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Centro de Estudos Bíblicos Avançado – TALMUD – TRATADO DE SHABAT

‫ מלאכת מחשבת‬Obra Calculada/pensada

Há um princípio fundamental das leis de Shabat que não é


compartilhado com outras. Este princípio é chamado ‫מלאכת‬
‫מחשבת אסרה תורה‬, maléchet mechashévet asrá Torá, A Torá
[apenas] proibiu uma obra calculada/pensada.

[Beitzá 13b, Chaguigá 10b, Bava Kama 26b, 60ª, Sanhedrin 62b, Zevachim 47ª, Kereitot 19b.

Curiosamente, este conceito não é explicitamente mencionado no Tratado de Shabat, de forma

alguma]

Essencialmente, este princípio implica que, a realização da


melachá no Shabat, não será biblicamente proibida a menos que,
esteja dentro dos conformes de certas regras de intenção e
forma (embora, na maioria dos casos, a proibição rabínica permanecerá considerada). Este
princípio tem amplas consequências, além de ser a fonte de
vários conceitos, aparentemente distintos e até, contraditórios a
este. Estes princípios fundamentais são mencionados na
Guemará, por meio de uma expressão descritiva geral: ‫מלאכת‬
‫מחשבת‬, obra calculada/pensada; pois tais regras podem ser
compreendidas de fato, do próprio contexto dos princípios
fundamentais derivados deste, pelos sábios. Além do mais,
alguns comentaristas discutem sobre como todos os princípios
individuais, na verdade, derivam da regra geral. Não obstante a
isso, no objetivo de se prover uma estrutura geral, por meio da
qual, se possa compreender e entender os alcances amplos deste
princípio, sugere-se a seguinte abordagem:

O princípio de ‫מלאכת מחשבת‬, obra calculada, é tal qual as


próprias melachot, derivado da concepção da construção do
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Mishkan. No momento em que descreve os talentos especiais do


artista mestre, Betzalel, para a execução dos preciso e complexos
projetos decretados para os utensílios do Mishkan, a Torá
declara [em Shemot 35: 31 - 33]:

‫ָל־מלָ אכָה׃‬
ְ ‫ּובכ‬
ְ ‫ּוב ַדעַ ת‬
ְ ‫ֹלהים ְבחָ כְ ָמה ִב ְתבּונָה‬
ִ ֱ‫ַוי ְַמלֵּ א אֹ תֹו רּוחַ א‬
‫וְלַ ְחשֹב ַמחַ ָשבֹת לַ עֲ שֹת בַ זָ הָ ב ּובַ כֶּסֶּ ף ּובַ נְ חֹ ֶּשת׃‬
‫ָל־מלֶּ אכֶּת ַמחֲ ָשבֶּ ת׃‬
ְ ‫ֹשת עֵּ ץ לַ עֲ שֹות ְבכ‬
ֶּ ‫ֹשת אֶּ בֶּ ן ְל ַמל ֹאת ּובַ חֲ ר‬
ֶּ ‫ּובַ חֲ ר‬
Ele está repleto do rúach do Elohim – [com] sabedoria,
entendimento e conhecimento concernentes a todas as obras
[talentos artísticos]. Ele é um mestre de projetos [e para pensar pensamentos, para

fazer obras] em ouro, prata, bronze, corte de pedras preciosas de


encaixe, entalhamento e todas as outras [maléchet mechashévet/ obras
calculadas] artes.

A frase obra calculada, foi traduzida no Targum como


artesanato. Entretanto, sua acepção mais literal seria uma
consideração ou obra pensada, calculada; e é neste sentido que,
os sábios aplicaram o termo às leis de Shabat.

Por ensinarem as trinta e nove formas principais de melachá no


contexto da construção do Mishkan, a Torá estaria deixando
claro que, estas melachot são proibidas no Shabat apenas
quando realizadas, do modo no qual foram executadas, na
construção do Mishkan. A realização do mesmo ato, de uma
forma essencialmente distinta, não incorre na violação do
conceito bíblico.
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Ao elaborarem e delinearem os conceitos da proibição bíblica de


obra, com o requerimento de que seja calculada, dois outros
conceitos são implícitos – intenção e projeto. O conceito
relacionado a intenção, requer que o ato seja planejado, e que o
plano seja executado. O conceito de projeto requer que a obra
seja uma atividade que exija projeto. Deste modo, ou deve ser
criativa ou parte de um processo criativo, ao invés de ser um
mero ato laboral. A atividade deve estar focada no objetivo de se
alcançar um projeto específico, e a atividade deve ser feita de
acordo com seu projeto.

