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Excelentíssim

Oresto Soares da Cunha, solteiro, patrulheiro rodoviário, com RG_____,


com CPF_____, residente e domiciliado____; e Érico Henrique Reis Farias
Silva, solteiro, estudante de direito, com RG 1.970.001, com CPF 041.529.623-
59, residente e domiciliado na Rua Lemos Cunha, nº 1280, bairro Ininga, CEP
64.049-600, cidade Teresina, estado Piauí;
e
Vêm respeitosamente a presença de Vossa Excelência propor a presente
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS C/C DANOS MORAIS
em face de Fundação dos Esportes do Piauí e da Federação Piauiense de
Futebol de Salão.

I DOS FATOS
1.1 Os autores adquiriram em 31 de janeiro do corrente ano, cinco ingressos
para assistirem à partida de futebol de salão (conforme documento em anexo),
a ser realizada na mesma data, entre a seleção brasileira e a seleção
piauiense. Evento que entrou para a história do esporte local.
1.2 Ansiosos por presenciar um espetáculo não visto no Piauí desde 16 de
outubro de 1996, quando a seleção de futebol esteve no Piauí, os autores
adquiriram uniformes da seleção brasileira e compareceram ao Ginásio
Governador Dirceu Arcoverde, com antecedência, quando não foram
surpreendidos pela impossibilidade de ingressar no recinto.
1.3 Por conta de superlotação nos portões externos, ninguém entrava no
Ginásio. Havendo ainda superlotação entre os portões e as arquibancadas,
assim como, superlotação nas arquibancadas, assim como pessoas
dependuradas (conforme documento anexo).
1.4 Milhares de torcedores voltaram com ingressos sem assistir à partida.
II FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA
2.1 DO DANO
Dano, no âmbito jurídico, deve ser entendido como a lesão a um direito
que foi suportada por pessoa, física ou jurídica, em razão da ação ou mesmo
da omissão de outra pessoa, física ou jurídica. Não apenas quanto ao
incumprimento obrigacional existem os danos. Sobretudo, aparecem nas
ofensas à lei, na generalidade dos atos ilícitos.
Além de prevista a reparação no art. 5º, V e X, da Constituição, a
reparação está prevista também na seara das relações de consumo, tuteladas
pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), in verbis:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:


VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e
morais, individuais, coletivos e difusos;
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com
vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e
morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção
Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;
Com efeito, o Código Civil disciplina em seu art. 927, que aquele que
comete ato ilícito contra outrem, fica obrigado a repará-lo. Nesse sentido, resta
evidente que a venda de ingressos além da capacidade do Estádio é ato ilícito
em conformidade com os arts. 186 e 187 do mesmo diploma, além das
previsões do Estatuto do Torcedor, in verbis:
(copiar do Oresto)

2.1.1 DO DANO PATRIMONIAL EMERGENTE


Os autores tiveram os patrimônios lesados na medida em que
compraram ingressos para assistirem a partida de futsal, porém, por culpa dos
prestadores de serviço foram impossibilitados de se quer entrar no Estádio.
Isso porque os prestadores de serviço, ora demandados, venderam ou
permitiram entrada de torcedores em número maior do que o suportado para o
Estádio. Causando inclusive, risco para a própria segurança dos ali presentes,
tanto para os que presenciaram, quanto para aqueles que não conseguiram
entrar no Estádio.
O verdadeiro conceito de dano patrimonial contém em si dois elementos,
a saber: damnum emergens e lucrum cessans, conforme inteligência do art.
403 do Código Civil. O dano emergente se verifica com a perda sofrida, ou
seja, a perda ou diminuição que o patrimônio do consumidor sofreu decorrente
de uma infração de um dever legal ou contratual por parte do prestador de
serviços.
Considerando que os ingressos custavam R$ 15,00 (conforme
documento em anexo) a unidade, conclui-se que o dano patrimonial foi de R$
75,00. Devendo ser atualizado segundo índices oficiais, conforme art. 389 do
Código Civil, e aplicado os juros moratórios legais, em consonância com arts.
406 e 407 do Código Civil, in verbis:
Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por
perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo
índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de
advogado.

