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ESTELIONATO, NO ENTENDIMENTO DO STF


Atualizado em 5 de outubro de 2015
Segunda Turma processar e julgar os fatos em favor da Justiça
Ementa: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS Federal.
CORPUS. DIREITO PENAL. CRIME DE (HC 112489, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira
ESTELIONATO. ART. 171, CAPUT, DO CP. Turma, julgado em 02/09/2014, PROCESSO
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELO ELETRÔNICO DJe-220 DIVULG 07-11-2014 PUBLIC
RESSARCIMENTO DA VÍTIMA. APLICAÇÃO DA 10-11-2014)
REGRA ESPECIAL DO § 2º DO ART. 9º DA LEI
10.684/2003. IMPOSSIBILIDADE.
1. Por se tratar de norma especial, dirigida a Segunda Turma
determinadas infrações de natureza tributária, a Ementa: HABEAS CORPUS. PENAL MILITAR.
causa especial de extinção de punibilidade prevista ESTELIONATO. ART. 251, CAPUT, DO CPM. SAQUE
no § 2º do art. 9º da Lei 10.684/2003 (pagamento INDEVIDO DE PENSÃO MILITAR APÓS O
integral do crédito tributário) não se aplica ao delito FALECIMENTO DO BENEFICIÁRIO. COMPETÊNCIA
de estelionato do caput do art. 171 do Código Penal. DA JUSTIÇA MILITAR. OFENSA A PATRIMÔNIO
Precedentes. 2. Recurso ordinário a que se nega SOB A ADMINISTRAÇÃO MILITAR. PRECEDENTES.
provimento. ORDEM DENEGADA.
(RHC 126917, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, 1. Ambas as Turmas do Supremo Tribunal Federal
Segunda Turma, julgado em 25/08/2015, PROCESSO já se pronunciaram no sentido de que compete à
ELETRÔNICO DJe-177 DIVULG 08-09-2015 PUBLIC Justiça Militar processar e julgar civil acusado da
09-09-2015) prática do crime de estelionato (art. 251, caput, do
Código Penal Militar) cometido mediante saque de
pensão de beneficiário falecido. 2. Ordem denegada.
Primeira Turma (HC 115013, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI,
Ementa: HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL. Segunda Turma, julgado em 24/06/2014, PROCESSO
PROCESSO PENAL MILITAR. USO DE DOCUMENTO ELETRÔNICO DJe-160 DIVULG 19-08-2014 PUBLIC
EXPEDIDO PELA FORÇAS ARMADAS PARA FINS 20-08-2014)
DE OBTENÇÃO DE BENEFÍCIO JUNTO A EMPRESA
PÚBLICA FEDERAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
FEDERAL. 1. O uso de documento falso expedido Segunda Turma
pela administração militar para o fim de obter EMENTA: HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL,
empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, PENAL E PROCESSUAL PENAL. CRIMES DE
empresa pública da União, mercê de configurar FORMAÇÃO DE QUADRILHA OU BANDO E
conduta tipificada pelo Código Penal Militar (art. 315 ESTELIONATO. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS.
da Decreto-Lei nº 1001/69), é ilícito absorvido pelo FIXAÇÃO DA PENA-BASE ACIMA DO MÍNIMO
crime de estelionato contra o patrimônio da União, LEGAL. POSSIBILIDADE. REVISÃO DA PENA EM
não configurando crime autônomo sujeito à HABEAS CORPUS. PRECEDENTES. CONDUTA
jurisdição castrense. 2. É competente a Justiça SOCIAL. ALCANCE. EXPRESSÃO ECONÔMICA DO
Federal para conhecer e julgar infração penal PREJUÍZO IMPOSTO À VÍTIMA. RELEVÂNCIA.
cometida em detrimento de bens, serviços e VÍNCULO PROFISSIONAL ENTRE OS ENVOLVIDOS.
interesses da União, nos termos do artigo 109, AGRAVANTE. POSSIBILIDADE. ORDEM
inciso IV, da Constituição Federal. 3. In casu, o DENEGADA. 1. O Supremo Tribunal consolidou o
paciente, ex-Cabo do Exército, fez uso de entendimento no sentido de não ser o habeas corpus
documento militar ideologicamente falso visando substitutivo da revisão criminal, pelo que, não havendo
obter empréstimo bancário junto à Caixa Econômica manifesta ilegalidade ou teratologia na definição da
Federal, não havendo quaisquer elementos nos pena, é inviável o reexame dos elementos de convicção
autos que denotem sua intenção de contrapor-se à essenciais ao estabelecimento da sanção penal, cuja
instituição militar ou a qualquer de suas específicas atividade depende da concreta avaliação das
finalidades ou operações. Consectariamente, circunstâncias do fato. 2. A existência de circunstâncias
evidencia-se a incompetência da Justiça Penal judiciais desfavoráveis aos interesses do Réu respalda
Militar. 4. Ordem de habeas corpus concedida para a fixação da pena-base acima do mínimo. Precedentes.
declarar a incompetência da Justiça Militar para a 3. A prática de estelionato não é indicativo de
causa e determinar o declínio da competência para conduta social reprovável, por ser aferível em
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momento distinto ao do delito e respeitar ao assistência judiciária gratuita, bem como forjado
envolvimento do agente nos ambientes familiar, celebração de acordo em ação de reparação de danos
profissional e social anteriormente ao crime. 4. A para levantamento de valores referentes a seguro de
expressão econômica do prejuízo imposto à vítima vida. Aduzia a impetração que, depois de ofertada e
no estelionato abriga-se nas consequências do recebida a denúncia, juízo cível homologara, por
crime e, como circunstância judicial, pode interferir sentença, o citado acordo, reputando-o válido, isento de
na fixação da pena-base. 5. A prática do estelionato qualquer ilegalidade; que os autores não teriam sofrido
não reclama, como elemento do tipo, a existência de prejuízo algum; e que os honorários advocatícios seriam
vínculo profissional entre o agente e a vítima, pelo efetivamente devidos — v. Informativo 576. Consignou-
que é viável a incidência da agravante do art. 61, II, se não haver qualquer ilegalidade ou crime no fato
g, do Código Penal. 6. Ordem denegada. de advogado pactuar com seu cliente — em contrato
(HC 109596, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, de risco — a cobrança de honorários, no caso de
Segunda Turma, julgado em 05/02/2013, PROCESSO êxito em ação judicial proposta, mesmo quando
ELETRÔNICO DJe-054 DIVULG 20-03-2013 PUBLIC gozasse do benefício da gratuidade de justiça.
21-03-2013) Frisou-se que esse entendimento estaria pacificado
no Enunciado 450 da Súmula do STF (“São devidos
honorários de advogado sempre que vencedor o
Segunda Turma beneficiário da justiça gratuita”). Vencidos os
Ministros Marco Aurélio, que denegava o writ, e Cármen
HC N. 113.261-RJ Lúcia, que o concedia parcialmente para trancar a ação
RELATORA: MIN. CÁRMEN LÚCIA penal apenas quanto à conduta referente à cobrança de
EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. MILITAR. honorários advocatícios de parte amparada pela
FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO MILITAR E USO gratuidade da justiça, ante a falta de justa causa para o
COM O FIM DE OBTER VANTAGEM DE seu prosseguimento. Por outro lado, denegava a ordem
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. CRIMES MEIOS DO quanto à segunda conduta imputada ao paciente ao
DELITO FIM DE ESTELIONATO. COMPETÊNCIA DA destacar que, na denúncia, teriam sido descritos
JUSTIÇA COMUM. INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA comportamentos típicos quanto à forja na formalização
MILITAR. de acordo, sendo factíveis e obviados os indícios de
1. Pelos elementos dos autos, a falsificação de autoria e materialidade delitivas.
documento militar e o seu uso pelo Paciente teriam HC 95058/ES, rel. Min. Ricardo Lewandowski,
sido praticados com a finalidade de obter vantagem 4.9.2012.
indevida de instituição financeira, configurando a
prática de estelionato.
2. Dessa forma, pelo princípio da consunção, os Segunda Turma
delitos de falsidade de documento militar e uso HC N. 112.017-SC
desse documento, que isoladamente são crimes RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO
militares, são absorvidos pelo delito de estelionato AÇÃO PENAL. Prescrição da pretensão punitiva.
contra instituição financeira, pois são crimes meio Ocorrência. Estelionato contra a Previdência Social. Art.
deste. Competência da Justiça Comum definida pela 171, § 3º, do CP. Uso de certidão falsa para percepção
vítima do crime fim de estelionato, a instituição de benefício. Crime instantâneo de efeitos permanentes.
financeira. Diferença do crime permanente. Delito consumado com
3. Ordem concedida para reconhecer a incompetência o recebimento da primeira prestação dos proventos
da Justiça Militar e determinar a remessa dos autos do indevidos. Termo inicial de contagem do prazo
inquérito policial militar para a Justiça Comum prescritivo. Inaplicabilidade do art. 111, III, do CP. HC
competente. concedido para declaração da extinção da punibilidade
Julgado em 18.09.2012. dos pacientes. Precedentes. É crime instantâneo de
efeitos permanentes o chamado estelionato contra a
Previdência Social (art. 171, § 3º, do Código Penal) e,
Primeira Turma como tal, consuma-se ao recebimento da primeira
Estelionato: assistência judiciária gratuita e prestação do benefício indevido, contando-se daí o
cobrança de honorários prazo de prescrição da pretensão punitiva.
Em conclusão, a 1ª Turma, por maioria, concedeu Julgado em 14.08.2012.
habeas corpus para trancar ação penal ao fundamento
de atipicidade de conduta (CP, art. 171, caput). Na
espécie, o paciente supostamente teria auferido Segunda Turma
vantagem para si, em prejuízo alheio, ao cobrar HC N. 113.179-ES
honorários advocatícios de cliente beneficiado pela RELATORA: MIN. CÁRMEN LÚCIA
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EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. SENTENÇA falecido. Consignou-se que, em tema de estelionato
CONDENATÓRIA. ESTELIONATO PRATICADO previdenciário, o Supremo tem jurisprudência
CONTRA A PREVIDÊNCIA SOCIAL (ART. 171, § 3º, consolidada quanto à natureza binária, ou dual, da
DO CÓDIGO PENAL). CRIME PERMANENTE infração. Reafirmou-se que a situação de quem
QUANDO O BENEFICIÁRIO RECEBE A QUANTIA comete uma falsidade para permitir a outrem obter
INDEVIDA. PRESCRIÇÃO. NÃO-OCORRÊNCIA. vantagem indevida distingue-se da conduta daquele
1. É firme a jurisprudência deste Supremo Tribunal que, em interesse próprio, recebe o benefício
Federal no sentido de que o crime de estelionato ilicitamente. No primeiro caso, a conduta, a despeito
previdenciário praticado pelo próprio beneficiário de produzir efeitos permanentes em prol do
tem natureza permanente, e, por isso, o prazo beneficiário da indevida vantagem, materializa os
prescricional começa a fluir a partir da cessação da elementos do tipo instantaneamente. No ponto,
permanência e não do primeiro pagamento do evidenciou-se não haver que se cogitar da possibilidade
benefício. de o agente fraudador sustar, a qualquer tempo, a sua
2. Considerada a pena definitiva de 1 ano e 4 meses e conduta delituosa. Observou-se que, na segunda
13 dias-multa imposta ao Paciente, entre uma causa de hipótese — que seria a situação dos autos —, em que a
interrupção da prescrição e outra, não houve período conduta é cometida pelo próprio beneficiário e renovada
superior a quatro anos, o que afasta a ocorrência de mensalmente, tem-se entendido que o crime assume a
prescrição retroativa. natureza permanente. Neste ponto, ressaltou- se que o
3. Ordem denegada. agente tem o poder de, a qualquer tempo, fazer cessar
Julgado em 22.05.2012. a ação delitiva. Por derradeiro, registrou-se que a
mencionada distinção estaria estampada em vários
julgados das Turmas do STF.
Primeira Turma HC 104880/RJ, rel. Min. Ayres Britto, 14.9.2010.
Princípio da insignificância e programa social do
governo
A 1ª Turma denegou habeas corpus em que requerida a Estelionato Previdenciário: Natureza e Prescrição
aplicação do princípio da insignificância em favor de A Turma concedeu, em parte, habeas corpus e
acusada pela suposta prática do crime de estelionato. A reconheceu que a fraude perpetrada por terceiros no
defesa sustentava a mínima ofensividade, a ausência estelionato previdenciário consubstancia crime
de periculosidade e o reduzido grau de censura da instantâneo de efeitos permanentes. Inicialmente,
conduta. Ainda, que o montante envolvido seria da superou-se a alegada violação ao princípio da
ordem de R$ 398,38, valor menor que o salário mínimo. colegialidade, pois a decisão monocrática proferida pelo
Salientou-se não ser possível considerar pequena a STJ fora fundamentada na orientação jurisprudencial
quantia auferida pela paciente que, ao contrário do dominante naquela Corte, a permitir a atuação do relator
alegado, seria inferior ao salário mínimo à época da (CPC, art. 557, § 1º-A). Frisou-se que, ao julgar o HC
impetração, porém, acima daquele valor de referência 86467/RS (DJU de 22.6.2007), o STF alterara a
quando perpetrado o delito. Destacou-se que a paciente jurisprudência, até então consolidada, em matéria de
obtivera a vantagem em face de saques irregulares de prescrição do crime de estelionato previdenciário, ao
contas inativas vinculadas ao Fundo de Garantia por reputar que a conduta deve ser classificada como crime
Tempo de Serviço – FGTS. Ademais, por tratar-se de instantâneo de efeitos permanentes. Lembrou-se que o
fraude contra programa social do governo a beneficiar mencionado precedente estabelece como marco inicial
inúmeros trabalhadores, asseverou-se que a conduta da contagem do prazo prescricional a data em que
seria dotada de acentuado grau de desaprovação. ocorreu o pagamento indevido da primeira parcela,
HC 110845/GO, rel. Min. Dias Toffoli, 10.4.2012. ocasião em que o dano ter-se-ia aperfeiçoado.
Destacou-se que o entendimento não seria válido para o
beneficiário da fraude perpetrada, mas apenas para
Segunda Turma aquela pessoa que falsificara os dados que
Estelionato Previdenciário: Natureza e Prescrição possibilitaram ao beneficiário receber as prestações
A Turma indeferiu habeas corpus no qual se pretendia indevidas. Tendo em conta que o habeas não estaria
fosse declarada a extinção da punibilidade de instruído com cópia dos atos que demonstrariam de
condenado pelo delito descrito no art. 251 do CPM forma inequívoca os marcos interruptivos da prescrição,
(“Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em remeteu-se ao juízo competente a análise da ocorrência
prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, dela. Por fim, enfatizou-se que, na hipótese da não
mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio extinção da punibilidade, a execução da pena deverá ter
fraudulento.”). Na espécie, o paciente sacara, entre início imediato.
janeiro de 2000 e maio de 2005, os valores depositados, HC 91716/PR, rel. Min. Joaquim Barbosa, 31.8.2010.
a título de pensão, na conta-corrente de um parente
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ESTELIONATO, NO ENTENDIMENTO DO STJ


