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Matriz Insumo-Produto

Faculdade de Ciências Econômicas


Departamento de Ciências Econômicas
ECN 025 – Contabilidade Social
Professora Aline Souza Magalhaes
E-mail: alinesm@cedeplar.ufmg.br
1
O modelo de Insumo-Produto
 Análise de Insumo-Produto trata
do estudo das relações produtivas entre
os diferentes setores da economia

 Wassily Leontief (Nobel de 1973) é o


principal responsável pela organização,
formalização e aperfeiçoamento dos
primeiros estudos sobre as relações
intersetoriais

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O modelo de Insumo-Produto
 O modelo proposto por Leontief tem como ponto de
partida a descrição dos fluxos entre as diferentes
atividades econômicas

 Assim, a base de dados necessária deve mostrar a


relação dos setores econômicos entre si, com a
demanda final, a sua conta de renda e com as
importações

 Estes fluxos são descritos pela Tabela de


Transações
3
Tabela de transações
Demanda final
Atividades A1 A2 A3 A-n C G I X Importações Produção total
A1
A2
A3
A-n
Importações
Valor Adicionado
Produção total

 Identidades econômicas:
(i) Produção: consumo intermediário + demanda final
(ii) Produção: consumo intermediário + valor adicional

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Tabela de transações
Demanda final
Atividades A1 A2 A3 A-n C G I X Importações Produção total
A1
A2
A3
A-n
Importações
Valor Adicionado
Produção total

 Notação importante:
(i) Linhas: mostram o destino da produção (vendas)
(ii) Colunas: mostram o que é consumido (compras)

 O elemento Xij refere-se à produção no setor i que é destinada ao


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setor j
Matriz de coeficientes técnicos diretos
 Coeficiente técnico de produção é o valor
produzido no setor i e consumido pelo setor j necessário
à produção de uma unidade monetária no setor j

aij = Xij/Xj

Onde:
Xij é o valor produzido no setor i e consumido pelo
setor j
Xj é o valor produzido no setor j

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Matriz de coeficientes técnicos diretos
 Exemplo com 3 setores

 Algumas das relações da tabela de transações:

A1 A2 A3 Produção total
A1 12 0 38 83
A2 0 1 7 10
A3 11 2 138 396

Lembre-se:
colunas: insumos requeridos por um setor para sua produção (intermediários e primários)
linhas: distribuição do produto na economia (demanda intermediária e final)

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Matriz de coeficientes técnicos diretos
 Exemplo com 3 setores
A1 A2 A3 Produção total
A1 A11 = 12/83 A12=0/10 A13=38/396 83
A2 A21=0/83 A22=1/10 A23=7/396 10
A3 A31=11/83 A32=2/10 A33=138/396 396

 Matriz de coeficientes técnicos diretos:


A1 A2 A3 Produção total
A1 0.14 0.00 0.10 83
A2 0.00 0.10 0.02 10
A3 0.13 0.20 0.35 396
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Matriz de coeficientes técnicos diretos
A1 A2 A3 Produção total
A1 0.14 0.00 0.10 83
A2 0.00 0.10 0.02 10
A3 0.13 0.20 0.35 396

 Interpretação:

A13 = 0,10: para produzir 1 unidade monetária, o setor


3 precisa adquirir 0,10 unidade monetária em compras
do setor 1

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Matriz de Leontief
 A matriz A de coeficientes diretos mostra apenas os efeitos diretos
das compras de um setor sobre outro

 Por exemplo, para produzir automóveis, o setor automotivo


precisa comprar aço. A matriz A mostrará estes efeitos diretos
sobre o setor siderúrgico

 No entanto, existem efeitos indiretos: para atender a demanda do


setor automotivo, o setor siderúrgico irá demandar carvão
mineral. O setor minerador, por sua vez, irá demandar
eletricidade. O setor de eletricidade irá demandar aço, gerando
mais efeitos no setor de siderurgia. E assim por diante...

