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UNIDADE:

MANUAL DE FORMAÇÃO

UFCD - 9823 CRÉDITO E


ENDIVIDAMENTO

FORMADOR
Diogo Vaz

Tipologia da Operação
3.03 Formação Modular para DLD
Código Universal da Operação:
POISE-03-4231-FSE-001854
UFCD - 9823 Crédito e endividamento – Manual de Formação
Índice

Enquadramento........................................................................................................................... 3

Benefícios e condições de utilização.................................................................................... 3

Destinatários.............................................................................................................................3

Objetivos Especificos............................................................................................................... 4
Objetivos Gerais....................................................................................................................... 4

Conteúdos Programáticos...................................................................................................... 4
1– Recurso ao crédito: vantagens e desvantagens.............................................................. 5
Introdução: recurso ao crédito.............................................................................................. 5
2– Necessidades financeiras e finalidade do crédito (casa, carro, saúde, educação).... 8
3– Encargos com os empréstimos: juros, comissões, despesas, seguros e impostos 11
TAN: Taxa de juro Anual Nominal......................................................................................... 11
TAEG: Taxa Anual de Encargos Efetiva Global.................................................................. 12
3.2 – Principais tipos de comissões: iniciais, mensais, amortização antecipada,
incumprimento........................................................................................................................... 13
4– Reembolso do empréstimo................................................................................................ 15
5 – Empréstimos em regime de taxa fixa e em regime de taxa variável......................... 18
Taxa de juro fixa................................................................................................................... 18
Taxa de juro variável............................................................................................................ 19
6 – Elementos do empréstimo................................................................................................ 22
7 – Crédito à habitação e crédito aos consumidores (crédito pessoal, crédito automóvel,
cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários)........................................ 24
8 – Crédito automóvel clássico vs. em leasing: regime de propriedade e seguros
obrigatórios................................................................................................................................ 28
9 – Crédito revolving: cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários.. 30
10 – Critérios relevantes para a comparação de diferentes propostas de crédito.........31
11 – Tipos de instituições que concedem crédito e intermediários de crédito............... 38
12 – O papel do fiador e as responsabilidades assumidas............................................... 40
13 – Regime de responsabilidade no pagamento de empréstimos conjuntos............... 41
14 – Consequências do incumprimento: juros de mora, histórico de crédito, penhora de
bens, execução de hipotecas e insolvência......................................................................... 42
15 – O sobre endividamento: como evitar e onde procurar ajuda.................................... 48
Referências Bibliográficas........................................................................................................ 52

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Enquadramento

Benefícios e condições de utilização

O manual da unidade de formação “9823 - Crédito e endividamento”, está organizado por


secções:

 Secção I: Enquadramento da unidade de formação.


 Secção II: Está organizada por capítulos e contém todos os documentos e materiais de
apoio sobre os conteúdos temáticos abordados ao longo da unidade. No final de cada
capítulo estão reunidas um conjunto de informações dirigidas aqueles que pretendam
complementar o estudo, aprofundando conhecimentos.
 Secção III: É constituída pela bibliografia e documentos eletrónicos

Esta forma de apresentação permite uma consulta rápida e direcionada. Para que possa
consolidar os conhecimentos adquiridos com a leitura deste manual propomos que realize os
exercícios práticos fornecidos pelo formador durante a sessão de formação.

Destinatários

São destinatários deste manual os/as formandos/as que frequentem a unidade 9823 - Crédito e
endividamento, bem como outras pessoas que pretendam adquirir competências ou
atualizar/reciclar conhecimentos na área de formação.

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Objetivos Especificos
A unidade de formação 9823 - Crédito e endividamento, tem por objetivo dotar o/a formando/a
com as competências necessárias para:
 Definir o conceito de dívida e de taxa de esforço.
 Avaliar os custos do crédito.
 Comparar propostas alternativas de crédito.
 Caracterizar os direitos e deveres associados ao recurso ao crédito.

Objetivos Gerais
A unidade de formação 9823 - Crédito e endividamento, tem por objetivo dotar o/a formando/a
com as competências necessárias para:
 Definir o conceito de dívida e de taxa de esforço.
 Avaliar os custos do crédito.
 Comparar propostas alternativas de crédito.
 Caracterizar os direitos e deveres associados ao recurso ao crédito.

Conteúdos Programáticos

 Recurso ao crédito: vantagens e desvantagens do endividamento

 Necessidades financeiras e finalidade do crédito (e.g. casa, carro, saúde, educação)

 Encargos com os empréstimos: juros, comissões, despesas, seguros e impostos

 Reembolso do empréstimo

 Empréstimos em regime de taxa fixa e em regime de taxa variável

 Elementos do empréstimo

 Crédito à habitação e crédito aos consumidores (crédito pessoal, crédito automóvel,

cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários)

 Crédito automóvel clássico vs. em leasing: regime de propriedade e seguros

obrigatórios

 Crédito revolving: cartões de crédito, linhas de crédito e descobertos bancários

 Critérios relevantes para a comparação de diferentes propostas de crédito

 Tipos de instituições que concedem crédito e intermediários de crédito (e.g. o crédito

no ponto de venda)

 O papel do fiador e as responsabilidades assumidas

 Regime de responsabilidade no pagamento de empréstimos conjuntos

 Consequências do incumprimento: juros de mora, histórico de crédito, penhora de bens,

execução de hipotecas e insolvência

 O sobre-endividamento: como evitar e onde procurar ajuda

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1– Recurso ao crédito: vantagens e desvantagens

Introdução: recurso ao crédito

Conceito:

Crédito ou empréstimo são conceitos sinónimos. Um crédito é um produto


financeiro concebido para adiantar uma determinada verba que poderá ser
utilizada para múltiplas situações.

O crédito pessoal é um tipo de empréstimo que permite solicitar uma quantia


especifica de dinheiro e reembolsa-la através de prestações fixas durante um
determinado prazo.

Recorrer ao crédito é uma opção que deve ser ponderada caso a caso e
ocorrer apenas em situações indispensáveis. Deve também ser avaliada a sua
racionalidade económica.

Ao contratar um crédito pessoal deve ser avaliado o impacto da prestação


mensal no orçamento familiar, uma vez que esta mensalidade se irá manter
durante um período de tempo prolongado. Antes de solicitar um crédito, deve
ser efetuado um plano de gastos mensal para verificar quanto sobra depois de
pagas todas as contas, e saber quanto fica disponível para a prestação de um
empréstimo.

Deve ser calculada a taxa de esforço, que indica o valor máximo que pode ser
despendido em prestações de empréstimos por mês com base no rendimento
disponível.

O recurso ao crédito permite comprar certos bens que de outra forma não seria
possível. É o caso da casa, que a maioria das pessoas compra a crédito, dado
o seu elevado valor.

O crédito poderá ter de ser pago durante vários anos e o seu custo pode
alterar-se ao longo do tempo se for contraído a taxa de juro variável.

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Pode fazer sentido pedir um crédito numa das situações:

 Consolidar créditos – um crédito para pagar todos os outros créditos,


passando a ter uma prestação única e ao mesmo tempo baixar a
prestação e a taxa de juro média;
 Para reduzir custos – Se pedir um crédito para comprar um carro com
um consumo mais baixo, poderá poupar muito dinheiro;
 Para fazer face a despesas imprescindíveis – emergências que nos
obriguem a realizar despesas essenciais às nossas vidas. Por exemplo
percalço de saúde.
 Fazer um investimento criador de valor – ter oportunidades únicas que
precisem de algum investimento de capital. Por exemplo o investimento
imobiliário.

Antes de fazer um crédito pessoal deve procurar saber várias


informações importantes sobre o mesmo e ter alguns cuidados.

