos que a autoria
alguma forma presente no modo como se diz, deixan- envolve esses dois processos – paráfrase e polissemia –,
do vestígio que o analista de discurso tem de apreender. nos quais o aluno não só reformula dizeres legitimados,
(2001, p. 30). mas também constrói possibilidades outras de se dizer.
LÍNGUA INGLESA

A interpretação, para a AD, está na própria base da Neste momento, podemos entender autoria conforme
constituição do sentido. Para Orlandi (2003, p. 51), não Gallo (1995), a qual afirma que esta “[...] tem relação com
há sentidos dados: estes são construídos por/através de a produção do “novo” sentido, e ao mesmo tempo, é a
sujeitos inscritos numa história, num processo simbólico condição de maior responsabilidade do sujeito em rela-
e pela ideologia. ção ao sentido que o produz e, por essa razão, de maior
unidade” (1995, p. 29).

2
Cabe explicitar que, entre a paráfrase e a polissemia, os sentidos, num processo de ressignificação, num movi-
entre o mesmo e o diferente, pelo já dito e pelo não mento polissêmico de produção do novo, dando abertu-
dito é que os sujeitos e os sentidos se significam, abrin- ra, assim, para a constituição do sujeito autor.
do caminho para a interpretação. Assim, retomando ou A língua de barro, nessa perspectiva, permite ao sujei-
originando novos dizeres, o aluno, na escola, precisa ser to aluno, em sua relação com a segunda língua, produzir
oportunizado, nas aulas de LI, a avistar outras maneiras efeitos de sentido que constroem o novo à medida que
de proferir sua fala, pois entendemos que cada um pos- trabalham a polissemia, mas que também retoma e re-
sui uma opinião que, embora mais alguém a compartilhe, torce os sentidos no eixo da paráfrase. Entendemos que
o modo de se expressar, o sentido que se atribui, o tom a língua é o material em que acontecem os efeitos de
que se imprime na voz, dentre outros aspectos, contri- sentidos, portanto, ela não pode ser tomada como um
buem para que cada um produza seu dizer de forma dis- todo fechado, cujos sentidos já sejam dados de antemão.
tinta. Nesse entendimento, Littlewood (1984), professor e É dessa forma, conforme afirma Daltoé (2011, p. 208),
pesquisador na área de LEs, expõe que “abrindo espaço para a rachadura, para a fissura, para a
quebra, para a permeabilidade dos sentidos”, defendido
[...] nós temos nos tornado cada vez mais conscien- em seu trabalho em relação à língua de Lula, que se faz
tes de que indivíduos aprendizes são diferentes uns dos possível visualizar, neste caso, no ambiente escolar, um
outros. Eles não são simplesmente uma argila macia, ensino de LI que, ao levar em conta esses elementos,
esperando para ser modelada pelo professor, mas eles trabalhe na possibilidade de proporcionar ao aluno um
têm suas próprias personalidades, motivações e estilos lugar de autoria. Orlandi (2005, p. 76) salienta que o
de aprender. Todas estas características afetam como os sujeito/aluno deve assumir a função de autor e, assim,
aprendizes atuam em sala de aula. (1984, p. 1, tradução produzir o efeito de autoria (gestos de interpretação),
nossa). pois, o autor é o lugar em que se constrói a unidade do
sujeito.
Partindo desse pressuposto, consideramos, assim
como afirma o autor, que os alunos, metaforicamente 2. Atividades de Língua Inglesa: da reprodução à
falando, não são argila, prestes a serem moldados pelo formulação de sentidos
sistema escolar. Essa matéria-prima, entretanto, pode ser
Vimos, até então, que o processo de ensino e de
pensada em relação à língua, conforme nos apresenta
aprendizagem de LI é embasado nos fundamentos da LT,
Daltoé (2011, p. 93) ao figurar uma substância que me-
entretanto, a língua de barro, descontruindo esse perfil
lhor representasse a língua política do ex-presidente da
artificial e tradicional do ensino, sugere novas possibili-
república Luiz Inácio Lula da Silva, aos modos do que fez
dades de produção de sentidos, oportunizando o sujeito
Pêcheux para representar as línguas de madeira, ferro,
a falar diferente, a mexer em seu próprio dizer, tendo aí
vento, etc. Naquele contexto, Daltoé (2011) julga “ser
uma certa margem de manejo da língua.
possível desfazer a ideia de que a única matéria-prima Assim, para ilustrar o que temos discutido sobre o
possível para a língua política seria a madeira, ou o ferro, modo como o ensino de LI é conduzido na escola, e a
para pensá-la a partir de uma outra substância, o barro, forma como estamos propondo que ele aconteça, tra-
que possibilitasse transformá-la, revirá-la, torcê-la, dis- zemos a seguir uma figura extraída do livro “Ensino de
torcê-la (2011, p. 193). Assim, trazendo essa discussão Língua Inglesa”, que apresenta uma situação comum em
para o âmbito escolar, poderíamos também pensar a LI família: pai, mãe e filho num cômodo da casa e cada um
a partir do barro, nome popular atribuído à argila, pois executando uma tarefa. Essa imagem ajuda a pensar o
entendemos que a língua, assim como o barro, permite ensino de LI por meio do caráter pedagógico da escola e,
essa torção dos sentidos, desestabilizando o que é toma- a partir daí, possibilita também introduzir um funciona-
do como evidente no contexto da sala de aula. mento discursivo nas práticas de sala de aula.
Deste modo, a língua de madeira (dura, fechada) ou
vento (volátil, fluida) mencionadas pela autora, referen-
tes à língua política designada por Pêcheux, representam
a língua trabalhada na escola, enquanto código, porta-
dora de instruções, normas e regras, pois, assim como
esses materiais, que para Daltoé (2011) “implicam a ideia
de dureza, impermeabilidade, resistência” (2011, p. 193),
o ensino de língua também apresenta tais característi-
cas no âmbito da sala de aula. Isto, porque, conforme
discutimos anteriormente, a escola encena práticas de
ensino que consistem em cópia, repetição, reprodução,
impedindo e resistindo veemente ao processo de formu-
LÍNGUA INGLESA

lação de novos sentidos. Partindo desse pressuposto, a


língua de barro vem desarrumar essas práticas, pois se
na língua de madeira e de ferro os sentidos se encontram
estagnados, estanques, aqui se torna possível mexer em Fonte: DONNINI, Lívia et al. (2010, p.37)
sua construção. Com isso, ao interpretar ou produzir um
texto na LI, por exemplo, o aluno é convidado a moldar

