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Química Geral e

Experimental I
Material Teórico
O Átomo: Estrutura Atômica, Camadas e Orbitais

Responsável pelo Conteúdo:


Prof.ª Me. Marina Garcia Resende

Revisão Textual:
Prof.ª Esp. Kelciane da Rocha Campos
O Átomo: Estrutura Atômica,
Camadas e Orbitais

• Introdução;
• Modelos Atômicos – Breve Histórico;
• Configuração Eletrônica;
• Conceitos Importantes sobre Partículas Subatômicas;
• Outros Conceitos Importantes.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Apresentar os principais conceitos relacionados ao átomo e à sua
estrutura.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE O Átomo: Estrutura Atômica, Camadas e Orbitais

Introdução
Tudo que tem massa e ocupa lugar no espaço é chamado de matéria. No en-
tanto, você já parou para pensar em como essa matéria é formada? Quais as prin-
cipais características das partículas formadoras da matéria? Quais são elas? Qual
a sua concepção de átomo? Você obterá as respostas para todas estas perguntas
nesta unidade.

Reflita sobre a importância de se conhecer a estrutura do átomo, de acordo com o autor John
Explor

B. Russell:
“Por que é importante conhecer a estrutura de um átomo? Um dos temas
em química é a interrelação entre a estrutura e as propriedades da matéria.
O comportamento físico e químico da matéria depende da maneira pela
qual os átomos interagem e esta, por sua vez, depende de sua estrutura
(RUSSELL, 1994, p. 206) ”.

Modelos Atômicos – Breve Histórico


Desde a Antiguidade, vários filósofos já cogitavam a existência de pequenas
partículas elementares que poderiam formar a matéria. Os primeiros pensadores
que refletiram sobre a possível existência de tais partículas foram Leucipo e
Demócrito. Leucipo foi o primeiro a propor que a matéria era constituída de
partículas indivisíveis, as quais chamou de átomos (SOUZA, 2017).

A palavra átomo é de origem grega e significa “indivisível” (a=não e tomo=divisão). Hoje


Explor

em dia, esse significado já está bastante ultrapassado, no entanto a palavra ainda continua
em uso.

Porém, nos séculos XVII e XVIII, os estudos em química ganharam mais for-
ça, principalmente devido a muitas informações obtidas experimentalmente (RUS-
SELL, 1984). A proposição de leis como a de conservação da massa, lei da com-
posição definida e lei das proporções múltiplas simples contribuíram para dar ainda
mais profundidade a estes estudos, culminando com a criação, no século XIX, da
teoria atômica, considerada o ponto inicial da Química que é estudada atualmente
(FIOROTTO, 2014).

Estudaremos, agora, os principais modelos atômicos que surgiram a partir do


século XIX.

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O átomo de Dalton
John Dalton, em 1803, retomando a ideia de antigos pensadores gregos e, a
partir de experiências desenvolvidas por ele mesmo e por outros cientistas, formu-
lou a teoria atômica de Dalton, baseada nas seguintes hipóteses (RUSSELL, 1994;
FIOROTTO, 2014):
a) Toda e qualquer porção de matéria é constituída por partículas fundamentais,
os chamados átomos;
b) Átomos são partículas indivisíveis, maciças, esféricas (assemelhando-se a
bolas de bilhar) e permanentes, não podendo ser criadas e nem destruídas;
c) Todos os elementos são formados por átomos idênticos, com as mesmas pro-
priedades. Átomos de diferentes elementos possuem diferentes propriedades;
d) Reações químicas ocorrem mediante combinações, separações e rearranjo
de átomos, o que possibilita a formação de todos os materiais presentes
na natureza;
e) A combinação de átomos de dois ou mais elementos, considerando uma
proporção fixa, dá origem aos compostos químicos.

Você Sabia? Importante!

John Dalton foi um grande cientista, que além da proposição de sua teoria atômica, tam-
bém foi responsável por outras grandes contribuições científicas, como, por exemplo (DIAS,
2017): introdução do conceito de massa atômica, formulação da Lei de Dalton (lei das
pressões parciais dos gases) e descobrimento da deficiência visual chamada daltonismo.

Ao longo do século XIX, conforme foram surgindo estudos e experimentos


de eletrólise, descargas elétricas em gases rarefeitos e radioatividade, a ideia de
estrutura maciça e indivisível do átomo começou a ser derrubada, como mostra o
modelo atômico apresentado a seguir.

