Você está na página 1de 4

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

CENTRO DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES


FACULDADE DE EDUCAÇÃO
FUNDAÇÃO CECIERJ /Consórcio CEDERJ / UAB
Curso de Licenciatura em Pedagogia – Modalidade EAD
1ª Avaliação Excepcional (APX1) – 2021.1
PRAZO FINAL PARA POSTAGEM: 24/04 - 18h

Disciplina: Gestão na Educação 2


Coordenadora da Disciplina: Profª Cláudia Barreiros
Mediadoras Pedagógicas à Distância: Profª Vera Russo e Profª Rebeca Rosa

Aluna (o): Jacqueline Dias da Silva dos Santos

Matr.:19112080046

Polo: Três Rios

Nota: _______________________

Cada discente deverá responder à proposta estabelecendo diálogo entre o caso e os textos lidos / assistidos-
ouvidos na disciplina até aqui.
O texto autoral alvo desta avaliação deverá conter 1) um título coerente com a proposta do texto. 2) Dos
textos estudados, deverão ser escolhidos pelo menos cinco, que deverão ser usados na escrita nas formas de
citações diretas ou indiretas no texto de acordo com as normas técnicas. 3) A situação descrita deverá ser
analisada em suas possibilidades e limites. 4) As propostas devem mostrar-se criativas, coerentes e
exequíveis.
Esperam-se textos coerentes e coesos, com argumentos bem fundamentados e desenvolvidos.

Estudo de caso

A pandemia de COVID-19 afetou as dinâmicas de vida no planeta Terra.


Não poderíamos supor passar por uma situação tão difícil por tanto tempo.
A escola, instituição segura que educa, socializa e abriga crianças e adolescentes de diversas idades foi a
primeira a cerrar suas portas.
Gestores em todos os níveis da educação, docentes, demais educadores, mães, pais, crianças e adolescentes
estão sendo desafiados a lidar com uma realidade totalmente nova frente ao confinamento coletivo.
Nosso caso se passa numa escola pública municipal cuja prefeitura não se estruturou para dar conta de um
desafio com essas características em 2020.
Roberta atua como coordenadora pedagógica da escola. Ela cursou Pedagogia na UERJ pelo CEDERJ e
conhece o potencial da educação a distância no ensino superior. Conhece também muitos dos seus limites,
especialmente para lidar com a educação de crianças.
A maioria dos professores da escola está muito cética quanto ao uso de quaisquer recursos de ensino que não
passem pela educação presencial e defende que todos fiquem em casa apenas aguardando que a crise passe.
Alguns defendem que a educação a distância, via mídias e tecnologias digitais, é uma estratégia do governo
para substituir professores e economizar dinheiro com educação.
Roberta busca trazer para o diálogo sua própria experiência de estudante da EAD, os autores que conheceu
no curso e as produções da sua universidade para a atual conjuntura, de forma a poder lidar com os desafios
que estão postos no seu trabalho nesse momento.

Diante do exposto, escreva um texto dissertativo que:


1) Analise o papel de Roberta na escola como coordenadora pedagógica frente ao desafio da
pandemia, dialogando especialmente com a live “Conversa sobre Coordenação Pedagógica”,
e os artigos de Teixeira (2020), Moehlecke (2017) e Pascoal (2005)
2) Dialogando especialmente com a palestra de António Nóvoa (SINPROFNH, 2020), a roda
de conversas com Edméa Santos e o artigo de Moraes, Gomes e Gouveia (2015) construa
argumentos para superar a negativa dos docentes da escola de Roberta aos recursos do
ensino remoto no contexto da pandemia.
3) Levante, descreva e fundamente algumas propostas sobre como envolver docentes,
estudantes e famílias no compromisso de realizarem uma educação com a qualidade possível
e adequada ao contexto.

Ressignificando a educação em tempos de pandemia: uma análise de caso dos orientadores e


coordenadores pedagógicos

O papel de Roberta como coordenadora pedagógica frente ao desafio da pandemia está em