Art. 406. Quando os juros moratórios não forem


convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando
provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a
taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de
impostos devidos à Fazenda Nacional.

Art. 407. Ainda que se não alegue prejuízo, é obrigado o


devedor aos juros da mora que se contarão assim às dívidas
em dinheiro, como às prestações de outra natureza, uma vez
que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial,
arbitramento, ou acordo entre as partes.

2.1.2 DOS DANOS MORAIS


“Dano moral, à luz da Constituição vigente, nada mais é do que violação
do direito à dignidade. E foi justamente por considerar a inviolabilidade da
intimidade, da privacida, da honra e da imagem corolário do direito à dignidade,
que a Constituição inseriu, em seu art. 5º, V e X, a plena reparação do dano
moral. Está é pois, a nova perspectiva constitucional pela qual deve ser
examinado o dano moral, que já começou a ser assimilado pelo Judiciário... (...)
Enquanto o dano material atinge o patrimônio, o dano moral atinge a pessoa.
Este último é a reação psicológica que a pessoa experimenta, em razão de
uma agressão a um bem integrante de sua personalidade, causando-lhe
vexame, sofrimento, humilhação e outras dores do espírito” (CAVALIERI
FILHO,Sérgio; DIREITO, Carlos Alberto Menezes. In: TEIXEIRA, Sálvio de
Figueiredo (Coord.). Comentários ao novo Código Civil. V. XIII. Rio de Janeiro:
Forense, 2004, p. 101-102)
Não resta dúvida do esforço dos autores ao enfrentarem exaustiva fila
para a compra de ingressos, assim como a expectativa de presenciar a
atuação da seleção brasileira, hexacampeã mundial, e do jogador Falcão,
considerado por três vezes o melhor jogador do mundo. Oportunidade única no
Estado do Piauí que carece de eventos culturais e esportivos de qualidade.
Importante frisar que não se tratava de uma partida qualquer, pelo
contrário, tratava-se da partida ímpar por contar com a seleção hexacampeã
mundial e com o jogador que por três vezes foi melhor do mundo. Ademais,
considerando o Estado do Piauí, carecedor de espetáculos e atrações culturais
e esportivas de qualidade, essa partida mostra-se muito mais especial,
diferenciada, além de única para os moradores desse Estado dificilmente terão
outra oportunidade de presenciarem a seleção.
Em consonância com o princípio da intangibilidade da dignidade da
pessoa humana, princípio máximo de nossa constituição, acrescenta-se ainda
o sofrimento e humilhação de ir ao Estádio para presenciar unicamente a
superlotação que impossibilitou a entrada de milhares de torcedores. Não
bastasse, acrescenta-se que por conta da superlotação, o grupamento de
policiais presentes se mostrava muito aquém do necessário para garantias
mínimas de segurança e proteção dos torcedores.
Para a configuração da responsabilidade civil pressupõe-se a existência
dos seguintes pressupostos: a) dano suportado pela vítima; b) culpa ou dolo do
agente; c) nexo de causalidade entre o ato ilícito e o dano.
Culpa, no sentido jurídico, é a omissão da cautela, que as circunstâncias
exigiam do agente, para que sua conduta, num momento dado, não viesse a
criar uma situação de risco e, finalmente, não gerasse dano previsível a
outrem. Ocorre que os fornecedores venderam mais ingressos do que o
permitido ou permitiram a entrada de mais pessoas do que o comportado.
“Não há falar em prova do dano moral, mas sim, na prova do fato que
gerou a dor, o sofrimento, sentimentos íntimos que o ensejam. Provado assim o
fato, impõe-se a condenação, sob pena de violação ao art. 334 do Código de
Processo Civil” (Brasil, Superior Tribunal de Justiça. Civil. REsp. 86.271/SP.
Terceira Turma. Relator Min. Carlos Alberto Menezes Direito. Brasília, DF,
10.11.1997)
Por fim, resta comprovado o nexo de causalidade entre o ato ilícito dos
réus e os danos já expostos. Frisando que os danos morais são aqueles
“ocorridos na esfera da subjetividade, ou no plano valorativo da pessoa e da
sociedade, alcançando os aspectos mais íntimos da personalidade humana ('o
da intimidade e da consideração pessoal’), ou o da própria valoração da
pessoa no meio em que vive e atua (‘o da reputação ou da consideração
social'). Derivam, portanto, de 'práticas atentatórias à personalidade humana'
(STJ, 3ª Turma, voto do Relator EDUARDO RIBEIRO, no REsp 4.236, in
BUSSADA, Súmulas do STJ, São Paulo, Jurídica Brasileira, 1995, p. 680).
Traduzem-se em 'um sentimento de pesar íntimo da pessoa ofendida' (STF, RE
69.754/SP, RT 485/230), capaz de gerar 'alterações psíquicas' ou 'prejuízos à
parte social ou afetiva do patrimônio moral' do ofendido (STF, RE 116.381-RJ,
BUSSADA, ob. cit., p. 687)" (Humberto Theodoro Júnior, Dano moral, Oliveira
Mendes, 1998, 1ª ed., p. 2-3).
Quanto ao justo quantum indenizatório a doutrina assevera:

A vítima de uma lesão a algum daqueles direito sem cunho


patrimonial efetivo, mas ofendida em um bem jurídico que em
certos casos pode ser mesmo mais valioso do que os
integrantes do seu patrimônio, deve receber uma soma que lhe
compense a dor ou sofrimento, a ser arbitrada pelo juiz,
atendendo às circunstâncias de cada caso, e tendo em vista as
posses do ofensor e a situação pessoal do ofendido. Nem tão
grande que se converta em fonte de enriquecimento, nem tão
pequena que se torne inexpressiva (PEREIRA, Caio Mário da
Silva. Responsabilidade Civil n° 45, pág 67, Rio de Janeiro,
1989)

O juiz, ao valorar o dano moral, deve arbitrar uma quantia que,


de acordo com o seu prudente arbítrio, seja compatível com a
reprovabilidade da conduta ilícita, a intensidade e duração do
sofrimento experimentado pela vítima, a capacidade econômica
do causador do dano, as condições sociais do ofendido e
outras circunstâncias mais que se fizerem presentes.
(CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de Responsabilidade
Civil, 2ª edição, Editora Malheiros, p. 81/82)

indenizabilidade do dano moral desempenha uma função


tríplice: reparar, punir, admoestar ou prevenir (CAHALI, Yussef
Said. Dano Moral. 2. ed. São Paulo: RT, 1998. P. 175)

a dosagem e mensuração da indenização por dano moral, é


incumbência do magistrado, que agindo com equidade,
correição e parcimônia, dará tratamento justo à matéria,
considerando, para o quantum, a posição social, política, grau
de escolaridade das partes, a intensidade do ânimo de ofender
e da culpa, a gravidade e a repercussão da ofensa, o prejuízo
sofrido pela vítima e os demais fatores concorrentes para a
fixação do dano, baseando-se para tanto, nos arts. 1.537 a
1.553 do Código Civil. (MICHELLAZZO, Busa Mackenzie. Do
Dano Moral: teoria, legislação, jurisprudência e prática. V. 1. 4.
ed. São Paulo: Lawbook, 2000, p. 34)
Do exposto, conclui-se que dentre outros critérios adotados e analisado
para mensurar o quantum indenizatório deve-se avaliar:
a) Se já não bastasse a perda da chance de assistir excelente
partida que foi comentada por semanas, antes e após o jogo. Não
tratava-se de uma partida qualquer, pelo contrário, tratava-se de
partida ímpar, visto que a seleção hexacampeã mundial e do jogador
que por três vezes melhor do mundo atuariam. Mais importante e
especial ainda se se considerar que o Estado do Piauí é carecedor
de espetáculos e atrações culturais e esportivas de qualidade, além
de ser oportunidade única para os moradores desse Estado que
dificilmente terão outra oportunidade de presenciarem a seleção;
b) As dificuldades e humilhação diante da impossibilidade de
entrar no Estádio superlotado, que foi decorrente de venda excessiva
ou da permissão da entrada excessiva de torcedores;
c) A insegurança causada pelo baixo contingente de policiais,
se comparado com o número de torcedores que estava presentes
com ingressos dentro e fora do Ginásio.
d) O quantum indenizatório deve coibir os réus de praticarem
atos abusivos contra o consumidor, como o presenciado com a venda
excessiva ou entrada excessiva de torcedores.
e) O padrão econômico das partes rés, visto que a
indenização, segundo CAHALI, acima transcrito, tem função tríplice,
a saber: reparar, punir, admoestar ou prevenir.

