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LEILA LAUAR SARMENTO

Gramática em textos, sintonizada com as atuais propostas de ensino,


apresenta os conteúdos gramaticais a partir de textos muito
variados e próximos ao universo dos alunos: tiras, charges,
anúncios, poemas, letras de música, notícias, crônicas, notas
jornalísticas, etc.
Nesta nova edição, a autora acentua esta qualidade da obra: é maior
a quantidade de textos que contextualizam os conceitos.
A teoria é praticada com um grande número de exercícios, muitos
também apoiados em textos.
Ao final de cada capítulo, um Resumo dos tópicos estudados e a
apresentação de questões atualizadas dos principais vestibulares
do país favorecem o estudo e a revisão dos conteúdos.
No final da obra, há apêndices que muito vão ajudar os alunos:
uma seção de tira-dúvidas esclarece as dificuldades mais comuns;
LEILA LAUAR SARMENTO
quadro de radicais, prefixos e sufixos, modelos de conjugação de
verbos regulares e irregulares e índice remissivo são ferramentas
que agilizam o estudo e a consulta.
Na nova edição houve também especial atenção à reorganização
dos conteúdos para facilitar o manuseio do livro.
O novo e moderno projeto gráfico contribui para que os alunos
usem a Gramática no seu dia-a-dia.
Por fim, é importante ressaltar os pontos que fizeram de Gramática
em textos um sucesso: metodologia afinada com as atuais
necessidades de professores e alunos, e simplicidade e objetividade
no tratamento da matéria.
ISBN 85-16-04834-9

9 7885 1 6 048341

CAPA Gramatica LP OK 1 15.08.08, 15:20


Leila Lauar Sarmento
Licenciada e pós-graduada em Língua Portuguesa
pela Universidade Federal de Minas Gerais
Autora da coleção Oficina de redação (5ª a 8ª séries e volume único) e de
Português: leitura, produção, gramática (5ª a 8ª séries), da Editora Moderna

2ª edição

Untitled-1 1 8/15/08 3:59:34 PM


Apêndice I

Dificuldades linguísticas 600

GT-•Apendice-1(599-618)RO 599 8/15/08, 1:40 PM


600
Apêndice 01
Dificuldades linguísticas
O emprego de determinadas palavras e expressões da língua muitas ve-
Apêndice

zes acarreta dúvidas. Veja alguns casos.

A anos / há anos
Emprega-se há com referência a tempo passado, equivalendo a faz; e a
na indicação de tempo futuro.
Há dias não chove. Ele não aparece há tempos.
Daqui a pouco sairemos. Ela virá daqui a um ano.

A fim de / afim

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A fim de é uma locução prepositiva que indica finalidade; afim é adjeti-
vo e significa semelhante.
Vim a fim de vê-la outra vez.
Os dois tinham gênios afins.
Acho que esse rapaz está
a fim de mim. (linguagem coloquial)

A meu ver
Não se usa o artigo o antes de pronome possessivo nesse tipo de locu-
ção (ao meu ver). Usa-se a meu ver, assim como a meu modo, a meu pedi-
do, a meu bel-prazer.
A meu ver o setor industrial recuperou-se.

A par / ao par
Usa-se a par no sentido de tomar conhecimento e ao par no sentido de
(em) equivalência cambial.
Ficou a par da sua decisão hoje.
O dólar e o ouro estão ao par.

À toa / à-toa
À toa é uma locução adverbial de modo que significa sem destino certo,
sem razão, inutilmente. À-toa é um adjetivo que significa sem importância,
desprezível.
Continuava à toa, sem nenhum trabalho à vista.
Este foi um gesto à-toa e precipitado.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 600 8/15/08, 1:40 PM


601
A ver / haver
Usa-se a expressão a ver com o sentido de ter relação de semelhança
com. O verbo haver significa existir e, nesse sentido, mantém-se sempre
na 3ª pessoa do singular.
O discurso do secretário teve muito a ver com o tema dos outros pales-

Apêndice
trantes da noite.
Esta semana deve haver manifestações contra os pedágios na BR-040.

Acerca de / há cerca de
Acerca de é uma locução prepositiva e corresponde a a respeito de; há
cerca de é uma locução que equivale a faz (como verbo impessoal) aproxi-
madamente.
Falou-me acerca de seu pedido.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Há cerca de dois dias resolvemos este caso.

Ao invés de / em vez de
Ao invés de corresponde a ao contrário de e em vez de significa no lugar de.
Na dúvida, opte pela forma em vez de, que pode se aplicar às duas situações.
Ao invés de sair, ele entrou na loja.
Em vez de chocolate, escolheu sorvete de creme.

Ao nível de / em nível de
As formas corretas são em nível de, que significa no âmbito de, e ao
nível de, equivalente à locução à altura de.
O aumento do salário mínimo será decidido em nível de Congresso.
Seu apartamento ficava ao nível da rua.

Ao telefone
Na indicação de proximidade ou vizinhança, emprega-se a preposição a,
em expressões como ao telefone, à janela, ao balcão, à máquina, e não na
janela ou no telefone.
A garota continua ao telefone.

Aonde / onde
Usa-se aonde com os verbos que dão ideia de movimento; equivale a para
onde. Com os verbos que não expressam a ideia de movimento, usa-se onde.
Aonde ele foi assim tão cedo? (ir para algum lugar)
Onde você mora?

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602
Bebedor / bebedouro
Bebedor é aquele que bebe; bebedouro (ou bebedoiro) é o aparelho
que fornece água.
Tornou-se um inveterado bebedor de cerveja.
Apêndice

O bebedouro da escola não está funcionando.

Bem-vindo / Benvindo
Bem-vindo é uma palavra composta que significa bem recebido, bem-
-aceito; Benvindo é nome próprio.
Seja bem-vindo à nossa festa.
Conheci Benvindo na faculdade.

Berruga / verruga

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
As duas formas estão corretas.
Tirei a verruga / berruga que tinha no nariz.

Boêmia / boemia
São formas variantes e podem ser usadas normalmente.
O poeta romântico vivia na boêmia / boemia.

Botijão / bujão (de gás)


As duas formas são corretas e se referem ao recipiente metálico usado
para armazenar gás.
Havia um botijão / bujão de gás de reserva.

Cabeleireiro
A palavra cabeleireiro provém de cabeleira mais o sufixo -eiro, que indica
a profissão.
Voltei ao cabeleireiro esta semana.

Câmara / câmera
Usa-se câmara com referência ao local de trabalho onde se reúnem os
deputados; câmera designa o aparelho que capta e reproduz imagens ou a
pessoa que o utiliza. Nesse sentido, também se pode usar a forma variante
câmara.
Alguns deputados não compareceram à Câmara hoje.
O fotógrafo usava uma câmera / câmara japonesa.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 602 8/15/08, 1:40 PM


603
Catorze / quatorze
As duas formas estão corretas.
Distribuíram catorze / quatorze fichas aos apostadores.

Apêndice
Champanha / champanhe
As duas formas estão corretas; o gênero da palavra é vacilante, ora ela é
usada no masculino, ora no feminino, mesmo na norma culta.
O(a) champanha / champanhe tem esse nome porque é oriundo(a) de
uma região da França chamada Champagne.

Cinquenta
Não se usa a forma cincoenta.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Adquiriu cinquenta livros para a biblioteca.

Cólera
Com o significado de raiva, fúria é substantivo feminino; quando se trata
da doença, o substantivo pode oscilar em gênero.
Agiu movido por uma cólera súbita.
O combate do(a) cólera continua por todo o Brasil.

Condor
Esse substantivo é oxítono, condor; não é correta a pronúncia côndor.
O condor vive em regiões montanhosas.

Continuar
Os verbos terminados em -uar têm a mesma desinência na primeira e na
terceira pessoas do singular do presente do subjuntivo, e na terceira pessoa
do singular do imperativo afirmativo: -e e não -i.
Não querem que eu continue o trabalho.
É preciso que você continue o curso.
Continue a caminhada, não pare!

Cota / quota
Admitem-se as duas formas, assim como cociente e quociente, cotidia-
no e quotidiano.
Já paguei a cota / quota do clube este mês.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 603 8/15/08, 1:40 PM


604
Dar à luz alguém
Com o sentido de parir, a expressão correta é dar à luz alguém, e não
dar a luz a alguém.
A jovem deu à luz trigêmeos.
Apêndice

De o
O sujeito jamais é preposicionado (no predicado, é o verbo que rege o
uso da preposição). Isso ocorre também com os pronomes ele, ela, aquele,
este e esse, quando fazem parte do sujeito. Nos exemplos que seguem, o
presidente é o sujeito do verbo falar, o marido é o sujeito de chegar, ele de
aceitar, aquele avalista de assinar e esse candidato de dizer. Por essa razão,
constitui erro grave dizer ... do presidente falar; ... do marido chegar; ... dele
aceitar; ... daquele avalista assinar; ... desse candidato dizer.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Este é o momento de o presidente falar.
sujeito

Não podia sair antes de o marido chegar.


sujeito

Era difícil de ele aceitar a proposta.


sujeito

Dependia agora de aquele avalista assinar.


sujeito

Chegou a hora de esse candidato dizer a verdade.


sujeito

Demais / de mais
Demais equivale ao advérbio demasiadamente e pode ser substituído
por muito. A expressão de mais significa a mais e opõe-se a de menos.
O resultado do exame saiu tarde demais. (muito tarde)
Ele me deu troco de mais. (a mais; ≠ de menos)

Descarrilar
Embora se encontre nos dicionários a forma descarrilhar, deve-se em-
pregar, preferencialmente, descarrilar (des + carril + ar).
O trem-bala já descarrilou algumas vezes.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 604 8/15/08, 1:40 PM


605
Descriminar / discriminar
Descriminar (des + crime + ar) significa liberar, inocentar, absolver de
crime, e discriminar significa separar, distinguir:
Certos governos pensam em descriminar o uso das drogas.

Apêndice
Ainda discriminam as pessoas nesta empresa.

Diabetes / diabete
Aceitam-se os dois números e os dois gêneros, embora o plural e o mas-
culino sejam mais indicados.
O(a) diabetes / diabete aumentou entre os brasileiros.

Disenteria
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Não existem as formas desenteria e desinteria.


O tempero carregado desses bolinhos causou-me disenteria.


Dó é um substantivo masculino e significa compaixão, pena ou lástima.
É também o nome da primeira nota da escala musical.
A solidão daquele velho causou-lhe muito dó.
Aquele dó desafinado decepcionou a plateia.

Em cores
Usa-se a expressão em cores e não a cores.
O jogo foi televisionado em cores.

Em domicílio / a domicílio
Usa-se a expressão em domicílio com os verbos entregar (se faz entre-
ga em um lugar e não a um lugar), dar (algo em domicílio), fazer (algo em
domicílio). A domicílio emprega-se com verbos que têm ideia de movi-
mento: levar, mandar, enviar, etc.
Foi feita a entrega em domicílio.
Dou aula de matemática no domicílio de Fernanda.
Nesta loja, enviamos a domicílio (as compras).

Em férias
Essa é a forma correta, e não de férias.
Entraremos em férias no próximo mês.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 605 8/15/08, 1:40 PM


606
Embaixo / em cima
A grafia correta dessas palavras é sempre essa. Não existe a forma encima.
Vivia embaixo do viaduto. (uma palavra apenas)
Ponha o café em cima da escrivaninha. (duas palavras)
Apêndice

Empecilho
Essa é a grafia correta, empecilho, e não impecilho.
Desfez todos os empecilhos para chegar até aqui.

Enfarte / enfarto / infarto


As três formas são admitidas.
O técnico sofreu um enfarte / enfarto / infarto ontem à noite.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Enfisema
A palavra é masculina e não existe a forma efisema.
O cigarro provocou um enfisema naquele senhor.

Espectador / expectador
Espectador é aquele que vê ou assiste; expectador (adjetivo muito me-
nos usado) é aquele que espera alguma coisa, que tem expectativa ou está
na expectativa de algo.
Os espectadores não gostaram do primeiro capítulo da novela.
A expectadora aguardava a chegada de sua encomenda a qualquer
momento.

Estada / estadia
Estada ou estadia é a permanência de algo ou alguém por um período
em determinado lugar.
A estada / estadia na Grécia proporcionou-nos muitas alegrias.
Prolonguei a estada / estadia do meu carro no estacionamento por
mais algumas horas.

Etc.
É a abreviação da expressão latina et cetera, que significa e outras coisas,
embora hoje também seja empregada em relação a pessoas.
Trouxeram os móveis, as peças de decoração, os eletrodomésticos, etc.
Marina só anda com boas companhias, como a Flávia, a Letícia, a Taís, etc.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 606 8/15/08, 1:40 PM


607
Fosforescente / fluorescente
Fosforescente é um adjetivo derivado do substantivo fósforo, uma subs-
tância que brilha no escuro. Fluorescente é também um adjetivo, mas de-
riva de flúor, elemento químico, e refere-se a determinado tipo de luminosi-
dade.

Apêndice
Este interruptor é feito de material fosforescente.
A luz branca da lanterna era fluorescente.

Garagem
A forma correta é garagem e não garage, que é um galicismo.
Entramos na garagem com certa dificuldade.

Gratuito
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A sílaba tônica desta palavra é tui (gratuito), e dentro dela a vogal u,


como em fortuito, circuito e fluido. Nessas palavras, o i não é tônico. Nun-
ca diga gratuíto.
Conseguimos entradas gratuitas para o espetáculo de terça-feira.

Hábitat
Trata-se de um substantivo masculino e significa o lugar em que vive um
organismo. Como palavra aportuguesada é proparoxítona e, portanto, tem
acento gráfico.
Seu hábitat natural é o homem.

Hidrelétrica / hidroelétrica
As duas formas são empregadas, sendo hidrelétrica a mais usual.
A usina hidrelétrica de Itaipu é uma obra grandiosa.

Ínterim
É palavra proparoxítona, portanto acentuada. Significa meio-tempo.
Naquele ínterim, ela refletiu bem e desistiu.

Irrequieto
Não se diz irriquieto e sim irrequieto, que quer dizer em constante mo-
vimento, agitado.
Era uma criança irrequieta.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 607 8/15/08, 1:40 PM


608
Látex
Trata-se de palavra paroxítona terminada em -x; por isso, é acentuada.
O látex é usado na confecção de vários materiais.
Apêndice

Lêvedo
Denominação de um tipo de fungo usado na industrialização da cerveja.
É palavra proparoxítona, recebendo, portanto, acento gráfico. A forma vari-
ante levedo, pronunciada como paroxítona, muito comum na fala coloquial,
já aparece registrada em alguns dicionários.
O lêvedo é utilizado na fabricação da cerveja.

Lotação

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
É substantivo masculino, em se tratando de veículo coletivo, e substanti-
vo feminino, como ato de lotar.
O lotação passou muito cheio e não parou no ponto.
O teatro teve sua lotação esgotada durante três dias consecutivos.

Maisena
É com s, porque, depois de ditongo, usa-se s e não z; este é um dos casos
em que a marca comercial, grafada com z, passou a designar o produto.
Comprei maisena no supermercado.

Mal / mau
A palavra mal pode ser:
• advérbio de modo, com o significado de erradamente, incorretamente;
contrapõe-se ao advérbio de modo bem:
Dormiu mal.
A carta estava mal redigida.

• substantivo, com o significado de algo prejudicial, nocivo, doença ou


enfermidade; opõe-se ao substantivo bem e pode vir antecedido de
artigo, adjetivo ou pronome:
Seu mal era acreditar em todos.
Estava dominado por males estranhos.
• conjunção subordinativa temporal, equivalente a assim que, logo que:
Mal chegaram os viajantes, acomodaram-se na pousada.

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609
A palavra mau pode ser:
• adjetivo, com significado de ruim, opondo-se a bom; o plural é maus e
o feminino má:
Demonstrou mau comportamento na igreja.

Apêndice
• substantivo:
Os maus nem sempre são os perdedores.
• Atenção
• Para verificar com clareza o emprego correto, pode-se substituir mal
por bem e mau por bom.

Mas / mais
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Mas é uma conjunção adversativa que expressa uma ideia contrária, opos-
ta ou adversa. Pode ser substituída por porém, todavia, contudo, entretanto.
Esperei-a, mas ela não apareceu.
Mais representa em geral um advérbio e, nesse caso, é o contrário de
menos.
Havia mais sonhos antigamente.

Menor (de idade)


Nunca se usa a forma de menor, que é incorreta.
Ivan ainda é menor (de idade).

Mertiolate / mertiolato
As duas formas vêm do nome comercial de uma substância antisséptica
e germicida, o timerosal; a marca comercial é Merthiolate, em inglês.
Passei mertiolate / mertiolato no seu joelho ferido.

Misto
A palavra misto deve ser escrita com s (nunca com x).
Somente um misto quente não lhe bastava.

Mortadela
Observe a escrita e a pronúncia correta dessa palavra.
O menino apreciava mortadela com queijo.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 609 8/15/08, 1:40 PM


610
Mozarela / muçarela
O nome desse tipo de queijo pode ser escrito de duas formas — moza-
rela ou muçarela:
Preferia mozarela / muçarela a mortadela.
Apêndice

Nada a ver / nada que ver


Usa-se o verbo ver e não haver nessa locução, precedido da preposição a.
É preferível, porém, a expressão nada que ver.
Seu passado não tinha nada a ver / nada que ver com isso.

Nem um / nenhum

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Nem um traz implícita a noção de nem um sequer, nem um único. A
palavra um, portanto, expressa quantidade.
Nem um cacho de bananas inteiro daria fim à fome do macaco.

Às vezes, a palavra um equivale a um pronome indefinido.


Nem um nem outro tinha troco.

Nenhum é um pronome indefinido variável em gênero e número. Em


geral, aparece antes de um substantivo e opõe-se a algum.
Nenhum jornal divulgou a notícia de sua candidatura.

Vindo em frase negativa não varia em número e equivale a algum.


Não havia nenhum cão nas redondezas. (cão algum)
Sua família não tinha nobreza nenhuma. (nobreza alguma)

Nobel
A palavra é oxítona; designa o prêmio que leva o nome do cientista sueco
Alfred Bernhard Nobel (1833-1896).
Foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz.

O braço
Não se usa o pronome antes de nomes que se referem a partes do corpo,
quando empregados como complementos.
Ao cair, quebrei o braço. (não meu braço)
As meninas torceram o nariz ao ouvir a proposta da mãe. (não seus
narizes)

GT-•Apendice-1(599-618)RO 610 8/15/08, 1:40 PM


611
Passar de
Na locução passar de, referindo-se a horas, o verbo permanece sempre
no singular.
Já passava das oito horas, e ele não havia voltado.

Apêndice
Personagem
Aceita-se o emprego do artigo masculino antes desse substantivo, po-
rém o feminino é mais adequado.
A(o) personagem era difícil de ser representada(o).

Por ora / por hora


A locução por ora significa por este momento, por enquanto.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Não necessito de seus serviços por ora.

A locução por hora corresponde a de sessenta em sessenta minutos.


Paguei o estacionamento por hora.

Prazerosamente
Não existe a vogal i nessa palavra, pois ela é formada do substantivo
prazer mais os sufixos -osa e -mente.
Aceitou prazerosamente minha oferta.

Privilégio
Essa é a grafia correta, e não previlégio.
Foi um privilégio hospedá-la.

Recorde
A forma aportuguesada recorde, paroxítona, é mais indicada do que récor-
de, proparoxítona, ou a forma inglesa record.
O triatleta bateu o recorde outra vez.

Reivindicar
Essa é a grafia correta, e não reinvindicar.
Os operários reivindicam mais empregos e melhores salários.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 611 8/15/08, 1:41 PM


612
Repetir o ano
Deve-se dizer repetir o ano (e não de ano), pois o verbo repetir é transi-
tivo direto.
Seu filho repetiu o ano?
Apêndice

Rubrica
É uma palavra paroxítona (rubrica) e significa assinatura abreviada.
Coloquei a rubrica no contrato.

Ruim
Deriva de ruína e pronuncia-se como oxítona (ruim).
O peixe tinha um gosto ruim.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Seção / sessão / cessão
Seção significa divisão, repartição, parte de uma publicação ou de um
todo; sessão refere-se ao tempo que dura uma reunião ou um espetáculo;
já cessão é o ato de ceder, dar.
Dê uma olhada na seção de brinquedos. (repartição)
A seção de culinária dessa revista está ótima. (parte de um todo)
Quero ver o filme, mas só posso ir à sessão das dez. (período de um espetáculo)
Ele já terminou a sessão com o psicanalista? (período de uma reunião)
Fizeram um contrato de cessão de direitos. (ato de ceder)

Seja / esteja
São as formas corretas. Não existem as formas seje e esteje.
Talvez ele seja convocado para o exército.
Espero que ele esteja presente à reunião.

Sem
Escrevem-se com hífen os substantivos compostos em que ocorre a pa-
lavra sem e emprega-se o artigo para a flexão de número.
Os sem-terra quase invadiram a fazenda do presidente.

Senão / se não
Senão corresponde a caso contrário. Se não equivale a se por acaso não
e, nesse caso, inicia orações subordinadas adverbiais condicionais.
Terminaremos o trabalho, senão não receberemos. (caso contrário)
Se não quiser acompanhar-me, entenderei. (se por acaso não)

GT-•Apendice-1(599-618)RO 612 8/15/08, 1:41 PM


613
Sentinela
Trata-se de um substantivo que pode ser usado no feminino ou no mas-
culino.
Na porta do prédio havia um(a) sentinela.

Apêndice
Sic
Palavra latina que significa assim. Emprega-se num texto para explicar ao
leitor que é assim mesmo, que o texto foi transcrito exatamente como estava.
E o prefeito concluiu: “Quem nada quer tudo perde” (sic).

Provavelmente, o prefeito usou por engano a palavra nada em lugar da


palavra tudo. Quem transcreveu a frase quis deixar claro que o equívoco já
estava no original, por isso usou a palavra sic entre parênteses.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Sine die
A expressão latina sine die significa sem uma data precisa e não varia.
Nossa viagem foi adiada sine die.

Sine qua non


Trata-se de uma expressão latina que indica uma condição sem a qual
não se fará alguma coisa. Seu plural é sine quibus non.
Você fará parte do grupo se ajudar no trabalho; é uma condição sine
qua non.

Tampouco / tão pouco


Tampouco é advérbio e corresponde a também não.
Ele não entrará e você tampouco.

Tão pouco é uma expressão constituída pelo advérbio tão e pelo advérbio
de intensidade ou pronome indefinido pouco. Como advérbio, pouco modifica
um verbo e não varia; como pronome, acompanha um substantivo e varia.
Caminhamos tão pouco hoje!
Vieram tão poucos convidados à festa!

Usucapião
Usa-se com artigo no masculino e no feminino, havendo preferência pelo
masculino.
Ficou com as terras por meio do(a) usucapião.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 613 8/15/08, 1:41 PM


614
Viagem / viajem
Escreve-se com g quando se trata do substantivo feminino.
Nossa viagem não foi longa.
Grafa-se com j quando representa uma das formas do verbo viajar.
Apêndice

Talvez eles viajem nas férias comigo.

Vou fazer / farei


Evite o gerundismo (vou estar fazendo), porque a construção é incorreta. Usa-
-se, no caso, vou fazer ou farei, isto é, vou + infinitivo ou futuro do presente.
Vou providenciar / providenciarei o envio das notas fiscais para o
início da semana que vem.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Vultoso / vultuoso
São adjetivos. Vultoso significa volumoso. Vultuoso significa atacado
de congestão na face.
Fez um negócio vultoso essa semana.
Seu rosto estava vultuoso e irreconhecível.

Aplicação
1 Empregue a forma correta encontrada nos parênteses.
a) Os preços estão elevados no supermercado  você vai? (onde, aonde)
b) A pesquisa sobre Genética foi  apresentada por um dos grupos.
(mal, mau)
c) Mantenha-nos  dos fatos durante sua estada em Fortaleza.
(a par, ao par)
d) Há muito  que trabalha no campo e em carvoarias. (de menor,
menor de idade)
e) Todos os voluntários serão  na ajuda aos flagelados. (bem-vin-
dos, benvindos)
f) O garçom serviu-me um salmão grelhado  filé-mignon. (em vez
de, ao invés de)
g)  o crescimento da economia poderá gerar novos empregos. (Ao
meu ver, A meu ver)
h)  dois meses minha família mudou-se para Blumenau. (Acerca
de, Há cerca de)
i) De manhã, andava  pelas ruas centrais da cidade. (à-toa, à toa)
j) Os usuários  uma redução na cobrança das passagens. (rein-
vindicam, reivindicam)
l) A Internet ocupava tempo  em sua vida. (de mais, demais)

GT-•Apendice-1(599-618)RO 614 8/15/08, 1:41 PM


615
2 Corrija a frase em que se empregou a palavra ou expressão des-
tacada incorretamente.
a) A passageira deu à luz uma menina antes de o táxi chegar ao
hospital.
b) Sua companhia tornou-se um privilégio durante a excursão.

Apêndice
c) A seleção dos candidatos será feita em nível de diretoria.
d) Minha mãe solicitou a entrega dos remédios em domicílio.
e) Esta decisão tem haver com os altos índices de evasão escolar. A ver.

3 Leia a tira.

O MENINO MALUQUINHO Ziraldo

ZIRALDO
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ZIRALDO. O Menino Maluquinho. ZAPPIN.


Sim, pois o adjetivo, no caso, deriva do substantivo flúor (tem a luminosidade do flúor) e não de fósforo (que
origina o adjetivo fosforescente, isto é, que tem a propriedade de brilhar no escuro)
Na tira lida, a palavra fluorescente está empregada corretamente?
Por quê?

4 Identifique as alternativas em que as palavras ou expressões


destacadas estão incorretas e corrija-as.
a) A jovem preferiu um sanduíche de muçarela..
b) Todos os desportistas enfrentaram impecilhos durante as compe-
tições. Empecilhos.
c) Leia o manual antes, se não poderá danificar o DVD. Senão.
d) As lâmpadas fluorescentes são mais econômicas.

5 Leia os quadrinhos.

CALVIN Bill Waltterson


2005 WATERSON/ATLANTIC SYNDICATION

WATTERSON, Bill. Calvin e Haroldo. São Paulo: Cedibra, 1998.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 615 8/15/08, 1:41 PM


616 Calvin elogia o pai com a “estratégia””das pesquisas na esperança de obter algo, mas não consegue enganá-lo.
a) Explique os comentários de Calvin sobre o pai.
b) No terceiro quadrinho, por que se empregou a palavra recorde?
Trata-se da forma aportuguesada, que é paroxítona e mais correta.

6 A forma correta em cada alternativa é:


a) rubrica / rúbrica Rubrica.
Apêndice

b) rúim / ruim Ruim.


c) ínterim / interim Ínterim.
d) garage / garagem Garagem.
e) maizena / maisena Maisena.

7 Crie uma frase com cada palavra ou expressão a seguir.


a) espectador
Pessoal. Sugestões: Os espectadores não gostaram da
b) usucapião nova banda; graças ao usucapião a família conseguiu
c) por ora aquele pedaço de terra; por ora, não moveremos nenhuma
ação contra vocês; que vocês viajem bem!; ela não
d) viajem viu a apresentação e meu pai tampouco.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
e) tampouco

8 Leia a tira.

GARFIELD Jim Davis

2005 PAWS, INC. ALL RIGHTS RESERVED/


ATLANTIC SYNDICATION
DAVIS, Jim. Garfield. Folha de S.Paulo, 11 jun. 2004.
É um modo bem-humorado de Garfield dizer que o envelhecimento é inevitável.
a) Interprete o pensamento de Garfield, no final da tira.
b) Releia o primeiro quadrinho e explique como ficaria a locução a
pouco na frase  completei 26 anos. Explique o uso da locução
na tira e justifique o segundo uso em sua resposta.
A frase ficaria Há pouco completei 26 anos. Na tira, a projeção é para o futuro, daí o emprego da preposição a.
Como agora se utilizou um verbo no passado (completei), emprega-se o verbo haver, que equivale a fazer.
9 Como se diz:
a) cincoenta ou cinquenta? Cinquenta.
b) Nóbel ou Nobel? Nobel.
c) hábitat ou habitat? Hábitat.
d) efisema ou enfisema? Enfisema.
e) latex ou látex? Látex.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 616 8/15/08, 1:41 PM


617

QUESTÕES DE VESTIBULARES
1. (UEM-PR) Assinale todo período em a) A ideia dela era  à minha. Afim.
que o termo em destaque está re- b) Ele não está  de sair comigo. A fim.

Apêndice
gistrado incorretamente.
5. (PUC-SP) Das cinco alternativas
Onde. X a) Não meta o nariz aonde não deve.
apresentadas nesta questão, apenas
Bem-vindos X b) Vestibulandos, benvindos à UEM!
uma completa adequadamente as
c) Foi fruto de um mal
mal-entendido ou sentenças abaixo. Aponte-a.
. de mau
mau-olhado?
I. Afinal, chegou o presente  tanto
Seção; X d) Nesta cessão trabalham somente
discriminação. esperávamos.
moças. Isso é descriminação
descriminação.
II.  você vai com tanta pressa?
Por que. X e) Ignoro porque meu colega ainda
III.  de dois meses, mudamos para
não chegou.
este bairro.
f) Os cidadãos, guardiães da pátria,
X a) por que, aonde, há cerca
tornaram-se os fiscais do Sarney.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

b) porque, onde, acerca


2. (FGB-SP) Assinale a alternativa em c) por que, onde, a cerca
que não haja erro de grafia. d) porque, onde, há cerca
Tampouco. a) Não tinha feito a prova no dia regu- e) porque, aonde, a cerca
lar nem tão pouco a substitutiva. 6. (ITA-SP) Assinalar a alternativa cor-
A fim. b) Afim de que as soluções pudessem
reta.
ser adotadas por todos, José de
Arimateia havia distribuído cópias a) Sinto-me contente quando minha
do relatório no dia anterior. bem amada não está mal humo-
X c) Porventura, meu Deus, estarei
rada.
X b) Sinto-me contente quando minha
louco?
Asterisco. d) Assinalou com um asterístico a ne-
bem-amada não está mal-humo-
cessidade de notas informativas rada.
adicionais. c) Sinto-me contente quando minha
Por isso. e) Com frequência, os médicos falam
bemamada não está mal humorada.
de AVC, Acidente Vascular Cerebral. d) Sinto-me contente quando minha
Porisso, os próprios pacientes já es- bem-amada não está mau humo-
tão familiarizados com esse termo. rada.
e) Sinto-me contente quando minha
3. (ITA-SP) Assinale a alternativa que bem-amada não está mau-humo-
preenche corretamente as lacunas. rada.
Quando  dois dias disse  ela que 7. (Fuel-PR) Ainda  pouco, fez-se re-
ia  Itália para concluir meus estu- ferência  possíveis mudanças para
dos, pôs-se  chorar. daqui  algumas semanas.
a) a, a, a, a a) a, à, a
b) há, à, à, a X b) há, a, a
c) a, à, a, à c) a, a, há
X d) há, a, à, a d) há, à, à
e) há, a, a, à e) a, à, há
4. (ESP-SP) Use a fim ou afim, confor- 8. (UM-SP) Assinale a alternativa que
me a solicitação dos enunciados a completa adequadamente as lacu-
seguir. nas do seguinte período.

GT-•Apendice-1(599-618)RO 617 8/15/08, 1:41 PM


618
Algumas pessoas não determinam  Temos, respectivamente:
provém sua insatisfação, porque não a) vultosas, senão, a, por quê
sabem  vão os sentimentos, nem  b) vultuosas, senão, a , porquê
mora a consideração pelo próximo. c) vultuosas, senão, a, por que
a) donde, onde, onde X d) vultosas, senão, há, porquê
X b) donde, aonde, onde
e) vultosas, se não, há, porquê
Apêndice

c) aonde, onde, aonde


d) aonde, aonde, aonde 11. (F. C. Chagas-BA) Age com  , 
e) donde, aonde, aonde queres fazer  à curiosidade alheia.
a) discreção, senão, conseções
9. (Fuvest-SP) Diga  elas que estejam
X b) discrição, se não, concessões
daqui  pouco  porta da biblio-
c) discrição, senão, conseções
teca.
d) discreção, se não, concessões
a) à, há, a e) discreção, senão, concessões
b) a, há, à
X c) a, a, à 12. (UFPR) Complete as lacunas, usando
d) à, a, a adequadamente mas, mais, mal, mau.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
e) a, a, a Pedro e João,  entraram em casa, per-
10. (ITA-SP) Preencha os claros das sen- ceberam que as coisas não estavam bem,
tenças. pois sua irmã caçula escolhera um  mo-
mento para comunicar aos pais que iria
Gastaram somas  (vultosas, vultuo-
viajar nas férias;  seus dois irmãos deixa-
sas) para evitar o perigo.
ram os pais  sossegados quando disseram
Ela tem o grave  (se não, senão) de
que a jovem iria com as primas e a tia.
ser invejosa.
A cidade de que  (há, a) pouco você a) mau, mal, mais, mas
falou não mais existe. b) mal, mal, mais, mais
X c) mal, mau, mas, mais
Ainda vou descobrir o  (porquê, por
que, por quê, por que) dessa polê- d) mal, mau, mas, mas
mica. e) mau, mau, mas, mais

GT-•Apendice-1(599-618)RO 618 8/15/08, 1:41 PM


Apêndice II

Radicais gregos 620


Radicais latinos 62 1
Prefixos gregos 62 1
Prefixos latinos 622
Sufixos nominais 623
Sufixos verbais 624
Sufixo adverbial 624
Substantivos coletivos 624
Alguns adjetivos pátrios do Brasil 625
Alguns adjetivos pátrios das Américas 626
Alguns adjetivos pátrios do mundo 626
Conjugação dos verbos auxiliares ter, haver, ser e estar 627
Conjugação dos verbos regulares 630
Conjugação dos verbos irregulares 633
Verbos abundantes 639
Índice de assuntos 640

GT-Apendice-2(619-648)RO 619 8/15/08, 1:43 PM


620
Apêndice 02
Radicais gregos
Radical Significado Exemplos
Apêndice

acro alto, elevado acrópole, acrobata


agogo o que conduz pedagogo, demagogo
agro campo agronomia, agrônomo
andro homem, macho androide, andrógino
anemo vento anemômetro, anemofilia
arcai, arqueo velho, antigo arcaico, arqueologia
arquia governo monarquia, anarquia
baro peso, pressão barômetro, barítono
bio vida biografia, biologia
caco feio, mau cacófato, cacoépia
cali belo caligrafia, calidoscópio
cin, cine, cines movimento cinética, cinesalgia

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
cito célula citologia, citoplasma
cosmo mundo cosmopolita, cosmovisão
cracia governo, poder democracia, teocracia
doxo crença, opinião ortodoxo, heterodoxo
dromo lugar para correr autódromo, hipódromo
eco casa, hábitat ecologia, ecossistema
edro face, base pentaedro, poliedro
ergo trabalho ergofobia, ergógrafo
etimo verdadeiro etimologia, etimologista
etno raça, nação etnia, etnologia
fago comer antropófago, necrófago
filo amigo filantropo, filósofo
flebo veia flebite, flebotomia
fono voz fonologia, fonógrafo
fos, foto luz fotofobia, fósforo
gamia casamento monogamia, poligamia
gene origem genética, gênese
geo terra geografia, geógrafo
gino mulher andrógino, ginecologista
gono, gonia ângulo polígono, goniômetro
helio sol heliografia, heliocêntrico
hemo, hemato sangue hemorragia, hematologia
hepato fígado hepatite, hepático
hetero outro, diferente heterodoxo, heterônimo
hidro água hidrografia, hidrômetro
hipno sono hipnose, hipnótico
hipo cavalo hipódromo, hipopótamo
homo, homeo semelhante homossexual, homeopatia
ícono imagem iconoclasta, iconografia
íctio peixe ictiófago, ictiologia
iso mesmo isometria, isóbaro
latria culto idolatria, egolatria
logo discurso diálogo, astrólogo
mancia adivinhação quiromancia, cartomancia
miso aversão misógino, misantropo
mnemo memória amnésia, mnemônico
necro morto necrófago, necrotério
noso doença nosologia, nosocômio
oniro sonho onírico, oniromancia

GT-Apendice-2(619-648)RO 620 8/15/08, 1:43 PM


621
proto primeiro protótipo, protozoário
psico alma psicopatia, psicologia
sema sinal semáforo, semiótica
sofo sabedoria filósofo, sofomaníaco
tanas, tanato morte tanatofobia, eutanásia
taqui rápido taquigrafia, taquígrafo
tecno arte tecnologia, tecnocrata

Apêndice
teo deus teologia, teólogo
trofia desenvolvimento atrofia, hipertrofia
xeno estranho xenofobia, xenofilia
xilo madeira xilogravura, xilofone
zoo animal zoologia, zoomorfo

Radicais latinos
Radical Significado Exemplos
agri campo agricultor, agrícola
ambi ambos ambivalente, ambidestro
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

animi alma anímico, desanimado


beli guerra bélico, beligerante
capiti cabeça capital, decapitar
cida que mata germicida, homicida
cola cultivar agrícola, vinícola
cordi coração cordial, recordar
cupri cobre cúpreo, cúprico
duco dirigir educar, educativo
fero que contém aurífero, carbonífero
igni fogo ígneo, ignição
loqui, loquo falante colóquio, loquaz
pato doença, sentimento simpatia, patologia
pisci peixe piscicultura, pisciano
puer criança pueril, puericultura
teluri terra, solo telúrico, telurismo
umbra sombra penumbra, umbroso
uxor esposa uxoricida, uxório
voro devorador carnívoro, herbívoro

Prefixos gregos
Prefixo Significado Exemplos
an-, a- privação, negação anarquia, anônimo, analgésico
ana- ação ou movimento inverso, anagrama, anacrônico, anáfora
repetição
anfi- ambos os lados, em torno de, anfíbio, anfiteatro
duplicidade
anti- oposição, ação contrária antiaéreo, antípoda,
antidemocrático
apo- afastamento, separação apogeu, apócrifo
arqui-, arc-, arque-, arce- superioridade arquiduque, arquipélago, arcanjo,
arcebispo
cata- de cima para baixo, oposição catálogo, catástrofe
dia-, di- através de, afastamento diocese, diâmetro
dis- dificuldade, mau estado dispneia, disenteria
ec-, ex- para fora eclipse, êxodo

GT-Apendice-2(619-648)RO 621 8/15/08, 1:43 PM


622
en-, em-, e- interior, dentro encéfalo, emplastro, elipse
endo-, end- interior, movimento para dentro endosmose, endovenoso
epi- superior, movimento para, epiderme, epitálio
posteridade
eu-, ev- bem, bom eufonia, evangelho
Apêndice

hiper- superior, excesso hipérbole, hipertensão


hipo- inferior, escassez hipodérmico, hipotensão
meta-, met- posteridade, mudança metacarpo, metátese
para-, par- proximidade, ao lado de paradigma, parábola
peri- em torno de perímetro, perífrase
pro- em frente, exterior prólogo, prognóstico
sin-, sim-, si- simultaneidade, companhia sinfonia, simpatia, sílaba

Prefixos latinos

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Prefixo Significado Exemplos
ab-, abs- afastamento, separação abdicar, abuso, abster-se
a-, ad- aproximação, mudança de estado abeirar, achegar, adjunto
ambi- duplicidade ambivalência, ambíguo
bene-, bem-, ben- bem, muito bom beneficente, bem-querer
bis-, bi- repetição, duas vezes bisavô, bisneto, bienal
circum- em redor, em torno circum-ambiente, circundar
cis- do lado de cá, aquém cisplatino, cisalpino
com-, con-, co- companhia, concordância compactuar, compatriota, conter
contra- oposição, direção contrária contrarrevolução, contrapor
de- de cima para baixo, separação decair, declive, depenar
des- negação, ação contrária desleal, desonra, desfazer
dis-, di- separação, movimento para dissociar, distender, dilacerar
diversos lados; negação
ex-, es-, e- para fora, estado anterior exportar, ex-aluno,
emergir, emigrar
extra- posição exterior, fora de extraoficial, extraterreno,
extraordinário
em-, en-, in-, im- movimento para dentro enlatar, embarcar, ingerir, imigrar
in-, im-, i-, ir- negação, privação intratável, imberbe, imaturo,
irreconhecível
intra- dentro de intravenoso, intrauterino,
intramuros
intro- movimento para dentro introvertido, introduzir
justa- ao lado justapor, justamarítimo
ob-, o- em frente, oposição objeto, obstáculo, opor
per- movimento através percorrer, perfurar, perpassar
pos- depois póstumo, posteridade, pós-guerra
pre- antes prefácio, prefixo, pré-escolar
pro- para a frente, em lugar de progresso, prosseguir, pronome

GT-Apendice-2(619-648)RO 622 8/15/08, 1:43 PM


623
re- repetição, para trás, intensidade recomeçar, regredir, redobrar,
reeleição
retro- para trás retroceder, retroativo
sub-, sob-, so-, sus- inferior, de baixo para cima subalimentado, sobpor,
soterrar, suspender
super-, sobre-, supra- em cima, superior, excesso super-homem, sobreviver,

Apêndice
supracitado
trans-, tras-, tres- através de, além de transatlântico, trasladar, transpassar
ultra- além de, excesso ultrapassar, ultras˙som
vice-, vis- em lugar de, em posição vice-presidente, vice-campeão
imediatamente inferior a