Modelo atômico de Thomson


Joseph John Thomson foi um físico inglês que, ao final do século XIX, propôs um
novo modelo para a estrutura atômica, derrubando alguns conceitos apresentados
pelo modelo de Dalton. O físico realizou várias experiências com tubos de raios
catódicos e, a partir de suas conclusões e de outros experimentos realizados por
outros cientistas, pode comprovar a existência de partículas com cargas elétricas
(elétrons) nos átomos.

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UNIDADE O Átomo: Estrutura Atômica, Camadas e Orbitais

O modelo de Thomson afirmava, principalmente, o seguinte:


• Assim como Dalton, ainda afirmava que o átomo teria a forma de uma esfera,
no entanto não seria maciça como uma bola de bilhar. Thomson acreditava
que o átomo teria o aspecto de um “pudim com passas”, no qual as passas
representariam os elétrons e o pudim seria formado por cargas positivas;
• Considerava o átomo neutro. Logo, se houvesse então partículas de carga ne-
gativa (elétrons), também existiriam partículas de carga positiva (prótons), para
que a neutralidade do átomo fosse garantida;
• Os elétrons não se encontram presos ao átomo, podendo ser transferidos de
um átomo para outro;
• Os elétrons estão distribuídos de forma uniforme no átomo, se repelindo
mutuamente.

O modelo de Thomson, no entanto, prevaleceu durante pouco tempo, devido às


experiências do cientista Ernest Rutherford, que propôs uma nova estrutura atômica.

Modelo atômico de Rutherford


Em seu modelo atômico, conhecido como modelo “sistema solar”, Rutherford
afirmava que o átomo era constituído por um núcleo central (de carga positiva) e
uma eletrosfera (formada por elétrons, de carga negativa). Neste caso, o sol repre-
sentaria o núcleo, e os planetas os elétrons. Rutherford chegou a esta conclusão
por meio de um experimento, que será brevemente explicado adiante.

A experiência de Rutherford
Para realização do experimento, Ernest Rutherford utilizou, principalmente, os
seguintes materiais (FIOROTTO, 2014):
• Lâmina de ouro muito fina (espessura = 0,0004 milímetros);
• Polônio (material radioativo, emissor espontâneo de partículas de radiação alfa);
• Bloco de chumbo com um orifício;
• Anteparo de sulfeto de zinco (material fluorescente), que rodeava a lâmina de
ouro, com um pequeno espaço para a radiação passar.

A Figura 1 representa o esquema proposto por Rutherford para realização de


seu experimento.

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Figura 1 – Desenho esquemático da experiência de Rutherford

Durante o experimento, Rutherford verificou que a grande maioria das partículas


de radiação emitidas pela amostra de polônio não sofria desvio ao atravessar a
lâmina de ouro, o que significava que o átomo possuía muitos espaços vazios. Ou
seja, se o átomo fosse maciço e indivisível, como proposto por Dalton, ou mesmo
seguisse o modelo de “pudim de passas” de Thomson, as partículas sofreriam
desvio ou até mesmo seriam repelidas.

Poucas partículas sofreram desvio, significando que passavam próximas a


uma região de carga positiva (núcleo), muito pequena comparado à eletrosfera.
E, finalmente, pouquíssimas partículas de radiação alfa foram repelidas, ou seja,
se chocaram diretamente com o núcleo do átomo, comprovando, novamente, a
pequenez do núcleo em relação à nuvem de elétron que o circundava (eletrosfera).

Após a experiência, o cientista constatou que o átomo é formado por duas partes
principais: o núcleo (onde estão as cargas positivas e no qual está concentrada toda
a massa do átomo) e a eletrosfera, que consiste em uma nuvem de elétrons que
giram em órbitas circulares ao redor do núcleo (FIOROTTO, 2014).

Rutherford, no entanto, observou que os prótons, por si só, não poderiam conter
toda a massa do átomo. Isto foi resolvido com a descoberta do nêutron, por J.
Chadwick, partícula subatômica que possuía a mesma massa de um próton, porém
não tinha carga elétrica (RUSSELL, 1994). Logo, concluiu-se que o núcleo de um
átomo era formado por prótons e nêutrons, com a exceção de alguns isótopos
de hidrogênio, que contêm apenas um próton e nenhum nêutron. Veremos o
significado de isótopo logo adiante nesta unidade.

