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CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO


CAMPUS ENGENHEIRO COELHO
CURSO DE LATO-SENSU EM PSICOPEDAGOGIA

OS PROCEDIMENTOS DIDÁTICOS NO ENSINO DA LÍNGUA


ESCRITA QUE OBSTACULIZAM A APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA
ESCRITA NAS SERIES INICIAIS.

NATALIA LOUREIRO GAMA ACIOLI

ENGENHEIRO COELHO – SP
2010
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1- INTRODUÇÃO

Um número significativo de alunos, ao principiarem no processo de


ensino/aprendizagem a fim de se apropriarem dos conhecimentos elaborados
pela escola, apresentam dificuldades na escrita, desenvolvendo assim,
bloqueios que na maioria das vezes se apresentam como intransponíveis o que
torna difícil e penoso o ato de escrever. Essas dificuldades fundamentam-se
em desenvolvidas durante a vida do aprendiz, mais especificamente, na fase
escolar. Este fato contribui para que as pessoas acreditem que escrever é um
talento, mas que só será desenvolvido com treinamento, onde pouca pessoas
possuem esse dom, um ato espontâneo que não exige empenho, uma questão
que se resolve com algumas dicas, um ato isolado e quase desnecessário no
mundo moderno.
Escrever é um percurso que exige prática, reflexão e leitura. Não é,
portanto, uma habilidade nata, muito menos um ato espontâneo. É uma
competência que pode ser desenvolvida e que depende, em grande parte, de
motivação íntima e da adoção de novas atitudes em relação à escrita.
De acordo com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais),
referentes ao ensino de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental I, o
principal objetivo do ensino de Português deve estar voltado para a função
social da língua como requisito básico, para que o indivíduo ingresse no
mundo letrado e possa construir seu processo de cidadania e integrar-se à
sociedade como ser participante e atuante.
É oportunizar ao aluno o domínio da língua que lhe permita atuar na
sociedade diante das manifestações culturais de forma inteligente e crítica,
atuando assim diretamente diante dos meios de comunicação social, sendo
capaz de refletir e tomar decisões, pois entender sua função é entender a
escrita em suas condições sociais e culturais na qual ela está inserida.
A língua Portuguesa possui papel fundamental na comunicação, tanto
para a linguagem oral quanto para a linguagem escrita para expressar as idéias
com clareza e na compreensão das informações recebidas. O indivíduo que
não sabe usufruir da língua, de maneira correta, não exerce seu papel de
cidadão na sociedade.
3

A escola possui a responsabilidade de ensinar sobre a língua,


destacando suas diversidades, importância e no preparo dos educandos para
que saibam utilizá-la de maneira adequada.
Porém o que se tem observado é o inverso. Nas instituições
educacionais, alguns profissionais ensinam a língua de maneira supérflua e
sem significado, servindo apenas para utilização dentro do contexto escolar.
De acordo com dados do SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da
Educação Básica), houve uma melhoria na média de proficiência em Língua
Portuguesa em comparação de 1997 - onde a média brasileira atingiu a
pontuação de 1,5 - com 2005 - quando atingiu a maior pontuação com média
1,9.
Observa-se, porém, que a realidade escolar brasileira, em sua maioria,
não apresenta uma melhora na qualidade da escrita dos educandos como nos
dados citados acima, pois parte dos alunos chegam ao 5° ano do Ensino
Fundamental I, manifestando dificuldades no processo de aquisição da escrita.
Sendo assim, pode-se detectar uma falha no processo de
ensino/aprendizagem quanto à formação de cidadãos atuantes na sociedade
para a transformação do meio como descreve os PCNs.
O atual quadro traz a tona o seguinte questionamento: Quais as
possíveis causas da existência de alunos que ingressam ao 5° ano do Ensino
Fundamental I com deficiência na produção escrita da Língua Portuguesa?
O presente artigo trará a tona uma breve discussão sobre:
Os procedimentos didáticos no ensino da língua escrita que
obstaculizam a aprendizagem da leitura e da escrita nas series iniciais.