 Termos do Crédito
Saber o prazo de reembolso do dinheiro e em que condições.
 Taxas de Juro
Preço a pagar a mais pelo uso do dinheiro que foi emprestado.
 Adicionais
Comissões e taxas adicionais no crédito, como taxas extra por
pagamentos atrasados
 Simulação
É fundamental comparar condições e fazer simulações em várias
instituições de crédito, para verificar qual a taxa mais atrativa.

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Vantagens:

 Satisfação de uma necessidade e a não obrigatoriedade de dizer a


finalidade.
 Acesso imediato ao dinheiro, permitindo responder assim a alguma
necessidade urgente.
 Organizar a vida financeira tendo uma injeção de capital.
 Estímulo ao consumo e produção, os empréstimos quer a nível particular
quer empresarial, colocam a economia a mexer.
 Escolha e pagamento, podem se estipulados diferentes montantes e
prazos de pagamento.
 Antecipar a satisfação de uma necessidade.
 Realização de investimentos criadores de valor.
 Satisfação de emergências.

Desvantagens:

 Endividamento, pode ser o descalabro na medida que existem regras


restritivas com penalizações graves por incumprimento.
 Custos de um crédito são elevados. É obrigatório pagar juros e existem
comissões a pagar.
 Burocracias nos empréstimos bancários dada a difícil obtenção, a
menos que tenha um bom histórico ou garantias.
 Prazo de pagamento de um empréstimo é geralmente curto, o que
obriga a uma rigorosa ginástica financeira.

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2– Necessidades financeiras e finalidade do crédito (casa,
carro, saúde, educação)

O homem moderno vive num mendo de incertezas, surgem três grandes


necessidades financeiras para que deseja uma segurança financeira mais
efetiva.

Seguro de Vida

Tem grande importância para a boa saúde financeira, principalmente daquelas


famílias que tem filhos e apenas um dos membros da família trabalha.

o Em caso de falecimento, os membros da família não precisam de se


desfazer de bens e direitos financeiros.
o Pessoas que desejam precaver-se contra doenças graves podem utilizar
o seguro para este fim.
o Pessoas que dependem unicamente do rendimento a partir do seu
trabalho, caso tenham algum problema de saúde que impossibilite o
trabalho, o seguro possa cobrir algumas despesas.

Produção de renda residual

Renda Residual é um retorno financeiro periódico, oriundo de uma ação


realizada uma única vez.

o Um escritor, após escrever o seu livro, ganha por cada livro vendido.
o Um compositor, após a criação de uma letra/música.

Investir dinheiro de forma a que este gere uma renda mensal, por exemplo a
criação de um franchise.

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Produção de renda residual

Há uma necessidade adicional de planear o período em que mais precisamos


de recursos financeiros: a terceira idade.
Para ter tranquilidade e boa qualidade de vida, é necessário planear
imediatamente.
o Adicionar um Plano de Poupança Reforma à reforma dada pelo Estado.
o Pode programar a reforma quando e com quanto, caso não consiga no
tempo desejado.

Finalidades de crédito

Casa

Deve se analisada a situação financeira, as evoluções previstas e a


estabilidade dos rendimentos.
Devem ser solicitadas simulações de financiamento em vários bancos.
Diferentes prazos de empréstimo: quanto mais curto, mais elevada a prestação,
mas menos juros serão pagos.
Certificar que o valor da prestação a pagar, para casa e outros créditos
contratados, não represente mais de 35% do orçamento líquido mensal.

Carro

Crédito automóvel é a modalidade de financiamento para aquisição a crédito de


carro novo ou usado. A viatura fica em nome do cliente, com reserva de
propriedade a favor da instituição financeira.
A taxa de juro varia consoante os anos do veículo, quanto mais nova for a
viatura, menos a taxa de juro a pagar. No decorrer do contrato de crédito
automóvel, existe a possibilidade de efetuar amortizações totais ou parciais do
valor da divida, conseguindo diminuir o total de juros a pagar.

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Saúde

Este tipo de empréstimo bancário ser utilizado em vários tipos de emergência


médica, proceder ao pagamento de contas do médico que não estejam
abrangidas pelo seguro saúde.

Educação

Para quem pretenda estudar e não tem capacidade financeira.


Este tipo de empréstimo detém benefícios direcionados para estudantes:
o Taxas de juro reduzidas
o É possível não pagar quaisquer prestações mensais durante os estudos,
começando a reembolsar o empréstimo após termino do curso
o As taxas de juro podem diminuir caso o aluno tenha boas notas –
premiando o sucesso.
o Poderá efetuar pagamento: prestações mensais, trimestrais ou no final
do curso.

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3– Encargos com os empréstimos: juros, comissões, despesas,
seguros e impostos

3.1 – Conceito de taxa de juro anual nominal (TAN), TAE e TAEG

TAN: Taxa de juro Anual Nominal

A TAN é a taxa que serve para calcular os juros de um empréstimo. De uma


forma simples, podemos dizer que é o preço do empréstimo que cada banco
cobra, de acordo com o prazo e o montante acordados.

A TAN é obrigatória em todos os contratos, é anual, mas é cobrada


mensalmente nas prestações do empréstimo.

Para saber exatamente quanto vai pagar pela TAN, tem de dividir o valor da
taxa anual pelo número anual de prestações: sejam mensais, trimestrais ou
semestrais.

Mais três coisas que deve saber:

 A TAN aplica-se apenas ao montante de crédito emprestado, ou seja,


serve apenas para calcular a prestação mensal do empréstimo, mas não
inclui as outras despesas associadas à contratação do crédito.
 Não deve optar por um crédito ou instituição financeira só porque
apresenta uma TAN mais baixa, já que isso não significa que o custo do
crédito seja mais baixo.
 Não confunda a TAN com o spread. A Taxa Anual Nominal inclui o
spread – a margem de lucro do banco no empréstimo – acrescido do
indexante variável, que no caso do crédito habitação é a Euribor.

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TAE: Taxa Anual Efetiva

Esta taxa mede todos os custos associados a um determinado empréstimo,


incluindo os juros, comissões bancárias e prémios dos seguros exigidos. No
entanto, não inclui os impostos como o do selo. De uma forma simples
podemos dizer que esta taxa é a TAEG menos impostos. Esta taxa perdeu
alguma relevância, desde janeiro deste ano, com as novas regras do Banco de
Portugal para o crédito habitação, que determinam que a TAEG passa a ser a
medida de custo do crédito, em substituição da TAE.

TAEG: Taxa Anual de Encargos Efetiva Global

Ainda é uma taxa desconhecida para muitos, mas é melhor prestar-lhe a


atenção que merece. Este é o indicador que mede o custo total dos
empréstimos, incluindo encargos com juros, comissões bancárias, despesas
processuais, seguros e todos os outros custos. Tudo. Por isso é o indicador por
excelência para comparar empréstimos: seja um cartão de crédito, um crédito
pessoal ou habitação. Por exemplo, num empréstimo para a casa, as
instituições financeiras costumam publicitar os spreads, mas o que tem de
comparar efetivamente entre propostas de bancos é a TAEG, que indica quais
são os custos totais associados ao empréstimo.
Note que, em propostas com o mesmo montante, prazo e modalidade de
reembolso, a que apresentar a TAEG mais baixa é a mais barata para o cliente.

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3.2 – Principais tipos de comissões: iniciais, mensais, amortização


antecipada, incumprimento

Comissões bancárias são a forma dos bancos e entidades financeiras


ganharem dinheiro com as transações dos clientes.

Comissões bancárias iniciais

 Comissão pela análise do pedido de empréstimo: antes da


concretização do crédito.
 Comissão de avaliação de um imóvel: além do valor associado a
este serviço, poderão somar-se os custos de deslocação. Esta
avaliação poderá ter um prazo de validade.
 Comissão de formalização do contrato de crédito: é cobrada no
momento da formalização do contrato de crédito.
 Comissão de disponibilização de cartão de crédito
 Comissão de adiantamento de numerário a crédito (cash advance)
 Comissão de transferência a crédito interbancária.