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UNIDADE O Átomo: Estrutura Atômica, Camadas e Orbitais

No entanto, o modelo de Rutherford apresentava um problema. Se os elétrons


giravam constantemente ao redor do núcleo, isso significava que estariam perdendo
também energia, devido ao movimento. Chegaria a um ponto no qual não teriam
mais energia e cairiam. Como, então, não caíam no núcleo? Como o átomo
continuava estável? Hipóteses foram feitas, mais tarde, pelo cientista Niels Bohr.

A contribuição de Bohr
Bohr propôs algumas hipóteses que poderiam explicar as lacunas no modelo
atômico de Rutherford. Segundo Bohr, os elétrons giravam em determinadas órbi-
tas de energia, nas quais não perdiam e nem recebiam energia. Cada uma dessas
órbitas possui um determinado nível de energia. Se recebessem energia, saltariam
para uma camada mais externa. Ao contrário, se perdessem energia, voltariam
para uma camada mais interna. Essa energia liberada ou absorvida foi chamada de
quantum de radiação e, alguns anos mais tarde, de fóton (FIOROTTO, 2014).

É de Bohr a proposição de sete camadas eletrônicas possíveis. Quanto maior a


energia do elétron, mais distante esse estará do núcleo. As sete camadas eletrônicas
são as seguintes: K, L, M, N, O, P e Q. Cada uma comporta um determinado
número de elétrons e representa um nível de energia, que vai do 1º ao 7º, como
mostra a Tabela 1, a seguir. Estes números foram obtidos através de experimentos
científicos, mas a teoria já os havia previsto.

Tabela 1 – Quantidade máxima de elétrons comportada por cada camada eletrônica


Nível Camada Número de elétrons
1º K 2
2º L 8
3º M 18
4º N 32
5º O 32
6º P 18
7º Q 2
Fonte: (FIOROTTO, 2014)

Atualmente, o modelo moderno de estrutura atômica admite a existência de


um núcleo, composto por prótons e nêutrons (com exceção de alguns isótopos
do hidrogênio) e de uma eletrosfera, composta por elétrons, girando em torno
do núcleo em diferentes níveis de energia. Porém, conforme avança o progresso
científico, outras partículas subatômicas também foram descobertas, como pósitron,
neutrino, méson mu, entre outras, com massa ainda menor que o próton. No
entanto, não trataremos dessas partículas nessa unidade. Para saber mais, consulte
livros e artigos sobre Física ou Química Quântica.

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Configuração Eletrônica
Já sabemos que os elétrons se distribuem em diferentes camadas ou níveis de
energia ao redor do núcleo de um átomo, e também quantos elétrons cada uma
dessas camadas comporta. Porém, cada uma dessas camadas se divide em outras
subcamadas ou subníveis de energia, representados pelas letras s, p, d e f. O
número máximo de elétrons comportado por cada subcamada pode ser visto na
Tabela 2.

Tabela 2 – Quantidade máxima de elétrons comportada por cada subcamada eletrônica


Subnível Número de elétrons
s 2
p 6
d 10
f 14
Fonte: (FIOROTTO, 2014)

Cada uma das subcamadas é formada por uma quantidade de orbitais, que são
as regiões na eletrosfera do átomo onde há a maior possibilidade de se encontrar
elétrons. Cada orbital pode conter, no máximo, dois elétrons. Os elétrons, dentro de
um orbital, possuem duas possibilidades, os chamados spins, que ficam alinhados no
mesmo sentido ou no sentido oposto quando submetidos a um campo magnético.
Quando há dois elétrons em um orbital, seus spins são, obrigatoriamente, contrários.
A representação de um orbital é feita, geralmente, com um quadrado simples, e os
elétrons com setas, como mostra a ilustração a seguir (Figura 2). Os subníveis s, p,
d e f possuem 1, 3, 4 e 7 orbitais cada um, respectivamente.

s p d

f
Figura 2 – Subníveis e alguns de seus orbitais ocupados por elétrons

No caso da Figura 2, podemos observar que o átomo do elemento químico em


questão possui 13 elétrons. Dependendo do número de elétrons do átomo, nem
todos os orbitais serão ocupados.

