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FACULDADE ALFAMÉRICA

PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA DAS ORGANIZAÇÕES


E DO TRABALHO

RICARDO AUGUSTO DE OLIVEIRA MOTA

O GERENTE-LÍDER: REPENSANDO A ATUAÇÃO DA


GERÊNCIA DE MODO A EVITAR O SUBGERENCIAMENTO

Rio de Janeiro
2020
RICARDO AUGUSTO DE OLIVEIRA MOTA

O GERENTE-LÍDER: REPENSANDO A ATUAÇÃO DA


GERÊNCIA DE MODO A EVITAR O SUBGERENCIAMENTO

Trabalho de conclusão do
Curso de Pós-Graduação em
Psicologia das Organizações
e do Trabalho apresentado à
Faculdade Alfamérica como
requisito parcial para a
obtenção do grau de
Especialista em Psicologia
das Organizações e do
Trabalho

Rio de Janeiro
2020

RICARDO AUGUSTO DE OLIVEIRA MOTA

O GERENTE-LÍDER: REPENSANDO A ATUAÇÃO DA


GERÊNCIA DE MODO A EVITAR O SUBGERENCIAMENTO

Trabalho de conclusão do
Curso de Pós-Graduação em
Psicologia das Organizações
e do Trabalho apresentado à
Faculdade Alfamérica como
requisito parcial para a
obtenção do grau de
Especialista em Psicologia
das Organizações e do
Trabalho

APROVADA EM:_______________

BANCA EXAMINADORA

PROFESSOR:
PROFESSOR:

Agradecimentos:

Agradeço a Deus que me criou, me salvou, me guia no reto caminho da justiça, me


sustenta e me dá a vida, o ar que respiro, força, vontade e oportunidade de estudar e
trabalhar, inúmeras bênçãos e a Vida Eterna.
À minha esposa amada Nívia e às minhas adoráveis filhas Rebecca e Ana Raquel,
heranças de Deus para minha vida. São as pessoas que compartilham comigo de todos os
momentos de minha vida.
Aos meus pais, pela educação, sustento, apoio, exemplo de vida, dedicação, amor e
carinho que sempre me deram e continuam dando, o que com certeza determinaram
minha vida, conquistas, caráter e personalidade.
A todos os meus professores, que com seus ensinamentos, exemplos e dedicação
vêm contribuindo para minha formação profissional.
A todos que, de alguma forma, me auxiliaram, com incentivos ou mesmo
proferindo uma palavra amiga.
TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA DAS ORGANIZAÇÕES E DO
TRABALHO
Ricardo Augusto de Oliveira Mota
2020.2
E-mail: ricardomotaxiiiv@gmail.com

O GERENTE-LÍDER: REPENSANDO A ATUAÇÃO DA GERÊNCIA DE MODO A


EVITAR O SUBGERENCIAMENTO

Resumo

MOTA. Ricardo Augusto de Oliveira. O Gerente-Líder: repensando a atuação da Gerência de


modo a evitar o subgerenciamento, 2020, páginas. Curso de Pós-Graduação em Psicologia
das Organizações e do Trabalho – Faculdade Alfamérica

O presente artigo tem por escopo servir de subsídio para o administrador público, sobretudo
para o gestor e o fiscal de contratos das entidades públicas, bem como para os pregoeiros e demais
integrantes de equipes de apoio de processos licitatórios, no que concerne à correta aplicação da
tributação na contratação de empresas prestadoras de serviços terceirizáveis pela Administração
Pública. Será apresentada uma abordagem teórica baseada na análise dos aspectos administrativos,
estratégicos, jurídicos e contábeis afetos ao tema. Abordaremos ainda questões atinentes aos
seguintes assuntos: tributação, terceirização de serviços pela Administração Pública e noções sobre
entidades públicas e contratos públicos. Vale ressaltar que o objetivo do artigo não é apresentar
uma abordagem substancial acerca dos precitados assuntos, mas desenvolver apenas os aspectos
desses assuntos que estão em consonância direta com o tema, escopo e objetivos do artigo. No
apêndice 1 e no anexo 1, serão apresentadas variações de uma Planilha de Custos e Formação de
Preços de um processo licitatório de uma empresa pública federal. As planilhas servirão para
evidenciar os erros e os acertos da aplicação dos tributos, dos cálculos e do preenchimento das
mesmas, de modo a evidenciar, na prática, a aplicação e influência da tributação no preço final do
serviço terceirizado. Trata-se de uma análise de suma importância no âmbito da Administração
Pública, a qual, em sua atuação, deve aplicar conjuntamente princípios de gestão estratégica, sem
abrir mão dos aspectos legais e contábeis. As entidades públicas estão obrigadas a observar
princípios jurídicos tais como o da legalidade (de forma geral), isonomia (no processo licitatório) e
economicidade (no uso dos recursos públicos).

Palavras-chave: Subgerenciamento; Liderança; Coaching.

1. INTRODUÇÃO

O presente artigo se propõe a apresentar uma questão de extrema relevância no âmbito da


contratação de serviços pela Administração Pública. Primeiramente, apresentaremos a noção de
contratos públicos, suas características e particularidades. Posteriormente falaremos
especificamente sobre os contratos públicos de prestação de serviços, para depois enfatizarmos e
demonstrarmos a importância da correta aplicação dos tributos nas propostas de preço das empresas
prestadoras de serviço para a Administração Pública. Os tributos em tela são: ISS, PIS, COFINS,
CSLL e IRPJ.
A despeito da importância do tema, alguns administradores públicos, gestores e fiscais de
contratos públicos e pregoeiros de processos licitatórios não percebem a influência da correta
aplicação dos tributos sobre o preço final dos serviços nas propostas de preços das empresas que
participam de licitações, nem na fase externa da licitação e nem na fase de manutenção do contrato.
Em função disso, muitos empresários têm auferido lucros acima do devido às expensas das
entidades da Administração Pública, por causa do desconhecimento da questão apresentada neste
artigo. Isso ocorre principalmente devido à falta de treinamento, conhecimento e reflexão sobre
questões como as abordadas neste artigo.

