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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA

SEGUNDO SEMESTRE DE ENFERMAGEM

MATHEUS SILVELO FRANCO

POTIFÓLIO REFLEXIVO DE SAUDE MENTAL I

URUGUAIANA
2019
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO
AULA PRATICA I
HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA E DA SAÚDE MENTAL
AULA PRATICA II
AULA PRATICA III
AULA PRATICA IV
RAPS E DISPOSITIVOS DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL
EXAME DE ESTADO MENTAL
1.1 Consciência, Atenção, Sensopercepção, Orientação, Memória
1.2 Inteligência, Afetividade, Pensamento, Conduta, Linguagem
INTERCAPS
POLITICA DE REDUÇÃO DE DANOS
INTERVENÇÕES EM SAÚDE MENTAL
1.1 Genograma
1.2 Ecomapa
AVALIAÇÃO I
1.1 Caravana dos Direitos Humanos – Estado: Rio de Janeiro
1.2 Planejamento e construção do trabalho
1.3 Apresentação do trabalho
PROJETO TERAPEUTICO SINGULAR/ AVALIAÇÃO II
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
APRESENTAÇÃO

Meu nome é Matheus, e estou no segundo semestre do curso de Enfermagem. Desde o


início do curso, me deparei com disciplinas básicas, como Anatomia, Fisiologia,
Histologia... Porém, até então, nenhuma abordava a função do enfermeiro em
determinado setor da assistência de enfermagem. Já Saúde Mental I seria a primeira, e
estava me causando bastante expectativa e algumas curiosidades. Eu conhecia essa
área da saúde e sabia o básico, então em geral, quando as aulas começaram eu pude
identificar alguns assuntos e complementar meus conhecimentos prévios.
O primeiro encontro da turma foi marcado pela apresentação das professoras Debora e
Marciele, bem como dos alunos e do plano de ensino. Além de combinar as datas das
avaliações, as professoras realizaram uma dinâmica, que possibilitava os alunos
descreverem a Saúde Mental com apenas uma palavra. Nesse momento, as professoras
procuravam entender o porquê os alunos escolhiam as determinadas palavras. A palavra
que eu escolhi foi ‘Essencial’, devido a importância que precisamos dar a Saúde Mental,
afinal quando notificamos um problema mental, normalmente ele é banalizado ou
depreciado. Outra palavra que foi mencionada, especificamente pela professora Debora,
foi ‘Imprevisível’, isso porque segundo ela, trabalhar com a Saúde Mental é lidar com o
imprevisto, ou seja, o paciente que pode vir a oscilar em seu estado mental.
A Saúde Mental com certeza não era uma área em que eu tinha interesse significativo,
mas posso dizer que foi naquela manhã em que eu comecei a pensar diferente. Talvez eu
tenha entendido que eu não posso selecionar a enfermidade que mais me interessa,
porque enquanto futuro enfermeiro eu preciso estar habilitado para lidar com todos os
tipos de problemas, desde um paciente com ferimento leve até um com esquizofrenia, por
exemplo. Além disso, me dei conta de que não posso olhar para a doença, e sim para o
ser humano, então se o paciente mentalmente acometido estiver precisando de mim, é
meu dever assisti-lo.
AULA PRATICA I – 22/08/19

Baseado na Aula
O dia 22/08/19 era talvez o dia mais esperado do mês de agosto, isso porque seria a
primeira prática. Exagerado? Eu diria que pra um jovem de 19 anos que está realizando
um sonho de cursar enfermagem, não, não é exagero! Seria o primeiro contato com o
público e aquilo me deixava muito ansioso e cada vez mais com expectativas. Quando
cheguei no CAPS II, fui recepcionado pelos usuários que já aguardavam mais ansiosos
que eu, talvez. A primeira usuária que veio até eu se chamava Fernanda, ela era muito
amorosa e com toda a certeza quebrava o paradigma de que o doente mental é
necessariamente perigoso.
Quando todos os meus colegas já estavam lá, a professora nos orientou sobre como dar
início aos serviços, e ficou bem claro que nesse primeiro momento (Saúde Mental I) nós
trabalharíamos em cima da socialização, inclusão, comunicação e acolhimento dos
usuários. É como se tivéssemos que ser psicólogos que exercem as atividades no âmbito
da enfermagem. Procurando aliviar os problemas, ouvir e faze-los se sentirem incluídos.
Complemento
Um artigo da revista SciELO, fala sobre as relações de cuidado que atuam como
dispositivos na atenção à saúde, esses dispositivos podem ser por exemplo: o vínculo, o
acolhimento, a corresponsabilização e a autonomia. O objetivo da pesquisa foi
justamente analisar esses dispositivos em um determinado CAPS do estado do Ceará. Os
resultados evidenciam que as relações de cuidado e seus dispositivos contribuem para a
atenção a saúde do usuário com problemas mentais. Assim, podemos compreender como
se dá parte da assistência na saúde mental e porque esse modelo é importante. Cabe
salientar que a assistência de enfermagem na saúde mental não se limita apenas aos
dispositivos de cuidado.
HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA E DA SAÚDE MENTAL – 23/08/19