2- QUALIDADE DE ENSINO NO BRASIL


De uma forma geral a alfabetização vem sendo discutida á décadas por
educadores, pesquisadores, autores e tantos outros profissionais relacionados
á educação, mas se fizermos uma analise geral veremos que pouca coisa se
tem mudado, como todos já sabem, desde o início deste dilema já se discutia o
grande número de reprovação e evasão escolar. No entanto, mesmo
trabalhado pra que esse quadro mude, as mudanças são lentas que mal se vê
sua evolução.
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A princípio entende-se que a alfabetização é o discernimento de ler e


entender o que se leu, complementando se com o saber escrever, no entanto,
saber ler e escrever é primordial para a sobrevivência na atualidade, dois atos
lingüísticos de suma importância, mas eis que surge a questão, quais os
projetos de incentivo a lingüística o governo tem implantado?
Se a escola não souber alfabetizar a criança terá sérios problemas em
lidar com a leitura, que é a função principal da educação, sem dúvidas terá
como conseqüência uma dos grandes problemas enfrentados pela educação, a
evasão.
No decorrer de décadas percebe-se que o ensino no Brasil esta um
pouco defasado, com pouca qualidade, até mesmo nas escolas particulares, o
aluno sai da escola com o mínimo possível de alfabetização, ou seja, muitos
deles só conseguem ler um texto básico e escrever algumas palavras, sentindo
grande dificuldades em compreender textos mais técnicos, e fazer uma
redação de forma coerente sem erros ortográficos.
Nada garante que tais aquisições perdure sobretudo, se levarmos em
conta que a vida rural nos países da região não requer um uso cotidiano da
língua escrita, (é por este motivo que alguns autores se perguntam se alguns
resultados da encrementação da alfabetização, como cifras globais, não se
deve mais ao processo de urbanização das ações educativas especificas.)1
Por mais que a educação infantil esteja passando por este processo de
lentidão, nada se compara com a alfabetização de adultos que tem um
processo lento, podemos dizer quase parando, normalmente o adulto trabalha
o dia todo, tem diversas tarefas além da curricular, o que acaba interferindo
diretamente no seu rendimento escolar.
Isso na verdade é o reflexo de uma base não rudimentar, sem alicerce, à
medida que a educação infantil forma crianças despreparadas, é obvio que,
consequentemente esta criança terá na fase adulta maior dificuldade de
aprendizagem.

1NAGUEL, J. Alfabetização camponesa: problemas e sugestões:


Caderno de pesquisa, n° 5, p.51-60.
5

Podemos dizer que, de todas as modalidades de idade, as crianças são


aquelas que tem maior facilidade de aprendizagem, devido o tempo que elas
tem disponível, menos preocupação, menos atividade estressante, menos
responsabilidade e possuem o cérebro com maior absolvição de conteúdos.

3- DIFICULDADE NAS SÉRIES INICIAIS


É complicado trazer a tona uma resposta do por que a educação
brasileira chegou à realidade onde se encontra, em um país onde
aproximadamente 90% das crianças de 6 a 10 tem acesso a escola, mas
infelizmente boa parte delas saem do ensino fundamental sem saber ler e
escrever, ou leva muitos anos para aprender a ler e a escrever. Os resultados
nacionais que testam o conhecimento de escrita e leitura nas serie iniciais são
lastimáveis.
Por incrível que pareça esse resultado não é particular de um ou outro
aluno e sim da maioria, onde deixa de ser um simples problema e passa a ser
um problema social, pesquisadores tem apontado com raiz do problema
questões internas e externas.
Um dos fatores internos que contribuem para o mau desempenho dos
alunos em sala de aula é a superlotação nas salas de aula, onde o
aconselhável seria entre 25 á 30 alunos, mas á casos de salas com 50 á 60
alunos2, no Brasil não se fica mais de quatro horas em sala de aula, onde em
países subdesenvolvidos as aulas são de período integral, os baixíssimos
salários dos professores é uma vergonha para a classe, dando desmotivação e
total falta de incentivo aos professores, métodos ultrapassados, falta de
materiais didáticos, bibliotecas em falta de livros, problemas enfrentado até
mesmo nas escolas particulares e em escolas públicas das grandes cidades.
Entre os fatores externos esta o tardio do ingresso dos alunos para
escola, principalmente quando se fala da classe menos favorecida
financeiramente, falta de material didático e trabalho.

2AFONSO Rodrigues. Criar problemas futuros sem resolver o


presente. Acordo Ortográfico, ciência hoje.Rio de janeiro, SBPC, vol, 16, nº.
92. 1993. Pag. 28.
6

Esses fatores acabam tendo como reflexo na vida mais adulta, onde
podemos dizer que passaram pela sala de aula e quase nada aprenderam por
que, não tiveram uma estrutura necessária, faltaram na escola para trabalhar,
tiveram professores inexperientes, onde perderam a motivação e a confiança
nos estudos e além de tudo, tiveram pouquíssimos ou nenhum contato com a
leitura fora da sala de aula.
Não seria correto colocar o problema do fracasso da educação apenas
na leitura ou no professor, como já se viu é uma serie de fatores que formam
uma corrente tendo como consequência o que se vê hoje, ou seja, são conflitos
tanto interno como externo.