O que o artigo se propõe a abordar são aspectos práticos e específicos de tributação que são
utilizados nas planilhas de propostas de preços das empresas prestadoras de serviço para a
Administração Pública, em processos licitatórios e em contratações, bem como as implicações
práticas deles decorrentes.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. CONTRATOS PÚBLICOS

2.1.1. CONCEITO DE CONTRATOS PÚBLICOS

Contratos Públicos são contratos negociais com entidades da Administração Pública que
estão sujeitos a normas de Direito Público. Os Contratos Públicos possuem algumas
particularidades que os diferenciam dos contratos entre particulares. A Lei n.º 8.666/93 (Lei de
Licitações), no parágrafo único do art. 2.º, define contrato como sendo todo e qualquer ajuste entre
órgãos ou entidades da Administração Pública e particulares, em um contexto em que exista um
acordo de vontades para a formação de vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas,
independente da terminologia utilizada. Hely Lopes Meirelles, renomado autor de Direito da
Administração Pública define contrato público como sendo o ajuste que a Administração Pública,
agindo nessa qualidade, firma com o particular ou outra entidade pública para a consecução de
objetivos de interesse público, nas condições estabelecidas pela própria Administração.

2.1.2. CONTEÚDO DOS CONTRATOS PÚBLICOS

Os Contratos Públicos representam a vontade das partes no momento de sua


formalização. A vontade do contratante está condicionada ao atendimento do interesse público.
No contrato, devem constar cláusulas claras e objetivas que definam o objeto, os direitos,
as obrigações, responsabilidades das partes, encargos, observando as cláusulas necessárias e
acessórias, se for o caso, de acordo com o instrumento convocatório (Edital ou Carta-Convite da
Licitação) e da proposta vencedora. É justamente nesse ponto que se concentrará a análise do artigo,
uma vez que analisaremos as incidências dos tributos nas propostas de preços dos licitantes
vencedores de certames licitatórios e dos contratantes com a Administração Pública.

Integram o Contrato Público, independentemente de sua transcrição:


1. O Edital ou a Carta-Convite;
2. O Projeto (Básico/Executivo) ou o Termo de Referência, conforme a modalidade
adotada;
3. memórias / cálculos;
4. planilhas de custos;
5. cronogramas;
6. normas internas, que poderão ser expedidas pelos órgãos e publicadas na Imprensa
Oficial, na forma do artigo 115, parágrafo único, da Lei n.º 8.666/93.

2.1.3. CONTRATOS PÚBLICOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO

Tendo em vista que as questões do presente artigo transitam pela área da Administração
Pública, apresentaremos as normas e características aplicáveis aos Contratos Públicos de Prestação
de Serviços. Trata-se de Contratos de Terceirização de Serviços a serem prestados para entidades
públicas. Por isso, diferentemente da terceirização de serviços na área privada, os quais podem ser
formatados de acordo com a vontade das partes, de forma mais livre e abrangente, os contratos
públicos estão restritos rigorosamente às imposições legais. Em síntese: Os contratos públicos e a
Administração Pública somente podem fazer o que a lei permite, conforme estabelece a lei. Já no
que concerne aos particulares e aos contratos privados, eles podem fazer o que a lei não proíbe. Os
contratos públicos e a Administração Pública, no entanto, não têm essa liberdade de poder fazer o
que a lei não proíbe.

2.1.3.1. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

A terceirização de serviços nas entidades públicas, implica peremptoriamente contratação de


serviços que não constituam atividade-fim da organização. Para decidir-se pela terceirização de
serviços, o administrador público deverá analisar conjuntamente aspectos administrativos,
estratégicos e jurídicos. Deverá, por exemplo, analisar custos, a visão e a missão institucional da
empresa, definição das atividades consideradas atividades-meio (uma vez que somente para elas é
lícita a terceirização) e questões relacionadas a recursos humanos, como a definição dos
cargos/funções inexistentes e também dos extintos, total ou parcialmente, do quadro de pessoal das
entidades públicas. A abrangência do alcance dessas regras inclui as empresas públicas, fundações
públicas, sociedades de economia mista, autarquias, fundos especiais, demais entidades controladas
direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios e entidades da
Administração Direta, conforme estabelece o art. 1.º da Lei n.º 8.666/93.
A terceirização no serviço público somente será lícita se mantiver o caráter de prestação de
serviço sem dar margem à caracterização de pessoalidade e de subordinação envolvendo o
profissional da empresa contratada e a entidade da Administração Pública contratante. A empresa
contratada (“terceirizada”) deverá selecionar os profissionais que atuarão nos postos de serviço e
garantir que eles mantenham a qualificação exigida no Termo de Referência constante do
instrumento convocatório (Edital ou Carta-Convite) da Licitação.
Em outras palavras, isso significa dizer que os aspectos típicos de uma relação de emprego,
como as ordens, subordinação e a pessoalidade na prestação do serviço, por exemplo, devem ser
emanadas da empresa contratada, e não da entidade da Administração Pública contratante do
serviço. Caso contrário, será caracterizado o fenômeno da intermediação de mão-de-obra, o que é
ilegal, nos termos do Enunciado 331, I, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a saber:
“TST Enunciado nº 331 - Revisão da Súmula nº 256 - Res.
23/1993, DJ 21, 28.12.1993 e 04.01.1994 - Alterada (Inciso IV) 
- Res. 96/2000, DJ 18, 19 e 20.09.2000 - Mantida - Res.
121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003
Contrato de Prestação de Serviços - Legalidade
I - A contratação de trabalhadores por empresa interposta é
ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos
serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei n.º 6.019,
de 03.01.1974).

Segundo a autora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2005, p. 303-4), baseada na Instrução
Normativa n.º 3/97, artigo 2º, do Ministério do Trabalho, que diz que

“é considerada empresa de prestação de serviços a


terceiros aquela destinada a realizar determinado e específico
serviço a outra empresa fora do âmbito das atividades-fim e
normais para que se constitui essa última.”, “... se o tomador
do serviço escolhe o trabalhador, dá ordens diretamente a ele
e não à empresa contratada, exerce sobre ele o poder
disciplinar, aplicando-lhe penalidades, se a empresa
contratada se substitui, mas os trabalhadores continuam, o
que ocorre é fornecimento de mão-de-obra, porque estão
presentes a pessoalidade e a subordinação direta.”

Logo, há de se ter o devido cuidado para não incorrer em ilegalidade ao confundir a


prestação de serviço, que é dotada de caráter eminentemente impessoal, com a intermediação de
mão-de-obra, em que se evidencia verdadeira burla à obrigatoriedade do concurso público para
admissão de pessoal para as entidades públicas. Ademais, a intermediação de mão-de-obra também
constitui burla ao procedimento legal de contratação com a Administração Pública, que é o
procedimento licitatório.
Não é permitida a terceirização de serviços pela Administração Pública em desacordo com o
disposto no Decreto n.º 2.271/1997, o qual, inclusive elenca, em rol exemplificativo, as atividades
que de preferência são terceirizáveis. Para tanto, deve-se observância às determinações dos artigos
1.º e 2.º do precitado Decreto.