Sufixos nominais
Sufixo Significado Exemplos
-dor, -tor, -or, -eiro, cobrador, inspetor, professor,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

agente, profissão
-ista, -nte, -ário leiteiro, dentista, depoente, mesário
-ada, -agem, -ança, -aria, ação ou resultado de ação paulada, aprendizagem, liderança,
-eria, -ata, -ção, -ença, pirataria, correria, passeata,
-ência, -mento, -ura coação, crença, aquiescência,
alistamento, compostura
-dade, -ência, -ez, -eza, qualidade, estado felicidade, prudência, altivez, beleza,
-ice, -ície, -ismo, -or, meiguice, calvície, civismo, torpor,
-ude, -ume, -ura altitude, negrume, fofura
-acho, -culo, -ejo, -elho, diminuição fogacho, opúsculo, lugarejo, rapazelho,
-ela, -ete, -eta, -eto, ruela, corpete, vareta, livreto, burrico,
-ico, -ilha, -im, -inho, cartilha, flautim, livrinho, dedito,
-ito, -ola, -ota, -ote, sacola, velhota, filhote, homúnculo,
-únculo, -ito, -zinho pezito, leitãozinho
-aça, -aço, -lhão, -anzil, aumentativo barcaça, ricaço, espertalhão, corpanzil,
-rão, -rrão, -alha, -az, casarão, gatarrão, muralha, cartaz,
-ázio, -eirão, -ona, -orra, copázio, vozeirão, glutona, cabeçorra,
-zão, -zarrão pezão, homenzarrão
-ado, -ato-, -aria, -douro, lugar principado, internato, padaria,
-tório, -tério matadouro, lavatório, ministério
-zal, -agem, -ada, -alha, coleção, aglomeração cafezal, ramagem, boiada, cordoalha,
-ama, -ame, -ário, -aria, dinheirama, vasilhame, mobiliário,
-edo, -eiro, -eira, -ena, gritaria, arvoredo, formigueiro,
-io, -al cabeleira, dezena, mulherio, laranjal
-aco, -al, -estre, -ício, qualidade paradisíaco, colonial, rupestre,
-ico, -ino, -tico natalício, bélico, divino, náutico
-az, -ento, -into, -enho, abundante, intenso loquaz, gordurento, faminto, ferrenho,
-onho, -oso, -udo tristonho, oleoso, pontudo
-ino, -eo parecido ou semelhante aquilino, róseo
-aco, -aico, -ano, -ão, origem ou naturalidade polaco, hebraico, coreano, bretão,
-enho, -eno, -ense, -ês, panamenho, romeno, paraense,
-eu, -ino, -ista, -ita, -ota gaulês, europeu, argentino, nortista,
moscovita, cipriota
-ável, -ével, -ível, -óvel, tendência, possibilidade amigável, indelével, sensível, móvel,
-úvel, -iço, -ivo solúvel, movediço, lucrativo
-ista, -ano doutrina, partidário comunista, republicano

GT-Apendice-2(619-648)RO 623 8/15/08, 1:43 PM


624
Sufixos verbais
Sufixo Significado Exemplos
-ear, -ejar repetição (verbos frequentativos) espernear, gotejar, voejar
-icar, -itar, -iscar, -inhar diminuição (verbos diminutivos) bebericar, saltitar, mordiscar,
cuspinhar
Apêndice

-ecer, -escer início de ação (verbos incoativos) amadurecer, rejuvenescer


-izar, -entar ação causadora (verbos causativos) canalizar, afugentar

Sufixo adverbial
-mente modo cortesmente, mansamente

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Substantivos coletivos
acervo
acervo: bens, obras de arte hoste
hoste: soldados, soldados inimigos
alcateia
alcateia: lobos iconoteca
iconoteca: imagens, quadros
armada
armada: navios de guerra malta
malta: ladrões, vagabundos
arquipélago
arquipélago: ilhas manada
manada: gado graúdo
assembleia
assembleia: pessoas, professores mapoteca
mapoteca: cartas geográficas
atlas
atlas: cartas geográficas matilha
matilha: malandros, canalhas, cães
banda
banda: músicos milênio
milênio: mil anos
bando
bando: pessoas, animais multidão
multidão: pessoas
biblioteca
biblioteca: livros nuvem
nuvem: gafanhotos, insetos
biênio
biênio: dois anos orquestra
orquestra: músicos, cantores
bimestre: dois meses
bimestre penca
penca: flores, frutos
cabido
cabido: cônegos pinacoteca
pinacoteca: pinturas
cáfila
cáfila: camelos plateia
plateia: espectadores
caravana
caravana: viajantes, mercadores plêiade
plêiade: homens, poetas célebres
cardume
cardume: peixes quadriênio
quadriênio: quatro anos
claque
claque: pessoas pagas para aplaudir ou vaiar quarentena
quarentena: quarenta dias
coletânea
coletânea: trechos selecionados quarteto
quarteto: quatro pessoas
colmeia
colmeia: abelhas (em habitação) quinquênio
quinquênio: cinco anos
concílio
concílio: prelados, deuses quinteto
quinteto: cinco pessoas
conclave
conclave: cardeais para eleger o papa rebanho
rebanho: ovelhas, paroquianos
constelação
constelação: estrelas renque
renque: colunas, árvores
cordilheira
cordilheira: montanhas réstia
réstia: cebolas, alhos
cortejo
cortejo: acompanhantes em comitiva, séquito ou procissão século
século: cem anos
cortiço
cortiço: casas ou compartimentos paupérrimos e sujos sextilha
sextilha: seis versos
decênio
decênio: dez anos súcia
súcia: vagabundos, malandros
discoteca
discoteca: discos terceto
terceto: três pessoas, três versos
elenco
elenco: atores terno
terno: três coisas
enxame
enxame: abelhas (de uma colmeia) trezena
trezena: treze dias
esquadra
esquadra: navios de guerra tríduo
tríduo: três dias
esquadrilha
esquadrilha: aviões triênio
triênio: três anos
fauna: animais de uma região
fauna tropa
tropa: soldados, animais
flora
flora: plantas de uma região turba
turba: muitas pessoas
hemeroteca
hemeroteca: jornais, revistas turma
turma: pessoas afins
horda
horda: bárbaros, vândalos vara
vara: porcos

GT-Apendice-2(619-648)RO 624 8/15/08, 1:43 PM


625
Alguns adjetivos pátrios do Brasil
Estado ou cidade Adjetivo pátrio
Acre acreano ou acriano
Alagoas alagoano
Amapá amapaense

Apêndice
Amazonas amazonense
Anápolis (GO) anapolino
Angra dos Reis (RJ) angrense
Aracaju (SE) aracajuano ou aracajuense
Bahia baiano
Belém (PA) belenense
Belo Horizonte (MG) belo-horizontino
Boa Vista (RR) boa-vistense
Brasil brasileiro
Brasília (DF) brasiliense
Cabo Frio (RJ) cabo-friense
Campina Grande (PB) campinense
Campinas (SP) campineiro
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Campo Grande (MS) campo-grandense


Ceará cearense
Cuiabá (MT) cuiabano
Curitiba (PR) curitibano
Espírito Santo espírito-santense ou capixaba
Florianópolis (SC) florianopolitano
Fortaleza (CE) fortalezense
Goiânia (GO) goianiense
Goiás goiano
João Pessoa (PB) pessoense
Juiz de Fora (MG) juiz-forano ou juiz-forense
Macapá (AP) macapaense
Maceió (AL) maceioense
Manaus (AM) manauense
Marajó (ilha) marajoara
Maranhão maranhense
Mato Grosso mato-grossense
Mato Grosso do Sul mato-grossense-do-sul
Minas Gerais mineiro
Natal (RN) natalense ou papa-jerimum
Niterói (RJ) niteroiense
Novo Hamburgo (RS) hamburguense
Palmas (TO) palmense
Pará paraense ou paroara
Paraíba paraibano
Paraná paranaense
Pernambuco pernambucano
Petrópolis (RJ) petropolitano
Piauí piauiense
Poços de Caldas (MG) caldense
Porto Alegre (RS) porto-alegrense
Porto Velho (RO) porto-velhense
Recife (PE) recifense
Ribeirão Preto (SP) ribeiropretano, ribeiro-pretano, ribeirão-pretense ou ribeirão-pretano
Rio Branco (AC) rio-branquense
Rio de Janeiro (estado) fluminense
Rio de Janeiro (cidade) carioca

GT-Apendice-2(619-648)RO 625 8/15/08, 1:43 PM


626
Rio Grande do Norte rio-grandense-do-norte ou potiguar
Rio Grande do Sul rio-grandense-do-sul ou gaúcho
Rondônia rondoniense ou rondoniano
Roraima roraimense
Salvador (BA) salvadorense ou soteropolitano
Santa Catarina catarinense, catarineta ou barriga-verde
Apêndice

Santarém (PA) santareno


Santos (SP) santista
São Luís (MA) são-luisense ou ludovicense
São Paulo (estado) paulista
São Paulo (cidade) paulistano
Sergipe sergipano
Teresina (PI) teresinense
Tocantins tocantinense
Vitória (ES) vitoriense

Alguns adjetivos pátrios das Américas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
País, estado, região ou cidade Adjetivo pátrio
Alasca alasquense ou alasquiano
Assunção assuncionenho
Bogotá bogotano
Buenos Aires buenairense, bonaerense ou portenho
Caracas caraquenho
Chicago chicaguense
Costa Rica costa-riquenho ou costa-riquense
El Salvador salvadorenho
Equador equatoriano
Estados Unidos estadunidense, norte-americano ou ianque
Guatemala guatemalteco
Guiana guianense
Havana havanês
Honduras hondurenho
La Paz pacenho
Lima limenho
Manágua managuenho ou managuense
Montevidéu montevideano
Nicarágua nicaraguense ou nicaraguano
Nova Iorque nova-iorquino
Patagônia patagão
Porto Rico porto-riquenho
Quito quitenho
Terra do Fogo fueguino
Trinidad e Tobago trinitário

Alguns adjetivos pátrios do mundo


País, cidade ou região Adjetivo pátrio
Afeganistão afegão ou afegane
Bagdá bagdali
Bangladesh bengali
Barcelona barcelonês ou barcelonense
Bélgica belga

GT-Apendice-2(619-648)RO 626 8/15/08, 1:43 PM


627
Bilbau bilbaíno
Cairo cairota
Camarões camaronês
Canárias canarino
Catalunha catalão
Chipre cipriota

Apêndice
Congo congolês
Croácia croata
Curdistão curdo
Damasco damasceno
Egito egípcio
Etiópia etíope
Florença florentino
Galícia galego
Hungria húngaro
Índia indiano ou hindu
Israel israelense ou israelita
Japão japonês ou nipônico
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Java javanês ou jaú


Jerusalém hierosolimita ou hierosolimitano
Letônia leto ou letão
Madagascar malgaxe
Madri madrilenho ou madrilense
Málaga malaguenho
Mônaco monegasco
Mongólia mongol ou mongólico
Nápoles napolitano
Nova Zelândia neozelandês
País de Gales galês
Pequim pequinês
San Marino samarinês
Sardenha sardo
Somália somali
Tirol tirolês
Tunis tunisino
Ucrânia ucraniano
Varsóvia varsoviano

Conjugação dos verbos auxiliares ter,


haver, ser e estar

MODO INDICATIVO
Presente
tenho hei sou estou
tens hás és estás
tem há é está
temos havemos somos estamos
tendes haveis sois estais
têm hão são estão

GT-Apendice-2(619-648)RO 627 8/15/08, 1:43 PM


628
Pretérito imperfeito
tinha havia era estava
tinhas havias eras estavas
tinha havia era estava
tínhamos havíamos éramos estávamos
tínheis havíeis éreis estáveis
Apêndice

tinham haviam eram estavam

Pretérito perfeito
tive houve fui estive
tiveste houveste foste estiveste
teve houve foi esteve
tivemos houvemos fomos estivemos
tivestes houvestes fostes estivestes
tiveram houveram foram estiveram

Pretérito perfeito composto

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
tenho tido... tenho havido... tenho sido... tenho estado...

Pretérito mais-que-perfeito
tivera houvera fora estivera
tiveras houveras foras estiveras
tivera houvera fora estivera
tivéramos houvéramos fôramos estivéramos
tivéreis houvéreis fôreis estivéreis
tiveram houveram foram estiveram

Pretérito mais-que-perfeito composto


tinha tido... tinha havido... tinha sido... tinha estado...

Futuro do presente
terei haverei serei estarei
terás haverás serás estarás
terá haverá será estará
teremos haveremos seremos estaremos
tereis havereis sereis estareis
terão haverão serão estarão

Futuro do presente composto


terei tido... terei havido... terei sido... terei estado...

Futuro do pretérito
teria haveria seria estaria
terias haverias serias estarias
teria haveria seria estaria
teríamos haveríamos seríamos estaríamos
teríeis haveríeis seríeis estaríeis
teriam haveriam seriam estariam

Futuro do pretérito composto


teria tido... teria havido... teria sido... teria estado...

GT-Apendice-2(619-648)RO 628 8/15/08, 1:43 PM


629
MODO SUBJUNTIVO
Presente
tenha haja seja esteja
tenhas hajas sejas estejas
tenha haja seja esteja

Apêndice
tenhamos hajamos sejamos estejamos
tenhais hajais sejais estejais
tenham hajam sejam estejam

Pretérito imperfeito
tivesse houvesse fosse estivesse
tivesses houvesses fosses estivesses
tivesse houvesse fosse estivesse
tivéssemos houvéssemos fôssemos estivéssemos
tivésseis houvésseis fôsseis estivésseis
tivessem houvessem fossem estivessem
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Pretérito perfeito
tenha tido tenha havido tenha sido tenha estado

Pretérito mais-que-perfeito
tivesse tido... tivesse havido... tivesse sido... tivesse estado...

Futuro
tiver houver for estiver
tiveres houveres fores estiveres
tiver houver for estiver
tivermos houvermos formos estivermos
tiverdes houverdes fordes estiverdes
tiverem houverem forem estiverem

Futuro composto
tiver tido... tiver havido... tiver sido... tiver estado...

MODO IMPERATIVO
Afirmativo
— — — —
tem (tu) há (tu) sê (tu) está (tu)
tenha (você) haja (você) seja (você) esteja (você)
tenhamos (nós) hajamos (nós) sejamos (nós) estejamos (nós)
tende (vós) havei (vós) sede (vós) estai (vós)
tenham (vocês) hajam (vocês) sejam (vocês) estejam (vocês)

Negativo
— — — —
não tenhas (tu) não hajas (tu) não sejas (tu) não estejas (tu)
não tenha (você) não haja (você) não seja (você) não esteja (você)
não tenhamos (nós) não hajamos (nós) não sejamos (nós) não estejamos (nós)
não tenhais (vós) não hajais (vós) não sejais (vós) não estejais (vós)
não tenham (vocês) não hajam (vocês) não sejam (vocês) não estejam (vocês)

GT-Apendice-2(619-648)RO 629 8/15/08, 1:43 PM


630
FORMAS NOMINAIS
Infinitivo impessoal
ter haver ser estar

Infinitivo impessoal composto


Apêndice

ter tido ter havido ter sido ter estado

Infinitivo pessoal
ter (eu) haver (eu) ser (eu) estar (eu)
teres (tu) haveres (tu) seres (tu) estares (tu)
ter (ele) haver (ele) ser (ele) estar (ele)
termos (nós) havermos (nós) sermos (nós) estarmos (nós)
terdes (vós) haverdes (vós) serdes (vós) estardes (vós)
terem (eles) haverem (eles) serem (eles) estarem (eles)

Gerúndio
tendo havendo sendo estando

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Particípio
tido havido sido estado

Conjugação dos verbos regulares


cantar (1a conjugação), dever (2a conjugação), partir (3a conjugação)

MODO INDICATIVO
Presente
canto devo parto
cantas deves partes
canta deve parte
cantamos devemos partimos
cantais deveis partis
cantam devem partem

Pretérito imperfeito
cantava devia partia
cantavas devias partias
cantava devia partia
cantávamos devíamos partíamos
cantáveis devíeis partíeis
cantavam deviam partiam

Pretérito perfeito
cantei devi parti
cantaste deveste partiste
cantou deveu partiu
cantamos devemos partimos
cantastes devestes partistes
cantaram deveram partiram

GT-Apendice-2(619-648)RO 630 8/15/08, 1:43 PM


631
Pretérito perfeito composto
tenho cantado... tenho devido... tenho partido...

Pretérito mais-que-perfeito
cantara devera partira
cantaras deveras partiras

Apêndice
cantara devera partira
cantáramos devêramos partíramos
cantáreis devêreis partíreis
cantaram deveram partiram

Pretérito mais-que-perfeito composto


tinha cantado... tinha devido... tinha partido...

Futuro do presente
cantarei deverei partirei
cantarás deverás partirás
cantará deverá partirá
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

cantaremos deveremos partiremos


cantareis devereis partireis
cantarão deverão partirão

Futuro do presente composto


terei cantado... terei devido... terei partido...

Futuro do pretérito
cantaria deveria partiria
cantarias deverias partirias
cantaria deveria partiria
cantaríamos deveríamos partiríamos
cantaríeis deveríeis partiríeis
cantariam deveriam partiriam

Futuro do pretérito composto


teria cantado... teria devido... teria partido...

MODO SUBJUNTIVO
Presente
cante deva parta
cantes devas partas
cante deva parta
cantemos devamos partamos
canteis devais partais
cantem devam partam

Pretérito imperfeito
cantasse devesse partisse
cantasses devesses partisses
cantasse devesse partisse
cantássemos devêssemos partíssemos
cantásseis devêsseis partísseis
cantassem devessem partissem

GT-Apendice-2(619-648)RO 631 8/15/08, 1:43 PM


632
Pretérito perfeito
tenha cantado... tenha devido... tenha partido...

Pretérito mais-que-perfeito
tivesse cantado... tivesse devido... tivesse partido...
Apêndice

Futuro
cantar dever partir
cantares deveres partires
cantar dever partir
cantarmos devermos partirmos
cantardes deverdes partirdes
cantarem deverem partirem

Futuro composto
tiver cantado... tiver devido... tiver partido...

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
MODO IMPERATIVO
Afirmativo
— — —
canta deve parte
cante deva parta
cantemos devamos partamos
cantai devei parti
cantem devam partam

Negativo
— — —
não cantes não devas não partas
não cante não deva não parta
não cantemos não devamos não partamos
não canteis não devais não partais
não cantem não devam não partam

FORMAS NOMINAIS
Infinitivo impessoal
cantar dever partir

Infinitivo impessoal composto


ter cantado ter devido ter partido

Infinitivo pessoal
cantar dever partir
cantares deveres partires
cantar dever partir
cantarmos devermos partirmos
cantardes deverdes partirdes
cantarem deverem partirem

GT-Apendice-2(619-648)RO 632 8/15/08, 1:43 PM


633
Infinitivo pessoal composto
ter cantado... ter devido... ter partido...

Particípio
cantado devido partido

Apêndice
Gerúndio
cantando devendo partindo

Gerúndio composto
tendo cantado tendo devido tendo partido

Conjugação dos verbos irregulares


Apresentamos a seguir a conjugação (parcial) de alguns verbos irregulares.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Primeira Conjugação
• Aguar • Averiguar
Pres. ind. – águo (aguuo), águas (agu uas), água Pres. ind. – averíguo (averiguuo), averíguas (ave-
(agu
ua), aguamos, aguais, águam (agu uam). Pret. rigu
uas), averígua (averigu
ua), averiguamos, averi-
perf. ind. – aguei, aguaste, aguou, aguamos, guais, averíguam (averigu uam). Pret. perf. ind. –
aguastes, aguaram. Pres. subj. – águe (agu ue), averiguei, averiguaste, averiguou, averiguamos,
águes (agu ues), águe (aguue), aguemos, agueis, averiguastes, averiguaram. Pres. subj. – averígue
águem (agu uem). Imp. afirm. – água, águe, ague- (averiguue), averígues (averigu
ues), averígue (ave-
mos, aguai, águem. Particípio – aguado. Gerún- ue), averiguemos, averigueis, averíguem (ave-
rigu
dio – aguando. rigu
uem). Imp. afirm. – averigua, averigue, averi-
O verbo aguar admite duas conjugações para guemos, averiguai, averíguem. Particípio – ave-
algumas pessoas do presente do indicativo e do riguado. Gerúndio – averiguando.
presente do subjuntivo.
• Copiar
• Adequar (defectivo) Pres. ind. — copio, copias, copia, copiamos,
copiais, copiam. Pret. perf. ind. — copiei, co-
Pres. ind. — adequamos, adequais. Pres. subj.
piaste, copiou, copiamos, copiastes, copiaram.
— adequemos, adequeis. Imp. afirm. — ade-
Pret. imperf. ind. — copiava, copiavas, co-
quemos, adequai. Particípio — adequando.
piava, copiávamos, copiáveis, copiavam. Pret.
mais-que-perf. ind. — copiara, copiaras, co-
• Apiedar-se (abundante) piara, copiáramos, copiáreis, copiaram. Pres.
Pres. ind. — apiedo-me, apiedas-te, apieda-se, subj. — copie, copies, copie, copiemos, co-
apiedamo-nos, apiedais-vos, apiedam-se; ou pieis, copiem . Imp. afirm. — copia , copie,
apiado-me, apiadas-te, apiada-se, apiedamo- copiemos, copiai, copiem. Particípio — copi-
-nos, apiedais-vos, apiadam-se. Pres. subj. — ado. Gerúndio — copiando.
apiede-me, apiedes-te, apiede-se, apiedemo-
-nos, apiedeis-vos, apiedem-se. Imp. afirm. — • Dar
apieda-te, apiede-se, apiedemo-nos, apiedai-
Pres. ind. — dou, dás, dá, damos, dais, dão. Pret.
-vos, apiedem-se. Particípio — apiedado. Ge-
perf. ind. — dei, deste, deu, demos, destes, de-
rúndio — apiedando-se.
ram. Pret. mais-que-perf. ind. — dera, deras,
Apiedar-se é verbo essencialmente pronomi- deras, déramos, déreis, deram. Pres. subj. — dê,
nal e admite, hoje, duas conjugações para o pre- dês, dê, demos, deis, deem. Pret. imperf. subj.
sente do indicativo: apiedo-me ou apiado-me; — desse, desses, desse, déssemos, désseis, des-
apiedas-te ou apiadas-te, etc. sem. Fut. subj. — der, deres, der, dermos, der-
Na segunda forma, o -e do radical é substi- des, derem. Imp. afirm. — dá, dê, demos, dai,
tuído por -a somente nas formas rizotônicas. deem. Particípio — dado. Gerúndio — dando.

GT-Apendice-2(619-648)RO 633 8/15/08, 1:43 PM


634
O verbo dar e seus compostos — desdar e Segunda Conjugação
redar — são grafados com dois -ee na terceira
pessoa do plural do presente do subjuntivo. Já • Caber (defectivo)
os verbos crer, ler e ver são grafados com dois Pres. ind. — caibo, cabes, cabe, cabemos, ca-
-ee, mas na terceira pessoa do plural do presente beis, cabem. Pret. perf. ind. — coube, coubes-
do indicativo. te, coube, coubemos, coubestes, couberam.
Pret. mais-que-perf. ind. — coubera, coube-
Apêndice

• eles creem • que eles deem


• eles leem • que eles desdeem ras, coubera, coubéramos, coubéreis, couberam.
• eles veem • que eles redeem Pres. subj. - caiba, caibas, caiba, caibamos,
caibais, caibam. Pret. imperf. subj. — coubes-
• Magoar se, coubesses, coubesse, coubéssemos, coubés-
Pres. ind. — magoo, magoas, magoa, mago- seis, coubessem. Fut. subj. — couber, coube-
amos, magoais, magoam. Pret. perf. ind. — res, couber, coubermos, couberdes, couberem.
magoei, magoaste, magoou, magoamos, ma- Particípio — cabido. Gerúndio — cabendo.
goastes, magoaram. Pres. subj. — magoe, O -a do radical cab- muda em ai na primeira
magoes, magoe, magoemos, magoeis, mago- pessoa do singular do presente do indicativo e,
em. Particípio — magoado. Gerúndio — ma- portanto, também nas formas derivadas desse
goando. tempo verbal.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O -a do radical cab- muda em -ou no preté-
• Mobiliar rito perfeito do indicativo e, também, nas for-
Pres. ind. — mobílio, mobílias, mobília, mobili- mas derivadas desse tempo verbal.
amos, mobiliais, mobíliam. Pres. subj. — mo- Devido a seu significado, o verbo caber não
bílie, mobílies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, é conjugado no imperativo afirmativo nem no
mobíliem. Imp. afirm. — mobília, mobílie, mo- imperativo negativo.
biliemos, mobiliai, mobíliem. Particípio — mo-
biliado. Gerúndio — mobiliando. • Dizer
Nas formas rizotônicas, o verbo mobiliar é Pres. ind. — digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, di-
proparoxítono. zem. Pret. perf. ind. — disse, disseste, disse, dis-
semos, dissestes, disseram. Pret. mais-que-perf.
• Nomear ind. — dissera, disseras, dissera, disséramos, dis-
Pres. ind. — nomeio, nomeias, nomeia, nome- séreis, disseram. Fut. pres. ind. — direi, dirás, dirá,
amos, nomeais, nomeiam. Pret. perf. ind. — diremos, direis, dirão. Fut. pret. ind. — diria, dirias,
nomeei, nomeaste, nomeou, nomeamos, nome- diria, diríamos, diríeis, diriam. Pres. subj. — diga,
astes, nomearam. Pret. imperf. ind. — nomea- digas, diga, digamos, digais, digam. Pret. imperf.
va, nomeavas, nomeava, nomeávamos, nome- subj. — dissesse, dissesses, dissesse, dissésse-
áveis, nomeavam. Pres. subj. — nomeie, no- mos, dissésseis, dissessem. Fut. subj. — disser,
meies, nomeie, nomeemos, nomeeis, nomeiem. disseres, disser, dissermos, disserdes, disserem.
Imp. afirm. — nomeia, nomeie, nomeemos, Imp. afirm. — dize, diga, digamos, dizei, digam.
nomeai, nomeiem. Particípio — nomeado. Ge- Particípio — dito. Gerúndio — dizendo.
rúndio — nomeando.
Os verbos conjugados como nomear recebem, • Doer (defectivo)
nas formas rizotônicas, -i depois da vogal -e. Pres. ind. — dói, doem. Pret. perf. ind. — doeu,
doeram. Pret. imperf. ind. — doía, doíam. Pret.
• Odiar mais-que-perf. ind. — doera, doeram. Fut. pres.
Pres. ind. — odeio, odeias, odeia, odiamos, ind. — doerá, doerão. Fut. pret. ind. — doeria,
odiais, odeiam. Pret. perf. ind. — odiei, odias- doeriam. Pres. subj. — doa, doam. Pret. imperf.
te, odiou, odiamos, odiastes, odiaram. Pres. subj. — doesse, doessem. Fut. subj. — doer, doe-
subj. — odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, rem. Particípio — doído. Gerúndio — doendo.
odeiem. Imp. afirm. — odeia, odeie, odiemos, Doer-se e condoer-se conjugam-se da mes-
odiai,odeiem. Particípio — odiado. Gerúndio — ma maneira que o verbo moer (mesmos tem-
odiando. pos e mesmas pessoas).
Nas formas rizotônicas de odiar, bem como O verbo doer, por sua significação, não é
dos verbos conjugados da mesma forma, o -i empregado no imperativo afirmativo nem no im-
do radical é substituído por -e. perativo negativo.

GT-Apendice-2(619-648)RO 634 8/15/08, 1:44 PM


635
• Fazer ind. — podia, podias, podia, podíamos, podíeis, po-
Pres. ind. — faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fa- diam. Pret. mais-que-perf. ind. — pudera, pu-
zem. Pret. perf. ind. — fiz, fizeste, fez, fizemos, deras, pudera, pudéramos, pudéreis, puderam.
fizestes, fizeram. Pret. mais-que-perf. ind. — fi- Pres. subj. — possa, possas, possa, possamos,
zera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, fizeram. Fut. possais, possam. Pret. imperf. subj. — pudes-
pres. ind. — farei, farás, fará, faremos, fareis, fa- se, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudésseis,
rão. Fut. pret. ind. — faria, farias, faria, faríamos, pudessem. Fut. subj. — puder, puderes, puder,

Apêndice
faríeis, fariam. Pres. subj. faça, faças, faça, faça- pudermos, puderdes, puderem. Inf. pessoal — po-
mos, façais, façam. Pret. imperf. subj. — fizesse, der, poderes, poder, podermos, poderdes, pode-
fizesses, fizesse, fizéssemos, fizésseis, fizessem. rem. Particípio — podido. Gerúndio — podendo.
Fut. subj. — fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, O verbo poder não é usado no imperativo
fizerem. Imp. afirm. — faze, faça, façamos, fazei, afirmativo nem no imperativo negativo.
façam. Particípio — feito. Gerúndio — fazendo.
• Pôr
• Ler Pres. ind. — ponho, pões, põe, pomos, pondes,
Pres. ind. — leio, lês, lê, lemos, ledes, leem. põem. Pret. perf. ind. — pus, puseste, pôs, pu-
Pret. perf. ind. — li, leste, leu, lemos, lestes, semos, pusestes, puseram. Pret. imperf. ind.
leram. Pret. imperf. ind. — lia, lias, lia, líamos, — punha, punhas, punha, púnhamos, púnheis,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

líeis, liam. Pret. mais-que-perf. ind. — lera, punham. Pret. mais-que-perf. ind. — pusera,
leras, lera, lêramos, lêreis, leram. Pret. imperf. puseras, pusera, puséramos, puséreis, puseram.
subj. — lesse, lesses, lesse, lêssemos, lêsseis, Pres. subj. — ponha, ponhas, ponha, ponhamos,
lessem. Imp. afirm. — lê, leia, leiamos, lede, leiam. ponhais, ponham. Pret. imperf. subj. — puses-
Particípio — lido. Gerúndio — lendo. se, pusesses, pusesse, puséssemos, pusésseis,
pusessem. Fut. subj. — puser, puseres, puser,
• Moer pusermos, puserdes, puserem. Inf. pessoal —
Pres. ind. — moo, móis, mói, moemos, moeis, pôr, pores, pôr, pormos, pordes, porem. Particí-
moem. Pret. perf. ind. — moí, moeste, moeu, pio — posto. Gerúndio — pondo.
moemos, moestes, moeram. Pret. imperf. ind. Pôr é o antigo verbo poer, por isso pertence
— moía, moías, moía, moíamos, moíeis, moíam. à segunda conjugação.
Pret. mais-que-perf. ind. — moera, moeras,
moera, moêramos, moêreis, moeram. Pres. • Prazer (defectivo)
subj. — moa, moas, moa, moamos, moais, Pres. ind. — praz. Pret. perf. ind. — prouve.
moam. Pret. imperf. subj. — moesse, moes- Pret. Imperf.ind. — prazia. Pret. mais-que-
ses, moesse, moêssemos, moêsseis, moessem. -perf. ind. — prouvera. Fut. pres. ind. — pra-
Imp. afirm. — mói, moa, moamos, moei, moam. zerá. Fut. pret. ind. — prazeria. Pres. subj. —
Particípio — moído. Gerúndio — moendo. praza. Pret. imperf. subj. — prouvesse. Fut.
Nos verbos que apresentam a mesma con- subj. — prouver. Particípio — prazido. Gerún-
jugação de moer, a vogal -o da terminação -oem dio — prazendo.
(terceira pessoa do plural do presente do indica-
O verbo prazer e seus derivados — aprazer e
tivo) é aberta.
desaprazer — são conjugados apenas na tercei-
ra pessoa do singular.
• Perder
Pres. ind. — perco, perdes, perde, perdemos, • Precaver (defectivo)
perdeis, perdem. Pres. subj. — perca, percas,
Pres. ind. — precavemos, precaveis. Pret. perf.
perca, percamos, percais, percam. Imp. afirm.
ind. — precavi, precaveste, precaveu, precavemos,
— perde, perca, percamos, perdei, percam. Par-
precavestes, precaveram. Pret. imperf. ind. —
ticípio — perdido. Gerúndio — perdendo.
precavia, precavias, precavia, precavíamos, preca-
Em perco (primeira pessoa do singular do víeis, precaviam. Pret. mais-que-perf. ind. —
presente do indicativo), a vogal -e tem timbre precavera, precaveras, precavera, precavêramos,
fechado. precavêreis, precaveram. Pret. imperf. subj. —
precavesse, precavesses, precavesse, precavêsse-
• Poder (defectivo) mos, precavêsseis, precavessem. Fut. subj. — pre-
Pres. ind. — posso, podes, pode, podemos, po- caver, precaveres, precaver, precavermos, pre-
deis, podem. Pret. perf. ind. — pude, pudeste, caverdes, precaverem. Imp. afirm. — precavei.
pôde, pudemos, pudestes, puderam. Pret. imperf. Particípio — precavido. Gerúndio — precavendo.

GT-Apendice-2(619-648)RO 635 8/15/08, 1:44 PM


636
O verbo precaver só se conjuga nas formas • Reaver (defectivo)
arrizotônicas e é bastante empregado na forma Pres. ind. — reavemos, reaveis. Pret. perf. ind.
reflexiva: precaver-se. — reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reou-
Não é conjugado no presente do subjuntivo vestes, reouveram. Pret. mais-que-perf. ind.
nem no imperativo negativo. — reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos,
reouvéreis, reouveram. Pret. imp. subj. — rou-
vesse, reouvesses, reouvesse, rouvéssemos,
Apêndice

• Prover
reouvésseis, reouvessem. Fut. subj. — reouver,
Pres. ind. — provejo, provês, provê, provemos,
reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes,
provedes, proveem. Pret. perf. ind. — provi, pro-
reouverem. Imp. afirm. — reavei. Particípio —
veste, proveu, provemos, provestes, proveram.
reavido. Gerúndio — reavendo.
Pret. imperf. ind. — provia, provias, provia, pro-
O verbo reaver é conjugado como haver ape-
víamos, províeis, proviam. Pret. mais-que-perf.
nas nas formas em que este apresenta a letra
ind. — provera, proveras, provera, provêramos,
-v. Como não é conjugado na primeira pessoa
provêreis, proveram. Fut. pres. ind. — proverei,
do singular do presente do indicativo, esse verbo
proverás, proverá, proveremos, provereis, prove-
não possui conjugação no presente do subjunti-
rão. Fut. pret. ind. — proveria, proverias, prove-
vo nem no imperativo negativo.
ria, proveríamos, proveríeis, proveriam. Pres. subj.
— proveja, provejas, proveja, provejamos, prove-
• Saber

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jais, provejam. Pret. imperf. subj. — provesse,
provesses, provesse, provêssemos, provêsseis, Pres. ind. — sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis,
provessem. Fut. subj. — prover, proveres, prover, sabem. Pret. perf. ind. — soube, soubeste, sou-
provermos, proverdes, proverem. Imp. afirm. — be, soubemos, soubestes, souberam. Pret.
provê, proveja, provejamos, provede, provejam. mais-que-perf. ind. — soubera, souberas, sou-
Particípio — provido. Gerúndio — provendo. bera, soubéramos, soubéreis, souberam. Pres.
subj. — saiba, saibas, saiba, saibamos, saibais,
saibam. Pret. imperf. subj. — soubesse, sou-
• Querer besses, soubesse, soubéssemos, soubésseis,
Pres. ind. — quero, queres, quer, queremos, soubessem. Fut. subj. — souber, souberes, sou-
quereis, querem. Pret. perf. ind. — quis, qui- ber, soubermos, souberdes, souberem. Particí-
seste, quis, quisemos, quisestes, quiseram. pio — sabido. Gerúndio — sabendo.
Pret. mais-que-perf. ind. — quisera, quiseras,
quisera, quiséramos, quiséreis, quiseram. Pres.
• Trazer
subj. — queira, queiras, queira, queiramos, quei-
Pres. ind. — trago, trazes, traz, trazemos, tra-
rais, queiram. Pret. imperf. subj. — quisesse,
zeis, trazem. Pret. perf. ind. — trouxe, trouxes-
quisesses, quisesse, quiséssemos, quisésseis,
te, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram.
quisessem. Fut. subj. — quiser, quiseres, qui-
Pret. imperf. ind. — trazia, trazias, trazia, trazía-
ser, quisermos, quiserdes, quiserem. Particípio
mos, trazíeis, traziam. Pret. mais-que-perf.
— querido. Gerúndio — querendo.
ind. — trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéra-
mos, trouxéreis, trouxeram. Fut. pres. ind. —
• Requerer trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão. Fut.
Pres. ind. — requeiro, requeres, requer, reque- pret. ind. — traria, trarias, traria, traríamos, tra-
remos, requereis, requerem. Pret. perf. ind. — ríeis, trariam. Pres. subj. — traga, tragas, traga,
requeri, requereste, requereu, requeremos, reque- tragamos, tragais, tragam. Pret. imperf. subj.
restes, requereram. Pret. mais-que-perf. ind. — trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxésse-
— requerera, requereras, requerera, requerêra- mos, trouxésseis, trouxessem. Fut. subj. trou-
mos, requerêreis, requereram. Pres. subj. — re- xer, trouxeres, trouxer, trouxermos, trouxerdes,
queira, requeiras, requeira, requeiramos, requei- trouxerem. Imp. afirm. traze, traga, tragamos,
rais, requeiram. Pret. imperf. subj. — requeres- trazei, tragam. Infin. pessoal — trazer, trazeres,
se, requeresses, requeresse, requerêssemos, re- trazer, trazermos, trazerdes, trazerem. Particí-
querêsseis, requeressem. Fut. subj. — requerer, pio — trazido. Gerúndio — trazendo.
requereres, requerer, requerermos, requererdes,
requererem. Imp. afirm. — requere, requeira, • Valer
requeiramos, requerei, requeiram. Particípio — Pres. ind. — valho, vales, vale, valemos, valeis,
requerido. Gerúndio — requerendo. valem. Pret. perf. ind. — vali, valeste, valeu, va-
Os verbos requerer e querer não são conju- lemos, valestes, valeram. Pret. imperf. ind. —
gados da mesma forma. valia, valias, valia, valíamos, valíeis, valiam. Pres.

GT-Apendice-2(619-648)RO 636 8/15/08, 1:44 PM


637
subj. — valha, valhas, valha, valhamos, valhais, Nas formas rizotônicas do presente do indi-
valham. Pret. imperf. subj. — valesse, vales- cativo, os verbos conjugados como agredir têm
ses, valesse, valêssemos, valêsseis, valessem. o -e do radical substituído por -i, e essa substi-
Fut. subj. — valer, valeres, valer, valermos, va- tuição ocorre, também, nas formas derivadas
lerdes, valerem. Imp. afirm. — vale, valha, va- desse tempo verbal.
lhamos, valei, valham. Imp. neg. — não valhas,
não valha, não valhamos, não valhais, não valham. • Cair

Apêndice
Particípio — valido. Gerúndio — valendo. Pres. ind. — caio, cais, cai, caímos, caís, caem.
Pret. perf. ind. — caí, caíste, caiu, caímos, caís-
• Ver tes, caíram. Pret. imperf. ind. — caía, caías, caía,
Pres. ind. — vejo, vês, vê, vemos, vedes, veem. caíamos, caíeis, caíam. Pret. mais-que-perf.
Pret. perf. ind. — vi, viste, viu, vimos, vistes, ind. — caíra, caíras, caíra, caíramos, caíreis, caí-
viram. Pret. mais-que-perf. ind. — vira, viras, ram. Pres. subj. — caia, caias, caia, caiamos,
vira, víramos, víreis, viram. Pres. subj. — veja, caiais, caiam. Pret. imperf. subj. — caísse,
vejas, veja, vejamos, vejais, vejam. Pret. imperf. caísses, caísse, caíssemos, caísseis, caíssem. Fut.
subj. — visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vis- subj. — cair, caíres, cair, cairmos, cairdes, caírem.
sem. Fut. subj. — vir, vires, vir, virmos, virdes, Imp. afirm. — cai, caia, caiamos, caí, caiam. Par-
virem. Imp. afirm. — vê, veja, vejamos, vede, ticípio — caído. Gerúndio — caindo.
vejam. Particípio — visto. Gerúndio — vendo.
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• Cobrir
Terceira Conjugação Pres. ind. — cubro, cobres, cobre, cobrimos,
• Abolir (defectivo) cobris, cobrem. Pres. subj. — cubra, cubras, cu-
Pres. ind. — aboles, abole, abolimos, abolis, abo- bra, cubramos, cubrais, cubram. Imp. afirm. —
lem. Pret. perf. ind. — aboli, aboliste, aboliu, abo- cobre, cubra, cubramos, cobri, cubram. Particí-
limos, abolistes, aboliram. Pret. imperf. ind. — pio — coberto. Gerúndio — cobrindo.
abolia, abolias, abolia, abolíamos, abolíeis, aboliam. Os verbos conjugados como cobrir têm o -o do
Pret. mais-que-perf. ind. — abolira, aboliras, radical substituído por -u na primeira pessoa do
abolira, abolíramos, abolíreis, aboliram. Fut. pres. presente do indicativo. Por consequência, o mes-
ind. — abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abo- mo ocorre nas formas derivadas desta pessoa
lireis, abolirão. Fut. pret.ind. — aboliria, abolirias, de tempo verbal.
aboliria, aboliríamos, aboliríeis, aboliriam. Pret.
imperf. subj. — abolisse, abolisses, abolisse, abo- • Conduzir
líssemos, abolísseis, abolissem. Fut. subj. — abolir,
Pres. ind. — conduzo, conduzes, conduz, con-
abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem.
duzimos, conduzis, conduzem. Pres. subj. —
Imp. afirm. — abole, aboli. Inf. pessoal — abolir,
conduza, conduzas, conduza, conduzamos, con-
abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem.
duzais, conduzam. Imp. afirm. — conduze, con-
Particípio — abolido. Gerúndio — abolindo.
duza, conduzamos, conduzi, conduzam. Parti-
Os verbos que são conjugados como abolir cípio — conduzido. Gerúndio — conduzindo.
só apresentam conjugação nas formas em que
Os verbos conduzir e outros com final em
há -e ou -i após a última letra do radical. Por isso,
-uzir admitem uma variação na segunda pessoa
esses verbos não são conjugados no presente do
do singular do imperativo — conduze (tu). Su-
subjuntivo nem no imperativo negativo.
prime-se a vogal -e final, resultando, no caso,
conduz (tu).
• Acudir
Pres. ind. — acudo, acodes, acode, acudimos, • Construir
acudis, acodem. Pres. subj. — acuda, acudas, Pres. ind. — construo, constróis, constrói, cons-
acuda, acudamos, acudais, acudam. Imp. afirm. truímos, construís, constroem. Pret. perf. ind.
— acode, acuda, acudamos, acudi, acudam. Par- — construí, construíste, construiu, construímos,
ticípio — acudido. Gerúndio — acudindo. construístes, construíram. Pret. imperf. ind.
— construía, construías, construía, construía-
• Agredir mos, construíeis, construíam. Pret. mais-que-
Pres. ind. — agrido, agrides, agride, agredimos, -perf. ind. — construíra, construíras, construí-
agredis, agridem. Pres. subj. — agrida, agridas, ra, construíramos, construíreis, construíram.
agrida, agridamos, agridais, agridam. Imp. afirm. Imp. afirm. — constrói, construa, construamos,
— agride, agrida, agridamos, agredi, agridam. construí, construam. Particípio — construído.
Particípio — agredido. Gerúndio — agredindo. Gerúndio — construindo.

