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Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG

Unidade João Monlevade


Graduação em Engenharia Civil

RICKSON CARVALHO MIRANDA

OS DESAFIOS DE UMA CONSTRUTORA PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA


METODOLOGIA BIM: estudo de caso de uma empresa da cidade de João
Monlevade-MG

João Monlevade
2021
RICKSON CARVALHO MIRANDA

OS DESAFIOS DE UMA CONSTRUTORA PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA


METODOLOGIA BIM: estudo de caso de uma empresa da cidade de João
Monlevade-MG

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado como requisito parcial
para obtenção do grau de Engenheiro
Civil na Universidade do Estado de
Minas Gerais, Unidade João Monlevade.

Professor Orientador: Me. Ítalo Bruno


Baleeiro Guimarães

João Monlevade
2021
RICKSON CARVALHO MIRANDA

OS DESAFIOS DE UMA CONSTRUTORA PARA A IMPLEMENTAÇÃO DA


METODOLOGIA BIM: estudo de caso de uma empresa da cidade de João
Monlevade-MG

Este Trabalho de Conclusão de Curso


foi julgado adequado e aprovado para
obtenção do título de Bacharel em
Engenharia Civil na Universidade do
Estado de Minas Gerais, Unidade João
Monlevade.
Dedico a realização desse trabalho à todas
as pessoas que sempre compreenderam
que os motivos das minhas renúncias
foram para a conquista desse objetivo.
AGRADECIMENTOS

Dedico este agradecimento principalmente a minha mãe, seu grato por ela ter
me dado a vida, me educado, e acreditado na minha capacidade de conquistar essa
graduação. A sua característica determinante me contagia a querer conquistar os
melhores objetivos.
Obrigado, meus amigos de faculdade, a nossa união nos tornou fortes e deixou
a caminhada para a graduação muito mais fácil e segura, cada um de vocês
contribuíram para me tornar um ser humano mais evoluído e melhor.
Meu reconhecimento a todo o corpo docente da UEMG, o trabalho de vocês é
fundamental para a manutenção e continuidade dessa instituição. Para os meus
professores deixo a minha admiração por compartilharem seus conhecimentos,
alguns de vocês desempenham muito bem o papel de educador. E meu muito
obrigado ao professor Ítalo por dedicar seu tempo e compartilhar seu conhecimento
na orientação deste trabalho.
Agradeço a Construtora LIMAC por abrir as portas para a realização desta
pesquisa, espero que este trabalho possa contribuir de alguma forma para o
aprimoramento da empresa.
“Quando o modelo de vida leva a um
esgotamento, é fundamental questionar se
vale a pena continuar no mesmo caminho”
(CORTELLA, 2009) Grifo acrescentado.
RESUMO

A tecnologia BIM (Building Information Modeling) é uma ferramenta de organização


de trabalho, a qual permite inúmeras possibilidades e facilidades ao longo da geração,
gestão, integração e compatibilização de projetos, planejamento de obras e controle
de custos. A aplicação desse sistema aos métodos de gestão de projetos e
planejamento de obras configura o que se chama de BIM 4D. No cenário mundial, a
utilização do sistema BIM está difundida por meio de iniciativas que dão suporte ao
uso da plataforma. A novidade também cresce no Brasil, porém de forma lenta e
despreparada em grande parte das empresas, e o conhecimento do uso potencial da
plataforma no Brasil ainda é muito superficial. Em razão da tendência mundial de todas
as engenharias e indústrias a adotarem a metodologia, o motivo para a escolha do
tema foi para entender o porquê das empresas brasileiras, não implementarem ainda
o BIM. Sendo assim, esta pesquisa busca analisar o modelo de organização de uma
empresa de construção civil, e identificar as barreiras internas que restringem a
migração para a tecnologia BIM. O objetivo geral dessa pesquisa é compreender as
dificuldades e os desafios que devem ser superados por uma empresa de construção
civil para a implementação do BIM. Este estudo é uma pesquisa de natureza aplicada,
em relação aos objetivos, esse trabalho se enquadra na característica exploratória e
tem uma abordagem qualitativa, quanto aos procedimentos técnicos, esta pesquisa é
um estudo de caso. A metodologia deu-se pela aplicação de um questionário para os
membros de cada setor da empresa, buscando identificar o atual estágio da
instituição, como são os seus processos e as suas maiores dificuldades. Com o
desenvolvimento do trabalho observou-se que a empresa apresenta muitos desafios
no processo de projetos, porém, tem uma boa da gestão de obras. No entanto, ela
não se mostra próxima de uma implementação da tecnologia BIM.

Palavras-chave: BIM 4D. Coordenação de projetos. Engenharia Simultânea. Gestão


de obras.
ABSTRACT

BIM technology is a work organization tool, which allows for numerous possibilities and
facilities throughout the generation, management, integration and compatibility of
projects, construction planning and cost control. The application of this system to the
methods of project management and construction planning configures what is called
BIM 4D. In the world scenario, the use of the BIM system is widespread through
initiatives that support the use of the platform. The novelty also grows in Brazil, but
slowly and unprepared in most companies, and the knowledge of the potential use of
the platform in Brazil is still very superficial. Due to the worldwide tendency of all
engineering and industries to adopt the methodology, the reason for choosing the
theme was to understand why Brazilian companies have not yet implemented BIM.
Therefore, this research seeks to analyze the organization model of a civil construction
company, and to identify the internal barriers that restrict the migration to BIM
technology. The general objective of this research is to understand the difficulties and
challenges that must be overcome by a construction company for the implementation
of BIM. This study is a research of an applied nature, in relation to the objectives, this
work fits the exploratory characteristic and has a qualitative approach, as for the
technical procedures, this research is a case study. The methodology was based on
the application of a questionnaire to the members of each sector of the company,
seeking to identify the current stage of the institution, as are its processes and its
greatest difficulties. With the development of the work it was observed that the
company presents many challenges in the project process, however, it has a good
management of works. However, it does not come close to an implementation of BIM
technology.

Keywords: 4D BIM. Project coordination. Simultaneous Engineering. Construction


management.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Diagrama de rede completo e numerado. ................................................. 26


Figura 2 - Diagrama de barras. ................................................................................. 28
Figura 3 - Vinculação de um modelo 3D às tarefas de um cronograma de trabalho no
Navisworks®. ............................................................................................................ 30
Figura 4 - Fluxograma de processo de criação de um modelo BIM 4D. .................... 31
Figura 5 - Estrutura organizacional Construtora L. .................................................... 38
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

2D – Duas Dimensões
3D – Três Dimensões
4D – Quatro Dimensões
5D – Cinco Dimensões
6D – Seis Dimensões
7D – Sete Dimensões
ABDI - Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas
AEC – Arquitetura, Engenharia e Construção
ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil
AsBEA – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura
BIM – Building Information Modeling (Modelagem da Informação da Construção)
CAD – Computer Aided Desing (Desenho assistido por computador)
CDURP – Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de
Janeiro
CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção
CPM – Critical Path Method (Método do Caminho Crítico)
ES – Engenharia Simultânea
GSA – General Service Administration
IFC – Industry Foundation Classes (Base Industrial de Disciplinas)
MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
NIBS – National Institute of Building Sciences (Instituto Nacional de Ciências da
Construção)
PERT - Program Evaluation and Review Technique (Técnica de Avaliação e Revisão
de Programas)
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 11
2 REFERENCIAL TEÓRICO ......................................................................... 14
2.1 Definição de BIM ....................................................................................... 14
2.2 Cenário Global........................................................................................... 17
2.3 Dimensões do BIM .................................................................................... 21
2.4 Coordenação de Projetos e Engenharia Simultânea ............................. 23
2.5 Gestão da Dinâmica das Obras ............................................................... 25
2.5.1 Diagrama de rede (PERT/CPM).................................................................. 26
2.5.2 Diagrama de barras ou diagrama de Gantt ................................................. 27
2.6 BIM 4D ........................................................................................................ 29
2.6.1 Descrição do Processo de Implementação do BIM 4D ............................... 29
2.6.2 O Uso do BIM 4D no Apoio a Gestão de Obras .......................................... 31
2.7 Desafios para a implementação do BIM .................................................. 33
3 METODOLOGIA ......................................................................................... 36
3.1 Definição da Linha de Pesquisa .............................................................. 36
3.2 Materiais e Métodos .................................................................................. 37
3.3 Apresentação da Empresa ....................................................................... 38
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES................................................................ 40
4.1 Conhecimento dos entrevistados sobre conceitos ............................... 40
4.2 Dificuldades da empresa na coordenação de projetos ......................... 41
4.3 Dificuldades da empresa na gestão de obras ........................................ 44
4.4 Desafios para implementação do BIM..................................................... 46
4.5 Análise dos resultados ............................................................................. 48
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 51
REFERÊNCIAS .......................................................................................... 53
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO DIRETOR ............................................. 58
APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO ENGENHEIRO ..................................... 66
APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO TÉCNICO EM EDIFICAÇÕES.............. 75
APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO ASSISTENTE TÉCNICA ...................... 81
11

1 INTRODUÇÃO

A tecnologia BIM (Building Information Modeling) é uma ferramenta de


organização de trabalho compartilhada, a qual permite inúmeras possibilidades e
facilidades ao longo da geração e gestão de projetos, integração e compatibilização
de disciplinas, planejamento e controle de obras, gerenciamento de custos, e
especificação de materiais. O compartilhamento das características físicas e
funcionais do projeto facilita a comunicação entre os diversos profissionais integrantes
do processo, e também permite o cliente assimilar o que está sendo projetado para
as suas necessidades. A utilização da ferramenta objetiva melhorar a qualidade e a
precisão do projeto por meio da criação de uma base de dados compartilhada sempre
atualizada com as informações de todo o ciclo de vida de uma construção, desde a
criação do projeto, sua construção, até a demolição.
A tecnologia é uma inovação na indústria da construção, que para ser
implementada nas empresas é preciso organização, estruturação, estratégia e
planejamento.
No cenário mundial, a utilização do sistema BIM está difundida em empresas e
instituições de ensino. Alguns países têm iniciativas que dão suporte ao uso da
plataforma, seja por meio de investimentos em pesquisas, ou por meio de
regulamentação para construir, e isso vem impulsionando sua adoção. As
experiências internacionais comprovam o potencial e os benefícios da ferramenta para
o melhoramento do desenvolvimento de projetos, e empresas líderes mundiais do
ramo da Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC) empregam o BIM durante todo
o processo de desenvolvimento de seus projetos.
As práticas internacionais vêm acabando com as dúvidas sobre os benefícios
da adoção do sistema BIM, e seguindo os exemplos estrangeiros, já há editais de
licitações brasileiras que estão estimulando a implantação da ferramenta, e exigindo
o uso do BIM como requisito de aprovação. A novidade cresce no Brasil, porém de
forma lenta e despreparada em grande parte das empresas. O conhecimento do uso
potencial da plataforma no Brasil ainda é muito superficial e usualmente fica limitado
aos escritórios de projeto arquitetônico. Além disso, no cenário nacional, não há
muitas pesquisas e estudos de casos que analisam a construção e a indústria civil que
desenvolvem produtos com o uso do BIM.
12

Dentre as inúmeras possibilidades que o BIM pode proporcionar, a aplicação


desse sistema aos métodos de gestão de projetos e planejamento de obras configura
o que se chama BIM 4D. Nesta dimensão as atividades a desenvolver em obra são
associadas espacialmente a um modelo 3D, permitindo a visualização das fases da
construção, e consequentemente, gerando um entendimento mais fácil do
cronograma de construção, de forma a melhorar o processo de construção e tomada
de decisão.
Mesmo que contratantes no Brasil façam exigências do BIM em projetos, de
modo a favorecer o desenvolvimento do seu uso, a dificuldade em encontrar casos
para estudo de empresas de construção civil que utilizam o BIM de forma abrangente
ocorre em razão da prática ainda não ser predominante. Entretanto, há expectativas
de mudanças no cenário brasileiro. O Governo Federal vigorou o Decreto Nº 9.377,
de 17 de maio de 2018, que propõe a criação de estratégias para favorecer a utilização
e a exigência do BIM no país.
O motivo para a escolha do tema foi em razão da forte tendência mundial de
todas as engenharias e indústrias a adotarem a metodologia, e para entender o porquê
das empresas brasileiras, especialmente as das cidades do interior, não
implementarem ainda o BIM. Esta pesquisa é relevante por contribuir com a
identificação das razões das empresas brasileiras de Arquitetura, Engenharia e
Construção ainda não investirem no BIM, colaborar com o enriquecimento teórico
sobre o assunto no meio acadêmico do país, e também, dar respaldo para que as
ações de modernização do mercado de construção civil possa acontecer.
Sendo assim, esta pesquisa busca analisar o modelo de organização de uma
empresa de construção civil na cidade de João Monlevade-MG, e identificar as
barreiras internas que restringem a migração para a tecnologia BIM. Portanto,
questiona-se quais são os desafios que devem ser superados pela empresa de
construção civil do município de João Monlevade para a implementação da ferramenta
BIM? Essa empresa busca se adaptar à tecnologia de forma a modernizar e facilitar
seus processos?
O objetivo geral dessa pesquisa é compreender o distanciamento e as
dificuldades de uma empresa de construção civil no Brasil para a implementação do
BIM nos seus processos. Para o desdobramento do objetivo geral, determinam-se os
seguintes objetivos específicos: caracterizar o funcionamento do sistema atual de
gestão da empresa, considerar seus processos e culturas empresariais, avaliar as
13

problemáticas da empresa, apontar a proximidade da empresa para a adequação do


uso do BIM.
Este projeto de pesquisa é caracterizado como de natureza aplicada, com
objetivos exploratórios e abordagem qualitativa, sendo uma pesquisa de estudo de
caso.
Como suporte para esse estudo foram utilizadas, como marco teórico, as obras
de diversos autores, em especial: Freitas, Melhado e Cardoso (2018); Kassem e
Amorim (2015); Eastman et al. (2014).
Esta monografia foi organizada em cinco principais partes: a primeira parte
trata-se de definir a tecnologia BIM, de expor sua situação de aplicação no cenário
mundial, de esclarecer as dimensões do BIM e quais são as informações nelas
contidas, debater sobre temas relevantes de gestão de projetos que se associam ao
BIM 4D. A segunda etapa começa dissertando sobre o BIM 4D, seu processo de
implementação e uso no apoio a gestão de obras, e finaliza abordando sobre os
desafios para a implementação da tecnologia. Seguindo, m a terceira etapa será
desenvolvido um questionário para obter informações sobre o envolvimento da
empresa e dos seus funcionários com o processo de implementação da tecnologia
BIM. Na quarta etapa será analisado as informações obtidas com o questionário. E
por fim, serão apresentadas as conclusões a respeito da empresa e seu envolvimento
com a tecnologia BIM.
14

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Definição de BIM

De acordo com Eastman et al. (2014), o conceito da Modelagem da Informação


da Construção, em inglês, Building Information Modeling (BIM) surge fundamentado
no sistema Computer Aided Design (CAD) e sistemas de modelagem paramétrica no
princípio da década de 70. Uma das mais promissoras tecnologias na indústria da
arquitetura, engenharia e construção (AEC) foi concebida com o objetivo de permitir o
desenvolvimento integrado e colaborativo das disciplinas envolvidas na modelagem,
gerenciamento dos dados e parâmetros da geometria do projeto, e registro das
informações pertinentes a operação, manutenção e construção.
Para Kassem e Amorim (2015) o objetivo principal do BIM é a integridade e
consistência da informação no processo de comunicação entre os diferentes
elementos do projeto no ciclo de vida da edificação.
Segundo Checcucci (2014) o comitê americano National Institute of Building
Sciences (NIBS) e a buildingSMART juntas categorizam BIM de três maneiras: 1) uma
representação digital inteligente de dados que representa todas as características
físicas e funcionais de determinada edificação; 2) um processo colaborativo de gerar
e utilizar informações sobre a edificação por profissionais interessados
simultaneamente; 3) uma estrutura de trabalho e comunicação que trata do
gerenciamento do ciclo de vida da edificação através da utilização da informação do
seu modelo digital.
Enquanto no processo clássico imagina-se em 3D para representar em 2D, no
projeto de BIM a imaginação em 3D é mantida e representada numa construção virtual
chamada de modelo. Na representação em 2D as informações, bases de dados
externas e requisitos são desconectadas entre si, o que no projeto BIM é
completamente automatizada e integrada (KASSEM E AMORIM, 2015).
Segundo Hilgenberg et al. (2012) os softwares BIM possibilitam alterações
dinâmicas nos elementos, ao contrário dos programas convencionais CAD, onde as
alterações de projeto são corrigidas manualmente. Através de elementos
tridimensionais, é possível visualizar as informações do modelo e modificá-lo
automaticamente por qualquer uma das vistas. Tais informações são armazenadas
15

em arquivos sincronizados entre si, e o seu gerenciamento é realizado por meio de


softwares e não através de usuários.
As ferramentas BIM geram automaticamente além de cortes e elevações,
tabelas de esquadrias, acabamentos e áreas, estimativa de cálculos e materiais, uma
vez que os elementos inseridos são objetos com informações técnicas e não apenas
linhas, ao contrário do sistema CAD. Com isso, é possível acompanhar o andamento
de um projeto desde a fase preliminar, até a representação final com modelagem 3D
(HILGENBERG et al., 2012).
O BIM é mais que um tipo de software, mas uma mudança radical de processos,
alterando ofícios, responsabilidades e conteúdo de produtos ao longo de todo o ciclo
de vida da indústria da construção (EASTMAN et al., 2014; KASSEM E AMORIM,
2015).
Como resultado das amplas mudanças geradas pelo BIM nos processos:

Os projetistas conseguem maior produtividade, eficácia e efetividade,


gerando informação mais aprofundada e consistente. Em decorrência, os
construtores se beneficiam da redução de erros e inconsistências, maior
previsibilidade e menores custos totais de obra. Já os proprietários
conseguem menores custos de operação, previsão mais precisa da efetiva
disponibilidade do bem e maior tempo de usufruto decorrente da melhor
qualidade de produto. Finalmente os fornecedores de produtos e materiais
conseguem maiores facilidades de comunicação com seus clientes e
parceiros, logística mais rápida e barata e melhor acompanhamento do ciclo
de vida do produto. Segmentos de produção customizada, tais como pré-
fabricados em geral, esquadrias e coberturas, beneficiam-se ainda de uma
melhor integração entre concepção e produção, resultando em custos
significativamente menores (KASSEM E AMORIM, 2015, p.19).

