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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO PARÁ


INSTITUTO DE CIENCIAS EXATAS E NATURAIS
FACULDADE DE QUÍMICA
DISCIPLINA: QUÍMICA ORGÂNICA EXPERIMENTAL

Relatório das práticas de extração do óleo das


sementes de Cupuaçu
BELÉM-PA/2010

SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL


UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO PARÁ
INSTITUTO DE CIENCIAS EXATAS E NATURAIS
FACULDADE DE QUÍMICA
DISCIPLINA: QUÍMICA ORGÂNICA EXPERIMENTAL

Equipe 2
Aluno(a): Matrícula:

Relatório referente às práticas


de extração de óleo das
sementes de cupuaçu, iniciadas
no dia 10/03/2010, no
laboratório de Química (ensino)
da Universidade Federal do
Pará, sob a supervisão do
professor

BELÉM-PA/2010
1. Introdução

Os lipídios são substancias de longas cadeias carbônicas insolúveis em água e solúveis em


solventes orgânicos. Recebem denominação de óleo quando líquidos a temperatura ambiente
(20ºC) e gordura quando sólidos a mesma temperatura, podem ainda ser denominados azeite
quando provenientes de polpas de frutos como o azeite de oliva ou manteiga quando de gorduras
vegetais.
O processamento industrial de óleos e gorduras apresenta-se em três etapas:
1ª preparação da matéria-prima
2ª extração do óleo bruto
3ª refinação
O processo de extração pode ser realizado através de prensagem ou extração por solvente, a
técnica utilizada no procedimento que segue foi de extração por solvente utilizando o aparelho
de Soxhlet (Figura 1 em anexo) desenvolvido para a extração de lipídios, porém não se limitando
a isto. O equipamento utiliza refluxo de solvente em um processo intermitente. A amostra não
fica em contato com o solvente muito quente, porém ocorre um gasto excessivo de solvente, pois
o volume total deve ser suficiente para atingir o sifão.
A fruticultura regional tem no cupuaçuzeiro uma das frutas mais populares da Amazônia, o
Theobroma grandiflorum Schum é uma fruta muito utilizada para a fabricação de sucos,
sorvetes, bombons, geléias, vinhos e licores, utilizando apenas a polpa, porém vem sendo
descartado ao longo dos anos toneladas de sementes de cupuaçu correspondendo
aproximadamente 20%, podendo este ser aproveitado para extração de óleos. Dessa forma,
utilizando as sementes que seriam descartadas foi realizado o processo de extração do óleo
presente na semente do fruto.
2. Materiais e métodos
Materiais
 Tubo de Soxhlet Reagentes
 Evaporador rotativo  Indicador fenolftaleína
 Erlenmeyer 250 mL  Solução de NaOH 0,1N
 Bécker 100 mL  Solução de éter etílico e etanol
 Balão de fundo redondo 2:1
 Agitador magnético  Micela (solvente + óleo extraído)
 Pipeta  n-Hexano

2.1. Metodologia

 Da extração da matéria prima:

As sementes foram coletadas e levadas ao laboratório do Departamento de Química (ensino)


da Universidade Federal do Pará, as quais foram lavadas com água. Em seguida pesou-se uma
amostra 202,8 g dessas sementes para secar na estufa e com o resultado determinou-se a
umidade. O restante das sementes foram levadas para serem secas ao sol durante 4 dias. Após
secas, foram moídas e preparadas para a prática descrita a seguir.

 Da extração do óleo pelo Soxhlet

Primeiramente pesou-se exatamente 30 g de semente moída. Esta massa foi então inserida em
um cartucho de papel que foi colocado no tubo de soxhlet. Após o cartucho com as sementes
moídas estar “posicionado” no tubo, adicionou-se 200 mL do solvente n-hexano até o
momento em que este deu a primeira “sifonada”, ou seja, deu a primeira volta até atingir o
sifão. Quando isto ocorreu, já com a manta aquecedora ligada, iniciou-se o processo de
extração do óleo que foi realizado num total de três vezes.

 Da concentração do óleo

Após a realização dos processos de extração seguiu-se para a concentração do óleo.

O evaporador rotativo (figura 3 em anexo) é usado para destilar solventes orgânicos diversos
sob temperaturas controladas, e vácuo constante. Assim, colocou-se um volume 147 mL da
micela no balão de evaporação e ligou-se o aparelho para que a evaporação fosse iniciada. Ao
término da evaporação, separou-se o óleo agora concentrado, o qual pesado correspondeu à
9,1 g, em um recipiente, e retirou-se o solvente (122 mL) do coletor sendo este armazenado
para posterior reutilização. Levou-se o óleo para a estufa.
Na aula seguinte, o óleo foi retirado da estufa e pesado.