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638
• Falir (defectivo) — fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fos-
Pres. ind. — falimos, falis. Pret. perf. ind. — sem. Fut. subj. — for, fores, for, formos, fordes,
fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram. Pret. forem. Imp. afirm. — vai, vá, vamos, ide, vão.
imperf. ind. — falia, falias, falia, falíamos, fa- Imp. neg. — não vás, não vá, não vamos, não
líeis, faliam. Pret. mais-que-perf. ind. — falira, vades, não vão. Inf. pessoal — ir, ires, ir, irmos,
faliras, falira, falíramos, falíreis, faliram. Fut. pres. irdes, irem. Particípio — ido. Gerúndio — indo.
ind. — falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, fa-
Apêndice

lirão. Fut. pret. ind. — faliria, falirias, faliria, fali- • Ouvir


ríamos, faliríeis, faliriam. Pret. imperf. subj. — Pres. ind. — ouço, ouves, ouve, ouvimos, ou-
falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, fa- vis, ouvem. Pres. subj. — ouça, ouças, ouça,
lissem. Fut. subj. — falir, falires, falir, falirmos, ouçamos, ouçais, ouçam. Imp. afirm. — ouve,
falirdes, falirem. Imp. afirm. — fali. Inf. pessoal ouça, ouçamos, ouvi, ouçam. Particípio — ou-
— falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem. vido. Gerúndio — ouvindo.
Particípio — falido. Gerúndio — falindo.
Os verbos conjugados como falir apresen- • Pedir
tam conjugação nas formas em que à última le-
Pres. ind. — peço, pedes, pede, pedimos, pe-
tra do radical se segue a vogal -i. Portanto, es- dis, pedem. Pres. subj. — peça, peças, peça,
ses verbos não são conjugados no presente do peçamos, peçais, peçam. Imp. afirm. — pede,
subjuntivo nem no imperativo negativo. peça, peçamos, pedi, peçam. Particípio — pe-

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dido. Gerúndio — pedindo.
• Ferir
Pres. ind. — firo, feres, fere, ferimos, feris, fe- • Polir
rem. Pres. subj. — fira, firas, fira, firamos, firais, Pres. ind. — pulo, pules, pule, polimos, polis, pu-
firam. Imp. afirm. — fere, fira, firamos, feri, fi- lem. Pres. subj. — pula, pulas, pula, pulamos, pu-
ram. Particípio — ferido. Gerúndio — ferindo. lais, pulam. Imp. afirm. — pule, pula, pulamos, poli,
O verbo ferir e outros que se conjugam da pulam. Particípio — polido. Gerúndio — polindo.
mesma forma têm o -e do radical substituído Nas formas rizotônicas do presente do indicati-
por -i na primeira pessoa do singular do presen- vo, o verbo polir tem o -o do radical pol- substi-
te do indicativo, em todas as pessoas do pre- tuído por -u. Isso ocorre também nas demais
sente do subjuntivo e nas formas derivadas do formas derivadas desse tempo verbal.
imperativo. Esse verbo é considerado defectivo, sendo
conjugado apenas nas formas em que, após o
• Frigir (abundante) radical pol-, há a vogal -i. Desse modo:
Pres. ind. — frijo, freges, frege, frigimos, frigis, • conjuga-se apenas na 1ª e na 2ª pessoa do plu-
fregem. Pres. subj. — frija, frijas, frija, frijamos, ral do presente do indicativo: polimos, polis;
frijais, frijam. Imp. afirm. — frege, frija, frija- • não se conjuga no presente do subjuntivo nem
mos, frigi, frijam. Particípio — frito e frigido. no imperativo negativo;
Gerúndio — frigindo. • conjuga-se na 2ª pessoa do plural, no impera-
tivo afirmativo: poli;
• Fugir • tem conjugação regular nos demais tempos
Pres. ind. — fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fo- verbais.
gem. Pres. subj. — fuja, fujas, fuja, fujamos, fu-
jais, fujam. Imp. afirm. — foge, fuja, fujamos, fugi, • Possuir
fujam. Particípio — fugido. Gerúndio — fugindo.
Pres. ind. — possuo, possuis, possui, possuí-
O -g do verbo fugir é substituído por -j antes mos, possuís, possuem. Pret. perf. ind. — pos-
de -a e -o para manter a uniformidade sonora. suí, possuíste, possuiu, possuímos, possuístes,
possuíram. Pret. imperf. ind. — possuía, pos-
• Ir (anômalo) suías, possuía, possuíamos, possuíeis, possuíam.
Pres. ind. — vou, vais, vai, vamos, ides, vão. Pret. Pret. mais-que-perf. ind. — possuíra, possuí-
perf. ind. — fui, foste, foi, fomos, fostes, foram. ras, possuíra, possuíramos, possuíreis, possuí-
Pret. imperf. ind. — ia, ias, ia, íamos, íeis, iam. ram. Pres. subj. — possua, possuas, possua,
Pret. mais-que-perf. ind. — fora, foras, fora, possuamos, possuais, possuam. Pret. imperf.
fôramos, fôreis, foram. Fut. pres. ind. — irei, subj. — possuísse, possuísses, possuísse, pos-
irás, irá, iremos, ireis, irão. Fut. pret. ind. — iria, suíssemos, possuísseis, possuíssem. Imp. afirm.
irias, iria, iríamos, iríeis, iriam. Pres. subj. — vá, — possui, possua, possuamos, possuí, possuam.
vás, vá, vamos, vades, vão. Pret. imperf. subj. Particípio — possuído. Gerúndio — possuindo.

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639
• Refletir riam. Inf. pessoal — rir , rires, rir, rirmos , rir-
Pres. ind. — reflito, refletes, reflete, refleti- des, rirem.
mos, refletis, refletem. Pres. subj. — reflita, Particípio — rido. Gerúndio — rindo.
reflitas, reflita, reflitamos, reflitais, reflitam.
Imp. afirm. — reflete, reflita, reflitamos, re- • Sortir
fleti, reflitam. Particípio — refletido. Gerúndio
Pres. ind. — surto, surtes, surte, sortimos, sor-
— refletindo.

Apêndice
tis, surtem. Pres. subj. — surta, surtas, surta,
surtamos, surtais, surtam. Imp. afirm. — sur-
• Remir (defectivo) te, surta, surtamos, sorti, surtam. Particípio —
Pres. ind. — remimos, remis. Imp. afirm. remi. sortido. Gerúndio — sortindo.
Particípio — remido. Gerúndio — remindo. Nas formas rizotônicas do presente do indi-
O verbo remir é conjugado apenas nas for- cativo, o -o do radical é substituído por -u. As-
mas em que, após o radical rem-, aparece a vo- sim, essa substituição ocorre também nas for-
gal -i. Nas outras formas, esse verbo é, normal- mas derivadas desse tempo verbal.
mente, substituído por redimir. Por isso, não é
conjugado no presente do subjuntivo nem no im- • Vir
perativo negativo.
Pres. ind. — venho, vens, vem, vimos, vindes,
vêm. Pret. perf. ind. — vim, vieste, veio, viemos,
• Rir viestes, vieram. Pret. imperf. ind. — vinha, vi-
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Pres. ind. — rio , ris, ri, rimos, rides , riem. nhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham. Pret.
Pret. perf. ind. — ri, riste , riu, rimos, ristes, mais-que-perf. ind. — viera, vieras, viera, viéra-
riram. Pret. imperf. ind. — ria, rias, ria, ría- mos, viéreis, vieram. Fut. pres. ind. — virei, virás,
mos, ríeis , riam. Pret. mais-que-perf. ind. virá, viremos, vireis, virão. Fut. pret. ind. — viria,
— rira , riras, rira , ríramos, ríreis, riram . Fut. virias, viria, viríamos, viríeis, viriam. Pres. subj. —
pres. ind. — rirei , rirás , rirá , riremos , rireis, venha, venhas, venha, venhamos, venhais, ve-
rirão. Fut. pret. ind. — riria , ririas, riria, rirí- nham. Pret. imperf. subj. — viesse, viesses, vies-
amos, riríeis, ririam. Pres. subj. — ria, rias, se, viéssemos, viésseis, viessem. Fut. subj. — vier,
ria, riamos, riais, riam. Pret. imperf. subj. vieres , vier, viermos, vierdes, vierem. Imp.
— risse, risses , risse, ríssemos, rísseis, ris- afirm. — vem, venha, venhamos, vinde, venham.
sem. Fut. subj. — rir, rires , rir, rirmos, rir- Inf. pessoal — vir, vires, vir, virmos, virdes, virem.
des, rirem. Imp. afirm. — ri , ria, ríamos, ride, Particípio — vindo. Gerúndio — vindo.

Verbos abundantes
Infinitivo Particípio Particípio
regular irregular
aceitar aceitado aceito
acender acendido aceso
anexar anexado anexo
benzer benzido bento
corrigir corrigido correto
dispersar dispersado disperso
distinguir distinguido distinto
eleger elegido eleito
emergir emergido emerso
encher enchido cheio
entregar entregado entregue
envolver envolvido envolto
enxugar enxugado enxuto
erigir erigido ereto
expressar expressado expresso
exprimir exprimido expresso
expulsar expulsado expulso
extinguir extinguido extinto

GT-Apendice-2(619-648)RO 639 8/15/08, 1:44 PM


640
findar findado findo
fixar fixado fixo
frigir frigido frito
fritar fritado frito
ganhar ganhado ganho
gastar gastado gasto
Apêndice

imergir imergido imerso


imprimir imprimido impresso
incluir incluído incluso
isentar isentado isento
limpar limpado limpo
matar matado morto
misturar misturado misto
morrer morrido morto
ocultar ocultado oculto
omitir omitido omisso
pagar pagado pago
pegar pegado pego
prender prendido preso

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
salvar salvado salvo
secar secado seco
soltar soltado solto
submergir submergido submerso
suprimir suprimido supresso
surpreender surpreendido surpreso
suspender suspendido suspenso
tingir tingido tinto
vagar vagado vago

Índice de assuntos
A acidentais (preposições), 299 de companhia, de dúvida, de
a anos / há anos, 600 acostumado (regência nominal), finalidade, de intensidade, de
a fim de / afim, 600 531 lugar, de meio ou instrumen-
a maior parte / a maioria (conc. adaptado (regência nominal), to, de modo, de negação, de
verbal), 510 531 tempo, 353
a meu ver, 600 aditivas (conjunções coordena- admiração ou espanto (interjei-
a palavra se, 476 tivas / or.coord.sindéticas), ções e locuções interjetivas), 315
a par, ao par, 600 304/385 advérbio, emprego, grau: com-
a sós (conc. nominal), 506 adjetivo, 136 parativo e superlativo, 282
à toa / à-toa, 600 adjetivo (colocação), 140 advérbios e locuções adverbiais
A ver/haver, 601 adjetivo (flexão), gênero: uni- (classificação), de afirmação,
abreviação ou redução vocabu- de dúvida, de intensidade, de
forme e biforme, grau: com-
lar (outros processos de for- lugar, de modo, de negação,
parativo e superlativo, nú-
mação de palavras), 100 de tempo, 278
mero, 143
abstratos (classificação dos adversativas (conjunções coor-
adjetivos (classificação), com- denativas / or. coord. sindé-
substantivos), 115
postos, derivados, pátrios ticas), 305/385
abundantes (classificação dos
verbos / apêndice), 228/ ou gentílicos, primitivos, advertência (interjeições e lo-
639 simples, 138 cuções interjetivas), 315
acentos, 67 adjetivos adverbializados (em- afável (regência nominal), 532
acentuação gráfica, regras, 68 prego dos advérbios), 283 afirmação (classificação dos ad-
acerca de / há cerca de, 601 adjunto adnominal, 365 vérbios), 279
acessível (regência nominal), 531 adjunto adverbial, de afirma- afixo, 91
acesso (regência nominal), 531 ção, de assunto, de causa, aflito (regência nominal), 532

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641
agente da passiva, 354 assíndeto (figuras de constru- chamar (regência verbal), 537
agradar (regência verbal), 536 ção ou de sintaxe), 581 chamamento ou apelo (interjei-
agradável (regência nominal), assistir (regência verbal), 536 ções e locuções interjetivas),
532 assunto (funções da lingua- 315
agudas (rimas), 566 gem), 31 champanha / champanhe, 603
agudo (notações léxicas), 67 atenção (regência nominal), 532 chegar (regência verbal), 537
alegria (interjeições e locuções atender (regência verbal), 537 cinquenta, 603

Apêndice
interjetivas), 315 atento (regência nominal), 532 circunflexo (notações léxicas), 67
alerta (conc. nominal), 504 aversão (regência nominal), 532 classificação das conjunções,
alfabeto, 64 aversão ou contrariedade (in- conjunções coordenativas,
aliteração (figuras de constru- conjunções subordinativas,
terjeições e locuções interje-
ção ou de sintaxe), 582 304
tivas), 315
alternadas ou cruzadas (rimas), classificação das estrofes, mo-
565 nóstico, dístico, terceto, quar-
B
alternativas (conjunções coorde- teto ou quadra, quintilha,
nativas / or. coord. sindéticas) barbarismo (vícios de lingua- sexteto ou sextilha, oitava,
305/386 gem), 588 nona, décima, 561
alusão (regência nominal), 532 barato (conc. nominal), 505 classificação das figuras de
ambiguidade ou anfibologia bastante (emprego dos advér- construção ou de sintaxe, ali-
(vícios de linguagem), 587 bios / conc. nominal), 284/505
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

teração, anacoluto, anáfora,


amor (regência nominal), 532 bebedor / bebedouro, 602 anástrofe, assíndeto, elipse,
anacoluto (figuras de constru- bem-vindo / benvindo, 602 hipérbato, polissíndeto, pleo-
ção ou de sintaxe), 581 benéfico (regência nominal), 532 nasmo, silepse, zeugma, 578
anáfora (figuras de construção berruga / verruga, 602 classificação das figuras de pa-
ou de sintaxe), 581 boêmia / boemia, 602 lavras ou tropos, catacrese,
anástrofe (figuras de constru- botijão / bujão, 602 comparação, metáfora, me-
ção ou de sintaxe), 578 tonímia ou sinédoque, perí-
anexo (conc. nominal), 504 C frase ou antonomásia, si-
ânimo (interjeições e locuções cabeleireiro, 602 nestesia, 572
interjetivas), 315 cacofonia ou cacófato (vícios de classificação das figuras de
anômalos (verbos), 227 linguagem), 587 pensamento, antítese, após-
ânsia (regência nominal), 532 trofe, eufemismo, gradação,
câmara / câmera, 602
antipatia (regência nominal), 532 hipérbole, ironia, paradoxo
capacidade (regência nominal),
antítese (figuras de pensamen- ou oxímoro, prosopopeia ou
533
to), 574 personificação, 574
cardinais (classificação dos nu-
antonomásia ou perífrase (figu- classificação das interjeições e
merais), 166
ras de palavras ou tropos), 574 locuções interjetivas, de ad-
caro (conc. nominal), 505
ao invés de / em vez de, 601 miração ou espanto, de ad-
casos especiais de concordân-
ao nível de / em nível de, 601 vertência, de alegria, de âni-
cia nominal, 502
ao telefone, 601 mo, de apelo ou chamamen-
aonde / onde, 601 casos especiais de concordân-
cia verbal, 509 to, de aplauso, de aversão ou
apelo ou chamamento (interjei- contrariedade, de concor-
ções e locuções interjetivas), casos em que nunca ocorre cra-
dância, de desejo, de dor, de
315 se, 547
dúvida ou incredulidade, de
aplauso (interjeições e locuções casos gerais de concordância
medo, de piedade ou lamen-
interjetivas), 315 verbal, 502
to, de reprovação ou desa-
apositiva (or. subord. subst.), 402 casos obrigatórios da crase, 546
cordo, de saudação, de silên-
aposto, 369 casos particulares de concor-
cio, de surpresa, 315
apóstrofe (figuras de pensamen- dância verbal, 502
classificação do sujeito, com-
to), 577 catacrese (figuras de palavras
posto, indeterminado, oculto,
apóstrofo (notações léxicas), 68 ou tropos), 573
implícito ou desinencial, sim-
apto (regência nominal), 532 catorze / quatorze, 603 ples, oração sem sujeito, 319
arcaísmo (vícios de linguagem), causa (sentidos das preposi- classificação dos adjetivos,
588 ções), 299 compostos, derivados, pá-
artigo, 160 causais (conjunções subordi- trios ou gentílicos, primiti-
artigos (classificação e flexões), nativas / or. subord. adver- vos, simples, 138
definidos, indefinidos, 161 biais), 306/427 classificação dos fonemas,
aspas (pontuação), 459 cedilha (notações léxicas), 67 consoantes, semivogais, vo-
aspirar (regência verbal), 536 certeza (regência nominal), 533 gais, 52

GT-Apendice-2(619-648)RO 641 8/15/08, 1:44 PM


642
classificação dos substantivos, concordância nominal, caso ge- definidos (classificação dos ar-
abstratos, coletivos, com- ral, casos especiais, 502 tigos) 161
postos, comuns, concretos, concordância verbal, caso ge- derivação da palavra, derivação
derivados, primitivos, pró- ral, casos especiais, 509 imprópria, derivação paras-
prios, simples, 113 concretos (classificação dos sintética, derivação prefixal,
classificação e flexão dos artigos, substantivos), 115 derivação prefixal e sufixal,
definidos, indefinidos, 161 condicionais (conjunções su- derivação regressiva, deriva-
Apêndice

código, língua e linguagem, 11 bordinativas / or. subord. ad- ção sufixal, 94


cólera, 603 verbiais), 306/428 derivados (classificação dos
coletivos (classificação dos subs- condor, 603 substantivos / classificação
tântivos / apêndice) 115/624 conformativas (conjunções su- dos adjetivos), 114/139
colisão (vícios de linguagem), bordinativas / or. subord. descarrilar, 604
589 adverbiais), 306/426 descriminar / discriminar, 605
colocação do adjetivo, 140 conjugação de verbo na voz desejo (interjeições e locuções
colocação dos pronomes pes- passiva, 259 interjetivas), 315
soais oblíquos átonos, em lo- conjunção, 302 desinências (elementos mórficos
cuções verbais, ênclise, mesó- conjunções (classificação) coor- / estruturas do verbo), 91/219
clise, próclise, 489 denativas, subordinativas, 302 desinências: modo-temporal /
colocação dos termos na ora- conjunções coordenativas e lo- número-pessoal, 219

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ção: ordem direta ou ordem cuções conjuntivas coorde- desinências: nominais e verbais,
indireta, 488 nativas, aditivas, adversati- 91
combinação (preposição), 297 vas, alternativas, conclusi- desobedecer / obedecer (re-
companhia (sentidos das pre- vas, explicativas, 304 gência verbal), 539
posições), 299 conjunções subordinativas e lo- devoto (regência nominal), 533
comparação (figuras de pala- cuções conjuntivas subordi- diabetes / diabete, 605
vras ou tropos), 572 nativas, causais, comparati- dígrafos consonantais e vocá-
comparativas (conjunções su- vas, concessivas, condicio- licos, 54
bordinativas / or. sub. adver- nais, conformativas, consecu- direção (sentidos das preposi-
biais), 306/426 tivas, finais, integrantes, pro- ções), 298
complemento nominal, 366 porcionais, temporais, 305 discurso, 30
complemento nominal e adjun- consoantes (classificação dos disenteria, 605
to adnominal, 367 fonemas), 52 dissílabo (sílabas), 56
completiva nominal (or. subord. consecutivas (conjunções su- distância (sentidos das prepo-
subst.), 401 bordinativas / or. subord. ad- sições), 299
composição das palavras, por verbiais), 306/428 ditongo (encontros vocálicos), 53
aglutinação, por justaposi- constituído (regência nominal), ditongos abertos (acentuação
ção, 95 533 gráfica), 70
compostos (classificação dos
continuar, 603 divisão silábica, 57
substantivos / classificação
contração (preposição), 297 dó, 605
dos adjetivos), 114/139
contrariedade ou aversão (in- dois-pontos (pontuação), 458
comunicação e mensagem, 10
terjeições e locuções interje- dor (interjeições e locuções in-
comuns (classificação dos subs-
tivas), 315 terjetivas), 315
tantivos), 114
cota / quota, 603 dúvida (classificação dos ad-
concessivas (conjunções su-
crase, casos facultativos ou op- vérbios / regência nominal),
bordinativas / or. subord. ad-
cionais, emprego (casos 280/533
verbiais), 307/428
conclusivas (conjunções coor- obrigatórios), não se empre- dúvida ou incredulidade (inter-
denativas, / or. coord. sindé- ga a crase, 545 jeições e locuções interjeti-
ticas), 305/386 cruzadas ou alternadas (ri- vas), 315
concordância do verbo na voz mas), 565
passiva, 516 curioso (regência nominal), 533 E
concordância do verbo ser, 517 custar (regência verbal), 537 é bom (conc. nominal), 506
concordância dos verbos bater, é necessário (conc. nominal),
soar e dar, 517 D 506
concordância dos verbos haver dar à luz alguém, 604 é proibido (conc. nominal), 506
e fazer, 515 de o, 604 é preciso (conc. nominal), 506
concordância ideológica ou si- demais, de mais, 604 eco (vícios de linguagem), 589
lepse, silepse de gênero, de defectivos (classificação dos elementos estruturais do ver-
número e de pessoa, 518 verbos), 227 bo, desinência, formas rizo-

GT-Apendice-2(619-648)RO 642 8/15/08, 1:44 PM


643
tônica e arrizotônica, radical, explicativas (conjunções coor- formas nominais do verbo, ge-
tema, vogal temática, 218 denativas / or. coord. sindé- rúndio, infinitivo, particípio,
elementos mórficos ou morfe- ticas), 305/387 245
mas (estrutura e formação formas variantes na grafia de
das palavras), 90 F algumas palavras, 81
elipse (figuras de construção ou fases da língua portuguesa, fosforescente / fluorescente, 607
de sintaxe), 579 pré-histórica, proto-históri- fracionários (classificação dos

Apêndice
em cores, 605 ca, histórica, 42 numerais), 166
em domicílio / a domicílio, 605 favorável (regência nominal), 533 frase, 326
em férias, 606 figuras de linguagem, 571 frases: nominais e verbais, 326
embaixo / em cima, 606 figuras de linguagem (tipos), fi- funções da linguagem, 31
emissor ou locutor (processo guras de construção ou de funções sintáticas da palavra
de comunicação), 10 sintaxe, figuras de palavras que (funções sintáticas dos
emparelhadas ou paralelas (ri- ou tropos, figuras de pensa- pronomes relativos), 472
mas), 565 mento, 572 funções sintáticas da palavra
empecilho (dificuldades linguís- figuras de construção ou de sin- se, 479
ticas / regência nominal), funções sintáticas dos prono-
taxe (classificação), alitera-
606/533 mes relativos, adjunto adno-
ção, anacoluto, anáfora,
encadeadas (rimas), 566 minal, adjunto adverbial,
anástrofe, assíndeto, elipse,
agente da passiva, comple-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ênclise (colocação do pronome), hipérbato, polissíndeto, pleo-


491 mento nominal, objeto dire-
nasmo, silepse, zeugma, 578
encontro consonantal, 54 to, objeto indireto, predica-
figuras de palavras ou tropos
encontros vocálicos, ditongo, tivo, sujeito, 472
(classificação), catacrese,
hiato, tritongo, 53 comparação, metáfora, me-
G
enfarte / enfarto / infarto, 606 tonímia, perífrase ou anto-
enfisema, 606 garagem, 607
nomásia, sinestesia, 572
enjambement ou encadeamen- generoso (regência nominal),
figuras de pensamento (classi-
to (versificação), 563 533
ficação), antítese, apóstrofe,
ensinar (regência verbal), 538 gerúndio (formas nominais do
eufemismo, gradação, hipér-
escandir, escansão (versifica- verbo), 246
bole, ironia, paradoxo ou oxí-
gosto (regência nominal), 533
ção), 562 moro, 574
gradação (figuras de pensa-
esdrúxulas (rimas), 567 finais (conjunções subordinati- mento), 577
espanto ou admiração (interjei- vas / or. subord. adverbiais), grande quantidade / o menor
ções e locuções interjetivas), 307/429 número (conc. verbal), 510
315 finalidade (sentidos das prepo- grato (regência nominal), 533
espectador / expectador, 606 sições), 299 gratuito, 607
esquecer (regência verbal), 538 flexão do adjetivo, gênero: unifor- grave (notações léxicas), 67
estada / estadia, 606 me, biforme, grau: comparati- graves (rimas), 566
estrangeirismo (outros processos vo, superlativo, número, 143 guerra (regência nominal), 533
de formação das palavras / ví- flexão dos numerais, 169
cios de linguagem), 100/588 flexão dos substantivos, gêne- H
estribilho, 561 ro: comuns de dois, epice- hábitat, 607
estrofes (classificação), monós- nos, sobrecomuns, número, hiato (encontros vocálicos / ví-
tico, dístico, terceto, quarteto grau: aumentativo, diminu- cios de linguagem), 53/589
ou quadra, quintilha, sexteto tivo, número, 119 hiatos (acentuação gráfica), 70
ou sextilha, setilha ou sétima, flexões do verbo, modo, pes- hibridismo (outros processos de
oitava, nona, décima, 561 soa e número, tempo, 223 formação das palavras), 100
estrutura e formação das pa- fonema, 50 hidrelétrica / hidroelétrica, 607
lavras, elementos mórficos fonema e letra, 50 hífen (notações léxicas) / em-
ou morfemas, afixos, desi- fonemas (classificação), conso- prego, 68/77
nências: nominais e verbais, antes, semivogais, vogais, 52 hipérbato (figuras de constru-
radical, tema, vogais e con- fonologia, 50 ção ou de sintaxe), 579
soantes de ligação, vogal te- formação dos tempos verbais hipérbole (figuras de pensa-
mática, etc., 90 simples, 239 mento), 576
etc., 606 formação dos tempos verbais histórica (fases da língua por-
eufemismo (figuras de pensa- compostos, 243 tuguesa), 42
mento), 575 formas rizotônicas e arrizotô- homônimas, homófonas hete-
explicativa (or. subord. adj.), 413 nicas, 218 rográficas, homógrafas he-

GT-Apendice-2(619-648)RO 643 8/15/08, 1:44 PM


644
terofônicas, homógrafas ho- J de comunicação), 10
mófonas, 79 junto (regência nominal), 534 lotação, 608
horror (regência nominal), 534 lugar (classificação dos advér-
L bios / sentidos das preposi-
ções), 279/298
I lamento ou piedade (interjei-
igual (regência nominal), 534 ções e locuções interjetivas),
M
látex, 608
Apêndice

imbuído (regência nominal), mais (emprego dos advérbios),


534 lembrar (regência verbal), 539
leso (conc. nominal), 504 284
implicar (regência verbal), 538 mais de um (conc. verbal), 510
impróprio (regência nominal), letra, 50
maisena, 608
534 letras J, G, 66
mal / mau, 608
indefinidos (classificação dos letras Z, S, X, 65
mas / mais, 609
artigos), 161 lêvedo, 608
medo (interjeições e locuções
incluso (conc. nominal), 504 liberal (regência nominal), 534
interjetivas), 315
incredulidade ou dúvida (inter- língua, 12 meio (emprego dos advérbios
jeições e locuções interjeti- língua portuguesa: origem e / concordância nominal),
vas), 315 evolução, 40 284/505
linguagem, 13 melhor (emprego dos advér-
infinitivo (formas nominais do
livres (classificação dos ver- bios), 283
verbo), 246

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
sos), 561 menor (de idade), 609
infinitivo impessoal ou não fle-
locução adjetiva, 137 menos (emprego dos advérbios
xionado, 247
locução conjuntiva, 304 / conc. nominal), 284/504
infinitivo pessoal ou flexionado,
locução interjetiva, 315 mertiolate, mertiolato, 609
248
locução prepositiva, 296 mesmo (conc. nominal), 504
informar (regência verbal), 538
locução pronominal indefinida, mesóclise (colocação do prono-
instrumento (sentidos das pre-
197 me), 491
posições), 299
locução verbal, 221 metafonia, 125
integrantes (conjunções subor-
locuções adverbiais e advérbios metáfora (figuras de palavras
dinativas), 307
(classificação), de afirmação, ou tropos), 573
intencionalidade do discurso, metonímia ou sinédoque (figu-
de dúvida, de intensidade, de
30 ras de palavra ou tropos), 573
lugar, de modo, de negação,
intensidade (classificação dos metro (versificação), sílabas
de tempo, 279
advérbios), 280 métricas: monossílabos, dis-
locuções conjuntivas coordena-
ínterim, 607 sílabos, trissílabos, tetrassí-
tivas e conjunções coorde-
interjeição, 314 labos, pentassílabos ou re-
nativas, aditivas, adversati-
interjeições e locuções interje- dondilhas menores, hexassí-
vas, alternativas, conclusivas,
tivas (classificacão), de ad- explicativas, 304 labos, octossílabos, eneassí-
miração ou de espanto, de locuções conjuntivas subordi- labos, decassílabos ou he-
advertência, de alegria, de nativas e conjunções su- roicos, hendecassílabos, do-
ânimo, de apelo ou chama- bordinativas, causais, com- decassílabos ou alexandri-
mento, de aplauso, de aver- nos, bárbaros, mistos, 562
parativas, concessivas,
são ou contrariedade, de misto, 609
condicionais, confirmati-
concordância, de desejo, de modo, tempo (flexões do ver-
vas, consecutivas, finais,
dor, de dúvida ou increduli- bo), 224
integrantes, proporcionais,
dade, de medo, de piedade modo (classificação dos advér-
temporais, 305
ou lamento, de reprovação bios / sentidos das preposi-
locuções interjetivas e interjei- ções), 279/299
ou desacordo, de saudação, ções, de admiração ou es-
de silêncio, de surpresa, 315 modos e tempos verbais (em-
panto, de advertência, de ale- prego), 249
interlocutor ou receptor (pro- gria, de ânimo, de apelo ou monossílabos tônicos (acentua-
cesso de comunicação), 10 chamamento, de aplauso, de ção gráfica), 69
interpoladas, intercaladas ou aversão ou contrariedade, monossílabos (sílabas), monos-
opostas (rimas), 565 de concordância, de desejo, de sílabos átonos e tônicos, 56
investir (regência verbal), 538 dor, de dúvida ou incredulida- morfemas ou elementos mór-
ironia (figuras de pensamento), de, de medo, de piedade ou ficos, afixos, desinências: no-
576 incredulidade, de reprovação minais e verbais, radical,
irregulares (classificação dos ou desacordo, de saudação, tema, vogais e consoantes de
verbos), 226 de silêncio, de surpresa, 314 ligação, vogal temática, 90
irrequieto, 607 locutor ou emissor (processo morfologia da palavra que, 469

GT-Apendice-2(619-648)RO 644 8/15/08, 1:44 PM


645
morfologia da palavra se, 476 orações coordenadas sindéti- paralelas ou emparelhadas (ri-
mortadela, 609 cas, aditivas, adversativas, mas), 565
mozarela / muçarela, 610 alternativas, conclusivas, ex- parênteses (pontuação), 460
muito (emprego dos advérbios / plicativas, 385 parônimas, 79
concordância nominal), 284/ orações desenvolvidas, 442 paroxítonas (sílaba tônica /
505 orações e períodos, 385 acentuação gráfica), 57/69
multiplicativos (classificação orações reduzidas, de infinitivo, particípio (formas nominais do

Apêndice
dos numerais), 166 de gerúndio, de particípio, 492 verbo), 245
orações subordinadas, adjetivas, particípio dos verbos abundantes,
N adverbiais, substantivas, 395 228
nada a ver / nada que ver, 610 orações subordinadas adjeti- passar de, 611
necessário (regência nominal), vas, 411 pátrios ou gentílicos (classifi-
534 orações subordinadas adjetivas cação dos adjetivos), 139
necessitar (regência verbal), (classificação) explicativas, perífrase ou antonomásia (figu-
539 restritivas, 413 ras de palavras ou tropos), 574
negação (classificação dos ad- passível (regência nominal), 534
orações subordinadas adver-
vérbios), 280 perdoar (regência verbal), 539
biais, causais, comparativas,
nem um / nenhum, 610 período, composto, simples, 327
concessivas, condicionais,
neologismo (outros processos de período composto, por coorde-
conformativas, consecuti-
formação das palavras), 102 nação / por subordinação,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

vas, finais, proporcionais,


Nobel, 610 por coordenação e subordi-
temporais, 424 nação, 383/395
norma culta e variedades lin- orações subordinadas subs-
guísticas, 17 períodos e orações, 326
tantivas, apositiva, comple- personagem, 611
notações léxicas, acentos, acen- tiva nominal, objetiva direta,
to agudo, acento circunflexo, personificação ou prosopopeia
objetiva indireta, predicativa, (figuras de pensamento), 577
acento grave, apóstrofo, ce- subjetiva, 397
dilha, hífen, til, 66 pessoas do discurso (pronomes),
ordem direta (colocação dos 179
numeral, 165
termos na oração), 488 pessoa e número (flexões do
numerais (classificação), cardi-
ordem indireta (colocação dos verbo), 223
nais, fracionários, multiplica-
termos na oração), 488 piedade ou lamento (interjeições
tivos, ordinais, 166
ordinais (classificação dos nu- e locuções interjetivas), 315
numerais, emprego, flexão, 167
merais), 166 pior (emprego dos advérbios),
número e pessoa (flexões do
ortografia, 63 283
verbo), 223
oxímoro ou paradoxo (figuras pleonasmo (figuras de constru-
de pensamento), 578 ção ou de sintaxe), 580
O
oxítonas (sílaba tônica / acen- pleonasmo vicioso (vício de lin-
o braço, 610 guagem), 588
tuação gráfica), 57/69
o menor número / grande quan- plural de modéstia, 182
tidade (conc. verbal), 510 plural dos substantivos com-
P
obedecer / desobedecer (re- postos, 126
gência verbal), 539 pagar (regência verbal), 539
palavra que (morfologia / fun- pobres (rimas), 564
objetiva direta (or. subord. polissílabos (sílaba), 56
subst.), 399 ções sintáticas), 469/472
polissíndeto (figuras de cons-
objeto direto, pleonástico, prepo- palavra se (morfologia / fun-
trução ou de sintaxe), 580
sicionado, 350 ções sintáticas), 476/479
pontuação, 454
objetiva indireta (or. subord. palavra-valise (outros proces-
ponto-de-exclamação (pon-
subst.), 400 sos de formação das pala-
tuação), 459
objeto indireto, pleonástico, 352 vras), 103 ponto-de-interrogação (pon-
obrigado (conc. nominal), 504 palavras denotativas, de designa- tuação), 459
onomatopeia (outros processos ção, de exclusão, de inclusão, ponto-e-vírgula (pontuação), 457
de formação das palavras), 101 de realce, de retificação, de si- por ora / por hora, 611
oportunidade (regência nomi- tuação, 280 por que, por quê, porque, por-
nal), 534 palavras homônimas e parôni- quê, 72
opostas, intercaladas ou inter- mas, homófonas heterográ- posse (sentidos das preposições),
poladas (rimas), 565 ficas, homógrafas hetero- 299
oração, 326 fônicas, homógrafas homó- possível (conc. nominal), 506
oração sem sujeito, 331 fonas, 79 pouco (emprego dos advérbios
orações coordenadas, assindé- paradoxo ou oxímoro (figuras / concordância nominal),
tica, sindética, 384 de pensamento), 578 284/505

GT-Apendice-2(619-648)RO 645 8/15/08, 1:44 PM


646
prazerosamente, 611 pronomes possessivos, 187 rimas agudas, graves e esdrúxu-
pré-histórica (fases da língua pronomes relativos, funções las, 566
portuguesa), 42 sintáticas, 472 ritmo (versificação), 563
preciosas (rimas), 565 proparoxítonas (sílaba tônica / reticências (pontuação), 458
preciosismo ou rebuscamento acentuação gráfica), 57/69 rubrica, 612
(vícios de linguagem), 589 propenso (regência nominal), 534 ruim, 612
precisar (regência verbal), 540 próprio (concordância nominal
Apêndice

predicação verbal, verbos de li- / regência nominal), 504/534 S


gação, verbos significativos, próprios (classificação dos saudação (interjeições e locu-
336 substantivos), 115 ções interjetivas), 315
predicado, nominal, verbal, proporcionais (conjunções su- saudade (regência nominal), 535
verbo-nominal, 337 bordinativas / or. subord. ad- se, 469
predicativa (or. subord. subst.), verbiais), 307/430 seção / sessão / cessão, 612
400 prosopopeia ou personificação segurança (regência nominal),
predicativo do objeto, 369 (figuras de pensamento), 577 535
predicativo do sujeito, 368 proto-histórica (fases da língua seja / esteja, 612
preferir (regência verbal), 540 portuguesa), 42 sem, 612
preferível (regência nominal), 534 próximo (regência nominal), 534 semivogais (classificação dos
prefixos gregos (apêndice), 621 pseudo (conc. nominal), 504 fonemas), 52
prefixos latinos (apêndice), 622 senão / se não, 612

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
preposições, acidentais, combi- Q sentidos das preposições, causa,
nação e contração, sentidos, que, 469 companhia, direção, distância,
295 querer (regência verbal), 540 finalidade, instrumento, lugar,
primitivos (classificação dos quite (conc. nominal), 504 modo, posse, tempo, 298
substantivos / classificação sentinela, 613
dos adjetivos), 114/139
R sic, 613
privilégio, 611
radical (elementos mórficos / sine die, 613
emissor ou locutor, receptor ou
estruturas do verbo), 91/218 sine qua non, 613
interlocutor, assunto, 31
radicais gregos (apêndice), 620 siglonimização (outros proces-
processos de formação das pa-
radicais latinos (apêndice), 621 sos de formação das pala-
lavras, derivação, imprópria,
raras (rimas), 565 vras), 102
parassintética, prefixal, pre-
rebuscamento ou preciosismo sílaba, monossílabos, dissíla-
fixal e sufixal, regressiva, su-
(vícios de linguagem), 589 bos, trissílabos, polissílabos,
fixal, composição: por aglu-
receptor ou interlocutor (pro- polissílabos, 56
tinação, por justaposição,
cesso de comunicação), 10 sílabas métricas (versificação),
estrangeirismo, hibridismo,
recorde, 611 monossílabos, dissílabos,
neologismo, onomatopeia,
redução vocabular ou abrevia- trissílabos, tetrassílabos,
redução ou abreviação voca-
bular, sigla, siglonimização, ção, 100 pentassílabos ou redondilhas
palavra-valise, 90 regência nominal, 531 menores, hexassílabos, hep-
próclise (colocação do pronome), regência verbal, 535 tassílabos ou redondilhas
490 regulares (classificação dos maiores, octossílabos, ene-
pronome (classificação), pro- verbos), 225 assílabos, decassílabos ou
nome adjetivo, pronome regras de acentuação gráfica, alexandrinos, bárbaros, 562
substantivo, 178 68 sílaba tônica, oxítona, paroxíto-
pronomes de tratamento, 186 reivindicar, 611 na, proparoxítona, 57
pronomes demonstrativos, repetir o ano, 612 silêncio (interjeições e locuções
emprego em relação ao es- restritiva (or. subord. adj.), 413 interjetivas), 315
paço, emprego em relação respeito (regência nominal), 535 silepse (concordância ideológica
ao tempo, 192 responder (regência verbal), 540 / figuras de construção ou de
pronomes indefinidos, 195 ricas (rimas), 564 sintaxe), classificação: gêne-
pronomes interrogativos, 198 rigoroso (regência nominal), 535 ro, número, pessoa, 518/582
pronomes pessoais (pessoas rima (versificação), 564 simples (classificação dos
do discurso), 179 rimas (classificação), valor: po- substantivos / classificação
pronomes pessoais oblíquos bres, preciosas, raras, ricas, dos adjetivos), 114/138
átonos (colocação), ênclise, disposição: cruzadas ou al- sinais de pontuação, aspas, dois-
mesóclise, próclise, 489 ternadas, emparelhadas, en- -pontos, parênteses, ponto-
pronomes pessoais oblíquos cadeadas, interpoladas, in- -de-exclamação, ponto-de-
átonos (colocação), em locu- tercaladas ou opostas, mis- -interrogação, ponto-e-vírgu-
ções verbais, 492 turadas, 564 la, ponto-final, travessão, 454

GT-Apendice-2(619-648)RO 646 8/15/08, 1:44 PM


647
sinédoque ou metonímia (figuras tempo (classificação dos advér- verbos auxiliares: ter, haver, ser,
de palavras ou tropos), 573 bios / sentidos das preposi- estar (apêndice), 627
sinestesia (figuras de palavras ções), 279/219 verbos crer, dar, ler, ver (acen-
ou tropos), 574 temporais (conjunções subor- tuação gráfica), 70
sintaxe de colocação, colocação dinativas / or. subord. adver- verbos de ligação, 337
dos termos na oração: or- biais), 307/429 verbos (classificação), abun-
dem direta ou ordem indire- dantes, anômalos, defecti-

Apêndice
tempos e modos verbais, 224
ta, colocação dos pronomes tempos verbais simples (for- vos, irregulares, regulares,
pessoais oblíquos: ênclise, mação), 239 225
mesóclise, próclise, coloca- tempos verbais compostos verbos pronominais, acidental-
ção dos pronomes pessoais (formação), 243 mente pronominais, essen-
oblíquos em locuções ver- termos da oração, sujeito, pre- cialmente pronominais, 263
bais, 488 dicado, 328 verbos significativos, intransi-
sintaxe de concordância, con- termos da oração relacionados tivo, transitivo direto, tran-
cordância nominal, concor- ao nome, adjunto adnomi- sitivo indireto, transitivo di-
dância verbal, 501 nal, aposto, complemento reto e indireto, 338
sintaxe de regência, nominal, nominal, predicativo do ob- verbos ter e vir (acentuação
verbal, 530 jeto, predicativo do sujeito, gráfica), 70
sito (regência nominal), 535 versificação, 560
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

vocativo, 364
situado (regência nominal), 535 termos da oração relacionados verso, 561
só (emprego dos advérbios / versos (classificação) livres,
ao verbo, adjunto adverbial,
concordância nominal), 285/ tradicionais, 561
agente da passiva, objeto di-
506 viagem / viajem 614
reto, objeto indireto, 349
solecismo (vícios de linguagem), vícios de linguagem, ambigui-
termo regente, termo regido
589 dade e anfibologia, arcaís-
(regência), 530
soneto (versificação), 561 mo, barbarismo, cacofonia
til (notações léxicas), 67
subjetiva (or. subord. subst.), ou cacófato, colisão, eco, es-
tradicionais (classificação dos
399 trangeirismo, hiato, pleonas-
versos), 561
substantivação das palavras, 161 mo vicioso, preciosismo ou
travessão (pontuação), 461
substantivo, 112 rebuscamento, solecismo,
trissílabos (sílaba), 56
substantivos (classificação), 587
tritongo (encontros vocálicos), 53 vírgula (pontuação), 455
abstratos, coletivos, com-
postos, comuns, concretos, visar (regência verbal), 540
derivados, primitivos, pró- U vizinho (regência nominal), 535
prios, simples, 113 usucapião, 613 vocativo, 371
substantivos (flexão), gênero: um dos que (conc. verbal), 510 vogal temática (elementos
comuns de dois, epicenos, um ou outro (conc. verbal), 510 mórficos / estruturas do ver-
sobrecomuns, grau: aumen- bo), 92/219
tativo, diminutivo, número, V vogais (classificação dos fone-
substantivos compostos (plu- variações estilísticas: registros, mas), 52
ral), 126 variedades regionais e so- vogal e consoante de ligação
sufixos (classificação) / adver- ciais, relação entre oralidade (elementos mórficos), 93
bial, nominais, verbais (apên- e escrita, 20 vou fazer / farei, 614
dice), 91/623 verbo, as três conjugações: pri- voz passiva, conjugação verbal,
sujeito (classificação) / compos- meira, segunda, terceira, ele- 256
to, indeterminado, oculto, im- mentos estruturais: desi- vozes do verbo, voz ativa, voz
plícito ou desinencial, simples, nências (modo-temporal / passiva, analítica, sintética,
oração sem sujeito, 328 número-pessoal), radical, voz reflexiva, 255
surpresa (interjeição e locução tema, vogal temática, 216 vultoso / vultuoso, 614
interjetiva), 315 verbo (flexões), modo, tempo,
pessoa e número, 223 Z
T verbo, formas nominais, 245 zeugma (figuras de construção
tampouco / tão pouco, 613 verbo principal e verbo auxiliar, ou sintaxe), 579
tema (elementos mórficos / es- 222
truturas do verbo), 93/219 verbos abundantes, emprego
temor (regência nominal), 535 do particípio, 228

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BIBLIOGRAFIA
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RODRIGUES LAPA, Manuel. Estilística da língua portuguesa. São Paulo: Martins Fontes, 1982.
SAID ALI, M. Gramática elementar da língua portuguesa. 9. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1966.
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GT-Apendice-2(619-648)RO 648 8/15/08, 1:44 PM


GT-C1 (001-008)RO 1 8/15/08, 12:07 PM
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Editores: Rogério de Araújo Ramos, Maysa Monção
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Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Botelho de Carvalho Homma
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Informação e Documentação da Editora Moderna.
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intelectuais de Manuel Bandeira. Direitos cedidos por Solombra – Agência Literária
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(solombra@solombra.com.br).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Sarmento, Leila Lauar


Gramática em textos / Leila Lauar Sarmento. —
2. ed. rev. — São Paulo : Moderna, 2005.