Os fatores de intenção e projeto, são evidenciados da própria


construção do Mishkan, cujos componentes tinham que ser
fabricados de acordo com especificações próprias. Para se
construir adequadamente o Mishkan, não bastava apenas reunir
a matéria prima. Esta matéria prima deveria ser processada e
fabricada de acordo com um plano, para que se tornasse útil
dentro do formato do projeto. Por exemplo, para se fazer as
coberturas de lã que cobriam o Mishkan, era necessário tosar a
lã, processá-la em fios e depois, tecê-los; para se fazer as
coberturas de couro, era necessário abater os animais, esfolá-los
e processar a pele em couro. Deste modo, mesmo as provisões
da matéria prima em si, exigia consideração, como para as tintas
vegetais usadas para variadas coberturas, tinham que ser
plantadas, cultivadas, colhidas e cuidadosamente processadas,
para que se tornassem tintas adequadas. Todas estas atividades
foram consideradas, calculadas, pensadas; todas foram
executadas com intenção de se atingir um projeto específico.

Os conceitos de intenção e projeto então; bem como os variados


fatores destes derivados, expressam-se em diversas regras
fundamentais. Pois, desde que é preciso levar em conta,
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literalmente, em todas as discussões que envolvam melachá, tais


ideias precisam ser compreendidas antes mesmo, de se começar
a analisar cada caso.

A. ‫מתעסק‬, Mit’assek, Ato Inconsciente

Quando uma pessoa realiza um ato acidental, sem qualquer


intenção de realizar tal ato e, sem se dar conta de que, tal ato
poderia ocorrer, como resultado do que ele teve intenção de
realizar; seu ato então é considerado ‫מתעסק‬, inconsciente.

[Se ele não previu a possibilidade da ocorrência de tal ato, o ato é classificado como ‫דבר שאינו‬

‫מתכון‬, ato não intencional, que será elucidado adiante]

Pelo fato de que um ato proibido que tenha ocorrido, não foi
intencionado nem previsto, tal pessoa é livre de qualquer
responsabilização na questão (Mirkevet HaMishneh; Hilchot
Shabat 1: 1).

[Por exemplo: Uma pessoa resolve cortar um vegetal que, já havia colhido e sua mão escapa,

fazendo-o cortar um vegetal distinto que, ainda estava crescendo aonde estava plantado; assim,

esta pessoa transgrediu sem intenção a melachá de ‫קצירה‬, colheita. Desde que, o próprio ato de

cortar tal vegetal foi acidental, tal pessoa é isenta. {Guemará 72b, citando Rava, como explicado

por Rashi]

Este tipo de ato é, na verdade, isento da responsabilização ou


culpabilidade, na maior parte dos pecados [exceto, quando uma
pessoa deriva prazer físico do ato não intencional {Kereitot 19b}]
e não é derivado da regra de ‫מלאכת מחשבת‬, obra calculada.
Entretanto, certas ocasiões desta isenção de responsabilidade,
foram derivadas da regra de ‫ מלאכת מחשבת‬e, deste modo,
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limitam-se as leis de Shabat. Assim, no caso do Shabat, mesmo


se uma pessoa teve a intenção de realizar uma melachá e, é
bem-sucedida ao fazê-lo, mas, realizar seu ato em relação a
outro objeto, ao invés daquele que era da sua intenção, tal
pessoa também é isenta de chatat, por cauda deste princípio do
Shabat.

[Um exemplo disto, seria tentar colher um vegetal num jardim e, acidentalmente colher outro.

{Tossafot 72b} – De acordo com o Rabino Akiva Eiger, 1761-1837, há outra distinção entre os

aspectos gerais desta regra e a versão ‘de Shabat’ dela. Apesar de a realização não intencional de

um ato proibido, em relação a outras leis fora o Shabat, também serem geralmente isentas de

oferta de chatat; a pessoa, não obstante, é considerada como um pecador não intencional. Já quem

realiza uma melachá, não é considerado como quem cometeu um pecado, devido o princípio de

‫מלאכת מחשבת אסרה תורה‬, a Torá apenas proibiu uma obra calculada. Existem assim, vários

efeitos práticos desta distinção jurídica – ver Teshuvot Rabi Akiva Eiger, Vol. I, responsum 8]

Os detalhes deste princípio, são bastante envolventes e tema de


variadas disputas. A Guemará os discute em 72b, e em Kereitot,
19b.

