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Universidade de Brasília

Faculdade de Medicina
Curso de Especialização em Saúde da Família

LARISSA UCHOA CAVALCANTE

OBESIDADE: UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA EM UMA UNIDADE BÁSICA


DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL

Brasília
2020
Universidade de Brasília
Faculdade de Medicina
Curso de Especialização em Saúde da Família

LARISSA UCHOA CAVALCANTE

OBESIDADE: UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA EM UMA UNIDADE BÁSICA


DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL

Trabalho de Conclusão de curso apresentado junto


ao Curso de Especialização em Saúde da Família do
Projeto UNA-SUS da Universidade de Brasília como
requisito parcial à obtenção do título de especialista.

Orientador: Prof. Dr. Raul Luis de Melo Dusi

Brasília
2020

2
OBESIDADE: UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA EM UMA UNIDADE BÁSICA
DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL

LARISSA UCHOA CAVALCANTE

Este trabalho de Conclusão de Curso, requisito


parcial para obtenção do título de Especialista
Saúde da Família, do Projeto UNA-SUS, da
Universidade de Brasília foi apresentado, avaliado e
aprovado por uma Banca Avaliadora constituída
pelos professores:

Professor Doutor Raul Luis de Melo Dusi


Universidade de Brasília

Professor(a) Doutor(a) ou Mestre (Nome


completo)
(instituição de vinculação do avaliador)

Professor(a) Doutor(a) ou mestre (Nome


completo)
(instituição de vinculação do avaliador)

Brasília, 2020

3
RESUMO

A obesidade é uma doença em crescimento dentro do nosso país, fato atribuível aos
hábitos alimentares, sedentarismo e outras comorbidades. Essa condição de saúde
pode acarretar e agravar outros problemas, como o diabetes e doenças
cardiovasculares. A metodologia utilizada se constituiu na análise da matriz TUC
para apresentação dos problemas mais relevantes, além da coleta de dados dentro
das reuniões de grupo da Unidade Básica de Saúde 04 do Gama e estudo
aprofundado da revisão de literatura. A obesidade foi assim selecionada como
problema relevante para o estudo, de modo que as intervenções focaram-se em
realizar atividades em grupos já que a obesidade é um grave problema ainda
necessitando de melhora na forma como é abordada e tratada no Sistema Único de
Saúde.
Palavras-chave: Obesidade; IMC; Peso; Altura; Sedentarismo; Atenção primária à
saúde

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ABSTRACT

Obesity represents a disease with growing prevalence and incidence in our country,
sometimes attributed to eating habits, sedentarism and other comorbities. It can lead
to and worsen many problems, like diabetes and cardiovascular disesase. The
methodology consisted in the selection of relevant problems and analysis of the
problems in a Transcedence, Urgency and Capacity matrix for selecting relevant
problems in a basic health unit located in Brasilia, Brazil. Obesity was chosen as the
most relevant problem in the analysis and possible interventions were reviewed with
the choice of using a group approach as the most efficient after the creation of a
viability table.

Keywords: Obesity; Sedentarism; Height; Weight; BMI; Primary Health Care

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SUMÁRIO

RESUMO EM PORTUGUÊS 04
RESUMO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA 05
1. INTRODUÇÃO 07
2. OBJETIVOS 09
2.1. OBJETIVO GERAL 09
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 09
3. JUSTIFICATIVA 10
4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 11
4.1. OBESIDADE: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS 11
4.2. IDENTIFICANDO A DOENÇA 12
4.3. A OBESIDADE DA PERSPECTIVA DA UBS 13
5. MATERIAIS E MÉTODOS 14
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO 18
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 23
8. REFERÊNCIAS 24

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1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho foi desenvolvido em serviço de Atenção à Saúde da


Família do Gama, uma cidade satélite localizada a cerca de 40km de distância do
centro de Brasília, com população estimada em mais de 130 mil habitantes, em
Unidade Básica de Saúde (UBS) gerida pela Secretaria de Estado de Saúde do
Distrito Federal.

