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O gerenciamento de áreas contaminadas 1100

1100 O gerenciamento de áreas


contaminadas

O gerenciamento de áreas contaminadas (ACs) visa minimizar os riscos a que estão


sujeitos a população e o meio ambiente, em virtude da existência das mesmas, por
meio de um conjunto de medidas que assegurem o conhecimento das
características dessas áreas e dos impactos por elas causados, proporcionando os
instrumentos necessários à tomada de decisão quanto às formas de intervenção
mais adequadas.

Com o objetivo de otimizar recursos técnicos e econômicos, a metodologia utilizada


no gerenciamento de ACs baseia-se em uma estratégia constituída por etapas
seqüenciais, em que a informação obtida em cada etapa é a base para a execução
da etapa posterior.

Dessa forma, foram definidos dois processos que constituem a base do


gerenciamento de ACs denominados: processo de identificação e processo de
recuperação.

O processo de identificação de áreas contaminadas tem como objetivo principal


a localização das áreas contaminadas, sendo constituído por quatro etapas:

• definição da região de interesse;


• identificação de áreas potencialmente contaminadas;
• avaliação preliminar;
• investigação confirmatória.

O processo de recuperação de áreas contaminadas tem como objetivo principal a


adoção de medidas corretivas nessas áreas que possibilitem recuperá-las para um
uso compatível com as metas estabelecidas a ser atingidas após a intervenção,
adotando-se dessa forma o princípio da “aptidão para o uso”. Esse processo é
constituído por seis etapas:

• investigação detalhada;
• avaliação de risco;
• investigação para remediação;
• projeto de remediação;
• remediação;
• monitoramento.

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1100 O gerenciamento de áreas contaminadas

Na realização das etapas do processo de identificação, em função do nível de


informação existente referente a cada uma das áreas em estudo, estas podem ser
classificadas como: áreas potencialmente contaminadas (APs), áreas suspeitas de
contaminação (ASs) ou áreas contaminadas (ACs).

Durante a execução das etapas do gerenciamento de ACs, em função do nível de


informação referente a cada uma das áreas em estudo, estas podem ser
classificadas como áreas potencialmente contaminadas (APs), áreas suspeitas de
contaminação (ASs) e áreas contaminadas (ACs).

As áreas potencialmente contaminadas são aquelas onde estão sendo ou foram


desenvolvidas atividades potencialmente contaminadoras, isto é, onde ocorre ou
ocorreu o manejo de substâncias cujas características físico-químicas, biológicas e
toxicológicas podem causar danos e/ou riscos aos bens a proteger.

As áreas suspeitas de contaminação são aquelas nas quais, durante a realização


da etapa de avaliação preliminar, foram observadas falhas no projeto, problemas na
forma de construção, manutenção ou operação do empreendimento, indícios ou
constatação de vazamentos e outros. Essas constatações induzem a suspeitar da
presença de contaminação no solo e nas águas subterrâneas e/ou em outros
compartimentos do meio ambiente.

Uma área contaminada, conforme definição apresentada no capítulo 1000, pode


ser definida resumidamente como a área ou terreno onde há comprovadamente
contaminação, confirmada por análises, que pode determinar danos e/ou riscos aos
bens a proteger localizados na própria área ou em seus arredores.

As informações obtidas nessas etapas devem ser armazenadas no Cadastro de


Áreas Contaminadas, o qual se constitui no elemento central do gerenciamento de
ACs. Essas informações podem ser utilizadas no controle e planejamento ambiental
da região de interesse ou ser fornecidas para outras instituições públicas ou
privadas, para diversos usos, como, por exemplo, o planejamento urbano.

Para a aplicação dos procedimentos necessários para a realização de priorizações


de áreas, na metodologia desenvolvida para o gerenciamento de ACs, são previstas
três etapas de priorização. Os critérios utilizados para realizar essas priorizações
consideram basicamente as características da fonte de contaminação (tipo de
contaminante, tamanho da fonte de contaminação), as vias de transporte dos
contaminantes e a importância dos bens a proteger.