De acordo com Eastman et al. (2014) construções de melhor qualidade com


custo e prazo de execução reduzido acontecem quando o BIM é implementado de
maneira apropriada, e também, devido ao processo de planejamento de construção
mais integrado.
Carezzato et al. (2017) destacam a necessidade de padronizações bem
definidas de uso e desenvolvimento do BIM, para se obter todos os benefícios
possíveis com a ferramenta. Assim, fatores como implantação e gestão das
informações são fundamentais no desenvolvimento de projetos BIM. Além disso, são
de grande importância a avaliação de maturidade do modelo BIM, o seu nível de
desenvolvimento, bem como a padronização do processo de detecção de
16

interferências para garantir o acompanhamento das atividades de desenvolvimento


do modelo e criar maior transparência entre as disciplinas envolvidas.
Conforme Eastman et al. (2014) o benefício de produtividade de uma tecnologia
como BIM pode ser avaliado indiretamente mediante análise na redução de erros,
seguidos pelo número de exigências por informações e pedidos de alteração em um
empreendimento. Os erros causados por inconsistência ou interferências de projetos
são facilmente reduzidos, uma vez que os sistemas de todas as disciplinas podem ser
colocados e visualizados juntos. Ainda, em qualquer etapa do projeto, a natureza
precisa e computável da tecnologia BIM pode extrair uma lista precisa de quantitativos
e estimativas, informações que pode ser usada para avaliar custos.
Na visão de Eastman et al. (2014) para o público leigo, os modelos
tridimensionais e simulações 4D produzidos a partir do BIM são muito mais
comunicativos e informativos do que os desenhos técnicos 2D.
Para Martínez e Domínguez (2018) a aplicação da tecnologia de realidade
aumentada usando tecnologia BIM, sua resolução gráfica, sua interatividade com o
modelo e sua abordagem para a realidade, significa uma melhoria nos processos de
construção, uma vez que se pressupõem uma economia na fabricação de protótipos,
bem como redução de riscos de acidentes inerentes ao trabalho. Do ponto de vista
comercial, a realidade aumentada permite que agentes não especializados interajam
nas fases de projetos, agregando valor sem implicar ter grande conhecimento de
ferramentas de computador, pelo fato do BIM ser uma ferramenta totalmente
colaborativa.
A tecnologia BIM traz muitos benefícios para os envolvidos no desenvolvimento
de um projeto:

Proprietários podem obter benefícios significativos em projetos utilizando


processos e ferramentas BIM para agilizar a entrega de edifícios de maior
qualidade e melhor desempenho. O BIM facilita a colaboração entre os
participantes do projeto, reduzindo erros e modificações em obra, levando a
um processo de entrega mais eficiente e confiável, que reduz o tempo e o
custo do empreendimento (EASTMAN et al., 2014, p.93).
17

2.2 Cenário Global

A cadeia produtiva da construção mundial está cada vez mais sendo


beneficiada pelos benefícios do BIM (FREITAS, MELHADO E CARDOSO, 2018).
Segundo Kassem e Amorim (2015), em 2011, o objetivo de um programa do
Governo do Reino Unido era a adoção da tecnologia por empresas, dos setores
público e privado, envolvidas nas licitações de edificações e infraestrutura. Dessa
forma, concluiu-se que o BIM é indispensável no desenvolvimento da indústria da
construção.

O governo do Reino Unido reconheceu que o BIM pode desempenhar um


papel crucial no aprimoramento da indústria da construção e colocou-o no
centro de suas estratégias de desenvolvimento. Tal iniciativa materializou-se
na estratégia governamental de 2011 que tornou obrigatório, a partir de 2016,
o BIM colaborativo em 3D com informações de projeto e materiais para todos
os projetos centrais (KASSEM e AMORIM, 2015, p.66).

Segundo Kassem e Amorim (2015) a França está desenvolvendo um trabalho


colaborativo entre organizações e associações técnicas francesas para desenvolver
guias e protocolos para a realização de planos de execução do BIM. “A Syntec-
Ingénierie, um instituto profissional de engenheiros franceses, está desenvolvendo um
guia para os níveis de detalhe ou representações já de acordo com as fases-padrão
do ciclo de vida dos projetos adotados na França” (KASSEM e AMORIM, 2015, p.98).
Ainda segundo os autores (2015), os profissionais franceses investem cada vez
mais em hardware e software adequados para adoção de ferramentas BIM. Há dez
anos atrás, uma pesquisa da McGraw Hill Construction no setor Francês constatou
que o BIM é adotado por 40% dos arquitetos, 29% das empreiteiras, 44% dos
engenheiros, e 38% pela indústria.
Na Holanda, desde 2011, há dez anos, para grandes projetos de manutenção
de edificações e projetos do governo com valores acima de 10 milhões de euros, o
uso do BIM e do IFC (National Institute of Building Sciences) tornaram-se obrigatórios.
No país também há guias e protocolos do BIM, o maior, o “RVB BIM Norm version
1.1”, tem orientações para projeto e colaboração em BIM, centrando-se na maior
eficiência de manutenção e operação. Há inclusive um guia, desenvolvido por
iniciativas de associações e instituições, que disponibiliza referência para a criação de
acordos colaborativos, descreve os acordos relevantes a serem tratados entre as
18

partes envolvidas, e indica as possíveis consequências de tais acordos (KASSEM e


AMORIM, 2015).
Na Noruega, a partir de 2010, pelas orientações advindas da norma nacional,
o setor público promoveu e tornou o BIM obrigatório em todos os projetos públicos.
Por sua vez, as associações de indústria norueguesa também desenvolveram seus
próprios manuais de modelagem (KASSEM e AMORIM, 2015).
Segundo Eastman et al. (2014), usuários mais sofisticados, como a General
Service Administration (GSA), do governo federal norte-americano, estão surgindo e
exigindo mudança de termos contratuais para viabilizar a adoção do BIM, e sua
capacidade de suportar a verificação automática dos requisitos programáticos. O
Departamento de Defesa dos Estados Unidos está requisitando que todos os projetos
para suas obras civis sejam em BIM. A prestadora de serviços médicos da Califórnia,
Sutter Health, como parte integrante de suas práticas de construção enxuta,
incentivou o uso do BIM pelos seus fornecedores.
No Brasil, o BIM ainda é visto como uma inovação no mercado da construção
civil nacional, a ferramenta, até então, tem sido usada na fase de projeto e,
recentemente, tem se expandido para a fase de construção (CAREZZATO et al.,
2017).
No que diz respeito à inserção do BIM pelos processos de formação de preços
e contratação, Kassem e Amorim (2015) afirmam que no país o processo de licitação
por menor preço ofertado e sua profunda separação entre projeto e execução da obra,
vão contra a visão integrada proposta pelo BIM. Quanto a estrutura legal, existem
poucas normas e regulamentos de produtos e serviços de construção, sendo que
algumas delas são ultrapassadas.
Ainda de acordo com Kassem e Amorim (2015), inexiste uma regulação federal,
estadual ou municipal sobre processos licitatórios privados, há somente a legislação
que define as atribuições profissionais de engenheiros e arquitetos. As
regulamentações existentes, provinda das associações desses profissionais, na sua
maioria, abordam somente sobre os assuntos de remuneração e ética.
A Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (AsBEA) teve como
iniciativa a criação do “Guia AsBEA de Boas Práticas em BIM”, em que o objetivo geral
é orientar todos os envolvidos na cadeira de projetos e da construção civil para que
possam entender os objetivos, as possibilidades e as necessidades para que um
projeto possa ser criado na plataforma BIM. O guia orienta sobre a organização e
19

estruturação dos escritórios, plano de implementação do BIM, processos de


colaboração, fluxos de trabalho, mapeamento do processo e cronograma de
atividades (AsBEA, 2013).
Kassem e Amorim (2015, p. 22) também destacam alguns “manuais e guias
desenvolvidos sob responsabilidade da CBIC - Câmara Brasileira da Indústria da
Construção – em geral sobre processos específicos, como o Manual de Uso,
Operação e Manutenção das Edificações e outros temas”.
Já no campo normativo, Kassem e Amorim (2015) dizem que na ABNT
(Associação Brasileira de Normas Técnicas), associação responsável por concentrar
todas as normas técnicas do país, existem poucas normas regulatórias dos processos
de projeto. Até o presente trabalho há cinco normas estabelecidas:
• ABNT NBR 15965-1:2011 Sistema de classificação da informação da
construção. Parte 1: Terminologia e estrutura;
• ABNT NBR 15965-2:2012 Sistema de classificação da informação da
construção. Parte 2: Características dos objetos da construção;
• ABNT NBR 15965-3:2014 Sistema de classificação da informação da
construção. Parte 3: Processos da construção;
• ABNT NBR 15965-7:2015 Sistema de classificação da informação da
construção. Parte 7: Informação da construção;
• ABNT NBR ISO 12006-2:2018 Construção de edificação - Organização de
informação da construção. Parte 2: Estrutura para classificação.

No setor de formação profissional, Kassem e Amorim (2015) sustentam que as


práticas e tecnologias em BIM ainda não se manifestaram no setor, e a disciplina BIM
ainda não contempla na maioria dos currículos das universidades. Porém, nos cursos
de pós-graduação o esforço para implantação é maior, e todas as universidades da
rede BIM tem alunos dedicados ao tema.
Sobre a difusão do BIM na área pública, Kassem e Amorim (2015) afirmam:

Possivelmente a primeira ação estatal com resultados públicos foi em 2010,


quando ocorreu a contratação para desenvolvimento de uma versão inicial de
Biblioteca BIM para a tipologia de edificação do Programa “Minha Casa Minha
Vida” por demanda do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior – MDIC, e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial -
ABDI, como parte do programa “Ações estruturantes para a modernização da
Construção”, que contemplava um item específico relativo ao incentivo ao uso
de BIM (KASSEM e AMORIM, 2015, p.26).
20

Ainda segundo os autores (2015), a primeira licitação que fez referência ao BIM
também foi realizada em 2010, pela CDURP (Companhia de Desenvolvimento Urbano
da Região do Porto do Rio de Janeiro). Porém, somente em 2014 surgiram outras
duas licitações que exigiram o BIM, uma para projetos de cerca de 270 aeroportos
regionais, organizada para a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), e outra
referente a dois hospitais pelo Governo de Santa Catarina.
Através do Decreto Nº 9.377, de 17 de maio de 2018, homologado pelo
Governo Federal, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – MDIC,
lançou a Estratégia Nacional de Disseminação do BIM – Estratégia BIM BR. Segundo
o MDIC (2018), a Estratégia tem por propósito promover as mudanças necessárias
para um ambiente adequado para o alinhamento das ações e iniciativas do setor
público e do privado, e impulsionar o investimento e utilização do BIM no país.
Alguns dos benefícios esperados pelo Governo Federal com a difusão do BIM
no país são:
• Assegurar ganhos de produtividade ao setor de construção civil;
• Proporcionar ganhos de qualidade nas obras públicas;
• Aumentar a acurácia no planejamento de execução de obras
proporcionando maior confiabilidade de cronogramas e orçamentação;
• Contribuir com ganhos em sustentabilidade por meio da redução de
resíduos sólidos da construção civil;
• Reduzir prazos para conclusão de obras;
• Contribuir com a melhoria da transparência nos processos licitatórios;
• Reduzir necessidade de aditivos contratuais de alteração do projeto,
de elevação de valor e de prorrogação de prazo de conclusão e de entrega
da obra;
• Elevar o nível de qualificação profissional na atividade produtiva;
• Estimular a redução de custos existentes no ciclo de vida dos
empreendimentos (MDIC, 2018, p.15).

Segundo MDIC (2018), a Estratégia BIM BR propõe o início da utilização e a


exigência do BIM já em 2021 para projetos considerados de grande relevância para a
disseminação do BIM. A princípio será proposto a exigência do BIM na elaboração
dos modelos referentes a diversas disciplinas, na detecção de interferências, na
extração de quantitativos e na geração de documentação gráfica.
21

2.3 Dimensões do BIM

A abordagem BIM tem diferentes dimensões que indicam como o modelo foi
criado e quais tipos de informações estão incluídas.
Segundo Campestrini et al. (2015) as tomadas de decisão serão mais
complexas e acertadas quanto mais dimensões tiver o modelo, pois maiores serão os
tipos de informações contidas.
O BIM 3D é o modelo gráfico onde todos os elementos que o compõem estão
dotados de todas as informações do projeto de forma integrada (Martínez e
Domínguez, 2018). No modelo 3D é possível retirar informações de dimensão e
posicionamento espacial de pilares, vigas, lajes, paredes, portas, janelas, tubulações
e etc., também, informações sobre as especificações e quantitativos de materiais e de
acabamentos (CAMPESTRINI et al., 2015).
Czmocha e Pękalaa (2014) sintetizam o BIM 4D como o BIM 3D acrescido com
a variável tempo. Para Campestrini et al. (2015) o BIM 4D é a programação do modelo
com as informações de durações das atividades, etapas da construção, número de
equipes e sua produtividade. Deste modelo são retiradas as informações das
sequências construtivas e suas devidas datas de início e término, cronograma da obra
e ritmo de produção. Czmocha e Pękalaa (2014) acrescentam que o BIM 4D é um
facilitador na divisão do projeto, visualização das fases do projeto, simulação de
cronograma de obras, planejamento preciso de prazos de entrega de produtos e
materiais. Segundo Martínez e Domínguez (2018) o BIM 4D permite o controle da
dinâmica do projeto, simulações das diferentes fases de construção e desenho do
plano de execução.
O BIM 5D é definido por Campestrini et al. (2015) como um modelo com
informações de custos de: serviços, materiais, mão de obra, equipamentos, despesas
indiretas, bônus e etc. Czmocha e Pękalaa (2014); Martínez e Domínguez (2018)
afirmam que o BIM 5D melhora a rentabilidade do projeto, pois, permite o controle de
custos, organização de despesas e estimativas de gastos. Acrescentam ainda que
com a ajuda do BIM 5D podemos facilmente comparar custos totais de várias
alternativas de materiais.
O BIM 6D, chamado de Green BIM, permite saber o comportamento do projeto
antes da construção a fim de realizar um projeto sustentável através da interação de
materiais utilizados na construção, sua posição e orientação geográfica (MARTÍNEZ
22

E DOMÍNGUEZ, 2018). Segundo Campestrini et al. (2015) quando se deseja obter


informações sobre o consumo de água e energia elétrica, o modelo BIM 6D é
programado. Czmocha e Pękalaa (2014) apontam que com a ajuda do modelo BIM
6D é possível a análise do consumo do edifício através da integração de dados
relacionados à proteção do meio ambiente e consumo de energia elétrica.
O BIM 7D, segundo Czmocha e Pękalaa (2014), é um modelo com informações
relevantes em detalhe de cada item que compõem o modelo (estrutura, acabamento,
lâmpada, tomada, torneira e etc), sua especificação, o tempo da próxima manutenção
ou substituição e tempo de garantia. O BIM 7D permite uma manutenção preventiva
do edifício e, quando ocorrer uma falha, o item poderá ser rapidamente localizado,
reparado ou substituído. Segundo Martínez e Domínguez (2018) o BIM 7D permite o
gerenciamento do clico de vida de um projeto e seus serviços associados. Esta
dimensão fornece controle logístico e operacional da infraestrutura, alcançando a
gestão de componentes envolvidos por meio da otimização de processos, como
inspeção, reparo e manutenção.
A implantação do BIM acontece por meio de uma combinação de programas
interoperáveis que se associam por plataformas tecnológicas, compostas por
programas, de um mesmo ou de diferentes fabricantes, que se interagem e trocam
dados. Estas plataformas definem a nova tecnologia de processo, de projeto e de
gestão do funcionamento, sendo diferentes conforme a etapa do ciclo de vida da
construção e as particularidades envolvidas, mantendo, porém, a totalidade e
veracidade da informação e a capacidade de operar e atuar com outros sistemas
(KASSEM e AMORIM, 2015).
A adoção do BIM por mais empresas e profissionais tende que cada um deles
desenvolvam os seus próprios modelos em seus softwares de preferência. Nesse
caso, surge a questão da interoperabilidade de modelos, em outras palavras, juntar
todos os modelos em um único modelo integrado, para isso, cada um dos modelos
precisa seguir uma padronização para permitir a integração de todos eles
(CAMPESTRINI et al. 2015).
Barbosa (2014) define interoperabilidade como a capacidade de troca de dados
entre disciplinas, compartilhamento de informação, bem como a capacidade de várias
disciplinas trabalharem juntas.
Buscando solucionar as questões relacionadas com a interoperabilidade entre
softwares BIM e oferecer uma estrutura de dados em comum entre as diversas
23

disciplinas de projeto, desenvolveu-se o IFC (Industry Foundation Classes). Assim.


independentemente da ferramenta software utilizada por cada profissional envolvido,
será possível gerar um modelo integrado numa linguagem padrão (JÚNIOR et al.,
2017; CAMPESTRINI et al 2015).
Segundo a buildingSMART (2020), desenvolvedora do IFC, o Industry
Foundation Classes é uma descrição digital padronizada internacionalmente do
ambiente construído, destinado a ser independente do fornecedor e útil para uma
ampla variedade de dispositivos, plataformas e programas de usos diferentes. Em
outras palavras, o IFC é um modelo de dados padronizado, que permite a troca de
informação entre diferentes softwares.