Trata-se da UBS 4 do Gama, que é localizada e abrange partes do Setor


Leste do Gama em conjunto com as UBS 2, 3, 5 e 13. Mais especificamente, foram
consideradas atividades e a população da área de abrangência da equipe verde da
UBS mencionada.

Trabalhando em uma UBS, é necessário utilizar dados advindos do


levantamento de dados da população atendida, analisando-os em conjunto com a as
necessidades percebidas dos pacientes, à luz do conhecimento médico atual
baseado em evidências para traçar planos de ação de modo a atender as principais
demandas geradas no serviço.

Assim, faz-se necessário planejamento incluindo um plano estratégico, porém


devendo ir além dessa etapa. O plano será resultado da análise situacional de uma
intervenção que seja necessária no contexto vivenciado, trazendo efeitos positivos
bilaterais: a população terá melhora da sua qualidade de vida e redução da sua
morbidade e mortalidade, e o SUS terá menos demandas financeiras decorrentes
dos agravos gerados pela situação remediada.

Desta forma, este trabalho faz parte do curso de especialização em saúde da


família da UNASUS/UNB, onde através da adoção da estratégia supracitada foi
traçado um plano para melhora de uma situação-problema escolhida após a
aplicação do acima descrito.

Os dados foram obtidos através das fichas de atendimentos individuais


geradas no sistema e-SUS AB, por meio do relatório consolidado de atendimento
médico individual, e de atendimento da equipe no período de Setembro de 2018 a
Dezembro de 2018, assim como por meio de reuniões com os demais profissionais
de saúde que atendiam a equipe verde de ESF na UBS 04 localizada no Gama –

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DF, visando analisar os danos mais prevalentes na população territorializada por
esta, de modo que se pudesse lançar mão de um planejamento estratégico para a
elaboração de um plano baseado na necessidade da população adscrita.

Assim, foi observado que os principais agravos à saúde da referida população


eram: hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus (DM), depressão,
tabagismo, etilismo, asma, sífilis complicando a gestação, diabetes melittus
gestacional (DMG), doença hipertensiva exclusiva da gestação (DHEG), doença
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Após consideração desses agravos, foi realizada análise a ser detalhada


durante o trabalho, cujo resultado indicou três principais problemas como mais
impactantes na população adscrita na UBS: Obesidade, sedentarismo e depressão.

E em uma análise mais profunda do contexto, após acordar com a equipe de


que a aferição do peso e altura deveria ser realizada em todos os pacientes triados,
não apenas em gestantes ou crianças como era feito até 2018. No período de
Janeiro/2019 a Março/2019 foi observado que grande parte dos pacientes
portadores de HAS, DM, depressão, DMG e DHEG apresentavam alterações em
seu nível de IMC, que variavam desde o sobrepeso até a obesidade grau 3.

Além da associação com outras comorbidades, a obesidade também mostrou


uma grande prevalência isoladamente, inclusive com a busca ativa de pacientes ao
sistema de saúde procurando meios de perder peso ou obter acesso à cirurgia
bariátrica.

Desta forma, estabeleceu-se que o principal problema da população de


abrangência da equipe naquele momento, era o sobrepeso e a obesidade, que além
de isoladamente ser um grande problema de saúde pública, associada às outras
doenças como HAS e DM, tornava-se um verdadeiro obstáculo na obtenção da
melhora da qualidade de vida e diminuição da morbidade e mortalidade da
população, assim como o adoecimento futuro das pessoas que apresentavam a
obesidade isoladamente.

Justifica-se assim o trabalho em visão da redução do sobrepeso e da


obesidade na população atendida pela equipe verde da UBS 4 do Gama, importante
problema de saúde pública cuja atenção específica ao mesmo pode resultar em

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melhor qualidade de vida para a população e em diminuição do adoecimento e de
gastos em saúde.

2. OBJETIVOS

2.1. Objetivo Geral

Construir um plano de ação coerente para diminuir o grau de sobrepeso e


obesidade dos pacientes atendidos pela equipe verde na UBS 4 do Gama, conforme
critérios epidemiológicos, éticos, econômicos e sociais, de modo a atender à
responsabilidade sanitária da Estratégia Saúde da Família.