O gerenciamento de ACs pode ser conduzido por um órgão federal, estadual,


municipal ou até mesmo privado que possua a atribuição de controlar os problemas
ambientais na região de interesse. Esse órgão deve se responsabilizar pela
execução das etapas do processo de identificação de áreas contaminadas e pela
fiscalização da execução das etapas do processo de recuperação, que caberá,
normalmente, ao responsável pela contaminação, de acordo com o princípio do
“poluidor pagador”.

A proposta de metodologia para o gerenciamento de ACs é apresentada de forma


esquemática na Figura 1100-1. O fluxograma apresentado mostra a seqüência das
etapas do gerenciamento, destacando o Cadastro de Áreas Contaminadas e os
caminhos pelos quais os dados obtidos são registrados. Nessa figura, também é
apresentado o posicionamento das diferentes etapas de priorização.

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O gerenciamento de áreas contaminadas 1100

Processo de
identificação de ACs

Definição da região de
interesse
Cadastro de ACs

Identificação de Áreas
Potencialmente
Contaminadas

AP Priorização 1

Exclusão

Classificação 1 Avaliação preliminar

AS Priorização 2

Exclusão

Investigação
Classificação 2
confirmatória

AC
Priorização 3

Processo de
recuperação de ACs

Investigação detalhada

Avaliação de risco

Exclusão
Investigação para
remediação
Classificação 3

Projeto de remediação

AP: áreas potencialmente contaminadas cadastradas.


AS: áreas suspeitas de contaminação cadastradas. Remediação da AC
AC: áreas contaminadas cadastradas.

Exclusão: áreas excluídas do cadastro de áreas contaminadas.

Monitoramento

Figura 1100-1: Fluxograma das etapas do gerenciamento de ACs.

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1100 O gerenciamento de áreas contaminadas

Nesta seção, a metodologia do gerenciamento de ACs é apresentada de maneira


resumida, sendo descrita em três partes principais:

• ETAPAS DO GERENCIAMENTO DE ÁREAS CONTAMINADAS


• CADASTRO DE ÁREAS CONTAMINADAS
• PRIORIZAÇÕES

1 Etapas de gerenciamento de áreas


contaminadas

1.1 Definição da região de interesse

Nesta etapa, que marca o início do gerenciamento de ACs, são definidos os limites
da região a ser abrangidos pelo gerenciamento e estabelecidos os objetivos
principais a ser alcançados por este, considerando os principais bens a proteger.

A região de interesse pode ser um estado, um município, uma área industrial, uma
área de mineração, uma localidade onde ocorra usos do solo incompatíveis, entre
outras, que sejam de interesse social, político, econômico e/ou ambiental.

A definição da região de interesse e o estabelecimento dos objetivos do


gerenciamento de ACs estão relacionados com as atribuições e interesses da
instituição que deverá executar o gerenciamento, denominado aqui de órgão
gerenciador.

No caso de um município, o órgão gerenciador será a prefeitura; no caso de um


estado ou país, será a agência ambiental estadual ou federal; e, no caso de
instituições que desenvolvem atividades potencialmente contaminadoras, as
próprias empresas privadas.

Definida a região de interesse, devem ser identificados os bens a proteger, pois são
os principais elementos a ser considerados na avaliação dos riscos, decorrentes da
existência das áreas contaminadas.

São exemplos de bens a proteger: a qualidade das águas subterrâneas (regiões


com aqüíferos importantes para o abastecimento, áreas de proteção de poços, de
recarga e vulneráveis), a qualidade do solo (uso e ocupação do solo, planejamento
urbano), a qualidade das águas superficiais (qualidade do solo, das águas
subterrâneas e das superficiais em bacias hidrográficas utilizadas para
abastecimento), as áreas de preservação ambiental (fauna e flora), a saúde da
população (ocupação em áreas de conflito, por exemplo, zonas urbanas com
elevada densidade populacional em contato com zonas industriais) e as áreas
agrícolas (aplicação ou armazenamento de defensivos e fertilizantes, que podem

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prejudicar a qualidade dos alimentos e águas e descarte inadequado de embalagens


destes).