B. ‫דבר שאינו מתכון‬, Davar SheÊino Mitkaven,


Ato não Intencional

Quando uma pessoa realiza um ato permitido e, como


consequência disto, uma segunda ação proibida, mas, não
prevista, também ocorre; este segundo ato é classificado como
‫דבר שאינו מתכון‬, ato não intencional. Em contraste com ‫מתעסק‬,
Mit’assek, o ato Inconsciente, mencionado antes; neste caso a
pessoa pode estar ciente que, uma ação proibida poderia
ocorrer, mas, não existe intenção de que isso aconteça.
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[Por exemplo: a pessoa arrasta uma cadeira num gramado de tal forma que, ela pode,

possivelmente, fazer sulcos na terra {uma violação da melachá de ‫חורש‬, Chôresh, aragem}. Apesar

de se estar ciente de que isso pode ocorrer, não há intenção de que ocorra. Sua única intenção

teria sido, mover a cadeira de um lugar para outro. Assim, se um sulco resultar, de fato, de sua

ação; a pessoa realizou uma melachá sem intenção. ]

A regra para este tipo de ação, também é tema de disputas. O


Rabino Iehoshua afirmou que, a partir do fato de que, a pessoa
reconhece que uma proibição pode ser violada, como resultado
de sua ação, ele deve ser responsabilizado pela violação, caso
ocorra. Consequentemente, ele não teria permissão de realizar
em tal ato permitido, por causa da possibilidade de que, estaria
violando uma proibição.

[ou seja, ele não poderia arrastar a cadeira no gramado, por causa da possibilidade de que, deste

modo, realizaria a melachá de aragem, ao fazer sulcos. ]

Por outro lado, a opinião do Rabino Shimon é, que a pessoa não


pode ser responsabilizada por violações não intencionais.
Consequentemente, contanto que não seja intenção da pessoa,
que o ato proibido aconteça, ela é permitida de realizar o ato
permitido, mesmo que, por meio dele, possa ocorrer uma ação
proibida.

[ou seja, de acordo com o Rabino Shimon, a pessoa pode arrastar a cadeira num gramado,

contanto que não tenha a intenção com isso, de realizar aragem. {Guemará 29b, Beitzá 23b}.]

A disputa entre o Rabino Iehudá e o Rabino Shimon, não está


relacionada, especificamente, às leis de Shabat, mas, a uma
disputa mais ampla, envolvendo todos os mandamentos da Torá.

(A Guemará, em 29b, mencionará tal disputa, com relação a proibição de Sha’atnez.)


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Os Rishonim (rabinos dos séculos XI a XV da Era Comum) entretanto,


perceberam que, mesmo o Rabino Iehudá não considerou ‫דבר‬
‫שאינו מתכון‬, ao não intencional, como algo proibido
biblicamente, no Shabat; porque não consiste de ‫מלאכת מחשבת‬,
obra calculada. Assim, com relação a proibições do Shabat, o
Rabino Iehudá proíbe o ao não intencional, rabínicamente
apenas. (Tossafot 41b no trecho ‫ ;ד''ה מיחם‬Rashi comentando 121b no trecho ‫ד''ה דילמא‬.)

‫פסיק רישיה‬, Psík Reishe, A consequência Inevitável

Existe outra característica importante desta regra. Mesmo o


rabino Shimon, o qual permite a realização de um ato permitido
que possa levar a uma consequência proibida, permitirá o ato
apenas se, a consequência proibida for um resultado possível;
não se for um resultado inevitável. Se a realização de um ato
permitido, inevitavelmente resultar na realização de uma
proibição, o rabino Shimon também concorda que, tal ato será
proibido (Guemará 75a). Esta qualificação do conceito, é
conhecida como ‫פסיק רישיה ולא ימות‬, Pesík Reishe Ve’Lo Iamut?
literalmente: Cortam-lhe a cabeça e não morres? Se refere a tal
conceito, simplesmente como a regra da consequência
inevitável.

Com relação a esta regra, existe ainda outra qualificação a


considerar. A Guemará (em 75a) declara que a regra de ‫פסיק‬
‫רישיה‬, consequência inevitável, aplica-se apenas quando a
consequência do ato for ‫ניחא ליה‬, benéfica a ele; ou seja, se
benefício e satisfação, forem consequências inevitáveis, de seu
ato. Se, por outro lado, a consequência for ‫לא ניחא ליה‬, sem
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benefício a ele; ou seja, se benefício e satisfação, não forem


consequências inevitáveis do ato [seja porque lhe fez mal [tal como observa Rashi
em 103a, Tossafot 75a] ou, porque lhe é indiferente [Rashi em 75a], a pessoa
não é responsável por isso.

[De acordo com o Aruch {citado por Tossafot 103a}, o ato será, portanto, permissível. De acordo

com Tossafot, continua rabínicamente proibido.]

