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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

SUMÁRIO

DIREITO CONSTITUCIONAL.............................................................................................................................4

DIREITO ADMINISTRATIVO...........................................................................................................................86

DIREITO ELEITORAL ....................................................................................................................................226

DIREITO FINANCEIRO .................................................................................................................................171

DIREITO TRIBUTÁRIO..................................................................................................................................191

GRUPO DIREITO CONSTITUCIONAL,

ADMINISTRATIVO, FINANCEIRO, TRIBUTÁRIO E ELEITORAL1,2

1
Por Ketlin Borges
2
Material elaborado em consulta aos seguintes autores:

Constitucional: LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, 2020. MASSON, Nathalia. Direito Constitucional.
2020. Nas nossas FUCS e também no site do Dizer o Direito.

Administrativo: MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo, 2018. CARVALHO, Matheus. Manual de Direito
Administrativo. 2021. Nas nossas FUCS e também no site do Dizer o Direito.

Financeiro: VILELA, Danilo Vieira. Direito Financeiro, 2018. LEITE, Harrison. Manual de Direito Financeiro. 2020. . Nas nossas
FUCS e também no site do Dizer o Direito.

Tributário: ROCHA, Roberval. Direito Tributário, 2018. SABBAG, Eduardo. Direito Tributário Essencial. 2020. Nas nossas
FUCS e também no site do Dizer o Direito.

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NÃO FAÇA A PROVA SEM SABER MPMG | PARTE I

Fala pessoal! Preparados para a nossa primeira parte do NFPSS.? Antes de iniciarmos, vamos #STALKEAR a
Banca Examinadora.

Examinador O que sabemos?

Iraídes de Oliveira É procuradora de Justiça.


Marques (titular);
Nos anos de 2015 e 2016 foi Membro da Câmara de Procuradores de Justiça.

Já participou da Banca Examinadora em 2017 (lembram da questão do Estado


Vampiro?)

Renato Froes Alves É promotor de Justiça.


Ferreira (titular);
Tem alguns artigos: Aspectos práticos da aplicação da lei de lavagem de
dinheiro por parte do MP.3

Em 2017 participou do Seminário Cira, em que se discutiam as experiências


no combate à sonegação fiscal.

Participou da operação PHARMACON. Nessa operação investigavam a


suspeita de sonegação fiscal (burlavam o fisco, possibilitando o recolhimento
a menor do ICMS).

Participou da Comissão Permanente de Revisão e Simplificação da Legislação


Tributária do Estado de Minas Gerais. Foi membro da Subcomissão III –
Política de Prevenção da Sonegação e da Fraude.

Fábio Reis de Nazareth Possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora(2002)
(Suplente) e especialização em Especialização em Ministério Público e
Neoconstitucionalismo pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais
(2018). Atualmente é professor da IESC e Promotor de Justiça do Ministério
Público do Estado de Minas Gerais. Tem experiência na área de Direito.

Tem artigos sobre improbidade administrativa por frustração à ilicitude no


processo licitatório; sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

Vamos fazer um combinado, caso vocês não consigam ler todo nosso NFPSS, procure pelas #APOSTACICLOS,
assim verão os temas que têm maior incidência de cair na sua prova objetiva.

Eleitoral: ZILIO, Rodrigo Lópes. Direito Eleitoral,2020. Nas nossas FUCS e também no site do Dizer o Direito.
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http://p-web01.mp.rj.gov.br/Arquivos/LivroCNPG_8ago.pdf

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Outra coisa pessoal, esse arquivo é uma revisão de #APOSTASCICLOS, não tem a pretensão de esgotar todos os
pontos do edital, apenas de trazer itens que os professores do ciclos acreditam ser a cara da Banca Examinadora,
e que, de tal modo, podem estar na prova objetiva de vocês. Então, vamos começar!

Direito Constitucional

Fala pessoal!
Você conseguirá fazer uma super revisão, e todas as informações importantes estarão frescas na sua memória.
Caso, e somente caso, você não tenha tempo de ler todo o NFPSS procure pela #APOSTACICLOS, e você
encontrará os pontos do edital que são a cara da Banca Examinadora. Vamos lá?

Ponto 1. Teoria Geral do Estado. Indivíduo, sociedade, nação, cidadão, estado e governo. Conceito filosófico,
sociológico e jurídico de Estado. Fundamentos e funções do Estado. Formas de governo. Formas de estado.
Sistemas de governo. Sistemas de estado. Democracia. Conceito. Classificações. Evolução histórica do Estado
de Direito. Fundamentos do estado brasileiro. Objetivo e diretrizes.

Ponto 9. Organização do Estado. Federalismo brasileiro. Repartição de competências administrativa e


normativa. Repartição de bens. Organização da União, dos Estados-Membros, do Distrito Federal e dos
Municípios. Organização dos Poderes. Teoria geral da separação dos poderes. Poder Legislativo. Poder
Executivo. Poder Judiciário. Funções Essenciais à Justiça 10. Defesa do Estado e das Instituições democráticas.
Estado de defesa e estado de sítio. Forças Armadas e a Segurança Pública. Evolução das formas estatais pré-
modernas.

#APOSTACICLOS

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ESTADO.


Lênio Luiz Streck e José Luiz Bolzan de Morais trazem em seu livro4 a transição das formas estatais pré-modernas.
Vejamos, resumidamente:

#TABELALOVERS

Oriental ou Teocrático Pólis Grega Civilitas Romana Outras formas estatais


da Antiguidade

É uma forma estatal Pólis Grega: Assentada em: Que tinham as seguintes
definida entre as antigas caracterizada como: características:
civilizações do Oriente a) base familiar de
ou do Mediterrâneo, a) cidades-Estado, ou organização; a) não eram Estados
onde a família, a religião, seja, a pólis como nacionais, ou seja, o
sociedade política de b) noção de povo povo não estava ainda
o Estado e a organização
maior expressão, restrita, compreendendo ligado por tradições,
econômica formavam
visando ao ideal da faixa estreita da lembranças, costumes,
um conjunto confuso,
autossuficiência; população; língua e cultura, mas por

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STRECK, Luiz Lenio. Morais, José Luis Bolzan de. Ciência Política e Teoria do Estado. 8ª Edição Revista e atualizada.

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sem diferenciação b) uma elite (classe c) magistrados como produtos de guerras e
aparente. política) com intensa governantes superiores. conquistas;
participação nas
Características decisões do Estado nos b) modelo social
fundamentais: assuntos públicos. baseado na separação
rígida das classes e no
a) a natureza unitária, sistema de castas;
inexistindo qualquer
divisão interior, nem c) governos marcados
territorial, nem de pela autocracia ou por
funções; monarquias despóticas e
o caráter autoritário e
b) a religiosidade, onde a teocrático do poder
autoridade do político;
governante e as normas
de comportamento eram d) sistema econômico
tidas como expressão de (produção rural e
um poder divino, mercantil) baseado na
demonstrando a estreita escravidão;
relação
Estado/divindade. e) profunda influência
religiosa.

DO ESTADO DE DIREITO.
O Estado de Direito emerge como uma construção própria à segunda metade do século XIX, nascendo na
Alemanha – como Rechtstaat – e, posteriormente, sendo incorporado à doutrina francesa, em ambos como um
debate apropriado pelos juristas e vinculado a uma percepção de hierarquia das regras jurídicas, com o objetivo
de enquadrar e limitar o poder do Estado pelo Direito. O devir histórico, entretanto, recupera tal conceito,
assumindo o Direito como um ponto de referência estável e aprofundando o modelo através de seu conteúdo,
fazendo suplantar a ideia de Estado de Direito como de uma pura legalidade.5

O Estado de Direito surge desde logo como o Estado que, nas suas relações com os indivíduos, submete-se a um
regime de direito, quando, então, a atividade estatal apenas pode desenvolver-se utilizando um instrumental
regulado e autorizado pela ordem jurídica, assim como, os indivíduos – cidadãos – têm a seu dispor mecanismos
jurídicos aptos a salvaguardar-lhes de uma ação abusiva do Estado.

A ideia de Estado de Direito carrega em si a prescrição da supremacia da lei sobre a autoridade pública. Na sua
origem germânica, está embasada na autolimitação do Estado pelo Direito, pois é o Estado a única fonte deste,
atribuindo-lhe força coercitiva, e é o Direito criação daquele.

Porém o Estado de Direito não se apresenta apenas sob uma forma jurídica calcada na hierarquia das leis, ou
seja, ele não está limitado apenas a uma concepção formal de ordem jurídica, mas, também, a um conjunto de
direitos fundamentais próprios de uma determinada tradição.

#EXAMINADOR AMA

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STRECK, Luiz Lenio. Morais, José Luis Bolzan de. Ciência Política e Teoria do Estado. 8ª Edição Revista e atualizada.

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Do Estado Liberal de Direito6 Do Estado Social Do Estado Democrático De Direito
de Direito

Pode-se apontar como Com o Estado Com efeito, são princípios do Estado Democrático
características deste tipo de Estado Social de Direito, de Direito:
de Direito: projeta-se um
modelo no qual o A - Constitucionalidade: vinculação do Estado
A - Separação entre Estado e bem-estar e o Democrático de Direito a uma Constituição como
Sociedade Civil mediada pelo desenvolvimento instrumento básico de garantia jurídica;
Direito, este visto como ideal de social pautam as
justiça; B - Organização Democrática da Sociedade;
ações do ente
público. C - Sistema de direitos fundamentais individuais e
B - Garantia das liberdades
individuais; os direitos do homem coletivos, seja como Estado de distância, porque os
aparecendo como mediadores das direitos fundamentais asseguram ao homem uma
relações entre os indivíduos e o autonomia perante os poderes públicos, seja como
Estado; um Estado antropologicamente amigo, pois
respeita a dignidade da pessoa humana e
C - A democracia surge vinculada ao empenha-se na defesa e garantia da liberdade, da
ideário da soberania da nação justiça e da solidariedade;
produzido pela Revolução Francesa,
implicando a aceitação da origem D - Justiça Social como mecanismos corretivos das
consensual do Estado, o que aponta desigualdades;
para a ideia de representação,
E - Igualdade não apenas como possibilidade
posteriormente matizada por
formal, mas, também, como articulação de uma
mecanismos de democracia
sociedade justa;
semidireta – referendum e
plebiscito – bem como pela F - Divisão de Poderes ou de Funções;
imposição de um controle
hierárquico da produção legislativa G - Legalidade, que aparece como medida do
através do controle de direito, isto é, através de um meio de ordenação
constitucionalidade; racional, vinculativamente prescritivo, de regras,
formas e procedimentos que excluem o arbítrio e a
D - O Estado tem um papel prepotência;
reduzido, apresentando-se como
Estado Mínimo, assegurando, H - Segurança e Certeza Jurídicas. Assim, o Estado
assim, a liberdade de atuação dos Democrático de Direito teria a característica de
indivíduos. ultrapassar não só a formulação do Estado Liberal
de Direito, como também a do Estado Social de
Direito – vinculado ao Welfare state neocapitalista
–, impondo à ordem jurídica e à atividade estatal
um conteúdo utópico de transformação da
realidade.

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STRECK, Luiz Lenio. Morais, José Luis Bolzan de. Ciência Política e Teoria do Estado. 8ª Edição Revista e atualizada.

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Dito de outro modo, o Estado Democrático é plus
normativo em relação às formulações anteriores.7

DEMOCRACIA E DEMAIS REGIMES POLÍTICOS

Apesar de ser difícil de conceituar, pode-se afirmar que a democracia é a única sociedade e o único regime
político que considera o conflito legítimo, uma vez que não só trabalha politicamente os conflitos de necessidade
e de interesses, como também procura instituí-los como direitos e, como tais, exige que sejam reconhecidos e
respeitados.

Veja a diferença entre democracia e autocracia:

DEMOCRACIA AUTOCRACIA

A soberania é da titularidade do povo, de forma A estruturação de governo ocorre "de cima para baixo",
que o governo é organizado "de baixo para cima", privilegiando-se a soberania do governante, ou seja, o
conforme a vontade popular.8 princípio do chefe.

Nos regimes democráticos, o poder político é Segundo MARCELLO CAETANO, autocrático é aquele
concedido pelo Estado à parcela de indivíduos que regime em que o poder político (incluindo o poder
constituem o "povo". Enfim, a democracia pode constituinte) é exercido em nome próprio, por uma
ser sucintamente definida como o processo de pessoa ou por um grupo social (classe, casta, partido ou
convivência social em que o poder emana do povo corporação).
e há de ser exercido, direta ou indiretamente, pelo
povo e em proveito do povo.

A democracia pode ser:

a) Direta: é o povo que exerce, ele próprio, as funções do Estado, sem intermediação de representantes.
Tipo de regime antigamente praticado em Atenas, mas que resta inviabilizado nos dias atuais em razão do
crescimento do número de pessoas aos quais se concede cidadania;
b) Semidireta: embora o poder pertença ao povo, este outorga funções de governo a representantes
previamente eleitos;
c) Indireta: regime misto, em que mecanismos da democracia indireta convivem com exemplos de
participação direta do povo, tais como o plebiscito, o referendo, e a iniciativa popular em matéria de projetos
legislativos.

7
STRECK, Luiz Lenio. Morais, José Luis Bolzan de. Ciência Política e Teoria do Estado. 8ª Edição Revista e atualizada

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BERNARDES, Juliano Taveira; Ferreira, Olavo Augusto Vianna Alves. Direito Constitucional, Tomo I – Sinopses para
concursos, 2015.

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Conceito e Elementos de Estado.

#EXAMINADORAMA

Dalmo de Abreu Dallari define Estado como “a ordem jurídica soberana que tem por fim o bem comum de um
povo situado em determinado território. Nesse conceito se acham presentes todos os elementos que compõem
o Estado, e só esses elementos. A noção de poder está implícita na de soberania, que, no entanto, é referida
como característica da própria ordem jurídica. A politicidade do Estado é afirmada na referência expressa ao
bem comum, com a vinculação deste a um certo povo e, finalmente, a territorialidade, limitadora da ação
jurídica e política do Estado, está presente na menção a determinado território”9

a) Território: Locus sobre o qual será fixado o elemento humano e terá lugar o exercício do poder e aplicação
do ordenamento jurídico-positivo estatal. Para Ivo Dantas, o território é a parte do globo em que certo governo
pode exercer o seu poder de constrangimento, organizar e fazer funcionar os diversos serviços público, por isso,
ao elemento território agrega-se à noção soberania, pois é nos seus limites que ela poderá ser exercida na
plenitude, inclusive como limitação à ação externa.10

b) Povo/População: Como elemento pessoal constitutivo do Estado, há que se ter presente a distinção entre
população, que diz respeito a todos os que habitam o território, ou seja, engloba todas as pessoas, mesmo que
temporariamente permaneçam em um território, sem nada dizer a respeito dos vínculos com o Estado, pois se
apresenta como um conceito demográfico-matemático, e povo, que realça o aspecto jurídico do grupo vinculado
a uma determinada ordem normativa, mostrando-se como um conceito jurídico-constitucional.

Difere-se de nação: possui caracteres de identidade referentes a origem, interesses, credos e aspirações,
aparecendo como um conceito psicossocioantropológico. Ou seja, nação, que é uma comunidade histórica,
cultural, étnica, linguística e tradicionalmente homogênea.

Diferença entre Estado e nação:11

Nação = comunidade Estado = Sociedade

É a comunidade que se caracteriza por sentimentos É a sociedade que envolve o aspecto de organização
comuns. jurídica de um conjunto de pessoas.

Há vínculos entre os habitantes de determinado local,


que decorrem das mais diferentes origens.

9
Elementos de teoria geral do Estado, 23. ed., p. 118.
10
STRECK, Luiz Lenio. Morais, José Luis Bolzan de. Ciência Política e Teoria do Estado. 8ª Edição Revista e atualizada.

11
BERNARDES, Juliano Taveira; Ferreira, Olavo Augusto Vianna Alves. Direito Constitucional, Tomo I – Sinopses para
concursos, 2015.

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Conjunto homogêneo de pessoas que se consideram
ligadas entre si por vínculos de sangue, idioma,
religião, cultura, ideais, objetivos.

Nesta perspectiva, pode-se estabelecer a seguinte equivalência:

População = brasileiros e estrangeiros (em território nacional)

Povo = natos e naturalizados = nacional

Cidadão = nacional + direitos políticos

c) Soberania: Para Miguel Reale, a soberania é o “(...) poder que tem uma nação de organizar-se juridicamente
e de fazer valer dentro de seu território a universalidade de suas decisões nos limites dos fins éticos de
convivência”.

Características tradicionais:12

 UNA: é sempre poder superior sobre todos os demais;


 INDIVISÍVEL: aplica-se a todos os fatos ocorridos no interior do Estado, apesar de, como veremos na
sequência, poder coexistir com o mecanismo da separação de funções – legislativa, executiva e jurisprudencial.
Isso nada mais é do que a distribuição de atribuições;
 INALIENÁVEL: quem a detém desaparece ao ficar sem ela;
 IMPRESCRITÍVEL: não tem prazo de duração.

 Soberania x Autonomia.13

A soberania representa um plus em relação à autonomia, no que diz respeito ao grau de independência e
desprendimento com que é exercido o poder.

Segundo MARCELLO CAETANO, a soberania é poder político supremo, porque não está limitado por nenhum
outro poder na ordem interna; e é poder político independente, porque na sociedade internacional não tem
de acatar regras que não sejam voluntariamente aceitas.

Segundo correntes positivistas, a soberania é juridicamente ilimitada no âmbito territorial do Estado; segundo
correntes jusnaturalistas, a soberania encontra barreiras: a) no direito natural; b) na coexistência das nações;

12
STRECK, Luiz Lenio. Morais, José Luis Bolzan de. Ciência Política e Teoria do Estado. 8ª Edição Revista e atualizada.

13
BERNARDES, Juliano Taveira; Ferreira, Olavo Augusto Vianna Alves. Direito Constitucional, Tomo I – Sinopses para
concursos, 2015.

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e c) nas próprias finalidades do Estado. Já a autonomia observa limites mais severos: é limitada ainda pela
capacidade de disposição de poder conferido pelo ente soberano.

A autonomia apresenta-se como um círculo contido naquele que representa a soberania.

A soberania permite o exercício da autonomia, mas cuida de restringi-lo a certas distribuições de


competência.

O poder soberano, como fonte originária da ordem normativa, estabelece e regula os termos do poder
autônomo.

A soberania é nota caracterizadora do Estado na ordem internacional, enquanto a autonomia interessa à


ordem interna somente.

#EXAMINADOR AMA

#ATENÇÃO

Vocês viram que o examinador colocou neste ponto 1 conceitos jurídicos, filosóficos e sociológicos de Estado.
Eu sei, muito chato, mas vamos ver os principais, certo?! Não me matem:14

Aristóteles:

A política estava muito voltada à moral e acreditava-se que o fim último do Estado estava na virtude, ou seja,
na formação dos cidadãos e no conjunto dos meios e instrumentos para se chegar a esse fim.

Assim, para Aristóteles, o Estado era um organismo moral superior ao cidadão. Tinha como ideia principal:
alcançar um ideal utópico de vida boa e perfeita, buscando e perseguindo a eudemonia.

Thomas Hobbes:

Lembrar das frases de Hobbes “ O homem é o lobo do homem”.

Assim, como o homem estava sempre em guerra, buscando o domínio sobre seus semelhantes, o Estado
surge para controlar os instintos selvagens e garantir a preservação da vida.

“Ante a tremenda e sangrenta anarquia do estado de natureza, os homens tiveram que abdicar em proveito
de um homem ou de uma assembleia os seus direitos ilimitados, fundando assim o Estado, o Leviatã, o deus
mortal, que os submete à onipotência da tirania que eles próprios criaram”.

John Locke :

Para Locke, os homens, em seu estado de natureza, viviam em paz, cada qual com suas propriedades e bens.
No entanto, o estado de guerra surge quando há violação da propriedade privada, daí surge a necessidade de
um contrato social.

14
https://direito.legal/filosofia-do-direito/de-aristoteles-weber-definicoes-e-conceito-de-estado/

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O Estado, para Locke, é o corpo político único, com legislação e força da comunidade para proteger a
propriedade dos indivíduos e dos perigos de invasões estrangeiras.

Jean Jacques Rousseau:

Para Rousseau, os homens em seu estado de natureza são selvagens e não sabem distinguir o bom do mau,
e por esse motivo foram enganados pelos homens ambiciosos para abrir mão de sua liberdade em troca do
trabalho, servidão e miséria. Para ele, o pacto social é injusto e a raiz de todos os problemas é a propriedade.

Para Rousseau, o Estado é uma criação dos ricos para assegurar seu lugar na sociedade.

“O contrato deve ter sido geral, unânime e baseado na igualdade dos homens. Foge do absolutismo e funde o
Direito e o Estado na igualdade dos homens, sem admitir nenhum princípio ou norma permanente que
limitasse a vontade geral. Procura encontrar uma forma de associação que defenda e proteja com toda força
a pessoa e os bens de cada associado e pela qual em unindo-se a todos, não obedeça senão a si mesma
permaneça tão livre como antes”.

Karl Marx :

O Estado não representa a sociedade ou interesses coletivos, mas sim, uma instituição a serviço de um grupo
(classe dominante), em desfavor de grupos menos favorecidos.

Ele vai além e cita como instrumento das classes dominantes: o sistema jurídico e o aparato militar e policial.

Pessoal, falou em Marx, falou em crítica ao Estado, classes dominantes.

“Através da emancipação da propriedade privada em relação à comunidade, o Estado adquiriu uma existência
particular, ao lado e fora da sociedade civil; mas este Estado não é mais do que a forma de organização que
os burgueses necessariamente adotam, tanto no interior como no exterior, para garantir recíproca de sua
propriedade e de seus interesses (MARX, 1993, p.98).”

Max Weber:

O Estado tem o poder coerção sobre indivíduos e de formular leis para controlar a conduta da sociedade.

“O Estado é uma relação de homens dominando homens, relação mantida por meio da violência legítima (isto
é, considerada como legítima). Ele é uma comunidade humana que pretende, com êxito, o monopólio do uso
legítimo da força física dentro de um determinado território”.

FORMAS DE ESTADO.

A forma de Estado representa a distribuição do exercício do poder político em razão de um território, de forma
que a descentralização, ou não, determinará a opção feita pelo poder originário, quando da estruturação do
Estado.

a) Estado Unitário:

É marcado pela Centralização política: o poder está concentrado no núcleo central. Admite-se a
descentralização administrativa, mas não a descentralização política.

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Nathália Masson adverte: é importante que o Estado promova divisões administrativas (não divisões políticas)
para alcançar a governabilidade, criando o Estado unitário descentralizado administrativamente, tipologia
adotada na maioria dos países na atualidade. Deve-se assegurar, todavia, a subordinação das repartições
administrativas ao poder central, pois estas somente receberão tarefas por meio da delegação por ele
engendrada, o que as mantêm, necessariamente, dependentes.15

O Brasil foi unitário no período Brasil Colônia e Brasil Império.

b) Estado Federado:

É marcado pela descentralização no exercício do poder político. Segundo Georg Jellinek, federalismo é a
"unidade na pluralidade", pois, embora tenhamos mais de um ente dotado de capacidade política, não se pode
perder de vista a unidade necessária para a manutenção do Estado Federal.16

Estado federal: é constituído por entidades parciais - chamadas Estados-membros (no Brasil, México, EUA),
Províncias (na Argentina) ou laender (na Alemanha) - que detêm núcleo próprio de competências políticas,
conservando autonomia e personalidade jurídica de direito público interno. Todavia, a soberania estatal e a
personalidade jurídica de direito internacional concentram-se num mesmo ente central (União).17

c) Confederação: É formada pela reunião dos Estados Soberanos, via de regra, criados por meio de Tratados ou
Acordos. Não há qualquer cedência de soberania dos entes componentes do Estado Confederado. Na
confederação os Estados são Nacionais, ou seja, não perdem sua soberania e podem separar-se a qualquer
tempo (direito de secessão). E não há adoção de uma nacionalidade na confederação, cada Estado soberano
permanece com sua nacionalidade.

FORMAS DE FEDERAÇÃO18

Quanto à origem: a) Agregação -Perfeita: é o resultado da reunião/junção de alguns Estados


Nacionais, até então soberanos, que decidem se reunir em um vínculo
federativo. Para tanto, cedem sua soberania para o conjunto e se tornam
parte da federação, como entidades meramente autônomas.

15
MASSON, Nathália. Direito Constitucional. 2020

16
MASSON, Nathália. Direito Constitucional. 2020

17
BERNARDES, Juliano Taveira; Ferreira, Olavo Augusto Vianna Alves. Direito Constitucional, Tomo I – Sinopses para
concursos, 2015.

18
MASSON, Nathália. Direito Constitucional. 2020.

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b) Segregação – Imperfeita: são aquelas que resultam do desfazimento de
um Estado unitário (marcado pela centralização do poder em um único polo
emanador de comandos decisórios) que pretende se tornar federado.
Quanto à atual concentração a) Centrípeta: concentram o maior volume de atribuições no centro, no plano
de poder: federal — é o caso do Brasil.

b) Centrífuga: nas quais as competências são mais abundantes entre as


entidades regionais do que no plano central — é o caso do EUA, onde os
Estados membros possuem mais tarefas do que aquelas dispostas no plano
federal.

Quanto à repartição de a) Dual – Clássica: repartir atribuições isoladas para os entes federados,
competências: entregando a cada qual suas competências próprias (privativas) que serão
exercidas sem comunicação com os demais entes, de forma independente,
sem o apoio (ou cooperação) das demais entidades.

b) Neoclássica: quando as tarefas forem repartidas de modo a possibilitar


atuação conjunta dos entes, em regime de parceria/condomínio. A partir da
Constituição de 1934 passamos a consagrar o federalismo cooperativo, que
foi mantido em todos os documentos constitucionais subsequentes.

Quanto ao Equacionamento a) Simétrica: quando a distribuição de competências e receitas é feita de


das Desigualdades: modo equânime entre as entidades, sem disparidades ou diferenças, dando
primazia à igualdade entre os entes federados.

b) Assimétrica: quando há um desequilíbrio no tratamento dos entes, tendo


em vista desigualdades regionais que precisam ser superadas ou diferenças
culturais tão marcantes e divergentes que ensejam um tratamento não
equânime.

Quanto às esferas a) Federalismo de 2º Grau: O Estado para se constituir precisa apenas de uma
integrantes da federação: ordem jurídica central e das ordens jurídicas regionais (2º grau).

b) Federalismo de 3º Grau: Os Municípios foram alçados à categoria de ente


federado, o que fez com que fosse somada às duas ordens já existentes a
ordem local, representada pelos Municípios. Por isso, nosso federalismo –
brasileiro - é atípico ou tridimensional.

PRESSUPOSTO DE EXISTÊNCIA E MANUTENÇÃO DO ESTADO FEDERAL:

Pressupostos de Existência: Pressupostos de Manutenção:

São pressupostos de existência do Estado federal, São pressupostos de manutenção do Estado federal:
segundo MlCHEL TEMER:
I) a rigidez constitucional; e
I) descentralização política que parte da própria
constituição (repartição constitucional de lI) a existência de órgão, criado pela constituição,
para realizar o controle de constitucionalidade das
13
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competências), impedindo a livre ingerência por leis e decidir conflitos de competências entre as
parte do poder central; entidades federativas.

II) participação das ordens jurídicas parciais


(Estados-membros) na vontade criadora da ordem
jurídica nacional, por meio de órgão representativo
próprio (Senado);

III) auto-organização assegurada aos Estados-


membros, mediante constituições estaduais (poder
constituinte decorrente); e

IV) princípio da indissociabilidade (ou


indissolubilidade) dos Estados-membros, que não
possuem soberania para separarem-se do ente
federalizado.

FEDERAÇÃO NA CF 1988

A federação brasileira é resultado do desfazimento do Estado Unitário, transformando as províncias em Estados-


Membros.

Os entes que a compõe são: União, Estados, DF, e Municípios:

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito

a) Da União:

Explica Nathalia Masson19: Dentre suas funções identifica-se uma de acentuada importância: a de representar a
República Federativa do Brasil nas relações internacionais, o que não nos autoriza a confundir as duas entidades:
muito embora sejam representadas pela mesma pessoa física (o Presidente da República, que ora atua como
chefe de Estado — representando a República Federativa do Brasil; ora atua na chefia de Governo —
representando a União) e possuam o mesmo território físico (o nacional), são pessoas jurídicas distintas, afinal
a República Federativa do Brasil, entidade soberana (e não meramente autônoma como a União) é pessoa
jurídica de direito público internacional.

Sugiro uma leitura apurada do art. 20 da Constituição, já que as provas tem a tendência de cobrar com exatidão
quais são os bens da União.

b) Dos Estados-Membros:

São a própria materialização do exercício da Federação.

19
MASSON, Nathália. Direito Constitucional. 2020

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Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios
desta Constituição.

§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição.

§ 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado, na
forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 5, de 1995)

§ 3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e
microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o
planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.

Atenção para a Incorporação, subdivisão ou desmembramento dos Estados-Membros:

Art. 18 § 3º: Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a
outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente
interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.

c) Dos Municípios:

A partir da entrada em vigor da CF/88, os Municípios passam a gozar da condição de ente federado.
Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e
aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios
estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos: [...]

Atente-se para a incorporação, fusão e desmembramento dos Municípios:

§ 4º A criação, a incorporação, a fusão, e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual, dentro
do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante
plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal,
apresentados e publicados na forma da lei.

#FICADEOLHO Para que sejam alterados os limites territoriais de um Município é necessária a realização de
consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, nos termos do art. 18, § 4º, da
CF/88. STF. Plenário. ADI 2921/RJ, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli, julgado em 9/8/2017
(Info 872).
#CASCADEBANANA É constitucional lei complementar, de iniciativa parlamentar, que inclui município limítrofe
na região metropolitana. A iniciativa para esse projeto de lei não é privativa do chefe do Poder Executivo e essa
inclusão não acarreta aumento de despesa, não violando assim os arts. 61, § 1º e 63, I, da CF/88. STF. Plenário.
ADI 2803/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/11/2014 (Info 766).

#OLHOVIVO Para a criação de novos Municípios, o art. 18, § 4º, da CF/88 exige a edição de uma Lei
Complementar Federal estabelecendo o procedimento e o período no qual os Municípios poderão ser criados,
incorporados, fundidos ou desmembrados. Como atualmente não existe essa LC, as leis estaduais que forem
editadas criando novos Municípios serão inconstitucionais por violarem a exigência do § 4º do art. 18. STF.
Plenário. ADI 4992/RO, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2014 (Info 758)

d) Distrito Federal:

15
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É um ente federativo autônomo, possuidor de atribuições legislativas, administrativas e judiciárias,
consubstanciadas pela tríplice capacidade que envolve a auto-organização, o autogoverno, e a
autoadministração.

Art. 32. O Distrito Federal, vedada sua divisão em Municípios, reger- se-á por lei orgânica, votada em dois turnos
com interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará,
atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição.

§ 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios.

§ 2º A eleição do Governador e do Vice-Governador, observadas as regras do art. 77, e dos Deputados Distritais
coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais, para mandato de igual duração.

§ 3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27.

§ 4º Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do Distrito Federal, da polícia civil, da polícia penal, da
polícia militar e do corpo de bombeiros militar.

e) Territórios:

Atualmente, portanto, não existem Territórios Federais e; ainda que novos sejam criados (essa possibilidade é
factível, conforme art. 18, §3°, CF/88), não serão entes federados, em conformidade com o que dispõe o texto
constitucional (art. 18, §2°, CF/88). Integrarão a União enquanto meras descentralizações administrativo-
territoriais e não possuirão qualquer resquício de autonomia política.

Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos Territórios.

§ 1º Os Territórios poderão ser divididos em Municípios, aos quais se aplicará, no que couber, o disposto no
Capítulo IV deste Título.

§ 2º As contas do Governo do Território serão submetidas ao Congresso Nacional, com parecer prévio do
Tribunal de Contas da União.

§ 3º Nos Territórios Federais com mais de cem mil habitantes, além do Governador nomeado na forma desta
Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do Ministério Público e
defensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e sua competência
deliberativa.

FORMAS DE GOVERNO.

É um conceito abstrato acerca do modo de atribuição do poder.

Para Aristóteles, as formas de governo são normais e anormais.

a)Normais: têm como objetivo o bem da comunidade. E são: monarquia, aristocracia e democracia.

Vamos aos conceitos de cada uma delas:

Monarquia Aristocracia Democracia

Governo de uma só pessoa Governo de uma classe restrita Governo de todos.

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b) Anormais: visavam apenas vantagens para os governantes. São: tirania, oligarquia e demagogia.

Tirania Oligarquia Demagogia

Segundo MARIA HELENA DINIZ Governo em que o poder fica Forma corrompida de democracia.
(1998, p. 565), governo legítimo, concentrado em mãos de uma Estado corrupto da democracia e
mas cruel, por ser injusto; classe aristocrática ou de alguma que se realiza pela força do
governo que não respeita família ou, ainda, de um pequeno número, não representando nem
princípios constitucionais; grupo de pessoas pertencente ao traduzindo uma convivência cívica
exercício despótico do poder. mesmo partido; regime político ou o pensamento do governo (cf.
em que o grupo do governante MARIA HELENA DINIZ, 2998, p.
busca, arbitrariamente, a 50).
consecução de seus próprios
interesses, agindo em seu
benefício (cf. MARIA HELENA
DINIZ, 2998, p. 436).

Também temos a classificação feita por Maquiavel:

a) Governo da Minoria: dividido em monarquia e ditadura.

b) Governo da Maioria: República.

Governo da Minoria Governo da Maioria

Monarquia Ditadura República

Características: Governante reúne em si amplos Características:


poderes públicos, e os exerce de
 Vitaliciedade do governo forma arbitrária e absoluta.  Temporariedade
 Hereditariedade (sucessão)  Eletividade
 Irresponsabilidade do Monarca  Responsabilidade dos agentes
 Ausência de representatividade públicos
popular (nem todos autores  Representatividade popular
colocam como característica) 
Pode ser dividida em: Espécies:

a)Monarquia Absoluta: os República Aristocrática


poderes reais são limitados.
República Democrática
b) Monarquia de Estamentos: o
poder é descentralizado e
delegado.

c) Monarquia Constitucional: o
monarca exerce funções
limitadas, geralmente restritas ao
Poder Executivo.

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Ciclos Método

#FICADEOLHO

Pela Constituição de 1988, somente a forma de Estado (forma federativa de Estado) é considerada cláusula
pétrea expressa (art. 60, § 4°, I, da CF/88).

Porém, a forma de governo (princípio republicano) está prevista como princípio sensível (art. 34, VII, a), cuja
violação caracteriza hipótese de intervenção.

SISTEMAS DE GOVERNO

Através dele podemos identificar o modo como se desenvolve a relação entre os Poderes dentro de um Estado,
especialmente entre Legislativo e Executivo.

Sistema de Governo Formas de Governo

Relação entre os Poderes dentro de um Estado. Informar a maneira como se relacionam governantes
e governados.

SISTEMA PRESIDENCIALISTA

Surgiu nos Estados Unidos da América, com a elaboração da Constituição de 1787.

A construção do novo sistema de Governo visava consolidar a separação efetiva dos poderes, preconizada por
Montesquieu, unificando as chefias de Governo e Estado numa única autoridade.

Características:

 A chefia é una (unipessoal): Há identidade entre o Chefe de Estado (representa o país nas relações
internacionais e materializa a unidade interna da Federação) e Chefe de Governo (dirige políticas públicas
internas e gerencia a máquina administrativa. A autoridade que engloba ambas as Funções é o Presidente da
República.
 Inexistência de vínculo político necessário entre Legislativo e Executivo. É possível que o Presidente seja
eleito sem possuir o apoio da maioria no parlamento.
 Os mandatos têm prazo temporal pré-fixado, são cumpridos por certo tempo.
 Há uma maior legitimidade do Chefe do Executivo, afinal, na maior parte dos países que adotam esse sistema,
a eleição para Presidente se faz de forma direta.

SISTEMA PARLAMENTARISTA.
O Sistema Parlamentarista surgiu na Inglaterra do século XI, e chegou na formatação atual pelo final do século
XIX.

Características:

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 A chefia é dual, pois o Chefe de Estado e o Chefe de Governo são pessoas distintas. Normalmente, o Chefe
de Estado é o monarca, porém, o sistema parlamentar se harmoniza igualmente bem com a forma republicana
de Governo, podendo ser Chefe de Estado o Presidente. Já a Chefia de Governo será desempenhada pelo
Primeiro Ministro, que exercerá o Governo em conjunto com o Conselho de Ministros que compõem seu
Gabinete .
 A ligação entre o legislativo e o executivo é essencial. A chefia de governo é dependente da maioria
parlamentar. Do parlamento é nomeado o Primeiro Ministro e o restante do gabinete. Aliás, o Primeiro Ministro
só se mantém no cargo se o Parlamento der o respaldo.
 Primeiro Ministro (chefe de governo) fica no cargo por tempo indeterminado, enquanto mantiver o apoio e
confiança do Parlamento.
 Um dos benefícios do parlamentarismo é a construção de uma relação harmoniosa e bem articulada entre
Executivo e Legislativo.
Do Semipresidencialismo (semiparlamentarismo)

Consagrado na França, desde 1958, e em Portugal, desde a Constituição de 1976. É um modelo que combina as
características virtuosas dos sistemas anteriores.

O semiparlamentarismo tem em sua estrutura o Poder Executivo em uma chefia dual, exercida pelo Chefe de
Estado (Presidente) e pelo Chefe de Governo (Primeiro Ministro), representados por pessoas distintas.

No entanto, diversamente do chefe de Estado no sistema parlamentar, que somente possuía funções simbólicas
e protocolares, o chefe de Estado no semipresidencialismo detém importantes funções políticas, a saber: a
nomeação do Primeiro Ministro, a dissolução do Parlamento, a propositura dos projetos de lei, a condução da
política externa, o comando das Forças Armadas, dentre outras atribuições.

Do presidencialismo, a principal vantagem que o sistema semipresidencialista extrai é, sem dúvida, a


legitimidade do chefe de Estado. Como o Presidente é eleito pelo povo como seu autêntico representante, sua
atuação é mais facilmente aprovada e aceita pelos cidadãos.20

DA REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS.

#FICADEOLHO

Esse tema é fundamental na constituição do federalismo, já que há uma descentralização do poder político. O
princípio que prevalece na divisão de competências é o PRINCÍPIO DA PREPONDERÂNCIA DOS INTERESSES:
para a União, as matérias de interesse nacional; aos Estados, as matérias de interesse regional e aos Municípios
as matérias de interesse local.

Nathália Masson explica de forma cirúrgica as técnicas de repartição:

Quanto às duas técnicas de efetivação da distribuição das competências (horizontal e vertical), vale frisar que:
— pelo sistema horizontal originado nos EUA, a Constituição Federal delega a cada ente atribuições que lhe
sejam próprias, particulares, que serão desempenhadas de modo estanque, isolado, sem que haja qualquer
resquício de participação ou interferência de outro ente; — no sistema vertical temos previsão de competências
que serão exercidas em conjunto dando origem a atribuições comuns e concorrentes e resultando na formação

20
MASSON, Nathalia. Direito Constitucional. 2020.

19
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Ciclos Método
de federações de cooperação. Referida técnica foi empregada no direito brasileiro pela primeira vez na Carta de
1934.

REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIA

Competência Material Exclusiva – Art. 21 da CF Aqui são as competências administrativas e são


indelegáveis.
Art. 21. Compete à União: (...)

Competências Legislativas Privativas – Art. 22 da CF. Aqui são as competências legislativas. São atribuições
delegáveis através de autorização expressa.
Art. 22. Compete privativamente à União legislar
sobre: (...)

Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar


os Estados a legislar sobre questões específicas das
matérias relacionadas neste artigo.

Competências Materiais Comum – Art. 23 da CF. São competências administrativas da União em


conjunto com os demais entes federados.
Art. 23. É competência comum da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: (...)

Parágrafo único. Leis complementares fixarão


normas para a cooperação entre a União e os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em
vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar
em âmbito nacional.

Competências Legislativas Concorrentes – Art. 24 da São competências legislativas. A União será


CF. responsável pela normatização geral. E os Estados e o
DF têm competência para fixar as normas específicas.
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito
Federal legislar concorrentemente sobre: (...)

§ 1º No âmbito da legislação concorrente, a


competência da União limitar-se-á a estabelecer
normas gerais. (Vide Lei nº 13.874, de 2019)

§ 2º A competência da União para legislar sobre


normas gerais não exclui a competência suplementar
dos Estados. (Vide Lei nº 13.874, de 2019)

§ 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os


Estados exercerão a competência legislativa plena,
para atender a suas peculiaridades. (Vide Lei nº
13.874, de 2019)

§ 4º A superveniência de lei federal sobre normas


gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe
for contrário.

20
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E agora vamos de informativos? Esse ano de pandemia foi um prato cheio para os julgados acerca de
competência dos entes federados:

São constitucionais as normas estaduais, editadas em razão da pandemia causada pelo novo coronavírus, pelas
quais veiculados a proibição de suspensão do fornecimento do serviço de energia elétrica, o modo de cobrança,
a forma de pagamentos dos débitos e a exigibilidade de multa e juros moratórios. STF. Plenário. ADI 6432/RR,
Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 7/4/2021 (Info 1012).

É constitucional legislação estadual que proíbe toda e qualquer atividade de comunicação comercial dirigida às
crianças nos estabelecimentos de educação básica. STF. Plenário. ADI 5631/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado
em 25/3/2021 (Info 1011).

Normas estaduais que disponham sobre obrigações destinadas às empresas de telecomunicações,


relativamente à oferta de produtos e serviços, incluem-se na competência concorrente dos estados para
legislarem sobre direitos do consumidor. STF. Plenário. ADI 5962/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
25/2/2021 (Info 1007).

É inconstitucional a legislação estadual que estabelece a redução obrigatória das mensalidades da rede privada
de ensino durante a vigência das medidas restritivas para o enfrentamento da emergência de saúde pública
decorrente do novo Coronavírus. Essa lei viola a competência privativa da União para legislar sobre Direito Civil
(art. 22, I, da CF/88). Ao estabelecer uma redução geral dos preços fixados nos contratos para os serviços
educacionais, a lei alterou, de forma geral e abstrata, o conteúdo dos negócios jurídicos, o que as caracteriza
como norma de Direito Civil. Os efeitos da pandemia sobre os negócios jurídicos privados, inclusive decorrentes
de relações de consumo, foram tratados pela Lei federal nº 14.010/2020. Ao estabelecer o Regime Jurídico
Emergencial e Transitório das relações jurídicas de Direito Privado (RJET) para o período, a norma reduziu o
espaço de competência complementar dos estados para legislar e não contém previsão geral de modificação
dos contratos de prestação de serviços educacionais. STF. ADI 6575, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
18/12/2020 (Info 1003).

É formalmente inconstitucional lei estadual que concede descontos aos idosos para aquisição de medicamentos
em farmácias localizadas no respectivo estado. STF. Plenário. ADI 2435/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, redator do
acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 18/12/2020 (Info 1003).

É inconstitucional lei estadual que fixa critério etário para o ingresso no Ensino Fundamental diferente do
estabelecido pelo legislador federal e regulamentado pelo Ministério da Educação. STF. Plenário. ADI 6312, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 18/12/2020 (Info 1003).

É inconstitucional norma estadual que autoriza a suspensão, pelo prazo de 120 dias, do cumprimento de
obrigações financeiras referentes a empréstimos realizados e empréstimos consignados. Ao interferir nas
relações obrigacionais firmadas entre instituições de crédito e os tomadores de empréstimos, a lei adentrou em
matéria relacionada com direito civil e com política de crédito, assuntos que são de competência legislativa
privativa da União, nos termos do art. 22, I e VII, da CF/88. STF. Plenário. ADI 6495/RJ, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 20/11/2020 (Info 1000).

É inconstitucional lei estadual que determina a suspensão temporária da cobrança das consignações voluntárias
contratadas por servidores públicos estaduais. STF. Plenário. ADI 6484, Rel. Roberto Barroso, julgado em
05/10/2020.

21
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
É constitucional a Lei nº 5.751/98, do estado do Espírito Santo, de iniciativa parlamentar, que versa sobre a
responsabilidade do ente público por danos físicos e psicológicos causados a pessoas detidas por motivos
políticos. STF. Plenário. ADI 3738/ES, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 3/11/2020 (Info 997).

#CAIUNAPROVADELTAPF Compete ao Ministro da Justiça determinar a ida da Força Nacional de Segurança


Pública para atuar em determinado Estado-membro ou Distrito Federal. Segundo a redação do art. 4º do
Decreto nº 5.289/2004 a determinação do emprego da Força Nacional pode ocorrer de duas formas: 1) mediante
solicitação expressa do Governador formulada ao Ministro da Justiça; 2) mediante iniciativa do próprio Ministro
da Justiça, mesmo sem solicitação do Governador. Se o próprio Governador solicita o auxílio, não há qualquer
problema ou questionamento. No entanto, e se o Ministro da Justiça determina o envio da Força Nacional
mesmo sem pedido do Governador? Essa atuação seria constitucionalmente válida? NÃO. Isso viola o princípio
da autonomia estadual. Foi o que decidiu o STF, em juízo de delibação, ao apreciar medida liminar em ação cível
originária. Afirmou a Corte: É plausível a alegação de que a norma inscrita no art. 4º do Decreto 5.289/2004,
naquilo em que dispensa a anuência do governador de estado no emprego da Força Nacional de Segurança
Pública, viole o princípio da autonomia estadual. STF. Plenário. ACO 3427 Ref-MC/BA, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 24/9/2020 (Info 992).

#COVID #PANDEMIA #EXAMINADORAMA A Lei nº 13.979/2020 previu, em seu art. 3º, um rol exemplificativo de
oito medidas que podem ser adotadas pelo poder público para o combate ao coronavírus. O art. 3º, VI, “b”, e
os §§ 6º e 7º, II, da Lei nº 13.979/2020 estabeleceram que os Estados e Municípios somente poderia adotar
algumas medidas se houvesse autorização da União. O STF, ao apreciar ADI contra a Lei, decidiu: a) suspender
parcialmente, sem redução de texto, o disposto no art. 3º, VI, “b”, e §§ 6º e 7º, II, da Lei nº 13.979/2020, a fim
de excluir estados e municípios da necessidade de autorização ou de observância ao ente federal; e b) conferir
interpretação conforme aos referidos dispositivos no sentido de que as medidas neles previstas devem ser
precedidas de recomendação técnica e fundamentada, devendo ainda ser resguardada a locomoção dos
produtos e serviços essenciais definidos por decreto da respectiva autoridade federativa, sempre respeitadas as
definições no âmbito da competência constitucional de cada ente federativo. Assim, os Estados/DF e Municípios
podem, mesmo sem autorização da União, adotar medidas como isolamento, quarentena, exumação, necropsia,
cremação e manejo de cadáver, e restrição à locomoção interestadual e intermunicipal em rodovias, portos ou
aeroportos. Vale ressaltar que Estados e Municípios não podem fechar fronteiras, pois sairiam de suas
competências constitucionais. A adoção de medidas restritivas relativas à locomoção e ao transporte, por
qualquer dos entes federativos, deve estar embasada em recomendação técnica fundamentada de órgãos da
vigilância sanitária e tem de preservar o transporte de produtos e serviços essenciais, assim definidos nos
decretos da autoridade federativa competente. STF. Plenário. ADI 6343 MC-Ref/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio,
red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/5/2020 (Info 976).

#JÁ CAIU

#MPMG

Assinale a assertiva verdadeira:21

A)A lei municipal que regulamenta o horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais padece de
inconstitucionalidade formal derivada da imprópria ingerência da Administração Pública em atividade
privada.

21
GABARITO: B

22
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
B)Ofende o direito á livre concorrência a lei municipal que possibilita à Administração Pública impedir a
instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área.

C)Os estabelecimentos comercias, por força da diretriz da livre iniciativa, não podem sofrer restrições de
direitos pela Administração Pública municipal, excetuando-se nas matérias tributárias e na temática de
vigilância sanitária.

D)O horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais e as restrições ao seu funcionamento não
representam assunto de interesse local e, portanto, podem sofrer interferências pelo Prefeito apenas nas
situações estritas autorizadas pela legislação estadual, conforme o direito à livre iniciativa.

Assinale a afirmativa INCORRETA:22

A) O federalismo por agregação surge quando Estados soberanos cedem uma parcela de sua soberania para
formar um ente único.

B)O federalismo dualista caracteriza-se pela sujeição dos Estados federados à União.

C)O federalismo centrípeto se caracteriza pelo fortalecimento do poder central decorrente da predominância
de atribuições conferidas à União.

D)No federalismo atípico, constata-se a existência de três esferas de competências: União, Estados e
Municípios.

Teoria Geral da Repartição dos Poderes

O poder é uno, indivisível e indelegável. O poder não se divide, é um só e manifesta-se por meio de órgãos que
exercem funções.

A teoria da “tripartição de Poderes”, exposta por Montesquieu, foi adotada por grande parte dos Estados
modernos23, só que de maneira abrandada. Isso porque, diante das realidades sociais e históricas, passou-se a
permitir uma maior interpenetração entre os Poderes, atenuando a teoria que pregava a separação pura e
absoluta deles

Legislativo Judiciário Executivo

Função Típica Legislar Julgar, solucionando o Atos de Chefia do


caso concreto. Estado, Chefia de

22
GABARITO B

23
LENZA, Pedro. Direito Constitucional. 2020

23
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Fiscalização contábil, Governo e atos da
financeira, orçamentária Administração.
e patrimonial

Função Atípica Executiva: Dispor de sua Legislativa: Regimento Legislativa: Medidas


própria organização, Interno dos Tribunais. Provisórias
prover cargos, conceder
férias. Executiva: Jurisdicional: Executivo
Administrativa. Concede julga defesas e recursos
Jurisdicional: Senado Férias, entre outras. administrativos.
julga o Presidente da
República

PODER EXECUTIVO

Art. 76. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, auxiliado pelos Ministros de Estado.

Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos cargos,
serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do
Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal.

Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois
de aberta a última vaga.

§ 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será
feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.

§ 2º Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:

XII - conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei;

XXII - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território
nacional ou nele permaneçam temporariamente;

XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;

Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições mencionadas nos incisos VI, XII e
XXV, primeira parte, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da
União, que observarão os limites traçados nas respectivas delegações.

Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados,
será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou
perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.

§ 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções:

24
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal;

II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.

§ 2º Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará o afastamento
do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.

§ 3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente da República não
estará sujeito a prisão.

§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos
ao exercício de suas funções

CRIMES COMUNS CRIMES DE RESPONSABILIDADE

São infrações político-administrativas praticadas por


pessoas que ocupam determinados cargos públicos.
Caso o agente seja condenado por crime de
responsabilidade, ele não receberá sanções penais
(prisão ou multa), mas sim sanções político-
administrativas (perda do cargo e inabilitação para o
São aqueles tipificados na lei penal (Código Penal e exercício de função pública).
legislação extravagante). Ex: peculato, corrupção Os crimes de responsabilidade estão previstos:
passiva, etc.

- Presidente: art. 85 da CF/88 e Lei nº 1.079/50;

- Governador: Lei nº 1.079/50;

- Prefeito: Decreto-Lei n º 201/67.

Quem julga:
Quem julga:

- Presidente: Senado (após autorização de 2/3 da


- Presidente: STF (após autorização de 2/3 da Câmara dos Deputados);
Câmara dos Deputados); - Governador: Tribunal Especial (composto por 5
- Governador: STJ (não precisa de prévia autorização membros da Assembleia Legislativa e 5
da Assembleia Legislativa); Desembargadores sob a presidência do Presidente
do TJ;
- Prefeito: TJ/TRF/TRE (não precisa de prévia
autorização da Câmara Municipal). - Prefeito: Câmara Municipal

25
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
A imunidade formal prevista no art. 51, I, e no art. 86, caput, da CF/88 não se estende para os
codenunciados que não se encontrem investidos nos cargos de Presidente da República, Vice-Presidente
da República e Ministro de Estado. A finalidade dessa imunidade é proteger o exercício regular desses
cargos, razão pela qual não é extensível a codenunciados que não se encontrem ocupando tais funções.
STF. Plenário. Inq 4483 AgR-segundo/DF e Inq 4327 AgR-segundo/DF, rel. Min. Edson Fachin, julgados em
14 e 19/12/2017 (Info 888).

Imagine que foi formulada denúncia contra o Presidente da República por infrações penais comuns. O STF
deverá encaminhar esta denúncia para a Câmara dos Deputados exercer o seu juízo político. É possível que,
antes desse envio, o STF analise questões jurídicas a respeito desta denúncia, como a validade dos
elementos informativos (“provas”) que a embasaram? NÃO. Não há possibilidade de o STF conhecer e
julgar qualquer questão ou matéria defensiva suscitada pelo Presidente antes que a matéria seja
examinada pela Câmara dos Deputados. O juízo político de admissibilidade exercido pela Câmara dos
Deputados precede a análise jurídica pelo STF para conhecer e julgar qualquer questão ou matéria
defensiva suscitada pelo denunciado. A discussão sobre o valor probatório dos elementos de convicção
(“provas”), ou mesmo a respeito da validade desses elementos que eventualmente embasarem a denúncia,
constitui matéria relacionada com a chamada “justa causa”, uma das condições da ação penal, cuja
constatação ou não se dará por ocasião do juízo de admissibilidade, a ser levado a efeito pelo Plenário do
STF após eventual autorização da Câmara dos Deputados. STF. Plenário. Inq 4483 QO/DF, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 20 e 21/9/2017 (Info 878).

Os substitutos eventuais do Presidente da República a que se refere o art. 80 da CF/88, caso ostentem a
posição de réus criminais perante o STF, ficarão impossibilitados de exercer o ofício de Presidente da
República. No entanto, mesmo sendo réus, podem continuar na chefia do Poder por eles titularizados. Ex:
o Presidente do Senado Renan Calheiros tornou-se réu em um processo criminal; logo, ele não poderá
assumir a Presidência da República na forma do art. 80 da CF/88; porém, ele pode continuar normalmente
como Presidente do Senado, não precisando ser afastado deste cargo. STF. Plenário. ADPF 402 MC-REF/DF,
Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 7/12/2016 (Info 850).

Principais conclusões do STF na decisão que definiu o rito do processo de impeachment da Presidente
Dilma: 1) Não há direito à defesa prévia antes do recebimento da denúncia pelo Presidente da Câmara. 2)
É possível a aplicação subsidiária dos Regimentos Internos da Câmara e do Senado que tratam sobre o
impeachment, desde que sejam compatíveis com os preceitos legais e constitucionais pertinentes. 3) Após
o início do processo de impeachment, durante a instrução probatória, a defesa tem o direito de se
manifestar após a acusação. 4) O interrogatório deve ser o ato final da instrução probatória. 5) O
recebimento da denúncia no processo de “impeachment” ocorre apenas após a decisão do Plenário do
Senado Federal. Assim, a Câmara dos Deputados somente atua no âmbito pré-processual, não valendo a
sua autorização como um recebimento da denúncia, em sentido técnico. Compete ao Senado decidir se
deve receber ou não a denúncia cujo prosseguimento foi autorizado pela Câmara. O Senado não está
vinculado à decisão da Câmara. 6) A decisão do Senado que delibera se instaura ou não o processo se dá
pelo voto da maioria simples, presente a maioria absoluta de seus membros. 7) É possível a aplicação
analógica dos arts. 44, 45, 46, 47, 48 e 49 da Lei 1.079/1950 — os quais determinam o rito do processo de
“impeachment” contra Ministros do STF e o PGR — ao processamento no Senado Federal de crime de
responsabilidade contra o Presidente da República. 8) Não é possível que sejam aplicadas, para o processo
de impeachment, as hipóteses de impedimento do CPP. Assim, não se pode invocar o impedimento do
Presidente da Câmara para participar do processo de impeachment com base em dispositivos do CPP. 9) A
eleição da comissão especial do impeachment deve ser feita por indicação dos líderes e voto aberto do
Plenário. Os representantes dos partidos políticos ou blocos parlamentares que irão compor a chapa da
comissão especial da Câmara dos Deputados deverão ser indicados pelos líderes, na forma do Regimento
26
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Interno da Câmara dos Deputados. Assim, não é possível a apresentação de candidaturas ou chapas avulsas
para a formação da comissão especial. STF. Plenário. ADPF 378/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 16,
17 e 18/12/2015 (Info 812).

#JÁCAIU

#MPMG

São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República, na dicção do art. 85 da


CR/88, EXCETO:24

A)que atentem contra o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais.

B)que atentem contra a lei orçamentária.

C)que atentem contra os partidos políticos.

D) que atentem contra a existência da União.

Assinale a alternativa INCORRETA:25

A)Compete privativamente ao Presidente da República dispor, mediante decreto sobre a organização e


funcionamento da administração federal, inclusive para criação ou extinção de órgãos públicos e extinção de
funções ou cargos públicos, quando vagos.

B)Substituirá o Presidente da República, no caso de impedimento, e suceder-lhe-á, no de vaga, o Vice-


Presidente, que, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por lei complementar, auxiliará o
Presidente, sempre que por ele convocado para missões especiais.

C)Compete ao Conselho da República, órgão superior de consulta do Presidente da República, pronunciar- se


sobre intervenção federal, estado de defesa, estado de sítio e sobre as questões relevantes para a estabilidade
das instituições democráticas.

D)Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele
submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infrações penais comuns, ou perante o
Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.

24
GABARITO C

25
GABARITO A

27
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

PODER LEGISLATIVO

COMISSÕES PARLAMENTARES DE INQUÉRITO

As CPI’s também são função típica do Poder Legislativo. É o controle parlamentar stricto sensu.

- Objetivo:

 Ajudar na tarefa legiferante. Quando a CPI faz uma investigação, ela colhe informações que ajudam a
elaboração de leis que possam evitar esses tipos de comportamento. Trazer informações relevantes para que
o poder legislativo possa exercer sua função de forma mais eficaz.
 Servir de instrumento de fiscalização do Governo e da Administração Pública.
 Informar a opinião pública. Fazer com que a população tome conhecimento de certos fatos.

#LETRADALEI

Art. 58 § 3º - As comissões parlamentares de inquérito, que terão poderes de investigação próprios das
autoridades judiciais, além de outros previstos nos regimentos das respectivas Casas, serão criadas pela
Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de
um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões,
se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos
infratores.

O relatório final, a conclusão e as decisões instrutórias são tomadas por todos os membros da CPI, isso é a
aplicação do PRINCÍPIO DO COLEGIADO; não será o presidente que irá tomar a decisão. As finalidades do
relatório enviado ao MP são: apurar responsabilidade civil (improbidade) e penal (ação penal).

O MP não está vinculado ao relatório da CPI, ele tem independência funcional. O MP tem o prazo de 30 dias,
nos termos da Lei n. 10.001/00, para se posicionar em relação ao relatório recebido. A Lei n. 10.001/00
também dispõe sobre a prioridade dos procedimentos do MP originados de CPI, que passará a ter prioridade
sobre todo o trabalho do MP.

E a autoridade que presidir processo ou procedimento, administrativo ou judicial, instaurado em decorrência


de conclusões de CPI, comunicará, semestralmente, a fase em que se encontra, até a sua conclusão,
garantindo-se a o referido processo ou ao procedimento prioridade.

*#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: O investigado pode se recusar a comparecer na sessão da CPI


na qual seria ouvido?

Sim Não

Ministros Gilmar Mendes e Celso de Mello Ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia

O comparecimento do investigado perante a CPI O comparecimento do investigado perante a CPI para


para ser ouvido é facultativo. Cabe a ele decidir se ser ouvido é compulsório. Ele tem que comparecer.
irá ou não comparecer. Se decidir comparecer, ele No entanto, chegando lá, o investigado tem direito:
28
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
terá direito: a) ao silêncio; b) à assistência de a) ao silêncio; b) à assistência de advogado; c) de não
advogado; c) de não prestar compromisso de dizer a prestar compromisso de dizer a verdade; d) de não
verdade; d) de não sofrer constrangimentos. sofrer constrangimentos.

Caso o investigado não compareça, a CPI não pode Caso o investigado não compareça, a CPI poderia
determinar a sua condução coercitiva. Aplica-se determinar a sua condução coercitiva.
para as CPIs o mesmo entendimento da ADPF
395/DF.

Desse modo, tivemos dois votos favoráveis à tese de que o paciente não estava obrigado a comparecer à CPI
e dois votos contrários. Em caso de empate, prevalece a decisão mais favorável ao paciente. Assim, a 2ª Turma
do STF concedeu a ordem de habeas corpus para transformar a compulsoriedade de comparecimento em
facultatividade e deixar a cargo do paciente a decisão de comparecer ou não à Câmara dos Deputados,
perante a CPI, para ser ouvido na condição de investigado. STF. 2ª Turma. HC 171438/DF, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado 28/5/2019 (Info 942). #IMPORTANTE

PODE26 NÃO PODE

Convocar autoridades

Exceções
- Devem respeitar a “cláusula de reserva
a) não poderia a CPI federal convocar autoridade constitucional de jurisdição”;
estadual ou municipal em vista dos princípios
federativos e da não intervenção; - Previsão constitucional de competência exclusiva
dos órgãos do Poder Judiciário;
b) não poderia a CPI convocar juiz para depoimento
sobre decisão judicial pois ofenderia o princípio da - Não podem determinar invasão domiciliar, ou a
separação dos poderes e o privilégio de foro, isto interceptação telefônica – art. 5º, XI e XII CF (Lei
está inclusive no Reg. Int. do Senado – INF 194, 9.296/96 – interceptação telefônica).
realizar perícias, ouvir indiciados (o convocado tem
direito ao silêncio – analogia com o 5º LXIII CF – INF
334),

- Decretar prisões (só por ordem escrita de juiz – 5º


- Determinar buscas e apreensões (desde que não
LXI) salvo em flagrante delito.
domiciliar, pois é reserva de jurisdição art. 5º XI CF–
INF 212 e 234), - Determinar medidas cautelares como arresto,
sequestro, (ninguém será privado de liberdade ou
- Requerer condução de testemunhas.
bens sem devido processo legal – 5º LIV),
- Quebrar sigilo bancário, fiscal e telefônico (quebrar
- busca domiciliar, interceptação telefônica,
sigilo de dados somente, pois interceptação
restringir assistência judiciária aos investigados,
telefônica é reserva de jurisdição) – mas não podem
divulgar a terceiros os dados obtidos com a quebra
divulgar dados fora dos trabalhos internos (INF 218)
de sigilo, formular acusações,

26
Tabela FUC Constitucional – Poder Legislativo.

29
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
- LC 105/01 e sigilo bancário – (ampliou as hipóteses
de divulgação entre instituições financeiras,
entidades de proteção ao crédito, autoridades
competentes para apuração de ilícitos, etc) –
Menciona a CPI no art. 4º, p. 1º

#SAINDODOFORNO

A instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito depende unicamente do preenchimento dos requisitos


previstos no art. 58, § 3º, da Constituição Federal, ou seja: a) requerimento de um terço dos membros das
casas legislativas; b) indicação de fato determinado a ser apurado; e c) definição de prazo certo para sua
duração. STF. Plenário. MS 37760 MC-Ref/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 14/4/2021 (Info 1013).

O parlamentar, na condição de cidadão, pode exercer plenamente seu direito fundamental de acesso a
informações de interesse pessoal ou coletivo, nos termos do art. 5º, inciso XXXIII, da Constituição Federal e
das normas de regência desse direito. O parlamentar, na qualidade de cidadão, não pode ter cerceado o
exercício do seu direito de acesso, via requerimento administrativo ou judicial, a documentos e informações
sobre a gestão pública, desde que não estejam, excepcionalmente, sob regime de sigilo ou sujeitos à
aprovação de CPI. O fato de as casas legislativas, em determinadas situações, agirem de forma colegiada, por
intermédio de seus órgãos, não afasta, tampouco restringe, os direitos inerentes ao parlamentar como
indivíduo. STF. Plenário. RE 865401/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 25/4/2018 (repercussão geral) (Info
899).

A imunidade parlamentar material (art. 53 da CF/88) protege os Deputados Federais e Senadores, qualquer
que seja o âmbito espacial (local) em que exerçam a liberdade de opinião. No entanto, para isso é necessário
que as suas declarações tenham conexão (relação) com o desempenho da função legislativa ou tenham sido
proferidas em razão dela. Para que as afirmações feitas pelo parlamentar possam ser consideradas como
"relacionadas ao exercício do mandato", elas devem ter, ainda de forma mínima, um teor político. Exemplos
de afirmações relacionadas com o mandato: declarações sobre fatos que estejam sendo debatidos pela
sociedade; discursos sobre fatos que estão sendo investigados por CPI ou pelos órgãos de persecução penal
(Polícia, MP); opiniões sobre temas que sejam de interesse de setores da sociedade, do eleitorado, de
organizações ou grupos representados no parlamento etc. Palavras e opiniões meramente pessoais, sem
relação com o debate democrático de fatos ou ideias não possuem vínculo com o exercício das funções de
um parlamentar e, portanto, não estão protegidos pela imunidade material. No caso concreto, as palavras do
Deputado Federal dizendo que a parlamentar não merecia ser estuprada porque seria muito feia não são
declarações que possuem relação com o exercício do mandato e, por essa razão, não estão amparadas pela
imunidade material. STF. 1ª Turma. Inq 3932/DF e Pet 5243/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 21/6/2016
(Info 831)

#SAINDODOFORNO

O Plenário do STF validou regra que confere prioridade na tramitação dos procedimentos adotados pelo MP
decorrentes da atuação das CPIs. Em seu voto, a ministra Cármen Lúcia, observou que as CPIs têm previsão
direta na CF para investigar fatos determinados sobre os quais há presunção de interesse público. Trata-se,
segundo ela, de mecanismo importante de controle da máquina pública e um dos instrumentos que conferem
concretude à competência fiscalizatória do Congresso Nacional. A importância do instituto no desenho
constitucional brasileiro justifica a prioridade de tramitação dos procedimentos administrativos ou judicias
dele decorrentes, atestando a proporcionalidade e a razoabilidade da previsão contida no art. 3º da Lei n.

30
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
10.001/00. Portanto, trata-se de opção legítima do legislador em sua competência para estabelecer
prioridades processuais (ADI 5351, Plenário).

IMUNIDADE DOS PARLAMENTARES

#NOMENCLATURA
#ATENÇÃO

ESTATUTO DOS CONGRESSISTAS:

Definição trazida pela prof. Nathália Masson: "Estatuto dos Congressistas" é o conjunto normativo especial
que excede o direito comum e refere-se ao regime jurídico empregado aos parlamentares, relativamente a
suas prerrogativas, proibições e impedimentos. Este compreende as imunidades que são regras protetivas à
função parlamentar, atribuídas aos membros do Poder Legislativo para que estes possam executar suas
atribuições com liberdade, independência frente aos demais Poderes e sem pressões externa.

IMUNIDADE MATERIAL:

Irá neutralizar, na órbita civil e penal, a responsabilização do parlamentar por sua opiniões, palavras e votos,
desde que proferidas no exercício das funções.

Adverte Nathália Masson27: A ofensa pode ter sido irrogada no recinto congressual ou fora dele: sempre deve
haver inequívoca confirmação de que o ato está relacionado com a função parlamentar para a imunidade
incidir.

IMUNIDADE FORMAL:

a) Imunidade formal relativa a prisão: Seria a impossibilidade de o parlamentar federal ser preso, salvo em
fragrante de crime inafiançável. Caso haja prisão, deve-se remeter os autos à Casa Legislativa para que, pelo
voto da maioria, resolva-se o tema.
b) Imunidade formal relativa ao processo: É a possibilidade de a Casa sustar, antes da decisão final do STF, o
trâmite da ação penal, proposta contra Deputado Federal ou Senador em relação a crimes (relacionados à
função e praticados após a diplomação).
IMUNIDADE TESTEMUNHAL:

§ 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas
em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam
informações. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)

FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO:

Com a decisão proferida pelo STF, em 03/05/2018, na AP 937 QO/RJ, todos os inquéritos e processos criminais
que estavam tramitando no Supremo envolvendo crimes não relacionados com o cargo ou com a função

27
MASSON, Nathalia. Direito Constitucional. 2020.

31
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
desempenhada pela autoridade, foram remetidos para serem julgados em 1ª instância. Isso porque o STF
definiu, como 1ª tese, que “o foro por prerrogativa de função aplica-se apenas aos crimes cometidos durante
o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas”. O entendimento acima não se aplica caso a
instrução já tenha se encerrado. Em outras palavras, se a instrução processual já havia terminado, mantém-
se a competência do STF para o julgamento de detentores de foro por prerrogativa de função, ainda que o
processo apure um crime que não está relacionado com o cargo ou com a função desempenhada. Isso porque
o STF definiu, como 2ª tese, que “após o final da instrução processual, com a publicação do despacho de
intimação para apresentação de alegações finais, a competência para processar e julgar ações penais não será
mais afetada em razão de o agente público vir a ocupar outro cargo ou deixar o cargo que ocupava, qualquer
que seja o motivo.” STF. 1ª Turma. AP 962/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso,
julgado em 16/10/2018 (Info 920).

#DEOLHONAJURIS:

O Deputado Federal Daniel Silveira publicou vídeo no YouTube no qual, além de atacar frontalmente os
Ministros do STF, por meio de diversas ameaças e ofensas, expressamente propagou a adoção de medidas
antidemocráticas contra a Corte, bem como instigou a adoção de medidas violentas contra a vida e a
segurança de seus membros, em clara afronta aos princípios democráticos, republicanos e da separação de
Poderes. Tais condutas, além de tipificarem crimes contra a honra do Poder Judiciário e dos Ministros do STF,
são previstas como crime na Lei de Segurança Nacional (Lei nº 7.170/1973). Não é possível invocar a
imunidade parlamentar material (art. 53, da CF/88), neste caso. Isso porque a imunidade material
parlamentar não deve ser utilizada para atentar frontalmente contra a própria manutenção do Estado
Democrático de Direito. As condutas criminosas do parlamentar configuram flagrante delito, pois verifica-se,
de maneira clara e evidente, a perpetuação dos delitos acima mencionados, uma vez que o referido vídeo
continuava disponível e acessível a todos os usuários da internet. Os crimes que, em tese, foram praticados
pelo Deputado são inafiançáveis por duas razões: 1) porque foram praticados contra a ordem constitucional
e o Estado Democrático (art. 5º, XLIV, da CF/88; art. 323, III, do CPP); e 2) porque, no caso concreto, estão
presentes os motivos que autorizam a decretação da prisão preventiva, de sorte que estamos diante de uma
situação que não admite fiança, com base no art. 324, IV, do CPP. Encontra-se, portanto, configurada a
possibilidade constitucional de prisão em flagrante de parlamentar pela prática de crime inafiançável, nos
termos do § 2º do art. 53 da CF/88. STF. Plenário. Inq 4781 Ref, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
17/2/2021 (Info 1006)

O então Deputado Federal Wladimir Costa (SD-PA) proferiu discurso no Plenário da Câmara dos Deputados
no qual afirmou que determinados artistas seriam “bandidos”, “membros de quadrilha”, “verdadeiros
ladrões”, “verdadeiros vagabundos da Lei Rouanet”. Esses artistas ingressaram com queixa-crime contra o
então Deputado afirmando que ele teria cometido os crimes de difamação (art. 139) e injúria (art. 140 do
Código Penal). O STF recebeu esta queixa-crime. O fato de o parlamentar estar na Casa legislativa no momento
em que proferiu as declarações não afasta a possibilidade de cometimento de crimes contra a honra, porque
ele depois divulgou essas ofensas na Internet. Outro argumento está no fato de que a inviolabilidade material
somente abarca as declarações que apresentem nexo direto e evidente com o exercício das funções
parlamentares. No caso concreto, embora tenha feito alusão à Lei Rouanet, o parlamentar nada acrescentou
ao debate público sobre a melhor forma de distribuição dos recursos destinados à cultura, limitando-se a
proferir palavras ofensivas à dignidade dos querelantes. A liberdade de expressão política dos parlamentares,
ainda que vigorosa, deve se manter nos limites da civilidade. STF. 1ª Turma. PET 7174/DF, rel. Min. Alexandre
de Moraes, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/3/2020 (Info 969).

São constitucionais dispositivos da Constituição do Estado que estendem aos Deputados Estaduais
as imunidades formais previstas no art. 53 da Constituição Federal para Deputados Federais e Senadores. A
32
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
leitura da Constituição da República revela, sob os ângulos literal e sistemático, que os Deputados Estaduais
também têm direito às imunidades formal e material e à inviolabilidade que foram conferidas pelo
constituinte aos congressistas (membros do Congresso Nacional). Isso porque tais imunidades foram
expressamente estendidas aos Deputados pelo § 1º do art. 27 da CF/88. STF. Plenário. ADI 5823 MC/RN, ADI
5824 MC/RJ e ADI 5825 MC/MT, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Marco Aurélio, julgados em
8/5/2019 (Info 939)

O Deputado Federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) afirmou que a também Deputada Federal Maria do Rosário (PT-
RS), “não merece ser estuprada por ser muito ruim, muito feia, não faz meu gênero”. E acrescentou que, se
fosse estuprador, "não iria estuprá-la porque ela não merece". O STJ entendeu que a conduta do parlamentar
não está abrangida pela imunidade parlamentar e que, portanto, ele deveria ser condenado a pagar
indenização por danos morais em favor da Deputada. Decidiu o Tribunal: As opiniões ofensivas proferidas por
deputados federais e veiculadas por meio da imprensa, em manifestações que não guardam nenhuma relação
com o exercício do mandato, não estão abarcadas pela imunidade material prevista no art. 53 da CF/88 e são
aptas a gerar dano moral. STJ. 3ª Turma. REsp 1642310-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/8/2017
(Info 609).

