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1ª FASE MÓDULO II - MANHÃ

Disciplina: Direito Penal


Prof.: Patrícia Vanzolini
Data: 30/10/2008 - Aula: 2

TEMAS TRATADOS EM SALA

1. Fato típico
- Conduta
- Resultado
- Nexo causal
- Tipicidade
- Erro de tipo
- Crime tentado

1.1.Conduta:
- Definição
Conduta: toda ação ou omissão humana, voluntária e consciente, tendente a um fim (Teoria Finalista
de Welzel).
- Pessoa Jurídica
A responsabilidade penal de pessoa jurídica só é admitida em crime ambiental – Lei 9.605/98 e art.
225,CF. O STJ, no entanto, só admite a responsabilidade de pessoa jurídica, se houver também, a
responsabilidade de pessoa física.
- Não é conduta, a ação ou omissão involuntária.
 Causas de exclusão da conduta:
a) atos reflexos: movimentos involuntários, não são conduta.
b) coação física irresistível: o coator utiliza o corpo do coagido como um objeto inanimado, sem levar
em conta a sua vontade. (na coação moral, o coator vicia a vontade do coagido – exclui a
culpabilidade)

- Formas de conduta: (classificação doutrinária dos crimes quanto à conduta).


a) Crimes comissivos (fazer)
- Aquele em que existe uma ação/atividade do agente. Exemplo: art. 121, CP.

b) Crimes omissivos (não fazer)


b.1) descrevem uma abstenção “deixar de”. Independem de resultado e se consumam no momento da
omissão.Ex.: matar alguém, manter conjunção carnal
- A omissão pode ser própria ou imprópria.
- Omissivo próprio/puros: a lei já prevê na Parte Especial, eles independem de resultado e se
consumam no momento da omissão. Os crimes omissão não admitem tentativa. Exs.: omissão de
socorro, crime de abandono material, crime de abandono intelectual, omissão de notificação de
doença.
- Omissivo impróprio/impuro/comissivo por omissão: não existe em abstrato no código penal. É uma
transformação do próprio crime comissivo. Para quem tem o dever de agir para impedir determinado
resultado, não impedindo equivale a causa-lo. São crimes naturalmente comissivos, mas que
excepcionalmente podem ser punidos a título de omissão, quando quem se omite tinha o dever de
agira para evita-los. Quem tem o dever de agira para evitar o resultado e não age, responde como se
o tivesse causado.

- O dever de agir incumbe a:


• quem, por lei, tem obrigação de cuidado, guarda ou proteção;
- Quem tem o dever de agir, é chamado de garante.
• quem de outra forma assumiu o dever de impedir o resultado (chamada de dever contratual, ex.:
escola, babá, enfermeira, etc.).
• quem, com seu comportamento anterior, produziu o risco da ocorrência do resultado.
- Em regra ele depende de resultado e só se consuma com a ocorrência daquele.
- Em regra admitem tentativa.

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2. RESULTADO

- Conceito: toda modificação ocasionada pela conduta.

- Classificação doutrinária dos crimes quanto ao resultado:

Crime material Crime formal Crime de mera conduta


- a lei prevê um resultado - a lei prevê um resultado - a lei não prevê qualquer
resultado
- exige que ele ocorra para o - não exige que ele ocorra
crime estar consumado para o crime estar ------------------------------
consumado
- se consuma com o resultado - se consuma com a conduta - se consuma com a conduta
Ex. violação de domicílio

Observação: Crime formal e crime de mera conduta podem admitir tentativa. (ex. se a conduta pode
ser fracionada em vários atos, a conduta poder ser iniciada e interrompida por vontade alheia à do
agente).

LEGISLAÇÃO SOBRE TEMAS

Código Penal

Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente
perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza
grave, e triplicada, se resulta a morte.
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si
ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma
coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como
condição ou preço do resgate: Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90
Pena - reclusão, de oito a quinze anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)
Art. 316 - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes
de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

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QUESTÕES SOBRE O TEMA

1. (OAB/CESPE – 2007.3) Alonso, com evidente intenção homicida, praticou conduta


compatível com a vontade de matar Betina. A partir dessa situação hipotética, assinale a
opção correta.
a) Caso Alonso interrompesse voluntariamente os atos de execução, caracterizar-se-ia desistência
voluntária, e ele só responderia pelos atos já praticados.
b) Caso Alonso utilizasse os meios que tinha ao seu alcance para atingir a vítima, mas não conseguisse
fazê-lo, ele só responderia por expor a vida de terceiro a perigo.
c) Caso Alonso fosse interrompido, durante os atos de execução, por circunstâncias alheias à sua
vontade, não chegando a fazer tudo que pretendia para consumar o crime, não se caracterizaria a
tentativa de homicídio, mas lesão corporal.
d) Caso Alonso não fosse interrompido e, após praticar tudo o que estava ao seu alcance para
consumar o crime, resolvesse impedir o resultado, obtendo êxito neste ato, caracterizar-se-ia o
arrependimento posterior, mas ficaria afastado o arrependimento eficaz.

2. (OAB/CESPE – 2007.2) É cabível o arrependimento posterior no crime de


a) roubo.
b) furto.
c) lesão corporal dolosa.
d) homicídio.

3. (OAB/CESPE – 2006.3) Considere-se que, depois de esgotar todos os meios disponíveis


para chegar à consumação da infração penal, o agente arrependa-se e atue em sentido
contrário, evitando a produção do resultado inicialmente por ele pretendido. Nessa hipótese,
configura-se
a) arrependimento eficaz.
b) desistência voluntária.
c) crime impossível.
d) arrependimento posterior.

GABARITO:
1. A; 2. B; 3. A.

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