3
João está na sala de estar. Ele está assistindo televi- foi conquistando sua independência, sua autonomia, seu
são. A mãe dele está na cozinha. Ela está preparando o espaço. Além disso, conforme a abordagem de Doninni,
jantar. O pai dele está na sala de estar. Ele está lendo o também é possível, a partir da imagem, trabalhar a ques-
jornal. tão do ideal de família, questionando quem faz parte da
A partir da figura, verificamos que o texto ao lado da família dos alunos, como eles vivem, assim dando opor-
imagem trabalha com construções estruturais da língua, tunidade para que falem de sua família, o que gostam
ao abordar o tempo verbal present continuous e o vo- nela e o que poderiam fazer para melhorar a convivência
cabulário de família, no entanto, Doninni (2010), docen- entre as pessoas.
te na área de metodologias do ensino de LI, afirma que Esse modo de trabalhar com a LI autoriza o aluno a
“[...] cabe indagar em que contexto de uso alguém diria atribuir um novo sentido à imagem, pois não estaria cin-
ou escreveria uma sequência de frases assim organiza- gido por regras de bem dizer e condenado a uma cons-
da” (2010, p. 38). Isto, porque o ato da comunicação não trução simbólica de texto, conforme apresentamos, pois
obedece a um critério metódico de disposição de frases, ao estar isento de atividades automáticas, ele consegue
acontece no dia a dia, involuntariamente, sem submeter- atribuir sentido à atividade. E, conforme vimos, como o
-se às regras da língua. aluno não é argila, pronto para ser moldado, consequen-
Isso nos faz pensar, portanto, no perfil dos textos temente, ao levantar essas questões em sala de aula,
que estamos trabalhando no ensino de segunda língua, cada um terá uma imagem de família diferente, uma vi-
pois, conquanto que o texto pedagógico ainda atenda são de sociedade diferente e, desta forma, os sentidos
finalidades específicas na língua – pronomes, verbos, vo- vão sendo constituídos de modo a possibilitar ao aluno a
cabulário –, para Doninni (2010) “O ensino baseado ex- inscrição no espaço de autoria.
clusivamente em textos desse tipo desvincula a língua São propostas de atividades desse tipo que devem
de seus usos e de seus usuários, e contribui para a sepa- ser exploradas no campo da LI, pois o aluno terá abertura
ração entre o inglês “da escola” e o inglês “do mundo”” para falar sobre o texto em questão. Assim, mesmo que
(2010, p. 38). Ou seja, conforme as discussões anterio- ele se recuse a falar o que pensa sobre essas questões na
res, referentes à autoria, textos como esse da atividade
língua-alvo, ele pode fazer suas contribuições na língua
servem como exemplo de práticas de ensino que dizem
materna e, assim, o professor, num trabalho de media-
respeito apenas à cópia/reprodução de conteúdos na es-
ção, pode também contribuir com vocabulários especí-
cola e não, neste caso, à vivência do inglês no mundo,
ficos, frases e conceitos-chave, de modo que o aluno se
pois dispensam a abordagem de aspectos significativos
habitue a trabalhar com o idioma.
que poderiam alçar outros sentidos possíveis no trabalho
com a língua.
Essa integração com a segunda língua é necessária
Atividades como essa, neste entendimento, repre-
para que o aluno se sinta à vontade ao praticá-la, sem
sentam o lugar ocupado pela língua de madeira, imper-
meável aos sentidos, conforme discutimos, que veda a que, para isso, ele precise decorar regras. Assim, de ma-
produção do novo e, consequentemente, também o es- neira espontânea, é possível desenvolver um trabalho
paço de autoria na sala de aula. Assim, para que haja que, ao mesmo tempo em que se concentra na aprendi-
possibilidade de o aluno constituir-se como autor, é ne- zagem de uma segunda língua na escola, também abra
cessário que mais que explorar os aspectos estruturais de possibilidade para que o sujeito origine uma fala e, a par-
sua organização, ele seja convidado a mexer na língua de tir dela, constitua-se autor. Não se quer, nesse sentido,
barro, inaugurando e resgatando outros sentidos nessa dizer que as regras não devam ser ensinadas, mas supri-
relação que estabelece com a língua. mir, conforme Doninni (2010), “a noção de que primeiro
Dessa forma, para que essa atividade não se resuma à é preciso aprender a língua para depois aprender a usar
ordem da repetição, estampando o modo como a auto- a língua” (2010, p. 37). Entendemos que o processo de
ria acontece na escola ao modo da LT, faz-se necessário ensino e de aprendizagem de LI deva acontecer por meio
que a apresentemos de outra maneira em sala de aula, da vivência do idioma, sem obedecer a uma cronologia
abrindo espaço para a construção de sentidos, pelo viés que dita o que vem primeiro e o que vem depois, neste
da AD. Doninni (2010) afirma que é possível, neste caso, caso, inicialmente as regras e, consecutivamente, a práti-
“[...] propor uma discussão a respeito dos papéis desem- ca da língua-alvo.
penhados pelos personagens ilustrados [...] e a própria É preciso, pois, que pensemos outra posição do
imagem da família mononuclear (com pai, mãe e filho)” aluno em relação à língua e, com isso, partamos para
(2010, p. 38). Essa reflexão sobre a atividade, portanto, uma aprendizagem de LI que não segregue o que é da
retomando o que vimos sobre a língua de barro, permite fala, o que é da escrita e o que é da comunicação, como
ao aluno ‘brincar’ com essa substância, num movimento se a vivência da língua acontecesse separadamente,
de significação e ressignificação de sentidos e, assim, fa- desassociada, isolada dos elementos que são próprios
zendo valer seu lugar de autor. de sua organização.
Trazendo a metáfora do barro para dentro da sala de Nesse sentido, ao elencarmos tais elementos – fala,
LÍNGUA INGLESA

aula, aqui especificamente para tratar dessa atividade, o escrita, comunicação, etc. –, podemos harmonizar prá-
professor poderia instigar os alunos, a partir dos papéis ticas que deem conta de trabalhá-los simultaneamente
desempenhados pelos personagens dessa atividade, a no contexto da sala de aula. Assim, torna-se possível vi-
pensar sobre como a sociedade estabelece as funções de sualizar um ensino de segunda língua que não aconteça
homem e mulher, como essas atribuições foram se con- de modo ramificado, fragmentado, estanque, conforme
solidando ao longo dos anos, e de que forma a mulher pressupõe a escola, mas que, a partir de práticas de ati-