#JÁCAIU

#MPMG

Assinale a alternativa CORRETA:28

A)Os Deputados Federais, Estaduais e Distritais, Senadores e Vereadores gozam de imunidade material e
imunidade formal.

B)Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o
Supremo Tribunal Federal. Essa prerrogativa alcança também os suplentes, diplomados ou não,
independentemente de terem assumido o cargo, definitiva ou provisoriamente.

C)As imunidades de Deputados e Senadores subsistirão durante o estado de sitio, só podendo ser suspensas
mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto
do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida.

D) A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, embora militares, dependerá de prévia


licença da Casa respectiva, exceto em tempo de guerra.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO – Art. 73 da CF

 Integrado por NOVE Ministros.


 Sede no Distrito Federal

28
GAB. C

33
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Ciclos Método
 Os Ministros são nomeados dentre brasileiros que:
 Tenham mais de 35 anos e menos de 65 anos de idade.
 Idoneidade moral e reputação ilibada
 Notórios conhecimentos jurídicos contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública
 Mais de 10 anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os
conhecimentos mencionados no inciso anterior.

 Serão Escolhidos:
 Um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado Federal, sendo dois
alternadamente dentre auditores e membros do Ministério Público junto ao Tribunal, indicados em lista
tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antiguidade e merecimento;
 dois terços pelo Congresso Nacional.
Atenção
#CASCADEBANANA

Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos,


vencimentos e vantagens dos MINISTROS DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, aplicando-se lhes, quanto à
aposentadoria e pensão, as normas constantes do art. 40.

O auditor, quando em substituição a Ministro, terá as mesmas garantias e impedimentos do titular e, quando
no exercício das demais atribuições da judicatura, AS DE JUIZ DE TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL.

ESTADO DE SÍTIO E ESTADO DE DEFESA. 29

Estado de Defesa Estado de Sítio

É uma modalidade de restauração da O estado de sítio visa superar uma indesejável situação
habitualidade menos gravosa; sua excepcional, tencionando retornar ao status quo ante.
operacionalização é menos áspera aos direitos Apresenta-se, no entanto, como uma medida
fundamentais quando comparado ao Estado de significativamente mais onerosa e severa que o estado
Sítio. de defesa. É, portanto, reservado para situações críticas,
que resultem em grave comoção nacional, conflito
armado envolvendo um Estado estrangeiro, ou até
mesmo quando o estado de defesa, outrora decretado,
revela-se insuficiente.

Dois Pressupostos Legitimadores: São pressupostos legitimadores da decretação:

 Grave e Iminente Instabilidade Institucional e  Comoção grave de repercussão nacional;


 Calamidade de Grande Proporções na  Ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia do
Natureza. estado de defesa;
 Declaração de guerra ou resposta a agressão
armada estrangeira

29
MASSON, Nathalia. Direito Constitucional. 2020.

34
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Ciclos Método
Titular para Decretar: Presidente da República Titular para Decretar: Presidente da República

§ 1º O decreto que instituir o estado de defesa Art. 138. O decreto do estado de sítio indicará sua
determinará o tempo de sua duração, especificará duração, as normas necessárias a sua execução e as
as áreas a serem abrangidas e indicará, nos termos garantias constitucionais que ficarão suspensas, e,
e limites da lei, as medidas coercitivas a depois de publicado, o Presidente da República
vigorarem, dentre as seguintes: designará o executor das medidas específicas e as áreas
abrangidas.
I - restrições aos direitos de:
§ 1º O estado de sítio, no caso do art. 137, I, não poderá
a) reunião, ainda que exercida no seio das ser decretado por mais de trinta dias, nem prorrogado,
associações; de cada vez, por prazo superior; no do inciso II, poderá
ser decretado por todo o tempo que perdurar a guerra
b) sigilo de correspondência;
ou a agressão armada estrangeira.
c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica;
§ 2º Solicitada autorização para decretar o estado de
II - ocupação e uso temporário de bens e serviços sítio durante o recesso parlamentar, o Presidente do
públicos, na hipótese de calamidade pública, Senado Federal, de imediato, convocará
respondendo a União pelos danos e custos extraordinariamente o Congresso Nacional para se
decorrentes. reunir dentro de cinco dias, a fim de apreciar o ato.

§ 2º O tempo de duração do estado de defesa não § 3º O Congresso Nacional permanecerá em


será superior a trinta dias, podendo ser funcionamento até o término das medidas coercitivas.
prorrogado uma vez, por igual período, se
Art. 139. Na vigência do estado de sítio decretado com
persistirem as razões que justificaram a sua
fundamento no art. 137, I, só poderão ser tomadas
decretação.
contra as pessoas as seguintes medidas:
§ 3º Na vigência do estado de defesa:
I - obrigação de permanência em localidade
I - a prisão por crime contra o Estado, determinada determinada;
pelo executor da medida, será por este
II - detenção em edifício não destinado a acusados ou
comunicada imediatamente ao juiz competente,
condenados por crimes comuns;
que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso
requerer exame de corpo de delito à autoridade III - restrições relativas à inviolabilidade da
policial; correspondência, ao sigilo das comunicações, à
prestação de informações e à liberdade de imprensa,
II - a comunicação será acompanhada de
radiodifusão e televisão, na forma da lei;
declaração, pela autoridade, do estado físico e
mental do detido no momento de sua autuação; IV - suspensão da liberdade de reunião;
III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não V - busca e apreensão em domicílio;
poderá ser superior a dez dias, salvo quando
autorizada pelo Poder Judiciário; VI - intervenção nas empresas de serviços públicos;

IV - é vedada a incomunicabilidade do preso. VII - requisição de bens.

Parágrafo único. Não se inclui nas restrições do inciso III


a difusão de pronunciamentos de parlamentares
efetuados em suas Casas Legislativas, desde que liberada
pela respectiva Mesa.

35
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

#JÁCAIU

#MPMG

Assinale a opção correta, segundo a Constituição de 1988:30

A)O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, solicitar
ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de comoção grave de
repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado
de defesa.

B)O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, sem
autorização do Congresso Nacional, decretar o estado de sítio nos casos de comoção grave de repercussão
nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa.

C)O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional,
decretar o estado de sítio nos casos de declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada
estrangeira.

D)O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, sem
autorização do Congresso Nacional, decretar o estado de sítio nos casos de declaração de estado de guerra
ou resposta a agressão armada estrangeira.

2. Constitucionalismo. Evolução histórica. Jusnaturalismo. Positivismo. Pós-positivismo.


Neoconstitucionalismo. Constitucionalismo no Brasil.

3. Constituição. Conceito. Constitucionalização simbólica. Classificação e concepções do termo Constituição.


Elementos e histórico das constituições brasileiras.

4. Hermenêutica. Aplicabilidade das normas constitucionais. Classificação. Teoria dos Princípios. Regras e
princípios. Métodos, princípios e limites da interpretação constitucional. Função interpretativa dos princípios.
Colisão de normas constitucionais. Mutação constitucional. Fundamentos e limites.

#APOSTACICLOS

CONSTITUCIONALISMO31

30
GAB. A

31
Conceito retirado da FUC Constitucional.

36
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Segundo André Ramos Tavares, o termo “constitucionalismo” é empregado com 04 (quatro) diferentes
sentidos. No primeiro, o constitucionalismo é visto como um movimento político-social cujo objetivo é a
limitação do poder estatal. No segundo, como a imposição de que os Estados adotem cartas constitucionais
escritas. Na terceira acepção, o constitucionalismo serve para indicar a função e a posição das constituições
nas diversas sociedades. Por último, o “termo “constitucionalismo é também usado para se referir à evolução
histórico-constitucional de um determinado Estado”.
NEOCONSTITUCIONALISMO32
O neoconstitucionalismo, também chamado por alguns de constitucionalismo contemporâneo,
constitucionalismo avançado ou constitucionalismo de direitos, tem como marco histórico o pós-Segunda
Guerra Mundial. Ele representa uma resposta às atrocidades cometidas pelos regimes totalitários (nazismo
e fascismo) e, justamente por isso, tem como fundamento a dignidade da pessoa humana.

O marco histórico dessas mudanças é a formação do Estado Constitucional de Direito, cuja consolidação se
deu ao longo das últimas décadas do século XX. O Estado constitucional de Direito começa a se formar no
pós-Segunda Guerra Mundial, em face do reconhecimento da força normativa da Constituição. A legalidade,
a partir daí, subordina-se à Constituição, sendo a validade das normas jurídicas dependente de sua
compatibilidade com as normas constitucionais. Há uma mudança de paradigmas: o Estado Legislativo de
Direito dá lugar ao Estado Constitucional de Direito.

O marco filosófico, por sua vez, é o pós-positivismo, que reconhece a centralidade dos direitos fundamentais
e reaproxima o Direito e a Ética. O princípio da dignidade da pessoa humana ganha relevância; busca-se a
concretização dos direitos fundamentais e a garantia de condições mínimas de existência aos indivíduos
(“mínimo existencial”). Há um processo de constitucionalização de direitos. A Constituição ganha forte
conteúdo axiológico, incorporando valores como os de justiça social, moralidade e equidade. No pós-
positivismo, os princípios passam ser encarados como verdadeiras normas jurídicas (e não mais apenas como
meios de integração do ordenamento!).

O marco teórico do neoconstitucionalismo, a seu turno, é o conjunto de mudanças que incluem a força
normativa da Constituição, a expansão da jurisdição constitucional e o desenvolvimento de uma nova
dogmática da interpretação constitucional.

*Terminologia Inusitada:

Constitucionalismo termidoriano ou whig: relaciona-se com o processo de mudança do cenário político e


constitucional de forma lenta e evolutiva, isto é, não revolucionário ou abrupto.33

32
Conceito retirado da FUC Constitucional.

33
Informação retirada do instagram @partiuconcurseiro: https://www.instagram.com/p/CNum70tnFdI/

37
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Conceito de Constituição

Sentido Sociológico  Ferdinand Lassale


 A Constituição real e efetiva de um Estado consiste na soma dos fatores
reais de poder que vigoram na sociedade; ela é, assim, um reflexo das relações
de poder que existem no âmbito do Estado.
 Por outro lado, existe também a Constituição escrita (jurídica), cuja
tarefa é reunir em um texto formal, de maneira sistematizada, os fatores reais
de poder que vigoram na sociedade. Nessa perspectiva, a Constituição escrita é
mera “folha de papel”, e somente será eficaz e duradoura caso reflita os fatores
reais de poder da sociedade.
Sentido Político  por Carl Schmitt
 Para Schmitt, a Constituição é uma decisão política fundamental que
visa estruturar e organizar os elementos essenciais do Estado. A validade da
Constituição, segundo ele, se baseia na decisão política que lhe dá existência, e
não na justiça de suas normas.
Sentido Jurídico  Hans Kelsen,
No sentido lógico-jurídico, a Constituição é a norma hipotética fundamental
(não real, mas sim imaginada, pressuposta) que serve como fundamento lógico
transcendental da validade da Constituição em sentido jurídico-positivo. Esta
norma não possui um enunciado explícito, consistindo apenas numa ordem,
dirigida a todos, de obediência à Constituição positiva. É como se a norma
fundamental hipotética dissesse o seguinte: “Obedeça-se a constituição
positiva!”.

 Já no sentido jurídico-positivo a Constituição é a norma positiva


suprema, que serve para regular a criação de todas as outras. É documento
solene, cujo texto só pode ser alterado mediante procedimento especial. No
Brasil, esta Constituição é, atualmente, a de 1988 (CF/88).

Classificação das Constituições

Origem  Democráticas: Texto elaborado com a participação do povo (de forma


direta ou indireta)
 Outorgadas: Elaborada sem participação popular, é imposta como ato
unilateral do governante.
 Cesaristas: Na elaboração do texto, também não há participação do
povo, no entanto, para entrar em vigor precisará da aprovação do povo.
 Dualistas: O texto nasce do compromisso entre forças contrárias
(monarca e o poder legislativo, representado pelo povo).
Estabilidade  Imutáveis: Não admite mudança em seu texto constitucional.
 Fixa: Reconhece a possibilidade de alteração dos seus dispositivos
apenas pelo órgão que a criou.

38
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
 Rígida: A alteração é possível, mas há um procedimento mais complexo
do que aquele estabelecido para alteração das demais normas
infraconstitucionais.
 Flexível: É alterada por um procedimento legislativo ordinário, não
requer nenhuma outra exigência.
 Semirrígida: O texto Constitucional é dividido, e algumas partes (os
preceitos mais importantes) obedecem a um procedimento de alteração mais
rigoroso, ao passo que outras partes (ou seja a parte flexível) podem ser alteradas
por procedimento equivalente ao das demais espécies normativas.
Forma  Escrita: A Constituição sistematiza todos os dispositivos, de forma
escrita, em um único documento.
 Não Escrita: As normas encontram-se em fontes normativas esparsas, e
admitem costumes e jurisprudências.
Modo de Elaboração  Dogmática: É um documento escrito em uma ocasião certa,
historicamente determinada por um órgão determinado e competente para
tanto.
 Histórica: Não escrita e constrói-se através de um processo lento, é, na
verdade, produto da evolução jurídica e histórica de uma sociedade.
Extensão  Analítica: É uma Constituição que alberga vários assuntos para além
daqueles essenciais de uma Constituição.
 Sintética: É uma Constituição elaborada de forma a conter apenas os
princípios básicos para formação e estrutura do Estado, restrita a elementos
materialmente constitucionais.
Conteúdo  Material: São materialmente constitucionais as normas que envolvam
conteúdos essenciais, mesmo que não estejam expressos no texto
Constitucional.
 Formal: Só serão constitucionais as normas integradas ao texto
constitucional. As demais, mesmo que tratem de direitos essenciais, serão
normas infraconstitucionais.
Classificação a) Normativas: regulam efetivamente o processo político do Estado, por
ontológica corresponderem à realidade política e social, ou seja, limitam, de fato, o poder.
Em suma: têm valor jurídico. Exemplos: Constituições brasileiras de 1891, 1934
e 1946.

b) Nominativas: buscam regular o processo político do Estado, mas não


conseguem realizar este objetivo, por não atenderem à realidade social. São
constituições prospectivas, que visam, um dia, a sua concretização, mas que não
possuem aplicabilidade. Isso se deve, segundo Loewenstein, provavelmente ao
fato de que a decisão que levou à sua promulgação foi prematura, persistindo,
contudo, a esperança de que, um dia, a vida política corresponda ao modelo
nelas fixado. A constituição nominal ou nominativa é juridicamente válida,
porém não é real e efetiva: são Constituições “de fachada”.

39
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
c) Semânticas: não têm por objetivo regular a política estatal. Visam
apenas a formalizar a situação existente do poder político, em benefício dos seus
detentores. Exemplos: Constituições brasileiras de 1937, 1967 e 1969.
Classificação quanto à
função a) Constituição-lei: é aquela em que a Constituição tem “status “de lei
desempenhada ordinária, sendo, portanto, inviável em documentos rígidos. Seu papel é de
diretriz, não vinculando o legislador.

b) Constituição-fundamento: a Constituição não só é fundamento de todas


as atividades do Estado, mas também da vida social. A liberdade do legislador é
de apenas dar efetividade às normas constitucionais.

c) Constituição-quadro ou Constituição-moldura: trata-se de uma


Constituição em que o legislador só pode atuar dentro de determinado espaço
estabelecido pelo constituinte, ou seja, dentro de um limite. Cabe à jurisdição
constitucional verificar se esses limites foram obedecidos.

Classificação quanto à
finalidade a) Constituição-garantia: seu principal objetivo é proteger as liberdades
contra a arbitrariedade do Estado. Corresponde ao primeiro período de
surgimento dos direitos humanos (direitos de primeira geração, ou seja, direitos
civis e políticos), a partir do final do século XVIII. As Constituições-garantia são
também chamadas de negativas, uma vez que buscam limitar a ação estatal; elas
impõem a omissão ou negativa de atuação do Estado, protegendo os indivíduos
contra a ingerência abusiva dos Poderes Públicos.

b) Constituição-dirigente: é aquela que traça diretrizes que devem nortear


a ação estatal, prevendo, para isso, as chamadas normas programáticas.
Segundo Canotilho, as Constituições dirigentes voltam-se à garantia do existente,
aliada à instituição de um programa ou linha de direção para o futuro, sendo
estas as suas duas principais finalidades. Assim, as Constituições-dirigentes, além
de assegurarem as liberdades negativas (já alcançadas), passam a exigir uma
atuação positiva do Estado em favor dos indivíduos.

Essas constituições surgem mais recentemente no constitucionalismo (início do


século XX), juntamente com os direitos fundamentais de segunda geração
(direitos econômicos, sociais e culturais). Os direitos de segunda geração, em
regra, exigem do Estado prestações sociais, como saúde, educação, trabalho,
previdência social, entre outras.

c) Constituição-balanço: é aquela que visa reger o ordenamento jurídico do


Estado durante um certo tempo, nela estabelecido. Transcorrido esse prazo, é
elaborada uma nova Constituição ou seu texto é adaptado. É uma constituição
típica de regimes socialistas, podendo ser exemplificada pelas Constituições de
1924, 1936 e 1977 da União Soviética. Também chamadas de Constituições-
registro, essas constituições descrevem e registram o estágio da sociedade em
um dado momento.

40
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
#OLHAOGANCHO34 São aquelas que têm por objetivo as normas que protejam a identidade genética
do ser humano. Asseguram a dignidade da pessoa humana, protegendo
Constituição biodireitos e biobens.
Biomédica,
Constituição Biológica
ou Bioconstituições35

Constituição em É aquela que não impõe limites explícitos ao poder de reforma constitucional. O
Branco36 processo de alteração das normas está sujeito à discricionariedade dos órgãos
revisores, que, por si próprios, ficam encarregados de estabelecer as regras para
elaboração de emendas e revisões constitucionais.

Constituição Cultural É aquela formada pelo conjunto de normas constitucionais que digam respeito à
educação, ao ensino, e ao desporto, as quais visam proteger e resguardar, o
direito à cultura.

Constituição Explica Bulos: “é aquela em que suas normas equivalem a leis processuais. Seu
Instrumental objetivo é definir competências, para limitar a ação dos Poderes Públicos”.
(BULOS, 2014, p. 108)

Constituição A Constituição institucionalista, segundo Uadi Lammêgo Bulos, “é a expressão


Institucionalista das ideias fortes e duradouras, dos fins políticos, com vistas a cumprir programas
de ordem social”37 (BULOS, 2014, p. 105).38

#FICADEOLHO São as normas elevadas a normas constitucionais, porém são delimitadas em seus
objetivos, ostentam preocupação momentâneas, interesses próprios da época
SUBCONSTITUIÇÃO ou em que foram elaboradas.
CONSTITUIÇÕES
SUBCONSTITUCIONAIS

#JÁCAIU

#MPMG

34
Os alunos do CICLOS não vão ser surpreendidos por nomenclaturas malucas. #VAMOSDETONAR

35
Concursos públicos : terminologias e teorias inusitadas / João Biffe Junior, Joaquim Leitão Junior. – Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017.

36
Concursos públicos : terminologias e teorias inusitadas / João Biffe Junior, Joaquim Leitão Junior. – Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017.

37
BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de direito constitucional. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

38
BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de direito constitucional. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.

41
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Quanto à teoria do conhecimento constitucional, e mais especificamente da ontologia das regras
constitucionais, observe:

I. As regras de direito constitucional integram a constituição escrita, rígida e dotada de supremacia.


São regras-gênero, das quais derivam as regras ônticas, as regras técnicas e as regras deônticas.
II. As regras constitucionais ônticas são aquelas que criam e estruturam o ser constitucional e,
portanto, qualificadas como diretas e posteriores à ação.
III. As regras técnicas definem procedimentos ou meios necessários para alcançar os fins propostos.
A regra de competência se inclui entre as regras técnicas.
IV. Regras deônticas exprimem modais de obrigação, permissão ou proibição. São necessariamente
normas jurídico constitucionais, pois definem direitos e obrigações das pessoas e entidades e
disciplinam o comportamento ético dos sujeitos.

A partir das proposições acima, assinale a opção com as alternativas INCORRETAS:39

A)I e II.

B)III e IV.

C)I e IV.

D)II e III.

PRINCÍPIOS DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL40

Princípio da unidade da O texto da Constituição deve ser interpretado de forma a evitar


Constituição: contradições entre suas normas ou entre os princípios constitucionais.
Assim, não há contradição verdadeira entre as normas constitucionais: o
conflito entre estas é apenas aparente. Ou, em outras palavras, não há
antinomias reais no texto da Constituição; as antinomias são apenas
aparentes.

Princípio da máxima Esse princípio estabelece que o intérprete deve atribuir à norma
efetividade (da eficiência ou constitucional o sentido que lhe dê maior efetividade social. Visa,
da interpretação efetiva): portanto, a maximizar a norma, a fim de extrair dela todas as suas
potencialidades. Sua utilização se dá principalmente na aplicação dos
direitos fundamentais, embora possa ser usado na interpretação de todas
as normas constitucionais.

39
GABARITO. D

40
FUC – Direito Constitucional. Pontos Iniciais.

42
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Princípio da justeza ou da Esse princípio determina que o órgão encarregado de interpretar a
conformidade funcional ou, Constituição não pode chegar a uma conclusão que subverta o esquema
ainda, da correção funcional organizatório-funcional estabelecido pelo constituinte.

Princípio da concordância Esse princípio impõe a harmonização dos bens jurídicos em caso de
prática ou da harmonização: conflito entre eles, de modo a evitar o sacrifício total de uns em relação
aos outros.

Princípio do efeito Esse princípio busca que, na interpretação da Constituição, seja dada
integrador: preferência às determinações que favoreçam a integração política e social
e o reforço da unidade política.

Princípio da força normativa Esse princípio determina que toda norma jurídica precisa de um mínimo
da Constituição: de eficácia, sob pena de não ser aplicada. Estabelece, portanto, que, na
interpretação constitucional, deve-se dar preferência às soluções que
possibilitem a atualização de suas normas, garantindo-lhes eficácia e
permanência.

#OLHAOGANCHO A “teoria da Katchanga”41 consiste num conceito livre de autorização para


#TEORIA INUSITADA o uso indiscriminado da lista de princípios e direitos fundamentais
Teoria da Katchanga ou Jogo previstos na Constituição, sendo desautorizado todo um sistema de lógica
Real da Katchanga
e objetividade fundamentativa para adotar decisões arbitrárias, sem
maiores preocupações com o regramento como um todo e com a
fundamentação detalhada e objetiva, focado apenas na resolução do
direito e na hábil solução dos conflitos por meio de um decisionismo
apressado (FERNANDES, 2013).

Princípio da Proibição do É a vedação de qualquer mecanismo que busque suavizar, abreviar,


Atalhamento Constitucional dificultar ou impedir os efeitos dos princípios constitucionais.
e Desvio do Poder
42
Constituinte:

#MPMG

#JÁCAIU

Quando se afirma que a interpretação constitucional deve submeter-se ao princípio da perfeita ou ótima
concretização da norma, tal NÃO significa dizer:43

41
Explicando a katchanga (gustavomiquelinfernandes.blogspot.com)

42
Informação retirada do instagram @particuconcurseiro https://www.instagram.com/p/CKByzMYgyBi/

43
GAB. B

43
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
A)que a interpretação adequada é aquela que consegue concretizar, com excelência, o sentido da proposição
normativa dentro das condições reais dominantes numa determinada situação.

B)que semelhante princípio só pode ser aplicado com base nos meios fornecidos pela subsunção lógica e pela
construção conceitual.

C)que visa, como corolário lógico, estabelecer a hierarquia dos valores tutelados no ordenamento
constitucional, de molde a compatibilizá-los na dimensão objetiva e aplicá-los a situações concretas.

D)que, com esse postulado, é possível também resolver os entraves teóricos contidos no binômio jurídico
valor e norma.

APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS – POR JOSÉ AFONSO DA SILVA

a) Normas de Eficácia Plena – São aquelas aptas a produzir todos os seus efeitos essenciais com a
simples entrada em vigor da CF, não depende de qualquer outra regulamentação infraconstitucional.

 APLICABILIDADE IMEDIATA, DIRETA E INTEGRAL

b) Normas de Eficácia Contida – São igualmente aptas a produzir todos os seus efeitos, no entanto,
podem ser restringidas por regulamentação infraconstitucionais.

 APLICABILIDADE IMEDIATA, MAS RESTRINGÍVEL.

c) Normas de Eficácia Limitada – Apenas vão produzir efeitos depois de regulamentação.


E são subdivididas em:
 Normas definidoras de Princípios Institutivos: O legislador constituinte traz esquemas gerais para
estruturação e atribuições de órgãos ou entidades. O legislador ordinário deverá estruturar o órgão.
 Normas definidoras de Princípios Programáticos: O legislador constituinte limita-se a trazer princípios
que devem ser cumpridos como programas para serem realizados, visando os fins sociais do Estado.

5. Poder Constituinte

Poder Constituinte

É a força política que se funda em si mesma, é a expressão da vontade de um povo em organizar a base da
sociedade. Ou seja, é o poder responsável pela elaboração da constituição, norma jurídica superior que inicia
a ordem jurídica e confere validade.

44
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Natureza Jurídica do Poder Constituinte

Para os Jusnaturalistas é um poder de direito, já que Para os Juspositivistas é um poder de fato,


eles entendem que há um direito natural anterior ao metajurídico, já que o poder constituinte é anterior
direito positivo. ao próprio direito. Tem natureza essencialmente
política.

A titularidade do poder constituinte pertence ao povo.

#NÃOESQUECER

 “O que é o Terceiro Estado?” Sieyés. Para ele o titular do poder constituinte é a nação.

CARACTERÍSTICAS PARA A CONCEPÇÃO POSITIVISTA

 Inicial: não há nada antes ou maior.

 Autônomo: cabe apenas a ele escolher a “ideia de direito” que irá prevalecer dentro de um Estado.
A estruturação da nova constituição será determinada, autonomamente, por quem exerce o poder
constituinte originário.

 Incondicionado: não se submete a nenhuma norma jurídica no que se refere à forma ou ao conteúdo.
A própria Assembleia constituinte decide o procedimento adotado para aprovar a CF. Isso vale também para
a escolha do conteúdo. Quando ele atua, há uma ruptura com o ordenamento anterior.

 Soberano/ilimitado/independente: não encontra limites.

CARACTERÍSTICAS PARA A CONCEPÇÃO JUSNATURALISTA

 Permanente: não se esgota com o seu exercício. Só que ele fica em estado latente/repouso.

 Inalienável: sua titularidade não pode ser retirada ou transferida do povo ou da nação. Ela sempre
pertencerá ao povo ao a nação.

 Incondicionado juridicamente: embora possua algumas limitações materiais extrajurídicas. Ele


estaria limitado pelos imperativos do direito natural.

45
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Poder Derivado Decorrente: Nada mais é do que a capacidade conferida pelo poder originário aos Estados
Membros para elaborarem suas próprias constituições.

Características:

 Poder de Direito
 Limitado
 Condicionado
 Secundário
Poder Constituído Derivado Reformador

Tem a importante tarefa de ajustar e atualizar o texto constitucional às novas exigências da dinâmica social.

Limitações Temporais : Inexistentes no texto constitucional.

Limitações Materiais :

Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:

I - a forma federativa de Estado;

II - o voto direto, secreto, universal e periódico;

III - a separação dos Poderes;

IV - os direitos e garantias individuais.

Limitações Circunstanciais:

A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa, ou de
estado de sítio.

Limitações Formais:

a) Limitação Formal Subjetiva:

A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:

I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal;

II - do Presidente da República;

III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma
delas, pela maioria relativa de seus membros.

b) Limitação formal Objetiva:

A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, considerando-se
aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.

A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com
o respectivo número de ordem.

46
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova
proposta na mesma sessão legislativa.

#JÁCAIU

#MPMG

À luz do que dispõe o artigo 60 da Constituição da República, a Constituição pode ser emendada mediante
proposta:

I. do Procurador-Geral da República, após colhida a manifestação de todos os Procuradores-Gerais de Justiça


dos Estados.

II. do Presidente da República.

III. dos cidadãos, cuja iniciativa poderá ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto
subscrito por, no mínimo, dez por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por quatro Estados,
com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.

IV. de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma
delas, pela maioria relativa de seus membros.

Somente está CORRETO o que se afirma em:44

A)I e II.

B)II e III.

C)II e IV.

D)III e IV.

6.Jurisdição Constitucional. Histórico, modelos e limites. Controle constitucional e critérios de valoração


das disposições legislativas e constitucionais. O papel da Suprema Corte. 7. Controle de
Constitucionalidade. Conceito, espécies e modalidades. Evolução do sistema de controle brasileiro.
Sistemas e vias de controle. Processo e julgamento da ADIN e da ADC perante o Supremo Tribunal Federal
e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A arguição de descumprimento de preceito fundamental. A ação
direta de inconstitucionalidade por omissão. A ação direta de inconstitucionalidade interventiva. O
controle concentrado in abstrato no âmbito Estadual, nos Ministérios Públicos e nos Tribunais de Contas.
Estado de coisas inconstitucional. Controle de convencionalidade.

44
GAB. C

47
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
#APOSTACICLOS

Controle de Constitucionalidade

Requisitos fundamentais e essenciais para o controle:

 Existência de uma Constituição rígida e


 Atribuições de competência a órgão que resolverá os problemas de constitucionalidade.

Espécies de Inconstitucionalidade.

a)Por ação: resultará na incompatibilidade vertical das leis ou atos do Poder Público com a Constituição.

b)Por omissão: decorre da inércia legislativa na regulamentação das normas constitucionais. “Silêncio
Normativo”

A inconstitucionalidade por ação, de acordo com Pedro Lenza, pode se dar:

 Por vício formal ou nomodinâmica: a lei ou ato normativo infraconstitucional contem algum vício em
sua forma, ou seja, no seu processo de formação. E subdivide-se em:

 Inconstitucionalidade Formal Orgânica: Decorre da inobservância da competência legislativa


para elaboração do ato.
Ex. uma lei municipal que regulamente o uso do cinto de segurança é inconstitucional, pois é de
competência da União legislar sobre trânsito e transporte.

 Inconstitucionalidade Formal Propriamente Dita: Decorre da inobservância do devido processo


legislativo. Assim subdivide-se também em:
 Vício Formal Subjetivo: o vício formal subjetivo ocorre na fase de iniciativa. Caso, por
exemplo, em que um Deputado Federal dê início a um projeto de lei de iniciativa
exclusiva do Presidente da República.
 Vício Formal Objetivo: Ocorre nas demais fases do processo legislativo, após a fase
de iniciativa. Ex.: uma lei complementar foi aprovada por quórum de maioria relativa,
sendo que o certo é maioria absoluta.

 Inconstitucionalidade por violação a pressupostos objetivos do ato: São os pressupostos,


constitucionalmente previstos como elementos determinantes de competência dos órgãos
legislativos em relação a certas matérias.

 Por vício material ou nomoestático: o vício está no conteúdo, na matéria: Assim qualquer ato
normativo que afronte preceito ou princípio da CF deve ser declarado inconstitucional.

 Por vício do decoro parlamentar: Para Pedro Lenza, ocorreria nos esquemas de compras de votos
para votar em certo sentido, de acordo com o governo. (Âmbito do mensalão)

48
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Momentos do Controle de Constitucionalidade:

Controle Prévio ou Preventivo: É realizado durante o processo legislativo de formação do ato normativo.

Pode ser exercido pelo Legislativo, pelo Executivo, e pelo Judiciário.

 Poder Legislativo: as comissões de constituição e cidadania exercem o controle preventivo de


constitucionalidade dos projetos de lei. CCJC (câmara) e CCJ. Podem arquivar determinados projetos. Além
da comissão, o plenário também pode fazer o controle.

 Poder Executivo: através do veto jurídico do Presidente. Art. 66, §1º: Se o Presidente da República
considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional (veto jurídico) ou contrário ao interesse público
(veto político), vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do
recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do
veto.

 Poder Judiciário: o único meio em que o controle preventivo é admitido é através de mandado de
segurança impetrado por parlamentar, em caso de inobservância do devido processo legislativo
constitucional.
Controle Repressivo ou Posterior: é realizado sobre a lei e não sobre o projeto de lei.

Os órgãos de controle verificarão se a lei ou o ato normativo possui vicio formal ou material.

No Brasil, via de regra, é exercido pelo Judiciário, tanto de forma concentrada, quanto difusa. No entanto,
admite-se o controle posterior pelo Legislativo e Executivo.

Exemplos:

Legislativo: Competência do Congresso prevista no art. 49, inciso V, da CF/88: É de competência do CN sustar
os atos normativos do Executivo que exorbitem do poder regulamentar.

Legislativo: O Congresso Nacional poderá, através de decreto legislativo, sustar o ato que exorbite dos limites
da delegação legislativa.

Executivo: Com o advento da CF/88 que ampliou o rol de legitimados para o ajuizamento da ADI (incluindo o
Presidente da República e Governadores) passou-se a questionar a possibilidade de o Chefe do Executivo
deixar de aplicar a lei quando considerar inconstitucional.

Pedro Lenza (Direito Constitucional Esquematizado, 2020) explica: A tese a ser adotada é a da possibilidade
de descumprimento da lei inconstitucional pelo Chefe do Executivo. Isso porque entre os efeitos do controle
concentrado está a vinculação dos demais órgãos do Poder Judiciário e do Executivo (art. 28, parágrafo único,
da Lei n. 9.868/99 e art. 102, § 2.º, da CF/88 — EC n. 45/2004). Outro argumento a fortalecer a ideia de
possibilidade de descumprimento da lei flagrantemente inconstitucional pelo Executivo decorre dos efeitos
da súmula vinculante (Reforma do Judiciário), que, uma vez editada, vinculará a Administração Pública, sob
pena de responsabilidade civil, administrativa e penal (art. 64-B da Lei n. 9.784/99, introduzido pela Lei n.
11.417/2006). Antes, porém, a contrário sensu e desde que não exista qualquer medida judicial em sentido
contrário, tecnicamente, poderá o Chefe do Executivo determinar a não aplicação de lei flagrantemente
inconstitucional.

49
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Ciclos Método
CONTROLE DIFUSO ou CONCENTRADO.

O controle judicial poderá ser difuso ou concentrado:

CONTROLE DIFUSO CONTROLE CONCENTRADO

Qualquer Juiz ou Tribunal, observada as regras de O controle se concentra em um único órgão.


competência, poderá realizar o controle de
constitucionalidade.

CONTROLE PELA VIA INCIDENTAL OU VIA PRINCIPAL.

VIA INCIDENTAL/VIA DE EXCEÇÃO OU DEFESA VIA PRINCIPAL/VIA ABSTRATA OU VIA DE AÇÃO

O controle será exercido como questão prejudicial A análise da constitucionalidade é o objeto


e premissa lógica do pedido principal. principal, autônomo e exclusivo da causa.

REGRA:

O Sistema concentrado é exercido pela via principal.

Há, no entanto, exceções:


(1) Controle concentrado concreto
 Representação Interventiva
 ADPF incidental
 Mandado de segurança impetrado por parlamentar: O controle poderá ser concentrado, mas
incidental: o controle prévio ou preventivo exercido pelo parlamentar, mediante impetração de mandado de
segurança, para ver respeitado o devido processo legislativo.45

(2) Controle difuso abstrato


Exercido pelo Plenário ou Órgão Especial, no caso previsto no art. 97 da CF.

CONTROLE DIFUSO

A noção e ideia de controle difuso surgiu com o famoso caso Marbury x Madison – 1803

Pede-se algo ao juízo, fundamentando-se na inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, ou seja, a
alegação de inconstitucionalidade será a causa de pedir processual. 46

Deve ser observado o art. 97 da Constituição Federal.

45
LENZA, PEDRO. Direito Constitucional Esquematizado. 2020.

46
LENZA, PEDRO. Direito Constitucional Esquematizado. 2020.

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Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão
especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.

Súmula Importante:

Súmula vinculante 10-STF: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário
de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder
Público, afasta a sua incidência no todo ou em parte.

#Questões importantes do controle difuso:

- De acordo com as normas regimentais, a cláusula de reserva do plenário não se aplica às Turmas do STF no
julgamento do RE.

- A cláusula de reserva do plenário não se aplica as Turmas Recursais do Juizados Especiais, já que não são
consideradas Tribunais.

- A cláusula de reserva de plenário não se aplica ao juízo monocrático de primeira instância.

Efeitos da Decisão

 Para as partes: inter partes e ex tunc.


 Para Terceiros: Desde que o Senado Federal suspenda a execução, no todo ou em parte, da lei levada
a controle de constitucionalidade de maneira incidental e não principal, a referida suspensão atingirá a todos,
porém valerá a partir do momento que a resolução do Senado for publicada na Imprensa Oficial. (art. 52,
inciso X da CF). Assim, os efeitos serão erga omnes, porém ex nunc, não retroagindo. *Pessoal esse item é de
intenso debate, não se pode afirmar com absoluta certeza que houve mutação no art. 52, inciso X, da CF.
Veja a explicação do dizer o direito #MARCINHOSALVANDOVIDAS47

Desse modo, pela teoria tradicional, em regra, a decisão que declara incidentalmente uma lei inconstitucional
produz efeitos inter partes e não vinculantes.

Após declarar a inconstitucionalidade de uma lei em controle difuso, o STF deverá comunicar essa decisão ao
Senado e este poderá suspender a execução, no todo ou em parte, da lei viciada (art. 52, X):

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:

X - suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do
Supremo Tribunal Federal;

A decisão do Senado de suspender a execução da lei seria discricionária. Caso ele resolva fazer isso, os efeitos
da decisão de inconstitucionalidade do STF, que eram inter partes, passam a ser erga omnes. Assim, pela
teoria tradicional a resolução do Senado ampliaria a eficácia do controle difuso realizado pelo Supremo.

47
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Efeito vinculante de declaração incidental de inconstitucionalidade.
Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/8dd291cbea8f231982db0fb1716dfc5
5>. Acesso em: 13/06/2021

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Dessa forma, pela teoria tradicional, a eficácia da decisão do STF que declarou, incidentalmente, uma lei
inconstitucional produziria efeitos inter partes e não vinculante.

Ocorre que o STF decidiu abandonar a concepção tradicional e fez uma nova interpretação do art. 52, X, da
CF/88.

O que entendeu o STF?

O STF decidiu que, mesmo se ele declarar, incidentalmente, a inconstitucionalidade de uma lei, essa decisão
também terá efeito vinculante e erga omnes.

A fim de evitar anomias e fragmentação da unidade, deve-se atribuir à decisão proferida em sede de controle
incidental (difuso) a mesma eficácia da decisão tomada em sede de controle abstrato.

O Min. Celso de Mello afirmou que o STF fez uma verdadeira mutação constitucional com o objetivo de
expandir os poderes do Tribunal com relação à jurisdição constitucional.

Assim, a nova intepretação do art. 52, X, da CF/88 é a de que o papel do Senado no controle de
constitucionalidade é simplesmente o de, mediante publicação, divulgar a decisão do STF. A eficácia
vinculante, contudo, já resulta da própria decisão da Corte.

Em suma, qual é a eficácia da decisão do STF que declara, incidentalmente, a inconstitucionalidade de uma
lei?

Concepção tradicional Concepção moderna (atual)

Eficácia inter partes Eficácia erga omnes

Efeitos não vinculantes Efeitos vinculantes

Pode-se dizer que o STF passou a adotar a teoria da abstrativização do controle difuso?

SIM. Apesar de essa nomenclatura não ter sido utilizada expressamente pelo STF no julgamento, o certo é
que a Corte mudou seu antigo entendimento e passou a adotar a abstrativização do controle difuso.

Em uma explicação bem simples, a teoria da abstrativização do controle difuso preconiza que, se o Plenário
do STF decidir a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, ainda que em
controle difuso, essa decisão terá os mesmos efeitos do controle concentrado, ou seja, eficácia erga omnes e
vinculante.

Para essa corrente, o art. 52, X, da CF/88 sofreu uma mutação constitucional e, portanto, deve ser
reinterpretado. Dessa forma, o papel do Senado, atualmente, é apenas o de dar publicidade à decisão do
STF. Em outras palavras, a decisão do STF, mesmo em controle difuso, já é dotada de efeitos erga omnes e o
Senado apenas confere publicidade a isso.

Pode-se dizer que o STF passou a adotar a teoria da transcendência dos motivos determinantes?

NÃO. Segundo a teoria da transcendência dos motivos determinantes, além do dispositivo, os motivos
determinantes (ratio decidendi) da decisão também seriam vinculantes.

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Com a decisão acima explicada, o STF chega mais próximo à teoria da transcendência dos motivos
determinantes, mas não se pode afirmar categoricamente que esta passou a ser adotada pelo Tribunal. Penso
que não seja uma posição segura para se adotar em provas, considerando que não houve afirmação expressa
nesse sentido.

#INFORMATIVOSQUESALVAM

O afastamento de norma legal por órgão fracionário, de modo a revelar o esvaziamento da eficácia do
preceito, implica contrariedade à cláusula de reserva de plenário e ao Enunciado 10 da Súmula Vinculante.
Caso concreto: a 4ª Turma do TRF da 1ª Região, ou seja, um órgão fracionário do TRF1, ao julgar apelação,
permitiu que uma empresa comercializasse determinada espécie de cigarro mesmo isso sendo contrário às
regras do Decreto nº 7.212/2010. Embora não tenha declarado expressamente a inconstitucionalidade do
Decreto, a 4ª Turma afirmou que ele seria contrário ao princípio da livre concorrência, que é previsto no art.
170, IV, da CF/88. Ao desobrigar a empresa de cumprir as regras do decreto afirmando que ele violaria o
princípio da livre iniciativa, o que a 4ª Turma fez foi julgar o decreto inconstitucional. Ocorre que isso deveria
ter sido feito respeitando-se a cláusula de reserva de plenário, conforme explicitado na SV 10: Súmula
vinculante 10-STF: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão fracionário de
tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder
Público, afasta a sua incidência no todo ou em parte. STF. 1ª Turma. RE 635088 AgR-segundo/DF, rel. Min.
Marco Aurélio, julgado em 4/2/2020 (Info 965).

Exige-se quórum de MAIORIA ABSOLUTA dos membros do STF para modular os efeitos de decisão proferida
em julgamento de recurso extraordinário repetitivo, com repercussão geral, no caso em que NÃO tenha
havido declaração de inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. Qual é o quórum para que o STF, no
julgamento de recurso extraordinário repetitivo, com repercussão geral reconhecida, faça a modulação dos
efeitos da decisão? • Se o STF declarou a lei ou ato inconstitucional: 2/3 dos membros. • Se o STF não declarou
a lei ou ato inconstitucional: maioria absoluta. STF. Plenário. RE 638115 ED-ED/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 18/12/2019 (Info 964).

Se uma lei ou ato normativo é declarado inconstitucional pelo STF, incidentalmente, essa decisão, assim como
acontece no controle abstrato, também produz eficácia erga omnes e efeitos vinculantes. Assim, se o Plenário
do STF decidir a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo, ainda que em
controle incidental, essa decisão terá os mesmos efeitos do controle concentrado, ou seja, eficácia erga
omnes e vinculante. Houve mutação constitucional do art. 52, X, da CF/88. A nova interpretação deve ser a
seguinte: quando o STF declara uma lei inconstitucional, mesmo em sede de controle difuso, a decisão já tem
efeito vinculante e erga omnes e o STF apenas comunica ao Senado com o objetivo de que a referida Casa
Legislativa dê publicidade daquilo que foi decidido. STF. Plenário. ADI 3406/RJ e ADI 3470/RJ, Rel. Min. Rosa
Weber, julgados em 29/11/2017 (Info 886). Obs: vale fazer o alerta de que esse tema ainda não está pacificado
e ainda irá produzirá intensos debates, inclusive quanto à nomenclatura das teorias que foram adotadas pelo
STF.

No exercício da atividade jurisdicional, posto um litígio em juízo, o Poder Judiciário deverá solucioná-lo e para
tanto, incidentalmente, poderá analisar a constitucionalidade ou não de lei ou de ato normativo, inclusive
aqueles de efeitos concretos (controle difuso de constitucionalidade). A inconstitucionalidade de ato
normativo estatal só pode ser declarada pelo voto da maioria absoluta da totalidade dos membros do tribunal
ou, onde houver, dos integrantes do respectivo órgão especial, sob pena de absoluta nulidade da decisão
emanada do órgão fraccionário (Turma, Câmara ou Seção), em respeito à previsão do art. 97 da Constituição
Federal. STF. 2ª Turma. Rcl 18165 AgR-ED, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 21/08/2017.

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CONTROLE CONCENTRADO

Como já dito: concentra-se em um único Tribunal.

Pode verificar-se em cinco situações:48

 ADI
 ADPF
 ADO
 ADI interventiva
 ADC

ADI:

É controle de constitucionalidade de ato normativo em tese abstrato.

Aqui, o objeto principal da demanda é a declaração da inconstitucionalidade.

Objeto: é a lei ou ato normativo incompatível com o sistema.

#INFORMAÇÕES IMPORTANTES:

- Não admite ADI para atacar lei ou ato normativo revogado ou com eficácia exaurida.

- As normas decorrentes do poder constituinte derivado revisor, reformador e decorrente podem ser objeto
de controle de constitucionalidade, já que são condicionados e limitados às regras do poder constituinte
originário.

-Não podem ser objeto de controle, as normas constitucionais originárias.

-Inconstitucionalidade Circunstancial: Trata-se de uma lei formalmente constitucional, mas que


circunstancialmente, a sua aplicação caracteriza uma inconstitucionalidade. 49

- Inconstitucionalidade “chapada”: É uma inconstitucionalidade flagrante.

Competências:

48
PESSOAL! Não temos como esgotar o tema aqui, lembrem-se o NFPSS é apenas uma revisão. Caso tenham tempo,
leiam todas as leis referentes ao controle concentrado, ok? Vou tentar colocar os pontos mais importantes sobre cada
uma delas. Vamos lá?

49
. É possível cogitar de situações nas quais um enunciado normativo, válido em tese e na maior parte de suas incidências,
ao ser confrontado com determinadas circunstâncias concretas, produz uma norma inconstitucional. Lembre-se que,
em função da complexidade dos efeitos que se pretendam produzir e/ou da multiplicidade de circunstâncias de fato
sobre as quais incidem, também as regras podem justificar diferentes condutas que, por sua vez, vão dar conteúdo a
normas diversas. (LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, 2020)

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Lei ou ato normativo federal ou estadual em face da Constituição Federal: STF.

Lei ou ato normativo estadual ou municipal em face da Constituição do Estado: TJ LOCAL.

Legitimados na ADI

Art. 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de


constitucionalidade:

I - o Presidente da República; (LEGITIMADO NEUTRO/UNIVERSAL)

II - a Mesa do Senado Federal; (LEGITIMADO NEUTRO/UNIVERSAL)

III - a Mesa da Câmara dos Deputados; ; (LEGITIMADO NEUTRO/UNIVERSAL)

IV - a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal (LEGITIMADO ESPECIAL)

V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal (LEGITIMADO ESPECIAL)

VI - o Procurador-Geral da República; (LEGITIMADO NEUTRO/UNIVERSAL)

VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; (LEGITIMADO NEUTRO/UNIVERSAL)

VIII - partido político com representação no Congresso Nacional; (LEGITIMADO NEUTRO/UNIVERSAL)

IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. (LEGITIMADO ESPECIAL)

NEUTROS ESPECIAIS

Ou seja, não precisam demonstrar a pertinência Devem demonstrar o interesse na propositura da


temática ação relacionado à sua finalidade institucional.

E TODOS PRECISAM DE ADVOGADO? Pedro Lenza explica “O STF entendeu que somente os partidos políticos
e as confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional é que deverão ajuizar a ação por
advogado (art. 103, VIII e IX). Quanto aos demais legitimados (art. 103, I-VII), a capacidade postulatória
decorre da Constituição.”

EFEITOS DA DECISÃO NA ADI

- Caráter dúplice ou ambivalente: Art.24 da Lei 9868/99. Caso proclamada a constitucionalidade, julgar-se-
á improcedente ADI e o inverso é verdadeiro.

- Efeitos erga omnes e ex tunc. É um ato nulo.

-Modulação de Efeitos é possível: quórum 2/3 dos membros.

- Com a decisão, haverá vinculação para os órgãos do Judiciário e da Administração Pública Federal, Estadual
e Municipal.

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Atenção! Aplica-se o princípio da parcelaridade ao controle concentrado. Pode o STF julgar parcialmente
procedente o pedido de declaração de inconstitucionalidade, retirando do texto apenas uma palavra, uma
expressão.

- Medida Cautelar: Art. 10 da Lei 9689/99

Art. 10. Salvo no período de recesso, a medida cautelar na ação direta será concedida por decisão da maioria
absoluta dos membros do Tribunal, observado o disposto no art. 22, após a audiência dos órgãos ou
autoridades dos quais emanou a lei ou ato normativo impugnado, que deverão pronunciar-se no prazo de
cinco dias.

§ 1º O relator, julgando indispensável, ouvirá o Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral da República,


no prazo de três dias.

§ 2º No julgamento do pedido de medida cautelar, será facultada sustentação oral aos representantes
judiciais do requerente e das autoridades ou órgãos responsáveis pela expedição do ato, na forma
estabelecida no Regimento do Tribunal.

§ 3o Em caso de excepcional urgência, o Tribunal poderá deferir a medida cautelar sem a audiência dos órgãos
ou das autoridades das quais emanou a lei ou o ato normativo impugnado

ADPF:

Previsão Constitucional:

Art. 102 § 1º A arguição de descumprimento de preceito fundamental, decorrente desta Constituição, será
apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, na forma da lei.

De acordo com o STF é norma de eficácia limitada.

Previsão Legal: Lei 9882/99

Objeto:

Arguição Autônoma, ou seja o pedido principal:

Evitar (preventivo) ou Reparar Lesão a preceito fundamental, resultante de ato do Poder Público.

Arguição Incidental: prevista no parágrafo único do art. 1.º da Lei n. 9.882/99, prevê a possibilidade de
arguição quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo
federal, estadual, municipal (e por consequência o distrital, acrescente-se), incluídos os anteriores à
Constituição.

A ADPF pode ter por objeto ato editado antes da CF.

Conceito de Preceito Fundamental: Para Bulos, “qualificam-se de fundamentais os grandes preceitos que
informam o sistema constitucional, que estabelecem comandos basilares e imprescindíveis à defesa dos

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pilares da manifestação constituinte originária”. Como exemplos o autor lembra os arts. 1.º, 2.º, 5.º, II, 37,
207 etc.50

Efeitos da ADPF:

Erga Omnes

Efeito Vinculante

Ex Tunc

Pedido de Medida Liminar

Art. 5o O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido
de medida liminar na arguição de descumprimento de preceito fundamental.

§ 1o Em caso de extrema urgência ou perigo de lesão grave, ou ainda, em período de recesso, poderá o relator
conceder a liminar, ad referendum do Tribunal Pleno.

§ 2o O relator poderá ouvir os órgãos ou autoridades responsáveis pelo ato questionado, bem como o
Advogado-Geral da União ou o Procurador-Geral da República, no prazo comum de cinco dias.

§ 3o A liminar poderá consistir na determinação de que juízes e tribunais suspendam o andamento de


processo ou os efeitos de decisões judiciais, ou de qualquer outra medida que apresente relação com a
matéria objeto da arguição de descumprimento de preceito fundamental, salvo se decorrentes da coisa
julgada.

ADO

Busca combater a síndrome de inefetividade das normas constitucionais.

Previsão Constitucional:

Art. 103 § 2º Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma
constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se
tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias.

Omissão: a) Total b) Parcial.

Objeto: A omissão pode ser do Legislativo, mas também do Executivo, quando tem que editar atos
secundários) e do Judiciário (algum aspecto em seu regimento interno).

Liminar:

Art. 12-F. Em caso de excepcional urgência e relevância da matéria, o Tribunal, por decisão da maioria
absoluta de seus membros, observado o disposto no art. 22, poderá conceder medida cautelar, após a

50
Constituição Federal anotada, p. 901.

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audiência dos órgãos ou autoridades responsáveis pela omissão inconstitucional, que deverão pronunciar-se
no prazo de 5 (cinco) dias.

§ 1º A medida cautelar poderá consistir na suspensão da aplicação da lei ou do ato normativo questionado,
no caso de omissão parcial, bem como na suspensão de processos judiciais ou de procedimentos
administrativos, ou ainda em outra providência a ser fixada pelo Tribunal.

§ 2º O relator, julgando indispensável, ouvirá o Procurador-Geral da República, no prazo de 3 (três) dias.

§ 3º No julgamento do pedido de medida cautelar, será facultada sustentação oral aos representantes
judiciais do requerente e das autoridades ou órgãos responsáveis pela omissão inconstitucional, na forma
estabelecida no Regimento do Tribunal.

ADC

Busca-se declarar a constitucionalidade de lei ou ato normativo federal.

O objetivo primordial da ADC é converter a presunção relativa de constitucionalidade de uma lei em


presunção absoluta.

Efeitos da ADC

 Erga omnes
 Ex tunc
 Vinculante em relação aos órgãos do Judiciário e da Administração Pública Federal, Estadual,
Municipal e distrital.
Medida Cautelar

Art. 21. O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria absoluta de seus membros, poderá deferir pedido
de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, consistente na determinação de que os juízes
e os Tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo
objeto da ação até seu julgamento definitivo.

Parágrafo único. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial
do Diário Oficial da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo o Tribunal proceder
ao julgamento da ação no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de perda de sua eficácia.

CONTROLE ABSTRATO DE CONSTITUCIONALIDADE NOS ESTADOS-MEMBROS.

Fundamento Legal: Art. 125, §2º , da Constituição Federal.

Objeto de Controle: Leis ou Atos Normativos Estaduais ou Municipais.

Vedação: É vedado atribuição da legitimação para agir a um único órgão.

Órgão Competente: TJ Local.

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Simultaneus processos:

Explica Pedro Lenza (Direito Constitucional, 2020):

As leis estaduais, em se tratando de controle concentrado pela via em abstrato, sofrem dupla fiscalização,
tanto por meio de ADI no TJ e tendo como parâmetro a CE como perante o STF e tendo como parâmetro a
CF. Isso significa que a mesma lei estadual poderá ser objeto de controle concentrado no TJ e no STF. Se isso
acontecer, estaremos diante do fenômeno da simultaneidade de ações diretas de inconstitucionalidade,
também denominado simultaneus processus. Nessa situação, em sendo o mesmo objeto (vale dizer, a mesma
lei estadual), assim como o parâmetro estadual de confronto, norma de reprodução obrigatória prevista na
Constituição Federal, o controle estadual deverá ficar suspenso (em razão da causa de suspensão prejudicial
do referido processo), aguardando o resultado do controle federal, já que o STF é o intérprete máximo da
Constituição.

#TABELASALVANDO

#PEDROLENZA51

Verificado o fenômeno do simultaneus processus, Vamos imaginar agora que a ação seja proposta
as seguintes hipóteses poderão surgir a partir da perante o TJ estadual e que este julgue a ação que
decisão a ser proferida pelo STF: transita em julgado. Poderá no futuro a mesma lei
ser examinada em controle abstrato perante o STF
e tendo como parâmetro a CF? Duas são as
hipóteses:

 STF declara inconstitucional a lei estadual  TJ declara previamente a lei estadual


perante a CF — a ADI estadual perderá o seu objeto, constitucional — naturalmente, para esta hipótese,
não produzindo a lei mais efeitos no referido Estado; não se tratará de simultaneidade. Assim, em sendo
 STF declara constitucional a lei estadual no futuro ajuizada a ADI perante o STF, tendo por
perante a CF — o TJ poderá prosseguir o julgamento objeto a mesma lei estadual, o STF poderá
da ADI da lei estadual diante da CE, pois, perante a reconhecê-la como inconstitucional diante da CF.
Constituição Estadual, a referida lei poderá ser Como o STF é o intérprete máximo da
incompatível (mas, naturalmente, desde que seja constitucionalidade das leis e o responsável por
por fundamento diverso) apontar a força normativa da Constituição, a nova
decisão do STF prevalecerá inclusive sobre a coisa
julgada estadual;
 TJ declara previamente a lei estadual
inconstitucional — entendemos que não haveria
mais sentido falar em controle perante o STF, já que
a lei estadual foi retirada do ordenamento jurídico.

51
Tabela Retirada do Livro Direito Constitucional de Pedro Lenza, 2020.

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CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NA CONSTITUIÇÃO DE MINAS GERAIS.

Art. 118 – São partes legítimas para propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de
constitucionalidade:

I – o Governador do Estado; II – a Mesa da Assembleia; III – o Procurador-Geral de Justiça; IV – o Prefeito ou


a Mesa da Câmara Municipal; V – o Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Estado de Minas
Gerais; VI – partido político com representação na Assembleia Legislativa do Estado; VII – entidade sindical
ou de classe com base territorial no Estado; VIII – a Defensoria Pública.

§ 1º – Aplica-se o disposto neste artigo à ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo
municipal em face da Constituição da República

§ 2º – O Procurador-Geral de Justiça será ouvido, previamente, nas ações diretas de inconstitucionalidade. §

§ 3º – Declarada a inconstitucionalidade, a decisão será comunicada à Assembleia Legislativa ou à Câmara


Municipal.

§ 4º – Reconhecida a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma desta
Constituição, a decisão será comunicada ao Poder competente para adoção das providências necessárias à
prática do ato ou início do processo legislativo, e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em
trinta dias, sob pena de responsabilidade.

§ 5º – Quando o Tribunal de Justiça apreciar a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato


normativo estadual, citará, previamente, o Advogado-Geral do Estado e o Procurador-Geral da Assembleia
Legislativa, que defenderão o ato ou texto impugnado, ou, no caso de norma legal ou ato normativo
municipal, o Prefeito e o Presidente da Câmara Municipal, para a mesma finalidade.

§ 6º – Somente pelo voto da maioria de seus membros ou de seu órgão especial poderá o Tribunal de Justiça
declarar inconstitucionalidade de lei ou ato normativo estadual ou municipal, incidentalmente ou como
objeto de ação direta, ou declarar a constitucionalidade de lei ou ato normativo estadual ou municipal que
seja objeto de ação declaratória de constitucionalidade.

§ 7º – As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Tribunal de Justiça nas ações diretas de
inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e
efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e
indireta nas esferas estadual e municipal demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta
e indireta nas esferas estadual e municipal.

§ 8º – Em caso de necessidade de esclarecimento de matéria ou circunstância de fato ou de notória


insuficiência das informações existentes nos autos, poderá o relator requisitar informações adicionais,
designar perito ou comissão de peritos para que emita parecer sobre a questão ou fixar data para, em
audiência pública, ouvir depoimentos de pessoas com experiência e autoridade na matéria.

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§ 9º – Na hipótese de processamento simultâneo de ação direta de inconstitucionalidade e de ação
declaratória de constitucionalidade que tenham identidade de objeto, o Tribunal de Justiça adotará as
medidas necessárias à efetivação do princípio da economia processual, ouvindo-se todos os envolvidos nesses
processos a fim de assegurar o princípio do contraditório e da ampla defesa.

INFORMATIVOS SOBRE O TEMA:

Governador de Estado afastado cautelarmente de suas funções — por força do recebimento de denúncia por
crime comum — não tem legitimidade ativa para a propositura de ação direta de inconstitucionalidade. STF.
Plenário. ADI 6728 AgR/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/4/2021 (Info 1015).

Não é admitido o aditamento à inicial da ação direta de inconstitucionalidade após o recebimento das
informações dos requeridos e das manifestações do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da
República. STF. Plenário. ADI 4541/BA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 16/4/2021 (Info 1013).

A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) é instrumento eficaz de controle da


inconstitucionalidade por omissão. A ADPF pode ter por objeto as omissões do poder público, quer totais ou
parciais, normativas ou não normativas, nas mesmas circunstâncias em que ela é cabível contra os atos em
geral do poder público, desde que essas omissões se afigurem lesivas a preceito fundamental, a ponto de
obstar a efetividade de norma constitucional que o consagra. STF. Plenário. ADPF 272/DF, Rel. Min. Cármen
Lúcia, julgado em 25/3/2021 (Info 1011).

Em tese, é possível o reconhecimento de inconstitucionalidade formal no processo constituinte reformador


quando eivada de vício a manifestação de vontade do parlamentar no curso do devido processo constituinte
derivado, pela prática de ilícitos que infirmam a moralidade, a probidade administrativa e fragilizam a
democracia representativa. Caso concreto: ADEPOL ajuizou ADI pedindo a declaração de
inconstitucionalidade formal da EC 41/2003 e da EC 47/2005 sob o argumento de que elas foram aprovadas
com votos “comprados” de Deputados Federais condenados no esquema do “Mensalão” (AP 470). O STF
afirmou que, sob o aspecto formal, as emendas constitucionais devem respeitar o devido processo legislativo,
que inclui, entre outros requisitos, a observância dos princípios da moralidade e da probidade. Assim, é
possível o reconhecimento de inconstitucionalidade formal no processo de reforma constituinte quando
houver vício de manifestação de vontade do parlamentar, pela prática de ilícitos. Porém, para tanto, é
necessária a demonstração inequívoca de que, sem os votos viciados pela ilicitude, o resultado teria sido
outro. No caso, apenas sete Deputados foram condenados pelo Supremo na AP 470, por ficar comprovado
que eles participaram do esquema de compra e venda de votos e apoio político conhecido como Mensalão.
Portanto, o número comprovado de “votos comprados” não é suficiente para comprometer as votações das
ECs 41/2003 e 47/2005. Ainda que retirados os votos viciados, permanece respeitado o rígido quórum
estabelecido na Constituição Federal para aprovação de emendas constitucionais, que é 3/5 em cada casa do
Congresso Nacional. STF. Plenário. ADI 4887/DF, ADI 4888/DF e ADI 4889/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado
em 10/11/2020 (Info 998).

Não há impedimento, nem suspeição de ministro, nos julgamentos de ações de controle concentrado, exceto
se o próprio ministro firmar, por razões de foro íntimo, a sua não participação. STF. Plenário. ADI 6362/DF,
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 2/9/2020 (Info 989).

A pessoa física não tem representatividade adequada para intervir na qualidade de amigo da Corte em ação
direta. STF. Plenário. ADI 3396 AgR/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/8/2020 (Info 985).

Cabe ADPF contra o conjunto de decisões judiciais que determinam medidas de constrição judicial em
desfavor do Estado-membro, das Caixas Escolares ou das Unidades Descentralizadas de Execução da
61
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Educação UDEs e que recaiam sobre verbas destinadas à educação. STF. Plenário. ADPF 484/AP, Rel. Min. Luiz
Fux, julgado em 4/6/2020 (Info 980).

A pessoa física não tem representatividade adequada para intervir na qualidade de amigo da Corte em ação
direta. STF. Plenário. ADI 3396 AgR/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/8/2020 (Info 985).

A CF/88 e a lei preveem que a “entidade de classe de âmbito nacional” possui legitimidade para propor ADI,
ADC e ADPF. A jurisprudência do STF, contudo, afirma que apenas as entidades de classe com associados ou
membros em pelo menos 9 (nove) Estados da Federação dispõem de legitimidade ativa para ajuizar ação de
controle abstrato de constitucionalidade. Assim, não basta que a entidade declare no seu estatuto ou ato
constitutivo que possui caráter nacional. É necessário que existam associados ou membros em pelo menos 9
(nove) Estados da Federação. Isso representa 1/3 dos Estados-membros/DF. Trata-se de um critério objetivo
construído pelo STF com base na aplicação analógica da Lei Orgânica dos Partidos Políticos (art. 7º, § 1º, da
Lei nº 9.096/95). STF. Plenário. ADI 3287, Rel. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Ricardo Lewandowski,
julgado em 05/08/2020 (Info 988 – clipping).

É possível a intervenção de amicus curiae em processos subjetivos? SIM, no entanto, de forma excepcional.
O ingresso de amicus curiae é previsto para as ações de natureza objetiva, sendo excepcional a admissão no
processo subjetivo quando a multiplicidade de demandas similares indicar a generalização do julgado a ser
proferido. STJ. 2ª Turma. AgInt na PET no REsp 1700197/SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
19/06/2018. É imprescindível a demonstração, pela entidade pretendente a colaborar com a Corte, de que
não está a defender interesse privado, mas, isto sim, relevante interesse público Isso porque, não se trata de
uma intervenção de terceiros, e sim de um ato de admissão informal de um colaborador da corte. STJ. 4ª
Turma. EDcl no REsp 1733013/PR, Rel. Min. Luís Felipe Salomão, julgado em 29/06/2020.

Cabe ADPF contra o conjunto de decisões judiciais que determinam medidas de constrição judicial em
desfavor do Estado-membro, das Caixas Escolares ou das Unidades Descentralizadas de Execução da
Educação UDEs e que recaiam sobre verbas destinadas à educação. STF. Plenário. ADPF 484/AP, Rel. Min. Luiz
Fux, julgado em 4/6/2020 (Info 980).

Lei estadual que dispõe sobre criação, incorporação, fusão ou desmembramento de municípios possui
natureza normativa e abstrata, desafiando o controle concentrado. STF. Plenário. ADI 1825, Rel. Min. Luiz Fux,
julgado em 15/04/2020 (Info 978).

O advogado que assina a petição inicial da ação direta de inconstitucionalidade precisa de procuração com
poderes específicos. A procuração deve mencionar a lei ou ato normativo que será impugnado na ação.
Repetindo: não basta que a procuração autorize o ajuizamento de ADI, devendo indicar, de forma específica,
o ato contra o qual se insurge. Caso esse requisito não seja cumprido, a ADI não será conhecida. Vale ressaltar,
contudo, que essa exigência constitui vício sanável e que é possível a sua regularização antes que seja
reconhecida a carência da ação. STF. Plenário. ADI 6051, Rel. Cármen Lúcia, julgado em 27/03/2020.

TERMINOLOGIAS INUSITADAS:

#CEREJADOBOLO

Lei “ainda constitucional”, ou “inconstitucionalidade progressiva”, ou “declaração de constitucionalidade


de norma em trânsito para a inconstitucionalidade”, é a lei que é constitucional enquanto perdurar

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determinada circunstância, porém, quando essa circunstância de fato não mais se verificar, essa norma (sem
rigor técnico) será tida por inconstitucional52

A inconstitucionalidade por arrastamento ocorrerá quando, em virtude da declaração de


inconstitucionalidade de uma norma, outras normas dela dependentes sejam alcançadas pela declaração de
inconstitucionalidade, assegurando a coerência do ordenamento jurídico. É o que ocorre com o decreto que
regulamenta os preceitos da norma eivada de inconstitucionalidade.53

Signaling é um aviso ou um sinal que o Tribunal emite da iminência de um overruling (superação de


precedente) por meio da revogação, revisão ou modificação de precedente, ou seja, o Tribunal anuncia que
vai superar o precedente existente até então sobre certa matéria (que não mais corresponderia ou que não
estaria mais ajustado ao bom direito)54

Usucapião de Constitucionalidade: O Brasil não admite o fenômeno do “usucapião de constitucionalidade”.


O fato de uma norma jurídica estar em vigor por um longo período não lhe confere constitucionalidade. O
fato de uma norma jurídica estar em vigor por um longo período não lhe confere constitucionalidade.
Vejamos: “A dinâmica da vida não impõe que haja aí um tipo de usucapião (...). Pelo fato de a lei ficar em
vigor por muito tempo, ela não se torna constitucional”. (Voto do Ministro Gilmar Mendes na ADI 4.451 MC-
REF). “Entendo que é possível, a qualquer momento — realimente não há usucapião nesse campo do controle
de constitucionalidade —, apreciar-se a harmonia ou não de um dispositivo de diploma legal com a Carta da
República. (Voto do Ministro Marco Aurélio na ADI 4.51 MC-REF).55

#JÁCAIU

#MPMG

De acordo com a Lei nº 9.868/99, é CORRETO afirmar:56

A)a medida cautelar, na Ação Direta de Inconstitucionalidade, será dotada de eficácia contra todos, e
concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa.

B)ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica
ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de três quintos de seus

52
Concursos públicos : terminologias e teorias inusitadas / João Biffe Junior, Joaquim Leitão Junior. – Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017.
53
Concursos públicos : terminologias e teorias inusitadas / João Biffe Junior, Joaquim Leitão Junior. – Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017.
54
Concursos públicos : terminologias e teorias inusitadas / João Biffe Junior, Joaquim Leitão Junior. – Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2017.
55 Informação retirada do instagram @Thimotie Aragon Heemann https://www.instagram.com/p/CO_PUsCjDJW/

56
GAB. A

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membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito
em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.

C)havendo pedido de medida cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade, o relator, em face da


relevância da matéria e de seu especial significado para a ordem social e a segurança jurídica, poderá, após a
prestação das informações, no prazo de dez dias, e a manifestação do Advogado-Geral da União e do
Procurador-Geral da República, sucessivamente, no prazo de cinco dias, submeter o processo diretamente ao
Tribunal, que deverá julgar definitivamente a ação.

D)a concessão da medida cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade não repristina a legislação anterior
acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário.

8. Direitos e Garantias Fundamentais. Evolução histórica, características, abrangência e normas


garantidoras dos direitos e garantias fundamentais. Direitos e garantias fundamentais em espécie. A
eficácia horizontal dos direitos fundamentais. Dignidade da pessoa humana. Deveres fundamentais e
deveres constitucionais. Limites dos direitos e garantias fundamentais. Âmbito de proteção e núcleo
essencial dos direitos fundamentais. Direitos individuais e coletivos. Ações constitucionais. Direitos sociais.

#APOSTACICLOS

DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS:

Os direitos e garantias fundamentais na Constituição Federal estão divididos em diferentes grupos:

 Direitos e Deveres Individuais e Coletivos;


 Direitos Sociais;
 Direitos de Nacionalidade
 Direitos Políticos
 Partidos Políticos.

Dimensões ou Gerações dos Direitos Fundamentais:

Direitos Fundamentais da 1ª Dimensão: Nesse período, o Estado está deixando de ser autoritário para
transformar-se em Estado de Direito. Assim, ganham destaque as liberdades individuais. Tais direitos dizem
respeito às liberdades públicas e aos direitos políticos (= direitos civis e políticos). Valorização da LIBERDADE.

Pedro Lenza destaca documentos históricos para os chamados direitos de 1ª Dimensão: Magna Carta de 1215,
assinada pelo rei “João Sem terra”; Paz de Westfália (1648); Habeas Corpus Act (1679); Bill of Rights (1688);
Declarações, seja a americana (1776), seja a francesa (1789).

Direitos Fundamentais da 2ª Dimensão: É impulsionada pela Revolução Industrial Europeia. O início do Século
XX é marcado pela 1º Grande Guerra e pela fixação de direitos sociais. Há uma evidência nos direitos sociais,
culturais e econômicos. Aqui busca-se a IGUALDADE.

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Documentos marcantes para o período: Constituição do México, de 1917; Constituição de Weimar, de 1919,
na Alemanha, conhecida como a Constituição da primeira república alemã; Tratado de Versalhes, 1919 (OIT);
no Brasil, a Constituição de 1934 (lembrando que nos textos anteriores também havia alguma previsão).

Direitos Fundamentais de 3ª Dimensão: Aqui surgem novas preocupação como a preservação do meio
ambiente, proteção dos consumidores. Aqui busca-se a SOLIDARIEDADE OU FRATERNIDADE.

Direitos Fundamentais de 4ª Dimensão: Os direitos de 4ª dimensão não são pacíficos: Bobbio defende a
proteção no campo da engenharia genética; Bonavides entende que são os direitos referentes a democracia,
informação e pluralismo.

Direitos Fundamentais de 5ª Dimensão: Direito a Paz.

DIREITOS FUNDAMENTAIS X GARANTIAS FUNDAMENTAIS.

Direitos são bens e vantagens prescritos na norma constitucional.

Garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o exercício dos direitos fundamentais.

CARACTERÍSTICA DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

 UNIVERSALIDADE
 HISTORICIDADE
 INALIENABILIDADE/IMPRESCRITIBILIDADE/IRRENUNCIABILIDADE
 RELATIVIDADE E IMUTABILIDADE57

Aplicabilidade da Regra Prevista no Art. 5,§1º, da CF:

§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

José Afonso da Silva explica: “em primeiro lugar, significa que elas são aplicáveis até onde possam, até onde
as instituições ofereçam condições para seu atendimento. Em segundo lugar, significa que o Poder Judiciário,
sendo invocado a propósito de uma situação concreta nelas garantida, não pode deixar de aplicá-las,
conferindo ao interessado o direito reclamado, segundo as instituições existentes”.

JELLINEK – TEORIA DOS CLASSIFICAÇÃO CLASSIFICAÇÃO CLASSIFICAÇÃO TRIALISTA


STATUS.58 UNITÁRIA DUALISTA

57
Norberto Bobbio indica alguns direitos como absolutos: direito a não ser escravizado e direito a não
ser torturado. Dworkin também considera como absoluto o direito a não ser torturado.