2.2. TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE AS PRESTADORAS DE SERVIÇO

A compreensão acerca da correta tributação que deve incidir sobre empresas prestadoras de
serviço a entidades da Administração Pública é de suma importância. O desconhecimento desse
tema tem ocasionado o pagamento pela Administração Pública de preços finais acima dos devidos
às empresas prestadoras de serviços, em consequência dos acréscimos indevidos no preço final do
serviço. Iremos observar esse fato com maior nitidez quando analisarmos as planilhas de propostas
de preços no apêndice 1 e no anexo 1.
2.2.1. O IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS (ISS)

Trata-se de imposto de competência municipal cujos contribuintes são os prestadores de


serviços, pessoas físicas ou jurídicas. Para os serviços terceirizáveis de prestação de serviços para a
Administração Pública, a alíquota a ser aplicada para o ISS é de 5%.
A Constituição da República apropria em prol dos municípios todos os serviços (de
qualquer natureza) não compreendidos no art. 155, II. Isto é, todo e qualquer serviço que não seja
de comunicação e de transporte interestadual e intermunicipal sujeita-se ao ISS, por expressa
determinação constitucional, segunda atesta Sacha Calmon Navarro Coelho (2009, p. 354).
De acordo com Ana Cristina Othon Villaça (2005, p.9):

“O Imposto sobre Serviços, de acordo com a hipótese de incidência descrita no


artigo 156, inciso III, da Constituição Federal, somente pode incidir sobre
serviços que guardem as seguintes características: a) contrato bilateral de
prestação de serviço; b) onerosidade; c) regime não trabalhista; e d) serviço
constante da lista de serviços anexa à LC n.º 116/03”.

A Lei Complementar n.º 116, de 31 de julho de 2003, regula a nova disciplina do ISS. Ela
dispõe sobre este imposto, que é descrito como Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza.
Trata-se de um imposto de competência dos municípios e do Distrito Federal. Ela traz, em anexo, a
lista de serviços sujeitos ao imposto municipal.

2.2.2. A CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS

O Programa de Integração Social (PIS) foi instituído para promover a participação da classe
laboral na renda e na evolução das corporações. Foi criado pela Constituição de 1967 e
regulamentado pela Lei Complementar n.º 07, de 1970.

2.2.3. A CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL –


COFINS
A denominação do tributo “Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social
(COFINS)” relaciona-se à seguridade social, o que inclui a saúde, a previdência e a assistência
social.
A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) foi instituída pela Lei
Complementar n.º 70, de 30 de dezembro de 1991.
Esta Lei Complementar regulamentou o disposto no Inciso I, do artigo 195 da Constituição
Federal de 1988, no sentido de que a receita a ser arrecadada fosse destinada exclusivamente para o
atendimento das despesas havidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, com as
atividades fins das áreas da Saúde, Previdência e Assistência social.
Para Sacha Calmon e Misabel Derzi, citados por Dayse Mara Gonçalves Lavra (2009, p. 3),
a COFINS tem relevância tanto para o Governo, quanto para o contribuinte. Isso porque,
diferentemente do Imposto de Renda – IR e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL,
pagos somente quando existe lucro, a COFINS deve ser paga em todas as situações, já que incide
sobre o faturamento das pessoas jurídicas. Para o Governo, a importância do tributo fica clara na
evolução de sua arrecadação. E, por se tratar de uma contribuição, não é dividida pela União com
os Estados e Municípios.
Ainda sobre a COFINS, aduz Dayse Mara Gonçalves Lavra o que segue:

“Nos últimos 15 anos foram criadas inúmeras modalidades de cobrança da


COFINS, assim como diferentes alíquotas. A cobrança começou a partir de
uma alíquota de 2%, que pulou para 3% e chega hoje a 7,6% (Lei n.º 9.718/98,
artigo 8.º e Lei n.º 10.833/03, artigo 2.º) para os contribuintes do regime não-
cumulativo, criado em 2003. É desse emaranhado de normas: cinco leis e pelo
menos 53 Regulamentações, entre Decretos, Instruções Normativas da Receita
Federal e Medidas Provisórias editadas somente entre os anos de 2002 e 2004”.

Podemos complementar afirmando que das brechas deixadas na regulamentação


mencionada, surge a necessidade premente de os administradores públicos compreenderem e
aplicarem corretamente esses assuntos. No entanto, para o cumprimento deste jaez, não há
necessidade de o gestor público ser um especialista em legislação e planejamento tributários. A
leitura atenta do presente artigo já traz uma considerável contribuição.

2.2.3.1. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E DA COFINS


A base de cálculo desses tributos tem como referência a receita bruta das empresas,
conforme será definido ao final do subitem seguinte. As Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03 se aplicam
às empresas tributadas com base no lucro real e que se incluem no regime não-cumulativo de
tributação do PIS e da COFINS inaugurado por essas leis.

2.2.3.2. REGIME NÃO-CUMULATIVO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E DA COFINS

O regime não-cumulativo do PIS/COFINS se vale do Método Subtrativo Indireto, ou


simplesmente “base contra base” para cálculo do seu montante, com base nas alíquotas definidas
em lei. Explicamos: O Método em questão evidencia-se da seguinte forma: No momento em que
ocorre a tomada de um crédito, o qual será utilizado como dedução legal para cálculo do tributo,
não se verifica a carga fiscal relativa ao PIS/COFINS da etapa anterior. O regime não-cumulativo
do PIS/COFINS, segundo Waldir Luiz Braga e Valdirene Lopes Franhani (2004, p. 104-5), visa
desonerar o faturamento, assim entendido como todas as receitas da pessoa jurídica, não apenas as
decorrentes da venda de bens e serviços, seja ela comercial, industrial ou prestadora de serviços.

2.2.3.3. A CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E A COFINS NOS CONTRATOS


PÚBLICOS

Tendo em vista as noções de Contrato Público e de tributação nas propostas de preços


delineadas neste artigo, nos propomos a partir de então a fazer a junção dessas duas questões. Para
tanto, passaremos a analisar a questão relativa à aplicação dos tributos nas planilhas de propostas de
preço nos contratos com a Administração Pública.

