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Antiguidade Renovada

O termo Renascimento é usado para designar fronteiras bastante fluidas no tempo. Trata-se de um
período que vai do final do século XIV ao final do século XVI. O período recebeu esse nome por representar a
“renovação” da Antiguidade Clássica, considerada então um paradigma cultural. Nesse sentido, o
Renascimento colocava em questão a tradição herdada da Idade Média, pressupondo a saída das “trevas”
daquele período – marcado pelo domínio da teologia – para um ingresso no que os renascentistas acreditavam
ser a “verdadeira” antiguidade.
O Renascimento foi um período de mudanças não apenas artísticas e culturais, mas também políticas.
Com a formação dos Estados Modernos Absolutistas, foi necessário uma construção de bases teóricas sobre
como esses Estados deveriam funcionar.

A definição de Estado na Política aristotélica

Para Aristóteles, a comunidade política, que é a soberana em relação às comunidades reunidas em torno dessa, é
a cidade. A cidade é a composição de lares e vilas, sendo um último grau de comunidade. Porém, ela é soberana
e visa o bem soberano. Vejamos de que modo se formam as comunidades:

A primeira comunidade é o lar, que é formado por três relações:

1. Casal (homem-mulher) – essa relação é natural e visa à procriação. Trata-se de uma necessidade, onde os
dois dependem um do outro para a sua existência e perpetuação da espécie. É a universalidade entre macho e
fêmea para a satisfação de um bem, uma carência do ser humano. Aqui se dá o poder político entre seres livres
e iguais. Porém, este poder difere de sentido de homem para homem. No casal, o poder de governar é
permanentemente do homem, pois este é apto para ordenar, enquanto que à mulher cabe apenas obedecer;

2. Pai e filho – é o poder régio, sobre os seres livres e desiguais. Essa desigualdade está baseada na diferença de
idade, cabendo ao filho obedecer ao pai;

3. Senhor e escravo – o senhor é apto por natureza a governar e o escravo a obedecer e realizar trabalhos
manuais. É o poder despótico sobre seres não livres.

A segunda comunidade é a vila. A comunidade, conforme Aristóteles,evolui naturalmente como de uma criança
para um adulto e deste para um idoso. A vila é a evolução do lar. Ele satisfaz, além da reprodução da espécie e
nutrição do indivíduo, a administração da justiça e das cerimônias religiosas.

A terceira comunidade é a cidade, fim da evolução natural. É na cidade que o homem pode preencher suas
necessidades de viver em comum por suas carências. A cidade é autárquica, e uma comunidade perfeita é o
único meio dos homens gozarem da felicidade plena, porque essa consiste no aperfeiçoamento do intelecto, na
construção das virtudes e na satisfação do espírito.

A cidade é, portanto, o fim nos dois sentidos do termo. Fim da evolução natural e é também o seu próprio fim,
ou seja, ela é por si mesma. Além de o homem ser um animal político, é também, dentre todos os animais, o
mais político, pois possui linguagem, a capacidade não só de um prazer ou dor, mas de ter um conceito do justo
e do injusto, do bem e do mal. É esse conceito em comum que faz uma comunidade.

Percebe-se, assim, que o bem do indivíduo e o bem do Estado são da mesma natureza. E embora estes
consistam em buscar a completude, somente na realização do Estado, satisfazendo os fins materiais e espirituais
está a perfeição. Portanto, é no Estado que o homem é realmente homem, porque naturalmente político, pois
fora disso, é um animal servil como os outros.