Baseado na Aula
Nessa aula, a professora Debora falou um pouco sobre tudo que vem acontecendo na
saúde mental desde a antiguidade. Relatou que a loucura sempre existiu, porém ao longo
do tempo foi ganhando significados diferentes. Essa aula foi bastante interessante para
mim, porque eu sempre achei fascinante entender o mundo no passado, e com a saúde
mental não foi diferente.
Na Idade Antiga a loucura teve dois principais significados ao longo desse período, num
primeiro momento era vista, na perspectiva mitológica, como a manifestação de uma
entidade sobre os seres humanos. A tecnologia de cuidado era principalmente a
realização de rezas, benzeduras e rituais de expulsão. Um pouco mais tarde a loucura
começou a ser entendida como uma produção que se dava por consequência da paixão e
incluía todos os sentimentos, era tratada por meio de passeios, dietas, mensagens
corporais e o contato com a natureza.
Já na Idade Média, as coisas foram ficando um pouco mais críticas, os loucos passaram a
serem chamados de lunáticos, e isso significava dizer que eles viviam em outro mundo.
Com o início da Baixa Idade Média, predomínio e fanatismo católico, a loucura começou a
ser enxergada como manifestações sobrenaturais, ou seja, possessões diabólicas. Dessa
forma, era tratada por meio de violência.
E a crueldade não acaba por aí, na Idade Moderna o pensamento que supervalorizava o
trabalho considerava anormal aquele que não trabalhasse ou não tinha menor condição
de trabalhar, assim quem estava nessas situações era isolado da sociedade nos famosos
leprosários. No entanto, com o passar dos séculos sentiu-se a necessidade de organizar
a saúde mental, e nesse contexto foi criado o modelo asilar (manicômio) pelo considerado
pai da psiquiatria Philippe Pinel. Esse modelo compreendia os loucos como seres que
precisavam aprender a agirem de maneira “normal” e assim serem ensinados até
alcançarem a cura. Porém, foi uma fase extremamente desumana, principalmente porque
eram usadas técnicas impróprias e não havia cuidados básicos aos doentes. Nesse
período as patologias foram classificadas e deu-se início a psiquiatria. Em sequência
desenvolveu-se modelo psicossocial.
Complemento
Segundo o material do CENAT, a reforma psiquiátrica é marcada pelo começo do declínio
dos manicômios, bem como a luta por melhores políticas na saúde mental, a fim de
modificar o sistema de assistência aos pacientes com transtornos mentais. O panorama
internacional resistia à violência manicomial e assim inicia-se no ano de 1978 a reforma
psiquiátrica no Brasil.
O surgimento da Reforma Psiquiátrica no Brasil (1978 a 1991)
No início desse período é criado o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental
(MTSM), que manifestam as críticas e reivindicações para a mudança do antigo modelo
de assistência na saúde mental.
Então começa a serem propostas ações para a melhoria dos serviços, e em 1987 com o II
Congresso Nacional do MTSM cria-se o lema “Por uma sociedade sem manicômios”.
Ainda nesse ano acontece a I Conferência Nacional de Saúde Mental e o surgimento do
primeiro CAPS.
Em 1989, ocorrem intervenções na Casa de Saúde Anchieta (hospital psiquiátrico). Esse
hospital foi mencionado nas aulas da professora Debora, e assistimos a um vídeo que
tinha como título “O holocausto brasileiro”, isso porque os pacientes da Casa de “Saúde”
Anchieta eram brutalmente maltratados e violentados.
E foram essas intervenções que repercutiram e deram início aos Núcleos de Apoio
Psicossociais (NAPS), cooperativas e residenciais que substituíssem hospitais e
associações. Ainda nesse ano, é proposto ao Congresso Nacional o projeto de lei para
regulamentação dos direitos aos pacientes com transtornos mentais e a extinção dos
manicômios no Brasil.
Só em 1992 que esse projeto de lei começa a ser aprovado em alguns estados e
finalmente podemos dizer que a reforma psiquiátrica inicia-se efetivamente. É valido
lembrar que essa luta ainda não acabou e ainda precisamos conquistar mais direitos e
melhorias.
AULA PRÁTICA II – 29/08/19

Baseado na Aula
A segunda prática foi um dia de festividade no CAPS II, a professora Debora solicitou que
levássemos ingredientes para que fizessem o bolo dos aniversariantes do mês. Foi o dia
mais agitado de estagio, isso porque boa parte dos usuários estavam presentes. Antes de
iniciarem as atividades daquela tarde, a professora pediu que nós acompanhássemos um
único usuário, para pudéssemos conhece-lo melhor. De cara eu pensei na Fernanda, ela
sempre era bem alegre e carinhosa. Pude conhecer um pouco sobre sua história e
família, mas não saquei nada muito traumático ou sofredor, a não ser uma queimadura
que num primeiro momento parecia bem curiosa, até eu descobrir que era em decorrência
de um acidente.
Nessa tarde eu dialoguei não só com a Fernanda, mas com mais alguns usuários. A real
é que não era um clima muito apropriado para conversar, então eu pude atuar de uma
maneira talvez mais descontraída, uma vez que dancei, cantei, ajudei a servir os usuários,
comi, dei risada e principalmente, incentivei alguns a fazer as mesmas coisas.
Alguns dos usuários que me marcaram pelo simples fato de serem mais enérgicos e
comunicativos foi a Adriana, a Maria e a Mayara. Eu conseguiria descrever um pouco
sobre cada uma delas, porque simplesmente foram as que eu mais tive contato. Então
vamos conhece-las, A Adriana realmente era muito apegada a mim, ela era carente,
amorosa e parecia ter uma história comovente. A Maria era muito extrovertida e sempre
estava alegre, inclusive dancei várias músicas com ela nesse dia. Já a Mayara era a mais
retraída, mas ainda assim demonstrava bastante afeto e sempre ficava junto conosco.
Não pude deixar de refletir naquele dia que uma simples festa de aniversário, que é tão
supérfluo para algumas pessoas, era algo tão especial para outras. Usuários dançavam,
comiam, bebiam com tamanha vontade, que cheguei à conclusão que aquilo era
terapêutico. Mas afinal, o que é terapêutico no Centro de Atenção Psicossocial?
Complemento
Um artigo publicado na Revista Mineira de Enfermagem (REME), destacam-se as oficinas
terapêuticas que servem como estratégias de cuidado, interação e socialização. O estudo
realizado no Mato Grosso, buscava analisar como as oficinas terapêuticas contribuem no
contexto do CAPS. Os resultados foram bastante positivos, o artigo ressalta que as
oficinas servem como espaços de socialização, construção, produtividade, inserção social
e liberdade de expressão. Além disso, as oficinas podem resgatar a cidadania por meio
da alfabetização e inserir os usuários no mercado de trabalho, comas oficinas geradoras
renda.
Com a reforma psiquiátrica as atividades terapêuticas deixaram de serem limitadas a
apenas profissionais dessa área, mas se tornou uma tarefa multiprofissional, em que
quase todos os profissionais do CAPS participam.
No meu ponto de vista as oficinas terapêuticas são essenciais, no entanto acho
fundamental que elas realmente atendam o usuário de maneira significativa, ou seja,
contribua para seu tratamento e não seja uma atividade aleatória. Para isso é preciso
frisar que o usuário deve ser inserido em uma oficina de acordo com suas afinidades.
Aula Prática III – 05/09/19