4- LINGUAGEM ESCRITA NA ESCOLA

Escrever e ler são duas atividades da alfabetização conduzidas paralelamente,


ensina se a ler e a escrever letras, frases e textos, na pratica e ao longo do ano
escolar se da muito mais ênfase a escrita do que a leitura. Onde o aluno é mais
exigido pelo sua escrita do que da forma como ele lê, isso se deve ao fato da escola
saber avaliar mais facilmente os erros do que os acertos e não saber muito o que fazer
para corrigi-lo quando o aluno lê, sobretudo quando ele lê em silêncio. Porém, ler
principalmente nos primeiros anos da escola, me parece uma atividade tão importante
quanto a produção espontânea de texto, ou talvez até mais importante, no mundo que
vivemos é muito mais importante ler do que escrever, muitas pessoas vivem sem
saber escrever, ma dificilmente viveriam sem saber ler.

A leitura deve variar de acordo com o texto, não se lê uma poesia como se lê
um problema de matemática, ou uma narrativa, a reflexão que o primeiro tipo de leitura
exige é diferente do que exige a segunda, é preciso ensinar as crianças como
proceder em cada caso, mostrando-lhes como ler provas, questionários, exames,
formulários, jornais, revistas e etc.3

Há um descaso enorme pela leitura, pelos textos, pela programação dessa


atividade em sala de aula, no entanto, a leitura deveria ser a maior herança herdada
pelos alunos através da escola, pois ela será o principal artifício para que os mesmos
sejam alfabetizados.

3CAGLIARI, Luiz Carlos. O que é ortografia, estudos lingüísticos, Rio de


Janeiro: SPBC, V ol. 18, 1994, pag.36.
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Teve uma época que muito se discutia os melhores métodos de ensinar o


aluno a ler, com o passar dos anos viu-se que não tinha muito sentido, na maioria das
escolas os textos são implantados logo nos primeiros passos da alfabetização, método
conhecido como analítico sintético,4 onde para o incentivo a leitura são usadas coisas
simples do dia a dia, como uma receita de bolo, bula, lista de compras, letra de
música, nas salas de aula, os professores geralmente fazem adaptações e síntese,
partindo de um método estruturado e adicionando inovações criadas a partir de sua
própria experiência.

O que na verdade não existe o melhor método de se ensinar a ler, depende da


dinâmica do professor, da estrutura da sala de aula, dos matérias usados, o que se
torna complexo, sendo que para o aluno y o método x seria o a mais prático, quanto
para o aluno x o método y seria o mais viável.

Para melhor interagir com o aluno, é melhor partir do que eles já conhecem,
dialogar, discutir temas os quais os interessa, fazer uma ponte de contato entre os
interesses do aluno e os da escola, ensinar a ler e a escrever é importante, mas o
essencial e insistir na sua compreensão. Para isso é fundamental a leitura em voz
alta, ler livros, revistas, jornais, propagandas, folhetos, e demais coisas que o aluno
tenha contato no seu dia a dia, e assim explorar no aluno que ele pode conhecer o
mundo sem sair de casa. 5

Quando se fala em exercício de aprendizagem é comum nos


depararmos com propostas e planos de ensino contraditório. Como por
exemplo, programas que dizem que a criança deve alcançar o prazer pela
leitura é que deve ser capaz de se expressar por escrito, no entanto, no
cotidiano percebe-se que a expressão escrita se confunde com repetir formulas
estereotipadas, onde se pode praticar uma escrita fora do contexto, sem
nenhuma função comunicativa real e nem se quer com a função de preservar
informação. Um dos resultados conhecidos de todos é que, esta comunicação

4PERRENOUD, Philippe. Ensinar: agir na urgência, decidir na incerteza. Porto


Alegre: Artmed, 2001.pag.67.