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UNIDADE O Átomo: Estrutura Atômica, Camadas e Orbitais

Dependendo do número máximo de elétrons comportado, um nível pode apre-


sentar diferentes subníveis. Por exemplo, no primeiro nível de energia cabem, no
máximo, dois elétrons. Logo, existirá apenas o subnível s neste nível, identificado
por 1s. Já o quarto nível, por exemplo, é capaz de comportar 32 elétrons, ou seja,
os subníveis s, p, f e d poderão existir, neste caso, representados por 4s, 4p, 4d e 4f.

Distribuição eletrônica
O cientista Linus Pauling propôs um diagrama que coloca todos os subníveis
vistos até o momento em ordem crescente de energia. Ele deve ser lido na diagonal,
para que a regra de ordem crescente de energia seja cumprida. Este diagrama pode
ser visto na Figura 3. O diagrama deve ser lido da direita para a esquerda, seguindo
a direção das setas diagonais.

K 1s2
L 2s2 2p6
M 3s2 3p6 3d10
N 4s2 4p6 4d10 4f14
O 5s2 5p6 5d10 5f14
P 6s2 6p6 6d10
Q 7s2
Figura 3 – Diagrama de Linus Pauling

A ordem crescente dos subníveis de energia é: 1s2, 2s2, 2p6, 3s2, 3p6, 4s2, 3d10,
4p6, 5s2, 4d10, 5p6, 6s2, 4f14, 5d10, 6p6, 7s2, 5f14, 6d10. Ou seja, o subnível de maior
energia é o 6d10, e o de menor 1s2, lembrando que o expoente de cada subnível
equivale à quantidade máxima de elétrons que ele comporta.

Mas, e como realizar a distribuição eletrônica de um átomo? Bom, para isso, você
precisará saber quantos elétrons existem no átomo e, depois, utilizar o diagrama de
Linus Pauling. Vamos praticar um pouco esse assunto?

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Vamos utilizar três exemplos.
1. Um átomo de magnésio que possui 12 elétrons. Sua distribuição eletrônica
será: 1s2 2s2 2p6 3s2, pois somando todos os expoentes, obteremos 12.
A partir da distribuição eletrônica de um átomo de um elemento químico,
podemos descobrir várias características do mesmo, que veremos com
mais detalhes nas unidades seguintes.
2. E um átomo de flúor com 9 elétrons? Sua distribuição será: 1s2 2s2 2p5.
3. E ser for um átomo de silício, com 14 elétrons? Agora é com você! Faça
essa distribuição eletrônica e depois confira com seus colegas nos fóruns
de discussão desta disciplina.

Regra do octeto (regra da estabilidade)


Para obedecer a esta regra, os átomos devem se ligar uns aos outros, por meio
de ligações químicas, para que possam atingir oito elétrons em sua camada de va-
lência. No entanto, ainda não aprendemos o que é camada de valência, vamos lá?

A camada de valência é a última camada presente na distribuição eletrônica de


um átomo. Vamos utilizar o átomo de magnésio como exemplo. Supondo que ele
possua 12 elétrons, 2 deles estão em sua última camada, M (3º nível – 3s2). Esta é
a camada de valência do magnésio. Na sua opinião, para atingir a regra do octeto,
o que gastaria mais energia: receber 6 elétrons ou doar 2 elétrons? Com certeza
doar, certo? Logo, átomos de magnésio se ligarão com mais facilidade a outros
átomos de elementos que tendam a receber elétrons.

Vamos pensar agora em um átomo do elemento enxofre. Suponha que este


átomo possua 16 elétrons. Sua distribuição eletrônica será: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p4.
Note que, neste caso, a última camada também é a M, porém o número de elétrons
nesta é igual a 6 (2 do subnível s + 4 do subnível p). Neste caso, para o enxofre,
ficaria mais fácil receber dois elétrons, não é mesmo? Logo a ligação entre magnésio
e enxofre torna-se possível, pois os dois serão capazes de ligar-se entre si e atingir
a regra do octeto, formando o composto sulfeto de magnésio (MgS).

Informações mais detalhadas sobre ligações químicas serão apresentadas em


unidade futuras.

Após a descoberta de partículas subatômicas (prótons, nêutrons e elétrons),


novos conceitos surgiram para a Química. Veremos alguns dos mais importantes
a seguir.

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UNIDADE O Átomo: Estrutura Atômica, Camadas e Orbitais

Conceitos Importantes
sobre Partículas Subatômicas
Antes de prosseguirmos com nossos estudos, observe a Figura 4. A letra X
representa um elemento químico qualquer.