Atualizado em 5 de outubro de 2015
Quinta Turma Reginaldo Caselato, Astrogildo Ribeiro da Silva,
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. Dorival Barossi e Carlos Ribeiro dos Santos.
QUADRILHA, CORRUPÇÃO ATIVA, APROPRIAÇÃO (RHC 59.825/PR, Rel. Ministro LEOPOLDO DE
INDÉBITA E TENTATIVA DE ESTELIONATO. ARRUDA RAPOSO (DESEMBARGADOR
AJUIZAMENTO DE AÇÃO COM USO DE CONVOCADO DO TJ/PE), QUINTA TURMA, julgado
PROCURAÇÃO SEM VALIDADE E REVOGADA. em 08/09/2015, DJe 15/09/2015)
IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DO
DELITO PREVISTO NO ARTIGO 171, § 3º, DO
CÓDIGO PENAL. ATIPICIDADE DO DENOMINADO Quinta Turma
ESTELIONATO JUDICIÁRIO. CONSTITUCIONAL. PENAL. RECURSO EM HABEAS
POSSIBILIDADE DE DETECÇÃO DA FRAUDE PELO CORPUS. ESTELIONATO PRATICADO CONTRA O
JUIZ CONSTRANGIMENTO ILEGAL INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS.
CARACTERIZADO. PROVIMENTO DO RECLAMO. WRIT QUE OBJETIVA O RECONHECIMENTO DE
1. Não se desconhece a existência de ERRO DE PROIBIÇÃO. INVIABILIDADE.
posicionamento doutrinário e jurisprudencial, REVOLVIMENTO FÁTICO PROBATÓRIO.
inclusive desta Corte Superior de Justiça, que não APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.
admite a prática do delito de estelionato por meio do IMPOSSIBILIDADE. MAIOR REPROVABILIDADE DA
ajuizamento de ações judiciais. CONDUTA.
2. Contudo, em recente julgado, esta colenda Quinta RECURSO DESPROVIDO.
Turma firmou o entendimento de que quando não é 01. O Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal
possível ao magistrado, durante o curso do Federal têm decidido que a "iliquidez quanto aos fatos
processo, ter acesso às informações que alegados na impetração basta, por si só, para
caracterizam a fraude, é viável a configuração do inviabilizar a utilização adequada da ação de 'habeas
crime de estelionato. corpus', que constitui remédio processual que não
3. No caso dos autos, de acordo com a própria admite dilação probatória, nem permite o exame
narrativa constante da peça acusatória, constata-se aprofundado de matéria fática, nem comporta a análise
que o Juízo da comarca de Uraí condicionou a valorativa de elementos de prova produzidos no curso
penhora on-line à apresentação de documentos que do processo penal de conhecimento" (HC 108.834, Rel.
comprovassem a qualidade de inventariante do Ministro Celso de Mello, Segunda Turma, julgado em
autor da demanda, o que revela que a suposta 18/10/2011;
fraude perpetrada pelo recorrente e demais corréus HC 296.938/SP, Rel. Ministro Newton Trisotto, Quinta
era passível de ser descoberta pelas vias ordinárias Turma, julgado em 03/03/2015).
no curso do processo, o que enseja a atipicidade da 02. O princípio da insignificância "não se aplica ao
conduta a ele imputada, no ponto. delito previsto no art. 171, § 3º, do Código Penal,
4. Tendo em vista que os corréus Wanderley uma vez que o prejuízo não se resume ao valor
Laureano, Lucas Góes dos Santos, Reginaldo recebido indevidamente, mas se estende a todo o
Caselato, Astrogildo Ribeiro da Silva, Dorival sistema previdenciário, notadamente ao FAT -
Barossi e Carlos Ribeiro dos Santos se encontram Fundo de Amparo ao Trabalhador" (EDcl no AgRg
na mesma situação processual do recorrente, os no REsp 970.438/SP, Rel. Ministro Og Fernandes,
efeitos desta decisão devem lhes ser estendidos, Sexta Turma, julgado em 11/09/2012; HC 180.771/SP,
nos termos do artigo 580 do Código de Processo Rel.
Penal. Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em
5. Recurso provido para determinar o trancamento 16/10/2012).
da ação penal instaurada contra o recorrente apenas 03. Recurso desprovido.
no que se refere ao crime de estelionato, (RHC 55.646/RS, Rel. Ministro NEWTON TRISOTTO
estendendo os efeitos da decisão aos corréus (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SC),
Wanderley Laureano, Lucas Góes dos Santos,
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QUINTA TURMA, julgado em 01/09/2015, DJe pela qual a consumação se dá no momento em que
09/09/2015) os valores entram na esfera de disponibilidade do
autor do crime, o que somente ocorre quando o
dinheiro ingressa efetivamente em sua conta
Quinta Turma corrente.
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO 2. Conheço do conflito para reconhecer a
ESPECIAL. ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO. competência do Juízo de Direito da Vara Criminal de
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E PRIVILÉGIO. Inquéritos Policiais de Belo Horizonte/MG, o
EXPRESSIVO PREJUÍZO. INAPLICABILIDADE. suscitante.
SÚMULA 83/STJ. PENA-BASE POUCO ACIMA DO (CC 139.800/MG, Rel. Ministro REYNALDO SOARES
MÍNIMO LEGAL. PECULIARIDADES DO CASO DA FONSECA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
CONCRETO. 24/06/2015, DJe 01/07/2015)
CULPABILIDADE ACENTUADA. SÚMULA 7/STJ.
AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. É inaplicável o princípio da insignificância ao Quinta Turma
crime de estelionato previdenciário, pois a conduta PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO
é altamente reprovável, ofendendo o patrimônio AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
público, a moral administrativa e a fé pública. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO. ESTELIONATO.
Precedentes do STJ. DELITO CONTRA ENTIDADE DE DIREITO PÚBLICO.
2. Inviabilidade de reconhecimento de crime ART. 171, § 3º, DO CP. GRADUAÇÃO DA PENA-
privilegiado, pois expressivo o valor do prejuízo sofrido, BASE.
muito superior ao salário mínimo vigente à época dos CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS. LIVRE
fatos. Precedentes do STJ. CONVENCIMENTO DO MAGISTRADO. SÚMULA 7
3. Estando o acórdão recorrido em consonância com a DESTE TRIBUNAL SUPERIOR. INCIDÊNCIA.
jurisprudência desta Corte, incide a Súmula 83/STJ. 1. A instância a quo fez utilização de dados
4. A pena-base foi aumentada de forma concretos contidos nos autos para estabelecer a
proporcional, em seis meses de reclusão, em razão pena-base acima do mínimo, tendo, ainda,
da elevada culpabilidade da agente, que, segundo o procedido a uma causa de aumento, em 1/3 (um
acórdão recorrido, adulterou inúmeros documentos terço), consoante a qualificadora prevista no art.
públicos e privados, iludindo inclusive terceiros em 171, § 3º, do Código Penal.
sua empreitada criminosa, a fim de obter o benefício Precedentes.
previdenciário almejado. 2. O recurso especial não é via adequada para o
5. Na hipótese dos autos não há flagrante ilegalidade reexame dos parâmetros adotados pelo juiz na
na dosimetria da pena, posto que a reprimenda foi graduação da pena-base, uma vez que a análise das
estabelecida com base em elementos concretos circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal
constantes dos autos, de maneira que incide a Súmula envolve particularidades subjetivas, decorrentes do livre
7/STJ. convencimento do juiz, as quais não podem ser revistas
6. Agravo Regimental desprovido. por esta Corte de Justiça. Incidência da Súmula 7 do
(AgRg no AREsp 682.583/SP, Rel. Ministro STJ.
REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA 3. Somente em hipóteses excepcionais, o Superior
TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe 28/08/2015) Tribunal de Justiça tem admitido a utilização do recurso
especial para o reexame da individualização da sanção
penal, notadamente quando é flagrante a ofensa a lei
PENAL E PROCESSO PENAL. CONFLITO DE federal, situação que não ocorre na espécie.
COMPETÊNCIA. 1. CRIME DE ESTELIONATO. 4. Agravo regimental desprovido.
CONSUMAÇÃO COM A OBTENÇÃO DA VANTAGEM (AgRg no AREsp 557.488/SP, Rel. Ministro GURGEL
ILÍCITA. DEPÓSITO EM CONTA CORRENTE. DE FARIA, QUINTA TURMA, julgado em 23/06/2015,
COMPETÊNCIA DO LOCAL EM QUE SITUADA A DJe 03/08/2015)]
AGÊNCIA. 2.
CONFLITO CONHECIDO PARA RECONHECER A
COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE DIREITO DA VARA Sexta Turma
CRIMINAL DE INQUÉRITOS POLICIAIS DE BELO AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL.
HORIZONTE/MG. ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO.
1. O prejuízo alheio, apesar de fazer parte do tipo CIRCUNSTÂNCIAS E CONSEQUÊNCIAS DO CRIME.
penal, está relacionado à consequência do crime de BIS IN IDEM COM A CAUSA DE AUMENTO DO ART.
estelionato e não à conduta propriamente. De fato, o 171, § 3º, DO CP. INOVAÇÃO DE TESE.
núcleo do tipo penal é obter vantagem ilícita, razão
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CIRCUNSTÂNCIAS E CONSEQUÊNCIAS DO CRIME.


NEGATIVAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. Sexta Turma
1. A alegação de ocorrência de bis in idem na DIREITO PENAL. ESTELIONATO CONTRA A
negativação das circunstâncias e consequências do PREVIDÊNCIA SOCIAL E DEVOLUÇÃO DA
delito, porque o tempo de percepção indevida do VANTAGEM INDEVIDA ANTES DO RECEBIMENTO
benefício e o exacerbado prejuízo suportado pela DA DENÚNCIA.
vítima passariam a ser elementares do crime de Não extingue a punibilidade do crime de estelionato
estelionato, em razão da incidência da causa de previdenciário (art. 171, § 3º, do CP) a devolução à
aumento do art. 171, § 3º, do Código Penal, constitui Previdência Social, antes do recebimento da
indevida inovação de tese no agravo regimental. O denúncia, da vantagem percebida ilicitamente,
recurso especial limitou-se a argumentar que a podendo a iniciativa, eventualmente, caracterizar
fundamentação utilizada para negativar as arrependimento posterior, previsto no art. 16 do CP.
circunstâncias judiciais teria sido abstrata e o O art. 9º da Lei 10.684/2003 prevê hipótese
aumento efetivado desproporcional. excepcional de extinção de punibilidade, “quando a
2. O tempo pelo qual o agravante percebeu pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o
indevidamente o benefício previdenciário (mais de pagamento integral dos débitos oriundos de tributos
cinco anos) constitui fundamento concreto distinto e contribuições sociais, inclusive acessórios”, que
das elementares do crime e demonstra um maior somente abrange os crimes de sonegação fiscal,
grau de reprovabilidade da conduta, autorizando a apropriação indébita previdenciária e sonegação de
negativação das circunstâncias. contribuição previdenciária, ontologicamente
3. O elevado valor do prejuízo sofrido pela distintos do estelionato previdenciário, no qual há
autarquia, cerca de aproximadamente R$ 27.000,00 emprego de ardil para o recebimento indevido de
(vinte e sete mil reais), em valores históricos, benefícios. Dessa forma, não é possível aplicação,
extrapola a elementar do tipo do estelionato e por analogia, da causa extintiva de punibilidade
justifica o desvalor das consequências do crime. prevista no art. 9º da Lei 10.684/2003 pelo
4. Agravo regimental improvido. pagamento do débito ao estelionato previdenciário,
(AgRg no REsp 1456847/RJ, Rel. Ministro pois não há lacuna involuntária na lei penal a
SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado demandar o procedimento supletivo, de integração
em 23/06/2015, DJe 03/08/2015) do ordenamento jurídico. Precedente citado: AgRg
no Ag 1.351.325-PR, Quinta Turma, DJe 5/12/2011.
REsp 1.380.672-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz,
Sexta Turma julgado em 24/3/2015, DJe 6/4/2015.
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. SAQUE INDEVIDO DO FGTS.
ESTELIONATO CONTRA A CAIXA ECONÔMICA Sexta Turma
FEDERAL. ART. 171, § 3º, DO CÓDIGO PENAL - CP. PROCESSUAL PENAL. ADVOGADO. FALSIDADE
TIPICIDADE DA CONDUTA. SÚMULA N. IDEOLÓGICA. USO DE DOCUMENTO FALSO.
83/SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AGRAVO ESTELIONATO EM JUÍZO. AÇÃO PENAL. FALTA DE
REGIMENTAL DESPROVIDO. JUSTA CAUSA.
Conquanto o dinheiro sacado das contas de FGTS ATIPICIDADE. TRANCAMENTO. NÃO
não seja de propriedade da Caixa Econômica CONSTATAÇÃO DE PLANO EM RELAÇÃO À
Federal, não há dúvidas de que a sua retirada FALSIDADE. REVOLVIMENTO FÁTICO.
fraudulenta, de modo antecipado, causa, sim, danos IMPOSSIBILIDADE NA VIA ELEITA.
à mencionada empresa pública, que é a responsável TRANCAMENTO APENAS EM RELAÇÃO AO
por gerir tais quantias, que são vinculadas a ESTELIONATO JUDICIAL. ENTENDIMENTO
programas sociais, cuja implementação fica JURISPRUDENCIAL E DOUTRINÁRIO.
comprometida. (HC 168.072/RJ, Rel. Ministro Jorge 1. Não configura "estelionato judicial" a conduta de
Mussi, Quinta Turma, DJe 09/10/2012) - Incide o fazer afirmações possivelmente falsas, com base em
enunciado n. 83/STJ quando a decisão proferida documentos também tidos por adulterados, em ação
pelo Tribunal de origem encontra-se em harmonia judicial, porque a Constituição da República
com a jurisprudência desta Corte. assegura à parte o acesso ao Poder Judiciário. O
Agravo regimental desprovido. processo tem natureza dialética, possibilitando o
(AgRg no AREsp 594.631/RJ, Rel. Ministro ERICSON exercício do contraditório e a interposição dos
MARANHO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO recursos cabíveis, não se podendo falar, no caso,
TJ/SP), SEXTA TURMA, julgado em 07/04/2015, DJe em "indução em erro" do magistrado. Eventual
17/04/2015) ilicitude de documentos que embasaram o pedido
judicial são crimes autônomos, que não se
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confundem com a imputação de "estelionato Sexta Turma