2.2 DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA


A luta pela proteção dos direitos dos consumidores insere-se como um
micro-tema dos direitos humanos. A qualidade de vida, a segurança e a saúde
física e mental do homem é o objetivo a ser alcançado. Ao Estado cabe
garantir a efetividade do princípio da igualdade, bem como assegurar os meios
para que os direitos do indivíduo e da coletividade se tornem efetivos. A Lei n.
8.078, de 11 de setembro de 1990 contém princípios especiais voltados para a
regulação de todas as relações de consumo, e que para a sociedade
contemporânea, que é uma sociedade de produção e de consumo de massa, é
imprescindível, porque tais regramentos servem para assegurar o necessário
equilíbrio das relações de consumo e garantir uma prestação jurisdicional justa.
O Código do Consumidor prevê a inversão do ônus da prova em favor do
consumidor como uma forma de facilitar a sua defesa no processo desde que
estejam presentes determinadas condições. A inversão do ônus da prova é
uma facilitação dos direitos do consumidor e se justifica como uma norma
dentre tantas outras previstas no CDC para garantir o equilíbrio da relação de
consumo, face a reconhecida vulnerabilidade do consumidor.
Na presente lide aplica-se o Código de Defesa do Consumidor por tratar-
se de relação de consumo, em consonância com o mesmo diploma normativo:

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire


ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.

Art. 3º. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou


privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes
despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção,
montagem, criação, construção, transformação, importação,
exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou
prestações de serviços.
[...]
§ 2º Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de
consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza
bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as
decorrentes das relações de caráter trabalhista.

Ademais, destaca-se que a responsabilidade do prestador de serviços,


que versa:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde,


independentemente da existência de culpa, pela reparação dos
danos causados aos consumidores por defeitos relativos à
prestação dos serviços, bem como por informações
insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança
que o consumidor dele pode esperar, levando-se em
consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:
        I - o modo de seu fornecimento;
        II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se
esperam;
        III - a época em que foi fornecido.

Com esse postulado, o CDC consegue abarcar todos os fornecedores


de serviços – sejam eles pessoas físicas ou jurídicas – ficando evidente que
devem responder por quaisquer espécies de danos porventura causados aos
seus tomadores.
Com isso, fica espontâneo o vislumbre da responsabilização dos réus,
visto que tratam-se de fornecedores de serviços que, independentemente de
culpa, causou danos efetivos a alguns de seus consumidores.
Percebe-se, outrossim, que os autores devem ser beneficiados pela
inversão do ônus da prova, pelo que reza o inciso VIII do artigo 6º, também do
CDC, uma vez que a narrativa dos fatos, assim como a reportagem presente
nos documentos anexos, dão verossimilhança ao pedido do autor. Versa o
dispositivo elencado no Código de Defesa do Consumidor, a saber:

Art. 6º. São direitos básicos do consumidor:


VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a
inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil,
quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando
for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiências;
A fim de ratificar tal verossimililhança, ademais, é apropositado lembrar
que os autores possuem, por tudo que já foi visto, respaldo jurídico em duas
leis vigentes em nosso Ordenamento, a saber: a Lei nº 8.078, de 11 de
setembro de 1990 (C.D.C.) e a Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (C.C.) -
ficando evidente a pertinência do pedido de reparação por danos morais por
ele sofridos.
No caso ora debatido, o autor deve realmente receber a supracitada
inversão, visto que se encontra, outrossim, em estado de hipossuficiência, uma
vez que disputa a lide com fundações, que possuem maior facilidade em
produzir as provas necessárias para o cognição do excelentíssimo magistrado.