Baseado na Aula
Há alguns dias próximos do 7 de setembro acontecia o terceiro estágio com a professora
Débora no CAPS II, e eu já me sentia mais à vontade e familiarizado. Lembro-me que
nessa data a Adriana teria uma consulta com a psicóloga, essa consulta estava sendo
aguardada desde o primeiro dia do meu estágio e desde lá eu podia ver que ela estava
bastante ansiosa e empolgada. Sempre que me via comentava que logo iria consultar
com a Juliane. E confesso que eu já estava agonizado pela ansiedade dela e queria que
consultasse para vê-la mais satisfeita.
A tarde iniciou e nós iríamos até a avenida Presidente Vargas prestigiar o desfile cívico
das escolas infantis de Uruguaiana, e nesse contexto eu conversava com uma usuária
que estava me contatando como estava levando sua vida, até que em meio ao tumulto de
pais e crianças ela começou a chorar e desesperar-se. Assim que notei seu sofrimento,
acompanhei ela até um banco na sorte externa da CAPS e tentei acalma-la. Isso
realmente foi bastante desafiador para mim que recém estava começando a assistência
em enfermagem.
Seguindo a tarde com os desfiles, agora eu me encontrava junto a Adriana e pude
perceber que o usuário Lucas, estava bastante instável, então ele decidiu que não iria
olhar o desfile pois não se sentia bem, e então nós descobrimos que ele era espectro
autista. Enfim, continuei dando a assistência a Adriana que estava bem apegada a mim.
Decido então perguntar que horas seria a consulta com a psicóloga e ela me disse que já
tinha acontecido. Aquilo realmente me deixou bastante frustrado, principalmente porque
ela estava ansiosa e com tantas expectativas e a assistência da psicóloga foi rápida e
superficial, afinal fazia pouco tempo que a tarde havia começado e recentemente
tínhamos descido para o desfile.
Mas a tarde teve um acontecimento ainda mais chocante, e adivinha com quem? Sim, a
Adriana. Bom, estávamos eu, minha colega Camila e a professora junto a Adriana,
quando surge uma representante de um cursinho profissionalizante fazendo propagandas
dos cursos ofertados. Até aí tudo bem, o problema é que em meio a tudo isso a Adriana
foi excluída da conversa pela representante e pudemos ver o quanto o doente mental
ainda sofre preconceitos pela sociedade. Terminado a conversa, a Adriana demonstrou
bastante interesse nos cursos e a professora teve que explicar a ela que primeiro deve
continuar em seu processo de alfabetização para depois passar para a próxima etapa.
Complemento
De acordo com um artigo da revista REUOL que tem como título “Assistência ao indivíduo
com sofrimento psíquico: percepção das equipes multiprofissionais”, o sujeito que possui
transtornos mentais, segundo os profissionais que assistem esses usuários de uma
unidade de saúde, ainda são vítimas da discriminação. O estudo relata que pacientes com
sofrimento psíquico tendem a serem mal compreendidos pela sociedade, isso porque são
julgados a não se encaixarem nas normas sociais, uma vez que a loucura é dificilmente
compreendida. A pesquisa foi baseada em duas categorias principais:
 O processo de ressocialização
Limitações e restrições
Necessidade de participação
 Indivíduo em sofrimento psíquico
Estrutura sociocultural
Relacional e emocional

Basicamente o estudo notifica que o preconceito ao usuário de saúde mental ainda


precisa ser revisto por pesquisadores, profissionais da saúde e comunidade, a fim de
cessar essa opressão e reinserir esse usuário a sociedade.
RAPS E DISPOSITIVOS DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL – 06/09/19
Baseado na Aula
Essa foi uma aula bastante importante, não que as outras não tenham sido, mas essa aula
possibilitou que nós uníssimos a prática com a teoria, e assim implementamos ainda mais os nossos
conhecimentos sobre a assistência pública em saúde mental. Foi uma aula com a professora
Marciele, e logo de cara notei que ela era um pouco tímida talvez, mas isso não exclui o fato dela
ser uma excelente educadora.
Num primeiro momento foi apresentado a lei 10216 de 2001, que dispõem sobre a proteção e os
direitos de pacientes com transtornos mentais, bem como redireciona o modelo assistencial em
saúde mental. Por incrível que pareça essa lei é muito recente e demonstra que a luta pela reforma
psiquiátrica recém começou, ainda não acabou e está longe de acabar.
Na sequência, a professora passou um vídeo que documentava as condições de um hospital
psiquiátrico e pediu que anotássemos as coisas que precisavam ser mudadas daquela realidade.
Terminado o vídeo, ela pediu que cada um compartilhasse com a turma as suas percepções e
opiniões sobre o que tinha sido assistido. Eu listei algumas palavras-chave, tais como:
 Espancamento
 Violência física e moral
 Ignorância
 Insatisfação dos pacientes referente a alimentação
 Castigos cruéis
 Cárcere
 Insalubridade
 Higiene precária
 Apropriação da vida dos pacientes
 Uso de medicamentos sem necessidade
 Eletrochoque e não eletroconvulsoterapia
 Tortura
 Profissionais desumanos
 Superlotação
 Água do banho fria
 Ambiente sem infraestrutura
 Insuficiência de servidores
E foi no contexto da situação desse e outros hospitais que foram surgindo novas políticas que
permitissem a mudança dessas realidades. A lei 10216 de 2001 discorre sobre as novas condições
que deveriam ser atribuídas aos pacientes em sofrimento psíquico. A listagem dos problemas
identificados no vídeo é justamente tudo aquilo que a lei vem tentando mudar, somado a outras
atribuições, como:
 Autonomia dos pacientes
 Singularidade da assistência
 Cuidado humanizado
 Proteção
 Critérios para internação
 Reinserção social
 Comunicação
 Terapias mais humanizadas
 Direitos de maneira geral
A saúde mental vem melhorando ao longo do tempo, no entanto ainda precisa melhorar mais. Um
modelo assistencial desenvolvido para substituir os antigos hospitais psiquiátricos é a Rede de
Atenção Psicossocial (RAPS), que é caracterizada pelo conjunto de serviços ofertados a indivíduos
com transtornos mentais. O grande protagonista desses serviços é o Centro de Atenção Psicossocial
(CAPS), pois é nessa unidade em que se dá inteiramente a assistência a usuários de saúde mental.
No entanto não é apenas esse o serviço ofertado pela rede, confira a tabela:
Atenção Básica Atenção Especializada Atenção Terciária
Estratégia Saúde da Família Centro de Atenção Hospital Geral
Psicossocial
Consultório na Rua Ambulatório de Saúde Mental UPA 24hrs
Centro de Convivência - Pronto Socorro