2.4 Coordenação de Projetos e Engenharia Simultânea

A organização do trabalho coordenado é fundamental para o alinhamento das


atividades e equipes na busca de objetivos comuns entre empresa empreendedora e
demais agentes envolvidos. Okamoto, Salermo e Melhado (2015) afirmam para que
ocorra o desenvolvimento integrado entre projetos de edificações é necessário um
alinhamento entre as atividades de projetos, de forma que os resultados das diferentes
disciplinas sejam tratados simultaneamente.
Muitos autores e pesquisadores do setor da construção civil destacam que a
fase de projeto é essencial, em razão dela estar ligada à concepção inicial do produto,
e com ligação em todas etapas subsequentes do seu processo de produção. Porém,
no Brasil a qualidade negativa do produto final das empresas do subsetor de
empreendimentos imobiliários é reflexo da dissociação muito grande entre a fase de
projeto e a construção (FONTENELLLE e MELHADO, 2002).
Fontenellle e Melhado (2002) afirmam que novas formas de gestão e
coordenação de processos são exigidas devido à complexidade do fluxo de
informações e necessidades de integração e compatibilização de vários elementos,
essenciais ao desenvolvimento do projeto.
Os autores (2002) acreditam que o entendimento do conceito de gestão do
processo de projeto é melhor entendido se detalhado as habilidades necessárias ao
emprego da gestão, juntamente com os objetivos e parâmetros necessários para a
coordenação. Assim, eles definem coordenação do processo de projeto como:
24

Função de cunho técnico-gerencial que operacionaliza, em um dado


empreendimento, a gestão do processo de projeto, buscando integrar
sinergicamente as necessidades, conhecimentos e técnicas de todos os
intervenientes envolvidos nessa fase. Isso exige do coordenador de projeto
grande domínio sobre o fluxo de informações necessário em cada etapa, alto
poder decisório e de resolução de conflitos em nome do empreendedor,
objetivando-se uma solução geral e compatibilizada para o projeto e a
máxima eficiência das etapas seguintes do processo de produção,
respeitando-se os parâmetros globais de custo, prazo e qualidade fixados
pelo agente da promoção do empreendimento para todas as fases do
processo de produção (FONTENELLE e MELHADO, 2002, p.4).

Para Okamoto, Salermo e Melhado (2015) a coordenação de projetos é uma


atividade de grande importância na garantia da entrega do empreendimento conforme
acordado entre incorporadora, construtora e clientes.
Lima et al. (2014) afirmam que a coordenação de projetos interfere na
funcionalidade, desempenho e desenvolvimento de soluções antecipadas com o
objetivo de prevenir problemas posteriores que ocasionam custos no desenvolvimento
de uma obra.
A concepção de projetos de cada disciplina nos empreendimentos de
construção tradicionais tem um caráter sequencial. No entanto, práticas diferenciadas
de organização dos projetos têm sido exigidas devido a problemas de qualidade
relatados por clientes na fase de uso, pressões de custo e necessidade de inovação.
A gestão de qualidade no setor da construção civil e sua certificação segundo as
normas da série ISO 9000 estão produzindo conceitos melhores adaptados para
responder às exigências dos produtos e serviços, e reforçando o caráter coletivo e
multidisciplinar da produção de edifícios (MELHADO, 2011).
Como resultado do desenvolvimento de novos conceitos, a Engenharia
Simultânea merece atenção.
Filho (2006) sustenta que a Engenharia Simultânea traduz-se em um modelo
de gerenciamento de projetos, que requer ao mesmo tempo, a liberdade para a
propagação da informação e tomada de iniciativa por parte das disciplinas envolvidas
no projeto, e exija um rigor mais apurado e um maior controle em seu
desenvolvimento, sob pena de que surjam conflitos de competências e obrigações
entre as diversas disciplinas.
Conforme Pedrini (2012) as técnicas da Engenharia Simultânea assumem a
função de mecanismo de racionalização da produção, assim como uma ferramenta
25

para minimização de problemas relativos aos mais diversos agentes do sistema


produtivo, tendo grande importância na melhoria do processo construtivo.
Andrade, Borges e Lima (2017) complementam que a implantação e o uso
contínuo do BIM se relacionam diretamente com a adoção de práticas colaborativas
de projeto.
A Engenharia Simultânea beneficia a empresa tornando-a capaz de reagir
eficientemente às necessidades requeridas por seus clientes, em razão do ciclo
projetual mais ágil, que absorve mais rapidamente as modificações impostas no
decorrer do processo de desenvolvimento de produtos e tornando este processo mais
adequado às características do mercado (FILHO, 2006).
Além disso, Filho (2016) acrescenta que a melhoria na interação entre os
diferentes projetistas envolvidos no processo de projeto traz benefícios importantes
como a redução dos custos de projeto, devido à menor necessidade de repetição de
tarefas e à diminuição de prejuízos relacionados à perda de informações durante o
ciclo de vida do produto.
Estorilio (1998) afirma que a aplicação da Engenharia Simultânea,
basicamente, tem como aspecto a redução do tempo de desenvolvimento de um
produto, o que consequentemente implica a redução de custo, também, tem grande
capacidade para melhorar a qualidade dos produtos e os perfis das empresas, quando
se considera todos os seus aspectos na aplicação.

2.5 Gestão da Dinâmica das Obras

Segundo Sousa (2008), na gestão de projetos, a calendarização e o


planejamento das atividades são as tarefas mais importantes para alcançar os
objetivos específicos predefinidos no projeto, tais tarefas tratam-se de planejar os
melhores meios para atingir os objetivos.
Para Limmer (1996), o tempo de duração é um dos elementos fundamentais no
planejamento de um projeto. O tempo é determinado a partir da duração de cada uma
das atividades que constituem o projeto e seus devidos relacionamentos com outras
atividades, resultantes do método construtivo adotado. A duração da atividade
depende do tipo e a quantidade de serviços que a compõem, também, da
produtividade da mão de obra, da disponibilidade de materiais e equipamentos, e de
outros recursos necessários à sua execução.
26

Segundo Queiroz (2001) a programação dos prazos parciais, que determinam


como será a execução da obra ao longo do tempo em relação aos seus serviços e
etapas construtivas, é tão importante quanto o prazo global da obra, data de início e
de término. O planejamento parcial é fundamental para que se possa programar as
compras e os desembolsos.
De acordo com Garza e Kyunghwan (2003) apud Sousa (2008),
independentemente do tamanho e a complexidade de um projeto, é fundamental a
realização da construção dentro das datas e prazos estabelecidos, pois todo atraso é
traduzido em prejuízo que dificilmente poderá ser revertido.
No método de planejamento do tempo usam-se dois tipos básicos de
cronogramas: o diagrama de rede e o diagrama de barras.

2.5.1 Diagrama de rede (PERT/CPM)

O diagrama de rede é uma representação gráfica que retrata atividades e suas


relações, transforma as informações de duração e sequência em um diagrama, uma
malha de flechas ou blocos (MATTOS, 2010).
A Figura 1 é um exemplo de diagrama de rede completo e numerado.

Figura 1 - Diagrama de rede completo e numerado.

Fonte: Mattos (2010)

Quezado (1999) denomina a rede PERT (Program Evaluation and Review


Technique)/CPM (Critical Path Method) como a representação lógica da sequência do
27

planejamento de um projeto, programa ou empreendimento, bem como as relações


de interdependência existentes entre as diversas atividades que compõem o projeto,
suas durações, datas de início e fim, os recursos humanos necessários, como
também, máquinas e equipamentos utilizados em cada atividade. A rede PERT/CPM
permite uma análise de otimização de tempo e custo.
Mattos (2010) complementa que nos diagramas PERT/CPM é possível
representar as relações de prioridade entre diversas atividades do projeto, e
determinar o caminho crítico, ou seja, aquela sequência de atividades que, se atrasar,
vai refletir no término do projeto. Também, é possível calcular as datas em que cada
atividade pode ser iniciada, se mais cedo ou mais tarde, e as folgas que elas dispõem.
Segundo Queiroz (2001) as vantagens do PERT/CPM estão na
interdependência entre as etapas do projeto, na facilidade de reprogramações
frequentes das obras e no detalhamento de etapas ou serviços. Mattos (2010) diz que
a representação do projeto na forma de um diagrama de rede tem a grande vantagem
de ser mais simples e fácil de ser compreendido, lido e manuseado. Seria muito mais
trabalhoso descrever, apenas com palavras, a metodologia e a ligação das atividades
de um projeto muito grande.

2.5.2 Diagrama de barras ou diagrama de Gantt

Para Limmer (1999) e Mattos (2010) o diagrama de Gantt é um gráfico simples


em que as atividades de um projeto são listadas em uma coluna à esquerda, à direita
suas respectivas durações são representadas por barras horizontais em uma unidade
de tempo adotada no projeto, a extensão das barras representam as durações das
atividades, cujas datas de início e fim podem ser listadas. A unidade de tempo mais
usual é o mês, podendo ele ser divido em subunidades como: a quinzena, a dezena,
5 ou 6 dias e diária (QUEIROZ, 2001).
28

A Figura 2 é um exemplo de diagrama de barras.

Figura 2 - Diagrama de barras.

Fonte: Mattos (2010)

Segundo Queiroz (2001), deve-se considerar as situações econômicas e de


prazos de uma obra no dimensionamento do diagrama de barras. A partir de um
volume de mão de obra fixo, pode-se dimensionar os prazos das etapas, ou então, a
partir de um prazo fixo para as etapas, fazer o dimensionamento da mão de obra.
Os cronogramas de barras são largamente utilizados na representação de
cronogramas e procura de mão de obra, de materiais e de equipamentos, sendo
indispensáveis no uso da técnica de alocação e nivelamento de recursos (LIMMER,
1999).
Por ser facilmente lido e visualizado por parte de técnicos da área e leigos, ser
simples de executar, e apresentar de maneira compreensível e imediata a posição
relativa das atividades ao longo do tempo, o diagrama de Gantt torna-se uma
importante ferramenta de controle. Qualquer pessoa com um pouco de instrução pode
manusear um cronograma e extrair dele informações sem dificuldades, o que favorece
muito o relacionamento entre contratante e contratado (QUEIROZ, 2001; MATTOS,
2010).
Entretanto, segundo Limmer (1999), o diagrama de barras tem a desvantagem
de não apresentar com clareza a interdependência entre as etapas construtivas, tal
como o diagrama PERT/CPM, quando indicadas, as interdependências acabam
tornando extremamente complexo um diagrama que pretendia ser simples. Outra
29

desvantagem do diagrama de barras é não facilitar a visualização de folgas e


caminhos críticos das atividades (MATTOS, 2010).

2.6 BIM 4D

Os métodos tradicionais de planejamento das atividades de construção,


diagrama de barras e diagramas de rede, não são capazes de considerar as
dimensões espaciais das atividades e nem as vincular ao modelo de construção. Para
preencher as lacunas dos métodos tradicionais, a tecnologia evoluiu para o processo
de planejamento 4D, onde as atividades de construção são associadas ao modelo 3D
da construção, permitindo assim, a visualização do processo de construção em
qualquer ponto no tempo (BARBOSA, 2014).
Um modelo 4D pode ser criado simplesmente mediante a associação do
período de construção ou demolição da obra com as partes de um modelo 3D. A
visualização do modelo 4D pode ser ativada ou desativada com a utilização de filtros,
simulando o progresso da obra. Para representar diferentes estágios da obra,
também, pode ser utilizado o uso de cores (BIOTTO, FORMOSO e ISATTO, 2015).
Em sua forma mais simples “a modelação 4D permite a simulação e avaliação
do projeto de construção, em que o resultado são filmes ou simulações virtuais do
cronograma da construção” (BARBOSA, 2014, p.29).

2.6.1 Descrição do Processo de Implementação do BIM 4D

Para definir a melhor solução de implementação do BIM 4D, o fator de maior


importância para Barbosa (2014) foi perceber as funcionalidades da ferramenta de
simulação 4D de apoio à gestão de obra Autodesk Navisworks Manage® e como
manuseá-lo.
O Navisworks® oferece vários potenciais ao gestor de obra, que são:
• Ferramenta de apoio à gestão de obra;
• Alocação do tempo ao objeto;
• Extração de quantidades em função do tempo;
• Simulação do faseamento construtivo da obra.
30

Para dar início ao processo de criação do modelo 4D, primeiramente é


necessário um modelo 3D, para isso, Barbosa (2014) utilizou para o desenvolvimento
do modelo 3D o software Autodesk Revit® e o exportou para o Navisworks®.
Para desenvolver o cronograma de trabalhos da obra a autora (2014) utilizou o
software de controle e gestão de projetos Microsoft Project®, este programa ajuda
profissionais da construção a planejar projetos, visualizar pelo diagrama de Gantt o
tempo de duração de cada tarefa, identificar o caminho crítico e extrair informações
sob a forma de relatórios.
Uma vez que tanto o modelo BIM 3D como o cronograma de trabalhos são
criados, o próximo passo para a criação do modelo 4D é exportá-los para o
Navisworks® e vincular cada elemento do modelo 3D a uma tarefa do cronograma de
trabalho. Após completada todas as vinculações é possível fazer a comparação entre
as datas planejadas com as datas atuais da construção, visualizar o diagrama de
Gantt e exibir vídeos das sequências construtivas (BARBOSA, 2014).
Na Figura 3 é possível ver um modelo 3D, as tarefas do cronograma de trabalho
e o gráfico de Gantt no software Navisworks®.

Figura 3 - Vinculação de um modelo 3D às tarefas de um cronograma de trabalho no


Navisworks®.

Fonte: Barbosa (2014)

O fluxograma mostrado na Figura 4 representa os processos para criação de


um modelo BIM 4D. Em resumo, a criação de um modelo BIM 4D consiste em criar
31

um modelo BIM 3D, criar um cronograma de trabalho, exportar o modelo BIM 3D e o


cronograma de trabalho para o aplicativo de simulação, e para finalizar, atribuir cada
elemento do modelo 3D a cada tarefa do cronograma de trabalho (BARBOSA, 2014).

Figura 4 - Fluxograma de processo de criação de um modelo BIM 4D.

Fonte: Adaptado de Barbosa (2014)

No software Navisworks® há a possiblidade de simular e analisar diversas fases


de execução de projeto. Esta simulação pode ser configurada conforme o que se
pretende visualizar, é possível fazer a simulação entre o executado real e o executado
planejado e ver as diferenças entre o real e o planejado. A simulação pode ser
adiantada, atrasada e pausada, também, pode ser ajustada para uma data específica.
Além disso, a simulação pode ser visualizada de diferentes ângulos enquanto o vídeo
acontece (BARBOSA, 2014).
A simulação da construção 4D se torna uma ferramenta indispensável para o
planejamento e a gestão da obra, e destaca a possibilidades de estudar diversos
cenários de execução, identificar todos os trabalhos envolvidos na construção,
verificar a viabilidade do projeto em estudo e auxiliar no processo de tomada de
decisão como vantagens, destaca Barbosa (2014).