Comissões bancárias mensais

 Comissão de processamento da prestação


 Comissão de manutenção de conta
 Comissão de gestão de conta

Amortização antecipada

Corresponde ao pagamento antes da data inicialmente prevista para a


amortização do empréstimo e pode corresponder a uma parte do capital
em divida ou à totalidade do capital em divida.

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Incumprimento

O incumprimento das responsabilidades de crédito ocorre quando o


cliente bancário não paga na data prevista uma das prestações do
contrato de crédito que celebrou. Ficando sujeito a penalizações e os
seus bens podem ser penhorados.

3.3 – Seguros de vida e de proteção do crédito

O seguro vida cobre o risco de morte ou invalidez, acidente ou


desemprego.

É possível dividir o seguro de vida nas seguintes modalidades:

 Seguro em caso de vida: o capital acordado será pago se a pessoa


se encontrar viva ao tempo do final do contrato, usada como meio
de constituir uma poupança.
 Seguro em caso de morte: o segurador paga ao beneficiário o
capital acordado se a pessoa segura morrer.
 Seguro misto: o segurador paga valores distintos, e caso de vida e
em caso de morte da pessoa segura.

Seguro de proteção ao crédito

É um seguro que garante o pagamento do crédito contratado em caso de


aperto financeiro. Protege o cliente em caso de invalidez, de incapacidade
temporária para o trabalho, de desemprego ou de atraso no pagamento
do salário.

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4– Reembolso do empréstimo

4.1 – O prazo do empréstimo: fixo, revolving, curto prazo, longo prazo

Reembolso com prazo do empréstimo fixo

Para os clientes que pretendam fixar o indexante dos seus


financiamentos ao longo de toda a vida da operação, a taxa fixa permite
eliminar o risco de subida da taxa Euribor e obter prestações mensais
fixas.

Reembolso com prazo do empréstimo revolving

O crédito renovável (revolving) é aquele em que é estabelecido um limite


máximo de crédito (plafond) que pode ser utilizado ao longo do tempo.

o Cartão de crédito
o Facilidade de descoberto
o Linha de crédito
o Conta corrente bancária

Reembolso a curto prazo

Quanto mais curto for o prazo para reembolsar o empréstimo, maior a


parcela do capital que o cliente terá de pagar todos os meses para
devolver a totalidade do empréstimo. A prestação do crédito será mais
elevada. Mas no final o cliente acaba por pagar um montante de juros
mais reduzida.

Reembolso a longo prazo

Num prazo de reembolso mais longo, o cliente tem mais tempo para
devolver o valor do empréstimo, pelo que a parcela do capital pago todos
os meses é menor. A prestação do crédito será mais baixa. Mas no final o
cliente acaba por pagar um montante de juros mais elevado.

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4.2 – Modalidades de reembolso e conceito de prestação mensal

Reembolso antecipado – pagamento antes da data inicialmente prevista


para a amortização do empréstimo.

Reembolso parcial – o cliente bancário pode reembolsar parte do capital


em divida e no montante que entender. Resultará numa redução do valor
das prestações mensais, uma vez que se reduziu o valor do capital em
divida do empréstimo.

Reembolso total – o cliente bancário pode reembolsar todo o capital do


empréstimo em divida antes do prazo estipulado no contrato.

4.3 – Carência e diferimento de capital

A prestação bancária é composta por duas partes: amortização ao capital


e pagamento de juros

Prestação crédito = Amortização capital + juros

Com o tempo, a amortização de capital vai sendo progressivamente maior


e a amortização de juros correspondentemente menor.

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Carência

O período de carência de um empréstimo é o período em que não é


amortizado capital ou juros ou apenas capital.

Carência de capital total

Existem tipos de empréstimos que podem incluir um período de carência


total em que não há pagamento de prestação. Carência de capital e juros.

Terminado o período de carência total, os juros não pagos durante esse


tempo são incorporados no capital em divida.

Carência de capital parcial

O período de carência do empréstimo é o período entre o início de um


crédito e o início da amortização do capital do empréstimo, pagando
somente juros relativos ao valor em divida, ficando a prestação mais
reduzida.

Diferimento de capital

Os bancos dão a possibilidade ao cliente de transferir uma parcela do


crédito para a última prestação, adia-se o reembolso de parte do capital
para o final do empréstimo.

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5 – Empréstimos em regime de taxa fixa e em regime de taxa
variável

Taxa de juro fixa

Nos empréstimos contraídos a taxa fixa, a taxa de juro do empréstimo mantém-


se inalterada durante o prazo que tiver sido acordado com a instituição de
crédito.

Durante esse período a prestação mensal mantém-se sempre igual. Isto


significa que se as taxas de juro de mercado, por exemplo a taxa de juro
Euribor, entretanto subirem ou descerem a prestação do empréstimo com taxa
fixa não se altera.

Em condições normais de mercado, a prestação de um empréstimo a taxa de


juro fixa é mais elevada do que a prestação indexada à Euribor. O cliente paga
um preço mais alto pela segurança de não vir a ter a sua prestação aumentada.
Mas deve ponderar bem esta escolha, pois se a Euribor descer a sua
prestação não desce.

Quando a instituição de crédito define o valor para a taxa de juro fixa toma
como referência a taxa fixa que se pratica no mercado interbancário para o
mesmo prazo: a designada taxa de swap.

Por exemplo, na determinação da taxa fixa a cobrar ao cliente pelo prazo de


cinco anos, a instituição de crédito tem em atenção a taxa de juro fixa que
durante esses cinco anos ela própria irá pagar para obter os fundos que vai
emprestar.

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Taxa de juro variável

Nos créditos à habitação com taxa de juro variável, a taxa de juro do


empréstimo resulta da soma de duas componentes: o indexante ou taxa de
referência, que é a Euribor, e o spread.

O cliente pode escolher o prazo da Euribor, sendo as Euribor a três e seis


meses as mais frequentemente usadas em contratos de crédito à habitação.

O valor da Euribor é revisto após o prazo a que se refere. Por exemplo, a


Euribor a três meses é revista trimestralmente e a Euribor a seis meses
semestralmente.

No final destes três ou seis meses, o valor da Euribor utilizado para a prestação
que irá vigorar nos três ou seis meses seguintes é calculado com base na
média aritmética simples do mês anterior, sendo esta taxa obrigatoriamente
arredonda à milésima.

Quando o valor da Euribor é revisto, a taxa de juro do empréstimo pode subir


ou descer refletindo a eventual alteração do valor da Euribor. O montante da
prestação pode, assim, aumentar ou diminuir. Só raramente o valor da Euribor
não se altera.

O spread é livremente definido pela instituição de crédito para cada contrato de


crédito à habitação. Na determinação do spread a instituição pondera não só o
risco de crédito do cliente, mas também as garantias do empréstimo, incluindo
a relação entre o montante do empréstimo e o valor do imóvel sobre o qual é
constituída uma hipoteca (rácio LTV ou loan-to-value).

Algumas instituições de crédito concedem uma redução do spread ou de outros


encargos no crédito à habitação aos clientes que adquirem, ao mesmo tempo,
outros produtos ou serviços financeiros.

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5.1 – Vantagens e desvantagens da taxa fixa e taxa variável

As principais vantagens e desvantagens dos créditos a uma taxa de juros


variável e a uma taxa de juros fixa, movem-se em torno da mesma variável: a
taxa de juros e como ela é afetada pelas flutuações do mercado.