No âmbito da assistência social há unidades de acolhimento, o CRAS e o CREAS. E como serviços


de reabilitação as residências terapêuticas e o programa de volta para casa.
Complemento
Segundo o Ministério da Saúde o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) é o serviço que realiza
atendimento prioritário às pessoas com sofrimento ou transtornos mentais, incluído dependentes
químicos e de álcool. Confira a classificação dos tipos de CAPS:
Classificação Número Mínimo de Habitantes Tipo de Usuário
CAPS I 15 mil Transtornos Mentais
CAPS II 70 mil Transtornos Mentais
CAPS III 150 mil Transtornos Mentais
CAPS AD 70 mil Usuário de Álcool e Drogas
CAPS i 70 mil Crianças com Transtornos Mentais

Um estudo realizado pela Faculdade São Paulo mostra a trajetória a partir da criação do CAPS até
2016, a pesquisa teve o objetivo de analisar a evolução dos serviços e o tratamento dos usuários. A
pesquisa indicou que a assistência em saúde mental melhorou e assim tornou-se mais eficiente e
singular, uma vez que o cuidado passou a ser mais humanizado.
Inicialmente o CAPS era um projeto temporário, com o objetivo de substituir os serviços
manicomiais, porém o modelo assistencial foi tão satisfatório que se perpetuou e está vigente até
hoje. A evolução da assistência no CAPS foi sendo aperfeiçoada ao passo que a saúde mental foi
sendo melhor compreendida. Assim, desenvolveram-se formas de cuidado que fossem adequadas
para esses usuários.
Aula Prática IV – 19/09/19
Baseado na Aula
Finalmente tínhamos chegado ao último dia de estágio, mas dessa vez seria no CAPS AD. Não
estava programado no plano de ensino para ser lá, porém a professora Débora sugeriu que no último
dia de práticas nos juntássemos com a turma B para fazer uma grande confraternização, entretanto
os usuários do CAPS II não estavam disponíveis nesse dia. As duas unidades eram bem distintas,
pelo fato de conter usuários dependentes químicos e alcoólatras numa e doentes mentais na outra.
Seria uma tarde de comemoração e despedida, então levamos comes e bebes e arrumamos em uma
mesa. A ideia principal seria a realização de um piquenique em uma praça pública, mas essa ideia
foi desconsiderada e decidiram fazer ali mesmo.
Em seguida que cheguei pude conhecer os usuários e a experiência foi bem diferente que no CAPS
II, uma vez que no II os usuários eram mais calorosos e no AD eles eram mais retraídos, como se
fossem sofridos. Na real eles eram de fato, e eu me sentia bastante disposto a ouvi-los e desvincula-
los desse mundo. As meninas da turma B, que já eram familiarizadas no AD tinham programado
uma dinâmica para ser realizada com os usuários, o jogo do quem sou eu, em que eles deveriam
colar um papel na testa que estivesse escrito algum ser, e o objetivo era que todos os outros
jogadores adivinhassem qual seria esse ser. Assim, dividimos os usuários em grupos e iniciamos as
atividades.
Na sequência, lanchamos junto com os usuários e depois tivemos o momento do karaokê. Em
determinado instante ouvimos histórias de alguns dos usuários, e foi bastante interessando
compreender como funciona a dependência de drogas. Isso porque a sociedade costuma recriminar
os viciados e não busca entender o como e porque acontece o processo de vício e dependência.
Claramente minha visão ampliou aquele dia, entendi melhor que o vício está relacionado a vários
fatores.
Complemento
Em um artigo publicado pela sciELO o CAPS AD é visto como um recurso essencial para usuários
de álcool e drogas, de forma que sejam acolhidos, cuidados e motivados. A pesquisa garante que os
usuários entrevistados relataram que os serviços ofertados são de excelência e a equipe é livre de
preconceitos. De alguma forma isso demonstra que a saúde mental vem passando por um processo
evolutivo, na qual os sujeitos que antes eram maltratados e negligenciados agora são melhor
compreendidos e cuidados.
Por outro lado, os estudos indicaram que o CAPS gera dependência, de maneira que os indivíduos
possuem acesso aos direitos e benefícios, e isso fere a autonomia dos mesmos.
O CAPS AD é um dos serviços ofertados pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dessa forma
atende pacientes com acometimento mental no âmbito da dependência de álcool e drogas. Permite a
reinserção social e cuidado aos usuários e tem sublime importância.
De acordo com as minhas reflexões, eu considero o nome “Centro de Atenção Psicossocial Álcool e
Droga” um tanto redundante, na perspectiva de que álcool é uma droga. Assim, acho que o nome
dessas unidades deveria passar a ser chamado de “Centro de Atenção Psicossocial Drogas (CAPS
D)”.