4
vidades como a que aqui construímos, possa autorizar o no constrói e direciona os sentidos que busca alcançar
aluno a fabricar ou restaurar sentidos e reconhecer-se, a partir das imagens (textos), estabelecendo um diálogo
identificar-se como autor de suas produções. entre a representação visual e a parte escrita do texto.
Proposta de ensino de Língua Inglesa num viés discur- Entendemos, desta forma, que há um leque de in-
sivo terpretações possíveis, que vêm à tona mobilizando di-
A partir das discussões realizadas, ousamos, aqui, ferentes opiniões, pois no ponto de vista de um aluno,
apresentar uma proposta para o ensino de LI nas escolas, por exemplo, “Don’t you worry, don’t you worry child, see
descritas a partir de experiências da autora, e que apon- heaven’s got a plan for you” (Não se preocupe, não se
tam para a formação do aluno-autor. preocupe criança, os céus têm um plano pra você) pode
Proposta: Vídeos – Música e Imagem significar que alguém está passando por alguma dificul-
dade de cunho social, econômico, já outro aluno pode
Procedimentos: interpretar que alguém sofreu uma desilusão amorosa
ou foi vítima de acidente, etc.
1. Escolher uma letra de música em inglês; Sob essa perspectiva de diferentes interpretações,
2. Entregar a letra (inglês e português) até o dia es- é possível, ainda, que um aluno, ao ouvir a música pela
tabelecido; primeira vez, faça uma leitura distinta da segunda ou ter-
3. Não escolher músicas com temas inapropriados; ceira vez que escutá-la. Essa interpretação, no caso, pode
4. Para cada verso da música, escolher uma imagem ser determinada pelo lugar em que ele está, o momento
que o represente; que está vivendo, as pessoas que estão ao seu redor, en-
5. As imagens podem ser retiradas da internet, filmes fim, há inúmeras possibilidades que podem determinar
em geral; que o sentido pode ser um ou outro, pois os sentidos
6. Juntamente com as imagens, a música deverá ter são constituídos nesse processo parafrástico e polissêmi-
legenda (Ing/Port); co da língua, que temos tratado na AD.
7. O trabalho deverá ser entregue em CD ou DVD de- Ainda, essa proposta de ensino inclui cinco questões
vidamente identificado; de interpretação e cinco questões de gramática, porque
8. Entregar uma cópia da música para a turma, apenas quando os alunos, em grupo, elaborarem as questões
com a versão em inglês; de interpretação terão que visualizar na música perso-
9. A cópia deverá conter 5 questões de interpretação nagens, momentos, história, enfim fazer uma leitura e,
e 5 de gramática; então, organizar perguntas que possibilitem aos seus co-
10. Dominar a letra em inglês para cantá-la com a tur- legas de classe trabalhar a segunda língua. E, quanto às
ma no dia da apresentação. questões de gramática, trata-se de uma forma de estu-
dar a língua sem “fatiá-la” e, posteriormente, classificá-la.
Os vídeos têm basicamente feito parte da vida das Com isso, as categorias gramaticais são abordadas num
pessoas, que buscam registrar momentos, guardar me- cenário linguístico, no qual o sujeito apropria-se do con-
mórias, bem como exibi-los em programas de TV, inter- texto da música e pode perceber o uso dos verbos regu-
net ou até mesmo tentar ganhar dinheiro com isso. A lares, irregulares, a utilização de pronomes, conjunções,
música, da mesma forma, desempenha um papel impor- tempos verbais diversos, enfim, há uma série de elemen-
tante na vida das pessoas, pois tem o poder de mudar tos estruturais da língua que podem ser analisados na
sua maneira de pensar, fazê-las chorar ou sorrir, resga- própria composição musical, sem a necessidade de des-
tar lembranças, recordações, lugares, sentimentos e, por vinculá-los da língua para compreendê-los.
isso, elas se identificam com a letra ou a melodia, capaz Para dar continuidade à proposta, sugerimos que os
de elevar sua autoestima e/ou causar desconforto, an- alunos dominem a letra da música e a cantem para a tur-
gústia, melancolia. A imagem – fotos, retratos, pinturas ma. Isto, porque é importante o uso da oralidade em sala
– também esboça emoções únicas, seja de pessoas, pai- de aula, pois dentre todos os elementos que estão dis-
sagens, etc. postos na estrutura da língua, a fala é crucial para o ato
A proposta em questão remete a uma aprendizagem de comunicação. Além disso, na LI, a escrita das palavras
de língua que, a partir das filiações do aluno, faça-o pen- difere da pronúncia, o que torna ainda mais proeminen-
sar sobre a música, compreendendo por que gosta da te que os alunos utilizem o oral para se expressarem na
letra, por que se identifica com a melodia, e de que for- língua alvo. É importante salientar que essa proposta de
ma isso interfere na posição que ocupa em sala de aula. ensino ainda conta com o alicerce cultural, pois a músi-
Nesse sentido, essa proposta, a partir da música que os ca, dentre outras características, aborda questões/temas
próprios alunos selecionaram, convida-os a produzir um culturais que são de grande valia para o aprimoramento
vídeo reunindo imagens que desenham a parte acústica, e enriquecimento no idioma em questão.
de modo que eles possam expressar os versos da letra Neste caminho, entendendo cultura conforme Lima
por meio de representações que, aos olhos do aluno, re- D.C (2009), “como padrões compartilhados de comporta-
ferem-se ao que a música supõe, presume, exprime e/ mentos e interações, construtos cognitivos, e compreen-
LÍNGUA INGLESA

ou significa. são afetiva que são adquiridos por meio de um processo


Esse trabalho é bastante significativo, pois o aluno de socialização” (2009, p. 182), é possível arraigar o en-
envolve-se com a música e atribui a ela significados dis- sino do idioma a partir das músicas, que abrigam todos
tintos, sentidos que, por sua vez, são construídos nesta esses aspectos delimitados pelo autor. As músicas socia-
interação existente entre o sujeito e a linguagem. Pode- lizam ideias e, conforme Gobbi (2001), especializada em
-se dizer, assim, que por meio da letra da música, o alu- LI, com ênfase em estratégias musicais, elas “fornecem

