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1ª FASE - MODULAR MATUTINO

Disciplina: Ética Profissional


Prof.: Marco Antonio
Data: 06/10/2008

TEMAS TRATADOS EM SALA

1. Órgãos da OAB
- Conselho federal
- Conselho seccional – órgão estadual, também chamado secção;
- Subseção – por região;
- CAA – caixa de assistência aos advogados – órgão social da OAB. Está ligada ao estado, é um
órgão autônomo, tem personalidade jurídica própria e está ligada ao conselho seccional.
- Exame de ordem – Art. 8º, LV da Lei 8.906/94
- o responsável pela aplicação do exame de ordem é o conselho seccional, portanto a
competência é estadual.
- Diretriz: quem dá as diretrizes mínimas para o exame de ordem é o conselho federal. O
conselho federal determina que o exame de ordem, deverá ter 2 fases:
• 1ª - que seja de conhecimentos gerais e prova objetiva – ética profissional (com
conteúdo mínimo determinado e obrigatoriamente 10% da prova) é a única matéria
obrigatória, as demais matérias são facultativas. Aprovação com 50% de acerto das
questões válidas.
• 2ª – dessa fase participa somente quem acertou 50% das questões válidas da 1ª fase;
essa fase é de conhecimentos específicos e prova subjetiva.
*conhecimentos específicos: mínimo 4 opções - civil, penal, tributário e trabalho/facultativo aos
estados as matérias: administrativo e empresarial.
* embora não conste no edital, poderá cair ética profissional na 2ª fase.

Lei 8.906/94 – Estatuto da advocacia e ordem dos advogados.


Divide-se em 3:
- EAOAB – Estatuto de advocacia da ordem dos advogados do Brasil (80 artigos)
- CED – Código de Ética e Disciplina dos advogados do Brasil
- RGEAOAB – Regulamento geral e estatuto de advocacia e ordem dos advogados do Brasil.
(180 artigos). Tem tido grande incidência em exames da ordem.

Ementas do TED(Tribunal de Ética e Disciplina): conteúdo que poderá ser cobrado em prova.
- o TED é órgão que pertence ao conselho seccional. Possui 3 funções principais:
1) julgar processo disciplinar( o resultado desse julgamento vira ementa);
2) responder às consultas dos advogados orientando-os (o resultado da orientação vira
ementa);
3) conciliar os conflitos que envolvam advogados (se não conciliar, julga processo disciplinar).

2. Publicidade
- É possível fazer publicidade em advocacia desde que tenha moderação e discrição, não
obedecendo a tais requisitos, não estará autorizada.

PODE NÃO PODE DEVE


- jornal, revistas e periódicos - foto (advogado, escritório) - nome completo do
- títulos acadêmicos - cargos ocupados advogado e número da
- áreas de atuação - preço e forma de inscrição na OAB
- endereço, telefone, email e pagamento - se sociedade, nome da
site - lista de clientes e lista de sociedade e inscrição da
ações sociedade na OAB

Tudo o que é proibido no campo real, é também proibido para o campo virtual (sites).
* Ementas TED: adesivo na lataria do carro é proibido. Carro de som é proibido. Camiseta de
futebol, proibida. Outdoor é proibido, viola a moderação. É proibido associar advocacia com
qualquer outra atividade, baseado no princípio da exclusividade.
2.1. Mala direta

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- É permitida para quem já é cliente do escritório, proibida/vedada a utilização para não


clientes e clientes em potencial.

2.2. Advogado na mídia


- Poderá expor-se na mídia (programas de TV, coluna em jornal, rádio), porém, não poderá:
1) tratar de caso sob seu patrocínio;
2) tratar de caso sob patrocínio de terceiros (debate jurídico);
3) dar consultas (fere a pessoalidade);

O advogado poderá ser processado de ofício (verificada a infração disciplinar) ou por


provocação.
A atuação do advogado na mídia deve ser de forma genérica, eventual (nunca com
habitualidade) e educativa.