2.3. A FORMAÇÃO DE PREÇO DAS EMPRESAS LICITANTES


Dayse Mara Gonçalves Lavra (2009, p. 13) também dissertou sobre a formação de preço das
empresas licitantes. São suas as seguintes palavras:
“Para conhecer os elementos que compõem o preço de venda de uma
mercadoria ou um serviço, são necessários procedimentos organizacionais
sistêmicos e aplicados à finalidade, que ajudem na decisão sobre o preço final.
A formação do preço de venda dos produtos e serviços nas empresas constitui-
se numa estratégia competitiva de grande relevância para as organizações. É
de suma importância entender a necessidade de haver clareza na análise dos
custos e na formação do preço de venda, tanto por parte das empresas que
fornecem os serviços, quando pelo tomador desses serviços. Há diferentes
critérios utilizados na formação do preço de venda, a partir das mais diversas
visões de custos”.

Para simplificar o entendimento, pode-se sintetizar a formação de preços nos seguintes


elementos: insumos, despesas variáveis, despesas fixas e margem de lucro. Os mais diversos
estudos mostram que o custo é o principal elemento que impacta a formação do preço de venda. No
caso das licitações, não é diferente. Nelas o detalhamento da formação de preço é preceito legal. A
lei define que a Planilha de Custos e Formação de Preços é um documento de caráter informativo, e
como tal deve conter o detalhamento da composição de preços necessário à análise e comparação
das propostas de preços de prestação dos serviços.

2.3.1. A CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E A COFINS NA CONSTITUIÇÃO DO CUSTO


DO SERVIÇO E SUA INFLUÊNCIA SOBRE O PREÇO FINAL

As constantes alterações na legislação tributária envolvendo a aplicação das alíquotas de


PIS e COFINS refletem diretamente na formação de preços dos produtos ou serviços e por
conseguinte também influenciam as licitações. A seguir, apresentamos os desdobramentos dessa
questão e as orientações sobre como deverá agir o gestor público diante dessas questões.

2.3.2. ALÍQUOTA MAIOR NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE AUMENTO DE


TRIBUTAÇÃO

A tabela abaixo, apresentada por Dayse Mara Gonçalves Lavra (2009, p. 15), foi projetada
de forma a apresentar valores iguais para as contribuições para o PIS e para a COFINS, mesmo em
face da aplicação das alíquotas maiores do regime não-cumulativo (1,65% e 7,6%,
respectivamente). Isso foi possível tendo em vista que a dedução permitida em lei (no caso, R$
60.526,32) levou as alíquotas efetivas do regime não-cumulativo a se equipararem, em valores
absolutos, às alíquotas nominais do regime cumulativo (0,65% e 3%).

REGIME CUMULATIVO REGIME NÃO-CUMULATIVO

Prestação de serviços / Vendas -> R$ 100.000,00 Prestação de serviços / Vendas -> R$ 100,000,00
Créditos – dedução -> R$ 0,00 Créditos – dedução -> R$ 60.526,32
Base de Cálculo -> R$ 100.000,00 Base de Cálculo -> R$ 39.743,68
Alíquotas de PIS / COFINS -> 0,65% / 3% Alíquotas de PIS / COFINS -> 1,65% / 7,6%
Valor da contribuição para o PIS -> R$ 650,00 Valor da contribuição para o PIS -> R$ 650,00
Valor da contribuição para a COFINS -> R$ 3.000,00 Valor da contribuição para a COFINS -> R$ 3.000,00

2.3.3. OPÇÃO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO

A opção pelo regime de tributação é prerrogativa de cada empresa e é resultado do


Planejamento estratégico, administrativo, econômico, contábil e tributário de cada uma. Trata-se de
uma questão que a Administração Pública não pode imiscuir-se. Em conseqüência disso, haverá nas
licitações a apresentação pelas empresas licitantes de propostas de preços contendo na composição
de custo as duas formas de cobrança das contribuições ao PIS e a COFINS, pelo regime cumulativo
ou pelo não-cumulativo, de acordo com o regime tributário adotado por cada empresa. Alguns
entendem que esse fato fere o princípio da isonomia no julgamento das propostas e defende a
equalização da aplicação das alíquotas nos patamares da sistemática do regime cumulativo (0,65%
para PIS e 3% para COFINS) para todas as propostas apresentadas, independentemente do regime
tributário da empresa. Data venia, entendemos não ser possível efetuar o enquadramento tributário
dessa forma, tendo em vista os aspectos legais de tributação do PIS/COFINS.

2.3.4. APLICAÇÃO EQUIVOCADA DAS ALÍQUOTAS DE PIS/COFINS

Com o objetivo de apresentar um preço final menor e portanto mais competitivo em torneios
licitatórios, algumas empresas de regime de tributação pelo lucro real, ilegalmente, aplicam as
alíquotas concernentes ao regime de tributação pelo lucro presumido. Ou seja, ao invés de
aplicarem as alíquotas de 1,65% e 7,6%, aplicam as alíquotas de 0,65% e 3% para PIS/COFINS. E
por desconhecimento, alguns gestores públicos acatam essa ilegalidade e declaram vencedoras de
licitações e assinam contratos com empresas que agiram dessa forma. Agindo assim, as empresas
têm o preço final reduzido e isso contribui para que levem vantagem na licitação sobre outras
empresas que aplicaram corretamente as alíquotas. Às vezes o que ocorre é que essas empresas no
momento da repactuação ou reajuste da equação econômico-financeira do contrato aplicam as
alíquotas corretas, o que majora o preço final do serviço que foi apresentado na licitação.
Infelizmente alguns administradores públicos, por não conhecerem os temas inerentes a este artigo,
permitem a repactuação ou o reajuste nesses moldes fraudulentos. O empresário age dessa forma
por notar o desconhecimento do gestor público acerca dessa relevante questão. E não para por aí.
Existem empresas de regime de tributação pelo lucro real que ao apresentarem suas planilhas de
propostas de preço, não fazem as deduções dos créditos autorizados por lei, majorando o preço final
do serviço que será pago pela Administração Pública. Vale ressaltar que a Administração Pública
está obrigada a atender, nas contratações, ao princípio da economicidade, flagrantemente
desrespeitado nesse caso.
Reputa-se inadmissível a utilização de índice de 1,65% e 7,6% sobre o total das receitas
simplesmente. Ou a empresa é contribuinte sobre a receita total com incidência de 0,65% e 3%, ou
ela contribui com 1,65% e 7,6% e aplica a devida dedução dos créditos das aquisições de bens e
serviços utilizados para o atendimento do objeto.

