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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

Discente: Felipe Oliveira Mathias


Disciplina: Pesquisa e Prática de Ensino III
Data: 29 de abril de 2021
Artigo Resenhado:

ANTUNES, Celso. Novas maneiras de ensinar novas formas de aprender [recurso


eletrônico] / Celso Antunes – Dados eletrônicos. – Porto Alegre: Artmed, 2007.

Pretende-se nesta resenha analisar os 4 capítulos iniciais do livro “Novas


maneiras de ensinar novas formas de aprender”, de autoria de Celso Antunes. O autor
trabalha com a ideia de que o avanço da tecnologia pode e deve ser bem recebido nos
métodos de educação e de se pensar a escola.
Celso Antunes é formado em Geografia e mestre em Ciências Humanas e
Especialista em Inteligência e Cognição. Atualmente é professor da Universidade
Sênior para a Terceira Idade. É também Membro Consultor da Associação Internacional
pelos Direitos da Criança Brincar, reconhecido pela UNESCO. É autor de mais de uma
centena de livros didáticos e paradidáticos, tendo obras sobre temas educacionais, que
foram publicados em países da América do Sul, América do Norte e da Europa.
Atualmente é Coordenador Geral de Ensino de Graduação da Uni Sant’Anna em São
Paulo e Diretor do Colégio Sant’Anna Global mantida pela mesma instituição.
O autor entende que nunca se falou tanto em educação como agora. Ele afirma
que há uma enorme quantidade de livros traduzidos, e que impressiona o número de
pesquisas, tratados, dicionários, textos sobre ensino e aprendizagem. Ele utiliza o
surgimento de outras formas de aprendizado, como ebooks, portais, revistas
especializadas multiplicando-se na mesma proporção em que cresce o número de
congressos e jornadas sobre temas educacionais, encontro com autores, simpósios e
outros eventos para mostrar como a educação está sendo modificada.
Para o autor, o que realmente está é que está nascendo a nova educação, um
novo sistema de se pensar a escola e de se definir a função do educador. Não surge para
que seja rotulada simploriamente de boa ou má, por mais que isso acabe acontecendo,
como sempre aconteceu em todas as revoluções, evidenciando um misto de acertos e
erros, surpresas e reabilitações, quedas e ascensões, mas sobretudo surpreendentes
oscilações.
Negar a evidência dessa nova educação seria fechar os olhos para a internet, seria
esquecer que o novo professor precisa antes transformar a informação que ministra-la, seria
negar a certeza de que os sistemas de ensino e portais eletrônicos substituíram os livros
didáticos convencionais e seria fazer de conta que a presença do computador na sala de aula
representa apenas um acréscimo de recursos, mais ou menos a mesma coisa que as salas de
antigamente, com ou sem o mimeógrafo tradicional.
A internet expandiu-se à altíssima velocidade em toda parte, os telefones móveis
vieram efetivamente para ficar , a globalização chegou até os cantos mais esquecidos do
mundo, já não se discute mais a capacidade de se regenerar órgãos humanos, notícias
sobre os alimentos e os seres transformados geneticamente já sofrem os desgastes
jornalísticos da rotina e esses indícios de tecnologia ensinam que muda depressa a
arquitetura, a medicina, o direito, a engenharia e qualquer outro ramo do conhecimento
em que se atreva a pensar.
O autor acredita que algo novo está surgindo nesse velho mundo e não se
enquadra nos pressupostos convencionais e nos paradigmas que antes eram transmitidos
de uma geração para outra. De fato, é um novo tempo, uma novíssima economia, uma
nova civilização e não se trata, absolutamente, de pensar o que a educação pode fazer
por ela, mas de buscar indícios de como essa nova civilização está mexendo nas
entranhas do conhecimento, do ensinar e do aprender. Atualmente, por exemplo, já se
discutem processos de manipulação genética das inteligências, da consciência e da
memória, e não é nem um pouco difícil imaginar o que isso pode representar para uma
escola ou para um professor que não descobria outro papel para seu ofício que o de
acumular informações na mente de seus alunos.
Para o autor, embora esse avanço mostre um leque de possibilidades bem
diverso, ele é dependente do computador, da internet e da tecnologia digital. De acordo
com Antunes, em bem pouco tempo, a tendência se reverterá e o ensino revolucionará a
informática, e não mais o contrário.
Antunes então introduz a discussão acerca das abordagens sobre a aprendizagem
que eram realizadas até um certo tempo no passado, que se amparava nas perspectivas
psicanalíticas, comportamentalistas ou mesmo sociais. Identificava-as a circunstância
óbvia de que não era possível observar-se a mente humana no exato instante da sua
transformação por aprendizagem. Ele então argumenta que os equipamentos avançados
de tomografia cerebral, instrumentos de ponta sobre ressonâncias magnéticas,
microcirurgias com intervenções no cérebro de pequenos animais e muitos outros meios
já projetam imagens sobre como a mente aprende.
A partir disso, o autor ressalta que não existe apenas uma única maneira de
aprender, que ainda não é possível saber todos os processos usados pela mente para
aprender, mas que existem alguns. Ele então explica que a maneira como uma criança
“aprende” a engatinhar não é exatamente a mesma como, mais tarde, aprenderá a lidar
com suas emoções ou a usar o computador. Entretanto, não há dúvida de que existem
diferentes processos de aprendizagem e de que é importante que todo professor os
conheça bem. Antunes então cita alguns pontos que considera essenciais para o
aprendizado, como o papel da experiência, a importância do ambiente, os limites da
maturação, as diferentes maneiras de aprender, a aprendizagem por habituação, a
aprendizagem por condicionamento, entre alguns outros.
Por fim, vale ressaltar que o autor compreende que existem várias maneiras
interessantes de se aprender e que, se desenvolvidas em sala de aula para alunos de
qualquer nível, independentemente dos conteúdos que se expõe, podem constituir-se em
uma aprendizagem agradável, interessante e o que é mais importante, significativa e
capaz de se mostrar autônoma, permitindo ao aluno o uso desses saberes para a
conquista de muitos outros.