2.6.2 O Uso do BIM 4D no Apoio a Gestão de Obras

Na pesquisa do uso da modelagem BIM 4D para auxiliar na tomada de decisão


do projeto e planejamento de produção, Biotto, Formoso e Isatto (2015) fizeram em
um estudo empírico a modelagem BIM 4D para apoiar o planejamento da obra, e para
proporcionar a familiaridade com o processo de modelagem.
32

Um dos aspectos relevantes observados pelos autores (2015) nesse processo,


foi a importância da prévia definição do objetivo do emprego do BIM 4D. Para eles
ficou evidente que o estudo da execução da obra e o estudo da movimentação dos
equipamentos demandam modelos distinto, em razão das diferenças, em termos de
escalas de tempo, envolvidas em cada uma das situações.
O emprego da modelagem BIM 4D no estudo de caso também permitiu
identificar diversos conflitos espaciais envolvendo canteiro de obra, estoques e
equipamentos, os quais haviam passado despercebidos durante o planejamento da
obra com técnicas de planejamento usuais. O que contribuiu para demonstrar o
potencial da modelagem BIM 4D (BIOTTO, FORMOSO e ISATTO, 2015).
Num segundo estudo para apoiar a tomada de decisão referente à gestão da
produção, o modelo BIM 4D foi usado para simular cenários esperados em razão de
possíveis alternativas de mudanças na realização do serviço (BIOTTO, FORMOSO e
ISATTO, 2015).
Os autores (2015) afirmam que o BIM 4D permitiu antecipar futuros problemas
espaciais através da visualização da sequência de execução dos serviços,
identificando diversas interferências entre eles e as áreas de estoques, acessos e
outros elementos do canteiro de obras, além de auxiliar no planejamento do leiaute
da obra e em sua coordenação como o plano de longo prazo.
O foco do terceiro estudo empírico feito por Biotto, Formoso e Isatto (2015) foi
escolher, junto com os participantes da empresa estudada, a melhor alternativa de
equipamentos e plano de ataque, conforme a disponibilidade de mão de obra e ritmo
de vendas. A empresa desejava avaliar quais das alternativas seriam menos
vulneráveis às variações de cenários.
Segundo Biotto, Formoso e Isatto (2015) a principal contribuição desse estudo
foi proporcionar uma análise quanto à extensão da proposta que desejava alcançar,
uma vez que englobava simultaneamente o empreendimento, os equipamentos de
movimentação, os elementos do canteiro de obras, tais como áreas de estoque, vias
de acesso e instalações provisórias, e os equipamentos de proteção coletiva.
Para implantar a modelagem BIM 4D no apoio à tomada de decisão no projeto
do sistema e no planejamento da produção, primeiramente foi definido os mestres,
engenheiros de obras, engenheiros de planejamento e coordenadores de obras ou
gerentes de produção, como os usuários dos modelos BIM 4D (BIOTTO, FORMOSO
e ISATTO, 2015).
33

Após a identificação do usuário do modelo, foi definido o escopo da modelagem


e o nível de detalhamento do modelo a ser estudado. Em seguida, foram adquiridos
os computadores e os programas necessários à modelagem BIM 4D e definido as
necessidades de treinamento de funcionários no uso desses programas (BIOTTO,
FORMOSO e ISATTO, 2015).
Na etapa de modelagem 4D foram elaborados os seguintes cenários para apoio
na tomada de decisão: unidade-base, empreendimento, equipamentos de proteção
coletiva, canteiro de obras e equipamentos de transporte. Esta etapa baseou-se em
preparar as informações dos objetos de análises e incluir as escalas de tempo
(BIOTTO, FORMOSO e ISATTO, 2015).
A última etapa de visualização 4D pode ser utilizado não somente para
visualizar a sequência de execução de atividades, mas também para visualizar o
leiaute do canteiro, tamanho e distância entre lotes de produção e posicionamento de
equipamentos, da mesma forma, auxiliar na tomada de decisão, análises e avaliações
das produções, elaboração de novos cenários e ajustes (BIOTTO, FORMOSO e
ISATTO, 2015).

2.7 Desafios para a implementação do BIM

O planejamento e a execução da estratégia de implementação da tecnologia


BIM exigem tempo e dedicação para que seja feito de maneira adequada. A
implementação demanda que a direção de uma empresa tenha a consciência de que
esse passo envolverá mudança de cultura, investimentos em infraestrutura,
treinamentos e revisão de processos de trabalho (DELATORRE, 2011; AsBEA, 2013).
Os caminhos necessários para uma eficiente implementação da tecnologia BIM
iniciam pela transformação organizacional das empresas. Porém, promover uma
mudança numa instituição nem sempre é fácil e pode exigir um esforço especial de
planejamento e gestão. A adoção pode ser feita de forma gradual, uma vez que há
ganhos mesmo com usos parciais da tecnologia (GARBINI e BRANDÃO, 2013; CBIC,
2016; AsBEA, 2013).
Segundo Eastman et al. (2014) as diversas barreiras que impedem a evolução
do BIM são: incapacidade técnica, responsabilidade legal e regulatória, negócios
34

inadequados, necessidade de treinar profissionais, resistência às mudanças de novos


métodos de contratação.
A CBIC (2016) consultou a opinião de um grupo de pessoas que tem trabalhado
sistematicamente com o BIM no Brasil para explicarem por que a adoção BIM não
acontece mais rapidamente, as opiniões foram compiladas em:
• Resistência às mudanças por partes das organizações e pessoas
envolvidas;
• Dificuldade de entendimento e compreensão do que é BIM;
• Questões culturais e particularidades do ambiente e do mercado
brasileiro;
• As especificidades da tecnologia BIM.

Garbini e Brandão (2013) acrescentam que vencer resistências culturais,


principalmente dos profissionais que estão a mais tempo acostumados a trabalhar
com tecnologias mais antigas, ainda é um desafio para o novo trabalho. Essa
resistência acaba sendo mais forte do que a própria condição da empresa em investir
em cursos ou equipamentos.
A implementação de tecnologia BIM tem alto custo no que diz respeito a
treinamentos e modificações nos processos e fluxos de trabalho. Frequentemente, o
investimento em software e hardware é superado pelos custos de treinamento e baixa
produtividade inicial (EASTMAN et al., 2014). Porém, o sucesso no processo de
adoção do BIM depende não só do treinamento da equipe e da compra dos hardwares
e softwares, mas principalmente do planejamento dessa implementação (FREITAS e
MELHADO, 2018).
Cada empresa deve avaliar e desenvolver uma metodologia que adeque o uso
do BIM ao seu modelo de negócio e dos resultados que ela quer atingir. Um
planejamento de implementação BIM deve ser formalmente estabelecido,
documentado e controlado, com a aplicação de técnicas de gestão de projetos
(DELATORRE, 2011; CBIC, 2016).
De maneira geral, Delatorre (2011) afirma que implementação deve envolver:

• Definição da estratégia de adoção de acordo com o perfil da empresa;


• Apoio da Alta Diretoria;
• Análise de como o BIM pode agregar valor à sua empresa;
• Definição de metas claras e objetivas;
• Alinhamento com a visão organizacional;
35

• Definição do escopo;
• Definição dos requisitos do projeto;
• Definição dos requisitos de equipe e identificação de usuários chave;
• Programação de treinamentos;
• Avaliação dos processos e ferramentas atuais;
• Definição de softwares e hardwares necessários;
• Planejamento do projeto em etapas claras;
• Medição dos resultados através de indicadores bem definidos;
• Processo de melhoria contínua e busca por otimização (DELATORRE,
2016, p.4).

Existe uma dificuldade a respeito da adoção do BIM pelos prestadores de


serviço. Esse grupo não apresenta estar disposto a fazer investimentos em
treinamentos de implementação, a não ser que os custos sejam subsidiados pelo
proprietário e/ou que percebam os benefícios ao longo prazo para suas organizações
(EASTMAN et al., 2014).

Adotar o BIM isoladamente pode não levar a projetos bem-sucedidos. O BIM


é um conjunto de tecnologias e processos de trabalho em desenvolvimento
que precisa ser apoiado pela equipe, pela gerência e por um proprietário
colaborativo. O BIM não substituirá um gerenciamento de qualidade, uma boa
equipe de projeto ou uma cultura respeitável de trabalho (EASTMAN et al.,
2014, p.145).

Para assegurar que os benefícios da adoção sejam alcançados, é essencial um


processo pensando, planejado e estruturado, e é indispensável um profissional que
coloque em prática, gerencie e garanta que todas as etapas da adoção sejam
realizadas (FREITAS e MELHADO, 2018).
A falta de tecnologia não é o obstáculo para a disseminação da implementação,
e sim a falta de equipes devidamente treinadas. É preciso que todos estejam
engajados para que a adoção aconteça, e é difícil garantir que todos estejam dispostos
para participar na criação ou no uso do modelo do edifício (EASTMAN et al., 2014).
O interesse da adoção do BIM deve estar em concordância com todas as áreas
da empresa, com o propósito de evitar boicote do processo pelos profissionais da
própria empresa. Profissionais acabam sendo frustrados durante o processo de
adoção por empresas que não compreendem completamente a aplicabilidade do BIM
(FREITAS e MELHADO, 2018).
36

3 METODOLOGIA

3.1 Definição da Linha de Pesquisa

Este trabalho consistiu em um estudo de caso na empresa Construtora L,


sediada no município João Monlevade – MG, tendo como foco, identificar os desafios
enfrentados por uma empresa de construção civil, no cenário nacional, no processo
de implementação do sistema BIM. Em linhas gerais, a estrutura da pesquisa teve
como base uma revisão bibliográfica sobre BIM e BIM 4D, elencando seus benefícios,
e seus desafios na implementação. A sistematização sobre as atividades da empresa
e os seus métodos de trabalho foram determinados com base na experiência de
trabalho de um ano e meio do pesquisador na empresa, na função de estagiário, e
também, na aplicação de entrevistas com representantes de todos os setores da
empresa.
Este estudo é uma pesquisa de natureza aplicada, pois, é essencialmente
produzido pela necessidade de resolver problemas concretos, logo, há o interesse na
aplicação e utilização (VERGARA, 1998).
Em relação aos objetivos, esse trabalho se enquadra na característica
exploratória que, conforme Marconi e Lakatos (2003), a pesquisa exploratória é uma
investigação empírica cujo objetivo é a formulação de questões ou de um problema,
com a finalidade de desenvolver hipóteses, e aumentar o entendimento do
pesquisador com o assunto, para a realização de uma pesquisa futura mais precisa
ou modificar e clarificar conceitos. Para coleta de dados uma variedade de
procedimento pode ser utilizada, como entrevista, observação participante e análise
de conteúdo. Gil (2008) também afirma que o objetivo da pesquisa exploratória é
permitir uma visão abrangente de determinado assunto, é a primeira etapa de uma
investigação mais ampla, e é realizada pincipalmente quando o tema proposto é
pouco explorado.
O trabalho apresenta abordagem qualitativa que, segundo Gil (2008), o que
ocorre com pesquisas como estudos de caso, não existem fórmulas ou padrões para
orientar os pesquisadores. Assim, a análise dos dados na pesquisa qualitativa passa
a depender muito da capacidade e do estilo do pesquisador.
37

3.2 Materiais e Métodos

A pesquisa se desenvolveu na seguinte sequência de atividades: Revisão


bibliográfica; Elaboração do questionário; Envio do questionário; Análise e discussão
das respostas coletadas; Conclusão.
Inicialmente realizou-se uma revisão bibliográfica com base em trabalhos que
discorrem sobre as utilidades do BIM, a sua situação de aplicação no cenário mundial,
as suas dimensões, em especial o BIM 4D, a sua associação com métodos de
gerenciamento de projetos, elencando os benefícios da implementação desse sistema
em empresas da construção civil, os desafios para a implantação da tecnologia, e
ainda, como é na prática o seu funcionamento numa empresa.
Em um segundo momento, embasado pelo referencial teórico, este trabalho se
propôs a entender as dificuldades enfrentadas nos processos de uma empresa, no
cenário nacional, o seu envolvimento e dos seus funcionários com a tecnologia BIM.
Assim, foi realizado um estudo de caso sobre a empresa Construtora L, sediada no
município de João Monlevade-MG.
Primeiramente, para o desenvolvimento do estudo de caso, foi estabelecido
contato, por meio de aplicativo de mensagem, com um representante de cada setor
da empresa, convidando-os a participarem da pesquisa. As perguntas, de múltipla
escolha, dos questionários foram criadas de acordo com a função de cada
representante na empresa, e foram aplicados por uma plataforma online.
Responderam ao questionário o diretor, o engenheiro, a assistente técnica e o técnico
em edificações.
Os questionários, apresentados nos Apêndices A, B, C e D, com suas
respostas, foram estruturados em três partes: (1) questões elaboradas para entender
o que os membros da empresa conhecem do BIM, BIM 4D e dos métodos de
gerenciamento de projetos; (2) questões específicas sobre as dificuldades e as
limitações do método atual da empresa em relação a criação de projetos, de
planejamento e de cronograma; (3) questões sobre as dificuldades e desafios
enfrentados pela empresa no processo de implementação da nova tecnologia.
O critério de seleção da Construtora L como objeto deste estudo foi a
proximidade do pesquisador com a instituição, optou-se por pesquisá-la pelo motivo
do pesquisador ter sido estagiário na empresa.
38

3.3 Apresentação da Empresa

A Construtora L é uma empresa com atuação na área de incorporação de


empreendimentos imobiliários e construção civil, ela atua no segmento de obras
residenciais econômicas, voltadas predominantemente para o programa Minha Casa,
Minha Vida. Os principais serviços prestados pela empresa são: estudos
de viabilidade técnica, econômica e financeira de empreendimentos; orçamento e
planejamento técnico comercial; elaboração e implantação de planejamento executivo
detalhado; execução e gerenciamento de obras civis.
A empresa trabalha com equipe terceirizada para a produção de
seus empreendimentos. Sua estrutura organizacional é disposta conforme a Figura 5.

Figura 5 - Estrutura organizacional Construtora L.

Fonte: Adaptado de Construtora L (2019)


39

O técnico em edificações da empresa tem as atividades habituais de conferir a


qualidade dos serviços, orientar e acompanhar cada etapa dos procedimentos de
trabalho dos terceirizados, inspecionar os serviços executados conforme as
exigências da empresa, e solucionar problemas não críticos. O auxiliar técnico dá
suporte em todas as atividades do técnico.
São funções do estagiário ser a comunicação entre o técnico e o engenheiro
civil, realizar levantamentos quantitativos de materiais e fazer orçamentos, auxiliar na
coordenação do sistema de gestão de qualidade das obras, fazer o controle
tecnológico de materiais, e realizar medições de serviços para pagamento.
A analista de engenharia é responsável pela assistência técnica após a entrega
dos apartamentos para os clientes, também, cuida da satisfação dos clientes e faz a
retroalimentação dos índices de satisfação.
O engenheiro civil tem como obrigações elaborar projetos, planejar e
acompanhar os cronogramas de obras, controlar custos, vistoriar e manter as
obrigações da obra junto aos órgãos competentes, e gerenciar o sistema de qualidade
e responder por eles.
O diretor da empresa faz a análise de todos os processos e supervisiona as
não conformidades e estabelece ações corretivas, define mudanças que sejam
pertinentes para o sistema de gestão de qualidade.
O método de trabalho da empresa é em CAD, todas as representações dos
seus projetos são em 2D, a extração dos quantitativos e a estimativas de cálculos são
todas manuais e extraídas deste método tradicional.
40

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A análise da pesquisa foi dividida em três partes: (1) Conhecimento dos


entrevistados sobre conceitos; (2) Dificuldades da empresa na coordenação de
projetos; (3) Dificuldades da empresa na gestão de obras; (4) Desafios para
implementação do BIM; (5) Análise dos resultados.