Exame de Estado Mental


Baseado em Aula
1.1 consciência, atenção, sensopercepção, orientação e memória – 27/09/19
Essa foi a primeira parte de um conteúdo bastante complexo, porém muito interessante!
Aprenderíamos sobre a avaliação das funções psíquicas na construção do exame de estado mental,
num primeiro momento a professora introduziu a aula falando sobre o objetivo do exame e logo
pudemos tomar conhecimento de que é uma ferramenta bastante útil para o enfermeiro, uma vez
que objetiva realizar um diagnóstico sindrômico, possibilitando o planejamento e implementação de
cuidados, e servindo como avaliação do quadro clínico do sujeito.
As funções psíquicas são:
 Consciência
 Atenção
 Sensopercepção
 Orientação
 Memória
 Inteligência
 Afeto
 Pensamento
 Conduta
 Linguagem
Cada função desempenha um papel diferente que contribui para a formação e funcionamento do
aparelho psíquico. Quando alguma dessas funções sofre algum tipo de alteração, o indivíduo
demonstra comportamentos fora do comum.
Eu confesso que para mim os conceitos de algumas das funções psíquicas eram muito subjetivos,
assim a aula tornou-se bastante esclarecedora, isso porque a professora Débora tem uma didática
muito boa, correlacionando os conceitos com a prática clínica e dando bons exemplos.
Vejamos agora as cinco primeiras funções:
Consciência: é considerada, segundo Débora, o palco das funções psíquicas. Porque é nela que as
outras funções são expressadas. Está associada ao estado de vigília e tem como último estágio de
alteração o coma.
Atenção: é um estado em que o indivíduo se encontra focado em algo. É uma função tão complexa
que muitas vezes faz com que o sujeito não perceba alguns elementos a sua volta. Os fenômenos
são a mobilidade (desvio da atenção) e a tenacidade (concentração em um só estímulo).
Sensopercepção: está relacionado com a percepção de estímulos externos. Tais como, audição,
visão, tato, olfato, paladar, dor... Em seu estado alterado pode representar alucinações e ilusões. O
que significa respectivamente, percepção de estímulos externos que não são reais para os outros
indivíduos e distorção de algo que já existe.
Orientação: diz respeito da noção que o sujeito tem sobre a si, o tempo e o espaço.
Memória: tem a ver com o armazenamento de informações decorrentes do dia a dia. São
basicamente três os fenômenos da memória, incluindo a fixação (adquirir novas informações),
evocação (adquirir novas informações a dados antigos) e reconhecimento (notar algo já adquirido).
1.2 inteligente, afetividade, pensamento, conduta e linguagem – 04/10/19
A aula posterior foi a continuação das funções psíquicas, a professora Débora fez uma breve revisão
da aula passada e prosseguiu o conteúdo. Segue as definições resumidas das restantes funções
psíquicas:
Inteligência: é a capacidade cognitiva, em que o indivíduo precisa demonstrar construção de
sínteses, hipóteses, opiniões, julgamentos, raciocínios, abstrações e conclusões.
Afetividade: é a expressão dos sentimentos e emoções. De forma que pode ser apresentado em
ressonância (responder um afeto com o mesmo afeto), coerência (o afeto acompanha a vivência) e
ambivalência (afetos contrários ao mesmo tempo).
Pensamento: assimilação, formatação, manuseio e associação de ideias que ocorrem mentalmente.
Os pensamentos podem ser produzidos de duas naturezas (lógica e mágica), o curso diz respeito da
velocidade e frequência. São nós pensamentos que ocorrem os delírios, fenômenos que são
caracterizados por criações mentais.
Mas afinal, o que é delírio? e o são alucinações?! São conceitos bem parecidos porém possuem sua
singularidade. Enquanto um delírio é uma criação do pensamento, isso quer dizer, falar sobre algo
criado na mente, a alucinação é o sentimento de ver, ouvir, sentir e interagir com algo.
Conduta: tem relação com o comportamento do indivíduo, em que envolvendo suas atitudes. Aqui
o sujeito pode ter impulsos e vontades.
Linguagem: qualquer meio que possibilita a comunicação, seja verbal ou gestual.
A professora foi excepcional esse dia, principalmente porque atendeu o pedido da turma em revisar
o conteúdo da aula passada, e isso fez toda a diferença! Porque as revisões ajudam não só em
relembrar os conceitos trabalhados, mas também a fazer os alunos pensarem.
Complemento:
O exame de estado mental é feito pela observação das funções psíquicas, no entanto há métodos que
avaliam funções psíquicas específicas, com o objetivo de analisar determinadas condições mentais.
Por exemplo o mini mental, que serve para rastrear a cognição. Vejamos um mini mental utilizado
no hospital das clínicas de Porto Alegre:
É constituído de perguntas e testes que quando somados resultam em uma pontuação, e essa
pontuação determina o nível cognitivo do paciente.
Outros formas de aplicar o exame de estado mental é sugerido pelo centro de simulações de práticas
de enfermagem da escola de enfermagem de Ribeirão Preto em que dispõem orientações sobre o
exame psiquiátrico. Veja os itens que o compõem:
 Dados sociodemográficos, histórico de saúde e biografia do paciente
 Exame do Estado Mental
 Avaliação de funções psicofisiológicas
 Redefinir a impressão sobre a fidelidade das informações
 Evolução durante o seguimento
Esse modelo de formulário apresenta um exame bastante integral, isso porque permite o
profissional de enfermagem conhecer o paciente no âmbito do contexto que ele está inserido,
sua história e seu estado atual. Além disso, é realizado o exame de estado mental, que têm o
objetivo de compreender como se encontram as funções psíquicas do paciente. Além de conter
também um item que avalia as condições psicofisiológicas, esse exame é avaliado
posteriormente de maneira que o enfermeiro análise as impressões de fidelidade das
informações. Finalmente, quando o paciente estiver em tratamento, deve-se atualizar o
formulário.
Intercaps – 11/10/19
Sobre o evento:
Nesse dia aconteceria os jogos capissisnos da região da fronteira oeste, e Uruguaiana receberia pelo
menos umas quatro cidades que vinham competir na modalidade de futsal. Os nossos campeões do
CAPS II e AD já estavam mais do que preparados para entrarem na quadra e mostrarem para o que
tinham vindo.
A manhã iniciou bem agitada para mim, principalmente porque eu me atrasei e tive que sair
correndo para não perder o ônibus T3 que iria para o Sest Senat, quando cheguei no terminal o
ônibus estava quase dobrando a rua, foi então que dei um gás e finalmente consegui alcança-lo. No
ônibus estavam boa parte das minhas colegas e todos nós estávamos bem animados, porque a aula
seria diferente, digo “aula” porque por mais que fosse um evento esportivo, estar com os usuários