O solo e a água subterrânea são meios prioritários a ser considerados no


gerenciamento de ACs, pois, além de ser bens a proteger de extrema importância,
normalmente são as principais vias de propagação de contaminantes para outros
bens a proteger. Dessa forma, na definição dos objetivos do gerenciamento de ACs
em uma determinada região de interesse, a proteção da qualidade do solo e das
águas subterrâneas deve ser prioritária.

Visando à definição da região de interesse, devem ser levantadas as bases para a


determinação dos seus limites e o posicionamento dos bens a proteger no seu
interior. Isso deve ser feito pela utilização de mapas, normalmente, em escala
regional.

Quando a região de interesse for um estado, a escala poderá variar de 1:500.000 a


1:250.000; regiões metropolitanas e municípios, de 1:100.000 a 1:25.000 ou até
mesmo 1:10.000, em pequenas regiões industriais, bacias hidrográficas de
reservatórios ou áreas de bombeamento de águas subterrâneas para abastecimento
(áreas de proteção de poços).

1.2 Identificação de áreas potencialmente contaminadas

[ver capítulo III]

Nessa etapa, são identificadas as áreas existentes na região de interesse onde são
manipuladas ou foram manipuladas substâncias, cujas características físico-
químicas, biológicas e toxicológicas possam causar danos aos bens a proteger, caso
estas entrem em contato com os mesmos.

Inicialmente, devem ser definidas quais são as atividades potencialmente


contaminadoras existentes na região de interesse. Em seguida, a identificação das
APs pode ser realizada coletando-se os dados necessários através das técnicas de
levantamento de dados existentes, de investigações, utilizando-se fotografias
aéreas, e do recebimento e atendimento de denúncias ou reclamações. Essas
diferentes técnicas podem ser utilizadas, de preferência como técnicas
complementares, em função das suas disponibilidades para a região de interesse.

Os dados coletados devem ser tratados e apresentados em base cartográfica com


escala apropriada. Esses resultados serão utilizados, posteriormente, como base
para a execução das etapas subseqüentes. As áreas identificadas nessa etapa
entram no Cadastro de Áreas Contaminadas, recebendo a classificação AP.

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1100 O gerenciamento de áreas contaminadas

1.3 Avaliação preliminar

[ver capítulo V]

A execução da etapa de avaliação preliminar consiste basicamente na elaboração


de um diagnóstico inicial das áreas potencialmente contaminadas, identificadas na
etapa anterior, o que será possível realizando-se um levantamento de informações
existentes e de informações coletadas em inspeções de reconhecimento em cada
uma dessas áreas.

A execução dessa etapa possibilitará:

• levantar informações sobre cada AP de modo a subsidiar o desenvolvimento


das próximas etapas do gerenciamento de ACs;
• documentar a existência de evidências ou fatos que levem a suspeitar ou
confirmar a contaminação nas áreas em avaliação, possibilitando sua
classificação como AS, AP, AC ou exclusão do cadastro;
• estabelecer o modelo conceitual inicial de cada área em avaliação;
• verificar a necessidade da adoção de medidas emergenciais nas áreas.

Os resultados obtidos nessa etapa possibilitam estabelecer uma classificação das


áreas anteriormente identificadas como APs, com base em dados existentes e
observações realizadas durante inspeções às mesmas. Como resultado da
avaliação dessas informações, as áreas poderão ser classificadas como ASs, ACs
ou mesmo permanecerem como APs.

Esse levantamento de informações deve ser orientado pela Ficha Cadastral de


Áreas Contaminadas, que constitui-se no elemento central do procedimento de
classificação de áreas.

As informações existentes para a área a ser avaliada devem ser identificadas e


reunidas, o que pode ser feito seguindo dois procedimentos básicos:

• a elaboração de um levantamento histórico das atividades desenvolvidas ou


em desenvolvimento na área;
• o levantamento de dados sobre o meio físico.

Várias fontes podem ser consultadas na obtenção dessas informações, como, por
exemplo, processos e relatórios do órgão de controle ambiental, arquivos existentes
nas prefeituras, documentos existentes no próprio empreendimento ou com seu
proprietário, mapas e fotografias aéreas multitemporais, entre outros.