judicial". PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM
2. A deslealdade processual é combatida por meio RECURSO ESPECIAL. ESTELIONATO
do Código de Processo Civil, que prevê a PREVIDENCIÁRIO. INÉPCIA. IMPROCEDÊNCIA.
condenação do litigante de má-fé ao pagamento de DENÚNCIA QUE DESCREVE COM CLAREZA A
multa, e ainda passível de punição disciplinar no NATUREZA DA ACUSAÇÃO. APLICAÇÃO DO
âmbito do Estatuto da Advocacia. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INVIABILIDADE.
3. No tocante à falsidade, apresenta-se o habeas corpus ACÓRDÃO A QUO EM CONSONÂNCIA COM A
como via inadequada ao trancamento da ação penal, ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DESTA CORTE.
pois não relevada, primo oculi, a pretendida falta de SÚMULA 83/STJ.
justa causa. Intento, em tal caso, que demanda 1. Não viola o princípio da colegialidade a apreciação
revolvimento fático-probatório, não condizente com a via unipessoal pelo relator do mérito do recurso especial
restrita do writ. quando obedecidos todos os requisitos para a sua
4. Recurso ordinário parcialmente provido, apenas para admissibilidade, bem como observada a jurisprudência
reconhecer a atipicidade do delito de estelionato, dominante desta Corte Superior e do Supremo Tribunal
trancando, por conseguinte, a ação penal, por falta de Federal (precedentes do STJ).
justa causa, somente neste particular, devendo a 2. Se a inicial acusatória narra adequadamente as
persecução prosseguir em relação aos demais crimes condutas atribuídas ao paciente, preenchendo os
de uso de documento falso e falsidade ideológica. requisitos previstos no art. 41 do Código de Processo
(RHC 50.737/RJ, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE Penal, fica afastada a tese de sua inépcia.
ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 3. Em se tratando de estelionato cometido contra
03/03/2015, DJe 09/03/2015) entidade de direito público, tem-se entendido não
ser possível a incidência do princípio da
insignificância, independentemente dos valores
Quinta Turma obtidos indevidamente pelo acusado, diante do alto
PENAL E PROCESSUAL. HABEAS CORPUS grau de reprovabilidade da conduta do agente, que
SUBSTITUTIVO DE RECURSO. atinge, como visto, a coletividade como um todo.
INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. FURTO 4. Agravo regimental improvido.
QUALIFICADO. ABUSO DE CONFIANÇA. (AgRg no AREsp 613.317/MG, Rel. Ministro
DESCLASSIFICAÇÃO PARA O DELITO DE SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado
ESTELIONATO. IMPOSSIBILIDADE em 03/02/2015, DJe 13/02/2015)
1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça,
acompanhando a orientação da Primeira Turma do
Supremo Tribunal Federal, firmou-se no sentido de que Sexta Turma
o habeas corpus não pode ser utilizado como substituto AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL.
de recurso próprio, sob pena de desvirtuar a finalidade PENAL E PROCESSO PENAL.
dessa garantia constitucional, exceto quando a ESTELIONATO QUALIFICADO. RESTITUIÇÃO
ilegalidade apontada for flagrante, hipótese em que se FRAUDULENTA MEDIANTE FALSA DECLARAÇÃO
concede a ordem de ofício. DE IMPOSTO DE RENDA. PERDA DO CARGO
2. No furto mediante abuso de confiança, tem-se o PÚBLICO. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. REFORMATIO
bem subtraído por desatenção, uma vez que o IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA.
agente, de forma fraudulenta, burla a vigilância da 1. O artigo 92, I, "a", do Código Penal não restringiu
vítima para furtá-la. Já no estelionato, a fraude é a aplicação da pena de perda do cargo apenas aos
usada como meio para obter o consentimento da crimes praticados por funcionário público contra a
vítima que, iludida, entrega voluntariamente o bem Administração Pública (artigos 312 a 327 do Código
ao agente. Penal), mas sim àqueles praticados com abuso de
3. Hipótese em que a paciente se valeu da condição poder ou violação de dever para com a
de enfermeira doméstica para, mediante abuso de Administração Pública.
confiança, furtar talões de cheques e utilizá-los de 2. Tendo sido devidamente fundamentada a perda
forma fraudulenta, restando caracterizado o crime do cargo público, em razão do recorrente ter se
previsto no art. 155, § 4º, II, do Código Penal. valido da sua condição de servidor público para a
4. Habeas corpus não conhecido. prática de estelionato qualificado, não há falar em
(HC 305.864/SC, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, constrangimento ilegal, como tampouco em
QUINTA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe reformatio in pejus pois, já tendo sido determinada a
12/02/2015) perda do cargo desde a sentença condenatória, a
modificação da alínea que amparou a aplicação da
penalidade (alínea "a" do inciso I do artigo 92 do
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Código Penal) foi mera consequência da redução da 30/11/2009). Contudo, em recente julgado, a Quinta
pena imposta pelo acórdão. Turma do STJ firmou o entendimento de que
3. Agravo regimental improvido. quando não é possível ao magistrado, durante o
(AgRg no REsp 1392559/RN, Rel. Ministra MARIA curso do processo, ter acesso às informações que
THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, caracterizam a fraude, é viável a configuração do
julgado em 18/12/2014, DJe 04/02/2015) crime de estelionato (AgRg no HC 248.211-RS,
Quinta Turma, DJe 25/4/2013). No caso em análise,
constata-se que fora determinada a realização de
Terceira Seção perícia na documentação acostada pelo advogado, o
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. CRIME que revela que a suposta fraude perpetrada era
DE ESTELIONATO. CONSUMAÇÃO. passível de ser descoberta pelas vias ordinárias no
LOCAL DO EFETIVO PREJUÍZO À VÍTIMA. LOCAL curso do processo, o que afasta o crime de
DA AGÊNCIA À QUAL ESTÁ VINCULADA A CONTA estelionato. Todavia, observa-se que o agente teria
CORRENTE DA VÍTIMA. se utilizado de procurações e comprovantes de
Nos termos do que prevê o art. 70 do Código de residência falsos para ingressar com ações cíveis,
Processo Penal, a competência é, em regra, sendo certo que tais documentos são hábeis a
determinada pelo lugar em que se consuma a caracterizar o delito previsto no artigo 304 do CP,
infração penal. conforme entendimento da doutrina e da
A jurisprudência firmada nesta Corte dispõe que o jurisprudência. RHC 53.471-RJ, Rel. Min. Jorge
delito de estelionato, tipificado no art. 171 do Mussi, julgado em 4/12/2014, DJe 15/12/2014.
Código Penal, consuma-se no local onde ocorreu o
efetivo dano à vítima. No caso dos autos, em que
houve o desconto de cheque fraudado, não emitido Terceira Seção
pelo titular, na localidade da agência onde a vítima PENAL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. CRIME DE
possuía a conta bancária. ESTELIONATO. VENDA DE TERRENO
Conflito conhecido para declarar competente o PERTENCENTE À RFFSA PARA PARTICULARES.
Juízo de Direito da 1ª Vara Criminal de INTERESSE DA UNIÃO.
Paranavaí/PR, o suscitado. NÃO EXISTÊNCIA. PREJUÍZO SUPORTADO PELOS
(CC 136.853/MG, Rel. Ministro ERICSON MARANHO PARTICULARES. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), ESTADUAL.
TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 10/12/2014, DJe 1. Conquanto os "contratos particulares de cessão
19/12/2014) de posse e transferência de direitos contratuais"
tenham por objeto imóveis de propriedade da União
(RFFSA), se dos atos tidos como delituosos a ela
Quinta Turma não resultaram prejuízo, a competência para
DIREITO PENAL. ESTELIONATO JUDICIAL E USO processar e julgar a causa é da Justiça estadual.
DE DOCUMENTO FALSO. 2. Conflito conhecido para declarar a competência
Não se adequa ao tipo penal de estelionato (art. 171, do Juízo de Direito da 4ª Vara Criminal da Comarca
§ 3º, do CP) – podendo, contudo, caracterizar o de Santa Maria/RS, ora suscitante.
crime de uso de documento falso (art. 304 do CP) – (CC 121.872/RS, Rel. Ministro NEWTON TRISOTTO
a conduta do advogado que, utilizando-se de (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SC),
procurações com assinatura falsa e comprovantes TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 26/11/2014, DJe
de residência adulterados, propôs ações 04/12/2014)
indenizatórias em nome de terceiros com objetivo
de obter para si vantagens indevidas, tendo as
irregularidades sido constadas por meio de perícia Quinta Turma
determinada na própria demanda indenizatória. De HABEAS CORPUS. PEDIDO DE EXTENSÃO.
fato, não se configura o crime de estelionato TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL.
judiciário (art. 171, § 3º, do CP) quando é possível ao ATIPICIDADE DA CONDUTA. SIMILITUDE FÁTICO-
magistrado, durante o curso do processo, ter PROCESSUAL. ACOLHIMENTO.
acesso às informações que caracterizam a fraude. 1. O art. 580 do Código de Processo Penal estabelece
Não se desconhece a existência de posicionamento que "no caso de concurso de agentes (Código Penal,
doutrinário e jurisprudencial, inclusive do STJ, no art. 25), a decisão do recurso interposto por um dos
sentido de que não se admite a prática do delito de réus, se fundado em motivos que não sejam de caráter
estelionato por meio do ajuizamento de ações exclusivamente pessoal, aproveitará aos outros".
judiciais (RHC 31.344-PR, Quinta Turma, DJe 2. Hipótese em que o acórdão que concedeu a
26/3/2012; e HC 136.038-RS, Sexta Turma, DJe ordem para trancar a ação penal por atipicidade da
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conduta fundamentou-se na jurisprudência N. 7.492/1986. PRECEDENTES. 2. CONFLITO


pacificada nesta Corte e no Supremo Tribunal CONHECIDO PARA RECONHECER A
Federal no sentido de que o tipo penal do crime de COMPETÊNCIA DO JUÍZO FEDERAL DA 6ª VARA
estelionato não alcança as chamadas fraudes em CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DE
concursos públicos por meio de colas eletrônicas. SÃO PAULO/SP, O SUSCITADO.
3. Verificado que a ordem foi concedida sem a utilização 1. A jurisprudência do STJ firmou entendimento no
de circunstância exclusivamente pessoal da denunciada sentido de que, a depender espécie da operação
e tendo em vista a similitude de situações fáticas, realizada, pode ou não configurar-se o crime contra
devem ser estendidos aos requerentes os efeitos da o sistema financeiro. Dessa forma, caracteriza-se o
presente ordem, nos termos do art. 580 do Código de crime do art. 19 da Lei n. 7.492/1986 "quando os
Processo Penal. recursos obtidos junto à instituição financeira
4. Pedidos de extensão deferidos. possuem destinação específica, não se
(PExt no HC 208.977/SP, Rel. Ministro GURGEL DE confundindo, assim, com mútuo obtido a título
FARIA, QUINTA TURMA, julgado em 11/11/2014, DJe pessoal, conduta que caracteriza o crime de
19/11/2014) estelionato". (CC 122.257/SP). No caso, verifica-se
que houve a obtenção de financiamento fraudulento
perante a instituição financeira, haja vista ter ficado
Sexta Turma estabelecida destinação específica para o dinheiro.
PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. ART. 171, A fraude se deu exatamente pelo fato de não se ter
CAPUT, DO CÓDIGO PENAL. adquirido o bem para o qual obtido o financiamento.
WRIT SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. VIA 2. Conheço do conflito para reconhecer a
INADEQUADA. competência do Juízo Federal da 6ª Vara Criminal da
RESSARCIMENTO INTEGRAL. EXTINÇÃO DA Seção Judiciária do Estado de São Paulo/SP, o
PUNIBILIDADE. INVIABILIDADE. NÃO suscitado.
CONHECIMENTO. (CC 135.258/SP, Rel. Ministro WALTER DE ALMEIDA
1. É imperiosa a necessidade de racionalização do GUILHERME (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO
emprego do habeas corpus, em prestígio ao âmbito de TJ/SP), TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2014,
cognição da garantia constitucional, e, em louvor à DJe 30/10/2014)
lógica do sistema recursal. In casu, foi impetrada
indevidamente a ordem como substitutiva de recurso
especial. Quinta Turma
2. Esta Corte firmou o entendimento de que o AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.
ressarcimento integral no tocante ao crime de PENAL. SONEGAÇÃO FISCAL.
estelionato, na sua forma fundamental, não tem o ABSORÇÃO DO DELITO DE USO DE DOCUMENTO
condão de extinguir a punibilidade. É de ver que até FALSO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO.
se permite tal providência no que se refere ao crime POSSIBILIDADE. DOCUMENTO USADO COM FIM
tipificado no art. 171, § 2.°, IV, do Código Penal, EXCLUSIVO DE LESAR O FISCO, VIABILIZANDO A
desde que o ressarcimento ocorra em momento SONEGAÇÃO DO TRIBUTO. FALSO EXAURIDO NA
anterior ao recebimento da denúncia. SONEGAÇÃO. PRECEDENTES. AGRAVO
3. O ressarcimento do dano, na hipótese do crime REGIMENTAL DESPROVIDO.
de estelionato na sua forma fundamental, pode 1. É aplicável o princípio da consunção quando os
ensejar apenas a aplicação do art. 16 do Código crimes de estelionato, uso de documento falso e
Penal. falsidade ideológica - crimes meio - são praticados
4. Habeas corpus não conhecido. para facilitar ou encobrir a falsa declaração, com
(HC 279.805/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE vistas à efetivação do pretendido crime de
ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em sonegação fiscal - crime fim -, localizando-se na
23/10/2014, DJe 10/11/2014) mesma linha de desdobramento causal de lesão ao
bem jurídico, integrando, assim, o iter criminis do
delito-fim.
Terceira Seção 2. No caso dos autos, as instâncias ordinárias, após
PENAL E PROCESSO PENAL. CONFLITO DE minuciosa análise dos elementos de prova coligidos
COMPETÊNCIA. 1. JUSTIÇA ESTADUAL X JUSTIÇA aos autos, entenderam que o Acusado usou recibos
FEDERAL. DELITO DE ESTELIONATO X CRIME falsos de despesas odontológicas com o fim único e
CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL. específico de burlar o Fisco, visando,
DESTINAÇÃO ESPECÍFICA DO CRÉDITO. exclusivamente, à sonegação de tributos. A
CONFIGURAÇÃO DE FINANCIAMENTO. CRIME lesividade das condutas não transcendeu, assim, o
CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO. ART. 19 DA LEI crime fiscal, razão porque tem aplicação, na
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espécie, mutatis mutandis, o comando do II - A decisão agravada não merece reparos,