sempre era um aprendizado mútuo e isso que era o bacana, ir a um evento para descontrair e ter a
oportunidade de aprender mais ainda. Sem contar que a chance de uma turma conseguir ir aos
intercaps era bem pequena, então nos sentimos privilegiados!
Chegamos primeiro que os usuários e os funcionários do CAPS II e AD de Uruguaiana já estavam
arrumando o ginásio para o evento. Pude conversar com alguns usuários que já estavam lá desde
cedo e foi interessante estar naquele contexto diferente, porque o simples fato de estarmos fora de
uma unidade de saúde contribuía bastante no tratamento terapêutico daqueles usuários, talvez eles
se sentissem mais “normais” e incluídos socialmente.
Com o passar dos minutos foram chegando às equipes uniformizadas para a competição e eu estava
bem ansioso para ver os usuários do CAPS II, principalmente porque a minha última prática foi no
CAPS AD e eu não tive a oportunidade de me despedir do pessoal, então aquele dia seria de
reencontrar os usuários, descontrair e dar tchau. Logo em seguida que eles chegaram eu fui
freneticamente cumprimenta-los e acho que eu estava mais eufórico que eles, diferente do costume.
Eu queria muito reencontrar a Fernanda, ver como ela estava e poder matar a saudade, assim como
a Adriana que era tão querida e próxima de mim. Para minha sorte a Fernanda tinha chegado, porém
não encontrei a Adriana e de fato ela não estava lá. Junto a Fernanda, estava Maiara e logo comecei
a conversar com elas e acompanhei-as no coffe break. Tumulto pra cá e tumulto pra lá, encontrei a
Maria, e ela sempre tão alegre estava naquele dia chorosa e desesperada, isso porque tinha perdido
seu celular novo e aquilo realmente a abalou, fiquei realmente bem chateado.
Em dado momento, em que as equipes estavam se preparando para iniciarem as partidas, estive com
a Maiara que parecia estar bem instável, isso porque ela chorava repentinamente e aquilo realmente
me deixa desconfortável e impotente, embora eu me esforçasse para tentar ajudá-la, ao mesmo
passo que eu tentava confortar a Maria que está inquieta pelo seu celular. Logo as partidas
começaram e elas ficaram mais animadas, então foi possível ver o quanto um assistir um simples
jogo de futsal era compensatório para aquelas pessoas, que hora estavam em sofrimento psíquico e
hora encontravam-se animadas torcendo para seu time. Uma pessoas que apresentasse um estado
mental mais estável talvez não desse importância para um simples jogo de futsal amador, porque
com certeza perder um celular seria algo tão devastador as faria perder o dia, ou talvez a semana!
As equipes jogavam, e de um lado estava a torcida do CAPS AD em roxo, enquanto do outro a
nossa torcida do CAPS II em colorido, e não demorou muito para fazermos 3 gols no primeiro jogo!
Isso levava a torcida ao delírio (delírio no sentido figurado, tá? Ninguém estava tendo alterações no
pensamento hahahah). Quando estava próximo do almoço eu e meus colegas comemos alguns
lanches que tínhamos levado e logo fomos nos despedir dos usuários para ir embora, e foi nesse
momento que eu me emocionei bastante! Saber que eu estava perdendo o vínculo com aquelas
pessoas me deixou afetado e reflexivo, e ouvir a Maria dizendo que me amava cortou o coração
mais ainda, mas eu me contive e fui para a casa meio triste.
Política de Redução de Danos – 18/10/19
Baseado na aula:
Neste dia teríamos a presença de um funcionário público, usuário do CAPS AD e palestrante, que
conduziria a aula junto a professora Débora. Eu não tinha conhecimento sobre a redução de danos,
então tentei deduzir sobre o que abordava esse assunto, embora ao longo da fala do convidado
(Felipe) comecei a entender melhor. Basicamente as políticas de redução de danos procuram
minimizar ao máximo os riscos de saúde que alguns usuários dos serviços podem sofrer, Felipe
enquanto profissional nessa área frisou que apesar das atividades não serem focadas na tentativa de
cessar o uso de substâncias ou práticas prejudiciais a saúde, a redução tem bastante importância no
intuito de promover a saúde a partir da eliminação de práticas arriscadas. Um exemplo clássico, que
inclusive foi mencionado, são os riscos do uso das drogas injetáveis na perspectiva da contaminação
pelo compartilhamento de seringas, de maneira que a redução de danos não foque na tentativa de
fazer o usuário soltar as drogas injetáveis, mas orientar sobre como usar de maneira segura.
Achei interessante ele ser redutor de danos e ao mesmo tempo usuário dos serviços, então procurei
entender melhor se tinha alguma relação ou era pura conhecidencia. Ele disse que faz sentido
ocupar esses dois lugares, principalmente pela aproximação que o redutor precisa ter do usuário,
assim o fato dele ser os dois (redutor e usuário) promove essa aproximação. É como se o usuário
estivesse mais receptivo a um redutor que também fosse usuário, e a implementação das políticas de
redução de danos fossem aplicadas com sucesso. Inclusive ele contou que no início sofreu
preconceito de alguns profissionais, pela não falta de entendimento e não aceitação da sua atuação
profissional.
Complemento
A portaria 1.028 de 1° de julho de 2005 do Ministério da Saúde determina as ações realizadas nós
serviços de redução de danos a indivíduos que fazem uso de drogas e outras substâncias. A partir da
leitura do documento, elenquei alguns dos artigos que achei mais importantes e relevantes, vejamos:
Art. 2º  Definir que a redução de danos sociais e à saúde, decorrentes do uso de produtos,
substâncias ou drogas que causem dependência, desenvolva-se por meio de ações de saúde dirigidas
a usuários ou a dependentes que não podem, não conseguem ou não querem interromper o referido
uso, tendo como objetivo reduzir os riscos associados sem, necessariamente, intervir na oferta ou no
consumo. Comentário: É relevante salientar que a portaria não visa apenas a redução de danos à
saúde, mas também a redução de danos sociais. É possível analisar que a redução não deve,
necessariamente, interferir no consumo de drogas ou substâncias, mas reduzir os riscos a qualquer
usuário, inclusive aqueles que não queiram interromper o uso! Na minha opinião, esse artigo é
bastante esclarecedor, uma vez que diferencia “parar de usar” e “reduzir os danos do uso”.
Art. 3º  Definir que as ações de redução de danos sociais e à saúde, decorrentes do uso de produtos,
substâncias ou drogas que causem dependência, compreendam uma ou mais das medidas de atenção
integral à saúde, listadas a seguir, praticadas respeitando as necessidades do público alvo e da
comunidade:
I - informação, educação e aconselhamento;
II - assistência social e à saúde; e
III - disponibilização de insumos de proteção à saúde e de prevenção ao HIV/Aids e Hepatites.