Dito isto, as principais vantagens e desvantagens de cada um dos dois tipos de


hipotecas são:

Taxa Fixa

 Vantagem: A prestação não é afetada com as flutuações de mercado,


portanto se subir a Euribor não afretará a nossa mensalidade
 Desvantagem: Não pode beneficiar das subidas das taxas de juro

Taxa Variável

 Vantagem: Se a Euribor desce, a mensalidade desce


 Desvantagem: Se a Euribor sobe, a mensalidade sobre

5.2 – O Indexante (taxa de juro de referência) e o spread

O indexante é a taxa utilizada para estabelecer o custo de um empréstimo ou


remuneração de uma aplicação financeira, de forma a que esse empréstimo ou
aplicação reflitam as condições presentes no mercado monetário, no momento
em que são contratados ou que são reindexadas as prestações.

O indexante é a EURIBOR (European Interbank Offered Rate), que é a taxa de


referência do mercado monetário interbancário e resulta da média das
cotações fornecidas por um conjunto de bancos europeus. O cliente pode optar
por diferentes prazos, sendo os mais usuais a Euribor a 3,6 e 12 meses.

Spread é uma taxa de juro que é aplicada pelos bancos nos contratos de
crédito e que corresponde à margem de lucro do banco.

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A banca para poder emprestar terá que se financiar junto de acionistas, clientes
ou pedindo dinheiro emprestado a outros bancos investidores. Ao financiar-se
irá ter que suportar um custo que passará aos seus clientes, em forma de taxa
de juro.

Dependendo da estratégia comercial da instituição de crédito, o spread poderá


ser reduzido como contrapartida pela aquisição, necessariamente facultativa,
de outros produtos (vendas associadas)

Taxa de juro = Custo do Dinheiro + SPREAD

5.3 – Fatores que influenciam o comportamento das taxas de juro de


referência e a fixação do spread

A EURIBOR é a taxa de juro que serve de referência aos créditos em Portugal.


Esta resulta das operações de empréstimo entre os principais bancos na Zona
Euro e é determinada para diferentes prazos.

A EURIBOR corresponde ao custo do dinheiro para o banco, custo que o


banco passa aos clientes, acrescido de uma margem (o spread) que compensa
o risco assumido e obter os níveis de retorno que pretende.

Determinado pelo volume de oferta e procura: trata-se de uma taxa de juro do


mercado que é formada por grande número de bancos diferentes. Existem
fatores externos que influenciam em grande medida o nível da taxa de juro
Euribor.

Um dos fatores é o crescimento económico e o nível de inflação. Outro é o


valor da taxa de juro oficial definida pelo Banco Central Europeu (BCE), mas
também o nível de liquidez do sistema financeiro e pela evolução esperada da
inflação. O spread é a componente da taxa de juro que representa a margem
de lucro do Banco. O spread pode variar de consumidor para consumidor, de
acordo com a análise de risco efetuada. Quanto mais reduzido for o spread,
mais barato fica o crédito para o consumidor.

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6 – Elementos do empréstimo

As taxas de juro mais comuns nos contratos de crédito são a TAN, TAE, TAEG
e TAER.

6.1 – Relação entre o valor da prestação, a taxa de juro e o prazo

O valor da prestação varia consoante a taxa de juro aplicada seja maior ou


menor, ou seja, se a taxa aplicada é maior a prestação a pagar será maior e
vice-versa.

O valor da prestação será tanto menor consoante o prazo for maior.

O alargamento do prazo encarece o empréstimo na medida em que são pagos


juros durante mais tempo.

Prolongar a divida por mais tempo limita a capacidade de pedir outro


empréstimo para uma finalidade diferente.

6.2 – Relação entre montante do crédito, o prazo e total de juros a pagar

Num crédito de 100 mil euros, a 230 anos, com a Euribor a 1% e um spread a
1%, e imaginando a manutenção das condições até ao final do contrato, a
prestação mensal a pagar é de aproximadamente 370€.

Ao aumentar o mesmo empréstimo para 40 anos a prestação diminui para


cerca de 303€, menos 67 € por mês.

À partida parece um bom negócio, uma vez que a prestação é reduzida quase
70€ por mês. Mas na realidade, por ficar mais 10 anos a pagar o mesmo
empréstimo, no final sai mais caro.

Ao final dos 30 anos o empréstimo custa pouco mais que 133 mil euros. Ao
final dos 40 anos, o mesmo empréstimo fica por 145 mil euros, ou seja,
alargando o prazo por mais 10 anos paga-se mais 12 mil euros.
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6.3 – Relação entre variação da taxa de juro e a variação da prestação


mensal

A prestação é o valor mensal que o cliente paga à instituição que concedeu o


crédito. Este valor pode variar, caso o cliente tenha optado por uma taxa de
juro variável ou por uma prestação progressiva (vai aumentando ao longo dos
anos).

A prestação mensal varia no mesmo sentido ao aumento ou diminuição da taxa


de juro.

Quanto maior a taxa de juro maior será a prestação mensal.

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7 – Crédito à habitação e crédito aos consumidores (crédito
pessoal, crédito automóvel, cartões de crédito, linhas de
crédito e descobertos bancários)

7.1 – Principais caraterísticas

Crédito à habitação

É um contrato de empréstimo, por um período de tempo previamente


estabelecido e que pode ser utilizado para aquisição, construção e
realização de obras em habitações própria permanente, secundária ou
para arrendamento, bem como para aquisição de terrenos para
construção de habitação própria.

Crédito aos consumidores

É um tipo específico de crédito pessoal em que é disponibilizado a um


particular os montantes necessários para a aquisição de bens de
consumo e de serviços pessoais.

São empréstimos obtidos por particulares para aquisição de férias,


móveis, equipamentos informáticos, eletrodomésticos, o crédito
automóvel, entre outros. Estão incluídos na categoria de crédito ao
consumo os cartões de crédito e as contas ordenado.

No caso dos cartões de crédito, os particulares podem efetuar


pagamentos até um determinado montante estabelecido com a instituição
financeira na conta ordenado funciona como espécie de antecipação do
ordenado em que o particular pode levantar antecipadamente um
montante equivalente ao seu ordenado líquido.

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Crédito automóvel

Destina-se à aquisição de automóvel ou de outros veículos, novos ou


usados.

Existem diversas modalidades de crédito automóvel:

 Crédito automóvel com reserva de propriedade – para garantir o

reembolso do crédito até ao final do contrato, regista-se um direito

sobre o automóvel (reserva de propriedade) na conservatória.

 Crédito automóvel sem reserva de propriedade – Não há lugar a

registo de propriedade do carro, mas a instituição pode exigir outro

tipo de garantias, como uma fiança.

 Locação financeira (leasing) – A instituição financeira (locadora)

cede ao cliente (locatário) a utilização temporária de um automóvel,

em contrapartida para uma renda mensal. No final do contrato o

cliente pode adquirir o automóvel, se estiver interessado, mediante

o pagamento do valor definido no contrato (valor residual)

 Aluguer de longa duração (ALD) - A instituição financeira cede

temporariamente a utilização de um automóvel, mediante o

pagamento de uma renda mensal. No momento da contratação, o

cliente compromete-se a comprar o automóvel no fim do aluguer.

 O contrato de renting (ou aluguer operacional de viaturas) –

Corresponde ao aluguer de veículos mediante o pagamento de uma

renda mensal e tem geralmente associado um conjunto de serviços

(serviços de manutenção do carro, substituição de pneus).

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Cartões de crédito

Confere uma linha de crédito ao seu titular, permitindo-lhe efetuar


compras e/ou levantar dinheiro (cash-advance) sem que tenha dinheiro
disponível na conta bancária, até ao limite acordado com a instituição
financeira. O crédito concedido pode ser liquidado na sua totalidade no
final de um período específico ou pode ser liquidado parcialmente.

Devido à sua grande aceitação a nível universal, os cartões de crédito


constituem atualmente um meio privilegiado de pagamentos quando o
seu portador se desloca ao estrangeiro e também para aquisições através
da internet.