2.2. Objetivos específicos

• Identificar os pacientes atendidos pela equipe verde na UBS 4 do Gama


portadores de sobrepeso ou obesidade;

• Caracterizar os pacientes portadores de sobrepeso ou obesidade atendidos


pela equipe verde na UBS 4 do Gama com aferição do peso e altura e cálculo do
IMC;

• Desenvolver estratégias para os paciente portadores de sobrepeso ou


obesidade s atendidos pela equipe verde na UBS 4 do Gama;

• Monitorar o tratamento paciente portadores de sobrepeso ou obesidade s


atendidos pela equipe verde na UBS 4 do Gama;

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3. JUSTIFICATIVA

A obesidade é um problema de saúde pública que vem crescendo ao longo


dos anos, principalmente com o advento das tecnologias e o crescente aumento de
maus hábitos alimentares, onde a comida industrializada, ultraprocessados e o fast
food se tornaram mais acessíveis, e de forma subjetiva, esses chamados progressos
da humanidade tornaram a população mais sedentária e consequentemente obesa.

A partir da territorialização e do mapeamento adequados da área de atuação da


equipe médica responsável pelo projeto desenvolvido foi possível identificar quais
são os maiores danos causados à saúde e quais os principais grupos e indivíduos
estão direta ou indiretamente expostos a este risco, de maneira que através do
planejamento estratégico esse trabalho visa montar um plano de cuidado com a
finalidade de lidar com a situação-problema.

A população com sobrepeso ou obesidade desperta atenção por seu potencial


maior para desenvolver doenças associadas, como doenças cardiovasculares
(hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, aterosclerose), diabetes mellitus e
depressão, além de trazer complicações para a gestação de mulheres em idade fértil
que se encontram na condição de obesas previamente à gestação, além,
obviamente, da redução da qualidade de vida das pessoas que vivem com essa
condição, pois além da chance de morbidade e mortalidade maiores, existe o
preconceito com o excesso de peso e com aqueles que não se adequam aos
padrões impostos pela sociedade.

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4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

4.1. Obesidade: causas e consequências

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a obesidade como uma


doença caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, algo que é
medido através do Índice de Massa Corporal (IMC), segundo Wannmacher (2016,
p.1) a “obesidade é problema de caráter pandêmico, multiétnico, ocorrendo em
países de alta, média e baixa renda (particularmente em áreas urbanas), em
homens e mulheres e em todas as faixas etárias”.
A obesidade está caracterizada entre as Doenças Crônicas Não-
Transmissíveis (DCNT) e pode estar relacionada a fatores genéticos, ambientais,
estilo de vida sedentário e má alimentação além de poder ser reflexo de outras
condições de saúde, como doenças endócrinas.
A causa fundamental de obesidade e sobrepeso é o desequilíbrio entre o
consumo de calorias e o gasto calórico. Isso decorre da ingestão de dietas
ricas em carboidratos e gorduras e do aumento do sedentarismo na
população urbana. Obesidade é considerada doença multifatorial, ocorrendo
pela interação de fatores genéticos e condições do ambiente. Muitos dos
mecanismos fisiopatológicos que levam à obesidade são ainda
desconhecidos (Wannmacher, 2016)

A obesidade acomete cada vez mais pessoas. Em pesquisa do Instituto


Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em 2013: “estimou-se que
mais da metade da população apresentou excesso de peso (56,9 %), ou seja, cerca
de 82 milhões de pessoas”. Essa é uma doença que está cada vez mais prevalente
em nossa sociedade e que devido ao aumento de sua incidência e prevalência
merece atenção especial.
Além de interferir diretamente com a qualidade de vida do indivíduo, a
obesidade ou o sobrepeso está diretamente ligada à outras doenças, como diabetes,
depressão, câncer e doenças cardiovasculares, podendo assim trazer um aumento
dos índices de mortalidade.
Obesidade e sobrepeso em adultos trazem como consequências doenças
cardiovasculares, diabetes, osteoartrite, alguns cânceres (colorretal, renal,
esofágico endometrial, mamário, ovariano e prostático), dificuldades
respiratórias como hipoventilação crônica (síndrome de Pickwick) e apneia
do sono, infertilidade masculina, colelitíase, esteatose, refluxo
gastroesofágico, transtornos psicossociais e hipertensão arterial sistêmica
(WANNMACHER, 2016, p. 2)