Enunciado n.º 17 da Súmula do Superior Tribunal de porquanto proferida em consonância com a
Justiça . Precedentes. jurisprudência desta Corte Superior.
3. Não tendo o Agravante trazido tese jurídica capaz III - Agravo Regimental improvido.
de modificar o posicionamento anteriormente (AgRg no REsp 1322615/RJ, Rel. Ministra REGINA
firmado, mantenho, na íntegra, a decisão recorrida HELENA COSTA, QUINTA TURMA, julgado em
por seus próprios fundamentos. 08/05/2014, DJe 14/05/2014)
4. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no REsp 1390348/MG, Rel. Ministra LAURITA
VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 03/06/2014, DJe Sexta Turma
11/06/2014) RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.
FURTO QUALIFICADO.
DESCLASSIFICAÇÃO PARA ESTELIONATO.
Quinta Turma IMPOSSIBILIDADE. EXAME PERICIAL.
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO DESNECESSIDADE. CRIME SEM VESTÍGIOS.
ESPECIAL. ESTELIONATO 1. DIREITO DE RECORRER EM LIBERDADE.
FUNDAMENTOS INSUFICIENTES PARA REFORMAR TRÂNSITO EM JULGADO. PLEITO PREJUDICADO.
A DECISÃO AGRAVADA. 2. 1. No furto qualificado, a fraude tem o escopo de
VIOLAÇÃO AO ART. 59 DO CP. NÃO OCORRÊNCIA. reduzir/burlar a vigilância da vítima para que, em
EXASPERAÇÃO DA PENA- BASE. razão dela, não perceba que a coisa lhe está sendo
PREJUÍZO DE GRANDE MONTA. CONSEQUÊNCIAS subtraída, enquanto no crime de estelionato a
DO CRIME. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. 3. fraude visa induzir a vítima a erro e, assim, entregar
REGIMENTAL IMPROVIDO. o bem, espontaneamente, ao agente.
1. O agravante não apresentou argumentos novos 2. Mostra-se devida a condenação do recorrente
capazes de infirmar os fundamentos que pelo delito de furto, e não pelo de estelionato,
alicerçaram a decisão agravada, razão que enseja a quando verificado que o acusado se valeu de fraude
negativa de provimento ao agravo regimental. - clonagem de cartões - para burlar o sistema de
2. Admite-se a consideração do montante do proteção e vigilância do Banco, com o objetivo de
prejuízo para se valorar negativamente a retirar indevidamente valores pertencentes aos
circunstância judicial atinente às consequências do titulares das contas bancárias.
crime de estelionato, desde que se verifique a 3. Embora prevista a realização de exame de corpo
ocorrência de especial reprovabilidade na hipótese de delito, direto ou indireto, nos moldes do art. 158
concreta. No caso, o valor do prejuízo imposto ao do CPP, no caso vertente a verificação da
Banco do Brasil (R$ 329.000,00) e ao Banco Itaú (R$ materialidade do crime restou suprida por outros
200.000,00) atende ao parâmetro excepcional, elementos constantes dos autos, haja vista que,
justificando o aumento da pena-base. além dos documentos e objetos apreendidos,
3. Agravo regimental a que se nega provimento. colheram-se provas testemunhais dos furtos
(AgRg no AREsp 184.906/DF, Rel. Ministro MARCO imputados ao recorrente.
AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em 4. Assim como não se exige exame de corpo de
20/05/2014, DJe 28/05/2014) delito quando o crime é realizado por meio virtual,
da mesma forma o fato de terem sido utilizados
cartões magnéticos clonados para a prática do
Quinta Turma crime não dá causa à exigência de realização de
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. perícia, pois, por outros meios, pode ser
PENAL. ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO. comprovada a materialidade do delito.
PAGAMENTO SUSPENSO ADMINISTRATIVAMENTE 5. Transitada em julgado a sentença condenatória, fica
RESTABELECIDO POR FORÇA DE DECISÃO superada a alegação de que não estaria configurado
JUDICIAL. PERMANÊNCIA DO DELITO. CESSADA. nenhum dos motivos autorizadores da custódia
I - A permanência do delito previsto no art. 171, § 3º, preventiva, previstos no artigo 312 do Código de
do Código Penal cessa quando o pagamento do Processo Penal, por se tratar, agora, de prisão-pena, e
benefício previdenciário, suspenso não mais de prisão processual.
administrativamente, é restabelecido por força de 6. Recurso em habeas corpus parcialmente
decisão judicial, pois, a partir desse instante, não prejudicado e, no mais, não provido.
cabe mais falar em pagamento indevido, afastando- (RHC 21.412/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI
se os elementos do tipo - a fraude e a indução a CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 06/05/2014, DJe
erro. 29/09/2014)
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ART. 78, II, B, DO CPP. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE


Terceira Seção DIREITO DE GOIÂNIA/GO. DECLINAÇÃO CORRETA.
PENAL E PROCESSO PENAL. CONFLITO DE MERA REMESSA DE CÓPIAS AO JUÍZO DE DIREITO
COMPETÊNCIA. JUSTIÇA FEDERAL X JUSTIÇA DO RS. AUSÊNCIA DE CONFLITO. 4. CONFLITO DE
ESTADUAL. 1. CRIME DE ESTELIONATO. COMPETÊNCIA NÃO CONHECIDO.
ALICIAMENTO DE EMIGRANTES ILEGAIS PARA OS 1. O conflito em tela visa definir a competência para
EUA. EXISTÊNCIA DE INDÍCIOS DE OUTROS julgar membros de uma quadrilha de Goiás que
DELITOS. aplicava golpes - "Bença Tia" -, por telefone, a
CRIME CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO. CRIME vítimas residentes em Brasília, local em que foi
CONTRA A ORDEM ECONÔMICA E TRIBUTÁRIA. instaurado o inquérito policial. Tratando-se de crime
CRIME DE LAVAGEM DE DINHEIRO. DECLÍNIO de estelionato, declinou-se da competência para o
PARA A JUSTIÇA FEDERAL. 2. COMPLEMENTAÇÃO local da obtenção da vantagem indevida.
DAS DILIGÊNCIAS PELA POLÍCIA FEDERAL. 2. Os depósitos foram realizados pelas vítimas em
AUSÊNCIA DE INDÍCIOS DA PRÁTICA DE CRIMES contas situadas em municípios do estado do Goiás,
FEDERAIS. PREJUÍZO CAUSADO APENAS A com exceção de uma, que se situava em Santa
PARTICULARES. 3. CONFLITO CONHECIDO PARA Maria/RS. Declínio da competência para o Juízo de
RECONHECER A COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE direito de Goiânia/GO, com envio de cópia para
DIREITO DA 2ª VARA CRIMINAL DE GOVERNADOR todas as comarcas em que situadas as demais
VALADARES/MG, O SUSCITADO. agências.
1. A competência para julgar crime de estelionato 3. Não se está a investigar condutas isoladas, mas
contra particulares, em virtude de aliciamento de sim ações de uma quadrilha, devendo, dessarte, ser
emigrantes ilegais para os EUA, é da Justiça a investigação centralizada na comarca competente
estadual. Havendo indícios também da prática de para julgar a maioria dos fatos - Goiânia/GO -, nos
crimes contra o sistema financeiro, contra a ordem termos do que disciplinam os arts. 76, inciso I, e 78,
tributária e econômica e de lavagem de capitais, a inciso II, alínea b, ambos do Código de Processo
competência é deslocada para a Justiça Federal. Penal. A mera remessa de cópias às demais
2. Contudo, constatado, após a realização de comarcas não representa declínio de competência,
diligências complementares pela Polícia Federal, razão pela qual não há se falar em conflito.
que não há indícios mínimos que configurem a 4. Conflito de competência não conhecido.
prática dos delitos de competência federal, mostra- (CC 114.685/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO
se evidente a competência estadual para julgar o BELLIZZE, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
crime de estelionato. 09/04/2014, DJe 22/04/2014)
3. Conheço do conflito para reconhecer a
competência do Juízo de Direito da 2ª Vara Criminal
de Governador Valadares/MG, o suscitado. Sexta Turma
(CC 114.948/MG, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO HABEAS CORPUS. ESTELIONATO MAJORADO
BELLIZZE, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em (ART. 171, § 3º, CP). WRIT SUBSTITUTIVO DE
23/04/2014, DJe 29/04/2014) RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO.
VERIFICAÇÃO DE EVENTUAL COAÇÃO ILEGAL À
LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO. VIABILIDADE.
Terceira Seção PRETENSÃO DE ANULAÇÃO DA AÇÃO PENAL.
PENAL E PROCESSO PENAL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA DO JUÍZO FEDERAL.
COMPETÊNCIA. 1. JUÍZO DE DIREITO DO DF X CRIME COMETIDO CONTRA A CAIXA - CEF
JUÍZO DE DIREITO DO RS. GOLPE "BENÇA TIA". ECONÔMICA FEDERAL. OBTENÇÃO DE SAQUE DO
VÍTIMAS EM BRASÍLIA. INVESTIGAÇÃO REALIZADA FGTS MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO FALSA.
NO DF. VALORES RECEBIDOS EM CONTAS OFENSA A INTERESSES E SERVIÇOS DA UNIÃO.
BANCÁRIAS DE MUNICÍPIOS DO GOIÁS. UMA CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AUSÊNCIA.
CONTA EM SANTA MARIA/RS. 2. MAJORANTE DECORRENTE DO FATO DE O CRIME
CRIMES DE ESTELIONATO. COMPETÊNCIA DO TER SIDO COMETIDO CONTRA ENTIDADE DE
LOCAL EM QUE SE OBTEVE A VANTAGEM DIREITO PÚBLICO (ART. 171, § 3º, CP).
INDEVIDA. DECLÍNIO DA COMPETÊNCIA PARA CONSEQUÊNCIA DO RECONHECIMENTO DE QUE A
JUÍZO DE DIREITO DE GOIÂNIA/GO. ENVIO DE CONDUTA CONSISTENTE EM OBTER SAQUES DO
CÓPIA PARA TODAS AS COMARCAS EM QUE FGTS MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO FALSA INDICA
SITUADAS AS DEMAIS AGÊNCIAS. 3. CRIMES QUE EVENTUAL OFENSA A INTERESSES E SERVIÇOS
DEVEM SER JULGADOS PELO MESMO JUÍZO. DA UNIÃO. COAÇÃO ILEGAL. INEXISTÊNCIA.
CONEXÃO - ART. 76, I, DO CPP. LOCAL EM QUE PRETENSÃO DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE
OCORREU O MAIOR NÚMERO DE RESULTADOS. DECORRENTE DA DEFICIÊNCIA DA DEFESA
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TÉCNICA DURANTE A INSTRUÇÃO CRIMINAL. defensor dativo, donde se infere a não ocorrência de
MAGISTRADO QUE TOMOU AS PROVIDÊNCIAS prejuízo, indispensável para se configurar a nulidade.
NECESSÁRIAS PARA EVITAR OFENSA À AMPLA 7. Este Superior Tribunal entende que a ausência da
DEFESA E OCORRÊNCIA DA NULIDADE. defesa prévia prevista no modificado art. 395 do Código
PREJUÍZO. AUSÊNCIA. PENA-BASE EXASPERADA de Processo Penal pela Lei n. 11.719/2008 não
A TÍTULO DE CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. configura nulidade, sendo dispensável.
MENÇÃO A CIRCUNSTÂNCIAS QUE DESBORDAM 8. Alcançar conclusão no sentido da insuficiência de
DO CRIME DE ESTELIONATO. DEMISSÃO DE provas, aptas a consubstanciar a condenação dos
SERVIDORES. COAÇÃO ILEGAL. AUSÊNCIA. acusados, demanda a análise do conjunto fático-
1. É inadmissível o emprego do habeas corpus em probatório dos autos, inviável na via estreita do habeas
substituição a recurso ordinariamente previsto na corpus, carente de dilação probatória.
legislação processual penal ou, especialmente, no texto 9. Não se vislumbra ausência de fundamentação na
constitucional (precedentes do STJ e do STF). exasperação da pena-base, a título de
2. Apesar de se ter solidificado o entendimento no consequências do crime, quando evidenciado que o
sentido da impossibilidade de utilização do habeas magistrado singular, corroborado pelo Tribunal de
corpus como substitutivo do recurso cabível, este origem, fez menção a circunstâncias que
Superior Tribunal analisa, com a devida atenção e caso desbordam do próprio tipo penal de estelionato, ao
a caso, a existência de coação manifesta à liberdade de afirmar que, além de causar prejuízo à Caixa
locomoção, não tendo sido aplicado o referido Econômica Federal, prejudicaram também os
entendimento de forma irrestrita, de modo a prejudicar servidores da FEBEM, pessoas simples e humildes,
eventual vítima de coação ilegal ou abuso de poder e vítimas secundárias do delito, que foram
convalidar ofensa à liberdade ambulatorial. enganados, na ilusão de que receberiam o que lhes
3. Busca a impetração a anulação da ação penal que era devido e acabaram, em sua grande maioria,
imputou aos pacientes o crime de estelionato majorado, sendo demitidos da Instituição, fato que também
ao argumento de incompetência do Juízo processante, justifica a elevação da pena.
de nulidade decorrente da deficiência da defesa técnica 10. Writ não conhecido, devendo ser cassada a
durante a instrução e da insuficiência de provas a liminar anteriormente deferida.
justificarem a condenação, ou, subsidiariamente, a (HC 200.726/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS
redução da reprimenda definitiva, como consequência JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 08/04/2014, DJe
do afastamento da causa especial de aumento 25/04/2014)
decorrente de o crime ter sido cometido contra entidade
de direito público, bem como da fixação da reprimenda-
base no mínimo legal. Terceira Seção
4. Firmou-se no âmbito da Terceira Seção deste CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA ENTRE
Superior Tribunal a compreensão de que a utilização JUÍZOS FEDERAIS. CRIME DE ESTELIONATO.
de documentos falsos para a liberação da cota do CONSUMAÇÃO. LOCAL DO EFETIVO PREJUÍZO À
PIS e do FGTS na Caixa Econômica Federal - CEF VÍTIMA. BANCO SACADO.
indica eventual ofensa a interesses e serviços da Conforme disposição do art. 70 do Código de
União, sobressaindo-se a competência da Justiça Processo Penal, a competência é, de regra,
Federal para o processamento do delito. determinada pelo lugar em que consumada a
5. Evidenciado que este Superior Tribunal, em caso infração.
semelhante ao dos autos, consolidou o O delito de estelionato, tipificado no art. 171 do
entendimento de que a utilização de documento Código Penal, consuma-se onde ocorreu o efetivo
falso para fins de obtenção de saque indevido do dano à vítima, ou seja, no caso dos autos, na
FGTS, em detrimento da CEF configura eventual localidade da agência onde a vítima possuía a conta
ofensa a interesses e serviços da União, a bancária, na cidade de Maringá/PR. É competente,
consequência lógica seria a aplicação da majorante portanto, o juízo onde se encontra o banco sacado.
decorrente da prática do crime de estelionato contra Conflito conhecido para declarar competente o
entidade de direito público (art. 171, § 3º, do CP). Juízo Federal da Subseção Judiciária Federal de
6. Ainda que o defensor constituído pelos pacientes Maringá-PR, o suscitado.
tenha-se mostrado inerte durante a instrução criminal, o (CC 130.490/CE, Rel. Ministra MARILZA MAYNARD
que poderia causar eventual ofensa à ampla defesa, tal (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO TJ/SE),
não ocorreu, porque o magistrado singular tomou as TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 26/02/2014, DJe
providências cabíveis para evitar a ocorrência da 13/03/2014)
nulidade, tendo nomeado a Defensoria Pública e, ante a
sua inércia por causa de uma greve à época, indicado
Quinta Turma
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DIREITO PENAL. RESSARCIMENTO DE DANO FEDERAL. INSTITUTO DE ECONOMIA POPULAR. 2.