Bibliografia.

1. Português (Ensino médio) – Gramática


I. Título.

05-5004 CDD-469.507

Índices para catálogo sistemático:


1. Gramática : Português : Ensino médio 469.507

ISBN 85-16-04833-0 (LA)


ISBN 85-16-04834-9 (LP)

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GT-C1 (001-008)RO 2 8/15/08, 12:07 PM


Apresentação
O ensino da gramática tem sido durante anos uma “pedra no
caminho” para professores e alunos. Talvez devido à forma como os
conteúdos linguísticos são transmitidos.
Neste trabalho privilegia-se a reflexão sobre o uso da língua a
partir do estudo da linguagem em textos. Portanto, há uma
exploração dos fatos gramaticais de forma prática e consciente, com
ênfase na semântica e na linguística. O objetivo é o
desenvolvimento de diferentes capacidades na utilização dos
conhecimentos linguísticos, cuja apropriação adequada se faz
necessária tanto para a produção escrita como oral.
A preocupação com a abordagem dos conteúdos gramaticais em
textos de gêneros e composições variados, bem selecionados
porque se destinam também à interpretação das ideias, contribui
para o interesse pela aprendizagem da língua.
Com a intenção de tornar esse estudo mais prazeroso e menos
árido, buscou-se o emprego de uma linguagem clara e acessível, o
que permite uma tranquila assimilação de fatos mais complexos.
A contextualização dos conceitos gramaticais, já iniciada na 1a
edição desta obra, está nesta 2a edição mais ampla e aperfeiçoada,
visando acompanhar as mudanças no ensino e atender às
necessidades de quem estuda e trabalha com o nosso idioma.

A autora

Agradecimento
Agradeço a meus familiares e aos amigos a parceria
e o apoio na produção desta obra.
In Memoriam a Antônio Sérgio P. de Magalhães.

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SUMÁRIO

PARTE 1 LÍNGUA, COMUNICAÇÃO


E DISCURSO 9
Capítulo 1 – Linguagem e interação 10
Comunicação e mensagem 10
Código, língua e linguagem 11
Código; Língua; Linguagem
Norma culta e variedades linguísticas 17
Norma culta ou norma-padrão; Variedades linguísticas; A relação entre a oralidade e a escrita
A intencionalidade do discurso 30
Funções da linguagem
A língua portuguesa: origem e evolução 40
Fases da língua portuguesa

PARTE 2 FONOLOGIA E ORTOGRAFIA 49


Capítulo 2 – Fonema e letra 50
Fonologia, fonema e letra 50
Classificação dos fonemas 52
Vogais, semivogais e consoantes
Encontros vocálicos 53
Ditongo, tritongo e hiato
Encontros consonantais e dígrafos 54
Sílaba 56
Divisão silábica; Sílaba tônica

Capítulo 3 – Ortografia 63
Alfabeto 64
Emprego de algumas letras 65
Notações léxicas 66
Acento agudo; Acento grave; Acento circunflexo; Til; Cedilha; Apóstrofo; Hífen
Acentuação gráfica 68
Oxítonas; Paroxítonas; Proparoxítonas; Hiatos;
Acento diferencial; Verbos
Emprego de por que, por quê, porque e porquê 72
Por que; Por quê; Porque; Porquê
Emprego do hífen 77
Palavras homônimas e parônimas 79
Homófonas heterográficas; Homógrafas heterofônicas; Homógrafas homófonas

PARTE 3 MORFOLOGIA 89
Capítulo 4 – Estrutura e formação das palavras 90
Estrutura das palavras 90
Radical; Afixo; Desinência; Vogal temática; Vogal e consoante de ligação

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Formação das palavras 93
Derivação; Composição; Outros processos de formação das palavras

Capítulo 5 – Substantivo 112


Classificação dos substantivos 113
Substantivos simples; Substantivos compostos; Substantivos primitivos; Substantivos
derivados; Substantivos comuns; Substantivos próprios; Substantivos concretos;
Substantivos abstratos; Substantivos coletivos
Flexão dos substantivos 119
Flexão de gênero; Flexão de número; Flexão de grau

Capítulo 6 – Adjetivo 136


Locução adjetiva 137
Classificação dos adjetivos 138
Adjetivos simples; Adjetivos compostos; Adjetivos primitivos; Adjetivos derivados;
Adjetivos pátrios ou gentílicos
Colocação dos adjetivos 140
Flexão dos adjetivos 143
Flexão de gênero; Flexão de número; Flexão de grau

Capítulo 7 – Artigo e numeral 160


Artigo 160
Classificação e flexão dos artigos; Substantivação das palavras
Numeral 165
Classificação dos numerais; Flexão dos numerais; Emprego dos numerais

Capítulo 8 – Pronome 178


Pronomes pessoais 179
Emprego dos pronomes pessoais; Pronomes de tratamento
Pronomes possessivos 187
Emprego dos pronomes possessivos
Pronomes demonstrativos 192
Emprego dos pronomes demonstrativos
Pronomes indefinidos 195
Emprego dos pronomes indefinidos
Pronomes interrogativos 198
Pronomes relativos 200
Emprego dos pronomes relativos

Capítulo 9 – Verbo I 216


Elementos estruturais do verbo 218
Radical; Vogal temática; Tema; Desinência
Locução verbal 221
Verbo principal e verbo auxiliar
Flexões verbais 223
Pessoa e número; Modos verbais; Tempos verbais
Classificação dos verbos 225
Verbos regulares; Verbos irregulares; Verbos anômalos; Verbos defectivos; Verbos abundantes

Capítulo 10 – Verbo II 239


Formação dos tempos verbais simples 239
Presente do indicativo; Pretérito perfeito do indicativo; Infinitivo impessoal

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Formação dos tempos verbais compostos 243
Modo indicativo; Modo subjuntivo; Formas nominais
Formas nominais 245
Gerúndio; Particípio; Infinitivo
Emprego dos modos e tempos verbais 249
Modo indicativo; Modo subjuntivo; Modo imperativo
Vozes do verbo 255
Voz ativa; Voz passiva; Voz reflexiva
Verbo pronominal 263

Capítulo 11 – Advérbio 278


Locução adverbial 279
Classificação dos advérbios e locuções adverbiais; Grau dos advérbios; Emprego dos advérbios

Capítulo 12 – Palavras relacionais: preposição e conjunção; Interjeição 295


Preposição 295
Locução prepositiva; Combinação e contração; Sentidos das preposições; Preposições acidentais
Conjunção 302
Locução conjuntiva; Classificação das conjunções e locuções conjuntivas coordenativas;
Classificação das conjunções e locuções conjuntivas subordinativas
Interjeição 314
Classificação das interjeições

PARTE 4 SINTAXE 325

Capítulo 13 – Frase, oração e período; Sujeito e predicado 326


Frase e oração 326
Período 327
Sujeito e predicado 328
Sujeito; Predicado

Capítulo 14 – Termos relacionados ao verbo 349


Objeto direto 350
Objeto indireto 352
Adjunto adverbial 353
Agente da passiva 354

Capítulo 15 – Termos relacionados ao nome 364


Adjunto adnominal 365
Complemento nominal 366
Complemento nominal e adjunto adnominal
Predicativo do sujeito 368
Predicativo do objeto 369
Aposto 369
Vocativo 371

Capítulo 16 – Orações coordenadas 383


Período composto por coordenação 383
Orações coordenadas 384
Classificação das orações coordenadas sindéticas 385
Aditivas; Adversativas; Alternativas; Conclusivas; Explicativas

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Capítulo 17 – Orações subordinadas I; Substantivas 395
Orações subordinadas 395
Orações subordinadas substantivas

Capítulo 18 – Orações subordinadas II; Adjetivas 411


Orações subordinadas adjetivas 411
Classificação das orações subordinadas adjetivas

Capítulo 19 – Orações subordinadas III; Adverbiais 424


Orações subordinadas adverbiais 424
Classificação das orações subordinadas adverbiais

Capítulo 20 – Orações reduzidas 442


Orações reduzidas de infinitivo 443
Orações subordinadas substantivas reduzidas de infinitivo; Orações subordinadas adjetivas
reduzidas de infinitivo; Orações subordinadas adverbiais reduzidas de infinitivo
Orações reduzidas de gerúndio 445
Orações subordinadas adjetivas reduzidas de gerúndio; Orações subordinadas adverbiais
reduzidas de gerúndio
Orações reduzidas de particípio 446
Orações subordinadas adjetivas reduzidas de particípio; Orações subordinadas adverbiais
reduzidas de particípio

Capítulo 21 – Pontuação 454


Vírgula 455
Período simples; Período composto
Ponto-e-vírgula 457
Dois-pontos 458
Reticências 458
Ponto de interrogação 459
Ponto de exclamação 459
Ponto final 459
Aspas 459
Parênteses 460
Travessão 461

Capítulo 22 – As palavras que e se; Funções sintáticas dos pronomes


relativos 469
Funções morfológicas da palavra que 469
Advérbio; Substantivo; Preposição; Interjeição; Conjunção; Pronome interrogativo adjetivo;
Pronome interrogativo substantivo; Pronome relativo; Pronome indefinido; Partícula
expletiva ou de realce
Funções sintáticas dos pronomes relativos 472
Sujeito; Objeto direto; Objeto indireto; Complemento nominal; Predicativo; Adjunto adverbial;
Adjunto adnominal; Agente da passiva
Funções morfológicas da palavra se 476
Substantivo; Conjunção subordinativa; Partícula integrante do verbo; Partícula expletiva ou
de realce; Partícula apassivadora ou pronome apassivador; Pronome reflexivo ou recíproco
Funções sintáticas do pronome se 479
Objeto direto; Objeto indireto; Índice de indeterminação do sujeito

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Capítulo 23 – Sintaxe de colocação 488
Colocação dos termos na oração 488
Colocação dos pronomes pessoais oblíquos átonos

Capítulo 24 – Sintaxe de concordância 501


Concordância nominal 502
Caso geral; Casos especiais
Concordância verbal 509
Caso geral; Casos especiais; Concordância do verbo parecer; Concordância dos verbos haver
e fazer; Concordância do verbo na voz passiva; Concordância dos verbos bater, soar e dar ;
Concordância do verbo ser; Concordância ideológica ou silepse

Capítulo 25 – Sintaxe de regência 530


Regência nominal 531
Regência verbal 535
Crase 545
Ocorrência da crase

PARTE 5 ESTILÍSTICA 559


Capítulo 26 – Versificação 560
Verso 561
Tradicionais; Livres
Estrofe 561
Metro 562
Ritmo 563
Rima 564
Valor (qualidade); Disposição; Posição da sílaba tônica

Capítulo 27 – Figuras de linguagem; Vícios de linguagem 571


Figuras de linguagem 571
Figuras de palavras ou tropos; Figuras de pensamento; Figuras de construção ou de sintaxe
Vícios de linguagem 587
Ambiguidade ou anfibologia; Cacofonia ou cacófato; Barbarismo; Estrangeirismo; Pleonasmo
vicioso; Arcaísmo; Colisão; Solecismo; Eco; Hiato; Preciosismo ou rebuscamento

APÊNDICE I 599
Dificuldades linguísticas

APÊNDICE II 619
Radicais gregos; Radicais latinos; Prefixos gregos; Prefixos latinos; Sufixos
nominais; Sufixos verbais; Sufixo adverbial; Substantivos coletivos; Alguns
adjetivos pátrios do Brasil; Alguns adjetivos pátrios das Américas; Alguns
adjetivos pátrios do mundo; Conjugação dos verbos auxiliares ter, haver, ser
e estar; Conjugação dos verbos regulares; Conjugação dos verbos irregulares;
Verbos abundantes; Índice de assuntos

BIBLIOGRAFIA 648

GT-C1 (001-008)RO 8 8/15/08, 12:07 PM


parte
01

01
Língua, Comunicação
e Discurso

Capítulo 1 Linguagem e interação 10

GT-C1 (009-048)RO 9 8/15/08, 12:08 PM


10
Capítulo 01
Língua, comunicação e discurso

Linguagem e interação
COMUNICAÇÃO E MENSAGEM
Contextualização
Leia os quadrinhos.

HAGAR Dik Browne

INTERCONTINENTAL PRESS
2005 KING FEATURES/

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Folha de S.Paulo, 7 dez. 2003.

1. Nessa tira, há duas personagens em situação de diálogo.


a) No primeiro quadrinho, quem é a personagem que fala, ou seja, quem
é o locutor? Eddie Sortudo, o amigo de Hagar.
b) Ainda no primeiro quadrinho, quem faz o papel de ouvinte, ou seja, de
interlocutor? Hagar.

2. Quem exerce o papel de locutor e o de interlocutor no segundo quadrinho?


Hagar é o locutor e Eddie Sortudo é o interlocutor.

3. Ambas as personagens, quando são locutoras, têm uma mensagem para


transmitir. Qual é a mensagem de cada uma? A de Eddie Sortudo é: o que o cara disse
quando você reclamou do preço que ele cobrou para consertar o barco?; a de Hagar, a própria fala do homem que
conserta barcos: tenho que viver, não é?.
4. Somente no terceiro quadrinho o diálogo entre as personagens faz sen-
tido. É nele que se constrói o humor da tira. Explique como e por quê.
É nesse quadrinho que se mostra o lugar onde o consertador de barcos vive, um grande castelo. Com ironia, marcada pelo contraste
entre o alto padrão de vida do consertador e a simplicidade sugerida por aquilo que havia dito (Tenho que viver, não é?), o humor
acontece.
Conceituação
Na tira, as personagens estabelecem um diálogo para a comunicação de
suas ideias. A comunicação tem como objetivo a transmissão de mensa-
gens. É necessário que exista a intenção de comunicar e a possibilidade de
uma interação – efeito perceptível na reação de um dos participantes em
relação ao outro –, para que haja a comunicação.

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a O quadrinista expressa-se, basicamente, por meio do desenho. Por ele, compõe o cenário (menina vendo televisão, programa que está
sendo exibido, sala com poltrona e pai dormindo) e mostra expressões fisionômicas (menina espantada e pai sonolento); utiliza-se,
também, de diferentes sinais visuais ou símbolos, que representam algo específico: as pautas em cima da televisão representam música,
os riscos quebrados por trás do cavalo no programa indicam movimento e o grande Z em negrito, no balão, representa sono profundo. 11

Língua, comunicação e discurso


Mensagem é a informação (sinais codificados, língua, no contexto) que
um emissor (locutor) transmite a um receptor (interlocutor) por meio de
um canal.
A comunicação ocorre quando a mensagem transmitida é decodificada,
ou seja, quando ela é compreendida.

CÓDIGO, LÍNGUA E LINGUAGEM


Código
Contextualização

Veja os quadrinhos a seguir.


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ROSE IS ROSE Pat Brady

2005 UNITED MEDIA/


INTERCONTINENTAL PRESS
O Estado de S. Paulo, 30 ago. 2004.
No primeiro quadrinho, Rose assiste atenta a um programa de televisão, que
mostra, com um fundo musical, um caubói cavalgando; no segundo, a televisão está num plano mais baixo e Rose tenta
1. Procure descrever o que faz a personagem Rose nesta sequência de quatro
observá-la; no terceiro, Rose recupera a imagem da tevê e, no quarto, a situação é explicada:
quadrinhos. Rose está sentada sobre a barriga de seu pai, que dorme profundamente (Rose se surpreen-
de ao perceber isto), levantando e abaixando a menina no movimento típico do ressonar.

2. Em que quadrinho se estabelece o humor da tira? Como ele acontece?


O quarto quadrinho, ao mostrar Rose com seu pai adormecido e o movimento da barriga que a impedia de seguir o programa
da tevê, faz humor por meio do exagero: nenhum ressonar, por mais profundo que seja, pode levantar tanto uma barriga...
3. De que recursos o quadrinista se utilizou para transmitir sua mensagem?
a

Conceituação
O autor emprega alguns códigos, que são sistemas de sinais ou de sím-
bolos preestabelecidos entre emissor e receptor, para comunicar suas ideias.
Assim, existem sistemas de sinais em forma gráfica (letras – que podem
formar outros sistemas de sinais, como palavras e textos –, algarismos–
que podem formar números mais ou menos complexos –, sinais de trânsi-
to com letras, etc.), em forma sonora (sons da voz humana, de instrumen-
tos, etc.) e em forma visual (gestos, sinais de trânsito com imagens, ex-
pressões fisionômicas, fotos, pinturas, etc.). Como vimos na tira, uma letra
(Z) pode ser símbolo de sono, assim como um som (apito de fábrica) pode
ser símbolo de entrada ou saída de trabalho e uma imagem (punho com

GT-C1 (009-048)RO 11 8/15/08, 12:08 PM


12
mão fechada) pode simbolizar revolta. Essas formas podem aparecer mes-
Língua, comunicação e discurso

cladas, desde que utilizem códigos previamente conhecidos por locutor e


interlocutor. As línguas constituem os códigos mais empregados na co-
municação; em nosso país, esse código é a língua portuguesa.

Código é um sistema de sinais preestabelecido entre emissor (locutor) e


receptor (interlocutor) empregado para a transmissão de mensagens.

Língua
Contextualização
Leia a seguinte tira.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
CALVIN Bill Waterson

2005 WATERSON/ATLANTIC SYNDICATION


O Estado de S.Paulo, 22 ago. 2004.

Na tira, Calvin comunica ao pai a posição nada confortável que ele, pai,
tem na “empresa” familiar. Embora o filho tente pressioná-lo, a situação
parece não mudar, pois o pai de Calvin não se deixa abalar com a informação
e continua lendo despreocupadamente o jornal, frustrando o menino em
seu objetivo: ganhar um DVD.
Observe que a intenção de Calvin está claramente expressa por meio de
palavras já conhecidas, por isso é compreendida pelo pai e por nós, leitores.
O uso de um mesmo código, ou seja, a língua portuguesa, é que permite
essa perfeita integração.

Conceituação
A língua é um instrumento de comunicação, ou seja, é um sistema de
sinais vocais e, muitas vezes, gráficos, pertencente a uma comunidade ou a
um grupo social. A língua, portanto, pode sofrer modificações apenas pela
ação da comunidade e não de um único indivíduo.
A língua expressa-se por meio de palavras, faladas ou escritas, porém
conhecer o significado das palavras, ou seja, ter um bom vocabulário não
garante um melhor desempenho na combinação dessas mesmas palavras.

GT-C1 (009-048)RO 12 8/15/08, 12:08 PM


13
É necessário conhecer, também, determinadas leis de combinação entre

Língua, comunicação e discurso


elas, para que haja clareza na sua organização e na expressão do pensamento.
Veja, neste exemplo, a falta de sentido da frase:
Na eficaz mais comunicação é palavra instrumento o a.
A compreensão da frase não foi possível, porque as palavras estão soltas
e não obedecem a algumas leis de combinação básicas dentro do português
do Brasil, como, por exemplo, a ordem SVO, sujeito-verbo-objeto, típica da
língua portuguesa e de tantas outras. Observe agora:
A palavra é o instrumento mais eficaz na comunicação.
Considerada um bem público e coletivo, a língua existe independente-
mente de nós; portanto, um só indivíduo não pode criá-la ou modificá-la.
Ela constitui uma espécie de contrato estabelecido entre as pessoas para
uso comum e apresenta mudanças em sua evolução.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A língua é um sistema de sinais comum a todos os indivíduos de uma


determinada comunidade.

Linguagem
Contextualização
Observe o cartum e a tira seguintes.
QUINO

QUINO. Bem, obrigado. E você?


São Paulo: Martins Fontes, 2004.

ZOÉ & ZEZÉ Jerry Scott & Rick Kirkman


2005 CREATORS SYNDICATE/
INTERCONTINENTAL PRESS

O Globo, Rio de Janeiro, 5 jun. 2004.

GT-C1 (009-048)RO 13 8/15/08, 12:08 PM


14
Em seu cartum, Quino sugere, por meio de linguagem não-verbal (ou
Língua, comunicação e discurso

visual), que os homens de negócios estão proibidos de ter sentimentos por-


que não há tempo para isto. O poste com o coração interditado simboliza a
proibição de afeto, e um dos executivos, olhando preocupado para o relógio,
representa a falta de tempo, sempre precioso no mundo dos negócios.
Na tira, a comunicação entre Zoé e sua mãe ocorre por meio de lingua-
gem verbal e não-verbal. A garota emite sons de satisfação, simbolizados
pelas letras HMM em negrito, e troca palavras com sua mãe sobre a quali-
dade das almôndegas. O que parecia inicialmente ser um elogio, na verdade
é uma crítica, causadora do humor da tira.

Conceituação
Os seres humanos têm a capacidade de representar o pensamento por
meio de sinais codificados que permitem a comunicação e a interação entre

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
eles. Essa capacidade chama-se linguagem.
As várias formas de linguagem criadas pelo ser humano podem ser iden-
tificadas em dois grupos: o da linguagem verbal, como a língua, que tem a
palavra por sinal, e o das linguagens não-verbais, como a música, que
tem o som por sinal, a dança, que tem o movimento por sinal, a mímica, que
tem o gesto por sinal, a pintura, a fotografia e a escultura, que têm a ima-
gem por sinal, etc. As linguagens verbais e não-verbais podem se misturar,
a exemplo da tira e do cartum já vistos.

Linguagem é a propriedade do ser humano de representar o pensamen-


to por meio de sinais codificados com o intuito de comunicar-se com ou-
tro ser humano.

Aplicação
1 Leia os versos de Adélia Prado.

ANTES DO NOME
Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o
‘de’, o ‘aliás’
o ‘o’, o ‘porém’ e o’‘que’, esta incompreensível
muleta que me apoia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.

GT-C1 (009-048)RO 14 8/15/08, 12:08 PM


a Espera-se que o aluno responda língua, porque este sistema lança mão das combinações entre as palavras, da sintaxe e dos novos sentidos
que ela pode proporcionar ao eu lírico.
b A imagem da muleta refere-se às classes gramaticais ditas “vazias”, que funcionam como conectivos (preposições, conjunções, pronomes,
artigos) em oposição às classes “cheias” como substantivo, adjetivo, verbo. O importante é perceber que umas não funcionam sem as outras,
15
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,

Língua, comunicação e discurso


daí a imagem criada.

foi inventada para ser calada.


Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.
PRADO, Adélia. Poesias reunidas. São Paulo: Siciliano, 1998.

a) A linguagem se constrói clara e bem expressa com a boa articu-


lação das palavras. Por que então o eu lírico dispensa a palavra,
ao compor seus versos? Segundo o texto, o mais sugestivo está nas difíceis construções da língua,
com surpreendentes significados e não na palavra banal e acessível.
b) A qual sistema de sinais refere-se o eu lírico nos versos 2 a 5 e
que, no contexto, opõe-se ao sistema de sinais palavra, esta cor-
riqueira do primeiro verso? Justifique sua resposta. a
c) No texto, a palavra que é comparada a uma incompreensível mu-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

leta na qual o eu lírico se apoia. Explique por quê. b


d) De acordo com os versos 6 e 7, entender a linguagem é como
entender Deus, mas morre quem entender. O que quer dizer isso? c
e) Releia o 8o e 9o versos e explique o sentido de palavra para o eu lírico. d
f) Interprete a metáfora que compara a palavra a um peixe vivo. e
d A palavra não esvazia totalmente seu significado, porque ela não se esgota e adquire novos sentidos.
e A apreensão da palavra exata na composição de um texto representa uma busca constan-
2 Leia a charge. te para quem escreve. Isso ocorre, muitas vezes, porque a palavra parece segura em
nossa mente, como o peixe em nossa mão e, de repente, ela escorrega, foge.

O chargista usou as lin-


ANGELI

guagens verbal e não-ver-


bal (ou visual) para fazer
uma crítica à situação de
alguns países.

c Sugestão: espera-se que o aluno consiga re-


cuperar o conceito de linguagem, que é a ca-
pacidade humana de representar o pensa-
mento por meio de sinais codificados. E aqui
cabe uma reflexão: embora se consiga des-
crever o que é a linguagem, e mesmo como
ela surge (da necessidade de comunicação),
não se consegue ainda explicar por que ela
surgiu com o homem e não com outros se-
res... Daí a aproximação com Deus que o tex-
to faz (todos têm a ideia de Deus, mas pou-
cos o sentem...). Ainda segundo o texto, a
dimensão humana pode ser menor do que a
dimensão divina e a da linguagem.

Folha de S.Paulo,
26 abr. 2004.
f A língua portuguesa, por meio da palavra, e o desenho, com a charge ou o cartum, que é um desenho de humor crítico veiculado por jornais.
a) Identifique o(s) código(s) utilizado(s) no texto de Angeli. f
b) Observe a charge e interprete a mensagem do texto. g
c) Quem é o emissor do texto e a quem ele é endereçado? h
d) Qual é a intencionalidade do autor, ao produzir a charge? i
g Pessoal. Sugestão: alguns países periféricos, como Colômbia, Palestina, Afeganistão, Estônia, Zaire, Iraque, cada qual com problemas de difícil
resolução, parecem não se adequar à nova ordem globalizadora proposta pelos países do 1º mundo, e acabam sendo encarados como uma
moléstia que perturba essa nova ordem mundial.
h O emissor ou locutor é o chargista Angeli. O receptor ou interlocutor são os leitores, para quem a mensagem é dirigida.
i Seu objetivo é conscientizar as pessoas em relação aos problemas mundiais e denunciar as consequências das ações extremistas.

GT-C1 (009-048)RO 15 8/15/08, 12:08 PM


16
3 Leia a charge de Glauco.
Língua, comunicação e discurso

a O emissor é um dos políticos

GLAUCO/FOLHA IMAGEM
do grupo e a comunicação se
processa por sua voz.
b O receptor da mensagem é o
político que se encontra do ou-
tro lado do fio, os políticos que
estão ao lado do emissor e o
leitor da charge.
c A própria fala do emissor.

d A possibilidade de o telefone
estar grampeado.
e A língua portuguesa (palavra) e
o desenho (charge ou cartum).

f São os recursos visuais do de-


senho, representados por Bra-
sília, a capital do grampo polí-
tico, e pelo enorme gravador
ligado ao telefone público, que

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
negam a fala do político, e, con-
sequentemente, produzem o
humor.
Folha de S.Paulo, 5 abr. 2004.

a) Identifique o emissor da mensagem e o canal por ele utilizado. a

b) Quem é o receptor da mensagem? b


c) Qual a mensagem? c
d) Qual é o assunto (referente) do texto? d
e) Que códigos o chargista explora no texto? e
f) Que recursos são empregados na produção do humor? f

4 Observe este quadro do pintor espanhol Salvador Dalí.


AUTVIS, SÃO PAULO, BRASIL, 2005 – SALVADOR DALÍ –
FOUNDATION GALA, VEGAP, MADRID, 2005

a O código é a pintura, por meio do


quadro, já o canal é a tinta, que
pode ser bastante específica (a
óleo, acrílica, etc.), assim como o
material em que a pintura é feita, O sono, de Salvador Dalí, 1937.
que pode ser tela, madeira, etc.

a) Quem é o emissor ou locutor do quadro e quem é o seu receptor


ou interlocutor? Opintura.
emissor é o pintor Salvador Dalí e o receptor somos nós, observadores de sua

b) Qual é a mensagem deste texto visual? É a pintura inteira.


c) Qual é o código e o canal utilizados pelo pintor? a
d) É possível identificar o assunto (referente) da obra?
Pessoal. O título do quadro O sono e as imagens não realistas sugerem um assunto voltado a imagens de
sonho. Espera-se que o aluno consiga dizer que a identificação do assunto pode variar de acordo com
quem observa a obra. Em outras palavras: toda obra de arte pode sugerir interpretações diferentes.

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17
NORMA CULTA E VARIEDADES

Língua, comunicação e discurso


LINGUÍSTICAS
Norma culta ou norma-padrão
Contextualização
Leia a tira seguinte e observe como a língua é utilizada pelas personagens.

CALVIN Bill Waterson

2005 WATERSON/ATLANTIC SYNDICATION


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O Estado de S.Paulo, 25 nov. 2004.

Nesta tira de Calvin, ocorre um diálogo telefônico entre ele e seu pai. O
código usado, a língua portuguesa, é utilizado por ambos e decodificado por
nós da mesma maneira, afinal é assim que a língua portuguesa normalmente
aparece nas publicações de circulação nacional, como revistas, jornais e livros.

Conceituação
Historicamente, as sociedades sempre estabeleceram padrões linguís-
ticos desejáveis, mesmo considerando que a língua não é durável, não é
contínua e varia conforme os costumes e a época.
A norma culta ou norma-padrão representa um desses padrões, con-
siderado o de maior prestígio social, embora se saiba que a língua deva
servir como fator de aglutinação social e não de discriminação. Pode-se
afirmar que a norma culta é a variedade linguística usada pelas classes
sociais mais privilegiadas de uma determinada comunidade.
Ensina-se a norma culta nas escolas e, em geral, ela é utilizada em
jornais, revistas e livros, em textos didáticos e científicos, em certos pro-
gramas de televisão e em situações mais formais. Essa é, também, a
forma mais empregada na escrita, salvo diferenças de pronúncia e de
vocabulário.
É importante destacar que a norma culta nada mais é do que uma
das variedades da língua em uso e que, devido às suas particularidades
e funções sociais, é a mais adequada para ser usada em determinadas
situações.

GT-C1 (009-048)RO 17 8/15/08, 12:08 PM


18
Em relação às demais modalidades linguísticas, não existe intrinseca-
Língua, comunicação e discurso

mente nenhuma concepção de “erro” ligada a elas, ou seja, não existe uma
forma mais correta do que a outra. Qualquer variedade linguística funcio-
na adequadamente para determinados objetivos, e deve ser aceita ao ser-
vir de interação verbal entre diferentes pessoas.

Norma culta ou norma-padrão é a variedade linguística de maior pres-


tígio social usada numa comunidade.

Variedades linguísticas
Contextualização
1. Leia a tira de Chico Bento e lembre-se de que a língua modifica-se por

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
influência de vários fatores.
TURMA DA MÔNICA Mauricio de Sousa

MAURICIO DE SOUSA
O Estado de S.Paulo, 15 maio 2004.

a) Explique os recursos utilizados pelo autor na produção do humor


nessa tira. a
b) Em relação à norma culta, como você caracterizaria o modo de Chico
Bento expressar-se? b
c) Quais são as palavras que Chico Bento usa que não seguem a norma-
padrão? Localize-as. Ispantaio, corvo, num, pegá, mio.
d) Passe a frase de Chico Bento para a norma culta. “Com este espantalho, os corvos
não vão mais pegar meu milho!”
a O autor utiliza-se da linguagem verbal (língua portuguesa) e da não-verbal (desenho) no

2. Leia o seguinte texto. primeiro quadrinho para mostrar a intenção da personagem; no segundo e no terceiro, usa
uma onomatopeia que representa som de voo – FLAP, FLAP – e desenho – corvos levando
o espantalho, para produzir o humor da tira, ao inverter a expectativa da personagem.
TODA LÍNGUA VARIA
— Vamos bem devagar para as coisas ficarem claras — propõe
Irene. —Você certamente já ouviu um português falar, não é?
— Já — responde Sílvia.
— Já percebeu as muitas diferenças que existem entre o modo
de falar do português e o modo de falar nosso, brasileiro.
[...]
— Tudo bem até agora? — pergunta Irene.
b Espera-se que o aluno consiga perceber que Chico Bento não se expressa na norma-padrão, em virtude de sua fala não
apresentar as marcas linguísticas típicas desta variedade, uma vez que não é assim que ela normalmente aparece
escrita nos jornais, revistas, livros escolares, ou falada na tevê e na aula. O que não impede que qualquer usuário do
português do Brasil possa ler a tira e entendê-la perfeitamente.

GT-C1 (009-048)RO 18 8/15/08, 12:08 PM


19
— Tudo bem — responde Sílvia.

Língua, comunicação e discurso


— Essas e outras diferenças — prossegue Irene — também
existem, em grau menor, entre o português falado no Norte-
-Nordeste do Brasil e o falado no Centro-Sul, por exemplo.
Dentro do Centro-Sul existem diferenças entre o falar, digamos,
do carioca e o falar do paulistano. E assim por diante.
Irene faz uma pausa. Toma um gole de chá e continua:
— Até agora, falamos das variedades geográficas: a variedade
portuguesa, a variedade brasileira, a variedade brasileira do Nor-
te, a variedade brasileira do Sul, a variedade carioca, a varieda-
de paulistana... Mas a coisa não para por aí. A língua também
fica diferente quando é falada por um homem ou por uma
mulher, por uma criança ou por um adulto, por uma pessoa
alfabetizada ou por uma não-alfabetizada, por uma pessoa de
classe alta ou por uma pessoa de classe média ou baixa, por um
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

morador da cidade e por um morador do campo e assim por


diante. Temos então, ao lado das variedades geográficas, outros
tipos de variedades: de gênero, socioeconômicas, etárias, de nível de
instrução, urbanas, rurais, etc.
BAGNO, Marcos. A língua de Eulália. São Paulo: Contexto, 2003.

a) Qual o assunto do texto? As variedades em torno do português falado.


b) Como vimos, as línguas sofrem modificações. Na sua opinião, há uma
língua brasileira? Esclareça sua resposta. a
c) Além das variedades geográficas, que ocorrem em função de cada
região, há outros modificadores da língua. Que variedades citadas no
Variedades de gênero, socioeconômicas, etárias,
texto também influenciam o modo de falar? de nível de instrução, urbanas, rurais, etc.

Conceituação
Como você observou na tira e no texto, o português está sujeito a modi-
ficações, devido a influências que podem ser linguísticas, ambientais, cul-
turais e socioeconômicas. Por isso, apresenta formas de comunicação di-
ferentes em determinadas regiões ou nos diversos contextos de nossa vida
social. Tais variações ocorrem no vocabulário, na sintaxe e também na pro-
núncia da língua-padrão.
Todas as variedades linguísticas que não se enquadram na norma culta
ou norma-padrão são denominadas de norma popular.
A variedade linguística usada por Chico Bento na tira é a regional, utiliza-
da no interior de alguns estados brasileiros. As variedades linguísticas regio-
nais, a gíria, o jargão de grupos profissionais e outras modalidades, como a
histórica (vista através do tempo), constituem, portanto, a língua não-pa-
drão ou norma popular que, em muitas situações, expressam com mais ade-
quação nossas ideias.
a Pessoal. Argumentos a favor da existência de uma língua brasileira: existem diferenças entre o português falado no Brasil e o falado em
Portugal em relação à pronúncia, ao vocabulário e mesmo à sintaxe (algumas combinações entre palavras são possíveis no Brasil, mas não
em Portugal); argumento contra a existência de uma língua brasileira: todas essas diferenças, principalmente se pensarmos no idioma
escrito, não são suficientes para caracterizar línguas diferentes, já que usuários de lá e de cá se entendem na mesma língua portuguesa.

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20
Na realidade, a escola tem a função de ensinar a língua materna em to-
Língua, comunicação e discurso

das as modalidades e valorizar todas essas práticas. É comum a produção


de construções linguísticas adequadas e eficientes nas diferentes modalida-
des de uso, ou seja, na língua falada e escrita, padrão e não-padrão.
Outro fato relevante refere-se à gramática, que é a mesma nas diversas
modalidades, com escolhas diferentes para uma melhor acomodação textual,
mas dentro de um mesmo sistema gramatical.

Variedades linguísticas são as diferentes variações da língua, de acor-


do com os padrões de uso que ela pode manifestar.

As variedades estilísticas: registros

Contextualização

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Leia a tira.
PIRATAS DO TIETÊ Laerte

LAERTE
Folha de S.Paulo, 7 fev. 2004.