11
Esse aumento no risco e na agravação de outras comorbidades faz com que
a obesidade e o sobrepeso sejam doenças que merecem atenção especial, podendo
então partir do auxílio prestado nas UBS, que podem mapear e rastrear os casos
presentes na região que prestam atendimento, para assim acompanhá-los e trata-
los..

4.2. Identificando a Doença

O Índice de Massa Corporal (IMC) é um cálculo desenvolvido no fim do século


XIX por um estudioso belga chamado Lambert Adolphe Jacques Quételet, cujo
objetivo principal era avaliar as condições de peso de um determinado indivíduo, de
maneira simples e objetiva, com uma fórmula de fácil manuseio: peso (quilos)
dividido pelo quadrado da altura (metros); sendo adotado pela Organização Mundial
de Saúde (OMS) para avaliar se uma pessoa encontra-se em estado de baixo peso,
peso normal, sobrepeso ou obesidade.

A classificação dá-se por agrupar os indivíduos adultos, brancos, negros e


hispânicos/latinos em: baixo peso (IMC < 18,5kg/m2); peso normal (IMC ≥18.5 a
24.9 kg/m2); sobrepeso (IMC ≥ 25 a 29.9 kg/m2); obesidade (≥30 kg/m2), podendo
esta ser subdividida em grau 1, grau 2 e grau 3, conforme tabela 1.

Tabela 1 - Classificação do índice de massa corporal

CLASSIFICAÇÃO DO ÍNDICE DE MASSA CORPORAL


BAIXO PESO: IMC <18.5 kg/m2
PESO NORMAL: IMC ≥18.5 a 24.9 kg/m2
SOBREPESO: IMC ≥25 a 29.9 kg/m2
OBESIDADE: IMC ≥30 kg/m2
OBESIDADE GRAU 1: IMC 30 a 34.9 kg/m2
12
OBESIDADE GRAU 2: IMC 35 a 39.9 kg/m2
OBESIDADE GRAU 3: IMC ≥40 kg/m2 (também referida
como obesidade mórbida)

A morbidade e mortalidade associadas ao sobrepeso (IMC ≥25 a 29.9 kg/m2)


e a obesidade (IMC ≥30 kg/m2) são conhecidas desde os anos 2000. A obesidade é
uma doença sistêmica crônica, inflamatória, que pode vir a ser incapacitante e fatal;
pode estar prevalente nas mais diversas faixas, assim como pode ser detectada por
simples medidas de aferição de peso e altura e cálculo do IMC, porém ainda é
subestimada pela população médica e não médica, onde ambos poderiam e
deveriam adotar medidas preventivas precocemente, evitando assim outras doenças
associadas ao excesso de gordura corporal.

4.3. A Obesidade da Perspectiva da UBS

Os pacientes observados neste estudo constituem uma amostra da população


atendida na Unidade Básica de Saúde 04 do Gama, Brasília - DF, que tiveram sua
situação de saúde analisada por meio de observação direta mediante consultas
médicas e análise de seus prontuários no e-SUS, visitas domiciliares, atendimentos
em grupos e reuniões com a equipe para falar sobre o assunto. Além disso, também
foi possível adquirir uma análise situacional do ponto de vista dos agentes
comunitários de saúde, dos técnicos de enfermagem e do enfermeiro, pessoas que
tem um contato maior com a população do que o médico. Por meio de todas essas
análises pode-se identificar como obstáculo a obesidade como problema de saúde
subestimado por aquela equipe.

13
5. MATERIAIS E MÉTODOS

A metodologia do trabalho foi baseada em análise de matriz transcendência,


urgência e capacidade (TUC), além de análise de dados qualitativos obtidos a partir
das consultas e reuniões em grupo da UBS 04 do Gama, em Brasília - Distrito
Federal.