DECORRENTE DE EMISSÃO DE CHEQUE RECURSO IMPROVIDO.
FURTADO. 1. Consoante entendimento consolidado nesta
Não configura óbice ao prosseguimento da ação Corte, a Caixa Econômica Federal, conquanto seja
penal – mas sim causa de diminuição de pena (art. empresa pública, vem sendo considerada instituto
16 do CP) – o ressarcimento integral e voluntário, de economia popular, ensejando o tratamento
antes do recebimento da denúncia, do dano diferenciado da qualificadora prevista no § 3º do art.
decorrente de estelionato praticado mediante a 171 do Código Penal.
emissão de cheque furtado sem provisão de fundos. Outrossim, a despeito da ampliação de suas
De fato, a conduta do agente que emite cheque que operações financeiras e bancárias, a CEF possui
chegou ilicitamente ao seu poder configura o ilícito como finalidade legal precípua prestar serviços
previsto no caput do art. 171 do CP, e não em seu § essenciais à sociedade, promovendo a cidadania e o
2º, VI. Assim, tipificada a conduta como estelionato desenvolvimento sustentável do País, servindo "a
na sua forma fundamental, o fato de ter o paciente direto interesse econômico do povo ou
ressarcido o prejuízo à vítima antes do recebimento indeterminado número de pessoas" (HUNGRIA, N.
da denúncia não impede a ação penal, não havendo Comentários ao Código Penal. Rio de Janeiro, 1958.
falar, pois, em incidência do disposto na Súmula 554 v. 7, p. 258-261), com suporte à poupança popular.
do STF, que se restringe ao estelionato na 2. Recurso ordinário em habeas corpus a que se
modalidade de emissão de cheques sem suficiente nega provimento.
provisão de fundos, prevista no art. 171, § 2.º, VI, do (RHC 33.120/PR, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO
CP. A propósito, se no curso da ação penal ficar BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em 12/11/2013,
devidamente comprovado o ressarcimento integral do DJe 20/11/2013)
dano à vítima antes do recebimento da peça de
acusação, esse fato pode servir como causa de
diminuição de pena, nos termos do previsto no art. 16 Quinta Turma
do CP. Precedentes citados: RHC 29.970-SP, Quinta RECURSO ESPECIAL. PENAL. CLONAGEM DE
Turma, DJe 3/2/2014; e HC 61.928-SP, Quinta Turma, CARTÃO. UTILIZAÇÃO DE CHUPA-CABRA. SAQUES
DJ 19/11/2007. HC 280.089-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, EM TERMINAL ELETRÔNICO. FURTO QUALIFICADO
julgado em 18/2/2014. PELA FRAUDE. DESCLASSIFICAÇÃO.
ESTELIONATO. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA AO
ART. 66 DO CÓDIGO PENAL. AUSÊNCIA DE
Quinta Turma INTERESSE RECURSAL. PLEITO ABSOLUTÓRIO.
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. INVIABILIDADE. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO
ESTELIONATO. FORMA SIMPLES. SUMULAR N.º 07 DESTA CORTE. RECURSO
RESSARCIMENTO DO DANO ANTES DO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA
RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. SÚMULA N.º EXTENSÃO, DESPROVIDO.
554/STF. INAPLICABILIDADE. RECURSO 1. O furto mediante fraude não se confunde com o
DESPROVIDO. estelionato. A distinção se faz primordialmente com
1. Na forma fundamental do crime de estelionato, a a análise do elemento comum da fraude que, no
reparação do dano não implica a ausência de justa furto, é utilizada pelo agente com o fim de burlar a
causa para a ação penal. Isso porque a orientação vigilância da vítima que, desatenta, tem seu bem
sedimentada na Súmula n.º 554 do Supremo subtraído, sem que se aperceba; no estelionato, a
Tribunal Federal - da qual se conclui que o fraude é usada como meio de obter o consentimento
ressarcimento do prejuízo antes do recebimento da da vítima que, iludida, entrega voluntariamente o
denúncia enseja a extinção da punibilidade estatal - bem ao agente.
incide apenas na hipótese de crime de estelionato 2. Hipótese em que o Acusado se utilizou de
na modalidade de emissão de cheque sem fundos, equipamento coletor de dados, popularmente
prevista no art. 171, § 2.º, inciso VI, do Código Penal. conhecido como "chupa-cabra", para copiar os
2. Recurso desprovido. dados bancários relativos aos cartões que fossem
(RHC 29.970/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, inseridos no caixa eletrônico bancário. De posse
QUINTA TURMA, julgado em 10/12/2013, DJe dos dados obtidos, foi emitido cartão falsificado,
03/02/2014) posteriormente utilizado para a realização de saques
fraudulentos.
3. No caso, o agente se valeu de fraude - clonagem
Quinta Turma do cartão - para retirar indevidamente valores
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. 1. pertencentes ao titular da conta bancária, o que
ESTELIONATO. PREJUÍZOS À CAIXA ECONÔMICA ocorreu, por certo, sem o consentimento da vítima,
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o Banco. A fraude, de fato, foi usada para burlar o 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça
sistema de proteção e de vigilância do Banco sobre firmou-se no sentido da inaplicabilidade do princípio
os valores mantidos sob sua guarda, configurando da insignificância à conduta delituosa tipificada no
o delito de furto qualificado. art. 171, § 3.º, do Código Penal.
4. O Recorrente não possui interesse jurídico no Precedentes.
recurso quanto à aplicação da atenuante da 2. "No delito previsto no art. 171, § 3º, do Código
confissão espontânea, pois não ocorreu a alegada Penal, não se aplica o princípio da insignificância
exclusão da minorante. para o trancamento da ação penal, uma vez que a
5. A pretensão de modificar o entendimento firmado conduta ofende o patrimônio público, a moral
pelas instâncias ordinárias acerca da autoria e da administrativa e a fé pública, bem como é altamente
materialidade do delito demandaria amplo reexame reprovável." (RHC 21.670/PR, Quinta Turma, Rel.
de provas, o que se sabe vedado na via estreita do Min. ARNALDO ESTEVES LIMA.) 3. Não é
recurso especial, a teor do disposto no enunciado insignificante a prática de estelionato contra
sumular n.º 07 desta Corte. entidade de direito público que resulta no
6. Recurso especial parcialmente conhecido e, recebimento indevido de R$ 2.050,15 (dois mil e
nessa extensão, desprovido. cinquenta reais e quinze centavos).
(REsp 1412971/PE, Rel. Ministra LAURITA VAZ, 4. Agravo regimental desprovido.
QUINTA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe (AgRg no REsp 1357329/DF, Rel. Ministra LAURITA
25/11/2013) VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 10/09/2013, DJe
19/09/2013)

Quinta Turma
HABEAS CORPUS. ESTELIONATO CONTRA A Quinta Turma
PREVIDÊNCIA SOCIAL. PRESCRIÇÃO. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. 1.
MATÉRIA JÁ JULGADA POR ESTA TURMA. CRIME DE ESTELIONATO.
DOSIMETRIA DA PENA. INADIMPLEMENTO DE DÍVIDA. CONTRATO DE
CONSEQUÊNCIAS DO DELITO QUE JUSTIFICAM O PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE BEM
AUMENTO DA PENA-BASE. ORDEM DE HABEAS IMÓVEL. PAGAMENTO POR MEIO DE CHEQUES
CORPUS PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSE PÓS-DATADOS. EMISSÃO DE CONTRAORDEM.
PONTO, DENEGADA. AUSÊNCIA DE ORDEM DE PAGAMENTO À VISTA.
1. Não pode ser conhecido habeas corpus quanto a GARANTIA DE DÍVIDA. DESCARACTERIZAÇÃO DO
matéria já decidida por esta Corte. É o que ocorre no ESTELIONATO. JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR
caso quanto à alegação de prescrição, já apreciada por TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ENTENDIMENTO QUE
esta Turma no julgamento do AgRg no REsp PODE SER AFASTADO.
1.200.401/ES, Rel. Ministra LAURITA VAZ. PARTICULARIDADES DO CASO CONCRETO.
2. Há fundamentação válida para a fixação da pena- NECESSIDADE DE ANÁLISE INDIVIDUALIZADA. 2.
base acima do mínimo legal, pois foram FATO NARRADO NA DENÚNCIA. TRANSFERÊNCIA
consideradas, concretamente, consequencias que DO IMÓVEL. INEXISTÊNCIA DE ERRO. EMISSÃO DE
extrapolam o tipo previsto no art. 173, § 3.º, do CONTRAORDEM. PREVISÃO NA LEI DO CHEQUE.
Código Penal, pois, além do prejuízo causado pelo ART. 35 DA LEI Nº 7.357/1985. AUSÊNCIA DE MEIO
recebimento ilegal de auxílio-doença entre 05/04/95 FRAUDULENTO. ELEMENTOS TÍPICOS NÃO
a 05/05/97, não agiu o Paciente no sentido de DESCRITOS. ATIPICIDADE DA CONDUTA. 3. ART.
ressarcir a Previdência. 171, § 2º, VI, DO CP. AUSÊNCIA DE FRAUDE.
3. Ordem de habeas corpus parcialmente conhecida SÚMULA 246/STF. PAGAMENTO DOS CHEQUES
e, nesse ponto, denegada. ANTES DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA.
(HC 222.790/ES, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA ÓBICE AO PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO PENAL.
TURMA, julgado em 17/09/2013, DJe 25/09/2013) SÚMULA 554/STF. 4.
NECESSIDADE DO DIREITO PENAL QUE DEVE SER
AVALIADA. RESTRIÇÃO DA LIBERDADE. PRINCÍPIO
Quinta Turma DA INTERVENÇÃO MÍNIMA. POSSIBILIDADE DE
AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. SOLUÇÃO POR MEIO DE OUTRAS INSTÂNCIAS DE
PENAL. CRIME DE ESTELIONATO. CONTROLE. PRINCÍPIO DA FRAGMENTARIEDADE.
ART. 171, § 3.º, DO CÓDIGO PENAL. PRINCÍPIO DA BENS DE MAIOR IMPORTÂNCIA. AGRESSÕES
INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. INTOLERÁVEIS.
PRECEDENTES. DECISÃO MANTIDA POR SEUS NÃO VERIFICAÇÃO. 5. RECURSO ORDINÁRIO EM
PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. AGRAVO HABEAS CORPUS PROVIDO.
DESPROVIDO.
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1. O Superior Tribunal de Justiça firmou