 A soma de todos estes efeitos diretos e indiretos é determinada


pela Matriz de Leontief
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Matriz de Leontief
 Operando a forma matricial:

Z = [I – A]-1

 Onde:
I é a matriz identidade nxn
[I-A]-1 é a matriz nxn com os coeficientes técnicos diretos e
indiretos ou Matriz de Leontief

 O elemento Zij da Matriz de Leontief mostra o impacto


direto e indireto no setor i para que o setor j produza uma
unidade monetária

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Como calcular a Matriz de Leontief?
 Usando o exemplo anterior com 3 setores

 A matriz de coeficientes técnicos A:

A1 A2 A3
A1 0.14 0.00 0.10
A2 0.00 0.10 0.02
A3 0.13 0.20 0.35

15
Como calcular a Matriz de Leontief?
 Fazendo a inversa [I-A]-1

A1 A2 A3
A1 1.20 0.04 0.18
A2 0.00 1.12 0.03
A3 0.24 0.35 1.58

 Note que os elementos da diagonal principal da matriz


de Leontief serão sempre pelo menos igual a um, pois o
efeito total inclui a unidade monetária inicialmente
produzida no próprio setor
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Aplicações da Matriz de Leontief
 A matriz de Leontief pode ser usada para calcular a
produção total necessária em cada setor para atender a
um dado aumento de demanda

 Usando o exemplo com 3 setores, suponha que o


governo resolva aumentar os seus gastos, com a seguinte
distribuição setorial:
A1 = 32
A2 = 3
A3 = 190

 Qual é o efeito total sobre a produção da economia?


18
Aplicações da Matriz de Leontief
 Usando a expressão:
X = [I – A]-1 Y

A1 A2 A3 DF Produção total

G= A1
A2
1.20
0.00
0.04
1.12
0.18
0.03
x 32
3 =
72.1
9.4
A3 0.24 0.35 1.58 190 309.2

19
Exemplo Numérico
Setor 1 Setor 2 Y X
Setor 1 150 500 350 1000
Setor 2 200 100 1700 2000
L+N+M 650 1400 1100 3150
X 1000 2000 3150 6150
Exemplo Numérico

 350   600 
Yt     Yt 1   
1700  1500 
X t 1 ?
Exemplo Numérico

1)
 0.15 0.25  1.25 0.33 
A     I  A  
1

 0.20 0.05   0.26 1.12 
2)
1247 
X t 1  I  A Yt 1
1
  
1841 
Aplicações da Matriz de Leontief
 A matriz de Leontief pode ser usada para calcular indicadores de
encadeamento “para frente” e “para trás” e determinação de setores
chave para a economia

 Forward linkages: quanto um determinado setor é demandado por


todos os setores. Ou seja, é o aumento na produção do setor i dado o
aumento da demanda final de cada um dos setores
FLIi = Σj Zij

 Backward linkages: quanto um determinado setor demanda dos


demais setores. Ou seja, é o aumento na produção de todos os setores
dado um aumento na demanda final do setor j
BLIj = Σi Zij

23
Aplicações da Matriz de Leontief
 Exemplo com 3 setores

 Forward linkages: FLIi = Σj Zij

A1 A2 A3
A1 1.20 0.04 0.18
A2 0.00 1.12 0.03
A3 0.24 0.35 1.58

A1 = 1,42
A2 = 1,15
A3 = 2,17

24
Aplicações da Matriz de Leontief
 Exemplo com 3 setores

 Backward linkages: BLIj = Σi Zij

A1 A2 A3
A1 1.20 0.04 0.18
A2 0.00 1.12 0.03
A3 0.24 0.35 1.58

A1 = 1,44
A2 = 1,51
A3 = 1,79

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Exemplo:
Estado de São Paulo na economia Brasileira e mundial

Fluxos regionais e externos


Brasil, 1996
Fluxos São Paulo Resto do Brasil
R$ bi % VA R$ bi % VA
Exportações 113,244 49.0 77,725 16.7
Inter-regionais Importações 77,725 33.7 113,244 24.4
Saldo 35,519 15.4 35,519 -7.7
Exportações 19,909 8.6 34,401 7.4
Externos Importações 25,470 11.0 53,701 11.6
Saldo -5,561 2.4 -19,300 4.2
VA: Valor Adicionado regional
fonte: Informações FIPE, n. 245, fevereiro/2001
Matriz de Insumo-Produto Inter-regional
São Paulo/Resto do Brasil
1996 – R$ milhões

z LL Y1L X 1L
11 São Paulo Resto do Brasil
1 2 3 4 1 2 3 4 Y X
1 522 2268 1 163 603 1764 0 136 12661 18117
2 1972 40900 7784 6541 3049 21177 6918 8562 88681 185585
SP 3 305 3487 2077 1721 1089 6001 4337 2600 70862 92480
4
1
289
1782
6969
7736
4897
2
29029
557
401
11658
4706
34105
2525
5
12862
2628
+ 92612
21284
= 154291
79757
RB 2 980 22890 8492 2452 8069 89477 23804 11353 143282 310800
3 97 1198 1522 1583 568 3767 5688 5995 151473 171892
4 127 2910 2630 10278 1602 14413 12890 46943 247003 338796