A matriz TUC consiste em metodologia para análise de critérios para escolha


de problemas a serem enfrentados, de frequente utilização no planejamento em
saúde, que consiste na atribuição de um valor para três critérios:

 Transcendência de gestores a técnicos, para outros atores envolvidos


e para a população
 Urgência do problema e importância de que seja enfrentado agora
 Capacidade de enfrentamento do problema e possibilidade de
impactos ao longo do tempo

A pontuação é definida através das pessoas que analisam os problemas para


a sua seleção, não existindo forma certa ou errada de definir, se não através da
avaliação de quem planeja. Pode-se ainda alterar os critérios de acordo com as
necessidades, substituindo-se a transcendência pela magnitude do problema, por
exemplo

Assim, através da elaboração da matriz TUC foram identificadas doenças


como: etilismo, hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus (DM),
diabetes mellitus gestacional (DMG), doença hipertensiva exclusiva da gestação
(DHEG), doenças respiratórias crônicas, obesidade, tabagismo, depressão e
sedentarismo (Quadro 1, Tabela 2), sendo que os três principais problemas
selecionados, foram: obesidade, sedentarismo e depressão (Tabela 3)

Quadro 1. Principais problemas selecionados

PROBLEMAS

1 Etilismo

2 Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)


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3 Diabetes Mellitus (DM)

4 Diabetes Mellitus Gestacional (DMG)

5 Hipertensão Arterial Exclusiva da Gestação


(DHEG)

6 Doenças respiratórias crônicas

7 Obesidade

8 Tabagismo

9 Depressão

10 Sedentarismo
Fonte: Autoria própria

Tabela 2. Matriz TUC para seleção dos problemas

PROBLEMA Critérios (valores de 1 a 10) TOTAL

Transcendência Urgência Capacidade (TxUxC)


(T) (U) (C)

Etilismo 10 10 3 300

(HAS) 10 3 10 300

Diabetes mellitus
10 3 7 210
(DM)

DMG 10 7 7 490

DHEG 10 7 7 490

Doenças
respiratórias 10 7 3 210
crônicas

Obesidade 10 10 10 1000

Tabagismo 10 7 3 210

Depressão 10 7 10 700

Sedentarismo 10 7 10 700
Fonte: Autoria própria

Tabela 3 - Problemas selecionados


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PROBLEMAS

1 Obesidade

2 Sedentarismo

3 Depressão
Fonte: Autoria própria

Foram realizados os registros por meio de atividades em grupo no e-SUS, e o


registro de um diário de peso e IMC dos pacientes por um período de 06 meses, de
forma que possa ser observada a evolução de cada membro e se há necessidade
ou não de intervenção médica através do uso de medicamentos adjuvantes na perda
de peso. Caso o paciente apresente essa necessidade, será direcionado à consulta
médica individual, de forma que as atividades da equipe ocorram normalmente na
UBS, e este grupo seja mensal, de forma a dar continuidade a outros grupos já
existentes e consolidados, às visitas domiciliares e às atividades inerentes à ESF em
geral.

Através de reunião da equipe verde da UBS 04 do Gama o plano foi


idealizado com a participação ativa de todos os seus membros, de forma que a ideia
principal é a realização de um grupo de combate à obesidade, que contará com a
participação ativa dos membros da equipe, e será solicitada a ajuda de nutricionistas
e profissionais de Educação Física colaboradores da região para ministrarem
palestras que visem à instrução do grupo sobre alimentação adequada e prática de
atividades físicas como meio de perda de peso de maneira saudável.

Os encontros serão realizados pelo período de 12 meses, com atividades


mensais em grupos com, no máximo, 15 pessoas, realização de registro em um
formulário específico criado para identificar o membro do grupo, seu peso, sua altura
e seu IMC no início do processo. Também haverá o registro mensal da evolução de
cada membro quanto ao seu peso e IMC, bem como o registro no e-SUS. O grupo
será fechado, sem possibilidade de adição de novos membros no seu decorrer, além
do que terá um termo de sigilo que deverá ser assinado por todos os membros
(pacientes e equipe), para que possíveis relatos pessoais não possam ser usados
por outros como meio de fofoca, chantagem etc.