O humor da tira é fundamentalmente provocado pelo uso que o urso faz da


língua, deslocado no contexto das tiras de jornal. Nos dois primeiros quadri-
nhos, utiliza a 2ª pessoa do plural (Vós), forma prevista pela língua, mas qua-
se nunca utilizada, uma colocação pronominal (planta-os) mais adequada à
língua escrita (afinal, as duas personagens expressam-se oralmente na tira),
além de palavras estranhas a esse mesmo universo (sementeira do eterno)
devido ao seu grau de formalidade.
Essa formalidade forçada contrasta com a informalidade que a tira recu-
pera no terceiro quadrinho e que faz parte do universo das histórias em qua-
drinhos, sendo esse contraste o que provoca o humor.

Conceituação
Uma das variações linguísticas possíveis que vimos são as variedades de
norma (norma culta e todas as normas populares), os chamados dialetos.
As variedades de estilo ou os registros são outra das variações linguísti-
cas que existem. Os textos apresentam diferentes graus de formalismo, por

GT-C1 (009-048)RO 20 8/15/08, 12:08 PM


21
isso há vários tipos de registro. Na tira de Laerte, existem os dois tipos de regis-

Língua, comunicação e discurso


tro mais comuns, o excessivamente formal, dos dois quadrinhos iniciais, que
contrasta com a fala do último quadrinho, que é bastante coloquial (ou informal).
Uma situação de comunicação torna-se menos ou mais formal, de acordo
com a situação e/ou com o grau de familiaridade ou de cerimônia existente
entre os interlocutores. Por exemplo, o registro coloquial (informal) aparece
em diálogos, casos em que são empregadas frases curtas, construções gra-
maticais soltas, repetições, etc. O registro formal é bem cuidado e apresenta-
se na variedade culta ou padrão, tanto em situações orais quanto escritas.
Podemos observar esse registro em situações orais formais como mesas-
redondas e discursos oficiais, por exemplo, e na escrita de livros assim como
em bons textos de jornais e revistas. No registro informal (coloquial), entre
familiares ou amigos íntimos, é comum o uso de construções objetivas.

As variedades de registro dependem, portanto, da forma de expres-


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

são, oral ou escrita; da receptividade entre os interlocutores e do grau


de formalismo identificado na interlocução.

Gíria
Contextualização
Leia a tira.
CHICLETE COM BANANA Angeli

ANGELI

”Folha de S.Paulo, 11 fev. 2004.

O humor da tira aparece na não-interlocução da conversa por parte do


DJ, que não ouve o que o “comando” diz.

Conceituação
Atente para a palavra aê e a expressão tá ligado?, usadas para chamar a
atenção do interlocutor.
As palavras em destaque são gírias usadas por jovens. A gíria é típica de
um registro coloquial. Ela é efêmera, pois altera-se com o passar do tempo,
fazendo com que muitas palavras e expressões caiam em desuso e sejam
substituídas por novas formas.

GT-C1 (009-048)RO 21 8/15/08, 12:08 PM


22
A gíria constitui um dos dialetos da língua e é formada por palavras e
Língua, comunicação e discurso

expressões que são usadas por determinados grupos sociais para marcar
sua identidade. Dentre seus usuários, distinguem-se os jovens, com uma
linguagem própria, e os membros de grupos, como, por exemplo, os apre-
ciadores do movimento clubber, dos jogos de futebol, da música country,
etc., sempre com termos específicos para cada grupo.
A gíria é chamada de jargão, quando se refere a profissões, como a lín-
gua dos jornalistas, dentistas, médicos, economistas, etc. Assim, a gíria con-
tribui para a identificação do grupo que a emprega, mas também representa
um elemento de discriminação aos indivíduos que não a entendem.

Gíria é um dialeto linguístico que apresenta um vocabulário específico,


criado por um grupo social jovem, que o distingue da língua-padrão. Quan-
do ligada a uma profissão, é chamada de jargão.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
As variedades regionais e sociais

Contextualização
Leia a charge de Ziraldo.
ZIRALDO

O chargista faz uma crítica social


sobre as condições de vida dos que vi-
vem em regiões inóspitas do campo.
Segundo o texto, muitos deles não so-
brevivem à fome e à seca em sua pró-
pria terra, e alguns tentam a sorte, inu-
tilmente, em grandes centros como
São Paulo.
Observe na pergunta do emissor o
emprego da forma cadê, equivalente a
que é (feito) de, e que constitui, na ori-
gem, um regionalismo português.

ZIRALDO. In: Belmonte : 100 anos.


São Paulo: Senac, 1996.

Conceituação
Os aspectos mais relevantes e distintivos das variedades linguísticas
são o vocabulário, a pronúncia, a morfologia e a sintaxe. As variedades
regionais, as profissionalizantes ou técnicas e as gírias distinguem-se prin-
cipalmente pelo vocabulário em relação à língua-padrão. Quanto ao regio-
nalismo, é muito comum, por exemplo, perceber-se que um mesmo ser

GT-C1 (009-048)RO 22 8/15/08, 12:08 PM


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pode vir designado de várias maneiras, de acordo com a região (macaxei-

Língua, comunicação e discurso


ra, mandioca, aipim). As variedades regionais diferem, ainda, quanto à pro-
núncia: é comum dizer que os nordestinos e gaúchos falam cantado. No
interior de São Paulo, o r não é vibrado, e os cariocas chiam muito no s.
Um dado importante no estudo das variedades linguísticas é a questão
social, que pode determinar maior ou menor acesso a variedades cultas da
língua — acesso mais difícil, por exemplo, a amplas faixas de pessoas da
zona rural brasileira.

Aspectos importantes que distinguem as variedades regionais umas


das outras são o vocabulário e a pronúncia.

A relação entre a oralidade e a escrita


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Contextualização
Leia os quadrinhos de Jim Davis.
GARFIELD Jim Davis

ATLANTIC SYNDICATION
2005 PAWS, INC. ALL RIGHTS RESERVED/

Folha de S.Paulo, 4 fev. 2004.

Na tira, as personagens dialogam “mentalmente”. Na verdade, usam


a língua oral para isso, que, em geral, é mais simples e comunicativa do
que a língua escrita. Veem-se construções próprias da expressão oral,
como o uso de frases curtas, de comparações e de expressões popula-
res (rolha de poço, comparação usada pelo novelo para chamar Garfield
de gordo, e caí que nem um patinho, expressão para Garfield chamar-se
de bobo).

Conceituação
Numa sociedade letrada, não se lê e se escreve apenas, mas principal-
mente se fala. A valorização social de uma pessoa, nos dias de hoje, está
bastante ligada ao seu desempenho escrito, mas também ao oral, em virtu-
de de nossa ampla exposição aos meios de comunicação, como a televisão,
o rádio e o cinema.

GT-C1 (009-048)RO 23 8/15/08, 12:08 PM


24
Hoje, busca-se dedicar o mesmo tempo de aprendizagem tanto para a ex-
Língua, comunicação e discurso

pressão oral quanto para a expressão escrita. Para revigorar a língua escrita, é
preciso inserir-lhe os elementos vivos da língua falada, como o uso, por exem-
plo, de uma sintaxe mais expressiva e de uma pontuação mais simplificada.

Língua oral: mais alusiva, traços gramaticais (frases onomatopeicas e ex-


clamativas, formas contraídas e frases cortadas, comparações e expres-
sões populares), recursos expressivos (acentuação, entonação, pausas), sig-
nificados não-verbais (expressão fisionômica, gestos, postura corporal).
Língua escrita: mais precisa, menos econômica, traços gramaticais (fra-
ses perifrásticas e assertivas, formas e frases inteiras), recurso importan-
te (pontuação).

Aplicação

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
1 Os textos seguintes encontram-se na norma culta, mas em al-
guns deles existem traços ou sinais de outras variedades. Identi-
fique esses traços e as variedades que eles indicam.

a) A sua casa de moço solteiro estava para isso admiravelmente


situada entre jardins, no centro de uma chácara ensombrada por
casuarinas e laranjeiras. Se algum eco indiscreto dos estouros báqui-
cos ou das canções eróticas escapava pelas frestas das persianas ver-
des, confundia-se com o farfalhar do vento na espessa folhagem; e
não ia perturbar, nem o plácido sono dos vizinhos, nem os castos
pensamentos de alguma virgem que por ali velasse a horas mortas.
ALENCAR, José de. Lucíola. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.
Norma culta ou norma-padrão (livro, texto literário).

b) Envolvido pelo clima musical de sua grei — mais conhecida


Norma culta ou norma-padrão
(livro, texto literário). Traços de
como patota —, o rapazinho comprou uma magnífica guitarra
outras normas: grei, gíria para tur- elétrica de 45 cavalos, transformadores, amplificadores, compres-
ma dos anos 50, e patota, tam-
bém gíria para turma dos anos 70
sores e destiladores e passava os dias inteiros tocando seu instru-
(gíria); de 45 cavalos, transfor- mento, num tom estridente e monótono (no bom sentido, um
madores, amplificadores, com-
pressores e destiladores (jargão tom só) capaz de enlouquecer um frade de pedra.
profissional / músicos).
ZIRALDO. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 2001.

c) Sinal Verde – Um biólogo da Universidade de Princeton, nos


EUA, estudou as formigas para saber como elas andam em tantas
direções, sem se trombar. Com ajuda de um simulador, ele mapeou o
trânsito do formigueiro. Notou que há três filas. Na do meio andam
os insetos que carregam alimento para casa. Nas pistas laterais, o trá-
fego é reservado às operárias que partem em busca de mais comida.
IstoÉ, São Paulo, 24 mar. 2004.
Norma culta ou norma-padrão (revista, texto jornalístico). Traços de outra norma: simulador,
mapeou, pistas laterais, tráfego (jargão profissional / engenheiros de trânsito).

GT-C1 (009-048)RO 24 8/15/08, 12:08 PM


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d) — Minha filha, você me deu sua palavra que a sua festa ia

Língua, comunicação e discurso


acabar às duas horas.
— E acabou, papai.
— Sim, mas às duas da tarde! Nós estávamos almoçando,
hoje, e ainda estava chegando gente pra festa de ontem!
— É que a turma se excedeu um pouco, papai, qualé?
— Outra coisa, você jurou que seus amigos iam ficar na sala
e não invadiriam os outros aposentos.
— E, então?
— Então que eu fui acordado no meio da noite por um
cabeludo me perguntando se não tinha vodca em casa.
— Ele se perdeu, só isso.
— Tudo bem. Mas ele precisava me chamar de “ó do pijama”?
— Papai...
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

VERISSIMO, Luis Fernando. Pais e filhos.


Norma culta ou norma-padrão (livro, texto literário). Tra-
Porto Alegre: LP&M, 1999.
ços de outra norma: qualé?, cabeludo, ó do pijama, gírias
hoje não tão usadas (gíria).

2 Pesquise em jornais, revistas e livros e dê três exemplos de tex-


tos no registro formal e outros três no registro coloquial. Expli-
que a diferença entre cada registro.
Pessoal. O registro formal é bem cuidado, apresentando-se na norma culta ou norma-padrão; o registro colo-
quial aparece no diálogo, com frases curtas, construções gramaticais soltas e repetições.
3 Leia os dois fragmentos seguintes de Drummond e responda ao
que se pede.

AS PALAVRAS QUE NINGUÉM DIZ


— Sabe o que é diadelfo? Não sabe? É isso aí: ninguém apren-
de mais nada na escola, não há professor que ensine o que é
diadelfo. Entretanto, basta você sair por aí, na Gávea, e dá de cara
com pencas de diadelfos. Tão fácil distingui-los. Pelo visto, sou
capaz de jurar que você também nunca experimentou a emo-
ção do ilapso. Ou por outra: pode ter experimentado, mas sem
identificá-lo pelo nome. Não alcançou a maravilhosa consciên-
cia de haver merecido o ilapso. Conheci um nordestino que na
mocidade exercera a profissão de ultor, e que ignorava o que é
ultor; como é que pode ser tão mau profissional?
a diadelfo: que apresenta diadelfia (nas plantas, sol-
dadura dos estames pelos filetes em dois feixes);
ANDRADE, Carlos Drummond de. Os dias lindos.
ilapso: influência de Deus na alma das pessoas, Rio de Janeiro: Record, 1998.
segundo os crentes;
ultor: que ou aquele que vinga; vingador.
a) Procure no dicionário o significado das palavras empregadas por
Drummond: diadelfo, ilapso e ultor. a
b) No texto, o narrador não conclui de forma objetiva as dúvidas que
levanta. Considere os registros encontrados no texto e responda:
com que intenção o autor optou por tal recurso?
O narrador dialoga com um interlocutor (existe um travessão no trecho lido), portanto utiliza um registro coloquial
para nele inserir um vocabulário de outro registro, extremamente formal (palavras em desuso). Não importa o que
significam: este deslocamento de registro evidencia uma crítica ao artificialismo dos extremos linguísticos.

GT-C1 (009-048)RO 25 8/15/08, 12:08 PM


26
c) Na sua opinião, é necessário que a escola ensine palavras como
Língua, comunicação e discurso

Pessoal. Sugestão: não, porque para nos expressarmos com clareza


as do texto? Por quê? e objetividade necessitamos usar palavras ou registros conhecidos por
um grande número de pessoas.

ANTIGAMENTE
Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram
todas mimosas e prendadas. Não faziam anos: completavam
primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não sendo
rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas fi-
cavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tábua, o
remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra fre-
guesia. [...] Os idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo
para tomar a fresca; e também tomavam cautela de não apa-
nhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatógrafo, e mais
tarde ao cinematógrafo, chupando balas de alteia. Ou sonha-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
vam em andar de aeroplano: os quais, de pouco siso, se meti-
am em camisas de onze varas, e até em calças pardas; não
admira que dessem com os burros n’água.
[...] Embora sem saber da missa a metade, os presunçosos
queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e com isso punham a
a Pessoal. Sugestão: Drummond mão em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tra-
elabora um texto escrito na
norma-padrão atual, mas im- montana. A pessoa cheia de melindres ficava sentida com a des-
pregnado de palavras e expres-
sões de outras variedades lin- feita que faziam quando, por exemplo, insinuavam que seu filho
guísticas. Antes de tudo, há a
intenção de se fazer um recor-
era ardiloso. Verdade seja que às vezes os meninos eram mesmo
te histórico na língua, portanto encapetados; chegavam a pitar escondido, atrás da igreja. As me-
tem-se uma variedade histó-
rica que recupera palavras e ninas, não: verdadeiros cromos, umas teteias.
expressões que faziam parte
da norma-padrão do início do [...] Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os me-
século passado (completar pri- ninos, lombrigas, asthma os gatos, os homens portavam ceroulas,
maveras; janota; animatógrafo;
aeroplano; portar ceroulas, bo- botinas e capa-de-goma [...], não havia fotógrafos, mas retratis-
tinas e capas-de-goma; retra-
tista; descansar cristãos) e tam- tas, e os cristãos não morriam: descansavam.
bém da gíria da época (fazer
pé-de-alferes; arrastar a asa; Mas tudo isso era antigamente, isto é, outrora.
levar tábua; tirar o cavalo da
chuva; encapetado). ANDRADE, Carlos Drummond de. Seleta em prosa e verso;
Divagações. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1976.

a) A partir dos dialetos (variedades linguísticas) que você já viu, como


classificaria esse fragmento de Drummond? Exemplifique com
palavras e expressões do texto. a
b) O texto nos mostra que a língua modifica-se em função do tem-
po. Que fatores explicam sua constante mudança? b
c) Redija de acordo com a sua própria linguagem e, depois, passe
para a norma-padrão: “E se levavam tábua, o remédio era tirar o
cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia.”. c
b Fatores linguísticos, ambientais, culturais e socioeconômicos. A mudança ocorre como ato do todo social, da comunidade linguística
em questão, e não da ação de apenas um indivíduo dessa comunidade.
c Pessoal. Sugestão: 1. E se levavam fora, o lance era puxar o carro (tirar o time de campo) e jogar a rede noutro canto; 2. E, se eram recusados,
o jeito era desistir e procurar outra pessoa. Caso os alunos não conheçam as expressões, o professor poderá explicar o significado .

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27
4 No texto a seguir, Luis Fernando Verissimo brinca com as pala-

Língua, comunicação e discurso


vras, ao empregá-las de forma incomum. Confira.

PALAVREADO
Gosto da palavra “fornida”. É uma palavra que diz tudo o
que quer dizer. Se você lê que uma mulher é “bem fornida”,
sabe exatamente como ela é. Não gorda mas cheia, roliça, car-
nuda. E quente. Talvez seja a semelhança com “forno”. Talvez
seja apenas o tipo de mente que eu tenho.
Não posso ver a palavra “lascívia” sem pensar numa mulher,
não fornida mas magra e comprida. Lascívia, imperatriz de Cân-
taro, filha de Pundonor. Imagino-a atraindo todos os jovens do
reino para a cama real, decapitando os incapazes pelo fracasso e
os capazes pela ousadia.
Um dia chega a Cântaro um jovem trovador, Lipídio de Al-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

bornoz. Ele cruza a Ponte de Safena e entra na cidade montado


no seu cavalo Escarcéu.Avista uma mulher vestindo uma banda-
lheira preta e lhe lança um olhar cheio de betume e cabriolé.
Segue-a através dos becos de Cântaro até um sumário – uma
espécie de jardim enclausurado – onde ela deixa cair a banda-
lheira. É Lascívia. Ela sobe por um escrutínio, pequena escada
estreita, e desaparece por uma porciúncula.
a O intuito com esse deslocamento é produzir um texto de
humor, como os quadrinistas das tiras e das charges. V ERISSIMO , Luis Fernando. O analista de Bagé.
b Sim, existe uma intenção na escolha das palavras e expressões; essa intenção pres-
supõe associações de significados que podem ser sonoras, como o nome de seres Porto Alegre: LP&M, s/d.
(Lascívia, Lipídio, Escarcéu), sensoriais, como a sugestão de cores e texturas (olhar
de betume), e mesmo metafóricas (Ponte de Safena).
a) Propositalmente, o autor desloca palavras de seus contextos ha-
bituais e as coloca em outros. Qual é seu intuito? a
b) A seu ver, é possível detectar uma intenção no processo de esco-
lha das palavras deslocadas ou essa escolha é aleatória? Justi-
fique sua resposta citando algumas destas palavras. b
c) Explique por que o texto é compreensível, embora as palavras
estejam deslocadas de seus sentidos originais. c
d) Em que variedade linguística insere-se o texto de Verissimo?
O texto está redigido na norma culta ou norma-padrão, geralmente usada nos livros, jornais e revis-
Por quê?tas. Todas as palavras recriadas pelo autor pressupõem um conhecimento dessa mesma norma culta.
c Como vimos, morfologicamente falando, as palavras adquirem novos significados em
5 Leia o texto. novos contextos. Além disso, no plano da sintaxe, existe uma estrutura narrativa de uma
história que nos é contada, com enredo e personagens que realizam determinadas ações.

Vancê pare um bocadinho; componha os seus arreios, que a


cincha está muito pra virilha. E vá pitando um cigarro enquanto
eu dou dois dedos de prosa àquele andante... que me parece que
estou conhecendo... e conheço mesmo!... É o índio Reduzo,
que foi posteiro dos Costas, na estância do Ibicuí. [...]
— Vancê desculpe a demora: mas quando se encontra um
conhecido do outro tempo — e então do tope deste! — a gente

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28
até sente uma frescura na alma!... Coitado, está meio acalcanha-
Língua, comunicação e discurso

do, mas bonzão ainda.


Pois aquele cuerudo que vancê está vendo, teve grito
d’armas!... Vou contar-lhe uma alarifagem em que ele andou
metido, e que só depois se soube, pelo miúdo, e isso mesmo
porque a própria gente do caso é que contava.
NETO, João Simões Lopes. Contos e lendas.
Rio de Janeiro: Agir, 1957.
O escritor gaúcho Simões Lopes Neto empregou a modalidade regional ou geográfica, norma popular falada no
ambiente rural gaúcho. Vê-se no texto vocabulário próprio do campo sulista.
a) O fragmento apresenta vários termos e expressões que determi-
nam uma variedade gaúcha e rural. Identifique a modalidade
linguística do texto.
b) Que características típicas do sertanejo estão evidentes no nar-
rador? O sertanejo gosta de contar histórias e de cavalgar, além de apreciar a bravura de seus conterrâneos.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
c) Identifique palavras regionalistas no texto e explique seu sig-
nificado. Vancê (em lugar de você); cincha (peça do arreio); posteiro (empregado de uma fazenda ou
de um sítio); tope (qualidade); cuerudo (pessoa com marcas de arreios); alarifagem (façanha).
d) Interprete as seguintes expressões:
• eu dou dois dedos de prosa Eu converso bem pouco, rapidamente.
• só depois se soube, pelo miúdo Mais tarde o fato ficou conhecido, pouco a pouco.
• a própria gente do caso As mesmas pessoas da história.

6 Interprete os três textos seguintes, identificando seus registros


e as variedades linguísticas neles empregadas.

Texto 1
O registro é coloquial (trata-se de
ANGELI

uma interpelação para iniciar


uma conversa) ou informal (o
texto do balão usa frases corta-
das ––vai, moça!? —, e expres-
sões ligadas à oralidade ––de
lambuja); a variedade linguística
é a norma-padrão, usada nor-
malmente nos jornais e revistas.
O chargista Angeli faz humor
político, ao inverter valores: o
recurso mineral mais valioso, o
ouro, vai de graça, metáfora da
situação nacional.

Folha de S.Paulo, 2 maio 2003.

GT-C1 (009-048)RO 28 8/15/08, 12:08 PM


29
O narrador começa a contar

Língua, comunicação e discurso


sua história e, para isso, usa Texto 2
um registro formal, pois não
se dirige a familiares ou co-
nhecidos e sim a um grande
ÓBITO DO AUTOR
número de leitores desco- Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo
nhecidos; usa, ainda, a nor-
ma-padrão, comum nos tex- princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu
tos escritos, sejam eles livros
científicos ou literários, jor-
nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja co-
nais ou revistas. Provoca es- meçar pelo nascimento, duas considerações me levaram a ado-
tranhamento (um morto con-
ta sua história) e humor, ao tar diferente método: a primeira é que eu não sou propria-
fazer comparações inusita-
das: não era um autor em
mente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a
vida, virou autor depois de campa foi o berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais
morto; é mais original do que
Moisés, ao iniciar o relato por galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte,
uma passagem com a qual
a personagem bíblica conclui
não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este
o seu. livro e o Pentateuco.
ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Rio de Janeiro: Ediouro, 1996.

Texto 3

ANGELI

Folha de S.Paulo, 20 ago. 2003.


O registro usado pelas personagens de Angeli em sua charge-tira é excessivamente formal (por isso mesmo, artificial),
exceto o do último balão, excessivamente informal. A variedade linguística é o jargão que os políticos empregam nas
CPIs do Congresso, exceto a do último balão, que nos mostra uma expressão de gíria (tomar uma bifa na orelha). O
humor irrompe na súbita inversão de registros do último balão.

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30
A INTENCIONALIDADE DO DISCURSO
Língua, comunicação e discurso

Contextualização
Observe como se desenvolve a conversa entre Hagar e Eddie Sortudo
nos quadrinhos a seguir.
HAGAR Dik Browne

INTERCONTINENTAL PRESS
2005 KING FEATURES/

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Folha de S.Paulo, 26 mar. 2003.

Hagar diz ao amigo que se sente muito bem em bares e Eddie responde
que o nariz lhe coça nas horas mais impróprias. Os dois interlocutores reve-
lam uma notável falta de sintonia, o que impede o bom êxito da interação.
Isto ocorre porque cada um deles não leva em conta as intenções comunica-
tivas do outro.

Conceituação
O discurso constitui o aspecto mais importante da linguagem, pois é a
forma concreta de manifestação individual da língua. Em geral, o indivíduo
escolhe a melhor forma de exprimir seus pensamentos, ou seja, cria um
estilo quando utiliza o discurso.

Discurso é a língua no ato, na sua execução individual.

O quadrinista cria humor ao explorar a falha de intenção das persona-


gens em modificar ou influenciar o pensamento e a postura do respectivo
interlocutor. Existe uma intencionalidade discursiva em toda interação ver-
bal, aparente ou não.
Os interlocutores podem utilizar a intenção discursiva para solicitar, in-
formar, exigir, impressionar, etc., ou seja, para melhorar o desempenho da
interação verbal. Saber quem são seus interlocutores e qual o contexto
social em que se produz essa interação também ajudam a intenção.

Intencionalidade discursiva são as intenções, mais ou menos eviden-


tes, dos interlocutores que fazem parte de uma interação verbal.

GT-C1 (009-048)RO 30 8/15/08, 12:08 PM


31
Funções da linguagem

Língua, comunicação e discurso


Contextualização
Leia a charge.

JEAN/FOLHA IMAGEM
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Folha de S.Paulo,
18 out. 2004.

O quadrinista ironiza a situação de desemprego globalizado apresentan-


do uma imensa fila de desempregados (com seus respectivos currículos)
que dá volta ao mundo.
Na charge, o humor aparece quando uma das pessoas se queixa de outra
por não obedecer à ordem na fila. Observe que o falante utiliza a linguagem
verbal para estabelecer um contato com o receptor: “Ei! Furar fila não vale!!”.

Conceituação
No processo de comunicação, os interlocutores têm sempre uma inten-
ção ou objetivo, por isso a linguagem modifica-se de acordo com a situação.
A linguagem verbal é constituída por diferentes elementos com determina-
das funções.
Existem seis elementos no ato de comunicação: o locutor ou emissor (a
pessoa que fala), o interlocutor ou receptor (a pessoa com quem se fala), o
canal ou contato (o som e o ar, o meio físico), o referente ou contexto (o
assunto), o código (a língua) e a mensagem ou texto (a conversa). A cada um
desses componentes corresponde uma das seis funções de linguagem, respec-
tivamente: emotiva, conativa, fática, referencial, metalinguística e poética.

Funções da linguagem: emotiva (locutor), conativa (interlocutor), fá-


tica (canal), referencial (contexto), metalinguística (a própria língua) e
poética (texto).

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32
Função emotiva ou expressiva
Língua, comunicação e discurso

Contextualização
Veja.
SE EU MORRESSE AMANHÃ!
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!


Que aurora de porvir e que manhã!
Eu pendera chorando essas coroas

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n´alva


Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito,
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora


A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
AZEVEDO, Manuel Antônio Álvares de. Se eu morresse amanhã!
In: BANDEIRA, Manuel, org. Antologia dos poetas brasileiros:
poesia da fase romântica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.

O eu lírico do poema de Álvares de Azevedo expressa suas emoções,


suas opiniões e seu estado de espírito. Por isso, os verbos e pronomes
estão na 1ª pessoa: Se eu morresse amanhã!, Fechar meus olhos mi-
nha triste irmã, Minha mãe de saudades morreria, Quanta glória pres-
sinto em meu futuro!, Eu pendera chorando..., Não me batera tanto
amor no peito,.

Conceituação
Na função emotiva ou expressiva, a ênfase é dada no locutor (ou emis-
sor) da mensagem.
A linguagem é subjetiva, centrada na primeira pessoa verbal. É comum,
nesse tipo de função, o uso de reticências, exclamações e interjeições, pon-
tuações que expressam emotividade.

GT-C1 (009-048)RO 32 8/15/08, 12:08 PM


33
Função conativa ou apelativa

Língua, comunicação e discurso


Contextualização
Leia o anúncio publicitário.

MARTIN LUZ/MARTIN LUZ


Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

MARTIM LUZ
(fotógrafo)

Observe que a principal intenção do emissor é convencer os interlocuto-


res a doar revistas que já leram para escolas de menor recurso.
A linguagem persuasiva da publicidade destaca os benefícios éticos da
campanha: atitudes que têm o poder de mudar totalmente uma história;
todas trazem informações valiosas; incentivando o aluno a gostar de ler; o
futuro do Brasil agradece.

Conceituação

A função conativa ou apelativa ocorre quando o foco está no interlocu-


tor (ou receptor), a quem se deseja influenciar pela mensagem.
Em geral, quando predomina a função conativa, o pronome pessoal des-
loca-se do eu para você, ocorrendo o emprego de verbos no modo imperati-
vo, como no texto do anúncio: Presenteie; Doe; Ofereça; Estimule; Jogue
sua revista na escola.

GT-C1 (009-048)RO 33 8/15/08, 12:08 PM


34
Função fática ou de contato
Língua, comunicação e discurso

Contextualização

Observe.
BELINDA Dean Young & Stan Drake

INTERCONTINENTAL PRESS
2005 KING FEATURES/

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 jun. 2003.

No primeiro quadrinho, o emissor inicia uma conversa dizendo: Olá?


Olá? Tem alguém aí?. Nesse momento, ele não tem a preocupação de
transmitir informações, mas sim de testar o canal de comunicação, a lín-
gua oral (o som e o ar).

Conceituação

Na função fática, o objetivo do emissor é estabelecer a comunicação e


manter aberto o canal. Essa função ocorre em situações do dia-a-dia,
sempre que iniciamos contato verbal: Tudo bem?, Como vai?, Boa tarde!,
Está frio, não?, Pronto?.

Função referencial ou denotativa

Contextualização

Leia este texto.

ETERNA VIGILÂNCIA
Um robô voador de 13,6 cm e 12 gramas com câmara sem
fio é a nova arma para os pais monitorarem seus filhos. Contro-
lado por computador, o protótipo da japonesa Seiko Epson pode
ajudar na busca de sobreviventes entre os destroços de acidentes
e terremotos. O aparelho tem autonomia de voo de apenas três
minutos. Essa capacidade deve aumentar antes de o produto ga-
nhar as ruas dentro de dois anos.
IstoÉ, São Paulo, 25 ago. 2004.

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O texto descreve a criação de um robô voador controlado por computa-

Língua, comunicação e discurso


dor, que permite a localização de pessoas. A linguagem é direta e objetiva,
pois comunica aos leitores fatos da realidade.

Conceituação

A função referencial ocorre quando se põe ênfase no referente (ou con-


texto), ou seja, quando há uma informação objetiva a ser transmitida.
Normalmente se emprega a terceira pessoa verbal, pois se fala de algo
ou de alguém: O aparelho tem autonomia... É comum em textos jornalísti-
cos e científicos.

Função metalinguística

Contextualização
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Observe.
TURMA DA MÔNICA Mauricio de Sousa

MAURICIO DE SOUSA
O Estado de S. Paulo, 18 jul. 2004.

Na tira, o quadrinista utiliza traços em vez de palavras no balão de res-


posta do pai.
O humor da tira reside no fato de Mauricio exercer um papel inusitado, o
de censor da fala de sua própria personagem.

Conceituação
O que se destaca na função metalinguística é o código, que é utilizado
para explicar a si mesmo.
Ocorre metalinguagem quando a intenção do texto (linguístico ou visual)
é explicar ou pedir explicação sobre algum elemento (ou todos eles) que o
constitui (ou constituem).
Palavras, nas aulas e verbetes de dicionários, explicam outras palavras;
imagens, nos quadrinhos, podem explicar palavras (linguagem mista); fil-
mes podem explicar o cinema; um poema pode explicar a poesia de um
poeta. Nesses casos, há metalinguagem.

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Função poética
Língua, comunicação e discurso

Contextualização
Leia este poema.

o sumo do suco do extrato grosso espesso


concentrado da palavra leve aérea perfumado
o ar onde soa o mar onde ecoa o mar onde
escoa a palavra mar onde escorra a palavra porra
até o óvulo ouvido da próxima palavra pessoa
ANTUNES, Arnaldo. Boa companhia: poesia.
São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

Observe a preocupação do poeta com a organização do texto. Houve uma

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
seleção e combinação das palavras, de forma especial e particular. O objetivo
do emissor não está na informação, mas no trabalho com a construção da
mensagem. Por isso, as palavras do texto realçam a sonoridade e sugerem
belas imagens; como sumo que representa a essência da palavra concentrada
de significado, e que se espalha leve no ar.
A função poética pode ser explorada em verso e em prosa, e não só em textos
literários, mas também em anúncios publicitários e na linguagem cotidiana.

Conceituação
Na função poética, o objetivo do emissor é o trabalho com a construção
da mensagem.
A função poética pode ser explorada em verso e em prosa, mas também
em anúncios publicitários e na linguagem cotidiana.

Pode haver mais de uma função num mesmo texto, mas, em geral, uma
determinada função é predominante e distingue o tipo de mensagem.
Leia o esquema com as correspondências entre os elementos de comuni-
cação e as funções de linguagem.
referente
(função referencial)

emissor mensagem receptor


(função expressiva) (função poética) (função conativa)

contato
(função fática)

código
(função metalinguística)

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Aplicação

Língua, comunicação e discurso


1 Leia a tira.
RECRUTA ZERO Mort Walker

INTERCONTINENTAL PRESS
2005 KING FEATURES/
O Globo, Rio de Janeiro, 5 jun. 2004.
a Ao ressaltar, na fala do Sargento Tainha, a falha de compreensão de parte da fala da mulher: ele entende
que o mesmo complemento de você (está engordando) está sendo aplicado à imaginação.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a) A situação de comunicação das personagens não ocorre com


Porque parte da intencionalidade discursiva da mulher do Sargento Tainha
sucesso. Por quê? não foi captada por ele.
b) Como o autor produziu humor no texto? a
c) Explique por que houve falha na interação verbal das personagens.
Porque o Sargento Tainha atribui a frase está engordando à imaginação da mulher e não a si mesmo: trata-
-se de uma questão de escopo (intenção, escolha).
2 Leia estes quadrinhos e responda às questões propostas.

JEAN/FOLHA IMAGEM

Folha de S.Paulo, 10 jan. 2004.

a) Explique como se processa a comunicação entre o pesquisador


de opinião e o entrevistado. Eles se comunicam a distância, por meio de um interfone e
de visores eletrônicos.
b) Que função de linguagem predomina nos quadrinhos? Por quê?
A intenção do pesquisador é centrar a atenção no seu interlocutor, o entrevistado. Mas essa função, a conativa, só
ocorre no quarto quadrinho. Nos três primeiros predominam a função fática ou de contato, pois os interlocutores
testam seus canais de comunicação, o interfone (ambos) e os visores eletrônicos (apenas o entrevistado): O que
é?; Pesquisa de opinião.; Um minuto.; Pode fazer a pergunta daí mesmo., e a função metalinguística, pois os
quadrinhos iniciais explicam visualmente a insegurança que vai aparecer nas palavras do quarto quadrinho.

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c) No 1o quadrinho, após o primeiro contato, o interlocutor pede que
Língua, comunicação e discurso

o funcionário aguarde um instante. Observe o 2o e 3o quadrinhos


e explique a reação do morador. Oparmorador hesita em abrir a porta. Finalmente, decide partici-
da pesquisa, mas não permite a entrada do funcionário.
d) Como o quadrinista consegue criar humor no texto?
O humor aparece na identificação do tema da entrevista com a situação vivida pelo funcionário, ou seja, é
um humor metalinguístico.
3 Leia a tira.
CALVIN Bill Waterson

2005 WATERSON/ATLANTIC SYNDICATION

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O Estado de S.Paulo, 10 jul. 2004.
Nos dois primeiros, predomina a linguagem não-verbal (com a representação de uma onomatopeia, o clic
de ligar a tevê, no segundo); no último, a linguagem verbal e a não-verbal aparecem misturadas.
a) Qual o tipo de linguagem que predomina nos dois primeiros
quadrinhos? E no último?
b) Quais as funções da linguagem que predominam em cada um dos
quadrinhos? Por quê? No primeiro, a função que aparece é a emotiva: Calvin é um emissor apres-
sado e ansioso; no segundo e no terceiro, a função explícita é a conativa: o
centro das atenções de Calvin é sua mais-que-querida interlocutora, a tevê.

4 Leia o poema de Manuel de Barros.

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa


era a imagem de um vidro mole que fazia
uma volta atrás da casa.
Passou um homem e disse Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem e uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
a Os versos: Passou um homem e disse Essa volta / que o rio
faz por trás de sua casa se chama / enseada. O eu lírico per- BARROS, Manuel de. O livro das ignorãnças.
de a visão de criança da cobra de vidro ao defrontar-se com o
determinante Essa, único com E maiúsculo, grande como o Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993.
homem, e com a enseada, que reina absoluta num único ver-
so, também isolado pelo homem.
a) O sentimento do eu lírico em relação ao rio muda bruscamente
numa passagem do poema. Localize esses versos e explique como
ocorre essa mudança com elementos do texto. a
b) Qual é a função da linguagem predominante no texto? Esclareça
sua resposta. Asonoridade
função poética, pois o autor explora determinados recursos literários como a
e a combinação das palavras, figuras de estilo como metáforas e o es-
paço gráfico do poema.

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5 Leia a tira a seguir.

Língua, comunicação e discurso


OS PESCOÇUDOS Caco Galhardo

CACO GALHARDO/FOLHA IMAGEM


Folha de S.Paulo, 22 jul. 2003.

a) Quem são os interlocutores desta tira de Caco Galhardo? Nós, os leitores.


É tudo o que está na tira inteira, ou seja, o nome das personagens
b) Qual é a mensagem da tira? e do autor, o nome do curso, o texto da programação, as ilustra-
ções e o texto das chamadas. A função correspondente é a poética.
c) Pode-se dizer que houve criatividade na elaboração da tira. Justi-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O autor é criativo quando transpõe a forma publicitária de um flyer,


fique essa afirmativa. anúncio ou cartaz para sua tira diária. Além disso, provoca o humor
com o perfil exagerado dos políticos que frequentariam o seu curso.
d) Que funções de linguagem são predominantes no texto? Justifique.
A função conativa ou apelativa, que visa persuadir os candidatos (Inscreva-se já!, vagas limitadas), e a
função referencial ou denotativa, empregada nas informações sobre o curso.
6 Leia estes versos de Florbela Espanca.
EU
Eu sou a que no mundo anda perdida
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
[...]
Sou talvez a visão que Alguém sonhou.
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
ESPANCA, Florbela. Sonetos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
O eu lírico julga-se uma pessoa marcada pela vida, sem ilusões e sem rumo.
Sente-se como uma sombra, não tem uma história e não deixa rastros.
a) Explique como o eu lírico se define em relação à vida.
b) Identifique a função de linguagem predominante no texto. Justifique.
A função emotiva ou expressiva; o emissor destaca seus sentimentos, por isso
emprega verbos e pronomes na 1a pessoa verbal: Eu sou, pra me ver.
7 Leia a tira a seguir.
O MENINO MALUQUINHO Ziraldo
ZIRALDO

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 jun. 2004.

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40 A resposta do Menino Maluquinho
a) De que forma o autor explora o humor no texto? define (e demonstra) indiretamente
Língua, comunicação e discurso

o significado da palavra corrupção.


b) De acordo com a resposta anterior, que função de linguagem pre-
domina no texto? A função metalinguística.

8 Leia o texto.

O FIM DAS ACNES


As abomináveis acnes podem estar com os dias contados. Cien-
tistas alemães sequenciaram o genoma da bactéria que vive dentro
das glândulas que secretam o óleo da pele. Entre os 2333 genes,
foram identificados aqueles diretamente envolvidos na habilidade
do micróbio de atacar e destruir a pele humana. A descoberta abre
possibilidade para o desenvolvimento de remédios mais eficazes
para o mal que afeta quatro em cada cinco pessoas.
IstoÉ, 4 ago. 2004.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
a) Que elemento da comunicação o texto privilegia? O assunto ou referente.
b) Que função predomina no texto? A função referencial ou denotativa.

9 Leia os quadrinhos.
HAGAR Dik Browne

INTERCONTINENTAL PRESS
2005 KING FEATURES/

Estado de Minas, 29 out. 2003.


A explicação contrária à fala de Hagar dada pelo
companheiro acorrentado à âncora. Traz implícita
a) O que provoca o humor do texto? a ideia de que falta cérebro a Eddie Sortudo.
b) Identifique as funções de linguagem empregadas no texto e
Função fática ou de contato, porque Hagar inicia (ou retoma) uma conversa quando
justifique. diz: Bem, recrutas; bem, vamos ficar...; função referencial ou denotativa, pois ele trans-
mite informações; função metalinguística, pois o marinheiro acorrentado contradiz,
visualmente, a explicação do que seja cérebro.

A LÍNGUA PORTUGUESA:
ORIGEM E EVOLUÇÃO
A língua portuguesa, idioma oficial do Brasil, origina-se do latim vulgar,
levado pelos romanos para a península Ibérica. Também é falada em outras
regiões do mundo: no continente europeu, em Portugal; no continente afri-
cano, na ilha da Madeira, nos Açores, em Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau,
Moçambique e nas ilhas de São Tomé e Príncipe; e, no continente asiático,
em Goa, Diu, Damão, Macau e Timor Leste. Confira no mapa essas regiões.