complexificar e ressignificar o seu trabalho, estabelecendo primeiramente o vínculo com os alunos,
manter o diálogo com os mesmos e com suas famílias, ter sensibilidade quanto às especificidades
apresentadas. Na live sobre coordenação pedagógica e seus desafios no contexto da pandemia, as
profissionais dissertam sobre as possibilidades de uma educação que possui como obstáculo a
desigualdade econômica e social e se debruçam sobre as realidades para estabelecer qual ferramenta
será eficaz para o aluno, proporcionando-lhe autonomia nesse contexto e as possibilidades de
reinvenção do espaço escolar. A tese defendida por Teixeira (2020) a formação contínua é
entendida na pesquisa como um processo educativo que se realiza dentro e fora da jornada de
trabalho dos professores e que possibilita uma articulação entre teoria e prática, pensar criticamente
sobre suas ações pedagógicas e assim fornecer bases para a produção de uma nova direção
educativa. Assim, a exaustão do profissional e sua relação com ser o “faz tudo” na escola, ainda se
amplifica com o papel do coordenador na formação contínua que se relaciona com os significados
produzidos desses profissionais acerca da sua profissão. Moehlecke (2017), por sua vez, disserta
sobre a complexidade dos desafios da gestão escolar no contexto do ensino no Estado do Rio de
Janeiro e o lugar do coordenador pedagógico enquanto mediador na gestão das escolas, bem como a
sua relevância frente a demanda profissional caracterizada por mudança no seu perfil e qualificação
no decorrer dos anos. Nessa mesma perspectiva sobre a complexidade das funções nos diferente
estados brasileiros, Pascoal (2005) discute sobre papel o orientador educacional que recebe
denominações e exerce atividades variadas o que descaracteriza o saber profissional e promove um
conflito sobre os papéis desempenhados pelos diferentes profissionais da educação. Por outro lado,
mostra a especificidade do trabalho de orientador educacional e a necessidade desse profissional em
todo o sistema escolar brasileiro.
Para superação da visão negativa frente aos recursos do ensino remoto por parte dos
docentes da escola de Roberta, Antonio Nóvoa ressalta que mesmo os profissionais sendo contrários
aos instrumentos utilizados, bem como na falta ou precariedade dos mesmos não deve ser um
motivo para não trabalhar em ambiente remoto. A instituição escolar, assim como os professores
devem se fazer presentes, lançando mão de todos os recursos disponíveis. Nesse sentido, não se
deve abandonar os alunos, sobretudo os mais vulneráveis, visto que a instituição escolar possui um
papel central na sociedade atual e deve manter o vínculo, se reinventando, compartilhando
experiências para repensar a educação após a crise como um bem comum e público. Sobre essa
questão dos recursos digitais, a professora Edmea Santos ressalta que os profissionais já se
utilizavam de ferramentas digitais antes da pandemia, mas estas eram tidas como um complemento,
uma extensão do ensino presencial. Essa presença não efetiva das ferramentas digitais tornou o
ensino remoto desconfortável em alguns aspectos, transformando-o em um local do não-saber.
Contudo, mesmo diante das dificuldades que o trabalho remoto traz para profissionais e alunos, a
resistência é problematizada dadas as imposições do governo. Nesse sentido, os profissionais
mesmo com as dificuldades apresentadas não devem se negar ao trabalho, pois isso contribuiria
ainda mais para a exclusão social.
Diante das contribuições dos autores mencionados e da urgência da discussão apresentada,
cabe ressaltar alguns pontos que podem ser primordiais para o fortalecimento da educação em
tempos de pandemia e que envolvem o compromisso coletivo dos profissionais, estudantes e suas
famílias. A questão de manter o vínculo se faz muito importante no contexto atual, pois assim
conhecemos melhor o público alvo e suas especificidades, além de construir uma relação de
confiança entre a instituição escolar e a comunidade. A escola nesse sentido deverá lançar mão de
diferentes recursos para garantir a frequência dos alunos e evitar a evasão, propondo diferentes tipos
de atividades extracurriculares (palestras, lives, entre outras) que estejam dentro dos protocolos
sanitários. A escola deve ampliar o seu papel social e ser um elo importante para a garantia dos
serviços básicos, promover campanhas educativas para mobilizar o coletivo e ser receptora de
doações de alimentos, de insumos como máscaras, álcool gel, sabão e materiais de higiene e
limpeza no geral. Garantir o acesso ao material didático por diferentes meios, quando impresso
deverá ser entregue na residência dos alunos, comunicar-se com os mesmos por meios diversos
como o telefone, etc. O aprendizado e a educação, nesse sentido, poderão ser vistos de forma mais
ampla, de um ponto de vista democrático que ultrapasse os muros da escola.
Referências Bibliográficas:

BARREIROS, Cláudia; RUSSO, Vera. Conversa sobre coordenação pedagógica: identidade e


desafios. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WzBWEHPEjak . Acesso em 22 de
abril de 2021.
FERNANDES, Andrea. Educação em roda de conversas: fazeres e reconfigurações no contexto
atual. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=TFIAkTxnwos . Acesso em 22 de abril
de 2021.
MOEHLECKE, Sabrina. O coordenador pedagógico nos sistemas de ensino do Rio de Janeiro:
uma nova aposta na gestão das escolas? RBPAE - v. 33, n. 1, p. 223 - 239, jan./abr. 2017.
NÓVOA, Antonio. Conversa com Antonio Nóvoa. SINPROFNH,RS, 2020. Disponível em:
https://www.facebook.com/watch/live/?v=631629681020563&ref=watch_permalink . Acesso em
22 de abril de 2021.
PASCOAL, Miriam. O Orientador Educacional no Brasil: uma discussão crítica. Revista
Poíesis -Volume 3, Números 3 e 4, pp.114-125, 2005/2006.
TEIXEIRA, Cristiane de Sousa Moura. Arqueologia dos significados sociais sobre o trabalho do
coordenador pedagógico no Brasil. In: Ser ‘O Faz-Tudo’ na escola: significações produzidas
sobre o trabalho do coordenador pedagógico na escola pública. Parnaíba, PI: Acadêmica
Editorial, 2020. E-book, pp. 53-114.