5SAMPAIO, Rosa Maria: Evolução histórica e atualidades, São Paulo,


Saraiva, 1994. pag. 69.
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escrita é tão pobre e precária que muitos chegam á universidade cometendo


erros gravíssimos ortográficos, onde muitos jovens evitam de se expressar por
escrito por que sabem que muitas palavras serão escritas incorretamente.
É importante embutir nos projetos de alfabetização de crianças o
compreendimento do por que da língua escrita no meio social. O primeiro
passo da aprendizagem deve vir de casa, antes mesmo da iniciação escolar,
quando uma mãe ao fazer suas compras faz uma lista por escrito dos utensílios
a ser comprados, quando um pai faz por escrito as tarefas que deverão ser
executas, como: arrumar o chuveiro, colocar vidros nas janelas, comprar uma
nova pia e assim sucessivamente, atos simples como estes demonstram desde
cedo o interesse na criança pela leitura. Acredita-se que em sala de aula o
incentivo a leitura é um passo fundamental para a alfabetização, mas ainda não
é tudo.
De certa forma, a linguagem escrita não deixa de ser um forte aliado da
alfabetização, seja ela na escola ou fora dela, de outro lado não podemos esperar que
esta espécie de comunicação seja praticada apenas por professores em sala de aula,
a criança deverá assumir uma posição de leitor e de autor no dia a dia, nas ruas, em
casa, no cotidiano de uma forma geral.

O papel do professor e aproveitar dessa situação para investir na criança, até


mesmo aplicando exercícios de casa que force a criança a ler um jornal, placas nas
ruas, folhetos, baners, fachadas e demais letreiros, e assim a sala de aula parecerá de
forma mais expressiva com a vida social da criança.

Embora estejamos defendendo a idéia de que a aprendizagem da


língua escrita se faça numa perspectiva autoral, num contexto onde ler e escrever não
tenham um fim em si mesmo e sejam providos de função social, não desconsideramos
a especificidade do uso desse objeto de conhecimento na escola, visto que a língua
escrita encontra-se nesse espaço também como objeto de aprendizagem.

Desta forma, podemos afirmar que, ler um texto em sala de aula que não
esteja ligado com seu convívio social, fará que coisas simples e importantes passem
despercebidas da criança e mesmo que o texto seja didático não é suficiente para o
desenvolvimento intelectual do aluno, o que de certa forma essa metodologia de
ensino não deve ser descartada e sim um complemento na alfabetização, cabendo ao
professor fazer um link das duas situações para ser aplicada em sala de aula.
9

Dessa forma entende Pasquier:

O aluno deve tomar consciência da diversidade textual e


aprender a escrever textos, não ‘em geral’, mas em
função das situações particulares de comunicação.(...) E,
para isso, terá de inspirar-se em ou ter como referência
outros textos sociais em uso.6

Em verdade a palavra texto pode ser definido como qualquer espécie de


comunicação verbal ou por escrito de forma legível e coerente, assim diz
Halliday e Hassan.
“texto é produto da atividade verbal humana, é uma
unidade semântica, de caráter social, que se estrutura
mediante um conjunto de regras combinatórias de
elementos textuais e oracionais, para manifestar a
intenção comunicativa do emissor”7.

Conforme o autor citado anteriormente, o texto pode ser uma redação,


algumas palavras ditas de forma oral, uma expressão corporal, ou até mesmo
uma figura de uma enfermeira em um hospital com o dedo indicador na boca, o
que se entende como silêncio, o professor que conseguir entender esta
dinâmica natural e saber transmitir para o aluno em forma de conhecimento,
certamente estará avançando grandes passos para uma boa educação.

5- ACERTOS E ERROS
É impossível falar da língua portuguesa sem falar dos acertos erros
ortográficos cometidos por nossas crianças, onde as mesmas têm pouco
contato com língua portuguesa e pouco conhecimento das formas das
palavras, o que acaba sendo comum ar ler um texto escrito por um aluno nas
series iniciais e deparar com erros gravíssimos de ortografia.

6PASQUIER, Luis Oliveira, Educação e cultura no Brasil, São Paulo,


editora saraiva. 1996. pag. 03.

7HALLIDAY e HASSAN (1976), apud KAUFMAN e RODRIGUES, métodos de


uma educação eficaz, editora saraiva.1995. pag. 146.
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De uma forma geral é certo afirmar que o número de acertos é superior