entendimento no sentido de que a frustração no RECURSO ESPECIAL. PENAL. INFORMAÇÃO
pagamento de cheque pós-datado não caracteriza o FALSA EM DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DE
crime de estelionato, em virtude de não se tratar de IMPOSTO DE RENDA. TIPIFICAÇÃO. ART. 1º, I, DA
ordem de pagamento à vista, mas apenas de LEI N.
garantia de dívida. No entanto, o simples fato de ser 8.137/1990. ESTELIONATO. INEXISTÊNCIA.
ou não cheque pós-datado não elide RESTITUIÇÃO INDEVIDA.
peremptoriamente a tipicidade criminal, devendo CONSEQUÊNCIA DO DELITO. PARCELAMENTO DO
cada caso ser analisado de acordo com suas DÉBITO TRIBUTÁRIO. QUITAÇÃO INTEGRAL.
particularidades. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. ART. 9º, § 2º, DA LEI
2. Para o preenchimento da tipicidade penal do N.
delito de estelionato não é suficiente a obtenção de 10.826/2003.
vantagem indevida, ante a sustação dos cheques. É 1. A conduta daquele que presta informação falsa
indispensável a presença do artifício, ardil, ou de quando da declaração de ajuste anual de imposto de
qualquer outro meio fraudulento que tenha induzido renda para reduzir o tributo devido amolda-se ao
ou mantido a vítima em erro. Igualmente, deve ser tipo penal do art. 1º, I, da Lei n.8.137/1990, e não ao
demonstrado em qual erro incidiu a vítima. A crime de estelionato (art. 171, § 3º, do CP), sendo o
transmissão do imóvel a pessoa indicada pelo fato de a conduta ter gerado indevida restituição do
recorrente, antes do adimplemento do valor integral, imposto retido na fonte apenas consequência do
não se reveste de qualquer fraude, pois todos delito, desnecessária para a sua configuração.
estavam cientes dos atos que estavam sendo 2. Julgado que não debateu a questão objeto do recurso
realizados e o fato de ter sido emitida contraordem especial não presta para caracterizar a divergência
para não pagamento dos cheques não pode ser jurisprudencial.
considerado um engodo, pois trata-se de conduta 3. O acórdão recorrido está em consonância com o
expressamente prevista no caput do art. 35 da Lei nº entendimento desta Corte, firmado do sentido de
7.357/1985. que há a extinção da punibilidade pelo deferimento
3. A conduta de frustrar o pagamento por meio de do parcelamento do débito tributário, nos termos do
cheque, ajustaria-se melhor ao tipo penal descrito art. 34 da Lei n. 9.249/1995, antes do recebimento da
no art. 171, § 2º, VI, do Código Penal, que, contudo, denúncia.
não prescinde da demonstração da fraude - 4. Hipótese concreta em que o parcelamento do
conforme dispõe o verbete nº 246 do Supremo débito tributário ocorreu apenas em 2006, ou seja, já
Tribunal Federal -, o que não se verificou no caso. na vigência da Lei n. 10.684/2003, quando o simples
Outrossim, a reparação integral do dano, antes do parcelamento não é suficiente para a extinção da
recebimento da denúncia, nos termos do que punibilidade, exigindo-se o pagamento integral da
retratado nos autos, impede o prosseguimento da dívida, a qualquer tempo.
ação penal. Inteligência do enunciado nº 554 da 5. Noticiado pelo Juízo de primeiro grau ter havido a
Corte Suprema. quitação integral do débito parcelado, operou-se a
4. Os elementos do tipo penal são eleitos com o extinção da punibilidade, nos termos do art. 9º, § 2º,
objetivo de reprimir agressões intoleráveis a bens da Lei n. 10.684/2003.
de maior importância, justificando- se, dessa forma, 6. Recurso especial parcialmente conhecido e,
a intervenção do Direito Criminal - diretamente nessa extensão, improvido.
relacionado à restrição da liberdade. Assim, além de (REsp 1111720/PR, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS
não estar preenchida a tipicidade, a conduta narrada JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 13/08/2013, DJe
não apresenta a especial gravidade que se exige 28/08/2013)
para justificar o início da persecução penal.
De fato, o inadimplemento poderia ter sido
justificado e resolvido apenas na seara cível, ainda Terceira Seção
que verificado eventual abuso de direito, dando-se CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA.
primazia, assim, aos princípios da intervenção ESTELIONATO. FRAUDE NO PAGAMENTO POR
mínima e da fragmentariedade. MEIO DE CHEQUE SEM PROVISÃO DE FUNDOS.
5. Recurso ordinário em habeas corpus a que se dá COMPETÊNCIA DO FORO DO LOCAL ONDE SE DEU
provimento para trancar a ação penal nº A RECUSA PELO SACADO. SÚMULA 244/STJ E
301.01.2011.000474-8. SÚMULA 521/STF. COMPETÊNCIA DO JUÍZO
(RHC 37.029/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO SUSCITADO.
BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em 13/08/2013, 1. O foro competente para processar e julgar o crime
DJe 20/08/2013) de estelionato cometido sob a modalidade de fraude
no pagamento por meio de cheque sem provisão de
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fundos (art. 171, § 2º, VI, do CP) é o do local da específica, não se confundindo, assim, com mútuo
recusa do pagamento pelo sacado (Súmula 244/STJ obtido a título pessoal, conduta que caracteriza o
e Súmula 521/STF). crime de estelionato. Tendo em vista que os autos
2. Conflito conhecido para reconhecer a descrevem a ocorrência de mero empréstimo
competência do Juízo de Direito da 2ª Vara Criminal fraudulento, sem destinação específica, certa é a
de Ourinhos/SP, o suscitado. competência da Justiça Estadual para processar e
(CC 116.295/PR, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO julgar os fatos objeto dos presentes autos" (STJ, CC
BELLIZZE, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 122.257/SP, Rel. Ministra ALDERITA RAMOS DE
12/06/2013, DJe 25/06/2013) OLIVEIRA (Desembargadora Convocada do TJ/PE),
TERCEIRA SEÇÃO, DJe de 12/12/2012). Em igual
sentido: STJ, CC 112.244/SP, Rel. Ministro OG
Terceira Seção FERNANDES, TERCEIRA SEÇÃO, DJe de
PENAL E PROCESSUAL PENAL. CONFLITO 16/09/2010; CC 119.304/SE, Rel.
NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA
INQUÉRITO POLICIAL. CRIME DE ESTELIONATO. SEÇÃO, DJe de 04/12/2012.
ART. 171 DO CÓDIGO PENAL. IV. Conflito conhecido, para declarar competente o
OBTENÇÃO FRAUDULENTA DE EMPRÉSTIMO Juízo de Direito da Vara Criminal de Inquéritos
CONSIGNADO, PARA DESCONTO NA FOLHA DE Policiais da Comarca de Belo Horizonte/MG, o
PAGAMENTO DE SEGURADO DA PREVIDÊNCIA suscitado.
SOCIAL. INOCORRÊNCIA DE VINCULAÇÃO A (CC 125.061/MG, Rel. Ministra ASSUSETE
DESTINAÇÃO ESPECÍFICA. INEXISTÊNCIA DE MAGALHÃES, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
CRIME CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO 08/05/2013, DJe 17/05/2013)
NACIONAL. AFASTAMENTO DA TIPO PREVISTO NO
ART.
19 DA LEI 7.492/86. PRECEDENTES DO STJ. Terceira Seção
COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. DELITO DE
I. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, ESTELIONATO POR MEIO DA INTERNET.
no que tange ao art. 19 da Lei 7.492/86, tem NÃO INCIDÊNCIA DOS INCISOS IV E V DA
advertido que, "(...) a mera obtenção fraudulenta de CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
empréstimo pessoal junto a instituição financeira COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL.
não caracteriza crime contra o Sistema Financeiro PRECEDENTES DO STJ.
Nacional, mas sim, delito de estelionato, porquanto 1. O fato de o suposto crime de estelionato ter sido
não se trata de contrato de financiamento, visto que cometido por meio da rede mundial de
não se exige destinação específica, tampouco computadores (internet) não atrai, necessariamente,
comprovação da aplicação dos recursos" (STJ, CC a competência da Justiça Federal para o
119.304/SE, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO processamento do feito.
BELLIZZE, TERCEIRA SEÇÃO, DJe de 04/12/2012). 2. Para se firmar a competência da Justiça Federal,
II. No caso concreto, a conduta em apuração, no além da transnacionalidade do delito, deve-se
Inquérito Policial, refere-se a obtenção fraudulenta demonstrar lesão a bens, serviços e interesses da
de contrato de empréstimo consignado (e não União e que o País é signatário de acordos e
financiamento, em que há vinculação quanto ao tratados internacionais, a teor dos incisos IV e V do
objeto), com o Banco BMG S/A, no qual individuo, art. 109 da CF.
que se apresentou como o segurado da Previdência 3. A hipótese dos autos, não há lesão aos incisos IV
Social, tomou o valor de R$ 4.000,00 (quatro mil e V da Constituição Federal, uma vez que o
reais), autorizando o desconto voluntário, pelo INSS particular foi vítima direta do delito de estelionato
(consignante), em folha de pagamento (proventos em investigação, e, apesar de os bens terem sido
da aposentadoria por invalidez), de 60 (sessenta) enviados para a Nigéria por meio de transação feita
parcelas, mensais e consecutivas. pela internet, o próprio dispositivo constitucional
Trata-se de empréstimo fraudulento, sem destinação exige, para o reconhecimento da competência da
específica dos recursos obtidos junto à instituição Justiça Federal, que o crime praticado nesse
financeira, caracterizando-se o delito de estelionato, contexto transnacional tenha sido previsto em
de competência da Justiça Estadual. tratado ou convenção internacional, o que não é o
III. Com efeito, "esta Corte Superior de Justiça já caso dos autos, já que o Brasil não ratificou a
firmou posicionamento de que só há a conduta Convenção de Budapeste de Repressão à
descrita no art. 19 da Lei nº 7.492/86 Cibercriminalidade, nem qualquer tratado através do
("financiamento") quando os recursos obtidos junto qual tenha se obrigado a reprimir o delito de
à instituição financeira possuem destinação estelionato.
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4. Conflito conhecido para declarar competente o Terceira Seção


Juízo de Direito da Vara Criminal de Inquéritos CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. CRIME
Policiais de Belo Horizonte/MG, o suscitado. DE ESTELIONATO. CONSUMAÇÃO.
(CC 126.768/MG, Rel. Ministra ALDERITA RAMOS DE LOCAL DO EFETIVO PREJUÍZO À VÍTIMA. BANCO
OLIVEIRA (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO SACADO.
TJ/PE), TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 24/04/2013, 1. Nos termos do art. 70 do CPP, a competência será
DJe 10/05/2013) de regra determinada pelo lugar em que se
consumou a infração.
2. O estelionato, crime tipificado no art. 171 do CP,
Quinta Turma consuma-se onde ocorreu o efetivo dano à vítima. In
AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. 1. casu, o efetivo dano se deu no local onde foi obtida
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. a vantagem ilícita, ou seja, na agência bancária onde
IMPOSSIBILIDADE. 2. "ESTELIONATO JUDICIÁRIO". foi depositado o cheque adulterado, e onde a vítima
NÃO OCORRÊNCIA. 3. possuía a conta bancária, localizada em Cachoeiro
FRAUDE ANTERIOR À INSTAURAÇÃO DO do Itapemirim/ES.
PROCESSO. AÇÕES PARA RECEBIMENTO DO 3. Conflito de competência conhecido para declarar
SEGURO DPVAT, FUNDADAS EM BOLETINS DE competente o Juízo Federal da 2ª Vara de Cachoeiro
OCORRÊNCIA QUE NARRAVAM FATOS FALSOS. de Itapemirim - SJ/ES, o suscitado.
4..AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. (CC 126.781/CE, Rel. Ministra ALDERITA RAMOS DE
1. Como é cediço, o trancamento de ação penal é OLIVEIRA (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO
medida excepcional, só admitida quando ficar TJ/PE), TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 10/04/2013,
provada, inequivocamente, sem a necessidade de DJe 17/04/2013)
exame valorativo do conjunto fático ou probatório, a
atipicidade da conduta, a ocorrência de causa
extintiva da punibilidade, ou, ainda, a ausência de Sexta Turma
indícios de autoria ou de prova da materialidade do DIREITO PENAL. APLICAÇÃO DA REGRA DA
delito, circunstâncias não evidenciadas na hipótese CONTINUIDADE DELITIVA AO ESTELIONATO
em exame. PREVIDENCIÁRIO PRATICADO MEDIANTE A
2. Em casos anteriores, em que o Superior Tribunal UTILIZAÇÃO DE CARTÃO MAGNÉTICO DO
de Justiça afastou a figura do estelionato pela BENEFICIÁRIO FALECIDO.
prática da advocacia, o próprio feito foi utilizado A regra da continuidade delitiva é aplicável ao
como meio de fraude. Portanto, era possível ao estelionato previdenciário (art. 171, § 3º, do CP)
Magistrado, durante o curso do processo, ter praticado por aquele que, após a morte do
acesso às informações que caracterizavam a fraude, beneficiário, passa a receber mensalmente o
como no caso de ajuizamento de mais de uma ação benefício em seu lugar, mediante a utilização do
pelo advogado, à busca de uma Vara que lhe fosse cartão magnético do falecido. Nessa situação, não
favorável; ou a inclusão de nomes e de valores em se verifica a ocorrência de crime único, pois a
processos de execução, que não estavam fraude é praticada reiteradamente, todos os meses,
contemplados na sentença proferida na fase de a cada utilização do cartão magnético do
conhecimento. beneficiário já falecido. Assim, configurada a
3. Na espécie, não há que se falar em "estelionato reiteração criminosa nas mesmas condições de tempo,
judiciário", porquanto os registros de boletins de lugar e maneira de execução, tem incidência a regra da
ocorrência falsos aconteceram anteriormente à continuidade delitiva prevista no art. 71 do CP. A
formação da relação processual. Diferentemente hipótese, ressalte-se, difere dos casos em que o
dos demais precedentes desta Corte, aqui, os estelionato é praticado pelo próprio beneficiário e
artifícios preparados previamente ao ajuizamento daqueles em que o não beneficiário insere dados falsos
das ações eram medidas que escapavam ao alcance no sistema do INSS visando beneficiar outrem; pois,
das averiguações no âmbito do processo judicial, de segundo a jurisprudência do STJ e do STF, nessas
modo que nem o magistrado, nem a parte adversa situações o crime deve ser considerado único, de modo
teriam condições de detectá-los com diligências a impedir o reconhecimento da continuidade delitiva.
comuns. REsp 1.282.118-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
4. Agravo regimental a que se nega provimento. Moura, julgado em 26/2/2013.
(AgRg no HC 248.211/RS, Rel. Ministro MARCO
AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em
18/04/2013, DJe 25/04/2013) Terceira Seção
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA.
ESTELIONATO. EMISSÃO DE CHEQUE SEM
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PROVISÃO DE FUNDOS. INCIDÊNCIA DO princípio da legalidade estrita, previsto no art. 5º, XXXIX,
ENTENDIMENTO SEDIMENTADO NAS SÚMULA N.º da CF e art. 1º do CP, a tutela penal se limita apenas
521, DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, E N.º 244, àquelas condutas previamente definidas em lei. Por fim,
DESTA CORTE. CONFLITO CONHECIDO, PARA ressalta-se que a Lei n. 12.550/2011 acrescentou ao CP
DECLARAR A COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE uma nova figura típica com o fim de punir quem utiliza
DIREITO DA COMARCA DA SÃO BENEDITO/CE. ou divulga informação sigilosa para lograr aprovação em
1. Nos termos da Súmula n.º 521, do Supremo concurso público. Precedentes citados do STF: Inq
Tribunal Federal, "[o] foro competente para o 1.145-PB, DJe 4/4/2008; do STJ: HC 39.592-PI, DJe
processo e julgamento dos crimes de estelionato, 14/12/2009, e RHC 22.898-RS, DJe 4/8/2008. HC
sob a modalidade da emissão dolosa de cheque 245.039-CE, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado
sem provisão de fundos, é o do local onde se deu a em 9/10/2012.
recusa do pagamento pelo sacado".
2. O art. 1.º, inciso III, da Lei n.º 7.357/85 (lei do
cheque), define como sacado o banco ou a Quinta Turma
instituição financeira que deve pagar a quantia ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO. NATUREZA
constante da cártula. Prevê o art. 4.º, do mesmo JURÍDICA. PRESCRIÇÃO.
dispositivo, que "[o] emitente deve ter fundos A Seção, por maioria, fixou o entendimento de que é
disponíveis em poder do sacado e estar autorizado crime permanente o estelionato praticado contra a
a sobre eles emitir cheque, em virtude de contrato Previdência Social. Portanto, inicia-se a contagem
expresso ou tácito." Infere-se que a provisão de do prazo prescricional no momento em que cessa o
fundos a que se refere a Lei é aquela em poder da pagamento indevido do benefício, e não quando
agência em que o emitente abriu conta, até porque recebida a primeira parcela da prestação
foi lá onde ocorreu a autorização para emissão dos previdenciária, ou seja, a conduta delituosa é
cheques. reiterada com cada pagamento efetuado, pois gera
3. Tal entendimento também foi sedimentado no nova lesão à Previdência. Assim, não é necessário
âmbito desta Corte (Súmula n.º 244: "compete ao que o meio fraudulento empregado seja renovado a
foro do local da recusa processar e julgar o crime de cada mês para verificar a permanência do delito.
estelionato mediante cheque sem provisão de Ademais, nos crimes instantâneos de efeitos
fundos"). permanentes, o agente não possui o poder de cessar os
4. Conflito conhecido, para declarar a competência efeitos da sua conduta; já nos crimes permanentes,
do Juízo de Direito da Comarca da São Benedito/CE. pode interromper a fraude a qualquer momento.
(CC 122.646/PE, Rel. Ministra LAURITA VAZ, Precedentes citados dos STF: RHC 105.761-PA, DJe
TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 28/11/2012, DJe 1º/2/2011, e HC 102.774-RS, DJe 7/2/2011; do STJ: HC
04/12/2012) 139.737-ES, DJe 6/12/2010. REsp 1.206.105-RJ, Rel.
Min. Gilson Dipp, julgado em 27/6/2012.