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O grupo promoverá atividades em conjunto com nutricionistas, profissionais
de Educação Física e psicólogos, de forma a orientar claramente os pacientes sobre
o tipo de alimentação que devem seguir, quais atividades físicas podem realizar e
prover um apoio psicossocial adequado, pois muitos destes pacientes apresentam
também depressão associada. O médico da equipe verde estará em todas as
reuniões e após 06 meses serão solicitados exames laboratoriais para cada
membro, com a intenção de avaliar seu estado geral de saúde, assim como será
realizada a avaliação individual da evolução de cada paciente, e quando houver
necessidade, o mesmo será encaminhado para consulta médica para avaliar a
introdução de medicamentos adjuvantes na perda de peso, como a associação
bupropiona + naltrexona ou bupropiona + fluoxetina.

Paralelamente, as atividades da equipe verde ocorrerão normalmente na


UBS, de forma a dar continuidade às consultas médicas, aos outros grupos já
existentes e consolidados, às visitas domiciliares e às atividades inerentes à ESF em
geral.

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6. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Este trabalho teve a sua problemática voltada à obesidade, de modo que a


investigação resultou na identificação da mesma como importante agravante para
outras condições de saúde, tais como: depressão, sedentarismo, diabetes mellitus,
além de fator de risco para doenças cardiovasculares, como a aterosclerose, de
modo que torna-se problema relevante para o SUS, sendo importante que seja
abordado em UBS.

A obesidade tem importante relação com determinantes sociais, culturais e


comportamentais, incluindo falta de acesso à alimentação saudável, sedentarismo,
erros alimentares. Identificaram-se ainda problemas relacionados ao trabalho da
equipe na UBS, tal como a falta de programa de atenção à obesidade e falta de
aferição de parâmetros antropométricos em triagem de pacientes adultos além das
gestantes.

Outrossim, é importante ressaltar que problemas relacionados ao SUS como


por exemplo a falta de profissionais na ESF e falta de treinamento dos profissionais
contribuem para o agravamento do problema.

A obesidade foi comum nos pacientes atendidos pela equipe verde na UBS
04 do Gama, pois 54% dos pacientes apresentavam ou obesidade ou sobrepeso
(Figura 1).

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(Figura 1) - Árvore de Problemas

Fonte: autoria própria

Também é importante ressaltar fatores de risco frente aos problemas


selecionados e identificados através de revisão de literatura, que seriam importantes
para um plano de intervenção. Já pensando em obesidade deve-se atuar desde as
consultas de rotina da infância, com incentivo ao aleitamento materno e desestímulo
à introdução de fórmulas e correção de erros alimentares até a idade adulta com
intervenções voltadas para a obesidade (Figura 2).

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Figura 2 - Fatores de risco identificados para o problema

Fonte: autoria própria

É importante ressaltar que as técnicas de enfermagem da equipe verde da


UBS 4 do Gama só aferiam o peso, altura e a pressão arterial de grávidas e idosos,
e que isso foi pactuado para que haja aferição de todos os pacientes que fossem
submetidos à consulta. Então os dados obtidos na UBS vieram através do
consolidado (obtido através do sistema E-SUS AB) de atendimentos individuais
realizados pela equipe e pelo médico, no período de Setembro de 2018 a Dezembro
de 2018, quando iniciou-se a mudança, e o grupo mencionado teve um cronograma
de realização que se iniciou em Janeiro de 2019 à Novembro de 2019.

Foram pensadas assim, intervenções a serem tomadas para a abordagem da


obesidade na UBS em questão, na forma de ações tipo beta, ou seja, aquelas
necessárias e suficientes para o enfrentamento dos problemas priorizados na
análise de situação, visando identificar as possíveis decisões a serem tomadas para
este problema e escolher as melhores intervenções.

20
Tabela 4- Plano para abordagem da Obesidade

Problema: Obesidade

Objetivo: Enfrentamento do problema da obesidade no contexto da UBS

Meta de resultado: redução no número de obesos; redução de doenças associadas ao excesso de


peso; melhora da qualidade de vida da população; redução de gastos a longo prazo para o SUS.