Linhas de crédito

É um contrato que uma empresa faz com um banco, assegurando a


disponibilidade de um empréstimo até determinado montante, em
determinadas condições, para poder ser usado quando a empresa sentir
necessidade dele.

Trata-se de garantir antecipadamente a disponibilidade desse empréstimo


em caso de necessidade.

Linha de crédito é um caso específico de crédito pessoal. Conhecidos por


créditos rotativos (rol-over). É um produto financeiro que se assemelha à
divida de um cartão de crédito.

 Limite de Crédito – é definido um montante máximo de crédito.


Pode pagar parte ou a totalidade e usar o dinheiro disponível
sempre que precisar
 Amortização ou Empréstimo – poderá amortizar o empréstimo
sempre que o desejar. Ao amortizar liberta capital para pedir
empréstimo no futuro.
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Para utilizar o crédito tem que solicitar à instituição financeira que
transfira o valor para a sua conta à ordem.

Descobertos bancários

Nos meses em que os valores que saem são superiores aos que entram,
diz-se que a conta está a descoberto. Permite ao cliente levantar dinheiro
ou faça pagamentos a partir da sua conta à ordem quando já não tem
fundos disponíveis.

A forma mais conhecida de descoberto é a conta ordenado, o titular da


conta tem acesso a um crédito, que pode ser utilizado para fazer face a
despesas inesperadas.

Descoberto bancário autorizado – ao recorrer ao descoberto bancário


autorizado, incorre no pagamento de juros. Entre a data de utilização e o
seu reembolso são contados juros diários e será cobrado imposto de selo.
As contas ficam saldadas quando o ordenado ou pensão forem
creditados na cota.

Descoberto bancário não autorizado – vamos supor que emitiu um


cheque e não tem a conta bancária provisionada. O banco pode aceitar
pagar o valor, mas fica com um descoberto bancário não autorizado.
Permite que o cliente aceda a fundos que excedem o saldo da conta
bancária ou o limite do descoberto autorizado.

O descoberto bancário não autorizado tem custos que podem ser


superiores ao autorizado, no que diz respeito à taxa de juro aplicável.

O banco pode aceitar pagar o valor, mas também pode recusar o


pagamento por falta de provisão.

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8 – Crédito automóvel clássico vs. em leasing: regime de
propriedade e seguros obrigatórios

Crédito automóvel

É uma modalidade de financiamento enquadrado no regime de crédito


aos consumidores para a compra a crédito de um carro novo ou usado,
na forma de contrato de crédito, permanecendo a viatura em nome de um
cliente, com reserva de propriedade/hipoteca a favor de uma entidade
financeira. A viatura é propriedade do cliente, mas este não pode vender
sem autorização do banco.

Leasing

O leasing automóvel é um crédito que financia até 100% a compra de um


veículo novo com prestações mensais, renda fixa que inclui todos os
encargos, tais como valor, IVA, comissões e taxas de juro.

Pode ter duração até ao máximo de 10 anos e durante esse período, o


veículo é propriedade da instituição financeira. No final do contrato o
titular pode decidir se quer adquirir o automóvel, tornando-se o seu legal
proprietário, ou trocar de viatura ou, simplesmente devolve-la.

Regime de propriedade

Ao adquirir um automóvel com recurso a leasing ou crédito automóvel a


instituição financeira que disponibiliza o crédito realiza a reserva da
propriedade.

Quando se faz um crédito automóvel com reserva de propriedade o


veículo é dado como garantia ao banco. Em caso de incumprimento o
banco pode ficar com o carro.

A reserva de propriedade significa que a propriedade da viatura é do


cliente – no Título de Registo de Propriedade o cliente é o proprietário –
mas com a menção de reserva de propriedade da instituição financeira.

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Seguro automóvel (responsabilidade civil vs. danos próprios)

O seguro automóvel de responsabilidade civil é obrigatório para qualquer


veículo ou motociclo. É a forma de cada pessoa garantir que se se vir
envolvido nem acidente tem meios financeiros para poder pagar os
prejuízos causados noutros condutores, veículos, pessoas ou edifícios.

Cobre o pagamento de indemnizações por danos corporais, e materiais


causados a terceiros e às pessoas transportadas, com exceção do
condutor. Assegura a cobertura de, no mínimo, 5.000€ por danos
corporais e 1.000.000€ por danos materiais.

Responsabilidade civil

O seguro automóvel abrange a obrigação de indemnizar nos termos da lei


civil, quanto a acidentes ocorridos em território nacional. Quanto a
acidentes ocorridos noutros territórios que hajam aderido ao Acordo
entre serviços nacionais de seguros, a obrigação de indemnizar prevista
na lei aplicável ao acidente.

Danos próprios

O seguro contra danos próprios abrange os danos sofridos pelo veículo


seguro mesmo quando o condutor seja responsável pelo acidente.

O seguro contra danos próprios ou seguro contra todos os riscos tem


uma maior abrangência: os danos sofridos pelo carro num acidente em
que o condutor possa ser culpado, danos à viatura (riscos, mossas, por
exemplo), atos de vandalismo e terrorismo, colisão, incêndio, quebra
isolada de vidros, catástrofes naturais, raio, roubo, furto, assistência em
viagem , assistência médica, privação temporária do uso do veículo,
substituição do veículo, entre outros.

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9 – Crédito revolving: cartões de crédito, linhas de crédito e
descobertos bancários

9.1 – Formas de utilização, modalidades de pagamento e


custos associados

Este tipo de créditos são os mais utilizados no mercado nacional. O


cartão de crédito é um crédito renovável (revolving) porque à medida que
são pagos os valores anteriormente utilizados, o plafond volta a ficar
disponível para nova utilização. É aquele que se enquadra numa ótica de
pagamento faseado do valor do empréstimo ao longo do tempo.

Vantagens
 Flexibilidade e rapidez
 Possibilidade de voltar a utilizar o dinheiro já pago
 Facilidade de obtenção

Desvantagens
 São os mais caros do mercado
Modalidades de pagamento

A data limite para o pagamento do montante utilizado e a modalidade de


pagamento são acordadas previamente entre o cliente e a instituição
bancária.
Pagamento total – poderá usar a totalidade ou parte do crédito, mas terá o
pagar integralmente, dentro do prazo estabelecido. Desta forma, não
pagará juros.
Pagamento parcial – utiliza a totalidade do plafond que foi atribuído, mas
paga apenas uma parte do montante utilizado, implicando o pagamento
de juros sobre o valor usado e não reembolsado. Algumas instituições
definem um montante mínimo a pagar.

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10 – Critérios relevantes para a comparação de diferentes
propostas de crédito

10.1 – Avaliação da solvabilidade: conceito de risco de crédito

O risco refere-se à probabilidade de um cliente faltar com os pagamentos


de qualquer tipo de divida. Trata-se da possibilidade de não receber o
valor principal negociado por causa do incumprimento, que não pode ser
evitada, mas prevenida ou controlada pela análise de crédito.

A análise de risco de crédito consiste na avaliação dos riscos que podem


ter impacto na capacidade futura dos clientes, para fazer face aos
compromissos assumidos perante o banco.

Tem em consideração o perfil de risco do cliente e deve procurar


responder a duas questões fundamentais: qual a finalidade do crédito e
qual a capacidade de reembolso do cliente.

Através da análise de crédito será possível identificar se o cliente possui


idoneidade e capacidade financeira suficiente para amortizar a divida que
se pretende contrair.

De acordo, com o aviso a avaliação da solvabilidade deve-se basear


preferencialmente nos rendimentos auferidos pelo consumidor, pelo seu
montante e periodicidade, na sua situação profissional, idade, nas suas
despesas regulares (orçamento familiar mensal), na informação constante
na base de dados e na Central de Responsabilidades de Crédito do Banco
de Portugal.

