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Aula: 07

Temática: Tipos de conhecimento: Cientifico III

Estudamos anteriormente a evolução do conhecimento


científico.

Nesta aula vamos concluir a abordagem do conhecimento cientifico, rela-


cionando a filosofia e a ciência na visão do conhecimento empírico.

Recordando: o conhecimento científico se desenvolveu


há, aproximadamente 400 anos, sendo que, nos últimos 50
anos, ocorreu uma rápida aceleração na evolução, trazendo
importantes descobertas, como por exemplo, a da estrutura da molécula
de DNA, em 1953, por James Watson e Francis Crick..

A ciência busca compreender a realidade de maneira


racional, descobrindo relações universais e necessá-
rias entre os fenômenos, o que permite prever acon-
tecimentos e, conseqüentemente, também agir sobre
a natureza. “Para tanto, a ciência utiliza métodos rigo-
rosos e atinge um tipo de conhecimento sistemático,
preciso e objetivo” [...]
A ciência utiliza métodos rigorosos, mas não pode ser
considerada como um conhecimento certo e definiti-
vo, pois ela “avança em contínuo processo de investi-
gação que supõe alterações e ampliações necessárias
à medida que surgem fatos novos, ou quando são in-
ventados novos instrumentos” (ARANHA; MARTINS,
1996, pp. 89, 91).

A ciência, quando aplicada, torna-se tecnologia, havendo


reciprocidade entre ciência e técnica: do aperfeiçoamento
da ciência surge a técnica e o desenvolvimento científico
acelera a evolução da tecnologia. Em física, por exemplo, ao se desen-
volverem pesquisas sobre ótica, os resultados produzem condições de
aperfeiçoamento de telescópios ou microscópios, possibilitando novas
pesquisas nessa área, ampliando o raio de visão humana.

A filosofia e a ciência na visão do conhecimento empírico

Geralmente, o conhecimento empírico no sentido de “senso comum” re-


força ou aceita o estereótipo do filósofo como o do sujeito que vive fora da
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realidade ou o do cientista como o mágico. Além disso, se comparado a fi-
losofia o conhecimento empírico é como uma “filosofia” inconsciente de si
mesma, uma filosofia que se ignora. Todos os homens filosofam desde que
estejam no uso da razão, mas fazem-no sem o saber, como os repentistas
do Nordeste fazem suas obras poéticas, inconscientes da própria poesia.

Para o senso comum, o filósofo é um homem que vive fora do mundo real,
fechando-se em um universo fictício, imaginado por ele. Nada mais falso.
Porém, devido a algumas excentricidades, a filosofia criou fama de ser
contrária ao bom senso, de ser quase uma loucura: de fato, o que poderá
pensar um homem de bom senso, que vê, por exemplo, um filósofo duvidar
de sua própria existência? A verdadeira filosofia é, antes de tudo, filosofia
do bom senso, um prolongamento dos raciocínios implícitos no bom sen-
so, tornados explícitos, no campo onde já não há o trabalho espontâneo da
razão e toma-se necessário seu esforço consciente.

Quanto ao filósofo viver fora da realidade, é a negação da verdadeira filoso-


fia supor que um homem, para filosofar, tem de começar por se isolar das
coisas e de tudo quanto, em si mesmo, não seja a razão especulativa. A ra-
zão, divorciada assim do ser para qual é feita, trabalha em falso e constrói
sistemas sem base, puramente ideais. Não é isso que a filosofia pretende.
Ela destina-se a melhorar nosso conhecimento do universo e por isso tem
de se preocupar, necessariamente, com a realidade das coisas.

Quanto à ciência, o conhecimento empírico vê o cientista como um gênio


e suas descobertas parecem magia.

A neutralidade científica

Para a realização de uma pesquisa que produzirá conhecimento científico


é importante que façamos uma análise, a mais isenta possível sobre o
tema que estamos estudando. È claro que o envolvimento pessoal com
o tema é necessário e fundamental, mas não podemos nos deixar levar
pelo aspecto emocional. Quando estivermos desenvolvendo nosso estudo
é importante mantermos a neutralidade cientifica.

Todavia, devemos considerar também que muitos filósofos


defendem a idéia de que a neutralidade da ciência é ilusória.
Abaixo um texto de Marilena Chauí:

Como a ciência se caracteriza pela separação e pela


distinção entre o sujeito do conhecimento e o objeto;
como a ciência se caracteriza por retirar dos objetos
do conhecimento os elementos subjetivos; como os
procedimentos científicos de observação, experimen-

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tação e interpretação procuram alcançar o objeto real
ou o objeto construído como modelo aproximado do
real; e, enfim, como os resultados obtidos por uma
ciência não dependem da boa ou má vontade do cien-
tista nem de suas paixões, estamos convencidos de
que a ciência é neutra ou imparcial. Diz à razão o que
as coisas são em si mesmas. Desinteressadamente.
Essa imagem da neutralidade científica é ilusória.
Quando o cientista escolhe uma certa definição de
seu objeto, decide usar um determinado método e
espera obter certos resultados, sua atividade não é
neutra nem imparcial, mas feita por escolhas preci-
sas. [...]
Por que Copérnico teve que esconder os resultados
de suas pesquisas e Galileu foi forçado a comparecer
perante a Inquisição e negar que a Terra se movia ao
redor do Sol? Porque a concepção astronômica geo-
cêntrica (elaborada, na Antiguidade, por Ptolomeu e
Aristóteles) permitia que a Igreja Romana mantives-
se a idéia de que a realidade é constituída por uma
hierarquia de seres, que vão dos mais perfeitos – os
celestes – aos mais imperfeitos – os infernais – e que
essa hierarquia colocava a Igreja acima dos impe-
radores, estes acima dos barões e estes acima dos
camponeses e servos.
Se a astronomia demonstrasse que a Terra não é o
centro do Universo e que o Sol não é apenas uma per-
feição imóvel, e se a mecânica galileana demonstras-
se que todos os seres estão submetidos às mesmas
leis do movimento, então as hierarquias celestes,
naturais e humanas, perderiam legitimidade e funda-
mento, não precisando ser respeitadas. A física e a
astronomia pré-copernicanas (elaboradas por Ptolo-
meu e Aristóteles) serviam – independentemente da
vontade de Ptolomeu.
(CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. Disponível em
<http://br.geocities.com/mcrost02/ convite_a_
filosofia_35.htm> Acesso em 12 jul .2007)

Atividade e Reflexão

• Pense em um tema qualquer.

• Escreva sobre ele.

• Reflita posteriormente e anote no caderno ou ficha:

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• Você já havia pensado nele antes?

• Você sente um envolvimento pessoal em relação a esse tema?

• Você tem lido muito sobre ele?

• Esse tema é atual?

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