4.1 Conhecimento dos entrevistados sobre conceitos

Questionados sobre a familiaridade com o BIM, o diretor e o engenheiro


responderam que leem bastante sobre o tema e já tiveram contato casual com algum
software BIM, a representante do setor de assistência técnica respondeu que apenas
leu sobre o assunto em alguma literatura, enquanto o representante técnico em
edificações já ouviu falar, mas não sabe o que é BIM. Assim, no geral, é possível inferir
que os membros da empresa conhecem sobre o BIM, e que o nível de conhecimento
de cada membro está ligado ao nível hierárquico de funções na empresa. Porém, no
estágio atual da empresa, ainda não há uma iniciativa para que todos os membros
conheçam efetivamente o sistema.
A respeito do envolvimento da empresa com o BIM, o diretor respondeu que
existe a intenção da empresa eventualmente migrar para a tecnologia. Ao se fazer
uma associação dessa resposta com a resposta anterior percebe-se uma
correspondência entre a intenção de migração com o nível de familiaridade do diretor,
quanto mais aprofundado é o conhecimento sobre BIM, maiores as chances de
mudanças na empresa. Para sair da intenção, e iniciar uma implementação, a
empresa precisaria pré-definir seus objetivos com o emprego do BIM, detalhar as
habilidades e os parâmetros necessários ao emprego.
Na pergunta que se refere à demanda do mercado pelo uso do BIM, a resposta
unânime dos entrevistados foi que clientes, fornecedores e terceirizados nunca
demandaram o uso do BIM pela construtora, e entre projetistas parceiros e
estagiários, somente uma minoria já perguntaram a respeito. Logo, indica-se que o
mercado, na qual a empresa está inserida, conhece muito pouco sobre a tecnologia.
Quando perguntados sobre a familiaridade com o BIM 4D houve uma divisão
entre as respostas. O diretor e a assistente técnica responderam, respectivamente,
41

que lê bastante sobre BIM 4D e já tive contato casual com algum software, e apenas
leu sobre BIM 4D em alguma literatura, respostas em total alinhamento com a
pergunta sobre a familiaridade com o BIM. Porém, não houve o mesmo alinhamento
das respostas com o engenheiro e o técnico de edificações, ambos responderam,
respectivamente, que apenas leu sobre o assunto BIM 4D em alguma literatura, e
nunca ouviu falar sobre BIM 4D. Embora haja membros da empresa que conheçam o
BIM, na prática, a maioria conhece apenas a modelagem tridimensional, mais
comumente divulgada, e pouco se conhece sobre outras dimensões do BIM, em
especial o BIM 4D, que teria uma aplicabilidade interessante para as atividades da
empresa.
Quanto ao conhecimento sobre o conceito de Engenharia Simultânea o diretor
afirmou já estar trabalhando com a técnica, o engenheiro disse apenas ter lido sobre
o assunto, e a assistente técnica nunca ouviu falar a respeito do tema. Assim, nota-se
uma falta de engajamento e troca de informações entre os níveis hierárquicos da
empresa.

4.2 Dificuldades da empresa na coordenação de projetos

Questionados o diretor e o engenheiro sobre os procedimentos padrões para o


desenvolvimento de projetos da empresa, e o tratamento simultâneo das diversas
disciplinas de projetos, houve uma notável divergência entre as respostas. Enquanto
o diretor afirmou que não existe procedimentos padrões para elaboração de projetos
e que cada projeto é criado independentemente, o engenheiro afirmou o aposto, que
os procedimentos padrões são completos, bem detalhados e fáceis de compreender,
e que todos os projetos são tratados ao mesmo tempo. Logo, é possível propor duas
hipóteses dessa divergência: houve uma interpretação errônea da pergunta, ou a
função de cada cargo e a afinidade com o processo dão perspectivas diferentes sobre
os procedimentos de desenvolvimento de projetos. A organização do trabalho
coordenado é fundamental para o alinhamento das atividades, e realização dos
objetivos comuns entre empresa e funcionários.
Sobre o sistema de controle de qualidade de projetos da empresa a maioria
respondeu que há problemas recorrentes de compatibilização, mas usualmente
exigem pouco tempo e/ou recursos para serem corrigidos. A assistente técnica
42

concordou em partes com a maioria, porém, para ela, os problemas no controle de


qualidade de projetos demandam tempo considerável para serem corrigidos. Segundo
Fontenellle e Melhado (2002) a gestão e coordenação de processos é exigida devido
à complexidade do fluxo de informações e necessidades de integração e
compatibilização de vários elementos. Somente os métodos tradicionais de gestão e
coordenação não são totalmente eficientes se aplicados independentemente. Para
preencher as lacunas dos métodos tradicionais, a tecnologia BIM evoluiu para um
processo de planejamento que traz melhora na qualidade e otimização do trabalho
por compatibilizar projetos.
Sobre a troca de informações com projetistas de outras disciplinas para a
criação de projetos, tanto o diretor quanto o engenheiro foram categóricos ao
responderem que a maioria das informações necessárias para os projetos são
trocadas de maneira remota, por meio de e-mails e mensagens.
Quanto à assistente técnica, ela respondeu que as trocas de informações
com o setor de engenharia na entrega de apartamentos são eventuais, o setor não
participa efetivamente na criação dos projetos, só é solicitado a opinar em algumas
ocasiões.
Em contraste, o técnico em edificações, respondeu que as trocas de
informações com o setor de engenharia para a criação dos projetos são frequentes,
o setor de execução participa efetivamente na criação dos projetos e sempre é
solicitado a opinar.
Observa-se a falta de integração e compartilhamento efetivo entre os
profissionais envolvidos no processo de projeto. Segundo Fontenellle e Melhado
(2002), a gestão do processo de projeto deve integrar simultaneamente as
necessidades, conhecimentos e técnicas de todos os participantes envolvidos na fase
de projeto.
Tais declarações vão ao oposto da proposta da técnica de Engenharia
Simultânea, que segundo Filho (2016), a interação entre os diferentes projetistas
envolvidos no processo de projeto, e entre diferentes setores de uma empresa, traz
benefícios importantes como a redução dos custos de projeto, devido à menor
necessidade de repetição de tarefas e à diminuição de prejuízos relacionados à perda
de informações durante o ciclo de vida do produto. Também, o BIM facilita a troca de
informações entre os participantes do processo de criação e construção, levando a
um processo mais eficiente e confiável.
43

Quando perguntados sobre a incompatibilidade entre projetos, tanto o


engenheiro, quanto o técnico responderam que ela ocorre devida à ausência de
troca de informações entre disciplinas. Para tal adversidade, Eastman et al. (2014)
afirmam que a tecnologia BIM foi concebida com o objetivo de permitir o
desenvolvimento integrado e colaborativo das disciplinas envolvidas, os erros
causados por inconsistência ou interferências de projetos são facilmente reduzidos,
uma vez que os projetos de todas as disciplinas são integrados e visualizados juntos.
Ao serem perguntados sobre qual atividade tem maior demanda de ajustes
nos projetos por motivos de incompatibilização e/ou incoerência com a execução,
observou-se outra divergência entre as respostas: o engenheiro respondeu que a
atividade de projetos demanda mais tempo, já o técnico disse ser a atividade
cronograma demandar mais tempo, enquanto a assistente técnica disse serem as
duas atividades demandarem mais tempo. Observa-se que cada setor tem uma
visão diferente sobre qual atividade tem mais ajustes, o motivo talvez seja em razão
da função desempenhada por cada setor, e também, pelo maior envolvimento com
cada atividade.
Ainda sobre incompatibilidade, agora entre projeto e execução, o
representante do setor de execução respondeu que o problema se encontra na falta
de um projeto executivo e de seu planejamento. A assistente técnica foi mais além
ao expor as deficiências, para ela as incompatibilidades devem-se à problema na
troca de informações entre setores, à falta de treinamento e capacitação da equipe,
e à falta de envolvimento maior entre setor de obra e de projeto. Essas adversidades
podem ser resolvidas com a implementação da tecnologia BIM, já que segundo
Eastman et al. (2014), é preciso que as equipes estejam devidamente treinadas e
todos os membros engajados para o perfeito funcionamento da metodologia.
Quando perguntados a respeito dos problemas recorrentes em seus setores,
o técnico em edificações respondeu que são raros os problemas durante a etapa
de execução de obras. A assistente técnica disse que há problemas recorrentes
após a entrega dos apartamentos, que demandam tempo considerável para serem
corrigidos. Percebe-se aqui um desalinhamento entre a produção e o produto final,
o motivo talvez seja em razão da qualidade de execução da mão de obra, ou da
matéria prima empregada.
Acerca das respostas sobre o método de trabalho em CAD em cada setor,
todas tendem para uma conclusão em comum, o método é muito limitado. Segundo o
44

engenheiro, falta integração automática nas peças gráficas do projeto. Para o técnico
em edificações é difícil visualizar as dimensões e vistas dos projetos, e ainda, a
solicitação de novas informações exigem muito tempo para serem processadas. Para
a assistente técnica é inviável retirar informações automáticas e sistematizadas
quanto aos quantitativos. Assim, tais limitações podem ser resolvidas com a
implementação da metodologia BIM, uma vez que, segundo Hilgenberg et al. (2012)
o BIM possibilita alterações dinâmicas e automáticas em qualquer uma das vistas dos
elementos, além disso, dispõem de geração instantânea de cortes e elevações.
Também, conforme Eastman et al. (2014) a natureza precisa e computável da
tecnologia BIM pode extrair uma lista precisa de quantitativos e estimativas de
cálculos e materiais.
Ainda sobre o método atual de trabalho em CAD, para o diretor não existe
nenhuma dificuldade quanto aos produtos e serviços fornecidos pela empresa, porém,
para o engenheiro a dificuldade está na falta de modelos tridimensionais para melhor
visualização. Novamente, nota-se que a percepção da dificuldade está relacionada
com a função em cada cargo, o engenheiro percebe muito melhor suas limitações
em projetos do que o próprio diretor, em razão de ser o engenheiro o mais envolvido
nas elaborações dos projetos. Conforme afirmam Kassem e Amorim (2015), no BIM
a representação do projeto em 2D é reproduzida automaticamente em 3D numa
construção virtual chamada de modelo, onde as informações, bases de dados
externas e requisitos são completamente automatizados e integrados.

4.3 Dificuldades da empresa na gestão de obras

No planejamento do tempo das atividades, o diretor e o engenheiro


responderam que a empresa utiliza tanto o cronograma de rede, quanto o diagrama
de Gantt. Sobre o prazo de entrega dos apartamentos, o diretor, o engenheiro e o
técnico responderam que os produtos são sempre entregues no prazo planejado,
mas, para a assistente técnica, a maior parte dos produtos são entregues dentro do
prazo planejado, porém, há atrasos em outras entregas. Ao fazer uma pergunta
sobre a satisfação dos clientes quanto ao prazo de entrega e a qualidade dos
produtos, o diretor, o engenheiro e a assistente técnica foram categóricos na
afirmação de que a empresa possuí um bom nível de satisfação dos clientes e muito
pedido de manutenção.
45

A empresa utiliza mais de um meio para o planejamento de seus


empreendimentos, e diante das respostas sobre o prazo de entrega dos
apartamentos, a instituição mostra-se competente em cumprir com o calendário
planejado. Entretanto, apesar da empresa cumprir bem com o planejamento do
tempo, ela tem problemas com a qualidade dos produtos entregues, devido a muitas
solicitações de manutenção. O BIM 4D permite a visualização do planejamento e da
logística em qualquer ponto no tempo, pois associa as atividades de construção a um
modelo 3D da construção, logo, seria uma boa ferramenta para aprimorar ainda mais
o planejamento da empresa, e ainda mais importante, a tecnologia ajudaria na
mitigação das solicitações de manutenção por ser possível antecipar problemas na
execução.
Ainda falando do prazo de entrega dos apartamentos, os entrevistados
tiveram respostas divergentes sobre os principais motivos de atrasos. Para o diretor
o motivo principal é em razão de problemas de regularização com órgãos
competentes, já para o técnico em edificações o motivo é pelo fato do atraso de
fornecedores, e para a assistente técnica os motivos são diversos como erro de
planejamento, atraso de execução e atraso de fornecedores. É possível perceber
que para os responsáveis de cada setor os atrasos não estão diretamente
relacionados às suas funções, e sim a outro setor ou agentes externos.
Além da influência no prazo de entrega dos apartamentos, segundo o
engenheiro e o técnico em edificações, os problemas de regularização com órgãos
competentes também atrapalham no geral os prazos preestabelecidos. Esse tipo de
atraso, é algo inevitável por se tratar de atribuições de outras instituições e não da
empresa, porém, é algo que deve ser previsto no planejamento dela. A difusão do
BIM na área pública torna os processos burocráticos mais otimizados e
automatizados em razão de aumentar a transparência, a precisão e a confiabilidade
nos processos pertinentes.
Quando perguntado sobre o principal motivo que gera divergências entre o
cronograma planejado e o cronograma real, o engenheiro respondeu que é em razão
de imprevistos e surgimento de tarefas inesperadas. Coincidentemente, o técnico
em edificações deu a mesma resposta ao ser perguntando sobre a principal
dificuldade do setor de execução para cumprir o cronograma. Diante disso, a
empresa mostra-se bem estruturada e preparada na gestão das obras, e para
solucionar a questão do surgimento dos imprevistos, o BIM 4D apresenta-se como
46

uma eficiente ferramenta de suporte para a empresa, uma vez que, segundo
Barbosa (2014), a simulação da construção 4D possibilita estudar diversos cenários
de execução, identificar todos os trabalhos envolvidos na construção. Logo, torna-
se mais provável a visualização de surgimento de possíveis imprevistos não
planejados.

4.4 Desafios para implementação do BIM

Interrogados sobre quais seriam as maiores dificuldades da empresa pra


implementar o BIM, no ponto de vista do engenheiro e do técnico em edificações a
maior dificuldade seria a mudança organizacional, de planejamento e de gestão da
empresa. Para a assistente técnica a dificuldade vai além disso, ela disse que
investimentos em treinamento, em hardware e em software também seriam um
percalço. Para o diretor, a tecnologia BIM é mais apropriada para uma empresa de
projetos, e que a parte de engenharia de uma incorporadora é muito simples.
Na visão do diretor, a tecnologia não é aplicável a uma incorporadora. Essa
ideia de o BIM ser adequado somente como uma ferramenta de projeto é muito
comum, mesmo entre aquelas pessoas que se dizem compreender o sistema. Na
realidade, o BIM é uma ferramenta adequada para todas as fases da obra. Para a
CBIC (2016), a adoção do BIM por uma incorporadora é mais interessante nas fases
iniciais do ciclo de vida de um empreendimento, que inclui a conceituação, a
verificação da viabilidade, a análise de riscos, o próprio desenvolvimento do projeto,
o processo de licitação, e a contratação da obra.
Ainda é recorrente no país a falta de visão das empresas em entender as
vantagens que o BIM traz em outras etapas além do projeto, e também, as vantagens
que todos os envolvidos do processo de construção recebem. Por mais que o objeto
de estudo não seja uma empresa de projeto, ela obteria benefícios significativos ao
terceirizar projetos mais assertivos, com informações e quantitativos mais precisos,
proporcionando maior confiabilidade de cronogramas e orçamentação, ao contrário
do método tradicional em CAD. Teria uma considerável redução de erros por
inconsistência ou interferências de projetos, o que acarretariam em ganhos de
produtividade na execução. Além disso, a empresa obteria benefícios com um
processo de venda e de entrega mais eficientes e confiáveis
47

Perguntados sobre qual seria a maior barreira pessoal em uma migração para
o sistema BIM, o técnico em edificação e a assistente técnica responderam que seria
a necessidade de treinamento sobre o BIM, já o engenheiro respondeu que seria a
integração com os outros setores da empresa e/ou com as outras partes envolvidas
na obra. A migração para o BIM vai além do treinamento, o sistema exige mudança
de filosofia em como lidar com o projeto e a obra, tanto internamente quanto com
outras partes externas envolvidas. Segundo a CBIC (2016), para a boa integração da
equipe de trabalho num projeto de implementação BIM, é preciso trabalhar para que
as premissas e diretrizes estejam previamente estabelecidas e sejam conhecidas por
todo o grupo.
Foi perguntado para cada entrevistado o que pode ter o maior custo no
processo de implementação do BIM na visão de cada um deles, e houve unanimidade
nas respostas, para eles a mudança organizacional, de planejamento e de gestão
pode ter o maior custo na migração para o BIM.
Quando perguntados se a baixa produção inicial dos funcionários pode ser uma
objeção para implantar o BIM, todos os entrevistados responderam que não, a baixa
produção inicial faz parte do processo de aprendizagem e o retorno a longo prazo
pode ser muito compensatório.
De fato, como citado, Eastman et al. (2014) afirmam que a implementação da
tecnologia BIM tem alto custo no que diz respeito a modificações nos processos e
fluxos de trabalho. Frequentemente, os custos de treinamento e baixa produtividade
inicial superam o investimento em software e hardware. Porém, o sucesso no
processo de adoção do BIM depende principalmente do planejamento dessa
implementação (FREITAS e MELHADO, 2018).
Sobre o tempo necessário para o treinamento para implementação do sistema
BIM o engenheiro, o técnico em edificações, e a assistente técnica responderam que
é viável dispor tempo para treinar durante o horário de trabalho, mas seria algo novo
para a empresa, por outro lado, o diretor afirmou que a empresa tem experiência na
aplicação de outros treinamentos. Independente da experiência da instituição na
aplicação de treinamentos, a disponibilidade de tempo para treinamento no horário
de trabalho é um fator positivo para a implementação, visto que treinar num horário
extra seria um empecilho diante da possível indisposição dos funcionários.
48