A obtenção de dados através de inspeção de reconhecimento da área é feita por


meio de observações em campo e por entrevistas com pessoas do local,
possibilitando responder algumas das questões da Ficha Cadastral de Áreas
Contaminadas, como, por exemplo, as substâncias utilizadas, o estado geral das
instalações, o uso do solo na área e em seus arredores e a existência de bens a

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proteger. Os dados obtidos devem ser interpretados, visando formular hipóteses


sobre as características da fonte de contaminação, as prováveis vias de transporte
dos contaminantes (meios onde pode se propagar), a distribuição espacial da
contaminação e os prováveis receptores ou bens a proteger atingidos. Dessa forma,
estabelece-se um modelo conceitual inicial da área, que poderá ser utilizado como
base para o planejamento das etapas de investigação confirmatória e detalhada.

1.3.1 Classificação 1

[ver seções 5000 e 5102]

As informações obtidas no preenchimento da Ficha Cadastral de Áreas


Contaminadas, durante a etapa de avaliação preliminar, possibilitam uma nova
classificação da área, a qual pode permanecer como AP, ser identificada como AS
ou ser excluída do cadastro em função das evidências quanto a sua não-
contaminação.

A classificação das áreas deve ser realizada de acordo com procedimentos


previamente estabelecidos e divulgados.

1.4 Investigação confirmatória

[ver capítulo VI]

A etapa de investigação confirmatória encerra o processo de identificação de


áreas contaminadas e tem como objetivo principal confirmar ou não a existência de
contaminação nas áreas suspeitas, identificadas na etapa de avaliação preliminar.

Nessa etapa, as áreas anteriormente classificadas como ASs são avaliadas,


utilizando-se métodos diretos e indiretos de investigação, visando comprovar a
presença de contaminação, possibilitando a classificação das mesmas como ACs.
Dessa forma, os resultados obtidos na etapa de investigação confirmatória são
importantes para subsidiar as ações do órgão gerenciador ou órgão de controle
ambiental na definição do responsável pela contaminação e dos trabalhos
necessários para a solução do problema.

A definição de uma área contaminada ou a comprovação da contaminação ocorrerá


pela realização de análises específicas, tomando-se como base o conhecimento
adquirido sobre a área nas etapas anteriores e utilizando-se diferentes técnicas de
investigação, isolada ou conjuntamente, cuja seleção depende das características
específicas de cada área em estudo.

O processo de confirmação da contaminação dá-se, basicamente, pela tomada de


amostras de solo e/ou água subterrânea para análises químicas. O número de
amostras coletadas deve ser reduzido, porém suficiente para comprovar a
contaminação.

Para locar esses pontos e definir a profundidade de investigação, toma-se como


base o conhecimento adquirido sobre a área na etapa anterior (avaliação preliminar),
onde foi definido o modelo conceitual inicial da área.

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Em seguida, deve ser feita a interpretação dos resultados das análises realizadas
nas amostras coletadas pela comparação dos valores de concentração obtidos com
os valores de concentração estabelecidos em listas de padrões, definidas pelo órgão
responsável pelo gerenciamento de ACs.

1.4.1 Classificação 2

[ver seções 5102 e 6000]

As ASs avaliadas na etapa de investigação confirmatória podem receber nova


classificação, em função dos resultados obtidos, podendo ser identificadas como
ACs, ASs, APs ou serem excluídas do cadastro. Aquelas classificadas como ACs
deverão ser incluídas no processo de recuperação de ACs, enquanto aquelas
identificadas como APs deverão permanecer no cadastro aguardando novas
informações ou nova priorização.

Após a realização da etapa de investigação confirmatória, a Ficha Cadastral de


Áreas Contaminadas deverá ser atualizada, assim como o Cadastro de ACs, em
função da nova classificação da área em questão.

1.5 Investigação detalhada

[ver seção 8100]

A etapa de investigação detalhada é a primeira do processo de recuperação de


áreas contaminadas. Dentro desse processo, a etapa de investigação detalhada é
de fundamental importância para subsidiar a execução da etapa seguinte de
avaliação de riscos e, conseqüentemente, para a definição das intervenções
necessárias na área contaminada.