5
textos autênticos que estimulam a compreensão auditiva Diferentes metodologias de ensino de línguas, ao
e o debate” (2001, p. 29), além disso, ainda segundo a au- longo do tempo, têm evidenciado diferentes concepções
tora, também “representa[m] um grande elo comunicati- sobre linguagem e como esta é aprendida e ensinada.
vo. É a linguagem do som e letra que chegam ao ouvinte No contexto do ensino de línguas estrangeiras em sala
em forma de comunicação” (2001, p. 40). Desta forma, é de aula, este processo está vinculado a decisões sobre
possível afirmar que a música amplia o universo cultural o conteúdo programático e sua sequência. Coexistem
do aluno, ao apresentar ritmo e letra, que dialogam com visões de língua como fenômeno a ser cuidadosamen-
a posição social que ele ocupa e, com isso, constitui-se te selecionado e segmentado, e como fenômeno a ser
em uma estratégia de ensino, capaz de treinar a oralida- apresentado em seu contexto natural ou genuíno.
de, a pronúncia, ampliar seu vocabulário na língua-alvo
e, principalmente, atender ao que temos proposto nesse Nos últimos tempos, as tendências no ensino de lín-
trabalho: produzir sentido a partir dos movimentos de guas estrangeiras têm sido caracterizadas por influências
autoria no idioma. teóricas que destacam a comunicação, introduzindo-a
como um dos pontos centrais do processo de ensino-
-aprendizagem. Como podemos observar nos PCNs-LE
que diz:

[...] utilizar as diferentes linguagens. Verbal, musical,


matemática, gráfica, plástica e corporal como meio para
produzir, expressar e comunicar suas ideias, interpretar e
Figura 1 – Exemplo de imagem e legenda de vídeo usufruir das produções culturais, em contextos públicos
e privados, atendendo a diferentes intenções e situações
de comunicação; (PCN–LE, 1998: 08.)

Uma das principais inovações da abordagem comu-


nicativa no ensino de línguas estrangeiras diz respeito
ao fato da mesma substituir o modelo de ensino centra-
Fonte: Print Screen de um vídeo de autoria dos alunos. do em formas gramaticais, passando a englobar, além
da competência linguística, outros tipos de competên-
Figura 2 – Exemplo de imagem e legenda de vídeo cias necessárias ao falante da língua (CANALE e SWAIN:
1980).
Parte-se da idéia da língua como um instrumento de
interação humana. A cultura subjetiva, isto é, os valores
e as normas culturais, determinam os diversos modos de
interação entre um falante e um ouvinte. Tais valores e
normas encontram-se presentes na competência comu-
nicativa dos participantes, ao fazerem determinadas es-
colhas durante a interação social.
A língua é um instrumento vivo e constantemente
em desenvolvimento. Diariamente, ela sofre influência da
cultura, seja na escrita ou na fala, “[...] dificilmente lín-
gua e cultura podem ser separadas. Consideramos que
a língua é um dos sistemas de expressão de uma cultu-
ra e que diferentes línguas apresentam preferências que
são influenciadas pela cultura” (GRABE & KAPLAN, 1989
apud OLIVEIRA, 2000: 50).
Fonte: Print Screen de um vídeo de autoria dos alunos. Neste sentido, a mudança de abordagem implica
também na necessidade de se criar as condições neces-
3. Abordagem e metodologia de Língua Inglesa no sárias para a aplicação do método de ensino-aprendiza-
Ensino Fundamental na escola gem em sala de aula tendo em vista as diferentes formas
de pensar do falante.
O ensino de línguas estrangeiras pode ter por base Assim sendo, a presente monografia tem por finali-
diferentes concepções acerca da linguagem, bem como, dade estudar as metodologias e técnicas para aquisição
de que modo essas línguas podem ser aprendidas e en- da linguagem no processo de aprendizagem de língua
sinadas, estando o ensino vinculado a decisões sobre o estrangeira.
conteúdo programático e sua sequência. Para tanto, faz-se inicialmente um breve comentário
LÍNGUA INGLESA

Em função disso, o ensino de línguas estrangeiras sobre aquisição de una língua estrangeira e em seguida
enfrenta inúmeras críticas e questionamentos, tendo em um breve estudo sobre os diferentes métodos de ensino,
vista a priorização da necessidade de se avaliar e pensar destacando: método de gramática-tradução, método di-
o ensino de maneira mais condizente com a realidade do reto, método oral e ensino de línguas situacional, méto-
aluno, do professor e da escola. do áudio-lingual e, por fim, a abordagem comunicativa.