4.5 Análise dos resultados

No geral, os membros da empresa têm algum entendimento sobre o BIM,


porém, eles conhecem somente o que é mais superficialmente divulgado sobre as
tecnologia, uma ferramenta de projeto tridimensional, e pouco conhecem sobre as
diversas dimensões do BIM, em especial o BIM 4D, que teria uma utilidade
interessante para as atividades de gestão, planejamento e compatibilização de
projetos da empresa.
Ainda que o diretor diga que existe a intenção da empresa eventualmente
migrar para a tecnologia, contraditoriamente, ele acredita que a tecnologia não é
aplicável a uma incorporadora, por achar que o BIM é uma ferramenta que traria
benefícios apenas para o setor de projeto. Logo, é preciso um aprofundamento no
conhecimento sobre a tecnologia BIM, iniciando pelos gestores da empresa, para que
deste modo, a informação seja transmitida para os cargos mais baixos, e assim,
aumentar as chances de adesão por todos os envolvidos.
O mercado, na qual a empresa está inserida, também conhece muito pouco
sobre a tecnologia, as empresas que se relacionam com a construtora como,
fornecedores, terceirizados, e projetistas parceiros, não usam o BIM ou não
perguntam a respeito da tecnologia. Assim, se todas as empresas da cadeia produtiva
da construção civil, envolvidas com a construtora, usassem a tecnologia BIM, mais
benefícios haveria para o setor. Pelo fato de o BIM ser uma tecnologia muito
abrangente, ele permitiria a padronização dos produtos e serviços, e o acesso às
informações mais precisas.
Através dos questionários, foi evidenciado que a maior dificuldade da empresa
se encontra no processo de projeto. A incompatibilização de projetos é um problema
recorrente na empresa em virtude da ausência de integração entre as disciplinas, e
também, é um contratempo na fase de execução, em razão da falta de projetos
específicos e do seu devido planejamento. Também é um problema, a necessidade
de participação, de integração e de compartilhamento entre mais profissionais de
outros setores no processo de projeto.
Na solução do problema de incompatibilização de projetos, a tecnologia BIM é
indispensável por permitir o desenvolvimento integrado e colaborativo entre as
disciplinas, tornando o processo de criação mais eficiente e confiável, uma vez que
todos os projetos podem ser criados e visualizados simultaneamente.
49

Durante a análise dos resultados pode-se notar, por diversas vezes, que os
entrevistados têm opiniões e visões diferentes a respeito das dificuldades dos outros
setores, percebe-se que os membros da empresa não têm muita interatividade de
trabalhos entre eles. Em razão disso, a gestão da empresa deve intensificar a
interatividade dos seus membros no processo de planejamento de toda a construção,
criar um ambiente que se permita ouvir as necessidades e dificuldades de cada setor,
proporcionar o diálogo, a troca de informações e estimular a cooperação entre as
equipes de trabalho.
O atual método de trabalho em CAD é limitado em vários aspectos, pois teve,
principalmente, como suporte de desenvolvimento transferir o método de trabalho
individualizado, que era feito em prancheta, para o computador. O BIM oferece um
método que integra vários agentes na modelagem de uma mesma construção virtual,
e usa os recursos computacionais para gerar partes do trabalho. Durante a construção
virtual do projeto, cada agente que modifica o projeto compartilha suas ações via rede
e são alertados sobre ações conflitantes.
Uma vez que é modelado uma construção virtual no sistema, e os parâmetros
dos elementos que compõem o projeto são inseridos, os membros têm também a
disposição uma ferramenta que permite a visualização tridimensional do projeto, e o
desenvolvimento automático de novas peças gráficas, facilitando por exemplo, a
visualização de novas vistas e cortes dos projetos, sempre que for necessário.
Também, há a necessidade de retirar informações automáticas quanto aos
quantitativos e características dos elementos do projeto, o que o método tradicional
não oferece. A construção virtual da tecnologia BIM, por ser composta de elementos
parametrizados, é útil ao atender tais necessidade, pode-se extrair listas precisas e
automáticas de quantitativos do projeto, além de consultar especificações técnicas
sobre qualquer material e elementos de forma facilitada, o que traz precisão e
otimização para o trabalho.
De modo geral, a empresa apresenta ter uma boa coordenação e gestão de
obras, pois ela entrega a maioria dos seus produtos dentro do prazo planejado e
possui um bom nível de satisfação dos clientes, porém, recebe muitos pedidos de
manutenção após as entregas. Os poucos apartamentos entregues em atraso têm
como principal empecilho a regularização em órgãos competentes, que também
apresenta ser o mesmo problema no planejamento geral da empresa, os
50

imprevistos e as tarefas inesperadas também foram relatados como os motivos das


divergências entre o cronograma planejado e o cronograma real.
Desta forma, o problema com órgãos competentes é algo fácil de ser previsto
com uma a gestão e coordenação da empresa bem alinhada. Além disso, o BIM 4D
mostra-se como uma boa ferramenta para aprimorar ainda mais o planejamento das
obras da empresa, e graças a possibilidade de visualizar e simular possíveis cenários
ao longo do tempo, é possível prever e visualizar o surgimento de possíveis
imprevistos. A parametrização intrínseca ao BIM permite inserir condições e
restrições a cada etapa que fará parte do planejamento, e ao realizar simulações é
possível obter informações de como otimizar a sequência de etapas do
planejamento.
Na visão da equipe a maior dificuldade que a empresa teria que enfrentar no
processo de implementação do BIM seria a mudança organizacional, de planejamento
e de gestão da empresa, e os altos custos nela envolvida. Cada membro vê que o
maior desafio pessoal em uma migração de sistema seria a necessidade de
treinamento, e a integração com os outros setores da empresa, ou com as outras
partes envolvidas.
Por outro lado, os membros não veem a baixa produção inicial como um
problema, mas como um desafio que faz parte do processo de aprendizagem, e que
o retorno a longo prazo pode ser muito compensatório. Outro ponto positivo é que
para os membros da empresa é viável dispor de tempo para treinar durante o horário
de trabalho, visto que treinar num horário extra seria um empecilho diante da possível
indisposição dos funcionários.
De fato, a migração para a tecnologia BIM tem altos custos e demanda tempo
para adaptação e treinamento, porém, esses custos são superados pelos retornos na
organização, no ganho de produtividade, na exatidão e na confiança dos projetos e
cronogramas. Para o efetivo sucesso no processo de implementação do BIM é preciso
principalmente o foco nos resultados que se desejam alcançar com o emprego do
BIM.
51

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo principal da pesquisa foi alcançado, uma vez que seu propósito era
avaliar o distanciamento e as dificuldades de uma empresa de construção civil no
Brasil para a implementação do BIM nos seus processos. A limitação de escrever essa
pesquisa foi desafiadora, pois o número de pessoas entrevistadas para embasar a
pesquisa era reduzido, mas pode-se dizer que a pesquisa possibilitou ter um
apanhado das problemáticas enfrentadas por uma empresa do setor de construção
civil.
Observou-se que a construtora apresentou ter muita dificuldade de integração
e colaboração no processo de projeto. A empresa não tem comunicação entre as
diferentes disciplinas de projeto, o que acarreta em problemas de compatibilização e
de qualidade dos projetos. Além disso, alguns profissionais não participam do
processo de projeto, logo, eles não compartilham o seu conhecimento e suas
necessidades na tomada de decisão. Deste modo, a empresa precisa incentivar a
colaboração e o compartilhamento entre os membros da sua equipe, para que diminua
a redução de erros, as necessidades de correção e a perda de informações
importantes.
O método de trabalho em CAD usado pela empresa é muito limitado, pois não
atende as necessidades dos funcionários em visualizar peças gráficas tridimensionais,
não facilita na criação instantânea de cortes e de elevações em qualquer vista, e
também, não oferece informações e quantitativos automáticos. Por mais que os
membros da empresa não conheçam realmente o potencial do BIM, eles sabem da
capacidade de criação de uma construção virtual 3D da tecnologia, e que isso
atenderia as suas necessidades, e facilitaria os seus trabalhos.
A empresa tem atrasos na execução em razão de algumas atividades
inesperadas e por causa de regularização com órgãos competentes, mas de modo
geral, a empresa apresenta ter uma boa coordenação e gestão de obras, pois ela
entrega a maioria dos seus produtos dentro do prazo planejado.
Os entrevistados veem a mudança organizacional, de planejamento e de
gestão da empresa, e os altos custos nela envolvida, como o maior desafio a ser
enfrentado pela instituição. E para eles, o maior desafio pessoal seria a necessidade
de treinamento, e a integração com os outros setores da empresa. Por outro lado, eles
52

não veem a baixa produção inicial e a necessidade de dispor de tempo parar treinar
como uma barreira.
Tendo em vista o contexto geral, o BIM apresenta-se como uma grande
ferramenta para o desenvolvimento e o aprimoramento dos processos da Construtora
L, principalmente para o processo de projeto, uma vez que a empresa tem muitos
problemas de compatibilização e dificuldade de integração entre setores. Na gestão e
coordenação de obra, o BIM 4D demonstra ser uma ferramenta que só tem a facilitar
e a agregar no planejamento, especialmente, ao se tratar da visualização do
planejamento da logística, da disposição do canteiro de obas e da simulação de
cenários construtivos.
Essa pesquisa colabora com o enriquecimento teórico sobre o assunto no meio
acadêmico do país, e contribui com que a indústria de Arquitetura, Engenharia e
Construção possa enxergar a ferramenta BIM como uma solução moderna e viável,
que veio para trazer benefícios para todas as etapas do ciclo de vida da construção.
No andamento dessa pesquisa, algumas ideias de sugestões para trabalhos
futuros surgiram como uma oportunidade de disseminação do conhecimento sobre a
tecnologia BIM e os métodos a ela ligados: pesquisar, por meio de um estudo de caso,
a viabilidade e a eficiência do BIM em uma empresa que já utiliza a metodologia em
estudo; pesquisar sobre os benefícios e como implementar algumas ferramentas e
métodos de planejamento e controle de obra.
53

REFERÊNCIAS

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de Araújo. O projeto integrado e o processo de projeto em BIM - aplicação e
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57

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YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2. ed. Porto Alegre:


Bookman, 2001. ISBN 85-7307-852-9.
58

APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO DIRETOR

O BIM (Building Information Modeling) é uma ferramenta de organização de


trabalho compartilhada a qual permite inúmeras possibilidades e facilidades ao longo
da geração de modelos geométricos tridimensionais, com informações qualitativas e
quantitativas.
O compartilhamento das características físicas e funcionais do projeto facilita a
comunicação entre os diversos profissionais integrantes do processo, e também
permite o cliente assimilar o que está sendo projetado para as suas necessidades. A
utilização da ferramenta objetiva melhorar a qualidade do projeto por meio da redução
das incompatibilidades, aumento da produtividade e redução de perdas.

1. Qual a sua familiaridade com o BIM (Building Information Modeling)?


( ) Nunca ouvi falar.
( ) Já ouvi falar, mas não sei o que é.
( ) Apenas li sobre o assunto em alguma literatura.
(X) Leio bastante sobre o tema e já tive contato casual com algum software.
( ) Já estou trabalhando com a tecnologia.

2. Qual o envolvimento da sua empresa com o BIM?


( ) Nenhum interesse.
(X) Existe a intenção da empresa eventualmente migrar para a tecnologia BIM.
( ) Em processo de implementação. Está na fase de transição.
( ) A tecnologia BIM já está implementada.

3. Seus clientes demandam o uso do BIM pela empresa?


(X) Nunca perguntaram.
( ) A minoria já perguntou a respeito.
( ) A maioria já perguntou a respeito.

4. Seus fornecedores demandam o uso do BIM pela empresa?


(X) Nunca perguntaram.
( ) A minoria já perguntou a respeito.
( ) A maioria já perguntou a respeito.
59

5. Seus parceiros projetistas demandam o uso do BIM pela empresa?


( ) Nunca perguntaram.
(X) A minoria já perguntou a respeito.
( ) A maioria já perguntou a respeito.

6. Sua equipe terceirizada demandam o uso do BIM pela empresa?


(X) Nunca perguntaram.
( ) A minoria já perguntou a respeito.
( ) A maioria já perguntou a respeito.

O BIM 4D é focado no planejamento, onde as atividades de construção são


associadas ao modelo 3D da construção com as informações das durações das
atividades, das etapas da construção, do número de equipes e sua produtividade. Deste
modelo são retiradas as informações das sequências construtivas e suas devidas datas
de início e término, cronograma da obra e ritmo de produção.

7. Qual a sua familiaridade com o BIM 4D?


( ) Nunca ouvi falar.
( ) Já ouvi falar, mas não sei o que é.
( ) Apenas li sobre o assunto em alguma literatura.
(X) Leio bastante sobre o tema e já tive contato casual com algum software.
( ) Já estou trabalhando com a tecnologia.

Procedimentos padrões de projetos são aplicados por empresas para


responder às exigências de referenciais normativos, assegurar o padrão de qualidade
dos produtos e serviços, e reforçar o caráter coletivo e multidisciplinar da produção.

8. Sobre os procedimentos padrões para o desenvolvimento de projetos da empresa:


(X) Não existe procedimentos padrões para elaboração de projetos.
( ) Incompleto, os requisitos para elaboração de projetos não se aplicam a todas
disciplinas.
( ) Completo, porém, difíceis de compreender.
( ) Completo, bem detalhados e fáceis de compreender.
60

9. Os procedimentos padrões para o desenvolvimento de projetos da empresa permitem


o tratamento simultâneo das diversas disciplinas?

(X) Não, cada projeto é criado independentemente.


( ) Sim, todos os projeto são tratados ao mesmo tempo.

A Engenharia Simultânea é um modelo de gerenciamento de projetos, que


requer ao mesmo tempo, a liberdade para a propagação da informação e tomada de
iniciativa por parte das disciplinas envolvidas no projeto.
A Engenharia Simultânea é um mecanismo de racionalização da produção,
assim como uma ferramenta para minimização de problemas relativos ao sistema
produtivo, tendo grande importância na melhoria do processo construtivo.
Basicamente, tem como aspecto a redução do tempo de desenvolvimento de um
produto, o que implica a redução de custo, também, tem capacidade para melhorar a
qualidade dos produtos e os perfis das empresas.

10. Qual a sua familiaridade com a técnica Engenharia Simultânea?


( ) Nunca ouvi falar.
( ) Já ouvi falar, mas não sei o que é.
( ) Apenas li sobre o assunto em alguma literatura.
( ) Leio bastante sobre o tema e já tive contato casual.
(X) Já estou trabalhando com a técnica.

11. As trocas de informações com os projetistas de outras disciplinas para a criação dos
projetos são:
( ) A maioria presenciais, os projetistas visitam o empreendimento para melhor
entender e visualizar o projeto.
(X) A maioria por e-mails e mensagens, as informações necessárias para os projetos
são trocadas de maneira remota.

12. Sobre o sistema de controle de qualidade de projetos da empresa:


( ) São raros os problemas de compatibilização de projetos.
(X) Há problemas recorrentes de compatibilização, mas usualmente exigem pouco
tempo e/ou recursos para serem corrigidos.
61

( ) Há problemas recorrentes de compatibilização, que demandam tempo e/ou


recursos consideráveis para serem corrigidos.

13. Em relação ao processo de projeto:


( ) Há muita demanda de tempo para desenvolvimento, e muita necessidade de
correções.
(X) O tempo para desenvolvimento é preciso e não há necessidade de muitas
correções.

No método de planejamento do tempo usam-se dois tipos básicos de


cronogramas: o diagrama de rede e o diagrama de barra (Gantt).
O diagrama de rede é uma representação gráfica que retrata atividades e suas
relações, transforma as informações de duração e sequência em um diagrama, uma
malha de flechas ou blocos (ver Figura 1).

Figura 1 – Exemplo de diagrama de rede completo e numerado.

Fonte: Mattos (2010)

O diagrama de Gantt é um gráfico simples em que as atividades de um projeto


são listadas em uma coluna à esquerda, à direita suas respectivas durações são
representadas por barras horizontais, a extensão das barras representa as durações
das atividades (ver Figura 2).
62

Figura 2 – Exemplo de diagrama de barras.

Fonte: Mattos (2010)

14. No planejamento do tempo das atividades quais tipos de cronogramas a empresa


utiliza?
( ) Cronograma de rede.
( ) Cronograma de barras (Gantt).
(X) Os dois tipos.
( ) Outro. Qual? _____________________

15. A satisfação dos clientes quanto a entrega e a qualidade dos produtos são
satisfatórias?
( ) A empresa possuí um bom nível de satisfação dos clientes e pouco pedido de
manutenção.
(X) A empresa possuí um bom nível de satisfação dos clientes e muito pedido de
manutenção.
( ) A empresa possuí um baixo nível de satisfação dos clientes e pouco pedido de
manutenção.
( ) A empresa possuí um baixo nível de satisfação dos clientes e muito pedido de
manutenção.