Quinta Turma
DIREITO PENAL. COLA ELETRÔNICA. ATIPICIDADE Sexta Turma
DA CONDUTA. ESTELIONATO JUDICIAL (JUDICIÁRIO).
A “cola eletrônica”, antes do advento da Lei n. TIPICIDADE.
12.550/2011, era uma conduta atípica, não A Turma deu provimento ao recurso especial para
configurando o crime de estelionato. Fraudar absolver as recorrentes – condenadas como
concurso público ou vestibular através de cola incursas nas sanções do art. 171, § 3º, do CP – por
eletrônica não se enquadra na conduta do art. 171 entender que a conduta a elas atribuída –
do CP (crime de estelionato), pois não há como levantamento indevido de valores por meio de tutela
definir se esta conduta seria apta a significar algum antecipada, no bojo de ação civil – não configura o
prejuízo de ordem patrimonial, nem reconhecer denominado “estelionato judicial”. A Min. Relatora
quem teria suportado o revés. Assim, caso ocorresse asseverou que admitir tal conduta como ilícita violaria o
uma aprovação mediante a fraude, os únicos direito de acesso à justiça, constitucionalmente
prejudicados seriam os demais candidatos ao cargo, já assegurado a todos os indivíduos nos termos do
que a remuneração é devida pelo efetivo exercício da disposto no art. 5º, XXXV, da CF. Sustentou-se não se
função, ou seja, trata-se de uma contraprestação pela poder punir aquele que, a despeito de formular pedido
mão de obra empregada, não se podendo falar em descabido ou estapafúrdio, obtém a tutela pleiteada.
prejuízo patrimonial para a administração pública ou Destacou-se, ademais, a natureza dialética do
para a organizadora do certame. Ademais, não é processo, possibilitando o controle pela parte contrária,
permitido o emprego da analogia para ampliar o âmbito através do exercício de defesa e do contraditório, bem
de incidência da norma incriminadora; pois, conforme o como a interposição dos recursos previstos no
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ordenamento jurídico. Observou-se, inclusive, que o aposentadoria, mas também passou a receber
magistrado não estaria obrigado a atender os pleitos indevidamente os valores respectivos. Assim, sendo a
formulados na inicial. Dessa forma, diante de tais paciente beneficiária da aposentadoria indevida, que
circunstâncias, seria incompatível a ideia de ardil ou não apenas induziu, mas manteve a vítima (Previdência
indução em erro do julgador, uma das elementares para Social) em erro, o delito possui natureza permanente,
a caracterização do delito de estelionato. Acrescentou- consumando-se na data da cessação da permanência,
se que eventual ilicitude na documentação apresentada no caso, 12/2006. Dessa forma, não há falar em
juntamente com o pedido judicial poderia, em tese, prescrição retroativa, pois não transcorreu o lapso
constituir crime autônomo, que não se confunde com a prescricional devido (quatro anos) entre a data da
imputação de “estelionato judicial” e, in casu, não foi consumação do delito (12/2006) e o recebimento da
descrito na denúncia. Ponderou-se, ainda, que, em uma denúncia (27/6/2008). Com essas, entre outras
análise mais detida sobre os elementos do delito de considerações, a Turma, prosseguindo o julgamento,
estelionato, não se poderia considerar a própria por maioria, denegou a ordem. Precedentes citados do
sentença judicial como a vantagem ilicitamente obtida STF: HC 85.601-SP, DJ 30/11/2007, e HC 102.049-RJ,
pelo agente, uma vez que resultante do exercício DJe 12/12/2011. HC 216.986-AC, Rel. originário Min.
constitucional do direito de ação. Por sua vez, concluiu- Vasco Della Giustina (Desembargador convocado
se que o Direito Penal, como ultima ratio, não deve do TJ-RS), Rel. para acórdão Min. Maria Thereza de
ocupar-se de questões que encontram resposta no Assis Moura, julgado em 1º/3/2012.
âmbito extrapenal, como na hipótese dos autos. A
deslealdade processual pode ser combatida com as
regras dispostas no CPC, por meio da imposição de Sexta Turma
multa ao litigante de má-fé, além da possibilidade de ESTELIONATO. PRINCÍPIO. INSIGNIFICÂNCIA.
punição disciplinar no âmbito do Estatuto da Policial rodoviário da reserva remunerada (ora
Advocacia. REsp 1.101.914-RJ, Rel. Min. Maria paciente) utilizou-se de documento falso (passe
Thereza de Assis Moura, julgado em 6/3/2012. conferido aos policiais da ativa) para comprar
passagem de ônibus intermunicipal no valor de R$
48,00. Por esse motivo, foi denunciado pela suposta
Sexta Turma prática do crime de estelionato previsto no art. 171
ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO. PRAZO do CP. Sucede que a sentença o absolveu
PRESCRICIONAL. sumariamente em razão do princípio da
A quaestio juris está em saber se o delito pelo qual insignificância, mas o MP estadual interpôs
foi condenada a paciente, de estelionato apelação e o TJ determinou o prosseguimento da
previdenciário (art. 171, § 3º, do CP), possui ação penal. Agora, no habeas corpus, busca a
natureza permanente ou instantânea, a fim de impetração seja restabelecida a decisão de primeiro
verificar a prescrição da pretensão punitiva. Na grau devido à aplicação do referido princípio. Para o
espécie, a paciente foi condenada, pelo delito Min. Relator, a conduta do paciente não preenche os
mencionado, à pena de um ano, nove meses e dez dias requisitos necessários para a concessão da
de reclusão em regime fechado, além de vinte dias- benesse pretendida. Explica que, embora o valor da
multa, por ter omitido o óbito de sua filha, portadora de vantagem patrimonial seja de apenas R$ 48,00 (valor
deficiência, ocorrido em 1º/5/2001, data a partir da qual da passagem), as circunstâncias que levam à
começou a receber indevidamente o benefício de denegação da ordem consistem em ser o paciente
aposentadoria pertencente ao de cujus, tendo a conduta policial da reserva, profissão da qual se espera
perdurado até 12/2006. No writ, busca a declaração da outro tipo de comportamento; ter falsificado
extinção da punibilidade devido à prescrição retroativa documento para parecer que ainda estava na ativa;
da pretensão punitiva, sustentando que o crime de além de, ao ser surpreendido pelos agentes, portar a
estelionato contra a Previdência Social é delito quantia de R$ 600,00 no bolso, a demonstrar que
instantâneo de efeitos permanentes. Nesse contexto, teria plena condição de adquirir a passagem. Assim,
destacou-se que, no julgamento do HC 85.601-SP, o tais condutas do paciente não se afiguram como um
STF distinguiu duas situações para a configuração da irrelevante penal, nem podem ensejar
natureza jurídica do delito em comento. Para aquele que constrangimento ilegal. Por fim, assevera que não
comete a fraude contra a Previdência e não se torna caberia também, na via estreita do habeas corpus, o
beneficiário da aposentadoria, o crime é instantâneo, exame da alegação da defesa quanto a eventuais
ainda que de efeitos permanentes. Contudo, para o dificuldades financeiras do paciente. Esclarece ainda
beneficiário, o delito continua sendo permanente, que, de acordo com a jurisprudência do STF, para a
consumando-se com a cessação da permanência. In incidência do princípio da insignificância, são
casu, a paciente não apenas omitiu da Previdência necessários a mínima ofensividade da conduta do
Social o óbito da verdadeira beneficiária da agente, nenhuma periculosidade social da ação, o
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reduzidíssimo grau de reprovabilidade do prescrição da pretensão punitiva, ficando