A metodologia utilizada para execução da etapa de investigação detalhada é


semelhante à utilizada para a execução da etapa de investigação confirmatória;
entretanto, os objetivos são diferentes.

Enquanto na etapa de investigação confirmatória o objetivo principal é confirmar a


presença de contaminação na área suspeita, na etapa de investigação detalhada o
objetivo principal é quantificar a contaminação, isto é, avaliar detalhadamente as
características da fonte de contaminação e dos meios afetados, determinando-se as
dimensões das áreas ou volumes afetados, os tipos de contaminantes presentes e
suas concentrações. Da mesma forma, devem ser definidas as características da
pluma de contaminação, como seus limites e sua taxa de propagação.

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1.6 Avaliação de risco

[ver capítulo IX]

O objetivo principal da etapa de avaliação do risco é a quantificação dos riscos


gerados pelas áreas contaminadas aos bens a proteger, como a saúde da
população e os ecossistemas, para edificações, instalações de infra-estrutura
urbana, produção agrícola e outros. Essa quantificação é baseada em princípios de
toxicologia, química e no conhecimento sobre o comportamento e transporte dos
contaminantes.

Os resultados obtidos na etapa de avaliação de risco são úteis para:

• determinar a necessidade de remediação em função do uso atual ou proposto


da área;
• embasar o estabelecimento de níveis de remediação aceitáveis para a
condição de uso e ocupação do solo no local e imediações;
• embasar a seleção das técnicas de remediação a ser empregadas.

As seguintes etapas devem ser consideradas na avaliação dos riscos:

• identificação e quantificação dos principais contaminantes nos diversos meios;


• identificação da população potencialmente atingida pela contaminação;
• identificação das principais vias de exposição e determinação das
concentrações de ingresso dos contaminantes;
• avaliação do risco através da comparação das concentrações de ingresso com
dados toxicológicos existentes.

Os resultados da avaliação de risco podem subsidiar a tomada de decisão quanto às


ações a ser implementadas, de modo a promover a recuperação da área para um
uso definido. Em alguns casos, tais ações podem restringir-se à compatibilização do
uso do solo com o nível de contaminação apresentado, não havendo, neste caso,
necessidade de realização das etapas posteriores.

1.7 Investigação para remediação

[ver capítulo X]

O objetivo da etapa de investigação para remediação é selecionar, dentre as


várias opções de técnicas existentes, aquelas, ou a combinação destas, que são
possíveis, apropriadas e legalmente permissíveis para o caso considerado.

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Para a realização dessa etapa, devem ser desenvolvidos os seguintes trabalhos:

• levantamento das técnicas de remediação;


• elaboração do plano de investigação;
• execução de ensaios piloto em campo e em laboratório;
• realização de monitoramento e modelagem matemática;
• interpretação dos resultados;
• definição das técnicas de remediação.

A partir dos objetivos da remediação definidos na etapa de avaliação de riscos,


devem ser selecionadas as técnicas de remediação mais adequadas, entre as várias
existentes.

Em seguida, deve ser estabelecido um plano de investigação, necessário para a


implantação e execução de ensaios piloto em campo e em laboratório que podem
ser realizados para testar a adequabilidade de cada uma das técnicas para conter
ou tratar (reduzir ou eliminar) a contaminação, avaliar a eficiência e a confiabilidade
das técnicas, além de considerar aspectos legais e ambientais, custos e tempo de
implantação e operação.

1.8 Projeto de remediação

[ver capítulo XI]

O projeto de remediação deve ser confeccionado, para ser utilizado como a base
técnica para o órgão gerenciador ou órgão de controle ambiental avaliar a
possibilidade de autorizar ou não a implantação e operação dos sistemas de
remediação propostos.

Dessa forma, o projeto de remediação deverá conter todas as informações sobre a


área contaminada, levantadas nas etapas anteriores do gerenciamento.

Além disso, o projeto de remediação deverá conter planos detalhados de segurança


dos trabalhadores e vizinhança; plano detalhado de implantação e operação do
sistema de remediação, contendo procedimentos, cronogramas detalhados e o
plano de monitoramento da eficiência do sistema, com os pontos de coleta de dados
definidos, parâmetros a ser analisados, freqüência de amostragem e os limites ou
padrões definidos como objetivos a ser atingidos pela remediação para interpretação
dos resultados.