58
Informações retiradas da FUC de Direitos e Garantias Fundamentais.

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a) Status passivo: A Os a) Direitos de defesa: são os


é aquele em que se profunda direitos direitos liberais clássicos, presentes nas
encontra o indivíduo semelhança fundamentais são primeiras constituições escritas. Tem
detentor de deveres entre os direitos divididos em objetivo de proteger o indivíduo contra
perante o Estado. É um fundamentais direitos de defesa o arbítrio do Estado. Liberdades
estado de subordinação impede que que conferem ao individuais. São basicamente os
em relação ao Estado. sejam indivíduo um direitos e garantias individuais.
Aqui o indivíduo é considerados ou status negativo Conferem ao indivíduo status negativo
meramente detentor de classificados em com o intuito de ao indivíduo. Exigem, principalmente,
deveres. categorias protegê-lo contra uma abstenção por parte do Estado.
estruturalmente ingerências do
b) Status ativo: o diversas (Jairo Estado; e direitos b) Direitos a prestações: exigem
indivíduo possui Schafer). Não é a prestacionais são do Estado prestações materiais e
competências para concepção aqueles que jurídicas, ou seja, esses direitos são
influenciar a formação predominante conferem um direitos que conferem ao indivíduo um
da vontade estatal. Ex. no Brasil. status positivo status positivo. Na CF/88 representam
direitos políticos. Voto. (capacidade de basicamente os direitos sociais. Nem
exigir prestações todo direito social é prestacional. Ex.
c) Status negativo: materiais e liberdade de associação sindical/direito
é aquele em que o jurídicas do de greve são direitos sociais, mas não
indivíduo goza de um Estado). Ingo exigem do Estado prestação alguma;
espaço de liberdade Sarlet adota essa exigem, na verdade, uma abstenção.
diante das possíveis classificação. Assistência judiciária gratuita, por
ingerências. outro lado, não é um direito social, mas
é prestacional. Nem todo direito social
d) Status positivo: é prestacional e vice-versa.
é aquele em que o
indivíduo tem o direito c) Direitos de participação:
de exigir do Estado permitem a participação do indivíduo
determinadas na vida política do Estado. Direitos de
prestações positivas. nacionalidade e direitos políticos.
Confere ao indivíduo o status ativo,
posição que pode influenciar na
formação política do Estado.

EFICÁCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS:

EFICÁCIA VERTICAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS: Consiste na aplicação dos direitos fundamentais às
relações entre particulares e o Estado. É a eficácia clássica.
EFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS (eficácia privada ou externa): Com o
desenvolvimento dos direitos fundamentais, percebeu-se que a opressão e a violência conta o indivíduo vem
também de entidades privadas. Consiste na aplicação dos direitos fundamentais às relações entre
particulares.

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EFICÁCIA DIAGONAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS: Bem recente. Consiste na aplicação dos direitos
fundamentais à relação entre particulares, nas quais existe um desequilíbrio fático, a exemplo da relação
trabalhista.

Nesse sentido, cogitando-se da aplicação dos direitos fundamentais às relações privadas, duas teorias podem
ser destacadas:59

EFICÁCIA INDIRETA OU MEDIATA — os direitos fundamentais são aplicados de maneira reflexa, tanto em
uma dimensão proibitiva e voltada para o legislador, que não poderá editar lei que viole direitos
fundamentais, como, ainda, positiva, voltada para que o legislador implemente os direitos fundamentais,
ponderando quais devam aplicar-se às relações privadas.

EFICÁCIA DIRETA OU IMEDIATA — alguns direitos fundamentais podem ser aplicados às relações privadas
sem que haja a necessidade de “intermediação legislativa” para a sua concretização.

CONTEÚDO ESSENCIAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS 60

O objetivo de se definir o conteúdo essencial de um direito fundamental é evitar que a regulação legal de seu
exercício desnaturalize ou altere o direito tal como consagrado na CF. O principal destinatário dessa teoria é
o Poder Legislativo, mas não é o único.

TEORIA ABSOLUTA

O conteúdo essencial é uma parte do conteúdo total do direito fundamental. Seria um núcleo duro do
conteúdo total que seria intransponível pelo legislador. Esse conteúdo essencial é absoluto! Não pode ser
relativizado.

TEORIA RELATIVA

A segunda teoria é a relativa (é incompatível com a classificação de JAS, de eficácia limitada, contida e plena).
Essa teoria defende a necessidade de justificar as restrições aos direitos fundamentais mediante o recurso ao
princípio da proporcionalidade. Não existiria um limite intransponível, a priori. É preciso antes analisar a
medida à luz do princípio da proporcionalidade. Se a medida estatal for proporcional, não atingiu o conteúdo
essencial.

RESTRIÇÕES AOS DIREITOS FUNDAMENTAIS:

Existem duas teorias de fixação dos limites (ou restrições).

A primeira teoria é a teoria interna. Por ela, o direito e o seus limites imanentes formam apenas um objeto.
Os limites são fixados a priori, através da interpretação, em um processo interno ao próprio direito, sem a
influência de outras normas constitucionais. Esses direitos vão ter sempre a estrutura de regras (tudo ou
nada: ou aquilo faz parte do direito ou não faz parte)

59
LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, 2020.

60
Retirado da FUC – Direitos e Garantias Fundamentais.

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A segunda teoria é a externa e utiliza a expressão “restrição” no lugar de limites. Por ela, existem dois objetos:
o direito em si e suas restrições, as quais estão situadas fora do direito. O conteúdo permitido de um direito
vai depender da análise de outros direitos envolvidos no caso concreto. A princípio tudo é possível, e
analisando as colisões verifica-se na prática se determinada conduta é ou não permitida. Então aqui a fixação
dos limites de um direito é feita em duas etapas. 1ª: identificação do conteúdo inicialmente protegido,
determinado da forma mais ampla possível (direito prima facie). 2ª: definição dos limites externos
decorrentes da necessidade de conciliar o direito com outros direitos (direito definitivo)

DIMENSÃO SUBJETIVA E OBJETIVA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS.

Nathalia Masson61 explica de forma clara a diferença entre os conceitos:

Enquanto direitos subjetivos, os direitos fundamentais outorgam aos titulares a prerrogativa de impor os seus
interesses em face dos órgãos obrigados. Por outro lado, em sua dimensão objetiva, os direitos fundamentais
formam a base do ordenamento jurídico de um Estado de Direito democrático.

Os direitos fundamentais
Dimensão formam a base do ordenamento
Objetiva jurídico de um Estado de Direito
Democrático.

Os direitos fundamentais
Dimensão outorgam aos titulares a
Subjetiva prerrogativa de impor os seus
interesses em face dos órgãos
obrigados.

TEORIA DA RESTRIÇÃO DAS RESTRIÇÕES62

A teoria da “restrição das restrições” (ou “limitação das limitações”/ “limites dos limites”) é uma teoria que
surgiu na Alemanha e é adotada constantemente no Brasil pelo STF.

Uma das características dos direitos fundamentais é que eles são relativos, ou seja, podem sofrer limitações.
Em outras palavras, os direitos fundamentais têm limites, eles podem sofrer restrições.

61
MASSON, Nathalia. Direito Constitucional. 2020.

62
CAVALCANTE, Márcio André Lopes. BNDES é obrigado a fornecer ao TCU documentos sobre financiamentos
concedidos. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/5fd0b37cd7dbbb00f97ba6ce92bf5add>.
Acesso em: 14/06/2021

68
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Contudo, as restrições impostas aos direitos fundamentais devem ser feitas com critérios e de forma
excepcional para não esvaziar o seu núcleo essencial.

Assim a doutrina germânica afirma que, quando forem ser feitas limitações aos direitos fundamentais, tais
limitações deverão ser limitadas. Dito de outro modo, pode haver restrições aos direitos fundamentais, mas
tais restrições deverão ser restritas (não podem ser muito amplas). Daí ter surgido essa
brincadeira de palavras, “restrição das restrições” ou “limitação das limitações”.

A excelente Prof. Jane Reis Gonçalves Pereira explica que a expressão “limites dos limites” foi utilizada por
Karl August Betterman, em uma conferência realizada em Berlim (1964), na qual sustentou que as limitações
aos direitos fundamentais, para serem legítimas, devem atender a um conjunto de condições materiais e
formais estabelecidas na Constituição, que são os limites dos limites dos direitos fundamentais.” (NOVELINO,
Marcelo. Direito Constitucional. Salvador: Juspodivm, 2015, p. 335).

Desse modo, só podem ser impostas restrições aos direitos fundamentais se forem observados certos
requisitos formais e materiais:

1) Requisito formal: “os direitos fundamentais só podem ser restringidos em caráter geral por
meio de normas elaboradas por órgãos dotados de atribuição legiferante conferido pela
constituição A restrição deve estar expressa ou implicitamente autorizada.” (NOVELINO, Marcelo., p. 335).

2) Requisitos materiais:

Para que a restrição seja válida, deverão ser observados os seguintes princípios:

· Princípio da não retroatividade;

· Princípio da proporcionalidade;

· Princípio da generalidade e abstração;

· Princípio da proteção do núcleo essencial.

Terminologia Inusitada: Você sabe o que é o necrodireito?

NECRODIREITO (José Ramón Narvaez)63

O “necrodireito” pode ser compreendido como o "direito que mata". Trata-se de uma de uma construção
teórica na qual o sistema do Estado não contempla/planifica tudo e todos, deixando vácuos/espaços que,
em razão de sua omissão, ocasiona a morte de pessoas, geralmente membros dos grupos mais vulneráveis
da população.

63
Retirado do insta do @legislaçãodestacada, que citava o @Thimotie Aragon Heemann.
https://www.instagram.com/p/CQb9IThDnoC/

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Em síntese: o Estado canaliza suas forças e objetivos para questões que considera essenciais como
“assuntos econômicos” e acaba deixando questões existenciais de lado, afetando a vida das camadas mais
pobres da população de determinada sociedade.

O necrodireito se torna mais evidente quando a temática é economia ou seguridade social, já que por vezes
o Estado opta por determinadas políticas públicas que exclui ou prejudica minorias e grupos vulneráveis
como a população LGBTQI+, mulheres, povos e comunidades tradicionais, pessoas com deficiência, idosos
e etc.

José Ramón Narvaez explica que há inclusive um nível mais complexo do necrodireito: quando o Estado
consente sadicamente e elimina de forma velada pessoas de determinada sociedade, dando primazia para
a fatores como estabilidade econômica.

Assim, o necrodireito se caracteriza tanto para os processos formais do Estado que geram a morte de
pessoas como também nas escolhas do Poder Público que militam contra a vida de maneira indireta,
descaracterizando grupos vulneráveis (morte cultural).

EXISTEM DIREITOS FUNDAMENTAIS ABSOLUTOS?64

Este foi um questionamento feito pelo então Senador da República Pedro Taques ao então indicado ao STF e
hoje Ministro Luís Roberto Barroso no momento de sua sabatina senatorial. Ao formular o questionamento,
os seguintes exemplos foram citados pelo Professor Pedro Taques:

1. VEDAÇÃO À TORTURA: A Constituição Federal de 1988 veda a prática da tortura e a aplicação de penas
desumanas ou degradantes. O Direito Internacional dos Direitos Humanos também não admite nenhuma
exceção à vedação da tortura, considerando a sua proibição uma norma de jus cogens (Corte IDH, Caso Myrna
Mack Chang v. Guatemala).

E a teoria da bomba relógio? Trata-se de cenário idealizado no plano teórico mas que dificilmente se
materializa na prática, conforme estudos do filósofo Michel Terestchenko em sua obra “O Bom uso da tortura:
ou como as democracias justificam o injustificável”. (Recomendo a leitura!);

2. VEDAÇÃO À ESCRAVIDÃO: O ordenamento jurídico brasileiro proíbe a escravidão de maneira absoluta. Da


mesma forma, o Direito Internacional dos Direitos Humanos não admite a relativização da vedação à
escravidão. Pelo contrário, a Corte IDH considera a vedação à escravidão uma norma de jus cogens (Caso
Trabalhadores da Fazenda Brasil Verde v. Brasil);

3. NÃO SER COMPULSORIAMENTE ASSOCIADO EM UMA ASSOCIAÇÃO: também parece ser um direito
absoluto, conforme citado por Pedro Taques na sabatina de Barroso;

64
Texto retirado do instagram do Thimotie Aragon Heemann: https://www.instagram.com/p/CQRolgEjMYR/

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4 DIREITO DE NÃO SER EXTRADITADO: a Constituição Federal de 1988 proíbe a extradição de brasileiro nato.
Neste ponto, lembro que a “entrega” de brasileiro nato ao Tribunal Penal Internacional é permitida, uma vez
que se trata de instituto diverso da extradição.

Os exemplos 1 e 2 são mencionados como direitos absolutos por Bobbio em seu clássico livro "A era dos
direitos".

DIREITOS SOCIAIS

Comprometida com a finalidade de garantir direitos mínimos à coletividade e assegurar urna melhoria das
condições de existência para os indivíduos, a Constituição enumera, de maneira genérica em seu art. 6º (com
redação dada pela EC n. 90/2015), os direitos sociais por excelência, quais sejam, o direito à educação, à
saúde, à alimentação', ao trabalho, à moradia2, ao transportei, ao lazer, à segurança, à previdência social, à
proteção à maternidade e à infância, e, por fim, à assistência aos desamparados.65

O conteúdo dos direitos sociais é essencialmente prestacional.

No entanto, há direitos sociais de abstenção, como é o caso do direito social da liberdade de associação
sindical.

Conceitos Importantes relacionados aos direitos sociais:

RESERVA DO POSSÍVEL:

Nathalia Masson explica o conceito dessa teoria: “Esta seria uma limitação jurídico-fática que poderia ser
apresentada pelos Poderes Públicos tanto em razão das restrições orçamentárias que lhes impediria de
implementar os direitos e ofertar todas as prestações materiais demandadas, quanto em virtude da
desarrazoada prestação exigida pelo indivíduo.”

Tríplice Dimensão da Teoria (por Ingo Sarlet): a) Efetiva disponibilidade fática dos recursos para a efetivação
dos direitos fundamentais sociais; b) Disponibilidade jurídica de recursos materiais e humanos que tem íntima
conexão com a determinação das prioridades na alocação de receitas; c) Proporcionalidade da prestação.

MÍNIMO EXISTENCIAL:

Seria o conjunto reduzido de direitos fundamentais formados pelos bens mais essenciais de uma vida digna.
Conceito para Barroso: "conjunto de condições materiais essenciais e elementares cuja presença é
pressuposto da dignidade para qualquer pessoa. Se alguém viver abaixo daquele patamar, o mandamento
constitucional estará sendo desrespeitado”.66

VEDAÇÃO DO RETROCESSO/EFFECT CLIQUET:

Os direitos fundamentais conquistados pela sociedade não podem ser objeto de retrocesso devido a uma
limitação material extrajurídica ao Poder Constituinte Originário, então uma nova Constituição deveria
observar os direitos conquistados.

65
MASSON, Nathalia. Direito Constitucional. 2020.

66
BARROSO, Luís Roberto. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo: os conceitos fundamentais e a construção do
novo modelo. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 202.

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Ciclos Método

Não há previsão na Constituição Federal de vedação ao retrocesso, mas há um conjunto de princípios dos
quais essa vedação é abstraída. São eles: segurança jurídica (as relações sociais têm que ter estabilidade),
dignidade da pessoa humana, princípio da máxima efetividade (art. 5º, §1º), princípio do Estado Democrático
e Social de Direito (art. 1º) e, ainda, há quem abstraia essa vedação ao retrocesso do sistema internacional
de direitos humanos.

CINCO DIMENSÕES DO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO RETROCESSO:67

Dimensões do princípio da proibição do retrocesso:

1) VEDAÇÃO AO RETROCESSO SOCIAL: Segundo o voto do Min. Celso de Mello no MS 24.875 “o postulado da
proibição do retrocesso social, cuja eficácia impede – considera a sua própria razão de ser – sejam
desconstituídas as conquistas já alcançadas pelo cidadão, que não pode ser despojado, por isso mesmo, em
matéria de direitos sociais, no plano das liberdades reais, dos níveis positivos de concretização por ele já
atingidos”. Trata-se da acepção clássica do princípio em comento.

2) VEDAÇÃO AO RETROCESSO POLÍTICO: A vedação do retrocesso político foi mencionada pela Min. Cármen
Lúcia ao julgar a medida cautelar na ADI 4.543 que dispunha sobre a volta do “voto impresso”. Para a Ministra
do Supremo Tribunal Federal, “a proibição de retrocesso político-constitucional impede que direitos
conquistados como o da garantia do voto secreto pela urna eletrônica retrocedam para dar lugar ao modelo
superado do voto impresso” (STF, ADI 4.543-MC).

3) VEDAÇÃO AO RETROCESSO CIVIL: Ao julgar no ano de 2017, a (in)constitucionalidade da desigualdade


sucessória conferida pelas Leis 8.971/94 e 9.287/96 em cotejo com o Código Civil de 2002, o Ministro Luis
Roberto Barroso reconheceu que “O Código Civil foi anacrônico e representou um retrocesso vedado pela
Constituição na proteção legal das famílias constituídas pela União Estável” (STF, RE 878.694 Min. Luis Roberto
Barroso). Neste julgamento o STF fixou a seguinte tese: “é inconstitucional a distinção de regimes sucessórios
entre cônjuges e companheiros prevista no art. 1.790 do Código Civil de 2002”.

4) VEDAÇÃO AO RETROCESSO ECOLÓGICO: Já reconhecido pelo STF em causas ambientais (ADI 4717).

5) VEDAÇÃO AO RETROCESSO INSTITUCIONAL: Esta vertente da vedação ao retrocesso foi ventilada pela PGR
na ADPF 607 que alterou a composição do MNPCT. Sobre o tema, a lição de André de Carvalho Ramos:
"Reduziu-se o âmbito de proteção normativa ao direito de não submissão à tortura ou tratamento e penas

67
Conceitos retirados do instagram @ThimotieAragonHeemann - https://www.instagram.com/p/CPG-we6jmPO/
(inclusive pessoal, sigam ele: muitas teorias novas e conceitos importantes)

72
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cruéis e degradantes de pessoas sob custódia do Estado, configurando ofensa ao princípio da vedação ao
retrocesso institucional".

#JULGADOSMAISIMPORTANTES

#NÃODEIXEDELER

A imposição legal de manutenção de exemplares de Bíblias em escolas e bibliotecas públicas estaduais


configura contrariedade à laicidade estatal e à liberdade religiosa consagrada pela Constituição da República
de 1988. STF. Plenário. ADI 5258/AM, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 12/4/2021 (Info 1012).

É compatível com a Constituição Federal a imposição de restrições à realização de cultos, missas e demais
atividades religiosas presenciais de caráter coletivo como medida de contenção do avanço da pandemia da
Covid-19. STF. Plenário. ADPF 811/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 8/4/2021 (Info 1012).

É necessária a manutenção da divulgação integral dos dados epidemiológicos relativos à pandemia da Covid-
19. A interrupção abrupta da coleta e divulgação de importantes dados epidemiológicos, imprescindíveis para
a análise da série histórica de evolução da pandemia (Covid-19), caracteriza ofensa a preceitos fundamentais
da Constituição Federal, nomeadamente o acesso à informação, os princípios da publicidade e da
transparência da Administração Pública e o direito à saúde. STF. Plenário. ADPF 690/DF, ADPF 691/DF e ADPF
692 /DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgados em 13/03/2021 (Info 1009).

Ao restringirem a comercialização e o uso de testes psicológicos aos profissionais regularmente inscritos no


Conselho Federal de Psicologia (CFP), o inciso III e os §§ 1º e 2º do art. 18 da Resolução 2/2003-CFP acabaram
por instituir disciplina desproporcional e ofensiva aos postulados constitucionais relativos à liberdade de
manifestação do pensamento (art. art. 5º, IV, IX e XIV, da CF/88) e de liberdade de acesso à informação (art.
220, da CF/88). STF. Plenário. ADI 3481/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/3/2021 (Info 1008).

A prudência — amparada nos princípios da prevenção e da precaução — aconselha que continuem em vigor
as medidas excepcionais previstas nos arts. 3º ao 3º-J da Lei nº 13.979/2020, dada a continuidade da situação
de emergência na área da saúde pública. STF. Plenário. ADI 6625 MC-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 6/3/2021 (Info 1008).

É constitucional a obrigatoriedade de imunização por meio de vacina que, registrada em órgão de vigilância
sanitária, (i) tenha sido incluída no Programa Nacional de Imunizações ou (ii) tenha sua aplicação obrigatória
determinada em lei ou (iii) seja objeto de determinação da União, estado, Distrito Federal ou município, com
base em consenso médico-científico. Em tais casos, não se caracteriza violação à liberdade de consciência e
de convicção filosófica dos pais ou responsáveis, nem tampouco ao poder familiar. STF. Plenário. ARE
1267879/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 16 e 17/12/2020 (Repercussão Geral – Tema 1103) (Info
1003).

Retirar de circulação produto audiovisual disponibilizado em plataforma de “streaming” apenas porque seu
conteúdo desagrada parcela da população, ainda que majoritária, não encontra fundamento em uma
sociedade democrática e pluralista como a brasileira. STF. 2ª Turma. Rcl 38782/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes,
julgado em 3/11/2020 (Info 998).

É inconstitucional a Lei nº 13.269/2016, que autorizou o uso da fosfoetanolamina sintética ("pílula do câncer)
por pacientes diagnosticados com neoplasia maligna mesmo sem que existam estudos conclusivos sobre os
efeitos colaterais em seres humanos e mesmo sem que haja registro sanitário da substância perante a
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ANVISA. Ante o postulado da separação de Poderes, o Congresso Nacional não pode autorizar, atuando de
forma abstrata e genérica, a distribuição de medicamento. Compete à ANVISA permitir a distribuição de
substâncias químicas, segundo protocolos cientificamente validados. O controle dos medicamentos
fornecidos à população leva em conta a imprescindibilidade de aparato técnico especializado, supervisionado
pelo Poder Executivo. O direito à saúde não será plenamente concretizado se o Estado deixar de cumprir a
obrigação de assegurar a qualidade de droga mediante rigoroso crivo científico, apto a afastar desengano,
charlatanismo e efeito prejudicial. STF. Plenário. ADI 5501/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
23/10/2020(Info 996).

É inconstitucional, por transgressão ao princípio da isonomia entre homens e mulheres (art. 5º, I, da CF/88),
a exigência de requisitos legais diferenciados para efeito de outorga de pensão por morte de ex-servidores
públicos em relação a seus respectivos cônjuges ou companheiros/companheiras (art. 201, V, da CF/88). STF.
Plenário. RE 659424/RS, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 9/10/2020 (Repercussão Geral – Tema 457)
(Info 994).

Compete privativamente à União legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional (art. 22, XXIV, da CF),
de modo que os Municípios não têm competência para editar lei proibindo a divulgação de material com
referência a “ideologia de gênero” nas escolas municipais. Existe inconstitucionalidade formal. Há também
inconstitucionalidade material nessa lei. Lei municipal proibindo essa divulgação viola: • a liberdade de
aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber (art. 206, II, CF/88); e • o pluralismo
de ideias e de concepções pedagógicas (art. 206, III). Essa lei contraria ainda um dos objetivos fundamentais
da República Federativa do Brasil, que é a promoção do bem de todos sem preconceitos (art. 3º, IV, CF/88).
Por fim, essa lei não cumpre com o dever estatal de promover políticas de inclusão e de igualdade,
contribuindo para a manutenção da discriminação com base na orientação sexual e identidade de gênero.
STF. Plenário. ADPF 457, Rel. Alexandre de Moraes, julgado em 27/04/2020.

É constitucional a lei de proteção animal que, a fim de resguardar a liberdade religiosa, permite o sacrifício
ritual de animais em cultos de religiões de matriz africana. STF. Plenário. RE 494601/RS, rel. orig. Min. Marco
Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 28/3/2019 (Info 935).

São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos que determinem ou promovam: • o ingresso de


agentes públicos em universidades públicas e privadas; • o recolhimento de documentos (ex: panfletos); • a
interrupção de aulas, debates ou manifestações de docentes e discentes universitários; • a realização de
atividade disciplinar docente e discente e a coleta irregular de depoimentos desses cidadãos pela prática de
manifestação livre de ideias e divulgação do pensamento nos ambientes universitários ou em equipamentos
sob a administração de universidades públicas e privadas. STF. Plenário. ADPF 548 MC-Ref/DF, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 31/10/2018 (Info 922)

#JÁCAIU

#MPMG

Quanto aos direitos fundamentais, assinale a alternativa INCORRETA:68

68
Gab.C

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A)A Constituição Federal não dispõe sobre o início da vida humana e, por isso, a capacidade para ser titular
de direitos fundamentais é informada pela lei civil.

B)É admissível a renúncia ao exercício dos direitos fundamentais como corolário do livre desenvolvimento
da personalidade.

C)A necessidade é um dos elementos que compõem o princípio da proporcionalidade, tendo por critérios o
interesse público e a promoção do bem comum.

D)O princípio da proporcionalidade, amplamente utilizado na jurisdição constitucional, liga-se ao preceito


da finalidade legítima, bem como é critério definidor daquilo que compõe o núcleo essencial de um direito
fundamental.

11. Tributação e Orçamento. O sistema tributário nacional e as finanças públicas 12. Ordem Econômica e
Financeira. Princípios gerais. Conceito de constituição econômica. Evolução do princípio da liberdade
econômica nas constituições brasileiras. A política urbana, agrícola e fundiária. Reforma agrária

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim
assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:

I - soberania nacional;

II - propriedade privada;

III - função social da propriedade;

IV - livre concorrência;

V - defesa do consumidor;

VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental
dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

VII - redução das desigualdades regionais e sociais;

VIII - busca do pleno emprego;

IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que
tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995)

Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente
de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.

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Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as
funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo
para o setor privado. (Vide Lei nº 13.874, de 2019)

§ 1º A lei estabelecerá as diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento nacional equilibrado, o qual


incorporará e compatibilizará os planos nacionais e regionais de desenvolvimento.

§ 2º A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo.

§ 3º O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a


proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros.

§ 4º As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão prioridade na autorização ou concessão para
pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas onde estejam atuando, e naquelas
fixadas de acordo com o art. 21, XXV, na forma da lei.

Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes
gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e
garantir o bem- estar de seus habitantes. (Regulamento) (Vide Lei nº 13.311, de 11 de julho de 2016)

§ 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil
habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.

§ 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação
da cidade expressas no plano diretor.

§ 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro.

§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir,
nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que
promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:

I - parcelamento ou edificação compulsórios;

II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;

III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada
pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas,
assegurados o valor real da indenização e os juros legais.

Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que
não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com
cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua
emissão, e cuja utilização será definida em lei.

§ 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro.

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
§ 2º O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, autoriza a União
a propor a ação de desapropriação.

§ 3º Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o
processo judicial de desapropriação.

§ 4º O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária, assim como o montante de
recursos para atender ao programa de reforma agrária no exercício.

§ 5º São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis


desapropriados para fins de reforma agrária.

Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:

I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra;

II - a propriedade produtiva.

Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o
cumprimento dos requisitos relativos a sua função social.

Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo
critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:

I - aproveitamento racional e adequado;

II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente;

III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;

IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.

13. Ordem Social. Seguridade social. Saúde, Previdência Social e Assistência Social. Educação, cultura e
desporto. Ciência e tecnologia. Comunicação social. Meio Ambiente. Família, adolescente, criança, jovem
e o idoso. Índios

Amigos! Nesse ponto é essencialmente a leitura da lei. Assim, resolvi trazer algumas #APOSTACICLOS sobre esse
ponto, certo?

ORDEM SOCIAL

Art. 193. A ordem social tem como base o primado do trabalho, e como objetivo o bem-estar e a justiça
sociais.

Parágrafo único. O Estado exercerá a função de planejamento das políticas sociais, assegurada, na forma da
lei, a participação da sociedade nos processos de formulação, de monitoramento, de controle e de avaliação
dessas políticas.

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SEGURIDADE SOCIAL

Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos
e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.

Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos
seguintes objetivos:

I - universalidade da cobertura e do atendimento;

II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;

III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;

IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;

V - equidade na forma de participação no custeio;

VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis específicas para cada área,
as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde, previdência e assistência social, preservado o caráter
contributivo da previdência social; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com


participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.

SAÚDE

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que
visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços
para sua promoção, proteção e recuperação.

Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos
da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou
através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado.

Art. 198. As ações e serviços públicos de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e
constituem um sistema único, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: (Vide ADPF 672)

I - descentralização, com direção única em cada esfera de governo;

II - atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços
assistenciais;

III - participação da comunidade.

§ 1º. O sistema único de saúde será financiado, nos termos do art. 195, com recursos do orçamento da
seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras
fontes. (Parágrafo único renumerado para § 1º pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

§ 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão, anualmente, em ações e serviços


públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais calculados sobre: (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

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I - no caso da União, a receita corrente líquida do respectivo exercício financeiro, não podendo ser inferior a
15% (quinze por cento); (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 86, de 2015)

II - no caso dos Estados e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art.
155 e dos recursos de que tratam os arts. 157 e 159, inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas que
forem transferidas aos respectivos Municípios; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

III - no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da arrecadação dos impostos a que se refere o
art. 156 e dos recursos de que tratam os arts. 158 e 159, inciso I, alínea b e § 3º. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 29, de 2000)

§ 3º Lei complementar, que será reavaliada pelo menos a cada cinco anos, estabelecerá: (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 29, de 2000) Regulamento

I - os percentuais de que tratam os incisos II e III do § 2º; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
86, de 2015)

II - os critérios de rateio dos recursos da União vinculados à saúde destinados aos Estados, ao Distrito Federal
e aos Municípios, e dos Estados destinados a seus respectivos Municípios, objetivando a progressiva redução
das disparidades regionais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

III - as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde nas esferas federal, estadual,
distrital e municipal; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 29, de 2000)

IV - (revogado) . (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 86, de 2015)

§ 4º Os gestores locais do sistema único de saúde poderão admitir agentes comunitários de saúde e agentes
de combate às endemias por meio de processo seletivo público, de acordo com a natureza e complexidade
de suas atribuições e requisitos específicos para sua atuação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 51, de
2006)

§ 5º Lei federal disporá sobre o regime jurídico, o piso salarial profissional nacional, as diretrizes para os Planos
de Carreira e a regulamentação das atividades de agente comunitário de saúde e agente de combate às
endemias, competindo à União, nos termos da lei, prestar assistência financeira complementar aos Estados,
ao Distrito Federal e aos Municípios, para o cumprimento do referido piso salarial. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 63, de 2010) Regulamento

§ 6º Além das hipóteses previstas no § 1º do art. 41 e no § 4º do art. 169 da Constituição Federal, o servidor
que exerça funções equivalentes às de agente comunitário de saúde ou de agente de combate às endemias
poderá perder o cargo em caso de descumprimento dos requisitos específicos, fixados em lei, para o seu
exercício. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 51, de 2006)

Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada.

§ 1º - As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde, segundo
diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou convênio, tendo preferência as entidades
filantrópicas e as sem fins lucrativos.

§ 2º É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições privadas com fins
lucrativos.

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§ 3º É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde
no País, salvo nos casos previstos em lei.

§ 4º A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção de órgãos, tecidos e substâncias
humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão
de sangue e seus derivados, sendo vedado todo tipo de comercialização.

#INFORMATIVOS:

É possível que ente federado proceda à importação e distribuição, excepcional e temporária, de vacina contra
o coronavírus, no caso de ausência de manifestação, a esse respeito, da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária - ANVISA no prazo estabelecido pelo art. 16 da Lei nº 14.124/2021. Caso concreto: no dia
08/04/2021, o Estado do Maranhão ingressou com pedido de tutela provisória incidental alegando que a
União estaria descumprindo o Plano Nacional de Vacinação, o que teria levado o Estado a adquirir 4 milhões
e meio de doses da vacina Sputnik V, produzida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia. O Estado afirmou que,
para conseguir trazer regularmente as vacinas para o Brasil, protocolizou na Anvisa, no dia 29/03/2021,
pedido de autorização excepcional de uso e de importação da Sputnik V. Ocorre que a agência ainda não teria
examinado o requerimento, a despeito da situação de urgência. Diante disso, o Estado do Maranhão pediu
ao STF, a título de tutela provisória incidental, que seja determinado à Anvisa que emita autorização
excepcional de uso e importação da vacina Sputnik V, conforme requerimento apresentado. O STF deferiu em
parte o pedido e determinou que a Anvisa, no prazo máximo de 30 dias, a contar de 29/3/2021, decida sobre
a importação excepcional e temporária da vacina Sputnik V. Fundamento legal para a decisão: art. 16, § 4º da
Lei nº 14.124/2021. STF. Plenário. ACO 3451 TPI-Ref/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
30/4/2021 (Info 1015).

É possível a determinação judicial ao fornecimento de medicamentos com base em prescrição elaborada por
médico particular, não se podendo exigir que a receita seja subscrita por profissional vinculado ao SUS. STJ.
2ª Turma. AREsp 1534208/RN, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 20/08/2019. STJ. 1ª Turma. AgInt no
RMS 47.529/SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 17/06/2019. Isto porque, segundo a
jurisprudência do STJ, a escolha do medicamento compete a médico habilitado e conhecedor do quadro
clínico do paciente, podendo ser tanto um profissional particular quanto um da rede pública. O que é
imprescindível é a comprovação da necessidade médica e da hipossuficiência econômica. STJ. 2ª Turma. REsp
1794059/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/04/2019.

Fornecimento pelo Poder Judiciário de medicamentos não registrados pela ANVISA 1. O Estado não pode ser
obrigado a fornecer medicamentos experimentais. 2. A ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) impede, como regra geral, o fornecimento de medicamento por decisão judicial. 3. É
possível, excepcionalmente, a concessão judicial de medicamento sem registro sanitário, em caso de mora
irrazoável da Anvisa em apreciar o pedido (prazo superior ao previsto na Lei 13.411/2016), quando
preenchidos três requisitos: a) a existência de pedido de registro do medicamento no Brasil (salvo no caso de
medicamentos órfãos para doenças raras e ultrarraras); b) a existência de registro do medicamento em
renomadas agências de regulação no exterior; e c) a inexistência de substituto terapêutico com registro no
Brasil. 4. As ações que demandem fornecimento de medicamentos sem registro na Anvisa deverão
necessariamente ser propostas em face da União. STF. Plenário. RE 657718/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio,
red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 22/5/2019 (repercussão geral) (Info 941). Responsabilidade
pelo fornecimento do medicamento ou pela realização do tratamento de saúde. O tratamento médico
adequado aos necessitados se insere no rol dos deveres do Estado, porquanto responsabilidade solidária dos
entes federados. O polo passivo pode ser composto por qualquer um deles, isoladamente, ou conjuntamente.
A fim de otimizar a compensação entre os entes federados, compete à autoridade judicial, diante dos critérios

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constitucionais de descentralização e hierarquização, direcionar, caso a caso, o cumprimento conforme as
regras de repartição de competências e determinar o ressarcimento a quem suportou o ônus financeiro. As
ações que demandem fornecimento de medicamentos sem registro na ANVISA deverão necessariamente ser
propostas em face da União. STF. Plenário. RE 855178 ED/SE, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Edson
Fachin, julgado em 23/5/2019 (Info 941).

Em, 25/04/2018, o STJ, ao julgar o REsp 1.657.156-RJ (Info 625), afirmou que o poder público é obrigado a
conceder medicamentos mesmo que não estejam incorporados em atos normativos do SUS, desde que
cumpridos três requisitos. Em 12/09/2018, o STJ decidiu retificar o terceiro requisito da tese anteriormente
fixada: Redação original Redação após os embargos A concessão dos medicamentos não incorporados em
atos normativos do SUS exige a presença cumulativa dos seguintes requisitos: (...) 3) existência de registro na
ANVISA do medicamento. A concessão dos medicamentos não incorporados em atos normativos do SUS exige
a presença cumulativa dos seguintes requisitos: (...) 3) existência de registro do medicamento na ANVISA,
observados os usos autorizados pela agência. O que o STJ quis dizer com essa mudança: • Em regra, não é
possível que o paciente exija do poder público o fornecimento de medicamento para uso off-label; •
Excepcionalmente, será possível que o paciente exija este medicamento caso esse determinado uso fora da
bula (off-label) tenha sido autorizado pela ANVISA. Em outras palavras, o requisito do registro na ANVISA
afasta a possibilidade de fornecimento de medicamento para uso off-label, salvo se autorizado pela ANVISA.
A tese fixada ficou, portanto, com esta nova redação: A concessão dos medicamentos não incorporados em
atos normativos do SUS exige a presença cumulativa dos seguintes requisitos: a) Comprovação, por meio de
laudo médico fundamentado e circunstanciado expedido por médico que assiste o paciente, da
imprescindibilidade ou necessidade do medicamento, assim como da ineficácia, para o tratamento da
moléstia, dos fármacos fornecidos pelo SUS; b) incapacidade financeira de arcar com o custo do medicamento
prescrito; c) existência de registro do medicamento na ANVISA, observados os usos autorizados pela agência.
Além disso, o STJ decidiu alterar a data de início da produção dos efeitos desta decisão: Modula-se os efeitos
do presente repetitivo de forma que os requisitos acima elencados sejam exigidos somente quanto aos
processos distribuídos a partir da data da publicação do acórdão, ou seja, 4/5/2018. Explicando melhor: a) Os
três requisitos cumulativos estabelecidos no acórdão (REsp 1.657.156-RJ) são aplicáveis a todos os processos
distribuídos na primeira instância a partir de 4/5/2018; b) Quanto aos processos pendentes, com distribuição
anterior a 4/5/2018, é exigível apenas um requisito que se encontrava sedimentado na jurisprudência do STJ:
a demonstração da imprescindibilidade do medicamento. STJ. 1ª Seção. EDcl no REsp 1657156-RJ, Rel. Min.
Benedito Gonçalves, julgado em 12/09/2018 (Recurso Repetitivo - Tema 106) (Info 633). ATENÇÃO.
Importante também estudar o seguinte julgado relacionado com o tema: Fornecimento pelo Poder Judiciário
de medicamentos não registrados pela ANVISA 1. O Estado não pode ser obrigado a fornecer medicamentos
experimentais. 2. A ausência de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impede, como
regra geral, o fornecimento de medicamento por decisão judicial. 3. É possível, excepcionalmente, a
concessão judicial de medicamento sem registro sanitário, em caso de mora irrazoável da Anvisa em apreciar
o pedido (prazo superior ao previsto na Lei 13.411/2016), quando preenchidos três requisitos: a) a existência
de pedido de registro do medicamento no Brasil (salvo no caso de medicamentos órfãos para doenças raras
e ultrarraras); b) a existência de registro do medicamento em renomadas agências de regulação no exterior;
e c) a inexistência de substituto terapêutico com registro no Brasil. 4. As ações que demandem fornecimento
de medicamentos sem registro na Anvisa deverão necessariamente ser propostas em face da União. STF.
Plenário. RE 657718/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em
22/5/2019 (repercussão geral) (Info 941).

EDUCAÇÃO

81
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de


ensino;

IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;

V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com
ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;

VII - garantia de padrão de qualidade.

VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei
federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

IX - garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 108, de 2020)

Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação
básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no âmbito da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de
2006)

Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:

I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive
sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 59, de 2009) (Vide Emenda Constitucional nº 59, de 2009)

II - progressiva universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
14, de 1996)

III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular
de ensino;

IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de
cada um;

82
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;

VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas
suplementares de material didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009)

§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.

§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta irregular, importa
responsabilidade da autoridade competente.

§ 3º Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar,
junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola.

#INFORMATIVOS

A previsão de nomeação “pro tempore”, pelo Ministro da Educação, de dirigentes de instituições de ensino
federais viola os princípios da isonomia, da impessoalidade, da proporcionalidade, da autonomia e da gestão
democrática do ensino público. É cabível ação direta de inconstitucionalidade contra Decreto presidencial
quando este assume feição flagrantemente autônoma, ou seja, quando não regulamenta lei, apresentando-
se como ato normativo independente que inova na ordem jurídica, criando, modificando ou extinguindo
direitos e deveres. STF. Plenário. ADI 6543/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 26/3/2021 (Info 1011).

É inconstitucional que instituição pública de ensino profissionalizante cobre anuidade para custear despesas
com a alimentação dos alunos. Tal prática viola o art. 206, IV e o art. 208, VII, da CF/88. STF. 1ª Turma. RE
357148/MT, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 25/2/2014 (Info 737).

É constitucional lei estadual que: • assegure, nos estabelecimentos de ensino superior estadual e municipal,
a livre organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes. •
estabeleça que é de competência exclusiva dos estudantes a definição das formas, dos critérios, dos estatutos
e demais questões referentes à organização dos Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e Diretórios
Centrais dos Estudantes. • determine que os estabelecimentos de ensino deverão garantir espaços, em suas
dependências, para a divulgação e instalações para os Centros Acadêmicos, Diretórios Acadêmicos e
Diretórios Centrais Estudantis. Vale ressaltar, no entanto, que esta lei não se aplica para as instituições
federais e particulares de ensino superior considerando que elas integram o “sistema federal”, de
competência da União. Deve-se acrescentar, por fim, que é inconstitucional que essa lei estadual preveja
multa para as entidades particulares de ensino em caso de descumprimento das medidas acima listadas. STF.
Plenário. ADI 3757/PR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/10/2018 (Info 920).

FAMÍLIA, ADOLESCENTE, JOVEM E IDOSO.

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.

§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.

§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como
entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. (Regulamento)

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Ciclos Método
§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus
descendentes.

§ 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela
mulher.

§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº
66, de 2010)

§ 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento


familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o
exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou
privadas. Regulamento

§ 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando
mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com
absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo
de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (Redação dada
Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

#INFORMATIVOS

A reserva de 2 (duas) vagas gratuitas por veículo para idosos com renda igual ou inferior a 2 (dois) salários-
mínimos, prevista no art. 40, I, do Estatuto do Idoso, não se limita ao valor das passagens, abrangendo
eventuais custos relacionados diretamente com o transporte, em que se incluem as tarifas de pedágio e de
utilização dos terminais. STJ. 1ª Turma. REsp 1543465-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
13/12/2018 (Info 641).

14. Súmula vinculante. Precedentes constitucionais. Emenda Constitucional nº 103/2019.

Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços
dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua
publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à
administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua
revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.

§ 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das
quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete
grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

84
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Ciclos Método
§ 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá
ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

§ 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar,
caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou
cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula,
conforme o caso. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

#APOSTACICLOS

#JÁCAIU

Art. 3º São legitimados a propor a edição, a revisão ou o cancelamento de enunciado de súmula vinculante:

I - o Presidente da República;

II - a Mesa do Senado Federal;

III – a Mesa da Câmara dos Deputados;

IV – o Procurador-Geral da República;

V - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;

VI - o Defensor Público-Geral da União;

VII – partido político com representação no Congresso Nacional;

VIII – confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional;

IX – a Mesa de Assembleia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal;

X - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;

XI - os Tribunais Superiores, os Tribunais de Justiça de Estados ou do Distrito Federal e Territórios, os Tribunais


Regionais Federais, os Tribunais Regionais do Trabalho, os Tribunais Regionais Eleitorais e os Tribunais Militares.

A súmula com efeito vinculante tem eficácia imediata, mas o Supremo Tribunal Federal, por decisão de 2/3
(dois terços) dos seus membros, poderá restringir os efeitos vinculantes ou decidir que só tenha eficácia a partir
de outro momento, tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse público.

Revogada ou modificada a lei em que se fundou a edição de enunciado de súmula vinculante, o Supremo
Tribunal Federal, de ofício ou por provocação, procederá à sua revisão ou cancelamento, conforme o caso.

A proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante não autoriza a suspensão
dos processos em que se discuta a mesma questão.

Art. 7º Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante, negar-lhe
vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos
ou outros meios admissíveis de impugnação.

85
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
§ 1º Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento
das vias administrativas.

§ 2º Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato administrativo ou cassará a
decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme
o caso.

#APOSTACICLOS

Para admitir-se a revisão ou o cancelamento de súmula vinculante, é necessário demonstrar que houve: a)
evidente superação da jurisprudência do STF no tratamento da matéria; b) alteração legislativa quanto ao tema;
ou c) modificação substantiva de contexto político, econômico ou social. Vale destacar que o mero
descontentamento ou eventual divergência quanto ao conteúdo da súmula vinculante não autoriza que o
legitimado ingresse com pedido para cancelamento ou rediscussão da matéria. STF. Plenário. PSV 13/DF, julgado
em 24/9/2015. Em um caso concreto, o STF negou o pedido feito pela Confederação Brasileira dos Trabalhadores
Policiais Civis – Cobrapol para cancelar a SV 11 por entender que a autora não provou nenhum dos requisitos
acima listados.

#MPMG

#JÁCAIU

Assinale a alternativa CORRETA em relação às Súmulas Vinculantes:69

A)Qualquer cidadão, representado por advogado, poderá pleitear a aprovação, revisão ou cancelamento de
Súmula.

B)O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria
constitucional, mediante decisão de um terço de seus membros, editar Súmula Vinculante.

C)A Súmula Vinculante, a partir da data da sessão em que for aprovada, terá efeito vinculante em relação aos
demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e
municipal.

D)O Procurador-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais, ao verificar que acórdão do Tribunal de Justiça
local contraria determinada Súmula Vinculante, dispõe, ele próprio, de legitimidade para ajuizar reclamação,
em sede originária, perante o Supremo Tribunal Federal, independentemente da ratificação do Procurador-
Geral da República.

Direito Administrativo

1. O Direito administrativo e suas fontes. 2. Administração Pública: conceito; elementos; Poderes do


Estado; organização política e administrativa do Estado; administração pública e governo; entidades

69
GAB.D

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Ciclos Método
políticas e administrativas; órgãos e agentes públicos; natureza e fins da administração pública. 3. O direito
fundamental à boa administração. Governança pública e accountability. 4. Supremacia do interesse público
e direitos fundamentais. 8. Princípios da administração pública e princípios de direito administrativo.

#APOSTACICLOS.

CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO:

Para prof. Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Curso de Direito Administrativo, 2008), Direito Administrativo é o
ramo do direito público que tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que
integram a administração pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que utiliza
para a consecução de seus fins de natureza pública.

CRITÉRIOS DE DEFINIÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO:

 CORRENTE LEGALISTA: Chamado de Escola Exegética. Para essa corrente, o direito administrativo
seria um conjunto da legislação administrativa existente no país. Era apenas uma compilação de leis
existentes, desconsiderando a jurisprudência e princípios, por esse motivo a corrente não vingou.
 CRITÉRIO DO PODER EXECUTIVO: Todo Direito Administrativo estaria incluído na atuação do Poder
Executivo, ignorando a atuação administrativa fora do Executivo. Para essa teoria, o Direito Administrativo
seria um conjunto de leis que disciplinam a atuação do Poder Executivo.
 CRITÉRIO DAS RELAÇÕES JURÍDICAS: O Direito Administrativo seria a disciplina das relações jurídicas
entre a administração pública e o particular. Essa corrente, esquece que outros ramos do Direito Público
possuem relações similares, como é o caso do Direito Penal e Direito Tributário.
 CRITÉRIO DO SERVIÇO PÚBLICO: Origem: Escola do Serviço Público (seguindo orientações de Leon
Duguit). O Direito Administrativo tem por objeto a disciplina jurídica dos serviços públicos, ou seja, serviços
prestados pelo Estado a toda sociedade.
 CRITÉRIO TELEOLÓGICO OU FINALÍSTICO: O Direito Administrativo deve ser considerado um
conjunto de princípios que regulamenta as atividades do Estado para cumprimento de seus fins. É uma
afirmação correta, porém incompleta.
 CRITÉRIO NEGATIVISTA: Esse conceito é obtido por exclusão, ou seja, seriam pertinentes a esse ramo
do Direito as questões que não fossem pertinentes a nenhum outro ramo do Direto, assim seriam funções
administrativas todas as funções do Estado que não as de natureza jurisdicional ou legislativa.
 CONCEITO POR HELLY LOPES MEIRELLES: Direito Administrativo é o conjunto harmônico de
princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar de forma
concreta, direta e imediatamente, os fins desejados pelo Estado.

Fontes do Direito Administrativo: A doutrina costuma apontar SEIS fontes do direito administrativo:

 Leis
 Jurisprudências
 Doutrina
 Princípios Gerais
 Costumes

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 Tratados Internacionais

Três pressupostos que devem ser observados na interpretação das normas por Helly Lopes Meirelles:

 Desigualdade Jurídica entre a Administração e os administrados.


 A presunção de legitimidade dos atos administrativos.
 Necessidade de poderes discricionários para a Administração atender os interesses públicos.

SISTEMAS DE CONTROLE DA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA

Sistema Francês ou Sistema do Contencioso Administrativo (dualidade de Jurisdição) é aquele que veda o
conhecimento pelo judiciário de atos ilícitos praticados pela Administração, ficando sujeita à chamada
jurisdição especial do contencioso administrativo, formada por tribunais de natureza administrativa.
Obviamente certos temas (que envolvam capacidade de pessoas, repressão penal, p. ex) que serão de
competência da justiça comum. Então, há uma dualidade de jurisdição: a) jurisdição administrativa: plena
jurisdição em matéria administrativa b) jurisdição comum: órgãos do Judiciário com competência para
resolver demais litígios.

Sistema Inglês ou de Jurisdição Única (unicidade de jurisdição) é aquele no qual todos os litígios,
administrativos ou privados, podem ser levados à Justiça Comum. A adoção desse sistema não impede a
solução de litígios na esfera administrativa.

E o Brasil? Adotou o sistema de jurisdição única (art. 5º, inciso XXXV da CF)

CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

#APOSTACICLOS

#ALTAINCIDÊNCIAEMPROVAS

Sentido formal, orgânico ou subjetivo: A administração é um conjunto de órgãos e agentes do Estado no


exercício da função administrativa, independentemente do poder a que pertençam ou qualquer outro
organismo estatal.

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Ciclos Método
Sentido Objetivo ou Material: confunde-se com a própria função administrativa. É a atividade administrativa
exercida pelo Estado que consiste na defesa dos interesses públicos.

QUATRO TAREFAS BASES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

 Prestar Serviços Públicos


 Exercer o Poder de Polícia
 Regular as atividades de Interesse Público, com fomente de atividades privadas.
 Controle de atuação do Estado.

BOA GOVERNANÇA E ACCOUNTABILITY70

#APOSTACICLOS

Governança nada mais é do que a gerência pelo Estado dos recursos financeiros e sociais com o objetivo de
atender os interesses públicos. É a capacidade que um governo tem de implementar as políticas públicas.

Por sua vez, a governança pública organizacional seria os mecanismos de liderança, estratégia e controle
postos em prática para avaliar, direcionar e monitorar a atuação da gestão, com vistas à condição de políticas
públicas e à prestação de serviços de interesse da sociedade (Referencial Básico de Governança
Organizacional do TCU). Possui três funções básicas: avaliar, direcionar e monitorar.

Por sua vez, a boa governança é um dos objetivos da Administração Pública. São princípios da Boa
Governança: legitimidade, equidade, responsabilidade, eficiência, probidade, transparência e accountability.
Há ainda, outros doutrinadores que entendem que os princípios na verdade são os seguintes: relações éticas,
conformidade, transparência do setor público e efetiva prestação de contas.

Accountability tem relação com a prestação de contas e transparência do gestor público. Possui as seguintes
dimensões: informação, justificação, punição. E pode ser dividida em vertical, horizontal ou social. A vertical
é o controle exercido pela população sobre os gestores, através do voto, plebiscito; a horizontal diz respeito
ao processo de controle entre órgãos e instituição pública, como ocorre com o TCU; a social é um processo
de controle não eleitoral, realizado por entidades sociais, sindicatos, etc.

Em que pese essa pluralidade semântica, Joana Mendes (2009, passim) aponta que a boa administração
comporta vários níveis interconectados: dois de natureza jurídica, a abarcar as garantias processuais, com fins
de proteção dos direitos substanciais das pessoas em relação com a administração (europeia), e as regras
jurídicas estruturantes da função administrativa, voltadas à persecução do interesse público; outro de
natureza extrajurídica, a se expressar por standards de comportamento para a prestação dos serviços
administrativos fornecidos ao público, tais como cordialidade e resposta em tempo ágil. De fato, a proposta
de apresentação do conteúdo da boa administração em três níveis facilita a análise metodológica de seu
conteúdo, sobretudo com a consideração de um nível extrajurídico, o que permite abrir o sistema do Direito
a outras áreas do saber, notadamente a Economia, a Administração, bem como a Ética. Se, por um lado, isso
se traduz em novos desafios para os aplicadores do Direito e para os agentes da Administração Pública,

70
https://www.estrategiaconcursos.com.br/blog/governanca-governabilidade-e-accountability-entenda-as-diferencas/

89
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Ciclos Método
permite o desenvolvimento de uma análise multidisciplinar que certamente se traduz por uma hermenêutica
conciliatória. 71

A boa administração, portanto, não é uma finalidade disponível, que possa ser eventualmente atingida pelo
Poder Público: é um dever constitucional de quem quer que se proponha a gerir, de livre e espontânea
vontade, interesses públicos. Por isso mesmo, em contrapartida, a boa administração corresponde a um
direito cívico do administrado – implícito na cidadania. (Moreira Neto, 2009, p. 119, grifos no original)

Trata-se do direito fundamental à administração pública eficiente e eficaz, proporcional cumpridora de seus
deveres, com transparência, motivação, imparcialidade e respeito à moralidade, à participação social e à
plena responsabilidade por suas condutas omissivas e comissivas. A tal direito corresponde o dever de a
administração pública observar, nas relações administrativas, a cogência da totalidade dos princípios
constitucionais que a regem. (FREITAS, 2009, p. 22)

SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO E INDISPONIBILIDADE DO INTERESSE PÚBLICO

PEDRAS DE TOQUE OU SUPRAPRINCÍPIOS

Supremacia do Interesse público: em razão do interesse público, a Administração terá uma posição
privilegiado em face do particular. Não está expresso no texto Constitucional, no entanto, diversas regras
constitucionais e legais implicam em manifestações concretas dessa superioridade. Ex. art. 5º, inciso XXV, da
CF. A sua utilização só será legitima quando aplicada como instrumento para alcance dos interesses coletivos.

Indisponibilidade do Interesse Público: Esse princípio serve para limitar a atuação do agente público, seria
um equilíbrio à superioridade. Assim, em nome da supremacia do interesse público, o Administrador pode
muito, pode quase tudo, mas não pode abrir mão do interesse público.72

#RECORDAR

Interesse Público Primário ou Interesse Público Interesse Público Secundário


Propriamente Dito

É a soma dos interesses individuais, enquanto Consiste nos anseios do Estado, considerado como
participantes de uma sociedade. pessoa jurídica, são seus direitos privados.

Só pode defender esse interesse quando não existir


conflito com os interesses primários.

PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO

71
Trecho retirado do artigo http://www.publicadireito.com.br/artigos/?cod=234a1273487bf7b2 ( caso tenham tempo,
recomendo a leitura). O DIREITO À BOA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA COMO INSTRUMENTO DE HERMENÊUTICA
CONSTITUCIONAL (Valter Alves Carvalho)
72
MARINELA, Fernanda. Curso de Direito Administrativo, 2018.

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PRINCÍPIO DA -Base do Estado Democrático de Direito
LEGALIDADE
Para definir a legalidade, aplicando-se o ordenamento jurídico vigente, devem ser
analisados dois enfoques diferentes.

De um lado, tem-se a legalidade para o direito privado, onde as relações são


travadas por particulares que visam aos seus próprios interesses, podendo fazer
tudo aquilo que a lei não proibir. Por prestigiar a autonomia da vontade,
estabelece-se uma relação de não contradição à lei.

De outro lado, encontra-se a legalidade para o direito público, em que a situação


é diferente, tendo em vista o interesse da coletividade que se representa.
Observando esse princípio, a Administração só pode fazer aquilo que a lei
autoriza ou determina, instituindo-se um critério de subordinação à lei.73

Seabra Fagundes “Administrar é aplicar a lei, de ofício”.

Três Restrições Excepcionais do Princípio da Legalidade:

 Medidas provisórias,
 Estado de defesa, e
 Estado de sítio.
IMPESSOALIDADE Determina que a atuação do agente público deve pautar-se na ausência de
subjetividade, ficando impedido de considerar interesses pessoais, próprios ou
de terceiros.

Conceito super cobrado em provas é de Celso Antônio Bandeira de Melo. Veja:

Para Celso Antônio Bandeira de Mello, o princípio da impessoalidade “traduz a


ideia de que a Administração tem de tratar a todos os administrados sem
discriminações, benéficas ou detrimentosas. Nem favoritismo, nem perseguições
são toleráveis. Simpatias ou animosidades pessoais, políticas ou ideológicas não
podem interferir na atuação administrativa”. E completa: “o princípio em causa
não é senão o próprio princípio da igualdade ou isonomia”.

FINALIDADE Para Celso Antônio Bandeira de Mello o princípio da finalidade é um princípio em


apartado, em que o administrador deve cumprir a finalidade pública definida pela
lei. Destarte, esse princípio não decorre da legalidade, mas é inerente a ela, o que
parece muito lógico. Não se compreende uma lei, não se entende uma norma,
sem entender o seu objetivo, logo, só se cumpre a legalidade quando se atende
à sua finalidade.

Conclui-se que o princípio exige a busca do fim legal, interesse público e o bem
comum.

73
MARINELA, Fernanda. Curso de Direito Administrativo. 2018, p.79.

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Ciclos Método
Obs. Para uma corrente clássica (Helly Lopes Meirelles) o princípio da
impessoalidade é sinônimo de finalidade ou imparcialidade.

MORALIDADE O princípio da moralidade exige que a Administração e seus agentes atuem em


conformidade com princípios éticos aceitáveis socialmente. Esse princípio se
relaciona com a ideia de honestidade, exigindo a estrita observância de padrões
éticos, de boa-fé, de lealdade, de regras que assegurem a boa administração e a
disciplina interna na Administração Pública.74

Obs. Não se confunde com a moralidade comum, já que esta, preocupa-se com o
bem e o mal. Já a moralidade pública pauta-se pela correção de atitudes e pelas
regras de boa administração.

PUBLICIDADE A ideia de que a administração deve atuar de forma plena e transparente. A


principal finalidade da publicidade é o conhecimento público acerca das
atividades praticadas no exercício da função administrativa.

Exceções à Publicidade (art. 23 da Lei 12527/11):

Art. 23. São consideradas imprescindíveis à segurança da sociedade ou do Estado


e, portanto, passíveis de classificação as informações cuja divulgação ou acesso
irrestrito possam:

I - pôr em risco a defesa e a soberania nacionais ou a integridade do território


nacional; II - prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações ou as relações
internacionais do País, ou as que tenham sido fornecidas em caráter sigiloso por
outros Estados e organismos internacionais; III - pôr em risco a vida, a segurança
ou a saúde da população; IV - oferecer elevado risco à estabilidade financeira,
econômica ou monetária do País; V - prejudicar ou causar risco a planos ou
operações estratégicos das Forças Armadas; VI - prejudicar ou causar risco a
projetos de pesquisa e desenvolvimento científico ou tecnológico, assim como a
sistemas, bens, instalações ou áreas de interesse estratégico nacional; VII - pôr
em risco a segurança de instituições ou de altas autoridades nacionais ou
estrangeiras e seus familiares; ou VIII - comprometer atividades de inteligência,
bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a
prevenção ou repressão de infrações.

EFICIÊNCIA Introduzido na CF pela EC 19/98 (sim, já foi questionado o número da Emenda em


provas objetivas)

A eficiência exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza,


perfeição e rendimento funcional. Consiste na busca de resultados práticos de
produtividade, de economicidade, com a consequente redução de desperdícios

74
MARINELA, Fernanda. Curso de Direito Administrativo. 2018, p.86

92
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Ciclos Método
do dinheiro público e rendimentos típicos da iniciativa privada, sendo que, nessa
situação, o lucro é do povo; quem ganha é o bem comum.75

CONTRADITÓRIO E É o direito conferido ao particular de saber o que acontece no processo


AMPLA DEFESA. administrativo ou judicial de seu interesse , bem como o direito de se manifestar
na relação processual, requerendo a produção de provas e provocando sua
tramitação, seja diante de um processo judicial ou administrativo.

Art. 5º, inciso LIV da CF.

Súmula vinculante 5: A falta de defesa técnica por advogado no processo


administrativo disciplinar não ofende a Constituição.

Importante. • Assim a presença de advogado em PAD é facultativa. O acusado


pode ser acompanhado por advogado se assim desejar. No entanto, não é
obrigatório que o processado tenha a assistência jurídica. Logo, caso não tenha
sido auxiliado por advogado, tal circunstância não gera a nulidade do PAD.

RAZOABILIDADE O princípio da razoabilidade não visa substituir a vontade da lei pela do julgador,
visto que cada norma tem uma razão de ser. Entretanto, ele representa um limite
para a discricionariedade do administrador, exigindo uma relação de pertinência
entre oportunidade e conveniência, de um lado, e finalidade legal de outro. Agir
discricionariamente não significa agir desarrazoadamente, de maneira ilógica,
incongruente. A lei não protege, não encampa condutas insensatas, portanto,
terá o administrador que obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista
racional, em sintonia com o senso normal.76

PROPORCIONALIDADE O princípio da proporcionalidade exige equilíbrio entre os meios de que se utiliza


a Administração e os fins que ela tem que alcançar, segundo padrões comuns da
sociedade em que se vive, analisando sempre cada caso concreto. A atuação
proporcional da autoridade pública exige também uma relação equilibrada entre
o sacrifício imposto ao interesse de alguns e a vantagem geral obtida, de modo a
não tornar a prestação excessivamente onerosa para uma parte.77

CONTINUIDADE É a exigência de que a atividade do Estado seja contínua, não podendo parar a
prestação dos serviços, não aceitando falhas ou interrupções (art. 6º da Lei
8987/95)

§ 3o Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em


situação de emergência ou após prévio aviso, quando:

I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e,

75
MARINELA, Fernanda. Curso de Direito Administrativo. 2018, p. 91

76
MARINELA, Fernanda. Curso de Direito Administrativo. 2018, p. 101.

77
MARINELA, Fernanda. Curso de Direito Administrativo. 2018, p. 103

93
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade.

#APOSTACICLOS § 4º A interrupção do serviço na hipótese prevista no inciso


II do § 3º deste artigo não poderá iniciar-se na sexta-feira, no sábado ou no
domingo, nem em feriado ou no dia anterior a feriado.

AUTOTUTELA O princípio da autotutela estabelece que a Administração Pública pode controlar


os seus próprios atos, seja para anulá-los, quando ilegais, ou revogá-los, quando
inconvenientes ou inoportunos, independente de revisão pelo Poder Judiciário.

Súmula 346 do STF: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus
próprios atos.

Súmula 473 do STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando
eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou
revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.

ESPECIALIDADE Surgiu com base na ideia de descentralização administrativa. As pessoas jurídicas


ficam vinculadas às finalidades as para quais foram criadas. Esse princípio,
pensado inicialmente para as autarquias, também deve ser aplicado às demais
pessoas jurídicas que dependem, igualmente, de lei para sua criação (art. 37, XIX
e XX, da CF).

Essa mesma ideia também pode ser aplicada para as estruturas internas da
Administração, como é o caso dos órgãos públicos que, da mesma forma, estão
ligados à finalidade do ato de sua criação.78

MOTIVAÇÃO É o dever de a Administração Pública indicar os pressuposto de fato e de direito


que determinam a pratica de um ato.

Previsão Constitucional:

Art. 93 IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e


fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou
somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do
interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação;

Previsão Legal:

78
MARINELA, Fernanda. Curso de Direito Administrativo. 2018, p. 110

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Ciclos Método
Lei n. 9784/99

Art. 50 § 1º: A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir
em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres,
informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do
ato.

Decreto-Lei n. 9830/19

Art. 4º A decisão que decretar invalidação de atos, contratos, ajustes, processos


ou normas administrativos observará o disposto no art. 2º e indicará, de modo
expresso, as suas consequências jurídicas e administrativas.

§ 2º A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta,


consideradas as possíveis alternativas e observados os critérios de
proporcionalidade e de razoabilidade.

ISONOMIA A administração deverá tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais,


na medida de seus desigualdades.

PRINCÍPIO DA Fundamenta-se na previsibilidade dos atos administrativos e estabilização das


SEGURANÇA JURÍDICA relações jurídicas.
Limita a prática de atos pela Administração, tais como: vedação à aplicação
retroativa de nova interpretação e sujeição do poder de autotutela a prazo
razoável.
O princípio da segurança jurídica pode ser estudado sob dois primas:
1) OBJETIVO - refere-se à irretroatividade das normas e à proteção dos atos
perfeitamente realizados, em relação a modificações legislativas posteriores.
2) SUBJETIVO - trata justamente da preservação das expectativas legítimas
da sociedade com a produção de harmonia das relações jurídicas (princípio da
proteção da confiança).

#DEOLHONAJÚRIS

#SAINDODOFORNO É inconstitucional lei estadual que estabeleça prazo decadencial de 10 (dez) anos para
anulação de atos administrativos reputados inválidos pela Administração Pública estadual. STF. Plenário. ADI
6019/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, redator do acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 12/4/2021 (Info 1012).

A imposição de sanções ao Poder Executivo estadual em virtude de pendências de órgãos dotados de autonomia
institucional e orgânico-administrativa, tais como o Ministério Público estadual, constitui violação do princípio
da transcendência, na medida em que o Governo do Estado não tem competência para intervir na esfera
orgânica dessa instituição autônoma. O Poder Executivo não pode ser impedido de contratar operações de
crédito em razão do descumprimento dos limites setoriais de despesa com pessoal por outros poderes e órgãos
autônomos (art. 20, II, e 23, § 3º, da Lei de Responsabilidade Fiscal). STF. Plenário. ACO 3072, Rel. Ricardo
Lewandowski, julgado em 24/08/2020 (Info 991 – clipping).

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No exercício do seu poder de autotutela, poderá a Administração Pública rever os atos de concessão de anistia
a cabos da Aeronáutica com fundamento na Portaria 1.104/1964, quando se comprovar a ausência de ato com
motivação exclusivamente política, assegurando-se ao anistiado, em procedimento administrativo, o devido
processo legal e a não devolução das verbas já recebidas. Ex: 2003, João, ex-militar da Aeronáutica, recebeu
anistia política, concedida por meio de portaria do Ministro da Justiça. Em 2006, a AGU emitiu nota técnica
fazendo alguns questionamentos sobre a forma indevida pela qual estavam sendo concedidas anistias políticas,
dentre elas a que foi outorgada a João. Em 2011, o Ministro da Justiça determinou que fossem revistas as
concessões de anistia de inúmeros militares, inclusive a de João. Em 2012, foi aberto processo administrativo
para examinar a situação de João e, ao final, determinou-se a anulação da anistia política. Mesmo tendo-se
passado mais de 5 anos, a anulação do ato foi possível, seja por força da parte final do art. 54 da Lei nº 9.784/99,
seja porque o prazo decadencial do art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica quando o ato a ser anulado afronta
diretamente a Constituição Federal. STF. Plenário. RE 817338/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 16/10/2019
(repercussão geral – Tema 839) (Info 956). É possível a anulação do ato de anistia pela Administração Pública,
evidenciada a violação direta do art. 8º do ADCT, mesmo quando decorrido o prazo decadencial contido na Lei
nº 9.784/99. STJ. 1ª Seção. MS 19070-DF, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. Acd. Min. Og Fernandes,
julgado em 12/02/2020 (Info 668).

O STF tem afastado a aplicação da SV 13 a cargos públicos de natureza política, como são os cargos de Secretário
Estadual e Municipal. Mesmo em caso de cargos políticos, será possível considerar a nomeação indevida nas
hipóteses de: • nepotismo cruzado; • fraude à lei e • inequívoca falta de razoabilidade da indicação, por
manifesta ausência de qualificação técnica ou por inidoneidade moral do nomeado. STF. 1ª Turma. Rcl 29033
AgR/RJ, rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/9/2019 (Info 952).

Súmula 615-STJ: Não pode ocorrer ou permanecer a inscrição do município em cadastros restritivos fundada em
irregularidades na gestão anterior quando, na gestão sucessora, são tomadas as providências cabíveis à
reparação dos danos eventualmente cometidos. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/05/2018, DJe 14/05/2018 (Info
624).

#MP MG

#JÁCAIU

Assinale a afirmativa incorreta à luz da ordem jurídica brasileira:79

A)Não existe no ordenamento a previsão normativa expressa do direito à boa administração ou à boa
governança.

B)Uma das dimensões de accountability consiste no dever de prestação de contas dos resultados das ações
dos administradores públicos, garantindo a transparência da gestão e das políticas públicas adotadas, em
sintonia com o modelo democrático.

C)O planejamento administrativo, compreendido como poder de produzir ou obter determinado conteúdo
planejador estratégico, tático ou operacional na Administração Pública, consubstancia-se em faculdade
jurídica do gestor público, funcionando como antecedente da eficiência administrativa.

D)A melhor articulação e a integração entre os ocupantes de cargos públicos, as pessoas que exercem funções
públicas, os funcionários terceirizados e o Terceiro Setor não são satisfeitas por meio da teoria weberiana,

79
GAB. C

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revelando, num ângulo, a rede complexa de obrigações do governante para a realização de direitos
fundamentais na sociedade contemporânea.

Sobre os princípios e poderes da administração pública, segundo o direito pátrio, é INCORRETO afirmar
que:80

A)a aplicação dos princípios da segurança jurídica e boa fé permite a regulação dos efeitos já produzidos pelo
ato ilegal.

B)é possível considerar inconstitucional uma lei que não guarde proporção adequada entre os meios que
emprega e a finalidade pública almejada.

C)uma das consequências do atual sistema constitucional é a ampliação do controle judicial sobre os atos
administrativos discricionários, que devem ser confrontados não só diante da lei, mas também perante o
Direito.

D)o poder de polícia tanto pode ser discricionário como vinculado.

E)no exercício de seu poder normativo derivado, pode o Poder Executivo limitar e regular a prática de ato ou
abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, meio ambiente,
costumes, tranquilidade pública e propriedade.

5. Privatização, descentralização e publicização de prestação de serviços. 6. Administração indireta:


autarquias, fundações públicas; empresas públicas e de economia mista; agências executivas e reguladoras;
consórcio público; contratos de gestão.

FORMAS DE PRESTAÇÃO DA ATIVIDADE ADMINISTRATIVA

 Centralização – ocorre quando a prestação dos serviços é exercida pelo próprio Estado, composto
por pessoas políticas: União, Estados, Municípios e DF.

 Desconcentração: é a distribuição interna de parte das competências. Ela não prejudica a unidade
monolítica do Estado, pois os órgãos e agentes continuam ligados por um vínculo chamado hierarquia (pode
ser hierarquia em razão da matéria, do grau ou do território).

 Descentralização Administrativa: Sempre objetivando maior eficiência e especialização na prestação


de atividades, o Estado pode transferir a reponsabilidade pelo exercício das atividades que lhe são
pertinentes a pessoas jurídicas diversas (ex. autarquia, fundação, empresa pública ou sociedade de economia
mista).
#PARANÃOCONFUNDIR:

80
GAB. E

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DESCONCENTRAÇÃO DESCENTRALIZAÇÃO

- Dentro da mesma pessoa. É interna. - Entre pessoas diversas.

- Há vínculo hierárquico. (há subordinação) -Não há vínculo hierárquico.

- Há um poder de controle, de fiscalização.

FORMAS DE DESCENTRALIZAÇÃO:81

Descentralização POLÍTICA Descentralização ADMINISTRATIVA

A descentralização política ocorre sempre que Ocorre quando as atribuições que os entes
pessoas jurídicas de direito público concorram com descentralizados exercem têm o valor jurídico que
competências políticas, com soberania ou lhes empresta o ente central; suas atribuições
autonomia para legislar, ditar seus propósitos e decorrem desse ente, não advindo de força própria
governar, havendo deslocamento e distribuição da Constituição.
entre entes políticos, o que é feito pela Constituição
Federal. Tendo em vista o direito comparado, a
descentralização administrativa admite as seguintes
formas:

 Descentralização territorial ou geográfica:


Tem personalidade jurídica própria de direito
público, capacidade administrativa genérica para
exercer a total ou parcialmente ou encargos
públicos de interesse da sociedade. Ex. para alguns
doutrinadores: os territórios federais.
 Descentralização por serviços, funcional ou
técnica: A administração cria uma pessoa de direito
público e transfere a ela e a titularidade e a
execução de um serviço público.
 Descentralização por colaboração: A
administração transfere a execução de um serviço
público à pessoa jurídica de direito privado
previamente existente. Pode ser transferida por lei
ou por contrato administrativo.

ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA

Administração Direta: é o conjunto de órgãos que compõem a estrutura dos Entes Federativas. É composto
por pessoas políticas.

Administração Indireta: é composta por entidades que possuem personalidade jurídica própria e são
responsáveis pela execução de atividades administrativas que necessitam ser desenvolvidas de forma
descentralizada. Ex. autarquias, fundações públicas e as empresas estatais, mais especificamente, as
empresas públicas e as sociedades de economia mista.

81
MARINELA, Fernanda. Curso de Direito Administrativo. 2018, p. 149.

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CARACTERÍSTICAS GERAIS

Pessoal! Vou trazer as características comuns a todas as pessoas jurídicas da Administração Indireta. Depois,
em cada uma delas, vou falar de suas especificidades, ok?