A segunda qualidade implícita do conceito de obra calculada é o


projeto. Esta qualidade, também é origem de diversos conceitos
corolários:

C. ‫מקלקל‬, Mekalkel, O ato Destrutivo

Uma atividade que seja destrutiva, não é considerada uma


melachá, e a pessoa que a realiza não é responsabilizada por
fazê-la (apesar de que, foi proibida rabínicamente). Uma obra precisa estar
direcionada a um projeto construtivo, para ser qualificada como
melachá. Portanto, para que a pessoa seja responsabilizada por
uma melachá, o ato deve ser feito num propósito construtivo
(Guemará 105b).

[A Guemará {106a} declara que, existem duas exceções a esta regra: ‫חובל ומבעיר‬, Hovel U’Mav’ir, a

destrutividade de se infligir um ferimento e uma queimadura. Isto, entretanto, é também tema de

debates].

Nos casos em que, destrutividade é um pré-requisito necessário


para a criatividade; como demolição de uma estrutura para se
construir uma nova em seu lugar; ou em apagar um registro
escrito, para que outra coisa seja ali escrita; o ato destrutivo é
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considerado uma melachá, pois em tal contexto, passa a ter um


projeto designado.

D. ‫מלאכה שינה צריכה לגופה‬, Melachá She’Eina


Tzarichá LeGufá, Uma obra desnecessária
[ou realizada] em seu propósito definido

Como visto no princípio anterior, uma obra deve servir a um


propósito construtivo para ser qualificada como melachá. Há
uma questão, porém, que surge daí:

Qualquer propósito construtivo é o suficiente, ou a Torá


considera apenas, certos propósitos específicos, como
suficientes para que uma obra, seja qualificada como uma
melachá?

Este também é, tema de disputa entre o Rabino Iehudá e o


Rabino Shimon (Mishná 93b). De acordo com o rabino Iehudá,
uma obra feita para qualquer propósito construtivo, será
considerada como uma melachá; responsabilizando assim sua
execução. De acordo com o rabino Shimon, uma obra apenas
será considerada melachá biblicamente proibida, se for realizada
para atingir propósitos definidos específicos.

Se for realizada por outro motivo, não consiste em violação da


proibição da Torá (ainda que, seja, rabínicamente proibida).
Assim, de acordo com o rabino Shimon, é possível que uma
pessoa, intencionalmente, realize qualquer obra construtiva e,
ainda assim, seja isenta de pena capital, ou oferta de chatat.
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Ao determinar um propósito específico dentre as várias


melachot, retornamos a conexão entre as leis de Shabat e a
construção do Mishkan. Os propósitos definidos das melachot
são aprendidos desta conexão, mas, os aspectos precisos desta
relação, foi tema de disputa entre os Rishonim.

1) Tossafot (94a) compreendem a conexão, num sentido


estrito. De acordo com eles, uma obra apenas será uma
melachá biblicamente proibida, quando for feita para
atingir um propósito similar ao que foi, intencionado,
durante a construção do Mishkan. Por exemplo, na
construção do Mishkan, as tábuas (que constituíam as
paredes) foram transferidas de um domínio privado (as
carroças nas quais eram transportadas) para um domínio
público (o lugar aonde o Mishkan estava sendo construído).
O propósito deste ato foi transferir as tábuas para um local,
aonde eram necessárias. Consequentemente, o proposito
definido da melachá de ‫הוצאה‬, hotza’ah, transferir de um
domínio a outro; é se transferir um objeto para aonde este
objeto for necessário. Assim, quem transfere um objeto
para outro domínio, apenas para remover aquele objeto
daquele lugar; não cometeu uma violação. Ainda que tal
ato seja construtivo, ou mesmo, necessário; não se trata do
propósito definido desta melachá; ou seja, não se trata do
propósito pelo qual esta melachá foi realizada no Mishkan.
Por esta razão, quem carrega um cadáver para fora de uma
casa, num local público, para sepultá-lo; na opinião do
rabino Shimon, não cometeu violação. Pelo fato de que,
corpos não são necessários num cemitério; seu propósito
em sepultar tal cadáver, é removê-lo de entre as pessoas.
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Similarmente, a melachá de ‫מכבה‬, Mechabéh, extinguir, foi