comportamento e a inexpressividade da lesão jurídica prejudicadas as demais alegações.
provocada. Diante dessas considerações, a Turma (REsp 1024042/RJ, Rel. Ministro OG FERNANDES,
denegou a ordem e cassou a liminar deferida para SEXTA TURMA, julgado em 21/09/2010, DJe
sobrestar a ação penal até o julgamento do habeas 04/10/2010)
corpus. Precedentes citados do STF: HC 84.412-SP, DJ
19/11/2004; do STJ: HC 146.656-SC, DJe 1º/2/2010, e
HC 83.027- PE, DJe 1º/12/2008. HC 156.384-RS, Rel. Terceira Seção
Min. Og Fernandes, julgado em 26/4/2011. PROCESSO PENAL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA.
ESTELIONATO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS
CONCRETOS DA PRÁTICA DE CRIME DE
Sexta Turma COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.
RECURSO ESPECIAL. FALSIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL.
DOCUMENTO PÚBLICO (PORTE DE ARMA) E 1. Inexistindo qualquer indício concreto da prática
ESTELIONATO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO de delito de competência da Justiça Federal, é de se
APLICAÇÃO DO ENUNCIADO DA SÚMULA Nº 17 DO reconhecer a competência da Justiça Estadual para
STJ. POSSIBILIDADE. dar prosseguimento ao feito em que se investiga o
PRESCRIÇÃO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. suposto cometimento de estelionato. A mera
1. No caso, sem que haja uma análise acurada da "possibilidade" de a falsificação visar a lavagem de
matéria fático-probatória contida nos autos, dinheiro ou de o crime ter sido cometido para lesar
constata-se que o recorrente falsificou os o Fisco Federal não justifica a alteração da
documentos com o fim único e específico de induzir competência.
as vítimas em erro, fazendo-as pensar que estavam 2. Conflito conhecido para declarar competente o
adquirindo portes de armas verdadeiros, com o suscitado, Juízo de Direito do Departamento de
objetivo de auferir vantagem econômica. Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária de São
2. Na verdade, a própria denúncia deixa claro que as Paulo/SP.
falsificações foram perpetradas unicamente como (CC 114.320/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE
meio para a prática dos estelionatos, não apontando ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em
a exordial acusatória nenhum fato que sugira terem 14/03/2011, DJe 21/03/2011)
sido os documentos utilizados para fins diversos,
que lhes pudessem conferir objetivo autônomo e
independente. Quinta Turma
3. Com efeito, inviável a condenação do recorrente GERENTE. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. FURTO
pelo crime de falsificação de documento público, QUALIFICADO. FRAUDE.
pois não houve demonstração em concreto de que A Turma deu provimento ao recurso especial para
falsificação ocorreu em momentos distintos para a subsumir a conduta do recorrido ao delito de furto
prática de outros crimes, que não a específica para qualificado pela fraude (art. 155, § 4º, II, do CP), não
a fraude empregada no delito de estelionato, sendo ao de estelionato (art. 171 do CP). In casu, o réu,
certo, também, que a potencialidade lesiva esgotou como gerente de instituição financeira, falsificou
para o autor do fato, que nada mais poderia fazer assinaturas em cheques de titularidade de
com os ditos documentos. correntistas com os quais, por sua função, mantinha
4. Ademais, não há se falar que as vítimas fossem relação de confiança, o que possibilitou a
utilizar o documento público para praticar outros subtração, sem obstáculo, de valores que se
delitos, pois, nessa qualidade, sequer sabiam da encontravam depositados em nome deles. Para o
falsidade do porte de arma. Min. Relator, a fraude foi utilizada para burlar a
5. Enfim, não há dúvida de que o falso foi o crime- vigilância das vítimas, não para induzi-las a entregar
meio destinado à consumação do estelionato, voluntariamente a res. REsp 1.173.194-SC, Rel. Min.
atraindo a incidência da Súmula n. 17 do STJ, que Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 26/10/2010.
preceitua, "quando o falso se exaure no estelionato,
sem mais potencialidade lesiva, é por este
absorvido".
6. Recurso provido para excluir da condenação a Sexta Turma
pena relativa ao crime previsto no art. 297 do ESTELIONATO. INSS. REVISÃO. BENEFÍCIO.
Código Penal. Habeas corpus concedido, de ofício, Os pacientes, agindo como advogados de pessoa
para declarar a extinção da punibilidade estatal analfabeta, ajuizaram ação de revisão de benefício
quanto ao delito remanescente, qual seja, o previdenciário lastreados em anotações em carteira de
estelionato, em face da ocorrência superveniente da trabalho e comprovantes da qualidade de segurado de
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seu marido. A ação foi, ao final, julgada procedente em de importação proibida. Para garantir a continuidade
parte; porém, iniciada a execução, o INSS, após sete da exploração desses jogos de azar proibidos,
anos de lide, informou ao juízo que inexistia a praticavam outros crimes: de estelionato –
concessão do benefício cuja revisão se buscava, o que configuravam os caça-níqueis para gerar mais
culminou com a denúncia dos acusados pela suposta lucros pela redução de chances de acerto dos
prática de estelionato contra o INSS. Os pacientes, por usuários, e simulavam premiações inexistentes, por
sua vez, alegam a inépcia da denúncia dada a meio dessas fraudes, aumentando o lucro da
atipicidade da conduta a eles atribuída. Quanto a isso, organização em prejuízo dos jogadores –; de
anote-se, primeiramente, que, tal como aduziu o MP em violação de lacre – quando a polícia flagrava a
seu parecer, o direito subjetivo de buscar o Poder atividade ilícita, eles rompiam os lacres, voltando a
Judiciário, um dos mais relevantes pilares do Estado utilizá-los ou substituíam as máquinas por outras
democrático de direito, é inalienável. Daí que almejar a com defeito, colocando os lacres sobre elas –; de
prestação da tutela jurisdicional, em si mesma, corrupção ativa – muitas vezes, esses
ainda que mediante pedido absurdo ou procedimentos eram realizados com ajuda de
manifestamente improcedente, não pode ser policiais corrompidos –; por fim, contrabando e
equiparado a tentar induzir a erro o réu ou o próprio descaminho das máquinas e peças de reposição.
juízo, quanto mais se acostados documentos que Para o Min. Relator, a denúncia atende aos requisitos
comprovariam o suposto direito. Mostra-se evidente do art. 41 do CPP e, ao menos em tese, merece
que induzir alguém a erro com o objetivo de obter apuração do fato típico. Observa que, ao contrário do
vantagem pessoal é conduta típica, mas trazer a que alegam os impetrantes, a falta da identificação na
juízo pretensões infundadas não o é. Consta, denúncia do policial ou agente público corrompido não
também, da própria exordial acusatória que aquela descaracteriza o crime de corrupção ativa se há provas
autarquia, já ao tempo da contestação, tinha da oferta e promessa de vantagem, uma vez que a
condições de informar o juízo da inexistência do corrupção ativa é delito formal que independe da
benefício e, se ela, a detentora dos competentes aceitação do funcionário público para sua
registros, desconhecia esse fato, só se dando conta caracterização, sendo o sujeito passivo direto o Estado.
disso anos depois de ajuizada a ação, não é de se Além de que, na denúncia, há indicação de seis policiais
exigir, tal como a denúncia, que os pacientes civis como corréus na atividade delitiva, todos como
tivessem conhecimento prévio dele, diante mesmo prováveis agentes corrompidos, embora sem vinculá-los
dos parcos documentos utilizados na ação. à oferta de vantagem a este ou aquele policial. Com
Outrossim, consta dos autos que o INSS chegou a essas considerações, entre outras, a Turma denegou a
atestar a existência do respectivo processo de ordem. HC 112.019-RS, Rel. Min. Napoleão Nunes
pensão em seu banco de dados, mas, só após um Maia Filho, julgado em 24/3/2009.
ano, deu-se conta de seu indeferimento por motivo
de perda da qualidade do segurado. Por isso tudo,
atribui-se a prática de crime aos pacientes por Sexta Turma
ajuizar ação de revisão de benefício previdenciário, ESTELIONATO. PROMESSA. COMPRA E VENDA.
quando deveriam ter promovido ação de concessão, O paciente, mediante procuração que não lhe
o que não pode prevalecer. Com esses conferia poderes para alienar imóvel, firmou
fundamentos, a Turma concedeu a ordem para promessa de compra e venda com a vítima, que lhe
trancar a ação penal. HC 28.694-SP, Rel. Min. Paulo pagou a importância avençada no contrato sem,
Gallotti, julgado em 18/6/2009. contudo, ser investida na posse. Mesmo diante da
discussão a respeito de o contrato de promessa de
compra e venda poder configurar o tipo do art. 171,
Quinta Turma § 2º, I, do CP, o acórdão impugnado mostrou-se
ESTELIONATO. IDENTIFICAÇÃO. claro em afirmar que o paciente efetivamente
SUJEITO PASSIVO. alienou o imóvel que não era de sua propriedade
Trata-se de pacientes incursos nas penas dos arts. 171, mediante essa venda mascarada, da qual obteve
288, 333, parágrafo único, e 334, § 1º, c, todos do CP. lucro sem efetuar sua contraprestação por absoluta
Um deles também foi denunciado pelo art. 205, também impossibilidade de fazê-la, visto que não era o
do CP. Buscam o trancamento da ação penal ao proprietário do lote que, de fato, vendeu. Daí ser, no
argumento de inépcia da exordial acusatória por não se caso, inequívoca a tipicidade da conduta, mesmo
ter especificado o sujeito passivo do estelionato nem se que perpetrado o crime mediante a feitura de
ter identificado quem teria sido corrompido. Descreve a promessa, não se podendo falar, assim, em
denúncia que a quadrilha explorava diversas máquinas trancamento da ação penal. Precedente citado: HC
caça-níqueis. Todos tinham conhecimento de que 68.685-SP, DJ 10/9/2007. HC 54.353-MG, Rel. Min. Og
elas possuíam equipamentos de origem estrangeira, Fernandes, julgado em 25/8/2009.
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Turma, ao prosseguir o julgamento, por maioria,


concedeu a ordem. Precedentes citados: RHC 2.889-
Sexta Turma MG, DJ 7/3/1994, e REsp 878.469-RJ, DJ
ESTELIONATO. FORNECIMENTO. SUCATA. 29/6/2007. HC 136.038-RS, Rel. Min. Nilson Naves,
O paciente, proprietário de uma empresa dedicada julgado em 1º/10/2009.
ao comércio de ferro-velho, foi denunciado pela
suposta prática do delito descrito no art. 171, § 2º,
IV, do CP, por fornecer a uma companhia Sexta Turma
siderúrgica sucatas com diversas impurezas, tais CHEQUE PRÉ-DATADO. ESTELIONATO.
como pedras, areia, madeiras e outros objetos, O paciente entregou cheques a seu irmão e ele
alterando a qualidade e quantidade do produto, com utilizou-os na aquisição de mercadorias junto à
o propósito, em tese, de obter vantagem ilícita. O vítima, um comerciante. Sucede que os cheques
acusado fornecia, há muito, esse tipo de mercadoria foram sustados pelo paciente e, após, foram
para a vítima. Porém, pela simples leitura dos autos, resgatados por seu irmão em troca de outros
sem qualquer incursão pela seara fático-probatória, emitidos por sua filha, sobrinha do paciente,
não se vislumbrou suficientemente demonstrado o cheques igualmente sustados, o que frustrou o
dolo na conduta do paciente em induzir ou manter a pagamento em prejuízo, mais uma vez, da vítima.
siderúrgica em erro, bem como qualquer obtenção Ordem de habeas corpus foi impetrada no Tribunal
de vantagem ilícita para si ou sequer o prejuízo de Justiça em favor da sobrinha, ao final concedida
alheio. Inexistindo previsão legal no ordenamento por tratar-se de cheques pré-datados entregues à
pátrio para enquadramento do paciente como vítima para saldar débito preexistente, o que afasta
sujeito ativo do crime tipificado no art. 171, § 2º, IV, o estelionato. Nesta sede, a Turma, igualmente,
do CP, por mero inadimplemento de obrigação entendeu conceder a ordem ao paciente e, por
contratual e, não narrando a denúncia, conforme extensão, a seu irmão, visto que os cheques em
exigência do art. 41 do CPP, indicativo de eventual questão foram emitidos em garantia de dívida
conduta ilícita perpetrada pelo acusado, a Turma (preexistente o débito), anotando que o paciente
entendeu que a continuidade da ação penal sequer era devedor, quanto mais que a própria
configura constrangimento ilegal. Precedentes vítima, em depoimento dado em juízo, afirmou
citados do STF: HC 87.441-PE, DJe 13/3/2009; do STJ: tratar-se de cheques pré-datados (Súm. n. 246-STF).
HC 63.655-SP, DJe 5/5/2008; HC 46.296-PB, DJ Precedente citado: RHC 20.600-GO, DJ 25/2/2008. HC
14/11/2005; HC 84.715-CE, DJ 5/11/2007; HC 26.656- 96.132-SP, Rel. Min. Nilson Naves, julgado em
SC, DJe 7/4/2008, e RHC 21.359-SP, DJe 7/8/2008.
19/5/2008. HC 55.889-ES, Rel. Min. Og Fernandes,
julgado em 25/8/2009.
Quinta Turma
ESTELIONATO TENTADO. INSERÇÃO.
Sexta Turma DADOS FALSOS.
HC. ESTELIONATO JUDICIÁRIO. O habeas corpus busca o trancamento da ação
In casu, o paciente, juntamente com outras pessoas, penal por falta de justa causa em relação ao crime
teria levado o juízo cível a erro e, assim, obtido de estelionato tentado, sob o argumento de que a
vantagem supostamente indevida, em ação judicial que conduta imputada ao paciente seria atípica, pois a
culminou na condenação da União ao pagamento de vantagem ilícita seria produto não do ato de
valores, o que, no entendimento da acusação, ingressar com a petição, mas de fraude anterior não
caracterizaria estelionato. Em habeas corpus (HC) imputada ao paciente, e sua conduta não teria
perante o Tribunal a quo, buscou-se o trancamento da excedido os limites do exercício regular da
ação penal por ausência de justa causa, mas a ordem advocacia. Destacou, ainda, que no sistema penal
foi denegada. Discutiu-se a possibilidade de se vigente, defende-se de uma imputação concreta,
praticar o tipo do crime previsto no art. 171 do CP nunca em tese (ex vi art. 41 do CPP), a imputação
na seara judicial, denominado pela jurisprudência e que permita adequação típica seja de subordinação
doutrina de “estelionato judiciário”. Nesta instância, imediata seja, então, mediata. Entretanto, no caso
entendeu-se que as supostas manobras e dos autos, a denúncia não descreve de que forma
inverdades no processo podem configurar teria concorrido o paciente para a inserção de dados
deslealdade processual e infração disciplinar, mas falsos em sistema de informações, bem como
não crime de falso e estelionato. O caso carece de quanto ao crime de estelionato tentado, indicando
tipicidade penal; estranho, portanto, à figura do apenas que o paciente, advogado, teria realizado
estelionato, mais ainda à do denominado estelionato pedido de restituição e de compensação de tributos
judiciário. Com esses fundamentos, entre outros, a que foram indeferidos por se basear em títulos
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prescritos. Ressaltou o Min. Relator que a denúncia


ainda informou que a invalidade dos créditos era
notória, por isso, se a conduta fosse típica, tratar-
se-ia de crime impossível. Concluiu-se, desse modo,
ser flagrante a inépcia da peça acusatória. Ademais,
não há, nos autos, elementos suficientes para
analisar a alegação de que não haveria justa causa
para a persecução penal, porque não há cópia dos
documentos referentes à investigação prévia
realizada pelo MP e pela Receita Federal, que
serviram como base para a denúncia. Diante do
exposto, a Turma concedeu, em parte, a ordem
quanto à denúncia em relação ao crime de
estelionato tentado e concedeu de ofício, também
parcialmente, para anular a denúncia em relação ao
crime do art. 313-A do CP. HC 107.107-RJ, Rel. Min.
Felix Fischer, julgado em 16/12/2008.

Quarta Turma
RECURSO ESPECIAL Nº 672.987 - MT
(2004/0083646-3)
RELATOR : MINISTRO JORGE SCARTEZZINI
RECORRENTE : ROSARIA MARIA SOARES ALVIM
ADVOGADO : OTÁVIO PINHEIRO DE FREITAS
RECORRIDO : ITAÚ SEGUROS S/A ADVOGADO :
ALESSANDRA CORSINO GONÇALVES E OUTROS
EMENTA DIREITOS CIVIL E PENAL - SEGURO DE
AUTOMÓVEL - FURTO QUALIFICADO - SEGURADO
VÍTIMA DE TERCEIRO QUE, A PRETEXTO DE
TESTAR VEÍCULO POSTO A VENDA, SUBTRAI A
COISA - INDENIZAÇÃO PREVISTA NA APÓLICE -
PERDA TOTAL DO BEM. INDENIZAÇÃO -
PAGAMENTO DO VALOR AJUSTADO NO
CONTRATO (APÓLICE) - RECURSO PROVIDO. 5 I -
Segundo entendimento desta Corte, para fins de
pagamento de seguro, ocorre furto mediante fraude,
e não estelionato, o agente que, a pretexto de testar
veículo posto à venda, o subtrai (v.g. REsp
226.222/RJ, DJ 17/12/99, HC 8.179-GO, DJ de
17.5.99).
III - Sendo o segurado vítima de furto, é devido o
pagamento da indenização pela perda do veículo, nos
termos previstos na apólice de seguro. III - Recurso
conhecido e provido para julgar procedente o pedido,
condenando a recorrida ao pagamento do valor
segurado, devidamente corrigido desde a data da
citação, invertendo-se os ônus sucumbenciais.
Julgado em 23.10.2007