 Personalidade Jurídica Própria


 Patrimônio próprio
 Capacidade de autoadministração e receita própria
 Lei específica cria autarquias
 Lei específica autoriza a criação dos demais entes da administração indireta, quais sejam a fundação
pública, empresa pública e sociedade de economia mista.
 Finalidade pública
 Sujeitam-se ao controle pela Administração Direta da pessoa política à qual são vinculados.
“Supervisão Ministerial”

AUTARQUIA

CONCEITO: São pessoas jurídicas de direito público que desenvolvem atividade TÍPICA DE ESTADO possuem
liberdade administrativa nos limites da lei que a criou.

As sociedade autárquicas nada mais são do que entidades personalizadas, com regime de fazenda pública,
orientadas na execução das atividades estatais de forma especializada e eficientes, decorrentes da
descentralização administrativa, atuando sem nenhum interesse econômico ou comercial, mas tão somente
na busca do interesse público.82

Ex. INSS, IBAMA, INCRA.

Privilégios Processuais: Aplicação de prazo em dobro e dupla grau de jurisdição obrigatório.

Privilégio Fiscal: Art. 150 § 2º da CF.

Art. 150 § 2º - A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas
pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades
essenciais ou às delas decorrentes.

Submetem-se, via de regra, a responsabilidade objetiva, amparada no artigo 37, § 6º, da CF. (Lembrar da
divergência quanto a responsabilidade subjetiva nos atos omissivos).

E o Estado responde? O Estado (ente político) responde subsidiariamente.

AGÊNCIA REGULADORA

82
CARVALHO, Matheus. Direito Administrativo. 2021.

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Origem: com o Programa Nacional de Desestatização. É criada em regime especial para fiscalizar, regular,
normatizar a prestação de serviços públicos por particular evitando a busca desenfreada pelo lucro dentro do
serviço público.

 Possuem um regime diferenciado com maior autonomia e independência.

Nomeação diferenciada dos dirigentes: são nomeados pelo Presidente da República, após aprovação prévia
do Senado Federal para cumprir um mandato certo (05 anos, vedada recondução).

O dirigente ao deixar a agência reguladora, deve cumprir um período de quarentena, ou seja, está vedado de
exercer atividade na iniciativa privada dentro do setor ao qual estava vinculado.

Possuem poder normativo, podendo regulamentar e normatizar diversas atividades de interesse social,
criando normas que obrigam prestadores de serviços, a fim de adequar a prestação do serviço público.

Ex. ANEEL, ANS, ANP

#DEOLHONATERMINOLOGIA: O QUE SE ENTENDE POR RISCO DE CAPTURA?83


O Risco de Captura integra as características das Agências Reguladoras, que possuem algumas restrições
institucionais, sendo uma delas, a denominada "quarentena" dos ex-dirigentes, previstas nas leis instituidoras
das principais agências reguladoras brasileiras, como a ANATEL, ANEEL, ANP e ANS. Os ex-dirigentes dessas
agências, assim, ficam impedidos para o exercício de atividades ou de prestar qualquer serviço no setor
regulado pela respectiva agência, por um período de seis meses (nova lei das agências reguladoras), contados
da exoneração ou término do seu mandato. Desta forma, evita-se que a Agência possa atuar em prol dos
interesses das empresas reguladas, sendo que a expressão "risco de captura" pode ser ainda utilizada em
sentido mais amplo, abrangendo as principais situações em que se verifica, seja a ineficácia do órgão
regulador, seja a contaminação de sua atuação pelos interesses de alguma das partes interessadas nas
relações concernentes à atividade regulada (Estado, usuários e consumidores ou as empresas). Nessa acepção
ampla, a "captura" descreve a situação em que o ente regulador passa a atuar sem imparcialidade,
favorecendo sistematicamente uma das partes envolvidas com a atividade regulada ou passa a ser uma
estrutura inoperante, meramente figurativa. Pode significar o risco de concussão (corrupção dos dirigentes),
como também, a captura por contaminação de interesses, em que o órgão regulador assume os valores e
interesses do regulado, como se fossem interesses da coletividade, a captura por insuficiência de meios, que
ocorre quando a atuação do agente regulador é inviabilizada pela ausência ou má qualidade de seus recursos
e a captura pelo poder político, situação que ocorre quando não existem os instrumentos legais capazes de
assegurar a efetiva autonomia da agência reguladora e ela passa a ser um mero agente dos interesses político-
partidários dos governantes.84

83
https://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/82953/em-que-consiste-o-risco-de-captura-ariane-fucci-wady, por Ariane Fucci
Wady. Consulta em 24/04/17.

84
Artigos importantes da Lei nº 9.986: Art. 5º O Presidente ou o Diretor-Geral ou o Diretor-Presidente (CD I) e os demais
membros do Conselho Diretor ou da Diretoria (CD II) serão brasileiros, de reputação ilibada, formação universitária e
elevado conceito no campo de especialidade dos cargos para os quais serão nomeados, devendo ser escolhidos pelo
Presidente da República e por ele nomeados, após aprovação pelo Senado Federal, nos termos da alínea f do inciso III

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AGÊNCIA EXECUTIVA

De acordo com Matheus Carvalho, agências executivas são as autarquias ou fundações públicas que, por
iniciativa da Administração Direta, recebem status de agência executiva, e, por estarem sempre ineficientes
celebram contrato de gestão com o Ministério supervisor. Ao celebrar o contrato de gestão, a autarquia
comum ganha status de agência executiva, adquirindo vantagens especiais (mais independência e mais
orçamento), mas em troca, se compromete a cumprir um plano de reestruturação definido no próprio
contrato de gestão para se tornar, mais eficiente, o que envolve reduzir custos e aperfeiçoar seus serviços.

FUNDAÇÕES PÚBLICAS

FUNDAÇÕES PÚBLICAS DE DIREITO PRIVADO: as fundações podem ser instituídas com personalidade jurídica
de direito privado, para execução de atividades de interesse social. Assim, por serem criadas mediante
destinação de patrimônio estatal, são chamadas de fundações governamentais. Criação se dá por meio de
autorização legal específica.

O Regime destas entidades é similar ao regime das empresas estatais.

FUNDAÇÕES PÚBLICAS DE DIREITO PÚBLICO: são entidades autárquicas que se submetem a regime
integralmente pública, valendo-se de prerrogativas estatais e submetendo-se as restrições que advém da

do art. 52 da Constituição Federal. Parágrafo único. O Presidente ou o Diretor-Geral ou o Diretor-Presidente será


nomeado pelo Presidente da República dentre os integrantes do Conselho Diretor ou da Diretoria, respectivamente, e
investido na função pelo prazo fixado no ato de nomeação.

Art. 6º O mandato dos Conselheiros e dos Diretores terá o prazo fixado na lei de criação de cada Agência. Parágrafo único.
Em caso de vacância no curso do mandato, este será completado por sucessor investido na forma prevista no art. 5o.

Art. 8º O ex-dirigente fica impedido para o exercício de atividades ou de prestar qualquer serviço no setor regulado pela
respectiva agência, por um período de seis meses, contados da exoneração ou do término do seu mandato. § 1º Inclui-
se no período a que se refere o caput eventuais períodos de férias não gozadas. §2º Durante o impedimento, o ex-
dirigente ficará vinculado à agência, fazendo jus a remuneração compensatória equivalente à do cargo de direção que
exerceu e aos benefícios a ele inerentes. § 3º Aplica-se o disposto neste artigo ao ex-dirigente exonerado a pedido, se
este já tiver cumprido pelo menos seis meses do seu mandato.§ 4º Incorre na prática de crime de advocacia
administrativa, sujeitando-se às penas da lei, o ex-dirigente que violar o impedimento previsto neste artigo, sem prejuízo
das demais sanções cabíveis, administrativas e civis § 5º Na hipótese de o ex-dirigente ser servidor público, poderá ele
optar pela aplicação do disposto no § 2o, ou pelo retorno ao desempenho das funções de seu cargo efetivo ou emprego
público, desde que não haja conflito de interesse.

Art. 9º Os Conselheiros e os Diretores somente perderão o mandato em caso de renúncia, de condenação judicial
transitada em julgado ou de processo administrativo disciplinar. Parágrafo único. A lei de criação da Agência poderá
prever outras condições para a perda do mandato.

101
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indisponibilidade do direito público. É chamada pela doutrina de autarquia fundacional já que possuem o
mesmo regime aplicável às Autarquias.

EMPRESAS ESTATAIS

Tal expressão faz referência a empresas públicas e sociedades de economia mista, ambas, nas palavras de
Matheus Carvalho (Direito Administrativo, 2021, p.217), sociedades, civis ou comerciais, que possuem o
Estado como controlador acionário, criadas por meio de autorização de lei específica. É, portanto, uma pessoa
jurídica criada por força de autorização legal para ser instrumento de ação pelo Estado. A sua personalidade
é de direito privado, todavia, submete-se em diversas situações a regras e princípios de direito público,
derrogadores do regime privado.

Finalidade: Prestar serviços públicos através de delegação do ente estatal, ou para exploração de certas
atividades econômicas, no interesse da sociedade.

É possível o lucro como decorrência da atividade.

Estão dentro de um regime híbrido.

Caso estejam prestando serviço público, sua responsabilidade será objetiva. No entanto, se estiverem
explorando atividades econômicas, serão responsabilizados na forma definida pelo direito privado.

EMPRESA PÚBLICA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA

- Capital integralmente público. -Capital misto, mas a maioria do capital votante é do


poder público.

-Qualquer forma societária. - Deve ser constituída na forma de S/A.

- Competência da Justiça Federal. - Competência da Justiça Estadual, salvo se a União


estiver atuando no feito como assistente ou
opoente, ou ainda se a matéria deslocar a
competência na forma do art. 109 da CF.

CONSÓRCIOS PÚBLICOS

O consórcio público, definido pela Lei n. 11.107, de 6 de abril de 2005, consiste em uma forma de colaboração
entre os diversos entes políticos, a fim de disciplinar a celebração de consórcios entre entes públicos, União,
Estados, Distrito Federal e Municípios para a gestão associada de serviços públicos de interesse comum.85

O consórcio público constituirá associação pública ou pessoa jurídica de direito privado.

#APOSTACICLOS

Art. 1º Esta Lei dispõe sobre normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
contratarem consórcios públicos para a realização de objetivos de interesse comum e dá outras providências.

§ 1º O consórcio público constituirá associação pública ou pessoa jurídica de direito privado.

85
MARINELLA, Fernanda. Direito Administrativo. 2018.

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§ 2º A União somente participará de consórcios públicos em que também façam parte todos os Estados em
cujos territórios estejam situados os Municípios consorciados.

§ 3º Os consórcios públicos, na área de saúde, deverão obedecer aos princípios, diretrizes e normas que
regulam o Sistema Único de Saúde – SUS.

§ 4º Aplicam-se aos convênios de cooperação, no que couber, as disposições desta Lei relativas aos consórcios
públicos.

Art. 3º O consórcio público será constituído por contrato cuja celebração dependerá da prévia subscrição de
protocolo de intenções.

§ 3º É nula a cláusula do contrato de consórcio que preveja determinadas contribuições financeiras ou


econômicas de ente da Federação ao consórcio público, salvo a doação, destinação ou cessão do uso de bens
móveis ou imóveis e as transferências ou cessões de direitos operadas por força de gestão associada de
serviços públicos.

Art. 5º O contrato de consórcio público será celebrado com a ratificação, mediante lei, do protocolo de
intenções.

§ 1º O contrato de consórcio público, caso assim preveja cláusula, pode ser celebrado por apenas 1 (uma)
parcela dos entes da Federação que subscreveram o protocolo de intenções.

§ 2º A ratificação pode ser realizada com reserva que, aceita pelos demais entes subscritores, implicará
consorciamento parcial ou condicional.

§ 3º A ratificação realizada após 2 (dois) anos da subscrição do protocolo de intenções dependerá de


homologação da assembleia geral do consórcio público.

§ 4º É dispensado da ratificação prevista no caput deste artigo o ente da Federação que, antes de subscrever
o protocolo de intenções, disciplinar por lei a sua participação no consórcio público.

Art. 6º O consórcio público adquirirá personalidade jurídica:

I – de direito público, no caso de constituir associação pública, mediante a vigência das leis de ratificação do
protocolo de intenções;

II – de direito privado, mediante o atendimento dos requisitos da legislação civil.

§ 1º O consórcio público com personalidade jurídica de direito público integra a administração indireta de
todos os entes da Federação consorciados.

§ 2º O consórcio público, com personalidade jurídica de direito público ou privado, observará as normas de
direito público no que concerne à realização de licitação, à celebração de contratos, à prestação de contas e
à admissão de pessoal, que será regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-
Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.

#DEOLHONAJÚRIS

103
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Ciclos Método
O art. 37, XIX, da CF/88 afirma que é necessária a edição de uma lei específica para se autorizar a instituição de
uma sociedade de economia mista ou uma empresa pública. Para que ocorra a desestatização da empresa
estatal também necessária lei específica ou basta uma autorização genérica prevista em lei que veicule
programa de desestatização? A Lei nº 9.491/97 tratou sobre o Programa Nacional de Desestatização e autorizou
a desestatização de empresas estatais. Essa lei genérica é suficiente? Em regra, sim. É desnecessária, em regra,
lei específica para inclusão de sociedade de economia mista ou de empresa pública em programa de
desestatização. Não se aplica o princípio do paralelismo das formas. Exceção: em alguns casos a lei que autorizou
a criação da empresa estatal afirmou expressamente que seria necessária lei específica para sua extinção ou
privatização. Nesses casos, obviamente, não é suficiente uma lei genérica (não basta a Lei nº 9.491/97), sendo
necessária lei específica. STF. Plenário. ADI 6241/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 6/2/2021 (Info 1004).

É constitucional a legislação estadual que determina que o regime jurídico celetista incide sobre as relações de
trabalho estabelecidas no âmbito de fundações públicas, com personalidade jurídica de direito privado,
destinadas à prestação de serviços de saúde. STF. Plenário. ADI 4247/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
3/11/2020 (Info 997).

Caso concreto: a Petrobrás elaborou um plano de desinvestimento por meio do qual ela decidiu vender 8
refinarias. Para isso, a Petrobrás criou subsidiárias que passaram a ser as proprietárias dessas refinarias e, em
seguida, o controle acionário dessas subsidiárias será alienado, sem licitação e sem prévia autorização
legislativa. Desse modo, na prática, é como se a Petrobrás estivesse alienando as refinarias. O STF afirmou que
essa prática é legítima. A específica autorização legislativa somente é obrigatória na hipótese de alienação do
controle acionário de sociedade de economia mista (empresa-mãe). Não há necessidade dessa prévia e
específica anuência para a criação e posterior alienação de ativos da empresa subsidiária, dentro de um
elaborado plano de gestão de desinvestimento, voltado para garantir maiores investimentos e,
consequentemente, maior eficiência e eficácia da empresa-mãe. Isso porque a inexistência de expressa
proibição ou limitação de alienação societária em relação à autorização legislativa genérica para a criação de
subsidiárias corresponde à concessão, pelo Congresso Nacional ao Poder Executivo, de um importante
instrumento de gestão empresarial, para garantir a eficiência e a eficácia da sociedade de economia mista no
cumprimento de suas finalidades societárias. Portanto, na criação ou extinção de subsidiárias, o preceito maior
de gestão empresarial que deve ser seguido é garantir a melhor atuação, eficiência e eficácia da empresa-mãe.
STF. Plenário. Rcl 42576 MC/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
30/9 e 1º/10/2020 (Info 993).

É inconstitucional norma de Constituição Estadual que exija prévia arguição e aprovação da Assembleia
Legislativa para que o Governador do Estado nomeie os dirigentes das autarquias e fundações públicas, os
presidentes das empresas de economia mista e assemelhados, os interventores de Municípios, bem como os
titulares da Defensoria Pública e da Procuradoria-Geral do Estado. STF. Plenário. ADI 2167/RR, rel. orig. Min.
Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 3/6/2020 (Info 980).

As fundações públicas de direito privado não fazem jus à isenção das custas processuais. A isenção das custas
processuais somente se aplica para as entidades com personalidade de direito público. Dessa forma, para as
Fundações Públicas receberem tratamento semelhante ao conferido aos entes da Administração Direta é
necessário que tenham natureza jurídica de direito público, que se adquire no momento de sua criação,
decorrente da própria lei. STJ. 4ª Turma. REsp 1409199-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 10/03/2020
(Info 676).

A qualificação de uma fundação instituída pelo Estado como sujeita ao regime público ou privado depende: i)
do estatuto de sua criação ou autorização e ii) das atividades por ela prestadas. As atividades de conteúdo
econômico e as passíveis de delegação, quando definidas como objetos de dada fundação, ainda que essa seja

104
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
instituída ou mantida pelo poder público, podem se submeter ao regime jurídico de direito privado. STF.
Plenário.RE 716378/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 1º e 7/8/2019 (repercussão geral) (Info 946).

É proibida a extinção, por ato unilateralmente editado pelo chefe do Poder Executivo, de colegiado cuja
existência encontre menção em lei em sentido formal, ainda que ausente a expressa referência “sobre a
competência ou a composição”. Caso concreto: o Presidente da República editou o Decreto nº 9.759/2019
extinguindo uma série de colegiados existentes na Administração Pública federal. O art. 1º, § 2º deste Decreto
previu que ficariam extintos os colegiados que sejam mencionados em lei, mas sem que esta tenha definido a
competência ou a composição. O STF, em medida cautelar, declarou a inconstitucionalidade dessa previsão,
considerando que a extinção desses colegiados mencionados em lei somente poderia ocorrer também mediante
lei (e não por decreto). STF. Plenário. ADI 6121 MC/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 12 e 13/6/2019 (Info
944).

Súmula 525-STJ: A Câmara de vereadores não possui personalidade jurídica, apenas personalidade judiciária,
somente podendo demandar em juízo para defender os seus direitos institucionais.

#JÁCAIU

#MPMG

São disposições genéricas da administração pública brasileira:86

I. A legislação reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência
e definirá os critérios de sua admissão; estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para
atender a necessidade temporária de excepcional interesse público.

II. A proibição de acumulação remunerada estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações,
empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou
indiretamente, pelo poder público.

III. Poderá ser criada mediante decreto do Executivo autarquia e autorizada a instituição de empresa pública,
de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei, neste último caso, definir as áreas de sua
atuação.

IV. A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e'
indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público,
que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade.

É CORRETO o que se afirma em:

A)I, II e IV

B)III

86
GAB. A

105
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
C)I, III e IV

D)I e III

7. Servidores públicos.

AGENTES PÚBLICOS

A expressão agente público é a mais ampla para designar de forma genérica e indistinta os sujeitos que exercem
funções públicas, que servem ao Poder Público como instrumentos de sua vontade ou ação,
independentemente do vínculo jurídico, podendo ser por nomeação, contratação, designação ou convocação.
Independe, ainda, de ser essa função temporária ou permanente e com ou sem remuneração. Assim, quem quer
que desempenhe funções estatais, enquanto as exercita, é um agente público.87

O gênero agentes públicos comporta diversas espécies, sendo elas:

a) agentes políticos;
b) ocupantes de cargos em comissão;
c) contratados temporários;
d) agentes militares;
e) servidores públicos estatutários;
f) empregados públicos;
g) particulares em colaboração com a Administração (agentes honoríficos).

Vamos ver alguns conceitos importantes:

CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES PÚBLICOS

 Agentes Políticos: detentores de mandato eletivo e secretários e ministros de Estado.


Obs. O STF acrescenta membros da Magistratura e do MP já que atuam nas funções essenciais do Estado.
 Particular em Colaboração com o Poder Público: Não perdem a qualificação de particular, mas atuam,
em situações pontuais, em nome do Estado, em caráter temporário ou excepcional, exercendo função
pública. Podem ser designados (ou agentes honoríficos para Hely Lopes Meirelles), voluntários, delegados ou
credenciados.
 Servidores Estatais: Chamados de agentes administrativos, têm vínculo com o Estado no exercício de
função administrativa.

87
MARINELLA, Fernanda. Direito Administrativo.

106
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
 Servidor Temporário: contratado com base no art. 37, inciso IX da CF. Atendimento, em caráter
excecional, de necessidade não permanentes dos órgãos públicos.
 Servidores públicos: São aqueles titulares de cargo efetivo e os ocupantes de cargos comissionados.

Os servidores titulares de cargo efetivo são aqueles com ingresso através de CONCURSO PÚBLICO, também
chamados de servidores ESTATUTÁRIOS. Possuem estabilidade após 3 anos de efetivo exercício.

 Servidores públicos estatutários: A Constituição Federal de 1988 estabelece dois regimes principais
de contratação para o serviço público: o estatutário, ou de cargo público, e o celetista, ou de emprego
público.

O regime estatutário é regime comum de contratação de agentes públicos pela Administração Direta, isto
é, União, Estados, Distrito Federal e Municípios, assim como pelas pessoas jurídicas de direito público da
Administração Indireta, como autarquias, fundações públicas e associações públicas. No âmbito federal, o
regime de cargo público vem disciplinado na Lei n. 8.112/90 – o Estatuto do Servidor Público Federal.

Os servidores estatutários são selecionados por concurso público para ocupar cargos públicos, tendo
vinculação de natureza estatutária não contratual, e adquirem estabilidade após se sujeitarem a um estágio
probatório.

A principal vantagem conferida aos estatutários é justamente a estabilidade adquirida após o estágio
probatório. Essa estabilidade consiste na impossibilidade de perda do cargo, a não ser nas hipóteses
constitucionalmente previstas.

Contudo, no caso dos três cargos públicos vitalícios (magistrados, membros do Ministério Público e membros
dos Tribunais de Contas), adquirida a vitaliciedade, a perda do cargo somente pode ocorrer por sentença
judicial transitada em julgado.

 Empregados públicos (“celetistas”): Os empregados públicos ingressam por meio de concurso


público para ocupar empregos públicos, tendo uma vinculação contratual com o Estado regida pela
Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, razão pela qual são conhecidos como “celetistas”.

O regime de emprego público está constitucionalmente definido como o sistema de contratação a ser
utilizado nas pessoas jurídicas de direito privado da Administração indireta, ou seja, nas empresas públicas,
sociedades de economia mista, fundações governamentais e consórcios privados

ACUMULAÇÃO DE CARGOS

Previsão Constitucional:

Art. 37 XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de
horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:

a) a de dois cargos de professor;

b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;

107
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001)

XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas
públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente,
pelo poder público;

#OLHAAJURIS

A contratação temporária de terceiros para o desempenho de funções do cargo de enfermeiro, em decorrência


da pandemia causada pelo vírus Sars-CoV-2, e determinada por decisão judicial, não configura preterição ilegal
e arbitrária nem enseja direito a provimento em cargo público em favor de candidato aprovado em cadastro de
reserva. STJ. 2ª Turma. RMS 65757-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 04/05/2021 (Info 695).

É inconstitucional a fixação de critério de desempate em concursos públicos que favoreça candidatos que
pertencem ao serviço público de um determinado ente federativo. Caso concreto: lei do Estado do Pará previa
que, em caso de empate de candidatos no concurso público, teria preferência para a ordem de classificação o
candidato que já pertencesse ao serviço público do Estado do Pará e, persistindo a igualdade, aquele que
contasse com maior tempo de serviço público ao Estado do Pará. Essa previsão viola o art. 19, III, da CF/88, que
veda a criação de distinções entre brasileiros ou preferências entre si. STF. Plenário. ADI 5358/PA, Rel. Min.
Roberto Barroso, julgado em 27/11/2020 (Info 1000).

O Estado responde subsidiariamente por danos materiais causados a candidatos em concurso público
organizado por pessoa jurídica de direito privado (art. 37, § 6º, da CRFB/88), quando os exames são cancelados
por indícios de fraude. STF. Plenário. RE 662405, Rel. Luiz Fux, julgado em 29/06/2020 (Repercussão Geral –
Tema 512) (Info 986 – clipping).

Compete à Justiça comum processar e julgar controvérsias relacionadas à fase pré-contratual de seleção e de
admissão de pessoal e eventual nulidade do certame em face da Administração Pública, direta e indireta, nas
hipóteses em que adotado o regime celetista de contratação de pessoal. STF. Plenário. RE 960429/RN, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 4 e 5/3/2020 (repercussão geral – Tema 992) (Info 968).

Nos casos de preterição de candidato na nomeação em concurso público, o termo inicial do prazo prescricional
quinquenal recai na data em que foi nomeado outro servidor no lugar do aprovado no certame. STJ. 2ª Turma.
AgInt no REsp 1643048-GO, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 05/03/2020 (Info 668).

Os pagamentos indevidos aos servidores públicos decorrentes de erro administrativo (operacional ou de


cálculo), não embasado em interpretação errônea ou equivocada da lei pela Administração, estão sujeitos à
devolução, ressalvadas as hipóteses em que o servidor, diante do caso concreto, comprova sua boa-fé objetiva,
sobretudo com demonstração de que não lhe era possível constatar o pagamento indevido. STJ. 1ª Seção. REsp
1769306/AL, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 10/03/2021 (Recurso Repetitivo – Tema 1009) (Info 688).

Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos
ao prazo de cinco anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma
ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas. STF. Plenário. RE 636553/RS, Rel.
Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/2/2020 (repercussão geral – Tema 445) (Info 967). Os Tribunais de Contas
estão sujeitos ao prazo de 5 anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria,
reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas. STJ. 2ª Turma. REsp
1506932/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 02/03/2021 (Info 687).
108
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
O exercício da advocacia, mesmo em causa própria, é incompatível com as atividades desempenhadas por
servidor ocupante de cargo público de agente de trânsito, nos termos do art. 28, V, da Lei nº 8.906/94 (Estatuto
da OAB). STJ. 1ª Seção. REsp 1815461/AL, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 10/02/2021 (Recurso
Repetitivo – Tema 1028) (Info 685).

É inconstitucional o aproveitamento de servidor, aprovado em concurso público a exigir formação de nível


médio, em cargo que pressuponha escolaridade superior. STF. Plenário. RE 740008/RR, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 19/12/2020 (Repercussão Geral – Tema 697) (Info 1003).

Nos termos do art. 5º, VIII, da Constituição Federal, é possível à Administração Pública, inclusive durante o
estágio probatório, estabelecer critérios alternativos para o regular exercício dos deveres funcionais inerentes
aos cargos públicos, em face de servidores que invocam escusa de consciência por motivos de crença religiosa,
desde que presentes a razoabilidade da alteração, não se caracterize o desvirtuamento do exercício de suas
funções e não acarrete ônus desproporcional à Administração Pública, que deverá decidir de maneira
fundamentada. STF. Plenário. ARE 1.099.099/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 26/11/2020 (Repercussão Geral –
Tema 1021).

O Poder Judiciário não possui competência para determinar ao Poder Executivo a apresentação de projeto de
lei que vise a promover a revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos, tampouco para fixar o
respectivo índice de correção. STF. Plenário. RE 843112, Rel. Luiz Fux, julgado em 22/09/2020 (Repercussão
Geral – Tema 624) (Info 998).

Ocorrida a morte do instituidor da pensão em momento posterior ao da Emenda Constitucional 19/1998, o teto
constitucional previsto no inciso XI do art. 37 da Constituição Federal incide sobre o somatório de remuneração
ou provento e pensão percebida por servidor. STF. Plenário. RE 602584/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
6/8/2020 (Repercussão Geral – Tema 359) (Info 985). Cuidado para não confundir com esse outro entendimento:
Se a pessoa acumular licitamente dois cargos públicos ela poderá receber acima do teto Nos casos autorizados
constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do art. 37, XI, da Constituição
Federal pressupõe consideração de cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto
remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente público. STF. Plenário. RE 612975/MT e RE
602043/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 26 e 27/4/2017 (Repercussão Geral – Temas 337 e 384) (Info
862).

O art. 41 da Constituição Federal estabelece que são requisitos básicos a serem apurados no estágio probatório:
"I - idoneidade moral; II - assiduidade e pontualidade; III - disciplina; IV- eficiência; V - aptidão" (§ 1º). Dessa
forma, findo o período do estágio probatório - três (3) anos de efetivo exercício, a estabilidade do servidor no
serviço público não se dará de forma automática. Isso porque o § 4º do art. 41 da CF/88 impõe como condição
obrigatória para a aquisição da estabilidade a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para
essa finalidade. STJ. 1ª Turma. AgInt no RMS 52.138/GO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 08/06/2020.

#SÚMULAS

Súmula vinculante 55 STF: O direito ao auxílio-alimentação não se estende aos servidores inativos.

Súmula vinculante 37-STF: Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos
de servidores públicos sob fundamento de isonomia.

Súmula 682-STF: Não ofende a Constituição a correção monetária no pagamento com atraso dos vencimentos
de servidores públicos.

109
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Súmula vinculante 42-STF: É inconstitucional a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais
ou municipais a índices federais de correção monetária.

Súmula 47-STF: Reitor de universidade não é livremente demissível pelo presidente da república durante o prazo
de sua investidura.

Súmula 20-STF: É necessário processo administrativo, com ampla defesa, para demissão de funcionário admitido
por concurso. • Válida. • Está de acordo com o art. 41, § 1º, II, da CF/88.

#JÁ CAIU

#MPMG

Na decisão paradigmática do Supremo Tribunal Federal (RE 1041210/SP) sobre os cargos em comissão, é
incorreto afirmar que:88

A)as atribuições dos cargos em comissão devem estar descritas, de forma clara e objetiva, na lei que os
instituir ou em ato normativo secundário, sendo imprescindível a descrição transparente das funções de
chefia, direção ou assessoramento, uma vez que a descrição obscura ou vaga traduz ofensa direta aos
comandos constitucionais.

B)a criação de cargos em comissão somente se justifica para o exercício de funções de direção, chefia e
assessoramento, não se prestando ao desempenho de atividades burocráticas, técnicas ou operacionais.

C)o número de cargos em comissão criados deve guardar proporcionalidade com a necessidade que eles
visam suprir e com o número de servidores ocupantes de cargos efetivos no ente federativo que os criar.

D)a criação de cargo em comissão deve pressupor a necessária relação de confiança entre a autoridade
nomeante e o servidor nomeado, o que é detectável na descrição das atribuições dos cargos.

9.Poderes e deveres da administração pública. 10. Atos administrativos e atividade administrativa. 11.
Processo e procedimento administrativo

PODERES ADMINISTRATIVOS

São instrumentos conferidos ao Poder Público, indispensável, para a persecução do interesse público.

Fernanda Marinela adverte: “Para evitar maiores problemas, não podem ser confundidos Poderes da
Administração ou Administrativos com Poderes do Estado. Estes são elementos orgânicos ou organizacionais
que exercem, cada qual, uma função precípua, conforme a tripartição constitucional já ensinada por
Montesquieu, dividindo-se em Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário. Muito diferentes daqueles,
que são as prerrogativas, instrumentos, mecanismos para a realização do bem coletivo”.

CARACTERÍSTICAS:

88
GAB. A

110
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
- Dever de agir: Quando falamos em função pública, o interesse é da coletividade, sendo um múnus público para
o administrador. Para Celso Antônio Bandeira, configura-se um dever-poder, destacando sua verdadeira
finalidade: dever.

- Irrenunciáveis: já que estamos falando de interesse público (lembrem que o interesse público é indisponível).

- Condicionado a limites legais: inclusive quanto a regras de competência, podendo ser responsabilizado por
abuso de poder.

USO E ABUSO DE PODER:

O abuso de poder pode decorrer de condutas omissivas ou comissivas. E divide-se em: excesso de poder
(ultrapassa a competência) e desvio de poder (finalidade).

O abuso de poder ocorre quando a atuação do agente ultrapassa o caráter instrumental, ou seja, vai além do
interesse público.

Por sua vez, o excesso de poder ocorre quando o agente público atua fora dos limites de sua competência, ou
seja, extrapola a competência que lhe foi atribuída, praticando atos que não estão previamente estipulados na
lei.

Já o desvio de poder ocorre quando a autoridade pública atua dentro dos limites de sua competência, mas visa
finalidade diversa daquela que estava inicialmente prevista. É o chamado desfio de finalidade.

Pessoal, vou trazer um breve conceito sobre cada um dos poderes, mas é apenas uma revisão ok?!

PODERES

PODER VINCULADO Há uma única conduta possível a ser tomada pelo agente público diante de casos
concretos, sem conveniência e oportunidade.

PODER DISCRICIONÁRIO O agente público atua dentro de um juízo de conveniência e oportunidade,


assim, havendo dois caminhos, ele pode escolher aquele que, de acordo com seu
entendimento, é o melhor para o interesse púbico.

OBS. É subordinado à lei também, mas tem uma margem de liberdade maior.

OBS. Poderá sofre controle judicial? Sim, no que diz respeito à sua adequação
com a lei, porém o judiciário não deve adentrar na análise meritória.

PODER REGULAMENTAR É poder de a Administração expedir normas gerais, ou seja, atos administrativos
gerais e abstratos com efeitos erga omnes. Não se confunde com a edição de lei,
são apenas mecanismos para edição de normas complementares à lei.

Pode ser:

Executivo: Expedido para fiel execução da lei.

111
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Autônomo: Substitui o texto legal.

STF já determinou que são vedados no ordenamento brasileiro os decretos


autônomos, com exceção do art. 84, inciso VI, da CF.

PODER HIERÁRQUICO É conferido ao administrador para distribuir e escalonar as funções dos seus
órgãos, ordenar e rever a atuação de seus agentes, estabelecendo uma relação
de hierarquia, de subordinação, o que é peculiar da função administrativa do
Estado.89

Aqui sempre cai os dispositivos da lei do processo administrativo.


#VAMOSRECORDAR?

Avocação e Delegação.

Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos


a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação
legalmente admitidos.

Art. 13. Não podem ser objeto de delegação:

I - a edição de atos de caráter normativo;

II - a decisão de recursos administrativos;

III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade.

Art. 14. O ato de delegação e sua revogação deverão ser publicados no meio
oficial.

§ 1o O ato de delegação especificará as matérias e poderes transferidos, os


limites da atuação do delegado, a duração e os objetivos da delegação e o
recurso cabível, podendo conter ressalva de exercício da atribuição delegada.

§ 2o O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade


delegante.

§ 3o As decisões adotadas por delegação devem mencionar explicitamente esta


qualidade e considerar-se-ão editadas pelo delegado.

Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes


devidamente justificados, a avocação temporária de competência atribuída a
órgão hierarquicamente inferior.

89
MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo. 2018.

112
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
PODER DISCIPLINAR É o poder de apurar infrações, aplicando sanções e penalidades por parte do
Poder Público a todas aqueles que possuam vínculo de natureza especial com o
poder público.

É um poder discricionário, no entanto, no que tange a opção de sancionar ou não


o agente a discricionariedade não é ampla.

Não se aplica a particulares.

PODER DE POLÍCIA É a atividade da Administração Pública que se expressa mediante atos


normativos ou concretos, com fundamento na supremacia geral e na forma da
#APOSTACICLOS lei, com o objetivo de condicionar a liberdade e a propriedade dos indivíduos por
meio de ações fiscalizadoras, preventivas e repressivas, impondo aos
administrados comportamentos compatíveis com os interesses sociais,
sedimentados no sistema normativo. Conceito similar encontra-se no art. 78 do
Código Tributário Nacional.90

Polícia Administrativa: incide sobre bens e direitos, com a finalidade de


beneficiar o interesse público.

Polícia Judiciária: visa a prevenção, repressão à prática de infrações penais, incide


sobre pessoas.

É considerado um poder negativo, pois exigem abstenções por parte dos


particulares. Porém, modernamente, vem sendo entendimento como um
positivo, pois vem exigindo certas obrigações de fazer do particular.

Ciclos do Poder de Polícia:

a)Ordem de Polícia: Impõe restrições aos particulares, dentro dos limites legais.
Ex. requisitos exigidos em lei para obtenção da CNH.

b)Consentimento de Polícia: A lei autoriza o exercício de uma atividade, desde


que haja concordância do poder público.

Ex. Autorização e Licença.

c)Fiscalização de Polícia: É a possibilidade de o Estado conferir as atividades


submetidas ao poder de polícia.

d) Sanção de Polícia: Aplicabilidade de sanções, quando houver descumprimento


por parte do administrado. Ex. multas

Os atos delegáveis a particulares seriam o consentimento e a fiscalização.

Atributos do Poder de Polícia:

-Discricionariedade

90
MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo.

113
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
-Imperatividade

- Autoexecutoriedade

-Coercibilidade.

#DEOLHONAJURIS

É constitucional a delegação do poder de polícia, por meio de lei, a pessoas jurídicas de direito privado
integrantes da Administração Pública indireta de capital social majoritariamente público que prestem
exclusivamente serviço público de atuação própria do Estado e em regime não concorrencial. STF. Plenário. RE
633782/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 23/10/2020 (Repercussão Geral – Tema 532) (Info 996).

Em cidades tomadas por veículos automotores, a maior parte deles a serviço de minoria privilegiada, calçadas
integram o mínimo existencial de espaço público dos pedestres, a maioria da população. No Estado Social de
Direito, o ato de se deslocar a pé, em segurança e com conforto, qualifica-se como direito de todos, com atenção
redobrada para a acessibilidade dos mais vulneráveis, aí incluídos idosos, crianças e pessoas com deficiência.
Vale ressaltar que as calçadas são consideradas bens públicos, como bens de uso comum do povo (art. 99, I, do
Código Civil). A ninguém é lícito ocupar espaço público (no caso, a calçada), exceto se estritamente conforme a
legislação e após regular procedimento administrativo. Se o apossamento do espaço urbano público ocorre
ilegalmente, incumbe ao administrador, sob risco de cometimento de improbidade e infração disciplinar, fazer
a imediata demolição de eventuais construções irregulares e a desocupação de bem turbado ou esbulhado. STJ.
2ª Turma. REsp 1846075-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 03/03/2020 (Info 671).

O art. 2º, § 6º, inc. VIII, do Decreto n. 3.179/1999 (redação original), quando permite a liberação de veículos e
embarcações mediante pagamento de multa, não é compatível com o que dispõe o art. 25, § 4º, da Lei n.
9.605/1998; entretanto, não há ilegalidade quando o referido dispositivo regulamentar admite a instituição do
depositário fiel na figura do proprietário do bem apreendido por ocasião de infração nos casos em que é
apresentada defesa administrativa - anote-se que não se está defendendo a simplória liberação do veículo, mas
a devolução com a instituição de depósito (e os consectários legais que daí advêm), observado, entretanto, que
a liberação só poderá ocorrer caso o veículo ou a embarcação estejam regulares na forma das legislações de
regência (Código de Trânsito Brasileiro, p. ex.). STJ. 1ª Seção. REsp 1.133.965-BA, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 25/04/2018 (Info 625).

Havendo omissão do órgão estadual na fiscalização, mesmo que outorgante da licença ambiental, o IBAMA pode
exercer o seu poder de polícia administrativa, porque não se pode confundir competência para licenciar com
competência para fiscalizar. STJ. 1ª Turma. AgInt no REsp 1484933/CE, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado
em 21/03/2017.

#JÁCAIU

#MPMG

Dentre as alternativas abaixo sobre desvio de poder, indique a INCORRETA:91

91
GAB. A. Esta questão se pauta em entendimento Minoritário sobre o assunto de Celso A. B. de M. a) "No desvio de poder,
ao contrário do que habitualmente se afirma e do que nós mesmos vínhamos sustentando, nem sempre há um 'móvel',

114
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
A)O desvio de poder é vício de intenção, que deriva dos propósitos subalternos que animam o agente ou das
circunstâncias de não realização da finalidade preordenada pela lei.

B)O desvio de poder é vício objetivo que se refere ao descompasso entre a finalidade a que o ato serviu e a
finalidade legal que por meio dele poderia ser servida.

C)O desvio de poder é vício por omissão nas hipóteses em que a abstenção do ato é contrária ao que deveria
ser feito, afinal “não agir é também agir”.

D)O desvio de poder desnatura a finalidade da competência no exercício de atos impróprios à providência
adotada.

ATOS ADMINISTRATIVOS

É todo ato praticado pela Administração Pública ou por quem lhe faça as vezes, no exercício da função
administrativa, sob o regime público, ou seja, gozando das prerrogativas estatais e manifestando vontade do
poder público em casos concretos ou de forma geral, não se confundindo com meros atos de execução de
atividade.

*#OUSESABER: Qual a diferença entre ato administrativo, ato político, e ato de gestão?

Os atos administrativos caracterizam-se como manifestações unilaterais do Estado ou de quem lhe faça as
vezes, sob o regime jurídico de direito público, voltado à produção de efeitos jurídicos (criativos, modificativos
ou extintivos), sendo tais atos passíveis de controle pelo Poder Judiciário. Os atos praticados pela
Administração Pública podem ser atos administrativos, atos políticos ou atos de gestão. Os primeiros, já
conceituados acima, são praticados em fiel observância à lei, estando a ela subordinados, sendo regidos pelo
regime jurídico de direito público.

isto é, uma intenção inadequada. Com efeito, o agente pode, equivocadamente, supor que uma dada competência era
prestante, de direito, para a busca de um dado resultado e por isto haver praticado o ato almejando alcançá-lo pela via
utilizada. Neste caso não haverá intenção viciada. b) Trecho anterior. c) A citar CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO, " o
desvio de poder é um vício objetivo, pois resulta do objetivo descompasso entre a competência utilizada e a finalidade
legal, ou seja, trata-se de um desacordo entre a norma abstrata (lei) e a norma individual (ato).Logo, se o vício possui
natureza objetiva, não há que se buscar a intenção do agente para se verificar a constatação e posterior reprimenda do
desvio de poder, basta apenas identificar objetivamente o descompasso existente entre a finalidade atingida pelo ato
concreto e a finalidade da norma em abstrato." d) Por outro lado, a prática de "atos impróprios à providência adotada"
também configura desvio de finalidade, na medida em que, embora a finalidade pública perseguida até possa ser, de fato,
buscada pelo agente, o fato é que este se valeu de ato administrativo incorreto para alcançá-la. Dito de outro modo, a
finalidade legalmente prevista para o ato praticado não corresponde à finalidade efetivamente almejada pelo agente
público, o que configura o citado desvio. (comentário extraído do qconcursos) https://www.qconcursos.com/questoes-de-
concursos/questoes?discipline_ids%5B%5D=2&institute_ids%5B%5D=5756&job_ids%5B%5D=176&subject_ids%5B%5D=16022

115
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Os atos políticos são aqueles atos praticados com fundamento direto na Constituição, com alto grau de
discricionariedade, atinentes ao comando da nação, representando muitas vezes opções ideológicas, como,
por exemplo, se dá com o veto de uma lei e a declaração de guerra.

Atos de gestão, por sua vez, são os praticados pela Administração em posição de igualdade com os
particulares, despindo-se, portanto, do poder de império. Podem ser dados como exemplo, a alienação de
um imóvel público inservível, ou a doação sem encargo de determinado bem não destinado às finalidades do
órgão.

De acordo com a lei de ação popular todo ato administrativo possui cinco elementos: competência, finalidade,
forma, motivo e objeto.

a) Competência: É aquele defina na lei, na CF ou ainda em atos administrativos.


É um ato vinculado.
Características: imprescritível, improrrogável, irrenunciável (delegação e avocação são admitidas de forma
temporária e excepcional)
b) Finalidade: É o que se busca atender com o ato administrativa. Pode ser genérica (é o atendimento
ao interesse público) ou específica (a lei estabelece em determinado ato).
É elemento vinculado.
c) Forma: É a exteriorização do ato. Em regra, devem ser praticados por escrito (em razão do princípio
da solenidade).
Aplica-se o princípio da instrumentalização das formas.

Se não houver prejuízo para o Poder Público ou terceiros, o vício de forma é sanável.

A forma só não será elemento vinculado, se a lei permitir mais de uma forma possível ou for silente.

d) Motivo: São as razões de fato e de direito que dão ensejo a prática do ato.
E a motivação? É a exposição dos motivos do ato (integra a formalidade do ato).

Motivação Aliunde: O administrador remete sua motivação aos fundamentos apresentados por um ato
anterior que o justificou.

Teoria dos Motivos Determinantes: Os motivos apresentados como justificadores da prática do ato
administrativo vinculam este ato e, caso os motivos apresentados sejam viciados, o ato será ilegal.

Em regra, discricionário.

e) Objeto: É aquilo que o ato dispõe, ou seja, o efeito causado pelo ato no mundo em razão da sua
prática.
Em regra, discricionário.

ATRIBUTOS DO ATO ADMINISTRATIVO

 Presunção de veracidade
 Presunção de Legitimidade

116
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
 Imperatividade
 Exigibilidade
 Autoexecutoriedade/Executoriedade
 Tipicidade.
Vou trazer as classificações que geram mais dúvidas nos candidatos:

Quanto à formação

a) ato simples: basta uma única manifestação de vontade. Essa manifestação pode ser singular (única
autoridade) ou colegiada.

b) ato compostos: duas manifestações de vontade no mesmo órgão, em patamar de desigualdade. A primeira
é principal e a segunda é secundária. Ex. atos dependentes de visto do chefe. José – não são vontades
autônomas, pois uma delas é meramente instrumental, pois se limita à verificação de legitimidade do ato.

c) atos complexos: duas manifestações de vontade, em órgãos diferentes, em patamar de igualdade. Ex.
nomeação de dirigente de agência reguladora, concessão de aposentadoria.

Quanto aos Efeitos:

a) atos normativos – é exercício de poder regulamentar ou normativo. Traz um comando geral para concreta
aplicação da lei. Regulamentos regimentos, deliberações, resoluções.

b) atos ordinatórios – é exercício de poder hierárquico. Visa disciplinar o funcionamento da Adm. e a conduta
funcional dos agentes. Escalonar. Estruturar. Organizar. Instruções, circulares, ordens de serviço.

c) atos negociais – manifestação de vontade da Adm. coincidente com a pretensão do particular. Ex. Licença,
autorização, permissão de uso.

d) atos enunciativos – aquele que se limita a certificar, atestar ou emitir uma opinião. Ex. certidão, atestado,
parecer.

PROCESSO E PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO

A lei n. 9.784/99 estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da


Administração Federal direta e indireta e aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário da União, quando no
desempenho de função administrativa. Portanto, trata-se de uma lei administrativa federal e não nacional, por
isso, não obriga estados, municípios ou Distrito Federal.

#APOSTACICLOS: Súmula 633-STJ: A Lei nº 9.784/99, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial
para a revisão de atos administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode ser aplicada, de forma
subsidiária, aos estados e municípios, se inexistente norma local e específica que regule a matéria.

A lei 9.874/99 ampliou o rol de princípios previstos expressamente na Constituição, em seu artigo 37.

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
PRINCÍPIOS EXPRESSOS PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS
 Legalidade  Impessoalidade
 Finalidade  Publicidade
 Motivação  Atipicidade
 Razoabilidade  Lealdade e boa-fé
 Proporcionalidade  Gratuidade
 Moralidade  Economia Processual
 Ampla defesa  Oficialidade
 Contraditório,  Devido processo legal
 Segurança jurídica  Formalismo moderado (ou informalismo)
 Interesse público  Instrumentalidade das formas
 Eficiência.

#DEOLHONASÚMULA
Súmula vinculante 5-STF: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não
ofende a Constituição.
Assim, a presença de advogado em PAD é facultativa. O acusado pode ser acompanhado por advogado se assim
desejar. No entanto, não é obrigatório que o processado tenha a assistência jurídica. Logo, caso não tenha sido
auxiliado por advogado, tal circunstância não gera a nulidade do PAD.
Vale ressaltar que a SV 5 se refere ao típico processo administrativo disciplinar, ou seja, aquele que tramita no
âmbito da Administração Pública. Este enunciado não se aplica para o processo administrativo que apura
infrações cometidas no sistema penitenciário.
Súmula vinculante 3-STF: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e
a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o
interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e
pensão.
Quando o Tribunal de Contas aprecia a legalidade do ato de concessão inicial da aposentadoria, ele precisa
garantir contraditório e ampla defesa ao interessado?
NÃO (parte final da SV 3-STF).

O Tribunal de Contas possui o prazo de 5 anos para apreciar a legalidade do ato de concessão inicial da
aposentadoria, reforma ou pensão.
Se o Tribunal de Contas demorar mais de 5 anos para apreciar a legalidade, ele não poderá mais rever esse ato.
Esgotado o prazo, considera-se que a aposentadoria, reforma ou pensão está definitivamente registrada,
mesmo sem ter havido a análise pelo Tribunal de Contas.
Mesma regra. O prazo de 5 anos para que o Tribunal de Contas julgue a legalidade do ato de concessão inicial
de aposentadoria, reforma ou pensão, é contado da chegada do processo à respectiva Corte de Contas.
A SV não possui mais exceção. Em nenhum caso será necessário contraditório ou ampla defesa.

118
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Ciclos Método
#JÁCAIU

#MPMG

Nos processos administrativos regidos pela Lei Federal nº 9.784/99, há expressa determinação de critérios a
serem observados, com EXCEÇÃO de:92

A)Divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição

B)Adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos
direitos dos administrados.

C)Proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei.

D)Inércia oficial, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados.

12. Contratos administrativos. 13. Licitação, Serviços públicos, Obra pública e regime diferenciado de
contratação (Lei Federal n.º 14.133/2021, Lei Federal nº 8.666/1993, Lei Federal n.º 8.987/1995, Lei Federal
nº 10.520/2002, Decreto Federal nº 7.892/2013, Lei Estadual n.º 14.167/2002, Lei Estadual n.º 13.994/2001,
Lei Estadual n.º 13.209/1999).

#APOSTACICLOS

LICITAÇÕES: DISPOSIÇÕES INICIAIS.

A nova lei de licitações (Lei 14.133/2021) determina que o procedimento anterior poderá ser utilizado pelos
entes públicos durante o período de dois anos.

Assim, a Administração Pública poderá optar por licitar de acordo com a lei 14.133/2021 ou de acordo com a lei
8.666/93 e a opção escolhida deverá vir de forma expressa no edital licitatório.
Assim, o conceito de Licitação, de forma objetiva, pode ser o seguinte:

#FIQUEDEOLHO É um procedimento administrativo prévio às contratações públicas, realizado em uma série


concatenada de atos, legalmente distribuídos, culminando na celebração de um contrato.

A competência para legislar sobre licitação está presente no art. 22, inciso XXVII da CF, veja:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas
diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no
art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°,
III; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

92
GAB. D

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Ciclos Método

Assim, as normas da União, quando gerais, são aplicáveis a todos os entes federativos. Ademais, estes podem
expedir normas específicas para regulamentação de seus procedimentos licitatórios, de acordo com as regras
gerais estabelecidas pela Legislação Federal.

#APOSTACICLOS A União detém competência para legislar sobre as normas gerais de licitação, podendo os
Estados e Municípios legislar sobre o tema para complementar as normas gerais e adaptá-las às suas realidades.
Assim, lei municipal pode proibir que os agentes políticos do município (e seus parentes) mantenham contrato
com o Poder Público municipal. STF. 2ª Turma. RE 423560/MG, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgado em
29/5/2012 (Info 668).

Em obediência a Constituição Federal, em âmbito Federal temos as seguintes leis que tratam sobre o
procedimento licitatório:

 Lei 14.133/21
 Lei 8.666/93 (poderá ser aplicada até abril de 2023), portanto, poderá ser questionada em concurso.
 Lei 12462/11

FINALIDADES DO PROCEDIMENTO LICITATÓRIO.

A licitação busca a satisfação do interesse público ao garantir contratos mais vantajosos, respeitando a isonomia
das contratações e visando o desenvolvimento nacional sustentável.

Lei 8.666/93 (Antiga Lei de Licitação) Lei 14.133 (Nova lei de Licitação)
Art. 3º A licitação destina-se a garantir a observância Art. 11. O processo licitatório tem por objetivos:
do princípio constitucional da isonomia, a seleção da
proposta mais vantajosa para a administração e a I - assegurar a seleção da proposta apta a gerar o
promoção do desenvolvimento nacional sustentável resultado de contratação mais vantajoso para a
e será processada e julgada em estrita conformidade Administração Pública, inclusive no que se refere ao
com os princípios básicos da legalidade, da ciclo de vida do objeto;
impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da II - assegurar tratamento isonômico entre os
publicidade, da probidade administrativa, da licitantes, bem como a justa competição;
vinculação ao instrumento convocatório, do III - evitar contratações com sobrepreço ou com
julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. preços manifestamente inexequíveis e
superfaturamento na execução dos contratos;
IV - incentivar a inovação e o desenvolvimento
nacional sustentável.

Parágrafo único. A alta administração do órgão ou


entidade é responsável pela governança das
contratações e deve implementar processos e
estruturas, inclusive de gestão de riscos e controles
internos, para avaliar, direcionar e monitorar os
processos licitatórios e os respectivos contratos, com
o intuito de alcançar os objetivos estabelecidos
no caput deste artigo, promover um ambiente
íntegro e confiável, assegurar o alinhamento das
contratações ao planejamento estratégico e às leis
120
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
orçamentárias e promover eficiência, efetividade e
eficácia em suas contratações.

Vale destacar o art. 40 §5º da Lei 8666/93 o qual dispõe:

“#APOSTACICLOS

Art.40,§5º A Administração Pública poderá, noseditais de licitação para a contratação de serviços, exigir da co
ntratata que um percentual mínimo de sua mão de obra seja oriundo ou egresso do sistema prisional, com a fi
nalidadde ressocialização do reeducando, na forma estabelecida em regulamento.

Já o art. 24 §9º da nova Lei de Licitações vai além e prevê percentual mínimo de mão de obra para mulheres
vítimas de violência doméstica e para pessoas oriundas do sistema prisional.

#VAICAIR

“#APOSTACICLOS § 9º O edital poderá, na forma disposta em regulamento, exigir que percentual mínimo da
mão de obra responsável pela execução do objeto da contratação seja constituído por:

I - mulheres vítimas de violência doméstica;

II - oriundos ou egressos do sistema prisional.

PRINCIPAIS PRINCÍPIOS

Princípio da Vinculado ao Instrumento Convocatório (lei antiga) x Princípio da Vinculação ao Edital (nova lei)

O edital é a lei interna da licitação e deve definir tudo o que for importante para o certamente, vinculando os
licitantes e a Administração Pública.

A elaboração do edital pela Administração é livre e discricionário, e tem por objetivo a satisfação dos interesses
da sociedade, no entanto, após a publicação a Administração fica vinculada àquilo que foi publicado.

Lei 8.666/93 (Antiga Lei de Licitação) Lei 14.133 (Nova lei de Licitação)
A licitação destina-se a garantir a observância do Art. 92. São necessárias em todo contrato cláusulas
princípio constitucional da isonomia, a seleção da que estabeleçam:
proposta mais vantajosa para a administração e a
promoção do desenvolvimento nacional sustentável II - a vinculação ao edital de licitação e à proposta
e será processada e julgada em estrita conformidade do licitante vencedor ou ao ato que tiver autorizado
com os princípios básicos da legalidade, da a contratação direta e à respectiva proposta;
impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da
publicidade, da probidade administrativa, da
121
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
vinculação ao instrumento convocatório, do
julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.

Princípio do Julgamento Objetivo.

O edital deve estabelecer, de forma precisa e clara, qual critério será usado para a seleção da proposta
vencedora. Além disso, o ato convocatório tem de conter critérios objetivos que não se subsumem às escolhas
dos julgadores.

Vamos aos critérios para cada uma das seguintes leis:

Lei 8.666/93 (Antiga Lei de Licitação) Lei 14.133 (Nova lei de Licitação)

Art. 45 § 1º Para os efeitos deste artigo, constituem Art. 33. O julgamento das propostas será realizado de
tipos de licitação, exceto na modalidade acordo com os seguintes critérios:
concurso:
I - menor preço;
I - a de menor preço - quando o critério de seleção da II - maior desconto;
proposta mais vantajosa para a Administração III - melhor técnica ou conteúdo artístico;
determinar que será vencedor o licitante que IV - técnica e preço;
apresentar a proposta de acordo com as V - maior lance, no caso de leilão;
especificações do edital ou convite e ofertar o menor VI - maior retorno econômico.
preço;
II - a de melhor técnica;
III - a de técnica e preço.
IV - a de maior lance ou oferta - nos casos
de alienação de bens ou concessão de direito real de
uso.

Princípio do Sigilo das Propostas.

A licitação é pública e os atos praticados no bojo do procedimento licitatório não podem, via de regra, ser
sigilosos ou secretos, contudo, as propostas apresentadas pelos licitantes são sigilosas até a abertura dos
envelopes.

Lei 8.666/93 (Antiga Lei de Licitação) Lei 14.133 (Nova lei de Licitação)

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Ciclos Método
Art. 3º Art. 13. Os atos praticados no processo licitatório são
§ 3º A licitação não será sigilosa, sendo públicos e públicos, ressalvadas as hipóteses de informações
acessíveis ao público os atos de seu procedimento, cujo sigilo seja imprescindível à segurança da
salvo quanto ao conteúdo das propostas, até a sociedade e do Estado, na forma da lei.
respectiva abertura.
Parágrafo único. A publicidade será diferida:
I - quanto ao conteúdo das propostas, até a
respectiva abertura;
II - quanto ao orçamento da Administração, nos
termos do art. 24 desta Lei.

Princípio da Isonomia.

É indispensável que seja garantido tratamento isonômico entre os licitantes, não admitindo tratamento
diferenciado que vise beneficiar ou prejudicar participante do certame.

A isonomia, em seu aspecto material, significa tratar igualmente os iguais e oferecer tratamento desigual aos
desigual aos desiguais na medida de suas desigualdades. Nesse sentido, o princípio visa igualar juridicamente
aqueles que são desiguais faticamente, formando o que se conhece por isonomia material.

Está em conformidade com esse princípio o tratamento diferenciado dispensado às microempresas e às


empresas de pequeno porte, bem como a criação de preferências para aquisição de produtos manufaturados
ou serviços nacionais que obedeçam às normas técnicas brasileiras.

#APOSTACICLOS

Lei 8.666/93 (Antiga Lei de Licitação) Lei 14.133 (Nova lei de Licitação)
§ 6º A margem de preferência de que trata o § 5º Art. 26. No processo de licitação, poderá ser
será estabelecida com base em estudos revistos estabelecida margem de preferência para:
periodicamente, em prazo não superior a 5 (cinco)
anos, que levem em consideração: I - bens manufaturados e serviços nacionais que
atendam a normas técnicas brasileiras;
I - geração de emprego e renda; II - bens reciclados, recicláveis ou biodegradáveis,
II - efeito na arrecadação de tributos federais, conforme regulamento.
estaduais e municipais;
III - desenvolvimento e inovação tecnológica § 1º A margem de preferência de que trata
realizados no País; o caput deste artigo:
IV - custo adicional dos produtos e serviços; e
V - em suas revisões, análise retrospectiva de I - será definida em decisão fundamentada do Poder
resultados. Executivo federal, no caso do inciso I do caput deste
artigo;
§ 7º Para os produtos manufaturados e serviços II - poderá ser de até 10% (dez por cento) sobre o
nacionais resultantes de desenvolvimento e inovação preço dos bens e serviços que não se enquadrem no
tecnológica realizados no País, poderá ser disposto nos incisos I ou II do caput deste artigo;

123
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
estabelecido margem de preferência adicional àquela III - poderá ser estendida a bens manufaturados e
prevista no § 5º serviços originários de Estados Partes do Mercado
§ 8º As margens de preferência por produto, serviço, Comum do Sul (Mercosul), desde que haja
grupo de produtos ou grupo de serviços, a que se reciprocidade com o País prevista em acordo
referem os §§ 5o e 7o, serão definidas pelo Poder internacional aprovado pelo Congresso Nacional e
Executivo federal, não podendo a soma delas ratificado pelo Presidente da República.
ultrapassar o montante de 25% (vinte e cinco por § 2º Para os bens manufaturados nacionais e serviços
cento) sobre o preço dos produtos manufaturados e nacionais resultantes de desenvolvimento e inovação
serviços estrangeiros. tecnológica no País, definidos conforme regulamento
§ 9º As disposições contidas nos §§ 5o e 7o deste do Poder Executivo federal, a margem de preferência
artigo não se aplicam aos bens e aos serviços cuja a que se refere o caput deste artigo poderá ser de até
capacidade de produção ou prestação no País seja 20% (vinte por cento).
inferior:
§ 3º (VETADO).
I - à quantidade a ser adquirida ou contratada; § 4º (VETADO).
ou § 5º A margem de preferência não se aplica aos bens
II - ao quantitativo fixado com fundamento no § 7o do manufaturados nacionais e aos serviços nacionais se
art. 23 desta Lei, quando for o caso a capacidade de produção desses bens ou de
prestação desses serviços no País for inferior:
§ 10. A margem de preferência a que se refere o §
5o poderá ser estendida, total ou parcialmente, aos I - à quantidade a ser adquirida ou contratada; ou
bens e serviços originários dos Estados Partes do II - aos quantitativos fixados em razão do
Mercado Comum do Sul - Mercosul. parcelamento do objeto, quando for o caso.
§ 11. Os editais de licitação para a contratação de
bens, serviços e obras poderão, mediante prévia § 6º Os editais de licitação para a contratação de
justificativa da autoridade competente, exigir que o bens, serviços e obras poderão, mediante prévia
contratado promova, em favor de órgão ou entidade justificativa da autoridade competente, exigir que o
integrante da administração pública ou daqueles por contratado promova, em favor de órgão ou entidade
ela indicados a partir de processo isonômico, medidas integrante da Administração Pública ou daqueles por
de compensação comercial, industrial, tecnológica ou ela indicados a partir de processo isonômico, medidas
acesso a condições vantajosas de financiamento, de compensação comercial, industrial ou tecnológica
cumulativamente ou não, na forma estabelecida pelo ou acesso a condições vantajosas de financiamento,
Poder Executivo federal. cumulativamente ou não, na forma estabelecida pelo
§ 12. Nas contratações destinadas à implantação, Poder Executivo federal.
manutenção e ao aperfeiçoamento dos sistemas de § 7º Nas contratações destinadas à implantação, à
tecnologia de informação e comunicação, manutenção e ao aperfeiçoamento dos sistemas de
considerados estratégicos em ato do Poder Executivo tecnologia de informação e comunicação
federal, a licitação poderá ser restrita a bens e considerados estratégicos em ato do Poder Executivo
serviços com tecnologia desenvolvida no País e federal, a licitação poderá ser restrita a bens e
produzidos de acordo com o processo produtivo serviços com tecnologia desenvolvida no País
básico de que trata a Lei nº 10.176, de 11 de janeiro produzidos de acordo com o processo produtivo
de 2001. básico de que trata a Lei nº 10.176, de 11 de janeiro
de 2001.

Princípio da Segregação de Funções.

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
No âmbito do procedimento de licitação, deve-se verificar que cada etapa do procedimento deve ser
desempenhada por um agente público diverso. Assim, um servidor ficará responsável pela autorização, outro
deverá fazer a aprovação e um terceiro será competente para executar. Tem por objetivo evitar equívocos,
fraudes e utilização irregular de recursos públicos.

#APOSTACICLOS Lei. 14.133/21  Art. 5º Na aplicação desta Lei, serão observados os princípios da legalidade,
da impessoalidade, da moralidade, da publicidade, da eficiência, do interesse público, da probidade
administrativa, da igualdade, do planejamento, da transparência, da eficácia, DA SEGREGAÇÃO DE FUNÇÕES,
da motivação, da vinculação ao edital, do julgamento objetivo, da segurança jurídica, da razoabilidade, da
competitividade, da proporcionalidade, da celeridade, da economicidade e do desenvolvimento nacional
sustentável, assim como as disposições do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 (Lei de Introdução
às Normas do Direito Brasileiro).

Tipos de Licitação

#FIQUEDEOLHO
Tipos de Licitação – critérios de julgamento da licitação.
Modalidades de Licitação – estrutura procedimental da licitação.

Art. 45. Lei 8.666/93 – Tipos de Licitação Art. 33 da Lei 14.133/21


a) Menor Preço – a Administração é orientada a a) Menor Preço – A administração é orientada a
selecionar a proposta de melhor preço, que não é o selecionar a proposta de preço mais baixo entre
de menor valor monetário, pois há casos em que competidores. Esse tipo é utilizado quando o produto
pagar valor mais elevado propiciará à Administração pretendido pela Administração não tiver nenhuma
Pública vantagens maiores. condição especial.
b) Melhor Técnica: Tem por critério de escolha a b) Maior Desconto: O julgamento terá como
qualidade do produto a ser adquirido ou do serviço referência o preço global fixado no edital de licitação,
prestado. Em razão do art. 46 da lei 8.666/93, este e o referido desconto deverá ser estendido a
tipo só pode ser usado para serviços de natureza eventuais termos aditivos.
intelectual ou para serviços de informática.
c) Técnica e Preço: A escolha será adequada, quando c) Melhor Técnica ou Conteúdo Artístico: Tem por
a variação da qualidade da prestação refletir na critério de escolha a qualidade do produto a ser
satisfação das necessidades do Estado. adquirido ou do serviço a ser prestação. Assim, será
levada em consideração somente a proposta técnica
ou artística oferecida.
d) Maior Lance: A licitação de maior lance ocorre d) Técnica e preço – A escolha será adequada, quando
para venda de bens e direitos e é apropriada para o a variação da qualidade da prestação refletir na
leilão. satisfação das necessidades do Estado.
e) Maior Lance - A licitação de maior lance ocorre
para venda de bens e direitos e é apropriada para o
leilão.
f) Maior Retorno Econômico – deve ser utilizado
exclusivamente para celebrar contratos de eficiência,
considerará a maior economia para a Administração
e a remuneração dever ser fixada em percentual que
incidirá de forma proporcional à economia
efetivamente obtida na execução do contrato.

125
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Ciclos Método

Prazos de Intervalo Mínimo.

O intervalor mínimo é o prazo estabelecido na lei e que deve ser observado entre a publicação do
instrumento convocatório e a data da abertura dos envelopes de documentos e de propostas. Cada modalidade
licitatória deve respeitar um prazo de intervalo diferente.93

Os prazos foram alterados pela nova lei de licitações. #APOSTACICLOS

Lei 8.666/93
 45 dias (melhor técnica ou tipo técnica e
Concorrência preço.
 30 dias ( menor preço ou maior lance)
 30 dias(melhor técnica ou tipo técnica e
Tomada de Preços preço.
 15 dias ( menor preço ou maior lance)
Convite  5 dias ÚTEIS
Concurso  45 dias
Leilão  15 dias
Pregão  8 dias ÚTEIS

Art. 55 da Lei 14.133/21


 8 dias úteis– tipo menor preço ou maior
Aquisição de bens desconto
 15 dias úteis – outros casos
 10 dias úteis - tipo menor preço ou maior
desconto para obras e serviços comuns
 25 dias úteis - tipo menor preço ou maior
desconto para obras e serviços especiais
Serviços e Obras  60 dias úteis – contratos sob regime de
contratação integrada
 35 dias úteis – contrato sob regime de
contratação semi-integrada e outras hipóteses não
abrangidas anteriormente.
 15 dias úteis – quando se tratar de maior
Alienação de Bens
lance
 35 dias úteis – nos casos de licitações do tipo
Contratações Especiais melhor técnica ou conteúdo artístico ou técnica e
preço

Modalidades Licitatórias.

93
CARVALHO, Matheus. Manual de Direito Administrativo, 2021.

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Ciclos Método
Ambas as leis, como já vimos, vedam a criação de novas modalidades licitatórias. A nova legislação suprimiu as
modalidades do convite e da tomada de preço, não sendo mais o valor um critério de definição da modalidade
licitatória. E também foi criada o diálogo competitivo:

Lei 8.666/93 Lei 14.133


- Concorrência: adequada a contratações de grande - Pregão: é usado para aquisição de bens e serviços
vulto, sendo garantidora da competição, sem limite de comuns, cujos padrões mínimos de qualidade serão
ingresso, com amplo procedimento previsto em lei. A previamente estipulados no instrumento
concorrência deve ser exigida em razão de dois convocatório. Art. 29 da Lei 14.133 dispõe que
critérios: valor e natureza do objeto. serviços e bens comuns são aqueles que podem ser
designados no edital com expressão usual de
Em razão do objeto do contrato: mercado.

 alienação ou aquisição de bens imóveis pela


Administração Pública;
 contrato de concessão de serviço público;
 concessão de direito real de uso;
 contrato de obra celebrado por meio de
empreitada integral;
 licitações internacionais.
- Tomada de Preços: É possível em contratos de valores - Concorrência: Admitem que sejam usados como
médios, ou seja, aqueles acima do limite do convite e critério de escolha do vencedor o menor preço, a
abaixo do limite da concorrência. Logo, nesta melhor técnica ou conteúdo artístico, técnica e
modalidade a participação de licitantes é mais restrita preço, maior retorno econômico ou maior
e o procedimento mais simples. desconto. Assim, é uma modalidade ampla. Cabe
destacar, que a lei anterior exigia a concorrência
Como regra, podem participar da tomada de preços para obras e compras de valores altos, todavia o
apenas os licitantes inscritos em cadastro público. No novo regramento das licitações não faz distinção
entanto. São admitidos ainda os interessados que entre as modalidades em razão do valor.
atendam as condições do cadastramento até o 3º dia
anterior à data do recebimento das propostas.
- Convite: É a modalidade adequada para contratos de - Concurso: A administração demonstra interesse
valores pequenos. Com efeito participarão do certame em selecionar trabalhos técnicos, científicos ou
apenas os convidados, sejam eles cadastrados ou não, artísticos com certas capacidades personalíssimas
sendo, no mínimo 3, salvo comprovada restrição de para incentivar o desenvolvimento cultura. Nesta
mercado, quando então pode-se realizar o convite com modalidade, há instituição de prêmios ou
apenas 2 convidados. remuneração aos vencedores.
- Concurso: É utilizado quando a administração quer - Diálogo Competitivo: trata-se de modalidade
selecionar trabalhos técnicos, científicos ou artísticos utilizada para contratação de obras, serviços e
com certa capacidade personalíssima para incentivar o compras em que a Administração Pública realiza
desenvolvimento cultural. diálogos com licitantes previamente selecionados
mediantes critérios objetivos, com o intuito de
desenvolver uma ou mais alternativas capazes de
atender às suas necessidades, devendo os licitantes
apresentar proposta final após o encerramento dos
diálogos.

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Ciclos Método
Leilão: Essa modalidade serve para alienação de bens - Leilão: Essa modalidade serve para alienação de
pelo poder público àquele que ofertar o maior preço, bens pelo poder público àquele que ofertar o maior
seja ele igual ou superior ao valor da avaliação. preço, seja ele igual ou superior ao valor da
avaliação.
Pregão: É a modalidade definia para a aquisição de
bens e serviços comuns, cujos padrões de qualidade
serão previamente estipulados no instrumento
convocatório.

Atenção! #APOSTACICLOS. Como a lei 8.666/93 pode ser cobrada, vamos esquematizar os valores de cada
modalidade:

CONVITE
- Contratos de Obras e Serviços de Engenharia: até R$ 330.000,00
- Contratos de Compras de Bens e Aquisição de outros Serviços: até R$ 176.000,00

TOMADA DE PREÇO
- Contratos de Obras e Serviços de Engenharia: até R$ 3.330.000,00
- Contratos de Compras de Bens e Aquisição de outros Serviços: até R$ 1.430.000,00

CONCORRÊNCIA
- Contratos de Obras e Serviços de Engenharia: acima de R$ 3.330.000,00
- Contratos de Compras de Bens e Aquisição de outros Serviços: acima de R$ 1.430.000,00

Procedimento da Licitação.

Vamos analisar o procedimento para modalidade da concorrência por se tratar de modalidade mais ampla. E
também vamos fazer breves comentários acerca da modalidade pregão.

a) #APOSTACICLOS Fase Interna (Antiga Lei de Licitações) x Fase preparatória (para Nova Lei de Licitação):

Fase Interna – Lei 8.666/93 - O texto legal define quais os requisitos devem ser observados para início do
procedimento. Vamos ver?

1º - Exposição de Motivos da contratação – deve ser justificada a necessidade da celebração do contrato e


sua importância às atividades do ente estatal e à persecução do interesse público.

2º- Declaração de Adequação orçamentária – inclusive em consonância com a LRF.

#APOSTACICLOS.
A jurisprudência vem entendendo que não se exige a real disponibilidade financeira antes do início da
licitação, mas tão somente a previsão de recursos orçamentários.

O art. 40, inciso X da Lei 8.666/93 dispõe que a Administração Pública deve definir no edital, critério de
aceitabilidade das propostas, permitida a fixação de preços máximas e vedada a fixação de preços mínimos.

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3º Designação da Comissão – Deve-se designar a comissão que ficará responsável pela realização do certame.

4º - Em caso de contratação para execução de obras, a lei exige a realização de um projeto básico.