realizada durante a construção do Mishkan, no propósito
de se fazer carvão. Consequentemente, quem extingue
uma chama no Shabat, para conservar combustível, não
será culpado, de acordo com o rabino Shimon; apesar de
este ser, certamente, um ato construtivo (Mishná 29b).
2) Rashi (93b), por outro lado, demonstra ter tido uma
compreensão totalmente distinta. [Aruch HaShulchan
242:30 declara que Rashi está de acordo com Tossafot.
Porém, a maior parte dos estudiosos discorda] De acordo
com ele, o propósito definido de uma obra, não será,
necessariamente, aquele que foi realizado durante a
construção do Mishkan. Ao invés disto, o proposito criativo
será, aquele inerente ao próprio ato, para que seja
considerado uma melachá. Uma obra realizada apenas, em
reação a uma condição indesejada – seja para prevenir ou
para retificar – não será um ato de propósito criativo,
essencialmente, não sendo a pessoa então, culpável por
isso. Para que seja, de fato responsabilizada, uma obra
deve contribuir para que se alcance um objetivo
construtivo ou proposital. Isto é definido como o propósito
inerente de sua obra. Assim, de acordo com Rashi, a
analogia com o Mishkan não deve ser levada até as últimas
consequências; pois, assim como na construção do
Mishkan, todas as melachot foram realizadas para se
alcançar um projeto de ordem maior, ao invés de se
responder a dificuldades externas, do mesmo modo, as
melachot proibidas no Shabat, devem ser realizadas (a fim
de que sejam consideradas como atos proibidos) para se
alcançar um projeto de ordem maior, não apenas para
prevenir ou retificar alguma dificuldade externa.
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Consequentemente, uma pessoa que carregue as tábuas,


do domínio do qual estão, para o domínio aonde são
necessárias, estará realizando uma obra que, contribui com
um projeto criativo; quer dizer, com a construção de uma
determinada estrutura. Aquele que remove um cadáver de
sua casa, entretanto, não está contribuindo para nenhum
propósito criativo; pois, cadáveres não são necessários para
[se fazer] um cemitério. Ele está apenas, resolvendo o
problema de se ter um cadáver em casa. Similarmente,
aquele que extinguir uma chama, para conservar
combustível, não está envolvido num processo criativo,
mas, ao invés disto, está prevenindo uma perda. A obra,
portanto, não está sendo feita [essencialmente] em seu
propósito definido. Somente alguém que extingue uma
chama, para produzir carvão, estaria alcançando um
projeto criativo, sendo então culpável. [Ba’al HaMaor {rabino Zehariah
HaLevi de Girona, 1125-1186}, no capítulo 13, tem ainda uma terceira interpretação deste

princípio; a qual considera que, uma obra deve ser realizada para, realçar a utilidade do

objeto, no qual, o ato foi feito. Uma obra para o melhoramento de outro objeto, além

daquele sobre o qual o ato é feito, será considerada uma obra desnecessária para seu

propósito definido. Assim, quem carrega um cadáver para removê-lo de casa, ou quem

extingue uma chama para conservar combustível, não está fazendo o objeto de sua ação,

mais útil para si mesmo.]

E. ‫ כלאחר‬ou ‫ שנוי‬Shinui ou
K’le’achar, Um Ato realizado de modo
não Usual
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Uma obra deve ser realizada de um modo, em que, geralmente é


realizada. Se for feita de um modo que seja, significativamente
distinto do modo considerado normal, de sua realização, tal ato
não será biblicamente proibido (ainda que seja, rabínicamente
proibido). Este tipo de ação é categorizado como ‫שינוי‬, Shinui,
literalmente mudança, ou ‫כלאחר יד‬, K’leachar Iád, literalmente,
com as costas da mão. [Chelkat Mechakek, Ever HaEzer 123: 5 declara que, a isenção
para uma melachá feita de um modo não usual, é um conceito derivado do princípio de ‫מלאכת‬
Tal ato, ainda que preencha os requerimentos
‫מחשבת‬, obra calculada. ]

de propósito e intenção, carece do método próprio de execução


e, portanto, é isento.

Para criar uma isenção, um grau de variação do método usual da


ação, deve ser significativo. Por esta razão, o que constitui uma
mudança, varia de melachá para melachá. Uma pessoa destra,
que escreve algo com sua mãe esquerda, é considerado como
alguém que escreve de modo não usual, e assim é isenta.
(Guemará 103a). Mas, uma pessoa destra que transfere um
objeto de um domínio a outro, com sua mão esquerda, não será
considerada alguém que agiu de modo não usual (Mishná 92a). A
diferença é que, a escrita exige destreza, razão pela qual a
pessoa destra, apenas escreve com a mão direita. Carregar um
objeto, porém, é feito igualmente, com as duas mãos e, por isso,
não se considera a diferença entre mão direita e esquerda.
(Chidushei Haran, comentando a Guemará 103a). Isto será deste
modo, não apenas em relação a ‫הוצאה‬, transportar, mas, com
respeito a todas as melachot, exceto escrever (Chaiei Adam
{rabino Avraham Danzig, 1748-1820}, Hilchot Shabat 9: 2;
Kalkalat HaShabat 2: 3). O critério básico para a isenção num ato
não usual, é que seja um desvio consideravelmente grande, do
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modo normal de realização da obra. (Avnei Nezer { Avrohom


Bornsztain, 1938-1910} 209: 9).