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10.2 – Rendimento disponível, despesas fixas e taxa de esforço


dos compromissos financeiros

O rendimento disponível corresponde à parte do rendimento auferido


pelos particulares que fica disponível para consumo, ou seja,
corresponde ao rendimento que resta após o pagamento de todos os
impostos e contribuições obrigatórias para a Segurança Social.

Despesas fixas são periódicas e ocorrem todos os meses como o gasto


com água, luz e alimentação.

A taxa de esforço é o peso que a prestação mensal tem no rendimento líquido


do agregado familiar. O cálculo da taxa de esforço dá a percentagem mensal
que é utilizada para pagar o empréstimo.

Não existe uma taxa concreta que seja a ideal, mas deverá estar abaixo dos
40%.

10.3 – Valor e tipo de garantias (hipoteca e penhor, fiança e


aval, seguros)

Hipoteca

A hipoteca é a garantia de pagamento de uma divida na forma de um


imóvel.

A hipoteca é a principal modalidade de financiamento imobiliário


praticada, com o próprio imóvel financiado servindo de garantia ao
crédito concedido pelo banco para a sua aquisição.

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Quem possui um imóvel em seu nome também pode hipoteca-lo para
obter valores mais altos, com prazos mais longos e juros menores do que
outras modalidades de crédito.

A vantagem do empréstimo com hipoteca é a possibilidade de se obter


valores mais altos, com prazos mais longos e juros menores do que
outras modalidades de crédito

Caso deixe de pagar a dívida, o devedor perderá o imóvel que ofereceu


como garantia, sendo esse o principal risco da hipoteca.

Penhor

O penhor é uma garantia real das obrigações que incide sobre certa coisa
móvel ou sobre créditos ou outros direitos não suscetíveis de hipoteca,
pertencentes ao devedor ou a terceiro e que confere ao credor o direito de
ser pago com prioridade face a todos os outros credores.

Fiança e aval

A fiança é o contrato pelo qual uma terceira pessoa – denominada fiador –


se compromete a pagar a dívida de outrem caso o devedor não o faça. O
fiador coloca o seu património como garantia de uma divida alheia. Se for
fiador de alguém na compra de casa e essa pessoa deixar de pagar as
prestações, é a si que cabe cumprir o contrato.
O aval é outra garantia pessoal, é que dada por um terceiro – denominado
avalista – a quem concede um crédito. Nos empréstimos bancários, esta
garantia é representada pela assinatura do avalista no verso do
documento que titula a divida e pode respeitar à totalidade ou a parte do
valor em divida. Existe o mesmo nível de responsabilidade de pagamento
relativamente ao titular, podendo o credor abordar o avalista para o
pagamento da divida.

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Fiador
O aceitar ser fiador está a garantir, através do seu património pessoal, o
cumprimento de uma divida de outrem.
A fiança atesta maior segurança ao credor. A figura do fiador é utilizada
sobretudo nos contratos de crédito à habitação e nos contratos de
arrendamento.
Existe a possibilidade de o fiador estipular que não prescinde do
benefício de execução prévia. Antes de executar o património do fiador, o
credor deverá executar todos os bens do património do devedor principal
(responsabilidade subsidiária).

Avalista
O avalista responsabiliza-se pelo pagamento da divida de outrem
(garantia pessoal) em caso de incumprimento deste. Através do seu aval
numa letra ou livrança. O aval é prestado em títulos de crédito mediante a
assinatura do avalista no verso do documento.
O avalista está sujeito a um regime jurídico ainda mais apertado,
comparativamente com o fiador. No aval existe responsabilidade solidária,
o que significa que o devedor ou avalista estão no mesmo patamar de
responsabilidade, sendo que qualquer um deles pode ver acionado o seu
património.

Seguros

Um seguro de crédito é uma garantia de segurança, tanto para os


consumidores como para as instituições financeiras, de que as
prestações ficarão pagas quando alguma das coberturas do seguro de
crédito em questão é ativada.

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No seguro de crédito para empresas, esta proteção visa cobrir o risco de
não pagamento de vendas de bens e serviços que foram efetuadas a
crédito.
No caso do seguro de crédito para particulares, as entidades financeiras
disponibilizam três tipos de seguros na contratualização de um
empréstimo pessoal:
 Seguro de vida
 Seguro de desemprego
 Seguro de doença

Seguro de vida: é o mais comum e permite que as dividas sejam


liquidadas em caso de morte ou invalidez dos titulares do crédito pessoal.

Seguro de desemprego: no caso de existir uma situação de desemprego


involuntário, por um período superior a 30 dias, e se o consumidor estiver
inscrito no Centro de Emprego e Segurança Social, a companhia de
seguros pagará as prestações mensais ao banco. No entanto, existe um
limite de seis meses por sinistro e de, no máximo, 12 a 36 meses por
contrato.
A cobertura de desemprego é exclusiva para trabalhadores por conta de
outrem, estando incluídas situações de despedimento coletivo e de
extinção do posto de trabalho.
O despedimento promovido pelo trabalhador com invocação de justa
causa está excluído de algumas apólices de seguros de desemprego.

O seguro de proteção ao crédito é apontado como a solução mais viável


para solicitar um financiamento de forma descansada, uma vez que a
segurança que tem, ao longo da duração do crédito, é muito maior.

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Vantagens
Em caso de invalidez, incapacidade temporária, desemprego ou doença, a
seguradora assuma as prestações mensais do seu crédito, liquidando-as
por si.

Desvantagens
Na maioria dos casos, o prémio do seguro de crédito é único, tem de ser
paga no início do contrato e pode ser financiado. O consumidor acaba por
pagar juros sobre o próprio seguro. Estes seguros costumam ter custos
muito elevados.

Seguro de doença

O seguro de doença mais simples cobra unicamente óbito ou invalidez


absoluta e definitiva, aumentando o valor do mesmo por cada cobertura
adicional. Na incapacidade temporária, o seguro de crédito normalmente
apenas cobre se a mesma durar mais do que um mês. Só podem ser
ativados normalmente 60 dias após a assinatura do contrato (período de
carência).
O seguro de crédito é essencial para a aprovação do empréstimo pessoal,
levando a uma melhoria das condições do crédito para o cliente,
nomeadamente a taxa de juro poderá ser inferior.

10.4 – Mapa de responsabilidades de crédito

O Mapa de Responsabilidades é o documento que reúne todos os


créditos em todos os bancos.
É sempre solicitado para análise de crédito, pois trata-se de uma
“fotografia” do endividamento e situação financeira do seu detentor num
determinado período de tempo.

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Interpretação da declaração:

 Nível de responsabilidade: demonstra o tipo de produto em causa,

número de titulares e/ou responsáveis (avalista, fiador, entre outros)

 Produto Financeiro: podemos verificar que tipo de produto se trata

(crédito individual, ao consumo, habitação).

 Prazo Original: prazo inicial acordado no momento em que foi

assinado o contrato.

 Prazo Residual: indica o tempo em anos e meses que faltam para

liquidar a divida.

 Situação de Crédito: em que estado se encontra o crédito ou

potencial valor que podemos tirar partido.

Existem cinco estados possíveis da situação do crédito:

 Potencial – o que a título individual a pessoa está


autorizada a utilizar;
 Regular – o que está em dia e a ser utilizado;
 Vencido – valor de crédito que se encontra em
atraso e respetivo tempo de incumprimento;
 Renegociado – o cliente renegociou a sua dívida
com a entidade financeira (prolongamento de
prazo);
 Abatido ao Ativo – já houve renegociação da dívida
e o cliente não tem como liquidar o valor.
 Duração de Incumprimento: período a partir do qual o crédito está

vencido.

 Prestação: é o valor mensal que a pessoa paga de empréstimos

que contratou.