GT-C1 (009-048)RO 40 8/15/08, 12:08 PM


41

Língua, comunicação e discurso


Portugal
Açores
Ilha da Madeira
Damão Macau
Cabo Verde Diu
G
Goa
Guiné-Bissau

São Tomé
e Príncipe
Brasil Angola Moçambique
OCEANO Timor
Leste
PACÍFICO OCEANO
OCEANO
O
ÍÍNDICO
ATLÂNTICO
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Como ocorre com toda língua, com o passar dos anos o português sofreu
alterações fonéticas, morfológicas e sintáticas, tanto em sua estrutura quanto
em seu emprego. Para saber como aconteceram essas alterações, é preciso
situá-las em sua origem, ou seja, vinculá-las à história dos povos que cria-
ram a língua e ainda hoje a utilizam e a modificam.
Dentre os primitivos habitantes da península Ibérica, destacam-se os ibe-
ros que, depois do século V a.C., formaram com os celtas o povo conhecido
como celtibérico. Os gregos e os fenícios também aí se estabeleceram.
No século III a.C., os romanos invadiram a península e incorporaram a re-
gião dominada ao Império Romano. Os povos vencidos passaram a falar a
língua dos invasores. Nessa época, a língua falada e empregada pelo povo era
o latim vulgar, falado na região do Lácio, em Roma e em todo o Império.
Dessa língua, originaram-se as línguas neolatinas ou românicas (galego-por-
tuguês, castelhano, francês, catalão, italiano, provençal, sardo, romeno).
Bem diferente do latim vulgar era o latim clássico, língua falada e tam-
bém escrita por grandes escritores da época, como Virgílio e Horácio. Toda-
via, foi o latim vulgar que se expandiu pela península, levado por soldados,
comerciantes e outros populares. Permaneceu do século III a.C. ao século V
da era cristã, período em que sofreu uma série de modificações e diversas
influências de outras línguas.
No século V, a península foi invadida e conquistada pelos bárbaros, povos
germânicos (vândalos, suevos, godos e visigodos). Apesar de dominado, o povo
romano não assimilou a língua dos bárbaros devido à supremacia do latim na
região. Com a queda do Império Romano, ocorreram visíveis transformações nos
diversos falares da região e entre os dialetos ibéricos. É quando surge o roman-
ço ou romance, língua intermediária entre o latim vulgar e a língua portuguesa.
No século VIII, os árabes, vindos do norte da África, invadiram a península
Ibérica e dominaram a região. Essa conquista influenciou, mais ainda, as várias
diferenças linguísticas já existentes no romanço, cujas características básicas
deram ensejo à formação das línguas românicas ou neolatinas. O domínio

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árabe perdurou até o século XV (1492), apesar dos ataques de visigodos e
Língua, comunicação e discurso

cristãos, que formaram pequenos reinos, em especial ao norte da península.


A história da independência política de Portugal está ligada à oficialização da
língua portuguesa. Na Guerra de Reconquista, que visava à expulsão dos árabes
da península, Dom Afonso VI, rei de Leão e Castela, deu sua filha em casamen-
to, Dona Teresa, ao nobre francês Dom Henrique de Borgonha, que recebeu
também, como presente, o Condado Portucalense (parte ocidental da Ibéria)
por sua bravura contra os mouros. Ao morrer Dom Henrique, seu filho, Dom
Afonso Henriques, proclamou a independência do condado, após várias dispu-
tas e conflitos, criando uma monarquia. Formou-se, então, a primeira dinastia
portuguesa, e o português se tornou a língua oficial. Portugal já era nação desde
o século XI, mas só no século XII surgiram os primeiros escritos em português.

Fases da língua portuguesa

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
A história da língua portuguesa desenvolveu-se em três fases.
Pré-histórica: vai das origens até o século IX. Até o século V, não há
nenhuma documentação. Depois dessa data, surgiu o romanço ou ro-
manço português, dialeto do latim usado até o século IX.
Proto-histórica: estende-se do século IX ao século XII. Encontram-se
documentos, redigidos em latim bárbaro, com palavras tiradas do ro-
manço. Às vezes, apareciam palavras e frases em português.
Histórica: tem início no século XII e vai até os dias atuais. Os textos
dessa época começaram a ser escritos em português arcaico. Essa fase
é dividida em dois períodos:
a) arcaico: compreende o período que vai do século XII ao XVI. Houve,
inicialmente, uma língua comum, o galego-português ou galaico-por-
tuguês, falado a noroeste da península Ibérica, em regiões da Galícia e
no norte de Portugal. Era usado em textos, numa literatura bem traba-
lhada. Surgiu, então, a primeira cantiga da língua portuguesa, escrita
em galaico-português, chamada “Canção (ou Cantiga) da Ribeirinha”,
cuja autoria é atribuída a Paio Soares de Taveirós. Com a separação
política de Portugal, e sua consequente expansão para o sul, o português
e o galego separaram-se, tornando-se o português a língua nacional e
o galego um dialeto regional.
b) moderno: compreende o período que vai do século XVI à nossa época. É
necessário que se distinga o português clássico (dos séculos XVI e XVII)
do português pós-clássico (do século XVII aos nossos dias). No período
do português clássico, houve estudos gramaticais e desenvolveu-se a lite-
ratura, influenciada pelos modelos latinos. Percebe-se uma maior estabili-
dade da língua. Surgem as primeiras gramáticas da língua portuguesa, de
autoria de Fernão de Oliveira (1536), de João de Barros (1540). Em 1572, é
publicada a obra épica Os lusíadas, de Luís Vaz de Camões. No período
pós-clássico, a língua já começou a apresentar as características atuais.

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Aplicação

Língua, comunicação e discurso


1 Explique por que a língua portuguesa se originou do latim vulgar
e não do latim clássico. O português e todas as línguas neoclássicas originaram-se do latim
vulgar, falado pelas classes populares e bem mais sujeito a modifica-
ções profundas do que o latim clássico.

2 Qual foi a importância do romanço na história da língua por-


tuguesa? O romanço tornou-se uma língua intermediária entre o latim vulgar e o português que surgiria
mais tarde, daí seu valor histórico.

3 Que fato se destaca em cada fase do português? Na época pré-histórica, o surgimento


do romanço; na proto-histórica, a documentação em latim bárbaro; na histórica, a língua comum, o galego-português; mais tarde,
o português torna-se a língua oficial (período arcaico); formação do português clássico e pós-clássico (período moderno).
4 Como o português se firmou como língua?
D. Afonso Henriques, ao se proclamar rei de Portugal, tornou o português a língua oficial do país. Por isso, o
português se fortaleceu e se expandiu por outros domínios.
5 Leia o trecho a seguir.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

NEOLATINISMO
O capital levantou-se. Deu dois passos. Parou. Meio embara-
çado. Apontou para um quadro.
— Bonita pintura.
Pensou que fosse obra de italiano. Mas era de francês.
— Francese? Não é feio — non. Serve.
Embatucou.Tinha qualquer cousa.Tirou o charuto da boca,
ficou olhando para a ponta acesa. Deu um balanço no corpo.
Decidiu-se.
— Ia diameticando de dizer. O meu filho fará o gerente da
sociedade... Sob a minha direção, si capisce.
— Sei, sei... O seu filho?
— Si. O Adriano. O doutor... mi pare... mi pare que conhece ele?
MACHADO, Antônio de Alcântara. Novelas paulistanas.
Rio de Janeiro: José Olympio, 1973.
a As línguas empregadas (italiano e português) provêm de uma língua comum – o latim vulgar; por isso possuem palavras
irmãs, semelhantes. Além disso, a estrutura linguística básica utilizada é o português, língua que ambos os falantes dominam.
a) No fragmento, Alcântara Machado emprega a língua portuguesa
e palavras do italiano. Apesar da diferença linguística, o imigrante
italiano, identificado como capital, e o paulistano conseguem co-
municar-se. Por quê? a
b) Os vários povos que habitaram a península Ibérica falavam lín-
b O latim vulgar era ape-
nas uma língua falada,
guas diferentes, e grande parte adotou, mais tarde, o latim vulgar
por isso sofreu diversas como língua.
alterações, ao passar
de boca em boca entre I. Com base nesse fato, explique por que o latim vulgar originou as
os vários povos da pe-
nínsula. Desse modo, o línguas neolatinas. b
latim diversificou-se
nas línguas românicas
II. Compare a situação vivenciada no texto, que se refere à lingua-
ou neolatinas. gem, com o que ocorreu entre os povos da península. c
c) Além da barreira linguística, que outro fator dificultou o diálogo
c Nos dois casos, houve
O rico imigrante comunica ao paulistano quatrocentão, identificado como doutor, a partici-
uma adaptação da no texto?
pação do filho como gerente na sociedade firmada entre ambos. Por isso, ele escolhe bem
fala, devido à necessi-
as palavras e usa de sutileza em sua fala.
dade de comunicação.

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RESUMO
Língua, comunicação e discurso

 Comunicação e mensagem
• Mensagem é a informação (sinais codificados, língua) que um emissor (lo-
cutor) transmite a um receptor (interlocutor) por meio de um canal.
• A comunicação ocorre quando a mensagem transmitida é decodificada
(compreendida).

 Código, língua e linguagem


• Código é um sistema de sinais preestabelecidos entre emissor (locutor) e
receptor (interlocutor) empregado para a transmissão de mensagens.
• A língua é um sistema de sinais comum a todos os indivíduos de uma deter-
minada comunidade.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
• Linguagem é a propriedade do ser humano de representar o pensamento
por meio de sinais codificados com o intuito de comunicar-se com outro
ser humano.

 Norma culta e variedades linguísticas


• Norma culta ou norma-padrão é a variedade linguística de maior prestígio
social usada numa comunidade.
• Norma popular são todas as variedades linguísticas diferentes da lín-
gua-padrão.
• Variedades linguísticas são as diferentes variações da língua, de acordo
com os padrões de uso que ela pode manifestar.

 As variedades estilísticas: registros


• Variedades de norma: dialetos (norma culta e normas populares).
• Variedades de estilo: registros (formal, informal ou coloquial).

 Gíria
• Gíria é um dialeto linguístico que apresenta um vocabulário específico, criado
por um grupo social jovem, que o distingue da língua-padrão.
• Jargão é a gíria ligada a uma profissão.

 As variedades regionais e sociais


• Variedades regionais: são as variedades típicas de determinadas regiões;
aspectos distintivos importantes são o vocabulário e a pronúncia.
• Variedades sociais: são as variedades de grupos de uma sociedade; aspec-
to distintivo importante é o estrato social.

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Língua, comunicação e discurso


 A relação entre a oralidade e a escrita
• Língua oral ou falada: mais alusiva, traços gramaticais (frases onomatopei-
cas e exclamativas, formas contraídas e frases cortadas, comparações e ex-
pressões populares), recursos expressivos (acentuação, entonação, pausas),
significados não-verbais (expressão fisionômica, gestos, postura corporal).
• Língua escrita: mais precisa, menos econômica, traços gramaticais (frases peri-
frásticas e assertivas, formas e frases inteiras), recurso importante (pontuação).

 A intencionalidade do discurso
• Discurso é a língua no ato, na sua execução individual.
• Intencionalidade discursiva são as intenções, mais ou menos evidentes,
dos interlocutores que fazem parte de uma interação verbal.

 Funções da linguagem
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• Função emotiva ou expressiva: ênfase no locutor ou emissor da mensagem.


• Função conativa ou apelativa: ênfase no interlocutor, a quem se deseja
influenciar.
• Função fática ou de contato: o objetivo do emissor é manter aberto o canal
de comunicação.
• Função referencial ou denotativa: ênfase no referente, ou seja, há uma
informação a ser passada de modo objetivo.
• Função poética: ênfase na própria mensagem que é trabalhada pelo poeta.

 A língua portuguesa: origem e evolução


• Século III a.C. até o século VII: invasão da península Ibérica pelos romanos e
surgimento do romanço.
• Século VIII: árabes invadem a península.
• Século XII: Guerra de Reconquista, expulsão dos árabes, criação da monar-
quia portuguesa por Dom Afonso Henriques e surgimento dos primeiros es-
critos em português.
• O português é falado, atualmente, no Brasil e em Portugal, Açores, Ilha da
Madeira, Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Ilhas de São Tomé
e Príncipe, Goa, Diu, Damão, Macau e Timor Leste.

 Fases da língua portuguesa


• pré-histórica: das origens ao século IX. Não há documentação. Surge o ro-
manço (século V ao século IX).
• proto-histórica: do século IX ao XII. Há documentos redigidos em latim
bárbaro, com palavras em romanço.
• histórica: do século XII aos nossos dias. Divide-se em dois períodos: arcaico
(século XII ao XVI), com o uso do português arcaico; moderno (século XVI à
nossa época), subdividido em dois períodos: o do português clássico (sécu-
los XVI e XVII) e o do português pós-clássico (século XVIII aos nossos dias).

GT-C1 (009-048)RO 45 8/15/08, 12:09 PM


a Na fala do interlocutor 2: a rapaziada... não são, nós ia, nós saía, nós levava, saía com nós, nós ficava, arguma bebida,
(nós) só tomava, vinhesse. Esse falante deve pertencer a uma classe social menos favorecida e possui pouca ou nenhu-
46 ma instrução escolar.
Língua, comunicação e discurso

QUESTÕES DE VESTIBULARES
1. (Unicamp-SP) No diálogo transcrito a) Me perdoe de perguntar, mas será
a seguir, um dos interlocutores é fa- que você não tem por lá alguma en-
lante de uma variante do português xada assim meia velha que a gente
que apresenta uma série de diferen- pudesse usar?
ças em relação ao padrão culto. b) Desculpe a gente perguntar, mas
Identifique, na fala desse interlocutor, o senhor não tem alguma enxada
as marcas formais dessas diferenças assim meia velha para emprestar
e transcreva-as. para nós?
A seguir, faça uma hipótese sobre c) Me perdoa a pergunta, mas será
quem poderia ser essa pessoa (sua que o senhor não poderia ceder para
classe social e grau de escolaridade). nós alguma enxada que tem por lá
assim meio velha?
Interlocutor 1: Por que o senhor acha que

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
X d) Desculpe a pergunta, mas o senhor
o pessoal não está mais querendo tocar?
Interlocutor 2: É ... a rapaziada nova agora não teria alguma enxada meio ve-
não são mais como era quando nós ia, não lha para nos ceder?
senhora. Quando nós saía com o Congo, e) Desculpe-me a pergunta, mas será
nós levava aquele respeito com o mestre que você não tem, para nos em-
que saía com nós, né. Então nós ficava ali, prestar, alguma enxada assim do
se fosse tomar arguma bebida só tomava tipo meio velha?
na hora que nós vinhesse embora. a
4. (U.F.Goiás) Em relação ao texto abai-
2. (U.Metodista-SP) Leia o trecho xo, assinale a(s) afirmação(ões)
abaixo: correta(s).
Os nossos salário, cum relação ao que O grito do bicho era ‘eu sou macho’
nóis fazemo e o lucro que os outros tem, e coco-reco e bico de pato. E fazia aquela
é insignificante. Por que acontece isso? ginga de mão, você manja, né?
Eu tenho que trabaiá trezentos e sessen- JOÃO ANTÔNIO,
ta e cinco dias por ano. O outro num in “Mariazinha Tiro a Esmo”,
trabaia nem ... cem dias, ganha muito da obra Judas Carioca.
mais. Porque eu sô a máquina que dô
No exemplo acima, observamos um
descanso pra ele.
registro de fala de habitantes da zona
LUIS FLÁVIO RAINHA.
Os peões do Grande ABC.
urbana, nos morros do Rio de Janei-
ro. Esta forma de se expressar, linguis-
Transponha a linguagem coloquial para
ticamente, é tratada como:
o padrão escrito da linguagem formal.
b a) um dos inúmeros registros do por-
3. (Puccamp-SP) Observe o trecho tuguês do Brasil.
abaixo, extraído de um conto; é uma b) gíria de pessoas incultas.
fala do protagonista, um sitiante: c) variação linguística.
— Com perdão da pergunta, mas será d) uma forma de se expressar de de-
que mecê não tem por lá alguma enxada terminada realidade cultural.
assim meia velha pra ceder pra gente? Todas as respostas são válidas.

Assinale a alternativa que propõe a 5. (Unicamp-SP) O jornal Folha de


transposição dessa frase para uma S.Paulo introduziu com o seguinte
forma adequada à linguagem urba- comentário uma entrevista com o
na culta: professor Paulo Freire:
b Os nossos salários, com relação ao que fazemos e ao lucro que os outros têm, são insignificantes. Por que acontece
isso? Eu tenho que trabalhar trezentos e sessenta e cinco dias por ano. O outro não trabalha nem cem dias e ganha muito
mais. Porque eu sou a máquina que dou descanso para ele.

GT-C1 (009-048)RO 46 8/15/08, 12:09 PM


a Segundo ele, se deve ensinar aos alunos a norma culta, mas sem desvalorizar a variante linguística que as crianças utilizam em suas
relações sociais diárias.
b Não. O jornal afirma que a expressão a gente cheguemos não será considerada errada; mas em nenhum momento das declarações do
professor Paulo Freire ele afirma isso. O que ele diz é que serão mostradas as diferenças, mas sem desrespeitar a sintaxe do aluno. 47
‘A gente cheguemos’ não será uma Os nomes das frutas realmente não

Língua, comunicação e discurso


construção errada na gestão do Partido guardei porque são nomes muito, que
dos Trabalhadores em São Paulo. tem assim uma influência muito indí-
gena, né? O Norte, principalmente no
Os trechos da entrevista nos quais a
Amazonas e no Pará a influência indí-
Folha de S.Paulo se baseou para fazer
gena sobre a alimentação é muito gran-
tal comentário foram os seguintes:
de. No Amazonas é impressionante o
A criança terá uma escola na qual a sua número de frutas, e frutas assim tudo
linguagem seja respeitada (...) Uma es- duro, tipo assim cajá-manga. d
cola em que a criança aprenda a sintaxe
dominante, mas sem desprezo pela sua (...) 8. (Puccamp-SP) Observe o texto
Esses oito milhões de meninos vêm da abaixo. É a resposta de uma jovem
periferia do Brasil (...) Precisamos respei- ao repórter que lhe fez a seguinte
tar a (sua) sintaxe mostrando que sua lin- pergunta: — O que é, para você, ser
guagem é bonita e gostosa, às vezes é mais feliz?.
bonita que a minha. E, mostrando tudo
Sei lá o que te dizer sobre esse negócio
isso, dizer a ele: “Mas para a tua própria
de ser feliz, mas acho que, pra todo mun-
vida tu precisas dizer ‘a gente chegou’,
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

do encontrar a felicidade, a gente tem que


em vez de ‘a gente cheguemos’. Isso é
dizer um ‘não’ bem grande pras coisas
diferente, ‘a abordagem’ é diferente”. É
ruins que acontecem pra gente na vida.
assim que queremos trabalhar, com a aber-
tura mas dizendo a verdade. Assinale a alternativa que propõe a
transposição dessa frase para uma
Responda de forma sucinta:
forma adequada ao português escri-
a) Qual a posição defendida pelo pro- to culto.
fessor Paulo Freire com relação à
a) Não sei muito bem o que dizer so-
correção dos erros gramaticais na
bre isto que você está perguntan-
escola? a
do, o que é ser feliz?, mas acho que,
b) O comentário do jornal faz justiça
talvez, precisamos, todo mundo,
ao pensamento do educador? Jus-
negar fortemente as coisas ruins
tifique sua resposta. b
que nos acontece, para, assim, al-
6. (Unicamp-SP) O trecho que segue cançar a felicidade.
foi extraído de uma entrevista con- b) É difícil te dizer o que seja ser feliz,
cedida por um engenheiro eletrôni- mas a gente tem de tentar encon-
co a um jornal. Na transcrição da en- trar a felicidade, dizendo não, com
trevista, manteve-se a linguagem bastante energia, a tudo que acon-
coloquial característica desse tipo de tece de ruim na vida, não só para
interação verbal. Identifique a pas- mim, mas para todo mundo igual.
sagem que precisa ser modificada X c) Não sei exatamente o que dizer a
para tornar o texto adequado à lin- respeito de o que é ser feliz, mas
guagem escrita culta. Reescreva-o acredito que seja necessário ne-
como achar mais conveniente. gar energicamente todos os as-
Pergunta: Houve precipitação? pectos ruins da vida para se alcan-
çar a felicidade.
Resposta: Lógico. Os grandes proble-
d) Tenho dificuldade em falar disso a
mas você deve ter um desenvolvimento
respeito de o que é ser feliz, mas
tecnológico local (...) Resolvemos bri-
acredito que ser feliz implica em di-
gar para ser usada tecnologia brasileira.
c zer não, com muita força, às coisas
7. (U.F.Uberlândia-MG) Reescreva o ruins que acontecem para nós, para
trecho a seguir, adequando-o ao pa- que alcances, e todo mundo tam-
drão culto: bém, a felicidade.
c Sugestão de resposta: o trecho é Os grandes (...) local. Refazendo o texto: para os grandes problemas, precisa haver
um desenvolvimento tecnológico local.
d Sugestão de resposta: realmente não guardei os nomes das frutas, as quais têm uma forte influência indígena. No
Norte, principalmente no Amazonas e Pará, a influência indígena sobre a alimentação é muito grande. No Amazonas é
impressionante a variedade de frutas, todas duras, como o cajá-manga.

GT-C1 (009-048)RO 47 8/15/08, 12:09 PM


48
e) Isso de ser feliz é complexo, e por e profunda do que aparentemente pare-
Língua, comunicação e discurso

isso não sei muito bem o que fa- ceu nestes últimos anos. Estudando o
lar, mas imagino que, para todo Mário, eu descobri que o Mário foi um
mundo mesmo encontrar a felici- exemplo do cara que morreu de amor,
dade precisam de negar veemen- mas de amor pelo seu povo, pelo seu país,
temente os acontecimentos nega- pela sua cultura (...) Um outro cara que
tivos da vida. eu também fiz um filme é o Câmara Cas-
cudo. Um cara como o Câmara Cascu-
9. (Fafeod-MG) Identifique a opção que do, morre os jornais dão uma notinha des-
apresenta expressão de linguagem se tamaninho, escondidinho, um cara que
popular: deveria ter estátua em praça pública, de-
X a) A onça preta da Noite tá bebendo via ser lido, recitado. a
água no rio... (está) Os sentidos da paixão. São Paulo: Funarte/
b) Eu sou um deus automático que Companhia das Letras, 1987.
tudo faz e desfaz. 11. (USFSC) Identifique as proposições
c) Ora são onças pintadas que saltam nas quais se faz uso da linguagem
no seu caminho. coloquial:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
d) Na igreja de Sabará um Cristo nu X a) Indigestão. Tá anotado, doutor.
chora ouro... b) Não gostei disso, senhoras, senho-
e) Um caçador, mais a oeste, caçou res e senhoritas, autoridades civis,
veado a chumbo de ouro. militares e eclesiásticas.
10. (Unicamp-SP) O trecho abaixo foi c) Vou lhes contar como morri.
extraído da transcrição do debate d) Eu me exaltei e iniciei um movimen-
que se seguiu à palestra do poeta to reivindicatório.
X e) Mandei todos eles praquele lugar.
Paulo Leminski (“Poesia: A paixão
X f) Teve um sacana que deu o serviço,
da linguagem”), proferida durante o
curso “Os Sentidos da Paixão” (Fu- contando pro patrão o meu movi-
narte, 1986). mento de conscientização.
Observe que nesse trecho é possível 12. (UFMG)
identificar palavras e construções ca- O professor chamou ele no quadro.
racterísticas da linguagem coloquial O professor o chamou ao quadro.
oral. Reescreva-o de forma a adequá- Os menino tudo saiu.
-lo à modalidade escrita culta. Todos os meninos saíram.
Estudei durante seis anos muito a vida — Cumpadre, cê viu o trem que eu ti-
de um paulista e fiz um filme sobre ele, rei do oio?
que é o Mário de Andrade, um puta po-
— Tchê, tu viste o que eu tirei do olho?
eta muito pouco falado pelas ditas van-
guardas modernistas. (...) Hoje em dia, Esses pares de frases exemplificam o
felizmente, já existem vários trabalhos, há fenômeno da variação linguística. Re-
muita gente reavaliando a poética do dija um pequeno texto, explicando a
Mário, que ela é muito mais importante ocorrência desse fenômeno na língua. b

a Resposta pessoal. Sugestão de resposta: durante seis anos estudei muito a vida do paulista Mário de Andrade, a
respeito de quem fiz um filme. Mário foi um grande poeta, mas é muito pouco comentado pelas vanguardas modernis-
tas. (...) Hoje em dia, felizmente, já existem vários trabalhos que procuram reavaliar a poética desse escritor, pois ele é
muito mais importante e profundo do que tem feito parecer nesses últimos anos. Estudando Mário de Andrade, descobri
que ele foi um exemplo de pessoa que morreu de amor, mas de amor pelo seu país, pela sua cultura. (...) Um outro
escritor a respeito do qual também fiz um filme é o Câmara Cascudo, uma pessoa que deveria ter estátua em praça
pública, deveria ser lido e recitado. Entretanto ele morreu, e os jornais noticiaram o fato publicando uma simples nota.
b São modalidades linguísticas diferentes. No primeiro par, temos a linguagem de nível familiar ou informal, em que há
um pequeno desvio da norma culta. No segundo, temos a linguagem popular, com a ausência de pluralização. No
terceiro, temos exemplos da linguagem regional com o uso de trem, típico de Minas Gerais, e de tchê e da 2a. pessoa do
singular para tratamento, típico do Rio Grande do Sul.

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parte
02

02
Fonologia
e ortografia

Capítulo 2 Fonema e letra 50


Capítulo 3 Ortografia 63

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50
Capítulo 02
Fonema e letra
Fonologia e ortografia

FONOLOGIA, FONEMA E LETRA


Contextualização
Leia os quadrinhos de Glauco.

GERALDÃO Glauco

GLAUCO/FOLHA IMAGEM

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
GLAUCO. Geraldão. In: Folha de S.Paulo, 28 ago. 2004.

Na tira, o filho parece bem satisfeito com o desempenho do time brasilei-


ro nas Olimpíadas, por isso deseja partilhar essa alegria com sua mãe. Mas
ela não se entusiasma, talvez devido ao desempenho do filho.
Veja, no primeiro quadrinho, que a personagem, ao chamar pela mãe,
substitui a letra m por b. Com o uso desse recurso, o quadrinista nos remete
à palavra Brasil, que motiva essa troca de letras e sugere o clima de euforia
do filho.
Portanto, apenas a mudança de uma letra pode alterar o som e o signifi-
cado de uma palavra, conforme foi explorado por Glauco na tira. A palavra
bãe tem três sinais gráficos que são as letras: /b/, /a/, /e/, e para cada sinal
gráfico existe um som. Essas unidades sonoras, que, neste caso, são nasais
e que estabelecem diferença de significados entre as palavras, recebem o
nome de fonemas.
Neste capítulo, vamos especificar as diferenças entre letras e fonemas.

Conceituação

Na fala, as palavras são representadas por sons. Na escrita, pelas letras


do alfabeto. A correspondência entre som e letra, entretanto, nem sempre é
igual. Pode ocorrer, por exemplo, que duas letras representem um só som,
como na palavra excelente, em que as letras xc representam um só fonema.
Ao longo deste capítulo, você vai estudar caso por caso.

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51
Observe esses pares de palavras:
cada (/káda/) cata (/káta/)

Fonologia e ortografia
ou
cala (/kála/) calha (/ká␭a/)

Ao compararmos as palavras cada e cata, notamos a diferença entre uma


palavra e outra pela mudança de um único som. Essa é a função daquilo a
que chamamos fonema. Guarde estes conceitos.

Fonologia é a parte da gramática que estuda os fonemas.


Fonema é a unidade fonológica cuja ocorrência contribui para o estabele-
cimento de diferenças de significado entre as palavras.
Letra é a representação gráfica dos sons ou fonemas.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Veja os exemplos e analise a correspondência entre fonema e letra:

jogador j-o-g-a-d-o-r 7 letras (sinais gráficos)


/ / /o/ /g/ /a/ /d/ /o/ /r/ 7 fonemas (sons)
vinho v-i-n-h-o 5 letras
/v/ /i/ / / /o/ 4 fonemas

hora h-o-r-a 4 letras


/o/ /r/ /a/ 3 fonemas
chuveiro c-h-u-v-e-i-r-o 8 letras
/ / /u/ /v/ /e/ /i/ /r/ /o/ 7 fonemas

No quadro acima, ocorre correspondência perfeita entre letras e fonemas


apenas no primeiro exemplo (jogador). Nos outros três exemplos, existem
duas letras que representam um só fonema. Assim, em vinho, as letras nh
representam o fonema / /; em hora, a letra h não possui representação fo-
nética e, em chuveiro, as letras ch representam o fonema / /. Para a repre-
sentação dos fonemas, foi criado um alfabeto fonético internacional, cujos
sinais vêm sempre destacados entre barras (/ /), ou colchetes ([ ]). Você
pode verificar outros exemplos consultando um bom dicionário.
Observe agora estes outros exemplos:
graxa exílio axila expansão
Em cada uma dessas palavras, a consoante x representa um fonema distin-
to: em graxa / /, em exílio /z/, em axila /ks/ e em expansão /s/. Concluímos que,
embora as letras representem os fonemas de uma língua, a escrita alfabética
não exige que se represente sempre um mesmo fonema com a mesma letra.
Também é possível usar a mesma letra para representar mais de um fonema.

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CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS
Vogais, semivogais e consoantes
Fonologia e ortografia

Contextualização
Veja os quadrinhos a seguir.
HAGAR Dik Browne

INTERCONTINENTAL PRESS
2005 KING FEATURES/

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
BROWNE, Dik. Hagar, o horrível. V. 1. Porto Alegre: L&PM, 2000. p. 81.

Leia com atenção as seguintes palavras, retiradas dos quadrinhos:


visitou dois mais
Não é difícil perceber uma diferença bem nítida entre os sons /v/ e /i/, por
exemplo, ou entre /m/ e /a/. Observe que, nos sons /v/ e /m/, o ar encontra
algum obstáculo no momento em que passa pela boca, em direção ao meio
exterior. Isso não ocorre com os sons /i/ e /a/, que, ao serem pronunciados,
encontram um caminho livre na boca.
Leia novamente as mesmas palavras:
visitou dois mais
Observe que, ao articular os sons /o/ e /u/, em visitou, /o/ e /i/ em dois e
/a/ e /i/ em mais, uma das vogais é pronunciada com mais força que outra.

Conceituação
Pode-se concluir, com esses exemplos, que os fonemas da língua portu-
guesa classificam-se em vogais, semivogais e consoantes.
São vogais: a, e, i, o, u. Na língua portuguesa, a vogal é considerada a
base sonora da sílaba. Por isso, não há sílaba sem vogal. Observe:
tu-li-pa me-la-do
vogais vogais

Vogais são os sons que se formam quando o ar, vindo dos pulmões, não
sofre nenhum tipo de interrupção ao passar pela boca.

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53
Nem sempre as letras i e u são vogais. Elas são consideradas vogais
quando formam sílaba com uma consoante; porém, se i e u formam sílaba
com outra vogal, são consideradas semivogais. Observe os exemplos:

Fonologia e ortografia
di-gi-tal a-zei-tona lu-va
vogais semivogal vogal

náu-ti-co pou-sa-da a-mei-xa


semivogal semivogal semivogal

A letra e com som de /i/ e a letra o com som de /u/ são classificadas como
semivogais, quando ocorre outra vogal na mesma sílaba. Observe os exemplos:
ma-mãe pai-xão
semivogal semivogal
(som de /i/) (som de /u/)
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Semivogais são as vogais i e u que acompanham as outras vogais numa


mesma sílaba. Em comparação, a semivogal é ouvida menos distinta-
mente, com menor intensidade que a vogal.

Leia mais estes exemplos:

gra-va-dor a-plau-so fil-me


consoantes consoantes consoantes

Consoantes são os sons que se produzem quando o ar, vindo dos pulmões,
sofre alguma interrupção ao passar pela boca, em direção ao meio exterior.

ENCONTROS VOCÁLICOS
Ditongo, tritongo e hiato
Contextualização
Leia a tira.
HAGAR Dik Browne
INTERCONTINENTAL PRESS
2005 KING FEATURES/

Folha de S.Paulo, 31 dez. 2003.

GT-C2 (049-062)RO 53 8/15/08, 12:10 PM


54
O elemento cômico do texto encontra-se na absurda proposta feita pelo
médico para resolver o problema de Hagar. Segundo ele, Hagar não engor-
daria se ficasse sem dormir.
Fonologia e ortografia

Observe que as palavras estou, muito, não e mais, empregadas na tira,


apresentam o encontro de vogais e de semivogais, na mesma sílaba.
Há três tipos de encontros vocálicos: ditongo, tritongo e hiato.

Conceituação
O ditongo pode ser crescente ou decrescente. É crescente quando for-
mado por semivogal e vogal, nessa ordem. Exemplos: ân-sia, vá-cuo, á-
gua. É decrescente quando formado por vogal e semivogal, nessa ordem.
Exemplos: es-tou, con-cei-to, cau-te-la, mu-seu.
Tritongo é o encontro de semivogal, vogal e semivogal, nessa ordem, na
mesma sílaba. Exemplos: U-ru-guai, sa-guão, de-si-guais.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Hiato é o encontro formado por duas vogais que ficam em sílabas dife-
rentes. Exemplos: ge-léi-a, pi-a, po-ei-ra, ri-a-cho, to-a-lha.
Note que alguns encontros vocálicos podem ser pronunciados como di-
tongos ou como hiatos, por isso denominam-se instáveis. Exemplos: gló-
ria ou gló-ri-a, cá-rie ou cá-ri-e, mé-dio ou mé-di-o. Tais encontros instá-
veis são sempre localizados no final da palavra: -ia, -ie, -io, -ao, -eu e -uo.
Repare, ainda, que as terminações -em e -am constituem ditongos na-
sais decrescentes. Exemplos: também, olharam, voltaram.

Ditongo crescente: semivogal + vogal juntas = e-le-gân-cia


Ditongo decrescente: vogal + semivogal juntas = cou-ro
Tritongo: semivogal + vogal + semivogal juntas = Pa-ra-guai
Hiato: vogal + vogal separadas = Ma-ri-a

ENCONTROS CONSONANTAIS
E DÍGRAFOS
Contextualização
Leia esta outra tira.
NÍQUEL NÁUSEA Fernando Gonsales
FERNANDO GANSALES

GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Folha de S.Paulo, 14 nov. 1993.

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55
O cartunista faz uma brincadeira ao retratar uma ovelha negra entre as
brancas. Localize, entre as palavras da tira, os encontros consonantais.
Observe as palavras extraídas do cartum:

Fonologia e ortografia
ovelhas brancas negra ovelhim
Nestas palavras, há dois tipos de encontro consonantal: os separáveis
(sílabas diferentes) e os inseparáveis (mesma sílaba). Assim, nas palavras
ovelhas, brancas, negra, ovelhim ocorrem os seguintes encontros conso-
nantais na mesma sílaba: lh, br, gr e lh. Em brancas, verifica-se também o
encontro consonantal em sílabas diferentes: nc.

Conceituação
Veja outros exemplos de encontros consonantais:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

bl: blo-co dr: vi-dro mn: mne-mô-ni-co


pr e nt: pran-to fl: fla-ne-la pn: pneu
cl: cla-ve fr e nq: fran-que-za pt: pte-ri-dó-fi-to
cr: cro-ma-do gn: dig-no tm: rit-mo

Encontro consonantal é o agrupamento de consoantes num vocábulo,


na mesma sílaba ou não.

Nas palavras engordando, porque e esse, encontradas nos quadrinhos


de Hagar, as duas letras destacadas em cada uma representam, na escri-
ta, um determinado som. Essas duas letras juntas recebem o nome de
dígrafo. Observe os dígrafos nestas palavras:
tampa cheiro queijo desço guelra
ascensão conta ninho mundo dente
correio molho sombra excelência passeio

Os dígrafos podem ser:


• consonantais • vocálicos
rr torre garra am, an samba lanche
ss grosso passe em, en templo senso
sc nascer descer im, in simpatia fincar
sç nasça desça om, on compra conto
xc excitado exceto um, un algum assunto
lh bolha coelho
nh manha engenho
gu guitarra joguete
qu questão esquina
ch chocalho bicho
xs exsudar

GT-C2 (049-062)RO 55 8/15/08, 12:10 PM


56
Dígrafos são agrupamentos de letras que simbolizam apenas um som.
Eles podem ser consonantais ou vocálicos.
Fonologia e ortografia

Os grupos gu e qu nem sempre são dígrafos, ou seja, representam um só


som. A letra u pode representar uma semivogal ou uma vogal nos grupos gu
e qu. Exemplos: aguentar, pinguim, cinquenta, delinquir (semivogal); apa-
zigue, argui (vogal). Nesses casos, o u é pronunciado.
Também não ocorre dígrafo quando gu ou qu vêm seguidos das vogais a
ou o. Exemplos: anágua, aquário, quociente, averiguo. Também nesses ca-
sos o u é pronunciado.

SÍLABA
Contextualização

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Leia com atenção este poema:

EPITÁFIO PARA UM BANQUEIRO


n e g ó c i o
e g o
ó c i o
c i o
0
PAES, José Paulo. Anatomias. São Paulo: Cultrix, 1976.

Nesse poema, o autor retrata aspectos críticos de nossa sociedade, de-


nunciando o egoísmo e a solidão do indivíduo, ou, mais especificamente, do
homem de negócios. Para isso, o poeta trabalha o poema visualmente, de-
compondo a palavra negócio até um sintagma (o número zero). Na palavra
decomposta, você pode perceber nitidamente que ela é formada por seg-
mentos, compostos por um ou mais fonemas, pronunciados em uma única
emissão de voz. A cada um desses segmentos dá-se o nome de sílaba. No
poema, José Paulo Paes decompõe a palavra negócio em outras palavras,
compostas por mais de uma sílaba.

Conceituação
Exemplificando, no poema, a palavra negócio possui três sílabas: ne-gó-cio.
Quanto ao número de sílabas, os vocábulos podem ser:
a) monossílabos: formados por uma só sílaba: gol, mês, réu;
b) dissílabos: formados por duas sílabas: tem-po, sa-lão, po-vo;
c) trissílabos: formados por três sílabas: ár-bi-tro, le-ga-do, pro-du-to;
d) polissílabos: formados por quatro ou mais sílabas: re-li-gi-ão,
em-pre-en-di-men-to.

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57
Os monossílabos classificam-se em:
a) tônicos: quando são pronunciados com intensidade: dor, chá, luz;

Fonologia e ortografia
b) átonos: quando são pronunciados com pouca intensidade: sem, me, nos.

Sílaba é o fonema ou conjunto de fonemas pronunciados em uma única


emissão de voz.

Divisão silábica
Na divisão silábica, há determinadas regras a serem seguidas.
1. Não se separam as vogais de ditongos e tritongos.
pai-xão, i-guais
2. Separa-se o ditongo do hiato, quando aparecem juntos.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mei-a, boi-a, sa-iu


3. Separam-se as vogais dos hiatos.
mo-í-do, ba-ú
4. Separam-se as consoantes dos dígrafos rr, ss, sc, sç, xc.
bar-ro, pas-so, as-cen-der, des-ço, ex-ce-len-te
5. Não se separam os dígrafos lh, nh, ch, gu, qu.
ga-lho, vin-nho, cha-ma, guer-ra, bos-que
6. Não se separam da sílaba anterior as consoantes que não forem segui-
das de vogal.
ap-to, fleug-ma, ad-mis-são
7. Não se separam os encontros consonantais que iniciam palavras.
gno-mo, pneu-má-ti-co
8. Os prefixos (des-, in-, sub-) desmembram-se para formar outra sílaba,
quando seguidos de vogal.
de-su-ni-ão, i-ne-vi-tá-vel, su-ben-ten-der

Sílaba tônica
Quanto à classificação da sílaba tônica, as palavras podem ser:
a) oxítonas: quando a sílaba tônica (mais forte) é a última: será, você,
vapor, anzol, atum, carijó;
b) paroxítonas: quando a sílaba tônica é a penúltima: difícil, hífen, cari-
nho, agasalho;
c) proparoxítonas: quando a sílaba tônica é a antepenúltima: última,
pântano, límpido, mágico, escândalo.
Nem sempre a sílaba tônica é acentuada graficamente (carinho, agasalho).

GT-C2 (049-062)RO 57 8/15/08, 12:10 PM


58
Aplicação
Fonologia e ortografia

1 Leia o texto.

CID
COMUNIDADE
ALTERNATIVA
O suricata é um dos
mamíferos mais coopera-
tivos do planeta. O animal,
que vive no sul da África,
distribui tarefas aos mem-
bros do seu grupo. Há ca-
çadores, sentinelas e até

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babás. Como a mãe suri-
cata tem que comer dia-
riamente para manter a
produção de leite — e o
pai precisa protegê-la na
caçada — outros indiví-
duos se revezam nos cui-
dados com os filhotes.
Superinteressante. São Paulo,
Abril, set. 2003.

Porque eles costumam dividir as tarefas. Por exemplo, na época de amamentação, os filhotes são cuidados por
todos os suricatas da comunidade, para que a suricata mãe possa se alimentar corretamente e o suricata pai caçar.
a) Por que se pode dizer que os suricatas cooperam entre si?
b) Identifique o número de letras e de fonemas nas palavras a seguir.
comunidade 10 letras, 10 fonemas membros 7 letras, 6 fonemas
cooperativos 12 letras, 12 fonemas filhotes 8 letras, 7 fonemas Que, membros,
c) Identifique no texto cinco palavras em que ocorrem dígrafos. sentinelas, diaria-
mente, manter, in-
d) Determine os ditongos e hiatos das seguintes palavras: divíduos, filhotes.

cooperativos co-o (hiato) produção ção (ditongo)


di-a (hiato) / ria (ditongo)
diariamente ou ri-a (hiato) indivíduos duos (ditongo) ou du-os (hiato)
e) Identifique pelo menos cinco palavras que possuam encontro con-
sonantal no texto. Planeta, África, distribui, membros, grupo, precisa, protegê-la, outros.
Prudência: c; louça: ç; progresso: ss; ganso: s; pretexto: x; fascismo: sc e s; nasça: sç; rapaz: z.
2 Que letras representam o fonema /s/ nas palavras: prudência,
louça, progresso, ganso, pretexto, fascismo, nasça, rapaz?
a) Dê exemplos de palavras em que as letras identificadas no exercí-
Sugestões: foice, dança, pressa, ânsia, extinto,
cio anterior representem o som de /s/. piscina, reais, desça, cruz.
b) Cite algumas palavras em que a letra s tenha o som de /z/ e algu-
mas em que tenha o som de /s/. casal;
Sugestões: /z/: maisena, aceso, pesado, ginásio, básico, pose,
/s/: estrangeiro, gesto, freguês, pessoa, bosque.