16. O prazo de entrega dos apartamentos é satisfatório?


(X) Os produtos são sempre entregues no prazo planejado.
( ) A maior parte dos produtos são entregues dentro do prazo planejado, porém há
atrasos em outras entregas.
( ) Os produtos são sempre entregues com atrasos no calendário.
63

( ) A maior parte dos produtos são entregues fora do prazo planejado, porém há
entregas dentro do prazo.

17. Qual a principal dificuldade quanto aos produtos e serviços fornecidos, em razão do
método atual de trabalho?
( ) Extrair quantitativos com precisão.
( ) Planejar um cronograma com precisão.
( ) Simular cenários de execução.
( ) Modelos tridimensionais para melhor visualização.
(X) Nenhum.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

18. Quais são os principais motivos de atrasos na entrega dos produtos da empresa?
( ) Erro de planejamento.
( ) Atraso na execução.
( ) Atraso de fornecedores.
(X) Problemas de regularização com órgãos competentes.

O planejamento e a execução da estratégia de implementação da tecnologia


BIM exigem tempo e dedicação para que seja feito de maneira adequada. A
implementação demanda que a empresa tenha a consciência de que esse passo
envolverá mudança de cultura, investimentos em infraestrutura, treinamentos e
revisão de processos de trabalho.

19. Quais seriam as maiores dificuldades da empresa pra implementar o BIM?


( ) Resistência à mudança por parte dos funcionários.
( ) Dificuldade de inserir a tecnologia como fator qualitativo nas vendas dos produtos.
( ) Investimentos em hardware e software.
( ) Investimentos em treinamentos.
( ) Mudança organizacional, planejamento e gestão.
(X) Outro. Qual? Essa tecnologia e mais apropriada para uma empresa de projetos.
Principal ramo da empresa e de incorporação imobiliária, a parte de engenharia de
uma incorporadora é muito simples.
64

20.Qual seria a sua maior barreira em uma migração para o sistema BIM?
( ) Resistência à mudança. Considero adequado o sistema atual e não vejo
considerável necessidade de aprimoramentos.
( ) Necessidade de treinamento sobre o BIM.
( ) Dificuldade para trabalhar com um novo sistema de gestão.
( ) Integração com os outros setores da empresa e/ou com as outras partes envolvidas
na obra.
( ) Cobrança por melhoria nos resultados.
(X) Outro. Qual? Existem melhores tecnologias para o caso de incirporadoras.

21. Na sua visão o que pode ter o maior custo no processo de implementação do BIM?
( ) Investimento em hardware e software.
( ) Investimentos em treinamentos.
(X) Mudança organizacional, planejamento e gestão.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

22. A baixa produção inicial dos seus funcionários pode ser uma objeção pra implantar o
BIM?
( ) Sim, isso pode atrapalhar muito no nosso cumprimento de cronogramas e tarefas
planejadas.
(X) Não, a baixa produção inicial faz parte do processo de aprendizagem e o retorno
a longo prazo pode ser muito compensatório.

23. Sobre o tempo necessário para o treinamento para implementação do sistema BIM?
( ) Separar um tempo para o treinamento atrapalharia o desempenho no trabalho e
reduziria a produtividade, tornando inviável.
( ) É viável dispor tempo para treinar durante o horário de trabalho, mas seria algo
novo para a empresa.
(X) É viável dispor tempo para treinar durante o horário de trabalho e a empresa tem
experiencia na aplicação de outros treinamentos.
65

24. Na sua visão, as empresas terceirizadas de prestação de serviços, faria investimentos


em treinamentos de implementação BIM?
( ) Sim, a implementação do BIM beneficiaria muito essas empresas, e os custos não
seriam um empecilho para elas.
( ) Não, além dos custos de investimento, a implementação do BIM não beneficiaria
tanto essas empresas.
(X) Não tenho informações suficientes para responder.
66

APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO ENGENHEIRO

O BIM (Building Information Modeling) é uma ferramenta de organização de


trabalho compartilhada a qual permite inúmeras possibilidades e facilidades ao longo
da geração de modelos geométricos tridimensionais, com informações qualitativas e
quantitativas.
O compartilhamento das características físicas e funcionais do projeto facilita a
comunicação entre os diversos profissionais integrantes do processo, e também
permite o cliente assimilar o que está sendo projetado para as suas necessidades. A
utilização da ferramenta objetiva melhorar a qualidade do projeto por meio da redução
das incompatibilidades, aumento da produtividade e redução de perdas.

1. Qual a sua familiaridade com o BIM (Building Information Modeling)?


( ) Nunca ouvi falar.
( ) Já ouvi falar, mas não sei o que é.
( ) Apenas li sobre o assunto em alguma literatura.
(X) Leio bastante sobre o tema e já tive contato casual com algum software.
( ) Já estou trabalhando com a tecnologia.

2. Seus estagiários demandam o uso do BIM pela empresa?


( ) Nunca perguntaram.
(X) A minoria já perguntou a respeito.
( ) A maioria já perguntou a respeito.

3. Seus parceiros projetistas demandam o uso do BIM pela empresa?


( ) Nunca perguntaram.
(X) A minoria já perguntou a respeito.
( ) A maioria já perguntou a respeito.

4. Sua equipe terceirizada demandam o uso do BIM pela empresa?


(X) Nunca perguntaram.
( ) A minoria já perguntou a respeito.
( ) A maioria já perguntou a respeito.
67

O BIM 4D é focado no planejamento, onde as atividades de construção são


associadas ao modelo 3D da construção com as informações das durações das
atividades, das etapas da construção, do número de equipes e sua produtividade. Deste
modelo são retiradas as informações das sequências construtivas e suas devidas datas
de início e término, cronograma da obra e ritmo de produção.

5. Qual a sua familiaridade com o BIM 4D?


( ) Nunca ouvi falar.
( ) Já ouvi falar, mas não sei o que é.
(X) Apenas li sobre o assunto em alguma literatura.
( ) Leio bastante sobre o tema e já tive contato casual com algum software.
( ) Já estou trabalhando com a tecnologia.

Procedimentos padrões de projetos são aplicados por empresas para


responder às exigências de referenciais normativos, assegurar o padrão de qualidade
dos produtos e serviços, e reforçar o caráter coletivo e multidisciplinar da produção.

6. Sobre os procedimentos padrões para o desenvolvimento de projetos da empresa:


( ) Não existe procedimentos padrões para elaboração de projetos.
( ) Incompleto, os requisitos para elaboração de projetos não se aplicam a todas
disciplinas.
( ) Completo, porém, difíceis de compreender.
(X) Completo, bem detalhados e fáceis de compreender.

7. Os procedimentos padrões para o desenvolvimento de projetos da empresa permitem


o tratamento simultâneo das diversas disciplinas?

( ) Não, cada projeto é criado independentemente.


(X) Sim, todos os projeto são tratados ao mesmo tempo.

A Engenharia Simultânea é um modelo de gerenciamento de projetos, que


requer ao mesmo tempo, a liberdade para a propagação da informação e tomada de
iniciativa por parte das disciplinas envolvidas no projeto.
68

A Engenharia Simultânea é um mecanismo de racionalização da produção,


assim como uma ferramenta para minimização de problemas relativos ao sistema
produtivo, tendo grande importância na melhoria do processo construtivo.
Basicamente, tem como aspecto a redução do tempo de desenvolvimento de um
produto, o que implica a redução de custo, também, tem capacidade para melhorar a
qualidade dos produtos e os perfis das empresas.

8. Qual a sua familiaridade com a técnica Engenharia Simultânea?


( ) Nunca ouvi falar.
( ) Já ouvi falar, mas não sei o que é.
(X) Apenas li sobre o assunto em alguma literatura.
( ) Leio bastante sobre o tema e já tive contato casual.
( ) Já estou trabalhando com a técnica.

9. As trocas de informações com os projetistas de outras disciplinas para a criação dos


projetos são:
( ) A maioria presenciais, os projetistas visitam o empreendimento para melhor
entender e visualizar o projeto.
(X) A maioria por e-mails e mensagens, as informações necessárias para os projetos
são trocadas de maneira remota.

10. Sobre o sistema de controle de qualidade de projetos da empresa:


( ) São raros os problemas de compatibilização de projetos.
(X) Há problemas recorrentes de compatibilização, mas usualmente exigem pouco
tempo e/ou recursos para serem corrigidos.
( ) Há problemas recorrentes de compatibilização, que demandam tempo e/ou
recursos consideráveis para serem corrigidos.

11. Qual a atividade que têm a maior demanda de ajustes nos projetos por motivos de
incompatibilização e/ou incoerência com a execução?
( ) Cronograma.
(X) Projetos.
( ) Cronograma e Projetos.
( ) Outro. Qual? ________________________________________
69

( ) Nenhum.

12. Os casos de incompatibilidade entre projetos, usualmente devem-se:


(X) Ausência de troca de informações entre disciplinas.
( ) A não aplicação da engenharia simultânea.
( ) A desatualização de alterações entre as disciplinas.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

13. Quais são as limitações que o sistema CAD apresenta em relação às atividades do
seu setor?
( ) Dificuldade de visualização das dimensões e vistas dos projetos.
( ) Imprecisão ao visualizar os detalhes.
( ) Falta de parametrização das informações em geral.
( ) Inviabilidade de retirar informações automáticas e sistematizadas quanto aos
quantitativos de projeto.
( ) Inviabilidade de retirar informações automáticas e sistematizadas quanto aos
materiais.
(X) Falta de integração automática nas peças gráficas do projeto.

No método de planejamento do tempo usam-se dois tipos básicos de


cronogramas: o diagrama de rede e o diagrama de barra (Gantt).
O diagrama de rede é uma representação gráfica que retrata atividades e suas
relações, transforma as informações de duração e sequência em um diagrama, uma
malha de flechas ou blocos (ver Figura 1).
70

Figura 1 – Exemplo de diagrama de rede completo e numerado.

Fonte: Mattos (2010)

O diagrama de Gantt é um gráfico simples em que as atividades de um projeto


são listadas em uma coluna à esquerda, à direita suas respectivas durações são
representadas por barras horizontais, a extensão das barras representa as durações
das atividades (ver Figura 2).

Figura 2 – Exemplo de diagrama de barras.

Fonte: Mattos (2010)


14. No planejamento do tempo das atividades quais tipos de cronogramas a empresa
utiliza?
( ) Cronograma de rede.
( ) Cronograma de barras (Gantt).
(X) Os dois tipos.
( ) Outro. Qual? _____________________
71

15. A satisfação dos clientes quanto a entrega e a qualidade dos produtos são
satisfatórias?
( ) A empresa possuí um bom nível de satisfação dos clientes e pouco pedido de
manutenção.
(X) A empresa possuí um bom nível de satisfação dos clientes e muito pedido de
manutenção.
( ) A empresa possuí um baixo nível de satisfação dos clientes e pouco pedido de
manutenção.
( ) A empresa possuí um baixo nível de satisfação dos clientes e muito pedido de
manutenção.

16. O prazo de entrega dos apartamentos é satisfatório?


(X) Os produtos são sempre entregues no prazo planejado.
( ) A maior parte dos produtos são entregues dentro do prazo planejado, porém há
atrasos em outras entregas.
( ) Os produtos são sempre entregues com atrasos no calendário.
( ) A maior parte dos produtos são entregues fora do prazo planejado, porém há
entregas dentro do prazo.

17. Qual a principal dificuldade quanto aos produtos e serviços fornecidos, em razão do
método atual de trabalho?
( ) Extrair quantitativos com precisão.
( ) Planejar um cronograma com precisão.
( ) Simular cenários de execução.
(X) Modelos tridimensionais para melhor visualização.
( ) Outro. Qual? ________________________________________
( ) Nenhum.
18. Quais são as principais limitações enfrentadas pelo setor de engenharia na
elaboração do planejamento de obras e cronograma?
( ) Limitações dos recursos disponibilizados pelos softwares.
( ) Falta de conhecimento técnico e experiência da equipe.
( ) Dificuldade de comunicação entre as equipes sobre as atividades que serão
realizadas.
( ) Indefinição da equipes que irão executar as atividades
72

( ) Ausência dos índices de produção das equipes para o planejamento do


cronograma.
(X) Não há limitações consideráveis.

19. Qual o principal motivo que gera divergências entre o cronograma planejado e o
cronograma real?
( ) Prazos muito apertados.
( ) Ausência de planejamento prévio.
( ) Planejamento incompleto, que inclui apenas algumas atividades.
(X) Imprevistos e surgimento de tarefas inesperadas.
( ) Usualmente não há divergências consideráveis entre o cronograma planejado e o
real.

20. As divergências entre a obra executada e o projeto devem-se:


(X) Incompatibilização entre projetos de diferentes áreas.
( ) Informações equivocada ou ausente na fase de projeto.
( ) Ausência ou incompletude do projeto executivo.
( ) Usualmente não são identificadas diferenças entre o projeto e a obra final.

21. Quais trabalhos dão mais imprevistos quanto aos prazos preestabelecidos?
( ) Projeto.
( ) Logística.
( ) Execução.
(X) Problemas de regularização com órgãos competentes.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

O planejamento e a execução da estratégia de implementação da tecnologia


BIM exigem tempo e dedicação para que seja feito de maneira adequada. A
implementação demanda que a empresa tenha a consciência de que esse passo
envolverá mudança de cultura, investimentos em infraestrutura, treinamentos e
revisão de processos de trabalho.

22. Quais seriam as maiores dificuldades da empresa pra implementar o BIM?


( ) Resistência à mudança por parte dos funcionários.
73

( ) Dificuldade de inserir a tecnologia como fator qualitativo nas vendas dos produtos.
( ) Investimentos em hardware e software.
( ) Investimentos em treinamentos.
(X) Mudança organizacional, planejamento e gestão.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

23. Qual seria a sua maior barreira em uma migração para o sistema BIM?
( ) Resistência à mudança. Considero adequado o sistema atual e não vejo
considerável necessidade de aprimoramentos.
( ) Necessidade de treinamento sobre o BIM.
( ) Dificuldade para trabalhar com um novo sistema de gestão.
(X) Integração com os outros setores da empresa e/ou com as outras partes
envolvidas na obra.
( ) Cobrança por melhoria nos resultados.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

24. Na sua visão o que pode ter o maior custo no processo de implementação do BIM?
( ) Investimento em hardware e software.
( ) Investimentos em treinamentos.
(X) Mudança organizacional, planejamento e gestão.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

25. A baixa produção inicial pode ser uma objeção para você adotar o BIM?
( ) Sim, isso pode atrapalhar muito no nosso cumprimento de cronogramas e tarefas
planejadas.
(X) Não, a baixa produção inicial faz parte do processo de aprendizagem e o retorno
a longo prazo pode ser muito compensatório.

26. Sobre o tempo necessário para o treinamento para implementação do sistema BIM?
( ) Separar um tempo para o treinamento atrapalharia o desempenho no trabalho e
reduziria a produtividade, tornando inviável.
(X) É viável dispor tempo para treinar durante o horário de trabalho, mas seria algo
novo para a empresa.
74

( ) É viável dispor tempo para treinar durante o horário de trabalho e a empresa tem
experiencia na aplicação de outros treinamentos.

27. Na sua visão, as empresas terceirizadas de prestação de serviços, faria investimentos


em treinamentos de implementação BIM?
( ) Sim, a implementação do BIM beneficiaria muito essas empresas, e os custos não
seriam um empecilho para elas.
( ) Não, além dos custos de investimento, a implementação do BIM não beneficiaria
tanto essas empresas.
(X) Não tenho informações suficientes para responder.
75

APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO TÉCNICO EM EDIFICAÇÕES

O BIM (Building Information Modeling) é uma ferramenta de organização de


trabalho compartilhada a qual permite inúmeras possibilidades e facilidades ao longo
da geração de modelos geométricos tridimensionais, com informações qualitativas e
quantitativas.
O compartilhamento das características físicas e funcionais do projeto facilita a
comunicação entre os diversos profissionais integrantes do processo, e também
permite o cliente assimilar o que está sendo projetado para as suas necessidades. A
utilização da ferramenta objetiva melhorar a qualidade do projeto por meio da redução
das incompatibilidades, aumento da produtividade e redução de perdas.

1. Qual a sua familiaridade com o BIM (Building Information Modeling)?


( ) Nunca ouvi falar.
(X) Já ouvi falar, mas não sei o que é.
( ) Apenas li sobre o assunto em alguma literatura.
( ) Leio bastante sobre o tema e já tive contato casual com algum software.
( ) Já estou trabalhando com a tecnologia.