F. Outras regras baseadas na concepção


de Obra Calculada

A Guemará também usa o princípio de obra calculada, para


ensinar que, uma melachá deve ser uma obra que exija, um grau
mínimo de proficiência. Por esta razão, meramente empilhar
abóboras ou cebolas em casa (da forma em que são guardadas),
não é considerada uma melachá; apesar de ser considerado uma
obra significantemente laboral, relacionada as leis de maasser,
dízimos. (Beitzá 13b)

A Guemará também usa este princípio para explicar, o motivo


pelo qual, certas obras são consideradas melachot, ainda que a
pessoa não a faça diretamente, ao invés disso, promova que
forças da natureza façam por ele. Com relação a outras leis da
Torá, este tipo de atividade é considerado causal, ao invés de
ativa, e não qualifica como ação direta. Com relação a leis do
Shabat, entretanto, é constituída como melachá, como no caso
de ‫זורע‬, Zoreah, joeirar; quando se joga o grão para o alto, de
modo que o vento sopre a palha, e o grão caia no recipiente.
(Bava Kama 60a).

[O aspecto proibido desta melachá não consiste então, do ato de jogar, mas, da separação do grão

da palha. Esta separação é conseguida, por meio do vento e não, por ação direta da pessoa. Não

obstante a isso, o princípio de ‫מלאכת מחשבת‬, obra calculada, considera o ato de separação por
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joeirar ao vento, uma melachá. Isto é, este é o único caso, no qual o princípio de ‫מלאכת מחשבת‬,

obra calculada, é usada para aumentar a culpabilidade, ao invés de diminuí-la. ]

‫ – מלאכת הוצאה‬A Melachá de Hotza’ah, de se


Transferir de um Domínio para outro
Domínio

Grande porção deste Tratado, lida com a melachá de se


transferir de um domínio a outro. Deste que, boa parte do
capítulo um, devota-se a estas leis, as concepções gerais estão
presentes na Introdução ao primeiro capítulo.

‫ – תחומין‬Techumin
‫תחום‬, Tehum e ‫עירובי תחומין‬, Eruvei Techumin

No Shabat e festividades, a pessoa é proibida de ir além de dois


mil amot, de sua localidade residencial definida, no começo
daquele dia. Este limite é chamado techum (fronteira). O Rabino
Akiva (Guemará 69a; Sotá 27b) mantém que, esta é uma
proibição bíblica, mas, os sábios consideram-na uma proibição
rabínica. A Halahá segue os sábios.

[Existe porém, uma controvérsia maior, entre Rishonim, sobre se


há um conceito de Techum bíblico, que se estenda por doze mil
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(um mil é cerca de 2000 amot – o techum convencional) O


Talmud Ierushalmi (3: 6) declara que, mesmo os sábios admitem
que, ir além de doze mil techum é biblicamente proibido. O Rif
{rabino Itzhak Alfasi, 1013-1103} (Eruvin, final do cap. 1) acha
que, o Talmud Bavli corrobora com isso e, encontra uma alusão
ali (17b). O Rambam (Hilchot Shabat 27: 1 e o Sefer HaMitzvot,
Lo Ta’assêh 321) adota esta visão, e o Maguid Mishneh {rabino
Vidal de Tolosa, século XIV} relata que, esta também foi a visão
dos Gueonim. O Ba’al HaMaor entretanto, disputam sobre a
afirmativa de que, o Talmud Bavli aceitaria a distinção feita no
Ierushalmi; e o Ramban {rabino Moshe ben Nachman, 1194-
1270} tem dúvidas sobre se mesmo, o Rif, aceitava isto como sua
conclusão Haláchica. Muitas autoridades seguem a visão do
Ramban, mas a visão do Rif é também mencionada pelo Rama
{Rabino Moshe Isserles, 1530-1572} (Orach Chaim 404: 1) como
uma possibilidade. ]

Não obstante a isso, ‫אסמכתות‬, Asmach’tot, alusões bíblicas, são


citadas para corroborar a proibição rabínica.