2.3.5. PLANILHAS DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS

As propostas de preços das empresas licitantes são apresentadas na forma de planilhas


padronizadas, as quais devem ser apresentadas pelas empresas licitantes, conforme os modelos
constantes nos anexos dos instrumentos convocatórios dos processos licitatórios. As planilhas
permitem a escolha da proposta mais vantajosa para a Administração, no âmbito de um processo
licitatório.
A forma como faremos a apresentação das planilhas no apêndice 1 e no anexo 1 será por
meio da demonstração, com alterações e variações, de uma planilha apresentada em um processo
licitatório promovido por uma empresa pública federal. Iremos observar nas planilhas em tela, os
itens que compõem o preço de um posto de serviço. As diferenças de valores poderão parecer
pequenas ou bastante ínfimas. No entanto, lembre-se que cada planilha representa apenas um posto
de serviço para um único local de prestação de serviço. Entretanto, uma licitação cujo objeto é a
prestação de serviços pode possuir diversos postos de serviço e abranger diversas Unidades
Regionais de uma entidade da Administração Pública que pode ter abrangência nacional. Isso é para
compreendermos a dimensão das consequências da lesão aos cofres públicos que pode ocorrer, em
caso de negligência dos gestores públicos em procurar entender e gerir corretamente os tributos nas
propostas de preços das empresas licitantes e contratantes com a Administração Pública. Ademais,
não há muita preocupação por parte deles no sentido de promover o treinamento adequado das
pessoas que exercerão as árduas funções de pregoeiro de processo licitatório, gestor e fiscal de
contratos públicos. Observe que para termos a correta dimensão da influência da tributação para o
preço final, utilizamos os mesmos valores para determinados itens de todas as planilhas, os quais
foram fixados, e são eles: Total da Remuneração, Encargos Sociais, Insumos, Taxa de
Administração e Lucro. A variação das planilhas ocorrerá apenas em relação aos tributos. Essa
forma de apresentação se justifica a fim de permitir uma melhor visualização acerca da influência
da tributação no preço final dos postos de serviço, que é a proposta deste artigo.

2.3.5.1. EXCLUSÃO DAS PARCELAS RELATIVAS AO IRPJ E À CSLL DAS


PLANILHAS DE PROPOSTAS DE PREÇOS

Outro aspecto a ser observado, que também às vezes passa despercebido pelos
administradores públicos, gerando aumento do preço final do serviço, é a inclusão do IRPJ e da
CSLL nas planilhas de propostas de preços. O IRPJ e a CSLL são tributos de competência da
União, definidos sobre a renda e proventos de qualquer natureza, tendo como fato gerador a
aquisição da disponibilidade financeira e jurídica, sendo sua base de cálculo o montante real,
arbitrado ou presumido da renda ou dos proventos tributáveis, definições impostas pelo Código
Tributário Nacional.
Em relação a essa questão, o Tribunal de Contas da União se pronunciou através do Acórdão
n.º 1.595/2006, que trata de obra realizada em plataforma da Petrobrás, que em sua Decisão
determina:
“... 9.5.11. exclua dos seus orçamentos parcelas relativas ao IRPJ e à CSLL,
bem como oriente as licitantes, em seus editais, que tais tributos não deverão
ser incluídos no BDI, por se constituírem em tributos de natureza direta e
personalística, que onera pessoalmente o contrato, não devendo ser repassado
ao ofertado, conforme, inclusive, conclusões do setor jurídico da estatal,
mediante o DIP SEJUR/DITRIB 37216/97 e DIP/Jurídico/JFT 4391/03....”

O IRPJ e a CSLL são tributos que têm como fato gerador a obtenção de resultados positivos
(lucros) pelas empresas em suas operações industriais, comerciais e de prestação de serviços, além
do acréscimo patrimonial decorrente de ganhos de capital (receitas não operacionais). Ademais, o
IRPJ e a CSLL não permitem a transferência do encargo financeiro para terceiros. O contribuinte de
direito suporta em definitivo a carga tributária, sem transferi-la para outra pessoa.
Existe ainda a questão da imprevisibilidade do lucro se realizar, pois como este será
determinado em função de um conjunto de serviços executados pela empresa pode acontecer que
esta tenha prejuízo no exercício financeiro em questão e não tenha IRPJ e CSLL a pagar.
Por essas razões deverão ser excluídas as parcelas relativas ao IRPJ e à CSLL das Planilhas de
Custos e Formação de Preços das licitantes participantes de certames licitatórios para contratação
de serviços.

2.3.5.2. DESCONTO DOS CRÉDITOS AUTORIZADOS POR LEI PARA AS EMPRESAS


TRIBUTADAS PELO LUCRO REAL NA TRIBUTAÇÃO DE PIS/COFINS NAS
PLANILHAS DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS

A maioria das despesas que concedem créditos de PIS e COFINS, e que consequentemente
reduzirão o valor devido desses tributos, são despesas comuns a quase totalidade das pessoas
jurídicas prestadoras de serviços: energia elétrica, aluguel e principalmente insumos utilizados para
a execução do objeto. As empresas prestadoras de serviços de limpeza e vigilância, por exemplo,
têm também a redução de créditos obtidos com os gastos com uniformes, fardamento, armas,
equipamentos, produtos de limpeza, suas depreciações e outros. Ainda que não houvesse por parte
das empresas, planejamento tributário que lhe conferisse elementos suficientes para a mitigação de
encargos tributários ou fiscais; ou se a mudança de regime se der por obrigação legal, ou seja, não
mais se enquadrarem nas condições para tal; o princípio da não cumulatividade resguardará a
empresa e sua tributação efetiva jamais será de 1,65% ou de 7,6% sobre seu faturamento, porque
pelo menos o custo dos insumos para a prestação dos serviços fornecerão créditos tributários
compensáveis.
O art. 3.º, II das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03 define o desconto dos créditos calculados
em relação aos insumos utilizados na prestação de serviços no sistema não-cumulativo de tributação
da contribuição para o PIS e da COFINS. A esse respeito aduz o Tribunal de Contas da União –
TCU na decisão TC 009.484/2006, relatado em Sessão Plenária de 12/3/2008 pelo Ministro-
Substituto Augusto Sherman Cavalcanti:

“Com relação aos tributos aludidos em específico nestes autos, quais sejam, o
PIS e a COFINS, lembro que, ante as disposições inseridas nas Leis n.ºs
10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, eles passaram a ter regime de
incidência não-cumulativa, com previsão de descontos de créditos apurados
com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Isso significa que
a alíquota efetiva a ser devida pelas empresas ao fisco pode ser bem inferior à
alíquota nominal prevista, no caso, 1,65% para o PIS e 7,60% para a COFINS,
dependendo da sua estrutura operacional e do objeto contratado. Ressalte-se
que tais parâmetros envolvem as empresas que apuram o Imposto de Renda de
Pessoa Jurídica com base no Lucro Real”.