X X
A A

Z
ou Z
Figura 4 – Representações esquemáticas de número atômico e de massa para o elemento X

A partir da ilustração acima, é possível observar a identificação de duas outras


letras, Z e A. Vamos aprender as informações que elas passam sobre o elemento?

Número atômico (Z)


O número atômico de um elemento químico geralmente encontra-se na parte
superior à esquerda, ou às vezes à direita do elemento, como mostra o esquema
da Figura 4. É possível encontrar o número atômico de cada elemento na Tabela
Periódica. É representado pela letra Z e equivale ao número de prótons de cada
átomo de um elemento químico, caso este átomo seja eletricamente neutro, ou
seja, não possua carga elétrica positiva (prótons – p) ou negativa (elétrons – e-).
Neste caso, em um átomo neutro, o número de prótons é igual ao número de
elétrons, conforme a Equação 1:

Z= pp=
Z= = ee
Um átomo eletricamente neutro de sódio, por exemplo, possui 11 prótons e 11
elétrons, pois seu número atômico é igual a 11.

Número de massa (A)


O número de massa do átomo de um elemento é identificado pela letra A e
representa a soma do número atômico (Z) com o número de nêutrons (n), como
descreve a Equação 2:

A= p + n

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O número de massa é sempre um número inteiro e positivo. É importante
ressaltar que o número de massa e a massa atômica não significam a mesma coisa.

Vamos refletir se aprendemos bem os significados de números atômicos e de


massa? Suponha que o átomo de um elemento X, estável, tenha 25 prótons e
número de massa igual a 55. Quais seriam então, respectivamente, os números
atômicos, de elétrons e de nêutrons presentes neste átomo?

Bom, primeiramente, aprendemos que o número de prótons em um núcleo de


um átomo é igual a seu número atômico. Logo, seu número atômico é igual a 25
(Z = 25). Por ser um átomo eletricamente neutro e estável, o número de prótons é
igual ao número de elétrons, logo, e– = 25. Se seu número de massa é igual a 55
(A = 55), então o número de nêutrons presentes no átomo é igual a 30 (n = A - p).

Mas, e se o átomo não for eletricamente neutro? E se ele tiver cargas negativas
ou positivas? Observe a Figura 5.

X X
A -q A +q

Z
ou Z
Figura 5 – Átomos eletricamente carregados

A letra “q” indica o número de elétrons que foi liberado ou adquirido pelo átomo
(1, 2, 3, etc.). Quando ocorre um destes fenômenos, o átomo passa a ser chamado
de íon. Se um átomo “perde” um elétron, diz-se que ele ficou positivamente
carregado, por isso o símbolo “+q”, e pode ser chamado de cátion. Por outro
lado, se o átomo “ganha” um elétron, diz-se que ele passou a estar negativamente
carregado, utilizando-se o símbolo “-q”, passando a ser chamado de ânion.

Vamos utilizar nosso exemplo anterior para explicar como a perda ou o ganho
de um elétron influenciará na configuração eletrônica. Suponha que o átomo em
questão (p = 25 e A = 55) perdeu dois elétrons, de acordo com a representação
da Figura 6. Se o átomo “perdeu” dois elétrons, significa que está carregado
positivamente e se tornou um cátion.

X
A +2

Z
Figura 6 – Representação de um cátion de um dos átomos do elemento X

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UNIDADE O Átomo: Estrutura Atômica, Camadas e Orbitais

Seu número atômico (Z) continua sendo igual a 25, pois o número de prótons
não mudou. O número de nêutrons também não muda (n = 30), pois a carga não
influencia no número de massa do átomo (A = 55). A única mudança será no
número de elétrons, que antes era igual a 25 e agora será igual a 23. O símbolo
“+” significa “perda” de elétrons e o “-”, “ganho”. Cuidado para não se confundir!

Você se lembra que um elemento químico é formado por um conjunto de átomos,


certo? Mas o que existe em comum entre estes átomos? O que difere um elemento
químico de outro? Vamos descobrir!

Isótopos
São átomos que possuem o mesmo número de prótons (consequentemente, o
mesmo número atômico). Ocorre somente em átomos de um mesmo elemento
químico. Átomos isótopos possuem diferentes números de nêutrons, o que afeta
também seu número de massa, que será diferente em cada um.