A aprovação do projeto de remediação pelo órgão gerenciador deverá levar em


conta a qualidade dos trabalhos técnicos realizados e os requerimentos legais
existentes, assim como a opinião de outras partes interessadas, como a população
local, os responsáveis pela execução da remediação e outros.

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1.9 Remediação de ACs

[ver capítulo XII]

A remediação de ACs consiste na implementação de medidas que resultem no


saneamento da área/material contaminado e/ou na contenção e isolamento dos
contaminantes, de modo a atingir os objetivos aprovados a partir do projeto de
remediação.

Os trabalhos de remediação das áreas contaminadas devem ser continuamente


avaliados de modo a verificar a real eficiência das medidas implementadas, assim
como dos possíveis impactos causados aos bens a proteger pelas ações de
remediação.

O encerramento dessa etapa se dará, após anuência do órgão de controle


ambiental, quando os níveis definidos no projeto de remediação forem atingidos.

1.9.1 Monitoramento

Durante as ações de remediação, a área deverá permanecer sob contínuo


monitoramento, por período de tempo a ser definido pelo órgão de controle
ambiental.

Os resultados do monitoramento serão utilizados para verificar a eficiência da


remediação, propiciando observar se os objetivos desta estão sendo atingidos ou
não.

1.9.2 Classificação 3

A partir dos resultados obtidos nesse monitoramento, será possível realizar uma
nova etapa de classificação, na qual a área poderá ser classificada como AP, caso
a contaminação tenha sido removida e continue existindo uma atividade
potencialmente contaminadora na área. Uma área poderá ser classificada ou
permanecer como AC, caso continue existindo contaminação na área, embora os
riscos aos bens a proteger tenham sido eliminados ou minimizados pela aplicação
das técnicas de remediação. Uma área poderá ser excluída do Cadastro de ACs,
caso o contaminação seja removida e não exista uma atividade potencialmente
contaminadora na área.

2 Cadastro de áreas contaminadas


[ver capítulo IV]

O Cadastro de ACs constitui-se no instrumento central do gerenciamento de ACs.


Ele é composto por duas partes, o cadastro físico e o cadastro informatizado, em
que ficam armazenados todos os dados obtidos sobre as áreas, assim como a

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representação destes em base cartográfica. Em função da dinâmica inerente ao


processo de gerenciamento de ACs, o cadastro deve ser regularmente atualizado.

Uma vez estruturado, o cadastro subsidia:

• a administração dos dados pelo órgão gerenciador ou entidade responsável;


• a elaboração de diagnósticos e análises regionais referentes às áreas;
• a apresentação da situação de áreas específicas quanto ao diagnóstico e
ações desenvolvidas ou propostas com vistas a sua recuperação;
• a adoção de ações de controle e planejamento ambiental;
• o planejamento do uso e ocupação do solo;
• a apresentação e divulgação dos dados e informações referentes às ACs.

2.1 Cadastro físico

No cadastro físico, devem ser armazenadas todas as informações disponíveis


sobre as áreas, como, por exemplo, as fichas cadastrais e de pontuação
preenchidas, mapas contendo a localização das áreas e bens a proteger, os
relatórios emitidos durante o desenvolvimento das etapas do gerenciamento de ACs,
além de outras informações não armazenadas no cadastro informatizado.

2.2 Cadastro informatizado

O cadastro informatizado pode ser constituído por um banco de dados alfa-


numéricos associado a um Sistema Geográfico de Informações (SGI). As
informações são fornecidas ao banco de dados a partir da Ficha Cadastral de Áreas
Contaminadas nas diferentes etapas que compõem o gerenciamento de ACS.

A entrada de dados no cadastro é realizada após a etapa de identificação de APs e


as atualizações são feitas após as etapas subseqüentes do gerenciamento de ACs.