2.3.5.2.1. CÁLCULO DOS VALORES DE PIS/COFINS E DAS ALÍQUOTAS EFETIVAS,


APÓS FEITAS AS DEDUÇÕES LEGAIS

Dayse Mara Gonçalves Lavra (2009, p.22), utilizando o precitado Método Subtrativo
Indireto para cálculo do PIS e da COFINS, apresenta o cálculo do montante do tributo devido por
meio da seguinte fórmula:

T = (Rt x a) – (CDC x a), onde: T = Tributo


Rt = Receita tributável
a = alíquota do tributo

Receita tributável = (Total das Receitas) – (Receitas isentas, de alíquota zero ou não alcançadas
pela incidência).
CDC = Custos e Despesas Creditáveis = Custos e despesas pagos e incorridos, cujos
creditamentos são autorizados por lei.

3. CONCLUSÃO

Concluída a exposição teórica sobre o assunto em consonância com a apresentação das


Planilhas de Custos e Formação de Preços no apêndice 1 e no anexo 1, conseguimos
demonstrar a importância da correta aplicação dos tributos sobre o preço final nas contratações
públicas de serviços. O artigo apresentou não apenas um alerta acerca da importância da
correta tributação a ser aplicada nos casos de licitação de serviços terceirizados, mas também,
de maneira proativa, apresentou a forma correta de cálculo dos tributos e dos demais itens da
Planilha de Custos e Formação de Preços. Ademais, ainda chamamos a atenção do leitor para
se precaver dos erros constantes das planilhas que são apresentadas por empresas licitantes e
contratantes com a Administração Pública. Podemos dizer que o tema apresentado no presente
artigo funcionou como verdadeiro treinamento para gestores públicos, fiscais de contratos e
pregoeiros acerca de questão deveras relevantes no contexto dos procedimentos licitatórios.
A orientação trazida pelo artigo acerca dos assuntos
tratados foi permeada em todo tempo pelos princípios legais cabíveis, sobretudo os princípios
da isonomia – a necessidade de dar julgamento análogo a diferentes licitantes e da
economicidade – o dever de escolher a opção mais vantajosa para a administração, sem que,
contudo, se ferisse outros princípios aplicados à Administração Pública. A questão em análise,
no entanto, não depende apenas da aplicação dos princípios da economicidade e da isonomia
enfocando unicamente o ponto de vista contábil e administrativo. É mister a aplicação da
devida ponderação envolvendo outros princípios jurídicos. Essa ponderação de princípios
aplicável ao presente caso se apóia no ensino do professor Humberto Ávila (2005, p. 28), para
quem os princípios são deveres de otimização aplicáveis em vários graus segundo as
possibilidades normativas e fáticas: normativas, porque a aplicação dos princípios depende dos
princípios e regras que a eles se contrapõem; fáticas, porque o conteúdo dos princípios como
normas de conduta só pode ser determinado quando diante dos fatos. Os princípios apenas
indicam o fundamento a ser utilizado pelo aplicador para, futuramente, encontrar a regra
aplicável ao caso concreto. Vale ressaltar também que os princípios também possuem
consequências normativas. Ademais, a aplicação dos princípios também deve ser submetida à
aplicação das regras cabíveis, perfazendo assim a aplicação do sistema jurídico de forma
abrangente.
O artigo traz valorosa contribuição para administradores e agentes públicos no que
concerne a importantes aspectos administrativos, estratégicos, contábeis, tributários e jurídicos
afetos à contratação de serviços terceirizáveis por entidades públicas. A aplicação desses
aspectos nas licitações públicas contribui para uma gestão dos recursos públicos mais efetiva,
justa e transparente em nossa nação. De fato, urge que ela seja melhor administrada, com
conhecimento e modernas técnicas de gestão aplicadas ao setor público.
O insigne autor Peter Drucker dizia que nenhum país é verdadeiramente ou
definitivamente subdesenvolvido. Os países ditos subdesenvolvidos são na verdade,
subadministrados. Em face dessa real constatação, apresentamos por meio do presente artigo
nossa singela contribuição para a efetivação de uma gestão pública de excelência dos recursos
de nossa rica nação. Se todos agirem dessa forma, lograremos êxito em alcançar, em um futuro
próximo, os patamares de uma nação verdadeiramente desenvolvida. Essa realidade somente
se tornará real e efetiva se houver no país uma administração pública eficiente e eficaz dos
vastos recursos econômicos que sempre tivemos a nosso dispor. Somente dessa forma o Brasil
poderá desfrutar de um vigoroso desenvolvimento econômico e sustentável, com
responsabilidade social e ambiental, de maneira a proporcionar melhor qualidade de vida para
nosso povo.

4. REFERÊNCIAS

ÁVILA. Humberto. Teoria dos Princípios: da definição à aplicação dos princípios jurídicos. 4.ª ed.,
2.ª tiragem. São Paulo: Malheiros, 2005.

BRAGA. Waldir Luiz; FRANHANI. Valdirene Lopes. A não-cumulatividade do PIS e da COFINS


após a Emenda Constitucional n.º 42/2003. In Revista Dialética de Direito Tributário (RDDT) n.º
109, São Paulo: Dialética, 2004.

COELHO. Sacha Calmon Navarro. Curso de Direito Tributário Brasileiro. 1.ª ed., Rio de Janeiro:
Forense, 2009.

DI PIETRO. Maria Sylvia Zanella. Curso de Direito Administrativo. 18.ª ed. São Paulo: Atlas,
2005.

LAVRA. Dayse Mara Gonçalves. Os Reflexos do PIS e da COFINS nas contratações com o Setor
Público. Monografia apresentada à UFRJ como pré-requisito para a conclusão do curso de Pós-
Graduação em Auditoria Tributária. 2009.

MEIRELLES. Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 36.ª ed. São Paulo: Malheiros,
2010.

MOTA. Ricardo Augusto de Oliveira; LOPES. Beatriz Abritta Rodrigues. Parecer n.° 020/2009 da
Coordenação Executiva de Licitações da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais
(COLICI/CPRM) acerca da viabilidade de terceirização de alguns serviços na CPRM.

MOTA. Ricardo Augusto de Oliveira. Parecer n.° 022/2010 da Coordenação Executiva de


Licitações da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (COLICI/CPRM) acerca da aplicação
das alíquotas das contribuições ao PIS e COFINS na contratação de serviços.
VIEIRA. Antonieta Pereira. Gestão de Contratos de Terceirização na Administração Pública:
Teoria e Prática: Planilha de Custos, Formação de Preços e a sua Composição. 3.ª ed. Belo
Horizonte: Fórum, 2008.