Para calcular o techum, primeiramente se deve determinar o


local de residência da pessoa, no princípio do Shabat. Este lugar,
que é conhecido como ‫ ¸מקום שביתה‬Makom Shevitá, residência
de Shabat, geralmente é idêntico a sua residência própria para
Shabat. Se uma pessoa começa o Shabat numa cidade, toda a
cidade conta como sua residência de Shabat, e o techum, é
medido a partir dos limites da cidade. Se ele começa o Shabat
numa construção isolada, fora de qualquer cidade, todo o prédio
é considerado sua residência e o techum é medido, a partir das
paredes externas. Se ele começa o Shabat acampado, ao ar livre,
sua residência de Shabat, será idêntica a sua localização física.
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Esta localização é definida como uma área de quatro amot ao


redor da pessoa.

Entretanto é possível que, para que uma pessoa estabeleça


formalmente sua residência de Shabat, num outro lugar além do
qual está. Isto é feito, ao se colocar um alimento na localização
para além de 2000 amot, a partir de sua atual residência. (Isto é
conhecido como eruv techumin). É deste modo, que a pessoa
pode, juridicamente, estabelecer sua residência de Shabat, na
localização do alimento, algo que o permite proceder de sua
localização atual, até o ponto de 2000 amot, para além dele. De
fato, isto permite a pessoa, ir até o máximo de 4000 amot, de
seu local atual de residência, desde que, a pessoa pode
estabelecer um eruv de até 2000 amot, longe de sua residência.
Isso não lhe dá mais do que o limite de dois mil amah; isto
meramente muda o ponto do qual a medição é feita. Assim, o
que quer que a pessoa ganhe numa direção, ela gasta numa
direção oposta. Os detalhes destas leis, estão no Tratado de
Eruvin.

Decretos Rabínicos Especiais

A. ‫ שביתה‬- Repouso

Fora os decretos rabínicos, proibindo atos que se assemelhem a


proibições bíblicas (os que podem levar a violação de proibições bíblicas), os
Rabinos promulgaram decretos para reforçar o conceito de
descanso no Shabat, a fim de enfatizar a distinção do dia.
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Eles fizeram isso porque, uma observância estrita das leis de


melachá deixam ainda, permitido a uma pessoa, por exemplo, ir
trabalhar todo o Shabat; tal como faria durante a semana,
causando então, que seja visto como irrelevante e desprezível, a
ideia de Shabat como um dia de descanso e santidade. Por
exemplo, não há proibição bíblica contra carregar produtos e
transportá-los ao mercado, contanto que seja feito, totalmente
dentro de um domínio privado (como, uma cidade murada). Não
há proibição bíblica contra pesagem, medição e
empacotamento; ou, contra comprar e vender; ou contra pagar e
receber; e dar tarefas para funcionários realizarem, não é uma
melachá. Em suma, muitas das atividades do comércio são
biblicamente permitidas.

[Seria até plausível considerar que, disto resultaria num aumento


da atividade comercial para muitas pessoas, pois, muitas outras
atividades que realmente são biblicamente proibidas; deixam o
Shabat como um dia conveniente para compras]

Para impedir este tipo de comportamento, os rabinos


promulgados diversos decretos, cuja totalidade objetiva
assegurar que, o Shabat seja observado como um dia único, tal
qual é. Por esta razão, enquanto decretos individuais são,
certamente, rabínicos; por outro lado, eles são como um corpo
de observâncias do Mandamento Bíblico de ‫שביתה‬, repouso.
(Ramban, comentando Vaicrá 23: 24; Rambam, Hilchot Shabat 2:
1)

Inclusos nesta categoria são proibições, tais como, ‫מוקצה‬,


Muktze, (artigos que não podem ser usados ou movidos no Shabat); atividades e
falas incluídas na concepção geral de ‫ממצוא חפצך ודבר דבר‬,
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Mim’tzo Chef’tzechá VeDaber Davar, [e não] procurar os próprios


interesses [no meu santo dia]... [Ieshaiahu 58: 13, 14]

[Rashi, ao comentar Beitzá 37a ‫ד''ה משום מקח וממכר‬, nota que,
atividades comerciais são proibidas por esta razão, bem como,
pelo fato de que, pode levar a escrever, detalhes importantes
das transações comerciais. ]

E também, são inclusas, as ‫עובדא דחול‬, Uv’da D’chol, atividade


semanal. As leis de muktze será considerada na introdução ao
capítulo três, bem como no capítulo 17; pois, estes dois capítulos
lidam com este tema de modo mais completo. Esta categoria de
atividades e falas proibidas, na maior parte, são o tema do
capítulo 23. O tema de ‫עובדא דחול‬, atividade semanal por outro
lado, não está presente em capítulo nenhum. Por isso, será
elucidado nesta introdução.