#SELIGANALEI
IX - Projeto Básico - conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão adequado, para
caracterizar a obra ou serviço, ou complexo de obras ou serviços objeto da licitação, elaborado com base nas
indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegurem a viabilidade técnica e o adequado tratamento
do impacto ambiental do empreendimento, e que possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos
métodos e do prazo de execução, devendo conter os seguintes elementos: a) desenvolvimento da solução
escolhida de forma a fornecer visão global da obra e identificar todos os seus elementos constitutivos com
clareza; b) soluções técnicas globais e localizadas, suficientemente detalhadas, de forma a minimizar a
necessidade de reformulação ou de variantes durante as fases de elaboração do projeto executivo e de
realização das obras e montagem; c) identificação dos tipos de serviços a executar e de materiais e
equipamentos a incorporar à obra, bem como suas especificações que assegurem os melhores resultados
para o empreendimento, sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução; d) informações que
possibilitem o estudo e a dedução de métodos construtivos, instalações provisórias e condições
organizacionais para a obra, sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução; e) subsídios para
montagem do plano de licitação e gestão da obra, compreendendo a sua programação, a estratégia de
suprimentos, as normas de fiscalização e outros dados necessários em cada caso; f) orçamento detalhado do
custo global da obra, fundamentado em quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados;

A lei ainda estipula a vedação de participantes de licitantes:

Art. 9º Não poderá participar, direta ou indiretamente, da licitação ou da execução de obra ou serviço e do
fornecimento de bens a eles necessários:
I - o autor do projeto, básico ou executivo, pessoa física ou jurídica;
II - empresa, isoladamente ou em consórcio, responsável pela elaboração do projeto básico ou executivo ou
da qual o autor do projeto seja dirigente, gerente, acionista ou detentor de mais de 5% (cinco por cento) do
capital com direito a voto ou controlador, responsável técnico ou subcontratado;
III - servidor ou dirigente de órgão ou entidade contratante ou responsável pela licitação.

5º Edital: Ainda nesta fase interna, o Poder Público elabora a minuta do edital de licitação que será
encaminhado ao órgão de consultoria jurídica para aprovação.

O art. 40 da Lei 8.666/93 traz os requisitos básicos que devem estar presentes no edital de licitação.

Fase Preparatória (Nova Lei: 14.133/21)

O art. 18 da referida lei define os requisitos que devem ser observados:

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1º Exposição de motivos de contratação – Justificativa da necessidade da celebração do contrato e sua
importância às atividades do ente estatal.

2º Definição do Objeto – por meio de termo de referência, projeto básico ou projeto executivo, inclusive já
deve definir as condições de execução e pagamento das garantias exigidas e ofertadas e das condições de
recebimento.

3º Declaração da Adequação Orçamentária.


Art. 18. IV - o orçamento estimado, com as composições dos preços utilizados para sua formação;

4º Elaboração do Edital e da minuta de contrato.

Vedação de Participação de Licitantes.

Art. 14. Não poderão disputar licitação ou participar da execução de contrato, direta ou indiretamente:

I - autor do anteprojeto, do projeto básico ou do projeto executivo, pessoa física ou jurídica, quando a licitação
versar sobre obra, serviços ou fornecimento de bens a ele relacionados;
II - empresa, isoladamente ou em consórcio, responsável pela elaboração do projeto básico ou do projeto
executivo, ou empresa da qual o autor do projeto seja dirigente, gerente, controlador, acionista ou detentor
de mais de 5% (cinco por cento) do capital com direito a voto, responsável técnico ou subcontratado, quando
a licitação versar sobre obra, serviços ou fornecimento de bens a ela necessários;
III - pessoa física ou jurídica que se encontre, ao tempo da licitação, impossibilitada de participar da licitação
em decorrência de sanção que lhe foi imposta;
IV - aquele que mantenha vínculo de natureza técnica, comercial, econômica, financeira, trabalhista ou civil
com dirigente do órgão ou entidade contratante ou com agente público que desempenhe função na licitação
ou atue na fiscalização ou na gestão do contrato, ou que deles seja cônjuge, companheiro ou parente em
linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, devendo essa proibição constar expressamente do
edital de licitação;
V - empresas controladoras, controladas ou coligadas, nos termos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de
1976, concorrendo entre si;
VI - pessoa física ou jurídica que, nos 5 (cinco) anos anteriores à divulgação do edital, tenha sido condenada
judicialmente, com trânsito em julgado, por exploração de trabalho infantil, por submissão de trabalhadores
a condições análogas às de escravo ou por contratação de adolescentes nos casos vedados pela legislação
trabalhista.

5º Parecer Jurídico- Respeitadas as normas previamente estabelecidas, o procedimento será encaminhado


para o órgão de consultoria jurídica para emissão de parecer. O art. 53, § 1º, da Lei 14.133/21 trata do parecer
jurídico:

Art. 53. Ao final da fase preparatória, o processo licitatório seguirá para o órgão de assessoramento jurídico
da Administração, que realizará controle prévio de legalidade mediante análise jurídica da contratação.

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§ 1º Na elaboração do parecer jurídico, o órgão de assessoramento jurídico da Administração deverá:

I - apreciar o processo licitatório conforme critérios objetivos prévios de atribuição de prioridade;


II - redigir sua manifestação em linguagem simples e compreensível e de forma clara e objetiva, com
apreciação de todos os elementos indispensáveis à contratação e com exposição dos pressupostos de fato e
de direito levados em consideração na análise jurídica;

Fase Externa

a) Lei 8.666/93

Lei 8.666/93

1º Publicação do Edital – Art. 43 da Lei 8.666/93

O procedimento da modalidade de concorrência segue a seguinte ordem cronológica:


Edital  Habilitação  Classificação  Homologação  Adjudicação;

Observações:

I – a compra do edital não pode ser condição para participação no certame;


II -A publicação é feita no diário oficial e em sítio eletrônico oficial do órgão responsável pelo procedimento
licitatório.
III – Impugnação do Edital: a) Pelo cidadão até o 5º dia útil anterior a data marcada para abertura dos
envelopes. A Administração deve decidir em 3 dias úteis. b) Pelo potencial licitante até o 2ºdia útil anterior a
data da abertura dos envelopes.

2º Habilitação
Entrega dos envelopes no prazo estabelecido no edital. Abertura dos envelopes.

Habilitação ou Qualificação : é o exame das condições do direito de participar da licitação.

Até o julgamento desta fase de habilitação, a lei autoriza que os licitantes desistam do participar do
procedimento, sem apresentar qualquer justificativa.

#APOSTACICLOS Após essa fase, somente pode desistir com justificativa e aceitação pela comissão licitante
– art. 46 §6º.

Elenco legal dos Critérios de Habilitação:

Art. 27. Para a habilitação nas licitações exigir-se-á dos interessados, exclusivamente, documentação
relativa a:

I - habilitação jurídica;
II - qualificação técnica;
III - qualificação econômico-financeira;
IV – regularidade fiscal e trabalhista
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Ciclos Método
V – cumprimento do disposto no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal

#APOSTACICLOS. É inconstitucional lei estadual que exija Certidão negativa de Violação aos Direitos do
Consumidor dos interessados em participar de licitações e em celebrar contratos com órgãos e entidades
estaduais. Esta lei é inconstitucional porque compete privativamente à União legislar sobre normas gerais de
licitação e contratos (art. 22, XXVII, da CF/88). STF. Plenário. ADI 3.735/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado
em 8/9/2016 (Info 838).

- Divulgação da decisão final acerca da habilitação e inabilitação dos licitantes:

#FIQUEDEOLHO
Prazo para Recursos – CINCO dias ÚTEIS e esse recurso TERÁ EFEITO SUSPENSIVO. (Art. 109, I e § 2º, da Lei
8.666/93).

3º Julgamento e Classificação:

A primeira etapa consiste na avaliação da regularidade formal e material da proposta.

Na fase de classificação serão observados os critérios de julgamento previstos no edital.

Serão de plano eliminadas as propostas que desatendam os requisitos mínimos definidos no edital, bem como
aquelas propostas consideradas inexequíveis. (Art. 48 da Lei de Licitações)

Em caso de empate, serão utilizados como critérios de desempate os previstos no art. 3º, §2º, da Lei 8.666/93:

§ 2º Em igualdade de condições, como critério de desempate, será assegurada preferência, sucessivamente,


aos bens e serviços:

II - produzidos no País;
III - produzidos ou prestados por empresas brasileiras.
IV - produzidos ou prestados por empresas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de tecnologia no
País. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)
V - produzidos ou prestados por empresas que comprovem cumprimento de reserva de cargos prevista em
lei para pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência Social e que atendam às regras de
acessibilidade previstas na legislação. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)

E se o empate permanecer? Aí aplica-se o art. 45, §2º, da Lei 8.666/93:

§ 2º No caso de empate entre duas ou mais propostas, e após obedecido o disposto no § 2º do art. 3º desta
Lei, a classificação se fará, obrigatoriamente, por sorteio, em ato público, para o qual todos os licitantes serão
convocados, vedado qualquer outro processo.

4º Homologação:

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Ciclos Método
Classificadas as propostas, está encerrado o trabalho da comissão licitante, que encaminhará o procedimento
à autoridade do órgão para homologação.

Se não configurada nenhuma nulidade, nem seja o caso de revogação, a autoridade superior será obrigada a
promover a homologação da decisão.

#APOSTACICLOS #VAICAIR

Súmula 346-STF: A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. • Importante.

Súmula 473-STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam
ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. • Importante.

5º Recurso: 05 dias úteis e NÃO há efeito suspensivo.

6º Adjudicação:
A adjudicação é ato terminal da licitação e sua produção pressupõe prévia homologação.

A adjudicação tem força vinculante? Sim, mas atenção a Administração não é obrigada a contratar, mas caso
necessite realizar a contratação deverá fazê-lo com o vencedor do certame.

A adjudicação é ato declaratório e vinculado.

O licitante fica vinculado à proposta apresentada pelo prazo de 60 dias da abertura dos envelopes.

b) Fase Externa (nova Lei)

Fase Externa – Lei 14.133/21


Art. 17. O processo de licitação observará as seguintes fases, em sequência:

I - preparatória;
II - de divulgação do edital de licitação;
III - de apresentação de propostas e lances, quando for o caso;
IV - de julgamento;
V - de habilitação;
VI - recursal;
VII - de homologação.

1º Divulgação do Edital de Licitação – será em sítio eletrônico oficial do Portal Nacional de Contratações
Públicas e de forma facultativa no sítio eletrônico oficial do órgão ou entidade responsável pelo certame. É
possível a divulgação direta para interessados devidamente cadastros.

Impugnação do Edital:

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Ciclos Método
I – Qualquer pessoa pode impugnar o edital: 3 dias ÚTEIS antes da data da abertura das propostas. A
resposta pela Administração Pública deve ocorrer no prazo de 3 dias úteis.

Art. 164. Qualquer pessoa é parte legítima para impugnar edital de licitação por irregularidade na aplicação
desta Lei ou para solicitar esclarecimento sobre os seus termos, devendo protocolar o pedido até 3 (três) dias
úteis antes da data de abertura do certame.

Parágrafo único. A resposta à impugnação ou ao pedido de esclarecimento será divulgada em sítio eletrônico
oficial no prazo de até 3 (três) dias úteis, limitado ao último dia útil anterior à data da abertura do certame.

2º Propostas e Lances: O poder público recebe as propostas dos licitantes. A lei permite que o edital do
certame preveja o modo de disputa aberto ou fechado.

Aberto = Os licitantes devem apresentar suas propostas por meio de lances sucessivos.
Fechado= Os licitantes devem apresentar as propostas em envelopes lacrados.

#SELIGA
Não pode ser utilizado o modo de disputa aberto, quando se tratar de licitação cujo critério de julgamento
seja técnica e preço, assim como não se pode utilizar o modo fechado para licitações do tipo menor preço e
maior desconto.

#Atenção
Após definição da melhor proposta, se a diferença em relação à proposta classificada em segundo lugar for
de pelo menos 5%, a Administração poderá admitir reinicio da disputa aberta para definição das demais
colocações.

Ainda, o poder Público poderá exigir, no momento da apresentação da proposta, que seja efetivada uma
garantia de proposta, como requisito de pré-habilitação, limitada a 1% do valor estimado para contratação.

3º Julgamento: avaliação da regularidade formal e material das propostas. Utilizam-se os critérios de


julgamento definidos no edital do certame.

O art. 59 traz as hipóteses em que as propostas serão desclassificadas:

Art. 59. Serão desclassificadas as propostas que:

I - contiverem vícios insanáveis;


II - não obedecerem às especificações técnicas pormenorizadas no edital;
III - apresentarem preços inexequíveis ou permanecerem acima do orçamento estimado para a contratação;
IV - não tiverem sua exequibilidade demonstrada, quando exigido pela Administração;
V - apresentarem desconformidade com quaisquer outras exigências do edital, desde que insanável.

E em caso de empate, o art. 60 traz os critérios de desempate:

Art. 60. Em caso de empate entre duas ou mais propostas, serão utilizados os seguintes critérios de
desempate, nesta ordem:

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Ciclos Método

I - disputa final, hipótese em que os licitantes empatados poderão apresentar nova proposta em ato contínuo
à classificação;
II - avaliação do desempenho contratual prévio dos licitantes, para a qual deverão preferencialmente ser
utilizados registros cadastrais para efeito de atesto de cumprimento de obrigações previstos nesta Lei;
III - desenvolvimento pelo licitante de ações de equidade entre homens e mulheres no ambiente de trabalho,
conforme regulamento;
IV - desenvolvimento pelo licitante de programa de integridade, conforme orientações dos órgãos de
controle.

Recurso – Caso haja interesse de qualquer interessado interpor recurso, ele deve manifestar a intenção de
recurso, de forma imediata, sob pena de preclusão. As razões recursais, então, serão interpostas no prazo de
3 dias úteis a contar do término da fase de habilitação.

4º Habilitação: aqui serão analisados os requisitos e documentos pessoais dos licitantes.

Art. 62. A habilitação é a fase da licitação em que se verifica o conjunto de informações e documentos
necessários e suficientes para demonstrar a capacidade do licitante de realizar o objeto da licitação, dividindo-
se em:

I - jurídica;
II - técnica;
III - fiscal, social e trabalhista;
IV - econômico-financeira.

Recurso: Lavrada a ata de habilitação do licitante, será aberto prazo para interposição de Recurso
Administrativo. Interposto no prazo de 3 dias úteis, contado da data da intimação ou da lavratura da ata, em
face do julgamento das propostas, do ato de habilitação ou inabilitação do licitante, ou ainda do ato que
determinar a anulação ou revogação da licitação94.

5º Encerramento: adjudicação do objeto e homologação da licitação.

Diálogo Competitivo. Lei 14.133/21

#APOSTACICLOS Atenção para a nova modalidade de Licitação da Lei 14.133/21: Diálogo Competitivo.

O procedimento desenvolve-se assim:

I – Fase preparatória – definição do objeto de contratação e necessidade do contrato.


II – Edital.
III – Fase de Diálogo. Os licitantes deverão propor soluções para suprir as necessidade da Administração.
IV- Apresentação das Propostas e Julgamento.
V- Recurso. Prazo: Três Dias ÚTEIS.

94
CARVALHO, Matheus. Manual de Direito Administrativo, 2021.

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Ciclos Método
VI – Encerramento.

Art. 32. A modalidade diálogo competitivo é restrita a contratações em que a Administração:

I - vise a contratar objeto que envolva as seguintes condições:

a) inovação tecnológica ou técnica;


b) impossibilidade de o órgão ou entidade ter sua necessidade satisfeita sem a adaptação de soluções
disponíveis no mercado; e
c) impossibilidade de as especificações técnicas serem definidas com precisão suficiente pela Administração;

II - verifique a necessidade de definir e identificar os meios e as alternativas que possam satisfazer suas
necessidades, com destaque para os seguintes aspectos:

a) a solução técnica mais adequada;


b) os requisitos técnicos aptos a concretizar a solução já definida;
c) a estrutura jurídica ou financeira do contrato;

III - (VETADO).

§ 1º Na modalidade diálogo competitivo, serão observadas as seguintes disposições:

I - a Administração apresentará, por ocasião da divulgação do edital em sítio eletrônico oficial, suas necessidades
e as exigências já definidas e estabelecerá prazo mínimo de 25 (vinte e cinco) dias úteis para manifestação de
interesse na participação da licitação;
II - os critérios empregados para pré-seleção dos licitantes deverão ser previstos em edital, e serão admitidos
todos os interessados que preencherem os requisitos objetivos estabelecidos;
III - a divulgação de informações de modo discriminatório que possa implicar vantagem para algum licitante será
vedada;
IV - a Administração não poderá revelar a outros licitantes as soluções propostas ou as informações sigilosas
comunicadas por um licitante sem o seu consentimento;
V - a fase de diálogo poderá ser mantida até que a Administração, em decisão fundamentada, identifique a
solução ou as soluções que atendam às suas necessidades;
VI - as reuniões com os licitantes pré-selecionados serão registradas em ata e gravadas mediante utilização de
recursos tecnológicos de áudio e vídeo;
VII - o edital poderá prever a realização de fases sucessivas, caso em que cada fase poderá restringir as soluções
ou as propostas a serem discutidas;
VIII - a Administração deverá, ao declarar que o diálogo foi concluído, juntar aos autos do processo licitatório os
registros e as gravações da fase de diálogo, iniciar a fase competitiva com a divulgação de edital contendo a
especificação da solução que atenda às suas necessidades e os critérios objetivos a serem utilizados para seleção
da proposta mais vantajosa e abrir prazo, não inferior a 60 (sessenta) dias úteis, para todos os licitantes pré-
selecionados na forma do inciso II deste parágrafo apresentarem suas propostas, que deverão conter os
elementos necessários para a realização do projeto;
IX - a Administração poderá solicitar esclarecimentos ou ajustes às propostas apresentadas, desde que não
impliquem discriminação nem distorçam a concorrência entre as propostas;
X - a Administração definirá a proposta vencedora de acordo com critérios divulgados no início da fase
competitiva, assegurada a contratação mais vantajosa como resultado;

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
XI - o diálogo competitivo será conduzido por comissão de contratação composta de pelo menos 3 (três)
servidores efetivos ou empregados públicos pertencentes aos quadros permanentes da Administração, admitida
a contratação de profissionais para assessoramento técnico da comissão;
XII - (VETADO).

§ 2º Os profissionais contratados para os fins do inciso XI do § 1º deste artigo assinarão termo de


confidencialidade e abster-se-ão de atividades que possam configurar conflito de interesses.

Contratos

A principal característica dos contratos administrativo é a possibilidade de haver tratamento desigual entre a
Administração (que atua com prerrogativas públicas) e o contratado. Maria Sylvia Zanella Di Pietro assim dispõe:
no contrato administrativo, a Administração age como poder público, com poder de império na relação jurídica
contratual, não agindo nessa qualidade, o contrato será de direto privado.95

Portanto, os contratos administrativos são manifestações de vontade entre duas ou mais pessoas objetivando
a celebração de um negócio jurídico, com a Participação do Poder Público, que atua com supremacia. Esse
contrato é regido pelo direito público, sendo inerentes a ele todas as prerrogativas e limitações de Estado.

#APOSTACICLOS As cláusulas exorbitantes estão previstas no art. 58 da Lei 8.666/93 e no art. 104 da Lei
14.133/21:

Lei 8.666/93 Lei 14.133/21


Art. 58. O regime jurídico dos contratos Art. 104. O regime jurídico dos contratos instituído
administrativos instituído por esta Lei confere à por esta Lei confere à Administração, em relação a
Administração, em relação a eles, a prerrogativa de: eles, as prerrogativas de:

I - modificá-los, unilateralmente, para melhor I - modificá-los, unilateralmente, para melhor


adequação às finalidades de interesse público, adequação às finalidades de interesse público,
respeitados os direitos do contratado; respeitados os direitos do contratado;
II - rescindi-los, unilateralmente, nos casos II - extingui-los, unilateralmente, nos casos
especificados no inciso I do art. 79 desta Lei; especificados nesta Lei;
III - fiscalizar lhes a execução; III - fiscalizar sua execução;
IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução total IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução total
ou parcial do ajuste; ou parcial do ajuste;
V - nos casos de serviços essenciais, ocupar V - ocupar provisoriamente bens móveis e imóveis e
provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e utilizar pessoal e serviços vinculados ao objeto do
serviços vinculados ao objeto do contrato, na contrato nas hipóteses de:
hipótese da necessidade de acautelar apuração
administrativa de faltas contratuais pelo contratado, a) risco à prestação de serviços essenciais;
bem como na hipótese de rescisão do contrato b) necessidade de acautelar apuração administrativa
administrativo. de faltas contratuais pelo contratado, inclusive após
extinção do contrato.

95
PIETRO, Maria Sylvia Zanella Di. Direito Administrativo. São Paulo, 2008.

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
§ 1º As cláusulas econômico-financeiras e § 1º As cláusulas econômico-financeiras e monetárias
monetárias dos contratos administrativos não dos contratos não poderão ser alteradas sem prévia
poderão ser alteradas sem prévia concordância do concordância do contratado.
contratado. § 2º Na hipótese prevista no inciso I do caput deste
§ 2º Na hipótese do inciso I deste artigo, as cláusulas artigo, as cláusulas econômico-financeiras do
econômico-financeiras do contrato deverão ser contrato deverão ser revistas para que se mantenha
revistas para que se mantenha o equilíbrio o equilíbrio contratual.
contratual.

Lei Estadual n.º 14.167/200296

Dispõe sobre a adoção, no âmbito do Estado, do pregão como modalidade de licitação para a aquisição de bens
e serviços comuns e dá outras providências.

#PRINCIPAISARTIGOS
#ESTUDODALEIESTADUAL
#ALUNODOCICLOSÉDIFERENTE
#APOSTACICLOS

FASE PREPARATÓRIA

A autoridade competente ou aquele a quem foi delegada competência, o ordenador de despesas ou o agente
encarregado da compra demonstrará a necessidade da contratação, definirá o objeto do certame, as
exigências de habilitação, os critérios de aceitação das propostas, as sanções por inadimplemento e as
cláusulas do contrato, inclusive os prazos para fornecimento, e designará, entre os servidores dos órgãos ou
das entidades da administração pública estadual, o pregoeiro, com capacitação específica, e sua equipe de
apoio;

A definição do objeto será precisa, suficiente e clara, vedadas as especificações excessivas, irrelevantes ou
desnecessárias, que limitem a competição;

Nos autos do procedimento, constarão a justificativa das definições a que se refere o inciso I deste artigo e
os elementos técnicos que as fundamentam, bem como o orçamento, elaborado pelo órgão ou entidade
promotora da licitação, dos bens ou serviços a serem licitados.

FASE EXTERNA

A convocação dos interessados será efetuada por meio de publicação de aviso no órgão oficial dos Poderes
do Estado e, conforme o vulto da licitação, em jornal de grande circulação, facultado seu processamento,
também, por meio eletrônico, nos termos do regulamento de que trata o artigo 4º;

O aviso conterá a definição do objeto da licitação, a indicação do local e dos dias e horários para Leitura ou
obtenção do edital completo e para o recebimento de propostas;

O edital conterá a especificação dos elementos definidos na forma do inciso I do artigo 7º, as normas que
disciplinam o procedimento e a minuta do contrato, quando for o caso;

96
http://www.compras.mg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=37&Itemid=100114

138
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
O prazo fixado para a apresentação das propostas, a ser contado a partir da publicação do aviso, não será
inferior a oito dias úteis;

No dia, na hora e no local designados, será realizada sessão pública para recebimento das propostas, devendo
o interessado ou seu representante identificar-se e, se for o caso, comprovar poderes para a formulação de
propostas e para a prática dos atos relativos ao certame;

Aberta a sessão, os interessados entregarão os envelopes contendo a proposta comercial e os documentos


de habilitação, e o pregoeiro classificará as propostas quanto ao preço;

No curso da sessão, o autor da oferta de valor mais baixo e os das ofertas com preços até 10% (dez por cento)
superiores àquela poderão fazer novos lances verbais e sucessivos, até a proclamação do vencedor;

Não havendo pelo menos três ofertas nas condições definidas no inciso VII, poderão os autores das melhores
propostas, até o máximo de três, oferecer novos lances verbais e sucessivos, quaisquer que sejam os preços
oferecidos;

Para julgamento e classificação das propostas, será adotado o critério de menor preço, observados os prazos
máximos para fornecimento, as especificações técnicas e os parâmetros mínimos de desempenho e qualidade
definidos no edital;

Encerrada a etapa competitiva e ordenadas as ofertas, o pregoeiro procederá à abertura do invólucro


contendo os documentos de habilitação do licitante que tiver apresentado a melhor proposta, para
verificação do atendimento das condições fixadas no edital;

A habilitação far-se-á com a verificação de que o licitante está em situação regular perante a Fazenda
Estadual, a seguridade social e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS e com a comprovação de
que atende às exigências do edital quanto à habilitação jurídica e às qualificações técnica e econômico-
financeira;

Verificado o atendimento das exigências fixadas no edital, o licitante será declarado vencedor;

O prazo para decisão de recurso é de cinco dias úteis, após o qual a autoridade competente fará a adjudicação
ao licitante vencedor;

#JÁCAIU

#MPMG

#LEIANTIGADELICITAÇÕES

Marque a afirmativa verdadeira sobre licitações:97

A)A igualdade de condições dos concorrentes em licitações, embora seja enaltecida pela Constituição (art. 37,
XXI), pode ser relativizada pela lei, mediante o estabelecimento de condições de diferenciação exigíveis em
abstrato, e pela autoridade responsável pela condução do processo licitatório, que poderá estabelecer

97
GAB. A

139
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
elementos de distinção circunstanciais, de qualificação técnica e econômica, sempre vinculados à garantia de
cumprimento de obrigações específicas.

B)A igualdade de condições dos concorrentes em licitações, embora seja enaltecida pela Constituição (art. 37,
XXI), pode ser relativizada apenas pela lei, mediante o estabelecimento de condições de diferenciação
exigíveis em abstrato.

C)A igualdade de condições dos concorrentes em licitações, embora seja enaltecida pela Constituição (art. 37,
XXI), somente pode ser relativizada por norma jurídica constitucional, mediante o estabelecimento de
condições de diferenciação exigíveis em abstrato.

D)A igualdade de condições dos concorrentes em licitações, embora seja enaltecida pela Constituição (art.
37, XXI), pode ser relativizada apenas pela autoridade responsável pela condução do processo licitatório, que
poderá estabelecer elementos de distinção circunstanciais, de qualificação técnica e econômica, sempre
vinculados à garantia de cumprimento de obrigações específicas.

14. Parceria público-privada.15. Direito regulatório; regime jurídico das concessões e permissões do serviço
público.

Pessoal! Aqui é essencial saber as disposições legais sobre o tema. Vou trazer de forma esquematizada os
artigos com maior incidência em provas, ok?

Parceria público-privada Parceria público-privada é o contrato administrativo


de concessão, na modalidade patrocinada ou
(LEI 11.079/04): administrativa.

Concessão patrocinada: Concessão patrocinada é a concessão de serviços


públicos ou de obras públicas de que trata a Lei nº
8.987, de 13 de fevereiro de 1995, quando envolver,
adicionalmente à tarifa cobrada dos usuários
contraprestação pecuniária do parceiro público ao
parceiro privado.

Concessão administrativa: Concessão administrativa é o contrato de prestação


de serviços de que a Administração Pública seja a
usuária direta ou indireta, ainda que envolva
execução de obra ou fornecimento e instalação de
bens.

É vedada a celebração de contrato de parceria I - cujo valor do contrato seja inferior a R$


público-privada: 10.000.000,00 (dez milhões de reais); (Redação
dada pela Lei nº 13.529, de 2017)

140
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
II – cujo período de prestação do serviço seja
inferior a 5 (cinco) anos; ou

III – que tenha como objeto único o


fornecimento de mão-de-obra, o fornecimento e
instalação de equipamentos ou a execução de obra
pública.

A contraprestação da Administração Pública nos  ordem bancária;


contratos de parceria público-privada poderá ser  cessão de créditos não tributários;
feita por:  outorga de direitos em face da Administração
Pública;
 outorga de direitos sobre bens públicos
dominicais;
 outros meios admitidos em lei.

Sociedade de Propósito Específicos: Art. 9º Antes da celebração do contrato, deverá ser


constituída sociedade de propósito específico,
incumbida de implantar e gerir o objeto da parceria.

§ 1º A transferência do controle da sociedade de


propósito específico estará condicionada à
autorização expressa da Administração Pública, nos
termos do edital e do contrato, observado o disposto
no parágrafo único do art. 27 da Lei nº 8.987, de 13
de fevereiro de 1995.

§ 2º A sociedade de propósito específico poderá


assumir a forma de companhia aberta, com valores
mobiliários admitidos a negociação no mercado.

§ 3º A sociedade de propósito específico deverá


obedecer a padrões de governança corporativa e
adotar contabilidade e demonstrações financeiras
padronizadas, conforme regulamento.

§ 4º Fica vedado à Administração Pública ser titular


da maioria do capital votante das sociedades de que
trata este Capítulo.

§ 5º A vedação prevista no § 4º deste artigo não se


aplica à eventual aquisição da maioria do capital
votante da sociedade de propósito específico por
instituição financeira controlada pelo Poder Público
141
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
em caso de inadimplemento de contratos de
financiamento.

CONCESSÕES COMUNS As concessões de serviços públicos e de obras


públicas e as permissões de serviços públicos reger-
(LEI 8987/95) se-ão pelos termos do art. 175 da Constituição
Federal, por esta Lei, pelas normas legais pertinentes
e pelas cláusulas dos indispensáveis contratos.

Concessão de serviço público: A delegação de sua prestação, feita pelo poder


concedente, mediante licitação, na modalidade
concorrência ou diálogo competitivo, a pessoa
jurídica ou consórcio de empresas que demonstre
capacidade para seu desempenho, por sua conta e
risco e por prazo determinado.

Concessão de serviço público precedida da A construção, total ou parcial, conservação, reforma,


execução de obra pública: ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de
interesse público, delegados pelo poder concedente,
mediante licitação, na modalidade concorrência ou
diálogo competitivo, a pessoa jurídica ou consórcio
de empresas que demonstre capacidade para a sua
realização, por sua conta e risco, de forma que o
investimento da concessionária seja remunerado e
amortizado mediante a exploração do serviço ou da
obra por prazo determinado.

Permissão de serviço público: A delegação, a título precário, mediante licitação, da


prestação de serviços públicos, feita pelo poder
concedente à pessoa física ou jurídica que
demonstre capacidade para seu desempenho, por
sua conta e risco.

Serviço Adequado: Art. 6o Toda concessão ou permissão pressupõe a


prestação de serviço adequado ao pleno
atendimento dos usuários, conforme estabelecido
nesta Lei, nas normas pertinentes e no respectivo
contrato.

§ 1o Serviço adequado é o que satisfaz as


condições de regularidade, continuidade, eficiência,

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua
prestação e modicidade das tarifas.

§ 2o A atualidade compreende a modernidade


das técnicas, do equipamento e das instalações e a
sua conservação, bem como a melhoria e expansão
do serviço.

§ 3o Não se caracteriza como descontinuidade do


serviço a sua interrupção em situação de emergência
ou após prévio aviso, quando:

I - motivada por razões de ordem técnica ou de


segurança das instalações; e,

II - por inadimplemento do usuário, considerado


o interesse da coletividade.

§ 4º A interrupção do serviço na hipótese


prevista no inciso II do § 3º deste artigo não poderá
iniciar-se na sexta-feira, no sábado ou no domingo,
nem em feriado ou no dia anterior a
feriado. (Incluído pela Lei nº 14.015, de 2020)

16. Intervenção do Estado no domínio econômico e social. 17. Restrições do Estado sobre a propriedade
privada: tombamento, servidões administrativas e desapropriação.18. Bens públicos, bens fundamentais e
patrimônio público (acervo, formação, afetação e direitos).

Pessoal, pela análise das provas passadas, percebi a incidência maior sobre o tema “tombamento”. No entanto,
vou trazer alguns conceitos básicos para revisão. Vamos lá:

BENS PÚBLICOS

São aqueles bens móveis ou imóveis pertencentes às pessoas de direito público, bem como aqueles que,
ainda que pertencentes à iniciativa privada, estão se prestando à prestação de serviço público (afetados ao
serviço público, ou seja, destinados ao serviço público). Exemplo: ônibus usado pelas concessionárias de
transporte público coletivo.

Celso Antônio Bandeira de Mello inclui ainda aqueles bens que, embora não pertençam a uma dessas pessoas,
estejam afetados à prestação de um serviço público, sob o fundamento que, uma vez afetados, se submetem
ao regime jurídico dos bens de propriedade pública.

143
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno;
todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.

Art. 99. São bens públicos:

I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;

II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da


administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias;

III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de
direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.

Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas
jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado.

Regime Jurídico:

- Inalienável: O Novo CC dispõe serem inalienáveis apenas os bens públicos de uso comum do povo e de uso
especial (art. 100). Os dominicais perderam essa peculiaridade (art. 101). Mas, observa-se que a perda dessa
inalienabilidade não vulnera os bens públicos à aquisição por usucapião (essa proibição foi mantida no novo
texto, art. 102, com fundamento em comando expresso da CF/88, art. 183, §3º).

AFETAÇÃO DESAFETAÇÃO

Transformação do bem de dominical em uso Transformação do bem de uso comum / especial em


comum ou especial. bem dominical.

Não é desafetado pelo simples não uso. Tem que ser


lei ou ato administrativo autorizado por lei. Obs. pode
Pode ser feita de qualquer maneira: lei, ato ou ser também desafetado por um evento da natureza.
simples uso. Ex. chuva que derruba a escola.

- Impenhorabilidade

Isso se justifica pelo fato dele não poder ser alienado de forma livre no final do processo. Eles não podem ser
objeto de penhora, arresto ou sequestro. Esses dois últimos são cautelares típicas.

- Impossibilidade de oneração

Não pode ser direito real de garantia. Não pode sofrer penhor, hipoteca e anticrese.

- Imprescritibilidade

Bens públicos não podem ser objeto de prescrição aquisitiva. Não cabe usucapião.

144
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

#OLHAAJURIS

As terras devolutas pertencem, em regra, aos Estados-membros, com exceção daquelas indispensáveis à
defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à
preservação ambiental, que são de propriedade da União (art. 20, II, da CF/88). As terras devolutas pertencem
aos Estados-membros desde a Constituição de 1891, que delas excetuava apenas a porção do território
indispensável para a defesa das fronteiras, fortificações, construções militares e estradas de ferro federais.
Esse mesmo tratamento jurídico foi mantido, com pequenas variações, nas Constituições de 1934, 1937,
1946, 1967, EC 1 de 1969 e, finalmente, na Constituição Federal de 1988. Caso concreto: no Estado de São
Paulo havia uma grande área que era considerada como terra devoluta. Diante disso, em 1939, o Estado
ajuizou ação discriminatória para regularizar essa área, tendo o pedido sido julgado procedente, com a
expedição de títulos de domínio das terras em favor do autor. A União, posteriormente, propôs ação
anulatória alegando que as referidas terras seriam de sua propriedade desde 1872, por anexação. O Estado
de São Paulo, por sua vez, alegou que eram terras devolutas, e, por isso, passíveis de alienação a particulares.
Apesar de inexistente, à época, qualquer registro imobiliário no sentido de se cuidar de terras devolutas, não
se exigiria prova nesse sentido, pois a regra então vigente era no sentido da presunção da natureza devoluta
dessas terras. Assim, havia presunção de que eram terras devolutas e cabia à União o ônus de provar que
adquiriu as terras por meio de compra ou anexação; que as terras lhe eram úteis; e a exata individuação para
fins de saber se elas coincidem com as áreas em relação às quais o estado de São Paulo expediu os títulos que
se pretende anular. É possível concluir que a União adquiriu terras na região, mediante compra ou anexação.
Entretanto, não há provas de que essas terras tenham sido efetivamente úteis para o suposto fim original a
que se prestariam. Além disso, não há qualquer precisão na individuação dessas terras à época da aquisição.
A União não se desincumbiu de seu ônus probatório. STF. Plenário. ACO 158/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado
em 12/3/2020 (Info 969).

INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE

Direito de Propriedade: As principais características são:

A)Caráter Exclusivo: Somente o proprietário (ou alguém em seu nome e com sua autorização) poderá exercer
de forma plena as faculdades inerentes a propriedade.

B)Caráter Absoluto: O proprietário terá ampla liberdade sob o bem, desde que respeite sua função social.

c)Caráter de Perpetuidade: A qualidade de proprietário só termina quando há transferência da propriedade


por mortis causa ou inter vivos.

A intervenção na propriedade decorre do exercício do poder de polícia e do princípio da supremacia do


interesse público sob o particular.

A intervenção pode ser:

 Supressiva: O Estado transfere para si a propriedade de terceiro, suprimindo o direito de propriedade


existente.

145
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
 Restritiva: O Estado impõe restrições ao uso da propriedade pelo terceiro, sem suprimir seu direito
de propriedade.

Desapropriação

É forma originária de aquisição da propriedade. O ente público determina a retirada do bem privado do
particular para que venha fazer parte do patrimônio público, mediante o pagamento de indenização.

Pode recair sobre bem móveis, imóveis, corpóreos ou incorpóreos, e até sobre bens públicos. Veja:

Art. 2º §2º do Dec. 3365/41.

Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios poderão ser desapropriados pela
União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização
legislativa.

É vedado a desapropriação de:

 Direitos personalíssimos
 Moeda corrente no pais
 De pessoas, físicas ou jurídicas.
Pressupostos da Desapropriação:

-Manifestada por meio de:

a) Utilidade Pública
b) Necessidade Pública
c) Interesse Social
-Pagamento de Indenização

Art. 5º, inciso XXIV da CF. (Desapropriação Comum)

Art. XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou
por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta
Constituição;

Desapropriação Especial Urbana – Art. 182 da CF.

Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes
gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e
garantir o bem- estar de seus habitantes. (Regulamento) (Vide Lei nº 13.311, de 11 de julho de 2016)

§ 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil
habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.

§ 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação
da cidade expressas no plano diretor.

§ 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro.

146
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir,
nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que
promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:

I - parcelamento ou edificação compulsórios;

II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;

III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada
pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas,
assegurados o valor real da indenização e os juros legais.

Desapropriação Especial Rural – Art. 186 da CF.

Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que
não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com
cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua
emissão, e cuja utilização será definida em lei.

§ 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro.

§ 2º O decreto que declarar o imóvel como de interesse social, para fins de reforma agrária, autoriza a União
a propor a ação de desapropriação.

§ 3º Cabe à lei complementar estabelecer procedimento contraditório especial, de rito sumário, para o
processo judicial de desapropriação.

§ 4º O orçamento fixará anualmente o volume total de títulos da dívida agrária, assim como o montante de
recursos para atender ao programa de reforma agrária no exercício.

§ 5º São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis


desapropriados para fins de reforma agrária.

Vedações:

Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:

I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra;

II - a propriedade produtiva.

Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o
cumprimento dos requisitos relativos a sua função social.

Desapropriação CONFISCO

Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais
de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão expropriadas e destinadas
à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário e sem

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art. 5º. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 81, de 2014)

Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo especial
com destinação específica, na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 81, de 2014)

#DEOLHONAJÚRIS

Qual é o prazo da ação de desapropriação indireta? Regra: 10 anos (art. 1.238, parágrafo único, do CC/2002).
Exceção: o prazo será de 15 anos se ficar comprovada a inexistência de obras ou serviços públicos no local.
Em regra, portanto, o prazo prescricional das ações indenizatórias por desapropriação indireta é de 10 anos
porque existe uma presunção relativa de que o Poder Público realizou obras ou serviços públicos no local.
Admite-se, excepcionalmente, o prazo prescricional de 15 anos, caso a parte interessada comprove, concreta
e devidamente, que não foram feitas obras ou serviços no local, afastando a presunção legal. STJ. 1ª Seção.
EREsp 1575846-SC, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 26/06/2019 (Info 658). O prazo prescricional aplicável
à desapropriação indireta, na hipótese em que o Poder Público tenha realizado obras no local ou atribuído
natureza de utilidade pública ou de interesse social ao imóvel, é de 10 anos, conforme parágrafo único do art.
1.238 do CC. STJ. 1ª Seção. REsp 1757352-SC, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 12/02/2020 (Recurso
Repetitivo – Tema 1109) (Info 671). Obs: a súmula 119 do STJ está superada (Súmula 119-STJ: A ação de
desapropriação indireta prescreve em vinte anos).

As restrições ao direito de propriedade, impostas por normas ambientais, ainda que esvaziem o conteúdo
econômico, não configuram desapropriação indireta. A desapropriação indireta só ocorre quando existe o
efetivo apossamento da propriedade pelo Poder Público. Logo, as restrições ao direito de propriedade
impostas por normas ambientais configuram limitações administrativas. STJ. 1ª Turma. AgInt no AREsp
1443672/SP, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 11/02/2020. O prazo prescricional para exercer a pretensão
de ser indenizado por limitações administrativas é de 5 anos, nos termos do art. 10 do Decreto-Lei
3.365/1941, disposição de regência específica da matéria. STJ. 2ª Turma. EDcl no REsp 1784226/RJ, Rel. Min.
Herman Benjamin, julgado em 06/06/2019.

Imóvel do particular foi incluído em unidade de conservação. Houve, no caso, uma limitação administrativa.
Ele ajuizou ação de desapropriação indireta pedindo indenização. Mesmo não tendo havido desapropriação
indireta, mas sim mera limitação administrativa, o juiz deverá conhecer da ação e julgar seu mérito. Devem
ser observados os princípios da instrumentalidade das formas e da primazia da solução integral do mérito.
STJ. 1ª Turma. REsp 1653169-RJ, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/11/2019 (Info 662).

Não se imputa ao Poder Público a responsabilidade integral por alegada desapropriação indireta quando, em
gleba cuja ocupação por terceiros apresenta situação consolidada e irreversível, limita-se a realizar serviços
públicos de infraestrutura, sem que tenha concorrido para o esbulho ocasionado exclusivamente por
particulares. Assim, na medida em que o Poder Público não pratica o ato ilícito denominado “apossamento
administrativo” nem, portanto, toma a propriedade do bem para si, não deve responder pela perda da
propriedade em desfavor do particular, ainda que realize obras e serviços públicos essenciais para a
comunidade instalada no local. STJ. 2ª Turma. REsp 1770001-AM, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado
em 05/11/2019 (Info 660).

A qualificação de imóvel como estação ecológica limita o direito de propriedade, o que afasta a incidência do
IPTU. A inclusão do imóvel do particular em Estação Ecológica representa uma evidente limitação
administrativa imposta pelo Estado, ocasionando o esvaziamento completo dos atributos inerentes à
propriedade, retirando-lhe o domínio útil do imóvel. Além disso, o art. 49 da Lei nº 9.985/2000 estabelece
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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
que a área de uma unidade de conservação de proteção integral é considerada zona rural para efeitos legais,
motivo pelo qual não incide IPTU, mas sim ITR, sendo este último tributo de competência tributária exclusiva
da União. STJ. 2ª Turma. REsp 1695340-MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17/09/2019 (Info
657).

O ente desapropriante não responde por tributos incidentes sobre o imóvel desapropriado nas hipóteses em
que o período de ocorrência dos fatos geradores é anterior ao ato de aquisição originária da propriedade. STJ.
2ª Turma. REsp 1668058-ES, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 8/6/2017 (Info 606).

TOMBAMENTO

É a forma de proteção ao meio ambiente, no que tange aos aspectos do patrimônio histórico, artístico ou
cultural.

A competência é concorrente entre os entes.

#DEOLHONAJURIS
O princípio da hierarquia verticalizada, previsto no Decreto-Lei 3.365/1941, não se aplica ao tombamento,
disciplinado no Decreto-Lei 25/1937. A lei de tombamento apenas indica ser aplicável a bens pertencentes a
pessoas físicas e pessoas jurídicas de direito privado e de direito público interno. Ademais, o tombamento
feito por ato legislativo possui caráter provisório, ficando o tombamento permanente, este sim, restrito a ato
do Executivo. Por fim, o tombamento provisório por ato legislativo não precisa ser precedido de notificação
prévia da União, exigência restrita ao procedimento definitivo promovido pelo Executivo estadual. STF.
Plenário. ACO 1208 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 24/11/2017.

IPHAN – é a autarquia federal que toma as medidas necessárias para proteção do bem.

Os bens incorpóreos serão protegidos por registro nos órgãos de proteção ao Patrimônio Artístico e cultural,
não lhe impondo as exigências do tombamento.

#OUSESABER: O tombamento pode ser constituído por lei? Resposta: NÃO.


Conforme decidido pelo STF, no julgamento da ACO 1.706/DF: “O tombamento é constituído mediante ATO
DO PODER EXECUTIVO que, observada a legislação pertinente, estabelece o alcance da limitação ao direito
de propriedade, ato emanado do Poder Legislativo não podendo alterar essas restrições. (...)
O ato do Poder Legislativo que efetive o tombamento e, de igual modo, aquele que pretenda alterar as
condições de tombamento regularmente instituído pelo Poder Executivo, é INCONSTITUCIONAL, dada a sua
incompatibilidade com o princípio da harmonia entre os poderes”.
I. Quanto à constituição (procedimento)
 Tombamento voluntário: a pedido ou com concordância do proprietário
 Tombamento de ofício: sem anuência recai sobre bem público

149
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
 Tombamento compulsório: Há resistência por parte do proprietário, que se opõe à pretensão de
tombar do poder público. A oposição ocorrerá no prazo de 15 dias da notificação de interesse de tombamento
do bem. A notificação gera efeitos de um tombamento provisório.

II. Quanto à eficácia:


 Tombamento provisório – durante o processo administrativo. É gerado pela simples notificação, que
tem como efeito a impossibilidade de modificação do bem, em caso de impugnação do proprietário
 Tombamento definitivo – final do processo.

III. Quanto aos destinatários

 Tombamento geral – bairro todo, rua, cidade. O bem não é determinado


 Tombamento individual – bem determinado. Pode ser bem público ou privado. Pode ser bem móvel
ou imóvel.

Obrigações do tombamento: podem ser resumidas da seguinte forma:


Conservação do patrimônio que deve ser acompanhado pelo poder público, assim qualquer
conserto deve ser comunicado ao poder público, para obtenção de uma autorização (artigo
17, DL 25/37).

Infelizmente, o particular comunica ao poder público por várias vezes e as providências não
são adotadas pelo ente político. EXEMPLO: padre da Bahia que comunicou e o teto da igreja
estava caindo e o padre mandou consertar sem autorização, porque poderia o teto
despencar sobre alguém. Poderia ser-lhe imputada multa de 50% do valor do dano que viesse
a causar.
Danificar o patrimônio sem autorização é crime previsto no artigo 165, CP.
A responsabilidade de reparar e conservar o imóvel tombado é do proprietário, salvo quando
demonstrado que ele não dispõe de recurso para proceder à reparação. STJ. 2ª Turma. AgRg
no AREsp 176140-BA, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 18/10/2012 (Info 507).
OBRIGAÇÕES
POSITIVAS Dano em coisa de valor artístico, arqueológico ou histórico

Art. 165 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa tombada pela autoridade competente em
virtude de valor artístico, arqueológico ou histórico:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
Bem público tombado é inalienável, ressalvada a possibilidade de transferência entre os
entes federados.

Bem particular tombado pode ser alienado.

#ATUALIZAÇÃO #ALERTA #NCPC


O NCPC revogou o direito de preferência do art. 22 do Decreto 25/37, segundo art. 1072,
inciso I, NCPC. Assim, não será mais necessário ofertar o direito preferência à União, ao
Estado e aos Municípios do bem particular tombado que será alienado extrajudicialmente.

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Decorre do dever positivo de conservar, é a obrigação de não danificar e não mutilar ou


OBRIGAÇÕES destruir a coisa (artigo 17, DL 25).
NEGATIVAS Não retirar a coisa do país, exceto por curto espaço de tempo, sem transferência de domínio
ou propriedade (artigo 14). Em caso de roubo ou furto, o proprietário deve comunicar ao
poder público em 05 dias, sob pena de multa.
OBRIGAÇÃO
DE O proprietário tem que suportar a fiscalização do poder público (artigo 20, DL 25/37).
SUPORTAR

19. Controles da administração pública e a luta contra as imunidades do poder; tipos de controle; controles
preventivos; Lei nº 13.655/2018.

Controle da Administração: É o conjunto de instrumentos definidos pelo ordenamento jurídico a fim de permitir
a fiscalização da atuação estatal por órgãos e entidades da própria administração, dos poderes legislativo,
judiciário, assim como pelo povo diretamente, compreendendo a possibilidade de orientação e revisão da
atuação administrativa de todas as entidades e agentes públicos em todas as esferas do poder.

O controle legislativo é exercido pelo poder Legislativo (ou com auxilio do TCU).

Por sua vez, o controle administrativo decorre do poder de autotutela da Administração.

Já o controle Judicial é realizado pelo Poder Judiciário, mediante provocação de qualquer interessado que esteja
sofrendo lesão ou ameaça de lesão, em virtude de conduta ou omissão que o atinja direta ou indiretamente.

O controle pode ser ainda interno ( exercido dentro de um mesmo poder, por meio de órgãos especializados)
ou externo (quando exercido por um poder em relação aos atos praticados por outro, ou ainda, exercido pelo
cidadão, no chamado controle popular).

O controle pode ser subdividido em:

Por subordinação: Realizado por autoridade hierarquicamente superior a quem pratica o ato, ou seja, entre
órgãos e agentes da mesma pessoa jurídica da Administração Pública.

Por vinculação: Exercido pela administração direta sobre as entidades descentralizadas.

Lei nº 13.655/2018.98

Essa lei veio de forma expressa no edital. Então, com vamos ver as principais disposições dela:

#AJUDAMARCINHO

A LINDB (antiga LICC) é o Decreto-lei nº 4.657/42.

98
https://www.dizerodireito.com.br/2019/06/breves-comentarios-lei-136552018-e-ao.html

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Trata-se de uma “norma de sobredireito”. Isso quer dizer que ela é uma norma que tem por finalidade
regulamentar outras normas. Em razão disso, dizem que ela é uma “lei sobre lei” (lex legum).

Em abril de 2018, foi aprovada a Lei nº 13.655/2018, que promoveu profundas alterações no Direito brasileiro
ao inserir 10 novos artigos na LINDB.

A Lei nº 13.655/2018 incluiu na LINDB os arts. 20 a 30 prevendo regras sobre segurança jurídica e eficiência na
criação e na aplicação do direito público. Vale ressaltar que o art. 25 foi vetado.

A Lei nº 13.655/2018 acrescenta à LINDB o art. 20, cujo caput possui a seguinte redação:

Art. 20. Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base em valores jurídicos
abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.

O art. 20 da LINDB tem por finalidade reforçar a ideia de responsabilidade decisória estatal diante da incidência
de normas jurídicas indeterminadas, as quais sabidamente admitem diversas hipóteses interpretativas e,
portanto, mais de uma solução.

O dispositivo proíbe “motivações decisórias vazias, apenas retóricas ou principiológicas, sem análise prévia de
fatos e de impactos. Obriga o julgador a avaliar, na motivação, a partir de elementos idôneos coligidos no
processo administrativo, judicial ou de controle, as consequências práticas de sua decisão.”

Esfera administrativa

Consiste na instância que se passa dentro da própria Administração Pública, normalmente em um processo
administrativo.

Esfera controladora

Aqui a Lei está se referindo precipuamente aos Tribunais de Contas, que são órgãos de controle externo.

Esfera judicial

São os processos que tramitam no Poder Judiciário.

O que são valores jurídicos abstratos?

O Decreto nº 9.830/2019 fornece a seguinte definição:

Art. 3º (...)

§ 1º Para fins do disposto neste Decreto, consideram-se valores jurídicos abstratos aqueles previstos em normas
jurídicas com alto grau de indeterminação e abstração.

Esse dispositivo proíbe que se decida com base em valores jurídicos abstratos?

NÃO. Continua sendo possível. No entanto, todas as vezes em que se decidir com base em valores jurídicos
abstratos, deverá ser feita uma análise prévia de quais serão as consequências práticas dessa decisão.

O art. 20 da LINDB introduz a necessidade de o órgão julgador considerar um argumento metajurídico no


momento de decidir, qual seja, as “consequências práticas da decisão”.

Em outras palavras, a análise das consequências práticas da decisão passa a fazer parte das razões de decidir.

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Essa conclusão é reforçada pelo art. 3º do Decreto nº 9.830/2019, que regulamentou o dispositivo:

Art. 3º A decisão que se basear exclusivamente em valores jurídicos abstratos observará o disposto no art. 2º e
as consequências práticas da decisão.

Resumo:

• Não se decidirá com base em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências
práticas da decisão.

• Isso vale para decisões proferidas nas esferas administrativas (ex: em um PAD), controladora (ex: julgamento
das contas de um administrador público pelo TCE) e judicial (ex: em uma ação civil pública pedindo melhores
condições do sistema carcerário).

MOTIVAÇÃO DEVERÁ DEMONSTRAR A NECESSIDADE E ADEQUAÇÃO

Veja o que diz o parágrafo único do art. 20 da LINDB:

Art. 20. (...)

Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da invalidação


de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis alternativas.

Motivação

Todas as decisões, sejam elas proferidas pelos órgãos administrativos, controladores ou judiciais, devem ser
motivadas.

Isso significa que o administrador, conselheiro ou magistrado, ao tomar uma decisão, deverá indicar os motivos
de fato e de direito que o levaram a agir daquela maneira.

Veja o que estabeleceu o regulamento da Lei:

Art. 4º A decisão que decretar invalidação de atos, contratos, ajustes, processos ou normas administrativos
observará o disposto no art. 2º e indicará, de modo expresso, as suas consequências jurídicas e administrativas.

§ 1º A consideração das consequências jurídicas e administrativas é limitada aos fatos e fundamentos de mérito
e jurídicos que se espera do decisor no exercício diligente de sua atuação.

§ 2º A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta, consideradas as possíveis


alternativas e observados os critérios de proporcionalidade e de razoabilidade.

§ 3º Quando cabível, a decisão a que se refere o caput indicará, na modulação de seus efeitos, as condições para
que a regularização ocorra de forma proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais.

§ 4ºNa declaração de invalidade de atos, contratos, ajustes, processos ou normas administrativos, o decisor
poderá, consideradas as consequências jurídicas e administrativas da decisão para a administração pública e
para o administrado:

I - restringir os efeitos da declaração; ou

II - decidir que sua eficácia se iniciará em momento posteriormente definido.

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§ 5º A modulação dos efeitos da decisão buscará a mitigação dos ônus ou das perdas dos administrados ou da
administração pública que sejam anormais ou excessivos em função das peculiaridades do caso.

Necessidade e adequação

Esses conceitos de “necessidade” e “adequação” foram emprestados do legislador da explicação que a doutrina
dá a respeito do princípio da proporcionalidade.

O princípio da proporcionalidade divide-se em três subprincípios:

a) subprincípio da ADEQUAÇÃO: no qual deve ser analisado se a medida adotada é idônea (capaz) para atingir o
objetivo almejado;

b) subprincípio da NECESSIDADE: consiste na análise se a medida empregada é ou não excessiva; e

c) subprincípio da PROPORCIONALIDADE EM SENTIDO ESTRITO: representa a análise do custo-benefício da


providência pretendida, para se determinar se o que se ganha é mais valioso do que aquilo que se perde.

DECISÃO QUE ACARRETE INVALIDAÇÃO DE ATO, CONTRATO, AJUSTE, PROCESSO OU NORMA ADMINISTRATIVA

A Lei nº 13.655/2018 demonstrou uma preocupação muito grande com decisões que acarretem invalidação de
ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa. Por isso, inseriu na LINDB dois dispositivos para tratar
sobre o tema: o parágrafo único do art. 20 e o art. 21.

O art. 20, parágrafo único, vimos acima. Confira agora o caput do art. 21:

Art. 21. A decisão que, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, decretar a invalidação de ato,
contrato, ajuste, processo ou norma administrativa deverá indicar de modo expresso suas consequências
jurídicas e administrativas.

Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as condições
para que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se
podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam
anormais ou excessivos.

A invalidação de um ato, contrato, ajuste, processo ou norma pode acarretar graves prejuízos para a parte
envolvida, para a própria Administração e também para terceiros. Pensando nisso, o parágrafo único do art. 21
trata sobre o tema, assim como sobre a possiblidade de regularização da situação:

Art. 21 (...)

Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput deste artigo deverá, quando for o caso, indicar as condições
para que a regularização ocorra de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se
podendo impor aos sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam
anormais ou excessivos.

INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS SOBRE GESTÃO PÚBLICA

Primado da realidade

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Ciclos Método
Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as dificuldades
reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados.

§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma
administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou condicionado
a ação do agente.

Critérios para aplicação de sanções

§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos que
dela provierem para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes do
agente.

Critérios a serem considerados na aplicação das sanções:

a) Natureza e gravidade da infração cometida;

b) Danos causados à Administração Pública;

c) Agravantes;

d) Atenuantes;

e) Antecedentes.

MUDANÇA DE INTERPRETAÇÃO OU ORIENTAÇÃO E MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO

Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação nova
sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de direito, deverá
prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou condicionamento de direito seja
cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo aos interesses gerais.

Se houver uma mudança na forma como tradicionalmente a Administração Pública, os Tribunais de Contas ou o
Poder Judiciário interpretavam determinada norma, deverá ser previsto um regime de transição.

Este regime de transição representa a concessão de um prazo para que os administradores públicos e demais
pessoas afetadas pela nova orientação possam se adaptar à nova interpretação. É como se fosse uma modulação
dos efeitos.

REVISÃO DEVERÁ LEVAR EM CONTA A ORIENTAÇÃO VIGENTE NA ÉPOCA DA PRÁTICA DO ATO

Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste,
processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais
da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas
situações plenamente constituídas.

Veja como o dispositivo é complementado pelo Regulamento da Lei:

Art. 5º A decisão que determinar a revisão quanto à validade de atos, contratos, ajustes, processos ou normas
administrativos cuja produção de efeitos esteja em curso ou que tenha sido concluída levará em consideração
as orientações gerais da época.
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§ 1º É vedado declarar inválida situação plenamente constituída devido à mudança posterior de orientação
geral.

§ 2º O disposto no § 1º não exclui a possibilidade de suspensão de efeitos futuros de relação em curso.

(...)

Algumas vezes demoram anos para que a Administração Pública (controle interno), o Tribunal de Contas ou o
Poder Judiciário examine a validade de um ato ou contrato administrativo (em sentido amplo) que já tenha se
completado. Nesse período, pode acontecer de o entendimento vigente ter se alterado. Caso isso aconteça, o
ato deverá ser analisado conforme as orientações gerais da época e as situações por elas regidas deverão ser
declaradas válidas, mesmo que apresentem vícios.

RESPONSABILIDADE DO AGENTE PÚBLICO

Art. 28. O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em caso de dolo ou
erro grosseiro.

10.1 NOÇÕES GERAIS

Segundo a Sociedade Brasileira de Direito Público, “o art. 28 quer dar a segurança necessária para que o agente
público possa desempenhar suas funções. Por isso afirma que ele só responderá pessoalmente por suas decisões
ou opiniões em caso de dolo ou erro grosseiro (o que inclui situações de negligência grave, imprudência grave
ou imperícia grave) (...)” (http://antonioanastasia.com.br/documentos/).

O Decreto nº 9.830/2019 foi mais enfático que o art. 28 da LINB e afirmou que o agente
público somente responderá em caso de dolo ou erro grosseiro:

Art. 12. O agente público somente poderá ser responsabilizado por suas decisões ou opiniões técnicas se agir
ou se omitir com dolo, direto ou eventual, ou cometer erro grosseiro, no desempenho de suas funções.

Dolo

Abrange tanto os casos de dolo direto como também eventual.

Erro grosseiro = culpa grave.

Considera-se erro grosseiro aquele manifesto, evidente e inescusável praticado com culpa grave, caracterizado
por ação ou omissão com elevado grau de negligência, imprudência ou imperícia (art. 12, § 1º do Decreto).

Assim, para o Decreto, erro grosseiro é aquele no qual o agente atuou com culpa grave. Isso significa que, se o
agente teve culpa leve ou levíssima, ele não poderá ser responsabilizado.

Comprovação do dolo ou grosseiro é indispensável para a responsabilização do agente.

Decreto nº 9.830/2019

Art. 12 (...)

§ 2º Não será configurado dolo ou erro grosseiro do agente público se não restar comprovada, nos autos do
processo de responsabilização, situação ou circunstância fática capaz de caracterizar o dolo ou o erro grosseiro.
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§ 3º O mero nexo de causalidade entre a conduta e o resultado danoso não implica responsabilização, exceto
se comprovado o dolo ou o erro grosseiro do agente público.

Complexidade da matéria e atribuições do agente devem ser consideradas.

Ao se analisar se o agente atuou com dolo ou cometeu um erro grosseiro, deve-se levar em consideração a
complexidade da matéria e as atribuições exercidas pelo agente público.

Decreto nº 9.830/2019

Art. 12 (...)

§ 4º A complexidade da matéria e das atribuições exercidas pelo agente público serão consideradas em eventual
responsabilização do agente público.

Grande prejuízo, por si só, não configura o dolo ou erro grosseiro.

Decreto nº 9.830/2019

Art. 12 (...)

§ 5º O montante do dano ao erário, ainda que expressivo, não poderá, por si só, ser elemento para caracterizar
o erro grosseiro ou o dolo.

CONSULTA PÚBLICA

Art. 29. Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade administrativa, salvo os de
mera organização interna, poderá ser precedida de consulta pública para manifestação de interessados,
preferencialmente por meio eletrônico, a qual será considerada na decisão.

§ 1º A convocação conterá a minuta do ato normativo e fixará o prazo e demais condições da consulta pública,
observadas as normas legais e regulamentares específicas, se houver.

§ 2º (VETADO).

“O art. 29, ao prever a consulta pública prévia à edição de atos normativos por autoridade administrativa,
procura trazer transparência e previsibilidade à atividade normativa do Executivo. Trata-se de medida
consentânea com as melhores práticas.” (http://antonioanastasia.com.br/documentos/).

Decreto nº 9.830/2019

Art. 18. A edição de atos normativos por autoridade administrativa poderá ser precedida de consulta pública
para manifestação de interessados, preferencialmente por meio eletrônico.

§ 1º A decisão pela convocação de consulta pública será motivada na forma do disposto no art. 3º.

§ 2º A convocação de consulta pública conterá a minuta do ato normativo, disponibilizará a motivação do ato e
fixará o prazo e as demais condições.

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Ciclos Método
§ 3º A autoridade decisora não será obrigada a comentar ou considerar individualmente as manifestações
apresentadas e poderá agrupar manifestações por conexão e eliminar aquelas repetitivas ou de conteúdo não
conexo ou irrelevante para a matéria em apreciação.

§ 4º As propostas de consulta pública que envolverem atos normativos sujeitos a despacho presidencial serão
formuladas nos termos do disposto no Decreto nº 9.191, de 1º de novembro de 2017.

INSTRUMENTOS PARA AUMENTAR A SEGURANÇA JURÍDICA

Art. 30. As autoridades públicas devem atuar para aumentar a segurança jurídica na aplicação das normas,
inclusive por meio de regulamentos, súmulas administrativas e respostas a consultas.

Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter vinculante em relação ao órgão
ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão.

20. Improbidade administrativa, corrupção, atos lesivos à administração pública, responsabilização


individual e coletiva (Leis 4.717/65; 8.429/92; 12.846/13). 21. Tratados internacionais de combate à
corrupção. 22. Responsabilidade administrativa por infrações.

#APOSTACICLOS.

Improbidade Administrativa.

A prática do ato de improbidade administrativa envolve a inobservância de todas as regras e princípios


(legalidade, impessoalidade, eficiência, publicidade etc.) aos quais devem estar pautados os atos do Poder
Público (princípio da juridicidade), com a necessidade de se ponderar os valores violados, potencialidade
lesiva em face dos direitos tutelados, sempre à luz do princípio da proporcionalidade.
#DEOLHONAJURIS

É pacífico o entendimento do STJ no sentido de que a LIA não pode ser aplicada retroativamente para alcançar
fatos anteriores a sua vigência, ainda que ocorridos após a edição da Constituição Federal de 1988. STJ. REsp
1129121/GO, Rel. p/ Acórdão Min. Castro Meira, julgado em 03/05/2012.

Sujeitos do Ato de Improbidade Administrativa.


Em face do contido no artigo 1, parágrafo único, da Lei n. 8.429/92, podemos sintetizar as entidades
protegidas da seguinte forma:
 Administração Pública Direta (União, Estados, Distrito Federal e Municípios);
 Administração Pública Indireta (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e
fundações de direito público e de direito privado);
 Empresa incorporada ao patrimônio público ou entidade em relação à qual o erário tenha concorrido
ou concorra com mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual;
 Entidade que receba subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício de órgão público;
 Entidades para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinquenta
por cento do patrimônio ou receita anual, limitada a sanção patrimonial, neste caso, à repercussão do ilícito
sobre a contribuição dos cofres públicos.

Sujeito ativo:

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Ciclos Método
SUJEITOS ATIVOS DOS ATOS DE IMPROBIDADE

Agente público, ainda que transitoriamente ou sem Terceiro que induza ou concorra para a prática de
remuneração. Inclui agentes políticos. ato de improbidade (deve haver participação de
agente público).

#DEOLHONAJURIS #STF: Os agentes políticos, com exceção do Presidente da República, encontram-se sujeitos
a duplo regime sancionatório, de modo que se submetem tanto à responsabilização civil pelos atos de
improbidade administrativa quanto à responsabilização político-administrativa por crimes de
responsabilidade. O foro especial por prerrogativa de função previsto na Constituição Federal em relação às
infrações penais comuns não é extensível às ações de improbidade administrativa. STF. Plenário. Pet 3240
AgR/DF, rel. Min. Teori Zavascki, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 10/5/2018 (Info 891)

FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO

Consoante o julgado supramencionado, o Plenário do STF entende que não há foro por prerrogativa de
função nas ações de improbidade, em virtude de se tratar de uma ação de natureza cível.
 Os ministros do STF, em julgado anterior, ressalvaram que quanto a eles o ato de improbidade será
julgado pelo próprio STF e não pela primeira instância99.

Modalidades de Improbidade Administrativa.

a) Enriquecimento ilícito (art. 9): somente se caracteriza quando há o efetivo recebimento de


vantagem patrimonial indevida pelo agente. O dano ao erário, nessa modalidade de improbidade
administrativa, é dispensável.

b) Ato lesivo ao erário (art. 10): há controvérsia doutrinária acerca do conceito de lesão ao erário. Uma
corrente sustenta que a expressão “dano ao erário” abrange qualquer ofensa ao patrimônio público. O STJ,
porém, entende que a expressão deve ser interpretada restritivamente, de modo que, para os fins do art. 10
da LIA, é indispensável lesão ao tesouro, ao cofre público.

Em relação ao elemento subjetivo, está é única modalidade do ato de improbidade administrativa que
admite, de forma expressa, tanto o dolo quanto a culpa. O dolo exigido é o genérico, ou seja, a vontade de
agir de forma contrária ao que determina o artigo 10 e seus incisos.

c) Dos atos de improbidade administrativa decorrentes de concessão ou aplicação indevida de


benefício financeiro ou tributário:

99
O MPF ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra o Min. Gilmar Mendes, questionando atos por ele praticados na
época em que foi Advogado Geral da União. A ação foi proposta na Justiça Federal de 1ª instância. Como o requerido era Ministro do
STF, iniciou-se uma discussão sobre de quem seria a competência para julgar a causa. O STF decidiu, então, que a competência para
julgar uma ação de improbidade contra um dos Ministros do Supremo seria do próprio Tribunal (Pet 3211 QO, Relator p/ Acórdão
Min. Menezes Direito, Tribunal Pleno, julgado em 13/03/2008).

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Art. 10-A. Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para conceder, aplicar ou
manter benefício financeiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei
Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003. (Incluído pela LC 157/2016).

d) Violação aos princípios da administração pública:

Nos termos do art. 11 da LIA, constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
Administração Pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade,
legalidade e lealdade às instituições. Apesar da lei mencionar expressamente apenas os supracitados
princípios, constitui ato de improbidade a violação a qualquer princípio da Administração Pública, como
eficiência, motivação, publicidade, interesse público, razoabilidade etc.

Tortura de preso constitui ato de improbidade administrativa: A tortura de preso custodiado em delegacia
praticada por policial constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública. STJ. 1ª Seção. REsp 1177910-SE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 26/8/2015
(Info 577).

Prefeito que pratica assédio moral contra servidor público: O assédio moral, mais do que provocações no
local de trabalho — sarcasmo, crítica, zombaria e trote —, é campanha de terror psicológico pela rejeição. A
prática de assédio moral enquadra-se na conduta prevista no art. 11, caput, da Lei nº 8.429/92, em razão do
evidente abuso de poder, desvio de finalidade e malferimento à impessoalidade, ao agir deliberadamente em
prejuízo de alguém. STJ, julgado em 03/09/2013.

Professor que assedia sexualmente aluno: Configura ato de improbidade administrativa a conduta de
professor da rede pública de ensino que, aproveitando-se dessa condição, assedie sexualmente seus alunos.
Isso porque essa conduta atenta contra os princípios da administração pública, subsumindo-se ao disposto
no art. 11 da Lei nº 8.429/1992. STJ, julgado em 21/5/2013 (Info 523).
Nomeação de parente para cargo público de natureza política: O STF tem afastado a aplicação da SV 13 a
cargos públicos de natureza política, como são os cargos de Secretário Estadual e Municipal. Mesmo em caso
de cargos políticos, será possível considerar a nomeação indevida nas hipóteses de: • nepotismo cruzado; •
fraude à lei e • inequívoca falta de razoabilidade da indicação, por manifesta ausência de qualificação técnica
ou por inidoneidade moral do nomeado. STF. 1ª Turma. Rcl 29033 AgR/RJ, rel. Min. Roberto Barroso, julgado
em 17/9/2019 (Info 952).

A Lei n. 8.429/1992, ao regulamentar o art. 37, parágrafo 4100, da CRFB, estabeleceu as seguintes sanções
(art. 12):

i. Perda de bens e valores acrescidos ilicitamente;


ii. Ressarcimento integral do dano;
iii. Perda de função pública;

100Art. 37. (...) § 4º Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a
indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível.

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iv. Suspensão dos direitos políticos;
v. Multa civil;
vi. Proibição de contratar com o Poder Público;
vii. Proibição de receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.

ATOS QUE GERAM ATOS QUE CAUSEM ATOS QUE ATENTAM DOS ATOS DE
ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DANOS AO ERÁRIO CONTRA PRINCÍPIOS IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA
DECORRENTES DE
CONCESSÃO OU
APLICAÇÃO INDEVIDA DE
BENEFÍCIO FINANCEIRO
OU TRIBUTÁRIO

Perda da Função Pública101 Perda da Função Perda da Função Perda da Função Pública
Pública Pública
Indisponibilidade e perda dos Indisponibilidade e ---------------------- --------------------
bens adquiridos ilicitamente perda dos bens
adquiridos
ilicitamente
Ressarcimento do dano (se Ressarcimento do Ressarcimento do Ressarcimento ao erário
houver) dano dano (se houver) pelos danos.
Multa de até 3 x o que Multa de até 2 x o Multa de até 100 x a Multa de até 3 x o valor do
acresceu ilicitamente valor do dano remuneração do benefício financeiro
causado servidor
Suspensão dos direitos Suspensão dos Suspensão dos Suspensão dos direitos
políticos de 8 a 10 anos.102 direitos políticos de 5 direitos Políticos de 3 políticos de 5 a 8 anos.
a 8 anos. a 5 anos.
Impossibilidade de contratar Impossibilidade de Impossibilidade de
com o Poder Público e de contratar com o contratar com o Poder
receber benefícios fiscais até Poder Público e de Público e de receber
10 anos. receber benefícios benefícios por até 3
por até 5 anos. anos.

Ressalta-se que, nos termos do caput do art. 12, as sanções podem ser aplicadas isoladas ou
cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato. Entretanto, caso constatado o enriquecimento ilícito
ou prejuízo ao erário, a perda de bens ou valores acrescidos de forma ilícita e a obrigação de ressarcir o erário
serão impositivos, sem margem de discricionariedade ao magistrado para sua fixação, a teor dos artigos 5 e
6 da LIA, devendo existir conciliação com as demais sanções previstas no art. 12.

101
De acordo com o entendimento da jurisprudência, o agente público perderá o cargo que esteja exercendo no
momento da aplicação da pena, e, não necessariamente, a função que tenha se valido para a prática do ato.

102
. Se a sentença for silente em relação ao prazo de suspensão dos direitos políticos, aplica-se o menor prazo previsto
em lei para aquela infração.

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Ciclos Método

Sanções abaixo do patamar da Lei de Improbidade: No caso de condenação pela prática de ato de
improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública, as penalidades de
suspensão dos direitos políticos e de proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios não podem ser fixadas abaixo de 3 anos, considerando que este é o mínimo
previsto no art. 12, III, da Lei nº 8.429/92. Não existe autorização na lei para estipular sanções abaixo desse
patamar. STJ, julgado em 7/4/2016 (Info 581).

Prescrição.

Dispõe o artigo 23 da Lei de Improbidade Administrativa:

Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta lei podem ser propostas:

I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança;
II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas disciplinares puníveis com demissão a
bem do serviço público, nos casos de exercício de cargo efetivo ou emprego.
III - até cinco anos da data da apresentação à administração pública da prestação de contas final pelas
entidades referidas no parágrafo único do art. 1º desta Lei.

A LIA não cuida da hipótese de o mesmo agente praticar o ato ímprobo no exercício cumulativo de cargo
efetivo e de cargo comissionado. Qual prazo prescricional deve prevalecer: o relativo ao vínculo temporário
(art. 23, I) ou ao vínculo permanente (art. 23, II)?

Deve prevalecer o vínculo permanente para fins de contagem do prazo prescricional, em virtude de o liame
entre o agente e a Administração Pública não cessar com a exoneração do cargo em comissão, por ser
temporário. O mesmo raciocínio se aplica a hipóteses de exercício cumulativo de cargo efetivo e função de
confiança.