 Garantias: valor que é dado como garantia para o empréstimo.


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11 – Tipos de instituições que concedem crédito e
intermediários de crédito

Instituições de crédito

As instituições de crédito, as sociedades financeiras, as instituições de


pagamento e as instituições de moeda eletrónica habilitadas a
desenvolver a sua atividade em Portugal podem prestar serviços de
intermediação de crédito relativamente a contratos de crédito em que não
atuem como mutuantes.

Tipos de instituições de crédito:

 Bancos;

 Caixas Económicas;

 Instituições financeiras de crédito;

 Sociedades de Investimento;

 Sociedades de locação financeira;

 Sociedades de factoring;

 Sociedades financeiras para aquisição a crédito;

 Sociedades de garantia mútua;

 Instituições de moeda eletrónica;

 Empresas qualificadas pela lei que correspondem à definição de

instituição de crédito.

Os bancos podem ser definidos como instituições financeiras que


aceitam depósitos e concedem crédito. Podem ser efetuadas operações
de pagamento, operações de crédito, troca de moedas internacionais, etc.

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As restantes instituições de crédito, poderão apenas as operações
legalmente aceites e regulamentadas pelas entidades que regem a sua
atividade.

Intermediário de crédito

O intermediário de crédito é a pessoa, singular ou coletiva, que participa


no processo de concessão de crédito:

 Apresentando ou propondo contratos de crédito a consumidores;

 Prestando assistência a consumidores;

 Celebrando contratos de crédito com consumidores;

 Prestando serviços de consultoria, através de emissão de

recomendações personalizadas sobre contratos de crédito.

Os intermediários de crédito estabelecem a ligação do consumidor às


instituições financeiras.

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12 – O papel do fiador e as responsabilidades assumidas

A fiança é uma garantia pessoal prestada por uma terceira pessoa – fiador.

O fiador responsabiliza-se pelo pagamento do empréstimo, se o devedor


não cumprir as suas obrigações.

O fiador é a pessoa de dá garantias pessoais – através de bens


patrimoniais – para o pagamento das dívidas de um devedor sob forma de
fiança.

O fiador é considerado “o principal pagador” do devedor em caso de


incumprimento, deve entregar o seu património para garantir o
pagamento de uma dívida de outra pessoa. É obrigado a responder junto
do credor (instituição) sempre que haja incumprimento por parte do
devedor e só é responsável depois de o património que estava em nome
do devedor ter sido usado como moeda de troca.

Sempre que o devedor entrar em incumprimento, o nome do fiador passa


a constar da “lista negra” do Banco de Portugal.

No contrato pode estar previsto que, em caso de não pagamento, o fiador:

 Tem o benefício de excussão prévia: o fiador recusa-se a pagar


valores em incumprimento, enquanto a instituição não tiver
esgotado todas as possibilidades de cobrança junto do devedor
principal, incluindo a execução dos bens desse devedor.
 Renuncia ao benefício de excussão prévia: a instituição pode exigir
diretamente ao fiador o pagamento dos valores em dívida. Caso
este não cumpra, a instituição pode executar os bens do fiador.

Um fiador nunca poderá deixar de o ser, exceto se a instituição de crédito


concorde em que seja substituído por outro.

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13 – Regime de responsabilidade no pagamento de
empréstimos conjuntos

Conhece-se por responsabilidade solidária a obrigação partilhada por

várias partes relativamente a uma dívida ou outro compromisso. Uma

pessoa tem o direito de reclamar o pagamento de uma divida ou o

ressarcimento de um dano a qualquer um dos responsáveis ou inclusive

a todos, sem que nenhum se possa recusar para evadir a sua

responsabilidade.

No caso de divida, o credor pode reclamar a totalidade do pagamento a

qualquer um dos indivíduos que forem responsáveis solidários.

Para o credor, a existência de responsáveis solidários supõe uma

vantagem uma vez que pode reclamar o pagamento da divida a qualquer

um deles, uma vez que todos devem responder pelos seus direitos.

Muitas vezes confunde-se o conceito de responsabilidade solidária com

responsabilidade subsidiária. Esta última refere-se àquela que um

individuo tem pelo incumprimento no pagamento de uma divida por parte

de uma terceira pessoa. Esta responsabilidade só existe no momento em

que o devedor principal não paga a divida contraída.

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14 – Consequências do incumprimento: juros de mora,
histórico de crédito, penhora de bens, execução de hipotecas e
insolvência

O não pagamento atempado de prestações de contratos de crédito tem

graves consequências para o cliente bancário e para o seu agregado

familiar.

O cliente em incumprimento fica sujeito ao pagamento de juros de mora,

comissões e outros encargos que acrescem à sua divida:

o A situação de incumprimento é comunicada à Central de

Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal

o A instituição de crédito pode iniciar uma ação judicial para a

recuperação do crédito, que poderá conduzir à penhora dos

rendimentos e à venda dos bens do cliente;

o Quando o cliente deixa de pagar as prestações, a instituição de

crédito deve contatá-lo para negociar soluções de pagamento, com

vista à regularização extrajudicial de situações de incumprimento

de contratos de crédito.

Juros de mora

Os consumidores em incumprimento estão sujeitos, para além do juro

remuneratório associado ao crédito, ao pagamento de juros de mora e

outros encargos recorrentes do incumprimento.

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Estes encargos estão limitados a uma comissão única pela recuperação

dos valores em divida e a despesa posteriores à entrada em

incumprimento, desde que devidamente documentadas. De acordo com a

lei, o pagamento de uma comissão única respeitante à recuperação de

valores em divida, está limitada até 4% do valor da prestação em

incumprimento, já vencida e não paga, que poderá oscilar entre 12€ e

150€.

Os juros moratórios resultam da aplicação de uma sobretaxa anual

máxima de 3%, que acresce à taxa de juro remuneratório. São calculados

diariamente.

A instituição pode proceder à resolução do contrato se o consumidor

faltar ao pagamento de duas prestações sucessivas, e se, após a

concessão de um prazo suplementar mínimo de 15 dias, não regularizar

as prestações em atraso.

Se o processo transitar para via judicial, poderá daí, resultar a penhora de

rendimentos e/ou património do devedor e subsequente venda judicial de

bens, bem como o pagamento das despesas judiciais.

Histórico de crédito

Manter um bom histórico de crédito, sem manchas que possam dificultar-

lhe o acesso a empréstimos ou créditos futuros exige manter os seus

pagamentos em dia.

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Basta um incumprimento para manchar um histórico, mesmo que o

incumprimento não seja seu – se for fiador ou avalista de crédito de um

terceiro e este estiver em incumprimento, isto reflete-se no seu histórico,

podendo condicionar a aprovação de créditos futuros.

Penhora de bens

Em caso de incumprimento o credor pode promover diligencias

necessárias à cobrança coerciva do respetivo crédito, que podem

culminar na penhora de bens e/ou penhora de vencimento do devedor.

O incumprimento bancário por parte das pessoas singulares tem levado a

que muitas delas tenham ficado com a casa penhorada.

Execução de hipotecas

A hipoteca é uma garantia real que confere ao credor o direito de ser pago

com prioridade face a todos os outros credores que não beneficiem de

privilégio creditório especial, direito de retenção ou prioridade através do

produto da venda de certos bens imoveis ou bens moveis equiparados

(automóveis, navios ou aeronaves), sobre os quais incide a hipoteca.

A hipoteca por se tratar de uma garantia real confere ao credor, não a

propriedade do bem hipotecado, mas o poder de satisfazer o seu crédito

através do valor obtido com a venda judicial do bem hipotecado no

decurso de um processo executivo ou processo de insolvência.

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Nos contratos de crédito habitação o incumprimento contratual de uma

prestação mensal faz operar o vencimento de todas as outras prestações

mensais.