ao número de erros, no entanto, o educador tende a não aceitar os erros
cometidos pela criança, é como se em uma folha branca tivesse uma pinta
preta no centro da mesma, e ao perguntar para qualquer individuo o que ele vê
naquela folha, sem pensar muito dirá, um ponto preto, sem questionar o
espaço branco, sendo que o mesmo exemplo acontece com a escrita, sendo
que os erros não são dificuldades insuperáveis ou falta de capacidade da
criança e nem os acertos são obras do acaso, tudo depende de cada aluno, da
forma reflexiva, atenção e dedicação que cada um possui em sua forma de
aprendizagem.
Fazendo um estudo com maior ênfase, percebemos que o professor
aplica uma nota baixa ao aluno por que ele escreveu as palavras de forma
incorretas ou incoerentes, o que não seria justo aplicar uma nota baixa por este
fator, sendo que o número de acertos possivelmente é maior que o de erros,
mas como já mencionados tanto erros como acertos não vem do acaso e sim
da metodologia de cada aluno, e é nesse ponto que o professor deverá dar um
enfoque maior.
Normalmente os erros pesam uma toneladas ao avaliar o aluno, quanto
os acertos são avaliados como obras do acaso, perece que o educador ou a
escola esta contra o aluno o que deve ser mudado na forma de ensino e com
urgência.
É recomendável que seja realizada um levantamento das dificuldades
dos alunos e conforme a necessidade do grupo, trabalhar para que sua
dificuldade transforme em qualidade, através de atividades dirigidas.

6- REEDUCANDO PROFESSORES
Para que haja qualquer processo de mudança na educação, primeiro é
preciso começar com os educadores e não com as crianças, a capacitação
dos professores, o que se desdobra a vários subproblemas, há poucos dados
disponíveis, mas os dados existentes apontam todos para a mesma direção, os
professores infelizmente lêem pouco, escrevem menos e estão mal
alfabetizados para abordar as diversidades da língua escrita, na realidade eles
são produtos da má alfabetização que já foram mencionadas.
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O que parece indispensável que os programas de capacitação inclua os


professores, com o objetivo de realfabetizar, os professores alfabetizadores.8 É
muito difícil que alguém que não leia possa transmitir prazer pela leitura, que
alguém que evita escrever possa transmitir prazer pela construção da língua
escrita, que alguém que nunca se perguntou das diferentes espécies de
produção de texto possa explicar sobre elas, se eles tem medo de enfrentar os
estilos das escritas que desconhecem, sem dúvidas evitaram de introduzi-los
na sala de aula, há de estimulá-los a descobrir juntos em sala de aula, o que
de fato não descobriram quando eram alunos.
Por que não se pode esperar que eles reaprendam primeiro, para atuar
depois, como tampouco se pode esperar que haja mudanças substanciais nas
escolas de formação de professores para que algo comece a mudar, mas pelo
que se vê as escolas na região estão longe de ser laboratório de
experimentação pedagógica. Elas se afastam da pratica real e se mantém
distantes dos avanços da disciplina que nutrem a reflexão pedagógica.
De uma forma geral o que se tem visto é que, os processos de
capacitação mais rápidos são aqueles aos quais os professores são
acompanhados em sala de aula. Esse alguém normalmente é um
representante da secretaria de educação, um diretor ou qualquer outro
representante educacional, alguém que consiga ver de outro ângulo as gafes
cometidas pelo professor em sala de aula e poder corrigi-lo, outra forma
interessante é reunião todos os educadores e juntos dividir experiências,
dificuldades, pontos negativos e positivos, isso sem dúvidas tende a enriquecer
o professor.
O grande problema é que, na maioria das vezes o professor já está
viciado no erro que não consegue mudar, sem contar aqueles que não admitem
estar errados, a não ser aqueles que estão insatisfeitos com sua própria
metodologia de lecionar, esses debates equivalem muitas horas de avanço e
ajuda o professor a refletir de maneira passional.