Comentário: Nesse artigo identifica-se as principais atividades do redutor de danos, essas


atividades promovem a desconstrução do preconceito que difere o indivíduo que faz uso de drogas
do “indivíduo socialmente aceito”, de forma que possibilite ensino, assistência, prevenção e
recursos no âmbito da saúde. Cada inciso é detalhado pelos artigos 4°, 5° e 6° respectivamente.

Art. 8º  Definir que as ações de redução de danos devem ser desenvolvidas em todos os espaços de
interesse público em que ocorra ou possa ocorrer o consumo de produtos, substâncias ou drogas que
causem dependência, ou para onde se reportem os seus usuários.
Parágrafo único.  As disposições desta Portaria aplicam-se no âmbito do sistema penitenciário, das
cadeias públicas, dos estabelecimentos educacionais destinados à internação de adolescentes, dos
hospitais psiquiátricos, dos abrigos, dos estabelecimentos destinados ao tratamento de usuários ou
dependentes ou de quaisquer outras instituições que mantenham pessoas submetidas à privação ou à
restrição da liberdade. Comentário: É importante compreender que a redução de danos deve ser
prestada em todos os lugares que houverem riscos de agravos por uso de drogas ou substâncias.
Intervenções em Saúde Mental – 25/10/19
Baseado em aula e em outros materiais:
Quase novembro! O semestre esta prestes a acabar, seria o mês mais atarefado do ano e eu estava
bem tranquilo, até perceber o que viria pela frente... O portifólio necessitava ser incrementado e
tinham muitas provas, trabalhos e seminários, realmente me senti perdido e até cogitei não
conseguir vencer tudo! Enfim, decidi me dedicar ao máximo e criei um cronograma, as férias
estavam por vir e eu não queria rodar em nenhuma cadeira. Finalmente desabafei um pouco sobre
esse mês que me assustava tanto e iria ser bem árduo, então vamos a aula de hoje.
A professora Marciele parecia estar mais familiarizada com a turma e todos estávamos animados
pela aula de hoje, isso porque teria uma parte “prática”, então inicialmente assistimos a aula que
abordava as principais intervenções em Saúde Mental. Nesse contexto compreendemos a diferença
de grupos e oficinas, vejamos:
Grupos: é um conjunto de pessoas que forma um todo, conjunto de seres ou coisas previamente
estabelecidos para fins específicos (MICHAELIS, 2017).
Oficinas: é um lugar onde se exerce um ofício, um curso de curta duração que envolve um trabalho
prático e partilha de experiências (MICHAELIS, 2017).
Dessa forma, é possível concluir que uma oficina é um grupo, mas nem todo grupo é uma oficina.
Em Saúde Mental as oficinas são terapêuticas, já os grupos não são necessariamente. Entenda
melhor:

IMAGEM 21
IMAGEM
Imagem 1: Grupo. Disponível em: http://www.unisinos.br/ensino-propulsor/evento/grupo-de-
estudo-estatistica-2/.
Imagem 2: Oficina. Disponível em: https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/2018/05/06/oficina-de-
pintura-muda-rotina-em-unidade-de-acolhimento-para-idosos/.
Terminado a parte teórica da aula, a professora explicou o que era o genograma e o ecomapa, e
pediu que nos juntássemos em duplas para fazermos cada um deles em nosso colega. Eu fiz dupla
com a Dani.
1.1 Genograma.
É a forma de representar o histórico de saúde mental da família de um determinado indivíduo. Essa
é a representação do meu genograma:
1.2 Ecomapa.
É uma forma de representar a maneira que o indivíduo se relaciona e lida com as coisas (pessoas,
condições, situações...). Essa é a representação do meu Ecomapa:

Esses instrumentos servem para compreender melhor o contexto do usuário, de forma que coletem
dados sobre os relacionamentos, vínculos, histórico hereditário de doenças e estressores.
Avaliação I – 01/11/19
1.1 Caravana dos Direitos Humanos – Estado: Rio de Janeiro
No primeiro dia de aula de Saúde Mental I, além da professora apresentar o plano de ensino, foi
proposto as avaliações, e nesse contexto recebemos um texto que falava sobre a caravana dos
direitos humanos, em que teríamos que realizar um trabalho dinâmico para apresentar a turma.
Foram sete os estados visitados pelas caravana, com o objetivo de presenciar os locas em que mais
ocorriam violações aos direito humanos. Meu grupo escolheu o estado do Rio de Janeiro, e já
alguns dias depois começamos a ler sobre a caravana e sua passagem nesse estado. As instituições
psiquiátricas visitadas foram a Clínica das Amendoeiras, o Hospital Psiquiátrico Dr. Eiras e a
Clínica da Gávea. As três encaixadas a contextos diferentes, de forma que a Clínica das
Amendoeiras era considerada boa, o Hospital Dr. Eiras apresentava alguns problemas e a Clínica da
Gávea urgentemente precisava ser interditada. Vejamos os principais problemas de cada uma delas:
Clínica das Amendoeiras Problemas na infraestrutura, falta de
fisioterapeuta, fonodiologo e musicoterapeuta
Hospital Dr. Eiras Projeto terapêutico global, banho coletivo,
pacientes que não necessitavam estar internados
ali e possível uso de eletrochoque.
Clínica da Gávea Problema de infraestrutura, comida
insatisfatória, agressões, banho gelado e
pacientes sem autonomia.