6
Em seguida, conforme mencionado descrever-se-á o Há algum tempo, uma nova proposta de ensino de
estudo das metodologias e técnicas para aquisição da Língua Estrangeira veio consolidar o pensamento de Ubi-
linguagem no processo de aprendizagem de língua es- ratam D’ Ambrósio, pois, para que o homem exerça sua
trangeira na escola Rainha da Paz no município de Vale cidadania é preciso que ele domine a linguagem.
de São Domingos. Finalizando, será estudado o contexto,
o objeto do trabalho, o qual diz respeito ao ensino da O mundo contemporâneo, em constantes mudanças,
língua estrangeira, para então se fazer algumas conside- exige cada vez mais da sociedade um preparo educacio-
rações finais acerca do tema estudado. nal maior e de melhor qualidade. Estima-se que, atual-
mente, mais de milhões de pessoas falam o inglês em
4. O problema todo o mundo. Isso ocorre devido ao grande poderio
político e econômico do império britânico, associado ao
O problema que envolve o tema está expresso em crescimento dos meios de comunicações e, hoje, princi-
forma de algumas perguntas relevantes do ponto de vis- palmente, à globalização.
ta teórico e prático, assim formuladas: Disse Schütz (2003) numa Palestra apresentada no
Como os professores têm feito uso das metodologias III Seminário Internacional em Letras da UNIFRA / Santa
e técnicas descritas para o ensino de língua inglesa? Maria-RS, que:
A atual revolução das telecomunicações proporciona-
5. Metodologia da pela informática, pela fibra ótica, e por satélites, despe-
jando informações via TV ou colocando o conhecimento
A realização de um trabalho com estas característi- da humanidade ao alcance de todos via INTERNET, cria o
cas e objetivos requer o desenho preciso do horizonte conceito de autoestrada de informações. Estes dois fato-
metodológico onde ele será inserido. A princípio, busca- res bem demonstram como o mundo evoluiu a ponto de
-se orientação através dos conceitos acerca do tema em tornar-se uma vila global, e o quanto necessário é que se
questão, objetivando facilitar sua compreensão e desen- estabeleça uma linguagem comum. (SCHÜTZ, 2003)
volvimento. Tendo em vista às rápidas mudanças na sociedade
atual, cabe ao professor, além do ensino de língua in-
Os meios pelos quais se pretende buscar a funda-
glesa, promover o desenvolvimento de habilidades que
mentação necessária para discorrer a respeito deste
permitam ao aluno ser o precursor de seu processo de
tema, bem como, encontrar as respostas para as ques-
aprendizado, ou seja, um aluno autônomo sabe que tem
tões norteadoras que motivaram a pesquisa, consistirão
um papel ativo a cumprir em seu processo de aprendiza-
no desenvolvimento de uma análise através da matriz
gem, pois o que vai diferenciá-lo das outras pessoas é o
teórica: a analítica. O método de trabalho compreende
domínio da linguagem, tanto a materna quanto a língua
a utilização do método histórico-comparativo na busca
inglesa, que cada vez mais é utilizada na comunicação
dos subsídios necessários para o seu desenvolvimento.
mundial.
Para tanto, as questões norteadoras que motivaram a Na mesma direção afirma Bourdieu, na sociedade,
pesquisa consistirão em um levantamento bibliográfico, além dos bens materiais - força de trabalho, mercado-
baseado em material publicado em livros, periódicos, In- rias, serviços circulam também bens simbólicos - in-
ternet, e também no relatório obtido na escola escolhida formações, conhecimentos, livros, obras de arte, entre
para a observação, entre outros. outros. A linguagem é um bem simbólico; se podemos
dizer que na estrutura social capitalista existe a troca de
AQUISIÇÃO DE LINGUAGEM bens materiais e simbólicos, que cria relações de força
materiais e simbólicas, podemos entender que na comu-
No Brasil, a mudança na educação vem sendo cada nicação existe também uma relação de força simbólica,
vez mais discutida. Esta reorganização do ensino Funda- onde podemos identificar “possuidores” e “possuídos”,
mental é devido ao processo de universalização da edu- “dominantes” e “dominados” (BOURDIEU, 1975).
cação básica que começou a partir do século XX.
O mundo vem evoluindo a cada dia e a escola não De acordo com os PCNs:
pode ficar estagnada no tempo com o desenvolvimento
da indústria, a expansão dos meios de comunicação e da O domínio da linguagem oral e escrita é fundamental
tecnologia, os métodos e conteúdos da escola tornaram- para a participação social efetiva, pois é por meio dela que
-se um fator a ser questionado e discutido. o homem se comunica, tem acesso à informação, expressa
A proposta de reformulação do ensino de Língua Es- e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões do
trangeira é de longas datas. Desde épocas anteriores a mundo, produz conhecimento. (P.C.N, 1997, p. 13)
nossa, já se percebia a necessidade de mudanças, pois o Neste sentido, para que isso aconteça é preciso que
maior fator de reprovação escolar em todos os âmbitos a escola leve a todos os seus alunos os saberes linguísti-
era a deficiência na leitura e na escrita. cos. Esta é uma das responsabilidades da escola: tornar
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Segundo Ubiratan D’Ambrósio: “a educação prepara acessível aos alunos conhecimentos que os possibilitem
os indivíduos para o exercício da cidadania plena, aju- exercer a cidadania.
dando-os a exercer seus direitos associados as respon- Por isso, o ensino da Língua Estrangeira não pode ser
sabilidades e deveres de todo o cidadão consciente e apenas o ensino da gramática, com exercícios contínuos
critico” (P.E.P. EMT. 1995, p. 10) de descrição gramatical, estudos de regras e hipóteses de
problemas, usando frases e termos descontextualizados.

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De acordo com Paiva: quase todo o campo da análise linguística e o peso das
Nos dias de hoje, entender ensino de língua como suas conceituações é bastante forte na história das ideias
restrito à aprendizagem de gramática e vocabulário pou- gramaticais (NEVES, 2002, p.52).
co ajuda o aluno a lidar com a realidade em que nos en- No século XX inauguram-se duas grandes correntes
contramos, onde o inglês cada vez mais nos cerca. (V.L.M. que influenciaram sobremaneira as gramáticas científi-
Paiva, 2007, p.32) cas: o estruturalismo e o funcionalismo. Na história da
Neste sentido, a gramática não pode ser ensinada gramática tradicional, nos impressiona o fato de que
desvinculada das práticas de linguagem, a gramática tra- todos estes estudiosos mencionados, cada um em seu
balhada de maneira desarticulada da linguagem serve tempo, com as suas ideologias vigorantes, trataram a lín-
apenas como mais um conteúdo que precisa ser decora- gua como uma matéria que não se esgota em si mesma
do para tirar notas na prova. em termos de conhecimento. Dos estudiosos clássicos
aos contemporâneos, todos de alguma forma influencia-
MÉTODOS DE ENSINO ram as gramáticas tais quais conhecemos hoje. Uns me-
nos, outros mais. Uns de forma mais contributiva, outros
No decorrer do processo de evolução do ensino de menos.
línguas estrangeiras, foram desenvolvidas diversas abor- Assim, no caso da língua estrangeira, a maioria dos
dagens ensino, cada qual apresentando uma visão par- livros didáticos são construídos por regras gramaticais,
ticular acerca do que é língua, e qual o melhor modo de listas de vocabulário e frases para tradução.
ser ensinada e aprendida (LEFFA, 2003). Desta forma, falar a língua estrangeira não representa
De acordo com Anthony, quando se fala em meto- o objetivo, sendo que a prática oral consiste no fato dos
dologia, fala-se no nível nos quais suposições e crenças alunos lerem em voz alta as frases que eles traduzem, as
acerca da língua e da aprendizagem de língua são espe- quais, por sua vez, são construídas para ilustrar o sistema
cificadas (apud RICHARDS e RODGERS, 1986). gramatical da língua.
Para Franzoni (1992) os métodos e técnicas de ensino Dentro desse contexto, a língua é então concebida
se modificam na medida em que variam seus pressupos- como uma estrutura, na qual o importante é aprender as
tos, dentre os principais métodos, pode-se destacar: suas regras e formas.