2.3 ARBITRAMENTO DO VALOR DOS DANOS MORAIS


Não se enquadrando a ação detonada nos parâmetros gizados no art.
259, do CPC e sendo impossível estabelecer-se a priori o conteúdo econômico
imediato do pedido formulado. A doutrina assevera:

[...] mas essa regra tem sido abrandada no que se refere ao


quantum indenizatório pretendido, com o asserto de que não
resulta em inépcia da inicial o pedido genérico de indenização
para reparação do dano moral, vez que seu valor é fixado pelo
prudente arbítrio do juiz da causa". "Inexistentes parâmetros
legais para o arbitramento do valor da reparação do dano
moral, a sua fixação se faz mediante arbitramento, nos termos
do art. 1.553 do CC." (CAHALI, Yussef Said, in DANO MORAL.
2ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1998. p. 701 e 705)
O STJ já se posicionou de forma bastante clara sobre a questão:
"Admite-se o pedido genérico na ação de indenização por dano moral (STJ - 3ª
Turma, Resp. 125.417-RJ, rel. Min. Eduardo Ribeiro, j. 26.06.97, não
conheceram, v.u., DJU 18.08.97, p. 37867)." (NEGRÃO, Theotonio. Código de
Processo Civil. 30ª ed. Saraiva: 1999, p. 353, nota 4a art. 286)
No mesmo diapasão, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina profere
seu entendimento in verbis:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA
CUMULADA COM DANOS MORAIS. VALOR DA CAUSA
CORRIGIDO DE OFÍCIO PELO MAGISTRADO.
IMPOSSIBILIDADE IN CASU, DIANTE DA INCIDÊNCIA DO
ART. 258 DO CPC. RECURSO DESPROVIDO.
Nos moldes do art. 258 do CPC, a toda causa será atribuída
um valor certo, ainda que não tenha conteúdo econômico
imediato, tal como ocorre nas ações de indenização por dano
moral, em que o juiz pode arbitrar o quantum indenizatório
segundo seu prudente arbítrio.
Destarte, é vedado ao magistrado, em tais casos, corrigir de
ofício o valor da causa, ato que lhe é permitido somente nos
casos em que a lei impõe, taxativamente, um parâmetro
determinado para o valor da demanda. (Agravo de Instrumento
n. 00.002005-2, Primeira Câmara Civil, Tribunal de Justiça de
Santa Catarina, Relator Desembargador Carlos Prudêncio.
Origem: comarca de Balneário Camboriú)

III DO PEDIDO
Diante do exposto, requer a Vossa Excelência que se digne de:
a) Julgar totalmente procedente a presente Ação de Indenização por
danos materiais c/c danos morais;

b) Condenar o réu ao pagamento de verba indenizatória de R$ 75,00,


referente aos danos materiais, aplicando correção monetária e os
juros moratórios legais;

c) Condenar os réus ao pagamento de verba indenizatória


correspondente ao dano moral a ser arbitrado pelo MM Juiz de
Direito;

d) Conceder a inversão do ônus da prova para a parte autora em razão


de sua hipossuficiência, em conformidade com o Código de Defesa
do Consumidor,

e) Citar os réus, em endereços declinados no preâmbulo da presente


peça, para querendo, apresentar contestação, sob pena de revelia e
confissão quanto à matéria de fato, de acordo com os arts. 285 e 319
do Código de Processo Civil.

f) Pedir todas as provas por direito admitido


Valor da causa:

Nestes termos, pede deferimento.

Teresina, de fevereiro de 2012.

ASSINATURA

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