3. Direitos dos advogados


- Art. 7º, EAOAB - prerrogativas

Adin 1127-8 STF – julgada parcialmente procedente, revogou algumas partes do EAOAB.
Vejamos:
- Art. 7º - direitos dos advogados, um dos artigos mais alterados.
Lei 11.767/08 – alterou o art. 7º, II.
- Art. 133, CF
- Inviolabilidade do advogado: garantia do sigilo profissional e a liberdade de defesa.
Essa inviolabilidade abrange o local de trabalho (escritório, casa, jurídico de um banco etc.),
arquivos (físicos e digitais – computador, celular, arquivos etc.) e dados. São invioláveis as
comunicações e correspondências (telemáticas, eletrônicas etc.).
Requisitos para quebra da inviolabilidade:
• Medida judicial (mandado de busca e apreensão/mandado de interceptação de
comunicações);
• Acompanhamento de representante da oab (julgada constitucional pelo STF na Adin
1127/-8);
A lei exige presença de indícios de que o advogado esteja envolvido em prática criminal para a
concessão dos mandados. As provas colhidas só poderão ser usadas contra o advogado e não
contra qualquer cliente.
Lei 11.767/08 – Art. 1º

- Art. 7º, IV – EA
Direito do advogado ter representante da OAB quando preso em flagrante, por motivo ligado a
advocacia, sob pena de nulidade do APF. Nos demais casos, basta a comunicação ao Conselho
Seccional da OAB. Na íntegra julgado constitucional pelo STF.

- Art, 7º, V – EA
Prisão do advogado. Trecho: “assim reconhecidas pelas OAB” – inconstitucional.
* sala de estado maior: sala de marinha, exército ou aeronáutica,com instalações condignas e
na falta, cumprirá prisão domiciliar.

- Art. 7º, IX – EA
Regra de julgamento. Julgado inconstitucional pelo STF, portanto, a sustentação oral será
antes do voto do relator como dispõe o CPC.

- Art. 7º, XIV – EA


É direito do advogado: examinar autos de inquérito ou auto de prisão em flagrante, mesmo que
sem procuração, ainda que conclusos à autoridade, findos ou em andamento, podendo tirar
cópias ou tomar apontamentos.

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- Art. 7º, XX – EA
O advogado poderá retirar-se do local onde havia sido marcado ato judicial, mediante atraso
superior a 30 minutos da autoridade que iria presidi-lo. Deverá protocolizar petição para a
comprovação de sua presença e do atraso.

- Art. 7º, §2º - EA


Imunidade profissional do advogado:
CRIME ANTES DO EA DEPOIS DO EA ADIN
- difamação - crime - imunidade - imunidade
(não responde)
- injúria - crime - imunidade - imunidade
(não responde)
- desacato - crime - imunidade - STF tirou a
(não resp.) --------- imunidade – é
- calúnia - crime - CRIME CRIME

- tergiversação - crime - CRIME


(patrocínio infiel)

• Desacato estadual: Lei 9.099/95


• Desacato federal: Lei 10.259/01
Não cabe prisão em flagrante por conta do desacato.

LEGISLAÇÃO SOBRE O TEMA:

Lei 8.906/94:
Art. 7º São direitos do advogado:
Art. 7º São direitos do advogado:
I - exercer, com liberdade, a profissão em todo o território nacional;
II - ter respeitada, em nome da liberdade de defesa e do sigilo profissional, a inviolabilidade de
seu escritório ou local de trabalho, de seus arquivos e dados, de sua correspondência e de suas
comunicações, inclusive telefônicas ou afins, salvo caso de busca ou apreensão determinada
por magistrado e acompanhada de representante da OAB;
III - comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração,
quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares,
ainda que considerados incomunicáveis;
IV - ter a presença de representante da OAB, quando preso em flagrante, por motivo ligado ao
exercício da advocacia, para lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade e, nos demais
casos, a comunicação expressa à seccional da OAB;
V - não ser recolhido preso, antes de sentença transitada em julgado, senão em sala de Estado
Maior, com instalações e comodidades condignas, assim reconhecidas pela OAB, e, na sua falta,
em prisão domiciliar;
VI - ingressar livremente:
a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos que separam a parte
reservada aos magistrados;
b) nas salas e dependências de audiências, secretarias, cartórios, ofícios de justiça, serviços
notariais e de registro, e, no caso de delegacias e prisões, mesmo fora da hora de expediente e
independentemente da presença de seus titulares;
c) em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial ou outro serviço público
onde o advogado deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício da atividade
profissional, dentro do expediente ou fora dele, e ser atendido, desde que se ache presente
qualquer servidor ou empregado;
d) em qualquer assembléia ou reunião de que participe ou possa participar o seu cliente, ou
perante a qual este deva comparecer, desde que munido de poderes especiais;