8PATTO, Maria Helena Sousa. A Produção do Fracasso Escolar: Histórias


de Submissão e Rebeldia. São Paulo: T. ª Queiroz, reimpressão, 1996. pag.
128.
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Ensinar é um ato visto de maneira vertical, onde uma pessoa com mais
conhecimento transmite o que sabe para uma outra menos conhecedora de
certo conteúdo, mas quando se tem muito conteúdo para que seja transmitido
em pouco tempo aquele que esta transmitindo, ou seja, o professor tem que
ser capacitado e treinado para isso, caso contrário o aluno se perde em meio a
tanta informação e não aprenderá. 9
Nesse caso não se trata apenas de somar novos conhecimento aos
professores, mas revolucionar radicalmente a forma de ensinar, colocando em
crise as concepções anteriores, nesse processo é normal que o professor se
sinta inseguro, e é nesse momento que ele precisa de apoio e deve ser
apoiado. E não á ninguém melhor para questiona-lós e critica-lós do que as
próprias crianças, basta que o professor de a liberdade para que as mesmas se
expressem através da escrita, usando e abusando das palavras, onde o
professor poderá auto se avaliar, interpretando as informações dadas pelos
seus próprios alunos.
O professor que permite e usa este método de aprendizagem
certamente se tornará um melhor profissional, pois é obrigado a pensar e a
refletir sua própria metodologia de ensino.
Um grande incentivo para o professor reavaliar sua forma de ensinar é,
nas chamadas promoções em grau superior, assim como seus alunos, não é
estranho que nestas condições o professor esteja motivado a mudar alguns
conceitos em busca de promoção, deixando de lado as atividades mecânicas e
corriqueiras, sendo mais dinâmico e criativo.
Da forma como estamos ainda é possível pensar na re-
profissionalização desses professores alfabetizadores, se pensarmos que são
irrecuperáveis, não terão êxodo, pensando cada vez menos no que fazem, e
atribuindo a nossas crianças a responsabilidade do fracasso.

7- CONSIDERAÇÕES FINAIS

9PIMENTA, S. G. e GHEDIN, E. (org). Professor reflexivo no Brasil - gênese e


crítica de um conceito. São Paulo: Cortez, 2002. pag. 215.
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Não querendo esgotar o tema que de fato é de uma grande extensão,


podemos chegar a ideia de de que, de tudo que a escola pode oferecer aos
alunos é a leitura, sem dúvidas é a melhor herança deixada pela educação.
Afinal, hoje se lê muito mais do que se escreve, o que deveria ser dado mais
prioridade a isso.
Se os métodos não forem rígidos o suficiente, pretendendo dominar a
maioria das atividades escolares, os alunos não agirão mecanicamente,
cometendo na maioria das vezes erros de distração, mas desenvolveram uma
grande tarefa de reflexão, arriscando hipótese acerca de tudo que realizam, as
crianças em geral, mesmo em meio ao barulho conseguem pensar profundo e
rapidamente, porém nem sempre tomam as decisões que a professora espera.
Deixar as crianças pensar é fundamental, o erro é corrigido com o tempo, mas
o processo educativo permanece.
Finalmente, podemos dizer que os cientistas e estudiosos do sistema de
educação, se dediquem a um trabalho profundo e extenso de análise do que
ocorre na alfabetização. Somente assim, poderemos contribuir com sugestões
adequadas e não com hipótese de gabinete que mais atrapalham do que
ajudam. É necessário que os órgãos responsáveis pela educação tenham
assessorias técnicas linguísticas para auxiliar de fato o professor , dando um
suporte técnico cientifico, que muitas escolas de educação abandonaram ou
substituirão por conteúdos vazios. O professor que vai ensinar a ler e a
escrever estuda nessas escolas, exceto o português que deverá ensinar, as
universidades não formam adequadamente os educadores, enfim, não basta
reeducar os educadores, é necessário reaver os conceitos de educação dos
órgãos responsáveis por este importante setor.

8- REFERENCIA BIBLIOGRAFICA
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ARAÚJO, Maria Carmem de C. Silva. Perspectiva Histórica da


Alfabetização. Viçosa,MG: UFV,1995.

BISCOLLA, Vilma Mello. Construindo a Alfabetização. São Paulo: Pioneira,


1991.

AZENHA, Maria da Graça. Construtivismo: de Piaget a Emília Ferreiro. São


Paulo:Ática, 7ª edição, 1999.

CLEMENTE, Maria Aparecida. Alfabetização no século XX. São Paulo:


Papirus,1995.

FERREIRO, Emilia. Os filhos do analfabetismo. Porto Alegre; Artes médicas,


1992.

FREIRE, Madalena. Paixão de aprender. São Paulo: Cortez, 1992.

GADOTTI, Moacir. Escola Cidadã. São Paulo: Cortez, 1995.

KATO, Mary. No Mundo da Escrita. São Paulo: Ática, 5ª edição, 1995.

MORTATTI, Mª. do Rosáio Longo. Os Sentidos da Alfabetização. São Paulo:


UNESP, 1994.

NICOLAU, Ana Paula. A alfabetização sob o olhar da criança. São


Paulo:Vozes,1995.

PATTO, Maria Helena Sousa. A Produção do Fracasso Escolar: Histórias de


Submissão e Rebeldia. São Paulo: T. ª Queiroz, reimpressão, 1996.

TEIXEIRA. Elizabeth. As Três Metodologias. Belém: UNAMA, 1999.

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