#OLHAOGANCHO: São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato


doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa.
STF. Plenário. RE 852475/SP, Rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, Rel. para acórdão Min. Edson Fachin,
julgado em 08/08/2018 (repercussão geral) (Info 910).

O art. 23 da Lei 8.429/92 regula o prazo prescricional para a propositura da ação de improbidade
administrativa. Logo, não haverá prescrição se a ação foi ajuizada no prazo, tendo demora- do, contudo, mais
que 5 anos do ajuizamento para ser julgada. (STJ. 2ª Turma. REsp 1.289.993/RO, Rel. Min. Eliana Calmon,
julgado em 19/09/2013).

VÍNCULO PRAZO INÍCIO DA CONTAGEM

TEMPORÁRIO 5 ANOS Primeiro dia após o fim do vínculo.


(detentores de mandato, cargo em
comissão, função de confiança).

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PERMANENTE O prazo e a o início da contagem serão os mesmos que são previstos
(ocupantes de cargo efetivo ou de no estatuto do servidor para prescrição de faltas disciplinares
emprego público). puníveis com demissão (ex.: na Lei 8.112/90 o prazo é de 5 anos,
contado da data em que o fato se tornou conhecido, mas leis
estaduais/municipaispodem trazer regra diferente).
Ação de Improbidade

Nos termos do artigo 17 da LIA, a “ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo Ministério
Público ou pela pessoa jurídica interessada, dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar”.
Outra peculiaridade da Lei de Improbidade Administrativa é que o parágrafo 7 do artigo 17 estabeleceu uma
espécie de contraditório preambular, antes do recebimento da inicial, o qual permite aos réus em ações dessa
natureza deduzirem defesa apta a demonstrar, de plano, a inviabilidade da ação:

Art. 17. (...)


§ 7º Estando a inicial em devida forma, o juiz mandará autuá-la e ordenará a notificação do requerido, para
oferecer manifestação por escrito, que poderá ser instruída com documentos e justificações, dentro do prazo
de quinze dias.
Da decisão que receber a petição inicial, caberá agravo de instrumento (art. 17, p. 10, da LIA). Por outro lado,
da decisão que rejeitar a inicial, caberá apelação.

#SELIGA Se a rejeição da inicial for parcial (em relação a um ou mais investigados), caberá agravo de
instrumento também.
O artigo 37, p. 4, da CRFB, de forma expressa, autoriza a indisponibilidade de bens, medida cautelar reiterada
no artigo 7 da LIA. A lei de improbidade também prevê o sequestro, em seu artigo 16, bem como o
afastamento temporário do cargo, na forma do artigo 20, parágrafo único.

A indisponibilidade de bens pode ser decretada em qualquer hipótese de ato de improbidade?

Redação dos arts. 7º e 16 da LIA STJ e doutrina

Não. A indisponibilidade é decretada apenas SIM. Não se pode conferir uma interpretação literal
quando o ato de improbidade administrativa: aos arts. 7º e 16 da LIA, até mesmo porque o art.
12, III, da Lei n.º 8.429/92 estabelece, entre as
a) causar lesão ao patrimônio público; ou sanções para o ato de improbidade que viole os
princípios da administração pública, o
b) ensejar enriquecimento ilícito.
ressarcimento integral do dano – caso exista -, e o
pagamento de multa civil de até cem vezes o valor
da remuneração percebida pelo agente. Logo, em
que pese o silêncio do art. 7º, uma interpretação
sistemática que leva em consideração o poder geral
de cautela do magistrado induz a concluir que a
medida cautelar de indisponibilidade dos bens
também pode ser aplicada aos atos de improbidade
administrativa que impliquem violação dos
princípios da administração pública, mormente
para assegurar integral ressarcimento de eventual
prejuízo ao erário, se houver, e ainda a multa civil
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prevista no art. 12, III, da Lei n. 8.429/92 (AgRG no
REsp 1311013/RO).

Acordo de não persecução cível

Art. 17 § 1º As ações de que trata este artigo admitem a celebração de acordo de não persecução cível, nos
termos desta Lei.

§ 10-A. Havendo a possibilidade de solução consensual, poderão as partes requerer ao juiz a interrupção do
prazo para a contestação, por prazo não superior a 90 (noventa) dias.

Segundo o Professor Landolfo Andrade, o acordo de não persecução cível tem natureza jurídica de negócio
jurídico, na medida em que depende da clara e livre manifestação de vontade das partes.

Em razão da sua natureza consensual bilateral, não estão os legitimados obrigados a propor o acordo (não
há para o agente ímprobo um direito subjetivo à celebração do acordo). Deve-se verificar qual a situação mais
adequada, de acordo com as circunstâncias do caso concreto. É claro que se as condições se mostrarem
favoráveis à celebração do acordo, deve-se privilegiar essa forma de solução do conflito, sendo dever tanto
do Ministério Público como da Administração Pública buscar a solução negociada de forma exaustiva.

#DEOLHONAJURIS: É possível acordo de não persecução cível no âmbito da ação de improbidade


administrativa em fase recursal. STJ. 1ª Turma. AREsp 1314581/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
23/02/2021 (Info 686).

Lei 12846/2013

Pessoal! Essa lei veio de forma expressa no edital e trata da responsabilização administrativa e civil de pessoas
jurídicas pela prática de atos contra a administração pública. Não preciso nem dizer né? Junto com a
improbidade é um tema super importante.

E para tanto, vamos contar com a ajuda do #MARCINHO:103

A Lei 12.846/2013 dispõe sobre a responsabilidade administrativa e civil das pessoas jurídicas que praticarem
atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira. O objetivo da Lei foi o de punir as pessoas jurídicas
envolvidas em casos de corrupção.

103
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2015/01/lei-12-846-responsabilizac3a7c3a3o-administrativa-e-civil-
de-pessoas-jurc3addicas-por-atos-contra-a-administrac3a7c3a3o.pdf

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Antes, se uma sociedade empresária participasse de atos de corrupção na administração pública apenas as
pessoas físicas (empregados da empresa, agentes públicos etc.) seriam punidas. Com a nova Lei, a própria pessoa
jurídica receberá graves sanções civis e administrativas, podendo até mesmo ser determinada a sua dissolução
compulsória.

A quem se aplicam as regras da Lei 12.846/2013? Aplica-se o disposto nesta Lei às:

 Sociedades empresárias (sejam elas personificadas ou não, independentemente da forma de organização ou


do modelo societário);
 Sociedades simples (sejam elas personificadas ou não, independentemente da forma de organização ou do
modelo societário);
 Fundações;
 Associações (de entidades ou pessoas);
 Sociedades estrangeiras (que tenham sede, filial ou representação no território brasileiro).

#APOSTACICLOS
A Lei 12.846/2013 prevê que as pessoas jurídicas que praticarem atos lesivos contra a administração pública
terão responsabilidade OBJETIVA, na esfera administrativa e civil. Assim, haverá responsabilidade da pessoa
jurídica sempre que restar comprovada a sua participação em um dos atos lesivos contra a administração pública
elencados pela Lei 12.846/2013.

A responsabilização da pessoa jurídica não exclui a responsabilidade individual de seus dirigentes ou


administradores ou de qualquer pessoa natural, autora, coautora ou partícipe do ato ilícito. Assim, é possível
que haja a responsabilização da pessoa jurídica e das pessoas físicas.
Por outro lado, mesmo que nenhuma pessoa física seja punida, ainda assim será possível a responsabilização
da pessoa jurídica. Isso porque a pessoa jurídica será responsabilizada independentemente da responsabilização
individual das pessoas naturais. Há uma autonomia entre as responsabilidades das pessoas físicas e da pessoa
jurídica.

Se a pessoa jurídica acusada da prática de ato lesivo passar por uma alteração contratual ou por uma mudança
societária, ainda assim poderá ser punida? SIM. Subsiste a responsabilidade da pessoa jurídica mesmo que tenha
havido:

 alteração contratual
 transformação
 incorporação
 fusão ou
 cisão societária.

#APOSTACICLOS.

Em regra, tirando a multa e a reparação integral, as demais sanções previstas na Lei 12.846/2013 não serão
aplicáveis à pessoa jurídica sucessora se os atos lesivos foram praticados antes da data da fusão ou incorporação.

Exceção: A pessoa jurídica sucessora responderá por todas as sanções da Lei 12.846/2013 se ficar comprovado
que esta fusão ou incorporação:  foi apenas uma simulação; ou  teve o evidente intuito de fraude.

RESPONSABILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
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Na esfera administrativa, as pessoas jurídicas que praticarem atos lesivos poderão receber como sanção:

1) MULTA. O valor da multa será entre 0,1% a 20% do faturamento bruto do último exercício anterior ao da
instauração do processo administrativo, excluídos os tributos. Esta multa nunca poderá ser inferior à vantagem
auferida, quando for possível sua estimação. Caso não seja possível utilizar o critério do valor do faturamento
bruto da pessoa jurídica, a multa será fixada entre 6 mil a 60 milhões de reais.
2) PUBLICAÇÃO extraordinária da decisão condenatória Será divulgado um extrato de sentença (uma síntese da
decisão condenatória) nos meios de comunicação de grande circulação na área da prática da infração e de
atuação da pessoa jurídica ou, na sua falta, em publicação de circulação nacional. Além disso, será afixado um
edital, pelo prazo mínimo de 30 dias, no próprio estabelecimento ou no local de exercício da atividade da pessoa,
de modo visível ao público. Por fim, deverá ser divulgada a decisão também na internet. O custo desta
publicação será pago pela própria pessoa jurídica condenada.

ACORDO DE LENIÊNCIA

#APOSTACICLOS

A Lei 12.846/2013 prevê a possibilidade de a pessoa jurídica que praticar ato lesivo à administração pública
celebrar um “acordo de leniência” para abrandar a sua punição. O acordo de leniência é uma espécie de “delação
premiada”.
O acordo de leniência é celebrado entre a pessoa jurídica responsável pela prática do ato lesivo e a autoridade
máxima do órgão ou entidade. A CGU é o órgão competente para celebrar os acordos de leniência no âmbito
do Poder Executivo federal, bem como no caso de atos lesivos praticados contra a administração pública
estrangeira.

Art. 16. A autoridade máxima de cada órgão ou entidade pública poderá celebrar acordo de leniência com as
pessoas jurídicas responsáveis pela prática dos atos previstos nesta Lei que colaborem efetivamente com as
investigações e o processo administrativo, sendo que dessa colaboração resulte:

I - a identificação dos demais envolvidos na infração, quando couber; e

II - a obtenção célere de informações e documentos que comprovem o ilícito sob apuração.

§ 1º O acordo de que trata o caput somente poderá ser celebrado se preenchidos, cumulativamente, os
seguintes requisitos:

I - a pessoa jurídica seja a primeira a se manifestar sobre seu interesse em cooperar para a apuração do ato
ilícito;

II - a pessoa jurídica cesse completamente seu envolvimento na infração investigada a partir da data de
propositura do acordo;

III - a pessoa jurídica admita sua participação no ilícito e coopere plena e permanentemente com as investigações
e o processo administrativo, comparecendo, sob suas expensas, sempre que solicitada, a todos os atos
processuais, até seu encerramento.

2º A celebração do acordo de leniência isentará a pessoa jurídica das sanções previstas no inciso II do art. 6º e
no inciso IV do art. 19 e reduzirá em até 2/3 (dois terços) o valor da multa aplicável.

166
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Ciclos Método
§ 3º O acordo de leniência não exime a pessoa jurídica da obrigação de reparar integralmente o dano causado.

§ 4º O acordo de leniência estipulará as condições necessárias para assegurar a efetividade da colaboração e o


resultado útil do processo.

§ 5º Os efeitos do acordo de leniência serão estendidos às pessoas jurídicas que integram o mesmo grupo
econômico, de fato e de direito, desde que firmem o acordo em conjunto, respeitadas as condições nele
estabelecidas.

§ 6º A proposta de acordo de leniência somente se tornará pública após a efetivação do respectivo acordo, salvo
no interesse das investigações e do processo administrativo.

§ 7º Não importará em reconhecimento da prática do ato ilícito investigado a proposta de acordo de leniência
rejeitada.

§ 8º Em caso de descumprimento do acordo de leniência, a pessoa jurídica ficará impedida de celebrar novo
acordo pelo prazo de 3 (três) anos contados do conhecimento pela administração pública do referido
descumprimento.

§ 9º A celebração do acordo de leniência interrompe o prazo prescricional dos atos ilícitos previstos nesta Lei.

§ 10. A Controladoria-Geral da União - CGU é o órgão competente para celebrar os acordos de leniência no
âmbito do Poder Executivo federal, bem como no caso de atos lesivos praticados contra a administração pública
estrangeira.

Art. 17. A administração pública poderá também celebrar acordo de leniência com a pessoa jurídica responsável
pela prática de ilícitos previstos na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, com vistas à isenção ou atenuação das
sanções administrativas estabelecidas em seus arts. 86 a 88.

RESPONSABILIZAÇÃO JUDICIAL

Responsabilização administrativa e judicial.

Além de ser punida na esfera administrativa (responsabilização administrativa), a pessoa jurídica também
poderá ser responsabilizada na esfera judicial. Assim, se a pessoa jurídica praticar algum dos atos lesivos
previstos no art. 5º da Lei 12.846/2013, o ente público deverá:

 instaurar um processo administrativo para apurar o fato; e


 ajuizar uma ação contra a pessoa jurídica infratora.

Quem poderá ajuizar a ação pedindo a responsabilização judicial da pessoa jurídica?  o ente público contra
quem foi praticado o ato lesivo (União, Estado/DF, Município); ou  o Ministério Público. Procedimento da ação
A ação de responsabilização judicial adotará o rito da Lei de Ação Civil Pública (Lei 7.347/85).

#JÁCAIU

#MPMG

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Ciclos Método
Assinale a alternativa correta:104

A)A sentença proferida em ação fundada em inquérito civil onde se busca a anulação de ato administrativo e
ressarcimento ao erário somente será anulada em razão da falta de notificação prévia do réu, se caracterizado
prejuízo para a defesa.

B)O valor a ser atribuído à causa na ação de improbidade administrativa deve corresponder ao conteúdo
econômico da pretensão, de modo a compreender o ressarcimento integral do dano causado ao erário,
excluindo-se o valor da multa civil, que tem caráter punitivo e não indenizatório.

C)Nos autos de ação de improbidade administrativa, na hipótese de interposição de agravo de instrumento


cujo objeto seja a concessão de medida cautelar de indisponibilidade de bens, inaudita altera pars, não é
obrigatória, para que seja proferida a decisão, a intimação da parte agravada para apresentação de
contrarrazões.

D)O juízo de delibação, previsto na Lei de Improbidade Administrativa, a ser exercido pelo magistrado após o
recebimento da manifestação escrita do réu, limitar-se-á, de acordo com cada caso concreto, à avaliação da
inexistência do ato de improbidade ou da improcedência da ação.

23. Responsabilidade civil do Estado. 24. Prescrição e decadência.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO105

Teoria da irresponsabilidade do Estado: A premissa de que o “rei nunca errava” embasa a primeira fase da
responsabilidade civil que é justamente a fase da irresponsabilidade. O Estado não respondi por seus erros,
era sujeito irresponsável.

Responsabilidade com previsão legal: O marco dessa teoria foi o caso “blanco”. Uma garota foi atropelada
por um vagão de ferroviária e, comovendo a sociedade francesa, embasou a responsabilização do ente
público pelo dano causado. O Estado, até então irresponsável, passou a ser responsável em casos pontuais,
sempre que houvesse previsão legal específica.

Teoria da Responsabilidade Subjetiva (Teoria Civilista): A teoria evoluiu e passou a permitir a


responsabilização do Estado sem a necessidade expressa de dicção legal. Mas, precisa comprovar alguns
elementos: conduta do Estado, dano, nexo de causalidade e elemento subjetivo (culpa ou dolo do agente).

Essa teoria torna difícil a realização do direito da vítima, pois era quase impossível a comprovação da culpa
do agente.

104
GAB. C

105
CARVALHO, Matheus. Direito Administrativo. 2021.

168
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Ciclos Método
Teoria da Culpa do Serviço ou Faute du Service: Aqui a vítima deveria comprovar apenas que o serviço foi
mal prestado ou prestado de forma irregular ou com atraso, sem necessariamente apontar o agente causador
do dano. É chamada de culpa anônima.

Teoria da Responsabilidade Objetiva: A melhor definição é dada por Celso Antônio Bandeira de Melo: a
responsabilidade objetiva é a obrigação de indenizar que incumbe a alguém em razão de um procedimento
licito ou ilícito que produziu uma lesão na esfera jurídica protegida de outrem.

São elementos da Teoria da Responsabilidade Objetiva:

 Conduta (licita ou ilícita)


 Danos
 Nexo de Causalidade.
O fundamento da responsabilidade por condutas lícitas é a isonomia.

O fundamento da responsabilidade por condutas ilícitas é a legalidade.

Responsabilidade na CF:

Art. 37 § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

#OLHAOGANCHO

Quando o particular prestador do serviço público ou entidade da Administração indireta causa o dano, por
conduta de seus agentes, a responsabilidade da concessionária (ou da Adm. Indireta) é objetiva e o Estado
tem responsabilidade subsidiária (e objetiva) por esta atuação.

#DEOLHONAJURIS O Estado responde, objetivamente, pelos atos dos tabeliães e registradores oficiais que,
no exercício de suas funções, causem dano a terceiros, assentado o dever de regresso contra o responsável,
nos casos de dolo ou culpa, sob pena de improbidade administrativa. O Estado possui responsabilidade civil
DIRETA, PRIMÁRIA E OBJETIVA pelos danos que notários e oficiais de registro, no exercício de serviço público
por delegação, causem a terceiros. STF. Plenário. RE 842846/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 27/2/2019
(repercussão geral) (Info 932).

TEORIA DO RISCO ADMINISTRATIVO TEORIA DO RISCO INTEGRAL

A atividade administrativa tem como finalidade O ente público é garantidor universal e, sendo assim,
alcançar o bem comum e trata-se de uma atividade a simples existência do dano e do nexo é suficiente
potencialmente danosa. Assim, surge a obrigação de para que surja a obrigação de indenizar.
reparar o dano pelo simples fato de o Estado assumir
o risco de exercer tal atividade. Ex. Dano decorrente de atividade nuclear.

Ex. Dano ao meio ambiente.

Admite as causas de excludentes de responsabilidade Não admite as causas de excludentes de


responsabilidade

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Ciclos Método

#OLHAOGANCHO
#AJUDAMARCINHO106

Qual é o tipo de responsabilidade civil aplicável nos casos de omissão do Estado? Se a Administração Pública
causa um dano ao particular em virtude de uma conduta omissa, a responsabilidade nesta hipótese também
será objetiva?
Existe intensa divergência sobre o tema:
Doutrina tradicional e STJ Jurisprudência do STF
Na doutrina, ainda hoje, a posição majoritária é a
Na jurisprudência do STF, contudo, tem ganhado
de que a responsabilidade civil do Estado em casoforça nos últimos anos o entendimento de que a
de atos omissivos é SUBJETIVA, baseada na teoria responsabilidade civil nestes casos também é
da culpa administrativa (culpa anônima). OBJETIVA. Isso porque o art. 37, § 6º da CF/88
determina a responsabilidade objetiva do Estado
sem fazer distinção se a conduta é comissiva (ação)
Assim, em caso de danos causados por omissão, o ou omissiva.
particular, para ser indenizado, deveria provar:
Não cabe ao intérprete estabelecer distinções onde
a) a omissão estatal; o texto constitucional não o fez.

b) o dano; Se a CF/88 previu a responsabilidade objetiva do


Estado, não pode o intérprete dizer que essa regra
c) o nexo causal; não vale para os casos de omissão.
d) a culpa administrativa (o serviço público não Dessa forma, a responsabilidade objetiva do Estado
funcionou, funcionou de forma tardia ou ineficiente). engloba tanto os atos comissivos como os omissivos,
desde que demonstrado o nexo causal entre o dano e
a omissão específica do Poder Público.
Esta é a posição que você encontra na maioria dos
Manuais de Direito Administrativo.
(...) A jurisprudência da Corte firmou-se no sentido de
que as pessoas jurídicas de direito público respondem
O STJ ainda possui entendimento majoritário no objetivamente pelos danos que causarem a terceiros,
sentido de que a responsabilidade seria subjetiva. com fundamento no art. 37, § 6º, da Constituição
Vide: STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1345620/RS, Rel. Federal, tanto por atos comissivos quanto por atos
Min. Assusete Magalhães, julgado em 24/11/2015. omissivos, desde que demonstrado o nexo causal
entre o dano e a omissão do Poder Público. (...)
STF. 2ª Turma. ARE 897890 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 22/09/2015.

106
Tabela retirado do site buscador do dizer o direito.

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Ciclos Método
No mesmo sentido: STF. 2ª Turma. RE 677283 AgR,
Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 17/04/2012.

Deve-se fazer, no entanto, uma advertência: para o STF, o Estado responde de forma objetiva pelas suas
omissões. No entanto, o nexo de causalidade entre essas omissões e os danos sofridos pelos particulares só
restará caracterizado quando o Poder Público tinha o dever legal específico de agir para impedir o evento danoso
e mesmo assim não cumpriu essa obrigação legal.
Assim, o Estado responde de forma objetiva pelas suas omissões, desde que ele tivesse obrigação
legal específica de agir para impedir que o resultado danoso ocorresse. A isso se chama de "omissão específica"
do Estado.
Dessa forma, para que haja responsabilidade civil no caso de omissão, deverá haver uma omissão específica do
Poder Público (STF. Plenário. RE 677139 AgR-EDv-AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 22/10/2015).

PRESCRIÇÃO

Há muita divergência sobre qual o prazo prescricional aplicável nas Ações Indenizatórias propostas em face do
Estado. Isso ocorreu, após o advento no novo CC/02.

De um lado temos o art. 1º do DECRETO 20910/32 e o art. 1º-C da LEI 9494/97, os quais determinam que a
prescrição para as ações de reparação civil contra o Estado ocorre em 5 anos. No CC/16, o prazo prescricional
era de 10 anos, então o decreto e a lei eram mais benéficos para o Estado.

No entanto, com o advento do CC/02, o prazo prescricional para as ações de reparação de danos passou a ser
de 03 anos. E aí a celeuma se instalou.

Boa parte da doutrina, jurisprudência e provas objetivas vem adotando o prazo de 5 anos previstos no Decreto
n. 20.910/32 e na Lei n. 9494/97, e o STJ explicou que caso seja a intenção do legislador alterar o prazo de
prescrição das ações de reparação civil contra a Fazenda Pública, deverá expor isso em legislação específica
sobre o tema, revogando as disposições anteriores.

O prazo prescricional das ações indenizatórias ajuizadas contra a Fazenda Pública é QUINQUENAL (Decreto n.
20.910/1932), tendo como termo a quo a data do ato ou fato do qual originou a lesão ao patrimônio material
ou imaterial. (Recurso Repetitivo - Tema 553)

FINANCEIRO

1. Lei de Orçamento (Lei nº 4.320/1964) 2 Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000)
3. Sigilo bancário (Lei Complementar nº 105/2001) . 4. Abertura de créditos e assunção de empréstimos
pela Administração pública

Fala galera! Sei que ninguém está muito animado para revisar direito financeiro. O edital não facilitou, colocou
algumas leis e nem especificou os temas. O que faremos? Vamos revisar os temas de maior incidência. Vocês

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Ciclos Método
não devem ser preocupar tanto com financeiro, já que a incidência de questões de financeiro, nas provas
passadas, é baixo. Vamos lá?

Caso não tenha tempo de rever tudo, procure pelas #APOSTACICLOS.

FINANCEIRO NA CONSTITUIÇÃO

De acordo com o artigo 24, incisos I e II, da Constituição Federal compete à União, ao Estado e ao Distrito Federal
legislar concorrentemente sobre direito financeiro e orçamento:

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:

I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; (Vide Lei nº 13.874, de 2019)

II - orçamento;

No que diz respeito aos Municípios, apesar de não terem sido contemplados no artigo 24 da CF, podem legislar
acerca de assuntos de interesse local, nos termos do art. 30, inciso I, da Constituição Federal. Apesar disso,
adverte Danilo Vieira Vilela “a maioria da doutrina entende que os municípios não possuem competência
concorrente com a União, Estados e Distrito Federal, já que não é possível a edição de legislação suplementar
municipal com conteúdo de normas gerais”107.

Harrison Leite, no entanto, entende que, através de uma interpretação sistemática, seria possível aos Munícipios
legislarem concorrentemente com a União sobre direito financeiro.

Art. 165 § 9º Cabe à lei complementar:

I - dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual,
da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual;

II - estabelecer normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta bem como
condições para a instituição e funcionamento de fundos;

III - dispor sobre critérios para a execução equitativa, além de procedimentos que serão adotados quando
houver impedimentos legais e técnicos, cumprimento de restos a pagar e limitação das programações de caráter
obrigatório, para a realização do disposto nos §§ 11 e 12 do art. 166 .

A lei n. 4320/64 foi recepcionada pela CF com status de lei complementar.

Ainda há a LC 101/00, que estabelece normas de finanças públicas voltadas para responsabilidade na gestão
fiscal.

Em caso de conflito entre ambas as leis, pelo princípio da cronologia, aplica-se a LC 101/00.

#APOSTACICLOS nas alterações recentes da CF. Já caiu da na prova DELTA PF. Vamos ler?

107
VILELA, Daniel Vieira. Direito Financeiro, 2018.

172
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Ciclos Método
Art. 166-A. As emendas individuais impositivas apresentadas ao projeto de lei orçamentária anual poderão
alocar recursos a Estados, ao Distrito Federal e a Municípios por meio de: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 105, de 2019)

I - transferência especial; ou (Incluído pela Emenda Constitucional nº 105, de 2019)

II - transferência com finalidade definida. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 105, de 2019)

§ 1º Os recursos transferidos na forma do caput deste artigo não integrarão a receita do Estado, do Distrito
Federal e dos Municípios para fins de repartição e para o cálculo dos limites da despesa com pessoal ativo e
inativo, nos termos do § 16 do art. 166, e de endividamento do ente federado, vedada, em qualquer caso, a
aplicação dos recursos a que se refere o caput deste artigo no pagamento de: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 105, de 2019)

I - despesas com pessoal e encargos sociais relativas a ativos e inativos, e com pensionistas; e (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 105, de 2019)

II - encargos referentes ao serviço da dívida. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 105, de 2019)

§ 2º Na transferência especial a que se refere o inciso I do caput deste artigo, os recursos: ((Incluído pela
Emenda Constitucional nº 105, de 2019)

I - serão repassados diretamente ao ente federado beneficiado, independentemente de celebração de convênio


ou de instrumento congênere; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 105, de 2019)

II - pertencerão ao ente federado no ato da efetiva transferência financeira; e (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 105, de 2019)

III - serão aplicadas em programações finalísticas das áreas de competência do Poder Executivo do ente federado
beneficiado, observado o disposto no § 5º deste artigo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 105, de
2019)

§ 3º O ente federado beneficiado da transferência especial a que se refere o inciso I do caput deste artigo poderá
firmar contratos de cooperação técnica para fins de subsidiar o acompanhamento da execução orçamentária na
aplicação dos recursos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 105, de 2019)

§ 4º Na transferência com finalidade definida a que se refere o inciso II do caput deste artigo, os recursos
serão: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 105, de 2019)

I - vinculados à programação estabelecida na emenda parlamentar; e (Incluído pela Emenda Constitucional


nº 105, de 2019)

II - aplicados nas áreas de competência constitucional da União. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
105, de 2019)

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
§ 5º Pelo menos 70% (setenta por cento) das transferências especiais de que trata o inciso I do caput deste
artigo deverão ser aplicadas em despesas de capital, observada a restrição a que se refere o inciso II do § 1º
deste artigo.

Art. 167-A. Apurado que, no período de 12 (doze) meses, a relação entre despesas correntes e receitas correntes
supera 95% (noventa e cinco por cento), no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, é facultado
aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e à Defensoria
Pública do ente, enquanto permanecer a situação, aplicar o mecanismo de ajuste fiscal de vedação
da: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

I - concessão, a qualquer título, de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração de membros


de Poder ou de órgão, de servidores e empregados públicos e de militares, exceto dos derivados de sentença
judicial transitada em julgado ou de determinação legal anterior ao início da aplicação das medidas de que trata
este artigo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

II - criação de cargo, emprego ou função que implique aumento de despesa; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 109, de 2021)

III - alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 109, de 2021)

IV - admissão ou contratação de pessoal, a qualquer título, ressalvadas: (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 109, de 2021)

a) as reposições de cargos de chefia e de direção que não acarretem aumento de despesa; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

b) as reposições decorrentes de vacâncias de cargos efetivos ou vitalícios; (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 109, de 2021)

c) as contratações temporárias de que trata o inciso IX do caput do art. 37 desta Constituição; e (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

d) as reposições de temporários para prestação de serviço militar e de alunos de órgãos de formação de


militares; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

V - realização de concurso público, exceto para as reposições de vacâncias previstas no inciso IV deste
caput; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

VI - criação ou majoração de auxílios, vantagens, bônus, abonos, verbas de representação ou benefícios de


qualquer natureza, inclusive os de cunho indenizatório, em favor de membros de Poder, do Ministério Público
ou da Defensoria Pública e de servidores e empregados públicos e de militares, ou ainda de seus dependentes,
exceto quando derivados de sentença judicial transitada em julgado ou de determinação legal anterior ao início
da aplicação das medidas de que trata este artigo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

VII - criação de despesa obrigatória; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

VIII - adoção de medida que implique reajuste de despesa obrigatória acima da variação da inflação, observada
a preservação do poder aquisitivo referida no inciso IV do caput do art. 7º desta Constituição; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

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IX - criação ou expansão de programas e linhas de financiamento, bem como remissão, renegociação ou
refinanciamento de dívidas que impliquem ampliação das despesas com subsídios e subvenções; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

X - concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária. (Incluído pela Emenda


Constitucional nº 109, de 2021)

§ 1º Apurado que a despesa corrente supera 85% (oitenta e cinco por cento) da receita corrente, sem exceder
o percentual mencionado no caput deste artigo, as medidas nele indicadas podem ser, no todo ou em parte,
implementadas por atos do Chefe do Poder Executivo com vigência imediata, facultado aos demais Poderes e
órgãos autônomos implementá-las em seus respectivos âmbitos. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
109, de 2021)

§ 2º O ato de que trata o § 1º deste artigo deve ser submetido, em regime de urgência, à apreciação do Poder
Legislativo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

§ 3º O ato perde a eficácia, reconhecida a validade dos atos praticados na sua vigência, quando: (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

I - rejeitado pelo Poder Legislativo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

II - transcorrido o prazo de 180 (cento e oitenta) dias sem que se ultime a sua apreciação; ou (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

III - apurado que não mais se verifica a hipótese prevista no § 1º deste artigo, mesmo após a sua aprovação pelo
Poder Legislativo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

§ 4º A apuração referida neste artigo deve ser realizada bimestralmente. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 109, de 2021)

§ 5º As disposições de que trata este artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

I - não constituem obrigação de pagamento futuro pelo ente da Federação ou direitos de outrem sobre o
erário; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

II - não revogam, dispensam ou suspendem o cumprimento de dispositivos constitucionais e legais que


disponham sobre metas fiscais ou limites máximos de despesas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109,
de 2021)

§ 6º Ocorrendo a hipótese de que trata o caput deste artigo, até que todas as medidas nele previstas tenham
sido adotadas por todos os Poderes e órgãos nele mencionados, de acordo com declaração do respectivo
Tribunal de Contas, é vedada: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

I - a concessão, por qualquer outro ente da Federação, de garantias ao ente envolvido; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 109, de 2021)

II - a tomada de operação de crédito por parte do ente envolvido com outro ente da Federação, diretamente ou
por intermédio de seus fundos, autarquias, fundações ou empresas estatais dependentes, ainda que sob a forma
de novação, refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente, ressalvados os financiamentos
destinados a projetos específicos celebrados na forma de operações típicas das agências financeiras oficiais de
fomento. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)

175
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PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS

O estudo dos princípios orçamentários é fundamental, pois eles fazem referências as normas de maior incidência
nas provas.

AQUI vai a #APOSTACICLOS!!!!

PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS

Legalidade ou Reserva Determina que as finanças sejam disciplinas por meio de lei em sentido formal,
Legal como é o caso da aprovação de orçamentos e autorização de créditos
suplementares.

Unidade Previsto no art. 2º da Lei 4320/64

O orçamento deve ser uno, devendo cada ente federativo elaborar apenas um
único orçamento. Evita-se inúmeros orçamentos no âmbito de uma mesma
pessoa jurídica.

O fato de a Constituição prever três suborçamentos: orçamento fiscal, de


investimentos e da seguridade social, não viola este princípio.

CF. Art. 165 § 5º A lei orçamentária anual compreenderá:

I - o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e


entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e
mantidas pelo Poder Público;

II - o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou


indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto;

III - o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos


a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e
fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público.

Universalidade ou De acordo com Harrison Leite (Direito Financeiro, 2015, p.75) a universalidade
Totalidade está ligada a ideia de o orçamento conter todas as receitas e todas as despesas
da Administração.

Orçamento-Bruto Todas as receitas e despesas constarão da lei de orçamento pelo seus totais,
vedadas deduções. Assim, os entes que repassam parte dos tributos para
outros entes, deverão fazer com que conste na lei orçamentária, a totalidade
do valor arrecadado, e não o valor líquido resultante após o repasse.

Art. 6º Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus


totais, vedadas quaisquer deduções.

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§ 1º As cotas de receitas que uma entidade pública deva transferir a outra
incluir-se-ão, como despesa, no orçamento da entidade obrigada a
transferência e, como receita, no orçamento da que as deva receber.

§ 2º Para cumprimento do disposto no parágrafo anterior, o cálculo das cotas


terá por base os dados apurados no balanço do exercício anterior aquele em
que se elaborar a proposta orçamentária do governo obrigado a transferência.

Anualidade ou De acordo com Danilo Vieira Vilela (Direito Financeiro, 2018, p.35) as leis
Periodicidade orçamentárias contam com vigência temporária, em razão de tratarem de
Orçamentária normas que estabelecem previsões, sujeitas, por sua vez, às oscilações das
despesas e receitas. Assim, o orçamento deve ter periodicidade anual,
correspondendo, atualmente, ao ano calendário. Veja o art. 34 da Lei 4320/64

Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o ano civil.

Anterioridade O orçamento deve ser aprovado antes do início do exercício financeiro, o que
nem sempre ocorre na prática.

Exclusividade O orçamento não poderá conter dispositivo estranho à previsão de receita e à


fixação de despesa, salvo exceções previstas no próprio texto constitucional e
no art. 7º da lei 4320/64.

§ 8º A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da


receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para
abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito,
ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei.

Especialização, É a impossibilidade de dotação global. Ou seja, a Lei de Orçamento deve prever


Especificação ou uma discriminação da despesa, de forma detalhada e precisa, contribuindo
Discriminação para melhor fiscalização do orçamento público.

LC101/00. Art. 5º § 4º É vedado consignar na lei orçamentária crédito com


finalidade imprecisa ou com dotação ilimitada.

Exceções em que são admitidas dotações globais:

Lei. 4320/64. Art. 20. Os investimentos serão discriminados na Lei de


Orçamento segundo os projetos de obras e de outras aplicações.

Parágrafo único. Os programas especiais de trabalho que, por sua natureza, não
possam cumprir-se subordinadamente às normas gerais de execução da
despesa poderão ser custeadas por dotações globais, classificadas entre as
Despesas de Capital.

LC 101/00. Art. 5º O projeto de lei orçamentária anual, elaborado de forma


compatível com o plano plurianual, com a lei de diretrizes orçamentárias e com
as normas desta Lei Complementar:

177
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Ciclos Método
III - conterá reserva de contingência, cuja forma de utilização e montante,
definido com base na receita corrente líquida, serão estabelecidos na lei de
diretrizes orçamentárias, destinada ao:

b) atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais


imprevistos.

Princípio da Não-Afetação Não pode ser criado imposto cuja receita seja vinculada a um fim específico,
previamente estabelecido em lei.

CF. Art. 167. São vedados: IV - a vinculação de receita de impostos a órgão,


fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos
impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as
ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do
ensino e para realização de atividades da administração tributária, como
determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e 37, XXII, e a
prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita,
previstas no art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º deste
artigo; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)108

Princípio da Proibição do Veda-se a realocação dos recursos orçamentários de uma categoria da


Estorno de Verbas programação para outra ou de um órgão para outro, sem prévia autorização do
Poder Legislativo.

Art. 167. São vedados:

VI - a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma


categoria de programação para outra ou de um órgão para outro, sem prévia
autorização legislativa;

VIII - a utilização, sem autorização legislativa específica, de recursos dos


orçamentos fiscal e da seguridade social para suprir necessidade ou cobrir
déficit de empresas, fundações e fundos, inclusive dos mencionados no art.
165, § 5º;

Exceção:

#DESPENCAEMCONCURSOS

§ 5º A transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma


categoria de programação para outra poderão ser admitidos, no âmbito das
atividades de ciência, tecnologia e inovação, com o objetivo de viabilizar os
resultados de projetos restritos a essas funções, mediante ato do Poder
Executivo, sem necessidade da prévia autorização legislativa prevista no inciso
VI deste artigo.

108
Leia as exceções: 1 – Art. 158 e 159 da CF; Art. 212 da CF; Art. 167 § 8º da CF; Art. 198 §2º da CF; Art. 37, inciso XXII;
Art. 167 § 4º da CF; Art. 204, p. único da CF; Art. 216 §6º da CF.

178
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Princípio do Equilíbrio As despesas não podem ser superiores às receitas.
Orçamentário
Art. 167. São vedados: III - a realização de operações de créditos que excedam
o montante das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante
créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovados pelo
Poder Legislativo por maioria absoluta;

Princípio da Programação É a aplicação de forma racional dos recursos públicos, assim o orçamento
deverá ter forma e conteúdo de programação, ou seja, estar relacionado com
as metas e programas de governo.

Princípio da Unidade de De acordo com Harrison Leite, todo o recurso carreado ao erário, de caráter
Tesouraria ou Unidade de originário ou derivado, ordinário ou extraordinário deve ser alocado em única
Caixa conta, com o fim de facilitar a gerencia dos recursos.

Art. 164 § 3º As disponibilidades de caixa da União serão depositadas no banco


central; as dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou
entidades do Poder Público e das empresas por ele controladas, em instituições
financeiras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei.

Lei 4320/64. Art. 56. O recolhimento de todas receitas far-se-á em estrita


observância ao princípio de unidade de tesouraria, vedada qualquer
fragmentação para criação de caixas especiais.

Princípio da Transparência Previsto no art. 37 da Constituição Federal.


ou Publicidade
CF. Art. 162. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios divulgarão,
até o último dia do mês subsequente ao da arrecadação, os montantes de cada
um dos tributos arrecadados, os recursos recebidos, os valores de origem
tributária entregues e a entregar e a expressão numérica dos critérios de rateio.

Parágrafo único. Os dados divulgados pela União serão discriminados por


Estado e por Município; os dos Estados, por Município.

LC 101/00.

Art. 48. São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será dada
ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os planos,
orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as prestações de contas e o
respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução Orçamentária e
o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas desses documentos.

§ 1º A transparência será assegurada também mediante:

I – incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante


os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes
orçamentárias e orçamentos;

179
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
II - liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em
tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e
financeira, em meios eletrônicos de acesso público; e

III – adoção de sistema integrado de administração financeira e controle, que


atenda a padrão mínimo de qualidade estabelecido pelo Poder Executivo da
União e ao disposto no art. 48-A.

§ 2º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios disponibilizarão


suas informações e dados contábeis, orçamentários e fiscais conforme
periodicidade, formato e sistema estabelecidos pelo órgão central de
contabilidade da União, os quais deverão ser divulgados em meio eletrônico de
amplo acesso público.

§ 3º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios encaminharão ao Ministério


da Fazenda, nos termos e na periodicidade a serem definidos em instrução
específica deste órgão, as informações necessárias para a constituição do
registro eletrônico centralizado e atualizado das dívidas públicas interna e
externa, de que trata o § 4o do art. 32.

§ 4º A inobservância do disposto nos §§ 2o e 3o ensejará as penalidades


previstas no § 2o do art. 51.

Art. 49. As contas apresentadas pelo Chefe do Poder Executivo ficarão


disponíveis, durante todo o exercício, no respectivo Poder Legislativo e no
órgão técnico responsável pela sua elaboração, para consulta e apreciação
pelos cidadãos e instituições da sociedade.

Parágrafo único. A prestação de contas da União conterá demonstrativos do


Tesouro Nacional e das agências financeiras oficiais de fomento, incluído o
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, especificando os
empréstimos e financiamentos concedidos com recursos oriundos dos
orçamentos fiscal e da seguridade social e, no caso das agências financeiras,
avaliação circunstanciada do impacto fiscal de suas atividades no exercício.

Leis Orçamentárias

Pessoal! O conhecimento de cada uma dessas leis orçamentários é #APOSTACICLOS.

Plano Plurianual Lei de Diretrizes Orçamentárias Orçamento Anual

Deve estabelecer de forma Está focada nas ações de médio A lei orçamentária anual conterá a
regionalizada as diretrizes, prazo, ou seja, tudo aquilo que seja discriminação de receita e despesa
objetivos e metas da imprescindível para o exercício de forma a evidenciar a política
administração pública federal para subsequente. econômica financeira e o
as despesas de capital e para as programa de trabalho do Governo,
relativas a programas de duração obedecidos os princípios da
continuada.

180
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
unidade, universalidade e
anualidade.

Tem vigência de 4 anos A lei de diretrizes orçamentárias Essa Lei conta com elevado nível
compreenderá as metas e de concreção.
prioridades da administração
pública federal, estabelecerá as
diretrizes de política fiscal e
respectivas metas, em
consonância com trajetória
sustentável da dívida pública,
orientará a elaboração da lei
orçamentária anual, disporá sobre
as alterações na legislação
tributária e estabelecerá a política
de aplicação das agências
financeiras oficiais de fomento.

Os planos e programas nacionais, Art. 169. A despesa com pessoal A LOA contará com orçamento
regionais e setoriais previstos ativo e inativo e pensionistas da fiscal, orçamento de investimento
nesta Constituição serão União, dos Estados, do Distrito e orçamento de seguridade social.
elaborados em consonância com o Federal e dos Municípios não pode
plano plurianual e apreciados pelo exceder os limites estabelecidos #CASCADEBANANA: a Banca
Congresso Nacional. em lei complementar. sempre troca os conceitos.

§ 1º A concessão de qualquer § 5º A lei orçamentária anual


vantagem ou aumento de compreenderá:
remuneração, a criação de cargos,
I - o orçamento fiscal referente aos
empregos e funções ou alteração
Poderes da União, seus fundos,
de estrutura de carreiras, bem
órgãos e entidades da
como a admissão ou contratação
administração direta e indireta,
de pessoal, a qualquer título, pelos
inclusive fundações instituídas e
órgãos e entidades da
mantidas pelo Poder Público;
administração direta ou indireta,
inclusive fundações instituídas e II - o orçamento de investimento
mantidas pelo poder público, só das empresas em que a União,
poderão ser feitas: direta ou indiretamente, detenha
a maioria do capital social com
I - se houver prévia dotação
direito a voto;
orçamentária suficiente para
atender às projeções de despesa III - o orçamento da seguridade
de pessoal e aos acréscimos dela social, abrangendo todas as
decorrentes; entidades e órgãos a ela
vinculados, da administração
II - se houver autorização
direta ou indireta, bem como os
específica na lei de diretrizes
fundos e fundações instituídos e
orçamentárias, ressalvadas as
mantidos pelo Poder Público.
empresas públicas e as sociedades
de economia mista.

181
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
#FICADEOLHO

§ 7º Os orçamentos previstos no §
5º, I e II (orçamento fiscal e de
investimento) deste artigo,
compatibilizados com o plano
plurianual, terão entre suas
funções a de reduzir desigualdades
inter-regionais, segundo critério
populacional..

Nenhum investimento cuja O Artigo 4º da LC 101 determinou


execução ultrapasse um exercício que a LDO disporá sobre
financeiro poderá ser iniciado sem
prévia inclusão no plano a) equilíbrio entre receitas e
plurianual, ou sem lei que autorize despesas;
a inclusão, sob pena de crime de
b) critérios e forma de limitação de
responsabilidade.
empenho, a ser efetivada nas
hipóteses previstas na alínea b do
inciso II deste artigo, no art. 9º e
no inciso II do § 1º do art. 31;

alíneas “c” e “d” vetadas.

e) normas relativas ao controle de


custos e à avaliação dos resultados
dos programas financiados com
recursos dos orçamentos;

f) demais condições e exigências


para transferências de recursos a
entidades públicas e privadas;

Previsão Constitucional: A lei de Responsabilidade Fiscal


determinou a elaboração de dois
Art. 165 anexos: Anexos de Metas Fiscais
e Riscos Fiscais:
§ 1º A lei que instituir o plano
plurianual estabelecerá, de forma Integrará o projeto de lei de
regionalizada, as diretrizes, diretrizes orçamentárias Anexo de
objetivos e metas da Metas Fiscais, em que serão
administração pública federal para estabelecidas metas anuais, em
as despesas de capital e outras valores correntes e constantes,
delas decorrentes e para as relativas a receitas, despesas,
relativas aos programas de resultados nominal e primário e
duração continuada. montante da dívida pública, para

182
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
o exercício a que se referirem e
para os dois seguintes.

A lei de diretrizes orçamentárias


conterá Anexo de Riscos Fiscais,
onde serão avaliados os passivos
contingentes e outros riscos
capazes de afetar as contas
públicas, informando as
providências a serem tomadas,
caso se concretizem.

PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA:

Iniciativa: Chefe do Poder Executivo

- Caso haja omissão: poderá responder por crime de responsabilidade (art. 85, inciso VI, da CF).

#LEITURADALEI

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:

XXIII - enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as
propostas de orçamento previstos nesta Constituição;

Poder Executivo de cada ente colocará à disposição dos demais Poderes e do Ministério Público, no mínimo
trinta dias antes do prazo final para encaminhamento de suas propostas orçamentárias, os estudos e as
estimativas das receitas para o exercício subsequente, inclusive da corrente líquida, e as respectivas memórias
de cálculo.

Isso significa que para a elaboração da proposta orçamentária, cada Unidade Gestora elaborará sua demanda
individual, que será, a seguir, consolidada em um único projeto que será submetido ao Poder Legislativo.
Assim, o Executivo disponibiliza, trinta dias antes do prazo final os estudos e as estimativas para o exercício
subsequente.

O art. 99 da CF regulamenta como o Judiciário elaborará sua proposta orçamentária:

Art. 99. Ao Poder Judiciário é assegurada autonomia administrativa e financeira.

§ 1º Os tribunais elaborarão suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com
os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias.

§ 2º O encaminhamento da proposta, ouvidos os outros tribunais interessados, compete:

I - no âmbito da União, aos Presidentes do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, com a
aprovação dos respectivos tribunais;

183
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
II - no âmbito dos Estados e no do Distrito Federal e Territórios, aos Presidentes dos Tribunais de Justiça, com
a aprovação dos respectivos tribunais

E o art. 127 § 2º ao 6º da CF regulamenta como será a elaboração da proposta orçamentária do MP

§ 2º Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa, podendo, observado o disposto


no art. 169, propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares, provendo-os
por concurso público de provas ou de provas e títulos, a política remuneratória e os planos de carreira; a lei
disporá sobre sua organização e funcionamento. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)

§ 3º O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de
diretrizes orçamentárias.

§ 4º Se o Ministério Público não encaminhar a respectiva proposta orçamentária dentro do prazo estabelecido
na lei de diretrizes orçamentárias, o Poder Executivo considerará, para fins de consolidação da proposta
orçamentária anual, os valores aprovados na lei orçamentária vigente, ajustados de acordo com os limites
estipulados na forma do § 3º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 5º Se a proposta orçamentária de que trata este artigo for encaminhada em desacordo com os limites
estipulados na forma do § 3º, o Poder Executivo procederá aos ajustes necessários para fins de consolidação
da proposta orçamentária anual. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

§ 6º Durante a execução orçamentária do exercício, não poderá haver a realização de despesas ou a assunção
de obrigações que extrapolem os limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias, exceto se
previamente autorizadas, mediante a abertura de créditos suplementares ou especiais. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

O mesmo ocorre com a DPE, previsão nos artigos 134, § 2º da CF:

§ 2º Às Defensorias Públicas Estaduais são asseguradas autonomia funcional e administrativa e a iniciativa de


sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias e subordinação
ao disposto no art. 99, § 2º.

Depois, o Executivo apresenta a proposta ao Legislativo.

No âmbito Federal, a CF previu a criação de uma Comissão Mista de Senadores:

Art. 166. Os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e
aos créditos adicionais serão apreciados pelas duas Casas do Congresso Nacional, na forma do regimento
comum.

§ 1º Caberá a uma Comissão mista permanente de Senadores e Deputados:

I - examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos neste artigo e sobre as contas apresentadas
anualmente pelo Presidente da República;

II - examinar e emitir parecer sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta
Constituição e exercer o acompanhamento e a fiscalização orçamentária, sem prejuízo da atuação das demais
comissões do Congresso Nacional e de suas Casas, criadas de acordo com o art. 58.

184
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

E emendas podem ser apresentadas?

Art. 166 § 2º As emendas serão apresentadas na Comissão mista, que sobre elas emitirá parecer, e apreciadas,
na forma regimental, pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional.

§ 3º As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem
ser aprovadas caso:

I - sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias;

II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas


as que incidam sobre:

#FIQUEDEOLHO

a) dotações para pessoal e seus encargos;

b) serviço da dívida;

c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal; ou

III - sejam relacionadas:

a) com a correção de erros ou omissões; ou

b) com os dispositivos do texto do projeto de lei.

§ 4º As emendas ao projeto de lei de diretrizes orçamentárias não poderão ser aprovadas quando
incompatíveis com o plano plurianual.

Após o recebimento de parecer favorável da CMO, os projetos de PPA, LDO e LOA serão enviados ao Plenário
das duas Casas do Congresso Nacional para apreciação, na forma do Regimento Comum, em sessão conjunta.
Aprovado o projeto será encaminhado para a sanção do Executivo, na forma do art. 66, caput da CF. 109

A partir da sua publicação, a Lei orçamentária anula entra em vigor e passa a ser executada a partir de 1º de
janeiro, autorizando o Executivo a gastar os recursos nela aprovados.

RECEITAS PÚBLICAS NA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL

#APOSTACICLOS.

Novamente, vou trazer os artigos com maior incidência nas provas para Promotor de Justiça.

109
VILELA, Danilo Vieira. Direito Financeiro.

185
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Conceito de Receita Corrente Líquida – Art. 2º, inciso IV da LRF.

Art. 2º, inciso IV - receita corrente líquida: somatório das receitas tributárias, de contribuições, patrimoniais,
industriais, agropecuárias, de serviços, transferências correntes e outras receitas também correntes, deduzidos:

a) na União, os valores transferidos aos Estados e Municípios por determinação constitucional ou legal, e as
contribuições mencionadas na alínea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituição;

b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios por determinação constitucional;

c) na União, nos Estados e nos Municípios, a contribuição dos servidores para o custeio do seu sistema de
previdência e assistência social e as receitas provenientes da compensação financeira citada no § 9º do art. 201
da Constituição.

§ 1º Serão computados no cálculo da receita corrente líquida os valores pagos e recebidos em decorrência da Lei
Complementar n. 87, de 13 de setembro de 1996, e do fundo previsto pelo art. 60 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias.

§ 2º Não serão considerados na receita corrente líquida do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e de Roraima
os recursos recebidos da União para atendimento das despesas de que trata o inciso V do § 1º do art. 19.

§ 3º A receita corrente líquida será apurada somando-se as receitas arrecadadas no mês em referência e nos
onze anteriores, excluídas as duplicidades.

RENÚNCIA DE RECEITAS E INCENTIVOS FISCAIS

O objetivo dessas regras é a manutenção do equilíbrio fiscal, buscando evitar condutas irresponsáveis e
eleitoreiras.

Assim, a renúncia de receita deverá obrigatoriamente de acordo com o art. 14 da LRF:

Esse artigo despenca em provas. #OLHOVIVO

#APOSTACICLOS

Art. 14. A concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária da qual decorra renúncia de
receita deverá estar acompanhada de estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que
deva iniciar sua vigência e NOS DOIS SEGUINTES, atender ao disposto na lei de diretrizes orçamentárias e a pelo
menos uma das seguintes condições:

I - demonstração pelo proponente de que a renúncia foi considerada na estimativa de receita da lei
orçamentária, na forma do art. 12, e de que não afetará as metas de resultados fiscais previstas no anexo
próprio da lei de diretrizes orçamentárias;

II - estar acompanhada de medidas de compensação, no período mencionado no caput, por meio do aumento
de receita, proveniente da elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de
tributo ou contribuição.

§ 1º A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter
não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de
tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado.

186
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
§ 2º Se o ato de concessão ou ampliação do incentivo ou benefício de que trata o caput deste artigo decorrer
da condição contida no inciso II, o benefício só entrará em vigor quando implementadas as medidas referidas
no mencionado inciso.

§ 3º O disposto neste artigo não se aplica:

I - às alterações das alíquotas dos impostos previstos nos incisos I, II, IV e V do art. 153 da Constituição, na forma
do seu § 1º;

II - ao cancelamento de débito cujo montante seja inferior ao dos respectivos custos de cobrança.

Limite de Gastos

Pessoal! O Art. 19 é de suma importância:

#APOSTACICLOS

Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em cada
período de apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente
líquida, a seguir discriminados:

I - União: 50% (cinquenta por cento);

II - Estados: 60% (sessenta por cento);

III - Municípios: 60% (sessenta por cento).

§ 1º Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, não serão computadas as despesas:

I - de indenização por demissão de servidores ou empregados;

II - relativas a incentivos à demissão voluntária;

III - derivadas da aplicação do disposto no inciso II do § 6º do art. 57 da Constituição;

IV - decorrentes de decisão judicial e da competência de período anterior ao da apuração a que se refere o §


2º do art. 18;

V - com pessoal, do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e Roraima, custeadas com recursos transferidos
pela União na forma dos incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e do art. 31 da Emenda Constitucional no 19;

VI - com inativos, ainda que por intermédio de fundo específico, custeadas por recursos provenientes:

VI - com inativos e pensionistas, ainda que pagas por intermédio de unidade gestora única ou fundo previsto
no art. 249 da Constituição Federal, quanto à parcela custeada por recursos provenientes: (Redação dada
pela Lei Complementar nº 178, de 2021)

a) da arrecadação de contribuições dos segurados;

b) da compensação financeira de que trata o § 9º do art. 201 da Constituição;

c) das demais receitas diretamente arrecadadas por fundo vinculado a tal finalidade, inclusive o produto da
alienação de bens, direitos e ativos, bem como seu superávit financeiro.

187
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
c) de transferências destinadas a promover o equilíbrio atuarial do regime de previdência, na forma definida
pelo órgão do Poder Executivo federal responsável pela orientação, pela supervisão e pelo acompanhamento
dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos. (Redação dada pela Lei Complementar
nº 178, de 2021)

§ 2º Observado o disposto no inciso IV do § 1o, as despesas com pessoal decorrentes de sentenças judiciais
serão incluídas no limite do respectivo Poder ou órgão referido no art. 20.

§ 3º Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, é vedada a dedução da parcela custeada
com recursos aportados para a cobertura do déficit financeiro dos regimes de previdência.

CONTROLE DE GASTOS COM PESSOAL

#APOSTACICLOS

Art. 21. É nulo de pleno direito: (Redação dada pela Lei Complementar nº 173, de 2020)

I - o ato que provoque aumento da despesa com pessoal e não atenda:

a) às exigências dos arts. 16 e 17 desta Lei Complementar e o disposto no inciso XIII do caput do art. 37 e no §
1º do art. 169 da Constituição Federal; e (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de 2020)

b) ao limite legal de comprometimento aplicado às despesas com pessoal inativo; (Incluído pela Lei
Complementar nº 173, de 2020)

II - o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores ao final do
mandato do titular de Poder ou órgão referido no art. 20; (Redação dada pela Lei Complementar nº 173, de
2020)

III - o ato de que resulte aumento da despesa com pessoal que preveja parcelas a serem implementadas em
períodos posteriores ao final do mandato do titular de Poder ou órgão referido no art. 20; (Incluído pela Lei
Complementar nº 173, de 2020)

IV - a aprovação, a edição ou a sanção, por Chefe do Poder Executivo, por Presidente e demais membros da
Mesa ou órgão decisório equivalente do Poder Legislativo, por Presidente de Tribunal do Poder Judiciário e pelo
Chefe do Ministério Público, da União e dos Estados, de norma legal contendo plano de alteração, reajuste e
reestruturação de carreiras do setor público, ou a edição de ato, por esses agentes, para nomeação de
aprovados em concurso público, quando: (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de 2020)

a) resultar em aumento da despesa com pessoal nos 180 (cento e oitenta) dias anteriores ao final do mandato
do titular do Poder Executivo; ou (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de 2020)

b) resultar em aumento da despesa com pessoal que preveja parcelas a serem implementadas em períodos
posteriores ao final do mandato do titular do Poder Executivo. (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de
2020)

§ 1º As restrições de que tratam os incisos II, III e IV: (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de 2020)

188
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
I - devem ser aplicadas inclusive durante o período de recondução ou reeleição para o cargo de titular do Poder
ou órgão autônomo; e (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de 2020)

II - aplicam-se somente aos titulares ocupantes de cargo eletivo dos Poderes referidos no art. 20. (Incluído
pela Lei Complementar nº 173, de 2020)

§ 2º Para fins do disposto neste artigo, serão considerados atos de nomeação ou de provimento de cargo
público aqueles referidos no § 1º do art. 169 da Constituição Federal ou aqueles que, de qualquer modo,
acarretem a criação ou o aumento de despesa obrigatória. (Incluído pela Lei Complementar nº 173, de 2020)

Art. 22. A verificação do cumprimento dos limites estabelecidos nos arts. 19 e 20 será realizada ao final de cada
quadrimestre.

Parágrafo único. Se a despesa total com pessoal exceder a 95% (noventa e cinco por cento) do limite, são
vedados ao Poder ou órgão referido no art. 20 que houver incorrido no excesso:

I - concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração a qualquer título, salvo os


derivados de sentença judicial ou de determinação legal ou contratual, ressalvada a revisão prevista no inciso X
do art. 37 da Constituição;

II - criação de cargo, emprego ou função;

III - alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa;

IV - provimento de cargo público, admissão ou contratação de pessoal a qualquer título, ressalvada a reposição
decorrente de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de educação, saúde e segurança;

V - contratação de hora extra, salvo no caso do disposto no inciso II do § 6º do art. 57 da Constituição e as


situações previstas na lei de diretrizes orçamentárias.

Art. 23. Se a despesa total com pessoal, do Poder ou órgão referido no art. 20, ultrapassar os limites definidos
no mesmo artigo, sem prejuízo das medidas previstas no art. 22, o percentual excedente terá de ser eliminado
nos dois quadrimestres seguintes, sendo pelo menos um terço no primeiro, adotando-se, entre outras, as
providências previstas nos §§ 3º e 4º do art. 169 da Constituição.

§ 1º No caso do inciso I do § 3º do art. 169 da Constituição, o objetivo poderá ser alcançado tanto pela extinção
de cargos e funções quanto pela redução dos valores a eles atribuídos. (Vide ADIN 2.238-5)

§ 2º É facultada a redução temporária da jornada de trabalho com adequação dos vencimentos à nova carga
horária. (Vide ADIN 2.238-5) – olhar a explicação a seguir sobre a constitucionalidade deste dispositivo.

§ 3º Não alcançada a redução no prazo estabelecido, e enquanto perdurar o excesso, o ente não poderá:

§ 3º Não alcançada a redução no prazo estabelecido e enquanto perdurar o excesso, o Poder ou órgão referido
no art. 20 não poderá: (Redação dada pela Lei Complementar nº 178, de 2021)

I - receber transferências voluntárias;

II - obter garantia, direta ou indireta, de outro ente;

III - contratar operações de crédito, ressalvadas as destinadas ao refinanciamento da dívida mobiliária e as que
visem à redução das despesas com pessoal.

189
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
III - contratar operações de crédito, ressalvadas as destinadas ao pagamento da dívida mobiliária e as que visem
à redução das despesas com pessoal. (Redação dada pela Lei Complementar nº 178, de 2021)

§ 4º As restrições do § 3o aplicam-se imediatamente se a despesa total com pessoal exceder o limite no primeiro
quadrimestre do último ano do mandato dos titulares de Poder ou órgão referidos no art. 20.

§ 5º As restrições previstas no § 3º deste artigo não se aplicam ao Município em caso de queda de receita real
superior a 10% (dez por cento), em comparação ao correspondente quadrimestre do exercício financeiro
anterior, devido a: (Incluído pela Lei Complementar nº 164, de 2018)

I – diminuição das transferências recebidas do Fundo de Participação dos Municípios decorrente de concessão
de isenções tributárias pela União; e (Incluído pela Lei Complementar nº 164, de 2018)

II – diminuição das receitas recebidas de royalties e participações especiais. (Incluído pela Lei
Complementar nº 164, de 2018)

§ 6º O disposto no § 5º deste artigo só se aplica caso a despesa total com pessoal do quadrimestre vigente não
ultrapasse o limite percentual previsto no art. 19 desta Lei Complementar, considerada, para este cálculo, a
receita corrente líquida do quadrimestre correspondente do ano anterior atualizada
monetariamente. (Incluído pela Lei Complementar nº 164, de 2018)

SIGILO BANCÁRIO E ACESSO DE DADOS PELO FISCO

As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios podem
requisitar diretamente das instituições financeiras informações sobre as movimentações bancárias dos
contribuintes. Esta possibilidade encontra-se prevista no art. 6º da LC 105/2001, que foi considerada
constitucional pelo STF. Isso porque esta previsão não se caracteriza como "quebra" de sigilo bancário,
ocorrendo apenas a “transferência de sigilo” dos bancos ao Fisco. Vale ressaltar que os Estados-Membros e os
Municípios somente podem obter as informações previstas no art. 6º da LC 105/2001, uma vez regulamentada
a matéria de forma análoga ao Decreto Federal nº 3.724/2001, observados os seguintes parâmetros: a)
pertinência temática entre a obtenção das informações bancárias e o tributo objeto de cobrança no
procedimento administrativo instaurado; b) prévia notificação do contribuinte quanto à instauração do processo
e a todos os demais atos, garantido o mais amplo acesso do contribuinte aos autos, permitindo-lhe tirar cópias,
não apenas de documentos, mas também de decisões; c) sujeição do pedido de acesso a um superior
hierárquico; d) existência de sistemas eletrônicos de segurança que fossem certificados e com o registro de
acesso; e, finalmente, e) estabelecimento de mecanismos efetivos de apuração e correção de desvios. A Receita
Federal, atualmente, já pode requisitar tais informações bancárias porque possui esse regulamento. Trata-se
justamente do Decreto 3.724/2001 acima mencionada, que regulamenta o art. 6º da LC 105/2001. O art. 5º da
LC 105/2001, que permite obrigar as instituições financeiras a informarem periodicamente à Receita Federal as
operações financeiras realizadas acima de determinado valor, também é considerado constitucional. STF.
Plenário. ADI 2390/DF, ADI 2386/DF, ADI 2397/DF e ADI 2859/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgados em 24/2/2016
(Info 815). STF. Plenário. RE 601314/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/2/2016 (repercussão geral) (Info
815).

#JÁCAIU

#MPMG

190
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
A Lei n° 4.320/64, ainda sob a vigência da Constituição da República de 1946, estabeleceu regras sobre
orçamento e sua execução pelo poder público. A Constituição da República de 1988 recepcionou a legislação
anterior naquilo que era materialmente compatível. No entanto, o tratamento constitucional dado às leis
orçamentárias promoveu profundas alterações no sistema jurídico criado pela legislação anterior, em especial
dispondo sobre as três modalidades distintas de leis orçamentárias.110

Sobre o novel tratamento constitucional dado à Lei n° 4.320/64, aponte a alternativa incorreta:

A)No âmbito federal, o plano plurianual deverá ser apresentado por iniciativa do Chefe do Poder Executivo
Federal e estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública da
União, Estados, Municípios e Distrito Federal, para as despesas de capital e outras dela decorrentes e para as
relativas aos programas de duração continuada.

B)A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública, incluindo
as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orçamentária
anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências
financeiras oficiais de fomento.

C)A lei orçamentária anual aprovada pelas duas casas do Congresso Nacional compreenderá, dentre outros,
o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta
e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público.

D)É obrigatória a execução orçamentária e financeira das emendas parlamentares individuais, em percentual
definido pela Constituição da República, sendo a metade desse montante destinada a ações e serviços
públicos de saúde.

DIREITO TRIBUTÁRIO.
Pessoal, aqui selecionei os pontos que são a cara da Banca Examinadora, ok? Vocês não teriam tempo de ler,
caso optasse por fazer um NFPSS de todos os pontos. Vamos fazer um estudo de revisão inteligente, ok?

Ah, vocês vão me dizer, mas você fez de constitucional e administrativo. Sim, mas essas matérias são de maior
incidência na provas de vocês. Das 15 questões desse primeiro bloco, teremos pelo menos 5 de administrativo
e 5 constitucional, as outras 5 serão divididas entre tributário, eleitoral, financeiro (lembrando que não sabemos
como será a distribuição exata de questões, e também teremos nesse grupo, direito institucional).

Do mesmo modo, caso não tenham tempo de ler tudo, procurem pela #APOSTACICLOS.

3. Princípios constitucionais tributários 4. Imunidades tributárias 6. Limitações constitucionais ao poder de


tributar: natureza jurídica. Legalidade. Irretroatividade. Anterioridade. Isonomia. Princípio do não-confisco
5. Competência tributária.7. Legislação tributária: conteúdo, vigência, aplicação, interpretação e
integração. Tratados. Convênios. Resoluções do Senado. Atos normativos infralegais.

Escolhi esses primeiros pontos, não tanto em razão da BANCA EXAMINADORA, mas porque é o conhecimento
básico de direito Tributário.

110
GAB. A

191
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Vamos lá?

Princípios da Tributação. Limites ao Poder de Tributar.

O Direito Tributário é um ramo do direito público e refere-se à relação de crédito e débito estabelecida entre o
ente tributante (pessoa jurídica de direito público interno) e o contribuinte (pessoa física ou jurídica). É uma
relação que permite ao Fisco adentrar de maneira compulsória no patrimônio do devedor para obter os valores
devidos.

No entanto, nos artigos 150 a 152 da Constituição Federal, encontram-se os impositores de limites ao poder de
tributar:

 Princípio da legalidade
 Princípio da Isonomia
 Princípio da Irretroatividade
 Princípio da Anterioridade
 Proibição do Confisco
 Liberdade de Tráfego
 Imunidades.

Vamos conhecer um pouco de cada um deles, e focar nas exceções (#DESPENCAEMPROVAS).

Princípio da Legalidade Tributária.

Está presente no art. 150, inciso I, da Constituição Federal e no art. 97 do CTN.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios:

I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

Assim, os entes tributantes só podem criar ou aumentar tributo através de lei. Adverte Eduardo Sabbag111
que tal princípio deve ser assimilado conjuntamente com o princípio da legalidade genérica, previsto no art.
5.º, II, da CF. Por regra, a lei adequada para instituir tributo é a lei ordinária. Nessa medida, quem cria tributos
é o Poder Legislativo, não cabendo ao Poder Executivo o mister legiferante.

A regra para instituir tributo é a lei ordinária, no entanto, existem alguns tributos que devem ser criados por
lei complementar:

#Tabelalovers

DEVEM SER CRIADOS POR LEI COMPLEMENTAR


Impostos sobre Grande Fortunas – Art. 153, VIII da CF.
Empréstimos Compulsórios – Art. 148 da CF.

111
SABBAG, EDUARDO. Direito Tributário Essencial, 2020, p. 30
192
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Impostos Residuais – Art. 154, I da CF.
Contribuições social-previdenciárias novas ou residuais – Art. 195 §4º, da CF c/c Art. 154, inciso I da CF.

#EXAMINADORAMA A regra é bem clara, mas as Bancas Examinadoras tem paixão pelas exceções ao princípio
da legalidade. São considerados “exceções” ao princípio da legalidade tributária:

 Imposto de Importação;
 Imposto de Exportação;
 IPI;
 IOF.

Na verdade, não há uma exceção no sentido literal da palavra, mas apenas uma mitigação que possibilita a
majoração ou redução das alíquotas por ato do Poder Executivo (Decreto Presidencial ou Portaria do Poder
Executivo). A necessidade dessa mitigação existe em razão do caráter extrafiscal desses impostos, já que
possuem função regulatória.

Do mesmo modo, a EC n.º 33/2001112 trouxe mais dois exemplos de exceções ao princípio da legalidade. Note:

CIDE – Combustível, conforme o art. 149, § 2.º , II, c/c art. 177, § 4.º , I, b, parte inicial, ambos da CF: o Poder
Executivo Federal poderá reduzir e reestabelecer as alíquotas do tributo por meio de ato próprio (decreto
presidencial). Dessa forma, não pode ultrapassar este patamar originário de alíquota;
ICMS – Combustível, conforme o art. 155, § 4.º , IV, c, da CF: tal exceção diz respeito à incidência unifásica do
imposto, prevendo-se alíquotas nacionalmente estabelecidas por Convênios dos Executivos Estaduais, na
esfera do Conselho de Política Fazendária (CONFAZ), ou seja, por ato do Poder Executivo estadual.

#OLHAAJURIS

Aplica-se o princípio da anterioridade tributária, geral e nonagesimal, nas hipóteses de redução ou de


supressão de benefícios ou de incentivos fiscais, haja vista que tais situações configuram majoração indireta
de tributos (STF. Plenário. RE 564225 AgR-EDv-AgR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/11/2019).
Reintegra é um programa econômico instituído pelo governo federal com o objetivo de incentivar as
exportações. A redução ou supressão das vantagens decorrentes do REINTEGRA precisam respeitar o
princípio da anterioridade? SIM. A redução ou supressão de benefícios ou incentivos fiscais decorrentes do
Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (REINTEGRA) se sujeita
à incidência dos princípios da anterioridade tributária geral e da anterioridade nonagesimal, previstos no art.
150, III, “b” e “c”, da Constituição Federal. A alteração no programa fiscal REINTEGRA, por acarretar
indiretamente a majoração de tributos, deve respeitar o princípio da anterioridade. STF. 1ª Turma. RE
1253706 AgR/RS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 19/5/2020 (Info 978). STF. 2ª Turma. RE 1091378 AgR,
Rel. Edson Fachin, julgado em 31/08/2018.

Não viola a legalidade tributária a lei que, prescrevendo o teto, possibilita o ato normativo infralegal fixar o
valor de taxa em proporção razoável com os custos da atuação estatal, valor esse que não pode ser atualizado
por ato do próprio conselho de fiscalização em percentual superior aos índices de correção monetária
legalmente previstos. STF. Plenário. RE 838284/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/10/2016 (repercussão
geral) (Info 842 e 844).

112
SABBAG, EDUARDO. Direito Tributário Essencial, 2020, p. 33

193
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

Princípio da Anterioridade Tributária

Também chamado de Princípio da Eficácia Diferida (#OLHAANOMENCLATURA), está presente no art. 150,
inciso III, alíneas “b” e “c”, da Constituição Federal.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (Vide
Emenda Constitucional nº 3, de 1993) – P. ANTERIORIDADE ANUAL OU DE EXERCÍCIO.

c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou,
observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
ANTERIORIDADE NONAGESIMAL.

A alínea b, designativa da anterioridade anual, determina que os entes tributantes não podem cobrar tributos
no mesmo exercício financeiro em que tenha sido publicada a lei majoradora ou instituidora do tributo. A
expressão “exercício financeiro” deve ser entendida como “ano fiscal”, que, no Brasil, representa o próprio
“ano civil” (período de 1.º de janeiro a 31 de dezembro).113

A alínea c, referente à anterioridade nonagesimal, impõe que o tributo, majorado ou instituído, seja exigido
depois de decorridos 90 (noventa) dias da publicação da lei que tenha perpetrada a majoração ou sua
instituição.

#EXAMINADORAMA As exceções aos princípios tributárias despencam nos concursos. E no princípio da


anterioridade temos que cuidar que há exceções da anterioridade anual e da nonagesimal. Por isso, vamos
de #tabela:

EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA ANTEIORIDADE


ANUAL NONAGESIMAL
 Imposto de Importação – II;  Imposto de Importação – II;
 Imposto de Exportação – IE;  Imposto de Exportação – IE;
 Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI;  Imposto de Renda – IR;
Imposto sobre Operações Financeiras – IOF;  Imposto sobre Operações Financeiras – IOF;
 Imposto Extraordinário; Imposto Extraordinário;
 Empréstimo Compulsório para Calamidade  Empréstimo Compulsório para Calamidade
Pública ou para Guerra Externa (EC-CALA/GUE); Pública ou para Guerra Externa – EC-CALA/GUE;

113
SABBAG, EDUARDO. Direito Tributário Essencial, 2020, p. 35

194
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Ciclos Método
 CIDE-Combustível e ICMS-Combustível (previstos  Alterações na base de cálculo do IPTU e do IPVA.
na EC n.º 33/2001).

#APOSTACICLOS Súmula Vinculante 50-STF: Norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação
tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade.