Ações tipo BETA Meta de produto Responsável Prazo

1- Orientação da Escolha de dieta Nutricionista Ação imediata


população sobre hábitos adequada
alimentares

2- Estímulo à prática de Melhoria da qualidade Educador físico Ação imediata


atividades físicas de vida; perda de
peso; mudanças de
hábitos de vida

3 - Acompanhamento Tratamento das Psicólogo Ação em médio


psicológico questões prazo
psicossociais que
influenciam na
obesidade

4- Criação de Grupo de Abordagem Médico Ação em longo


Apoio e Orientação aos multiprofissional da prazo
pacientes obesos doença em grupo de
apoio para incentivar
a perda ponderal e
mudanças de hábitos
de vida

5 - Abordagem nas Prevenção da doença Médico Ação contínua


consultas de crescimento e seus agravos desde
e desenvolvimento (CD) o início da vida;
incentivo ao
aleitamento materno
exclusivo e
orientações sobre a
introdução alimentar
adequada

6-Tratamento Tratamento Médico Ação em longo


medicamentoso e intervencionista da prazo
cirúrgico doença, com
prevenção dos
agravos

Tendo em vista que a obesidade pode ser tratada de diversas formas, dentre
elas a intervenção medicamentosa, mudanças nos hábitos e estilo de vida, como o

21
abandono do sedentarismo e mudanças alimentares, em alguns casos é necessária
a intervenção cirúrgica, nestes casos específicos o paciente deve ser encaminhado
a um endocrinologista que fará sua avaliação, além do acompanhamento nutricional
e psicológico, de modo que alguns pacientes no grupo poderiam ser selecionados
para outras intervenções.

As ações sugeridas foram analisadas em tabela de matriz de viabilidade de


ações, de modo semelhante à matriz TUC: foi atribuído valor número a cada um dos
parâmetros de viabilidade: de decisão(capacidade de tomar a decisão), operacional
(capacidade de operar bem a ação) e de permanência (capacidade de permanecer
operando a ação), resultando em um produto dos três valores atribuídos para
auxiliar na seleção das ações.

Assim, foi escolhida a criação de um grupo de intervenção, representado pela


ação 4, de forma a superar limitações do sistema, do ambiente e do paciente, além
de poder ajudar a suprir a ação 1 e a 2 ao mesmo tempo com a participação do
médico e da equipe de forma a fornecer orientações sobre atividade física,
orientações dietéticas básicas e

Tabela 5 - Análise de viabilidade das ações

Critérios (valores de 1 a 8)

AÇÃO Viabilidade de Viabilidade Viabilidade de TOTAL


Decisão Operacional Permanência (AxBxC)

Ação 1 8 8 8 512

Ação 2 8 8 8 512

Ação 3 8 5 5 200

Ação 4 8 8 8 512

Ação 5 8 5 8 320

Ação 6 5 5 5 125

Fonte: autoria própria

22
23
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Identificou-se a obesidade como problema relevante para abordagem na UBS


em estudo neste trabalho, de modo a necessitar da escolha de outras intervenções
adequadas para lidar com este problema crescente em nosso meio e crescente
também no meio explorado, de modo que 54% dos pacientes da equipe estudada
apresentavam obesidade ou sobrepeso.

A criação de um grupo fechado para apoio nutricional, de estilo de vida e para


identificação de pacientes com necessidade de avaliação em consulta individual
pareceu suprir melhor a necessidade em tabela de matriz TUV para viabilidade de
ações, de modo que foi a intervenção escolhida para se adotar no caso em questão.

Desta forma, a obesidade trata-se de grave problema de saúde pública,


necessitando de intervenções multifacetadas visando uma abordagem polivalente
deste problema.

24
8. REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME


METABÓLICA (ABESO). Diretrizes brasileiras de obesidade 2016. VI Diretrizes
Brasileiras de Obesidade, [s.l.], p. 7–186, 2016. ISBN: 9788560549153, ISSN:
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