Isóbaros
Átomos isóbaros apresentam o mesmo número de massa. Isso só é possível em
átomos de diferentes elementos químicos. Por exemplo, um átomo de flúor e um
átomo de cloro podem ter o mesmo número de massa, porém nunca o mesmo
número atômico.

Isótonos
É outra característica que só ocorre com átomos de diferentes elementos
químicos. Neste caso, os átomos possuem o mesmo número de nêutrons, variando
o número de massa.

Outros Conceitos Importantes


Massa atômica e massa molecular
Veremos, agora, a diferença entre número de massa e massa atômica. O núme-
ro de massa é sempre inteiro e positivo, estando ligado a partículas subatômicas.
Já a massa atômica é uma média ponderada entre todos os isótopos de um de-
terminado elemento químico. Como se trata de uma média, dificilmente será um
número inteiro.

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De modo a definir uma unidade de massa atômica (u), as massas atômicas dos
elementos mostradas na Tabela Periódica são baseadas em um valor atribuído aos
isótopos de carbono, valor este igual a 12. Logo, definiu-se a unidade “u” como a
massa de 1/12 de um átomo de carbono (MATOS, 2013).

A massa molecular, por outro lado, é a soma da massa de todos os átomos


que compõem uma molécula de determinada substância. Deste modo, também
é medida em unidades de massa atômica (u). Quando o composto é formado por
ligações iônicas (ligações entre íons), como o NaCl (Na+ e Cl-), o termo mais
adequado é massa fórmula, pois o composto não é formado por moléculas, e
sim por íons. No entanto, como forma de simplificação, vamos utilizar apenas a
nomenclatura massa molecular nesta unidade.

Quantidade de matéria
Este é um conceito bastante importante em Química. A quantidade de matéria é
uma grandeza que mede a quantidade de entidades químicas elementares presente
em uma determinada amostra. Essas entidades podem ser: átomos, moléculas,
elétrons, prótons, partículas, etc. A unidade de medida da quantidade de matéria é
o mol. Para que possamos discutir um pouco melhor sobre quantidade de matéria,
vamos aprender também o conceito de massa molar.

Massa molar
Massa molar nada mais é que a razão entre a massa de uma substância e a
quantidade de matéria (mols) presente nesta, conforme a Equação 3:

massa da substância (em g, kg, lb, etc.)


massa molar =
quantidade de matéria (mols)

Logo, dividindo-se a massa molecular de uma substância por 1, você é capaz de


obter a massa molar dessa substância. Por exemplo: a massa atômica do oxigênio é
igual a 16 u. Quando estamos fazendo cálculos estequiométricos como este, pode-
se considerar que 1u = 1g. Logo, teremos 16 g de O. Tratando-se do gás oxigênio
(O2), temos 16 + 16 = 32 g. A massa molar do oxigênio será sua massa molecular
(32 g) dividida por 1, o que dará 32 g/mol. Ou seja, há um 1 mol de moléculas de
O2 em 32 g.

É importante manter esses conceitos em mente, pois precisaremos deles para


realizar cálculos em unidades futuras deste curso.

Bons estudos!

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UNIDADE O Átomo: Estrutura Atômica, Camadas e Orbitais

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

  Sites
Átomo
https://goo.gl/DzsdVW
Evolução dos modelos atômicos
https://goo.gl/VvlRcK

 Vídeos
Estrutura atômica
https://goo.gl/l6bTBU

 Leitura
Estrutura atômica
https://goo.gl/ZCiXqT

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Referências
DIAS, D. L. Teoria atômica de Dalton. Brasil Escola. Disponível em <http://
brasilescola.uol.com.br/quimica/teoria-atomica-dalton.htm>. Acesso em 28 de
setembro de 2017.

FIOROTTO, N. R. Química: estrutura e estequiometria. 1ª. ed. São Paulo: Érica,


2014. 120 p.

MATOS, R. M. Noções básicas de cálculo estequiométrico. Campinas: Átomo,


2013. 104 p.

RUSSELL, J. B. Química geral. 2ª edição, v.1. São Paulo: Makron Books, 1994.

SOUZA, L. A. de. Leucipo e Demócrito - Filosofando sobre átomos. Disponível


em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/leucipo-democritofilosofan-
do-sobre-atomos.htm>. Acesso em: 28 set. 2017.

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