VA 11835 86094 63675 99711 51796 116061 112078 243914


=
X 18117 185585 92480 154291 79757 310800 171892 338796

X 1L
1 Agropecuária
VA Valor Adicionado
2 indústria Transformação
3 Comércio, Transportes e Construção Civil
Y Demanda Final
4 Serviços X Produção
Matriz Inter-regional
São Paulo/Resto do Brasil
Coeficientes técnicos de Insumo-Produto
São Paulo Resto do Brasil
1 2 3 4 1 2 3 4
1 0.029 0.012 0.000 0.001 0.008 0.006 0.000 0.000
2 0.109 0.220 0.084 0.042 0.038 0.068 0.040 0.025
SP 3 0.017 0.019 0.022 0.011 0.014 0.019 0.025 0.008  A LL A LM 
4 0.016 0.038 0.053 0.188 0.005 0.015 0.015 0.038 =  ML 
1 0.098 0.042 0.000 0.004 0.146 0.110 0.000 0.008 A A MM 
RB 2 0.054 0.123 0.092 0.016 0.101 0.288 0.138 0.034
3 0.005 0.006 0.016 0.010 0.007 0.012 0.033 0.018
4 0.007 0.016 0.028 0.067 0.020 0.046 0.075 0.139

zijLL zijMM
aijLL  L
, a MM
ij  M
 coeficient e de insumo regional
Xj X j

zijML zijLM
aijML  L
, aijLM  M
 coeficient e de comércio inter - regional
X j X j
Modelo Inter-regional
São Paulo Resto do Brasil
1 2 3 4 1 2 3 4
1 0.029 0.012 0.000 0.001 0.008 0.006 0.000 0.000
2 0.109 0.220 0.084 0.042 0.038 0.068 0.040 0.025
SP 3 0.017 0.019 0.022 0.011 0.014 0.019 0.025 0.008  A LL A LM 
4 0.016 0.038 0.053 0.188 0.005 0.015 0.015 0.038 =  ML 
1 0.098 0.042 0.000 0.004 0.146 0.110 0.000 0.008 A A MM 
RB 2 0.054 0.123 0.092 0.016 0.101 0.288 0.138 0.034
3 0.005 0.006 0.016 0.010 0.007 0.012 0.033 0.018
4 0.007 0.016 0.028 0.067 0.020 0.046 0.075 0.139

X   I  A Y
12661 1
18117
88681
185585
70862
X L  92480 Y L 
X   M = 154291 Y   M= 92612
X  B.Y
X  79757 Y  21284
310800 143282

 B LL B LM 
171892 151473

B   ML
338796 247003
MM 
B B 
Modelo Inter-regional
 B LL B LM 
B   ML MM 
B B 

São Paulo Resto do Brasil


1 2 3 4 1 2 3 4
1 1.034 0.019 0.003 0.003 0.012 0.012 0.003 0.002
2 0.170 1.323 0.135 0.080 0.083 0.151 0.085 0.052
SP 3 0.027 0.034 1.031 0.018 0.023 0.037 0.035 0.013
4 0.035 0.072 0.080 1.243 0.019 0.043 0.035 0.060
1 0.145 0.100 0.030 0.017 1.202 0.199 0.036 0.023
RB 2 0.136 0.256 0.170 0.055 0.194 1.474 0.233 0.075
3 0.011 0.015 0.023 0.017 0.013 0.024 1.041 0.024
4 0.027 0.048 0.055 0.103 0.043 0.093 0.109 1.174

 1.584 1.867 1.526 1.536 1.590 2.034 1.577 1.423


Modelo Inter-regional
YN  Y  DY  X N  B.YN

Acréscimo de R$ 100 milhões nas vendas para demanda final da


indústria em São Paulo

Y DY YN X XN = B.YN DX
1 12,661 0 12,661 18,117 18,119 1.90
São Paulo 2 88,681 100 88,781 185,585 185,717 132.25
3 70,862 0 70,862 92,480 92,483 3.38
4 92,612 0 92,612 154,291 154,298 7.17
1 21,284 0 21,284 79,757 79,767 10.04
Resto do 2 143,282 0 143,282 310,800 310,825 25.59
Brasil 3 151,473 0 151,473 171,892 171,894 1.51
4 247,003 0 247,003 338,796 338,801 4.83
 827,859 100 827,959 1,351,718 1,351,905 186.68

Multiplicador (Indústria, SP) = DX/DN = 186.68/100 = 1.867