Então, passado mais ou menos um mês do início do semestre, iniciamos a construção do trabalho.
1.2 Planejamento e construção do trabalho
O meu grupo era formado pela Mariana, a Isabelle, eu e o Thiago, e nós começamos a nos reunir na
casa da Mariana para discutir sobre o texto e decidir o que queríamos fazer nesse trabalho. Foi
sugerido várias possibilidades, como teatro, música e jogos, porém a ideia que mais interessou os
integrantes foi fazer um jornal que noticiasse a passagem da caravana dos direitos humanos nas
instituições do Rio de Janeiro. Escolhido a forma que apresentaríamos para a turma, iniciamos o
treinamento e ensaios para fazer o jornal acontecer, e com certeza essa foi uma das melhores partes
de fazer o trabalho, além de ter sido divertido, foi algo atípico, afinal não é todo o trabalho de
faculdade que se faz um jornal.
Construímos juntos cada personagem, desde como seria seu nome até o seu jeito e aparência, então
fizemos um roteiro com falas e as situações que aconteceriam em cena. E ainda discutimos sobre a
edição do vídeo.
1.3 Apresentação do trabalho
Além da criação do jornal, fizemos uma apresentação em slide para situar os nossos colegas sobre o
que estávamos falando. Então apresentamos para a turma uma introdução sobre cada instituição e
em seguida rodamos o jornal. No início eu fiquei bem envergonhado, e meus colegas também...
Acredito que nossa explicação ficou muito boa e o vídeo foi bem construído, porém o áudio ficou
baixo demais e isso me frustrou na hora, porque nós tínhamos trabalhado tanto pra chegar ali e
estarmos com problemas.
Projeto Terapêutico Singular – 08/11/19
Baseado na aula e em outros materiais:
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é um modelo assistencial utilizado em Saúde Mental para
determinar uma série de medidas a serem tomadas. É importante salientar que essas medidas devem
ser construídas juntas com o usuário, possibilitando sua autonomia e evitando a imposição de ideias.
Para isso é preciso considerar as preferências e colocações do usuário, mas também intervir com
negociações caso suas ideias não sejam tão efetivas ou próximas da realidade. Esse modelo de
assistência é complexo e difere-se dos tratamento convencionais comumente utilizados em Saúde
Mental, o que permite ser mais dinâmico e consequentemente resolutivo.
Para que o PTS seja desenvolvido e aplicado, é preciso fazer o uso de alguns instrumentos da Saúde
Mental, incluindo o exame de estado mental, o genograma e o ecomapa. Além disso, há outras
etapas a serem seguidas, as quais são:
 Divisão das metas de curto, médio e longo prazo;
 Divisão das tarefas dos profissionais;
 Reavaliação da eficiência do projeto
As metas de curto prazo deverão ser realizadas imediatamente, já as de longo prazo podem ser
cumpridas em um vasto espaço de tempo e as de médio estão entre as de curto e longo prazo.
O projeto deve ser praticado individualmente ou com auxílio da família ou profissionais, assim são
determinadas as tarefas e seus possíveis respectivos profissionais auxiliares.
A reavaliação é o momento de avaliar se o projeto está sendo efetivo, podendo ter reajustes.
Avaliação II
Foi proposto pelas professoras Débora e Marciele a construção de um projeto terapêutico singular,
para isso elas disponibilizaram uma lista de filmes a serem escolhidos para a realização do trabalho.
O meu grupo escolheu o filme “Para sempre Alice”, que retrata a história de uma professora
universitária que começa a apresentar sinais de Alzheimer. O filme mostra o curso da doença desde
o estágio inicial até o mais avançado, e os obstáculos que Alice e sua família enfrentam.
Foi um trabalho realizado na véspera da apresentação e em muito pouco tempo, porém teve um
resultado bastante satisfatório na opinião do grupo, da professora (acredito eu) e da turma. Eu
particularmente adorei fazer esse PTS, talvez tenha sido o trabalho mais legal do semestre, isso
porque eu e meu grupo deixamos a criatividade aflorar.
Basicamente a parte que mais me atraiu do projeto terapêutico singular todo foram as metas de
curto e médio prazo (parte que apresentei em turma), isso porque pareciam ser muito eficientes e
promissórias. Resumidamente trata-se de um sistema criado para a Alice (em estágio inicial da
doença) conseguir viver da maneira mais normal possível. Assim foram estipuladas metas que
diminuíssem o avanço do Alzheimer, confira algumas:
 Anotação de tarefas diárias e de longa data
 Confecção de álbum de fotos com identificação
 Confecção de álbum explicativo
 Confecção de álbum de receitas
 Escrever diário ao longo do dia
 Elaboração de placas e etiquetas sinalizadoras
A realização de todas as metas citadas permite a sistematização de um novo método de
memorização, veja...
Conclusão
A enfermagem é a ciência do cuidado, assim visa garantir uma boa qualidade de vida aos
indivíduos, famílias e comunidades. Está relacionada ao processo de desvio de saúde, em que o
enfermeiro é fundamental para prestar assistência no tratamento de agravos e na promoção do bem-
estar físico, psicológico e social. É importante que esse profissional tenha uma visão holística, na
tentativa de compreender o contexto que aquele indivíduo está inserido e por quais razões encontra-
se em tal situação.
Na saúde mental o enfermeiro atua realizando suas funções básicas, mas além disso precisa ser
humanizado e racional o suficiente para compreender as pessoas em sofrimento psíquico. Lidar com
essa área da saúde é estar frente ao imprevisível, porque a doença mental pode até ser controlada,
mas nunca curada. Nesse sentido, é necessário minimizar ao máximo a doença e orientar o
indivíduo sobre como viver com o seu problema nas diferentes circunstâncias.
REFERÊNCIAS
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FERREIRA, Jhennipher; MESQUITA, Nathalia; DA SILVA, Tatiani; DA SILVA, Vanessa;
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LACERDA, Clarissa; FUENTES-ROJAS, Marta. SciELO: Significados e sentidos atribuídos ao
Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) por seus usuários – um estudo de
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Ministério da Saúde – biblioteca virtual em saúde: A construção de um projeto terapêutico singular
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