A contribuição para o PIS está sujeita ao princípio da anterioridade nonagesimal previsto no art. 195, § 6º, da
Constituição Federal. Nos casos em que a majoração de alíquota tenha sido estabelecida somente na
conversão de medida provisória em lei, a contribuição apenas poderá ser exigida após noventa dias da
publicação da lei de conversão. STF. Plenário. RE 568503/RS, rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 12/2/2014
(repercussão geral)(Info 735).

Princípio da Irretroatividade Tributária:

Está previsto no art. 150, inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios:

III - cobrar tributos:

a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou
aumentado;

De acordo com esse princípio a lei deve abranger fatos geradores posteriores a sua edição, não podendo
retroceder para abarcar situações pretéritas, sob pena de configurar retroatividade.

#ATENÇÃO

O artigo 144, § 1º, do CTN determina que a lei nova que regula formalidades ou aspectos formais da cobrança
do tributo deve ser aplicada de forma retroativa. Veja:

§ 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação,


tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de
investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios,
exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.

Do mesmo modo, o art. 106 do CTN traz algumas “mitigações” a esse princípio:

Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:

I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à


infração dos dispositivos interpretados;

II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:

195
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Ciclos Método
a) quando deixe de defini-lo como infração;

b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não
tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;

c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.

Princípio da igualdade ou Isonomia Tributária.

O princípio da isonomia está previsto no art. 150, inciso II da Constituição Federal:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios:

II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida
qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da
denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos;

Veda o tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação de equivalência. Daí a noção,
ínsita ao princípio, da proibição de privilégios odiosos e desarrazoados.

#OLHAAJURISPRUDÊNCIA

É INCONSTITUCIONAL lei estadual que concede isenção de ICMS para operações de aquisição de automóveis
por oficiais de justiça estaduais. STF. Plenário. ADI 4276/MT, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 20/8/2014 (Info
755).

São decorrentes do princípio da isonomia tributária dois subprincípios: o princípio da interpretação objetiva
do fato gerador e o princípio da capacidade contributiva.114

Princípio da interpretação objetiva do fato Princípio da capacidade contributiva


gerador
O princípio da interpretação objetiva do fato O princípio da capacidade contributiva, previsto no art.
gerador (ou princípio da cláusula non olet) 145, § 1.º , da CF, como projeção do postulado da isonomia
dispõe que se deve interpretar o fato gerador tributária, tem por objetivo a consecução do ideal de
em seu aspecto objetivo, não importando os justiça fiscal ou justiça distributiva. Analisando-se o teor do
aspectos subjetivos, que dizem respeito à dispositivo, notam-se dois aspectos de relevo: I) a menção
pessoa destinatária da cobrança tributo. exclusiva a impostos; e II) a fluida expressão sempre que
possível.

Nesse cenário, exsurge a necessidade de visualizarmos os


meios de exteriorização ou possibilidades de
concretização da capacidade contributiva. Os principais

114
SABBAG, EDUARDO. Direito Tributário Essencial, 2020, p 48.

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são: a) progressividade; b) proporcionalidade; c)
seletividade

Princípio da Vedação ao Confisco.

A vedação ao confisco está presente no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal:
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios:

IV - utilizar tributo com efeito de confisco;

A vedação à confiscabilidade proíbe a instituição de quaisquer tributos com caráter de absorção substancial
da propriedade privada, sem a proporcionada indenização.

Entretanto, vale salientar que o texto constitucional admite que se dê tal apropriação sem indenização em
duas situações:

a) pena de perdimento de bens (art. 5.º , XLVI, b, da CF) e


b) expropriação de glebas destinadas a culturas de plantas psicotrópicas e trabalho escravo.

Em nosso país não há parâmetros objetivamente definidos do que vem a ser uma tributação excessiva. A
aferição compete ao Poder Judiciário, quando promovido pelo contribuinte prejudicado, no caso concreto.
Além disso, prevaleceu a tese no STF de que o caráter do confisco do tributo deve ser avaliado à luz de todo
o sistema tributário, e não em função de cada tributo isoladamente examinado (ADIMC 2.010-DF-1999).

Princípio da não limitação ao tráfego de pessoas e bens.


Está previsto no art. 150, inciso V da Constituição Federal:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios:

V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou


intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público;

O princípio em tela é mera corroboração da liberdade de locomoção, constitucionalmente admitida no art.


5º, LXVIII, da CF. No entanto, cabem aqui duas atenuações, sendo uma de ordem constitucional (art. 150, V,
parte final, da CF), referente aos pedágios, e outra de ordem doutrinária, referente ao ICMS, exigido pelas
autoridades fiscais nos Postos de Fiscalização das rodovias.115

#OLHAOGANCHO O pedágio cobrado pela efetiva utilização de rodovias NÃO tem natureza tributária, mas de
preço público, consequentemente, não está sujeito ao princípio da legalidade estrita. STF. Plenário. ADI
800/RS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 11/6/2014 (Info 750).

115
SABBAG, EDUARDO. Direito Tributário Essencial, 2020, p 53.

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Princípio da uniformidade geográfica

Está previsto no artigo 151, inciso I da Constituição Federal:

Art. 151. É vedado à União:

I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou
preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a
concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre
as diferentes regiões do País;

Em termos práticos, caso haja aumento de alíquotas de um tributo federal, deverá incidir o aumento em todo
o Brasil, sob pena de se ferir o postulado ora estudado.

Dessa forma, procura-se homenagear a ideia de equivalência entre as entidades componentes de Federação,
vedando-se uma possível hierarquização. Como é cediço, os Estados-Membros são parificados, e não
hierarquizados, o que nos faz concluir que o princípio da uniformidade tributária não anula o princípio
federativo, mas o ratifica.

#OLHAOGANCHO
#APOSTACICLOS

Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre
bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.

IMUNIDADES

As imunidades são normas de desoneração tributária, justificadas teologicamente, já que tem por objetivo
prestigiar valores constitucionalmente consagrados, como a liberdade religiosa, por exemplo.

E junto com os princípios tributários são as limitações ao poder de tributar, portanto, cláusulas pétreas.

#APOSTACICLOS.

IMUNIDADES ISENÇÕES
 Não incidência apreciada constitucionalmente;  Dispensa legal de pagamento de tributo;
 Situa-se no campo da incidência tributária e diz
 Não há que se mensurar em relação jurídico- respeito à conjuntura econômica e social de um
tributária, posto que a norma imunizadora está país.
excluída do campo de incidência do tributo.
Imunidade Recíproca

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Ciclos Método
Está prevista no art. 150, inciso VI, alínea a da Constituição.

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios:

VI - instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993)

a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;

b) templos de qualquer culto;

c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos
trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos
da lei;

d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.

e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais


de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes
materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de
leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 15.10.2013)

Tal norma visa garantir e confirmar o princípio da isonomia e o equilíbrio federativo entre as pessoas políticas
(ou federalismo de equilíbrio), indicando que existe mais de uma esfera de poder dentro do mesmo território,
do que decorre a indissolubilidade do pacto federativo (STF, AgRg 174.808).116

Curiosamente, o STF tem entendido que determinadas empresas públicas, que executam serviços públicos
de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, são merecedoras da imunidade constitucional. O
posicionamento solidificou-se em julgado afeto à Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), uma empresa
pública que se destina ao serviço postal e ao correio aéreo (art. 21, X, da CF) – atividades dotadas de
estatalidade.

#OLHAOGANCHO

Sociedade de economia mista, cuja participação acionária é negociada em Bolsas de Valores, e que,
inequivocamente, está voltada à remuneração do capital de seus controladores ou acionistas, não está
abrangida pela regra de imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição, unicamente em
razão das atividades desempenhadas. STF. Plenário. RE 600867, Rel. Joaquim Barbosa, Relator p/ Acórdão
Luiz Fux, julgado em 29/06/2020 (Repercussão Geral – Tema 508) (Info 993 – clipping).

Não incide IPVA sobre veículo automotor adquirido, mediante alienação fiduciária, por pessoa jurídica de
direito público. STF. Plenário. RE 727851, Rel. Marco Aurélio, julgado em 22/06/2020 (Repercussão Geral –
Tema 685) (Info 985).

116
SABBAG, EDUARDO. Direito Tributário Essencial, 2020, p 73

199
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Ciclos Método
A imunidade tributária recíproca (art. 150, VI, “a”, da Constituição) impede que os entes públicos criem uns
para os outros obrigações relacionadas à cobrança de impostos, mas não veda a imposição de obrigações
acessórias. STF. Plenário. ACO 1098, Rel. Roberto Barroso, julgado em 11/05/2020 (Info 980 – clipping).

Imunidades para templos de qualquer culto:

É a chamada imunidade religiosa, que tem por objetivo a preservação da liberdade de culto e a neutralidade
do Estado em relação a qualquer religião.

O templo desfrutará da imunidade, desde que cumpra determinadas condições:

 a prova do reinvestimento integral do montante pecuniário advindo das atividades conexas na


consecução dos objetivos institucionais da Igreja;
 a prova da inexistência de prejuízo à livre concorrência, impedindo-se o cunho empresarial na
atividade financeira desempenhada117
Determinada Igreja efetuou a compra de um terreno baldio (imóvel vago) que seria utilizado para a
construção de um templo, conforme um projeto que já estava aprovado. O Município efetuou o lançamento
do ITBI afirmando que a Igreja somente gozaria de imunidade quanto a esse bem quando o projeto já estivesse
concluído e o templo construído. A tese do Município foi aceita pelo STJ? NÃO. Segundo decidiu o STJ, haveria
imunidade no presente caso. Em se tratando de entidade religiosa, há presunção relativa de que o imóvel da
entidade está vinculado às suas finalidades essenciais, o que impede a cobrança de impostos sobre aquele
imóvel de acordo com o art. 150, VI, “c”, da CF. A descaracterização dessa presunção para que incida ITBI
sobre imóvel de entidade religiosa é ônus da Fazenda Pública municipal, nos termos do art. 333, II, do
CPC/1973 (art. 373, II, do CPC/2015). Em suma, para fins de cobrança de ITBI, é do município o ônus da prova
de que imóvel pertencente a entidade religiosa está desvinculado de sua destinação institucional. STJ. 2ª
Turma. AgRg no AREsp 444193-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 4/2/2014 (Info 534).

A maçonaria goza da imunidade religiosa? NÃO. A 1ª Turma do STF decidiu que as organizações maçônicas
não estão incluídas no conceito de “templos de qualquer culto” ou de “instituições de assistência social” para
fins de concessão da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, b e c, da CF. Segundo entendeu o STF, a
maçonaria seria uma ideologia de vida e não uma religião. Logo, as organizações maçônicas devem pagar IPTU
e os demais impostos. STF. 1ª Turma. RE 562351/RS, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 4/9/2012.

#FICADEOLHO A entidade religiosa goza de imunidade tributária sobre o cemitério utilizado em suas
celebrações, desde que este cemitério seja uma extensão da entidade religiosa. No caso julgado, o cemitério
analisado era uma extensão da capela destinada ao culto da religião anglicana, situada no mesmo imóvel.
STF. Plenário. RE 578562, Rel. Min. Eros Grau, julgado em 21/5/2008.

Imunidades para partidos políticos, entidades sindicais de trabalhadores, instituições de educação e


entidades de assistência social.
- Para Partidos Políticos. A finalidade é a liberdade política, um dos fundamentos da República. Abrange as
fundações atreladas aos partidos políticos.
- Para Entidades Sindicais. A finalidade é a liberdade de associação sindical. Porém, os sindicatos patronais
serão destinatários de uma normal tributação.

117
SABBAG, EDUARDO. Direito Tributário Essencial, 2020, 76.

200
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Ciclos Método
- Para Instituição de Educação. A finalidade, por óbvio, é a educação e o ensino, já que protege a educação
formal ou curricular e a informal e extracurricular.
- Para Entidades de Assistência Social. Nesse contexto, têm despontado as entidades do chamado “terceiro
setor”, ou seja, aquelas instituições interessadas na prática social da benemerência.
Adverte Eduardo Sabbag: 118 O art. 150, VI, c, in fine, da CF contém duas expressões que precisam ser
cuidadosamente interpretadas:

(a) “atendidos os requisitos de lei” e (b) “sem fins lucrativos”.

A expressão “(...) atendidos os requisitos da lei”: a alínea c é preceito não autoaplicável, não automático,
necessitando de acréscimo normativo. A lei a respeito é a lei complementar, posto que a imunidade,
assumindo a feição de limitação constitucional ao poder de tributar, arroga, ipso facto, no bojo do art. 146,
II, da CF, a indigitada lei complementar, que, no caso, é o próprio Código Tributário Nacional. A alínea c tem
operatividade conferida pelo art. 14, I, II e III, do CTN. Vale dizer que a entidade da alínea c, cumprindo os
requisitos que constam dos incisos do art. 14 do CTN, terá direito à fruição da imunidade. Frise-se que as
normas veiculadas no art. 14 são meramente explicitantes, tendo apenas o objetivo de conferir operatividade
à alínea c do inc. VI do art. 150 da CF. Portanto, são apenas comandos explicitativos, não servindo para
complementar ou incrementar a norma imunizante, modificando-lhe a essência.

A expressão “(...) sem fins lucrativos”: essa estranha e presumível “impossibilidade de se obter lucro” deve
ser entendida em consonância com o art. 14, I, do CTN. Não há, de fato, vedação ao lucro, mas, sim, proibição
à apropriação particular do lucro. Essa apropriação se mostra no animus distribuendi, que não pode ser
confundido com uma normal remuneração dos diretores de uma entidade imune, pela execução dos seus
trabalhos.

Nesse sentido, entendemos que carece de legitimidade o art. 12, § 2.º , da Lei n.º 9.532/1997, que, de modo
acintoso, vedou tal remuneração. Assim, permite-se a obtenção do resultado positivo, da sobra financeira,
do “superávit” ou, em linguagem técnica, do ingresso financeiro líquido positivo. Em última análise, o que se
busca é que todo o resultado se transforme em investimento ou custeio para que a entidade cumpra sua
função institucional.

#FICADEOLHO A imunidade assegurada pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição da República aos partidos
políticos, inclusive suas fundações, às entidades sindicais dos trabalhadores e às instituições de educação e
de assistência social, sem fins lucrativos, que atendam aos requisitos da lei, alcança o IOF, inclusive o incidente
sobre aplicações financeiras. STF. Plenário. RE 611510/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 12/4/2021
(Repercussão Geral – Tema 328) (Info 1012).

Tese fixada no RE 566622 – Tema 32: Redação original: Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar
previstos em lei complementar. Redação modificada após embargos de declaração: A lei complementar é
forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social
contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a
serem por elas observadas. STF. Plenário. RE 566622/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 23/2/2017
(repercussão geral – Tema 32) (Info 855). STF. Plenário. RE 566622 ED/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red.
p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 18/12/2019 (Info 964).

118
SABBAG, EDUARDO. Direito Tributário Essencial, 2020, p.80

201
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Súmula 612-STJ: O certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade,
possui natureza declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o
cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a fruição da imunidade. STJ. 1ª Seção.
Aprovada em 09/05/2018, DJe 14/05/2018 (Info 624).

Imunidades para livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão


É a chamada imunidade de imprensa. E visa garantir a liberdade de expressão, a difusão de cultura e a
utilidade social. É uma imunidade de natureza objetiva, uma vez que serão afastados os impostos sobre
“bens” e não sobre “pessoas”.

Não são abarcados pela imunidade os livros que não veiculam ideias, nem pensamentos formalmente
considerados, como livro de ponto, livro de bordo, livros fiscais, livro de atas.

Ademais, para o STF, as listas telefônicas, a par dos catálogos e guias, são imunes, na condição de “periódicos”.
As listas telefônicas foram consideradas imunes sob o elemento teleológico da utilidade social.

#APOSTACICLOS: Súmula Vinculante 57: A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-
se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes
exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam
funcionalidades acessórias. STF. Plenário. Aprovada em 15/04/2020.

A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal, não abarca o maquinário utilizado
no processo de produção de livros, jornais e periódicos. A imunidade tributária visa à garantia e efetivação da
livre manifestação do pensamento, da cultura e da produção cultural, científica e artística. Assim, é extensível
a qualquer material assimilável a papel utilizado no processo de impressão e à própria tinta especial para
jornal, mas não é aplicável aos equipamentos do parque gráfico, que não são assimiláveis ao papel de
impressão, por não guardarem relação direta com a finalidade constitucional do art. 150, VI, “d”, da CF/88.
STF. 1ª Turma. ARE 1100204/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado
em 29/5/2018 (Info 904).

A imunidade tributária constante do art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal (CF), aplica-se ao livro eletrônico
(“e-book”), inclusive aos suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo. STF. Plenário. RE 330817/RJ, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 8/3/2017 (repercussão geral) (Info 856).

A imunidade da alínea “d” do inciso VI do art. 150 da CF/88 alcança componentes eletrônicos destinados,
exclusivamente, a integrar unidade didática com fascículos. STF. Plenário. RE 595676/RJ, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgado em 8/3/2017 (repercussão geral) (Info 856).

Constituição estadual não pode prever imunidade tributária para tributos estaduais e municipais incidente
sobre os veículos de radiodifusão. STF. Plenário. ADI 773/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 20/8/2014
(Info 755).

Imunidades para fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil e para seus suportes
materiais ou arquivos digitais.

É a chamada imunidade musical, acrescida pela EC 75.

202
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

Seu propósito é desonerar de impostos os fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil, bem
como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, com a ressalva da incidência na etapa de
replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser.

Nesse passo, a venda de CDs e DVDs será protegida da cobrança do ICMS, do ISS e até mesmo do IOF (nas
aquisições virtuais). A benesse constitucional, todavia, não alcança o processo de replicação industrial, que
permanece com a tributação.119

LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA

A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos


e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles
pertinentes.

#APOSTACICLOS

Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos:

I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;

II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia
normativa;

III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas;

IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios.

Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a
cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.

Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor:

I - os atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação;

II - as decisões a que se refere o inciso II do artigo 100, quanto a seus efeitos normativos, 30 (trinta) dias
após a data da sua publicação;

III - os convênios a que se refere o inciso IV do artigo 100, na data neles prevista.

Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os
dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda:

I - que instituem ou majoram tais impostos;

119
SABBAG, EDUARDO. Direito Tributário Essencial, 2020, 88.

203
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Ciclos Método
II - que definem novas hipóteses de incidência;

III - que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte,
e observado o disposto no artigo 178.

Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária
utilizará sucessivamente, na ordem indicada:

I - a analogia;

II - os princípios gerais de direito tributário;

III - os princípios gerais de direito público;

IV - a equidade.

§ 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei.

§ 2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido.

Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do
alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários.

Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e
formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições
dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências
tributárias.

#MPMG

#JÁCAIU

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, em julgamento de 26 de outubro de 2018, decidiu por
unanimidade não dar provimento ao agravo regimental no Recurso Extraordinário n. 1.053.254/RS, no qual
se discutia a limitação ao poder de tributar da União, mediante a revogação de benefício fiscal para o cálculo
de PIS/COFINS. O Tribunal considerou que a revogação do benefício fiscal provocaria uma majoração indireta
do tributo, o qual, por essa razão, deveria ser submetido ao princípio da não surpresa, buscando, em especial,
garantir a segurança jurídica ao contribuinte, para que este não fosse surpreendido com um aumento
inesperado da carga tributária sem a concessão de prazo mínimo para adaptação da sua política fiscal.120

Nessa hipótese, a Corte garantiu a aplicação de qual princípio constitucional em matéria tributária?

A)Princípio do não confisco

B)Princípio da anterioridade nonagesimal

C)Princípio da liberdade de tráfego

D)Princípio da não discriminação tributária

120
GAB. B

204
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13. Garantias e privilégios do crédito tributário

As garantias previstas no CTN são meramente exemplificativas, no entanto, as preferências só podem estar
previstas em lei complementar.

Art. 183. A enumeração das garantias atribuídas neste Capítulo ao crédito tributário não exclui outras que
sejam expressamente previstas em lei, em função da natureza ou das características do tributo a que se refiram.

Parágrafo único. A natureza das garantias atribuídas ao crédito tributário não altera a natureza deste nem a da
obrigação tributária a que corresponda.

Ressalvados os bens e rendas declarados pela lei como impenhoráveis (art. 833 do CPC/2015), todos os outros
respondem pelo crédito tributário do sujeito passivo (art. 184 do CTN). Importante é frisar que até mesmo os
bens gravados por ônus real ou aqueles que contêm cláusulas de inalienabilidade ou impenhorabilidade podem
ser executados pelos entes tributantes.121

Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, que sejam previstos em lei, responde
pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das rendas, de qualquer origem ou natureza, do
sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de
inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados
unicamente os bens e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis.

PRESUNÇÃO DE FRAUDE RELATIVA.

A partir do momento em que o crédito tributário é inscrito em dívida ativa, qualquer alienação de bens e rendas
por parte do devedor, ou até mesmo seu começo, será legalmente presumida fraudulenta.

Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo
em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa.(Redação
dada pela Lcp nº 118, de 2005)

Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados, pelo devedor, bens
ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita.

A presunção é juris tantum, ou seja, relativa, admite prova em contrário. A consequência da presunção de
fraude é tornar ineficaz perante a Fazenda Pública, o ato jurídico que aliena ou onera o patrimônio.

INDISPONIBILIDADE DE BENS E DIREITOS.

No curso da execução fiscal, se o devedor, regularmente citado, não pagar nem apresentar bens à penhora no
prazo legal, e se não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz deve determinar a indisponibilidade de seus
bens, nos termos do art. 185-A do CTN.

121
SABBAG, Eduardo. Direito Tributário Essencial. 2020.

205
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à penhora
no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de seus bens
e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e entidades que
promovem registros de transferência de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades
supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas atribuições, façam
cumprir a ordem judicial. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

§ 1o A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limitar-se-á ao valor total exigível, devendo o juiz
determinar o imediato levantamento da indisponibilidade dos bens ou valores que excederem esse
limite. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

§ 2o Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata o caput deste artigo enviarão
imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens e direitos cuja indisponibilidade houverem
promovido. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

#OLHAOGANCHO

Súmula 560-STJ: A decretação da indisponibilidade de bens e direitos, na forma do art. 185-A do CTN, pressupõe
o exaurimento das diligências na busca por bens penhoráveis, o qual fica caracterizado quando infrutíferos o
pedido de constrição sobre ativos financeiros e a expedição de ofícios aos registros públicos do domicílio do
executado, ao Denatran ou Detran. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 09/12/2015. DJe 15/12/2015.

#AJUDAMARCINHO122

Por ser uma medida muito grave, a indisponibilidade de que trata o art. 185-A do CTN só pode ser decretada
pelo juiz se forem preenchidos três requisitos que podem ser extraídos da própria redação do dispositivo. São
eles:

1) Citação do devedor A indisponibilidade só pode ser decretada se o executado já foi citado (“devidamente
citado”).

2) Inexistência de pagamento ou apresentação de bens à penhora no prazo legal O art. 185-A afirma que
somente poderá ser determinada a indisponibilidade se o devedor, após ser citado, “não pagar nem apresentar
bens à penhora no prazo legal”.

3) Exaurimento das diligências na busca por bens penhoráveis A indisponibilidade só pode ser decretada se a
Fazenda Pública provar que tentou outras diligências para achar bens penhoráveis do devedor e, mesmo assim,
não obteve êxito. Quais são as diligências que devem ser exigidas da exequente para que se considerem
esgotados os meios de busca de bens?

Segundo o STJ, para que a Fazenda Pública prove que esgotou (exauriu) todas as diligências na tentativa de achar
bens do devedor, basta que ela tenha adotado duas providências: a) a exequente deve ter pedido e o juiz
determinado a penhora “on line” (Bacen Jud); b) a exequente deve ter expedido ofícios aos registros públicos
do domicílio do executado e ao Departamento Nacional ou Estadual de Trânsito - DENATRAN ou DETRAN.
Repare, na letra “b”, que basta que a Fazenda Pública tenha feito pesquisas de bens nos registros públicos
localizados no domicílio do executado (cartórios existentes na cidade do devedor). Assim, não se exige que a
Fazenda Pública realize busca em todos os registros de imóveis do País, por exemplo.

122
https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2016/01/sc3bamula-560-stj.pdf

206
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
O STJ entende que exigir isso não seria razoável. Se forem tentadas as duas providências acima e mesmo assim
não forem localizados bens penhoráveis, neste caso será possível que a Fazenda Pública requeira e o juiz
determine a indisponibilidade do art. 185-A do CTN. O tema foi definido pelo STJ em sede de recurso especial
repetitivo, tendo sido firmadas as seguintes teses:

A indisponibilidade de bens e direitos autorizada pelo art. 185-A do CTN depende da observância dos seguintes
requisitos: (i) citação do devedor tributário; (ii) inexistência de pagamento ou apresentação de bens à penhora
no prazo legal; e (iii) a não localização de bens penhoráveis após esgotamento das diligências realizadas pela
Fazenda, caracterizado quando houver nos autos: a) pedido de acionamento do Bacen Jud e consequente
determinação pelo magistrado e b) a expedição de ofícios aos registros públicos do domicílio do executado e ao
Departamento Nacional ou Estadual de Trânsito - DENATRAN ou DETRAN. STJ. 1ª Seção. REsp 1.377.507-SP, Rel.
Min. Og Fernandes, julgado em 26/11/2014 (recurso repetitivo) (Info 552).

O STJ consagrou o entendimento acima na Súmula 560 do STJ.

Cuidado para não confundir:

 Para que seja decretada a penhora on-line, não é necessário que o credor tente localizar outros bens
penhoráveis em nome do devedor. Não se exige do exequente o exaurimento das vias extrajudiciais na busca
de bens a serem penhorados (STJ. Corte Especial. REsp 1112943/MA, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
15/09/2010).

 Para que seja decretada a indisponibilidade de bens de que trata o art. 185-A do CTN, exige-se que a Fazenda
Pública exequente prove que tentou localizar outros bens penhoráveis em nome do devedor. Exige-se o
exaurimento das diligências na busca por bens penhoráveis (STJ. 1ª Seção. REsp 1.377.507- SP, Rel. Min. Og
Fernandes, julgado em 26/11/2014).

PREFERÊNCIAS

#SAINDODOFORNO

#CANCELAMENTODESUMULA.

#VAICAIR

Não é compatível com a Constituição Federal de 1988 a preferência da União em relação a Estados, municípios
e ao DF na cobrança judicial de créditos da dívida ativa. Com este fundamento, o plenário do STF cancelou o
verbete 563 da Corte, que previa o concurso de preferência entre os entes federativos para execuções fiscais.123

Os ministros também julgaram inconstitucionais normas previstas no CTN e na lei 6.830/80, que disciplinavam
hierarquia entre os entes federados. Veja como cada ministro se manifestou:

Hierarquia em normas infraconstitucionais

A ação foi proposta em 2015 pelo governo do DF contra o art. 187 do CTN e contra o art. 29 da lei 6.830/80, que
estabelecem uma "hierarquia" na ordem de recebimento de créditos, tendo a União a precedência no
recebimento de valores em relação aos Estados e ao DF, e estes precedência em relação aos municípios.

123
https://www.migalhas.com.br/quentes/347573/nao-ha-preferencia-da-uniao-em-execucoes-fiscais-decide-stf

207
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Eis o teor dos dispositivos impugnados:

CTN:

Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência,
recuperação judicial, concordata, inventário ou arrolamento.

Parágrafo único. O concurso de preferência somente se verifica entre pessoas jurídicas de direito público, na
seguinte ordem:

I – União;

II - Estados, Distrito Federal e Territórios, conjuntamente e pró rata;

III - Municípios, conjuntamente e pró rata.

Lei 6.830/80:

Art. 29 - A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública não é sujeita a concurso de credores ou
habilitação em falência, concordata, liquidação, inventário ou arrolamento

Parágrafo Único - O concurso de preferência somente se verifica entre pessoas jurídicas de direito público, na
seguinte ordem:

I - União e suas autarquias;

II - Estados, Distrito Federal e Territórios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata;

III - Municípios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata.

Para o governo do DF, as normas violam as Constituição porque não obedecem o princípio da paridade
federativa, "estando a União em um nível hierárquico superior aos demais".

Cármen Lúcia, relatora, afirmou que só é válido um critério distintivo para a execução fiscal quando previsto e
justificado constitucionalmente. Nesse sentido, ao analisar as leis impugnadas, a ministra observou que a
diferenciação prevista nas leis impugnadas não é feita pela norma constitucional, mas por
regras infraconstitucionais. Ademais, a relatora frisou que não se comprova a finalidade constitucional e legítima
buscada para distinção nas execuções.

A ministra reconheceu que há precedentes no STF que assentam a hipótese de hierarquia entre entes federados,
sintetizados na súmula 563 do STF. No entanto, Cármen Lúcia observou que tais entendimentos foram
sedimentados em 1967, portanto, antes da Constituição Federal Cidadã. A súmula dispõe o seguinte:

O concurso de preferência a que se refere o parágrafo único do art. 187 do Código Tributário Nacional é
compatível com o disposto no art. 9º, I, da Constituição Federal.

Ao considerar estes pontos, a ministra, então, votou por declarar a não recepção pela Constituição da República
das normas impugnadas e, por conseguinte, votou pelo cancelamento da súmula 563.

Na mesma linha, Nunes Marques observou que as normas impugnadas têm um potencial de frustação de
créditos estaduais e municipais, "prejudicando o próprio pacto federativo, que estariam impossibilitados de dar
prosseguimento as suas próprias execuções". O ministro explicou que a Constituição de 1988 trouxe uma

208
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
"evolução normativa" para trazer maior protagonismo aos outros entes nacionais e vedar discriminação entre
Estados e municípios.

O ministro também analisou a súmula 563: "não há como defender-se que o substrato normativo a amparar os
precedentes que deram origem a súmula 563 permaneçam inalterados".

Alexandre de Moraes frisou que a Constituição de 1988 pretendeu descentralizar o federalismo: "o legislador
apostou em um real federalismo", disse o ministro. Moraes esclareceu que a CF/88 elevou o município de forma
categórica a ente federativo e ampliou as competências concorrentes.

"A União não é mais que os Estados, que por sua vez, não são hierarquicamente superior aos municípios."

Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski e a ministra Rosa Weber concordaram integralmente
com o voto da relatora. Em breves posicionamentos externalizados, os ministros ressaltaram a importância do
federalismo e a ausência de hierarquia entre os entes.

12. Crédito tributário. Lançamento. Suspensão, extinção e exclusão do crédito tributário. Decadência e
prescrição.

EXCLUSÃO EXTINÇÃO SUSPENSÃO

Art. 175. Excluem o crédito Art. 156. Extinguem o crédito Art. 151. Suspendem a
tributário: tributário: exigibilidade do crédito tributário:

I - a isenção; I - o pagamento; I - moratória;

II - a anistia. II - a compensação; II - o depósito do seu


montante integral;
Parágrafo único. A exclusão do III - a transação;
crédito tributário não dispensa o III - as reclamações e os
cumprimento das obrigações IV - remissão; recursos, nos termos das leis
acessórias dependentes da reguladoras do processo tributário
V - a prescrição e a
obrigação principal cujo crédito administrativo;
decadência;
seja excluído, ou dela
consequente. IV - a concessão de medida
VI - a conversão de depósito
liminar em mandado de
em renda;
segurança.
VII - o pagamento antecipado
V – a concessão de medida
e a homologação do lançamento
liminar ou de tutela antecipada,
nos termos do disposto no artigo
em outras espécies de ação
150 e seus §§ 1º e 4º;
judicial; (Incluído pela Lcp nº 104,
VIII - a consignação em de 2001)
pagamento, nos termos do
VI – o
disposto no § 2º do artigo 164;
parcelamento. (Incluído pela Lcp
IX - a decisão administrativa nº 104, de 2001)
irreformável, assim entendida a

209
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
definitiva na órbita administrativa, Parágrafo único. O disposto
que não mais possa ser objeto de neste artigo não dispensa o
ação anulatória; cumprimento das obrigações
assessórios dependentes da
X - a decisão judicial passada obrigação principal cujo crédito
em julgado. seja suspenso, ou dela
consequentes.
XI – a dação em pagamento
em bens imóveis, na forma e
condições estabelecidas em
lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de
2001) (Vide Lei nº 13.259, de
2016)

Parágrafo único. A lei disporá


quanto aos efeitos da extinção
total ou parcial do crédito sobre a
ulterior verificação da
irregularidade da sua constituição,
observado o disposto nos artigos
144 e 149.

#OLHAOGANCHO

#SEMPRECAI

#OBASICOTBMCAI

Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:

I - suspensão ou exclusão do crédito tributário;

II - outorga de isenção;

III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.

18. Processo Administrativo e Processo judicial tributário. Medidas cautelares fiscais e tipos de ação.
Princípios gerais. Sistema inquisitivo. Contraditório e ampla defesa. Duplo grau de jurisdição. Publicidade

A ação de execução fiscal é a via processual adequada para o sujeito ativo da relação tributária, munido da
Certidão de Dívida Ativa (CDA) como título executivo extrajudicial, obter do sujeito passive (contribuinte,
substituto ou responsável tributário), a satisfação compulsória do seu crédito.

210
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
A CDA deve revestir-se de certeza, liquidez e exigibilidade. Quando suspensa a exigibilidade por alguma das
causas previstas no art. 151 do CTN, já não mais poderá ser ajuizada execução fiscal ou, se ajuizada, deverá ser
suspensa, carente que estará, o título, de um dos requisitos que dele se exige.

A execução fiscal é regrada pela Lei n. 6.830/80, Lei de Execução Fiscal (LEF), aplicando-se, ainda,
subsidiariamente, o CPC, especialmente os dispositivos que regulam o processo de execução.

A ação de execução fiscal tem no polo ativo, como regra, a pessoa federativa competente para instituição do
tributo exigido, a saber, União, Estado, Distrito Federal ou Município.

Nos casos de parafiscalidade, o polo ativo da demanda será ocupado pela pessoa jurídica encarregada de
arrecadar o tributo, isto é, autarquia, entidade sindical, conselho de classe ou pessoa equivalente.

Já o polo passivo da execução fiscal, nos termos do art. 4º da LEF, pode ser ocupado por seis figuras distintas: o
devedor; o fiador; o espólio; a massa; o responsável, nos termos da lei, por dívidas, tributárias ou não, de pessoas
físicas ou pessoas jurídicas de direito privado; e os sucessores a qualquer título.

A execução fiscal deve ser julgada no domicílio do devedor. A competência para processar e julgar a execução
da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a de qualquer outro Juízo, inclusive o da falência, da concordata, da
liquidação, da insolvência ou do inventário (art. 5º da LEF).

Deve ser ajuizada a execução — e obtido o despacho ordenando a citação (art. 174, parágrafo único, I, do CTN)
— no prazo de cinco anos contados da constituição definitiva do crédito, nos termos do art. 174 do CTN, ou seja,
da conclusão do processo administrativo.

Cita-se o executado para, no prazo de cinco dias, pagar a dívida ou garantir a execução. A citação é regulada
pelo art. 8º da LEF.

#DEOLHONASÚMULA:

Súmula 414 STJ: A citação por edital na execução fiscal é cabível quando frustradas as demais modalidades.

A garantia do juízo é feita mediante depósito em dinheiro, fiança bancária ou seguro garantia, nomeação de
bens próprios à penhora ou indicação à penhora de bens oferecidos por terceiros, desde que aceitos pela
Fazenda Pública.

Caso o executado não pague nem indique bens à penhora ou sejam estes insuficientes para a satisfação do
crédito, procede-se à decretação da indisponibilidade dos seus bens. Identificam-se, assim, eventuais ativos
financeiros do executado que não tenham sido oferecidos à penhora, com destaque para os depósitos em
dinheiro, preferenciais na ordem de penhora.

Aos embargos é atribuído efeito suspensivo quando esteja garantido o juízo e haja forte fundamento nas razões
do embargante. Não sendo atribuído efeito suspensivo aos embargos ou sendo estes rejeitados liminarmente
ou julgados improcedentes, a execução prossegue, realizando-se leilão dos bens.

Na hipótese de não serem encontrados o devedor ou bens sobre os quais possa recair a penhora, a execução é
suspensa pelo juiz, por um ano, para que o credor possa realizar diligências administrativas e obter informações
que permitam o prosseguimento do feito.

O executado pode defender-se, na execução fiscal, através de exceção de pré-executividade ou de embargos do


devedor.

211
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
A exceção de pré-executividade constitui simples petição apresentada nos autos da execução fiscal apontando
a ausência de alguma das condições da ação (como a ilegitimidade passiva), de pressuposto processual ou
mesmo de causas suspensivas da exigibilidade ou extintivas do crédito que não demandem dilação probatória.

#DEOLHONASÚMULA:

Súmula 393 STJ: A exceção de pré-executividade é admissível na execução fiscal relativamente às matérias
conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória.

Tal via é adequada, portanto, para o apontamento de vício ou impedimento demonstrável de pronto. A
decadência e a prescrição, por exemplo, podem ser alegadas por simples petição, desde que presentes
elementos que permitam verificar seus termos iniciais e finais.

EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL

Os embargos constituem o meio natural de defesa do devedor na execução fiscal, tendo natureza jurídica de
ação autônoma.

Os embargos à execução podem ser opostos pelo devedor citado na execução (embargos do devedor) ou por
terceiro prejudicado pela execução (embargos de terceiro).

No momento em que é proposta a execução pesa contra o devedor uma dupla presunção de veracidade em
favor do Fisco. Isso porque dois atos administrativos distintos abonam o entendimento, que ainda pode ser
revertido, no sentido de que a dívida é legítima e o valor, devido. Tanto o lançamento tributário quanto a
certidão da dívida ativa são atos administrativos revestidos da presunção de legitimidade em desfavor do
executado.

É por tal razão que a LEF estabelece rigorosa exigência para que o devedor consiga suspender o curso da
execução por meio da oposição de embargos: a garantia do juízo.

Art. 16 - O executado oferecerá embargos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados:

I - do depósito;

II - da juntada da prova da fiança bancária ou do seguro garantia; (Redação dada pela Lei nº 13.043,
de 2014)

III - da intimação da penhora.

§ 1º - Não são admissíveis embargos do executado antes de garantida a execução.

§ 2º - No prazo dos embargos, o executado deverá alegar toda matéria útil à defesa, requerer provas e juntar
aos autos os documentos e rol de testemunhas, até três, ou, a critério do juiz, até o dobro desse limite.

§ 3º - Não será admitida reconvenção, nem compensação, e as exceções, salvo as de suspeição, incompetência
e impedimentos, serão arguidos como matéria preliminar e serão processadas e julgadas com os embargos.

MEDIDA CAUTELAR FISCAL

A Lei n. 8.97/92 cuida da chamada Medida Cautelar Fiscal. Com fundamento nesta lei, a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios, bem como suas autarquias, como sujeitos ativos de obrigações tributárias,
podem buscar acautelar os seus créditos quando o sujeito passivo pratique atos que dificultem ou impeçam a
sua satisfação.
212
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
São casos como o do devedor que se ausenta visando elidir o adimplemento da obrigação, que põe ou tenta pôr
seus bens em nome de terceiros, que possui débitos superiores a 30% do seu patrimônio conhecido ou que tem
sua inscrição no cadastro de contribuintes declarada inapta pela Fazenda, dentre outros.

Esta ação cautelar, via de regra, pressupõe créditos tributários já constituídos, ou seja, declarados pelo
contribuinte ou lançados pelo Fisco.

#ATENÇÃO: excepcionalmente, o legislador admite o seu uso antes mesmo da constituição do crédito: a do
contribuinte que põe seus bens em nome de terceiros e a daquele que aliena bens ou direitos sem proceder à
comunicação devida ao órgão da Fazenda Pública (caso dos bens objeto de arrolamento administrativo).

O crédito e as situações referidas devem ser provados documentalmente pelo Requerente. A indisponibilidade
recairá sobre os bens do ativo permanente da pessoa jurídica, salvo em situações excepcionais, sendo levada a
registro perante o registro de imóveis e outras repartições competentes.

Pode o Requerido pleitear a substituição da indisponibilidade determinada pelo Juízo pelo oferecimento de
garantia, ouvida a Fazenda Pública.

#SELIGA: A medida cautelar fiscal concedida conserva sua eficácia mesmo que seja suspensa a exigibilidade do
crédito tributário. Mas, quando preparatória, perde sua eficácia se a execução não for ajuizada até, no máximo,
sessenta dias após o lançamento tornar-se irrecorrível na esfera administrativa.

Também pode a ação cautelar fiscal ser ajuizada no curso do processo de execução. Em qualquer caso
(preparatória ou incidental), o juízo competente para a ação cautelar fiscal é o mesmo da execução fiscal.

#DEOLHONASSÚMULAS:

Súmula 106 STJ: Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício, a demora na citação, por motivos
inerentes ao mecanismo da Justiça, não justifica o acolhimento da arguição de prescrição ou decadência.

Súmula 558 STJ: Em ações de execução fiscal, a petição inicial não pode ser indeferida sob o argumento da falta
de indicação do CPF e/ou RG ou CNPJ da parte executada.

Súmula 559 STJ: Em ações de execução fiscal, é desnecessária a instrução da petição inicial com o demonstrativo
de cálculo do débito, por tratar-se de requisito não previsto no art. 6º da Lei n. 6.830/1980.

19. Administração tributária: Fiscalização e cobrança do crédito tributário. Sigilos fiscal e bancário. Dívida
ativa
A fiscalização consiste nos atos de verificação do cumprimento das obrigações tributárias acessórias ou
principais. O art. 194 do CTN relaciona a competência e os poderes da administração à regras impostas pela
legislação tributária.

Veja:

Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente
em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes das autoridades administrativas
em matéria de fiscalização da sua aplicação.

213
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica-se às pessoas naturais ou jurídicas,
contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal.

Explica Eduardo Sabbag (Direito Tributário Essencial, 202, p. 419) “As eventuais determinações legais limitativas
ou obstativas do direito de examinar mercadorias ou documentos pertencentes ao sujeito passivo não são
eficazes, vez que a jurisprudência assenta que quaisquer livros comerciais estão sujeitos à fiscalização, limitada
aos pontos que são objeto da investigação (Súmula n.º 439 do STF). Devemos salientar que a fiscalização deve
se manter restrita aos pontos de interesse, sem extrapolar a competência administrativa”.

Súmula 439 do STF Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado
o exame aos pontos objeto da investigação.

Ainda, o CTN dispõe em seu art. 195 que não terá aplicação qualquer disposição legal que vise limitar ou excluir
o direito de examinar as mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis. Veja:

Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes
ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou
fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los.

Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos


lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes
das operações a que se refiram.

Os poderes de fiscalização, no entanto, encontram limites, vamos rever os principais:

INVIOLABILIDADE DE ESTABELECIMENTO:

De acordo com Roberval Rocha (Direito Tributário, 2018, p. 427) caso negado à Administração acesso a livros,
documentos objetos de fiscalização, os órgãos competentes podem valer-se de medidas cautelares especificas
previstas no CPC e requerer ao Judiciário a busca e apreensão ou a exibição forçada para que façam valer o seu
poder-ver de investigação dos fatos geradores, independente da comprovação de qualquer irregularidade.

VIOLAÇÃO DE CORRESPONDÊNCIA:

De acordo com Roberval Rocha (Direito Tributário, 2018, p. 429) a correspondência empresarial ou pessoal dos
sujeitos passivos é, pois, inviolável. Assim, qualquer fato gerador identificado pela fiscalização, em análise não
autorizada pela justiça ou pelo fiscalizado, não poderá embasar lançamentos tributários oriundos desse tipo de
quebra de sigilo.

DIREITO AO SILÊNCIO:

De acordo com Roberval Rocha (Direito Tributário, 2018, p. 430) o dever de apresentar documentos e
contabilidade à fiscalização não implica, para aqueles que cometeram crimes contra a ordem tributária, o
encargo inconstitucional de fazer prova contra si mesmo.

CONSTRIÇÃO OBLÍQUA PARA PAGAMENTO DO TRIBUTO.

Os meios hábeis para cobrança dos créditos tributários são: a) cobrança administrativa ou b) execuções fiscais,
sendo proibidas constrições indiretas ou oblíquas (como apreensão de mercadoria em trânsito, interdição de
estabelecimento, proibição de normal andamento das atividades comerciais).

214
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Súmula 70 do STF

É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo.

Súmula 323 do STF

É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos

Súmula 547 do STF

Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas, despache mercadorias nas
alfândegas e exerça suas atividades profissionais.

Algumas constrições oblíquos previstas no art. 191 a 193 do CTN são admitidas.

Art. 191. A extinção das obrigações do falido requer prova de quitação de todos os tributos. (Redação dada pela
Lcp nº 118, de 2005)

Art. 191-A. A concessão de recuperação judicial depende da apresentação da prova de quitação de todos
os tributos, observado o disposto nos arts. 151, 205 e 206 desta Lei. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

Art. 192. Nenhuma sentença de julgamento de partilha ou adjudicação será proferida sem prova da quitação
de todos os tributos relativos aos bens do espólio, ou às suas rendas.

Art. 193. Salvo quando expressamente autorizado por lei, nenhum departamento da administração pública
da União, dos Estados, do Distrito Federal, ou dos Municípios, ou sua autarquia, celebrará contrato ou aceitará
proposta em concorrência pública sem que o contratante ou proponente faça prova da quitação de todos os
tributos devidos à Fazenda Pública interessada, relativos à atividade em cujo exercício contrata ou concorre.

TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL

Previsto no art. 196 do CTN, chamado de termo de início de fiscalização, documento necessário, verdadeira
garantia do fiscalizado e ônus da fiscalização. Duas são as consequências práticas: a) antecipa o inicio do prazo
decadencial; b) delimita a preclusão do prazo para que seja intentada a denuncia espontânea.

Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os
termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que
fixará prazo máximo para a conclusão daquelas.

Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos
livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia
autenticada pela autoridade a que se refere este artigo.

OBRIGADOS A PRESTAR INFORMAÇÕES AO FISCO (ART. 197 DO CTN):

Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que
disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros:

I - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício;

II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;

215
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
III - as empresas de administração de bens;

IV - os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais;

V - os inventariantes;

VI - os síndicos, comissários e liquidatários;

VII - quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função,
ministério, atividade ou profissão.

A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o
informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério,
atividade ou profissão.

SIGILO TRIBUTÁRIO

A violação ao sigilo tributário prevista no art. 198 do CTN pode ensejar responsabilidade por infração
administrativa ou ainda por crime previsto no art. 325 do CP (violação a sigilo funcional).

Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública
ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do
sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades.

Exceções ao dever de Sigilo:

 requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça;


 solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja
comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o
objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa.

O intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, será realizado mediante processo
regularmente instaurado, e a entrega será feita pessoalmente à autoridade solicitante, mediante recibo, que
formalize a transferência e assegure a preservação do sigilo.

Não se submetem ao sigilo tributário, de acordo com o art. 198, §3º, do CTN:

 Representações fiscais para fins penais;


 Inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública;
 Parcelamento ou moratória.

DÍVIDA ATIVA

O art. 201 do CTN conceitua a dívida ativa tributária como aquele proveniente dessa natureza, regularmente
inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado prazo para pagamento:

216
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na
repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por
decisão final proferida em processo regular.

Parágrafo único. A fluência de juros de mora não exclui, para os efeitos deste artigo, a liquidez do crédito.

DÍVIDA ATIVA TRIBUTÁRIA DÍVIDA ATIVA NÃO TRIBUTÁRIA

ROL TAXATIVO ROL EXEMPLIFICATIVO

 Tributos  Demais Créditos Fazendários


 Multas respectivas e  Multas não tributárias
 Adicionais respectivos (juros e atualização)  Preços Públicos
 Indenizações, etc.

#DEOLHO – Com a inscrição em dívida ativa, o crédito torna-se exequível, passível de execução judicial forçada.

PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ:

Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova pré-
constituída.

Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a
cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite.

REQUISITOS DA CDA

A CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA DEVERÁ CONTER:

 O nome do devedor e, sendo caso, o dos co-responsáveis, bem como, sempre que possível, o domicílio
ou a residência de um e de outros;
 A quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora acrescidos;
 A origem e natureza do crédito, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja fundado;
 A data em que foi inscrita;
 Sendo caso, o número do processo administrativo de que se originar o crédito.
A certidão conterá, além dos requisitos deste artigo, a indicação do livro e da folha da inscrição.

Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles relativo, são
causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, mas a nulidade poderá ser sanada
até a decisão de primeira instância, mediante substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo,
acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá versar sobre a parte modificada.

CERTIDÕES NEGATIVAS

217
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por
certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações
necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a
que se refere o pedido.

A obtenção de certidões em repartições públicas, independentemente do pagamento de taxas, para defesa de


direitos e esclarecimentos de situações de interesse pessoal, está prevista na alínea b do inciso XXXIV do art. 5º
da Constituição Federal.

Apenas a lei poderá exigir a apresentação de certidão negativa, de modo que eventuais atos normativos que
inovem, condicionando a prática de atos à ostentação de certidão par casos em que a lei não a requer
expressamente, serão inválidos.

As certidões devem ser expedidas no prazo de até dez dias, conforme o parágrafo único do art. 205 do CTN.

A Certidão Negativa deve ser expedida quando efetivamente não conste dos registros do Fisco nenhum crédito
tributário formalizado em seu favor. Havendo lançamento ou declaração do contribuinte, não terá o
contribuinte direito à Certidão Negativa.

Súmula 446 STJ: Declarado e não pago o débito tributário pelo contribuinte, é legítima a recusa de expedição de
certidão negativa ou positiva com efeito de negativa.

Havendo crédito tributário devidamente documentado, somente Certidão Positiva poderá ser expedida,
cabendo, apenas, verificar se o contribuinte tem ou não direito à Certidão Positiva com Efeitos de Negativa.

O art. 206 do CTN estabelece que “tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste
a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora,
ou cuja exigibilidade esteja suspensa”.

#NÃOCONFUNDA:

CERTIDÃO NEGATIVA Quando inexistir formalização de crédito.

CERTIDÃO POSITIVA Quando existir crédito formalizado exigível e não


garantido por penhora.

CERTIDÃ POSITIVA COM EFEITOS DE NEGATIVA Quando existir crédito formalizado não vencido, com
a exigibilidade suspensa ou garantido por penhora.

Súmula 569-STJ: Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço
aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício
relativo ao regime de drawback.

20. Crimes tributários. Lei nº 8.137/90. Tipo objetivo e subjetivo. Crimes em espécie. Representação fiscal.
Investigação e compartilhamento de informações. Consumação. Suspensão e extinção de punibilidade.
Prescrição.
#APOSTACICLOS
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Ciclos Método
Pessoal, um dos examinadores trabalha na área de sonegação fiscal. Então, vocês não duvidem de que este é
um ponto mais importante de estudos de direito tributário.

Para tanto, vamos nos valer da ajudinha de Renato Brasileiro, no Livro Legislação Penal Destacada, ano 2020.
Vamos lá?

DIREITO PENAL TRIBUTÁRIO X DIREITO TRIBUTÁRIO PENAL124

DIREITO PENAL TRIBUTÁRIO DIREITO TRIBUTÁRIO PENAL

Direito Penal Tributário: cuida-se do ramo do Direito Direito Tributário Penal: consiste no ramo do Direito
Penal que incide sobre condutas que atentam contra Tributário que versa sobre a aplicação de sanções
a ordem tributária. Abrange não apenas os crimes extrapenais às condutas ilícitas de cunho
listados nos arts. 1 ° a 3° da Lei n. 8.137/90, mas administrativo e tributário.
também outros crimes previstos no Código Penal
(v.g., art. 168-A, art. 334, art. 337-A, etc.) As infrações fiscais recebem tratamento diverso
daquele conferido aos denominados crimes
tributários. Deveras, prevalece o entendimento de
que tais infrações podem ser atribuídas ao agente
tanto a título de dolo quanto a título de culpa, nos
termos do art. 136 do Código Tributário Nacional
("Salvo disposição de lei em contrário, a
responsabilidade por infrações da legislação
tributária independe da intenção do agente ou do
responsável e da efetividade, natureza e extensão
dos efeitos do ato").

Aqui vamos focar nos crimes da Lei n. 8137/90. Vamos Lá?

BEM JURÍDICO TUTELADO:

Há duas correntes:

a) O bem jurídico é o patrimônio dinâmico da Fazenda Público. (corrente patrimonialista) POSIÇÃO


DOMINANTE;
b) O bem jurídico tutelado está baseado nas funções que o tributo deve exercer de acordo com a
constituição (corrente funcionalista)

Secundariamente, os crimes contra a ordem tributária também tutelam a Administração Pública, a fé pública,
a garantia dos meios necessários para que Estado possa atender às prestações sociais, o trabalho e a livre
concorrência, consagrada pela Constituição Federal como um dos princípios da ordem econômica (art. 170,

124
BRASILEIRO, Renato. Legislação Penal Destacada. 2020, p. 206.

219
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
IV), já que não se pode negar que o empresário sonegador poderá praticar preços mais baratos do que aquele
que recolhe seus tributos de maneira regular, o que caracterizaria evidente concorrência desleal.125
E o princípio da insignificância?

#DIZERODIREITO #JURISPRUDENCIA #STJ: Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais
e de descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de R$ 20.000,00 (vinte mil
reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n.
75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.688.878-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,
julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo) (Info 622). STF. 2ª Turma. HC 155347, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 17/04/2018.

#DIZERODIREITO #JURISPRUDÊNCIA #STF: Qual é o valor máximo considerado insignificante no caso de crimes
tributários e descaminho? 20 mil reais (tanto para o STF como para o STJ) Incide o princípio da insignificância
aos crimes tributários federais e de descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite
de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, com as atualizações
efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG,
Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo). STF. 1ª Turma. HC 127173, Rel.
Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão: Min. Roberto Barroso, julgado em 21/03/2017.

INADIMPLEMENTO E SONEGAÇÃO FISCAL

O inadimplemento da obrigação tributária, isoladamente considerado, não é crime. Portanto, se o


contribuinte declara todas as hipóteses de incidência ao fisco, de acordo com a periodicidade exigida em lei,
cumpre todas as obrigações acessórias e tem escrita contábil regular, mas deixa de efetuar o pagamento do
tributo, não há crime, mas mero inadimplemento. A diferença entre a mera inadimplência e a sonegação fiscal
é exatamente o emprego da fraude .126

EVASÃO FISCAL e ELISÃO FISCAL

EVASÃO: inadimplemento total ou parcial da obrigação tributário, através da fraude. Aqui os meios são
ilícitos.

ELISÃO: é considerado planejamento tributário legítima, que visa evitar a ocorrência do fato gerador, sem
praticar fraude. Os meios são lícitos.

COMPETÊNCIA

125
BRASILEIRO, Renato. Legislação Penal Destacada. 2020, p.214

126
BRASILEIRO, Renato. Legislação Penal Destacada. 2020, p.214

220
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Os crimes contra a ordem tributária são espécies do gênero crimes contra a ordem econômico-financeira. De
uma leitura do art. 109, inciso VI, da CF, verifica-se que esses crimes serão de competência da Justiça Federal,
caso determinado em lei.

De uma leitura apurada da lei dos crimes contra a ordem tributária, percebe-se que não há menção na lei
acerca da competência da Justiça Federal, portanto, a competência é da Justiça Estadual.

Assim, explica Renato Brasileiro “Portanto, para que os delitos ali previstos sejam processados e julgados pela
Justiça Federal, não o serão por se caracterizarem como crimes contra a ordem econômico-financeira
referidos no art. 109, VI, mas por outra razão, como no caso de serem praticados em detrimento de bens,
serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas (art. 109, IV, CF), o
que, aliás, pode ocorrer, geralmente, com quaisquer crimes comuns”.

Os crimes da Lei 8137/90 dividem-se em: a) crimes praticados por particulares (art. 1º e 2º) e b) crimes
praticados por funcionários públicos (art. 3 º da Lei 8137/90).

Como esse tema é a especialidade de um dos examinadores, vamos falar sobre cada um dos tipos penais.
Estão preparados?

Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer
acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000)

I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias;

II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza,
em documento ou livro exigido pela lei fiscal;

III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à
operação tributável;

IV - elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato;

V - negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de
mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação.

Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser
convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao
atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V.

TIPO OBJETIVO - suprimir e reduzir o tributo ou contribuição social, e qualquer acessório mediante uma ou
mais das condutas descritas nos diversos incisos e parágrafo único desse crime.

Renato Brasileiro explica:

A tipificação do crime do art. 1° da Lei n. 8.137/90 exige que a supressão ou redução do tributo se dê por
meio de uma das condutas listadas em seus incisos e parágrafo único. Daí se pode concluir que a mera
supressão ou redução de um tributo não tipifica tal crime. Não fosse assim, o simples fato de o contribuinte
se tornar inadimplente perante o fisco já teria o condão de caracterizar o delito, ou seja, ter-se-ia como
221
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
tipificado um delito fiscal em virtude da mera infração de deveres tributários que deram causa a um prejuízo
patrimonial ao erário público. Como não se pode admitir a tipificação de um crime tributário como um delito
de infração de dever, o art. 1°, caput, da Lei n. 8.137/90, deixa claro que o resultado supressão ou redução
deve ter sido causado pelo emprego de uma das condutas fraudulentas ou enganosas listadas em seus incisos
e parágrafo único. Em síntese, não se pode confundir um simples inadimplente, que deixa de honrar suas
obrigações tributárias, com um sonegador, que se vale do ardil e da fraude para induzir o erário público em
erro para fins de supressão ou redução de tributo.

Tipo Subjetivo: são punidos a título de dolo, ou seja, com a vontade livre e consciente de praticar as condutas
previstas nos incisos do art. 1º. De acordo com a posição majoritária, é desnecessário provar a presença de um
especial fim de agir voltado para supressão ou redução de tributos. Portanto, exige-se apenas dolo genérico.

Sujeito Ativo: É crime próprio, pois exige a condição de sujeito passivo da obrigação tributária.

Sujeito Passivo: é o sujeito ativo da obrigação tributário, ou seja, a pessoa jurídica de direito público, titular da
competência para exigir o cumprimento.

Consumação e Tentativa: O art. 1º da Lei é crime material, portanto nos termos da Súmula Vinculante 24, não
se tipifica crime material contra ordem tributária, previsto no inciso I a IV da Lei, antes do lançamento definitivo.

Súmula Vinculante 24: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV,
da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.

A partir do momento em que o Supremo Tribunal Federal passou a exigir o lançamento definitivo como condição
objetiva de punibilidade para os crimes materiais contra a ordem tributária (HC 81.611), também passou a
entender que se inicia, a partir daí, o fluxo do lapso prescricional, nos termos do art. 111, inciso I, do Código
Penal127

A Súmula Vinculante 24 pode ser aplicada para fatos ocorridos antes da sua vigência?

SIM. Segundo a 1ª Turma do STF. A súmula vinculante não é lei nem ato normativo, de forma que a SV 24-STF
não inovou no ordenamento jurídico. O enunciado apenas espelhou {demonstrou) o que a jurisprudência já
vinha decidindo. STF. 1ª Turma. RHC 122774/RJ, Rei. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/5/2015 (lnfo786).

Pergunta-se, essa súmula se aplica ao descaminho?

NÃO! Como bem diz o enunciado, só é aplicável aos crimes tributários materiais. O Descaminho é considerado
crime tributário formal.

#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: O descaminho é crime tributário FORMAL. Logo, para que seja
proposta ação penal por descaminho não é necessária a prévia constituição definitiva do crédito tributário. Não
se aplica a Súmula Vinculante 24 do STF. O crime se consuma com a simples conduta de iludir o Estado quanto
ao pagamento dos tributos devidos quando da importação ou exportação de mercadorias. STJ. 6ª Turma. REsp
1.343.463-BA, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/3/2014 (Info 548). STF. 2ª Turma. HC
122325, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/05/2014.

127
BRASILEIRO, Renato. Legislação penal destacada. 2020.

222
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
É dispensada a existência de procedimento administrativo fiscal com a posterior constituição do crédito
tributário para a configuração do crime de descaminho (art. 334 do CP), tendo em conta sua natureza formal.
STF. 1ª Turma. HC 121798/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 29/5/2018 (Info 904).

OBS: Quando o delito contra a ordem tributária for praticado em concurso de crimes com outro delito que não
seja contra a ordem tributária, a ausência de lançamento definitivo do crédito tributário não impede que a
persecução penal prossiga com relação aos outros delitos praticados em concurso.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #STJ: Para o início da ação penal, basta a prova da constituição definitiva do
crédito tributário (Súmula Vinculante 24), sendo desnecessária a juntada integral do Procedimento
Administrativo Fiscal correspondente. STJ. 5ª Turma. RHC 94.288-RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
julgado em 22/05/2018 (Info 627).

#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STJ: A Súmula Vinculante 24 tem aplicação aos fatos ocorridos
anteriormente à sua edição. Como a SV 24 representa a mera consolidação da interpretação judicial que já era
adotada pelo STF e pelo STJ mesmo antes da sua edição, entende-se que é possível a aplicação do enunciado
para fatos ocorridos anteriormente à sua publicação. STF. 1ª Turma. RHC 122774/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 19/5/2015 (Info 786). STJ. 3ª Seção. EREsp 1.318.662-PR, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
28/11/2018 (Info 639).

Para a promoção da ação penal referente ao delito de sonegação fiscal (art. 1º da Lei n. 8.137/1990), não é
necessário que se instaure procedimento administrativo fiscal contra cada um dos corréus na qualidade de
pessoas físicas, se já transcorreu outro procedimento de igual natureza em que se apurou haver a prática do
crime por meio da pessoa jurídica. (STJ, 6ª Turma, HC 86.309-MS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura,
julgado em 8/2/2011, Info 462).

- Impossibilidade de medidas cautelares penais antes da constituição definitiva.

Antes da constituição definitiva do crédito tributário não existe crime de sonegação. Logo, não é lícito que a
autoridade policial inicie investigação para apurar esse fato e não é possível que o juiz decrete medidas
cautelares penais. (STJ, 5ª Turma, HC 211.393/RS, julgado em 13/08/2013).

#IMPORTANTE #ATENÇÃO: Investigação preliminar antes da constituição definitiva do crédito tributário.

Imagine que determinada empresa deixou de pagar tributos, fraudando a fiscalização tributária (inciso II do art.
1º da Lei nº 8.137/90). Ocorre que o Fisco ainda não terminou o processo administrativo-fiscal instaurado para
apurar o fato. É possível que seja instaurado inquérito policial para apurar o crime mesmo não tendo havido
ainda a constituição definitiva do crédito tributário? SIM. Nos crimes de sonegação tributária, apesar de a
jurisprudência do STF condicionar a persecução penal à existência do lançamento tributário definitivo, o mesmo
não ocorre quanto à investigação preliminar. Em outras palavras, mesmo não tendo havido ainda a constituição
definitiva do crédito tributário, já é possível o início da investigação criminal para apurar o fato. STF. 1ª Turma.
HC 106152/MS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 29/3/2016 (Info 819).

Nota: Ou seja, se na sua prova perguntar se pode ocorrer investigação preliminar antes da constituição definitiva
do crédito, marque que sim. Por outro lado, se for indagado se pode ocorrer a decretação de medidas cautelares
antes da constituição definitiva do crédito tributário, marque que não.

Perceba-se que a súmula sob comento restringe sua aplicação exclusivamente às condutas previstas entre os
incisos I e IV do art. 1 º da Lei n. 8.137/90, do que se poderia concluir que a conduta do inciso V e aquela do

223
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
parágrafo único do art. 1 ° não teriam o lançamento definitivo do tributo como condição objetiva de punibilidade
para a deflagração da persecução penal.128

A constituição do crédito tributário após o recebimento da denúncia não tem o condão de convalidar a ação
penal que foi iniciada em descompasso com as normas jurídicas vigentes e com a SV 24 do STF. Desde o
nascedouro, essa ação penal é nula porque referente a atos desprovidos de tipicidade (STJ. 5ª Turma. HC
238.417/SP, Rei. Min. Laurita Vaz, julgado em 11/03/2014).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #STF: O que acontece se o réu de um crime contra a ordem tributária aderir ao
parcelamento da dívida? Haverá a suspensão do processo penal. Nos crimes contra a ordem tributária, quando
o agente ingressa no regime de parcelamento dos débitos tributários, fica suspensa a pretensão punitiva penal
do Estado (o processo criminal fica suspenso). Durante o parcelamento o que ocorre com o prazo prescricional?
Também fica suspenso. O prazo prescricional não corre enquanto estiverem sendo cumpridas as condições do
parcelamento do débito fiscal. É o que prevê o art. 9º, § 1º da Lei nº 10.684/2003. Se, ao final, o réu pagar
integralmente os débitos, haverá a extinção da punibilidade. STF. 2ª Turma. ARE 1037087 AgR/SP, Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 14/8/2018 (Info 911).

Concurso de Crimes: Caso pratique-se mais de uma das condutas descritas nos incisos, não estará afastada a
caracterização de crime único, se houver supressão ou redução de um único tributo em uma mesma conduta.

Logicamente, se tais condutas forem reiteradas ao longo dos anos, em sucessivas declarações de imposto de
renda, aí sim restará caracterizada hipótese de concurso de crimes. Aliás, especificamente em relação à
declaração de ajuste anual do imposto de renda de pessoa física (IRPF), os Tribunais têm relativizado o critério
de 30 (trinta) dias como prazo máximo para o reconhecimento da conexão temporal inerente à continuidade
delitiva para admitir a aplicação do art. 71 do Código Penal com intervalo de um ano quando o delito for
praticado por ocasião de sucessivas declarações de ajuste, anualmente entregues pelo agente.129

CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DO ART. 1º:

Crime Próprio ou Especial

Crime Material

Crime de Ação Múltipla ou Conteúdo Variado

Crime Unissubjetivo

Crime Plurissubsistente

Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000)

I - fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para
eximir-se, total ou parcialmente, de pagamento de tributo;

128
BRASILEIRO, Renato. Legislação Penal Especial Destacada. 2020.

129
Brasileiro, Renato. Legislação Penal destacada. 2020.

224
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
II - deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na
qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos;

III - exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, qualquer percentagem sobre a parcela
dedutível ou deduzida de imposto ou de contribuição como incentivo fiscal;

IV - deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas
por órgão ou entidade de desenvolvimento;

V - utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que permita ao sujeito passivo da obrigação
tributária possuir informação contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública.

Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.

Os crimes do art. 2º da Lei dos Crimes Contra Ordem Tributária são de natureza formal, ou seja, consumam-se
independentemente da produção daquele resultado.

Renato Brasileiro explica: É o que acontece, por exemplo, com o crime do art. 2°, inc. I, da Lei 8.137/90, cuja
consumação independe do resultado naturalístico correspondente à obtenção de vantagem ilícita em desfavor
do Fisco, bastando a omissão de informações ou a prestação de declaração falsa, não demandando a efetiva
percepção material do ardil aplicado. Portanto, nesse caso, a conclusão do procedimento administrativo é
dispensável para configurar a justa causa legitimadora da persecução.

Bem Jurídico Tutelado: Tutela do Erário Público, enquanto patrimônio administrado pela Fazenda Pública.

Termo Inicial do prazo prescricional do art. 2º, I, da Lei nº 8.137/90.

O termo inicial do prazo prescricional da pretensão punitiva do crime previsto no art. 2º, I, da Lei nº 8.137/90 é
a data em que a fraude é praticada, e não a data em que ela é descoberta. Isso porque o referido tipo tem
natureza de crime formal, instantâneo, sendo suficiente a conduta instrumental, haja vista não ser necessária a
efetiva supressão ou redução do tributo para a sua consumação, bastando o emprego da fraude. Assim, o fato
de a fraude ter sido empregada em momento determinado, ainda que irradie efeitos até ser descoberta, não
revela conduta permanente, mas sim crime instantâneo de efeitos permanentes – os quais perduraram até a
descoberta do engodo. STJ. 5ª Turma. RHC 36.024-ES, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
25/8/2015 (Info 568).

Artigos relevantes:

Art. 10. Caso o juiz, considerado o ganho ilícito e a situação econômica do réu, verifique a insuficiência ou
excessiva onerosidade das penas pecuniárias previstas nesta lei, poderá diminuí-las até a décima parte ou elevá-
las ao décuplo.

Art. 12. São circunstâncias que podem agravar de 1/3 até a metade as penas previstas nos arts. 1°, 2° e 4° a 7°:

I - ocasionar grave dano à coletividade;

II - ser o crime cometido por servidor público no exercício de suas funções;

III - ser o crime praticado em relação à prestação de serviços ou ao comércio de bens essenciais à vida ou à
saúde.

Art. 15. Os crimes previstos nesta lei são de ação penal pública incondicionada.
225
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Art. 16, Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou co-autoria, o co-autor ou
partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa
terá a sua pena reduzida de um a dois terços.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #IMPORTANTE:

O art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 prevê que a pena do crime de sonegação fiscal (art. 1º, I, da Lei nº 8.137/90)
deverá ser aumentada no caso de o delito “ocasionar grave dano à coletividade”. A jurisprudência entende que
se configura a referida causa de aumento quando o agente deixa de recolher aos cofres públicos uma vultosa
quantia. Em outras palavras, se o valor sonegado foi alto, incide a causa de aumento do art. 12, I. Nesse cálculo
deve-se incluir também os juros e multa: Para os fins da majorante do art. 12, I, da Lei nº 8.137/90 (grave dano
à coletividade), o dano tributário deve ser valorado considerando seu valor atual e integral, incluindo os
acréscimos legais de juros e multa. A Portaria nº 320, editada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional,
prevê que os contribuintes que estão devendo acima de R$ 1 milhão são considerados “grandes devedores” e
devem receber tratamento prioritário na atuação dos Procuradores. O STJ utiliza, então, essa Portaria como
parâmetro para analisar a incidência ou não da causa de aumento do art. 12, I: A majorante do grave dano à
coletividade, trazida pelo art. 12, I, da Lei nº 8.137/90, deve se restringir a situações especiais de relevante dano.
Desse modo, é possível, para os tributos federais, utilizar, analogamente, o critério previsto no art. 14 da Portaria
320/PGFN, por meio do qual se definiu administrativamente os créditos prioritários como sendo aqueles de
valor igual ou superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). E se a sonegação fiscal envolver tributos estaduais
ou municipais, como deverá ser o parâmetro nesses casos? Em se tratando de tributos estaduais ou municipais,
o critério deve ser, por equivalência, aquele definido como prioritário ou de destacados créditos (grandes
devedores) para a fazenda local. Dito de outro modo, em caso de tributos estaduais ou municipais, não se de
deve utilizar a Portaria 320/PGFN, mas sim os eventuais atos normativos estaduais e municipais que definam o
que sejam “grandes devedores” para o Fisco local. STJ. 3ª Seção. REsp 1.849.120-SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 11/03/2020 (Info 668). O STF comunga do mesmo entendimento e utiliza como parâmetro esses
atos infralegais que definem “grandes devedores”? Não. Existe julgado do STF no qual foi afastado esse critério:
“Quanto à Portaria 320/2008 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, anoto que essa norma infralegal
apenas dispõe sobre o Projeto Grandes Devedores no âmbito da PGFN, conceituando, para os seus fins, os
“grandes devedores”, com o objetivo de estabelecer, na Secretaria da Receita Federal do Brasil, método de
cobrança prioritário a esses sujeitos passivos de vultosas obrigações tributárias, sem limitar ou definir, no
entanto, o grave dano à coletividade, ao contrário do que afirma o impetrante.” (STF. 2ª Turma. HC 129284/PE,
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 17/10/2017. Info 882).

DIREITO ELEITORAL

1. Lei n° 4.737/1965. 2. Lei Complementar n° 64/1990. 3. Lei 9.096/95. Lei n° 9.504/1997. 4. Lei nº
11.300/2006. 5. Lei nº 12.034/2009. 6. Lei n.º 12.891/2013. 7. Lei n.º 13.165/2016. 8. Crimes Eleitorais. 9.
Processo Penal Eleitoral.

Fala pessoal! Novamente, a Banca Examinadora não facilitou a vida de vocês, colocou integralmente as leis, sem
especificar dentro de cada uma o que poderia ser questionado. O que faremos no NFPSS? Vamos trazer os
assuntos mais recorrentes nas provas do MP, ok?

226
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
O combo leitura da Lei + Jurisprudência é muito importante neste tema. Assim como estar antenado as
mudanças legislativas (lei eleitoral está em constante mudança).

Vamos começar com o tópico mais importante, organização da Justiça Eleitoral:

Organização da Justiça Eleitoral.

Primeiramente devemos saber que o Código Eleitoral foi editado quando vigorava no Brasil a Constituição de
1946. Desse modo, o CE foi elaborado segundo as diretrizes estabelecidas naquela Constituição. Houve
sucessivos textos constitucionais, mas o CE manteve-se lá e está em vigor até os dias atuais. Contudo, para que
possa ser aplicado atualmente, deve respeitar a Constituição Federal de 1988. Segundo a Constituição de 1988,
a organização e competência de tribunais, juízes de direito e juntas eleitorais, deve ser tratada mediante lei
complementar.

Segundo a Constituição de 1988, a organização e competência de tribunais, juízes de direito e juntas eleitorais,
deve ser tratada mediante lei complementar. O Código Eleitoral, contudo, foi editado como uma lei ordinária.
Embora tenha sido editado na origem como lei ordinária, foi recepcionado pela Constituição de 1988 como lei
complementar na parte que disciplina a organização e competência da Justiça Eleitoral.