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VII - permanecer sentado ou em pé e retirar-se de quaisquer locais indicados no inciso anterior,


independentemente de licença;
VIII - dirigir-se diretamente aos magistrados nas salas e gabinetes de trabalho,
independentemente de horário previamente marcado ou outra condição, observando-se a
ordem de chegada;
IX - sustentar oralmente as razões de qualquer recurso ou processo, nas sessões de
julgamento, após o voto do relator, em instância judicial ou administrativa, pelo prazo de
quinze minutos, salvo se prazo maior for
concedido;
X - usar da palavra, pela ordem, em qualquer juízo ou tribunal, mediante intervenção sumária,
para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, documentos ou afirmações que
influam no julgamento, bem como para replicar acusação ou censura que lhe forem feitas;
XI - reclamar, verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tribunal ou autoridade,
contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento;
XII - falar, sentado ou em pé, em juízo, tribunal ou órgão de deliberação coletiva da
Administração Pública ou do Poder Legislativo;
XIII - examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração
Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração,
quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar
apontamentos;
XIV - examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem procuração, autos de flagrante e
de inquérito, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças
e tomar apontamentos;
...
XX - retirar-se do recinto onde se encontre aguardando pregão para ato judicial, após trinta
minutos do horário designado e ao qual ainda não tenha comparecido a autoridade que deva
presidir a ele, mediante comunicação protocolizada em juízo.
...
§ 2º O advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria, difamação ou desacato
puníveis qualquer manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade, em juízo ou fora
dele, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB, pelos excessos que cometer.

Constituição Federal:
Art. 133. O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus
atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.

QUESTÕES SOBRE O TEMA

1. (OAB/CESPE – 2007.3) Assinale a única opção que não representa direito dos
advogados.
a) O livre ingresso nas salas de sessões, mesmo além dos cancelos que separam a parte
reservada aos magistrados.
b) A comunicação com clientes presos, mesmo sem procuração.
c) A possibilidade de realização de sustentação oral por no mínimo quinze minutos em recursos
após o voto do relator.
d) Deixar de realizar audiência judicial na hipótese de o juiz se atrasar por mais de 30 minutos,
mediante comunicação protocolizada em juízo.

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2. (OAB/CESPE – 2007.3.SP) Dr. Cláudio, advogado, compareceu com seu cliente para
a audiência designada pelo juízo, a primeira do dia, no horário correto, às 13 h. Ficou
aguardando, pacientemente, por mais de 30 min, tendo tido a notícia de que o
magistrado sequer havia chegado ao fórum. Nessa situação, o advogado, de acordo
com o Estatuto da Advocacia, em especial, no que se refere às prerrogativas
profissionais, teria o direito de retirar-se, desde que comunicasse,
a) verbalmente, o responsável pelo pregão de que iria embora com seu cliente.
b) verbalmente, à escrivã, na sala de audiências, que iria embora em virtude da ausência do
juiz.
c) por escrito, a razão de sua retirada, entregando o documento, em mãos, à escrivã, na sala
de audiência.
d) por escrito, a razão de sua retirada, protocolando o documento no setor competente.

3. (OAB/CESPE – 2007.3.SP) Considere-se que João, procurador municipal,


concursado, tenha recebido determinação de seu superior hierárquico para adotar
determinada tese jurídica da qual ele, João, discordasse por atentar contra a
legislação vigente e jurisprudência consolidada, inclusive, tendo João emitido sua
opinião, anteriormente, em processos e artigos doutrinários de sua lavra, sobre o
mesmo tema. Nessa situação, João poderia ter recusado tal determinação?
a) Sim, lastreado em sua liberdade e independência e, também, porque a adoção da
mencionada tese jurídica afrontaria posicionamento anterior seu.
b) Não, porque, sendo detentor de cargo público, ele teria o dever de atender aos interesses
maiores da administração pública.
c) Não, pois o conceito de liberdade e independência é exclusivo aos advogados particulares,
que podem, ou não, aceitar uma causa.
d) Sim, visto que inexiste hierarquia entre procuradores municipais concursados.

GABARITO: 1. C; 2. D; 3. A.

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