O credor hipotecário tem o direito de ser pago com preferência sobre

todos os credores que não beneficiem de privilégio creditório especial ou

prioridade de registo.

Insolvência

Uma pessoa é considerada insolvente quando se encontra

impossibilitada de cumprir com as suas obrigações vencidas, quando os

seus ativos são inferiores aos seus passivos.

No processo de insolvência, todos os bens da pessoa insolvente são

apreendidos e vendidos com o objetivo de amortizar as dividas

contraídas junto dos credores. A insolvência pessoal é o caminho

indicado para as pessoas singulares e famílias que se encontram em

situação de impossibilidade de cumprir todas as obrigações cumpridas.

Existem dois caminhos possíveis: a insolvência com a exoneração do

passivo restante ou a insolvência com plano de pagamentos.

Exoneração do passivo restante – o devedor pode obter um perdão das

dividas que não forem integralmente pagas no processo de insolvência e

nos 5 anos seguintes ao seu encerramento. Pretende-se conceder ao

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devedor pessoa singular uma segunda oportunidade de recomeçar a sua

vida económica.

Plano de pagamentos – trata-se de uma proposta de reestruturação do

passivo do devedor. Pode-se prever um alargamento dos prazos de

cumprimento, redução das taxas de juro, perdão de parte do capital,

constituição de garantias, entre outros. Terá que ser negociado com os

credores, uma vez que está sujeito à sua aprovação e à homologação

pelo juiz.

Consequências/efeitos da insolvência pessoal

Suspensão das penhoras

A declaração das penhoras faz suspender todas as penhoras e outras

diligências executivas que corram contra o devedor e obsta à instauração

ou ao prosseguimento de qualquer ação executiva intentada pelos

respetivos credores.

Se o devedor estiver a ser alvo de uma penhora de vencimento a

declaração de insolvência tem como consequência, por força da lei, o seu

levantamento imediato.

Deixa de ser permitido aos credores a instauração de novas ações

judiciais para a cobrança coerciva dos respetivos créditos.

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Perda de todo o património

Com a declaração de insolvência, o insolvente vai perder a propriedade

de todos os seus bens suscetíveis de penhora.

Esses bens vão integrar a massa insolvente, ficando o administrador de

insolvência encarregue de proceder à respetiva apreensão, liquidação

(venda), e repartição do correspondente produto pelos credores.

 Publicação da declaração de insolvência em Diário da República

 Insolvência afixada por edital no local de trabalho do insolvente e

no tribunal

 Passa a constar da base de dados de risco de crédito do Banco de

Portugal durante 5 anos, o Registo Civil terá esta informação

 Impossibilidade de o insolvente administrar os bens penhoráveis

 Dever do insolvente se apresentar em tribunal e colaborar com os

órgãos de insolvência

 Entrega imediata de todos os documentos solicitados

 Dever de permanecer na residência estipulada na sentença de

insolvência até ao fim do processo

 Obrigação de possuir um emprego remunerado

 Não ocultar rendimentos

 Criação de um plano de pagamento de dividas pelo tribunal, para

cumprir meticulosamente durante 5 anos

 Os rendimentos deste período ser doados ao administrador da

insolvência que restituirá o dinheiro aos respetivos fiadores. O


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montante a entregar é decidido pelo Tribunal, salvaguardando um

valor mínimo para o sustento do insolvente, do seu agregado

familiar e do exercício da sua profissão

 Findos os 5 anos do prazo do plano de pagamentos, com o devedor

a cumprir as suas obrigações, se o seu pedido de exoneração

(perdão) de divida for aceite, este fica livre das dividas que estejam

ainda por pagar (à exceção de dividas fiscais).

15 – O sobre endividamento: como evitar e onde procurar ajuda

Considera-se que existe um elevado nível de endividamento, quando os

rendimentos possibilitem apenas o pagamento das despesas mensais,

não permitindo que fique algum dinheiro até ao final do mês.

O sobre endividamento acontece quando o devedor está impossibilitado

de proceder ao pagamento de uma ou mais dividas, pois, os créditos são

superiores ao rendimento mensal.

As instituições financeiras consideram que um cliente está em

incumprimento a partir do momento em que este detém três ou mais

prestações em atraso.

Sinais de sobre endividamento

 Taxa de esforço acima de 40%;

 Usar créditos para pagar outros;

 Alternar o pagamento de créditos;

 Atrasos nos pagamentos regulares.

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Como evitar o sobre endividamento

Os conselhos das instituições de apoio ao sobre endividado, para evitar o

incumprimento:

 Não contrair empréstimos para pagar prestações em atraso;

 Se a instituição financeira lhe recusas um empréstimo, não altere

os seus dados, nem peça empréstimos em nome de outras pessoas;

 Subescreva sempre seguro de proteção ao crédito;

 Antes de recorrer ao crédito, analise a sua própria capacidade

financeira. Os encargos com empréstimos não devem ultrapassar

os 30% do rendimento familiar;

 Elaborar um orçamento onde fique claro a capacidade financeira do

agregado familiar no presente e no médio prazo;

 Estipular uma lista de prioridades de consumo identificando as

compras que podem e devem ser adiadas;

 Moderar ou restringir o recurso ao crédito;

 O consumo que se antecipa deve ser compatível com a capacidade

financeira do agregado;

 Poupar, idealmente não inferior a 10% dos rendimentos totais do

agregado;

 Todas as famílias devem elaborar mensalmente o seu orçamento,

para melhor controlo das despesas;

 Poupar em casa, na fatura da água, eletricidade, gás, entre outras;

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 NO supermercado, o consumidor deve comparar preços e deve

levar lista de compras;

 Procurar fazer um fundo de emergência. No valor de três a seis

vezes o nosso rendimento mensal.

Foram criadas pelo Ministério da Justiça entidades para detetar estas

situações de sobre endividamento, a Associação de Instituições de

Crédito Especializado (ASFAC), Associação para a Defesa do Consumidor

(DECO) e o Gabinete de Orientação ao Endividamento dos Consumidores.

Além destas parcerias criaram-se novas medidas com as seguintes

orientações:

 Detetar situações de sobre endividamento e encaminhar essas

situações para as entidades que podem ajudar a resolvê-las;

 Criar elo de ligação entre o sistema de justiça e as entidades que

prestam apoio ao sobre endividamento;

 Possibilidade de suspender a inclusão do registo do sobre

endividado na lista publica de execuções, através da adesão a um

plano de pagamentos elaborado por uma entidade credenciada;

 Dar uma nova oportunidade, através do sistema judicial, para que

as pessoas sobre endividadas que já foram ou estão a ser

executadas, possam ainda pagar as suas dividas.

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As medidas de apoio visam ajudar pessoas em dificuldade que não

conseguem satisfazer os compromissos dos processos em que foram ou

são executadas, elaborando um plano de pagamentos. Estas entidades:

 Analisam a situação financeira do sobre endividado, com o intuito

de reestruturar as dividas;

 Apoiam na gestão do orçamento familiar e propõem um plano de

pagamentos às entidades credoras;

 Apoiam na proposta de um plano de pagamentos às entidades

credoras, de acordo com a capacidade financeira do consumidor;

 Apoiam à renegociação dos encargos/créditos;

 Recebem e tratam pedidos para construção e negociação de planos

de pagamento entre pessoas na lista pública de execuções;

 Recebem e tratam pedidos de construção de planos de pagamento

entre pessoas sobre endividadas e os seus credores, enviados por

centros de arbitragem em matéria de ação executiva.

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Referências Bibliográficas

www.portaldocidadao.pt
www.anje.pt
www.portaldasfinancas.gov.pt
www.e-konomista.pt
www.economias.pt
www.apb.pt
www.bportugal.pt
www.deco.pt
www.todoscontam.pt

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