1. Método de gramática-tradução 2. Método direto

Neste tipo de metodologia, o processo de ensino – O método direto tem por princípio fundamental o
aprendizagem não tem como objetivo o foco no signi- fato de que o aprendizado de uma língua estrangeira
ficado das expressões dos alunos, porém e apenas na deve ocorrer por meio do contato direto com esta. A lín-
forma da língua. gua materna, portanto, deve ser excluída da sala de aula.
Neste tipo de abordagem, a finalidade de se estudar No que se refere às atividades propostas aos alunos,
uma língua estrangeira consiste em prender a língua inte- Cestaro (2002) afirma serem as mesmas diversificadas,
lectualmente, possibilitando com isso o acesso a textos li- tais como: a) compreensão do texto e dos exercícios de
terários, bem como um domínio da gramática normativa. gramática, b) transformação a partir de textos de base,
Apesar de ser amplamente criticada como ultrapas- c) substituições, d) reemprego de formas gramaticais, e)
sada e normativa devemos à tradição gramatical que correção fonética e; f) conversação.
remonta à antiguidade greco-romana boa parte de nos- Ainda segundo Cestaro (2002), os exercícios de con-
sa informação gramatical. A classificação das palavras e versação têm por base perguntas / respostas, perguntas
suas variações tal qual são ensinadas hoje em dia, é uma essas fechadas, nas quais se realiza uma preparação oral
herança que recebemos da análise gramatical proposta dos exercícios os quais, por sua vez, devem seguir um
pelos gregos. modelo anteriormente proposto.
Pitágoras, no século V a.C., estabeleceu para a língua
grega os três gêneros e Platão distinguiu os nomes dos 3. Método oral e ensino de línguas situacional
verbos. Aristóteles, no séc. IV a.C., denominou de in-
termediário o gênero que hoje intitulamos de neutro e De acordo com o ensino de línguas situacional, a lín-
identificou variações temporais no verbo grego. Os es- gua é concebida como sendo um conjunto de estruturas
tóicos distinguiam quatro partes do discurso: nome, ver- relacionadas a situações.
bo, conjunção e artigo, sendo que o adjetivo integrava a A teoria de aprendizagem desta abordagem consiste
classe do nome. no tipo de hábito de aprendizagem. Para tanto, utiliza-se
Os alexandrinos estabeleceram paradigmas flexionais de frases previamente prontas, que são apresentadas aos
e acrescentaram às categorias do nome, verbo, conjunção alunos e relacionadas a diferentes situações ou contextos
e artigos, as classes do pronome, advérbio, preposição e para que esses as memorizem e repitam.
particípio. A disciplina gramática, tal qual conhecemos Frisby (1957 apud RICHARDS e RODGERS, 1986, p.36),
LÍNGUA INGLESA

hoje, aparece na época helenística (NEVES, 2002, p.50). cita o ponto de vista de Palmer como autoritário: “Como
Outro gramático de extrema importância à história Palmer apontou, há três processos na aprendizagem de
da gramática ocidental foi Apolônio Díscolo, do II sé- língua – receber o conhecimento ou o material, fixá-lo na
culo d.C. A sua importância deve-se ao fato de ele ter memória por repetição e usá-lo numa prática real até ele
inaugurado os estudos da análise sintática. Além disso, a se tornar uma habilidade pessoal”.
sua obra é muito extensa, os assuntos tratados cobrem

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Desse modo, frases já prontas são apresentadas aos cimentos psicolinguísticos, sociolinguísticos e pragmáti-
alunos, sendo relacionadas a diferentes situações ou cos) e a habilidade de saber o quê, para quem e como
contextos para que os alunos as memorizem e repitam. produzir enunciados adequados a qualquer situação.
Esses exercícios de repetição são referidos como ‘drills’. Esse enfoque de Dell Hymes gerou a abordagem co-
municativa no ensino de línguas, influenciando principal-
4. Método áudio-lingual mente o ensino de língua estrangeira. Essa abordagem
considera necessárias no ensino tanto a competência
As atividades da metodologia áudio-lingual consis- linguística, como o uso dessa competência em situações
tem em diálogos e ‘drills’. Os alunos não utilizam a sua concretas de comunicação.
criatividade nem suas experiências prévias, tendo em Canale (1984), baseado nas idéias de Dell Hymes,
vista o fato de utilizarem diálogos previamente criados desenvolveu um modelo de competência comunicativa
no sentido de fornecer os meios para contextualizar as que envolvia a competência gramatical, a competência
estruturas principais da língua, bem como, ilustrar as si- sociolinguística, a competência discursiva e a competên-
tuações em que as mesmas podem ser aplicadas, como cia estratégica.
alguns aspectos culturais da língua-alvo (RICHARDS e A competência gramatical diz respeito ao domínio da
RODGERS, 1986). língua, entendida como um sistema, englobando os co-
nhecimentos fonológicos, morfológicos, sintáticos e se-
5. Abordagem comunicativa mânticos, além de pronúncia e ortografia. A competência
sociolinguística compreende os fatores de uso da língua
Uma das principais inovações da abordagem comu- em diferentes contextos, depende de fatores contextuais
nicativo em relação às demais anteriormente citadas diz como o status dos participantes, o propósito da intera-
respeito ao fato desta preocupar-se em levar para a sala ção, além das normas e convenções dos grupos sociais e
de aula materiais e tarefas que têm como preocupação do repertório do indivíduo. A competência discursiva diz
central o significado ao invés da forma da língua. respeito à conexão de uma série de orações e frases com
a finalidade de formar um todo significativo. Este conhe-
De acordo com Richards e Rodgers (1986), o ensino
cimento tem de ser compartilhado pelo falante/escritor
comunicativo de línguas encontra as suas origens no
e ouvinte/leitor. A competência estratégica é entendida
processo de mudanças da tradição de ensino na década
como a competência para compensar a falta de conheci-
de1960. A abordagem comunicativa do ensino de lín-
mento das regras de uso da língua.
guas parte de uma teoria de língua como comunicação.
Assim sendo, a finalidade central do ensino de línguas
Travaglia (2000, p.19) também insere a questão ao
consiste no desenvolvimento da chamada “competência
contexto sócio-cultural do falante. Considera a compe-
comunicativa” (RICHARDS e RODGERS, 1986).
tência comunicativa como uma:
6. A competência comunicativa [...] capacidade dos usuários de empregar adequada-
mente a língua nas diversas situações de comunicação e
O termo competência comunicativa foi proposto progressivamente desenvolver a capacidade de realizar a
por Dell Hymes (1979), sócio-linguista norte-americano, adequação do ato verbal às situações de comunicação.
para definir os aspectos envolvidos na aprendizagem
de língua materna sob um enfoque funcional da língua. O autor entende que essa capacidade se desenvolve a
Dell Hymes analisa a organização dos recursos de fala partir das competências textuais e gramaticais ou linguís-
e dos repertórios que os falantes utilizam em diferentes ticas, definidas como:
contextos e nas diversas interações humanas, a fim de - competência gramatical: no mesmo sentido de Dell
descobrir as competências e habilidades dos indivíduos Hymes e Canale, é definida como a capacidade de
para se comunicarem, sem dissociá-los da comunidade gerar sequências reconhecidas por todos os usuá-
linguística a que pertencem. rios da língua como gramaticais;
O sentido de competência comunicativa conceitua a - competência textual: capacidade de produzir e com-
língua, não como um comportamento individual, porém, preender textos considerados bem formados em
como um comportamento de muitos sistemas simbóli- situações de interação comunicativa. Dela derivam
cos que membros de uma sociedade usam para se co- algumas capacidades: a) Capacidade formativa: de
municarem. reconhecer, produzir, compreender e avaliar tex-
Dell Hymes (1979) menciona vários fatores que in- tos; b) Capacidade transformativa: de transformar
teragem para determinar a competência comunicativa, um texto a partir de outro (s). Por exemplo, para-
entre eles, a capacidade gramatical e a aceitação. Esta úl- frasear, resumir, resenhar, escrever uma crônica a
tima originada em parâmetros básicos expostos em qua- partir de um relato, uma crítica sobre uma peça de
tro fatores para garantir a comunicação: ser formalmente teatro (um hipertexto a partir de um texto), etc; c)
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possível; ser possível em relação ao significado comuni- Capacidade qualitativa: perceber e classificar tipos
cativo disponível; ser adequado ao contexto no qual é de textos (gêneros) diferentes.
usado e avaliado; ser desempenhado de fato.
Em suma, a competência comunicativa, para Dell Hy- Para isso, vê como necessário promover o contato do
mes, pode ser definida como a capacidade do indivíduo aluno com a maior variedade possível de situações de in-
de conhecer o sistema linguístico (incluindo os conhe- teração, por meio de um trabalho de análise e produção