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59
3 Separe em sílabas as seguintes palavras:
europeia eu-ro-pei-a abnegado ab-ne-ga-do

Fonologia e ortografia
ascensorista as-cen-so-ris-ta ajuizado a-ju-i-za-do

acepção a-cep-ção subentender su-ben-ten-der


eclipse e-clip-se história his-tó-ria ou ri-a

acessível a-ces-sí-vel consciencioso cons-ci-en-ci-o-so


meia mei-a continuísmo con-ti-nu-ís-mo
tungstênio tungs-tê-nio ou ni-o preconceituoso pre-con-cei-tu-o-so
associação as-so-ci-a-ção coadjuvante co-ad-ju-van-te

4 Leia o texto a seguir.

BOM SONO POR QUÊ?


Os trabalhos mostram que 70% da população mundial mani-
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festa pelo menos uma vez na vida insatisfação com relação à


qualidade do sono.
As causas desse quadro lamentável misturam velhos e no-
vos inimigos. Entre os mais antigos estão razões físicas como
a apneia do sono (distúrbio caracterizado pela interrupção da
respiração durante o descanso) e algumas ligadas ao estilo de
vida — o estresse e a competitividade profissional, por exemplo.
Com medo de perder o emprego ou jamais ser lembrado na
hora de uma promoção, muitos empregados desdobram-se
para dar conta do serviço. Levam tarefas para casa e adiam a
hora de ir para a cama. E quando conseguem dormir são
interrompidos pelas preocupações.
In: Veja, São Paulo, Abril, 14 jul. 2004.
Pessoal. Sugestão: em ambientes com muito barulho é difícil conciliar o sono. Também compromissos sociais em
excesso, preocupações financeiras, determinados vícios como o cigarro e a bebida comprometem o sono.
a) Além das causas mencionadas no texto, que outras razões po-
O sono tranquilo e regular favorece a saúde das pessoas, contri-
dem afetar o sono? bui para o equilíbrio, o bom humor e permite melhor desempenho
b) Explique por que é importante dormir bem. nas atividades físicas e profissionais.
c) Divida em sílabas as palavras destacadas no texto.
Ap-nei-a; dis-túr-bio ou bi-o; com-pe-ti-ti-vi-da-de; pro-fis-si-o-nal; pre-o-cu-pa-ções.

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60

RESUMO
Fonologia e ortografia

 Fonema e letra
• Fonologia é a parte da gramática que estuda os fonemas.
• Fonema é a unidade fonológica cuja ocorrência contribui para o estabeleci-
mento de diferenças de significado entre as palavras.
• Letra é a representação gráfica dos sons ou fonemas.

 Classificação dos fonemas


• Vogais são os sons que se formam quando o ar, vindo dos pulmões, não
sofre nenhum tipo de interrupção ao passar pela boca.
• Semivogais são as vogais i e u pronunciadas fracamente que acompanham
outras vogais numa mesma sílaba.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
• Consoantes são os sons que se produzem quando o ar, vindo dos pul-
mões, sofre alguma interrupção ao passar pela boca, em direção ao meio
exterior.

 Encontros vocálicos
• Ditongo é o encontro de uma vogal e uma semivogal, ou vice-versa, na mes-
ma sílaba. Os ditongos classificam-se em crescentes e decrescentes, de acordo
com a ordem entre vogal e semivogal no vocábulo.
• Tritongo é o encontro de semivogal, vogal e semivogal, nessa ordem, na
mesma sílaba.
• Hiato é o encontro de duas vogais que ficam em sílabas diferentes.

 Encontros consonantais e dígrafos


• Encontro consonantal é o agrupamento de consoantes num vocábulo, na
mesma sílaba ou em sílabas diferentes.
• Dígrafo é o agrupamento de letras que representam um único som.

 Sílaba
• Sílaba é o fonema ou conjunto de fonemas pronunciados em uma única emis-
são de voz.
Quanto ao número de sílabas, os vocábulos podem ser monossílabos, dis-
sílabos, trissílabos ou polissílabos. Quanto à classificação da sílaba tôni-
ca, as palavras podem ser oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas.

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QUESTÕES DE VESTIBULARES

Fonologia e ortografia
1. (Univesp) Na língua portuguesa es- 4. (USF-SP) Os convidados estavam
crita, quando duas letras são empre- no saguão aguardando a saída dos
gadas para representar um único noivos.
fonema (ou som, na fala), tem-se um As palavras destacadas apresentam,
dígrafo. O dígrafo só está presente respectivamente:
em todos os vocábulos de:
a) tritongo — ditongo decrescente
a) pai, minha, tua, esse, tragar b) ditongo nasal — ditongo decrescente
b) afasta, vinho, dessa, dor, seria c) tritongo — ditongo decrescente
X c) queres, vinho, sangue, dessa, filho
d) ditongo nasal — hiato
d) esse, amarga, silêncio, escuta, filho X e) tritongo — hiato
e) queres, feita, tinto, melhor, bruta
5. (PUC-SP) Nas palavras enquanto,
2. (U.F. Maranhão) Foneticamente, o
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

queimar , folhas , hábil e grossa ,


vocábulo passo contém: constatamos a seguinte sequência
X a) um dígrafo de letras e fonemas:
b) um ditongo
a) 8-7, 7-6, 6-5, 5-4, 6-5
c) uma vogal e uma semivogal
b) 7-6, 6-5, 5-5, 5-5, 5-5
d) um encontro consonantal
c) 8-5, 7-5, 6-4, 5-4, 5-4
e) um hiato X d) 8-6, 7-6, 6-5, 5-4, 6-5
3. (Unifenas-MG) Assinale a alternati- e) 8-5, 7-6, 6-5, 5-5, 5-5
va que identifica os encontros vocá-
6. (PUC-SP) Indique a alternativa em
licos e consonantais presentes nos
que todas as palavras têm a mes-
três grupos de palavras abaixo, na
ma classificação no que se refere
mesma ordem de ocorrência em
ao número de sílabas:
cada um deles. Os três grupos apre-
sentam os mesmos encontros vocá- a) enchiam, saíam, dormiu, noite
licos e consonantais, pela ordem. b) feita, primeiro, crescei, rasteiras
I. poema, reino, pobre, não, chave
X c) ruído, saudade, ainda, saúde
II. realize, perdeu, escrevê-lo, estão, que d) eram, roupa, sua, surgiam
III. dia, mais, contempla, então, lhe e) dia, sentia, ouviam, loura
a) ditongo crescente, ditongo, encon- 7. (Unisinos-RS) A alternativa em
tro consonantal, ditongo decrescen- que ocorrem palavras que contêm,
te, dígrafo respectivamente, dígrafo, encontro
b) ditongo crescente, ditongo decres- consonantal e ditongo é:
cente, encontro consonantal, dígra- X a) velho, Rodrigo, pouco
fo, encontro consonantal b) muito, termo, achar
c) ditongo decrescente, hiato, dígrafo, c) cruzou, queimado, pergunta
ditongo decrescente, encontro con- d) fiquei, ficou, sorriu
sonantal e) cinquenta, esse, cigarro
d) hiato, ditongo crescente, encontro
consonantal, ditongo decrescente, 8. (UM-SP) As palavras demarcação,
dígrafo juízo, interpenetram e iguais apre-
X e) hiato, ditongo decrescente, encon- sentam diferentes encontros vocáli-
tro consonantal, ditongo decrescen- cos. Dê a classificação de cada en-
te, dígrafo contro vocálico. Demarcação – ditongo decres-
cente; juízo – hiato; interpenetram – di-
tongo decrescente; iguais – tritongo.

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9. (UA-AM) Na palavra armazém: X c) bicho, passo, carro, banho
a) há dígrafo e ditongo d) choque, sintaxe, unha, coxa
X b) não há dígrafo, mas há ditongo
Fonologia e ortografia

c) não há dígrafo nem ditongo 13. (Cefet-PR) Ambivalência possui:


d) há dígrafo, mas não há ditongo a) 11 fonemas e 12 letras
b) 12 fonemas e 12 letras
10. (Unirio-RJ) Há inúmeras palavras c) 9 fonemas e 11 letras
na língua portuguesa em que é in- X d) 10 fonemas e 12 letras
diferente considerar-se o encontro e) 10 fonemas e 10 letras
vocálico como ditongo crescente ou
hiato. Assinale o item em que tal 14. (Cefet-MG) Os vocábulos também,
fato não ocorre, isto é, em ambas saguão, joia, pia e água possuem,
só podemos ter ditongo: respectivamente:
a) ofício, cuidou
a) ditongo crescente, tritongo, diton-
b) matrimônio, melancolia
go crescente, hiato
c) Rubião, Sofia
b) ditongo crescente, hiato, tritongo,

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
d) riquezas, oblíquos
hiato, ditongo crescente
X e) frequentes, quase
c) hiato, tritongo, tritongo, ditongo
11. (ITA-SP) Dadas as palavras: 1) crescente, ditongo crescente
tung-stê-nio; 2) bis-a-vô; 3) du-e- d) ditongo crescente, ditongo cres-
-lo, constatamos que a separação cente, ditongo crescente, ditongo
silábica está correta: crescente, hiato
X e) ditongo decrescente, tritongo, di-
a) apenas em 1 tongo decrescente, hiato, ditongo
b) apenas em 2 crescente
X c) apenas em 3
d) em todas as palavras 15. (Fasp) Assinale a alternativa que
e) n.d.a. apresenta os elementos que com-
põem o tritongo:
12. (UnB-DF) Marque a opção em que a) vogal + semivogal + vogal
todas as palavras apresentam um b) vogal + vogal + vogal
dígrafo: c) semivogal + vogal + vogal
a) fixo, auxílio, tóxico, exame X d) semivogal + vogal + semivogal
b) enxergar, luxo, bucho, olho e) homem, caverna, velhacos

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Capítulo 03 63

Ortografia

Fonologia e ortografia
Contextualização
Leia a charge a seguir.

FRANK & ERNEST Bob Thaves

2005 UNITED MEDIA/


INTERCONTINENTAL PRESS
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

O Estado de S. Paulo, 11 out. 2004.

Você concorda com o que diz a personagem na charge? Escrever bem é


apenas impressionar os leitores? Reflita um pouco sobre isso, antes de
iniciar a leitura deste capítulo.
Na verdade, causar uma boa impressão ao falar ou ao escrever é ape-
nas a ponta do iceberg quando nos referimos ao domínio que se pode
ter de uma determinada língua. Melhor do que apenas impressionar seus
interlocutores é, de fato, garantir a compreensão do que dizemos ou
escrevemos.
No primeiro capítulo, vimos que há variedades linguísticas que não ne-
cessariamente correspondem à norma culta. O uso dessas variedades é
natural, porque toda língua é dinâmica, e depende de vários fatores, tais
como a situação de interlocução e o estilo pessoal, entre outros. Mas to-
das as línguas contam com uma referência-padrão — a norma culta —,
usada nas situações formais de interlocução e nas formas escritas em
textos acadêmicos, certos jornais, revistas e livros. A norma culta prevê
um modo correto de escrever as palavras. É sobre isso que vamos nos
deter neste capítulo.

Conceituação

Ortografia vem do grego orthós: correta, e grafia: escrita. Como usu-


ário da língua portuguesa, você não precisa se preocupar em decorar
todas as regras que indicam as formas corretas de escrever as palavras.

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64
Elas serão apreendidas com o tempo, por meio do uso frequente e das
consultas ao dicionário. Vale lembrar que a ortografia, como a língua,
também muda, mas muito lentamente:
Fonologia e ortografia

Ortografia é a parte da gramática que trata da escrita correta das palavras.

Como você sabe, para registrarmos as palavras na escrita usamos letras,


que representam os fonemas.

ALFABETO
Contextualização
Veja estes quadrinhos:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
NÍQUEL NÁUSEA Fernando Gonsales

FERNANDO GONSALES
GONSALES, Fernando. Níquel Náusea.

Brincando com os sentidos das palavras que retratam seres e períodos


históricos extintos (pterodáctilo e jurássico), o desenhista aponta a dificul-
dade de escrever termos que não usamos com frequência.

Conceituação
O conjunto de letras de uma língua é chamado de alfabeto. O alfabeto
da língua portuguesa apresenta vinte e seis letras:

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z
a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z

A letra h, embora não represente nenhum fonema, é empregada no


início de algumas palavras, no final de certas interjeições e nos dígrafos
ch, nh e lh. Exemplos:
hálito higiene hiena ah! oh! chiado punho bolha

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As letras k, w e y são empregadas apenas em nomes próprios estrangei-
ros e seus derivados e em siglas, símbolos e palavras adotadas como unida-
des de medida de uso internacional:

Fonologia e ortografia
k: km (quilômetro) John Kennedy Hong Kong
w: darwinismo Wagner kW (quilowatt)
y: Disneylândia Pink Floyd lorde Byron

EMPREGO DE ALGUMAS LETRAS


a) Emprega-se a letra z:
• em palavras derivadas de outras grafadas com z. Exemplos:
feliz — felizardo zelo — zelador
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• em substantivos abstratos femininos terminados em -ez e -eza,


derivados de adjetivos. Exemplos:
grávida — gravidez esperto — esperteza
• em palavras terminadas em -izar (verbos) e -ização (substantivos),
derivadas de certos substantivos. Exemplo:
colono — colonizar — colonização

b) Emprega-se a letra s:
• nos sufixos -ês, -esa, -isa, -osa, -oso e -ense. Exemplos:
freguês consulesa poetisa gasosa oleoso cearense
• em palavras derivadas de outras que têm s no fim do radical.
Exemplos:
dose — dosagem liso — alisar análise — analisar
• em todas as formas dos verbos querer e pôr, que têm s, e seus
compostos. Exemplos:
quis — quiseram pus — puseram repusesse
• em substantivos derivados de verbos terminados em -nder ou -ndir.
Exemplos:
pretender — pretensão expandir — expansão

c) Emprega-se a letra x:
• depois de ditongo. Exemplos:
feixe caixa
• depois da sílaba inicial en-. Exemplos:
enxada enxurrada

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66
• Atenção
Palavras derivadas de outras que tenham ch mantêm o ch.
Exemplos:
Fonologia e ortografia

encharcar (de charco) enchente (de cheio) enchiqueirar


(de chiqueiro)
• depois da sílaba inicial me-. Exemplos:
mexer mexerico
• Atenção
Mecha e seus derivados são escritos com ch.

d) Emprega-se a letra j:
• em palavras derivadas de outras que já tenham j. Exemplos:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
cerejeira (de cereja) lojista (de loja)
• nas formas dos verbos terminados em -jar e -jear. Exemplos:
velejei (velejar) almeje (almejar) lisonjeie (lisonjear)
• em vocábulos de origem ameríndia (sobretudo tupi) ou africana.
Exemplos:
maracujá pajé jiboia jiló jirau

e) Emprega-se a letra g :
• em vocábulos formados pelo sufixo -gem. Exemplos:
paisagem coragem mensagem
• Atenção
Pajem, laje e lambujem com j.
• em vocábulos terminados em -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio.
Exemplos:
pedágio colégio prestígio relógio refúgio
• em vocábulos derivados de outros já grafados com g. Exemplos:
mugir — mugido fingir — fingimento agitar — agitação

NOTAÇÕES LÉXICAS
A língua portuguesa utiliza alguns sinais gráficos para indicar a pronún-
cia correta das palavras e auxiliar na escrita. Esses sinais recebem o nome
de notações léxicas. São utilizadas as seguintes notações léxicas na escri-
ta da língua portuguesa.

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67
Acento agudo
´
Emprega-se sobre as vogais tônicas a, e e o, para indicar o som aberto,

Fonologia e ortografia
sobre as vogais fechadas i e u, se forem tônicas, e sobre o e fechado de
alguns ditongos nasais em e ens:
As palavras aí estão, uma por uma:
porém minha alma sabe mais.
MEIRELES, Cecília. Obra poética. Rio de Janeiro: Aguilar, 1972.

Acento grave
`
O acento grave indica unicamente a crase, ou seja, a fusão do artigo a
com a preposição a:
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

NETO, João Cabral de Melo. Antologia poética.


Rio de Janeiro: José Olympio, 1979.

Acento circunflexo
ˆ
É empregado sobre as vogais tônicas a, e e o para indicar o timbre fechado:
Eu sem você
Não tenho porquê
Porque sem você
Não sei nem chorar [...]
MORAES, Vinicius de & POWELL, Baden. Samba em prelúdio.
In: Vivendo Vinicius ao vivo. São Paulo: BMG / RCA, s/d.

Til
˜
O til indica a nasalidade das vogais a e o:
Pelo sertão não se tem como
não se viver sempre enlutado
NETO, João Cabral de Melo. Agrestes; poesia (1981-1985).
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

Cedilha s
Emprega-se na letra c, antes das vogais a, o e u, para estabelecer o seu
valor fonético de /s/:
Já reparei que no teu peito
soluça o coração bem feito
De você.
ANDRADE, Mário de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 1997.

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68
Apóstrofo ’
É empregado para indicar a supressão de um fonema na palavra, para se
Fonologia e ortografia

evitar a repetição ou a cacofonia:


Mas na minh’alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
CARNEIRO, Mário de Sá. Dispersão. Coimbra: Presença, 1939.

Hífen -
Emprega-se para unir, principalmente, palavras compostas, prefixos e
formas verbais a pronomes:
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-caiena! Ao burguês-tílburi!

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ANDRADE, Mário de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 1997.

Veja, nas páginas 77 a 79, mais detalhes sobre o emprego do hífen.

ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Contextualização
Leia a tira.
CALVIN Bill Waterson

2005 WATERSON/ATLANTIC SYNDICATION

a Por meio do elemento surpresa. Provavelmente, o leitor WATERSON, Bill. Calvin. São Paulo: Cedibra, 1996.
supõe que o primeiro lugar em que o menino deveria ter procurado o casaco seria no armário.
a) Como o autor da tira explorou o humor nesse texto? a

b) Na sua opinião, as pessoas precisam ser organizadas? Explique por quê.


Pessoal.

Observe agora as seguintes palavras extraídas da tira: está, estúpido,


armário. Em cada palavra, uma das sílabas é pronunciada com maior inten-
sidade, com mais força. Trata-se da sílaba tônica, que está marcada por
acento gráfico.
Como você viu no capítulo anterior, nem toda sílaba tônica é marcada
com acento gráfico (casaco, por exemplo). Então, como saber se uma pala-
vra leva acento? Leia as regras de acentuação a seguir.

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69

Conceituação

Fonologia e ortografia
A acentuação gráfica das palavras, na língua portuguesa, obedece às re-
gras apresentadas a seguir.

Oxítonas
Acentuam-se as palavras oxítonas terminadas em -a(s), -e(s), -o(s).
Exemplos:
vatapá(s) jacaré(s) rês maiô(s) cós

Também são acentuadas as palavras oxítonas com mais de uma sílaba


terminadas em -em, -ens. Exemplos:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

vintém parabéns

Acentuam-se, ainda, as palavras oxítonas com os ditongos abertos gra-


fados -éu(s), -éi(s) e -ói(s) : Exemplos:
troféu(s) anéis herói(s)

Paroxítonas
Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em -l, -n, -r, -x,
-ei(s), -i(s), -us, -ão(s), -ã(s), -on(s), -um, -uns e -ps. Exemplos:
difícil sêmen caráter fênix pônei(s) táxi(s) vírus órgão(s)
órfã(s) próton(s) álbum fóruns bíceps aéreo(s)

• Atenção
• Nas palavras paroxítonas, não se acentuam os ditongos abertos -ei
e -oi. Exemplos:
geleia centopeia androide joia

• As palavras paroxítonas terminadas em -n não são acentuadas no


plural (-ns). Exemplos:
hifens polens semens

• As palavras paroxítonas terminadas em -em, -ens não são acentua-


das. Exemplos:
item mentem jovens imagens

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70
Proparoxítonas
Acentuam-se todas as palavras proparoxítonas. Exemplos:
Fonologia e ortografia

álgebra pólvora lúcido relâmpago trânsito

Também são acentuadas as palavras terminadas em ditongo crescente


(seguido ou não de -s) que pode ser pronunciado como hiato. Exemplos:
área idôneo glórias espécies mágoa trégua vácuo

Hiatos
Acentuam-se as vogais -i e -u tônicas dos hiatos quando ficam sozinhas
na sílaba ou são seguidas de s. Exemplos:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
paraíso uísque ciúme balaústre
• Atenção
• As vogais -i e -u não são acentuadas quando:
– embora fiquem sozinhas na sílaba, são seguidas de -nh.
Exemplos:
raiinha ventoiinha
– embora fiquem sozinhas na sílaba, em palavras
paroxítonas, são antecedidas por ditongos. Exemplos:
taoismo baiuca feiura
Não se acentua a primeira vogal tônica dos hiatos oo e ee. Exemplos:
coo enjoo veem leem

Acento diferencial
É empregado para diferenciar apenas as seguintes palavras paroxítonas:

pôôde (verbo por na 3.ª pessoa do singular do pretérito perfeito do indica-


tivo) para distingui-la de
pode (3.ª pessoa do singular do presente do indicativo)

Não são diferenciadas por acento as palavras:

para (preposição) e para (verbo parar)


pelo (substantivo), pelo (verbo pelar) e pelo (antiga preposição per + o)

GT-C3 (063-088)RO 70 8/15/08, 3:02 PM


71
Verbos
Os verbos ter e vir são acentuados, no presente do indicativo, na forma

Fonologia e ortografia
da terceira pessoa do plural, para diferenciá-la da forma da terceira pessoa
do singular. Exemplos:
ele tem — eles têm ele vem — eles vêm
• Atenção
Os verbos derivados de ter e vir seguem a regra de acentuação
das oxítonas terminadas em -em; a terceira pessoa do plural tem
acento circunflexo para diferenciar-se da terceira pessoa do sin-
gular (acento agudo). Exemplos:
ele mantém — eles mantêm ele provém — eles provêm
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

EMPREGO DE POR QUE, POR QUÊ,


PORQUE E PORQUÊ
Contextualização
Leia a tira.

HAGAR Dik Browne

INTERCONTINENTAL PRESS
2005 KING FEATURES/

BROWNE, Dik. Hagar, o horrível. In: Folha de S.Paulo, 28 fev. 2004.

GT-C3 (063-088)RO 71 8/15/08, 12:13 PM


72
Na tira, Helga chama o marido para uma conversa, em tom nada amisto-
so, segundo Hagar. Enquanto ela faz uma severa crítica ao marido, ele man-
tém-se quieto e assustado. É somente após a crise final da mulher que ele
Fonologia e ortografia

se indaga a razão de ela aturá-lo. Apesar de seus defeitos, Hagar parece


reagir de forma diferente.
Observe, na pergunta feita a Helga, agora em meditação, que ele “suge-
re” uma possível resposta para o impasse dela. O humor reside na atitude
ausente de Hagar, que não compreende as queixas da mulher e lhe faz uma
pergunta evasiva, o que deixa Helga confusa. No texto, a palavra porque é
empregada com sentidos e grafias diferentes.

Conceituação
No segundo quadrinho da tira, Hagar empregou a palavra porque, ao

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
explicar que o tom de voz de Helga sugeria-lhe problemas. Já no penúltimo
quadro, Helga usa por que, no início de uma pergunta, e por quê no final.
Observe ainda, no último quadrinho, que Hagar também emprega por que
na pergunta dirigida a Helga.
Leia as informações a seguir e saiba quando empregar por que, por quê,
porque e porquê.

Por que
a) por (preposição) + que (advérbio interrogativo) — usa-se em per-
guntas diretas e indiretas e equivale a por qual motivo ou por qual
razão.
Por que a água do mar é salgada?
(por qual motivo)

Não sei por que o setor da saúde no país é tão precário.


(por qual razão)

b) por (preposição) + que (pronome relativo) — substitui pelo qual e


suas flexões:
O bancário obteve a promoção por que tanto lutou.
(pela qual)

c) por (preposição) + que (conjunção subordinativa integrante) — inicia


oração subordinada substantiva e equivale a para que:
O escritor mostrou-se interessado por que lêssemos seu livro.
(para que)

GT-C3 (063-088)RO 72 8/15/08, 12:13 PM


73
Por quê
Usa-se somente no final de frases:

Fonologia e ortografia
A matéria jornalística não ficou pronta por quê?
(por qual razão)

Porque
Funciona como conjunção coordenativa explicativa, subordinativa ad-
verbial causal ou final, e equivale a pois, uma vez que, já que, como, para
que, a fim de que.
Leve-lhe um agasalho, porque a noite está fria.
(conjunção coordenativa explicativa = pois)
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

A economia está em crise porque o preço do petróleo aumentou.


(conjunção subordinativa adverbial causal = já que)

Não fales alto porque eles não te escutem.


(conjunção subordinativa adverbial final = para que)

Porquê
Emprega-se como substantivo, precedido de artigo ou pronome. Equiva-
le a motivo, causa, razão:
Ignoro o porquê de sua partida.
(motivo)

A ministra mencionou outro porquê da mudança de horário.


(motivo)

Aplicação
1 Reescreva as frases, completando-as adequadamente com por-
que, por que, porquê ou por quê.
a) O setor agrícola brasileiro se desenvolve  investe em novas
tecnologias. porque
b) Sua ausência revelou-me o  de tanta saudade. porquê
c)  o homem interfere cada vez mais no meio ambiente? Por que
d) As passagens para Salvador não foram compradas ? por quê
e) Indaguei-lhe  aquela viagem lhe faria bem. por que
f) A apresentação do show  aguardávamos há tempos será neste
fim de semana. por que
g) A última eleição para prefeito foi anulada  houve fraude. porque

GT-C3 (063-088)RO 73 8/15/08, 12:13 PM


74
2 Identifique a sílaba tônica das palavras e acentue-a quando ne-
cessário.
exito latex avaro paraquedas
Fonologia e ortografia

êxito látex sílaba tônica: va sílaba tônica: que


coroa prosopopeia textil reveem
sílaba tônica: ro sílaba tônica: pei têxtil sílaba tônica: ve
nausea esferoide interim chapeuzinho
náusea sílaba tônica: roi ínterim sílaba tônica: zi
fasciculo bambu austero monolito
monólito ou monolito: sílaba
fascículo sílaba tônica: bu sílaba tônica: te
reminiscencia higiene humus inclui-lo tônica: nó ou li
reminiscência sílaba tônica: e húmus incluí-lo

3 Foram retiradas propositadamente as notações léxicas de algu-


mas palavras do texto a seguir. Leia-o com atenção.

“DE ALIADO A VILÃO”


Arma contra a carie, o fluor, em excesso,
pode prejudicar os dentes das crianças

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Nos ultimos trinta anos, o numero de brasileiros com carie caiu
cerca de 70%. O grande responsavel por essa redução tao significati-
va foi o fluor. Ao longo desse periodo, o mineral foi misturado a
agua, pelas companhias municipais de saneamento e adicionado aos
cremes dentais. O fluor fortifica o esmalte, uma especie de capa
protetora dos dentes. Com a difusão de seu uso, outro problema
surgiu — a fluorose, o excesso de fluor no organismo.Afinal, a subs-
tancia nao se encontra apenas na agua e nos cremes dentais: ela esta
presente em diversos alimentos, como chas, leite em po e cereais.
[...]
As grandes vitimas desse consumo desmedido sao as crian-
ças. Em algumas cidades do Brasil, como Porto Alegre, mais da
metade da população entre 8 e 14 anos sofre do mal. Em seu
grau mais leve, a fluorose se manifesta por intermedio de peque-
nas manchas brancas sobre o dente. Nos casos mais avançados,
ela enfraquece o dente de tal forma que, alem de ficar mais
suscetivel a carie, ele pode se quebrar com facilidade.
Veja, São Paulo, Abril, 20 out. 2004, p. 64.

a) Transcreva as palavras que devem ter as suas notações léxicas e


Cárie, flúor, últimos, número, cárie, responsável, tão, flúor, período, à, água, flúor, espécie, flúor,
corrija-as. substância, não, água, está, chás, pó, vítimas, são, intermédio, além, suscetível, à, cárie.
b) Interprete o título do texto relacionando-o a seu conteúdo. Co-
mente algum fato semelhante que você conheça. O autor analisa os prós e contras
no uso do flúor. Pessoal.

4 Reescreva as frases, completando-as com as letras adequadas.


sarjeta, chances,
a) Crianças vivem na sareta, sem chanes ou prvilégios. privilégios
b) Os piadores eercem uma funão frustante. pichadores, exercem,
função, frustrante
c) No cabe a o da prova havia informações para os d  s-
prvnidos. cabeçalho, desprevenidos

GT-C3 (063-088)RO 74 8/15/08, 12:13 PM


marceneiro,
eletricista,
75
d) Tanto o marcneiro como o eletrcista estavam atraados. atrasados

e) Era fa  inada por bij  teria e e  trava  ava essa paixão


prazrosamente.fascinada, bijuteria, extravasava, prazerosamente

Fonologia e ortografia
f) O cozinheiro troue a mqueca numa tiela, o pirão numa tra-
ve a e, depois, uma sobremea de framboea. sobremesa, framboesa
trouxe, moqueca, tigela, travessa,

5 Leia a tira.
HAGAR Dik Browne

INTERCONTINENTAL PRESS
2005 KING FEATURES/
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

BROWNE, Dik. Hagar, o horrível. In: O Globo, 18 maio 2004.


Hagar indaga, filosoficamente, o que representa a vida, com que finalidade existimos e qual seria sua função no mundo.
Entretanto, o amigo não entende suas palavras, e a resposta mostra a superficialidade na interpretação do ouvinte.
a) A pergunta de Hagar, no primeiro quadrinho, não foi bem com-
preendida por seu receptor. Explique por quê.
b) Observe a palavra porque na tira e explique seu emprego nos dois casos.
Por que — pergunta direta no início da frase.
Porque — resposta explicativa.
6 Identifique a sequência de palavras grafadas e acentuadas corre-
tamente.
a) recisão, concessão, ascensorista, xampú, bucha
b) contágio, cafeina, bochecha, gorgear, pinça
x c) proteico, irascível, bilboquê, ginecologista, driblar

d) pechincha, inexorável, abstêmico, efisema, sagui


e) desapercebido, excepcional, micelanea, maisena, gratuíto

7X Reescreva as palavras do exercício anterior cuja grafia e/ou acen-


a) rescisão, xampu
tuação estão incorretas. b) cafeína, gorjear Professor: a palavra desapercebido está gra-
fada corretamente e tem o sentido de des-
d) abstêmio, enfisema
prevenido, que não está preparado.
e) miscelânea, gratuito
8 Identifique a grafia correta em cada conjunto de palavras.
x
a) meteorologia ou metereologia
x
b) carangueijo ou caranguejo
x
c) cincoenta ou cinquenta
x
d) emprezário ou empresário
x
e) reivindicar
x
ou reinvindicar
f) freada ou freiada
x
g) estupro ou estrupo
x
h) perpiscaz ou perspicaz
x
i) vazamento ou vasamento
x
j) obsecado ou obcecado

GT-C3 (063-088)RO 75 8/15/08, 12:13 PM


76
9 Leia o texto da revista Ícaro Brasil. Algumas palavras estão in-
completas, por isso fique atento(a).
Fonologia e ortografia

O MOMENTO DA VIRADA
A vida se compõe de uma suceão de etapas, não é uma
fórmula que eternamente se repete se tivee apenas um só tem-
po. Cada um de nós pode ter mais de uma chance no casamento,
na profião, na vida. Só que, em vez de ficar aí esperando acon-
tecimentos que forem a mudança, pessoas e empresas preci-
sam modar circunstâncias favoráveis e criar ruturas constru-
tivas que as direionem ao próimo patamar de sua história.
Mais importante do que a circunstância caual é sua atitu-
de frente a esse fato. Os vencedores criam os momentos que
permitem a reinvenão do futuro: mudam-se de cidade, afas-
tam-se dos invejoos e peimistas, trocam de emprego ou de

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
cargo, montam o própio negóio; abandonam a carreira para
ter um filho, tiram o pijama e voltam a estudar; largam a facul-
dade imposta pelo pai, transformam seu hobby num pequeno
negócio e procuram alguém em vez de esperar sozinhos para o
resto da vida.
As empreas também preisam se reinventar, sob pena de
não sobreviverem. O novo patamar pode ser começar a eportar,
novos mercados, novos clientes, inventar um novo modelo de
negócio. O que pode eigir algumas rupturas — novas tecno-
logias, novos sócios, participar de fuão ou aquiição, aban-
donar uma linha de produtos; mudar sua sede de cidade, diversi-
ficar os negócios...
O segredo de quem inaugura uma nova vida não são os meros
fatores circunstanciais, etrínecos. Não se trata de questão
técnica. Reside em algo qualitativo, inviível, intríneco, um
modelo mental, uma forma de pensar e agir que permite às
pessoas alargar a capacidade de fazer escolhas. É libertaão das
amarras que as prendem a uma visão condiionada, parcial e
equivocada de suas prioridades. Na hora de planejar a sua virada,
é bom lembrar-se de que a trave ia é tão importante e
emoionante quanto o porto de chegada. Boa viaem.
SOUZA, César. O momento da sua virada. São Paulo: Gente, 2004.
Sucessão, tivesse, profissão, forcem, moldar, rupturas, direcionem, próximo, casual, reinvenção, invejosos,
pessimistas, próprio, negócio, empresas, precisam, exportar, exigir, fusão, aquisição, extrínsecos, invisível,
intrínseco, libertação, condicionada, emocionante, viagem.
a) Complete as palavras do texto, escrevendo-as corretamente em
seu caderno. a
b) O autor apresenta ideias interessantes sobre a busca de reali-
zação das pessoas. Exponha seu ponto de vista em relação ao
assunto enfocado e apresente argumentos que justifiquem
suas ideias.Pessoal. a Trata-se de uma crítica em relação às negociações entre o go-
verno brasileiro e o FMI (Fundo Monetário Internacional). Se-
gundo a charge, o Brasil sempre fica em desvantagem, mesmo
que cumpra rigorosamente as metas estabelecidas pelo FMI.

GT-C3 (063-088)RO 76 8/15/08, 12:13 PM


77
10 Leia a charge.

a) Nesse texto o chargista faz


JEAN/FOLHA IMAGEM

Fonologia e ortografia
uma sátira política. Comente
o que entendeu da piada. a
b) No texto, há uma palavra
que deveria ser acentuada.
Acentue-a e dê exemplos
semelhantes. Multá-los. Pessoal. Sugestões:
amá-los, louvá-los, soltá-los.
c) Observe as palavras acen-
tuadas no texto e cite três
exemplos que obedeçam à
mesma regra de acentu-
ação para cada caso.
Vocês: oxítona terminada em es. Exemplos
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

sugeridos: norueguês, cortês, burguês.


JEAN. In: Folha de S.Paulo, 29 maio 2004. Ótimo: proparoxítona. Exemplos sugeridos:
lógica, pálido, mágica.

11 Substitua os símbolos pela forma adequada indicada nos pa-


rênteses.
a) Os adolescentes  necessidade do apoio dos pais. (tem – têm) têm
b) Será que todo problema tem solução? (tem, têm) tem
c) Os amigos de infância vem nos visitar com frequência. (vem – vêm) vêm
d) Em nossa cidade, a Campanha do Agasalho vem recebendo um
número cada vez maior de doações. (vem – vêm) vem

EMPREGO DO HÍFEN
Contextualização
Leia a charge.
JEAN/FOLHA IMAGEM

JEAN. In: Folha de S.Paulo, 19 maio 2004.

GT-C3 (063-088)RO 77 8/15/08, 12:14 PM


78
O humor dessa charge aproxima uma circunstância econômico-social (a
crise trabalhista) a outra que é relacionada à língua portuguesa. O chargista
soube aproveitar essa situação, fazendo um jogo de palavras com o signifi-
Fonologia e ortografia

cado de emprego, que na charge significa uso (do hífen) e serviço, trabalho.
Observe que o chargista não emprega o hífen (ou traço de união) em seu
texto, entre o verbo (precisa) e o pronome (se). Nesse caso, o emprego des-
se sinal é obrigatório. Saiba agora por quê.

Conceituação
Leia a seguir as regras de uso do hífen.
a) Separar sílabas. Exemplos:
pneu-mo-ni-a an-si-o-sa com-pa-nhi-a
b) Ligar os pronomes oblíquos a verbos. Exemplos:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
estimá-lo conservar-se-á deixa-se ficar
c) Unir palavras compostas. Exemplos:
luso-brasileiro amarelo-ouro ano-luz
d) Ligar os sufixos -açu, -mirim e -guaçu a palavras terminadas em vo-
gal acentuada graficamente ou quando a pronúncia exige a distinção
gráfica dos dois elementos. Exemplos:
sabiá-guaçu capim-açu
e) Ligar topônimos:
• iniciados por grã ou grão. Exemplo:
Grã-Bretanha
• iniciados por verbo. Exemplo:
Passa-Quatro (município de MG)
• em que há artigo entre os elementos. Exemplo:
Baía-de-Todos-os-Santos
f) Unir palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológi-
cas. Exemplos:
erva-doce estrela-do-mar
g) Unir palavras compostas cujo primeiro elemento é além, aquém,
recém, sem. Exemplos:
além-túmulo aquém-terra recém-chegado sem-teto
h) Unir o advérbio mal a palavras iniciadas por vogal ou h. Exemplos:
mal-amado mal-estar mal-habituada
i) Após ante-, anti-, arqui-, auto-, contra-, extra-, hiper-, infra-, inter-,
intra- , micro- , neo- , proto- , pseudo- , semi- , sobre- ,
sub-, super-, supra-, ultra-, se o segundo elemento:
• inicia por h. Exemplos:
anti-horário neo-hispânico proto-história
semi-hospitalar super-homem sub-humano

GT-C3 (063-088)RO 78 8/18/08, 5:18 PM


79
• tiver a mesma última vogal do primeiro elemento. Exemplos:
anti-inflamatório arqui-inimigo micro-organismo semi-interno
j) Ligar circum- e pan- a palavras iniciadas por vogal, h, m ou n. Exemplos:

Fonologia e ortografia
circum-adjacente circum-navegação pan-americano
pan-helenismo pan-mágico
l) Ligar hiper-, inter- e super- a palavras iniciadas por r. Exemplos:
hiper-resistente inter-regional super-real
m) Ligar x-, vice-; e pós-, pré- e pró- tônicos independentemente da
letra com que se inicia a palavra à qual se ligam. Exemplos:
ex-presidiário vice-líder pós-moderno
pré-vestibular pró-saúde
n) Ligar os prefixos ad- sob- e sub- a palavras que se iniciam por conso-
ante igual à consoante final do prefixo. Exemplos:
ad-digital sob-bosque sub-base sub-bloco
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

o) Ligar os prefixos ab-, ad-, ob-, sob- e sub- a palavras iniciadas por r.
Exemplos:
ab-rogar ad-renal ob-repção sob-roda sub-raça

• Atenção
Não se emprega o hífen:
• nas palavras em que o primeiro elemento termina em vogal e o segundo
elemento começa por r ou s. Exemplos:
contrarregra pseudossábio semirreta ultrarromantismo
• nas palavras em que o primeiro elemento termina em vogal e o segundo
elemento começa por vogal diferente. Exemplos:
autoavaliação bioética infraestrutura intrauterino

PALAVRAS HOMÔNIMAS
E PARÔNIMAS
Contextualização

PROF. DOODLES Steve Sack & Craig Macintosh


2005 TRIBUNE MEDIA/
INTERCONTINENTAL PRESS

DOODLES, Intercontinental Press.

GT-C3 (063-088)RO 79 8/18/08, 5:20 PM


80
O humor, nessa tira, reside numa interpretação equivocada da palavra tanque,
que, no dicionário, possui quatro significados principais: 1. depósito de água e
outros fluidos (gás, por exemplo); 2. pequeno reservatório de cimento, cerâmica
Fonologia e ortografia

ou metal para lavar roupa; 3. pequeno açude; 4. carro de combate blindado. O


senhor de óculos usou o significado 1, e o hipopótamo entendeu o significado 4.
A confusão só é possível porque tanque e tanque são palavras homônimas,
homógrafas e homófonas. Saiba agora o que isso significa.

Conceituação
Exemplos:
cedo (verbo) e cedo (advérbio)
hera (trepadeira) e era (época)

Homônimas são palavras que podem ter a mesma pronúncia, ou a mes-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
ma grafia, ou, ainda, a mesma pronúncia e a mesma grafia; em todos os
casos, os significados são diferentes.

As palavras homônimas subdividem-se em homófonas heterográfi-


cas, homógrafas heterofônicas e homógrafas homófonas.

Homófonas heterográficas
São iguais na pronúncia, mas têm grafias diferentes. Exemplos:
concerto (sessão musical) — conserto (reparo);
cela (pequeno quarto) — sela (apetrecho de montaria; verbo selar);
censo (recenseamento) — senso (juízo);
apreçar (marcar o preço) — apressar (acelerar);
acender (iluminar) — ascender (subir);
cessão (ato de ceder) — sessão (tempo de uma reunião ou espetáculo) —
seção (divisão, repartição);
cerrar (fechar) — serrar (cortar);
paço (palácio) — passo (andar).