A base cartográfica que compõe o SGI, se possível, deve compreender a mancha


urbana, as vias de circulação, geologia, hidrografia, áreas de proteção e/ou restrição
legal, localização de poços de abastecimento, mapas de profundidade de nível
d’água subterrânea, perímetros de proteção de poços, mapas de uso do solo e as
localizações das APs, ASs e ACs.

Os dados cadastrados no SGI, juntamente com o banco de dados alfanuméricos,


permitem a realização de pesquisas gráficas onde o usuário pode indicar um ponto
ou área do mapa da região de interesse e ter acesso às informações disponíveis,
imagens e textos digitalizados relacionados a uma área específica. Pelo cruzamento
de imagens, pode-se definir áreas críticas e/ou prioritárias, como, por exemplo,
mapas de susceptibilidade à contaminação das águas subterrâneas baseados nos
mapas de profundidade do nível d’água, litologia e localização de APs, ASs e ACs.

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O cadastro deve dispor também de rotina para priorização em função das


características das áreas, das vias de transporte dos contaminantes e dos bens a
proteger que possam ser afetados, baseado no Sistema de Pontuação (ver seção
7101).

2.3 Ficha Cadastral de Áreas Contaminadas

[ver seções 5101 e 5102]

A Ficha Cadastral de ACs constitui-se no instrumento central para coleta e


organização de dados e, conseqüentemente, para alimentação do Cadastro de ACs.

As informações obtidas através da ficha podem ser agrupadas da seguinte forma:

• dados relativos à natureza e características da fonte de contaminação;


• dados relativos à existência e características dos bens a proteger;
• dados indicativos da forma de propagação dos contaminantes;
• informações sobre as ações adotadas em relação à avaliação e remediação
da área.

Com base nas informações registradas na ficha cadastral, as áreas são classificadas
em AP, AS ou AC, dependendo da etapa do gerenciamento que se tenha atingido.

3 Priorizações
No desenvolvimento do gerenciamento de áreas contaminadas (ACs) em uma
região de interesse, pode ser necessária a execução de priorizações, visando à
utilização racional dos recursos destinados à execução das diversas etapas, em
função do elevado número de áreas normalmente envolvidas nesse processo.

A metodologia desenvolvida para o gerenciamento de ACs prevê a execução de três


etapas de priorização: Priorização 1, Priorização 2 e Priorização 3, realizadas,
respectivamente, antes de iniciar-se as etapas de avaliação preliminar, investigação
confirmatória e investigação detalhada, que são descritas a seguir.

3.1 Priorização 1

[ver capítulo VII]

Os fatores a ser considerados nessa etapa consideram aspectos técnicos,


econômicos, administrativos e políticos. As atribuições do órgão gerenciador
também são muito importantes na definição destes.

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Entre os aspectos técnicos, devem ser considerados a natureza das substâncias


presentes, o potencial contaminador da atividade desenvolvida ou em
desenvolvimento na área e sua proximidade em relação a bens a proteger.

3.2 Priorização 2

[ver capítulo VII]

As áreas classificadas como ASs na etapa de avaliação preliminar poderão ser


submetidas a um sistema de pontuação, pelo qual é possível estabelecer uma
priorização das áreas avaliadas em função dos riscos que as mesmas determinam
aos bens a proteger.

O instrumento de priorização das áreas a ser utilizado nessa etapa é o Sistema de


Pontuação de Áreas Contaminadas (ver seção 7101), o qual tem por base a Ficha
Cadastral de Áreas Contaminadas.

3.3 Priorização 3

[ver capítulo VII]

Em princípio, todas as áreas classificadas como ACs devem ser submetidas ao


processo de recuperação de ACs. Há, entretanto, casos em que é difícil a
identificação do responsável pela contaminação, ou mesmo situações em que esses
não possuem condições financeiras para arcar com as despesas relativas à
execução das etapas desse processo.

Diante desse quadro, nova etapa de priorização deverá ser implementada, visando
ao direcionamento da aplicação de recursos que possam estar disponíveis para
esse fim.

Os critérios a ser empregados nessa priorização deverão estar baseados em


critérios técnicos, havendo também a necessidade de serem considerados os
interesses públicos e da sociedade. A ficha de pontuação de ACs também pode ser
utilizada nessa etapa.

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