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de enunciados ligados aos vários tipos de situações de que normalmente interferem no enunciado, tais como
enunciação. Além de promover também o conhecimento conversas de fundo, vozes distorcidas no telefone, so-
da instituição linguística, “da instituição social que a lín- taques, etc.
gua é, de como está constituída e de como funciona” e No caso dos textos escritos, não se deve restringi-lo
as habilidades de observação e de argumentação acerca aos livros ou artigos de revistas, porém abranger todas as
da linguagem, a partir do modo de pensar científico, do modalidades de impresso como jornais, cartas, formulá-
raciocínio lógico, da abstração. rios, catálogos, cardápios, mapas, bilhetes, cartões, etc. A
utilização de textos simplificados deve ser evitada, uma
7. Principais características da abordagem comu- vez que prejudica a autenticidade do material (LEFFA,
nicativa 2003, p. 14-15).

Dentre as principais características da abordagem Fonte:


comunicativa pode-se destacar: a) enfatizar a produção http://linguagem.unisul.br/paginas/ensino/pos/lin-
de significado, de sentido em detrimento das formas do guagem/eventos/simfop/artigos_VI%20sfp/Camila%20
sistema gramatical e; b) ensinar a língua estrangeira de dos%20Anjos_Ingl%C3%AAs.pdf
modo que a mesma se aproxime das situações exteriores https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/arti-
à da sala de aula, denominadas por alguns autores de gos/direito/abordagem-e-metodologia-de-lingua-ingle-
‘mundo real’. sa-no-ensino-fundamental-na-escola/56678
De acordo com Littlewood (1981), a abordagem co-
municativa abre uma ampla perspectiva na língua, uma LEITURA DE TEXTOS. INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS.
vez que, considera a língua não apenas em termos de
suas estruturas (gramática e vocabulário), mas também 1. COMPREENSÃO
em termos de funções comunicativas que ela representa.
Desta forma, passa-se então a observar não somente O processo da compreensão escrita e oral envolve
as formas da língua, contudo, também o que as pessoas fatores relativos ao processamento da informação, cog-
fazem com estas formas no momento em que elas dese-
nitivos e sociais. Os fatores relativos ao processamento
jam se comunicar (LITTLEWOOD, 1981).
da informação têm a ver com a atenção, a percepção e
Na mesma direção, afirma Almeida Filho (1993), que
decodificação dos sons e letras, a segmentação morfoló-
o ensino comunicativo consiste naquele que organiza as
gica e sintática, a atribuição do significado ao nível léxi-
experiências de aprender em termos de atividades rele-
co-semântico, e a integração de uma informação a outra.
vantes, tarefas de real interesse, bem como as necessida-
Os fatores cognitivos envolvem a contribuição do leitor/
des a fim de que o mesmo possa adquirir a capacidade
ouvinte, a construção do significado (a formulação de hi-
de utilizar a língua-alvo para realizar ações reais na inte-
ração com outros falantes-usuários dessa língua. póteses sobre os significados possíveis com base no seu
Segundo Thompson (1996), são várias as concepções pré-conhecimento de mundo) e de organização textual
equivocadas que alguns professores de língua estrangei- e os fatores sociais, que englobam a interação/falante
ra possuem acerca da abordagem comunicativa, sendo e escritor/ouvinte localizada na história, na instituição e
que uma delas diz respeito ao ensino da gramática, ten- na cultura. Isso significa dizer que compreender envolve
do em vista o fato de muitos professores afirmarem que crucialmente a percepção da relação interacional entre
o ensino da gramática não ocorre na abordagem comu- quem fala, o que, para quem, por que, quando e onde.
nicativa. Deve-se dizer, ainda, que a compreensão é uma ati-
Para Thompson (1996), tal afirmação é incorreta, pois vidade com propósito definido, pois aqueles envolvidos
o que se tem é uma nova concepção em substituição nesse processo estabelecem objetivos quanto à finalida-
ao tratamento tradicional das regras gramaticais. Para o de do ato de compreender em que estão engajados (por
autor, na medida do possível, os alunos são inicialmen- exemplo, ler um jornal, ouvir uma notícia no rádio, com-
te expostos à nova língua num contexto compreensível, preender um texto escrito sobre as regras de um jogo,
assim, eles são capazes de entender a sua função e o ler uma bula etc., definem objetivos de compreensão
seu significado e então depois é que a atenção deles é específicos).
voltada para examinar as formas gramaticais que foram Outro aspecto importante é que o resultado do pro-
aplicadas para expressar aquele significado. cesso de compreensão é variado por estarem envolvidas
Neste sentido, a abordagem comunicativa inova em pessoas diferentes, com propósitos interacionais nem
relação às demais abordagens, tendo em vista se preo- sempre iguais, e conhecimento de mundo variados. Na
cupar primeiramente com o domínio dos significados da sala de aula, esse resultado envolverá, portanto, as con-
língua ao invés da forma. tribuições, as divergências, crenças e valores dos parti-
A segunda característica da abordagem comunicativa cipantes desse contexto na construção social do signi-
consiste no fato de que o ensino de línguas deve se apro- ficado.
ximar das situações exteriores à sala de aula – o “mundo Percebe-se, portanto, a complexidade do processo de
LÍNGUA INGLESA

real”. Assim sendo, a sala de aula deve fornecer oportuni- compreensão com o qual o aluno de Língua Estrangeira
dades para o ensaio de situações e comunicações da vida se depara. Contudo, deve-se ressaltar que esse proces-
real, por meio de simulações, debates, diálogos, etc. so já foi vivenciado pelo aluno na aprendizagem de sua
Para Leffa (2003) os diálogos utilizados no processo língua materna, o que deve facilitar a aprendizagem da
de ensino-aprendizagem devem apresentar personagens compreensão escrita e oral em Língua Estrangeira.
e situações reais de uso da língua, incluindo os ruídos