VILLAÇA. Ana Cristina Othon. Serviços Notariais e de Registro Público e a Incidência do


ISS. In Revista Dialética de Direito Tributário (RDDT) n.º 119, São Paulo: Dialética, 2005

APÊNDICE 1

PLANILHAS DE CUSTOS E FORMAÇÃO DE PREÇOS

Segundo a professora Maria Cristina Ferreira, em seu trabalho entitulado “Manual para
Apresentação de Trabalhos Acadêmicos”, o anexo constitui documento não elaborado pelo
autor do trabalho, cuja finalidade é comprovar ou ilustrar aspectos tratados no texto. Apêndice
é documento elaborado pelo autor do trabalho a fim de complementá-lo. Os apêndices
localizam-se após a lista de referências bibliográficas, e os anexos após os apêndices.
Baseado na precitada orientação metodológica, apresentaremos neste apêndice 1, as
alterações às duas planilhas constantes do anexo 1. Estas últimas, que são as planilhas n.º 4 e
5, são variações de uma planilha apresentada em um processo licitatório de uma empresa
pública federal e constam do trabalho de Dayse Mara Gonçalves Lavra (2009, p.17-8). Já as
primeiras, as planilhas n.º 1, 2 e 3 contêm as alterações que fizemos no tocante ao
preenchimento e aos cálculos tendo em vista os tributos a serem aplicados devidamente às
propostas de preço das licitantes.
Devemos observar ainda que cada planilha, em seu cabeçalho, abaixo de sua
numeração, apresenta comentários acerca dos erros e acertos contidos na mesma em relação à
aplicação dos tributos e seus efeitos.

CÁLCULO DA ALÍQUOTA EFETIVA

Utilizando a fórmula apresentada no item 2.3.5.2.1., chegamos ao valor da alíquota


efetiva de PIS/COFINS:
PIS = (15.078,72 x 1,65%) - (5.091,00 x 1,65%) = 248,80 – 84,00 = R$ 164,80

COFINS = (15.078,72 x 7,60%) – (5.091,00 x 7,60%) = 1.145,98 – 386,92 = R$ 759,06.

A partir do resultado do cálculo, encontramos as alíquotas efetivas de PIS e COFINS


que são as que utilizaremos na planilha 1. As alíquotas efetivas são de 1,09% para PIS e
5,03% para COFINS

Planilha 1

(com alíquotas de 1,65% e 7,6% para PIS e COFINS – alíquotas de lucro real - excluídos
IRPJ e CSLL)

(Planilha correta para empresas com regime de tributação pelo lucro real)

Prestadores de Serviço
(quatro)
I - Discriminação do Posto de Serviço Proposta
Data:11/05/2010
II – MÃO DE OBRA Sal. Base R$
Salário Base 4.300,20
Reserva Técnica 0,40
Total da Remuneração 4.300,60
III - ENCARGOS SOCIAIS 70,70% 3.041,00
Grupo A 36,80% 1.582,50
Grupo B 20,94% 901,00
Grupo C 5,25% 225,90
Grupo D 7,71% 331,60
IV – INSUMOS 34,56% 5.091,00
Uniforme 177,60
Vale-Transporte [(R$ XX x 4) x 22] – 6% do salário 1.822,00
(*) 1
Auxílio-Alimentação [(R$ XX x 22) x 80%] (*) 1 1.496,00
Seguro de Vida em Grupo 40,00
Assistência Médica Básica 290,00
V – DEMAIS COMPONENTES 497,40
Taxa de Administração: % incidente sobre o 2% 248,70
somatório de (I + II + III)
Lucro: % incidente sobre o somatório de (I+II+III) 2% 248,70
VI – TRIBUTOS (P1 – P) 11,12% 1.677,80
P 12.930,00
P1 14.547,70
VI – TRIBUTOS (TRI) 11,12% 1.677,80
ISS 5,00% 753,94
PIS 1,09% 164,80
COFINS 5,03% 759,06
a) T = Tributos/100 0,1112
b) P = (Mão-de-Obra + Encargos Sociais + Insumos +
Demais Componentes) 12.930,00
c) P1 = P / (1 – T) = P + TRI
14.547,70
Total dos Tributos sobre o Faturamento (ISS, PIS e
COFINS) 1.677,80
Total do Preço Mensal
14.547,70
Total do Preço Anual (Total do Preço Mensal X 12
meses) 174.572,40

Planilha 2

(com alíquotas de 0,65% e 3% para PIS e COFINS - alíquotas de lucro presumido -,


excluídos IRPJ e CSLL)

(Planilha correta para empresa com regime de tributação pelo lucro presumido)

(Possibilidade de Erro: aceitar que uma empresa que possui regime de tributação pelo
lucro real aplique alíquotas de 0,65% e 3% para PIS e COFINS)

Prestadores de Serviço
(quatro)
I - Discriminação do Posto de Serviço Proposta
Data: 11/05/2010
II – MÃO DE OBRA Sal. Base R$
Salário Base 4.300,20
Reserva Técnica 0,40
Total da Remuneração 4.300,60
III - ENCARGOS SOCIAIS 70,70% 3.041,00
Grupo A 36,80% 1.582,50
Grupo B 20,94% 901,00
Grupo C 5,25% 225,90
Grupo D 7,71% 331,60
IV – INSUMOS 34,56% 5.091,00
Uniforme 177,60
Vale-Transporte [(R$ XX x 4) x 22] – 6% do salário 1.822,00
(*) 1
Auxílio-Alimentação [(R$ XX x 22) x 80%] (*) 1 1.496,00
Seguro de Vida em Grupo 40,00
Assistência Médica Básica 290,00
V – DEMAIS COMPONENTES 497,40
Taxa de Administração: % incidente sobre o 2% 248,70
somatório de (I + II + III)
Lucro: % incidente sobre o somatório de (I+II+III) 2% 248,70
VI – TRIBUTOS (P1 – P) 8,65% 1.224,35
P 12.930,00
P1 14.154,35
VI – TRIBUTOS (T) 8,65% 1.224,35
ISS 5,00% 707,72
PIS 0,65% 92,00
COFINS 3,00% 424,63
a) T = Tributos/100 0,0865
b) P = (Mão-de-Obra + Encargos Sociais + Insumos +
Demais Componentes) 12.930,00
c) P1 = P / (1 – T) = P + T
14.154,35
Total dos Tributos sobre o Faturamento (ISS, PIS e
COFINS) 1.224,35
Total do Preço Mensal
14.154,35
Total do Preço Anual (Total do Preço Mensal X 12
meses) 169.852,20