 Do índice de acidez do óleo

O índice de acidez é um importante parâmetro a ser observado, pois indica o grau de


deterioração do óleo (quebras consecutivas na cadeia carbônica deste com liberação de seus
constituintes).

Primeiramente pesou-se 2g do óleo concentrado. Em seguida preparou-se 25 ml de solução de


éter etílico, onde se adicionou em um erlenmeyer 16 ml de éter e 9 mL de álcool. O óleo
concentrado foi adicionado no erlenmeyer contendo a solução. E sob agitação constante foi
solubilizado. Adicionou-se o indicador fenolftaleína e titulou-se com NaOH até que ocorresse
a mudança da coloração de amarela para rósea.
3. Resultados

Os seguintes resultados foram obtidos nas práticas realizadas:

1) As 202, 8 g iniciais que foram retiradas para determinar a umidade, após ficar um
longo período na estufa reduziu para 86, 2 g, ou seja, perdeu 116,6 g, assim
determinou-se que a umidade é de 57,4 %.
2) O volume de n-hexano recuperado foi de 122 mL, que corresponde a 61 % do solvente
utilizado na extração.
3) O peso final do óleo após concentrado foi de 8,6 g.
4) O volume gasto de base (NaOH) na titulação do óleo foi de 2,1 mL.

 Cálculo do Índice de acidez

Utilizando a fórmula IA (mg NaOH / g) = V x N x fc x 40g / m, calculou-se o índice acidez


(IA):

IA= 2.1x 0,1 x 0,991842 x 40 / 2


IA= 4,2 %

Onde:
V = volume de NaOH gasto em ml.
N = normalidade do NaOH.
fc = fator de correção do NaOH.
m = massa da amostra, em g.

O índice de acidez corresponde a 4,2%

 Cálculo do rendimento

Utilizando os dados da amostra inicial que foi 30 g e da amostra final que foi de 8,6 g,
procedeu-se da seguinte forma:

30 g --------- 100 % X = 8,6 g x 100 / 30 g

8,6 g --------- X (%) X = 28,6 %

A extração a quente do óleo da semente do cupuaçu apresentou um rendimento de 28,6 %.


4. Conclusão

Com base nas informações obtidas através das práticas, observou-se que o índice de acidez
pode ser usado para detectar a deterioração do óleo da semente do cupuaçú. O valor
encontrado neste trabalho mostra que este índice está dentro do padrão esperado para as
sementes.
Observou-se também que o comportamento do óleo de cupuaçú depende de algumas
variáveis, como a temperatura, visto que a viscosidade deste diminui com o aumento da
mesma. Se esta temperatura for muito alta, haverá perda, pois o óleo volatiliza quando em
temperatura muito alta.
Em relação ao rendimento, observou-se que não foi tão alto, apresentou um rendimento de
28,6 %. Este fator pode ser atribuído a erros técnicos na hora da extração, já que durante a
prática, pôde ser observado que o solvente não ficou tanto tempo em contato com o óleo,
devido a uma quantidade ar que estava entre o cartucho com a amostra e o tubo de soxhlet.
Em compensação, o número de “sifonadas” foi elevado, o que também de certa forma,
compensa a presença desse ar na extração.

O evaporador rotativo foi utilizado para separar o solvente da matéria extraída através da
evaporação do solvente (n-Hexano), separando-o do óleo. Assim foi possível obter uma
amostra concentrada do material, sendo o hexano então separado e condensado pelo aparelho
armazenado para possíveis reutilizações.
5. Referências bibliográficas

 A.I, Vogel - Ao livro técnico S.A 3ª Ed. Vol 1

 http://www.sbfgnosia.org.br/revista; REVISTA DE FARMACOGNOSIA DA


REUNIAO DA SBPC, acesso em 16 de Abril de 2010, às 20:17.

 http://www.fcfar.unesp.br/alimentos/bioquimica/praticas_lipidios/indice_acidez.htm,
Acesso em 17 de Abril de 2010, às 22:13.
6. Anexos

Figura 1: Aparelho de Soxhlet

Figura 2: Esquematização do aparelho de Soxhlet

Figura 3: Evaporador rotatório

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