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1.1. Compreensão escrita conhecimento da morfologia da Língua Estrangeira, ao
indicar o papel gramatical do item, colabora para a com-
Provavelmente, o fator mais característico da com- preensão. Por exemplo, a marca de advérbio – “-men-
preensão escrita seja a ausência do interlocutor. Ao con- te”, em espanhol e português; “-ment”, em francês; e
trário do que ocorre, em geral, na compreensão oral, “-ly”, em inglês - indica para o leitor o modo como a
normalmente o interlocutor não está presente face a ação verbal está se desenvolvendo. Parte desse tipo de
face, mas os vestígios de sua presença restam nas marcas conhecimento também engloba os elos coesivos que o
que o escritor escolheu deixar no texto. Cabe ao leitor, leitor tem de reconhecer no estabelecimento da referên-
com base nessas marcas, se envolver na “conversa” com cia pronominal, lexical etc., como também os conectores
o escritor. Há evidências dessa conversa entre o leitor e o das partes do discurso. Por exemplo, ao identificar que os
escritor em certas marcas do discurso escrito (por exem- conectores “parce que”, em francês, “because”, em inglês
plo, “em resumo”, “como já apontei acima” etc.) em que e “porque”, em espanhol, indicam uma relação semântica
fica clara a natureza interacional do discurso escrito. de causa entre duas partes do discurso, o leitor tem sua
No que se refere ao ensino da compreensão escrita compreensão facilitada por entender a relação semânti-
em Língua Estrangeira, para facilitar o engajamento dis- ca, ainda que tenha dificuldades com outros elementos
cursivo do leitor-aluno, cabe privilegiar o conhecimento sistêmicos. Em relação a esse conhecimento é preciso
de mundo e textual que ele tem como usuário de sua não esquecer que o tipo de conhecimento requerido do
língua materna, para se ir pouco a pouco introduzindo o aluno é em nível de reconhecimento apenas, não de pro-
conhecimento sistêmico. Desse modo, o foco no terceiro dução.
ciclo é em compreensão geral, enquanto no quarto ciclo Ao ensinar os tipos de conhecimento mencionados, o
é em compreensão geral e detalhada. professor deve se balizar pelos conhecimentos que o alu-
Um aspecto importante relacionado ao ensino da no tem de sua língua materna e do mundo. Por exemplo,
leitura é que ensinar a ler não envolve necessariamente numa atividade de leitura, o professor deve fazer com
fazer ler em voz alta. A leitura em voz alta abarca o co- que o aluno tome consciência do que já sabe ao explorar
nhecimento sobre a estrutura sonora da língua e pode itens lexicais cognatos.
atrasar o engajamento do aluno na construção do signi- O estabelecimento de metas realistas faz parte de
ficado. O que é crucial no ensino de leitura é a ativação qualquer processo de ensino e aprendizagem. No caso
do conhecimento prévio do leitor, o ensino de conhe- da leitura, metas realistas estão intrinsecamente vincula-
cimento sistêmico previamente definidos para níveis de das à definição do nível de compreensão que se deseja
compreensão específicos e a realização pedagógica da alcançar. Esse fator, por sua vez, relaciona-se com a au-
noção de que o significado é uma construção social. Além toestima do aluno, pois o desafio encontrado é enfren-
disso, a leitura abarca elementos outros que o próprio tex- tado com sucesso.
to escrito, tais como as ilustrações, gráficos, tabelas etc.,
que colaboram na construção do significado, ao indicar o 1.2. Orientações didáticas para o ensino da com-
que o escritor considera esclarecedor ou principal na estru- preensão escrita
tura semântica do texto.
Segue-se a explicitação de cada um desses conhe- Primeiramente, é necessário que o professor escolha
cimentos em relação ao papel que desempenham na o texto a ser usado para, a seguir, estabelecer um propó-
aprendizagem da leitura. sito para a leitura (o que pode ser feito em conjunto com
O conhecimento de mundo tem um papel primordial, a classe). Esse propósito definirá o nível de compreensão
pois, ao ler, o aluno cria hipóteses sobre o significado a ser alcançado, o que pode abarcar desde uma com-
que está construindo com base em seu pré-conhecimen- preensão geral em relação ao que é tratado no texto, até
to. Por exemplo, ao encontrar a palavra “cinema” em um a procura de uma informação específica, por exemplo,
texto, o leitor aciona o seu conhecimento sobre cinema. uma data, um nome etc. É útil pensar sobre o trabalho
Assim, caminha pelo texto projetando coerência por em fases que podem ser chamadas de pré-leitura, leitura
meio da representação do mundo textual que vai elabo- e pós-leitura.
rando com base do que se sabe sobre cinema.
O conhecimento de organização textual também fa- Pré-leitura
cilita a leitura ao indicar para o aluno como a informa-
ção está organizada no texto. Por exemplo, ao ler uma Esta fase é caracterizada pela sensibilização do alu-
história, o leitor-aluno, confiando em seu conhecimento no em relação aos possíveis significados a serem cons-
da organização de histórias, sabe que sua compreensão truídos na leitura com base na elaboração de hipóteses.
será balizada pelo modo como as histórias se organizam. Engloba:
Assim, após encontrar a situação da história em que es- - ativar o conhecimento prévio dos alunos em rela-
tão apresentados os personagens e o contexto em que ção ao conhecimento de mundo: explorar o título,
atuam, o aluno se prepara para encontrar o problema, subtítulos, figuras, gráficos, desenhos, autor, fonte;
LÍNGUA INGLESA

em seguida a solução e a avaliação. - ativar o pré-conhecimento do aluno em relação à


O conhecimento sistêmico contribui para a ativação organização textual: explorar itens lexicais (“era
e a confirmação das hipóteses que o aluno está elabo- uma vez”), cabeçalhos (de - carta), a distribuição
rando. Nos estágios iniciais de aprendizagem, o conhe- gráfica do texto (listagem de ingredientes) etc., re-
cimento referente aos itens lexicais é crucial, já que faci- veladores da organização textual;
lita a ativação de conhecimento do mundo do aluno. O

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- situar o texto, identificando quem é o autor, o leitor Exemplos de tarefas de compreensão escrita:
virtual, q