Planilha 3

(com alíquotas de 1,65% e 7,6% para PIS e COFINS – alíquotas de lucro real -
excluídos IRPJ e CSLL)

(Erro: ausência de dedução dos insumos para formação da base de cálculo)

Prestadores de Serviço
(quatro)
I - Discriminação do Posto de Serviço Proposta
Data:11/05/2010
II – MÃO DE OBRA Sal. Base R$
Salário Base 4.300,20
Reserva Técnica 0,40
Total da Remuneração 4.300,60
III - ENCARGOS SOCIAIS 70,70% 3.041,00
Grupo A 36,80% 1.582,50
Grupo B 20,94% 901,00
Grupo C 5,25% 225,90
Grupo D 7,71% 331,60
IV – INSUMOS 34,56% 5.091,00
Uniforme 177,60
Vale-Transporte [(R$ XX x 4) x 22] – 6% do salário 1.822,00
(*) 1
Auxílio-Alimentação [(R$ XX x 22) x 80%] (*) 1 1.496,00
Seguro de Vida em Grupo 40,00
Assistência Médica Básica 290,00
V – DEMAIS COMPONENTES 497,40
Taxa de Administração: % incidente sobre o 2% 248,70
somatório de (I + II + III)
Lucro: % incidente sobre o somatório de (I+II+III) 2% 248,70
VI – TRIBUTOS (P1 – P) 14,25% 2.148,72
P 12.930,00
P1 15.078,72
VI – TRIBUTOS (TRI) 14,25% 2.148,72
ISS 5,00% 753,94
PIS 1,65% 248,80
COFINS 7,60% 1.145,98
a) T = Tributos/100 0,1425
b) P = (Mão-de-Obra + Encargos Sociais + Insumos +
Demais Componentes) 12.930,00
c) P1 = P / (1 – T) = P + TRI
15.078,72
Total dos Tributos sobre o Faturamento (ISS, PIS e
COFINS) 2.148,72
Total do Preço Mensal
15.078,72
Total do Preço Anual (Total do Preço Mensal X 12
meses) 180.944,64

ANEXO 1

Planilha 4

(com alíquotas de 0,65% e 3% para PIS e COFINS – alíquotas de lucro presumido -


inclusão de IRPJ e CSLL)

(Erro: inclusão de IRPJ e CSLL ou aceitar que uma empresa que possui regime de
tributação pelo lucro real aplique alíquotas de 0,65% e 3% para PIS e COFINS)

Prestadores de Serviço
(quatro)
I - Discriminação do Posto de Serviço Proposta
Data: 11/05/2010
II – MÃO DE OBRA Sal. Base R$
Salário Base 4.300,20
Reserva Técnica 0,40
Total da Remuneração 4.300,60
III - ENCARGOS SOCIAIS 70,70% 3.041,00
Grupo A 36,80% 1.582,50
Grupo B 20,94% 901,00
Grupo C 5,25% 225,90
Grupo D 7,71% 331,60
IV – INSUMOS 34,56% 5.091,00
Uniforme 177,60
Vale-Transporte [(R$ XX x 4) x 22] – 6% do salário 1.822,00
(*) 1
Auxílio-Alimentação [(R$ XX x 22) x 80%] (*) 1 1.496,00
Seguro de Vida em Grupo 40,00
Assistência Médica Básica 290,00
V – DEMAIS COMPONENTES 497,40
Taxa de Administração: % incidente sobre o 2% 248,70
somatório de (I + II + III)
Lucro: % incidente sobre o somatório de (I+II+III) 2% 248,70
VI – TRIBUTOS (P1 – P) 14,45% 2.184,00
P 12.930,00
P1 15.114,00
VI – TRIBUTOS (T) 14,45% 2.184,00
ISS 5,00% 755,80
PIS 0,65% 98,20
COFINS 3,00% 453,40
CSLL 1,00% 151,10
IRPJ 4,80% 725,50
a) T = Tributos/100 0,1445
b) P = (Mão-de-Obra + Encargos Sociais + Insumos +
Demais Componentes) 12.930,00
c) P1 = P / (1 – T) = P + T
15.114,00
Total dos Tributos sobre o Faturamento (ISS, PIS e
COFINS) 1.307,40
Total do Preço Mensal
15.114,00
Total do Preço Anual (Total do Preço Mensal X 12
meses) 181.368,00

Planilha 5

(com alíquotas de 1,65% e 7,6% para PIS e COFINS – alíquotas de lucro real - com
inclusão de IRPJ e CSLL)

(Erro: inclusão de IRPJ e CSLL e ausência de dedução dos insumos para formação da
base de cálculo)

Prestadores de Serviço
(quatro)
I - Discriminação do Posto de Serviço Proposta
Data:11/05/2010
II – MÃO DE OBRA Sal. Base R$
Salário Base 4.300,20
Reserva Técnica 0,40
Total da Remuneração 4.300,60
III - ENCARGOS SOCIAIS 70,70% 3.041,00
Grupo A 36,80% 1.582,50
Grupo B 20,94% 901,00
Grupo C 5,25% 225,90
Grupo D 7,71% 331,60
IV – INSUMOS 34,56% 5.091,00
Uniforme 177,60
Vale-Transporte [(R$ XX x 4) x 22] – 6% do salário 1.822,00
(*) 1
Auxílio-Alimentação [(R$ XX x 22) x 80%] (*) 1 1.496,00
Seguro de Vida em Grupo 40,00
Assistência Médica Básica 290,00
V – DEMAIS COMPONENTES 497,40
Taxa de Administração: % incidente sobre o 2% 248,70
somatório de (I + II + III)
Lucro: % incidente sobre o somatório de (I+II+III) 2% 248,70
VI – TRIBUTOS (P1 – P) 20,05% 3.242,60
P 12.930,00
P1 16.172,60
VI – TRIBUTOS (T) 20,05% 3.242,60
ISS 5,00% 808,70
PIS 1,65% 266,80
COFINS 7,60% 1.229,10
CSLL 1,00% 161,70
IRPJ 4,80% 776,30
a) T = Tributos/100 0,2005
b) P = (Mão-de-Obra + Encargos Sociais + Insumos +
Demais Componentes) 12.930,00
c) P1 = P / (1 – T) = P + T
16.172,60
Total dos Tributos sobre o Faturamento (ISS, PIS e
COFINS) 2.304,60
Total do Preço Mensal
16.172,60
Total do Preço Anual (Total do Preço Mensal X 12
meses) 194.071,20

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