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HORNBERGER, Julia. We need a complicit police! Political policing then and now.

SA Crime
Quartely, nº 48, 2014. p. 17-24.

- casos de violência policial praticados pelo SAPS: assassinato do professor Tatane, assassinato de
34 mineiros numa greve. (p. 17)

- SAP foi criado com o intuito de proteger um governo de partisans e defender interesses de
segmentos muito restritos da sociedade sul-africana (p. 18)

- Policiamento político: explícita proteção de um governo através do uso da inteligência e força


extralegal contra opositores de dentro e de fora do governo. (p. 18)

- SAPS desde a sua criação vem tirando recursos do seu policiamento de “ordem pública” para o
combate à “criminalidade ordinária”. Em 2000, lançamento do National Crome Combating
Strategy, seguido em 2002 do desmantelamento do Public Order Policing (p. 18)

- Isso deixou a polícia despreparada para lidar com uma população crescentemente descontente com
o seu governo.

- No séc XIX, papel da polícia na AfS não era manter a paz mas policiar territórios e suprimir a
resistência interna ao poder colonial. Polícia a serviço das indústrias de mineração, para controlar
seus trabalhadores. A partir de 1910, com a União, sistema de polícia ganha duas forças: a SAP para
as cidades, com sede em Pretória e a South African Mounted Riflemen para o campo e para o
controle das rivalidades intertribais. A SAMR foi absorvida pelo SAP após a 2ª Guerra. (p. 19)

- SAP sempre foi marcada pela violência no tocante ao controle de multidões. Mortes tanto de
Africaners brancos mas principalmente de negros. A violência policial foi reproduzida ao longo dos
anos com diferentes variações, forças e proporções. Isso culmina nos anos 1980 com uma polícia
altamente militarizada que não consegue combater a criminalidade ordinária e somente os distúrbios
sociais. É uma polícia fundamentalmente política (p. 20)

- A falta de segurança já é algo normalizado entre os sul-africanos, o que leva também à


normalização de formas altamente autoritárias e imediatas de punição. (p. 20)

- Ambiguidade quanto ao uso da força pelo Estado, que pode ser compreendida como a tentativa de
estabelecer formas de relacionamento privado com o Estado. Expectativa é que o Estado intervenha
sobre alguém (sem ser particularmente constrangido pelo respeito aos direitos humanos) em favor
de outra pessoa. (p. 20)

- percepção da ação policial como algo que não somente não resolve os problemas, ou mesmo
consegue administrar os conflitos, como como algo que piora a situação ainda mais. Violência dos
protestos, por exemplo, enquanto vetor de resposta à violência policial. (p. 21)

- visão homogeneizante sobre as manifestações. Tem pessoas pacíficas e pessoas que buscam a
instrumentalização da violência. (p. 22)

- Julia argumenta que a polícia deve se comportar estando ao lado dos manifestantes. Exemplo da
etnografia na Inglaterra: “nós queremos destruir o capitalismo”, o que o superintendente da polícia
respondeu: “E como nós podemos ajudá-los?”. (p. 22) Aí já é demais Julia….. eu não posso perder
essa concepção crítica sobre qual o papel da polícia dentro do Estado Moderno, ainda mais em
sociedades de periferia como as nossas.

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