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Perispírito

Do grego péri, ao redor. Envoltório semi-material do Espírito. Nos encarnados serve de


laço ou intermediário entre o Espírito e a matéria; nos desencarnados, constitui o corpo
fluídico do Espírito.
Por ter sido o termo criado pelo espiritismo, ninguém melhor que Kardec para o definir:
"Perispírito é o traço de união entre a vida corpórea e a espiritual". É por seu intermédio
que o Espírito encarnado se acha em relação continua com os desencarnados; é em suma,
por seu intermédio que se operam no homem os fenômenos especiais, cuja causa
fundamental não se encontra na matéria tangível e que, por essa razão, parecem
sobrenaturais.
O Perispírito é extraído pelo Espírito do meio onde se encontra, isto é, esse envoltório ele
o forma dos fluídos ambientais conforme seja mais depurado o Espírito, seu perispírito se
formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluído peculiar ao mundo onde
ele encarna. Tem um número muito grande de funções, das quais podemos citar:
Como aparelho de comunicação do Espírito para o corpo e vice-versa.
Fazer com que o Espírito possa atuar sobre a matéria e reciprocamente.
Armazenar, registrar, conservar todas as percepções, vontades e idéias da alma.
Deter sem falhas, os mais fugidios pensamentos e sonhos.
Conservar nossa personalidade, pois é nele que reside a nossa memória.
Tendo a matéria que ser objeto do trabalho do Espírito para desenvolvimento de suas
faculdades, era necessário que ele pudesse atuar sobre ela, pelo que veio habitá-la, como
o lenhador habita a floresta. Tendo a matéria que ser ao mesmo tempo objeto e
instrumento de trabalho, Deus em vez de unir o Espírito à "pedra rígida", criou para seu
uso o Perispírito, capaz de receber todos os impulsos de sua vontade. Conhecido pelos
estudiosos desde a mais remota antigüidade , tem sido identificado numa gama de rica
nomenclatura, conforme as funções que lhe foram atribuídas nos diversos períodos que
duravam as investigações. Veja quadro abaixo:
ESCOLAS CIENTISTAS DENOMINAÇÃO
Aristóteles..............................Corpo sutil e etéreo
Budismo esotérico..................Kama-rupa
Cabala hebraica.......................Rouach
Leibniz....................................Corpo fluídico
Orígenes.................................Aura
Pitágoras.................................Carne sutil da alma
Paracelso.................................Corpo astral
Paulo de Tarso........................Corpo espiritual ou incorruptível
Vedanta (*).............................Manu, Maya e Kosha
(*) Sistema filosófico ortodoxo da Índia.
Dentro de um universo de particularidades que envolvem o Perispírito, três merecem um
pouco de nossa atenção:
1 - CORDÃO FLUÍDICO - Chamado de Cordão de Prata, liga o corpo ao Espírito,
normalmente em desdobramentos vemos o Cordão de Prata, esta ligação se faz necessária
para que se achem sempre em contato. Por meio dele podemos identificar o Espírito de
um encarnado no plano espiritual.
2 - DUPLO ETÉRICO - Campo energético apropriado entre o Perispírito e o corpo
físico, é uma zona vibratória ocupando posição de destaque nos fenômenos conhecidos
de materialização. É semi-material, porém formado duma matéria mais grosseira que o
Perispírito. Podemos considerar o duplo como uma extensão mais grosseira que o
Perispírito, sendo que o mesmo retém uma maior quantidade fluídica de consistência
organo-molecular (Fisiológica) que psíquica, ele é um campo mais denso que o
perispiritual por onde as energias espirituais "condensam" em direção ao corpo.
3 - AURA - É claramente compreensível que todas a s agregações celulares emitam
radiações e que essas radiações se articulam através de sinergias funcionais a se
constituírem de recursos que podemos nomear "tecidos de força", em torno dos corpos
que as exteriorizam. Todos os seres vivos, por isso, dos mais rudimentares aos mais
complexos, se revestem de um "halo energético" lhes correspondem a natureza.
No homem, contudo, semelhante projeção surge profundamente enriquecida e modificada
pelos fatores do pensamento continuo que, em se ajustando às emanações do campo
celular lhe modelam em derredor da personalidade o conhecido duplo etérico. Aí temos
nessa conjugação de forças físico-químicas e mentais , a aura humana, peculiar a cada
indivíduo, interpenetrando-o, ao mesmo tempo que parece emergir dele, à maneira de um
campo ovóide, não obstante a feição irregular em que se configura. Valendo por espelho
sensível em que todos os estados da alma se estampam com sinais característicos e as
idéias se evidenciam , plasmando telas vivas.
"O Cordão de Prata tem este nome porque, sendo composto de partículas em rotação
rápida, de todas as cores em existência, parece prateado. As cores em miríades refletem-
se para o clarividente como um prateado puro, azulado-branco." L. Rampa.
A leitura da aura é uma técnica de avaliação das condições espirituais das pessoas através
da vidência. O Perispírito por sua tessitura, organização, flexibilidade e expansibilidade,
fornece inúmeras condições de ação ao Espírito, mesmo quando encarnado, condições
essas que podemos chamar propriedades do Perispírito, sem com isso , desconhecermos
que o propulsor de todas e qualquer ação é o Espírito. Sistematicamente temos:
Aparições - por sua natureza e em seu estado normal, o Perispírito é invisível. Pode ele
sofrer modificações que o tornam perceptíveis à vista, quer por meio de condensação,
quer por meio de uma mudança da disposição das moléculas. Aparecendo então sob uma
forma vaporosa.
Tangibilidade - Conforme o grau de condensação do fluído perispíritico pode, mesmo
chegar a tangibilidade real, ao ponto de o observador se enganar com relação à natureza