Homógrafas heterofônicas
São iguais na grafia, mas diferentes na pronúncia. Exemplos:
colher (substantivo) — colher (verbo);
gelo (substantivo) — gelo (verbo);
começo (substantivo) — começo (verbo);
almoço (substantivo) — almoço (verbo);
molho (substantivo) — molho (verbo);
torre (substantivo) — torre (verbo);
jogo (substantivo) — jogo (verbo).

GT-C3 (063-088)RO 80 8/15/08, 12:14 PM


81
Homógrafas homófonas (homônimas perfeitas)
São iguais na escrita e na pronúncia. Exemplos:

Fonologia e ortografia
livre (adjetivo) — livre (verbo livrar);
são (adjetivo) — são (verbo ser) — são (santo);
serra (substantivo) — serra (verbo).

Parônimas são as palavras que apresentam pequenas diferenças na es-


crita e na pronúncia, e também têm significados diferentes.

Exemplos:
comprimento (extensão) cumprimento (saudação)
coro (conjunto de vozes) couro (pelo de animal)
deferir (conceder) diferir (adiar)
descrição (ato de descrever) discrição (reserva de atitudes)
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

emergir (vir à tona) imergir (mergulhar)


eminente (ilustre) iminente (próximo)
flagrante (evidente) fragrante (perfumado)
fluir (correr em estado fluido) fruir (desfrutar)
inflação (desvalorização da moeda) infração (violação da lei)
infringir (transgredir) infligir (aplicar)
ratificar (confirmar) retificar (corrigir)
tráfego (trânsito de veículos) tráfico (comércio desonesto)
vultoso (volumoso ou de grande vultuoso (acometido de congestão
importância) da face)

Formas variantes
Há palavras que admitem mais de uma forma de grafia, sem que isso
lhes altere o sentido. O emprego dessas formas variantes é indiferente, mas
a forma mais usada na linguagem cotidiana é sempre preferível.
catorze e quatorze xérox e xerox
cociente e quociente matracar e matraquear
assoviar e assobiar mobiliar e mobilhar
bêbado e bêbedo entretenimento e entretimento
aspecto e aspeto rubi e rubim
xeretar e xeretear coisa e cousa
redemoinho e remoinho malvadeza e malvadez
chipanzé e chimpanzé espécime e espécimen
coradouro e quaradouro fleuma e fleugma
derrubar e derribar embaralhar e baralhar
taverna e taberna diabete e diabetes
transpassar, traspassar e trespassar champanhe e champanha
seção e secção verruga e berruga

GT-C3 (063-088)RO 81 8/15/08, 12:14 PM


82

Aplicação
Fonologia e ortografia

1 Leia a charge.

ANGELI/FOLHA IMAGEM
a Na charge, a associação das
imagens do congestionado
trânsito da cidade de São
Paulo, às margens do rio Ti-

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
etê, e da fumaça represen-
tada pelo tom escuro no lado
superior da figura à placa
Bem-vindo a São Paulo cria
um ruído no texto. Trata-se
de uma ironia: é evidente
que o caótico tráfego e a po-
luição paulistanas não po-
dem ser uma boa recepção ANGELI. In: Folha de S.Paulo, 13 set. 2004.
para quem chega à cidade.

a) Na charge, Angeli faz crítica à cidade de São Paulo. Interprete o


que entendeu.
b) Consulte o dicionário ou uma gramática e explique o emprego do
hífen na palavra bem-vindo, como se vê no texto, e a ausência do
hífen em Benvindo. Bem-vindo é uma palavra composta, formada por advérbio (bem) e verbo
(vindo), por isso emprega-se o hífen. Em Benvindo, o substantivo próprio
e simples dispensa o hífen (nome de pessoa).

2 Empregue, nas frases a seguir, a forma correta indicada nos pa-


rênteses.
a) As atividades  serão realizadas aos sábados. (extraclasses, ex-
tra-classes) extraclasses
b) O congresso  reuniu representantes de várias partes do país.
(pan-americano, panamericano) pan-americano
c) Essa foi uma das  que mais agradaram ao público. (minisséries,
mini-séries) minisséries
d) A entrega do prêmio ao melhor apresentador de  causou polê-
mica. (telejornal, tele-jornal) telejornal
e) É conveniente não se  alguém, para evitar . (prejulgar, pré-
-julgar / dores-de-cabeça, dores de cabeça)prejulgar, dores de cabeça

3 Em que opção há o emprego correto do hífen?


a) mini-computador d) auto-peça
X b) anti-inflamatário e) agro-industrial
c) infra-vermelho

GT-C3 (063-088)RO 82 8/15/08, 12:14 PM


83
4 Identifique a forma dos parênteses que completa corretamente
cada frase a seguir.
a) O palestrante  sua presença no Congresso Internacional sobre

Fonologia e ortografia
educação. (retificou, ratificou) ratificou
b) Um dos participantes do torneio de tênis  o regulamento. (in-
fringiu, infligiu) infringiu
c) Há grande tensão no Oriente Médio, devido a um  conflito en-
tre Israel e Palestina. (eminente, iminente) iminente
d) Não deixes de  teus sonhos a cada momento. (fruir, fluir) fruir
e) Sua liderança na equipe era . (fragrante, flagrante) flagrante
f) Novas medidas de combate ao  foram postas em prática.
(tráfego, tráfico) tráfico

5 Escreva palavras que tenham os seguintes prefixos: infra-, ex-,


mini-, pseudo-, inter-, super-, circum-, bem-, vice- e arqui-.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Pessoal. Sugestões: infraestrutura, ex-ministro, mini-heroína, pseudo-análise, inter-relação, super-homem,


circum-orbital, bem-humorado, vice-presidente, arqui-inimigo.
6 Escreva a forma variante equivalente a:
a) transpassar traspassar, trespassar e) catorze quatorze

b) assoviar assobiar f) chipanzé chimpanzé


c) taverna taberna g) diabete diabetes
d) bêbado bêbedo h) xérox xerox

7 Identifique a alternativa em que se emprega o hífen de forma


correta
correta.
a) supra-sumo X d) extra-hospitalar

b) semi-reta e) ante-sala
c) auto-avaliação

8 Leia as seguintes palavras e escreva a(s) forma(s) homófonas


heterográficas correspondentes, com o sentido de cada uma.
a) apreçar apressar = acelerar c) censo senso = juízo e) concerto conserto = reparo
b) seção sessão = tempo de d) ascender acender = iluminar f) cerrar serrar = cortar
uma reunião; cessão =
ato de ceder
9 Identifique a forma correta em cada dupla a seguir.
a) basculante
x
ou vasculante g) sequer
x
ou siquer
b) sobrancelha
x
ou sombrancelha h) covalescença ou convalescença
x
c) criolo ou crioulo
x
i) gratuito
x
ou gratuíto
d) astigmatismo
x
ou estigmatismo j) aterrissar
x
ou aterrizar
e) mortandela ou mortadela
x
k) louco
x
ou loco
f) subaco ou sovaco
x
l) nhoque
x
ou inhoque

10 Faça frases com as palavras a seguir. Atente ao significado de


cada uma delas.
diferir discrição sesta eminente inflação fluir
Pessoal. Sugestões: essa frase não difere da anterior; conto com sua discrição em relação a este assunto; ele
não dispensa a hora da sesta; o grande escritor francês era a figura eminente do jantar; os índices da inflação
mantiveram-se estáveis no mês de julho; um fio de água fluía das pedras.

GT-C3 (063-088)RO 83 8/15/08, 12:14 PM


84

RESUMO
Fonologia e ortografia

 Emprego das letras


• Em geral, as regras de ortografia são apreendidas com o tempo, de acordo
com o uso de dicionários e a prática da leitura. Saiba que há regras especiais
para as seguintes letras: z, s, x, j e g.

 Acentuação gráfica
Acentuam-se:
• as oxítonas terminadas em -a(s), -e(s), -o(s), -em, -ens: sofá(s), balé(s),
cipó(s).
• as palavras oxítonas com mais de uma sílaba terminadas em -em, -ens:
refém
ém, vinténs
ém éns.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
• as palavras oxítonas com os ditongos abertos grafados -éu(s), -éi(s) e -ói(s):
chapéu(s)
éu(s), bacharéis
éis, destrói
éis ói.
• as paroxítonas terminadas em -l, -n, -r, -x, -ei(s), -i(s), -us, -ão(s), ã(s),
-on(s), -um, -uns e -ps: móvel, abdômen, revólver, ônix, vôlei ei, tênis, bônus,
ei
bênção, órfã, fórum, fóruns, fórceps.
• todas as proparoxítonas: límpido, tentáculo, fórmula.
• as palavras terminadas em ditongo crescente (seguido ou não de -s) que
pode ser pronunciado como hiato: ná áusea
ea, errô
ôneo
eo, sóósia
ias, séérie
ia ies, água
ie ua,
assííduo
uo.
• os hiatos com i e u sozinhos na sílaba ou seguidos de -s: caído, traíste, miú-
do, graúdo.
• a forma pôde (verbo por na 3.ª pessoa do singular do pretérito perfeito do
indicativo) para distingui-la de pode (3.ª pessoa do singular do presente do
indicativo).
• os verbos ter e vir, na 3a pessoa do plural do presente do indicativo: têm; vêm;
mantém, mantêm; convém, convêm.

 Emprego de por que, por quê, porque e porquê


• Por que: usado em perguntas diretas e indiretas; em substituição a pelo qual
e suas flexões ou em orações subordinativas substantivas: por que você se
atrasou?; não sei o motivo por que se atrasou tanto; o escritor mostrou-se
interessado por que lêssemos seu livro.
• Por quê: usado somente em final de frase: o casamento foi adiado não sei
por quê.
• Porque: é conjunção coordenativa ou subordinativa: pegou o táxi porque
estava apressada.
• Porquê: equivale a um substantivo: não entendo o porquê dessa atitude.

GT-C3 (063-088)RO 84 8/15/08, 12:14 PM


85

 Emprego do hífen

Fonologia e ortografia
Usa-se o hífen para:
• Separar sílabas.
• Ligar pronomes oblíquos a verbos.
• Unir palavras compostas.
• Ligar os sufixos -açu, -guaçu e -mirim.
• Ligar topônimos iniciados por grã ou grão, por verbo e em que há artigo entre
os elementos.
• Unir palavras compostas que designam espécies botânicas e zoológicas.
• Unir palavras compostas cujo primeiro elemento é além, aquém, recém, sem.
• Unir o advérbio mal a palavras iniciadas por vogal ou h..
• Após:
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

• ante-, anti-, arqui-, auto-, contra-, extra-, hiper-, infra-, inter-, intra-, micro-,
neo-, proto-, pseudo-, semi-, sobre-, sub-, super-, supra-, ultra-, se o se-
gundo elemento iniciar por h ou tiver a mesma vogal do primeiro elemento.
• Ligar circum- e pan- a palavras iniciadas por vogal, h, m ou n.
• Ligar hiper-, inter- e super- a palavras iniciadas por r.
• Ligar ex-, vice-; e pós-, pré- e pró- tônicos.
• Ligar os prefixos ad-, sob- e sub- a palavras que se iniciam por consoante
igual à consoante final do prefixo.
• Ligar os prefixos ab-, ad-, ob-, sob- e sub- a palavras iniciadas po r.

 Palavras homônimas
• Homônimas são palavras que têm a mesma pronúncia e, às vezes, a mesma
grafia, mas significação diferente.

 Palavras parônimas
• Parônimas são as palavras parecidas na escrita e na pronúncia, mas com
significados diferentes.

GT-C3 (063-088)RO 85 8/18/08, 5:21 PM


86

QUESTÕES DE VESTIBULARES
Fonologia e ortografia

1. (UFAM) Assinale o item em que to- 5. (Uespi-SP) Conforme o sentido, a


dos os vocábulos estão grafados cor- expressão destacada está correta-
retamente: mente grafada em:
X a) berinjela, canjica, jenipapo, jerimum, X a) O dentista contou uma história à-toa.
gengibre b) A filha reclamava dia-a-dia da ati-
b) muxoxo, cochicho, xicória, xifópa- tude do pai.
gos, xilógrafo c) Ficava o consultório acerca de vin-
c) exceção, expansionismo, suscinto, te metros da casa.
ascenção, pretensioso d) Daqui há dez minutos ele irá tra-
d) digladiar, requesito, cardial, substi- balhar.
tue, previnir
e) A família ficou ao-par de tudo.
e) chovisco, usofruto, bússula, óbolo,
curtume 6. (Unifenas-MG) Organizamos um 

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
musical  e tivemos o  de contar
2. (UNIR-RO) Acentuam-se pela mes-
ma razão os vocábulos: com um público educado que teve o
bom  de permanecer em silêncio
a) Ignácio — até
durante o espetáculo.
b) fantástico — histórias
X c) tecnológicos — básico a) conserto, beneficiente, privilégio,
d) vídeo — público senso
e) impossível — rápidas b) concerto, beneficente, privilégio,
censo
3. (FGV-SP) Assinale a alternativa em X c) concerto , beneficente, privilégio,
que a grafia de todas as palavras seja senso
prestigiada pela norma culta: d) conserto, beneficente, privilégio,
a) autofalante, bandeija, degladiar, ele- senso
trecista e) concerto, beneficiente, privilégio,
b) advogado, frustado, estrupo, desin- censo
teria
c) embigo, mendingo, meretíssimo, 7. (Unifenas-MG) Apenas uma das fra-
salchicha ses abaixo está totalmente correta
d) estouro, cataclismo, prazeiroso, pri- quanto à ortografia. Assinale-a.
vilégio a) Espalhei as migalhas da torrada por
X e) aterrissagem, babadouro, lagarto,
todo o trageto.
manteigueira
b) Meu trabalho árduo não obteve hê-
4. (UFPE) Assinale a alternativa em sito algum.
que todas as palavras devem ser c) Quiz fazer coisas que não sabia.
completadas com a letra indicada X d) Ao puxar os detritos, eles voaram
entre parênteses: no tapete persa.
a) ave, alé, ícara, arope, eno- e) Acrecentei algumas palavras ao tex-
fobia (x) to que corrigi.
X b) pr vilégio , requ sito , ntitular ,
mpedimento (i)
8. (Fafeod-MG) Indique a alternativa que
c) maa, exceão, exceo, roa (ç) contém duas palavras oxítonas, duas
d) iboia, unco, íria, eito, ente (j) paroxítonas e duas proparoxítonas:
e) purea, portuguea, corte, ana- a) anil, zebu, rubrica, vício, ibero, in-
liar (z) fância

GT-C3 (063-088)RO 86 8/15/08, 12:14 PM


87
b) metro, rapidez, nobel, vende, es- 14. (Fuvest-SP) Preencha os espaços com
pontâneo, carbônico as palavras grafadas corretamente.
c) rosa, funil, avaro, régua, remédio,
A  de uma guerra nuclear provoca

Fonologia e ortografia
capítulo
X d) talvez, melhor, reles, meteoro, bê-
uma grande  na humanidade e a dei-
bedo, coágulo xa  quanto ao futuro.
a) espectativa, tensão, exitante
9. (USF-SP)  do herói sem causa, era
b) espectativa, tenção, hesitante
 de arriscar a vida por um  nada.
X c) expectativa, tensão, hesitante
a) Protótipo, capás, quase
d) expectativa, tenção, hezitante
b) Prototipo, capaz, quaze
X c) Protótipo, capaz, quase
e) espectativa, tenção, exitante
d) Prototipo, capáz, quase 15. (UFV-MG) Observando a grafia das
e) Protótipo, capas, quazi palavras destacadas nas frases abai-
10. (UM-SP) Aponte, entre as alternati- xo, assinale a alternativa que apre-
vas abaixo, a única em que todas as senta erro.
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

lacunas devem ser preenchidas com X a) Aquele hereje sempre põe empeci-
a letra u: lho porque é muito pretencioso.
X a) c  rtume , escap  lir, man  sear , b) Uma falsa meiguice encobria-lhe a
sinsite rigidez e a falta de compreensão.
b) esgelar, regrgitar, pleiro, entpir c) A obsessão é prejudicial ao discer-
c) emblia, crtir, embtir, cringa nimento.
d) rticária, staque, mcama, zar d) A hombridade de caráter eleva o
e) mchila, tableta, mela, beiro homem.
11. (F. Londrina-PR) O jovem falava com e) Eles quiseram fazer concessão para
muita  e grande  de gestos. não ridicularizar o estrangeiro.
a) expontaneidade, exuberância
16. (UFF-RJ) Assinale, nas séries abai-
b) espontaneidade, exuberancia
xo, aquela em que pelo menos uma
c) expontaniedade, exuberancia
X d) espontaneidade, exuberância
palavra contém erro:
e) espontaniedade, exuberância a) capixaba, através, granjear
b) enxergar, primazia, cansaço, ma-
12. (F.Londrina-PR) A  entre os mem- jestade
bros do partido acabou provocando X c) flexa, topázio, pagé, desumano
uma  interna.
d) chuchu, Inês, dossel, gíria
a) discidência, cisão e) piche, Teresinha, classicismo, jeito
b) dissidência, cizão
c) dissidência, cissão 17. (ITA-SP) Examinando as palavras:
d) discidência, cizão viajens, gorgeta, maizena, chícara,
X e) dissidência, cisão constatamos que:
13. (U.F. Santa Maria-RS) “O guarda  a) Apenas uma está escrita correta-
em  o motorista que  as normas mente.
de trânsito.” b) Apenas duas estão escritas corre-
a) atuou – fragrante – infringiu tamente.
b) autuou – fragrante – infringiu c) Três estão escritas corretamente.
c) atuou – fragrante – infligiu d) Todas estão escritas corretamente.
d) atuou – flagrante – inflingiu X e) Nenhuma está escrita correta-
X e) autuou – flagrante – infringiu mente.

GT-C3 (063-088)RO 87 8/15/08, 12:15 PM


88
18. (Fuvest-SP) Explique a diferença de 22. (Fuvest-SP) Assinale a alternativa
sentido entre: em que o texto está acentuado cor-
a) Ele invocou o argumento prece- retamente.
Fonologia e ortografia

dente. argumento anterior a) A princípio, metia-me grandes


b) Ele invocou o argumento proce- sustos. Achava que Virgilia era a
dente. argumento que tem fundamento perfeição mesma, um conjunto de
qualidades sólidas e finas, amo-
19. (ESPM-SP) Preencha os espaços
rável, elegante, austera, um mo-
com sessão, seção ou cessão.
dêlo.
“Durante a * parlamentar, uma * do X b) A princípio, metia-me grandes sus-
partido do Governo manifestou-se tos. Achava que Virgília era a per-
contrária à * de terras a imigrantes do feição mesma, um conjunto de
Japão.” sessão, seção, cessão qualidades sólidas e finas, amorá-
20. (FAAP-SP) Justifique a acentuação vel, elegante, austera, um modelo.
dos seguintes vocábulos: i tônico acompa- c) A princípio, metia-me grandes sus-
proparoxítona nhado de -s for- tos. Achava que Virgília era a per-
a) históricos c) país ma hiato com a

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
paroxítona ter- vogal anterior feição mesma, um conjunto de
b) índio minada em di- d) herói ditongo tônico
tongo e aberto ói qualidades solidas e finas, amora-
21. (Acafe-SC) Assinale a alternativa in- vel, elegante, austera, um modêlo.
correta: d) A principio, metia-me grandes sus-
X a) Esôfago, órgão e afôito são pala- tos. Achava que Virgilia era a per-
vras acentuadas graficamente. feição mesma, um conjunto de
b) Bêbado, bálsamo e binóculo são qualidades sólidas e finas, amorá-
proparoxítonas. vel, elegante, austera, um modelo.
c) Exausto, arroio e ofício são palavras e) A princípio, metia-me grandes
trissílabas. sustos. Achava que Virgília era a
d) Lei e lua apresentam ditongo e hia- perfeição mesma, um conjunto de
to, respectivamente. qualidades sólidas e finas, amo-
e) Caminho apresenta sete letras e ravel, elegante, austera, um mo-
seis fonemas. delo.

GT-C3 (063-088)RO 88 8/15/08, 12:15 PM


parte
03

03
Morfologia

Capítulo 4 Estrutura e formação das palavras 90


Capítulo 5 Substantivo 112
Capítulo 6 Adjetivo 136
Capítulo 7 Artigo e numeral 160
Capítulo 8 Pronome 178
Capítulo 9 Verbo (I) 216
Capítulo 10 Verbo (II) 239
Capítulo 11 Advérbio 278
Capítulo 12 Palavras relacionais: preposição e conjunção
Interjeição 295

GT-C4 (089-111)RO 89 8/15/08, 12:16 PM


90
Capítulo 04
Estrutura e formação
das palavras
Morfologia

ESTRUTURA DAS PALAVRAS


Contextualização
Leia a tira a seguir.

© Editora Moderna - Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
HAGAR Dik Browne

INTERCONTINENTAL PRESS
2005 KING FEATURES/
BROWNE, Dik. Hagar, o horrível. In: Folha de S.Paulo, 13 fev. 2004.

No texto, o quadrinista criou humor, ao explorar duas palavras que mantêm


uma semelhança: lado e colaterais. Como Hagar sentia uma dor lateral, o médi-
co tentou diagnosticá-la, relacionando-a aos efeitos colaterais do remédio. O
jogo entre essas palavras ocorre devido à formação e ao significado de ambas.
Quanto à formação, a locução de lado corresponde ao adjetivo lateral
do qual se origina colateral, e que têm um elemento comum: a forma lati-
na latus. Observe que, em relação ao significado, essas palavras referem-
-se a posições marginais que cercam o meio ou o centro de algo. Por ex-
tensão, os efeitos colaterais de um remédio correspondem aos efeitos que
aparecem ao lado ou junto (co + laterais) àqueles desejados. Portanto, o
conhecimento dos elementos formadores de palavras ou dos morfemas
favorece a compreensão do texto.
A seguir, vamos tratar mais detalhadamente desses elementos que cons-
tituem as palavras.

Conceituação
A palavra apresenta em sua estrutura diferentes elementos. As uni-
dades significativas formadoras das palavras chamam-se morfemas
ou elementos mórficos (do grego morphé: forma). Cada um desses

GT-C4 (089-111)RO 90 8/15/08, 12:16 PM


91
elementos de composição mínima e indivisível fornece um significado à
palavra formada.
Se voltarmos à palavra colateral e nos detivermos no morfema co, perce-
bemos que o morfema mudou o significado da palavra, assim como aconte-
ce nas palavras co-seno, co-tangente e cooperar.

Morfologia
Morfemas são as unidades mínimas significativas da palavra.

Concluindo, as palavras podem apresentar em sua estrutura os seguin-


tes elementos mórficos: radical, afixo, desinência, vogal temática, vo-
gal e consoante de ligação. Vejamos caso por caso.
© Editora Moderna - Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Radical
Constitui o elemento estrutural básico da palavra, que expressa seu sig-
nificado e não apresenta variação. Exemplos:
lat-eral co-lat-eral lat-eralidade
O radical dessas palavras está destacado.
As palavras que têm um morfema comum ou um mesmo radical forma-
dor de uma mesma família chamam-se palavras cognatas. Exemplos:
vidr-o vidr-aça vidr-aceiro en-vidr-açar
Há palavras que apresentam somente o radical. Exemplos:
sol voz gol sabor

Afixo
É o elemento que se junta ao radical e forma uma nova palavra com sig-
nificado diferente. Como vimos em colateral, houve o acréscimo do morfe-
ma co, que significa junto, concomitante; e também do morfema al, cuja
ideia é de relação. O afixo anexado antes do radical chama-se prefixo; quando
colocado depois do radical, é chamado de sufixo. O sufixo pode mudar a
classe gramatical a que originalmente pertence o radical.
Veja mais estes exemplos:
des-povoado flor-ista re-avalia-ção simples-mente
prefixo sufixo prefixo sufixo sufixo: mudança de
classe gramatical

Desinência
Esse morfema, que indica as flexões dos nomes e dos verbos, sempre
aparece no final das palavras variáveis, ou seja, que variam na forma (por
exemplo, verbos, substantivos, etc.). As desinências nominais caracterizam

GT-C4 (089-111)RO 91 8/15/08, 12:16 PM


92
as variações dos substantivos, adjetivos e certos pronomes quanto ao gênero
(masculino e feminino) e número (singular e plural). Observe:
filh-a-s médic-o-s
radical desinência desinência radical desinência desinência
de gênero de número de gênero de número
Morfologia

As desinências verbais indicam as variações dos verbos, que são de:


pessoa (primeira, segunda e terceira);
número (singular e plural);
tempo (presente, passado e futuro);
modo (indicativo, subjuntivo e imperativo).

Veja:

© Editora Moderna - Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
pens-a-re-mos
radical desinência desinência
modo-temporal número-pessoal
(futuro do presente do indicativo) (1a pessoa do plural)

Vogal temática
Tem a função de ligar o radical às desinências, além de formar algumas
classes de palavras.
A vogal temática pode ser nominal ou verbal. A verbal indica a
conjugação do verbo: primeira conjugação (vogal a), segunda conjuga-
ção (vogal e) e terceira conjugação (vogal i ). Observe:
brinc-a-m dev-e-ria
radical vogal temática desinência radical vogal temática desinência
(1a conjugação número-pessoal (2a conjugação modo-temporal
verbal) (3a pessoa do plural) verbal) (futuro do pretérito
do indicativo)
fug-i-sse
radical vogal temática desinência
(3a conjugação modo-temporal
verbal) (imperfeito do subjuntivo)

Vogais temáticas nominais são as vogais átonas finais -a, -e, -o que,
unidas a radicais nominais (paroxítonos ou proparoxítonos), se referem a
um substantivo ou adjetivo. Veja os exemplos:
livr-o atraent-e-s
radical vogal temática radical vogal temática desinência
nominal nominal de número

períci-a pianist-a-s
radical vogal temática radical vogal temática desinência
nominal nominal de número

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93
A vogal temática nominal não indica o gênero gramatical, pois pode ocorrer
tanto em palavras de gênero masculino, como de feminino. Exemplos: o
poeta; a corte.
• Atenção
A união do radical com a vogal temática é chamada de tema. Exemplos:

Morfologia
cont-a-s conta assist-i-am assisti
radical vogal desinência tema radical vogal desinência tema
temática temática

A vogal temática nem sempre aparece, por isso existem palavras atemá-
ticas. Se não houver vogal temática, o tema e o radical são iguais. Exemplos:
avis-ei corr-ias dirij-o
© Editora Moderna - Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

radical desinência radical desinência radical desinência


ou tema ou tema ou tema

Vogal e consoante de ligação


São elementos que unem determinados radicais a certos sufixos, para
facilitar ou ainda possibilitar a leitura de determinada palavra. Não repre-
sentam morfemas, já que não têm nenhum significado. Veja os exemplos:
flor-i-cultura pau-l-ada
radical vogal de sufixo radical consoante sufixo
ligação de ligação

gas-ô-metro trico-t-ar
radical vogal de sufixo radical consoante sufixo
ligação de ligação

FORMAÇÃO DAS PALAVRAS


Contextualização
Leia os quadrinhos.
GARFIELD Jim Davis
ATLANTIC SYNDICATION
2005 PAWS, INC. ALL RIGHTS RESERVED/

DAVIS, Jim. Garfield. In: Folha de S.Paulo, 11 nov. 2004.

GT-C4 (089-111)RO 93 8/15/08, 12:16 PM


94
O personagem Garfield é famoso por sua constante preguiça, por isso
quase sempre ele está dormindo.

1. No
Observe os dois primeiros quadrinhos e relacione-os, explicando o que ocorre.
primeiro quadrinho, Garfield percebe que somente seus pés adormeceram; por isso são os pés que começam
a sonhar, no segundo quadrinho, quando então imaginam que estão andando.
2. No terceiro quadrinho, Garfield continua deitado. Por que ele pensa que
Morfologia

seus pés estão sonhantes?


Os pés estão andando, e isso não acontece normalmente, porque Garfield dorme a maior parte do tempo.

3. Que recurso o quadrinista usou para nos sugerir essas ideias?


Houve maior exploração da linguagem visual, com o emprego do balão de pensamento, que mostra ora Garfield
a pensar, ora os pés.
4. A conclusão de Garfield, no último quadrinho, confirma que seus pés
sonham o impossível — fazê-lo andar. Você já se sentiu sonhando com o
improvável? Esclareça sua resposta.
Pessoal.

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Conceituação
Muitas vezes as palavras existentes não expressam integralmente os
sentimentos ou as ideias, por isso são criados novos vocábulos. Observe
que o quadrinista criou uma palavra mais expressiva, no terceiro quadrinho;
o adjetivo sonhante, que se forma como dormente. Sonhante origina-se do
verbo sonhar e recebe o sufixo -nte. A necessidade de comunicação gera
situações como essa da tira; por isso, existem dois processos básicos de
formação de palavras, chamados derivação e composição.

Derivação
Contextualização
Leia o trecho do poema a seguir.

CASO PLUVIOSO
[...]
Não me chovas, maria, mais que o justo
chuvisco de um momento, apenas susto.
Não me inundes de teu líquido plasma,
não sejas tão aquático fantasma!
Eu lhe dizia — em vão — pois que maria
quanto mais eu rogava, mais chovia.
E chuveirando atroz em meu caminho,
o deixava banhado em triste vinho.
[...]
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.

GT-C4 (089-111)RO 94 8/15/08, 12:17 PM


a maria pode representar qualquer mulher (no poema, maria é um substantivo comum) que foi amada e, depois, abando-
nada. Há um sentido genérico ou universal no emprego desse nome.
b Segundo o eu lírico, o motivo pelo qual ela chora (chove) merece apenas um chuvisco (poucas lágrimas), não é grave,
pois foi somente um susto. 95
a) Nos versos iniciais do poema, o eu lírico pede a uma mulher para que
não “chova” tanto. Observe a linguagem figurada do texto, antes de
responder às questões. Na sua opinião, quem seria essa mulher que
o eu lírico chama de Maria? Sugestão: talvez a mulher amada que chora pelo susto ou dor da
separação, já que se trata de um caso pluvioso.
b) No texto, o nome da mulher é escrito em letra minúscula. Por quê? a

Morfologia
c) Na 1a estrofe, por que o eu lírico roga à mulher que não chore? b
d) Na 2a estrofe, o eu lírico passa a suplicar à mulher. Por quê? c
e) Como termina esse caso pluvioso, apesar dos apelos do eu lírico? d
f) No texto, o poeta explorou várias palavras relacionadas a coisas líqui-
das. Identifique-as e explique por quê. e
g) Que palavras dentre essas mencionadas na questão anterior têm o
mesmo radical? Identifique-o. Chuvisco e chuveirando (radical chuv).
c O choro contínuo dela o incomoda, por isso o eu lírico não quer sentir o líquido denso (líquido plasma) de suas lágrimas,
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agora mais intensas; e nem vê-la pálida como uma sombra.


Observe que as palavras chuvisco (diminutivo) e chuveirando originam-
-se do substantivo chuva e são formadas com o acréscimo de sufixos -isco
e -ndo. São, portanto, palavras derivadas, e caracterizam a formação de pa-
lavras por derivação. d Asangue
mulher chora tão copiosamente que suas lágrimas parecem se converter em
e permanecem ao longo da vida do eu lírico, tornando-o infeliz (triste vinho).
e Há o emprego de palavras como: pluvioso, chovas, chuvisco, inundes, líquido plasma, aquático, chuveirando, banhado, vinho.
Sugestão: ele quer enfatizar e sugerir a ideia do quanto Maria chorava, ou seja, o volume líquido de suas lágrimas.
Conceituação
Veja ainda estes exemplos:
água — aguaceiro; aquático; desaguar; desaguadouro
vinho — vinhedo; vinhateiro; vinhoso; vinheiro
Como você observou, novas palavras são formadas pelo processo de de-
rivação, com o acréscimo de sufixos (aguaceiro), de prefixos (desaguar) ou
de prefixos e sufixos (desaguadouro).

Formação de palavras é o conjunto de processos da Morfossintaxe que


permitem a criação de vocábulos novos com base em radicais.

Ocorre derivação quando se forma uma nova palavra (derivada), a partir


de uma palavra primitiva, com o acréscimo de prefixo e/ou sufixo. Esses
afixos muitas vezes modificam o significado da palavra e também a clas-
se gramatical.

Derivação prefixal ou prefixação


Acrescenta-se um prefixo a um radical ou a uma palavra primitiva, cujo
sentido se altera.
incapaz antebraço reeditar vice-diretor premeditar
prefixo prefixo prefixo prefixo prefixo

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Derivação sufixal ou sufixação
Acrescenta-se um sufixo ao radical ou a uma palavra primitiva, que pode
mudar de significado ou de classe gramatical.
furioso pescador fechadura róseo febril corrigível
Morfologia

sufixo sufixo sufixo sufixo sufixo sufixo

Derivação parassintética ou parassíntese


Resulta do acréscimo simultâneo de um prefixo e de um sufixo a um
mesmo radical ou à palavra primitiva. Em geral, as palavras parassintéticas
originam-se de substantivos ou de adjetivos e formam nomes e, sobretudo,
verbos. É importante destacar que, por meio desse processo, se for retirado

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o prefixo ou o sufixo, não restará uma palavra com sentido completo. Veja:
acariciar ensaboar amadurecer esfriar
prefixo sufixo prefixo sufixo prefixo sufixo
prefixo sufixo

Derivação prefixal e sufixal


Acrescenta-se um prefixo e um sufixo a um mesmo radical em sequên-
cia, ou seja, os afixos não são anexados ao mesmo tempo. Mesmo que não
haja o prefixo ou o sufixo, a palavra já apresenta um sentido completo.
obediência dispensável posição igualdade
desobediência indispensável reposição desigualdade
prefixo sufixo prefixo sufixo prefixo sufixo prefixo sufixo

Derivação regressiva
Suprime-se a parte final de uma palavra primitiva e, por meio dessa re-
dução, obtém-se uma palavra derivada. Formam-se principalmente subs-
tantivos a partir de verbos, em geral da primeira e da segunda conjugações.
Por essa razão, esses substantivos são chamados deverbais e expressam
sempre o nome de uma ação. Faz-se a substituição da desinência verbal por
uma das vogais temáticas nominais -a, -e ou -o.
perder — perda (derivada) censurar — censura (derivada)
cortar — corte (derivada) alcançar — alcance (derivada)
apelar — apelo (derivada) afagar — afago (derivada)
Há casos em que é o verbo que se forma a partir do substantivo, quando esse
substantivo representa objeto ou substância e não exprime ação. Portanto, o
verbo constitui a palavra derivada, e o substantivo é a palavra primitiva. Veja:
planta — plantar (derivada)
perfume — perfumar (derivada)
alimento — alimentar (derivada)

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97
Derivação imprópria
Mudança de classe gramatical, sem que haja modificação em sua forma.
Observe:
(A sabedoria) (a justiça)

Morfologia
O sábio e o justo nem sempre se veem lado a lado.
adjetivos com função de substantivos

O Brasil precisa de mais escolas-modelo.


substantivo com função de adjetivo

(a vida)
Com o tempo o viver trouxe-lhe experiências.
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verbo com função de substantivo

(seriamente)
Após entrar na sala, o juiz leu sério a sentença do réu.
adjetivo com função de advérbio

Composição
Contextualização
Leia a charge.
ANGELI

ANGELI. Folha de S.Paulo, 9 jul. 2004.

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a A cena se passa no convés de um luxuoso navio de turismo, onde há pessoas de elevado padrão econômico desfrutan-
do a vida e falando dos pobres que estão muito longe. Com essa imagem, o chargista ressalta a extrema desigualdade
98 entre as classes sociais no Brasil.
a) Descreva o ambiente e as personagens do texto e comente a intenção
do chargista ao caracterizá-las. a
b) Relacione o título da charge às ideias desenvolvidas no texto, obser-
vando o sentido das palavras. b A palavra distância é empregada com um sentido du-
c) Como o chargista enfatiza sua sátira social? plo: separação de classes sociais caracterizada pela
distância física e divisão pelo poder econômico.
Morfologia

d) Na charge, os ricos estão cercados por guarda-costas, que também


pode significar embarcação destinada a defender as águas costeiras.
Associe esse fato às palavras da personagem e exponha suas ideias
sobre as consequências da disparidade social em nosso país. Pessoal.
b O chargista refere-se não só à distância física entre as classes sociais, ao retratar os ricos num navio, mas principal-
mente à enorme distância entre elas quanto ao poder aquisitivo ou econômico.

Conceituação
Observe na charge a palavra guarda-costas. Na sua composição, notam-se

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duas palavras (verbo + substantivo) que se unem para formar uma palavra com-
posta com nova significação. A formação de guarda-costas não se originou de
sufixação ou prefixação, mas sim pela justaposição de dois outros vocábulos.

Ocorre composição quando se unem duas ou mais palavras ou radicais,


para a formação de uma palavra composta, com nova significação.

Composição por justaposição


As palavras ou radicais se unem sem nenhuma alteração fonética ou grá-
fica, ou seja, conservam a mesma pronúncia e escrita, sendo ligados, ou
não, por hífen. Veja alguns exemplos:
passatempo quinta-feira sempre-viva
bumba-meu-boi girassol tique-taque

Composição por aglutinação


As palavras ou radicais fundem-se e ocorre a perda ou a alteração fonológica
na sua forma ou fonética. Observe as modificações nos vocábulos a seguir:
planalto (plano + alto) vinagre (vinho + acre)
embora (em + boa + hora) fidalgo (filho + de + algo)
A composição ocorre também com o uso de radicais que não têm senti-
do independente na língua, geralmente radicais gregos e latinos. As pala-
vras assim formadas chamam-se compostos eruditos. Exemplos:
agricultura alviverde democracia telefone pedagogia
Dentre os componentes eruditos, há os helenismos (radicais gregos) e
os latinismos (radicais latinos), que são considerados, por conveniência,
compostos por aglutinação. Exemplos:
do grego: demagogo — hemisfério do latim: ovíparo — ambidestro

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99
Outros processos de formação
das palavras
Contextualização

Morfologia
Leia a tira.
O MENINO MALUQUINHO Ziraldo

ZIRALDO
© Editora Moderna - Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ZIRALDO, Menino Maluquinho. In: Jornal do Brasil, 4 maio 2004.


O fato de o grupo de alunos brasileiros ser confundido com americanos representa uma ironia do autor, que
critica o uso excessivo de estrangeirismos, principalmente da língua inglesa, em nosso país.
a) No texto, a senhora que recepciona a professora e os alunos no mu-
seu comete um equívoco. Comente a crítica do quadrinista, basean-
do-se nesse fato, na fala e na reação das personagens.
b) Releia os empréstimos linguísticos empregados no segundo quadri-
nho. Que estrangeirismos de uso mais frequente você conhece, e qual a
sua opinião sobre a invasão de termos estrangeiros em nossa língua?
Pessoal. Espera-se que o aluno perceba que há certos estrangeirismos já incorporados ao português devido ao uso
e que deve haver um bom senso na hora de empregá-los, principalmente se já houver um termo similar em vernáculo.
Entre os outros processos de formação de palavras estão os estrangei-
rismos, os hibridismos, as abreviaturas, as onomatopeias, os neologismos,
as siglas e as palavras-valise. A seguir, veremos cada um deles.

Estrangeirismos (empréstimos linguísticos)


Na tira do Menino Maluquinho, ocorrem dois exemplos de estrangeiris-
mos: yes e come on.
Atualmente o inglês norte-americano é a maior fonte de empréstimos
em nossa língua.
Muitas vezes ocorre um aportuguesamento gráfico fonológico das pala-
vras estrangeiras que se incorporam ao idioma, como em xampu, futebol,
abajur, boate. Há casos em que as palavras não se alteram e devem ser
escritas com algum destaque (geralmente itálico): show, shopping, air-bag,
workaholic, check-out.
Os empréstimos linguísticos devem ocorrer apenas quando necessário;
portanto é inaceitável usá-los em excesso.

Estrangeirismos são os empréstimos linguísticos provenientes de línguas


estrangeiras em diferentes épocas.

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100
Hibridismo
Leia o seguinte texto, adaptado de uma propaganda:
“Um grande automóvel não precisa necessariamente ser um auto-
móvel grande”.
Morfologia

A palavra automóvel é composta por dois elementos de origens diferen-


tes: auto, que vem do grego, e móvel, do latim.
Veja esses outros exemplos:
surfista (inglês e grego)
reportagem (inglês e latim)
sociologia (latim e grego)
sambódromo (quimbundo ou umbundo e grego)

© Editora Moderna - Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
O hibridismo ocorre quando há a combinação ou a união de palavras em
cuja formação entram elementos de línguas diferentes.

Abreviação ou redução vocabular


O MUNDO DE TINA

INTERCONTINENTAL PRESS
2005 KING FEATURES/

O Mundo de Tina. Intercontinental Press.

O termo metrô que aparece neste quadrinho é uma abreviação para me-
tropolitano. O fenômeno da abreviação ou redução vocabular é muito co-
mum na língua oral, e mesmo na escrita, por ser mais fácil e rápido. É uma
maneira de economizar tempo.
Leia mais estes exemplos:
psico (por psicologia) otorrino (por otorrinolaringologista)
pneu (por pneumático) moto (por motocicleta)
pornô (por pornográfico)

A abreviação resulta da eliminação de um segmento da palavra para se


obter uma forma mais curta, que tem o mesmo significado da palavra
original.

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