O BIM 4D é focado no planejamento, onde as atividades de construção são


associadas ao modelo 3D da construção com as informações das durações das
atividades, das etapas da construção, do número de equipes e sua produtividade.
Deste modelo são retiradas as informações das sequências construtivas e suas
devidas datas de início e término, cronograma da obra e ritmo de produção.

2. Qual a sua familiaridade com o BIM 4D?

(X) Nunca ouvi falar.


( ) Já ouvi falar, mas não sei o que é.
( ) Apenas li sobre o assunto em alguma literatura.
( ) Leio bastante sobre o tema e já tive contato casual com algum software.
( ) Já estou trabalhando com a tecnologia.
76

3. As trocas de informações com o setor de engenharia para a criação dos projetos são:
(X) Frequentes, o setor de execução participa efetivamente na criação dos projetos e
sempre é solicitado a opinar.
( ) Eventuais, o setor de execução não participa efetivamente na criação dos projetos,
só é solicitado a opinar em algumas ocasiões.

4. Sobre o sistema de controle de qualidade de projetos da empresa:


( ) São raros os problemas de compatibilização de projetos.
(X) Há problemas recorrentes de compatibilização, mas usualmente exigem pouco
tempo e/ou recursos para serem corrigidos.
( ) Há problemas recorrentes de compatibilização, que demandam tempo considerável
para serem corrigidos.

5. A respeito dos problemas nas etapas de execução das obras:


(X) São raros os problemas durante a execução das obras.
( ) Há problemas recorrentes durante as obras, mas usualmente exigem pouco tempo
e/ou recursos para serem corrigidos.
( ) Há problemas recorrentes durante as obras, que demandam tempo considerável
para serem corrigidos.

6. Quanto as informações contidas nos projetos:


( ) Os projetos usualmente são completos, com boa compatibilidade entre as
diferentes áreas e são bem detalhados.
(X) Os projetos usualmente são completos, com boa compatibilidade entre as
diferentes áreas, mas poderiam ser aprimorados quanto aos detalhamentos.
( ) Os projetos usualmente são completos, bem detalhados, mas apresentam
problema de compatibilidade entre as diferentes áreas, de forma recorrente.
( ) Nos projetos usualmente faltam informações que dificultam o entendimento para a
execução.

7. Qual a atividade que têm a maior demanda de ajustes nos projetos por motivos de
incompatibilização e/ou incoerência com a execução?
(X) Cronograma.
( ) Projetos.
77

( ) Cronograma e Projetos.
( ) Nenhum.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

8. Os motivos dos erros de execução devem-se:


( ) Falta de detalhamento no projeto.
(X) Falta de projeto executivo.
( ) Falta de treinamento e capacitação da mão de obra.
( ) Falta de acesso à informação/projeto.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

9. As incompatibilidades entre projeto e a execução da obra deve-se.


( ) Problema na troca de informações entre setores.
( ) A falta de treinamento e capacitação da equipe.
( ) Falta de envolvimento maior entre setor de obra e de projeto.
(X) Problema no planejamento executivo.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

10. Os casos de incompatibilidade entre projetos, usualmente devem-se:


(X) Ausência de troca de informações entre disciplinas.
( ) A não aplicação da engenharia simultânea.
( ) A desatualização de alterações entre as disciplinas.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

11. Quais são as principais dificuldades do setor de execução para cumprir o


cronograma?
( ) Os prazos para execução são muito apertados.
( ) Atividades para serem realizadas forma paralela, mas que são incompatíveis.
(X) Surgimento de imprevistos e tarefas inesperadas.
( ) Falta de acompanhamento e controle de atividades do setor de planejamento.
( ) Falta de mão de obra qualificada.
( ) Outro. Qual? ________________________________________
78

12. Quais são as limitações do seu setor por conta do método de trabalho em CAD?
( ) A consulta de detalhes executivos é possível apenas nas peças gráficas entregues,
não há possibilidade de consultar detalhes extras em um modelo completo da obra.
( ) A consulta de informações de especificações é possível apenas nos memoriais
descritivos, não há possibilidade de consultar detalhes extras em um modelo completo
da obra.
(X) Dificuldade de visualização das dimensões e vistas dos projetos. E a solicitação
de novas informações exige muito tempo.
( ) Incoerência entre o projeto e o real.
( ) Impossibilidade de simular diversos cenários de sequência das atividades de
execução, com o objetivo de otimizar o tempo da obra.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

13. Quais trabalhos dão mais imprevistos quanto aos prazos preestabelecidos?
( ) Projeto.
( ) Logística.
( ) Execução.
(X) Problemas de regularização com órgãos competentes.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

14. O prazo de entrega dos apartamentos é satisfatório?


(X) Os produtos são sempre entregues no prazo planejado.
( ) A maior parte dos produtos são entregues dentro do prazo planejado, porém há
atrasos em outras entregas.
( ) Os produtos são sempre entregues com atrasos no calendário.
( ) A maior parte dos produtos são entregues fora do prazo planejado, porém há
entregas dentro do prazo.

15. Quais são os principais motivos de atrasos na entrega dos produtos?


( ) Erro de planejamento.
( ) Atraso na execução.
(X) Atraso de fornecedores.
( ) Outro. Qual? ________________________________________
79

O planejamento e a execução da estratégia de implementação da tecnologia


BIM exigem tempo e dedicação para que seja feito de maneira adequada. A
implementação demanda que a empresa tenha a consciência de que esse passo
envolverá mudança de cultura, investimentos em infraestrutura, treinamentos e
revisão de processos de trabalho.

16. Quais seriam as maiores dificuldades da empresa para implementar o BIM?


( ) Resistência à mudança por parte dos funcionários.
( ) Dificuldade de inserir a tecnologia como fator qualitativo nas vendas dos produtos.
( ) Investimentos em hardware e software.
( ) Investimentos em treinamentos.
(X) Mudança organizacional, planejamento e gestão.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

17. Qual seria a sua maior barreira em uma migração para o sistema BIM?
( ) Resistência à mudança. Considero adequado o sistema atual e não vejo
considerável necessidade de aprimoramentos.
(X) Necessidade de treinamento sobre o BIM.
( ) Dificuldade para trabalhar com um novo sistema de gestão.
( ) Integração com os outros setores da empresa e/ou com as outras partes envolvidas
na obra.
( ) Cobrança por melhoria nos resultados.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

18. Na sua visão o que pode ter o maior custo no processo de implementação do BIM?
( ) Investimento em hardware e software.
( ) Investimentos em treinamentos.
(X) Mudança organizacional, planejamento e gestão.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

19. A baixa produção inicial pode ser uma objeção pra você adotar o BIM?
( ) Sim, isso pode atrapalhar muito no nosso cumprimento de cronogramas e tarefas
planejadas.
80

(X) Não, a baixa produção inicial faz parte do processo de aprendizagem e o retorno
a longo prazo pode ser muito compensatório.

20. Sobre o tempo necessário para o treinamento para implementação do sistema BIM?
( ) Separar um tempo para o treinamento atrapalharia o desempenho no trabalho e
reduziria a produtividade, tornando inviável.
(X) É viável dispor tempo para treinar durante o horário de trabalho, mas seria algo
novo para a empresa.
( ) É viável dispor tempo para treinar durante o horário de trabalho e a empresa tem
experiencia na aplicação de outros treinamentos.

21. Na sua visão, as empresas terceirizadas de prestação de serviços, faria investimentos


em treinamentos de implementação BIM?
(X) Sim, a implementação do BIM beneficiaria muito essas empresas, e os custos não
seriam um empecilho para elas.
( ) Não, além dos custos de investimento, a implementação do BIM não beneficiaria
tanto essas empresas.
( ) Não tenho informações suficientes para responder.
81

APÊNDICE D – QUESTIONÁRIO ASSISTENTE TÉCNICA

O BIM (Building Information Modeling) é uma ferramenta de organização de


trabalho compartilhada a qual permite inúmeras possibilidades e facilidades ao longo
da geração de modelos geométricos tridimensionais, com informações qualitativas e
quantitativas.
O compartilhamento das características físicas e funcionais do projeto facilita a
comunicação entre os diversos profissionais integrantes do processo, e também
permite o cliente assimilar o que está sendo projetado para as suas necessidades. A
utilização da ferramenta objetiva melhorar a qualidade do projeto por meio da redução
das incompatibilidades, aumento da produtividade e redução de perdas.

1. Qual a sua familiaridade com o BIM (Building Information Modeling)?


( ) Nunca ouvi falar.
( ) Já ouvi falar, mas não sei o que é.
(X) Apenas li sobre o assunto em alguma literatura.
( ) Leio bastante sobre o tema e já tive contato casual com algum software.
( ) Já estou trabalhando com a tecnologia.

2. Seus clientes demandam o uso do BIM pela empresa?


(X) Nunca perguntaram.
( ) A minoria já perguntou a respeito.
( ) A maioria já perguntou a respeito.

O BIM 4D é focado no planejamento, onde as atividades de construção são


associadas ao modelo 3D da construção com as informações das durações das
atividades, das etapas da construção, do número de equipes e sua produtividade.
Deste modelo são retiradas as informações das sequências construtivas e suas
devidas datas de início e término, cronograma da obra e ritmo de produção.

3. Qual a sua familiaridade com o BIM 4D?


( ) Nunca ouvi falar.
( ) Já ouvi falar, mas não sei o que é.
(X) Apenas li sobre o assunto em alguma literatura.
82

( ) Leio bastante sobre o tema e já tive contato casual com algum software.
( ) Já estou trabalhando com a tecnologia.

A Engenharia Simultânea é um modelo de gerenciamento de projetos, que


requer ao mesmo tempo, a liberdade para a propagação da informação e tomada de
iniciativa por parte das disciplinas envolvidas no projeto.
A Engenharia Simultânea é um mecanismo de racionalização da produção,
assim como uma ferramenta para minimização de problemas relativos ao sistema
produtivo, tendo grande importância na melhoria do processo construtivo.
Basicamente, tem como aspecto a redução do tempo de desenvolvimento de um
produto, o que implica a redução de custo, também, tem capacidade para melhorar a
qualidade dos produtos e os perfis das empresas.

4. Qual a sua familiaridade com a técnica Engenharia Simultânea?


(X) Nunca ouvi falar.
( ) Já ouvi falar, mas não sei o que é.
( ) Apenas li sobre o assunto em alguma literatura.
( ) Leio bastante sobre o tema e já tive contato casual.
( ) Já estou trabalhando com a técnica.

5. As trocas de informações com o setor de engenharia na entrega de apartamentos são:


( ) Frequentes, o setor de assistência técnica participa efetivamente na criação dos
projetos e sempre é solicitado a opinar.
(X) Eventuais, o setor de assistência técnica não participa efetivamente na criação
dos projetos, só é solicitado a opinar em algumas ocasiões.

6. Sobre o sistema de controle de qualidade de projetos da empresa:

( ) São raros os problemas de compatibilização de projetos.


( ) Há problemas recorrentes de compatibilização, mas usualmente exigem pouco
tempo e/ou recursos para serem corrigidos.
(X) Há problemas recorrentes de compatibilização, que demandam tempo
considerável para serem corrigidos.
83

7. Qual a atividade que têm a maior demanda de ajustes nos projetos por motivos de
incompatibilização e/ou incoerência com a execução?
( ) Cronograma.
( ) Projetos.
(X) Cronograma e Projetos.
( ) Outro. Qual? ________________________________________
( ) Nenhum.

8. Quais são as limitações que o sistema CAD apresenta em relação às atividades do


seu setor?
( ) Dificuldade de visualização das dimensões e vistas dos projetos.
( ) Imprecisão ao visualizar os detalhes.
( ) Falta de parametrização das informações em geral.
(X) Inviabilidade de retirar informações automáticas e sistematizadas quanto aos
quantitativos de projeto.
(X) Inviabilidade de retirar informações automáticas e sistematizadas quanto aos
materiais.
( ) Falta de integração automática na peças gráficas do projeto.

9. A respeito dos problemas nos apartamentos após a sua entrega:


( ) São raros os problemas após a entrega dos apartamentos.
( ) Há problemas recorrentes após a entrega, mas usualmente exigem pouco
tempo e/ou recursos para serem corrigidos.
(X) Há problemas recorrentes após a entrega,, que demandam tempo considerável
para serem corrigidos.

10. Os motivos dos problemas nos apartamentos relacionados aos projetos devem-se:
(X) Falta de detalhamento no projeto.
(X) Falta de projeto executivo.
(X) Falta de treinamento e capacitação da mão de obra.
(X) Falta de acesso à informação/projeto.
( ) Outro. Qual?
84

11. As incompatibilidades entre projeto e a execução da obra devem-se.


(X) Problema na troca de informações entre setores.
(X) A falta de treinamento e capacitação da equipe.
(X) Falta de envolvimento maior entre setor de obra e de projeto.
(X) Problema no planejamento executivo.
( ) Outro. Qual?

12. A satisfação dos clientes quanto a entrega e a qualidade dos produtos são
satisfatórias?
( ) A empresa possuí um bom nível de satisfação dos clientes e pouco pedido de
manutenção.
(X) A empresa possuí um bom nível de satisfação dos clientes e muito pedido de
manutenção.
( ) A empresa possuí um baixo nível de satisfação dos clientes e pouco pedido de
manutenção.
( ) A empresa possuí um baixo nível de satisfação dos clientes e muito pedido de
manutenção.

13. O prazo de entrega dos apartamentos é satisfatório?


( ) Os produtos são sempre entregues no prazo planejado.
(X) A maior parte dos produtos são entregues dentro do prazo planejado, porém há
atrasos em outras entregas.
( ) Os produtos são sempre entregues com atrasos no calendário.
( ) A maior parte dos produtos são entregues fora do prazo planejado, porém há
entregas dentro do prazo.

14. Quais são os principais motivos de atrasos na entrega dos produtos?


(X) Erro de planejamento.
(X) Atraso na execução.
(X) Atraso de fornecedores.
( ) Outro. Qual?
85

15. As divergências entre a obra executada e o projeto devem-se:


(X) Incompatibilização entre projetos de diferentes áreas.
(X) Informações equivocada ou ausente na fase de projeto.
(X) Ausência ou incompletude do projeto executivo.
(X) Usualmente não são identificadas diferenças entre o projeto e a obra final.

O planejamento e a execução da estratégia de implementação da tecnologia


BIM exigem tempo e dedicação para que seja feito de maneira adequada. A
implementação demanda que a empresa tenha a consciência de que esse passo
envolverá mudança de cultura, investimentos em infraestrutura, treinamentos e
revisão de processos de trabalho.

16. Quais seriam as maiores dificuldades da empresa pra implementar o BIM?


( ) Resistência à mudança por parte dos funcionários.
( ) Dificuldade de inserir a tecnologia como fator qualitativo nas vendas dos produtos.
(X) Investimentos em hardware e software.
(X) Investimentos em treinamentos.
(X) Mudança organizacional, planejamento e gestão.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

17. Qual seria a sua maior barreira em uma migração para o sistema BIM?
( ) Resistência à mudança. Considero adequado o sistema atual e não vejo
considerável necessidade de aprimoramentos.
(X) Necessidade de treinamento sobre o BIM.
( ) Dificuldade para trabalhar com um novo sistema de gestão.
( ) Integração com os outros setores da empresa e/ou com as outras partes envolvidas
na obra.
( ) Cobrança por melhoria nos resultados.
( ) Outro. Qual? ________________________________________

18. Na sua visão o que pode ter o maior custo no processo de implementação do BIM?
( ) Investimento em hardware e software.
( ) Investimentos em treinamentos.
(X) Mudança organizacional, planejamento e gestão.
86

( ) Outro. Qual? ________________________________________

19. A baixa produção inicial pode ser uma objeção para você adotar o BIM?
( ) Sim, isso pode atrapalhar muito no nosso cumprimento de cronogramas e tarefas
planejadas.
(X) Não, a baixa produção inicial faz parte do processo de aprendizagem e o retorno
a longo prazo pode ser muito compensatório.

20. Sobre o tempo necessário para o treinamento para implementação do sistema BIM?
( ) Separar um tempo para o treinamento atrapalharia o desempenho no trabalho e
reduziria a produtividade, tornando inviável.
(X) É viável dispor tempo para treinar durante o horário de trabalho, mas seria algo
novo para a empresa.
( ) É viável dispor tempo para treinar durante o horário de trabalho e a empresa tem
experiencia na aplicação de outros treinamentos.

21. Na sua visão, as empresas terceirizadas de prestação de serviços, faria investimentos


em treinamentos de implementação BIM?
( ) Sim, a implementação do BIM beneficiaria muito essas empresas, e os custos não
seriam um empecilho para elas.
( ) Não, além dos custos de investimento, a implementação do BIM não beneficiaria
tanto essas empresas.
(X) Não tenho informações suficientes para responder.