do ser que tem diante de si.
Transfiguração - O fenômeno da transfiguração pode operar-se com intensidade muito
diferentes, conforme o grau de depuração do Perispírito , grau que corresponde a
evolução moral do Espírito. Cinge-se , às vezes, a uma simples mudança no aspecto geral
da fisionomia, enquanto que doutras vezes dá ao Perispírito uma aparência luminosa e
esplêndida.
Biocorporiedade - Quer o homem esteja encarnado, quer desencarnado, traz sempre o
envoltório semi-material que pode tornar-se visível. Isolado do corpo o Espírito pode
mostrar-se com todas as aparências da realidade. Este fenômeno é conhecido pelo nome
de bicorporiedade. Uma ressalva: - não devemos confundir a bicorporiedade com a
bilocação. Para ocorrer a bicorporiedade, carece que o Espírito se desloque e , onde se
manifeste, necessário produza transformações em sua constituição molecular
perispiritual; já para bilocação, é necessário que se dê apenas a primeira parte do
fenômeno, pois o Espírito pode se desprender sem contudo ser visto ou percebido pelos
sentidos comuns.
Penetrabilidade - O Perispírito pode atravessar todos os tipos de matéria, como a luz
atravessa os corpos transparentes. O Perispírito pode sofrer marcas, mutações e lesões
que só um trabalho fluídico pode reparar, seja pela ação fluídico-magnética, seja pela
mentalização equilibrada. comprova o fato de vermos, ouvirmos e sabermos de tantos
Espíritos desencarnados que trazem profundas marcas, fortes deformações em seus
Perispíritos como decorrência de desvios pretéritos, regeneráveis pela assimilação moral
de uma doutrina cristã, conjugada à terapia do passe, e todo um processo de
arrependimento e reforma íntima que, no seguimento , se estabiliza via etapas
reencarnatórias corretivas. Quando o Espírito tem de encarnar num corpo humano em
vias de formação, um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu
Perispírito, o liga ao gérmen que o atraí por uma força irresistível, desde o momento da
concepção. A medida que o gérmen se desenvolve , o laço se encurta. Sob a influência do
princípio vito-material do gérmen, o Perispírito, que possui certas propriedades da
matéria, se une, molécula a molécula ao corpo em formação, donde o poder dizer-se que
o Espírito, por intermédio do seu Perispírito, "se enraíza, de certa maneira neste gérmen
como uma planta na terra". Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, nasce
então o ser para a vida exterior. Segundo dizem estudiosos conceituados (e que merecem
o nosso crédito) a união completa com o Perispírito se dá numa fase que vai dos 06 a 08
anos aproximadamente. No desencarne o Perispírito se desprende molécula a molécula
conforme se unira, porém numa aceleração maior, e ao Espírito é restituída a liberdade.
Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte física; esta é que determina a partida
do Espírito. Sendo um dos elementos constitutivos do homem, o Perispírito desempenha
importante papel em todos os fenômenos psicológicos e, até certo ponto , nos fenômenos
fisiológicos e patológicos. O invólucro fluídico do ser, depura-se, ilumina-se ou
obscurece-se , segundo a natureza elevada ou grosseira dos pensamentos em si refletidos.
Qualquer ato, qualquer pensamento, repercute e grava-se no Perispírito. Daí as
conseqüências inevitáveis para situação da própria alma, embora esta seja sempre senhora
de modificar o seu estado pela ação que exerce sobre o seu invólucro. Reverte-se ,
portanto, de significativa importância o Perispírito nos campos energéticos da evolução
por este urdir não só de fluídos eminentemente físicos, densos, mas por igualmente ser
atingido com as emanações psicomentais do Espírito, seu detentor. No passe o Perispírito
tem um papel importante, pois desempenha a vontade em todos os fenômenos de
magnetismo, assim se explica a faculdade de cura pelo contato e pela imposição das
mãos. Podemos inserir que, como o Perispírito é o meio de veiculação da vontade do
Espírito, cabe a ele o papel transformador e reativo nos e dos fluídos , especialmente
quando movimentados nos trabalhos de passe. O Perispírito, este nosso companheiro de
estrada ou, melhor dizendo, este nosso indumento, necessita ser bem conhecido; afinal,
não se trata de uma mera vestimenta física ou de uma insígnia para fazer registrar o
"status" de seu possuidor. Muito mais que isso, é uma "máquina" multiuso, de poderes
tão variados e para atendimento de finalidades tão diversas que desconhecê-lo é , no
mínimo, desperdício injustificável, mormente por quem quer extrair-lhe os "melhores
produtos". Assim como um computador, que quase nada vale se não sabemos usá-los, o
Perispírito perde muito de suas potencialidades se lhe atribuirmos apenas a importante,
mas limitada, função de gerenciar as atividades diretas e exclusivas de ligar o Espírito ao
corpo. Assim como o computador não é, em si mesmo, inteligente, o Perispírito
igualmente não o é por não ser o Espírito; enquanto o computador guarda funções e
executa tarefas tão avançadas e de maneira tão eficiente, por resoluções que evidenciam a
inteligência do homem que concebeu e o opera, o Perispírito por um automatismo divino,
interpreta o Espírito que lhe preside a vida. Através do Perispírito podemos avaliar
funcionamento, limites e regências de leis na elaboração do relacionamento que temos,
cada um de nós, com a matéria; e por ser fluídico, temos como comprovar que sua
estrutura funcional obedece às leis dos fluídos e portanto, dirigido pela ação psíquica do
seu senhor, o Espírito.
FONTES:

O Livro do Médiuns - Allan Kardec

Obras Póstumas - Allan Kardec


Revista Espírita Allan Kardec - Maio/1858

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