B. ‫ – עובדא דחול‬A atividade semanal

Os Rabinos proibiram qualquer atividade que seja, essencial e


especificamente, uma atividade semanal. Obviamente, esta
proibição não tem a intenção de simplesmente banir, toda
atividade de costume feita durante a semana. O objeto do
banimento, diz respeito àquelas atividades que, recaem nestas
três categorias:

1) Atividades que lembram uma melachá. Estas são as


atividades que, tão somente lembram melachot e que,
portanto, são proibidas apenas porque são similares a uma
Melachá. [Atividades que são, essencialmente, melachá, mas, carecem da
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qualificação, por alguma razão técnica, como no exemplo de ‫מלאכה שיונה צריכה לגופה‬,

uma melachá que não é realizada em seu propósito definido, e uma obra realizada ‫כלאחר‬

‫יד‬, K’leAchar Iad, de um modo não usual, são proibidas como parte das cercas gerais para a

lei, promulgadas pelos rabinos; desde que, tais atividades são facilmente confundidas com

atividades biblicamente proibidas. As atividades proibidas sob a regra de ‫עובדא דחול‬,

atividade semanal, são aquelas que, em si mesmas, não levariam a violações do Shabat por

meio da melachá. ] Um
exemplo disto é a proibição e suspender
um filtro/coador no Shabat, o que, de acordo com a maior
parte das opiniões, é proibido, por causa da ideia de se
fazer uma tenda temporária (137b). Apesar de que,
suspender um coador não é, realmente, equivalente a
armar uma tenda e, é difícil acreditar que alguém
confundisse tal coisa, foi um ato banido, por ser
semelhante ao ato de se fazer uma tenda e, portanto, uma
atividade semanal. (Guemará 138a)
2) Atividades que podem levar a uma melachá. Apesar destas
atividades não serem similares, essencialmente, a uma
melachá; elas são parte de um processo que leva a uma
melachá. Os rabinos, portanto, proibiram-nas, preocupado
com a questão de que, uma pessoa pode envolver-se numa
rotina semanal, esquecendo que é Shabat por isso e, ao
continuar a atividade, acabar fazendo uma melachá. Um
exemplo disso, seria a proibição contra mover a escada de
um pombal, para outro pombal. Esta é uma atividade
semanal, que pode levar a pessoa a capturar os pombos.
(Rambam, Hilchot Shabat 26: 7)
3) Atividades que diminuem a sensação do Shabat. Seja por
envolver um ‫טירחא‬, Tir’chá, esforço desnecessário ou
excessivo; ou, porque eles fazem o dia de Shabat parecer
um dia da semana. Um exemplo disso, é a proibição contra
massagem vigorosa (147a) e, limpar o armazém (126b, de
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acordo com elucidação do Rav Chisda). Esta categoria é a


mais prevalecente forma de atividades proibidas.

A maior parte das fontes citadas neste trabalho, são: Ritva,


rabino Iom Tov ben Avraham Asevilli, 1260 – 1320; e Chidushei
HaRan, rabino Nissim de Gerona, 1320 – 1376. Veio à luz,
entretanto, que as obras tradicionalmente publicadas sob tais
nomes, na verdade, não são dos autores atribuídos. O trabalho
conhecido como Chidushei HaRitva é, na verdade, o Chidushei
HaRan (algo notado pelo rabino Chaim Palagi, 1788-1868 e
Rabino Elchonon Wasserman, 1874-1941), e o trabalho
tradicionalmente chamado de Chidushei HaRan, é de autor
desconhecido daquela geração. Ainda mais recentemente, um
manuscrito do registro do Ritva sobre este tratado, foi
descoberto e publicado em parte, pelo rabino Shneur Zalman
Reichman, Z’L, em 1967 e depois, complementado pelo rabino
Moshe Goldstein para [a Ieshivá] Mossad HaRav Kook em 1990.
Adicionalmente, o trabalho que era, tradicionalmente, publicado
sob o título de Chidushei HaRitva, agora surge numa versão
anotada e refinada, publicada pela Mossad HaRav Kook, com o
título de Chidushei HaRan. Desde que as edições da Ieshivá estão
em vias de se tornar o padrão usado em Ieshivot, foi escolhida a
referenciação por estes trabalhos; embora, com um apelativo
para identificação: MHK ed = Edição Mossad Harav Kook; e o
título Chidushei HaRitva apenas, será aplicado para se referir a
edição da Mossad HaRav Kook desta obra. O trabalho anônimo,
que era publicado como Chidushei HaRan, continuará a ser
referido pelo seu título, por falta de outro melhor. Ao leitor se
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pede, que tenha em mente que, o autor deste trabalho, não é o


mesmo autor do comentário sobre o Rif. O comentário do Ran ao
Rif será referenciado apenas como “Ran”.

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