A justiça eleitoral encontra-se disciplinada nos arts. 118 a 121 da CF, bem como nos arts. 12 a 41 do CE.

Art. 118. São órgãos da Justiça Eleitoral:


I - o Tribunal Superior Eleitoral;
II - os Tribunais Regionais Eleitorais;
III - os Juízes Eleitorais;
IV - as Juntas Eleitorais.

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete membros, escolhidos:

I - mediante eleição, pelo voto secreto:

a) três juízes dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal;

b) dois juízes dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça;

II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e
idoneidade moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal.

Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente dentre os Ministros do
Supremo Tribunal Federal, e o Corregedor Eleitoral dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça.

227
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

Composição do
TSE- MÍNIMO 7
membros

indicado pelo STF


e nomeados pelo
eleitos
Presidente da
República

3 dentre os 2 dentre os
2 advogados
Ministros do STF Ministros do STJ

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL

Art. 120. Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de cada Estado e no Distrito Federal.

§ 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão:

I - mediante eleição, pelo voto secreto:

a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça;

b) de dois juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça;

II - de um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do Estado ou no Distrito Federal, ou, não
havendo, de juiz federal, escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Regional Federal respectivo;

III - por nomeação, pelo Presidente da República, de dois juízes dentre seis advogados de notável saber
jurídico e idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça.

§ 2º - O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente- dentre os desembargadores.

228
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Ciclos Método

TRE

INDICADO PELO TJ E
POR ESCOLHA DO TRF
ELEITOS PELO TJ NOMEADO PELO
RESPECTIVO
PRESIDENTE

2 DESEMBARGADORES
2 JUIZES DE DIREITO 1 JUIZ TRF/FEDERAL 2 ADVOGADOS
DO TJ

PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS – PARA NÃO CONFUNDIR

TSE TRE

COMPETÊNCIAS MAIS IMPORTANTES COMPETÊNCIA MAIS IMPORTANTES

 Cassação de registro de partidos políticos e dos  Cassação de diretórios estaduais e municipais de


diretórios nacionais; partidos políticos;

 Cassação do registro de candidatos à Presidência e  Cassação de registro de candidatos à Governador,


Vice-Presidência. vice-Governador, Membro do Congresso Nacional
(Senadores e Deputados Federais), e membros das
 Responder a consultas formuladas por autoridades Assembleias Legislativas (Deputados Estaduais).
com jurisdição federal ou órgão nacional de partido.
 Responder a consultas formuladas por autoridade
 Aprovar a divisão dos Estados em zonas eleitorais política ou partido político.
ou a criação de novas zonas
 Dividir a respectiva circunscrição em zonas
eleitorais, submetendo essa divisão, assim como a
criação de novas zonas, à aprovação do Tribunal
Superior.

COMPETÊNCIA RECURSAL

TSE TRE

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Ciclos Método
Art.121 Art. 121

§ 3º - São irrecorríveis as decisões do Tribunal § 4º - Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais
Superior Eleitoral, salvo as que contrariarem esta somente caberá recurso quando:
Constituição e as denegatórias de habeas corpus ou
mandado de segurança. I - forem proferidas contra disposição expressa desta
Constituição ou de lei;

II - ocorrer divergência na interpretação de lei entre


dois ou mais tribunais eleitorais;

III - versarem sobre inelegibilidade ou expedição de


diplomas nas eleições federais ou estaduais;

IV - anularem diplomas ou decretarem a perda de


mandatos eletivos federais ou estaduais;

V - denegarem habeas corpus , mandado de


segurança, habeas data ou mandado de injunção.

JUIZ ELEITORAL

Os juízes eleitorais são órgãos de primeiro grau da Justiça Eleitoral que exercem a jurisdição perante uma zona
eleitoral. Os cargos são ocupados por magistrados estaduais.
Na hipótese de existir, em uma determinada comarca, mais de um juiz, o cargo eleitoral será ocupado por um
deles, por designação do TRE, de acordo com o critério da antiguidade. Esses juízes exercerão a jurisdição dentro
do espaço geográfico da zona eleitoral.

Art. 33. Nas zonas eleitorais onde houver mais de uma serventia de justiça, o juiz indicará ao Tribunal Regional
a que deve ter o anexo da escrivania eleitoral pelo prazo de dois anos.

§ 1º Não poderá servir como escrivão eleitoral, sob pena de demissão, o membro de diretório de partido
político, nem o candidato a cargo eletivo, seu cônjuge e parente consanguíneo ou afim até o segundo grau.

§ 2º O escrivão eleitoral, em suas faltas e impedimentos, será substituído na forma prevista pela lei de
organização judiciária local.

#DEOLHONAJURIS#DIZERODIREITO#STF: Compete à Justiça Eleitoral julgar os crimes eleitorais e os comuns


que lhes forem conexos. Cabe à Justiça Eleitoral analisar, caso a caso, a existência de conexão de delitos comuns
aos delitos eleitorais e, em não havendo, remeter os casos à Justiça competente. STF. Plenário. Inq 4435 AgR-
quarto/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 13 e 14/3/2019 (Info 933).

As competências do juiz eleitoral estão no art. 35 do Código Eleitoral, caso tenham tempo, podem ler lá. Vou
trazer aqui, as competências com maior incidência em provas.

230
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

COMPETE AO JUIZ
ELEITORAL

EM ATÉ 60 DIAS
ANTES DO PLEITO

DESIGNAR AS
NOMEAR OS
SEÇÕES ELEITORAIS
MEMBROS DA MESA
DA ZONA
RECEPTORA
ELEITORAL

#SELIGANASÚMULA
Súmula 374 STJ: Compete à Justiça Eleitoral processar e julgar a ação para anular débito decorrente de multa
eleitoral.
Súmula 368 STJ: Compete à Justiça comum estadual processar e julgar os pedidos de retificação de dados
cadastrais da Justiça Eleitoral.

JUNTAS ELEITORAIS

Art. 36. Compor-se-ão as juntas eleitorais de um juiz de direito, que será o presidente, e de 2 (dois) ou 4
(quatro) cidadãos de notória idoneidade.

§ 1º Os membros das juntas eleitorais serão nomeados 60 (sessenta) dia antes da eleição, depois de
aprovação do Tribunal Regional, pelo presidente deste, a quem cumpre também designar-lhes a sede.

§ 2º Até 10 (dez) dias antes da nomeação os nomes das pessoas indicadas para compor as juntas serão
publicados no órgão oficial do Estado, podendo qualquer partido, no prazo de 3 (três) dias, em petição
fundamentada, impugnar as indicações.

§ 3º Não podem ser nomeados membros das Juntas, escrutinadores ou auxiliares:

I - os candidatos e seus parentes, ainda que por afinidade, até o segundo grau, inclusive, e bem assim o
cônjuge;

II - os membros de diretorias de partidos políticos devidamente registrados e cujos nomes tenham sido
oficialmente publicados;

III - as autoridades e agentes policiais, bem como os funcionários no desempenho de cargos de confiança
do Executivo;

IV - os que pertencerem ao serviço eleitoral.

231
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

JUNTA
ELEITORAL

2 OU 4
1 JUIZ DE CIDADÃOS DE
DIREITO NOTÓRIA
IDONEIDADE

Em síntese, quanto à competência da Junta Eleitoral:

 apurar as eleições (no prazo e 10 dias).


 resolver impugnações durante os trabalhos de apuração.
 expedir boletins de urna.
 expedir diploma dos eleitos para cargos municipais.

MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

Tal como a Justiça Eleitoral, o MPE também se organiza em três níveis:

 Procurador-Geral Eleitoral: atua perante o TSE;


 Procurador Regional Eleitoral: atua perante o TRE;
 Promotor Eleitoral: atua perante o juiz eleitoral e a Junta Eleitoral.
Segundo o art. 18 do CE, juntamente ao TSE, o Procurador Geral Eleitoral, que será o Procurador da República,
exercerá suas funções, podendo designar outros membros do Ministério Público da União para auxiliá-lo.

COMPETÊNCIAS DO PROCURADOR GERAL ELEITORAL

 Assistir às sessões, manifestando-se quando entender necessário ou quando solicitado;


 Exercer e promover a ação pública;
 Oficiar nos recursos encaminhados ao TSE;
 Defender a jurisdição do Tribunal e representar pela observância da legislação eleitoral;
 Requisitar diligências, certidões e esclarecimentos;
 Expedir instruções destinadas ao membros que atuarem perante os TREs;
 Acompanhar o Corregedor Geral quando solicitados (pessoalmente ou por intermédio de procurador
designado).

#DEOLHONAJURIS #AJUDAMARCINHO: O art. 79 da LC 75/93, que confere ao Procurador Regional Eleitoral a


incumbência de designar os membros do Ministério Público estadual que atuarão junto à Justiça Eleitoral, é
constitucional tanto sob o ponto de vista formal como material. O Procurador-Geral da República detém a
prerrogativa, ao lado daquela atribuída ao Chefe do Poder Executivo, de iniciar os projetos de lei que versem

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
sobre a organização e as atribuições do Ministério Público Eleitoral. A designação de membro do Ministério
Público local (estadual) como Promotor Eleitoral por Procurador Regional Eleitoral, que é membro do Ministério
Público Federal, não afronta a autonomia administrativa do Ministério Público do Estado (Info 817 STF).

De acordo com Rodrigo Lopez Zilio (Direito Eleitoral, 2020, p.70) O TSE tem assentado a ampla legitimidade do
MP para atuar em todas as fases do processo eleitoral, em vista de sua condição de fiscal da lei e da CF. Como
exceção, não é reconhecida a legitimidade do MP para execução de multas eleitorais, porque se trata de dívida
ativa não tributária da União, cuja legitimidade é da Fazenda Pública.

O que é o procedimento preparatório eleitoral? Rodrigo Lopez Zilio (Direito Eleitoral, 2020, p. 75) explica: De
natureza facultativa, administrativa e unilateral, o procedimento preparatório eleitoral deve ser instaurado para
coletar subsídios necessários a atuação do MPE perante a Justiça Eleitoral, visando a propositura de medidas
cabíveis em relação aos ilícitos eleitorais de natureza não criminal.

INELEGIBILIDADES

CONDIÇÕES DE A elegibilidade é a aptidão para ser eleito, ou seja, é a condição adquirida pelo
ELEGIBILIDADE cidadão para receber votos nas eleições. Aquele que é elegível, portanto, detém
capacidade eleitoral passiva.

Condições Próprias: são aquelas estabelecidas na Constituição Federal, tais como


a nacionalidade, idade mínima, domicílio eleitoral. 130

Condições Impróprias: são exigências da previstas na legislação eleitoral e que,


indiretamente, se não observadas, não possibilitaram que o interessado concorra
a cargos político-eletivos

CONDIÇÕES DE As hipóteses de inelegibilidade são requisitos negativos, o que importa afirmar que
INELEGIBILIDADES não podem estar presentes para que o cidadão concorra a cargos eletivos.

#DEOLHONAJURIS

Mesmo com a situação de calamidade pública decorrente da covid-19, são constitucionais e devem ser mantidos
os prazos para filiação partidária e desincompatibilização previstos na legislação para a as eleições municipais
de 2020. STF. Plenário. ADI 6359 Ref-MC/DF, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 14/5/2020 (Info 977).

CONDIÇÃO DE ELEGIBILIDADE – DOMICILIO ELEITORAL.


Qual é o prazo mínimo de domicílio eleitoral necessário?

130 § 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei: I - a nacionalidade brasileira; II - o pleno exercício dos direitos políticos; III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição; V - a filiação partidária; VI - a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da
República e Senador; b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; c) vinte e um anos para Deputado Federal,
Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; d) dezoito anos para Vereador.

233
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Art. 9º Para concorrer às eleições, o candidato deverá possuir domicílio eleitoral na respectiva circunscrição
pelo prazo de seis meses e estar com a filiação deferida pelo partido no mesmo prazo.

CONDIÇÃO DE ELEGIBILIDADE – IDADE MÍNIMA

#OLHAOGANCHO: Essa situação dos 18 anos exigidos para vereador sempre foi motivo de discussão na doutrina,
vez que a Lei das Eleições previa que a idade mínima somente seria exigida na data da posse. Nesse cenário, era
possível que menor de 18 anos concorresse às eleições, e acabasse por praticar condutas tipificadas como crimes
eleitorais para os quais havia o entendimento de que prevalecia a competência da Vara da Infância e Juventude,
por se tratar de atos infracionais. Com a minirreforma eleitoral de 2015, a legislação eleitoral passou a prever
que para o cargo de vereador, a idade mínima deverá ser observada no último dia possível para o registro da
candidatura. Assim, a regra é de que a idade mínima somente seja verificada na data da posse, ressalvada a
hipótese de cargos que exijam a idade mínima de 18 anos, quando estes requisitos deverão ser observados na
data do registro da candidatura.

#DEOLHONAJURIS: segundo o TSE, mesmo o emancipado civilmente precisa demonstrar a idade mínima. Não
obstante, é possível que o cargo seja ocupado, excepcionalmente, por quem não detém a idade mínima, como
ocorre no caso de impedimento ou vacância do presidente, em que será chamado ao exercício da Presidência o
presidente da Câmara, cuja idade poderá ser de 21 anos.

INELEGIBILIDADES

As hipóteses de inelegibilidade podem decorrer de dois fundamentos principais:

 Decorrente da aplicação de uma sanção.


 Mera situação jurídica em que a pessoa se encontra ao efetuar o registro da candidatura, decorrente
de: a) status profissional; ou b) outras situações específicas previstas na legislação.

INELEGIBILIDADE NATUREZA
SANÇÃO CONSTITUTIVA

INELEGIBILIDADE NATUREZA
NATA DECLARATÓRIA

As inelegibilidades serão absolutas quando se aplicarem a todos os cargos, como por exemplo, os analfabetos.
Serão relativas quando somente se referem a alguns cargos, como por exemplo, a inelegibilidade para um
terceiro mandato consecutivo nos cargos do Executivo.

INELEGIBILIDADES CONSTITUCIONAIS

Inalistáveis e analfabetos (art. 14, §4º, CF): os inalistáveis são os estrangeiros, os conscritos (durante o
período de serviço militar), os menores de 16 anos e aqueles que tiveram seus direitos políticos perdidos ou
suspensos.

234
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Inelegível – analfabetos e inalistáveis – conscritos e estrangeiro.

Art. 14 § 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.

#CAIEMPROVA #AJUDAMARCINHO: quanto ao analfabeto, há entendimento consolidado na Justiça Eleitoral


de que o “analfabeto funcional” se encontra habilitado a disputar as eleições. Além disso, o simples fato de o
candidato já ter exercido cargo eletivo não é circunstância suficiente para, em REsp, reformar-se decisão
mediante a qual o candidato foi considerado analfabeto, nos termos da Súmula 15 do TSE.

Motivos funcionais (art. 14, §6º, CF): caso desejem concorrer a outros cargos, os ocupantes de cargos do
Executivo devem renunciar aos seus mandatos em até seis meses antes do pleito. Trata-se de uma hipótese
de (auto)desincompatibilização, pois permite o afastamento da própria inelegibilidade funcional.

Na hipótese em que o ato do Chefe do Executivo venha a beneficiar terceiro que estava reflexamente
inelegível em razão do fato de ele ser Chefe do Executivo, fala-se em heterodesincompatibilização. Ademais,
o vice pode ser candidato a outro cargo sem renunciar ao seu mandato, desde que não substitua o Chefe do
Executivo nos seis meses anteriores à eleição.

§ 6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito


Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: conforme entendimento do STF, o chefe do executivo reeleito não poderá


concorrer a um terceiro mandato, mesmo na condição de vice, haja vista que em caso de renúncia do titular
configuraria o vedado terceiro mandato.

“inelegibilidade reflexa” (art. 14, §7º, CF): trata-se da inelegibilidade que atinge o cônjuge e os parentes
consanguíneos ou afins, no âmbito do mesmo território de jurisdição do titular, até o segundo grau ou por
adoção (filhos, netos, pais, avós, irmãos, cunhados, sogros e o cônjuge), do Presidente, Governador, Prefeito
ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato
eletivo e candidato à reeleição.

§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até
o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito
Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já
titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

#SELIGANASÚMULA: segundo a Súmula Vinculante nº 18, a dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal,


no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade. Contudo, em meados de 2014, ao julgar o RE 758461/PB,
o Tribunal fez um distinguishing e decidiu que o enunciado não se aplica aos casos de extinção do vínculo
conjugal pela morte de um dos cônjuges, já que o espírito do §7º é o de “impedir a hegemonia política de um
mesmo grupo familiar, ao dar efetividade à alternância no poder, preceito básico do regime democrático”, o
que, definitivamente, não é o que ocorre no caso de morte, que é evento fortuito.

d) serviço militar (art. 14, §8º, CF): nesse caso, para ser elegível, o militar alistável deverá afastar-se da
atividade caso conte com menos de 10 anos de serviço, ou, se contar com mais de 10 anos, será agregado
pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.

§ 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:

235
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;

II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará
automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.

LEI COMPLEMENTAR 64/90

As inelegibilidades infraconstitucionais estão previstas na LC nº 64, editada com base no §9º, do art. 14, CF.
As principais inovações trazidas pela LC nº 135/2010 (Ficha Limpa) foram a substituição das penas de
inelegibilidade de três para oito anos e a possibilidade de imputação das inelegibilidades sem necessitar
aguardar o trânsito em julgado, bastando que a condenação seja proferida por órgão colegiado. Quanto ao
primeiro ponto, o STF decidiu que é possível a aplicação retroativa da LC nº 135/2010, possibilitando o
indeferimento do registro de candidaturas pleiteadas por cidadãos condenados por órgãos colegiados do
Judiciário antes da sua publicação. E, quanto ao segundo ponto, nem se alegue que representa violação ao
princípio da presunção de inocência, que, além de não ser absoluto, cede em face da necessidade de conferir
uma proteção mais eficaz aos preceitos basilares da ética, da moralidade e da preservação do interesse
público primário

#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO #STF: O art. 1º, I, “g”, da LC 64/90 prevê que são inelegíveis para qualquer
cargo os que tiverem suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas “por irregularidade insanável que
configure ato doloso de improbidade administrativa”. Assim, a rejeição de contas só gera a inelegibilidade se
a irregularidade insanável que for detectada configurar ato doloso de improbidade administrativa. Não é
possível fazer uma interpretação extensiva desse dispositivo para dizer que a simples violação da Lei de
Licitações configura ato doloso de improbidade administrativa e que, portanto, caracteriza essa hipótese de
inelegibilidade. É necessário fazer uma distinção entre “ato meramente ilegal” e “ato ímprobo”, exigindo para
este último uma qualificação especial: lesar o erário ou, ainda, promover enriquecimento ilícito ou
favorecimento contra legem de terceiro. STF. 2ª Turma. ARE 1197808 AgR-segundo e terceiro/SP, Rel. Min.
Gilmar Mendes, julgado em 3/3/2020 (Info 968).

#DEOLHONAJURIS#DIZERODIREITO#STF #IMPORTANTE A condenação por abuso do poder econômico ou


político em ação de investigação judicial eleitoral, transitada em julgado, “ex vi” do artigo 22, inciso XIV, da
Lei Complementar 64/90, em sua redação primitiva, é apta a atrair a incidência da inelegibilidade do artigo
1º, inciso I, alínea "d", na redação dada pela Lei Complementar 135/2010, aplicando-se a todos os processos
de registros de candidatura em trâmite. STF. Plenário. RE 929670/DF, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski,
red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, julgado em 1º/3/2018 (repercussão geral) (Info 892). É possível aplicar o prazo de
8 anos de inelegibilidade, introduzido pela LC 135/2010 (Lei da Ficha Limpa), às condenações por abuso de
poder, mesmo nos casos em que o processo já tinha transitado em julgado quando a Lei da Ficha Limpa entrou
em vigor. O fato de a condenação nos autos de representação por abuso de poder econômico ou político
haver transitado em julgado, ou mesmo haver transcorrido o prazo da sanção de três anos, imposta por força
de condenação pela Justiça Eleitoral, não afasta a incidência da inelegibilidade constante da alínea “d” do
inciso I do art. 1º da LC 64/90, cujo prazo passou a ser de 8 anos. Exemplo: em 2009, João, político, foi
condenado em Ação de Investigação Judicial Eleitoral, pela prática de abuso de poder político. Naquela época
não havia ainda a Lei da Ficha Limpa. Vigorava a redação originária do art. 1º, I, “d”, da LC 64/90. Logo, a
Justiça Eleitoral determinou que João ficasse inelegível por 3 anos. O processo transitou em julgado em
10/09/2010 e João cumpriu os 3 anos de inelegibilidade, conforme havia sido determinado. Nas eleições de
2016, já imaginando que estaria livre da inelegibilidade, ele tentou concorrer ao cargo de Prefeito,
apresentando requerimento de registro de candidatura. Ele não pode concorrer. Isso porque, em 2010, a Lei

236
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
da Ficha Limpa aumentou a punição prevista no art. 1º, I, “d”, da LC 64/90 de 3 para 8 anos. Mesmo a Lei da
Ficha Limpa tendo entrado em vigor após o fato praticado por João, este novo diploma deve ser aplicado ao
caso concreto. Logo, a inelegibilidade de João, que era de 3 anos (e que acabou em 2012 = 3 + 2009), subiria
para 8 anos (e a inelegibilidade perduraria até 2017 = 8 + 2009). STF. Plenário. ARE 1180658 AgR/RN, rel. orig.
Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Rosa Weber, julgado em 10/9/2019 (Info 951).

#SELIGANASSÚMULAS

Súmula-TSE nº 2

Assinada e recebida a ficha de filiação partidária até o termo final do prazo fixado em lei, considera-se
satisfeita a correspondente condição de elegibilidade, ainda que não tenha fluído, até a mesma data, o tríduo
legal de impugnação.

Súmula-TSE nº 5

Serventuário de cartório, celetista, não se inclui na exigência do art. 1º, II, l, da LC nº 64/90.

Súmula-TSE nº 6

São inelegíveis para o cargo de Chefe do Executivo o cônjuge e os parentes, indicados no § 7º do art. 14 da
Constituição Federal, do titular do mandato, salvo se este, reelegível, tenha falecido, renunciado ou se
afastado definitivamente do cargo até seis meses antes do pleito.

Súmula-TSE nº 12

São inelegíveis, no município desmembrado, e ainda não instalado, o cônjuge e os parentes consanguíneos
ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do prefeito do município-mãe, ou de quem o tenha substituído,
dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo.

Súmula-TSE nº 19

O prazo de inelegibilidade decorrente da condenação por abuso do poder econômico ou político tem início
no dia da eleição em que este se verificou e finda no dia de igual número no oitavo ano seguinte (art. 22, XIV,
da LC nº 64/90).

Súmula-TSE nº 41

Não cabe à Justiça Eleitoral decidir sobre o acerto ou desacerto das decisões proferidas por outros Órgãos do
Judiciário ou dos Tribunais de Contas que configurem causa de inelegibilidade.

Súmula-TSE nº 43

As alterações fáticas ou jurídicas supervenientes ao registro que beneficiem o candidato, nos termos da parte
final do art. 11, § 10, da Lei n° 9.504/97, também devem ser admitidas para as condições de elegibilidade.

Súmula-TSE nº 47

A inelegibilidade superveniente que autoriza a interposição de recurso contra expedição de diploma, fundado
no art. 262 do Código Eleitoral, é aquela de índole constitucional ou, se infraconstitucional, superveniente ao
registro de candidatura, e que surge até a data do pleito.

237
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Súmula-TSE nº 49

O prazo de cinco dias, previsto no art. 3º da LC nº 64/90, para o Ministério Público impugnar o registro inicia-
se com a publicação do edital, caso em que é excepcionada a regra que determina a sua intimação pessoal.

Súmula-TSE nº 54

A desincompatibilização de servidor público que possui cargo em comissão é de três meses antes do pleito e
pressupõe a exoneração do cargo comissionado, e não apenas seu afastamento de fato.

Súmula-TSE nº 61

O prazo concernente à hipótese de inelegibilidade prevista no art. 1º, I, e, da LC nº 64/90 projeta-se por oito
anos após o cumprimento da pena, seja ela privativa de liberdade, restritiva de direito ou multa.

Súmula-TSE nº 69

Os prazos de inelegibilidade previstos nas alíneas j e h do inciso I do art. 1º da LC nº 64/90 têm termo inicial
no dia do primeiro turno da eleição e termo final no dia de igual número no oitavo ano seguinte.

Súmula-TSE nº 70

O encerramento do prazo de inelegibilidade antes do dia da eleição constitui fato superveniente que afasta a
inelegibilidade, nos termos do art. 11, § 10, da Lei nº 9.504/97.

PESSOA ATINGIDA PELA INELEBILIDADE131 PRAZO DE INELEGIBILIDADE

Parlamentares que hajam perdido os mandatos por Período remanescente do mandato + 8 anos
infringência do disposto nos incisos I e II do artigo 55
da CF.

Governador, Vice, Prefeito e Vice que perderem cargo Período remanescente do mandato + 8 anos
por contrariar a Constituição Estadual e Lei Orgânica.

Abuso de poder econômico, abuso de poder político, Eleição na qual concorrem +8 anos
por corrupção eleitoral, por captação ilícita de
sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos de
recursos de campanha ou por conduta vedada aos
agentes públicos em campanhas eleitorais que
impliquem cassação do registro ou do diploma,
reconhecidos pela Justiça Eleitoral, pelo menos por
órgão colegiado

Condenados por crimes definidos em lei com trânsito Desde a condenação até prazo de 8 anos após o
em julgado ou decisão de órgão colegiado: cumprimento da pena.

São os crimes: 1. contra a economia popular, a fé


pública, a administração pública e o patrimônio
público; 2. contra o patrimônio privado, o sistema

131
Vou negritar as hipóteses de maior incidência nas provas.

238
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
financeiro, o mercado de capitais e os previstos na lei
que regula a falência; 3. contra o meio ambiente
e a saúde pública; 4. eleitorais, para os quais a
lei comine pena privativa de liberdade; 5. de
abuso de autoridade, nos casos em que houver
condenação à perda do cargo ou à inabilitação para o
exercício de função pública; 6. de lavagem ou
ocultação de bens, direitos e valores; 7. de tráfico
de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura,
terrorismo e hediondos; 8. de redução à condição
análoga à de escravo; 9. contra a vida e a dignidade
sexual; e 10. praticados por organização criminosa,
quadrilha ou bando

ATENÇÃO: esta inelegibilidade não se aplica aos


crimes culposos e àqueles definidos em lei como de
menor potencial ofensivo, nem aos crimes de ação
penal privada

Declarados indignos do oficialato 8 anos contados da decisão.

Não tiveram as contas aprovadas por irregularidade 8 anos contados da decisão.


insanável que configure ato doloso de improbidade
administrativa, por decisão irrecorrível do órgão
competente

Condenação transitada em julgado ou proferida por Eleição na qual concorrem +8 anos


órgão colegiado em caso de abuso de poder político
ou econômico

Os que, em estabelecimentos de crédito, Enquanto não forem exonerados de qualquer


financiamento ou seguro, que tenham sido ou responsabilidade.
estejam sendo objeto de processo de liquidação
judicial ou extrajudicial, hajam exercido, nos 12 (doze)
meses anteriores à respectiva decretação, cargo ou
função de direção, administração ou representação,
enquanto não forem exonerados de qualquer
responsabilidade

Decisão colegiada por conduta que implique a 8 anos a conta da eleição.


cassação de diploma.

Aqueles que renunciarem ao cargo, ou desfazerem Período remanescente do mandato + 8 anos


vínculo conjugal para evitar inelegibilidade, em
caso de procedimento que pudesse levar a
inelegibilidade

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Os que forem condenados a suspensão de direitos Desde a condenação até prazo de 8 anos após o
políticos por ato de improbidade administrativa. cumprimento da pena.

Os que forem excluídos do exercício da profissão, 8 anos, salvo a decisão estiver suspensa.
por decisão sancionatória do órgão profissional
competente, em decorrência de infração ético-
profissional

Os que forem demitidos do serviço público em 8 anos contados da decisão.


decorrência de processo administrativo ou judicial,
salvo se o ato houver sido suspenso ou anulado pelo
Poder Judiciário.

Responsáveis por doações ilegais. 8 anos contados da decisão.

Magistrados e membros do MP aposentados 8 anos


compulsoriamente.

CONDUTAS VEDADAS AOS AGENTES PÚBLICOS

Pessoal, já estamos em 235 páginas, a partir de agora vou trazer os artigos de maior incidência, certo?

Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a
igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais:

I - ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes
à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios,
ressalvada a realização de convenção partidária;

II - usar materiais ou serviços, custeados pelos Governos ou Casas Legislativas, que excedam as prerrogativas
consignadas nos regimentos e normas dos órgãos que integram;

III - ceder servidor público ou empregado da administração direta ou indireta federal, estadual ou municipal do
Poder Executivo, ou usar de seus serviços, para comitês de campanha eleitoral de candidato, partido político ou
coligação, durante o horário de expediente normal, salvo se o servidor ou empregado estiver licenciado;

IV - fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição
gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público;

V - nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens
ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex officio, remover, transferir ou
exonerar servidor público, na circunscrição do pleito, nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos,
sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados:

a) a nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança;

b) a nomeação para cargos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos Tribunais ou Conselhos de Contas e
dos órgãos da Presidência da República;

c) a nomeação dos aprovados em concursos públicos homologados até o início daquele prazo;
240
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
d) a nomeação ou contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços públicos
essenciais, com prévia e expressa autorização do Chefe do Poder Executivo;

e) a transferência ou remoção ex officio de militares, policiais civis e de agentes penitenciários;

VI - nos três meses que antecedem o pleito:

a) realizar transferência voluntária de recursos da União aos Estados e Municípios, e dos Estados aos Municípios,
sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados os recursos destinados a cumprir obrigação formal
preexistente para execução de obra ou serviço em andamento e com cronograma prefixado, e os destinados a
atender situações de emergência e de calamidade pública;

b) com exceção da propaganda de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado, autorizar
publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos federais,
estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, salvo em caso de grave e
urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral;

c) fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, fora do horário eleitoral gratuito, salvo quando, a
critério da Justiça Eleitoral, tratar-se de matéria urgente, relevante e característica das funções de governo;

VII - realizar, no primeiro semestre do ano de eleição, despesas com publicidade dos órgãos públicos federais,
estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a média dos
gastos no primeiro semestre dos três últimos anos que antecedem o pleito; (Redação dada pela Lei nº
13.165, de 2015)

VIII - fazer, na circunscrição do pleito, revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a
recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição, a partir do início do prazo
estabelecido no art. 7º desta Lei e até a posse dos eleitos.

§ 1º Reputa-se agente público, para os efeitos deste artigo, quem exerce, ainda que transitoriamente ou sem
remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou
vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nos órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta,
ou fundacional.

§ 2º A vedação do inciso I do caput não se aplica ao uso, em campanha, de transporte oficial pelo Presidente da
República, obedecido o disposto no art. 76, nem ao uso, em campanha, pelos candidatos a reeleição de
Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal,
Prefeito e Vice-Prefeito, de suas residências oficiais para realização de contatos, encontros e reuniões
pertinentes à própria campanha, desde que não tenham caráter de ato público.

§ 3º As vedações do inciso VI do caput, alíneas b e c, aplicam-se apenas aos agentes públicos das esferas
administrativas cujos cargos estejam em disputa na eleição.

§ 4º O descumprimento do disposto neste artigo acarretará a suspensão imediata da conduta vedada, quando
for o caso, e sujeitará os responsáveis a multa no valor de cinco a cem mil UFIR.

§ 5º Nos casos de descumprimento do disposto nos incisos do caput e no § 10, sem prejuízo do disposto no §
4o, o candidato beneficiado, agente público ou não, ficará sujeito à cassação do registro ou do
diploma. (Redação dada pela Lei nº 12.034, de 2009)

§ 6º As multas de que trata este artigo serão duplicadas a cada reincidência.

241
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
§ 7º As condutas enumeradas no caput caracterizam, ainda, atos de improbidade administrativa, a que se refere
o art. 11, inciso I, da Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, e sujeitam-se às disposições daquele diploma legal, em
especial às cominações do art. 12, inciso III.

§ 8º Aplicam-se as sanções do § 4º aos agentes públicos responsáveis pelas condutas vedadas e aos partidos,
coligações e candidatos que delas se beneficiarem.

§ 9º Na distribuição dos recursos do Fundo Partidário (Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995) oriundos da
aplicação do disposto no § 4º, deverão ser excluídos os partidos beneficiados pelos atos que originaram as
multas.

§ 10. No ano em que se realizar eleição, fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por
parte da Administração Pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de
programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o
Ministério Público poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e
administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.300, de 2006)

§ 11. Nos anos eleitorais, os programas sociais de que trata o § 10 não poderão ser executados por entidade
nominalmente vinculada a candidato ou por esse mantida. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

§ 12. A representação contra a não observância do disposto neste artigo observará o rito do art. 22 da Lei
Complementar no 64, de 18 de maio de 1990, e poderá ser ajuizada até a data da
diplomação. (Incluído pela Lei nº 12.034, de 2009)

§ 13. O prazo de recurso contra decisões proferidas com base neste artigo será de 3 (três) dias, a contar da data
da publicação do julgamento no Diário Oficial.

PROPAGANDA ELEITORAL

Art. 36-A. Não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolvam pedido explícito de voto,
a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos e os seguintes atos,
que poderão ter cobertura dos meios de comunicação social, inclusive via internet: (Redação dada
pela Lei nº 13.165, de 2015)

I - a participação de filiados a partidos políticos ou de pré-candidatos em entrevistas, programas, encontros ou


debates no rádio, na televisão e na internet, inclusive com a exposição de plataformas e projetos políticos,
observado pelas emissoras de rádio e de televisão o dever de conferir tratamento
isonômico; (Redação dada pela Lei nº 12.891, de 2013)

II - a realização de encontros, seminários ou congressos, em ambiente fechado e a expensas dos partidos


políticos, para tratar da organização dos processos eleitorais, discussão de políticas públicas, planos de governo
ou alianças partidárias visando às eleições, podendo tais atividades ser divulgadas pelos instrumentos de
comunicação intrapartidária; (Redação dada pela Lei nº 12.891, de 2013)

III - a realização de prévias partidárias e a respectiva distribuição de material informativo, a divulgação dos
nomes dos filiados que participarão da disputa e a realização de debates entre os pré-
candidatos; (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015)

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
IV - a divulgação de atos de parlamentares e debates legislativos, desde que não se faça pedido de
votos; (Redação dada pela Lei nº 12.891, de 2013)

V - a divulgação de posicionamento pessoal sobre questões políticas, inclusive nas redes


sociais; (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015)

VI - a realização, a expensas de partido político, de reuniões de iniciativa da sociedade civil, de veículo ou meio
de comunicação ou do próprio partido, em qualquer localidade, para divulgar ideias, objetivos e propostas
partidárias. (Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015)

VII - campanha de arrecadação prévia de recursos na modalidade prevista no inciso IV do § 4o do art. 23 desta
Lei. (Incluído dada pela Lei nº 13.488, de 2017)

§ 1º É vedada a transmissão ao vivo por emissoras de rádio e de televisão das prévias partidárias, sem prejuízo
da cobertura dos meios de comunicação social. (Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015)

§ 2º Nas hipóteses dos incisos I a VI do caput, são permitidos o pedido de apoio político e a divulgação da pré-
candidatura, das ações políticas desenvolvidas e das que se pretende desenvolver. (Incluído pela Lei nº
13.165, de 2015)

§ 3º O disposto no § 2o não se aplica aos profissionais de comunicação social no exercício da


profissão. (Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015)

Art. 36-B. Será considerada propaganda eleitoral antecipada a convocação, por parte do Presidente da
República, dos Presidentes da Câmara dos Deputados, do Senado Federal e do Supremo Tribunal Federal, de
redes de radiodifusão para divulgação de atos que denotem propaganda política ou ataques a partidos políticos
e seus filiados ou instituições. (Incluído pela Lei nº 12.891, de 2013)

Parágrafo único. Nos casos permitidos de convocação das redes de radiodifusão, é vedada a utilização de
símbolos ou imagens, exceto aqueles previstos no § 1º do art. 13 da Constituição Federal.

PARTIDOS POLÍTICOS

Art. 1º O partido político, pessoa jurídica de direito privado, destina-se a assegurar, no interesse do regime
democrático, a autenticidade do sistema representativo e a defender os direitos fundamentais definidos na
Constituição Federal.

Parágrafo único. O partido político não se equipara às entidades paraestatais. (incluído pela Lei nº
13.488, de 2017)

Art. 2º É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos cujos programas respeitem a
soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo e os direitos fundamentais da pessoa humana.

Art. 3º É assegurada, ao partido político, autonomia para definir sua estrutura interna, organização e
funcionamento.

§ 1º. É assegurada aos candidatos, partidos políticos e coligações autonomia para definir o cronograma das
atividades eleitorais de campanha e executá-lo em qualquer dia e horário, observados os limites estabelecidos
em lei. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 13.831, de 2019)

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
§ 2º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir o prazo de duração dos mandatos dos membros
dos seus órgãos partidários permanentes ou provisórios. (Incluído pela Lei nº 13.831, de 2019)

§ 3º O prazo de vigência dos órgãos provisórios dos partidos políticos poderá ser de até 8 (oito)
anos. (Incluído pela Lei nº 13.831, de 2019)

§ 4º Exaurido o prazo de vigência de um órgão partidário, ficam vedados a extinção automática do órgão e o
cancelamento de sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído pela Lei nº
13.831, de 2019)

Art. 6º É vedado ao partido político ministrar instrução militar ou paramilitar, utilizar-se de organização da
mesma natureza e adotar uniforme para seus membros.

Art. 7º O partido político, após adquirir personalidade jurídica na forma da lei civil, registra seu estatuto no
Tribunal Superior Eleitoral.

§ 1º Só é admitido o registro do estatuto de partido político que tenha caráter nacional, considerando-se como
tal aquele que comprove, no período de dois anos, o apoiamento de eleitores não filiados a partido político,
correspondente a, pelo menos, 0,5% (cinco décimos por cento) dos votos dados na última eleição geral para a
Câmara dos Deputados, não computados os votos em branco e os nulos, distribuídos por um terço, ou mais, dos
Estados, com um mínimo de 0,1% (um décimo por cento) do eleitorado que haja votado em cada um
deles. (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015)

§ 2º Só o partido que tenha registrado seu estatuto no Tribunal Superior Eleitoral pode participar do processo
eleitoral, receber recursos do Fundo Partidário e ter acesso gratuito ao rádio e à televisão, nos termos fixados
nesta Lei.

§ 3º Somente o registro do estatuto do partido no Tribunal Superior Eleitoral assegura a exclusividade da sua
denominação, sigla e símbolos, vedada a utilização, por outros partidos, de variações que venham a induzir a
erro ou confusão.

AÇÕES ELEITORAIS

AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO AO REGISTRO DE CANDIDATURA – AIRC

#APOSTACICLOS

No direito eleitoral brasileiro, são admitidos dois tipos de ações para aqueles que apresentem algum tipo de
restrição aos direitos políticos (ex. inelegibilidades, entre outros): AIRC E RCED (Ação de impugnação ao registro
da candidatura e recurso contra a expedição do diploma)

AÇÃO DE IMPUGNAÇÃO AO REGISTRO DE CANDIDATURA

HIPÓTESES DE CABIMENTO DA AIRC:

Ausência de condição de Elegibilidade,

Ausência de condição de Registrabilidade,


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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Incidência de uma causa de inelegibilidade – constitucional ou infraconstitucional.

OBJETIVO DA AIRC

A finalidade desta ação é o indeferimento do registro de candidato, sendo que a decretação da inelegibilidade
não é objeto dessa ação.

O TSE (AgRg-Respe nº 23556/SP) já afirmou que no processo de registro de candidatura, não se declara nem se
impõe a sanção de inelegibilidade, mas se afere tão somente as condições de elegibilidade e as causas de
inelegibilidade, a fim de que se possa considerar o candidato apto a concorrer na eleição.

#OLHAOGANCHO você sabe o que DRAP? É o demonstrativo de regularidade dos atos partidários. Quando o
partido não cumpre as condições legais, é cabível uma impugnação ao DRAP, que será elaborada nos mesmos
moldes da AIRC (prazos e demais requisitos).

COMPETÊNCIA DA AIRC

A competência está estabelecida no art. 2º da LC 64/90:

Art. 2º Compete à Justiça Eleitoral conhecer e decidir as arguições de inelegibilidade.

Parágrafo único. A arguição de inelegibilidade será feita perante:

I - o Tribunal Superior Eleitoral, quando se tratar de candidato a Presidente ou Vice-Presidente da República;

II - os Tribunais Regionais Eleitorais, quando se tratar de candidato a Senador, Governador e Vice-


Governador de Estado e do Distrito Federal, Deputado Federal, Deputado Estadual e Deputado Distrital;

III - os Juízes Eleitorais, quando se tratar de candidato a Prefeito, Vice-Prefeito e Vereador.

PRAZO PARA AJUIZAMENTO

O prazo para ajuizamento da AIRC é de 05 dias, contados da publicação do edital relativo ao pedido de registro.
Caso não exista órgão oficial no local, conta-se o prazo da fixação do edital no cartório eleitoral.

Contagem do prazo: decadencial e comum a todas as partes (exclui o dia da publicação e inclui o do vencimento).

#OLHAOGANCHO

#APOSTACICLOS

A contagem do prazo a partir da publicação aplica-se inclusive para o Ministério Público Eleitoral, não é
necessária a intimação pessoal.

Art. 3° Caberá a qualquer candidato, a partido político, coligação ou ao Ministério Público, no prazo de 5 (cinco)
dias, contados da publicação do pedido de registro do candidato, impugná-lo em petição fundamentada.

PRECLUSÃO

A inelegibilidade deve ser arguida na primeira oportunidade, sob pena de preclusão, vide art. 259 do CE, salvo
se tratar de matéria de cunho constitucional ou superveniente ao registro.
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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
#FICADEOLHO Se for caso de inelegibilidade de cunho constitucional ou superveniente ao registro a matéria
deve ser aventada em sede de RCED, nos termos do art. 262 do Código Eleitoral.

#ATENÇÃO para a alteração legislativa que aconteceu em 2019, no art. 262 do CE:

§ 1º A inelegibilidade superveniente que atrai restrição à candidatura, se formulada no âmbito do processo de


registro, não poderá ser deduzida no recurso contra expedição de diploma. (Incluído pela Lei nº 13.877, de
2019)

§ 2º A inelegibilidade superveniente apta a viabilizar o recurso contra a expedição de diploma, decorrente de


alterações fáticas ou jurídicas, deverá ocorrer até a data fixada para que os partidos políticos e as coligações
apresentem os seus requerimentos de registros de candidatos. (Incluído pela Lei nº 13.877, de 2019)132

LEGITIMIDADE, LITISCONSÓRCIO E ASSISTÊNCIA

Art. 3° Caberá a qualquer candidato, a partido político, coligação ou ao Ministério Público, no prazo de 5 (cinco)
dias, contados da publicação do pedido de registro do candidato, impugná-lo em petição fundamentada.

Legitimados:

 CANDIDATO
 PARTIDO POLÍTICO
 COLIGAÇÃO
 MINISTÉRIO PÚBLICO

#APOSTACICLOS: O eleitor não tem legitimidade ativa para ajuizar a demanda, mas poderá dar notícia da
inelegibilidade ao Tribunal competente, fato que deve ser dado conhecimento ao MP.

#ATENÇÃOPARASÚMULA: O filiado a partido político, ainda que não seja candidato, possui legitimidade e
interesse para impugnar pedido de registro de coligação partidária da qual é integrante, em razão de eventuais
irregularidades havidas em convenção. (Súmula 53 do TSE)

Rodrigo Lopez Zilio adverte que a súmula aplica-se somente ao filiado para impugnar registro de coligação, ou
seja, do DRAP e não de candidatos individualmente.

#APOSTACICLOS

Em caso de desistência da parte na AIRC, é dado ao MP assumir a titularidade? Há oscilação no entendimento


do TSE, ora admitindo, ora não admitindo a substituição. Para Rodrigo Lopez Zilio, em face do interesse difuso
inerente às ações eleitorais, é permitido ao MP assumir a titularidade em analogia à ação Popular.

A súmula 11 do TSE dispõe que o partido que não impugnou o registro de candidato não tem legitimidade para
recorrer da sentença que o deferiu, salvo matéria constitucional. O STF entendeu que o MP tem legitimidade

132
Sobre o RCED vamos falar mais para frente.

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
para recorrer da decisão que defere registro de candidatura, ainda que não haja apresentado impugnação ao
pedido inicial.

A possibilidade de reconhecimento de ofício pelo juiz foi reconhecida na súmula 45 do TSE:

Súmula 45 do TSE: Nos processos de registro de candidatura, o juiz eleitoral pode conhecer de ofício da
existência de causas de inelegibilidade ou da ausência de condição de elegibilidade, desde que resguardados o
contraditório e a ampla defesa.

Nas eleições majoritárias e reconhecendo a limitação da causa de pedir, não há porque admitir o litisconsórcio
passivo, já que a causa de inelegibilidade é pessoal e o impugnado pode afastar os riscos de contaminação da
chapa através da desistência, com indicação de substituto.

Para o TSE (AgRg-Respe nº 35039/BA) não há litisconsórcio necessário entre o prefeito e o vice na ação de
impugnação ao registro de candidato.

Súmula 39 do TSE Não há formação de litisconsórcio necessário em processos de registro de candidatura.

Já nas eleições proporcionais, o entendimento é pela inexistência de litisconsórcio passivo necessário entre o
candidato e o partido político ou coligação.

O ingresso como assistente, exige a demonstração de interesse jurídico na causa.

QUESTÕES PROCEDIMENTAIS

Petição Inicial: Deve observar o art. 319 do CPC, com exceção do valor da causa, já que na justiça eleitoral
impera a gratuidade judiciária.

Testemunhas: Máximo 06

Art.3º, § 3° O impugnante especificará, desde logo, os meios de prova com que pretende demonstrar a
veracidade do alegado, arrolando testemunhas, se for o caso, no máximo de 6 (seis).

Contestação:

Prazo: 07 dias.

Art. 4° A partir da data em que terminar o prazo para impugnação, passará a correr, após devida notificação,
o prazo de 7 (sete) dias para que o candidato, partido político ou coligação possa contestá-la, juntar
documentos, indicar rol de testemunhas e requerer a produção de outras provas, inclusive documentais, que
se encontrarem em poder de terceiros, de repartições públicas ou em procedimentos judiciais, ou
administrativos, salvo os processos em tramitação em segredo de justiça.

Instrução:

Art. 5° Decorrido o prazo para contestação, se não se tratar apenas de matéria de direito e a prova protestada
for relevante, serão designados os 4 (quatro) dias seguintes para inquirição das testemunhas do impugnante
e do impugnado, as quais comparecerão por iniciativa das partes que as tiverem arrolado, com notificação
judicial.

247
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
§ 1° As testemunhas do impugnante e do impugnado serão ouvidas em uma só assentada.

§ 2° Nos 5 (cinco) dias subsequentes, o Juiz, ou o Relator, procederá a todas as diligências que determinar,
de ofício ou a requerimento das partes.

§ 3° No prazo do parágrafo anterior, o Juiz, ou o Relator, poderá ouvir terceiros, referidos pelas partes,
ou testemunhas, como conhecedores dos fatos e circunstâncias que possam influir na decisão da causa.

§ 4° Quando qualquer documento necessário à formação da prova se achar em poder de terceiro, o Juiz,
ou o Relator, poderá ainda, no mesmo prazo, ordenar o respectivo depósito.

§ 5° Se o terceiro, sem justa causa, não exibir o documento, ou não comparecer a juízo, poderá o Juiz
contra ele expedir mandado de prisão e instaurar processo por crime de desobediência.

Alegações: É obrigatória a abertura de prazo para apresentação das alegações, mas o oferecimento das
alegações é faculdade concedida às partes.

Art. 6° Encerrado o prazo da dilação probatória, nos termos do artigo anterior, as partes, inclusive o
Ministério Público, poderão apresentar alegações no prazo comum de 5 (cinco) dias.

Sentença

Art. 7° Encerrado o prazo para alegações, os autos serão conclusos ao Juiz, ou ao Relator, no dia imediato,
para sentença ou julgamento pelo Tribunal.

Parágrafo único. O Juiz, ou Tribunal, formará sua convicção pela livre apreciação da prova, atendendo aos
fatos e às circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes, mencionando, na
decisão, os que motivaram seu convencimento.

Recurso

#APOSTACICLOS

Art. 8° Nos pedidos de registro de candidatos a eleições municipais, o Juiz Eleitoral apresentará a sentença
em cartório 3 (três) dias após a conclusão dos autos, passando a correr deste momento o prazo de 3 (três)
dias para a interposição de recurso para o Tribunal Regional Eleitoral.

§ 1° A partir da data em que for protocolizada a petição de recurso, passará a correr o prazo de 3 (três)
dias para a apresentação de contra-razões.

§ 2° Apresentadas as contra-razões, serão os autos imediatamente remetidos ao Tribunal Regional


Eleitoral, inclusive por portador, se houver necessidade, decorrente da exiguidade de prazo, correndo as
despesas do transporte por conta do recorrente, se tiver condições de pagá-las.

Art. 9° Se o Juiz Eleitoral não apresentar a sentença no prazo do artigo anterior, o prazo para recurso só
começará a correr após a publicação da mesma por edital, em cartório.

Parágrafo único. Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o Corregedor Regional, de ofício, apurará o
motivo do retardamento e proporá ao Tribunal Regional Eleitoral, se for o caso, a aplicação da penalidade
cabível.

248
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

Prioridade:

Art. 16. Até vinte dias antes da data das eleições, os Tribunais Regionais Eleitorais enviarão ao Tribunal
Superior Eleitoral, para fins de centralização e divulgação de dados, a relação dos candidatos às eleições
majoritárias e proporcionais, da qual constará obrigatoriamente a referência ao sexo e ao cargo a que
concorrem.

2º Os processos de registro de candidaturas terão prioridade sobre quaisquer outros, devendo a Justiça
Eleitoral adotar as providências necessárias para o cumprimento do prazo previsto no § 1o, inclusive com a
realização de sessões extraordinárias e a convocação dos juízes suplentes pelos Tribunais, sem prejuízo da
eventual aplicação do disposto no art. 97 e de representação ao Conselho Nacional de Justiça.

AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL – AIJE

De acordo com Rodrigo Lopez Zílio não pode haver qualquer elemento que desvirtue ou perturbe a livre
autodeterminação do eleitor, já que a soberania popular é sustentáculo do princípio democrático. Tendo por
base o princípio nuclear da normalidade e legitimidade das eleições, por força do legislar constituinte, art. 14,
§9º, da CF) veio a lume a partir da LC 64/90, a ação de investigação judicial eleitoral, AIJE.

Assim, o art. 22, da LC 64/90, visa combater todo e qualquer ato de abuso de poder na esfera eleitoral:

Art. 22. Qualquer partido político, coligação, candidato ou Ministério Público Eleitoral poderá representar à
Justiça Eleitoral, diretamente ao Corregedor-Geral ou Regional, relatando fatos e indicando provas, indícios e
circunstâncias e pedir abertura de investigação judicial para apurar uso indevido, desvio ou abuso do poder
econômico ou do poder de autoridade, ou utilização indevida de veículos ou meios de comunicação social, em
benefício de candidato ou de partido político, obedecido o seguinte rito.

Em verdade, a AIJE apresenta uma importância na esfera eleitoral, já que é o meio processual adequado para
combater os atos de abuso eleitoral, seja de poder político, de autoridade, econômico ou uso indevido dos meios
de comunicação social, que tenham interferência na normalidade do pleito.

HIPÓTESES DE CABIMENTO

- Prática de abuso de poder econômico

- Prática de abuso de poder de autoridade (ou político)

- Utilização Indevida dos meios de comunicação social

- Transgressão dos valores pecuniários

Conceito de abuso de Poder: qualquer ato doloso ou culposo, de inobservância das regras de legalidade, com
consequências jurídicas negativas na esfera do direito.

Abuso de Poder Econômico: Emprego de recursos financeiros, em espécie ou que tenham mensuração
econômica para beneficiar determinado candidato, partido ou coligação, interferindo no certame eleitoral. Ex.
descumprimento das regras de prestação de contas na campanha eleitoral.
249
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Para o TSE configura abuso do poder econômico: a)oferta de valores a candidatos com o intuito de comprar-
lhes a candidatura; b)negociação de apoio político, mediante o oferecimento de vantagem com conteúdo
econômico.

Abuso de Poder de Autoridade: É todo ato emanado de pessoas que exerce cargo, emprego ou função,
excedendo aos limites de legalidade ou de competência. Ex. condutas vedadas ao agente publico (artigos 73 a
77 da LE)

PROCEDIMENTO E COMPETÊNCIA

Previsto no art. 22 da LC 64/90 (rito sumário)

Ajuizamento da representação – petição inicial deve observar o art. 319 do NCPC.

Rol de Testemunhas: até 06

#OLHAOGANCHO : O art. 22 da LC prevê a possibilidade de suspensão do ato que deu motivo à representação,
quando for relevante o fundamento e do ato impugnado puder resultar a ineficiência da medida, caso seja
julgada procedente;

#OLHAOGANCHO: O art. 22 da LC também prevê que o juiz indeferirá desde logo a inicial, quando não for
caso de representação ou lhe faltar algum requisito desta lei complementar;

Contestação: 5 dias

Rol de Testemunhas: até 06

Em caso de não oferecimento da contestação, entendeu o TSE que descabe a decretação da revelia e
confissão , cabendo a prova do fato constitutivo do direito ao autor da representação.

Audiência de Instrução: é realizada a audiência de inquirição de testemunhas, em 05 dias.

Alegações Escritas: prazo comum de 02 dias.

Recurso: prazo de 03 dias.

COMPETÊNCIA:

#APOSTACICLOS

NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS JUIZ ELEITORAL

NAS ELEIÇÕES ESTADUAIS DIRIGIDA AO CORREGEDOR REGIONAL ELEITORAL E JULGADA


PELO TRE

NAS ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DIRIGIDA AO CORREGEDOR-GERAL ELEITORAL E JULGADA


PELO TSE

250
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

BEM JURÍDICO

A AIJE visa proteger a normalidade e legitimidade do pleito, na forma do art. 14, §9º, da CF.

Basta a demonstração da potencialidade lesiva do ato abusivo.

Art. 22, XVI – para a configuração do ato abusivo, não será considerada a potencialidade de o fato alterar o
resultado da eleição, mas apenas a gravidade das circunstâncias que o caracterizam.

PRAZO PARA AJUIZAMENTO

#APOSTACICLOS

A LC 64/90 não fixa prazo para ajuizamento da AIJE. Para o TSE, o termo inicial para propositura da AIJE é o
registro da candidatura, mas pode ter como objeto fato ocorrido em momento anterior ao da escolha e registro
do candidato. O termo final é a data da diplomação.

LEGITIMIDADE

 QUALQUER PARTIDO POLÍTICO,


 COLIGAÇÃO,
 CANDIDATO OU
 MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL

E temos como legitimados passivos: o candidato, e o terceiro, já que assim prevê o art. 22 da LC:

XIV – julgada procedente a representação, ainda que após a proclamação dos eleitos, o Tribunal declarará a
inelegibilidade do representado e de QUANTOS HAJAM CONTRIBUÍDO PARA A PRÁTICA DO ATO, cominando-
lhes sanção de inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes à eleição em que
se verificou, além da cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela interferência
do poder econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios de comunicação,
determinando a remessa dos autos ao Ministério Público Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se
for o caso, e de ação penal, ordenando quaisquer outras providências que a espécie comportar;

Rodrigo Lopez Zilio explica que por força do princípio da indivisibilidade de chapa, o vice deve figurar no polo
passivo das demandas em que postula a cassação do registro, do diploma ou mandato, uma vez que há
litisconsórcio passivo necessário entre os integrantes da chapa majoritária.

Súmula 38 do TSE Nas ações que visem à cassação de registro, diploma ou mandato, há litisconsórcio passivo
necessário entre o titular e o respectivo vice da chapa majoritária.

E o partido político?

251
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Súmula 40 do TSE O partido político não é litisconsorte passivo necessário em ações que visem à cassação de
diploma.

SANÇÕES

XIV – julgada procedente a representação, ainda que após a proclamação dos eleitos, o Tribunal declarará a
inelegibilidade do representado e de quantos hajam contribuído para a prática do ato, cominando-lhes sanção
de inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes à eleição em que se
verificou, além da cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado pela interferência
do poder econômico ou pelo desvio ou abuso do poder de autoridade ou dos meios de comunicação,
determinando a remessa dos autos ao Ministério Público Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se
for o caso, e de ação penal, ordenando quaisquer outras providências que a espécie comportar;

#APOSTACICLOS

AIRC RCED AIJE AIME CAPTAÇÃO ILÍCITA


DE SUFRÁGIO

HIPÓTESES DE HIPÓTESES DE HIPÓTESES DE HIPÓTESES DE Constitui captação


CABIMENTO: CABIMENTO: CABIMENTO: CABIMENTO: de sufrágio, vedada
por esta Lei, o
candidato doar,
-Ausência de -casos de - Prática de abuso -Fraude oferecer, prometer,
condição de inelegibilidade de poder ou entregar, ao
Elegibilidade; superveniente; econômico -Corrupção eleitor, com o fim de
obter-lhe o voto,
- Prática de abuso -Abuso do poder
bem ou vantagem
de poder de econômico
pessoal de qualquer
-Ausência de -casos de natureza autoridade (ou natureza, inclusive
condição de constitucional; político) emprego ou função
Registrabilidade;
pública, desde o
- Utilização
registro da
-casos de falta de Indevida dos meios candidatura até o dia
-Incidência de uma condição de de comunicação da eleição, inclusive,
causa de elegibilidade. social
sob pena de multa de
inelegibilidade – - Transgressão dos mil a cinquenta mil
constitucional ou valores Ufir, e cassação do
infraconstitucional. pecuniários registro ou do
diploma, observado
o procedimento
252
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
previsto no art. 22 da
Lei Complementar
no 64, de 18 de maio
de 1990.

Prazo: Prazo: Prazo: Prazo: Prazo:

O prazo para De acordo com o art. A LC 64/90 não fixa 15 dias contados da A captação ilícita de
ajuizamento da 262 do CE é de 03 prazo para diplomação do sufrágio somente se
AIRC é de 05 dias, dias a contar da ajuizamento da eleito perfaz se a conduta é
contados da sessão de AIJE. Para o TSE, o cometida até o dia
publicação do diplomação. termo inicial para da eleição. Assim, é
edital relativo ao propositura da AIJE possível a aplicação
pedido de registro. é o registro da do art. 41-A da LE até
Caso não exista candidatura, mas a formalização do
órgão oficial no pode ter como registro de
local, conta-se o objeto fato candidatura. Antes
prazo da fixação do ocorrido em do encaminhamento
edital no cartório momento anterior do pedido de
eleitoral. ao da escolha e registro, subsiste a
registro do configuração de
candidato. O crime de corrupção
termo final é a data eleitoral e eventual
da diplomação. AIJE.

E o prazo final? É a
data da diplomação.

LEGITIMADOS: LEGITIMADOS: LEGITIMADOS: LEGITIMADOS LEGITIMADOS:

CANDIDATO CANDIDATOS QUALQUER MINISTÉRIO


PARTIDO PÚBLICO
PARTIDO POLÍTICO PARTIDOS POLÍTICO, PARTIDO POLÍTICO,
POLÍTICOS CANDIDATOS
COLIGAÇÃO COLIGAÇÃO, CANDIDATO,
COLIGAÇÃO PARTIDOS
MINISTÉRIO PARTIDÁRIA CANDIDATO OU POLITICOS COLIGAÇÃO E
PÚBLICO
MP MINISTÉRIO COLIGAÇÃO O MP.
PÚBLICO PARTIDÁRIA
ELEITORAL

253
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

CRIMES ELEITORAIS E PROCESSO PENAL ELEITORAL

É possível definir crimes eleitorais como condutas que violam os bens protegidos no processo eleitoral, em
sentido amplo, previstas na legislação eleitoral. Trata-se, portanto, apenas de uma especificação do crime em
geral, com a particularidade de visar a proteção de bens e valores político-eleitorais relevantes para a
coletividade.

Primeiramente, cumpre esclarecer que, quando houver lacuna no código eleitoral, deve-se utilizar o
procedimento previsto no CPP. É o que dispões o artigo 364 do código Eleitoral:

Art. 364. No processo e julgamento dos crimes eleitorais e dos comuns que lhes forem conexos, assim como nos
recursos e na execução, que lhes digam respeito, aplicar-se-á, como lei subsidiária ou supletiva, o Código de
Processo Penal.

AÇÃO PENAL: Segundo o art. 355, do CE, a ação penal eleitoral é pública incondicionada. Atenção, pois TODOS
os crimes eleitorais são de ação pública INCONDICIONADA, até mesmo os contra a honra.

COMPETÊNCIA:

O STF entende que crime eleitoral é qualificado como crime comum e não crime de responsabilidade. Entende
ainda que, em regra, são da competência da Justiça eleitoral. Admite o julgamento por Cortes da Justiça comum
apenas nas hipóteses de foro por prerrogativa no STF e no STJ.

Logo, em suma, os crimes eleitorais, bem como os conexos, são, em regra, da competência da justiça Eleitoral,
salvo quando praticados por pessoas com foro privilegiado no STF ou no STJ. Como visto, o entendimento
pacífico do STF é no sentido de que os crimes eleitorais são crimes comuns, o que acarreta a aplicação dos artigos
102, I, "b" e "c" e 105, I, "a" da Constituição Federal para o processamento e julgamento de crimes eleitorais
praticados pelas pessoas referidas.

Cuidado! Outras pessoas, por sua vez, são julgadas originariamente pela prática de crimes eleitorais nos
tribunais regionais eleitorais, também em virtude de prerrogativa de função. Nos TREs são processados e
julgados originariamente os crimes eleitorais praticados por todas as pessoas com privilégio de foro nos tribunais
de justiça estaduais, conforme previsão específica de cada Constituição Estadual ou da Lei Orgânica do Distrito
Federal. Além disso, prefeitos municipais, promotores de justiça e deputados estaduais deverão ser julgados
originariamente pelos TREs, pela prática de crimes eleitorais.

Por fim, a competência para o processamento e julgamento originário pela prática de crimes eleitorais
praticados por pessoas sem privilégio de foro é dos juízes eleitorais. Inclui-se nesta competência o
processamento e julgamento de crimes eleitorais praticados por vereadores e vice-prefeitos, se estes não
tiverem prerrogativa de foro prevista na constituição estadual.

PRISÃO

Art. 236. Nenhuma autoridade poderá, DESDE 5 (CINCO) DIAS ANTES E ATÉ 48 (QUARENTA E OITO) HORAS
DEPOIS DO ENCERRAMENTO DA ELEIÇÃO, prender ou deter qualquer eleitor, salvo em flagrante delito ou em
virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto.

254
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
§ 1º Os membros das Mesas Receptoras e os Fiscais de partido, durante o exercício de suas funções, não poderão
ser, detidos ou presos, salvo o caso de flagrante delito; da mesma garantia gozarão os candidatos desde 15
(quinze) dias antes da eleição.

§ 2º Ocorrendo qualquer prisão o preso será imediatamente conduzido à presença do Juiz competente que, se
verificar a ilegalidade da detenção, a relaxará e promoverá a responsabilidade do coator.

Esquematizando, para melhor memorizar:

Eleitor não poderá ser preso nem detido:

 DESDE 5 DIAS ANTES


 ATÉ 48 HORAS DEPOIS do encerramento da eleição, salvo em 3 casos:
 EM FLAGRANTE DELITO OU
 EM VIRTUDE DE SENTENÇA CRIMINAL CONDENATÓRIA POR CRIME INAFIANÇÁVEL
 Desrespeito a salvo-conduto.
Membros das Mesas Receptoras e os Fiscais de partido não poderão ser presos nem detidos:

 Durante o exercício de suas funções,


 Salvo o caso de flagrante delito (AQUI NÃO RESSALVA CONDENAÇÃO);
Candidatos

 Desde 15 DIAS ANTES da eleição


 Gozarão da mesma garantia dos membros das mesas e fiscais

PROCEDIMENTO PROCESSUAL PENAL

Verificada a infração penal, o Ministério Público oferecerá a denúncia no prazo de 10 dias. Atenção, pois aqui o
prazo é diferente do CPP.

Caso não o faça no prazo estipulado, é possível o ajuizamento da ação penal privada subsidiária da pública com
fundamento constitucional. Em tais situações o juiz eleitoral comunicará o fato ao órgão competente dentro do
Ministério Público para apurar a responsabilização do promotor, nos termos do §3º.

Recebida a denúncia, o juiz designará dia e hora para o depoimento pessoal do acusado, ordenando a citação
deste e a notificação do Ministério Público. O réu ou seu defensor terá o prazo de 10 dias para oferecer alegações
escritas e arrolar testemunhas.

Ouvidas as testemunhas da acusação e da defesa e praticadas as diligências requeridas pelo Ministério Público
e deferidas ou ordenadas pelo juiz, abrir-se-á o prazo de 5 dias a cada uma das partes para alegações finais.
Decorrido esse prazo, e conclusos os autos ao juiz dentro de quarenta e oito horas, terá o mesmo dez dias para
proferir a sentença.

Das decisões finais de condenação ou absolvição cabe recurso para o Tribunal Regional, a ser interposto no
prazo de 10 dias. Se a decisão do Tribunal Regional for condenatória, baixarão imediatamente os autos à
255
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
instância inferior para a execução da sentença, que será feita no prazo de 5 dias, contados da data da vista ao
Ministério Público.

Art. 357. Verificada a infração penal, o Ministério Público oferecerá a denúncia dentro do prazo de 10 (dez) dias.

§ 1º Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento da


comunicação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa da comunicação
ao Procurador Regional, e este oferecerá a denúncia, designará outro Promotor para oferecê-la, ou insistirá no
pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.

§ 2º A denúncia conterá a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias, a qualificação do
acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o
rol das testemunhas.

§ 3º Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo legal representará contra ele a
autoridade judiciária, sem prejuízo da apuração da responsabilidade penal.

§ 4º Ocorrendo a hipótese prevista no parágrafo anterior o juiz solicitará ao Procurador Regional a


designação de outro promotor, que, no mesmo prazo, oferecerá a denúncia.

§ 5º Qualquer eleitor poderá provocar a representação contra o órgão do Ministério Público se o juiz, no
prazo de 10 (dez) dias, não agir de ofício.

Art. 358. A denúncia, será rejeitada quando:

I - o fato narrado evidentemente não constituir crime;

II - já estiver extinta a punibilidade, pela prescrição ou outra causa;

III - for manifesta a ilegitimidade da parte ou faltar condição exigida pela lei para o exercício da ação penal.

Parágrafo único. Nos casos do número III, a rejeição da denúncia não obstará ao exercício da ação penal,
desde que promovida por parte legítima ou satisfeita a condição.

Art. 359. Recebida a denúncia, o juiz designará dia e hora para o depoimento pessoal do acusado,
ordenando a citação deste e a notificação do Ministério Público. (Redação dada pela Lei nº 10.732, de
5.9.2003)

Parágrafo único. O réu ou seu defensor terá o prazo de 10 (dez) dias para oferecer alegações escritas e
arrolar testemunhas. (Incluído pela Lei nº 10.732, de 5.9.2003)

Art. 360. Ouvidas as testemunhas da acusação e da defesa e praticadas as diligências requeridas pelo
Ministério Público e deferidas ou ordenadas pelo juiz, abrir-se-á o prazo de 5 (cinco) dias a cada uma das partes
- acusação e defesa - para alegações finais.

Art. 361. Decorrido esse prazo, e conclusos os autos ao juiz dentro de quarenta e oito horas, terá o mesmo
10 (dez) dias para proferir a sentença.

Art. 362. Das decisões finais de condenação ou absolvição cabe recurso para o Tribunal Regional, a ser
interposto no prazo de 10 (dez) dias.

256
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
DOS CRIMES

 TODOS os crimes eleitorais são DOLOSOS. Não há previsão de crime eleitoral culposo.
SEMPRE QUE O TIPO NÃO INDICAR A PENA MÍNIMA:

 15 DIAS DETENÇÃO
 1 ANO RECLUSÃO

QUANDO O TIPO NÃO MENCIONAR O QUANTUM DE AGRAVAMENTO OU ATENUAÇÃO:

 JUIZ FIXA ENTRE 1/5 E 1/3

Art. 284. Sempre que este Código não indicar o grau mínimo, entende-se que será ele de quinze dias para a
pena de detenção e de um ano para a de reclusão.

Art. 285. Quando a lei determina a agravação ou atenuação da pena sem mencionar o "quantum", deve o juiz
fixá-lo entre um quinto e um terço, guardados os limites da pena cominada ao crime.

Multa:

 Dias multa – entre 1 e 300 (diferente do CP, que é entre 10 e 360)


 Valor fica ao arbítrio do juiz, tendo em conta as condições pessoais e econômicas do condenado, NÃO
PODENDO SER INFERIOR AO SALÁRIO MÍNIMO DIÁRIO NEM SUPERIOR AO MENSAL (diferente do CP, que é
1/30 até 5X)
 Pode ser aumentada até o 3x, embora não possa exceder o máximo do caput

Art. 286. A pena de multa consiste no pagamento ao Tesouro Nacional, de uma soma de dinheiro, que é
fixada em dias-multa. Seu montante é, no mínimo, 1 (um) dia-multa e, no máximo, 300 (trezentos) dias-multa.

§ 1º O montante do dia-multa é fixado segundo o prudente arbítrio do juiz, devendo este ter em conta as
condições pessoais e econômicas do condenado, mas não pode ser inferior ao salário-mínimo diário da região,
nem superior ao valor de um salário-mínimo mensal.

§ 2º A multa pode ser aumentada até o triplo, embora não possa exceder o máximo genérico caput, se o
juiz considerar que, em virtude da situação econômica do condenado, é ineficaz a cominada, ainda que no
máximo, ao crime de que se trate.

Art. 299. Dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer
outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja
aceita:

Pena - reclusão até quatro anos e pagamento de cinco a quinze dias-multa.

Esse é o crime de corrupção eleitoral. É um dos que mais caem em provas. Perceba que a ativa e a passiva estão
num mesmo tipo penal.

A ATIVA TEM O VERBO DAR (diferentemente da prevista no CP).

Crime formal. Não admite tentativa.

Dolo específico de obter ou dar voto.

257
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
AQUELE QUE RECEBE DINHEIRO PARA VOTO SÓ COMETE CORRUPÇÃO ELEITORAL SE FOR APTO A VOTAR (JÁ
CAIU EM PROVA!)

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: “Dolo específico” no crime de corrupção eleitoral (art. 299 do CE) O delito do art.
299 do CE, exige “dolo específico” (elemento subjetivo especial). No caso da corrupção eleitoral ativa, esse “dolo
específico” é a intenção do agente de obter voto ou conseguir abstenção. Na corrupção eleitoral passiva, a
finalidade específica do sujeito é a de dar seu voto ou prometer abstenção. (Inf. 742 STF).

#NOVODELITO

#DENUNCIAÇÃOCALUNIOSAELEITORAL

Art. 326-A. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, de investigação administrativa,
de inquérito civil ou ação de improbidade administrativa, atribuindo a alguém a prática de crime ou ato
infracional de que o sabe inocente, com finalidade eleitoral:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos, e multa.

§ 1º A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve do anonimato ou de nome suposto.

§ 2º A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção.

Denunciação caluniosa com finalidade eleitoral Denunciação caluniosa “comum”

Previsto no art. 326-A do CE. Previsto no art. 339 do CP.

Exige finalidade eleitoral. Não exige finalidade eleitoral.

O agente atribui a alguém a prática de crime ou ato O agente atribui a alguém a prática de crime de
infracional de que o sabe inocente. que o sabe inocente.

Competência da Justiça Eleitoral. Competência da Justiça Comum.

#JÁCAIU

#MPMG

Quanto às afirmações que se seguem:

I. O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federai, os Prefeitos e quem os houver


sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente.

II. O Tribunal Superior Eleitoral elegerá seu Presidente, o Vice-Presidente e o Corregedor Eleitoral dentre os
Ministros do Supremo Tribunal Federal.

258
NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método

III. São inelegíveis, para qualquer cargo, os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou
proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o
cumprimento da pena, por crimes de ação penal privada.

IV. Nas árvores e nos jardins localizados em áreas públicas, bem como em muros, cercas e tapumes divisórios,
não é permitida a colocação de propaganda eleitoral de qualquer natureza, mesmo que não lhes cause dano.

É INCORRETO o que se afirma em:133

A)I e II.

B)II e III.

C)II e IV.

D)III e IV.

É isso pessoal! Terminamos nossa jornada pelo MPMG. E Deixo uma poesia linda do Bráulio Bessa:

“A vida é mãe severa

que bate para lhe ensinar

que quanto mais você cai

mais aprende a levantar

que o fardo nunca é maior

do que se pode levar!

E a gente leva, carrega

o peso do sofrimento,

mas a justiça divina nunca

erra o julgamento.

Eu não quero ser clichê,

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GAB. B

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NFPSS PARTE I | MPMG

Ciclos Método
Porém garanto a você e

falo com o coração:

Que não existe uma dor

Que transforme em perdedor

Quem nasceu pra campeão”.

Boa Sorte! Prof. Ketlin Borges

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